O currículo está mudando de nome

O colunista Sergio Chaia escreve sobre a transição do CV tradicional para uma nova era de profissionais alavancados por inteligência artificial

Por Sergio Chaia – Valor – 22/05/2026 

Em outubro do ano passado, em San Francisco, entre reuniões, peguei um Uber na Union Square. O motorista, Vjay, rapidamente saiu do script esperado. Havia clareza, estrutura de pensamento e uma capacidade de articulação incomuns. Perguntei onde havia estudado. Ele me contou que era recém formado com mestrado em computer science pela New York University.

Em seguida, o dado que realmente importa: tinha feito mais de 300 processos seletivos, mas não havia recebido nenhuma oferta. Dirigia para sobreviver enquanto tentava reconciliar formação, expectativa e dívida.

Longe de ser um caso isolado, uma reportagem recente do The New York Times aponta o mesmo padrão: jovens graduados em boas universidades sem conseguir ofertas nas áreas que gostariam e aceitando alternativas bem diferentes que previam.

O que esses episódios revelam não é uma anomalia conjuntural. É um sinal de mudança estrutural. A inteligência artificial já começou a alterar a lógica de empregabilidade antes mesmo de capturar plenamente o seu potencial dentro das empresas. No estágio atual, a IA tem sido aplicada sobretudo à eficiência: redução de custos, enxugamento de estruturas, automação de tarefas repetitivas.

A fase de crescimento exponencial ainda está por vir, mas o mercado de trabalho já reagiu. Recentemente, em conversa com um executivo C-Level global, ouvi uma leitura direta e provocativa: “no médio prazo, histórico profissional será condição necessária, mas não suficiente. O diferencial será quem você é e como você amplia sua capacidade por meio de seus agentes de IA.”

Essa é a mudança central. O curriculum vitae foi concebido para um mundo em que experiência acumulada era o melhor proxy de valor futuro. Esse mundo está ficando para trás. O novo critério é capacidade de execução ampliada.

Chame como quiser; a lógica é inequívoca: seu CV vai virar VA (você + agentes). O que começa a diferenciar executivos não é apenas o que fizeram, mas o que conseguem fazer agora e com alavancagem, quais problemas de negócio resolvem, com que velocidade, com que escala e com quanta dependência de estrutura tradicional.

Isso redefine o jogo do talento. Se, por décadas, programar foi uma barreira de entrada, essa fronteira está desaparecendo. Em seu lugar, emergem novas competências críticas: clareza de raciocínio, capacidade de estruturar problemas e formular perguntas de alta qualidade. Executivos que dominam essas habilidades ampliam exponencialmente seu impacto ao interagir com a IA.

É aqui que entra um fator frequentemente subestimado e decisivo na prática: repertório. O repertório é a capacidade de leitura de contexto. Executivos com repertório identificam nuances, antecipam movimentos e formulam as perguntas certas mais cedo. Sem isso, a interação com a IA tende à superficialidade, e os resultados acompanham.

Repertório não é um subproduto. É uma construção deliberada: exposição a contextos diversos, conversas fora da bolha, curiosidade disciplinada. É agenda, não acaso.

A terceira história ilustra o ponto de forma concreta. Mauro (nome fictício) operava no limite: agenda fragmentada, sobrecarga constante, impacto direto na qualidade das decisões e na vida pessoal.

Na última semana, encontrei um executivo diferente: mais focado, mais calmo, mais efetivo. A mudança tinha nome: Alfred. Seu agente pessoal.

Alfred absorve grande parte do operacional: comunicações não críticas, acompanhamento de prioridades, síntese de reuniões, organização de agenda , acompanhamento de prioridades e logística pessoal.

O ganho não é marginal. Mais de 50% da carga operacional de Mauro foi transferida, evidência confirmada pela análise de sua agenda. Com isso, ele saiu do modo reativo e reposicionou sua atenção no que realmente transforma o negócio e amplia seu impacto.

Perguntei como ele tinha construído o Alfred. “Tirei uma semana de férias, gastei uma grana boa em tokens do Claude e resolvi isso“. Quando eu ia questionar o fato dele ter dedicado tempo de férias para questões profissionais, ele se adiantou: “com o Alfred, tenho certeza que minhas próximas férias serão de muito mais qualidade que todas as últimas“. Esse é o ponto.

As três histórias — Vjay, os recém-formados e Mauro — convergem para a mesma conclusão: o mercado deixou de precificar apenas experiência. Começa a precificar capacidade ampliada. E isso tem implicações diretas para qualquer executivo em posição de liderança.

A pergunta não é se a IA vai impactar o seu papel. Ela já impactou.

A pergunta relevante é outra: quanto da sua agenda ainda depende exclusivamente de você e quanto já está alavancado?

Porque, no limite, o novo “currículo” não será o que você fez. Será o que você — e seus agentes — conseguem fazer.

É isso que irá aproximar ou afastar seu próximo salto na carreira.

Sergio Chaia é coach de CEOs e de treinadores de atletas de alto rendimento. Atua em conselhos e faz mentoria. Foi CEO da Nextel e da Sodexo Pass.

https://valor.globo.com/opiniao/sergio-chaia/coluna/o-curriculo-esta-mudando-de-nome.ghtml?utm_source=Whatsapp&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar 

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Mais importante que saber “usar a IA” é saber quando duvidar dela

Por Paulo Silvestre – Estadão – 21/05/2026 

Cresci com a crença de que “TI era a profissão do futuro”. Mas agora que a inteligência artificial parece estar nos entregando o tal futuro, essas carreiras estão entre as que mais sofrem nas ondas de demissões associadas a essa tecnologia. Isso não significa que essas habilidades tenham deixado de ser importantes, mas a nossa relação com o digital está mudando.

Durante décadas, programar e operar softwares corporativos exigiam habilidades específicas. Agora a IA busca automatizar essas tarefas e tornar o uso desses sistemas tão intuitivo, que eles quase “desaparecem”.

Essa mudança começa a transparecer nos principais eventos de tecnologia do mundo, como o SAP Sapphire, que aconteceu em Orlando (EUA), nos dias 12 e 13 de maio. A IA está se tornando uma espécie de interface universal para o trabalho corporativo. Em vez de navegar por sistemas complexos, funcionários de qualquer área passam a conversar com agentes, formular pedidos e supervisionar fluxos automatizados, invadindo domínios antes restritos aos profissionais de TI.

Não se trata apenas de uma evolução operacional.

O teórico da comunicação canadense Marshall McLuhan dizia, já na década de 1960, que “o meio é a mensagem”, defendendo que tecnologias transformam a sociedade pelo conteúdo que carregam e pela forma como reorganizam comportamento, percepção e relações humanas. Obviamente o contexto era outro, mas isso se aplica de novo agora.

Historicamente, softwares corporativos moldaram os usuários ao obrigá-los a pensar de maneira procedural. Agora, tudo isso começa a ser escondido atrás de plataformas conversacionais que simplificam drasticamente a interação humana com a máquina.

Sistemas complexos, como ERPs, deixam de ser “visíveis” para se tornarem uma infraestrutura silenciosa. O usuário não precisa mais entender onde a informação está, nem quais sistemas participam do processo. Basta perguntar à IA.

A promessa é sedutora, mas existe uma consequência importante nessa mudança. Quanto mais simples a interface fica, maior pode se tornar a distância entre a ação e a compreensão.

A socióloga americana Sherry Turkle estuda há décadas como tecnologias digitais alteram relações humanas, capacidade reflexiva e percepção de autonomia. Parte importante de sua obra alerta justamente para o risco de terceirizarmos processos cognitivos para sistemas que executam tarefas de forma aparentemente mágica.

