Empreendedores ‘falham’ duas vezes antes de ter sucesso no negócio

Pesquisa aponta que, em média, donos de pequenos negócios têm duas ideias mal sucedidas antes de apostar em uma que dá certo e 84% consideram que falhas ajudam a crescer

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo 31 de julho de 2022 | 

Natural de Minas Gerais, Isonel da Paixão Araújo, de 49 anos, se mudou para São Paulo na década de 90 já com a ideia de ter o próprio negócio. Começou a trabalhar como garçom e barman e, familiarizado com o setor, abriu um hortifruti em 1998. Ele acreditava que, por já atuar no meio, conhecer fornecedores e possíveis clientes, seria uma boa aposta. O negócio, porém, não fluiu como o esperado.

“Quando você trabalha com produto alimentício, tem uma margem boa, mas também muita perda, porque são produtos perecíveis e isso me causava certa preocupação”, relata. A logística dos produtos não funcionou bem e o lucro que ele tinha era levado com os itens que estragavam.

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Isonel fechou o negócio após um ano e meio e, refletindo hoje sobre o que ocorreu, avalia que não tinha preparo suficiente. O fato de não ter se dedicado 100% ao empreendimento (ele trabalhava como garçom), também influenciou negativamente. Persistente e buscando “algo a mais”, ele foi atraído para o setor de beleza por meio da irmã, que já tinha um salão.

Ali, a postura dele foi diferente, pois tinha aprendido com a experiência anterior. “Eu encarei de cabeça, apostei primeiro em mim para dar certo. Fiz cursos e estágio com minha irmã. Ela me orientou e indicou clientes.” Em 2000, ele abriu o próprio salão de cabeleireiro, que leva seu nome e está na mesma localização até hoje, na região do Jardim Paulista.

EmpreendedorismoIsonel Araújo (centro) fez diferente no segundo negócio que abriu em São Paulo e viu o salão de beleza alavancar. Foto: Marcelo Chello/Estadão

Encarar o que deu errado como algo positivo é desafiador, mas empreendedores costumam persistir, ser inquietos e aprender com as experiências negativas. Segundo a Pesquisa Global de Empreendedorismo 2022, encomendada pela Herbalife Nutrition à OnePoll, os donos de negócio brasileiros têm, em média, duas ideias de empresa mal sucedidas antes de apostar em uma que dá certo. Além disso, 96% deles concordam, parcial ou totalmente, que erros são oportunidades de aprendizado, e 84% dizem que falhas ajudam a crescer.

A maioria dos 250 empresários ouvidos concorda que, para ter sucesso, não se pode ter medo de errar e está disposta a correr o risco de falhar a fim de ser bem sucedido. Eles também apontam o amadurecimento como fator de sucesso de um negócio. Quando tinha 24 anos, Wagner Alexandre abriu uma loja de assistência técnica para celulares que durou quatro meses. Ele teve outra empresa no mesmo segmento e depois uma hamburgueria. Entre os motivos para ter saído dos negócios, o curitibano lista falta de maturidade e destreza para trabalhar com sócios.

“No primeiro negócio, eu não tinha noção de estrutura de empresa, perspectiva de crescimento, visão de longo prazo. Jovem é imediatista e muitas vezes só enxerga o problema.  Às vezes, é preciso encarar como um desafio a ser superado, uma maneira de se desenvolver, criando planejamento para a situação”, diz, hoje com 34 anos.

Ele considera que se tivesse estudado sobre empreendedorismo antes, teria evitado alguns percalços. No caso da hamburgueria, o negócio ia bem e até havia previsão de um segundo espaço, mas desencontros com o sócio levaram à dissolução. “Faltou maturidade de saber dedicar tempo necessário para cada empresa. Hoje, com  a cabeça que tenho, penso que teria mantido os negócios antes.”

Depois da tempestade

Em 2017, Wagner decidiu abrir outra hamburgueria, desta vez sozinho, tendo em vista a bagagem anterior e aprendendo com os novos desafios. Hoje, a Pimp Burger tem duas unidades e vai iniciar a expansão por franquias, cuja formatação foi concluída no início de julho. O empresário aprendeu que é necessário formatar bem o contrato entre os sócios, definindo direitos e deveres de cada um, com funções bem descritas para não haver cobranças inadequadas no futuro.

“Fazer sociedade é algo muito complexo, e os conflitos são inerentes. É fundamental que os papéis de cada um estejam definidos, porque às vezes um tem perfil mais técnico, outro é comercial. É importante que tenham suas responsabilidades bem definidas e prestem contas”, diz o administrador Roberto Lange Rila, responsável pelos cursos de Gestão e Negócios do Senac EAD.

Empreendedorismo - Pimp BurgerDepois de três negócios que não deram certo, Wagner Alexandre abriu a Pimp Burger, que vai iniciar venda de franquias. Foto: Jayme Costa

Wagner também percebeu que precisava mudar um pouco a postura: passou a ouvir mais sócios e funcionários, analisar melhor e com calma todos os pontos de um problema, estruturar as possíveis soluções e dividi-las com os responsáveis. Algo similar aparece na pesquisa: 36% dos empreendedores dizem que, com os erros passados, aprenderam a equilibrar a confiança na própria intuição com análise de dados.

Dar e receber feedback também foi apontado como um aprendizado por 24% deles. “Uma insatisfação não é motivo de discussão, mas ponto a ser alinhado. Tem de separar pessoal do profissional, conversar e entender que as melhores ideias não vão partir sempre de mim”, afirma o empresário.

Já Isonel, ao se dedicar completamente ao salão de beleza, viu o negócio prosperar, mas foram três anos entre abrir e o boom acontecer. Ele foi conquistando a clientela do entorno, principalmente funcionárias de edifícios comerciais e de escritórios da região. Foram elas que demandaram um serviço mais rápido e, assim, surgiu o modelo express, em que a cliente sai do salão em 30 minutos com unhas e cabelos feitos.

Empresas também propuseram parceria com o empreendedor para dar vantagens especiais às colaboradoras, como um benefício. O cabeleireiro também investiu no público masculino e mantém duas barbearias próprias. Com a experiência, ele aprendeu e indica que se deve analisar bem o mercado em que se quer atuar, se preparar com capacitações e focar no trabalho bem feito. “O lucro não vem da noite para o dia, é uma consequência.”

“Sempre vamos aprender, no sucesso ou no fracasso, mas muitas vezes é com fracasso”, comenta o especialista do Senac EAD. Ele diz que a falta de planejamento, ignorar a necessidade de uma reserva para capital de giro e não separar o dinheiro pessoal do caixa da empresa são os principais erros que podem levar um negócio ao fim. Não ter um plano de negócio, inclusive, foi um desafio para 32% dos empreendedores da pesquisa.

Dicas para empreendedores

Confira abaixo algumas dicas do administrador Roberto Lange Rila para evitar erros no negócio e como contorná-los quando aparecerem:

  • Estude: antes de iniciar um negócio, conheça o mercado em que deseja atuar, identifique as necessidades e comportamentos do seu público, avalie concorrentes, preveja cenários otimista, pessimista e realista.
  • Não espere estar 100% pronto: mesmo estudando, o empreendedor nunca está completamente pronto. É preciso arriscar e dar o primeiro passo, senão pode perder o timing da empresa. Erros acontecem, mas com o planejamento inicial, é possível recalcular a rota com mais facilidade.
  • Identifique falhas: se a empresa não dá o retorno previsto e se o empreendedor não consegue honrar com os compromissos financeiros, é sinal de que algo está fora do eixo. Quanto antes identificar, melhor. Se preciso, busque mentorias para pequenos negócios.
  • Evite persistir no erro: o especialista afirma que, às vezes, a pessoa tem dificuldade de admitir que não deu certo e acaba criando um problema maior, pois insiste em manter um negócio que está dando errado.
  • Faça uma autoavaliação: ao identificar erros, organize a casa. Visualize as dívidas, as prioridades, negocie o que for possível e use a reserva de emergência da empresa – se tiver e for necessário. Liste o que deu errado e trace um novo plano, destacando o que fazer para não repetir as falhas.

https://pme.estadao.com.br/noticias/geral,empreendedores-falham-sucesso-negocio,70004123009

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Agronegócios: por que somos dependentes da importação de fertilizantes?

