IA pode ser janela de oportunidade para aprendizagem

Ferramentas pode ser usada em rotinas escolares, mas instituições devem ensinar estudantes competências que os permitam ter reflexão sobre uso ético

Antônio Gois – O Globo – 12/01/2026 

Terminei o texto de minha última coluna aqui — em que tratei de lições a partir do fracasso do uso de algumas tecnologias na educação — sugerindo cautela antes de comprarmos a ideia de que soluções criadas por Inteligência Artificial finalmente revolucionarão a aprendizagem. Mas, como argumentei no texto, isso não significa ignorar que estamos diante de uma tecnologia com potencial disruptivo em todas as áreas do conhecimento.

Uma reportagem publicada neste mês no jornal The New York Times mostra que as grandes empresas de tecnologia estão investindo pesadamente no desenvolvimento de ferramentas a partir de IA nas escolas, em parcerias com governos de vários países. Um dos receios que a própria matéria traz na voz de especialistas, porém, é de que ainda temos poucos estudos rigorosos sobre impactos. Inovações são necessárias na educação, mas elas precisam ser monitoradas e avaliadas de forma rigorosa, pois — como argumentei em meu texto da semana passada — não foram poucos os exemplos de tecnologias que prometiam muito, mas entregaram pouco ou, pior, resultaram até em prejuízos.

A reportagem do jornal americano cita, inclusive, um estudo da Universidade Carnegie Mellon e da Microsoft, que acompanhou 319 trabalhadores de diferentes áreas do conhecimento (educadores, profissionais de mídia, programadores, matemáticos, entre outros). Uma das conclusões do trabalho, divulgado no ano passado, foi que níveis maiores de confiança na Inteligência Artificial estavam associados a menor capacidade de pensamento crítico, o que eleva o risco dessa habilidade — tão fundamental para o mundo do trabalho nos dias de hoje — ser prejudicada pelo uso de ferramentas de IA generativa.

Esse é um risco que se aplica também à educação. Em setembro do ano passado, a 15ª edição da pesquisa Cetic.Br nas escolas revelou que sete em cada dez alunos do ensino médio já recorrem a essas ferramentas para realizar pesquisas, mas apenas 32% deles disseram ter recebido orientação das escolas sobre como usar essas tecnologias. A mesma pesquisa mostrou que professores também vêm acessando essas ferramentas, mas ainda sem diretrizes claras sobre seu melhor uso.

O governo brasileiro iniciou, no ano passado, uma consulta pública justamente com o objetivo de criar um referencial para o desenvolvimento e uso responsáveis de IA na educação. Precisamos, de fato, urgentemente evoluir no entendimento de como essa tecnologia pode ser usada em rotinas escolares, mas sem esquecer de trabalhar nos estudantes competências que os permitam entender a lógica por trás dela e refletir sobre seu uso ético.

Mas, talvez, uma das grandes contribuições que a Inteligência Artificial possa dar ao campo educacional é retomar o debate — sempre necessário — sobre o que precisa realmente ser trabalhado nas escolas num mundo em que a automação e a facilidade de acesso ao conhecimento avançam de forma acelerada. Críticas ao excesso de conteúdo, à memorização e a modelos demasiadamente baseados na transmissão de conhecimento não são novidade. Mas, quem sabe, esta não seja uma nova janela de oportunidade para trocarmos amplitude demasiada de conteúdos por mais profundidade e reflexão.

IA pode ser janela de oportunidade para aprendizagem

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O laboratório secreto onde o Google testa o computador mais poderoso do mundo na corrida pela IA quântica

Faisal Islam – BBC News – 9 janeiro 2026

Parece um enorme lustre dourado e abriga o lugar mais frio do universo conhecido.

O que estou vendo não é apenas o computador mais poderoso do mundo, mas uma tecnologia fundamental para a segurança financeira, o bitcoin (e outras criptomoedas), segredos de Estado, a economia global e muito mais.

A computação quântica detém a chave para determinar quais empresas e países vencerão e perderão… o restante do século 21.

Diante de mim, suspenso a cerca de um metro do chão, em uma instalação do Google em Santa Bárbara (EUA), está Willow. Francamente, não era o que eu esperava.

Não há telas nem teclados, muito menos capacetes holográficos ou chips de leitura cerebral.

O Willow é um conjunto de discos circulares do tamanho de um barril de petróleo, conectados por centenas de fios de controle pretos, que descem até um refrigerador de banho de hélio líquido de bronze. O sistema mantém o microchip quântico a um milésimo de grau acima do zero absoluto — a temperatura de 273,15 °C negativos, em que a vibração de átomos e moléculas é paralisada.

A aparência e a sensação remetem aos anos 1980. Mas, se o potencial da computação quântica se concretizar, a estrutura metálica e cheia de cabos à minha frente, semelhante a uma água-viva, poderá transformar o mundo de várias maneiras.

“Bem-vindos ao nosso laboratório de Quantum AI”, diz Hartmut Neven, chefe de Quantum AI do Google, ao atravessarmos a porta de alta segurança.

Neven é uma figura quase lendária: parte gênio da tecnologia, parte entusiasta de música eletrônica. Ele se veste como alguém que teria acabado de sair de uma pista de snowboard rumo a um festival de artes e música, como o Burning Man (conhecido festival anual realizado no deserto de Nevada, nos EUA) — evento para o qual, aliás, cria obras de arte. Talvez ele tenha mesmo vindo em um universo paralelo. Mais sobre isso mais adiante.

A sua missão é transformar a física teórica em computadores quânticos funcionais “capazes de resolver problemas que hoje são insolúveis”. Ele admite ser parcial, mas afirma que esses “lustres” são os que apresentam melhor desempenho no mundo.

Grande parte da nossa conversa gira em torno do que não podemos filmar nesse laboratório restrito. Essa tecnologia estratégica está sujeita a controles de exportação, sigilo e ocupa o centro de uma corrida por supremacia comercial e econômica. Qualquer pequena vantagem, do formato de novos componentes às empresas que integram as cadeias globais de suprimentos, é fonte de alavancagem estratégica.

Há um clima tipicamente californiano nesse templo da alta ciência, perceptível nas cores e nas obras de arte. Cada computador quântico recebe um nome, como Yakushima ou Mendocino; todos são “envelopados” por peças de arte contemporânea, e murais em estilo grafite decoram as paredes, iluminadas pelo sol intenso do inverno.

Neven mostra Willow, o mais recente chip quântico do Google, que atingiu dois marcos importantes. Segundo Neven, o chip encerrou “de uma vez por todas” o debate sobre se computadores quânticos conseguem realizar tarefas que computadores clássicos não conseguem.

O Willow também resolveu, em minutos, um problema usado como referência que levaria 10 septilhões de anos; ou seja, mais de 1 trilhão de trilhões, um número com 25 zeros no final, um período muito superior à idade do universo.

Esse resultado teórico foi aplicado recentemente ao algoritmo Quantum Echoes, impossível para os computadores convencionais, que ajuda a aprender a estrutura de moléculas a partir da mesma tecnologia usada em aparelhos de ressonância magnética.

Neven enumera as formas como acredita que o chip quântico Willow será usado “para ajudar a enfrentar muitos dos problemas que a humanidade tem hoje”.

“Ele vai nos permitir descobrir medicamentos de forma mais eficiente”, diz. “Vai ajudar a tornar a produção de alimentos mais eficiente, a produzir energia, a transportar energia, a armazenar energia… a enfrentar as mudanças climáticas e a fome.”

“Isso nos permite compreender muito melhor a natureza e, a partir daí, desbloquear seus segredos para construir tecnologias que tornem a vida mais agradável para todos nós”, afirma.

Alguns pesquisadores acreditam que a verdadeira inteligência artificial só será plenamente possível com a computação quântica.

Integrantes da equipe que trabalha no laboratório receberam recentemente o Prêmio Nobel de Física pelo trabalho original sobre “qubits supercondutores”, a base da tecnologia usada ali.

O chip Willow tem 105 qubits. O projeto quântico da Microsoft conta com oito qubits, mas adota uma abordagem diferente. A corrida global é chegar a 1 milhão de qubits para uma “máquina em escala utilitária”, capaz de realizar tarefas como química quântica e desenvolvimento de medicamentos sem erros. A tecnologia, no entanto, é frágil.

O Willow é um conjunto de discos circulares do tamanho de um barril de petróleo, conectados por centenas de fios de controle pretos, que descem até um refrigerador de banho de hélio líquido de bronze. O sistema mantém o microchip quântico a um milésimo de grau acima do zero absoluto

O que acontece aqui está sendo acompanhado atentamente em todo o mundo. O professor Peter Knight, presidente do conselho estratégico do Programa Nacional de Tecnologias Quânticas do Reino Unido, afirma que o Willow abriu um novo caminho.

“Todas essas máquinas ainda estão, na prática, na fase de modelos de brinquedos; elas cometem erros. Precisam de correção de erros. O Willow foi o primeiro a demonstrar que é possível fazer essa correção, por meio de rodadas repetidas de ajustes, com melhora progressiva”, diz.

Isso coloca a tecnologia em uma trajetória para ser escalada até executar com precisão 1 trilhão de operações, possivelmente dentro de sete ou oito anos, em vez das duas décadas que antes se supunham necessárias.

Se o primeiro quarto deste século foi marcado pela ascensão da internet e, depois, da inteligência artificial, os próximos 25 anos tendem a inaugurar a era quântica.

Como funciona?

Imagine tentar encontrar uma bola de tênis em uma entre mil gavetas fechadas. Um computador clássico abre cada uma, em sequência. Um computador quântico abre todas ao mesmo tempo. Ou, de modo semelhante, em vez de precisar de cem chaves para abrir cem portas na computação tradicional, a computação quântica permite abrir as cem com uma única chave, instantaneamente.

