Dia da Água: O misterioso ‘oceano’ no subsolo da Floresta Amazônica

Aquífero ainda pouco conhecido concentra mais de 80% de todos os recursos hídricos do bioma e poderia abastecer o mundo por 250 anos

Por Lucas Altino – O Globo – 22/03/2026

Floresta Amazônica. Riqueza hídrica do bioma se deve, em grande parte, a aquífero descoberto há apenas 20 anosFloresta Amazônica. Riqueza hídrica do bioma se deve, em grande parte, a aquífero descoberto há apenas 20 anos — Foto: Divulgação / Greenpeace

A Amazônia é um bioma moldado pelos seus rios, abrigando a maior bacia hidrográfica do planeta e concentrando a maior disponibilidade de água doce da Terra. Mas a maior reserva dessa riqueza toda está “escondida” embaixo do solo. Com 1,35 milhão de quilômetros quadrados, quase o tamanho do estado do Pará, o Sistema Aquífero da Grande Amazônia (Saga) é quatro vezes maior que o bem mais famoso Aquífero Guarani, no Sul do país, e representa 84% dos recursos hídricos amazônicos.

Aquíferos são formações rochosas que armazenam e podem suprir água. Uma camada geológica que faz a função de uma esponja. O Saga foi descoberto há 20 anos, em uma pesquisa de doutorado de André Montenegro Duarte, orientado por Francisco de Abreu, do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Até então, acreditava-se que o maior sistema de água subterrânea da Amazônia estaria restrito ao território de Alter do Chão.

Mas o Saga se estende da Cordilheira dos Andes até a Ilha do Marajó, passando por Acre, Amazonas, Roraima e Pará (75% do sistema está em território brasileiro). Segundo Abreu, a descoberta aconteceu graças à sua motivação de entender o quanto as águas subterrâneas representam na disponibilidade hídrica local.

— Quando olhamos o ciclo hidrológico da Amazônia, tem água subterrânea, superficial e aérea (nuvens). Queríamos saber o quanto cada um desses representa percentualmente, e o André chegou aos números: 84% das águas da Amazônia são subterrâneas. Isso nos surpreendeu. A água que você não vê representa quase tudo — explica Francisco de Abreu.

Capaz de abastecer o mundo por 250 anos

Segundo os cálculos, o Saga contém mais de 150 quatrilhões de litros de água, em uma vazão de 162 mil quilômetros cúbicos, suficientes para abastecer a população mundial por 250 a 300 anos. O aquífero alcança 3.200 metros de profundidade. Desde que foi descoberto, mesmo enfrentando a falta de investimentos, os pesquisadores avançaram em estudos sobre a caracterização das suas bacias sedimentares, como as de Acre, Solimões, Amazonas e Marajó, além de mapeamentos geográficos e análise de qualidade. A conclusão é que, no geral, a água do sistema é de boa qualidade para o consumo humano.

O Saga funciona como um pulmão para os milhares de rios da Amazônia, o que garante o abastecimento de diversas comunidades e municípios, e da floresta.

— As raízes das árvores buscam água do aquífero. É um reservatório que está sempre fornecendo — resume Francisco de Abreu. — O Saga é um elemento de equilíbrio para todo o funcionamento da Amazônia.

A relação entre o sistema aquífero e a cobertura vegetal tem importância que supera os limites da Amazônia. Através do processo conhecido como “rios voadores”, corredores de umidade impulsionados pela Floresta Amazônica chegam ao Centro-Sul do país, proporcionando os ciclos de chuva nessa região. Ao final, essa é a água que abastece barragens para geração elétrica e plantações e cultivos do agronegócio. Segundo os estudos de Francisco de Abreu, a evapotranspiração das árvores da Amazônia garante uma transferência de umidade correspondente a oito quatrilhões de litros de água por ano.

Desmatamento pode afetar o sistema

Sem aquífero, não tem floresta. E vice-versa. Por isso, o avanço do desmatamento, além de deficiências no saneamento básico, o que pode contaminar águas subterrâneas, é ameaça grave para o Saga.

— Essa água tem importância estratégica fundamental para o Brasil. Mas, se tirar a floresta, pode ter interferência grave no processo — afirma o geólogo.

Sem árvores, explica o cientista, a chuva não penetra no solo com facilidade. Além de gerar enchentes, a água da precipitação não abastece da mesma forma esse “mar subterrâneo” .

— Graças à abundância de árvores da floresta, a água se infiltra até o subsolo, garantindo a vazão dos rios nos períodos de seca. O avanço do desmatamento deixa o Sistema Aquífero Grande Amazônia sob risco, por diminuir a capacidade de infiltração da água.

A abundância de água vista tanto na superfície, quanto no céu e nas áreas subterrâneas, porém, não é capaz de evitar situações de risco social, como os problemas de fornecimento de água potável na Ilha do Marajó, lembra Abreu. Essa situação ilustra, diz o pesquisador, a desigualdade no usufruto dos recursos naturais do país

— Como pode o Marajó ter problema de abastecimento de água potável? É um paradoxo, um absurdo. O Saga é muito importante na manutenção do ciclo hidrológico do Brasil, sustenta o agro, a geração de energia. Mas o que os amazônidas recebem em contrapartida por manter esse sistema funcionando? Nada. Meu sentimento é que o Brasil olha para a Amazônia como um grande almoxarifado, e só vem buscar o que precisa — protesta Francisco de Abreu.

Dia da Água: O misterioso ‘oceano’ no subsolo da Floresta Amazônica

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Apesar do medo de motoristas, chefe da Waymo diz que a empresa ainda irá precisar de humanos

Enquanto a direção autônoma ameaça o volante, a empresa aposta que o futuro do trabalho humano sairá do banco do motorista para as oficinas e centros de controle da nova era robótica

Frota de carros autônomos da Waymo conta com suporte remoto, inclusive de profissionais das Filipinas. Foto: divulgação/Waymo.

Por Emma Burleigh – Estadão/Fortune – 21/03/2026

A tecnologia avançada não está apenas automatizando tarefas no mundo corporativo — agentes de IA e robôs estão fritando hambúrgueres, abastecendo armazéns e até realizando tarefas domésticas. Os táxis sem motorista também entraram no uso comum, apesar dos receios de perda de emprego por parte dos trabalhadores de aplicativos. Mas a líder do setor de veículos autônomos, Waymo, insiste que a tecnologia não está eliminando o trabalho humano.

“Agora que estamos em alguns mercados há alguns anos, é ótimo poder ver que não eliminamos empregos nesses locais”, disse recentemente ao The New York Times a co-CEO da Waymo, Tekedra Mawakana.

A gigante da indústria, avaliada em 126 bilhões de dólares — que começou como o projeto de carro autônomo do Google — naturalmente causou apreensão nos motoristas humanos. É a maior empresa de AV dos EUA, atendendo a pelo menos 10 cidades com cerca de 3.000 robotáxis, e esse número continua crescendo. E à medida que mais empresas, incluindo Tesla e Zoox (da Amazon), entram na arena, os trabalhadores de transporte por aplicativo ficam em alerta.

Até o próprio CEO da Uber acredita que a maioria das viagens de sua empresa poderá ter um robô ao volante nas próximas duas décadas.

Humanos serão necessários para trocar pneus e operar frotas na era dos carros autônomos

A co-CEO da Waymo afirma que a mudança para o sistema sem motorista abrirá novos postos de trabalho. Em vez de estarem no banco do motorista, os humanos estarão nos bastidores de toda a operação, atendendo a necessidades operacionais e de mão de obra direta.

