A importância da gestão de comunidades (e como fazer isso funcionar na sua loja)

  • por Carolina Walliter – Shopify – 26 de jul. de 2017
community management

O termo “gestão de comunidades” costuma ser usado de maneira intercambiável com um outro, talvez mais conhecido: “gestão de redes sociais”. Qualquer que seja o seu nome, não há como negar que esse é um recurso extremamente importante para uma estratégia de publicidade nas redes sociais; por isso mesmo, a gestão de comunidades pode assumir um papel cada vez mais importante dependendo do tamanho da sua carteira de clientes.

A gestão de comunidades nada mais é do que as relações que você estabelece com os seus clientes – e o modo como a sua marca interage com esses mesmos clientes (ou seja, com a sua comunidade) em espaços públicos virtuais.

Você tem planos de construir uma boa relação comercial com uma empresa famosa? Então é melhor investir na gestão de comunidades.

O que é a gestão de comunidades?

A palavra “comunidade” até pode dar a ideia de um grupo reunido em um único local físico, mas não é o caso. Na gestão de comunidades, estas estão espalhadas por toda a internet: em plataformas mais conhecidas como Facebook, Twitter, Snapchat, Quora, YouTube, Instagram, Pinterest, LinkedIn, Google+ e Reddit, nos fóruns virtuais e até mesmo na seção de comentários de um artigo.

A sua comunidade, portanto, será composta por clientes atuais, públicos-alvo e toda e qualquer pessoa que interaja com a sua marca virtualmente – de maneira direta ou indireta.

A gestão de comunidades é o sopro de vida da sua marca no mundo virtual. Com ela, a sua loja se transforma em uma pessoa real e divertida, responsável por interações reais.

Marcas que optam por não adotar uma estratégia de gestão de comunidades acabam abrindo mão de:

  • Administrar as reclamações dos clientes;
  • Transformar os clientes em fãs;
  • Conquistar influenciadores e clientes em potencial;
  • Conhecer outras marcas e firmar novas parcerias;
  • Obter feedback instantâneo sobre os produtos;
  • Ser a pessoa mais legal na seção de comentários.

Gestão de comunidades e marketing nas redes sociais

Antes de mais nada, é importante entender a diferença entre a gestão de comunidades e o marketing nas redes sociais – até porque um tem prioridades completamente distintas do outro.

O marketing nas redes sociais se refere aos processos de produção e distribuição de conteúdos sociais que, por sua vez, têm como objetivo conquistar novos clientes e manter aberto o canal de comunicação com os clientes antigos. Com o marketing nas redes sociais, o foco é o alcance, o envolvimento e o tráfego gerados pelas publicações.

A gestão de comunidades, por sua vez, é aquilo que acontece após a publicação de conteúdo nas redes sociais – e envolve o atendimento ao cliente, atenção às tendências da internet e um papel ativo nas discussões que envolvem a sua marca.

Enquanto o marketing nas redes sociais transmite uma mensagem do tipo one-to-many, a gestão de comunidades trabalha em uma escala menor e mais íntima; contudo, ela também é capaz de construir a imagem da sua marca dentro e fora das redes sociais.

Qual é a relevância?

Você está enganado se pensa que, só porque a gestão de comunidades trabalha com interações individuais, ela não impactará a sua empresa.

Nos últimos anos, as reclamações dos clientes nas redes sociais vêm ganhando força: só aqui no Brasil o Twitter tem cerca de 61,07% de reclamações de clientes insatisfeitos. Afinal, todos nós sabemos que um único cliente insatisfeito consegue transmitir a sua mensagem para vários outros clientes raivosos – seja por meio do velho boca a boca, capturas de tela ou comentários exaltados nas redes sociais.

Contudo, o mesmo vale para os clientes satisfeitos – e a gestão de comunidades pode ajudar você a expandir o número de clientes que se encaixam dentro dessa última categoria.

Para que possamos discutir a gestão de comunidades em todos os seus detalhes e nuances, achamos melhor dividir este texto em quatro partes:

  • Monitoramento: Localizar e acompanhar conversas que abordam a sua marca;
  • Envolvimento: Manter essas conversas ativas e criar oportunidades de envolvimento com clientes, clientes em potencial e influenciadores;
  • Moderação: Excluir comentários e conversas que não agregam valor e, além disso, sanar as reclamações dos clientes;
  • Avaliação: Analisar o modo como a sua marca está sendo recebida pelo público e receber feedbacks reais e concretos.

Monitoramento: Esteja sempre alerta

A gestão de comunidades não seria possível sem um esforço constante de monitoramento, que consiste em acompanhar as conversas ocorridas nas redes sociais que envolvem, de alguma forma, a sua empresa.

Muitas dessas conversas acabam se mostrando irrelevantes; contudo, vez ou outra é possível encontrar uma oportunidade para transformar uma reclamação em um elogio – ou até mesmo a chance de começar uma nova hashtag viral.

Quem não se lembra da batalha de hashtags e memes travada por duas gigantes do fast food no ano passado? Com a resposta certa no momento certo, o Bob’s conseguiu agradar seus clientes e ainda dar a volta por cima com a hashtag #milkfake – um ótimo exemplo da gestão de comunidades em ação.

É importante lembrar que, nas redes sociais, nem todas as menções relevantes farão referência direta à sua marca; na verdade, é possível que os clientes a mencionem de outras maneiras (com erros digitação, nomeando um único produto…) ou em comentários de blog e fóruns mais obscuros, que não são localizados com facilidade.

Você pode usar o Alerta do Google (gratuito e em português) ou o Buzzsumo Alerts (em inglês) para poder acompanhar todas as menções sobre a sua marca nos mais diversos canais da internet. Outra dica é pesquisar por palavras-chave ou hashtags nas redes sociais para tentar localizar publicações que transmitam um certo sentimento sobre a sua marca ou que tragam sugestões sobre os seus produtos.

Um exemplo bem prático: se eu estivesse vendendo tênis de LED, poderia usar o Twitter para localizar as pessoas que demonstraram interesse no meu produto – e que seriam, portanto, clientes com os quais eu poderia me relacionar.

É possível monitorar vários canais, palavras-chave ou eventos com a versão gratuita do Hootsuite (em inglês) ou outra ferramenta similar.

Envolvimento: crie e inspire conversas

Os comentários que publicamos no mundo virtual deixam uma espécie de pegada digital. Quanto maior for o número de comentários positivos criados por você e pela sua comunidade, mais forte será a sua marca. É por isso que é importante que você seja não só o responsável por começar essas discussões, mas também o responsável por mantê-las vivas – até porque os algoritmos das redes sociais usam itens como os comentários para determinar as publicações que serão exibidas nos nossos feeds de notícias.

A ideia de automatizar o processo de envolvimento nas redes sociais pode até ser tentadora: quem não gostaria de deixar que um robô curta todas as fotos e publique os comentários, sem precisar se preocupar com isso? Contudo, a longo prazo esses robôs podem se transformar em verdadeiras maldições. No mundo virtual de hoje, já saturado de robôs, é importante provar que há alguém verdadeiramente humano por trás da sua marca; alguém que de fato possa se relacionar com os clientes.

Por isso mesmo, recomendamos o monitoramento diário das suas redes sociais. Assim, você encontrará as oportunidades ideais para sanar as críticas, agradecer os clientes satisfeitos e conversar com aquelas pessoas que estão interessadas nos seus produtos. Seja humano; evite copiar e colar respostas, e deixe que as conversas ocorram naturalmente.

Não deixe que as oportunidades de ouro escorram pelos seus dedos: se o canal que você escolheu como plataforma principal permitir que você se relacione com um público-alvo bastante populoso, ou mesmo se você estiver conversando com alguém que tenha um número considerável de seguidores, agarre essa oportunidade com unhas e dentes e crie uma experiência ainda mais singular.

