Robôs ganham eficiência e ameaçam empregos nas fábricas

Por Pranshu Verma – Estadão – 19/12/2022 

Funcionários temem que tecnologia elimine empregos; robôs estão cada vez mais desenvolvidos para o trabalho mecânico

Os robôs para armazéns estão finalmente chegando ao seu momento mais desejado: escolher e organizar objetos com a destreza das mãos humanas. A Amazon tem braços robóticos capazes de pegar e separar itens difíceis de se manusear, como fones de ouvido ou pelúcias, antes de serem encaixotados. A FedEx testou um sistema semelhante em alguns armazéns para organizar correspondências de vários tamanhos. E outras empresas também estão fazendo progressos com eles.

Há décadas, treinar um robô para ser mais parecido com um humano vem desafiando engenheiros, que não conseguiam reproduzir a capacidade de segurar e mover itens. Mas, agora, as conquistas na tecnologia de inteligência artificial (IA), de câmeras e da engenharia estão dando frutos, permitindo que os robôs vejam objetos de formatos e tamanhos variados e ajustem a ação de acordo com a necessidade.

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Segundo os cientistas da computação, a tecnologia está finalmente se tornando confiável o bastante para que as empresas considerem seu uso.

“Este é um momento decisivo”, disse Kris Hauser, especialista em robótica e professor de ciência da computação na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign. “Eles são competentes o suficiente a essa altura.”

Mas há também um debate polêmico. Os críticos temem que os robôs tirem os empregos das pessoas, embora seus defensores digam que isso apenas levará a funções diferentes. Outros mencionam que mais robôs podem ter como consequência um maior número de lesões causadas pelo trabalho, ou maior rigidez na supervisão humana para garantir que as metas estejam sendo atingidas.

Beth Gutelius, professora de desenvolvimento econômico da Universidade de Illinois em Chicago, disse que o modo como as empresas lançam esses robôs sem muitos testes ou consideração pela segurança do trabalhador é preocupante.

“Não deveríamos todos querer que essas coisas funcionassem melhor para mais pessoas?”, questionou.

Os robôs estão em cena há anos, mas tem sido um trabalho árduo para os cientistas fazê-los reproduzir tarefas tão bem como os humanos – principalmente quando elas envolvem mãos. A Amazon tem os robôs Kiva, que lembram os Roombas e movem pacotes no chão da fábrica, porém ainda precisam de humanos para embalá-los e organizá-los.

Elon Musk já disse anteriormente que iria automatizar as operações na Tesla, porém humanos ainda são necessários para trabalhar na linha de produção da montadora em Fremont, na Califórnia. Ele também apresentou recentemente o protótipo do robô humanoide da Tesla, o Optimus, que tem como objetivo redefinir o trabalho físico.

Há pouco tempo, o Google anunciou robôs alimentados por inteligência artificial para ajudar humanos nas tarefas diárias. Alguns deles estão aprendendo até mesmo a fazer batata frita.

Apesar dos avanços, o desafio mais difícil para os pesquisadores tem sido ensinar os robôs a ajustar suas garras para diferentes tamanhos e formatos, disse Ken Goldberg, professor de engenharia industrial da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Entretanto, na última década, as coisas começaram a mudar, disse ele. A tecnologia de câmeras 3D, impulsionadas pelas câmeras de detecção de movimento do Kinect da Microsoft, tornou-se melhor na identificação de imagens. A aprendizagem profunda, um ramo da inteligência artificial que usa algoritmos inspirados livremente no cérebro humano, permite que os computadores analisem mais imagens. Os pesquisadores começaram a entender melhor a física de agarrar as coisas e integraram isso em ventosas e colhedoras robóticas.

O resultado: máquinas robóticas modernas que muitas vezes se parecem com braços longos. A visão delas é alimentada por um software que usa algoritmos de aprendizado de máquina para analisar a aparência dos objetos e orientar os robôs sobre como agarrar as coisas. As ventosas ou garras ajustam a pressão e o controle com a delicadeza que os seres humanos acham natural.

A Amazon, em particular, tem tentado alcançar a tecnologia, disseram especialistas do setor. Como uma das maiores varejistas do mundo, atormentada por altos índices de rotatividade e promessas de entregas velozes, faz bastante sentido financeiramente tentar automatizar ao máximo os processos no armazém.

Em 2012, a Amazon adquiriu a empresa de robótica Kiva por US$ 775 milhões de olho na oportunidade. Em 2014, a empresa anunciou um “desafio para segurar”, estimulando cientistas a criar robôs capazes de pegar itens diversos, desde marcadores permanentes a pacotes de biscoito, de uma prateleira móvel.

No mês passado, a Amazon apresentou seu robô de coleta e triagem chamado Sparrow, um braço robótico longo capaz de pegar mercadorias antes de elas serem embaladas em caixas. Ele está sendo pesquisado e desenvolvido em Massachusetts e em uso numa instalação da Amazon em Dallas, disseram funcionários. Ele pode identificar cerca de 65% dos produtos no estoque da empresa, de acordo com as fontes, mas os planos de expansão em todo o país ainda não foram definidos.

O robô se encaixa em uma estratégia de automação mais ampla, de acordo com a Amazon. Se dominar a técnica, Sparrow poderia pegar produtos depois de eles terem sido descarregados de caminhões, e antes de serem empacotados e colocados em prateleiras móveis. Depois dos produtos serem encaixotados, o sistema robótico da Amazon, chamado Robin, poderia organizá-los de acordo com seu destino. Cardinal, outra máquina robótica, poderia colocá-los em um carrinho enquanto esperam para serem carregados em um caminhão.

A Amazon tem dito com frequência que mais máquinas vão permitir que as pessoas encontrem melhores empregos. Os robôs estão “assumindo algumas das tarefas altamente repetitivas dentro de nossas operações, liberando nossos funcionários para trabalhar em outras funções que são mais interessantes”, disse Xavier Van Chau, porta-voz da empresa.

Em março, a gigante de entregas de pacotes e encomendas Pitney Bowes fechou um acordo de US$ 23 milhões com a Ambi Robotics para usar os robôs de separação e triagem da empresa para ajudar a classificar pacotes de vários formatos, tamanhos e embalagens. Em agosto, a FedEx concordou em adquirir US$ 200 milhões em robótica para seus armazéns da Berkshire Grey para realizar tarefas semelhantes. Alguns meses antes disso, ela lançou um robô de triagem de correspondência alimentado por IA na China.

Embora a maior parte da tecnologia tenha começado a aparecer há alguns anos, levou tempo para garantir que esses sistemas diminuíssem as falhas para menos de 1%, disse Hauser, o que é crucial para os resultados da empresa.

“Cada erro sai caro”, acrescentou. “Mas agora, [os robôs] estão em um ponto no qual podemos de verdade dizer: ‘Ei, isso vai ser tão confiável quanto sua esteira transportadora.’”

A receita gerada pelas empresas que fabricam robôs de separação e triagem está disparando, disse Ash Sharma, especialista em uso de robótica em armazéns pela indústria da Interact Analysis, empresa de pesquisa de mercado.

