Todas as empresas hoje são de tecnologia: a diferença é de onde vem a receita, diz Woods, da BAT

A gigante dos cigarros busca uma transformação que resulte em receita vinda de produtos de bens de consumo e de tecnologia até 2035; empresa terá fundo para investir em startups no Brasil

Por Lucas Agrela – Estadão – 08/05/2026

Entrevista com Claudia WoodsPresidente da BAT Latam/South

Para Claudia Woods, presidente da BAT Latam/South, todas as empresas hoje são de tecnologia, e o que as diferencia é de onde vem a receita. A empresa, conhecida por ser dona de diversas marcas de cigarro, tem investido em inovação nos últimos anos e, em 2026, seu hub de investimento em startups chega ao País. A companhia sediada em Londres tem a pretensão ousada de ter 50% de sua receita vinda de produtos não ligados ao cigarro até 2035.

“Ela (a BAT) vai continuar sendo uma empresa de bens de consumo, isso está no nosso core. Mas eu acredito na nossa capacidade de ser uma empresa de tecnologia voltada para o varejo, para esse ecossistema da cadeia de valor”, afirma.

Claudia passou por posições de liderança em Uber, Webmotors e WeWork. Agora, dedica seu tempo a fazer uma transformação digital não de um setor, mas de uma gigante de um mercado tradicional. “Ela é uma empresa em vasta transformação, que tem a tecnologia no seu core (núcleo), mas que agora tem uma oportunidade de aplicar essa tecnologia para outras linhas de negócio e para outros segmentos”, explica.

13 a 15 de maio de 2026

Claudia será um dos destaques do São Paulo Innovation Week (SPIW). O festival, que vai ocupar o Pacaembu e a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) entre os dias 13 e 15 de maio, é uma realização do Estadão, em parceria com a Base Eventos.

A companhia, dona da Souza Cruz, abrigará em sua sede em SP o hub de investimentos em inovação chamado Btomorrow Ventures. Ele funcionará como um Corporate Venture Capital (fundo de investimentos corporativos de capital de risco) e pretende realizar dois investimentos no País até o fim do ano.

Fundada em 1903, a empresa manteve por mais de um século como principal negócio o cigarro e agora ela investe em novos ramos da economia, atenta a antecipar mudanças no perfil de consumo e avanços da tecnologia. Segundo Claudia, a empresa procura startups de bens de consumo que criam novas categorias de produtos e também aquelas que têm soluções tecnológicas para o varejo.

Ela afirma que os investimentos não serão focados em solucionar apenas os problemas da companhia nem em proibir as startups de fornecer produtos e serviços ao mercado. Em vez disso, a ideia é conectá-las à rede de distribuição e compartilhar a expertise de mercado com elas para que se desenvolvam e, eventualmente, transformem o setor de alguma maneira.

A meta da BAT é ser uma empresa de produtos predominantemente sem fumaça até 2035, com pelo menos 50% da receita vinda de produtos não combustíveis. Como está sendo feita essa transição?

No portfólio da Btomorrow Ventures (hub de investimentos da BAT) são mais de 31 empresas no mundo, dos temas mais variados. Temos, por exemplo, a Awake, que trabalha um chocolate com cafeína. O objetivo deles é invadir o momento em que o consumidor quer um boost (um estimulante). Aqui, especialmente no Brasil, o cafezinho depois do almoço faz parte do nosso ritual, então a ideia é entender como o chocolate entra nesse lugar e como ele atua como um estimulante. A proposta é ver que outras modalidades o chocolate pode atender. A Awake é um caso bem emblemático desses investimentos. Temos também a própria Ride, uma companhia construída dentro da BAT. O investimento do nosso CVC (Corporate Venture Capital, investimento de risco em busca de inovação) vai para construir uma marca e produtos internos. 

É um negócio de shots (empresas de consumo rápido), focado em diferentes estímulos: tem o shot de energia, o de foco e o de relaxamento. É um mercado já muito desenvolvido nos Estados Unidos e que consideramos explorar em mais mercados. Para todos os momentos de estímulo, você consegue desenvolver um produto específico que não requer grandes quantidades. Existe um portfólio bem amplo de investimentos sendo explorados para crescermos sempre sob dois olhares: aproveitar toda nossa expertise no desenvolvimento de bens de consumo e aproveitar a alavancagem que uma plataforma de tecnologia consegue ter dentro do nosso ecossistema.

O caso da Uello, por exemplo, é de uma empresa que, 18 meses após o nosso investimento, dobrou o valuation (valor de mercado). De forma simplificada, é uma empresa de roteirização dinâmica dentro de um mercado de uberização (terceirização) de logística. Nós a plugamos (conectamos) aqui e, em um mês, ela teve o volume e o aprendizado que teria em anos se estivesse plugada em empresas menores. Entendemos que esses dois espaços são áreas onde não só temos o ‘direito de vencer’, mas onde conseguimos contribuir.

Hoje, a BAT é uma empresa de cigarros, de tabaco. O que ela será a partir de 2035?

Ela vai continuar sendo uma empresa de bens de consumo, isso está no nosso core. Mas eu acredito na nossa capacidade de ser uma empresa de tecnologia voltada para o varejo, para esse ecossistema da cadeia de valor. Se compararmos o Brasil com outros mercados, o caminho entre a empresa que produz e o produto que chega na ponta para o consumidor é uma ‘matrix’. O mercado brasileiro é até bem organizado nesse aspecto. Quando você vai para mercados como o da Inglaterra, por exemplo, existe um varejista que compra de 20 fontes diferentes. 

Trazer linearidade, tecnologia e escala para isso com previsibilidade de estoque, preço e consumo — principalmente agora com a IA — é algo que temos muito a apoiar. Acredito na combinação dessas duas coisas. Quando me dizem que venho do mundo da tecnologia e estou em bens de consumo, eu respondo que todas as empresas são de tecnologia. O que diferencia é de onde vem a receita. Hoje, nossa receita vem 100% de bens de consumo, mas acredito que, com o tempo, ela também comece a vir do mundo da tecnologia.

Com as várias restrições de propaganda, como vocês fazem o trabalho de marketing de marcas de cigarro no Brasil?

CONTiNUA APÓS PUBLICIDADE

É um mercado extremamente regulado. Já estamos nesse nível de regulamentação há mais de 20 anos, e a indústria funciona dessa forma, operando de maneira muito controlada. Já faz mais de duas décadas que não existe marketing propriamente dito. É uma indústria que hoje trabalha dentro de todas as restrições possíveis. Operar dentro de um framework regulatório tão rígido nos trouxe muitos anos de experiência em ambientes controlados. Tanto que, quando atuamos em outros mercados com outros produtos, mantemos o mesmo rigor. Cada item tem sua característica de regulamentação, mas o rigor é o mesmo, seja no Brasil, seja no mundo — tanto em relação aos alertas e ao marketing, quanto à prevenção do consumo por jovens. Isso é algo muito consolidado no segmento, tanto para a BAT quanto para os concorrentes.

A empresa busca novos clientes para esses produtos?

O Brasil teve uma grande queda há dez anos, e hoje vemos um cenário que não oscila muito para nenhum dos lados. É justamente aí que entra a transformação: a necessidade e a oportunidade de a empresa pegar todo o seu capital intelectual e de conhecimento para aplicar em diversificação e em novos segmentos.

A Anvisa ainda proíbe os vapes (cigarros eletrônicos), que são populares em diversos países. Há expectativa de uma mudança de postura da agência ou a BAT trabalha com a possibilidade de esse mercado nunca ter aprovação aqui?

Essa é a pergunta de US$ 1 milhão. O vape é um produto presente em mais de 100 países, regulado e controlado. Mas, por enquanto, no Brasil não conseguimos nem falar do mercado porque não atuamos nele. É uma área que foi dominada pelo mercado ilícito. Estamos, infelizmente, assistindo quase da arquibancada a essa história. Então, é claro que é uma prioridade da companhia, mas hoje a gente atua como se isso não fosse um mercado no Brasil.

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A sua trajetória profissional tem empresas de tecnologia como Uber e WeWork. Por que decidiu assumir a liderança de uma empresa tradicional, mais analógica?

Eu brinco que a BAT é a primeira empresa na qual eu trabalho que tem um produto físico. Eu tive uma passagem pela L’Oreal, mas foi muito breve. Por si só, essa é uma diferença aparentemente muito grande. Mas todas as empresas onde estive têm em comum um olhar voltado a uma nova interpretação do que pode o modo de trabalho ou o mindset. Tem uma transformação tanto de produto e serviço quanto uma de cultura e forma de trabalhar. Tem duas palavras que permeiam a minha trajetória profissional: transformação e impacto. 

Quando olhamos para os próximos 100 anos da BAT, ela é uma empresa em total transformação. Quando cheguei, tive a pretensão de fazer um plano de 100 dias que joguei fora na minha primeira semana, porque tudo aquilo a empresa já tinha. É uma companhia que tem 80% das vendas online por meio de um aplicativo criado dentro de casa e que integra toda a nossa cadeia de distribuição para o varejo.

A vinda para BAT segue exatamente esse mesmo raciocínio. Ela é uma empresa em vasta transformação, que tem a tecnologia no seu core (núcleo), mas que agora tem uma oportunidade de aplicar essa tecnologia para outras linhas de negócio e para outros segmentos. Nossa também é uma cultura forte e positiva. No mundo da tecnologia, a retenção de pessoal é acima de 20 anos. Na Uber, eu rezava para chegar a 18 meses. 

Juntando tudo isso, quando veio o convite para liderar a BAT, por mais que pareça ser algo diferente do que da minha história, vi como um desafio pessoal. Eu nunca tinha transformado uma empresa com um século de vida. A Uber tinha, na época, menos de dez anos. Em um ano e meio, já começamos a botar muita ação prática na rua. O lançamento do nosso hub é o primeiro ativo concreto que colocamos dentro da companhia para não só simbolizar a transformação, mas para ser o grande veículo por trás dela e colocar o Brasil dentro dos mercados mais importantes do mundo.

Como será o novo CVC? O que a BAT quer com esse novo projeto de investimentos em startups no Brasil?