Essas máquinas não serão para todos. Não vão encolher a ponto de caber em celulares, óculos de IA ou laptops. O ponto central é que o poder desses computadores cresce de forma exponencial, e todo mundo quer participar.

Perguntei ao CEO da Nvidia, Jensen Huang, se isso representa uma ameaça ao modelo da empresa, baseado no fornecimento de chips especializados para IA. “Não”, respondeu. “No futuro, um processador quântico será acrescentado ao computador.”

Um dos principais especialistas do Reino Unido destaca o que está em jogo no mundo quântico: o poder potencial de descriptografar quase tudo, de segredos de Estado ao bitcoin.

“Todo o universo das criptomoedas também terá de ser reavaliado por causa da ameaça da computação quântica”, afirma Knight, do Programa Nacional de Tecnologias Quânticas do Reino Unido.

Um parceiro de destaque da Nvidia no ano passado disse que, embora o bitcoin ainda tenha alguns anos de margem, a tecnologia precisará migrar para uma blockchain — uma espécie de banco de dados descentralizado que usa criptografia para registrar transações — mais forte até o fim da década.

Fontes do setor de tecnologia usam a expressão Harvest Now, Decrypt Later (“Colher Agora, Decifrar Depois”, em tradução livre) para descrever como agências estatais estariam armazenando grandes volumes de dados criptografados, internos e externos, com a expectativa de que gerações futuras consigam acessá-los.

Corrida global

E há também a corrida global. A abordagem da China é muito diferente da disputa comercial observada nos Estados Unidos e outros países do chamado Ocidente.

Segundo Knight, do Programa Nacional de Tecnologias Quânticas do Reino Unido, o volume total de recursos comprometidos com tecnologia quântica na China, cerca de US$ 15 bilhões (aproximadamente R$ 82,7 bilhões), pode equivaler à soma de todos os demais programas governamentais do mundo.

Desde 2022, a China publicou mais artigos científicos sobre computação quântica do que qualquer outro país. Os esforços são liderados pelo físico pioneiro Pan Jianwei e fazem parte central do 14º plano quinquenal de Pequim.

A China decidiu impedir que empresas de tecnologia como Baidu e Alibaba desenvolvessem suas próprias pesquisas em computação quântica, concentrando profissionais e infraestrutura em uma iniciativa estatal. A estratégia chinesa busca vantagem sobretudo em comunicações quânticas e satélites.

No ano passado, Pan desenvolveu e testou o computador quântico Zuchongzhi 3.0, usando tecnologia semelhante, embora com abordagem diferente, à do Willow, e afirmou ter alcançado resultados comparáveis. No outono, o sistema foi aberto para uso comercial. A sensação lembra o Projeto Manhattan da Segunda Guerra Mundial (para vencer a Alemanha no desenvolvimento de armas atômicas) ou a corrida espacial, agora, no século 21.

O Reino Unido é um dos principais polos científicos em pesquisa quântica. Foi um cientista britânico quem realizou os estudos originais sobre qubits supercondutores.

O país abriga dezenas de empresas e pesquisas de ponta, e o governo planeja anunciar investimentos significativos nas próximas semanas. A tecnologia é considerada vital para a economia, o uso militar e a geopolítica, com a ambição de que o Reino Unido se torne a terceira potência nesse campo.

Universos paralelos

De volta ao laboratório do Willow, surgem questões ainda mais existenciais. No ano passado, Neven sugeriu que a velocidade inédita do sistema daria respaldo a algumas teorias sobre a existência de um multiverso. Em linhas gerais, a ideia de que o Willow teria recorrido a universos paralelos para ampliar seu poder de processamento. Nem todos os cientistas concordaram com essa teoria.

“Ainda há um debate intenso”, diz ele. “Como você viu na visita ao laboratório, a razão de os computadores quânticos serem tão poderosos é que, em um único ciclo de relógio, eles conseguem acessar 2 das 105 combinações simultaneamente. Isso te faz questionar: onde estão todas essas possibilidades?… Há uma versão da mecânica quântica que pensa nisso, a da formulação de Muitos Mundos [MWF, na sigla em inglês], que fala em universos ou realidades paralelas.”

Neven ressalta que o Willow não prova essa hipótese, mas considera que o resultado é “sugestivo o suficiente para levarmos a ideia a sério”.

Essa é a fronteira mais avançada do mundo, da tecnologia, do crescimento econômico e do poder global. O governo britânico deve investir centenas de milhões para tentar alcançar o Willow e os avanços chineses. Soa como ficção científica, mas está rapidamente se tornando um fato econômico.

O laboratório secreto onde o Google testa o computador mais poderoso do mundo na corrida pela IA quântica – BBC News Brasil

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Cabos submarinos e a nova era da transmissão elétrica global

Conexões em corrente contínua de alta tensão estão unindo continentes, acelerando a transição energética e definindo a infraestrutura elétrica do século XXI

Carlos Henrique Brasil – Exame – 19 de dezembro de 2025 

A eletricidade está atravessando os oceanos. À medida que cresce a demanda por energia limpa e as fronteiras da geração renovável se expandem, uma nova rede global começa a se formar sob o mar: os cabos submarinos de transmissão em corrente contínua de alta tensão (HVDC)

Esses sistemas, capazes de transmitir até 10 GW por mais de 3.000 km, com perdas inferiores a 3% por mil quilômetros, estão transformando a engenharia elétrica em uma disciplina de alcance planetário. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a expansão das interconexões é uma das rotas mais eficazes para acelerar a transição energética – permitindo que regiões com abundância de sol, vento ou hidreletricidade abasteçam grandes centros urbanos e industriais.

Projetos recentes ilustram essa escala. O North Sea Link, de 720 km, conecta o Reino Unido à Noruega e já permite o intercâmbio de energia eólica e hidrelétrica. O NeuConnect, em construção, ligará o Reino Unido à Alemanha por 725 km, com capacidade de 1,4 GW. No Oriente Médio, o GCC Interconnection Project une Arábia Saudita, Emirados, Kuwait, Catar, Bahrein e Omã em uma malha HVDC que avança para se tornar o primeiro “supergrid” regional.

Esses corredores formam o que especialistas chamam de espinha dorsal da transição energética. A ENTSO-E, rede europeia de operadores de transmissão, estima que cada euro investido em interconectores pode gerar até €2,3 em benefícios econômicos e de segurança, ao reduzir volatilidade e ampliar o aproveitamento das fontes renováveis.

O crescimento industrial acompanha essa expansão. O mercado global de cabos HVDC deve superar US$ 25 bilhões até 2035, impulsionado pelo avanço das energias renováveis e pelo aumento da demanda de data centers e computação de alto desempenho, segundo relatórios da Precedence Research e da Mordor Intelligence.

Mas a nova infraestrutura submersa traz desafios. Após o ataque aos gasodutos Nord Stream em 2022, a União Europeia e a OTAN passaram a classificar cabos submarinos como ativos críticos. A Comissão Europeia criou centros de vigilância em Londres e Lisboa, com sensores ópticos e drones subaquáticos, para proteger rotas de transmissão e comunicação.

A questão da capacidade industrial também preocupa, já que os prazos de entrega de grandes transformadores e conversores HVDC dobraram desde 2021 e a fabricação de cabos de alta tensão cresce mais lentamente que a demanda, segundo a IEA. A transição elétrica depende tanto de inovação tecnológica quanto de coordenação industrial.

Empresas como a Meta e a Google investem em cabos híbridos – que combinam fibra óptica e transmissão elétrica – para alimentar data centers e reforçar a resiliência digital. Na prática, eletricidade e informação passam a compartilhar a mesma rota, tornando o fundo do mar o novo ponto de encontro entre energia, conectividade e segurança.

Esses cabos representam mais do que infraestrutura aprimorada, são condutores silenciosos significativos para o futuro do setor elétrico global.

Cabos submarinos e a nova era da transmissão elétrica global | Exame

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Robotáxis, óculos inteligentes, computadores que conversam: veja as novidades tecnológicas de 2026

Computadores que conversam, carros sem motorista e um sucessor para o atual smartphone são algumas das inovações tecnológicas que vão dominar o novo ano

Por Brian X Chen – O Globo/The New York Times 09/01/2026 

Perto do início de cada ano, observo as novidades em tecnologia de consumo para dar um aviso prévio sobre quais inovações podem realmente afetar o seu dia a dia, em meio às muitas modas passageiras que podem ser ignoradas.

No passado, muitas tendências apareceram repetidamente nesta lista — como casa inteligente, tecnologia fitness e carros elétricos — porque a tecnologia levou tempo para amadurecer. (Nem tudo dá certo: enquanto os dois últimos exemplos se tornaram populares, a tecnologia de casa inteligente ainda tem algumas arestas.)

Agora, é inegável que a inteligência artificial (IA) generativa, a tecnologia por trás dos chatbots, está mudando rapidamente a forma como muitas pessoas usam seus dispositivos e navegam na web. A explosão da IA também está levando empresas de tecnologia a experimentar a venda de novos gadgets que podem substituir o smartphone.

E o sentimento amplamente positivo dos consumidores em relação aos carros autônomos ajudou os robotáxis da Waymo, do Google, a ganhar tração em grandes cidades, preparando esses serviços para uma expansão significativa neste ano, inclusive para rodovias.

Veja a seguir as tendências para ficar de olho neste ano:

Finalmente estaremos conversando com nossos computadores

Nos últimos 15 anos, Apple, Google e Amazon apostaram alto que seus assistentes de voz — Siri, Google Assistant e Alexa — convenceriam as pessoas a falar regularmente com seus computadores para realizar tarefas. Essa visão não se concretizou exatamente.

As pessoas usam os assistentes de voz principalmente para algumas tarefas básicas, como checar a previsão do tempo, tocar músicas e ajustar temporizadores de cozinha. É especialmente raro ver pessoas falando com assistentes de voz em público.

