Dinheiro vira ‘token’ e será programável

Real digital e finanças descentralizadas são previsões para um setor que tende a ser interoperável

Por Danylo Martins — Para o Valor – 19/12/2022

Carlos Augusto de Oliveira, CEO da Certdox: “O mundo caminha para uma sociedade ‘cashless’” — Foto: Divulgação

A maneira de consumir serviços financeiros e de pagamentos vem mudando nos últimos anos, impulsionada por novas tecnologias, regulações e modificações nos hábitos dos clientes. As transações são cada vez mais digitais, e a tendência é que o dinheiro possa, no futuro, ser programável e inteligente.

Essa transformação já vem sendo pavimentada e tende a ganhar força a partir da combinação entre Pix, open finance e real digital, no mesmo compasso em que evoluem tecnologias como blockchain, ‘tokenização’, 5G, inteligência artificial (IA) e internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), além de outras que ainda poderão nascer no meio do caminho.

Na visão de especialistas e executivos do setor, o cenário daqui a alguns anos será de integração e convergência cada vez maior entre as diferentes soluções e plataformas, permitindo transações mais digitais, rápidas, de menor custo e com menos intermediários. “O mundo caminha para uma sociedade ‘cashless’”, observa Carlos Augusto de Oliveira, CEO da fintech Certdox e ex-executivo de bancos como Original e Itaú Unibanco. No futuro, projeta ele, o dinheiro de papel deixará de ter uma função relevante e será substituído, mas não a ponto de desaparecer por completo. “Provavelmente o dinheiro físico vai ser usado de forma irrelevante e marginal, como aconteceu com o cheque.”

O Pix, por exemplo, acelerou a desmaterialização do dinheiro, analisa Bruno Diniz, sócio da consultoria Spiralem. Lançado em novembro de 2020, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central (BC) já movimenta R$ 1 trilhão por mês e é importante instrumento de inclusão financeira. “O próximo passo é termos a programabilidade do dinheiro, e vamos alcançá-la com o real digital”, aponta. Significa permitir, por exemplo, que uma geladeira execute um comando automaticamente para comprar os itens que estão faltando, inclusive com a realização do pagamento.

O caminho até chegarmos a cenas como essa tem diversas etapas. O quadro ainda é de exploração de casos de uso do real digital (a versão brasileira de um CBDC, moeda digital criada por bancos centrais), conta Rodrigo Henriques, diretor de inovação da Fenasbac, a federação dos servidores do BC responsável pela coordenação do Lift Challenge, uma edição especial do laboratório de inovações financeiras e tecnológicas do BC, com foco em avaliar casos de uso do real digital.

Segundo Henriques, a expectativa é iniciar os pilotos no segundo semestre de 2023, fase que deve durar 18 meses e, em sendo bem-sucedida, o real digital será lançado oficialmente entre o fim de 2024 e o início de 2025.

A interoperabilidade entre ativos gerada pela ‘tokenização’, de forma regulada por meio das CBDCs, mudará por completo o que conhecemos por dinheiro, na análise de Guga Stocco, especialista em inovação, um dos criadores da operação digital do Banco Original e hoje cofundador da Futurum Capital, investidora e desenvolvedora de startups. “Quando falamos da tokenização da economia, qual é o grande segredo? Tenho uma infraestrutura única de blockchain, que aceita esse token, que é intercambiável”, explica.

Para Bruno Magrani, presidente da Zetta – associação que representa empresas de tecnologia com atuação no ecossistema de serviços financeiros digitais -, o real digital representará a “terceira onda” na evolução do setor. A primeira é a das fintechs, contribuindo para a inclusão financeira de milhões de brasileiros. A segunda está ligada ao que ele chama de “democratização da infraestrutura do setor financeiro”, com a evolução do Pix e o desenvolvimento do open finance.

“O real digital vai permitir essa terceira onda de digitalização do sistema financeiro ao incluir bens e ativos do mundo real, e será um componente fundamental para a ‘tokenização’ da economia.” Para ele, o real digital será elo entre as finanças tradicionais e as chamadas finanças descentralizadas (DeFi, na sigla em inglês) – nesse universo, os serviços rodam baseados em “contratos inteligentes” (smart contracts) e blockchain, de forma automatizada e sem intermediários.

https://valor.globo.com/publicacoes/suplementos/noticia/2022/12/19/dinheiro-vira-token-e-sera-programavel.ghtml

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Pedra angular da política ocidental após a 2ª Guerra, a paz pelo comércio é uma doutrina que tem perdido muita força ultimamente, por vários motivos

Por Paul Krugman – Estadão/NYT 14/12/2022 

No início do século 20, o autor britânico Norman Angell publicou um livro famoso intitulado “A Grande Ilusão”, que declarava que o progresso econômico e o crescente comércio mundial haviam tornado a guerra obsoleta.

As nações, argumentou ele, não podiam mais enriquecer por meio da conquista: os trabalhadores industriais não podiam ser explorados como os camponeses, e mesmo as pequenas nações podiam prosperar importando matérias-primas e vendendo seus produtos nos mercados mundiais. Além disso, a guerra entre nações economicamente interdependentes seria imensamente custosa até mesmo para os vencedores.

Angell não estava prevendo o fim imediato da guerra, o que era bom para sua credibilidade, já que a carnificina da 1ª Guerra estava chegando. Ele esperava, no entanto, persuadir os políticos a abandonar seus sonhos de glória militar. E uma implicação de sua lógica era que laços econômicos mais estreitos entre as nações poderiam promover a paz.

De fato, a ideia de paz por meio do comércio se tornaria a pedra angular da política ocidental após a 2ª Guerra.

Em minha coluna mais recente, falei sobre o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, que rege o comércio mundial desde 1948. Esse sistema comercial deve sua origem em grande parte a Cordell Hull, secretário de Estado de Franklin Roosevelt, que via o comércio mundial como um força para a paz, bem como para a prosperidade.

O caminho para a União Europeia começou com a criação da Comunidade do Carvão e do Aço. Um de seus objetivos era criar tanta interdependência entre a França e a Alemanha que uma futura guerra europeia seria impossível.

Mas agora, os Estados Unidos, que em grande parte criaram o sistema de comércio mundial, estão impondo novas restrições ao comércio em nome da segurança nacional e afirmando sem rodeios que têm o direito de fazê-lo sempre que quiserem.

Quando o governo Trump fez isso, podíamos considerar uma aberração: Donald Trump e aqueles ao seu redor eram mercantilistas grosseiros sem noção das razões históricas por trás das regras comerciais existentes. Mas você não pode dizer isso sobre os funcionários de Biden, que entendem tanto de economia quanto de história.

Então este é o fim da paz através do comércio? Não exatamente — mas é uma doutrina que tem perdido muita força ultimamente, por vários motivos.

Primeiro, a ideia de que o comércio promove a paz pode ser verdadeira apenas para as democracias. Os Estados Unidos invadiram o México em 1916 em uma tentativa malsucedida de capturar Pancho Villa; tal coisa seria difícil de conceber hoje em dia, com as fábricas mexicanas como partes integrantes do sistema de manufatura americano. Mas estamos igualmente certos de que a integração igualmente profunda de Taiwan no sistema de manufatura da China exclui qualquer possibilidade de invasão?

E, infelizmente, o autoritarismo vem crescendo em muitos países ao redor do mundo há um bom tempo. Isso ocorre em parte porque algumas democracias frágeis entraram em colapso, em parte porque algumas autocracias – especialmente a China – se abriram economicamente, embora não politicamente, e em parte porque algumas dessas autocracias (de novo, especialmente a China) experimentaram um rápido crescimento econômico.

E quanto à ideia de que a crescente integração com a economia mundial seria em si uma força para a democratização? Essa ideia foi um pilar fundamental da diplomacia econômica em algumas nações ocidentais, notadamente a Alemanha, que apostou fortemente na doutrina de Wandel durch Handel — a transformação por meio do comércio.

Mas mesmo uma olhada na Rússia de Vladimir Putin ou na China de Xi Jinping mostra que essa doutrina falhou: a China começou a se abrir para o comércio internacional há mais de 40 anos, a Rússia há 30 anos, mas nenhum dos dois mostra sinais de se tornar uma democracia ou mesmo uma nação com forte estado de direito.

Na verdade, a interdependência internacional pode ter tornado mais provável a guerra em curso na Ucrânia. Obviamente, não é bobagem sugerir que Putin esperava que a Europa aceitasse a conquista de Kiev por causa de sua dependência do gás natural russo.

Mais uma vez, não estou sugerindo que a ideia de paz por meio do comércio esteja completamente errada. A guerra no coração da Europa tornou-se difícil de imaginar graças à integração econômica (embora não na periferia europeia); guerras para garantir o acesso a matérias-primas parecem muito menos prováveis do que antes. Mas o sonho de uma “paz comercial” definitivamente perdeu muito de sua força.

Isso importa muito. Vivemos em um mundo de mercados muito abertos, mas isso não precisava acontecer e não precisa persistir. Não chegamos aqui por causa de uma lógica econômica inexorável: a globalização pode e tem recuado por longos períodos quando perde apoio político.

