Com o mote de ‘cidade de 15 minutos’, Paris virou o grande laboratório urbano

  • Conceito valoriza vida local para que ninguém precise gastar muito tempo para acessar suas atividades cotidianas
  • Novo prefeito Emmanuel Gregoire se elege com mesma plataforma de Anne Hidalgo de tirar carros da rua e privilegiar áreas verdes

Mauro Calliari – Folha – 3.abr.2026 

Administrador de empresas pela FGV, doutor em urbanismo pela FAU-USP e autor do livro ‘Espaço Público e Urbanidade em São Paulo’

No dia 22 de março, Emmanuel Gregoire foi eleito prefeito de Paris, pegou a bicicleta número 90157 da Velib, o serviço gratuito de bikes, e foi celebrar pedalando pela noite parisiense. No dia seguinte, entusiastas criaram uma conta no X só para encontrar a tal bicicleta usada pelo prefeito eleito. Ela já havia sido usada por mais de 20 pessoas nas horas depois da posse e promete ser uma estrela das redes.

O gesto de usar uma bicicleta de aluguel e não uma limusine ou um carro blindado é, evidentemente, simbólico. A prefeita anterior, Anne Hidalgo, quando assumiu em 2014, prometeu transformar a cidade e adotou o mote da “cidade de 15 minutos”. Gregoire foi seu vice-prefeito e, apesar de ela ter apoiado outro candidato da esquerda, promete dar continuidade e ampliar as reformas que modificaram a paisagem da capital francesa.

A cidade de 15 minutos

O conceito da cidade de 15 minutos é valorizar a vida local e garantir que ninguém precise mais do que 15 minutos a pé ou em bicicleta para acessar suas atividades cotidianas: a escola, o posto de saúde, a boulangerie, o parque, o centro cultural, o trabalho e o lazer.

A ideia não é nova, ela tem raízes na Unidade de Vizinhança, uma ideia do começo do século 20, mas a prefeita Anne Hidalgo encontrou em Carlos Moreno*, um professor franco-colombiano, o entusiasmo para criar seu plano de governo, que ela definiu como um verdadeiro “choque de proximidade”.

Alguns urbanistas torcem o nariz para o apelo mercadológico do nome. Um deles, Alain Bertauld, diz que Paris já é uma cidade de 15 minutos e que a Prefeitura não tem ingerência sobre negócios privados. A ideia também pode gerar reações inflamadas —anos atrás, na Inglaterra, houve até uma patética marcha dos mal-informados de plantão contra a fake news de que as pessoas seriam proibidas de saírem de seus bairros se a cidade de 15 minutos fosse adotada.

O fato é que a ideia se expandiu, surgiu até um sub-slogan para a “metrópole de 30 minutos” e a Prefeitura de Paris mostrou que a qualidade de vida pode, sim, melhorar quando se mexe bem no espaço público.

O que mudou

Quem andou por Paris nos últimos tempos certamente percebeu nas ruas o efeito das mudanças.

Ruas tomadas pelos carros, como a importante Rue de Rivoli ou a Rue de Vaugirard, abriram espaço para ciclovias, calçadas maiores e prioridade para o transporte público. Hoje, as bicicletas já ultrapassaram os carros em número de viagens na região central. SUVs pagam taxa extra para circular no centro.

Calçadas cinzas estão sendo refeitas com mais árvores e áreas verdes. Mais de 60 mil vagas de carro devem dar lugar a jardins de chuva. O Sena está mais limpo, a via Georges Pompidou cede espaço a uma enorme área de lazer e a praia parisiense é um sucesso.

As maiores mudanças aconteceram ao redor das escolas infantis. Ruas tiveram velocidade reduzida ou até foram fechadas para estimular os alunos a ir e voltar a pé.

A poluição sonora caiu. Com menos carros e mais árvores, há 50% menos dióxido de nitrogênio no ar. Estima-se 30% a menos nas mortes causadas por poluição atmosférica.

As mudanças nunca vêm sem oposição. Menos espaço para carros sempre gera reações de motoristas e moradores, mas a estrutura de transporte público de Paris dá conta da maior parte dos deslocamentos. Com uma divisão de votos entre distritos mais ricos e mais pobres, não há vida fácil para nenhum gestor público, mas o projeto passou no crivo eleitoral, com a eleição de um prefeito comprometido com as mudanças.

É melhor não pensar na cidade de 15 minutos como um mantra, mas como um bom conceito, que pode ser adaptado por gestores em todo o mundo. No Brasil, poderíamos pensar num “choque de urbanidade”, transformando bairros e principalmente periferias com mais verde, mais calçadas, estimulando o comércio local e aumentando o acesso aos serviços públicos e ao transporte público.

*Para quem tiver interesse, sugiro o livro de Carlos Moreno “A cidade de 15 minutos”, lançado no Brasil no ano passado pela Editora Bei.

Com ‘cidade de 15 minutos’, Paris virou laboratório urbano – 03/04/2026 – Mauro Calliari – Folha

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IA vai mudar empresas, não só empregos

Um possível resultado é que a tecnologia dará continuidade ao processo de achatamento das organizações, permitindo que elas terceirizem cada vez mais mão de obra

Por Diane Coyle – Valor – 19/02/2026 

Muitas pessoas temem que a Inteligência Artificial (IA) possa provocar um “apocalipse dos empregos”. A reunião deste ano em Davos disparou os alarmes a respeito das implicações da tecnologia para o emprego, ao mesmo tempo em que os recentes anúncios de cortes de postos de trabalho em setores de colarinho branco foram vistos por muitos como os primeiros sinais da tempestade por vir.

Por outro lado, os impactos gerais da IA nas empresas não receberam nem de perto a mesma atenção. Embora, de acordo com maioria das pesquisas confiáveis, a maioria das firmas até agora não tenha aderido à IA, é provável que a continuidade na adoção venha acompanhada de uma grande reorganização nas empresas. Isso porque a IA é uma tecnologia da informação que afeta os processos de tomada de decisão.

As ondas anteriores de tecnologias digitais vistas a partir dos anos 1990 transformaram as empresas de várias formas. Avanços computacionais e nas comunicações deram sustentação à internet, que depois de tornou móvel com a chegada dos smartphones e das tecnologias de rede sem fio. Isso permitiu a mudança de uma produção de integração vertical para cadeias de suprimento distribuídas internacionalmente e a mudança de um sistema de hierarquias nas empresas para um “sem camadas” hierárquicas.

Sem dúvida, mudanças nas regulamentações e nas políticas de governo ajudaram na ascensão da produção globalizada e no impressionante crescimento do comércio de componentes entre países. No entanto, essas mudanças não teriam sido possíveis sem as inovações tecnológicas.

Outra consequência da digitalização tem sido a ascensão dos modelos de negócios baseados em plataformas, que usam ferramentas algorítmicas para intermediações entre fornecedores e clientes, formando amplas redes logísticas em infraestrutura digital. Plataformas guiadas por dados e algoritmos já operam em muitos setores e, em muitos casos, passaram a dominar seus mercados, tendo transformado tanto os padrões de emprego quanto os de consumo.

