Au revoir: França vai trocar Teams e Zoom por app criado no próprio país

Por Marcelo Fischer Salvatico – Canaltech – 28/01/2026

O governo da França anunciou que deixará de utilizar plataformas de videoconferência dos Estados Unidos, como Microsoft Teams, Zoom e Google Meet, em suas comunicações oficiais. A decisão faz parte de uma estratégia de soberania digital que visa migrar 200 mil agentes públicos para o “Visio”, solução desenvolvida internamente pelo Estado francês, até 2027.

O ministro delegado encarregado da Função Pública, David Amiel, confirmou a medida e estipulou o objetivo de encerrar o uso de soluções de fora da Europa na administração pública. 

Segundo o comunicado oficial, a iniciativa busca garantir a segurança e a confidencialidade das comunicações eletrônicas, protegendo dados sensíveis de infraestruturas externas.

Soberania e economia

O substituto escolhido, o “Visio”, foi criado pela Direção Interministerial do Digital (DINUM) e já conta com 40 mil usuários regulares.

Para garantir a independência de servidores estrangeiros, o sistema é hospedado pela Outscale, uma subsidiária da francesa Dassault Systèmes, que possui o selo de segurança SecNumCloud concedido pela agência de cibersegurança da França (ANSSI).

Além da infraestrutura, o software integra tecnologias de inteligência artificial de startups francesas. A transcrição de reuniões utiliza recursos da Pyannote, enquanto o sistema de legendas em tempo real, previsto para o verão europeu de 2026, será fornecido pelo laboratório de pesquisa Kyutai.

O governo francês também projeta um impacto positivo nos cofres públicos. A estimativa é de uma economia de 1 milhão de euros (cerca de R$ 6,2 milhões) por ano para cada 100 mil usuários que deixarem de usar licenças pagas de softwares proprietários estrangeiros.

Cronograma de substituição

A transição já tem data de início. O Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) substituirá suas licenças do Zoom pelo Visio até o final de março de 2026, migrando seus 34 mil agentes e 120 mil pesquisadores associados.

Outras entidades, como a Direção Geral das Finanças Públicas e o Ministério das Forças Armadas, também iniciarão a adoção da ferramenta no primeiro trimestre deste ano. 

O departamento digital do governo informou que poderá, nos próximos meses, bloquear o tráfego de outras ferramentas de vídeo na rede estatal para garantir a conformidade com a nova diretriz.

Esta não é a primeira vez que a França toma medidas para reduzir a dependência de Big Techs. No ano passado, o governo já havia determinado que funcionários públicos abandonassem o WhatsApp e o Telegram em favor do Tchap, um aplicativo de mensagens exclusivo para servidores. O movimento também integra o projeto “Suite Numérique”, que planeja substituir ferramentas como Gmail e Slack.

Europa x Big Techs

A decisão francesa reflete uma tendência crescente na Europa de restringir o uso de softwares americanos devido a preocupações com a privacidade de dados e a Lei CLOUD dos EUA, que pode obrigar empresas americanas a fornecerem dados hospedados no exterior às autoridades de seu país.

A Alemanha protagonizou um dos casos mais emblemáticos nos últimos anos. O estado de Hesse baniu o uso do Microsoft Office 365 nas escolas, alegando que a telemetria do Windows e do Office enviava dados para os Estados Unidos, violando o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) da União Europeia.

Na Dinamarca, a agência de proteção de dados proibiu o uso de Chromebooks e do Google Workspace em escolas do município de Helsingør em 2022. A decisão se baseou na avaliação de que os dados dos estudantes foram transferidos para os EUA sem as devidas garantias de proteção exigidas pela lei europeia.

Já os Países Baixos impuseram restrições ao uso do navegador Chrome e do ChromeOS no sistema educacional em 2022. O Ministério da Educação holandês exigiu que as escolas desativassem serviços de personalização de anúncios e o uso do motor de busca do Google até que a empresa ajustasse suas políticas de conformidade com as normas locais de privacidade.

Au revoir: França vai trocar Teams e Zoom por app criado no próprio país – Canaltech

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Por que a IA estimula a criatividade de uns e não de outros

Funcionários mais conscientes de seus processos mentais usam a inteligência artificial de forma mais criativa, aponta estudo

Por Rafaela Zampolli, Valor – 01/02/2026 

A IA generativa possui capacidade para impulsionar a criatividade dos funcionários, mas não são todos os profissionais que conseguem se beneficiar disso, aponta um novo estudo de Jackson Lu, Shuhua Sun, Zhuyi Angelina Li, Maw-Der Foo e Jing Zhou, publicado na Revista de Psicologia Aplicada (JAP) dos Estados Unidos.

Os resultados do levantamento indicam que funcionários com uma metacognição (capacidade de planejar, avaliar, monitorar e refinar seu próprio pensamento) mais apurada têm maior probabilidade de obter ganhos criativos com o uso das ferramentas de IA. Para chegar aos resultados, os pesquisadores realizaram um experimento de campo com 250 trabalhadores de uma empresa chinesa de consultoria tecnológica.

Ainda de acordo com os estudiosos, trabalhadores têm usado a inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, para gerar ideias e acelerar projetos. Todavia, à medida que essas ferramentas se tornam mais poderosas, as organizações esperam que elas estimulem níveis mais altos de capacidade de inovação dos funcionários.

Apesar da expectativa, uma pesquisa recente da Gallup revelou que apenas 26% dos funcionários que utilizam a IA relatam melhorias em sua criatividade. Instigados com o resultado, os autores buscaram compreender as razões pelas quais alguns funcionários se beneficiam enquanto outros não.

Para avançar nas pesquisas, eles partiram de uma descoberta anterior sobre criatividade. Ellen Spoor, Sabine Sonnentag, Christian Dormann e Marieke Tooren constataram que os funcionários produzem ideias mais criativas quando têm recursos cognitivos suficientes na empresa, como acesso à informação, conhecimento e oportunidade de ajustar métodos, alternando entre tarefas complexas e simples para fazer pausas mentais.

“Informação e conhecimento são essenciais para a criatividade porque esta envolve fundamentalmente recombinar e sintetizar informações de maneiras novas e úteis”, destacam os autores em artigo publicado na HBR. Portanto, o uso da tecnologia pode aumentar a capacidade de inovação dos funcionários de duas maneiras: expandindo o conhecimento e liberando capacidade mental, constatam os pesquisadores.

Os estudiosos explicam ainda que quando a IA lida com tarefas como resumir textos e gerenciar dados, ela reduz a sobrecarga cognitiva dos funcionários, permitindo que eles redirecionem recursos para a resolução de problemas complexos.