Estamos olhando para dois grupos. O primeiro é bens de consumo, de forma geral, mas não com olhar de reinventar o que já existe, e sim de novas categorias que estão nascendo de forma muito veloz. Nessa área, estamos acostumados com empresas que têm ciclos de inovação de dois em dois anos. Hoje, os bens de consumo já viraram outra coisa. O segundo é o núcleo de tecnologia voltada ao varejo. O mantra dentro da companhia é encurtar o espaço entre a inovação e a escala, porque o Brasil já tem muita inovação. É um país onde a BAT pode aplicar tudo que já tem de tecnologia, mas o grande desafio é a escala. Todo empreendedor no Brasil que vende produtos físicos tem o desafio geográfico. É aí que nos entramos com o que apelidamos de T-Factor, o ‘T’ é de ‘transformação’.

Como vê o ecossistema de startups do Brasil hoje?

O Brasil acaba sendo interessante para grande parte dos investidores por conta do tamanho. Temos uma população enorme, dificilmente você vai ter um país que terá a mesma magnitude. O ecossistema de empreendedorismo é muito fértil. A característica do brasileiro que a gente tanto brinca de que o Brasil não é para amadores., isso acaba trazendo um perfil de empreendedor muito interessante no mundo de bens de consumo. 

Vemos o Brasil liderando muitas tendências no mundo, tanto de construção de categorias novas quanto de modelo. Na minha bolsa de maquiagem, por exemplo, todas as marcas dos produtos são brasileiras. A nossa população se comporta com uma heard mentality (mentalidade de horda), o que um faz os outros fazem. Vemos isso na adoção de TikTok ou Instagram.

Na BAT, somos fortes em termos de capabilities no agronegócio, que tem um viés de tecnologia muito forte dentro. O Brasil é o grande líder de inovação no agro no mundo e até em toda a parte de manufatura e de distribuição. Hoje são mais de 250 mil pontos de venda que atendemos no digital, com recomendação, uso de inteligência artificial e automação. Quando a gente olha para o desafio global da BAT de inovação, vemos que isso não é um desafio no Brasil.

O capital para esse hub é global ou vem do próprio Brasil?

É global. O total do fundo tem mais ou menos US$ 3,5 bilhões, sendo que US$ 1,2 bilhão já foi alocado. Nada do que faremos aqui será para o Brasil. Pode ser que eu invista numa companhia que vai começar aqui, mas a minha visão ao escolher e ao olhar o futuro da essa companhia é o footprint (pegada ambiental) global. Queremos ter atuação em todos os países que fizerem sentido para a companhia, onde a BAT já atua. O ponto de entrada é Brasil, mas a visão é, se for um produto, um empreendedor ou uma categoria, que funcionem no mundo como um todo.

No T-Factor, aprendemos que essas áreas funcionam com uma lógica de empresa grande, com burocracia e lerdeza, o que não é privilégio nosso nenhum. Então, querem trazer empresas e projetos que vão ajudar a resolver os meus problemas. Ou seja, o meu ecossistema de inovação vai existir para servir a nave-mãe, para melhorar a vida da empresa. A nossa missão é o contrário disso. Pensamos em como tudo isso que eu tenho de expertise como companhia pode ser dedicado a essas empresas e a esses empreendedores de uma forma que encurte o processo de inovação deles. Quero dar velocidade ao crescimento deles e tire uma empresa que pode estar em early stage e fazê-la chegar a literalmente milhares de pontos de venda e dobrar o valuation em muito pouco tempo.

Os aportes nessas startups então não vão condicioná-las a prestar serviço apenas para a BAT?

Não, de forma alguma. Tenho até um exemplo prático. No Brasil, somos investidores da Mais Mu, uma empresa de barrinhas de proteína, de snacks em geral. Já investimos nela mais ou menos R$ 30 milhões ao longo de três rodadas diferentes. Não temos nenhuma intenção de entrar e comprar um stake majoritário ou 100% da companhia. Pelo contrário. 

Queremos entrar como minoritários, colocar todos os nossos capabilities à disposição do empreendedor para que ele cresça com a gente, impulsionando o crescimento dela. 

A Mais Mu tinha a característica de ser uma empresa que vendia muito online, porque obviamente é uma empresa jovem e com pouco capital, sem acesso ao varejo como nós. (Com o investimento), aumentamos em seis vezes o nível de ponto de vendas deles e, de todo o crescimento que tiveram offline, mais de 80% veio através da BAT. Nós implementamos o nosso time lá para olhar toda a linha de produção deles e reduzimos em mais de 70% o volume de desperdício na linha de fabricação. São características que um empreendedor de uma startup de early stage (estágio inicial) ou com uma captação de Série A vai demorar muito para conseguir atingir, sendo que eu consigo, com os recursos já existentes dentro da companhia, aportar esse conhecimento para ele e encurtar esse processo em literalmente um dia.

Quanto a BAT pretende investir nas startups?

Não temos um tamanho específico para o cheque. Como referência, temos dois investimentos no Brasil: a Mais Mu, que recebeu R$ 30 milhões, e a Uello, uma empresa de tecnologia na qual investimos R$ 20 milhões — e na verdade a gente saiu porque ela foi 100% adquirida pela Renner. Isso dá uma ideia do tipo de investimento. Mas nada nos impede de fazer um cheque maior. Tudo vai depender da oportunidade.

Esses investimentos já dão lucros para a empresa?

A Mais Mu é uma empresa que continua crescendo, e já estamos com eles há mais de dois anos. Como são investimentos minoritários, por questões contábeis, essa receita não é consolidada dentro da BAT. Mas a ideia é ter um caminho para que isso aconteça: seja por uma eventual aquisição, seja pela decisão de permanecermos minoritários — já que, em muitos casos, é benéfico ter outros investidores junto no negócio. Isso entra no playbook mais padrão de estratégia de investimento e até na estratégia dos próprios empreendedores, sobre como eles querem aproveitar todas as opções de capital disponíveis.

O varejo alimentar é um mercado com muita competição e margens historicamente pequenas. Por que faz sentido para a empresa investir nisso: pelo lucro ou pelo consumidor que busca produtos mais saudáveis que isso pode trazer?

A visão da Mais Mu é justamente essa: o propósito é atingir um consumidor mais saudável, mas não é algo 100% focado no mundo fitness. Tanto que o produto mais vendido deles lembra muito um doce que comíamos quando crianças. Ele tem esse apelo de saúde, com proteína e menos açúcar, mas sem ser aquela barrinha de proteína sem nenhuma indulgência. Ele ocupa um espaço intermediário. Nosso interesse na Mais Mu veio justamente por entendermos que o mercado de snacks tem muita sinergia com os pontos de venda que já fazem parte da nossa distribuição. É um ponto de venda de passagem rápida, um varejo muito antenado em variação de preço e formato. Inclusive, como BAT, já distribuímos outros produtos com essa característica. Pouca gente sabe, mas distribuímos Balas Fini e produtos da Bauducco e o Engov. Já existe uma cesta de produtos que a BAT entrega para esse varejo e, naturalmente, com a Mais Mu, conseguimos trazer essa escala para o negócio deles.

Por outro ângulo, nós aprimoramos nossa distribuição para um produto que, por exemplo, tem restrição de refrigeração. Passamos a entender como esse tipo de item se comporta. Também aprimoramos nosso conhecimento de inovação em ciclos muito rápidos. Como discutimos, o mercado de cigarros é extremamente controlado e limitado há muitos anos. Com a Mais Mu, lançamos sabores, formatos e tamanhos diferentes com muita frequência, trazendo o olhar do consumidor moderno na velocidade que o setor de bens de consumo exige hoje.

Como a BAT se relaciona com as startups do agronegócio, chamadas de agritechs?

Temos hoje o que chamamos de Brazil Labs, o segundo maior laboratório de agrotecnologia da América Latina. Nós gerenciamos a equipe, mas o foco está voltado para tecnologias do agro de forma geral. Isso inclui tecnologia de sementes, controle de solo e até monitoramento de situações climáticas e adaptações. É um hub de inteligência e tecnologia que fica no Sul. É uma vertente que entendemos ter muitas possibilidades além da área em que atuamos hoje.

Como a empresa se relaciona com os produtores rurais?

A nossa relação com os produtores hoje é de independência. Diferente de outras commodities ou de outros produtos que vêm da produção local, nossos produtores são independentes e formados por pequenas famílias. É uma produção realmente independente. Ter toda essa gestão de abastecimento e suporte ao produtor é algo que está dentro do nosso rol de capabilities e que pode ser aplicado a vários outros segmentos do mundo agro. Uma curiosidade é que esse sistema de produção integrado, que hoje serve de modelo para várias culturas, começou com a nossa companhia praticamente em 1900.

Qual é a sua expectativa para o São Paulo Innovation Week?

O brasileiro não precisa sair do Brasil para ver inovação. Temos um mercado de tecnologia e empreendedorismo muito forte aqui e hoje somos relevantes para o resto do mundo. A escolha do hub de inovação no Brasil não foi à toa. Cada vez mais, com eventos como este, começamos a unir os brasileiros para falar de inovação no próprio país. São Paulo é um grande polo para isso e, honestamente, faltava conseguir juntar a Faria Lima com as startups e com o pessoal que vem de fora, já que a cidade acaba atraindo gente do mundo inteiro.

Esse tipo de evento pode ajudar as grandes empresas a se conectar com as startups e também a inovar?

Esse sempre tem que ser o objetivo. O evento é, claro, um momento para as pessoas se encontrarem, se inspirarem e absorverem sabedoria de outros, mas, em última instância, deve ser um lugar de negócios. Honestamente, essa é a grande oportunidade, e não só no Brasil, mas no mundo de eventos em geral. Esquecemos um pouco que vamos lá para fazer negócios, e não apenas para conhecer pessoas. Obviamente as coisas estão interconectadas, mas, se você consegue juntar o mundo do relacionamento com o mundo do conteúdo e transformar isso em negócios, aí temos a fórmula perfeita para o sucesso.

Todas as empresas hoje são de tecnologia: a diferença é de onde vem a receita, diz Woods, da BAT – Estadão 

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Artemis 2 usou ‘relógio’ brasileiro para monitorar saúde em viagem ao redor da Lua

  • Startup que produziu o aparelho só soube que ele seria utilizado no dia do lançamento da missão
  • Chamado de actígrafo, o dispositivo foi desenvolvido na USP para viabilizar estudos sobre sono

Ramana Rech – Folha – 9.mai.2026

São Paulo (SP)

Um dispositivo desenvolvido por professores e ex-alunos da USP contribuiu no monitoramento da saúde de astronautas na Artemis 2, a primeira missão tripulada à Lua deste século. Na universidade, o dispositivo foi construído para viabilizar pesquisas sobre sono e cronobiologia.