Tampouco chegamos aqui porque os economistas persuadiram os políticos de que o livre comércio é bom. Em vez disso, a atual ordem mundial reflete em grande parte considerações estratégicas: os líderes, especialmente nos Estados Unidos, acreditavam que um comércio mais ou menos livre tornaria o mundo mais receptivo aos nossos valores políticos e mais seguro para nós como nação.

Mas, agora, mesmo formuladores de políticas internacionalistas, como funcionários do governo Biden, não têm certeza disso. E esta é uma mudança muito grande

https://www.estadao.com.br/internacional/paul-krugman-sera-o-fim-da-paz-atraves-do-comercio/

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Unicórnios brasileiros: saiba quais e o que são essas startups ‘raras’

Por Redação Estadão 19/12/2022 

Apelido para startups avaliadas acima de US$ 1 bilhão foi criado por investidora do Vale do Silício, em 2013; empresas podem conquistar status ao serem compradas, recebendo aportes ou abrindo capital

O Brasil ganhou apenas dois “unicórnios” (startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) de 2022: o banco digital Neon, que levantou US$ 300 milhões em fevereiro; e a startup de meios de pagamento Dock, que atingiu o status após receber um aporte de US$ 110 milhões em maio. Ao todo, o País possui 24 dessas startups bilionárias.

Os dois novos nomes nasceram em um ano de desaceleração no ritmo de crescimento das startups e demissões em massa de milhares de funcionários pelo mundo. Esse cenário é o contrário de 2021, recheado de aportes que, dado o volume de centenas de milhões de dólares, popularizaram as megarrodadas de investimentos.

Mas, afinal, o que é um unicórnio e por que se fala tanto deles nas startups brasileiras?

O que é um unicórnio?

Unicórnios, na mitologia, são criaturas raras e mágicas. Foi o jeito que a investidora Aileen Lee, do fundo americano Cowboy Ventures, encontrou para descrever as startups que conseguem atingir a marca de US$ 1 bilhão em avaliação de mercado. Startup, vale lembrar, é o nome dado a qualquer empresa de base tecnológica e que consegue crescer seu negócio de maneira escalável rapidamente – o que justifica, para muita gente, que sites de comércio eletrônico não são startups, por exemplo, embora essa seja uma discussão cheia de controvérsias. Outra discussão controversa é se uma empresa pode ser chamada de startup se tiver capital aberto na Bolsa.

O que Aileen buscava era achar uma palavra que demonstrasse como é difícil conseguir que uma empresa alcançasse esse porte. Os números da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) exemplificam bem esse espírito: hoje, no País, existem mais de 16 mil startups, mas apenas 24 delas alcançaram o status “raro”.

Nos EUA e na China, ecossistemas mais desenvolvidos e que recentemente tiveram diversos unicórnios, já há quem busque um animal mais raro: “o decacórnio” – apelido dado às startups que alcançam a marca de US$ 10 bilhões em valor de mercado. A rigor, a única empresa brasileira que chegou a essa cotação foi o Nubank – uma vez que Stone e PagSeguro, ambas com capital aberto na Bolsa de valores americana, só alcançaram esse patamar quando já eram listadas.

Quais são os unicórnios brasileiros?

99

Para Veras, venda da 99 foi como ver um filho crescido partindo

Para Veras, venda da 99 foi como ver um filho crescido partindo Foto: Werther Santana/Estadão

O que faz: App de transporte

Quando virou unicórnio: janeiro de 2018

Criada em São Paulo em 2012 pelo trio Paulo Veras, Ariel Lambrecht e Renato Freitas, a 99 se tornou um unicórnio em janeiro de 2018, ao ser adquirida pelo equivalente a US$ 1 bilhão pelo grupo chinês Didi Chuxing. Na época, o pagamento total foi de US$ 600 milhões – a empresa asiática já tinha participações na 99 antes de efetuar a compra. Atualmente, depois da saída da espanhola Cabify do mercado brasileiro, é a maior concorrente do Uber.

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PagSeguro

PagSeguro se tornou popular no mercado com a maquininha Moderninha

PagSeguro se tornou popular no mercado com a maquininha Moderninha Foto: PagSeguro

O que faz: Meios de pagamento

Quando virou unicórnio: janeiro de 2018

Pertencente ao UOL, a empresa de meios de pagamento PagSeguro se tornou um unicórnio brasileiro ao abrir seu capital na bolsa de valores de Nova York. Foi uma das aberturas de capital mais bem sucedidas das companhias brasileiras no exterior: ao final do primeiro dia no mercado, a companhia estava avaliada em US$ 9,2 bilhões.

Nubank

O Nubank está no mercado brasileiro há seis anos

O Nubank está no mercado brasileiro há seis anos Foto: Paulo Whitaker/Reuters

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O que faz: Cartão de crédito e serviços financeiros

Quando virou unicórnio: março de 2018

Ao levantar uma rodada de investimentos de US$ 150 milhões do fundo DST Global, o Nubank revelou ao Estadão que virou um unicórnio – a empresa, alega, no entanto, que já havia chegado a essa avaliação de mercado antes da rodada. Poucos meses depois, subiu a avaliação para US$ 4 bilhões após receber um cheque da chinesa Tencent.

Após ter o crescimento acelerado durante a pandemia de covid-19, a fintech quebrou recordes em 2021: recebeu em junho um aporte de US$ 1,15 bilhão, a maior rodada da América Latina (colocando o “roxinho” como uma das startups mais valiosas do mundo, superior a US$ 40 bilhões); e, em dezembro, abriu capital na Bolsa de Nova York, onde foi avaliada em mais de US$ 50 bilhões, tornando-se o maior banco da América Latina.

Stone

A máquina da Stone: parcerias com Visa e Mastercard

A máquina da Stone: parcerias com Visa e Mastercard Foto: Stone

O que faz: meios de pagamento

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Quando virou unicórnio: outubro de 2018

Fundada pelo carioca André Street em 2012, a Stone se beneficiou de uma mudança regulatória para crescer no mercado brasileiro de maquininhas de cartão de crédito. Foi crescendo pelas beiradas e buscando espaço em um setor controlado pela dupla Rede e Cielo. Ao abrir capital na bolsa de valores de Nova York em 2018, chegou à avaliação de unicórnio.

iFood/Movile

iFood,comprado em 2013 pela Movile de Fabrício Bliosi, vale mais de US$ 1 bilhão

iFood,comprado em 2013 pela Movile de Fabrício Bliosi, vale mais de US$ 1 bilhão Foto: Werther Santana/Estadão

O que faz: delivery de comida e mercado

Quando virou unicórnio: novembro de 2018

Aqui há um caso de 2 em 1: o iFood, que pertence à holding Movile, recebeu em novembro de 2018 um aporte de US$ 500 milhões dos fundos Naspers e Innova Capital, ligado ao bilionário Jorge Paulo Lemann. Com isso, a startup de entregas tornou-se um unicórnio e, de quebra, levou junto a sua dona, a Movile, a se tornar outro. Vale dizer que a Movile, além do iFood, também tem investimentos em startups como Sympla e é dona do Playkids.

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Loggi

Após nova rodada de investimentos,Loggi, do fundador Fabien Mendez, atingiu valor de mercado superior a US$ 1 bilhão

Após nova rodada de investimentos,Loggi, do fundador Fabien Mendez, atingiu valor de mercado superior a US$ 1 bilhão Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O que faz: entregas

Quando virou unicórnio: junho de 2019

Há algo em comum entre as três startups brasileiras que se transformaram em unicórnios em 2019: todas elas alcançaram tal marca graças a investimentos do grupo japonês SoftBank, que abriu um fundo avaliado em US$ 5 bi para o mercado latinoamericano. A primeira delas é a Loggi, fundada pelo francês Fabien Mendez em São Paulo – ele se mudou para o Brasil inspirado pela icônica capa da revista britânica Economist, que mostrou a estátua de Cristo Redentor decolando, em 2009. A startup de entregas levantou US$ 150 milhões em uma rodada liderada pelos japoneses.

Gympass

Priscila Siqueira, CEO da Gympass no Brasil

Priscila Siqueira, CEO da Gympass no Brasil Foto: Gympass

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O que faz: plataforma de benefício corporativo de bem-estar

Quando virou unicórnio: junho de 2019

Uma semana depois da Loggi, foi a vez de a Gympass ganhar o status “mítico”: a empresa recebeu um aporte de US$ 300 milhões liderado pelo SoftBank e pelo General Atlantic, fundo americano com experiência em startups. A startup tem um modelo de negócios ousado: oferece um plano de “assinatura de academias, atividade físicas e serviços de bem-estar” a empresas, que, por sua vez, repassam esse sistema como benefício aos funcionários. Disseminada na América Latina, Estados Unidos e Europa, a startup sofreu com o fechamento de academias durante a pandemia de covid-19, quando começou a apostar em conteúdos exclusivamente digitais, como meditação e personal trainer.

QuintoAndar

Gabriel Braga, cofundador do QuintoAndar, em um dos imóveis reformados: 'Vamos sujar a mão pelos clientes'

Gabriel Braga, cofundador do QuintoAndar, em um dos imóveis reformados: ‘Vamos sujar a mão pelos clientes’ Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O que faz: aluguel de residências

Quando virou unicórnio: setembro de 2019

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Fundado em 2013 pela dupla de empreendedores Gabriel Braga e André Penha, o QuintoAndar faz a intermediação entre proprietários de imóveis e inquilinos, dispensando a necessidade de seguro-fiança, fiador ou caução. A startup do ramo imobiliário irou unicórnio ao receber US$ 250 milhões em uma rodada liderada pelo SoftBank e pelo fundo americano Dragoneer. Nesse mesmo ano, o QuintoAndar entrou no segmento de compra e venda de imóveis.

