O que são NFTs? Entenda como funcionam os tokens não fungíveis

Os NFTs se tornaram verdadeiras tendências no mercado de cripto. Traduzidos como tokens não fungíveis, entenda as vantagens e desvantagens

Infomoney

O Bitcoin (BTC) e o Ethereum (ETH) abriram caminho para o surgimento de novos formatos de ativos digitais que atraíram milhares de investidores e movimentaram bilhões de dólares. Os NFTs, sigla em inglês para token não fungível, é um deles.

Entre janeiro e setembro de 2021, segundo dados do site de análises DappRadar, o volume de vendas desses tokens chegou a US$ 13,2 bilhões, valor maior que o Produto Interno Bruto (PIB) do Acre, Amapá e Roraima somado.

Neste guia, o InfoMoney explica o que são os NFTs, como comprar e que vantagens e desvantagens existem nesse jovem e aquecido mercado. Também revela quais são os exemplares mais valiosos do mundo.

• O que são NFTs?

• Como comprar NFTs

• Como um NFT é criado

• Diferenças entre NFTs e Criptomoedas

• Quais são os NFTs mais valiosos

• Riscos e vantagens

O que são NFTs?

NFT é a sigla em inglês para non-fungible token (token não fungível, na tradução para o português). Para entender bem o que é essa tecnologia, primeiro é importante saber o que significam os termos “token” e “fungível”.

Um token, no universo das criptomoedas, é a representação digital de um ativo – como dinheiro, propriedade ou obra de arte – registrada em uma blockchain, tecnologia que nasceu com o BTC no final de 2008. Exemplo: se uma pessoa tem o token de uma propriedade, significa que tem direito aquele imóvel – ou parte dele.

Já bens fungíveis, de acordo com o Código Civil Brasileiro, são aqueles “que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade”.

Exemplo: Uma nota de R$ 100 é fungível, já que é possível trocá-la por duas de R$ 50. A pintura “A Casa Amarela”, do pintor holandês Vincent van Gogh, por outro lado, não é fungível, pois é única e não pode ser trocada por outra igual.

Um NFT, portanto, é a representação de um item exclusivo, que pode ser digital – como uma arte gráfica feita no computador – ou física, a exemplo de um quadro. Além de obras de artes, músicas, itens de jogos, momentos únicos no esporte e memes podem ser transformados em um.      

O que significa ser um “token não fungível”?

Na prática, ser um token não fungível significa ser um certificado digital de propriedade que qualquer um pode ver e confirmar a autenticidade, mas ninguém pode alterar. Para entender, imagine a situação abaixo.

Uma pessoa pode acessar a Internet e baixar a obra digital “Crossroad”, do artista norte-americano Mike Winkelmann (conhecido como Beeple), que foi transformada em NFT. O item retrata o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nu e com palavrões rabiscados em seu corpo. Essa reprodução baixada, no entanto, é apenas uma cópia, sem valor comercial algum.

A posse real da obra, vendida no início de 2021 por US$ 6,6 milhões, é apenas daquele indivíduo que tem o token não fungível dela, que funciona como um certificado digital de propriedade. Indo um pouco mais a fundo, esse comprovante de autenticidade é basicamente um código de computador. OK, mas não é possível copiar esse código? 

Não, pois ele fica registrado em uma blockchain – grande banco de dados público e imutável – via smart contract. Esses contratos inteligentes (na tradução para o português) são programas guardados em rede descentralizada que se executam conforme regras pré-estabelecidas, sem o envolvimento de um intermediário para controlar.

Em síntese, tudo o que é guardado na blockchain por meio deles pode ser checado por todos os usuários. Isso ocorre por causa de algoritmos que estabelecem o que pode e o que não pode ser feito no sistema.

A rede do Ethereum é a mais usada para o desenvolvimento dos tokens não fungíveis. Para rodar nela, os NFTs devem seguir um padrão (conjunto de regras de programação) chamado de ERC-721. Outras blockchains, no entanto, também permitem a criação de NFTs, como a Tezos, a Solana, a EOS e a Binance Smart Chain. 

Como comprar NFTs?

O processo de compra é simples: basta se cadastrar em uma plataforma, ter fundos suficientes em criptomoedas e adquirir o NFT desejado. Cada marketplace, no entanto, tem suas próprias características, e aceita ativos digitais diferentes. Veja dois exemplos:

OpenSea:  É um marketplace baseado na rede do Ethereum. Para comprar NFT por lá, é preciso usar Ether ou os tokens Wrapped Ether ([ativo=WETH]), USD Coin (USDC) e Dai (DAI). O processo, de forma resumida, funciona da seguinte forma:

Ao entrar na plataforma, basta clicar em “Explore” (Explorar) e selecionar o ativo digital desejado. Há artes, coleções, músicas etc. Depois de escolher um, é só pressionar o botão “Buy now” (Compre agora). Nesse momento, a plataforma vai pedir que você conecte uma carteira digital que suporta a rede do Ethereum já com os fundos necessários para adquirir o NFT.

Se você ainda não tem uma wallet (carteira em português), a OpenSea sugere algumas opções compatíveis: MetaMask, Coinbase Wallet, Fortmatic e as compatíveis com o WalletConnect, por exemplo. O processo de instalação é muito simples. No caso da MetaMask, a mais famosa delas, basta clicar no link sugerido pela plataforma, fazer o download e adicioná-la como extensão do navegador (tem que ser o Chrome). Também é possível baixar em smartphones com iOS e Android.

Depois da instalação da carteira, é preciso transferir para ela o valor suficiente em cripto para pagar pelo NFT. Se o token que deseja custa 0,012 ETH (cerca de US$ 50), você precisa acessar uma exchange na qual tem conta e enviar essas frações de Ether de lá para a sua wallet.

Mas tem mais um ponto importante aqui: É necessário, também, enviar uns “trocadinhos” a mais para pagar pela taxa de transferência da blockchain do Ethereum, chamada de gas. Essa “tarifa”, paga aos mineradores que mantêm a rede, varia conforme o volume de transações. Quanto mais congestionada, mais cara ela fica. Portanto, reserve pelo menos o dobro do montante que iria gastar no NFT para arcar com isso.

Por fim, depois do processo de instalação da wallet e da transferência de ativos digitais, aí você consegue finalizar a compra de seu NFT.

Binance: A maior corretora do mundo em valor de mercado tem um marketplace chamado Binance NFT. O processo de compra de tokens não fungíveis lá é mais simples. Basta fazer o cadastro (se ainda não tiver) e transferir moeda fiduciária, como real, dólar ou euro. Depois disso, é só trocar o dinheiro por alguma criptomoeda aceita por lá. Além de ETH, é possível usar Binance Coin (BNB) e Binance USD (BUSD). Cabe lembrar que a exchange também permite a compra de criptos com cartões de crédito ou débito.

Depois do cadastro e da compra dos ativos, é só escolher o NFT desejado. Como no OpenSea, o marketplace de tokens não fungíveis da Binance tem obras de artes, músicas, NFTs de games e outros. Lembrando que esses ativos rodam na própria blockchain da corretora, a Binance Smart Chain. E para fazer transações nela, da mesma maneira que ocorre na blockchain do Ethereum, é necessário pagar taxas de gás – no caso, em BNB. Os valores também variam a todo momento, mas costumam ser mais em conta.

Onde comprar NFTs?

É possível comprar NFTs em marketplaces especializados na venda desses ativos digitais. Algumas das principais plataformas são as seguintes:

  • OpenSea
  • Binance NFT
  • Rarible
  • Solanart
  • Foundation
  • SuperRare
  • Nifty Gateway
  • 9Block (brasileira)

Leia também: Guia completo sobre ETF de Criptomoedas

Como criar NFTs?

Assim como comprar, criar NFTs também é um processo muito simples. No caso da OpenSea, por exemplo, basta entrar na plataforma, conectar a carteira de criptomoedas e subir seu projeto. Pode ser imagem, vídeo, música ou um modelo 3D. A plataforma permite arquivos de no máximo 100 MB. Após subir o projeto, é possível também incluir nome e descrição, bem como fazer personalizações.

Como criar NFTs também envolve o uso da blockchain do Ethereum, é necessário pagar a taxa de gas (por isso a necessidade de conectar a carteira). Além disso, a OpenSea cobra 2,5% de comissão quando seu NFT for vendido. As outras plataformas, como Rarible, SuperRare, Nifty Gateway e Binance NFT, têm valores semelhantes.  

O que pode virar um NFT?

Quadros físicos e digitais, músicas, itens de jogos, memes, fotos de momentos do esporte, domínios de sites, vídeos e até posts em redes sociais podem virar tokens não fungíveis.

No início de 2021, o presidente do Twitter, Jack Dorsey, vendeu seu primeiro tuíte por pouco mais de US$ 2,9 milhões como NFT. A mensagem, publicada em 21 de março de 2006, diz “just setting up my twttr” (apenas configurando meu twttr, na tradução para o português).

A NBA, liga de basquete americana, movimentou cerca de US$ 200 milhões em um fim de semana de fevereiro com negociações de NFTs na Top Shot, sua plataforma de comercialização de tokens. Nela, fãs podem comprar cards digitais de jogadas marcantes.

Diferenças entre NFTs e Criptomoedas

As criptomoedas, como o BTC e o ETH, são fungíveis. Se você enviar um Bitcoin para alguém, a pessoa poderá lhe devolver uma unidade da criptomoeda, e você continuará tendo o mesmo valor. As criptos também são divisíveis: ou seja, é possível enviar frações de BTC (chamados de satoshis) para alguém.

No caso de um NFT, no entanto, ele é único e indivisível. Não seria possível trocar o token não fungível de uma obra do pintor espanhol Pablo Picasso por outra igual, porque só existe uma. Além disso, não dá para transferir metade do quadro ou um terço dele para outra pessoa.

Os NFTs mais valiosos

De acordo com o DappRadar, site que rastreia informações sobre o mercado cripto, o volume de venda de NFTs entre janeiro e setembro de 2021 chegou a US$ 13,2 bilhões. O valor é maior que os PIBs dos estados do Acre, Amapá e Roraima somados. Veja abaixo alguns dos NFTs mais valiosos do mercado:

Everydays: The First 5000 Days: É um compilado com 5 mil imagens virtuais criadas pelo artista americano Mike Winkelmann, conhecido como Beeple. Ele desenhou uma por dia, ao longo de mais de treze anos. A obra foi vendida por US$ 69,3 milhões em março de 2021. Beeple foi pioneiro nesse mercado, e é um dos principais artistas da “criptoarte”.

CryptoPunk #7523: CryptoPunks é o nome de uma coleção de pixel art (tipo de arte digital) com 10 mil retratos de personagens, divididos nas categorias humanos (masculino e feminino), macacos, zombies e aliens. Foi lançada em junho de 2017 pelo estúdio Lava Labs, e é o projeto em NFT mais popular do mercado. A imagem número 7523, um alien usando brinco, boné e máscara, foi vendida por US$ 11,8 milhões em junho de 2021.

CryptoPunk #3100: É um CryptoPunk da categoria alien com uma bandana na cabeça. Ele foi vendido por US$ 7,58 milhões em março de 2021. O ativo digital, conforme a Larva Labs, está à venda por US$ 146 milhões. Se algum milionário resolver comprar o ativo digital, será a maior venda de um NFT já realizada.

