Semana de 4 dias é discutida há 50 anos, e não avança

O colunista Claudio Garcia* explica diferentes razões pelas quais a jornada mais curta ainda não emplacou

Cláudio Garcia – Valor 09/06/2022 

“A semana com 4 dias de trabalho tem sido um dos tópicos mais discutidos em negócios nos tempos recentes, sendo anunciado como uma inovação social bem relevante”. Apesar de soar atual, essa frase foi utilizada no início de um artigo no “California Management Review” quase cinco décadas atrás, em 1975. Curiosamente, o tema de reduzir em 1 dia a semana de trabalho tem recebido diversas ondas de atenção desde os anos 1950. Naquela época, a lógica por trás era simples: assim como em 1926 a Ford Motor Company rompeu com o padrão de 6 dias e estabeleceu a nossa atual semana de 5 dias, mantendo salários e ampliando produtividade e qualidade de vida, por que 4 dias de trabalho não gerariam o mesmo efeito?

Em 1956, o presidente dos EUA Richard Nixon disse que a semana de 4 dias seria uma realidade “em um futuro não tão distante”. Quase 70 anos depois, com vários momentos de entusiasmo e tentativas, a adoção do modelo é relativamente inexistente.

Aparentemente, uma nova chance está emergindo. A Islândia realizou o maior e mais recente piloto já registrado, entre 2015 e 2019, de uma jornada de 4 dias, com 2.500 trabalhadores. Os resultados em produtividade e satisfação foram tão satisfatórios que organizações e trabalhadores aceitaram mudar o padrão. Estima-se que cerca de 90% da população islandesa já tenha mudado ou deverá mudar em breve para o novo formato.

Impulsionados pela crise de saúde mental revelada pela covid-19, outros países e organizações iniciaram pilotos semelhantes. O Reino Unido pretende superar a Islândia: 3.500 trabalhadores de mais de 70 empresas iniciam esta semana um piloto de seis meses que será avaliado por várias organizações, entre elas a Universidade de Stanford, na Califórnia.

É interessante observar que muitas análises dessas tentativas ao longo do tempo, apesar das limitações metodológicas, sinalizam o benefício do modelo de jornada reduzida. Porém, como qualquer transformação social, não significa que a mudança não tenha efeitos indesejados, o que requer atenção. Em iniciativas piloto com trabalhadores do conhecimento, que há décadas vêm expandindo o número de horas trabalhadas, a mudança para 4 dias piorou a situação, já que precisavam entregar a mesma quantidade de trabalho em menos dias – há relatos de participantes sugerindo que o “dia extra” servia para se recuperarem da exaustão. Em outras tentativas, observou-se que a qualidade das relações em times diminuía, já que havia um excessivo foco na tarefa – para não perder a produtividade desejada -, o que vinha ao custo do tempo dedicado aos colegas.

Ainda, em várias tentativas, muitos dos ganhos observados de satisfação e produtividade se esvaíam depois de um ano – uma possível consequência do efeito novidade que se desvanece à medida que o tempo passa e se torna parte do cotidiano.

Além disso, o modelo pode não ser aplicável a muitos tipos de emprego. E em economias emergentes, como o Brasil, muitos possuem dois ou mais empregos para aumentar a renda, o que pode reduzir eventuais benefícios de bem-estar e produtividade de uma semana mais curta.

Além desses pontos, existem várias suposições do porquê, até hoje, o modelo não funcionou. Uma das mais cogitadas é a associação, no ocidente, do trabalho com progresso e status que, de certa forma, contagiou o resto do mundo depois da Segunda Guerra. Mas o argumento mais contundente diz respeito às recessões econômicas – momentos em que empresas precisam entregar mais com menos, e indivíduos estão mais vulneráveis a dar mais de si para não perder o emprego. Curioso (ou nem tanto) que o renovado interesse pela semana de 4 dias esteja acontecendo às margens de uma potencial recessão. Recessões, no final, são a melhor prova do real interesse de organizações pelas pessoas. Será interessante, em alguns anos, olhar para trás e analisar o que aconteceu desta vez.

*Claudio Garcia é professor adjunto de gestão global na Universidade de Nova York. 

Cláudio Garcia vive em Nova York onde atua como empreendedor, conselheiro de empresas e pesquisador sobre pessoas e organizações.

https://valor.globo.com/carreira/coluna/semana-de-4-dias-e-discutida-ha-50-anos-e-nao-avanca.ghtml

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Tecnologia tem que ter papel importante na educação

Um novo mundo digital só fará sentido se puder ser aproveitado e potencializado por todos

 Por Camila Farani – O Estado de S.Paulo 04/05/2022 | 

Será que estamos nos preparando como deveríamos para os desafios do mundo do presente e do futuro? Essa é uma das questões que sempre me pergunto e as respostas, invariavelmente, apontam para como estamos tratando a educação no Brasil.

Cada vez mais falamos sobre a potência do mundo digitalizado, e do quanto novos conceitos e tecnologias estão mudando a forma como a gente se relaciona, como adquirimos produtos e serviços, como realizamos transações bancárias. É o caso dos NFTs (tokens não fungíveis), DeFi (finanças descentralizadas), Metaverso, Realidade Virtual e Aumentada, Inteligência Artificial. É incrível pensar nas oportunidades que estão chegando.

Isso só fará sentido, porém, se esse novo mundo puder ser aproveitado e potencializado por todos. Pelo menos 28% da população não têm acesso à educação no Brasil. Outro ponto importante é que a média de maturidade digital das pequenas e médias empresas brasileiras é de 40,77 pontos, em uma escala que varia de 0 a 100 pontos. Hoje, 66% destas operações estão nos níveis iniciais de maturidade digital, aponta estudo da FGV, o que nos leva a conclusão de que a digitalização precisa avançar, e muito, nas PMEs.

A importância da tecnologia na educação

A importância da tecnologia na educação

Relatório apresentado recentemente pela Unesco fala sobre a importância de transformarmos a educação no Brasil, e um dos pontos destacados é, justamente, reimaginar as escolas e os modelos de aprendizado. É o que fizeram os países que estão avançando mais rapidamente na nova economia.

Precisamos ampliar o acesso à educação, mas também construir uma nova forma de ensinar, mais alinhada com a maneira com que as pessoas aprendem hoje em dia. Isso pressupõe aposta na conectividade, bem como na lógica de cocriação do aprendizado entre alunos e professores e na colaboração.

A tecnologia torna cada vez mais possível o aprendizado a qualquer momento, e de qualquer lugar, facilitando este processo. Assim com a personalização, já que cada pessoa aprende de forma diferente.

O desafio aqui é olharmos para as oportunidades do mercado e preparar as pessoas para isso. Um exemplo é, justamente, a área de tecnologia. Enquanto falamos em desemprego no Brasil, a procura por profissionais de TI será de 420 mil pessoas até 2024, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

É fundamental ampliarmos a formação de pessoas para atuarem nas áreas ligadas a STEM (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Especialmente, mulheres, já que, das 246 ocupações nestas áreas, 206 têm mais de 50% da força de trabalho composta por homens.

A educação é um direito de todos, quando pensamos no presente e no futuro, deve ser pensada sob os pressupostos do quanto a tecnologia pode ser uma aliada na formação das novas gerações. Não há mais tempo a perder.

https://link.estadao.com.br/noticias/inovacao,tecnologia-tem-que-ter-papel-importante-na-educacao,70004056158

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Quais são as empresas dos sonhos de jovens e profissionais experientes no Brasil

Lista traz as 10 organizações preferidas. Conheça

Por Adriana Fonseca, Para o Valor  22/06/2022

Entre profissionais da alta liderança, 82% têm uma “empresa dos sonhos”, aquela que mais desejam trabalhar, número que cai ligeiramente na média gerência (80%) e entre os jovens (75%), de acordo com a pesquisa “Empresa dos Sonhos”, realizada pelo grupo Cia de Talentos e obtida com exclusividade pelo Valor. Esses números vêm crescendo ano a ano. “É interessante acompanhar o crescimento do total de pessoas que dizem ter uma empresa dos sonhos”, comenta Danilca Galdini, head de pesquisa na Cia de Talentos.

