Montadoras fazem parcerias com indústria de chip para driblar escassez que deve durar mais 3 anos

Por Cleide Silva – Estadão – 14/11/2022 

Participação do setor automotivo no mercado de semicondutores deve crescer dos atuais 8% para 11% até 2026 com a chegada de novas tecnologias

A redução dos problemas globais com a falta de semicondutores, com números cada vez menores de fábricas paralisando a produção, inclusive no Brasil, não significa que o problema está perto do fim. Setor mais afetado pela escassez do componente desde o fim de 2020, a indústria automobilística continuará enfrentando dificuldades por mais dois a três anos.

Paralelamente, as montadoras buscam alternativas para driblar a crise de abastecimento, fazendo acordos com as fabricantes de chips ou até mesmo avaliando produção própria em parceria com as empresas do setor.

O desequilíbrio entre oferta e demanda de chips daqui para frente não será tão crônico e generalizado como ocorreu no ano passado, quando 10,6 milhões de veículos deixaram de ser produzidos em todo o mundo. A previsão para este ano da consultoria Auto Forecast Solutions (AFS) é de uma perda de 4,3 milhões de unidades, e a tendência é de novas reduções.

No Brasil, a perda foi de 378 mil veículos em 2021 e de 182 mil neste ano (até agora). O País importa a totalidade de semicondutores pois abriga apenas algumas empresas de montagem final. Há alguns meses, montadoras e outros segmentos passaram a defender, junto ao governo federal, um plano para atrair fabricantes de chips ao País.

Uma Medida Provisória já assinada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, com incentivos à produção local, deve ser enviado ao presidente Jair Bolsonaro, e está na lista dos temas a serem discutidos com a equipe de transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que assumirá em 1º de janeiro.

Mais chips nos automóveis

A manutenção do choque de demanda por mais dois a três anos é corroborada por estudos de várias consultorias internacionais. O mais recente deles, feito pelo Boston Consulting Group (BCG), aponta como uma das justificativas o aumento da demanda por chips automotivos.

Hoje, a participação do setor automotivo nas vendas mundiais de semicondutores é de 8% e deverá aumentar para 11% em 2026, enquanto outros segmentos, como smartphones e PCs devem reduzir suas fatias (ver quadro). O mercado total atualmente é de cerca de US$ 670 bilhões e deve chegar a US$ 1 trilhão em 2030.

Mesmo com a inauguração de 29 novas fábricas de chips a partir deste ano e a desaceleração global das vendas de automóveis, ainda faltará produtos no mercado.

“Os novos automóveis terão, em média, o dobro de semicondutores que os modelos atuais por causa da introdução de novas tecnologias de segurança, conectividade e, em especial, pela eletrificação”, afirma Masao Ukon, diretor de Automotive & Mobility do BCG.

De acordo com o estudo da consultoria internacional, concluído em outubro, em 2021 cada automóvel continha o equivalente a US$ 640 em chips, valor que este ano está em US$ 710. Em 2030 chegará a US$ 1.170, prevê o BCG.

“O conteúdo embarcado nos automóveis vai aumentar muito, principalmente em mercados como China, Europa e Estados Unidos, onde haverá maior penetração de veículos elétricos”, diz Ukon.

Segundo ele, os chips se tornaram cruciais para os novos veículos e seu uso maior vai continuar causando desequilíbrio entre oferta e demanda pelo menos nos próximos dois a três anos, mas a falta será focada nos componentes usados em tecnologias mais avançadas.

Mesmo no Brasil, onde a eletrificação está um passo atrás em relação a outros países, a demanda por semicondutores vai crescer pois os carros locais também estão cada vez mais sofisticados. Uma vantagem é que talvez o País precisará de alguns tipos de chips que vão sobrar lá fora, como os usados nos modelos a combustão.

Lições pós-covid

A dependência de fabricantes da Ásia, como China e Taiwan, também vai continuar, ainda que EUA e Europa aumentem a produção com os bilionários investimentos que vêm fazendo. Hoje, metade da produção global de semicondutores é feita na China Continental (33%) e em Taiwan (16%). Das 29 novas fábricas anunciadas, 16 são nessas duas regiões.

O diretor do BCG destaca que a crise dos chips, que foi induzida pela pandemia de covid, trouxe lições importantes sobre como as montadoras gerenciam suas cadeias de suprimento, antes baseadas no just-in-time.

Os novos automóveis terão, em média, o dobro de semicondutores que os modelos atuais em razão das novas tecnologias de segurança, conectividade e, principalmente, pela eletrificação”

Masao Ukon, diretor do BCG

O sistema de manter estoques baixos e adquirir componentes e matéria-prima de acordo com a necessidade significava grande economia de custos, mas deu certo enquanto as cadeias globais de suprimento funcionavam.

Continua após a publicidade

Com o lockdown e paradas de produção em quase todos os países, especialmente na China, onde o vírus da covid surgiu, somado a eventos extraordinários como seca em Taiwan e Malásia (água é essencial na produção de chips), incêndio em uma fábrica no Japão, fortes nevascas no Alasca (onde estão várias fábricas americanas), bloqueio do Canal de Suez e falta de navios e contêineres para transporte mostram que mudanças de estratégia são necessárias.

“Muita coisa o tem evoluído no setor – ressalta Ukon –, com várias ações adotadas pelas empresas”. Elas estão buscando se posicionar, se proteger e participar de forma mais ativa da cadeia produtiva e não ficar apenas dependendo de fornecimento ‘spot’ (operações concretizadas na hora).

Desde meados de 2021 ocorreram vários anúncios de parcerias, cooperação com fabricantes de semicondutores ou desenvolvimento de tecnologia própria, tentando um engajamento mais ativo na cadeia produtiva, com acordos diretos com fornecedores, buscando também diversificar a dependência de uma região, de um fornecedor, afirma Ukon.

A BMW assinou, há um ano, contrato de garantia de fornecimento direto com o desenvolvedor de microchips de alta tecnologia Inova Semiconductors e com a fabricante de semicondutores GlobalFoundries (GF). Andreas Wendt, responsável pela Rede de Compras e Fornecedores da BMW global, disse que “o acordo pioneiro marca o próximo passo lógico para garantir suprimentos de maneira mais proativa”.

A americana General Motors fez acordo estratégico com a fabricante de chip Wolfspeed em outubro de 2021, que desenvolverá soluções de dispositivos para os futuros veículos elétricos da montadora.

Um mês depois, a GM também informou que está trabalhando com sete fornecedores de chips em três novas famílias de microcontroladores que reduzirão o número de chips exclusivos em 95% dos novos veículos da marca. Entre as parceiras estão Qualcomm, Renesas e Infineon.

Em junho do ano passado, a francesa Renault e a STMicroelectronics anunciaram cooperação na concepção, desenvolvimento, produção e fornecimento de sistemas para conjuntos eletrônicos usados em veículos à bateria e híbridos.

“Esta parceria garante o futuro abastecimento de componentes chave e vai nos ajudar a concretizar nossa ambição de democratizar os veículos elétricos, para que sejam acessíveis e rentáveis”, disse o CEO da Renault, Luca de Meo.

A fabricante de peças automotivas Denso, pertencente à japonesa Toyota, se juntou em fevereiro ao projeto da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TMSC) de construção de sua primeira fábrica de chips no Japão. O grupo já tinha parceria com a Sony e receberá US$ 350 milhões em investimentos da Denso.

Também há parcerias e acordos estratégicos entre a Ford e a GF, BMW e Mercedes-Benz com a Qualcomm e a Nvidia, Volkswagen com a ST Microeletronics e a TSMC, e Stellantis com a Foxconn e a Waymoara.

Já a Tesla (em parceria com a TSMC e a Samsung), a Hyundai e a BYD, com divisões próprias, pretendem produzir seus semicondutores.

O começo da crise

Além dos carros, chips são usados em computadores, eletroeletrônicos, maquinários, em sistemas de IA (inteligência artificial, na tecnologia 5G, entre outros)

Continua após a publicidade

A crise de desabastecimento começou no fim de 2020, quando fábricas no mundo inteiro suspenderam a produção para evitar aumento de contaminações. Nesse período, ocorreu um boom de consumo de PCs, celulares e até eletrodomésticos pela população que ficou trancada em casa.

A volta das atividades de vários setores, como o de carros, ocorreu em ritmo mais acelerado do que se esperava. As fábricas de chip não deram conta da demanda que já vinha crescendo antes da covid. E seguem sem dar conta.

Governo já tem MP para incentivo à produção local

Está nas mãos do ministro da Economia, Paulo Guedes, uma Medida Provisória já assinada por ele para ser entregue ao presidente Jair Bolsonaro com incentivos à produção de semicondutores no Brasil.

Prometida desde meados do ano, é possível que a MP fique para ser avaliada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O tema será tratado pelo grupo de transição.


Indústria revê mapa da produção de chips para enfrentar escassez e risco geopolítico
Desabastecimento global leva a investimentos e novos fornecedores

Otimista com a possibilidade de produção local, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Márcio de Lima Leite diz que o custo dos benefícios está incluído no orçamento de 2023.

Continua após a publicidade

Entre as medidas da MP estão redução de Imposto de Importação e de PIS e Cofins para máquinas e equipamentos de produção e possibilidade de participação societária de bancos públicos como o BNDES.

Fábrica abandonada em Minas Gerais

O banco de fomento já tem participação de 33% na Unitec, fábrica de semicondutores em Ribeirão das Neves (MG), pronta desde 2015 mas que está abandonada por problemas entre os acionistas.

