Brasil poderá ser maior exportador de hidrogênio verde global, diz consultoria

Estudo da alemã Roland Berger indica que país pode alcançar receita anual de R$ 150 bilhões a partir de 2050; empresas começam a tirar projetos do papel

Por Robson Rodrigues — Valor 23/01/2023

Um estudo internacional feito pela consultoria alemã Roland Berger mostrou que o Brasil pode se tornar o maior produtor de hidrogênio verde do mundo e alcançar uma receita anual de R$ 150 bilhões a partir de 2050, dos quais R$ 100 bilhões serão provenientes das exportações.

O país reúne as condições ideais para produzir em escala a energia que faltava para pavimentar a transição para uma economia de baixo carbono, como ampla oferta de energias renováveis, custo marginal baixo e potencial de produção muito além do que o mercado interno pode absorver. E para alcançar as metas globais de descarbonização, o consumo de hidrogênio terá de aumentar seis vezes nos próximos 30 anos, especialmente em usos industriais e mobilidade.

O partner head de Energia da consultoria Roland Berger Brasil e um dos autores do estudo “Oportunidade de hidrogênio verde no Brasil”, Jorge Pereira da Costa, explica que essa demanda deve colocar o Brasil como protagonista no contexto de transição energética.

Ele afirma que o hidrogênio verde é apontado como uma grande commodity tornando-se o petróleo do futuro. Terá um papel fundamental no desenvolvimento econômico global, pois será empregado na mobilidade de veículos, aeronaves, propulsão para embarcações navais, geração de eletricidade e aquecimento das casas, edifícios, caminhões, trens, ônibus, entre outras aplicações.

“O mercado internacional de hidrogênio verde é um mercado emergente a nível global, mas que começa a ser estruturado pela definição de um marco regulatório também global”, diz.

A pesquisa prevê a oportunidade de o hidrogênio verde representar investimentos no Brasil da ordem de R$ 600 bilhões em 25 anos para que o país tenha capacidade de eletrolisadores necessários para a produção de hidrogênio. Neste contexto, empresas começam a acordar para o tema.

Entre os importantes anúncios, a Thyssenkrupp fechou contrato com a Unigel para fornecer tecnologia e planta de eletrólise à unidade no Polo Industrial de Camaçari (BA). A fase 1 do projeto prevê US$ 120 milhões e deve ficar pronta no final deste ano.

Em estágios menos avançados, outras companhias estudam a viabilidade de plantas nos portos de Pecém, Açu, Suape e Aratu. A AES Brasil e Fortescue assinaram pré-contrato com Complexo de Pecém. Na mesma rota foram Comerc, Casa dos Ventos e TotalEnergies.

Entretanto, foi o Chile que saiu na frente na América Latina com o projeto da Siemens Energy com a Porsche para a produção de combustíveis sintéticos e neutros em carbono utilizando o hidrogênio feito a partir de energia eólica.

A guerra na Ucrânia está acelerando a diversificação de fontes energéticas na Europa e o leilão de hidrogênio que a Alemanha pode destravar mais aportes. A EDP inaugurou a primeira planta-piloto operacional do Brasil e quer participar do certame; já a White Martins produziu o primeiro hidrogênio verde (H2V) certificado da América do Sul, em Pernambuco.

O desafio é dar escala e viabilidade econômica. Para ganhar vantagem nos mercados globais, o hidrogênio no país terá de cair o custo ara US$ 2 o quilo até 2025. Os players são competitivos em geração renovável, mas os custos de transmissão e distribuição precisam cair. Costa aponta ainda que o apoio estatal em políticas de isenções de governos e encargos setoriais será um pilar fundamental.

“O Brasil tem que criar condições para a redução dos riscos dos projetos de investimento no país, nomeadamente regular o mercado interno, taxar com as emissões de carbono, particularmente das indústrias mais consumidoras de hidrogênio e/ou conceder incentivos financeiros, fiscais ou outros para reduzir os preços de produção e apoiar os agentes produtores instalados no país na participação de certames internacionais de compra de hidrogênio verde e/ou de produtos verdes utilizados para o seu transporte”.

Por ser uma indústria nascente, o pesquisador diz que o mercado de hidrogênio verde é um emergente a nível global, mas que começa a ser estruturado pela definição de um marco regulatório também global. “O Brasil precisa continuar ativo na definição desse marco regulatório, particularmente quanto aos mecanismos e critérios de certificação”, finaliza.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2023/01/23/brasil-podera-ser-maior-exportador-de-hidrogenio-verde-global-diz-consultoria.ghtml

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Meta e Alphabet perdem domínio em anúncio digital

Companhias sofrem competição cada vez maior de nomes como Amazon, TikTok, Microsoft e Apple

Por Patrick McGee — Valor/Financial Times 29/12/2022

A Meta e a Alphabet perderam o domínio sobre o mercado de anúncios digitais no qual reinaram por anos, com a força do duopólio sendo corroída pela competição cada vez maior de nomes como Amazon, TikTok, Microsoft e Apple.

A participação somada da Meta, controladora do Facebook, e da Alphabet, controladora do Google, na receita com anúncios nos  Estados Unidos deverá cair 2,5 pontos percentuais, para 48,4% em 2022, a primeira vez em que as duas empresas não ficarão com a maioria do mercado desde 2014, segundo a empresa de análises de mercado Insider Intelligence.

Será o quinto declínio consecutivo anual do duopólio, cuja participação de mercado vem caindo desde o pico atingido em 2017, de 54,7%, e deverá diminuir ainda mais em 2024, para 43,9%, segundo projeções. No mundo, a participação combinada da Meta e da Alphabet deverá diminuir 1 ponto percentual neste ano, para 49,5%.

Jerry Dischler, chefe de anúncios do Google, disse ao “Financial Times” que a forte concorrência dos novos participantes do setor reflete um “mercado de anúncios extremamente dinâmico”.

As autoridades reguladoras nos EUA e na Europa intensificaram a fiscalização antitruste, pressionando, por exemplo, o Google por supostamente ter promovido seus produtos em detrimento aos de rivais. Em dezembro, a Meta foi alvo de uma queixa das autoridades reguladoras da UE por receios de que o serviço de anúncios classificados da rede social estaria concorrendo de forma desleal com os rivais.

Os grandes nomes do setor de tecnologia passaram a concorrer mais do que nunca por uma fatia do mercado de anúncios digitais de US$ 300 bilhões, enquanto as empresas pelo mundo reduzem seus orçamentos de anúncios diante da alta dos juros e da inflação.

Amazon e Apple ampliaram suas equipes na área de publicidade. Em julho, a Netflix anunciou uma parceria com a Microsoft para criar uma versão de seu serviço de streaming com anúncios.

O executivo-chefe da Meta, Mark Zuckerberg, atribuiu as recentes quedas de receita às mudanças nas normas de privacidade da Apple, que dificultaram o rastreamento de usuários e a publicidade direcionada, assim como à crescente popularidade do aplicativo de vídeos virais TikTok, de propriedade da chinesa ByteDance.

“Há quatro anos, você não estaria falando sobre [TikTok ou Amazon] na publicidade”, disse Dischler. “Portanto, é realmente revelador que cada vez mais pessoas estejam reconhecendo que a publicidade é um modelo de negócios excelente e expansível.”

A incursão da Amazon no mundo dos anúncios digitais teve grande papel no impacto sofrido pela Meta e pelo Google. Depois de anos sondando o mercado, incrementou os esforços em 2015 e, desde então, viu as receitas publicitárias decolarem de menos de US$ 1 bilhão para cerca de US$ 38 bilhões neste ano.

“Antes de entrar, eu nem sabia o que era o Amazon Ads”, disse um executivo da Amazon, acrescentado que agora a empresa tem “uma equipe enorme”.

Paul Prior, diretor de operações da Undertone, uma empresa de publicidade digital, disse que as gigantes do varejo, lideradas pela Amazon, perceberam que seus grandes volumes de dados sobre os clientes poderiam servir de base para um grande negócio publicitário, com margens mais altas do que a própria venda on-line.

No entanto, a Amazon foi um passo além, expandindo seus negócios de anúncios para fora do próprio site de compras. “No universo digital como um todo, eles usam esse conjunto de dados para capacitar as marcas e os anunciantes a comprar melhor, gastar com mais eficiência e incrementar o retorno sobre os gastos com anúncios”, disse Prior.

A Apple também surgiu como uma nova ameaça. Suas receitas publicitárias cresceram de menos de US$ 2,2 bilhões em 2018 para mais de US$ 7 bilhões neste ano. Embora tenha apenas 1,2% do mercado mundial, já é mais do que a participação do Snapchat e Pinterest somados, e algumas estimativas indicam que a Apple poderia alcançar US$ 30 bilhões em receita publicitária até 2026.

Em setembro, o “FT” revelou que a fabricante do iPhone planeja quase dobrar o pessoal de suas operações de publicidade digital, de alto crescimento. Seus anúncios classificados de emprego para a área descrevem a ambição de “redefinir a publicidade” para um mundo “centrado na privacidade”.

Zuckerberg repetidamente criticou o “conflito de interesses” da Apple, criticando-a por cobrar “rendas monopolistas” e sufocar a inovação. As regras de privacidade da Apple tornaram mais difícil para a Meta personalizar anúncios para os usuários, o que influenciou na queda de suas ações, cuja desvalorização acumulada em 15 meses está em torno a 65%.

O Google não parece ter sentido tanto impacto com as mudanças de privacidade da Apple, já que pode direcionar os anúncios diretamente aos usuários que digitam os termos de busca na internet- o que lhe proporciona dados valiosos sobre a “intenção do usuário”.