Depois de comprovada a capacidade de influência da IA na criatividade, os autores procuraram compreender a diferença do impacto em cada um e descobriram que os indivíduos diferem, justamente, em razão da metacognição. Segundo eles, profissionais com forte metacognição refletem sobre as etapas para executar uma tarefa, o que os torna mais conscientes das suas lacunas de conhecimento e das lacunas dos robôs. Por outro lado, funcionários com baixa metacognição são mais propensos a aceitar a primeira resposta da IA.

Os pesquisadores também apresentaram dicas para os líderes ajudarem os funcionários a serem mais criativos:

  • Incentive-os a usar a IA para coletar informações, explorar perspectivas e delegar tarefas rotineiras, restaurando a capacidade cognitiva;
  • Estimule-os a tratar as sugestões da IA como ponto de partida, e não como respostas finais, para que eles investiguem lacunas e desafiem pressupostos;
  • Apresente exemplos de erros reais de IA, incentivando-os a antecipar, detectar e corrigir esses erros;
  • Projete fluxos de trabalho que posicionem a IA como uma parceira de pensamento, e não como um atalho.

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The Economist: O domínio da China sobre terras raras aterroriza o Ocidente, mas Brasil se beneficia

Um quarto de todos os depósitos conhecidos de terras raras no mundo encontram-se neste país

Por Estadão/The Economist – 31/01/2026

Brasil pode ter um papel na disputa por minerais críticos, diz diretor da Eurásia

Um complexo industrial, no Nordeste do Brasil, pode ajudar o mundo a sair de um impasse geopolítico complexo. Escondida dentro de um parque de pesquisas no Estado da Bahia, a instalação é administrada pela mineradora Brazilian Rare Earths (BRE). A empresa está construindo uma das primeiras plantas de separação de terras raras da América Latina — um conjunto de 17 elementos essenciais para a fabricação de produtos que vão de mísseis a fornos de micro-ondas. Países ocidentais acompanham o projeto com ansiedade, em busca de alternativas à dependência da China, que responde por cerca de 70% da mineração e 90% do processamento global.

Donald Trump está particularmente interessado. Os Estados Unidos foram duramente atingidos no ano passado, quando a China impôs uma série de restrições à exportação de metais, peças de máquinas e engenheiros. Quando a trégua de um ano foi declarada em novembro, muitas fábricas americanas e europeias já haviam sido forçadas a reduzir suas operações.

Fabricantes de automóveis, tecnologias verdes e armamentos foram particularmente afetados pela escassez de superímãs. Poucos acreditam que a trégua se manterá. As empresas estão correndo para encontrar fornecedores alternativos, afirma Bernardo da Veiga, presidente da BRE.

O Brasil detém quase um quarto das reservas mundiais conhecidas de terras raras, ficando atrás apenas da China. Além de sua geologia privilegiada, o País tem uma sólida indústria extrativa. Energia elétrica barata, experiência em exportação de minerais e engenheiros experientes são grandes vantagens, afirma José Augusto Palma, da Aclara Resources, mineradora chilena.

O Brasil já passou por isso antes. Na década de 1950, a Orquima, empresa brasileira, era a maior mineradora mundial de terras raras, extraindo metais de areias monazíticas. A China passou a dominar o setor depois que preocupações com a radioatividade da monazita levaram o Brasil a endurecer drasticamente a regulamentação e a nacionalizar a Orquima.

O Brasil moderno quer recuperar esse legado. Em janeiro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a elaborar uma estratégia nacional para terras raras. Isso ocorreu após um decreto, em novembro, que tornou a aquisição desses recursos uma questão de segurança nacional, liberando financiamento especial, opções de licitação pública e procedimentos de importação simplificados.

Os políticos têm duas motivações. A primeira é estimular a inovação. O mercado global de terras raras movimenta alguns bilhões de dólares por ano — o equivalente a alguns meses das exportações de ferro do Brasil —, portanto, a receita disponível é insignificante. O verdadeiro valor está no uso como matéria-prima para a manufatura de alta tecnologia, afirma André Pimenta, da CIT Senai ITR, fabricante de ímãs de terras raras no Estado de Minas Gerais, a primeira do gênero na América do Sul.

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O segundo empecilho é diplomático. A maioria das grandes economias enfrenta déficits de minerais críticos, desde o comum cobre e níquel até os raros escândio e ítrio. Os Estados Unidos são os mais entusiasmados. Em julho, Donald Trump impôs tarifas de 50% sobre a maioria das importações brasileiras, numa tentativa de influenciar o julgamento de Jair Bolsonaro, ex-presidente acusado pela tentativa de golpe de Estado.

Contudo, naquele mesmo mês, o embaixador americano no Brasil reuniu-se em privado com empresas de mineração para manifestar interesse na compra de sua produção futura. Após declarar inicialmente que os minerais brasileiros não estavam à venda, Lula acenou com a possibilidade de um acordo sobre terras raras em troca de uma redução nas tarifas. Se os Estados Unidos não estiverem interessados, a União Europeia, o Japão ou a Coreia do Sul podem estar.

Há desafios pela frente. O Brasil tem apenas uma mina em operação, inaugurada em 2024 pela empresa privada Serra Verde. A empresa planeja dobrar a oferta de terras raras “pesadas”, mais valiosas e provenientes de fontes não chinesas, no mercado, mas tem enfrentado problemas de produção. Seus depósitos de argila iônica têm se mostrado mais difíceis de explorar.

Um empréstimo de quase US$ 500 milhões de uma agência de ajuda americana deve facilitar o processo. No entanto, dezenas de outras mineradoras ainda aguardam licenças. Nenhuma delas iniciará a produção antes de 2028, na melhor das hipóteses. Poucas estão dispostas a realizar o processamento no Brasil.

Mais preocupante é a inclinação protecionista de Lula. “Ou aproveitamos essas riquezas que Deus nos deu e as transformamos em prosperidade para o nosso povo, ou veremos os mesmos países de sempre cavando buracos em nosso País, extraindo nossos minerais”, disse ele em um discurso recente. Essa é a atitude errada, afirma Julio Nery, do Ibram, associação brasileira de mineração. Subir na cadeia de valor é importante para o Brasil, que ainda importa aço chinês produzido com minério de ferro brasileiro. Mas as terras raras têm perspectivas limitadas.

A maioria das mineradoras é de propriedade estrangeira porque o negócio exige mais capital do que o mercado brasileiro consegue sustentar com facilidade, afirma Rafael Moreno, da Viridis, uma mineradora australiana. Esse é um dos principais motivos pelos quais a maioria das mineradoras se recusa a processar minério de ferro em óxido no Brasil, além da falta de expertise. Com tempo e dinheiro, esses problemas podem ser resolvidos. E o dinheiro está a caminho.

Competitividade

Durante anos, a China recorreu a preços predatórios para inibir a concorrência, compensando as perdas com as vendas de ímãs e veículos elétricos. Donald Trump contestou essa estratégia em julho, ao assinar um acordo com a MP Materials, sediada na Califórnia. O contrato garante à empresa um preço mínimo de US$ 110 por quilo de óxido de neodímio-praseodímio — cerca do dobro do praticado pela China.

