O brasileiro que pretende criar o MIT da Amazônia, instituto de tecnologia voltado à floresta

O projeto tem a pretensão de envolver todos os países que possuem porções da floresta

André Biernath Sharm El Sheikh | BBC News Brasil/Folha 20.nov.2022

Um dos cientistas mais influentes de sua geração, o meteorologista brasileiro Carlos Nobre se espelha na própria história pessoal para fazer um sonho virar realidade. Formado no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, e com doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em ingês), nos Estados Unidos, o pesquisador trabalha agora para criar um centro de pesquisa nos mesmos moldes no coração da Amazônia. 

O projeto, conhecido como Instituto de Tecnologia da Amazônia (ou AmIT, na sigla em inglês), tem a pretensão de envolver não apenas o Brasil, mas todos os países que possuem porções da floresta, como Peru, Colômbia e Bolívia. Carlos Nobre é um dos cientistas brasileiros mais influentes da atualidade – Getty Images/BBC News Brasil “Será uma instituição pan-amazônica, capaz de produzir ciência de ponta no padrão dos melhores centros do mundo”, antevê. 

Nobre aponta que “não há nenhum país tropical que desenvolveu a bioeconomia baseada em recursos naturais, biodiversidade e florestas” e que essa pode ser uma grande oportunidade para o Brasil. O cientista projeta que o instituto terá recursos públicos e privados e pode virar realidade nos próximos dois ou três anos. 

Os eixos fundamentais 

O site oficial da iniciativa traz mais detalhes sobre como o AmIT foi estruturado. A premissa principal do instituto é a de que “o conhecimento da Amazônia deve ser fundamentado na ciência e na tecnologia direcionadas à inovação para garantir a inclusão socioeconômica no desenvolvimento da própria região”. 

Em outras palavras, a ideia é fazer pesquisas científicas para desenvolver tecnologias, descobrir potenciais usos dos recursos naturais da floresta de modo sustentável e gerar riquezas para as próprias pessoas que vivem lá. Usando como exemplo o próprio ITA, o pesquisador lembra que, graças às pesquisas feitas no local, o Brasil desenvolveu a terceira maior companhia de aviação do mundo: a Embraer. 

Além de Nobre, fazem parte do projeto do AmIT os cientistas Maritta Koch-Weser, presidente da ONG Earth3000 e Adalberto Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O meteorologista destaca que o AmIT terá cinco eixos principais. “Nós desenhamos grandes unidades de pesquisa e desenvolvimento local para guiar a lógica de formação dos alunos”, explica. “Vamos trabalhar com florestas, paisagens alteradas ou degradadas e como restaurá-las, infraestrutura sustentável de transporte e energia, biodiversidade e manejo da água”, conta. 

Segundo o pesquisador, o grande objetivo é aliar “a ciência indígena de milhares de anos, com a ciência contemporânea, de forma harmoniosa e operativa”. Desafios para o Brasil e para o mundo Nobre, que está participando da Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP27), que acontece em Sharm El Sheik, no Egito, também acredita que o Brasil pode (e deve) assumir o papel de liderança global nas políticas ambientais.

 “Nosso país pode ser a primeira grande economia a zerar suas emissões de carbono”, pontua. O cientista aponta que isso representa um enorme ganho para a economia —a manutenção da floresta é fundamental para o regime de chuvas que irriga e sustenta as plantações espalhadas pelo resto do país, por exemplo. Ele ainda reforça a necessidade de que o mundo atinja as metas estabelecidas em 2015 no Acordo de Paris, de preferência com o limite de aumento de 1,5°C na temperatura do planeta em comparação com a era pré-industrial. 

Por fim, Nobre vê com boas perspectivas a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o início do novo governo sob o ponto de vista do meio ambiente. “Há uma experiência no passado em que vimos a queda no desmatamento e na degradação ambiental, a melhora da qualidade de vida da população brasileira e especificamente da Amazônia, a criação de várias unidades de conservação e demarcação de territórios indígenas”, lista. 

“As eleições de 2022 foram a última chance de manter a Amazônia e de combater o crime organizado na região, que sempre existiu, mas se sentiu empoderado nos últimos anos”, diz. “Me parece que a política do novo governo vai toda na direção do desmatamento zero e existe, claro, uma pressão internacional para que se obtenha sucesso.” “Nós temos quatro anos para acabar com o desmatamento, a degradação e a ilegalidade na Amazônia”, completa. 

https://www1.folha.uol.com.br/tec/2022/11/o-brasileiro-que-pretende-criar-mit-da-amazonia-instituto-de-tecnologia-voltado-a-floresta.shtml

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De Elon Musk a Walt Disney: conheça os 5 hábitos de pessoas de sucesso

Os bem-sucedidos costumam trabalhar diariamente para alcançar seus objetivos e usar a mente para superar os obstáculos

Por Victoria Vera Ziccardi, La Nacion/O Globo 20/11/2022 Além da resiliência, pessoas bem-sucedidas têm alguns hábitos Além da resiliência, pessoas bem-sucedidas têm alguns hábitos André Mello/ Editoria de Arte

O anseio por uma vida bem-sucedida é um desejo compartilhado por todos. Nesse sentido, sabe-se que a vida é um processo de “altos e baixos” e que, antes do sucesso, algumas das pessoas mais bem-sucedidas do mundo vivenciaram um fracasso épico, outras deixaram claro que o sucesso não é apenas ter dinheiro ou fama, mas sim sentir-se realizado em todos os aspectos. Como consequência, o caminho que os levou até lá é muitas vezes esquecido. Um percurso que quase nunca é linear, tem curvas, obstáculos e, claro, aprendizado.

A citação “O sucesso não é definitivo e o fracasso não é fatal: é a coragem de continuar que conta”, dita por Winston Churchill, põe em perspectiva o ciclo da vida de quem se considera bem sucedido. Experimentar o fracasso em alguns momentos pode até ser proveitoso para tomar mais coragem e tentar novamente o que não deu certo.

Para a psicóloga Sol Buscio, o sucesso nem sempre está relacionado ao material, trabalho ou pessoal. Para a maioria é sinônimo de ser capaz de atingir metas ou até a felicidade. Ela acrescenta que as pessoas bem-sucedidas costumam trabalhar diariamente para alcançar os objetivos e mentalizar para conseguir superar os obstáculos.

— Ninguém nasce bem sucedido, são coisas que precisam ser trabalhadas constantemente e se baseiam em disciplina e perseverança — diz Buscio. Segundo ela, há casos de pessoas que têm talento ou habilidades desde cedo, mas que não as atendem isoladamente se não forem disciplinadas ou tiverem atitude para enfrentar as adversidades.

Um caso concreto e inspirador é o de Walt Disney, que quando começou a carreira, um antigo chefe que tinha em um jornal lhe disse que faltava imaginação e boas ideias. Implacável, Disney decidiu ignorá-lo e criou o ícone cultural que leva seu nome.

— Acho importante ter um bom fracasso quando se é jovem, porque isso o torna consciente do que pode acontecer com você. Por esse motivo, nunca tive medo em toda a minha vida quando estive perto de colapsos e crises — refletiu o empresário de sucesso. Ao mesmo tempo, ele compartilhou os hábitos adotados por aquelas pessoas que são bem-sucedidas no que empreendem.

Outro exemplo de superação é o empresário Elon Musk, criador da Tesla Motors, SpaceX e atual dono do Twitter. Musk disse uma vez que durante a infância não tinha amigos e que eles o intimidavam. Essa experiência o fez se fortalecer, ter aulas de karatê, judô, luta livre e aprender a se defender de quem o maltratava. Longe de se atormentar com aquela experiência, Musk percebeu o potencial que tinha e começou a ponderar teorias que pudessem mudar o rumo da humanidade, gerando grandes impactos no futuro.

Quem consegue cumprir os objetivos garante que a organização é fundamental. Os hábitos que ajudaram Elon Musk, criador da Tesla e dono do Twitter; Anna Wintour, editora-chefe da revista Vogue; e o empresário dono do Virgin Group, Richard Branson, estão listados abaixo:

Ter uma rotina

Ter uma agenda e mantê-la ao longo do tempo é essencial, porque organiza e permite cumprir os objetivos passo a passo. Uma das personalidades que divulga sua rotina é a escritora e jornalista Anna Wintour. Ela começa cedo, geralmente entre 4h e 5h30, lendo os jornais britânicos e americanos. Depois, joga tênis e segue seu dia de trabalho. Suas tardes costumam ser reservadas para reuniões fora do escritório, almoços com designers, planejamento de eventos e reuniões fora do escritório. Então, às 5 da tarde, ela volta para casa.

— À noite, mergulho novamente no trabalho e cumpro minhas tarefas diárias para que ninguém fique esperando meus retornos — disse a editora de moda.

Sobre a organização da rotina, Musk revelou como ele mantém o foco no que faz: direcionando sua atenção a apenas uma coisa por vez.