Surpreenda e divirta os seus seguidores com respostas inteligentes e engraçadas. Esse é o segredo para conquistar uma multidão a partir de uma única interação individual.

Veja abaixo um dos melhores exemplos dessa abordagem.

Gestão de comunidade GVT Shopify

Camisetas e outros tipos de mercadoria física também são uma ótima maneira de mostrar carinho pelos seus clientes – e podem ter resultados incríveis se distribuídos para influenciadores. Quem sabe eles até publicam uma foto dessa camiseta nas redes sociais?

No entanto, é importante ter em mente que nem toda interação com clientes gerará uma resposta. Isso não significa, é claro, que você precisa perder a chance de divertir os seus clientes e construir uma excelente reputação para a sua marca!

Não sabe como interagir com a sua comunidade virtual? Veja as dicas abaixo:

  • Crie links que direcionem clientes em potencial para o seu site, anunciando produtos ou conteúdos interessantes, e monitore esse novo tráfego. Lembre-se de seguir a regra do 80/20 (use 80% do seu tempo para anunciar o valor do seu produto; use os outros 20% para pedir que os clientes acessem o seu site);
  • Evite começar conversas que não terão fim (em outras palavras: ignore os trolls);
  • Certifique-se de criar links que redirecionem os usuários para o seu site e crie uma biografia padronizada para todos os seus perfis virtuais;
  • Crie – e mantenha – uma personalidade consistente para a sua marca, mas não tenha medo de moldar o seu estilo e o tom dependendo do canal (afinal, fazemos o mesmo na vida real). E lembre-se de ter senso de humor!
  • Incentive os clientes satisfeitos a compartilharem imagens do seu produto (uma ótima maneira de publicar conteúdo gerado pelos clientes sob uma hashtag corporativa);
  • Seja proativo e envolva-se com a sua comunidade: incorpore as publicações dessa natureza a todos os seus canais e perfis de redes sociais. Abrace os conteúdos, promoções, desafios e qualquer outro tipo de interação que incentive os clientes a deixarem comentários.

Moderação: é importante proteger a sua reputação

A gestão de comunidades também pode desempenhar um papel extremamente importante na manutenção da sua reputação, evitando que os seus perfis fiquem entulhados de spam e garantindo que todo e qualquer feedback negativo seja devidamente respondido.

O primeiro passo é ocultar aquele tipo de spam que esconde dos clientes a qualidade do seu produto. Evite mascarar ou excluir comentários problemáticos, já que isso pode ser interpretado como censura – o que causará um problema ainda maior para a sua marca.

No entanto, não tenha medo de ocultar comentários ofensivos ou que anunciem outros produtos, já que eles podem distrair ou confundir os integrantes da sua comunidade.

Se você quiser fazer isso na sua página do Facebook, basta acessar as Configurações e ativar o filtro de difamação: inclua, na lista, palavrões, linguagem imprópria ou qualquer outro item que você queira ocultar da sua comunidade. No exemplo abaixo, a lista de difamação está borrada por motivos óbvios.

community management

Mas é claro que não podemos falar de moderação sem falar das reclamações de clientes.

Todos nós sabemos que essas reclamações são praticamente inevitáveis – e que a maioria das pessoas tem o costume de usar a internet como um saco de pancadas (o que pode ser bom ou ruim para as empresas).

Se você estiver lidando com uma questão que pode ser facilmente resolvida, deixe a resposta pública para que clientes que estejam passando por uma situação semelhante possam vê-la.

Mas, se a reclamação tiver um tom pessoal e a discussão que você travar com esse cliente se tornar complicada, é melhor tentar resolver isso em uma conversa privada (ainda que no mesmo canal).

Em outras palavras: se a reclamação foi publicada no Facebook, converse com esse cliente no Facebook Messenger. Se foi no Twitter, peça que a pessoa envie uma mensagem privada contando mais detalhes. Algumas empresas costumam pedir que o cliente envie um e-mail ou ligue para o canal de atendimento – mas isso só faz com que ele fique ainda mais estressado e insatisfeito.

As companhias áreas, por exemplo, costumam receber um alto volume de reclamações. A conversa abaixo ocorreu entre um cliente insatisfeito e a GOL, mas teve um desfecho positivo. Veja como a companhia consegue transferir a conversa para um canal privado.

É sempre legal incluir um toque mais pessoal, como o nome da pessoa que fez a reclamação. Isso mostra que há alguém humano no outro lado, pronto para lidar com a reclamação.

Por mais que você não consiga resolver o problema de um cliente, é importante mostrar a ele que você está disposto a ajudá-lo; afinal, um dos piores erros de uma empresa é ignorar reclamações.

Se você estiver no meio de uma crise e precisar administrar uma enxurrada de comentários negativos (isso pode acontecer, por exemplo, se o seu último lote de produtos estiver defeituoso), pode ser interessante elaborar uma mensagem unificada, abordando o problema e detalhando as providências que serão tomadas. Afinal, errar é humano.

Avaliação: o feedback da comunidade

Este post mostrou algumas ações que podem ajudar você a analisar o modo como a comunidade entende a sua marca, os pontos que podem ser melhorados e até mesmo novos produtos que podem ser comercializados.

Mas é importante lembrar que um dos maiores desafios da gestão de comunidades é a quantia limitada de recursos.

Afinal, as conversas podem acontecer em qualquer lugar da internet; mas você nem sempre estará presente.

Por isso mesmo, é essencial descobrir os canais nos quais a sua comunidade é mais ativa – e identificar as oportunidades que podem ajudar você a expandir a imagem da sua marca, atrair tráfego ou manter uma boa reputação. Não se esqueça: esses canais devem ser priorizados.

Outra opção é realizar uma pesquisa para descobrir o que as pessoas acham da sua marca.

Algumas ferramentas, como o Social Mention (gratuita) e o Sprinklr (para empresas) vasculham a internet atrás de menções sobre a sua empresa ou palavra-chave, calculando números altamente valiosos como a taxa de sentimento positivo e negativo, o alcance das conversas dos seus clientes e os concorrentes que estão tirando vantagem do seu mercado. Mas atenção: essas duas ferramentas estão em inglês!

community management

No entanto, é importante lembrar que essas ferramentas nem sempre refletem inteiramente a complexidade dos sentimentos humanos – e nem as opiniões da internet sobre a sua marca. Mas isso não quer dizer que elas não sejam um excelente ponto de partida.

Nesse sentido, também pode ser incrivelmente produtivo ouvir o que os seus clientes têm a dizer – seja por meio de perguntas diretas publicadas nas redes sociais ou de comunidades importantes do Reddit ou do Facebook.

Como contratar um gerente de comunidades

Se a sua empresa já contar com um bom lucro e uma base considerável de clientes, talvez esteja na hora de contratar alguém para administrar as suas comunidades virtuais. Desse modo, você poderá manter um mesmo tom e estilo em todas as suas conversas e interações.

Se você mesmo quiser desempenhar essa função, não tem problema; contudo, se você também for o responsável por outras áreas da sua empresa ou estiver vivendo um momento de expansão da marca, talvez seja melhor repassar essa função tão importante para outra pessoa.

A gestão de comunidades é um trabalho em tempo integral, e não algo que pode ser feito esporadicamente.

Se você deseja contratar alguém para desempenhar essa função, lembre-se que o candidato ideal deve ter:

  • Habilidades de comunicação oral e bom conhecimento de redes sociais;
  • Empatia, paciência e tato (essenciais quando se trabalha diretamente com clientes);
  • Criatividade, senso de humor e facilidade para se adaptar à voz e ao estilo da sua empresa;
  • Talento para vasculhar os dados e encontrar oportunidades e insights importantes;
  • Familiaridade com os canais de redes sociais e outras ferramentas, como o Hootsuite;
  • Familiaridade com o seu nicho ou curiosidade e disposição para aprender.