“Em 2017, vimos os índices de confiança em ONGs, mídia, empresas e governo despencarem no mundo, incluindo o Brasil. Essa queda foi causada por grandes escândalos envolvendo corrupção, falta de ética e responsabilidade socioambiental. As fake news também contribuíram fortemente para esse cenário. De lá para cá houve um aumento no índice de confiança em empresas, porque as pessoas entendem que elas podem ser uma fonte confiável de informações sobre problemas sociais e outros assuntos sobre os quais não há consenso e porque elas têm poder suficiente para fazer as mudanças que são necessárias na sociedade.”

Fazer carreira em uma empresa só é um problema?

3 características dos “profissionais do futuro”

O novo local de trabalho: o que jovens em início de carreira precisam saber

Hoje, continua Galdini, existe uma alta expectativa que as organizações se envolvam na resolução dos problemas complexos da sociedade. “Além de lucro e perenidade do negócio, é esperado que as organizações tenham uma consciência social ampla”, afirma. “Assim, as organizações são mais do que um lugar para trabalhar, elas são agentes de transformação capazes de melhorar a vida das pessoas.”

Os mais de 117 mil entrevistados ressaltaram como justificativa para a escolha da “empresa dos sonhos” critérios como “desenvolvimento”, “fazer o que gosta”, “boa imagem”, “inovação”, “remuneração” e “segmento de atuação”.

Empresas dos Sonhos 2022

Ranking Empresa

1             Google

2             Ambev

3             Globo

4             Itaú Unibanco

5             Vale

6             Banco Bradesco

7             Nubank

8             Nestlé

9             Amazon

10             Natura

Fonte: Cia de Talentos

Galdini acredita que essas empresas estão no ranking por fazerem um trabalho consistente e estarem atentas às transformações necessárias para não apenas sobreviverem como também prosperarem no novo cenário mundial. “É importante considerar que não estamos falando de empresas perfeitas, isso não existe. Estamos falando de empresas que têm políticas e práticas contemporâneas e também políticas e práticas que precisam ser repensadas, mas, o ponto que faz com que estejam no ranking é que estão sempre em movimento, em busca de uma melhor versão”, afirma. “Além disso, entendo que são empresas que, de alguma maneira, sabem comunicar melhor para as pessoas quem são, quem pretendem ser e o que estão fazendo para isso.”

Google aparece no topo da lista das empresas dos sonhos — Foto: Michel Euler, File/AP

Também é importante considerar que as empresas da lista são percebidas pelas pessoas como promotoras de desenvolvimento, motivo pelo qual grande parte das organizações é escolhida como sendo uma empresa dos sonhos, pontua Galdini. “As pessoas esperam que as organizações apoiem seu desenvolvimento, que as preparem para passar pelos desafios atuais e do futuro do trabalho”, diz. “Não é sobre horas de treinamento, mas sobre o que as pessoas precisam para se sentirem seguras sobre sua atuação e mais preparadas para enfrentar o presente e o futuro.”

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Estônia: 30 anos de transformação digital e novas oportunidades no horizonte

Há anos, o pequeno país báltico é referência em tecnologia. Laços com o Brasil se estreitaram, o que aumenta as chances de parceria e aprendizado

Raphael Fassoni e Julia Ramos – Canaltech 26 de Junho 2022

Artigo Estônia: 30 anos de transformação digital e novas oportunidades no horizonte

Realizar um processo de transformação digital já é difícil em uma empresa, imagine em um país inteiro? Agora, imagine em um país saindo de um período de 50 anos da União Soviética? E o que torna tudo ainda mais fascinante é que o país não só se transformou digitalmente como virou referência em tecnologia, saúde e educação.

Essa revolução na Estônia começou após a independência, em 1991. O país se viu livre, porém pobre e com sérios problemas estruturais.

O (re)início de tudo

Em 1991, os estonianos compararam sua renda per capita com a da Finlândia (país que não foi parte da URSS). Em 1940, era de 1:1. Ou seja, um estoniano podia se considerar tão rico quanto um finlandês. Porém, 50 anos depois, esse mesmo comparativo evidenciou o abismo: a Finlândia era 15 vezes mais rica.

Externo 11-06

Em nosso modelo de transformação holística da Estônia, destacamos uma série de elementos como vontade política, legislação, educação, saúde, ambiente de negócios e investimentos, tecnologia e, principalmente, sociedade civil.

Externo 11-07

É possível também destacar que todo este esforço estava direcionado a alguns objetivos, entre eles o aumento da renda per capita. Para tanto, seria indispensável dispor de uma nova geração de cidadãos e profissionais altamente educados.

Nessa jornada de reinvenção do país, o caminho natural seria reconstruir a estrutura tradicional de administração pública. Porém, a Estônia, à época, não dispunha de recursos nem tempo para tanto. Nesse momento, uma convergência de fatores resulta em uma ousada (e acertada) decisão: sair do passado, pular o presente e ir direto para o futuro.

A estratégia para a transformação digital (e econômica) foi batizada de “e-Estonia” e tinha os seguintes objetivos:

  • Aproveitar a mão de obra capacitada: o país possuía uma alta concentração de profissionais de TI – seu Institute of Cybernetics, (que se tornou a empresa Cybernetica posteriormente) era o principal hub de P&D da União Soviética e serviu de pool de talentos e know-how de 1991 em diante;
  • Desenvolver soluções de baixo custo: com a recente independência, o país não tinha recursos. Até tentou contratar a IBM, mas optou pela estratégia de parceria público-privada com agentes nacionais;
  • Experimentar com inovações;
  • Aprender com erros e acertos de outros países;
  • Não melhorar o que não deve existir: a Estônia vinha de mais de 50 anos sob regime soviético e, em vez de redesenhar processos dentro dessa estrutura burocrática e centralizada, começou com uma folha em branco. “Digitalizar sem desburocratizar é transformar um computador em uma máquina de escrever”;
  • Desbravar a internet desde o princípio. O país teve a oportunidade de redesenhar sua estrutura junto com o surgimento da internet, que seria uma força motora para sua transformação digital;
  • Crescimento econômico: o objetivo era viabilizar desenvolvimento por meio de oportunidades e produtividade, com a tecnologia como meio e tendo como resultado final o aumento da renda per capita;
  • Ecossistema (e inovação aberta): programa e-residency, 20 mil empresas no país, receita de R$ 500 milhões.

Deu certo?

Ao compararmos os dados da década de 1990 com os de hoje, vemos que a Estônia foi muito bem-sucedida em seu desenvolvimento econômico e na construção de um ecossistema digital, inovador e empreendedor, alcançando o 29º lugar no índice de competitividade global do Fórum Econômico Mundial.

Externo 11-08

As conquistas da Estônia tornaram o país reconhecido mundialmente por seus feitos. “Nação digital mais avançada do mundo”, segundo a revista Wired, a Estônia atraiu personalidades importantes de todo o mundo para seu programa de e-Residency, com o intuito de aproveitar o seu ecossistema. Desde políticos, como Shinzō Abe (ex-primeiro-ministro do Japão), Angela Merkel (ex-chanceler alemã), e Barack Obama (ex-presidente americano) até celebridades e outras figuras importantes, como Trevor Noah (apresentador americano), Edward Lucas (editor da Economist), Bill Gates e o papa Francisco.