CryptoPunk #7804: É um CryptoPunk alien com cachimbo na boca e boné na cabeça. Em março de 2021, ele foi vendido por Dylan Field, CEO do Figma, startup de design, por US$ 7,57 milhões. Detalhe: Field, um dos primeiros entusiastas a apostar nesse novo mercado, havia comprado o ativo por cerca de US$ 15 mil em janeiro 2018. Portanto, ele teve um ganho impressionante de 50.000% no período. Na época da compra do ativo digital, ele disse que o NFT tinha “potencial para ser a Mona Lisa digital”. Acertou!  

Crossroad: Criada por Beeple, essa NFT retrata o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caído no chão com palavrões escritas em seu corpo nu. A arte digital foi projetada, no entanto, para mudar conforme o resultado das eleições. Se Trump tivesse vencido, ele apareceria andando entre chamas, usando uma coroa na cabeça. O NFT foi vendido por US$ 6,6 milhões em fevereiro de 2021.

CryptoPunk #8857: Em setembro de 2021, um CryptoPunk da categoria zombie, com cabelos “selvagens” e usando óculos 3D, também foi vendido por US$ 6,6 milhões. O detalhe é que em maio do mesmo ano o mesmo NFT era avaliado em US$ 1,7 milhão – ou seja, valorizou quase 300% em sete meses. 

Ocean Front: No final de março de 2021, o NFT Ocean Front, também do Beeple, foi vendido por US$ 6 milhões. O dinheiro, no entanto, foi para a organização não governamental Open Earth Foundation, e não para o bolso dele. “Seis milhões de dólares para as mudanças climáticas. Isto é o que precisamos para promover mudanças realmente significativas … para trabalharmos juntos em vez de lutarmos uns contra os outros”, escreveu em seu Twitter.

Ringers #879: Criado pelo artista canadense Dmitri Cherniak, o NFT foi vendido por US$ 5,8 milhões, em agosto de 2021, para a Three Arrows Capital, empresa de criptomoedas baseada em Singapura. O ativo foi negociado na Art Blocks, plataforma que reúne obras de “cripto artistas”. 

CryptoPunk #5217: Outro CryptoPunk que entrou para a lista dos NFTs mais valiosos do mercado foi o avatar número 5217. Ele é um macaco com uma corrente de ouro no pescoço e uma touca na cabeça. Foi arrematado em julho de 2021 por US$ 5,4 milhões. O personagem, assim como todos os outros da coleção, é basicamente uma arte pop de 24 X 24 pixels.

NFT do código da web: O NFT do código-fonte original da World Wide Web (WWW), escrito pelo físico e cientista da computação Tim Berners-Lee no início da década de 90, também merece um espaço na lista. O token foi vendido por US$ 5,4 milhões em junho de 2021, em um leilão online da Sotheby’s, casa de leilões sediada na Inglaterra.

Riscos

Todo mercado tem riscos, e o de NFTs não é diferente. Veja abaixo alguns dos pontos a serem levados em consideração antes de entrar nesse universo de tokens não fungíveis.

Shitcoins – Como qualquer um pode criar um NFT, há muitas shitcoins (termo para se referir a ativos digitais sem fundamento) por aí, bem como tokens não fungíveis fake. Por isso, para não investir em furada, é preciso estudar bem o projeto, bem como as pessoas por trás dele.

Liquidez – A liquidez dos NFTs é baixa. Se você compra um token não fungível, e depois de um tempo resolve vendê-lo, não é de uma outra para outra que se consegue achar um comprador. Nesse ponto, portanto, o segmento de NFTs é mais parecido com o mercado de arte do que com o de criptomoedas.

Volatilidade – Assim como no caso do BTC, ETH, Cardano (ADA) e demais altcoins, os NFTs também são muito voláteis. Isso acontece porque o segmento é novo, e os ativos digitais ainda estão passando por um período de formação de preços.

Fraudes – Golpistas podem se apropriar de trabalhos feitos por outros indivíduos, transformá-los em NFT e vendê-los como se fossem seus. Portanto, é importante pesquisar se o token realmente é de determinado autor.

Vantagens

Investir em NFTs também tem algumas vantagens, conforme as relatadas aqui embaixo:

Valorização – Assim como obras de arte se valorizam com o tempo, NFTs também podem seguir o mesmo caminho. O próprio CryptoPunk #7804, que viu seu preço subir 50.000% em pouco mais de três anos, é um exemplo. Vale ressaltar, no entanto, que isso não acontece com todos.

Escassez – Os NFTs, assim como as obras de pintores famosos, também são escassos. Apesar de todo mundo conseguir copiar o material digital, só o proprietário realmente tem a posse dele, e pode vendê-lo no futuro.

Facilidade – Um token não fungível pode ser transferido de um canto do mundo para o outro em minutos, assim como ocorre com as criptomoedas. No caso de uma obra de arte física, o processo seria mais complexo, e envolveria custos elevados de transporte. 

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Metaverso é um mundo maravilhoso, mas ainda distante

A criação de um universo virtual conectado ao mundo físico trará oportunidades para novos negócios, mudanças nas relações sociais e provocará inúmeras implicações éticas difíceis de serem resolvidas; o problema inicial, contudo, tem nome: falta de infraestrutura tecnológica

Pablo Sáez – MIT Sloan Review 15 de Novembro 2021

No final de outubro, Mark Zuckerberg, CEO e fundador do Facebook, anunciou o lançamento da nova marca, Meta, que será uma companhia adaptada ao metaverso. De lá para cá, o tema passou a ser mais explorado. Contudo, ainda parece haver pouca compreensão sobre o que, de fato, o metaverso é e, principalmente, os desafios para sua criação e as transformações que esse novo mundo irá provocar nas vidas e nos negócios. Importante deixar claro desde já: estamos longe de desenvolver a tecnologia necessária para dar vida ao metaverso.

Metaverso vem do prefixo meta, que significa transcendente, e verso, de universo: universo transcendente, que descreve um mundo virtual interconectado com o mundo físico. A palavra apareceu no livro Snowcrash, de Neal Stephenson, de 1992.

No entanto, a ideia de mundos virtuais habitáveis por nós sempre existiu na cultura e fantasias humanas. Apareceu, por exemplo, em 1982, no filme Tron, que ganhou remake em 2010, bem como em Matrix e em vários episódios da série Black Mirror. Jogos como Second Life e Fortnite também se apoiam nesse universo virtual.

Artigo Metaverso é um mundo maravilhoso, mas ainda distante

O que é o metaverso

O conceito de metaverso – também chamado de web 3.0 ou spatial web – pressupõe a criação de uma “internet em 3D” que se conecta ao mundo físico de forma natural. Nessa nova web, é possível interagir com entidades virtuais “trazidas” para o mundo real, da mesma forma que nos leva para o mundo virtual.

O usuário, ao invés de consumir texto, vídeo e áudio por uma tela, pode “entrar” num mundo virtual, com a possibilidade de sentir, fisicamente, sensações vividas pelo seu avatar, que seria a sua “persona” neste mundo.

Exemplos? Pense no trabalho remoto hoje e como ele poderia ser se você “entrasse” num ambiente e pudesse interagir com seus colegas de trabalho; imagine uma compra online num ambiente que coloque você numa loja virtual imersiva, parecida a uma loja virtual, em que você (ou seu avatar) entraria na loja e escolheria um livro, roupa ou um automóvel – que tal fazer um test drive de um Porsche num universo que simula uma estrada nos alpes alemães? A imaginação é o limite para as experiências que podem ser criadas.

Quando se tornar realidade, o metaverso poderá ser o nosso local de trabalho, de socialização e de divertimento. Duvida? Pense na quantidade de horas que jovens passam nas redes sociais e compare com a intensidade das experiências do metaverso (quem assistiu ao episódio Striking Vipers, da série Black Mirror, consegue entender. O apelo será muito grande para ser ignorado.

Todavia, o metaverso vai além da inserção num mundo virtual; trata-se de um mundo bidirecional, que proporciona experiências físicas no mundo virtual – e experiências virtuais no mundo físico. Nesse segundo caso, podemos pensar numa pessoa planejando a decoração de uma casa nova. Ela posiciona o sofá virtual no local escolhido na casa – usando óculos ou lente de realidade aumentada. Quando o entregador chegar, poderá, com os óculos dele, saber exatamente onde instalar o sofá real.

Podemos pensar em outras aplicações como um guia virtual que acompanha o turista numa cidade, ou treinamento em que uma pessoa possa apertar um parafuso virtual com uma chave de fenda real.

Implicações do metaverso

A criação do metaverso forçará a sociedade (pessoas, governos e empresas) a repensar questões relativas à lei, direitos, liberdade, privacidade. Com o desenvolvimento do metaverso, será possível uma pessoa criar um avatar independente, que emula o comportamento da “pessoa” por meio de inteligência artificial e aprendizado de máquina.

Se esse avatar cometer um crime cibernético, quem deverá responder criminalmente? Uma pessoa poderá ser demitida caso seu avatar desrespeite um colega ou não cumpra um prazo?

O metaverso terá um “dono”? Quem irá controlá-lo? Uma bigtech? O governo de um país? Ou um grupo formado por governos e empresas? Quem vai escolher esse grupo? Os códigos para sua criação serão abertos? Quem será o “juiz” para resolver disputas no mundo virtual?

Há questões mais existenciais: uma pessoa poder ter vários avatares e interagir anonimamente? Será possível assumir a imagem de uma pessoa famosa viva ou de um personagem histórico? Nesse caso, como identificá-la em situações em que isso seja relevante? E o que fazer com o avatar de uma pessoa morta? Ele poderá sobreviver no metaverso? Ou deverá “morrer” com seu duplo?

Além dos aspectos legais e éticos, o metaverso tem potencial para criar uma economia. As oportunidades de novos negócios para as empresas são enormes. É evidente que os objetivos das grandes empresas para o desenvolvimento da Metaverso são econômicos. Um novo mundo com infinitas possibilidades de criação de experiências e jornadas é um grande mercado potencial para trabalhar.

A criação de uma economia virtual paralela, que suporte todos os processos comerciais do novo mundo e com um nível de complexidade ainda maior do que o atual mercado econômico global, será, portanto, inevitável.

Estamos perto de entrar no metaverso?

Apesar da empolgação de Zuckerberg e de muita gente, o desenvolvimento do metaverso passa pela superação de desafios tecnológicos que, hoje, são consideráveis. As atuais redes de transmissão de dados não suportam o montante de dados para renderizar um mundo virtual em altíssima resolução, assim como os processadores ainda estão aquém do necessário. E precisamos desenvolver tecnologias para aumentar a interação entre o mundo físico e virtual – entre outros desafios.

Assim, por enquanto, o metaverso é apenas uma ideia fascinante e empolgante.

Pablo Sáez

É sócio líder de Digital Technology da NTTDATA.

https://mitsloanreview.com.br/post/metaverso-e-um-mundo-maravilhoso-mas-ainda-distante

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HABILIDADES DO FUTURO. PARA DESENVOLVER SUA CARREIRA AGORA

Áreas como transformação digital, autogestão, resolução de problemas e relacionamento interpessoal se destacam na lista do Fórum Econômico Mundial; especialistas apontam capacidades complementares

Nathalia Molina e Fernando Victorino, Estadão / Ilustrações: Marcos Müller 21/11/2020

Em até cinco anos, 40% das habilidades essenciais exigidas atualmente dos profissionais vão mudar. No mesmo período, o tempo gasto em tarefas executadas por seres humanos e máquinas tende a se igualar. As conclusões apontadas no relatório The Future of Jobs 2020, divulgado em outubro pelo Fórum Econômico Mundial, destacam disrupções relacionadas à pandemia, observadas até o momento em 15 setores econômicos de 26 países. O documento também projeta a expectativa de mudança nas habilidades valorizadas no cenário futuro.