Fábrica abandonada em Minas Gerais é oferecida para interessados em produzir chip no País

Fábrica abandonada em Minas Gerais é oferecida para interessados em produzir chip no País Foto: Washington Alves/Light Press/Estadão

A fábrica que mantém estrutura moderna e vários equipamentos tem sido usada para atrair investidores. Ela recebeu US$ 1,2 bilhão em investimentos e poderia entrar como parte dos benefícios para a produção nacional de chips.

Segundo Leite, o uso das instalações e infraestrutura pode antecipar em dois anos o início da produção. Uma fábrica leva quatro anos para ficar pronta.

“Quatro grupos já manifestaram interesse em avaliar a produção no Brasil”, diz Leite. Um é a Renesas, do Japão. Os outras três não tiveram nomes revelados. Duas deles teriam procurado recentemente o governo para conversar. Segundo fontes do mercado, uma seria a Samsung e outra a Hyundai, mas elas não confirmam.

Na opinião de Masao Ukon, diretor do BCG, é preciso avaliar se é mais competitivo produzir chips localmente ou continuar importando, levando-se em conta o investimento necessário (cerca de US$ 2 bilhões) e a necessidade de alta demanda para torná-la viável.

Leite ressalta que, somando todos os setores, o Brasil importa por ano cerca de US$ 14 bilhões em semicondutores, sendo cerca de US$ 1,5 bilhão pelo setor automotivo. Além da demanda local, os chips poderão ser exportados, diz.

https://www.estadao.com.br/economia/negocios/montadoras-e-as-parcerias-com-a-industria-de-chip/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/EgFjdLGaUJMIr4HBnf4O4R (08) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

7 características de líderes dotados de inteligência emocional

A inteligência emocional é fundamental para a liderança

AJ Hess – Fast Company Brasil  24-11-2022 

Foi-se o tempo em que a proficiência técnica era a qualidade mais desejada para um líder. Embora o conhecimento teórico e a experiência na área sejam importantes, agora são consideradas habilidades de nível básico – sem elas, o candidato sequer entra no páreo. 

Além disso, muitos trabalhos hoje são tão complexos que precisamos contar com toda uma equipe de pessoas competentes. Mas as habilidades técnicas não bastam para avançar na carreira se os líderes não tiverem a capacidade de se comunicar, de cooperar ou de estabelecer uma cultura que apoie a valorização e o desenvolvimento de suas equipes.

Por isso, a inteligência emocional é fundamental para a liderança. São os líderes que definem o tom de sua empresa. Se eles não tiverem inteligência emocional, isso afetará o engajamento, a satisfação, a rotatividade e, por fim, o resultado financeiro.

A boa notícia é que a inteligência emocional não é algo estático. Ela pode ser estimulada, e os líderes podem desenvolver a deles, aumentando seu potencial de liderança. Um líder emocionalmente inteligente é aquele que, através de seus comportamentos, demonstra estas sete qualidades:  

SINCERIDADE

Líderes emocionalmente inteligentes são sinceros, honestos

inteligência emocional não é algo estático, ela pode ser estimulada e os líderes podem desenvolvê-la.

e reais. São os maiores incentivadores da empresa. Demonstram acreditar continuamente no próprio trabalho, no de seus colegas e no sucesso da equipe.

O apoio sincero dos líderes pode ajudar uma empresa em tempos difíceis. Se isso faltar, vai ser difícil para os outros manter a fé e a crença naquilo que estão fazendo.

DISPOSIÇÃO PARA SAIR DA ZONA DE CONFORTO

O crescimento e o desenvolvimento exigem que continuemos a ultrapassar os limites do que nos sentimos confortáveis ​​em fazer. Líderes emocionalmente fortes sabem disso e continuam a se esforçar e encorajar aqueles ao seu redor a ir além do que estão familiarizados.

CAPACIDADE DE CONTROLAR AS EMOÇÕES

Em tempos de dificuldade e de crise, os funcionários buscam orientação vinda dos superiores. Eles querem saber a gravidade da situação e como devem agir. É crucial que os líderes sejam capazes de mostrar calma externa e manter a compostura, gerenciando suas próprias emoções.

Mesmo que não tenham soluções imediatas, é fundamental conseguir manter a calma diante das dificuldades. Isso pode ajudar a equipe a concentrar sua energia em encontrar soluções, em vez de desperdiçar tempo e esforço com medo e preocupação.

AUTENTICIDADE EM TODOS OS MOMENTOS

Esse tipo de líder é sempre claro sobre suas intenções e sobre as razões por trás delas. Isso significa que os funcionários não precisam se preocupar em decifrar ou ler nas entrelinhas dos discursos da chefia, o que os mantém mais bem informados sobre os objetivos e motivações da empresa. 

Líderes emocionalmente inteligentes acreditam que a vida precisa ser experimentada e aproveitada ao máximo.

Líderes emocionalmente inteligentes são autênticos porque compartilham o máximo que podem com seu pessoal, em todos os momentos, e esperam o mesmo dos outros. Além disso, tratam todos da mesma forma, independentemente de sua posição na empresa ou na vida.

RELACIONAMENTO DE FORMA HUMANA 

Líderes emocionalmente inteligentes estão cientes de suas emoções e de como a parte emocional afeta tudo o que fazemos. Também são hábeis em ler as emoções dos outros, individualmente ou em grupos. Interagir com as pessoas em um nível humano permite que os líderes façam com que as pessoas se sintam vistas e ouvidas, mesmo em momentos de desacordo e conflito.

RECUSA EM DEIXAR QUE OBSTÁCULOS BLOQUEIEM SEUS OBJETIVOS

Falhas e contratempos são partes inevitáveis ​​do caminho para qualquer recompensa que valha a pena e que, eventualmente, se transformará em sucesso. Líderes emocionalmente inteligentes sabem que haverá obstáculos e já se preparam para eles. Procuram encarar isso como uma aprendizagem necessária e não levam os contratempos para o lado pessoal.

Para eles, as decepções fazem parte da jornada de aprendizado e desenvolvimento pois entendem que, no fim das contas, esses momentos vão acabar por ajudá-los a alcançar seus objetivos.

NÃO SE DEIXAR ABATER PELO PESSIMISMO

Todo mundo tem momentos em que está deprimido, com vontade de reclamar e que precisa se esforçar mais para se manter otimista. Líderes emocionalmente inteligentes não estão imunes a esses sentimentos. No entanto, nunca permitem que eles se instalem de forma permanente em suas mentes.

Líderes emocionalmente inteligentes estão abertos a apoiar os sentimentos dos outros, mas se distanciam de pessoas que reclamam constantemente ou são sempre negativas. As pessoas de quem se cercam têm uma perspectiva positiva e preferem enxergar o lado bom da vida.

Líderes emocionalmente inteligentes acreditam que a vida precisa ser experimentada e aproveitada ao máximo e atraem (e são atraídos) pessoas que vivem alinhadas a essa mesma crença.


SOBRE O AUTOR

AJ Hess é editor da seção Worklife da Fast Company.   

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/EgFjdLGaUJMIr4HBnf4O4R (08) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Reimaginando a indústria do varejo: as tecnologias-chave do Varejo 3.0

Por: Elcio Santos – ecommercebrasil -17/10/2022

É CEO da Always On Ciência e Engenharia de Dados. Tem mais de 20 anos de experiência em posições de liderança estratégica tanto em grandes empresas como em startups do mercado digital. Trabalhou no desenvolvimento e na implantação de algumas das principais ferramentas de martech no Brasil, sendo hoje parceiro certificado da Oracle (CX) Responsys. Tem reconhecida autoridade em transformação digital, ajudando empresas a obterem resultados financeiros expressivos por meio de estratégias em dados, CRM, vendas (on e offline) e integração multicanal.

Em nosso artigo anterior, apresentamos uma visão geral do que é o Varejo 3.0 – você pode conferir aqui -, e prometemos apresentar as tecnologias-chave para o funcionamento desse novo e revolucionário ecossistema.

Mas antes temos que deixar claro um ponto: usamos a expressão “tecnologias-chave” em um sentido bem amplo, envolvendo não apenas os aplicativos e outros programas de computador, mas todo o conjunto de instrumentos, métodos e técnicas necessário para garantir que uma empresa possa trazer o foco para o comprador individual.

A transformação digital precisa estar no centro de todas as estratégias e modelos de negócios.

Como dissemos no outro artigo, o Varejo 3.0 é construído através de sinergias de marketing e cadeia de suprimentos em tempo real, montadas sobre uma base de dados de transações identificadas. E isso requer a integração de canais online e offline, logística e dados através de uma cadeia de valor.

Habilitando o Varejo 3.0

Para habilitar o Varejo 3.0, é necessário, portanto, não apenas ter as ferramentas tecnológicas certas, mas estruturar todos os processos e rotinas a partir de uma nova mentalidade, em que o cliente é de fato rei e sua vontade, soberana.

Dito isso, vamos ao que chamamos de tecnologias-chave.

1. Abordagem omnicanal

Uma experiência de compra omnicanal se estende da loja física à navegação móvel, comércio eletrônico, vitrines no local, mídia social/digital e outros canais cruzados. Isso significa que todos os canais de venda e de marketing estão integrados, que não importa por onde a compra seja realizada, na loja, no site, no celular, ela se dá sempre de forma tranquila e consistente. De acordo com um estudo apresentado no Customer Think.com, as empresas que implementaram uma abordagem omnicanal obtiveram benefícios cruciais para o seu sucesso a longo prazo – aumentaram a retenção dos seus clientes em 89% e o faturamento anual em 9,6%.

