Conheça a empresa que se tornou o braço direito das startups no Brasil

A redução do tempo dos ciclos de inovação trouxe novos desafios para as startups, mas também oportunidades, defende Pedro Waengertner, CEO da ACE

Pedro Waengertner: empresas com cultura forte ficam mais tempo no topo (Omar Paixão/Divulgação)

Pedro Waengertner: empresas com cultura forte ficam mais tempo no topo (Omar Paixão/Divulgação)

Daniel Salles – Exame – Publicado em 12/12/2022 

A palavra mais dita na ACE, não há dúvida, é “inovação”. Criada há exatos dez anos, a companhia já avaliou mais de 25.000 startups, acelerou 450 delas e investiu em 120. Fundada por Pedro Waengertner, que exerce o cargo de CEO, e Mike Ajnsztajn, a empresa se apresenta como uma holding de inovação em negócios e apoio ao empreendedorismo. Além de catapultar startups, presta consultoria de inovação.

Com novas fontes de receita e ganhos de eficiência, a ACE ajudou mais de 140 companhias — da Vale à Unilever, da Ambev à Mastercard — a gerar cerca de 3 bilhões de reais extras. Autor do best-seller A Estratégia da Inovação Radical, que esmiúça os princípios seguidos por companhias célebres do Vale do Silício, Waengertner compreende como poucos que os ciclos de inovação estão cada vez mais curtos. O que, segundo ele, se traduz em novos desafios para as startups, mas também em oportunidades. A seguir, o CEO detalha sua tese.

→ Por que os ciclos de inovação estão cada vez mais curtos?

Na época da Revolução Industrial, duas pessoas podiam construir uma máquina a vapor simultaneamente, em lugares diferentes, sem que uma soubesse da invenção da outra. A história dos Irmãos Wright e de Santos Dumont, que inventaram o avião, serve de prova. Hoje, as informações voam e qualquer invenção pode ser copiada. E cria-se muito coletivamente.

O futuro do bitcoin e do ethereum, por exemplo, está sendo decidido por comunidades da Web3. Por outro lado, não é mais preciso começar do zero, o que acelera muito a inovação. Você pode unir o seu SaaS (sigla em inglês para “software como serviço”), por exemplo, a um sistema de inteligência artificial já existente. Por fim, há muito mais dinheiro disponível para financiar a inovação. Com o venture capital, que ganhou força só nos últimos 30 anos, qualquer empresa pequena pode vir a concorrer com gigantes estabelecidos. 

→ Ciclos mais curtos podem se traduzir em oportunidades para as startups?

Sim, e em parte porque o ritmo de adoção de novas tecnologias é cada vez maior. Atualmente, um dos aplicativos mais baixados na App Store nos Estados Unidos é o Gas, que, em resumo, permite descobrir se alguém da escola acha você bonito. Bombou e existe só há três, quatro meses. Pode ser que ele desapareça tão rapidamente como surgiu? Pode.

O que faz a diferença é a chamada vantagem competitiva sustentável. As startups que se mantêm no topo são aquelas que atingiram determinada escala de distribuição, que têm uma engenharia de marketing eficiente, que souberam implantar uma cultura, e por aí vai.

A longevidade do negócio depende de tudo isso, e não só da invenção de um novo produto — como o avião, no começo do século passado. Todo software, aliás, pode ser copiado. É por isso que, provavelmente, as grandes empresas não estarão vendendo, daqui a dez anos, os mesmos produtos que vendem hoje. A fórmula que elas têm para inovar é muito mais relevante do que os produtos que oferecem atualmente, pois estes podem cair em desuso. 

→ Com ciclos mais curtos, muitas startups não correm o risco de já nascerem com prazo de validade?

O segredo é não focar o produto, e sim o problema que a startup se propõe a resolver. Pegue o Google de exemplo. Ele resolve dois problemas: ajuda todo mundo a pesquisar e conecta os anunciantes a potenciais clientes. Foi uma das maiores invenções do século, pois deu eficiência à publicidade. O Facebook usou exatamente a mesma fórmula e se transformou em uma máquina de imprimir dinheiro. A questão é se, no médio e no longo prazo, o produto oferecido pelo Google continuará resolvendo o problema da publicidade ou se a companhia será obrigada a se reinventar. Que o problema vai continuar existindo não há dúvida. Porque as marcas sempre estarão em busca de consumidores. 

→ Por que a inovação não pode ser entendida simplesmente como um produto ou projeto disruptivo?

Porque só um produto inovador não basta. É preciso inovar também em aspectos que passam despercebidos. O produto é entregue de maneira inovadora? Há uma estratégia inovadora para fazer com que os clientes voltem a comprá-lo? Os demais elementos da equação merecem o mesmo rigor e atenção dados ao produto. Todo mundo adora robôs ou qualquer item que exale tecnologia. Mas de quantos robôs nós realmente precisamos? Quantas pessoas comprariam um? As startups mais inovadoras não dispõem apenas de um produto ímpar. Elas inovaram em diversos pontos para “resolver o problema” dos clientes da melhor maneira possível. Às vezes, um suporte ao consumidor eficiente é mais inovador do que um produto fora de série — e pode colocar sua startup na dianteira.

→ Em 2013, quando a Aileen Lee cunhou o termo “unicórnio” para startups com valuation de mais de 1 bilhão de dólares, ele podia ser aplicado a 39 empresas. Atualmente, esse número supera 1.200. Essa marca ficou obsoleta?

Cerca de 20 empresas de tecnologia listadas nos Estados Unidos valem mais de 10 bilhões de dólares. Ao mesmo tempo, mais de 100 empresas com capital fechado dizem valer mais de 10 bilhões de dólares. A maioria dessa centena, provavelmente, não vale tudo isso. O problema é que uma startup não vira unicórnio por causa do faturamento ou da opinião dos clientes. Vira porque os investidores e os empreendedores decidiram que ela vale 1 bilhão de dólares. Ainda assim, essa marca diz muito sobre a startup, que conseguiu gerar muito valor e geralmente em muito pouco tempo. Nos últimos anos, com excesso de liquidez no mercado, muitas star­tups receberam aportes, sobretudo nas rodadas mais avançadas, que as colocaram no clube dos unicórnios. Mas houve várias distorções. E é por isso que algumas startups, na hora do IPO, acabam valendo menos do que antes. E há casos de unicórnios que desapareceram. 

→ Muitas startups fizeram demissões em massa neste ano. De que forma esse fenômeno deve ser compreendido?

Ele é parte de uma correção generalizada dos valores das startups. Na prática, o mercado está dizendo que não acredita que elas valham tanto quanto dizem e está cobrando performance. Está exigindo Ebitda e alguma taxa de crescimento. Para as startups, a única saída é fazer as contas e diminuir os custos fixos. Porque os grandes fundos de venture capital, como SoftBank e Tiger Global, estão investindo agora com mais austeridade. Os empreendedores que estão gastando dinheiro despreocupadamente, contando com futuras rodadas de investimento, deveriam mudar de estratégia, porque elas podem não acontecer.  

→ Para muitas startups, o IPO é tido como uma linha de chegada. Não pode ser uma camisa de força para empresas muito disruptivas?

Nos últimos anos, muitas startups brasileiras abriram o capital cedo demais. Empresas que ainda estão descobrindo como distribuir seus produtos, que não geram receitas expressivas e reinvestem tudo que ganham, não costumam ser bem compreendidas pelos investidores do mercado de capitais. E sobretudo no Brasil, onde empresas tradicionais pagam dividendos expressivos aos acionistas, como a Petrobras. É difícil alguém se convencer a comprar papéis que vão demorar anos e anos para dar retorno. Nos Estados Unidos é mais comum. Daí a famosa carta que Jeff ­Bezos escreveu no IPO da Amazon, avisando os futuros acionistas de que não distribuiria dividendos tão cedo. O Facebook está apanhando feito cachorro porque resolveu gastar 20 bilhões de dólares, que poderiam ter sido distribuídos aos acionistas, com o metaverso. Está agindo como uma startup novamente. Já a Apple atingiu o valuation atual, de 2,1 trilhões de dólares, porque Tim Cook passou a distribuir dividendos de maneira consistente. 

→ Quais lições de gigantes do Vale do Silício as outras startups não estão seguindo?

Os gigantes de lá criaram formas particulares de agir. A Amazon, que não é uma notória pagadora de dividendos, reinveste em inovação. Daí o surgimento da Alexa, do Kindle e do Amazon Web Services, que ajudam a manter a companhia relevante. Já o Google e a Apple mantêm o dinheiro no caixa, enquanto a Salesforce aposta em aquisições. De modo geral, todas as companhias de lá que faturam bilhões e seguem inovando continuam a ser tocadas pelos fundadores. No Brasil, geralmente, eles vão para o conselho de administração e são substituídos por executivos do mercado. Quando isso ocorre, o ritmo tende a mudar. 

 → As companhias tradicionais deveriam se inspirar nas startups?

As empresas tradicionais costumam se deparar com o chamado dilema da inovação. Elas inovaram lá atrás, se deram bem e hoje geram resultados enormes. E dificilmente vão dar um salto em outra direção. O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), por exemplo, está conseguindo entrar no segmento de varejo, algo que é muito difícil. As empresas consolidadas deveriam, sim, experimentar mais, como as startups, para dar novos saltos. Diversas startups, por outro lado, implodiram porque não souberam se estruturar. Não dá para apostar só em disrupção. Também é preciso agir como qualquer empresa consolidada e dar a devida atenção à governança.

https://exame.com/revista-exame/velocidade-favoravel/

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Economia dos oceanos, China é a nação preponderante

Por João Lara Mesquita – Estadão – 11 de outubro de 2019

Economia dos oceanos, China é a nação preponderante mais uma vez…

Economia azul, ou economia dos oceanos, é uma expressão em economia relacionada à exploração e preservação do meio marinho. Seu escopo de interpretação varia entre as organizações. Segundo o Banco Mundial,  a economia azul é o “uso sustentável dos recursos oceânicos para o crescimento econômico, melhores meios de vida e empregos, preservando a saúde do ecossistema oceânico”.