Chamado de actígrafo, o aparelho mede exposição à luz, temperatura do punho e atividade do braço. Na Nasa, ele faz parte do Programa de Estudo Humano e ajudou a medir padrões do sono e da vigília dos astronautas da Artemis 2. Esse é o único actígrafo desenvolvido em solo brasileiro.

No contexto espacial, o aparelho —que fica preso ao punho como um relógio— pode ajudar a entender como o corpo humano se comporta sem os referenciais da Terra, como divisão entre o dia e a noite.

O actígrafo mede exposição à luz, temperatura do punho e atividade do braço – Paulo Liebert/Divulgação

A Artemis 2 durou poucos dias, mas há perspectivas de missões mais longas, o que torna essas informações ainda mais cruciais.

“Há muitos fatores novos, e a ideia é precisar dados para avaliar a saúde dos profissionais que foram [na Artemis 2] e para melhorar as missões futuras”, diz Rodrigo Okamoto, cofundador com Luis Filipe Fragoso de Barros e Silva Rossi da startup Condor Instruments, que produz os dispositivos.

Okamoto e Rossi ficaram surpresos ao descobrir apenas em 1º de abril, dia do lançamento da missão, que o dispositivo embarcaria na jornada lunar. A Nasa havia entrado em contato em 2023 e, no fim do ano passado, a empresa soube que o aparelho recebeu aprovação para voo. Mas não havia confirmação de que o dispositivo seria usado.

Da mesma forma, Okamoto e Rossi não sabem se o actígrafo da Condor será levado em futuros voos espaciais da Nasa. “A gente entende que, se já foi aprovado e utilizado uma vez, aumenta a nossa chance de ser de novo, mas nada garante”, comenta Okamoto.

Rossi diz que a empresa pretende continuar a aprimorar o aparelho, mas acrescenta: “Missões espaciais são legais, mas não é esse mercado que faz a empresa se mover”. A Condor Instruments vende os dispositivos principalmente para clínicas da Europa e dos Estados Unidos, onde os “relógios” têm serventia na coleta de dados da rotina e do sono de pacientes.

O início na universidade

A elaboração do actígrafo começou no grupo de pesquisa coordenado pelo professor Luiz Menna, hoje na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP. Na época, ele estava no Instituto de Ciências Biomédicas. O Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos (GMDRB) foi construído no início dos anos 80 por jovens doutores unidos por uma pergunta: como o corpo muda?

Na época, começava a ser difundida a cronobiologia, o estudo dos ciclos e ritmos biológicos dos organismos ou, como define Menna, “a biologia do tempo”. O grupo estava interessado em construir séries históricas de dados diários sobre a temperatura de diferentes partes do corpo em diferentes momentos do dia. Isso porque a temperatura corporal varia a depender do corpo e do horário do dia.

“Cada célula nossa tem um sistema de temporização próprio e que se mantém engrenado, por assim dizer, se mantém ajustado. Quem ajusta isso, entre outras coisas, é a temperatura corporal”, explica o professor.

A partir de estudos e medições, o grupo concluiu que a temperatura mais adequada a ser medida era a do punho, o que ensejou a construção de dispositivo de aparência similar a um relógio que captasse a atividade do braço, a luz e a temperatura ao mesmo tempo.

Actígrafo faz parte do Programa de Estudo Humano e ajudou a medir padrões do sono e da vigília dos astronautas da Artemis 2 – Paulo Liebert/Divulgação

Mario Pedrazzoli, também professor da EACH, fez parte do grupo do professor Menna, onde entrou em contato com o dispositivo. Ele foi o responsável por aumentar o número de dispositivos disponíveis e fazer com que chegassem até a Condor.

No início do século 21, Pedrazzoli havia retornado há pouco tempo ao Brasil de um pós-doutorado em Stanford (EUA). Ele foi trabalhar na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), porém se aproximou de Menna pela especialização do colega em cronobiologia.

“Nesse contato com ele, eu tomo conhecimento do aparelho. Eu achei uma ideia muito boa. Na época eles estavam com um pouco de dificuldade de financiar uma certa produção”, relembra Pedrazzoli. Havia interesse em elevar o número de dispositivos para realizar mais pesquisas.

Para aprimorar e aumentar a produção do protótipo, Pedrazzoli chamou aqueles que seriam os futuros fundadores da Condor Instruments, Okamoto e Rossi, na época alunos de pós-graduação da Escola Politécnica da USP.

A dupla relata ter entrado em contato com Pedrazzoli em 2012 e, no ano seguinte, veio a startup. Rossi e Okamoto contaram com R$ 195 mil vindos de recursos da Fapesp voltados ao fomento de pequenas e médias empresas, segundo a Condor.

Luis Filipe Fragoso de Barros e Silva Rossi (à esq.) e Rodrigo Trevisan Okamoto (à dir.), os fundadores da Condor Instruments, no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia da USP, em São Paulo – Paulo Liebert/Divulgação

Uso em experimentos científicos

Hoje, Pedrazolli utiliza os “relógios” para experimentos dentro do Grupo de Interdisciplinar de Pesquisa em Sono (GIPSO), fundado em 2015 pelo professor. O dispositivo permite realizar estudos com grandes amostras populacionais. Antes, para fazer tais testes seria necessário mais estrutura.

O exame tradicional de sono, a polissonografia, por exemplo, demanda “ir para um laboratório, tem que dormir na cama, pôr um monte de fio na cabeça”, afirma Pedrazzoli.

Em um dos trabalhos mais recentes do grupo, publicado no fim de 2025, os pesquisadores concluíram, a partir de dados coletados pelo actígrafo, que a elevação da temperatura da pele antecede o sono em alguns minutos. “A gente pode perceber que a temperatura é o marcador de que o sono vai acontecer”, diz ele.

Do ponto dos estudos do sono, a construção do dispositivo busca preencher uma lacuna dentro da cronobiologia que é “sair do laboratório e entender as pessoas dormindo no dia a dia”.

Isso em um contexto que Pedrazzoli chama de “epidemia de mau dormir”, que tem consequências na saúde da população, como maior risco de desenvolvimento de demência, obesidade e doenças cardíacas.

Nasa: Astronautas da Artemis 2 usaram ‘relógio’ brasileiro – 09/05/2026 – Ciência – Folha 

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Brasil está tomando surra do Paraguai em tecnologia

  • País vizinho pavimenta o caminho para se tornar o tigre da América do Sul
  • EUA têm interesse na energia paraguaia para alimentar data centers de inteligência artificial

Ronaldo Lemos –  Folha – 10.mai.2026 

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro

Enquanto o Brasil continua a se desindustrializar, o Paraguai vai pavimentando o caminho para se tornar o tigre da América do Sul. Especialmente em tecnologia.

O país tem dado um show nessa área. Seu maior ativo é a energia abundante, 100% limpa e barata gerada por Itaipu. Nos últimos anos, o Brasil comprava o excedente não consumido pelo Paraguai a preços módicos. Agora não mais. A partir de 2027 o Paraguai poderá vender a energia de Itaipu para quem quiser e no preço que quiser. E o comprador já apareceu: os Estados Unidos.

O secretário de Estado Marco Rubio confirmou o interesse na energia paraguaia para alimentar data centers de inteligência artificial. A instalação desses data centers no país não vem de hoje. O Paraguai seguiu a mesma estratégia da Islândia: atrair primeiro mineradores de criptomoeda e depois data centers.

Deu certo. Está agora atraindo projetos enormes. O anúncio mais recente foi da empresa norte-americana X8 Cloud de que irá construir um data center de US$ 50 bilhões (R$ 260 bilhões) no Paraguai. É mais do que o celebrado data center do TikTok no Ceará, cujo investimento estimado é de US$ 38 bilhões.

Em indústria o país também avança. Nesse quesito, adotou o modelo mexicano de industrialização, das chamadas “maquiladoras”. Tornou-se um hub industrial com uma política fiscal agressiva de cobrar 1% sobre o valor agregado localmente. O resultado é visível. Enquanto a indústria de transformação no Brasil representa hoje 11% do PIB brasileiro (era 17% em 1994), no Paraguai são 19%.

Outra comparação curiosa é a classificação de risco. O Paraguai tem grau de investimento por duas das três principais agências (Moody’s e S&P), enquanto o Brasil não tem por nenhuma. O país adotou um regime tributário simples e ousado chamado de “Triplo 10”, que limita as alíquotas de imposto em 10% para pessoas, empresas e valor agregado.

Para nós, brasileiros, é doloroso saber que a taxa de juros no Paraguai é de 5,5%, contrastando com os 14,5% no Brasil. Em termos de juros reais (descontada a meta de inflação) a discrepância é mais violenta: 11,5% no Brasil e 2% no Paraguai, sendo que a inflação lá é de 1,9%, e aqui é de 4,3% nos últimos 12 meses.

E por fim, o crescimento. O Paraguai cresceu 6,6% em 2025, em face dos 2,3% do Brasil. Nos últimos dez anos a média de crescimento tem sido 3%, com projeção de crescer 4,5% neste ano. Enquanto isso, nossa média decenal foi de 1,4% e a perspectiva é crescer 1,6% neste ano.

Já no índice que mede complexidade econômica (ECI), o Brasil tem caído continuamente desde 2000. O paraguaio está em ascensão e irá ultrapassar o Brasil nos próximos anos.

Por fim, o Brasil reduziu a pobreza em 27 pontos percentuais nos últimos 25 anos, o que é essencial. Já o Paraguai reduziu em 45 pontos percentuais no mesmo período.

É fato que o Paraguai tem 7 milhões de habitantes e o Brasil 215 milhões. Só que a questão não é escala, mas direção. Nós temos os mesmos ativos que o Paraguai em dimensões muito maiores, como energia renovável abundante. Só não temos rumo, planejamento de onde queremos chegar, e estabilidade econômica para fazer isso. O resultado é: quando se fala em tecnologia na América do Sul, é o Paraguai que aparece cada vez mais.

