Startups do Vale do Silício são “tóxicas”, segundo escritora que tentou a sorte na meca da tecnologia

Em “Vale da estranheza”, Anna Wiener narra seu mergulho no mundo das startups

Por Célia de Gouvêa Franco — Para o Valor 25/06/2022

Anna Wiener descobriu nas empresas ‘modernas’ os mesmos problemas das outras — Foto: Russel Perkins/Divulgação

Para milhões de jovens de todas as partes do mundo – e não tão jovens – a Pasárgada dos nossos dias é o Vale do Silício. Lá, todos teriam a chance de ser amigos dos reis de empresas em rápida ascensão e ganhar uma bolada rapidamente. Atraídos por essas possibilidades, apostando numa startup que logo se tornaria um unicórnio (para usar as palavras de ordem desse mundo), muitos sonham em se instalar na região da Califórnia que se tornou um polo de tecnologia e inovação.

Porém, a realidade não obedece necessariamente ao que se sonha. “Vale da estranheza – Fascínio e desilusão na meca da tecnologia” busca exatamente desmitificar a vida e o trabalho no Vale do Silício.

Anna Wiener, depois de trabalhar em editoras de livros em Nova York, com um salário pequeno, decide se arriscar no setor de tecnologia da informação que ela mesma não entendia completamente.

“Meus desejos eram genéricos. Queria achar um lugar no mundo e ser independente, útil e bondosa. Queria ganhar dinheiro para me sentir firme, segura e valorizada. Queria ser levada a sério. Mais do que tudo, queria que ninguém se preocupasse comigo”, explicita ela ao explicar por que aceitou a mudança radical de carreira, estilo de vida e cidade.

Wiener queria principalmente que a mãe deixasse de se preocupar com ela e parasse de cobrá-la por ganhar tão pouco. A empreitada não deu certo. Frustrada pelo ambiente que considerou “tóxico” nas empresas onde trabalhou, ela voltou para sua área e cidade – hoje escreve para a revista “The New Yorker”. Nem tudo foi perdido, no entanto – com frequência ela trata do setor de TI.

No livro, lançado em 2020 no mercado americano, ela não cita os nomes das empresas para as quais passa a trabalhar, mas a internet informa que ela teve uma breve passagem por uma startup chamada Oyster e depois, já em São Francisco, passa pela empresa de análise de dados Mixpanel e finalmente pela companhia GitHub.

Colegas e chefes das startups são tratados apenas pelo primeiro nome – pessoas que conhecem bem o Vale do Silício informam que um personagem importante do livro seria Patrick Collinson, cofundador e presidente da Stripe (empresa de pagamentos on-line).

O livro é um relato das experiências de Wiener, tratadas quase como uma expedição a outro universo. O roteiro segue a cronologia – conta as entrevistas de emprego, que a surpreenderam pela superficialidade das questões.

Eis um exemplo: “‘Então’, ele (o entrevistador) disse, como se me pedisse para lhe contar um segredo, ‘como você calcularia o número de pessoas que trabalham para o Serviço Postal dos EUA?’ Ficamos um instante em silêncio. Eu não calcularia, pensei: olharia na internet. Me perguntei se talvez não fosse um teste da minha tolerância a papo furado e ineficiência”

Em sequência, vem toda a narrativa do cotidiano de trabalho e vida em San Francisco. Alguns episódios do livro reforçam o estereótipo de que trabalhar numa startup é quase uma festa. “A empresa era divertida. Divertida – era divertida! A empresa fez uma festa de Día de los Muertos, com comida mexicana, banda mariachi e um altar à luz de velas que homenageava os produtos mortos antes do lançamento” é um dos muitos casos citados por Wiener.

A atração do Vale do Silício não é só ficar rico – ou bem de vida. Chama a atenção também a ideia de se engajar numa empresa que não segue os modelos convencionais em se tratando de horário de trabalho, roupa com que se deve ir ao escritório e relacionamento com a chefia. Na imagem criada por filmes, livros e redes sociais, é tudo muito mais informal e aparentemente mais fácil.

E foi principalmente nessa área que começou a desilusão. Wiener descobre que os mesmos problemas de muitas empresas que seguem o modelo tradicional de relações com funcionários também são encontrados nas companhias mais “modernas” da área de tecnologia. Em especial, o preconceito contra mulheres.

“Havia bastante tempo que eu tinha deixado de fazer trabalho público sob meu próprio nome. Para todas as correspondências externas, usava pseudônimos masculinos. Mas usar pseudônimos masculinos não era conveniente só para aplacar ou enfraquecer conversas tensas. Era útil até para os pedidos de assistência técnica mais inofensivos. Os homens, percebi, simplesmente reagiam de outra forma a homens. Meus pseudônimos masculinos tinham mais autoridade do que eu.”

Em muitos setores da economia, como se sabe, a pressão por resultados positivos é enorme – e crescente. No caso do setor de tecnologia, é ainda maior pela dificuldade de sobrevivência das empresas. Segundo especialistas citados pela Embroker (uma consultoria na área de seguros), globalmente 90% das startups fracassam, sendo que 10% não chegam a completar um ano de vida.

As mesmas sensações de insatisfação com o trabalho e de falta de reconhecimento experimentadas por Wiener na sua passagem pelo setor de livros acabaram predominando também nas empresas de TI em San Francisco. Ela decidiu pedir demissão. Saiu com a oportunidade de comprar ações da empresa, que ela aproveitou.

Meses depois, quando a startup foi comprada por um grande grupo, ela ganhou US$ 200 mil antes dos impostos. Bastante dinheiro para o comum dos mortais, mas não a fortuna sonhada por muitos interessados em ir para o Vale do Silício.

Vale da estranheza

Anna Wiener. Trad.: Débora Landsberg Companhia das Letras 312 págs, R$ 89,90

https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2022/06/25/startups-do-vale-do-silicio-sao-toxicas-segundo-escritora-que-tentou-a-sorte-na-meca-da-tecnologia.ghtml

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Brasil pode se tornar uma potência na produção de lítio, diz Sigma

Segundo a executiva, o Brasil estará numa “posição imbatível para alimentar a América do Norte e a Europa”, chamadas de cadeia do Atlântico

Por Reuters/Infomoney 7 jul 2022 

(Reuters) – Com a flexibilização do comércio exterior de lítio, o Brasil pode se tornar uma potência na produção do mineral, em momento de alta demanda pelo produto devido ao advento das baterias, avaliou a co-CEO da canadense Sigma Lithium Resources Corporation, Ana Cabral-Gardner, em entrevista à Reuters.

A executiva explicou que a dispensa de autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear, vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações, deve atrair diversas empresas estrangeiras para a mineração no país, destravando investimentos nos próximos três anos.

“Por causa dessa regulação anacrônica, que classificava o lítio como de interesse nuclear, você caía em um meandro regulatório que não tornava o produto competitivo”, disse Cabral-Gardner.

Segundo a executiva, o Brasil estará numa “posição imbatível para alimentar a América do Norte e a Europa”, chamadas de cadeia do Atlântico, enquanto o mundo busca a eletrificação de carros. Recentemente, o presidente da Tesla, Elon Musk, visitou o país, mas a questão do lítio, estratégica para a sua companhia, não foi levantada oficialmente.

