Verolme: o estaleiro que ensinou Angra dos Reis a fazer navios — e o que perdemos quando ele afundou

Paulo Gala – 06/11/2026 – Blog Paulo Gala

Durante mais de trinta anos, o maior estaleiro do Brasil ficou em Jacuecanga, um bairro de Angra dos Reis à beira da BR-101. Chamava-se Verolme. No seu auge, no fim dos anos 1970, empregava cerca de 12 mil pessoas, quase um terço de todos os trabalhadores navais do país, num momento em que o Brasil era o segundo maior construtor de navios do mundo, atrás apenas do Japão.

Poucos lugares no Brasil ilustram tão bem o que significa ganhar e perder capacidades produtivas. A história do Verolme é a história de uma cidade que aprendeu a fazer uma das coisas mais difíceis da indústria pesada, viveu disso por uma geração, viu tudo parar em 1995 e, desde então, convive com a pergunta que atravessa toda a discussão de complexidade econômica: de onde vêm, e para onde vão, os empregos de qualidade?

Um holandês, JK e uma baía funda

O estaleiro começou a operar em 1959 como Verolme Estaleiros Reunidos do Brasil, braço do grupo holandês liderado por Cornelis Verolme, que dois anos antes havia aberto o maior estaleiro da Holanda. Era o Brasil de Juscelino Kubitschek, empenhado em instalar a indústria pesada a qualquer custo, e a construção naval entrou nesse projeto como peça central.

A escolha de Angra não foi por acaso. A baía oferecia águas profundas e abrigadas, o porto ficava ao lado e a Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, estava perto o bastante para fornecer o aço. Somavam-se a isso o interesse da Marinha e uma garantia federal de reserva de mercado para os navios feitos no país.

O primeiro navio, o cargueiro Henrique Lage, ficou pronto em 1962, com 10,5 mil toneladas de porte bruto (TPB). Foi o começo de uma escalada de escala e de sofisticação que, em menos de vinte anos, colocaria o estaleiro entre os grandes do mundo.

O auge: navios de 150 mil toneladas e uma cidade inteira em volta

A escalada aparece no tamanho dos cascos. Do Henrique Lage, de 10,5 mil TPB, o estaleiro passou ao graneleiro Doceangra, de 53 mil TPB, em 1971, e ao petroleiro Bragança, de 116,5 mil TPB, em 1974. Em 1977 vieram os mineropetroleiros da classe Muriaé, com 135 mil TPB, e em 1986 o graneleiro Docebay, com 150 mil TPB.

O Verolme não fazia só navios mercantes. Construiu a plataforma Petrobras V em 1979, as corvetas Frontin e Júlio de Noronha para a Marinha e venceu concorrências internacionais, exportando graneleiros para armadores gregos e para navios de bandeira liberiana. Isso exige integrar estrutura metálica, propulsão, elétrica, hidráulica, instrumentação e sistemas de armas num único produto.

O motor dessa expansão foram os Planos de Construção Naval, financiados pelo Fundo da Marinha Mercante. Em 1979 o país tinha 39,2 mil trabalhadores navais, e 12 mil deles estavam no Verolme. O estaleiro sozinho respondia por 30,6% do emprego do setor no Brasil.

Angra mudou de forma. A população do município crescia cerca de 3,4% ao ano nos anos 1960, e a do distrito de Jacuecanga, onde fica o estaleiro, perto de 8% ao ano. Bairros como Village, BNH, Monsuaba, Biscaia e Camorim nasceram em torno do estaleiro, com migrantes vindos da Baixada Fluminense e de outras regiões.

E havia a “Escolinha da Verolme”. Milhares de jovens da região foram formados ali nos ofícios da construção naval e absorvidos pelo próprio estaleiro. Para uma cidade litorânea do interior fluminense, era uma porta de entrada para o trabalho industrial qualificado, com salário, carteira assinada e carreira.

A queda: da crise dos anos 1980 ao portão fechado em 1995

O modelo começou a rachar no início dos anos 1980. A crise da dívida secou o financiamento público, a Sunamam, que administrava os recursos do setor, entrou em colapso financeiro, e o frete marítimo mundial despencou. Entre o fim de 1982 e 1986 a indústria naval brasileira viveu demissões em massa: o emprego no setor caiu de 33,8 mil em 1980 para 21,5 mil em 1985.

O Verolme tentou se adaptar. Em 1983 o controle passou do grupo holandês para investidores brasileiros, e o estaleiro buscou novas encomendas, inclusive militares e de plataformas. Em 1991, já em concordata, foi comprado pelo grupo do empresário Nelson Tanure, que controlava a Emaq; pouco depois o grupo assumiu também a Ishibras, e os estaleiros foram reunidos na Indústrias Verolme-Ishibras.

A abertura comercial dos anos 1990 e o fim das políticas setoriais completaram o quadro. Sem crédito de longo prazo, sem encomendas da Marinha Mercante e sem uma estratégia de exportação, o estaleiro parou em 1995, pela primeira vez em sua história. Ficou cerca de cinco anos desativado.

O efeito em Angra foi devastador. Anos depois, um secretário municipal resumiu o período dizendo que todo o comércio de Jacuecanga morreu: as lojas continuavam lá, mas não havia mais comércio. A cidade perdia, de uma vez, sua principal atividade econômica, sua maior fonte de salários industriais e boa parte da arrecadação.

O renascimento offshore, e uma nova queda

Em 2000 o estaleiro voltou à vida pelas mãos da Fels Setal, sociedade entre a Keppel Fels, de Cingapura, com 60%, e a Pem Setal, de São Paulo, com 40%. Ganhou o nome de BrasFELS, embora em Angra quase todo mundo continue chamando de Verolme. A ironia histórica é que o grupo de Cingapura acabou controlando também a antiga Verolme holandesa.

O renascimento veio pelo petróleo, não pelos navios. Com as políticas de conteúdo local e a expansão da Petrobras, o estaleiro passou a construir e integrar plataformas, módulos de FPSOs e sondas. Seguiu como um dos maiores do país, embora em 2008 o Atlântico Sul, em Ipojuca, tenha tomado o posto de maior.

O ciclo se repetiu em 2015. Com a Petrobras cortando investimentos e a Sete Brasil sem pagar pelas sondas encomendadas, o estaleiro anunciou cerca de 2 mil demissões. A prefeitura estimava cinco empregos indiretos para cada trabalhador naval, ou seja, ao menos 10 mil postos ameaçados na cidade. Os moradores mais velhos lembravam o fechamento dos anos 1990.

Hoje o estaleiro pertence à Seatrium, resultado da fusão entre a Keppel Offshore & Marine e a Sembcorp Marine em 2023. Trabalha em módulos de topside para FPSOs, como o do campo de Raia, operado pela Equinor, e para unidades da Petrobras na Bacia de Santos. É uma operação relevante, mas voltátil, que contrata e demite ao sabor das encomendas de petróleo.

O que a complexidade econômica nos ensina sobre o Verolme

A literatura de complexidade econômica, de Hausmann e Hidalgo, parte de uma ideia simples: a riqueza de um lugar é o conhecimento produtivo que ele acumula em pessoas, empresas e redes. Esse conhecimento é em grande parte tácito. Não cabe num manual, mora na cabeça de quem faz e na coordenação entre muitas equipes.

Um navio de 150 mil toneladas ou uma plataforma de petróleo é exatamente esse tipo de produto. Exige engenharia naval, solda especializada, caldeiraria pesada, sistemas elétricos e hidráulicos, planejamento de obra e uma cadeia de fornecedores funcionando junto. Poucos lugares do mundo conseguem reunir tudo isso. Angra conseguiu, e por isso o Verolme gerava o que eu chamo de empregos de qualidade.

Empregos de qualidade não são apenas empregos bem pagos. São empregos em atividades de alta produtividade, com rendimentos crescentes e aprendizado cumulativo, como diriam Kaldor e Erik Reinert. O soldador que aprende a soldar um casco aprende algo que serve para a próxima obra, para o fornecedor vizinho e para a indústria seguinte. A Escolinha da Verolme era uma máquina de produzir esse tipo de capacidade.