Ebanx

Voigt, Ruiz e del Valle: trio de formações diferentes fundou a Ebanx em 2012, em Curitiba

Voigt, Ruiz e del Valle: trio de formações diferentes fundou a Ebanx em 2012, em Curitiba Foto: Denis Ferreira Neto/Estadão

O que faz: processadora de pagamentos internacionais

Quando virou unicórnio: outubro de 2019

Primeiro unicórnio da região Sul, o Ebanx permite que empresas estrangeiras (como Spotify, Airbnb e AliExpress) vendam produtos e serviços a brasileiros, cobrando em moeda local. Fundada em 2012, em Curitiba, pelo trio Alphonse Voigt, João del Valle e Wagner Ruiz, a empresa já tem mais de 600 funcionários e atua em vários países da América Latina, como México, Chile, Colômbia, Argentina e Uruguai. Virou unicórnio ao receber um novo aporte do fundo de private equity FTV, do Vale do Silício.

Wildlife

Arthur Lazarte, de 35 anos: engenheiro aeroespacial deixou BCG para criar estúdio de games na casa dos pais, em 2011

Arthur Lazarte, de 35 anos: engenheiro aeroespacial deixou BCG para criar estúdio de games na casa dos pais, em 2011 Foto: Wildlife

O que faz: games para dispositivos móveis

Quando virou unicórnio: dezembro de 2019

Fundada em 2011, em São Paulo, ainda como Top Free Games (TFG), o estúdio Wildlife é um dos unicórnios brasileiros de trajetória mais discreta: alcançou a avaliação de mercado de US$ 1,3 bilhão após receber um aporte do Benchmark Capital (conhecido por investir em Uber, Twitter e Snapchat), em sua segunda rodada na história. Criada pelos irmãos Victor e Arthur Lazarte na casa dos pais, com investimento inicial de US$ 100, a empresa faz jogos gratuitos para celular, mas fatura com microtransações – venda de itens cosméticos ou que melhoram o desempenho do jogador nas partidas. Com games populares como Sniper 3D, Colorfy e Tennis Clash, os produtos frequentam o ranking dos mais baixados, no iOS e no Android, em mais de 100 territórios diferentes.

​Loft

Florian Hagenbuch e Mate Pencz, fundadores da Loft; startup se tornou o novo unicórnio brasileiro

Florian Hagenbuch e Mate Pencz, fundadores da Loft; startup se tornou o novo unicórnio brasileiro Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O que faz: compra, reforma e venda de imóveis residenciais

Quando virou unicórnio: janeiro de 2020

Fundada em agosto de 2018 por Mate Pencz e Florian Hagenbuch, criadores também da gráfica digital Printi, a Loft usa tecnologia para dar novo gás a um negócio antigo: comprar, reformar e vender apartamentos. A proptech (como são chamadas as startups do mercado imobiliário) começou em três bairros de São Paulo e, hoje, mira a expansão pelo Brasil e pela América Latina, onde começa a embarcar no México depois da aquisição da mexicana TrueHome.

Vtex

Mariano Gomide de Faria, cofundador e copresidente executivo da Vtex: clientes em mais de 40países

Mariano Gomide de Faria, cofundador e copresidente executivo da Vtex: clientes em mais de 40países Foto: Vtex

O que faz: serviços para e-commerce

Quando virou unicórnio: setembro de 2020

Fundada em 2000, no Rio de Janeiro, a empresa de Mariano Gomes de Faria é dona de um sistema que permite às marcas criarem suas lojas online. Hoje, a empresa tem 3 mil clientes em mais de 40 países diferentes, cuidando das operações de e-commerce de marcas como Samsung, Whirlpool, C&A, Saraiva e O Boticário. Virou unicórnio ao receber uma rodada de aportes de R$ 1,25 bilhão, liderada pelos fundos Tiger Global, Constellation e Lone Pine Capital.

Creditas

Sergio Furio, fundador e presidente executivo da Creditas

Sergio Furio, fundador e presidente executivo da Creditas Foto: Taba Benedicto/Estadão

O que faz: crédito com base em garantias

Quando virou unicórnio: dezembro de 2020

Em 2012, o espanhol Sergio Furio trabalhava em Nova York em uma grande consultoria. Decidiu largar tudo e vir para o Brasil sem falar uma palavra de português para tentar mudar o mercado de crédito local. Meses depois, nascia a

Em 2012, o espanhol Sergio Furio trabalhava em Nova York em uma grande consultoria. Decidiu largar tudo e vir para o Brasil sem falar uma palavra de português para tentar mudar o mercado de crédito local. Meses depois, nascia a BankFácil, que apostou no empréstimo com garantias (como uma casa, um automóvel) para deslanchar. Em 2017, a empresa mudou de nome: virou a Creditas. De lá para cá, a startup cresceu sua proposta de serviços – hoje, oferece também crédito consignado privado e benefícios corporativos, além de serviços para consumidores, como reformas atreladas ao crédito. Em 2019, chegou perto de virar unicórnio com rodada liderada pelo pelo SoftBank, elevando o valuation para US$ 750 milhões. No apagar das luzes de 2020, um novo aporte (de US$ 255 milhões, liderado por fundos de private equity) fez a empresa ser avaliada em US$ 1,75 bilhão, entrando no seleto clube das criaturas mágicas.

MadeiraMadeira

Marcelo Scandian, Daniel Scandian e Robson Privado, fundadores da MadeiraMadeira

Marcelo Scandian, Daniel Scandian e Robson Privado, fundadores da MadeiraMadeira Foto: MadeiraMadeira

O que faz: e-commerce de produtos para o lar

Quando virou unicórnio: janeiro de 2021

A quarentena forçou muita gente a ficar em casa, o que acabou impulsionando alguns novos hábitos. Reformas e investimentos no lar ganharam força – afinal, a casa virou também escritório e escola. Ao mesmo tempo, o comércio online foi impulsionado. Não é coincidência, portanto, que o primeiro ‘unicórnio’ brasileiro de 2021 esteja ligado a essas duas novas tendências. Especializada em venda online de material de construção e móveis, a startup curitibana MadeiraMadeira anunciou em janeiro de 2021 que o seu valor de mercado superou a marca de US$ 1 bilhão, após receber um aporte de US$ 190 milhões liderado pelo Softbank e pela gestora de fundos de ações Dynamo.

Hotmart

João Pedro Resende é o CEO e cofundador da startup mineira Hotmart, avaliada em mais de US$ 1 bilhão

João Pedro Resende é o CEO e cofundador da startup mineira Hotmart, avaliada em mais de US$ 1 bilhão Foto: Magê Monteiro

O que faz: plataforma de criação e venda de cursos online

Quando virou unicórnio: fevereiro de 2020 (divulgação em março de 2021)

Um unicórnio misterioso veio à tona em março de 2021. A startup mineira Hotmart, depois de mais de um ano escondendo o título, confirmou pela primeira vez que já havia atingido em 2020 a avaliação superior a US$ 1 bilhão. Fundada por João Pedro Resende e Mateus Bicalho em 2011, a Hotmart ajuda criadores de conteúdo a monetizarem produtos na internet, criando e vendendo conteúdos digitais como cursos online, e-book e clube de assinaturas. Segundo Resende, a empresa optou mesmo por ser discreta em relação ao posto de unicórnio. “É o jeito mineiro de fazer negócios, não gostamos de fazer muito alarde desnecessário”, disse ele ao Estadão.

Mercado Bitcoin

Os irmãos Gustavo e Maurício Chamati são os fundadores da startup Mercado Bitcoin, especializada na comercialização de criptomoedas

Os irmãos Gustavo e Maurício Chamati são os fundadores da startup Mercado Bitcoin, especializada na comercialização de criptomoedas Foto: Divulgação/Mercado Bitcoin

O que faz: plataforma de comercialização de criptomoedas

Quando virou unicórnio: julho de 2021

O Mercado Bitcoin, do grupo 2TM, virou unicórnio em julho de 2021, ano em que critpmoedas começam a ganhar espaço nas transações de grandes empresas, mais interessadas em novas formas de ativos descentralizados e totalmente digitais. À época, após aporte de US$ 200 milhões liderado pelo fundo japonês Softbank, a startup estava avaliada em US$ 2,2 bilhões. Fundada em 2011, a plataforma funciona como uma casa de câmbio, mas de moedas digitais, como bitcoin, doge, ethereum e pax, pelas quais podem ser trocadas por reais.

Unico

Diego Martins, presidente da startup Unico

Diego Martins, presidente da startup Unico Foto: Unico

O que faz: autenticação digital de identidade

Quando virou unicórnio: agosto de 2021

Criada em 2007 em São Paulo, a Unico, antes conhecida como Acesso Digital, tem cerca de 800 negócios como clientes no Brasil, entre eles Magazine Luiza e Banco Original. A startup tem apostado no desenvolvimento de tecnologias próprias para acelerar o crescimento. Além de aprimorar as soluções de biometria facial e assinatura eletrônica, a Unico desenvolve uma tecnologia que reconhece se, no momento da autenticação de um documento em uma abertura de conta digital, por exemplo, a foto foi tirada naquele momento ou se era uma imagem antiga em mãos de um fraudador. Tornou-se unicórnio em agosto de 2021, após aporte de R$ 625 milhões, liderado pelos fundos General Atlantic e Softbank.

