Petrobras desenvolve tecnologia para monitoramento remoto de plataformas

  • Agência Petrobras, 26 Janeiro 2022 

Ferramenta permite navegação imersiva, integração de funcionalidades e pode ser estendida a outros ativos

Especialistas do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), e da PUC-Rio, desenvolveram uma ferramenta que permite ao usuário visualizar e “transitar” por toda a extensão das plataformas da Petrobras, fazer inspeções remotas e planejar intervenções preventivas, mesmo nas unidades mais distantes, como as localizadas no pré-sal, a cerca de 300 km da costa. 

A ferramenta, que otimiza o planejamento de manutenções, está disponível em 14 plataformas das bacias de Santos, Campos e Espírito Santo, e deve ser estendida a todas as plataformas em atividade até o fim de 2022. Há estudos em andamento também para a implementação em refinarias.

“Essa ferramenta, desenvolvida no âmbito do Programa estratégico EF100 – que prevê tornar os sistemas de produção ainda mais eficientes – permite a redução do tempo de planejamento das atividades de manutenção, que são muito importantes no calendário da operação. 

Obtivemos também um aumento de eficiência na execução das paradas de produção, assim como uma redução do tempo de manutenção”, relata o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Fernando Borges.

Para mapear cada unidade offshore são necessárias de 3,5 mil a 5 mil fotos, que são aplicadas sobre a planta de engenharia, permitindo a navegação imersiva, semelhante à tecnologia do Google Street View, por meio do qual se pode visualizar qualquer lugar do mundo, seja uma rua ou um museu, desde que a área tenha sido previamente fotografada por câmeras 360º. 

Em breve serão incorporadas novas funcionalidades à ferramenta, como busca e análise de imagens, por meio de inteligência artificial; busca inteligente de informações de manutenção em bases de dados da empresa; e ainda captura de realidade (nuvens de pontos) e gamificação para treinamento de SMS, através da integração com outros componentes da solução de digital twins de integridade de ativos.

“O objetivo vai além do desenvolvimento de uma ferramenta de navegação imersiva e passa pela aplicação de novas soluções para integrar a ferramenta aos nossos processos de trabalho e bases de dados da companhia, além de incluir outros métodos de imageamento dos ativos e tecnologias de inteligência artificial (IA), como deep learning, para análise de imagens e busca de informações. 

Grupos de Algoritmos de IA poderão nos dizer, por exemplo, onde há pontos de alta taxa de corrosão que requerem reparo e, no futuro, usaremos robôs para captura de imagens, acelerando a frequência dos registros com monitoramento em tempo real, conectado com a priorização e planejamento dos reparos”, explica o diretor de Transformação Digital e Inovação da Petrobras, Juliano de Carvalho Dantas.

A tecnologia também será usada nas 15 novas plataformas que a Petrobras instalará no Brasil, até 2026, a maior carteira de novos projetos de FPSOs de toda a indústria offshore.

https://www.segs.com.br/demais/329858-petrobras-desenvolve-tecnologia-para-monitoramento-remoto-de-plataformas

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As promessas da Web 3.0

Ronaldo Lemos Folha 23/01/2021

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

Para o bem ou para o mal, um dos temas mais falados de tecnologia atualmente é a chamada Web 3.0. O termo significa a nova geração de serviços da internet que serão construídos em cima de tecnologias descentralizadas, como a diversas blockchains existentes. Só lembrando, as blockchains permitem a existência das moedas virtuais, que não são propriedade de nenhuma empresa específica.

A ideia é que, se é possível criar moedas descentralizadas, é possível também criar outros serviços descentralizados, tais como aplicativos de entrega de comida, transporte e música, games, fintechs, redes sociais, identidades digitais, streaming e assim por diante.

Essas aplicações não pertenceriam a nenhuma empresa especificamente, mas seriam operadas por meio de contratos inteligentes autônomos que se autoexecutariam, distribuindo dinheiro automaticamente na medida em que as tarefas são executadas. Seria uma espécie de “internet dos serviços”, em que serviços estariam programados na própria rede, em vez de serem intermediados por uma empresa.

Representação da criptmoeda Dogecoin; meio de pagamento tornou-se símbolo da Web 3.0 – Reuters

As críticas à Web 3.0 têm sido também violentas. O professor da NYU Scott Galloway escreveu um artigo afirmando que a promessa de descentralização não acontecerá. Na visão dele, novos intermediários vão surgir, gerando de novo um movimento de recentralização. Concentração e desigualdade permaneceriam. Para outros, a Web 3.0 seria só uma jogada de marketing para inflar expectativas sobre os mercados de blockchain.

Seja o que for, para um país como o Brasil, é preciso pensar friamente sobre o que queremos da Web 3.0. Se o modelo for para a frente mesmo, o país pode ter uma oportunidade de participar de um movimento de inovação desde o surgimento da sua infraestrutura básica.

O Brasil tem mais chance de ser competitivo globalmente na Web 3.0 do que no chamado metaverso. Por exemplo, o país possui projetos de blockchain estruturantes como a Hathor (criada no Instituto Militar de Engenharia) e também linguagens de programação poderosas inventadas aqui, como a Lua (desenvolvida na PUC-Rio), que podem criar ecossistemas globais de serviços da Web 3.0.

Já o metaverso é uma inovação que acontece no topo de uma série de camadas que já estão com jogo definido. Para que o metaverso funcione, é preciso, por exemplo, conectividade global de alta velocidade, servidores capazes de rodar e armazenar dados e, também, milhões de linhas de código que na sua grande maioria são “proprietárias”, isto é, precisam de permissão dos donos para serem usadas.

Dificilmente o metaverso será rodado em servidores brasileiros e dificilmente o país terá acesso viável economicamente às linhas de código necessárias para criar aplicações globais competitivas. A Microsoft, por exemplo, acaba de pagar US$ 75 bilhões (R$ 414 bilhões) pela empresa de games Activision, justamente para ter acesso aos códigos e outros bens intelectuais da companhia.

Na Web 3.0, esse jogo não está jogado. Aplicações criadas em plataformas brasileiras podem sim ganhar escala global. Por isso, precisamos de um planejamento como país do que queremos da Web 3.0. A alternativa de não fazer nada tem resultado conhecido: o país continuar como consumidor e não como produtor de inovação.

Digitalização dos serviços públicos dispara na pandemia

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2022/01/as-promessas-da-web-30.shtml?origin=folha

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Grandes companhias começam a testar o metaverso no varejo on-line

Jogos eletrônicos são a porta de entrada para um novo ambiente virtual de negócios

Por Adriana Mattos — Valor 25/01/2022

O mundo do consumo vive de ondas e há boas chances de o varejo estar assistindo, agora, o início de um novo movimento que tentará deixar para trás o que se conhece hoje por comércio eletrônico.

Está em andamento a construção do “metacommerce”, plataforma proveniente do metaverso, o espaço virtual coletivo e hiperrealista, oriundo dos “games”, e os grandes grupos de consumo e tecnologia desenham ações para tentar ganhar dinheiro com isso.

No comércio, isso ganhou força a partir da metade do ano passado, depois que o Facebook anunciou foco total no metaverso, e a partir da acelerada entrada de novos usuários em ambientes 3D, em salas de jogos e em redes sociais. Há 2,8 bilhões de “gamers” no mundo que gastaram US$ 200 bilhões em jogos em 2021. Na linha de frente desse pelotão com projetos no “metacommerce” estão a Epic Games, com seu Fornite, a Microsoft, dona do Minecraft, o Roblox e a rede social Imvu.

Neles, as pessoas (no caso, os seus avatares) conversam, jogam, assistem shows e fazem compras virtuais – com moeda digital e real, em alguns casos. No formato em discussão, alguém numa plataforma de jogos qualquer poderá assistir a um megaconcerto, e, usando seu avatar, fazer um pedido num fast-food instalado na arena do show – para, então, receber em casa o seu combo com sanduíche. As empresas estão de olho nessa venda de produtos e serviços, ainda muito incipiente. A discussão hoje está em como estruturar esse modelo complexo e fazer isso ganhar velocidade.

Em relatório de setembro, de 12 páginas, o Morgan Stanley diz que se acharem um formato rentável, as vendas digitais pelas plataformas 3D podem adicionar 10% às receitas das marcas de luxo até 2030, atingindo 50 bilhões de euros. E aumentar os lucros em até 25%. Isso inclui as NFTs, espécie de certificado digital que confirma a posse de um bem virtual. Gucci, Channel, Balenciaga, Dolce & Gabanna e Ralph Lauren vêm, entre 2020 e 2021, lançando ações com marcas ou produtos (parte deles pagos) em plataformas de jogos.

Em 2021 foram US$ 2 bilhões gastos em headsets de realidade ampliada e virtual no mundo. Para 2026, a Omdia Research projeta alta de 148%, para US$ 16 bilhões. Segundo o Morgan, 53% desses headsets são usados em “games”, a porta de entrada do metacomércio.