Brasil está tomando surra do Paraguai em tecnologia – 10/05/2026 – Ronaldo Lemos – Folha 

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Se tiver interesse em gêmeos digitais para a indústria procure a Neo Vision – Captura Digital da Realidade

Apocalipse de empregos causado pela IA não vai acontecer (provavelmente)

  • Pessoas deveriam perguntar quais trabalhos não vão querer que a IA faça, ou quais serviços a IA nos fará querer mais
  • Computadores podem fazer muito do que humanos faziam antes; isso nos fez perceber que havia mais a ser feito

Ezra Klein – Folha/The New York Times – 9.mai.2026 

Colunista do New York Times, fundou o site Vox, do qual foi diretor de Redação e repórter especial

Uma pesquisa do Quinnipiac em março revelou que 70% dos americanos acreditam que a inteligência artificial levará a menos oportunidades de emprego para seres humanos, um aumento em relação aos 56% de um ano atrás.

Trinta por cento dizem estar preocupados com seus próprios empregos. E por que não estariam? Alertas sobre um apocalipse iminente no mercado de trabalho aparecem com destaque nas declarações de líderes da IA.

Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirma que até metade de todos os empregos de nível inicial em escritórios desaparecerá nos próximos cinco anos. Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, acredita que a maior parte do trabalho administrativo “será totalmente automatizada por uma IA dentro dos próximos 12 a 18 meses”.

A OpenAI divulgou um documento de políticas defendendo uma jornada de trabalho de 32 horas para que a IA crie lazer em massa em vez de desemprego em massa. Do lado de fora da minha janela no The New York Times, há um grande outdoor de uma empresa de IA da qual nunca ouvi falar que diz: “Pare de contratar humanos”.

Se você acredita na história que os laboratórios de IA estão contando, é difícil ver o que nos separa do desemprego em massa. A IA foi projetada para imitar de forma barata o que os seres humanos conseguem fazer em um computador, mas nunca precisa dormir, nunca tenta formar um sindicato e frequentemente supera pessoas reais em tarefas reais; é claro que as empresas vão querer substituir seres humanos por essa máquina de substituição de seres humanos

Talvez já estejam fazendo isso. Empresas de tecnologia como Block, Meta, Oracle e Microsoft estão demitindo ou comprando a saída de funcionários e apontando a IA como motivo.

Mas vale a pena ter cautela. Essas empresas de tecnologia podem estar se desfazendo uma onda de contratações e contando ao mercado de ações a história mais provável de empolgar ou apaziguar investidores. Líderes de IA podem entender redes neurais melhor do que entendem mercados de trabalho—ou podem ter acreditado demais em seus próprios materiais de marketing.

Para começar, os macrodados não estão batendo com as evidências anedóticas: a taxa de desemprego nos Estados Unidos era de 4,3% em março; em março de 2020, era de 4,4%. Os ganhos médios por hora estão estáveis. O Claude Code é uma maravilha, mas a demanda por engenheiros de software está em alta. Talvez demissões em massa estejam chegando. Mas talvez não.

Economistas, descobri, são bastante céticos quanto à possibilidade de desemprego em massa no horizonte. Em “O que será escasso?”, Alex Imas, economista da Universidade de Chicago, tenta esclarecer o erro que a maior parte do discurso sobre IA, em sua visão, comete. “A resposta a qualquer pergunta sobre a economia futura da IA avançada começa com a identificação do que se torna escasso”, escreve.

Durante a maior parte da história humana, calorias eram escassas. Nossa energia ia para encontrar ou cultivar alimentos. A agricultura gradualmente tornou os alimentos mais abundantes e os bens se tornaram escassos. Então os bens eram escassos; roupas de segunda mão eram comuns e ferramentas eram caras.

Inovações em tecnologia e manufatura tornaram os bens mais baratos. Então, o conhecimento técnico se tornou escasso: médicos, advogados e engenheiros de software recebem altos salários por causa da raridade do que sabem. O medo é que a IA torne o conhecimento abundante; que transforme os frutos do aprendizado em uma commodity tão certamente quanto a manufatura transformou roupas em commodity e a agricultura industrial tornou morangos comuns.

Mas algo sempre é escasso. As pessoas estão olhando para a economia como ela existe e perguntando quais tarefas a IA pode fazer; deveriam estar perguntando quais trabalhos as pessoas não vão querer que a IA faça, ou quais serviços a IA nos fará querer mais.

Eis uma descoberta poética da econometria: à medida que os ricos ficam mais ricos, eles querem mais dos outros humanos, não menos. Eles “direcionam seus gastos para bens e serviços onde o elemento humano, a experiência ou o significado social importam mais”, escreve Imas. Eles buscam roupas com uma história, comida com uma procedência, médicos que fazem visitas domiciliares, terapeutas que os fazem se sentir vistos, tutores que conhecem seus filhos e personal trainers que trabalham respeitando suas lesões. Isso, diz Imas, é “o setor relacional” da economia, e ele vai explodir.

Em vez de tantos seres humanos trabalhando com computadores, eles trabalharão com outros seres humanos.

Quanto mais automação existe, mais as pessoas valorizam o toque humano. Veja o café. Antes era trabalhoso fazer espresso em casa. Agora, máquinas Nespresso estão em todo lugar. Isso levou a Starbucks a fechar e cafeterias de bairro a baixar seus preços? Claro que não. Há mais baristas do que nunca. Há mais cafeterias do que nunca. O café como commodity levou a mais demanda por café como experiência. “O fato de o bem ser escasso é exatamente o que lhe dá significado”, escreve Imas.

  • Pessoas deveriam perguntar quais trabalhos não vão querer que a IA faça, ou quais serviços a IA nos fará querer mais
  • Computadores podem fazer muito do que humanos faziam antes; isso nos fez perceber que havia mais a ser feito

Ezra Klein – Folha/The New York Times – 9.mai.2026 

Colunista do New York Times, fundou o site Vox, do qual foi diretor de Redação e repórter especial

Uma pesquisa do Quinnipiac em março revelou que 70% dos americanos acreditam que a inteligência artificial levará a menos oportunidades de emprego para seres humanos, um aumento em relação aos 56% de um ano atrás.

Trinta por cento dizem estar preocupados com seus próprios empregos. E por que não estariam? Alertas sobre um apocalipse iminente no mercado de trabalho aparecem com destaque nas declarações de líderes da IA.

Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirma que até metade de todos os empregos de nível inicial em escritórios desaparecerá nos próximos cinco anos. Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, acredita que a maior parte do trabalho administrativo “será totalmente automatizada por uma IA dentro dos próximos 12 a 18 meses”.

A OpenAI divulgou um documento de políticas defendendo uma jornada de trabalho de 32 horas para que a IA crie lazer em massa em vez de desemprego em massa. Do lado de fora da minha janela no The New York Times, há um grande outdoor de uma empresa de IA da qual nunca ouvi falar que diz: “Pare de contratar humanos”.

Obrigado.

Se você acredita na história que os laboratórios de IA estão contando, é difícil ver o que nos separa do desemprego em massa. A IA foi projetada para imitar de forma barata o que os seres humanos conseguem fazer em um computador, mas nunca precisa dormir, nunca tenta formar um sindicato e frequentemente supera pessoas reais em tarefas reais; é claro que as empresas vão querer substituir seres humanos por essa máquina de substituição de seres humanos

Talvez já estejam fazendo isso. Empresas de tecnologia como Block, Meta, Oracle e Microsoft estão demitindo ou comprando a saída de funcionários e apontando a IA como motivo.

Mas vale a pena ter cautela. Essas empresas de tecnologia podem estar se desfazendo uma onda de contratações e contando ao mercado de ações a história mais provável de empolgar ou apaziguar investidores. Líderes de IA podem entender redes neurais melhor do que entendem mercados de trabalho—ou podem ter acreditado demais em seus próprios materiais de marketing.

Para começar, os macrodados não estão batendo com as evidências anedóticas: a taxa de desemprego nos Estados Unidos era de 4,3% em março; em março de 2020, era de 4,4%. Os ganhos médios por hora estão estáveis. O Claude Code é uma maravilha, mas a demanda por engenheiros de software está em alta. Talvez demissões em massa estejam chegando. Mas talvez não.

Economistas, descobri, são bastante céticos quanto à possibilidade de desemprego em massa no horizonte. Em “O que será escasso?”, Alex Imas, economista da Universidade de Chicago, tenta esclarecer o erro que a maior parte do discurso sobre IA, em sua visão, comete. “A resposta a qualquer pergunta sobre a economia futura da IA avançada começa com a identificação do que se torna escasso”, escreve.

Durante a maior parte da história humana, calorias eram escassas. Nossa energia ia para encontrar ou cultivar alimentos. A agricultura gradualmente tornou os alimentos mais abundantes e os bens se tornaram escassos. Então os bens eram escassos; roupas de segunda mão eram comuns e ferramentas eram caras.

Inovações em tecnologia e manufatura tornaram os bens mais baratos. Então, o conhecimento técnico se tornou escasso: médicos, advogados e engenheiros de software recebem altos salários por causa da raridade do que sabem. O medo é que a IA torne o conhecimento abundante; que transforme os frutos do aprendizado em uma commodity tão certamente quanto a manufatura transformou roupas em commodity e a agricultura industrial tornou morangos comuns.

Mas algo sempre é escasso. As pessoas estão olhando para a economia como ela existe e perguntando quais tarefas a IA pode fazer; deveriam estar perguntando quais trabalhos as pessoas não vão querer que a IA faça, ou quais serviços a IA nos fará querer mais.

Eis uma descoberta poética da econometria: à medida que os ricos ficam mais ricos, eles querem mais dos outros humanos, não menos. Eles “direcionam seus gastos para bens e serviços onde o elemento humano, a experiência ou o significado social importam mais”, escreve Imas. Eles buscam roupas com uma história, comida com uma procedência, médicos que fazem visitas domiciliares, terapeutas que os fazem se sentir vistos, tutores que conhecem seus filhos e personal trainers que trabalham respeitando suas lesões. Isso, diz Imas, é “o setor relacional” da economia, e ele vai explodir.

Em vez de tantos seres humanos trabalhando com computadores, eles trabalharão com outros seres humanos.

Quanto mais automação existe, mais as pessoas valorizam o toque humano. Veja o café. Antes era trabalhoso fazer espresso em casa. Agora, máquinas Nespresso estão em todo lugar. Isso levou a Starbucks a fechar e cafeterias de bairro a baixar seus preços? Claro que não. Há mais baristas do que nunca. Há mais cafeterias do que nunca. O café como commodity levou a mais demanda por café como experiência. “O fato de o bem ser escasso é exatamente o que lhe dá significado”, escreve Imas.