A Apple, contudo, já tem seu próprio rival para o Google Maps, assim como uma função de busca no iPhone, e está desenvolvendo suas ainda nascentes operações de anúncios- que poderiam enfrentar o Google no futuro.

“A Apple tem uma marca forte na qual os consumidores confiam e eles têm os dispositivos que são usados pela nata da turma de consumidores”, disse Josh Koenig, diretor de estratégia da Pantheon, uma plataforma de marketing digital. “Se eles descobrirem como transformar isso em uma rede realmente valiosa para os anunciantes, poderão cobrar um ágio.”

A Insider Intelligence projeta que o crescimento de anúncios do Google e da Meta nos EUA em 2023 será de apenas 3% e 5%, respectivamente, enquanto pelo menos oito de seus rivais devem ter avanços superiores a 10%.

A empresa projeta que as operações de anúncios crescerão 19% na Amazon, 26% na Apple, 30% no Spotify, 36% no TikTok e 42% no Walmart, embora as atuais participações de mercado de muitas dessas empresas ainda sejam pequenas.

Dischler disse que o Google está empenhado em expandir seus negócios de anúncios tanto no comércio eletrônico quanto na publicidade que prioriza a privacidade.

“Não vejo isso como um jogo de soma zero”, disse Dischler. “Se o Uber tem uma rede de anúncios – anúncios em carros que antes não tinham anúncios e está oferecendo oportunidades de publicidade quando você compra mantimentos ou comida em restaurantes – então, eles estão aumentando o bolo.” (Tradução de Sabino Ahumada)

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/12/29/meta-e-alphabet-perdem-dominio-em-anuncio-digital.ghtml

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Como China superou Brasil e virou grande produtora de peixes amazônicos

André Biernath – a BBC News Brasil em Londres 22/01/2023

Uma rápida pesquisa no site de comércio online chinês AliBaba permite encontrar algumas ofertas de “red pacu”, um peixe cinza de barriga vermelha, vendido por US$ 0,80 a 1,23 (R$ 4,35 a 6,68) o quilo.

O tal “red pacu” nada mais é que a pirapitinga, um peixe típico da região amazônica e da bacia dos rios Araguaia-Tocantins.

Os dados oficiais da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) revelam que a China é hoje a maior fonte deste peixe no mundo.

Em 2020, foram produzidas 59,4 mil toneladas de pirapitinga no país asiático. Na sequência, aparecem Colômbia (33 mil toneladas), Vietnã (23 mil), Peru (2,1 mil) e Brasil (1,8 mil) — vale destacar que esse peixe não é muito apreciado entre os habitantes da região amazônica brasileira, que preferem outras opções locais, como o tambaqui, o matrinxã e o jaraqui, sobre os quais falaremos mais adiante.

Além da produção de pescados para consumo humano, a China e outras nações asiáticas viraram referência na criação de peixes ornamentais amazônicos. Hoje, há variações de uma espécie chamada acará-disco que só são encontradas neste continente, segundo pesquisadores ouvidos pela BBC News Brasil.

Mas como esses peixes, nativos de Amazônia e adjacências, foram parar do outro lado do mundo? Por trás dessa verdadeira saga, existem lendas, histórias de cooperação e investimento pesado em ciência de ponta.

Da Amazônia para a Ásia

Diz a lenda que, antes da Rio-92, a histórica conferência do clima realizada no Rio de Janeiro, o primeiro-ministro chinês Li Peng teria viajado para Manaus, onde se reuniu com o então governador do Estado do Amazonas, Gilberto Mestrinho (MDB).

Durante o encontro, o emissário da China recebeu de presente casais vivos de tambaquis, que foram levados de volta ao país asiático — e teriam dado início ao interesse pelas espécies aquáticas amazônicas por lá.

O fato é que existem poucas evidências ou registros oficiais dessa reunião entre emissários chineses e amazonenses, e os principais nomes supostamente envolvidos no episódio (Li Peng e Gilberto Mestrinho) já morreram.

A BBC News Brasil entrou em contato com o Governo do Estado do Amazonas e com a Embaixada da China no país para confirmar ou descartar o tal episódio de 1992, mas não foram enviadas respostas até a publicação desta reportagem.

Os especialistas em piscicultura consideram que é muito mais provável que essa introdução de espécies amazônicas em outros países tenha acontecido aos poucos e por meio de várias fontes diferentes.

Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), lembra de um convênio firmado nos anos 1980 entre Brasil e China.

“Houve uma troca, em que nosso país recebeu carpas e tecnologias para a produção desses peixes e, em troca, ofereceu materiais sobre algumas espécies nativas”, diz. “E cada parte aproveitou as informações do jeito que quis.”

Um artigo publicado em 2018 destaca que o tambaqui e espécies híbridas já foram observadas em diversos países onde eles não são nativos, como Estados Unidos, China, Indonésia, Myanmar, Vietnã, Tailândia e Singapura.

Ainda segundo os autores, essa introdução aconteceu de forma acidental ou deliberada, com o objetivo de iniciar criações desses peixes em outros lugares.

Outra possível fonte do espalhamento é o aquarismo, a prática de manter espécies aquáticas em tanques para decoração e apreciação.

Um estudo de 2011 feito na Universidade de Zagreb, na Croácia, tentou desvendar como duas pirapitingas foram parar em rios da Europa Central.

A principal hipótese levantada é a de que aquaristas jogaram por algum motivo esses seres em reservatórios de água locais, que reuniam as condições básicas para que eles pudessem sobreviver e se reproduzir.

Que fique claro: essa troca de espécies entre países era bem menos regulada há três ou quatro décadas. Só mais recentemente que surgiram leis rígidas que impedem ou dificultam a saída e a entrada de vegetais, animais, fungos e outros seres vivos entre fronteiras.

“É só lembrar que a soja, um dos principais produtos de exportação do Brasil nas últimas décadas, é originária da China”, ilustra Medeiros.

“Ou seja, falamos de um processo legal. A diferença, no caso dos peixes, é que a China resolveu transformá-los num produto comercial e ganhar dinheiro com isso.”

Mais beleza nos aquários

Além das espécies criadas para consumo (como o tambaqui e a pirapitinga), também chama a atenção o que aconteceu com os peixes ornamentais amazônicos.

“O acará-disco, nativo da Amazônia, é vendido no exterior com novas colorações e características que não existem no próprio Brasil”, aponta Giovanni Vitti Moro, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura.

Essas novas linhagens da espécie foram desenvolvidas a partir de cruzamentos ou pela seleção de características desejadas por meio da manipulação genética e são apreciados por aquaristas do mundo inteiro.

“Hoje em dia, nós temos que importar essas matrizes diferentes do acará de China, Índia e Tailândia”, complementa Moro.

O biólogo Adalberto Luis Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, aponta que o Brasil também está ficando para trás nesse mercado do aquarismo.

Isso porque os produtores locais ainda dependem do extrativismo, que se baseia em coletar esses peixes diretamente na natureza, em vez de criá-los e reproduzi-los em tanques.

“Nós precisamos desenvolver tecnologias para a produção desses animais em cativeiro. A China já faz isso, e o mercado de aquarismo sinalizou que, entre 2025 e 2030, vai reduzir aos poucos a importação de peixes ornamentais oriundos do extrativismo”, conta o pesquisador e professor.

“Isso porque, de cada dez peixes que são coletados do ambiente natural para exportação, nove morrem no caminho.”

O que dizem os números

Não há dúvidas de que a China é de longe a líder global no mercado de pescados. Segundo os registros da FAO, o país asiático produziu 83,9 milhões de toneladas métricas de peixe com captura e aquicultura só em 2020.

Para se ter uma ideia, o segundo lugar é da Indonésia, com 21,8 milhões, um valor quase quatro vezes menor. Na sequência, aparecem Índia (14 milhões), Vietnã (8 milhões) e Peru (5,8 milhões).

Dentro desse cenário, os peixes amazônicos ainda representam uma fatia muito pequena, quase insignificante, do mercado piscicultor chinês.

“Por lá, a pirapitinga atende a alguns nichos específicos. Ela é vendida pequena, grande, inteira, em filé… Conforme o tamanho, o preço muda”, descreve Moro.

Medeiros acrescenta que “a China vê a pirapitinga como um produto de combate, vendido para públicos com baixo poder aquisitivo de África e Índia”. “O preço é menor, mas eles ganham no volume”, diz.

E o Brasil?

Apesar de possuir uma costa litorânea extensa e a maior quantidade de recursos hídricos do planeta, o país está bem longe da liderança do mercado de pescados.

A FAO calcula que o Brasil produziu 1,3 milhões de toneladas de peixes para consumo em 2020. Isso faz com que o país ocupe a 21ª posição no ranking mundial, atrás de nações com menos território, como Equador, Marrocos, Japão e Peru.

Também é curioso pensar que o peixe mais consumido pelos brasileiros é “estrangeiro”: a tilápia, originária do Rio Nilo, no continente africano, reina absoluto nas cozinhas do país.

O anuário de 2022 da Peixe BR aponta que a tilápia já representa 63,5% da produção brasileira (486,2 mil toneladas), e a tendência é que esse número suba para 80% até o final da década.

Na sequência, aparecem os peixes nativos do país, que representam hoje 31,2% do total (262,3 mil toneladas). E o principal representante do grupo é justamente o tambaqui.

O grande problema, apontam os pesquisadores, é que esse consumo dos peixes nativos está concentrado principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, e as carnes de tambaqui, matrinxã, pirarucu e companhia são muito menos frequentes nos lares no Nordeste, Sudeste e Sul, onde a densidade populacional é maior.

Para Moro, há pelo menos três entraves para a popularização desses pescados.