Para consultores, está claro que o formato atual de venda on-line está ficando ultrapassado, especialmente para as gerações Z e Alpha, com menos de 25 anos. É nesse vácuo que o metacomércio quer avançar. “Enquanto vocês se ocupam pensando no seu ‘omnichannel’ [unificação do físico e on-line], a geração com pouco mais de 20 anos é ‘app first’ desde sempre, vive e gasta o equivalente ao PIB da Islândia no TikTok e já abraçou realidade aumentada e realidade virtual faz tempo”, diz Kate Ancketill, CEO da consultoria GDR, em apresentação sobre metacomércio na semana passada, em Nova York.

Para Dedrick Boyd, consultor que estuda tecnologia e consumo há 15 anos, o modelo de venda on-line no mundo hoje é pouco interativo e sem graça – e as novas gerações querem fazer compras se divertindo. “Os clientes clicam em páginas intermináveis de descrição de produtos sem nunca se conectar emocionalmente com eles”, diz Boyd em artigo. “Até 2035, estima-se que 80% da atividade de compra será online, e não será no modelo atual, pouco imersivo”.

Na visão de Luiz Marinho, sócio-diretor da consultoria Gouvêa Malls, “o ‘metacommerce’ não é só outro ambiente de compras, mas um novo estilo de vida, de relações pessoais, que une tudo o que a tecnologia oferece à indústria de consumo, como 5G, blockchain, realidade virtual e aumentada e inteligência artificial”.

Para não se tornar uma venda de nicho, o seu desenvolvimento depende da entrada de mais pessoas nos mundos virtuais e aumento nas opções de equipamentos que possibilitem a experiência virtual. Facebook, Microsoft e Apple vêm estudando isso. Hoje, os “heasets” de realidade ampliada custam até US$ 2 mil (há os de US$ 299 do Facebook, mas de baixa resolução). Ainda é preciso ter banda larga potente, com 5G mais disseminado.

Em outras palavras, é algo caro e leva tempo. O Facebook, que em 2021 mudou seu nome para Meta, anunciou gastos de até US$ 10 bilhões para construir o seu metaverso, que incluirá ações em consumo. Mas para analistas, é difícil acreditar que essas plataformas sobreviverão, no longo prazo, bancando esses mundos 3D de graça por muito tempo, sem entrada de marcas parceiras.

“Além disso, cada rede social ou ‘game’ quer ter o seu próprio ‘meta’. Alibaba e Tencent registraram vários nomes nos últimos meses, por garantia. Serão gastos bilhões, e as pessoas pularão de um metaverso a outro. É confuso, e vai criar uma guerra de ações e de preços. Não é sustentável”, diz Marinho.

No Brasil, além dos custos dos equipamentos em dólar, há outras barreiras de aspectos práticos.

O 5G só estará espalhado pelo território nacional em 2029, segundo o governo. E há limitações logísticas. “Uma coisa é você atrair multidões para seu ambiente digital, fazendo shows ou instalando lojas dentro de jogos. Outra coisa é oferecer a experiência completa, com a venda pelo metaverso e a entrega do produto na casa do cliente, em poucas horas”, diz Eduardo Terra, sócio da BTR Educação e Consultoria, que abordou o tema num seminário dias atrás.

Terra lembra que, o que se vê hoje, tem muita relação com a proposta do “app” Second Life, que nasceu em 1999, mas perdeu popularidade. O fundador Philip Rosedale voltou à empresa neste mês para acelerar seu projeto de metaverso. “O Second Life foi uma primeira tentativa de metaverso, mas faltava tecnologia e maturidade dos consumidores para que evoluísse. E a pandemia também ajudou agora a explodir a discussão do ‘metacommerce’ ”, diz ele.

Por aqui, no varejo as experiências são basicamente com assistentes virtuais, como a Lu do Magazine Luiza, e o personagem Baianinho da Casas Bahia, além das ações de venda on-line ao vivo, algo bem distante do metaverso.

Maren Lau, vice-presidente de América Latina da Meta diz que “muitas das estratégias que já funcionam em 2D seguirão sendo aplicáveis em 3D”. E acredita que, num prazo de 10 a 15 anos, as marcas poderão criar experiências mesclando vida real e virtual e “abrindo possibilidades de negócios hoje desconhecidas”.

No Brasil, ela diz que a Avon patrocinou uma das provas da edição 2021 do Big Brother Brasil (BBB), com um jogo em realidade aumentada que levava a experiência do programa para o Instagram e Facebook. E a Fiat lançou o Fiat Pulse, com um filtro de realidade ampliada que permite aos clientes “visualizar” o carro em sua garagem.

Para citar outros exemplos mais avançados no mundo, o Carrefour vem promovendo a sua loja ecológica de produtos saudáveis no jogo Fortnite há cinco meses. Nela, jogadores podem se curar com vegetais e frutas, recuperando pontos e continuando na partida (não há venda de itens ainda). O Alibaba criou ações no seu site de compras chinês, o Taobao – onde consumidores testaram roupas 3D em seus avatares, em agosto passado. Havia roupas de marcas como Prada, Hugo Boss e Alexander McQueen. Em outubro, a Hyundai lançou o Hyundai Mobility Adventure, um espaço virtual no Roblox no qual os avatares podiam experimentar carros e interagir entre si.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/01/25/grandes-companhias-comecam-a-testar-o-metaverso-no-varejo-on-line.ghtml

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Habilidades do futuro são matemática, escrita, leitura

Pensamento crítico faz a diferença para profissionais, diz Salman Khan, um influente pensador da educação no mundo

Por Stela Campos — Valor 13/01/2022

“Eu acredito muito em pessoas programando e aprendendo cálculo, mas se você tiver a habilidade de ter um pensamento crítico, um pensamento em nível algébrico, puder escrever, você vai ter uma compreensão de leitura sólida e já vai estar à frente de 95% das pessoas do planeta”, disse em entrevista ao Valor Salman Khan, 45 anos, influente pensador da educação no mundo. Ele é fundador da Khan Academy, organização sem fins lucrativos que proporciona ensino on-line em várias áreas do conhecimento para mais de 102 milhões de pessoas, entre alunos e professores, em 109 países. Americano, filho de pai bengalês e mãe indiana, Khan decidiu largar o emprego no mercado financeiro para se dedicar em tempo integral ao seu projeto, de oferecer educação gratuita, de qualidade, para qualquer pessoa do mundo, em 2009.

A ideia surgiu por acaso, quando sua prima de 12 anos pediu ajuda na matemática ao jovem executivo formado em engenharia elétrica, ciência da computação e matemática, com mestrado no MIT e MBA pela Universidade Harvard. As aulas começaram pelo telefone, mas logo migraram para vídeos no YouTube, porque primos e amigos de todos os cantos dos Estados Unidos também queriam aprender com ele. Em pouco tempo, já tinha milhares de usuários.

Os filhos de Bill Gates se engajaram em suas aulas curtas e funcionais e chamaram a atenção do pai, que se tornou um dos primeiros doadores do projeto. Hoje, a Khan Academy conta com um orçamento anual em doações de US$ 60 milhões e atrai doadores ilustres como Elon Musk, mas também pessoas comuns que contribuem com US$ 10 mensais. Outro doador foi Jorge Paulo Lemann, que por meio da sua fundação trouxe a Khan Academy para o Brasil em 2013. Aqui, o número de usuários já ultrapassa 4 milhões e o conteúdo educacional é utilizado em escolas por 36 secretarias de educação.

Salman Khan é um influente pensador da educação no mundo. Sua organização oferece ensino on-line gratuito a 102 milhões de pessoas, entre alunos e professores — Foto: Divulgação

Kahn defende um novo modelo de escola, onde os alunos conversam sobre tudo em diálogos socráticos e passam mais tempo aprendendo sozinhos para depois trocarem experiências. Ele diz estar cansado do excesso de Zoom e que as competências do futuro são as tradicionais como a leitura, a escrita e a matemática. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: Como foi o começo da Khan Academy?

Salman Khan: Tudo começou comigo dando aulas particulares para meus primos e muitas das ferramentas surgiram para que eu pudesse tornar essas aulas mais produtivas. Em 2007, tivemos o primeiro professor usando a Khan Academy em um ambiente formal, em Washington. Depois, em 2010, quando nos tornamos uma organização real, começamos a trabalhar com vários distritos escolares nos EUA. Nos últimos quatro ou cinco anos, temos mais de 50 estudos sobre a eficácia dos programas e temos modelos onde sabemos o que pode funcionar para os alunos. Mas percebemos que mesmo que haja 200 ou 300 mil professores usando, ficou claro que a maneira de ter um impacto grande de verdade é trabalhando mais perto com sistemas escolares e ministérios da educação. Quando começamos, os gestores públicos nos disseram “ah isso é ótimo, mas precisamos de melhores dados, treinamento e integração”. Então temos trabalhado nos EUA e no Brasil em parcerias formais com sistemas escolares para garantir que possamos ser sistemicamente integrados ao que eles estão fazendo.

Valor: Como vocês chegaram ao Brasil?

Khan: Há cerca de 10 anos, quando recebemos a visita de Jorge Paulo Lemann e da fundação, éramos uma organização muito pequena. Hoje, Brasil e Índia são as duas regiões onde temos operações significativas fora dos EUA. Além disso, temos mais de 50 projetos em outras localizações em todo o mundo, que são mais autônomos.

