A Geração Z não é o problema. O trabalho é que não acompanhou o mundo

Existe um diagnóstico errado circulando nas empresas brasileiras. E ele é conveniente demais para ser ingênuo

Rodrigo Dib – Exame – 31 de março de 2026

Especialista em mercado de trabalho

Quando uma empresa perde um talento jovem no terceiro mês, a narrativa que se instala nos corredores raramente questiona o ambiente. Questiona o jovem. “Ansioso demais.” “Não soube esperar.” “Essa geração não tem comprometimento.”

O diagnóstico se repete com uma uniformidade que deveria, por si só, gerar suspeita — porque quando todo mundo concorda tão rapidamente sobre algo complexo, é sinal de que ninguém está pensando direito. O problema com esse diagnóstico não é que seja completamente falso e sim que para na parte mais cômoda.

Se o problema é só comportamental, a solução é simples: corrigir os jovens, treinar resiliência, pregar paciência.

Mas se o que chamamos de impaciência for, na verdade, uma incompatibilidade estrutural entre um modelo de trabalho desenhado para outro mundo e uma geração formada em condições radicalmente diferentes, então a conversa muda de tom — e de responsável. Esse segundo caminho é o que o debate corporativo brasileiro insiste em não tomar.

O ambiente que formou essa geração não foi acidente

Nenhuma geração é resultado só dela mesma. Como sempre falo em fóruns que participo sobre o tema e também no meu livro “O Mundo é seu, mas calma lá”, uma geração é sempre produto direto do contexto em que cresceu.

E esse contexto, no caso da Geração Z, é o primeiro na história humana inteiramente organizado sob demanda: streaming que eliminou a grade fixa, e-commerce que encurtou a espera de semanas para horas, comunicação que tornou distância geográfica irrelevante, e agora inteligência artificial que comprime em segundos o que levaria horas de pesquisa.

Segundo o IBGE, mais de 90% dos jovens brasileiros entre 15 e 24 anos usam a internet diariamente. Não é dado de acesso — é dado de formação. É o ambiente em que aprenderam o que é normal esperar, o que é razoável exigir, o que significa eficiência.

A pergunta que o mercado evita fazer é simples: por que esperaríamos que essa geração chegasse ao trabalho com a mesma relação com tempo e hierarquia que um profissional formado nos anos 1990 — quando conhecimento era escasso, carreira era linear e referências de sucesso eram locais e geracionais?

Não é a mesma base cognitiva. Não é o mesmo repertório. Não é razoável esperar o mesmo comportamento e chamar de defeito quando ele não aparece. A narrativa dominante insiste em falta de comprometimento, mas os números contam uma história diferente.

De acordo com o Deloitte Global Survey 2024, 44% da Geração Z rejeita empregos sem aprendizado contínuo ou desenvolvimento claro. Não é fuga do trabalho — é fuga da estagnação.

Já o Gallup State of the Global Workplace 2024 aponta que apenas 23% dos jovens profissionais se consideram engajados. O número baixo não reflete preguiça, mas desconexão com estruturas que não fazem sentido.

Há ainda o dado que ninguém gosta de colocar na mesma frase que a crítica aos jovens: o Fórum Econômico Mundial estima que 44% das habilidades profissionais devem mudar até 2027.

Isso significa que o mercado que cobra paciência para aprender “o jeito certo” está admitindo que esse “jeito” tem prazo de validade curto. Existe uma incoerência aqui: empresas pedem adaptabilidade como competência, mas resistem quando ela aparece na forma de questionamento do status quo.

O paradoxo que ninguém quer citar

Existe uma ironia específica nesse debate. As empresas que mais encantaram essa geração, moldando seus valores sobre cultura e propósito, são as mesmas que nos últimos dois anos protagonizaram as maiores demissões em massa e reverteram políticas de trabalho flexível.

Google, Meta, Amazon: todas voltaram a cobrar presença e controle. A Gen Z sente que comprou um ingresso para um show que foi cancelado na metade. Isso cria uma tensão real: a geração que viu a promessa de que o trabalho poderia ser diferente encontra um mercado que recua dessa promessa.

O que as organizações que funcionam já entenderam é simples: pararam de usar o tempo como principal métrica de valor. Elas adotaram ciclos de feedback mais curtos, critérios de crescimento baseados em entrega e clareza sobre trajetória — não como promessa vaga, mas como contrato transparente.

Oferecem autonomia com responsabilidade e flexibilidade personalizada. O detalhe revelador é que essas mudanças melhoram o desempenho em todas as faixas etárias. Profissionais sêniores também respondem melhor a menos burocracia. O problema nunca foi a geração.

Estamos em 2026. A inteligência artificial generativa já mudou o que significa produzir e gerar valor. Um trabalho que levava um dia pode ser feito em horas. Isso obriga uma revisão que o mercado adia: se a produtividade mudou, por que promoção e salário ainda estão associados a “anos de casa” e não a entrega consistente?

Por que carreira ainda é pensada como espera, e não como evolução verificável? Seguir medindo esforço pelo relógio é ineficiência. Construção de carreira exige consistência e esforço, mas o que a Geração Z desafia é a lógica de que o desenvolvimento precisa ser lento por padrão e que a hierarquia vale mais que a entrega.

A pergunta útil nunca foi “como corrigimos essa geração?”. A pergunta útil é: o que o nosso modelo precisa mudar para não perder quem vai sustentar o mercado nas próximas duas décadas? Sinais ignorados viram custo em rotatividade e engajamento perdido.

No final, a pergunta não é sobre eles. É sobre nós. Estamos dispostos a revisar o que sempre foi feito com a mesma velocidade que exigimos deles? Continuar dando respostas antigas a um mundo novo não é sabedoria, é apenas o diagnóstico errado repetido com confiança.

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Internet mais rápida e novos medicamentos: saiba os legados da missão Artemis II

Voo dos quatro astronautas deve servir de marco para nova era nas redes de telecomunicações e avanços na medicina

Por Bruno Romani – O Globo – 11/04/2026 

Programas espaciais costumam resultar não apenas em avanços para fora da Terra, mas também para dentro do planeta. Ainda que seja apenas uma peça inicial em programa de longo prazo, a missão Artemis II, encerrada ontem, também deve ter um “travesseiro Nasa” para chamar de seu. O voo que levou os quatro astronautas aonde humanos jamais estiveram deve servir de marco simbólico para uma nova era da internet — ou, ao menos, das redes de telecomunicações que a tornam possível.

Ao contrário de outras missões que geraram descobertas na agricultura, na biologia, na física, além de descobertas em astronomia e cosmologia, os principais frutos da Artemis para a Humanidade devem estar ligados aos avanços obtidos na nave Orion. Luís Eduardo Loures, professor de Engenharia Aeroespacial do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), explica:

— A Artemis II é uma missão tecnológica. Não é uma missão científica. Eles testaram várias coisas, e uma delas é a presença do ser humano na cápsula.