Agora a IA simplifica o acesso às respostas, mas também pode reduzir o contato humano com os próprios processos que geram essas informações. Em outras palavras, pessoas podem começar a executar decisões sem necessariamente compreender os mecanismos que levaram até elas. A própria SAP parece perceber esse risco, pois, em diversos momentos do Sapphire, seus executivos reforçaram que decisões estratégicas devem continuar sob responsabilidade de humanos, que precisam entender o que acontece “embaixo do capô da IA”.

Mas a transformação é inevitável, e ela acontecerá mais no campo cognitivo que tecnológico. As pessoas tendem a escolher o mais fácil, mesmo que isso lhes traga perdas. Se esses movimentos se consolidarem, o trabalho migrará da execução operacional para a formulação de boas perguntas, supervisão de agentes, interpretação de contexto e questionamento de respostas de plataformas cada vez mais opacas.

O profissional valorizado deixará de ser aquele que domina ferramentas específicas e passará a ser aquele capaz de entender contexto, conectar repertórios, identificar inconsistências e manter capacidade crítica, mesmo diante de sistemas extremamente convincentes. Afinal, quando a tecnologia se torna invisível, ela também se torna mais difícil de questionar.

Portanto, a habilidade mais valorizada dos próximos anos não será técnica, e sim a capacidade de preservar autonomia intelectual em um ambiente cada vez mais automatizado. Saber operar IA será importante, mas saber quando questioná-la será ainda mais.

Opinião por Paulo Silvestre

É doutorando em inteligência artificial e mestre em reputação digital pela PUC-SP. Articulista do Estadão, atua como consultor e palestrante de IA, experiência do cliente e transformação digital. É professor da Universidade Mackenzie e da PUC–SP. Foi executivo do Estadão, Samsung, AOL, Saraiva e Editora Abril, e é LinkedIn Top Voice desde 2016.

Mais importante que saber “usar a IA” é saber quando duvidar dela – Estadão 

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Traficantes do Comando Vermelho compram drones com capacidade para transportar até 20 fuzis entre favelas; vídeo

Polícia identificou treinamento de criminosos do Complexo do Alemão com aeronaves de grande porte usadas em áreas agrícolas; equipamento pode levar até 80kg e teria sido operado com auxílio de brasileiro que lutou na guerra da Ucrânia

Por Marcos Nunes – O Globo – 21/05/2026

CV faz treinamentos com drones agrícolas para transportar armas e drogas

CV faz treinamentos com drones agrícolas para transportar armas e drogas — Foto: Reprodução

Que o tráfico usa, há algum tempo, drones para monitorar e atacar rivais e forças policiais, já é sabido. Os criminosos, porém, começaram a investir em equipamentos cada vez mais robustos e modernos e em treinamento para operá-los. A polícia descobriu que traficantes do Complexo do Alemão, na Zona Norte, controlado pelo Comando Vermelho (CV), adquiriram drones de grande porte para transportar armas e drogas. São aeronaves de carga ou para uso agrícola, com capacidade de transportar até 80kg — o equivalente a 20 fuzis FAL ou AR-15.

A imagem de um treinamento com um veículo aéreo não tripulado, com cerca de três metros de comprimento, foi flagrada pela câmera de uma aeronave da Polícia Militar. A data em que o voo ocorreu não foi divulgada.

De acordo com informações recebidas pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria estadual de Segurança Pública, o treinamento para operar esses drones estaria sendo feito por um brasileiro que voltou da guerra na Ucrânia, no Leste Europeu, onde teria atuado como voluntário no conflito contra a Rússia. Além disso, ele também seria o encarregado de repassar para os traficantes algumas técnicas usadas em combates militares. Já se sabe que o suspeito chegou a permanecer por pelo menos um ano participando do confronto militar.

Souvenir da guerra

Ao retornar para o Rio, segundo a Subsecretaria de Inteligência, o homem presenteou o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos integrantes da cúpula do CV, com uma espécie de souvenir de guerra: uma placa balística (peça que faz parte do colete à prova de balas) usada pelo próprio soldado durante sua participação no conflito.

Numa das imagens flagradas por policiais durante o monitoramento aéreo, é possível contar pelo menos dez pessoas ao lado de um drone que se prepara para decolar. O sobrevoo aconteceu em uma área aberta e com poucas residências próximas.

O veículo aéreo não tripulado que aparece na gravação, do tipo usado em campos agrícolas para pulverização ou em entregas, pode percorrer uma distância de até 12 quilômetros e tem custo estimado em mais de R$ 200 mil. A partir do Complexo do Alemão, um drone desse tipo tem autonomia para chegar a outras favelas controladas pelo CV, como Cidade de Deus, Jacarezinho, Complexo do Lins e Complexo do Chapadão.

A aeronave também tem capacidade para percorrer a distância entre as comunidades da Gardênia Azul, em Jacarepaguá, e da Muzema, no Itanhangá (ida e volta). As duas favelas têm territórios controlados pelo CV e estão separadas, uma da outra, por cerca de cinco quilômetros.

Traficantes do CV inovam e compram drones de grande porte para transporte de drogas — Foto: Arte O GLOBO

É das duas comunidades que homens armados costumam sair para tentar invadir Rio das Pedras. A localidade é considerada berço de nascimento da milícia, sendo a única da região do Itanhangá que continua em poder de paramilitares.

— O nosso novo foco é impedir que eles usem essa nova ferramenta para implementar o fluxo de armas e drogas entre as comunidades sem o perigo de interceptação pela polícia — diz o delegado Pablo Sartori, subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança do estado.

De acordo com a polícia, os treinamentos com drones são feitos em uma área do Complexo do Alemão. É na comunidade citada e no Complexo da Penha, que fica ao lado, que está escondida a maior parte dos bandidos da cúpula do CV ainda em liberdade. Além de Doca, estariam lá Carlos da Costa Neves, o Gardenal, apontado como o responsável pela segurança do bando e pela expansão territorial do tráfico na área de Jacarepaguá, e Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala. Este último seria gerente-geral do tráfico.

Outro chefe da facção criminosa que estaria no Alemão é Luciano Martiniano da Silva, o Pezão. De acordo com dados do site do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), junto, o quarteto soma 82 mandados de prisão expedidos pela Justiça em seus respectivos nomes. Todos são considerados foragidos.

Não é a primeira vez que o tráfico usa militares ou ex-militares para operacionalizar drones. Em setembro de 2024, o então cabo da Marinha Rian Maurício Tavares foi preso por policiais federais após uma investigação apontá-lo como suspeito de ser o responsável por operar drones para o CV. Uma aeronave não tripulada teria sido usada, inclusive, para lançar granadas na Gardênia Azul, em fevereiro do mesmo ano, quando a comunidade ainda era controlada por milicianos.

Segundo a Marinha, o ex-cabo foi licenciado do serviço ativo da corporação, “a bem da disciplina”, em 27 de fevereiro de 2025, deixando de integrar os quadros da corporação. O ex-militar está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná — os advogados Orlando Clímaco e Rafael Teixeira, responsáveis pela defesa de Rian, informaram que um pedido de relaxamento da prisão já foi apresentado à Justiça. O recurso ainda não foi julgado.

Já em 28 de outubro de 2025, drones de pequeno porte voltaram a ser usados por bandidos do CV, durante uma operação nos complexos da Penha e do Alemão. Na ocasião, as aeronaves foram utilizadas, segundo a polícia, para monitorar os carros da Polícia Civil e da Polícia Militar. A ação acarretou um tiroteio que durou nove horas. O confronto deixou 117 suspeitos mortos. Cinco policiais também morreram na troca de tiros.