— Quando estou jantando com amigos ou familiares, gosto de fazer o que estou fazendo. Eu não gosto de multitarefa. Se estou lendo meu e-mail, eu o escolho e gosto — afirmou.

Acordar cedo

No livro best-seller “Mude seus hábitos, mude sua vida”, Thomas Corley explica que as pessoas bem-sucedidas se diferenciam por levantarem da cama logo de manhã. Quase 50% das personalidades pesquisadas por Corley disseram que acordar pelo menos três horas antes de começar o dia de trabalho é fundamental. Muitos deles usam o tempo livre para realizar projetos pessoais, planejar seu dia ou arranjar tempo para se exercitar.

Escrever

Quando questionado sobre as coisas que leva por onde passa, Richard Branson, o empresário britânico que criou a marca Virgin e dono do grupo homônimo com mais de 300 empresas, salientou que embora possa parecer ridículo, o mais importante é levar sempre um pequeno caderno.

— Eu nunca poderia ter criado o Virgin Group sem aqueles poucos pedaços de papel — confessou. Adquirir um hábito diário de escrita tem vários benefícios, pois, por um lado, colocar os objetivos por escrito aumenta as chances de alcançá-los e, por outro, melhora a clareza e o foco das ideias.

Conectar-se com pessoas inspiradoras

“Você é tão bem-sucedido quanto aqueles com quem frequentemente se associa”, diz Corley em seu livro. Conectar-se com empreendedores de sucesso, pessoas que têm histórias de vida fortes e alcançaram o sucesso, familiares e amigos que inspiram, é essencial. “Junte-se a grupos de pessoas que compartilham sua mesma carreira ou interesses pessoais”, sugere o autor, embora esclareça que “as pessoas de sucesso também se esforçam para limitar sua exposição a pessoas tóxicas e negativas”.

Meditar

O estresse é normal e, em alguns casos, até saudável. Mas aquele que é crônico e sobrecarrega o corpo físico, mental e emocional, afeta a criatividade e a geração de novas ideias. Na verdade, está provado que as pessoas que meditam com frequência e aprenderam a valiosa habilidade de mergulhar no momento presente são mais bem-sucedidas financeiramente e nos relacionamentos.

https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2022/11/de-elon-musk-a-walt-disney-conheca-os-5-habitos-de-pessoas-de-sucesso.ghtml

Obs. Se quiser conhecer mais sobre empreendedores de sucesso veja o livro “Vencedores” de Evandro Milet e Lucas Izoton em https://www.amazon.com.br/Vencedores-Grandes-Empreendedores-Inovadores-Hist%C3%B3rias/dp/8541404102/ref=sr_1_4?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=24IJJT9EO2E9T&keywords=milet&qid=1669048287&qu=eyJxc2MiOiIxLjY5IiwicXNhIjoiMC4wMCIsInFzcCI6IjAuMDAifQ%3D%3D&s=books&sprefix=milet%2Cstripbooks%2C209&sr=1-4

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É o fim da linha para as criptomoedas? Leia o artigo

Por Paul Krugman NYT/Estadão 20/11/2022 

Parece provável que o setor não consiga sobreviver à necessidade de regulação

THE NEW YORK TIMES – Acontecimentos recentes deixaram clara a necessidade de regulação dos criptoativos, uma indústria que cresceu do zero até uma capitalização de mercado de US$ 3 trilhões um ano atrás, apesar de a maior parte disso já ter evaporado. Mas também parece provável que o setor não consiga sobreviver à regulação.

A história até aqui: os criptoativos atingiram seu auge de proeminência pública no ano passado, quando um comercial no estilo “a sorte favorece os corajosos” de Matt Damon – patrocinado pela casa de câmbio digital Crypto.com, com base em Cingapura – foi ao ar pela primeira vez. Naquele momento, 1 bitcoin valia mais de US$ 60 mil.

Agora, vale menos de US$ 17 mil. Então, pessoas que compraram a criptomoeda depois do comercial de Damon perderam mais de 70%. De fato, já que a maioria das pessoas que compraram bitcoin o fez quando o valor estava alto, a maior parte dos investidores na criptomoeda – cerca de três quartos, de acordo com uma nova análise do Banco de Compensações Internacionais – perdeu dinheiro até aqui.

Ainda assim, valores de ativos despencam o tempo todo. Pessoas que compraram ações da Meta, a empresa anteriormente conhecida como Facebook, em seu pico, no ano passado, tiveram perdas similares às dos investidores em bitcoin.

Portanto, valores em queda não significam que as criptomoedas estão arruinadas. Os defensores dos criptoativos certamente não desistirão. De acordo com uma reportagem do Washington Post, muitos assinantes do selo Twitter Blue Verified, a desastrosa (e agora em suspensão) tentativa de Elon Musk de tirar dinheiro dos usuários do Twitter, foram perfis que divulgam posições políticas de direita, pornografia e especulação em criptomoedas.

Mais revelador do que os valores dos criptoativos tem sido o colapso das plataformas de corretagem das moedas digitais. Recentemente, a FTX, uma das maiores casas de criptoativos, pediu recuperação judicial – e parece que os indivíduos que administram a plataforma simplesmente saquearam bilhões de dólares dos investidores, provavelmente usando os fundos em um esforço fracassado para impulsionar a Alameda Research, sua empresa-irmã.

A pergunta que deveríamos fazer é: por que firmas como FTX ou Terra (a dita cunhadora de stablecoins que colapsou em maio) foram criadas?

Afinal, o estudo técnico que iniciou o movimento das criptomoedas, em 2008, assinado pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto, foi intitulado “Bitcoin: um sistema de dinheiro eletrônico p2p”. Ou seja, a ideia era que tokens eletrônicos cuja validade era estabelecida com técnicas emprestadas da criptografia tornariam possível às pessoas evitar instituições financeiras. Se você quisesse transferir fundos para alguém, poderia simplesmente mandar-lhe um número, uma chave, sem a necessidade de depender de um Citigroup ou Santander para realizar a transação.

Nunca ficou claro exatamente por que qualquer indivíduo a não ser algum criminoso gostaria de fazer isso. Apesar de defensores dos criptoativos apontarem com frequência para a crise financeira de 2008 como motivação para seu trabalho, essa crise nunca prejudicou o sistema de pagamentos – a capacidade dos indivíduos de transferir dinheiro por meio de bancos. Ainda assim, a ideia de um sistema monetário que não requereria confiança em instituições financeiras era interessante e, podia-se argumentar, merecia uma tentativa.

Poucos avanços

Depois de 14 anos, porém, as criptomoedas quase não avançaram enquanto substitutas para o papel tradicional do dinheiro. São desajeitadas demais para o uso em transações comuns. Seu valor é instável demais. Poucos investidores aceitam manter suas chaves de criptomoedas consigo mesmos – é arriscado demais perdê-las, digamos, instalando-as em algum dispositivo de armazenamento.

As criptomoedas são compradas principalmente por meio de plataformas de câmbio como Coinbase e, sim, FTX, que pegam o dinheiro dos usuários e mantêm tokens de criptoativos em seu nome.

Confiança

Essas casas de câmbio são – adivinhe só – instituições financeiras, cuja capacidade de atrair investidores depende – adivinhe outra vez – da confiança dos investidores. Em outras palavras, o ecossistema cripto basicamente evoluiu para se tornar exatamente aquilo que deveria substituir: um sistema financeiro de intermediários cuja capacidade de operar depende da percepção de confiabilidade que eles detêm.

Já que é assim, qual o sentido disso? Por que uma indústria que, na melhor das hipóteses, simplesmente repetiu o sistema bancário convencional tem qualquer valor fundamental?

Além disso, a confiança nas instituições financeiras decorre em parte da validação do Tio Sam: o governo americano supervisiona bancos, regula os riscos que eles podem assumir e garante muitos depósitos; enquanto os criptoativos operam amplamente sem supervisão. Investidores têm de confiar na honestidade e na competência de empreendedores; quando eles oferecem negócios excepcionalmente rentáveis, os investidores devem acreditar não apenas em sua competência, mas também em sua genialidade.

Conforme os defensores dos criptoativos adoram nos recordar, previsões anteriores a respeito do declínio do setor não se concretizaram. Realmente, o fato de que bitcoins e seus competidores não são verdadeiramente usáveis como dinheiro vivo não precisa significar que as criptomoedas não tenham nenhum valor – afinal, é possível afirmar o mesmo a respeito do ouro.

