Países onde todos usavam máscaras viram taxas de mortalidade COVID 100 vezes mais baixas do que o projetado

Agora que existem dados globais sobre onde a COVID está se espalhando, os cientistas podem ver os vários fatores que ajudam a atenuar sua propagação. O mais simples e mais eficaz: máscaras.

Revista Fast Company

Por Adele Peters

Quando a COVID-19 começou a se espalhar da China para outros países no final de janeiro, parecia que a Tailândia – um destino popular para turistas chineses, incluindo milhares que haviam viajado de Wuhan naquele mês – poderia ser atingida com força. Porém, no início de junho, o país teve pouco mais de 3.000 casos confirmados e 58 mortes. Nos EUA, a taxa de mortalidade per capita é mais de 450 vezes maior. 

Vários fatores provavelmente retardaram a propagação do vírus na Tailândia, incluindo lockdowns parciais, rastreamento de contatos e voluntários de saúde comunitária que ajudaram a rastrear a doença em todo o país. Mas um fator aparentemente importante foi o uso de máscaras, que se tornaram predominantes lá, mesmo quando a Organização Mundial da Saúde estava dizendo que elas não eram necessárias (a OMS, desde então, mudou a posição). Mesmo agora, com apenas alguns casos novos sendo relatados, 95% dos residentes da Tailândia relatam usar máscaras quando estão em público. 

Um novo estudo que analisou dados globais descobriu que os países que exigiram máscaras no início do surto, ou onde as pessoas as adotaram rapidamente, como na Tailândia, tiveram taxas de mortalidade 100 vezes mais baixas do que o projetado. "Examinamos os dados de 198 países em todo o mundo e a mortalidade por coronavírus, diz o principal autor Christopher Leffler, médico e professor da Virginia Commonwealth University. O que descobrimos é que os países que introduziram máscaras rapidamente – ou seja, antes do surto ter uma chance muito grande de se espalhar pelo país – tinham uma mortalidade muito menor. 

O estudo, que ainda não foi revisado por pares, descobriu que alguns fatores, incluindo as taxas locais de tabagismo e obesidade, urbanização, populações mais velhas e temperaturas médias mais baixas, estavam associados a mais mortes por COVID. Restrições a viagens internacionais foram associadas a menos mortes. E o uso de máscaras teve um impacto muito claro. Os países com uso generalizado de máscaras viram as taxas de mortalidade crescerem 8% por semana, em média, contra 54% em outros países. É algo que não poderia ter sido facilmente estudado no passado, já que a comparação tinha que olhar para países inteiros e aguardar o progresso da pandemia. 

Se você realmente quer conhecer todos os benefícios, precisa olhar para toda uma população, diz Leffler. “Se eu uso uma máscara, ela protege você. Se você usa uma máscara, ela me protege. Portanto, nos países que usam 95% ou mais das pessoas usam uma máscara, os outros 5% ainda recebem benefícios, porque estavam em um país onde o vírus simplesmente não podia se espalhar. 

Muitos países começaram rapidamente o uso difundido de máscaras faciais, incluindo Taiwan, que pesquisadores de John Hopkins previram em janeiro como o país mais atingido no mundo depois da China (até agora, Taiwan sofreu sete mortes em uma população de 23,78 milhões de habitantes). ) Serra Leoa adotou rapidamente máscaras. O mesmo aconteceu com Zâmbia, Venezuela, Eslováquia e outros ao redor do mundo. Mas outros países, incluindo os EUA, adotaram máscaras muito mais lentamente. 

Em abril, o CDC recomendou que os americanos usassem máscaras de pano em público, depois que o governo havia desencorajado os americanos de usarem máscaras. Espera-se que a agência emita novas orientações em breve. Mas muitos americanos ainda resistem a usá-los. Leffler acha que isso pode mudar. Eu acho que você pode ver a maré virando, e você pode ver cada vez mais aceitação na comunidade científica do benefício das máscaras, diz ele. “E acho que isso também vai filtrar para o público. . . Só posso ver isso se movendo em uma direção, e isso é a favor de uma maior aceitação das máscaras. 

As máscaras não precisam ser de nível médico para ajudar. Enquanto Taiwan, um fabricante de máscaras, fornecia aos cidadãos as máscaras da mais alta qualidade, outros países que confiavam nas máscaras de pano também viam benefícios quando o uso da máscara era generalizado. Se você é médico e cuida de um paciente com COVID, precisa de equipamentos de proteção individual que estejam quase perfeitos, porque precisam trabalhar perto de 100% para protegê-lo, diz Leffler. Mas se você falar sobre o que as pessoas precisam na rua, mesmo que seja uma máscara que bloqueou apenas metade das transmissões, isso terá um efeito enorme. Se você passar 10 gerações através da propagação da infecção, 2 elevado a 10 é 1.024. Portanto, mesmo que bloqueie apenas metade das transmissões, bloqueará quase toda a propagação do vírus à medida que você avança no tempo. 

SOBRE A AUTORA

Adele Peters é escritora da Fast Company que se concentra em soluções para alguns dos maiores problemas do mundo, das mudanças climáticas aos sem teto. Anteriormente, ela trabalhou com o GOOD, BioLite e o programa Produtos e Soluções Sustentáveis da Universidade da California Berkeley, e contribuiu para a segunda edição do livro best-seller Worldchanging: Um Guia do Usuário para o século XXI.

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O Brasil é empreendedor desde sempre

por Evandro Milet

Em “História da Riqueza no Brasil”, Jorge Caldeira subverte grande parte da nossa história, desde as noções básicas até a argumentação usada nas obras de Caio Prado, Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.