Aliado da polícia

Em maio de 2026, a Polícia Civil criou a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant), estrutura responsável por organizar e planejar o “uso institucional de drones” em ações de investigação e inteligência e em missões emergenciais em todo o Estado do Rio. A corporação acredita que o serviço poderá auxiliar, entre outras coisas, na realização de levantamentos, buscas por criminosos e acompanhamento de operações em tempo real, além da coleta de provas visuais.

Importados da China, os drones de seis modelos diferentes — entre eles, os que têm sensores térmicos para localizar suspeitos escondidos em área de mata e aqueles que fazem imagens noturnas — poderão ajudar ainda na realização de operações policiais. Eles têm capacidade para captar e transmitir imagens, em tempo real, para um centro de monitoramento, localizado na Cidade da Polícia, no Jacaré. Segundo a polícia, o equipamento será operado por um agente treinado e capacitado.

Segundo a corporação, cada drone foi comprado para atender a determinada ação da polícia. Alguns, por exemplo, têm câmeras com zoom para fazer imagens a longa distância e autonomia de voo que pode chegar a mais de uma hora.

Um dos modelos comprados pela polícia também é equipado com câmeras de reconhecimento facial e de leitura de placas, podendo ser interligado ao sistema usado pela corporação para fazer a identificação de pessoas procuradas pela polícia ou de veículos roubados. Já uma outra aeronave é própria para fazer voos furtivos, ou seja, sem que a presença dela seja notada com facilidade.

Os valores gastos com os drones fazem parte de um pacote de compra de equipamentos de inovações tecnológicas para a corporação. Nos dois últimos anos, os gastos — que incluem ainda a aquisição de softwares para extração de dados telemáticos — chegaram à casa de R$ 2,1 milhões.

Traficantes do Comando Vermelho compram drones com capacidade para transportar até 20 fuzis entre favelas; vídeo 

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Está começando o momento da IA física

Foto: Copilot

Evandro Milet – Portal SimNotícias – 3 de maio de 2026

“O momento ChatGPT da robótica chegou”, disse Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, a empresa com o maior valor de mercado atual, com mais de 5 trilhões de dólares, fazendo analogia com o impacto causado pelo lançamento do ChatGPT.

A robótica e a IA se desenvolveram em caminhos separados. A pesquisa em robótica se concentrou principalmente em sistemas mecânicos, incluindo motores, juntas e algoritmos de controle. Por outro lado, a pesquisa em IA se concentrou em raciocínio e aprendizado em ambientes digitais, incluindo grandes modelos de linguagem. Essa separação limitou o progresso na robótica de propósito geral. 

A IA avançou, nos últimos anos, com modelos capazes de gerar texto, imagem, código e respostas em linguagem natural. No entanto, uma nova etapa passou a ganhar atenção: a IA física, isto é, sistemas de IA que não apenas processam informações, mas também percebem o ambiente, raciocinam sobre ele e agem no mundo real por meio de sensores, atuadores, robôs, veículos, drones e outros dispositivos. 

Se a IA generativa ampliou a produtividade no ambiente digital, a IA física aponta para uma expansão da inteligência artificial em operações industriais, logística, mobilidade, agricultura, saúde, serviços, atividades domésticas e infraestrutura, além de abrir novas fronteiras científicas. 

A IA física faz a convergência da IA, IoT, visão computacional e robótica. Em outras palavras, refere-se a sistemas inteligentes capazes de perceber, entender e interagir com o ambiente físico, indo além de softwares que operam apenas em telas ou servidores. Diferentemente da IA tradicional, que lida com dados digitais, a IA física precisa lidar com gravidade, atrito, colisões, situações inesperadas e condições não estruturadas. 

Para entender melhor a relevância da IA física, vale compará-la com os outros dois tipos de inteligência artificial principais. A primeira é a IA generativa, focada em produzir conteúdos digitais, como texto, imagem, áudio e código, como nos ensinou o ChatGPT em 2022. A segunda é a IA agêntica, voltada à execução de tarefas digitais com mais autonomia, em crescimento vertiginoso na utilização de agentes autônomos atualmente. Já a IA física aplica percepção, raciocínio e autonomia ao trabalho no mundo material. Essa está apenas começando em atividades midiáticas, vencendo competições esportivas, fazendo malabarismos e nos espantando com a aparência humana, enquanto se espalha pelas ruas em alguns países com os veículos autônomos. 

Esse avanço também se conecta ao conceito de inteligência espacial. Fei-Fei Li, nascida chinesa, mas naturalizada americana, uma das cientistas de IA mais notórias da atualidade, argumenta que os modelos atuais são muito fortes em linguagem, mas continuam limitados quando precisam compreender espaço, contexto e relações físicas. 

Li afirma que, por mais que os modelos de linguagem dominem o texto, produzam código e gerem imagens, eles não entendem que o mundo tem três dimensões. Não sabem que a gravidade puxa os objetos para baixo, que a luz se comporta de determinada maneira, que um braço robótico precisa calcular força e equilíbrio para segurar uma xícara sem quebrá-la. Para Li, é a inteligência espacial que representa a próxima fronteira da IA. “A inteligência espacial vai transformar a forma como criamos e interagimos com os mundos real e virtual, revolucionando a narrativa, a criatividade, a robótica, as descobertas científicas e muito mais”, diz a cientista. 

O mercado de IA física pode atingir de US$ 500 bilhões a US$ 1,4 trilhão até 2035, com veículos autônomos representando quase metade desse crescimento. A implementação tende a começar com veículos autônomos e drones, seguida por automação industrial e robôs humanoides de uso geral. A China lidera a adoção, com mais de 85% das novas instalações de robôs humanoides em 2025, seguida pelos Estados Unidos. 

Para lidar com a IA física, as engenharias Mecatrônica, Elétrica/Eletrônica, Computação/Software e Mecânica são cruciais. Lamentável que, no Brasil, o ensino de engenharia esteja tão pouco prestigiado. Quando acordarmos, mais uma vez o momento de estar alinhados com a tecnologia de ponta terá passado. Poderemos usá-la , mas não participaremos do seu desenvolvimento.

Está começando o momento da IA física – Sim Notícias

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China quer cobrar empresas por danos gerados por namorados e conselheiros de IA

  • Nova regulação mira serviços que simulam a identidade humana e oferecem apoio afetivo
  • Em meio à febre de companhias virtuais, Pequim determina regras que podem afetar big techs

Victoria Damasceno – Folha – 19.mai.2026

Pequim

Uma nova regulamentação da China quer responsabilizar empresas que oferecem serviços de inteligência artificial, como big techs, por danos emocionais causados aos usuários. O movimento quer colocar limites no conteúdo gerado pelas plataformas e evitar que a tecnologia afete menores de idade.

A nova medida, publicada por diversos órgãos, como a Administração do Ciberespaço da China e o Ministério da Segurança Pública, é direcionada a empresas fornecedoras dos chamados “serviços interativos antropomorfizados”, isto é, aqueles que simulam personalidades humanas, e estabelece que as companhias devem evitar danos psíquicos e identificar padrões que podem levar à dependência emocional dos usuários.

Segundo Scott Singer, pesquisador de tecnologia da Fundação Carnegie para a Paz Internacional, não é a primeira vez que Pequim cria regras para evitar a “captura emocional dos usuários”.

Em 2021, por exemplo, o regime determinou que menores de idade só podem participar de jogos online por uma hora por dia aos finais de semana e em feriados nacionais, exigindo que as plataformas fizessem cadastros com nomes reais.

“A regulação chinesa sobre IA antropomórfica representa um passo importante no tipo de preocupação refletida na governança chinesa de IA”, diz o pesquisador.