O problema é que capacidades tácitas também perecem. Cinco anos de portão fechado dispersam equipes, aposentam mestres, fecham fornecedores e interrompem a transmissão do ofício entre gerações. Quando o estaleiro reabriu, em 2000, voltou com outro produto, sob controle estrangeiro e dependente de um único cliente, o setor de petróleo.

O que sobrou para Angra? Turismo, royalties do petróleo, o terminal da Petrobras e as usinas nucleares. O turismo é importante e cresce: a cidade recebeu mais de 175 mil cruzeiristas na temporada 2025/2026. Mas, em geral, são empregos de serviços de baixa produtividade, sazonais e com pouco aprendizado acumulado. Royalties são renda, não capacidade produtiva, e as usinas empregam gente muito qualificada, mas em número pequeno.

A comparação com a Coreia do Sul é inevitável. A Hyundai abriu seu estaleiro em Ulsan no início dos anos 1970, mais de uma década depois do Verolme. Em 1979 o Brasil ainda estava à frente. A diferença é que a Coreia condicionou o apoio estatal à conquista de mercados externos, a reciprocidade de que falava Alice Amsden, e nunca desmontou o setor. O Brasil protegeu o mercado interno, dependeu de financiamento público e, quando esse dinheiro acabou, deixou o setor afundar.

A lição de Jacuecanga

A história do Verolme mostra que capacidades produtivas complexas levam décadas para ser construídas e poucos anos para ser destruídas. O Brasil chegou a ser o segundo maior construtor naval do mundo e, em menos de duas décadas, deixou o maior estaleiro do país de portão fechado. Nenhuma política de turismo ou de royalties devolve a uma cidade o que ela perde quando isso acontece.

A lição não é voltar ao modelo dos anos 1970, protegido e dependente de dinheiro público. É fazer política industrial com continuidade, metas de desempenho e disciplina exportadora, para que o setor não viva de ciclos de encomendas estatais. E é tratar o conhecimento acumulado num lugar como um ativo nacional, que merece ser preservado nas crises.

Angra ainda tem a baía, o estaleiro, a mão de obra e a memória industrial. Reparo naval, descomissionamento de plataformas e as novas cadeias da economia do mar são caminhos para usar essas capacidades em vez de deixá-las ociosas entre um contrato de petróleo e outro. Em Jacuecanga, o estaleiro ainda se chama Verolme na boca do povo. É uma lembrança de que a cidade já soube fazer coisas muito difíceis, e de que pode voltar a saber.


O Verolme nasceu com capital holandês. Começou a operar em Angra dos Reis em 1959 como Verolme Estaleiros Reunidos do Brasil, subsidiária do grupo do industrial Cornelis Verolme, dono do maior estaleiro da Holanda. Em 1983 os holandeses venderam a empresa para investidores brasileiros. Em 2000, depois de cinco anos parado, o estaleiro passou para as mãos do grupo Keppel Fels, de Cingapura, que, ironicamente, também acabou controlando a Verolme holandesa.

O estaleiro ainda funciona, mas com outro nome e outro produto. Desde a fusão da Keppel com a Sembcorp Marine, ele pertence à Seatrium. Foi chamado de BrasFELS por mais de duas décadas, embora em Angra quase todo mundo continue a chamá-lo de Verolme. Ocupa o mesmo terreno em Jacuecanga, mas já não constrói navios. Hoje fabrica módulos de plataformas de petróleo do tipo FPSO.

Os projetos recentes mostram o novo perfil. Parte dos módulos da P-78, da Petrobras, foi feita em Angra antes de a plataforma seguir para o campo de Búzios. O estaleiro também trabalha nos módulos de outro FPSO da Petrobras para a Bacia de Santos e no FPSO do campo de Raia, operado pela Equinor. A Seatrium diz ser a maior empregadora de Angra, mas não divulga quantas pessoas trabalham só nessa unidade.

Fontes

Verolme: o estaleiro que ensinou Angra dos Reis a fazer navios — e o que perdemos quando ele afundou – Paulo Gala / Economia & Finanças

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal Tribuna online, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV Tribuna, bem como outras publicações e notícias, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW

Por mudanças profissionais com a instituição onde publicava outros artigos meus e informações sobre inovações, tive que criar um novo grupo no WhatsApp https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW e parar de publicar em  https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B . Quem tiver interesse pode sair do anterior e entrar nesse novo. Desculpem os transtornos.

E se a biodiversidade brasileira não pertencer ao Brasil?

  • Informações genéticas de espécies locais alimentam pesquisas e patentes no exterior
  • País corre o risco de importar tecnologias desenvolvidas a partir de seus próprios recursos

Rodrigo Tavares – Folha – 5.nov.2026

Professor catedrático convidado na NOVA School of Business and Economics, em Portugal. Nomeado Young Global Leader pelo Fórum Econômico Mundial, em 2017

Em 2012, pesquisadores da Universidade de Zhejiang, na China, depositaram um pedido de patente sobre um método de transformação genética da Sinningia speciosa, uma flor originária da mata atlântica brasileira. Em setembro deste ano, outro instituto científico chinês registrou o projeto de sequenciamento do genoma da mesma espécie. Uma planta brasileira pode se tornar objeto de conhecimento científico e propriedade intelectual em países que jamais fizeram parte de seu habitat natural. O lugar de origem de um recurso natural deixou de determinar o destino econômico do conhecimento que dele se extrai.

Durante séculos, os impérios precisaram embarcar plantas para explorar as suas propriedades. Os britânicos levaram espécies produtoras de quinino da América do Sul para plantações asiáticas. Em Lisboa, o Museu Nacional de História Natural e da Ciência conserva coleções botânicas, zoológicas e documentais provenientes do Brasil, reunidas em expedições científicas dos séculos 18 e 19. Entre elas encontram-se exemplares associados à célebre Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira, que percorreu a amazônia, o pantanal e outras regiões brasileiras entre 1783 e 1792, recolhendo espécies e informações para a Coroa portuguesa. A botânica era também uma forma de exercício do poder imperial.

Hoje, uma parte da riqueza biológica pode circular sob a forma de sequências digitais de DNA e RNA, armazenadas em bancos de dados internacionais como o GenBank. A partir dessas informações, laboratórios de todo o mundo identificam genes responsáveis pela produção de proteínas, estudam enzimas com aplicações industriais e desenvolvem moléculas de interesse farmacêutico, transformando dados genéticos de acesso público em invenções patenteáveis com elevado potencial comercial.

A utilização comercial dessas informações genéticas levanta uma questão jurídica e econômica ainda sem resposta clara. Quem tem direito aos benefícios econômicos da informação genética de uma espécie? O país onde ela se encontra, a comunidade que preservou o seu habitat, o cientista que decifrou o seu DNA ou a empresa que desenvolveu uma aplicação comercial? Cada um reivindica uma parcela de uma riqueza cuja origem e exploração desafiam as categorias tradicionais da propriedade.

O Brasil corre o risco de ficar à margem de uma parcela considerável do valor econômico gerado pela sua biodiversidade. Um estudo publicado em 2023 na revista científica World Patent Information revelou que 92% das inovações patenteadas envolvendo espécies da flora da mata atlântica foram desenvolvidas e depositadas no exterior, sobretudo na China, no Japão, nos Estados Unidos e na Coreia do Sul. Ao Brasil coube a extraordinária abundância da natureza. A outros países, a capacidade de a transformar em invenções, patentes e negócios.

A diplomacia internacional começou, entretanto, a procurar soluções para este problema. Em 2024, governos concordaram em criar um mecanismo para repartir os benefícios econômicos associados à utilização de informações genéticas digitais. O chamado Cali Fund começou a funcionar em 2025. A London School of Economics chegou a estimar um potencial de arrecadação anual de até US$ 3,6 bilhões, caso houvesse participação plena das empresas elegíveis.

Mas, como noticiou o Financial Times na terça (3), até novembro de 2026, o fundo havia recebido magros US$ 10.588 de cinco empresas. A distância entre as expectativas e os resultados ilustra as dificuldades de financiar bens públicos globais por meio de contribuições voluntárias.