A Estônia se destaca em várias frentes tecnológicas. Entre elas podemos citar a interoperabilidade de dados, viabilizada pelo X-Road, o sucesso em user experience, com foco na governança pró-ativa nos portais do governo e na identidade e assinatura digitais, a cibersegurança, sendo inclusive sede do Centro de Cooperação para o tema da Otan, e a inteligência artificial, promovida por meio da estratégia KRATT, que permitiu seu uso em mais de 50 casos no setor público.

Estônia e o Brasil

Diversos players do Brasil já conheceram e se conectaram com o ecossistema estoniano, como Banco Itaú, Grupo Boticário, Oi e a RD Station. Ainda são os primeiros passos de uma relação que pode ser muito mais extensa e proveitosa para o Brasil.

Outro fato que evidencia o estreitamento da relação Brasil-Estônia, é o estabelecimento de escritórios do e-Residency no Brasil, como um ponto de coleta do cartão e-residency. Para as empresas do Brasil, a Estônia representa uma janela de oportunidades. O programa de e-Residency permite aproveitar o ambiente de negócios estoniano e a possibilidade para estabelecer relações comerciais com a UE, de forma mais fácil e simplificada.

A combinação de pessoas altamente capacitadas em TI, com a melhor performance empreendedora e competitiva da Europa e um ambiente pró-negócios com infraestrutura digital ideal para a inovação tornam a Estônia um mercado aberto para ideias, crescimento e investimento globais.

É por essa combinação que o visto de startup já atraiu tantos empreendedores do mundo todo, o que já permitiu que empresas brasileiras, como a OriginalMy, expandissem sua atuação para o Báltico. O país com o maior número de unicórnios per capita do mundo é o destino perfeito para empreendedores que buscam expandir seus negócios.

Tendências e desafios

A Estônia é sede, hoje, de nove unicórnios. Quer ter 25 até 2025. Com a estratégia de inteligência artificial Kratt, o país busca elevar sua transformação digital a outro patamar, com o incentivo ao uso e ao desenvolvimento de IA nos setores público e privado e a criação de um ambiente legal para o uso de I.A.

Em termos de infraestrutura, a Estônia, junto com outros países, está investindo na Baltic Railway, uma linha ferroviária verde que tem como objetivo integrar os Países Bálticos à malha ferroviária europeia.

No entanto, a Estônia vem enfrentando alguns desafios. Um deles é a demanda por talentos. Para driblar esse problema, o país busca a atração de estrangeiros, com iniciativas como o “Study in Estonia”, o “Work in Estonia” e o próprio Startup Visa. Segundo o Statistics Estonia, mais de 19 mil pessoas imigraram para a Estônia, enquanto aproximadamente 12 mil pessoas deixaram o país.

Com a chegada de tantos novos imigrantes, a adaptabilidade social se torna outro desafio. Segundo o Ministério do Interior da Estônia, o maior desafio é a falta de comunicação entre os imigrantes e os locais. Dessa forma, o governo busca soluções para promover o contato significativo e a integração, a fim de promover o senso de pertencimento a uma fatia que já representa mais de 15% da população.

Outro desafio é a diversificação dos parceiros. A Estônia tem como principais parceiros de comércio exterior a Finlândia e a Rússia, que representam um terço das transações. Com a recente guerra na Ucrânia, esse movimento ficou mais urgente, o que gera oportunidades para outros países em potencial, como é o caso do Brasil.

Takeaways

O ambiente inovador estoniano se tornou conhecido, primeiramente, por sua transformação e pelo governo digital. O “Vale do Silício da Europa” é pioneiro em novas tecnologias e temáticas, como blockchain, cibersegurança e web3. Nunca foi tão fácil para brasileiros estabelecerem negócios no país e aprenderem com o modelo de transformação digital. As portas estão abertas para eles se encantarem com a Estônia, um país pequeno em território mas gigante em tecnologia.

Autoria

Raphael Fassoni e Julia Ramos

Raphael Fassoni é empreendedor e consultor de negócios internacionais. Formado em relações internacionais pela UNESP e Universidade de Dresden (Alemanha), tem especializações em consultoria estratégica na Harvard University e liderança pela Stanford University. No Brasil, foi diretor comercial da TOTVS e atualmente como cofundador do Estônia Hub, empresa focada em acelerar a transformação digital e gerar novos negócios e parcerias entre Brasil e Estônia nos setores público e privado. Julia Ramos é graduanda em relações internacionais na ESPM, com especialização em relações governamentais. No Estônia Hub atua na área de novas iniciativas, apoiando novas frentes de atuação da empresa.

https://mitsloanreview.com.br/post/estonia-30-anos-de-transformacao-digital-e-novas-oportunidades-no-horizonte

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Governança, inovação e imagem, motores para a inserção do agro do Brasil no mundo

São alguns pontos levantados em trabalho apresentado ontem pelo CEBRI e pelo Insper

Por Fernando Lopes — Valor 24/06/2022 

Exportação brasileira de soja: pauta ainda concentrada em poucos produtos — Foto: Divulgação APPA

Adoção de uma estratégia internacional de longo prazo; aprimoramento da governança público-privada; ampliação do acesso a mercados, com diversificação e diferenciação da pauta exportadora; estímulo à competitividade; e construção de uma imagem ambiental positiva.

Simples no papel, mas dependentes de uma sintonia muito mais fina entre governos e iniciativa privada para que sejam capazes de direcionar esforços e gerar investimentos, essas proposições foram apresentadas ontem no evento “Políticas Públicas para a Inserção do Agro Brasileiro no Mundo”, que contou com a participação de Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global e do Núcleo Agro do CEBRI, Feliciano de Sá Guimarães, diretor acadêmico do CEBRI, José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, Fernando Queiroz, CEO da Minerva Foods, Paulo Hartung, presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), e Tereza Vendramini, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB).

Com algumas variações, esse cardápio está sobre a mesa das lideranças do setor há décadas. Mas acelerar os avanços nessas frentes tornou-se mais importante com a guerra na Ucrânia e seus reflexos sobre comércio, segurança alimentar, subsídios, preços das commodities e movimentos geopolíticos como a aproximação entre Rússia e China. É consenso no agro brasileiro que a crise gerou uma oportunidade única para o país se firmar como o grande fornecedor mundial confiável – e sustentável – de alimentos, mas também mostrou que há muita lição de casa a ser feita para isso.

“Apesar de o agro ser o principal setor exportador do país, falta visão estratégica para sua efetiva participação na resolução de problemas e desafios globais como a segurança alimentar. Não vemos um esforço coordenado nessa direção, não há visão global e até agora não sabemos onde queremos chegar”, afirmou Jank ao Valor.

“Neste momento, por exemplo, estamos vivendo com a guerra um problema mundial conjuntural que poderá até terminar no curto prazo, mas que está exigindo reações imediatas que poucos países além do Brasil conseguem oferecer. Quem pode ampliar a oferta de alimentos com a nossa velocidade?”.

Para que realmente o país apure sua visão internacional de longo prazo, CEBRI e Insper propõem, em trabalho assinado por Jank e pelas pesquisadoras Camila Dias de Sá, Cláudia Cheron König e Amanda Araújo Pinto, do Insper – e que fará parte de um documento maior a ser entregue pelo CEBRI aos candidatos à Presidência -, que o agro seja de fato um ativo estratégico nas relações com parceiros comerciais e nas discussões sobre segurança alimentar, inclusive em organizações multilaterais. Também defendem maior presença física do setor na China e em países do Sudeste Asiático, do Sul da Ásia, do Mundo Islâmico e da África Subsaariana e o estabelecimento de novos acordos regionais e bilaterais.

Governança público-privada

No que se refere à governança público-privada, entre as sugestões apresentadas estão a criação de mecanismos que permitam maior coordenação governamental e com o setor não-governamental, a reforma do arcabouço sanitário (aprimoramento da fiscalização) e a geração de dados sólidos e inteligência estratégica para a definição de políticas. “Também temos que evitar as narrativas conflitantes que vemos sobre diversas questões, como a ambiental. Temos hoje posições muito divergentes dentro do governo e mesmo dentro de cadeias produtivas privadas, e isso é ruim”, disse Jank.