Economia dos oceanos de acordo com a ONU

Já, para as Nações Unidas, “a Economia dos oceanos “compreende uma variedade de setores econômicos e políticas relacionadas. Juntas, determinam se o uso dos recursos oceânicos é sustentável. Um desafio importante é entender e gerenciar melhor os muitos aspectos da sustentabilidade oceânica. Elas vão da pesca sustentável à saúde do ecossistema. E à prevenção da poluição.”

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A ONU observa que a Economia Azul ajudará a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Um dos quais, o 14º, é ” Vida na Água”. Ou a conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares, e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável”.

Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, com sede em Paris,  é uma organização internacional composta por 35 países membros, que reúne as economias mais avançadas do mundo, bem como alguns países emergentes como a Coreia do Sul, o Chile, o México e a Turquia.

É chamado de ‘grupo dos ricos’, e recentemente esteve na pauta em razão da promessa de Trump a Jair Bolsonaro de facilitar o ingresso do Brasil, coisa que não aconteceu.

OCDE define economia dos oceanos

O site da OCDE assim define a economia dos oceanos: “Abrange indústrias oceânicas (como navegação, pesca, eólica offshore, biotecnologia marinha), mas também os ativos naturais e serviços ecossistêmicos que o oceano fornece (peixes, rotas de navegação, absorção de CO2 e similares).

Como os dois estão intrinsecamente interligados, este relatório aborda muitos aspectos dos serviços ecossistêmicos e do gerenciamento baseado em ecossistemas, focando o tempo todo na dimensão da indústria oceânica.”

Economia oceânica global

ONU: “A economia oceânica global, medida em termos da contribuição das indústrias oceânicas para a produção e o emprego econômicos, é significativa. Os cálculos preliminares com base no banco de dados da economia oceânica da OCDE avaliam a produção da economia oceânica em 2010 em US$ 1,5 trilhão, ou aproximadamente 2,5% do valor agregado bruto mundial (GVA).”

“O petróleo e o gás offshore representaram um terço do valor agregado total das indústrias de base oceânica. Seguidos pelo turismo marítimo e costeiro, equipamentos marítimos e portos.”

Os empregos gerados pela economia dos oceanos em 2010

ONU: “O emprego direto em período integral na economia oceânica totalizou cerca de 31 milhões de empregos em 2010. Os maiores empregadores foram a pesca industrial com mais de um terço do total. E o turismo marítimo e costeiro com quase um quarto.”

A economia dos oceanos deve dobrar até 2030

Ela deve crescer o dobro da taxa do restante da economia global até 2030. Um aspecto às vezes não apreciado desse recente crescimento marinho industrial explosivo é que sua distribuição é altamente desigual. De fato, muitas facetas-chave da nova economia oceânica são dominadas por uma nação: a China.

Economia dos oceanos e a potência em ascensão: China

“A China lidera o mundo na pesca industrial. O país é responsável por mais da metade de toda a pesca industrial que ocorre em águas internacionais – o alto-mar.

“A China também é o maior agricultor oceânico do mundo. Uma observação importante em um mundo em que a aquicultura agora alimenta mais pessoas que a pesca. Os navios chineses pescam nas águas nacionais – zonas econômicas exclusivas – de cerca de 40% de todos os países.”

“O  país é líder no comércio oceânico global. Mais da metade dos portos mais movimentados do mundo estão localizados na China. Vivemos uma mudança de paradigmas. Os Estados Unidos, potência hegemônica desde a derrocada da União Soviética, perde pouco a pouco o seu poder para um novo eixo central: a China.”

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“As rotas comerciais do Mar do Sul da China são, de acordo com informações coletadas pelo conselho de Relações Exteriores, de mais de US$ 5,3 trilhões em navegação; US$ 1,2 trilhão deste comércio pertence aos Estados Unidos. Não é a primeira vez que a China domina os mares. No século 15 o país era a grande potência marítima mundial.”

Economia dos oceanos: China nas instalações eólicas offshore, e exploração de minerais

“A China responde por 20% do total de instalações eólicas offshore globais. O país emergiu na vanguarda da mineração oceânica. A China patrocinou a maior de todas as áreas de reivindicação de exploração de mineração do fundo do mar concedidas pela Autoridade Internacional do Fundo do Mar a empresas de mineração patrocinadas por um único estado por um total de 163.000 km2 – uma área com cerca de quatro vezes o tamanho da Suíça. O Brasil conseguiu aprovação da segunda maior área, a Elevação do Rio Grande.

Plano quinquenal da China de expandir sua “economia azul”

“Isso inclui a construção de novos portos em casa e no exterior, ampliando a infraestrutura de dessalinização e fazendo novos investimentos na exploração em alto-mar. Parte do recente crescimento marítimo global do país veio com dores crescentes para a China e seus vizinhos oceânicos globais. A China, por exemplo, não apenas lidera o mundo na pesca, aquicultura e transporte marítimo – como também lidera o mundo na produção de poluição plástica marinha: quase um terço do total de resíduos plásticos mal administrados do mundo disponíveis para entrar nos oceanos vem da China”.

A China construiu uma série de Ilhas artificiais em toda a área do Mar da China, o que provocou a ira de alguns vizinhos, como as Filipinas, por exemplo. O objetivo é reforçar a reivindicação de posse sobre a região. E, de acordo com a Ocean Conservancy, mais de 50% do plástico em nossos mares vêm de apenas cinco países – e todos localizados na Ásia. A China é um deles.

Liderança implica em bons exemplos

“A liderança da China nos oceanos globais de hoje cria uma oportunidade definida e um grande imperativo para a China também liderar esforços para moldar o oceano de amanhã. Há muitas oportunidades para a China acelerar. Em 2017, a Conferência das Nações Unidas para o Oceano deu aos governos a oportunidade de registrar compromissos voluntários para apoiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU relacionados ao oceano. Enquanto a República Dominicana, uma pequena nação insular com um PIB de aproximadamente US$ 76 bilhões, assumiu 43 desses compromissos para o oceano, a China, com um PIB de mais de US$ 12 trilhões, fez apenas cinco.”

Áreas protegidas  nos oceanos

‘Do mesmo modo, o estado insular de Palau protegeu 81% de suas águas nacionais, enquanto a China oficialmente protegeu 5,4% de suas águas marinhas e colocou menos de 0,01% dessas zonas sob forte proteção.”  Palau, por sinal, tornou-se um imenso santuário marinho.

Aquacultura suja

“Da mesma forma, a China poderia investir mais esforço e dinheiro no avanço da aquicultura inteligente, em vez da agricultura aquática suja da região. Projetos de aquicultura sustentável podem ajudar o país a atingir as metas de produção. Além de abordar questões regionais de segurança nutricional – sem comprometer a saúde do ecossistema ou prejudicar a capacidade dos pescadores de fornecer um suprimento constante de frutos do mar ao ar livre.”

Revolução industrial marinha

“Criar uma revolução industrial marinha mais amigável para o oceano exigirá coordenação intergovernamental. Além de alinhamento de agendas de pesquisa e aceleração de tecnologias marinhas mais inteligentes. A China não pode fazer isso sozinha. Mas pode fazer muito para catalisar e acelerar o momento global necessário.”

Algumas medidas positivas da China

“Medidas positivas foram tomadas. Nos últimos anos, a China penalizou vários de seus distantes navios de pesca  por violar os regulamentos internacionais. E pescar ilegalmente nas zonas econômicas exclusivas de outros países. As licenças foram revogadas. E os subsídios aos combustíveis foram cancelados para centenas dessas operações ilegais.”

Aqui o Mar Sem Fim faz uma observação. Apesar da informação acima, sabe-se que a China pilha os recursos pesqueiros do mundo.

E além disso, suas frotas de pesca ilegais continuam a rondar os hotspots marinhos do planeta, como Galápagos e, mais recentemente, os mares da América do Sul.

País terá que se emendar se quiser ser farol na economia dos oceanos

A China, se quiser mesmo assumir a liderança global, precisa mudar certas práticas. A medida acima citada é apenas uma das muitas que precisa tomar. O país tem a fama se ser o grande corrupto das reuniões internacionais de pesca.

A China é acusada por pesquisadores de renome mundial como Enric Sala, diretor executivo da Pristine Seas. Ele acusa o país não só de invadir águas territoriais alheias, mas de pescar dentro de santuário marinhos mundo afora. Além de ser o mais corrupto em fóruns internacionais de pesca

O grande desafio

O grande desafio da revolução industrial marinha será descobrir como tirar mais do oceano e prejudicá-lo menos. Há muito trabalho a ser feito. E rápido. A China está no comando quando se trata de definir como a nova economia oceânica se desenvolve e o que significa uma revolução industrial marinha para a saúde global dos oceanos. A questão permanece: para qual lado vai a China? Continuará ignorando regras internacionais, insistindo em um crescimento predatório, ou assumirá de fato a posição de líder? Em outras palavras, ou imagens, o que escolherá o país?