Valor: Na pandemia, muitos alunos jovens desligaram as câmeras e pareciam estar entediados com as aulas on-line. Como criar uma experiência de ensino mais atraente?

Kahn: Não acho que a âncora dessa experiência [aprendizado remoto] seja apenas um estudante na frente do Zoom sete horas por dia. É bom ter um tempo síncrono para ver as pessoas, mas não pode demorar mais que uma hora, uma hora e meia por dia. O ideal é que os alunos sejam capazes de ter uma ótima conversa por dia. E quando o fizerem, que não seja uma palestra, mas uma conversa facilitada sobre um assunto interessante. Podemos discutir por que os cuidados de saúde custam tanto, se há vida alienígena, qual será a população mundial no ano 2300 ou se as empresas de mídia social devem ser responsabilizadas pela polarização. Um debate sobre tópicos interessantes é a experiência central. Para isso, talvez seja preciso uma preparação com pré-leitura de 30 a 60 minutos, que você pode fazer no seu próprio tempo. Depois, entra na Khan Academy e tem uma sequência de exercícios e vídeos para aprender em seu próprio ritmo.

Valor: Como você implementa essa experiência?

Kahn: Na escola virtual que estou ajudando a montar, a World Khan School, a ideia é que as crianças possam usar a Khan Academy para aprender o material e obter certificados e a plataforma Schoolhouse.world [organização sem fins lucrativos criada por Khan em 2014 com tutores on-line para aulas de reforço] para obter aulas particulares de graça se precisarem de ajuda extra. Pensamos também em fazer uma avaliação baseada em pares, porque é bom ter e dar feedback. Teremos uma lista de leitura, porque qualquer pessoa instruída deve ler um subconjunto desses livros. Isso é um pouco tradicional, mas acho que é a base de conhecimento. Vamos fazer uma curadoria, mas uma vez que alguém mostre que sabe fazer isso, se torna parte desse comitê para decidir o que deve estar na lista e o que não deve. Nessa escola de ensino médio virtual, em um dia de oito horas, um estudante vai passar duas ou três horas por dia trabalhando de forma independente, aprendendo em seu próprio tempo e ritmo, mas tendo momentos síncronos. E, toda semana, terá uma verificação de cada domínio com um pequeno grupo de alunos e uma reunião com um orientador. Para mim, é o ideal quando você tem interação humana e as outras coisas podem acontecer de forma assíncrona. O que acabei de descrever parece atraente também se puder fazer pessoalmente.

Valor: Como vê o ensino no futuro? Qual é o papel dos professores?

Kahn: Estamos em um mundo onde o papel do professor não deveria ser o de entregador de informações. Existem tantas fontes que os alunos podem recorrer em seu próprio tempo e ritmo. Eu vejo o professor como um facilitador, em termos de conduzir uma conversa. Sócrates não deu palestras. Sócrates dirigiu diálogos e foi um dos maiores professores de todos os tempos. Em uma escola virtual ideal, o professor terá um seminário diário, uma conversa, com um grupo de 10, 15 alunos, que vão fazer perguntas, e ele vai perguntar: “quem aqui acha que o Facebook deve ser responsabilizado pelos pobres?”. O papel do professor é o de perguntar e desdobrar os assuntos. O professor até pode puxar um, dois ou três alunos de lado, ver como eles estão indo, ter uma conversa pessoal, orientá-los. Pode ser uma pequena explicação acadêmica ou algo como “você pode fazer isso. Você apenas tem que continuar a perseverar”. É um momento de coaching. E um professor também pode ser um designer de sistemas, o que significa, em vez de ir todos os dias se apresentar para a classe, criar um sistema do qual faz parte, onde a classe quase pode ensinar sozinha. Não estou minimizando o seu papel, é exatamente o oposto. Acho que essa é uma função de ordem muito superior. Como você diz a dez crianças que ensinem umas às outras? Como você faz um workshop com elas? Como fazer um seminário socrático? Como faço isso e tenho certeza de que elas estão progredindo? É como se você fosse o regente de uma orquestra. Você é o pensador do sistema, você é um engenheiro e tem tudo a ver com a maximização da conexão entre humanos.

Valor: Quais são as competências essenciais para os profissionais no futuro?

Kahn: Eu realmente acho que são as habilidades tradicionais de leitura, escrita e matemática. Escrever é uma habilidade que as pessoas precisam ter não só para comunicar, mas porque é preciso ser um leitor muito mais criterioso, porque você não tem terceiros dizendo isso é bom e isso é ruim. Você tem que decidir, essas notícias são falsas ou não? Isso é ciência real ou é falsa? Eu também acredito muito em pessoas programando e aprendendo cálculo, mas se você tiver a habilidade de pensamento crítico, um pensamento em nível algébrico, se puder escrever, vai ter uma compreensão de leitura sólida e vai estar à frente de 95% das pessoas no planeta. É quase triste dizer isso, mas é verdade. As artes, o lado criativo, o design são cruciais hoje, mais do que nunca, dependendo de como você aborda isso.

Valor: Qual o seu conselho para as pessoas aprenderem remotamente de forma mais produtiva?

Kahn: Para aprender e trabalhar de forma mais produtiva é preciso ser introspectivo: o que está funcionando para você e o que não está? Eu não consigo ficar olhando para uma tela do Zoom oito horas por dia e passei a dizer às pessoas que iria desligar a câmera em muitos casos. Mas vejo muitas pessoas que se sentem pressionadas. “Meu chefe está fazendo isso. É melhor eu fazer isso também.” Mas converse, talvez o seu chefe também não queira usar o Zoom. Talvez ele até prefira um telefonema. Esse é o lado do aprendizado. Muitos professores se sentiram pressionados a replicar completamente o dia escolar tradicional no Zoom e ficaram exaustos. Os alunos foram derrotados fazendo isso. As pessoas podem ter uma conversa honesta sobre qual é o melhor uso produtivo do tempo, como tornar as coisas mais energizantes e envolventes, quais ferramentas e recursos podem ajudar.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/01/13/habilidades-do-futuro-sao-matematica-escrita-leitura.ghtml

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Neuralink, de Elon Musk, se prepara para implantar chips em cérebros humanos

Startup anunciou que está contratando um diretor de testes clínicos

 Por Redação Link – O Estado de S. Paulo 23/01/2022 | 19h06

A Neuralink, empresa criada em 2016 pelo bilionário Elon Musk dedicada a chips cerebrais, está se preparando para realizar os primeiros implantes em seres humanos. No ano passado, a startup revelou os primeiros resultados de pesquisas realizadas com macacos – em um vídeo, é possível ver o macaco Pager jogando Pong sem precisar de um joystick, executando os comandos apenas com o poder da mente.  

Recentemente, a empresa postou um anúncio classificado no qual busca um “diretor de testes clínicos”. Na descrição do cargo, a empresa diz que o contratado “trabalhará de perto com alguns dos médicos e engenheiros mais inovadores, além de trabalhar com os primeiros participantes de teste clínico da Neuralink”. Conhecido por exagerar em suas promessas, Musk já afirmou que espera que seus implantes possam voltar a fazer tetraplégicos voltarem a andar. 

“Temos a chance de restaurar a funcionalidade integral do corpo de alguém que teve uma lesão na coluna. A Neuralink está trabalhando bem com macacos e estamos fazendo muitos testes e confirmando de que é muito seguro e confiável. E o dispositivo da Neuralink também pode ser removido com segurança”, disse ele em evento do Wall Street Journal

A maior aposta da Neuralink é no uso médico. Segundo a empresa, a tecnologia poderia proporcionar uma “simbiose” entre máquina e mente humana, permitir armazenamento e reprodução memórias, curar paralisia, cegueira, perda de memória e outras doenças nervosas — ou fazer coisas simples, como trazer até você um Tesla por meio de telepatia ou fazer tocar uma playlist direto no seu cérebro.

Antes dos testes em macacos, a companhia havia também revelado uma demonstração que previu as ações de uma porca, chamada Gertrude, que carregava um implante no crânio. Cientistas independentes, porém, já alertaram que os sucessos em animais de laboratório podem não se traduzir em humanos e que testes em humanos seriam necessários para determinar a promessa da tecnologia.

O anúncio da Neuralink não dá datas para que os primeiros testes em humanos tenham início. Além do diretor, a empresa está contratando um coordenador de testes clínicos. Os cargos serão ocupados no laboratório da startup em Fremont, na Califórnia. 

Fundada por Musk, Neuralink está contratando diretor de testes clínicos

Fundada por Musk, Neuralink está contratando diretor de testes clínicos

Técnica diferenciada

Uma das técnicas que diferencia a Neuralink é que ela coloca linhas flexíveis de eletrodos nas proximidades dos neurônios, as minúsculas células que são os pilares básicos do cérebro.

Os fios são colocados com o uso de finas agulhas, e um sistema de visão computacional ajuda a evitar os vasos sanguíneos na superfície do cérebro. A técnica envolve a inserção de um feixe de fios, cada um com cerca de um quarto do diâmetro de um fio de cabelo humano.

Os fios flexíveis são, na verdade, sanduíches finos de um material parecido com celofane que isola fios condutores que ligam uma série de minúsculos eletrodos, ou sensores, muito semelhantes a um fio de pérolas.