O decreto que flexibiliza as exportações de lítio no Brasil, publicado na quarta-feira pelo governo federal, tem o potencial de viabilizar mais de 15 bilhões de reais em investimentos na produção do minério até 2030.

O diretor de Geologia e Recursos Minerais do estatal Serviço Geológico do Brasil (SGB), Marcio Remédio, explica que o decreto corrige uma distorção que vem da década de 70, quando nascia a energia nuclear no Brasil.

“O lítio é usado em um volume muito pequeno nos reatores. Como, na época, ele era um mineral mais escasso, foi considerado um mineral estratégico. Por isso foi feita essa regulação de controle do comércio exterior”, disse Remédio.

A mudança na legislação não afeta os negócios da Sigma Mineração, subsidiária brasileira da canadense. A mineradora, que deve começar a produzir lítio até o fim do ano, já tinha estoque suficiente para atender à regra anterior. A empresa tem, hoje, 28 áreas concessionadas no país.

“Dentro dessas 28, nós tínhamos 9 áreas que foram produtoras no passado, antes de 2010. Dessas 9, três já foram validadas conforme padrões dos Estados Unidos e do Canadá. Essas três áreas, sozinhas, já têm 85,7 milhões de toneladas de reservas de lítio”, disse Cabral-Gardner.

A flexibilização trazida pelo decreto será importante para futuras mineradoras. O Ministério de Minas e Energia afirma que a rápida e recente evolução do mercado de lítio motivou a mudança.

Segundo o ministério, o anúncio de vários investimentos ao redor do mundo na cadeia de produção de veículos elétricos indica a oportunidade de fortalecer o posicionamento do Brasil e atrair investimentos que ele estima que podem chegar a 15 bilhões de reais até 2030.

PARTICIPAÇÃO DO BRASIL

Marcio Remédio, diretor do SGB, afirma que, hoje, o Brasil responde apenas por cerca de 1,5% da produção mundial de lítio.

“Nós podemos chegar, a longo prazo, pelo menos 10 anos, a 5%. Por que 5%? Porque a produção mundial também vai crescer”, disse Remédio.

Hoje, só duas empresas produzem lítio no Brasil: a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) e a AMG Brasil. Mas há várias empresas com projetos de mineração em andamento.

Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), os alvarás de pesquisa publicados, de todos os minérios, saíram de 5.285 em 2020 para 10.098 em 2021. Não há dados específicos sobre lítio.

Tomás de Paula Pessoa, advogado de direito minerário e ex-diretor da ANM, afirma, porém, que o Brasil não tinha uma procura tão intensa por projetos de mineração de lítio.

Ele afirma que o maior interesse está diretamente ligado à transição energética, principalmente por conta da eletrificação das frotas mundo afora.

“A evolução dos veículos elétricos e a sua maior oferta no mercado mundial ampliou a necessidade desses minérios para a produção de baterias. Agora, o Brasil vai poder exportar para fábricas de baterias mundo afora”, disse Pessoa.

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Mostarda some de mercados na França, população se desespera e chef pede até sobras

Crise climática e guerra impactam produção de condimento obrigatório na culinária local

Roger Cohen – PARIS | THE NEW YORK TIMES/Folha 14.jul.2022 

A mostarda está enraizada na cultura francesa. “Meu sangue ferveu” é traduzido em francês pela expressão “La moutarde me monte au nez” (“A mostarda subiu ao meu nariz”) –e, como prova o aniversário da Queda da Bastilha, quando isso acontece na França o efeito pode ser devastador.

Enquanto a França comemorava seu feriado nacional mais importante nesta quinta-feira (14), relembrando a tomada da prisão-fortaleza da Bastilha em 1789, que desencadeou a Revolução Francesa, o misterioso desaparecimento de mostarda das prateleiras de mercados causou, se não revolta, pelo menos profunda inquietação.

Loja de mostardas em Dijon, na França, em maio, antes da escassez do condimento obrigatório na culinária francesa – Jeff Pachoud/AFP

Privada do condimento que dá graça a um filé com fritas, vida a uma linguiça grelhada, profundidade a um vinagrete e riqueza à maionese, a França vem procurando alternativas com um desespero contido. Raiz-forte, wasabi, molho inglês e até cremes de roquefort ou cebolinha surgiram como candidatos.

Pobres candidatos, deve-se dizer. O problema é que a mostarda de Dijon é tão insubstituível quanto indispensável. Manteiga ou creme de primeira qualidade podem ser mais essenciais para a culinária francesa, mas muitos molhos untuosos se tornam insípidos sem mostarda. Em Lyon, a ideia de uma “andouillette” (linguiça de miúdos) sem ela é tão inconcebível quanto queijo desprovido de vinho.

Outro problema, ao que parece, é que a mostarda de Dijon é composta em grande parte de ingredientes que não vêm dessa encantadora cidade, capital da região da Borgonha. Uma tempestade perfeita de mudanças climáticas, guerra na Europa, problemas de abastecimento causados pela Covid e custos crescentes deixaram os produtores sem as sementes marrons que fazem sua mostarda ser “a” mostarda.

A maioria delas –ao menos 80%, segundo Luc Vandermaesen, diretor da Reine de Dijon e presidente da Associação de Mostarda da Borgonha– vem do Canadá. Uma onda de calor nas províncias de Alberta e Saskatchewan reduziu a produção de sementes em 50% no ano passado, ao mesmo tempo que o aumento das temperaturas atingiu duramente a colheita menor na Borgonha

“A questão principal é a mudança climática, e o resultado é essa escassez”, diz Vandermaesen. “Não podemos responder aos pedidos que recebemos, e os preços no varejo subiram até 25%.”

Sua empresa agora recebe pelo menos 50 ligações por dia de pessoas em busca de mostarda —não havia tantas antes que ela desaparecesse. As pessoas chegam até a sede da empresa em Dijon (que nem é uma operação de varejo) em uma busca frenética pelo condimento. A rede Carrefour foi forçada a negar rumores no Twitter de que está estocando mostarda para aumentar os preços. Chefs como Pierre Grandgirard, na Bretanha, recorreram ao apelo online por qualquer sobra que alguém possa ter.

Na maioria das lojas, as prateleiras se esvaziaram. Onde ainda há mostarda, placas dizem que as vendas são “limitadas a um pote por pessoa”. O varejista Intermarché, pedindo desculpas pelo transtorno, explica em outra placa que “a seca no Canadá e o conflito com a Rússia” levaram à “penúria”.

Para quem se orgulha de sua “moutarde”, a noção de que ela raramente é um produto totalmente local e com frequência depende da cadeia de suprimentos multinacional abalada pela pandemia também foi um choque.

A Guerra da Ucrânia complicou ainda mais as coisas. Moscou e Kiev são grandes produtores de sementes da planta, mas geralmente não das marrons (Brassica Juncea) usadas na Dijon clássica. As sementes amarelas produzidas lá são populares em locais como Alemanha e Hungria, que preferem um condimento mais suave. Com a guerra, países que dependem delas foram buscar outros tipos e a “pressão nesse mercado em geral aumentou, elevando os preços”, diz Vandermaesen.

Em média, cada francês consome 2,2 kg de mostarda por ano, o maior consumidor mundial. Embora haja indícios de escassez iminente em outros países, a crise da mostarda francesa é única em suas dimensões.

