Geekonomy: do nicho ao mainstream

  • Bússola estreia coluna sobre o atraente mercado da cultura nerd, que mobiliza legiões de fãs e movimenta cifras bilionárias em todo o mundo
  • Por Cauê Madeira* Exame 29 jan 2021

Entretenimento geek, nerd, pop. Os termos são variados e muito amplos, mas extremamente rentáveis. Essa é a estreia de uma coluna para conversar sobre a cultura do fã, sempre sob a perspectiva do negócio, do impacto na economia e do comportamento de consumo.

A franquia Harry Potter já arrecadou mais de US$ 21 bilhões no mundo todo, entre livros, lançamentos no cinema e licenciamento de centenas de produtos. Em dez anos, o faturamento da Marvel Studios – só com filmes de super-herói – ultrapassou os US$ 30 bi. Esse valor é semelhante ao faturamento do Mario ao longo dos anos, que é provavelmente o mais conhecido personagem de videogame do mundo.

Em comum, nos três exemplos dessas impressionantes empreitadas de sucesso no entretenimento transmídia, está a origem na subcultura de nicho. Ou seja, a formação de comunidades em torno de um interesse em comum. Esse, por sua vez, costuma ser uma temática ou assunto que não se encontra tão facilmente na estante de qualquer loja. E, por incrível que possa parecer, a literatura fantástica, as histórias em quadrinhos e a própria origem dos videogames remontam a um período em que não era tão simples ter acesso a tudo isso – como é hoje.

A cultura pop cresceu, explodiu e virou mainstream por meio de produções com temas que se desdobram pelo cinema, games, quadrinhos, literatura, música, licenciamento de produtos, entre tantas outras frentes.

Possivelmente o mais notório e perene produto desse tipo de comportamento seja o interesse em torno da franquia de filmes de Star Wars, que no fim da década de 70 angariou uma legião de fãs e que encontrou sobrevida e continuidade – após o fim de sua trilogia cinematográfica original – nos quadrinhos, games, livros e milhares de produtos licenciados. George Lucas, criador da história, produziu uma segunda trilogia no início dos anos 2000 e, em 2012, vendeu sua franquia (de 35 anos de idade à época) para a Disney por 4 bilhões de dólares.

Disso desdobrou-se mais uma trilogia, alguns filmes spin-off e muitas séries derivadas, que hoje são o carro-chefe da plataforma de streaming Disney+ na guerra contra Amazon Prime Video e Netflix.

Fato é que Star Wars sobreviveu e se sustentou ao longo dos anos com base em sua comunidade de fãs. Nerds, geeks e aficionados que por anos consumiram os desdobramentos da história em todos os tipos de mídia, desenvolveram um laço afetivo baseado em nostalgia e envolvimento emocional e, por fim, trouxeram novas gerações de fãs para o grupo. É, afinal, uma grande família.

E essas famílias, como falado, nascem dentro de nichos e subculturas. São interesses e temas tão pulverizados e diversos que é praticamente impossível classificá-los por algo além do próprio interesse profundo.

Imagine microuniversos de colecionadores de action-figures, cosplayers, jogadores de RPG, board games, card games, fanfics. Ou aficionados por universos narrativos, como obras literárias, desenhos animados e títulos de videogame. As possibilidades são infinitas, e o potencial de conversão de negócios também.

O interesse na cultura de fãs não se limita aos produtores de conteúdo. Há espaço de veiculação de mídia, branded content, product placement, licenciamento e toda uma sorte de possibilidades de negócio que geram interesse para marcas de praticamente todas as indústrias.

A relação com esse ecossistema de consumo transcende o produto ou a produção, justamente por conta da relação afetiva de cada comunidade com seu objeto de interesse. Portanto, fazer parte disso é também impactar diretamente estilos de vida, comportamentos, o que se come, o que se veste, o que se usa e se compra. É uma relação de intimidade e, se feito da maneira correta, cumplicidade também.

O modelo e a forma de se consumir esses conteúdos mudaram muito ao longo dos anos. O que não muda é o investimento emocional e o profundo interesse desses grupos que se formam a cada dia, seja na lojinha do bairro, no grupo de WhatsApp ou na plataforma digital mais próxima de você.

A vingança dos nerds nunca fez tanto sentido.

*Sócio-diretor de Growth na Loures Consultoria

https://exame.com/bussola/geekonomy-do-nicho-ao-mainstream/?amp

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Como Jeff Bezos mudou tudo ao comprar o jornal Washington Post

Por João Luiz Rosa, De São Paulo — Valor – 28/05/2019

Paul Farhi tem uma visão privilegiada da imprensa americana. Responsável pela cobertura de mídia do “Washington Post”, no qual ingressou há 31 anos, ele acompanha há muito tempo as tentativas das companhias jornalísticas de reagir à crise provocada pela internet, incluindo um dos movimentos mais contundentes do setor — o do próprio “Post”, vendido ao bilionário Jeff Bezos, fundador da Amazon, em 2013.

“Bezos mudou tudo para nós. Estamos indo muito bem. Caminhávamos para o vermelho e, agora, voltamos ao lucro. Como dono, ele faz as melhores coisas que se pode fazer. Nos dá muito dinheiro. E não nos diz o que fazer”, diz Farhi, que trabalhou como repórter de negócios, política e estilo, antes de assumir a área de mídia no “Post”.

O bilionário não é visto com frequência no jornal, que no fim de 2015, depois de 43 anos, se mudou para uma nova sede, a três quarteirões do antigo escritório. São três ou quatro visitas por ano, diz Farhi. Quando vai à redação, Bezos se encontra com Marty Baron, editor-executivo do “Post”.

Baron foi o jornalista que autorizou a investigação dos primeiros casos de pedofilia na Igreja Católica, quando estava à frente do “Boston Globe”. No cinema, foi interpretado pelo ator Liev Schreiber no filme “Spotlight” (Oscar de melhor filme em 2016). Foi um trabalho de interpretação perfeito, diz Farhi. “Ele [Baron] é muito quieto, atencioso e, você sabe, meio rabugento. Mas é um jornalista muito, muito bom.”

Bezos pagou US$ 250 milhões à família Graham, que comandou o “Post” por mais de 80 anos. Desde então, não se sabe quanto investiu na companhia, porque os números não são públicos. Mas o reforço à redação tem sido recorrente em sua gestão, com a contratação de profissionais. Em meados de 2017, o bilionário disse, em evento, que os jornais precisavam parar de encolher para não reduzir sua relevância, e informou que o “Post” contratara 140 pessoas desde a aquisição.

“A fórmula, creio, é investir muito na área editorial, em repórteres, editores, jornalismo… E, então, o público virá atrás da informação”, afirma Farhi, que veio ao Brasil a convite do Insper.

A aquisição do “Post” não é um caso isolado entre as grandes companhias jornalísticas dos EUA. Com as dificuldades financeiras se agravando, outras empresas têm sido compradas por pessoas ricas, em especial magnatas da indústria de tecnologia. O “Boston Globe” foi adquirido por John Henry, dono do time de beisebol Red Sox; a revista “Atlantic”, por Laurene Powell Jobs, viúva de Steve Jobs, da Apple; e a “Time”, por Marc Benioff, da empresa de software Salesforce.

O “Globe” está ‘ok’, avalia Farhi. “Não se ouve falar de grandes cortes por lá”. A “Atlantic” é um “caso interessante”, diz. A revista é “competitiva” e faz “bom jornalismo”, mas produzi-la é caro. Como não cobra assinatura para acessar seu site, a “Atlantic” depende muito de atrair um volume maciço de acessos para gerar publicidade e sobreviver. “E criar tráfego pode degradar a qualidade, porque você precisa colocar um monte de caça-cliques [textos com apelos chamativos ou exagerados], o que não é bom.” Apesar disso, a revista está em um caminho ascendente. “Parece que estão melhores a cada mês.”

O caso da “Time” é diferente. “Não sei mais quem lê a revista”, diz Farhi. Ele compara a publicação à sua extinta rival “Newsweek”, cuja marca persiste em um site na internet — “uma sombra do que costumava ser”, diz. “Não sei como eles [a Time] continuam no negócio.”

Encontrar um dono rico pode não ser suficiente, adverte Farhi. “Há bilionários e bilionários. Rupert Murdoch [que comprou o “Wall Street Journal”] é um tipo de bilionário e Jeff Bezos é outro. Donald Trump pode ser bilionário, não se sabe, mas ele seria um tipo diferente de proprietário [de jornal]”, diz Farhi, numa referência à recente polêmica que eclodiu sobre o real valor fortuna do presidente dos Estados Unidos.

A aquisição do “Post” por Bezos, seis anos atrás, despertou temores de que o jornal teria sua autonomia comprometida, principalmente em relação aos negócios da Amazon. Mas Farhi diz que a cobertura permanece independente e o jornal vai contratar um repórter em Seattle para cobrir especificamente a Amazon.