Mas, se o governo finalmente se movimentar para regular as firmas cripto, o que evitaria, entre outras coisas, que elas prometessem retornos impossíveis de entregar, é difícil ver que vantagem essas empresas teriam em relação aos bancos comuns. Mesmo se o valor do bitcoin não chegar a zero (o que ainda pode ocorrer), há um argumento forte sustentando que a indústria cripto, que voou tão alto poucos meses atrás, está fadada ao esquecimento. /TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

https://www.estadao.com.br/economia/paul-krugman-criptomoedas-artigo/

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Roadmaps para a transição energética

Questão estratégica é a busca por minerais críticos como lítio, cobre, polissilício

Por Luis Adolfo Beckstein – Valor – 10/11/2022

Nos últimos dias de outubro, a Agência Internacional de Energia (AIE ou Agência) lançou a nova versão de seu mais importante relatório: o World Energy Outlook 2022 (WEO 2022). Mais do que um simples estudo, este documento funciona como um farol para a transição energética das principais nações do mundo e o atingimento das metas do Acordo de Paris. O cumprimento total de todas as promessas climáticas levaria o mundo a um terreno mais seguro, mas ainda há uma grande lacuna entre as ambições de hoje e uma estabilização de 1,5°C.

Não obstante, as principais economias do mundo têm lançado planos próprios com o intuito de trilhar seus caminhos para a transição energética, ao mesmo tempo em que preparam suas economias para esse desconhecido novo mundo. Os Estados Unidos lançaram o Inflation Reduction Act, a União Europeia o pacote Fit for 55 e o REPowerEU, o Japão o programa Green Transformation e a China o Plano de Ação para Alcançar o Pico de Dióxido de Carbono Antes de 2030. Ademais, nações em desenvolvimento, como Coreia do Sul e Índia, também dispõem de planos com objetivos semelhantes.

    Nos cenários da AIE, óleo e gás natural ainda responderão por 51% e 46% da oferta de energia em 2030

Logo de partida, a Agência destaca a profunda cicatriz que a guerra Rússia-Ucrânia deixa no mundo, com impactos permanentes no sistema global de energia, que fraturaram padrões de oferta-demanda e relações comerciais de longa data. O mundo está no meio de uma crise global de energia, com amplitude e complexidade sem precedentes. Em setembro de 2022, as entregas de gás da Rússia para a União Europeia caíram 80% em comparação com os últimos anos.

Na visão da Agência, em todos os cenários, a UE compensa a perda de importações russas com transição acelerada do gás natural para adições de capacidade renovável. O investimento anual em energia limpa, que foi de cerca de US$ 1,3 trilhão por ano em 2021, aumenta para quase US$ 2 trilhões no cenário base e para quase US$ 4 trilhões no cenário verde em 2030.

Outra questão estratégica é a busca por minerais críticos (lítio, cobre, polissilício, níquel e terras raras). A garantia de suprimento desses minerais é parte indissociável de uma estratégia bem-sucedida de transição energética. A demanda por minerais críticos para tecnologias de energia limpa deve aumentar de duas a quatro vezes até 2030, dependendo do cenário, como resultado da expansão da implantação de energia renovável.

Em 2021, muitos desses minerais, essenciais para a produção de tecnologias de energia limpa, registraram aumentos de preços expressivos, devido a uma combinação de demanda crescente, ruptura em cadeias de suprimentos e preocupações com restrições de oferta. Os preços do lítio aumentaram quase 170% e os do níquel 94% nos últimos 12 meses.

Nesse sentido, Estados Unidos e China lançaram planos estratégicos para a gestão desses recursos, mas também outras nações como Canadá e Grã-Bretanha tiveram iniciativas semelhantes. Já no plano do presidente Biden, com as prioridades para seus 100 primeiros dias de seu governo, figurava um capítulo inteiro para essa questão. A China, poucos meses depois, também divulgou plano com diretrizes para a exploração e conservação de minerais considerados estratégicos.

A despeito da marcha acelerada para uma matriz mais verde, os combustíveis fósseis continuarão a ter relevância estratégica global, mesmo em 2050. Nos cenários da Agência, óleo e gás natural ainda responderão por 51% e 46% da oferta de energia em 2030, nos cenários base e no cenário mais verde, respectivamente. A demanda por petróleo atinge o pico em meados da década de 2030 no cenário base, e nunca recupera os níveis de 2019 no cenário mais verde.

Ademais, vários países estão anunciando políticas para banir ou reduzir plásticos descartáveis, melhorar as taxas de reciclagem e promover matérias-primas alternativas. Nesse sentido, o Global Plastic Outlook da OCDE é considerado o principal estudo abordando a fundo a questão do ciclo de vida dos plásticos. As taxas médias globais de reciclagem de plásticos aumentam do nível atual de 17% para 27% em 2050 no cenário base e 54% no cenário mais verde.

Iniciativas mundiais para aumentar a reciclagem dos plásticos, como a da Assembleia das Nações Unidas para o meio Ambiente (UNEA-5), realizada neste ano em Nairobi, levam muitos refinadores a considerar a expansão para a reciclagem de plásticos como outra forma de garantir novos fluxos de receita, juntamente com áreas como biocombustíveis líquidos e hidrogênio de baixa emissão. Ainda assim, muitos deles veem a integração com as operações petroquímicas como uma prioridade estratégica, uma vez que o uso de petróleo como matéria-prima petroquímica é o elemento mais durável da demanda.

Está claro que Estados Unidas e a China estão na disputa pela liderança do processo de transição energética. Os Estados Unidos aprovaram a Lei de Redução da Inflação e a Lei de Infraestrutura Bipartidária, que juntas irão oferecer US$ 560 bilhões em apoio público para energia limpa, além de mobilizar ampla gama de investimentos privados. A China, quase que no mesmo dia da divulgação do WEO 2022, lançou o documento que trata da Implementação do novo Plano para o Pico de Carbono no Setor Industrial. De acordo com o Banco Mundial, para alcançar suas metas de descarbonização, a China precisaria investir cerca de US$ 2,1 trilhões nos próximos 10 anos, o equivalente a 1,1% do PIB. A China não divulga uma única estatística oficial que consolide todos os investimentos em energia renovável, mas, de acordo com estudo da Australia and New Zealand Banking Group, o investimento total verde na China estimado é de US$ 1,7 trilhão até 2025.

Os investimentos projetados são colossais, quase tão grandes quanto o desafio que o mundo tem a enfrentar. As nações que aspiram a ter um papel de liderança no mundo estão traçando suas estratégias e planos. Não há garantias de sucesso, a única certeza é que os países que não se posicionarem serão arrastados pelo tsunami climático, com impactos devastadores em suas economias, indústrias, emprego e renda. O mundo nunca mais será o mesmo de antes.

Luis Adolfo Beckstein é mestre em economia, pesquisador do Grupo de Economia da Energia e Regulação da UFF e consultor de investimentos estrangeiros

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/roadmaps-para-a-transicao-energetica.ghtml

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FT: A barganha da Apple com a China: acesso às fábricas e aos consumidores

Enquanto a participação da Huawei no mercado chinês caiu de 29% em meados de 2020 para apenas 7% dois anos depois, a da Apple saltou de 9% para 17%, segundo a Counterpoint

Por Patrick McGee e Ryan McMorrow – Financial Times/Valor — 08/11/2022

A empresa de tecnologia mais lucrativa a operar na China não é uma gigante nacional da internet como Alibaba ou Tencent, mas a Apple, com sede na Califórnia.

Seus negócios na China cresceram tão rapidamente durante a pandemia que hoje geram mais lucros do que a receita combinada das duas maiores empresas de tecnologia do país, de acordo com uma análise feita pelo Financial Times.

A dependência que a Apple tem da China como sua base de manufatura – responsável por 95% da produção de iPhones, de acordo com o grupo de inteligência de mercado Counterpoint – deixa a empresa vulnerável a choques nas cadeias de fornecimento.

No domingo, a Apple anunciou que os envios internacionais de seus mais novos iPhones de última geração seriam adiados por causa de surtos recentes de covid-19 nas fábricas chinesas operadas por sua principal montadora, a Foxconn. O anúncio foi feito uma semana depois de a empresa alertar para obstáculos “significativos” para o crescimento das receitas, causados pelo impacto de um dólar forte e de entraves no fornecimento.

Mas quando se trata da venda de seus dispositivos para consumidores chineses, os negócios vão de vento em popa. Os lucros operacionais na grande China – que inclui Hong Kong, Macau, Taiwan e a China continental – cresceram 104%, para US$ 31,2 bilhões, no ano fiscal até setembro, em comparação com o mesmo período do ano de 2020. Isso supera em muito os US$ 15,2 bilhões ganhos pela Tencent e os US$ 13,5 bilhões do Alibaba em seu período mais recente de 12 meses, de acordo com a S&P Global Market Intelligence.

Os lucros recordes realçam a barganha que a Apple fez com Pequim, que permitiu que a fabricante do iPhone passasse incólume pelas medidas repressivas do presidente Xi Jinping contra grupos de tecnologia locais ao mesmo tempo que se beneficiava das sanções impostas pelos Estados Unidos, que prejudicaram seu único concorrente sério país – a campeã nacional Huawei.

Isso é resultado da diplomacia empresarial liderada pelo executivo-chefe, Tim Cook. Suas visitas regulares a Pequim nos tempos pré-pandemia, que incluíam reuniões com Xi e executivos de tecnologia chineses, ajudaram a Apple a evitar o destino de outras empresas de tecnologia ocidentais. Alphabet, Meta e Netflix, entre outras, tiveram seu acesso ao país bloqueado.