O Brasil enfrenta também uma fragilidade interna. Metade das notificações de produtos derivados da sua biodiversidade, como cosméticos, medicamentos e alimentos, analisadas no sistema nacional de patrimônio genético não contém informações suficientes para identificar a origem geográfica dos recursos biológicos utilizados. O problema é particularmente relevante para a Amazônia Legal, cuja biodiversidade oferece inúmeras oportunidades de exploração comercial. A fiscalização começa, assim, por uma dificuldade elementar de saber de onde veio aquilo que se pretende proteger.

Talvez estejamos testemunhando o nascimento de uma nova forma de extrativismo. O Brasil corre o risco de repetir, com instrumentos inteiramente novos, uma velha história econômica. Durante séculos, exportou recursos naturais e importou os produtos de maior valor que deles resultavam. Agora, até a matéria-prima pode dispensar a exportação. A ironia seria perfeita se uma empresa brasileira tivesse de pagar royalties para utilizar uma tecnologia desenvolvida no exterior a partir do DNA de uma espécie amazônica. O Brasil teria descoberto uma nova modalidade de comércio internacional, na qual exporta informação gratuitamente e importa o conhecimento a preço de patente.

E se a biodiversidade brasileira não pertencer ao Brasil? – 05/11/2026 – Rodrigo Tavares – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal Tribuna online, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV Tribuna, bem como outras publicações e notícias, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW

Por mudanças profissionais com a instituição onde publicava outros artigos meus e informações sobre inovações, tive que criar um novo grupo no WhatsApp https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW e parar de publicar em  https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B . Quem tiver interesse pode sair do anterior e entrar nesse novo. Desculpem os transtornos.

‘Campus de Computação de IA’: OpenAI propõe novo nome para os data centers

A mudança faz parte de uma estratégia para reverter a má reputação dos centros de dados

Andre Luiz Dias Gonçalves – Estadão – 04/11/2026

OS DATA CENTERS PODEM PREJUDICAR O PARTIDO DE TRUMP NAS ELEIÇÕES DOS EUA?

Responsável por liderar a campanha, Chris Lehane, diretor de assuntos globais da OpenAI, disse que as eleições realizadas neste início de novembro funcionam como uma espécie de “trailer” para o que acontecerá daqui a dois anos. Para ele, a IA será um dos temas centrais da eleição presidencial de 2028 nos EUA.

  • Dessa forma, a dona do ChatGPT planeja influenciar o debate em torno da tecnologia, começando pela troca de nome dos data centers;
  • A inciativa liderada pela empresa inclui várias outras propostas, como a definição de “limites de velocidade para a IA”, com salvaguardas obrigatórias para frear modelos poderosos;
  • Fazer as pessoas enxergarem a IA como algo positivo para a sua carreira profissional e as tarefas do dia a dia também está nos planos;
  • Outra ideia é pressionar a Casa Branca para que os EUA desenvolvam padrões globais da tecnologia baseados em valores democráticos.

Quanto ao uso do termo “campos de computação de IA”, a empresa acredita que ele descreve melhor o papel dos centros de dados. “São investimentos de longo prazo em computação, infraestrutura de energia e mão de obra qualificada”, disse um porta-voz da startup ao Business Insider.

Porém, os esforços para tentar melhorar a imagem dos data centers junto à população não têm obtido bons resultados. Como lembra a publicação, uma pesquisa recente do Pew Research Center mostrou que 54% dos americanos consideram essas instalações prejudiciais ao meio ambiente.

Críticas à proposta

A ideia de chamar os data centers de campos de computação de IA não foi bem recebida por grupos ativistas como o PauseAI US. A fundadora da entidade, Holly Elmore, disse ao The Verge que a preocupação não é a nomenclatura e sim “os gigantescos e poluentes projetos de construção” associados às empresas de IA.

Pensando de maneira semelhante, a diretora do Centro para Justiça Ambiental e Climática da NAACP, Abre’ Conner, tratou a mudança como uma solução ineficaz. “Mudar o nome não resolve o problema e dá a impressão de que a saúde das pessoas e o nosso meio ambiente são problemas de relações públicas, e não preocupações ambientais e climáticas”, disse ela à reportagem.

Recentemente, Donald Trump mudou oficialmente o nome da IA no país e chamou de inimigo quem se recusar a adotar o termo superinteligência.

OpenAI propõe novo nome para data centers de IA – Estadão

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal Tribuna online, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV Tribuna, bem como outras publicações e notícias, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW

Por mudanças profissionais com a instituição onde publicava outros artigos meus e informações sobre inovações, tive que criar um novo grupo no WhatsApp https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW e parar de publicar em  https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B . Quem tiver interesse pode sair do anterior e entrar nesse novo. Desculpem os transtornos.

Exportar minerais críticos é preciso

A exportação deve ser no sentido correto, de materiais processados, certificados e de baixa pegada de carbono

Rafael Leão e Jorge Arbache – Valor – 29/10/2026

Alguns países são subdesenvolvidos porque são subdesenvolvidos. Assim Ragnar Nurkse resumiu, nos anos 1950, o círculo vicioso da pobreza: mercados pequenos e de baixa renda geram pouca poupança e pouco investimento, o que mantém a produtividade baixa e o mercado pequeno. A lógica ajuda a entender um problema concreto do Brasil: como agregar valor a terras raras e outros minerais críticos quando a demanda industrial doméstica é estreita e as capacidades produtivas são limitadas?

O refino e a transformação de minérios encontram no setor industrial praticamente toda a sua demanda, como insumos de baterias, carros eletrificados, equipamentos elétricos e bens de capital da transição energética. Uma economia que perdeu densidade industrial perde também o mercado que justificaria investir nessa etapa intermediária da cadeia, o midstream. Segundo as Contas Nacionais do IBGE, a indústria de transformação, que passava de 20% do valor adicionado na década de 1990, ficou em torno de 12% entre 2012 e 2020 e chegou a cerca de 15% em 2023. Na balança de produtos de média e alta tecnologia, o déficit saltou de US$ 1,8 bilhão em 2005 para US$ 112 bilhões em 2024, segundo a Unido.

O mercado de veículos eletrificados, que concentra a demanda futura por minerais críticos, não muda o quadro. Estudos do Ipea mostram que esses veículos responderão por 82% da expansão da demanda por terras raras até 2050, 92% da de lítio e 67% da de grafita (Leão, Oliveira e Cunha, 2026). Mas o Brasil comprou 180 mil carros eletrificados em 2025, menos de 1% dos 21 milhões vendidos no mundo, e a Agência Internacional de Energia (IEA) estima que toda a América Latina responderá por menos de 4% de um mercado global próximo de 55 milhões de unidades em 2035. A demanda doméstica não sustentará, sozinha, a escala necessária.

A saída mais factível está do lado de fora. A China domina cadeias verticalizadas e respondeu, em 2024, por 91% da oferta mundial de terras-raras refinadas e 95% da de grafita, segundo a IEA. A Europa, que representa cerca de 20% do mercado de eletrificados e pode chegar a 25% em 2035, vive um dilema: compete com as empresas chinesas no downstream, mas depende delas no midstream. Sua competitividade e suas metas de descarbonização exigem diversificar fornecedores e garantir insumos com qualidade, rastreabilidade e atributos compatíveis com a regulação europeia. O que é dilema estratégico para a Europa pode ser, para o Brasil, a escala de demanda que o mercado doméstico não oferece. Em termos de Nurkse, parte do círculo vicioso pode ser rompida de fora para dentro.

Aqui o conceito de powershoring ajuda a organizar os problemas e oportunidades para Brasil e Europa. Objetivamente, trata-se da localização de etapas produtivas intensivas em energia em regiões com energia limpa, abundante e competitiva, conectadas aos mercados por comércio e cadeias de valor (Arbache, 2026). Para os minerais há uma particularidade: a mina está presa à geologia. O que pode ser reorganizado são as etapas posteriores e comercializáveis da cadeia, como refino e transformação em insumos químicos e metalúrgicos, várias delas intensivas em eletricidade. A vantagem brasileira não é só geológica: combina recursos minerais, energia de baixo carbono, água, logística, experiência industrial e acesso a mercados. A divisão de trabalho resultante é realista: o Brasil avança em beneficiamento, refino e materiais intermediários de menor intensidade de carbono; a Europa preserva engenharia, manufatura avançada e integração de sistemas. É interdependência estratégica, nem autarquia nem offshoring convencional.