Como exemplo da independência, ele cita o episódio rumoroso entre a Amazon e a cidade de Nova York. A gigante de comércio eletrônico pretendia construir na vizinhança do Queens — uma das cinco regiões da cidade — parte de sua segunda sede, com a abertura de 25 mil empregos. Boa parte da população e dos políticos, no entanto, não recebeu bem o projeto, o que levou a companhia a mudar de ideia.

O “Post” foi o primeiro jornal a divulgar que os executivos da Amazon estudavam desistir do projeto, de US$ 3,7 bilhões, devido à oposição crescente. “Fizemos uma cobertura justa”, diz.

Em vez de tentar assumir a orientação editorial do “Post”, Bezos acrescentou uma visão de negócios ao jornal — e isso faz a diferença, afirma o jornalista.

A companhia se apoia, hoje, em um tripé de receita. A publicidade impressa continua a ser uma delas, mas numa proporção incomparavelmente menor que no passado. Os anúncios digitais completam o braço publicitário, mas ainda não são tão significativos.

No que o “Post” tem avançado fortemente são as assinaturas digitais. São quase 2 milhões de assinaturas, que atraem 85 milhões de usuários únicos por mês, diz Farhi. Essa ênfase deu novo fôlego à companhia, permitindo atrair leitores de outros Estados americanos e do exterior, que não leriam o jornal não fosse pela internet.

O terceiro fluxo de receita é o que mais caracteriza a intervenção de Bezos no modelo de negócios do “Post”. Trata-se do Arc Publishing, conjunto de softwares que o jornal criou e passou a vender como serviço. Os programas ficam armazenados na infraestrutura da AWS, braço de serviços de nuvem da Amazon. Mais de 30 companhias adotaram o pacote, segundo divulgou o “Post”.

Concebido para facilitar a publicação de notícias, o Arc passou a incorporar outras funções desde seu lançamento, em 2014. As mais recentes incluem desde a administração de paywall (software que define o que pode ou não ser visto de graça em um site), até a captura de e-mails dos leitores. O Arc pode representar uma receita adicional de US$ 100 milhões para o “Post”, disse recentemente o chefe de tecnologia da empresa, Shailesh Prakash.

As mudanças de comportamento provocadas pela internet têm atingido duramente os jornais americanos. Na maioria deles, de 75% a 80% da receita ainda vem do meio impresso, que perde espaço rapidamente, diz o jornalista. Como não estão conseguindo encontrar maneiras de compensar essa diminuição com novas receitas digitais, muitas publicações estão enfrentando o risco de desaparecer.

“Há três jornais que serão os prováveis sobreviventes [nos EUA] e se fortalecerão no futuro: o ‘Post’, o ‘New York Times’ e o ‘Wall Street Journal”, diz Farhi. A forte base de assinantes é a credencial comum entre o grupo remanescente.

Circulação cadente. A circulação dos diários americanos caiu para menos da metade em trinta anos, do pico de 63,3 milhões em 1984 para estimados 30,9 milhões em 2017, segundo o Pew Research Center, organização de pesquisa sediada em Washington.

A receita publicitária dos jornais, que somou US$ 49,9 bilhões em 2005 — seu mais alto patamar histórico — caiu para US$ 16,6 bilhões dois anos atrás, de acordo com o levantamento. No mesmo período, o número de jornalistas nas redações diminuiu de 72,6 mil para 39,2 mil.

A preocupação maior é com cidades cujos jornais não têm as mesmas possibilidades de buscar novas fontes de renda, como o “Post” e os outros grandes títulos, diz Farhi. A imprensa regional, que já foi exuberante nos EUA, está sob ameaça.

Estudo da Universidade da Carolina do Norte mostra que quase 1,8 mil jornais fecharam as portas nos EUA desde 2004, principalmente em cidades menores. Cerca de 200 condados americanos não têm mais nenhum jornal em circulação. E 1.449 dos 3.143 existentes no país só contam com um jornal, geralmente semanal, de acordo com o estudo, apropriadamente chamado “O deserto de notícias em expansão”.

“Como as pessoas de Cleveland obtêm informação [local]

se o jornal que sempre foi o mais forte da cidade tem, creio, 32 jornalistas para cobrir uma área com 2 milhões de pessoas? Isso é insano”, exemplifica.

Para atrair leitores, diz Fahri, o jornalismo vai exigir uma combinação cada vez mais efetiva de meios diferentes para transmitir notícias, incluindo formatos como “podcasts”, vídeos e canais em rede sociais, muito procurados pelas gerações mais jovens.

A própria família oferece exemplos do poder de atração desses novos formatos, diz. Seu filho mais velho, de 34 anos, e que também é jornalista, adora ouvir “podcasts”, algo que não existia quando Farhi começou. A mais nova, de 26 anos, já empregou suas habilidades dramáticas em um deles. Atriz de teatro musical, ela foi recentemente contratada para participar de um “podcast”, como se fosse em uma antiga radionovela. “É o futuro voltando ao passado. Trata-se de algo novo, mas também muito velho.” (do Valor Econômico)

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A pandemia está reescrevendo as regras do varejo

Denise Lee Yohn HBR 8 de dezembro de 2020

Os varejistas precisam parar de achar que os negócios voltarão ao “normal”. Tão cedo, nada voltará a ser como antes. Mesmo antes do início da pandemia da Covid-19 e da crise econômica, as lojas físicas já vinham travando uma batalha contra a Amazon e outras empresas de e-commerce. Esses desafios cresceram a uma velocidade impressionante.

Dados recentes da consultoria McKinsey mostram que os consumidores tendem a manter o comportamento adotado durante as medidas de isolamento social, como mais compras online e menos idas aos shopping centers. Os varejistas não podem ficar esperando para ver. Em primeiro lugar, precisam repensar as exigências mínimas e, então, voltar o foco para sua experiência com clientes, elevando seu nível.

Um novo patamar

De início, os varejistas precisam adaptar as operações das lojas físicas em cumprimento às exigências de saúde e segurança, além de atender às expectativas dos consumidores. Isso inclui o uso de máscara, garantia de distanciamento físico, controle do número de funcionários e clientes nas lojas, adoção de meios de pagamentos sem contato físico, maior velocidade do atendimento, com inclusão de mais opções de autoatendimento.

Os lojistas também precisam oferecer uma experiência integrada no e-commerce — incluindo a busca, pesquisa, seleção, compra e devolução/troca. Os consumidores não mais irão suportar experiências de compras digitais abaixo da média, como as que talvez tivessem aceitado antes da crise. Os varejistas precisarão oferecer sites responsivos para dispositivos móveis, serviços integrados do tipo “compre online e retire na loja”, além de garantir uma experiência digital consistente e confiável nos múltiplos dispositivos e canais.

Para um seleto número de empresas de varejo, como lojas influenciadoras de tendências e restaurantes temporários, operar nesse patamar já é suficiente. Se a demanda por um produto for tão alta e/ou urgente – como aconteceu, por exemplo, com hambúrgueres do Shake Shack, liquidação de tênis da Nike, ou lançamentos da Apple – os consumidores até podem aceitar arriscar uma ida a uma loja física. Passar horas esperando em longas filas ou até acampar a noite toda para adquirir um produto talvez volte a acontecer, como forma de passatempo de fãs mais fervorosos. Mas não se deve mais apostar nisso como principal estratégia – operações mais sofisticadas em loja e uma presença digital bem estruturada são o mínimo que as empresas precisam oferecer.

Repensar a experiência presencial

Há alguns anos, varejistas passaram a dar à experiência do consumidor na loja um valor quase igual, ou até maior, do que aos próprios produtos vendidos. Redes varejistas como Restoration Hardware, Bass Pro Shops e até a Walmart já perceberam que, ao promover eventos e oferecer experiências e serviços especiais dentro das lojas não apenas atraem mais clientes, como também os incentivam a passar mais tempo ali, comprar mais produtos e pagar mais caro por eles. 

Em consequência da Covid-19, todo comerciante precisará transformar a experiência em loja em algo ainda mais extraordinário para os clientes que se dispõem a estar lá presencialmente. Os lojistas terão de oferecer aos consumidores um motivo que justifique sua exposição aos riscos à sua saúde, para que eles superem o comportamento de inércia adotado a partir das medidas de isolamento.

Para começar, podem pensar em como as redes de salas de cinema reagiram à ameaça colocada pelo surgimento dos serviços de streaming, como a Netflix e outras empresas. Estas novas experiências não apenas aprimoraram o que já era oferecido antes aos clientes, mas também atenderam à demanda por mais opções. As idas ao cinema passaram a ser algo melhor do que assistir ao filme em casa, com a oferta de confortáveis poltronas reclináveis, opções diferenciadas de comida e bebida entregues aos clientes em seus assentos, além de áreas com bares para o encontro com os amigos antes e depois da sessão. Os lojistas que oferecerem uma experiência exclusiva e diferenciada, assim como as redes de cinemas fizeram um dia, serão capazes de tirar os consumidores de casa.