O mais importante é que essa pessoa seja alguém em quem você possa confiar – pois ela atuará como uma espécie de embaixador da sua marca no mundo virtual.

Quanto maior a comunidade, maior o lucro

Localizar ou criar conversas e aumentar o número de participantes da comunidade são fatores essenciais para o sucesso de uma empresa – e que podem adquirir uma relevância cada vez maior dependendo do ritmo de crescimento da marca.

A gestão de comunidades é o recurso que apresentará a sua marca para o mundo no formato de uma personalidade agradável e interessante; uma personalidade encantadora, que atrairá oportunidades e alimentará discussões positivas sobre os seus produtos.

Investir em uma comunidade significa construir uma base de fãs que defenderão a sua marca – e estarão presentes nos momentos difíceis.


Which method is right for you?Sobre a autora

Carolina Walliter é escritora, tradutora, intérprete de conferências e editora-chefe do blog da Shopify em português do Brasil.

Post original em inglês: Braveen Kumar

Tradução e localização: Marcela Lanius

https://www.shopify.com.br/blog/a-importancia-da-gestao-de-comunidades-e-como-fazer-isso-funcionar-na-sua-loja#:~:text=A%20gest%C3%A3o%20de%20comunidades%20nada,comunidade)%20em%20espa%C3%A7os%20p%C3%BAblicos%20virtuais.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Especial Energia: Veja por que o Brasil tem potencial extraordinário para liderar transição verde

País ocupa posição rara no mundo ao combinar geografia privilegiada, recursos naturais e clima favorável

O Globo 29/05/2022 


Parque eólico no  Rio Grande do Norte — Foto: Dado Galdieri/The New York Times

Parque eólico no Rio Grande do Norte — Foto: Dado Galdieri/The New York Times

A disparada dos preços internacionais do petróleo em meio às turbulências provocadas pela pandemia e pela guerra na Ucrânia evidencia os limites dos recursos energéticos no mundo, que ainda não completou a transição para a economia de baixo carbono.

A crise valoriza os combustíveis de origem fóssil, tornando mais lucrativa a atividade petrolífera no planeta, mas também torna mais aguda a necessidade de acelerar o desenvolvimento de fontes alternativas de energia, capazes de manter o acesso a baixo custo e de reduzir as emissões de carbono.

O Brasil tem uma posição privilegiada em diferentes segmentos de energia, com destaque para o seu grande potencial de geração a partir das chamadas fontes renováveis. A Agência Internacional de Energia (AIE) considera a matriz energética brasileira uma das mais limpas do mundo e aponta o país entre os mais capazes de contribuir com a redução do impacto da geração de energia no efeito estufa.

A crise atual tornou mais urgente acelerar a descarbonização da energia no mundo, tema objeto de um relatório da AIE em 2021 que representou uma ruptura para a agência. O texto defendeu carbono zero no setor de energia até 2050.

Matriz energética do Brasil  — Foto: Editoria de Arte

Matriz energética do Brasil — Foto: Editoria de Arte

Nessa corrida, o Brasil sai em vantagem. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que 48,4% da matriz energética brasileira têm origem renovável, bem mais que os 13,8% da média mundial e os 11% dos países mais ricos, reunidos na OCDE. Para especialistas, o país tem condições de liderar essa nova agenda global, mas precisa de planejamento e políticas públicas para o desenvolver novas tecnologias na área.

— Temos de acelerar a transição energética com fontes renováveis. Devemos adotar instrumentos econômicos e financeiros na política climática, como o mercado de carbono, sempre visando à geração de renda e riqueza nacional — diz Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), que reúne mais de 90 empresas representativas de cerca de 50% do PIB brasileiro.

Marina frisa a necessidade de o país incentivar objetivamente a neutralidade nas emissões de gases do efeito estufa com soluções viáveis e de menor custo.

Ela define como essencial um plano de transição energética que passe também por investimentos em eficiência e eletrificação de indústrias e do transporte e o desenvolvimento de tecnologias para identificar novas fontes sustentáveis, como o hidrogênio verde, além da captura e sequestro de carbono. É uma das 12 propostas que o CEBDS preparou para os candidatos à Presidência neste ano.

— Globalmente, nossa matriz está bem adaptada para a descarbonização de outros setores, como transporte: temos etanol, biodiesel, eletricidade limpa para veículos elétricos e podemos ser competitivos para a produção de hidrogênio verde, tema de grande interesse para a Europa — diz a líder do CEBDS.

Energia  — Foto: Editoria de Arte

Energia — Foto: Editoria de Arte

Marcus D’Elia, sócio-diretor da Leggio Consultoria, concorda que falta uma definição mais clara de política energética no Brasil com incentivos a renováveis. O caminho, para ele, passa por tornar o país exportador de novas tecnologias como o hidrogênio verde, cuja produção associada a fontes como eólica e solar dão ao país uma vocação natural nesse campo promissor.

Para Juliana Senna, sócia do Kincaid Mendes Vianna Advogados, a tecnologia que armazena hidrogênio e permite sua remessa abre uma grande chance para o país na exportação, que atualmente é praticamente restrita ao petróleo.

— O hidrogênio pode ser armazenado e vendido para a Europa, que tem grande interesse por esse produto. Mas essa modalidade de energia ainda se encontra em projetos iniciais, dando os primeiros passos — explica.

A transição para a economia verde pode levar à avaliação de que há pouco tempo para países produtores de petróleo como o Brasil exportarem essa riqueza natural. Mas, para Julião Coelho, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o consumo mundial de combustíveis fósseis ainda vai durar bastante tempo, se é que algum dia cessará:

— É importante ter presente que fontes alternativas de energia são intermitentes, ao passo que os combustíveis fósseis são passíveis de armazenamento a baixo custo, para utilização imediata em situação de necessidade. Logo, a complementaridade entre as diversas fontes de energia, com predomínio da geração limpa, promove equilíbrio adequado entre segurança de suprimento, modicidade de custos e preservação do meio ambiente.

Editoria de Arte — Foto: O GLOBO

Editoria de Arte — Foto: O GLOBO

Gregório Araújo Maciel, especialista do Núcleo de Energia do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), observa que, mesmo antes do conflito na Ucrânia e da escalada nos preços do petróleo, o Brasil já apresentava uma das indústrias petrolíferas mais dinâmicas e promissoras do mundo. Os campos do pré-sal, fronteira de alta produtividade na costa do Sudeste, batem sucessivos recordes e já respondem por 75% da produção nacional de petróleo.

https://oglobo.globo.com/um-so-planeta/noticia/2022/05/brasil-tem-potencial-para-liderar-agenda-global-de-diversificacao-de-fontes-de-energia.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Chefes perdem poder na luta contra home office

Trabalhadores se rebelam contra trabalho presencial enquanto executivos tentam fazer escritório valer a pena

Emma Goldberg THE NEW YORK TIMES/Folha 9.jun.2022 

O que o chefe de Barrett Kime disse em um vídeo recente foi muito direto. Será que os membros de sua equipe na NBCUniversal poderiam aparecer no escritório pelo menos durante os poucos dias por semana em que supostamente tinham de estar lá?

E o que veio a seguir foi uma rebelião. Kime, diretor sênior de criação, ligou seu microfone. “Eu disse a ele que era uma loucura pedir que as pessoas fossem ao escritório com mais frequência no meio da Covid”, ele recordou.

Outros de seus colegas intervieram para explicar as razões por que não podiam voltar ao escritório: cuidar dos filhos, a alta nos preços do combustível, os índices de contágio pela Covid-19.

Para Kime, o momento marcou uma nova fase no diálogo sobre o retorno ao escritório.