Diferenças de preços como essa devem se tornar a norma, atraindo novos participantes para o mercado, afirma John Prineas, da St George Mining, outra empresa australiana. Muitos deles ficarão pelo caminho na inevitável consolidação. O país que abriga esses recursos encontrou ouro.

The Economist: O domínio da China sobre terras raras aterroriza o Ocidente, mas Brasil se beneficia – Estadão

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Banimos essas plantas e bichos trazidos de fora?

Será uma grande revolução de ânimo nacionalista. Brasileiros vão comer comida legitimamente brasileira

Por Claudio de Moura Castro – Estadão – 01/02/2026

Boas notícias! Foi proposta, despertando interesse nacional, uma legislação no Rio Grande do Sul, que visa a banir espécies de plantas e animais cuja origem não é o Brasil. Na mira estão o eucalipto (da Austrália) e a tilápia (da África). O Pinus elliottii (do sul dos Estados Unidos) é outro candidato. Afinal de contas, dada a estonteante variedade dos nossos biomas, que razões haveria para trazer espécies de fora?

Mas, obviamente, isso é apenas o início. Por que não aceitar apenas as espécies autóctones, barrando as irresponsavelmente importadas?

Vejamos a pequena faxina que devemos empreender. O trigo, a aveia e a cevada vêm do Crescente Fértil. O café vem do Norte da África. A cana-de-açúcar foi trazida da Oceania. O milho e o feijão vêm do México, apesar de terem chegado antes do descobrimento. Sejamos puristas, não são espécies autóctones. O arroz vem do leste da Ásia. A soja, da China. A batata veio lá dos Andes, bem como o tomate. A cenoura é do Afeganistão. O pimentão e a abobrinha originam-se na América Central. A cebola vem da Ásia central. A berinjela e a pimenta do reino são originárias da Índia. Cumpre erradicar tudo isso, pois não são plantas brasileiras.

É vergonhosa a longa lista de frutas trazidas de fora. A manga veio da Índia. Comemos variedades locais de abacaxi. Mas predominam as geneticamente modificadas fora do País. A laranja veio do mundo árabe. A tangerina, da China. A banana vem do Sudeste Asiático. Os melões e melancias vêm da África tropical. A uva vem lá do Cáucaso. A goiaba se equilibra na fronteira do aceitável. Sua origem é nas Américas, acima do Equador, embora tenha migrado para cá, bem antes do descobrimento.

E os bichos, com tantos por aqui! Livremo-nos dos “estrangeiros”: cavalos, burros, bois, ovelhas, galinhas e cabras foram trazidos da Europa, apesar de sua origem mais dispersa. Quem sabe, as antas podem ser boa montaria?

Com nosso enorme plantel de árvores, por que aceitar outras de fora? O coco da Bahia (Cocos nucifera), apesar do nome, vem da Polinésia. A palmeira imperial, das Guianas. Banimos ambos! E o absurdo de plantar teca, originária da Ásia. O algodão, um reles arbusto, é nativo do México e de outras partes do mundo. Não passa na prova de brasilidade.

Feita essa limpeza patriótica, vão sobrar as nossas espécies, legitimamente, verde e amarelas. Temos a mandioca e a batata-doce para os carboidratos. Temos o açaí, o cacau e o caju, orgulhos nacionais. E temos a gloriosa jabuticaba. O pequi é nosso, apesar que ficará desfalcado do arroz, combinação estimada no nosso Centro-Oeste.

Será uma grande revolução de ânimo nacionalista. Brasileiros vão comer comida legitimamente brasileira.

Para que café, se temos mate e guaraná? O McDonald’s teria dificuldades, sem batatas, carne de boi e trigo. Mas é empresa estrangeira, pouco importaria o seu desaparecimento.

A laranjada matinal poderia encontrar substitutos mais nutritivos. É preciso valorizar os nossos produtos nativos.

Leite, queijo e iogurte trariam um pequeno problema. Leite de onça, de macaca? Há que dar um jeito. Quem sabe, queijo de capivara? Poderia vir a ser uma esplêndida iguaria. Um probleminha menor seriam as zoonoses, por elas transmitidas. Mas vale o risco.

Para a carne, poderíamos criar jacarés. Sua cauda é uma especialidade culinária. Havemos de descobrir maneiras de alimentar os bichos, em vez de sermos comidos por eles. O jacu substituiria as galinhas. O porco seria substituído pelo caititu, apesar de sua ferocidade e carne duríssima. Nossos indígenas comiam macacos, com muito gosto. Vamos pensar em grandes criatórios, produzindo milhões de símios, destinados às panelas.

Cães e gatos são simpáticos, mas foram também trazidos pelos europeus. Precisam ser substituídos. Há quem tenha quatis e iguanas como pets. Nossas raposinhas são muito ariscas, mas talvez possam ser domesticadas, após algumas dezenas de cruzamentos seletivos. Macacos têm temperamento diabólico. Tampouco sou otimista quanto aos gambás ou porcos-espinhos.

Os nossos indígenas trançavam fibras para suas roupas. Talvez alguma se preste à industrialização, substituindo a lã e o algodão, inaceitáveis pela sua origem estrangeira.

Ao fim desta campanha, orgulhosamente, chegaríamos à completa erradicação das espécies importadas. Teríamos uma alimentação brasileira e uma indústria abastecida com fibras locais.

Na prática, passaríamos a ter uma dieta de mandioca e batata-doce, adicionando alguns condimentos locais. Nossos chefs de cuisine preparariam maravilhosos pratos com essas duas matérias-primas. Quem disse que precisamos de outras?

Talvez, o MasterChef possa converter-se num laboratório, para gerar uma variada gastronomia, baseada nesses dois produtos. Assim, honraríamos a nossa natureza, tão farta e variada.

Nota final: esse ensaio debocha de um delírio legislativo. Mas há espécies invasivas e predadoras, como o peixe leão e o mexilhão dourado. Esses casos ficam fora de nossa chacota.

Opinião por Claudio de Moura Castro

Pesquisador em Educação e doutor em Economia pela Universidade Vanderbilt (EUA), Claudio de Moura e Castro escreve mensalmente na seção Espaço Aberto

Banimos essas plantas e bichos trazidos de fora? – Estadão

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Programa transforma cientistas em fundadores de startups

Criado por um fundo do Vale do Silício, o programa ensina cientistas a transformar pesquisas em empresas reais

Programa transforma cientistas em fundadores de startupsFifty Years (divulgação) e freepik.com


ADELE PETERS – Fast Company Brasil – 31-01-2026 

Enquanto trabalhava como engenheiro na Tesla, Niccolo Cymbalist nunca planejou abrir um negócio. Mas ele vinha considerando uma ideia para uma nova tecnologia: um navio cargueiro autônomo movido a energia eólica. Então, durante sua licença paternidade em 2024, ele descobriu um programa gratuito que ajuda cientistas e engenheiros a lançarem seus próprios negócios pela primeira vez.