Acesso a mercados

Nas discussões sobre acesso a mercados e diversificação das exportações, concentradas em poucos produtos e com espaço para avançar nas centenas de países para os quais o Brasil vende, CEBRI e Insper também pregam a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e ações com outros países para que sejam combatidas barreiras não-tarifárias e ampliadas a previsibilidade e a transparência das relações.

Para ampliar inovação e competitividade, a expansão da implantação do sistema de integração lavoura-pecuária, de irrigação, de ferramentas de agricultura de precisão, do uso de bioinsumos e da rastreabilidade são alguns caminhos. Mas não só. Na infraestrutura, a ampliação do uso de modais como o ferroviário e o hidroviário para o escoamento da produção pode reduzir custos, enquanto é urgente um olhar mais profundo para permitir a inclusão de parte dos produtores rurais marginalizados, sobretudo no Nordeste.

Se todas essas proposições já têm potencial para melhorar a imagem do Brasil como “potência agroambiental”, também é verdade que será preciso mais. Nesse sentido, a implementação do Código Florestal, a regularização fundiária, o combate à ilegalidade, a consolidação de um mercado de créditos de carbono e a introdução de instrumentos legais de apoio legal ao engajamento do país na agenda climática também são considerados fundamentais.

https://valor.globo.com/agronegocios/noticia/2022/06/24/governanca-inovacao-e-imagem-motores-para-a-insercao-do-agro-do-brasil-no-mundo.ghtml

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Aplaudir pôr do sol, abraçar… Veja o que surpreendeu os estrangeiros

Turistas que vieram para a Copa listam o que acharam mais surpreendente.

Pão de queijo, compras parceladas e falta de pontualidade foram citados. 

Flávia Mantovani Do G1.OGlobo 10/07/2014 

O chileno Richard, o americano Joe, a estoniana Elsa e o suíço Lukas Bärtschi (Foto: Arquivo pessoal)

O chileno Richard, o americano Joe, a estoniana Elsa e o suíço Lukas Bärtschi (Foto: Arquivo pessoal)

O americano Joe Bauman, que veio para a Copa do Mundo no Brasil, achou estranho ver que todo mundo colocava algo que parecia areia na comida. Foi assim que ele descobriu a farofa e virou adepto. “Comecei a colocar farofa em tudo”, conta ele, que também ficou surpreso com as paisagens naturais, a obrigatoriedade de votar nas eleições e o interesse das brasileiras pelos gringos.

O G1 perguntou a Joe e a outros 11 estrangeiros que visitaram o Brasil durante o Mundial o que eles acharam mais curioso ou diferente aqui em relação a seus países de origem. As respostas foram variadas, mas um ponto se repetiu em quase todos os depoimentos: a surpresa positiva com o jeito alegre e receptivo do povo. Confira a seguir o que os turistas responderam:

O canadense Florent Garnerot (Foto: Flávia Mantovani/G1)

O canadense Florent Garnerot

(Foto: Florent Garnerot/Arquivo pessoal)

Florent Garnerot, do Canadá

– Na praia, os brasileiros ficam de frente para o sol, e não para o mar. Achei interessante!

– Os brasileiros se encontram, bebem juntos e dividem a conta. No Canadá, cada um paga o que consome.

– Aqui os casais se beijam e demonstram afeto em público, o que não acontece no Canadá.

– As mulheres sempre usam joias, maquiagem… Elas se arrumam muito.

– Quando quero encontrar um amigo no Canadá, preciso planejar com pelo menos uma semana de antecedência. Eles precisam falar com suas mulheres, etc. No Brasil, isso é muito mais espontâneo.


O americano Joe Bauman (Foto: Joe Bauman/Arquivo pessoal)

Joe, dos EUA (Foto: Joe Bauman/Arquivo pessoal)

Joe Bauman, dos Estados Unidos

– Quando cheguei aqui, me perguntava por que todo mundo colocava areia na comida. Depois provei e vi que tinha gosto de bacon. E finalmente comecei a colocar farofa em tudo.

– Os brasileiros bebem muito. Todos os compromissos sociais envolvem amigos e cerveja.

– Achei estranho ver que muitas famílias de classe média têm empregadas domésticas. Nos EUA, só os ricos têm. Fiquei um pouco desconfortável de ver que uma estranha ia fazer minha cama, lavar minha roupa ou preparar meu café da manhã.

– Os brasileiros adoram dar comida para as visitas. É a forma de eles cuidarem de você.

Achei estranho ver que muitas famílias de classe média têm empregadas domésticas. Nos Estados Unidos, só os ricos têm.”

Joe Bauman,

turista americano

– Fiquei impressionado de saber que os adultos são obrigados a votar. Nos Estados Unidos, temos taxas vergonhosamente baixas de comparecimento nas eleições.

– Fiquei maravilhado com as belezas naturais. As montanhas, as praias, a vegetação, tudo é diferente de onde eu moro. Não podia acreditar que existisse um parque do tamanho do da Tijuca dentro de uma grande cidade como o Rio.

– Fiquei impressionado de saber que foram criadas tantas Constituições no país e que a versão atual recebeu tantas emendas. É muito diferente da Constituição americana, que é muito antiga e foi modificada poucas vezes.

Os brasileiros adoram dar comida para as visitas. É a forma de eles cuidarem de você”

Joe Bauman

– Achei meio nojento ver que aqui jogam o papel higiênico na lixeira [e não no vaso sanitário]. Não fica um cheiro ruim?

– Aqui passam muitos programas de TV americanos, mas tudo da década de 1990. Achei engraçado ver que os brasileiros adoram o seriado “Friends”, que não vai ao ar nos EUA há mais de dez anos.

– As brasileiras parecem adorar os gringos. Estranho, né? Mas achei isso ótimo. Aliás, minha parte favorita do Brasil, com certeza, foram as brasileiras. Eu me apaixonei. Mais de uma vez. Certamente voltarei um dia ao Brasil para encontrar minha futura mulher.

– O coração e a alma deste país maravilhoso são os brasileiros. Eles queriam me mostrar tudo e se certificar de que eu tivesse uma boa experiência – e eu certamente tive!


O esloveno Luka Jesih (Foto: Luka Jesih/Arquivo pessoal)

O esloveno Luka (Foto: Luka Jesih/Arquivo pessoal)

Luka Jesih, da Eslovênia

– Os brasileiros falam alto, quase gritando, e muito rápido.

– Vocês comem MUITO. Muito mesmo. Passei uma semana com uma família brasileira e sempre tinha alguma comida ou fruta na mesa.

– Na Europa, tudo é mais calmo. No Brasil, quando as pessoas cantam o hino, elas choram, cantam alto e com muita emoção.


O chileno Richard Diaz (Foto: Richard Diaz/Arquivo pessoal)

Richard Diaz (Foto: Richard Diaz/Arquivo pessoal)

Richard Diaz, do Chile

– Fiquei surpreso de ver como é rápido fazer amigos aqui, tanto na favela quanto nos condomínios mais exclusivos.

– Percebi que os homens são muito machistas. Eles tratam as parceiras como empregadas deles, especialmente em relação às tarefas domésticas.


Torcedores barbudos ingleses (Foto: Flávia Mantovani/G1)

Adam, Pete e Dave (Foto: Flávia Mantovani/G1)

Adam Burns, David Bewick e Pete Johnston, da Inglaterra

– Achamos estranho ver que aqui vocês comem coração de galinha.

– Os brasileiros são muito vivos e cheios de energia. Vocês se mexem muito, estão sempre se mexendo.

– Vocês também sorriem muito.


Mohamed Moulkaf, da Argélia (Foto: Flávia Mantovani/G1)

Mohamed, da Argélia (Foto: Flávia Mantovani/G1)

Mohamed Moulkaf, da Argélia

– Na Argélia, não há mulheres que dirigem motos.