Eles podem ser inseridos em diferentes locais e em diferentes profundidades, dependendo do experimento ou aplicação. Pesquisas médicas e terapia podem se concentrar em diferentes partes do cérebro, como centros de fala, visão, audição ou movimento. /COM INFORMAÇÕES DO NEW YORK TIMES 

https://link.estadao.com.br/noticias/empresas,neuralink-de-elon-musk-se-prepara-para-implantar-chips-em-cerebros-humanos,70003958922

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Em que as maiores empresas de tecnologia da América estão investindo

Seu foco está no metaverso, carros e cuidados de saúde

The Economist 22 de janeiro de 2022(Tradução Evandro Milet)

Quando os chefes corporativos querem impressionar os investidores, eles recorrem cada vez mais à i-word. As menções de “inovação” durante as chamadas de resultados das empresas s&p500 quase dobraram na última década. E nenhum outro setor fala tanto sobre isso quanto as empresas de tecnologia. Para a Hewlett-Packard, um fabricante de impressoras e computadores pessoais, a inovação às vezes se tornou o que a localização é para os corretores de imóveis e a educação para Tony Blair: tão importante que precisa ser dita três vezes em rápida sucessão.

Eles protestam muito? Ao longo daquela década, alguns críticos sustentaram que o setor de tecnologia não estava oferecendo tanta inovação quanto deveria. Quando Tim Cook, o chefe da Apple, disse que 2020 foi o “maior ano de inovação de todos os tempos” da empresa, graças ao lançamento do novo iPhone, Mac e outros dispositivos e serviços, foi possível sentir que ele poderia estar de alguma forma, construindo um caso para os críticos. As coisas que os produtos podiam fazer e a facilidade com que os faziam representavam uma conquista notável. Sim, o poder de computação continuou aumentando e o software continuou fazendo mais. Mas onde estavam os carros voadores, serviçais robóticos e fones para conectar mentes?

Em 2020, um relatório de um subcomitê antitruste no Congresso dos Estados Unidos argumentou que o domínio da grande tecnologia havia “enfraquecido materialmente a inovação”. Os gigantes, disse, acumulam grandes benefícios dos efeitos de rede que fazem com que ter mais usuários seja a melhor maneira de adicionar novos usuários; eles aumentam a proteção que esses fossos fornecem ao adquirir antecipadamente rivais em potencial. Acabar com essas “aquisições assassinas” foi um dos objetivos da ordem executiva do presidente Joe Biden para aumentar a concorrência no ano passado.

Um contra-argumento para isso é que a competição em tecnologia está longe de estar morta. É difícil encontrar uma parte da indústria onde dois ou mais dos “Big Five” – Alphabet, Amazon, Apple, Meta e Microsoft – não estejam se enfrentando. Outra é que, quando se trata de inovação tecnológica, a concorrência não é necessariamente o que mais importa.

Quando as fundações gêmeas da era do computador, o transistor e a teoria da informação de Claude Shannon, saíram da Bell Labs em meados do século 20, não foi porque o dono dos laboratórios, at&t, estava enfrentando muitos concorrentes desorganizados. Foi porque queria fazer e possuir o futuro. Rob Atkinson, chefe da Information Technology and Innovation Foundation, um think-tank, argumenta que algo semelhante é verdade hoje: os Big Five são “oligopolistas que usam seu poder de mercado para ganhar a próxima grande novidade”.

Tendo passado por um crescimento exponencial, todos eles estão bem cientes de que perder a próxima mudança transformadora pode levá-los a serem expulsos do jogo de criar futuro. Para ter uma ideia de suas estratégias, The Economist analisou uma série de dados sobre as atividades das Big Five, incluindo o foco em tecnologia das empresas que adquiriram recentemente e daquelas nas quais têm participações minoritárias, perfis de seus funcionários no LinkedIn e suas publicações e patentes. O trabalho fornece uma noção de onde esse fenomenal surto de investimento está indo.

Não há dúvida de que as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos estão gastando uma quantia realmente vasta em pesquisa e desenvolvimento. Em 2020, os gastos públicos e privados dos Estados Unidos em pesquisa e desenvolvimento somaram US$ 713 bilhões. Em 2021, as Cinco Grandes gastaram US$ 149 bilhões, o equivalente a cerca de um quarto desse total (embora parte desse dinheiro não seja gasto nos Estados Unidos). Isso é significativamente maior do que o maior orçamento de pesquisa e desenvolvimento de um único governo, o do Pentágono.

Muitos desses gastos são em desenvolvimento de produtos, e é verdade que o regime tributário incentiva que os gastos sejam deduzidos para P&D, se possível, o que pode distorcer as coisas. Mas isso dificilmente explica o aumento de 34% desde 2019: o regime tributário permaneceu inalterado ao longo desse tempo.

As despesas de capital – que vão principalmente para data centers, mas também para os centros de distribuição da Amazon – também cresceram, para US$ 131 bilhões por ano. Nos últimos 12 meses, a participação das Big Five no fluxo de caixa das operações investidas em P&D e despesas de capital foi de 53%. Isso se compara a uma mediana de 32% para todas as empresas do s&p500.

Uma razão para gastos realmente grandes são as empresas realmente grandes. As receitas das Cinco Grandes, que têm um valor de mercado combinado de mais de US$ 9 trilhões, quase triplicaram entre 2015 e 2020. Mas, embora, quando expresso em proporção do aumento das vendas, o investimento pareça mais modesto, ainda é real (veja o gráfico 1). Os gastos com pesquisa e desenvolvimento aumentaram em um terço no mesmo período, de cerca de 9% das vendas para 12%, e as despesas de capital cresceram mais de um quarto, subindo dois pontos percentuais para cerca de 9% das vendas.

Mas uma parte crucial disso é que existem metas específicas que as empresas desejam alcançar e que exigem muita pesquisa e desenvolvimento. A Apple está à procura do hardware que se tornará o novo iPhone, seja um carro ou um headset de realidade virtual (VR). 

A Amazon está tentando incansavelmente melhorar a eficiência de seus armazéns e sistema de entrega e expandir a gama de indústrias que utilizam o Amazon Web Services. Para a Meta, que viu sua principal oferta, o Facebook, ser evitada por pessoas mais jovens, uma nova grande novidade pode ser a única maneira de garantir a sobrevivência: sua recente mudança de nome será em vão sem a nova tecnologia para apoiá-la.

Pesquisadores do Big Five publicaram mais de 16.000 artigos científicos nos cinco anos até 2019, e seus tópicos fornecem algumas informações sobre o que está acontecendo. Os negócios principais estão sendo aprimorados – um artigo recente da Amazon discute maneiras de “evitar duplicatas nos resultados da pesquisa” – e algumas possibilidades esotéricas exploradas – um artigo de uma equipe com membros do Google Research fornece insights sobre uma “amostra cirúrgica humana do lobo temporal do córtex cerebral”. Mas as diferentes políticas de publicação em diferentes empresas dificultam o uso quantitativo dos dados.

A Alphabet é generosa quando se trata de publicação, buscando atrair pesquisadores que não entrariam em uma empresa que os obrigasse a esconder sua luz em um subterrâneo. Como resultado, a Alphabet fica bem em medidas baseadas em publicações: é a quarta instituição corporativa mais bem classificada na edição atual do Nature Index, que mede o impacto da pesquisa acadêmica nas ciências (Roche, empresa suíça de saúde , encabeça a lista). A Apple é muito mais rigorosa quanto à publicação. Mas isso não significa que seja menos inovadora.

Carros, o metaverso e tudo mais

Os analistas calculam que algo entre 5% e 20% dos gastos maciços em P&D dos gigantes da tecnologia vão para o que, para os propósitos deste artigo, estamos chamando de “tecnologias de fronteira”: o metaverso, veículos autônomos, saúde, espaço, robótica, fintechs, criptografia e computação quântica. (A inteligência artificial, AI, agora é tão onipresente que não a consideramos uma fronteira em si mesma.) Analisamos aquisições, investimentos e dados de emprego para ver qual das empresas parecia mais interessada em quê.

Nos últimos três anos, as Cinco Grandes adquiriram cerca de 110 empresas, de acordo com dados da PitchBook, uma empresa de pesquisa (esses dados não incluem a aquisição de US$ 69 bilhões da Activision Blizzard pela Microsoft anunciada esta semana). Há um limite para o quanto esses dados podem revelar. Na maioria dos casos, o tamanho do negócio não foi divulgado e muitas aquisições menores são tratadas como recrutamento e, portanto, não nos dados. Os que acreditam em “aquisições matadoras” podem ver alguns desses acordos como tentativas de impedir a inovação em vez de acelerá-la. Mas mesmo que seja esse o caso, eles mostram onde as empresas estão focadas.

Dos cerca de 40 negócios que vieram com números, a avaliação total foi de aproximadamente US$ 50 bilhões. Mais de um quarto das empresas adquiridas especializou-se em IA ou em processamento de grandes conjuntos de dados. Talvez um quarto deles estivesse desenvolvendo tecnologias de ponta (veja o gráfico 2 para um detalhamento).