Se não melhorarmos os investimentos poderá faltar comida no prato de brasileiro

Por Neuza Sanches – Veja – 5 ago 2022 

Cristiano Veloso, fundador e CEO da Verde Agritech: “é preciso investir em agronegócio.” /

A guerra entre Rússia e Ucrânia jogou luz sobre uma questão preocupante para o crescimento do Brasil. Dono de uma produção agrícola recorde, com peso decisivo no PIB, o País depende da importação de fertilizantes para manter a atividade nos seus campos. Segundo dados do Ministério da Agricultura, no governo de Jair Bolsonaro, a importação representa 85% do total utilizado pelos produtores brasileiros. A maior dependência é pelo cloreto de potássio: 96,5% vêm do exterior, com destaque para Rússia, Bielorrússia e Canadá. Como escapar disso?

“Nesse nosso mercado, não existe solução de curto prazo”, afirma Cristiano Veloso, fundador e CEO da Verde Agritech, que vai investir R$ 275 milhões no próximo ano na construção de uma terceira fábrica no País. A empresa prevê suprir 3,79% da demanda nacional por potássio no segundo semestre deste ano, número que deverá chegar a 16,4% daqui a dois anos com a abertura da nova instalação. Para começar a virar esse jogo, segundo Veloso, o setor aposta no recém-lançado Plano Nacional de Fertilizantes, do governo federal.

Nesta conversa à coluna, o empresário falou sobre outros temas, como licenças ambientais (“são absolutamente necessárias para assegurar uma produção sustentável) e previsão de faturamento da Verde Agritech – que deve fechar o ano com receita superior a R$ 430 milhões, ante R$ 119,3 milhões em 2021 e R$ 35,2 milhões em 2020. Acompanhe…

A produção agrícola brasileira depende hoje de 85% de fertilizantes importados para se viabilizar. E, no caso específico do potássio, essa dependência chega a 96%. Por que o País, considerado um modelo do agrobusiness no mundo, chegou a essa situação? A decisão da Petrobras de privatizar ou fechar fábricas no setor pesou para isso? 

A Petrobras está associada à produção de nitrogenados, enquanto o nosso negócio é produção de potássio. São fertilizantes diferentes. No caso do cloreto de potássio, é preciso  analisar o histórico de preços pagos por este adubo (comida para a planta), que é o segundo item na pauta de importação brasileira, segundo o Ministério da Economia. Para que uma mina possa começar a produzir, são necessários cerca de dez anos de investimentos. Desde 2012, o preço do potássio vinha se mantendo em um patamar muito baixo e, apesar da alta dos últimos meses, já entrou em tendência de queda e deve voltar aos patamares médios históricos. Sem esse incentivo econômico para o desenvolvimento de novas minas, que tenham potencial significativo no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, não faz sentido para as empresas investimentos nesta área, o que ajuda a entender esta dependência internacional brasileira pelo cloreto de potássio.

Por outro lado, a Verde Agritech, ao contrário dos outros players tradicionais da indústria de fertilizantes, dedicou os últimos 14 anos para produzir um potássio diferente desta commoditie que o Brasil importa, que é o potássio sem cloro. O adubo da Verde Agritech é tecnológico e sustentável, resultado de mais de meio bilhão de investimentos. Somos uma empresa inovadora, que investiu em testes agronômicos, planta-piloto e, finalmente, unidade industrial para colocar à disposição do agricultor brasileiro uma fonte sustentável, única de potássio sem cloro e que é aditivado com microrganismos, graças a uma tecnologia chamada Bio Revolution, desenvolvida em parceria com as universidades federais de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e de São Carlos (SP). Isso é muito importante porque, cada vez mais, o agronegócio é pressionado a adotar práticas mais sustentáveis.

Recentemente, o governo apresentou o seu Plano Nacional de Fertilizantes, mas o plano está longe de resolver a situação de curto prazo, ao prever que a dependência de fertilizantes importados vai diminuir para 50% só em 2050. Qual sua avaliação sobre as medidas? E o que poderia ser feito para incentivar, no curto prazo, novos investimentos no setor?

Nesse nosso mercado, não existe solução de curto prazo para resolver a questão da dependência internacional do Brasil pelo potássio importado. Agora, era preciso iniciar um debate sobre esta super dependência do agronegócio brasileiro, e o Plano Nacional de Fertilizantes lançou luz sobre o problema. Como a produção de potássio depende de muitos anos de pesquisa e desenvolvimento e muito investimento diante de preços historicamente baixos pagos pelo produto, falta o incentivo financeiro para que novos players invistam no setor. Mas o Brasil tem opção. A mina da Verde Agritech em São Gotardo e Matutina, interior de Minaas Gerais, tem condições de suprir a demanda nacional por potássio por 60 anos e é dever do País oferecer ao agricultor uma opção que devolva a ele o controle da produção. O produtor é um herói brasileiro, porque todo ano ele se arrisca diante de todos os desafios que cercam a agricultura para produzir alimentos, uma missão nobre e que precisa ser reconhecida.

A empresa anunciou a construção, a partir de 2023, de uma terceira fábrica, com investimentos de R$ 275 milhões. Qual a fonte desse capital? Próprio, contou com financiamento oficial?

A construção da nova planta, que elevará a capacidade de produção da companhia para 16,4% da demanda nacional por potássio, será realizada com recursos próprios. A Verde Agritech, listada na Bolsa de Toronto, no Canadá, nunca distribuiu lucros aos acionistas, porque 100% são reinvestidos em inovação e na expansão da empresa. Foi por meio desta estratégia que conseguimos implantar procedimentos e tecnologias que tornam nossa operação sustentável. Por exemplo, apesar de operar uma mina, nossa extração de potássio não gera rejeitos, o que permite produzir sem a necessidade de barragem. O processo industrial não utiliza nenhum produto químico, porque adotamos a tecnologia Cambridge Tech, desenvolvida em parceria com a Universidade de Cambridge, do Reino Unido, tornando nosso produto recomendado, inclusive, para a agricultura orgânica.

O local já está definido? Se ainda não, o que tem adiado essa escolha?

Apesar de manter conversas com governadores e prefeitos neste sentido, inclusive de Minas Gerais, o local da terceira planta da Veerde Agritech ainda não está definido. Sem dúvida, o Estado que receber esta planta terá condições de se tornar autossuficiente em potássio.

Qual sua avaliação sobre as exigências de licenças ambientais que cercam hoje a exploração de potássio e a produção de fertilizantes no Brasil? Elas podem ser vistas como um entrave ao setor? Deveriam ser revistas?

As licenças ambientais jamais devem ser vistas como entrave para o setor, ao contrário, elas são absolutamente necessárias para assegurar uma produção sustentável. O Ibama, na esfera federal, e as secretarias de meio ambiente, no âmbito estadual, possuem equipes técnicas, super diligentes – e que têm uma grande responsabilidade ao analisar um processo ambiental – para assegurar operações seguras e eficientes. Afinal, se a nossa missão é devolver o controle ao agricultor e permitir que o agronegócio produza de forma sustentável, é preciso que nossas operações estejam alinhadas com estas premissas.

Qual a previsão de receita e lucro da companhia em 2022, na comparação com 2021?

Em maio deste ano, publicamos um guidance ampliando a expectativa de faturamento e vendas para 2022. A companhia projetou vendas de um milhão de toneladas de potássio e receita superior a R$ 430 milhões. No ano passado, a Verde Agritech faturou R$ 119,3 milhões, 239% a mais do que em 2020, quando a companhia anunciou receita de R$ 35,2 milhões.