As dez principais a serem desenvolvidas até 2025, segundo o Fórum Econômico, estão relacionadas a fatores como transformação digital, autogestão, resolução de problemas e capacidade de lidar com pessoas. “Percebemos uma combinação de habilidades técnicas e comportamentais na lista, além da tendência das competências ligadas à tecnologia”,  diz Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina.

Para Beck, o profissional do futuro deve estar preparado para as mudanças do mercado, que já estão acontecendo e modificando o modo como as empresas montam seus times. “Mais do que conseguir  realizar determinada tarefa, as pessoas precisam saber trabalhar em equipe, pensar de forma criativa e crítica, e se comunicar de maneira efetiva.”

Entre as competências essenciais, algumas vêm ganhando importância nos últimos anos, caso das soft skills. As empresas já perceberam a importância de ter profissionais com habilidades socioemocionais fortes. E começam a modificar seus processos seletivos para identificar talentos nessa área. Às vezes, antes mesmo de fazer uma análise das chamadas hard skills, ligadas ao desempenho técnico.

“As empresas perceberam que contratavam por capacidade técnica e, na maioria das vezes, demitiam por comportamento”, conta Luiza Helena Trajano, presidente do conselho da empresa (leia entrevista no fim desta reportagem). “No Magazine Luiza, começamos a realizar os primeiros testes cegos, nos quais analisam-se os comportamentos. Só depois dessa fase inicia-se a análise técnica.”

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SOFT SKILLS

DE OLHO EM 2025: HABILIDADES VALORIZADAS

Pensamento analítico e inovação: capacidades ajudam a planejar e a concretizar projetos para resolver problemas de modo inovador

● Aprendizado ativo: aqui entram atividades de lifelong learning

● Resolução de problemas complexos: quanto maior a habilidade, melhor o profissional vai gerenciar os desafios no mercado

● Pensamento crítico e análise: garantem autonomia e ampliam a capacidade de avaliar e se posicionar diante de diferentes situações

● Criatividade, originalidade e iniciativa: ter ideias fora da caixa é fator de diferenciação

● Liderança e influência social: habilidades são fundamentais para lidar com pessoas e se comunicar bem

● Habilidade tecnológica: em diferentes frentes, como uso, controle e monitoramento

● Autonomia tecnológica: para programação e design tecnológico

● Resiliência, gestão de estresse e flexibilidade: essas três soft skills são muito destacadas também por especialistas

● Raciocínio, solução de problemas e ideação: todas as habilidades que ajudam na solução de problemas vêm ganhando atenção

FONTE: Fórum Econômico Mundial

TIMES MULTIDISCIPLINARES

Outro aspecto que reforça a importância das soft skills é a forma como as companhias estão se estruturando, em equipes formadas por profissionais de áreas diversas. “Uma habilidade muito valorizada no mercado é a capacidade de trabalhar com perfis diferentes, entendendo que cada um tem pontos fortes e fracos”, diz Lachlan de Crespigny, cofundador da Revelo, startup de recursos humanos. “Você tem de desenvolver um jeito para conseguir se comunicar.”

Além de empresas novas, como o Nubank, o Quinto Andar e a própria Revelo, ele menciona que até organizações tradicionais vêm se adaptando ao modelo. “No Itaú, os novos departamentos já estão sendo criados nesse formato também”, diz Crespigny.

‘Uma habilidade muito valorizada no mercado é a capacidade de trabalhar com perfis diferentes’

Lachlan de Crespigny, cofundador da Revelo

A Mondelez International é outra empresa que está investindo agora para acelerar as soft skills e mover a cultura da empresa. “Todo time de executivos participa atualmente de um programa de formação customizado, em parceria com a Harvard, chamado Grow, que combina a teoria, mas estimula principalmente a prática de novos comportamentos”, conta Betina Corbellini, diretora de Recursos Humanos da Mondelez Brasil.

Toda habilidade é treinável, e isso não é diferente com as comportamentais. As soft skills mudam de pessoas para pessoa, tanto as que o profissional já tem quanto aquelas escolhidas para focar em desenvolver. Sandra Betti, sócia-diretora da consultoria MBA Empresarial, lembra que um estudo da Universidade de Stanford constatou que 85% do sucesso tem a ver com atitudes positivas e 15% com as hard skills.

No vídeo abaixo, Sandra cita as principais habilidades – entre as socioemocionais e as técnicas – que estão sendo valorizadas no mercado de trabalho. Leia também, nesta página, trechos da entrevista que a especialista deu para o projeto de Lives do Sua Carreira.

As soft skills estão dentro dessas atitudes mais positivas de vida. “Tem outro estudo que indica que três fatores muito importantes são compaixão, perdão e gratidão. Antes, quem falava essas coisas era meio ridicularizado. Hoje, é um professor de Stanford que diz”, conta a especialista em desenvolvimento gerencial e identificação de talentos.

O aprendizado contínuo, então, é o caminho natural para o aperfeiçoamento. “Antes, nos 20 primeiros anos, você estudava; nos 35 anos seguintes, trabalhava; e nos 15 anos finais, aproveitava a vida. Hoje, faz tudo junto”, diz Daniela Diniz, diretora de Conteúdo e Eventos da Great Place to Work (GPTW). “Isso é o lifelong learning: a vida juntou tudo. E a pandemia só catalisou essas mudanças.”

‘Os mais velhos também querem trabalhar por propósito, também querem um alinhamento de valores’, diz Daniela Diniz

Daniela esteve entre os convidados das lives do Estadão sobre carreiras. No vídeo abaixo, ela fala sobre como profissionais de diferentes faixas etárias estão interagindo no mercado de trabalho – baby boomers e integrantes das gerações X, Y e Z.

Para Daniela, não é correto imaginar que algumas características, que geralmente são atribuídas a uma ou a outra geração, são exclusivas delas. Vai ocorrendo uma mescla. Ela dá um exemplo, dizendo que algumas pessoas  atrelam o desejo de trabalhar com propósito, pensando em valores, é algo típico da geração Y ou da geração Z. “Mas os mais velhos também querem trabalhar por propósito, também querem um alinhamento de valores. Eles não querem fazer como antigamente e apenas ganhar o salário no fim do mês.”

ENTREVISTA

LUIZA HELENA TRAJANO

PRESIDENTE DO CONSELHO DO MAGAZINE LUIZA

‘Uma equipe diversa é mais criativa e inovadora’

‘Cada vez mais, as características socioemocionais devem ser valorizadas pelas empresas’FELIPE RAU/ESTADÃO

Ao longo da sua experiência profissional, o mundo e, consequentemente, as empresas foram mudando. Atualmente, habilidades socioemocionais são, em algumas carreiras, até mais valorizadas do que as técnicas. Como você vê essas transformações e como você mesma se adaptou e se desenvolveu para atuar nesta nova realidade?

Essa mudança já está ocorrendo há algum tempo. As empresas perceberam que contratavam por capacidade técnica e, na maioria das vezes, demitiam por comportamento. No Magazine Luiza, começamos a realizar os primeiros testes cegos, nos quais analisam-se, em primeiro lugar, os comportamentos. Somente após essa fase, inicia-se a análise técnica. Cada vez mais as características socioemocionais devem ser valorizadas pelas empresas.

Como a inclusão das chamadas minorias (mulheres, negros e LGBTs, por exemplo) nas empresas é importante para o desenvolvimento das habilidades socioemocionais de toda a equipe, como liderança, empatia, comunicação e flexibilidade?

Uma empresa não é uma ilha. Como ela pode falar com seus consumidores se internamente não existe diversidade? Uma equipe diversa é mais criativa e inovadora, e sabe se comunicar melhor com a sociedade.

O empreendedorismo foi incluído na reforma do ensino médio como uma competência a ser desenvolvida nos estudantes, incluindo aspectos como resolução de problemas e melhor uso de recursos humanos e naturais. Ter uma atitude empreendedora ajuda na carreira?

No Magazine Luiza, nós treinamos e cobramos uma visão empreendedora de todos os colaboradores há muito tempo. Atitude empreendedora é fundamental para qualquer profissional que deseja se destacar em qualquer organização. Desenvolver competências empreendedoras nas escolas será um diferencial para a carreira desses estudantes.

ENTREVISTA

SANDRA BETTI

PSICÓLOGA, MASTER COACH E ESPECIALISTA EM DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS E TALENTOS

‘Quer treinar liderança? Tente ser síndico do seu prédio’

‘Se você quiser aprender a nadar, não adianta ficar só lendo livro ou vendo vídeo’, diz Sandra Betti RICARDO BETTI/DIVULGAÇÃO

Na hora de desenvolver uma habilidade socioemocional, estudar é apenas parte do caminho. Sandra Betti recomenda que a pessoa também busque exercitar na prática a competência, seja liderança, desenvoltura ou qualquer outra soft skill. Seguindo esse conceito, fazer teatro pode ajudar, por exemplo. Ou mesmo enfrentar a função de síndico de prédio. Confira:

Qual é a melhor maneira de desenvolvermos soft skills? Existe um curso para melhorar ou adquirir uma nova?

Primeira coisa, 70% do nosso aprendizado é na prática. Se eu quero desenvolver comunicação, eu posso assistir a Ted Talks de comunicação, ler livros sobre comunicação, fazer cursos. Mas isso é 10 ou 20%. O ideal é viver situações que vão exercitar aquela competência. Se você quiser aprender a nadar, não adianta ficar só lendo livro ou vendo vídeo. Você tem de entrar na piscina. On the job, na prática. Quero ficar mais desenvolta? Passada a pandemia, se matricule em um curso de teatro amador. Lembro de um rapaz que trabalhava em informática e queria exercer liderança, mas diziam que ele tinha perfil técnico e ninguém deixava ele se desenvolver. Falei: por que você não tenta ser síndico do prédio? ‘Pô, mas todo mundo briga’, ele respondeu. Eu disse: ‘Acho ótimo porque você vai aprender a negociar, a mediar conflitos, e ainda não vai pagar condomínio’.

Em relação à diversidade e à questão dos vieses inconscientes, peca-se no recrutamento de candidatos exigindo hard skills que, às vezes, eles não adquiriram porque pertencem a grupos de baixa renda, sem acesso a uma melhor formação educacional? Como lidar com isso?

Na consultoria em que trabalho, havia muitas pessoas com problemas de português. A gente contratou um professor, deu aulas. Empresas e escolas podem ajudar muito, mas cada um de nós tem de ser uma máquina de aprendizagem. Para aprender, é preciso ter um plano, um projeto, e ralar. Hoje em dia, tem cursos gratuitos na internet. Tem a Coursera, por exemplo. As melhores faculdades do mundo têm cursos online e dão certificado. Com inglês, você pode acelerar muito a sua carreira. A maioria dos empregos não requer inglês, mas exige se você quiser subir.

Como faço para que minha mensagem como empresa chegue ao mercado e eu consiga atrair os talentos certos? No processo de seleção, como saber que aquele talento tem o fit cultural para a vaga?

