Yuval Harari: o fim do envelhecimento e a classe dos inúteis

por Evandro Milet 

“O envelhecimento é algo codificado no DNA e, se algo está codificado, é possível descobrir seu segredo” afirma o médico sul-coreano Joon Yun, que comanda o Palo Alto Investors, fundo americano de investimentos de 1 bilhão de dólares. Muitas startups pelo mundo procuram a fórmula de acabar com o envelhecimento ou estender a vida humana indefinidamente. 

Os investimentos em startups de biotecnologia especializadas em saúde humana chegaram a 9 bilhões de dólares em 2017, e aumentaram muito desde então. Para essas startups, a morte é um cadeado com um segredo, com milhões ou bilhões de combinações, a ser descoberto.

O mercado global de produtos de beleza e cuidados pessoais deve crescer de 493 bilhões de dólares em 2018 para 756 bilhões de dólares em 2026. Porém mais do que cremes para rugas ou botox, os consumidores querem soluções para problemas do envelhecimento. Certamente esse mercado se tornará maior do que qualquer outro.

No seu livro “21 lições para o século 21”, Yuval Harari, autor dos best-sellers Sapiens e Homo Deus, mostra o impacto da revolução tecnológica no corpo humano e a possível explosão maior da desigualdade pelo acesso à essas tecnologias. Enquanto até agora os mais ricos só compravam status, logo serão capazes de comprar a própria vida. Se os novos tratamentos para prolongar a vida e aprimorar habilidades físicas e cognitivas forem caros, o gênero humano poderia se dividir em castas biológicas. Até agora uma pessoa rica não é mais talentosa que um favelado – sua superioridade é devida apenas a uma discriminação legal e econômica injusta(ou à alimentação recebida na infância). 

Se o dinheiro puder comprar corpos e cérebros incrementados, em 2100 os ricos poderão ser mais talentosos, mais criativos e mais inteligentes do que os moradores de favelas. O 1% mais rico poderia possuir não apenas a maior parte da riqueza do mundo mas também a maior parte da beleza, da criatividade e da saúde. Os dois processos juntos – a bioengenharia e a  Inteligência artificial – e mais a possível previsão de extinção em massa de empregos menos sofisticados, poderão portanto, resultar na divisão da humanidade em uma pequena classe de super-humanos e uma imensa subclasse de Homo Sapiens inúteis. 

Como completa Harari: “talvez no século 21 as revoltas populares sejam dirigidas não contra uma elite econômica que explora pessoas, mas contra a elite econômica que  já não precisa delas. […]É muito mais difícil lutar contra a irrelevância do que contra a exploração”. 

As distopias cinematográficas não fariam melhor.


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O modelo Google: vanguarda e polêmicas

Por Evandro Milet

Quando se fala em gestão de pessoas no Google surge a imagem de ambientes descolados, com puffs espalhados, skates pelos corredores, roupas informais e espaços físicos de trabalho customizados pelos googlers(como os funcionários se denominam), com objetos pessoais muitas vezes inusitados. Isso tudo é verdade, mas não caracteriza de fato a gestão de pessoal na empresa.

Tudo começa na missão que cria um propósito grandioso: “Organizar as informações do mundo e torná-las mundialmente acessíveis e úteis.” É o mesmo estilo visionário e ambicioso de Steve Jobs que, para convencer John Sculley, então CEO da Pepsi, a ser o CEO da Apple, disse: “Você quer ficar o resto da sua vida vendendo água com açúcar ou quer uma chance de mudar o mundo?” O Facebook não fica atrás ao colocar como missão: “Fazer do mundo um lugar aberto e conectado”.

Esses enunciados de missão ou declarações de propósito ficam muito diferentes dos enunciados pasteurizados de muitas empresas com expressões como “gerar valor”, “encantar o cliente” ou “contribuir para o desenvolvimento sustentável”, mas que não inspiram muito.

O Google tem mais de 120.000 colaboradores e foi eleita a “melhor empresa para trabalhar” em muitos países várias vezes. É um dos lugares mais cobiçados para trabalhar no planeta, de acordo com o Linkedin.

O livro “Um novo jeito de trabalhar” de Lazlo Bock, antigo líder na gestão de pessoas do Google, mostra como a cultura determina a estratégia ou como ele diz repercutindo Peter Drucker: “A cultura come a estratégia no café da manhã”.  