A produção atual da companhia é totalmente absorvida por agricultores brasileiros?

O agricultor brasileiro é, sem dúvida, o grande foco da companhia, que tem feito esforços no sentido de contribuir para a redução desta dependência do produtor pelo produto importado. Nosso produto que sai de Minas Gerais já é usado por mais de cinco mil agricultores. Uma área superior a um milhão de hectares é adubada com o potássio sem cloro da Verde Agritech. Além do Brasil, nossos produtos também são usados, em pequena quantidade, pelos Estados Unidos, Canadá, América do Sul e Ásia. 

https://veja.abril.com.br/coluna/neuza-sanches/agronegocios-por-que-somos-dependentes-da-importacao-de-fertilizantes/

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Entrada na OCDE pode gerar cooperação e troca de experiências com países desenvolvidos; leia análise

Por Abram Szajman e José Goldemberg – Estadão – 10/08/2022 

Padrões internacionais passam a ser políticas de Estado, independentemente do governo de turno

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) concedeu aval para que o Brasil ingresse no grupo, composto por 38 países de diferentes continentes e variados níveis de desenvolvimento – desde economias industrializadas, como Estados Unidos e Japão, até economias emergentes latino-americanas, como México e Colômbia.

No aspecto econômico, fazer parte da OCDE significa institucionalizar práticas de equilíbrio fiscal, dispor de regras tributárias estáveis, proteger dados, reconhecer patentes e renunciar a barreiras tarifárias anacrônicas. Esses padrões internacionais passam a ser políticas de Estado, independentemente do governo de turno.

Também há requisitos sustentáveis, como adotar políticas públicas para cessar a perda da biodiversidade e o desmatamento e implementar medidas que levem o País à emissão zero de gases do efeito estufa até 2050.

O candidato precisa cumprir 251 exigências que lhe valerão, depois de aceito, uma “carta de recomendação e confiabilidade” para investimentos externos. No caso do Brasil, a carta pode compensar, em parte, a perda do grau de investimento que as agências de rating nos retiraram graças às turbulências da década passada. Até o momento, o País atende a 103 dos quesitos – e tem de três a cinco anos para se adaptar.

Entrar na OCDE nos abre um leque de oportunidades. Na área das energias renováveis, além do aquecimento solar e da produção eólica, o Brasil já é competitivo no uso da biomassa e do etanol. Podemos exportar pellets, agregados de madeira com alto poder calorífico muito usados na Europa para aquecimento doméstico, onde está proibido o uso de carvão. A prática não agride o meio ambiente, pois é derivada de florestas plantadas para essa finalidade.

Teremos de superar impasses como os da logística reversa e da coleta seletiva do lixo, bandeiras levantadas por entidades como a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), mas não devidamente acolhidas pelo poder público. Na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, essas práticas são a regra.

Em resumo, entrar no grupo vai gerar cooperação e troca de experiências com países desenvolvidos, o que nos possibilitará melhor inserção na economia e na geopolítica mundiais, além de atrair investimentos a juros menores. Esse caminho pode (e deve) ser paralelo à nossa participação no Mercosul e no bloco das nações em desenvolvimento – o Brics. Ao completar 200 anos de sua Independência, o Brasil precisa se colocar externamente de maneira ampla e soberana, para que possa se desenvolver na medida de seu potencial e de suas necessidades.

https://www.estadao.com.br/economia/brasil-ocde-paises-desenvolvidos/

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Empresas de NY estão abrindo escritórios onde seus funcionários vivem

À medida que os trabalhadores retornam ao escritório, algumas empresas se mudaram para facilitar o deslocamento

Matthew Haag, The New York Times/Estadão  12 de junho de 2022 

Antes da pandemia, o trajeto de Maz Karimian até Manhattan era como o de muitos nova-iorquinos: um deslocamento muitas vezes degradante de 30 minutos entre duas linhas de metrô que costumam estar lotadas ou atrasadas.

No entanto, quando ele voltou ao escritório na semana passada pela primeira vez desde que a pandemia se espalhou pela cidade, seu trajeto parecia tranquilo: um passeio de bicicleta de sua casa em Carroll Gardens até o escritório realocado de sua empresa, a cerca de 10 minutos em Dumbo.

“Adoro o metrô e acho que é um ótimo meio de transporte, mas, sinceramente, se eu puder escolher entre ar fresco e ar compartilhado e em ambiente fechado, escolherei isso aqui todas as vezes”, disse Karimian, diretor de estratégia do USTWO, um estúdio de design digital.

Mais de dois anos após a pandemia provocar um êxodo em massa dos prédios de escritórios da cidade de Nova York, e depois de muitas empresas anunciarem e depois suspenderem os planos de retorno ao escritório, os funcionários finalmente começaram a voltar aos poucos para suas mesas. Mas o trabalho remoto basicamente reformulou a maneira como as pessoas trabalham e diminuiu a predominância do local de trabalho dentro das corporações.

As empresas se adaptaram. As salas de reuniões ganharam uma nova cara. As mesas que antes eram usadas apenas por uma pessoa passaram a estar disponíveis a qualquer um por ordem de chegada. Os gestores adotaram acordos de trabalho flexíveis, permitindo que os funcionários decidam quando querem trabalhar presencialmente.

TrabalhoDeslocamento entre casa e escritório costuma ser a principal queixa de funcionários no retorno ao escritório. Foto: Jose A. Alvarado Jr./The New York Times

E algumas estão tomando medidas mais drásticas para tornar o retorno ao local de trabalho interessante: realocando seus escritórios em áreas mais próximas aos locais onde seus funcionários vivem. Na cidade de Nova York, as mudanças refletem um esforço das organizações para reduzir um grande obstáculo para ir trabalhar – o deslocamento – quando elas começam a pedir que os funcionários voltem ao escritório.

Antes da pandemia, os trabalhadores da cidade de Nova York tinham, em média, o trajeto de ida mais longo dos Estados Unidos, aproximadamente 38 minutos.

Cerca de dois terços dos funcionários do USTWO vivem no Brooklyn, então fazia sentido mudar o escritório para Dumbo, na orla, depois de uma década no distrito financeiro de Manhattan, disse Gabriel Marquez, diretor administrativo do estúdio.

O novo espaço tem cerca de mil metros quadrados, um pouco menos que o antigo escritório, e é mais barato por metro quadrado para alugar do que a maioria dos escritórios em Manhattan. Também é mais adequado para quando os funcionários vierem ao escritório, com um terraço ao ar livre no telhado e Wi-Fi para as reuniões, disse ele.

“Não precisávamos da mesma relação com o escritório e ter todo mundo nele cinco dias por semana”, afirmou Márquez, que disse que os funcionários são obrigados a estar no local duas vezes por semana, às terças e quartas-feiras. “Parece que, culturalmente, é um bom ajuste para muitas empresas como a nossa em nossa área.”

Enquanto a cidade de Nova York tenta sair das profundezas dos transtornos econômicos, há sinais recentes de que a cidade está se recuperando, apesar das preocupações com o crime nos metrôs e o aumento dos casos de covid-19. Os turistas estão visitando Nova York em número maior do que no ano passado, a ocupação dos hotéis aumentou e, no início deste mês, o número diário de passageiros do metrô alcançou um recorde para os tempos de pandemia com 3,53 milhões de passageiros.

Embora esses sinais sejam promissores, um elemento vital da economia da cidade continua prejudicado: os prédios de escritórios.

Antes da pandemia, as torres de escritórios sustentavam todo um ecossistema de cafeterias, lojas e restaurantes. Sem aquele mesmo corre-corre de pessoas, milhares de empresas fecharam e placas de “aluga-se” ainda estão penduradas em muitas vitrines.

Mesmo com os apelos há meses do prefeito Eric Adams e da governadora Kathy Hochul para que as empresas exijam o retorno das pessoas ao escritório, até agora, muitas atenderam às demandas de seus funcionários para manter grande parte da flexibilidade de trabalho que passaram a desfrutar durante a pandemia.