Estacionamento lotado

Estacionamento lotado da empresa de inteligência artificial C3 AI, que exige que os trabalhadores estejam no escritório desde junho passado – NYT

“É meio que uma coisa Mágico de Oz”, disse Kime. Em outras palavras, a equipe dele percebeu que não existia um ser todo-poderoso que os forçasse a comparecer —simplesmente um homem por trás de uma cortina (ou tela de Zoom).

“Por mais que resmungássemos sobre a necessidade de voltar ao trabalho, todos sabíamos que isso iria acontecer. Mas no minuto que começamos a voltar, percebemos o quanto aquilo era tolo”, ele acrescentou.

O otimismo quanto aos planos de retorno aos escritórios está desaparecendo lentamente, na maioria das cidades e setores econômicos dos Estados Unidos. Quando perguntados, no começo de 2021, que proporção de seus trabalhadores voltariam a trabalhar no escritório cinco dias por semana, no futuro, executivos responderam que 50%. Agora, a fatia caiu a 20%, de acordo com um levantamento recente do grupo de consultoria Gartner.

A ocupação dos escritórios em todo o país chegou a um pico no mês passado, com 43% dos trabalhadores presentes, e aí a Covid-19 voltou a disparar, de acordo com dados da Kastle, uma empresa de segurança.

A vasta maioria dos americanos, especialmente os que trabalham no setor de serviços e em empregos de baixa remuneração, continuou a trabalhar presencialmente durante a pandemia. Mas aqueles que puderam trabalhar de modo remoto se apegaram à flexibilidade conquistada. Em uma pesquisa realizada em janeiro, o Pew Research Center constatou que 60% dos trabalhadores cujas funções podem ser executadas de casa queriam trabalhar remotamente o tempo todo, ou pela maior parte dele.

“O que fica abundantemente claro é que há menos e menos empresas que esperam que seus trabalhadores estejam presentes no escritório cinco dias por semana”, disse Brian Kropp, vice-presidente da divisão de recursos humanos da Gartner. “Até mesmo algumas das maiores empresas que declararam publicamente que queriam seus trabalhadores de volta aos escritórios cinco dias por semana estão começando a dar para trás”.

É o caso da Apple, que recentemente suspendeu sua exigência de que os trabalhadores voltassem aos escritórios pelo menos três dias por semana. E da McKinsey, que pretende em algum momento estabelecer normas mais claras sobre o trabalho presencial, com o objetivo de assegurar que as pessoas percebam o valor de colaborar em pessoa, mas por enquanto continua a permitir que indivíduos estabeleçam acordos com seus chefes e clientes quanto aos seus horários de trabalho, de acordo com o chefe de recursos humanos da consultoria.

O Google adiou seu retorno ao escritório, planejado para janeiro, e agora cerca de 10% de seus trabalhadores receberam permissão de trabalhar remotamente em tempo integral ou de se mudar para outras cidades. A Intuit em dado momento chegou a considerar um plano rígido de retorno ao escritório para seus 11,5 mil trabalhadores nos Estados Unidos, mas em lugar disso permitiu que gestores e equipes estabelecessem suas próprias expectativas quanto a em que dias deveriam estar presentes.

“Ser prescritivo cria todo tipo de burocracia, porque nesse caso é preciso envolver os degraus da hierarquia e tudo passa a depender de regras”, disse Sasan Goodarzi, presidente-executivo da Intuit. “Não acreditamos que uma pessoa precise estar no escritório 40 horas por semana, mas tampouco acreditamos que todo trabalho deva ser virtual”.

Tom Siebel, executivo-chefe da C3 AI, antes de uma reunião geral em Redwood City, Califórnia

Tom Siebel, executivo-chefe da C3 AI, antes de uma reunião geral em Redwood City, Califórnia – Aaron Wojack – 3.jun.2022/NYT

Os planos da RTO eram como um gigantesco jogo de blefe. Executivos ordenaram que os trabalhadores voltassem ao escritório, mas tiveram de adiar a data quando os casos de Covid-19 continuaram em alta. Os líderes de negócios aceitaram essa incerteza, na esperança de que fosse temporária. Até que se tornou claro que não era. Os trabalhadores puderam ficar mais tempo em casa, e isso lhes deu mais liberdade para testar a rigidez das ordens de seus chefes. Agora, algumas empresas continuam a esperar que o pessoal volte, mas perderam o poder de pressão que tinham quanto a isso, devido à mudança constante de datas.

“O que decidimos foi perguntar o que estava funcionando”, disse Joan Burke, vice-presidente de recursos humanos da DocuSign, que adiou quatro vezes a data de retorno ao escritório de seu pessoal antes de decidir que não exigiria presença compulsória, por enquanto. “Vamos aprender com o que está funcionando e colocar proteções em vigor se acharmos que alguma coisa não funciona”.

Alguns executivos esperavam que, caso convencessem seus subordinados a passar mais tempo no escritório, as pessoas se lembrariam de que, apesar de não parecerem se lembrar do fato, elas no passado gostavam de ir ao trabalho.

Christina Ross, presidente-executiva da Cube, uma empresa de software com 75 empregados, costumava gostar de trabalhar no escritório. Antes da pandemia, ela contratou um engenheiro que morava no Texas e insistiu em que ele se mudasse para Nova York para executar sua função. Ela não conseguia se imaginar construindo um relacionamento em longo prazo com um subordinado que não visse em pessoa.

Agora ela define sua empresa como “remota primeiro”. Ela brincou brevemente com a ideia de exigir um retorno ao escritório da Cube, mas decidiu em lugar disso criar incentivos para que as pessoas voltassem por escolha. Ela até organizou uma mudança de endereço para o escritório em Nova York, a fim de facilitar a jornada dos trabalhadores que vinham de Brooklyn.

“As pessoas votaram com os pés em favor de não necessariamente voltar”, disse Ross. “Pode ser decepcionante, quando você se esforça muito para criar um ambiente acolhedor no escritório e as pessoas escolhem não vir”.

“Para pessoas que querem trabalhar em casa no Zoom, existem empresas que são assim”, disse Siebel. Mas não a dele.

“Para pessoas que querem trabalhar em casa no Zoom, existem empresas que são assim”, disse Siebel. Mas não a dele. – Aaron Wojack – 3.jun.2022/NYT

Alguns líderes empresariais assumiram posições mais duras. Elon Musk, por exemplo, informou aos empregados da SpaceX e da Tesla que eles teriam de passar pelo menos 40 horas por semana no escritório, sob pena de demissão. Muitas outras companhias, como o Google e a Microsoft, optaram por posturas mais brandas, e passaram a oferecer cervejas, petiscos, brindes e bebidas para atrair seu pessoal de volta. Mas esses incentivos têm limites, e poucas companhias parecem dispostas a recorrer a punições.

“Parece quase que um meme sobre o escritório de 2018 – temos ‘bagels’, comida, mesas de pingue-pongue”, disse Ross. “Mas isso não é argumento suficiente para que as pessoas encarem o trajeto de casa ao escritório”.

Muitas empresas estão aceitando a realidade de que exigir um retorno ao escritório poderia representar um contraste com relação a companhias rivais e as levaria a perder talentos. Em alguns setores, e em algumas áreas dos Estados Unidos, uma cultura centrada no escritório está se tornando uma excentricidade, e não a norma.

Outros executivos insistem em um retorno completo, convictos do valor de ter seu pessoal no escritório cinco dias por semana. Tom Siebel, presidente-executivo da C3 AI, uma empresa de inteligência artificial que tem 800 empregados, exigiu o retorno completo de seu pessoal ao escritório em junho de 2021. Ele disse que essa exigência só tornou a empresa mais atraente, para certos candidatos a empregos.

“Para pessoas que querem trabalhar de casa, via Zoom, há companhias que gostam disso”, ele disse. “Procure emprego no Facebook. Procure emprego na Salesforce”.