2. Chatbots e outras ferramentas baseadas em IA e ML

O varejo tem que estar preparado para lidar com assistentes de voz, assistentes robóticos, entrega via drones etc. E, principalmente, com os chamados customer chatbots, que oferecem suporte instantâneo e 24/7 para buscas de informação, rastreamento de pedidos, gerenciamento de reclamações e pós-venda. Além disso, podem ser conectados com o CRM das empresas para garantir uma experiência personalizada.

Os resultados são incríveis. A Cars24, que vende carros usados online, usa um chatbot para responder a perguntas frequentes, como a idade do veículo, para diminuir o estresse nos contact centers. A iniciativa reduziu as despesas com o call center em impressionantes 75%. Além disso, a interação com o chatbot resulta em 1/3 das vendas.

Em outro exemplo, a CEAT, maior produtora de pneus da Índia, alcançou uma taxa de conversão de 21% graças ao seu chatbot orientado por IA que entende a intenção do usuário. Ele recomenda modelos de pneus dependendo das preferências do cliente (por exemplo, pneus amigáveis à pegada de carbono) e aprimora os recursos de comércio conversacional da empresa.

3. Dispositivos baseados em IoT

A expressão Internet das Coisas (IoT) descreve a rede de objetos físicos incorporados a sensores, softwares e outras tecnologias com o objetivo de conectar e trocar dados com outros dispositivos e sistemas pela internet. Os varejistas atualmente já lidam com sensores de segurança, sensores para rastrear o status do estoque à venda (temperatura, força etc.) e monitoramento de rede. Agora, precisam lidar também com outros dispositivos com tecnologia para rastrear a jornada digital do cliente e beacons, adaptando o processo de compra a cada comprador individual. Assim, os clientes podem receber ofertas personalizadas, assistência para encontrar produtos e checkout fácil – e aumentam a propensão a gastar mais em cerca de 40%, segundo a consultoria Built.In.

A Amazon Go é um excelente exemplo de lojas físicas conectadas a um sistema de IoT. Vamos falar mais sobre a rede no próximo artigo.

4. Serviços baseados em localização

A partir dos dispositivos anteriores, será possível saber quando clientes específicos estão na loja e disparar, por exemplo, alertas em tempo real para que um funcionário vá até um local da loja para auxiliar um cliente. Outro serviço importante pode ser um alerta para quando um cliente entra pela porta ou está no estacionamento para pegar um pedido online. Na Regent Street, em Londres, cerca de cem varejistas – incluindo Karl Lagerfeld, Armani Exchange e Brasserie Zedel – instalaram sensores que acionam ofertas personalizadas por meio de um aplicativo cooperado. Essa combinação de “geofencing” e inteligência artificial (para personalizar ofertas) aumentou a venda em 7,4%.

5. Self-checkouts

Também chamados de assisted checkouts (ACOs) ou self-service checkouts, são máquinas que oferecem mecanismos para os clientes completarem suas transações sem precisarem usar as caixas tradicionais. É fundamental implementar checkouts baseados em aplicativos móveis, em reconhecimento facial e outras tecnologias de simplificação dos processos de compra. Um estudo da Raydiant sobre experiências de self-checkout descobriu que quase metade dos clientes usará o self-checkout quase exclusivamente quando estiver disponível. Quando perguntados com que frequência usariam um quiosque de autoatendimento, aproximadamente 48,7% dos entrevistados disseram “basicamente o tempo todo”. A pesquisa também revelou que por volta de 30,6% dos entrevistados dizem que usam quiosques de autoatendimento algumas vezes e geralmente mudam seus hábitos de caixa com base na natureza dos itens que estão comprando e no comprimento da fila do caixa. Durante o estudo, apenas 3% dos entrevistados disseram que nunca usam um self-checkout.

6. Modelo Click and Collect

O Varejo 3.0 tem como um dos seus pilares esse modelo que basicamente permite o seguinte:

  • Compre na loja e envie da loja para casa.
  • Compre online e retire na loja.
  • Compre online e devolva à loja.
  • Compre na loja e devolva pelo correio com etiqueta de devolução do site do varejista.
  • Compre online e retire em local de terceiros, como lojas de conveniência e armários.
  • Não por acaso, em 2022, as vendas no modelo nos Estados Unidos devem crescer 19,4% em comparação com 2021. Depois de aumentar mais de 100% durante o primeiro ano da pandemia de Covid-19, as vendas no varejo do Click and Collect devem continuar a crescer ainda que a um ritmo mais lento.

Em resumo…

Houve uma mudança de paradigma no mundo do varejo com o debate mudando do online x loja física para a necessidade de engajamento total e gerenciamento contínuo da experiência do cliente. Seja uma loja online ou física, a transformação digital precisa estar no centro de todas as estratégias e modelos de negócios.

No próximo artigo, vamos mostrar alguns exemplos de empresas que já estão totalmente imersas no Varejo 3.0. Até lá.

https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/reimaginando-a-industria-do-varejo-as-tecnologias-chave-do-varejo-3-0

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/EgFjdLGaUJMIr4HBnf4O4R (08) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Estados e empresas nas mãos de uma só pessoa estão arruinando o mundo

Ambos têm a mesma vulnerabilidade: a idiossincrasia de um líder solitário superestimado

Por Simon Kuper, Financial Times/Valor 22/11/2022

“A compra do Twitter é um acelerador para criar o X, o aplicativo de tudo”, explicou Musk, em 4 de outubro, sobre o Twitter. Passadas quatro semanas, depois de o escritor Stephen King ter se oposto à ideia de pagar US$ 20 mensais para a ter a certificação do Twitter de autenticidade da conta, Musk retrocedeu. “Que tal US$ 8?”, tuitou, de sua “sala de guerra”, na sede da empresa, em San Francisco. Desde então, o Twitter engavetou a ideia de certificação paga.

Às vezes, Musk se parece cada vez mais a uma versão (não sanguinária, felizmente) de Vladimir Putin. A compra do Twitter por absurdos US$ 44 bilhões lembrou a tentativa de tomada, extremamente hostil, da Ucrânia por Putin, na qual o autocrata pretendia dar uma lição à presa. Agora, enquanto Musk está destruindo a própria empresa, as Forças Armadas de Putin fogem da recém-anexada Kherson, um lugar que supostamente seria parte da Rússia “para sempre”.

As duas formas organizacionais dominantes da atualidade são praticamente as mesmas: o Estado autocrático nas mãos de um só homem. Ambas têm a mesma vulnerabilidade: a idiossincrasia de um líder solitário superestimado.

As “bandas” de um homem ficaram fora de moda por muito tempo. China e Rússia passaram décadas sob liderança coletiva depois de os líderes solitários Mao e Stálin terem matado milhões. No mundo dos negócios de dez anos atrás, nenhuma das dez empresas mais valiosas do mundo ainda era administrada pelos fundadores.

A essa altura, entretanto, Putin, Xi Jinping, a Meta, de Mark Zuckerberg, a Tesla, de Musk, e a Amazon, de Jeff Bezos, já estavam em ascensão. Então, Mohammed bin Salman tornou-se o único governante da Arábia Saudita e controlador, na prática, da segunda empresa mais valiosa do mundo, a Saudi Aramco. Outro herdeiro, seu colega Donald Trump, tentou administrar os Estados Unidos como uma incorporadora imobiliária familiar.

Estados e empresas de um só homem têm ciclos semelhantes. A princípio, mesmo que o objetivo do autocrata seja enriquecer-se, ele também almeja aprovação, então evita a autossabotagem. Sem estar amarrado a regras, ele parece ser mais ágil que seus rivais, regidos coletivamente. Com o sucesso, adquire certa aura. Ele estabilizou a Rússia/inventou o Facebook/construiu carros elétricos. Logo, é um gênio! Se ele quiser se tornar presidente vitalício ou outorgar a si mesmo ações com direito a voto dez vezes maior que o das outras ações, bem, o que poderia dar errado?

No entanto, o sucesso inicial em geral deve-se a uma confluência única de sorte, momento e da pessoa em questão. Poucos homens são capazes de repetir a maestria duas vezes. Pior, a arrogância toma conta da pessoa. Tendo desafiado os pessimistas da primeira vez, o autocrata os ignora na segunda vez. “Avance rápido e quebre coisas” era o lema inicial de Zuckerberg, mas acabou se tornando o de Putin também. Além disso, o autocrata fica entediado. Depois de comandar a Rússia ou o Facebook sem data para ir embora, cada dia começa a parecer igual. Presumivelmente, foi por isso que Bezos saiu. Ele colocou Andy Jassy no comando da Amazon, despachou a si próprio para o espaço e agora está interessado em um time de futebol americano.

Musk, Zuckerberg e Putin permaneceram no cargo, mas, assim como Bezos, buscaram novos estímulos. Enquanto os acionistas ou os policiais secretos russos imaginavam que seus autocratas ainda estavam impiedosamente dedicados a ganhar dinheiro para eles, na verdade eles haviam evoluído a interesses mais elevados. Zuckerberg, por exemplo, parece ter decidido que seria muito legal construir um “metaverso” de realidade virtual, não importa o custo.

A pandemia provavelmente acelerou esses processos de desenvolvimento pessoal. Enquanto Putin passou o lockdown estudando a história ucraniana, Musk parece tê-lo passado no Twitter: sua média de tuítes por dia decolou. Enquanto isso, o isolamento deles foi se consolidando. O investidor Chris Sacca tuitou na semana passada: “Um dos maiores riscos da riqueza/poder é não ter mais ninguém a seu redor que possa contê-lo […] Uma visão de mundo cada vez menor, combinada a um isolamento intelectual, leva a bobagens fora de sintonia […] Recentemente, observei como aqueles ao seu redor se tornavam cada vez mais bajuladores e oportunistas […] concordar com ele é mais fácil, e há mais vantagens financeiras e sociais.” Sacca estava falando de Musk, mas podia muito bem estar se referindo a Putin.