A questão agora é como a IA vai rearranjar as empresas ainda mais. Em 2025, na Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), Vivek Mohindra, vice-presidente sênior e assessor especial do vice-presidente do conselho de administração e diretor operacional da Dell Technologies, argumentou que as “capacidades organizacionais” são a fonte das vantagens competitivas contínuas de uma empresa (sendo o principal ativo intangível da Dell a sua cadeia de suprimentos). No entanto, a IA, acrescentou Mohindra, vem mudando as capacidades que importam mais e tornando-as difíceis de mensurar.

Alguns setores parecem ser particularmente vulneráveis às rupturas provocadas pela IA. Vários comentaristas já notaram o potencial da tecnologia para automatizar empregos de nível básico em setores como os de contabilidade, advocacia e finanças. De forma similar, empresas de tecnologia vêm usando cada vez mais seus próprios modelos de IA para reduzir o tempo e o custo do desenvolvimento de softwares e sinalizando que no futuro menos programadores de computador serão necessários.

No entanto, se a mão de obra nos níveis básicos das empresas for enxugada, como as empresas garantirão que os futuros funcionários adquiram a experiência necessária? Por exemplo, há evidências emergentes de que usar IA para escrever os códigos de programação compromete a obtenção de habilidades pelos trabalhadores humanos.

Se a mão de obra nos níveis básicos das empresas for enxugada, como elas garantirão que os futuros funcionários adquiram experiência necessária? Há evidência de que usar IA para escrever os códigos de programação prejudica a obtenção de habilidades pelos trabalhadores

A IA generativa também vai reconfigurar as estruturas das empresas. Um possível resultado é que a tecnologia dará continuidade ao processo de achatamento das organizações, permitindo que elas terceirizem cada vez mais mão de obra. Sam Altman, da OpenAI, chegou a prever a possibilidade de um “unicórnio” (startups avaliadas em US$ 1 bilhão) formada por só uma pessoa. Agentes de IA poderiam atenuar as fricções inerentes às negociações entre diferentes entidades e monitorar cadeias de suprimentos complexas.

No entanto, alguns economistas preveem que a IA generativa voltará a trazer uma maior centralização das decisões das organizações, pois ela terá a capacidade de capturar o conhecimento “tácito” incorporado na percepção e na prática humana – conhecimento do qual todas as empresas dependem.

Considere um pequeno exemplo: o engenheiro de manutenção que trabalhava no metrô de Londres e percebeu que as rodas dos vagões da linha Victoria precisam de um pouco mais de graxa em razão de seus trilhos atipicamente curvos. Quando esse funcionário se aposentou, esse know-how desapareceu, e os trens da linha Victoria começaram a quebrar com mais frequência à medida que suas rodas sucumbiam ao desgaste.

Conhecimentos tácitos como o do engenheiro de manutenção raramente são escritos ou ensinados formalmente. Ainda assim, se eles estiverem refletidos nas ações repetidas dos trabalhadores humanos, novas aplicações de IA podem ser capazes de capturar esse know-how e codificá-lo.

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Estamos perdendo competitividade. E agora?

Germano Aguiar Vieira – Revista Opiniões – 

Diretor Florestal da Eldorado Brasil

Produtos de origem florestal fazem parte do dia a dia das pessoas desde o início da humanidade. Desde sua utilização como combustível para fogo, coisa que ainda fazemos hoje em dia, até suas aplicações mais recentes em produtos de alta tecnologia como curativos, cosméticos e alimentos. Há também suas utilizações mais tradicionais, como produção de celulose, para indústrias de papéis e embalagens, geração de madeira serrada e painéis de madeira, direcionados para móveis e construção civil, produção de carvão vegetal, ambos para cocção de alimentos e como biorredutor na siderurgia.

Em contrapartida, apesar da importância dos produtos de origem florestal na história da humanidade, a cada dia novas alternativas surgem para substituir a madeira em diversos mercados, desde novas tecnologias para construção civil a opções de geração de energia.

Este cenário fez com que a demanda por madeira a nível global (Quadro1) permanecesse praticamente estável nos últimos 20 anos, com um discreto incremento de apenas 0,7% ao ano, impulsionado principalmente pelo aumento da demanda por celulose química no período, que cresceu aproximadamente 1% a.a.

Esta estabilidade na demanda global acaba sendo refletida nos preços de comercialização de produtos do setor florestal, que permaneceu muito estável entre 2010 e 2020, atingindo seu máximo em 2022 durante o auge da pandemia, mas já mostrando sinais de retração em 2023 e 2024. (Quadro2)

Entretanto, a estrutura de mercado destes produtos também vem mudando ao longo do tempo. Hoje, a árvore plantada no Mato Grosso do Sul pode ser transformada em celulose em São Paulo, exportada para a China para virar papel, para então ser utilizada na embalagem de um celular que será vendida Reino Unido. Outra árvore plantada em Santa Catarina pode ser levada a uma serraria no Paraná, virar tábuas de madeira que serão usadas numa cerca nos Estados Unidos, enquanto a serragem gerada foi transformada em pellets que irão virar aquecimento residencial na Alemanha. Isso significa que o local onde a floresta será plantada não é mais determinado pelo mercado consumidor, mas sim pela localização onde é mais barato de ser produzido.

Neste mesmo período, vemos uma mudança significativa na origem da madeira consumida no mundo. Nos anos 2000, a América do Norte era disparadamente o maior produtor de toras de madeira no mundo, representando 38% do share global. (Quadro 3) Entretanto, desde 2007 eles perderam esta posição e vêm caindo ano após ano. Esta fatia de mercado vem sendo absorvida pela Ásia e América do Sul ao longo dos anos, principalmente em função da alta competitividade de custos nestas regiões.

Uma das principais vantagens que estes continentes possuem para conseguir capturar esta fatia de mercado é a sua maior produtividade florestal, que, aliada a menores custos de produção, proporciona um ambiente extremamente competitivo. (Quadro 4).

Entretanto, para o Brasil, este cenário vem sofrendo alterações ao longo dos anos. Como exemplo, o preço dos fertilizantes aumentou quase 300% neste mesmo período. (Quadro 5)

Fertilizantes são apenas um dos muitos custos envolvidos na produção florestal. Anualmente, a IBA divulga seu indicador de custos florestais, que compreende a evolução de todos os fatores que afetam o setor, desde salários, preço de fertilizantes, mudas, herbicidas, arrendamento de terras, combustível etc. 

Este indicador mostra que entre 2016 e 2020, o País possuía um aumento discreto de custos, entretanto, após a pandemia, os custos relacionados à atividade florestal dispararam. Contudo, no sentido contrário, as produtividades florestais neste mesmo período apresentaram uma queda significativa. (Quadro 6)

A combinação destes fatores representa uma potencial perda de competitividade brasileira frente ao mercado mundial de produtos de madeira, ocasionando uma pressão nos produtores florestais brasileiros.

A madeira é o insumo mais relevante no nosso principal produto florestal de exportação, a celulose de mercado, e esse custo representa valores acima de 50% em todos os produtores do mundo e, por isso, é o grande item a ser melhorado se queremos nos manter competitivos, como sempre fomos. 

Veja os detalhes da composição do  Custo Caixa no Quadro 7.

