De Alpha a Zap


Por Adriano Oliveira – Meio – 27/08/2022
De cabeça abaixada, os olhos brilham em frente a uma tela acariciada por dedos que repetem o mesmo movimento de arrastar, de cima para baixo, de lado a lado, em movimentos pinça para o zoom, a cada poucos segundos. O almoço chega. Nem é preciso olhar para o prato. A não ser para fazer uma foto. A rotina segue, agora, apenas com uma das mãos, enquanto a outra desempenha a mecânica tarefa de segurar o talher para a displicente alimentação. E assim passam-se minutos de um mergulho em interações virtuais — e virtualmente zero das reais. Essa cena pode descrever o almoço de muitos de nós em um dia qualquer. Mas também narra o cotidiano de crianças e adolescentes.
A geração Alpha, os nascidos a partir de 2010, é a primeira 100% digital. Embora a geração anterior, a Z, já tenha passado parte da infância acessando a internet e ostentando seus primeiros smartphones, os Alphas nasceram em um mundo transformado e dominado pelas inovações tecnológicas, que mudaram radicalmente as relações sociais. A sociedade digital não mais depende de mídias físicas para entretenimento ou informação: consome conteúdo escolhendo o que ver, quando e como quiser. Essa nova geração simplesmente desconhece o analógico.
O ser humano é um animal relacional. A forma como nos desenvolvemos é na conexão com os outros. Aprendemos a falar ao ouvir nossos pais, avós, tios e tias, pessoas do nosso ciclo. Definimos nossas identidades na troca. Nos exemplos. Conforme reduzimos os componentes familiares e o trabalho ultrapassa os limites antes mais claros entre vida pessoal e profissional, a nova leva geracional se desenvolve mirando outros espelhos. Pais e filhos dividem a atenção entre si com os dispositivos eletrônicos. A criança Alpha se acostumou a disputar a atenção dos adultos com as telas. E também a se entreter e perceber o mundo com essa intermediação.
É um assombro observar a facilidade com que os Alpha operam tablets e smartphones, transitando com desenvoltura por games, streamings, diferentes aplicativos e vídeos do YouTube, TikTok e Instagram. A sensação inicial de quem convive com essas criaturas digitais, mesmo os mais novinhos, é de que essa é a geração mais inteligente que já existiu. E há alguma dose de verdade nessa percepção. Ao menos, pode-se antever como uma das características da geração Alpha o fato de que ela vai ser a mais bem formada da história. “Eles são considerados mais inteligentes porque têm uma capacidade de observar o ambiente, de entender o que está acontecendo e transformar isso em conhecimento [de maneira] mais habilidosa do que as gerações anteriores”, explica Maysa Fagundes, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP com ênfase no estudo da geração Alpha. “Então, conseguem transformar o aprendizado em conhecimento com um pouco mais de facilidade.”
Parte dessa facilidade é inerente à própria visão de mundo desse tempo. Um mundo absolutamente sem fronteiras, tanto pela globalização quanto pela integração tecnológica. A vida em rede facilita a troca de experiências entre pessoas em polos opostos do planeta. Os Alphas se adaptaram a essa realidade das últimas duas décadas. É um universo tão novo que até o conceito de tempo e espaço foi alterado. Os Alphas, mesmo os não inteiramente alfabetizados, sabem trocar mensagens com parentes e amigos da escola. E ampliam seu entorno para amizades fora do círculo de convivência, em conversas virtuais esporádicas. Se para a geração X, dos nascidos entre 1965 e 1980, o contato físico e os papos “olho no olho” — ou ao menos por telefone — eram mais importantes, para os Alphas os encontros podem ser espaçados. “O conceito de tempo para eles fica diferente. Não precisa ser ao mesmo tempo. A gente pode ter uma conversa com uma diferença de uma semana e se sentir super próximo”, explica Fagundes.Vale aqui abrir uma discussão. A teoria geracional criada pelas ciências humanas busca entender o comportamento de uma sociedade nascida em um mesmo período ou contexto histórico. Foi assim que os Baby Boomers, nascidos entre as décadas de 1940 e 1960, começaram a ser estudados. Foi o momento da explosão demográfica, quando os homens voltavam para casa após o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas definir gerações, enquadrá-las, é, necessariamente, fazer um recorte. E, assim, evidente, deixar nuances de lado. 
Não raro, pode-se cair na armadilha dos estereótipos. Numa reportagem da The Atlantic sobre o assunto, Dan Woodman, professor de sociologia da Universidade de Melbourne que estuda rótulos geracionais, crava: “Provavelmente ficaríamos irritados se fizéssemos com gênero ou raça o que ainda conseguimos fazer com gerações”. Por outro lado, rotular uma geração ajuda a descrevê-la e pode ajudar a compreendê-la. “Uma das coisas que fazemos com rótulos geracionais é fazer afirmações sobre o quão diferente essa turma é – eles são tão diferentes, quase estranhos em suas atitudes, que você precisa pagar alguns especialistas para entrar e explicá-los para você.” E paga-se muito bem, ele conta. Neil Howe, um dos criadores do termo Millenials, há cerca de 30 anos, fez uma lucrativa carreira em consultoria, palestrando e escrevendo sobre gerações.
De qualquer forma, é com esses recortes que nos acostumamos a tentar avaliar e prever comportamentos. O próprio Woodman reflete, sobre os Alphas, que “eles ainda são crianças”. “Muitas coisas que atribuímos a uma geração estão na maneira como ela começa a pensar sobre política, na maneira como se envolve com a cultura e [se] é uma fonte de novos movimentos sociais.” Mas compreende-se mais a fundo uma geração, de forma mais substancial, quando eles entram na adolescência. Depois dos Baby Boomers, sociólogos, antropólogos, cientistas sociais e outros estudiosos das humanidades buscaram compreender como seus filhos se diferenciavam de seus antecessores. Robert Capa, fundador da agência Magnum, cunhou o termo geração X, por não encontrar uma definição específica para os nascidos no pós-guerra. Mas a expressão se popularizou após o lançamento da banda Generation X, criada pelo cantor inglês Billy Idol e o lançamento do livro Geração X: contos para uma cultura acelerada, de Douglas Coupland.
As gerações seguintes sempre foram definidas por letras, como a Y, entre 1980 a 1995 (que também ficou conhecida como Millenial), e a Z, de 1995 a 2010. Esgotadas as letras do alfabeto romano, o sociólogo australiano Mark McCrindle, que também tem uma agência de consultoria, fez, em 2008, uma pesquisa — online, claro. Vários nomes associados à tecnologia surgiram ali, como os “Onliners”, “Generation Surf” ou “Technos”. Outros atribuíam à nova geração o peso de redimir os pecados das anteriores, como “Regeneração”, “Geração Esperança”, os “Salvadores”, “Geração Y-não”. McCrindle, porém, optou por adotar um novo alfabeto. Para os bebês que nasceram a partir de 2010, chamou-os de geração Alpha, a primeira letra grega.
Eu, robô