A Microsoft é a grande investidora. Em abril, concordou em comprar a Nuance Communications, fornecedora de software e nuvem com foco em saúde, por US$ 19,7 bilhões, na maior aquisição para a qual temos dados nos últimos três anos. Também comprou startups que facilitam serviços de nuvem, como a Mover.io, que ajuda as empresas a transferir dados para a nuvem, e a CloudKnox, uma empresa de cibersegurança. O Google, que fica atrás da Microsoft e da Amazon em sua oferta de nuvem, comprou três startups baseadas em nuvem, incluindo a Actifio. Também comprou três empresas de vestíveis(wearables), incluindo a Fitbit, nas quais gastou US$ 2,1 bilhões, refletindo seu crescente interesse em assistência médica.

Em termos de obstinação, o sinal mais claro é a busca de Meta por todas as coisas do metaverso. Das 13 empresas que trabalham em realidade aumentada (RA) ou RV que foram compradas a preço divulgado, a Meta comprou oito, incluindo BigBox VR e Downpour Interactive. A Apple comprou outras quatro, incluindo Next VR e IKinema. Mas sua maior prioridade por esta medida foi IA. De suas 22 compras desde 2019, mais da metade foram startups relacionadas à IA.

Outra janela para as prioridades de quatro das cinco empresas é onde elas escolhem ter participações minoritárias. Das 101 empresas nas quais os dados do PitchBook mostram as empresas que investiram muito nos últimos três anos, mais de um terço são ativas em tecnologia de ponta. A exceção aqui é a Apple, que faz muito poucos investimentos desse tipo, nenhum dos quais nas áreas de fronteira.

Aqui, também, as escolhas são reveladoras. Veja as cinco investidas que fabricam carros. A Amazon investiu em duas, Aurora e Rivian. A última, na qual tem 20% de participação, abriu o capital em novembro e está avaliada em US$ 67 bilhões. Além disso, no ano passado a Amazon comprou a Zoox, que como a Aurora, se concentra em veículos autônomos, por US$ 1,3 bilhão.

Analistas suspeitam que o interesse imediato da Amazon no setor esteja na possibilidade de tornar seu serviço de entrega mais barato e eficiente – já encomendou 100.000 vans de entrega da Rivian. 

O investimento pode ser comparável à compra da Kiva Systems, uma empresa de robótica, em 2012. A tecnologia da Kiva agora ajuda os armazéns da Amazon a funcionar eficientemente.

O Google também investiu em duas empresas de carros autônomos: Waymo, uma empresa originalmente desmembrada da X, a unidade “moonshot” interna da gigante de tecnologia; e Nuro, uma empresa de entrega autônoma. A Apple, que em 2019 adquiriu a Drive. ai, uma startup de carros autônomos, está trabalhando principalmente em seus carros autônomos internamente. Seu Projeto Titan visa lançar um veículo em 2025. Esta semana, a Microsoft entrou na corrida, com um investimento na Wayve, uma empresa de carros autônomos com sede em Londres.

No geral, 9% dos investimentos feitos pelas grandes empresas de tecnologia são em carros e mobilidade, em comparação com apenas 2,4% para o setor de capital de risco(VC). De fato, todas as tecnologias de fronteira, exceto as criptomoedas, possuem uma parcela do investimento Big Five maior do que para VCs em geral. No geral, 37% dos grandes investimentos em tecnologia, em número, estavam nas fronteiras, em oposição a cerca de um quarto para investidores de risco em geral.

Alphabet, Amazon e Microsoft também têm subsidiárias de investimento separadas. Desde 2019, os braços de capital de risco da Alphabet (Gradient Ventures e gv) e sua unidade de private equity (CapitalG) fecharam cerca de 400 negócios. Cerca de 100 deles foram para empresas que trabalham em ciências da vida ou assistência médica – uma área que as empresas de tecnologia consideram atraente em parte devido à crescente aplicabilidade da IA ​​à biologia. Agora você pode “escrever a estrutura de RNA em um computador como se fosse um software”, diz Tom Slater, da Baillie Gifford, uma grande gestora de ativos que investe em empresas de tecnologia. Os investimentos de capital de risco do Google incluem a Editas Medicine, uma empresa de edição de genoma, e a Adagio Therapeutics, uma empresa de descoberta de medicamentos.

Outros 45 investimentos dos braços de financiamento do Google foram em empresas de tecnologia financeira como a Botkeeper, um serviço automatizado de contabilidade. Outras empresas de tecnologia estão fazendo movimentos semelhantes. A Apple adquiriu a Mobeewave, uma startup de pagamentos, em 2020 para transformar os iPhones em terminais móveis de pagamento sem contato. No ano passado, a Amazon comprou a Perpule, uma fintech indiana, e está trabalhando com a Goldman Sachs para expandir a oferta de empréstimos da empresa.

A Perpule e várias outras fintechs fazem parte de outra tendência: das 101 empresas nas quais os titãs da tecnologia têm participação desde 2019, 24 são da Índia, mais do que qualquer outro país, exceto os Estados Unidos. A Amazon construiu uma participação no BankBazaar, um mercado financeiro online baseado em Chennai. Em 2020, o Google disse que planejava investir US$ 10 bilhões em empresas de tecnologia indianas nos próximos cinco a sete anos. Em geral, as grandes empresas de tecnologia parecem muito mais dispostas a investir na Índia do que as empresas americanas de VCs.

Outra maneira de avaliar onde as empresas de tecnologia estão apostando é observar as pessoas que empregam e as que desejam empregar. The Economist examinou os perfis do LinkedIn dos funcionários das Cinco Grandes para as palavras-chave mais usadas (veja o gráfico 3). Novamente, os dados do Meta são muito metaversais. Encontramos alguma experiência de trabalho com RA ou RV em 2-4% dos perfis associados aos funcionários da Meta, mais do que em qualquer outra empresa.

Quantidade de empregos

De acordo com a Thinknum Alternative Data, uma empresa de pesquisa, os gigantes da tecnologia também estão procurando contratar nessas áreas. As menções a RA e RV nas listas de empregos das Cinco Grandes saltaram de cerca de 75 em agosto de 2020 para 567 hoje. A Meta e a Amazon estão publicando cerca de 200 desses empregos cada no momento – um fato impressionante, já que a Amazon emprega 20 vezes mais pessoas do que a Meta. Um aumento semelhante pode ser visto em listagens relacionadas a carros. Algumas contratações são de alto perfil. Em junho, a Apple contratou Ulrich Kranz, ex-executivo sênior da unidade de veículos elétricos da BMW, para reforçar o Projeto Titan. Também abocanhou dois executivos da Tesla.

Há um interesse crescente na computação quântica, mesmo que partindo de uma base baixa. Em média, cerca de 0,5% dos funcionários das grandes empresas de tecnologia se referem a computação quântica em suas páginas do LinkedIn. Amazon e Alphabet estão mencionando mais quando anunciam vagas. Em julho, o Google anunciou um grande passo na supressão de erros quânticos, vital para que a tecnologia seja comercializada. Kevin Scott, diretor de tecnologia da Microsoft, vê o investimento em computação quântica como uma necessidade para a empresa. “Se tal máquina [de computação quântica] existisse no futuro, seria importante que a Microsoft tivesse uma”, diz ele. Esses medos de perder podem impulsionar grandes projetos de pesquisa.

Outras formas de dados sustentam muito do que nossa pesquisa sugere. Tome patentes. Microsoft, Amazon e Google solicitaram recentemente patentes relacionadas à computação quântica. Mais da metade dos pedidos de patentes da Meta desde 2019 mencionam RA ou RV. Nos eventos sobre resultados financeiros, Meta, sem surpresa, bate no metaverso; Microsoft e Google são muito mais propensos a falar sobre a IA que sustentará a maioria das novas fronteiras tecnológicas.

Nada disso quer dizer que os oligopolistas estão investindo de forma a maximizar a inovação em si, muito menos os benefícios econômicos e sociais que ela pode trazer. É difícil não acreditar que o tamanho desses incumbentes constitua algum tipo de bloqueio às tentativas radicais de reinventar o mundo. Mas, embora cada empresa tenha seus interesses particulares, nossa visão de suas prioridades mostra que em muitos setores há realmente uma concorrência significativa.

E apesar de toda essa inovação ser uma palavra fácil de usar, investir enormes quantias de dinheiro e recursos nela é muito mais difícil. É muito melhor que a grande tecnologia faça esse trabalho duro do que apenas ficar de costas para maximizar seus rendimentos. ■

https://www.economist.com/briefing/2022/01/22/what-americas-largest-technology-firms-are-investing-in

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10 profissões em alta – e as cidades com mais contratação dos cargos – no Brasil, segundo o LinkedIn

Cargos com demanda crescente no país estão ligados, em sua maioria, ao trabalho com dados, cibersegurança e sistemas

Por Mariana Zonta d’Ávila Infomoney 21 jan 2022 

Com o modelo de trabalho remoto se tornando uma nova realidade para muitos desde o início da pandemia de Covid-19, a procura por profissionais ligados à área de tecnologia — que antes já era grande —, se intensificou nos últimos anos.

Ao mesmo tempo, diversos setores foram afetados pela crise e um grande número de profissionais está hoje em busca de uma oportunidade de trabalho.