Fontes: https://www.weforum.org/agenda/2019/06/oceans-china-conservation/?fbclid=IwAR2BSm2QrrBOEmguUdQWQA14E3GZqFNBY6UVo-z8v0poDhxarkHqDDCoSe8; https://www.oecd-ilibrary.org/economics/the-ocean-economy-in-2030/summary/english_16e4aefb-en?parentId=http%3A%2F%2Finstance.metastore.ingenta.com%2Fcontent%2Fpublication%2F9789264251724-en; https://www.oecd-ilibrary.org/sites/16e4aefb-en/index.html?itemId=/content/component/16e4aefb-en; https://geoblueplanet.org/wp-content/uploads/2016/05/OECD-ocean-economy.pdf.

Submarino Riachuelo inicia testes de mar

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Mundo desenvolvido tenta se adaptar a uma crise do custo de vida que não dá trégua

Alguns europeus já estocam lenha para o inverno da energia mais cara por causa da guerra na Ucrânia

Por Vivian Oswald — Para o Valor 09/12/2022 

O tal do novo normal vaticinado e alardeado por tantos pode não ter se confirmado. Mas é certo que as sucessivas crises pelas quais o mundo vem passando desencadearam grandes mudanças de comportamento nas sociedades. É cedo para garantir quais delas vieram para ficar. Mas já há um consenso entre especialistas de que o planeta vive um momento de transição que deve ser acompanhado de perto. Com os nervos à flor da pele, a Europa se prepara para um longo e tenebroso inverno. Será o primeiro desde o início da guerra na Ucrânia e da disparada do custo de vida.

Em Bruxelas, sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia, que impôs novas sanções à Rússia, só se fala no custo alto que o conflito impõe ao velho continente. É o que as famílias discutem à mesa, em casa, na rua, o tempo todo. “Só posso sair depois de assistir ao noticiário. Você está acompanhando o que está acontecendo? Foram-se os tempos de paz. Voltei a ter medo de uma guerra nuclear. Vou dispensar as duas horas semanais da diarista. Ela não tem culpa, coitada. Não sei onde mais cortar para pagar a conta de energia”, afirma a aposentada Christine Massot, na capital belga, onde até as crianças se envolvem no debate sobre a dependência do gás da Rússia. “Quero ir para o Brasil. Lá não precisa usar calefação”, diz Marc, de 8 anos, enquanto confere se a porta de casa ficou bem fechada para não desperdiçar calor.

Por todo o continente, as mudanças de hábito são evidentes em menor ou maior escala. Isso pesa cada vez mais na maneira como as populações se enxergam e como respondem às consequências do conflito, da inflação, da mudança do clima, ou qualquer outro tipo de perturbação na vida cotidiana. O entusiasmo em receber os refugiados ucranianos, por exemplo, ainda é grande, mas começa a perder força, segundo a mais recente pesquisa de opinião realizada pelo Parlamento Europeu com os 27 países-membros em setembro deste ano.

Já há quem tenha retomado práticas do passado, como estocar lenha por medo de faltar gás no inverno, seja pelos preços proibitivos, seja pelo temor de o presidente da Rússia, Vladimir Putin, mandar fechar as torneiras, como tem feito. Na Alemanha, manter as lareiras acesas vai custar duas vezes mais em cidades como Munique. De acordo com o Escritório de Estatísticas Federais, em agosto deste ano, a lenha e a serragem passaram a custar 86% a mais em média. Mais da metade das residências alemãs dependem do gás russo.

Na Inglaterra, onde há mais autonomia, o órgão regulador já avisou que é possível haver cortes de até três horas diárias de energia no auge do inverno. Mais grave do que isso, famílias inteiras admitem que não pretendem ligar a calefação por não ter como pagar a conta, que subiu mais de 300% em menos de dois anos. A ameaça pode complicar ainda mais a situação já frágil do sistema de saúde nacional, que, ainda sobrecarregado pelas consequências da pandemia, enfrenta a chegada de nova temporada de alta dos casos de coronavírus, gripe e bronquiolite. No país onde o NHS, a sigla em inglês do sistema gratuito de saúde britânico que inspirou o SUS no Brasil, é considerado sagrado e intocável, as pessoas começam a recorrer a médicos privados. Crescem os anúncios de planos de saúde, o que seria impensável até pouco tempo atrás.

O velho continente tenta, a passos acelerados, mudar suas fontes de energia. Eólicas e placas solares ocuparam uma fatia recorde de 24% do total da matriz da União Europeia desde o início da guerra russa na Ucrânia. Na estrada entre Londres e Paris, as imensas torres das eólicas dominam a paisagem como nunca. Em muitos vilarejos franceses, são motivo de revolta. Existe um debate acalorado no país sobre a estética e o impacto desses imensos equipamentos na vida da sociedade.

O crescimento de fontes renováveis gerou uma economia aos 27 países do bloco de € 99 bilhões (pouco mais de R$ 540 bilhões) em importações de gás russo. Certamente uma boa notícia para um continente que depende em boa medida da commodity para se aquecer, e cuja inflação mostra os dentes como não fazia desde as grandes guerras. Mas ainda aquém do necessário. Mudanças como essas, contudo, não acontecem da noite para o dia e não dependem apenas de infraestrutura ou tecnologia.

“Deixar o gás é muito mais do que uma questão técnica. Vai exigir um entendimento da relação emocional e cultural da sociedade com o combustível. Convencer as pessoas a adotar novas tecnologias e novos comportamentos que ajudem a reduzir as emissões domésticas de carbono vai mexer com o conceito que se tem de vida moderna e sua relação com o gás”, explica ao Valor Sam Johnson-Schlee, especialista em geografia humana e planejamento das cidades da Universidade London South Bank.

Com doutorado em geografia urbana e antropologia, o acadêmico se dedica a escrever sobre política e a cultura e hábitos do dia a dia. Foi assim que entendeu que o processo de transição energética por que passa a Europa terá de replicar o grande investimento realizado na Inglaterra na década de 1960, quando a população teve de ser convencida de que o novo tipo de gás que abasteceria suas residências significava mais conforto e era mais compatível com a vida moderna do que o gás vindo do carvão.

Luz e fornos a gás foram a tecnologia de ponta do início do século XIX. O gás alimentou a revolução industrial, nascida na Inglaterra. Permitiu que as fábricas trabalhassem até tarde da noite. A primeira companhia de gás no país foi fundada em 1812. Mas, depois da Segunda Guerra Mundial, a indústria percebeu que precisava mudar sua imagem. Além de desenvolver métodos mais limpos de produzir gás e importar gás liquefeito natural, investiu em uma grande campanha de publicidade para melhorar a sua reputação. A ideia era mostrar o combustível do futuro: “Algo incrível está para acontecer com o gás”, diziam cartazes da época. A mensagem para o consumidor era clara: “As refeições ficarão prontas mais depressa, as casas serão mais aquecidas, vidas inteligentes são vividas com gás”.

Para Johnson-Schlee, que tem pesquisado a publicidade do período, a atual disparada da inflação, movida sobretudo pela alta dos preços do gás, pode até facilitar esse trabalho de convencimento, mas não é suficiente para mudar o comportamento em definitivo. “Quando o preço cair, voltaremos ao padrão anterior, se nada for feito”, diz. Para ele, a sociedade não está preparada para o que uma mudança desta natureza pode significar.

“Em momentos de crise aguda, a gente acaba questionando e alterando muito do que aprendemos por vários anos”, destaca. Mas a indústria precisa perceber que a mudança passa necessariamente pela relação que temos com o lar. “Se o governo e a indústria querem estimular a transformação, se há o desejo de reduzir o uso de gás de fato, não se pode apenas dizer às pessoas: ‘parem de usá-lo’”, afirma o professor.

Novas formas de aquecer as residências podem significar, por exemplo, a redução da temperatura média da casa em dois a três graus. E isso terá implicações sobre como as pessoas usam as suas casas. Pesquisa da Electrical Safety First, entidade filantrópica voltada à prevenção de acidentes elétricos, indica que 42% das pessoas estão considerando usar um aquecedor elétrico para manter o calor em um único cômodo da casa para economizar com a calefação central.

“Com a possibilidade de trabalhar de casa, minha mulher e eu hoje dividimos o mesmo cômodo, porque fica mais quente. Tudo isso tem impacto sobre como aproveitamos nossa vida doméstica, as horas de lazer. Se você quer que as pessoas usem bombas de calor, se essa for a tecnologia escolhida, haverá grande mudança na sensação de bem-estar dentro de casa. Não vai estar tão aquecido”, destaca Johnson-Schlee.

Ele lembra que, por falta de alternativa, a população mais pobre já enfrenta a difícil escolha entre alimentar e manter aquecida a sua família, mesmo sabendo dos riscos à saúde e à vida. A classe média, contudo, que não tem a mesma sensação de ameaça à vida, não vai querer abrir mão da sua noção de conforto. “Em países como o Reino Unido, onde se viveu por mais de uma década a era da austeridade, as pessoas não querem perder mais nada”, explica.

“A casa será ambiente de ausência de frio em vez de ser o lugar onde há calor. Por isso, a estratégia para os negócios em termos de transição é pintar um quadro de como será a nova vida moderna a que se aspira e não apenas uma resposta punitiva para outra crise”, diz. Também não adianta achar que as pessoas vão mudar de carro de uma hora para a outra. “Hoje, os carros elétricos ainda estão limitados a um universo de consumidores de alta renda”, ressalta.

A disparada da inflação no Reino Unido, que há meses se mantém em dois dígitos, no mais alto patamar acumulado em um ano das últimas quatro décadas, deve reduzir o padrão de vida da população como ainda não se via desde o início da série histórica, em 1978. Isso tem implicações sobre as esperadas mudanças de comportamento do consumidor. Ele vai deixar para adquirir seu carro elétrico depois, ou nunca, ou vai abrir mão de comprar aqueles produtos mais caros que parecem ser mais sustentáveis.