Siebel disse que tinha “o único estacionamento lotado no Vale do Silício”, e considera esse fato como vantagem competitiva. “Não é possível inventar foguetes que aterrissem sozinhos trabalhando por meio de conversas via Zoom uma vez por semana”, acrescentou o executivo. “Temos de nos reunir em uma sala, com quadros brancos, e errar, errar e errar, até chegarmos ao sucesso”.

Mas para os executivos que não tornaram o retorno obrigatório, surgiram questões mais amplas sobre o futuro dos escritórios. Um exemplo é Manny Medina, presidente-executivo da Outreach, uma empresa de inteligência artificial aplicada a vendas que tem cerca de 600 empregados, em Seattle, a maior parte dos quais encorajados a passar pelo menos 40% de seu tempo de trabalho no escritório. Falando em um escritório quase vazio, Medina disse que se acostumou a rebater contestações de seu pessoal sobre o valor da colaboração presencial.

Recentemente, um trabalhador iniciante participou de uma reunião virtual com o presidente e disse que não compreendia por que a empresa podia obrigá-lo a ir ao escritório, quando trabalhar de casa permitia que ele conciliasse sua vida social, o trabalho e seu treinamento de jiu-jitsu.

“Eu respondi que o argumento dele era justo, e que ele deveria pensar sobre suas prioridades”, disse Medina. “Se você quer ser lutador de MMA, faça isso”.

Os escritórios da Outreach, que tem cerca de 600 trabalhadores em Seattle, têm vista para Puget Sound

Os escritórios da Outreach, que tem cerca de 600 trabalhadores em Seattle, têm vista para Puget Sound – Grant Hindsley – 9.jun.2022/NYT

Tradução de Paulo Migliacci

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/06/chefes-perdem-poder-de-pressao-na-luta-contra-home-office.shtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Fique atento ao mercado de influenciadores digitais

Confiança em canais tradicionais tem caído, mas efeito “iguais entre iguais” dos influenciadores os torna uma vitrine poderosa. Mercado de influencers cresce 25% ao ano

Ulisses Zamboni  MIT Sloan Review 07 de Junho 2022

Um ainda novo canal de comunicação poderoso está se consolidando. Diferentemente das mídias tradicionais, ele é centrado em indivíduos.

Na importância e na velocidade das plataformas de mídia social, o protagonismo do “eu” encontra eco quando exercido por pessoas eloquentes e bem articuladas. Influenciadores digitais gigantes, como Whindersson Nunes e Felipe Neto, têm dimensão nacional.

Não vou me estender sobre as alavancas que levam indivíduos e a sociedade para esse território, na minha opinião um tanto narcísico e autocentrado. Tampouco concordar com a dura crítica de Umberto Eco, que disparou que “a internet deu voz a uma legião de imbecis”. Vou apenas me restringir ao fato de que esse tipo de canal de comunicação está amadurecendo e concorre perfeitamente com os existentes.

Nos dias de hoje, basta um pouco de eloquência, profundidade (em algum assunto) e “protagonismo exacerbado” que o indivíduo acaba se tornando um canal. Uma espécie de oráculo moderno que é capaz de fazer seus iguais refletirem. Uma espécie de “líder entre iguais” da era digital.

O marketing de influência é mais que um canal

O marketing de influência não é novo. Está plenamente fundamentado na antiga versão, porém poderosa, do boca a boca, que transformava produtos e serviços de pequena dimensão em negócios grandiosos, procurados por um batalhão de fãs apenas pela recomendação feita por amigos e parentes.

A diferença atual é que o fenômeno do boca a boca está inserido no conceito do influenciador digital e carrega praticamente a mesma carga de confiabilidade que tinha um amigo ou parente na era analógica. A perspectiva de um cidadão comum poder se instrumentalizar e se tornar um canal pelas plataformas de mídia social deu força e rejuvenescimento ao chamado marketing de influência, que tem disputado espaço e incomodado a performance dos canais tradicionais.

De acordo com o site Statista.com, somente em 2021 o mercado mundial de marketing de influência está estimado em investimentos de US$ 13,8 bilhões. Nos últimos anos, o crescimento anual está na casa dos 25%.

Uma pesquisa da Global Consumer Survey mostra que, desde 2021, o Brasil já ultrapassou a China, com mais de 40% da população impactada pelo marketing de influência. O país se tornou o maior mercado do mundo na área.

O (alto) valor do canal

Se confiança é um atributo fundamental na persuasão e conversão em vendas e os influenciadores têm isso de sobra, já parou para pensar no poder de monetização dessa turma? Um gap considerável está se formando entre os canais tradicionais e os agora construídos pelos influenciadores, uma vez que o varejo tradicional tem carecido de envolvimento emocional, de curadoria e de entretenimento para seus usuários, atributos que não só sobram, mas constituem os canais com os influenciadores.

Na jornada de consumo, tudo que o usuário precisa é de uma combinação perfeita entre informação (preferencialmente na forma de entretenimento) e de confiança (uma espécie de segurança vinda de “iguais”). E, na decisão de compra, selecionar o produto certo, no preço certo, na hora certa e – hoje, mais do que nunca – no local certo. Isso pode ser a equação perfeita para conversão, e os influenciadores tendem a cumprir todos esses requisitos.

Interessante notar que o assunto da “multicanalidade” foi discutido em verso e prosa nos últimos 10 anos na National Retail Federation (NRF), maior feira de varejo do mundo, que acontece em Nova York. Mas lá ainda muito pouco se fala sobre esse novo canal. Ao menos, não se dá a verdadeira importância ao assunto – uma importância que já é sentida nos investimentos em marketing.

Nos Estados Unidos, estima-se que ao menos 25% sejam aplicados somente no Instagram como parte da estratégia do marketing de influência das empresas. Campanhas digitais fazem parte dos pacotes, mas elas têm gerado cada vez menos empatia do público (e dos profissionais de marketing), uma vez que carregam em si o comportamento do “marketing de interrupção” da velha propaganda analógica. Por outro lado, as estratégias com influenciadores só têm crescido.

O investimento do mercado do marketing de influência no mundo para 2022 está estimado em US$ 16,4 bilhões, de acordo com o site Influencer Marketing Hub, que infelizmente não traz informações da América Latina. Você pode até dizer que plataformas como Instagram, TikTok e Kwai carregam um exército de jovens de 15 a 24 anos como usuários primários e que eles não representam sua marca. No entanto, a prática tem mostrado que o hábito da segunda tela tem crescido exponencialmente nos últimos anos em todas as faixas etárias e que o envelhecimento dos usuários do Facebook, plataforma que tem se utilizado quase que exclusivamente dos conteúdos do Instagram e TikTok, tem colaborado para a disseminação da audiência de maneira mais abrangente. Os relatórios Nielsen de uso de meios podem provar isso.

Marketing de influência: valor de marca ou de receita incremental?

Muito se fala (e se mede) sobre a importância do influencer do ponto de vista de valor de marca, seja pelos atributos de visibilidade que ele gera, de engajamento ou de lembrança de marca, os três elementos para levar o indivíduo à conversão de vendas. No entanto, o influenciador tem cada vez mais ocupado um espaço concreto como canal comercial, com resultados de retorno efetivos de seu potencial em gerar vendas e garantir repetição de compra.

Um artigo do blog do MIT Sloan Management Review, nos Estados Unidos, traz uma informação que brilha aos olhos dos profissionais do marketing das empresas: em média, cada dólar investido num programa de influenciador traz US$ 6,5 de receita nova para a marca. O fenômeno dos vídeos curtos nas mídias sociais, especialmente no Instagram e no TikTok, e mais recentemente no Kwai – plataforma que monetiza seus membros de forma diferente das outras redes, tem potencializado exponencialmente o boca a boca e revolucionado o jeito de se comunicar, de construir marca e, especialmente, de vender.