Na crise está a oportunidade, é claro. Paul-Olivier Claudepierre, coproprietário da Martin-Pouret, fornecedora de mostardas e vinagres inteiramente franceses, disse ao jornal Le Monde que chegou o momento de “relocalizar a produção”.

“Cultivamos, a milhares de quilômetros, uma semente que vamos colher, levar a um porto e transportar pelo oceano em contêineres para transformá-la aqui”, diz. “Isso custa muito e uma grande quantidade de carbono.”

Vandermaesen afirma que a Borgonha embarcou num esforço conjunto para aumentar a produção. Um problema que os agricultores locais enfrentam é que a União Europeia proibiu um inseticida usado há muito tempo para combater a praga do besouro-pulga-preto.

Por enquanto, ao que parece, a França deve aprender a viver sem mostarda, uma adaptação dolorosa. Maria Antonieta, a rainha na época da Revolução, é famosa pelo comentário “Que comam brioches” sobre camponeses famintos sem pão (se realmente o fez, antes de ser guilhotinada em 1793, é outra questão). “Que comam wasabi” é uma frase que o presidente Emmanuel Macron provavelmente deveria evitar.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/07/mostarda-some-de-mercados-na-franca-populacao-se-desespera-e-chef-pede-ate-sobras.shtml

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Não basta ser bom profissional, é preciso ser um “influenciador”

Paulo Silvestre – Estadão 13 de junho de 2022 |

O artista americano Andy Warhol, que disse em 1968 que, no futuro, todos seriam “mundialmente famosos por 15 minutos”

O artista americano Andy Warhol, que disse em 1968 que, no futuro, todos seriam “mundialmente famosos por 15 minutos”

Na noite de sexta, durante uma aula do meu curso de Customer Experience na PUC-SP, uma aluna levantou o debate de que já não bastaria ser um bom profissional: todo mundo agora precisaria ser também um “influenciador” para ser valorizado pelo mercado. Talvez isso ainda não seja determinante para se conseguir um emprego, mas quem faz sucesso nas redes sociais de fato anda sendo supervalorizado, a despeito de suas qualificações profissionais.

Isso vem provocando distorções reais e preocupantes.

Entre elas, profissionais com pouca experiência ou formação deficiente podem mesmo ocupar o espaço de pessoas mais bem preparadas para suas funções, se aparecerem bem online. A curto prazo, isso resulta em entregas piores aos clientes. A médio prazo, isso pode desestimular o investimento em uma boa formação profissional. A longo prazo, perde toda a sociedade, que pode se acostumar com um patamar inferior de qualidade em produtos e serviços.

Mas muita gente acha que ser influenciador digital é um caminho fácil e rápido para o sucesso. Não é de se estranhar, então, que o Brasil já tenha 500 mil deles.

Por “influenciador digital”, entenda-se alguém que tenha mais de 10 mil seguidores nas redes sociais. Essa foi a métrica adotada pela consultoria Nielsen, no levantamento “Construindo melhores conexões”, chegando a esse impressionante número de meio milhão de influenciadores brasileiros.

O Brasil é o segundo país do mundo em influenciadores, quase empatando com os EUA. Já existem por aqui mais influenciadores que dentistas (que são 374 mil) e engenheiros civis (455 mil) e aproximadamente o mesmo que médicos (502 mil). Seus ganhos por trabalho variam de R$ 1.000 a R$ 600 mil.

Seu sucesso passa por ser relevante para a comunidade a que pertencem. Disso vem a grande pergunta: os influenciadores são realmente relevantes para a sociedade? Ou apenas “criam espuma” em torno de assuntos que interessam só a eles mesmos ou às marcas que os contratam?

Segundo a Nielsen, os influenciadores não chegam a ser determinantes em vendas: 45% das mulheres e 24% dos homens seguem influenciadores, mas 58% delas e 76% deles nunca compraram nada apresentado por esses profissionais. Isso porque 66% não confiam no que eles dizem.

Ainda assim, esse mercado não para de crescer. De acordo com o estudo “The State of Influencer Marketing 2022”, elaborado pela consultoria Influencer Marketing Hub, o setor de marketing de influência deve movimentar US$ 16,4 bilhões nesse ano. Mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo se consideram criadores de conteúdo, e devem fazer circular incríveis US$ 104 bilhões até dezembro.

Esses indicadores nos levam de volta ao questionamento inicial. É claro que existem influenciadores que fazem um trabalho incrível, que traz ótimos resultados às marcas e oferece um valor real a seu público. Mas a maioria deles são eficientes apenas em gerar “engajamentos vazios”, com muitos cliques em “fotos fofas”, mas incapazes de produzir um conteúdo verdadeiramente rico.

Como muitas marcas olham apenas para essas “métricas de vaidade”, profissionais qualificados acabam sendo preteridos.

A sedução da fama

Acontece que o desejo de se alcançar a fama é muito poderoso e acompanha o ser humano. As pessoas querem ser artistas, esportistas ou outras atividades que deem grande destaque popular. Mas isso sempre foi muito difícil, sendo alcançado por pouquíssimos, com muito trabalho e às vezes sorte.

Em 1968, o genial artista americano Andy Warhol disse que “no futuro, todos serão mundialmente famosos por 15 minutos”. Sua profecia se concretizou quatro décadas depois, com a popularização das redes sociais e dos smartphones. Qualquer post potencialmente pode hoje levar seu autor a milhares de pessoas e por muito mais que 15 minutos.

Assim, não é à toa que tenhamos tantos influenciadores! A maioria acha que esse é um caminho fácil para a fama e para o dinheiro. Nada mais equivocado! O trabalho de um influenciador profissional é árduo e exige planejamento. Por isso, chega a ser risível o espanto de muita gente ao descobrir, na semana passada, em um story da influenciadora Bianca Andrade, conhecida como Boca Rosa, que ela planeja detalhadamente suas publicações.

E não poderia ser de outra forma! O mercado felizmente começa a tratar os bons influenciadores como profissionais capacitados. Aqueles que não passam de “modelos de fotos bonitinhas”, que trabalham em troca de mimos, perdem espaço. Os bons contratos começam a ir para quem realmente for capaz de produzir conteúdo próprio e relevante. Seu desafio é passar mensagens de maneira orgânica para seu público.

O problema é que esses ainda são poucos! E isso acostumou o público a não querer sair da superficialidade confortável e que não exige que pensem muito.

Em junho de 2015, quando recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Turim (Itália), o escritor e filósofo italiano Umberto Eco fez um polêmico discurso dizendo que, graças às redes sociais, uma “legião de imbecis (…) agora tem o mesmo direito à palavra que um Prêmio Nobel”. Não satisfeito, disse ainda que “o drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”.

Talvez Eco tenha sido muito duro na escolha das palavras, mas ele antecipou o que se vê hoje, quando esse fenômeno ainda não era disseminado (e isso foi há apenas sete anos). Completos desconhecidos posando em trajes de banho e “fazendo biquinho” têm mais visibilidade hoje que cientistas que pesquisam temas essenciais para a sociedade.

Influenciadores digitais sérios são profissionais, e devem se portar e ser tratados como tal. É preciso “separar o joio do trigo”. Eles não devem ocupar o espaço de pessoas capacitadas nas diferentes áreas do saber, mas sim realizar o trabalho que fazem tão bem, que é o de apresentar e explicar produtos de maneira simples e alinhada a seus públicos. E isso tem muito valor! Se eles forem profissionais formados nas respectivas áreas e ainda tiverem a capacidade de influenciar multidões, melhor ainda!