Os críticos argumentam que a dependência que a Apple tem da manufatura chinesa fez que ela aceitasse demandas autoritárias muito prontamente. A barganha ajudou a garantir que o grupo mantivesse um acesso sem restrições à força de trabalho e a fábricas do país eficazes do ponto de vista de custos, ao mesmo tempo que se tornava uma marca líder de artigos de luxo no maior mercado consumidor do mundo.

“É óbvio para Pequim que se trata de uma via de mão dupla. Ela consegue montes de benefícios em troca – como muitos empregos e prestígio”, disse Brian Merchant, autor de “The One Device: The Secret History of the iPhone”. “O pagamento e os padrões são melhores para as empresas que fecham contratos com a Apple. Isso ajudou a empurrar os salários na direção da classe média.”

Ocupando o vazio deixado pela Huawei

Em 2019, a Huawei tinha ultrapassado a Apple em termos de vendas mundiais de smartphones e estava em segundo lugar no ranking, só atrás da Samsung. Seu crescimento rápido fora liderado pelo mercado chinês, onde em março de 2020 a Huawei e sua submarca Honor tinham chegado a uma participação de mercado combinada de 42%, de acordo com a Counterpoint.

“Era como uma ‘fábrica nacional’ – os cidadãos chineses queriam mostrar o quanto amavam o país e saíam para comprar smartphones da Huawei”, disse o analista da Counterpoint Archie Zhang.

Em agosto de 2019 a Huawei assumira uma liderança precoce com seus smartphones compatíveis com 5G, e em junho de 2020 suas vendas chinesas dos dispositivos de próxima geração tinham crescido para mais de 7 milhões por mês, de acordo com o grupo de análise de dados M Science.

Os primeiros aparelhos equipados com 5G da Apple, da série iPhone 12, só chegaram ao mercado em outubro de 2020. A essa altura, o governo do então presidente dos EUA Donald Trump já tinha adotado duras sanções contra a Huawei, sob a alegação de que a empresa era uma ameaça à segurança nacional.

As sanções bloquearam o acesso da Huawei a tecnologias-chave, como os chipsets 5G, o que se tornou devastador. A participação de mercado da Huawei na China desabou no segundo semestre de 2020 e a empresa foi obrigada a se desmembrar e criar uma empresa separada para a Honor, para preservá-la das sanções. Em 2021, as receitas dos negócios de consumo da Huawei caíram pela metade, para US$ 38,3 bilhões, segundo a S&P GMI.

Enquanto a participação da Huawei no mercado chinês caiu de 29% em meados de 2020 para apenas 7% dois anos depois, a da Apple saltou de 9% para 17%, segundo a Counterpoint. Praticamente todas as vendas do grupo americano se deram no segmento premium, em que seu predomínio subiu de 51% para 72% em três anos.

“Hoje, a Apple tem grande parte do mercado dos produtos de US$ 600 ou mais”, disse Zhang. “Se você vai comprar um smartphone de US$ 1.000, não existe nenhuma outra.”

A estratégia da Apple na China

A Apple trabalhou duro para satisfazer os gostos dos clientes chineses. Quando os concorrentes locais lançaram smartphones com telas maiores, câmeras mais avançadas, capacidade de fazer fotografias com pouca luz e um slot duplo para cartões SIM, foram os funcionários chineses da Apple que pressionaram a empresa de Cupertino (Califórnia) a seguir seu exemplo, segundo uma fonte próxima às operações na China.

Cook atribuiu o mérito pela adoção de “uma tonelada de recursos” ao feedback dos clientes chineses, entre eles o modo noturno e um leitor de código QR. “Até mesmo o 5G, de muitas maneiras, foi energizado na China, porque a China está muito à frente no modelo de cobertura para 5G”, disse o executivo-chefe da Apple a um estudante chinês de 22 anos, em uma rara entrevista destinada às mídias sociais. “Por isso, ouvimos com muita atenção nossos clientes de lá.”

Há preocupações crescentes sobre o fato de que sua manufatura está concentrada em apenas uma região, e a Apple advertiu que a principal unidade de iPhones da Foxconn “operava com capacidade expressivamente reduzida” durante o período mais lucrativo do ano para o grupo americano.

Mas por muitos anos seus esforços para ficar do lado de Pequim valeram a pena, como prometer grandes investimentos e manter silêncio sobre assuntos delicados.

A empresa aceitou mudar o armazenamento de dados de usuários chineses para um data center de propriedade do governo da província de Guizhou e removeu milhares de aplicativos da App Store local a pedido dos censores de Pequim.

Dezenas de veículos noticiosos tiveram seus aplicativos removidos, enquanto plataformas que usam mensagens criptografadas, como WhatsApp, Signal e Telegram, foram banidas. A Apple, que se recusou a dar declarações para esta reportagem, tem argumentado que precisa respeitar as leis dos países em que opera.

“A visão da Apple de um ecossistema controlado e fechado para a experiência do cliente coincide com a mesma visão, o mesmo controle que o Partido Comunista quer ter na China”, disse Nathan Freitas, diretor do Guardian Project, um desenvolvedor de ferramentas de privacidade para dispositivos móveis.

“Eles estão de acordo sobre o que é necessário para uma sociedade harmoniosa. Só que uma é um ecossistema de smartphones e o outro é um país.”

Colaborou Nian Liu, de Pequim

Tradução de Lilian Carmona.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/11/08/ft-a-barganha-da-apple-com-a-china-acesso-s-fbricas-e-aos-consumidores.ghtml

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O que é Bioeconomia?

Bioeconomia, biotecnologia e produção industrial

Bioeconomia é uma parte da economia que utiliza novos conhecimentos biológicos com propósitos comerciais e industriais e para a melhoria do bem-estar humano (ENRIQUEZ, 1998).

Portal da Indústria 

Bioeconomia é a ciência que estuda os sistemas biológicos e recursos naturais aliados a utilização de novas tecnologias com  propósitos de criar produtos e serviços mais sustentáveis A bioeconomia está presente na produção de vacinas, enzimas industriais, novas variedades vegetais, biocombustíveis, cosméticos entre outros.

A bioeconomia emprega novas tecnologias a fim de originar uma ampla diversidade de produtos. Engloba as indústrias de processamento e serviços e relaciona-se ao desenvolvimento e à produção de fármacos, vacinas, enzimas industriais, novas variedades vegetais e animais, bioplásticos e materiais compósitos, biocombustíveis, produtos químicos de base biológica, cosméticos, alimentos e fibras.

Ela surge como resultado de uma revolução de inovações aplicadas no campo das ciências biológicas. Está diretamente ligada ao desenvolvimento e ao uso de produtos e processos biológicos nas áreas da saúde humana, da produtividade agrícola e da pecuária, bem como da biotecnologia. Envolve, por isso, vários segmentos industriais.

Nesta página você vai encontrar:
 
Seta bullet point, indicando tópicos de âncoras

O que é a bioeconomia?

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Bioeconomia e sustentabilidade

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O Brasil e a bioeconomia

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Benefícios da bioeconomia

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Bioeconomia na indústria

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Protocolo de Nagoia

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Modernização do Marco Regulatório para a Bioeconomia

Aliar biodiversidade com tecnologia e inovação é a base principal da bioeconomia. O Brasil tem forte potencial para desenvolver esse segmento como uma das maiores chances de se desenvolver de maneira sustentada e, assim, estar à frente de outras economias mundiais.

Segundo dados da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), o setor de biotecnologia industrial – um dos segmentos da bioeconomia – pode agregar, nos próximos 20 anos, aproximadamente US$ 53 bilhões anuais à economia brasileira e cerca de 217 mil novos postos de trabalhos qualificados. Para isso, as empresas do setor precisariam investir aproximadamente US$ 132 bilhões ao longo desses 20 anos.

Umas das prioridades para a bioeconomia poder avançar no Brasil está no aprimoramento da legislação, tanto de normas relacionadas ao uso da biodiversidade quanto para inovação e propriedade intelectual.

Outro tema que precisa ser regulamentado é a questão dos bioinsumos para fabricar fertilizantes e defensivos.

Pesquisa da Annual Biocontrol Industry Meeting (Abim) estima que o mercado mundial de bioinsumos gira em torno de US$ 5,2 bilhões, com taxa de crescimento superior a 15% ao ano. A previsão é de que o setor dobre de tamanho até 2025 e chegue a US$ 11,2 bilhões.

Como a bioeconomia pode contribuir com o desenvolvimento sustentável?

O Brasil é detentor de cerca de 20% da biodiversidade do planeta, a maior do mundo, o que deve ser visto como um ativo econômico com muitas oportunidades de negócios.

Transformar esta vantagem comparativa em competitiva exige investimento, conhecimento e estratégia para tornar o país uma potência em bioeconomia.