Apenas 8% dos funcionários de escritório de Manhattan estavam indo trabalhar presencialmente cinco dias por semana do final de abril ao início de maio, de acordo com uma pesquisa da Partnership for New York City, grupo sem fins lucrativos formado pelos principais CEOs da cidade.

Cerca de 78% dos 160 principais empregadores entrevistados disseram que adotaram sistemas de trabalho híbrido, uma alta de 6% em relação ao período anterior à pandemia. A maioria dos trabalhadores planeja voltar ao escritório apenas alguns dias por semana, disse o grupo.

A mudança radical no uso de prédios de escritórios tem sido uma das situações mais desafiadoras em décadas para o setor imobiliário de Nova York, uma indústria fundamental para a cidade, e aniquilou a vasta oferta de escritórios em Manhattan, lar dos dois maiores bairros comerciais no país, o distrito financeiro e a região de Midtown, onde se concentram atrações famosas.

Cerca de 19% dos escritórios em Manhattan estão vagos, o equivalente a 30 Empire States. Antes da pandemia, esse número era de 12%, de acordo com a Newmark, empresa do setor imobiliário. Os prédios de escritórios estão mais firmes no Brooklyn, onde a taxa de desocupação também é de cerca de 19%, mas não oscilou muito desde antes da pandemia, segundo a Newmark.

Daniel Ismail, analista-chefe de escritórios da Green Street, empresa de pesquisa de imóveis comerciais, previu que o mercado de escritórios em Manhattan pioraria nos próximos anos, conforme as empresas ajustam seus esquemas de trabalho e os contratos de aluguel assinados anos atrás começam a expirar. No geral, as empresas que mantêm escritórios reduziram o tamanho deles, percebendo que não precisam de tanto espaço, enquanto outras se mudaram para prédios mais novos ou reformados com melhores comodidades em áreas com rica oferta de meios de transporte, disse ele.

Mesmo antes da pandemia, era comum que as empresas mudassem os endereços de seus escritórios pela cidade ou abrissem filiais fora de Manhattan. A cidade oferece um incentivo fiscal para empresas que se mudam para um bairro mais distante, com até US$ 3 mil em créditos no imposto de renda anual por funcionário.

Quase 200 empresas receberam o desconto em 2018, totalizando US$ 27 milhões em créditos fiscais, segundo os dados mais recentes disponíveis do Departamento de Finanças da cidade. Mas algumas construtoras de escritórios estão apostando que bairros fora de Manhattan se tornem atraentes por conta própria, atraindo empresas que desejam especificamente evitar a agitação da região de Midtown.

Milhares de metros quadrados de escritórios estão em construção no Brooklyn, incluindo um prédio comercial de 24 andares no centro da região.

A Two Trees Management, incorporadora imobiliária que transformou a área de Dumbo, está tornando a antiga refinaria de açúcar Domino, em Williamsburg, em um prédio de escritórios de 42 mil metros quadrados. Jed Walentas, CEO da empresa, disse ter tanta confiança no projeto que ele estava sendo renovado por especulação, sem fechar com inquilinos de escritórios de antemão.

“Você não pode ignorar a base de talentos que se mudou para o Brooklyn e para o Queens”, disse Walentas. “A ideia de que todos eles vão pegar a linha F ou L de trem ou qualquer outro trem para o centro de Manhattan está equivocada.”

Sem dúvidas, a recente tendência de escritórios nos bairros fora da região central ainda é incipiente, e os caprichos imprevisíveis da pandemia podem mudar seu curso no futuro.

Brian R. Steinwurtzel, co-CEO da GFP Real Estate, cuja empresa possui inúmeras propriedades em Manhattan, disse que o mercado de escritórios no Queens e no Brooklyn pode atrair certos nichos, como empresas biomédicas e de ciências da vida em Long Island City, Queens, onde a GFP tem vários imóveis.

Mas, no geral, Steinwurtzel deu uma avaliação sucinta do mercado fora do centro: “É terrível”.

De qualquer modo, apenas poder ter vistas panorâmicas de Manhattan já é suficiente para algumas empresas.

Quando a empresa de publicidade europeia Social Chain abriu um escritório nos EUA antes da pandemia, o grupo se instalou na área de Flatiron, um epicentro do mundo do marketing que ficou famoso décadas atrás pelas gigantes da publicidade na Madison Avenue.

Mas depois do início da pandemia, a empresa decidiu reavaliar sua localização, o prestígio de estar em Manhattan não tinha o mesmo magnetismo – ou necessidade, disse Stefani Stamatiou, diretora administrativa da Social Chain no país.

Ela visitou escritórios em Manhattan, mas nenhum parecia o ideal. Então ela atravessou o East River até chegar em Williamsburg e encontrou o endereço na 10 Grand St., um imóvel que também era da Two Trees. O lugar preenchia todos os requisitos – vistas livres de Manhattan, uma planta flexível e, o mais importante, um deslocamento mais curto para boa parte dos 42 funcionários da Social Chain.

Entre eles está Stefani, que agora sai de casa em Greenpoint e vai para o trabalho caminhando.

“Existem atividades na rua e restaurantes bem abaixo do prédio, assim como em Manhattan, mas há uma sensação de ar livre”, disse Stefani. “Fazia sentido estar onde os criativos estão, onde as pessoas estão.” /TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

https://economia.estadao.com.br/noticias/sua-carreira,empresas-nova-york-escritorios-perto-funcionarios,70004090133

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Valorização do ensino técnico entra na pauta de empresários

MBC quer levar de 12% para 40% profissionalização no ensino médio até 2030 para melhorar competitividade

Por Rafael Vazquez — Valor 02/08/2022 

Rogério Caiuby: empresas terão que abrir mais espaço para que parte da educação técnica ocorra dentro delas — Foto: Tiago Mendes/Divulgação

A digitalização da economia exige novos aprendizados que não estão sendo transmitidos com a agilidade adequada no Brasil, o que gera um custo de mais de R$ 123 bilhões ao ano para o setor produtivo devido à falta de capacitação técnica da mão de obra, segundo pesquisa do Ministério da Economia em parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MBC). Diante do cenário, um manifesto que será lançado nos próximos dias pede maior incentivo e respaldo para a ampliação da educação profissional no ensino médio.

Simultaneamente, a organização promete ajudar a mudar a cultura empresarial para que profissionais com formação técnica sejam tão valorizados quanto os de formação acadêmica.

Segundo o conselheiro-executivo do MBC, Rogério Caiuby, o movimento propõe a meta de triplicar a participação da educação profissionalizante entre os estudantes de ensino médio do país. A ideia é elevar, até 2030, a participação do ensino técnico de perto de 12% para 40% do total de matrículas, o que colocaria o país na média dos membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Contudo, para que isso seja possível, Caiuby reconhece que há um grande desafio a ser superado, que é mudar a maneira como os estudantes veem o ensino técnico e também a visão das empresas sobre os profissionais que fazem a carreira a partir de uma formação técnica em vez de acadêmica.

“Pouco vai adiantar fomentar essa demanda se não houver um reposicionamento da importância do ensino técnico dentro do setor privado. Muitas vezes os próprios alunos optam por não fazer o ensino técnico porque entendem que, se focarem nisso, estarão fadados a empregos ou cargos com uma limitação salarial desigualmente colocada”, observa Caiuby.

Para ele, é fundamental promover o que chamou de “ressignificação” do ensino técnico no Brasil. “Existe todo um reposicionamento da importância, relevância e contribuição que o ensino técnico pode ter para o setor produtivo.”

Para buscar esse objetivo, o MCB pretende realizar um trabalho conjunto com a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) com o objetivo de promover uma transformação cultural. Além disso, o movimento se propõe a mapear as necessidades de cada região para ajudar Estados e empresas a pensarem quais cursos fazem sentido para as diferentes vocações econômicas regionais do país.