Em cima de tudo isto, temos mais um desafio crescente à frente, o clima. Quando olhamos o histórico climatológico no vale da celulose, Mato Grosso do Sul, que é um dos maiores produtores de floresta do Brasil, é possível identificar uma redução na pluviosidade média anual da região, sendo que nos últimos 8 anos, apenas um deles atingiu a média histórica da região, que é de 1220 mm de chuva anual. (Quadro 8)

O Brasil ainda é líder mundial em produtividade de florestas plantadas de eucalipto, com médias de 30–45 m³/ha/ano em muitas regiões. Mas os custos da terra, logísticos e operacionais têm reduzido essa vantagem quando somos comparados com outros países produtores, principalmente em alguns países da Ásia. 

Para compensar essa distorção, temos de rever nossos esforços para aumentar rapidamente a produtividade de nossas florestas, e minha melhor aposta seria na biologia molecular, genética, fisiologia e ciência de dados. Com aplicação desse conhecimento, poderíamos conseguir um novo salto de produtividade e sustentabilidade. 

Vamos explorar caminhos como a metabolômica (seleção precoce e redução de risco), a metagenômica (menor uso de fertilizantes), a poliploidia (maior biomassa), o melhoramento genético rigoroso (ganho genético a médio e longo prazo) e o OGM (ganho genético acelerado, salto de produtividade, resistência a pragas) e transformar as florestas de eucalipto.

A Tecnologia da Árvore representa a evolução natural da silvicultura brasileira. Se no passado a revolução foi silvicultural, o futuro será genômico, metabólico e microbiológico.

O eucalipto deixa de ser apenas uma cultura florestal de alta produtividade e passa a ser um organismo modelado com precisão científica, capaz de responder aos desafios climáticos, industriais e ambientais do século XXI. A floresta do futuro já começou — e ela nasce no DNA da árvore. 

ILUSTRAÇÃO:

1. DEMANDA MUNDIAL DE MADEIRA: de 2000 à 2024

2. ÍNDICE DE PREÇOS DE EXPORTAÇÃO DOS PRINCIPAIS PRODUTOS (2016 = 100): de 2001 à 2024, envolvendo Celulose (azul), Madeira serrada (amarela) e Painéis de madeira (vermelho).

3. SHARE MUNDIAL: de 2000 à 2024, envolvendo Europa (azul), América do Norte (laranja), Ásia (verde), América do Sul (azul claro) e Outros (liláz).

4. PRODUTIVIDADE MÉDIA DO EUCALIPTO: envolvendo Brasil, CHina, América do Sul, Sudeste da Ásia, Moçambique, Oceania, Europa, Russia, Escandinávia, Países Bálticos e Canada.

5. PREÇO DOS FERTILIZANTES (US$ por tonelada): de 2000 à 2026: 

6. ÍNDICE DE CUSTOS FLORESTAIS (vermelho) versus PRODUTIVIDADE MÉDIA (azul): de 2016 à 2024. 

7. COMPOSIÇÃO DO CUSTO CAIXA – BHKP –  FOB FÁBRICA (USD/t): comparando Madeira (verde), Quimicos (bordoux), Energia (cinza) e Custos Fixos (verde claro), envolvendo Indonésia, Brasil, Chile/Uruguai, China, Países gerais da África e outros paises da Ásia, Leste Europeu, Japão, Ibéria, Canadá, Bélgica/França, Suécia, Finlândia, Estados Unidos e Média Ponderada.

8. PRECIPITAÇÃO ANUAL (barras em azul) – CLIMATOLOGIA (vermelho) – PERCENTUAL DE DESVIO (azul): de 2001 à 2025

 Estamos perdendo competitividade. E agora?

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Inovação patina no Brasil com juro alto e baixo crescimento

O governo tem de indicar sua estratégia de desenvolvimento, algo diferente de tornar disponíveis os recursos e ignorar a eficácia seu destino

Por Editorial Valor – 30/03/2026 

O Brasil continua patinando em inovação e pesquisa e desenvolvimento (P&D), como revela a mais recente Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec), do IBGE. Em 2024, a taxa de inovação das empresas industriais com 100 ou mais pessoas ocupadas no Brasil foi de 64,4%, terceira queda consecutiva e a menor taxa desde 2021, quando estava em 70,5%. Essa queda coincide com um período de forte elevação da taxa Selic, que saiu de 2% em dezembro de 2020 no auge da pandemia de covid-19, para 7,75% no fim de 2021 e 13,75% no fim de 2022, o que desestimulou o investimento das empresas.

A perspectiva para este ano não é das melhores diante da instabilidade global provocada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã. Apesar do peso do fator externo, o fraco desempenho do país em inovação é resultado principalmente de problemas crônicos domésticos que desestimulam as empresas a investirem na criação de produtos e processos originais. Entre os entraves há ineficiência na elaboração de políticas públicas que fomentem o ambiente de inovação no país, resultando em um mercado com pouca exposição à concorrência externa, excesso de burocracia para as empresas acessarem instrumentos públicos de apoio e para registro de patentes, oferta limitada de profissionais de ciências e engenharia e, principalmente, instabilidade econômica.

A pesquisa do IBGE, que investiga a dimensão e o perfil dos recursos voltados para a inovação no Brasil, corrobora os dados de outra pesquisa, o Índice Global de Inovação (IGI), da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), de setembro de 2025. Em ambas, o país aparece praticamente estagnado há um bom tempo nas posições intermediárias do ranking, com pequenas alterações entre um ano e outro. 

Em um momento que a incorporação da inteligência artificial em todas as áreas promete gerar transformações profundas na atividade econômica, com ganhos significativos na produtividade e rentabilidade das empresas, o Brasil arrisca perder novamente o bonde do desenvolvimento. O investimento em P&D é essencial para que uma empresa incorpore uma nova tecnologia em seu sistema produtivo ou para renovar seus produtos – tanto pela inovação pioneira quanto pela imitação seguidora.

Um dos fatores que desestimula a inovação e P&D no Brasil é o excesso de proteção do mercado interno. Enquanto as empresas não sentirem necessidade de inovar, por pressão competitiva, pouco será mudado. Também é preciso sair do viés de oferta que caracterizou as iniciativas das políticas públicas das últimas décadas, como isenção de impostos e crédito subsidiado. A inovação precisa ser um imperativo para a estratégia de uma empresa. Mas ela precisa ver potencial de lucratividade no mercado para se arriscar e, para isso, é preciso haver crescimento econômico sustentável.

Com uma das taxas de juro reais mais altas do mundo, de mais de 9%, inferior apenas à da Turquia, e que tende a permanecer elevada diante da deterioração do cenário externo, já se antecipa que o Brasil crescerá menos que os 2,3% de 2025. Por serem mais ativas na busca de novos mercados e mais expostas à competição externa, as grandes empresas são as que mais realizam investimentos em P&D no Brasil. Em 2024, as companhias com 500 ou mais pessoas ocupadas concentraram 87,4% das aplicações nessa área, com aumento de 84,6% em relação a 2023, segundo a Pintec. Logo, elas registraram a maior taxa de inovação, chegando a 75,4% no grupo.

Vale lembrar que P&D não é sinônimo de inovação, mas uma atividade desenvolvida pelas empresas para chegarem a aprimoramento de produtos e/ou de processos de negócio, e que nem sempre vai levar à um novo produto ou processo. Porém, o retorno da inovação compensa o risco do investimento. Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (25 de março), mostra que entre as empresas que realizaram atividade de inovação nos últimos três anos, 38% relatavam que obtiveram aumento na produtividade como principal resultado, seguido por acesso a novos mercados (21%) e redução de custos (19%).