– Quase todas as lojas daqui parcelam as compras em várias vezes sem juros. Gostei disso. Dá para pagar o mesmo preço dividindo até em dez meses.

– Os seguranças de banco aqui andam armados. Lá, não é assim.


O canadense Kyle Dreher (Foto: Kyle Dreher/Arquivo pessoal)

Kyle Dreher (Foto: Kyle Dreher/Arquivo pessoal)

Kyle Dreher, do Canadá

– Quando você conhece alguém, dá dois beijinhos na bochecha. Isso é muito diferente do aperto de mão que a gente dá no Canadá.

– Adorei o queijo coalho com orégano na praia! E o milho também! Todo dia eu comia.

– No Brasil, as pessoas aproveitam mais a vida e o presente que no Canadá. Lá, todo mundo é muito focado em trabalho, dinheiro e status.

– Na favela perto de onde eu estava hospedado, soltavam fogos de artifício toda hora, de dia e de noite. No começo, achei que fossem tiros de revólver, mas depois descobri que é um sinal de que as drogas estão chegando por lá. Acabei me acostumando.


Rodrigo Escobar, do Chile (Foto: Rodrigo Escobar Rebolledo/Arquivo pessoal)

O chileno Rodrigo Escobar Rebolledo

(Foto: Rodrigo Escobar/Arquivo pessoal)

Rodrigo Escobar Rebolledo, do Chile

– A amabilidade, a forma de receber as pessoas, a alegria e a simplicidade do povo brasileiro foram o que mais me chamou a atenção. Fomos tão bem recebidos em Cuiabá, que isso me marcou. Você perguntava algo e te indicavam tudo, te convidavam para churrascos.

– Vocês sempre têm um sorriso para mostrar. Nós chilenos também somos acolhedores, mas somos mais sérios, formais, calados.

– As garotas são lindas, carinhosas e simpáticas. Quero um dia ter uma esposa brasileira.

– Os brasileiros são muito relaxados, mais até do que se deve, às vezes. A turma marca de se encontrar “amanhã às 10h” e ninguém aparece.

– A parte ruim foi encontrar muita obra incabada, pelo menos em Cuiabá.


A estoniana Elsa Saks (Foto: Fernando Nunes/Arquivo pessoal)

Elsa (Foto: Fernando Nunes/Arquivo pessoal)

Elsa Saks, da Estônia

– Estranhei o arroz com feijão. No início, pensei: “É sério isso?”. Mas acabei achando superdelicioso.

– Gostei muito do pão de queijo. Tão bom! Adorei.

– Músicos não são pagos pelo bar onde tocam, mas pelo couvert que os clientes pagam.

– Brasileiros jantam tarde. É normal comer às 22 horas.

– Os brasileiros não são bons em pontualidade.


O suíço Lukas Bärtschi (Foto: Lukas Bärtschi/Arquivo pessoal)

Lukas (Foto: Lukas Bärtschi/Arquivo pessoal)

Lukas Bärtschi, da Suíça

– Foi ótimo ver todo mundo na rua usando roupas amarelas, desde uma senhora idosa com chapéu do Brasil até uma criança com a camisa da Seleção.

– Ficamos surpresos de ver como tudo foi bem organizado. O ônibus para o estádio, as informações para o aeroporto, tudo funcionou muito bem.

– Muita gente se esforçava para falar inglês. Quando estive no Brasil antes, há seis anos, ninguém falava nem uma palavra.

– Foi muito especial ver que cada estádio servia a comida típica da região. E todas eram muito gostosas.

– As pessoas são todas alegres e recebem você de braços abertos.


Daniel Lane, da Inglaterra (Foto: Daniel Lane/Arquivo pessoal)

O inglês Daniel com a mulher, que é brasileira

(Foto: Daniel Lane/Arquivo pessoal)

Daniel Lane, da Inglaterra

– Os brasileiros muitas vezes usam roupas muito apertadas.

– As pessoas chegam atrasadas para tudo.

– Vocês abraçam muito mais.

– Vocês falam “Boa praia!” para as pessoas.

– As pessoas são bem mais religiosas – geralmente, nós só somos religiosos quando queremos muito uma coisa: por exemplo, que nosso time avance na Copa do Mundo.


George Woolley , dos EUA (Foto: George Woolley/Arquivo pessoal)

George mostra o ingresso para um jogo da Copa

(Foto: George Woolley/Arquivo pessoal)

George Woolley, dos EUA

– As pessoas aplaudem o pôr do sol na praia do Rio. Isso nunca aconteceria nos Estados Unidos.

– Poder beber cerveja em público também é algo que não acontece nos EUA, exceto em lugares como Nova Orleans.

– O fato de que as pessoas são tão felizes por estarem vivas é algo muito diferente e palpável.

https://g1.globo.com/turismo-e-viagem/noticia/2014/07/aplaudir-por-do-sol-abracar-veja-o-que-surpreendeu-os-estrangeiros.html

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Por mais produção industrial e por serviços modernos

A saída é adicionar complexidade a produção nacional

Por Fabricio Missio e Wallace Pereira – Valor – 01/06/2022

A desindustrialização não é um fenômeno essencialmente brasileiro. Ao contrário, é um movimento observado no mundo inteiro. Esse processo não seria um problema per si caso ele não carregasse diferenças importantes entre os países.

Em países desenvolvidos, a desindustrialização vem acompanhada da ascensão do setor de serviços modernos ou sofisticados. Estes serviços são competitivos, contribuem para a melhoria da produtividade e para geração de inovação. São atividades de TI, design, pesquisa, engenharia e processamento de dados. São subsetores que pagam salários mais elevados e contribuem para a melhoria do desempenho econômico geral destes países.

No caso dos países latino-americanos, a desindustrialização tem levado ao crescimento acentuado do setor de serviços tradicionais, cuja produtividade e os salários são baixos. São atividades, por exemplo, desempenhadas por cabeleireiros, garçons, vendedores do comércio, atividades de limpeza, entregadores e motoristas de aplicativos. Isso tem implicações sérias para o crescimento econômico de longo prazo porque essas atividades não agregam valor e não melhoram a competitividade nacional.

É impossível absorver 10 milhões de desempregados em startups ou nas atividades agrícolas

A figura ilustra essa situação. Entre 1996 e 2017, em média, os países com maior participação de serviços modernos no valor adicionado total foram aqueles com maior produtividade econômica. Países desenvolvidos (círculo superior a direita) possuem mais de 21% do valor adicionado total proveniente do setor de serviços sofisticados. Os países sul-americanos (retângulo tracejado) têm participação reduzida comparativamente aos países centrais.

Em resumo, a estrutura produtiva global tem se alterado significativamente nas últimas décadas e caminha para a integração entre indústria e serviços modernos. Mas isso não ocorre de forma homogênea ao redor do mundo.

Ao mesmo tempo, sabemos que para crescer precisamos ser competitivos. Para tanto, é preciso que a produção incorpore um grau adequado de sofisticação tecnológica. E isso requer o desenvolvimento e a incorporação de serviços modernos.

Atualmente, automóveis incorporam computador de bordo e uma série de funcionalidades eletrônicas; já tratores modernos incorporam softwares que coletam informações durante o trabalho e geram dados tratáveis dentro de uma estrutura de Big Data. Por outro lado, celulares perdem boa parte da sua funcionalidade sem os diversos aplicativos neles instalados e assim por diante.

A baixa complexidade dos países sul-americanos, resultado da desindustrialização e da especialização em serviços tradicionais, se reflete na fraca competitividade no mercado internacional. A pauta de exportação (importação) torna-se cada vez mais especializada em commodities (produtos industriais).