O mercado precisa valorizar o que cada um tem de melhor a oferecer isso à sociedade, dentro de suas competências. Influenciadores podem não ser engenheiros, jornalistas, psicólogos, médicos ou modelos, mas, dentro de suas atribuições, podem trabalhar com todos eles, de maneira a que todos brilhem mais, sem “roubar” o espaço de ninguém.

https://brasil.estadao.com.br/blogs/macaco-eletrico/nao-basta-ser-bom-profissional-e-preciso-ser-um-influenciador/

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Hidrogênio verde ganha espaço, mas custo ainda limita avanço rápido

Produto visto como solução potencial para descarbonizar setores da indústria enfrenta o desafio de se tornar economicamente viável

Por Cláudio Marques, Para o Prática ESG/Valor — São Paulo 13/07/2022

Divulgação / Thyssenkrupp

Com a busca pelo hidrogênio verde ganhando espaço na agenda da transição energética, os obstáculos dessa jornada vão ficando claros. O produto é visto como uma solução potencial para descarbonizar setores da indústria, principalmente em atividades que utilizem aquecimento, e também no transporte, mas o maior desafio é torná-lo acessível, criando escala para ser comercialmente viável.

Atualmente, o hidrogênio já é utilizado por algumas indústrias, só que sua produção usa combustível fóssil, ou seja, tem uma alta pegada de carbono associada. Um dos métodos mais propalados para obtenção da versão verde é por meio da eletrólise, uma técnica conhecida, mas que também enfrenta objeções. “A eletrólise é um processo extremamente caro e requer investimentos muito altos”, afirma Marina Domingues, diretora de mercado e regulação da Associação Brasileira do Hidrogênio (ABH2). “O setor não está disposto a pagar”, declara, mas concorda que a guerra entre Rússia e Ucrânia fez avançar o debate.

No entanto, Ricardo Gedra, gerente de Análise e Informações ao mercado na na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), argumenta que toda tecnologia nova é cara e prevê que o custo caia nos próximos anos. Segundo ele, há muito investimento em pesquisa pelo mundo a fim de se conseguir fabricar todos os equipamentos necessários para a produção do hidrogênio de forma limpa, com preços mais acessíveis. Um exemplo de busca de solução vem da Aliança Brasil-Alemanha para o Hidrogênio Verde, que lançou um programa de inovação para startups, instituições sem fins lucrativos e empreendedores que buscam alavancar o desenvolvimento do hidrogênio verde no país e poderão ter apoio no desenvolvimento de modelos de negócios.

Escala

O CEO da ThyssenKrupp, Paulo Alvarenga argumenta que o hidrogênio verde é mais caro do que o petróleo, “porque se criou toda uma indústria que possui uma escala gigantesca”, diz, referindo-se ao combustível fóssil. “Enquanto não houver escala industrial, não vai haver competitividade”, afirma. A própria companhia tem dois projetos em andamento. Um no porto de Roterdã, com 200 MW de capacidade, e outro na Arábia Saudita, de 2 GW. “O debate está aumentando muito rápido, e vejo que está saindo dos estudos para a prática também de maneira muito rápida”, diz.

Hoje, o hidrogênio cinza, obtido com o uso de combustível fóssil, tem preço de US$ 2/kg e o verde deve custar em torno US$ 5, segundo Alvarenga. De acordo com Domingues, da ABH2, para se produzir 1kg de hidrogênio verde são necessários 9 litros de água. É possível utilizar água do mar na obtenção, mas é preciso que ela passe por um processo de dessalinização, o que acrescenta mais um custo à produção.

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Em paralelo, pesquisas tentam encontrar outras formas de produzir o hidrogênio verde. A diretora da ABH2 cita o uso de biomassa, cuja biodigestão resulta no biogás. Depois, ele é trabalhado para retirar substâncias como enxofre e em seguida, usa-se o calor para se obter o hidrogênio. Outro método retira enxofre e outras impurezas e refina o biogás resultante até se tornar biometano, que é, então, submetido ao vapor até chegar ao hidrogênio verde. Segundo Monteiro, esse processo teria custo inferior ao da eletrólise.

Biomassa e fotocatálise

Para também tentar viabilizar a produção industrial do hidrogênio verde, a Turiya Renováveis, empresa de geração de energia renovável da Indra Energia, comercializadora do setor, e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) se uniram para produzir o hidrogênio verde pelo método de fotocatálise. “A nossa proposta é contribuir para o desenvolvimento de tecnologias que viabilizem a obtenção de hidrogênio verde no Brasil, para utilização como mais uma fonte alternativa renovável”, afirma Segundo Ingrid Santos, CEO da Turiya.

O projeto estuda o uso da luz solar para ativar um catalisador, que atuaria, então, na separação da molécula de água. Segundo o professor doutor Bruno César Barroso Salgado, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Energias Renováveis do IFCE, a substância mais estudada como catalisador é o dióxido de titânio – um material de fácil acesso e baixo custo. Ao mesmo tempo, ele prevê misturar glicerina à água. “Isso incrementa a produção de hidrogênio e acaba trazendo um ciclo de sustentabilidade. Aproveitamos um resíduo de biomassa (glicerina como subproduto do biodiesel), juntamente com a radiação solar, levando aí a custo energético de produção praticamente nulo (porque não requer eletricidade). O processo se torna bem atrativo desse ponto de vista”, afirma.

O estudo prevê que o catalisador fique impregnado na placa fotocatalisadora. “O projeto está na fase de encontrar uma engenharia que favoreça esse mecanismo”, diz Barroso. A fase piloto do projeto irá ocorrer quando as análises apontarem a melhor substância para esse fim. E isso ainda não tem prazo para acontecer.

O professor ressalta que a fotocatálise não substitui a eletrólise. “A engenharia hoje por trás da fotocatálise não dá competitividade para desbancar a eletrólise como método de produção de hidrogênio. Na verdade são métodos complementares”, afirma, lembrando que projetos de fotocatálise devem ser instalados em áreas de maior radiação solar.

Certificação

Com tantas variáveis implicadas no processo de obtenção do hidrogênio verde, não foi à toa que a CCEE decidiu desenvolver um projeto de certificação. “Quem está comprando esse hidrogênio precisa ter a segurança de que a produção não está trazendo consigo uma pegada de carbono. Então, a certificação é um elemento crucial para assegurar o principal objetivo desse energético, que é a descarbonização”, afirma Gedra, da CCEE.

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Segundo o presidente da entidade, Rui Altieri, até o fim deste ano uma versão inicial da certificação estará disponível, que também é debatida por um grupo nacional no âmbito do Comitê Nacional Brasileiro de Produção e Transmissão de Energia Elétrica CIGRE-Brasil.

Para obter a chancela da CCEE, já há consenso de que uma fábrica de hidrogênio deverá, juntamente com a construção da planta, viabilizar a edificação de uma usina de energia elétrica, que forneça eletricidade adicional limpa e renovável, no mesmo montante do consumido pela fábrica de hidrogênio.

