Estratégias para a recuperação econômica têm foco em novas abordagens que priorizam o ambiente digital


Por Ana Lúcia Moura Fé — Para o Valor 23/10/2020 

Oito meses após decretada a pandemia de covid-19, iniciativas de transformação digital gestadas na crise integram de forma permanente o roteiro para retomada do crescimento das empresas. Tecnologias que, em geral, ocupavam lugar periférico na estratégia dos negócios, como nuvem, inteligência artificial (IA) e internet das coisas (IoT), agora se destacam em agendas que assumem abertamente, como diretriz para o futuro, o chamado “digital first” (digital primeiro, na tradução literal), forma como o mercado batizou abordagens que dão prioridade a oportunidades no ambiente digital.

Pesquisa da IDC confirma que a modernização a toque de caixa deixou as empresas mais dispostas a assumir riscos no tocante a inovação e a modelos de negócio que rompem com o tradicional. Na América Latina, quase quatro em cada dez organizações estão dispostas a correr riscos para se tornarem líderes e pioneiras em novas tecnologias, diz estudo com empresas com mais de 500 funcionários.

As que apostam na busca agressiva por tecnologias emergentes com objetivo de criar vantagem competitiva, ainda que alguns produtos possam falhar, representam 30% das respondentes, taxa que chega a 32% no Brasil, segundo Luciano Ramos, gerente de pesquisa e consultoria da IDC Brasil. Na região, não passa de 1% e 2%, taxas que se mantêm voláteis -, a digitalização acelerada das empresas em resposta à crise impulsionou diversos segmentos, com destaque para nuvem. Esse modelo de computação assegurou a continuidade de negócios mas, sobretudo, trouxe para as empresas a flexibilidade e os recursos computacionais que farão toda diferença daqui para frente. “Ao migrar para nuvem, elas viabilizaram de maneira fácil e rápida não apenas o acesso remoto (de funcionários e clientes), mas também a integração com o ecossistema de que fazem parte.”

Estudo da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) e da IDC aponta que a nuvem pública no Brasil deve alcançar US$ 3,5 bilhões em 2020, crescimento acima de 36% sobre 2019. IoT deverá crescer 20%, chegando a US$ 9,9 bilhões, e analytics e IA avançarão quase 12%, atingindo US$ 548 milhões. O presidente da Abes, Rodolfo Fücher, não esconde o otimismo. “O estudo projeta que o setor de TI deve crescer 10% em 2021 e acredito que, em 2020, ultrapassaremos a previsão mais otimista da IDC (expansão de 4%), ao menos no segmento de software.”

Fücher diz que a pandemia testou o nível de transformação digital das empresas. Segundo ele, estão se saindo bem as que prestaram atenção nas discussões do Fórum Econômico Mundial e revisaram modelos e processos usando tecnologia de forma intensiva e inovadora. Cita como exemplos Magazine Luiza, B2W (controlada pela Lojas Americanas), iFood e outras. Ele lembra que em 2016 o fórum mundial abordava a chamada quarta revolução industrial, caracterizada pela diluição de fronteiras entre físico e virtual e rupturas em modelos tradicionais que resultam em falências de negócios resistentes a mudanças.

Na IBM Brasil, Joaquim Campos, vice-presidente de nuvem e inteligência cognitiva, confirma que, mais do que economia de gastos, o que ocorre nas empresas hoje é um rearranjo nas prioridades dos investimentos. Para aproveitar a tendência e ganhar ainda mais musculatura em searas como a de inteligência artificial – onde atua com amplo portfólio baseado na plataforma cognitiva Watson -, a IBM fechou, em julho, a compra da brasileira WDG Automation, especializada em automação robótica de processos (RPA, na sigla em inglês), tecnologia que permite que softwares inteligentes assumam tarefas repetitivas. “Com a solução da WDG integrada ao nosso portfólio, empresas darão um passo para além do uso de IA na interface com cliente, ganhando produtividade ao integrar inteligência artificial à robotização de processos.”

Campos destaca, ainda, o avanço do registro de operações digitais blockchain em cartórios, beneficiando segmentos-chave para a economia. A IBM atua nessa área em parceria com a Growth Tech, que combina a solução Notary Ledgers com a plataforma de blockchain da fornecedora. “Os benefícios para incorporadoras, construtoras, empresas de intermediação são perenes. Elas ganharam agilidade inclusive no recebimento do dinheiro das vendas, melhorando o fluxo de caixa.”

Na Google Cloud Brasil, cresceu a demanda não apenas por nuvem, mas também por comunicação unificada, virtualização, big data, aprendizado de máquina, análise avançada e segurança, segundo o líder da fornecedora no país, Marco Bravo. “Temos visto exemplos magníficos de empresas que criam soluções baseadas em dados porque perceberam que entender as necessidades do consumidor é fundamental, sobretudo em momentos de incerteza.” Ele orienta as empresas a criarem, o mais rapidamente possível, modelos de monetização de seus melhores ativos, buscando integrar-se umas às outras para tirarem proveito do que cada uma oferece de melhor.

Na Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a visão é que a pandemia acelerou de forma inédita a inclusão bancária, crucial para redução de desigualdades e crescimento. A entidade destaca que investimentos intensivos do setor em TI – R$ 24,6 bilhões em 2019 – pavimentaram esse avanço, refletido em dados do Banco Central: entre fevereiro e agosto deste ano, CPFs ativos em contas bancárias cresceram três vezes contra mesmo período de 2019, atingindo 175 milhões de CPFs, dez milhões a mais que antes do início da pandemia.

Gustavo Fosse, diretor de tecnologia e automação bancária da federação, destaca o papel do setor na popularização de serviços digitais no país, mencionando a adesão massiva da população aos canais virtuais. Em abril, um mês após o início da quarentena e do isolamento social, internet mobile banking já respondiam por 74% das transações realizadas por pessoas físicas. “Smartphones representaram 67% das transações.”

Na Ericsson, a expectativa é que a quinta geração de redes móveis (5G), na iminência de chegar ao país, possibilitará melhor uso de tecnologias cruciais para a digitalização, como IA e analytics. Marcelo Freire, vice-presidente de serviços digitais na Ericsson para o Cone Sul da América Latina, diz que isso trará oportunidades inéditas para setores como automação industrial, segurança, médico e automotivo e outros, gerando mais receitas e arrecadação. “Estudo nosso revela que, se houver aumento de cobertura de internet móvel em 10%, consegue-se aumento de arrecadação de imposto por volta de R$ 30 bilhões por ano.”

https://valor.globo.com/publicacoes/suplementos/noticia/2020/10/23/roteiro-para-a-retomada.ghtml?GLBID=143ee6360696346c2039f126e5eff63bd554270766f4f4c76474f36624b6952316658627868364d555f3436672d566845516f4e654c336463475a4b42514e49514675384d64433559365f3942486851734b616b585a743362574e632d396f6d477374596f69673d3d3a303a6576616e64726f2e6d696c65745f323031335f36

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