Um grande percentual da população pelo mundo começa a se interessar mais por marcas genéricas de supermercados, sempre mais baratas, do que aquelas mais conhecidas e badaladas. O diretor de mercado da firma de pesquisa IRI Marketplace, Ananda Roy, especialista em grandes dados, afirma que os novos hábitos de consumo na Europa e nos Estados Unidos replicam as velhas práticas de austeridade adotadas pelas famílias nas décadas de 1970 e 1980. “É o resultado de uma mudança de atitude e de perda do poder de compra. Achamos que é algo que vai permanecer, já que não há tendência de aumento de salários ou qualquer sinal de que os altíssimos preços de alimentos e energia vão ceder em 2023”, diz.

O especialista lembra que duas gerações inteiras, que nunca tiveram de apertar de fato os cintos, terão de aprender a lidar com a escassez e queda na qualidade de vida. “Precisam planejar para frente, contar o dinheiro, mudar como e onde compram e, em muitos casos, deixar para comprar depois, ou simplesmente não fazê-lo. Não podem mais adquirir itens da moda, tirar férias, ir a restaurantes e cafés regularmente, frequentar academias de ginástica ou manter a assinatura da Netflix, ir ao teatro e shows”, afirma Roy.

Por isso, voltam à cena a boa e velha marmita levada de casa para o trabalho, ou os ajustes nas roupas de sempre para que tenham sobrevida. Hoje, na Europa, pequenos consertos em itens do guarda-roupa ou em aparelhos eletrodomésticos costumam ser desaconselhados pelos próprios especialistas. Podem custar mais caro do que o item novo. “Como esse período de inflação alta não é temporário, devendo durar pelo menos três anos, as alterações de comportamento devem mudar a atitude consumista de muitos”, explica.

A pesquisa mais recente do IRI mostra que 35% dos europeus estão usando a poupança que fizeram durante os períodos de quarentena na pandemia para pagar as contas no fim do mês. Estão também usando mais cartão de crédito ou pedindo empréstimos. Em alguns mercados, como na Holanda, onde a inflação está atualmente em 14% ao ano, aumentou a oferta de empréstimos sem garantia.

Não por acaso, empresas especializadas e até bancos começam a promover campanhas de educação nas estações de rádio para que as pessoas descubram como cortar custos de maneira eficiente. Novidade recente no Reino Unido, o sistema de parcelamento, que ficou conhecido como Compre Agora, Pague Depois (BNPL, na sigla em inglês), ganhou vulto. São vendas a prazo, em princípio sem juros. Mas as dificuldades dos consumidores e a inflação começaram a provocar distorções nesse mercado que preocupam o governo. Neste momento, discute-se uma forma de regular o segmento e evitar os prejuízos dos consumidores com um crescente nicho de agiotagem disfarçada.

Novos comportamentos surgem com novas oportunidades, segundo Benjamin Voyer, catedrático da Escola de Finanças ESCP e professor visitante do departamento de Ciência da Psicologia Comportamental da London School of Economics (LSE). Ele lembra que as crises recentes tiveram sinais trocados sobre a oferta e a demanda, o que dificulta o entendimento, no curto prazo, de quais hábitos vieram para ficar. Se a pandemia levou as pessoas a gastar menos e a querer comprar mais, a alta inflação agora diminui o ímpeto consumista de muitos. Ele não acredita que a Europa vá viver um novo normal inflacionário. Mas garante que atacadistas e varejistas vão reagir ao novo comportamento dos consumidores para se adequar à demanda.

Muitas marcas estão reduzindo o tamanho das embalagens dos produtos ou quantidade que oferecem de determinado item para que caiba no bolso do cliente. Voyer destaca ainda que a mudança de comportamento não necessariamente é linear. Pode acontecer por geração, por exemplo. Desde a pandemia, os jovens se deram conta de que o streaming de filmes pode ser mais em conta e divertido do que ir ao cinema, enquanto parte da população mais velha que nunca tinha comprado pela internet acabou incorporando o novo hábito. Mas as compras online, segundo ele, não substituem a experiência de bater perna e olhar as vitrines. “Comprar pela internet é fazer uma transação objetiva, enquanto ir à loja é entretenimento.” O que move os instintos do consumidor continuam, segundo ele, sendo a escolha, a variedade, a flexibilidade e a liberdade. “O consumidor gosta do que é simples e fácil de se adaptar”, diz.

A pandemia mudou os hábitos de consumo no Reino Unido de tal maneira que o Banco da Inglaterra, o BC britânico, precisou refazer o cálculo do peso dos itens que compõem a cesta de inflação para medi-la melhor. Precisou incluir itens que antes sequer estavam na lista de prioridades da população, como roupas mais à vontade para se trabalhar de casa, equipamentos de ginástica e certos alimentos.

O mesmo aconteceu com o trabalho remoto. Muita gente (que pode se dar o luxo) agora prefere ir ao escritório muito de vez em quando. Na lista de benefícios da novidade, essas garantem ter uma vida mais confortável e saudável. Também alegam ganhar tempo e produtividade ao evitar os longos deslocamentos até o escritório, além de economizar em  passagens e combustível. O Reino Unido, por exemplo, é um dos países onde os trabalhadores mais gastam com o transporte público no mundo. Quem vive em uma cidade a cerca de 40 quilômetros da capital pode gastar mais de 400 libras (quase R$ 2.500) por mês em trens e metrôs.

De acordo com a pesquisa de mercado Medallia apresentada no webinar “The Biggest Consumer Trends of 2022”, depois de uma queda importante após o início da crise pandêmica em 2020, a parcela de empregados em tempo integral que continua trabalhando de casa se mantém elevada em pouco mais de 30%. Também não teria caído o novo hábito de encomendar vegetais e refeições de restaurantes.

Outra mudança a ser observada ao longo do tempo está no aumento do número de cremações, em resposta às dificuldades sanitárias impostas pela pandemia do coronavírus, que impediram a realização de funerais e outras cerimônias de despedida de entes queridos. A aceitação por esta modalidade, que teria crescido entre comunidades de religiões distintas, indica que há um número maior de famílias que a consideram como primeira opção em tempos de inflação alta. No Reino Unido, a empresa Distinct Cremations afirma em relatório que “a disparada do custo de vida pode ter mudado a forma como as pessoas veem a vida após a morte”.

O cientista político grego e professor de governo do All Souls College da Universidade de Oxford, Kalyvas Stathis, alerta que o mundo está em constante movimento e que é preciso um período de tempo mais longo para se observarem mudanças definitivas nas sociedades. Ele afirma que as pessoas tendem a imaginar que vivemos mais crises do que no passado. “Não há como se medir se há mais crises ou se são mais intensas hoje do que antes”, diz.

Stathis garante que a sensação de que são crises que se emendam umas nas outras deve ser muito mais atribuída ao excesso de informações a que estamos submetidos e mais notícias ruins, que, segundo ele, costumam ganhar mais destaque na mídia. O que acontece, na avaliação dele, é que os seres humanos tendem a se adaptar às condições dadas pelas crises, mas depois esquecem as mudanças. “A gente superestima o impacto que as crises podem ter nas nossas vidas e depois esquecemos. Não prestamos mais atenção quando as condições mudam. Falamos no novo normal no início da covid. E agora ninguém tem muito a sensação do que mudou de fato”, destaca Stathis.

Mesmo assim, ele reconhece alterações inegáveis de comportamento que os especialistas ainda terão de esperar para saber se são definitivas. “Não sabemos quantos porcento da população vão continuar trabalhando de casa. Se for um percentual importante, vai mudar as relações de trabalho, a estrutura da família e a cultura. Muitas crianças tiveram a saúde mental afetada pela pandemia. Será que estamos diante de uma geração com problemas? Até que ponto e quão sérios serão?”, afirma. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que cerca de 24 milhões de estudantes entre o primário e a universidade correm o risco de não voltar para os bancos escolares. E estimam que cerca de 25% da população passou a ser acometida por ansiedade, com jovens e mulheres entre os mais afetados.

As reuniões por Zoom, segundo ele, que até certo ponto pareciam uma nova tendência mundo afora, aumentaram a velocidade da conexão entre as pessoas, possibilitaram mais encontros e economia de deslocamento. “Mas também cansaram, pois ficou fácil demais marcar muitas reuniões o dia inteiro e por muito tempo. Pode ser que o novo comportamento que vai se cristalizar seja o de priorizar este tipo de reunião, mas com comedimento e com duração mais curta”, afirma.

Com o avanço da tecnologia nas últimas duas décadas, Stathis enfatiza que muitas pessoas já não sabem mais usar as mãos, não escrevem. Tudo se passa nas telas de aparelhos. A internet cria a possibilidade inédita de se ter muitos pedaços de informação, ao mesmo tempo que tira o foco do todo. “As coisas estão se movendo em diferentes direções. A vida está sempre nos surpreendendo. É um momento interessante de se observar”, diz. Talvez seja sintomático o fato de “metaverso” estar entre as finalistas e ser escolhida como palavra do ano de 2022 pelo Dicionário Oxford.

https://valor.globo.com/eu-e/noticia/2022/12/09/mundo-desenvolvido-tenta-se-adaptar-a-uma-crise-do-custo-de-vida-que-nao-da-tregua.ghtml

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Descarbonização global: um grande desafio que pode ser viável

A redução do aquecimento global só será atingida se houver descarbonização da indústria de base e do transporte, grandes emissores de gases de efeito estufa

Por Andrea M. A. F. Minardi* – Exame – Publicado em 19/10/2022 

Acreditava-se que era tecnicamente inviável ou proibitivamente caro cortar essas emissões, mas a evolução econômica e os avanços tecnológicos mostram que pode ser possível. A introdução de metas mais claras de emissões, como já começa a acontecer na Europa, o aumento do preço de carbono e a maior disponibilidade dos consumidores a pagar mais por produtos verdes reduzem a desvantagem de custo dos novos processos produtivos com baixa emissão de carbono. Já existem inúmeros projetos que comercializam tecnologia de redução de emissão de carbono na indústria de base e começa a ser possível vislumbrar os caminhos que permitirão às empresas atingir a meta de carbono neutro em 2050.