“Vamos pegar a tilápia como exemplo. Ela tem uma proteína de alta qualidade, um preço competitivo e é fácil de preparar”, diz.

“O tambaqui e outros peixes amazônicos são vendidos inteiros e têm espinhas entre os músculos, o que dificulta o preparo e o consumo.”

O desafio está, então, em desenvolver linhagens com menos espinhas e mais carne, capazes de crescer rapidamente e que tenham um tamanho padrão.

Esse é mais ou menos o caminho que levou a tilápia e o salmão ao sucesso de vendas em mercados e peixarias: nos últimos 40 anos, foram feitos vários estudos com o objetivo de desenvolver um produto que reunisse uma série de características desejáveis, como maciez, gosto, facilidade de preparo…

E o mesmo processo já começou a ser feito com o próprio tambaqui mais recentemente. Além dos trabalhos realizados na China e no resto da Ásia, os pesquisadores brasileiros também pensam em como desenvolver esse setor por aqui.

“Nos últimos cinco ou seis anos, temos trabalhado na Embrapa formas de garantir a rastreabilidade dos tambaquis, para garantirmos que aquele produto não foi retirado da natureza de forma indevida”, destaca Moro.

“Isso é algo que certamente fará a diferença, especialmente na hora de exportar o pescado para mercados cada vez mais preocupados com o manejo sustentável dos recursos.”

Cientistas brasileiros também descobriram linhagens do tambaqui que possuem pouca ou nenhuma espinha entre os músculos, o que futuramente pode render cortes maiores e mais fáceis de preparar ou consumir.

Um potencial enorme

Entre os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, não há dúvidas de que peixes como o tambaqui podem turbinar o mercado nacional e até as exportações.

“Trata-se de uma carne de excelente qualidade, muito apreciada pelo público, com a qual é possível fazer diferentes cortes e pratos, como o lombo, a costelinha, a moqueca, as iscas fritas ou os filés assados”, diz Antonio Leonardo, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Pescado Continental, do Instituto de Pesca de São Paulo.

Outro ponto positivo do tambaqui está na facilidade de produção. Afinal, trata-se de uma espécie resistente e que cresce com velocidade — na natureza, ele pode chegar a até 30 ou 40 quilos.

“Além disso, o tambaqui se alimenta principalmente de frutos. Isso significa que, para se desenvolver, ele não depende de farinhas de peixe usadas em outras criações”, afirma o zootecnista Alexandre Hilsdorf, pesquisador do Núcleo Integrado de Biotecnologia da Universidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo.

“Essas farinhas estão se tornando um problema de sustentabilidade, pois as empresas precisam capturar peixes para processar e transformar em ração para os outros peixes.”

“Reunindo todas essas características, para mim não há dúvidas de que peixes como o tambaqui podem se transformar em uma commodity no futuro”, opina Hilsdorf, que publicou um artigo no ano passado sobre a produção sustentável desse pescado.

A economia da floresta em pé

Mas aumentar a produção de pescados nativos não pode representar uma ameaça à biodiversidade?

“A piscicultura depende do meio ambiente. Sem o equilíbrio dos recursos naturais, nosso negócio fracassa”, responde Leonardo.

Para Val, é possível incentivar esse mercado sem destruir a natureza: “O segredo está no manejo das espécies”.

O biólogo, inclusive, acredita que há potencial em desenvolver a produção não apenas do tambaqui, como também do pirarucu, do jaraqui, do matrinxã e de outras variedades populares entre os moradores da Amazônia.

“Sabemos que o matrinxã, por exemplo, pode ser produzido em pequenos igarapés espalhados pela Amazônia. Um canal de 20 metros de extensão, dois metros de largura e um metro de profundidade é capaz de gerar até uma tonelada desse peixe por ano”, calcula o biólogo.

“Agora, imagine que esse pequeno igarapé seja gerido por uma família de quatro pessoas, que vai consumir 400 quilos de pescado por ano. Os 600 quilos que sobram poderiam ser vendidos para cooperativas, que fariam o processamento e a venda em larga escala”, complementa.

Segundo o especialista, “o produto mais importante da bioeconomia, ou a economia da floresta em pé, é a informação”.

“Ao saber como os peixes vivem, comem e se reproduzem, temos o domínio do conhecimento para fazer o manejo adequado, sem prejuízo à biodiversidade”, conclui.

– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-64178820

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Cooperativismo: confira cinco tendências de negócios para ficar de olho em 2023

por Conexão Coop em 16/01/2023 

Conforme as mudanças no mundo dos negócios vão ficando cada vez mais rápidas, a agilidade para entender e aplicar as novidades faz toda a diferença. Assim, a aceleração da transformação digital e a mudança de comportamento dos consumidores – e da sociedade como um todo – indicam tendências de negócios para os caminhos de gestão a seguir.

Devido a essa alta velocidade nas mudanças que se impõem, não dá pra ficar só esperando o que vai acontecer. Ou seja: é importante ficar de olho no comportamento do mercado para poder antecipar tendências e avaliar o potencial que elas apresentam para as cooperativas.

No fim das contas, nem toda tendência se consolida como realidade. Algumas alcançam o potencial e se tornam essenciais para aprimorar a gestão, por meio de novas tecnologias ou práticas que suprem demandas da sociedade. Por outro lado, outras tantas ficam pelo caminho. Só é possível saber qual é qual com tempo, análise crítica e acompanhamento de mercado.

Por isso, selecionamos cinco tendências de negócios para ficar de olho em 2023, acompanhando como elas evoluem e se concretizam. Aproveite a leitura!

Tendências

As tendências para 2023 são ecléticas, passando desde a adoção de inovações tecnológicas até a mudança de comportamento tanto dos consumidores quanto dos trabalhadores. Além disso, em um mundo onde a digitalização progride incessantemente, esses elementos se mesclam, de forma que o humano e o tecnológico não podem ser separados.

Portanto, veja a lista que preparamos com cinco tendências de negócios para sua cooperativa ficar de olho em 2023:

1. Consolidação da transformação digital

A transformação digital já é um processo que vem acontecendo com o passar dos anos. A tecnologia comprova, mais do que nunca, que pode ser uma aliada excepcional para a gestão dos negócios. Neste artigo, por exemplo, explicamos como os dados podem ajudar com que os gestores tomem melhores decisões.

Só que, o que até então era considerado um diferencial, deve, em 2023, se tornar essencial para a competitividade dos negócios. Mesclando as novas tecnologias, que ficam mais completas e aperfeiçoadas, às pessoas, que nutrem hábitos cada vez mais inseridos no ambiente digital, a transformação é inescapável.

A presença digital se consolida como fator imprescindível nos negócios. Afinal, a internet se tornou parte central para o cotidiano das pessoas. Um levantamento da NordVPN projeta que os internautas passam 54% do tempo online.

Com isso, os negócios precisam estar onde os consumidores estão. Essa lógica vale mesmo para quem não pratica o e-commerce, pois a presença digital também funciona como forma de divulgação, intermediação para negociações e exibição de portfólio, dentre outras funcionalidades.

Adesão às ferramentas de Inteligência Artificial (IA)

A Inteligência Artificial (IA) terminou o ano como uma das protagonistas em relação às ferramentas tecnológicas digitais. Boa parte dessa atenção se deve a ferramentas como o Dall-e, uma IA que cria imagens a partir de comandos dos usuários, e o ChatGTP, que mantém conversas por texto.

Como o InovaCoop explicou, a inteligência artificial define situações em que sistemas computadorizados são capazes de mimetizar a inteligência humana na execução de tarefas. A IA, assim, é usada nos chatbots, potencializa robôs autônomos, tem empregabilidades em serviços financeiros, aplicações na área da saúde e da logística, dentre outros.

Além dessas aplicações que apresentam ao público geral o potencial da IA, os negócios também estão desenvolvendo recursos em torno do conceito da inteligência artificial. A IA, por exemplo, ocupa dois itens na lista da Gartner que enumera 10 tendências de tecnologia estratégica para 2023:

Confiança, risco e gestão da segurança: a IA demanda uma nova forma de exercer esses valores, que são fundamentais para os negócios na era digital. Com isso, as organizações vão conseguir tirar o máximo proveito da tecnologia como uso de dados ao mesmo tempo em que respeitam a segurança e a privacidade das informações.

Inteligência Artificial adaptativa: o valor operacional da inteligência artificial está na capacidade de adaptar, desenvolver e manter o potencial para que ela seja usada em diversas áreas da organização. Isso quer dizer que a engenharia para a IA privilegiará modelos dotados de maior flexibilidade.

Crescimento do 5G

Em 2022, a internet de quinta geração, o 5G, finalmente começou a ser implementada no Brasil. Elementos como a alta velocidade, baixa latência e estabilidade de conexão são fatores que contribuem para a aceleração da transformação digital.

Apesar de alguns atrasos, o ano de 2022 terminou com o 5G disponível em todas as capitais brasileiras, além de outras grandes cidades. Para 2023, a meta é ampliar a quantidade de antenas nas capitais e no Distrito Federal. Assim, a ideia é ter, no mínimo, uma antena para cada 50 mil habitantes. Isso vai difundir a tecnologia e incentivar a adoção da nova conexão.

2. Consciência ambiental

A sigla ESG – que descreve as iniciativas ambientais, sociais e de governança – nunca esteve tão em alta no mundo dos negócios. As preocupações com a sustentabilidade e o meio ambiente ganham ainda mais protagonismo perante o necessário combate às mudanças climáticas.

Durante a  27ª Conferência do Clima das Nações Unidas – COP27 – líderes governamentais e dos negócios debateram os próximos passos no combate ao aquecimento global. Os dados revelados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) apontam que os últimos oito anos podem ter sido os mais quentes já registrados.