Mas talvez finalmente vejamos uma mudança no comportamento do consumidor com a popularidade crescente de chatbots de IA como o ChatGPT, da OpenAI, o Gemini, do Google, e o Claude, da Anthropic.

Muitas pessoas já conversam com esses bots por texto. Portanto, é razoável prever que, à medida que as vozes de IA comecem a soar mais humanas, mais pessoas passarão a falar com seus computadores, até mesmo em público, disse Lucas Hansen, fundador da CivAI, uma organização sem fins lucrativos que educa o público sobre as capacidades e consequências da IA.

—Cada vez mais pessoas estão falando com a IA, não apenas como um mecanismo de busca, mas como um parceiro de conversa. Se você pode colocar fones de ouvido e falar com ela como se estivesse em uma ligação telefônica, fica menos óbvio para as pessoas ao redor que você está falando com uma IA — afirmou.

As vozes robóticas de chatbots populares como ChatGPT e Gemini ainda soam um tanto artificiais, e as empresas continuam trabalhando para torná-las mais naturais. Mas a Sesame AI, uma startup, tem feito grandes avanços no desenvolvimento de um companheiro de voz por IA com inflexões semelhantes às humanas.

Esse avanço pode tornar a interação com a IA mais divertida, mas também mais problemática para pessoas com questões de saúde mental, como aquelas que tiveram delírios paranoides e até morreram por suicídio após conversarem com chatbots, disse Hansen.

A busca continua por um sucessor do smartphone

Assim como acontece com os laptops, as atualizações anuais de smartphones tornaram-se rotina. (Mais rápidos, com mais bateria e uma câmera melhor!) Embora os telefones não vão desaparecer, a aceleração da IA criou uma oportunidade para as empresas de tecnologia experimentarem dispositivos que esperam que se tornem o próximo aparelho pessoal de computação de massa — e algumas estão apostando forte em óculos inteligentes.

Os óculos Ray-Ban Meta, usados para tirar fotos e ouvir música, tiveram um sucesso modesto, com milhões de unidades vendidas até agora. Agora, a Meta está dobrando a aposta. No fim do ano passado, a empresa começou a vender o Meta Ray-Ban Display, que inclui uma tela digital para mostrar dados e aplicativos no canto do campo de visão do usuário.

Outras empresas de tecnologia, incluindo o Google e a startup Pickle, também apresentaram óculos semelhantes com telas.

Se isso soa familiar, é porque é mesmo. O Google tentou vender o Google Glass — um headset com tela transparente e câmera — há mais de uma década. O dispositivo foi um fracasso espetacular, em grande parte porque era feio, cheio de firulas e causava desconforto em pessoas que não gostavam de se sentir vigiadas.

Desta vez, as empresas de tecnologia esperam que os companheiros de IA integrados aos óculos, mais conversacionais, tornem os dispositivos mais atraentes.

A Apple, por sua vez, ainda aposta que a próxima grande novidade depois do telefone é um telefone novo e melhorado. Neste ano, a empresa planeja lançar seu primeiro iPhone com uma tela que pode ser dobrada como um livro, aumentando seu tamanho para se assemelhar a um iPad menor, segundo uma pessoa informada sobre o produto, que não estava autorizada a falar publicamente sobre ele.

Concorrentes como Google e Samsung vendem telefones dobráveis há anos, mas esses dispositivos permaneceram um nicho, em parte por causa do alto preço (acima de US$ 1.800) e de problemas de durabilidade.

Um porta-voz da Apple se recusou a comentar.

A IA está mudando a forma como navegamos na web

A IA está transformando a web, gostemos ou não. Quando fazemos uma busca no Google, uma resposta gerada por IA geralmente é a primeira coisa que vemos.

O chatbot de IA da Meta está integrado ao Instagram e ao WhatsApp, sem opção de desativá-lo. Empresas como a OpenAI e a Browser Co. também lançaram navegadores com assistentes de IA integrados que respondem às nossas perguntas sobre os sites que estamos visitando. No Windows, a Microsoft agora inclui um assistente de IA, o Copilot, que responde às perguntas dos usuários. A IA tornou-se quase impossível de evitar.

Para se diferenciar, a Mozilla, fabricante do navegador Firefox, adotou uma abordagem menos agressiva com a IA. No ano passado, adicionou ferramentas de IA ao Firefox para resumir artigos e obter ajuda de um assistente, mas, em vez de ativar os recursos por padrão, afirmou que os usuários poderiam optar por usá-los.

Ainda assim, espere que a “IAficação” da web continue neste ano. O Google afirmou que planeja incorporar sua tecnologia de IA aos aplicativos dos quais dependemos diariamente, como o Gmail, para resumir e-mails e redigir respostas.

Também se espera que o Google amplie neste ano o AI Mode, seu novo mecanismo de busca que permite conversar com um assistente de IA para obter respostas, com novas ferramentas para compras online e reserva de mesas em restaurantes.

Táxis autônomos estão se tornando comuns

Em um sinal claro de que os robotáxis vieram para ficar, a Waymo, serviço de táxi autônomo do Google, segue adiante com uma grande expansão, apesar de um colapso em toda a cidade de São Francisco.

No mês passado, depois que uma queda de energia em São Francisco fez com que veículos da Waymo bloqueassem cruzamentos e ficassem presos no trânsito, a empresa suspendeu os serviços por um dia. O incidente levantou dúvidas sobre como esses carros poderiam representar riscos à segurança em situações de emergência, como terremotos e apagões.

A Waymo afirmou que os sinais de trânsito desligados causaram atrasos no tempo de resposta dos carros, o que contribuiu para o congestionamento, e que aprenderia com o episódio.

Algumas autoridades municipais defenderam o serviço, observando que os robotáxis ainda são, em geral, mais seguros do que motoristas humanos. O sentimento geral em relação aos táxis autônomos continua positivo.

—Do ponto de vista da segurança, eles seguem as regras — disse Carolina Milanesi, analista de tecnologia de consumo da empresa de pesquisa Creative Strategies. — Muita da negatividade que existia no início desapareceu.

No fim do ano passado, a Waymo, que opera 2.500 veículos na região da Baía de São Francisco, em Phoenix, Los Angeles, Atlanta e Austin, no Texas, começou a permitir que alguns passageiros usassem os robotáxis em rodovias, inclusive para ir a aeroportos.

A Zoox, serviço de táxi autônomo da Amazon, também começou a oferecer corridas em São Francisco, e a Tesla vem testando seus veículos na cidade. E, nesta semana, a Uber revelou seu novo robotáxi, que planeja lançar ainda neste ano.

Em outras palavras, se você ainda não andou em um carro autônomo, este ano pode finalmente ser o momento.

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Como o Brasil pode se tornar protagonista global na corrida dos minerais críticos

Dono da 2ª maior reserva de terras raras, o Brasil está atrasado nessa pauta, mostra estudo da consultoria PwC que aponta as ações necessárias para o País aproveitar sua vocação

Por Ivo Ribeiro – Estadão – 08/01/2026 

Para ser protagonista na produção de minerais e metais críticos, o Brasil tem de acelerar medidas de apoio e regulamentações. Só assim poderá tirar proveito do ciclo de bonança de demanda global que se projeta para os próximos cinco a dez anos. Essa categoria de minerais ganhou evidência no mundo devido a suas aplicações estratégicas na indústria de alta tecnologia e na transição energética. O País está qualificado, pois detém reservas importantes de terras raras, nióbio, lítio e grafite e, em menor peso, níquel e cobre.

Eis a visão de especialistas, como Patrícia Seoane, sócia e líder do setor de Mineração e Siderurgia da PwC no Brasil. “O Brasil está bem atrasado na pauta de minerais críticos”, disse em entrevista ao Estadão. Quem também compartilha essa visão é Frederico Bredan, que tem longa vivência na área de mineração e foi nomeado diretor executivo da Associação de Minerais Críticos (AMC).

A entidade, criada em novembro, começou reunindo nove empresas desse segmento no País, a maioria estrangeiras e praticamente todas com projetos em fase pré-operacional no Brasil.

Na avaliação de Seoane, o país que detém reservas desses minerais terá no futuro grande poder político, se criar um arcabouço estratégico e dispor de condições para avançar na cadeia produtiva. Não à toa, vimos durante 2025 um grande embate entre Estados Unidos e China pelo controle da oferta de minerais estratégicos, caso de ímãs obtidos de elementos de terras raras.

O país asiático domina mais de 60% da produção e cerca de 85% da capacidade global de processamento de terras raras e grande parte das etapas intermediárias de minerais como grafita, vanádio e lítio, aponta estudo da PwC. A República Democrática do Congo, por sua vez, responde por mais de 60% da produção mundial de cobalto. E a Indonésia se tornou um player mundial de peso em níquel.

O Brasil é dono da segunda maior reserva de terras raras, porém só conta com uma mina em estágio inicial de produção, no norte de Goiás. Do concentrado, para se obter os principais ETR, tem de enviar o material para a separação e o refino serem feitos em instalações chinesas que dispõem da tecnologia.

O País está entre os dez principais produtores de níquel, manganês, nióbio, ferro e bauxita — e tem ampliado sua relevância com o crescimento acelerado da produção de lítio (já figura como o quinto maior produtor e tem vários outros projetos a caminho), grafita natural, terras raras (23% das reservas), vanádio e cobre.

Bedran, da AMC, diz ser este um momento — geopolítico e econômico — oportuno para alavancar os projetos em curso no País. “O grande desafio é dar celeridade a esses projetos. Temos um ciclo de três a quatro anos para começar a ofertar esse material ao mercado”, afirma.

Segundo o executivo da AMC, países da África, o Canadá e a Austrália dão maior previsibilidade ao investidor, enquanto no Brasil não é possível saber quando uma licença (prévia ou de instalação) vai sair. “É crucial que, em 2029, todas as empresas com investimento em curso estejam produzindo.”