Já os EUA e as maiores economias europeias são mais complexas, lideram o progresso tecnológico e, quase que exclusivamente, determinam as inovações no setor de serviços. Isso permite a esses países ampliar a sua participação no comércio exterior e acessar fatias crescentes dos mercados consumidores dos países menos desenvolvidos.

Em outras palavras, os países desenvolvidos dominam a exportação de bens manufaturados de alta intensidade tecnológica. Isso só é possível dado a integração entre uma indústria avançada tecnologicamente e um setor de serviços modernos dinâmico.

A integração entre indústria e serviços modernos é a chave para o crescimento econômico do século XXI. Ou seja, indústria e os serviços modernos configuram um novo setor que funciona simbioticamente.

Fica claro, portanto, que o crescimento da economia brasileira terá que enfrentar um duplo desafio nos próximos anos: o primeiro está associado a recuperação da indústria nacional com foco na incorporação do progresso técnico e no crescimento da produtividade; e o segundo passa pela criação e pelo desenvolvimento de um setor de serviços que agregue valor à produção.

Considerando a atual situação brasileira, com a participação da indústria no PIB em queda, próxima a 10%, chamamos atenção para a atualidade da reflexão de Celso Furtado: “Nunca estivemos tão longe do que sonhamos”.

Adicionalmente, para retomarmos a perspectiva do desenvolvimento brasileiro, precisamos superar um desafio adicional, qual seja, a dimensão política. Essa dimensão está assentada em dogmas econômicos ultrapassados e é incapaz de assimilar que mudanças nas formas de produção corroboram novos processos do desenvolvimento econômico.

Um primeiro passo para vencer esse desafio passa pelo entendimento de que indústria e agricultura são imprescindíveis e indissociáveis em uma estratégia de crescimento sustentável. Os ganhos de produtividade e a expansão da fronteira agrícola são fundamentais e o setor tem sidoporta de entrada para o desenvolvimento do setor de serviços modernos. Serviços modernos que aumentem a produtividade e que reduzam o impacto da produção sobre o meio ambiente são simplesmente essenciais em qualquer estratégia de desenvolvimento.

Por outro lado, o crescimento dessas atividades é incapaz de incorporar o contingente de pessoas atualmente sem trabalho. É impossível absorver 10 milhões de desempregados em startups ou no agro. Assim, também por isso a retomada da indústria é fundamental, porque ela gera emprego. Ademais, como está claro na literatura (modelo centro-periferia), a especialização na produção agrícola determina taxas de crescimentos menores no longo prazo. A saída é adicionar complexidade a produção nacional.

Em resumo, ser pop é bom ao passo que ter simbiose é fundamental.

Fabricio J. Missio é professor da UFMG

Wallace M. Pereira é professor da UFPA

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/por-mais-producao-industrial-e-por-servicos-modernos.ghtml

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Varejo aposta corrida por título de entrega mais rápida do Brasil

Folha acompanhou o hora a hora das encomendas no maior centro de distribuição da América Latina

Daniele Madureira – Folha – 18.jun.2022

SÃO PAULO

Era por volta de 11h da manhã de uma quarta-feira quando a representante Letícia, 23, recebeu uma nova leva de pedidos para entrega no mesmo dia no seu aparelho portátil (handheld). Funcionária há dez meses do centro de distribuição (CD) do Mercado Livre em Cajamar, a 29 quilômetros da capital paulista, ela precisa ser rápida: todos os pedidos desta categoria devem sair do CD até as 12h59 em ponto.

Empunhando um carrinho de inox vazado, com capacidade para acomodar seis grandes caixas de plástico amarelas, ela circula com agilidade por algumas das 202 ruas do CD de 1.500 m², que abriga 800 mil itens de produtos diferentes, em pouco mais de 1 milhão de “endereços” –caixas com códigos de barras que identificam o estoque.

O sistema de gerenciamento de armazém (WMS, na sigla em inglês) do Mercado Livre indica à representante qual rota ela deve seguir para buscar todos os cerca de 30 produtos daquela leva da maneira mais eficiente possível: andando no máximo 12 ruas, em um percurso de até 30 minutos.

mulher empurra carrinho de inox com caixas amarelas, tendo ao fundo muitas prateleiras

Centro de distribuição do Mercado Livre em Cajamar (SP), o maior da América Latina. – Karime Xavier/Folhapress

O fluxo nas ruas do maior CD de comércio eletrônico da América Latina é intenso: a cada “esquina”, ela bate as manoplas do carrinho para avisar aos colegas que está passando e assim evitar acidentes. São 3.000 funcionários no local que se revezam em turnos durante 24 horas, sete dias por semana.

Assim que termina de preencher as caixas com os pedidos, cada uma para localidades diferentes, ela deposita as caixas em uma esteira que segue até a seção de embalagem. Lá, outra representante tem até 18 segundos para empacotar e etiquetar cada produto, de acordo com as especificações informadas no sistema: caixa de papelão automontável para itens frágeis, saco de plástico amarelo para os demais.

O produto volta para uma esteira e segue até uma seção com tobogãs: assim que descem, os itens com entrega no mesmo dia recebem prioridade e são separados por CEP e armazenados em contêineres, alocados dentro de um caminhão baú. O pedido finalmente sai para a entrega, antes das 13h.

A rotina pode parecer banal, mas representa o novo estágio da disputa entre os grandes varejistas do comércio eletrônico no país: a entrega ultrarrápida, feita no mesmo dia, cada vez mais crucial para se definir uma venda no crescente comércio eletrônico, que faturou cerca de R$ 220 bilhões em 2021.

O Mercado Livre acaba de dobrar o número de cidades em que promove esta entrega ultrarrápida, de 50 para 100 no Brasil. O esforço consumiu parte dos investimentos de R$ 17 bilhões anunciados este ano no país, montante 70% superior ao do ano passado, que envolvem operações, tecnologia e finanças (a empresa também é dona da fintech Mercado Pago).

O novo patamar de entrega no mesmo dia também foi conquistado graças à parceria anunciada em abril com a Gol, envolvendo o fretamento de seis aviões cargueiros da GolLog, exclusivos para o Mercado Livre.

“Velocidade gera conversão em vendas”, diz o diretor de logística do Mercado Livre, Luiz Vergueiro. Os atuais 12 CDs no Brasil são “fulfillment”: estão equipados para armazenar e gerenciar o estoque dos lojistas virtuais, os “sellers”, que são desde pequenas empresas a grandes indústrias que vendem dentro da plataforma da companhia.

AMERICANAS LIDERA ENTREGA NO MESMO DIA, CHEGANDO A 900 CIDADES

Com as cem cidades com entrega no mesmo dia, o Mercado Livre ultrapassa a Via, dona das varejistas Casas Bahia e Ponto, que oferece o serviço em 65 cidades do país. Mas ainda fica atrás do Magazine Luiza –onde o consumidor de 150 cidades pode receber no dia a compra feita no site– e permanece distante da Americanas, que oferece o serviço em 900 cidades do país.

As três grandes redes de varejo do país (Magalu, Via e Americanas) têm mais da metade das suas vendas hoje feitas pela internet.

A Americanas acaba de anunciar a integração de 100% da sua malha logística, depois da fusão entre Lojas Americanas e B2W (Americanas.com, Shoptime e Submarino), promovida no ano passado. “Hoje, 35% das nossas entregas são feitas em até três horas e 59% em até 24 horas”, afirma Welington Souza, diretor da plataforma de logística da Americanas. Até ano passado, a entrega em três horas representava 14% do total, diz ele.

Com 25 CDs em 11 estados, a empresa conta com a ampla rede de 3.500 lojas e franquias, que servem como pequenos centros de distribuição, armazenando parte do estoque próprio e dos 132 mil sellers.

“Estamos investindo para entregar em 100% das residências brasileiras, incluindo becos e vielas das favelas”, diz Souza, destacando que a empresa deve chegar até 53 microbases em comunidades até ano que vem, com parceiros como a startup de logística Favela Brasil Express.