No IGI, o Brasil caiu de uma modesta 47ª posição em 2011 para o 52º lugar em 2025, e ainda perdeu a liderança regional para o Chile – uma economia muito menor que a brasileira e com uma base industrial mais estreita. Segundo os dados do IGI, o gasto com educação no Chile e no Brasil são equivalentes, de 5% e 5,5% do PIB, respectivamente, em 2021. Porém, enquanto no Chile 21,38% do total de graduados em 2022 eram das áreas de ciências e engenharia, no Brasil esse percentual foi de 16,27%.

Com oferta maior de capital humano de qualidade, em 2024, o emprego intensivo em conhecimento – que pagam salários melhores – correspondia a 33,9% da força de trabalho no Chile, ante 25,13% no Brasil. Há algo errado quando o governo gasta R$ 310 bilhões em  renúncias fiscais e subvenções em duas décadas e não sai do lugar em produtividade, apontam Victor Prodonoff Jr e Hugo Resende (Valor, 18/3). A alta direção das empresas têm de dar prioridade, comandar e guiar o processo. O governo tem de indicar sua estratégia de desenvolvimento, algo diferente de tornar disponíveis os recursos e ignorar a eficácia do seu destino.

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The Economist: Dietas e canetas emagrecedoras deixam empresas de alimentos em situação delicada

Companhias de alimentos embalados perdem valor no S&P 500; estudo aponta que remédios para emagrecer podem reduzir em bilhões as vendas de snacks na próxima década

Por The Economist – 29/03/2026

Há quase um século, a improvável combinação de uma empresa de margarina e uma fabricante de sabão criou a Unilever, um dos maiores conglomerados do mundo. Agora, ela está sendo desmembrada. Em 20 de março, a empresa britânica anunciou que está estudando a venda de seu portfólio restante de produtos alimentícios, que inclui a maionese Hellmann’s, as sopas Knorr e o Marmite, para a McCormick, uma fabricante americana de especiarias, após ter se desfeito de sua divisão de sorvetes no ano passado. Isso deixaria a empresa focada em produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica.

Os últimos anos têm sido difíceis para os fabricantes de salgadinhos, pastas e outros produtos alimentícios industrializados. O valor das empresas de alimentos embalados no índice S&P 500 caiu um terço em relação ao pico em meados de 2023, mesmo com o índice como um todo tendo subido três quintos. O setor teve um desempenho superior durante o aumento da inflação pós-pandemia, período em que conseguiu repassar os custos crescentes aos consumidores – e até superá-los. Entre 2021 e 2024, as grandes marcas de alimentos aumentaram seus preços nos Estados Unidos em um total de 11 pontos porcentuais acima da inflação, segundo analistas do banco de investimentos TD Cowen.

Isso, no entanto, os deixou vulneráveis ​​à concorrência. Os consumidores passaram a optar por marcas próprias mais baratas de varejistas como Costco e Aldi, bem como de novas empresas. A Goodles, uma marca de macarrão com queijo lançada em 2020 e endossada pela atriz Gal Gadot, já conquistou 6% do mercado americano. Isso tem sido uma má notícia, em particular, para a Kraft Heinz, que no ano passado anunciou que se dividiria. Seu novo CEO, que assumiu o cargo em janeiro, suspendeu a separação para primeiro consolidar a empresa.

Isso não será fácil. A guerra com o Irã e a consequente alta nos preços da energia aumentaram a possibilidade de uma nova onda de inflação. Já existem preocupações de que a indústria enfrentará um aumento no custo das embalagens plásticas. Aumentar os preços para os consumidores, cuja paciência já foi testada, pode se mostrar difícil.

A pressão sobre a indústria também está aumentando devido ao crescente interesse dos consumidores por uma alimentação saudável. As buscas no Google relacionadas a alimentos ultraprocessados ​​aumentaram 30 vezes em todo o mundo desde o início de 2022, impulsionadas por ativistas como Robert F. Kennedy Jr., secretário de saúde dos Estados Unidos.

Em janeiro, cinco Estados americanos proibiram os beneficiários de vales-alimentação federais de usá-los para comprar doces e outros itens de valor nutricional duvidoso. Vários outros devem seguir o mesmo caminho. E o governo americano não é o único a travar uma guerra contra as grandes empresas alimentícias. Em janeiro, os órgãos reguladores britânicos anunciaram a proibição da publicidade de alimentos não saudáveis ​​online e antes das 21h na televisão.

Há também o impacto de medicamentos para emagrecer, como Wegovy e Zepbound, que estão se espalhando rapidamente pelos Estados Unidos e outros países, e não apenas entre os obesos. Uma pesquisa publicada no ano passado pela EY, uma empresa de serviços profissionais, examinou a mudança nos padrões de gastos de consumidores que já utilizam esses medicamentos e concluiu que eles podem eliminar um total de US$ 12 bilhões em vendas de salgadinhos nos Estados Unidos na próxima década, cerca de 3% do total. E, embora a maioria dos usuários atualmente viva em países desenvolvidos, versões genéricas estão começando a ser lançadas na Índia e em outros mercados do Sul Global, que os executivos das empresas já consideravam uma fonte de crescimento futuro.

As grandes empresas alimentícias estão cientes das dificuldades que têm pela frente. Muitas das maiores empresas do setor desenvolveram novas linhas de produtos voltadas para consumidores preocupados com a saúde. E quase todas nomearam um novo diretor executivo desde o início de 2025.

Isso inclui a Nestlé, a maior delas, que no mês passado anunciou que também venderia sua divisão de sorvetes. Entre outras coisas, a empresa suíça está apostando em refeições congeladas saudáveis. Em 23 de março, a Danone, gigante francesa do setor lácteo que se beneficiou da crescente popularidade do iogurte, anunciou a aquisição da Huel, fabricante britânica de bebidas proteicas para substituição de refeições. Para a Unilever, no entanto, a hora da refeição está chegando ao fim.

The Economist: Dietas e canetas emagrecedoras deixam empresas de alimentos em situação delicada – Estadão

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Nvidia quer ser a fábrica da era da IA e se prepara para gerar US$ 1 trilhão até 2027

No GTC 2026, Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, trocou a linguagem dos chips pela da produção industrial: data centers viraram fábricas de tokens, e a empresa quer ser a engrenagem central.

André Lopes – Exame – 16 de março de 2026

*SAN JOSE – No palco do GTC 2026, a conferência anual da Nvidia,  o fundador da companhia Jensen Huang fez mais do que apresentar produtos. Ele tentou redesenhar a forma de enxergar a própria indústria da qual sua empresa faz parte. Durante o painel de abertura do evento, que começou segunda-feira, 16, o CEO definiu a inteligência artificial em três fases — geração, raciocínio e agentes — e usou essa linha do tempo para defender uma tese muito maior do que a venda de novos chips: a de que o mundo entrou numa era em que computação virou uma indústria por si só, e a Nvidia deve ser a fornecedora central dessa nova fábrica global de inteligência.

Há um ano, disse Huang, a empresa via cerca de US$ 500 bilhões em demanda para Blackwell e Rubin, até então as duas famílias mais recentes de sistemas e chips da companhia. Agora, com uma leva nova de semicondutores ainda mais poderosos, afirmou enxergar pelo menos US$ 1 trilhão até 2027.