Diante dessa realidade, a consciência ambiental está no centro dos planejamentos estratégicos para 2023. A valorização dos negócios sustentáveis deriva tanto das mudanças de hábito dos consumidores, que valorizam produtos verdes, quanto das próprias dinâmicas de mercado. As iniciativas ambientais já estão sendo levadas em conta nas análises de crédito, por exemplo.

Além disso, um relatório da ONU indica que a maior parte dos países está atrasada em relação a seus compromissos de reduzir emissões de carbono. Enfrentar esse problema é papel da sociedade como um todo – governo, sociedade civil, empresas mercantis e cooperativas – o que representa uma das principais tendências de negócios para 2023.

ESG no coração do planejamento estratégico

O aumento na demanda pelas iniciativas ESG vai impulsionar, ainda, a criação de áreas internas dedicadas ao tema. Nessa seara, o futurista Bernard Marr acredita que, em 2023, o ESG deve ocupar um espaço central nas estratégias corporativas.

Marr argumenta que o começo desse processo é mensurar os impactos que cada negócio causa no ambiente e na sociedade. Em seguida, esses efeitos devem ser tratados com transparência e responsabilidade. No mais, a preocupação com a sustentabilidade deve percorrer toda a cadeia produtiva, começando com os fornecedores.

Na estratégia das cooperativas

No cooperativismo, o ESG também está ficando mais presente. Segundo um estudo da consultoria PwC, as cooperativas de crédito têm sido cada vez mais demandadas pelos seus cooperados para que se posicionem em relação aos pilares do ESG.

Em entrevista para o ConexãoCoop, Ênio Meinen, diretor de Coordenação Sistêmica e Relações Institucionais do Sicoob, aponta que a demanda dos cooperados por iniciativas sustentáveis vai aumentar a importância do ESG no planejamento estratégico das coops.

“Tomando por referência a indústria financeira, organizações concorrentes, ao passarem a dar ênfase aos direcionadores ESG, tenderão a reduzir a sua distância em relação às cooperativas. Se as coops não expandirem as suas ações, bancos e outros operadores desse mercado poderão superá-las em expressividade e efetividade em tais fundamentos”, explica.

Mais Conexão Safra

ES ajudou a romper barreira do preconceito com canéfora

Primeiro levantamento da safra 2023 de café indica uma produção de 54,94 milhões de sacas

Caparaó levou todas as origens brasileiras para a SIC

SIC: como os cafeicultores carimbaram o passaporte na principal feira do Brasil

3. Atenção à proteção de dados

O valor dos dados cresce sem parar. Não é à toa que eles são considerados o novo petróleo,. Na era do Big Data, eles estão intrinsecamente conectados às metodologias de gestão.

Contudo, a partir das ferramentas para a coleta de dados e a abundância na disponibilidade de informações obtidas no ambiente digital, uma preocupação levanta um questionamento: os dados estão seguros?

Para os negócios, os dados proporcionam informações de mercado que ajudam a traçar perfis refinados do público alvo, entender a jornada de compra e fazer pesquisas mercadológicas. Entretanto, uma série de vazamentos de dados ocorridos nos últimos anos – como o caso do Facebook, por exemplo – minaram a confiança dos usuários.

Com isso, a proteção de dados pessoais, puxada pela desconfiança dos internautas e o escrutínio do poder público, será um ponto de atenção para os negócios em 2023.

Lei Geral de Proteção de Dados

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrou em vigor em 2020, mas 2023 será um ano importantíssimo na sua aplicação. Isso acontece devido à publicação da agenda regulatória da ANPD, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, em novembro de 2022. A ANPD é a agência responsável pela fiscalização da legislação.

Isso quer dizer, na prática, que as sanções previstas para quem descumprir a LGPD devem começar a valer em 2023. Diante desse cenário, a adequação às normas previstas pela lei precisa ser prioridade para a gestão de dados.

Isto é: o respeito à proteção de dados e à LGPD significa tanto evitar punições e multas pelo descumprimento das regras legais quanto a conquista da confiança dos clientes e cooperados. Somando esses fatores, esse ponto se destaca dentre as tendências de negócios para 2023.

4. As novas realidades do trabalho

Tamanhas mudanças comportamentais e tecnológicas impactam, como não poderia ser diferente, nas dinâmicas de trabalho. Fenômenos de 2022 já denunciaram que tem coisa mudando na forma com que as pessoas enxergam e lidam com a vida profissional.

Um deles foi o movimento de pedidos de demissão, denominado como great resignation (grande renúncia). Esse fenômeno é fruto de uma onda de insatisfação com a cultura profissional vigente. Os quatro principais motivos são, segundo Alexandre Pellaes, consultor de gestão da HSM:

Cultura tóxica das empregadoras;

Insegurança dentro da organização;

Excesso de pressão;

Falta de reconhecimento profissional;

Outro reflexo das mudanças de expectativas dos colaboradores que ganhou as manchetes foi o quiet quitting (demissão silenciosa). Neste caso, em vez de pedir as contas, os colaboradores limitam sua atuação dentro do local de trabalho, evitando longas jornadas e reduzindo o esforço dedicado ao emprego.

Ou seja: esses fenômenos explicitam a busca por um equilíbrio maior entre trabalho e vida pessoal. Assim, esse quesito terá de ser levado em consideração na cultura organizacional para otimizar a atração e retenção de talentos. O bem-estar profissional será o foco do RH em 2023.

A consolidação do trabalho remoto e híbrido

Com o isolamento social derivado da pandemia de covid-19, o trabalho remoto passou por um crescimento sem precedentes em 2020. Com isso, muitos se perguntaram: essa tendência vai perdurar após a flexibilização?

Segundo uma pesquisa da plataforma de empregos Catho, a resposta é positiva. Os profissionais que têm a possibilidade de trabalhar remotamente optam por esse modelo. É o caso, por exemplo, dos profissionais de tecnologia.

O levantamento da Relevo aponta que 83,4% dos trabalhadores da área preferem trabalhar remotamente. Além disso, boa parte deles (40,4%) considera mudar de trabalho caso a organização em que trabalham exija o retorno ao modelo 100% presencial.

5. O futuro da internet

A internet passa por um momento de transição e incertezas. Por isso, é difícil prever exatamente o que vai dar certo ou não no ambiente digital. O que não impede, todavia, que apostas altas sejam feitas.

É o caso do metaverso, um universo digital onde pessoas, por meio de seus avatares, interagem entre si e com outros objetos. O grande fiador do metaverso é a Meta (antigo Facebook), que investiu pesado no conceito e atraiu outros grandes nomes da economia. Acontece que, por enquanto, a aposta não tem dado o resultado esperado.

Como o conceito ainda não emplacou, 2023 deve ajudar a entender se o metaverso é apenas uma moda passageira ou se ele é capaz de amadurecer e galgar espaço na vida digital. A Gartner é uma das que acredita na ideia: a consultoria estima que, até 2027, 40% das grandes organizações terão projetos ligados ao metaverso. Isto é: vale ficar de olho.

Aplicações do blockchain

Especialistas e estudiosos acreditam que a internet está passando por uma transição da Web2, dominada pelas big techs, para a Web3, descentralizada e focada no usuário. Esse movimento deve muito ao desenvolvimento da tecnologia de blockchain, que serve de base para as criptomoedas e os NFTs.

João Zechin, sócio-fundador da Fuse Capital, acredita que as stablecoins (moedas digitais com lastro em ativos reais) devem ganhar força. Um dos principais exemplos de stablecoin no Brasil, a propósito, vem da cooperativa Minasul: o CoffeCoin, lastreado em café.

Também é o blockchain que permite o desenvolvimento das DAOs, organizações autônomas descentralizadas geridas por meio de contratos inteligentes. Em 2023, essas organizações devem ser mais difundidas devido ao seu modelo descentralizado e transparente. Elas têm muito a ver com as cooperativas, inclusive.

Omnicanalidade e imersão na jornada de compra

Os consumidores estão utilizando uma ampla gama de plataformas e canais em suas compras, conforme descobriu um estudo da consultoria PwC. Ao todo, 81% dos entrevistados responderam que compraram em três ou quatro canais durante os seis meses anteriores.

Isso demonstra a necessidade de ofertar um caminho amplo para os consumidores, de forma a atender os novos hábitos. Afinal, a oferta de produtos conectados não para de crescer.

Anteriormente, utilizar um computador era o único caminho para realizar uma compra online. Agora, vários outros aparelhos cumprem esse papel: celular, televisão, relógios, tablets, dentre outros. É comum que uma mesma jornada de compra seja feita por meio de mais de um desses canais, e 2023 vai cobrar essa presença.

Leia mais em: https://conexaosafra.com/cooperativismo/cooperativismo-confira-cinco-tendencias-de-negocios-para-ficar-de-olho-em-2023/

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Ataques cibernéticos tiram o sono dos CEOs

O ponto não é se uma empresa será alvo de ataque, mas quando

Por Rodrigo Kede Lima – Valor – 05/01/2023

Hoje estamos mais globalmente conectados do que nunca. Os limites convencionais se expandiram para permitir que uma estrutura muito maior de aplicativos e serviços seja acessada de qualquer lugar. É uma transformação significativa que impacta nosso estilo de vida e os negócios, e em minhas conversas com CEOs na América Latina, eles reconhecem que um tema que perturba seu sono é o aumento de ataques cibernéticos e como se proteger contra eles.