Caldeira inovou ao utilizar a econometria, possível agora com a informatização de dados antes dispersos em arquivos em papel, como os de vários censos realizados no país. Os números mostraram um Brasil diferente do que conhecíamos. A noção de que o Brasil colônia dependia da exportação de açúcar e no interior predominava a economia de subsistência cai por terra com os novos números. 

Havia no interior uma economia pujante, correndo fora dos registros oficiais e, portanto, do pagamento de impostos, capaz de gerar excedentes e permitir a acumulação de riqueza. Por esse motivo a economia colonial era, no final do século XVIII, muito maior que a de Portugal. O empreendedorismo é característica marcante na história do povo brasileiro, não só no interior, mas até com os indígenas. 

Ao longo de toda a costa, os tupi-guarani foram parceiros, inicialmente trocando pau-brasil, valiosíssimo na Europa, por instrumentos de ferro que os indígenas não conheciam. A derrubada de uma árvore podia demorar um décimo do tempo com as novas ferramentas. Essa relação foi ampliada pelo costume dos tupis, onde os filhos saiam para se casar com mulheres fora da taba e as mulheres permaneciam, atraindo parceiros de fora, o que provocou grande número de casamentos de índias com portugueses e selou uma parceria que durou muito tempo.

Em vários trechos, o livro ajuda a compor o quadro do porquê da diferença de desenvolvimento entre o Brasil e Estados Unidos, considerando que, em 1800, os dois países se equivaliam em população e tamanho da economia. Uma das causas foi o analfabetismo resolvido lá e aqui não durante o século XIX. 

Outras causas foram a ausência de universidades( a USP foi a primeira, apenas em 1933) e tipografia no país, onde não circulavam livros, até a vinda da família real em 1808. E por fim a estagnação da economia durante o império, com a manutenção da escravidão e os entraves ao desenvolvimento do capitalismo. A renda per capita passou de 670 dólares em 1820 para 704 em 1890, mostrando claramente uma estagnação. Nos EUA, a renda per capita quase que triplicou entre 1820 e 1890 passando de 1,3 mil para 4 mil dólares.

O país ficou sufocado pelo peso do governo nas relações do mercado. 

Isso fica evidente nas primeiras medidas da República, liberando a economia e provocando um crescimento espetacular do país. Em São Paulo, o número de bancos saltou de 5 para 22 entre 1889 e 1890. As indústrias organizadas em sociedades anônimas saltaram de 4 para 64 em 1890, e em 1891 já eram 210. A indústria têxtil passou de 79 mil fusos instalados em 1883 para 280 mil em 1898. 

A tendência de crescimento se consolidou a partir daí, apesar de crises cíclicas. Em 1907 havia 3,25 fábricas no país, em 1920 eram 13,3 mil. Em 1890 havia 9,9 mil quilômetros de linhas férreas, em 1930 atingiram 32 mil quilômetros. A partir daí, a ênfase foi toda para o modal rodoviário, ao ponto de chegarmos hoje com apenas 28,2 mil quilômetros de ferrovias( dos quais 8,6 mil não estão em uso), menos do que em 1930, e uma distorção enorme na logística de pessoas e cargas no país.

Até 1973, o país era a economia que mais crescera no mundo nas oito décadas anteriores. Depois disso o peso do Estado, dívidas crescentes, inflação, carga tributária e excesso de burocracia nos fazem marcar passo. 

Mas mantemos sempre a esperança de uma retomada rumo a um país civilizado e desenvolvido.

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Presidente do Itaú: crise ambiental será mais severa do que a pandemia

Presidente do maior banco do País defende que o combate às mudanças climáticas seja um dos pilares da retomada. E que as empresas repensem seu propósito. Saiba mais sobre ODS e ESG.

Por Rodrigo Caetano – Publicado em: 22/06/2020  

Para Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, essa é a hora para o governo aumentar os gastos, mas com responsabilidade. A pandemia do coronavírus impõe uma nova maneira de pensar a economia. Diante da severidade da crise, não basta fazer: é preciso pensar em como fazer. “Atuar de forma ética e com responsabilidade social e ambiental passou a ser fundamental”, diz Bracher. “Afinal, o Brasil é a nossa casa, e é natural que a gente faça a nossa parte para mantê-la em ordem”.

O maior risco está na próxima crise. Ocasionada pelas mudanças climáticas, ela não respeitará barreiras geográficas ou políticas, assim como a do coronavírus, mas será mais intensa e duradoura. Cabe à sociedade, incluindo as empresas, e também aos governos, trabalharem para evitá-la.  

“Só no ano passado, os focos de queimadas cresceram 30%, segundo o INPE”, afirma Bracher. “Esse é um problema no qual o papel do governo é fundamental, pois cabe a ele coibir o avanço das queimadas ilegais na região”.

Para o Itaú, esse repensar da economia e do papel das empresas se materializou em um grande esforço filantrópico, superior a 1 bilhão de reais. Entretanto, não será dessa vez que a filantropia passará a ser encarada como um elemento estratégico para o desenvolvimento, e não uma forma de caridade. “Eu gostaria de acreditar que sim, mas, sendo bastante pragmático, acho que ainda não veremos isso acontecer de forma estruturada”, afirma.   

Por e-mail, Bracher conversou com a Exame. Confira trechos da entrevista:

P – O setor financeiro e os governos devem incluir o combate às mudanças climáticas como um dos pilares para a retomada econômica pós-pandemia?