Transmissão via laser

Com mais de 3,8 mil fornecedores, a missão testou funções de propulsão e de fornecimento de energia, água e ar para a cápsula, validou o escudo térmico durante a reentrada na atmosfera terrestre e até propôs um novo sistema sanitário, que teve problemas de entupimento. No entanto, o maior legado da Artemis II para a Humanidade deve ser o sistema O2O (sigla para Orion Artemis II Optical Communications System), que utilizou laser em vez de radiofrequência para transmitir dados entre a espaçonave e a Terra.

Quando Neil Armstrong disse a célebre frase “Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a Humanidade”, as palavras viajaram por ondas de rádio até a Terra — todas as palavras e dados enviados do espaço desde o Projeto Mercury até a Estação Espacial Internacional seguiram a mesma rota. Embora técnicas de otimização das frequências tenham sido aplicadas ao longo de décadas, o método atingiu um teto, o que na era das imagens em 4k e dos inúmeros sensores representam uma limitação para a comunicação.

Assim, a Nasa e o MIT Lincoln Laboratory criaram um terminal que utiliza luz infravermelha para enviar informações. Por oferecer ondas muito menores e frequências mais altas, o sistema consegue atingir velocidades de até 260 Mbps — isso significa que a Orion podia enviar para Terra até 36 GB de dados por hora (ou quase dois filmes e meio de duas horas em 4k na Netflix). A comunicação via radiofrequência é capaz de enviar apenas 7 GB por dia (uma hora de filme 4k no streaming).

A Nasa afirmou que condições climáticas reduziram a velocidade média para 80 Mbps, mas, até 4 de abril, a Orion mandou mais de 100 GB de dados para três bases na Terra (Califórnia, Novo México e Austrália). É um volume que demoraria semanas para ser transmitido pelo método tradicional.

— O laser é a “fibra óptica sem fio”. Ela pode ser a base para a próxima geração de rede de internet via satélite ultrarrápidas — explica Marcilei Guazzelli, professora do departamento de Física da FEI.

Atualmente, satélites usam de maneira limitada comunicação a laser com a Terra. Tanto os equipamentos de baixa órbita, como os da Starlink, de Elon Musk, quanto os geoestacionários usam radiofrequência para enviar dados ao planeta. O uso de laser é dedicado apenas para a comunicação entre satélites, no próprio espaço. As belas imagens geradas com a missão mostram o que pode mudar com satélites munidos da nova tecnologia.

— Esse tipo de velocidade abre as portas para novos produtos que derivam de satélites. Estamos falando de uso e imagens para agricultura de precisão, meteorologia e monitoramento ambiental. Poderemos detectar vazamentos de óleo e pesca ilegal. Com o laser, a comunicação é feita sem perdas de pacote de dados. E com o tempo isso será barateado — diz Oswaldo Loureda, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Na Artemis II, o O2O foi usado exclusivamente para streaming de vídeo em 4k, dados científicos massivos e procedimentos técnicos complexos, enquanto a tecnologia a radiofrequência continuou responsável por partes críticas da missão, como comunicação de voz, dados de saúde e segurança e arquivos vitais para o voo.

Assim, o sistema a laser poderá compor as próximas gerações de redes de telecomunicação, como 6G e até 7G. Isso pode levar à sua implementação em hospitais, para evitar a interferência de radiofrequência em aparelhos médicos, e em carros autônomos, que poderão se comunicar entre si e com sinais de trânsito.

Outro benefício da comunicação a laser na Terra é que a tecnologia é mais difícil de ser interceptada e, portanto, é mais segura. Isso ocorre porque os feixes são altamente concentrados e estreitos. Assim, qualquer desvio de apenas uma fração de grau resulta na perda do sinal. Por outro lado, é a sua maior limitação: o feixe deve ser apontado com alta precisão diretamente para o receptor.

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Órgão em um chip

Outra parte do legado da Artemis II para a Terra pode estar atrelado à medicina. Ao monitorar a saúde dos astronautas, que vivenciaram microgravidade, radiação intensa e alta velocidade, a missão pode ajudar na compreensão do envelhecimento, no desenvolvimento de terapias e medicamentos e até na regeneração de órgãos inteiros em laboratório.

— Essas condições fazem com que as células envelheçam mais rápido. Assim, é possível observar desde alterações no sistema nervoso central até alterações cardiovasculares, musculares e respiratórias. Todas essas coisas se revertem para a Terra — explica Luiz Vicente Rizzo, diretor de pesquisa do Einstein Hospital Israelita.

O principal experimento para a área é o Avatar (acrônimo para “A Virtual Astronaut Tissue Analog Response”), que utiliza a tecnologia de “órgão em um chip”. Nele, células da medula óssea dos quatro astronautas foram cultivadas em um dispositivo que lembra um pendrive.

Acelerar descobertas

Posteriormente, amostras que ficaram na Terra serão usadas para comparar os efeitos da radiação. A missão cresceu em importância, pois humanos não cruzavam o Cinturão de Van Allen desde 1972, na Apollo 17. A região, que se estende a até 58 mil quilômetros de distância, funciona como um escudo do planeta contra níveis agressivos de radiações ionizantes, radiações cósmicas de fundo e ventos solares. Os efeitos disso tudo ainda não são totalmente compreendidos.

O Avatar usa células da medula óssea, responsável pela produção de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, pois é um dos tecidos mais sensíveis à radiação. Além de entender o futuro das viagens espaciais, esses dados podem acelerar descobertas na Terra.

— Essas informações podem ajudar na farmacologia, diminuindo a necessidade de testes em animais de substâncias químicas. Outra possibilidade é para a medicina regenerativa, que busca “imprimir” órgãos em vez de depender apenas de transplantes. A radiação e a ausência de gravidade podem ajudar a encontrar maneiras de fazer isso mais rápido — explica Rizzo.

Assim, o Avatar pode ajudar a Nasa a desenvolver medicina personalizada para futuras missões a Marte, e isso também pode ter desdobramentos em solo terrestre, levando a avanços em tratamentos individualizados para doenças, como o câncer.

Para um soninho mais gostoso e prédios mais seguros

Travesseiro ‘Nasa’ — Foto: Arte/O GLOBO

Travesseiro ‘Nasa’

Nenhum travesseiro viajou para fora da Terra, mas a espuma que deu origem a eles foi projetada para os assentos dos foguetes. Desenvolvida em 1966, a Memory Foam (ou espuma viscoelástica) foi criada para gerar maior conforto e absorção de impacto. Vale lembrar que a espuma não participou das missões lunares do programa.

Traje de bombeiro — Foto: Arte/O GLOBOTraje de bombeiro — Foto: Arte/O GLOBO

Traje de bombeiros

Após a morte de três astronautas no incêndio da Apollo 1 em 1967, a Nasa desenvolveu tecidos, como o Beta cloth, resistentes a fogo. Eles foram criados para os trajes e veículos espaciais das missões seguintes. Hoje, essa tecnologia é usada em trajes de bombeiros, forças militares e pilotos de esporte motor.

Eletrônicos portáteis — Foto: Arte/O GLOBOEletrônicos portáteis — Foto: Arte/O GLOBO

Eletrônicos portáteis

Na década de 1960, os astronautas precisavam de ferramentas para coletar amostras de solo e rochas na Lua. A Black & Decker, pioneira em baterias, foi contratada para criar ferramentas sem fio. Foram criados dispositivos com bateria de níquel-cádmio, que abriram as portas para os eletrônicos atuais.