Antigos apoiadores agora horrorizados não conseguem parar o autocrata. Zuckerberg está livre para torrar o dinheiro dos acionistas porque tem o controle dos votos na Meta, assim como Putin na prática controla os da Rússia, enquanto Musk dissolveu o conselho do Twitter. Se tudo isso é assustador, espere até que o mais poderoso dos autocratas, Xi Jinping, descubra uma paixão. As organizações não precisavam ser disfuncionais desse jeito.

Para um modelo alternativo, tome-se o caso da Apple. Seu mandatário Steve Jobs provavelmente preservou sua reputação ao morrer antes que a arrogância tomasse conta. A Apple de hoje não é muito inovadora, mas tornou-se a empresa mais valiosa do mundo ao monetizar sucessos anteriores, especialmente o iPhone. Sua liderança coletiva está alerta aos riscos. Quando a Apple faz bobagem, como com o teclado borboleta de 2015, em algum momento corrige o rumo. Um dia, Tim Cook vai dar lugar a um novo CEO, nada empolgante. De fato, a Apple é dirigida como a Alemanha. “Feliz é a terra que não precisa de heróis”, escreveu o dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Feliz é a empresa também.

(Tradução de Sabino Ahumada)

https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2022/11/22/estados-e-empresas-nas-maos-de-uma-so-pessoa-estao-arruinando-o-mundo.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/EgFjdLGaUJMIr4HBnf4O4R (08) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

O brasileiro que pretende criar o MIT da Amazônia, instituto de tecnologia voltado à floresta

O projeto tem a pretensão de envolver todos os países que possuem porções da floresta

André Biernath Sharm El Sheikh | BBC News Brasil/Folha 20.nov.2022

Um dos cientistas mais influentes de sua geração, o meteorologista brasileiro Carlos Nobre se espelha na própria história pessoal para fazer um sonho virar realidade. Formado no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, e com doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em ingês), nos Estados Unidos, o pesquisador trabalha agora para criar um centro de pesquisa nos mesmos moldes no coração da Amazônia. 

O projeto, conhecido como Instituto de Tecnologia da Amazônia (ou AmIT, na sigla em inglês), tem a pretensão de envolver não apenas o Brasil, mas todos os países que possuem porções da floresta, como Peru, Colômbia e Bolívia. Carlos Nobre é um dos cientistas brasileiros mais influentes da atualidade – Getty Images/BBC News Brasil “Será uma instituição pan-amazônica, capaz de produzir ciência de ponta no padrão dos melhores centros do mundo”, antevê. 

Nobre aponta que “não há nenhum país tropical que desenvolveu a bioeconomia baseada em recursos naturais, biodiversidade e florestas” e que essa pode ser uma grande oportunidade para o Brasil. O cientista projeta que o instituto terá recursos públicos e privados e pode virar realidade nos próximos dois ou três anos. 

Os eixos fundamentais 

O site oficial da iniciativa traz mais detalhes sobre como o AmIT foi estruturado. A premissa principal do instituto é a de que “o conhecimento da Amazônia deve ser fundamentado na ciência e na tecnologia direcionadas à inovação para garantir a inclusão socioeconômica no desenvolvimento da própria região”. 

Em outras palavras, a ideia é fazer pesquisas científicas para desenvolver tecnologias, descobrir potenciais usos dos recursos naturais da floresta de modo sustentável e gerar riquezas para as próprias pessoas que vivem lá. Usando como exemplo o próprio ITA, o pesquisador lembra que, graças às pesquisas feitas no local, o Brasil desenvolveu a terceira maior companhia de aviação do mundo: a Embraer. 

Além de Nobre, fazem parte do projeto do AmIT os cientistas Maritta Koch-Weser, presidente da ONG Earth3000 e Adalberto Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O meteorologista destaca que o AmIT terá cinco eixos principais. “Nós desenhamos grandes unidades de pesquisa e desenvolvimento local para guiar a lógica de formação dos alunos”, explica. “Vamos trabalhar com florestas, paisagens alteradas ou degradadas e como restaurá-las, infraestrutura sustentável de transporte e energia, biodiversidade e manejo da água”, conta. 

Segundo o pesquisador, o grande objetivo é aliar “a ciência indígena de milhares de anos, com a ciência contemporânea, de forma harmoniosa e operativa”. Desafios para o Brasil e para o mundo Nobre, que está participando da Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP27), que acontece em Sharm El Sheik, no Egito, também acredita que o Brasil pode (e deve) assumir o papel de liderança global nas políticas ambientais.

 “Nosso país pode ser a primeira grande economia a zerar suas emissões de carbono”, pontua. O cientista aponta que isso representa um enorme ganho para a economia —a manutenção da floresta é fundamental para o regime de chuvas que irriga e sustenta as plantações espalhadas pelo resto do país, por exemplo. Ele ainda reforça a necessidade de que o mundo atinja as metas estabelecidas em 2015 no Acordo de Paris, de preferência com o limite de aumento de 1,5°C na temperatura do planeta em comparação com a era pré-industrial. 

Por fim, Nobre vê com boas perspectivas a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o início do novo governo sob o ponto de vista do meio ambiente. “Há uma experiência no passado em que vimos a queda no desmatamento e na degradação ambiental, a melhora da qualidade de vida da população brasileira e especificamente da Amazônia, a criação de várias unidades de conservação e demarcação de territórios indígenas”, lista. 

“As eleições de 2022 foram a última chance de manter a Amazônia e de combater o crime organizado na região, que sempre existiu, mas se sentiu empoderado nos últimos anos”, diz. “Me parece que a política do novo governo vai toda na direção do desmatamento zero e existe, claro, uma pressão internacional para que se obtenha sucesso.” “Nós temos quatro anos para acabar com o desmatamento, a degradação e a ilegalidade na Amazônia”, completa. 

https://www1.folha.uol.com.br/tec/2022/11/o-brasileiro-que-pretende-criar-mit-da-amazonia-instituto-de-tecnologia-voltado-a-floresta.shtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/EgFjdLGaUJMIr4HBnf4O4R (08) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

De Elon Musk a Walt Disney: conheça os 5 hábitos de pessoas de sucesso

Os bem-sucedidos costumam trabalhar diariamente para alcançar seus objetivos e usar a mente para superar os obstáculos

Por Victoria Vera Ziccardi, La Nacion/O Globo 20/11/2022 Além da resiliência, pessoas bem-sucedidas têm alguns hábitos Além da resiliência, pessoas bem-sucedidas têm alguns hábitos André Mello/ Editoria de Arte

O anseio por uma vida bem-sucedida é um desejo compartilhado por todos. Nesse sentido, sabe-se que a vida é um processo de “altos e baixos” e que, antes do sucesso, algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo vivenciaram um fracasso épico, outras deixaram claro que o sucesso não é apenas ter dinheiro ou fama, mas sim sentir-se realizado em todos os aspectos. Como consequência, o caminho que os levou até lá é muitas vezes esquecido. Um percurso que quase nunca é linear, tem curvas, obstáculos e, claro, aprendizado.

A citação “O sucesso não é definitivo e o fracasso não é fatal: é a coragem de continuar que conta”, dita por Winston Churchill, põe em perspectiva o ciclo da vida de quem se considera bem sucedido. Experimentar o fracasso em alguns momentos pode até ser proveitoso para tomar mais coragem e tentar novamente o que não deu certo.

Para a psicóloga Sol Buscio, o sucesso nem sempre está relacionado ao material, trabalho ou pessoal. Para a maioria é sinônimo de ser capaz de atingir metas ou até a felicidade. Ela acrescenta que as pessoas bem-sucedidas costumam trabalhar diariamente para alcançar os objetivos e mentalizar para conseguir superar os obstáculos.

— Ninguém nasce bem sucedido, são coisas que precisam ser trabalhadas constantemente e se baseiam em disciplina e perseverança — diz Buscio. Segundo ela, há casos de pessoas que têm talento ou habilidades desde cedo, mas que não as atendem isoladamente se não forem disciplinadas ou tiverem atitude para enfrentar as adversidades.

Um caso concreto e inspirador é o de Walt Disney, que quando começou a carreira, um antigo chefe que tinha em um jornal lhe disse que faltava imaginação e boas ideias. Implacável, Disney decidiu ignorá-lo e criou o ícone cultural que leva seu nome.

— Acho importante ter um bom fracasso quando se é jovem, porque isso o torna consciente do que pode acontecer com você. Por esse motivo, nunca tive medo em toda a minha vida quando estive perto de colapsos e crises — refletiu o empresário de sucesso. Ao mesmo tempo, ele compartilhou os hábitos adotados por aquelas pessoas que são bem-sucedidas no que empreendem.

Outro exemplo de superação é o empresário Elon Musk, criador da Tesla Motors, SpaceX e atual dono do Twitter. Musk disse uma vez que durante a infância não tinha amigos e que eles o intimidavam. Essa experiência o fez se fortalecer, ter aulas de karatê, judô, luta livre e aprender a se defender de quem o maltratava. Longe de se atormentar com aquela experiência, Musk percebeu o potencial que tinha e começou a ponderar teorias que pudessem mudar o rumo da humanidade, gerando grandes impactos no futuro.