Semanas após concluir o programa, chamado 5050, Cymbalist lançou uma startup chamada Clippership. O primeiro navio da empresa está sendo construído na Holanda este ano. Sem a aceleradora, ele afirma que a empresa provavelmente não existiria.

O programa já ajudou cientistas e engenheiros a lançarem 100 empresas, desde a Huminly, que usa enzimas para tornar as roupas infinitamente recicláveis, até a Plasmidsaurus, que oferece sequenciamento de DNA ultrarrápido.

A EQUIPE PERCEBEU QUE BOAS IDEIAS ESTAVAM PRESAS EM LABORATÓRIOS ACADÊMICOS.

O curso é oferecido pela Fifty Years, uma empresa de capital de risco com sede em São Francisco, focada em tecnologia de ponta que busca solucionar os maiores problemas do mundo, de doenças às mudanças climáticas. Logo após a fundação da empresa, há uma década, a equipe percebeu que boas ideias estavam presas em laboratórios acadêmicos.

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“A transição de cientista acadêmico para fundador é, na verdade, muito mais difícil do que a transição de um estudante que abandonou o segundo ano da faculdade para fundador, por uma série de razões”, afirma Seth Bannon, sócio fundador da Fifty Years. “Por causa disso, as pessoas mais indicadas para iniciar essas startups — os cientistas que inventaram a tecnologia — não estavam fazendo essa transição. Então, pensamos: ‘Ok, podemos ajudar a resolver isso?’”

DA IDEIA À STARTUP

Os potenciais fundadores participam de um programa de 13 semanas — com alguns fins de semana presenciais e sessões semanais via Zoom — que os ajuda a descobrir se sua ideia vale a pena ser desenvolvida e se está pronta para ser comercializada.

O fundador da Plasmidsaurus, por exemplo, que era pós-doutorando no Caltech, inicialmente entrou no programa com a intenção de transformar sua pesquisa de laboratório sobre circuitos genéticos sintéticos em um produto médico. Mas a equipe do 5050 o ajudou a perceber que ainda faltavam cerca de 10 anos para a comercialização, e que uma de suas outras ideias — uma tecnologia que ele havia desenvolvido para acelerar sua própria pesquisa — estava pronta agora.

A Plasmidsaurus está crescendo rapidamente. “Eles acabaram de ultrapassar a marca de US$ 60 milhões em faturamento anual”, diz Bannon. “Eles têm sido lucrativos todos os meses desde o início. E agora são um dos nomes mais queridos na biologia.”

MOTIVAÇÃO E UM TIME

Os participantes também aprendem como montar uma equipe para uma startup, entender o que torna os fundadores bem-sucedidos e decidir se o empreendedorismo é adequado para eles.

“Um dos workshops que oferecemos é o ‘história do eu’, onde mergulhamos fundo em sua motivação principal — toda a sua história de vida e o que eles estão fazendo hoje para garantir que estejam realmente buscando algo que os entusiasme de verdade”, diz Ale Borda, que dirige o programa 5050. “Então eles podem usar essa mesma história para compartilhar sobre seu trabalho e por que estão dispostos a superar obstáculos para que isso aconteça.”

“VOCÊ PRECISA APRENDER A SE COMUNICAR EM ABSTRAÇÕES QUE DIRECIONEM CORRETAMENTE O FOCO.”

SETH BANNON, DA FIFTY YEAR

Eles aprendem a se comunicar de forma diferente. “Na academia, por exemplo, você aprende a se comunicar com dados, dados e mais dados — e depois lista as 10 maneiras pelas quais meus dados podem estar errados”, diz Bannon. Embora isso seja bom para pesquisa, “se você se comunicar dessa forma como fundador de uma startup, terá dificuldade para contratar pessoas, para captar recursos e para conseguir cobertura da imprensa”, afirma. “Portanto, você precisa aprender a se comunicar em abstrações que direcionem corretamente o foco.”

DIFERENÇAS DENTRO E FORA DA UNIVERSIDADE

As universidades geralmente também têm programas para ajudar a levar a tecnologia ao mercado, mas as instituições de ensino estão desconectadas do mundo das startups, e Bannon diz que os programas não são muito eficazes. (Os mentores podem ser executivos de empresas da Fortune 500, por exemplo, em vez de outros fundadores de startups com experiência direta.)

Há também conflitos de interesse. As universidades detêm a propriedade intelectual das novas invenções que os cientistas desenvolvem no campus; os produtores de conhecimento precisam passar por um processo complexo de negociação para obter os direitos sobre a tecnologia. O programa da 5050 inclui orientação sobre como navegar nesse processo.

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Até agora, a abordagem está funcionando. “A estatística da qual mais nos orgulhamos é que 96% das equipes que buscaram financiamento conseguiram”, diz Bannon. “Essa é uma estatística incrivelmente alta para um programa que aceita pessoas que não têm empresas quando ingressam.”

No atual clima político, com os cortes no financiamento federal afetando os laboratórios universitários, o programa já observa um aumento no interesse de cientistas em uma encruzilhada na carreira.

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“Muitos deles estão percebendo que talvez não consigam mais continuar o trabalho de suas vidas na academia”, segundo Bannon. “Alguns deles têm a sorte de estar em uma posição em que talvez possam criar uma startup.” No curto prazo, ele afirma, os cortes no financiamento podem levar a mais startups, embora isso desacelere o crescimento futuro.

Das 100 empresas que foram lançadas pelo programa até agora, cerca de metade não teria começado sem ele. Outras foram lançadas mais rapidamente do que teriam sido sem o apoio. “Eu provavelmente teria começado uma, mas certamente não existiria na época em que eu a fundei”, diz Daniel Rahn, ex-engenheiro da SpaceX e fundador da Metal as Fuel, empresa que produz combustíveis metálicos para descarbonizar a indústria pesada.

“São empresas que representam um contrafactual”, afirma Bannon. “Essas companhias estão combatendo a crise climática, combatendo doenças, realizando trabalhos importantes. E é muito gratificante ajudar empresas a surgirem, empresas que, de outra forma, não existiriam.”


SOBRE A AUTORA

Adele Peters é redatora da Fast Company. Ela se concentra em fazer reportagens para solucionar alguns dos maiores problemas do mundo, desde mudanças climáticas até a falta de moradia.

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Computação quântica trará grandes avanços e riscos, diz físico best-seller

Americano Michio Kaku alerta que novas máquinas serão tão poderosas que não terão problemas para quebrar os atuais mecanismos de encriptação de dados

Por Jéssica Sant’Ana, Valor – 30/01/2026 

Enquanto o mundo ainda discute o impacto da inteligência artificial (IA) e da economia digital na produtividade, no emprego e na competitividade econômica, cientistas estão de olho no que será a quinta revolução industrial: a computação quântica. Celulares, óculos de realidade virtual e computadores tradicionais que hoje utilizam elétrons para processar informações e realizar cálculos ficarão para trás. O futuro será baseado em átomos, e isso mudará totalmente a forma como nos comunicamos e processamos informações.