Atendimento ao consumidor presencial de alto nível é uma outra maneira de competir e ganhar do comércio online, mas os lojistas precisam pensar no serviço de uma nova forma. O atendimento não poderá ser visto apenas como apoio às vendas e restrito ao ato de cumprimentar os clientes, cuidar de reclamações e gerenciar devoluções e pedidos especiais. Serviços como personal shoppers, especialistas técnicos e instaladores certificados é o que já se espera de grande parte dos lojistas de vendas de maior valor e com categorias de produtos mais complexos.

Anos atrás, a Best Buy utilizou essa tática para reagir à batalha que estava sendo perdida para a Amazon, introduzindo um programa de consultoria que oferecia aos clientes atendimento domiciliar para orientá-los sobre quais produtos comprar e como os instalar. O serviço tem o objetivo de estimular o relacionamento de longo prazo, e não necessariamente fechar uma venda. Como resultado, a rede conseguiu atrair os clientes, desviando-os das opções de compras online, e posicionou a Best Buy como uma marca confiável e mais pessoal.

Experiência nativa digital do cliente

Essa nova ênfase em inovação e serviço precisa ser estendida também à experiência digital do cliente. A maior parte dos varejistas com origem em loja física simplesmente tenta reproduzir no canal online sua experiência na venda presencial, mas tais esforços costumam ser infrutíferos e equivocados. Além dos fundamentos das transações já mencionados anteriormente, os consumidores não esperam que uma experiência virtual seja igual à presencial – e nem querem que seja.

Investir em recursos exclusivos do canal digital – como gestão de estoques em tempo real, análise preditiva, busca movida por Inteligência Artificial, além de funções de personalização e cocriação – podem gerar experiências de compra totalmente novas e diferentes. Vejamos o exemplo do social commerce, que não apenas permite a venda de produtos por meio das redes sociais, como também possibilita interações sociais, apoio mútuo, avaliações e recomendações, conteúdo multimídia, personalização, gamificação, entre outras. Um comerciante pode usar esses novos recursos para criar uma experiência social, interativa e imersiva, não importando onde os clientes estejam, algo que nenhuma loja física consegue fazer.

Para obter inspiração e insights para criar uma experiência de compra online do zero, os varejistas podem estar dispostos a avaliar a evolução de outros segmentos ou exemplos de outras instituições atuando no canal tradicional. Quando a Covid-19 obrigou igrejas a cancelarem os cultos semanais, grande parte delas passou a adotar encontros virtuais utilizando plataformas online, como o Zoom, por exemplo. Mas a Crossroads Church, igreja batista de Cincinnati (EUA) aproveitou a oportunidade para repensar os sermões semanais de seus pastores. Agora, os pastores são filmados proferindo mensagens em diferentes localidades para ajudar a reforçar a mensagem da semana – por exemplo, ressaltando a importância de uma fundação sólida no local de uma igreja histórica. Da mesma forma, os comerciantes podem tirar proveito da flexibilidade maior e dos novos contextos que a realidade digital hoje possibilita para, por exemplo apresentar uma única peça de roupa vestindo vários modelos, mostrando como ela pode ser usada em diferentes tipos físicos, ou usar vídeos para demonstrar como clientes reais utilizam uma determinada ferramenta.

Podem, ainda, inspirar-se em como o digital possibilita atender a urgência e a interatividade necessárias às plataformas educacionais online, como edX e Coursera. Alunos de programação de software podem publicar seus projetos e receber avaliações automáticas e feedback instantâneo; estudantes de Psicologia podem usar um aplicativo exclusivo da sua turma para rastrear hábitos e identificar padrões do seu próprio comportamento. Como isso funcionaria no contexto do varejo? As possibilidades incluem respostas geradas por IA em tempo real às perguntas dos clientes, chat de vídeo instantâneo com um estilista pessoal e aplicativos para rastreamento do uso atual de produtos, gerando recomendações para novos itens. Ideias como essas surgem quando as empresas pensam além de adaptar a experiência presencial para o ambiente online.

O momento não é para o varejo tentar simplesmente ignorar a tempestade. Com uma abordagem mais proativa e progressiva para não só a transformação digital, como também para a nova era do serviço e experiência do cliente, o futuro poderá se mostrar menos nebuloso.

Denise Lee Yohn é autoridade quando o assunto é o posicionamento de grandes marcas e construção de organizações de destaque, com 25 anos de experiência no trabalho com marcas de renome global, como Sony e Frito-Lay. Lee Yohn é consultora, palestrante e autora dos livros “What great brands do: the seven brand-building principles that separate the best from the rest” e “FUSION: how integrating brand and culture powers the world’s greatest companies”. 

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Promoção da cerveja Corona pagará uma semana de “home office no paraíso”

Os escritórios adaptados ficarão em Ilhabela (SP), Praia do Rosa (SC) e Trancoso (BA). A marca bancará transporte, hospedagem e alimentação: saiba como participar

Por Matheus Doliveira Exame 26/01/2021 

Corona: 6 pessoas serão contempladas com o prêmio.  (Corona/Reprodução)

O conceito de “nômade digital” nunca foi tão falado. O termo designa pessoas que usam a tecnologia para trabalhar à distância em qualquer lugar do mundo. As escolhas são quase sempre praias paradisíacas ou montanhas isoladas. Mas, se como a maior parte das pessoas você não tem recursos para bancar essa aventura, nem tudo está perdido. A cervejaria Corona está lançando nesta terça-feira, 26, um concurso que premiará seis pessoas com uma semana de trabalho remoto em alguns dos destinos mais procurados do Brasil.

Os felizardos que forem contemplados pela promoção Anywhere Office passarão sete dias em escritórios adaptados em Ilhabela (SP), Praia do Rosa (SC) e Trancoso (BA), com tudo pago. “Sabemos que a adaptação ao formato remoto não foi fácil, mas também mudou o conceito de espaço de trabalho. Para algumas profissões, isso significava estar em um escritório; hoje pode significar trabalhar em um espaço confortável, com sinal de internet e energia elétrica”, explica João Pedro Zattar, gerente de marketing da Corona.

O prêmio inclui hospedagem (dentro das regras de distanciamento social), transporte, alimentação, e, claro, cervejas Corona à vontade. “A nossa proposta com Anywhere Office é compartilhar informação de qualidade e relevância para que as pessoas que trabalham remotamente possam trazer mais equilíbrio e saúde mental para sua rotina simplesmente mudando de ares, estando mais próximas da natureza e ganhando até mais produtividade por conta disso”, complementa Zattar.

Para acessar o regulamento e participar, o público pode entrar no site da ação.

Segundo a marca, a ideia do projeto é, principalmente, mostrar que trabalho e bem-estar devem caminhar juntos. “A rotina ficou mais flexível — no sentido de você poder estar em ‘casa’, em contato com a natureza, respirando um ar puro e tendo a chance de, numa pausa no expediente, dar um pulo no mar e voltar para participar de uma sequência de reuniões. Num momento de reclusão como o que vivemos, isso tudo faz muita diferença”, conta o head de vendas Fernando Flumian, que escolheu a cidade litorânea de Barra do Una (SP) para passar pelo período da quarentena.

Além da promoção, a cervejaria acaba de lançar um relatório de tendências do home office com base em dados compilados pela agência Box1824 com a The Summer Hunter.