Segundo Altieri, o papel da CCEE, como “entidade isenta”, lhe dá credibilidade nesse processo. “Os contratos de compra e venda de energia, por conta da legislação brasileira, têm de ser registrados na CCEE, acompanhados por ela e, principalmente, liquidados aqui na CCEE”, afirma.

A entidade vai levar a discussão para o encontro mundial da Cigre internacional, em agosto, para que a certificação tenha parâmetros internacionais. O objetivo é buscar o consenso de todos os stakeholders da área do hidrogênio verde, principalmente Europa, que está mais avançada nesse processo. “Então, estamos buscando sim definir atributos que atendam o que está em discussão no mundo. Assim, quando o hidrogênio exportado chegar à Alemanha, ou outro país, o  nosso certificado esteja alinhado a um padrão internacional, e seja reconhecido como sendo produzido sem pegada de carbono”, diz Altieri.

ESG – hidrogênio verde — Foto: Divulgação / Thyssenkrupp/Divulgação / Thyssenkrupp

https://valor.globo.com/empresas/esg/noticia/2022/07/13/hidrogenio-verde-ganha-espaco-mas-custo-ainda-limita-avanco-rapido.ghtml

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Qual será a revolução pós-internet, segundo o ex-presidente do Google

Entre as possibilidades da bioeconomia estão plásticos que se degradarão sem poluir a água e utensílios como garfos comestíveis

Por Gillian Tett, Financial Times/Valor 13/07/2022

Schmidt: As tecnologias não funcionavam dez anos atrás, mas elas funcionam agora — Foto: Bloomberg

Eric Schmidt, o ex-presidente-executivo do Google, tornou-se uma das pessoas mais ricas dos Estados Unidos ao se especializar em engenharia de software. No entanto, ele diz que se estivesse começando novamente hoje não estaria voltado apenas para os bits e bytes. Aos 67 anos, ele acredita que a próxima grande sensação será a “bioeconomia”, e não a internet.

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Esse rótulo abrangente, segundo me explicou Schmidt no fórum Aspen Ideas, no mês passado, descreve “o uso de processos biológicos para fazer uso de coisas que consumimos e fabricamos… avanços na biologia essencialmente molecular… mais os avanços na inteligência artificial nos permitiram criar novas técnicas e cultivar coisas novas”.

Para ajudar, ele listou algumas inovações que essa economia poderá incluir: novos plásticos que se degradarão naturalmente sem poluir a água, cimento “biologicamente neutro” que não afeta o meio ambiente, micróbios do solo que reduzem o uso de fertilizantes, revestimentos de telhados à base de soja que reduzem o calor nos centros urbanos e meu favorito, utensílios de jantar compostáveis, como garfos comestíveis. Dito de outra forma, a bioeconomia é baseada em coisas que são cultivadas usando-se a biologia sintética.

“As moléculas estão se tornando o novo microchip”, repetiu Walter Isaacson, o prolífico biógrafo e ex-editor da revista “Time”, também presente no fórum de Aspen. “As moléculas podem ser reprogramadas da mesma maneira como reprogramamos os microchips.”

A pequena diferença, segundo disse Isaacson, é que na biologia sintética “o código não é digital, ou binário com zeros e uns, mas tem quatro letras”. Para Isaacson a chave é que a biologia sintética, assim como a computação, está enraizada em uma “revolução da informação”, que para a bioeconomia começou por volta da virada do milênio, quando o genoma humano foi sequenciado.

Parece emocionante. Mas há um problema para os adeptos da bioeconomia, como Schmidt: cientistas vêm proclamando uma revolução da biociência há décadas. E embora investidores tenham colocado dinheiro no setor, relativamente poucas dessas ideias inovadoras, para talheres comestíveis, biocombustíveis ou qualquer outra coisa, renderam produtos escaláveis que mudaram nossas vidas, e muito menos produziram o tipo de sucesso comercial que empresas como o Google vêm tendo no mundo da internet.

Na verdade, apesar de todo o alarde, recentemente investidores deixaram o setor, com a desaceleração da economia mundial. No último ano, o valor empresarial agregado das companhias de biociência caiu mais de 70% em relação ao pico atingido em 2021. Tim Opler, diretor-gerente do banco de investimentos Torreya, disse ao “Financial Times” em junho que os aspirantes a empreendedores da bioeconomia de hoje enfrentam um “Saara” financeiro porque “não há dinheiro por aí”.

Por quê? Um dos problemas é que a ciência avançou mais lentamente do que muitos esperavam. Outro é a regulamentação do governo. Há também um problema mais fundamental: enquanto uma dupla de adolescentes fanáticos por computadores pode construir uma companhia da internet em uma garagem, criar uma empresa de biociência exige muito conhecimento, talento especializado, capacidade de fábrica e tempo. Essas não são coisas com que a indústria de capital de risco dos EUA, que bancou a revolução tecnológica, está acostumada a lidar.

Apesar dos obstáculos, Schmidt e Isaacson insistem que a revolução há muito adiada está pronta para acelerar. Isso se deve em parte aos avanços na ciência que vêm ajudando na aplicação da inteligência artificial, ou IA. “As tecnologias não funcionavam dez anos atrás, mas elas funcionam agora”, afirma Schmidt. Para Issacson, “essa coisa avançou um pouco porque agora os cientistas perceberam que podem não apenas ler o código do DNA, mas também editá-lo”.

Depois, há a geopolítica. A China encontra-se no momento na liderança do campo da biociência. Isso cria uma pressão crescente para que a Casa Branca responda. De fato, Schmidt, que já aconselhou Joe Biden em ciência, está dizendo ao governo dos EUA que poderia haver benefícios políticos consideráveis em financiar a bioeconomia. Uma fundação que ele preside calcula que o setor poderá chegar a US$ 4 trilhões na próxima década ou duas, criando 1 milhão de empregos qualificados em áreas carentes.

“É a nova era industrial aplicada a partes rurais dos EUA”, disse-me ele, observando que, ao contrário da inovação tecnológica corrente, “esses empregos não estão no Vale do Silício, nem no Nordeste dos EUA. Eles estão nos estados republicanos. Eles estão nos estados com muita agricultura”. Ele acredita que o fato de esses estados rurais e agrícolas tenderem a ser republicanos e não democratas dará à sua abordagem um apelo bipartidário, uma vez que envolverá os políticos republicanos.

É claro que será difícil fazer isso acontecer com velocidade ou escala sem alguma parceria público-privada e formulação conjunta de políticas. E isso é muito raro nos EUA. Mas Schmidt continua otimista. “Teremos um número adicional de unicórnios e companhias de US$ 1 trilhão nessa bioeconomia”, insiste ele. (Tradução de Mario Zamarian)

https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2022/07/13/qual-sera-a-revolucao-pos-internet-segundo-o-ex-presidente-do-google.ghtml

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‘Gamificação’ ganha espaço nas empresas para fidelizar clientes

Ações interativas atraem consumidores, que dão acesso, em contrapartida, aos seus dados e hábitos 

Wesley Gonsalves, O Estado de S.Paulo 11 de julho de 2022 | 

A professora aposentada Maria Luiza Apóstolo, 54 anos, é uma usuária assídua de aplicativos que usam a “gamificação” para oferecer descontos, cashback e doações de produtos. Desde que começou a usar esses serviços, ela já resgatou mais de R$ 3 mil em brindes e ganhou R$ 400 de recompensa. Para isso, conta que desenvolveu uma rotina diária, respondendo questionários, publicando fotos dos itens e desvendando charadas nos aplicativos. “É igual nas redes sociais, entro todos os dias para ver os prêmios que posso conseguir de graça”, conta. 