Cada nova fase, na visão da Nvidia, exige mais processamento. Modelos que raciocinam precisam de mais contexto, mais etapas intermediárias, mais tempo de inferência, o momento em que a IA gera a resposta. “Agentes exigem ainda mais, porque deixam de ser apenas interfaces de conversa e passam a operar sobre o mundo digital”, disse o CEO, que afirma que a demanda por computação explodiu, mas ainda está longe do teto.

Essa leitura é importante porque desloca a Nvidia do território tradicional da indústria de semicondutores. A empresa não quer mais vender apenas o chip mais rápido, ainda que faça isso ano após ano. Quer vender a infraestrutura que reduz o custo por token — ou seja, o custo de produzir inteligência em escala. Huang chegou a afirmar que o ganho entregue pela nova geração da companhia está muito acima do que a velha Lei de Moore, a regra histórica de evolução dos chips, sugeriria. A implicação é clara: se a IA virou fábrica, a Nvidia quer ser a máquina que melhora sua produtividade.

O keynote também deixou claro que esse argumento vai além da IA generativa. Em um dos blocos mais relevantes da apresentação, Huang voltou os holofotes para os dados estruturados, o universo das tabelas, planilhas e sistemas corporativos que sustentam a rotina das empresas. Ali estão plataformas como SQL, Spark, Pandas, Snowflake, Databricks e BigQuery. A mensagem foi simples: o entusiasmo do mercado está nos modelos generativos, mas o coração da computação empresarial ainda vive em dataframes e bancos de dados. Para capturar esse orçamento, a Nvidia quer acelerar não só LLMs, os grandes modelos de linguagem, mas também o trabalho pesado do mundo corporativo.

Esse movimento ajuda a explicar a profusão de parceiros citados no palco. Dell apareceu como parceira em infraestrutura de dados. Google Cloud, AWS, Azure e Oracle entraram como canais de distribuição e escalonamento. A Nvidia se apresenta como a camada que integra hardware, bibliotecas, software e nuvem para acelerar aplicações e, ao mesmo tempo, reduzir custos. Num dos casos mostrados, com o Snapchat, Huang disse que a parceria com o Google Cloud reduziu o custo de computação em quase 80%.

Esse reposicionamento aparece também na lista de setores que a empresa passou a atacar com mais ênfase: finanças, saúde, automotivo, indústria, mídia, entretenimento, robótica. No palco, Huang falou do “momento ChatGPT” da saúde, do uso de IA em finanças e do maior ciclo de construção industrial da história, com fábricas de chips, de computadores e de IA sendo erguidas em vários países. O objetivo é ampliar o mercado endereçável da Nvidia para muito além do treinamento de modelos de linguagem.

O GTC 2026 teve, claro, anúncios de produto. O principal para o público gamer foi o DLSS 5, a nova geração da tecnologia da Nvidia para gráficos, que usa inteligência artificial para melhorar desempenho e qualidade visual em jogos e aplicações gráficas. Huang tratou a novidade como parte de um movimento maior, o da renderização neural, a fusão entre computação gráfica e IA.

Huang passou a manhã tentando convencer a indústria de que a Nvidia não é apenas uma vencedora do boom recente da IA. É a empresa que pretende organizar o próximo ciclo da computação. Na visão da Nvidia, a IA já deixou de ser software chamativo para virar infraestrutura produtiva. E, nessa fábrica, o produto final não é mais só resposta, é token que ela produz.

*O jornalista viajou a convite da Nvidia.

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A moda dos colégios bilíngues

Alta na procura por escolas bilíngues reflete o projeto de internacionalização de famílias ricas, enquanto o inglês se consolida menos como idioma e mais como ativo de distinção social

DANIELA KLAIMAN – Fast Company Brasil – 27-03-2026 

O avanço das escolas bilíngues no Brasil deixou de ser tendência e virou estratégia explícita de posicionamento social. O país possui hoje mais de 1.200 escolas bilíngues, cerca de 3% do total  das instituições privadas. Esse número representa crescimento de aproximadamente 10% nos  últimos seis anos. Entre 2019 e 2023, a procura por escolas bilíngues aumentou 64%, segundo  dados do Ministério da Educação. 

O movimento não é isolado. Ele acompanha uma decisão maior das famílias de alta renda: preparar os filhos para ir para fora. Em 2023, o número de brasileiros matriculados em instituições de ensino dos Estados Unidos atingiu um recorde histórico de 41.704 estudantes, crescimento  de 10% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Viva América. O Brasil passou a  ocupar a quinta posição entre os países que mais enviam alunos para universidades norte-americanas. 

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E o investimento não para na escola. Na Universidade da Pensilvânia, o custo anual estimado  ultrapassa US$ 92 mil, somando mensalidade, taxas e moradia.Cornell supera esse valor. Dartmouth e Brown também ficam acima de US$ 91 mil por ano. Em valores atuais, isso equivale a mais de R$ 550 mil anuais. São cifras muito acima da renda familiar média nos próprios Estados Unidos, o que deixa claro que estamos falando de uma parcela muito específica da sociedade brasileira. 

Em algumas escolas particulares de São Paulo, o índice de alunos aprovados em universidades no exterior chegou a 40% em 2024. Nessas instituições, o planejamento para estudar fora começa cedo. Pais e estudantes são orientados desde o ensino fundamental sobre caminhos para universidades norte-americanas ou europeias. O bilinguismo é estruturado como parte desse projeto. 

A NARRATIVA COSTUMA ENQUADRAR ESSE MOVIMENTO COMO PREPARAÇÃO PARA UM MUNDO GLOBALIZADO.  MAS A QUESTÃO CENTRAL É OUTRA: NETWORKING. 

A narrativa costuma enquadrar esse movimento como preparação para um mundo globalizado.  Mas a questão central é outra: networking. 

Universidades de elite não oferecem apenas formação acadêmica. Funcionam como plataformas de networking internacional. O acesso a fundos de investimento, grandes empresas, escritórios globais, centros de pesquisa e governos ocorre muito menos pelo currículo formal e muito mais pelas conexões construídas ao longo do percurso. O inglês, nesse cenário, não é apenas idioma. É o código de entrada. 

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E aqui está a imensa contradição que estamos vendo: vivemos a era da tradução ubíqua. Ferramentas como Google Translate evoluíram para tradução instantânea por voz e imagem. Reuniões no Zoom e no Microsoft Teams já contam com legendas e tradução simultânea  automática. Smartphones da Samsung traduzem conversas por telefone em tempo real, enquanto seus fones com inteligência artificial fazem interpretação simultânea em uma conversa ao vivo e modelos generativos produzem textos sofisticados em múltiplas línguas em segundos. 

ESTUDAR FORA VIRA NÃO SÓ UMA ESTRATÉGIA PROFISSIONAL, MAS UM SÍMBOLO DE ASCENSÃO SOCIAL, UMA TENTATIVA DE VALIDAÇÃO EXTERNA.

Acontece que no Brasil, essa corrida pelo inglês carrega um traço histórico conhecido: a síndrome de vira-lata. A ideia persistente de que o “melhor” está sempre fora. Estudar fora vira não só uma estratégia profissional, mas um símbolo de ascensão social, uma tentativa de validação externa. Falar inglês deixa de ser ferramenta e passa a ser identidade. 