E para apoiar a força de trabalho do futuro, a Waymo está financiando bolsas de estudo para técnicos nos EUA e fez uma parceria com o Bronx Community College para criar um programa de tecnologia automotiva.

“Humanos ainda estão trocando esses pneus e trabalhando nesses veículos”, continuou Mawakana. “Temos operadores de frota, temos técnicos de frota. Todas as nossas frotas são totalmente elétricas. As empresas de carregamento estão construindo a infraestrutura, instalando-as nos centros das cidades, puxando os cabos da concessionária de energia.”

Justin Kintz, chefe global de políticas públicas da Waymo, disse à Fortune que os investimentos da empresa em infraestrutura e serviços crescentes “criam oportunidades para americanos de todas as origens, trazendo uma ampla variedade de novos cargos técnicos e de ofício para comunidades em todos os EUA.”

Robotáxis terão impacto nos motoristas humanos — mas fortalecerão o trabalho operacional

Carros automatizados estão em ascensão, para o descontentamento de motoristas e passageiros humanos que ficam presos lidando com os erros da nova tecnologia.

Projeta-se que o mercado de robotáxis nos EUA crescerá de 1.500 em 2025 para cerca de 35.000 em 2030 — uma taxa de crescimento anual composta de cerca de 90%, de acordo com um relatório do Goldman Sachs de 2025. Os serviços automatizados podem representar 8% de todo o mercado de transporte por aplicativo americano em apenas alguns anos.

É natural que os motoristas temam por suas carreiras futuras, especialmente ao verem a IA reduzir quadros de funcionários e tomar os empregos de milhares de trabalhadores de escritório (white-collar). Cerca de 85% das pessoas acreditam que a implementação de carros sem motorista levará a perdas de empregos, e outros 70% sentiram-se inseguros sobre a tecnologia ou acham que é uma má ideia para a sociedade, segundo uma análise recente da Universidade da Califórnia em San Diego baseada em dados do Pew Research Center.

Líderes do setor, como o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, alertaram que a maioria das viagens da empresa será “realizada por robôs de algum tipo” dentro de 20 anos. No entanto, quando uma porta se fecha, outra se abre.

Projeta-se que, ao implantar 9 milhões de AVs nos próximos 15 anos, mais de 114.000 novos empregos em produção, distribuição, manutenção, atualizações e reparos de AVs serão criados, de acordo com um estudo de 2024 da Chamber of Progress. Os humanos não serão totalmente excluídos do processo; as empresas precisarão de cerca de 190 trabalhadores para fabricar e dar manutenção aos carros para cada 1.000 AVs criados e implantados anualmente.

O cofundador e CEO da Grab avaliada em 15,2 bilhões de dólares, Anthony Tan, anunciou que lançará robô-ônibus em sua cidade-sede, Cingapura, este ano. Mas, ao mesmo tempo em que faz um grande investimento em tecnologias autônomas, a empresa também está considerando como requalificar os motoristas humanos nessa transição. E, assim como a Waymo, a empresa identificou algumas oportunidades de trabalho para as pessoas, incluindo manutenção de veículos e análise de dados.

“Vemos novos tipos de empregos surgindo”, disse Tan em uma sessão de perguntas e respostas com analistas em 2025. “Por exemplo, motoristas poderiam ser operadores de segurança remotos, rotuladores de dados; eles poderiam trocar sensores LiDAR, câmeras e assim por diante.”

Apesar do medo de motoristas, chefe da Waymo diz que a empresa ainda irá precisar de humanos – Estadão

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Brasil aumenta exportações de serviços digitais

Esse segmento cresceu 10% no comércio global em 2025 e a tendência é de persistente expansão

Por Assis Moreira, Valor – 19/03/2026  

É correspondente do Valor em Genebra desde 2005. Cobriu 28 vezes o Fórum Mundial de Economia e numerosas conferências ministeriais em dezenas de países.

As exportações globais de serviços prestados digitalmente atingiram US$ 5,26 trilhões em 2025, um aumento de 10%. O Brasil subiu uma posição, tornando-se o 26º maior exportador mundial. Tem uma modesta fatia de 0,6%, mas com potencial para ampliar suas vendas nessa área.

Esses serviços são comercializados internacionalmente por meio de redes de computadores e incluem serviços financeiros, de informática e profissionais, entre outros. Os EUA são o maior exportador, com US$ 915 bilhões (15,5% do total mundial), e também o maior importador, com US$ 490 bilhões (11,2% de fatia global).

A China surge como o sexto maior exportador nessa categoria, com US$ 245 bilhões e 4,7% de participação no mercado mundial. Fica atrás também da Índia, o quarto maior exportador, com US$ 328 bilhões, ou 6,2% do mercado.

O Brasil exportou US$ 32 bilhões no ano passado, numa alta de 10%, em linha com a expansão global. Por sua vez, importou US$ 48 bilhões, sendo o 20º maior importador.

O país mantém sua posição como 24º maior exportador mundial de mercadorias, com a mesma fatia de 1,3% do mercado global. Também é o 27º maior importador, com 1,1% de participação mundial.

Em serviços em geral, o país caiu uma posição, para o 23º lugar entre os maiores importadores.

O maior exportador mundial de mercadorias continua sendo a China, com US$ 3,772 trilhões, ou 14,4% do mercado global no ano passado. Os Estados Unidos são o maior importador, com US$ 3,507 trilhões, ou 13,2% de participação.

A OMC projeta que as exportações de mercadorias da América do Sul podem crescer 3,5% neste ano e desacelerar para 2,3% no ano que vem, no caso de uma guerra prolongada no Oriente Médio.

No caso das importações, a região deve registrar crescimento de 2,7% neste ano e de 3,6% no ano seguinte. A OMC projeta crescimento do PIB de 2,4% neste ano na América do Sul e de 2,9% no próximo.

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Casa dos Ventos aposta na eletrificação de indústrias e em data centers para crescer 230% até 2030

Empresa desenvolve maior data center do País e quer que fábricas substituam caldeiras a óleo ou a gás por modelos elétricos

Por Luciana Dyniewicz – Estadão – 18/03/2026Capa do video - Economia Verde: oportunidades e desafios do Brasil em mundo que busca reduzir emissões

Se a autoprodução – modelo em que a usina é construída para fornecer energia para determinada empresa – impulsionou a Casa dos Ventos a fechar novos contratos nos últimos anos, a empresa tem agora nos data centers e na eletrificação de indústrias sua estratégia para continuar avançando. A meta da companhia é chegar a uma capacidade instalada de 11 GW até 2030 – hoje são 3,3 GW (cerca de 1,5% da capacidade instalada do País) e, até 2027, entrarão em operação mais 3,1 GW. Alcançar os 11 GW significaria um crescimento de 230% na comparação com a base atual.

O modelo de negócio da Casa dos Ventos sempre foi o de estimular a demanda por energia para construir novos parques eólicos e solares. A empresa aposta, agora, que existirá uma demanda por energia elétrica no País equivalente a 6 GW se indústrias substituírem suas caldeiras a óleo e a gás por modelos elétricos abastecidos por usinas eólicas ou solares — uma medida que pode fazer com que as fábricas diminuam suas emissões de gases poluentes.