A indústria de aço é uma das que está mais avançada nessa agenda, com um mix de alternativas de tecnologias apropriadas a diferentes geografias. A h2Green Stell (h2gs), uma startup europeia, está implementando um projeto de €4 bilhões em Boden, na Suécia, que combina tecnologias comprovadas em larga escala[i]. Está construindo uma das maiores unidades mundiais de eletrólise para produção de hidrogênio verde, que será bombeado num reator para alimentar um processo chamado de redução direta, que dispensa o uso de coque de carvão na produção de aço. 

Existem vários outros projetos para descarbonizar a produção primária de aço[ii], como reformas de alto fornos para uso de energia limpa com eficiência energética ou conversão para unidades de redução direta, ambas soluções envolvendo captura seguida de estocagem de dióxido de carbono ou sequestro das emissões residuais por abatedouros como florestas. A produção secundária a partir de sucata de aço também avança e pode responder por 40% da produção total de aço até 2050. 

A indústria cimenteira aposta em tecnologias como substituição de combustível fóssil por biomassa ou outras formas de eletricidade verde no aquecimento de calcário para produção de cimento, captura e estocagem de gás carbônico e desenvolvimento de novos tipos de cimento de baixo carbono, alguns a partir de economia circular. A indústria química enfrenta maiores dificuldades, pois uma boa parte de seus produtos é derivada de hidrocarboneto. Mesmo assim, há projetos e soluções em andamento. Em 2021, a Dow Química anunciou um plano de transformar o complexo de etileno de Alberta, Canadá, em carbono zero[iii]. Esse projeto envolve eletrólise dos gases emitidos no craqueamento para geração de hidrogênio, que servirá de energia para toda a unidade, e a captura e estocagem do gás carbônico. Essa transição reduzirá em 20% as emissões de carbono escopos 1 e 2 da Dow até 2030. Existem vários projetos semelhantes feitos por concorrentes, muitos deles em colaboração. 

Há também investimentos em reciclagem de plástico para produção secundária e desenvolvimento de plástico verde, feito de subprodutos agrícolas ao invés de petróleo. Em outros setores, existem inúmeros projetos também nesse sentido, como iniciativas para desenvolvimento de combustível de baixo carbono para aviação, transformação de poços inativos de petróleo em unidades de armazenagem do carbono capturado e conversão de plataformas de produção de petróleo em operações de turbinas eólicas marítimas.

Entretanto, ainda existe grande dificuldade em gerar projetos de descarbonização em larga escala. Será necessário um investimento volumoso no desenvolvimento de infraestrutura. A geração e distribuição de energia limpa precisa ganhar escala. O custo da produção verde atualmente é muito alto se comparado com a tradicional – por exemplo, no caso do aço verde, duas ou três vezes mais caro. Por isso, é essencial orquestrar a colaboração de vários elos. Cadeias de valor inteiras terão que ser transformadas. A colaboração entre empresas, universidades e unidades de fomento são essenciais para desenvolvimento de tecnologia. 

Governos precisam fomentar e regular a construção da infraestrutura, de limites de emissões e comércio dos créditos de carbono. Consumidores precisam valorizar soluções mais verdes e penalizar grandes emissores que não estão fazendo a transição, assim como bancos e investidores institucionais aumentar o volume de financiamento de modelos sustentáveis. Soluções blended, que combinam capital concessional e privado, são necessárias para financiar vários projetos. Já existem algumas iniciativas que orquestram essas parcerias e esforços como, por exemplo, o fundo de venture capital Breakthrough Energy[iv] e a Mission Possible Partnership, o que dá esperança de que os desafios e obstáculos para viabilizar essa transição sejam superados.

*Andrea Minardi é professora do Insper. Leciona e pesquisa ativos alternativos e finanças sustentáveis. Em 2018, seu nome foi incluído no “Women to Watch: Beyond the Deal” pelo WSJ por sua contribuição com a indústria de Private Equity no Brasil.

https://exame.com/colunistas/impacto-social/descarbonizacao-global-um-grande-desafio-que-pode-ser-viavel/

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Conheça o Vale da Eletrônica mineiro que movimenta bilhões de reais com suas invenções

A pequena Santa Rita do Sapucaí está na vanguarda de muitas pesquisas como a tecnologia 6G

Por João Sorima Neto — O Globo – 08/12/2022 

Paisagem pacata do interior esconde o potencial econômico de Santa Rita do Sapucaí (MG), que tem 60% do PIB vindo de empresas de tecnologia Paisagem pacata do interior esconde o potencial econômico de Santa Rita do Sapucaí (MG), que tem 60% do PIB vindo de empresas de tecnologia Edilson Dantas

A tecnologia 5G, que permite troca de dados em alta velocidade e conexões simultâneas, mal chegou à maioria dos municípios brasileiros e um grupo de cientistas já está pesquisando o próximo avanço das telecomunicações: a rede 6G. Quando ela começar a ser implementada, a partir de 2030, integrará o mundo real com o virtual por meio de inteligência artificial, possibilitando uso de recursos como holografia e aplicações táteis.

A liderança desses estudos no Brasil está concentrada na pequena cidade de Santa Rita do Sapucaí, de 45 mil habitantes, no Sul de Minas Gerais. Embora mantenha ar rural, ela ostenta o título de Vale da Eletrônica brasileiro. Mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do município sai de suas quase 200 empresas de tecnologia (muitas criadas por meio de três incubadoras locais). Elas atuam em segmentos tão distintos como eletro biomedicina e segurança.

Juntas, essas companhias geram 14 mil empregos e giram mais de R$ 3,6 bilhões por ano em faturamento, cifra que deve subir a R$ 6 bilhões até 2024, segundo estimativa do Sindicato das Indústrias do Vale da Eletrônica (Sindvel). A prefeitura se prepara para criar o primeiro distrito industrial numa área de 200 mil metros quadrados, com expectativa de geração de 2 mil novos empregos. Um arranjo local estimula as empresas a fornecerem produtos umas às outras, o que ajuda a reter mão de obra especializada.

— A inovação faz parte do DNA do município. Formamos profissionais e criamos um ecossistema para mantê-los aqui — conta Publio Teles, secretário municipal de Ciências, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico.

O investimento em educação acompanha esse cenário. A cidade foi a primeira a ter uma escola de eletrônica (ETE) da América Latina, nos anos 1950. Também criou o primeiro curso de engenharia de telecomunicações (Inatel) do país, nos anos 1960. Mais recentemente, surgiu uma faculdade de Administração focada em empreendedorismo de base tecnológica A aposta deu resultados: saíram de Santa Rita novidades como a urna e a tornozeleira eletrônicas e o transmissor de TV digital.

Os números de Santa Rita do Sapucaí — Foto: Editoria de Arte/O Globo

É o Inatel que está liderando o projeto pioneiro Brasil 6G, que conta com a participação de várias instituições de ensino e pesquisa nacionais e tem o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

— A nova rede 6G dará às pessoas uma espécie de sexto sentido. Vamos interagir com as coisas de forma mais intuitiva. O smartphone será coisa do passado — diz o professor Luciano Leonel Mendes, coordenador de pesquisa do Centro de Referência em Radiocomunicações do Inatel.

Numa integração com a iniciativa privada, o Inatel presta serviços a empresas, que geram uma receita de R$ 70 milhões ao ano à instituição. Entre as novidades, há estudos para a transmissão de dados via luz com alta velocidade.

Há outras inovações no radar. A Ventrix, empresa de engenharia biomédica, criou o primeiro eletrocardiograma do país feito pelo celular, com diagnóstico remoto. A empresa lançou este ano um curativo para feridas complexas, como queimaduras, que vem sendo pesquisado desde 2007.

Santa Rita é uma das três participantes de um projeto piloto de “cidades inteligentes” do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por meio de um aplicativo, moradores podem solicitar serviços de zeladoria ou ajuda da Guarda Municipal e da Polícia Militar. Ainda no mesmo projeto, os veículos da prefeitura são monitorados digitalmente para economizar combustível.

https://oglobo.globo.com/especiais/noticia/2022/12/conheca-o-vale-da-eletronica-mineiro-que-movimenta-bilhoes-de-reais-com-suas-invencoes.ghtml

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‘Aliados’ descobrem o preço do protecionismo americano

Taiwan, França e Alemanha veem suas fábricas se transferirem para os EUA, atrás dos subsídios de Joe Biden

Nelson de Sá – Folha – 2.dez.2022

O Dianzi Shibao (DigiTimes), conhecida publicação taiwanesa sobre tecnologia, informa que Joe Biden e Tim Cook, CEO da Apple, visitam o Arizona na próxima terça para a inauguração formal da fábrica americana da gigante de chips de Taiwan, TSMC.

O fundador da TSMC, Zhang Zhongmou (Morris Chang), resistiu à pressão dos EUA pela fábrica desde o início do ano, inclusive com dados sobre a produtividade inviável no país, 50% inferior. Mas os bilhões de subsídio de Washington falaram mais alto. E a nova fábrica, no fim, vai tentar transplantar a produtividade de Taiwan.

Foi o que revelou há duas semanas a revista taiwanesa Shangye Zhoukan (Business Weekly, acima), com o embarque de 300 pessoas ligadas à TSMC em voo fretado, para morar nos EUA, a tempo de se apresentarem para as fotos com Biden e Cook.