Voltemos a ela. Com uma exposição tão ostensiva às telas, o comportamento dos Alphas também é moldado pelo conteúdo consumido nas plataformas digitais. Os referenciais, dos ideais de beleza do corpo de mulheres e homens até o de seus adereços, vêm com o filtro da publicidade e dos influenciadores. “Estamos falando sobre todo um ideal de existência física, que é manifestado de uma forma totalmente editada nas redes”, explica Pedro Almeida, mestre em antropologia pela UFBA e gestor de inovação. Ele ressalta que os conteúdos nesses espaços, principalmente dos perfis profissionais, são editados para mostrar a vida sempre por um ângulo positivo. Nas raras vezes em que o aspecto negativo é abordado, as mensagens são pensadas de maneira a favorecer a personagem no vídeo. É uma realidade fantasiosa.
Com isso, claro, vem uma crise na construção da autoimagem. A referência para o jovem, que antes eram os pais e os professores, se desloca para influenciadores digitais e artistas. Não que antes os astros de Hollywood não assumissem esse lugar. Mas a convivência entre fãs e ídolos estava restrita às páginas de jornais e revistas. Agora, todos têm perfis nas principais redes sociais, compartilham seu cotidiano, muitas vezes distorcido pelo glamour e a ostentação. São objetos de desejo ao mesmo tempo acessíveis e inalcançáveis. O pré-adolescente, sujeito a uma esperada crise de identidade que vem quando ele não se reconhece mais como igual aos indivíduos de seu círculo familiar, vai procurar sua “tribo” nesse ambiente. Um mundo artificial onde os pratos são perfeitos, as pessoas são lindas, saudáveis, e vivem em constantes viagens a locais deslumbrantes. Na terra onde a grama do perfil alheio é sempre mais verde e florida. “É uma crise da representatividade, da referência que antes estava atribuída a uma paternidade, a um professorado e hoje isso está nas autoridades digitais”, acrescenta Almeida.
Somam-se a elas os buscadores, como o Google. As dúvidas e os medos dessa fase são levadas a uma ferramenta que não oferece necessariamente as respostas, mas apenas interpretações de um algoritmo sobre o que seria o resultado adequado para as pesquisas. Encontrar material confiável online não é trivial, principalmente para os que acabaram de desembarcar ali e ainda não entendem os perigos da desinformação e das ciladas cibernéticas. A abundância de informação na rede tem evidentes vantagens. Pode ser uma grande aliada da curiosidade das crianças. Mas a quantidade não quer dizer que haja qualidade no consumo — tampouco maturidade, intelectual ou emocional, para lidar com o conteúdo que recebem. “Isso me preocupa, porque agora as crianças buscam essas referências na internet e se validam por falas dessas autoridades digitais. 
Mas para se construir como autoridade digital, principalmente para uma criança, você não precisa ter muito conhecimento, bagagem. Precisa apenas de um atrativo lúdico”, comenta o antropólogo.
Sempre alerta
Os efeitos dessa vida em tela vão além dos comportamentais. Sempre envoltos em estímulos novas informações, os Alphas estão em permanente estado de alerta. “Com isso, nós temos algumas questões de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade”, explica a psicóloga Maysa Fagundes. “Mas também a atenção deles é o tempo todo desviada porque há um letreiro, uma música, ou um vídeo, que é curto.” Pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia monitoraram 2,6 mil adolescentes por dois anos e descobriram que jovens que fazem o uso excessivo de telas como celulares, tablets e outras mídias têm duas vezes mais chances de apresentarem sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) que os demais.
Muito tempo com celular na mão, pouco tempo para descanso da mente. As muitas horas de uso ao longo da noite têm reduzido a qualidade do sono dos jovens, impactando diretamente no aprendizado e no rendimento escolar. O professor de pediatria de Harvard, Michael Rich, conduz estudos e atendimento clínico desse público em Boston. Ele explica que o cérebro humano, em sua fase de crescimento, está constantemente construindo conexões neurais. Ao mesmo tempo, vai eliminado aquelas menos usadas, num processo de limpeza. Acontece que o uso de mídias digitais desempenha um papel ativo nesse processo, ao oferecer, nas telas, uma estimulação “empobrecida” em comparação com a realidade. Ele defende que o mix entre experiências online e offline é essencial. Mais ainda, o tédio. “O tédio é o espaço em que a criatividade e a imaginação acontecem”, explica Rich.
Mas separar uma criança ou um adolescente de seu gadget não é simples. Isso porque eles ativam uma área extremamente prazerosa e gratificante. “Praticamente todos os jogos e mídias sociais funcionam no que é chamado de sistema de recompensa variável, que é exatamente o que você ganha quando vai ao Mohegan Sun [cassino nos Estados Unidos] e puxa uma alavanca em uma máquina caça-níqueis. Equilibra a esperança de que você vai se tornar grande com um pouco de frustração e, ao contrário da máquina caça-níqueis, um senso de que basta melhorar suas habilidades para chegar lá.”
O futuro
Como o sociólogo Dan Woodman, de Melbourne, explica, os Alphas ainda são muito jovens para que se façam previsões de sua vida adulta. Mas dá para se imaginar os desafios. Além de desenvolver algum nível de controle sobre o uso dos dispositivos e redes sociais, a favor da própria saúde física e mental, será necessário que os Alphas se prepararem para as constantes transformações tecnológicas a que já estão sujeitos. Segundo Pedro Almeida, “existe uma possibilidade muito grande de termos uma crise no mercado de trabalho em nível global, potencializada pela aceleração da automação”.
As escolas já começaram a buscar um novo modelo de ensino, mais focado no desenvolvimento tecnológico e nas habilidades que cada indivíduo apresenta. A reforma do Ensino Médio permite que os alunos escolham a área do conhecimento em que queiram focar. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Com a possibilidade de extinção de profissões existentes e a criação de novas áreas de trabalho, muitos desses jovens estão em formação para atividades que nem mesmo foram criadas. “Essa criança, quando terminar o ensino médio, entrar num curso superior, finalizar, entrar no mercado de trabalho… é uma escala de tempo em que tudo pode ter mudado. Será que estamos dando uma educação para essa criança viver o que ela vai necessitar daqui a pouco?”, questiona Almeida. “Se não estamos preparando para o que já temos como pontos essenciais da vida de hoje, imagine daqui a 15, 20 anos.”
Um ponto importante para a nova leva de profissionais é a diferença de visão de carreira no mercado de trabalho. “Eles têm muita dificuldade hoje no mercado porque a maneira como ele está formatado prevê que as carreiras tenham uma continuidade. Você precisa de um tempo numa empresa para crescer, se desenvolver. E eles entendem que o aprender e o se desenvolver é experiência. Então, eu venho, fico nessa empresa seis meses, já aprendi como é que faz, posso sair pra uma outra e aprender outra forma de fazer”, explica Maysa Fagundes. Segundo a psicóloga, um outro ponto de conflito é a falta de foco em uma única área de ação. “É um grande desafio para eles conseguirem fazer uma escolha de carreira, de profissão. Porque para eles, a vida não tem mais isso de você ser uma coisa só a vida inteira. Você pode ser tudo ao mesmo tempo e parar e começar de novo, toda hora.” É aquela alteração no conceito espaço e tempo de que a geração Alpha é ao mesmo tempo vítima e protagonista. Mas tudo indica que essa também é a geração mais preparada para inventar um futuro — e um mercado — em que ela se encaixe perfeitamente.