Uma coisa que é muito clara: é uma relação de confiança. Para mim, o mais importante é a coerência entre o que a empresa fala e o que a empresa faz. Muitas empresas falam de cuidado com as pessoas, respeito com as pessoas. E de diversidade também. Discurso bonito todas elas têm. Se você entrar nos valores, é tudo muito parecido. Às vezes, muda um pouquinho a redação. O mais importante não é o que a empresa fala, mas o que ela faz. Sob a perspectiva dos funcionários, a referência para mim sempre foi importante. Se quiser saber da cultura de uma empresa, converse com quem saiu de lá ou com alguém que está lá. Daí a gente vai ver se o discurso que é bonitinho existe na prática.

https://www.estadao.com.br/infograficos/economia,habilidades-do-futuro-para-desenvolver-sua-carreira-agora,1132782

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Não ligue, mande um áudio: geração do milênio já não conversa por telefone devido ao estresse

Na era do pós-texto e do consumo frenético de informações, a comunicação assíncrona (ou seja, a conversa fragmentada) ganha terreno. O telefonema é visto como algo quase invasivo

NOELIA RAMÍREZ – El País 21/11/2021

Cada vez que um veículo de comunicação rotula os millennials como “geração muda” devido ao abandono gradual das ligações telefônicas nas comunicações, a jornalista especializada em cultura digital Janira Planes revira os olhos. “Se essa geração se caracteriza por algo, é por não se calar nunca. Estamos nos comunicando mais do que em qualquer outro período da história

Uma coisa é não querer telefonar, e outra é não se expressar verbalmente”, aponta a também diretora de comunicação da startup educacional Wuolah. Planes lembra que embora tudo indique que a geração do milênio, também conhecida como geração Y, telefona menos, o áudio é uma ferramenta mais do que integrada nas plataformas de comunicação e redes sociais. Até para paquerar

Aí está o caso do Hinge, um aplicativo de encontros que desde o final de outubro oferece a possibilidade de enviar notas de áudio em conversas privadas entre usuários que já tiverem se conectado anteriormente para, como explica a empresa, “dar mais autenticidade e personalidade aos seus perfis”.

Se algo notamos na última década foi que a alergia global às ligações telefônicas se tornou uma realidade onde as mensagens instantâneas ganharam o jogo das comunicações pessoais. O estudo La Sociedad Digital en España (“a sociedade digital na Espanha”) já revelou que, em 2018, 96,8% dos espanhóis entre 14 e 24 anos preferiam o WhatsApp como canal para se comunicar com familiares e amigos. 

Outra pesquisa, realizada em 2018 pela empresa de compra e venda de celulares BankMyCell (responsável por esse rótulo de “geração muda” que causou tanto alvoroço na conversa digital), detalha que sete de cada dez millennials nos EUA evitam os telefonemas e que 81% sentem ansiedade ao fazê-los ou recebê-los.

 “A questão das ligações ou de não querer atendê-las está mais relacionada com a ansiedade social que pode ser gerada por interagir com uma pessoa sem tê-la conhecido antes e sem estar diante dela”, afirma Planes. Por que será que é cada vez mais angustiante telefonar e falar em tempo real com os outros?

Agonia pela sincronia na multitarefa

Embora o desejo de se comunicar continue existindo, a vontade de espaçar as conversas realmente aumentou. “Todos nós estamos fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Parar tudo para atender um telefonema é cada vez mais complicado. Podemos enviar um áudio enquanto esperamos na fila do supermercado e ouvir a resposta depois que tivermos colocado as compras no carro. Essa flexibilidade é muito valorizada”, aponta a professora Cristina Vela, do Departamento de Língua da Faculdade de Comunicação da Universidade de Valladolid.

Sem um protocolo claro sobre como usar os áudios quando o receptor não é do círculo de confiança pessoal —em ambientes profissionais existe uma regra não escrita que aconselha sempre recorrer primeiro ao correio eletrônico como canal menos intrusivo e mais respeitoso em relação ao tempo do destinatário—, se agora atendemos uns aos outros fora de hora, com áudios nos quais controlamos o que dizemos, quando os enviamos e em que momento escutamos as respostas, é porque o estresse anula a vontade de interagir

É isso que conclui o recente estudo publicado no final de outubro pela equipe da doutora em Psicologia Meghan L. Meyer, professora da universidade Dartmouth, que se infiltrou durante dois meses nos microfones dos celulares dos sujeitos analisados para relacionar a quantidade de conversa telefônica diária com seus níveis de estresse. Os resultados combinaram com as descobertas de “evitação social induzida por estresse” que os pesquisadores já haviam comprovado em ratos. 

Induzir estresse em um roedor diminui sua interação social no dia seguinte, e nos humanos participantes do estudo ocorreu a mesma coisa: “Um maior estresse em um dia predisse uma menor interação social no dia seguinte”, destaca a pesquisa. O estresse fez esses participantes perderem a vontade de falar por telefone.

Vela, que também é analista e pesquisadora do discurso digital, lamenta que esse estresse que agora nos faz priorizar a comunicação assíncrona possa reduzir a horizontalidade da conversa em tempo real (“os áudios oferecem mais vantagens ao emissor do que ao receptor”). Lamenta também que se perca pelo caminho desses clipes de áudio para lá e para cá “a conversa autêntica, essa em que estamos mutuamente disponíveis, em que cooperamos com nosso interlocutor”.

Rumo a uma voz irreal na era do pós-texto

Em uma sociedade que normalizou o consumo fragmentado de informação, saltando de um link para um tuíte, de uma notícia para um meme ou para uma publicação do Instagram, por meio de movimentos repetitivos e quase imperceptíveis —ou seja, quando nossos passeios digitais e consumo de internet são cada vez menos lineares—, faz sentido que nossa própria voz também se fragmente e aposte nessa não linearidade, nesse descompasso com que atuamos na rede. 

Agora que os analistas falam da “era do pós-texto” devido às mudanças no consumo de informação provocadas pela integração acelerada do áudio e do vídeo em nossas vidas na última década —dinâmicas que abandonaram o texto puro e simples no consumo digital—, também não deveríamos ficar surpresos com a normalização da aceleração de nossas vozes nos áudios do WhatsApp. 

A voz humana, do modo como a entendemos, também está destinada a se transformar em meio a este consumo fragmentado e pós-textual. Essa questão foi abordada recentemente pela analista de cultura visual Lauren Collee no ensaio Real Talk (“falando claramente”), publicado na revista Real Life, no qual investigou por que a voz, como a entendemos, é escondida ou alterada nos vídeos do TikTok, a rede social predileta da geração Z, pós-millennial

Diferentemente da leva anterior de criadores de conteúdos em vídeo para plataformas como Vine e Periscope, que apostavam na fala e deixavam sua voz natural ser ouvida por seus seguidores para transmitir empatia e calor humano, no TikTok é relativamente comum que influencers que movimentam o mercado e têm os maiores números de seguidores, como Charli d’Amelio (128,5 milhões de seguidores), Addison Rae (85,6 milhões) e a estrela emergente Loren Gray (54,2 milhões), nunca falem com sua voz humana para seus seguidores e optem, em sua maioria, por mímica, sincronização labial (movendo os lábios enquanto dançam) ou sons robóticos que leem mecanicamente os textos que aparecem sobrepostos aos clipes dessa rede social. 

Em seu ensaio, Collee especula que essa mudança vocal pode estar ligada à ideia de que a voz é a marca da nossa singularidade humana frente ao mundo digital e que talvez essa alteração de referentes “seja uma pequena tentativa de conservar algo do ‘eu puro’, ou da alma, um núcleo ‘não corrompido’ pela mediação tecnológica”. 

A voz humana é vista aqui como a última fronteira da nossa intimidade, o último resquício pessoal em um mundo que exige que nos expressemos e sejamos vistos sem parar. E também nesse áudio que deixamos como visualizado em nossa última interação no WhatsApp, que acabará sendo acelerado.

https://brasil.elpais.com/estilo/2021-11-21/nao-ligue-mande-um-audio-geracao-do-milenio-ja-nao-conversa-por-telefone-devido-ao-estresse.html

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A ascensão do capitalismo intangível

As únicas empresas que mantiveram as taxas de crescimento de 2019 após a pandemia foram as que tinham investido na linha completa de intangíveis

Por Eric Hazan, Jonathan Haskel e Stian Westlake – Valor 22/11/2021

Em livro de 2014, o economista Joseph E. Stiglitz, laureado com o prêmio Nobel, e Bruce C. Greenwald argumentaram que o dom mais importante da sociedade é a capacidade de aprender. Atualmente, é cada vez mais evidente que a “sociedade do aprendizado” (sociedade do conhecimento) não apenas foi criada como começa a impulsionar nossas economias.

Desde o século XIX até cerca de 25 anos atrás, as empresas, em grande medida, investiram em infraestrutura física e em maquinário, desde ferrovias até veículos. Mas no último quarto de século, os investimentos nos ativos conhecidos como intangíveis – como propriedade intelectual, pesquisa, software e qualificações de gestão e organizacionais – dispararam.

As únicas empresas que conseguiram manter as taxas de crescimento de 2019 após o advento da pandemia, foram as que tinham investido significativamente na linha completa de intangíveis: inovação, dados e análise, e capital humano e capital da marca

Recente pesquisa do McKinsey Global Institute (MGI) detectou que, em 2019, os intangíveis respondiam por 40% de todos os investimentos nos Estados Unidos e em dez economias europeias, o que representava um crescimento de 29% em relação a 1995. E o investimento em intangíveis parece ter voltado a disparar em 2020, com a aceleração da digitalização desencadeada em resposta à pandemia de covid-19.

Acreditamos que essa tendência aponta fortemente para o surgimento de um novo modelo de capitalismo, no qual o sucesso das empresas será medido mais por seu corpo de funcionários e pela capacitação deles do que por suas máquinas, produtos ou serviços. Além disso, consideramos que não há volta. Empresas como a Amazon, a Apple, o Facebook e a Microsoft estão inquestionavelmente passando por drástica ampliação e alcançando o hipercrescimento.

Os intangíveis podem estar comandando esse fenômeno. Afinal, existe, certamente, uma correlação entre os investimentos em intangíveis e o aumento da produtividade e o crescimento. A pesquisa do MGI detectou que empresas do quartil superior do crescimento investem 2,6 vezes mais em ativos intangíveis do que os 50% das empresas que ocupam o limite inferior da distribuição. No mesmo sentido, setores da economia que investiram mais que 12% de seu valor agregado bruto (VAB) em ativos intangíveis cresceram com rapidez 28% maior do que outros setores.

Economias nas quais os investimentos intangíveis estão crescendo também registram crescimento na produtividade total dos fatores. Notadamente as únicas empresas que conseguiram manter as taxas de crescimento de 2019 após o advento da pandemia, no começo de 2020, foram as que tinham investido significativamente na linha completa de intangíveis: inovação, dados e análise, e capital humano e capital da marca. Em um mundo desmaterializado, digitalizado, impulsionado pelo conhecimento, os retornos corporativos, a produtividade e o crescimento econômico estarão cada vez mais vinculados a esses ativos.

Pesquisa realizada pelo MGI entre mais de 860 executivos indica que a principal diferença entre empresas de crescimento acelerado e empresas de crescimento lento é que as primeiras não apenas investem mais em intangíveis e valorizam sua importância para aumentar a vantagem competitiva como também focam em utilizá-los de forma eficiente.

Pesquisa anterior do MGI constatou que uma característica fundamental das empresas “superstar” é seu investimento em intangíveis, que inclui gastos de grande escala para elevar as qualificações e capacitações de seus funcionários. Em 2019, por exemplo, a Amazon anunciou planos de gastar US$ 700 milhões ao longo de seis anos para retreinar 100 mil funcionários. Outras gigantes, como o Google e a IBM, desenvolveram programas semelhantes.

Mas a crescente concentração da receita e do lucro em um pequeno grupo de empresas bem-sucedidas corre o risco de aumentar as disparidades de renda e patrimônio. Empresas “superstar” altamente concentradas em intangíveis tendem a empregar menos pessoas, mais  qualificadas e mais bem-pagas, que são geralmente mais produtivas do que funcionários de empresas menos digitalizadas. Se essas “superstars” assumirem ainda mais a dianteira, a parcela da renda nacional nas mãos da mão de obra – o percentual que vai para remuneração do trabalhador – poderá cair ainda mais.