A conclusão foi exposta pelo físico teórico, futurista e escritor Michio Kaku, autor de uma série de best-sellers na área, durante painel no Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026. “Os computadores quânticos são bilhões de vezes mais rápidos do que um computador digital. O computador digital de hoje calcula todos os caminhos entre A e B individualmente. Os computadores quânticos fazem isso simultaneamente, [ou seja], passam por todos os caminhos possíveis ao mesmo tempo. Se você entender isso, você entenderá a essência da próxima revolução.”

Atualmente, existe uma corrida entre China e Estados Unidos para desenvolvimento de computadores quânticos em escala comercial. A expectativa de Kaku é que nos próximos cinco a dez anos seja possível saber quem vai ganhar essa corrida que mudará a forma que a sociedade usa a tecnologia. “Talvez você nem precise de óculos de realidade virtual. Talvez use lentes de contato, em que você piscará e acessará toda a base de dados da humanidade, porque todo conhecimento está codificado. Você poderá, ao conhecer alguém numa festa, piscar e baixar sua biografia”, diz o físico.

No futuro, imagens poderão ser criadas apenas pensando: “A arte começou com pedras e gravetos. Depois veio a tinta. Depois, os computadores. No futuro, usaremos a mente.” O transporte também mudará e “seu vizinho poderá ir à Lua”. “O celular que você tem no bolso um dia se tornará obsoleto. Comunicaremos usando átomos”, frisa Kaku.

A quinta revolução, contudo, trará desafios. Com a tecnologia quântica, será possível entrar em qualquer código digital conhecido – e as empresas não estão preparadas para isso, frisa o palestrante. “O código-fonte do Tesouro dos EUA pode ser quebrado por um computador quântico. Eles ainda não estão prontos, mas esse é o futuro. Esse é o desvio: computadores quânticos podem quebrar qualquer coisa que você queira, como cofres, sistemas financeiros, tudo.”

Por outro lado, a biologia é quântica. “Isso pode significar cura para câncer, Alzheimer, Parkinson e talvez até retardar mais o processo de envelhecimento.”

Isso ainda é um cenário para o futuro. Estamos na era da quarta revolução industrial, a era da IA, em que o conhecimento humano está sendo codificado. “Temos uma revolução acontecendo por causa da capacidade de codificar enormes quantidades de conhecimento e colocá-los em um chip”, explica. “Conseguimos enviar enormes quantidades de informação simplesmente clicando em um botão. E o espaço cibernético estará em todos os lugares”, completa o estudioso.

Para Kaku, a IA não vai substituir todas as formas de emprego. Ele diz que alguns trabalhos manuais, como de um encanador, e os trabalhos que dependem de análise e liderança, como de advogados, professores e CEOs, não serão substituídos pela tecnologia. Eles devem apenas usar cada vez mais as ferramentas de inteligência artificial para facilitar suas atividades.

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Bolha da inteligência artificial está mais perto de estourar

  • Tarifas comerciais e restrições à imigração podem frear o avanço das gigantes de IA
  • Custos crescentes de energia, infraestrutura e mão de obra ameaçam sustentar o boom do setor

Shannon O’Neil – Folha/Bloomberg – 29.jan.2026 

Vice-presidente sênior do think tank Council on Foreign Relations

A inteligência artificial vem puxando o índice S&P 500 e a economia americana como um todo. Os CEOs de um pequeno grupo de empresas dominantes se tornaram celebridades, com fãs e mercados atentos a cada palavra e a cada balanço trimestral. A linha entre entusiasmo e realidade ficou turva.

Mas o que pode furar a bolha da IA não são as preocupações já conhecidas —como financiamento circular, endividamento crescente ou a concorrência chinesa. O risco maior pode vir de fatores menos esperados: o impacto das tarifas comerciais e a redução no número de imigrantes nos Estados Unidos, que podem trazer essas campeãs da tecnologia de volta ao chão.

O presidente Donald Trump prometeu fazer “o que for preciso” para liderar o mundo em inteligência artificial, mobilizando o governo federal e acionando instrumentos de política industrial.

O governo vem liberando terras federais para a construção de data centers e usinas de energia, acelerando licenças e análises ambientais. O governo também adquiriu participações acionárias na fabricante de chips Intel e na startup de equipamentos de litografia x-Light, além de empresas de minerais críticos usados na produção de eletrônicos essenciais ao setor.

Ao mesmo tempo, enfrenta regulações estaduais sobre IA e usa poderes executivos para reduzir exigências e fiscalização. A Casa Branca ainda isentou servidores, semicondutores, placas de circuito e outros componentes —que representam cerca de um terço do custo dos data centers— das tarifas de importação, embora materiais de construção sigam sendo taxados.

Esse conjunto de políticas favorece a inteligência artificial em relação à indústria tradicional e a outros setores da economia, impulsionando o aumento do interesse e dos investimentos anunciados em capital.

Como resultado, grandes empresas de tecnologia despejam centenas de bilhões de dólares em fileiras intermináveis de servidores, cabos e roteadores dentro de enormes data centers, destinados a sustentar seus modelos e sistemas. A capacidade computacional deve ao menos dobrar até 2030.

Com a proliferação dos data centers, cresce também a demanda por eletricidade. A consultoria McKinsey estima que as novas instalações previstas até 2030 consumirão mais de 600 terawatts-hora —energia suficiente para abastecer quase 60 milhões de residências.

À medida que a pressão sobre as concessionárias aumenta, os custos de construção também disparam. Os preços de insumos já vinham subindo, com encomendas de transformadores, disjuntores e equipamentos de transmissão superando a capacidade das fábricas após anos de baixa demanda.

Em 2025, as tarifas elevaram ainda mais o custo de produtos e equipamentos importados. Alíquotas punitivas de 50% sobre aço, alumínio e fios de cobre atingem com força transformadores, linhas de energia e torres de transmissão. As baterias de armazenamento usadas pelas concessionárias, em sua maioria importadas da China, enfrentam taxas ainda mais elevadas.

As políticas migratórias de Trump também tornam a expansão da IA mais lenta e cara. Executivos de tecnologia alertam para a escassez de cientistas, pesquisadores e engenheiros altamente qualificados, diante da dificuldade crescente de obter vistos H-1B, hoje mais caros e restritos. Mas a vulnerabilidade do setor começa no canteiro de obras.

Cerca de 25% dos trabalhadores da construção civil são estrangeiros, e um em cada sete não tem documentos. Com fronteiras mais rígidas, operações do ICE e deportações intensificadas, tornou-se raro encontrar mão de obra extra disponível —ou mesmo equipes completas— em várias regiões do país.