O Brasil não precisa esperar que seu mercado doméstico de veículos elétricos, baterias e equipamentos verdes adquira escala chinesa ou europeia para industrializar parte de seus minerais críticos: a escala pode vir do comércio

Essa complementaridade, porém, não se materializa sozinha. O Brasil precisa chegar à mesa com oferta crível, e é aqui que a Lei nº 15.506/2026 e a atuação do BNDES ganham sentido além do plano doméstico. A lei criou instrumentos para as duas pontas da cadeia: um fundo garantidor, com aporte da União de até R$ 2 bilhões, para mitigar a ausência de garantias que afasta o crédito da mineração; um programa de crédito fiscal para beneficiamento e transformação, de até R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034; a inclusão do setor nas debêntures incentivadas de infraestrutura, com dedução de IRPJ e CSLL; e o Certificado Mineral de Baixo Carbono, voluntário, que ainda depende de regulamentação. Já o edital conjunto do BNDES e da FINEP selecionou 56 projetos de transformação de minerais estratégicos, que demandam quase R$ 46 bilhões em investimentos, sinalizando que há possibilidades concretas de agregação de valor à mineração no Brasil.

Instrumentos e projetos funcionam como cartão de visita da diplomacia comercial brasileira: mostram a compradores e investidores europeus que há regras, financiamento e projetos concretos em carteira. Há limites a superar, como o horizonte do crédito fiscal, que só começa em 2030, e a pendência do certificado. Mas cartão de visita não fecha negócio. Projetos de processamento são de longo prazo, intensivos em capital e dependem de acesso previsível ao mercado. Se compradores europeus assumirem compromissos de offtake de longo prazo, com especificações de qualidade, rastreabilidade e desempenho ambiental acordadas, parte do risco de receita diminui e capital privado, bancos e instituições de desenvolvimento passam a avaliar os projetos com mais clareza. A sequência deve começar pelo comprador, não pela fábrica.

Em contrapartida, o acordo precisa prever formação de capacidades, como parcerias tecnológicas, qualificação, desenvolvimento de fornecedores e metas verificáveis de agregação de valor. Assim, diversificar a oferta europeia não significará trocar uma dependência por outra, nem reduzir a estratégia brasileira a exportar recursos naturais com mais eficiência.

O Brasil não precisa esperar que seu mercado doméstico de veículos, baterias e equipamentos verdes adquira escala chinesa ou europeia para industrializar parte de seus minerais críticos: a escala pode vir do comércio. Exportar é preciso, mas no sentido correto. Exportar minério bruto resolve pouco; exportar materiais processados, certificados e de baixa pegada de carbono pode criar a base de demanda para investimento, aprendizado e produtividade. Para a Europa, isso significa fornecedores diversificados e insumos competitivos para sua indústria; para o Brasil, a chance de transformar geologia em indústria. A geologia fixa a localização da mina, não a de toda a cadeia de valor. A mina não se move. A cadeia de valor, sim.

Arbache, J. (2026). Powershoring for Europe: Clean Industrial Value Chains Beyond Energy Self-sufficiency. June 2026.

LEÃO, Rafael; OLIVEIRA, Mariano de; CUNHA, Danúbia da. TD 3174 – Qual a importância do Brasil na cadeia global de minerais críticos da transição energética? Uma análise sobre reservas, produção, comércio exterior e investimentos. Brasília, DF: Ipea, 2026.

Rafael Leão é doutorando em economia pelo CEDEPLAR/UFMG.

Jorge Arbache é professor de economia da UnB.

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/exportar-minerais-criticos-e-preciso.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal Tribuna online, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV Tribuna, bem como outras publicações e notícias, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW

Por mudanças profissionais com a instituição onde publicava outros artigos meus e informações sobre inovações, tive que criar um novo grupo no WhatsApp https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW e parar de publicar em  https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B . Quem tiver interesse pode sair do anterior e entrar nesse novo. Desculpem os transtornos.

Freezers de supermercados são atacados em quatro países na Europa e superaquecem a mais de 50°C

  • Equipamentos de refrigeração tiveram aumento brusco de temperatura em redes na Suécia, Bélgica, Estônia e Luxemburgo
  • Ataque é semelhante ao sofrido por estabelecimentos na França na metade de outubro

Richard Milne/Tom Wilson – Folha/ Financial Times – – 2.nov.2026

Freezers de dezenas de supermercados na Suécia, na Bélgica, em Luxemburgo e na Estônia superaqueceram repentinamente em um suposto ataque cibernético, estragando alimentos avaliados em milhões de euros poucas semanas depois de varejistas da França terem sido alvo de ações semelhantes.

Nesta segunda-feira (2), freezers de lojas das redes Ica e Coop, na Suécia, tiveram a temperatura elevada para até 55°C, enquanto supermercados pertencentes à Ahold Delhaize e ao Carrefour foram afetados na Bélgica. Supermercados em Luxemburgo e na Estônia também relataram ataques semelhantes.

Os incidentes ocorrem poucas semanas depois de centenas de supermercados franceses terem sofrido ataques semelhantes, com a temperatura de uma geladeira chegando a 80°C.

Cerca de 40 lojas da Delhaize na Bélgica e em Luxemburgo e cinco unidades da Spar foram afetadas, segundo relatos da imprensa local. O Carrefour afirmou que 15 de seus estabelecimentos em Flandres e na Valônia haviam sido atingidos, mas permaneceram abertos.

A Coop, na Suécia, informou que hackers não identificados conseguiram adulterar as configurações de geladeiras e freezers em sete de suas cerca de 800 lojas.

Camilla Nilsson, gerente da loja Ica St Olof, em Österlen, na Suécia, afirmou que hackers “conseguiram invadir nossos sistemas de gerenciamento de refrigeração e alterar as configurações”. Pelo menos quatro lojas da Ica foram atingidas.

Uma rede de supermercados da Estônia também foi afetada, com as temperaturas ajustadas para 50°C, informou a fornecedora de tecnologia Kitman Coldtech à emissora pública ERR.

“Isso é muito recente, aconteceu esta manhã”, disse o presidente-executivo da Kitman, Jann Mutso, à ERR. Ele se recusou a revelar o nome da rede de supermercados afetada.

Especialistas têm alertado repetidamente para os danos que ataques cibernéticos podem causar à infraestrutura crítica, de usinas de energia a estabelecimentos comerciais de alimentos, devido à segurança de TI deficiente e a softwares desatualizados.

“Não conseguimos ajustar as temperaturas, não conseguimos alterá-las. Ar quente está sendo soprado para dentro dos freezers. Tudo está perdido”, lamentou Rickard Nilsson, responsável por uma loja da Ica em Sjöbo, no sul da Suécia, ao jornal Aftonbladet.

Temperaturas superiores a 50°C destruíram alimentos avaliados em centenas de milhares de coroas suecas, acrescentou.

Os ataques ocorridos no mês passado na França estão sendo investigados pela unidade de crimes cibernéticos do Ministério Público de Paris e pela Anssi, a agência de segurança cibernética do governo francês.

Muitas das geladeiras e dos freezers atingidas utilizavam software da Danfoss, grande grupo industrial dinamarquês de capital fechado. Pesquisadores da empresa de segurança cibernética Claroty afirmaram, em um relatório publicado em agosto, ter “identificado múltiplas vulnerabilidades” nos sistemas da Danfoss, posteriormente corrigidas pelo grupo dinamarquês.

A companhia afirmou no mês passado que os ataques cibernéticos afetaram sistemas de refrigeração que já não recebiam atualizações de segurança e operavam com firmware desatualizado. A Danfoss disse que não havia sido estabelecida nenhuma ligação entre os ataques de segunda-feira e seus produtos.

Mich Vergauwen, porta-voz do Carrefour na Bélgica, afirmou que o ataque de segunda-feira foi semelhante ao ocorrido na França e que apenas um pequeno número de suas lojas foi impactado devido a medidas extras adotadas após os ataques na França, como atualizações e o uso de uma conexão segura.

Ataques a equipamentos industriais, conhecidos no setor de segurança cibernética como tecnologia operacional, ou OT, tradicionalmente exigem conhecimentos altamente especializados e são difíceis de executar em larga escala.