Ao quantificar o valor econômico da biodiversidade, pode-se propor políticas públicas que a conservem e estimulem seu uso sustentável, de modo a inserir esta atividade em um modelo de desenvolvimento que traga benefícios sociais e econômicos.

Essa perspectiva econômica contribui para uma melhor gestão e restauração dos recursos naturais. Segundo o Panorama Ambiental da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), se não houver novos esforços para frear a perda de biodiversidade, mais de 10% desses recursos serão perdidos em quarenta anos, até 2050.

A perda da biodiversidade e o declínio dos serviços ecossistêmicos são fatores de riscos para o setor produtivo, que, cada vez mais, tem buscado meios para diminuir seus impactos na biodiversidade.

A bioeconomia tem tudo para ser o futuro do desenvolvimento do Brasil

Por que a bioeconomia tem tudo para ser o futuro do desenvolvimento do Brasil?

O Brasil conta com vantagens comparativas capazes de proporcionar excelentes oportunidades nesse campo. Sua enorme biodiversidade é fonte importante para a obtenção de vários materiais para a produção, como biomassa, corantes, óleos vegetais, gorduras, fitoterápicos, antioxidantes e óleos essenciais.

Esses itens são matérias-primas para diversos setores industriais, a exemplo de produtos de higiene e limpeza, alimentos, bebidas, fármacos e cosméticos.

O país também apresenta vasta proporção do território cultivável. Com uma agricultura desenvolvida em larga escala, é grande produtor de alimentos, fibras e bioenergia, tem a maior floresta tropical do planeta e uma bem-sucedida experiência em biocombustíveis.

Contamos, ainda, com conhecimento acumulado e com Institutos de Ciência e Tecnologia que, se bem coordenados, são capazes de consolidar o nosso diferencial em Bioeconomia.

Destaca-se aí os institutos SENAI de Inovação e de Tecnologia, que atuam como ponte entre o conhecimento acadêmico e as soluções buscadas pelas empresas.

Para transformar nosso potencial comparativo em vantagens competitivas, fortalecendo experiências exitosas e aperfeiçoando os mecanismos existentes, precisamos remover as barreiras nos setores público e privado que reduzem a nossa capacidade de competir nos mercados interno e externo.

É necessário construir um ambiente de negócios favorável, com regras claras e segurança jurídica.

Veja mais: Por que a bioeconomia tem tudo para ser o futuro do desenvolvimento do Brasil?

Quais os benefícios da bioeconomia?

1 – Mais recursos e estímulo à inovação para uma área em que o Brasil tem potencial;

2 – Estímulo ao avanço tecnológico;

3 – Melhoria da imagem do Brasil no exterior;

4 – Desenvolvimento sustentável;

5 – Consolidação de uma economia de baixo carbono;

6 – Mais investimentos no país;

7 – Geração de emprego;

8 – Maior segurança jurídica e novos modelos de negócios.

Bioeconomia na indústria

A indústria pode ser protagonista no uso eficiente e sustentável dos recursos naturais e no desenvolvimento da bioeconomia no país.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) trabalha na mobilização do setor para que a indústria seja parte da solução no desenvolvimento sustentável do Brasil, tendo como norte o Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Agenda CNI para a bioeconomia

1 – Empreendimentos que envolvam o uso sustentável da biodiversidade necessitam de instrumentos de financiamento e estímulo ao capital de risco.

O novo regime legal de acesso aos recursos genéticos possibilita um cenário mais atrativo para investimento em pesquisa com a biodiversidade brasileira.

É fundamental, no entanto, o desenvolvimento de instrumentos de financiamento e estímulo ao capital de risco para empreendimentos que envolvam o uso sustentável da biodiversidade.

2 – O uso sustentável da biodiversidade minimiza riscos ambientais e gera oportunidades para as empresas.

O setor empresarial tem papel fundamental no enfrentamento dos problemas ambientais, incluindo a perda da biodiversidade.

O uso sustentável da biodiversidade minimiza o risco de extinção das espécies exploradas comercialmente, proporcionando oportunidades de negócios com sustentabilidade.

3 – É fundamental que existam investimentos em P&D relacionados à biodiversidade.

A ampliação de investimentos da indústria em biodiversidade passa pela formação de ecossistemas de inovação.

Esses ecossistemas devem estruturados em P&D, para desenvolvimento de novos bens e serviços com base em recursos da biodiversidade.

4 – É essencial a participação da indústria nas discussões sobre o acesso a patrimônio genético no país.

A Lei da Biodiversidade possibilitou o ingresso da indústria nas discussões sobre patrimônio genético.

Essas discussões contribuem ativamente para a construção de políticas públicas que influenciam o ambiente de negócios.

Quais as propostas da industrial para desenvolver a bioeconomia no Brasil?  

REGULAMENTAÇÃO

– Estrutura de governança;

– Simplificar e fomentar a relação de Institutos de Ciência e Tecnologia com o setor produtivo;

– Apoiar as iniciativas para aumentar a eficiência do INPI;

– Capacitar e alinhar os órgãos e usuários da biodiversidade, estabelecendo metodologias e critérios de reconhecimento tradicional associado.

INOVAÇÃO

– Aproximar a indústria de todos os níveis da educação;

– Incorporar doutores às indústrias;

– Disseminar as oportunidades de negócio da bioeconomia;

– Fazer bioprospecção e o mapeamento de novas espécies da biodiversidade;

– Encontrar novos usos para produtos de origem biológica;

– Desenvolver estratégias de bioconversão consorciada.

INVESTIMENTOS

– Fomentar a articulação de hubs de inovação em bioeconomia;

– Desenvolver mecanismos especializados de financiamento para a inovação;

– Estimular a divisão de discos dos investimentos entre o governo e a indústria em projetos pré-competitivos;

– Estimula o capital de risco corporativo;

– Atrair fundos estrangeiros para o Brasil;

– Fomentar P&D nos diversos estágios do desenvolvimento de novos bens e serviços baseados em recursos da biodiversidade.

Quais as oportunidades para o desenvolvimento sustentável e o crescimento mundial com a bioeconomia?

As oportunidades para o crescimento mundial da bioeconomia estão relacionadas ao aumento da população e ao seu envelhecimento, à renda per capita; à necessidade de ampliação da oferta de alimentos, saúde, energia e água potável; bem como às questões que envolvem as mudanças climáticas.

Esse cenário indica uma expansão na demanda global por bens e serviços nas próximas décadas, o que representa possibilidade de o país se firmar como uma potência competitiva no setor.

Isso exige, porém, planejamento e políticas assertivas, que busquem melhores alternativas no uso de recursos naturais e de tecnologias, e na organização da atividade econômica, sem comprometer a sustentabilidade do ecossistema.

Uma das iniciativas necessárias é a valoração da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. Ao quantificar o valor econômico da biodiversidade, pode-se propor políticas públicas que a conservem e estimulem seu uso sustentável, de modo a inserir esta atividade em um modelo de desenvolvimento que traga benefícios sociais e econômicos.

Essa perspectiva econômica contribui para uma melhor gestão e restauração dos recursos naturais. Segundo o Panorama Ambiental da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), se não houver novos esforços para frear a perda de biodiversidade, mais de 10% desses recursos serão perdidos em quarenta anos, até 2050.

O que é Protocolo de Nagoia?

O Protocolo de Nagoia é o principal acordo internacional que rege o intercâmbio de material genético entre países. É um acordo multilateral acessório à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), resultante da 10ª Conferência das Partes (COP 10) da CDB.

Tem por objetivo viabilizar a realização de um dos objetivos centrais da Convenção: a repartição justa e equitativa de benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos da biodiversidade e dos conhecimentos tradicionais a eles associados.

Dos 196 países integrantes da Convenção sobre Diversidade Biológica, 126 já ratificaram o Protocolo, entre os quais importantes parceiros comerciais do Brasil, como China e União Europeia.

O nosso país, a despeito de possuir a maior biodiversidade do planeta, com cerca de 20% de todas as espécies vegetais, animais e microbianas existentes, ainda está de fora desse acordo. Acordos internacionais, como o Protocolo de Nagoia, representam importantes mecanismos na busca pela sustentabilidade.

A CDB estimula o uso sustentável dos recursos biológicos, através de pesquisas e desenvolvimento tecnológico e o mecanismo de compartilhamento dos ganhos obtidos com esse uso é uma das políticas públicas mais efetivas para a conservação da biodiversidade, pauta extremamente importante para setores industriais como cosméticos, higiene pessoal e fármacos.

A 15ª edição do Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial, de 2020, aponta que 50% dos remédios modernos foram desenvolvidos a partir de recursos da biodiversidade e o Brasil possui um patrimônio genético de 200 mil espécies registradas em seu território, com um total estimado de cerca de 1,8 milhão de espécies.  

Veja mais: 5 razões para o Brasil ratificar o Protocolo de Nagoia

Modernização do Marco Regulatório para a Bioeconomia

O marco regulatório com impacto direto sobre os setores da bioeconomia necessita de aprimoramento.