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Hacker e mulher trans: Audrey Tang conta como é ser ministra digital de Taiwan

Em entrevista à EXAME, ministra Digital de Taiwan traz exemplos de como hackers criam soluções que beneficiam a sociedade, auxiliam no controle da contaminação da covid-19 e mais. Tang também comenta como ser uma mulher trans influencia sua visão e trabalho

Marina Filippe – Exame –  24/08/2022 

Pode parecer improvável que uma hacker assuma o ministério de um país, mas é exatamente isto que acontece em Taiwan. Desde 2016 Audrey Tang* ocupa a cadeira de ministra Digital, onde lidera projetos de transparência de dados, e colaboração entre governos, empresas e cidadãos. 

Ela, que é uma mulher trans, defende a importância da cultura hacker para a criação de produtos que resolvam problemas existentes, a partir de valores como liberdade e compartilhamento. “Há muitos problemas interessantes no mundo esperando que os resolvamos”, disse em entrevista à EXAME.

A ministra também compartilha soluções bem-sucedidas de controle da covid-19, distribuição de água potável e mais. Leia a entrevista completa a seguir.

Como o estado pode se beneficiar da cultura hacker?

A cultura hacker enfatiza a valorização da criatividade. Ao mergulhar em um campo ou sistema, os hackers podem criar produtos novos e significativos que criam coisas novas e resolvem problemas existentes, e acreditam nos valores de liberdade e compartilhamento.

Eric S. Raymond escreveu um artigo com o título de “Como se tornar um hacker”, mencionando que existem 5 atitudes importantes para hackers. Primeiro, há muitos problemas interessantes no mundo esperando que os resolvamos; em segundo lugar, depois de resolver um problema, você deve compartilhar sua solução e não deixar que outros desperdicem tempo resolvendo o mesmo problema; depois, todas as coisas longas e tediosas não devem desperdiçar o tempo de seres humanos para fazer, e devem ser feitas automaticamente por máquinas ou robôs; em quarto, os hackers buscam a liberdade e a transparência das informações e, portanto, se opõem a qualquer forma de totalitarismo; e por fim, os hackers devem pagar sua própria sabedoria, exercício e trabalho duro, e se comprometer a aprender uns com os outros.

Essas ideias na cultura hacker, são minhas crenças. Após ingressar no serviço público, fui lentamente inserindo o DNA dessa cultura em minha tarefa administrativa diária, mudando gradualmente a cultura do serviço público. Um governo que tenha o espírito da cultura hacker pode buscar novas possibilidades e não tem medo de resolver problemas difíceis. Ele tenta unir a todos para avançar e acredita nos valores de liberdade e compartilhamento. Um governo desse tipo será inovador e dinâmico, e será capaz de trabalhar com todas as pessoas para encontrar soluções para problemas difíceis.

Taiwan realiza o Hackathon Presidencial todos os anos desde 2018 para trazer a cultura hacker para o processo político. A presidente Tsai Ing-wen disse acreditar que o espírito de colaboração e compartilhamento representado pelo hackathon trará um novo modelo para resolver problemas no futuro.

Ao enfrentar desafios e problemas, as pessoas podem trabalhar juntas para estimular novas respostas e soluções para eles, e isso pode trazer mudanças no governo. Por meio do brainstorming, cada vez mais opiniões de cidadãos podem ser envolvidas no processo de administração do governo. As situações e problemas que encontramos na linha de frente podem ser imediatamente refletidos no desenho da política, o que pode acelerar a otimização das operações governamentais e tornar sua administração mais eficiente.

O que os estados precisam fazer para inserir essa cultura em seus governos?

Se um governo quiser introduzir a cultura hacker em um país, ele pode primeiro tentar resolver esse problema através do espírito hacker. O Hackathon Presidencial é dirigido pelo Gabinete Presidencial e organizado pelo Executive Yuan, e está aberto ao público para estimular a criatividade.

Por meio da participação e colaboração de todas as pessoas, aliada ao acesso aberto do governo à informação, as deficiências do setor público podem ser complementadas pela criatividade do setor privado, e os problemas sociais podem ser resolvidos por ideias de diversidade e inovação. As propostas vencedoras no Hackathon Presidencial, por exemplo, são orçadas pelo governo para implementação.

A proposta premiada em 2020, “CircuPlus Tea-Serving Operation”, foi desenvolvida após o promotor do grupo participar de um evento de limpeza de praia e descobrir que havia infinitas quantidades de PET. Para reduzir o desperdício causado pela água engarrafada, ele desenvolveu o aplicativo CircuPlus, junto com seus amigos.

Ao adotar uma tecnologia inovadora combinada com o tradicional espírito taiwanês de servir chá e hospitalidade, eles criam um mapa de Taiwan com os lugares que fornecem água potável gratuita. Pessoas com seus próprios copos podem usar o aplicativo para encontrar postos de água potável gratuita, o que elimina a necessidade de comprar água engarrafada e alcança a meta de redução de plástico na fonte e economia circular. Em junho, o número de estações de água potável em Taiwan ultrapassou 8.000, e o CircuPlus foi baixado por mais de 210.000 usuários.

Quais têm sido os principais desafios no Ministério até agora? E os principais avanços?

Em 27 de agosto, nosso governo estabelecerá o Ministério de Assuntos Digitais, um novo ministério com a mais alta prioridade de promover a resiliência digital para todas as pessoas. Resiliência significa que, quando confrontados com condições desfavoráveis, como epidemias ou desastres naturais, devemos não apenas ser capazes de resistir, mas também nos recuperar rapidamente do golpe. Devemos também aprender com essas experiências desfavoráveis ​​e fortalecer nossos próprios sistemas. Vamos construir a fundação de resiliência digital para todas as pessoas em três aspectos: inclusão social, transformação industrial e resposta à segurança da informação.

Assumiremos a liderança na introdução e até mesmo na demonstração de novas tecnologias digitais que serão estendidas a outras agências governamentais. Por exemplo, seremos os primeiros a experimentar assinar documentos oficiais em telefones celulares.

A segurança da informação deve ser o maior desafio que enfrentamos hoje, porque quanto mais diversos e inovadores os serviços governamentais se tornam, mais importante é manter a segurança da informação e manter as operações funcionando sem interrupção.

Diante de riscos repentinos de segurança da informação, devemos ser capazes de responder imediatamente, e muitos desafios virão de fora do país. Portanto, o maior desafio para o Ministério de Assuntos Digitais é estabelecer bons hábitos de segurança da informação e capacidade no governo para provar que Taiwan pode se defender e entrar no código público do sistema de defesa conjunto democrático.

Como seu trabalho ajudou a conter o Covid-19 e quais são as principais lições que outros países podem aprender com Taiwan?

Acredito que, diante de um problema, é melhor usar uma abordagem colaborativa para encontrar uma solução. O governo tem os recursos e os dados, e os usuários na linha de frente conhecem melhor o problema, então a melhor solução pode ser encontrada através da cooperação.

Por exemplo, no início do surto da pandemia de Covid-19 em 2020, quando a oferta de máscaras excedeu a demanda, nosso governo implementou um sistema de nomes para máscaras. A comunidade de código aberto, g0v, projetou um “mapa de máscaras” que permitiu que as pessoas verificassem o estoque de máscaras em várias farmácias em tempo real, para que não precisassem esperar na fila.

Como um dos participantes do g0v, sugeri ao Premier que deveríamos confiar mais em nossos cidadãos e abrir dados em tempo real ou API para tornar o mapa de máscara melhor. O Premier concordou com esta proposta, o que nos permitiu atualizar os dados mais recentes a cada 30 segundos. Devido a essa experiência, conseguimos implantar o mapa do kit de teste rápido muito rapidamente quando implementamos o sistema de nomes reais do kit de teste rápido.