Para entender o comportamento dos consumidores, algo essencial nas estratégias de negócios e para impulsionar marcas no varejo, cada vez mais empresas utilizam o marketing de experiência, em que fazem do lado lúdico dos jogos uma ferramenta para atrair clientes e oferecer recompensas em forma de brindes – de itens de maquiagem a investimentos em renda fixa. Empresas como Nívea, Grupo Boticário, Ifood, Localiza e MRV são algumas que têm utilizado a ferramenta no dia a dia.

Mas se engana quem acredita que essas recompensas são realmente gratuitas. Sem dinheiro envolvido nas transações, o pagamento pelas benesses se dá por meio de informações dos usuários, como explica a pesquisadora em segurança de dados do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da FGV, Erica Bakonyi. “Precisamos entender que não existe nada de gratuito nisso. Nós sempre estamos oferecendo algo, neste caso, os nossos dados”, diz Erica. Na opinião da especialista, consumidores precisam estar atentos a golpes, já que a entrega de dados pessoais na internet pode gerar dores de cabeça em caso de vazamento de informações.

ctv-off-loniLoni quer fazer da corretora Guide a ‘Netflix dos investimentos’ Foto: Felipe Rau/Estadão

A gamificação já está no radar das grandes varejistas. Um exemplo é o Magalu, que, conforme apurou o Estadão, tem um projeto desse tipo, que está em desenvolvimento pelo núcleo de jogos da companhia. 

Um dos aplicativos usados pela professora Maria Luiza é o Gelt, startup de marketing que concede cashback por meio da gamificação. Para ter acesso às recompensas, os usuários participam de gincanas virtuais transmitidas nas redes sociais e realizam tarefas no próprio app.

Para o presidente da empresa, Henrique de Melo Franco, essa troca de informações por brindes auxilia empresas da indústria de bens de consumo a entender o comportamento dos clientes. “Atendemos às necessidades das empresas e ainda beneficiamos os clientes.” 

As recompensas nesse segmento são as mais variadas. Na plataforma Mimoo, por exemplo, os usuários podem escolher itens de alimentação, higiene e perfumaria. Embora ligada ao virtual, algumas atividades do mundo físico também começam a ser ‘gamificadas’. É o que faz a healthtech VIK, que oferece pagamentos em Pix de até R$ 100 para clientes que atinjam metas de exercícios semanais. “Incentivamos as pessoas a mudarem os hábitos”, diz Pedro Reis, presidente da empresa.

Além de compilar dados, as plataformas com aspectos lúdicos ajudam a reforçar a marca e atrair novos usuários. No caso da corretora de investimentos Guide, o processo de gamificação é utilizado para incentivar os seus assinantes a usar um guia financeiro. No serviço, quem assiste às videoaulas e acompanha os relatórios acumula moedas virtuais, que podem ser trocadas por mentorias e papéis de renda fixa. 

Desde que foi inaugurado o modelo, a corretora teve uma conversão de 30% no número de usuários que se tornaram assinantes da corretora. “Nós queremos ser a Netflix dos investimentos, trazendo uma linguagem de entretenimento”, afirma a diretora Loni Batist.

Para Rejane Tomoto, da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), os programas de fidelidade com entregas de brindes já são um clássico entre as companhias. A novidade é o uso da tecnologia para promover o modelo de negócio. Mas a especialista alerta para o fato de que a estratégia de marketing dessas empresas pode criar falsas necessidades e atrapalhar a vida financeira dos consumidores. “No fim, esses programas de recompensa são uma forma de as empresas venderem mais.”

Proteção de dados

Uso consciente. Ao usar programas de benefícios gamificados é preciso sempre buscar informações sobre sites e aplicativos que receberão seus dados pessoais

Atualização. É muito importante manter sistemas operacionais sempre atualizados, seja no celular seja no computador

Pesquisa. Se for necessário fazer o download de um programa para realizar as tarefas, faça isso apenas se o software estiver disponível em uma plataforma confiável, seja um site ou uma loja de aplicativos

Atenção. Antes de iniciar o jogo, é recomendado que o usuário leia a política de privacidade e os termos de uso do serviço, com especial atenção à palavras-chave como “dados pessoais coletados” e “dados compartilhados”

Prevenção. Evite formulações simples se for preciso criar uma senha para usar o game. Opte por usar mais de 8 caracteres,  de preferência com símbolos e letras variadas

COLABORARAM JÚLIA PESTANA E LUÍS NASCIMENTO, ESPECIAIS PARA O ‘ESTADÃO

https://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,marketing-gameficacao-fidelizacao,70004113210

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Substituição de 20% do plástico descartável no mundo pode gerar economia de US$ 10 bilhões

A implementação de uma economia circular pode criar 700 mil empregos a mais no mundo até 2040 nos serviços necessários para garantir a circulação dos materiais

Por Daniela Chiaretti*, Valor — Lisboa 01/07/2022

Cerca de US$ 10 bilhões podem ser poupados globalmente com a substituição de 20% das embalagens de um único uso por opções que possam ser reutilizadas. A implementação de uma economia circular pode criar 700 mil empregos a mais no mundo até 2040 nos serviços necessários para garantir a circulação dos materiais.

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Depois de décadas de contínuo crescimento, o uso de plástico virgem por marcas e varejistas parece ter atingido o pico em 2021 e pode diminuir quase 20% até 2025. O progresso é explicado em boa parte pela reciclagem, mas isso não será suficiente para combater a poluição plástica. É preciso eliminar as embalagens de um único uso rapidamente.

Os dados são da Fundação Ellen MacArthur e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A fundação é uma organização que incentiva a economia circular para enfrentar a mudança do clima, a perda de biodiversidade, eliminar desperdícios e a poluição.

Na Conferência do Oceano das Nações Unidas, esta semana, em Lisboa, 21 novos governos federais e estaduais se tornaram signatários do Compromisso Global por uma nova Economia dos Plásticos.

A iniciativa lançada há três anos faz com que empresas e governos se comprometam a combater a poluição plástica na fonte, mudando a forma de produzir e consumir, comprometendo-se com o reuso de plásticos. Há esforços também para redesenhar produtos que usam plásticos. Os signatários do compromisso têm que relatar seus avanços. Já existem 500 organizações que compartilham a ideia de se implementar uma economia circular para os plásticos.

Hoje, há 50 países, Estados e cidades comprometidos com a nova economia dos plásticos. Entre os 21 novos signatários estão o México e dez Estados brasileiros — Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e São Paulo.

“A participação dos governos no Compromisso Global é fundamental para a transição para uma economia circular de fato ocorra. Esses atores têm o poder de implementar políticas que incentivem o desenvolvimento e a expansão de soluções de economia circular, além de políticas que impeçam o avanço de práticas que contribuem com a poluição” disse Thais Vojvodic, gerente sênior na Iniciativa dos Plásticos da Fundação Ellen MacArthur, em nota à imprensa.

“Estabelecer metas concretas, que atuem na causa do problema, e que ajudem a dar escala às soluções de economia circular são fundamentais para garantir uma transição efetiva e adequada ao contexto da região”, disse Luisa Santiago, diretora da Fundação Ellen MacArthur na América Latina.

