Incorporação ao SUS, inteligência artificial e novos modelos operacionais podem expandir o uso da tecnologia, mas desafio da consistência permanece

CMR Surgical/Divulgação
Folha – 17.abr.2026
A recente incorporação da cirurgia robótica para câncer de próstata ao SUS (Sistema Único de Saúde) e ao rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) marca um novo capítulo na expansão dessa tecnologia no Brasil. A medida sinaliza um avanço regulatório relevante e abre espaço para ampliar o acesso a procedimentos com potencial de melhores desfechos clínicos.
Paralelamente, uma nova geração de robôs cirúrgicos tem introduzido maior flexibilidade ao modelo tradicional. Sistemas mais compactos e modulares permitem o uso em diferentes salas e até entre instituições hospitalares, reduzindo barreiras estruturais que historicamente limitaram a adoção da tecnologia.
Por décadas, a cirurgia permaneceu altamente dependente da habilidade individual dos profissionais, com baixo grau de padronização. Esse cenário foi agravado pelo predomínio de plataformas robóticas de grande porte, que exigiam adaptações significativas de infraestrutura, como reforço de lajes e centros cirúrgicos dedicados, fatores que restringiram sua presença aos grandes centros urbanos.
Segundo Giovani Martins, presidente da CMR Surgical na América Latina, esse modelo contribuiu para restringir a democratização da cirurgia robótica em todo o país: “Ele não só limitou a expansão da tecnologia como reforçou um ciclo de desigualdade e concentração”, afirma o executivo.

Um dos braços do Versius, sistema robótico desenvolvida pela CMR Surgical – CMR Surgical/Divulgação
Foi nesse contexto que a empresa decidiu atuar. Ao desenvolver o Versius, seu sistema de cirurgia robótica, a britânica CMR Surgical buscou não apenas introduzir uma nova tecnologia, mas propor uma nova lógica de implementação. “Com design mais flexível e braços independentes, tornou-se possível implementar programas de cirurgia robótica de forma mais ágil e sustentável”, diz o urologista Leonardo Chiese, coordenador do programa de cirurgia robótica do Hospital Unimed Volta Redonda (RJ).
A abordagem tem permitido ampliar a adoção da cirurgia robótica em contextos nos quais, até então, ela era inviável. Ainda assim, a expansão esbarra em outro desafio estrutural: a formação de cirurgiões. Historicamente, o treinamento foi limitado, caro e de difícil acesso. A CMR passou a atuar também nessa frente, ampliando o uso de simulações e modelos anatômicos no processo de capacitação.
Diferentemente de outras áreas da medicina, a cirurgia ainda depende, em grande medida, da habilidade individual, fator que se traduz diretamente em desfechos clínicos e dificulta a padronização em escala. “O problema não é apenas acesso, mas consistência”, afirma Martins.
Nesse contexto, soluções de telementoria vêm ganhando espaço ao permitir a troca de conhecimento em tempo real entre profissionais. Já a telecirurgia, que viabiliza procedimentos a distância, tem atraído atenção, mas enfrenta limitações. Na visão do executivo da CMR Surgical, o modelo não resolve o problema estrutural. “Em muitos casos, ele aumenta a dependência de especialistas concentrados nos grandes centros e pode elevar os custos dos procedimentos”, afirma.

Sistema de cirurgia robótica da CMR Surgical – CMR Surgical/Divulgação
Como próximo passo, a incorporação da inteligência artificial desponta como um dos principais vetores de transformação. A CMR anunciou recentemente os primeiros resultados de sua parceria com a NVIDIA, líder global em chips e infraestrutura de inteligência artificial, para o desenvolvimento do que se chama “IA física”, sistemas capazes de interpretar e interagir com o ambiente em tempo real.
Hoje, robôs cirúrgicos executam comandos com alta precisão. A evolução esperada é que esses sistemas passem a identificar estruturas críticas, antecipar etapas e apoiar a tomada de decisão durante os procedimentos.
Na visão clínica, esse avanço pode representar uma mudança relevante na prática médica. “Quando conseguimos trazer mais previsibilidade para etapas críticas, aumentamos a segurança do procedimento e reduzimos a dependência exclusiva da experiência individual”, diz Chiese.
Com isso, o debate sobre acesso ganha uma nova dimensão. Mais do que expandir a tecnologia, o desafio passa a ser garantir qualidade e consistência nos resultados em diferentes contextos do sistema de saúde, respeitando as particularidades regionais e estruturais do país.
“Não se trata de substituir o médico, mas de ampliar sua capacidade com base em dados e com a possibilidade de ter o robô atuando como copiloto”, diz Martins. “Estamos começando a migrar de uma cirurgia baseada em talento individual para uma cirurgia baseada em inteligência coletiva.”


*conteúdo desenvolvido em parceria como o Estúdio Folha
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