A sobrevida dos automóveis na pandemia


por Evandro Milet 

Os automóveis são constantemente condenados como grandes vilões da civilização, seja pelo consumo de combustíveis fósseis e consequente poluição, seja pelos engarrafamentos e obstrução da mobilidade com a baixa ocupação por veículo. Nessa pandemia, porém parece que os automóveis ganham um novo fôlego pela segurança de permitir evitar as aglomerações do transporte público e outras facilidades.

Uma aplicação para os automóveis que cresce muito nesses tempos é o drive-thru. Usado mais regularmente nas cadeias de fast-food, ganhou ocupação em várias outras situações. Uma das atividades mais impactadas pelas medidas de restrição de circulação, os shoppings centers tiveram seus serviços suspensos em várias cidades. Uma alternativa adotada recentemente pelos lojistas foi a comercialização pelo sistema drive-thru, onde o consumidor faz a compra por meio dos canais digitais, como redes sociais e WhatsApp e retira a mercadoria no estacionamento do shopping, com a entrega sendo realizada por um funcionário devidamente paramentado com os equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas.

O serviço de drive-thru foi criado em 1931 pelo americano Royce Hailey em Dallas, no Texas. Certa vez, ao ouvir um comentário de seu chefe de que os clientes que tinham automóveis eram tão preguiçosos que não saíam do veículo nem para comer, ele fixou uma placa em frente ao estabelecimento com os dizeres “drive-thru” – que tem pronúncia semelhante a “drive-through” e significa literalmente “através do carro”. Imediatamente a novidade caiu no gosto da população.

Laboratórios e farmácias oferecem realização de testes de covid por drive-thru, feiras livres já adaptaram o processo e até eventos como missas, formaturas e chás de bebê estão se moldando ao novo normal. Há até aplicações inovadoras e inesperadas. Um clube de strip tease criou um serviço de drive-thru com uma pista para os carros passarem ao lado de palcos em que dançarinas (devidamente mascaradas) tiram a roupa em troca de gorjetas. A iniciativa é de um estabelecimento na cidade de Portland, no Estado americano do Oregon, nos EUA.

O sistema drive-in original para antigos cinemas foi ressuscitado e ocupa agora grandes estacionamentos vazios. Algumas cidades inovaram, como Vilnius, capital da Lituânia, que transformou a pista de seu aeroporto em um grande cinema ao ar livre ou para acompanhar apresentações musicais de dentro de seus carros. Aviões deram lugar a uma grande tela e dezenas de veículos estacionados. O modelo de drive-in é aproveitado também por restaurantes tradicionais em novos modelos de negócio em tempos de distanciamento social.

Até estádios de futebol sem campeonatos ocupam gramados para todo mundo voltar a assistir filmes em tela grande. Em São Paulo, o Allianz Parque, estádio do Palmeiras, anunciou que abrirá suas portas para sessões de cinema no estilo drive-­in com capacidade para 280 veículos — aos palmeirenses, um aviso: o gramado é sintético e não deve ser prejudicado pelos automóveis.

Outra utilidade ainda parece ter o automóvel. Com as restrições para viagens internacionais e o medo de contaminação em aeroportos e aviões, mesmo o turismo interno sai prejudicado. A opção que parece se desenhar é o turismo de proximidade, seja o bate-volta nos arredores das cidades, seja a ocupação de hotéis em cidades turísticas próximas onde as famílias viajam na segurança dos automóveis.

De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos em trinta países, entre eles o Brasil, 30% dos entrevistados estão mais propensos a comprar um automóvel depois da crise da Covid-19. Talvez só durem essas opções até a vacina, talvez algumas práticas se mantenham. Só o futuro dirá.

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