Não se pretende com isso defender que empresas bem-sucedidas, alicerçadas em intangíveis deveriam ser impedidas de continuar a se expandir ou de retreinar seu próprio quadro de funcionários. Essas empresas são fontes importantes de inovação e de crescimento de alta produtividade, e têm incentivos enormes para continuar investindo em intangíveis. Em vez disso, as empresas e governos deveriam fazer tudo o que puderem para disseminar as habilidades que abrirão oportunidades para mais pessoas físicas e jurídicas na economia digital.

Está em jogo um valor incalculavelmente grande. Em vista da crescente evidência da correlação entre investimento em intangíveis e o crescimento do VAB, executivos e autoridades deveriam se perguntar o que será necessário para concretizar as oportunidades representadas pelos intangíveis. Se um adicional de 10% das empresas chegar à mesma parcela de investimento em intangíveis e de crescimento do VAB que as campeãs de crescimento, poderá ser gerado um adicional de US$ 1 trilhão em VAB, ou um aumento de 2,7% em todos os setores das economias da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Os governos podem desempenhar papel-chave em reciclagem profissional e em garantir a instauração da infraestrutura de conhecimento correta. Isso significa concentrar-se em educação, em internet e em outras tecnologias das comunicações, em gastos públicos com planejamento urbano e com a ciência.

A economia digitalizada, desmaterializada, já chegou, e sua propagação é irrefreável. O desafio é gerenciar a transição de uma maneira que beneficie os muitos, e não apenas os poucos. (Tradução de Rachel Warszawski).

Eric Hazan é sócio administrativo da McKinsey & Company e membro do Conselho do McKinsey Global Institute.

Jonathan Haskel é professor de economia do Imperial College de Londres

Stian Westlake é diretor-executivo de política e Pesquisa da Nesta. Copyright: Project Syndicate, 2021.

http://www.project-syndicate.org

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/a-ascensao-do-capitalismo-intangivel.ghtml

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Humboldt: a fascinante história do primeiro ambientalista

Por João Lara Mesquita/ Estadão 24 de novembro de 2017

Humboldt fez viagens incríveis, espantou-se com o desmatamento alertando para os efeitos no clima ainda no séc. XIX

O início do que viria a ser o movimento ambientalista no despertar do séc. 19. É disso que trata o belíssimo livro ‘A invenção da Natureza‘, contando a vida de Alexander von Humboldt. Escrito por Andrea Wulf, em 2015, foi considerado o melhor livro de não ficção pelo New York Times, The Guardian, e Time. Agora  no Brasil, em ótima tradução de Renato Marques,  editora Crítica.

desenho de Humboldt no EquadorEm viagem no Equador.

Humboldt alertou que ‘humanos estavam interferindo no clima’, isso ‘teria impacto imprevisível sobre futuras gerações’

“Ele foi o primeiro a explicar a capacidade da floresta de enriquecer a atmosfera com umidade, seu efeito resfriador, a importância da retenção da água e a proteção contra a erosão do solo. Ele alertou que os humanos estavam interferindo no clima e que isso poderia ter um impacto imprevisível sobre ‘as futuras gerações”.

A invenção da Natureza, imagem de livro A invenção da NaturezaA invenção da Natureza.

Amigo de Goethe, colega de Símon Bolivar, guru de Darwin, admirado por Thomas Jefferson; Humboldt influenciou até John Muir, o ‘pai dos parques nacionais’ norte-americanos

Ele foi o maior cientista de seu tempo. Uma ‘celebridade’ internacional. Nascido em 1769, ao longo da vida teve grande intimidade com os maiores protagonistas do momento,  e foi testemunha de alguns dos capítulos mais importantes da história moderna. Ascensão e queda de Napoleão Bonaparte, a revolução francesa e  a norte-americana; e a ‘libertação’ da América do Sul, por Símon Bolívar, foram apenas alguns. Sua maior realização foi tornar a ciência acessível e popular através de seus livros, quase todos best sellers à época; além de palestras, encontros sociais.  Influenciou toda uma geração.

Desafiando crenças milenares

Humboldt desafiou os maiores filósofos que “fizeram a cabeça” da sua, e das gerações anteriores, pelo modo de ver a natureza. Aristóteles, talvez  o primeiro, disse que ‘a natureza fez todas as coisas especificamente para os homens’; o botânico Carl Lineu, mais de 2 mil anos depois ainda evocava o mesmo sentimento. Em 1749,  insistiu que ‘todas as coisas são feitas para o homem’. Descartes  e Francis Bacon também  foram  desmistificados. O primeiro disse que ‘os humanos eram os senhores possuidores da natureza’; o segundo, que ‘o mundo é feito para os homens’. Estas eram as verdades que dominavam o sentimento mundial à época de Humboldt. Até que ele conheceu a América do Sul, e a floresta tropical…

 gravura de Humboldt em sua casaHumboldt cercado por livros em sua casa

John Muir, o pai dos parques nacionais norte-americanos

No final do verão de 1867, oito anos depois da morte de Humboldt, John Muir, então com 29 anos, fez as malas e partiu de Indianápolis para a América do Sul. Então, teria dito…

Com que intensidade desejo ser um Humboldt para ver os Andes de cumes nevados e as flores do Equador

Muir cruzou a pé os estados de Indiana, Kentucky, Tennessee, Geórgia e depois Flórida. Um périplo de 45 dias, quando seu pensamento começou a mudar. Influenciado pelos livros de Humboldt, coletava plantas, observava insetos, dormia no meio do mato, ao relento. Chegou até Cuba, mas, doente, teve que voltar. Escolheu a Califórnia.

De São Francisco, partiu a pé para Sierra Nevada, cordilheira que se estende por 643 Km de norte a sul do estado. Seu pico mais alto, 4.570 metros, fica na área central do vale de Yosemite, famoso por suas quedas-d’água circundado por gigantescos blocos de granito e despenhadeiros. Ao lado desse cenário, as ancestrais sequoias, com 90 metros de altura e cerca de 2 mil anos. Muir começou a fazer campanha a favor da criação de um parque nacional. E foi uma questão de tempo.

O Parque Nacional de Yellowstone, em Wyoming, foi o primeiro e até então único do país, inaugurado em 1872. Obra de Muir, influenciado por Humboldt. Todos os outros que vieram a seguir, e copiaram o modelo, foram extremamente bem sucedidos (Saiba mais sobre os parques nacionais norte-americanos).

Na Amazônia, o  primeiro ambientalista, Humboldt, percebeu as consequências do desmatamento e sua influência no clima

O cientista, a quem Goethe disse que ‘em oito dias lendo livros uma pessoa não aprende tanto quanto em uma hora de conversa com Humboldt’, era genial. Em pouco tempo percebeu as consequências da ação humana sobre as florestas.

Em 7 de fevereiro de 1800, Humboldt e seu criado saíram de Caracas para chegar ao Orinoco. Ao atravessarem um vale cercado por montanhas encontraram o lago de Valência. O cientista ficou fascinado. Milhares de garças, flamingos, e patos selvagens enchiam o céu de vida. Parecia idílico, mas os moradores disseram a Humboldt que os níveis de água do lago estavam baixando rapidamente.

Humboldt mediu, examinou, questionou. À medida que investigava, concluiu que o desmatamento das florestas adjacentes, e a transposição de cursos d’água para irrigação, haviam sido as causas.

Nasce a ideia da mudança do clima

Segundo Andrea Wulf,

foi lá, no lago de Valência, que Humboldt desenvolveu sua ideia de mudança do clima induzida pela ação humana.

Quando publicou suas observações, prossegue, não deixou dúvidas:

Quando as florestas são destruídas, como o são em toda parte na América por obra dos plantadores europeus, com uma precipitação imprudente, as fontes de água secam por completo.

E mais:

Desaparecendo a vegetação das encostas das montanhas, as águas das chuvas não sofrem obstrução em seu curso; durante as chuvaradas as águas sulcam os declives das colinas, empurram para baixo o solo solto, formam inundações que devastam o país.

‘Efeitos incalculáveis no clima’

Já, naquela época, Humboldt afirmava que,

os efeitos da intervenção da espécie humana eram incalculáveis e poderiam tornar-se catastróficos se o homem continuar a perturbar brutalmente o mundo

Afetando as futuras gerações

E alertou:

a ação da humanidade pode afetar as gerações futuras

‘O homem não pode agir sobre a natureza’

Mais tarde ele escreveu, desafiando tudo que se sabia até então,

O homem não pode agir sobre a natureza e não pode apropriar-se de nenhuma de suas forças para uso próprio se ele não conhecer as leis naturais.

Nascia o primeiro ambientalista.

imagem de nota de marco alemão com a figura de Humbolt

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Humboldt antecipou a teoria das placas tectônicas mais de um século antes

Ele observou a conexão entre a África e a América do Sul, para chegar à conclusão que espantou o mundo. Falou de ideias evolutivas, muito antes de Darwin publicar A Origem das Espécies.

Aliás, sua influência sobre os britânicos foi tão grande que inspirou Darwin a se engajar na viagem do Beagle… E os livros e ideias de Humboldt, criticando o colonialismo europeu, e a escravidão, fomentaram a libertação da América Latina…

Segundo Humboldt,

o colonialismo era desastroso para as pessoas e o meio ambiente (em razão da destruição das florestas para a implantação da monocultura)

E…

o dominador colonial explorava as colônias para extrair matérias-primas e, no processo, destruía o meio ambiente. Foi a barbárie europeia que criou este mundo injusto

Humboldt e Thomas Jefferson

Humboldt sempre admirou Jefferson pelo país que ele ajudara a forjar, mas se desesperava com o fato de que os líderes estadunidenses

não fazem muita coisa em nome da abolição da escravidão

Quando listou as três maneiras pelas quais a espécie humana estava alterando o clima, Humboldt citou,

desmatamento, irrigação inclemente e, talvez a forma mais profética, as grandes massas de vapor e gás produzidas nos centros industriais

Aventuras na América do Sul, Rússia, e Américas

Para chegar a estas conclusões Humboldt fez três grandes viagens, maravilhosamente descritas no livro. Entre 1799 e 1804, saiu da Europa, rumou para a Venezuela. Depois da exploração que incluiu escalar vulcões, atravessar rios, e conhecer a  floresta tropical que o fascinou, navegou para Cuba, para mais explorações.

Retornou para Bogotá, de onde foi até Lima, no Peru, atravessando os Andes. De Lima para  Guayaquil; em seguida, Cidade do México. De lá para Cuba, depois, Filadélfia, para bater um papo com Thomas Jefferson. Tentou convencer seus amigos norte-americanos, e sul-americanos, que um canal através do istmo do Panamá seria uma importante rota comercial…

E retornou para a Europa com sua bagagem lotada de anotações, medições, rochas, plantas. Escreveu dezenas de livros traduzidos para todas as línguas importantes da época.

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A invenção da Natureza. Rota da viagem pelas Américas, 1799 – 1804

A segunda viagem foi para a Venezuela, em 1800. Foi nela que ele desceu o Orinoco, e descobriu o Canal Cassiquiare, que liga as bacias do Orinoco à do Amazonas.

A terceira, e última, foi para a Rússia, em 1829, quando atravessou o imenso país de Leste para Oeste; e de volta ao Leste. Percorreu mais de 16 mil quilômetros nesse périplo, mais uma vez, fazendo incríveis descobertas.