Alguns compromissos dos signatários incluem, por exemplo, a proibição de itens plásticos desnecessários e problemáticos, como sacolas plásticas, talheres e canudos de uso único, além do aumento da infraestrutura de reciclagem.

A jornalista viajou a Lisboa a convite da Earth Journalism Network (EJN) e da Fundação Calouste Gulbenkian.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2022/07/01/substituicao-de-20percent-do-plastico-descartavel-no-mundo-pode-gerar-economia-de-us-10-bilhoes.ghtml

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A TI e a ‘Grande Resignação’

A agitação contínua por conta de talentos que afeta quase todos os setores não é apenas um problema de RH: a TI também tem um papel importante

Ryan Faas, Computerworld  – 11 de julho de 2022

Uma das maiores histórias relacionadas à pandemia foi a chamada Grande Resignação, uma reviravolta no mercado de talentos em quase todos os setores, em que funcionários reavaliam suas prioridades profissionais e o papel que o trabalho deve desempenhar em suas vidas. Salário, benefícios, vantagens dos funcionários, trabalho remoto, realocação, equilíbrio entre vida profissional e pessoal, cultura e o que os trabalhadores querem da vida em um mundo pós-pandemia são fatores que contribuem para esse fenômeno. É uma combinação que inclinou o mercado de trabalho em favor dos funcionários, deixando as empresas lutando para reter e atrair talentos.

É fácil ver a Grande Resignação como uma questão a ser tratada por executivos de RH ou de negócios, incluindo o C-suite. O RH deve se concentrar na questão, mas a TI pode – e deve – desempenhar um papel na elaboração de planos para adquirir e reter funcionários em todos os níveis, desde trabalhadores comuns até gerentes e executivos.

No nível mais básico, a TI precisa dar suporte às políticas relacionadas ao trabalho remoto ou híbrido, bem como aos planos de retorno dos funcionários ao escritório. Porque, dependendo de como o espaço físico do escritório será retrabalhado para uma realidade pós-pandemia, a TI será necessária para mapear a logística e garantir que os layouts dos escritórios funcionem de forma eficaz.

A TI tem uma oportunidade única de apoiar os esforços de contratação e retenção que vão muito além da logística. Envolver-se em um nível mais profundo pode fortalecer o relacionamento entre a TI e o resto da organização.

Troque ideias com o RH

O primeiro passo mais importante que a TI pode dar para se envolver no problema de retenção e recrutamento é compartilhar ideias com executivos e funcionários de RH. Infelizmente, esse relacionamento não é particularmente profundo ou forte na maioria das organizações. Os principais pontos de contato geralmente são a integração de novos funcionários e o gerenciamento do acesso à tecnologia e devoluções de dispositivos quando os funcionários saem da organização.

Mas você pode desenvolver esse relacionamento entendendo o que os usuários desejam da tecnologia de seu local de trabalho e trabalhando com o RH para desenvolver soluções que nem a TI nem o RH poderiam realizar por conta própria. Mesmo que nada tangível venha disso, uma grande vantagem de construir um relacionamento mais estreito entre os departamentos é o compartilhamento de ideias e perspectivas. Isso permite que cada equipe entenda melhor a outra e pense em maneiras de tornar a empresa mais atraente para funcionários atuais e futuros.

A escolha do funcionário importa

Uma coisa que pode atrair funcionários para uma organização é oferecer a eles uma escolha das tecnologias que eles usam. Muitas organizações descobriram que permitir que a equipe selecione entre um PC, Mac ou Chromebook torna a empresa mais atraente para possíveis contratações. Mesmo funcionários em potencial que não têm interesse em nada além de um PC baseado em Windows vão gostar de ter uma escolha. Ter opções demonstra que a organização é flexível, disposta a ouvir as necessidades e desejos dos funcionários e passa a impressão de ser uma organização com uma visão inclusiva ou holística do trabalho.

A escolha do funcionário não termina com a capacidade de selecionar uma plataforma de computação. Também se estende a dispositivos móveis, incluindo smartphones e tablets. Embora o iPhone seja geralmente o padrão de fato para negócios, os dispositivos Android são populares e oferecem recursos de nível empresarial.

Tornar o Android uma opção é um fruto fácil porque qualquer organização que tenha implantado uma solução de gerenciamento de mobilidade empresarial (EMM) para dar suporte ao iPhone já tem a capacidade de oferecer suporte a várias plataformas. A maioria dos serviços de EMM é compatível com iOS, iPadOS, tvOS, Android e ChromeOS (e até Windows). E a maioria das políticas definidas para uma plataforma pode ser facilmente aplicada a todas as plataformas suportadas. Com um esforço relativamente mínimo, você pode implementar a escolha do funcionário com ou sem BYOD.

Outro aspecto de abraçar essa ideia de escolha do funcionário é pedir aos funcionários que sugiram ferramentas que eles sintam que lhes permitirão ser mais eficientes e eficazes no trabalho. Embora o suporte a todos os aplicativos de produtividade na App Store ou Google Play Store — ou uma ampla variedade de serviços em nuvem — não seja realista, ouvir a entrada dos funcionários e agir de acordo com essa entrada tem a dupla vantagem de atrair e reter funcionários enquanto elimina uma das principais causas de shadow IT. Mais uma vez, ouvir também demonstra que a empresa está aberta a contribuições e flexível o suficiente para atender às necessidades dos funcionários.

Dito de outra forma, essa mentalidade de TI mostra que a empresa respeita que seus funcionários são especialistas em seu trabalho.

Remoto, híbrido e no escritório

Nem é preciso dizer que a TI – nos últimos dois anos – fez o trabalho pesado quando se trata de dar suporte ao trabalho remoto, por meio de uma combinação de serviços em nuvem e VPN. No entanto, quando se trata de trabalho híbrido e retorno ao escritório, a TI precisa se tornar um participante ativo na discussão. Isso é particularmente verdadeiro se uma organização estiver deixando de usar um espaço dedicado para membros da equipe para um arranjo mais flexível, como hot desks, espaços de colaboração e áreas de lounge projetadas para promover a interação entre os departamentos. Apoiar um retorno híbrido ao escritório também inclui projetar salas de conferência ou reunião que incluam sistemas de videoconferência mais recentes projetados para serem eficazes na interação da equipe.

Outra coisa a considerar é como oferecer suporte a horários flexíveis. Muitas organizações que mudaram para um retorno híbrido ou completo ao escritório viram trabalhadores escolhendo (ou querendo) trabalhar fora dos horários tradicionais. Isto é particularmente verdadeiro para funcionários com filhos. Eles se acostumaram a estar em casa quando seus filhos chegam da escola e muitas vezes precisam se adaptar a escolas fechadas e a ausência de profissionais ou pessoas que auxiliam no cuidado de seus filhos. Isso – e o desejo de estar mais próximo da família – levou muitos trabalhadores a aderirem à Grande Resignação. No mínimo, para atrair e manter esse talento, talvez seja necessário organizar a jornada da sua equipe de suporte em um intervalo maior de horas.