“É fundamental que se tenha uma aproximação entre oferta e demanda. Não adianta nada o aluno fazer o ensino técnico e ter que sair de Manaus para ir a São Paulo praticar o que aprendeu. A ideia é fazer com que o ensino técnico seja uma forma de potencializar as vocações”, diz Caiuby.

Professor de cursos de Design Gráfico em uma unidade da Escola Técnica Estadual (Etec) em São Paulo, Raphael Depoian corrobora a função vocacional que o ensino técnico exerce para os jovens. “Um aluno que faz o ensino técnico junto com o médio já pode começar a pensar na carreira antes e testar o que realmente gosta sem perder o senso crítico da escola, sem a mecanização que às vezes o curso técnico sofre como crítica”, afirma.

Nesse ponto, Depoian destaca que a economia mudou e muitas profissões novas surgiram nos últimos 30 anos, o que torna o ensino técnico uma opção eficaz tanto para o mercado quanto para os estudantes. “Lá atrás, era muito pequena a oferta de cursos de ensino técnico. Isso foi ampliado de forma muito grande. Tem muito curso técnico bem específico que foi criado de acordo com a realidade das profissões que apareceram.”

Segundo Caiuby, isso é resultado da digitalização da economia e das empresas, o que tende a exigir cada vez mais formação técnica dos jovens desde cedo. A falta dessa educação impacta negativamente a capacidade do Brasil competir no mundo. “Essa transformação que a gente está passando agora para uma economia de conhecimento fomentada pelo digital faz com que essa mudança do ensino já esteja acontecendo na prática. Temos de 300 a 500 mil vagas no entorno digital que não conseguem ser preenchidas no país”.

Há um ponto de discussão, porém, entre educadores e estudantes que se queixam de que as empresas costumam exigir pré-requisitos demais para jovens egressos dos cursos técnicos. “Muitas vezes as empresas pedem muito mais do que um curso técnico consegue oferecer para um aluno em pouco tempo. Isso acaba desmotivando alguns estudantes, uma minoria, pela dificuldade em se inserir no mercado de trabalho”, conta Depoian.

No manifesto, o MBC promete trabalhar nessa questão e propõe, inclusive, um maior dinamismo na oferta de cursos técnicos de períodos mais curtos, de seis meses, por exemplo, mas reconhece que precisa haver uma boa vontade das empresas para absorverem esses trabalhadores com o conhecimento adquirido, mesmo que exijam um processo de aprendizado contínuo. “Todo ensino técnico precisa ter um ‘que’ de prática. As empresas também terão que abrir mais espaço para que parte dessa educação aconteça dentro do seu espaço”, diz Caiuby.

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2022/08/02/valorizacao-do-ensino-tecnico-entra-na-pauta-de-empresarios.ghtml

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Chinesa BYD ultrapassa Tesla em arrancada na venda de carros elétricos

A empresa da Ásia quer usar o Brasil como uma de suas principais plataformas

Por Luiz Felipe Castro – Veja –  5 ago 2022 

Não resta dúvida que o futuro da mobilidade passa pela eletrificação. Cada vez mais, as montadoras atendem às demandas do planeta pela redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) e desenvolvem tecnologias sustentáveis para substituir veículos poluentes por modelos a bateria ou híbridos, aqueles com um motor elétrico e outro a combustão. Atualmente, há no mercado carros “verdes” tão velozes quanto os tradicionais, com preços semelhantes na faixa premium. A americana Tesla é a pioneira no setor, mas já começa a sofrer pressão dos concorrentes. A ameaça, antes restrita a gigantes europeus, agora vem do Oriente.

A chinesa BYD (lê-se ‘bi-uai-di’, na pronúncia em inglês) celebrou no primeiro semestre a inédita liderança global nas vendas de carros eletrificados, que incluem elétricos a bateria (BEV) e híbridos plug-in (PHEV). No período, foram emplacadas 641 350 unidades, quase 80 000 a mais do que da Tesla — que, por sua vez, só fabrica 100% elétricos. A companhia sediada em Shenzhen,fundada em 2003 por Chuanfu Wang e financiada pela Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, levou vantagem por produzir as próprias baterias e assim lidar melhor com a crise de suprimentos. Por sua vez, a Tesla, do bilionário Elon Musk, sofreu com a paralisação de sua maior fábrica, a Giga Shanghai, justamente em solo chinês.

Apesar de 97% de suas vendas terem ocorrido na China, a BYD tem um plano de expansão audacioso, do qual o Brasil é protagonista. A marca está estabelecida no país desde 2015 e mantém duas fábricas em Campinas (SP) e uma em Manaus. Além disso, possui projetos de monotrilho em Salvador e em São Paulo. Agora, a meta é crescer com a chegada de modelos híbridos como o BYD Song. “Os veículos corporativos estão no DNA da empresa, mas há quatro anos iniciamos um projeto para ganhar volume e nos posicionarmos como líderes de mercado”, diz Henrique Antunes, diretor de vendas da BYD Brasil. Até o fim de setembro, a companhia prevê a abertura de dezoito concessionarias em grandes cidades brasileiras, onde o cliente poderá comprar, além do carro, painéis solares e carregadores da marca.

Em alta velocidade, a China acelera e vai deixando para trás o estigma que a relacionava à produção de produtos falsificados ou de baixa qualidade — os populares e preconceituosos “xing ­ling”. Uma das razões é o investimento prioritário em design. A BYD criou um setor específico e contratou medalhões da indústria, como Wolfgang Egger (ex-Audi) e Michele Paganet (ex-Mercedes-Benz). “Temos hoje carros mais sexy e com padrão internacional de acabamento”, diz Henrique Antunes. O sucesso da parceria Caoa Chery e os investimentos de Jac Motors e Great Wall confirmam os bons ventos chineses no país. 

Há nesse debate um fator crucial: mais da metade da produção de bateria para carros vem da Ásia. A chinesa CATL é líder, com a sul-coreana LG, a japonesa Panasonic e a própria BYD na disputa. “Os chineses estão comendo pelas beiradas e expandindo sua presença internacional, mas ainda levará um tempo até entrarem nos Estados Unidos, até por questões geopolíticas”, explica Flavio Padovan, sócio da Padovan Consulting. “A Tesla depende dos produtores chineses e no futuro é possível que haja uma grande rivalidade.” A BYD revelou a VEJA que já realiza pesquisas de mercado nos Estados Unidos e que otrabalho desenvolvido no Brasil servirá de base para o futuro sonho americano.

Os eletrificados foram responsáveis por 8% das vendas de automóveis no mundo em 2021, com a Tesla na liderança, seguida pela Volkswagen. A consultoria AlixPartners projeta que o número deverá subir para 33% até 2028 e para 54% até 2035. No Brasil, em razão de problemas de infraestrutura e impostos, a caminhada é mais lenta (na casa dos 2%), mas constante. Foram vendidos cerca de 20 000 eletrificados no primeiro semestre e o país superou a marca de 100 000 máquinas desse tipo em circulação, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A revolução está em curso e a China sabe disso melhor do que ninguém.

Publicado em VEJA de 10 de agosto de 2022, edição nº 2801 

https://veja.abril.com.br/comportamento/chinesa-byd-ultrapassa-tesla-em-arrancada-na-venda-de-carros-eletricos/

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Tecnologia é grande aliada do combate à desperdícios

Redes de supermercado buscam formas de reduzir consumo de energia e fazer gestão mais eficiente de resíduos

Por Katia Simões, Para o Prática ESG/Valor — São Paulo 14/07/2022 

Segundo maior custo do varejo supermercadista, perdendo apenas para a folha de pagamento, com gastos equivalentes a R$ 3 bilhões por ano, segundo dados da Abras, a economia de energia também é foco de atenção. Reduzir o consumo ou gerar a própria energia podem significar alguns milhões de reais a mais no caixa. O GPA foi uma das primeiras empresas supermercadistas a pensar em fontes de energia renovável. O trabalho foi iniciado em 2005 e a meta é chegar a 95% das lojas até 2024. Entre as ações adotadas figuram a troca da ilha de produtos refrigerados para diminuir perdas térmicas, automação do sistema de ar condicionado, troca da iluminação por lâmpadas de led e instalação de usinas solares em algumas unidades, além da adoção em junho de 2021 de veículos elétricos para entregas do pedido de e-commerce.

