Para analistas, há poucos sinais de uma rápida resolução do conflito no Oriente Médio, e escassez de oferta logo deixaria o mercado sem combustíveis de transporte e outros produtos
Por Jamie Smyth e Myles McCormick, Valor/Financial Times – 03/04/2026
Wall Street alertou que os preços do petróleo vão subir acentuadamente à medida que a guerra dos EUA no Irã e o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz interrompem as exportações do Oriente Médio por meses.
Operadores e analistas disseram, nesta sexta-feira (3), que havia poucos sinais de uma rápida resolução do conflito, que tem abalado os mercados e elevado o preço do petróleo Brent para acima de US$ 100 por barril. A escassez de oferta logo deixaria o mercado sem combustíveis de transporte e outros produtos, acrescentaram, à medida que a crise se espalha para a economia mais ampla.
Natasha Kaneva, analista do J.P. Morgan, disse, em nota: “Até o fim da próxima semana, esperamos que os cortes na oferta de petróleo bruto se aproximem de 12 milhões de barris por dia, tornando o déficit altamente visível nos mercados físicos.”
“O mercado enfrenta uma escassez aguda de produtos – diesel, combustível de aviação, [gás liquefeito de petróleo] e nafta – que simplesmente não podem ser consumidos porque não estão disponíveis.”
O RBC Capital Markets afirmou que espera que os preços do petróleo superem o pico de US$ 128 atingido poucas semanas após a Rússia lançar sua invasão em larga escala da Ucrânia em 2022 e ultrapassem o recorde de cerca de US$ 147 registrado em 2008.
“Estamos revisando nossa estimativa de duração da guerra com o Irã e os impactos simultâneos nos preços do petróleo”, disse Helima Croft, chefe global de commodities do RBC. O conflito pode “entrar bem pela primavera”, acrescentou.
O Goldman Sachs estima que os fluxos através do Estreito de Ormuz caíram para 600 mil barris por dia, abaixo dos níveis normais superiores a 19 milhões – próximo da produção total de petróleo dos EUA.
Os alertas surgem enquanto a guerra entra em sua terceira semana, com o presidente dos EUA, Donald Trump, dizendo que Washington tem “munição ilimitada” e poderia continuar lutando contra o Irã “para sempre”.
Teerã retaliou lançando ataques contra infraestrutura energética em todo o Golfo e efetivamente fechando o Estreito de Ormuz, a estreita via marítima por onde normalmente passa um quinto do fornecimento de petróleo e gás natural liquefeito.
Um ataque de drone iraniano nesta sexta-feira (3) provocou caos no distrito financeiro de Dubai, enquanto países europeus buscavam abrir negociações com Teerã para retomar os fluxos através do estreito.
“Apocalipse do petróleo”
“Fechar o Estreito de Ormuz deveria ser o apocalipse do petróleo”, disse Jim Krane, do Baker Institute da Universidade Rice. “Pode ficar muito pior do que já está.”
O petróleo Brent, referência internacional, subiu cerca de 40% desde que Trump iniciou a guerra. Os preços de tudo, de combustível de aviação a diesel, dispararam na Ásia, Europa e América do Norte. Nos EUA, o preço da gasolina atingiu US$ 3,63 por galão nesta sexta-feira, aproximando-se do patamar crítico de US$ 4 após 13 dias consecutivos de alta.
O J.P. Morgan afirmou que o mercado de petróleo já está sentindo o impacto físico da interrupção de oferta causada pelo fechamento do estreito, apesar dos esforços de Washington e seus aliados para evitar uma crise economicamente prejudicial.
O governo Trump tentou acalmar os mercados propondo escoltas navais e seguros emergenciais para petroleiros que navegam pelo estreito, além de suspender sanções ao petróleo russo e se juntar a outros países do G7 em uma liberação recorde de petróleo de reservas estratégicas.
Teerã alertou sobre petróleo a US$ 200
Mas o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, emitiu mensagem desafiadora, na quinta-feira (2), declarando que as forças militares do país manteriam o estreito fechado enquanto busca aumentar sua vantagem contra os EUA e Israel. Teerã alertou o mundo para se preparar para petróleo a US$ 200.
“O novo líder supremo não parece disposto a negociar até extrair um preço mais alto para restabelecer a dissuasão”, disse Daleep Singh, que atuou como vice-conselheiro de segurança nacional para economia internacional no governo de Joe Biden.
Países de toda a Ásia estão entre os mais afetados pelas interrupções de oferta, pois dependem de energia e outras importações que passam pelo estreito. A Austrália disse nesta sexta-feira que liberaria reservas domésticas de combustível para conter possíveis faltas de abastecimento e compras por pânico.
“Preços mais altos de energia vão começar a afetar o comportamento do consumidor”, disse Ben Cahill, pesquisador sênior do Center for Strategic and International Studies. “As pessoas vão abrir mão de algumas viagens não essenciais, seja de avião ou por estrada.”
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