A companhia ainda projeta mais 2 GW de capacidade instalada para atender data centers – nesse caso, os 2 GW não seriam o total da demanda do País, mas os projetos que a empresa já está desenvolvendo. Também vê as possibilidades de fornecer energia para fabricação de hidrogênio verde (600 MV) e de fechar novos contratos para autoprodução de empresas (300 MW por ano).

No caso da eletrificação de fábricas, o produto que seria oferecido pela Casa dos Ventos ainda não está completamente desenvolvido, segundo o CEO da empresa, Lucas Araripe. “Poderíamos fazer o investimento, que inclui caldeira e linhas de transmissão, se as empresas quisessem. Mas elas também poderiam fazer essa parte. Estamos conversando com as empresas.”

O executivo afirma que comparar custos de instalação e operação de um projeto elétrico com o de uma caldeira tradicional é difícil porque depende de fatores como a existência ou não de uma subestação de energia próxima à fábrica e a necessidade de linhas de transmissão mais ou menos longas. Ele, porém, garante que o projeto elétrico pode ser competitivo quando comparado aos que usam óleo ou gás.

Quando se trata de caldeiras abastecidas por biomassas, a vantagem é menor, admite Araripe. Mas o executivo destaca que, nos próximos 20 anos, a disponibilidade de matéria-prima (como cavaco de madeira e bagaço de cana) para abastecer essas caldeiras pode se tornar mais difícil — o que favorece a eletrificação.

A eletrificação de indústrias também é vista como uma das principais vertentes de crescimento para empresas de energia renovável pela presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum. “A energia a vapor está em grande parte da indústria e tem um custo grande para as empresas. As usinas eólicas são uma alternativa competitiva para isso.”

Outra aposta da Casa dos Ventos, a geração de energia para o uso por data centers foi o que permitiu que o setor eólico começasse a se recuperar de uma crise que vinha desde, ao menos, 2022, de acordo com Gannoum. “Em 2025, vimos uma retomada de contratos de fornecimento de energia vinda de data centers”, diz a executiva.

A Casa dos Ventos tem hoje o maior data center em desenvolvimento do País. O projeto, cuja primeira parte é construída pela Omnia (do grupo Pátria Investimentos) para a Bytedance (dona do TikTok), demandará R$ 200 bilhões em investimentos e será instalado em Pecém, no Ceará.

Por ora, no entanto, apenas a primeira fase do projeto está contratada. Para ela, está prevista uma capacidade instalada de 300 MW. A segunda fase deverá ser de mais 600 MW e a terceira e a quarta fase, de 300 MW cada uma. Para a segunda, as negociações comerciais estão mais adiantadas e questões de infraestrutura, como área para construção e conexão com rede de energia, já estão resolvidas. Para as últimas duas, a Casa dos Ventos ainda está em conversa com possíveis parceiros.

CEO da Casa dos Ventos, Lucas Araripe, tem conversado com empresas para que elas substituam caldeiras a óleo ou a gás por modelos eletrificados Foto: Tiago Queiroz/Estadão

“Falta a questão comercial. Estamos mostrando para companhias como Microsoft e Google a competitividade do projeto e estamos vendo se vamos fazer direto com empresas de tecnologia ou se nos juntaremos a uma empresa de infraestrutura, como está acontecendo na primeira fase”, diz Araripe.

A empresa tem também dois projetos de fornecimento de energia para data centers no interior de São Paulo (um em Jundiaí e outro em Salto), que estão nessa mesma fase de desenvolvimento. Diferentemente dos projetos do Ceará — em que dados do exterior serão processados em um serviço que será exportado —, esses data centers deveriam ser construídos para atender à demanda doméstica.

De acordo com Alison Takano, líder de data centers para a América Latina na consultoria imobiliária CBRE, no entanto, o mercado de data center no Brasil tem “andado de lado” e a demanda das grandes big techs por esses espaços não cresceu em 2025. O projeto do TikTok no Ceará foi a única grande exceção a esse cenário de estagnação, diz ele.

O projeto do Ceará enfrenta também outros desafios. A Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí) tem se manifestado contra o empreendimento, alegando impactos graves para terras indígenas, especialmente para o povo Anacé, e dizendo que o data center começou a ser realizado sem consulta prévia, conforme prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A ONG Instituto Terramar também é contrária à construção do data center e questiona a falta de um estudo de impacto ambiental para o projeto como um todo, uma vez que suas aprovações têm sido dadas de forma fracionada. O instituto argumenta ainda que o alto consumo de água ameaça o aquífero Dunas, que abastece comunidades locais, além de o projeto interferir no modo de vida do povo indígena Anacé. A Casa dos Ventos, porém, afirma que cumpre todos os ritos regulatórios, incluindo estudos de impacto exigidos pela legislação.

Casa dos Ventos aposta na eletrificação de indústrias e em data centers para crescer 230% até 2030 – Estadão

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Waymo avança nos carros autônomos e pressiona Uber

Estudo aponta que a empresa de carros autônomos da Alphabet avança rapidamente com seus robotáxis e pode desafiar o domínio de Uber e Lyft no transporte por aplicativo

GRACE SNELLING – Fast Company Brasil – 18-03-2026 

Um novo estudo acaba de apelidar a Waymo de “Homem do Kool-Aid” da economia de transporte por aplicativo.

E isso pode deixar Uber, Lyft e Tesla correndo atrás do prejuízo.

O estudo, publicado em 16 de março pela empresa de pesquisa de Wall Street MoffettNathanson, é uma análise de 21 páginas sobre como a empresa de carros autônomos da Alphabet está prestes a revolucionar o cenário atual de transporte por aplicativo, à medida que continua a expandir agressivamente.

Leia mais: Carros voadores começam a ser testados nos EUA

“A incursão da Waymo na narrativa de transporte por aplicativo nos EUA nos lembra dos comerciais de Kool-Aid da nossa infância”, começa a análise. “O Homem do Kool-Aid derruba paredes, causa estragos, grita ‘oh yeah’ e sai correndo para a próxima cena.”

No caso da Waymo, continua o estudo, “eles estão derrubando as paredes de uma indústria consolidada, causando pânico entre as grandes empresas e, em seguida, correndo para o próximo anúncio em uma cidade.”

Os analistas demonstram que a Waymo acumulou uma grande vantagem inicial sobre outros concorrentes no setor de veículos autônomos (VA) e está começando a representar uma ameaça competitiva para a Uber e a Lyft, que atualmente dominam o mercado de transporte por aplicativo nos Estados Unidos.

A EXPANSÃO DA WAYMO EM DIVERSAS GRANDES CIDADES ESTÁ DEIXANDO OS ESFORÇOS DA TESLA EM DIREÇÃO À DIREÇÃO AUTÔNOMA PARA TRÁS.

Enquanto isso, os pesquisadores argumentam que a expansão da Waymo em diversas grandes cidades está deixando os esforços da Tesla rumo à direção autônoma para trás, lançando dúvidas sobre se a empresa de veículos elétricos de Elon Musk algum dia conseguirá competir em um setor no qual tanto almeja entrar.

O QUE VEM A SEGUIR PARA A WAYMO?

A Waymo teve um grande ano em 2025, e os pesquisadores da MoffettNathanson acreditam que a trajetória ascendente da empresa está apenas começando.

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No início de 2025, a Waymo estava totalmente operacional em 5 cidades dos EUA. No início de 2026, a empresa havia expandido seu alcance para operações ativas em 10 cidades dos EUA e estava testando seus serviços em pelo menos outras 19 localidades.