Os dados mostram, por exemplo, que 52% dos profissionais brasileiros desejam manter o trabalho remoto mesmo após o isolamento, com idas ocasionais ao escritório (IBM, 2020).  Já na ótica das empresas brasileiras, 94% delas afirmam que atingiram ou superaram suas expectativas com o trabalho remoto (Fundação Instituto de Administração, 2020).

https://exame.com/casual/promocao-da-cerveja-corona-pagara-uma-semana-de-home-office-no-paraiso/

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A desindustrialização do Vale do Silício e o triunfo da China

Paulo Gala* Brasil247 22/01/2021

“Os EUA passaram a desprezar o setor industrial. A ideia de que, desde que o “trabalho de conhecimento” permaneça nos EUA, não importa o que irá acontecer com os empregos industriais. Esse tipo de mentalidade rompeu a cadeia de experiência produtiva das empresas americanas, tão importante para a evolução tecnológica” 

Os americanos adoram a ideia de alguns caras numa garagem que inventam algo capaz de mudar o mundo. Startups são maravilhosas, mas não podem, por si, aumentar o emprego no setor de tecnologia. De igual importância é aquilo que vem depois do momento mágico de criatividade de garagem, quando a tecnologia passa da invenção para a produção em massa. É nessa a fase em que as empresas aumentam de escala. Tratam de detalhes de projeto, descobrem como produzir de forma acessível, constroem fábricas e contratam milhares de pessoas. Aumentar a escala é difícil, mas necessário para que a inovação tenha relevância. Aqui muitas vezes o papel do estado como garantidor de demanda é fundamental. Foi assim no caso dos painéis fotovoltaicos demandados por satélites da NASA, por exemplo. E todas tecnologias militares e do programa aeroespacial americano. O aumento de escala costumava dar certo no Vale do Silício. Empreendedores inventavam novas coisas. Investidores lhes davam dinheiro para construir seus negócios. Se os fundadores e investidores dessem sorte, a empresa crescia e chegava a uma oferta pública inicial que atraía dinheiro para financiar mais crescimento. Esse foi o caso por exemplo da Intel. Em 1968 alguns engenheiros e seus amigos investidores injetaram $3 milhões para fundar a Intel (INTC), produzindo chips de memória para a indústria de computadores. Desde o começo o maior desafio era dar volume à produção dos chips. Construíram fábricas nos EUA, contrataram engenheiros e criaram uma enorme rede de colaboradores até se tornar uma empresa bilionária. Em 1980, 10 anos depois do IPO, a Intel empregava cerca de 13.000 pessoas nos EUA.

A Tandem Computers passou por um processo semelhante, seguida pela Sun Microsystems, Cisco (CSCO), Netscape e assim por diante. Algumas empresas morreram ou foram absorvidas por outras, mas cada sobrevivente aumentava o complexo ecossistema tecnológico que ficou conhecido como Vale do Silício. Com o passar do tempo os salários aumentaram. A China surgiu. Empresas americanas descobriram que podiam realizar sua produção e até mesmo sua engenharia de maneira mais barata no exterior. Quando faziam isso, suas margens aumentavam. A administração ficava satisfeita e os acionistas também. O crescimento continuava e com lucratividade ainda maior. A máquina de empregos do Vale do Silício começava a engasgar. Em 2012 o emprego industrial no setor de computadores dos EUA já tinha caído para cerca de 166.000 vagas a menos do que antes da montagem do primeiro PC, o MITS Altair 2800 em 1975. Nesse meio tempo emergiu na Ásia um setor de fabricação de computadores altamente eficaz, empregando milhares de operários, engenheiros e gestores. A maior dessas empresas é a Hon Hai Precision Industry em Shenzen, também conhecida como Foxconn. A empresa cresceu a uma velocidade estarrecedora, primeiro em Taiwan e depois na China. Seu faturamento se aproximando de Apple, a Microsoft, a Dell e a Intel. A Foxconn emprega mais de 800.000 pessoas, mais do que o total mundial consolidado de da Apple, Dell, Microsoft, Hewlett-Packard, Intel e Sony. A Foxconn produz computadores para a Dell e HP, produzia celulares para a Nokia (NOK), consoles Microsoft Xbox 360, placas-mãe da Intel e incontáveis outros dispositivos. Cerca de 300.000 colaboradores da Foxconn produziam produtos da Apple no sul da China em 2015. A Apple, por seu lado, tinha cerca de 30.000 colaboradores nos EUA. Isso quer dizer que para cada trabalhador da Apple nos EUA havia 10 pessoas na China produzindo iMacs, iPods e iPhones. A mesma proporção aproximada de 10-para-1 se mantinha para a Dell, para a fabricante de discos rígidos Seagate Technology (STX) e outras empresas de tecnologia dos EUA.

O trabalho de alto valor agregado e grande parte dos lucros ficam nos EUA. Mas o grande volume de empregos foi para a Asia. Desde os primórdios do Vale do Silício, o dinheiro investido nas empresas aumentou dramaticamente, mas produziu cada vez menos empregos. Os EUA se tornaram enormemente ineficientes na geração de empregos de tecnologia para os americanos.

Há mais em jogo nessa história do que a mera exportação de empregos. Em relação a algumas tecnologias, tanto o ganho de escala quanto a inovação se dão no exterior. É o caso das baterias elétricas avançadas, as baterias de íons de lítio. As baterias estão para os veículos elétricos como os microprocessadores estão para os computadores. Mas, ao contrário do que se dá com estes, a participação americana na produção de baterias de íons de lítio é ínfima. Um novo setor precisa de um ecossistema eficaz em que o knowhow tecnológico se acumule, experiência gere experiência, e desenvolvam-se relacionamentos estreitos entre fornecedor e cliente. Os EUA perderam sua liderança em baterias há 30 anos, quando pararam de produzir dispositivos eletrônicos de consumo. Então, quem produzia baterias ganhou a exposição e os relacionamentos necessários para aprender a fornecer baterias para o mercado mais exigente de laptops e, depois, para o ainda mais exigente mercado automotivo. As empresas americanas não participaram da primeira fase e, por isso, não estavam presentes para o que veio a seguir. A China tomou esse mercado dos EUA.

Os EUA passaram a desprezar o setor industrial. A ideia de que, desde que o “trabalho de conhecimento” permaneça nos EUA, não importa o que irá acontecer com os empregos industriais. Esse tipo de mentalidade rompeu a cadeia de experiência produtiva das empresas americanas, tão importante para a evolução tecnológica. Os EUA entregaram o vale do silício para o livre mercado; que levou toda a produção para a Ásia do leste com a ajuda de seus governos! O desenvolvimento acelerado das economias asiáticas proporciona diversos exemplos disso. Os “Projetos Dourados”, uma série de iniciativas digitais encabeçadas pelo governo chinês no final da década de 1980 e nos anos 1990 são grandes exemplos disso. Pequim estava convencida da importância das redes de comunicação e eletroeletrônica – usadas para transações, comunicação e coordenação – para a potencialização da geração de empregos, especialmente nas partes menos desenvolvidas do país. Por isso esses projetos gozaram de financiamento público prioritário. Com o tempo, contribuíram para o desenvolvimento acelerado da infraestrutura informacional chinesa e para o crescimento econômico do país. A China triunfou.

*Graduado em Economia pela FEA-USP. Mestre e Doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo. Foi pesquisador visitante nas Universidades de Cambridge UK e Columbia NY. É professor de economia na FGV-SP desde 2002

Referências:

https://amp.economist.com/technology-quarterly/2021/01/07/how-governments-spurred-the-rise-of-solar-power?__twitter_impression=true

https://www.bloomberg.com/news/features/2021-01-13/china-loves-elon-musk-and-tesla-tsla-how-long-will-that-last

https://www.bloomberg.com/news/articles/2010-07-01/andy-grove-how-america-can-create-jobs

https://www.ecodebate.com.br/2020/06/18/energia-solar-cresce-225-no-mundo-com-mais-de-115-gigawatts-instalados-no-ultimo-ano/?fbclid=IwAR13J9aY-ihuRLZ8EqtFLvz9cajjy-G2GVFeZAmN3wajehSq06UqlOrUh70

https://www.brasil247.com/blog/a-desindustrializacao-do-vale-do-silicio-e-o-triunfo-da-china

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Estilos de liderança de Harvard: seis estratégias de liderança

POR ANNE SEXTON – HBR 14 de junho de 2017(Tradução Evandro Milet)

Componentes culturais corporativos

O estudo usou uma amostra aleatória de quase 4.000 executivos. Ele descobriu que os líderes mais eficazes escolhem entre seis estilos de liderança distintos. A pesquisa investigou como cada um dos seis estilos de liderança se correlacionava com os principais componentes da cultura da organização.

O HBR identificou esses componentes culturais como:

Flexibilidade – capacidade dos funcionários de inovar sem regras e regulamentos excessivos

Responsabilidade – como os funcionários responsáveis ​​se sentem em relação à organização

Padrões – o nível de padrões esperados na organização

Recompensas – a precisão do feedback de desempenho e seu link para recompensas

Clareza – quão claros os funcionários estão sobre a missão, visão e valor fundamental

Compromisso – compromisso dos funcionários com um propósito comum

 Seis estilos de liderança

Os seis estilos de liderança, em ordem de impacto na cultura organizacional, são brevemente discutidos a seguir.

1. Coercitivo

Este é um líder que exige conformidade imediata. A frase mais descritiva desse líder é: “Faça o que eu digo!”

Este estilo pode destruir a cultura de uma organização. Isso ocorre porque o lado negativo é muito maior do que o lado positivo. Portanto, um estilo coercitivo só deve ser usado com extrema cautela. É útil em uma emergência e pode funcionar em uma crise. Além disso, pode ajudar em uma situação de recuperação ou como último recurso com um funcionário problemático.

O estilo de liderança coercitiva tem o impacto mais negativo na cultura organizacional geral.