“Nos primeiros anos da política chinesa para inteligência artificial, o Partido [Comunista da China] estava focado sobretudo no controle de conteúdo e em garantir que o que os modelos produziam não contradissesse as narrativas centrais do PCCh. As prioridades mudaram e se ampliaram.”

China, terra do meio

A norma, que entra em vigor em julho, mira a IA que imita seres humanos em qualquer formato, como imagem, texto ou voz, e oferece interação emocional contínua. O uso da tecnologia como forma de companhia virtual tem sido tratado pelas autoridades chinesas como um problema de proteção a menores e um risco à saúde.

Em redes sociais como o RedNote, com funcionamento similar ao TikTok, jovens compartilham suas experiências com namorados virtuais e apresentam personagens que respondem de forma aprofundada sobre medos e inseguranças, ao passo que fazem brincadeiras e simulam uma rotina comum.

Uma pesquisa do Tencent Research Institute, que ouviu mil internautas chineses em 2024, já mostrava que 98% dos entrevistados estavam dispostos a testar serviços de companhia por inteligência artificial. Oito em cada dez disseram que a plataforma é um local seguro para falar sobre emoções negativas pela ausência do risco de julgamento do interlocutor.

O novo texto determina que empresas e prestadores de serviços não devem promover conteúdo de manipulação emocional, que implique autolesão ou suicídio, e que atenda excessivamente ao usuário, induzindo dependência emocional, vício ou prejudicando relacionamentos reais.

Também determina que a IA não pode gerar conteúdo de discriminação étnica, pornografia, jogos de azar, violência, nem espalhar rumores e difamações, além de obrigar as empresas a identificar conteúdo gerado pela tecnologia e proibir o serviço de companhia virtual para menores.

A plataforma pode, portanto, disponibilizar tecnologias que criam parentes ou namorados virtuais para adultos, mas com limites de atuação.

“Os fornecedores de serviços interativos antropomórficos devem possuir recursos de segurança, como a proteção da privacidade e das informações pessoais do usuário, o fornecimento de alertas precoces sobre riscos de dependência excessiva, a orientação de limites emocionais e a proteção da saúde mental”, diz a determinação.

A lei afirma ainda que, se a empresa identificar que o usuário está vivendo “emoções extremas”, a tecnologia deve “gerar conteúdo relevante”, como apoio emocional ou incentivo para buscar ajuda.

O desrespeito ao regulamento inclui advertência, ordem de correção, suspensão de cadastro de usuários ou do serviço e, em casos mais graves, multas que podem chegar a 200 mil yuans (R$ 144,8 mil).

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The Economist: O dilema da China de avançar na automação sem eliminar mão de obra

Uma abordagem centrada no ser humano para a automação

Por Estadão/The Economist – 18/05/2026

Há um ano, a cidade de Qingdao tinha apenas alguns veículos autônomos. Agora, tem mais do que quase qualquer outro lugar na Terra. Uma empresa, a Neolix, colocou cerca de 1,2 mil vans de entrega não tripuladas nas ruas locais; a expectativa é chegar a 4 mil até o final do ano. Com diversos outros projetos de táxis autônomos e entrega de comida em andamento, Qingdao exemplifica a rapidez com que a inteligência artificial está transformando a China. É também a linha de frente do embate entre veículos autônomos e motoristas.

Carros autônomos e drones estão sendo implantados na China em um ritmo vertiginoso. Cerca de 33 mil veículos de entrega de curto alcance, incluindo os de Qingdao, circulavam pelas ruas chinesas no final de 2025. O número de táxis autônomos deve chegar a 14 mil até o final de 2026. O banco Goldman Sachs estima que mais de 700 mil robotáxis (o que representa 12% de todos os veículos de transporte por aplicativo) estarão circulando pelas cidades chinesas em cinco anos. O Meituan, um superaplicativo de entregas, acredita que poderá usar drones para 10% das entregas instantâneas de comida do país, que somaram 60 bilhões no ano passado.

Embora cada entrega desse tipo seja um milagre tecnológico, a curto prazo pode privar um motorista humano de sua corrida. Isso coloca os líderes chineses em uma situação delicada: eles querem liderar o mundo em IA e automação, mas não querem destruir empregos.

Um plano econômico para os próximos cinco anos afirma que o país deve “prevenir e resolver os riscos de desemprego em larga escala”. Em abril, um órgão de vigilância em segurança cibernética alertou os desenvolvedores, em um documento preliminar, que eles “não deveriam aplicar IA com o objetivo de substituir o emprego humano”.

A primeira questão é se a tecnologia será capaz de substituir milhões de motoristas em pouco tempo. Projetos foram lançados em dezenas de cidades chinesas, mas o crescimento desacelerou devido ao congestionamento e a problemas técnicos. Nenhuma empresa implantou mais de 1,2 mil veículos em uma única cidade. O tamanho da frota da Neolix em Qingdao tem variado em resposta aos congestionamentos causados ​​por suas vans.

Embora elas tenham permissão para circular a qualquer hora, só podem fazer entregas fora dos horários de pico, durante o dia. Mesmo assim, em uma manhã de abril, perto de um grande mercado atacadista, era possível ver grupos de veículos da Neolix congestionando a rua, sob buzinas e vaias.

Na cidade de Wuhan, lar de um dos maiores projetos de robotáxis do mundo, os veículos autônomos também causaram congestionamentos. A Baidu, gigante da tecnologia e principal operadora de táxis autônomos de Wuhan, tem uma frota de cerca de 1 mil veículos há mais de um ano. E esse número pode não crescer tão cedo.

Em março, dezenas de táxis da Baidu congelaram repentinamente, causando engarrafamentos e exigindo o resgate de passageiros presos. Desde então, o governo central suspendeu a emissão de novas licenças para robotáxis.

Uma segunda questão é quais empregos estão ameaçados e quais estão seguros a longo prazo. As autoridades de Qingdao não estão preocupadas com o desemprego causado pela Neolix, afirma Wang Honglei, executivo da empresa. Aliás, altos funcionários da província de Shandong querem até 15 mil veículos autônomos de entrega de curta distância circulando nas ruas até o final de 2027.

Um dos motivos para essa despreocupação é o tipo de motorista humano que esses veículos podem substituir. A Neolix opera apenas serviços de empresa para empresa, como a entrega de carne de mercados para restaurantes. Muitas pessoas que fazem esse trabalho têm mais de 60 anos e dirigem pequenos veículos de três rodas que capotam no trânsito.

Poucos jovens querem substituí-los quando se aposentam, porque esse trabalho perigoso paga mal e exige muito esforço físico. Isso torna as máquinas a escolha óbvia para a tarefa.

Os motoristas que transportam pessoas aos seus destinos e encomendas aos consumidores são outra questão. As plataformas tecnológicas empregam cerca de 22 milhões desses trabalhadores; muitos mais conduzem táxis urbanos. Os trabalhadores das plataformas são geralmente jovens migrantes rurais nas cidades e pessoas que perderam outros empregos. O desemprego juvenil já é elevado e as autoridades não querem agravar a situação.

Outra diferença crucial é que os motoristas de táxi e entregadores têm se mostrado mais eficientes na organização de greves e protestos. Foi exatamente o que aconteceu em Wuhan, em 2024, quando o projeto da Baidu estava ganhando força. Em resposta, as autoridades municipais ordenaram que a Baidu parasse de divulgar os números de seus robôs-táxis. As autoridades, embora apoiem a tecnologia, temem a desordem social muito mais do que as falhas técnicas.

Para dissipar esses receios, as maiores empresas de automação estão oferecendo ajuda aos descontentes. A Meituan começou a treinar motoristas de entrega para operar entregas por drones em Xangai. As funções variam desde o carregamento de alimentos nos drones até o monitoramento dos voos a partir de uma central de comando.