Todos os dias, criminosos cibernéticos tentam se aproveitar de nosso tempo cada vez maior em telas de dispositivos e do estresse e das distrações adicionais que acompanham esse cenário. A segurança cibernética é prioridade para a Microsoft e por isso analisamos trilhões de sinais de nosso ecossistema mundial de produtos e serviços. Desenvolvemos materiais como o recém-lançado Relatório de Defesa Digital, que mostrou que o volume de ataques por meio de senha aumentou para cerca de 921 ataques por segundo – um aumento de 74% em apenas um ano. O ataque de ransomware operado por humanos é o mais prevalente, já que 1/3 dos alvos são comprometidos com sucesso por criminosos que usam esses ataques e 5% deles são resgatados.

Esses dados apenas confirmam o que já sabemos, o ponto não é se uma empresa será alvo de um ataque cibernético, mas quando. E todas as empresas, independente do setor de atuação, são alvos em potencial. A superfície de ataque aumentou substancialmente com o aumento do número de dispositivos conectados, de dispositivos pessoais que surgiram com a expansão do trabalho híbrido e da evolução da tecnologia IoT.

Os CEOs devem tratar a segurança como uma função estratégica e um facilitador de negócios e também abraçar a vulnerabilidade como um fato do trabalho híbrido e ter especialistas em nuvem para obter uma organização mais segura

Até 2025 devemos ter 41,6 bilhões de dispositivos IoT conectados de acordo com a empresa de consultoria IDC. Estes dispositivos conectados à rede interna, à Internet ou à nuvem, são muito importantes para gerar insights valiosos para as empresas mas também podem representar um risco de vulnerabilidade e oportunidade para ataques cibernéticos em larga escala.

O impacto de um ataque cibernético pode ser devastador não apenas em termos financeiros, mas dependendo da organização, pode colocar vidas em risco e causar um forte dano à reputação da empresa. Infelizmente já vimos exemplos destes impactos em organizações de saúde que interrompem atendimento e até mesmo procedimentos urgentes devido ao sequestro de dados, organizações financeiras que são vítimas de vazamento de dados impactando seus clientes, entidades governamentais que interrompem serviços essenciais para os cidadãos. Os prejuízos são grandes e os líderes das empresas criam comitês de crise para avaliar os danos e tomar decisões urgentes que envolvem também a interação com criminosos que exigem pagamento de resgate para liberar dados sequestrados.

De acordo com o Fortinet 2021 Ransomware Survey Global Report, os ataques de ransomware cresceram 1.070% entre julho de 2020 e junho de 2021. A gravidade e sofisticação dos ataques continua crescendo globalmente e causou danos estimados em US$ 20 bilhões em 2021, segundo o Cybersecurity Ventures, Cybersecurity Almanac 2022, que prevê que até 2031 esse número exceda US$ 265 bilhões. O risco crescente de ataques cibernéticos e como proteger as empresas não é uma discussão apenas para os CISOs (Chief Information Security Officers, os profissionais responsáveis por segurança da informação), mas precisa ser incluída nas reuniões de conselho das organizações.

Enquanto os criminosos estão cada vez mais sofisticados, eu, como líder, recomendo uma estratégia simples para proteger as empresas e contribuir para que os CEOs não percam o sono. A adoção do Zero Trust, ou Confiança Zero – nunca confie, sempre verifique – e protege contra 98% desses ataques.

Pode-se dizer que a estratégia de Confiança Zero veio para salvar o dia, enquanto você trabalha em uma rede corporativa, em uma cafeteria, em casa ou em qualquer lugar do mundo, acessando recursos espalhados, do ambiente próprio local à nuvem múltipla. No entanto, uma abordagem de Confiança Zero para segurança cibernética sempre responderá com “Eu não tenho confiança em você! Preciso verificar sua identidade antes de poder confiar em você e conceder qualquer acesso aos recursos que você deseja”. E você faz isso implementando políticas que incluem fortalecer as credenciais usando autenticação multifator, reduzir a área de superfície de ataque, limitando o acesso, automatizar as respostas às ameaças, aproveitando a inteligência da nuvem e empoderando seus funcionários com autoatendimento.

Eu mencionei que a estratégia de Confiança Zero protege contra 98% dos ataques, mas o que podemos fazer com os 2% das vulnerabilidades restantes? Precisamos adotar a abordagem de resiliência cibernética. É uma jornada que requer medidas imediatas para se antecipar às ameaças atuais, bem como investimento em elementos fundamentais para sustentar esses ganhos no longo prazo. Os CEOs devem tratar a segurança como uma função estratégica e um facilitador de negócios e também abraçar a vulnerabilidade como um fato do trabalho híbrido e ter especialistas em nuvem para obter uma organização mais segura.

A proteção máxima contra ameaças cibernéticas precisa de uma cultura que esteja “pronta para a segurança cibernética”, bem informada e preparada para mitigar os riscos em todos os níveis de suas operações. Se você aceitar que não é uma questão de se, mas quando sua organização será vítima de um ataque cibernético, você priorizará a importância de adotar uma abordagem de segurança baseada em resiliência cibernética e começar a mitigar ataques hoje e no futuro.

Rodrigo Kede Lima é presidente da Microsoft América Latina e vice-presidente Corporativo da Microsoft Corporation.

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/ataques-ciberneticos-tiram-o-sono-dos-ceos.ghtml

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Líder com perfil digital será o mais procurado em 2023, dizem headhunters

Contratações de executivos vão abranger vários setores, mas habilidade de olhar para a tecnologia nos negócios está mais valorizada

Por Adriana Fonseca — Para o Valor, 02/01/2023

O ano de 2022 foi favorável para a seleção de executivos, segundo consultorias ouvidas pelo Valor que recrutam no C-level e registraram um crescimento entre 23% a 50% nos negócios. No geral, as contratações aconteceram de forma pulverizada, com destaque para setores como o de tecnologia, energia, agronegócios, serviços e mercado financeiro.

Felipe Avena, sócio da consultoria UNI.CO, afirma que para o seu negócio 2022 foi um ano mais diversificado em termos de contratações. “Elas aconteceram nos setores de logística, autopeças, telecom e banking, além de algumas posições-chave em fintechs e startups.”

CEOs contam o que fazem para poder se desligar do trabalho

Na média gerência, setor de tecnologia é o que mais contrata

Número de profissionais que deixaram o Brasil para viver nos EUA bate recorde

Na EXEC, o sócio Rodrigo Forte diz que os setores que mais se destacaram em 2022 foram atacado, varejo e bens de consumo, com uma busca maior por profissionais que atuam com experiência do cliente; tecnologia e telecom, com maior espaço para executivos que lideram projetos de transformação digital; e indústria, agro e energia. “O mercado de energia se destaca por sua abertura, transição energética e transformação digital”, diz Forte. “Além das posições tradicionais, muito aquecidas, o setor também busca trazer novas competências, como a comercial e a digital. São setores que deverão continuar quentes, mesmo com a mudança de governo.”

De forma mais geral, Forte destaca que 2022 foi um ano bom para posições comerciais, muitas relacionadas a atividades de vendas digitais. “Contratamos muitos líderes para e-commerce e marketplace”, diz. “Podemos destacar também a área de M&A, em função de diversos projetos de fusões, aquisições e integrações”. Por fim, ele continua, posições em conselhos estão em alta, “especialmente através de um importante movimento de profissionalização de empresas nacionais e familiares”.

O executivo mais buscado para o alto escalão, segundo Forte, tem sido o que chama de líder digital. É um perfil de liderança, segundo ele, que possui um determinado “set” de competências digitais e inovadoras, como growth mindset (mentalidade de crescimento), inovação, colaboração, coragem, habilidade de aprendizado, inteligência emocional, abertura para mudança e customer centricity (saber colocar o consumidor no centro). “São profissionais que mesmo quando não são ‘hard users’ sabem valorizar o impacto da tecnologia em seu dia a dia e no negócio, e fazem uso disso na automatização e inovação de seus processos”, explica.

“Executivos generalistas com boa compreensão de tecnologia, muito foco em resultados, governança e diversidade farão parte do perfil em alta em 2023”, diz Couto, da Odgers Berndtson

Ademar Couto, CEO da Odgers Berndtson e head da prática de serviços financeiro da consultoria, reforça o aspecto da tecnologia como habilidade importante para o C-level hoje. “Executivos generalistas com boa compreensão de tecnologia, muito foco em resultados, governança e diversidade farão parte do perfil em alta em 2023”, diz. Ele comenta, ainda, que líderes de TI tem “têm sido disputados pelo mercado a peso de ouro”.

Outro setor que, segundo ele, registrou aumento na remuneração este ano foi o mercado financeiro. “Ele voltou a dar sinais de crescimento das remunerações atreladas a altos bônus de performance, em decorrência da perspectiva de uma nova abertura de mercado para IPOs [oferta pública inicial de ações], e da estabilidade da economia”.

Ainda no C-level, Couto destaca as empresas de games on-line internacionais, “que passaram a brigar pela conquista e liderança do mercado latino-americano” – e com isso ampliaram as contratações. Mas, no geral, o aumento na busca por executivos se deu em diversos setores como o de serviços, mercado financeiro, meios de pagamentos, saúde, healthtechs, educação e fintechs.

Em relação a 2023, Forte, da EXEC, acredita que se a economia continuar em um processo de retomada, as empresas deverão manter investimentos e, com isso, normalmente as áreas de “front-office” tendem a ser mais privilegiadas. “Se o contrário acontecer, as companhias deverão naturalmente olhar mais para o corte de custos e eficiência, com ênfase em posições de ‘backoffice’ e operações”.

Para Couto, da Odgerd Berndtson, caso a economia se estabilize e a inflação se mantenha em um patamar de 5%, será possível ver novamente um crescimento das aberturas de capitais, “o que levaria o mercado a buscar CFOs com experiência em mercado de capitais e diretores de ECM e M&A para os bancos”.