Frete.com (antiga Cargo-X)

Federico Vega, fundador e presidente da Frete.com, antiga CargoX

Federico Vega, fundador e presidente da Frete.com, antiga CargoX Foto: Felipe Rau/ Estadão

O que faz: plataforma para transportadoras e caminhoneiros

Quando virou unicórnio: novembro de 2021

Conhecida como o “Uber dos caminhões”, a CargoX conecta transportadoras a caminhoneiros para o transporte de carga em todo o País, além de monitorar o trajeto com geolocalização. O segmento em que atua foi fortemente impactado pela pandemia de covid, que agravou o cenário de baixa atividade econômica no Brasil — motivo pelo qual a startup decidiu colocar o pé no acelerador, tendo recebido US$ 445 milhões em dois diferentes aportes em 2020. Em novembro do ano seguinte, tornou-se unicórnio ao receber cheque de outros US$ 200 milhões da chinesa Tencent e do japonês Softbank. A partir de então, a companhia passou a se chamar Frete.com.

CloudWalk

Luis Silva é o fundador e presidente executivo da CloudWalk, startup de maquininhas de pagamentos

Luis Silva é o fundador e presidente executivo da CloudWalk, startup de maquininhas de pagamentos Foto: Divulgação/CloudWalk

O que faz: startup de meios de pagamento

Quando virou unicórnio: novembro de 2021

A CloudWalk é concorrente direta de outros dois unicórnios brasileiros mais antigos, o PagSeguro e a Stone, do ramo de maquininhas de pagamento, por onde consumidores podem passar cartões para efetuar transações em estabelecimentos comerciais. O diferencial da startup, no entanto, está no uso da tecnologia blockchain (principal aposta do mercado financeiro para os próximos anos), por onde a companhia consegue reduzir custos e tempo de operação, principal atrativo para fisgar novos lojistas. A CloudWalk tornou-se unicórnio após receber o segundo aporte em 2021, de US$ 150 milhões, elevando a avaliação de mercado para US$ 2,15 bilhões.

Daki

Fundadores da Daki: Rafael Vasto, Rodrigo Maroja e Alex Bretzner

Fundadores da Daki: Rafael Vasto, Rodrigo Maroja e Alex Bretzner Foto: Daki

O que faz: startup de entrega ultrarrápida de mercado

Quando virou unicórnio: dezembro de 2021

A Daki, especializada em delivery de itens de mercado em até 15 minutos, tornou-se unicórnio com 10 meses de vida ao receber aporte de US$ 260 milhões. O cheque impulsiona a startup em um setor com diversos gigantes, como iFood, Rappi e Uber Eats — o diferencial da Daki, no entanto, é o uso de dark stores (lojas ocultas

de clientes com estoque) estrategicamente posicionados pela cidade para acelerar as entregas. Ao contrário dos rivais, a startup aposta em um modelo mais “verde”, com pegada de carbono reduzida, diminuição do uso de plástico em sacolas e tentando valorizar os entregadores por meio de áreas de descanso e remuneração por tempo à disposição.

Olist

Olist, de Tiago Dalvi,ultrapassa avaliaçãode US$ 1 bilhão

Olist, de Tiago Dalvi,ultrapassa avaliaçãode US$ 1 bilhão Foto: Divulgação

O que faz: startup de comércio eletrônico

Quando virou unicórnio: dezembro de 2021

Uma das favoritas para se tornar unicórnio em 2021, a Olist conquistou o título nos 45 minutos do segundo tempo, em dezembro, quando levantou cerca de US$ 186 milhões (cerca de R$ 1 bilhão), oito meses após fechar outra rodada de R$ 454 milhões. Fundada em Curitiba em 2015, a companhia nasceu como uma “digitalizadora” de lojas físicas em marketplaces conhecidos, como Amazon e Mercado Livre. Em 2021, porém, ganhou musculatura para atender lojistas nas mais diversas etapas: logística, serviços financeiros e gestão corporativa. Para os anos seguintes, pretende fazer expansão internacional, começando pelo México.

Facily

Diego Dzodan é cofundador da Facily, startup de hipermercado digital com compras coletivas

Diego Dzodan é cofundador da Facily, startup de hipermercado digital com compras coletivas Foto: Facily

O que faz: hipermercado digital de compras coletivas

Quando virou unicórnio: dezembro de 2021

Diego Dzodan largou o cargo de vice-presidente do Facebook na América Latina (pelo qual chegou a ser preso preventivamente por se negar a compartilhar dad

os de usuários com a Justiça brasileira) para fundar em 2018 a Facily, startup que atua como um hipermercado digital de compras coletivas para baixar preços a consumidores das classes C, D e E. Por somar mais de 151 mil queixas de clientes, a plataforma quase chegou a ser suspensa pelo Procon-SP, com quem a companhia firmou um acordo no qual concorda em baixar as reclamações em 80%, investir no próprio Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) e ser multada em R$ 1 mil para cada objeção sem resolução. Pouco depois, em dezembro, ao levantar mais US$ 135 milhões, tornou-se unicórnio, com planos de expansão para mais cidades do Brasil e teste de operação no México e Colômbia.

Neon

Pedro Conrade, fundador da Neon

Pedro Conrade, fundador da Neon Foto: Daniel Teixeira/Estadão

O que faz: serviços financeiros

Quando virou unicórnio: fevereiro de 2022

A fintech Neon é o nome que menos causou surpresa ao se tornar unicórnio. Fundada em 2016 por Pedro Conrade, a startup vinha acumulando aportes volumosos desde 2019, mas preferia manter uma postura discreta em relação a avaliação de mercado. O anúncio só veio após um aporte de US$ 300 milhões do grupo bancário espanhol BBVA. O Estadão, porém, apurou que a Neon chegou à avaliação bilionária logo após levantar um aporte de US$ 300 milhões em setembro de 2020, liderado pelo fundo General Atlantic, com participação de investidores como Monashees, Flourish Ventures, PayPal Ventures, Endeavor Catalyst e o próprio BBVA. No momento do anúncio, a empresa exibia números gigantes: 15 milhões de clientes e movimentação de R$ 5,8 bilhões por mês em transações. Com a chegada ao novo status, a Neon enterrou de vez o mais negativo episódio da história: a liquidação extrajudicial do parceiro mineiro Banco Neon (ex-Pottencial), a quem a startup emprestou o nome em uma parceria já desfeita.

Dock

Antonio Soares é presidente executivo e fundador da Dock

Antonio Soares é presidente executivo e fundador da Dock Foto: Karin Marcitello

O que faz: serviços financeiros

Quando virou unicórnio: maio de 2022

Em meio a um trimestre de operações de startups enxutas, a Dock captou US$ 110 milhões para ser o mais novo unicórnio brasileiro — mesmo que não queira ser reconhecido dessa forma. Fundada há mais de 20 anos, com o nome de Conductor, a empresa se reestruturou sob a alçada de startup e atende clientes com foco em serviços de pagamento, crédito, cartões e APIs bancárias para fintechs. De acordo com a startup, já são 300 clientes e cerca de 65 milhões de contas ativas só na América Latina. O aporte entra para a lista dos maiores cheques investidos em startups brasileiras em 2022, atrás apenas de Neon e Credit

https://www.estadao.com.br/link/inovacao/unicornio-brasileiro-startups-raras-bilhao/

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Empregos criativos serão trocados por inteligência artificial?

Não são apenas os trabalhos de natureza repetitiva que estão sob ameaça

Ronaldo Lemos – Folha – 18.dez.2022 

Por muito tempo acreditou-se que a inteligência artificial acabaria com os empregos de natureza repetitiva. Em famoso estudo publicado em 2013, Carl Frey e Michael Osborne defendiam que, quanto mais repetitiva fosse a natureza do trabalho, mais suscetível ele estaria à automação. Listavam trabalhadores da área de serviços de manutenção, transporte e operação de máquinas como altamente prováveis de perder seus empregos nos próximos anos. Já os trabalhadores criativos, segmento em que há operações intelectuais complexas envolvidas, como artistas, músicos, fotógrafos, escritores, desenhistas e outros, teriam probabilidade menor de automação. 

Estamos vendo agora o oposto do que Osborne e Frey previram. São os trabalhadores criativos (e a indústria cultural) que estão em risco de sofrer uma mudança cataclísmica. A razão é o surgimento de modelos de inteligência artificial acessíveis ao público que são capazes de “criar” praticamente qualquer tipo de conteúdo com alguns poucos comandos de texto, gratuitamente ou por um valor significativamente baixo. 

Dentre esses modelos, estão o ChatGPT, o Dall-E, o Stable Diffusion, a Hugging Faces, o AlphaCode e assim por diante. A capacidade desses sistemas é ao mesmo tempo impressionante e assustadora. No ChatGPT, é possível gerar qualquer tipo de texto, bem como pesquisar informações antes impossíveis de serem obtidas de forma automatizada. Por exemplo, perguntei para o ChatGPT quais pratos culinários aparecem citados nos livros de Jorge Amado. Na hora ele soube identificar essas categorias e produzir uma lista coerente: feijoada, moqueca, vatapá, acarajé, bobó de camarão. 