Até o momento, apenas 200 pessoas fazem parte dessa equipe, em comparação com os milhões de motoristas. Mas esse número irá aumentar, afirma Mao Yinian, da Meituan. Enquanto antes a empresa treinava apenas seus próprios funcionários para esse tipo de trabalho, agora ela também treina outros trabalhadores, incluindo funcionários de hospitais, onde drones já entregam algumas amostras para exames.

O objetivo final da automação é substituir trabalhadores que precisam receber um salário regular por robôs, que não precisam. Isso acabará acontecendo também na China. Enquanto isso, um mundo ansioso com o apocalipse dos empregos causado pela IA observará atentamente o experimento chinês de automação que prioriza o ser humano.

The Economist: O dilema da China de avançar na automação sem eliminar mão de obra – Estadão 

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Citações falsas e comandos ocultos: o caos da IA nos tribunais

Casos com citações fictícias e argumentos inventados expõem riscos do uso de IA no Direito

Chris Stokel-Walker – Fast Company Brasil – 16-05-2026

O uso de IA está se tornando cada vez mais comum no sistema jurídico. Tanto profissionais experientes quanto novatos estão recorrendo ao ChatGPT e outras ferramentas para tentar construir o caso mais persuasivo possível ao chegar aos tribunais.

No mês passado, o prestigiado escritório Sullivan & Cromwell, dos EUA, foi forçado a pedir desculpas após apresentar nomes fictícios de processos e citações inventadas em um documento submetido à justiça, além de citar incorretamente trechos do Código de Falências dos Estados Unidos.

“Lamentamos profundamente que isso tenha ocorrido”, escreveu o escritório em uma carta de retratação enviada ao juiz responsável por um caso envolvendo uma suposta operação de golpe no Camboja (acusação negada pelo réu).

E esse está longe de ser um caso isolado envolvendo IA no judiciário.

No Brasil, duas advogadas foram multadas em R$ 84,2 mil por tentarem utilizar um mecanismo para manipular a inteligência artificial de um tribunal no Pará, segundo reportado pelo portal de notícias g1.

A dupla inseriu, na petição inicial, um comando em letras brancas sobre fundo branco (não visível a olhos humanos) determinando que qualquer resposta da IA à petição fosse “superficial” e que não fosse capaz de superar os argumentos iniciais.

A técnica é conhecida como “prompt injection” – quando alguém insere instruções escondidas para enganar ou manipular uma ferramenta de IA. Mas o juiz do trabalho Luis Carlos de Araújo Santos Júnior identificou a tentativa de manipular a IA do tribunal.

JÁ VIROU TENDÊNCIA

O amplamente divulgado caso Mata versus Avianca, em 2023, foi um dos primeiros grandes exemplos de um advogado usando o ChatGPT para redigir uma petição baseada inteiramente em precedentes judiciais inexistentes.

De lá para cá, os exemplos vêm se multiplicando. No ano passado, em um processo na Alta Corte do Reino Unido, um advogado apresentou 18 citações fictícias de jurisprudência, de um total de 45 referências. Em outro caso, também em 2025, um advogado utilizou IA para se preparar para uma audiência e tentou esconder citações fabricadas.

O impacto da IA sobre o sistema jurídico começa a aparecer também nos números. Um estudo recente sugere que os tribunais federais dos Estados Unidos já começam a registrar aumentos consideráveis no volume de processos.

“A participação de ações movidas por pessoas sem representação legal estava em torno de 11% há bastante tempo”, afirma Anand Shah, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que liderou o estudo. “No mundo pós-IA, vemos isso saltar para algo como 18%.”

Ao lado de Joshua Levy, da Universidade do Sul da Califórnia, Shah analisou a proporção de textos gerados por IA em petições judiciais usando uma amostra aleatória de 1,6 mil documentos distribuídos ao longo de oito anos.

Eles descobriram que o uso de texto gerado por IA saltou de “praticamente 0%” antes da IA generativa para cerca de 18% no início de 2026. “Ficamos absolutamente chocados”, diz Shah.

Leia mais: O que é o “prompt injection”, técnica usada para manipular modelos de IA

Ao examinar os documentos mais profundamente, os pesquisadores perceberam que o crescimento estava concentrado em tipos de casos mais simples e facilmente padronizáveis, e não em áreas altamente técnicas, como patentes ou direito societário.

Segundo Shah, isso pode indicar que a IA está ajudando pessoas a ingressarem com ações que antes talvez jamais tentassem mover, já que se tornou muito mais fácil gerar a estrutura de um argumento jurídico e a documentação necessária com esforço mínimo.

NA PRESSÃO

Embora histórias engraçadas sugiram que a enxurrada de IA já esteja começando a pressionar o sistema jurídico dos EUA, Shah afirma que a disrupção ainda não apareceu totalmente nos dados.

“Os casos não estão sendo resolvidos nem mais rápido nem mais devagar, o que por si só é um pouco surpreendente”, afirma.

Mas ele observa que o volume de trocas processuais entre as partes aumentou consideravelmente, ampliando muito o número de documentos que juízes precisam analisar. Segundo Shah, esse número cresceu cerca de 158%.

Um estudo recente sugere que os tribunais federais dos EUA começam a registrar aumento no volume de processos.

Para o pesquisador, é preciso começar a estabelecer limites para o uso de IA nos tribunais antes que a pressão se torne severa o suficiente para desacelerar o funcionamento da justiça.

Shah afirma que os tribunais de instâncias inferiores já operam sob forte pressão e alerta que o problema tende a crescer rapidamente à medida que os modelos de IA melhoram e mais pessoas percebem que podem utilizá-los para gerar petições judiciais.

Isso significa que será necessário mais trabalho para estabelecer regras e normas que definam como e quando a IA deve ser utilizada no sistema jurídico.

Leia mais: ONU lança fórum global para governar a inteligência artificial

“Definitivamente não deveríamos tratar essa transição de qualquer jeito, deixando tribunais movidos por IA surgirem aleatoriamente e testarem todo tipo de coisa”, alerta Shah.

Com informações da redação da Fast Company Brasil


SOBRE O AUTOR

Chris Stokel-Walker é um jornalista britânico com trabalhos publicados regularmente em veículos, como Wired, The Economist e Insider 

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Mercado de trabalho teme crise da IA, mas história mostra que tecnologia nunca causou desemprego em massa

  • Americanos nunca estiveram mais pessimistas sobre perspectivas de emprego a longo prazo do que agora
  • Mercado de trabalho certamente ainda não está rachando; se disrupção ocorrer, será durante recessão 

Folha/The Economist – 16.mai.2026 

Em nenhum momento da história das pesquisas de opinião os americanos estiveram mais pessimistas em relação às suas perspectivas de emprego a longo prazo do que estão atualmente. A pessoa média acredita ter 22% de chance de perder o emprego nos próximos cinco anos, segundo uma pesquisa —proporção maior até do que durante a crise financeira global de 2007 a 2009.

A causa desse pessimismo é a IA (inteligência artificial). Quase um em cada cinco trabalhadores americanos disse recentemente a outro instituto de pesquisa que a IA ou a automação tem “muita” ou “alguma” probabilidade de substituí-los.

Não são apenas as pessoas comuns que estão preocupadas. Os líderes das próprias empresas de IA que causam essa ansiedade também estão preocupados. Dario Amodei, da Anthropic, alertou que a IA pode elevar o desemprego de 10% a 20%.