2. Pacesetting

Este é um líder que estabelece padrões extremamente elevados de desempenho. A frase mais descritiva desse líder é: “Faça o que eu faço agora!”

Um estilo marcante pode destruir uma boa cultura. Ele só funciona com uma equipe altamente motivada e competente, capaz de, essencialmente, ler a mente do líder. Outros se sentirão oprimidos e desistirão. Isso ocorre porque eles não conseguem se ver atendendo aos padrões do líder.

O precursor tem praticamente o mesmo impacto negativo na cultura organizacional geral que um líder coercitivo. Esse estilo afeta particularmente as recompensas e o comprometimento.

3. Coaching

O coach é um líder que se concentra no desenvolvimento de pessoas para o futuro. A frase mais descritiva desse líder é: “Experimente isso”.

Os líderes de coaching são ótimos delegadores. Eles também estão dispostos a tolerar falhas de curto prazo, desde que levem a um desenvolvimento de longo prazo. Esse estilo funciona melhor quando você deseja ajudar os funcionários a melhorar seu desempenho ou desenvolver seus pontos fortes de longo prazo.

O coach tem um impacto positivo na cultura organizacional geral.

4. Democrata

O líder democrático obtém consenso por meio da participação. A frase mais descritiva desse líder é: “O que você acha?”

Esse estilo gera confiança, respeito e comprometimento. Além disso, funciona melhor quando você deseja receber sugestões ou fazer com que os funcionários “comprem” ou cheguem a um consenso. Não funciona sob severas restrições de tempo ou se os funcionários estiverem confusos ou desinformados.

Se manuseado corretamente, esse estilo tem um impacto positivo na cultura organizacional geral.

5. Associativo

Um líder associativo deseja criar harmonia e construir laços emocionais com os funcionários. A frase mais descritiva desse líder é: “As pessoas vêm primeiro.”

Esse estilo funciona melhor quando você deseja motivar os funcionários. Isso é especialmente verdadeiro quando eles enfrentam situações estressantes. Além disso, esse estilo funciona bem quando você deseja construir a harmonia da equipe, melhorar a comunicação, aumentar o moral ou reparar a quebra de confiança.

Um líder associativo tem um impacto positivo na cultura organizacional geral. Esse estilo não tem virtualmente nenhuma desvantagem e, portanto, é frequentemente visto como a melhor abordagem geral.

6. Respeitável

O líder respeitável mobiliza as pessoas com entusiasmo e uma visão clara. Este é um líder visionário. Este líder dá às pessoas liberdade para inovar e assumir riscos calculados, desde que se movam na direção da visão declarada. A frase mais descritiva desse líder é: “Venha comigo”.

Esse estilo funciona melhor quando a mudança exige uma nova visão ou quando os funcionários estão procurando uma nova direção. No entanto, esse estilo falha quando os funcionários têm mais conhecimento ou experiência do que o líder, ou se o estilo respeitável torna-se autoritário.

Desde que seja usado com elegância, esse estilo tem o impacto mais positivo na cultura organizacional geral.

A pesquisa descobriu que os melhores líderes dominam quatro ou mais estilos, especialmente os estilos respeitável, associativo, democrático e de coaching. Líderes que podem se mover facilmente de um para o outro, dependendo da situação, produzem as culturas organizacionais mais positivas e desfrutam dos maiores sucessos comerciais.

https://www.corporatetraining.ie/harvard-leadership-styles/

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Máscaras descartáveis: 1,56 bilhão nos mares em 2020

Por João Lara Mesquita Estadão – Coluna Mar sem fim – 17 de dezembro de 2020 

Máscaras descartáveis; estima-se em 1,56 bilhão nos mares em 2020

Prezado leitor: tenha certeza que odeio ter que escrever sobre temas pesados, tristes, num momento de infelicidade geral da humanidade. Estamos todos cheios desta situação criada pela pandemia. E tristes pela morte de milhões de pessoas, notadamente as mais pobres. É muita injustiça duma só vez. Mas nosso compromisso é com os mares. Não por acaso este site tem o nome que tem. Eu tinha certeza que chegaria o momento de informar mais um problema gerado pela pandemia. Fazer o quê? Passar batido, não posso. Você ainda tem o livre arbítrio para decidir se o texto deve ou não ser lido. A mim só resta informar. Máscaras descartáveis, estima-se em 1,56 bilhão nos mares.

Imagem, OceansÁsia.

Máscaras descartáveis: 1,56 bilhão nos mares em 2020

Uma das funções diárias é pesquisar o que NÃO SAI na mídia nacional sobre os oceanos. E cobri-la. O consumidor escolhe o que lê. O site, como ativista, tem o dever de expor a realidade não alcançada pela imprensa tradicional publicada em português. Mas não apenas.

O esforço do site

Basta navegar pelo site para descobrir. Pesquisar no extenso ‘menu’ (canto superior esquerdo). Para não ficar apenas nos assuntos ‘pesados’ e divulgar a importância do mar em nossa vida, criamos no menu inúmeras categorias, como história marítima, tecnologia, sustentabilidade, entre outras.

Menu do site Mar Sem Fim

Destacamos espécies curiosas, mundo submarino, energia; contamos histórias de navegadores notáveis como Ernest Shackleton, ou outros  que naufragam na Antártica  ‘capazes’ de repetirem o acidente que aconteceu  com o britânico quase cem anos antes; e ainda destacamos a obra de titãs como Paulo Nogueira Neto, além de disponibilizar cerca de 70 horas em documentários da costa brasileira quando aprendemos sobre o desastre que nela se passa.

Mas não podemos e não queremos ignorar os problemas, fingir que não existem. Porque existem, sim, e são muitos.

Desde o princípio da pandemia  eu imaginava um número assustador. Mas fiquei perplexo com a novidade que nos informa o site da OceansÁsia. Esta é uma das muitas ONGs sérias que sigo.

É das poucas que como este site privilegia o bioma marinho. Não são sensacionalistas, muito menos arrivistas. Têm lá suas baldas, como todo mundo, mas nada que a desabone do ponto de vista deste escriba.

E nós rezamos pela cartilha do ícone da ciência marinha Sylvia Earle para quem o maior problema dos oceanos é a ignorância. Arrisco a sugerir mais um: os oceanos têm a desvantagem de não comoverem o público. Simples assim. E este problema é um fenômeno também mundial.

Já conversei com dezenas de especialistas norte-americanos que concordam com ambas as informações. No mar, apenas os cetáceos ou as tartarugas comovem. Porque o público os vê. Pessoas veem cetáceos ao vivo ou através de vídeos e adoram, se encantam, torcem por eles. Quem não faria?

O mesmo acontece com tartarugas, mas não com tanta intensidade. O resto é o resto, aquilo que não se pode ver com frequência. Sobra então, disponibilizar a informação.

A inundação das máscaras descartáveis

Nossos oceanos serão inundados com cerca de 1,56 bilhão de máscaras faciais em 2020, diz um relatório divulgado em dezembro pela organização de conservação marinha com sede em Hong Kong, OceansAsia.

Isso resultará em um adicional de 4.680 a 6.240 toneladas métricas de poluição marinha de plástico, diz o relatório intitulado “Máscaras na praia: O impacto do COVID-19 na poluição de plástico marinho”.

450 anos para se decompor

Essas máscaras levarão até 450 anos para se decompor, lentamente se transformando em microplásticos, enquanto impactam negativamente a vida selvagem marinha e os ecossistemas.

O relatório usou uma estimativa de produção global de 52 bilhões de máscaras sendo fabricadas em 2020, uma taxa de perda conservadora de 3% e o peso médio de 3 a 4 gramas para uma máscara cirúrgica de polipropileno descartável para chegar à estimativa.

Apenas a ponta do iceberg

“Os 1,56 bilhão de máscaras faciais que provavelmente entrarão em nossos oceanos em 2020 são apenas a ponta do iceberg”, diz o Dr. Teale Phelps Bondaroff, Diretor de Pesquisa da OceansAsia e principal autor do relatório. “As 4.680 a 6.240 toneladas métricas de máscaras faciais são apenas uma pequena fração das estimadas 8 a 12 milhões de toneladas métricas de plástico que entram em nossos oceanos a cada ano.”

O consumo de plástico, que tem aumentado constantemente há anos, aumentou significativamente como resultado da pandemia de COVID-19.

“As preocupações com a higiene e a maior dependência de alimentos para viagem levaram ao aumento do uso de plásticos, principalmente embalagens”, disse Gary Stokes, Diretor de Operações da OceansAsia. “Enquanto isso, uma série de medidas destinadas a reduzir o consumo de plástico, como proibições de sacolas descartáveis, foram adiadas, pausadas ou revertidas.”