Alguns amigos de Alexander von Humboldt

O capitão Willian Blight, do famoso motim do Bounty; Joseph Banks, botânico de James Cook; Louis Antoine de Bougainville, seu herói de infância,  e primeiro explorador a pôr os pés no Taiti, em 1768; Símon Bolívar, a quem influenciou para que libertasse a América Latina, e que o desapontou ao se impor como ‘Imperador”.

Celebrou seu aniversário de 60 anos na companhia do boticário local, um homem de quem a história se lembraria como avô de Vladimir Lenin; sem falar em dezenas de reis, poetas, escritores, artistas, e toda a aristocracia europeia que o admirava profundamente.

imagem de selo alemão com figura de HumboltA invenção da Natureza

imagem de selo venezuelano com figura de Humboldt
imagem de selo-mexicano com figura de Humbolt

Foi etnógrafo, antropólogo, físico, geógrafo, geólogo, mineralogista, botânico, vulcanólogo e humanista.

Morreu aos 90 anos, em 1859, coberto de glória e reconhecimento.

Seus livros se tornaram best sellers

Escreveu dezenas de livros que venderam milhares de cópias em todo o mundo mas, segundo a autora,

uma de suas maiores realizações foi tornar a ciência acessível e popular.

E a autora conclui:

A sensação é que fechamos o ciclo. Talvez agora seja o momento em que nós e o movimento ambientalista devamos corrigir os desvios de rota, recolocando Alexander von Humboldt no papel de nosso herói.

A invenção da Natureza. Todo ambientalista tem que ler

Incrivelmente, ele é pouco reconhecido hoje

Este o grande valor de,  ‘A invenção da Natureza – A vida e as descobertas de Alexander von Humboldt‘, recolocar o personagem em seu lugar de destaque.

Que este belo livro seja lido, e suas lições aprendidas, ainda que mais de 150 anos depois da morte de seu protagonista. Quem sabe deixemos de fazer as bobagens que hoje são feitas, que persistem destruindo nossa biodiversidade.

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Quais dados íntimos a Amazon coleta de seus clientes e como faz isso

Empresa pode manter contatos de telefone, pesquisas, hábitos de leitura e condições de saúde de usuários

Chris Kirkham e Jeffrey Dastin LONDRES | REUTERS/Folha 19/11/2021

Como legislador no Estado norte-americano da Virgínia, Ibraheem Samirah estudou questões de privacidade na internet e debateu a regulamentação da coleta de dados privados pelas empresas de tecnologia. Ainda assim, ele ficou surpreso ao saber todos os detalhes que a Amazon.com coletou sobre ele.

A empresa possuía mais de mil contatos de seu telefone. Também tinha registros de exatamente qual parte do Alcorão ele ouviu em 17 de dezembro do ano passado. A Amazon sabia ainda todas as pesquisas que ele fez na plataforma da empresa, incluindo uma busca por livros sobre “organização comunitária progressiva” e outras mais delicadas, relacionadas à saúde, e que ele acreditava serem privadas.

“Eles estão vendendo produtos ou espionando pessoas comuns?” questionou Samirah, um membro do partido democrata na casa legislativa da Virgínia.

Logo da Amazon – Reuters

Samirah esteve entre os poucos legisladores da Virgínia que se opuseram a um projeto de lei estadual sobre privacidade, elaborado pela Amazon e favorável à indústria. O texto foi aprovado no início deste ano. À pedido da Reuters, Samirah solicitou à Amazon a divulgação dos dados que coletou sobre ele.

A companhia reúne uma vasta gama de informações sobre seus clientes nos EUA e começou a disponibilizar esses dados para todos, mediante solicitação, no início do ano passado. O movimento ocorreu depois que a Amazon tentou, e não conseguiu, derrotar uma medida de 2018, na Califórnia, que exigia tais divulgações. (Os clientes da Amazon nos EUA podem obter seus dados preenchendo um formulário na Amazon.com.)

Sete repórteres da Reuters também obtiveram seus respectivos arquivos mantidos pela Amazon. Os dados revelam a capacidade da empresa de reunir retratos incrivelmente íntimos dos consumidores.

A empresa coleta dados por meio de sua assistente de voz Alexa, de seu marketplace, do Kindle, de audiolivros pelo Audible, de suas plataformas de vídeo e música, de câmeras de segurança doméstica e de monitores de atividade física. Dispositivos habilitados para a Alexa fazem gravações dentro das casas das pessoas, e câmeras de segurança Ring capturam todos os visitantes.

Essas informações podem revelar a altura, o peso e as condições de saúde de uma pessoa; sua etnia (por meio de pistas contidas em dados de voz) e inclinações políticas; seus hábitos de leitura e compra; seu paradeiro em um determinado dia e, às vezes, quem ela encontrou.

O dossiê de um repórter mostra que a Amazon coletou, por meio da Alexa, mais de 90 mil gravações de familiares entre dezembro de 2017 e junho de 2021 —uma média de cerca de 70 por dia. As gravações incluem detalhes como os nomes de seus filhos pequenos e suas músicas favoritas.

A companhia gravou as crianças perguntando como convencer os pais a deixá-las “brincar”, e recebendo instruções detalhadas da Alexa sobre como persuadi-los a comprar videogames. Estejam totalmente preparadas, aconselhou a Alexa às crianças, para refutarem argumentos comuns dos pais, como “é muito violento”, “muito caro” e “você não está indo bem na escola”. A informação veio de um site externo utilizado pela Alexa, chamado “wikiHow”, que fornece instruções sobre como fazer algo através de mais de 180 mil artigos, de acordo com o site da Amazon.

A Amazon disse que não é dona do wikiHow, mas que a Alexa, às vezes, responde a solicitações usando informações retiradas de sites.

Algumas gravações envolveram conversas entre membros da família, que usaram a Alexa para se comunicarem entre diferentes partes da casa. Várias gravações capturaram crianças se desculpando com seus pais após serem advertidas. Outras registraram os pequenos, de 7, 9 e 12 anos, questionando à Alexa sobre termos como “pansexual”.

Em certa gravação, uma criança pergunta: “Alexa, o que é uma vagina?” Em outra: “Alexa, o que significa escravidão?”

O repórter não percebeu que a Amazon estava armazenando as gravações antes da divulgação dos dados.

A Amazon diz que os produtos Alexa são projetados para gravar o mínimo possível: começa após a palavra de gatilho, “Alexa”, e encerra quando o comando do usuário chega ao fim. Os registros da família do repórter, no entanto, às vezes capturavam conversas mais longas.

Em um comunicado, a Amazon disse que tem cientistas e engenheiros trabalhando para melhorar a tecnologia e evitar gatilhos falsos que levam à gravação. A empresa afirmou que alerta os clientes sobre o armazenamento das gravações quando a conta na Alexa é configurada.

Além disso, a companhia disse que a coleta dados pessoais serve para melhorar produtos e serviços e personalizá-los para os indivíduos. Questionada sobre os registros de Samirah ouvindo o Alcorão, a Amazon disse que tais informações permitem aos clientes continuar de onde pararam anteriormente.

A única maneira de os consumidores excluírem muitos desses dados pessoais é encerrando suas contas, disse a Amazon. Ainda assim, a empresa afirmou que retém algumas informações, como o histórico de compras, mesmo depois do encerramento da conta devido a obrigações legais.

A Amazon também disse que permite aos clientes o ajuste das configurações em assistentes de voz e outros serviços, para limitar a quantidade de dados coletados. Os usuários da Alexa, por exemplo, podem impedir que a empresa salve o conteúdo coletado ou optar por excluí-lo automaticamente de forma periódica. É possível ainda, segundo a companhia, desconectar seus contatos ou calendários dos dispositivos, caso o cliente não queira usar as funções de ligação ou de agenda da Alexa.

Um cliente pode optar por não ter suas gravações da Alexa analisadas, mas deve navegar por uma série de menus e dois avisos que dizem: “Se você desligar isso, o reconhecimento de voz e os novos recursos podem não funcionar bem.” Questionada sobre os avisos, a Amazon disse que os consumidores que limitam a coleta de dados podem não ser capazes de personalizar alguns recursos, como a reprodução de música.

Samirah, 30, ganhou uma Alexa no final do ano passado. Ele disse que usou o produto por apenas três dias antes de devolvê-lo, após perceber a coleta de gravações.

O aparelho já havia reunido todos os seus contatos telefônicos, como parte de um recurso de ligações. Segundo a Amazon, os usuários da Alexa devem dar permissão de acesso aos contatos telefônicos. Para excluir os registros de sua conta Amazon, os clientes devem desabilitar esse acesso, não apenas excluir o aplicativo da Alexa.

Samirah afirmou que também ficou nervoso com o fato de a Amazon ter registros detalhados de suas sessões de leitura em audiolivros e no Kindle. Encontrar informações sobre como ouviu o Alcorão, disse ele, fez-o pensar sobre a história da polícia e das agências de inteligência dos EUA, que vigiam muçulmanos por suspeitas de ligações terroristas após os ataques em 11 de setembro de 2001.

“Por que eles precisam saber disso?”, questionou. O mandato de Samirah termina em janeiro, já que ele não foi reeleito ao cargo.

Às vezes, agências de segurança dos Estados Unidos procuram dados sobre clientes de empresas de tecnologia. A Amazon diz que cumpre os mandados de busca e outras ordens judiciais relacionadas, mas se opõe a “solicitações excessivas ou inadequadas”.

Dados da empresa referentes aos três anos encerrados em junho de 2020, os mais recentes disponíveis, mostram que a empresa cumpriu pelo menos parcialmente com 75% das intimações, mandados de busca e outras ordens judiciais que miraram dados de clientes nos EUA. Foram atendidas plenamente 38% dessas solicitações.

No ano passado, a empresa parou de divulgar a frequência com que atende a essas solicitações. Questionada sobre o motivo, a Amazon disse que expandiu o escopo do relatório para torná-lo global e tornou mais simples as informações de cada país.

A Amazon afirmou que é obrigada a cumprir decisões válidas e vinculativas, mas que seu objetivo é liberar “o mínimo” exigido por lei.

Amazon anuncia novos dispositivos

A política de privacidade da Amazon, documento que contém mais de 3.500 palavras, além de links para mais de 20 outras páginas, dá a empresa ampla liberdade para coletar dados. A Amazon disse que a política descreve a coleta, uso e compartilhamento de dados “de uma forma que seja fácil para os consumidores entenderem”.

Essas informações coletadas podem ser bastante pessoais. O Kindle, por exemplo, rastreia com precisão os hábitos de leitura de um usuário, mostrou o arquivo de dados da Amazon de outro repórter. A divulgação incluiu registros de mais de 3.700 sessões de leitura desde 2017, incluindo data e hora —até o milissegundo— do conteúdo consumido. A Amazon também rastreia palavras destacadas ou pesquisadas, páginas viradas e promoções vistas.

O registro mostrou, por exemplo, que um membro da família do repórter leu “The Mitchell Sisters: A Complete Romance Series” em 8 de agosto de 2020, a partir das 16h52 até 19h36, folheando 428 páginas.

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Trabalho híbrido tem o pior dos dois mundos: o Zoom no escritório

Empresas nos Estados Unidos passam por período de transição, experimentando formas de reunir trabalhadores presenciais e remotos

Emma Goldberg, The New York Times/Estadão 18 de novembro de 2021 |

Por meses, a pista de minigolfe permaneceu sem uso. Os pufes, sem ninguém para se sentar neles. O quadro branco da cozinha, acima de onde antes ficava um barril, exibindo os desbotados dizeres “Chope na Torneira” desde o último happy hour, em março de 2020. Mas, recentemente, em um dia de semana, na área comum havia um sinal de vida –  bagels frescos.