“Confie em nossos cidadãos” é a valiosa experiência adquirida por Taiwan durante o período de controle da pandemia. Confiar que nossos cidadãos podem fazer aplicativos melhores se tiverem API e dados em tempo real é o espírito da cooperação entre o governo e todos os cidadãos.

Também garantimos que a linha direta epidêmica estivesse acessível para que as pessoas fizessem perguntas sobre medidas de controle sanitário, o que nos permite identificar e responder aos problemas mais rapidamente. Também realizamos coletivas de imprensa todas as tardes quando a epidemia é grave, para explicar a situação mais recente da epidemia e confiar em nosso povo de todo o coração de maneira aberta e transparente.

Como seu trabalho ajuda o estado e as pessoas por meio da transparência de dados?

Além do já mencionado Hackathon, também temos o projeto “Civil IoT Taiwan”, em resposta às questões cada vez mais críticas do ambiente natural e dos recursos. Estamos promovendo uma governança digital mais profunda com base em big data, Internet das Coisas e tecnologias de IA em quatro áreas principais: qualidade do ar, terremoto, recursos hídricos e prevenção e alívio de desastres.

Construímos uma plataforma de serviço de dados para integrar os dados do setor privado e do governo e, assim, padronizar o formato internacionalmente para facilitar o acesso ao uso de valor agregado. Também disponibilizamos os dados para empresas, academia e público em geral para incentivar todas as indústrias a criar serviços mais inovadores para enfrentar os desafios trazidos pelas mudanças ambientais.

Por exemplo, o “AirBox”, um monitor de qualidade do ar de baixo custo projetado pela g0v em 2015, pode monitorar a qualidade do ar. O setor público tem fornecido o espaço experimental para que as AirBoxes ganhem ampla visibilidade, e elas têm sido construídas gradativamente nas varandas das escolas e residências. Com a ajuda do projeto “Civil IoT Taiwan”, o número de AirBoxes cresceu de 2.000 para dezenas de milhares, e a qualidade do ar de todos os lugares em Taiwan agora pode ser verificada on-line.

Se esses espíritos hackers forem introduzidos em um governo, ele incorporará a confiança nas pessoas, e o governo trabalhará com todas as pessoas para criar soluções. Se eles forem aplicados a empresas, as empresas podem confiar em seus clientes e empresas parceiras para cocriação.

Como ser uma mulher trans afeta suas decisões no trabalho?

Ser transgênero me permite não ter uma mentalidade binária. Não acho que metade das pessoas esteja mais perto de mim, e a outra metade seja diferente de mim e, portanto, mais distante. Isso me permite ver as coisas de uma variedade de perspectivas e ser capaz de simpatizar com comunidades mais diversas com algumas das mesmas emoções e experiências de vida, o que me ajuda muito na minha posição.

*Audrey Tang foi um das palestrantes da Semana de Inovação organizada pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP)

https://exame.com/esg/audrey-tang-ministra-de-taiwan-como-a-cultura-hacker-pode-ajudar-governos/

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Por que quem defende o “quiet quitting” odeia a própria expressão?

A desistência silenciosa pode ser uma expressão confusa e falha, mas é parte de uma recalibração maior no mercado de trabalho

Por Jo Constantz, Bloomberg/Valor 24/08/2022 

Não chame isso de “quiet quitting”, ou desistência silenciosa, em português. Esse é o grito de guerra de um crescente coro nas redes sociais, incluindo um fórum no Reddit que ficou famoso nos EUA por reclamações trabalhistas e que conta com mais de 2 milhões de membros.

Os editores no fórum r/antiwork argumentam que chamar o fenômeno do “quiet quitting” de qualquer variedade de “desistência” implica que os funcionários estão agindo mal, quando na realidade o termo significa simplesmente cumprir o que está descrito no trabalho e estabelecer limites para saúde.

Posts no fórum do Reddit, que decolou durante a pandemia com o lema “desemprego para todos, não apenas para os ricos”, culpam a mídia pela cobertura frenética do conceito de desistência silenciosa, que deveria ser considerado a norma, não uma nova tendência. Outros veem o novo bordão, o “quiet quitting”, como uma ferramenta que os empregadores podem usar contra os funcionários por não trabalharem mais do que o que o contrato (e nível de remuneração) estipula.

Expressões memoráveis têm ganhado prestígio no fórum do Reddit. Entre elas, está o “aja de acordo com seu salário” e “demissão silenciosa”, este termo usado quando os chefes tornam as vidas de seus funcionários horríveis, mas não chegam a demiti-los.

A internet foi inundada nos EUA com explicações e debates sobre a chamada desistência silenciosa, a nova palavra da moda que significa fazer o seu trabalho conforme descrito. Os entusiastas descrevem a mentalidade como um retiro furtivo da cultura da agitação (hustle culture, em inglês) que dominou a era pré-pandemia.

Não é só no Reddit

A reação contra o termo “quiet quitting” está aumentando, e não apenas no Reddit. Comentários no Twitter apontam que a desistência silenciosa é uma expressão confusa e falha.

“Eles chamam de “desistência silenciosa”, mas é realmente só fazer as suas tarefas durante o horário comercial normal. As pessoas merecem um bom equilíbrio entre o trabalho e a vida. E não ter de responder a um email do trabalho às 10h da noite não é desistir. É apenas ser um humano normal que tem uma vida e define limites para sua saúde”, diz a mensagem do LinkedIn.

No TikTok, Shini Ko, 28, concorda que o termo é problemático.

“A ideia de abandonar a cultura da agitação e não ir além é basicamente ter uma fronteira saudável entre trabalho e vida. Eu só não acho que o termo desistência silenciosa seja apropriado para isso, porque soa negativo”, disse ela em entrevista. “É mais perigoso do que empoderador”

Ko trabalha no Canadá como desenvolvedora de software para pagar as contas e financiar sua paixão: Bao Bao, uma fazenda orgânica que ela iniciou no ano passado especializada em vegetais de herança asiática.

Ko observa que definir limites claros no trabalho não significa que você não está fazendo seu trabalho. “A agricultura é cara, e eu não poderia ter começado minha fazenda sem meu salário”, disse ela. “É muito importante para mim ter isso em mente porque, no final das contas, ainda preciso fazer meu trabalho direito.”

Termo revelador

Para Rahaf Harfoush, uma antropóloga que estuda a cultura digital e a cultura da vida profissional, a discussão em torno da escolha de palavras deve fazer parte do debate tanto quanto entender se a desistência silenciosa é uma boa ideia ou não.

“O próprio termo em si é uma escolha de vocabulário não intencional e muito reveladora sobre a cultura da agitação em si”, disse ela em entrevista. O termo expõe o conflito interno que as pessoas enfrentam quando se trata de estabelecer limites entre vida profissional e pessoal. “Com a desistência silenciosa, há quase uma vergonha e as pessoas admitem isso, porque, se não houvesse, não chamaríamos de desistência silenciosa.”

Harfoush publicou um estudo de três anos sobre a cultura da agitação, que explora as maneiras pelas quais os trabalhadores permanecem profundamente enraizados nos ideais de sacrifício, dando tudo de si e superando as expectativas – mesmo que isso possa resultar em doença, exaustão e esgotamento.

“Esses são os ideais que estão enterrados em nosso subconsciente. Então, embora possamos querer equilíbrio entre vida profissional e pessoal, quando ouço as pessoas falarem sobre desistir silenciosamente, eu fico tipo, ‘Ah, ainda não deixamos isso de lado’”, disse Harfoush.