“Divertida” é a palavra usada pelos googlers para descrever essa cultura, mas ela tem três alicerces: missão, transparência e voz. A transparência é assim descrita:  “Parta do princípio de que todas as informações podem ser compartilhadas, em vez de presumir que que nenhum dado deve ser revelado.” O terceiro alicerce é a voz:  “Dê às pessoas um pouco mais de confiança, liberdade e autoridade, além do limite que você consideraria confortável. Se não ficar nervoso com isso, você não lhes deu o suficiente.” 

A tarefa mais importante é a contratação, procurando generalistas inteligentes em lugar de especialistas e liberando todos para utilizar 20% do tempo em projetos pessoais. Salários diferenciados com pagamentos excepcionais às estrelas, benefícios diversos, metas(metodologia OKR), muito feedback nas avaliações e treinamentos ministrados pelos funcionários colaboram para a cultura de uma das empresas mais criativas, inovadoras e bem sucedidas do mundo. 

Mais recentemente empregados do Google têm manifestado descontentamento com casos de assédio sexual mal resolvidos, a política com a censura da China, a possibilidade de trabalhar em produtos para o setor militar e até com a decantada política de transparência. Enfim, Bock não trabalha mais na empresa e o crescimento para um valor de mercado de mais de um trilhão de dólares traz novas necessidades, políticas e também polêmicas. O que não difere das outras grandes como Microsoft e Amazon que também enfrentam problemas do crescimento. A imensa capacidade de utilização de dados dos usuários já sofre pressões em vários países e mesmo nos EUA, onde há iniciativas até de dividir essas grandes empresas como aconteceu com Standard Oil e AT&T no século passado.

De qualquer forma, como apresenta rentabilidade excepcional e é uma das maiores empresas do mundo, vale a pena conhecer seu modelo, sua história e suas transformações. Talvez outros não consigam – ou não queiram – adotar todo o modelo, mas certamente é uma referência.


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A última obra de Niemeyer – No mundo da arquitetura, a morte nem sempre é fatal

por The Economist 11 de junho de 2020

Em Plagwitz, o antigo bairro industrial de Leipzig, Ludwig Koehne fica no meio de uma esfera gigante projetada por Oscar Niemeyer em 2011, um ano antes da morte do arquiteto brasileiro aos 104 anos. O mezanino abobadado e envidraçado da esfera deve ser inaugurado ainda este ano como restaurante, e o seu ventre mais aconchegante como bar. 

Eu queria uma fidelidade póstuma ao design original;, diz Koehne, um empresário alemão. O prédio precisava ter a assinatura do mestre. A Esfera Niemeyer, como Koehne chama, fica empoleirada em uma torre estreita de apoio na borda de um prédio de dois andares que abriga a cantina de suas duas empresas, Kirow Ardelt, que fabrica guindastes, e HeiterBlick, fabricante de bondes. A cúpula lisa e branca brilhante contrasta com os tijolos angulares desgastados pelo tempo, carmesim profundo – resultado de um elaborado esforço de construção envolvendo Jair Valera, chefe de longa data do escritório de Niemeyer no Rio, e os engenheiros estruturais e arquitetos reunidos por Koehne na Alemanha. Juntamente com um projeto no sul da França, este será o último trabalho de Niemeyer, o pai de curvas arquitetônicas sensuais que complementavam os cubos incansáveis do modernismo.

 A conclusão da esfera é um tributo à sua visão – mas também destaca a natureza colaborativa de sua profissão e a noção escorregadia de autenticidade. Sempre é preciso mais do que um único gênio para criar um belo edifício, razão pela qual, no mundo da arquitetura, a morte nem sempre é fatal.O longo hiato entre a morte de Niemeyer e a abertura da esfera não é sem precedentes. O prédio da IBM em Chicago, projetado por Mies van der Rohe, foi concluído dois anos depois de sua morte. Para a igreja de Le Corbusier em Firminy, na França, a diferença foi de imensos 41 anos. 

Por mais excepcionais que esses casos póstumos pareçam, o trabalho em equipe que eles exigem é rotineiro. A maioria dos edifícios é o produto de muito trabalho não reconhecido, diz Donald McNeill, da Universidade de Sydney, que pesquisou os métodos de empresas globais de arquitetura. Ele vê o foco popular nos arquitetos estrelados como uma simplificação pela mídia e pelos profissionais de marketing. Grandes projetos, diz ele, são o resultado do trabalho de designers, engenheiros e até dos clientes. 