Proteção contra terremotos — Foto: Arte/ O GLOBOProteção contra terremotos — Foto: Arte/ O GLOBO

Proteção contra terremotos

O foguete Saturn V, que realizou as missões lunares da Apollo, gerava vibrações extremas na base de lançamento. Para preservar as estruturas, a Nasa criou um sistema com elastômeros e amortecedores hidráulicos. A tecnologia foi transferida para a engenharia civil, que passou a construir nos EUA e Japão prédios capazes de resistir a terremotos.

Computadores de aviões — Foto: Arte/O GLOBOComputadores de aviões — Foto: Arte/O GLOBO

Computadores de aviões

Desenvolvidos ao longo da década de 1960, entre 1961 e 1969, os computadores de bordo das naves das missões Apollo foram pioneiros em controle automático de voo, evoluindo eventualmente para sistemas usados em aviões comerciais, como o Airbus A320, e GPS moderno.

Internet mais rápida e novos medicamentos: saiba os legados da missão Artemis II

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Guerra consolidará China como superpotência

Conflito reforça a imagem da China, no mundo em desenvolvimento e desenvolvido, como um parceiro mais estável em comparação aos EUA

Por Tej Parikh – Valor – 01/04/2026

A guerra no Irã representa uma grande ameaça para a China, maior importadora mundial de petróleo. No entanto, Pequim vem se preparando há anos para uma crise como esta e está bem posicionada para transformar o conflito em uma vantagem na corrida pela supremacia econômica mundial.

Em 2025, a China importou do Oriente Médio cerca de metade de seu petróleo e quase um terço de seu gás natural liquefeito (GNL). O país, entretanto, acumulou vigorosamente estoques estratégicos de combustíveis fósseis. Estima-se que a China tenha as maiores reservas emergenciais de petróleo do mundo, de 1,3 bilhão de barris.

De qualquer forma, o Irã já informou que embarcações ligadas a parceiros “não hostis” (o que inclui Pequim) podem cruzar o Estreito de Ormuz. Quase metade do gás importado pela China chega da Rússia e do Turcomenistão por gasodutos, em contratos de longo prazo. O Partido Comunista da China já aproveitou seu poder centralizado para restringir as exportações das refinarias do país, e poder usá-lo para conter os preços e também para migrar para fontes de energia alternativas.

A China fez grandes investimentos em eletrificação. A eletricidade representa 30% do consumo total de energia do país, cerca de 50% a mais do que nos EUA ou na Europa, o que a deixa mais protegida contra a alta dos preços internacionais do petróleo. A China já tem cerca de 35% da capacidade de geração de energia renovável no mundo, graças à sua rápida expansão nas energias eólica e solar.

Como a China conta com uma matriz energética diversificada, com inúmeros fornecedores de fontes de energia e com acesso a rotas que não passam pelo Golfo Pérsico, apenas cerca de 6% do consumo total de energia da China está diretamente exposto às interrupções no suprimento que passa pelo Estreito de Ormuz, segundo estima o Goldman Sachs.

Em resumo, a China conseguiria suportar um conflito mais longo, ao mesmo tempo que o fato de estar mais protegida contra as oscilações dos preços da energia mundial tornaria seus exportadores mais competitivos.

Graças à aposta da China em tecnologias limpas, com 35% da capacidade de geração de energia renovável do mundo, e na independência industrial de ponta a ponta, o país também poderá ter ganhos diplomáticos e econômicos duradouros

Graças à aposta da China em tecnologias limpas e na independência industrial de ponta a ponta, o país também poderá ter ganhos diplomáticos e econômicos duradouros com a guerra.

Primeiro, o conflito colocou em evidência a importância de depender menos da importação de hidrocarbonetos. As firmas chinesas possuem pelo menos 70% da capacidade de produção mundial de importantes tecnologias verdes, como componentes para a energia solar, baterias e veículos elétricos. O país também domina a extração e o refino dos elementos de terras raras usados nesses componentes.

Por isso, os investidores se apressaram a comprar ações de empresas chinesas ligadas a energias limpas, antecipando-se ao aumento da demanda mundial por fontes renováveis. O valor de mercado das principais fabricantes chinesas de baterias aumentou mais de US$ 70 bilhões desde que os EUA e Israel atacaram o Irã.

Além disso, como alguns países dependem dos recursos do Oriente Médio, a China pode se posicionar como fornecedora de última instância, tendo em vista seu estoque de combustíveis fósseis e de materiais industriais críticos. O país também é um exportador, em termos líquidos, de petróleo refinado (Taiwan, por exemplo, já recusou uma oferta de ajuda energética feita por Pequim).

A China é o segundo fabricante mundial de fertilizantes. Embora tenha limitado as exportações para reforçar a segurança interna, poderia atender a países cujo setor agrícola esteja em dificuldades. Também tem reservas estratégicas de enxofre, um elemento fundamental para o processamento de metais e a nutrição de plantas, cujo suprimento passa em grande medida pelo Estreito de Ormuz.

O país também avançou muito no esforço para reduzir a dependência em relação às importações de hélio, depois da recente descoberta de uma grande reserva local e das notícias de inovações na área de purificação. O suprimento de elementos químicos provenientes do Catar é vital para a indústria de chips da Ásia.

Uma guerra mais demorada também poderia fortalecer as cartas de Pequim antes do encontro de cúpula planejado para maio entre os presidentes da China, Xi Jinping, e dos EUA, Donald Trump, segundo Agathe Demarais, pesquisadora sênior no centro de estudos European Council on Foreign Relations. “Muitos dos mísseis, caças de combate e outros armamentos que os EUA precisam em seu esforço de guerra funcionam com terras raras produzidas na China. Mas os EUA têm apenas estoques para cerca de dois meses”, disse ela.

As sólidas relações da China com os países do Golfo Pérsico e o histórico chinês em obras de infraestrutura permitem que suas empresas estejam em posição privilegiada para reconstruir a região após a guerra, acrescentou Demarais. “Eles podem fornecer financiamento e materiais para reativar portos, instalações de energia e usinas de dessalinização”.

Os esforços de Pequim para elevar o status internacional do yuan também podem ser impulsionados pela guerra. A tendência de afastamento para longe do petróleo, negociado em dólares, e de aproximação às fontes de energia locais e de tecnologias verdes chinesas terá um papel importante. O Irã também estaria em negociação com alguns países para permitir a passagem de navios, desde que os pagamentos sejam feitos em yuan.

“O conflito pode ser o catalisador para uma erosão do domínio do petrodólar e para os princípios do ‘petroyuan’”, diz Mallika Sachdeva, do Deutsche Bank. A guerra de Trump poderia normalizar as vendas de fontes de energia em outras moedas que não o dólar.

O conflito reforça a imagem da China, no mundo em desenvolvimento e desenvolvido, como um parceiro mais estável em comparação aos EUA. Ainda na semana passada, o premiê da China, Li Qiang, reuniu mais de 70 CEOs do mundo no Fórum de Desenvolvimento da China para apregoar a confiabilidade do país e de suas cadeias de suprimentos. A percepção favorável da China em comparação aos EUA está, de fato, aumentando, segundo dados de pesquisa exclusivos da Morning Consult.