Desde 2024, no Congresso Nacional está em discussão projetos de lei para criar uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, visando incentivar a exploração e o beneficiamento de minérios como lítio, terras raras e grafite, essenciais para a transição energética e tecnologia. Há propostas de benefícios fiscais, fundos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e um marco regulatório para agilizar licenciamentos. Estão em tramitação na Câmara o PL 2780/2024 e no Senado o PL 4443/2025.

Um fundo para o segmento de minerais críticos e estratégico (Fundo de Investimento em Participações-FIP), no valor de R$ 1 bilhão, foi criado pelo BNDES, com a Vale, no ano passado. É voltado para empresas júnior e de médio porte que atuam na pesquisa, desenvolvimento e implantação de minas de minerais essenciais à transição energética e descarbonização.

O banco aprovou R$ 250 milhões; e a mineradora, o mesmo valor. Duas gestoras foram selecionadas para fazer a captação dos demais R$ 500 milhões e atrair projetos de investidores.

Seoane destaca a definição de uma lista essencial de minerais críticos dentro de uma política pública voltada ao setor. “É chave a determinação de um direcionamento, sob o ponto de vista de uma cadeia produtiva, para avançar além da extração e produção de concentrado”. Avalia que tem de atrair investimentos nas etapas de separação e refino, que estão sob o controle da China.

Por exemplo, uma tonelada de minério de lítio (espodumênio) com teor de 6% pode ser exportada por cerca de US$ 800, enquanto o hidróxido de lítio grau bateria pode ultrapassar US$ 8 mil. “A escolha entre exportar minério e exportar inovação define a receita de curto prazo e o posicionamento estratégico”, afirma a especialista.

A executiva e sócia da PwC cita o exemplo da Indonésia. Era um mero produtor de níquel. Ao se montar plano estratégico, com atração de investimentos e restrições à exportação de concentrado do metal, tornou-se um participante de peso no mercado mundial. De 2019 a 2024, houve investimentos de US$ 2,3 bilhões e saiu de duas para 60 unidades industriais de processamento do níquel extraído. A Indonésia, atualmente, responde por cerca de dois terços da oferta mundial.

Iniciativas como o fundo do BNDES, de financiamento a baixo custo, a aprovação de um Plano Nacional de Mineração-2050 e regulamentações legais são consideradas essenciais para se ter um setor competitivo, além de segurança jurídica, capacitação de mão de obra, malha logística para escoamento da produção, mapeamento geológico e menor burocracia nos licenciamentos ambientais. “Um plano estratégico é crucial para oferecer maior segurança ao investidor”, afirma Seoane.

A demanda global por minerais como lítio, grafita, cobalto, níquel e terras raras deverá crescer de forma acentuada até 2040, diz o estudo da PwC, citando dados da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês). Para alguns minerais, a previsão é multiplicar-se até quatro vezes em relação aos níveis atuais de consumo.

Para chegar ao protagonismo no mercado de minerais críticos, exige-se mais do que riqueza mineral. Há desafios logísticos, regulatórios e tecnológicos, apontam os especialistas da PWC, além de agregar valor à produção, superando o modelo de exportação primária.

Qual é o papel desses recursos minerais?

De forma sucinta, esses recursos minerais classificados como críticos, estratégicos e raros são associados a suprimento e importância industrial decisiva; uso em aplicações sensíveis à segurança nacional e autonomia tecnológica; e abundância relativa na natureza (os raros). São bens essenciais na transição para uma economia de baixo carbono, que depende de inovação tecnológica, decisões políticas, capital financeiro e recursos minerais, destaca o estudo.

Na transição energética, o lítio é elemento-chave das baterias de íon-lítio, utilizadas em veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia estacionária. O cobalto vai nos cátodos das baterias de íon-lítio devido à alta densidade energética e estabilidade térmica, enquanto o cobre está presente na eletrificação, em geral, em razão da alta condutividade elétrica — de motores elétricos à infraestrutura de recarga.

Menos conhecida, a grafita (natural ou sintética) é o principal material para fabricação de ânodos de baterias de íon-lítio. O velho conhecido manganês, presente em pilhas e em ligas de aço, ganhou evidência ao ser empregado em químicas emergentes de baterias de carros elétricos que têm lítio ou níquel-cobalto.

O níquel está em ligas metálicas e, com destaque, em baterias de alta performance para carros elétricos. O vanádio sobressai pelo uso em baterias de longa vida útil para armazenamento estacionário de energia renovável.

As terras raras, mineral alvo de disputa entre as duas grandes potências do mundo, EUA e China, e cobiçado por outras de alta relevância (as europeias) têm quatro dos 17 elementos considerados mais críticos: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. São usados na produção de ímãs permanentes, os quais têm aplicações na fabricação de turbinas eólicas, além de equipamentos sensíveis de defesa militar e diversas outras aplicações industriais.

O futuro da mineração será determinado por quem conseguir antecipar as grandes transformações já em curso. Segundo análise da PwC, sete megatendências moldarão o setor até 2035:

  • Crescimento populacional e urbanização;
  • Transição energética;
  • Impactos ambientais e climáticos;
  • Tecnologia, inovação e automação;
  • Capital humano;
  • Acesso a financiamento; e
  • Política e regulação governamental.

“As nações industrializadas têm promovido políticas voltadas à independência estratégica de recursos, buscando diversificar fornecedores e fomentar cadeias de valor locais ou regionais com maior valor agregado. É dentro dessa nova lógica que o valor dos minerais críticos migra da lavra para o refino, a transformação e a integração tecnológica”, destaca o estudo.

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) estima que projetos de minerais críticos deverão receber cerca de R$ 100 bilhões de investimentos entre 2025 e 2029 no Brasil. Para a PwC, o País está diante de uma oportunidade rara: ser ao mesmo tempo potência mineral e ator relevante na construção de cadeias industriais de baixo carbono. Porém, conclui, isso exige estratégia, coordenação e ambição industrial.

Nova porta-voz no setor

A AMC, que reúne empresas com investimentos em minerais críticos no Brasil, terá um papel de porta-voz desse segmento, com a experiência técnica de que dispõe, afirma o diretor executivo, Frederico Bredan.

Ele elege três pautas prioritárias: acesso a linhas de financiamento (o BNDES dispõe de linhas, mas empresas em fase pré-operacional não conseguem dar as garantias exigidas); agregar valor na cadeia de produção (uma forma são benefícios fiscais para atrair investimento) e discussão sobre o processo de licenciamento ambiental, envolvendo todas as entidades ( de órgãos estaduais a institutos ligados ao meio ambiente).

A entidade foi formada com empresas em fase de investimento na exploração: em terras raras, Aclara, em Goiás, e Meteoric e Viridis, em Minas Gerais; em lítio (PLS, da Austrália, e Lithium Ionic, do Canadá); em níquel, Atantic Nickel e Centaurus; e em grafite, Grapchcoa e Graph+. A Atlantic Nickel é a única companhia em produção, de níquel sulfetado, e tem um projeto de expansão da capacidade nas suas operações na Bahia.

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Na avaliação de Bedran, o cenário internacional para os minerais críticos é positivo. “A demanda é três a quatro vezes o volume ofertado. Em ETR, há uma disputa por suprimento por parte de consumidores”, afirma, lembrando que o Ocidente está tentando se posicionar para ser mais protagonista nesse mercado.

O lítio vive um momento de dificuldade no que se refere a preços, com queda superior a 80% desde meados de 2023 devido à entrada de novos ofertantes e à desaceleração na fabricação de carros elétricos.

A AMC previa, em dezembro, a adesão de mais seis empresas à entidade, como a australiana St. George Mining, que tem um projeto para extração de nióbio e terras raras em Araxá (MG).

Como o Brasil pode se tornar protagonista global na corrida dos minerais críticos – Estadão

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O mercado bilionário dos aplicativos que salvam a comida do lixo no Brasil e no mundo

Setor trabalha com kits ‘surpresa’, em que consumidor não sabe exatamente o que vai encontrar — o que faz sucesso nas redes sociais

Vinicius Macêdo – BBC News Brasil

Em uma tarde na cidade de São Paulo, o publicitário Arthur Santana Domingues, de 23 anos, abre o aplicativo da Food To Save no celular, empolgado para comprar comida acessível para um lanche.

Na tela, surge uma “sacola surpresa” de uma padaria próxima, com pães, bolos e salgados por menos da metade do preço. Arthur não pensa duas vezes antes de garantir a oferta.

“É sempre uma experiência divertida, pela curiosidade do que vem dentro. Quando tem mais itens, eu sinto que o valor vale a pena”, conta o publicitário, que conhece a Food To Save desde 2022, após ver vídeos promocionais nas redes sociais.

“Eu acho muito legal poder economizar e ainda ajudar o meio ambiente.”

A brasileira Food To Save foi lançada em 2021 e afirma ser a maior plataforma do tipo no país, conectando milhares de estabelecimentos a consumidores.

O acesso ao aplicativo é gratuito, assim como a participação das empresas na plataforma. Quando um cliente compra uma sacola com preço definido pelo estabelecimento, uma parte do valor pago fica com a plataforma — em um modelo que se repete ao redor do mundo.

Lucas Infante, CEO e cofundador da Food To Save, conta que a empresa surgiu de uma experiência própria: em 2017, durante uma temporada na Espanha, percebeu o tamanho do desperdício no mercado de uma grande rede.

Ao retornar ao Brasil, decidiu criar uma ponte entre estabelecimentos com excedentes e consumidores dispostos a aproveitá-los.

Hoje, a plataforma está presente em 14 Estados e 100 cidades brasileiras.

Na outra ponta, estão empresas parceiras, como as redes varejistas Cacau Show, Supernosso, Angeloni e Hortifruti Natural da Terra.

A St. Marche, rede paulistana de supermercados, participa da Food To Save desde agosto de 2024, quando iniciou um piloto em três lojas.