De acordo com a análise da MoffettNathanson, a empresa expandiu sua participação total no mercado de transporte por aplicativo de 0,2% para 0,8% ao longo de 2025, atingindo um total de 450.000 viagens semanais até o final do ano.

Embora esses números ainda sejam relativamente pequenos, eles preveem uma mudança iminente no setor com a expansão da tecnologia de direção autônoma.

CONSULTORIA PREVÊ QUE O TOTAL DE VIAGENS DA WAYMO CRESCERÁ MAIS DE 100% EM 2026.

A MoffettNathanson prevê que o total de viagens da Waymo crescerá mais de 100% em 2026, chegando a 34 milhões, em linha com a meta declarada da empresa de encerrar 2025 com uma taxa de 1 milhão de viagens por semana.

Se essas estimativas se confirmarem, a Waymo poderá conquistar 1,2% do mercado de transporte por aplicativo até o final de 2026 e 4% até o final de 2028 — uma perspectiva que os analistas da MoffettNathanson consideram “não excessivamente otimista”.

COMO FICAM UBER E LYFT?


A expansão projetada da Waymo coloca concorrentes como Uber e Lyft em uma posição um tanto delicada.

A Waymo e a Uber firmaram uma parceria para levar os serviços de robotáxi da Waymo a Austin, Atlanta e Phoenix. A MoffettNathanson observa que a parceria tem se mostrado promissora, mas os pesquisadores afirmaram que “ficariam surpresos” se ela continuasse a se expandir, considerando a vantagem inicial da Waymo em direção autônoma e seu sucesso em São Francisco.

Leia mais: Os EUA estão desistindo dos elétricos no pior momento possível

Essencialmente, a Waymo está em uma posição única como uma das únicas empresas atuais do setor de veículos autônomos que está escalando amplamente — além, talvez, da Zoox, da Amazon, que está crescendo em uma escala muito menor — deixando a Uber com poucas cartas na manga.

Além disso, a análise da MoffettNathanson observa que a Waymo anunciou seus planos de realizar testes independentes em novas localidades.

COMO FICA A POSIÇÃO DA TESLA NA CORRIDA DOS AUTÔNOMOS?


Enquanto isso, a análise da MoffettNathanson praticamente exclui a Tesla da competição de transporte autônomo por aplicativo.

A Tesla lançou seus serviços de robotáxis em Austin, em junho de 2025, e na região da Baía de São Francisco, em julho.

Durante anos, o CEO Elon Musk vem promovendo os objetivos da empresa em relação à direção autônoma como um futuro inevitável — e esses objetivos se tornaram ainda mais importantes para a empresa em meio a um ano catastrófico para a Tesla em 2025 e ao crescente sucesso da Waymo no mercado.

Leia mais: Esta tecnologia pode evitar apagões com carros elétricos

No entanto, como relatado pela Fast Company, as aspirações da Tesla em relação aos robotáxis parecem, atualmente, mais um sonho distante do que uma realidade. Enquanto a Waymo opera veículos autônomos em diversas grandes cidades, quase todos os primeiros robotáxis da Tesla foram lançados com motoristas humanos ao volante, presumivelmente como uma medida adicional de segurança.

“Reconhecemos o potencial da tecnologia [de direção totalmente autônoma] da empresa, mas até que a Tesla esteja operando consistentemente em escala sem um humano no carro e sem taxas de acidentes superiores às dos humanos, acreditamos que o impacto dos robotáxis no mercado será limitado”, afirma a análise da MoffettNathanson.


SOBRE A AUTORA

Grace Snelling é colaboradora da Fast Company e escreve sobre design de produto, branding, publicidade e temas relacionados à geração Z.

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15º plano quinquenal traz novas oportunidades do desenvolvimento da China

  • Planos escreveram trajetória de luta da Nova China, desde ‘levantar-se’, ‘enriquecer-se’ até ‘fortalecer-se’
  • Queremos contribuir ativamente para a construção de uma comunidade com futuro compartilhado sino-brasileira

Yu Peng – Folha – 17.mar.2026 

Cônsul-geral da China em São Paulo

As Duas Sessões nacionais da China de 2026, as reuniões anuais da principal legislatura da China, a Assembleia Popular Nacional, e do principal órgão consultivo político, o Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, foram concluídas com sucesso em 12 de março.

A reunião aprovou o “Esboço do 15º Plano Quinquenal para o Desenvolvimento Econômico, Social e Nacional da República Popular da China”, marcando o início oficial da construção do período do 15º Plano Quinquenal da China.

Com mais de 70 mil caracteres chineses, o “Esboço do Plano” estabelece 20 indicadores principais e define 16 metas de construção de um “País Forte”, delineando o projeto para o desenvolvimento do país nos próximos cinco anos e demonstrando ao mundo, em meio a uma conjuntura internacional turbulenta e conflituosa, o charme único e o valor contemporâneo da “Governança da China”.

1. Um projeto, esforços contínuos

A formulação e implementação de planos quinquenais é uma importante experiência do Partido Comunista da China na governança do país, demonstrando a determinação estratégica de “trabalhar, de geração em geração, com base no mesmo projeto para torná-lo realidade”.

Desde 1953, 14 planos quinquenais (incluindo planejamentos anteriores) foram implementados sucessivamente, escrevendo a trajetória de luta da Nova China, desde “levantar-se”, “enriquecer-se” até “fortalecer-se”, e criando os dois milagres do rápido desenvolvimento econômico e da estabilidade social de longo prazo.

Nos últimos cinco anos, a economia chinesa cresceu a uma taxa média anual de 5,4%, mantendo uma contribuição de cerca de 30% para o crescimento global e, no ano passado, o volume econômico total ultrapassou a marca de 140 trilhões de yuans.

O 15º Plano Quinquenal não apenas dá continuidade aos conceitos e ideias do período do 14º Plano Quinquenal, mas também capta com precisão as tendências futuras do desenvolvimento, alcançando uma alta sinergia entre o planejamento de longo prazo e os esforços contínuos.

Um desenho de topo científico, expectativas políticas estáveis e uma forte capacidade de execução são a força determinante que economia chinesa, como um grande navio, a navegar com segurança e firmeza contra as ondas, avançando de forma estável e segura.

2. Centrado no povo, prioridade à vida do povo

A modernização chinesa tem como cerne a melhoria da vida do povo. Entre os 20 indicadores principais, aqueles relacionados à vida do povo ocupam sete, representando mais de um terço do total. O plano foca nas necessidades urgentes e difíceis da população, como emprego, renda, educação e saúde.

Este ano, as despesas do orçamento público geral nacional atingirão 30 trilhões de yuans (R$ 22 trilhões), com gastos em educação, seguridade social e emprego ultrapassando 4,5 trilhões de yuans (R$ 3,3 trilhões) cada.

As pensões básicas para residentes urbanos e rurais e os subsídios ao seguro médico continuarão a aumentar. Da tradicional ênfase na construção de “infraestrutura física”, a China está transitando para dar igual importância ao “investimento em infraestrutura” e ao “investimento no capital humano”, tomando medidas concretas para que os frutos do desenvolvimento beneficiem todas as pessoas de forma mais ampla e justa, buscando avanços substanciais e tangíveis na promoção da prosperidade comum.