A Interact calcula que os fabricantes desses produtos vão arrecadar US$ 365 milhões este ano. Para o próximo ano, esse valor deve ser superior a US$ 640 milhões. É um salto em relação aos cerca de US$ 200 milhões em 2021 e os US$ 50 milhões em 2020, que essas empresas geraram em receita, mostram as previsões de dados.

Um fator de peso é a escassez de mão de obra, disse ele.

Beth, da Universidade de Illinois em Chicago, disse que, embora a tecnologia pareça interessante, ela vem acompanhada de riscos. Com mais robôs nos armazéns, os trabalhadores ao redor deles precisarão trabalhar num ritmo mais veloz, correndo mais risco de se machucar.

O Washington Post já publicou matérias afirmando que os armazéns da Amazon podem ser mais perigosos que os dos concorrentes. Especialistas dizem que acrescentar robôs ao processo pode aumentar as lesões.

Van Chau disse que as máquinas que realizam tarefas repetitivas vão ajudar os trabalhadores. “Podemos tirar um pouco dessa pressão dos funcionários”, disse ele.

Mas Beth diz ser preciso ficar de olho nas empresas que defendem esses robôs como uma ajuda, pois elas tendem a implementar soluções rápido demais.

“É como aquele famoso lema ‘mexa-se rápido e quebre as coisas’”, disse ela. “E, nesse caso, acho que ‘as coisas quebrando’ terminam sendo as pessoas”./TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

https://www.estadao.com.br/link/empresas/robos-ganham-eficiencia-e-ameacam-empregos-nas-fabricas/

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Energia solar supera eólica e se torna a segunda maior fonte da matriz brasileira

A fonte fica atrás das hidrelétricas, que têm hoje 109,7 GW, segundo dados da Agência Nacional de Energia (Aneel)

Por Robson Rodrigues, Valor — 03/01/2023

Em uma década, a energia solar saiu praticamente do zero em capacidade instalada na matriz elétrica brasileira para o posto de segunda colocada, atrás das hidrelétricas. A fonte acaba de superar as eólicas em instalações e bateu a marca histórica de 23,9 gigawatts (GW) de potência, somando as usinas de grande porte e os pequenos sistemas fotovoltaicos de geração própria em telhados, fachadas e pequenos terrenos.

O montante equivale a 11,2% da matriz elétrica do país. Desde 2012, os investimentos somaram R$ 120,8 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar). Melhora tecnológica, evolução do mercado no Brasil, redução dos custos e boa qualidade de insolação no território brasileiro criaram condições ideais para que a fonte crescesse.

Soma-se ainda a forte política estatal de incentivos para as energias renováveis como pilar de sustentação ao crescimento, de acordo com o projeto Economia da Inovação Energética e Transição do Sistema (EEIST, na sigla em inglês).

Ao Valor, o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia, diz que o Brasil está entre os dez maiores mercados do mundo neste segmento, e ainda galgando espaço. “A primeira contratação de energia solar feita pelo governo federal foi em 2014 e apenas em 2017 o Brasil conquistou o primeiro gigawatt matriz. Se formos comparar com o setor eólico, o primeiro leilão deles foi feito uma década antes”, diz o executivo.

O ano de 2022 foi singular nesta trajetória: o setor superou os desafios da oscilação cambial, alta dos fretes, colapso das cadeias de suprimentos da China, congestionamentos em portos, inflação causada pela alta demanda global e reflexos da pandemia. Mesmo assim, o Brasil adicionou 9 GW de potência. Só nos últimos 150 dias, o ritmo de crescimento foi superior a 1 GW por mês.

Com isso, a energia gerada a partir de painéis fotovoltaicos se consolidou como o segmento que mais cresce no setor elétrico, associando a crescente busca por energia limpa e renovável com o apelo do baixo custo.

Ao que tudo indica a energia solar deve continuar crescendo com fôlego. A projeção da Bloomberg é que, até 2050, a fonte deve ocupar a primeira posição da matriz brasileira, superando as hidrelétricas, que têm hoje cerca de 109,7 GW em operação, segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“Esse caminho poderá ser traçado de maneira mais ou menos ágil, de acordo com as políticas públicas que forem desenvolvidas, de acordo com o uso que essas tecnologias vão ter em programas governamentais”, diz Sauaia.

Importante destacar que a fonte solar é significativa na matriz por conta da geração distribuída, modalidade de produção de energia gerada principalmente com painéis solares junto ou próxima dos consumidores com limite de até 5 megawatts (MW). Graças à sua versatilidade e agilidade, um sistema no telhado ou um pequeno terreno fica operacional em apenas 24 horas.

O presidente da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), Guilherme Chrispim, lembra que neste contexto histórico as eólicas levaram mais tempo para alcançar o mesmo patamar. Além do mais, o crescimento da solar foi fundamental para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do Brasil, no momento em que o consumidor passou a ter mais poder, inclusive com a opção de gerar sua própria energia.

“Quem fez a energia solar ser a segunda maior fonte na matriz foi a geração distribuída para pequenos consumidores (…), isso demonstra a democratização desta fonte, sem contar que área com sol não falta no Brasil.”

Não à toa a geração distribuída foi a modalidade que mais adicionou potência no sistema, 7,7 GW frente aos 4,6 GW de 2021 e deve continuar sendo quem mais vai injetar capacidade.

Para 2023, a Absolar prevê que a fonte deve incrementar mais 10 GW de capacidade no sistema elétrico e fechar o ano com 34 GW no total acumulado. Deste montante, 21,6 GW serão provenientes de pequenos e médios sistemas instalados pelos consumidores nas residências, pequenos negócios, propriedades rurais e prédios públicos.

O caminho ainda é longo para o setor. O desenvolvimento tecnológico tem muito a se desenvolver, já que boa parte dos painéis solares instalados em residências têm baixa eficiência. As células de silício cristalino tinham 13% de eficiência há dez anos, hoje o mercado tem células de até 26%. Ao passo que a tecnologia avança, os custos caem na proporção inversa.

“Desde 2020, a solar é a fonte que gera energia elétrica com o menor custo-benefício em locais em que moram mais de 60% da população do mundo. Mais baratas do que termelétricas a carvão, eólicas e fontes hídricas”, diz Sauaia, ao se referir a grandes usinas. Aliás, de acordo com a previsão da Agência Internacional de Energia (AIE), a fonte deve superar a produção energética com carvão até 2027.

Um estudo da consultoria Greener, com empresas do setor no Brasil, aponta que os sistemas solares de menor porte também tiveram os custos reduzidos. O diretor da consultoria, Marcio Takata, diz que um sistema fotovoltaico residencial que custava, em média, R$ 35 mil em 2016 atualmente pode ser adquirido por R$ 19,5 mil.

Mesmo com a substancial queda nos preços dos equipamentos, o sistema ainda é de difícil acesso para famílias de baixa renda. A diretora e fundadora da consultoria Clean Energy Latin America (Cela), Camila Ramos, frisa que mesmo com a alta de juros no Brasil, a procura por financiamento de placas solares têm aumentado por conta da crescente alta na conta de luz dos brasileiros nos últimos anos.

Segundo a executiva, as linhas de financiamento no segmento aumentaram no último ano. O setor defende mais acesso a crédito em programas sociais para trazer de maneira mais democrática essa tecnologia à toda sociedade.