Adequar e modernizar este conjunto de leis, decretos, regulamentos e normas significa uma ação direta do Estado para articular com diferentes órgãos governamentais, com visões e enfoques próprios.

Neste sentido, merecem especial atenção a legislação de acesso ao patrimônio genético e repartição de benefícios, a de biossegurança, de defesa sanitária, de inovação e de propriedade intelectual.

A principal desvantagem da atual estrutura regulatória para as atividades em bioeconomia é a insegurança jurídica.

Quais as propostas da CNI para aprimorar a legislação para bioeconomia?

 

• Aprimorar o Marco Regulatório de Acesso a Recursos Genéticos e Repartição de Benefícios;

• Aperfeiçoar a Lei de Biossegurança (Lei 11.105/2005);

• Revisar as Resoluções Normativas 02 de 2006 e 05 de 2008 da Comissão Técnica Nacional de Biosegurança – CNTBIO;

• Atualizar a Lei de Propriedade Industrial (Lei 9279/1996);

• Revisar a Lei de Inovação (Lei 10.973/2004);

• Alterar a Lei do Bem (Lei 11.196/2005).

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‘Sem educação de qualidade, não deixaremos de ser um país de renda média’, afirma diretor executivo da Fundação Lemann

Denis Mizne, que também é fundador do Instituto Sou da Paz, ressalta a importância da formação de qualidade para o desenvolvimento do Brasil

Por Josy Fischberg – O Globo – 16/11/2022 

Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann e fundador do Instituto Sou da Paz Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann e fundador do Instituto Sou da Paz Divulgação

Em um país com quase 220 milhões de habitantes, onde todos os anos três milhões de jovens completam 18 anos, o grande diferencial é a população. É o que defende Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann. Se a qualificação dessas pessoas não fosse deixada de lado, o Brasil seria uma grande potência em empreendedorismo, ensino superior e pesquisa em todas as áreas. No entanto, a educação básica brasileira deixa 90% dos seus alunos terminarem a escola sem saber matemática em um nível adequado.

“É como se o carro estivesse andando com o freio de mão puxado”, analisa Mizne. Colocar as pessoas no centro da agenda de desenvolvimento do país é fundamental, e isso deve ser feito a partir da melhoria na qualidade da educação, segundo ele.

O próximo Ministério da Educação terá um orçamento apertado. Quais devem ser as prioridades?

A primeira é salvar a educação básica, que foi abandonada pelo MEC. Durante a pandemia, o ministério não fez nenhum movimento para apoiar as escolas. Pelo contrário, chegou a atrapalhar. Então a prioridade é recompor a educação básica nesse orçamento. Para isso, há duas frentes. A primeira é a alfabetização. O Brasil tem apenas 31% de crianças alfabetizadas na idade certa. A escola não pode ser uma fábrica de crianças analfabetas. Isso é inaceitável. Sem alfabetização, o estudante não aprende mais nada. E é possível terminar os próximos quatro anos com 75% das crianças alfabetizadas na idade certa. Além disso, o Brasil precisa de um plano de emergência para recompor a aprendizagem, especialmente no Fundamental II, o antigo ginásio. As crianças que chegaram ao 6º ano agora, por exemplo, pararam de aprender no 3º ano. E estão em condições difíceis. A prioridade, nesse caso, é mais tempo de aula, mais personalização da aprendizagem para saber onde cada aluno está, diminuir o número de estudantes com cada professor, ter mais tempo para aprender e, eventualmente, usar a tecnologia para isso.

Qual deve ser a atuação de fundações, empresas e do setor privado em geral junto ao MEC e à educação no país?

O primeiro passo é não atrapalhar. A gente brinca dizendo que às vezes esses agentes querem transformar a escola em uma “árvore de Natal”, pendurando um projeto aqui e outro ali. Isso não funciona. A escola tem que ser soberana na determinação de suas prioridades, e quem manda é a aprendizagem. O setor privado deve reconhecer a legitimidade do setor público e apoiar. Quanto maior for o investimento na formação de professores e gestores escolares, melhor. Há ainda oportunidades para se contribuir com a conectividade das escolas ou com questões de infraestrutura, onde o setor privado pode ser mais rápido que o público. E há outras áreas importantes também, como pesquisa e produção de conhecimento.

O senhor defende uma repactuação nacional, passadas as eleições, por meio da melhoria da qualidade da educação e da formação de lideranças qualificadas. Qual a importância desses dois caminhos?

Há 40 anos o Brasil cresce abaixo do mundo. Nestas décadas, tivemos todo tipo de politica econômica. Um país de renda média como o Brasil, emergente, não pode crescer menos do que os outros. Dessa forma, a população brasileira fica mais pobre. Se não capturarmos um pedaço maior do crescimento global, a nossa população vai continuar igualmente ou mais pobre. O debate público está muito focado no micro. Qual é o grande diferencial do Brasil? Temos quase 220 milhões de habitantes, cerca de três milhões de jovens todos os anos fazendo 18 anos. Todas essas pessoas, se estivessem no topo do seu potencial, fariam do país uma potência. Precisamos de uma agenda que institua que o Brasil vai crescer com base nas suas pessoas. Isso requer um acordo nacional amplo para tratar a educação como política de Estado. Já a formação de lideranças garante que, enquanto eu estou trabalhando para que toda criança brasileira aprenda, nossas pessoas mais talentosas estarão dedicando sua vida para resolver os maiores problemas do Brasil. Os problemas mais persistentes na nossa sociedade não dependem só de dinheiro para serem resolvidos. Eles dependem também de gente, de cérebro, de conhecimento complementar. Foi isso que vimos na pandemia.

E como podemos formar essas lideranças qualificadas na prática?

Tivemos o Ciência sem Fronteiras, que foi um programa de desenvolvimento de capital humano. Na minha opinião, era uma ótima ideia que teve alguns grandes acertos, mas também alguns grandes erros. O principal deles foi não selecionar bem para onde as pessoas iam e não ter uma intencionalidade depois, não cuidar da volta, não planejar como as instituições aqui receberiam os participantes. Poderíamos pensar em um programa de bolsas de desenvolvimento, com olhar para a equidade racial e de gênero, abrindo oportunidades para brasileiros que querem se dedicar a trabalhar no governo, na administração pública, no terceiro setor, na academia, atuando nos temas mais críticos para o Brasil. No orçamento público brasileiro, é um dinheiro de nada, uma vírgula. Mas, para a transformação do país, pode ser muito potente.

Qual o impacto de dois anos de pandemia na formação de mão de obra?

Alunos que estavam no 2º e 3º anos do ensino médio, por exemplo, não tiveram aulas e desistiram de ir para a faculdade. As escolas particulares retomaram as aulas mais rapidamente. Ou seja, se a disputa por uma vaga na universidade já era desigual antes, ela ficou quase impossível para estudantes de escolas públicas. A situação econômica das famílias se deteriorou, então os jovens tiveram mais estímulo para abandonar a escola e trabalhar. Uma combinação que terá efeitos no nosso futuro. Sobre os que ainda estão na escola, meu receio é que, no ano que vem, os gestores acreditem que uma criança que está matriculada no 8º ano realmente esteja nessa série. Porque esse é o jeito mais perverso de consolidar a perda de aprendizagem da pandemia. Se não nos prepararmos para reverter a perda, teremos não só um problema de mão de obra ou potencial desperdiçados agora, como vamos garantir isso por uma década.

E a reforma do ensino médio? Conseguiremos conter a evasão e melhorar a formação?

Antes do novo ensino médio, tínhamos um currículo de 13 matérias obrigatórias para quatro horas de aula diárias. Às vezes, quando surge uma uma nova política, o pessoal é rápido para atacar, mas esquece o que tinha antes. Não estava bom. Cerca de 40% dos alunos abandonavam os estudos e, entre os que ficavam, poucos aprendiam. Ainda assim, há problemas na reforma. Um deles é o vício de origem, pois ela foi feita por medida provisória. O novo ensino médio, então, encontra resistência. Por outro lado, há pontos importantes, como a flexibilização do currículo e a possibilidade de fazer o técnico como uma das trilhas. É preciso ter uma política explícita para lidar com a desigualdade. Ou então a escola mais rica vai oferecer cinco itinerários (conjunto de disciplinas, projetos e oficinas que os estudantes podem escolher no ensino médio), e a mais vulnerável ficará com apenas um. E é preciso seguir implementando a política de tempo integral, com mais tempo de aula. O Brasil chama de tempo integral, mas o mundo chama somente de escola. É o lugar, nos outros países, onde os alunos ficam sete horas por dia.

Pensar em incentivos financeiros para esses estudantes permanecerem na escola ou ainda para professores e gestores que atingirem determinadas metas é uma proposta que funciona?