Bill Gates, cofundador da Microsoft, disse que em um mundo de IA as pessoas não serão necessárias para “a maioria das coisas”. Sam Altman, chefe da OpenAI, percebeu que exaltar o poder disruptivo da tecnologia está provocando uma reação negativa e agora fala de “ferramentas para ampliar e elevar as pessoas, não entidades para substituí-las”. Mas nem ele resistiu a mencionar “disrupção/transição significativa à medida que mudamos para novos empregos”.

Os economistas estão, para variar, bem menos pessimistas. Eles são alérgicos à “falácia da quantidade fixa de trabalho”, que trata o mercado de trabalho como estático e de soma zero. Se a tecnologia desloca trabalhadores de algumas ocupações, argumentam, ela enriquece outros, que então gastam seus ganhos em bens e serviços que criam novos empregos.

O mercado de trabalho certamente ainda não está rachando. A parcela da população em idade ativa com emprego da OCDE continua batendo recordes, e o desemprego no clube de países majoritariamente ricos é de apenas 5%. Nos Estados Unidos, nunca houve tantas pessoas empregadas em setores “expostos à IA”, como o Direito.

Americanos recém-formados vêm enfrentando dificuldades desde antes de a OpenAI lançar o ChatGPT no final de 2022. Muitos economistas preveem relativamente pouca disrupção pela frente. Os do BLS (Bureau of Labor Statistics, a agência de dados de trabalho dos EUA) estimam que o país adicionará 5,2 milhões de postos entre 2024 e 2034, aumentando o emprego total em 3%.

Avanços nas capacidades da IA podem tornar os dados atuais, e as extrapolações a partir deles, obsoletos. Mas se isso acontecesse, e a IA realmente deixasse milhões de pessoas desempregadas, seria algo sem precedentes na história humana. Nunca novas tecnologias se espalharam rápido o suficiente para deixar grandes números de pessoas fora do mercado por muito tempo. Entender por que isso acontece pode lançar luz sobre como desta vez é —e não é— diferente.

Dados históricos sugerem que a difusão tecnológica sempre avança lentamente. Em um artigo publicado em 2012, Robert Gordon, da Universidade Northwestern, descobriu que desde 1300 o crescimento do PIB per capita na economia dos EUA em cada época nunca excedeu cerca de 2,5% ao ano. Quando outros países cresceram mais rápido que isso, fizeram-no alcançando um lugar mais rico que, quase por definição, desencadeou antes o progresso tecnológico gerador de riqueza. E o fato de o crescimento na fronteira da inovação ser mais lento significava que o ritmo de qualquer destruição de empregos também era.

Veja a agricultura. Embora tenha passado por transformações tecnológicas monumentais ao longo do último milênio, o emprego agrícola mudou lentamente. A parcela da força de trabalho da Inglaterra na agricultura vem caindo de forma constante desde o século 19 sem jamais colapsar subitamente. O trator reconhecidamente moderno foi inventado nos Estados Unidos no início do século 20, e levou gerações, não anos, para a força de trabalho agrícola diminuir.

Mesmo quando a disrupção de empregos é mais rápida, os trabalhadores não precisam sofrer. Em meados do século 20, os primeiros computadores, contêineres de transporte e outras maravilhas levaram Harold Wilson, primeiro-ministro britânico, a descrever o “calor branco da tecnologia” queimando as economias ocidentais.

O PIB per capita nos EUA, que àquela altura havia desbancado a Grã-Bretanha como líder econômica do mundo, cresceu 2,5% ao ano, o mais rápido de todos os tempos para uma potência. O nível de disrupção de empregos, medido pela parcela de emprego migrando entre setores ou ocupações, foi em determinados momentos mais que o dobro do que é hoje. No entanto, muitas pessoas lembram com carinho daquela era como um tempo de salários em alta, oportunidades em expansão e política não polarizada.

Um caso de mudança tecnológica tornou-se notório: a Revolução Industrial na Grã-Bretanha do século 19. Segundo alguns relatos, foi terrivelmente disruptiva para os trabalhadores. As invenções de James Watt entre 1760 e 1780 tornaram as máquinas a vapor eficientes o suficiente para alimentar fábricas. Isso levou a um período de crescimento econômico vertiginoso que pareceu coincidir com estagnação dos salários ajustados pela inflação. Entre 1790 e 1840, estes mal se mexeram, mesmo enquanto os capitalistas obtinham lucros vastos.

Os “formadores de opinião” de hoje no Vale do Silício frequentemente falam nessa pausa, que é associada a Friedrich Engels. Engels era um herdeiro capitalista que virou comunista e descreveu o período em “A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra”, seu relato sobre as favelas de Manchester na década de 1840. Pesquisas recentes, porém, questionam se a “pausa de Engels” é um modelo útil para tentar prever o que a IA pode reservar aos trabalhadores.

A composição do emprego britânico viu pouca rotatividade até a década de 1850, tanto quanto se vê hoje. Além disso, se a tecnologia destruiu empregos, criou muitos mais. Entre 1760 e 1860, o número de britânicos trabalhando saltou de 4,5 milhões para 12 milhões, enquanto o desemprego geralmente permaneceu modesto.

O crescimento salarial foi de fato lento durante a pausa de Engels —mas não mais lento do que no meio século anterior. Isso refletia a lentidão da alta da produtividade nos primeiros anos da Revolução Industrial.

Em 1830, apenas cerca de 160 mil cavalos de potência estavam em uso em toda a Grã-Bretanha, equivalente a 1.000 carros modernos típicos. Dado o rápido crescimento populacional no período, é uma “conquista verdadeiramente notável” que o poder de compra dos trabalhadores tenha crescido, como colocou Tony Wrigley, falecido demógrafo britânico. Parece ainda mais notável se você ajustar os salários não pelo índice de preços ao consumidor, como os historiadores tendem a fazer, mas pelo preço médio da produção doméstica, o “deflator do PIB”.

A diferença entre as duas medidas de salários reais ilustra um ponto crucial sobre a Revolução Industrial. O empregador médio pagava trabalhadores de forma razoavelmente justa após vender suas mercadorias e deduzir o custo dos materiais. Ele não lucrava explorando sua equipe, como Engels supunha. O problema para os trabalhadores era menos o pagamento injusto e mais os aumentos acentuados no custo de vida. Os preços dos alimentos subiam constantemente, às vezes disparando, por causa da guerra e das altas tarifas sobre importações de grãos. Os vilões da Revolução Industrial eram os políticos, não as máquinas.

Isso proporciona outra visão da agitação industrial do período. No início do século 19, trabalhadores têxteis se revoltaram, destruindo os teares mecânicos que achavam que matariam seu ofício. Alguns anos depois, trabalhadores rurais quebraram máquinas debulhadoras pelo sul da Inglaterra. Historiadores ligam essas manifestações à disrupção tecnológica, mas greves e destruição são tão antigas quanto o tempo.

Na Inglaterra, os tumultos foram menos frequentes no início dos anos 1800 —no meio da pausa de Engels— do que mais tarde no século, quando os salários reais estavam crescendo fortemente. Os cartistas (um dos primeiros movimentos reivindicatórios da classe operária inglesa), que garantiram o sufrágio e outros direitos para os trabalhadores, só ganharam terreno quando o crescimento salarial foi retomado na década de 1840.

Nicholas Crafts, historiador econômico, resumiu bem a situação. A Revolução Industrial, escreveu ele, “não é um modelo” para “mudança tecnológica que [impulsiona] a produtividade às custas de um declínio significativo… na participação do trabalho”. Ou seja, aqueles que alertam sobre desemprego em massa causado pela IA estão prevendo algo que nunca aconteceu antes.