De acordo com pesquisa recente do Instituto Nielsen (Global Trust in Advertising and Brand Messages, April 2012) enquanto a publicidade tradicional decresce em confiança ano após ano, 89% dos consumidores no mundo (a última leitura da América Latina era de 92%) têm confiança em recomendações feitas “por iguais” (peer to peer). Além de amigos e familiares, os influenciadores estão nesse grupo (especialmente se considerarmos a força e o engajamento que as mídias sociais têm no país).

Diretores de marketing e financeiros precisam ficar atentos a essa mudança de realidade. É claro que é muito inseguro e, por consequência, muito difícil confiar suas marcas nas mãos de um ser humano que tem falhas, vícios e pode até “sair da linha” a qualquer momento. Mas estamos numa situação em que esses “iguais entre iguais” têm ganhado relevância quando o assunto é retorno de investimento.

Colunista

Ulisses Zamboni

Com 40 anos de experiência na área de comunicação, é presidente e sócio da agência Santa Clara, membro do conselho do Grupo de Planejamento no Brasil, membro do Conselho Editorial da MIT Sloan Review Brasil e clinica como psicanalista.

https://mitsloanreview.com.br/post/fique-atento-ao-mercado-de-influenciadores-digitais

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Empresas de tecnologia dos EUA estão saindo da China; Amazon é a mais recente

A lista de empresas de tecnologia dos Estados Unidos que abandonaram a China é notável por elas considerarem um empreendimento perdedor, mas também pelo sucesso da maioria em outros mercados

Por Dow Jones — Valor – 07/06/2022

A Amazon anunciou na semana passada que fechará seu serviço de livros digitais Kindle na China, a mais recente grande empresa americana a se retirar do agitado e competitivo mercado chinês. A lista de empresas de tecnologia dos Estados Unidos que abandonaram esforços na China é notável pelo número de empresas que consideram o mercado um empreendimento perdedor, mas também pelo sucesso da maioria em outros mercados.

“Devido ao seu tamanho, a China é talvez o mercado de internet mais ferozmente competitivo do mundo, e quase todas as empresas digitais ocidentais lutaram para competir com as empresas locais”, disse Feng Li, presidente de gerenciamento de informações da Bayes Business School, da Universidade de Londres. “As diferenças culturais e a deterioração das relações entre Estados Unidos e China complicaram ainda mais as coisas.”

O Airbnb está em processo de fechamento de seus serviços na China, citando a pandemia e concorrentes locais, muitos dos quais têm uma história mais longa e maior presença no país. Na sexta-feira, disse que estava se preparando para ajudar seus anfitriões a migrar para esses concorrentes, como Meituan e Alibaba Group Holding.

O Yahoo, uma das primeiras grandes empresas de tecnologia a entrar na China, fechou sua presença restante no país em novembro. “Em reconhecimento ao ambiente legal e de negócios cada vez mais desafiador na China, o conjunto de serviços do Yahoo não estará mais acessível na China continental a partir de 1º de novembro”, disse a empresa em comunicado. Em outubro, o LinkedIn da Microsoft anunciou planos para fechar sua plataforma de mídia social na China.

A Amazon disse em comunicado que “como uma empresa global, avaliamos periodicamente nossas ofertas e fazemos ajustes, onde quer que operemos”. A empresa não está recuando devido à pressão ou censura do governo, disse um porta-voz à Reuters. No entanto, a empresa cumpriu a proibição de Pequim de conteúdo considerado sensível e enfrentou uma multidão de concorrentes locais nos mercados de leitores digitais, muitos com preços mais baixos.

Embora quase todas as empresas que saem da China tenham notado a concorrência acirrada, especialistas dizem que há uma força maior em jogo. “A China tem uma política e meta explícitas de reduzir a dependência externa por meio de substituição de importações de 70% na maioria das indústrias até 2025. Esse foi um dos principais objetivos explícitos do ‘Made in China 2025’”, disse J. Stewart Black, professor da escola de negócios Insead.

Empresas que lidam com informações menos confidenciais entraram e saíram da China em um piscar de olhos, incluindo Macy’s, Home Depot, Best Buy e eBay. A Forever 21 está em sua terceira tentativa de conquistar o mercado chinês.

Mas Black disse que o ambiente político, particularmente para empresas de tecnologia, é incomparável em sua dificuldade. “Considere que 150 mil empresas na China são estatais. Considere ainda que essas empresas estão entre as maiores da China e, na verdade, do mundo e que respondem por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) da China”, disse ele.

A China “tem a capacidade e vontade de exercer controle, ou pelo menos influência significativa, sobre as grandes empresas que não possui”, como evidenciado pela retirada do Alibaba da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Ant Financial. “Esta é uma magnitude de influência e controle do Estado que simplesmente não vimos em outras grandes economias”, disse ele.

A Amazon anunciou na semana passada que fechará seu serviço de livros digitais Kindle na China — Foto: JORDAN STEAD / Divulgação/(JORDAN STEAD / Amazon)

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/06/07/empresas-de-tecnologia-dos-eua-esto-saindo-da-china-amazon-a-mais-recente.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Cubo, hub de startups do Itaú, lança segmento ESG

Ideia é aproveitar experiência do projeto em conectar startups a clientes e investidores, alavancar empresas já existentes e fomentar novas gerações de empreendedores no segmento

Por Álvaro Campos — Valor – 03/06/2022

O Cubo, hub de startups criado pelo Itaú em 2015, está lançando uma nova área voltada especificamente para companhias que desenvolvem soluções na área de padrões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês). A ideia é aproveitar a experiência do projeto em conectar startups a clientes e investidores, fornecer conteúdo e usar a força da marca Cubo para alavancar empresas já existentes e fomentar novas gerações de empreendedores nesse setor, para que criem soluções disruptivas e escaláveis.

Pesquisas apontam que o Brasil já conta com mais de 1,2 mil startups voltadas para a área ESG, mas o país e o mundo ainda têm desafios enormes na questão ambiental, que será o primeiro foco do novo segmento. “As ineficiências estruturais são evidências do enorme potencial que a inovação tecnológica tem a longo prazo no segmento”, diz Pedro Prates, executivo do Cubo. Atualmente o hub tem na sua base um total de 350 startups, sendo que 50 delas já atuam em ESG, e o objetivo é triplicar esse último número até o fim do ano.

A iniciativa será organizada por meio de áreas, e a primeira delas é a “net zero”, que nasce com a missão de resolver os desafios da descarbonização em setores prioritários, como agropecuária, construção civil, petróleo & gás e siderurgia. A ideia é aproximar esses empreendedores de grandes corporações que assumiram compromissos de redução de emissões, em especial os clientes do Itaú. “Queremos ser o banco que estará ao lado dos clientes neste processo de transição, e o Cubo ESG será mais uma forma de apoiarmos os nossos clientes nessa jornada. As soluções para que as organizações alcancem seus objetivos de zerar emissões passam por tecnologia, inovação e fomento ao empreendedorismo”, explica Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú.

Ela conta que o Itaú dividiu sua carteira de clientes em basicamente três grupos: aqueles que estão mais adiantados, já têm metas específicas, alinhadas com as exigências do Acordo de Paris; os que já assumiram algum compromisso público, mas ainda não têm objetivos tão claros; e as que ainda estão no início da jornada sustentável. Prates afirma que as grandes empresas já têm diversas iniciativas e equipes amplas cuidando da temática ESG, mas diz que ainda assim as startups podem ajudar, já que está na sua essência serem inovadoras e ágeis. “Elas usam tecnologias super modernas e têm essa cultura de velocidade. As grandes empresas, por sua vez, têm potencial de escala. Quando você conecta os dois, o potencial de transformação é muito grande.”