Não tenho dúvidas de que devem. Crises como a causada pela covid-19 e os impactos das mudanças climáticas não respeitam barreiras geográficas ou políticas e evidenciam desigualdades e vulnerabilidades sociais. Os danos causados pelas mudanças climáticas podem até ser mais lentos, mas certamente são mais duradouros do que os da pandemia que estamos vivendo. Paralelamente à pandemia, estamos assistindo ao crescimento dos incêndios na Amazônia. Só no ano passado, os focos de queimadas cresceram 30%, segundo o INPE. Esse é um problema no qual o papel do governo é fundamental, pois cabe a ele coibir o avanço das queimadas ilegais na região. 

P – No setor financeiro, o tema que ganha cada vez mais relevância é o do ESG* (meio ambiente, social e governança). Quando começaremos a ver a sustentabilidade e as questões climáticas realmente afetarem a precificação de ativos?

Os preços dos ativos, como os preços de qualquer bem da economia, são determinados pela relação entre oferta e procura. Cabe aos investidores exercer essa avaliação da importância do ESG para um ativo, demandando mais aqueles que são aderentes ao ESG e menos aqueles que não são. É isso que fará a diferença. Para nós, a avaliação ESG já é realidade, especialmente nos negócios do banco de atacado e no mundo de investimentos. 

Outras iniciativas nossas incluem o compromisso público de estimular setores de impacto positivo, como energia renovável, saúde e educação. Também temos oferecido ativos novos, como os green bonds, por meio dos quais as empresas captam recursos e garantem sua aplicação em projetos que tenham impacto positivo comprovado. No exterior, isso está mais avançado do que no Brasil. 

P – Atualmente, o Brasil atinge apenas 1 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável* (ODS) da ONU. Como acelerar essa agenda? Falta engajamento do governo ou das empresas?

É importante uma tomada de consciência da sociedade em relação a isso para cobrar do governo e das empresas uma atuação mais efetiva. Nós, aqui no Itaú Unibanco, lançamos 8 compromissos de impacto positivo em 2019, que cobrem 10 ODS em que o banco tem maior potencial de impacto. Temos metas para cada um desses compromissos, que acompanhamos de perto.

Entrevista completa: https://exame.com/negocios/bracher-itau-crise-ambiental-severa-pandemia/

*Veja a seguir a lista dos 17 ODS(Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU e uma descrição do significado de ESG:

Objetivo 1: Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares

Objetivo 2: Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável

Objetivo 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades

Objetivo 4: Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos

Objetivo 5: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas

Objetivo 6: Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos.

Objetivo 7: Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos

.

Objetivo 8: Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos

Objetivo 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação

Objetivo 10: Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles

Objetivo 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis

Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis

Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos 

Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável

Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade

Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis

Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável

*ESG

ESG é um termo cada vez mais usado no mundo dos investimentos para representar fatores ambientais, sociais e de governança (environmental, social and governance em inglês). Esses fatores estão sendo cada vez mais utilizados como critérios de análise que vão além de questões econômico-financeiras. Na prática, a análise de um investimento inclui, além de risco e retorno, a avaliação do impacto que ele causa na sociedade.

Os investimentos que levam em consideração fatores ESG se preocupam principalmente com os seguintes pontos:

Ambientais

  • Mudança climática e emissão de carbono
  • Uso de recursos naturais
  • Poluição e resíduos

Sociais

  • Saúde, segurança, diversidade e treinamento de colaboradores
  • Responsabilidade com o consumidor
  • Relação com a comunidade
  • Atividades beneficentes

Governança

  • Direitos dos acionistas
  • Composição do Conselho de Administração (independência e diversidade)
  • Política de remuneração da diretoria
  • Fraudes

Ambiental, Social e Governança refere-se aos três fatores centrais na medição da sustentabilidade e do impacto social de um investimento em uma empresa ou negócio. Esses critérios ajudam a determinar melhor o desempenho financeiro futuro das empresas. 

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Como inovar para resolver o desemprego?

(*) Paulo Milet 

Kai-Fu-Lee, no seu excelente livro Inteligência Artificial (IA), lançado em 2018, isto é, bem antes do “lançamento” do coronavírus, preocupado com o possível desemprego causado pelo avanço da IA, propõe a adoção das medidas que ele chamou de “Os três Rs: Reciclar (o conhecimento das pessoas), Reduzir (a carga de trabalho) e Redistribuir (a renda)”, ao longo dos próximos anos.

 Inteligentemente, Lee não considera a idéia fechada. Antes pelo contrário, ele diz claramente que essas três possibilidades devem ser bem pensadas e devem incorporar “comos” e ideias do maior número de pessoas. Eu, pessoalmente, acredito que esses três verbos são totalmente aplicáveis quase que de imediato, em paralelo ou assim que a crise entrar na sua fase descendente (algumas semanas? meses?). 

RECICLAR: Atualização de conhecimentos. As novas funções, atividades e profissões não estão sendo cobertas pelas entidades educacionais convencionais. O conceito de Life Long Learning (aprendizagem ao longo de toda a vida) precisa ser imediatamente considerado e priorizadas essas novas funções e profissões. Além dos novos conhecimentos, recuperar os que evadiram (dropout recovery) do ensino convencional e disponibilizar para esses, de modo online e gratuito, todas as trilhas de conhecimento necessárias para fechar seus ciclos nos ensinos fundamental e médio (São mais de 50.000.000 os que abandonaram os estudos nesses níveis). 