Pesquisas com empreiteiros indicam que mais de 80% enfrentam vagas em aberto, cada vez mais difíceis de preencher. A falta de trabalhadores é hoje a principal causa de atrasos em projetos, mesmo com a desaceleração de outras frentes da construção: os lançamentos residenciais caíram quase 10%, ao menor nível em cinco anos, enquanto a construção comercial recuou 13%.

Para empresas de IA e de data centers, os centenas de bilhões de dólares já comprometidos em investimentos não rendem tanto quanto poderiam. A tendência é que esse cenário piore em 2026. Com a questão da acessibilidade ganhando destaque na corrida para as eleições de meio de mandato, a Casa Branca passou a mirar o setor habitacional.

Até agora, as propostas se concentraram em reduzir taxas hipotecárias e limitar a compra de imóveis por investidores institucionais, mas um impulso à construção de moradias parece iminente.

O secretário de Comércio, Howard Lutnick, reuniu-se recentemente com grandes construtoras para discutir as expectativas do governo. Isso significará mais projetos residenciais disputando o mesmo contingente cada vez menor de eletricistas, técnicos de HVAC, soldadores e outros profissionais especializados.

O governo americano precisa prestar tanta atenção a eletricistas e soldadores quanto a engenheiros. Programas de treinamento e estágios podem ajudar no longo prazo, mas a indústria enfrenta uma escassez imediata de mão de obra qualificada.

Uma saída seria ampliar os vistos H-2B, acelerar a concessão de vistos EB-3 para trabalhadores da construção civil e criar um programa temporário específico para o setor, aplicável tanto a estrangeiros quanto a imigrantes já nos EUA.

O sucesso ou fracasso da inteligência artificial dependerá de sua capacidade de demonstrar o valor dos investimentos gigantescos feitos até agora. Mas mesmo que transforme diversos setores da economia, custos e prazos definirão quem se beneficia —e quando. E, hoje, as tarifas comerciais e as políticas migratórias do governo Trump são parte central dos fatores que limitam o avanço das empresas e modelos de IA nos Estados Unidos.

Bolha da inteligência artificial está mais perto de estourar – 29/01/2026 – Economia – Folha

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O boom da IA tem uma vencedora inesperada: uma empresa de 175 anos de utensílio de cozinha; entenda

Dona de marcas icônicas como a Pyrex, a Corning reinventou-se mais uma vez, desta vez como fornecedora essencial para os maiores data centers do mundo

Por Sharon Goldman – Estadão/Fortune – 28/01/2026

IA com visão de mundo e IA cientista: o que esperar da inteligência artificial em 2026

Talvez você conheça a Corning por suas marcas icônicas de cozinha, como Pyrex e CorningWare. Talvez se lembre de que Thomas Edison confiou na empresa para desenvolver o vidro para a lâmpada, ou que, em 1970, a Corning inventou a primeira fibra de vidro útil para a comunicação de longa distância, enquanto, em 2007, Steve Jobs recorreu à Corning, com sede em Corning, Nova York, nos Estados Unidos, para criar o vidro resistente a estilhaços que agora envolve todos os iPhones.

Você provavelmente não pensa nela como uma empresa de inteligência artificial, mas um novo acordo com a Meta mostra como o boom da IA está remodelando radicalmente o cenário industrial dos Estados Unidos. A Corning, com 175 anos de existência, reinventou-se mais uma vez — desta vez como fornecedora essencial para os maiores data centers de IA do mundo.

A Meta anunciou nesta semana que se comprometeu a pagar à Corning até US$ 6 bilhões até 2030 por cabos de fibra óptica para conectar sua frota em expansão de data centers de IA.

Em uma entrevista à CNBC, o CEO da Corning, Wendell Weeks, revelou que a empresa está expandindo uma fábrica na Carolina do Norte para acomodar a crescente demanda da Meta e de outras empresas, incluindo Nvidia, OpenAI, Google, Amazon e Microsoft. Quando o projeto estiver concluído — com financiamento da Meta — a Corning diz que será a maior fábrica de cabos de fibra óptica do mundo. A notícia fez com que as ações da Corning subissem 16%.

Em vez de enviar informações como sinais elétricos por meio de fios de cobre, a fibra usa fios de vidro ultrapuro — cada um mais fino que um fio de cabelo humano — para transportar dados como pulsos de luz. Nos data centers de IA, o cabo de fibra óptica conecta dezenas de milhares de GPUs, permitindo que elas funcionem como um único cluster de supercomputador.

Shay Boloor, estrategista-chefe de mercado da Futurum Equities, disse à Fortune que o acordo com a Meta é “grande” para a Corning, provavelmente dobrando sua receita anual, de menos de meio bilhão para quase um bilhão por ano, quando a fábrica estiver totalmente em funcionamento.

É provável que o negócio também não seja o último para a Corning, já que os hiperescaladores (data centers de grande escala) procuram garantir o fornecimento. “Não me surpreenderia ver a Microsoft fazer um acordo semelhante com a Corning, porque muitos desses investidores em data centers estão indo além da construção da fábrica e realmente temem que a escassez apareça quando chegarem ao próximo estágio”, disse Boloor.

Como a Fortune relatou no ano passado, a situação nem sempre foi tranquila para a Corning. Na década de 1990, Weeks foi um dos vice-presidentes da Corning escolhido para dirigir um novo negócio de fibra óptica para alimentar a crescente internet — uma inovação que levou a avaliação da Corning a quase US$ 100 bilhões no auge da bolha da internet em 2000.

Essa bolha estourou no ano seguinte, fazendo com que o preço das ações da empresa despencasse de cerca de US$ 100 para US$ 1. Mas, mesmo quando a Corning perdeu 99% de seu valor e teve que demitir metade de seus funcionários, Weeks continuou a desenvolver a tecnologia de fibra da empresa, que continua a dar frutos durante o boom do data center de IA. Nos últimos seis meses, as ações da Corning subiram mais de 100%.

O acordo com a Meta chega em um momento em que a energia se tornou o maior gargalo para os hiperescaladores, disse Boloor, pressionando as empresas a fazerem tudo o que puderem para contornar uma restrição que só está piorando. Os data centers de IA atuais incluem racks de GPUs que devem ser fisicamente conectados no que ele chama de “velocidades insanas”.

“A eletricidade não se move pelo ar e os dados não se teletransportam entre os racks — a energia flui pelo cobre e os dados fluem pela fibra”, explicou ele. À medida que a inferência de IA — a saída diária de modelos — aumenta, a “quantidade de fibra por data center vai explodir”.

