Novo oráculo: Quem controla a IA controla as decisões econômicas e sociais


Não se trata apenas uma nova tecnologia; o risco da inteligência artificial não é substituir o trabalho humano: é separar, de forma irreversível, quem decide o futuro de quem apenas viverá nele

Por Fabio Gallo – Estadão – 24/04/2026

No pórtico do Templo de Apolo, em Delfos, na Grécia, estava inscrito a máxima “Conhece-te a ti mesmo”. Embora possa ser confundido com um conselho de autoajuda moderno, seu sentido original era profundo e severo ao colocar em confronto a dimensão humana versus a divina ao lembrar que somos mortais e não deuses. Em Delfos não se recebia ordens, mas respostas que exigiam esforço interpretativo.

Nos nossos tempos a IA surge como um novo oráculo. Mas, diferentemente do antigo, a nova versão é muitas vezes vista com uma entidade factual e objetiva. O risco moderno é a “terceirização do julgamento”: aceitar a predição algorítmica (como uma análise de crédito ou diagnóstico) como um destino inevitável, ignorando que ela é construída sobre dados históricos que podem carregar preconceitos e falhas.

Esse argumento foi tratado em artigo recente de Carissa Véliz na The Economist. Essa visão pode levar a outro grau de perigo. A IA vai aumentar a desigualdade — entre nações, raças, gêneros, classes sociais e faixas etárias.

Pesquisa feita com 4 mil trabalhadores dos EUA e do Reino Unido, e divulgada pelo Financial Times, mostra que mais de 60% dos mais ricos usam IA diariamente, contra apenas 16% dos mais pobres. Os homens usam mais IA do que as mulheres. E o uso é maior nas profissões mais ricas (advogados, mercado financeiro), profissionais de posição hierárquica mais elevada e com maior nível de educação.

A desigualdade no mercado de trabalho já está aumentando. Problemas efetivos começam a surgir — a desigualdade de uso vira desigualdade de poder. O uso de IA é algo que se retroalimenta, porque quem tem vantagem inicial (renda e educação) usa mais e, assim, tem mais produtividade, ganhos e poder. Algo implícito é que as profecias vão se tornando autorrealizáveis — quem faz a previsão acaba produzindo realidade. No fim, quem controla a IA controla decisões econômicas e sociais.

Outras pesquisas ainda nos mostram que o crescimento do uso da IA se dá em países mais ricos, o que aumenta a desigualdade entre nações – além de amplificar desigualdades estruturais dentro países.

No Brasil, segundo pesquisa do FGV IBRE, há um impacto direto sobre os jovens de 18 a 29 anos, com queda de cerca de 5% nas chances de contratação em setores mais expostos à IA.

Tarefas típicas de entrada no mercado de trabalho (relatórios, atividades administrativas etc) já são feitas por IA, mais rápido e mais barato. Não se trata apenas uma nova tecnologia, mas de um mecanismo de amplificação de desigualdades. O risco da IA não é substituir o trabalho humano. É separar, de forma irreversível, quem decide o futuro de quem apenas viverá nele.

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