Entre as startups ESG que já fazem parte do Cubo estão nomes como a eureciclo, que trabalha com o rastreamento da cadeia de reciclagem de embalagens pós-consumo; Ribon, plataforma que facilita doações feitas por jovens; e VG Resíduos, que desenvolveu um sistema integrado de gestão de resíduos para garantir conformidade ambiental. “A partir dos desafios de diferentes setores, as startups podem trazer soluções e ajudar nossos clientes nessa transição [para uma economia de baixo carbono]. Isso naturalmente deve gerar mais negócios e fazer com que eles sejam mais sustentáveis”, explica Nicola.

Recentemente o Itaú anunciou a adesão ao Net Zero Banking Alliance, acordo mundial liderado pela ONU para mobilizar os recursos necessários para construir uma economia global com emissões líquidas zero de gases de efeito estufa. O objetivo do banco, que já é neutro em carbono para emissões diretas (escopos 1 e 2), consiste em reduzir as emissões da sua carteira de crédito (escopo 3) em 50% até 2030 e 100% até 2050.

O Itaú diz que, para esse novo hub ESG, está fazendo investimentos adicionais no Cubo, mas não revela valores. Em julho passado o banco lançou seu primeiro hub temático dentro do Cubo, voltado ao segmento do agronegócio. O banco se conecta com as startups do ecossistema de várias formas. Ano passado, por exemplo, fez 50 provas de conceito com elas, sendo que muitas acabam se tornando de fato provedoras da instituição. A Kinea, braço de private equity do grupo, também já fez aportes em diversas associadas do Cubo, e o banco pode até mesmo adquirir uma startup, como fez com a Zup.

https://valor.globo.com/financas/noticia/2022/06/03/cubo-hub-de-startups-do-itau-lanca-segmento-esg.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Top Gun: Maverick | Conheça o avião da Embraer usado no filme

Por Paulo Amaral | Editado por Jones Oliveira | Canaltech 02 de Junho de 2022 

Depois de conhecer os caças que aparecem em Top Gun: Maverick, chegou a hora de dar uma olhada mais aprofundada em um avião da Embraer que também teve seus “minutos de fama” na trama. Estamos falando do jato Phenom 300.

Ao contrário do caça russo Sukhoi Su-57, do clássico P-51 Mustang e das outras aeronaves que aparecem nas cenas de ação, o Phenom 300 fez parte da megaprodução no famoso “behind the scenes” (por trás das câmeras, em bom português). Neste caso, literalmente.

O avião da Embraer foi escolhido pela produtora Team5 Aerial Systems para ter uma câmera de alta resolução instalada em seu “nariz” e, com isso, fazer imagens 360º do porta-aviões USS Abraham Lincoln. É da câmera instalada no Phenom 300 que saem as imagens de aproximação e decolagem do navio.

“O Phenom foi escolhido para qualquer operação estendida sobre a água, missões de alcance estendido ou sequência complexa que precisava da flexibilidade de transportar dois Shotover F1 ao mesmo tempo com diferentes capacidades de lente”, comentou o coordenador, ao site The Drive, justificando a escolha pelo modelo.

Como é o avião da Embraer utilizado em Top Gun?

O Phenom 300 é um avião executivo que já participou de outras “aventuras” para as telas. Antes de ser escolhido para fazer parte da produção de Top Gun: Maverick, ele foi utilizado nas filmagens de Inspiration4: Viagem Estelar, série produzida pela Netflix para exibir, em forma de documentário, a preparação e o lançamento da missão SpaceX.

Phenom 300, que participou do filme Top Gun, é um dos aviões mais populares da Embraer (Imagem: Glass Cockpit Aviation/Flickr/CC)

“Força, suavidade, capacidade. Seu nariz atraente é imediatamente reconhecível. Asas baixas e varridas com winglets fazem uma chegada poderosa, e seu impressionante design cria uma grande entrada dramática. Com uma dominante presença, diferente de qualquer outro, o Phenom 300 é uma verdadeira força. A atração é inegável. E o sentimento, absolutamente inesquecível”, diz a Embraer.

Segundo a fabricante, o avião que participou de Top Gun: Maverick foi o primeiro single-pilot, ou seja, para apenas um ocupante, a atingir a velocidade Mach 0,80 (equivalente a 987,8 km/h). Ela também é considerada a primeira e única aeronave executiva para um sistema de alerta e prevenção de saídas de pista.

Para participar das filmagens do novo filme com Tom Cruise, o avião da Embraer passou por algumas modificações. Além de receber dois suportes de câmera Shotover F1 de seis eixos, foi colocado um sistema de controle e estabilização compatível com câmeras de cinema digital de ponta, como as oferecidas pelo fabricante de câmeras RED.

Dentro do jato, as modificações foram necessárias para acoplar todo o equipamento para controlar e coordenar os sistemas de câmeras durante as filmagens aéreas.

https://canaltech.com.br/avioes/top-gun-maverick-conheca-o-aviao-da-embraer-usado-no-filme-217787/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Esqueça a geração Z: a geração que está emergindo é a da paralisia

Enquanto China vê crescimento da geração Tang Ping , termo que significa ‘ficar deitado’, Brasil lida com geração Nem-Nem

Ronaldo Lemos – Folha – 29.mai.2022

Há algo de errado. O mundo tornou-se um lugar inóspito para jovens. Quem tem entre 15 e 35 não está em situação invejável, tanto do ponto de vista econômico como social.

Falta de emprego, ausência de perspectivas de mobilidade social e um vazio existencial crescente caractarizam um novo tipo de juventude. Esqueça termos marqueteiros como “millennials” ou “geração Z” que querem apenas vender algo ou dourar a pílula. A geração que está emergindo é na verdade a geração paralisia.

Luo Huazhong, who popularized the idea of adopting a more relaxed approach to life, taking a break in Jiande, China, June 18, 2021. Young people in China have set off a nascent counterculture movement that involves lying down and doing as little as possible. (Qilai Shen/The New York Times)

Luo Huazhong, que popularizou a ideia de um modo de vida mais relaxado, deitado no chão em Jiande, na China – Qilai Shen – 18.jun.21/The New York Times – NYT

O fenômeno é visível em várias partes. Por exemplo, a China está enfrentando o crescimento da geração chamada Tang Ping (躺平). O termo significa “ficar deitado” e se refere a um contingente de jovens cujo mote principal da vida é não fazer nada. A ideia é recusar-se a trabalhar ou a estudar e simplesmente deixar o tempo passar.

Um dos problemas é que essa postura tem sido adotada por jovens de 18 a 30 anos. Esse é justamente o momento em que a pessoa constrói relacionamentos e cria bases profissionais que podem servir de apoio para toda a vida.

O fenômeno agravou-se recentemente com o surgimento da geração Bai Lan (摆烂). O termo significa “deixar apodrecer”. E indica exatamente isso, não só não fazer nada, mas também um desejo de que a condição de vida se degringole e saia dos trilhos.

[ x ]

O fenômeno não é específico da China. O Brasil tem lidado há anos com o problema da geração Nem-Nem, que nem estuda nem trabalha. No Brasil o número de integrantes dessa geração é o dobro dos países desenvolvidos, de acordo com dados da OCDE. Em 2020 havia cerca de 36% de pessoas na faixa entre 18 e 24 anos sem emprego e sem qualquer atividade educacional. Na média da OCDE esse percentual é de 15%.

Esse fenômeno leva a alienação, solidão, desagregação social e perda de sentido. Boa parte desse tempo livre pode ser ocupado por mídias sociais, considerando que essa geração não tem trabalho, emprego ou escola, mas tem sua capacidade de atenção intacta, podendo ser capturada por conteúdos digitais.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos com pessoas entre 23 e 38 anos revelou que 22% dos entrevistados afirmaram ter “zero amigos”; 27% afirmaram não ter nenhum amigo próximo e 30% afirmaram viver com um sentimento permanente de solidão.