Esse também foi o caminho adotado pela Condor Super Center, que passou a produzir a própria energia. “Geramos 4 mil megawatts/ano, o equivalente ao consumo de 26 mil residências”, afirma Maurício Bendixen, diretor de operações. “Em 2015, começamos a instalar painéis solares nas lojas. Das 56 unidades, 10 já geram a própria energia”.

De acordo com o estudo Geração Distribuída: Mercado Fotovoltaico, realizado pela Greener Consultoria, o varejo, principalmente os supermercados, é o setor que mais instala sistema solares, com 38% da aparelhagem em atividade no país. A pesquisa revela que 74% das instalações comerciais foram direcionadas para a categoria.

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De olho nos avanços da tecnologia, o Atacadão, com 252 lojas, optou pela integração na plataforma de gestão da cadeia de resíduos desenvolvida pela startup Vertown. “O serviço é disponibilizado via assinatura mensal, no modelo SAS, e permite acompanhamento de todos os indicadores em tempo real, o que facilita a tomada de decisão, além da gestão dos próprios fornecedores”, afirma Natan Seabra, diretor de branding. “Dentro da plataforma, todos os registros são feitos em blockchain, o que garante segurança e transparência ao processo”. Em 2021, a plataforma, que conta com 60 clientes ativos, entre indústria e varejo, registrou o reaproveitamento de 500 toneladas de resíduos, gerando R$ 1 bilhão em economia e 650 toneladas de CO² que deixaram de ser enviados à atmosfera.

Com sede em Fortaleza (CE) e 16 lojas distribuídas pelo Ceará, o Pinheiro Supermercado é um bom exemplo de pequena rede que traz a inovação no DNA e avança na agenda ESG. A rede foi a primeira a adotar os padrões GS1 (GS1DataBar) nas etiquetas dos alimentos frescos embalados (frutas, verduras e legumes). “Na prática, isso significa que o cliente, quando passa no caixa, é avisado sobre a data de validade do produto adquirido e o lote a que aquele alimento pertence”, diz Virgínia Vaamonde, CEO da Associação Brasileira de Automação-GS1. “Essas são apenas algumas das informações que o varejo poderá disponibilizar, além de dados sobre reciclagem, o que habilita o fluxo da economia circular; rastreabilidade do campo à mesa, sem contar a possibilidade de interação do consumidor com a marca. O céu é o limite”.

Segundo Luciana Aguiar, gestora de qualidade do grupo Pinheiro, foram investidos cerca de R$ 15 mil na criação das novas etiquetas (GS1Databar) e customização do sistema, uma vez que o supermercado já contava com uma boa estrutura digital. “Trata-se de um avanço nas ações voltadas para diminuição tanto do impacto tanto social, quanto ambiental, dos resíduos gerados por nossas operações”, afirma a executiva.

Segundo ela, o trabalho mais estruturado foi iniciado há 10 anos, envolvendo três frentes: resíduos sólidos (garrafas pets e latinhas) que são comercializados, com a renda usada para abater custos com energia do Instituto Bom Menino, que atende crianças da comunidade; venda de papelão e plástico, também com recursos revertidos ao Instituto; e resíduos orgânicos que são distribuídos para entidades cadastradas quando próprios para consumo ou reaproveitados na produção de novos produtos.

Em 2021, o Pinheiro Supermercado descartou 7.672, 5 quilos de papelão e plástico, volume abaixo do registrado no ano anterior (9.878,12 kg). O mesmo desempenho, contudo, não se repetiu com o descarte de resíduos orgânicos. Em 2021 foram 23.560 quilos de sebo e osso, contra 19.968 quilos em 2020.

Luciana Aguiar, gestora de qualidade do grupo Pinheiro — Foto: Divulgação

https://valor.globo.com/patrocinado/cpfl-energia/esg/noticia/2022/07/14/tecnologia-e-grande-aliada-do-combate-a-desperdicios.ghtml

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Como Taiwan se tornou uma potência econômica (e por que hoje é tão importante para o mundo)

As escolhas feitas pelo governo há 60 anos transformaram a ilha em um gigante tecnológico, fundamental para China e EUA

Carlo Cauti – Exame –  04/08/2022 

A crise em andamento no estreito de Taiwan está preocupando os analistas internacionais, pois poderia desencadear uma guerra entre as maiores potências do planeta: China e Estados Unidos.

Taiwan é estratégica devido à sua posição geográfica e sua força econômica. Ninguém pode prescindir da ilha por causa de suas produções tecnológicas. E por isso que sua defesa justificaria um conflito entre Washington e Pequim.

Esse microestado, cuja extensão territorial é menor do que o estado do Rio de Janeiro e tem uma população comparável a da Grande São Paulo, possui um peso específico econômico bem superior a seu tamanho físico.

As empresas taiwanesas dominam dois terços do mercado globais de semicondutores. No caso dos processadores mais avançados, apenas uma empresa, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), controla 84% da produção mundial.

Taiwan também domina o comércio internacional, com um décimo da capacidade global de transporte nas mãos de empresas locais, como Evergreen, Yang Ming Marine e Wan Hai. Além de controlar dois maiores portos do mundo: Kao-hsiung e Taipei.

A China, que está ameaçando invadir a ilha, é atualmente o maior parceiro comercial de Taiwan, com mais de 26% do comércio total.

Em segundo lugar, estão os Estados Unidos, com 13%, seguidos pelo Japão (11%), União Europeia e Hong Kong (ambos com 8%).

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Taiwan é uma ilha altamente tecnológica

Taiwan é um país extremamente avançado em termos de tecnologia. O país tem o maior número de ações de tecnologia listadas em sua Bolsa de Valores.

Os produtos de alta tecnologia representam mais de dois terços das exportações taiwanesas, entre eletroeletrônicos, equipamentos mecânicos, produtos ópticos e médicos e até componentes em fibra de carbono para bicicletas.

Exportando bens com elevado valor agregado, Taiwan conseguiu obter uma balança comercial largamente positiva, com exportações totais de mercadorias em US$ 347 bilhões e importações de US$ 287 bilhões. Suas reservas internacionais são as sextas maiores do mundo, com mais de meio trilhão de dólares.

O país é o terceiro que mais gasta no planeta em pequisa e desenvolvimento: cerca 3,5% de seu produto interno bruto (PIB). Atrás apenas de Israel e Coreia do Sul.

E está se tornando a vanguarda em setores fundamentais para o futuro do mundo, como biomedicina, internet das coisas, energia verde e economia circular.

Não por acaso, tem uma das maiores taxas de produtividade do trabalho da terra, de mais de 2 mil horas por ano em 2020.

Natural consequência desse progresso tecnológico e dessa elevada produtividade é uma renda média per capita de US$ 35 mil, o equivalente a mais de três vezes a média mundial.

Além da força econômica, Taiwan está estrategicamente posicionado na Ásia. Segundo dados do Australian Strategic Policy Institute, no estreito de Taiwan transita cerca de um terço do transporte marítimo global e um quarto de todo o comércio mundial em volume.

É por isso que China e EUA têm um interesse vital em manter essa área marítima transitável.

Grande desenvolvimento, mas tensão geopolítica

Taiwan não é o único país pequeno que conseguiu se destacar e desempenhar um papel fundamental na economia global. A Irlanda, Israel e Suíça são outros exemplos semelhantes.

Mas alcançar esse resultado não foi fácil, principalmente pela constante tensão geopolítica que a ilha enfrentou ao longo dos últimos 60 anos.