Está ficando caro, para o governo de Taiwan. Nas eleições locais, logo em seguida, o partido governista foi derrotado pelo opositor Kuomintang na capital e na cidade da própria TSMC.

Segundo o jornal Zhongguo Shibao (China Times), de Taipé, as imagens dos engenheiros sendo “enviados continuamente”, com suas famílias, “fizeram os taiwaneses sentirem que Taiwan estava se esvaziando, e os eleitores expressaram sua insatisfação”.

Outro motivo seria o temor de guerra como na Ucrânia, sobretudo depois da visita da presidente da Câmara dos EUA e do cerco à ilha pelos militares chineses. Mas o esvaziamento da TSMC é mais persistente, na repercussão.

Zhang, o fundador, já aceitou uma segunda fábrica no Arizona e, sob pressão da Apple, segundo a Bloomberg, vai produzir chips de tecnologia mais avançada, que ele queria restringir a Taiwan. Pior, 70% da TSMC está agora sob controle de capital externo.

Mais especificamente, segundo o Financial Times, entraram na composição da gigante, após sua aceitação da produção nos EUA, Warren Buffett, George Soros e os fundos Tiger Global e Bridgewater. A TSMC, critica o Zhongguo, está virando USMC —de “United States”.

O protecionismo industrial de Biden, que rendeu capa crítica da inglesa The Economist (acima), atinge outros “aliados”. Os subsídios à fabricação de carros elétricos nos EUA estão levando Alemanha e França a ameaçar com “guerra comercial”.

Na quinta, o presidente americano estendeu tapete vermelho na Casa Branca para o francês Emmanuel Macron —que tentou resistir aos afagos, repisando que os subsídios começam a desindustrializar a Europa e “vão dividir o Ocidente”.

O financeiro alemão Handelsblatt destacou na sexta que “não há quase nada de substancial para reportar da reunião entre os dois, só mais banalidades”, sem concessões efetivas de Biden. Ele que até falou, como ressaltou o alemão Die Welt no título entre aspas:

“Os Estados Unidos não pedem desculpas. E eu também não.”

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/nelsondesa/2022/12/aliados-descobrem-o-preco-do-protecionismo-americano.shtml

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App Lensa vira febre nas redes sociais com avatares criados com IA; veja como fazer

Por Rebecca Crepaldi – Estadão – 02/12/2022 | 

Famosos aderiram à tendência e transformaram suas fotos; recurso é pago, mas há alternativas gratuitas

Quem é usuário das redes sociais deve ter esbarrado, nos últimos dias, com ilustrações de pessoas com maquiagens coloridas ou adereços diferentes, como coroas de flores e roupas futuristas. A nova tendência da internet veio do aplicativo de edição de fotos Lensa, que viralizou entre os internautas devido ao recurso de criação de avatares mágicos por meio de Inteligência Artificial (IA).

Com base em fotos enviadas pelos usuários, o aplicativo gera desenhos realistas que brincam com diferentes estilos e adicionam características físicas, variações de cores de roupa, cabelo e fundos. Celebridades como os cantores Luan Santana, Ivete Sangalo e Claudia Leitte, o influenciador Felipe Neto e a humorista Tatá Werneck aderiram à tendência e compartilharam os resultados da IA em suas redes sociais.

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O aplicativo é gratuito para baixar, mas a ferramenta para criar o avatar é paga. Em aparelhos Android, o pacote de 50 avatares custa R$ 31,99, enquanto o de 100 pode ser adquirido por R$ 41,99 e o de 200 por R$ 63,99. Já em celulares da Apple (iOS), os pacotes custam R$ 34,90, R$ 44,90 e R$ 69,90, respectivamente.

O app registrou mais de 10 milhões de downloads da Play Store e alcançou a marca do aplicativo de foto e vídeo mais baixado na Apple Store nesta quinta-feira, 1. O Lensa foi lançado no fim de 2018 pela empresa estadunidense Prisma Labs, e este é o passo a passo de como usar:

  1. Baixe o app Lensa na loja do seu celular;
  2. Dentro do app, clique na ferramenta ‘magic avatars’;
  3. Insira entre 10 e 20 fotos suas no formato de selfies ou retratos;
  4. Não coloque fotos em que outras pessoas apareçam;
  5. Tente variar em ângulos, fundos e expressões;
  6. Não coloque fotos com nudez;
  7. O aplicativo não permite fotos de criança;
  8. Escolha o gênero com qual se identifica;
  9. Prossiga até o passo de pagamento;
  10. Baixe o pacote de avatares gerados.

Apesar da fama repentina, alguns internautas criticaram a falta de semelhança com a aparência real do usuário e as distorções geradas pelo próprio algoritmo. No aplicativo, durante os passos para a criação dos avatares, a empresa alerta sobre a possibilidade de erros. O Estadão também separou três alternativas semelhantes e gratuitas para criar o seu próprio avatar. Confira:

ToonMe

App ToonMe é uma das alternativas onde usuários conseguem criar avatares gratuitamente

App ToonMe é uma das alternativas onde usuários conseguem criar avatares gratuitamente 

O ToonMe está disponível tanto na Google Play como na AppStore. A parte gratuita do aplicativo disponibiliza mais de 100 possibilidades de estilos de avatares, e cada uma das opções possibilita fundos e efeitos diferentes entre si. Nesta parte, as ilustrações podem ser criadas após o usuário assistir a diversos anúncios – e, quando baixada, a marca d’água vai junto. Já a seção paga permite o download das fotos sem anúncios ou marcas, além de mais efeitos.

Voilà Al Artist Foto Editor

Com uma interface que facilita a navegação, app Voilà também oferece ferramentas para criação de avatares por meio de IA

Com uma interface que facilita a navegação, app Voilà também oferece ferramentas para criação de avatares por meio de IA 

O que esse app tem de dificuldade no nome, tem de facilidade no uso. Com uma interface simples, o Voilà também utiliza a foto do usuário para criar avatares de diferentes estilos. Com 10 opções, que incluem cartoon em 3D e em 2D, pinturas renascentistas e caricaturas, o aplicativo gera quatro avatares para cada estilo que podem ser baixados gratuitamente em smartphones com sistema Android ou iOS.

Artisan

App Artisan oferece 10 estilos para criação de avatares

App Artisan oferece 10 estilos para criação de avatares 

Também disponível para Android e iOS, o aplicativo Artisan é outra alternativa para os usuários que desejam transformar suas fotos em ilustrações. Entre as 10 opções de estilos disponíveis, o usuário pode brincar com a mudança de textura, fundo e cores da imagem. A versão gratuita também inclui a necessidade de assistir a anúncios para baixar a foto e a marca d’água no resultado final.

Leia também:

https://www.estadao.com.br/link/cultura-digital/app-lensa-vira-febre-nas-redes-sociais-com-avatares-criados-com-ia-veja-como-fazer/

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‘Empregos verdes’ crescem no Brasil; setor solar deve fechar o ano com 200 mil novos postos

Por Renée Pereira – Estadão – 04/12/2022 

País já responde por 10% da geração de emprego sustentável no mundo e fica atrás somente da China

A qualidade da matriz energética, com quase 50% de energia renovável, e o potencial da economia verde podem alavancar o desenvolvimento do Brasil nos próximos anos, com uma geração de emprego mais sustentável. Para se ter ideia, hoje o País já responde por 10% de todos os empregos verdes no mundo, ocupando a segunda colocação entre os maiores empregadores da indústria de biocombustíveis, solar, hidrelétrica e eólica.

O mercado brasileiro perde apenas para a China, que tem 42% dos 12,7 milhões de postos de trabalho do planeta, segundo dados da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), compilados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A expectativa é de que, até 2030, as energias renováveis criem 38,2 milhões de empregos no mundo.

Os cálculos consideram uma transição energética ambiciosa e a aceleração de novos investimentos para reduzir o aquecimento global do planeta. No Brasil, além da eólica e da solar, há a aposta no hidrogênio verde – área em que o País pode se tornar líder mundial – e no comércio do crédito de carbono.

“O potencial do trabalho verde no Brasil é enorme, seja pelo tamanho da economia ou pelo fato de ser o lar de ecossistemas dos mais relevantes do planeta, rico em recursos naturais e biodiversidade”, diz o economista sênior da divisão de Mercados de Trabalho e Seguridade Social do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Oliver Azuara.

Para ele, o benefício de “enverdecer” a economia no Brasil será maior do que em qualquer parte do mundo. Isso porque o potencial de crescimento das fontes renováveis, ao contrário de outras partes do mundo, ainda é muito alto no País. No setor eólico, por exemplo, a energia offshore (em alto-mar) nem começou a ser explorada ainda, mas tem potencial de 700 mil MW no País. Cada MW de energia offshore gera 17 postos de trabalho ao longo de 25 anos de vida útil de um projeto.

Mais sobre energia

Na eólica convencional, em terra, esse número é um pouco menor: 11,7 empregos por MW instalado. A expectativa é de que, nos próximos dez anos, o setor acrescente no mínimo 3 mil novos MW por ano (em 2022, serão 5 mil MW), diz a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum. Isso significa cerca de 35 mil novos postos de trabalho anuais.

No setor solar, hoje o que mais cresce no Brasil e no mundo, a geração de empregos em toda cadeia ultrapassou os 170 mil postos em 2021, e pode superar os 200 mil neste ano, segundo o presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia. Segundo ele, 60% dos empregos do setor vêm da instalação de sistemas – empregos de nível técnico, com renda média de dois salários mínimos e carteira assinada. Outros 40% vêm da fabricação de componentes, projetos, engenharia, administração, comercial, vendas e marketing.