REDUZIR: A redução de carga de trabalho normalmente não aparece entre as soluções possíveis para o desemprego, mas a matemática torna isso óbvio. Simplificadamente, se 100 milhões querem trabalhar e 10% não conseguem, se reduzirmos a carga de trabalho na mesma proporção, o trabalho ocupará toda a PEA. Claro que isso teria que ser sincronizado com o R anterior (Reciclagem). Estamos acostumados com uma jornada de trabalho de 40/44h por semana, ou 8h por dia, como se isso fosse uma lei universal com uma lógica imutável. Nada mais enganoso. Vários países no mundo adotam cargas diferenciadas, por exemplo: Holanda, Dinamarca, Alemanha e França ficam no limite de 35h. E de onde veio essa carga? É relativamente recente. Basicamente vem do início do século XX, como uma correção nas cargas abusivas da revolução industrial. Em 1919 a OIT definiu 48h e em 1935 corrigiu para 40h. 

Ora, se estamos no limiar de uma nova revolução, porque não ousar nesses campos? Podemos buscar inspiração não no futuro, mas no passado, mais precisamente na Ilha de Utopia descrita em 1516 por Thomas Morus: ” Se todos trabalharem, a carga horária diminui para todos. Havendo seis horas apenas para trabalhar, esse tempo é suficiente para produzir bens abundantes que bastem para as necessidades e que cheguem não apenas para remediar, mas até sobrem.” “Nesta ilha dividem-se o dia e a noite em 24h exatas e destinam-se ao trabalho apenas 6 horas com intervalo para refeição e seguida de ceia. As 8 da noite vão para a cama, dando 8 horas de sono. O tempo livre entre o trabalho, as refeições e o sono é ocupado livremente por cada indivíduo, como melhor entender.” E Porque não? Seria utópico? (Com o perdão do trocadilho). 

REDISTRIBUIR: Redistribuição da riqueza. Essa discussão vem de muito tempo e defende que cada trabalhador tenha uma Renda Universal Básica, com ou sem contrapartida de trabalho. A argumentação é social e defende que todo ser humano deve ter suas necessidades básicas atendidas. Nesse campo, vimos uma decisão corajosa ser aprovada em questão de dias no Brasil, com uma renda de R$ 600,00 por pessoa com renda abaixo de determinado piso. O Bolsa família já era uma tentativa nessa direção. E de onde viria inicialmente o dinheiro para esses desembolsos? Vou me socorrer com André Lara Resende, que, no seu livro Consenso e Contrassenso, recupera a MMT, sigla em inglês para a Moderna Teoria Monetária, permitindo a emissão para financiar gastos sociais, respaldado pelo que aconteceu na crise de 2008 e com o controle de juros e eu completo aqui com a crise do coronavírus em maior escala. 

Atravessando e completando essa discussão, precisaríamos ter uma maneira de “formalizar” o trabalho, de modo que esse não estivesse em desvantagem em relação ao emprego formal, criando em paralelo o conceito de destrabalho (ver José Roberto Affonso) além de desemprego. Com um pouco de boa vontade e uma dose adicional de inteligência por parte dos governos, parlamento e empresas, certamente seria possível definir um plano com um horizonte de, vamos dizer, 10 anos, para que essas medidas estejam total e progressivamente implantadas, claro que em paralelo com ações fundamentais na saúde, habitação, saneamento e mobilidade. 

(*) Paulo Milet é consultor e empresário em EaD, Universidades corporativas e Gestão (pmilet@eschola.com) http://www.eaducam.com.br/ Twitter @miletpaulo e @pmilet Linkedin paulo milet

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Davos 2020: Propósito de empresas na 4ª Revolução Industrial – Capitalismo de stakeholders

Por que precisamos do ‘Manifesto de Davos’ para um melhor modelo de capitalismo?

por Klaus Schwab – Fundador e Presidente Executivo, Fórum Econômico Mundial

Que tipo de capitalismo queremos? Essa pode ser a questão definidora da nossa época. Se queremos sustentar nosso sistema econômico para as gerações futuras, devemos respondê-la corretamente.

De um modo geral, temos três modelos para escolher. O primeiro é o capitalismo do acionista, adotado pela maioria das empresas ocidentais, que sustenta que o objetivo principal de uma empresa deve ser maximizar seus lucros. O segundo modelo é o “capitalismo de estado”, que confia ao governo o direcionamento da economia e ganhou destaque em muitos mercados emergentes, principalmente na China. 

Mas, comparada a essas duas opções, a terceira recomenda mais. O capitalismo de stakeholders(partes interessadas), um modelo que propus há meio século, posiciona as empresas privadas como administradores da sociedade e é claramente a melhor resposta aos desafios sociais e ambientais de hoje.

O capitalismo do acionista, atualmente o modelo dominante, ganhou terreno nos Estados Unidos nos anos 1970 e expandiu sua influência globalmente nas décadas seguintes. Sua ascensão não foi sem mérito. Durante seu auge, centenas de milhões de pessoas em todo o mundo prosperaram, enquanto empresas com fins lucrativos abriram novos mercados e criaram novos empregos. 

Mas essa não foi a história toda. Os defensores do capitalismo dos acionistas, incluindo Milton Friedman e a Escola de Chicago, negligenciaram o fato de que uma empresa de capital aberto não é apenas uma entidade com fins lucrativos, mas também um organismo social. Juntamente com as pressões do setor financeiro para turbinar os resultados de curto prazo, o foco exclusivo nos lucros fez com que o capitalismo dos acionistas se tornasse cada vez mais desconectado da economia real. Muitos percebem que essa forma de capitalismo não é mais sustentável. A questão é: por que as atitudes começaram a mudar apenas agora?