O crescimento da fonte não se restringe ao Brasil. O mundo todo vem apresentando recordes de instalações não só porque os países estão impulsionando a expansão de energias renováveis, mas também para alcançar suas metas climáticas e de segurança energética. A China, por exemplo, tem mais de 306 GW. Os EUA estão com mais de 123 GW, segundo dados de 2021. Comparado com alguns países, o Brasil ainda dá seus primeiros passos.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2023/01/03/energia-solar-supera-eolica-e-se-torna-a-segunda-maior-fonte-na-matriz-eletrica-brasileira.ghtml

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Novo centro de pesquisas da Unicamp já busca soluções para a Internet 6G

Fruto de parceria com a Fapesp e a empresa Ericsson, o Smartness vai reunir pesquisadores de várias universidades para explorar soluções inovadoras em telecomunicações

Por Cleide Carvalho — O Globo – 02/01/2023 

Unicamp inaugura Centro de Pesquisa em Engenharia em Redes e Serviços Inteligentes, parceria com a Fapesp e a empresa Ericsson Unicamp inaugura Centro de Pesquisa em Engenharia em Redes e Serviços Inteligentes, parceria com a Fapesp e a empresa Ericsson Divulgação

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a empresa Ericsson criaram o Centro de Pesquisa em Engenharia em Redes e Serviços Inteligentes (Smartness), voltado ao desenvolvimento de soluções de rede e aplicações voltadas à sexta geração de internet móvel (Internet 6G), prevista para 2030.

Pelo menos outras 16 universidades brasileiras estão engajadas no projeto, que deve envolver pelo menos 50 pesquisadores em seu primeiro ano. O investimento é de R$ 56 milhões em dez anos, dos quais 28 milhões são aportes da Fapesp e da Ericsson, que ficará responsável pela infraestrutura.

A ideia é garantir soluções para infraestrutura de rede aplicada, baseada em inteligência artificial para que as conexões de tornem mais eficazes e seguras. As conexões hoje são entre humanos e máquinas, mas em 2030 o tráfego de informações poderá ocorrer entre máquinas inteligentes conectadas, aumentando a demanda do sistema.

Há ainda pela frente a “internet dos sentidos”, que pode misturar o mundo real com o virtual, criando uma realidade mista com uso de inteligência artificial, realidade virtual e realidade aumentada.

— É difícil antecipar o futuro. Nosso desafio é antecipar as possibilidades, criando conexões que tornem possível aquilo que não é imaginável hoje — afirma Mateus Santos, head de pesquisa aplicada da Ericsson no Brasil.

O Smartness deve funcionar como um hub de pesquisas, atraindo pesquisadores que, muitas vezes, costumam migrar para empresas privadas ou sair do Brasil. Com o centro, é possível garantir 10 anos de suporte financeiro e tecnológico para que as pesquisas sejam concluídas com vistas à chegada da internet 6G e suas novas possibilidades.

O uso de inteligência é considerado essencial para a sexta geração da internet móvel, pois permite diminuir a complexidade da operação e dos custos das redes, que tendem a se tornar muito mais complexas.

— A inteligência artificial é fundamental na construção de novas soluções. Buscamos uma rede mais automatizada, que opere com menor intervenção humana, com mais segurança e mais resiliente a falhas — explica Santos.

O professor Christian Esteve Rothenberg, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) da Unicamp e pesquisador responsável pelo Smartness, descreve a atividade do centro como o desafio de “olhar para o futuro e pensar quais são os serviços e as aplicações que vão demandar um conjunto de novas tecnologias nos próximos dez anos”.

— O objetivo é desenvolver pesquisas, com avanços científicos e tecnológicos para aplicações na indústria e na sociedade. É tão importante a produção do conhecimento quanto a aplicação em termos práticos — afirma Rothenberg.

Segundo o professor, o centro vai buscar solucões para os desafios da telemedicina, da educação à distância e das aplicações industriais e da sociedade, como realidade aumentada, carros autônomos, robôs e drones.

Entre as aplicações futuras, por exemplo, estão uso de braços robóticos para aplicações industriais e de saúde, como tele cirurgias e treinamentos com óculos na realidade aumentada. Na área de saúde, por exemplo, há o desenvolvimento de instrumentos capazes de permitir cirurgias à distância.

O armazenamento de dados é outra preocupação para o fim desta década, com o objetivo de trazer a nuvem para perto do usuário. Usada para arquivo de dados, a nuvem pode permitir posicionamentos mais precisos e interação entre os óculos de realidade virtual com o ambiente físico.

O Smartness funciona na Unicamp, em Campinas, universidade que tem uma longa parceria com a sueca Ericsson, inclusive com o financiamento de viagens internacionais de pesquisadores. A empresa possui um centro de pesquisa e desenvolvimento em Indaiatuba, na mesma região, que conecta pesquisadores brasileiros e estrangeiros com diversas universidades do país.

A proposta é atrair outras companhias para apoiar, testar e ampliar a busca de soluções para outros segmentos do mercado. A Unicamp já possui outros centros no mesmo modelo, como o Centro de Inovação em Novas Energias (Cine) e o Centro de Pesquisa em Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/01/novo-centro-de-pesquisas-da-unicamp-ja-busca-solucoes-para-a-internet-6g.ghtml

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Cientistas finalmente conseguem gerar energia com fusão nuclear

É um marco histórico, mas ainda é apenas um pequeno passo na busca por energia livre de carbono

Alex Pasternak – Fast Company Brasil – 16-12-2022 

O Departamento de Energia dos EUA anunciou que os cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, conseguiram pela primeira vez realizar um experimento de fusão nuclear em que a energia produzida superou a energia consumida pela reação – um grande avanço na longa busca por energia potencialmente ilimitada livre de carbono.

Desde a década de 1940, os cientistas pesquisam maneiras de aproveitar a reação que alimenta o Sol na esperança de gerar uma fonte de energia mais limpa do que os combustíveis fósseis e a fissão nuclear. As reações de fusão, que resultam da fusão de núcleos, geram uma imensa quantidade de energia, sem emitir carbono nem produzir lixo radioativo.

Apesar de experimentos passados terem nos dado a bomba de hidrogênio e as armas nucleares mais poderosas já construídas, os usos para o dia a dia nunca se materializaram. Agora que alcançamos esse marco tão aguardado, a energia de fusão parece mais próxima do nunca. Mas isso não significa que vamos ter acesso a ela tão cedo.

COMO ATINGIR O GANHO LÍQUIDO DE ENERGIA

Para atingir a ignição por fusão, um experimento de US$ 3,5 bilhões do Laboratório Livermore em uma instalação construída especificamente para esse objetivo, a National Ignition Facility (NIF), usou um processo chamado fusão por confinamento inercial, que envolve disparar centenas de feixes de laser de alta potência em uma cápsula esférica de diamante polido contendo uma pequena pastilha de combustível deutério-trítio.

Os feixes de laser fazem com que a cápsula imploda, comprimindo o combustível a pressões maiores que a do Sol para criar um plasma de hidrogênio e – esperam os cientistas – forçar os núcleos dos átomos a se fundirem, liberando uma tremenda quantidade de energia.