A voz do mestre

E, frequentemente, de outros arquitetos. Rem Koolhaas, um arquiteto holandês, observou o papel dos práticos americanos que nos anos 50 ajudaram os grandes nomes da Europa a construir arranha-céus lendários em Nova York. Emery Roth cooperou com Walter Gropius no prédio da MetLife, Philip Johnson deu uma mão para van der Rohe no prédio da Seagram, e Wallace Harrison supervisionou a entrada de Le Corbusier (e Niemeyer) na sede da ONU. O próprio Koolhaas colaborou com Ole Scheeren na sede da China Central Television em Beijing; o chamado Pepino em Londres é geralmente atribuído a Lord Norman Foster, mas Ken Shuttleworth desenhou os esboços iniciais. Há uma diferença real entre como a arquitetura opera e como é percebida, comenta Hilde Heynen, da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica. 

No caso da esfera de Leipzig, a história começou em 2007, quando Koehne visitou Brasília e ficou impressionado com os projetos de Niemeyer para a residência presidencial, que foi concluída em 1960, e a catedral da cidade, concluída em 1970. Quatro anos depois, pensando em um restaurante – seu refeitório merecia um upgrade –   Koehne escreveu para Niemeyer e foi convidado para ir ao Rio. Em pouco tempo, ele recebeu um e-mail com esboços, alturas e seções transversais. Estava tudo lá, a torre como um mastro de sustentação, a esfera com dois níveis – exatamente como está aqui agora. 

Mas a física do design era insana, pensou Koehne. Como vamos construir isso? Foram necessários mais dois anos para encontrar os engenheiros estruturais certos e vários outros anos para obter um progresso significativo. Nesse ínterim, Niemeyer morreu. Felizmente, o Valera estava presente e queria terminar o projeto.Eu conhecia Oscar muito bem, diz ele. “Isso facilitou para mim saber o que ele teria feito” – o que, lembra Valera, sempre incluía ouvir o cliente. Seu próprio papel não diminui a autenticidade do edifício, ele insiste:Esta é uma obra de arquitetura de Oscar Niemeyer – foi ideia dele.

https://www.economist.com/books-and-arts/2020/06/11/in-the-world-of-architecture-death-is-not-always-fatal


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O comércio eletrônico vai mudando com a pandemia

por Evandro Milet

Com  a pandemia, o Brasil registra a abertura de mais de uma loja virtual por minuto. Em pouco mais de dois meses, foram 107 mil novos estabelecimentos criados na internet, aponta levantamento da Abcomm, associação do setor. A média anterior era de dez mil unidades por mês. O isolamento social não só acelerou a abertura de lojas na internet como também trouxe novos consumidores para o comércio eletrônico. 

A expectativa era ganhar 3 milhões de clientes para as vendas online até o fim deste ano. Mas, só durante a quarentena foram 2 milhões de novos consumidores que até então nunca tinham feito nenhuma transações pela internet. Esse aumento elevou em 40% as vendas online no período. 

As plataformas de e-commerce Magalu, Mercado Livre e Amazon resolveram acelerar as vendas  de itens de supermercado como alimentos, higiene e saúde. Uma das forças desse segmento é aumentar a frequência de compra e de interação dos usuários – afinal, consumidores compram eletrônicos e livros(infelizmente) poucas vezes por ano, mas vão diversas vezes por semana ao mercado. 

O marketplace da Magalu, com vendas de 1,2 bilhão, cresceu 185%, representando 30,1% do ecommerce total. Fazem parte da plataforma de marketplace 26.000 vendedores ativos, que oferecem cerca de 16 milhões de itens aos mais de 26 milhões de clientes.

A busca de pequenos comerciantes por um espaço próprio no ambiente digital tem crescido e tem a ver com os custos de entrada em marketplaces de grandes varejistas. É mais fácil cadastrar seus produtos nos marketplaces em vez de criar uma loja virtual própria, mas esses ambientes cobram comissão. Pode ser de 8% a 30% sobre a venda.

Mesmo com o porém das taxas, os marketplaces foram a saída para muitos microempreendedores. A participação de vendas desses microempresários aumentou no online. Ainda assim, a grande maioria desses empresários não está preparada para lidar com as margens de lucro mais apertadas que esse novo ambiente traz.

Pequenos lojistas optam por utilizar essas estruturas por não saberem como atrair seus clientes para esses ambientes. Nesse sentido, à medida que os marketplaces oferecem um fluxo de clientes, estrutura de logística e meios de pagamento, eles podem cobrar taxas até mais altas pelo seu espaço. Assim, o lojista tem de adaptar os seus produtos e preços para estar ali.

Os shopping centers, por sua vez, foram duramente atingidos pela pandemia e estão criando outra alternativa para os lojistas de organizar uma plataforma comum de e-commerce até para manter a possibilidade de pagamento dos aluguéis em queda. Entregas organizadas nos estacionamentos dos shoppings também fazem parte do processo.