Se tiver interesse, leia a seguir a íntegra do Manifesto

Manifesto de Davos 2020: O Propósito Universal de uma Empresa na Quarta Revolução Industrial

A. O propósito de uma empresa é envolver todas os seus stakeholders na criação de valor compartilhado e sustentado. Ao criar esse valor, uma empresa atende não apenas seus acionistas, mas todas as partes interessadas – funcionários, clientes, fornecedores, comunidades locais e a sociedade em geral. A melhor maneira de entender e harmonizar os interesses divergentes de todas as partes interessadas é através de um compromisso compartilhado com políticas e decisões que fortaleçam a prosperidade a longo prazo de uma empresa.

i. Uma empresa atende a seus clientes fornecendo uma proposta de valor que melhor atenda às suas necessidades. Aceita e apoia uma concorrência leal e condições equitativas. Tem tolerância zero à corrupção. Mantém o ecossistema digital em que opera, confiável e que merece confiança. Mantém os clientes totalmente informados da funcionalidade de seus produtos e serviços, incluindo implicações adversas ou externalidades negativas.

ii. Uma empresa trata seus funcionários com dignidade e respeito. Honra a diversidade e busca melhorias contínuas nas condições de trabalho e no bem-estar dos funcionários. Em um mundo de rápidas mudanças, uma empresa promove a empregabilidade contínua por meio de permanentes aprimoramento e capacitação.

iii. Uma empresa considera seus fornecedores como verdadeiros parceiros na criação de valor. Oferece uma oportunidade justa aos novos participantes no mercado. Integra o respeito pelos direitos humanos em toda a cadeia de suprimentos.

iv. Uma empresa atende a sociedade em geral por meio de suas atividades, apoia as comunidades onde trabalha e paga sua parcela justa de impostos. Garante o uso seguro, ético e eficiente dos dados. Atua como um administrador do universo ambiental e material das gerações futuras. Protege conscientemente nossa biosfera e defende uma economia circular, compartilhada e regenerativa. Expande continuamente as fronteiras do conhecimento, da inovação e da tecnologia para melhorar o bem-estar das pessoas.

v. Uma empresa fornece a seus acionistas um retorno sobre o investimento que leva em consideração os riscos empresariais incorridos e a necessidade de inovação contínua e investimentos sustentados. Gerencia com responsabilidade a criação de valor a curto, médio e longo prazo, buscando retornos sustentáveis para os acionistas que não sacrificam o futuro para o presente.

B. Uma empresa é mais do que uma unidade econômica geradora de riqueza. Ele cumpre as aspirações humanas e sociais como parte do sistema social mais amplo. O desempenho deve ser medido não apenas no retorno aos acionistas, mas também em como ele atinge seus objetivos ambientais, sociais e de boa governança. A remuneração dos executivos deve refletir a responsabilidade das partes interessadas.

C. Uma empresa que possui um escopo multinacional de atividades não serve apenas a todas as partes interessadas diretamente envolvidas, mas atua ela mesma como uma parte interessada – juntamente com governos e sociedade civil – do nosso futuro global. A cidadania global corporativa exige que uma empresa aproveite suas  competências essenciais, seu empreendedorismo, suas habilidades e recursos relevantes em esforços colaborativos com outras empresas e partes interessadas para melhorar o estado do mundo.


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Na pandemia hackers invadem empresas e governos

Hackers invadem sistema da Light e pedem resgate de US$ 7 milhões

Cibercriminosos pediram o pagamento em criptomoedas quase impossíveis de rastrear

Por Cleo Guimarães – Publicado em 17 jun 2020

Comunicar-se com a Light através do site da empresa – para relatar algum problema no fornecimento de energia, por exemplo – virou uma árdua tarefa desde terça (16). A empresa afirma ter sido vítima de um ataque de vírus, mas o que motivou este ataque vem sendo mantido em sigilo: hackers invadiram o sistema e enviaram um vírus que criptografa todos os arquivos do sistema Windows. 

Criptografar significa codificar de um modo que o arquivo fica inacessível caso não haja uma espécie de chave digital para “descriptografá-lo”. Ou seja, na prática, trata-se de um sequestro de dados. E para liberá-los de volta, os hackers pedem um resgate de US$ 7 milhões, que seriam pagos em criptomoedas – mais especificamente 107.213,96 em Moneros (XMR), uma moeda que, ao contrário dos bitcoins, são irrastreáveis.

Os cibercriminosos deram um prazo de dois dias para o pagamento, sob pena de aumentar o valor. O sequestro dos dados não causa problemas no abastecimento de energia, mas afeta o administrativo das empresas, e se não for resolvido a curto prazo pode afetar faturamento e cobranças.

Procurada por VEJA RIO, a Light enviou uma nota na qual informa que “sofreu, nesta terça-feira (16/6), um ataque de vírus em seus computadores. O corpo técnico da empresa vem elaborando diagnósticos, ações e recomendações que estão sendo seguidas por seus colaboradores.”

Anuncia também que “os serviços de atendimento ao cliente estão enfrentando dificuldades técnicas”, e que está trabalhando para resolver o problema “o mais rápido possível”. Questionada sobre o sequestro de dados, a assessoria de imprensa disse que “outras informações sobre o caso são sigilosas”. 

https://vejario.abril.com.br/cidade/hackers-invadem-light-resgate/

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Ataque cibernético estrangeiro atinge Austrália, diz primeiro-ministro

Ação de hacker ligado a governo de outro país atingiu órgãos governamentais e empresas australianas. Premiê Scott Morrison alega que ciberataque não abriu “nenhuma brecha” nas informações pessoais de funcionários dessas instituições.

Por G1 – 18/06/2020

O primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, afirmou nesta sexta-feira (19, horário local) que instituições do governo local e outras organizações, inclusive empresas, sofreram ataque cibernético. Segundo ele, a ação foi feita por hackers com conexão com “estados estrangeiros”, mas não detalhou qual país poderia estar envolvido.