A ignição que a NIF produziu em um experimento na semana passada gerou 3,15 megajoules de energia, um ganho de aproximadamente 54% sobre os cerca de 2 megajoules que a reação consumiu dos lasers, sugere a análise do laboratório.

O diretor do Livermore, Kim Budil, disse que a busca pela ignição por fusão no laboratório foi “um dos desafios científicos mais significativos já enfrentados pela humanidade” e que os pesquisadores “deram os primeiros passos experimentais em direção a uma fonte de energia limpa que poderia revolucionar o mundo.”

QUAIS SÃO OS PRÓXIMOS PASSOS DA FUSÃO?

Para se tornar uma fonte de energia comercial viável, os reatores de fusão precisarão ser capazes de extrair uma quantidade significativa de energia líquida da reação. Muitos cientistas acreditam que as usinas de fusão ainda levarão décadas até que se tornem uma realidade e será necessário muito mais investimento.

Pelo menos 33 empresas diferentes estão estudando a fusão nuclear, de acordo com a Fusion Industry Association, uma associação comercial independente sem fins lucrativos. De junho de 2021 a junho de 2022, elas levantaram US$ 2,83 bilhões, elevando o investimento total do setor privado para quase US$ 4,9 bilhões.

Pela primeira vez, o mercado de títulos verdes da Europa está disposto a financiar projetos de energia nuclear.

O governo norte-americano também tem ajudado. Em julho, o Departamento de Energia dos EUA anunciou a destinação de valores entre US$ 50 mil e US$ 500 mil a 10 empresas de fusão que trabalham em projetos com universidades e laboratórios do país.

David Kirtley, CEO da Helion Energy, que pretende produzir energia líquida a partir de fusão em 2024, espera que os resultados da NIF impulsionem toda a indústria. “Embora a NIF não esteja focada na produção de energia comercial, sua pesquisa é útil para empresas do setor como a Helion, já que elimina os riscos e estuda a física por trás do processo de fusão”, disse ele.

A energia nuclear convencional, gerada por fissão em vez de fusão, também parece mais atraente. Com os preços de energia em alta, junto com as demandas por independência energética e uma necessidade urgente de energia livre de carbono, vários governos estão aumentando os investimentos ou revisitando seus antigos projetos de energia nuclear, incluindo Japão, Coreia do Sul, Alemanha e o estado da Califórnia.

Pela primeira vez, o mercado de títulos verdes da Europa está disposto a financiar projetos de energia nuclear. Nos EUA, a Lei de Redução da Inflação destinará milhões a novos projetos, incluindo reatores modulares, incentivos para produção nuclear e mineração doméstica de urânio. E, após anos de financiamento mínimo, US$ 280 milhões serão destinados à pesquisa sobre energia de fusão.

Tendo em vista os muitos marcos que ainda terão de ser alcançados, a indústria precisará de todo o investimento que conseguir.


SOBRE O AUTOR

Alex Pasternack é jornalista e escreve sobre urbanismo, recursos naturais, arquitetura e transportes. s

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Como oceanos saudáveis geram valor para a economia e os negócios

O oceano gera cerca de US$ 2,5 trilhões em bens e serviços anualmente, o equivalente à geração da sétima maior economia do mundo. Estudo do BCG Consulting Group em parceria com o Fórum Econômico Mundial aponta como alavancar o tema em empresas e governos

Marina Filippe – Exame – Publicado em 23/12/2022 

Um oceano saudável é a base para uma economia próspera, de acordo com o estudo What Ocean Sustainability Means for Business, promovido pelo Boston Consulting Group em parceria com o Fórum Econômico Mundial. O oceano gera cerca de US$ 2,5 trilhões em bens e serviços anualmente, o equivalente à geração da sétima maior economia do mundo. Além disto, países do G20 representam 45% das costas do globo e, por isso, recuperar o valor dos mares e garantir sua sustentabilidade representa uma oportunidade.  

As principais indústrias que se beneficiam de operações nos oceanos são de pesca, turismo, comércio e transportes, energia e comunicação. “Cerca de 600 milhões de pessoas dependem, pelo menos parcialmente, da pesca e da aquicultura – cerca de 8% da população global – incluindo os trabalhadores de subsistência e do setor secundário e seus dependentes. Com relação ao turismo, estima-se que 80% de toda atividade de turismo global é viabilizada pelos oceanos. Grande parte do comércio global é viabilizado por transporte marítimo, e, além disso, o oceano é também uma fonte de energia, com potencial de contribuir de forma relevante para energias renováveis”, afirma Arthur Ramos, diretor executivo e sócio do BCG

De acordo com o executivo, o setor de comunicação também se beneficia. “98% das comunicações internacionais são viabilizadas por cabos submarinos. Por fim, o oceano é um contribuidor do mercado global de carbono – soluções climáticas baseadas no oceano podem reduzir as emissões em até 21% a fim de manter a trajetória de aquecimento inferior a 1.5°C até 2050”.

De acordo com a pesquisa do BCG, apesar da expectativa de que o ecossistema seja uma importante fonte de riqueza nos próximos anos, ele recebe apenas 0,01% dos investimentos para os objetivos globais de desenvolvimento sustentável. Com investimentos, seria possível alavancar ainda mais o potencial que os oceanos oferecem. “Antes das paradas causadas pela pandemia, esperava-se que a economia oceânica dobrasse de valor entre 2010 e 2030, atingindo um valor de US$ 3 trilhões. Para atingir tal valor, novos investimentos serão cruciais”, diz Ramos.

Para que mais investimentos aconteçam, é necessário compreender o valor que os oceanos têm hoje para empresas e governos. A começar pelo retorno gerado por bens e serviços provenientes dos mares, e no potencial de trilhões de dólares em retorno na próxima década.

“Empresas que se interessarem em financiar a “economia azul” podem se beneficiar do pioneirismo, aproveitando a chance de extrair o maior valor desse recurso valioso. Assim, garantem não somente um futuro sustentável para os negócios, mas para oceanos e sistemas marinhos que não podem ser substituídos”. O interesse dos consumidores por produtos sustentáveis também é um modo de acelerar a frente econômica.

SUSTENTABILIDADE 

Nos países do G20 – responsáveis por 80% das emissões de carbono e 75% do comércio mundial, é essencial uma atenção na inclusão dos mares como uma das prioridades na agenda de sustentabilidade.  “É essencial que, para o sucesso na jornada contra as mudanças climáticas, as empresas sejam ágeis na tomada de decisão para a conservação do ecossistema marinho. As que forem pioneiras têm a oportunidade única de se beneficiarem com um mercado multibilionário”, afirma Ramos.

No estudo, o BCG e o WEF apontam três pilares principais para que as empresas compreendam e iniciem a agir em prol da mitigação de impactos nos oceanos: 

  • Desenvolvimento de métodos que garantam o uso e a interação sustentável com o mar;
  • Alavancar o oceano como ferramenta de sequestro de carbono – capacidade de absorção de cerca de 90% do excesso de calor e 23% do total de emissões de CO2 geradas pelo homem;
  • Apoiar iniciativas de adaptabilidade e resiliência para os ecossistemas marinhos e adjacentes.  

Dentro dessas áreas principais, a pesquisa ainda identifica diversos imperativos estratégicos para promover a sustentabilidade e, ao mesmo tempo, impulsionar os negócios, incluindo a colaboração com os governos locais para ampliar o escopo de conservação. 