Dificuldade em reciclar

As máscaras de uso único são feitas de uma variedade de plásticos derretidos e são difíceis de reciclar devido à composição e ao risco de contaminação e infecção. Eles entram nos oceanos quando são despejados, quando os sistemas de gerenciamento de resíduos são inadequados ou inexistentes ou quando esses sistemas ficam sobrecarregados devido ao aumento do volume de resíduos.

Devastação marinha por plásticos

“A poluição marinha por plástico está devastando nossos oceanos”, disse Gary Stokes, Diretor de Operações da OceansAsia. “A poluição por plástico mata cerca de 100.000 mamíferos marinhos e tartarugas, mais de um milhão de aves marinhas e um número ainda maior de peixes, invertebrados e outros animais a cada ano. Também impacta negativamente a pesca e a indústria do turismo, e custa à economia global cerca de US$ 13 bilhões por ano.”

imagem de máscaras descartáveis na praiaImagem, OceansAsia.

O relatório pede que as pessoas usem máscaras reutilizáveis ​​sempre que possível, descartem as máscaras de maneira responsável e reduzam o consumo geral de plástico descartável. Ele também conclama os governos a implementar políticas destinadas a encorajar o uso de máscaras reutilizáveis, como diretrizes de liberação sobre a fabricação adequada e o uso de máscaras reutilizáveis.

Falta fomentar a inovação e o desenvolvimento de alternativas sustentáveis ​​às máscaras plásticas descartáveis.

E paramos por aqui, não sem antes lembrar que em 2021 a poluição plástica anabolizada pela covid-19 será ainda pior. Haverá, finalmente, a vacina. Somos quase oito bilhões na Terra. Vacinas usam seringas. E elas são feitas de plástico…

Assista ao vídeo Masks On The Beach de Gary Stokes e saiba mais

Imagem de abertura: OceansAsia

Fonte: https://oceansasia.org/covid-19-facemasks/?fbclid=IwAR0DX_mvH_jL2yZy4-pZf2L5lqlQ0IL7gJV3eY9lsuL1D5dpwD3ODOd4x68.

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Você precisa de um diploma tradicional ou um curso online é suficiente?

Dorie Clark HBR 19 de dezembro de 2017

Na economia moderna, todos sabemos que simplesmente não podemos parar de aprender. No entanto, saber como dar continuidade à nossa formação é uma questão complicada. Vale a pena investir para obter um diploma acadêmico, como um MBA ou doutorado? Deve você optar por uma abordagem mais direcionada: um programa de formação executiva de curta duração? Ou talvez estudar por conta própria, inscrevendo-se em um curso online, como um MOOC (em português, Cursos Online Abertos e Massivos)?

Como professora adjunta da Fuqua School of Business na Duke University, lecionei para muitas turmas em programas acadêmicos, bem como em cursos de formação executiva. Também criei, de forma independente, diversos cursos online. Portanto, tenho refletido muito sobre que tipo de programa é mais apropriado às necessidades dos profissionais.

Quando estiver considerando o próximo passo em sua formação, faça a si mesmo estas três perguntas.

Qual é o padrão aceito em sua empresa ou setor? Para áreas em que um diploma de pós-graduação é obrigatório, a resposta é clara. Porém, em muitos casos, os profissionais enfrentam uma situação ambígua: ter um MBA pode ser considerado uma vantagem, mas raramente constitui uma exigência para um emprego específico. É importante, no entanto, compreender as normas de sua empresa ou setor. Mesmo que não haja nenhuma exigência formal, ela pode estar implícita.

Por meio de entrevistas e pesquisas para levantar informações e qualificações, tais como pesquisar perfis de líderes no LinkedIn, tente obter uma ideia sobre a formação desses profissionais. Se todos na equipe de líderes tiverem um diploma de pós-graduação e você não, convencê-los de seus méritos pode ser uma luta árdua. Mas se esse título for incomum, gastar centenas de milhares de dólares em um diploma talvez seja um exagero: uma formação mais direcionada pode bastar.

Que habilidades específicas você quer desenvolver? Programas que oferecem diplomas acadêmicos sobressaem em termos de formação global: um MBA, por exemplo, oferece um pouco de tudo o que você pode precisar como líder, seja no departamento financeiro, de marketing ou de operações. Mas se você está procurando aprimorar habilidades específicas, em vez de desenvolver uma visão geral, talvez prefira um programa de formação executiva direcionado ou um curso online.

Comece analisando o emprego que almeja. Que habilidades os líderes nesse cargo têm — e quais delas você ainda não possui? Quanto mais precisamente conseguir identificá-las, melhor. Por exemplo, um dos meus programas de formação executiva na Duke Fuqua ajuda líderes a aperfeiçoar suas habilidades de falar em público e fazer apresentações. E um curso online criado por mim contribui com profissionais interessados em blogs a criar conteúdo com mais rapidez. Você realmente precisa aprender tudo sobre finanças corporativas ou necessita apenas do básico sobre contabilidade para ajudá-lo a compreender melhor uma demonstração de resultados? Caso seja uma habilidade suficientemente restrita, você pode conseguir desenvolvê-la lendo um livro ou assistindo a vídeos no YouTube em vez de fazer um curso completo.

Como você aprende melhor? É também importante saber como você aprende melhor, o que varia de pessoa para pessoa. Você pode ter motivação pessoal, por exemplo, caso em que um curso online com pouca ou nenhuma interação com o professor e outros alunos pode ser perfeito. Por outro lado, se você aprende melhor na companhia de outros alunos, pode preferir uma experiência tradicional em sala de aula, ou pelo menos um curso online que tenha uma comunidade ativa. Determinar o ambiente de aprendizagem ideal para você lhe permitirá tomar decisões melhores, de modo a evitar o desperdício de seu dinheiro em um programa presencial de alto custo (quando você poderia ter dado conta do material sozinho sem muito esforço) ou em um curso online (que você nunca frequentou porque não havia um clima de camaradagem).

É também importante lembrar que — até mesmo em uma época de cursos e treinamentos online quase infinitos — a melhor opção de aprendizado é, por vezes, aquela criada por você mesmo. Em meu primeiro livro, retratei a história de Joanne Chang, que iniciou sua carreira como consultora em gestão e acabou se tornando uma famosa restaurateur.

O segredo para a transição dela? Antes da era da internet, ela datilografou cartas e as enviou pelo correio a alguns dos melhores chefs de Boston, descrevendo sua formação (ela não tinha educação formal em culinária), seu interesse no emprego e sua disposição para realizar literalmente qualquer trabalho que pudessem oferecer a ela. No dia seguinte, Chang recebeu uma oferta para trabalhar como aprendiz da renomada chef Lydia Shire, criando assim as condições para seu futuro sucesso. Muitas vezes, as melhores oportunidades não são anunciadas; você as cria por conta própria, pedindo uma chance.

Em um mercado competitivo, fica claro que temos de exigir cada vez mais de nós mesmos. Fazendo essas perguntas a si mesmo, você pode definir que oportunidades de aprendizado produzirão o melhor ROI para a sua carreira.

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Dorie Clark é uma estrategista de marketing e palestrante profissional que leciona na Fuqua School of Business na Duke University. É autora de Entrepreneurial You, Reinventing You e Stand Out. Você pode receber sua autoavaliação gratuita: Entrepreneurial You.

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Tradução: Thiago G. Lelis

Você precisa de um diploma tradicional ou um curso online é suficiente?

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Escritório nunca mais? Home-office pode trazer novos desafios em 2021

O home office veio para ficar e deve levar gente qualificada para longe das firmas

Por Victor Sena – Exame  17/12/2020 

Our most common work-from-home tech issues are the ones that slow down our productivity: unreliable internet connections, low-quality video calls, software programs that are too narrowly tailored and uncomfortable work stations. (Glenn Harvey/The New York Times)-- NO SALES; FOR EDITORIAL USE ONLY WITH NYT STORY WORKING-CHEN-ART-BSPR BY BRIAN X. CHEN FOR MARCH 24, 2020. ALL OTHER USE PROHIBITED.

 (Glenn Harvey/The New York Times)

Antes da pandemia, crescer na carreira significava para muitos brasileiros mudar de cidade. No século 20, o emprego ditou o caminho de profissionais para norte, sul, leste e oeste no Brasil. Em 2020, tudo mudou. Devido ao isolamento social, parte da mão de obra foi para casa enfrentar os prazeres — e os percalços — do home office.

Mesmo com a perspectiva de uma vacinação em massa já nos primeiros meses de 2021 trazer o apelo dos escritórios de volta, ao que tudo indica boa parte de quem provou o home office gostou da ideia. E mais: há quem esteja fazendo planos para morar bem longe da sede da empresa só para poder nutrir a liberdade de trabalhar de qualquer lugar.

De acordo com uma pesquisa da empresa de softwares Salesforce com 20.000 profissionais do mundo inteiro, inclusive do Brasil, 42% dos entrevistados gostariam de seguir em casa mesmo com o fim da pandemia. No Brasil, o interesse é ainda maior: 57% dos entrevistados sonham com essa possibilidade.