Robert Lee, diretor-executivo da empresa de segurança cibernética Dragos e um dos principais especialistas em ataques a OT, afirmou que os grandes modelos de linguagem facilitaram o acesso de hackers ao conhecimento e às ferramentas necessários para atingir simultaneamente vários dispositivos e locais.

No início deste ano, hackers que seriam vinculados ao Irã atacaram dezenas de empresas de abastecimento de água nos EUA, impedindo que administradores acessassem seus sistemas e forçando a interrupção das operações.

“O alcance e a escala desses ataques são algo novo”, afirmou, observando que ataques a OT costumavam ser incidentes isolados. “Nunca tivemos mais de cem empresas de abastecimento de água [afetadas] ao mesmo tempo. Nunca tivemos centenas de supermercados ao mesmo tempo.”

A Ahold afirmou estar ciente de “um incidente de TI que afetou os sistemas de refrigeração de várias lojas da Delhaize” e que trabalhava para avaliar a situação.

Freezers de supermercados são atacados em quatro países na Europa e superaquecem a mais de 50°C – 02/11/2026 – Tec – Folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal Tribuna online, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV Tribuna, bem como outras publicações e notícias, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW

Por mudanças profissionais com a instituição onde publicava outros artigos meus e informações sobre inovações, tive que criar um novo grupo no WhatsApp https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW e parar de publicar em  https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B . Quem tiver interesse pode sair do anterior e entrar nesse novo. Desculpem os transtornos.

Um dos países mais ricos do mundo tributa milionários há 100 anos — e segue atraindo fortunas

Modelo suíço aposta em alíquotas reduzidas sobre grandes patrimônios, enquanto propostas de impostos mais altos nos EUA provocam resistência entre bilionários

Por Jason Ma – Estadão – 01/11/2026

A Suíça é conhecida há muito tempo como um refúgio para grandes fortunas, com contas em bancos suíços atraindo dinheiro de pessoas ricas de todo o mundo.

Considerando o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, o país é o quarto mais rico do mundo, com US$ 126.177 por habitante, atrás apenas de Liechtenstein, Luxemburgo e Irlanda. No caso irlandês, os indicadores econômicos são inflados pela presença de multinacionais que estabelecem suas sedes no país em busca de vantagens tributárias.

Isso ocorre apesar de os cantões suíços, divisões administrativas semelhantes aos estados brasileiros, cobrarem impostos sobre o patrimônio há mais de um século. Segundo Warren Gorlick, ex-assessor de políticas públicas do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o segredo para a Suíça continuar atraindo grandes fortunas, mesmo tributando o patrimônio, está nas alíquotas reduzidas.

Em um artigo de opinião publicado no jornal americano The Washington Post na semana passada, Gorlick destacou que os impostos suíços sobre o patrimônio não afastaram os ricos. Na verdade, o número de adultos com patrimônio entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões cresceu 7,4% ao ano entre 2000 e 2025.

Embora cada cantão estabeleça sua própria alíquota, mesmo as mais elevadas são modestas em comparação com as propostas em discussão nos Estados Unidos, onde a tributação sobre grandes fortunas ganhou força política recentemente.

Em Zurique, por exemplo, um casal com patrimônio líquido de US$ 2,5 milhões paga uma alíquota efetiva de apenas 0,24%, o equivalente a cerca de US$ 6 mil por ano, segundo Gorlick. Para alguém com patrimônio líquido de US$ 1 bilhão, a alíquota efetiva é de 0,7%, ou US$ 7 milhões anuais.

Em contrapartida, a Proposta 40 (Proposition 40), iniciativa que será submetida à votação popular na Califórnia, prevê que residentes com patrimônio superior a US$ 1 bilhão paguem um imposto único equivalente a 5% de seus bens.

As pesquisas indicam uma disputa equilibrada, mas a Proposta 40 já levou algumas das pessoas mais ricas da Califórnia a deixar o Estado. Entre eles está Sergey Brin, cofundador do Google, que se mudou para Nevada e destinou mais de US$ 100 milhões à campanha contrária ao imposto sobre bilionários.

Travis Kalanick, cofundador do Uber, também confirmou que deixou a Califórnia e se mudou para o Texas.

Os defensores da Proposta 40 apontam para o avanço da inteligência artificial (IA) e argumentam que os ultrarricos da Califórnia continuariam entre as pessoas mais ricas do mundo.

Já os críticos alertam que dificilmente a cobrança seria feita uma única vez e que alguns fundadores de startups poderiam ser obrigados a vender suas participações de controle nas empresas para pagar o imposto, devido à forma como a proposta calcula o valor dos ativos.

Mesmo que a Proposta 40 seja rejeitada, a ideia de tributar grandes fortunas deve continuar em discussão. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, apontado por muitos como um possível candidato à Presidência dos Estados Unidos em um futuro não muito distante, é contrário à Proposta 40, mas defende a criação de um imposto nacional sobre grandes fortunas.

A senadora Elizabeth Warren propôs uma alíquota de 2% sobre a parcela do patrimônio que ultrapassar US$ 50 milhões e de 3% sobre valores superiores a US$ 1 bilhão.

Já o senador Bernie Sanders e o deputado Ro Khanna apresentaram um projeto de lei que prevê uma tributação de 5% sobre o patrimônio dos bilionários. Até mesmo Scott Kirby, CEO da United Airlines, afirmou que os Estados Unidos deveriam adotar um imposto nacional sobre grandes fortunas.

Enquanto isso, um grupo de economistas vencedores do Prêmio Nobel que apoiam a Proposta 40 afirmou que a medida poderia “dar início a um movimento” capaz de se espalhar para outros estados e países.

Gorlick, ex-assessor do Tesouro americano, observou que nem todo patrimônio gera renda regularmente. Isso significa que um imposto de 5% sobre ativos avaliados em US$ 1 bilhão resultaria em uma cobrança de US$ 50 milhões, que poderia exigir a venda de parte dos investimentos para quitar o valor.

“Poucas pessoas terão muita simpatia pelos problemas tributários de um bilionário. Mas um imposto sobre o patrimônio que parte do pressuposto de que o capital pode ser tributado indefinidamente a uma alíquota elevada é um imposto que, no fim das contas, não será pago, porque o patrimônio — ou seu proprietário — simplesmente terá desaparecido”, escreveu.

Em vez das alíquotas propostas por Warren, Gorlick argumentou que os Estados Unidos deveriam considerar um imposto sobre grandes fortunas inspirado no modelo suíço.

Uma alíquota máxima hipotética de 0,5% sobre um patrimônio de US$ 1 bilhão exigiria o pagamento de US$ 5 milhões por ano ao IRS, órgão equivalente à Receita Federal nos Estados Unidos, um valor que, na avaliação dele, dificilmente levaria bilionários a deixar o país.

Segundo suas estimativas, a aplicação de uma alíquota de 0,5% sobre o patrimônio do 1% mais rico das famílias dos Estados Unidos poderia gerar facilmente uma arrecadação de US$ 200 bilhões por ano.

É claro que esse valor representa apenas uma pequena parcela da dívida pública americana, de US$ 40 trilhões, ou mesmo dos US$ 7,4 trilhões gastos pelo governo federal no ano fiscal de 2026.

Ainda assim, um imposto sobre grandes fortunas poderia gerar uma arrecadação significativa sem a necessidade de elevar os impostos sobre a renda, afirmou Gorlick.

A discussão ocorre em um momento em que o governo federal planeja aumentar os gastos com defesa e enfrenta a perspectiva de esgotamento das reservas do fundo fiduciário que financia os benefícios de aposentadoria da Previdência Social americana (Social Security) dentro de seis anos.

“Um imposto modesto sobre o patrimônio não resolverá, por si só, o déficit anual de US$ 2 trilhões dos Estados Unidos”, reconheceu. “Mas representaria uma contribuição inicial significativa para enfrentar o desequilíbrio fiscal americano — uma medida que poderia conquistar o apoio dos dois lados do espectro político.”

Esta história foi originalmente apresentada em Fortune.com e foi traduzida com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial e revisada por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

Suíça tributa milionários há mais de 100 anos e continua atraindo ricos – Estadão

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal Tribuna online, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV Tribuna, bem como outras publicações e notícias, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW

Por mudanças profissionais com a instituição onde publicava outros artigos meus e informações sobre inovações, tive que criar um novo grupo no WhatsApp https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW e parar de publicar em  https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B . Quem tiver interesse pode sair do anterior e entrar nesse novo. Desculpem os transtornos.