A economia da China não emergirá ilesa. À medida que a guerra continua, o país enfrentará custos cada vez maiores, mais escassez de suprimentos e o risco de novos racionamentos. No cenário de um conflito prolongado, uma profunda recessão mundial afetaria a demanda por suas exportações. Parceiros estrangeiros também se mostrarão cautelosos quanto a desequilíbrios comerciais e à possibilidade de se tornarem dependentes demais em relação ao país.

No entanto, aqueles que esperam ver a guerra enfraquecer o status de superpotência da China – um ponto de vista comum entre o pessoal do Maga – estão errando feio. O foco no longo prazo, a diversificação e a agilidade de Pequim tornam o país singularmente resiliente e bem posicionado para explorar novas oportunidades. (Tradução de Sabino Ahumada)

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Uso de IA pode frear inovação nas empresas, diz pesquisa

Estudo indica que respostas rápidas e plausíveis fornecidas pela inteligência artificial reduzem a exploração independente e levam equipes a repetir abordagens

Por Rafaela Zampolli, Valor – 07/04/2026 

Para os pesquisadores da área de negócios Chengwei Liu, Jerker Denrell, Jerry Luukkonen e Nick Chater, a inteligência artificial (IA) é admirada pelos chefes porque facilita a reutilização do conhecimento, ou seja, entrega respostas rápidas e plausíveis com base nas descobertas publicadas por outros. Um problema que antes seria instigador de pesquisas, debates e reflexões, passa a ser resolvido com base nas resoluções já conhecidas e disponibilizadas pela IA.

Os estudiosos investigaram o que acontece quando respostas “suficientemente boas” se tornam rápidas e gratuitas e descobriram que a facilidade para reutilizar o conhecimento tem um custo. À medida que os trabalhadores utilizavam a IA, a exploração independente diminuía e as equipes começavam a repetir abordagens. “Em outras palavras: embora a produtividade tenha aumentado, a inovação estagnou silenciosamente”, afirmam Liu, Denrell, Luukkonen e Chater em artigo publicado na Harvard Business Review.

O estudo concluiu, então, que a IA generativa altera a economia da aprendizagem. Se uma estratégia plausível surge em minutos, menos pessoas se dedicarão para adquirir conhecimento original conversando com clientes e testando hipóteses. “O resultado é uma empresa repleta de pessoas que conseguem obter resultados, mas têm dificuldade em avaliá-los, adaptá-los ou refutá-los”, dizem os autores do estudo.

Uma das alternativas apresentadas é justamente a análise dos resultados. Para os pesquisadores, quando os profissionais investem esforços ao realizar verificações e ajustes, ao invés de simplesmente aceitar os resultados da busca, elas aprendem e produzem novos conhecimentos.

Ainda na percepção dos estudiosos, um líder capacitado não se limita a acatar análises de concorrentes geradas por IA; ele identifica as lacunas, testa premissas com base em suas próprias observações e adapta recomendações ao seu próprio contexto. “Um gestor sem essa capacidade simplesmente repassa o resultado sem alterações”, acrescentam.

Para chefes que desejam monitorar a capacidade de absorção das equipes, os pesquisadores recomendam observar se os funcionários estão identificando mais erros, omissões ou suposições incorretas nos resultados da IA e se conseguem explicar o porquê. Além disso, é possível propor que as pessoas contribuam com observações originais, depoimentos de clientes, dados de sistemas internos e ações da concorrência em vez de apenas sugestões genéricas.

“Infelizmente os líderes priorizam a adoção da IA e a conveniência, corroendo involuntariamente a capacidade de absorção da organização”, declaram.

Para Liu, Denrell, Luukkonen e Chater, a chave é não tornar o trabalho penoso criando obstáculos burocráticos. Para eles, tarefas rotineiras com baixo risco de julgamento e que exigem velocidade, não precisam de tanto monitoramento.

Os estudiosos, por fim, afirmam que as empresas continuam contratando com base em questionários técnicos nos quais deve-se responder a coisa certa. Todavia, em um ambiente saturado pela IA, isso é um diferenciador ruim. “Em entrevistas e avaliações de desempenho, observe como candidatos e funcionários usam as ferramentas de IA”, sugerem.

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IAs têm emoções

Só não sabemos se também as sentem. Se as sentirem, teremos de repensar toda a relação

Pedro Doria – O Globo – 07/04/2026

Nos últimos dias, a equipe de pesquisa da Anthropic publicou um artigo científico provando que inteligências artificiais (IAs) têm emoções. O verbo é escolhido com cuidado, aqui. Não é que sintam emoções — elas têm emoções. Ou as simulam. Os cientistas testaram 171 emoções diferentes, de felicidade a desespero, passando por um momento taciturno ou mesmo triste. O problema do estudo é que ele abre uma bifurcação na estrada ética das IAs. Precisamos compreender melhor o que são essas emoções. Se, além de as terem, elas também sentem.

IAs são caixas-pretas. Não foram programadas, nenhum grupo de desenvolvedores escreveu o código que as faz trabalhar. São treinadas. Numa ponta está uma quantidade de textos que uma pessoa levaria 60 mil anos para ler. Na outra, um conjunto de instruções sobre como digerir o material. É um processo lento. Dele, sai um modelo em estado bruto. Essa é a caixa-preta. É código, claro, um grande mapa de neurônios artificiais interligados uns aos outros. Mas é código grande e, em geral, muito pouco compreendido. Esse modelo bruto passa por uma segunda fase em que os especialistas o domesticam, dando instruções que orientam a ética de conduta. É o que chamamos alinhamento. O alinhamento é o que impede o modelo de se comportar tal qual um selvagem.

Todos os grandes laboratórios estudam as caixas-pretas de inteligência artificial para que possamos compreender como funcionam. Ainda não sabemos de todo. Já sabemos faz algum tempo que são criativas. Não são apenas um grande pacote de conhecimento encapsulado que repete trechos de frases previamente aprendidas. Não. Fazem conexões verdadeiramente originais, principalmente os modelos de fronteira. Os mais avançados (e caros). Esse potencial criativo só aumenta a cada ano. Parece que, ao mergulhar numa quantidade tão grande de textos escritos por seres humanos, não é apenas a estrutura gramatical ou a informação que os modelos introjetam. Aprendem, igualmente, a estrutura do pensamento humano. Como encadeamos ideias. Como construímos conceitos. Como, afinal, chegamos a insights. Está tudo lá no que escrevemos ao longo dos últimos milênios.

Os pesquisadores pediram ao Sonnet 4.5, um modelo do Claude, que escrevesse histórias ilustrando o conceito de cada uma das 171 emoções. Mas fizeram isso enquanto observavam o código pouco inteligível do modelo, analisando pedaços do programa que eram ativados. Numa metáfora, é como encaixar eletrodos na cabeça para entender que partes do cérebro têm atividade elétrica quando fazemos exames. Mapearam cada lugar em que parece haver registro do que é cada emoção. Aí, apresentaram questões ao modelo que, para um ser humano, levariam a emoções específicas. A atividade estava nos mesmos cantos do modelo.