BRASIL

“O Brasil possui uma das costas mais extensas dentre os países do globo, com aproximadamente 8.000 km de extensão. O país já é um contribuidor chave para o comércio global, sendo um dos principais exportadores de alimentos, o que já nos coloca em posição de destaque no que tange a economia oceânica como viabilizadora do transporte de longa distância. Mas o Brasil têm potencial para contribuir ainda mais para essa economia”, diz Ramos.

O executivo lembra da vantagem competitiva na produção de hidrogênio verde. “Temos vantagem para ser um produtor de Hidrogênio Verde em escala, e avançar no uso dos oceanos para produção de energias renováveis “offshore” – a exemplo de eólicas offshore – o que pode impulsionar ainda mais a produção de hidrogênio verde, gerando um ciclo virtuoso. Tal movimento é relevante dado que o Hidrogênio Verde é uma das principais alavancas para descarbonização de indústrias”.

https://exame.com/esg/como-oceanos-saudaveis-geram-valor-para-a-economia-e-os-negocios/

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Virada no metaverso pretende festejar chegada de 2023 virtualmente

Virada virtual contará com presença de DJs e outras atrações no universo virtual

Exame/Cointelegraph Brasil  31/12/2022 

As festividades relacionadas à virada do ano se aproximam. Geralmente, as escolhas se dividem entre festejar em casa, com familiares, ou junto ao público, em algum lugar movimentado. A virada para um novo ano, desta vez, tem um novo lugar: o metaverso.

O Open Metaverse (OM), do qual o famoso Punk6529 é cofundador, realizará um evento para receber a chegada de 2023. As festividades ocorrerão no notório terraço do OM, onde um brasileiro se apresentará como DJ.

Virada virtual

Desde a criação do OM, o brasileiro DJ Hash é um membro ativo da comunidade deste metaverso. Mais precisamente, Hash é membro do coletivo conhecido por se reunir no terraço de um dos prédios do universo virtual: a RooftopDAO.

Ao Cointelegraph Brasil, Hash conta que, desde que as conversas por voz foram habilitadas no OM, os usuários que se reúnem no terraço começaram a promover festas. E foi aí que as músicas começaram. Esta, porém, será sua primeira vez se apresentando dentro do Open Metaverse. Esta também será a primeira ‘festa da virada’ do OM, já que sua criação ocorreu em abril de 2022.

Hash espera um ambiente animado, com base nas outras festas às quais já compareceu no ‘Rooftop’. Além disso, esta é a primeira vez que o OM permitirá o uso de avatares humanóides, deixando “a estética bem curiosa”, avalia.

“Como muitas pessoas estarão intercalando as celebrações no OM com a vida real, vai ter bastante rotatividade de usuários também”, acrescenta. O Open Metaverse é aberto para todo e qualquer usuário, e a performance de Hash está prevista para ocorrer no dia 31 de dezembro, entre 19h e 21h30, horário de Brasília.

A DAO do terraço

Um dos diferenciais do OM é a ausência de gravidade. Isso permite que, dentro do universo virtual, usuários possam realizar pulos altíssimos, sem restrições. Isso fez com que uma ‘competição de pulos’ fosse iniciada, fazendo com que usuários recém-chegados ao Open Metaverse descobrissem o terraço. E esse foi o motor da criação da RooftopDAO, já que, em poucos dias, os usuários decidiram criar um coletivo.

“A DAO é tanto meme quanto uma organização séria, e foi criada pelos usuários que conseguiram pular até o maior telhado do OM nos primeiros dias de sua existência”, afirma Hash.

O DJ brasileiro do metaverso conta que, em alguns casos, a relação entre membros da organização descentralizada ultrapassou o metaverso. “Alguns membros já se encontraram na vida real, em eventos como NFT NYC e NFT Miami.” O engajamento entre os membros da RooftopDAO é classificado por Hash como “natural”, com foco em criar memes, dar suporte a novos membros do OM e compartilhar fotos de terraços.

A adesão pelo terraço foi tão grande que, conforme conta Hash em uma série de publicações feitas em seu Twitter, a área precisou ser aumentada para comportar mais usuários. Para entusiastas da Web3 que buscam interagir com diferentes comunidades, a virada do ano no Open Metaverse pode ser uma boa alternativa para conhecer novas pessoas. E novos terraços.

https://exame.com/future-of-money/virada-no-metaverso-pretende-festejar-chegada-de-2023-virtualmente/

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França precisa desesperadamente de trabalhadores, e governo quer facilitar imigração

Governo Macron vai propor legalização rápida para imigrantes que forem trabalhar em setores mais afetados. Só na indústria hoteleira, há 250 mil vagas não preenchidas

TOPO

Por O Globo/The New York Times — Paris 30/12/2022 

Bar do Saint James Hotel, em Paris: indústria hoteleira da França tem cerca de um quarto de milhão de vagas de emprego Bar do Saint James Hotel, em Paris: indústria hoteleira da França tem cerca de um quarto de milhão de vagas de emprego Violette French/The New York Times

A placa na vitrine da Red Rhino, uma popular churrascaria no centro de Paris, está pendurada há um mês: “Fechado até novo aviso devido à falta de pessoal”. O serviço de ônibus e trem foi reduzido em Lyon em meio à escassez de motoristas. No Vale do Loire, toneladas de vegetais não foram colhidas no verão, já que milhares de vagas de trabalho para colheita ficaram sem preencher.

A atividade econômica voltou a acelerar na França e em toda a Europa desde o fim das restrições provocadas pela Covid-19, ainda que a guerra na Ucrânia tenha freado um pouco o ímpeto da economia.

O resultado disso é que empregadores em vários setores da economia estão desesperados para contratar, com várias empresas sem conseguir preencher as vagas e não conseguindo operar na capacidade máxima.

Na segunda maior economia da Europa, a solução para a escassez de mão de obra em estudo pelo governo passa por dois caminhos – ambos politicamente inflamáveis.

O governo francês do presidente Emmanuel Macron está propondo uma legalização rápida para migrantes que vivem no país ilegalmente que desejam trabalhar em setores que enfrentam escassez de pessoal.

Como medida adicional, o governo quer rever o generoso sistema de seguro desemprego da França, com seus longos benefícios, em uma tentativa de fazer com que os desempregados voltem mais rapidamente ao mercado de trabalho.

Para milhares de empresas que formam a espinha dorsal da economia francesa, a abordagem de mão dupla tornou-se necessária para ajudar a aliviar os impactos do que parece ser uma mudança permanente na dinâmica do mercado de trabalho desde a pandemia: os trabalhadores europeus simplesmente não estão mais dispostos a atuar em longas jornadas e com salários relativamente baixos.

Funcionários do Hotel des Grands Boulevards, em Paris: para recrutar mais trabalhadores, a administração do hotel está tentando tornar os empregos mais atraentes — Foto: Violette French/The New York Times

Funcionários do Hotel des Grands Boulevards, em Paris: para recrutar mais trabalhadores, a administração do hotel está tentando tornar os empregos mais atraentes — Foto: Violette French/The New York Times

Mais de meio milhão de pessoas na França pediram demissão nos primeiros três meses do ano, o nível mais alto em 15 anos, informou a agência de estatísticas do país.