Por tudo isso, para o BTG Pactual, o comércio eletrônico continuará crescendo a uma taxa acelerada, e deve pelo menos triplicar até 2025.

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Estamos sendo cada vez mais controlados

por Evandro Milet

Em um preocupante episódio do seriado Black Mirror da Netflix, as pessoas atribuem e recebem notas em aplicativo no celular em todas as interações com outras pessoas. Serviços são prestados ou negados aos cidadãos conforme sua pontuação. 

Na China isso acontece de verdade. A lógica do sistema é parecida, mas quem dá nota não é o cidadão, mas um algoritmo. Ele analisa dados pessoais, entre eles histórico de pagamentos, publicações em redes sociais, comportamento no trânsito e em jogos online, e até cumprimento do planejamento familiar. Quem tiver pontuação alta, ganha descontos e passa direto pela segurança no aeroporto. Os outros terão restrições em bancos e aeroportos. O que era apenas uma ficção distópica vira realidade. Agora na pandemia, com a justificativa de rastrear as pessoas para controlar a proliferação do vírus, o controle ficou maior ainda. Dependendo do seu estado em relação ao vírus você ganha um passaporte que impede o seu acesso a determinados lugares.

Yuval Harari, no seu livro “21 lições para o século 21” descreve uma tentativa de empréstimo no banco em algum futuro(?). O empréstimo é negado porque “O algoritmo disse que não”. Você pergunta: “Por que o algoritmo disse não? O que há de errado comigo?”. “Não sabemos. Ninguém entende esse algoritmo, porque é baseado em inteligência artificial e aprendizado de máquina avançado. Mas confiamos nele e não vamos dar o empréstimo”. E Harari conclui: “O algoritmo pode ter encontrado algo que não gostou no seu DNA, em sua história pessoal ou nas suas redes sociais. A discriminação deixa de ser por raça ou gênero, mas porque você é você”.

O marketing digital, com ferramentas poderosas, permite uma relação até perigosamente individual. No lugar de lidar com grupos homogêneos, por exemplo, homens, classe A/B, mais de 50 anos, casados, é possível distinguir essas pessoas individualmente. Uns são esportistas, variando o esporte, outros gostam de cinema ou viajam muito, ou se vestem informalmente, ou bebem vinho, ou são abstêmios. Com essas informações, colhidas em bancos, redes sociais, compras online, registros médicos, cartões de crédito, redes de ensino, registros de emprego, documentos pessoais etc. é possível conhecer cada pessoa. Assim, uma abordagem direta terá alta taxa de sucesso. A empresa Cambridge Analytics fez isso na campanha vitoriosa de Trump, dirigindo mensagens que motivassem emoções para cada eleitor, inclusive sem preocupações éticas com fake news, usadas à vontade contra Hillary Clinton.

As ferramentas para desenvolvimento e operação de aplicativos ou sites de ecommerce caminham na direção de se relacionar cada vez mais individualmente com os usuários. Jornada do cliente, UX, IA, design thinking, mapas de calor, analytics, growth hacking e outros tendem a mergulhar na experiência de cada um.

A transformação digital vai fazer, no limite, empresas e governos(ou algoritmos) se comunicarem só com você, no pé do ouvido, sem ninguém por perto – para o bem ou para o mal.

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A ilusão na economia

por Evandro Milet

Quem imaginaria um professor de psicologia ganhando o Prêmio Nobel de economia? Pois aconteceu em 2002 com o professor de Princeton Daniel Kahneman com sua obra sobre os processos de tomada de decisões. No livro “Rápido e Devagar – duas formas de pensar”, ele desmistifica a ideia de que pessoas são capazes de avaliar racional e objetivamente as situações e escolher dentre várias alternativas a que lhes é mais vantajosa. Com a apresentação de muitas experiências, ele mostra que a nossa mente funciona de duas formas: uma rápida e intuitiva – o sistema 1 – e outra mais devagar, porém mais lógica e deliberativa – o sistema 2.

Da mesma forma que somos iludidos por figuras que desafiam nossa percepção visual, também sofremos de ilusões cognitivas. Temos opiniões conflitantes sobre a mesma situação se os eventos forem apresentados em ordem diferente ou até em horários diferentes e preferimos muito mais uma carne que seja 90% livre de gordura do que uma que tenha 10% de gordura.