Pensando nisso, o LinkedIn organizou uma lista com as carreiras mais promissoras no Brasil, que tiveram alta demanda nos últimos cinco anos.

A pesquisa foi feita na rede social com a base de dados de janeiro de 2017 a julho de 2021 e considera cargos que tiveram crescimento consistente na base de usuários, além de um aumento significativo em 2021.

O levantamento mostra ainda as competências mais comuns da função, as cidades com mais contratações para aquele profissional, tempo médio de experiência antes de a pessoa assumir a posição, entre outros.

Entre as dez mais demandadas, destaque para cargos ligados, em sua maioria, ao trabalho com dados, cibersegurança e sistemas.

Profissional diante de computador (Pixabay)

Confira, a seguir, 10 cargos com demanda crescente no país, segundo o LinkedIn:

1. Recrutador(a) especializado(a) em tecnologia

Competências mais comuns: Recrutamento de TI, Entrevistas, Triagem de currículos

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Recrutamento, Recursos Humanos

Cidades com mais contratações: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 7,3 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Analista de recursos humanos, recrutador(a), assistente administrativo

Divisão por gênero de contratados em 2021: 20,8% homens; 79,2% mulheres

2. Engenheiro(a) de confiabilidade de sites (Site Reliability Engineer – SRE)

O que faz: Avalia e otimiza a confiabilidade de sistemas com ferramentas de probabilidade e estatística. Entre suas atribuições estão o diagnóstico e o prognóstico de falhas e desenvolvimento de soluções de automação para aprimorar a usabilidade de uma plataforma.

Competências mais comuns: DevOps, Amazon Web Services, Docker

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Serviços Financeiros, Internet

Cidades com mais contratações: São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 10,5 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Consultor(a) de DevOps, Engenheiro(a) de software, Engenheiro(a) de servidor

Divisão por gênero de contratados em 2021: 95,1% homens; 4,9% mulheres

3. Engenheiro(a) de dados (Data engineer)

Competências mais comuns: Apache Spark, Hadoop, Hive

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Serviços Financeiros, Internet

Cidades com mais contratações: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 9,8 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Engenheiro(a) de software, Analista de dados, Analista de Business Intelligence

Divisão por gênero de contratados em 2021: 86% homens; 14% mulheres

4. Especialista em cibersegurança

Competências mais comuns: Cibersegurança, Segurança da informação, Segurança de rede

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Serviços Financeiros, Contabilidade

Cidades com mais contratações: São Paulo, Rio de Janeiro, Osasco

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 12,2 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Analista de cibersegurança, Analista de segurança da informação, Especialista em segurança da informação

Divisão por gênero de contratados em 2021: 83,5% homens; 16,5% mulheres

5. Representante de desenvolvimento de negócios (Business Development Representative)

Competências mais comuns: Outbound Marketing, Prospecção de vendas, Vendas internas

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Software de computadores, Serviços Financeiros

Cidades com mais contratações: São Paulo, Curitiba, Florianópolis

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 5,1 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Vendedor(a), Assistente administrativo, Especialista em vendas

Divisão por gênero de contratados em 2021: 44,9% homens; 55,1% mulheres

6. Gestor(a) de tráfego (Traffic manager)

Competências mais comuns: Gestão de tráfego, Google Ads, Marketing digital

Setores mais comuns: Marketing & Publicidade, Tecnologia da informação & Serviços, Serviços de facilities

Cidades com mais contratações: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 5,8 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Assistente administrativo, Analista de marketing, Vendedor(a)

Divisão por gênero de contratados em 2021: 79,8% homens; 20,2% mulheres

7. Engenheiro(a) de machine learning (Engenheiro de aprendizagem de máquina)

Competências mais comuns: Aprendizado de máquina, Aprendizagem profunda, Ciência de dados

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Serviços Financeiros, Software de computadores

Cidades com mais contratações: São Paulo, Porto Alegre, Brasília

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 4,8 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Engenheiro(a) de software, Cientista de dados, Engenheiro(a) de dados

Divisão por gênero de contratados em 2021: 85,9% homens; 14,1% mulheres

8. Pesquisador(a) em experiência do usuário (User Experience Researcher)

Competências mais comuns: Teste de usabilidade, Experiência do usuário (UX), Design thinking

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Serviços Financeiros, Internet

Cidades com mais contratações: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 8,5 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Designer de experiência do usuário, Consultor(a) em design de produto, Estrategista de design

Divisão por gênero de contratados em 2021: 28,6% homens; 71,4% mulheres

9. Cientista de dados (Analista de dados, Data Science Specialist)

Competências mais comuns: Ciência de dados, Aprendizado de máquina, Python

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Serviços bancários, Serviços Financeiros

Cidades com mais contratações: São Paulo, Brasília, Campinas

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 7,5 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Cientista de dados, Analista de dados, Engenheiro(a) de software

Divisão por gênero de contratados em 2021: 77,2% homens; 22,8% mulheres

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10. Analista de desenvolvimento de sistemas

Competências mais comuns: Scrum, AngularJS, Microsoft SQL Server

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Software de computadores, Serviços de utilidade pública

Cidades com mais contratações: São Paulo, Belo Horizonte, Brasília

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 7 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Analista de sistemas, Engenheiro(a) de software, Analista de desenvolvimento

Divisão por gênero de contratados em 2021: 83,7% homens; 16,3% mulheres

Metodologia do levantamento

A pesquisa “LinkedIn Economic Graph” examinou milhões de empregos iniciados por usuários do LinkedIn entre 1º de janeiro de 2017 e 31 de julho de 2021 para calcular uma taxa de crescimento para cada cargo.

Para fazer parte da lista, os cargos precisavam ter um crescimento consistente na base de usuários da rede social, além de terem registrado um aumento significativo em 2021.

Cargos idênticos com diferentes níveis de experiência foram agrupados e classificados em conjunto. Já estágios, cargos de voluntariado, funções temporárias e funções de estudantes foram excluídos. Cargos em que a contratação era dominada por algumas poucas empresas em cada país também foram excluídos, destaca o LinkedIn.

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Estas são as habilidades mais buscadas pelas multinacionais

Estudo em 16 países, com 1,1 mil gestores e executivos, indica que pandemia ressaltou a demanda por competências comportamentais

Por Barbara Bigarelli – Valor 14/01/2022 

Liderança e comunicação são as habilidades consideradas fundamentais para as empresas terem sucesso nos negócios e enfrentarem a guerra global por talentos após o impacto da pandemia. A conclusão aparece em uma pesquisa recente, realizada com 1.188 profissionais em posição de comando em multinacionais em 16 países, incluindo o Brasil, e realizada pela agência Sapio Research para a Hult EF Corporate Education. Entre os entrevistados, 59% ocupavam cargos sêniores ou de nível executivo e 63% das organizações pesquisadas empregavam mais de 5.000 funcionários.

Segundo o estudo, se antes da pandemia as organizações já eram pressionadas com a missão de atrair e reter talentos, após o impacto da covid-19 esse desafio se acentuou. Mais de 60% dos entrevistados acreditam que é mais difícil encontrar trabalhadores com as habilidades necessárias e que é preciso mais tempo para preencher vagas agora do que há 2 anos.

Três em cada cinco empresas dizem que é difícil recrutar uma equipe sênior com as habilidades necessárias para seus cargos e 63% acreditam que se tornará mais difícil recrutar funcionários qualificados no futuro. Entre os motivos para a demanda por novas habilidades, os entrevistados apontaram a transformação digital (66%), a ascensão do trabalho remoto (65%), a liderança de equipes virtuais (60%), liderança rumo à mudança (57%), e programação e inteligência artificial (56%).

“O início da pandemia demandou funcionários que pudessem liderar, inovar e executar tarefas de forma rápida e eficaz durante uma crise. À medida que nos aproximamos de quase dois anos de pandemia, surgem outras questões que precisam ser abordadas, por exemplo, o extremo “isolamento” dos indivíduos e suas consequências; a perda de talentos promissores na chamada “grande demissão”; a erosão da cultura das empresas, entre outros”, analisa Eduardo Santos, diretor-geral da Hult EF Corporate Education.

Nos últimos dois anos, as habilidades com maior probabilidade de aumento de demanda foram aquelas associadas a transição de modelos de negócios e aceleração de processos digitais, além de formas de comunicação com colegas de trabalho e clientes, aponta análise do estudo. Para os entrevistados, as habilidades prioritárias para o desenvolvimento de sua força de trabalho visando o sucesso dos negócios hoje são:

Liderança (22%)

Comunicação (20%)

Tomada de decisões estratégicas (19%)

Resolução de problemas (19%)

Habilidades técnicas (18%)

Transformação digital (18%)

Gerenciamento de projetos (15%)

Análise de dados (15%)

Planejamento de negócios (15%)

Criatividade (13%)

A liderança exigida hoje é aquela avaliada não apenas pelo que entrega ou executa no horário de trabalho, mas pelas visões, valores e pela forma como se comunica no público e no privado, diz Santos. “Estamos vendo cada vez mais líderes corporativos expostos, comunicando-se com mais frequência e também mostrando vulnerabilidade e compaixão. Isso ajuda a unir as pessoas e gera identificação dos colaboradores. O líder do futuro vai precisar desenvolver muito mais habilidades sociais (soft skills) do que habilidades técnicas”, defende.