Antes da parceria, produtos próximos da validade eram direcionados a ações internas de redução de perdas e, em alguns casos, descartados.

“A plataforma nos foi apresentada como uma solução inovadora para reduzir desperdício de alimentos que fez muito sentido para o nosso modelo de operação”, explica Karina Bandeira, diretora de Vendas e Operações da St. Marche.

Segundo ela, a decisão de aderir foi motivada por temas já importantes para a companhia, como o combate ao desperdício de alimentos e a redução de quebras (perda financeira causada por produtos que não podem mais ser vendidos por vencimento, deterioração, danos ou descarte), além de transformar os produtos próximos da validade em receita em vez de perdas.

Até setembro de 2025, o St. Marche vendeu 84.284 sacolas-surpresa e evitou mais de R$ 2,7 milhões em quebras. As sacolas incluem itens de hortifruti, padaria, mercearia e produtos refrigerados.

Em 2024, segundo um relatório próprio, a Food do Save evitou que mais de 4 mil toneladas de alimentos fossem parar no lixo e evitou a emissão de 10 mil toneladas de CO₂.

Além disso, gerou R$ 30 milhões em receita adicional para parceiros e proporcionou R$ 110 milhões em economia aos consumidores — o equivalente ao plantio de 1,6 milhão de árvores ou ao fornecimento de energia para 5 mil casas durante um ano, segundo a própria plataforma.

“Quando um alimento é perdido ou desperdiçado, não se perde apenas aquele quilo de comida — perde-se também a terra utilizada para cultivá-lo, a água usada, transporte, embalagem e trabalho humano envolvido”, explica Cláudio Goldberg, especialista em varejo e professor de Gestão e Planejamento Estratégico na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com dados divulgados pela Food to Save, seu faturamento vem crescendo: R$ 30 milhões em 2023, R$ 70 milhões em 2024, e a projeção é de atingir R$ 160 milhões em 2025 (os valores são nominais, ou seja, não consideram a inflação do período).

A plataforma brasileira é inspirada na dinamarquesa Too Good To Go, referência no setor e que tem mais de 100 milhões de usuários e 175 mil estabelecimentos parceiros em 19 países.

Além disso, oferece a Too Good To Go Platform, um sistema corporativo que ajuda varejistas a gerenciarem excedentes antes do descarte.

O sucesso do Too Good To Go inspirou iniciativas semelhantes ao redor do mundo, que buscam oferecer descontos em produtos próximos do vencimento ou fora do padrão estético. Os itens são entregues em kits “surpresa”, sem que os consumidores saibam exatamente quais produtos e em quais quantidades eles serão entregues.

No Reino Unido, o Olio estimula a troca de alimentos entre vizinhos; na Suécia, o Karma conecta restaurantes e cafés; e, no Canadá e Estados Unidos, o Flashfood atua em supermercados, oferecendo descontos em produtos próximos do vencimento.

Um estudo da consultoria Boston Consulting Group, em parceria com a ONG World Wide Fund for Nature, projeta que o mercado global de soluções para redução de perdas de alimentos pode movimentar até US$ 700 bilhões até 2030.

E o Global Impact Investing Network, uma associação de investidores, aponta que empresas ligadas à circularidade e ao reaproveitamento de recursos estão entre as prioridades de investidores comprometidos com metas ambientais.

O custo invisível de jogar comida fora

Daniel Balaban, diretor do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP), diz à BBC News Brasil que o uso da tecnologia para evitar o desperdício de comida representa “um avanço real, ainda que inicial”.

“Isso se traduz em redução de emissões, pois o lixo orgânico em aterros sanitários gera metano, um gás de efeito estufa muito mais potente que o CO₂”, explica, ressaltando que evitar o desperdício é uma forma direta de mitigar as mudanças climáticas.

Outro efeito desse tipo de iniciativa é a mudança cultural que começa a ser semeada.

“Esses apps ajudam a reduzir desperdício, mas também educam sobre validade, aproveitamento dos alimentos e o valor da comida.”

Entretanto, um desafio que permanece, para ele, é o desperdício em outras fases da cadeia da produção de alimentos.

“Os aplicativos atuam principalmente no varejo e no final da cadeia, não abordando em grande escala as perdas que ocorrem na produção, transporte e armazenamento. Para ampliar o impacto, eles podem se conectar a feiras, CEASAs [Centrais Estaduais de Abastecimento] e agricultores familiares, onde o desperdício também é muito alto.”

Cláudio Goldberg aponta que esse tipo de iniciativa precisa de “fatores estruturais” para dar certo, como infraestrutura adequada — com armazenamento, transporte refrigerado e pontos de coleta — e integração tecnológica com o varejo para monitorar estoques em tempo real.

Segundo a FAO, braço das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, um terço de toda a comida produzida no mundo é perdida ou desperdiçada — cerca de 1,3 bilhão de toneladas por ano —, com impacto econômico estimado em US$ 940 bilhões.

Se o desperdício fosse um país, estaria entre os maiores emissores de gases de efeito estufa do planeta.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estima que, em 2022, foram desperdiçadas aproximadamente 1,05 bilhão de toneladas de comida no varejo, serviços alimentares e domicílios — cerca de 19% dos alimentos disponíveis aos consumidores no mundo.

Evitar essas perdas poderia reduzir em 8% a 10% as emissões globais de gases de efeito estufa, diz a entidade.

O ‘empurrão’ das redes sociais

Cláudio Goldberg destaca que os consumidores mais jovens tendem a valorizar mais o impacto ambiental de suas escolhas.

E, com as redes sociais, tão usadas por esse público, aplicativos do ramo viraram tendência.

No TikTok e no Instagram, milhares de usuários postam reações — os chamados reacts abrindo suas “sacolas surpresa” e mostrando doces, salgados, bebidas e outros produtos de marcas que normalmente seriam mais caras, agora acessíveis com grandes descontos.

O brasileiro Weslley Pereira, de 28 anos, que mora na Inglaterra, ficou sabendo desse tipo de aplicativo pelas redes sociais.

“Vi um vídeo no TikTok de alguém na Irlanda, baixei e gostei do que recebi. Achei muito bom o valor pela quantidade de comida, e ainda diminui o desperdício”, relata Weslley.

“Gosto de padarias e supermercados asiáticos, e sempre que compro, economizo mais de 50% do valor do produto. Uma vez consegui duas pizzas por menos de £4 (R$ 28), enquanto uma pizza no menu do mesmo estabelecimento custava mais de £10 (cerca de R$ 70).”

Daniel Balaban explica que esse tipo de aplicativo se enquadra no conceito de economia circular, que considera todo o ciclo de produção e descarte dos itens e busca o maior reaproveitamento possível.

Segundo Goldberg, startups “verdes” têm maior probabilidade de receber financiamento atualmente do que as “não verdes”.

Entretanto, ele ressalta que a tecnologia acelera mudanças culturais e estruturais, mas não substitui políticas públicas e ações sistêmicas para tornar o setor de alimentos mais eficiente e sustentável.

O professor da FGV sugere, por exemplo, estímulos governamentais como crédito tributário para empresas que doam excedentes, incentivos fiscais para startups de economia circular e linhas de financiamento por bancos públicos.

A Food To Save foi selecionada em 2022 para um programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que estimula startups com potencial de crescimento e impacto social ou ambiental.

Apesar do incentivo, o criador do aplicativo, Lucas Infante, aponta para um grande desafio que persiste pela frente no país.

“O maior desafio é cultural. O Brasil tem uma relação permissiva com o desperdício. É normal ver comida sendo jogada fora”, lamenta o empreendedor.

No Brasil, ainda não há um levantamento consolidado anual que meça todas as perdas de comida ao longo da cadeia produtiva.

O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) afirmou ter coordenado, entre 2024 e 2025, a elaboração de um documento (II Estratégia Intersetorial para Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos) que prevê metas como ampliar a medição de perdas no país e aperfeiçoar mecanismos de doação de alimentos.

De acordo com a pasta, o Brasil tem 350 bancos de alimentos, sejam públicos, privados sem fins lucrativos ou vinculados ao programa SESC Mesa Brasil. O ministério diz apoiar, desde 2005, a ampliação e modernização de bancos de alimentos.

O órgão destacou ainda o Programa Comida no Prato, que concede isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para empresas doadoras de alimentos.

Afirma também ver com “cautela” aplicativos privados de resgate de alimentos.

“Aplicativos e serviços privados têm modelos de funcionamento variados — alguns com cobrança pelo serviço — e ainda há pouca clareza sobre critérios sanitários, logística e seleção de beneficiários”, afirmou o ministério em nota.

“Por isso, o MDS acompanha o tema, mas reforça que o sistema público e comunitário de bancos de alimentos é hoje o canal mais seguro, consolidado e alinhado às políticas nacionais de combate às perdas e ao desperdício.”

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) afirmou atuar em parceria com o MDS sobre o assunto. O Mapa disse também ter criado em 2022 um grupo de trabalho que propôs recomendações como o incentivo à produção de estatísticas nacionais sobre desperdício de alimentos; e o fortalecimento dos bancos de alimentos vinculados às Centrais de Abastecimento (Ceasas) e de programas como o Alimenta Brasil e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

O mercado bilionário dos aplicativos que salvam a comida do lixo – BBC News Brasil

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Nós, robôs

Com avanço da IA, mercado de humanoides pode movimentar US$ 5 tri até 2050

Por João Luiz Rosa e Daniela Braun — Valor – 05/01/2026

Da simpática Rose, de “Os Jetsons”, ao protetor B-9, de “Perdidos no Espaço”, faz tempo que os robôs humanoides vivem e agem na ficção. Já em 1927, a vilã de “Metrópolis”, o clássico expressionista de Fritz Lang (1890-1976), era uma máquina com aparência humana – a falsa Maria. A novidade é que, com os avanços recentes da inteligência artificial (IA), os autômatos parecem finalmente perto de virar realidade, com aplicações em lojas, fábricas, armazéns, hotéis, hospitais – até dentro de casa.