Poderia ter pedido para o sistema escrever qualquer tipo de texto ou ensaio, e a resposta seria na maioria dos casos coerente. O ChatGPT e modelos semelhantes podem substituir uma quantidade avassaladora de trabalho criativo humano. Seja na geração de textos jornalísticos, seja na produção de conteúdo para redes sociais e newsletters, seja no atendimento em call centers, e assim por diante. E, claro, na automação de atividades maliciosas, como criação de fake news, conteúdo inflamatório ou trapaça no mundo educacional. Vai ficar cada vez mais difícil para um professor detectar plágio de alunos usando ChatGPT para fazer suas tarefas em qualquer disciplina (matemática, biologia, geografia etc.). 

O problema não para por aí. Os modelos de inteligência artificial são capazes de gerar qualquer conteúdo. Fotos, desenhos, imagens, músicas, filmes e animações de excelente qualidade. Por exemplo, um dos modelos já é capaz de gerar playlists no Spotify. Você digita o tipo de clima que quer (“Festa de Réveillon só com música brasileira animada”), e a playlist surge na hora. Por um lado, isso democratiza habilidades que antes eram especializadas. 

Por outro, tem o potencial de destruir o valor da criatividade. Por que alguém contrataria um fotógrafo ou compraria imagens de um banco de imagens se posso gerar tudo de graça usando inteligência artificial, com qualidade às vezes melhor do que os conteúdos “reais”? Isso traz também questões, inclusive regulatórias. O Brasil, por exemplo, está discutindo um projeto de lei para regular inteligência artificial. Ele já nasceu obsoleto. Foi feito com base em outros conceitos e preocupações. É praticamente incapaz de lidar com os desafios desses novos modelos que estão entre nós. 

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2022/12/empregos-criativos-serao-trocados-por-inteligencia-artificial.shtml

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Como o TikTok está abrindo caminho para a inovação nas redes sociais

Facebook e Instagram tentam reagir à ascensão do TikTok, mas o modo como eles prendem nossa atenção é alvo de controvérsias

Harry McCracken – Fast Company Brasil – 03-12-2022

A fotógrafa e influenciadora Tati Bruening, de 21 anos, costumava usar o Instagram para postar fotos de si mesma e para mostrar os bastidores de seus ensaios fotográficos para seus 320 mil seguidores. Mas em julho, ela usou o Instagram para fazer um protesto. 

Como no TikTok, Tati começou a ver seu feed repleto de vídeos de pessoas que ela não seguia em seu feed, e se irritou com o esvaziamento do aspecto social que a tinha atraído inicialmente para o Instagram. Ela expressou sua insatisfação em uma postagem que viralizou por toda a plataforma.

“Façam o Instagram ser Instagram de novo” (pare de tentar virar o tiktok, eu só quero ver fotos fofas dos meus amigos.) Atenciosamente, Todo mundo”

Logo ficou claro que esse “Todo mundo” também incluía os superusuários do Instagram Kylie Jenner e Kim Kardashian, que compartilharam o apelo de Bruening com seus 360 milhões e 326 milhões de seguidores, respectivamente. Essa repercussão transformou a aparente crise de identidade do aplicativo em uma notícia global.

Houve um tempo em que parecia que o Instagram ia se contentar em deixar seus usuários postarem fotos fofas para os amigos. Assim como seu primo Facebook, ele se fundamentava no poder do “engajamento social” – são as conexões que os membros estabelecem uns com os outros que tornam a rede exponencialmente mais valiosa, conforme mais usuários se juntam e compartilham conteúdo com pessoas que conhecem.

A Meta, empresa que comanda o aplicativo, intensificou seu controle sobre essas vastas redes de pessoas conectadas – quase três bilhões no Facebook, mais de dois bilhões no Instagram – com a intenção de se tornar uma gigante do negócio de publicidade online, perdendo apenas para o Google.

Acontece que a Meta começou a enxergar no TikTok um novo rival ameaçador. Em setembro de 2021, a proprietária do TikTok, a chinesa ByteDance, anunciou que o aplicativo atingiu um bilhão de usuários mensais no mundo. A ByteDance não revelou nenhum número oficial desde então, mas está claro que o TikTok ainda está crescendo.

Crédito: ByteDance/ Divulgação

A Meta reconhece o tamanho da ameaça. Em fevereiro, quando a empresa divulgou que a base de usuários ativos do Facebook havia diminuído pela primeira vez, o CEO Mark Zuckerberg também apontou o crescimento do TikTok. Ele ainda mencionou o Reels – o recurso de vídeos curtos da Meta que claramente se assemelha ao TikTok – como uma estratégia crucial para o futuro do Facebook e do Instagram.

FOR YOU

A ascensão do TikTok e a reação da Meta levantam questões que antes eram improváveis. E se os enormes gráficos sociais do Facebook e do Instagram tiverem perdido sua vantagem esmagadora? Será que esses aplicativos serão capazes de evoluir adotando uma direção mais semelhante à do TikTok, mas sem perder o apelo responsável por tê-los tornado gigantes?

E o que acontece com uma rede social quando a empresa que a controla luta publicamente contra a essência de sua própria proposta inicial? As respostas a essas perguntas podem redefinir nossa vida online – nos aplicativos da Meta e para além deles.

Escritório da ByteDance em São Paulo (Crédito: ByteDance/ Divulgação)

Aparentemente, o TikTok não é tão diferente assim do Facebook, do Instagram ou de outros aplicativos sociais que conhecíamos. Ele oferece outra maneira de matar o tempo percorrendo pequenas porções de conteúdo gerado pelos usuários. Mas há uma diferença fundamental.

O feed padrão do TikTok, chamado For You (Para Você), não é determinado pelo que as pessoas que você segue estão postando. Isso porque simplesmente reunir esse material em um feed não garantiria uma experiência satisfatória: é provável que seus amigos postem muitos conteúdos pelos quais você não se interessa. 

O algoritmo For You é um loop de feedback que exibe incansavelmente vídeos de que você pode gostar com base naquilo que assistiu antes, independentemente de quem os criou. Essas recomendações puramente algorítmicas são um sistema de entrega altamente eficaz para administrar as pequenas doses de dopamina que mantêm os usuários grudados em suas telas.

Quando um aplicativo remove as conexões estritamente sociais da equação, ele ajuda a “garantir que, se você receber um conteúdo, há uma grande chance de ele conquistar sua atenção”, diz Michael Mignano, sócio da empresa de capital de risco Lightspeed.

A prova do poder dessa abordagem está na popularidade do TikTok. De acordo com o Pew Research Center, 67% dos adolescentes norte-americanos agora usam o aplicativo, contra 62% que usam o Instagram e apenas 32% que usam o Facebook. Em 2014-2015, antes do TikTok existir, 71% dos adolescentes ainda usavam o Facebook.

PARA ONDE VAI O DINHEIRO

Mas, para a Meta, o problema vai além dessas estatísticas frias. O consumo solitário do feed do TikTok está se sobrepondo ao contato humano do Facebook e do Instagram. Esse é um sinal preocupante de que a era dos gráficos de engajamento baseados em conexões interpessoais pode ter ficado para trás, já que a próxima geração se relaciona com o conteúdo escolhido pela ciência da computação – e não por seus amigos.

Essa tendência pode ajudar o TikTok a absorver as verbas da publicidade online da Meta: a eMarketer estima que o TikTok lucrou US$ 3,88 bilhões com anúncios em 2021, em comparação com US$ 115 bilhões da Meta, e prevê que chegará a US$ 23,6 bilhões em receita de anúncios até 2024. A Meta registrou seu primeiro declínio na receita no segundo trimestre de 2022, seguido por outro no terceiro.

Escritório da ByteDance em Londres (Crédito: ByteDance/ Divulgação)

A Meta sempre enfrentou novos concorrentes copiando descaradamente as suas ideias – uma estratégia que muitas vezes valeu a pena, como quando o Instagram clonou com sucesso o recurso “Stories” do Snapchat. Nos últimos meses, ela aumentou drasticamente o impacto dos Reels no Instagram e no Facebook.

Em uma tática igualmente crucial, a empresa adotou o conceito de “mecanismo de descoberta” — um feed que não é totalmente moldado pelas contas que os usuários escolheram seguir. Isso deu a ambas as plataformas liberdade para incorporar recomendações puramente algorítmicas.

Mas a “TikTok-ização” das redes sociais da Meta é uma jogada arriscada. A empresa acabou desistindo de ir adiante em uma versão-teste centrada em vídeos para o Instagram assim que Kim Kardashian e Jenner se posicionaram contra a mudança.

A diretora de gerenciamento de produtos do Instagram, Tessa Lyons, defende que, de qualquer forma, esse foi um experimento produtivo: “ele serviu ao seu propósito. Provamos algumas de nossas hipóteses e refutamos outras, e seguimos em frente.”

Lyons afirma que a empresa está “fazendo um avanço muito rápido” em direção a algoritmos cujos itens recomendados são bem aceitos pelos usuários. Se ela atingir esse objetivo com uma regularidade semelhante à do TikTok, a angústia sobre as mudanças nos feeds do Facebook e do Instagram pode se dissipar. Como ela diz: “Ninguém reclama de ver conteúdos que curte”. 