Quem consegue cumprir os objetivos garante que a organização é fundamental. Os hábitos que ajudaram Elon Musk, criador da Tesla e dono do Twitter; Anna Wintour, editora-chefe da revista Vogue; e o empresário dono do Virgin Group, Richard Branson, estão listados abaixo:

Ter uma rotina

Ter uma agenda e mantê-la ao longo do tempo é essencial, porque organiza e permite cumprir os objetivos passo a passo. Uma das personalidades que divulga sua rotina é a escritora e jornalista Anna Wintour. Ela começa cedo, geralmente entre 4h e 5h30, lendo os jornais britânicos e americanos. Depois, joga tênis e segue seu dia de trabalho. Suas tardes costumam ser reservadas para reuniões fora do escritório, almoços com designers, planejamento de eventos e reuniões fora do escritório. Então, às 5 da tarde, ela volta para casa.

— À noite, mergulho novamente no trabalho e cumpro minhas tarefas diárias para que ninguém fique esperando meus retornos — disse a editora de moda.

Sobre a organização da rotina, Musk revelou como ele mantém o foco no que faz: direcionando sua atenção a apenas uma coisa por vez.

— Quando estou jantando com amigos ou familiares, gosto de fazer o que estou fazendo. Eu não gosto de multitarefa. Se estou lendo meu e-mail, eu o escolho e gosto — afirmou.

Acordar cedo

No livro best-seller “Mude seus hábitos, mude sua vida”, Thomas Corley explica que as pessoas bem-sucedidas se diferenciam por levantarem da cama logo de manhã. Quase 50% das personalidades pesquisadas por Corley disseram que acordar pelo menos três horas antes de começar o dia de trabalho é fundamental. Muitos deles usam o tempo livre para realizar projetos pessoais, planejar seu dia ou arranjar tempo para se exercitar.

Escrever

Quando questionado sobre as coisas que leva por onde passa, Richard Branson, o empresário britânico que criou a marca Virgin e dono do grupo homônimo com mais de 300 empresas, salientou que embora possa parecer ridículo, o mais importante é levar sempre um pequeno caderno.

— Eu nunca poderia ter criado o Virgin Group sem aqueles poucos pedaços de papel — confessou. Adquirir um hábito diário de escrita tem vários benefícios, pois, por um lado, colocar os objetivos por escrito aumenta as chances de alcançá-los e, por outro, melhora a clareza e o foco das ideias.

Conectar-se com pessoas inspiradoras

“Você é tão bem-sucedido quanto aqueles com quem frequentemente se associa”, diz Corley em seu livro. Conectar-se com empreendedores de sucesso, pessoas que têm histórias de vida fortes e alcançaram o sucesso, familiares e amigos que inspiram, é essencial. “Junte-se a grupos de pessoas que compartilham sua mesma carreira ou interesses pessoais”, sugere o autor, embora esclareça que “as pessoas de sucesso também se esforçam para limitar sua exposição a pessoas tóxicas e negativas”.

Meditar

O estresse é normal e, em alguns casos, até saudável. Mas aquele que é crônico e sobrecarrega o corpo físico, mental e emocional, afeta a criatividade e a geração de novas ideias. Na verdade, está provado que as pessoas que meditam com frequência e aprenderam a valiosa habilidade de mergulhar no momento presente são mais bem-sucedidas financeiramente e nos relacionamentos.

https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2022/11/de-elon-musk-a-walt-disney-conheca-os-5-habitos-de-pessoas-de-sucesso.ghtml

Obs. Se quiser conhecer mais sobre empreendedores de sucesso veja o livro “Vencedores” de Evandro Milet e Lucas Izoton em https://www.amazon.com.br/Vencedores-Grandes-Empreendedores-Inovadores-Hist%C3%B3rias/dp/8541404102/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=24IJJT9EO2E9T&keywords=milet&qid=1669048287&qu=eyJxc2MiOiIxLjY5IiwicXNhIjoiMC4wMCIsInFzcCI6IjAuMDAifQ%3D%3D&s=books&sprefix=milet%2Cstripbooks%2C209&sr=1-4

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/EgFjdLGaUJMIr4HBnf4O4R (08) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

É o fim da linha para as criptomoedas? Leia o artigo

Por Paul Krugman NYT/Estadão 20/11/2022 

Parece provável que o setor não consiga sobreviver à necessidade de regulação

THE NEW YORK TIMES – Acontecimentos recentes deixaram clara a necessidade de regulação dos criptoativos, uma indústria que cresceu do zero até uma capitalização de mercado de US$ 3 trilhões um ano atrás, apesar de a maior parte disso já ter evaporado. Mas também parece provável que o setor não consiga sobreviver à regulação.

A história até aqui: os criptoativos atingiram seu auge de proeminência pública no ano passado, quando um comercial no estilo “a sorte favorece os corajosos” de Matt Damon – patrocinado pela casa de câmbio digital Crypto.com, com base em Cingapura – foi ao ar pela primeira vez. Naquele momento, 1 bitcoin valia mais de US$ 60 mil.

Agora, vale menos de US$ 17 mil. Então, pessoas que compraram a criptomoeda depois do comercial de Damon perderam mais de 70%. De fato, já que a maioria das pessoas que compraram bitcoin o fez quando o valor estava alto, a maior parte dos investidores na criptomoeda – cerca de três quartos, de acordo com uma nova análise do Banco de Compensações Internacionais – perdeu dinheiro até aqui.

Ainda assim, valores de ativos despencam o tempo todo. Pessoas que compraram ações da Meta, a empresa anteriormente conhecida como Facebook, em seu pico, no ano passado, tiveram perdas similares às dos investidores em bitcoin.

Portanto, valores em queda não significam que as criptomoedas estão arruinadas. Os defensores dos criptoativos certamente não desistirão. De acordo com uma reportagem do Washington Post, muitos assinantes do selo Twitter Blue Verified, a desastrosa (e agora em suspensão) tentativa de Elon Musk de tirar dinheiro dos usuários do Twitter, foram perfis que divulgam posições políticas de direita, pornografia e especulação em criptomoedas.

Mais revelador do que os valores dos criptoativos tem sido o colapso das plataformas de corretagem das moedas digitais. Recentemente, a FTX, uma das maiores casas de criptoativos, pediu recuperação judicial – e parece que os indivíduos que administram a plataforma simplesmente saquearam bilhões de dólares dos investidores, provavelmente usando os fundos em um esforço fracassado para impulsionar a Alameda Research, sua empresa-irmã.

A pergunta que deveríamos fazer é: por que firmas como FTX ou Terra (a dita cunhadora de stablecoins que colapsou em maio) foram criadas?

Afinal, o estudo técnico que iniciou o movimento das criptomoedas, em 2008, assinado pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto, foi intitulado “Bitcoin: um sistema de dinheiro eletrônico p2p”. Ou seja, a ideia era que tokens eletrônicos cuja validade era estabelecida com técnicas emprestadas da criptografia tornariam possível às pessoas evitar instituições financeiras. Se você quisesse transferir fundos para alguém, poderia simplesmente mandar-lhe um número, uma chave, sem a necessidade de depender de um Citigroup ou Santander para realizar a transação.

Nunca ficou claro exatamente por que qualquer indivíduo a não ser algum criminoso gostaria de fazer isso. Apesar de defensores dos criptoativos apontarem com frequência para a crise financeira de 2008 como motivação para seu trabalho, essa crise nunca prejudicou o sistema de pagamentos – a capacidade dos indivíduos de transferir dinheiro por meio de bancos. Ainda assim, a ideia de um sistema monetário que não requereria confiança em instituições financeiras era interessante e, podia-se argumentar, merecia uma tentativa.

Poucos avanços

Depois de 14 anos, porém, as criptomoedas quase não avançaram enquanto substitutas para o papel tradicional do dinheiro. São desajeitadas demais para o uso em transações comuns. Seu valor é instável demais. Poucos investidores aceitam manter suas chaves de criptomoedas consigo mesmos – é arriscado demais perdê-las, digamos, instalando-as em algum dispositivo de armazenamento.

As criptomoedas são compradas principalmente por meio de plataformas de câmbio como Coinbase e, sim, FTX, que pegam o dinheiro dos usuários e mantêm tokens de criptoativos em seu nome.

Confiança

Essas casas de câmbio são – adivinhe só – instituições financeiras, cuja capacidade de atrair investidores depende – adivinhe outra vez – da confiança dos investidores. Em outras palavras, o ecossistema cripto basicamente evoluiu para se tornar exatamente aquilo que deveria substituir: um sistema financeiro de intermediários cuja capacidade de operar depende da percepção de confiabilidade que eles detêm.

Já que é assim, qual o sentido disso? Por que uma indústria que, na melhor das hipóteses, simplesmente repetiu o sistema bancário convencional tem qualquer valor fundamental?

Além disso, a confiança nas instituições financeiras decorre em parte da validação do Tio Sam: o governo americano supervisiona bancos, regula os riscos que eles podem assumir e garante muitos depósitos; enquanto os criptoativos operam amplamente sem supervisão. Investidores têm de confiar na honestidade e na competência de empreendedores; quando eles oferecem negócios excepcionalmente rentáveis, os investidores devem acreditar não apenas em sua competência, mas também em sua genialidade.

Conforme os defensores dos criptoativos adoram nos recordar, previsões anteriores a respeito do declínio do setor não se concretizaram. Realmente, o fato de que bitcoins e seus competidores não são verdadeiramente usáveis como dinheiro vivo não precisa significar que as criptomoedas não tenham nenhum valor – afinal, é possível afirmar o mesmo a respeito do ouro.