– Nossa sociedade após a pandemia tem uma perspectiva diferente. As pessoas estão dizendo: eu não quero ter uma relação de sacrifício para trabalhar – disse Thierry Marx, chef francês com estrela Michelin que é presidente da UMIH, a influente associação comercial de restaurantes e hotéis da França.

‘Muitos trabalhadores desapareceram’

A escassez de mão de obra é maior na construção, transporte, enfermagem e agricultura, onde quase 400 mil empregos estão vagos somente na França.

A indústria hoteleira é particularmente afetada, com cerca de 250 mil vagas, principalmente em postos manuais, incluindo limpeza e garçons. Isso criou um aperto ainda maior em restaurantes e hotéis, já que o turismo voltou com força total na Europa após a pandemia.

No Hotel des Grands Boulevards, no bairro Sentier de Paris, o saguão fervilhava de visitantes recentemente. Mas Olivier Bon, co-fundador do Experimental Group, dono do hotel e de vários outros na Europa, disse que tem sido difícil recrutar pessoas, especialmente em empregos na cozinha ou serviço de mesa que exigem longas horas e salários limitados.

– Muitos trabalhadores desapareceram – é uma luta para encontrá-los – disse ele.

Para tornar o hotel e seu restaurante mais atraentes aos trabalhadores, a empresa agora oferece mais promoções internas. O grupo aumentou os salários modestamente, de acordo com uma nova escala salarial acordada pela indústria, e reduziu os longos intervalos na jornada de trabalho em seu restaurante, que acabavam estendendo o fim do turno dos funcionários para horários mais tardios. O restaurante agora interrompe o serviço às 22h45.

A França está apostando que a mão de obra imigrante pode ajudar a preencher as lacunas. Um projeto de lei que o Parlamento deve aprovar no ano que vem criaria autorizações de residência renováveis de um ano considerando as “habilidades sob demanda” para migrantes que vivem no país ilegalmente, que poderiam solicitar status legal mais rapidamente sem passar pelos empregadores.

Para quem solicita asilo, o projeto de lei também acabaria com a proibição de emprego durante os primeiros seis meses no país.

A França não está sozinha: a Alemanha está se preparando para mudar sua política de migração para atrair pessoas para o setor de saúde, tecnológico e para empregos de baixa qualificação, como serviços de bufê. A Holanda anunciou planos semelhantes para atrair mais imigrantes qualificados para esses tipos de funções.

A poderosa indústria agrícola da França também apoiou a medida. Mais de 70 mil postos de colheita sazonais em fazendas não foram preenchidos neste verão, deixando toneladas de produtos sem colher, disse Christiane Lambert, presidente do principal sindicato agrícola da França.

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Bioeconomia para desenvolver a Amazônia

Exploração sustentável da sociobiodiversidade torna-se essencial para evitar o pior cenário para a região amazônica

Por Carlos Nobre, Francisco Costa e Carolina Genin – Valor – 27/09/2022

Desde o Relatório Brundtland, de 1987 – que definiu pela primeira vez o conceito de desenvolvimento sustentável -, um debate crucial ganhou corpo: o reconhecimento de que uma crise ecológica se instalara, inerente aos padrões de crescimento das sociedades industriais, os quais aprofundavam desigualdades sociais. O antídoto estava em um novo modelo de desenvolvimento.

A partir de então, desenvolveu-se um ideário de sustentabilidade, mediante o qual instituições devem primar por crescimento ecologicamente prudente, socialmente equânime e economicamente viável. Com isso, se estabeleceu a esperança de garantir para as gerações futuras as condições naturais que fundamentaram a existência das atuais.

Exploração sustentável da sociobiodiversidade torna-se essencial para evitar o pior cenário para a região amazônica

Para dar concretude a esse objetivo, se estabeleceram espaços de negociações globais, entre eles as Conferências das Partes voltadas às agendas de Clima e de Biodiversidade. Hoje, ambas as agendas convergem quando a pergunta é: como fazer a transição da economia global para uma economia menos dependente em carbono, mais justa e menos destrutiva para o planeta? As ideias e ações em torno da bioeconomia, com grande força no presente momento, são parte desse esforço.

Conceitos e práticas de bioeconomia se desenvolveram carregados do sentido de transição para uma economia de baixo carbono, do insustentável para o sustentável. De trajetórias tecno-produtivas a partir de processos mecânicos e químicos insustentáveis, que geram impacto climático, para inovações em processos produtivos capazes de desenvolver produtos de base biológica e renovável.

Essas duas rotas fundam bioeconomias focadas na redução da “pegada de carbono” das trajetórias do paradigma mecânico-químico, marca registrada do modelo econômico vigente e que não impõe limites ao crescimento. Não obstante, há uma outra rota, que tem atraído menos atenção, pautada na biodiversidade e que conserva as características naturais do ecossistema.

Análise recente lançada pelo WRI Brasil mostrou que esta outra rota se mostra a mais adequada à conservação e restauração da Amazônia – a chamada bioeconomia bioecológica, ou sociobiodiversa. Essa bioeconomia já existe em duas variantes: a que maneja os recursos da floresta em pé com zero desmatamento e a que imita as qualidades do bioma em sistemas agroflorestais cultivados e regenerativos em áreas desmatadas e degradadas, privilegiando a promoção da biodiversidade, a conservação dos ecossistemas, a habilidade de prover serviços ecossistêmicos e a prevenção da degradação do solo. Tudo isso atrelado a processos econômicos capazes de gerar renda, emprego, agregação de valor e lucro.

Essa bioeconomia é feita hoje pelas mãos de comunidades indígenas, tradicionais, quilombolas e de agricultores familiares, que já demonstram a sua viabilidade. O relatório científico de 2021 do Painel Científico para a Amazônia, criado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, mostra que o valor da produção rural deste tipo de prática saltou de US$ 400 milhões para US$ 1,1 bilhão entre 1995 e 2017, com emprego de 400 mil trabalhadores.

Outro estudo, liderado pelos pesquisadores Pedro Brancalion, da Universidade de São Paulo (USP), e Rafael Chaves, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, mostrou que a restauração florestal já gera milhares de empregos no Brasil e que cumprir a meta de restaurar 12 milhões de hectares prevista no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa geraria entre 1 e 2,5 milhões de empregos. A essa particular bioeconomia devem ser direcionados os investimentos, transformando a infraestrutura, as dinâmicas e os mercados atualmente precários e com baixa retenção local dos seus resultados.

A floresta tropical amazônica é um dossel fechado, onde a maior parte da energia solar é absorvida na parte superior e utilizada para a evapotranspiração, mantendo a temperatura máxima em torno de 30°C e permitindo que não mais do que 4% da radiação solar atinja o solo. Isso mantém sempre a serrapilheira muito úmida e não inflamável, não permitindo a propagação de incêndios deflagrados por descargas elétricas.

Essas condições ótimas de evolução climático-ecológica permitiram o surgimento da maior diversidade de plantas, animais e microfauna do planeta devido a temperaturas ideais e constante disponibilidade de água. São essas características da floresta úmida que os sistemas agroflorestais usam a seu favor. Em vez de corte raso para implementação de agricultura ou pecuária intensas em carbono, é feita uma combinação de árvores de diferentes espécies e tamanhos para produção de frutas, óleos, essências e outros produtos. Essa é a bioeconomia que precisa ser incentivada com grandes investimentos e ocupar as áreas já degradadas da região.