O Novo Gargalo da IA é o Crédito

A infraestrutura de IA é, provavelmente, o maior ciclo de construção privada desde as telecomunicações dos anos 2000. Centenas de bilhões de dólares estão sendo comprometidos com projetos que levam anos para ficar prontos. Leia em Entrelinhas
O Novo Gargalo da IA é o CréditoCom o crédito mais caro e seletivo, a expansão da IA enfrenta um novo gargalo: provar que os investimentos serão pagos.

Junior Bornelli – Entrelinhas – 30/10/2026

Durante três anos, parecia que o limite para a expansão da inteligência artificial seria físico. Faltava energia. Faltavam terrenos. Faltava conexão à rede elétrica. Faltava capacidade para construir data centers na velocidade que a demanda exigia. Esses problemas continuam existindo, mas agora um segundo obstáculo começa a aparecer: o dinheiro necessário para financiar tudo isso está ficando mais caro e mais difícil de encontrar.
Nesse sentido, a Bloomberg conversou com mais de 30 banqueiros, gestores e participantes do mercado que financiam data centers. Todos disseram que captar recursos ficou significativamente mais difícil em poucos meses, uma vez que foi constatado que pelo menos 18 financiamentos do setor já carregam juros de dois dígitos consigo. Um banco europeu afirmou estar perto do limite de quanto pode emprestar ao setor. Algumas seguradoras que dividem esses riscos indicaram ter alcançado seus limites de exposição. O dinheiro não secou. Mas as condições para acessá-lo mudaram.Isso não deveria surpreender. A infraestrutura de IA é, provavelmente, o maior ciclo de construção privada desde as telecomunicações dos anos 2000. Centenas de bilhões de dólares estão sendo comprometidos com projetos que levam anos para ficar prontos, que dependem de contratos com clientes específicos e cujas receitas precisam materializar-se no futuro para justificar os custos assumidos no presente. Até recentemente, a presença de uma grande empresa de tecnologia como inquilina bastava para tranquilizar os credores: se a Microsoft, a Amazon ou o Google assinaram o contrato, o risco parecia gerenciável.Contudo, o caso da Oracle no Novo México mostrou que essa confiança tem limites. A empresa enviou um aviso de força maior para preservar sua posição diante de possíveis atrasos na construção de um data center. A Oracle e a Blue Owl, responsável pelo desenvolvimento do projeto, afirmaram que o aviso não comprovou atrasos nem alterou compromissos financeiros. Ainda assim, o episódio obrigou os credores a olhar com mais atenção para cláusulas que antes pareciam detalhes jurídicos. Se o financiamento depende de um grande inquilino, quanto vale esse compromisso quando a obra não fica pronta no prazo previsto? Alguns contratos permitem que o cliente adie pagamentos ou saia do acordo se o atraso superar três ou seis meses. Para o credor, isso muda a natureza do risco, pois a presença de uma empresa poderosa ajuda, mas não elimina a possibilidade de que uma obra atrasada enfraqueça a garantia que parecia sustentar o projeto inteiro.É nesse ponto que o gargalo físico e o financeiro, atualmente inerentes ao setor, se encontram e se alimentam. Um data center pode ter sido planejado, financiado e contratado. Mas se a obra atrasa porque falta uma subestação de energia ou uma conexão de fibra óptica, o cronograma muda. Quando o cronograma muda, o contrato pode permitir que o cliente renegocie. Quando o cliente renegocia, a receita esperada diminui. Quando a receita esperada diminui, o credor percebe mais risco. E quando percebe mais risco, cobra juros maiores, tornando o projeto que já estava em dificuldade ainda mais caro de financiar. Economistas chamam esse mecanismo de acelerador financeiro, demonstrando que condições de crédito mais restritivas podem amplificar uma dificuldade que, sozinha, seria administrável.Essa dinâmica tem um paralelo histórico que ajuda a enxergar o que está em jogo. Na década de 1840, a Grã-Bretanha viveu uma febre ferroviária. A necessidade era concreta: os trilhos prometiam transportar pessoas e mercadorias com velocidade e eficiência que nenhum outro meio conseguia. Diante disso, o entusiasmo sobre o investimento atraiu capital, preconizando o fato de que, entre 1843 e 1845, o número de ações ferroviárias listadas em Londres aproximadamente triplicou. Uma estimativa da época calculou que as linhas propostas exigiriam cerca de 590 milhões de libras, ou seja, mais que o PIB britânico do período.Todavia, o processo foi cercado de problemas, não de tecnologia, afinal, a ferrovia funcionava. A demanda existia. O problema foi que o mercado financeiro não tinha condições de financiar, ao mesmo tempo, todos os projetos que pareciam promissores. Assim, quando cresceram as dúvidas sobre essa capacidade, o crédito apertou, as ações caíram e a crise de 1847 varreu parte dos projetos. Seria errado atribuí-la apenas às ferrovias, pois a crise teve outras causas, incluindo problemas na colheita e tensões bancárias. Mas o episódio mostra como uma infraestrutura genuinamente necessária pode esbarrar na limitação mais prosaica de todas, que é a quantidade de dinheiro disponível para construí-la de uma vez.A IA está percorrendo um caminho que guarda semelhanças incômodas com esse padrão. Sua tecnologia funciona. A demanda existe. As maiores empresas do mundo querem mais capacidade computacional. Mas a escala dos projetos anunciados exige um volume de financiamento que começa a testar a disposição dos credores. E quando os credores hesitam, a questão deixa de ser “quem quer construir” e passa a ser “quem consegue financiar”.Nessa reorganização, as maiores empresas de tecnologia continuam, por sua credibilidade construída, em uma posição mais confortável, uma vez que balanços robustos, relações comerciais consolidadas e capacidade de captar dinheiro em condições que empresas menores não alcançam não são problemas. Já quem aluga GPUs e capacidade computacional sem a escala das big techs pode encontrar obstáculos crescentes. Algumas precisarão recorrer a emissões de ações, diluindo a participação dos acionistas. Outras dependerão de garantias oferecidas por clientes, fornecedores ou parceiros, o que funciona quando tudo corre bem, mas cria camadas adicionais de interdependência quando algo sai do plano.O risco, aliás, está mudando de mãos de uma forma que merece atenção. Bancos, usualmente, dividem exposição com seguradoras. Seguradoras dividem com fundos. Fundos dividem com investidores em títulos. E fabricantes de chips também entram nessa cadeia: a Broadcom ofereceu proteção contra desvalorização de equipamentos em uma operação de 63 bilhões de dólares para financiar chips destinados à Anthropic. A garantia viabiliza o projeto, mas aproxima o risco do fabricante que vende a infraestrutura e do cliente que precisa financiá-la. Quanto mais participantes dividem o risco, mais difícil se torna identificar quem está realmente exposto quando algo dá errado.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal Tribuna online, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV Tribuna, bem como outras publicações e notícias, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW

Por mudanças profissionais com a instituição onde publicava outros artigos meus e informações sobre inovações, tive que criar um novo grupo no WhatsApp https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW e parar de publicar em  https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B . Quem tiver interesse pode sair do anterior e entrar nesse novo. Desculpem os transtornos.

Etanol de milho cresce e desafio é ser sustentável

Mercado externo deve exigir maior controle de toda a cadeia, especialmente para uso em navios e aviões

Mario Camera – Valor – 29/10/2026

A expansão do etanol de milho trouxe consigo preocupações ambientais e sociais. Na Europa, o movimento “food or fuel” (comida ou combustível, em inglês) questiona o uso da terra para a produção do biocombustível – inclusive o avanço sobre áreas de floresta -, enquanto no Brasil há o temor da utilização de lenha proveniente do desmatamento ilegal para abastecer caldeiras de usinas.

Em maio, a eurodeputada dinamarquesa Sigfriid Friis voltou a questionar o cultivo de grãos para abastecer veículos um mês após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita à Alemanha, rebater o que chamou de “mitos” sobre os biocombustíveis brasileiros. “Ninguém come biodiesel, ninguém come gasolina. As pessoas comem comida.”