Incentivos como bolsas para os jovens concluírem os estudos já foram testados inúmeras vezes no Brasil e fazem sentido. O custo para o Brasil de ter milhões de jovens abandonando o ensino médio é muito maior que o custo de um programa de bolsas. Isso está bastante provado. Já sobre o incentivo financeiro como bônus para os professores, não está provado que funcione de fato. Se pensamos em dar bônus para o professor que alfabetizar suas crianças, temos que pensar também que, se ele não souber alfabetizar, não é o bônus que vai garantir isso. Aquilo que não depende só do esforço é difícil de ser mudado apenas com incentivo financeiro. O caminho, nesse caso, é investir na formação. Decisivo mesmo é formar bem o professor. Podemos pensar ainda em incentivos que dão mais recursos aos municípios, por meio de ICMS. Quando o município prioriza a alfabetização, ele ganha uma parte maior do ICMS que é devolvido dos estados para os municípios. Isso acontece no Ceará, por exemplo. Temos apoiado essas políticas em diferentes estados.

Que outros incentivos poderiam ser implementados?

Poderíamos pensar também em usar esses recursos para fazer com que os melhores alunos do ensino médio se formem como professores da educação básica. Por exemplo: se o estudante tirou mais que uma determinada nota no Enem e quiser fazer Pedagogia ou alguma licenciatura, ele pode ganhar um incentivo ao assumir um compromisso de trabalhar pelos próximos cinco ou dez anos na educação pública. Muitos países já fizeram isso para atrair os melhores profissionais para suas salas de aula. O Brasil já faz isso, aliás, mas para outra área, a Polícia Militar. Pagamos um salário para aquele jovem de 18 anos que entra na Academia do Barro Branco, em São Paulo, quando ele passa no vestibular. Por quatro anos ele ganha um salário de policial porque queremos ter gente muito bem formada nos cargos mais altos da polícia. Por que não fazemos isso para as nossas salas de aula também?

Um país pode sair da armadilha da renda média sem uma educação de qualidade?

Não. Sem educação de qualidade, o Brasil não vai deixar de ser um país de renda média e extremamente desigual. Temos que garantir que toda criança aprenda enquanto está na escola. Há vagas, professores e livros didáticos, falta a aprendizagem.É necessário um compromisso de Estado e não de governo. Esse é o caminho para sermos um país que muda de patamar e abre oportunidades para todos os brasileiros.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2022/11/sem-educacao-de-qualidade-nao-deixaremos-de-ser-um-pais-de-renda-media-afirma-denis-mizne.ghtml

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Os robôs vão substituir as pessoas na Amazon?

Exame – Publicado em 11/11/2022

“O que vamos fazer nos próximos cinco anos vai tornar pequeno o que fizemos nos últimos dez anos”, assegura Joe Quinlivan, vice-presidente da Amazon Robótica

Em seu laboratório de robótica em Westborough, nos arredores de Boston (nordeste), a gigante do comércio eletrônico Amazon fabrica os robôs e desenvolve os processos para automatizar seus centros de distribuição e reduzir os prazos de entrega dos pedidos, um objetivo no qual aposta com tecnologia, gerando dúvidas sobre o futuro do trabalho humano em seus armazéns.

“O que vamos fazer nos próximos cinco anos vai tornar pequeno o que fizemos nos últimos dez anos”, assegura Joe Quinlivan, vice-presidente da Amazon Robótica no centro de inovação e manufatura BOS27.

O projeto “Delivering the Future (Entregando o futuro)” quer transformar a empresa fundada por Jeff Bezos há 28 anos para vender livros pela internet na pioneira da distribuição, com tecnologia própria e produção ‘made in USA’.

A gigante da tecnologia conseguiu que um robô manipule produtos com a mesma destreza da mão humana.

Esta semana, diante de mais de uma centena de jornalistas de vários países convidados, a Amazon revelou sua última criação: “Sparrow”, um robô com formato de cabeça de pássaro capaz de detectar, selecionar e gerenciar “milhões de produtos”.

Dotado de câmeras, ele pega os produtos de uma esteira de transporte e os distribui em cestas para serem empacotados.

“Dada a variedade de materiais que temos nos nossos armazéns, Sparrow é um feito significativo”, afirma, orgulhoso, o chefe de robótica da companhia, Tye Brady.

“Sparrow” se soma a outros robôs como “Robin” e “Cardinal” (todos nomes de aves), mas o novo dispositivo consegue, inclusive, manipular produtos dentro de pacotes.

Cerca de 75% das cinco bilhões de encomendas ao ano que a Amazon gerencia são manipulados por algum tipo de robô, segundo Quinlivan.

Ameaça ou complemento?

“Não se trata de que as máquinas substituam as pessoas. Trata-se de que as pessoas e as máquinas trabalhem juntas, colaborando para fazer um trabalho”, assegura Brady.

Acusada de praticar “escravidão moderna” por alguns trabalhadores, a empresa com a segunda maior força de trabalho dos Estados Unidos, atrás do gigante da distribuição Walmart, conseguiu impedir a criação de sindicatos em suas instalações, exceto em um armazém de Nova York.

O Centro de Pesquisa do Trabalho e Educação da Universidade de Berkeley alerta que embora algumas tecnologias possam aliviar as tarefas mais pesadas nos depósitos, também podem contribuir para “aumentar a carga e o ritmo de trabalho, com novos métodos de controle dos trabalhadores”.

E cita expressamente a Amazon e seu programa MissionRacer, “um vídeo game que confronta os trabalhadores entre si para preparar os pedidos dos clientes mais rapidamente”.

Embora no curto e no médio prazos a tecnologia não vá representar uma perda maciça de postos de trabalho nos centros de distribuição, graças ao crescimento da demanda do comércio eletrônico, os que mais podem sofrer no longo prazo são os jovens, os homens, os latinos e os negros.

“Estes trabalhadores serão afetados desproporcionalmente pela mudança tecnológica”, pois estão “sobre-representados” nesta indústria, em particular nos Estados Unidos, alerta o centro universitário.

Os latinos representam 35% da força de trabalho nos centros de armazenamento.

Tecnologia própria e drones

A Amazon controla toda a cadeia tecnológica: desenvolve programas de informática, inteligência artificial, aprendizagem das máquinas, manipulação robótica, simulação, design dos protótipos e até um tradutor simultâneo para mais de 100 idiomas.

Também decidiu fabricar seus robôs em Westborough e North Reading, com capacidade para produzir mil unidades diárias.

A obsessão da Amazon é reduzir ao menor intervalo possível o momento em que o consumidor compra o produto e aquele em que o recebe. Por isso, é de importância vital para o modelo da empresa a chamada “última milha” do processo de distribuição. A companhia conta com 275.000 distribuidores para cobrir 148.000 rotas diárias, que podem aumentar em períodos de pico.

Até o fim deste ano, começará a entregar pacotes com drones em menos de uma hora a partir do pedido em duas localidades na Califórnia e no Texas.

https://exame.com/tecnologia/os-robos-vao-substituir-as-pessoas-na-amazon/

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‘A indústria do futuro é o que nos traz à cop27’, diz José Firmo, CEO do Porto do Açu

Executivo explica como o empreendimento do Norte Fluminense quer usar energia renovável para descarbonizar aço, fertilizantes e logística

Por Glauce Cavalcanti – O Globo – 13/11/2022 

O Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, quer se consolidar como um polo de industrialização do futuro. Hoje ligado à atividade petrolífera, quer ser um porto verde. Uma das apostas é o hidrogênio verde, mas para alimentar indústrias com energia renovável aqui.

“Um ecossistema de novas energias, conectado a uma produção de hidrogênio que não tem por desenho somente exportar, sustentar a necessidade de hidrogênio da Europa, mas, sim, descarbonizar o aço, o fertilizante e as operações portuárias do transporte marítimo”, explica ao GLOBO José Firmo, CEO do empreendimento da Prumo, sucessora da LLX de Eike Batista e controlada desde 2013 pela americana EIG.

O executivo está no Egito, onde apresenta detalhes do projeto na COP27, a conferência climática da ONU. Hoje, o porto responde por 40% do petróleo exportados pelo país e também escoa seis milhões de toneladas de minério de ferro para o exterior. A estratégia para um futuro mais verde está na criação de uma base de geração de energia sustentável, a ser usada como insumo por indústrias interessadas em reduzir suas pegadas de carbono.

Como opera o Açu hoje?

O porto nasce com 130km2, e em 40km² há uma reserva com muitas missões, como ser uma plataforma de compensação ambiental para os clientes e estabelecer um modelo de gestão e licenciamento ambiental único. O terminal portuário já exporta perto de 40% do petróleo brasileiro e seis milhões de toneladas de minério de ferro.

É uma estrutura que já faz dele o segundo maior porto brasileiro em movimentação de carga. Há ainda a estrutura do terminal 2, principalmente de óleo e gás, com a GNA (Gás Natural Açu, que desenvolve e opera projetos sustentáveis em energia a gás) com duas térmicas, uma de 1,3 GW já produzindo e outra de 1,7 GW com previsão de operar em 2025. Já são sete mil pessoas trabalhando. Mas isso é só o começo porque temos 44km2 de área para ser industrializada. São R$ 20 bilhões no plano de investimentos para os próximos dez anos, entre o Açu e as empresas que já estão instaladas no porto.