Mas, se o governo finalmente se movimentar para regular as firmas cripto, o que evitaria, entre outras coisas, que elas prometessem retornos impossíveis de entregar, é difícil ver que vantagem essas empresas teriam em relação aos bancos comuns. Mesmo se o valor do bitcoin não chegar a zero (o que ainda pode ocorrer), há um argumento forte sustentando que a indústria cripto, que voou tão alto poucos meses atrás, está fadada ao esquecimento. /TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

https://www.estadao.com.br/economia/paul-krugman-criptomoedas-artigo/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/EgFjdLGaUJMIr4HBnf4O4R (08) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Roadmaps para a transição energética

Questão estratégica é a busca por minerais críticos como lítio, cobre, polissilício

Por Luis Adolfo Beckstein – Valor – 10/11/2022

Nos últimos dias de outubro, a Agência Internacional de Energia (AIE ou Agência) lançou a nova versão de seu mais importante relatório: o World Energy Outlook 2022 (WEO 2022). Mais do que um simples estudo, este documento funciona como um farol para a transição energética das principais nações do mundo e o atingimento das metas do Acordo de Paris. O cumprimento total de todas as promessas climáticas levaria o mundo a um terreno mais seguro, mas ainda há uma grande lacuna entre as ambições de hoje e uma estabilização de 1,5°C.

Não obstante, as principais economias do mundo têm lançado planos próprios com o intuito de trilhar seus caminhos para a transição energética, ao mesmo tempo em que preparam suas economias para esse desconhecido novo mundo. Os Estados Unidos lançaram o Inflation Reduction Act, a União Europeia o pacote Fit for 55 e o REPowerEU, o Japão o programa Green Transformation e a China o Plano de Ação para Alcançar o Pico de Dióxido de Carbono Antes de 2030. Ademais, nações em desenvolvimento, como Coreia do Sul e Índia, também dispõem de planos com objetivos semelhantes.

    Nos cenários da AIE, óleo e gás natural ainda responderão por 51% e 46% da oferta de energia em 2030

Logo de partida, a Agência destaca a profunda cicatriz que a guerra Rússia-Ucrânia deixa no mundo, com impactos permanentes no sistema global de energia, que fraturaram padrões de oferta-demanda e relações comerciais de longa data. O mundo está no meio de uma crise global de energia, com amplitude e complexidade sem precedentes. Em setembro de 2022, as entregas de gás da Rússia para a União Europeia caíram 80% em comparação com os últimos anos.

Na visão da Agência, em todos os cenários, a UE compensa a perda de importações russas com transição acelerada do gás natural para adições de capacidade renovável. O investimento anual em energia limpa, que foi de cerca de US$ 1,3 trilhão por ano em 2021, aumenta para quase US$ 2 trilhões no cenário base e para quase US$ 4 trilhões no cenário verde em 2030.

Outra questão estratégica é a busca por minerais críticos (lítio, cobre, polissilício, níquel e terras raras). A garantia de suprimento desses minerais é parte indissociável de uma estratégia bem-sucedida de transição energética. A demanda por minerais críticos para tecnologias de energia limpa deve aumentar de duas a quatro vezes até 2030, dependendo do cenário, como resultado da expansão da implantação de energia renovável.

Em 2021, muitos desses minerais, essenciais para a produção de tecnologias de energia limpa, registraram aumentos de preços expressivos, devido a uma combinação de demanda crescente, ruptura em cadeias de suprimentos e preocupações com restrições de oferta. Os preços do lítio aumentaram quase 170% e os do níquel 94% nos últimos 12 meses.

Nesse sentido, Estados Unidos e China lançaram planos estratégicos para a gestão desses recursos, mas também outras nações como Canadá e Grã-Bretanha tiveram iniciativas semelhantes. Já no plano do presidente Biden, com as prioridades para seus 100 primeiros dias de seu governo, figurava um capítulo inteiro para essa questão. A China, poucos meses depois, também divulgou plano com diretrizes para a exploração e conservação de minerais considerados estratégicos.

A despeito da marcha acelerada para uma matriz mais verde, os combustíveis fósseis continuarão a ter relevância estratégica global, mesmo em 2050. Nos cenários da Agência, óleo e gás natural ainda responderão por 51% e 46% da oferta de energia em 2030, nos cenários base e no cenário mais verde, respectivamente. A demanda por petróleo atinge o pico em meados da década de 2030 no cenário base, e nunca recupera os níveis de 2019 no cenário mais verde.

Ademais, vários países estão anunciando políticas para banir ou reduzir plásticos descartáveis, melhorar as taxas de reciclagem e promover matérias-primas alternativas. Nesse sentido, o Global Plastic Outlook da OCDE é considerado o principal estudo abordando a fundo a questão do ciclo de vida dos plásticos. As taxas médias globais de reciclagem de plásticos aumentam do nível atual de 17% para 27% em 2050 no cenário base e 54% no cenário mais verde.

Iniciativas mundiais para aumentar a reciclagem dos plásticos, como a da Assembleia das Nações Unidas para o meio Ambiente (UNEA-5), realizada neste ano em Nairobi, levam muitos refinadores a considerar a expansão para a reciclagem de plásticos como outra forma de garantir novos fluxos de receita, juntamente com áreas como biocombustíveis líquidos e hidrogênio de baixa emissão. Ainda assim, muitos deles veem a integração com as operações petroquímicas como uma prioridade estratégica, uma vez que o uso de petróleo como matéria-prima petroquímica é o elemento mais durável da demanda.

Está claro que Estados Unidas e a China estão na disputa pela liderança do processo de transição energética. Os Estados Unidos aprovaram a Lei de Redução da Inflação e a Lei de Infraestrutura Bipartidária, que juntas irão oferecer US$ 560 bilhões em apoio público para energia limpa, além de mobilizar ampla gama de investimentos privados. A China, quase que no mesmo dia da divulgação do WEO 2022, lançou o documento que trata da Implementação do novo Plano para o Pico de Carbono no Setor Industrial. De acordo com o Banco Mundial, para alcançar suas metas de descarbonização, a China precisaria investir cerca de US$ 2,1 trilhões nos próximos 10 anos, o equivalente a 1,1% do PIB. A China não divulga uma única estatística oficial que consolide todos os investimentos em energia renovável, mas, de acordo com estudo da Australia and New Zealand Banking Group, o investimento total verde na China estimado é de US$ 1,7 trilhão até 2025.

Os investimentos projetados são colossais, quase tão grandes quanto o desafio que o mundo tem a enfrentar. As nações que aspiram a ter um papel de liderança no mundo estão traçando suas estratégias e planos. Não há garantias de sucesso, a única certeza é que os países que não se posicionarem serão arrastados pelo tsunami climático, com impactos devastadores em suas economias, indústrias, emprego e renda. O mundo nunca mais será o mesmo de antes.

Luis Adolfo Beckstein é mestre em economia, pesquisador do Grupo de Economia da Energia e Regulação da UFF e consultor de investimentos estrangeiros

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/roadmaps-para-a-transicao-energetica.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/EgFjdLGaUJMIr4HBnf4O4R (08) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

FT: A barganha da Apple com a China: acesso às fábricas e aos consumidores

Enquanto a participação da Huawei no mercado chinês caiu de 29% em meados de 2020 para apenas 7% dois anos depois, a da Apple saltou de 9% para 17%, segundo a Counterpoint

Por Patrick McGee e Ryan McMorrow – Financial Times/Valor — 08/11/2022

A empresa de tecnologia mais lucrativa a operar na China não é uma gigante nacional da internet como Alibaba ou Tencent, mas a Apple, com sede na Califórnia.

Seus negócios na China cresceram tão rapidamente durante a pandemia que hoje geram mais lucros do que a receita combinada das duas maiores empresas de tecnologia do país, de acordo com uma análise feita pelo Financial Times.

A dependência que a Apple tem da China como sua base de manufatura – responsável por 95% da produção de iPhones, de acordo com o grupo de inteligência de mercado Counterpoint – deixa a empresa vulnerável a choques nas cadeias de fornecimento.

No domingo, a Apple anunciou que os envios internacionais de seus mais novos iPhones de última geração seriam adiados por causa de surtos recentes de covid-19 nas fábricas chinesas operadas por sua principal montadora, a Foxconn. O anúncio foi feito uma semana depois de a empresa alertar para obstáculos “significativos” para o crescimento das receitas, causados pelo impacto de um dólar forte e de entraves no fornecimento.

Mas quando se trata da venda de seus dispositivos para consumidores chineses, os negócios vão de vento em popa. Os lucros operacionais na grande China – que inclui Hong Kong, Macau, Taiwan e a China continental – cresceram 104%, para US$ 31,2 bilhões, no ano fiscal até setembro, em comparação com o mesmo período do ano de 2020. Isso supera em muito os US$ 15,2 bilhões ganhos pela Tencent e os US$ 13,5 bilhões do Alibaba em seu período mais recente de 12 meses, de acordo com a S&P Global Market Intelligence.

Os lucros recordes realçam a barganha que a Apple fez com Pequim, que permitiu que a fabricante do iPhone passasse incólume pelas medidas repressivas do presidente Xi Jinping contra grupos de tecnologia locais ao mesmo tempo que se beneficiava das sanções impostas pelos Estados Unidos, que prejudicaram seu único concorrente sério país – a campeã nacional Huawei.

Isso é resultado da diplomacia empresarial liderada pelo executivo-chefe, Tim Cook. Suas visitas regulares a Pequim nos tempos pré-pandemia, que incluíam reuniões com Xi e executivos de tecnologia chineses, ajudaram a Apple a evitar o destino de outras empresas de tecnologia ocidentais. Alphabet, Meta e Netflix, entre outras, tiveram seu acesso ao país bloqueado.