Mesmo com a constante ameaça de invasão da China comunista, Taiwan transformar um território pobre e sem recursos naturais, menosprezado por séculos pelos chineses “continentais’ (tanto que os imperadores chineses chegaram a apelidar a ilha de “bola de lama inútil”) para uma potência econômica e um dos países mais prósperos do mundo.

Aquilo que nos livros de história econômica se chama de “milagre econômico taiwanês“.

Mas além das ameaças externas, Taiwan também conseguiu evitar de cair na chamada “armadilha da renda média”.

A ilha foi um dos pouquíssimos lugares do mundo que conseguiu realizar com sucesso a transição de uma economia baseada em mão de obra barata e recursos naturais para uma economia do conhecimento e produções em elevado valor agregado.

Essa transição exitosa se baseou em quatro pilares.

O primeiro foi o foco na educação da população e as políticas sociais. Em um relatório de 1968, o Banco Mundial descreveu o sistema educacional como “bem desenvolvido”, com uma taxa de alfabetização de 93%, e definiu os programas de planejamento familiar de Taiwan como “entre os maiores do mundo”.

O segundo pilar foi uma política cuidadosa que alternou entre abertura às multinacionais voltadas para a exportação e protecionismo em setores estratégicos.

Tudo isso sem abrir mão do planejamento, o terceiro pilar. Há 50 anos o governo de Taiwan decidiu transformar a ilha uma potência na produção de computadores, e hoje se tornou um dos maiores produtores do planeta.

Em outras palavras, uma vez definido um objetivo, o todo sistema atua para alcançá-lo, orientando as escolhas do mercado, sem todavia violar os direitos de propriedade particular.

O quarto pilar foi o fundamental apoio às pequenas e médias empresas, que com o suporte do governo se tornaram protagonistas da integração global como subfornecedores de grandes grupos de informática.

A questão que o mundo está se pondo é: o que vai acontecer com Taiwan em caso de guerra ou de anexação por parte da China? A ilha vai continuar sendo uma potência econômica e um polo de pesquisa e desenvolvimento mundial ou será o fim do “milagre taiwanês”?

https://exame.com/mundo/taiwan-potencia-economica-fundamental-china-eua/

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Como empregados são cada vez mais vigiados por patrões com trabalho remoto

BBC.com 4 julho 2022

BBC.com 4 julho 2022

Joshua sabe que ter seu trabalho monitorado é parte do seu emprego.

Seu empregador, uma corretora do mercado financeiro com sede em Londres, usa um sistema de software que rastreia automaticamente sua atividade. O sobrenome de Joshua foi omitido para proteger sua segurança no trabalho.

Todos os detalhes do seu computador de trabalho foram otimizados para permitir seu monitoramento: desde o tempo para o desligamento da tela, definido na menor configuração para que o patrão possa verificar com mais facilidade se ele está ocioso, até uma ferramenta de bate-papo instantâneo, projetada especificamente para uso em qualquer comunicação com os colegas.

Ele trabalha de casa com a premissa de que o seu patrão pode verificar qualquer login ou toque no teclado ou no mouse.

Joshua afirma que está tão acostumado a ser rastreado que muitas vezes se esquece disso. “Os bancos de investimento geralmente operam sob paranoia. Os dados que manuseamos são tão sensíveis que qualquer funcionário insatisfeito pode causar grandes danos”, segundo ele.

Embora ele nunca tenha sido explicitamente informado que está sendo monitorado, Joshua explica que isso é comum no seu setor. A legislação do Reino Unido exige que as empresas do setor financeiro tenham um programa de vigilância. E, nos Estados Unidos, as instituições financeiras são obrigadas a manter registro de todas as comunicações relacionadas ao trabalho.

Para Joshua, isso cria uma cultura de trabalho onde qualquer passo em falso pode ser identificado e punido, graças à tecnologia de monitoramento.

“Você precisa entender que tudo o que você escreve está sendo lido pela gerência”, explica ele. “Tudo está bem até o dia em que você é pego desprevenido e é demitido por dizer algo considerado inadequado.”

O monitoramento dos funcionários existe há algum tempo sob vários disfarces, desde o registro do tempo no chão de fábrica até a coleta de dados dos trabalhadores em setores fortemente regulamentados, como o financeiro.

Mas o software de vigilância, muitas vezes com natureza clandestina, começou a se infiltrar nos trabalhos administrativos em meio à pandemia, espalhando-se entre os setores que tradicionalmente não exigiam o rastreamento escrupuloso dos funcionários.

Agora, com os padrões de trabalho remoto e híbrido tornando-se cada vez mais comuns, os empregadores buscam gerenciar os resultados e as equipes com software de monitoramento.

  • Embora isso possa ajudar a permitir a colaboração fora do escritório, em alguns casos, essas ferramentas de vigilância podem também ser implementadas em meio ao receio de de que os funcionários não farão seu trabalho longe dos olhares dos patrões.

Mas, e se os funcionários começarem a não gostar de ser vigiados, isso poderá destruir sua confiança e motivação? Ou o problema não é necessariamente a tecnologia, mas sim a forma como ela está sendo implementada?

Desde a vigilância nas lojas até o monitoramento em call centers, alguns patrões utilizam a tecnologia há muito tempo para vigiar seus funcionários, seja por questões de segurança ou de desempenho.

Scott Walker, diretor-gerente da empresa britânica de recursos humanos XpertHR, afirma que os funcionários desses setores tendem a aceitar mais o monitoramento, pois a sua importância para os negócios se estabeleceu há muito tempo.

“Em certos ambientes de trabalho, como os call centers, o monitoramento é usado para fins de treinamento. Em outros setores que precisam atender a exigências legais, a coleta de dados [também] faz sentido”, segundo ele.

Mas a pandemia disparou o uso indiscriminado do monitoramento dos funcionários. 

À medida que as equipes começaram a trabalhar em casa, alguns patrões instalaram software de vigilância para acompanhar sua produtividade.

Um estudo de dezembro de 2021 com mais de 2.209 trabalhadores no Reino Unido concluiu que 60% deles acreditavam terem sido submetidos a algum tipo de vigilância e monitoramento no seu emprego atual ou no mais recente, em comparação com 53% em 2020.O uso dessas ferramentas de monitoramento cresceu mesmo quando grande parte dos empregados retornou ao escritório em tempo integral ou parcial. A empresa de consultoria Gartner afirma que o percentual de empregadores norte-americanos de médio e grande porte que usam ferramentas de monitoramento dobrou para 60% desde março de 2020.

Segundo Brian Kropp, vice-presidente e chefe de pesquisa de RH do grupo Gartner, esse número deve atingir 70% nos próximos dois anos. “Originalmente, as empresas estavam preocupadas com as pessoas trabalhando em casa: ‘eles vão trabalhar ou apenas sentar e assistir à TV?'”, afirma ele. “As ferramentas de rastreamento foram introduzidas para monitorar a produtividade.”

Grande parte desse software de vigilância vem sendo instalada desde então nos computadores de trabalho, com ou sem o conhecimento dos funcionários. Apelidados de bossware (derivado de boss, ou “patrão” em inglês), diversos desses programas podem registrar toques no teclado, fazer cópias de tela e ativar secretamente as câmeras dos funcionários que trabalham em casa.

Muitas vezes, essa tecnologia passa despercebida, o que significa que os trabalhadores podem não saber que o seu patrão realmente os está espionando.

E, enquanto o trabalho remoto florescia, a vigilância também prosperava. Os funcionários de bancos de investimento, por exemplo, vêm se queixando de que isso está sendo feito dissimuladamente por meio de seus cartões de identificação e dados de presença.

O monitoramento estendeu-se até aos setores que não têm necessariamente histórico de rastreamento dos funcionários. Kate, por exemplo, trabalha para uma agência de design e marketing da Califórnia, nos Estados Unidos. Quando os funcionários começaram o trabalho remoto, foi instalado um dispositivo de rastreamento no seu computador.

Foi dito a ela que o software era um meio de controlar suas horas. Mas, além dos horários de acesso, ele controla as abas do seu navegador – e, periodicamente, também faz capturas de tela que são enviadas para a companhia para análise.