Avena afirma que em conversas com alguns clientes percebe que a responsabilidade fiscal do novo governo será fator decisivo para novos investimentos e expansão das posições nas equipes.

Forte pontua como desafio, independentemente do cenário, encontrar perfis para vagas afirmativas. “Felizmente, é cada vez mais comum a demanda com vagas especificamente destinadas ao perfil de diversidade”, afirma. “Temos alcançado bons resultados na frente de seleção de executivos com perfis diversos, no entanto, vale ressaltar que, infelizmente, essas buscas são mais desafiadoras na alta liderança”.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2023/01/02/procura-no-c-level-inclui-maior-habilidade-digital.ghtml

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Preocupadas com ChatGPT, universidades começam a rever métodos de ensino

Alunos usam inteligência artificial que fornece informação e explica conceitos em trabalhos escolares

Kalley Huang Folha/The New York Times 18/01/2023

Antony Aumann, professor de filosofia na Universidade de Northern Michigan, estava corrigindo redações de alunos de seu curso de religiões mundiais, no mês passado, quando se deparou com “de longe o melhor texto da classe”. O trabalho analisava a moralidade da proibição da burca, usando parágrafos enxutos, exemplos corretos e argumentos rigorosos.

Imediatamente, Aumann farejou alguma coisa suspeita. Ele chamou o estudante para perguntar se ele próprio havia escrito a redação. O estudante admitiu que usara o ChatGPT, um chatbot que fornece informação, explica conceitos e gera ideias em frases simples –e que, nesse caso, havia escrito o trabalho do aluno.

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Campus da Universidade da Flórida, em Gainesville. Em reação ao aumento do uso do ChatGPT por alunos, universidades estão reestruturando cursos – Todd Anderson – 13.jan.2023/The New York Times

Alarmado com a descoberta, Aumann decidiu mudar o modo como as redações serão escritas em seus cursos deste semestre. Ele pretende exigir que os alunos redijam os primeiros rascunhos dos textos em sala de aula, usando browsers que monitoram e restringem a atividade do computador. Eles terão que explicar cada modificação feita em versões posteriores dos textos. Aumann, que pensa em talvez abrir mão de redações em semestres subsequentes, também pretende incluir o ChatGPT em suas aulas, pedindo aos estudantes que avaliem as respostas dadas pelo chatbot.

“O que vai acontecer em sala de aula não será mais ‘aqui estão algumas perguntas –vamos discutir isso entre nós, seres humanos’”, ele disse, mas “alguma coisa como ‘e o que esse robô alienígena pensa sobre a questão?”

Em todo o país, professores como Aumann, diretores de departamentos e administradores universitários estão começando a reavaliar os procedimentos em sala de aula em resposta ao ChatGPT, levando a uma transformação potencialmente enorme no ensino e aprendizagem. Alguns professores estão redesenhando seus cursos completamente, adotando mudanças que incluem mais exames orais, trabalhos de grupo e trabalhos que precisam ser escritos à mão, e não digitados.

As iniciativas fazem parte de um esforço empreendido em tempo real para lidar com uma nova onda tecnológica conhecida como inteligência artificial generativa. Lançado em novembro pelo laboratório de inteligência artificial OpenAI, o ChatGPT está na vanguarda dessa onda. Em resposta a solicitações curtas, o chatbot gera textos surpreendentemente bem articulados e nuançados, tanto que as pessoas o estão usando para escrever cartas de amor, poesia, fan fiction –e seus trabalhos escolares.

A novidade está causando confusão em algumas escolas secundárias, onde professores e administradores se esforçam para discernir se os alunos estão usando o chatbot para fazer sua lição de casa. Para impedir trapaças, algumas redes de ensino público, incluindo as de Nova York e Seattle, proibiram a ferramenta nas redes de wi-fi e nos computadores das escolas. Mas os estudantes não têm dificuldade em encontrar maneiras de contornar a proibição e acessar o ChatGPT.

No setor do ensino superior, faculdades e universidades vêm relutando em proibir a ferramenta de IA. Os administradores duvidam que uma proibição surtiria efeito e não querem desrespeitar a liberdade acadêmica. Devido a isso, o modo de ensino dos professores está mudando.

Lá fora

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“Procuramos instituir políticas gerais que reforçam a autoridade do professor para comandar uma aula”, em vez de atacar métodos específicos de trapacear, disse Joe Glover, diretor administrativo da Universidade da Flórida. “Esta não vai ser a última inovação com a qual teremos que lidar.”

Isso é especialmente verdade porque a IA generativa ainda está em seus primórdios. A OpenAI prevê lançar outra ferramenta em breve, o GPT-4, que será melhor que as versões anteriores em gerar textos. O Google construiu o chatbot rival LaMDA, e a Microsoft está discutindo um investimento de US$ 10 bilhões (R$ 51,2 bilhões) na OpenAI. Algumas startups do Vale do Silício, entre elas a Stability AI e a Character.AI, também estão trabalhando sobre ferramentas de IA generativa.

Um representante da OpenAI disse que o laboratório reconhece que seus programas podem ser usados para enganar pessoas e está desenvolvendo tecnologia para ajudar as pessoas a identificar textos gerados pelo ChatGPT.

O ChatGPT saltou para o topo da agenda de muitas universidades. Administradores estão criando forças-tarefa e promovendo debates envolvendo suas instituições inteiras para decidir como reagir à ferramenta. Boa parte da orientação proposta consiste em adaptar-se à tecnologia.

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Reunião de uma faculdade da Universidade da Flórida para discutir como lidar com o ChatGPT – Todd Anderson – 13.jan.2023/The New York Times)

Em instituições que incluem a Universidade George Washington, em Washington, a Universidade Rutgers, em New Brunswick, Nova Jersey, e a Universidade Appalachian State, em Boone, Carolina do Norte, docentes estão reduzindo o número de trabalhos que pedem aos alunos para fazer em casa, que durante a pandemia viraram o método de avaliação mais utilizado, mas agora parecem ser vulneráveis a chatbots. Estão optando em vez disso por trabalhos a ser feitos em sala de aula, trabalhos manuscritos, trabalhos em grupo e exames orais.

Acabaram-se as instruções do tipo “escreva cinco páginas sobre o tema x”. Em lugar disso, alguns professores preparam perguntas que esperam que sejam intricadas demais para ser respondidas pelos chatbots e pedem aos alunos que escrevam sobre sua própria vida e acontecimentos atuais.

Sid Dobrin, diretor do departamento de inglês da Universidade da Flórida, disse que “os estudantes estão usando o ChatGPT para apresentar plágios, porque as tarefas podem ser plagiadas”.

Frederick Luis Aldama, diretor de humanidades na Universidade do Texas em Austin, disse que pretende ensinar textos mais novos ou mais de nicho, sobre os quais o ChatGPT talvez tenha menos informação. Por exemplo, em vez de “Sonho de Uma Noite de Verão”, optará pelos primeiros sonetos de William Shakespeare.

Para ele, o chatbot pode motivar pessoas “interessadas em textos canônicos primários a sair de sua zona de conforto para procurar coisas que não estejam online”.

Caso os novos métodos que adotaram não consigam impedir o plágio, Aldama e outros docentes disseram que pretendem instituir critérios de expectativas e avaliação mais rigorosas. Hoje já não basta que uma redação ou ensaio tenha uma tese, introdução, parágrafos adicionais e conclusão.

“Precisamos melhorar nosso jogo”, disse Aldama. “A imaginação, criatividade e análise inovadora que normalmente faz um trabalho merecer nota A agora precisam estar presentes também nos trabalhos que receberão um B.”

As universidades também querem educar os alunos em relação às novas ferramentas de IA. A Universidade de Buffalo, em Nova York, e a Universidade Furman, em Greenville, Carolina do Sul, disseram que pretendem embutir uma discussão de ferramentas de IA nos cursos obrigatórios que apresentam conceitos como integridade acadêmica aos calouros.

“Precisamos incluir um cenário sobre isso para que os estudantes possam ver um exemplo concreto”, disse Kelly Ahuna, diretora do setor de integridade acadêmica em Buffalo. “Em vez de flagrar os problemas quando acontecem, queremos impedir que ocorram.”

Outras universidades estão tentando definir limites para o uso de IA. A Universidade de Washington, em St. Louis, e a Universidade de Vermont, em Burlington, estão fazendo uma revisão de suas políticas de integridade acadêmica para incluir a IA generativa em suas definições de plágio.

John Dyer, vice-presidente de admissões e tecnologias educacionais no Seminário Teológico de Dallas, disse que a linguagem usada no código de honra do seminário “já estava parecendo um pouco arcaica de qualquer maneira”. Ele pretende atualizar a definição de plágio para incluir: “O uso de texto escrito por um sistema de geração, fazendo-o passar por texto próprio (por exemplo, inserir um prompt numa ferramenta de inteligência artificial e utilizar o resultado num trabalho acadêmico)”.

O uso indevido de ferramentas de IA provavelmente não vai acabar, razão por que alguns docentes e universidades disseram que pretendem utilizar detectores para erradicar essa atividade. O serviço de detecção de plágios Turnitin disse que este ano vai passar a incorporar mais elementos para identificar IA, incluindo o ChatGPT.

Mais de 6.000 professores das universidades Harvard, Yale, de Rhode Island e outras se inscreveram para usar o programa GPTZero, que promete detectar textos gerados por IA prontamente. A informação é de Edward Tian, criador do programa e aluno de último ano da Universidade de Princeton.

Alguns alunos acham útil usar ferramentas de IA para aprender. Lizzie Shackney, 27 anos, que estuda direito e design na Universidade da Pensilvânia, começou a usar o ChatGPT para gerar ideias para trabalhos acadêmicos e depurar conjuntos de problemas de codificação.