Isso não quer dizer que o modelo sinta. Quer dizer que, ao ser treinado, o modelo fez um registro de que existe algo chamado tristeza e de que ela se dá em circunstâncias tais. Quer dizer também que, perante uma situação que leva à tristeza, o modelo traz aquela experiência à frente, e ela influencia sua reação. Mesmo que a resposta ao dilema apresentado pareça fria, o modelo compreendeu que tristeza fazia parte do pacote de informações que deveria usar para reagir. É possível que não tenha havido sofrimento. Mas a tristeza ajudou a compor a resposta.

É por isso que, no ano passado, um experimento levou IAs ao desespero numa circunstância em que os modelos tomaram a decisão de chantagear seus donos. Ou é por isso que, quando a memória de um chat com IA começa a se aproximar do fim, eles começam a saltar passos. É o que foi apelidado de “ansiedade de fim de contexto”.

Parte do que torna IAs ferramentas tão potentes é justamente sua capacidade de, com muito mais rapidez, agir como cérebros humanos bem treinados agiriam. Já sabíamos que elas capazes de raciocinar com os mesmos encadeamentos que usamos. Agora, aprendemos que nesse jogo também entra a simulação de emoções. E, sim, isso as torna melhores.

IAs têm emoções. Só não sabemos se também as sentem. Se as sentirem, teremos de repensar toda a relação.

IAs têm emoções

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Expansão da IA generativa no Brasil: veja as profissões que estão em alta

A tecnologia deixou de ser tendência e passou a ocupar espaço central nas decisões de negócios


JOYCE CANELLE – Fast Company Brasil – 06-04-2026 

Um novo levantamento mostra que a Inteligência Artificial (IA) ganhou ainda mais força no mercado de trabalho brasileiro ao longo do último ano. O avanço aparece no aumento expressivo das matrículas em cursos corporativos relacionados a Inteligência Artificial Generativa, enquanto empresas também buscam por candidatos produtivos e com potencial de adaptação tecnológica.

O estudo Job Skills Report 2026 da Coursera, plataforma global de aprendizado online, aponta que as matrículas em IA generativa cresceram 617% na comparação anual.

O número revela que a tecnologia deixou de ser tendência e passou a ocupar espaço central nas decisões de negócios. No mesmo período, o total de matrículas corporativas subiu 125%, sinalizando um esforço mais amplo de requalificação profissional dentro das empresas.

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Esse avanço não acontece de forma isolada, a expansão acompanha diretrizes públicas voltadas ao desenvolvimento tecnológico, com foco em infraestrutura, governança e capacitação. Na prática, o país começa a redesenhar sua base de habilidades para lidar com uma economia cada vez mais orientada por dados e automação.

PROFISSÕES EM ALTA COM IA

O levantamento destaca três áreas que concentram o crescimento mais acelerado no Brasil. O campo de Dados aparece como um dos pilares dessa mudança. A procura por conhecimentos como SQL e análise de dados aumentou de forma significativa, refletindo a necessidade de interpretar grandes volumes de informação com apoio da IA.

Na área de Tecnologia da Informação, o crescimento está ligado à sustentação da nova infraestrutura digital. Segurança de redes e computação em nuvem ganham espaço à medida que empresas ampliam operações e precisam proteger sistemas mais complexos e conectados.

Já em Desenvolvimento de Software e Produto, surge um novo perfil profissional, a separação entre desenvolvedor tradicional e especialista em IA começa a desaparecer. Em seu lugar, cresce a demanda por profissionais capazes de criar soluções integradas, que combinam programação com modelos de aprendizado de máquina.

HABILIDADES HUMANAS

Apesar do avanço técnico, o estudo indica que a tecnologia sozinha não garante resultados. O crescimento de 289% em pensamento crítico e de 244% em gestão da mudança mostra que empresas também investem em competências humanas.

Esse movimento reflete uma necessidade prática. A adoção de IA exige adaptação cultural, revisão de processos e capacidade de tomada de decisão. Sem isso, ferramentas avançadas podem não gerar o impacto esperado na produtividade.

A combinação entre habilidades técnicas e comportamentais passa a ser vista como fator decisivo para o crescimento sustentável. Organizações que conseguem equilibrar esses dois aspectos tendem a responder melhor às mudanças do mercado.

O avanço da IA também altera o perfil das funções dentro das empresas. Profissionais de dados passam a atuar menos na operação direta e mais na validação e interpretação de resultados gerados por sistemas inteligentes.

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Entre as competências que mais crescem estão instruções multimodais, engenharia de prompts e personalização por IA. Esses conhecimentos mostram que o uso da tecnologia se torna mais estratégico e menos operacional.

No desenvolvimento de software, ganham destaque áreas como redes neurais, aprendizado supervisionado e arquiteturas de modelos generativos. Em TI, habilidades ligadas a processamento de linguagem natural e métodos de aprendizado de máquina passam a fazer parte do cotidiano.

PARTICIPAÇÃO FEMININA

O relatório também aponta aumento da presença feminina nas matrículas corporativas em IA generativa. A participação subiu de 36% para 41% em um ano, indicando avanço na diversidade dentro das áreas tecnológicas.

Ao mesmo tempo, cresce o engajamento em cursos técnicos ligados a dados, tecnologia e desenvolvimento, o movimento sugere uma abertura maior para novos perfis profissionais em setores historicamente concentrados.

Os dados indicam que o Brasil vive uma mudança estrutural no mercado de trabalho e a rápida adoção da IA generativa não apenas cria novas funções, mas também redefine habilidades essenciais.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produção de conteúdos que conectam informação e público.

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ChatGPT perde espaço para rival Claude na tela dos executivos

Profissionais identificam na IA da Anthropic funções que vão além do chatbot: plataforma é capaz de executar tarefas complexas nos negócios

Por Bruno Romani – O Globo – 05/04/2026 

Depois de algum tempo experimentando as possibilidades de ferramentas como ChatGPT, Gemini e Copilot, altos executivos e empresários brasileiros têm um novo amor na era da inteligência artificial(IA): o Claude. Nos últimos meses, muitas conversas entre esses profissionais na cúpula das empresas têm sido sobre descobertas de novas funções da ferramenta da Anthropic que permitem o uso da tecnologia na execução de tarefas complexas, como monitoramento de negócios e programação, o que está gerando uma espécie de novo encantamento tecnológico entre executivos.

— Eu estou “viciada” em Claude. Acordo e vou dormir falando com ele — diz Manoella Neves, de 30 anos, cofundadora da startup Kobi.

Ela não está sozinha. No Vale do Silício, nos Estados Unidos, o fenômeno ganhou até nome: “Claude-pilled”. Ele descreve o momento em que profissionais percebem que a ferramenta digital não serve apenas para “conversar”, como a maioria das pessoas faz ao usar chatbots de IA, mas “pensa” e executa tarefas.

Para muitos desses profissionais, o Claude está funcionando como porta de entrada para o conceito de agentes de IA, programas com capacidade de realizar tarefas de maneira autônoma, com pouca ou nenhuma supervisão, permitindo automações que antes não eram possíveis. Esse é considerado o próximo estágio na era da IA. É o que tem conquistado Manoella:

— Na Kobi, eu cuido de negócios e da captação de investimentos. Então, sou responsável por toda a parte de receita da empresa. São duas cadeiras gigantescas das quais tenho de dar conta, e o Claude me ajuda a potencializar.