O problema é que esse movimento tem efeitos colaterais claros, especialmente na educação básica. 

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Na ânsia de se tornarem bilíngues, muitas escolas brasileiras passaram a trocar profundidade por verniz. Cresce a contratação de professores que falam inglês, mas não necessariamente dominam pedagogia, didática ou o conteúdo da disciplina que ensinam. O resultado são aulas em inglês com menos rigor conceitual, menos pensamento crítico e mais superficialidade. 

Ensina-se matemática em inglês, mas pior matemática. Ensina-se ciências em inglês, mas com  menos ciência. O idioma vira um fim em si mesmo, não um meio e o discurso de “preparação global” acaba mascarando uma queda silenciosa na qualidade do ensino.

ENQUANTO O MERCADO DE ESCOLAS BILÍNGUES CRESCE E A PROCURA DISPARA, A PROFICIÊNCIA MÉDIA DO PAÍS CAI. 

Há um dado que expõe outra camada dessa tensão. De 2023 para 2024, o Brasil caiu da 70ª para a 81ª posição no ranking mundial de proficiência em inglês da EF, entre 116 países. O país obteve  466 pontos, desempenho classificado como baixo pela metodologia do estudo. Ou seja,  enquanto o mercado de escolas bilíngues cresce e a procura dispara, a proficiência média do país cai. 

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O verniz se expande mas a substância encolhe e, assim, o inglês vira embalagem de valor, não de conhecimento consolidando uma nova camada de desigualdade. Uma elite conectada internacionalmente e uma maioria que depende de traduções.  

E afinal, se oportunidades circulam em inglês e o país não fala inglês, quem realmente participa do futuro que estamos desenhando?


SOBRE A AUTORA

Daniela Klaiman é CEO da FutureFuture, consultora e um dos principais nomes do futurismo do Brasil e da América Latina. saiba mais

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The Economist: O Brasil tem uma arma secreta contra choques petrolíferos

Os biocombustíveis ajudarão o País a se defender dos efeitos do conflito no Oriente Médio

Por Estadão/The Economist – 26/03/2026

Poucos países estavam preparados para o choque do petróleo causado por Israel e pela guerra dos Estados Unidos com o Irã. O Brasil estava. Durante o último meio século, o gigante agrícola construiu a indústria de biocombustíveis mais sofisticada do mundo. É o segundo maior produtor de etanol, um álcool que pode ser usado para abastecer carros, e o terceiro maior de biodiesel, que abastece veículos pesados. Eles são misturados à gasolina e ao diesel, com misturas obrigatórias por lei de 30% e 15%, respectivamente, entre as mais altas do mundo. Três quartos dos veículos leves brasileiros têm tecnologia que lhes permite queimar desde gasolina pura até o etanol 100% fornecido pelas onipresentes bombas de álcool nos postos.

Isso reduz a dependência do Brasil em relação aos combustíveis fósseis estrangeiros e protege contra mercados inflacionados. O preço da gasolina nos postos de combustível brasileiros subiu 10% desde o início da guerra, e o do diesel, 20%, segundo dados divulgados em 20 de março pela agência reguladora de energia. É um aumento considerável, mas bem menor do que os impressionantes 30% a 40% registrados nos Estados Unidos. As tarifas sobre combustíveis no Brasil são relativamente baixas, mais próximas das dos Estados Unidos do que das altas taxas europeias.

Isso significa que grandes aumentos no preço do petróleo deveriam levar a grandes aumentos nos custos para os consumidores. Um dos motivos pelos quais isso não aconteceu é a cautela da Petrobras, a estatal petrolífera que refina a maior parte do combustível brasileiro e tem tentado absorver os custos adicionais. Mas a competitividade da bioenergia brasileira também está contribuindo para isso, afirma Lucas Boacnin, da Argus Media, agência especializada em preços de commodities.

Os dados da Argus mostram que o custo médio do biodiesel caiu abaixo do preço do diesel importado pela primeira vez desde 2023. Os preços do etanol no varejo subiram apenas 2%. O governo estaria considerando aumentar a participação do etanol na gasolina para 32% e conceder isenção fiscal ao biodiesel.

Também foi lançado um estudo de três anos para avaliar a viabilidade técnica de aumentar permanentemente as proporções da mistura para 35% de etanol e 25% de biodiesel. A cidade de Passo Fundo, na região Sul do País, está realizando testes com um novo biocombustível para substituir o diesel em seus veículos municipais.

Esta não é a primeira vez que o biocombustível protege o Brasil, afirma Evandro Gussi, da Unica, associação comercial do setor de etanol de cana-de-açúcar. A ideia original era proteger a independência energética. A ditadura militar criou o primeiro programa, o Proálcool, após a crise do petróleo de 1973. Naquela época, o Brasil importava 80% do seu combustível; o embargo árabe estava prejudicando a economia. Processar o excedente de caldo de cana para produzir etanol era uma solução óbvia.

Uma década depois, 96% dos carros novos vendidos funcionavam com etanol. Com o lançamento dos primeiros carros “flex” em 2003, o governo criou um plano paralelo para promover o biodiesel derivado de sementes, principalmente de soja.

Ambos os programas se beneficiaram de um sólido apoio presidencial. Mas poucos abraçaram os biocombustíveis com tanta veemência quanto Luiz Inácio Lula da Silva, o atual presidente do Brasil. Lula, como é conhecido, vê os biocombustíveis como a solução para dois problemas. Primeiro, eles fortalecem a soberania de um país que, apesar de ser um dos maiores exportadores mundiais de petróleo bruto, ainda importa 10% da sua gasolina e 25% do seu diesel. Segundo, os biocombustíveis permitem que o Brasil reduza suas emissões de gases de efeito estufa sem alienar seus agricultores, que cultivam as matérias-primas para a produção de biocombustíveis.

Os biocombustíveis não conseguem eliminar os custos impostos pela alta dos preços do petróleo. Se o etanol ficar mais barato que a gasolina e os brasileiros começarem a consumi-lo mais, o preço do etanol poderá subir. Os altos preços do gás natural levam a altos preços dos fertilizantes, o que também pode prejudicar os biocombustíveis.

Mas os produtores de biocombustíveis têm muito a ganhar com o caos no Oriente Médio, afirma Mário Campos, da associação Bioenergia Brasil. A sazonalidade inerente ao setor está a seu favor. A colheita da soja começa em janeiro, enquanto a da cana-de-açúcar e do milho começa em abril e maio. Isso significa que a oferta de biodiesel e etanol em breve se expandirá drasticamente, reduzindo os preços. Espera-se que as colheitas produzam safras recordes, aliviando os preços.

Outros países já perceberam isso. A Índia e o Japão estão trabalhando para equipar os tanques de combustível de seus cidadãos com a expertise brasileira.

The Economist: O Brasil tem uma arma secreta contra choques petrolíferos – Estadão

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A era do computador pessoal está chegando ao fim com a IA

Do sonho do computador pessoal à era da IA sob demanda: como o PC vira luxo e a computação se torna um serviço contínuo e coletivo


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MARK WILSON – Fast Company Brasil – 24-03-2026 

Foi dentro de garagens que nasceu a era dos computadores pessoais, quando qualquer pessoa passou a poder acessar o poder de calcular milhões, e depois bilhões, de processos por segundo. O PC encolheu indústrias inteiras até caberem sobre nossas mesas, impulsionando nossas ambições para onde quiséssemos ir.