A Meta pode até conseguir se proteger da ameaça do TikTok, mas o desafio é não se perder de seus princípios no caminho. Mesmo atravessando todas as inúmeras controvérsias, a empresa manteve sua missão de “[dar] às pessoas o poder de construir comunidades e aproximar o mundo”.

Até mesmo a pesada aposta no metaverso parte do princípio de que os seres humanos vão querer interagir uns com os outros em mundos virtuais 3D. Só que vencer essa guerra algorítmica para mantê-los viciados em vídeos curtos tem pouco a ver com construir uma comunidade.

Evento do TikTok para criativos no Brasil (Crédito: ByteDance)

Se os maiores aplicativos estão avançando “na direção da mídia de recomendação e para longe das mídias sociais, é fácil prever que há uma chance de que a próxima grande rede social esteja sendo construída agora”, diz Mignano. “Há uma janela de oportunidades para algum ator novo ter sucesso.”

Onde quer que a Meta chegue depois de tantas alterações na fórmula por trás de seus feeds, é fato que seu domínio de longo prazo do cenário social tem prejudicado a inovação. Na verdade, sua onipresença tem desencorajado os novatos a buscar ideias que possam bater de frente com sua hegemonia.

Contudo, se a ameaça do TikTok sobre o Facebook e o Instagram deixa todos os seus aplicativos cada vez menos sociais, pode ser que as startups comecem a se sentir menos intimidadas com a perspectiva de competir em seu território tradicional. Em vez de marcar o fim da era das redes sociais, talvez a guerra entre as gigantes possa desencadear algo mais inesperado e intrigante: um novo começo.


SOBRE O AUTOR

Harry McCracken é editor de tecnologia da Fast Company baseado em San Francisco. Em vidas passadas, foi editor da Time


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Número de brasileiros com ensino superior morando nos Estados Unidos bate recorde em 2022

De acordo com levantamento da AG Immigration, escritório de advocacia imigratória, só no último ano foram concedidos 1.983 vistos EB-1 e EB-2 para brasileiros, o maior índice de autorizações da história

Luciana Lima – Exame – 14/12/2022

O número de profissionais brasileiros qualificados que deixaram o Brasil rumo aos Estados Unidos bateu recorde em 2022.

Segundo um levantamento da AG Immigration, escritório de advocacia imigratória sediado em Washington, D.C, a quantidade de brasileiros com nível superior que obtiveram o green card americano aumentou mais de 13 vezes no ano fiscal de 2022 em comparação com o mesmo período de 2021.

O levantamento, realizado com base em números oficiais do governo americano, levou em consideração as principais categorias de visto EB, autorização destinada a profissionais considerados com habilidades e carreiras acima da média.

De acordo com os dados, 147 brasileiros receberam o visto em 2021. Em 2022, esse número saltou para 1.983 – o maior da história.

Os dados são referentes ao ano fiscal americano, período que se inicia em 1º outubro de um ano e termina em 30 de setembro do ano seguinte, forma por meio da qual o governo dos EUA calcula o orçamento e define as políticas públicas.

O que são os vistos EB-1 e EB-2?

Os vistos EB-1 e EB-2 foram criados na década de 1990 para atrair trabalhadores qualificados para os EUA, fazendo com que contribuam para o desenvolvimento científico, econômico e cultural do país.

Ambos os vistos têm critérios de elegibilidade que exigem, via de regra, que o profissional estrangeiro comprove ampla experiência na área em que atua e pelo menos uma pós-graduação, embora haja exceções.

– (AG Immigration/Divulgação)

Segundo o advogado de imigração Felipe Alexandre, a popularidade deles tem causado uma fuga de cérebros do Brasil.

“Enquanto o EB-1 destina-se aqueles profissionais entre os 5% mais talentosos de uma indústria, como um pesquisador renomado, o EB-2 abrange os 15% mais qualificados de uma área, como um engenheiro com mais de dez anos de experiência, um gerente de marketing com passagem em grandes empresas ou um dentista com algum tipo de especialização”, diz Alexandre, sócio-fundador da AG Immigration.

O desejo dos brasileiros pelo visto EB tem crescido de forma significativa nos últimos cinco anos. Em 2017, por exemplo, os EUA concederam 207 green cards deste tipo para brasileiros, praticamente dobrando a quantidade do ano anterior. Em 2018, o número subiu para 379, chegando a 494 em 2019 e 415 em 2020.

Os dados históricos mostram que o patamar registrado em 2022, de 1.983 vistos EB-1 e EB-2 emitidos para brasileiros, supera o somatório dos 19 anos anteriores (2021-2003).

De acordo com Rodrigo Costa, CEO da AG Immigration, isso demonstra uma mudança no perfil de brasileiros que emigraram para os Estados Unidos.

“Se antes havia a predominância dos profissionais menos qualificados academicamente, e inclusive aqueles que entravam de maneira ilegal para trabalhar em subempregos, temos visto quase que uma inversão do cenário nos últimos 20 anos, com cada vez mais pós-graduados, gestores, executivos e pesquisadores sêniores vindo para cá”, afirma Costa.

De acordo com ele, essa mudança no perfil do brasileiro deve-se à expansão do ensino superior nos últimos 20 anos e ao acesso à informação.

“Há um número muito maior de escritórios de imigração hoje em dia, além de inúmeros criadores de conteúdo na internet que divulgam sua rotina nos EUA. Isso estimula mais pessoas a buscarem esse mesmo estilo de vida, dada a influência cultural americana sobre o Brasil”, afirma Costa.

Em 2022, aliás, o Brasil foi o terceiro país que mais teve aprovações nas três categorias principais do visto EB. Em 2021, havia ficado na 11º colocação.

https://exame.com/carreira/numero-de-brasileiros-com-ensino-superior-morando-nos-estados-unidos-bate-recorde-em-2022/

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Globalização está ‘quase morta’, diz o pai da indústria de chips

Giuliano Guandalini – Brazil Journal 12 de dezembro de 2022 

Poucas nações se beneficiaram da globalização mais do que Taiwan, e poucas empresas do mundo se beneficiaram mais da globalização do que a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company – mais conhecida pela sigla TSMC, a maior fabricante dos chips mais avançados disponíveis no mercado.  

Pois o fundador da companhia e “pai” da indústria de chips de Taiwan, Morris Chang, o fundador da TSMC, acaba de decretar a morte da globalização. Ou quase isso. 

 “A globalização está quase morta e o livre comércio está quase morto,” disse Chang. “Muitas pessoas ainda esperam que um dia eles estarão de volta, mas eu não acredito nisso.”  

O fundador da TSCM fez o comentário ao discursar na cerimônia que marcou a entrega dos primeiros equipamentos da fábrica de chips state of the art que a empresa está construindo em Phoenix, no Arizona. Na plateia: o Presidente Joe Biden e dezenas de executivos da indústria de alta tecnologia, incluindo Tim Cook, o CEO da Apple, um dos maiores clientes da TSMC.  

Segundo a agência de notícias japonesa Nikkei Asia, os comentários de Chang partem da constatação de que a disputa geopolítica entre os EUA e a China está dividindo o mundo ao meio, pelo menos no que diz respeito ao desenvolvimento de tecnologia de ponta. As restrições impostas pelo governo americano à transferência de tecnologia dificultam cada dia mais que empresas como a TSMC sejam fornecedoras de companhias chinesas.    

O título da reportagem do New York Times evidencia o que está em jogo: “Em Phoenix, um gigante do chip de Taiwan constrói um hedge contra a China”.  “As empresas e as autoridades dos EUA há muito tempo se preocupam com a dependência em relação a Taiwan, que a China reivindica como seu próprio território,” diz o NYT.  Agora esse hedge começa a tomar forma no Arizona – e a fábrica será uma proteção tanto para a indústria americana, que reduz a sua dependência em relação a Taiwan, como para a TSMC, que diversifica a sua produção.  

Sintomáticas da nova geopolítica foram as declarações de Tim Cook no evento. “Graças ao trabalho duro de tantas pessoas, poderemos ter o orgulho de ver esses chips estampados com ‘Made in America’. Esse é um momento muito significativo. É a chance dos EUA entrarem nessa nova era da manufatura avançada de ponta”. Inicialmente, a fábrica da TSMC no Arizona envolveria investimentos de US$ 12 bilhões para a construção de uma unidade de produção. 

Agora a companhia confirmou que erguerá no local uma segunda unidade – e com tecnologia ainda mais avançada. O capex vai chegar a US$ 40 bilhões.  Será a primeira fábrica de chips dos EUA apta a fabricar chips de 3 nanômetros, os menores e mais avançados do mercado. Prevista para entrar em operação em 2026, essa planta possibilitará que pela primeira vez seja produzido em solo americano aquilo que existe de mais sofisticado na tecnologia de microprocessadores, reduzindo a dependência em relação aos fornecedores na Ásia. 

O tamanho em nanômetros se refere à distância entre os transistores de um chip – quando menor o número, mais poderoso tende a ser o processador. Por serem os ‘cérebros’ dos aparelhos eletrônicos, esses chips são vitais para a tecnologia de smartphones, veículos autônomos, supercomputadores e inteligência artificial, e até nos teclados da Yamaha. A primeira fábrica da TSMC produzirá chips de 4 nanômetros, presentes, por exemplo, no iPhone 14 Pro. Um processador desses, capaz de realizar até 17 trilhões de cálculos por segundo, contém 15 bilhões de transistores – e construir um componente de tamanha complexidade é coisa para poucos no mundo, praticamente uma exclusividade do gigante taiwanês. 