Expansão do home office

Com a guinada forçada para o trabalho em casa, muitas empresas estão prometendo o sonho de trabalhar de qualquer lugar — ou anywhere office, como algumas consultorias em recursos humanos vêm chamando a tendência. Trata-se de um benefício crescente nas empresas. No site Vagas.com, as oportunidades em home office total ou parcial multiplicaram por 6 desde o início da pandemia.

No entanto, esse futuro será mais certo para alguns setores, como o de tecnologia, educação e serviços empresariais. Um levantamento da consultoria McKinsey mostrou o potencial do anywhere office de acordo com o setor da economia. Entre os que lideram o ranking estão finanças e seguros, gestão e educação, setores com alta proporção de trabalhadores com ensino superior completo (ver quadro ao lado).

No fim da fila estão atividades operacionais, como construção, hotelaria e alimentação e agricultura. De acordo com a McKinsey, a capacidade de trabalhar remotamente também depende da necessidade de uso de equipamentos especializados. No site Indeed, 30% das vagas oferecidas para programadores e desenvolvedores em dezembro oferecem alguma opção de trabalho remoto.

Na visão de quem pesquisa o futuro do trabalho, o esvaziamento de áreas densamente povoadas veio para ficar. “O anywhere ­office amplia a escolha das pessoas, e elas começam a questionar a vida que querem viver”, diz Sandra Chemin, fundadora da consultoria FutureYou, que desde 2006 ajuda pessoas e empresas a se imaginar para o futuro do trabalho. De Auckland, na Nova Zelândia, Sandra atende grandes empresas brasileiras interessadas em montar times eficientes com profissionais de várias partes do globo.

Apesar de o anywhere ­office parecer quase perfeito para muita gente, há desafios. Na pesquisa da McKinsey, a consultoria destacou que algumas tarefas até podem ser feitas de maneira remota na crise, mas com o olho no olho tudo sai mais fácil. Entre elas estão treinamento, feedback, construção de relacionamentos com colegas, tomadas de decisão críticas e integração de funcionários.

“Não adianta colocar os funcionários para ficar 100% do tempo em casa, contratar pessoas de qualquer cidade, e não repensar o negócio”, diz Renato Bolzan, presidente da consultoria de inovação Invillia. Fundada no interior de São Paulo, a empresa tem 800 funcionários em 24 estados e países da Europa, África e América Latina. Antes da pandemia, 70% das equipes já trabalhavam de casa. Agora são 100%. “Existe uma questão de cultura. Não adianta dar um computador e um headphone se a empresa não tem esse DNA”, diz.

 (Arte/Exame)

Questões trabalhistas

Na visão de especialistas, o principal desafio das empresas brasileiras vai ser adequar as contratações às questões trabalhistas. A reforma trabalhista aprovada no governo Temer, em 2017, definiu o que é o trabalho remoto, abrindo espaço para mais contratações desse tipo, mas deixou pontos cegos. A que sindicato o trabalhador estará vinculado? Como definir o salário? O custo da carga horária e da hora extra vai ser qual? “Ainda não há clareza na legislação para definir algumas questões”, diz Flávia Fernandes, da consultoria PwC. “As empresas precisam entender os impactos trabalhistas disso.”

Da integração dos funcionários a questões trabalhistas, o futuro do trabalho de qualquer lugar também tem impactos na dinâmica das grandes cidades. Durante a pandemia, a cidade de Nova York tinha 15.000 apartamentos alugados vazios em setembro, o maior número de vagas na história registrada. Uma pesquisa da empresa Ticket mostra que 28% dos trabalhadores brasileiros pretendem mudar de cidade caso migrem para um sistema de home office.

Na pandemia, 7% dos trabalhadores passaram algum momento em cidades turísticas, sítios e casas de parentes. Isso não deve significar, porém, uma decadência de grandes cidades. Para o economista Sérgio Firpo, do Insper, o desafio vai ser aumentar a qualidade de vida nessas regiões, que ainda deverão seguir sendo polos de geração de empregos. Resta saber se a mudança para o trabalho remoto vai trazer prosperidade para cidades menores — e um caminho sem fronteiras para profissionais.

https://exame.com/revista-exame/trabalhar-de-todo-lugar/

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A mudança no comportamento das gerações: tecnologia de A a Z

Somos influenciados pelos acontecimentos de nosso tempo e por aqueles que nos antecedem. No caso da Geração Z, a tecnologia teve papel fundamental em sua formação. Entender de que forma essa influência se deu e que características gerou nesse grupo nos guiará em direção ao futuro e à próxima geração.

por Gustavo Caetano* 16 de Janeiro, 2021

Popularização da internet, lançamento do Playstation, estreia dos sites de busca Google e Yahoo. Você sabe em que década esses acontecimentos ocorreram? Anos 1990. Mundialmente falando, um período de avanços científicos, tecnológicos e consolidação da globalização. Uma época propícia para o desenvolvimento e disseminação de eletrônicos e digitais.

Muitos dos avanços que ocorreram nos anos 90 foram impulsionados pela Guerra Fria (1947 e 1991), que apesar de todo o conflito político, ideológico e econômico entre Estados Unidos e União Soviética (URSS), resultou também em um saldo tecnológico e científico. Alguns exemplos são: a criação da NASA, utilização de satélites em sinais de telecomunicação e o surgimento da Internet, nos anos 60. Mas, naquela época, a tecnologia era restrita ao uso militar e só se tornou popular outras décadas mais tarde. No Brasil, podemos citar que ela foi disponibilizada para uso comercial em 1994.

Dessa maneira, diversas invenções começaram a emergir a partir do avanço tecnológico: as mensagens de texto SMS, o DVD, o Super Nintendo e a Google foram algumas das criações dos anos 90, e quem nascia naquele contexto começava desde muito cedo a “falar” a língua da tecnologia, a linguagem dos computadores, celulares, games e da internet. Para Marc Prensky, escritor americano e palestrante em educação, esses indivíduos são os nativos digitais, ou seja, aqueles que já nasceram imersos no mundo digital. Essa geração de nativos engloba também aqueles que fazem parte da Geração Z, que é a idade sociológica dos indivíduos que nasceram entre os anos 1990 e 2010.

Em linhas gerais, o conceito de gerações é definido por um grupo de pessoas que nasceram na mesma época e compartilham de hábitos, cultura, comportamentos e experiências de vida semelhantes. Alguns estudiosos afirmam que elas podem mudar a cada 25 anos, mas que este intervalo não deve ser levado como uma máxima para essas definições. Inclusive, a Geração Z é um exemplo de que não existe um consenso sobre o período do seu início, em outras literaturas, é possível encontrar esse começo definido também pelos anos 1995. Antes dos Zs, temos a Geração Y, que é formada por pessoas que nasceram a partir do ano de 1980, que podem ser chamados também de Millennials, outra fase de avanços tecnológicos e crescente globalização, mas no Brasil, período de certa instabilidade econômica.

A classificação das gerações não para por aí, a Geração X também foi estudada e engloba indivíduos que nasceram entre 1965 e 1978, são pessoas que trabalham bem em grupo e individualmente, e buscam a independência financeira desde cedo, eles também podem ser chamados de filhos dos Baby Boomers. “Baby Boom” significa explosão de bebês e é a geração composta por pessoas nascidas entre 1946 e 1964, um período de grande crescimento populacional do pós-Segunda Guerra Mundial. Antes disso, também podemos citar a Geração dos Veteranos ou Tradicionais que inclui pessoas que nasceram de 1922 até 1945, elas nasceram e viveram em períodos de guerra, por esse motivo tem um comportamento diferente das outras gerações, acreditam no trabalho em equipe, entretanto, são influenciados pelo modelo de militarismo ao exercer posições de liderança.

Com esses dados, é possível perceber que o comportamento de cada geração é influenciado pelos acontecimentos que as antecedem, que vigoram e que perduram, e vimos que a tecnologia teve um importante impacto nas últimas gerações, especialmente na Geração Z.

Não é à toa que o grupo de pessoas nascidas a partir de 1990 recebeu esse título. O “Z” vem do termo zapear, ou seja, mudar os canais de TV de forma constante e rápida. O termo “Zap” vem do inglês e pode ser traduzido como “fazer algo rapidamente”. É a geração da velocidade, eles aprendem rápido, são dinâmicos, exigentes e já nasceram acompanhando boa parte das tecnologias, são conectados e autodidatas. A Fast Company — uma revista sobre tecnologia — fez uma projeção que até o final de 2020 essa geração já representaria 40% dos consumidores, por isso é tão importante estudá-los, a fim de oferecer soluções e ferramentas que se adequem às suas necessidades e expectativas.