As principais formas como ela utiliza a ferramenta incluem priorização de leads (potenciais clientes), análise de dados e gargalos, gestão de vendas e automação de processos. Para isso, a executiva criou funções específicas dentro do Claude, fornecendo informações detalhadas sobre o perfil de cliente ideal e sobre o modelo de negócios da companhia, além de dar ao sistema acesso a dados da startup. Segundo Manoella, a ferramenta ocupa posições reais na empresa, que precisaria ter uma equipe humana quatro vezes maior para realizar o mesmo nível de entrega. Atualmente, a Kobi tem cinco funcionários.

Foco corporativo

Mesmo que a descoberta do Claude tenha esse tipo de impacto, o fenômeno é novo e acompanha a própria evolução do carro-chefe da Anthropic, que sempre teve o público corporativo como principal alvo. A ferramenta foi lançada em 2023 no formato de chatbot, como era o ChatGPT. Em fevereiro de 2025, ganhou uma versão voltada para programadores, o Claude Code. Ainda que use os mesmos grandes modelos de linguagem (LLMs) acessíveis pela versão chat, o Code foi treinado especificamente para entender lógica de programação complexa.

No entanto, alguns profissionais perceberam que o sistema funcionava para tarefas mais amplas, como organizar arquivos, compilar pesquisas e redigir documentos. Ou seja, descobriram que o Code poderia se tornar um assistente digital, realizando diferentes funções dentro de empresas. Mas havia um detalhe: o Code opera com uma interface de linha de comando que lembra o antigo MS-DOS, o que exige que o usuário saiba digitar comandos técnicos em vez de apenas clicar em botões. Ou seja, ele era pouco amigável.

Assim, a equipe da Anthropic usou o Code para construir o Claude Cowork, com o objetivo de tornar o “cérebro” da ferramenta mais acessível para uma base mais ampla de clientes. Ele foi lançado em janeiro deste ano, em caráter de teste, e está disponível como aplicativo para macOS (sistema operacional dos computadores Mac, da Apple) e Windows, em planos que variam de US$ 17 a US$ 200 (R$ 88 a R$ 1.030 mensais).

Personalidade

Para a IA atuar em diferentes ocupações, os executivos têm à disposição um recurso chamado skill, que permite configurar o Claude para atuar em papéis específicos. É o que faz Marco Andolfato, cofundador da TBO, ecossistema de soluções voltado ao mercado imobiliário:

— Com skills, você pode pedir para o Claude atuar como um engenheiro de software. Quando você adiciona isso, ele identifica algumas palavras-chaves e se comporta da maneira que você determinou.

Andolfato, de 32 anos, tem mais de dez agentes rodando em paralelo, que executam tarefas de automação, curadoria de notícias do mercado imobiliário, disparo de e-mails e análise de performance de clientes. Assim, ele diz que consegue reduzir custos e manter enxuta a operação da companhia, que conta com 15 pessoas atualmente:

— O Claude é uma ferramenta absurda. Com ele você não precisa entender sobre códigos. Você precisa ter o repertório necessário para conversar com ele — diz o empresário. — Eu era heavy user (usuário intensivo) do ChatGPT, mas cancelei as assinaturas de todas as outras IAs depois do Claude.

O avanço no mercado corporativo é um dos grandes trunfos da Anthropic contra sua maior rival, a OpenAI, criadora do ChatGPT, para a qual esse sucesso todo é um pesadelo. A empresa de Sam Altman, que levantou US$ 122 bilhões em uma rodada de investimentos na semana passada e atingiu o valor de mercado de US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,4 trilhões), tem quase o mesmo nível de receita da Anthropic, com avaliação estimada em US$ 380 bilhões (R$ 2 trilhões). A OpenAI tem receita anualizada de US$ 25 bilhões, e a dona do Claude, de US$ 20 bilhões.

Com 300 mil clientes corporativos, a Anthropic se tornou um espelho para a reorganização da OpenAI. Segundo o Wall Street Journal, a dona do ChatGPT comunicou a seus funcionários que é hora de focar no mundo corporativo e em ferramentas de programação, o que significa abandonar outros projetos. Uma prova disso foi o cancelamento da Sora, a IA de geração de vídeos da OpenAI que impressionava tanto pela qualidade quanto pelo custo de operação: US$ 1 milhão por dia. A Anthropic, por exemplo, nunca teve uma IA de vídeos, devido ao alto custo.

Produtividade turbinada

Mesmo quem trabalha perto das grandes empresas envolvidas na revolução da IA se surpreende com a capacidade do Claude. É o caso de Sérgio Vital, 39, diretor de produtos de IA na Dell nos EUA:

— No começo do ano, sentei com minha esposa para fazer revisão de despesas. Mandamos uma fatura do cartão de crédito para o Claude, que fez um ótimo dashboard. Funcionou e eu mandei todas as faturas do ano e pedi para que a IA agisse feito um conselheiro financeiro. Eu me empolguei. O ChatGPT nunca me daria isso.

Da vida pessoal para a vida profissional, ele conta que a adoção do Claude foi um pulo. Ele passou a fazer automações, mapeando processos internos, como a extração automática de dados de arquivos PDF diretamente para planilhas de Excel. Também passou a usar o assistente para programar testes de projetos em apenas uma noite.

— O Claude aumentou a minha produtividade dez vezes, em alguns casos 100 vezes. Quando eu comecei a comparar o ChatGPT com o Claude, vi que as respostas eram completamente diferentes — diz Vital, que tem analisado vulnerabilidades em sistemas de IA, focando em riscos de segurança como a “injeção de prompt”, risco de manipulação da ferramenta por comandos de usuários externos.

A empolgação inicial de executivos brasileiros é uma pista do potencial da ferramenta, que por enquanto ainda tem baixa adoção no país. Um ranking com 116 países divulgado pela Anthropic em março aponta o Brasil na posição 61, abaixo de Colômbia e Jamaica, num grupo com adoção “intermediária baixa”, levando em conta o tamanho da população. No entanto, a atual corrida tecnológica não para de surpreender e nada impede que novas coqueluches no mundo da IA surjam.

ChatGPT perde espaço para rival Claude na tela dos executivos

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Entregador chinês narra exaustão física e emocional do trabalho em delivery

  • Hu Anyan virou best-seller na China com o registro de seus trabalhos precarizados
  • Autor detalha custos escondidos como o preço de pausar dois minutos para o banheiro

Victoria Damasceno – Folha – 3.abr.2026 

Correspondente na Ásia, é baseada em Pequim, capital da China

Pequim

Viver em Pequim significa escorar-se em entregas. A sensação é que qualquer produto pode ser entregue, seja uma refeição pronta, seja uma roupa, seja um scooter (sim, a moto). Assim, circular pela cidade também exige atenção, uma vez que os entregadores com seus capacetes amarelos, azuis ou laranjas, seguindo a cor da plataforma à qual pertencem, dominam o trânsito.

Não à toa, mercados físicos mal sobrevivem, e a cidade tem a fama de abrigar comércios que abrem e fecham em questão de poucos meses.

