Como oceanos saudáveis geram valor para a economia e os negócios

O oceano gera cerca de US$ 2,5 trilhões em bens e serviços anualmente, o equivalente à geração da sétima maior economia do mundo. Estudo do BCG Consulting Group em parceria com o Fórum Econômico Mundial aponta como alavancar o tema em empresas e governos

Marina Filippe – Exame – Publicado em 23/12/2022 

Um oceano saudável é a base para uma economia próspera, de acordo com o estudo What Ocean Sustainability Means for Business, promovido pelo Boston Consulting Group em parceria com o Fórum Econômico Mundial. O oceano gera cerca de US$ 2,5 trilhões em bens e serviços anualmente, o equivalente à geração da sétima maior economia do mundo. Além disto, países do G20 representam 45% das costas do globo e, por isso, recuperar o valor dos mares e garantir sua sustentabilidade representa uma oportunidade.  

As principais indústrias que se beneficiam de operações nos oceanos são de pesca, turismo, comércio e transportes, energia e comunicação. “Cerca de 600 milhões de pessoas dependem, pelo menos parcialmente, da pesca e da aquicultura – cerca de 8% da população global – incluindo os trabalhadores de subsistência e do setor secundário e seus dependentes. Com relação ao turismo, estima-se que 80% de toda atividade de turismo global é viabilizada pelos oceanos. Grande parte do comércio global é viabilizado por transporte marítimo, e, além disso, o oceano é também uma fonte de energia, com potencial de contribuir de forma relevante para energias renováveis”, afirma Arthur Ramos, diretor executivo e sócio do BCG

De acordo com o executivo, o setor de comunicação também se beneficia. “98% das comunicações internacionais são viabilizadas por cabos submarinos. Por fim, o oceano é um contribuidor do mercado global de carbono – soluções climáticas baseadas no oceano podem reduzir as emissões em até 21% a fim de manter a trajetória de aquecimento inferior a 1.5°C até 2050”.

De acordo com a pesquisa do BCG, apesar da expectativa de que o ecossistema seja uma importante fonte de riqueza nos próximos anos, ele recebe apenas 0,01% dos investimentos para os objetivos globais de desenvolvimento sustentável. Com investimentos, seria possível alavancar ainda mais o potencial que os oceanos oferecem. “Antes das paradas causadas pela pandemia, esperava-se que a economia oceânica dobrasse de valor entre 2010 e 2030, atingindo um valor de US$ 3 trilhões. Para atingir tal valor, novos investimentos serão cruciais”, diz Ramos.

Para que mais investimentos aconteçam, é necessário compreender o valor que os oceanos têm hoje para empresas e governos. A começar pelo retorno gerado por bens e serviços provenientes dos mares, e no potencial de trilhões de dólares em retorno na próxima década.

“Empresas que se interessarem em financiar a “economia azul” podem se beneficiar do pioneirismo, aproveitando a chance de extrair o maior valor desse recurso valioso. Assim, garantem não somente um futuro sustentável para os negócios, mas para oceanos e sistemas marinhos que não podem ser substituídos”. O interesse dos consumidores por produtos sustentáveis também é um modo de acelerar a frente econômica.

SUSTENTABILIDADE 

Nos países do G20 – responsáveis por 80% das emissões de carbono e 75% do comércio mundial, é essencial uma atenção na inclusão dos mares como uma das prioridades na agenda de sustentabilidade.  “É essencial que, para o sucesso na jornada contra as mudanças climáticas, as empresas sejam ágeis na tomada de decisão para a conservação do ecossistema marinho. As que forem pioneiras têm a oportunidade única de se beneficiarem com um mercado multibilionário”, afirma Ramos.

No estudo, o BCG e o WEF apontam três pilares principais para que as empresas compreendam e iniciem a agir em prol da mitigação de impactos nos oceanos: 

  • Desenvolvimento de métodos que garantam o uso e a interação sustentável com o mar;
  • Alavancar o oceano como ferramenta de sequestro de carbono – capacidade de absorção de cerca de 90% do excesso de calor e 23% do total de emissões de CO2 geradas pelo homem;
  • Apoiar iniciativas de adaptabilidade e resiliência para os ecossistemas marinhos e adjacentes.  