Por outro lado, a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson contestou as críticas europeias durante o Global Agribusiness Festival, realizado em outubro, em São Paulo. Para ela, a resistência tem motivações políticas e comerciais, ou seja, são concorrenciais. “É apenas política. Simples assim”, declarou ao The AgriBiz.

Analistas destacam que, diferentemente da Europa, o Brasil produz duas safras por ano, reduzindo a competição por terra e por área para a produção de alimentos. O etanol do cereal utiliza especialmente o milho safrinha, geralmente plantado após a colheita da soja, na mesma área. Além disso, o biocombustível tem como subproduto uma insumo para a pecuária: o DDG, farelo rico em proteínas que sobra do processamento do milho e alimenta o gado. Seu uso permite criar mais animais em menos espaço, diminuindo a necessidade de pastagem.

Para Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global, o modelo brasileiro mostra que as duas atividades podem crescer juntas, graças à integração entre agricultura e pecuária e ao aproveitamento da segunda safra. A produção de soja e milho aumentou juntamente com a de etanol, sem exigir uma expansão proporcional das áreas cultivadas, destaca.

A produção brasileira de grãos deve alcançar 367,1 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Um dos principais motores desse crescimento será o milho, cuja colheita deve chegar a 148 milhões de toneladas, 2,4% acima da safra anterior, estimulado pela indústria do etanol, que em menos de uma década abriu novas oportunidades para agricultores.

A produção brasileira de etanol de milho deu um salto a partir de 2017, com a inauguração da primeira usina dedicada exclusivamente ao cereal, em Lucas do do Rio Verde (MT). Em menos de dez anos, chegou a cerca de 10 bilhões de litros e deve responder por quase 30% de todo o etanol fabricado no país nesta safra, projeta a Conab. No mesmo período, a produção de milho safrinha deverá ter crescido quase 70%, também segundo a companhia.

Uma das vantagens dessa indústria é sua proximidade com a matéria-prima, o que pode ter contribuído para reduzir perdas no transporte do grão. A FS, segunda maior produtora de etanol de milho do país e pioneira no setor, nasceu após empresários americanos ficarem surpresos ao ver, durante visita a lavouras de Mato Grosso em 2011, parte da produção local do cereal apodrecendo à beira das estradas.

“O milho valia um terço do que custava o frete para levar para Santos”, conta Rafael Abud, presidente da empresa, ao explicar que uma saca chegava a valer até R$ 8, enquanto o transporte custava R$ 25. O governo federal precisava subsidiar o frete para ajudar os produtores.

Para os investidores, acostumados a produzir etanol de milho nos EUA, fazia sentido instalar usinas perto das lavouras e transformar aquele excedente em combustível. Hoje já são 29 biorrefinarias em operação e quase 30 novos projetos, entre autorizados e previstos, pelo levantamento da União Nacional do Etanol de Milho. Algumas das novas usinas inclusive podem operar tanto com cana quanto com milho, garantindo produção o ano todo.

Ampliar loucamente a produção de etanol de milho e não saber qual é a demanda pode ser um risco”

— Marcos Jank

Mato Grosso concentra a maior parte da atividade, seguido por Mato Grosso do Sul. Em apenas duas safras, a quantidade de milho processada pelas usinas cresceu quase 70%, calcula o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A Datagro estima que a produção alcance 11,8 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. A indústria também ampliou a oferta de ingredientes para alimentação animal (além do DDG), aproveitando uma parte do grão que não é transformada em combustível.

Para 2033/34, a Unem projeta uma produção de 16,63 bilhões de litros, mas esse salto dependerá da novas usinas e mais compradores – o setor aposta em mercados como navegação e a aviação. Em outubro, a Maersk, gigante mundial da logística, abasteceu um navio com bioetanol em Singapura, na maior operação desse tipo já realizada. O porto de Santos (SP), após operação-piloto realizada em julho, anunciou na semana passada que fará o abastecimento regular de navios com etanol. A Autoridade Portuária de Santos informou que 159 embarcações já podem usar o biocombustível e outras 450 devem ser entregues até 2030.

A adoção do biocombustível, porém, ainda depende de fatores como custo de produção e regras internacionais de redução de emissões do transporte marítimo. Na aviação, o etanol pode ser utilizado na produção de combustível sustentável (SAF), mas o preço ainda elevado em relação ao querosene convencional dificulta sua expansão.

Em Paulínia (SP), a JetBio, ligada ao grupo controlador da FS, planeja produzir renováveis a partir do etanol em um projeto que prevê investimentos de US$ 2 bilhões e capacidade de processamento de até 1,8 bilhão de litros por ano. “Essa refinaria vai poder fazer 100% SAF ou 100% diesel renovável a partir do etanol”, diz Abud. A decisão sobre o investimento está prevista para 2027.

Jank avalia que o país pode ampliar a sua produção, mas teme que os investimentos avancem sem que se saiba quanto os novos mercados serão capazes de consumir. “Ampliar loucamente a produção de etanol de milho e não saber qual é a demanda pode ser um risco.”

A entrada em mercados internacionais também poderá exigir maior controle sobre a origem do milho e as emissões associadas à sua produção. Na aviação, as regras sustentáveis consideram toda a cadeia, do cultivo da matéria-prima ao consumo final, incluindo possíveis mudanças no uso da terra. Alice Thuault, diretora executiva do Instituto Centro de Vida (ICV), lembra que o Brasil dispõe de instrumentos para monitorar o desmatamento, mas ainda faltam acordos entre os setores envolvidos e acesso a informações sobre a regularidade ambiental dos fornecedores.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso investiga a possível derrubada de mata para abastecer caldeiras de usinas. A Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso afirma que mais da metade da lenha consumida pelo setor vem de vegetação nativa, vendida por até metade do preço do eucalipto plantado. Para Jank, essa dependência compromete a proposta ambiental do combustível. “É um enorme contrassenso você derrubar a floresta para fazer biocombustível”, afirma.

Relatório do Itaú BBA destaca que o abastecimento das fornalhas das usinas poderá exigir cerca de 440 mil hectares de eucalipto plantados até o fim de 2026. Essa área poderá quase dobrar até 2030, caso a indústria dependa exclusivamente dessa fonte de biomassa.

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/10/29/etanol-de-milho-cresce-e-desafio-e-ser-sustentavel.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal Tribuna online, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV Tribuna, bem como outras publicações e notícias, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW

Por mudanças profissionais com a instituição onde publicava outros artigos meus e informações sobre inovações, tive que criar um novo grupo no WhatsApp https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW e parar de publicar em  https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B . Quem tiver interesse pode sair do anterior e entrar nesse novo. Desculpem os transtornos.

Brasil tem vantagem para operar data centers verdes

Infraestrutura física precisa de energia, e 90% da eletricidade brasileira é gerada por fontes renováveis

Renan Lima Alves, Luis Tossi e Leonardo Santos – O Globo – 23/10/2026

Quando fazemos um Pix, pagamos uma compra com cartão, chamamos um carro por aplicativo ou assistimos a uma série, colocamos em movimento uma extensa infraestrutura digital. São milhões de operações cotidianas que dependem da geração, transmissão, armazenamento e processamento de dados. É essa engrenagem que sustenta a nova economia digital, movida a dados. Embora falemos em “nuvem”, a infraestrutura é física. As informações são processadas em data centers que funcionam 24 horas por dia e demandam uma capacidade computacional sem precedentes.

Essa infraestrutura necessita de energia, e é aí que o Brasil possui vantagens únicas. Aproximadamente 90% da eletricidade brasileira é gerada por fontes renováveis. Em outros grandes mercados, como os Estados Unidos, as fontes renováveis representam cerca de 25% da geração elétrica. Enquanto outras economias precisam descarbonizar sua infraestrutura digital, o Brasil já oferece capacidade computacional com baixa emissão de carbono.

Para aproveitar essa oportunidade, precisamos corrigir uma percepção equivocada: a ideia de que data centers necessariamente consomem grandes volumes de água para refrigerar suas máquinas. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Data Center (ABDC), mais de 95% dos data centers em operação no país usam soluções que dispensam o consumo contínuo de água na refrigeração. Na maior parte dessas instalações, o resfriamento é feito a ar ou por sistemas de circuito fechado. A comparação mais simples é com o radiador de um automóvel: o sistema é preenchido inicialmente, e o fluido circula continuamente para transportar o calor. Circulação de água não significa consumo de água.