3. Consolidar as bases, impulsionar pela inovação

O “Esboço do Plano” do 15º Plano Quinquenal coloca a “construção de um sistema industrial moderno e a consolidação do fortalecimento da base econômica real” como prioridade máxima entre as tarefas estratégicas, estabelecendo claramente uma meta de crescimento médio anual dos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento de mais de 7% em todo o país, com o valor agregado do setor central das indústrias digitais atingindo 12,5% do PIB.

Desde o desenvolvimento de variedades de trigo resistentes a doenças para garantir a segurança alimentar, até a definição clara de circuitos integrados, aeroespacial, biomedicina e economia de baixa altitude como indústrias pilares emergentes, e a inclusão de energia do futuro, tecnologia quântica, inteligência incorporada (embodied AI) e interface cérebro-computador no layout das indústrias do futuro, a China está acelerando a conquista da autossuficiência e do fortalecimento em ciência e tecnologia de ponta.

Em 2025, o modelo de Inteligência Artificial de código aberto (open source) lançado por uma empresa chinesa teve o maior número de downloads do mundo; robôs humanoides “mostraram suas habilidades em grupo” no Gala do Festival da Primavera do Ano do Cavalo; durante o período das Duas Sessões, muitos jornalistas estrangeiros usaram óculos de IA chineses para concluir trabalhos de tradução e fotografia –o ímpeto inovador da China continua a se intensificar.

4. Abertura e inclusão, cooperação ganha-ganha

A grandeza de um país reside em beneficiar o mundo. Embora focado no desenvolvimento doméstico, o 15º Plano Quinquenal sempre insiste em expandir a abertura de alto padrão para o exterior. A China apoia firmemente a liberalização e facilitação do comércio e investimento, e a manutenção da estabilidade e fluidez das cadeias industriais e de suprimentos globais.

Em 2025, o comércio da China com os países parceiros na construção do “Cinturão e Rota” representou 51,9% do seu comércio total, sendo parceira comercial principal de mais de 160 países e regiões. No futuro, a China não será apenas a “fábrica do mundo”, mas também o “mercado do mundo”, continuando a fornecer novas oportunidades ao mundo com seu próprio novo desenvolvimento.

5. Desenvolvimento pacífico, comunidade com futuro compartilhado

O grande rejuvenescimento da nação chinesa não trilhará o velho caminho da busca pela hegemonia e expansão. O 15º Plano Quinquenal coordena desenvolvimento e segurança, enfatizando a adesão inabalável ao caminho do desenvolvimento pacífico, a participação ativa na reforma do sistema de governança global e, diante de desafios globais como guerras, pobreza e injustiça, defende a solidariedade, a cooperação e a ação conjunta para o bem comum do planeta.

O conceito de construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade já obteve o apoio de mais de 100 países e organizações internacionais e a aprovação de quase 80% da opinião pública mundial. A China continuará a defender a visão de que “o mundo pertence a todos”, dedicando-se a construir um mundo de paz duradoura, segurança universal e prosperidade comum, promovendo a constante transformação do conceito de comunidade com futuro compartilhado para a humanidade, da visão à realidade.

O desenvolvimento da China não pode ser separado do mundo, e a prosperidade do mundo também precisa da China. São Paulo e os três estados do sul, como polos econômicos importantes do Brasil, possuem uma base de cooperação sólida e amplas perspectivas de desenvolvimento com a China.

Esperamos, no futuro, trabalhar em conjunto com todos os setores da área de jurisdição consular, aproveitando o início do 15º Plano Quinquenal como oportunidade para fortalecer o alinhamento das estratégias de desenvolvimento, aprofundar a cooperação prática, compartilhar os frutos do desenvolvimento, promover o bem-estar dos povos de ambos os lados e contribuir ativamente para a construção de uma comunidade com futuro compartilhado sino-brasileira.

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SXSW 2026: as tendências morreram. Vida longa às tendências

Amy Webb decretou o fim do relatório fixo de tendências no SXSW, exaltou a criatividade destrutiva. Mas, o que isso significa?

show de banda do sudoeste no SXSW 2026Créditos: SXSW/ Showband of the Southwest


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CAMILA DE LIRA – Fast Company Brasil – 16-03-2026 

Uma das apresentações mais esperadas do South by Southwest (SXSW) virou um enterro. E foi intencional. A futurista Amy Webb levou coroas de flores brancas, lenços de papel, uma playlist de “despedida” e velas (eletrônicas) para o salão principal do evento.

Antes de pisar no palco, a curiosidade das 1,5 mil pessoas da audiência era visível. Mais do que uma vez, perguntas sobre “apocalipse” e “fim do mundo” foram trocadas entre a audiência.

Quando entrou no palco, vestida de capa preta de veludo, a CEO do Future Today Strategy Group (FTSG) apresentou um vídeo de eulogia para o morto em questão: seu relatório anual de tecnologia emergente.

Publicado religiosamente no mês de março há 19 anos, o documento de cerca de mil páginas era uma mistura de bíblia e guia para as lideranças de inovação nos mais diversos setores.

“Essa eulogia não é só para o trend report, é para todos os relatórios de tendência. Um PDF estático até informa, mas, hoje em dia, torna-se obsoleto imediatamente porque tudo está mudando muito rapidamente”, afirmou. Amy não deixou nem o “corpo” do documento esfriar e logo citou a “destruição criativa” e chamou para uma celebração. 

Foi aí que o enterro virou uma festa. A banda marcial da Universidade do Texas entrou na sala, tocando uma fanfarra. Alguns bateram palma, outros riram enquanto filmavam a cena inusitada.

A audiência ainda estava guardando os celulares quando Amy veio com um novo anúncio porque, embora o mundo esteja mudando rápido, ainda há uma forma de pensar estratégias para o futuro: as convergências. 

Convergências ocorrem quando múltiplas tendências, forças e incertezas se cruzam e interagem entre si. Amy explicou que as tendências são mais como o dado de previsão de temperatura dos dias, enquanto as convergências são o radar meteorológico completo. Nas palavras da futurista, o novo modelo (também entregue em PDF) é um “rastreador de tormentas”.

A crítica aos relatórios de tendência não é nova. Em uma apresentação em 2024, o estrategista cultural Matt Klein falou sobre isso em uma apresentação. E vem reforçando essa ideia em outras ocasiões, inclusive neste mesmo South by Southwest.

TEMPESTADES SEMPRE À FRENTE

 “Convergências operam em nível sistêmico, abrangem diversas indústrias e criam novas realidades, de forma repentina. É uma tempestade inevitável”, disse a futurista. 

Não é a primeira vez que a veterana do SXSW fala sobre tempestades e cenários catastróficos em Austin. Entre 2021 e 2025, ela repetiu a palavra “tempestade” 25 vezes em apresentações. É bom lembrar que Amy se apresenta em Austin há pelo menos 15 anos.

“Você não pode ficar olhando o céu ficar verde, a chuva chegar e voltar dizendo que alguém está exagerando”, afirmou. 

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Embora tenham ficado cada vez mais populares e mais extravagantes, as palestras de Amy Webb seguem a mesma estrutura: há um gancho sentimental, um exemplo exagerado, um aviso para notícias ruins e um chamado para ação, que culmina no lançamento do documento. 

Em 2022 e 2023, ela disse que sua apresentação era para quem tinha estômago forte. Em 2024, dedicou tempo para tratar sobre o medo, a incerteza e a dúvida. Em 2025, ela afirmou que tinha chegado ao “ápice do pessimismo”.