Dentro dessas áreas principais, a pesquisa ainda identifica diversos imperativos estratégicos para promover a sustentabilidade e, ao mesmo tempo, impulsionar os negócios, incluindo a colaboração com os governos locais para ampliar o escopo de conservação. 

BRASIL

“O Brasil possui uma das costas mais extensas dentre os países do globo, com aproximadamente 8.000 km de extensão. O país já é um contribuidor chave para o comércio global, sendo um dos principais exportadores de alimentos, o que já nos coloca em posição de destaque no que tange a economia oceânica como viabilizadora do transporte de longa distância. Mas o Brasil têm potencial para contribuir ainda mais para essa economia”, diz Ramos.

O executivo lembra da vantagem competitiva na produção de hidrogênio verde. “Temos vantagem para ser um produtor de Hidrogênio Verde em escala, e avançar no uso dos oceanos para produção de energias renováveis “offshore” – a exemplo de eólicas offshore – o que pode impulsionar ainda mais a produção de hidrogênio verde, gerando um ciclo virtuoso. Tal movimento é relevante dado que o Hidrogênio Verde é uma das principais alavancas para descarbonização de indústrias”.

https://exame.com/esg/como-oceanos-saudaveis-geram-valor-para-a-economia-e-os-negocios/

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Virada no metaverso pretende festejar chegada de 2023 virtualmente

Virada virtual contará com presença de DJs e outras atrações no universo virtual

Exame/Cointelegraph Brasil  31/12/2022 

As festividades relacionadas à virada do ano se aproximam. Geralmente, as escolhas se dividem entre festejar em casa, com familiares, ou junto ao público, em algum lugar movimentado. A virada para um novo ano, desta vez, tem um novo lugar: o metaverso.

O Open Metaverse (OM), do qual o famoso Punk6529 é cofundador, realizará um evento para receber a chegada de 2023. As festividades ocorrerão no notório terraço do OM, onde um brasileiro se apresentará como DJ.

Virada virtual

Desde a criação do OM, o brasileiro DJ Hash é um membro ativo da comunidade deste metaverso. Mais precisamente, Hash é membro do coletivo conhecido por se reunir no terraço de um dos prédios do universo virtual: a RooftopDAO.

Ao Cointelegraph Brasil, Hash conta que, desde que as conversas por voz foram habilitadas no OM, os usuários que se reúnem no terraço começaram a promover festas. E foi aí que as músicas começaram. Esta, porém, será sua primeira vez se apresentando dentro do Open Metaverse. Esta também será a primeira ‘festa da virada’ do OM, já que sua criação ocorreu em abril de 2022.

Hash espera um ambiente animado, com base nas outras festas às quais já compareceu no ‘Rooftop’. Além disso, esta é a primeira vez que o OM permitirá o uso de avatares humanóides, deixando “a estética bem curiosa”, avalia.

“Como muitas pessoas estarão intercalando as celebrações no OM com a vida real, vai ter bastante rotatividade de usuários também”, acrescenta. O Open Metaverse é aberto para todo e qualquer usuário, e a performance de Hash está prevista para ocorrer no dia 31 de dezembro, entre 19h e 21h30, horário de Brasília.

A DAO do terraço

Um dos diferenciais do OM é a ausência de gravidade. Isso permite que, dentro do universo virtual, usuários possam realizar pulos altíssimos, sem restrições. Isso fez com que uma ‘competição de pulos’ fosse iniciada, fazendo com que usuários recém-chegados ao Open Metaverse descobrissem o terraço. E esse foi o motor da criação da RooftopDAO, já que, em poucos dias, os usuários decidiram criar um coletivo.

“A DAO é tanto meme quanto uma organização séria, e foi criada pelos usuários que conseguiram pular até o maior telhado do OM nos primeiros dias de sua existência”, afirma Hash.

O DJ brasileiro do metaverso conta que, em alguns casos, a relação entre membros da organização descentralizada ultrapassou o metaverso. “Alguns membros já se encontraram na vida real, em eventos como NFT NYC e NFT Miami.” O engajamento entre os membros da RooftopDAO é classificado por Hash como “natural”, com foco em criar memes, dar suporte a novos membros do OM e compartilhar fotos de terraços.