Enquanto os funcionários sentirem que têm uma chance de serem recompensados por todas as horas extras, as centenas (ou milhares) de horas não compensadas podem valer a pena. No entanto, muitos trabalhadores, especialmente as gerações mais jovens, não veem mais os benefícios disso.

Os salários não acompanham a inflação, enquanto a alta no preço dos aluguéis e a crise da habitação colocam a qualidade de vida básica e os principais marcos fora de alcance.

Harfoush disse que a tendência do “quiet quitting” (com ou sem nome apropriado) é parte de uma recalibração maior no mercado de trabalho.

“Muitas promessas geracionais feitas às pessoas foram quebradas. Disseram que se trabalhássemos muito, e que se fôssemos mais longe, e que se pudéssemos alcançar essa promoção, a recompensa seria poder comprar uma casa, poder ir à escola, poder conseguir um bom emprego, poderíamos subir de nível”, disse ela. “Disseram que, em troca do sacrifício no mercado de trabalho, haveria benefícios. E agora o que estamos vendo, pelo menos com os millennials, é que essas promessas não são verdadeiras.”

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/08/24/por-que-quem-defende-o-quiet-quitting-odeia-a-propria-expressao.ghtml

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PwC deixa de exigir diplomas para aumentar a diversidade

Mudança vale para cargos iniciais e estágios. Entenda

Por Bloomberg/Valor 15/08/2022

A PricewaterhouseCoopers (PwC) – uma das firmas no Reino Unido que mais emprega pessoas formadas – anunciou que deixará de exigir diplomas com altas classificações, como parte de seus esforços para atrair candidatos de condições menos favorecidas para trabalhar na empresa. A firma informou que não exigirá mais diplomas com classificação 2:1 como requisito mínimo para estágios ou cargos iniciais.

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“Talento e potencial são determinados por mais do que notas acadêmicas”, disse Ian Elliot, diretor do departamento de pessoas da PwC, acrescentando que a iniciativa permitirá “obter progressos reais para motivar a mobilidade social de recrutas na PwC.”

PwC deixa de exigir diplomas para aumentar a diversidade — Foto: Unsplash

Apenas 14% dos britânicos se formaram com um diploma 2:2 [uma classificação inferior] em 2021, segundo a Agência de Estatísticas da Educação Superior do Reino Unido, enquanto 3% tiveram a classificação mais baixa, de terceira classe. Mais de 80% conseguiram um diploma 2:1, de classe superior.

O Reino Unido possui um sistema diferente de classificação de diplomas, no qual o aluno recebe ‘honras’, dependendo do nível de tarefas e rotina acadêmica para um determinado período

A PwC também informou que, pelo terceiro ano consecutivo, as pessoas saindo do ensino médio que tiverem uma oferta da firma terão seus cargos garantidos, mesmo se não conseguirem as notas exigidas anteriormente, de nível A.

Um porta-voz da KPMG, outra das chamadas “big four” firmas de auditoria do mundo, disse que ainda se espera de seus formados que obtenham um diploma 2:1, mas acrescentou que avalia cada candidato individualmente. Em 2015, a firma de auditoria rival EY havia deixado de exigir o diploma 2:1. A EY “tem sido capaz de recrutar e de ter acesso a um conjunto de talentos muito mais amplo e diverso”, desde que tomou a decisão, segundo Justine Cambell, sócia-gerente da área de talentos.

(Tradução Sabino Ahumada) 

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/08/15/pwc-deixa-de-exigir-diplomas-para-aumentar-a-diversidade.ghtml

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Potencial da economia do mar no Brasil depende de investimentos em tecnologia e política industrial, afirmam pesquisadores

País tem grande participação de setores extrativistas como óleo e gás, mas ainda patina na indústria naval

Por Italo Bertão Filho, Prática ESG/Valor 18/08/2022 

Seja pelo aumento na taxa de desmatamento ou pelas possibilidades que o mercado de créditos de carbono pode trazer, a Amazônia ganhou relevância em nível internacional e está na pauta das discussões econômicas do Brasil. Já a economia do mar é um assunto ainda desconhecido pela maioria da população, embora o país tenha uma costa de quase 11 mil quilômetros de extensão e um dos maiores litorais do mundo. Mas o potencial de desenvolvimento da economia do mar brasileira, ainda essencialmente extrativista, passa por mais investimentos em tecnologia e inovação, de acordo com estudo de pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), repassado com exclusividade ao Prática ESG.

A economia do mar é um assunto relevante na temática de ESG (termo em inglês para questões ambientais, sociais e de governança) pelas possibilidades que apresenta em temas como bioeconomia e desenvolvimento sustentável. No mundo, o setor deve chegar a uma movimentação de US$ 3 trilhões até 2030, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De olho no potencial econômico da exploração dos recursos vivos e não vivos, países como Estados Unidos, China e Coreia do Sul criaram estratégias para o segmento ao longo da década passada.

Já no Brasil, o tema é tão recente que não há um posicionamento estratégico e tampouco existe uma base consolidada para análise dos dados e mensuração do impacto do segmento na economia. Por isso, os pesquisadores Isabela Marques, Marcelo Fernandes e Alexandre Freitas, do Centro de Estudos da Economia do Mar para o Rio de Janeiro, ligado à UFRRJ, cruzaram, de forma inédita, os dados de atividades econômicas fornecidos pelo IBGE e descobriram que, em 2018, a economia do mar movimentou R$ 415,7 bilhões, correspondentes a 5,93% do produto interno bruto (PIB) brasileiro daquele ano.

A economia do mar ainda é essencialmente extrativista no país, segundo os pesquisadores. Quase metade da movimentação econômica desse segmento (49,4%) corresponde às atividades de óleo e gás, em especial refino de petróleo e extração de óleo bruto. Na comparação com países como Reino Unido, Dinamarca e Itália, o Brasil é a nação que tem a maior participação de recursos não vivos – que envolve extração de petróleo e gás natural – na economia do mar.

A dependência da extração faz com que o país tenha um setor manufatureiro ainda muito pouco desenvolvido, desafio que a indústria naval enfrenta desde os anos 1980, quando o segmento entrou em colapso e vários estaleiros passaram por dificuldades financeiras ou pediram falência. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), hoje o segmento emprega 15 mil pessoas, uma queda de 80% quando se compara com o montante de 2014, quando o setor naval gerava cerca de 82 mil empregos.

Hoje, de acordo com os pesquisadores, a participação do setor de manufatura e construção naval na economia do mar corresponde a pouco mais de 2%, índice semelhante ao de países como Dinamarca (2,6%) e Espanha (3,2%). Já em países como França e Alemanha, a fatia de mercado sobe para 14,1% e 11,3%, respectivamente.

Na prática, isso significa que o Brasil extrai recursos utilizando tecnologias de ponta fabricadas em outros países. Mesmo assim, existem possibilidades de alavancagem: 71% do volume está relacionado à construção e manutenção de embarcações e quase um quinto da produção do setor é referente a máquinas para extração mineral e construção naval. “A manufatura pode crescer mais se existir uma política para esse segmento. Podemos mais se investirmos em setores de maior intensidade tecnológica”, afirma Alexandre Freitas.

Na direção contrária da manufatura, o setor de turismo possui grande relevância para a economia do mar, sendo responsável por 37,9% das movimentações do segmento. A principal importância do setor, segundo os acadêmicos, está na capacidade de geração de empregos. Eles também defendem que o turismo também pode servir como uma alavanca para o desenvolvimento da construção naval.