Depois há exemplos de tecnologias que vão das mais inusitadas – este ano foi o caso do criador de conteúdo que fez uma réplica deepfake de si para fazer lives – até as que impressionam mais, como os exoesqueletos para melhorar a performance física das pessoas. Este ano, Amy Webb trouxe mais exemplos que vieram da China e de países asiáticos.

“NÃO EXISTEM MAIS PRODUTOS PARA VENDER. ENTÃO AS EMPRESAS VENDEM VOCÊ DE VOLTA PARA VOCÊ MESMO”

Ela não deixou de lado a crítica aos líderes de grandes empresas de tecnologia. Cada ano, a futurista critica um líder de big tech: em 2025 foi Elon Musk; em 2024, ela falou sobre os “tech bros”. Este ano, foi Sam Altman, o CEO da OpenAI.

Seguindo a estrutura das últimas apresentações, depois da tormenta vem o chamado para que líderes de empresas e pessoas tomem alguma atitude com relação à estratégia de futuro. Há sempre um chamado para ação, mas para que tipo de ação? Não fica tão claro.

Nos últimos anos, a parte mais otimista e propositiva da apresentação ocupou os 10 ou 20 minutos finais. Em 2026, a proposição de soluções teve menos tempo no palco do que a encenação do enterro. Foram oito minutos dedicados ao pedido final para as pessoas retomarem a agência com relação à estratégia de futuro.

“Ninguém vai te salvar”, avisou. 

E O CONTEÚDO?

Amy Webb focou em três convergências este ano. A começar pela de “humanos aumentados”, que fala sobre o uso de biotecnologia e nanotecnologia para apoiar a performance física e mental das pessoas.

O tema remete à biologia sintética, apresentada em 2022, aos dispositivos vestíveis, mostrados em 2023 (mesmo ano em que ela se desdobrou para falar sobre o metaverso industrial) e ao conceito de “inteligência viva” apresentado no ano passado. 

A outra convergência é a do trabalho ilimitado, que fala sobre agentes de IA e a possibilidade de fábricas “de luz desligada”, trabalhando sem a necessidade de humanos. Um desdobramento da computação assistida citada em 2023 e da IA agêntica, citadas desde 2024. 

Já a terceirização emocional, que cruza a falta de conexão entre humanos e o uso de robôs para conversas e relacionamentos amorosos, é a evolução do fim da internet, decretado em 2023. E também de sistemas de IA que detectam emoção, citados em 2022. 

Amy apresentou um cenário em que o capitalismo chega a sua “totalidade”. “O capitalismo não colapsa, ele se completou. Não existem mais produtos para vender. Então as empresas vendem você de volta para você mesmo”.

QUEM É VOCÊ NO CHURRASCO?

Em 75 minutos no palco, Amy Webb mostrou um pouco menos da sua visão do que nos 20 minutos informais de fala no FastCo Grill, evento paralelo da Fast Company no SXSW.

Sem a cenografia e a teatralidade, numa conversa mais intimista, Webb mostrou que está com raiva com o rumo que o mundo tecnológico tomou. E exasperada com a falta de ações coletivas de empresas e de indivíduos com relação a isso.

Leia mais: “Previsões não descrevem o futuro. Elas influenciam decisões no presente”, diz Karen Hao

Para ela, consumimos as novidades tecnológicas sem pensar em seus objetivos de longo prazo. “Nós simplesmente abdicamos da responsabilidade. E não apenas nos Estados Unidos, aos meus amigos brasileiros: vocês também estão enfrentando o mesmo problema. A questão se entrelaça com política, cidadania e a forma de nos relacionarmos uns com os outros. Por mais quanto tempo vamos aceitar isso?˜, questionou.

“Precisamos ser mais céticos e desconfiar das tecnologias cool”, afirmou a futurista, que, há anos publica relatórios tratando exatamente sobre as tecnologias mais inusitadas do mundo. 

A CRIATIVIDADE DESTRUTIVA DO QR CODE

Na palestra-funeral, Amy Webb citou rapidamente a ideia de criatividade destrutiva. O conceito, que deu o prêmio Nobel aos economistas  Philippe Aghion, Peter Howitt, e Joel Mokyr em 2025, explica que o crescimento econômico sustentado pela inovação acontece quando novas tecnologias deixam as outras obsoletas. 

A futurista evocou o conceito como um caminho para as empresas lidarem com o rol de incertezas e tempestades à frente.

Aparentemente, ela não aplicou a destruição que pregou. O chamado para a “autorreflexão” ficou mesmo para os executivos e para a audiência. Porque, depois do espetáculo teatral, a palestra de Amy Webb  terminou da mesma forma de sempre: com um slide do QR code para o relatório de convergências. Em PDF.


SOBRE A AUTORA

Camila de Lira é jornalista formada pela ECA-USP, early adopter de tecnologias (e curiosa nata) e especializada em storytelling para n… saiba mais

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Existe vida fora da Terra? ‘Jovens de hoje provavelmente estarão vivos quando tivermos as respostas’

Astrofísico americano Adam Frank fala sobre suas investigações extraterrestres, financiamento à ciência, mudança climática e desenvolvimento da IA

Por Juliana Domingos de Lima – Estadão – 15/03/2026

Foto: University of Rochester/Divulgação

Entrevista com Adam Frank Astrofísico e professor da Universidade de Rochester

A busca por indícios de vida — e vida inteligente, capaz de criar tecnologia — em outros planetas pode estar a algumas décadas de encontrar respostas.

Professor do Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Rochester, em Nova York, nos EUA, o astrofísico Adam Frank lidera as pesquisas para mapear essas “tecnoassinaturas” no Universo. Além desse trabalho, também é uma figura pop: como divulgador científico, escreve livros de sucesso, já participou de um documentário da Netflix e foi consultor científico da Marvel para o filme Doutor Estranho.

Frank é um dos destaques do São Paulo Innovation Week, evento que será realizado de 12 a 15 de maio na Mercado Livre Arena Pacaembu e na Faap. O festival é uma realização do Estadão, em parceria com a Base Eventos – os ingressos já estão à venda e os assinantes do jornal têm desconto.

Para você

O cientista conversou com a reportagem sobre o motivo de o investimento público ser a “galinha dos ovos de ouro” da inovação, os riscos de uma inteligência artificial que nos torna “mais rasos” e como a crise climática deve ser lida sob a ótica da astrobiologia: não como uma missão para “salvar” a Terra, mas como uma questão de sobrevivência de uma civilização que deve aprender a conviver com as regras físicas do planeta.

Leia a entrevista completa abaixo.

A humanidade especula há milhares de anos sobre a vida em outros planetas. Quão perto estamos de saber se há vida fora da Terra?

Como você disse, essa pergunta tem 2.500 anos. É possível ver os gregos antigos discutindo sobre isso: Aristóteles tinha uma opinião e Demócrito, outra. É realmente uma das questões mais antigas da história. E a resposta pode ser “não”; pode ser que busquemos em milhares de estrelas e não encontremos nada. Isso não significaria que não existe vida, mas que ela não é comum. Ou pode ser que, de fato, encontremos algo.

O extraordinário é que esta geração, os jovens de hoje, provavelmente estará viva quando começarmos a ter respostas. É incrível estarmos a 10, 20 ou 30 anos de ter a tecnologia e a base teórica para observar planetas distantes, mundos alienígenas, e procurar por vida neles.

O conhecimento e a tecnologia nessas áreas têm se desenvolvido mais rapidamente nas últimas décadas?