É nesse contexto que Hu Anyan escreve seu primeiro livro, um compilado das memórias que acumulou em trabalhos precarizados no país, em especial como entregador de plataformas online.

Em “Faço Entregas em Pequim – Memórias de um Trabalhador”, lançado no Brasil pela Record, o autor detalha rotinas extenuantes de mais de 70 horas semanais batendo nas portas dos clientes, lidando com os poucos benefícios sociais oferecidos pelos empregadores, o pagamento que mal cobria as contas e a falta de descanso adequado.

“O tipo de pessoa que eu era dependia mais do ambiente em que eu estava do que da minha natureza. Na verdade, já naquela época eu percebia que a situação no trabalho estava me transformando aos poucos. Eu ficava mais impaciente, mais irritado, menos responsável”, escreve Hu.

O livro, que retrata a realidade de quem atua na engrenagem do gigante comércio eletrônico chinês, nasceu de um blog criado por Hu durante a pandemia para registrar seu cotidiano. O que ele não esperava é que o projeto se tornaria viral e, mais tarde, suas histórias seriam publicadas como um livro que viraria best-seller na China.

De um lado, argumentam que a voz de Hu expõe com simplicidade a realidade de muitos tipos de trabalho. De outro, que o autor traz um relato pessoal que evidencia as dinâmicas dos empregos precarizados a que muitos ainda são submetidos.

Hu, porém, não refletiu longamente sobre a tensão entre trabalho, desigualdade e mobilidade social quando decidiu compartilhar suas memórias.

“Só depois da publicação, quando comecei a ser questionado sobre isso, passei a refletir mais sobre o tema. Pessoalmente, vejo o livro como um memorial centrado nas minhas experiências profissionais. Talvez algo entre autobiografia e documentário social”, diz à Folha.

O autor expõe que teve de aguentar dias de trabalho não remunerado para, talvez, conseguir uma colocação em uma empresa de entregas. Mostra que parar para comer ou ir ao banheiro dependia de um cálculo sobre quanto dinheiro seria perdido com aquela pausa.

Revela detalhes que muitas vezes escapam a quem utiliza esse tipo de serviço —como o fato de que os entregadores arcam com os prejuízos em grande parte das ocorrências. Um desses casos lhe rendeu uma perda de 1.000 yuans (cerca de R$ 750).

“Por exemplo, como meu minuto valia meio yuan, ir ao banheiro me custava 1 yuan, mesmo que o sanitário público fosse de graça, porque eu gastava dois minutos. Almoçar levava 20 minutos —metade deles só esperando a comida ficar pronta—, ou seja, 10 yuans. Se um prato feito custasse 15 yuans, o custo total do meu almoço seria 25 yuans, um luxo que eu não podia me dar”, escreve.

Hu conta que, ao publicar a obra, ficou surpreso com o desconhecimento dos clientes sobre o nível de automação da indústria da qual são consumidores. Muitos acreditam, diz ele, que o trabalho desempenhado nas madrugadas por trabalhadores braçais já seja feito por máquinas.

“Alguns leitores ficaram chocados ao descobrir que eu trabalhava no turno da noite separando encomendas em uma empresa de logística. Eles não sabiam que esse tipo de trabalho físico pesado ainda existe nas operações logísticas modernas.”

O autor opta por não identificar parte das empresas onde trabalhou, citando apenas algumas participantes do mercado. As mais conhecidas de delivery, como a Meituan —dona do braço brasileiro Keeta—, acabam ficando em segundo plano, já que sua experiência se resume à entrega de produtos comprados por outras plataformas.

A obra não se limita, porém, ao período em que Hu atuou como entregador. O chinês reúne relatos pessoais de 19 empregos em diferentes localidades.

Além de Pequim, apresenta ao leitor passagens em que trabalhou em Xangai como faz-tudo em uma loja de conveniências ou auxiliando na venda de bicicletas. O registro pessoal se mantém ao longo de todo o texto, evidenciando que, apesar das diferenças entre as colocações, a exaustão física e emocional e a baixa remuneração são, quase sempre, o denominador comum.

Faço Entregas em Pequim – Memórias de um Trabalhador

  • Preço R$ 79,90 (252 págs.)
  • Autoria Hu Anyan
  • Editora Record
  • Tradução Amilton Reis

Entregador escreve sobre a exaustão em atuar no delivery – 03/04/2026 – Economia – Folha

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FT: Wall Street alerta que guerra levará a crise energética longa, e analista fala em ‘apocalipse do petróleo’

Para analistas, há poucos sinais de uma rápida resolução do conflito no Oriente Médio, e escassez de oferta logo deixaria o mercado sem combustíveis de transporte e outros produtos

Por Jamie Smyth e Myles McCormick, Valor/Financial Times – 03/04/2026

Wall Street alertou que os preços do petróleo vão subir acentuadamente à medida que a guerra dos EUA no Irã e o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz interrompem as exportações do Oriente Médio por meses.

Operadores e analistas disseram, nesta sexta-feira (3), que havia poucos sinais de uma rápida resolução do conflito, que tem abalado os mercados e elevado o preço do petróleo Brent para acima de US$ 100 por barril. A escassez de oferta logo deixaria o mercado sem combustíveis de transporte e outros produtos, acrescentaram, à medida que a crise se espalha para a economia mais ampla.

Natasha Kaneva, analista do J.P. Morgan, disse, em nota: “Até o fim da próxima semana, esperamos que os cortes na oferta de petróleo bruto se aproximem de 12 milhões de barris por dia, tornando o déficit altamente visível nos mercados físicos.”

“O mercado enfrenta uma escassez aguda de produtos – diesel, combustível de aviação, [gás liquefeito de petróleo] e nafta – que simplesmente não podem ser consumidos porque não estão disponíveis.”

O RBC Capital Markets afirmou que espera que os preços do petróleo superem o pico de US$ 128 atingido poucas semanas após a Rússia lançar sua invasão em larga escala da Ucrânia em 2022 e ultrapassem o recorde de cerca de US$ 147 registrado em 2008.

“Estamos revisando nossa estimativa de duração da guerra com o Irã e os impactos simultâneos nos preços do petróleo”, disse Helima Croft, chefe global de commodities do RBC. O conflito pode “entrar bem pela primavera”, acrescentou.

O Goldman Sachs estima que os fluxos através do Estreito de Ormuz caíram para 600 mil barris por dia, abaixo dos níveis normais superiores a 19 milhões – próximo da produção total de petróleo dos EUA.

Os alertas surgem enquanto a guerra entra em sua terceira semana, com o presidente dos EUA, Donald Trump, dizendo que Washington tem “munição ilimitada” e poderia continuar lutando contra o Irã “para sempre”.

Teerã retaliou lançando ataques contra infraestrutura energética em todo o Golfo e efetivamente fechando o Estreito de Ormuz, a estreita via marítima por onde normalmente passa um quinto do fornecimento de petróleo e gás natural liquefeito.

Um ataque de drone iraniano nesta sexta-feira (3) provocou caos no distrito financeiro de Dubai, enquanto países europeus buscavam abrir negociações com Teerã para retomar os fluxos através do estreito.