Para a pesquisadora Isabela Marques, existe a necessidade de combinação de políticas entre atividades geradoras de emprego como o turismo, que não tem grande produtividade, mas trazem renda, e operações eficientes como o setor de óleo e gás. “As escolhas de política podem ser focadas na geração de valor adicionado, emprego e renda de forma mais imediata, mas também podem visar alterações na estrutura produtiva, que seria um processo mais lento, porém vital para reduzir as disparidades existentes entre o Brasil e os países centrais”, escreveu em sua pesquisa.

Indústria de construção naval e manufatura para embarcações pode ser alavancada, defendem pesquisadores — Foto: Foto: Divulgação

https://valor.globo.com/brasil/esg/noticia/2022/08/18/potencial-da-economia-do-mar-no-brasil-depende-de-investimentos-em-tecnologia-e-politica-industrial-afirmam-pesquisadores.ghtml

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Eve, da Embraer, anuncia primeira simulação de mobilidade aérea urbana da América do Norte

Por Isabela Moya – Estadão – 23/08/2022 | 

Helicóptero representando futura aeronave elétrica da Eve transportará passageiros para dois helipontos

A Eve, subsidiária da Embraer, anuncia sua primeira simulação de Mobilidade Aérea Urbana (UAM) na América do Norte, usando um helicóptero fornecido pela Blade Air Mobility, em preparação para a chegada da aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical (eVTOL).

O objetivo da empresa é estudar as operações, serviços terrestres e jornada dos passageiros, bem como as necessidades do operador do eVTOL, criando conexões mais acessíveis e rápidas para o centro de Chicago.

A simulação de UAM será feira em Chicago, Illinois, durante três semanas, começando com testes em solo em 12 de setembro – simulando requisitos de serviços, infraestrutura e equipamentos para o eVTOL -, e voos de passageiros no dia 14.

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Após a simulação, a cidade obterá conhecimento sobre a infraestrutura e o ecossistema necessários para permitir o lançamento e o crescimento de longo prazo esperado para a UAM na região.

“A simulação da operação do eVTOL em Chicago nos permite estudar como as pessoas irão vivenciar este serviço e entender todos os requisitos do ecossistema para nossos produtos e serviços, ao mesmo tempo que apresentamos o benefício da mobilidade aérea urbana em uma das cidades mais importantes e populosas da América do Norte”, explica André Stein, co-CEO da Eve em nota.

“Estamos finalizando os preparativos para executar essas simulações de forma eficiente e sustentável e esperamos ajudar a preparar Chicago para receber uma solução de transporte com emissão zero”, completa.

Para a simulação, a Eve formou um consórcio de parceiros, incluindo a Blade, Republic Airways, Halo Aviation, Vertiport Chicago, Village of Tinley Park, Village of Schaumburg, ACCIONA, SkyWest, Inc. e Speedbird Aero.

Um helicóptero representando o futuro eVTOL da Eve transportará passageiros das instalações da Vertiport Chicago para dois helipontos localizados a noroeste e sudoeste de cidade. A primeira rota irá conectar o vertiporto de Chicago e o heliponto municipal de Schaumburg, e a segunda rota, o vertiporto de Chicago e o heliporto de Tinley Park, em Illinois.

Os voos foram colocados à venda nesta terça-feira, 23, no aplicativo e site da Blade.

https://www.estadao.com.br/economia/embraer-simulacao-voo-npre/

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China supera os Estados Unidos em produção científica

Segundo levantamento feito pelo Japão, os chineses produziram um volume maior de artigos científicos que figuram entre os mais citados do mundo

Por André Sollitto – Veja – 11 ago 2022

Entre 2018 e 2020, a China desbancou os Estados Unidos como líder mundial tanto em volume de pesquisas científicas quanto no impacto que essas pesquisas têm no mundo. De acordo com um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Política Científica e Tecnológica do Japão, a China foi responsável por 27,2% do Top 1% de pesquisas mais citadas do planeta – uma métrica importante para definir a relevância científica de determinado estudo. Os Estados Unidos publicaram 24,9% das pesquisas mais citadas, e o Reino Unido, em terceiro lugar, publicou 5,5%.

A China também supera os EUA em volume de trabalhos publicados. Foram 407.181 estudos científicos anuais, em média, contra 293.434 artigos norte-americanos.

A China foi responsável por uma alta proporção de pesquisas em ciência dos materiais, química, engenharia e matemática, enquanto os pesquisadores dos EUA foram mais prolíficos em pesquisas em medicina clínica, ciências básicas da vida e física.

“Os artigos que recebem mais citações do que 99% das pesquisas são trabalhos vistos como sendo dignos dos vencedores do prêmio Nobel, a vanguarda da ciência”, afirmou a co-autora da pesquisa, Caroline Wagner, ao jornal inglês The Guardian. “Os EUA tendem a classificar o trabalho da China como de qualidade inferior. Isso parece ter mudado”, completou ela.

O levantamento do Instituto Nacional de Política Científica e Tecnológica japonês foi publicado na terça-feira (9), no dia em que o presidente Joe Biden assinou o Chips and Science Act, uma legislação que destinará US$ 200 bilhões para a pesquisa científica nos próximos 10 anos com o objetivo de tornar o país mais competitivo com a China. Os chineses, no entanto, criticaram a iniciativa, afirmando que ela vai fazer parte de uma “mentalidade contra a soma de conhecimentos digna da Guerra Fria”, nas palavras da embaixada chinesa nos Estados Unidos. 

https://veja.abril.com.br/ciencia/china-supera-os-estados-unidos-em-producao-cientifica/

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Fim das redes sociais fica mais próximo com mudanças no Facebook

Por Bruno Romani e Bruna Arimathea – Estadão 21/08/2022 

O modelo do TikTok, que foca em algoritmos e ignora conexões sociais, está substituindo o formato que consagrou a empresa de Zuckerberg

As redes sociais como conhecemos hoje podem estar perto do fim — ou quase isso. As publicações dos seus amigos continuarão lá e as suas também. Mas o modelo que consagrou o Facebook parece estar em declínio por causa do TikTok. Ou seja, no novo mundo, as plataformas focam mais em conteúdos “bombados” e menos nas suas conexões sociais.

As indicações de mudança estão por todos os lados. “O feed está deixando de ser guiado por pessoas e contas que você segue para ser guiado por conteúdo recomendado por inteligência artificial (IA), mesmo que você não siga os criadores que postaram o conteúdo”, disse Mark Zuckerberg, presidente do Facebook, para investidores no mês passado.

Antes dele, Blake Chandlee, presidente global de soluções de negócio do TikTok, descreveu como enxergava o seu concorrente. “O Facebook é uma plataforma social. Eles criaram seus algoritmos baseados nas conexões sociais. Somos uma plataforma de entretenimento. A diferença é grande”, disse ele ao canal CNBC.

É uma distância que Zuckerberg pretende encurtar, ficando mais parecido com o rival chinês. Na mesma reunião, o fundador da rede social disse que cerca de 15% do conteúdo no Facebook é sugerido e exibido por meio de IA e não depende de quem você segue — o porcentual é um pouco maior no Instagram. Para o ano que vem, o objetivo do executivo é chegar à marca de 30% nos dois serviços. Isso deve colocar no feed, principalmente, vídeos curtos postados por estranhos, principal pilar do modelo do TikTok.