A história de Imas sugere um lugar para onde o trabalho humano pode migrar em meio à automação em massa: em direção a papéis mais humanos. Mas também é possível que o trabalho humano não precise migrar tanto assim.

Em 1979, o VisiCalc, a primeira planilha eletrônica, foi lançado para o Apple II. Ela conseguia fazer em minutos o que antes levava dias para equipes de contadores. Houve previsões de desemprego em massa para escriturários. Em vez disso, o número de contadores quadruplicou nos 40 anos seguintes. “A planilha não substituiu o contador”, escreve Eldar Maksymov. “Ela liberou uma demanda latente por inteligência financeira que estava lá o tempo todo, esperando os custos caírem o suficiente para ser satisfeita.”

Maksymov, professor de contabilidade na Universidade Estadual do Arizona, está descrevendo o “Paradoxo de Jevons”, assim chamado em homenagem a William Stanley Jevons, um economista britânico. Jevons, escrevendo em 1865, estava interessado no uso de carvão pela Grã-Bretanha.

Não muito antes, James Watt havia inventado uma máquina a vapor nova e aprimorada, que gerava mais que o dobro de energia a partir de uma determinada quantidade de carvão. Mas em vez de reduzir o uso de carvão pela Grã-Bretanha, a demanda por carvão triplicou. Carvão barato não levou a menos carvão sendo usado; levou ao carvão sendo usado para mais coisas do que qualquer um havia pensado ser possível anteriormente.

Isso, Maksymov acredita, é o que a IA provavelmente fará mesmo nas indústrias mais expostas à sua disrupção. Ele pensa assim, em parte, porque isso já aconteceu antes. “Em todo grande grupo ocupacional que adotou computadores intensamente, o emprego cresceu mais rápido do que em grupos que não adotaram”, ele escreve. “Computadores eliminaram tarefas específicas dentro dos empregos —mas as reduções de custo resultantes criaram tanta demanda nova que as ocupações se expandiram no geral.”

Computadores podem fazer muito do que humanos faziam antes, mas não deixaram humanos sem trabalho. A capacidade de fazer mais fez as pessoas perceberem que havia mais a ser feito.

Ethan Mollick, professor da Wharton School, uma vez me contou sobre um teste que usava para IA: ela é melhor do que o melhor humano disponível para você? A questão, como ele via, não era se a IA era melhor do que o melhor editor ou programador ou terapeuta ou pesquisador ou dermatologista ou agente de viagens; era se ela era melhor do que a melhor pessoa que você poderia chamar no seu momento de necessidade.

No último ano, observei as IAs que uso se tornarem melhores do que minha melhor pessoa disponível com bastante frequência. Tenho um editor incrível, mas ele precisa dormir e trabalhar com outros escritores; tenho uma terapeuta maravilhosa, mas a vejo uma vez por semana, quando muito; tenho acesso a bons médicos, mas dá trabalho consultá-los. Talvez eu tivesse atingido o horizonte de eventos sobre o qual fui alertado, e a IA começaria a substituir os humanos na minha vida.

Mas aconteceu o oposto. Quanto melhor a IA ficou, mais eu tinha para discutir com os humanos na minha vida. A IA achou meus sintomas preocupantes, então marquei uma consulta com meu médico (alergias, descobri); ela teve um bom insight sobre um desafio pessoal, e isso abriu uma nova conversa com minha terapeuta; me permitiu validar uma ideia de pesquisa, e isso abriu uma nova questão para explorar com meu editor; a IA tornou possível legendar vídeos facilmente, e agora trabalho com mais editores de vídeo. Quanto melhor minha IA ficou, mais eu quis dos seres humanos ao meu redor —e de mim mesmo.

Depois, há a realidade de que, mesmo que a IA torne as habilidades relacionais mais valiosas, ela pode tornar essas habilidades mais raras. Os jovens passaram de cerca de 12 horas por semana com amigos em 2003 para cerca de cinco horas por semana em 2024. O número de estudantes do último ano do ensino médio que dizem sair em encontros caiu de 80% em 2000 para 46% em 2024. Cerca de um quarto da Geração Z relata não ter feito sexo no último ano.

A IA pode ser uma facilitadora dessa dissolução social, oferecendo um simulacro digital de amizades e relacionamentos sem expor as pessoas à beleza e à agonia dos relacionamentos reais, nos quais aprendemos a nos relacionar com outras pessoas que são verdadeiramente outras pessoas, e cujos desejos não são simplesmente extensões dos nossos.

Se Imas estiver certo —e acho que está— nossa capacidade de nos relacionar, de forma sensível e profunda, com outros seres humanos será uma habilidade central e valiosa. Essa, temo, é exatamente a habilidade que estamos destruindo nos jovens.

Quando estou otimista sobre o mundo que a IA pode tornar possível, imagino um mundo no qual somos mais ricos do que somos hoje e somos encorajados a viver vidas mais fundamentalmente humanas, fazendo coisas mais fundamentalmente humanas. Quando estou pessimista, imagino algo parecido com esse mesmo mundo, mas a riqueza será acumulada por poucos e valorizaremos uma profundidade de conexão humana que não saberemos mais como proporcionar.

A história de Imas sugere um lugar para onde o trabalho humano pode migrar em meio à automação em massa: em direção a papéis mais humanos. Mas também é possível que o trabalho humano não precise migrar tanto assim.

Em 1979, o VisiCalc, a primeira planilha eletrônica, foi lançado para o Apple II. Ela conseguia fazer em minutos o que antes levava dias para equipes de contadores. Houve previsões de desemprego em massa para escriturários. Em vez disso, o número de contadores quadruplicou nos 40 anos seguintes. “A planilha não substituiu o contador”, escreve Eldar Maksymov. “Ela liberou uma demanda latente por inteligência financeira que estava lá o tempo todo, esperando os custos caírem o suficiente para ser satisfeita.”

Maksymov, professor de contabilidade na Universidade Estadual do Arizona, está descrevendo o “Paradoxo de Jevons”, assim chamado em homenagem a William Stanley Jevons, um economista britânico. Jevons, escrevendo em 1865, estava interessado no uso de carvão pela Grã-Bretanha.

Não muito antes, James Watt havia inventado uma máquina a vapor nova e aprimorada, que gerava mais que o dobro de energia a partir de uma determinada quantidade de carvão. Mas em vez de reduzir o uso de carvão pela Grã-Bretanha, a demanda por carvão triplicou. Carvão barato não levou a menos carvão sendo usado; levou ao carvão sendo usado para mais coisas do que qualquer um havia pensado ser possível anteriormente.

Isso, Maksymov acredita, é o que a IA provavelmente fará mesmo nas indústrias mais expostas à sua disrupção. Ele pensa assim, em parte, porque isso já aconteceu antes. “Em todo grande grupo ocupacional que adotou computadores intensamente, o emprego cresceu mais rápido do que em grupos que não adotaram”, ele escreve. “Computadores eliminaram tarefas específicas dentro dos empregos —mas as reduções de custo resultantes criaram tanta demanda nova que as ocupações se expandiram no geral.”

Computadores podem fazer muito do que humanos faziam antes, mas não deixaram humanos sem trabalho. A capacidade de fazer mais fez as pessoas perceberem que havia mais a ser feito.

Ethan Mollick, professor da Wharton School, uma vez me contou sobre um teste que usava para IA: ela é melhor do que o melhor humano disponível para você? A questão, como ele via, não era se a IA era melhor do que o melhor editor ou programador ou terapeuta ou pesquisador ou dermatologista ou agente de viagens; era se ela era melhor do que a melhor pessoa que você poderia chamar no seu momento de necessidade.

No último ano, observei as IAs que uso se tornarem melhores do que minha melhor pessoa disponível com bastante frequência. Tenho um editor incrível, mas ele precisa dormir e trabalhar com outros escritores; tenho uma terapeuta maravilhosa, mas a vejo uma vez por semana, quando muito; tenho acesso a bons médicos, mas dá trabalho consultá-los. Talvez eu tivesse atingido o horizonte de eventos sobre o qual fui alertado, e a IA começaria a substituir os humanos na minha vida.

Mas aconteceu o oposto. Quanto melhor a IA ficou, mais eu tinha para discutir com os humanos na minha vida. A IA achou meus sintomas preocupantes, então marquei uma consulta com meu médico (alergias, descobri); ela teve um bom insight sobre um desafio pessoal, e isso abriu uma nova conversa com minha terapeuta; me permitiu validar uma ideia de pesquisa, e isso abriu uma nova questão para explorar com meu editor; a IA tornou possível legendar vídeos facilmente, e agora trabalho com mais editores de vídeo. Quanto melhor minha IA ficou, mais eu quis dos seres humanos ao meu redor —e de mim mesmo.

Depois, há a realidade de que, mesmo que a IA torne as habilidades relacionais mais valiosas, ela pode tornar essas habilidades mais raras. Os jovens passaram de cerca de 12 horas por semana com amigos em 2003 para cerca de cinco horas por semana em 2024. O número de estudantes do último ano do ensino médio que dizem sair em encontros caiu de 80% em 2000 para 46% em 2024. Cerca de um quarto da Geração Z relata não ter feito sexo no último ano.

A IA pode ser uma facilitadora dessa dissolução social, oferecendo um simulacro digital de amizades e relacionamentos sem expor as pessoas à beleza e à agonia dos relacionamentos reais, nos quais aprendemos a nos relacionar com outras pessoas que são verdadeiramente outras pessoas, e cujos desejos não são simplesmente extensões dos nossos.

Se Imas estiver certo —e acho que está— nossa capacidade de nos relacionar, de forma sensível e profunda, com outros seres humanos será uma habilidade central e valiosa. Essa, temo, é exatamente a habilidade que estamos destruindo nos jovens.

Quando estou otimista sobre o mundo que a IA pode tornar possível, imagino um mundo no qual somos mais ricos do que somos hoje e somos encorajados a viver vidas mais fundamentalmente humanas, fazendo coisas mais fundamentalmente humanas. Quando estou pessimista, imagino algo parecido com esse mesmo mundo, mas a riqueza será acumulada por poucos e valorizaremos uma profundidade de conexão humana que não saberemos mais como proporcionar.