De acordo com a emissora australiana ABC, Morrison disse que o ataque hacker atingiu o governo, as indústrias, organizações políticas, instituições de educação e saúde — inclusive fornecedores de serviços essenciais e de infra-estrutura.

“Sabemos que é um ator cibernético sofisticado com base em um estado por causa do tamanho e da natureza dos alvos e pelo de tipo de ferramenta usada”, afirmou o primeiro-ministro.

Morrison alegou que “nenhuma brecha de larga escala” de informações pessoais de australianos vazou. Porém, ele disse que a ação maliciosa justificava o aviso. “É por isso que estamos abordando esse assunto, para aumentar o cuidado com isso.”

“Esse fato apresentado pelas ameaças não são surpresa no mundo em que vivemos agora”, acrescentou o premiê.

Segundo a emissora britânica BBC, os sistemas de computadores de partidos políticos e o Parlamento australianos foram atingidos por uma “intrusão maliciosa” por “sofisticados agentes de estado”.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/06/18/ataque-cibernetico-estrangeiro-atinge-australia-diz-primeiro-ministro.ghtml

Sapiens por Yuval Harari: do início até a revolução científica e além

por Evandro Milet (pelo resumo do livro Sapiens: Uma breve história da humanidade)

Três importantes revoluções definiram o curso da história. A Revolução Cognitiva deu início à história, há cerca de 70 mil anos, a Revolução Agrícola a acelerou, por volta de 12 mil anos atrás e a Revolução Científica, que começou há apenas 500 anos, pode muito bem colocar um fim à história e dar início a algo completamente diferente.

As características singulares dos humanos são o cérebro grande e a capacidade de andar eretos sobre as duas pernas. Essa capacidade liberou as mãos para produzir e manipular ferramentas, critérios pelos quais os arqueólogos reconhecem humanos antigos.

Um passo importante rumo ao topo foi a domesticação do fogo, há 800 mil anos. Cozinhar alimentos permitiu aos humanos, gastar menos tempo com alimentação, encurtar o trato intestinal e liberar energia que permitiu o crescimento do cérebro.

Há 150 mil anos a África Oriental já estava povoada por sapiens que pareciam exatamente como nós e há 70 mil anos eles se espalharam pela Eurásia e, segundo se supõe, ajudaram a extinguir os outros humanos inclusive os neandertais. A maior suposição sobre porque os Sapiens conseguiram se tornar a única espécie humana é atribuída à sua linguagem única e incrivelmente versátil. O surgimento de novas formas de pensar e se comunicar, entre 70 mil e 30 mil anos atrás constitui a Revolução Cognitiva

A característica verdadeiramente única da nossa linguagem é a capacidade de transmitir informações sobre coisas que não existem, sobre ficção, e fazer isso coletivamente. Mitos, religiões, governos, empresas, dinheiro, leis ou justiça são abstrações que só os humanos conseguem criar, permitindo a cooperação entre um grande número de estranhos, diferentemente dos outros animais cujos grupos são pequenos e só conseguem se comunicar sobre coisas reais como rios, árvores ou leões.

A Revolução Cognitiva é o ponto em que a história declarou independência da biologia.

Há 10 mil anos os Sapiens começaram a deixar de ser caçadores-coletores e passaram a manipular a vida de algumas espécies de animais e plantas, se fixando em territórios e  dando início à Revolução Agrícola.

Quando, depois da Revolução Agrícola, começaram a surgir sociedades particularmente complexas, um novo tipo de informação se tornou vital: os números. Os caçadores -coletores nunca precisaram lidar com grande quantidade de dados matemáticos, de modo que o cérebro humano não se adaptou para armazenar e processar números. Mas, para manter um reino grande, dados matemáticos eram fundamentais. E para armazenar e processar esses dados foi necessário criar outra figura fundamental: a escrita.

Por volta de 1500, a história fez sua escolha mais importante, modificando não só o destino da humanidade como também o destino de toda a vida na Terra. Nós a chamamos de Revolução Científica. Durante essa revolução, a humanidade adquiriu novas capacidades gigantescas, investindo recursos em pesquisa científica.O típico governante pré-moderno dava dinheiro para padres, filósofos e poetas na esperança que eles legitimassem seu poder e mantivessem a ordem social. Ele não esperava que eles descobrissem novos medicamentos, inventassem novas armas ou estimulassem o crescimento econômico.

Para entender o universo, precisamos relacionar as observações em teorias abrangentes. As tradições anteriores geralmente formulavam suas teorias na forma de histórias. A ciência moderna usa a matemática. Ao longo dos últimos 200 anos, desenvolveu-se um novo ramo da matemática para lidar com os aspectos mais complexos da realidade: a estatística. 

Na Europa medieval, a lógica, a gramática e a retórica formavam o núcleo educacional, ao passo que o ensino de matemática quase nunca ia além da simples aritmética e geometria. Ninguém estudava estatística. A monarca incontestável de todas as ciências era a teologia.

Mesmo em 1800, a maioria dos governantes que quisessem um exército forte e a maioria dos magnatas que quisessem um negócio próspero não se dava ao trabalho de financiar pesquisas em física, biologia ou economia.

Quando a Primeira Guerra Mundial se transformou em uma guerra de trincheiras interminável, ambos os lados convocaram cientistas para sair do impasse. Surgiram super armas: aeronaves de combate, gás venenoso, tanques, submarinos, metralhadoras, rifles e bombas cada vez mais eficazes. Na Segunda Grande Guerra, os alemães vieram com suas armas milagrosas, o foguete V2 e o avião a jato e estiveram prestes a virar o jogo, mas o grande final, já contra o Japão, foi a bomba atômica.