Já o Magazine Luiza, dono de 24 CDs em 15 estados e no Distrito Federal, vem se dedicando à implantação da tecnologia que vai transformar todos os centros de distribuição em fulfillment, a fim de acomodar o estoque dos 180 mil sellers.

“Com isso, vamos agilizar a entrega ultrarrápida em todo o país, hoje ainda muito concentrada no Sul e no Sudeste”, diz Luciano Telesca, gerente de entrega ultrarrápida do Magalu. “O cliente é muito sensível a prazo.”

A área ganhou impulso no ano passado, após a compra da Sode, plataforma digital especializada em logística urbana para entregas ultrarrápidas. Assim que entra o pedido, o sistema dispara as ordens de trabalho para o estoquista da loja e para o entregador, um motociclista parceiro, que leva o pedido em uma hora.

Com 30 CDs em 22 estados, a Via consegue entregar em 24 horas em 2.500 cidades. Segundo Fernando Gasparini, diretor executivo de logística da empresa, a implantação da tecnologia fulfillment nos centros de distribuição está evoluindo paulatinamente: hoje já está presente nos pontos em Jundiaí (SP), Barueri (SP), Extrema (MG) e Serra (ES).

“No início deste ano, a Via comprou a logtech CNT, marcando oficialmente nossa entrada nos serviços de fullfilment e fullcommerce”, diz Fernando Gasparini, diretor de logística da Via. No modelo de negócio fullcommerce, a varejista fica responsável pela comercialização e entrega da operação online de um fabricante.

O primeiro contrato foi assinado em abril com a Mallory, de eletroportáteis: a Via assumiu toda operação do site de ecommerce da empresa, que inclui seu planejamento, operação, atendimento, segurança digital, vendas e entregas.

LEITE CONDENSADO FOI O CAMPEÃO DE VENDAS NO MERCADO LIVRE EM 2021

Ter CDs em pontos estratégicos garante a entrega rápida. No Mercado Livre, a entrega no mesmo dia é oferecida em cidades próximas aos atuais 12 centros de distribuição fulfillment (até o fim do ano, o 13º será inaugurado em Belo Horizonte). O cliente visualiza o produto no site e aquele que tem o selo “full” está estocado no CD, pronto para envio imediato. Se o consumidor pede até as 11h da manhã, chega no mesmo dia. Se for depois deste horário, chega até o dia seguinte.

“Hoje cerca de 40% das nossas vendas são full”, diz Julia Rueff, diretora de marketplace do Mercado Livre. O Brasil representa pouco mais da metade (54%) das vendas da multinacional argentina, presente em 18 países da América Latina e que registrou vendas brutas no ano passado de US$ 28,35 bilhões (R$ 138,8 bilhões).

No Brasil, a empresa conta com 4 milhões de sellers. A categoria mais vendida no ano passado foi eletrônicos, enquanto em produto foi leite condensado.

A companhia subsidia parte das vendas em algumas categorias escolhidas, oferecendo cupons e descontos em parcerias com os lojistas.

Hoje o Mercado Livre tem 4.000 vagas em aberto, nas áreas de tecnologia, operações e finanças, e deve somar 17 mil funcionários até o fim do ano. “Mesmo com a reabertura das lojas físicas, o consumidor pós-pandemia mudou e quer a comodidade de comprar online”, diz Julia. “É uma mudança que veio para ficar. Em 2019, o comércio eletrônico representava cerca de 6% das vendas do comércio em geral. Este ano, deve atingir 14%.”

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/06/varejo-aposta-corrida-por-titulo-de-entrega-mais-rapida-do-brasil.shtml?origin=folha

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3 características dos “profissionais do futuro”

Especialistas da MIT Sloan School of Management apontam os principais traços que os trabalhadores devem desenvolver para ter sucesso na carreira nas próximas décadas, e como as empresas devem se adaptar a essa realidade

Por Fernanda Gonçalves, Para o Valor 21/06/2022 

Após a pandemia, profissionais das mais diferentes áreas foram desafiados a lidar com um cenário completamente novo: mais digitalizado, robotizado, diverso e disperso do que nunca. Então, o que os gestores e funcionários devem saber para estabelecer um rumo para suas carreiras nas próximas décadas?

Especialistas da MIT Sloan School of Management destacam as cinco principais características do “profissional do futuro” – e o que as empresas devem oferecer para atrair trabalhadores com esses traços:

Eles são alfabetizados em dados.

Pesquisas mostram que companhias orientadas por dados desfrutam de aumento de receitas, melhor atendimento ao cliente, eficiência operacional, e maior lucratividade. “Em um mundo onde há cada vez mais dados, as organizações com pessoas alfabetizadas nessa competência são as que irão vencer”, disse Miro Kazakoff, professor da MIT Sloan e especialista em comunicação e persuasão por meio de dados, em nota para o site da escola. “Isso requer a democratização dos dados – a ideia de que eles devem estar ao alcance de cada funcionário”, completa.

Os profissionais, portanto, devem se sentir confortáveis trabalhando com inteligência artificial, machine learning e robôs. Segundo o artigo da escola de negócios, especialistas concordam que o futuro da inteligência artificial é o futuro do trabalho. Porém, não há garantias de que esse crescimento seja totalmente positivo. O economista do MIT Daron Acemoglu descobriu que para cada robô adquirido para mil trabalhadores nos EUA, as remunerações caem cerca de 0,42%, e a relação emprego/população diminui 0,2 pontos percentuais.

De acordo com Julie Shah, outra professora do MIT, em indústrias, robôs colaborativivos – ou “cobôs” – estão prontos para auxiliar o trabalho humano. “Com a ajuda dessa tecnologia, as pessoas podem delegar tarefas mais simples para os robôs e focar em trabalhos mais ambíguos e desafiadores, aumentando sua produtividade e o bem-estar”, afirma.

Em todos os casos, os empregadores devem implementar tecnologias inteligentes com cuidado, tendo em mente que pode haver atritos entre funcionários juniores com conhecimento na área e pessoas de nível sênior, perturbando hierarquias de poder tradicionais. “Uma forma de lidar com esse desafio é criar um programa de treinamento entre pares que alterne tanto o funcionário sênior quanto o júnior no papel de treinador”, sugere a professora de estudos do trabalho e organização da MIT Sloan Kate Kellogg.

A colaboração com desenvolvedores é igualmente importante: desenvolvedores de machine learning devem conversar com os usuários finais da tecnologia para manter o processo de interação vivo. “Eles precisam estabelecer um processo de troca com os usuários para construir, validar, e refinar as ferramentas para que elas sejam usáveis na prática”, afirma Kellogg.

Eles são empoderados.

Tomas Kochan, diretor do Instituto do Trabalho e Emprego do MIT, disse que funcionários relatam ter uma “falta de voz” considerável nos trabalho – isto é, uma lacuna entre o quanto de opinião ou influência eles sentem que deveriam ter e o quanto realmente têm – em tópicos como remuneração, condições de trabalho e tratamento justo.

Mas isso não deve durar: “nos EUA, trabalhadores com baixos salários estão encontrando suas vozes e descobrindo propósitos, e empregadores que os ignoram o fazem por sua conta e risco”, comentou Paul Osterman, professor de recursos humanos e gerenciamento do MIT. Kochan sugere que empregadores e empregados devam firmar um novo contrato social que ofereça altas taxas de retorno para os investidores, ao mesmo tempo em que apoie carreiras de qualidade. Itens desse contrato incluem:

  • Seleção criteriosa de funcionários com fortes habilidades técnicas e comportamentais;
  • Investimento contínuo em treinamento e desenvolvimento de equipes;
  • Respeito por direitos trabalhistas;
  • Oportunidades para que os funcionários se adaptem a novas tecnologias e requerimentos de trabalho;
  • Sistemas de compensação justos e transparentes que assegurem o aumento da remuneração do trabalhador de acordo com o desempenho empresarial e econômico global;
  • Uma voz para os funcionários nas decisões críticas do negócio que moldarão seu futuro.