Apocalipse de empregos causado pela IA não deve acontecer – 09/05/2026 – Ezra Klein – Folha 

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Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e SLM veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Se tiver interesse em gêmeos digitais para a indústria procure a Neo Vision – Captura Digital da Realidade

China vira laboratório global para uso massivo de IA

Com milhões de usuários e apoio estatal, China amplia uso de IA em massa e fortalece ecossistema tecnológico próprio

Chan Ho-Him – fast Company Brasil – 08-05-2026 

Cerca de 50 pessoas se reuniram recentemente, em pleno dia útil, do lado de fora da sede de uma empresa chinesa de internet móvel, esperando ajuda para instalar um assistente de inteligência artificial.

A cena em Pequim se repetiu durante vários dias em diferentes eventos – e se repetiu em março em Shenzhen, polo tecnológico do sul da China – enquanto engenheiros auxiliavam multidões interessadas em configurar o popular agente de IA OpenClaw em seus laptops.

“Tenho medo de ficar para trás nos avanços tecnológicos”, disse Sun Lei, gerente de recursos humanos de 41 anos, durante um dos encontros promovidos pela Cheetah. Ela espera que a ferramenta ajude na busca e triagem de currículos em diferentes plataformas de recrutamento.

Veja também

Mais de um ano depois de a DeepSeek, rival chinesa da OpenAI, surpreender o mundo com um modelo avançado de IA, a China se transformou em um grande laboratório de testes para o uso massivo dessas ferramentas.

Os modelos desenvolvidos nos Estados Unidos ainda lideram em poder bruto de computação. Mas consumidores e empresas chinesas adotaram a tecnologia em ritmo acelerado, impulsionando sua disseminação em praticamente todos os setores possíveis.

ADOÇÃO EM MASSA POSICIONA A CHINA COMO LÍDER GLOBAL

Os chineses estão usando IA para quase tudo: reservar viagens, planejar roteiros, pedir comida, chamar transporte.

De uma população de 1,4 bilhão de pessoas, mais de 600 milhões já utilizavam IA generativa em dezembro, segundo relatório do Centro de Informações da Rede de Internet da China, órgão ligado ao governo. O número representa um salto de 142% em relação ao ano anterior.

Com o crescimento recente do uso de agentes de IA (como o OpenClaw) por empresas chinesas, também disparou o consumo de dados pelos modelos de linguagem.

Mediado em “tokens” (unidades de informação que podem representar partes de palavras), o volume semanal processado por modelos chineses já supera o dos modelos norte-americanos, segundo a OpenRouter, plataforma que monitora tráfego e segurança entre diferentes sistemas de IA.

Produtos chineses equipados com IA, como carros e robôs, também avançam rapidamente. Isso inclui desde robôs humanoides com capacidades cognitivas sofisticadas até sistemas embarcados em veículos capazes de executar tarefas complexas, como reservar mesas em restaurantes.

Leia mais: Nova IA chinesa promete superar DeepSeek; entenda a disputa

“A competição em IA claramente está migrando dos modelos para os ecossistemas”, afirma Lizzi Lee, pesquisadora do Centrode Análise da China, do Asia Society Policy Institute, com foco em economia e tecnologia. “Os usuários chineses estão atuando como testadores em tempo real, em escala massiva.”

Gigantes chinesas de tecnologia como Tencent, Alibaba e Baidu também correm para monetizar a IA. A Tencent integrou o OpenClaw ao WeChat, o superaplicativo chinês que reúne mensagens, pagamentos e delivery. Já a Alibaba vem incorporando IA agêntica aos seus fluxos de trabalho.

RESTRIÇÕES AJUDAM E ATRAPALHAM AS IAs CHINESAS

A China também tenta criar vantagens estruturais para o setor, investindo pesado na formação de talentos e garantindo acesso a eletricidade abundante e barata, insumo essencial para sistemas de IA altamente consumidores de energia.

Para alcançar avanços tecnológicos, incluindo em IA, líderes chineses prometeram crescimento anual médio de pelo menos 7% nos investimentos nacionais em pesquisa e desenvolvimento até 2030, dentro do atual plano quinquenal do país.

o volume semanal de tokens processado por modelos chineses já supera o dos modelos norte-americanos.

O governo também lançou um plano nacional chamado “AI Plus”, que prevê a integração da inteligência artificial em áreas como saúde e educação.

Em Shenzhen, tribunais chegaram a aumentar em 50% o número de casos processados no último ano, segundo autoridades locais, parcialmente graças a ferramentas de IA aplicadas ao sistema judiciário.

Mesmo assim, o acesso limitado aos chips mais avançados do mundo – consequência das restrições impostas pelos Estados Unidos – continua sendo um gargalo importante para o avanço chinês.

“Os controles de exportação desaceleraram a capacidade chinesa de fabricar chips e representam o calcanhar de Aquiles de muitos laboratórios de IA que dependem de semicondutores avançados”, diz Samm Sacks, pesquisadora sênior da New America, especializada em políticas tecnológicas chinesas.

Leia também: Moltbook: a rede social das IAs expõe dilemas humanos

Ao mesmo tempo, essas restrições acabaram incentivando uma integração maior entre design, manufatura e adoção tecnológica dentro da cadeia local. “Com o tempo, essa dinâmica pode acelerar, e não frear, as ambições chinesas”, afirma Sacks.

DE SEGUIDORA A INOVADORA

Quando a DeepSeek lançou a prévia de seu aguardado modelo V4, uma mudança chamou atenção: o sistema passou a utilizar parcialmente chips produzidos pela Huawei. Na prática, isso reduz a dependência de fabricantes norte-americanos como a Nvidia.

Um relatório recente do Instituto de IA Centrada no Humano, da Universidade Stanford, afirma que a diferença de desempenho entre os principais modelos norte-americanos e chineses “praticamente desapareceu”.

Autoridades e empresas como Anthropic e OpenAI acusam startups chinesas de roubar tecnologias de IA dos EUA. Pequim nega as acusações e afirma que elas não têm fundamento.

Para Lian Jye Su, analista-chefe da consultoria Omdia, a distância entre China e Estados Unidos continuará diminuindo, apesar das restrições norte-americanas e da Grande Muralha Digital chinesa – o sistema de censura e controle da internet mantido pelo Partido Comunista.

Segundo analistas como Su, obstáculos como a censura tendem a ter impacto limitado sobre a expansão da IA no país, já que a tecnologia continua sendo testada, integrada e escalada dentro do ambiente digital controlado da China.

“Não vai demorar para que a China deixe de ser apenas uma rápida seguidora e passe a atuar como inovadora paralela”, afirma.

Com a colaboração de Shihuan Chen, Dake Kang e Matt O’Brien


SOBRE O AUTOR

Chan Ho-Him é repórter de tecnologia da Associated Press. 

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As ilusões sobre as terras raras no Brasil

  • País tem reservas relevantes, mas mobiliza capital nacional insuficiente e investe pouco em tecnologia e capacidade industrial
  • No Congresso, o Brasil confunde estratégia nacional com controle estatal

Rodrigo Tavares – Folha – 7.mai.2026 

Professor catedrático convidado na NOVA School of Business and Economics, em Portugal. Nomeado Young Global Leader pelo Fórum Econômico Mundial, em 2017

O debate no Congresso sobre a política nacional de minerais críticos revela que o Brasil ainda não encontrou o seu ponto de equilíbrio sobre este tema. Mistura a legítima ambição de abrasileirar esse mercado com uma tentação intervencionista de controlar transações comerciais e societárias. Ao mesmo tempo, confunde a necessidade de atrair capital e tecnologia estrangeiros com a desconfiança, herdada do velho repertório nacional-desenvolvimentista, em relação ao próprio capital vindo de fora. Daí nascem as ilusões que ainda marcam o debate nacional sobre minerais críticos.

A venda da Serra Verde em Goiás por US$ 2,8 bilhões a uma empresa americana transmitiu a ideia de que os projetos minerais em terras raras no Brasil começam agora a cair nas garras do capital estrangeiro. É como se o país estivesse na iminência de perder o controle dos seus ativos. Mas não é bem assim. A quase totalidade dos cerca de 15 projetos de terras raras em desenvolvimento no país já se encontra nas mãos de grupos estrangeiros. A Aclara é canadense e peruana; a Meteoric, a Viridis e a Brazilian Critical Minerals são australianas; Atlas Critical Minerals e Energy Fuels são americanas. Aliás, a própria manchete desta Folha indicou que a Serra Verde é originalmente brasileira, quando, na verdade, sempre foi detida por capitais americanos e britânicos. As grandes empresas de mineração brasileiras —como a Vale ou a Nexa— deixaram passar essa oportunidade. Os estrangeiros chegaram primeiro às terras raras brasileiras e há muitos anos. São eles que, desde o início, vêm desenvolvendo esses projetos minerais no país. Mérito deles, demérito do Brasil.

Entre os maiores projetos do setor ainda em mãos brasileiras estão a Cabo Verde Mineração, dona do maior empreendimento de terras raras do país em área, e a Terra Brasil Minerals. Mas mesmo neste último caso, a imprensa tem noticiado as diligências da empresa para uma venda a investidores japoneses, americanos, chineses ou australianos.

A Faria Lima também chegou tarde. Contam-se nos dedos as gestoras de ativos alternativos que têm mandato para investir em mineração (Ore/Régia, MadCap), que estão desenvolvendo novos fundos dedicados ao tema (BTG, Kinea) ou que avaliam entrar nesse mercado (Flying Rivers, IG4). E há uma dificuldade estrutural. O Brasil tem gestores de ativos de elevada qualidade em análise financeira, mas com pouca familiaridade técnica com mineração. E tem muitos profissionais de mineração, especialistas em geologia, metalurgia e engenharia, mas sem experiência em asset management.

Isso é particularmente preocupante porque a vastíssima maioria dos projetos de terras raras no Brasil ainda está em fase pré-certificação, antes de um relatório NI 43-101 ou JORC. Em termos financeiros, isso significa mais risco, maior assimetria de informação e uma competência técnica muito mais exigente. A tendência natural dos gestores menos experientes será evitar projetos tão precoces. Mas esperar demais tem custo. Em mineração, quando o recurso já está certificado, a rota metalúrgica, validada, o licenciamento, encaminhado, e o offtake, estruturado, boa parte do upside econômico já ficou para trás. Na prática, isso significa que boa parte do valor será capturada pelos primeiros investidores em minerais críticos que, reforço, no caso brasileiro, tendem a ser estrangeiros. Eles apostaram cedo; o Brasil hesitou.