Os críticos argumentam que a dependência que a Apple tem da manufatura chinesa fez que ela aceitasse demandas autoritárias muito prontamente. A barganha ajudou a garantir que o grupo mantivesse um acesso sem restrições à força de trabalho e a fábricas do país eficazes do ponto de vista de custos, ao mesmo tempo que se tornava uma marca líder de artigos de luxo no maior mercado consumidor do mundo.

“É óbvio para Pequim que se trata de uma via de mão dupla. Ela consegue montes de benefícios em troca – como muitos empregos e prestígio”, disse Brian Merchant, autor de “The One Device: The Secret History of the iPhone”. “O pagamento e os padrões são melhores para as empresas que fecham contratos com a Apple. Isso ajudou a empurrar os salários na direção da classe média.”

Ocupando o vazio deixado pela Huawei

Em 2019, a Huawei tinha ultrapassado a Apple em termos de vendas mundiais de smartphones e estava em segundo lugar no ranking, só atrás da Samsung. Seu crescimento rápido fora liderado pelo mercado chinês, onde em março de 2020 a Huawei e sua submarca Honor tinham chegado a uma participação de mercado combinada de 42%, de acordo com a Counterpoint.

“Era como uma ‘fábrica nacional’ – os cidadãos chineses queriam mostrar o quanto amavam o país e saíam para comprar smartphones da Huawei”, disse o analista da Counterpoint Archie Zhang.

Em agosto de 2019 a Huawei assumira uma liderança precoce com seus smartphones compatíveis com 5G, e em junho de 2020 suas vendas chinesas dos dispositivos de próxima geração tinham crescido para mais de 7 milhões por mês, de acordo com o grupo de análise de dados M Science.

Os primeiros aparelhos equipados com 5G da Apple, da série iPhone 12, só chegaram ao mercado em outubro de 2020. A essa altura, o governo do então presidente dos EUA Donald Trump já tinha adotado duras sanções contra a Huawei, sob a alegação de que a empresa era uma ameaça à segurança nacional.

As sanções bloquearam o acesso da Huawei a tecnologias-chave, como os chipsets 5G, o que se tornou devastador. A participação de mercado da Huawei na China desabou no segundo semestre de 2020 e a empresa foi obrigada a se desmembrar e criar uma empresa separada para a Honor, para preservá-la das sanções. Em 2021, as receitas dos negócios de consumo da Huawei caíram pela metade, para US$ 38,3 bilhões, segundo a S&P GMI.

Enquanto a participação da Huawei no mercado chinês caiu de 29% em meados de 2020 para apenas 7% dois anos depois, a da Apple saltou de 9% para 17%, segundo a Counterpoint. Praticamente todas as vendas do grupo americano se deram no segmento premium, em que seu predomínio subiu de 51% para 72% em três anos.

“Hoje, a Apple tem grande parte do mercado dos produtos de US$ 600 ou mais”, disse Zhang. “Se você vai comprar um smartphone de US$ 1.000, não existe nenhuma outra.”

A estratégia da Apple na China

A Apple trabalhou duro para satisfazer os gostos dos clientes chineses. Quando os concorrentes locais lançaram smartphones com telas maiores, câmeras mais avançadas, capacidade de fazer fotografias com pouca luz e um slot duplo para cartões SIM, foram os funcionários chineses da Apple que pressionaram a empresa de Cupertino (Califórnia) a seguir seu exemplo, segundo uma fonte próxima às operações na China.

Cook atribuiu o mérito pela adoção de “uma tonelada de recursos” ao feedback dos clientes chineses, entre eles o modo noturno e um leitor de código QR. “Até mesmo o 5G, de muitas maneiras, foi energizado na China, porque a China está muito à frente no modelo de cobertura para 5G”, disse o executivo-chefe da Apple a um estudante chinês de 22 anos, em uma rara entrevista destinada às mídias sociais. “Por isso, ouvimos com muita atenção nossos clientes de lá.”

Há preocupações crescentes sobre o fato de que sua manufatura está concentrada em apenas uma região, e a Apple advertiu que a principal unidade de iPhones da Foxconn “operava com capacidade expressivamente reduzida” durante o período mais lucrativo do ano para o grupo americano.

Mas por muitos anos seus esforços para ficar do lado de Pequim valeram a pena, como prometer grandes investimentos e manter silêncio sobre assuntos delicados.

A empresa aceitou mudar o armazenamento de dados de usuários chineses para um data center de propriedade do governo da província de Guizhou e removeu milhares de aplicativos da App Store local a pedido dos censores de Pequim.

Dezenas de veículos noticiosos tiveram seus aplicativos removidos, enquanto plataformas que usam mensagens criptografadas, como WhatsApp, Signal e Telegram, foram banidas. A Apple, que se recusou a dar declarações para esta reportagem, tem argumentado que precisa respeitar as leis dos países em que opera.

“A visão da Apple de um ecossistema controlado e fechado para a experiência do cliente coincide com a mesma visão, o mesmo controle que o Partido Comunista quer ter na China”, disse Nathan Freitas, diretor do Guardian Project, um desenvolvedor de ferramentas de privacidade para dispositivos móveis.

“Eles estão de acordo sobre o que é necessário para uma sociedade harmoniosa. Só que uma é um ecossistema de smartphones e o outro é um país.”

Colaborou Nian Liu, de Pequim

Tradução de Lilian Carmona.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/11/08/ft-a-barganha-da-apple-com-a-china-acesso-s-fbricas-e-aos-consumidores.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/EgFjdLGaUJMIr4HBnf4O4R (08) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

O que é Bioeconomia?

Bioeconomia, biotecnologia e produção industrial

Bioeconomia é uma parte da economia que utiliza novos conhecimentos biológicos com propósitos comerciais e industriais e para a melhoria do bem-estar humano (ENRIQUEZ, 1998).

Portal da Indústria 

Bioeconomia é a ciência que estuda os sistemas biológicos e recursos naturais aliados a utilização de novas tecnologias com  propósitos de criar produtos e serviços mais sustentáveis A bioeconomia está presente na produção de vacinas, enzimas industriais, novas variedades vegetais, biocombustíveis, cosméticos entre outros.

A bioeconomia emprega novas tecnologias a fim de originar uma ampla diversidade de produtos. Engloba as indústrias de processamento e serviços e relaciona-se ao desenvolvimento e à produção de fármacos, vacinas, enzimas industriais, novas variedades vegetais e animais, bioplásticos e materiais compósitos, biocombustíveis, produtos químicos de base biológica, cosméticos, alimentos e fibras.

Ela surge como resultado de uma revolução de inovações aplicadas no campo das ciências biológicas. Está diretamente ligada ao desenvolvimento e ao uso de produtos e processos biológicos nas áreas da saúde humana, da produtividade agrícola e da pecuária, bem como da biotecnologia. Envolve, por isso, vários segmentos industriais.

Nesta página você vai encontrar:
 
Seta bullet point, indicando tópicos de âncoras

O que é a bioeconomia?

Seta bullet point, indicando tópicos de âncoras

Bioeconomia e sustentabilidade

Seta bullet point, indicando tópicos de âncoras

O Brasil e a bioeconomia

Seta bullet point, indicando tópicos de âncoras

Benefícios da bioeconomia

Seta bullet point, indicando tópicos de âncoras

Bioeconomia na indústria

Seta bullet point, indicando tópicos de âncoras

Protocolo de Nagoia

Seta bullet point, indicando tópicos de âncoras

Modernização do Marco Regulatório para a Bioeconomia

Aliar biodiversidade com tecnologia e inovação é a base principal da bioeconomia. O Brasil tem forte potencial para desenvolver esse segmento como uma das maiores chances de se desenvolver de maneira sustentada e, assim, estar à frente de outras economias mundiais.

Segundo dados da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), o setor de biotecnologia industrial – um dos segmentos da bioeconomia – pode agregar, nos próximos 20 anos, aproximadamente US$ 53 bilhões anuais à economia brasileira e cerca de 217 mil novos postos de trabalhos qualificados. Para isso, as empresas do setor precisariam investir aproximadamente US$ 132 bilhões ao longo desses 20 anos.

Umas das prioridades para a bioeconomia poder avançar no Brasil está no aprimoramento da legislação, tanto de normas relacionadas ao uso da biodiversidade quanto para inovação e propriedade intelectual.

Outro tema que precisa ser regulamentado é a questão dos bioinsumos para fabricar fertilizantes e defensivos.

Pesquisa da Annual Biocontrol Industry Meeting (Abim) estima que o mercado mundial de bioinsumos gira em torno de US$ 5,2 bilhões, com taxa de crescimento superior a 15% ao ano. A previsão é de que o setor dobre de tamanho até 2025 e chegue a US$ 11,2 bilhões.

Como a bioeconomia pode contribuir com o desenvolvimento sustentável?

O Brasil é detentor de cerca de 20% da biodiversidade do planeta, a maior do mundo, o que deve ser visto como um ativo econômico com muitas oportunidades de negócios.

Transformar esta vantagem comparativa em competitiva exige investimento, conhecimento e estratégia para tornar o país uma potência em bioeconomia.

Ao quantificar o valor econômico da biodiversidade, pode-se propor políticas públicas que a conservem e estimulem seu uso sustentável, de modo a inserir esta atividade em um modelo de desenvolvimento que traga benefícios sociais e econômicos.

Essa perspectiva econômica contribui para uma melhor gestão e restauração dos recursos naturais. Segundo o Panorama Ambiental da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), se não houver novos esforços para frear a perda de biodiversidade, mais de 10% desses recursos serão perdidos em quarenta anos, até 2050.