Hoje, a Amazônia está em outra direção. A combinação sinergística das mudanças climáticas com as alterações regionais causadas pelo desmatamento e degradação, colocam uma boa parte da região sul da Amazônia muito próxima do ponto de não retorno – uma “savanização” que resultará em ecossistemas de dossel aberto e degradados. Naquela região, a estação seca já se encontra de 4 a 5 semanas mais longa do que a registrada em 1979, e a floresta se tornou uma fonte de carbono, ao contrário da parte menos alterada, que remove gás carbônico da atmosfera.

Se o ponto de não retorno for ultrapassado, é muito provável que entre 50% e 70% da floresta será alterada no intervalo de 30 a 50 anos, liberando mais de 300 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, o que tornaria quase impossível atingir as metas do Acordo de Paris, alteraria os padrões de chuva em boa parte do país e fragilizaria a sua capacidade de produzir alimentos.

A urgente implementação e em escala desta nova bioeconomia bioecológica na exploração sustentável da sociobiodiversidade, baseada em ciência, inovações tecnológicas e conhecimentos tradicionais, torna-se essencial para evitar o pior cenário.

Conscientes disso, 81% dos eleitores brasileiros mencionam a Amazônia como prioridade para o próximo presidente – como mostrou pesquisa encomendada pelo Instituto Clima e Sociedade ao PoderData -, e investidores brasileiros e estrangeiros começam a voltar o olhar para uma nova economia para a Amazônia.

Nesta década decisiva, a grande contribuição que o Brasil pode dar para o clima global é também uma enorme oportunidade de trazer crescimento econômico para o país e para a população de uma das regiões mais carentes de desenvolvimento. Um grande e ágil projeto para a economia da Amazônia colocaria o Brasil novamente em uma trajetória de liderança, atraindo o capital necessário para salvar o bioma e tornando possível o nosso futuro ainda nesta década.

Carlos Nobre, cientista do Earth System, pesquisador do IEA/USP e membro da Royal Society

Francisco de Assis Costa, professor titular do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (GPDadesa-NAEA) da Universidade Federal do Pará

Carolina Genin, diretora de Clima do WRI Brasil

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/bioeconomia-para-desenvolver-a-amazonia.ghtml

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Fintechs, edtechs ou agrotechs? Quais setores devem continuar a atrair a atenção dos investidores de venture capital

Além das fintechs que sempre lideraram, startups de cibersegurança, edtech e ESG devem ser destaques no próximo ano

Por Wesley Santana – Infomoney – 26 dez 2022   

“O ano de 2021 foi muito fora da curva”. A frase é repetida por quase todos os integrantes do ecossistema de startups: de gestores de fundos de venture capital a fundadores de empresas. Por isso, 2022 pode passar a impressão de ter sido um ano muito ruim para as companhias de tecnologia.

De acordo com o monitor Sling Hub, até novembro deste ano, foram realizadas 758 rodadas de investimentos em startups, somando US$ 4,9 bilhões. Embora expressivo, esse número é bem menor que o registrado no mesmo período de 2021, quando 850 aportes totalizaram US$ 9,7 bi.

No entanto, quando os dados são comparados com 2020, o resultado é uma alta de 100% nos investimentos em startups, visto que o total captado por elas ficou na casa de US$ 2,7 bilhões há dois anos, ainda segundo o Sling Hub.

Deixando o passado de lado, a dúvida que fica é sobre qual será o cenário do capital de risco no próximo ano e os setores de startups que podem ser favorecidos. Na avaliação de Guilherme Massa, fundador da Liga Ventures, plataforma que conecta empresas, startups e investidores, pelo menos no Brasil, a agenda da inovação deve continuar a todo vapor, especialmente porque o setor busca dar eficiência aos tradicionais.

“A startup traz a inovação na veia, por isso eu acredito que será um ano para usar soluções digitais e conseguir ter margem de crescimento. Além disso, considerando o cenário de recessão, acho que as grandes empresas vão dar suporte ao crescimento de empreendedores”, prevê.

Para ele, o ritmo dos investimentos vai se manter lento nos primeiros meses do ano, com expectativa em relação aos movimentos do governo eleito. Ele pontua que é preciso estímulo econômico para fazer a roda girar, inclusive na geração de emprego e reverter as dezenas de demissões em massa que se viu nos últimos meses.

“A gente precisa esperar para ver os movimentos que o novo governo deve fazer, mas eu avalio que, pelo menos em boa parte do ano, quem vai ser responsável pelo crescimento efetivo dos empreendedores serão os parceiros corporativos. Os fundos de venture capital, iniciativas de inovação aberta ou parcerias de criação conjunta vão fomentar o empreendedorismo tecnológico no próximo ano”.

Startups de quais setores terão destaques em 2023

Na opinião de vários analistas, as fintechs podem continuar brilhando aos olhos dos investidores, reproduzindo o que já acontece há alguns anos. Mas há outros setores que ganharão ainda mais destaque, como cibersegurança, educação, agronegócio e ESG.

No caso da cibersegurança, a área surge como uma espécie de socorro em meio a um movimento mundial de ataques criminosos. Diante disso, surge a necessidade de maior atenção das empresas -dos mais variados setores e tamanhos- em relação ao tema, e se apoiarem em soluções inovadoras que possam ajudá-las a melhorar a segurança digital.

“É uma nova linha de risco que as empresas precisam gerenciar, mas nem sempre tem uma boa estrutura de governança. Em datas comerciais, por exemplo, caso da Black Friday, a organização não quer e nem pode estar sujeita a problemas na operação por causa de um ataque hacker. Então elas tendem a tratar esse assunto com importância, o que deve favorecer startups dessa área”, comenta Massa.

Já as iniciativas de inovação em educação podem manter a relevância que ganharam nos últimos dois anos, com a virtualização dos estudos. Só no ano passado, segundo dados do governo federal, foram realizadas 3,7 milhões de matrículas em cursos universitários à distância, um número que representa 40% do total de novos estudantes.

A Sambatech, uma startup que oferece recursos tecnológicos para o ensino, aposta em um ano ainda mais animador, dobrando o faturamento de R$ 50 milhões que aferiu em 2022. A edtech tem investido na unidade de negócios que personaliza os conteúdos com base no perfil da empresa parceira e dos estudantes.

“A gente decidiu avançar com a ideia de hiper personalização, e encontramos um diferencial competitivo que era criar soluções que ajudassem as empresas de ensino a aumentarem o engajamento. Por meio de dados, damos condições delas olharem para o comportamento dos estudantes e entregarem o conteúdo para eles na hora certa e na plataforma certa”, destaca Mateus Magno, CEO da startup, que mantém contratos com marcas como Cogna (COGN3), Damásio, Hexag, entre outras.

Há, ainda, o setor de ESG que tem crescido em todo o mundo e deve galgar novos espaços, com vários países intensificando as metas ambientais. No Brasil, com a chegada do novo governo, que tem se comprometido com o assunto, grande parte dos empreendedores em ESG podem ter seus negócios atraentes aos investidores.