O mercado global de robôs pode ultrapassar US$ 5 trilhões até 2050, com mais de um bilhão de humanoides em atividade, 90% deles (930 milhões) em tarefas industriais e comerciais, estima o banco Morgan Stanley. Outros 80 milhões vão atuar nos lares. O Citibank é ainda mais incisivo: prevê que 1,3 bilhão de robôs com IA em geral estarão em circulação em 2035, com 4 bilhões deles em 2050. Os humanoides, em particular, serão 648 milhões de unidades e movimentarão US$ 7 trilhões ao fim do período.

A era dos robôs com IA é o tema da lista das 10 tecnologias do Valor para 2026, em sua 17ª edição. Destacamos as principais funções que os autômatos devem assumir nos próximos anos: entregadores, garçons e baristas, inspetores de segurança e bombeiros, médicos, motoristas, mordomos e assistentes, operários, pedreiros e serventes, policiais e recepcionistas. Muitos deles serão multifunção.

Desde a origem, a palavra “robô” remete a trabalho. O termo apareceu pela primeira vez na peça teatral “R.U.R” (Rossum’s Universal Robots), de Karel Capek (1890-1938). Deriva da palavra tcheca “robota”, que significa trabalho forçado ou servidão. Na trama, seres artificiais substituem humanos em tarefas pesadas. Não à toa, histórias sobre revolta das máquinas se tornariam tema recorrente na ficção científica.

Além da IA, o movimento em torno dos robôs humanoides é sustentado por avanços em componentes físicos como sensores avançados, baterias de longa duração e materiais leves, incluindo a chamada “soft robotics”, que imita a pele e as articulações humanas, com efeito muito mais realista.

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As 10 tendências para 2026

1 – Entregadores

Robôs desenvolvidos com IA que realizam entregas de refeições devem se multiplicar pelos corredores de shopping centers e saguões de hotéis este ano. Um exemplo é a robô ADA, que ajuda a reduzir o tempo de entrega da empresa de delivery iFood especialmente em locais de grande circulação de pessoas como shopping centers. Nos shoppings Iguatemi Ribeirão Preto e Iguatemi Alphaville (SP), a ADA retira os pedidos de comida dos restaurantes e os carrega a uma área central para coleta pelos entregadores. Até 2030, o iFood pretende contar com 1.000 robôs como a Ada em circulação. Desenvolvido pela startup Synkar, de Ribeirão Preto, o robô combina visão computacional, sensores e mapas do local para “enxergar” o entorno e planejar a melhor rota para navegar de forma autônoma nos corredores do shopping. A meta da Synkar encerrar o primeiro semestre de 2026 com cem unidades da ADA em operação.

2 – Garçons e baristas

Seu futuro barista ou bartender pode ser Adam, um robô que vem circulando em eventos e feiras de tecnologia, preparando cafés, chás e drinks, além de puxar conversa com o público. Ele já preparou coquetéis na sede da gigante americana de chips de IA Nvidia, na Califórnia (EUA) e é presença confirmada na feira de tecnologia CES 2026, em Las Vegas. Criado pela americana Richtech Robotics, Adam leva o nome da sigla em inglês para “Mixologista Automatizado com Dois Braços”. Treinado com os conjuntos de softwares de IA da Nvidia, o robô barista prepara e serve até 200 bebidas por dia usando visão computacional por IA para interagir com os clientes. Em 2025, a Richtech ganhou a simpatia de investidores com alta acumulada de 23,15% em suas ações negociadas na Nasdaq. A expectativa do mercado é positiva para os papeis da empresa ante a sinalização de que Donald Trump vai liberar subsídios à indústria de robótica americana em 2026.

3 – Inspetores e bombeiros

Spot é um robô quadrúpede que já virou presença obrigatória em eventos de tecnologia. Em 2025, Spot chamou a atenção do público nas calçadas de Austin, no Texas, no evento de inovação SXSW 2025, e nas novas instalações do centro de inovação da Whirlpool, inaugurado em dezembro, em Rio Claro (SP). Mas não se engane quando Spot dá cambalhotas e se equilibra em duas patas exibindo um comportamento similar ao de um pet. O robô de guarda da Boston Dynamics, que pertence à Hyundai Motor Group, foi projetado para inspeções industriais em ambientes críticos e terrenos difíceis. Entre suas funções estão vistoriar e prevenir acidentes em usinas, fábricas, mineradoras e dutos, realizar resgates e detectar incêndios. Em meados de 2025, o Spot foi atualizado para fazer a gestão de instalações criando um gêmeo digital para identificar desde motores superaquecidos até vazamentos de ar e riscos regulatórios.

4 – Médicos

Robôs cirúrgicos estão em funcionamento desde o início dos anos 2000 e, embora tragam  braços, não tentam imitar um corpo humano. São mais uma extensão das mãos do cirurgião, que conduz os procedimentos de uma espécie de cockpit com visor 3D. Trata-se de um dos mercados com mais forte crescimento entre as aplicações robóticas. À medida que evoluem e ficam mais baratos, esses dispositivos são usados para tratar de mais doenças, por um número maior de hospitais. A expectativa é que os sistemas de cirurgia robótica, que incluem equipamentos e softwares, tenha crescimento médio de 12,4% ao ano até 2030, com o movimento de US$ 23,1 bilhões no fim do período, segundo a Grand View Research, uma consultoria. Para este ano, a estimativa é da ordem de US$ 14,5 bilhões. Disputam o mercado companhias como Intuitive Surgical, dona dos robôs Da Vinci, Medtronic (Hugo), Johnson&Johnson (Ottawa) e CMR Surgical (Versius).

5 – Motoristas

Os carros autônomos estão divididos em cinco categorias, desde automação básica até veículos que dispensam totalmente o motorista. Nos EUA e outros mercados internacionais, a corrida para saber quem dominará os serviços de robotáxi, que são robôs sobre rodas, já começou. A Waymo, da Alphabet, holding do Google, já ultrapassou 2 mil robotáxis em circulação e se prepara para reforçar a frota, com a adaptação de modelos de montadoras como Jaguar Land Rover e Stellantis (Chrysler). Já a Zoox, da Amazon, produz seus próprios veículos, assim como a Tesla, cuja operação está em fase experimental. Na China, a disputa é travada por gigantes como Baidu, que oferece o serviço Apollo Go, e o Alibaba, que apoia a AutoX. Em outubro, o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, informou ao Valor que a empresa já havia fechado 18 acordos comerciais para oferecer serviço de robotáxi,  que disse considerar “tanto oportunidade quanto ameaça”.

6 – Mordomos e assistentes

A IA generativa elevou os robôs assistentes a um patamar antes visto somente em obras de ficção científica. O robô humanoide Neo foi desenvolvido pela norueguesa 1X Technologies para ajudar em tarefas domésticas e fazer companhia. Neo foi uma das atrações da conferência anual da Nvidia, a GTC, realizada em março em San José, na Califórnia (EUA), ao lado dos pequenos robôs Blue. Ambos acompanharam o CEO da empresa, Jensen Huang, nos anúncios de novos pacotes de treinamento de IA da Nvidia para robôs. No caso do Blue, a NVidia apresentou o Newton, um mecanismo de código aberto, criado em parceria com o Google DeepMind e a Disney Research. Durante o evento, o Valor interagiu com o simpático Blue e com o eloquente Neo, que demonstrou habilidades domésticas deu abraços e jogou “pedra, papel e tesoura”. Este mês, o Neo chega aos EUA tanto por assinatura de US$ 499 mensais como para venda por US$ 20 mil, disse a 1X.

7 – Operários (manuseio de cargas etc)

O humanoide Digit, da Agility Robotics, foi projetado para atuar em armazéns, fábricas e centros de distribuição executando tarefas repetitivas como mover e classificar caixas ou contêineres de até 18 quilos, trabalhando ao lado de humanos. Em dezembro, a empresa de comércio eletrônico Mercado Libre, controladora do Mercado Livre, anunciou uma parceria com a Agility para testar o Digit em seu centro de distribuição no Texas (EUA). O Digit já está em operação na área de “e-commerce” da GXO Logistics e faz parte de testes pela fornecedora de peças automotivas Schaeffler e pela Amazon. Já o robô Stretch, da Boston Dynamics, é um braço inteligente com sistema de visão computacional que determina a melhor estratégia de coleta. Usando ventosas independentes a vácuo, o Stretch agarra, levanta e posiciona uma ou múltiplas caixas em esteiras transportadoras de empresas de logística como DHL e Maersk e na varejista de moda H&M

8 – Pedreiros e serventes

A indústria da construção civil vive um dilema em vários países, inclusive no Brasil: conciliar a demanda aquecida com a disponibilidade de mão de obra, cada vez mais escassa. O desafio para as construtoras é atrair trabalhadores jovens. Mas estes estão buscando ocupações que não exigem tanto esforço físico. O resultado é o aumento da idade média nos canteiros de obras. Reportagem do Valor mostrou que a idade média de um mestre de obras passou de 40 anos em 2016 para 46 no ano passado. Essa conjuntura vai exigir maior produtividade, o que abre oportunidades para robôs de construção. A previsão é de que esses negócios somem US$ 12,3 bilhões até 2035, com crescimento de 11,2% ao ano durante o período, segundo a Fact.MR, de pesquisa de mercado. Para a consultoria McKinsey, robôs humanoides poderão preparar ferramentas, limpar o local, pintar paredes e descarregar caminhões, liberando tempo para pedreiros e ajudantes.