Eles são consumidores exigentes e querem conhecer os produtos antes de comprá-los, por isso, fazem pesquisas na internet e em redes sociais sobre o que vão adquirir, afinal, são nativos digitais e usam a rede para facilitar a vida e otimizar o tempo, também por isso são um dos públicos que mais usufruem do comércio eletrônico. Além disso, por gostarem da experimentação, as tecnologias de Realidade Virtual e Realidade Aumentada podem cativar ainda mais esses consumidores no e-commerce, já que por meio delas torna-se possível ter a sensação de “experimentar” uma peça de roupa, por exemplo. Atualmente, o eBay — um dos maiores sites de comércio eletrônico do mundo — possui um aplicativo de realidade virtual na Austrália. Para usufruir da tecnologia é necessário um smartphone e um óculos de realidade virtual. Neste assunto, cabe relatar que grande parte das vendas dos e-commerces acontecem pelos smartphones. Uma pesquisa feita pela Opinion Box, empresa de pesquisa de mercado, mostrou que 85% dos brasileiros com smartphone compram online. Outra estratégia que se mostrou eficaz para o comércio eletrônico foram as live commerces, que são transmissões de vídeo ao vivo, com apresentação de produtos de uma loja ou marca. O objetivo delas é a venda instantânea desses itens por meio de uma plataforma integrada com o e-commerce.

A forma de relacionamento e consumo dos Zs também foi muito influenciada pela crescente nos aplicativos, segundo um relatório de 2017 divulgado pelo site Mobile Time, essa geração passa em média 4h17 por dia na internet no celular e instala cerca de 9 aplicativos por mês em seus smartphones. Um relatório divulgado este ano pela companhia de análise de mercado mobile App Annie mostrou que os aplicativos mais baixados por eles, no quesito social, foram o TikTok, Snapchat e o Twitch. Mas não é somente para o entretenimento que essa geração tem utilizado as aplicações mobile, os apps de delivery de comida como o Ifood, Uber Eats, 99 Food e outros, fazem parte do dia a dia deles.

Além desses, devemos lembrar também o quanto os Zs utilizam os apps de economia compartilhada, no que diz respeito à mobilidade urbana. Em um cenário de crescimento desordenado dos grandes centros urbanos e aumento de veículos particulares motorizados, fez-se necessário pensar formas de garantir uma mobilidade sustentável, neste ponto, a tecnologia foi fundamental. Com auxílio das plataformas online, os aplicativos de mobilidade compartilhada passaram a fazer parte da vida dessa geração: carros, bicicletas e patinetes pertencem à rotina dessas pessoas. Ressalto que, apesar do serviço de mobilidade compartilhada mais popular no Brasil ter chegado em 2014, com a Uber, o conceito começou nos anos 60, na Holanda, por meio de bikes compartilhadas. Naquela época, não havia custo para utilizar as bicicletas, entretanto, o modelo não se mostrou sustentável, além de ter sido alvo de vandalismo. Mas hoje, com o avanço da tecnologia, podemos usufruir desses serviços e sobretudo, contando com usuários que têm o mindset de colaboração. Neste sentido, podemos ainda citar exemplos como o Airbnb, Dog Hero ou sites de financiamento coletivo como o Catarse e o Benfeitoria, todos esses impulsionados pelas plataformas digitais.

A mentalidade colaborativa da Geração Z vai além. Os coworkings são outro exemplo de como eles têm lidado bem compartilhando também o espaço de trabalho com pessoas de diferentes empresas e lugares, o termo cunhado pelo designer de jogos Bernie DeKoven, descreve um novo modelo de trabalho que estava em ascensão junto da tecnologia, e para quem pensa que os avanços tecnológicos poderiam afastar os trabalhadores, os coworkings vieram para mostrar que nem sempre será assim.

Fato é que essa geração é muito mais propensa para trabalhar em um modelo remoto. Segundo uma pesquisa divulgada pela Globo, apenas 16% dos Zs preferem trabalhar em escritórios corporativos, entretanto, a maioria deles, 38% afirmam que o local não faz diferença, seguido por 26% que prefere trabalhar em coworkings e outros 20% em home office. É preciso ficar cada vez mais atento aos anseios e hábitos dessa geração em relação ao mercado de trabalho, porque, segundo a Mckinsey, até 2022, eles representarão cerca de 10% da força de trabalho.

Como nativos digitais, lidam muito bem com a tecnologia no mercado de trabalho e mesmo que não desenvolvam diretamente uma atividade relacionada a ela, eles têm um bom desenvolvimento no assunto, aprendendo facilmente a manusear novos softwares e plataformas, além de serem mais abertos às mudanças de tecnologias. Além disso, com toda evolução tecnológica, novas possibilidades de carreira começam a surgir, e essa geração passa a considerar profissões que sequer existiam há alguns anos: UX design, gestor de mídias sociais, desenvolvedor mobile, analista de cibersegurança, até blogueiro, youtuber ou influenciador digital.

Os Zs valorizam também gestores e lideranças que sejam próximas e abertas ao diálogo. Além disso, ambientes diversos e colaborativos são mais apreciados. Essa combinação de predileções leva muitos a quererem trabalhar em startups, já que são ambientes mais dinâmicos, inovadores e ágeis. A agilidade é uma constante para a Geração Z, são imediatistas e autônomos e por isso, podem vir a ter mais facilidade em trabalhar com metodologias ágeis como o método Scrum e o Kanban.

Outra mudança de mentalidade em relação ao trabalho diz respeito às expectativas em relação às empresas contratantes, uma pesquisa da Deloitte mostrou que 38% espera que as empresas também se preocupem com a saúde do funcionário, incluindo um bom ambiente de trabalho. Outros 34% esperam alguma atividade relacionada a mentoria ou treinamento. Isso mostra que são pessoas que querem desenvolver suas carreiras e acreditam que o aprendizado faz parte desse processo.

Sobre esse assunto, vale salientar, que a forma de aprender dos Zs também se modificou, ela acontece de forma mais acelerada, eles são autodidatas e muitas vezes, aprendem sozinhos diversos conteúdos com o auxílio da internet. Além disso, o ensino a distância também foi um facilitador, por meio de plataformas EAD é possível absorver o conteúdo e interagir com colegas e professores. Segundo o último censo (2018/2019) Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), a modalidade EAD no Brasil soma 9 milhões de estudantes.

Então, o que esperar da Geração Z e como lidar com ela?

No âmbito educacional, voltarei a citar Marc Prensky, que, além de apresentar o conceito de nativos digitais, traz também quem seriam os imigrantes digitais, ou seja, aqueles que nasceram antes das tecnologias. No caso da educação, os professores. O escritor explica que eles, assim como os imigrantes, aprendem a “nova língua” (da tecnologia), entretanto, não a pronunciam como os nativos, eles mantêm um certo “sotaque”. Para resolver essa equação, os professores precisam estar abertos aos novos métodos de ensino e práticas que se adequam à realidade dos nativos digitais. Para isso, é preciso ouvi-los e aprender ao máximo sobre essa nova linguagem, além de tentar introduzir ferramentas que representem o contexto deles, como o gamification, por exemplo.

Enquanto consumidores, a Geração Z está buscando produtos mais tecnológicos, mais informações sobre os produtos, mais inovação e outros tantos “mais”. Mas, as marcas e empresas não devem ficar restritas a isso, é preciso gerar valor para essa geração, eles buscam marcas que se engajem com causas sociais, que sejam sustentáveis, diversas e plurais. Contudo, não se deve esquecer que esses consumidores querem praticidade, comprar em poucos cliques e receber em um curto prazo. Nesta última, soluções de entregas rápidas como os drones, podem ser uma boa aposta. Sem esquecer de utilizar a tecnologia a fim de facilitar todo o processo de compra do usuário.

No mercado de trabalho, as empresas precisam aprender cada vez mais com a Geração Z. Eles tendem a ser menos burocráticos, menos resistentes às mudanças, mais ágeis e mais colaborativos, além de tudo, claro, mais tecnológicos. Ouvi-los pode ajudar a implementar novas possibilidades de culturas inovadoras dentro das organizações. Afinal, a evolução tecnológica e a transformação digital são caminhos sem volta (ainda bem!) e nada melhor do que aprendermos essas mudanças com os Zs no mercado de trabalho hoje, pois, daqui a pouco chega uma nova geração para ocupar posições importantes: a Geração Alpha, a geração das telas. A melhor forma de lidarmos com os Zs e aguardar os Alphas é escutá-los, além de ter sempre em mente que, por mais que não sejamos todos nativos digitais, devemos nos esforçar sempre para ser imigrantes eficientes, curiosos e aprendizes constantes.


*Gustavo Caetano é CEO da Sambatech e Samba Digital.

https://mittechreview.com.br/a-mudanca-no-comportamento-das-geracoes-tecnologia-de-a-a-z/

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