Seja publicando sem editora, criando arte sem estúdio, fechando contas sem contador ou enviando correspondência sem agência dos correios, o PC oferecia um dispositivo tudo-em-um para quem queria fazer acontecer – um negócio dentro de uma caixa.

Mas, meio século depois de o conceito de PC se tornar popular, o computador pessoal, tanto como produto quanto como ideal, nunca esteve tão ameaçado.

Na era da IA, empresas estão adquirindo quantidades sem precedentes de hardware, elevando preços e impactando todo o mercado de PCs. Isso afeta desde os entusiastas de desktops até crianças sonhando com um PlayStation 6.

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Estamos migrando para um mundo de processamento consolidado, no qual o PC caminha para se tornar um item de luxo. Ao mesmo tempo, a própria computação passa a ser tratada como utilidade, precificada e posicionada como uma inteligência que alugamos sob demanda.

HOJE É MAIS DIFÍCIL COMPRAR UM COMPUTADOR

Hoje, computadores de todos os tipos estão, em geral, mais caros do que há um ano. À medida que empresas como OpenAI, Google, Meta e Amazon planejam data centers gigantescos para processar IA, elas têm absorvido praticamente todo o estoque disponível de chips.

A DRAM (o semicondutor responsável por armazenar informações usadas pela CPU ) é uma das principais vilãs: seus preços dispararam 172% em 2025 e subiram mais 90% apenas no primeiro trimestre de 2026.

Além disso, a memória NAND flash, que alimenta a maioria dos SSDs, também está em alta: subiu 50% em novembro de 2025 e deve continuar crescendo. Na prática, isso significa que um PC gamer intermediário custa hoje centenas de dólares a mais do que no ano passado.

Grandes fabricantes como Dell e Acer já alertam para aumentos de até 20% ainda este ano. Um analista prevê queda de 12% nos envios de desktops e laptops. Por um lado, as vendas de PCs cresceram 9% no ano passado (em parte por compras antecipadas diante da escalada de preços). Por outro, o PC já não domina a computação mainstream: smartphones vendem cinco vezes mais.

Até o substituto mais acessível e especializado do PC – os consoles – já sentem o impacto. Nintendo, Sony e Microsoft aumentaram os preços de seus produtos no ano passado. Sony e Microsoft, em especial, enfrentam o desafio de planejar a próxima geração de PlayStation e Xbox.

Já os PCs, como conhecemos, parecem destinados a evoluir: podem continuar oferecendo mouse e teclado familiares, mas com um interior diferente (menos potência e menor capacidade de personalização).

“VEMOS UM FUTURO EM QUE A INTELIGÊNCIA É UMA UTILIDADE, COMO ELETRICIDADE OU ÁGUA, E AS PESSOAS PAGAM CONFORME O USO.”

Talvez não haja símbolo melhor desse momento do que o MacBook Neo. O mais recente laptop da Apple usa a arquitetura de um iPhone para manter o custo baixo e limita a memória RAM a apenas 8 GB, soldada diretamente na placa-mãe.

Para a maioria das pessoas, o Neo oferece potência suficiente, assim como um sedã com motor 1.0 leva você à mesma estrada que uma Ferrari. Mas, como proposta “nova”, sua arquitetura de núcleo único é limitada para tarefas mais pesadas, como produção avançada de mídia e execução de IA local, mesmo quando comparado a modelos mais acessíveis da própria Apple, como o MacBook Air ou o Mac Mini.

Ao negociar com a Samsung para reduzir o preço da memória RAM, a Apple parece admitir o óbvio: as pessoas já não conseguem pagar por PCs. Precisamos de algo “neo”.

INTELIGÊNCIA É A NOVA UTILIDADE

Ao mesmo tempo em que possuir um PC fica mais caro, fornecedores de IA avançam com uma alternativa baseada em aluguel – um modelo no qual você nunca é dono. Eles estruturam a computação como serviço, não como produto.

O PC deixa de ser algo que você compra algumas vezes por década e passa a ser uma experiência contínua, paga mensalmente, pelos “cabos”.

Hoje, uma assinatura de serviços como Gemini, Anthropic ou OpenAI custa cerca de US$ 20 por mês. A Nvidia, aproveitando a alta demanda por GPUs para treinar IA, também permite alugar processamento na nuvem via GeForce Now, por um valor semelhante.

Essa receita recorrente sempre foi o sonho da indústria de tecnologia, basta ver como ferramentas como o Adobe Suite ou o Spotify se tornaram despesas mensais fixas. Como disse recentemente Sam Altman: “vemos um futuro em que a inteligência é uma utilidade, como eletricidade ou água, e as pessoas pagam conforme o uso.”

Mas o custo real desse modelo aparentemente eficiente não sai apenas do bolso do consumidor. Ele se multiplica quando percebemos que os modelos de linguagem são o motor por trás de praticamente todo software moderno.

Aplicativos, em vez de rodarem em seus próprios servidores, precisam pagar cada vez que suas ferramentas de IA acessam modelos como o ChatGPT. Ou seja: você paga sua assinatura — e também paga por apps que pagam pelas deles.

Leia mais: A evolução dos computadores em 10 produtos (e imagens) históricos

No Vale do Silício, já dá para ver como essa conta cresce. Um assistente de IA popular chegou a gastar US$ 150 por usuário por mês, absorvendo boa parte do custo para ganhar mercado.

Enquanto isso, programadores que levam a IA ao limite descobrem rapidamente como os créditos de ferramentas como Claude Code desaparecem. Um único funcionário pode gastar dezenas de milhares de dólares por mês com IA.

Esse investimento tem se mostrado válido – a IA amplifica a força de trabalho (ou, no caso recente da Amazon, ajuda a reduzi-la). Mas há um detalhe: as empresas não possuem esse poder. Elas o alugam.

A CAMINHO DO COMPUTADOR COLETIVO

Ainda este ano, devemos ver o primeiro hardware de consumo da OpenAI, algo que pode representar para a IA o que o iPhone representou para os smartphones. Embora pouco se saiba, ele deve fazer parte de um ecossistema maior de dispositivos de IA, incluindo iniciativas da Meta e, possivelmente, do Google e da Apple.

Esses dispositivos não se comportam como PCs autônomos, mas como sensores: sempre ouvindo, vendo e registrando, levando o “cérebro” da IA para todos os aspectos da vida.

FORNECEDORES DE IA ESTRUTURAM A COMPUTAÇÃO COMO SERVIÇO, NÃO COMO PRODUTO.

Nesse cenário, abandonamos o PC como o conhecíamos. Saímos do computador pessoal (nosso), passamos pelo smartphone (meio nosso, meio das empresas) e chegamos a algo novo, que pertence a elas.

Esse novo hardware é, essencialmente, um coletor de dados: uma extensão sensorial de uma máquina centralizada muito maior. Os inúmeros dispositivos espalhados pelo mundo formariam um corpo gigantesco, alimentando cérebros corporativos como Gemini e ChatGPT.