O que eu chamo de “revolução dos exoplanetas” começou em 1995. Quando eu era estudante de pós-graduação, não conhecíamos nenhum planeta orbitando outras estrelas. Era perfeitamente possível que o Sistema Solar fosse uma raridade e que planetas fossem difíceis de se formar. Em vez disso, a partir de 1995, descobrimos que há muitos deles. Planetas existem aos montes.

Hoje sabemos que, ao olhar para o céu noturno, cada estrela possui sua própria família de planetas. Esse conhecimento tem, no máximo, 30 anos. Aconteceu agora, durante as nossas vidas. Mais do que isso: a capacidade de procurar evidências indiretas de vida (fora da Terra) é algo muito novo, de talvez 15 anos para cá.

Como essa evidência indireta é coletada?

Não conseguimos tirar uma foto do planeta; ele é muito distante e escuro. O que fazemos é analisar a luz que atravessa sua atmosfera. Quando um planeta orbita sua estrela, às vezes ele passa entre ela e nós. Nesse momento, parte da luz estelar atravessa a atmosfera do planeta e é absorvida. A luz que chega até nós carrega uma espécie de “impressão digital” dos elementos químicos ali presentes. Assim, descobrimos do que a atmosfera é feita e se existem substâncias que só poderiam estar lá por causa da vida.

Existem as bioassinaturas — rastros de uma biosfera, como florestas ou plâncton. E pode haver tecnoassinaturas — rastros de tecnologia de uma civilização. Eu liderei o primeiro grupo a receber uma verba da Nasa para buscar tecnoassinaturas em atmosferas; focar em vida tecnológica inteligente tem sido uma parte central do nosso trabalho.

Você defende que o financiamento público é a galinha dos ovos de ouro para a ciência. Esse modelo está em crise atualmente nos EUA, com os cortes federais a instituições como a Nasa?

Com certeza. A ciência dos EUA está sob enorme pressão. Se algo não mudar, a história dirá que este foi o maior exemplo de uma nação dando um “tiro no pé” sem motivo algum.

A excelência científica não é eterna. Em 1600, para estar na fronteira da ciência, você iria para a Itália. Em 1700, com o fim dos Médici e do financiamento, o destino seria Inglaterra ou França. Em 1900, seria a Alemanha, berço da mecânica quântica e da relatividade. Em 1965, seriam os Estados Unidos.

A nação na vanguarda é aquela que apoia a ciência. As ações do atual governo estão desmantelando partes importantes da ciência americana ou impondo restrições tão desnecessárias que corremos o risco de perder a liderança. O que ocorre hoje é uma ameaça. Outra pessoa assumirá o posto, porque a ciência vai continuar. Só pode não ser mais os EUA, o que seria um erro terrível (para nós).

Em países em desenvolvimento, como o Brasil, como convencer a sociedade de que o investimento em áreas de pesquisa abstrata, como a astrofísica, é o que gera inovação para as próximas décadas?

É preciso mostrar como algo tão abstrato quanto a astronomia gera consequências práticas e econômicas enormes.

Entre o fim dos anos 80 e início dos 90, um laboratório de astronomia tentava criar uma forma de transmitir imagens, já que a área depende muito delas. Isso contribuiu diretamente para a criação da internet — o melhor exemplo de como a ciência básica gera trilhões em crescimento econômico. Muitos dos algoritmos atuais nasceram ali.

Outro exemplo é o laser: em 1960, ocupava uma sala inteira e as pessoas perguntavam para que servia. Pense em quantas vezes você cruza com um laser hoje. São trilhões de dólares vindos de pesquisa básica financiada pelo governo. Mesmo para países com orçamentos menores, o retorno sobre o investimento é extraordinário. Além disso, a ciência básica permite parcerias internacionais que sempre rendem frutos no longo prazo.

Acha que essas parcerias são o caminho para países com menos recursos fortalecerem a ciência e a inovação?

Sim, com certeza. Já colaborei diversas vezes com cientistas brasileiros. A ciência brasileira tem um impacto real; vocês exportam e também mantêm ótimos pesquisadores. O Brasil é um país grande e tem todos os argumentos (para formar parcerias). Vocês podem ser uma potência neste século; imagino o Brasil se tornando uma verdadeira força científica.

Em seu novo livro, O Ponto Cego, escrito com o brasileiro Marcelo Gleiser e com o filósofo Evan Thompson, você argumenta que a ciência esqueceu de integrar a experiência humana. Essa crítica se aplica a grandes desenvolvimentos tecnológicos atuais, como a inteligência artificial?

Totalmente. Nas piores facetas da IA — o exagero do marketing e as consequências econômicas devastadoras — há uma incapacidade de reconhecer o que nos torna humanos.

Os debates sobre sistemas que se tornariam superinteligências e nos substituiriam são pura fantasia. Essas máquinas são réplicas medíocres; não chegam nem perto de nós. Mas, como bilionários estão empurrando essas tecnologias goela abaixo sem estarem devidamente testadas, acabaremos nos rebaixando ao nível delas. O risco não é a IA subir acima de nós, mas sermos forçados a descer ao nível raso e “menos que humano” delas, tornando nossa experiência de mundo muito mais plana e pobre.

Este é um caso onde as pessoas deveriam decidir que tipo de tecnologia querem, em vez de aceitá-la apenas porque alguém quer lucrar. Como cidadãos, temos o direito de dizer: “Há coisas ótimas nessa tecnologia e queremos usá-las para isso, mas, fora isso, não”. Nós é que devemos dizer aos tecnólogos o que queremos. Não vão conseguir ganhar dinheiro com o que não queremos, que achem outra forma.

E, na sua perspectiva, não é isso que está acontecendo agora?

Não. Há um ciclo interminável de hype forçando a adoção dessas tecnologias. O que eu, Marcelo e Evan Thompson defendemos no livro é que estamos no limiar de uma nova visão da natureza, onde nós, seres humanos, somos inseparáveis do Universo.

A ideia de que o Universo não tem sentido e somos apenas “átomos vazios colidindo no vácuo” é um erro enorme. Não é isso que a ciência nos diz. Nossos sistemas tecnológicos, econômicos e políticos precisam refletir essa visão de que a vida e a biosfera são centrais. Esse é o ponto de partida, não uma visão fantasiosa e externa de perfeição.

Você sugere que a crise climática atual não é algo único: do ponto de vista da astrobiologia, qualquer população ou civilização tecnológica que tenha vivido nesse planeta ou em outros, com uso intensivo de energia, deve ter enfrentado algo semelhante. Como essa perspectiva nos ajuda a encarar os desafios atuais?

Essa perspectiva astrobiológica ajuda a redefinir o debate. Sabemos há décadas que estamos empurrando a Terra para um novo estado climático. Lyndon Johnson foi o primeiro presidente americano a mencionar isso, em 1964. Faz tanto tempo e, como se vê, não fizemos praticamente nada. Provavelmente ultrapassaremos o limite de 1,5°C. Algo está errado.

Como civilização, sabemos do problema, mas não agimos. Isso revela algo disfuncional na história que contamos a nós mesmos. Quando falamos de clima, falamos da física de um planeta. Planetas têm regras: se você extrai muita energia para construir uma civilização, haverá uma reação. O planeta responderá a esse uso de energia mudando o clima.

Imagine que existam milhares de planetas com civilizações. A mudança climática pode ser um processo genérico pelo qual todos passaram. Apenas os que foram inteligentes o suficiente para mudar seu comportamento sobreviveram e construíram uma civilização duradoura.