Também parecemos hipnotizados pela ideia de que o Brasil teria a “segunda maior reserva de terras raras do mundo, depois da China“. Lê-se quase como uma promessa de abundância súbita. O Brasil seria o golfo Pérsico dos anos 1960 ou a Califórnia do século 19. Mas terras raras não são petróleo nem ouro. Na prática, terras raras existem em muitos lugares. Provavelmente há terras raras no quintal de sua casa. Como o Brasil é um país continental, é natural que o volume agregado de recursos seja expressivo. Mas ter grandes reservas não transforma automaticamente um país em potência de terras raras.

O que importa é a qualidade econômica do recurso. Nem todos os 17 elementos de terras raras têm o mesmo valor comercial. A prioridade industrial está nos elementos magnéticos, sobretudo neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, essenciais para ímãs permanentes de alto desempenho. E esses são os mais raros. Nem todas as mineralizações são facilmente extraíveis. Há uma diferença enorme entre depósitos em rocha dura e argilas iônicas, tanto em custo como em complexidade metalúrgica. E, quando o minério contém elementos radioativos, como tório ou urânio, o risco ambiental, regulatório e operacional aumenta substancialmente.

LEIA MAIS SOBRE TERRAS RARAS

Em outras palavras, reserva não é sinônimo de riqueza. Por isso, é fundamental que os fundos brasileiros de private equity saibam separar o trigo do joio. Nem toda oportunidade mineral é uma boa oportunidade de investimento. Aliás, a maioria não é.

Se extrair terras raras do solo já é complexo, separá-las exige outro patamar de conhecimento científico e tecnológico. A separação de terras raras combina química fina, engenharia de processos, domínio metalúrgico e capacidade industrial. A China transformou essa competência única numa infraestrutura de poder global e protege seus especialistas em separação e processamento como ativos soberanos do Estado.

Ao acompanhar o debate público sobre minerais críticos, fica-se com a impressão de que o Brasil está morto nessa dimensão tecnológica da cadeia. Não está. Há, por exemplo, competências relevantes em instituições como o Citi-Senai (Centro de Inovação e Tecnologia), Cetem/MCTI (Centro de Tecnologia Mineral), Senai Cimatec, IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas, Prof. Maciel Luz) e Poli-USP (Prof. Fernando Landgraf). O problema é que essas competências continuam subfinanciadas, dispersas e ainda distantes da escala industrial necessária para transformar conhecimento científico em soberania produtiva.

Além disso, iniciativas privadas de separação, refino ou processamento avançado de terras raras no Brasil, como a joint venture entre a Ionic Rare Earths e a Viridis, em Poços de Caldas (MG), e a planta da Brazilian Rare Earths em Camaçari (BA), apesar de relevantes, revelam a mesma assimetria: capital, tecnologia e liderança empresarial vêm sobretudo de grupos estrangeiros. Eles fizeram a aposta; o Brasil ficou para trás. Mas a resposta não é nacionalizar a cadeia à força. Verticalizar integralmente esse setor no Brasil levará, na melhor das hipóteses, décadas. A solução mais realista é construir parcerias estratégicas, atrair capital paciente, absorver tecnologia estrangeira, formar competências locais e negociar, desde já, uma participação maior do país nos elos de maior valor agregado.

No último ano dediquei uma grande parte da minha vida acadêmica aos minerais críticos. Em outubro de 2025, estive em Brasília discutindo com várias entidades governamentais o mercado nacional de terras raras. A resposta que mais ouvi foi: “Em abril de 2026, a maior parte dos seus interlocutores já terá deixado os cargos. E em outubro, teremos eleições. Ou seja, voltaremos às terras raras em 2027.”

Não foi exatamente assim. Desde então, o governo brasileiro assinou acordos com a Coreia do Sul, Índia, Alemanha e Espanha em minerais críticos. União Europeia deverá vir em seguida. E nos EUA Lula (PT) discutiu esse tema com Donald Trump. Mas, até agora, são acordos flácidos, geralmente protocolos de intenção. A iniciativa do Congresso de criar uma política nacional para minerais críticos é bem-vinda. O Brasil precisa, sim, organizar e profissionalizar a forma como fala com o mundo sobre esses ativos estratégicos. Mas essa política não pode converter estratégia industrial em tutela estatal, nem sufocar a livre concorrência, a abertura de mercados e a autonomia do setor privado brasileiro. Além disso, a nova política não pode ignorar que o mercado de minerais críticos é global. Se for fechado ou nacionalizado por decreto, morre. O Brasil precisa capturar mais valor sem se isolar das cadeias internacionais que tornam esse valor possível.

As ilusões sobre as terras raras no Brasil – 07/05/2026 – Rodrigo Tavares – Folha 

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Brasil aposta em ativos naturais para ganhar protagonismo global em IA

Investimentos e matriz renovável alavancam a tecnologia no país, que ainda tenta superar gargalos na formação de talentos e no refino de minerais críticos

Por Martha Funke – Valor – 30/04/2026 

O papel do Brasil no panorama mundial de inteligência artificial (IA) é modesto, mas promissor. Os fundamentos para o crescimento da tecnologia no território nacional são diversos. “O país participa da corrida global com posição acadêmica razoável, startups, centros de pesquisa, interesse na tecnologia por entidades públicas e privadas e produção de dados de qualidade”, destaca Fábio Cozman, diretor do Centro de Inteligência Artificial (C4AI), da Universidade de São Paulo (USP).

Embora o Brasil ocupe a 10ª posição global em inventores de IA, segundo o Relatório Anual do Índice de IA 2026 de Stanford, o país perdeu fôlego no volume de produção acadêmica, caindo para fora do top 20 na última década. Carlos Américo Pacheco, da cátedra de IA Responsável da USP, aponta um gargalo na formação profissional: enquanto o número de formandos em computação saltou de 43 mil para 100 mil entre 2018 e 2024, as engenharias sofreram um esvaziamento acentuado, recuando de 131 mil para apenas 90 mil egressos no mesmo período.

Se a formação de capital humano ainda enfrenta oscilações, a infraestrutura física brasileira conta com vantagens competitivas singulares. O Brasil combina ativos estratégicos para a expansão de data centers, como recursos naturais, matriz elétrica 84% renovável, abundância relativa de água e terra. Também abriga reservas de materiais críticos, cujo horizonte de exploração, contudo, ainda permanece atrelado a investimentos de longo prazo. Para aproveitar este potencial, o país terá de superar o déficit de processamento local de terras raras e o refino incipiente de lítio.

Outras vantagens nacionais são o tamanho e a diversidade populacional, o interesse por tecnologia e a existência de ecossistemas verticais maduros que podem obter ganhos transformacionais com a IA. Cerca de 77% da população brasileira, hoje estimada em 212 milhões de habitantes, já usou alguma ferramenta de IA, conforme levantamento da consultoria global Bain & Company , que ouviu 2 mil pessoas em fevereiro. Um ano antes, eram 62%.

Do lado corporativo, o interesse deve gerar a expansão de 30% nos gastos com IA neste ano. A cifra deve alcançar US$ 3,4 bilhões em software, serviços e infraestrutura voltados à tecnologia, segundo a consultoria IDC. As empresas começam a avaliar com mais critério as funcionalidades de IA integradas às suas aplicações. “Atualmente, muitas já operam agentes autônomos em pequenos núcleos de automação”, diz Luciano Ramos, country manager da consultoria.

Outras análises de mercado corroboram o otimismo e a urgência do setor privado. Pesquisa Pulse of Change 2026, da Accenture, revela que 88% das organizações brasileiras esperam aumentar investimentos em IA neste ano. Já dados da IBM Consulting América Latina apontam que 75% dos executivos brasileiros esperam que agentes de IA operem de forma autônoma em processos corporativos até o fim do ano.

Setores nos quais o Brasil já detém protagonismo global também podem ampliar sua dianteira competitiva ao converter extensas massas de dados em inteligência aplicada. O agronegócio, a mineração e a indústria de óleo e gás despontam nesse cenário, ao lado de um setor financeiro altamente digitalizado, impulsionado pelo processamento em tempo real do Pix e do open finance. “A população jovem e conectada à internet também gera ativo valioso de dados”, avalia Frank Meylan, sócio-lider de tecnologia, transformação digital e inovação da KPMG no Brasil e na América do Sul.

Na esfera pública, a produção de dados pode servir para desenvolver novas aplicações de IA nas mais diversas áreas. Conforme Victor Lima, líder de inovação da Accenture Brasil, o Plano Brasileiro de IA (PBIA) projeta a catalogação de 2 mil datasets federais até 2027. Com aporte previsto de R$ 23 bilhões até 2028, o plano ancora uma agenda fortalecida por parcerias estratégicas, como o acordo com a China para criar modelos de linguagem em português, e os investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Sustentável (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em minerais estratégicos (previsão de R$ 5 bilhões) e em projetos de IA (R$ 4,7 bilhões desde 2023).

Nessa seara, a maior inovação é a proposta da PocketFab, parceria entre USP, Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em torno de uma infraestrutura para manufatura de semicondutores em escala compacta e modular, conta Marcelo Zuffo, coordenador do Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas da Universidade de São Paulo (CITI USP) e um dos coordenadores do projeto. A iniciativa recebeu R$ 89 milhões e mira nichos, como computação de borda (edge) e internet das coisas (IoT).

Outro polo estratégico é o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), da Universidade Federal de Goiás (UFG), que abriga o Centro de Competência Embrapii (AKCIT). O local desenvolveu inovações como a síntese de moléculas para experiências olfativas digitais – que atraiu montadoras e fabricantes de cosméticos – e o Gaia, modelo de linguagem (LLM) baseado no Gemma 3, do Google, otimizado para o português brasileiro. “O centro já deu origem a mais de 60 ‘deep techs’ em inteligência artificial”, diz Arlindo Galvão, diretor do CEIA e do AKCIT.

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Gerir agentes de IA é o novo MBA

  • Em dois anos, inteligência artificial passou de ‘respondedora’ para executar tarefas
  • Função do ser humano é coordenar e supervisionar a realização das solicitações feitas

Ronaldo Lemos – Folha – 3.mai.2026 

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro

A natureza do trabalho cognitivo está mudando completamente. Trabalhar com a cabeça significa agora gerir inteligências artificiais.