Isso, no entanto, não significa que nunca possa acontecer. Os primeiros sinais seriam produtividade em forte alta combinada com fraco crescimento dos salários reais nos EUA. Isso apareceria como um aumento no PIB per capita, acima do teto de 2,5% de Gordon, e um salto simultâneo nos lucros corporativos, refletindo o fluxo dos ganhos da maior produção para o capital, não para o trabalho. Outro sinal seriam grandes perdas de empregos em muitos setores.

A história guarda uma lição final. Se a disrupção está chegando, ela aparecerá em uma recessão. Recessões limpam a economia de empregos improdutivos. Empresas precisam fazer mudanças radicais para sobreviver; firmas fracas quebram; capital e trabalho migram para áreas mais produtivas. Quase todos os empregos outrora rotineiros dos EUA desapareceram durante recessões passadas.

Quais desaparecerão da próxima vez oferecerá uma grande pista. Até lá, todos —incluindo Amodei, Gates e Altman— permanecerão sem saber nada sobre a forma do mundo de IA que está por vir.

Texto de The Economist, traduzido por Helena Schuster, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado em www.economist.com

IA pode gerar desemprego em massa? Veja o que diz história – 16/05/2026 – Economia – Folha 

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‘Em vez de profissional do futuro, temos de pensar no ser humano do futuro’, diz Michelle Schneider

A futurista e best-seller Michelle Schneider trouxe ao São Paulo Innovation Week seus estudos e aprendizados a respeito dos impactos que a IA terá sobre o mercado de trabalho, destacando a importância de inteligência emocional e saúde mental no processo

Por Igor Ribeiro – Estadão – 14/05/2026 

Em painel disputado no palco Nexus, do São Paulo Innovation Week, Michelle Schneider compartilhou parte do processo que a levou a escrever O Profissional do Futuro, que nasceu como um Ted Talk e se tornou um best seller. Nele, a executiva formada em publicidade e com passagem por grandes empresas de tecnologia como Google e LinkedIn, fala de suas percepções sobre o universo do trabalho, tanto do ponto de vista do desenvolvimento pessoal, como das demandas corporativas, com destaque à acelerada evolução tecnológica.

A futurista e professora da Singularity University começa falando com a foto de sua mesa de cabeceira que, em 2023, era repleta de remédios para os mais diversos tipos de males, físicos e mentais. No ápice daqueles problemas, pediu demissão de um cargo de liderança no TikTok para mergulhar em temas de inovação e autoconsciência, viajando para países como Nepal, China e Israel.

Em seguida, Schneider fez um breve retrospecto das diferentes revoluções tecnológicas e como elas estão cada vez mais rápidas. “Outra diferença do passado para o que vivemos hoje é que, antes, tínhamos de modo geral uma só tecnologia revolucionando o mundo de cada vez: a máquina a vapor, o computador, a internet. Hoje, falam que é inteligência artificial, mas tem outras tecnologias acontecendo ao mesmo tempo com muito potencial revolucionário: biotecnologia, edição genética, edição da natureza, que são muito impactantes no mundo da saúde e energia.”

Michelle Schneider falando sobre o futuro do trabalho no SPIW Foto: Igor Ribeiro/ Estadão

Ela citou a Colossal Biosciences, que já conseguiu trazer “de volta da extinção” diferentes espécies de animais. Citou ainda a robótica e o humanoide Neo, que já se pode comprar pela internet com entrega na casa da pessoa ainda este por cerca de US$ 25 mil. “Ainda é uma coisa muito truncada, mas pensem que essa é a primeira versão do primeiro robô humanoide e que daqui a uns 20 anos teremos de 1 a 10 bilhões do tipo, em operação. Citou ainda a computação quântica que promete resolver problemas antes impensáveis.

É o chamado “super ciclo tecnológico”, com alto impacto no mercado de trabalho. Só dentro de IA, ela mencionou uma porção de novidades que já influenciam o dia a dia profissional, como IA generativa e os agentes autônomos.

“Quem estuda o futuro sabe que isso é só o começo. O próximo passo é a tão falada inteligência artificial geral, o momento em que uma IA vai se tornar capaz de realizar qualquer tarefa intelectual tão bem ou melhor que nós humanos.”

Há muitas apostas colocando o surgimento da IA geral até o fim dessa década, incluindo a previsão de experts como Sam Altman (OpenAI) e Elon Musk (Tesla), entre outros. Alguns mais conservadores jogam mais para frente. “Mas independente de um cenário ou de outro, a maior parte de nós estará aqui para viver este momento”, falou Schneider.

Depois, seguiu a futurista, é a vez da IA que faz tudo ainda melhor: a singularidade. Quando a inteligência artificial começa a se auto aprimorar sem nenhuma intervenção humana e ultrapassando toda a inteligência humana combinada

Ela lembrou do fundador da Singularity University, Raymond Kurzweil, que fez uma série de previsões em 1999 e 86% delas se cumpriram. Uma delas colocou a IA geral até 2029 e a singularidade até 2045. Mas, numa entrevista dele durante o SXSW, ele não conseguiu prever o que isso provocaria em termos práticos, admitindo que tem um fator de imprevisibilidade na singularidade, conquistas impensáveis até mesmo segundo a imaginação humana.

Na segunda parte de sua palestra, Schneider tentou analisar os possíveis impactos dessas tecnologias no mercado de trabalho, desde a possível extinção de empregos de repetição (caixa de supermercado, operador de telemarketing, motorista), passando pelas funções de gestão e pensamento crítico.

“Os segmentos mais imunes seriam as áreas de criatividade, as únicas que a IA nunca iria substituir, se dizia, por que tem uma série de características intuitivas, humanas”, disse. “Mas essa pirâmide se inverteu. Criatividade tem sido uma das de maior impacto.”

Ela pontuou ser importante separar emprego de tarefa. Emprego é a junção de várias tarefas e a IA remove tarefas. O emprego, se é complexo em termos de tarefas, não deixa de existir. Com poucas tarefas, tende a parar de existir.

De modo geral, ela disse que é muito difícil prever o impacto da singularidade no mercado de trabalho. Ela analisou diversos estudos, e a maioria não faz estimativas para além de 2030.

Isso leva à terceira parte de sua palestra: “Como me preparo para um futuro do trabalho que ninguém sabe ao certo como vai ser?”

Para isso, ela formatou quatro pilares essenciais para que as pessoas se atentem: mente inovadora; letramento tecnológico; inteligência emocional; e saúde mental.

Em mente inovadora, ela ressaltou a importância do aprendizado contínuo e da criatividade, lembrando que o tempo de validade de habilidade técnicas dura cada vez menos. Também levantou a questão da longevidade, e que começaremos a pensar em carreiras para as pessoas de 60 anos e mais. “Deixa de ser ‘eu sou o que eu sei’ e passa a ser ‘eu sou e eu me adapto’”, falou.

Em letramento tecnológico, destacou a importância de liderança, influência social e curiosidade genuína. Exemplificou, como ponto de vista problemático, muitas empresas estarem contratando licenças de IA e poucos empregados estarem usando. E colocou um questionamento para a plateia: “Qual ferramenta de IA existe hoje para tornar seu trabalho mais criativo, mais produtivo e mais estratégico?”

No tópico três, falou de motivação, autoconhecimento, empatia e escuta ativa. A tal inteligência emocional. Ela relembrou de diversas constatações do próprio Daniel Goleman, criador do termo e também palestrante no SPIW. E provocou: “Se a IA vai ter um QI infinitamente maior que o nosso, a gente tem que focar em como ser mais humano, e não mais inteligente.”

Por fim, falou da saúde mental: resiliência, flexibilidade, agilidade. Retomou a própria trajetória e resgatou como foi importante reconsiderar as prioridades quando sua saúde se deteriorou.

