A pandemia poderá incentivar cidades melhores para viver


Por Evandro Milet

Quando pesquisamos a palavra “cidades” nas imagens do Google aparecem figuras de muitos edifícios e nenhuma pessoa até a trigésima foto, onde se vê uma criança. Depois, mais edifícios e lá pela 60ª foto começam a aparecer outras pessoas. Essa já é um pouco da demonstração que os conceitos estão errados e a ficha começa a cair para a própria população. As cidades deveriam ser as pessoas que vivem nela. 

A cidade dos automóveis, viadutos e edifícios, onde as calçadas são reduzidas para ampliar estacionamentos e pistas está em questionamento cada vez maior. 

A pandemia provocou outros questionamentos sobre a vida das cidades. Com mais home office, mais e-commerce, mais educação à distância e mais lazer por streaming de filmes, as pessoas vão tender a se deslocar menos e ficar mais perto das residências. Várias cidades na Europa, incluindo Paris, se movimentam para criar coisas como cidades 15 minutos onde se fará tudo próximo de casa sem grandes deslocamentos. 

Um indicador dessa mudança é a taxa de caminhabilidade de uma cidade, ou até que ponto a cidade é amigável para o pedestre em calçadas e travessias. Mas circular com conforto e segurança a pé e de bicicleta é também um direito. A mobilidade urbana é essencial para cidades mais democráticas e menos excludentes. Todos os pedestres, incluindo crianças, idosos, pessoas com dificuldades de locomoção ou visão, devem ter sua mobilidade na cidade garantida.

Para poder fazer tudo perto, na maior parte do tempo, é necessário que a cidade se misture entre moradia, trabalho, lazer e facilidade de comércio. Bairros estritamente residenciais ou comerciais perdem o sentido. Os embates com as ciclovias serão reduzidos se efetivamente houver maior utilização de aplicativos e transporte público e, no futuro, de carros autônomos. Se houver realmente menos uso de automóveis particulares, os edifícios necessitarão de menos vagas de garagem(e os apartamentos serão mais baratos), haverá menor necessidade de vagas de estacionamento na rua, poderão existir mais ciclovias e os edifícios poderão até ser mais altos, concentrando mais gente e com isso reduzindo o custo rateado de infraestrutura.

Enfim, as cidades poderão ser mais humanas, reduzindo o tempo e o stress natural dos deslocamentos e nesse processo sempre será útil usar todos os conceitos importantes das cidades sustentáveis, criativas e inteligentes, com seus aspectos de sustentabilidade, incentivo à cultura, diversidade e disseminação de infraestrutura e serviços digitais.

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