“O ESG certamente entrou na agenda das grandes companhias para valer neste ano, mas muita gente ainda está tentando entender o que realmente é. Nós veremos muitas startups e empresas se lançando em iniciativas mais robustas para atacar essa frente porque ela veio para ficar. Há lugares, especialmente na América do Sul, que a regulação vai apertar, como no rastreio da cadeia de produção e na governança interna, então vai haver um movimento de startups de impacto ou de negócios em ESG”, define Guilherme, da Liga Ventures.

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Três desafios para os gestores em 2023

Em sua coluna desta semana, Viviane Martins, CEO da Falconi, aponta questões com as quais as corporações terão de lidar no ano que vem

Viviane Martins – Exame – Publicado em 12/12/2022 

Ao longo de 2022, temas como propósito e modelos de trabalho continuaram a ganhar espaço na pauta dos gestores: o ato de repensar a forma como as corporações lidam com as pessoas – e com o mundo ao seu redor, no geral – seguiu no topo da agenda dos executivos.

Enquanto isso, logo no início do ano, o mercado passou a lidar com desafios macroeconômicos que solaparam as expectativas de rápida retomada econômica pós-pandêmica, a começar pelo nó logístico que afetou as cadeias de produção e distribuição de insumos e bens a nível global. A guerra na Ucrânia agravou o cenário, afetando o mercado de grãos e o custo dos alimentos, bem como o custo do gás e da energia, com imediata pressão inflacionária.

Não fosse o bastante, o ecossistema global de inovação resolveu arrumar a casa em 2022. Como dito antes neste espaço, após dois anos de capital barato e abundante, e investimentos desenfreados em startups mundo afora, o venture capital tirou o pé do acelerador. Isto mandou ondas de choque no mercado global de tecnologia. Além das demissões em unicórnios, a própria busca por essas empresas altamente escaláveis se tornou menos interessante. A mensagem dos investidores foi direta. Crescer a qualquer custo não faz sentido: é hora de boa gestão e resultados sustentáveis.

Com tanto tempero no complexo caldo de 2022, chegamos à porta de 2023 com cenário menos animador do que muitos gostariam. Para a ‘The Economist’, uma recessão global é inevitável, exatamente por conta dos choques geopolíticos, de uma crise energética sem precedentes na Europa e inflação que no hemisfério norte está próxima a patamares de 50 anos atrás. Mas como toda crise também embute oportunidades, outros vêm a possibilidade de as economias emergentes ditarem o ritmo do crescimento econômico.

Mas se o prato do lado de fora está transbordando de desafios, dentro de casa não é diferente para as corporações. Questionam-se sobre o perfil que os seus líderes devem ter e seguem na indefinição quanto ao (presente do) futuro do trabalho. O que impacta a relação entre colaboradores, propósito e empresas.

Trago três temas que serão importantíssimos em um ano que promete complexidade e, como nunca, exigirá excelência de gestão, fortalecimento das lideranças e times engajados.

CEO na gestão (ao invés do palco):

Na sua lista de 20 grandes tendências para 2023, o LinkedIn incluiu, entre os temas que já têm cadeira cativa no mundo dos negócios (segurança cibernética e open finance, por exemplo), o que batizou como “o fim da era do CEO herói”. Este perfil de CEO pop star atrai as atenções e acaba por transformar gestão quase em uma saga individual.

Os casos mais recorrentes mostram o impacto – positivo e negativo – da fala de líderes empresariais sobretudo nas mídias sociais, afetando valor de mercado, clima organizacional e mesmo transações entre empresas. Exemplo típico é Elon Musk, da Tesla e agora do Twitter, mas já se falou tanto dele que nem vale voltar ao personagem.

A tendência é a de que, em 2023, precisaremos de líderes com espírito de servir e capacidade de execução, que tenham a habilidade de enfrentar incertezas, conduzindo seus times e organizações tanto em mares revoltos como em calmarias, não apenas no presente, mas também garantindo a sustentabilidade dos negócios no longo prazo. Vamos, sim, voltar a sermos justamente cobrados por vários resultados para além de crescimento, nas perspectivas humana, financeira, social e ambiental.

Discussão sobre o modelo de trabalho (sim, ainda)

Se 2020 terminou com quase todo o mundo em trabalho remoto, já 2021 acabou no auge da “Great Resignation” (ou o Grande Pedido de Demissão), termo em inglês que se popularizou para representar uma geração de funcionários que preferia abrir mão do trabalho a não a voltar para os escritórios. Agora, 2022 termina com desligamentos em massa nas empresas tecnológicas e interrogações sem resposta sobre modelos de trabalho, que serão herdadas por 2023.

As pesquisas mais recentes sobre o tema são inconclusivas. Não raro, uma contradiz a outra sobre qual seria o melhor modelo para garantir, no presente, o futuro do trabalho. Continuamos sem garantias de qual seja o melhor caminho para atender tanto os anseios dos profissionais, a produtividade das empresas e a necessidade de engajamento e interação das equipes.

Divulgado na semana passada, um estudo de pesquisadores da Harvard Business School, feito ainda na pandemia, mostrou que o modelo presencial não afetava diretamente a produtividade dos negócios. Já apuração da Reuters, publicada há alguns dias, revelou que muitas companhias querem a retomada dos escritórios, enquanto a mão de obra demanda mais e mais flexibilidade. Uma terceira linha veio da People Management: pesquisa apontou que podem ser infundados os temores de que o trabalho remoto seja menos eficiente, contudo, o melhor caminho talvez seja um modelo híbrido, com mais dias nas empresas do que em casa. Isso pode estimular a colaboração, a proximidade dos times e maior coesão da cultura organizacional.

A discussão promete continuar em 2023, inclusive porque a opção pela manutenção, adoção ou a volta a este ou aquele modelo impacta em pautas como administração de ativos imobiliários, mobilidade urbana e, até mesmo, diversidade e inclusão, sobretudo em negócios que no passado recente buscaram ser geograficamente diversos, o que resolveu também a questão da falta de mão de obra no entorno de suas sedes físicas.

Cenário global (em um mar de incertezas e indicadores negativos)

Por fim, temos nosso mundo globalizado em choque. O conflito entre Rússia e Ucrânia não dá sinal de desfecho próximo. Tampouco é o único a afetar todo o mundo. As tensões, sobretudo no Oriente Médio, aumentam. Um outro tipo de guerra, a comercial, travada entre Estados Unidos e China, também volta a preocupar. Outro motivo de preocupação vem da escalada inflacionária e das instabilidades que pode ocasionar em nações que historicamente estáveis, como a Inglaterra.

O cenário é tão complexo, com ramificações e interligações que afetam desde balança comercial a processos logísticos, passando por preço de commodities e compra de insumos, que muita gente já está juntando várias crises em uma só e usando a expressão “policrise”, que pode aumentar ainda mais as dificuldades no ano que começa. Para enfrentar essa turbulência, nada mais a fazer do que manter firme a mão no leme, corrigir a rota sempre que necessário em direção à estratégia, olho no parabrisas e cuidar de todos os passageiros a bordo.

https://exame.com/colunistas/viviane-martins/tres-desafios-para-os-gestores-em-2023/

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