“Há disciplinas em que querem que você compartilhe e não tenha trabalho desnecessário”, ela disse, falando de suas aulas de ciências da computação e de estatística. “Onde meu cérebro é útil é em entender o significado do código.”

Mas ela tem receios. Segundo ela, o ChatGPT às vezes explica ideias e cita fontes incorretamente. A Universidade da Pensilvânia não adotou normas quanto ao uso da ferramenta, de modo que ela não quer usar o ChatGPT, caso a universidade o proíba ou o encare como engodo.

Outros estudantes não têm os mesmos escrúpulos, compartilhando em fóruns como o Reddit que já entregaram trabalhos escritos e resolvidos pelo ChatGPT –e que às vezes até o fizeram para colegas. A hashtag #chatgpt já teve mais de 578 milhões de visualizações no Twitter. Usuários compartilham vídeos da ferramenta escrevendo trabalhos acadêmicos e resolvendo problemas de codificação.

Um vídeo mostra um estudante copiando uma prova de múltipla escolha e colando-a na ferramenta, com a legenda: “Não sei quanto a vocês, mas eu vou mandar o ChatGPT fazer meus exames finais. Divirtam-se estudando!”

Tradução de Clara Allain

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2023/01/preocupadas-com-chatgpt-universidades-comecam-a-rever-metodos-de-ensino.shtml

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Pequim vai impor novas regras contra as ‘deepfakes’

Trata-se da primeira tentativa abrangente do mundo por uma grande agência reguladora para conter uma das áreas mais explosivas e controversas do avanço da inteligência artificial

Por Karen Hao — Valor/Dow Jones Newswires 09/01/2023

A China está adotando novas regras para restringir a produção de “deepfakes”, mídia gerada ou editada por software de inteligência artificial (IA) que pode fazer as pessoas parecerem dizer e fazer coisas que nunca fizeram.

A Administração do Ciberespaço da China, órgão regulador da internet, começará a aplicar as novas regras – no que chama de tecnologia de “síntese profunda”, incluindo software de imagem, áudio e geração de texto alimentado por IA – a partir de amanhã, marcando a primeira tentativa abrangente do mundo por uma grande agência reguladora para conter uma das áreas mais explosivas e controversas do avanço da IA.

Essas tecnologias, que sustentam aplicativos extremamente populares como o ChatGPT, um gerador de texto desenvolvido pela OpenAI, e o Lensa, um criador automatizado de avatares digitais personalizados, também apresentam novos desafios por seu potencial de gerar mais mídias enganosas que podem alimentar a desinformação e lançar dúvidas sobre a veracidade de praticamente qualquer coisa no mundo digital.

As novas regras, entre outras coisas, proíbem o uso de conteúdo gerado por IA para espalhar “notícias falsas” ou informações consideradas prejudiciais à economia ou à segurança nacional – categorias de definição ampla que dão às autoridades grande liberdade de interpretação. Também exigem que provedores de tecnologias de deepfake, incluindo empresas, organizações de pesquisa e indivíduos, devem rotular imagens, vídeos e textos como gerados ou editados sinteticamente de forma destacada quando estes podem ser interpretados como reais.

As novas regras, anunciadas em 11 de dezembro, chegam após a divulgação em agosto de regras para restringir algoritmos que sustentam as plataformas de internet mais poderosas do mundo.

O rápido desenvolvimento de novas tecnologias, como as deepfakes, desafiam reguladores em todo o mundo, segundo analistas. Nos EUA, os esforços dos legisladores para abordar a proliferação e o potencial abuso de deepfakes têm esbarrado nas preocupações com a liberdade de expressão. Na União Europeia (UE), os reguladores estão mais avançados, mas adotaram uma abordagem mais cautelosa do que a da China, recomendando fortemente que as plataformas encontrem maneiras de mitigar a capacidade dos deepfakes de espalhar desinformação, sem bani-los completamente, diz Matthias Spielkamp, da AlgorithmWatch, organização de pesquisa sem fins lucrativos.

Deepfakes surgiram após a criação de um algoritmo de código aberto em 2014 capaz de produzir imagens hiper-realistas que se parecem com fotografias de pessoas e objetos que não existem. Isso desencadeou uma onda de pesquisa em softwares de síntese de imagens poderosos – bem como novos abusos, como o enxerto de rostos de mulheres em vídeos pornográficos sem seu consentimento.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2023/01/09/pequim-vai-impor-novas-regras-contra-as-deepfakes.ghtml

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Nova inteligência artificial ameaça o reinado do Google em buscas

Por Nico Grant e Cade Metz – Estadão/NYT – 15/01/2023 

ChatGPT acendeu um ‘alerta vermelho’ na gigante de buscas da internet

THE NEW YORK TIMES -Nas últimas três décadas, alguns produtos, como o navegador da Netscape, o mecanismo de buscas do Google e o iPhone da Apple, realmente viraram a indústria de tecnologia de cabeça para baixo e fizeram o que veio antes deles parecerem dinossauros pesados.

Algumas semanas atrás, um chatbot (software capaz de “conversar” com seres humanos) experimental chamado ChatGPT fez questão de ser o próximo grande disruptor do setor. Ele pode fornecer informações em frases simples e claras, em vez de apenas uma lista de links da internet. Ele pode explicar conceitos de maneiras que as pessoas possam entender facilmente. Ele pode até gerar ideias do zero, incluindo estratégias de negócios, sugestões de presentes de Natal, tópicos de blog e planos de férias.

Embora o ChatGPT ainda tenha muito espaço para melhorias, seu lançamento levou a administração do Google a declarar um “código vermelho”. Para o Google, isso foi como acionar o alarme de incêndio. Alguns temem que a empresa esteja chegando a um momento que as maiores empresas do Vale do Silício temem – a chegada de uma enorme mudança tecnológica que pode virar o negócio de cabeça para baixo.

Por mais de 20 anos, o mecanismo de busca Google serviu como o principal portal mundial para a internet. Mas, com um novo tipo de tecnologia de chatbot pronta para reinventar ou mesmo substituir os mecanismos de busca tradicionais, o Google pode enfrentar a primeira ameaça séria ao seu principal negócio de busca. Um executivo do Google descreveu os esforços como decisivos para o futuro do Google.

Competição

O ChatGPT foi lançado por um laboratório de pesquisa agressivo chamado OpenAI, e o Google está entre as muitas outras empresas, laboratórios e pesquisadores que ajudaram a construir essa tecnologia. Mas os especialistas acreditam que o gigante da tecnologia pode ter dificuldades para competir com as empresas menores e mais novas que desenvolvem esses chatbots, por conta das muitas maneiras pelas quais essa tecnologia pode prejudicar seus negócios.

O Google passou vários anos trabalhando em chatbots e, como outras grandes empresas de tecnologia, buscou agressivamente a tecnologia de inteligência artificial. O Google já construiu um chatbot que pode rivalizar com o ChatGPT. Na verdade, a tecnologia central do chatbot da OpenAI foi desenvolvida por pesquisadores do Google.

Chamado de LaMDA, ou Language Model for Dialogue Applications, o chatbot do Google recebeu enorme atenção no verão, quando um engenheiro do Google, Blake Lemoine, afirmou que era senciente. Isso não era verdade, mas a tecnologia mostrou o quanto a tecnologia chatbot melhorou nos últimos meses.

Blake Lemoine foi demitido pelo Google após afirmar que IA da empresa tinha consciência

Blake Lemoine foi demitido pelo Google após afirmar que IA da empresa tinha consciência 

No entanto, o Google pode estar relutante em implantar essa nova tecnologia como substituta da pesquisa online porque ela não é adequada para a exibição de anúncios digitais, que responderam por mais de 80% da receita da empresa no ano passado.

“Nenhuma empresa é invencível; todas são vulneráveis”, disse Margaret O’Mara, professora da Universidade de Washington especializada na história do Vale do Silício. “Para empresas que se tornaram extraordinariamente bem-sucedidas fazendo uma coisa que define o mercado, é difícil ter um segundo ato com algo totalmente diferente.”

Como esses novos chatbots aprendem suas habilidades analisando grandes quantidades de dados postados na internet, eles têm uma forma de misturar ficção com fato. Eles fornecem informações que podem ser preconceituosas contra mulheres e pessoas não brancas. Eles podem gerar linguagem tóxica, incluindo discurso de ódio.

Tudo isso pode virar as pessoas contra o Google e prejudicar a marca corporativa que ele passou décadas construindo. Como a OpenAI mostrou, as empresas mais novas podem estar mais dispostas a arriscar reclamações em troca de crescimento.

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Canibalização

Mesmo que o Google aperfeiçoe os chatbots, ele deve enfrentar outro problema: essa tecnologia canibaliza os lucrativos anúncios de busca da empresa? Se um chatbot está respondendo a perguntas com frases curtas, há menos motivos para as pessoas clicarem em links de publicidade.

“O Google tem um problema de modelo de negócios”, disse Amr Awadallah, que trabalhou para o Yahoo e Google e agora dirige a Vectara, uma startup que está desenvolvendo tecnologia semelhante. “Se o Google lhe der a resposta perfeita para cada consulta, você não clicará em nenhum anúncio.”

Sundar Pichai, CEO do Google, esteve envolvido em uma série de reuniões para definir a estratégia de IA do Google e atuou no trabalho de vários grupos dentro da empresa para responder à ameaça que o ChatGPT representa, de acordo com um memorando e um áudio obtidos pelo The New York Times. Os funcionários também foram encarregados de criar produtos de IA que podem criar obras de arte e outras imagens, como a tecnologia DALL-E da OpenAI, usada por mais de 3 milhões de pessoas.