Parte dessa movimentação já pode ser vista. No ano passado, o Instagram incluiu o Reels (sua ferramenta de vídeos curtos) no feed e passou a fazer recomendações desses conteúdos entre as postagens de parentes e amigos. Neste ano, a insistência nas recomendações de vídeos chegou a causar críticas dos usuários do app.

Adam Mosseri, presidente do Instagram, voltou atrás nas mudanças, mas indicou que não desistiu de aplicá-las. Ao site Platformer, ele disse: “Precisamos dar um grande passo para trás e rearranjar. Quando aprendermos o suficiente, voltamos com alguma nova ideia”.

Seja qual for a nova investida, o componente social parece ter ficado para trás. “A necessidade de redes sociais — e seu significado mais tradicional — é menor do que era há 10 anos. Com os dispositivos que temos, encontramos outras maneiras de nos conectarmos com nossos amigos e isso não exige, necessariamente, uma plataforma dedicada”, diz ao Estadão Matt Navarra, consultor britânico de redes sociais. “Redes para se conectar com amigos e familiares estão perdendo seu valor e o uso da mídia social está em mudança”.

Mudança histórica

É uma mudança de um paradigma que atravessa décadas. A ideia de grupos de pessoas reunidas online em torno de interesses comuns foi descrita pela primeira vez em 1993 pelo acadêmico americano Howard Rheingold, que cunhou a expressão “comunidade virtual”. Em 2003, o Friendster emprestou alguns dos conceitos de Rheingold para inaugurar oficialmente a era das redes sociais.

Nos anos posteriores, veio uma chuva de serviços que apostavam nas conexões entre pessoas conhecidas como mola propulsora do conteúdo online. Os brasileiros, por exemplo, se apaixonaram pelo Orkut em 2004. No mesmo ano, Zuckerberg criou, dentro da Universidade Harvard, o Facebook. A premissa dos serviços era reunir gente dos mesmos círculos sociais e permitir o compartilhamento de interesses.

Foi Zuckerberg, porém, quem melhor entendeu o poder do conteúdo mediado por parentes e amigos. Em 2006, ele lançou o Feed, o que não permitia apenas as pessoas se conectarem, mas também compartilharem posts — três anos depois, o Facebook incluiu o botão Curtir, o que dava uma noção da popularidade daquilo que era publicado. O formato virou padrão e se tornou definição de rede social, o que influenciou serviços como Twitter, Instagram e Snapchat.

O sucesso foi tanto que, na década seguinte, o Facebook se esforçou para preservar o formato. Em 2016, a empresa passou a priorizar a publicação de conhecidos no Feed em detrimento de páginas, inclusive de veículos jornalísticos. Em 2018, houve novo esforço do tipo. Naquela altura, o sucesso justificava o esforço, ainda que existissem problemas graves — documentos do Facebook revelaram que esse tipo de distribuição aumentava discursos inflamados.

Algo estava, porém, prestes a mudar.

A era do algoritmo

Lançado em 2018, o TikTok ignorou a ideia de conexão de conhecidos desde o começo. A empresa, que autodenomina seu app como uma plataforma de entretenimento (e não uma rede social), focou nos criadores de conteúdo e nas ferramentas espertas de edição. O impacto foi imediato.

O YouTube, que se consolidou com vídeos longos, foi obrigado a olhar para produções curtas e lançou o Shorts em 2020. O impacto, porém, foi quase nulo por uma razão simples: o segredo por trás do TikTok estava no seu algoritmo de distribuição e recomendação, que prioriza o entretenimento do usuário acima de tudo.

Para Edney Souza, professor da ESPM, estamos em transição para um momento em que as plataformas estarão muito mais empenhadas em ser uma “TV” eternamente ligada do que um ambiente de pessoas do nosso dia a dia. “Saímos da era das redes sociais e entramos na era das mídias sociais”, diz ele.

“Você não teria essa transformação de rede social em veículo de entretenimento se as pessoas não estivessem na frente do celular como se fosse a tela da televisão”, diz Carlos Affonso Souza, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio).

A transformação significa que saímos da era das conexões para a era dos algoritmos. “Houve uma mudança na maneira como as pessoas usam as mídias sociais nos últimos dois anos, além da mudança nas necessidades e expectativas das pessoas em relação às mídias sociais em geral. As principais plataformas de mídia, agora, precisam se adaptar a essa nova era”, explica Navarra.

Em números, fica clara a necessidade de mudanças de gigantes como o Facebook. Em fevereiro, a plataforma registrou queda de usuários pela primeira vez na história: a rede social perdeu cerca de 500 mil usuários diários globalmente nos últimos três meses do ano passado. No último mês de julho, a companhia registrou a primeira queda de receita desde a fundação: US$ 28,8 bilhões no trimestre encerrado em junho passado, ante US$ 29 bilhões do mesmo período de 2021.

Ainda, de acordo com um ranking americano publicado pela SensorTower, analista de redes sociais, o Facebook já caiu da posição de top-10 apps mais baixados no iOS, da Apple, 97 vezes — apenas em 2022. Em comparação, isso só aconteceu sete vezes no ano passado inteiro.

Nichos

Se os números são a única coisa que importam, as redes sociais parecem mesmo ter chegado ao final. Mas tem gente que enxerga as mudanças sob uma ótica mais otimista. “Acredito que o movimento do Instagram em direção ao TikTok não é sinal de fraqueza das redes, e sim de fortalecimento”, diz Souza.

Ele afirma que os modelos das plataformas não são estáticos e mudanças são parte de uma evolução. “O próprio Instagram começou a desviar o foco da conexão social, quando deu origem à cultura de influenciadores. De repente, as pessoas passaram a seguir desconhecidos”, diz ele.

E para quem sente saudades de ter a conexão social como mediador do conteúdo, ainda existem serviços que fazem isso — o próprio Instagram permite acessar uma aba só com os seus contatos. Isso sem contar serviços como o LinkedIn, focada em conexões sociais profissionais, e o BeReal, rede francesa que permite usuários postarem apenas uma foto por dia para seus amigos.e

“Talvez, a conexão social se torne um recurso de nicho no momento. Mas, quem sabe, isso não volte à moda no futuro?”, diz Souza.

https://www.estadao.com.br/link/cultura-digital/fim-das-redes-sociais-fica-mais-proximo-com-mudancas-no-facebook/?utm_source=estadao:app

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Cooperativas se industrializam e se tornam potências agrícolas

Associações Paraná terminam o primeiro semestre com receitas recordes de R$ 90 bilhões

Vaivém das Commodities

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP. – Folha –  18.jul.2022 

A fase em que as cooperativas apenas capacitavam o produtor a produzir mais e comercializar seus produtos passou. Cada vez mais ocupando espaço no agronegócio, elas viraram potências agrícolas.

As cooperativas do Paraná, um dos principais estados no cenário agrícola brasileiro, terminaram o primeiro semestre com receitas recordes de R$ 90 bilhões, 25% a mais do que em igual período do ano passado.

O desempenho delas no estado é tão bom que o plano de atingir R$ 200 bilhões de faturamento por ano pode ser conquistado antes do previsto.

Plantação de trigo ainda verde

Plantação de trigo em Sertaneja, no norte do Paraná – Mauro Zafalon-3.jul.2016/Folhapress

A estimativa para este ano é de um faturamento de R$ 180 bilhões. Em um cenário otimista, no entanto, o resultado financeiro do setor poderá atingir R$ 200 bilhões em apenas dois anos. Em um cenário mais conservador, essa meta viria em quatro anos.