Chang, de 91 anos, fez boa parte de sua carreira nos EUA. Em 1987, de volta a Taiwan, fundou a TSMC, que se especializou em fabricar os chips desenvolvidos por outras companhias. Entre seus grandes clientes estão alguns dos principais desenvolvedores fabless, ou seja, sem fábrica, como Apple, AMD, ARM e Nvidia.  

O megainvestimento no Arizona é uma evidência eloquente do onshoring, isto é, o processo de reverter o offshoring e trazer de volta para os EUA a manufatura de itens cuja produção, por décadas, havia sido concentrada no exterior por razões de custo.   Os EUA já foram os maiores fabricantes de microprocessadores do mundo. Mas seu market share hoje é ao redor de 10%, embora o país se mantenha entre os líderes no desenvolvimento da tecnologia no setor. 

Em termos de receita obtida com o design de chips, as empresas americanas tiveram um share de 46% no mercado global no ano passado. É uma parcela expressiva, mas também em declínio. Em 2015, o percentual era de 50%.  

A atração do investimento da TSMC para os EUA e o onshoring da produção de chips são na prática um reequilíbrio de forças na geopolítica. Para os americanos, seria trágico se um fornecedor tão vital para sua indústria de alta tecnologia caísse sob o domínio da China, uma nação que deixou de ser vista em Washington como um parceiro minimamente confiável.  Implícito nesse movimento coordenado pela Casa Branca está o reconhecimento de que Taiwan, a democrática “república rebelde”, poderá em breve ser comandada pelo Partido Comunista Chinês.

Leia mais em https://braziljournal.com/globalizacao-esta-quase-morta-diz-o-pai-da-industria-de-chips/ .

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A incrível história de um país que terceirizou o planejamento

O Estado brasileiro parece ter desistido de definir quem seremos. Não define o que e como quer ser no futuro

Por Horácio Piva, Pedro Passos e Pedro Wongtschowski – Valor – 14/12/2022

Coisas curiosas acontecem neste país tropical. É o Cindes (Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento), e não o Ministério da Economia, que tem o mais completo estudo sobre liberalização do comércio externo brasileiro. É o Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), e não o Ministério de Minas e Energia, que produziu o melhor entendimento sobre transição energética. Os melhores estudos sobre inovação? São da CNI/MEI, da Fiesp e do Iedi, e não do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações. Educação Fundamental – os entendidos estão no “Todos pela Educação”. Educação Profissional e Tecnológica – os especialistas se reúnem na Fundação Itaú. Os grandes estudiosos da área de saúde estão no IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), e não no Ministério da Saúde.

Foram ações do Programa “Todos pela Saúde”, agora um Instituto, que criaram inteligência em entender as particularidades fundamentais da pandemia, e o “Unidos pela Vacina”, que com uma agilidade sem hierarquia e com foco em resultados, ocuparam os espaços vazios criados pela ausência de ação governamental diante do flagelo da covid.

O Estado brasileiro parece ter desistido de definir quem seremos. Não define o que e como quer ser no futuro

No caso da Amazônia, das mudanças climáticas, do uso da terra, da proteção de biomas, os melhores trabalhos estão no Imazon, no Observatório do Clima, no Instituto Arapyaú, no ICS (Instituto Clima e Sociedade), na SOS Mata Atlântica. Queremos acesso a mapas de uso da terra no Brasil, entre 1985 e 2021 com resolução de 30 metros? Não procuremos no IBGE, busquemos no MapBiomas. O mais amplo levantamento sobre o uso de insumos da biodiversidade amazônica para aplicações que vão de produtos artesanais, alimentos funcionais, defensivos a filmes biodegradáveis foi realizado pela WTT – World-Transforming Technologies.

Precisa entender de violência – procure o Instituto Sou da Paz ou o Instituto Igarapé. Curioso sobre alternativas aos programas de responsabilidade social do governo? Dirija-se ao CDPP (Centro de Debate de Políticas Públicas) ou à Casa das Garças. De onde veio a proposta mais sólida de reforma tributária: do CCiF (Centro de Cidadania Fiscal).

Quer conhecer o melhor sistema de acompanhamento de informações sindicais? Não procure o Ministério do Trabalho, vá diretamente ao site do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), entidade criada e mantida pelo movimento sindical brasileiro. Quer conhecer todos os meandros do comércio ilegal do ouro? Selecione entre os estudos do Instituto Escolhas e os do Instituto Socioambiental. Quer conhecer propostas para a política ambiental brasileira em 2023 e 2024? Leia o trabalho “Construindo uma potência ambiental” organizado pelo Observatório do Clima.

Esta é apenas uma lista sumária. Há instituições públicas de excelência planejando o país? Temos o Ipea, a EPE, a Infra SA, a Fiocruz e ainda outras. Há programas eficazes e pessoas capazes no governo, mas que nem sempre operam otimizando seus recursos, com uma orientação clara, um programa de metas e um processo continuado e sistemático de avaliação. É só observar a incrível quantidade de ONGs, associações, Institutos, Fundações e ações individuais e coletivas para se perceber que é o setor privado – majoritariamente instituições sem fins lucrativos – que crescentemente se organiza para pensar o Brasil.

Isto não é todo mau, mas Estado nenhum pode prescindir de planejar o seu futuro. São os eleitores – afinal – que referendam direta ou indiretamente os formuladores das políticas públicas que deveriam organizar o nosso futuro.

O Estado brasileiro parece ter desistido de definir quem seremos. Não planeja, não define o que e como quer ser no futuro. A iniciativa privada, via as ações de mercado de seus atores, deve certamente ter um papel importante a exercer. Mas o Estado não pode abdicar de estabelecer o que e como devemos construir os arcabouços da saúde, educação, inovação, segurança pública, transporte, habitação popular, defesa e tantas outras áreas. A definição da política ambiental, para ficar apenas em mais um exemplo, não é tarefa para o setor privado: é obrigação dos poderes Executivo e Legislativo brasileiro, legitimados pelo voto popular.

Não queremos com isto privilegiar um Estado centralizador e patrimonialista, ao contrário, mas, com sua capacidade radicular e escala nacional, ele tem um papel central a cumprir.

O debate sobre caminhos, depois de um longo processo eleitoral, às vésperas do início de um novo governo, causa a impressão de que estamos partindo de um papel em branco para reinventar o país, impulsionado por um voluntarismo desatento aos erros e acertos do passado e às boas formulações já disponíveis. Talvez fosse o momento de redefinir o papel do Estado no estabelecimento das políticas públicas. A boa notícia é que há inúmeras instituições privadas que podem fornecer subsídios e força de trabalho de muito boa qualidade para que este processo tenha sucesso. A má é que muitas vezes elas são entendidas como inimigas, concorrentes, numa visão tacanha e que desperdiça a capacidade de unir a sociedade em torno de projetos nacionais de prazo mais longo.

É hora de remontar a capacidade de planejar do Estado brasileiro. Mas fazê-lo com cuidado e com sabedoria, usando plenamente os conhecimentos já acumulados por anos de trabalho do setor privado. Fazê-lo criando competências no setor público ao mesmo tempo em que se valoriza o trabalho que inúmeras organizações majoritariamente não-governamentais fizeram e devem continuar fazendo, para termos sempre disponíveis visões alternativas, fonte de valiosos subsídios ao trabalho do planejamento público.

É hora de somar. Aos eleitos, a palavra e a ação.

Horácio Lafer Piva, Pedro Passos e Pedro Wongtschowski são empresários.

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/a-incrivel-historia-de-um-pais-que-terceirizou-o-planejamento.ghtml

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Corning, que criou tela do iPhone, expande fábrica no Brasil de olho no mercado de saúde pós-pandemia

Americana vai produzir em planta no Rio utensílios de alta precisão para laboratórios

Por Rennan Setti – O Globo – 01/12/2022 

Produtos da linha Ciências da Vida da Corning Produtos da linha Ciências da Vida da Corning Divulgação

A Corning, companhia fundada há 171 anos e cujos vidros estiveram em inovações que vão das lâmpadas de Thomas Edison à tela do iPhone, está expandindo sua fábrica no Brasil. A empresa nova-iorquina, que já fazia componentes de fibra óptica em sua unidade no Rio, passará também a fabricar produtos para o mercado de saúde.

A estratégia é explorar a expansão de demanda desencadeada pela crise da Covid e o espaço aberto pela bagunça logística das cadeias globais, que tornou mais atraente a produção local. O investimento na expansão foi de R$ 10 milhões.

A planta em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio — sua única no país — vai produzir plásticos conhecidos como microtubos e ponteiras para micropipetadores. São ferramentas de alta precisão para manipulação de líquidos usadas por laboratórios em pesquisas que incluem a fabricação de vacinas e a análise genômica. Os produtos da Corning desse segmento já eram usados no Brasil por laboratórios como a Fiocruz — inclusive na elaboração da vacina contra a Covid-19 —, mas eram produzidos em fábricas localizadas em China e México.