9 – Policiais

As ruas de Dubai, nos Emirados Árabes, têm sido vigiadas com a ajuda de um robô cuja aparência lembra a combinação entre um SUV e um pequeno tanque militar. Criado pela Micropolis Robotics, o robô alerta a central de polícia e viaturas próximas sobre eventuais situações de risco, e não carrega armas. É um exemplo de como a robótica com IA tem sido empregada na área de segurança pública. Na cidade de Nova York, um cachorro-robô batizado de Digidog auxilia nas ações de vigilância, enquanto na China está em testes o RT-G, da Logon Technology, uma forma esférica de 125 quilos que tem câmeras embutidas e pode lançar redes e bombas de gás lacrimogêneo para capturar eventuais suspeitos. Ainda incipientes, esses dispositivos estão longe da letalidade do “Robocop”, o violento policial meio homem e meio máquina do filme de 1987. Mas seu uso também desperta polêmicas sobre privacidade e garantias do cidadão.

10 – Recepcionistas

No mundo dos robôs humanoides, em que tudo é tão recente, talvez os recepcionistas sejam os veteranos. Há anos empresas investem em máquinas para dar orientações e responder a perguntas em hotéis e edifícios comerciais. Dotados de telas que simulam emoções e braços que copiam o gestual humano, esses robôs costumam despertar simpatia e estabelecer conexões rápidas com o consumidor, rompendo a barreira de lidar com uma tecnologia nova. A brasileira PD7 Tech é responsável pelo Well Bot, que traz tela de 14 polegadas e autonomia de bateria de 12 a 14 horas. À medida que os robôs ficam mais parecidos com seres humanos, mais desafiador é o design. Em novembro, o robô russo Aidol, que lembra o Homem de Lata de “O Mágico de Oz”, caiu de cara no chão em sua estreia. A startup chinesa Noetix criou o Hobbs W1, cuja cabeça reproduz um rosto feminino de maneira convincente, mas que pode parecer um pouco assustadora para alguns.

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Grandes líderes do setor tecnológico encaram o avanço dos humanoides com entusiasmo. Elon Musk, da Tesla, afirmou recentemente que “o mais provável é que a IA e os robôs tornem todas as pessoas ricas”. Já Jensen Huang, CEO da Nvidia, destacou que a robótica representa a próxima grande onda da inteligência artificial, considerando os robôs humanoides o desenvolvimento mais empolgante dessa nova etapa.

A adoção dos autômatos vai se acelerar no fim da próxima década, prevê o Morgan Stanley, à medida que a tecnologia superar barreiras técnicas e os países regularem o uso dos robôs. A tendência é que os custos caiam, como costuma ocorrer com tecnologias ao longo de tempo. O custo unitário de um robô, que em 2024 era de US$ 200 mil em países desenvolvidos, pode chegar a US$ 150 mil em 2028 e a US$ 50 mil em 2050. Em países de renda mais baixa, mais aptos a se beneficiarem da cadeia de suprimentos chinesa, o custo pode cair para US$ 15 mil.

A estimativa do Morgan Stanley é que até 33% dos lares americanos com renda anual acima de US$ 200 mil tenham seu próprio robô doméstico em 2050. Mesmo entre famílias de classe média com renda mais modesta, entre US$ 50 mil e US$ 75 mil, pelo menos 3% comprarão um autômato.

Parte da comunidade de tecnologia observa, no entanto, que os desafios técnicos dos robôs humanoides são muito maiores que o otimismo dominante do mercado faz supor. Os autômatos terão de interagir diretamente com o mundo real e lidar com situações imprevisíveis, algo a que a IA não foi submetida até agora. É um teste que suscita questões de segurança: como garantir que os robôs não vão ferir as pessoas em caso de acidentes ou falhas?

Os investidores também estão sob advertência. Autoridades chinesas alertaram, há um mês, para o risco de uma bolha financeira em torno dos autômatos. Milhões de dólares estão sendo investidos em mais de 150 companhias especializadas só na China, o que pode resultar em uma enxurrada de produtos idênticos e com pouco valor de mercado, disseram os técnicos.

Nos Estados Unidos, Rodney Brooks, coinventor do célebre robô aspirador Roomba, disse ao “The New York Times”, há cerca de um mês, que nos próximos 15 anos grandes somas de dinheiro serão desperdiçadas na tentativa frustada de extrair desempenho significativo dos autômatos. A declaração surpreendeu a comunidade de tecnologia, sobretudo porque o Roomba foi um marco entre os robôs domésticos.

Pode ser pessimismo exagerado, como argumentam críticos de Brooks, mas também soa como um chamado à prudência corporativa: apesar do sucesso comercial do Roomba, sua criadora, a iRobot, acabou incorporada por um credor chinês, há apenas 20 dias, após pedir proteção judicial nos EUA.

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Quem escreveu, um humano ou uma IA?

  • Não é a máquina que escreve como nós, somos nós que escrevemos como máquinas; a tecnologia não venceu por genialidade, mas por conformidade
  • A IA não ameaça a literatura, ela revela a fragilidade de uma literatura que abdicou do risco em nome da legibilidade

José Manuel Diogo – Folha – 4.jan.2026 

Presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos

A pergunta “foi um humano ou foi uma inteligência artificial?” tornou-se a nova tchutchuca dos salões da cultura contemporânea, mas só serve para provocar espanto, gerar cliques e alimentar a falsa ideia de que estamos diante de um duelo histórico. Não estamos. O confronto não é entre inteligência artificial e literatura. É entre literatura e a sua própria acomodação estética.

Muitos textos que são hoje escritos com IA são bons. Fluentes. Sensíveis. Reconhecíveis. Eles funcionam porque obedecem com precisão aos códigos dominantes da boa escrita atual —introspecção moderada, emoção legível, imagens cotidianas, conflito psicológico quase domesticado. São textos que não erram, mas é exatamente aí que reside o problema. A IA não venceu por genialidade; venceu por conformidade. Aprendeu rápido porque o terreno estava muito nivelado.

Durante décadas, oficinas literárias, MFAs (“masters of fine arts”) e os mercados editoriais mainstream promoveram o padrão de escrita “correta”. Pessoal, mas não excessivamente; emocional, mas não delirante; sóbrio, mas não demasiadamente elegante. O que daí resultou foi uma prosa treinada para agradar —e tudo o que é treinável é, por definição, imitável. Não foi a inteligência artificial que inventou esse estilo, ela apenas o replica com a imparável eficiência algorítmica.

Mas o mais preocupante na geração de textos por IA —inclusive os literários— não assenta em questões técnicas, mas sim culturais. Se repararmos bem, em toda a história da humanidade, a literatura que importa nunca foi apenas bem escrita; foi perigosa. Criou atrito. Produziu ruído.

Há, claro, quem celebre a literatura automática como democratização criativa, mas esses confundem acesso com profundidade. A IA amplia possibilidades formais, sim. O que ela não faz —ainda— é escrever contra algo. Não conhece custo, vergonha, memória traumática nem a violência de expor uma verdade que não cabe no consenso. O seu texto não sangra porque não tem corpo. O nosso, quando vale a pena, tem.

Para os salões das academias, o que realmente desconforta e desconcerta não é descobrir que uma máquina escreve bem. É perceber que ultimamente aceitamos como literatura uma escrita previsível; tão previsível que pode ser reproduzida por um modelo estatístico. A IA não ameaça a literatura. Ela revela a fragilidade de uma literatura que abdicou do risco em nome da legibilidade e —mais preocupante ainda— uma sociedade que trocou a profundidade pela atenção.

Porque o que verdadeiramente nos devia chocar não é a inteligência artificial escrever tão bem; é nós descobrirmos que escrevemos mal o suficiente para sermos substituídos sem resistência.

A máquina não invadiu a literatura —ela foi convidada! Por uma prosa domesticada, treinada para agradar e incapaz de ferir. Enquanto chamarmos “boa escrita” ao que não arrisca, a IA continuará a passar por boa autora. A verdadeira literatura começa exatamente onde o cálculo falha —no ponto em que escrever ainda implica exposição, perda e a coragem de sustentar frases e textos sem garantia de sentido ou de consenso. Como este.

Quem escreveu, um humano ou uma IA? – 04/01/2026 – Opinião – Folha

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Modelos de inteligência artificial já podem aprender sem ajuda de cérebros humanos

O mais importante nessa descoberta é que os algoritmos criados pela IA são melhores que os criados pelos melhores times de cientistas

Por Fernando Reinach – Estadão – 02/01/2026

Cientistas do laboratório de IA da Google, em Londres, publicaram uma descoberta que é um avanço importante no objetivo de tornar os modelos de inteligência artificial independentes de cérebros humanos. Parece complicado, mas é fácil de explicar.

Tudo gira em torno de um processo chamado aprendizado por reforço. Esse é um processo usado por todos os seres vivos para aprender interagindo com o ambiente. Você já deve ter visto aqueles filmes em que um leão se aproxima agachado de uma gazela. Ele fica quieto e vai diminuindo a distância até que em um momento preciso ele pula e corre em direção à presa. Algumas vezes ele não alcança, em outras parece moleza e a refeição está garantida.

A questão é como o leão decide o momento e a distância exata em que as chances de capturar a presa são ideais. Se ele se aproximar muito antes de dar o bote, a presa percebe e foge. Já se ele der o bote de muito longe, seguramente a presa escapa. Se houvesse uma escola para leões, o professor explicaria o tempo de resposta da gazela, sua aceleração e velocidade máxima, a velocidade e aceleração do leão, e através de algumas equações ensinaria ao leão a distância ideal. Mas não existem escolas para leões e sabemos que eles aprendem usando o aprendizado por reforço.

Funciona assim: um jovem leão tenta caçar por tentativa e erro. Se ele pula muito cedo perde a caça e não ganha o prêmio (a comida). Se pular muito tarde também perde o prêmio. E assim, por tentativa e erro, sempre recompensado quando acerta e punido (fica sem comida) quando erra, ele acaba aprendendo utilizando o método do aprendizado por reforço. Os humanos usam esse método o tempo todo, basta observar uma criança aprendendo a andar.