A inovação tecnológica pode nos salvar dessa enrascada?

Precisamos de uma mudança sistêmica. A inovação ajuda e faz parte da solução, mas não faz tudo. Alguns aspectos dependem puramente do nosso comportamento. Precisamos de mudanças fundamentais para retomar uma relação de parceria com a biosfera.

Hoje, nos afastamos da biosfera e fingimos que a Terra é um lixão onde podemos descartar tudo sem consequências. Aprendemos que a biosfera não tolera isso.

Outro ponto dessa perspectiva: temos a ideia de que precisamos “salvar a Terra”. Não é isso. A Terra não é um coelhinho fofo; pense nela como uma deusa furiosa. Se a pressionarmos demais — e já estamos fazendo isso — veremos seu lado perverso. Nosso trabalho não é salvar a Terra, mas sim parar de irritá-la, porque ela nos sacudirá como pulgas em um cão. Essa visão muda o debate: não se trata de direita contra esquerda ou empresas contra ambientalistas. Trata-se de sobrevivência.

Não dá para empurrar IA goela abaixo, diz astrofísico premiado que foi consultor em filme da Marvel – Estadão

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Do agro para tecnologia digital e terras raras

Evandro Milet – Sim Notícias – 8/2/2026

A agricultura contemporânea deixou de ser apenas fornecedora de alimentos para se tornar uma plataforma tecnológica capaz de gerar insumos estratégicos para a indústria digital, a mineração e a transição energética. Pesquisas em biotecnologia, química verde e ciência dos materiais mostram que plantas, resíduos agrícolas e subprodutos do agro podem ser transformados em componentes essenciais para eletrônicos avançados, mineração de terras raras e novos processos industriais de baixo impacto ambiental.

Um exemplo simbólico dessa convergência está nos materiais usados em telas dobráveis e dispositivos flexíveis. Polímeros e filmes especiais utilizados nesses produtos podem ser produzidos a partir de carbonatos e biopolímeros derivados do milho. No Brasil, universidades como Unicamp e USP, em parceria com centros de pesquisa em materiais, desenvolvem biopolímeros avançados a partir de amido e açúcares vegetais, com foco em aplicações que exigem leveza, resistência mecânica e flexibilidade, características fundamentais para eletrônicos portáteis, sensores e componentes digitais.

Outro campo em rápida expansão é o uso de compostos agrícolas na mineração de terras raras, elementos indispensáveis para baterias, motores elétricos, turbinas eólicas, semicondutores e dispositivos de comunicação. Pesquisas brasileiras vêm explorando o potencial de biomateriais extraídos do arroz, especialmente da casca, que podem atuar como agentes no processamento de terras raras, substituindo reagentes químicos agressivos por alternativas renováveis e menos poluentes.

Nesse contexto, grupos de pesquisa ligados à Embrapa, à UFMG, à UFSCAR e à USP investigam o uso de biomassa agrícola, biocarvão e fibras vegetais como insumos para processos industriais avançados. Parte dessas pesquisas busca justamente integrar o conhecimento do agro à cadeia mineral e tecnológica, criando soluções que atendam à demanda crescente por minerais estratégicos com menor impacto ambiental.

Resíduos agrícolas como palha, bagaço, cascas e fibras podem servir de matéria-prima para sensores inteligentes, circuitos biodegradáveis e componentes eletrônicos de curta vida útil, aplicados em internet das coisas (IoT), rastreabilidade logística e monitoramento ambiental. Fibras naturais, lignina e celulose avançada, estudadas em centros brasileiros de pesquisa florestal e agrícola, podem substituir plásticos e metais em determinados componentes digitais, reduzindo custos e emissões.

O Brasil reúne condições singulares para liderar essa integração: grande produção agrícola, diversidade de biomassa, conhecimento científico acumulado e presença relevante de reservas minerais estratégicas. Quando pesquisas do agro são direcionadas para aplicações industriais digitais e minerais, cria-se uma ponte entre o campo, a indústria de alta tecnologia e a nova economia verde.

Um novo fundo, operado pela SP Ventures e Zera e articulado por Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, com recursos iniciais da CNA e gestão técnica da Embrapa, pretende apoiar pesquisas de ponta no agronegócio nas universidades, inclusive na direção dos exemplos citados. 

Assim, a agricultura passa a desempenhar um papel central não apenas na segurança alimentar, mas também no fornecimento de insumos críticos para chips, baterias, mineração limpa e produtos digitais avançados, reposicionando o agro como um dos pilares da inovação tecnológica do século XXI no Brasil.

Do agro para tecnologia digital e terras raras  – Sim Notícias

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5 temas que moldam o futuro, segundo o novo curador do SXSW

Na abertura do festival, Greg Rosenbaum aponta inteligência artificial, criatividade e novas formas de comunidade como forças centrais do evento

Por Rennan Julio – Época Negócios – 12/03/2026


Greg Rosenbaum — Foto: DivulgaçãoGreg Rosenbaum — Foto: Divulgação

A abertura do SXSW deste ano começou com uma tentativa de responder a uma pergunta simples: o que realmente importa agora na cultura, na tecnologia e nos negócios?

No palco do festival em Austin, o novo curador de programação, Greg Rosenbaum, apresentou os cinco grandes temas que, segundo ele, atravessam toda a edição do evento, do cinema à música, passando por tecnologia, educação e inovação.

A proposta é ajudar o público a navegar em uma programação que reúne dezenas de milhares de submissões e centenas de milhares de votos da comunidade. “Estamos trazendo para vocês o mundo do que vem a seguir”, afirmou.

Para Rosenbaum, cinco movimentos ajudam a entender para onde a conversa global está caminhando.

O primeiro é a humanidade na era da inteligência artificial. A tecnologia segue no centro do debate, mas o foco agora mudou. Em vez de discutir apenas capacidades técnicas, o festival busca entender como as pessoas evoluem junto com as máquinas. “Estamos explorando como preservar as partes únicas de ser humano”, disse.

O segundo tema é um novo renascimento criativo. Em meio à digitalização da cultura, o SXSW quer discutir como a criatividade humana não apenas sobrevive, mas lidera transformações culturais e econômicas.

Outro eixo central é a transformação do fandom. Segundo Rosenbaum, comunidades online deixaram de ser apenas audiência e passaram a atuar como força organizadora da cultura. “Seguidores podem construir movimentos, lançar tendências e até moldar indústrias inteiras quase da noite para o dia”, afirmou.

O quarto ponto envolve a evolução do comportamento do consumidor. Tecnologias e algoritmos passaram a influenciar de forma cada vez mais invisível as decisões de compra, consumo cultural e engajamento com marcas e criadores.

Por fim, Rosenbaum destacou a reconexão humana como uma resposta ao excesso de digitalização. Em um mundo marcado pelo isolamento online, cresce o interesse por experiências presenciais e comunidades reais.

“Estamos explorando como reconstruir conexões genuínas em um mundo fragmentado”, disse.

O próprio formato do SXSW reflete essa ideia. Segundo o curador, o festival volta a ocupar diferentes partes da cidade de Austin, transformando ruas, teatros e espaços inesperados em pontos de encontro. Mais do que assistir a palestras, o objetivo é provocar encontros.

“Às vezes, a pessoa sentada ao seu lado é tão impactante quanto quem está no palco”, afirmou Rosenbaum.

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