O boom da IA tem uma vencedora inesperada: uma empresa de 175 anos de utensílio de cozinha; entenda – Estadão

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Por que eles estão desistindo de trabalhar de qualquer lugar do mundo como nômades digitais

Boom de profissionais que adotam o estilo de vida sem endereço fixo cresceu após a pandemia, mas ‘lado b’ do nomadismo força desistência

Por Jayanne Rodrigues – Estadão – 23/01/2026 

Boom de profissionais que adotam o estilo de vida sem endereço fixo cresceu após a pandemia, mas ‘lado b’ do nomadismo força desistência antes do previsto.

Em apenas um ano, a advogada Letícia Pirolo, de 30 anos, percorreu a costa brasileira ao lado do seu cachorro, Manjericão. Eles não permaneciam mais de dois meses em cada destino. Enquanto trabalhava remotamente para o escritório de advocacia que comanda, conheceu lugares como Natal, Recife, Chapada Diamantina e os Lençóis Maranhenses. A próxima rota da dupla seria no exterior. No entanto, os planos mudaram.

Letícia decidiu abandonar a vida como nômade digital, profissional que trabalha enquanto viaja, por causa dos perrengues, da solidão e dos excessos de decisões que o estilo de vida exige. “Eu imaginava que ia viver assim pelo resto da vida”, relembra.

O nomadismo digital ganhou força após a pandemia em meio à expansão do trabalho remoto. Embora não tenha estimativas precisas sobre quantos brasileiros vivem nesse modelo, uma pesquisa da The Nomadic Club aponta que liberdade geográfica e flexibilidade são os principais atrativos para quem vive a experiência no longo prazo.

Para você

No caso de Letícia, o nomadismo veio após a morte do pai. “Queria viver”, conta. Em 2021, ela foi embora de Curitiba sem data para voltar. Na hora de selecionar um lugar para ficar tinha quatro prioridades: precisava aceitar pet, ter uma boa internet, uma cadeira confortável para trabalhar e ser um imóvel bem localizado.

A rotina que durava pouco mais de um mês em cada destino incluía uma jornada de trabalho de oito horas e passeios diários pós expediente. Aos finais de semana, Letícia fazia bate e volta para cidades próximas. “Não tem a pressa como em viagens comuns”, diz ao citar as vantagens do nomadismo.

Por outro lado, começou a sentir o “lado b” do estilo de vida. Mesmo com uma reserva financeira, durante os períodos de alta temporada ficou refém dos altos preços. Em média, gastava R$ 10 mil por mês, somando moradia, alimentação, deslocamento e lazer.

O problema ficou mais visível no dia a dia quando perdeu o “encantamento” com os lugares paradisíacos que visitava. Em paralelo a isso, a advogada se sentia mais estressada ao ter de tomar várias decisões a cada mês sobre moradia, voo, destino e outros detalhes. “Ficou penoso. Não conseguia mais descansar. Ser nômade é quase um segundo emprego”, afirma.

O desgaste da experiência se escalou para a rotina profissional. “Comecei a trabalhar em horários esquisitos”, diz. A sobrecarga de decisões exigidas pela vida nômade passou a comprometer a capacidade de pensar estrategicamente no trabalho. Às vésperas de completar um ano como nômade, abandonou.

Romantização atrapalha experiência

Nem sempre a experiência tem um desfecho traumático. Adepto do nomadismo há mais de dez anos, o consultor Fernando Kanarski, de 40 anos, concorda que o estilo de vida exige mudanças constantes e tomada de decisões diárias. Desde a escolha de onde comer e morar até outros imprevistos, como passagens áreas e deslocamento.

Fundador da The Nomadic Club, comunidade criada em 2021 que reúne cerca de cem nômades brasileiros espalhados pelo mundo, ele acredita que parte da frustração tem origem na forma como a experiência é apresentada, muitas vezes associada a um “sonho”. Para Kanarski, outra razão que força a desistência precoce é a dificuldade de manter em equilíbrio a saúde física, a saúde mental e a questão financeira.

“O nomadismo potencializa esses problemas, então você precisa estar bem nessas áreas”, sugere o veterano no ramo. Ele acrescenta que esse tripé é decisivo para a permanência ou desistência.

Dois desses motivos aparecem na pesquisa conduzida pelo The Nomadic Club como causas de renúncia. Os respondentes apontaram saúde e instabilidade financeira como as principais razões. Para lidar com esses riscos, o consultor mantém dois planos de saúde, um no Brasil, e outro utilizado somente no exterior. Na sequência dos fatores listados no estudo, surge a saudade da família e do círculo de amizade.

“O nomadismo exige muitos momentos de solidão, quem não gosta de ficar sozinho não aguenta o tranco”, avalia Kanarski. Em um post de Letícia Pirolo no TikTok sobre ter largado o estilo de vida, por exemplo, diversos ex-nômades mencionam a falta de amigos como determinante para voltar a um endereço fixo.

Nos comentários, uma pessoa diz que o estilo de vida é “extremamente exaustivo”. Outros comentam que a questão financeira tem um peso considerável. Há também quem diga que não teve paz durante a experiência, “sempre ficava procurando hospedagem”, escreveu. Assim como o conteúdo da advogada, nas redes sociais há inúmeros relatos de profissionais que largaram o nomadismo.

Solidão e alto custo de vida

Um deles é o da escritora e fotógrafa Laís Schulz. No vídeo compartilhado em seu canal no YouTube, a profissional narra que tinha o desejo de conhecer outras culturas enquanto trabalhava remotamente. Após dois anos vivendo como nômade digital, no entanto, desistiu para cuidar da saúde mental.

Assim como Letícia, a escritora sentiu o peso dos perrengues. Com o tempo, um dos principais desafios foi encontrar equilíbrio entre o trabalho e o turismo por onde passava. “Ser nômade não é estar de férias”, ressalta. Em alguns períodos, devido ao volume de trabalho, só conhecia os lugares aos finais de semana.

A escritora Laís Schulz afirma que sempre sonhou em viajar o mundo enquanto trabalhava, mas desistiu da experiência após dois anos Foto: Reprodução

Ela conta que a falta de rotina também pesou na decisão. Às vezes o apartamento não tinha cozinha ou não havia academia por perto. O baque maior veio durante o período em que estava no Camboja. O plano inicial era seguir pela Ásia por seis meses, mas desistiu após entrar em depressão.

“Não conseguia pensar mais em ter de ir para um lugar novo e reconstruir tudo”, desabafa. Foi então que trocou a flexibilidade da vida nômade para construir laços mais duradouros, morar por mais tempo nos lugares e desenvolver hobbies. “O nomadismo não me dava isso. Senti falta de sair na rua e encontrar pessoas que me conhecessem. Queria construir minha vida em um lugar onde quisesse ficar”, afirma.

A vontade de se estabelecer em um lugar e criar vínculos também foram os principais motivos que fizeram a empresária Kely Coutinho, de 45 anos, dar uma pausa no estilo de vida. A profissional relembra que em determinado momento a imersão em diferentes culturas e o autoconhecimento praticado durante o nomadismo não estavam mais compensando a solidão e o alto custo de alguns destinos, que chegou a R$ 10 mil por mês.