Kate – cujo sobrenome também é omitido – afirma que o software afeta seus intervalos. “Não sei ao certo por que a captura das minhas telas criando ilustrações é essencial para o meu trabalho. E o software realmente reduz a velocidade do meu computador”, explica ela.

“Fico nervosa até para assistir a um vídeo de cinco minutos no meu horário de almoço, porque tenho medo de que alguém veja uma captura de tela do YouTube e isso possa causar minha demissão.”

 

As consequências de longo prazo

Como era de se esperar, o rápido aumento do monitoramento dos funcionários vem corroendo as relações entre empregados e empregadores. À medida que aumenta a vigilância, a desconfiança dos trabalhadores também cresce.

Em uma pesquisa recente envolvendo 2 mil trabalhadores americanos remotos e híbridos, 59% deles relataram sentir estresse ou ansiedade com seu empregador observando suas atividades online.Os principais fatores incluem imaginar constantemente se estão sendo observados e a pressão para trabalhar por mais tempo e fazer menos intervalos durante o dia. Quase a metade afirmou que a vigilância é violação da confiança.

Kropp afirma que a natureza dissimulada do monitoramento pode ser muito prejudicial para a confiança do funcionário. “De forma geral, os trabalhadores não estão muito animados com a ideia da vigilância”, segundo ele.

“Mas você pode responder às preocupações sendo honesto e transparente sobre os motivos por que está fazendo e como os dados estão sendo utilizados.”

“Quando a empresa não comunica e os funcionários descobrem que estão sendo monitorados, isso se torna um problema maior. Os funcionários ficam imaginando por que estão sendo observados e tendem a começar a acreditar que o seu empregador está ‘à sua caça'”, afirma Kropp.

Como cada vez mais empresas agora têm algum tipo de monitoramento, ficará cada vez mais difícil para os trabalhadores escolher empresas que não tenham alguma forma de vigilância dos funcionários, mesmo em meio à crise de contratação e à luta por talentos em alguns países.

As ferramentas remotas usadas pelos trabalhadores, por exemplo, estão sendo cada vez mais integradas à tecnologia de monitoramento. “Provavelmente, não teremos tecnologia separada para monitorar ou rastrear os funcionários no futuro”, afirma Kropp. “Ela ficará mais incorporada ao que fazemos e como trabalhamos. As [mesmas] ferramentas que usamos para trabalhar são aquelas que irão nos rastrear.”

Além disso, algumas empresas chegam a implementar o mesmo software rastreador da produtividade para monitorar o bem-estar dos trabalhadores, segundo Kropp: “A coleta de dados é essencialmente a mesma. Elas ainda procuram o mesmo tipo de coisas: uso do teclado, expressões faciais e sua interpretação, mas com a perspectiva de descobrir se alguém está trabalhando demais e se há risco de esgotamento.”

Alguns especialistas acreditam que a crescente onipresença do monitoramento dos trabalhadores, além do desconforto dos funcionários, poderá prejudicar o ambiente de trabalho.

“Mais que uma cultura de medo, pode ser criada uma cultura de falta de confiança”, afirma Kropp. “Essa falta de confiança torna tudo mais difícil para a organização conseguir fazer seu trabalho.”

Mas o problema não é necessariamente a tecnologia, mas sim como ela é implementada. Um certo grau de monitoramento pode, na verdade, ser benéfico para gerenciar o fluxo de trabalho e o ânimo dos funcionários, particularmente entre as equipes remotas e híbridas.

A startup de análise de dados Stellate, com sede em São Francisco, nos Estados Unidos, possui uma equipe totalmente remota espalhada pelo mundo. Além das ferramentas de colaboração, ela rastreia o desenvolvimento dos funcionários com software de treinamento e tutoria.

“Você precisa reunir as equipes em torno das ideias e da intenção por trás do monitoramento, para conciliar o processo em seguida”, afirma Sue Odio, chefe de operações da Stellate. “É menos sobre o produto que você usa e mais sobre a intenção.”

Kropp acredita que, na próxima fase do trabalho híbrido, os empregadores definirão uma ética sobre se, quando e como o monitoramento deve ser implementado. Para ele, as orientações transparentes ajudarão os funcionários a escolher a empresa certa para eles.

“Algumas empresas poderão dizer que dão o máximo de autonomia e flexibilidade para o funcionário, com zero monitoramento e total confiança. Outras deixarão claro que existe maior vigilância e apresentarão o salário como sua proposta de valor”, segundo ele.

Joshua se acostumou com o registro das suas atividades.

“Antes, eu tinha sensores de calor e movimento instalados sob a minha mesa”, segundo ele.

“Agora, é mais sutil. Mesmo trabalhando remotamente, é muito fácil para eles saber o que estou fazendo, graças às ferramentas de monitoramento. Para mim, não é questão de justiça; é simplesmente uma consequência do processo.”

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Worklife.

https://www.bbc.com/portuguese/geral-62017600

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Chef-robô consegue “degustar” pratos como um ser humano

Por Munique Shih | Editado por Douglas Ciriaco | Canaltech/Universidade de Cambridge 08/05/2022

Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, projetaram um chef-robô capaz de classificar o sabor de pratos diferentes. Ele consegue, ainda, sentir o gosto e a textura de diversos ingredientes nos diferentes estágios da mastigação — adotando um processo semelhante ao dos humanos.

O robô consegue provar qualquer prato, determinar se ele está temperado da forma correta e adequar o sabor dos alimentos, com base nas preferências do usuário. Para ensinar o robô sobre o gosto ideal dos alimentos, os pesquisadores dividiram o processo de degustação em três etapas diferentes da mastigação, fazendo com que ele provasse nove variedades de ovos mexidos com tomates.

Um sensor de salinidade conectado ao braço do robô forneceu leituras durante o preparo dos pratos. Para imitar a mudança da consistência dos alimentos durante o progresso da mastigação, a equipe mudou as misturas de ovos com tomates e fez a máquina degustar os pratos novamente.

A prova dos pratos resultou em “mapas de sabor” diversos, o que pode contribuir para a automatização do preparo de alimentos saborosos sem a presença de interferência humana no futuro.

Robô e chefe de cozinha

A novidade marca uma evolução no campo da tecnologia de degustação eletrônica, onde a maioria dos robôs testa apenas uma única amostra homogeneizada. Segundo os cientistas, replicar o processo humano aumentou a capacidade do robô de avaliar a salinidade dos pratos com mais rapidez.

“Se os robôs forem usados ​​para certos aspectos da preparação de alimentos, é importante que eles sejam capazes de ‘saborear’ o que estão cozinhando”, disse o pesquisador Grzegorz Sochacki, do departamento de engenharia de Cambridge.

Segundo os cientistas, o conceito de “provar à medida que você cozinha” para verificar o equilíbrio dos sabores de um prato é fundamental, visto que o mecanismo do paladar humano depende da saliva produzida durante a mastigação e das enzimas digestivas para entender se o alimento é saboroso.

Além de detectar o nível ideal de salinidade dos pratos, o chef-robô também é capaz de decidir se há a necessidade de acrescentar mais ingredientes para melhorar o sabor, disse Sochacki.

Os pesquisadores esperam melhorar as capacidades de degustação do robô para que ele se adapte aos gostos de cada indivíduo, como a preferência por alimentos doces e gordurosos, além de torná-lo essencial para as famílias no futuro.

“Esse resultado é um avanço na culinária robótica e, usando algoritmos de aprendizado de máquina e de aprendizado profundo, a mastigação ajudará os chefs-robôs a ajustar o gosto para diferentes pratos e usuários”, disse o cientista sênior da fabricante de eletrodomésticos Beko, Muhammad Chughtai.

Fonte: Frontiersin, Gadgets360

https://canaltech.com.br/inovacao/chef-robo-consegue-degustar-pratos-como-um-ser-humano-215564/

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