O estudo avaliou se as empresas se veem no papel de reservar orçamento e investir na requalificação profissional. Mais de 40% dos entrevistados dizem que o desenvolvimento das habilidades sociais de seus funcionários aumentou nos últimos dois anos, e isso deve continuar, com uma maior proporção do orçamento reservado no futuro para tais habilidades em relação às habilidades técnicas.

Os principais desafios para desenvolver funcionários espalhados em diversas regiões geográficas são segundo a pesquisa: encontrar programas de aprendizagem que sejam consistentes em todos os países (42%) e programas de aprendizagem não oferecidos em vários idiomas (29%).

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/01/14/estas-sao-as-habilidades-mais-buscadas-pelas-multinacionais.ghtml

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OPINIÃO: Quem vai vencer a corrida das agtechs?

Alguém aqui imagina o produtor rural entrando em 50 apps todos os dias?

Por Octaciano Neto e Guilherme Raucci* — Valor 19/01/2022 

A agricultura digital vem avançando rapidamente nos últimos anos e milhares de agtechs foram criadas. Só no Brasil, segundo levantamento do Radar Agtech 2021, existem 1574, divididas em várias categorias: análise laboratorial, crédito, genômica, controle biológico, IoT, automação, rastreabilidade, plantio urbano, etc. Desde 2009, os aportes realizados em Agtechs foram de US$ 160 milhões, segundo o Distrito Mining Report — Agtech 2021. O mesmo relatório destaca as maiores agtechs do Brasil: Solinftec, Agrosmart, SoluBio, Xmobots e GlobalYeast.

A indústria também passou a adotar estratégias voltadas para o fornecimento de soluções aos seus clientes, seja através de soluções proprietárias, seja através de investimentos em agtechs. Se olharmos para as indústrias do agronegócio, antes e depois da porteira, iremos observar que, majoritariamente, o desenvolvimento dos produtos digitais está sendo protagonizado pela indústria de insumos, ao lado, evidentemente, das próprias agtechs. As agroindústrias, que processam os produtos agrícolas, estão um pouco mais distantes deste novo mundo.

Existem ameaças digitais que estão colocando em risco o paradigma predominante no modelo de negócio gerador das grandes corporações vencedoras até então, o qual considera que intensos investimentos em P&D, marketing, forte base financeira e robusta equipe comercial seria suficiente para manutenção na liderança do mercado. Além disso, o próprio modelo vem perdendo competitividade com as quebras de patentes, entradas de produtos genéricos, quebra de resistência das moléculas, falta de suprimentos, aumentos dos custos de produção e escassez de mão de obra.

A americana John Deere apresentou recentemente o primeiro trator totalmente autônomo — Foto: Divulgação

Na nova economia, o modelo tradicional não garante vida longa às empresas líderes. As indústrias tradicionais são pesadas, demoram a ajustar a proa. Mesmo com recursos e acesso rápido ao mercado. Estão buscando reagir.

Muitos executivos, com a melhor das intenções ou para apresentar “conexão com o novo mundo” aos acionistas e conselhos de administração, saem aportando muito dinheiro em soluções e produtos digitais. E muitos erros acontecem.

No outro lado, as agtechs têm agilidade e possuem um mindset de experimentação. No entanto, com poucos recursos apresentam dificuldade de aplicar e testar os seus produtos e serviços em casos reais, além das dificuldades em escalar a experimentação em várias empresas e/ou fazendas. Mas mesmo com tantos desafios de todos os lados, existe uma corrida do ouro, ou da agricultura autônoma e integrada.

A estrada deste mundo digital no agronegócio está só no começo. Outros setores da economia tiveram avanços mais rápidos, tais como bancos/setor financeiro e mídia. Olhando pelo copo meio cheio, é uma ótima oportunidade, pois há muita coisa para ser feita no mundo rural.

São muitas as decisões que um produtor precisa tomar ao longo do ciclo produtivo de uma determinada cultura, ao longo da sua jornada diária na fazenda. A tomada de decisões de forma empírica, com base na tradição, na experiência prática, sem considerar comprovação científica, tem seus riscos. A assertividade reduz prejuízos ao produtor. A transformação digital no campo, materializada nestas soluções e produtos digitais, traz maior assertividade. Cria uma rotina data-driven.

No entanto, mesmo que estejamos no início da estrada (agricultura autônoma), um novo desafio se apresenta: excesso de soluções e produtos digitais. Em geral, as soluções ou produtos digitais que estão no mercado buscam resolver dores pontuais da jornada do produtor rural.

Com muitas soluções no mercado, o produtor não sabe qual escolher. Um mosaico tecnológico que faz lembrar Frankenstein. As soluções não se falam e o retorno do investimento às vezes é comprometido. O interesse em vender mais se sobrepõe às dores do cliente, no caso, dos produtores rurais.

Existe solução para recomendar a melhor semente, a formulação do fertilizante, o momento certo de irrigar, que otimiza o uso dos tratores e implementos agrícolas, outras dão crédito digitalmente, assim vamos numa lista interminável. Resumindo: milhares de soluções que buscam resolver dores pontuais da jornada do produtor rural. O problema: alguém aqui imagina o produtor entrando em 50 apps todos os dias?

Vale reforçar que o produtor tem uma jornada mais ampla do que só produzir: precisa comprar insumos, tomar crédito, vender a safra, etc. Os produtores desejam uma experiência personalizada.

Nesse contexto, vemos o surgimento de um novo conceito no agronegócio — o “farming as a service” ou “agricultura como serviço”. O modelo “as a service” já faz parte de nossas vidas há algum tempo e designa um novo modelo de consumo onde o consumidor final não precisa possuir os bens para usufruir do benefício. Alguns exemplos conhecidos são os aplicativos de transporte (queremos ir do ponto A ao ponto B, não preciso comprar um carro para isso), streaming de filmes e músicas (não preciso necessariamente comprar o DVD ou o CD novo) e por aí vai.

Na agricultura, já vemos exemplos claros desse modelo com cooperativas montando unidades de agricultura digital para seus produtores (o produtor não precisa comprar o drone e saber voar, ou assinar a agtech A ou B — é a cooperativa quem presta o serviço quando necessário), nas empresas de polinização (como o “Uber das abelhas” AgroBee, que aluga colméias para serem utilizadas na época de florada) e até exemplos mais inovadores como a proposta da Bayer em cobrar pelo aumento da produtividade e não pelos insumos diretamente.

O nome do próximo jogo desta estrada da agricultura autônoma é plataforma ou construção de ecossistemas digitais no agro. Vamos olhar para outros setores da economia para refletirmos sobre o nosso agro.

Na agricultura como serviço, o produtor não precisa comprar o drone e saber voar — Foto: Pixabay

O Alibaba é um expoente quando se discute ecossistemas que deram certo. Segundo Ming Zeng, “hoje a Alibaba não é apenas uma empresa de comércio online. Ele é o conjunto de todas as funções associadas ao varejo coordenadas online em uma vasta rede orientada por dados que inclui vendedores, profissionais de marketing, prestadores de serviços, empresas de logística e fabricantes. Em outras palavras, a Alibaba faz o que a Amazon, a eBay, a PayPal, a Google, a FedEx, os atacadistas e boa parte dos fabricantes fazem nos Estados Unidos, com a saudável ajuda de serviços financeiros para guarnecer”.

Imagine a sua jornada de turista. Você precisa comprar passagem aérea num site, reservar hotel em outro, procurar e selecionar um restaurante, fazer a reserva num app. Além disso, alugar carro numa empresa diferente, contratar seguro-viagem por um corretor e ainda financiar (parcelar) a sua viagem, etc. Imagine agora uma plataforma que consiga ofertar e resolver todas as dores da jornada de um turista num ambiente integrado?

É nesta linha que veremos o ecossistema de agtechs evoluir nos próximos anos. A Mckinsey define um ecossistema como um “conjunto interconectado de serviços que permitem aos usuários atender a uma variedade de necessidades em uma experiência integrada”. Registra também: “As fronteiras da indústria estão se confundindo e as cadeias de valor estão se consolidando em ecossistemas”.

Nesse mesmo estudo, são apresentados os benefícios estratégicos da construção de ecossistema: redução de custo de aquisição do cliente, maior acesso a dados e a possibilidade de monetizá-los, melhoria do relacionamento e da retenção dos clientes e permanente avaliação que ajuda na manutenção da competitividade.

Os ecossistemas surgem porque, como resultado da digitalização, se torna possível conectar um grande conjunto de empresas para fornecer uma solução ao cliente.

Você já imaginou a integração do Cropwise (solução de monitoramento de lavoura da Syngenta Digital), com os sensores e a inteligência de irrigação da Agrosmart, tratores John Deere, os silos Kepler Weber, o Gira (plataforma de soluções financeira do Santander), as estações meteorológicas do INPE e os dados mercadológicos do CEPEA/Esalq/USP?