Essa característica não surgiu por acaso. Durante a primeira grande expansão do setor, entre 2010 e 2014, o Sudeste enfrentou uma grave crise hídrica. A insegurança no abastecimento levou operadores e projetistas a adotar sistemas capazes de funcionar sem depender do consumo contínuo de água, elevando o custo por demandarem mais energia para funcionar.

Essa limitação transformou-se em vantagem competitiva. Estudo da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais — com apoio da ABDC e revisão técnica da Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional — estimou que o setor respondeu por apenas 0,003% do consumo de água do Brasil em 2022.

Isso não dispensa planejamento, licenciamento ambiental ou fiscalização. Na verdade, aponta para a necessidade de o debate público considerar as tecnologias efetivamente empregadas no país, sem importar automaticamente problemas de outros mercados.

A aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center permite que a inteligência artificial abra uma nova fronteira para o Brasil. O treinamento de modelos, as análises maciças e outras cargas computacionais não precisam estar próximas do usuário final. Podem ser processadas onde houver energia renovável, conectividade, capacidade técnica e segurança jurídica.

O Brasil entra num seleto grupo de países capazes de ofertar capacidade computacional, transformando energia renovável em serviços digitais de alto valor agregado. A ABDC estima em até R$ 1,58 trilhão o potencial de investimentos diretos até 2030. Essa expansão movimenta construção civil, engenharia, energia, telecomunicações, equipamentos, pesquisa, inovação e formação profissional.

O país acaba de dar um passo para ser um dos grandes fornecedores mundiais de infraestrutura digital sustentável.

Brasil tem vantagem para operar data centers verdes

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal Tribuna online, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV Tribuna, bem como outras publicações e notícias, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW

Por mudanças profissionais com a instituição onde publicava outros artigos meus e informações sobre inovações, tive que criar um novo grupo no WhatsApp https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW e parar de publicar em  https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B . Quem tiver interesse pode sair do anterior e entrar nesse novo. Desculpem os transtornos.

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e SLM veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Se tiver interesse em gêmeos digitais para a indústria procure a Neo Vision – Captura Digital da Realidade

Para IoT chame a 2solve

Crescimento surpreendente do comércio global, com boom de IA, mascara problemas, diz diretora-geral da OMC

No início do mês, a OMC praticamente dobrou projeção de crescimento do comércio exterior este ano, para uma alta de 3,9%, ante a estimativa anterior de avanço de 1,9%. A de 2027 passou para 4,1%, acima dos 2,6% previstos antes

Por Vinicius Neder – O Globo – 28/10/2026

O boom de investimentos em data centers, puxados pela inteligência artificial (IA), vem impulsionando exportações e importações, mas, dessa forma, está mascarando os desafios que o sistema multilateral enfrenta, os maiores em seus 80 anos de existência, afirmou nesta terça-feira a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala.

No início do mês, a OMC praticamente dobrou sua projeção de crescimento do comércio exterior este ano, para uma alta de 3,9%, ante a estimativa anterior de avanço de 1,9%. Já a projeção de crescimento de 2027 passou para 4,1%, acima dos 2,6% previstos antes, segundo o relatório Perspectivas e Estatísticas do Comércio Global, divulgado no último dia 8.

A surpresa veio do fato de que as estimativas anteriores da OMC estavam marcadas pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, deflagrada em março. O conflito atingiu em cheio o comércio de petróleo e combustíveis, já que 20% do transporte da matéria-prima passava pelo Estreito de Ormuz, que acabou fechado por ataques da reação iraniana.

Por um lado, exportações e importações de petróleo não caíram tanto no agregado mundial, porque houve um aumento de vendas de fornecedores de fora do Oriente Médio, como o Brasil. Por outro, o comércio de componentes usados em data centers — como servidores, semicondutores e placas de memória — seguiu de vento em popa, puxando a alta de 3,5% nas trocas de mercadorias no primeiro semestre do ano, já superando as expectativas.

— Acho que o crescimento está mascarando um pouco os desafios nos outros setores. Desse modo, os problemas decorrentes das tarifas (o tarifaço aplicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump), das guerras no Mar Negro (entre a Rússia e a Ucrânia, após a invasão russa, iniciada em fevereiro de 2022) ou no Estreito de Ormuz estão sendo mascarados por essa tendência muito positiva da IA — disse Okonjo-Iweala, numa entrevista a jornalistas na sede da OMC, em Genebra.

Segundo o relatório do início do mês da OMC, bens usados na infraestrutura de IA responderam por 47% do crescimento do comércio global de mercadorias no primeiro semestre — o comércio desses produtos aumentou 67% em relação a igual período do ano anterior, acelerando ainda mais a rápida expansão observada em 2024 e 2025.

Embora o crescimento do comércio global acima do previsto inicialmente seja uma boa notícia em meio ao desafio criado pelo tarifaço de Trump e, mais recentemente, pela guerra no Irã, Okonjo-Iweala alertou que o boom de IA tem seus problemas. Os dois principais são a concentração desse comércio em poucos fornecedores e compradores e a sustentabilidade, ao longo do tempo, do atual ritmo de investimentos em data centers e infraestrutura para IA.

— Quando decompomos os números, vemos uma concentração dos benefícios do comércio de IA em duas regiões: América do Norte e Leste da Ásia. E, na América do Norte, trata-se, principalmente, dos EUA. Logo, o resto do mundo não está tão incluído nos benefícios desse comércio — afirmou a diretora-geral da OMC. — Então é bom, mas a questão é como tornar esse comércio mais inclusivo e como garantir que seja sustentável.

As turbulências no comércio global ocorrem num momento em que a OMC está em xeque. Criado em 1995, o organismo multilateral do comércio está parado por causa dos EUA. Desde o primeiro governo Trump, os americanos estão bloqueando a indicação de juízes para o Órgão de Apelação, instância máxima da OMC. Sem membros, o Órgão de Apelação fica impedido de exercer sua função, que é julgar disputas comerciais entre os membros da OMC, uma das principais funções da entidade.

No segundo governo, iniciado em janeiro do ano passado, com o lançamento do tarifaço contra praticamente todos os países, Trump dobrou a aposta contra a OMC, enquanto Okonjo-Iweala vem negando que o organismo multilateral esteja paralisado ou tenha caído na irrelevância.

Segundo seu relatório anual, divulgado em setembro, a OMC apresentou um estudo estimando que a economia global poderá chegar a 2050 com um Produto Interno Bruto (PIB, o valor de todos os serviços e produtos produzidos na economia) agregado 6,9% abaixo do nível que atingiria na projeção base de crescimento até lá, se prevalecerem apenas acordos comerciais bilaterais entre os países.

O jornalista viajou como participante do Programa de Intercâmbio para Jornalistas da OMC e da Konrad Adenauer Stiftung (KAS)

Crescimento surpreendente do comércio global, com boom de IA, mascara problemas, diz diretora-geral da OMC

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/GeLUPi5zQ2582nGKD6JFey para WhatsApp e https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal Tribuna online, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Acesse o link abaixo para entrar no meu grupo do WhatsApp onde publico meus artigos semanais e entrevistas que faço no rádio e TV Tribuna, bem como outras publicações e notícias, sempre na temática inovação e negócios: https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW

Por mudanças profissionais com a instituição onde publicava outros artigos meus e informações sobre inovações, tive que criar um novo grupo no WhatsApp https://chat.whatsapp.com/CNud8bQUUYM4n8ryXA3ZaW e parar de publicar em  https://chat.whatsapp.com/HqlJjC80rJ0Bu9lmsZgw5B . Quem tiver interesse pode sair do anterior e entrar nesse novo. Desculpem os transtornos.

Sugestão: Se estiver procurando alguém para implementar uma solução de IA com agentes e SLM veja a Aumo | Transformamos dados em soluções de IA avançadas

Se tiver interesse em gêmeos digitais para a indústria procure a Neo Vision – Captura Digital da Realidade

Para IoT chame a 2solve