Esse supercomputador não será pessoal, será coletivo. Tecnicamente de muitos, mas controlado por poucos. Algo como instalar um termostato inteligente em casa, mas deixar a concessionária decidir a temperatura.

Leia mais: O que está em jogo ao redesenhar o mundo com IA

Não é um carro esportivo que você exibe na vizinhança, nem um sedã confiável que leva seus filhos à escola. É um trem que só anda na velocidade e na direção que você consegue pagar para mantê-lo – a menos que descarrile antes.


SOBRE O AUTOR

Mark Wilson é redator sênior da Fast Company. Escreve sobre design, tecnologia e cultura há quase 15 anos. saiba mais

A era do computador pessoal está chegando ao fim com a IA | Fast Company Brasil

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Mais pessoas terão um robô humanoide do que um carro até 2060, diz Bank of America

Inicialmente concentrados em logística, indústria e armazenagem, os auxiliares mecânicos devem chegar às casas nas décadas seguintes

Nick Lichtenberg – O Globo/Fortune – 17/03/2026 

A revolução dos robôs não será impulsionada pela ficção científica, segundo o Bank of America. Será impulsionada pela demografia.

Em um relatório de análise, o BofA Global Research projeta que a população global de robôs humanoides chegará a 3 bilhões de unidades até 2060 — superando, em termos per capita, os cerca de 1,5 bilhão de carros existentes no mundo. Até lá, o banco estima que 62% de todos os robôs humanoides, ou cerca de 2 bilhões de unidades, estarão dentro das casas das pessoas.

É um número impressionante para uma categoria de produto que hoje tem praticamente penetração zero de mercado, mas o BofA aponta para um fato econômico inegável da vida no século XXI como grande motivador: não haverá trabalhadores suficientes.

O problema da força de trabalho que os robôs são projetados para resolver

A revolução dos robôs não será impulsionada pela novidade. Será impulsionada pela necessidade.

As analistas do BofA Lynelle Huskey e Vanessa Cook identificaram o envelhecimento das forças de trabalho, a escassez persistente de mão de obra, a inflação salarial e a alta rotatividade de funcionários como motivações estruturais que tornam o trabalho humanoide economicamente atraente — e ressaltam que isso será verdadeiro mesmo antes de os humanoides igualarem plenamente as capacidades humanas.

Você não precisa de um robô perfeito. Precisa de um que apareça para trabalhar, não peça demissão e custe menos do que os trabalhadores que você não consegue encontrar.

Essa pressão é global. No Japão, na Alemanha e na Coreia do Sul, populações em idade ativa em declínio já pressionam a indústria e os serviços há anos.

Nos Estados Unidos, o crescimento salarial em logística, armazenagem e cuidados com idosos tem superado a inflação geral.

No Humanoids Summit 2025, realizado em dezembro de 2025, mais de 2.000 executivos, engenheiros e investidores se reuniram e chegaram a um consenso direto: “A questão é apenas quanto tempo vai levar”. O BofA agora está colocando um número nesse cronograma.

Das fábricas às salas de estar

Antes de chegarem às salas de estar, os humanoides passarão anos em docas de carga e linhas de montagem.

Dados da Counterpoint Research citados no relatório do BofA projetam que, até 2027, 72% de todas as instalações de humanoides estarão concentradas em armazenagem e logística (33%), setor automotivo (24%) e manufatura (15%).

Aplicações em varejo e serviços respondem por apenas 12%. O humanoide doméstico é uma história da década de 2040. O robô que descarrega seu caminhão é uma história de 2027.

Esse padrão de adoção primeiro na indústria já aparece nos acordos em negociação. A transportadora UPS está em negociações ativas com a Figure AI para implantar humanoides em sua rede logística.

O robô Optimus, da Tesla, já tem horas de trabalho remuneradas dentro das próprias Gigafactories da empresa, com Elon Musk mirando vendas ao público até o fim de 2027 — embora tenha alertado que o lançamento será “dolorosamente lento”.

O CEO da Arm Holdings, Rene Haas, afirmou no Fortune Brainstorm AI, em dezembro, que a inteligência artificial física automatizará “grandes partes” do trabalho fabril dentro de cinco a dez anos, com humanoides de propósito geral capazes de trocar de tarefa rapidamente — algo que máquinas industriais tradicionais não conseguem fazer.

US$ 4,3 bilhões e acelerando

O investimento conta a história de um setor que claramente deixou a fase de pesquisa e entrou em corrida competitiva.

O BofA estima que o financiamento para robótica humanoide saltou de US$ 700 milhões em 2018 para US$ 4,3 bilhões em 2025 — um aumento de seis vezes em sete anos.

Em janeiro de 2026, havia mais de 50 empresas desenvolvendo humanoides ativamente, com 150 lançamentos comerciais já registrados.

O BofA projeta que as remessas anuais subirão de 90 mil unidades em 2026 para 1,2 milhão até 2030, o que implica uma taxa composta de crescimento anual de 86% — uma trajetória mais íngreme do que a do mercado inicial de veículos elétricos.

A curva de custos é o motor por trás dessa aceleração. Um humanoide fabricado na China tinha um custo de materiais de US$ 35 mil em 2025; o BofA projeta que esse valor cairá para menos de US$ 17 mil até 2030.

Robôs ocidentais ainda em fase piloto custam atualmente entre US$ 90 mil e US$ 100 mil por unidade para produzir, o que significa que a compressão de custos pela frente é enorme.

A startup norueguesa 1X Technologies já aluga um humanoide capaz de operar em residências por US$ 499 por mês, e o modelo Unitree G1, da Unitree Robotics, custa US$ 13.500 — números que já estão forçando concorrentes ocidentais a acelerar seus próprios planos de redução de custos.

Os céticos não estão errados — apenas foram superados pelos números

A revolução dos robôs não ocorre sem críticos, é claro. O roboticista do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e cofundador da iRobot, Rodney Brooks, disse em setembro que a visão de robôs domésticos de Musk é “pura fantasia”, prevendo que robôs bem-sucedidos terão rodas e não parecerão humanos.

Peter Cappelli, da Wharton School, alertou nas páginas da Fortune no mês passado que o pânico sobre perda de empregos causada por robôs é prematuro.

Enquanto isso, pesquisadores do Vale do Silício permanecem mais cautelosos com os prazos do que seus pares chineses, onde diretrizes governamentais e escala industrial estão acelerando a adoção.

Essas críticas não invalidam uma projeção de 35 anos. Mas destacam o que o próprio BofA reconhece: o caminho entre o robô industrial de US$ 35 mil de hoje e um mundo com 3 bilhões de unidades passa por uma série de obstáculos tecnológicos, regulatórios e econômicos que nenhuma previsão consegue modelar totalmente.

O que o banco afirma — e o que empreendedores e especialistas no terreno confirmam — é que a pressão demográfica é real, o capital já está comprometido e a curva de custos já começou a se mover.

A virada dos robôs sobre os carros pode se tornar a história tecnológica de consumo mais definidora das próximas três décadas. O Bank of America é simplesmente o primeiro a colocar uma data nisso.

Para esta reportagem, jornalistas da Fortune utilizaram IA generativa como ferramenta de pesquisa. Um editor verificou a precisão das informações antes da publicação.

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Mais pessoas terão um robô humanoide do que um carro até 2060, diz Bank of America

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