A expectativa é que a nova linha produza até 254 milhões de peças por ano. Toda a matéria-prima será local, e, por ora, a unidade fornecerá apenas para clientes nacionais.

— Durante a pandemia, o consumo desses itens disparou e houve uma “disrupção” no fornecimento. Isso abre uma oportunidade. Hoje, 95% desses produtos usados no Brasil são importados. Estamos tentando ser mais competitivos que os importados, cujo custo também é impactado por tributação elevada — explicou Flávio Guimarães, presidente da Corning para América Latina e Caribe. — Mas, acima de tudo, enxergamos tendência de crescimento continuado nesse mercado. Em cinco anos, a gente quer crescer cinco vezes nossa participação no segmento.

Fábrica no Brasil após aquisição

Os produtos fabricados no Rio serão da Axygen, uma das marcas da divisão batizada de Ciências da Vida da Corning e que foi comprada por US$ 400 milhões em 2009. Para abrigar sua fabricação, a unidade ganhou uma “sala limpa”, ambiente controlado para evitar contaminação da produção — o que não era necessário na linha de fibra óptica. Cerca de 40 funcionários vão trabalhar diretamente na divisão de saúde. Até então, a fábrica tinha 700 empregados.

A Corning começou a produzir no Brasil há nove anos, quando adquiriu a fabricante de componentes de telecomunicações Bargoa das mãos da espanhola Abengoa.

Em termos de faturamento, a divisão de Ciências da Vida é a menor da Corning, respondendo por 9% dos US$ 3,5 bilhões em vendas registrados no terceiro trimestre. O carro-chefe é o segmento de comunicações ópticas, que responde por 38% do faturamento.

Um telefonema de Steve Jobs

A Corning faturou US$ 14 bilhões no ano passado e vale hoje quase US$ 30 bilhões na Bolsa de Nova York. Fundada em 1851, a companhia teve papel importante em alguns marcos da evolução econômica americana a partir da Segunda Revolução Industrial, da eletrificação ao smartphone.

Foi a Corning que criou os vidros utilizados nas primeiras lâmpadas de Thomas Edison. Mais de um século depois, seu CEO, Wendell Weeks, recebeu uma ligação de Steve Jobs pedindo ajuda em sua nova invenção: um celular sem teclas. O fundador da Apple temia que a tela do novo aparelho ficasse rapidamente arranhada se fosse produzida em plástico e encomendou à Corning uma alternativa em vidro. A fabricante desenvolveu então o Gorilla Glass, que combinava espessura fina com resistência elevada. O vidro acabou na tela do iPhone e, nos anos seguintes, nos displays dos smartphones e tablets “top de linha” das principais fabricantes de eletrônicos do mundo.

https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2022/12/corning-que-criou-tela-do-iphone-expande-producao-no-brasil-de-olho-no-mercado-de-saude-pos-pandemia.ghtml

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Guerra na Ucrânia: como Alemanha deixou de depender de gás russo em poucos meses

Jenny Hill – Da BBC News em Wilhelmshaven (Alemanha) 28 novembro 2022

Quando o presidente da Rússia, Vladimir Putin, fechou as torneiras de gás para a Europa, a Alemanha temeu um inverno atormentado por apagões mais do que qualquer outro país.

Mas as autoridades alemãs foram rápidas em garantir suprimentos alternativos, cientes de que a forte dependência do gás russo havia deixado o motor econômico da Europa consideravelmente exposto.

Hoje, poucos meses depois, as luzes brilham nos mercados de Natal e nota-se um tímido otimismo em meio ao ar temperado com Glühwein (vinho quente).

A estratégia que a Alemanha montou às pressas para sobreviver sem o gás russo parece estar funcionando, pelo menos por enquanto.

“A segurança energética para este inverno está garantida”, disse o chanceler social-democrata Olaf Scholz no Parlamento alemão na quarta-feira (23/11).

Buscando outros fornecedores

As jazidas de gás do país são preenchidas, em parte, por uma frenética — e cara — operação de compra nos mercados mundiais de hidrocarbonetos.

Terminal de GNL

Crédito, Uniper

Legenda da foto,

Rússia usou gás como arma para pressionar UE por seu apoio à Ucrânia e reduziu drasticamente fornecimento a vizinhos ocidentais

Da mesma forma, na costa varrida pelo vento do Mar do Norte da Alemanha, engenheiros acabam de construir, em tempo recorde, seu primeiro terminal de importação de gás natural liquefeito (GNL).

O GNL é o gás natural resfriado na forma líquida para reduzir seu volume e facilitar seu transporte. E volta a se tornar gás ao chegar a seu destino.

Na Alemanha, esse tipo de projeto costuma levar anos, devido à excessiva burocracia. No entanto, as autoridades eliminaram entraves para que a obra fosse concluída em menos de 200 dias.

A parte mais importante do terminal, uma “unidade flutuante de armazenamento e regaseificação” (FSRU), ainda não foi garantida. O FSRU, que é essencialmente um navio especializado no qual o GNL é convertido de volta ao estado gasoso, será alugado por US$ 207.259 (R$ 1,1 milhão) por dia.

Dentro de algumas semanas, petroleiros de países como Estados Unidos, Noruega ou Emirados Árabes Unidos poderão começar a entregar suas cargas no porto de Wilhelmshaven.

A operadora do terminal, a Uniper, que agora é controlada quase inteiramente pelo governo alemão, se recusou a divulgar seus fornecedores, mas reforçou que os contratos já estão em vigor.

Berlim planeja construir outros 5 terminais de GNL. A maioria deve ser concluída no ano que vem.

Empresário alemão Ernst Buchow

Legenda da foto,

Empresário Ernst Buchow admitiu que sua empresa depende do gás, embora espere mudar para um combustível mais verde no futuro

Uma corrida contra o tempo

A poderosa indústria alemã prendeu a respiração enquanto o governo executava sua arriscada estratégia.

“Se não temos gás, temos que fechar o forno”, diz Ernst Buchow, dono de uma olaria a meia hora de Wilhelmshaven, à BBC.

Os tijolos que produz devem ser queimados em um forno gigante a temperaturas de até 1.200 graus Celsius. Num futuro próximo, o empresário espera poder mudar para o hidrogênio verde, mas neste momento ainda está totalmente dependente do gás.

“Não é apenas culpa dos políticos. A indústria queria os contratos de gás russos “, acrescenta.

Há apenas um ano, os acordos com Moscou forneciam à Alemanha 60% do gás consumido, grande parte por meio do gasoduto Nordstream.

Apesar da significativa oposição política e cidadã, o governo esperava colocar em operação o controverso Nordstream 2, que teria dobrado a quantidade de gás russo que chegava à Europa via Alemanha. No entanto, a invasão da Ucrânia enterrou esses desejos.

A agência federal de rede de energia diz que hoje a Alemanha administra sem combustível russo.

Mas, para evitar desabastecimento durante o inverno, seus especialistas dizem que os terminais de GNL devem entrar em operação no início do próximo ano e que o consumo de gás deve ser reduzido em 20%.

Chegar até aqui pode ser considerado uma grande conquista nacional, mas não veio de graça.

Outro lado

A Alemanha, um peso pesado da economia mundial, muitas vezes consegue o que quer. Mas seu novo apetite por GNL está intensificando a demanda global.

E isso pode colocar países mais pobres como Bangladesh e Paquistão em uma posição vulnerável.

“Existem muitos países, especialmente economias emergentes, que estão fora do mercado e não podem mais se abastecer com o GNL de que precisam, porque têm menos poder aquisitivo do que a Alemanha”, diz o professor Andreas Goldthau, da Escola Willy Brandt de Relações Públicas na Universidade de Erfurt, na Alemanha.

Goldthau alerta que isso coloca essas nações em maior risco de sofrer apagões ou ter que recorrer a energias “mais sujas”, como o carvão, justamente para evitar esse cenário.

Canos de gás

Legenda da foto,

Tensões causadas pela invasão da Ucrânia obrigaram Berlim a cortar dependência energética que havia adquirido nas últimas décadas com a Rússia

E os planos da Alemanha para completar sua transição para um modelo verde? Afinal, o GNL é um combustível fóssil.

Todos os envolvidos no projeto Wilhelmshaven insistem que o GNL é um combustível de “transição”.

A Uniper prometeu construir uma infraestrutura para lidar com hidrogênio verde junto com o terminal de GNL.

Isso alimentou os planos ambiciosos do conselho municipal de Wilhelmshaven. O prefeito, Carsten Feist, garantiu que o terminal de GNL não trará muitos empregos para a cidade. Mas isso vai acontecer com seus planos de criar um centro de energia verde.

“Grande parte da transformação energética de que precisamos para que nosso planeta tenha um clima habitável em 50 a 100 anos, muito do que é necessário na Alemanha, ocorrerá em e através de Wilhelmshaven”, diz ele.

Custo volumoso

Mas o custo mais impressionante da estratégia de Berlim para cortar sua dependência do gás russo é monetário.

Os seis terminais de GNL obrigaram o governo alemão a gastar cerca de US$ 6,3 bilhões. Isso é mais que o dobro do que os ministros haviam inicialmente orçado e pode aumentar ainda mais no próximo ano.

A Alemanha aprendeu tarde demais o valor de um abastecimento seguro de energia e agora está pagando caro por isso.

– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63769249

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