O resultado é possível porque o sistema paranaense de cooperativas já possui 120 unidades agroindustriais, e pelo menos metade das receitas é gerada por essas agroindústrias. Boa parte vem ainda das exportações, que somaram US$ 3,6 bilhões de janeiro a junho.

O objetivo agora é identificar a demanda e atuar dentro das necessidades do mercado, afirma José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar, do Paraná.

As cooperativas buscam projetos viáveis e visam uma organização econômica das pessoas. Um produtor com apenas dez alqueires de terra consegue viabilizar atividades relacionadas à produção de grãos, avicultura, suinocultura, leite e peixes, afirma Ricken.

Essa diversidade permite ao produtor reduzir os riscos que eventualmente possam ocorrer em uma de suas atividades, segundo ele.

Para o presidente da Ocepar, a profissionalização no setor permite hoje que uma cooperativa consiga competir com qualquer outra grande empresa do país. Já uma grande empresa tem dificuldades para competir com as cooperativas.

Passou a fase da busca de apenas elevar produtividade, obter um volume maior de produtos e oferecê-los ao mercado, afirma Ricken.

As cooperativas passaram a ocupar mais espaço e buscam mais segmentos, desde que haja demanda. E a grande vantagem disso é que todas essas receitas giram dentro da própria região. Neste ano, a sobra de caixa a ser distribuída aos produtores deverá atingir R$ 8,5 bilhões.

As cooperativas que industrializam seus produtos conseguem uma rentabilidade líquida de até 5%. As demais ficam na margem de 2%.

Ricken, que participou da Digital Agro da Frísia, uma feira que busca inovações para o setor, realizada em Curitiba (PR), diz que a agricultura ainda tem muito por fazer nesse campo. Quem não se atualizar, no entanto, terá dificuldades cada vez maiores.

A não adesão à tecnologia afetará principalmente o produtor isolado. Ele fica refém do mercado, diz o presidente da entidade. “Não basta produzir. Essa produção tem de chegar à mesa do consumidor, o que é mais fácil por meio de cooperativas ou de produtores organizados.”

As cooperativas, que começaram no leite e no trigo, passaram pelo café e chegaram aos grãos e às proteínas, estão buscando novas áreas em regiões de fronteiras.

A Frísia, de Campos Gerais (PR), cooperativa prestes a completar cem anos, optou por uma expansão no Tocantins. “Precisamos crescer mais horizontalmente, para fixar as novas gerações em outras regiões”, diz Renato Greidanus, diretor-presidente da entidade.

Após uma busca iniciada por áreas com logística, solo e clima bons, a cooperativa optou pelo Tocantins. Sair da zona de conforto das terras paranaenses para essas novas áreas é um desafio, afirma Greidanus. Mas, assim como o produtor venceu os desafios encontrados no Paraná nas décadas de 1960 e de 1970, vai se adaptar ainda mais rapidamente a essas novas regiões.

O avanço é tímido neste início, segundo ele, mas as conquistas e o exemplo dos cooperados deverão incentivar novos produtores da região a aderir ao sistema.

Sendo que oportunidades e desafios andam juntos, a Frísia deverá passar da captação de grãos para a industrialização de seus produtos em uma segunda fase, afirma o diretor-presidente.

Entre 2021 e 2026, as cooperativas paranaenses investirão R$ 30,3 bilhões. Neste ano, serão R$ 6,2 bilhões. O setor de armazenagem e de recebimento da safra terá R$ 4,9 bilhões; a indústria de cevada e a suinocultura terão investimentos próximos de R$ 1 bilhão cada uma.

As cooperativas do Paraná, com os novos projetos em andamento, deverão deter 65% da produção de suínos do estado. A participação em aves vai a 50%; a em soja, a 70%; a em milho, a 62%; a em trigo, para 55%.

Além do crescimento individual, as cooperativas buscam alianças entre si. São pelo menos dez áreas com esse potencial. Entre elas, financiamento e capitalização, cooperação nos negócios, mercado internacional e sustentabilidade.

O Sistema Ocepar inclui os setores de agronegócio, infraestrutura, crédito, transporte, consumo, saúde e trabalho.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2022/07/cooperativas-se-industrializam-e-se-tornam-potencias-agricolas.shtml

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Como identificar soft skills nos profissionais, especialmente, na geração Z?

Diego Cidade, fundador da Academia do Universitário, comenta quais habilidades comportamentais devem ser consideradas na hora da escolha de um candidato

Diego Cidade, fundador da Academia do Universitário – Exame –  17/08/2022

Não é de hoje que a área de recursos humanos se tornou totalmente estratégica, sendo os profissionais de recrutamento e seleção, parte  dos primeiros passos do planejamento estratégico, são imprescindíveis para um processo seletivo de sucesso.

Uma das razões é que, de acordo com pesquisa da Deu Match, mais de 55% dos profissionais já empregados continuam buscando por novas oportunidades no mercado de trabalho.

É importante ressaltar dois fatores pelos quais esse fenômeno pode ser justificado: dificuldade das empresas em escolher o candidato certo para a vaga ideal, isso se dá principalmente pela dificuldade da companhia em descrever a descrição da vaga e o desafio em encontrar profissionais que tenham uma alta afinidade com os valores da organização, de forma que possam garantir os resultados esperados.

Esses desafios para profissionais da área de recrutamento se dão pela mudança do cenário de habilidades valorizadas, a automatização de processos devido ao avanço da tecnologia levou a valorização das soft skills, pois é o que traz o diferencial daquela pessoa em realizar os processos.

E afinal, como identificar candidatos de valor no seu processo seletivo?

Além das habilidades técnicas, é preciso entender quais as softs skills e valores que o candidato possui, mesmo não sendo algo mensurável, é possível extrair informações relevantes da pessoa principalmente através de entrevistas mais profundas.

Experiências anteriores, sejam elas pessoais, ou profissionais, como projetos realizados, posições, cargos e responsabilidades que a pessoa já teve ao longo de sua trajetória é possível entender de maneira direta ou indireta tendências de comportamento e perfil.

Imprescindível que a empresa estude o candidato antes de ir para a entrevista, perguntas padronizadas devem existir pois representam muita das vezes a cultura organizacional que a empresa quer identificar, mas perguntas personalizadas mostram a humanização do processo.

Ao lidar com candidatos mais jovens, da chamada geração Z, algumas habilidades devem ter mais atenção pelos recrutadores, sendo elas: o potencial de adaptabilidade, escuta ativa e trabalho em equipe. Pois são skills que os jovens têm mais dificuldade em desenvolver, isso se dá pelo atual cenário que estão envolvidos, principalmente a internet que se torna um espaço de muitas críticas e pouco diálogo. Consequentemente as pessoas ficam reativas, com dificuldade de adaptação, têm resistência em ouvir realmente a opinião do próximo sem retrucar, dificultando o desenvolvimento do trabalho em equipe.

Importante frisar que mesmo que os candidatos tenham dificuldades com algumas habilidades para certa função, também cabe ao recrutador enxergar o potencial de desenvolvimento dessa pessoa. Até porque os membros dessa geração são o futuro da empresa. E se a gente estiver falando de estágio, lembre-se que estágio é para aprender.

https://exame.com/carreira/como-identificar-soft-skills-nos-profissionais-especialmente-na-geracao-z/

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