Depois de sete anos na estrada, entre 2018 e 2025, passando por mais de 30 países, resolveu desacelerar. “Não sentia mais aquela vontade louca de estar em movimento. Hoje quero segurança, estabilidade, um lar fixo, negócios locais e vínculos afetivos mais sólidos, coisas que não vivia”, relata.

A última parada como nômade foi em Buenos Aires, onde passou um ano no mesmo apartamento, depois retornou ao Brasil e selecionou João Pessoa como endereço fixo. Desde então, a rotina à beira mar na capital paraibana é mais “previsível” e tranquila. “Hoje o nomadismo não faz mais sentido para mim, mas isso não quer dizer que seja pra sempre”, pondera.

Para Fernando Kanarski, a experiência tem data de início, meio e fim. “Sou da política que viver como nômade tem prazo de validade”. Ele planeja seguir no estilo de vida por mais três anos, após mais de uma década na estrada.

A advogada Letícia Pirolo, por sua vez, não descarta retomar o nomadismo no futuro; no entanto, pretende aumentar a reserva financeira e permanecer por períodos mais longos nos destinos. Laís Schulz também não se arrepende da experiência. Agora diz estar em busca de uma rotina em que permita conhecer novas culturas com mais conforto e estabilidade. “Existe um meio-termo que ainda estou tentando descobrir.”

Perfil do nômade brasileiro

Antes de virar nômade, é preciso avaliar se consegue lidar com uma rotina mais solitária e identificar qual perfil de experiência combina mais com cada pessoa, se prefere se deslocar com frequência ou permanecer mais tempo no mesmo lugar, avalia Kanarski. No que diz respeito ao quesito financeiro, a recomendação é guardar o equivalente a pelo menos seis meses de despesas.

Ele também aponta diferenças entre o nômade brasileiro e o estrangeiro. Fora do País, a maioria atua na área de tecnologia ou como empreendedor. No Brasil, embora profissionais de TI e empreendedores também representem boa parcela do grupo, há presença significativa de profissionais de marketing. Em geral, têm mais de 25 anos e alta qualificação.

Em seu livro Clube dos Nômades Digitais, lançado em 2025, o consultor define o nômade como um profissional que viaja com frequência, adota um estilo de vida minimalista e não tem um endereço fixo.

Apesar da expansão do trabalho remoto, o número de viajantes em tempo integral deve seguir como uma parcela menor e estável desse universo, estima Kanarski. Atualmente, cerca de 6,6 milhões de brasileiros trabalham em home office, segundo o IBGE, mas isso não significa que todos possam se tornar nômades. Isso porque, muitas empresas ainda exigem residência no local de contratação.

Além disso, a consolidação do modelo híbrido, que prevê a presença no escritório em determinados dias da semana, torna o estilo de vida ainda menos viável. Um estudo do Insper divulgado em 2025 revela que o trabalho híbrido segue predominante no Brasil, mesmo com anúncios de retorno ao formato 100% presencial por grandes empresa

Por que eles estão desistindo de trabalhar de qualquer lugar do mundo como nômades digitais – Estadão

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Intelectuais em declínio

Cortes nas humanidades, redes sociais e IA estão corroendo o retorno simbólico de pensar

Quando a reflexão deixa de compensar, não desaparece a ideia, mas sim o intelectual

Álvaro Machado Dias – Folha – 25.jan.2026 

Neurocientista, professor livre-docente da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e sócio do Instituto Locomotiva e da WeMind

Harvard cortou 60% das vagas de doutorado em ciências humanas. Chicago pausou admissões em história da arte, estudos de cinema, literatura comparada e mais de uma dúzia de outros programas. Brown suspendeu-as em seis departamentos de humanidades. Em Plymouth, a administração planeja fundir artes, literatura e áreas afins numa coisa só. A lista cresce a cada semana. A universidade americana está se sinificando rapidamente.

A referência é o 15º Plano Quinquenal, que faz da inovação científica e tecnológica o “elemento central” no projeto de tornar a China a principal economia do mundo até 2035 e posiciona a educação como meio a serviço desse fim. Mais de 20% dos programas acadêmicos foram reestruturados nos últimos dois anos, priorizando IA, semicondutores e ciências, gerando uma relação de 4-1 entre Stem e formação humanística, considerada ruim para o país por pesquisadores do banco central local.

Trump, invocando Calígula, foi além. Cancelou 1.400 bolsas, demitiu 65% dos funcionários públicos federais ligados às humanas e redirecionou o dinheiro para um jardim de estátuas de heróis americanos. As duas grandes potências chegaram a mais um consenso: a universidade técnica é bem mais fácil de domesticar do que a universidade crítica.

Esses fatores institucionais, porém, não esgotam o diagnóstico. O intelectual não está apenas sob ataque, muitas vezes, na forma de fogo amigo. Está perdendo retorno. Plataformas digitais recompensam presença contínua e opinião rápida —não reflexão acumulada— e em ambientes governados pela atenção, profundidade vira desvantagem.

Tom Nichols chamou isso de morte social da expertise. Não é coincidência que 55% dos jovens obtenham notícias de TikTok e Instagram, não de fontes tradicionais, nem que livros de não-ficção tenham registrado em 2024 a pior venda da série histórica no Reino Unido.

É nesse cenário que a IA atua como fator de transição. Sistemas conversacionais aprendem, sintetizam e argumentam. Para um jovem de 18 anos, apostar que quatro anos de formação intelectual produzirão vantagem analítica sobre algoritmos erigidos a prioridades nacionais, cujo QI cresce mais rápido do que o de uma criança, tornou-se objetivamente arriscado.

O cálculo é individual, não ideológico, e é reforçado tacitamente pelo fato de que a máquina responde a uma demanda clássica do pensamento humanístico: a curiosidade difusa sobre o mundo, a moral e o sentido das coisas.

Mais do que um psicólogo de bolso, o que se vê é a IA se desdobrar em verbetes ad hoc e filosofia simples sob demanda. Isso é poderoso em uma época em que não faltam livros, mas tempo social para as ideias que exigem duração.

Desde o século 18, o ocidente ancora seu diferencial na formação de intelectuais, isto é, de uma classe média improdutiva que reclama de tudo e vez ou outra tem uma ideia genial. Sua vitalidade sempre esteve atrelada ao apetite para investir em ideias antes da execução e é possível que a IA seja a última grande invenção dessa Era, ao deslocar a disputa pela hegemonia planetária para um terreno mais propício a sistemas capazes de alinhar esforço coletivo em torno de objetivos explícitos, com menor tolerância às idiossincrasias reflexivas.

Quando pensar deixa de gerar retorno, não é o pensamento que desaparece. É o intelectual.

Intelectuais em declínio – 25/01/2026 – Álvaro Machado Dias – Folha

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