À medida que a ciência começou a resolver um problema insolúvel atrás do outro, muitos se convenceram de que a humanidade poderia superar todo e cada um dos problemas que a aflige. A pobreza, a doença, as guerras, a fome, a velhice e a própria morte não eram o destino inevitável da humanidade. O principal projeto da Revolução Científica é dar à humanidade a vida eterna. Especialistas em nanotecnologia estão desenvolvendo um sistema imunológico biônico composto de milhões de nanorobôs, que habitariam nossos corpos, abririam vasos sanguíneos obstruídos, combateriam vírus e bactérias, eliminariam células cancerosas e até mesmo reverteriam processos de envelhecimento.

A engenharia genética, a engenharia cyborg(que substitui partes do corpo humano) e a produção de seres completamente inorgânicos podem provocar uma transformação radical do Homo Sapiens rumo ao desconhecido, com todas as suas implicações éticas, comportamentais e sociais. Mas esse é assunto livro seguinte do autor, Homo Deus. 

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Marco regulatório de saneamento pode impulsionar investimentos pós-covid

Considerado o setor mais atrasado da infraestrutura do País, área precisa de cerca de R$ 500 bilhões para universalizar os serviços de água e esgoto; projeto deve ser votado na próxima semana por senadores

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 

Prestes a ser votado no Senado o novo marco regulatório do setor de saneamento básico pode impulsionar novos investimentos e ajudar na retomada econômica do País no pós-pandemia. A expectativa é que o relatório do projeto de lei – que deverá dar mais segurança jurídica aos investidores e estabelecer metas de qualidade e cobertura dos serviços – seja apresentado e votado, sem mudanças no texto, na próxima semana, depois de mais de dois anos de discussões sobre as mudanças.

Considerado o setor mais atrasado da infraestrutura, o saneamento precisa de algo em torno de R$ 500 bilhões para universalizar os serviços de água e esgoto, segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base(Abdib). Em 15 anos, seria necessário investir R$ 33 bilhões por ano no setor. Se considerar a recuperação de redes obsoletas, o montante subiria para R$ 47 bilhões por ano.

“No momento, não há nenhum mercado tão grande e que esteja prestes a se modernizar como o Brasil”, diz o presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos. Por isso, investidores de vários países estão de olho na evolução do novo modelo no Congresso, completa Ordélio Azevedo Sette, sócio e fundador da Azevedo Sette Advogados. “Clientes da França, Holanda e Finlândia têm nos procurado para saber mais informações sobre as mudanças no setor, que devem promover mais concorrência no mercado.”

Um dos objetivos da regulamentação é permitir o avanço dos investimentos, sobretudo da iniciativa privada, e reduzir a deficiência dos serviços públicos. Hoje, quando o contrato de uma área de concessão vence, ele é automaticamente renovado, sem nova licitação. Pelo projeto de lei, todos os contratos vencidos teriam de passar por um processo de concorrência. Mas, depois de muita relutância dos representantes das estatais, essa regra passará por um período de transição e só valerá a partir de março de 2022.

Até lá, as estatais poderão buscar a renovação dos contratos por mais 30 anos, desde que comprovem a capacidade econômico-financeira para fazer a universalização dos serviços. 

Hoje a maioria das estatais não tem condições de bancar a estrutura operacional e fazer os investimentos necessários. “Nem mesmo as estatais superavitárias conseguem fazer os investimentos exigidos”, diz a advogada Bruna Bouissou, sócia do Azevedo Sette.

Para ela, o novo marco do setor não é perfeito, mas é necessário. A advogada destaca que os governos não têm mais condições de bancar os investimentos num setor tão carente de melhorias. “E com a pandemia, os problemas financeiros das estatais (que já tinham problemas) vão se agravar e elas terão dificuldade de investir”, diz o diretor da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), Percy Soares.

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Streaming: salvação ou maldição para os teatros?

Para Peter Gelb, diretor do Met, ‘se o público não for ao teatro, o espetáculo ao vivo não sobreviverá. A tela é apenas uma lembrança do que foi visto no palco’

Estadão, 03 de junho de 2020 

“A ópera em casa”, “teatro e sofá”: em tempos de coronavírus, os teatros deram um acesso sem precedentes às suas produções graças ao streaming, na esperança de que seja apenas uma fase, embora ela possa ser longa.

Os teatros, especialmente na Europa, começam a ver a luz no fim do túnel com datas de reabertura, embora haja um longo caminho para a volta ao normal, principalmente devido à obrigação de aplicar regras de distância entre os espectadores.

Confortavelmente sentado em sua sala, o público ficou inundado por meses com óperas, balés, concertos e, estranhamente, peças de teatro, na maioria das vezes, de graça.

Esse público vai querer voltar para uma sala pequena, com uma máscara, sem intervalo e esperando em filas intermináveis? Na semana passada, a Filarmônica de Paris mostrou como seriam os shows até o final do ano: sem público e depois transmitidos via streaming.

No total, foram registradas 320.000 visitas na rede de televisão Arte e na plataforma Philharmonic, “uma quantia excepcional para um concerto clássico na internet”, segundo a instituição.

Assistido por milhões

Mais de 2,5 milhões de internautas assistiram a dez produções da Ópera de Paris, do Lago dos Cisnes ao Barbeiro de Sevilha. O Theatre de la Comédie-Française (comédia francesa) lançou pelo menos 80 shows on-line em oito semanas, incluindo grandes sucessos como Les Damnés de Ivo van Hove ou peças do “património” como Ondine de Giraudoux, com uma jovem Isabelle Adjani, resgatada de 1974.