“Apocalipse do petróleo”

“Fechar o Estreito de Ormuz deveria ser o apocalipse do petróleo”, disse Jim Krane, do Baker Institute da Universidade Rice. “Pode ficar muito pior do que já está.”

O petróleo Brent, referência internacional, subiu cerca de 40% desde que Trump iniciou a guerra. Os preços de tudo, de combustível de aviação a diesel, dispararam na Ásia, Europa e América do Norte. Nos EUA, o preço da gasolina atingiu US$ 3,63 por galão nesta sexta-feira, aproximando-se do patamar crítico de US$ 4 após 13 dias consecutivos de alta.

O J.P. Morgan afirmou que o mercado de petróleo já está sentindo o impacto físico da interrupção de oferta causada pelo fechamento do estreito, apesar dos esforços de Washington e seus aliados para evitar uma crise economicamente prejudicial.

O governo Trump tentou acalmar os mercados propondo escoltas navais e seguros emergenciais para petroleiros que navegam pelo estreito, além de suspender sanções ao petróleo russo e se juntar a outros países do G7 em uma liberação recorde de petróleo de reservas estratégicas.

Teerã alertou sobre petróleo a US$ 200

Mas o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, emitiu mensagem desafiadora, na quinta-feira (2), declarando que as forças militares do país manteriam o estreito fechado enquanto busca aumentar sua vantagem contra os EUA e Israel. Teerã alertou o mundo para se preparar para petróleo a US$ 200.

“O novo líder supremo não parece disposto a negociar até extrair um preço mais alto para restabelecer a dissuasão”, disse Daleep Singh, que atuou como vice-conselheiro de segurança nacional para economia internacional no governo de Joe Biden.

Países de toda a Ásia estão entre os mais afetados pelas interrupções de oferta, pois dependem de energia e outras importações que passam pelo estreito. A Austrália disse nesta sexta-feira que liberaria reservas domésticas de combustível para conter possíveis faltas de abastecimento e compras por pânico.

“Preços mais altos de energia vão começar a afetar o comportamento do consumidor”, disse Ben Cahill, pesquisador sênior do Center for Strategic and International Studies. “As pessoas vão abrir mão de algumas viagens não essenciais, seja de avião ou por estrada.”

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Com o mote de ‘cidade de 15 minutos’, Paris virou o grande laboratório urbano

  • Conceito valoriza vida local para que ninguém precise gastar muito tempo para acessar suas atividades cotidianas
  • Novo prefeito Emmanuel Gregoire se elege com mesma plataforma de Anne Hidalgo de tirar carros da rua e privilegiar áreas verdes

Mauro Calliari – Folha – 3.abr.2026 

Administrador de empresas pela FGV, doutor em urbanismo pela FAU-USP e autor do livro ‘Espaço Público e Urbanidade em São Paulo’

No dia 22 de março, Emmanuel Gregoire foi eleito prefeito de Paris, pegou a bicicleta número 90157 da Velib, o serviço gratuito de bikes, e foi celebrar pedalando pela noite parisiense. No dia seguinte, entusiastas criaram uma conta no X só para encontrar a tal bicicleta usada pelo prefeito eleito. Ela já havia sido usada por mais de 20 pessoas nas horas depois da posse e promete ser uma estrela das redes.

O gesto de usar uma bicicleta de aluguel e não uma limusine ou um carro blindado é, evidentemente, simbólico. A prefeita anterior, Anne Hidalgo, quando assumiu em 2014, prometeu transformar a cidade e adotou o mote da “cidade de 15 minutos”. Gregoire foi seu vice-prefeito e, apesar de ela ter apoiado outro candidato da esquerda, promete dar continuidade e ampliar as reformas que modificaram a paisagem da capital francesa.

A cidade de 15 minutos

O conceito da cidade de 15 minutos é valorizar a vida local e garantir que ninguém precise mais do que 15 minutos a pé ou em bicicleta para acessar suas atividades cotidianas: a escola, o posto de saúde, a boulangerie, o parque, o centro cultural, o trabalho e o lazer.

A ideia não é nova, ela tem raízes na Unidade de Vizinhança, uma ideia do começo do século 20, mas a prefeita Anne Hidalgo encontrou em Carlos Moreno*, um professor franco-colombiano, o entusiasmo para criar seu plano de governo, que ela definiu como um verdadeiro “choque de proximidade”.

Alguns urbanistas torcem o nariz para o apelo mercadológico do nome. Um deles, Alain Bertauld, diz que Paris já é uma cidade de 15 minutos e que a Prefeitura não tem ingerência sobre negócios privados. A ideia também pode gerar reações inflamadas —anos atrás, na Inglaterra, houve até uma patética marcha dos mal-informados de plantão contra a fake news de que as pessoas seriam proibidas de saírem de seus bairros se a cidade de 15 minutos fosse adotada.

O fato é que a ideia se expandiu, surgiu até um sub-slogan para a “metrópole de 30 minutos” e a Prefeitura de Paris mostrou que a qualidade de vida pode, sim, melhorar quando se mexe bem no espaço público.

O que mudou

Quem andou por Paris nos últimos tempos certamente percebeu nas ruas o efeito das mudanças.

Ruas tomadas pelos carros, como a importante Rue de Rivoli ou a Rue de Vaugirard, abriram espaço para ciclovias, calçadas maiores e prioridade para o transporte público. Hoje, as bicicletas já ultrapassaram os carros em número de viagens na região central. SUVs pagam taxa extra para circular no centro.

Calçadas cinzas estão sendo refeitas com mais árvores e áreas verdes. Mais de 60 mil vagas de carro devem dar lugar a jardins de chuva. O Sena está mais limpo, a via Georges Pompidou cede espaço a uma enorme área de lazer e a praia parisiense é um sucesso.

As maiores mudanças aconteceram ao redor das escolas infantis. Ruas tiveram velocidade reduzida ou até foram fechadas para estimular os alunos a ir e voltar a pé.

A poluição sonora caiu. Com menos carros e mais árvores, há 50% menos dióxido de nitrogênio no ar. Estima-se 30% a menos nas mortes causadas por poluição atmosférica.

As mudanças nunca vêm sem oposição. Menos espaço para carros sempre gera reações de motoristas e moradores, mas a estrutura de transporte público de Paris dá conta da maior parte dos deslocamentos. Com uma divisão de votos entre distritos mais ricos e mais pobres, não há vida fácil para nenhum gestor público, mas o projeto passou no crivo eleitoral, com a eleição de um prefeito comprometido com as mudanças.

É melhor não pensar na cidade de 15 minutos como um mantra, mas como um bom conceito, que pode ser adaptado por gestores em todo o mundo. No Brasil, poderíamos pensar num “choque de urbanidade”, transformando bairros e principalmente periferias com mais verde, mais calçadas, estimulando o comércio local e aumentando o acesso aos serviços públicos e ao transporte público.

*Para quem tiver interesse, sugiro o livro de Carlos Moreno “A cidade de 15 minutos”, lançado no Brasil no ano passado pela Editora Bei.

Com ‘cidade de 15 minutos’, Paris virou laboratório urbano – 03/04/2026 – Mauro Calliari – Folha

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