A perda da biodiversidade e o declínio dos serviços ecossistêmicos são fatores de riscos para o setor produtivo, que, cada vez mais, tem buscado meios para diminuir seus impactos na biodiversidade.

A bioeconomia tem tudo para ser o futuro do desenvolvimento do Brasil

Por que a bioeconomia tem tudo para ser o futuro do desenvolvimento do Brasil?

O Brasil conta com vantagens comparativas capazes de proporcionar excelentes oportunidades nesse campo. Sua enorme biodiversidade é fonte importante para a obtenção de vários materiais para a produção, como biomassa, corantes, óleos vegetais, gorduras, fitoterápicos, antioxidantes e óleos essenciais.

Esses itens são matérias-primas para diversos setores industriais, a exemplo de produtos de higiene e limpeza, alimentos, bebidas, fármacos e cosméticos.

O país também apresenta vasta proporção do território cultivável. Com uma agricultura desenvolvida em larga escala, é grande produtor de alimentos, fibras e bioenergia, tem a maior floresta tropical do planeta e uma bem-sucedida experiência em biocombustíveis.

Contamos, ainda, com conhecimento acumulado e com Institutos de Ciência e Tecnologia que, se bem coordenados, são capazes de consolidar o nosso diferencial em Bioeconomia.

Destaca-se aí os institutos SENAI de Inovação e de Tecnologia, que atuam como ponte entre o conhecimento acadêmico e as soluções buscadas pelas empresas.

Para transformar nosso potencial comparativo em vantagens competitivas, fortalecendo experiências exitosas e aperfeiçoando os mecanismos existentes, precisamos remover as barreiras nos setores público e privado que reduzem a nossa capacidade de competir nos mercados interno e externo.

É necessário construir um ambiente de negócios favorável, com regras claras e segurança jurídica.

Veja mais: Por que a bioeconomia tem tudo para ser o futuro do desenvolvimento do Brasil?

Quais os benefícios da bioeconomia?

1 – Mais recursos e estímulo à inovação para uma área em que o Brasil tem potencial;

2 – Estímulo ao avanço tecnológico;

3 – Melhoria da imagem do Brasil no exterior;

4 – Desenvolvimento sustentável;

5 – Consolidação de uma economia de baixo carbono;

6 – Mais investimentos no país;

7 – Geração de emprego;

8 – Maior segurança jurídica e novos modelos de negócios.

Bioeconomia na indústria

A indústria pode ser protagonista no uso eficiente e sustentável dos recursos naturais e no desenvolvimento da bioeconomia no país.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) trabalha na mobilização do setor para que a indústria seja parte da solução no desenvolvimento sustentável do Brasil, tendo como norte o Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Agenda CNI para a bioeconomia

1 – Empreendimentos que envolvam o uso sustentável da biodiversidade necessitam de instrumentos de financiamento e estímulo ao capital de risco.

O novo regime legal de acesso aos recursos genéticos possibilita um cenário mais atrativo para investimento em pesquisa com a biodiversidade brasileira.

É fundamental, no entanto, o desenvolvimento de instrumentos de financiamento e estímulo ao capital de risco para empreendimentos que envolvam o uso sustentável da biodiversidade.

2 – O uso sustentável da biodiversidade minimiza riscos ambientais e gera oportunidades para as empresas.

O setor empresarial tem papel fundamental no enfrentamento dos problemas ambientais, incluindo a perda da biodiversidade.

O uso sustentável da biodiversidade minimiza o risco de extinção das espécies exploradas comercialmente, proporcionando oportunidades de negócios com sustentabilidade.

3 – É fundamental que existam investimentos em P&D relacionados à biodiversidade.

A ampliação de investimentos da indústria em biodiversidade passa pela formação de ecossistemas de inovação.

Esses ecossistemas devem estruturados em P&D, para desenvolvimento de novos bens e serviços com base em recursos da biodiversidade.

4 – É essencial a participação da indústria nas discussões sobre o acesso a patrimônio genético no país.

A Lei da Biodiversidade possibilitou o ingresso da indústria nas discussões sobre patrimônio genético.

Essas discussões contribuem ativamente para a construção de políticas públicas que influenciam o ambiente de negócios.

Quais as propostas da industrial para desenvolver a bioeconomia no Brasil?  

REGULAMENTAÇÃO

– Estrutura de governança;

– Simplificar e fomentar a relação de Institutos de Ciência e Tecnologia com o setor produtivo;

– Apoiar as iniciativas para aumentar a eficiência do INPI;

– Capacitar e alinhar os órgãos e usuários da biodiversidade, estabelecendo metodologias e critérios de reconhecimento tradicional associado.

INOVAÇÃO

– Aproximar a indústria de todos os níveis da educação;

– Incorporar doutores às indústrias;

– Disseminar as oportunidades de negócio da bioeconomia;

– Fazer bioprospecção e o mapeamento de novas espécies da biodiversidade;

– Encontrar novos usos para produtos de origem biológica;

– Desenvolver estratégias de bioconversão consorciada.

INVESTIMENTOS

– Fomentar a articulação de hubs de inovação em bioeconomia;

– Desenvolver mecanismos especializados de financiamento para a inovação;

– Estimular a divisão de discos dos investimentos entre o governo e a indústria em projetos pré-competitivos;

– Estimula o capital de risco corporativo;

– Atrair fundos estrangeiros para o Brasil;

– Fomentar P&D nos diversos estágios do desenvolvimento de novos bens e serviços baseados em recursos da biodiversidade.

Quais as oportunidades para o desenvolvimento sustentável e o crescimento mundial com a bioeconomia?

As oportunidades para o crescimento mundial da bioeconomia estão relacionadas ao aumento da população e ao seu envelhecimento, à renda per capita; à necessidade de ampliação da oferta de alimentos, saúde, energia e água potável; bem como às questões que envolvem as mudanças climáticas.

Esse cenário indica uma expansão na demanda global por bens e serviços nas próximas décadas, o que representa possibilidade de o país se firmar como uma potência competitiva no setor.

Isso exige, porém, planejamento e políticas assertivas, que busquem melhores alternativas no uso de recursos naturais e de tecnologias, e na organização da atividade econômica, sem comprometer a sustentabilidade do ecossistema.

Uma das iniciativas necessárias é a valoração da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. Ao quantificar o valor econômico da biodiversidade, pode-se propor políticas públicas que a conservem e estimulem seu uso sustentável, de modo a inserir esta atividade em um modelo de desenvolvimento que traga benefícios sociais e econômicos.

Essa perspectiva econômica contribui para uma melhor gestão e restauração dos recursos naturais. Segundo o Panorama Ambiental da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), se não houver novos esforços para frear a perda de biodiversidade, mais de 10% desses recursos serão perdidos em quarenta anos, até 2050.

O que é Protocolo de Nagoia?

O Protocolo de Nagoia é o principal acordo internacional que rege o intercâmbio de material genético entre países. É um acordo multilateral acessório à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), resultante da 10ª Conferência das Partes (COP 10) da CDB.

Tem por objetivo viabilizar a realização de um dos objetivos centrais da Convenção: a repartição justa e equitativa de benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos da biodiversidade e dos conhecimentos tradicionais a eles associados.

Dos 196 países integrantes da Convenção sobre Diversidade Biológica, 126 já ratificaram o Protocolo, entre os quais importantes parceiros comerciais do Brasil, como China e União Europeia.

O nosso país, a despeito de possuir a maior biodiversidade do planeta, com cerca de 20% de todas as espécies vegetais, animais e microbianas existentes, ainda está de fora desse acordo. Acordos internacionais, como o Protocolo de Nagoia, representam importantes mecanismos na busca pela sustentabilidade.

A CDB estimula o uso sustentável dos recursos biológicos, através de pesquisas e desenvolvimento tecnológico e o mecanismo de compartilhamento dos ganhos obtidos com esse uso é uma das políticas públicas mais efetivas para a conservação da biodiversidade, pauta extremamente importante para setores industriais como cosméticos, higiene pessoal e fármacos.

A 15ª edição do Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial, de 2020, aponta que 50% dos remédios modernos foram desenvolvidos a partir de recursos da biodiversidade e o Brasil possui um patrimônio genético de 200 mil espécies registradas em seu território, com um total estimado de cerca de 1,8 milhão de espécies.  

Veja mais: 5 razões para o Brasil ratificar o Protocolo de Nagoia

Modernização do Marco Regulatório para a Bioeconomia

O marco regulatório com impacto direto sobre os setores da bioeconomia necessita de aprimoramento.

Adequar e modernizar este conjunto de leis, decretos, regulamentos e normas significa uma ação direta do Estado para articular com diferentes órgãos governamentais, com visões e enfoques próprios.

Neste sentido, merecem especial atenção a legislação de acesso ao patrimônio genético e repartição de benefícios, a de biossegurança, de defesa sanitária, de inovação e de propriedade intelectual.

A principal desvantagem da atual estrutura regulatória para as atividades em bioeconomia é a insegurança jurídica.

Quais as propostas da CNI para aprimorar a legislação para bioeconomia?

 

• Aprimorar o Marco Regulatório de Acesso a Recursos Genéticos e Repartição de Benefícios;

• Aperfeiçoar a Lei de Biossegurança (Lei 11.105/2005);

• Revisar as Resoluções Normativas 02 de 2006 e 05 de 2008 da Comissão Técnica Nacional de Biosegurança – CNTBIO;

• Atualizar a Lei de Propriedade Industrial (Lei 9279/1996);

• Revisar a Lei de Inovação (Lei 10.973/2004);

• Alterar a Lei do Bem (Lei 11.196/2005).

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/EgFjdLGaUJMIr4HBnf4O4R (08) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/