Empregadores devem, portanto, fazer mais do que oferecer treinamento ou salários mais altos para trabalhos de baixa remuneração. Segundo Osterman, é importante, também, que as empresas aumentem a qualidade dos trabalhos que oferecem. E se isso não acontecer? “Poucos investimentos em pessoas levam a problemas operacionais e de experiência do cliente, que provocam baixas nas vendas, que por sua vez, causam encolhimentos nos orçamentos”, pontua Zeynep Ton, professora de gestão de operações na MIT Sloan.

Eles estão comprometidos com avanços em equidade e o meio ambiente.

De acordo com a comissão de oportunidades igualitárias de emprego dos EUA, 83% dos executivos de tecnologia são brancos. Na Apple, 6% dos funcionários no último ano eram negros. Já no Google, menos de um quarto dos estagiários eram negros ou latinos, e 5,5% dos novos contratados eram negros.

De acordo com Malia Lazu, professora no MIT sobre inclusão na economia de inovação, para fechar essa lacuna na tecnologia é essencial que a diversidade seja cultivada entre os funcionários. As ações incluem expor todas as crianças ao modelo de educação STEM (que foca em ciência, tecnologia, engenharia e matemática) desde cedo; tornar a educação de ensino superior mais acessível e igualitária; contratar com base nos conjuntos de habilidades em vez de diplomas; e avaliar e diversificar as redes profissionais.

Para funcionários jovens, em particular, a ideia de equidade se estende a governança e as questões ambientais. O estudo Cone Communications Millennial Employee mostrou que 64% dos millennials não aceitariam um emprego em uma empresa que não tenha uma política forte de responsabilidade social corporativa, e 83% seriam mais leais a uma companhia que os ajude a contribuir em questões sociais e ambientais.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/06/21/3-caracteristicas-dos-profissionais-do-futuro.ghtml

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The Economist: O novo drama do mercado de petróleo

Indústria discreta e de baixa margem de lucro, refinarias passam a ser o centro das atenções

The Economist, O Estado de S.Paulo 19 de junho de 2022 

A temporada de carros na estrada e de maior demanda por combustível começou oficialmente nos Estados Unidos. Apesar da inflação em alta e da persistente ameaça da pandemia, os motoristas chegaram às rodovias com entusiasmo no recente fim de semana prolongado devido ao feriado do Memorial Day, na última segunda-feira de maio. Cerca de 40 milhões de americanos viajaram de carro, um aumento de 8,3% em relação ao mesmo fim de semana em 2021. Esse forte desejo de viajar surgiu mesmo quando os preços na bomba estavam cerca de 50% acima daqueles do ano passado, alta motivada por uma intensa limitação nas refinarias em todo o mundo.

Em tempos normais, a atividade de refino é um coadjuvante de baixa margem de lucro e pouco drama para as operações upstream de produção de petróleo, acusadas geopoliticamente, e para as operações downstream, acusadas do ponto de vista político. As refinarias costumam ter margens de lucro de US$ 5 a US$ 10 por barril e muitas vezes passam por períodos dolorosos sem lucros. Desta vez, entretanto, o refino está desempenhando um papel de protagonista – apesar das maquinações dos países produtores de petróleo, da guerra na Ucrânia e das sanções às exportações russas de petróleo. As margens para muitas refinarias dispararam e os gargalos no setor estão impulsionando os aumentos do preço da gasolina em todo o mundo.

Razões da apreensão

Três fatores explicam por que o refino está no centro das atenções. O primeiro é uma queda de longo prazo no investimento em economias avançadas. Com a previsão de redução da demanda de petróleo no mundo rico nas próximas duas décadas, os investidores estão com receio de gastar muitos bilhões de dólares em instalações que podem se tornar ativos improdutivos. Somando-se a isso está a pressão ambiental sobre o refino, que é visto como particularmente poluente, e as legislações na Califórnia e na Europa que favorecem combustíveis mais ecológicos. Fora da China e do Oriente Médio, onde a capacidade está se expandindo, a capacidade de refino diminuiu cerca de 3 milhões de barris por dia desde o início da pandemia, calcula Alan Gelder, da consultoria de energia Wood Mackenzie.

O segundo fator que abalou a atividade de refino é a formulação de políticas chinesas. A China historicamente é um país que exporta mais do que importa produtos refinados, vendendo grandes volumes para outros países asiáticos. No entanto, na tentativa de combater a poluição local e ajudar a atingir as metas climáticas, as autoridades reduziram as cotas de exportação de grandes refinarias de gasolina, combustível de aviação e outros produtos em mais de 50% este ano. Nos planos oficiais, a China deve parar de exportar a maioria dos produtos refinados com uso intensivo de carbono até 2025. O resultado perverso disso é que o país detém cerca de 7% da capacidade ociosa global, mesmo enquanto o resto do mundo está sedento por combustíveis para transporte.

O peso da guerra

A terceira grande força perturbadora é, sem dúvida, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e as consequentes sanções impostas às exportações de hidrocarbonetos de Moscou. Os EUA e o Reino Unido proibiram a compra de petróleo russo; a UE anunciou um embargo parcial às importações de petróleo bruto, inclusive um para produtos refinados ainda este ano. O efeito de tudo isso não é evidente. Segundo relatos generalizados (inclusive de especialistas em acompanhamento de navios-petroleiros), a Rússia atualmente está exportando mais petróleo bruto do que antes da guerra. O país está vendendo uma grande quantidade de petróleo bruto a preços reduzidos, em especial para a Índia, que está importando mais de 700 mil barris por dia a mais do que antes da invasão russa.

No entanto, quando se trata de produtos refinados, tanto as sanções oficiais quanto as sanções voluntárias adotadas por conta própria pelas empresas ocidentais parecem estar tendo efeito. De acordo com Natasha Kaneva, do banco JPMorgan Chase, a Rússia está vendendo aproximadamente 500 mil barris a menos de produtos refinados por dia do que antes da guerra, e talvez isso a tenha forçado a deixar de produzir até 1,4 milhão de barris por dia de capacidade de refino em maio. A consequência é uma mudança sem precedentes, defende Richard Joswick, da empresa de pesquisa S&P Global: “o mundo tem capacidade de refino suficiente, mas a capacidade ociosa está mudando para a Rússia e a China”. Como resultado, ele calcula que as taxas de utilização por refinarias no restante do mundo serão muito maiores do que o previsto anteriormente.

A crise nas refinarias pode continuar por um tempo ainda. A próxima temporada de furacões no Atlântico, prevista para ser mais intensa que o habitual, talvez paralise as refinarias no Golfo do México. Outro fator é o momento exato e a intensidade da última rodada de sanções da Europa às exportações russas de petróleo. Se implementadas de forma agressiva, elas podem comprimir ainda mais o setor.

As leis do mercado ainda poderiam salvar a pátria. Os picos dolorosos de preços vistos nas bombas de gasolina mais cedo ou mais tarde esfriarão um pouco a demanda e podem levar a melhorias na eficiência energética, ambos ajudariam a equilibrar os mercados.

Uma mudança nos fluxos comerciais também poderia socorrer a Europa. As refinarias de renome mundial da Índia, por exemplo, estão transformando a crise global em oportunidades locais. O RBC Capital Markets, banco de investimentos, avalia que o país “está se tornando, na prática, o centro de refino para a Europa”. Novas grandes refinarias estão programadas para entrar no mercado em breve no Kuwait e na Arábia Saudita, o que deve ajudar a amenizar a escassez também. Como observa Joswick, “com margens de lucro tão grandes, todo mundo tem um incentivo para operar as refinarias a todo vapor”. /TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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