Maiores empregadores

Apesar de as novas fontes serem as que mais acrescentam postos de trabalho hoje em dia, em termos consolidados são os biocombustíveis e as hidrelétricas que empregam mais no Brasil, segundo a Irena. De 1,27 milhão de empregos verdes, 68% vêm da indústria de combustíveis sustentáveis e 14%, das usinas hídricas – duas áreas tradicionais no setor energético desde os anos 60 e 70.

“O País já se encontra em posição de vanguarda nesse tema em relação às demais nações, e segue uma trajetória sustentável, ampliando cada vez mais o uso de fontes limpas, como eólica e solar, além de apostar em novas tecnologias, como o hidrogênio verde”, diz o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.

O potencial de investimento do produto é de US$ 200 bilhões até 2040 no Brasil. Só em Pecém (CE), três empresas anunciaram investimentos de US$ 14 bilhões em planta de hidrogênio verde. Outro destaque é o crédito de carbono. A consultoria Mckinsey estima que, para cada dólar proveniente dos benefícios da ação climática, a comunidade local recebe um retorno socioambiental líquido de US$ 1 a US$ 4 em termos de criação de empregos, desenvolvimento local e serviços de ecossistema.

“Esse impacto se traduz na geração de 550 mil a 880 mil empregos líquidos por ano através de projetos de restauração, agroflorestas e REDD+ (incentivo para compensar países em desenvolvimento por medidas de redução de emissões)”, diz o sócio e líder da prática de sustentabilidade da McKinsey, Henrique Ceotto. Segundo ele, 57% desses empregos são diretos e concentrados no local de implementação dos projetos. O executivo afirma ainda que profissionais com experiência no mercado de carbono voluntário estão com demanda alta.

https://www.estadao.com.br/economia/sua-carreira/emprego-verde-no-brasil/

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Empresas têm dificuldade de contratar até para posições de menor qualificação

Metade da mão de obra jovem é despreparada, diz pesquisador. Para especialistas, ‘não há bala de prata’. No curto prazo, empresas têm de investir em treinamento para suprir carências

Por Glauce Cavalcanti e Letycia Cardoso — O Globo – 04/12/2022 

Apesar do desemprego ainda alto no país, as empresas estão enfrentando dificuldades para preencher até mesmo vagas que demandam menor qualificação, que são geralmente as portas de entrada dos jovens no mercado de trabalho. É uma contradição que se aprofundou após a pandemia com a combinação de perda no aprendizado escolar, principalmente no ensino médio, e a menor chance de ganhar competências com experiências profissionais.

Sem formação e experiência adequadas, os candidatos chegam às seleções com agravantes, apontam os recrutadores. A falta de interação social limitou o desenvolvimento de habilidades de relacionamento, o que dificulta a atuação em serviços de atendimento ao público, por exemplo. E muita gente tem limitações de lidar com dispositivos tecnológicos, cada vez mais presentes em negócios de todos os tipos.

Dessa forma, apesar dos muitos currículos e filas nas portas das seleções, comércio e serviços em geral, como restaurantes, hotéis e supermercados, têm mais dificuldades para contratar e experimentam alta rotatividade. Já empresas de eventos não conseguem encontrar jovens profissionais para receber convidados. No terceiro trimestre, a taxa de desemprego ficou em 8,7% no país. Na faixa etária de 18 a 24 anos, alcançou 18%. Entre os que têm ensino médio incompleto, foi de 15,3%.

100 dias para selecionar

Para o economista Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco e professor associado da Fundação Dom Cabral, é esperado que essa geração entrando no mercado de trabalho agora, e desde 2021, tenha dois agravantes na assimetria entre a formação e o que esperam as empresas:

— O primeiro é (um prejuízo) cognitivo, e passa pelas disciplinas, pelo ensino. A aprendizagem ficou ainda aquém daquilo que a gente tinha. O segundo, que se sobrepõe e agrava o primeiro, é a redução da interação desses jovens com seus pares e professores. Isso fragilizou ainda mais a capacidade de serem formados para entrarem no mercado de trabalho, inclusive em competências comportamentais.

A Gupy, plataforma de recrutamento via inteligência artificial, recebe dez milhões de aplicações para vagas de trabalho por mês. No mesmo período, gera 70 mil contratações. Dez mil vagas, porém, permanecem abertas, por falta de pessoas qualificadas, mesmo com o grande contingente em busca de uma chance. Há postos que levam mais de cem dias para serem preenchidos, como os de operadores de produção e de máquinas ou consultores de qualidade.

Guilherme Dias, cofundador da Gupy, lembra que pesa nessa situação uma transformação no perfil de pessoas buscado pelo mercado de trabalho em todas as faixas de qualificação:

— Não faltam pessoas, faltam as habilidades técnicas e emocionais. O vendedor que o mercado quer não é o mesmo de antes. Ele tem de saber analisar dados, ser versátil, interagir, dialogar. As companhias exigem requisitos que temos menos em nosso mercado. É uma questão global, mas aqui é pior.

Márcio Delgado, gerente-geral do Hotel Nacional, na Zona Sul do Rio, não tem dúvidas ao afirmar que “há uma escassez geral de mão de obra”, incluindo as vagas que exigem menor qualificação, mesmo diante das estatísticas de desemprego. Antes da pandemia, conseguia preencher vagas como as de garçom e camareira em uma semana. Agora, a média subiu para três, sendo que, às vezes, as vagas ficam em aberto por mais tempo.

Solução é treinar

O número de frequentadores do empreendimento triplicou este ano em comparação com 2021, mas a ampliação do quadro é mais lenta. Subiu de 150 para 213 empregados, e Delgado segue contratando.

— É difícil conseguir pessoas para alguns cargos, principalmente cozinheiro e garçom. Então, abrimos mão da experiência para contratar porque precisamos dessas pessoas para ajudar nos atendimentos. Depois, treinamos continuamente. Quem tem mais experiência atua como tutor dos novos — conta.

É o que acontece com Fabiana Fontenele, 29 anos, há seis meses contratada como camareira pelo Hotel Nacional.

— Parei de trabalhar na pandemia, após mais de seis anos em outra rede hoteleira. Essa experiência facilitou meu retorno, agora ajudo outros mais novos — diz ela.

Metade da mão de obra jovem é despreparada, diz pesquisador

Para suprir a carência de mão de obra nas posições de menor qualificação em pouco tempo, as empresas não têm outra saída a não ser investir em capacitação e adotar maior flexibilidade na seleção, apontam especialistas. O Brasil tem cerca de 20 milhões de jovens com 18 a 24 anos de idade. Desse grupo, seis milhões não concluíram o ensino médio.

Outros quatro milhões completaram esse ciclo, mas não conseguem trabalho, explica Naércio Menezes Filho, diretor do Centro de Pesquisa Aplicada à Primeira Infância do Insper e professor da USP.

Na avaliação do pesquisador, metade da mão de obra nessa faixa etária hoje não está preparada adequadamente para o mercado de trabalho, o que é um limitador para a autonomia pessoal dos jovens, mas também para a produtividade do país.

— Numa comparação com um jogo de futebol, é como se o Brasil entrasse em campo para enfrentar a França, por exemplo, só com seis jogadores. Os outros foram perdidos no caminho porque aproximadamente metade não tem preparo para entrar no mercado de trabalho. São jovens que não vão empreender, não vão inovar, não vão ajudar a desenvolver a economia — destaca.

Guilherme Dias, da plataforma de recrutamento Gupy, diz que não há “bala de prata” para resolver essa situação:

— As empresas terão de ser protagonistas, porque não dá tempo de esperar as pessoas chegarem prontas ao mercado. É preciso criar conjuntos de treinamento. Às vezes, vale a pena rebaixar a vaga para não ficar sem o profissional, contratando alguém com potencial para chegar ao que se quer com mais agilidade.

Danielle Lemos, coordenadora de Treinamento e Desenvolvimento da rede de supermercados Mundial, diz que, nesse cenário, a empresa tem a vantagem de não impor restrições curriculares para contratar para posições operacionais. A empresa foca em habilidades sociais e investe em treinamento para as funções.

— No varejo de alimentos, ampliamos contratações na pandemia. Como focamos em competência comportamental e possibilidade de ir além, não temos problema. Se só buscássemos ensino médio completo, não teria gente — ela reconhece. — Aqui, entra na base da pirâmide e vamos qualificando sempre, o que pode demandar outros requisitos adiante. Agora há ainda mais esforço em treinamento.

Ônus demográfico

Para o pesquisador Marcelo Neri, diretor da FGV Social, investir em treinamento e qualificação é uma forma de as empresas compensarem as perdas recentes, sabendo que esse prejuízo ocorre na entrada do país no chamado ônus demográfico.

É uma situação oposta à da vantagem produtiva que o país tinha há até pouco tempo, em que um grande contingente de jovens caracterizava um bônus demográfico. Com o envelhecimento acelerado da população, a tendência é que as empresas tenham cada vez mais dificuldade de contratar jovens para posições de entrada.

— Estão faltando jovens. Estamos entrando numa fase de ônus demográfico, fenômeno global, porém mais acelerado no país. No pós-pandemia, as empresas estão vendo, na prática, a redução acelerada do número de jovens. Faltam jovens em quantidade e, principalmente, na qualidade desejada pelas empresas. A pandemia vai deixar cicatrizes no mercado de trabalho. Os menos qualificados estão tendo maior dificuldade para trabalhar — destaca Neri.

As empresas sempre funcionaram como um espaço de compensação das deficiências escolares, com o treinamento de jovens por meio de estágios, programas de aprendizes e empregos de entrada. No entanto, apontam os especialistas, a pandemia também reduziu esse tipo de oportunidade de iniciação. No auge das restrições, em 2020, o desemprego entre trabalhadores com ensino médio incompleto chegou a 24,1%.