Muitas questões estão em aberto. Faz sentido uma empresa ser proprietária de todas as aplicações? Eu posso criar a plataforma e disponibilizar APIs para que outras empresas possam integrar seus produtos e serviços? A minha plataforma será aberta ou fechada? A minha empresa será construtora, orquestradora ou participante do ecossistema? Como monetizar os dados na plataforma? E como monetizar meus parceiros nas aplicações? Como será a reação dos meus concorrentes?

Quem olhar de forma integrada focado nas dores do produtor rural e responder de forma mais eficiente as perguntas acima, certamente sairá do outro lado como vencedor. Não será apenas um. Serão alguns vencedores. Talvez um misto de empresas da economia tradicional com agtechs que nasceram na economia digital. No entanto, haverá uma nova configuração na constelação das atuais empresas que protagonizam o fornecimento de produtos e serviços ao agronegócio brasileiro e mundial. E cada vez mais “farming as a service”.

* Octaciano Neto é head de agronegócios da EloGroup e Guilherme Raucci é professor da FGV e especialista em transformação digital na agricultura

https://pipelinevalor.globo.com/startups/noticia/opiniao-quem-vai-vencer-a-corrida-das-agtechs.ghtml

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Startups brasileiras tentam um lugar ao sol do metaverso

Após guinada do Facebook, segmento ganhou novo gás e abriu oportunidades para empresas que criam bens digitais

 Por Giovanna Wolf e Guilherme Guerra – O Estado de S. Paulo 19/01/2022

 

Desde outubro passado, quando o Facebook mudou seu nome corporativo para Meta, um dos principais assuntos do mundo da tecnologia tem sido o metaverso – segundo a Bloomberg Intelligence, o setor pode movimentar US$ 800 bilhões até 2024. Além de atrair os olhares de grandes empresas, o conceito, que planeja fazer a ponte entre mundos digitais e o mundo real por meio de realidade virtual (RV) e realidade aumentada (RA), começa a abrir um novo mercado para startups brasileiras.

Enquanto Facebook, Microsoft e outros titãs do setor pensam no uso mais amplo do conceito, como a construção de universos digitais gigantescos e hardwares de última geração, as nossas startups trabalham em desenvolvimentos mais focados. Uma delas é a paulistana MedRoom, que criou um universo digital para o ensino de Medicina. Fundada em 2016, a empresa foi comprada em novembro de 2020 pelo grupo Ânima Educação.

A startup desenvolveu um software que funciona como um laboratório de anatomia em RV, em que estudantes conseguem interagir virtualmente com partes do corpo humano em 3D – para acessar a plataforma, é preciso usar o dispositivo de realidade virtual do Facebook, chamado de Oculus Quest

“A RV é excelente para a educação. Nunca tivemos uma ferramenta que conseguisse prender tanto a atenção”, afirma Vinicius Gusmão, cofundador e presidente executivo da MedRoom, ao Estadão. “As peças de cadáveres se decompõem, o que atrapalha o aspecto visual e tátil dos órgãos. Com interações digitais, conseguimos colocar um coração batendo na frente dos estudantes, como se fosse de uma pessoa viva”. 

Gusmão, da MedRoom, aposta no poder educacional da tecnologia

Gusmão, da MedRoom, aposta no poder educacional da tecnologia

Atualmente, a MedRoom oferece o software para 40 instituições de ensino, entre elas Einstein, Estácio e Pontifícia Universidade Católica (PUC) – as escolas pagam uma assinatura anual pela plataforma e são responsáveis por comprar as estações de realidade virtual. Além da experiência com os óculos, a startup disponibiliza uma versão mais restrita do corpo humano virtual em um app e um site. 

Outro uso do metaverso é no varejo. A startup R2U, por exemplo, oferece uma ferramenta de RA que gera objetos digitais em 3D – a solução é usada principalmente na área de decoração. Com o recurso, que funciona pelo navegador do celular, o consumidor consegue simular como o produto desejado, como um sofá ou uma cadeira, ficaria no ambiente onde ele seria instalado. Sediada em São Paulo, a R2U atende hoje 38 varejistas, entre elas Leroy Merlin, Mobly e Electrolux – em novembro de 2020, a startup captou US$ 800 mil em uma rodada de investimentos liderada pela firma de venture capital Canary.

A startup também vai ajudar varejistas a criarem lojas em um universo virtual, digitalizando seus produtos. “Fazemos itens em 3D para vários sistemas há muitos anos. Temos todo o potencial para sermos os arquitetos do metaverso”, diz Caio Jahara, cofundador e presidente executivo da R2U. A empresa está desenvolvendo uma plataforma de metaverso que deve ser lançada em abril, em que consumidores poderão comprar os produtos das marcas por meio de NFTs (formato de arquivo único que dá ao seu detentor a propriedade digital sobre o item na internet). 

Jahara conta que os planos da startup foram impulsionados após a mudança de nome do Facebook. “Uma das maiores empresas do mundo falou que o metaverso é a prioridade. Depois disso, temos sentido uma demanda gigantesca dos nossos próprios clientes pelo assunto”. 

Startup R2U vai ajudar varejistas a criarem lojas em um universo virtual, digitalizando seus produtos

Startup R2U vai ajudar varejistas a criarem lojas em um universo virtual, digitalizando seus produtos

O mercado publicitário é um dos que mais demonstrou interesse pelo metaverso – o que deu um gás nas startups que atendem o setor. É o caso da Biobots, que cria avatares, como influenciadores virtuais, para marcas ou pessoas. Um dos projetos da empresa, que oficializou sua chegada ao mercado em novembro passado, é a Satiko, avatar da apresentadora Sabrina Sato

“Existem vários aplicativos para criar avatares. A Biobots, porém, faz um boneco exclusivo. Temos um trabalho quase manual de concepção como se fosse uma produção de uma animação para a Disney”, explica Ricardo Tavares, presidente executivo da Biobots, que, além do Brasil, pretende atender clientes em Miami e Portugal. A ideia é que os avatares possam ser usados em diferentes plataformas, desde redes sociais até servidores de metaverso. 

Também na área da publicidade, a carioca Vitulo, nascida em abril de 2021, usa tecnologia de realidade aumentada para trazer mais interação às marcas, como em filtros de Instagram – o recurso, mais conhecido por ter se popularizado no jogo Pokémon Go e no aplicativo Snapchat, é uma das aplicações mais comuns do metaverso, já que exige apenas o uso de um smartphone. 

A startup já visualiza novos usos para a realidade aumentada do futuro, inserida nesse ambiente digital conectado: o principal é o conceito de “moda digital”, em que o usuário possui réplicas digitais de suas roupas (para usar em games, por exemplo). Outra possibilidade é utilizar as câmeras cada vez mais potentes nos aparelhos para experimentar novas roupas, sem sair de casa, com precisão similar à de um provador de loja. 

“Será uma grande quebra de paradigma. Essa nova camada cria um novo segmento de mercado”, afirma Pedro Cormann, cofundador da Vitulo.

Modismo e oportunidades

Na visão de Alexandre Pompeu, gerente de negócios e inovação da consultoria ACE Cortex, a guinada para o metaverso é um caminho sem volta. “É um movimento que vai atingir 100% das corporações e virá em conjunto com as startups”, afirma. Para ele, da mesma forma que muitas empresas estão focadas hoje em digitalizar as operações de outras companhias – criando e otimizando sites, por exemplo –, startups ajudarão a conduzir a migração para o metaverso. 

Dentro disso, deve haver um nicho de atuação para as empresas de tecnologia iniciantes. A produção de equipamentos, como óculos de realidade virtual, talvez não engate por aqui. “Faz mais sentido para as startups deixarem o hardware nas mãos das gigantes de tecnologia e focarem em software. O Brasil não fabrica celular competitivo e mesmo assim é um país relevante que exporta diversas aplicações para o mundo”, diz Pompeu.

Mesmo no software, porém, surgirão desafios, tendo em vista a complexidade tecnológica do metaverso, afirma Felipe Matos, presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) e colunista do Estadão. “O País tem dificuldade na produção de tecnologia de ponta, como os algoritmos e plataformas de base sobre os quais o metaverso irá rodar. Talvez o potencial maior esteja na indústria criativa: o metaverso precisará de conteúdo, e nisso o País é muito bom”, diz. 

Apesar dos entraves, o metaverso já está no radar dos fundos de capital de risco brasileiros. “Ainda é muito cedo. Não sabemos se vai existir um grande metaverso ou vários metaversos. Mas sabemos que a oportunidade de ter uma economia digital, com ativos financeiros nesses universos virtuais, traz um valor”, diz Renato Valente, sócio da Iporanga Ventures.

A Terracota Ventures, firma de capital de risco focada em negócios de tecnologia para construção e mercado imobiliário, já enxerga aplicações específicas. “Será que vender um imóvel no mundo virtual é tão diferente do processo no mundo real? As startups que tiverem esse olhar talvez saiam na frente”, afirma Bruno Loreto, sócio da Terracotta Ventures.

Mas o pé ainda está no chão. “No curto prazo, há risco de ser um modismo, porque é uma onda nova que está em evidência. Com o tempo, esses negócios vão mostrar se são rentáveis ou não”, diz Loreto. 

https://link.estadao.com.br/noticias/inovacao,startups-brasileiras-tentam-um-lugar-ao-sol-do-metaverso,70003954279

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