Para você

No aprendizado por reforço, um agente (o leão) decide a ação que vai tomar (pular), testando diferentes possibilidades e sendo punido ou recompensado de acordo com uma regra (a captura da presa). Após inúmeros erros e acertos, ele acaba aprendendo.

Agora, vamos ver como o aprendizado por reforço funciona em um sistema de IA. Imagine que eu esteja desenvolvendo um sistema de IA para o Waze achar o caminho mais rápido entre dois pontos na cidade de São Paulo. E ele deve aprender usando o aprendizado por reforço.

Aliás, foi esse o método usado para desenvolver os sistemas que jogam xadrez. O agente (um carro imaginário) tenta chegar do ponto A ao ponto B na cidade seguindo o mapa das ruas (a ação). Mas ele vai se locomover ao acaso e dificilmente chegará ao destino se o programador não definir como o agente vai ser punido ou recompensado dependendo do seu sucesso.

O sistema mais simples de punir e recompensar é dar nota dez se chegar e zero se não chegar. Dá para ver que esse sistema de premiação não ajuda muito. É preciso criar regras mais precisas para premiar e punir. Por exemplo, posso dar pontos se o carro for na direção certa e retirar pontos se o carro for na direção errada. Posso punir o uso de contramão e premiar o uso de avenidas. E assim por diante. Todas essas regras são chamadas do algoritmo que norteia o aprendizado por reforço. Quanto melhor o algoritmo, mais rápido o treinamento, e melhor o resultado da aprendizagem.

Ao contrário do que acontece com o leão, onde o algoritmo de punição e recompensa já está no cérebro do animal tendo sido selecionado durante milhões de anos, nos sistemas de IA esses algoritmos, como o descrito para treinar o Waze, são sempre criados por seres humanos que vão aperfeiçoando as regras que permitem a punição e a recompensa. Até agora, nenhum sistema da IA conseguia descobrir a melhor regra sozinho. Esses algoritmos dependiam de um grupo de cérebros humanos para serem criados.

A novidade impressionante é que esses cientistas da Google descobriram um método que permite aos sistemas de IA criarem seus próprios algoritmos de recompensa e punição. É como se agora, para treinar o Waze, você indicasse o objetivo (chegar de A a B) e, quando o sistema perguntasse qual o método de recompensa e punição, você dissesse, descubra você, sozinho. O mais importante nessa descoberta é que os algoritmos criados pela inteligência artificial são melhores que os criados pelos melhores times de cientistas.

Em suma, os sistemas de inteligência artificial deixaram de depender de cérebros humanos para essa atividade. Estão ficando tão independentes de cérebros humanos quanto uma criança, que não precisa da ajuda do cérebro do pai ou da mãe para aprender a andar. Os sistemas de IA estão ficando, aos poucos, independentes de nós. É um caminho sem volta.

Mais informações: Discovering state-of-the-art reinforcement learning algorithms. Nature https://doi.org/10.1038/s41586-025-09761-x 2025

Biólogo, PHD em Biologia Celular e Molecular pela Cornell University e autor de “A Chegada do Novo Coronavírus no Brasil”; “Folha de Lótus, Escorregador de Mosquito”; e “A Longa Marcha dos Grilos Canibais”

Modelos de inteligência artificial já podem aprender sem ajuda de cérebros humanos – Estadão

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Custo Brasil: tributos, burocracia e falta de mão de obra somam R$ 1,7 trilhão perdido

Pesquisa com indústrias revela principais gargalos que encarecem produzir no país; campanha da CNI mostra impactos desses entraves e caminhos para superá-los

Por CNI – Valor – 28/11/2025

A cada ano, o Brasil renuncia a cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) por conta de dificuldades estruturais do país que dificultam o dia a dia das indústrias. A estimativa do Observatório Custo Brasil (OCB) é que R$ 1,7 trilhão por ano seja desperdiçado.

Entre os problemas estão os tributos, dificuldade de financiamento, baixa qualificação de pessoas e deficiências na infraestrutura. Esses são alguns componentes do que se conhece como “Custo Brasil”. Segundo cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o valor equivale às despesas de toda a máquina estatal com servidores públicos federais em 2025.

Para sensibilizar a sociedade, políticos e a opinião pública sobre o problema, a CNI, com o apoio do Movimento Brasil Competitivo (MBC), lançou em setembro a campanha “Custo Brasil” com o objetivo de mostrar seu impacto na rotina dos brasileiros e possíveis caminhos para superar os problemas de ineficiência.

Foram criados sete personagens para representar os grandes entraves que mais afetam a indústria e a sua competitividade, com consequências na vida das pessoas – como produtos básicos que poderiam custar menos, negócios que não vão adiante pelo excesso de burocracia, tributos e normas.

A campanha, com linguagem lúdica e fácil, traz a figura do Jurássio, monstro que encabeça a alta taxa de juros; a Infradonha, como o custo das obras paradas e as consequências da ausência de ampliação e diversificação da matriz logística; o Burocratus, ilustrando a morosidade da burocracia; o Custo Circuito, que traz na sua figura o valor da energia para lares e empresas; o Tributácio, o personagem que mostra os tributos por todos os lados; e o Baiacusto, que unifica todos eles e representa as perdas do Custo Brasil.

Mas como desatar esses nós que comprometem tantos recursos? O caminho para reduzir esse peso e aumentar a competitividade da indústria nacional, na análise de Leonardo de Castro, vice-presidente da CNI, passa pela regulamentação de leis aprovadas.

Leonardo de Castro, vice-presidente da CNI — Foto: Divulgação

“Muitas vezes nós temos normas que são oficialmente publicadas, mas são insuficientes para promover as mudanças estruturais esperadas e proporcionar um ambiente de negócios mais competitivo que o país necessita”, diz Castro, citando casos como o do marco da cabotagem, a abertura do mercado de gás natural, o marco legal de ferrovias. Sem avanços, não há mudanças na prática.

Esperança com a Reforma Tributária

Superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira espera por avanços com a regulação da Reforma Tributária (PLP 68/2024). “Ela constitui a base estrutural necessária para o sucesso de todas as outras políticas industriais, como a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Novo PAC. Ao eliminar a cumulatividade e reduzir o custo de conformidade tributária, criamos o ambiente fiscal isonômico indispensável para que os investimentos em inovação e transição verde decolem”, explica.

Há, segundo o vice-presidente da CNI, expectativas positivas em relação à implementação da Reforma Tributária, especialmente quanto à simplificação do sistema.

“Nós questionamos muito o quão caro é para calcular o que pagar e para ter segurança jurídica que nós estamos de fato pagando corretamente. Isso que nós esperamos que exista uma evolução. E precisamos ficar atentos para que, de fato, isso venha a acontecer”, aponta Silveira.

Pontos de atenção

Em paralelo à Reforma Tributária, o setor industrial precisa de ações de impacto imediato no custo de produção, de acordo com Silveira. A começar pela redução da tarifa de energia via racionalização da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que hoje, segundo ele, onera a conta em 26%. A CDE é um encargo que faz parte do custo final da conta de luz e é pago pelos consumidores com o objetivo de fornecer recursos para políticas públicas do setor elétrico.

Silveira defende ainda a pacificação do ambiente concorrencial com a aprovação do PLP 125/2022 (Devedor Contumaz). Essas medidas, segundo o superintendente de Política Industrial da entidade, somadas à modernização do setor elétrico (PL 414/2021), atacam alguns dos gargalos mais severos apontados pelo setor produtivo.

Tributos são principal queixa

Problemas como os citados por Castro e Silveira estão entre as principais queixas apontadas na pesquisa divulgada em agosto pela CNI, feita pela NEXUS com 1.002 empresas industriais de pequeno, médio e grande portes.

Para 70% dos empresários industriais, arcar com os tributos é o principal peso do Custo Brasil. Na sequência, com 62%, está a dificuldade em contratar mão de obra qualificada, seguida pelo financiamento do próprio negócio, com 27%, a segurança jurídica e regulatória, com 24%, e a competitividade justa, com 22%.

Os entrevistados citaram ainda entraves como o acesso a insumos básicos (20%), inovação (14%),infraestrutura (12%), acesso a serviços públicos (10%), integração internacional (4%) e abertura de um negócio e retomada ou encerramento do negócio (3%).

O termo Custo Brasil, criado no final da década de 1990, serve até hoje como forma de denominar um conjunto de dificuldades estruturais, econômicas e burocráticas que traz prejuízo para o ambiente de negócios ao encarecer os custos das empresas e atrapalhando não apenas os investimentos, com pesando negativamente sobre as chances de o país ser mais competitivo.

Uma ameaça permanente

A cada dez entrevistados pela NEXUS, seis já ouviram falar do Custo Brasil. Ao todo, 78% disseram que sua redução é uma prioridade central.

Outro destaque da pesquisa mostra que a maioria das empresas não se beneficiou de políticas públicas para reduzir custos – apenas 21% dos entrevistados disseram ter obtido algum ganho. A maioria – 76% – respondeu não ter sido contemplada. Entre aqueles que responderam positivamente, os principais benefícios foram crédito e financiamento (Pronampe), com 11%, incentivo fiscal (geral), com 10%, incentivos na pandemia e crédito e financiamento (BNDES), ambos com 9%.

O tamanho do desperdício de recursos é grande, assim como os problemas que comprometem a performance da indústria local. O aumento da competitividade, na visão de Castro, passa pela pressão do poder público e pela adoção o quanto antes de medidas que reduzam o peso do custo Brasil sobre a produção nacional, sugere Castro.

“No fim, todos os brasileiros perdem com os entraves à competitividade. Famílias pagam mais caro por produtos básicos; negócios não prosperam pelo excesso de burocracia, tributos e normas; o Estado perde eficiência na própria complexidade e devolve serviços de menor qualidade para os cidadãos”, resume o vice-presidente da CNI.

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