Quando os funcionários da startup de tecnologia financeira CommonBond foram vacinados contra a covid-19 e começaram a enlouquecer dentro de casa, eles começaram a voltar para o escritório.

“Chamamos isso de trabalhar no trabalho na quarta-feira”, disse Keryn Koch, que dirige os recursos humanos da empresa, que tem 1.400 metros quadrados em um imóvel ensolarado no bairro do SoHo, na cidade de Nova York.

Em um determinado momento, o outono foi anunciado em toda a América corporativa como a volta ao trabalho no escritório. A variante Delta interveio e a presença obrigatória no escritório tornou-se opcional. Não obstante, muitas pessoas optaram por voltar para seus postos de trabalho. A proporção de pessoas empregadas que trabalharam remotamente em algum momento durante o mês por causa da covid, que havia atingido o pico em maio de 2020, em 35%, caiu em outubro para 11%, o nível mais baixo desde o início da pandemia, de acordo com a Secretaria de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos.

Zoom no escritório - The New York TimesReunião da CommonBond com funcionários no escritório e de casa; empregados da startup de tecnologia financeira começaram a voltar para o imóvel no SoHo, em Nova York, com o avanço da vacinação.  Foto: Jeenah Moon/The New York Times – 10/11/2021

Um olhar mais atento sobre a força de trabalho de Nova York, a partir de uma pesquisa de novembro, realizada com 188 grandes empregadores, mostrou que 8% dos funcionários de escritório de Manhattan estão de volta ao escritório em tempo integral, 54% estão totalmente remotos e todos os outros – quase 40% – fazem as duas coisas.

Poucos acham que esse é um suave período de transição. Algumas empresas usaram suas tentativas de datas de volta ao trabalho como uma desculpa involuntária para evitar perguntas sobre como equilibrar as necessidades de seus funcionários remotos e presenciais, de acordo com Edward Sullivan, coach executivo. 

Isso resultou em um meio-termo esquisito: videochamadas em que os funcionários remotos apresentam problemas para ouvir, uma sensação de que as pessoas em casa estão perdendo vantagens (de estar com os colegas de trabalho), enquanto as do escritório também perdem (trabalhar de pijama em casa). E o que está em jogo não é apenas de quem está se falando nas reuniões. É se a flexibilidade é sustentável, mesmo com todos os benefícios que ela traz.

“Vamos ver muitas empresas cometerem erros”, disse Chris Herd, empresário e especialista em trabalho híbrido.

Adaptação difícil

Recentemente, Brett Hautop, chefe de uma unidade de trabalho no LinkedIn, precisou participar de uma reunião e ouvir o discurso de vendas de um fornecedor global. A empresa queria vender seus serviços para o LinkedIn para ajudar a facilitar o trabalho híbrido eficaz. Mas as pessoas que estavam fazendo esse discurso viraram as costas para a câmera, de modo que os funcionários do LinkedIn que participavam da videoconferência não conseguiram vê-los.

“Ao mesmo tempo em que apregoam como é difícil para as pessoas que estão remotas acompanharem as conversas, eles mesmos se esquivam da câmera”, disse Hautop. “As pessoas da minha equipe estavam me questionando, dizendo: ‘Não acredito que eles estão fazendo isso’. E eu me desculpando e dizendo: ‘Ei, pessoal, sinto muito por isso e aparentemente eles não têm noção de que isso esteja acontecendo’”.

No verão passado, o LinkedIn disse a seus 16.000 funcionários em todo o mundo que seu plano de retorno ao escritório anunciado em outubro de 2020 havia sido descartado e que cada departamento decidiria onde seu pessoal poderia trabalhar, tornando-se uma das mais de 60 grandes empresas que prometeram alguma forma permanente de flexibilidade. 

Hautop e sua equipe avaliaram as dificuldades geradas por essa abordagem. Atualizaram os equipamentos audiovisuais nas salas de conferência e consideraram a distribuição de luzes para funcionários em suas mesas, para que seus rostos não ficassem incomodamente iluminados nas chamadas. Eles planejaram “ambientes externos”, para que os funcionários pudessem lembrar do que gostavam no escritório.

“Trabalho híbrido é definitivamente mais difícil do que completamente presencial ou completamente remoto”, disse Hautop. “É preciso muito mais planejamento, e nem nós, ou qualquer outra pessoa em qualquer empresa, descobriu exatamente como isso vai funcionar.”

Se o trabalho híbrido é um desafio até mesmo para as pessoas do LinkedIn – os gurus da conectividade, os maestros das redes profissionais –  o que os demais funcionários podem esperar?

CEO a distância

A Asana, fabricante de softwares colaborativos, reuniu recentemente seus executivos para um planejamento e discussão sobre a reabertura oficial do escritório. Metade dos participantes estava na sede, em São Francisco, e a outra metade participou por videoconferência. Os funcionários remotos, incluindo o CEO da empresa, começaram a perder a paciência enquanto as pessoas na sala conversavam e faziam comentários paralelos.

“Estávamos brincando que, se não gostássemos daquilo que alguém estava dizendo na tela, poderíamos simplesmente silenciá-lo”, disse Anna Binder, chefe de pessoal da empresa.

“Todos nós passamos por uma experiência tão terrível que decidimos no final da reunião que todas as reuniões executivas daqui em diante serão presenciais”, disse ela. “Ou serão totalmente remotas. Não adotaremos o meio termo.”

Binder se preocupa com quais colegas de equipe têm mais probabilidade de sofrer com as dores de cabeça dos empregos híbridos. Muitos executivos disseram que funcionários com responsabilidades de cuidados com crianças ou idosos têm maior probabilidade de trabalhar remotamente sempre que a opção lhes é oferecida. Uma pesquisa da plataforma de empregos FlexJobs descobriu que 68% das mulheres preferiam que seus empregos permanecessem remotos por muito tempo, em comparação com 57% dos homens. Outro estudo, da Qualtrics e da Boardlist, apontou que 34% dos homens com filhos havia recebido promoções enquanto trabalhavam remotamente, em comparação com apenas 9% das mulheres com filhos.

“Se você der às pessoas liberdade de escolha sobre o que fazer e onde trabalhar”, disse Binder, “as mulheres têm maior probabilidade de tirar proveito da flexibilidade do trabalho em casa. O que significa que elas, por sua vez, estarão menos presentes no contexto onde isso acontece.”

Não é difícil imaginar todas as maneiras pelas quais trabalhadores remotos podem ser prejudicados: silenciados em uma discussão acalorada, excluídos da ligação na hora do almoço. Mas Nicholas Bloom, professor de Stanford que pesquisou centenas de empresas híbridas, disse que em muitos locais de trabalho os funcionários presenciais se sentiam igualmente negligenciados.

“É a regra do americano na Europa”, disse Bloom. “Quando um americano está viajando para o exterior, ao se olhar em volta percebe-se que todos estão falando em inglês para facilitar a vida dele. Se houver uma pessoa trabalhando em casa, todos no escritório ligam para a reunião.”

‘Um no Zoom, Todos no Zoom’

Esse é o caso da Zillow, site de imóveis que enfrenta atualmente uma onda de perdas e demissões, onde um quarto das pessoas trabalha no modelo híbrido e quase dois terços estão trabalhando totalmente remotos. A regra “Um no Zoom, Todos no Zoom” da empresa estipula que, mesmo que uma pessoa esteja participando de uma reunião virtualmente, todos no escritório devem participar em laptops separados. A Zillow chegou a tirar o equipamento audiovisual das paredes da sala de conferências.

A regra do Zoom está de acordo com a atitude aberta da Zillow em relação ao trabalho remoto, que incluiu um anúncio de que sua sede mudou de Seattle para a nuvem.

“Vou ao escritório todos os dias”, disse Meghan Reibstein, vice-presidente de gerenciamento de produto e trabalho flexível, que se mudou para Asheville, Carolina do Norte, durante a pandemia. “Acontece que o escritório fica no sótão da minha casa.”

Mas quando o sótão se torna o escritório, e o escritório se torna um local para lanchinhos e brincadeiras semanais, os executivos precisam reagir: qual é o sentido de pagar aluguel? Para muitos empregadores, os luxuosos espaços ocupados por apenas algumas estações de trabalho passaram a ser lembretes dos reais custos associados à ambiguidade do trabalho híbrido.

Court Cunningham teve aquela sensação de mal-estar recentemente ao visitar os edifícios de Nova York para alugar um novo escritório para sua empresa de compras online, a Orchard: se apenas 15% de seus funcionários estivessem trabalhando no escritório, o aluguel valeria 2% da receita? Ele ia e voltava. Em seguida, assinou um novo contrato de locação em outubro, apostando que em algum momento futuro as pessoas desejarão estar no escritório.

“Em dois anos, isso ou será um movimento genial, onde teremos deixado para trás um longo período de exílio por conta da covid, ou o mundo ficará completamente remoto e teremos esse pesadelo a nos assombrar”, disse Cunningham.

Enquanto isso, os especialistas que ajudam empresas a navegar nesse período têm esperança de que os males do trabalho híbrido não sejam permanentes. Ou, pelo menos, que possam ser administráveis: alguns aconselham seus clientes a serem explícitos com sua equipe sobre se devem priorizar as necessidades de funcionários de escritório ou remotos, especialmente quando se trata de intermediar reuniões.

“No Vietnã, os prisioneiros de guerra que aceitaram o fato de não saberem  quando seriam salvos foram os que sobreviveram”, disse Sullivan, CEO da firma de coaching Velocity Group, buscando uma referência – o que é conhecido como Paradoxo de Stockdale – muito distante dos problemas com o bebedouro do escritório. “As empresas que aceitaram que isso vai ser difícil e se comunicaram claramente com suas equipes vão prosperar. Não há mais ilusões a respeito do Natal ou Páscoa. Vamos apenas aceitar que essa fase será difícil.”

E depois da aceitação, vem a tomada de decisões. Portanto, a Asana escolheu se rotular como “híbrida centrada no escritório”, com os chefes articulando que, em algum momento, a maioria das pessoas será esperada de volta às suas mesas. A financeira CommonBond se autodenomina “primeira empresa remota”, estando seu CEO mais distante do escritório de Manhattan do que os funcionários juniores que vêm às quartas-feiras. (“Nosso centro de gravidade é a Zoomsfera”, disse o CEO David Klein.) As duas empresas rejeitaram a abordagem do “escolha-sua-própria-aventura”, em que as pessoas não têm noção de onde seus gerentes desejam que elas estejam.

“Imagine que as pessoas pudessem escolher se dirigem do lado esquerdo ou direito da estrada”, disse Bloom. “Haveria acidentes o tempo todo. Para isso, é preciso muita coordenação.” / TRADUÇÃO DE ANNA MARIA DALLE LUCHE

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,trabalho-hibrido-tem-o-pior-dos-dois-mundos-o-zoom-no-escritorio,70003902277

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Seus funcionários têm toda a criatividade de que você precisa. Deixe-os provar isso.

Nilofer Merchant, Harvard Business Review – 01 de novembro de 2019(Tradução Evandro Milet)

Resumo.

Temos que começar a ver a criatividade como uma capacidade que todos nós – todos nós – temos. As ideias não vêm de habilidades especializadas ou por causa de incentivos e castigos. As ideias vêm da engenhosidade, do latim ‘ingenuus’ ou ‘inato’. Assim, a criatividade não é algo que apenas alguns de nós fazemos, ou encontrada em certas categorias, ou criada por certas funções como engenharia ou marketing. A criatividade é inerente porque cada um de nós tem uma perspectiva que apenas um tem; ele simplesmente precisa ser liberado. 