Não tenha medo de experimentar

Costuma-se dizer que pós-Covid, o local de trabalho não voltará ao antigo normal. Todos nós precisaremos negociar nosso caminho através do que vier a seguir. Isso significa que toda organização terá que revisar seu manual de TI. Embora muitas coisas não mudem, há áreas que devem e irão mudar. Para os departamentos de TI, isso significa examinar quais políticas e soluções existentes funcionam neste novo normal e quais não funcionam. Significa também identificar novas oportunidades.

Para esse fim, os departamentos de TI não devem se esquivar de agitar as coisas. Estabelecer centros de excelência em torno de tecnologias e políticas que incluam um amplo espectro de funcionários e gerentes, em toda a organização, é uma ótima maneira de reunir as pessoas para fazer brainstorming, desenvolver ideias e experimentar. Dessas sessões, surgirão várias ideias que podem ser testadas como projetos-piloto. Algumas delas funcionarão, enquanto outras serão marcadas como: “Bem, nós tentamos”. De qualquer forma, isso permite que a TI seja adaptável e engajada. A experimentação quase certamente levará a inovações que são desenvolvidas em conjunto com os funcionários e o departamento de TI.

Junto com essa ideia, os líderes de TI devem solicitar ativamente sugestões de toda a organização de TI. Você pode fazer isso por meio de canais interativos típicos, como e-mail, Slack, pesquisas ou discussões em grupo, como reuniões gerais ou campfire sessions, onde subconjuntos de TI se reúnem para discutir ideias. Isso pode beneficiar o curso de tecnologia de toda a empresa, refinar as operações de TI e ajudar a reter ou atrair a equipe de TI.

Pesquise o que outras empresas estão fazendo

Nenhuma empresa ou organização existe no vácuo, e todos estão tentando descobrir como seguir em frente. Há muito a aprender mantendo-se aberto a ideias internamente, mas também há muito a aprender explorando o que outras organizações estão fazendo. Compartilhar informações e ideias com organizações semelhantes pode gerar insights, caminhos a seguir e lições aprendidas que talvez você nunca descubra por conta própria.

Além de procurar outras empresas, uma excelente tática é conversar com fornecedores de TI (aqueles com os quais você já está trabalhando, bem como aqueles com quem você pode não estar trabalhando atualmente) e pedir informações. Os fornecedores trabalham com muitas organizações diferentes e podem oferecer insights exclusivos sobre como outros clientes estão se adaptando. Mesmo apenas revisar estudos de caso em sites de outras empresas pode gerar ideias que você pode moldar para suas situações específicas.

Faça parte de discussões políticas além da tecnologia

É natural que a TI tenda a se concentrar principalmente nas políticas de tecnologia ou nas tecnologias necessárias para dar suporte a outras iniciativas de políticas. Mas os líderes de TI (especialmente CIOs) devem se envolver ativamente em discussões de políticas que não sejam específicas da tecnologia. Muitas vezes, os líderes de TI terão insights exclusivos para compartilhar nessas discussões. É importante que a TI se sente à mesa.

À medida que os executivos de toda a organização lutam para saber como responder à Grande Resignação, todos os departamentos têm interesse em novas políticas e seus resultados. O compartilhamento de ideias e a construção de consenso podem ajudar uma empresa a articular seus objetivos, iniciativas e respostas de maneira consistente e coerente. O RH quase certamente será o principal departamento a executar quaisquer novas estratégias que surjam, mas as contribuições devem vir de todos os lugares, incluindo da TI.

Por mais que a rotatividade de talentos reflita uma reorganização de metas para os indivíduos e um desafio para praticamente todas as organizações, também é uma oportunidade. É provável que todas as empresas percam alguns funcionários e executivos nesse grande processo de reorganização. Mas isso também significa que há uma chance de atrair novos talentos que podem trazer novas ideias e novas visões para sua organização. Você simplesmente faz o trabalho para atrair esse talento. O sucesso nesse esforço exigirá que a TI seja um participante ativo no processo.

https://itforum.com.br/noticias/a-ti-e-a-grande-resignacao/

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Nova safra de uísques do Brasil ganha elogios de especialistas do exterior

Bebidas chamam atenção pelo uso criativo de madeiras locais

Por André Sollitto – Veja  8 jul 2022

Ouro líquido. É assim que o britânico Jim Murray, a maior autoridade em uísque do planeta, chama os rótulos que mais se destacam no guia que publica anualmente. Ele prova milhares de garrafas e costuma ser impiedoso com aquilo que não gosta, mas é generoso em dar a mesma atenção tanto a pequenos produtores quanto a ícones escoceses com séculos de história. Na edição mais recente de sua “Bíblia do Uísque”, Murray concedeu a alta honraria a uma garrafa no Brasil e abriu os olhos — ou o paladar — do mundo para destilados produzidos no país. 

LAMAS RARUS – Após envelhecer em barris de carvalho americano usados na produção de bourbon, ele também passa por barricas que continham rum. O resultado é um aroma adocicado que remete a nozes e cacau – //Divulgação

O destaque dado a um single malte feito pela mineira Lamas Destilaria representa o reconhecimento de um segmento novo, mas vibrante. Se até pouco tempo atrás os uísques nacionais eram considerados de segunda linha e desprezados por apreciadores da bebida, agora já há quem os coloque entre os mais promissores do planeta. O curioso é que se trata de um movimento recente, de quatro anos para cá, o que é uma contradição em um setor dominado por marcas centenárias como Johnnie Walker e Jack Daniel’s 

UNION EXTRA TURFADO – Com maltes defumados importados do norte da Escócia e um aroma que remete a fumaça e cereais, é o carro-chefe da destilaria do Rio Grande do Sul – //Divulgação

A Lamas abriu as portas em 2019 após anos de experiências restritas à família dos fundadores. A empresa tem um portfólio fixo e edições limitadas feitas em parceria com profissionais de outras áreas. Assim, consegue usar madeiras nacionais, como a amburana, popular na produção de cachaça, e barris que já foram utilizados na preparação de vinhos. “Estamos nos consolidando no segmento como uma destilaria artesanal com um perfil mais inovador”, diz a sócia Luciana Lamas. “Desde o início, a nossa proposta sempre foi de fugir da mesmice.”

OUROPRETANA AMBURANA PORTER – O single malte é finalizado em barris de amburana, madeira nacional, antes usados para envelhecer uma cerveja escura do estilo porter – //Divulgação

O mercado artesanal de uísque também dialoga com as cervejas especiais. A Ouropretana, de Minas Gerais, produz um single malte envelhecido em barris de carvalho americano e finalizado nos tonéis de madeira amburana que receberam a produção da cerveja Ouropretana Amburana Brown Porter. O resultado foi fora da curva. “Estamos realizando algo que ninguém fez”, diz Leonardo Tropia, um dos fundadores da Ouropretana.

Há espaço para quem aprecia a tradição. No Rio Grande do Sul, a Union produz uísque há cinco décadas, fornecendo inclusive matéria-prima a outras empresas do mundo. Em 2019, colocou no mercado rótulos próprios. Agora, oferece opções puro malte, além de uma linha também limitada. O lançamento mais recente é uma edição envelhecida por dezessete anos. “São produtos que marcam alguma comemoração”, diz Luciano Borsato, diretor-executivo da Union. Um brinde à nova era.

Publicado em VEJA de 13 de julho de 2022, edição nº 2797

https://veja.abril.com.br/comportamento/nova-safra-de-uisques-do-brasil-ganha-elogios-de-especialistas-do-exterior/

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