O Odeon Theatre lançou peças de Pirandello, Ibsen, Molière e até King Lear de Shakespeare com Michel Piccoli, para homenageá-lo após sua morte. O streaming foi um sucesso completo. “Depois de um mês, apenas para a Escola das Mulheres, um quarto das visitas veio do exterior. A imprensa britânica fez eco. Até o jornal The Guardian fez críticas”, disse Stéphane Braunschweig, diretor do Teatro Odeon, que encenou o espetáculo em 2018. “Só tínhamos essa peça legendada. Depois, legendamos Tartufo e O Misantropo. Ao ver o número de visitas do exterior, dissemos a nós mesmos que a oferta tinha que ser desenvolvida”, explica o diretor.

Na Rússia, também se alegram com a crescente visibilidade dos teatros, paradoxalmente neste período em que estão fechados. “Milhões de pessoas nos veem. É uma maneira importante de entregar os tesouros da cultura russa”, disse Valery Gergiev, famoso maestro e diretor-geral do Teatro Mariinsky em São Petersburgo, que registrou 50 milhões de visitas desde 19 de março. “Em vez de 2.000 espectadores por concerto, tivemos centenas de milhares de espectadores”, disse em um webinar recentemente organizado pelo festival anual Estações Russas.

O English National Ballet (ENB) registrou um aumento de 70.000 seguidores no Facebook e no YouTube em dois meses. “Quero acreditar que uma janela foi aberta ao nosso mundo e que as pessoas que não tiveram coragem de ir ao teatro talvez tenham visto seu primeiro balé online” e que “um novo público surgirá” quando as salas reabrirem, disse sua diretora Tamara Rojo.

Apenas uma minoria de teatros se beneficiou financeiramente. O prestigiada Metropolitan Opera (Met) de Nova York, sobrecarregado por um déficit de US$ 66,6 milhões, demitiu parte de seus funcionários. O Met atraiu 19.000 novos doadores e o número de assinantes de seu sistema VOD (vídeo sob demanda) passou de 15.000 antes da pandemia para 33.000.

Com esse “tsunami” digital, os teatros querem acreditar no retorno do público.

“No começo, haverá pessoas com medo”, opina Michel Franck, diretor-geral do Teatro Champs-Elysées. “Mas não acho que, pelo menos não espero, as pessoas vão preferir as telas aos teatros”, arrisca.

“Nada substitui um espetáculo ao vivo. Assistir a uma ópera ou concerto no computador ou na televisão não tem nada a ver com compartilhar emoções com a sala toda”, compara.

“Falta algo nas gravações. Ir ao teatro ainda é um dos últimos rituais” do ser humano, diz Manuel Brug, crítico de música do jornal alemão Die Welt.

Para Peter Gelb, diretor do Met, “se o público não for ao teatro, o espetáculo ao vivo não sobreviverá. A tela é apenas uma lembrança do que foi visto no palco”.

https://cultura.estadao.com.br/noticias/teatro-e-danca,streaming-salvacao-ou-maldicao-para-os-teatros,70003323122

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A pandemia poderá incentivar cidades melhores para viver

Por Evandro Milet

Quando pesquisamos a palavra “cidades” nas imagens do Google aparecem figuras de muitos edifícios e nenhuma pessoa até a trigésima foto, onde se vê uma criança. Depois, mais edifícios e lá pela 60ª foto começam a aparecer outras pessoas. Essa já é um pouco da demonstração que os conceitos estão errados e a ficha começa a cair para a própria população. As cidades deveriam ser as pessoas que vivem nela. 

A cidade dos automóveis, viadutos e edifícios, onde as calçadas são reduzidas para ampliar estacionamentos e pistas está em questionamento cada vez maior. 

A pandemia provocou outros questionamentos sobre a vida das cidades. Com mais home office, mais e-commerce, mais educação à distância e mais lazer por streaming de filmes, as pessoas vão tender a se deslocar menos e ficar mais perto das residências. Várias cidades na Europa, incluindo Paris, se movimentam para criar coisas como cidades 15 minutos onde se fará tudo próximo de casa sem grandes deslocamentos. 

Um indicador dessa mudança é a taxa de caminhabilidade de uma cidade, ou até que ponto a cidade é amigável para o pedestre em calçadas e travessias. Mas circular com conforto e segurança a pé e de bicicleta é também um direito. A mobilidade urbana é essencial para cidades mais democráticas e menos excludentes. Todos os pedestres, incluindo crianças, idosos, pessoas com dificuldades de locomoção ou visão, devem ter sua mobilidade na cidade garantida.

Para poder fazer tudo perto, na maior parte do tempo, é necessário que a cidade se misture entre moradia, trabalho, lazer e facilidade de comércio. Bairros estritamente residenciais ou comerciais perdem o sentido. Os embates com as ciclovias serão reduzidos se efetivamente houver maior utilização de aplicativos e transporte público e, no futuro, de carros autônomos. Se houver realmente menos uso de automóveis particulares, os edifícios necessitarão de menos vagas de garagem(e os apartamentos serão mais baratos), haverá menor necessidade de vagas de estacionamento na rua, poderão existir mais ciclovias e os edifícios poderão até ser mais altos, concentrando mais gente e com isso reduzindo o custo rateado de infraestrutura.

Enfim, as cidades poderão ser mais humanas, reduzindo o tempo e o stress natural dos deslocamentos e nesse processo sempre será útil usar todos os conceitos importantes das cidades sustentáveis, criativas e inteligentes, com seus aspectos de sustentabilidade, incentivo à cultura, diversidade e disseminação de infraestrutura e serviços digitais.

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