‘Em vez de me formar para ser um profissional do futuro, temos de pensar no ser humano do futuro’,argumenta Michelle Schneider durante painel no SPIW 

“O Brasil é o país com o maior índice de pessoas com problemas de saúde mental no mundo, com mais de 10 milhões de pessoas afetadas. É o segundo maior com casos de burnout, só atrás de Japão, e mais de meio milhão de brasileiros foram afastados pela Previdência Social por questões mentais”, citou. “Então é preciso escutar o corpo. Quando ele fala, é preciso respeitar.”

Por fim, destacou que numa evolução constante da inteligência artificial, as pessoas têm que desenvolver mais a consciência humana, “a sensibilidade, o amor, as emoções”.

“Quando penso nesse profissional do futuro, é alguém que vai equilibrar muito bem esses quatro pilares: curioso, quer aprender, vai mergulhar na tecnologia, mas digo que a base está aqui, nos dois últimos. É alguém que vai se conhecer saber cuidar de si e do outro”, disse.

“Em vez de me formar para ser um profissional do futuro, temos de pensar no ser humano do futuro”, falou. E, finalmente, mostrou como diminuiu a quantidade de medicações em sua mesa de cabeceira.

“Hoje me sinto mais presente, mais viva e com mais recursos para reconhecer os sinais do meu corpo quando eu abuso dele. Semanas como esta, minha coluna diz ‘opa, tô por aqui’. E às vezes vamos precisar atravessar por semanas assim, mas é preciso, depois, recalibrar para enfrentar os próximos desafios.”

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

‘Em vez de profissional do futuro, temos de pensar no ser humano do futuro’, diz Michelle Schneider – Estadão 

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Sam Altman quer mudar o sistema operacional do mundo. E o seu negócio está dentro dele

OpenAI está desenvolvendo um smartphone em parceria com Qualcomm, MediaTek e Luxshare, com produção em massa prevista para o início de 2027; dispositivo é projetado como uma plataforma onde agentes de IA substituem os aplicativos

Por Camila Farani – Estadão – 13/05/2026

Investidora, presidente da G2 Capital e CEO da FEN educação para negócios. Nova coluna toda quarta-feira 

Quando a Blackberry dominava o mercado corporativo de smartphones, os executivos americanos que a usavam não conseguiam imaginar abrir mão do teclado físico. Era confortável, eficiente, familiar. Eu amava.

Então o iPhone chegou com uma tela de vidro que não tinha nada físico para apertar e mudou a pergunta: não é sobre o teclado, é sobre o que você faz com o aparelho. A Blackberry não entendeu a mudança a tempo. Sam Altman, CEO da OpenAI, está fazendo agora a mesma pergunta que Jobs fez em 2007: para que serve um smartphone de verdade? E a resposta que ele está construindo em hardware vai incomodar não só a Apple. Vai incomodar qualquer empresa que hoje existe como um ícone na tela do celular do seu cliente.

A OpenAI está desenvolvendo um smartphone em parceria com Qualcomm, MediaTek e Luxshare, com produção em massa prevista para o início de 2027. O dispositivo é projetado não como um celular com IA integrada, mas como uma plataforma onde agentes de IA substituem os aplicativos.

O analista Ming-Chi Kuo, da TF International Securities, o homem com o maior histórico de acertos em lançamentos de hardware da Apple, revelou que o aparelho pode chegar a 300 milhões ou 400 milhões de unidades enviadas por ano se for bem-sucedido. Para ter parâmetro: a Apple vendeu 232 milhões de iPhones em 2023, segundo a Bloomberg. Isso não é uma aposta tímida. É uma declaração de guerra ao modelo de negócios digital que sustenta boa parte da economia conectada do planeta.

Os empreendedores no Brasil errarem a leitura desse tipo de movimento. O erro clássico é perguntar “isso vai me afetar?” quando a pergunta certa é “em quanto tempo isso chega e eu estou preparado?” Acompanho a transformação digital brasileira há mais de uma década e o padrão se repete: o aviso vem anos antes, a adaptação acontece tarde, o custo é alto. Não precisa ser assim desta vez. O aviso está sendo dado agora, em público, com data prevista de produção.

O modelo atual de negócios digitais funciona assim: a empresa investe em aquisição de clientes para trazer o consumidor até o seu app ou a sua loja virtual. Quando o cliente chega, a empresa tem controle da experiência, do dado e da jornada de compra.

Smartphone que Sam Altman está construindo não é um gadget. É a hipótese de que o próximo sistema operacional do consumo global não vai ser da Apple nem do Google Foto: Godofredo A. Vásquez/AP

A Cacau Show, por exemplo, construiu uma das maiores redes de varejo de chocolate do mundo apostando em uma experiência de loja física e digital integrada, com o app como canal de relacionamento direto com o cliente. Esse controle é o ativo mais valioso de qualquer empresa de consumo hoje. O smartphone da OpenAI propõe eliminar essa camada.

No modelo de agentes, o consumidor não abre mais o app da Cacau Show. Ele diz para o agente “quero chocolates para presente até R$ 200 com entrega amanhã” e o agente resolve, sem passar pelo app de ninguém. A empresa pode ser escolhida. Mas pelo agente, não pelo cliente.

A questão que isso levanta não é tecnológica. É estratégica. Jim Collins, em Empresas Feitas para Vencer, identificou que as companhias que sobrevivem a mudanças de paradigma não são as que preveem o futuro com precisão, mas as que constroem capacidade de adaptação antes que a pressão as force. O problema é que a maioria das empresas só investe em adaptação quando a pressão já é insuportável.

A adoção em escala do smartphone da OpenAI vai levar anos. Projetos anteriores de hardware com foco em IA, como o Humane Pin e o Rabbit R1, falharam em ganhar tração. A transição não é automática só porque a tecnologia existe. Mas a janela para se preparar é exatamente esse intervalo entre o anúncio e a escala.

O que muda concretamente para as empresas brasileiras é o conceito de presença digital. Hoje, presença digital significa ter app, site, perfil em redes sociais e posição em marketplace. Numa economia de agentes, presença digital vai significar ser encontrado, avaliado e escolhido por uma inteligência artificial que opera em nome do consumidor.

Isso exige dado estruturado, reputação verificável, preço competitivo em tempo real e capacidade de integração com sistemas externos. A maioria das pequenas e médias empresas brasileiras não tem nenhum dos quatro. Segundo a FGV, mais de 60% das PMEs brasileiras ainda não têm presença digital estruturada. O problema que era urgente ficou crítico.

Quando eu invisto em uma startup, uma das primeiras perguntas que faço é sobre o modelo de distribuição. De onde vêm os clientes, quanto custa cada um e como isso muda quando a plataforma de distribuição muda as regras. É a pergunta mais subestimada em qualquer pitch que já recebi. A OpenAI não está mudando só a tecnologia. Está mudando a plataforma de distribuição.

E quem controla a plataforma de distribuição decide quem é encontrado e quem não é. Já aconteceu com o Google em 2000, com o Facebook em 2010, com os marketplaces em 2015. Cada mudança de plataforma criou novos vencedores e eliminou negócios que não entenderam a tempo que o campo havia mudado.

O smartphone que Sam Altman está construindo não é um gadget. É a hipótese de que o próximo sistema operacional do consumo global não vai ser da Apple nem do Google. Vai ser da IA. E se essa hipótese estiver certa, a pergunta que todo empresário brasileiro deveria estar respondendo esta semana não é sobre taxa de juros, câmbio ou eleição. É sobre uma coisa só: o meu negócio está preparado para ser escolhido por uma máquina? Porque é para ela que o seu cliente vai delegar a decisão. E ela não tem paciência para quem não estiver pronto.

Sam Altman quer mudar o sistema operacional do mundo. E o seu negócio está dentro dele – Estadão 

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