A IA que surgiu em 2023 girava em torno de perguntas e respostas. Era a IA “respondedora”. Só que, a partir de 2025, a IA que faz diferença é a que opera por meio de agentes. Você delega uma tarefa e o agente executa.

É como a diferença entre o motor e o automóvel. O motor surgiu antes. Por décadas, seu uso foi genérico e difuso. Só quando foi acoplado a uma carroceria com rodas, freios e direção é que o mundo mudou. A IA respondedora é o motor. A IA agêntica é o carro.

O termo usado para designar essa infraestrutura que envolve os modelos de IA é “harnesses” (arreios). São eles que gerenciam ferramentas e contextos que permitem que a IA possa ter sucesso em tarefas específicas.

Se olharmos ao redor, há arreios de IA para praticamente todas as tarefas digitais, criados por startups independentes e pelas próprias empresas do setor. Cada um com uma especialidade: fazer design, documentos, planilhas, escrever software, cuidar de processos corporativos, operar o navegador, fazer compras, preencher formulários, produzir conteúdo, inspecionar cibersegurança, gerenciar mídias sociais, pesquisar, selecionar notícias e conversar entre si para trocar informações.

Em outras palavras, hoje é possível encontrar “harnesses” capazes de executar a maior parte das tarefas corporativas, delegando-as a agentes de IA. E é nesse ponto que o trabalho humano muda totalmente. A tarefa principal se torna coordenar e supervisionar esses agentes. É o que está sendo chamado de “middle loop”: o trabalho de supervisão que acontece entre as instruções da tarefa e o momento em que ela é completada com sucesso.

Para fazer o “middle loop”, é necessário um conjunto de habilidades distintas. A primeira é o domínio do português. Isso é essencial para passar instruções para a IA ou para coordenar tarefas complexas como programar. Quem não consegue falar de forma clara nem organizar ideias com coerência ou interpretar as respostas que recebe da IA não tem condições de executar esse trabalho.

Isso é uma tragédia em particular para o Brasil. De acordo com os dados do Inaf, apenas 10% dos brasileiros de 15 a 64 anos têm domínio pleno do português. Nosso país falhou miseravelmente na educação. E justamente na hora em que mais precisaremos dela por causa da inteligência artificial.

Outras habilidades para trabalhar com IA incluem a chamada “engenharia de contexto” (que vai além da engenharia de prompts); a capacidade de manter a atenção por longos períodos contínuos e de calibrar a confiança na capacidade de o agente executar a tarefa. Ou ainda, o domínio de diversas áreas do conhecimento em que a IA atua, para evitar o chamado débito cognitivo (a incapacidade de entender o que a IA está fazendo). E a habilidade que julgo essencial: a prudência.

Olhe para essa lista de habilidades com atenção. Paradoxalmente, todas elas se aprendem em lugares onde a tecnologia não está. Na leitura, na escrita, na conversa, no silêncio e na reflexão. A geração que vai dominar a IA é a que vai aprender a se afastar dela.

Gerir agentes de IA é o novo MBA – 03/05/2026 – Ronaldo Lemos – Folha 

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HD cheio: será que o cérebro também pode ficar sem espaço de memória?

Quando a memória falha, não é por falta de espaço, mas porque o cérebro seleciona, reconstrói e deixa escapar aquilo que não foi plenamente vivido

Por Michelle Spear – O Globo/The Conversation* – 03/05/2026 

Meu marido estava recentemente descrevendo algo que aconteceu em uma viagem passada. Não foi um evento importante, mas parecia agradável. Eu, porém, não tinha nenhuma lembrança do que ele estava contando. Ele mal podia acreditar.

Sabemos que “as lembranças podem ser diferentes”, mas como podem ser tão diferentes assim? E por que eu não tenho essa memória? Estou ocupada no trabalho — será que simplesmente fiquei sem espaço?

É uma explicação tentadora. Falamos sobre “cabeça cheia”, “sobrecarga de informações” e “informação demais para absorver” como se o cérebro fosse um recipiente que eventualmente atinge sua capacidade. Mas o cérebro não fica cheio. Ele filtra.

Em qualquer momento, há muito mais informações disponíveis do que poderíamos realisticamente armazenar. As imagens, sons e conversas de um único dia já sobrecarregariam qualquer sistema que tentasse registrá-los por completo. Em vez disso, o cérebro depende da seleção. A atenção determina o que é percebido. A emoção ajuda a definir o que é importante. Depois, estruturas como o hipocampo decidem o que vale a pena guardar na memória de longo prazo.

Se sua atenção estiver em outro lugar, o processo falha logo no primeiro passo.

Naquela viagem, meu marido pode ter parado o suficiente para registrar o momento. Eu posso ter estado pensando no próximo destino, conferindo horários ou simplesmente passando pelo dia sem parar para absorvê-lo. A diferença é sutil, mas importante. Sem atenção focada, as experiências são registradas de forma fraca — ou nem chegam a ser registradas. Nesse sentido, a memória não foi perdida. Ela nunca foi completamente formada.

Mesmo quando as memórias são bem registradas, elas não ficam armazenadas como registros fixos. Cada vez que relembramos um evento, nós o reconstruímos, usando fragmentos de detalhes sensoriais, conhecimentos prévios e expectativas. Com a repetição — por meio de conversas, reflexões ou relatos — essas reconstruções se tornam mais fortes e coerentes. Com o tempo, podem parecer cada vez mais vívidas e certas.

Isso ajuda a explicar por que experiências compartilhadas podem divergir tanto. Supomos que viver o mesmo momento deveria gerar a mesma memória, mas o cérebro não funciona assim. Ele não registra passivamente a experiência. Ele seleciona, prioriza e, tão importante quanto, descarta.

A sensação de que nosso cérebro está “cheio” não surge porque ficamos sem espaço, mas porque atingimos o limite do que conseguimos processar de uma só vez. A atenção é limitada. A memória de trabalho — a pequena quantidade de informação que conseguimos manter ativamente na mente — é ainda mais restrita. Quando esses sistemas ficam saturados, novas informações têm dificuldade de se fixar. É o equivalente mental a ter abas demais abertas: nada foi necessariamente perdido, mas tudo fica mais difícil de gerenciar.

Onde a comparação com o computador falha

Analogias com computadores são úteis até certo ponto. Se a memória de trabalho se assemelha à RAM — rápida, temporária e limitada —, a memória de longo prazo costuma ser comparada a um disco rígido. Mas é aí que a comparação deixa de funcionar. Um disco rígido armazena arquivos em locais fixos, recuperáveis exatamente da mesma forma em que foram salvos. O cérebro não funciona assim.

As memórias não são armazenadas como arquivos isolados. Elas se distribuem em redes de neurônios, se sobrepondo, sendo remodeladas e reorganizadas cada vez que são lembradas. Novas experiências não apenas se somam às antigas — elas interagem com elas, modificando tanto o novo quanto o que já existia.

Já tentaram estimar quanto o cérebro poderia teoricamente armazenar. Um número bastante citado, do Instituto Salk, sugere cerca de um petabyte — aproximadamente equivalente a centenas de anos de vídeo contínuo. É um número impressionante, mas também um pouco enganoso. Ele sugere um sistema de armazenamento que vai se enchendo com o tempo, quando, na realidade, o cérebro está em constante reorganização. A capacidade não é fixa, e as informações não são armazenadas de forma isolada. Elas são integradas, modificadas e, quando deixam de ser úteis, permitem-se desaparecer.

O que levanta uma questão um pouco desconfortável: o que acontece com as memórias que gostaríamos de manter?

Algumas vão desaparecer — não porque o cérebro ficou sem espaço, mas porque não são constantemente reforçadas. A memória não é preservada simplesmente porque algo é importante para nós. Ela é preservada quando é revisitada, recontada ou conectada a outras experiências. Sem esse reforço, até momentos significativos podem se tornar mais difíceis de acessar com o tempo.

Na maioria dos casos, o que se perde não é a memória em si, mas a nossa capacidade de recuperá-la. Um cheiro familiar, uma música ou um detalhe inesperado podem trazer de volta algo que parecia completamente esquecido. O registro ainda existe, mas saiu do alcance. E a ausência de uma lembrança raramente é prova de que o sistema está cheio — mais frequentemente, é o vestígio de um momento que nunca foi totalmente armazenado, ou que simplesmente não foi acessado novamente.

* Michelle Spear é professora de anatomia na Universidade de Bristol.

* Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o artigo original.

HD cheio: será que o cérebro também pode ficar sem espaço de memória? 

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IA impulsiona mudança de paradigma ao redesenhar fronteiras da ciência e do trabalho

Entre recordes de diagnósticos e saltos de produtividade, países e empresas enfrentam o desafio de equilibrar escala global com a escassez de recursos naturais e a demanda por infraestrutura para sustentar o fluxo de dados

Por Martha Funke – Valor – 30/04/2026 

O cenário global da inteligência artificial (IA) coloca a tecnologia em um patamar inédito. Dada a facilidade de uso, mais da metade da população mundial (53%) se tornou usuária da IA generativa (IAGen) três anos depois de seu lançamento, em 2022. Entre empresas, 79% já adotaram a IAGen em pelo menos um processo, enquanto o uso de diferentes modelos alcançou 88% em 2025, 10 pontos percentuais acima de 2024. Os dados do Relatório Anual do Índice de IA 2026, da Universidade Stanford, mostram como, além da adesão massiva, conquistas da IA ganharam velocidade e anteciparam promessas em diversas áreas.

Em 2025, o número de publicações científicas sobre IA cresceu 26% ante o ano anterior, chegando a 80 mil, ainda conforme o relatório de Stanford. Processos complexos, como previsão do tempo, ganharam execução de pipeline completo pelo Aardvark Weather e previsão global de 60 dias em menos de quatro minutos pelo FourCastNet3.

Na saúde, agentes de IA com tecnologias da Microsoft e da Open AI alcançaram 85,5% de precisão em diagnósticos desafiadores, contra 20% entre médicos. A pesquisa de proteínas impulsionada por IA cresceu 71% entre 2024 e 2025, enquanto modelos virtuais de células humanas abriram uma nova fronteira ao prever respostas a drogas e perturbações genéticas sem passar pelos laboratórios. Em mobilidade, a Waymo realizou no ano passado 450 mil viagens semanais em cinco cidades dos Estados Unidos, enquanto a chinesa Apollo Go completou 11 milhões de viagens, 175% mais do que em 2024.

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