Use o processo para permitir que as pessoas encontrem suas próprias soluções e estratégias que funcionem. Convide as pessoas a trazerem todo o seu ser para o trabalho, sabendo que cada paixão ou hobby peculiar pode servir para inspirar novas ideias. Finalmente, não importa sua posição no organograma, essas novas abordagens se aplicam a você também. Novamente, a criatividade pertence a cada um de nós.

Se sua equipe pudesse obter mais de cem novas ideias criativas, variando de expansões de mercado geradoras de receita a maneiras de melhorar a saúde de seus funcionários e reduzir custos de seguro, você as pediria? E se virtualmente todas essas ideias pudessem ser executadas e impactar positivamente os resultados financeiros … por míseros US $ 2 milhões? Não é isso que toda equipe de gestão deseja? Claro que é.

A criatividade é importante, mas qual a melhor forma de ativá-la? Gerar criatividade é, em si, um ato criativo. Ainda assim, a maioria dos líderes tenta ampliar a criatividade definindo o caminho – quem deve contribuir e como – em vez de definir a meta e pedir a contribuição de qualquer um.

Isso é evidenciado pelas atuais estruturas de empregos. O trabalho Creative Class de Richard Florida categorizou os empregos por aqueles que exigem julgamento , tomada de decisão e geração de ideias independentes, e descobriu que quase 60% dos empregos nos EUA (77% em todo o mundo) exigem pouco ou nenhum desses três atos criativos. Isso não significa que 60% dos trabalhadores americanos não são criativos, mas sim que sua criatividade não está sendo explorada. Para muitos líderes, ver cada funcionário como um colaborador potencialmente criativo é difícil. 

Em uma empresa com a qual trabalhei, executivos me disseram que achavam que abrir a abertura para acessar o potencial criativo de todos poderia ser caótico.

Veja como eles superaram essa preocupação: A empresa teve uma receita inesperada de $ 2 milhões, que eles queriam alocar proporcionalmente aos orçamentos existentes, como em “manteiga espalhada pela organização”, ou preferencialmente para projetos já considerados essenciais para o futuro da empresa. Como consultor de inovação deles, propus uma alternativa: um hack-a-thon para ideias criativas ou um idea-a-thon. Gostaríamos de pedir a qualquer um – provavelmente a todos – na empresa para trazer à tona uma nova ideia e dizer à gerência como ela poderia funcionar.

No início, a equipe de liderança pensou que o único resultado seria uma grande confusão. Eles pareciam acreditar que já sabiam quem poderia ou deveria ser criativo e quais oportunidades estratégicas eram possíveis. Um caminho definido era muito mais eficiente. Abrir os portões levaria a muitos becos sem saída, custando à empresa o tempo de todos, eles argumentaram. Meu trabalho era mostrar a eles o contrário.

Enviamos um e-mail para toda a empresa explicando que tivemos uma oportunidade inesperada de investir em coisas novas, queríamos saber quais ideias todos gostariam de consertar / fazer / resolver e tínhamos que agir rápido. Pedimos três coisas em três semanas. Primeiro, para as pessoas formarem equipes. A colaboração aumenta a inovação, por isso pedimos aos funcionários que se unissem para enviar ideias. Isso nos salvou de ter 38 sugestões muito semelhantes e tornou as ideias relacionadas mais fortes. 

Em seguida, dissemos a eles para traçar um plano. As ideias podem gerar receita, crescimento de mercado ou economia de custos, mas cabia à equipe decidir como dimensioná-las. Pedimos a todos os analistas de negócios espalhados pela organização que dedicassem seu tempo ajudando onde pudessem, se solicitado. Em vez de atribuir funções, queríamos que as equipes optassem por usar os recursos. Por fim, as equipes precisaram nos dizer por que sua ideia era importante para a empresa.

Grupo por grupo, os funcionários fizeram suas apresentações. O caos não se seguiu. A criatividade veio dos cantos mais inesperados.

Uma funcionária típica de pesquisa de mercado – camisa branca, calça cáqui, corte de cabelo Supercuts e geralmente carregando uma braçada de folders – sugeriu reinventar o serviço de lanchonete. Muitos colegas não pensavam nela como o “tipo criativo”, mas sem o conhecimento de quase todos, ela era uma “viciada em comida”, assistindo a quase todas as séries do Netflix do tipo Top Chef, Good Eats e Samin-Nosrat. 

Ela adorava fazer novas receitas todas as noites e apresentar refeições saborosas e saudáveis ​​para sua família. Ela encontrou outras pessoas trabalhando com o mesmo hobby e, juntas, foram até a equipe de serviço de alimentação no local para perguntar se poderiam realizar uma ou duas experiências. A primeira sugestão deles foi mudar o design da cafeteria para que os alimentos saudáveis ​​pudessem ser apresentados antes dos menos saudáveis. 

No início, a equipe de alimentação estava preocupada com as margens – a massa é barata e durável, enquanto a fruta fresca é mais cara e perecível -, mas logo percebeu que as mudanças eram uma melhoria sem custar muito caro.

Outro funcionário – inspirado por um susto recente com a saúde – sugeriu colocar placas perto dos elevadores para incentivar o uso das escadas na hora do almoço. Combinadas, essas ideias criativas reduziriam os pagamentos de seguro da empresa em cerca de 20%, sem fundos adicionais. Essas foram apenas duas das muitas ideias com luz verde como resultado do idea-a-thon.

Os executivos seniores ficaram genuinamente surpresos por já terem o talento e até mesmo os fundos para promover mudanças grandes e significativas. A probabilidade é que sua organização seja semelhante. Mas como você pode – como a empresa que descrevi – romper? A maioria dos líderes foi ensinada a se concentrar em vez de ser inclusiva. Para mudar de uma mentalidade para outra, é necessário reavaliar três mitos sobre a criatividade:

Mito nº 1: Nem todos podem ser criativos.

Muitos acham que a criatividade requer conhecimento profundo ou que você precisa contratar as pessoas “certas”. Isso filtra todas as pessoas cujas novas perspectivas – que só elas possuem – são necessárias e limita o escopo dos resultados. Rompa as barreiras de funções, credenciais e qualificações perguntando a todos: “O que você gostaria de mudar para melhor?”

Mito 2: O processo mata a criatividade.

Muitos pensam que o processo é uma limitação da criatividade. Isso só é verdade se o seu processo for interrompido. Um bom processo pode servir como guarda-corpo para esclarecer as metas (cronograma, recursos disponíveis e resultados desejados), mas deixa o “como” em aberto. A capacidade de dirigir o próprio trabalho permite que as equipes compartilhem responsabilidades, se organizem, gerem ideias e colaborem.

Mito nº 3: Pagamento impulsiona a criatividade.

Muitos pensam há muito tempo que precisamos recompensar financeiramente a criatividade para obter mais dela. O dinheiro, embora necessário, não motiva nem as melhores pessoas, nem o que há de melhor nas pessoas. Mais do que uma cenoura motivacional, encontrar e cumprir um propósito é uma necessidade humana fundamental. Pense naquela funcionária. Ser capaz de aproveitar sua paixão por comida e mudar o refeitório foi recompensa o suficiente.

Os líderes precisam abandonar e dissipar esses mitos e quebrar as barreiras da criatividade, em vez disso, acreditando na capacidade central de seu pessoal.

Quando permitimos que mais funcionários contribuam com suas próprias ideias e energia no trabalho, as empresas se beneficiam tanto a curto quanto a longo prazo. O Departamento de Educação dos EUA, o Fórum Econômico Mundial e a Bloomberg indicam que os empregos de amanhã (aqueles que ainda sobraram após os robôs e a IA assumirem) exigirão “habilidades criativas de resolução de problemas”. Se vamos fazer um trabalho mais significativo, ou simplesmente trabalhar, temos que corrigir essa lacuna entre o que valorizamos – criatividade – e o que permitimos.

Portanto, temos que começar a ver a criatividade como uma capacidade que todos nós temos. As ideias não vêm de habilidades especializadas ou por causa de incentivos e castigos. As ideias vêm da engenhosidade, do latim ingenuus ou inato. Assim, a criatividade não é algo que apenas alguns de nós fazem ou que se encontra em certas categorias ou criada por certas funções como engenharia ou marketing. Cada um de nós tem uma perspectiva única que precisa ser liberada. Isso pode ser feito usando um processo que permite que as pessoas encontrem suas próprias soluções e estratégias eficazes. Convide as pessoas a trazerem todo o seu ser para o trabalho, sabendo que cada paixão ou hobby peculiar pode servir para inspirar novas ideias. Não importa sua posição no organograma, você pode usar sua criatividade no trabalho – incluindo encontrar novas maneiras de aproveitar a criatividade de outras pessoas.

Nilofer Merchant lançou pessoalmente 100 produtos totalizando US$ 18 bilhões em receita e atuou em conselhos públicos e privados. Hoje, ela dá palestras em Stanford, dá palestras ao redor do mundo e foi considerada uma das pensadoras de gestão mais influentes do mundo pela Thinkers50. Seu livro mais recente é The Power of Onlyness: Make Your Wild Ideas Mighty Enough to Dent the World.

https://hbr.org/2019/11/your-employees-have-all-the-creativity-you-need-let-them-prove-it

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Eve, da Embraer, e marca de Ayrton Senna criam 1º ‘carro voador’ Eve-Senna

Segundo a empresa de mobilidade aérea urbana da Embraer, o Eve-Senna simboliza “a visão de futuro sustentável e inovação” das duas marcas e celebra seu primeiro ano de operação

Por Stella Fontes, Valor — 17/11/2021 

Na linha de frente da corrida global dos eVTOLs, sigla em inglês para veículo elétrico de decolagem e aterrissagem vertical, a Eve Air Mobility se juntou à Marca Senna, criada em 1992 pelo tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna, para desenvolver o primeiro “carro voador” Eve-Senna.

Segundo a empresa de mobilidade aérea urbana da Embraer, o Eve-Senna simboliza “a visão de futuro sustentável e inovação” das duas marcas e celebra seu primeiro ano de operação.

O design da aeronave, conforme a Eve, se inspira na visão da marca Senna “em desafiar limites, criar produtos com paixão e propósito de forma autêntica e futurística”. “Fui um privilegiado por ter feito parte da geração que acompanhou a carreira de Ayrton Senna. Sua ousadia, capacidade de superação e conquistas, unindo paixão e tecnologia, foram uma inspiração para seguir carreira em engenharia”, diz em nota o presidente da Eve, Andre Stein.

Lançada há um ano como empresa independente pela EmbraerX, braço de inovação radical da fabricante brasileira de aeronaves, a Eve já firmou uma série de parcerias para operação dos “carros voadores” — com previsão de entrega superior a 700 unidades até o momento — e desenvolvimento da infraestrutura, regulação e certificação necessárias ao início de operação, a partir de 2025.

O Morgan Stanley estima que o mercado global de mobilidade aérea urbana vá movimentar US$ 1 trilhão em 2040, chegando a US$ 9 trilhões na década seguinte.

Segundo a presidente da Marca Senna, Bianca Senna, o propósito da marca é desafiar limites em todos os campos de atuação e a Eve é uma das líderes no que deve ser uma revolução para a mobilidade urbana.

“No campo de sustentabilidade e mobilidade, sabemos que o futuro será criar novas soluções de locomoção integradas que foquem em desenvolver uma economia sustentável, melhora na qualidade de vida mundial e do nosso planeta. Poder se associar a uma empresa como a Eve é um grande privilégio”, afirma, na nota.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2021/11/17/eve-da-embraer-e-marca-de-ayrton-senna-criam-1o-carro-voador-eve-senna.ghtml

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