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Empresas incluem auxílio home office na cesta de benefícios

Por Barbara Bigarelli

Pesquisa da Vee analisa movimentação do cartão de benefícios de 8 mil profissionais e indica mudança de hábitos, das empresas e dos funcionários, no uso dos vales e auxílios na quarentena

Um levantamento realizado pela fintech Vee com 8 mil profissionais de 110 companhias clientes detalha a mudança no uso do pacote de benefícios, como vale alimentação, refeição, cultura, saúde e mobilidade, na quarentena. Também aponta para um aumento, entre as empresas da amostra, da concessão de um auxílio home office, para custear  custos com internet, por exemplo, dos funcionários que estão trabalhando em casa.

Antes da quarentena, a categoria de refeição representava 57,2% da movimentação com o cartão da Vee e atualmente constitui apenas 15,78%. O uso com mobilidade também caiu, passando de 9,5% para 3,67% após a pandemia. Entre as categorias que cresceram, está a de alimentação, que passou de 20,2% para 36,7% de toda a movimentação do cartão de benefícios flexíveis.

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A sobrevida dos automóveis na pandemia

por Evandro Milet 

Os automóveis são constantemente condenados como grandes vilões da civilização, seja pelo consumo de combustíveis fósseis e consequente poluição, seja pelos engarrafamentos e obstrução da mobilidade com a baixa ocupação por veículo. Nessa pandemia, porém parece que os automóveis ganham um novo fôlego pela segurança de permitir evitar as aglomerações do transporte público e outras facilidades.

Uma aplicação para os automóveis que cresce muito nesses tempos é o drive-thru. Usado mais regularmente nas cadeias de fast-food, ganhou ocupação em várias outras situações. Uma das atividades mais impactadas pelas medidas de restrição de circulação, os shoppings centers tiveram seus serviços suspensos em várias cidades. Uma alternativa adotada recentemente pelos lojistas foi a comercialização pelo sistema drive-thru, onde o consumidor faz a compra por meio dos canais digitais, como redes sociais e WhatsApp e retira a mercadoria no estacionamento do shopping, com a entrega sendo realizada por um funcionário devidamente paramentado com os equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas.

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Educação para o presente e futuro: STEM e STEAM

por Evandro Milet

STEM é o acrônimo em inglês para as disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. O termo foi criado nos Estados Unidos nas discussões de política educacional e de currículos escolares para melhorar a competitividade no desenvolvimento tecnológico. Tem repercussões também nas políticas de segurança nacional e de imigração e foi pauta de discursos e forte desenvolvimento na época do Presidente Barack Obama.

A grande motivação é a previsão de que no século 21, 60% dos novos empregos exigirão o perfil que apenas 20% da atual força de trabalho possuem. Prevê-se que os postos de trabalho STEM crescerão em muito maior número do que os empregos fora desse critério, pagarão melhores salários e serão muito menos vulneráveis à demissões.

Até 2030, haverá 50 milhões de vagas abertas em todo o mundo para cargos que exigem habilidades em STEM. E o ceticismo sobre ciência, pesquisa e argumentos baseados em fatos no discurso público está em crescimento.

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Na pandemia é uma realidade a cada semana

por Evandro Milet

O impacto da pandemia nas pessoas e nas empresas foi tão rápido que é difícil saber exatamente o que vai acontecer. Cada semana nos trazem novas realidades que vão moldando esse novo ambiente. Pessoas e empresas vão se adaptando às novas situações em grande velocidade. A observação do que acontece nos países que estão saindo dos confinamentos pode dar dicas, assim como as análises feitas por profissionais e especialistas de todas as áreas que estão acompanhando a evolução dos seus setores. Na construção civil, os fabricantes de elevadores já oferecem seus produtos com botões que são acionados sem toque, apenas por aproximação, e sistemas de limpeza do ar. Sistemas de pagamento sem contato fazem sucesso repentino e evoluem até para a biometria visual. A economia do baixo contato vai se organizando com efeitos até positivos, por exemplo, quando as pessoas perdem a vergonha de sair de máscara como vemos os orientais  fazerem há muito tempo. 

O home office tem sido objeto de estudos com a conclusão que não há perda de produtividade e que muitos empregados e patrões pensam em manter essa condição em grande parte da sua mão de obra. Na semana seguinte opiniões divergentes alegam que a produtividade só se mantém porque as pessoas tem que fazer tudo dentro de casa. Não tem que sair para buscar crianças na escola, ir à academia, ao cabeleireiro, às consultas médicas que foram adiadas, ou mesmo não são normalmente demandadas para encontros presenciais de negócios ou sociais. Vamos descobrir ainda qual será o meio termo.

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