De agora até uma grande conferência que deve ser realizada pelo Google em maio, as equipes de pesquisa, confiança e segurança do Google e outros departamentos foram realocadas para ajudar a desenvolver e lançar novos protótipos e produtos de IA.

À medida que a tecnologia avança, acreditam os especialistas do setor, o Google deve decidir se vai reformular seu mecanismo de busca e transformar um chatbot completo em seu principal serviço.

O Google reluta em compartilhar sua tecnologia amplamente porque, como o ChatGPT e sistemas semelhantes, pode gerar informações falsas, tóxicas e preconceituosas. O LaMDA está disponível apenas para um número limitado de pessoas por meio de um aplicativo experimental, o AI Test Kitchen.

O Google vê isso como uma luta para implantar sua IA avançada sem prejudicar os usuários ou a sociedade, de acordo com um memorando visto pelo Times. Em uma reunião recente, um gerente reconheceu que as empresas menores têm menos preocupações sobre o lançamento dessas ferramentas, mas disse que o Google precisa entrar na briga ou a indústria pode seguir em frente sem ele, de acordo com uma gravação de áudio da reunião também obtida pelo Times.

Outras empresas têm um problema semelhante. Cinco anos atrás, a Microsoft lançou um chatbot chamado Tay, que vomitava linguagem racista, xenófoba e obscena, e foi forçado a removê-lo imediatamente da internet – para nunca mais voltar. Nas últimas semanas, a Meta derrubou um novo chatbot pelos mesmos motivos.

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Executivos disseram na reunião gravada que o Google pretendia lançar a tecnologia que impulsionou seu chatbot como um serviço de computação em nuvem para empresas externas e que poderia incorporar a tecnologia em tarefas simples de suporte ao cliente. Ele manterá seus padrões de confiança e segurança para produtos oficiais, mas também lançará protótipos que não atendem a esses padrões.

Ele pode limitar esses protótipos a 500 mil usuários e avisá-los de que a tecnologia pode produzir declarações falsas ou ofensivas. Desde seu lançamento no último dia de novembro, o ChatGPT – que pode produzir material tóxico semelhante – foi usado por mais de 1 milhão de pessoas.

“Uma amostra bacana de um sistema de conversação com o qual as pessoas podem interagir em algumas rodadas e que parece alucinante? Esse é um bom passo, mas não é o que realmente transformará a sociedade”, disse Zoubin Ghahramani, que supervisiona o laboratório de inteligência artificial Google Brain, em entrevista ao Times no mês passado, antes do lançamento do ChatGPT. “Não é algo que as pessoas possam usar de forma confiável no dia a dia.”

Busca

O Google já está trabalhando para aprimorar seu mecanismo de busca usando a mesma tecnologia que sustenta chatbots como o LaMDA e o ChatGPT. A tecnologia – um “grande modelo de linguagem” – não é apenas uma maneira de as máquinas manterem uma conversa.

Hoje, essa tecnologia ajuda o mecanismo de busca do Google a destacar resultados que visam a responder diretamente a uma pergunta que você fez. No passado, se você digitasse “Os esteticistas ficam muito em pé no trabalho?” no Google, ele não entendia o que você estava perguntando. Agora, o Google responde corretamente com uma breve sinopse descrevendo as demandas físicas da vida no setor de cuidados com a pele.

Muitos especialistas acreditam que o Google continuará a adotar essa abordagem, melhorando gradualmente seu mecanismo de busca em vez de reformulá-lo. “A pesquisa Google é bastante conservadora”, disse Margaret Mitchell, que foi pesquisadora de IA na Microsoft e no Google, onde ajudou a iniciar sua equipe de IA ética, e agora está no laboratório de pesquisa Hugging Face. “Tenta não atrapalhar um sistema que funciona.”

Outras empresas, incluindo a Vectara e um mecanismo de busca chamado Neeva, estão trabalhando para aprimorar a tecnologia de busca de maneiras semelhantes. Mas, à medida que a OpenAI e outras empresas melhoram seus chatbots – trabalhando para resolver problemas como toxicidade e preconceito –, isso pode se tornar um substituto viável para os mecanismos de busca atuais. Quem chegar primeiro pode ser o vencedor.

“No ano passado, fiquei desanimado por ser tão difícil desalojar o controle de ferro do Google”, disse Sridhar Ramaswamy, que anteriormente supervisionava a publicidade do Google, incluindo anúncios de busca, e agora dirige a Neeva. “Mas momentos tecnológicos como este criam uma oportunidade para mais competição.” / TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

https://www.estadao.com.br/link/empresas/nova-inteligencia-artificial-ameaca-do-reinado-do-google-em-buscas/

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Por que todos nós deveríamos ler mais livros de ficção

Se você quer uma visão de mundo mais rica, agarre aquele romance

Por Jemima Kelly, Valor/Financial Times 30/12/2022

A semana entre o Natal e o Ano Novo é uma época do ano maravilhosa para ler. Mas não para navegar compulsivamente no Twitter atrás de notícias ruins, procurar coisas para criticar no tabloide sensacionalista que secretamente é seu favorito, ou mesmo começar aquele livro de história que você ganhou no Natal — tudo isso pode esperar. Esse é muito mais um tempo, penso eu, para mergulhar de cabeça em uma grande obra de ficção (as únicas colunas que você deve ler, é claro, são aquelas dedicadas a essa atividade).

Não há nada mais aconchegante do que se enroscar no sofá, se enfiar na cama ou — minha opção favorita — se afundar em uma banheira cheia de água quente com um bom romance, para ser transportada para terras distantes, tempos longínquos ou as mentes de personagens estranhos, obcecados por sexo e sádicos (ou talvez seja só eu; atualmente estou lendo Philip Roth).

Muitos de vocês podem pensar que isso soa um pouco autoindulgente, e não sou imune a essas questões: minha avó costumava dizer que você nunca devia ler um romance antes de anoitecer porque eles “não são coisas sérias”. Os leitores do sexo masculino podem ser especialmente propensos a pensar dessa forma — estudos indicam que apenas 20% dos homens leem obras de ficção, enquanto 64% dos romances vendidos em 2021 no Reino Unido foram comprados por mulheres.

Mas a leitura de romances é mais do que mero hedonismo. Foi o próprio Aristóteles quem disse que “a poesia é uma coisa mais filosófica e mais elevada do que a história, pois a poesia tende a expressar o universal, e a história, o particular”.

Aristóteles escreveu isso antes de que o romance existisse como forma de arte, mas seu argumento pode ser aplicado à ficção em geral. Em um livro de história, impõe-se uma narrativa a uma mistura desordenada de acontecimentos; as histórias são contadas como se avançassem ordenadamente e até racionalmente. Isso não é uma crítica; é apenas a natureza do meio. No romance, porém, não existe tal imposição: o que é importante é a própria narrativa; não existe versão alternativa da verdade.

Um romancista é como um mágico: embora escreva ficção, ele tem uma certa autenticidade, porque compreendemos que estamos a ler algo que não é real. E, como sugere Aristóteles, é isso que permite que os personagens de uma obra de ficção pareçam, de alguma forma, mais reais para nós do que figuras históricas; cada um representa um tipo de personificação da condição humana com a qual podemos nos identificar.

Muitos estudos verificaram que a leitura de obras de “ficção literária” — em oposição à não-ficção ou à ficção popular — aumenta a capacidade de empatia e a inteligência emocional. Isso ocorre porque o leitor é exposto a uma gama muito mais ampla de experiências e culturas do que encontraria na vida real, o que o ajuda a compreender que outras pessoas têm crenças, desejos e perspectivas que diferem, e às vezes muito, das suas.

Um estudo recente, publicado no Personality and Social Psychology Bulletin, concluiu que as pessoas que cresceram lendo ficção literária tinham “uma visão de mundo mais complexa” do que as que não o fizeram. Para os autores, essa visão é caracterizada por alguns fatores. Um deles é uma “complexidade atribucional aumentada”: essas pessoas se sentem confortáveis com a ambiguidade e podem entender comportamentos em termos de sistemas complexos. Outro é um grau menor de “essencialismo psicológico” — a ideia de que o comportamento humano pode ser explicado por certas características imutáveis.

“Encontrar diferenças, encontrar mentalidades diferentes, encontrar tipos diferentes de socialidade ajudam a fortalecer esta crença na complexidade do mundo”, diz Nick Buttrick, principal autor do estudo e professor de psicologia da Universidade de Wisconsin-Madison. “Se uma pessoa se depara sempre com apenas um tipo de mentalidade… e se só lê… coisas que são previsíveis, seguras, estáveis, essa pessoa acaba com uma visão de mundo que não tem complexidade, porque isso é o que é reforçado repetidamente para ela.”

O estudo traz à memória outro, de 2013, que concluiu que as pessoas que liam ficção literária tinham menos necessidade de resolução cognitiva — o desejo de remover ambiguidades e chegar a conclusões definitivas, mesmo que incorretas ou irracionais.

Em um mundo tão repleto de políticas polarizadas, qualquer coisa que possa contribuir para a construção de visões de mundo mais complexas e ricas em nuances deve ser acolhida de braços abertos. Assim, espero ter convencido todos vocês, os que procuram truques e atalhos para melhorar a eficiência e os gurus da produtividade, de que realmente não existe uma “maneira mais simples” de conseguir os benefícios que se obtém ao ler um grande romance.

Mas também escrevo esta coluna em parte como um lembrete a mim mesma de que devo ler mais livros desses — neste ano consegui ler apenas seis. No ano que vem, vou me dar a meta de um por mês, no mínimo. Talvez eu até me permita lê-los durante o dia, ocasionalmente. Porque na verdade eles são coisas muito sérias, vovó. (Tradução de Lilian Carmona)

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