E como vai crescer?

O que tem à frente é a industrialização. A vertical dessa industrialização que tem chamado mais atenção é a razão de nós virmos à COP27: a industrialização do futuro. A indústria que vai estar aqui em 30 ou 50 anos vai ser muito distinta da que já se instalou até hoje.

Grandes portos (com a combinação) energia-indústria mundiais, como os de Houston (EUA) e Antuérpia (Bélgica), estão com 95% a 97% de utilização. Em visita a um deles, vimos algumas áreas vazias. Responderam que ali só se poderia alugar para indústria de transição, de baixo carbono ou a chamada transition-ready, aquela já plugada numa linha de transição energética. Daí, geramos a ideia, uma oportunidade única. Não há porto pronto como o Açu com, ao mesmo tempo, a oportunidade de área e infraestrutura.

E qual é a oportunidade?

O Açu Greenport é uma plataforma que une novas energias, hidrogênio e industrialização. Em geral, iniciativas em curso têm a ideia de manter o Brasil como um grande exportador de commodities. Se o hidrogênio verde ou a amônia vai ser a commodity do futuro, se pararia aqui. Mas estamos falando de muito mais do que isso, da industrialização.

Para isso, no Açu, temos três grandes hubs: a descarbonização do aço, com uma planta de Hot Briquetted Iron (HBI, produzindo a partir de pelotas de minério de ferro, num processo que resulta em baixa emissão de CO2); a descarbonização dos fertilizantes, com uma planta de amônia, e a descarbonização do transporte marítimo, através dos combustíveis limpos. A ideia é ter uma base de energia renovável e outros produtos que são insumos para outras indústrias.

Energia é o ponto de partida?

É o fundamental. Há três hotspots de energia eólica no Brasil: no Sul, no Nordeste e em frente ao Porto do Açu. Do ponto de vista logístico, o Açu faz muito mais sentido do que qualquer outro lugar. Temos 14 projetos pré-licenciados em eólica offshore (no mar).

E há cinco clientes que fecharam memorandos de entendimento e estão desenvolvendo projetos com a gente: Shell, Iberdrola, EDF, TotalEnergies e Equinor. Porque o mais importante para que o eólico offshore seja eficiente é ser integrado à cadeia logística completa. Hoje existem bases logísticas em discussão no Açu. O que já temos é a conexão com o grid (a rede de distribuição de energia).

O projeto no Açu tem a habilidade de injetar diretamente no Sistema Sudeste. O Nordeste já não tem mais capacidade de gerar energia renovável e mandar para o Sudeste, a menos que sejam construídos novos linhões de transporte, que são caríssimos. O desenho é ter bases logísticas e criar uma cadeia de fabricantes de turbinas, blades (pás) e torres (de aerogeradores). Na base logística será preparada a instalação das torres no mar, que representa 40% do custo.

E haverá unidade solar?

Sim, com a Equinor. A decisão de investimento deve sair em julho de 2023. Temos: solar, eólica offshore e agora uma análise nova de (energia de) biomassa e biogás muito promissora. Está se formando em volta do Açu um ecossistema de fontes de energia muito resilientes.

É o que a gente está apresentando na COP como algo muito novo: um ecossistema de novas energias, conectado a uma produção de hidrogênio que não tem por desenho somente exportar, sustentar a necessidade de hidrogênio da Europa, mas, sim, descarbonizar o aço, o fertilizante e as operações portuárias do transporte marítimo.

Iniciamos o licenciamento de 1 milhão de metros quadrados de um cluster para hidrogênio, onde já temos a Shell como primeiro cliente, com o desenvolvimento de uma planta-piloto de 10MW e que pode se expandir a 100 MW. E já assinamos memorandos com Linde, Iberdrola e EDF para o desenvolvimento de plantas-pilotos. A energia solar tem a função de habilitar esse piloto, porque (o hidrogênio verde) tem de ter energia renovável como fonte. O Brasil tem uma das energias renováveis mais eficientes e baratas do mundo. E, com isso, tem condições de produzir o hidrogênio mais barato do mundo.

E como fica o aço?

Os dois segmentos industriais que mais emitem CO2 são o de aço e o de químicos e plásticos. Como já temos seis milhões de toneladas de minério de ferro exportados pelo Açu, a primeira ideia é ajudar a descarbornizar o aço. Na Europa, há produção com fornos elétricos. Aqui, é alto forno convencional. No segmento que usa fornos elétricos, pode gerar zero carbono. Aqui, as plantas podem reduzir suas taxas entre 30% e 50%.

Fertilizantes também?

O Brasil importa 95% de seus fertilizantes nitrogenados. Não vemos como um país agrícola ficar com esse nível de dependência. Temos dois clientes analisando para, em 2023, decidir sobre a instalação de misturadoras no Açu.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2022/11/a-industria-do-futuro-e-o-que-nos-traz-a-cop27-diz-jose-firmo-ceo-do-porto-do-acu.ghtml

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Uma agenda de tecnologia para o Brasil

País precisa de uma agenda incisiva para buscar desenvolvimento

Ronaldo Lemos – Folha – 12.nov.2022

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

Qualquer país que busca o desenvolvimento precisa decidir o que quer da tecnologia. A razão é que, hoje, para se desenvolver é preciso participar da economia do conhecimento. Não dá para viver só da natureza. É preciso viver de ideias, grandes e pequenas. Especialmente porque a economia do conhecimento deve ser acessível a todos. Nesse contexto, a agenda brasileira tem de ser incisiva. 

O primeiro elemento é criar uma política nacional de dados. Os dados públicos são um dos maiores ativos do país para fomentar a inovação. É preciso colocá-los para gerar riqueza e processos de inteligência. Vou dar um exemplo. O país tem a nota fiscal eletrônica, que é uma conquista em si impressionante. No entanto, os dados gerados por esse sistema não são usados em todo seu potencial. 

Brasil precisa ter uma agenda tecnológica incisiva – Daniel Bueno/SoU_Ciência 

Analisando o agregado das notas fiscais do país seria possível medir a atividade econômica de forma granular. Entender quais setores estão decolando, formação de preços, movimentos da demanda e da oferta, competitividades regionais e assim por diante. 

Esses dados, se bem modelados e tratados, poderiam transformar o país em uma potência de inteligência produtiva, criando forças capazes inclusive de fomentar desenvolvimento local. Essa é uma aplicação poderosa. Uma política nacional de dados pode ir muito além. Ela deve olhar os dados públicos como o principal insumo existente no país para a inovação. 

Desenvolvendo mecanismos de acesso, seja na forma de APIs abertas, sandboxes e outros modelos ágeis de parcerias público-privadas. Acesso a dados em si têm tanto poder de desencadear processos de inovação quanto capital intensivo. Precisamos acordar para isso, não temos tempo a perder. Além de uma política nacional de dados, a agenda é ampla. 

O 5G precisa ser aplicado em atividades de grande escopo, como indústria 4.0, administração das cidades, no setor de saúde e na conexão de todas as escolas públicas do país com banda larga de primeira qualidade. Se o 5G ficar orbitando apenas consumidores individuais mais ricos das grandes cidades, vamos falhar miseravelmente. Nesse caso teria sido mais barato ficar com o 4G e aguardar a próxima onda. 

Fomentar GovTech é também essencial. É preciso transformar o setor público em plataforma digital. Inclusive com a criação de uma identidade digital verdadeira e gratuita para todos os cidadãos e cidadãs. 

O país precisa decidir também o que quer fazer com a transição energética. Como balancear as riquezas fósseis do território brasileiro com uma transição para eletricidade, baterias e fontes renováveis. Nosso futuro de longo prazo vai depender desse balanceamento inteligente. 

Precisamos também migrar para um agro de fundamento científico. O país não pode se contentar apenas em ser competitivo na ponta da produção. É preciso competir em patentes agrícolas, em cultivares e nos insumos protegidos por propriedade intelectual. Idealmente, trabalhar a partir da Embrapa para que exista uma Syngenta ou uma Monsanto brasileira. O agro precisa migrar cada vez mais para o lado inteligência produtiva. 

Por fim, mas não menos importante, retomar nossa soberania digital, para que não sejamos só consumidores ou vítimas dos avanços tecnológicos produzidos fora do país. Para isso, é essencial pensar em parcerias internacionais, não apenas com EUA e Europa, mas com China e Índia. Tudo isso é possível. 

Nosso dever como pais é juntar conhecimento, conectividade e infraestrutura para fomentar a economia do conhecimento para todos e todas.  

Já era – Selo azul do Twitter só para pessoas verificadas 

Já é – Selo azul do Twitter para quem quiser comprar 

Já vem – Confusão generalizada e descrédito total do sistema de verificação do Twitter 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2022/11/uma-agenda-de-tecnologia-para-o-brasil.shtml

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