Neri sublinha que a lacuna de experiência e aprendizado prático se aprofundou na pandemia, impedindo que o jovem vivenciasse o “aprender fazendo”. Não por acaso, como o IBGE divulgou na última sexta-feira, a parcela de jovens entre 18 e 24 anos que não estudam nem trabalham — os chamados nem-nem — é de 31,1% no Brasil.

André Barros, sócio da empresa de eventos Party Industry, elegeu a “sagacidade” pessoal como principal qualidade para selecionar colaboradores. Entre a Copa do Mundo e o réveillon, a empresa dele está organizando 60 eventos. Cada um deles mobiliza, em média, 600 profissionais, entre empregos diretos e indiretos.

— Está muito difícil achar cenógrafos e produtores bons para trabalhar. A gente não acha mão de obra. Na pandemia, perdemos muitas pessoas para outros setores. A gente não tem feito distinção quanto a ter faculdade. O que vale é o grau de experiência da pessoa, ter habilidade de resolver adversidades que surgem no meio de um evento. Mesmo assim, faltam profissionais, e olha que a remuneração chega a R$ 5 mil por evento — diz o empresário.

A crise no mercado de trabalho, por outro lado, abre oportunidade para os mais qualificados, como Glauber Hilário, de 29 anos, há um mês trabalhando como instrutor de esportes no Hotel Nacional. A experiência dele e o currículo com curso superior fizeram diferença.

— Há seis anos não trabalho com carteira assinada. Tenho uma empresa de eventos, mas o setor retraiu na pandemia, mas sei lidar com pessoas e sou formado em educação física e dança, então juntei o útil ao agradável para crescer — diz.

Política educacional

Enquanto as empresas tentam compensar deficiências da mão de obra com treinamento, Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco e professor da Fundação Dom Cabral, avalia que é preciso que a política educacional do novo governo tenha, de imediato, estratégias para acelerar a compensação das perdas da pandemia, da recomposição de aprendizagem ao uso de bolsas para fixar os jovens na escola.

— As empresas, ao lidarem com esses jovens mais punidos pelo descaso da política do Ministério da Educação (na pandemia), terão de ter processos de acolhimento mais atentos, mais cursos, investir em treinamento e desenvolvimento de carreira — pontua o especialista.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2022/12/empresas-tem-dificuldade-de-contratar-ate-para-posicoes-de-menor-qualificacao.ghtml

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Como a inteligência artificial generativa vai impactar o futuro do trabalho

O que é IA generativa e o que ela significa para o futuro de nossos empregos


Erol Toker – Fast Company Brasil – 01-12-2022 | 

A inteligência artificial generativa está se tornando a nova menina dos olhos do Vale do Silício. Especialistas acreditam que em breve ela vai estar presente nos escritórios e em outros locais de trabalho: a Sequoia Capital, empresa focada em investimentos de alto risco, prevê que até 2023 a IA generativa será capaz de reunir artigos científicos e maquetes de design visual; até 2030, será capaz de escrever, projetar e codificar melhor do que os profissionais humanos das mesmas áreas.

No entanto, ninguém tem uma ideia muito clara de como isso vai se dar.  Depois de ter passado mais de duas mil horas trabalhando com IA generativa e de ter fundado uma empresa que cria bots de IA para transformar o futuro do trabalho, passei a ter certeza de que provavelmente essa tecnologia será a maior impulsionadora da produtividade desde o advento da máquina a vapor. Mas isso só vai acontecer se entendermos tanto o seu potencial quanto as suas limitações.

Para começo de conversa, não há motivos para desespero: não acredito que a IA generativa vai tirar os empregos dos trabalhadores criativos. Contudo, ela mudará a maneira como eles trabalham e onde seu tempo e energia estarão concentrados.

A seguir, formulei algumas perguntas que nos ajudam a compreender o que uma IA generativa pode (e não pode) fazer e como isso afetará a maneira como trabalhamos:

O QUE É IA GENERATIVA?

A IA generativa é essencialmente uma forma muito avançada de texto preditivo. Ela permite que os usuários

A IA generativa mudará a maneira como as pessoas trabalham e onde seu tempo e energia estarão concentrados.

insiram prompts (descrições curtas) de texto e recebam de volta uma obra de arte, uma postagem de blog ou uma resposta sarcástica a uma pergunta. Mas como ela produz essa informação? Ela se tornou autônoma, pegando nossas opiniões e nos entregando algo novo de volta? Ela tem um algoritmo para responder a qualquer entrada possível?

Modelos avançados de IA digeriram centenas de bilhões de palavras. Agora, eles já são capazes de prever as combinações de palavras e frases mais prováveis. Isso permite que a IA generativa sugira qual palavra digitar a seguir. Mas, embora você até possa pedir a ela para contar uma piada, a resposta vai se limitar ao conjunto de dados que foram processados. Portanto, embora os bots de IA pareçam entender as nossas instruções, não é algo comparável à compreensão humana. Funciona mais como um preenchimento automático elaborado.

Por exemplo, se você pegar um bot de IA generativa e fornecer a ele o prompt 2+2 =, ele responderá com “2+2 = 4”. Mas não é porque ele tem um algoritmo interno, como uma calculadora, que processou sua solicitação. Ele apenas deduziu, a partir de todas as informações disponíveis na internet, que a resposta mais provável para 2+2 é de fato 4. Nesse caso específico, a resposta também é factualmente correta.

Embora os bots de IA pareçam entender instruções, não é algo comparável à compreensão humana.

Dito isso, um preenchimento automático muito bom pode ser realmente produtivo. Pode pegar suas ideias, anotações e desenhos mal estruturados e produzir algo bonito a partir disso. Um brainstorming bruto pode se tornar o primeiro rascunho de um artigo. Uma lista de notas estratégicas pode se transformar em um plano de ação. Esses resultados podem até ser fantásticos, mas não são o produto final e não devem ser tratados como tal.

A IA GENERATIVA VAI MUDAR A FORMA DE TRABALHAR?

Em resumo, sim. Mas ela é limitada por natureza.  

O primeiro passo para integrar a IA ao seu local de trabalho é entender suas limitações. Depois de receber bilhões de pontos de dados, a IA tem a inteligência teórica de um adulto, mas seu julgamento da vida real é equivalente ao de uma criança de dois anos. Ou seja, essa tecnologia é muito boa em seguir instruções, mas é péssima em saber quando tomar uma decisão ou se é a coisa certa a fazer.

Por causa disso, a IA generativa de hoje só é confiável para assumir atividades muito bem definidas. E, mesmo assim, apenas com uma estrutura robusta e personalizada para orientá-la e para revisar qualquer conteúdo antes de ser implantado. Se você é um CEO esperando que a IA substitua o pensamento de seu melhor funcionário, saiba que é improvável que isso aconteça tão cedo.

COMO APROVEITAR A IA GENERATIVA?

Acredito que, no curto prazo, a inteligência artificial não substituirá a maioria dos empregos. Mas, ao assumir tarefas que não exigem grande esforço mental, mas que consomem muito tempo, pode liberar espaço no dia para que a pessoa consiga fazer todo o resto que uma IA não pode fazer – coisas que exigem percepção humana de alto nível, empatia e pensamento crítico. Aqui estão três exemplos:

1. Escrita mais rápida

A IA generativa pode acelerar o processo de escrita. Você pode anotar alguns assuntos em sua mensagem principal, executá-la por meio de um programa como o copy.AI e obter em segundos um esboço de postagem com dois terços do caminho andado. Isso significa que sobrará mais tempo para você se aprofundar nas histórias, analisando quais tópicos estão despertando interesse e indo mais ao encontro das pessoas.

2. Melhoria no atendimento ao cliente

As funções voltadas para o cliente também têm vários usos para uma IA generativa. Se um funcionário tiver em mãos uma transcrição de qualquer conversa, uma IA generativa poderá produzir um resumo analítico do que foi dito. Ele pode quebrar elementos como: qual é o principal problema trazido pelo cliente? O que ele deseja de você? A IA consegue rapidamente filtrar os detalhes inúteis de uma conversa.

3. Esboços rápidos para produtos 

Designers de produto podem usar a IA generativa para criar modelos visuais básicos de ideias, sem precisar passar horas na frente de um computador. Ao construir uma estrutura básica nos estágios iniciais, antes do feedback e das modificações, essa tecnologia pode dar mais tempo para os funcionários explorarem os aspectos criativos junto aos clientes.

A IA vai devolver às pessoas um tempo inestimável para fazer o trabalho que realmente importa.

Qual é o denominador comum disso tudo? Quando a IA executa todas essas tarefas altamente necessárias, presume-se que um humano está coordenando e idealizando o trabalho a ser feito. Porque a IA ainda não criou sequer um único pensamento original.

Por outro lado, a contribuição que um funcionário traz é um relacionamento mais profundo com o cliente, traduzindo o entendimento dessas conversas em comandos específicos e claramente definidos que a IA pode ajudar a executar.

Esse é o verdadeiro valor da inteligência artificial generativa no local de trabalho: eliminar tarefas demoradas, que não aproveitam a inteligência dos funcionários, e liberar tempo para os seres humanos fazerem tudo o que é “inautomatizável”: interagir com clientes em potencial, descobrir o que faz os olhos deles brilharem, fazer um brainstorming de soluções inovadoras para suas necessidades individuais.

A IA não substituirá os humanos. Mas vai revolucionar o futuro do trabalho, devolvendo às pessoas um tempo inestimável para fazer o trabalho que realmente importa.


SOBRE O AUTOR

Erol Toker é fundador e CEO da Truly, plataforma de hiperautomação criada para equipes de rendimentos.


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