Outra expressão também originária da China descreve uma outra dimensão desse fenômeno: “geração morango”. Um contingente de jovens que busca se destacar ou ganhar a vida projetando sua imagem pessoal. Mas tal como um morango, podem ser bons de ver mas são fáceis de serem esmagados. Não possuem controle real nenhum.

Esse é o paradoxo. Em um momento de hiperconexão por meio de redes sociais, as pessoas estão mais do que nunca desconectadas. Quem interage com o feed de uma rede social na verdade interage com fantasmas. Nada daquilo diz respeito diretamente a você. É uma forma de comunicação que serve mais para iludir e desagregar do que criar laços humanos que sejam reais e duradouros.

Já era Geração X

Já é Millenials e Geração Z

Já vem Geração Alpha

Ronaldo Lemos

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2022/05/esqueca-a-geracao-z-a-geracao-que-esta-emergindo-e-a-da-paralisia.shtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Tecnologia com lasers ajuda a encontrar cidades perdidas na Amazônia

Usando um novo radar, ciência descobre vilas e cidades debaixo da Amazônia boliviana

Fernando Reinach, O Estado de S.Paulo 04 de junho de 2022 | 

A história da Floresta Amazônica vai ser reescrita. Imaginávamos que antes da chegada dos europeus era habitada por tribos semi-nômades, dispersas em pequenos grupos, que viviam da caça e de uma agricultura de pequena escala. Imaginávamos que essas populações, por serem pequenas e se movimentarem constantemente, praticamente não afetavam a flora e fauna da floresta. A descoberta de ruínas de grandes cidades, hoje cobertas pela floresta densa, mostra uma realidade bem diferente.

A primeira pista de que algo diferente existiu foi a descoberta de plantas cultivadas pelo homem em certas áreas da floresta. Em seguida, pesquisadores e fazendeiros descobriam em diversas regiões pequenas montanhas artificiais e restos de trilhas, claros vestígios de que humanos haviam construído vilas. Mas a escala e frequência dessas construções era um mistério. Nas últimas décadas foi desenvolvido uma espécie de radar, o LIDAR (Light Detection And Ranging), que usa lasers e é capaz de mapear a topografia da superfície do solo que está debaixo da floresta. No México, esse equipamento encontrou novas pirâmides na floresta.

Mapa da parte sudeste de Llanos de MojoMapa da parte sudeste de Llanos de Mojo, na Bolívia Foto: Heiko Prümers, Carla Jaimes Betancourt, José Iriarte, Mark Robinson e Martin Schaich

Agora um grupo de cientistas colocou um LIDAR em um helicóptero e mapeou o solo de uma região onde tinham sido encontrados vestígios de presença humana. E levaram um susto. Foi mapeada uma região de 5 mil quilômetros quadrados em Llanos de Mojos, na Bolívia, perto da fronteira com o Brasil. Só nessa área foram encontradas 166 restos de pequenas vilas agrícolas e duas cidades. As cidades são relativamente grandes (100 hectares) e foram construídas sobre montanhas artificiais (espécies de aterros) e possuem pirâmides de até 20-30 metros de altura. Caminhos, também construídos sobre aterros, ligam as pequenas vilas às cidades maiores, que por sua vez possuem caminhos que saem do centro em direção a periferia de forma radial e anéis circulares que circundam as cidades. Foram detectados canais para o direcionamento da água, depósitos de grão e outras construções. Os cientistas acreditam que essas cidades foram construídas pelos Casarabe, civilização que vivia nessa região desde 500 anos a.C.

No Egito, e em outras regiões, restos arqueológicos podem ser identificados facilmente na paisagem. Já em regiões cobertas por florestas densas, ruínas são rapidamente tomadas pela floresta e ficam invisíveis por debaixo da floresta. O que essa descoberta demonstra é que a Amazônia ainda guarda segredos.

MAIS INFORMAÇÕES: LIDAR REVEALS PRE-HISPANIC LOW-DEN URBANISM IN THE BOLIVIAN AMAZON. NATURE  

* É BIÓLOGO

https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,tecnologia-com-lasers-ajuda-a-encontrar-cidades-perdidas-na-amazonia,70004084480

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Análise: Petróleo navega no escuro rumo aos US$ 150

Com os embargos dos EUA e da UE ao petróleo russo, operações semiclandestinas com a commodity são realizadas no mar por traders que se arriscam nessas transações, podendo levar o preço às alturas

Por Nelson Niero, Valor — São Paulo 02/06/2022

“Going dark”, termo militar que significa um corte abrupto de comunicação para evitar o rastreamento, está muito em voga entre os navios que transportam petróleo russo. Para viajar com mais privacidade pelos oceanos, a tripulação desliga o GPS.

Navega-se no escuro com mais frequência desde do início da invasão da Ucrânia e os embargos contra a Rússia, como mostram Anna Hirtenstein e Joe Wallace, correspondentes do “Wall Street Journal” em Londres, na reportagem “Produtores russos ficam um passo à frente das sanções”.

Leia mais: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/06/02/tendncia-de-alta-nos-preos-do-petrleo-mesmo-com-deciso-da-opep-de-elevar-produo.ghtml

Outra prática também em alta é a transferência de carga entre navios no mar, uma conhecida artimanha para negociar petróleo embargado iraniano e venezuelano — o que remete ao óleo que apareceu nas praias brasileiras em 2019, que segundo a Polícia Federal veio de um petroleiro de bandeira grega. Uma das hipóteses da investigação era falha na transferência de petróleo entre embarcações.

O “ship to ship”, para usar a expressão do setor, acontece no Mediterrâneo, ao largo da costa da África Ocidental e do Mar Negro, de onde o petróleo segue para China, Índia e Europa Ocidental, segundo disseram as companhias de navegação ao “WSJ”. Refinado, o produto vai depois para grandes consumidores como os Estados Unidos.

Essas operações semiclandestinas são muito lucrativas para os traders que se arriscam na empreitada: uma viagem, dependendo do tamanho da carga, pode render US$ 20 milhões, comparado a cerca de US$ 600 mil antes da guerra.

E, ao que parece, o troca-troca oceânico a céu aberto, mas “no escuro”, só tende a aumentar. Nesta semana, líderes da União Europeia decidiram banir 90% das importações por mar do petróleo russo até o fim deste ano. Com essa decisão, pode estar se formando o furacão previsto pelo presidente do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, que falou no barril em US$ 150 — um desastre para a economia mundial.

O presidente americano, Joe Biden, passou o pires e conseguiu, nesta quinta-feira (2), um aumento das cotas de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), mas isso não fez diferença nos preços. O governo americano critica há tempos a lentidão dos países do cartel em aumentar a oferta, uma situação que já era problemática por causa da pandemia e tornou-se dramática com a guerra.

Mas todos sabem que há um problema estrutural a ser resolvido. O petróleo era, até pouco tempo — e ainda é em alguns círculos —, um palavrão, só um pouco menos cabeludo que carvão. Toda a pressão exercida por governos e organizações ambientais deu resultado. As grandes empresas de petróleo reduziram os investimentos em produção e exploração para cumprir metas ambientais rígidas.

O próprio governo Biden tomou várias medidas nesse sentido, e, recentemente, teve que reverter, sob críticas, uma decisão de não permitir exploração em terras do governo. No entanto, mesmo que comece a sair mais óleo bruto dos poços, a capacidade de refino é limitada.

Com os combustíveis em patamares recordes, inflação em disparada e eleições próximas nos Estados Unidos — e no Brasil —, as opções vão ficando cada vez mais limitadas. E não há milagre. Entre o investimento e a gasolina na bomba há um longo e demorado percurso.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/Eul2cfBplyz5DbVEN6Ubsi (15) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/