A adesão pelo terraço foi tão grande que, conforme conta Hash em uma série de publicações feitas em seu Twitter, a área precisou ser aumentada para comportar mais usuários. Para entusiastas da Web3 que buscam interagir com diferentes comunidades, a virada do ano no Open Metaverse pode ser uma boa alternativa para conhecer novas pessoas. E novos terraços.

https://exame.com/future-of-money/virada-no-metaverso-pretende-festejar-chegada-de-2023-virtualmente/

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França precisa desesperadamente de trabalhadores, e governo quer facilitar imigração

Governo Macron vai propor legalização rápida para imigrantes que forem trabalhar em setores mais afetados. Só na indústria hoteleira, há 250 mil vagas não preenchidas

TOPO

Por O Globo/The New York Times — Paris 30/12/2022 

Bar do Saint James Hotel, em Paris: indústria hoteleira da França tem cerca de um quarto de milhão de vagas de emprego Bar do Saint James Hotel, em Paris: indústria hoteleira da França tem cerca de um quarto de milhão de vagas de emprego Violette French/The New York Times

A placa na vitrine da Red Rhino, uma popular churrascaria no centro de Paris, está pendurada há um mês: “Fechado até novo aviso devido à falta de pessoal”. O serviço de ônibus e trem foi reduzido em Lyon em meio à escassez de motoristas. No Vale do Loire, toneladas de vegetais não foram colhidas no verão, já que milhares de vagas de trabalho para colheita ficaram sem preencher.

A atividade econômica voltou a acelerar na França e em toda a Europa desde o fim das restrições provocadas pela Covid-19, ainda que a guerra na Ucrânia tenha freado um pouco o ímpeto da economia.

O resultado disso é que empregadores em vários setores da economia estão desesperados para contratar, com várias empresas sem conseguir preencher as vagas e não conseguindo operar na capacidade máxima.

Na segunda maior economia da Europa, a solução para a escassez de mão de obra em estudo pelo governo passa por dois caminhos – ambos politicamente inflamáveis.

O governo francês do presidente Emmanuel Macron está propondo uma legalização rápida para migrantes que vivem no país ilegalmente que desejam trabalhar em setores que enfrentam escassez de pessoal.

Como medida adicional, o governo quer rever o generoso sistema de seguro desemprego da França, com seus longos benefícios, em uma tentativa de fazer com que os desempregados voltem mais rapidamente ao mercado de trabalho.

Para milhares de empresas que formam a espinha dorsal da economia francesa, a abordagem de mão dupla tornou-se necessária para ajudar a aliviar os impactos do que parece ser uma mudança permanente na dinâmica do mercado de trabalho desde a pandemia: os trabalhadores europeus simplesmente não estão mais dispostos a atuar em longas jornadas e com salários relativamente baixos.

Funcionários do Hotel des Grands Boulevards, em Paris: para recrutar mais trabalhadores, a administração do hotel está tentando tornar os empregos mais atraentes — Foto: Violette French/The New York Times

Funcionários do Hotel des Grands Boulevards, em Paris: para recrutar mais trabalhadores, a administração do hotel está tentando tornar os empregos mais atraentes — Foto: Violette French/The New York Times

Mais de meio milhão de pessoas na França pediram demissão nos primeiros três meses do ano, o nível mais alto em 15 anos, informou a agência de estatísticas do país.

– Nossa sociedade após a pandemia tem uma perspectiva diferente. As pessoas estão dizendo: eu não quero ter uma relação de sacrifício para trabalhar – disse Thierry Marx, chef francês com estrela Michelin que é presidente da UMIH, a influente associação comercial de restaurantes e hotéis da França.

‘Muitos trabalhadores desapareceram’

A escassez de mão de obra é maior na construção, transporte, enfermagem e agricultura, onde quase 400 mil empregos estão vagos somente na França.

A indústria hoteleira é particularmente afetada, com cerca de 250 mil vagas, principalmente em postos manuais, incluindo limpeza e garçons. Isso criou um aperto ainda maior em restaurantes e hotéis, já que o turismo voltou com força total na Europa após a pandemia.

No Hotel des Grands Boulevards, no bairro Sentier de Paris, o saguão fervilhava de visitantes recentemente. Mas Olivier Bon, co-fundador do Experimental Group, dono do hotel e de vários outros na Europa, disse que tem sido difícil recrutar pessoas, especialmente em empregos na cozinha ou serviço de mesa que exigem longas horas e salários limitados.

– Muitos trabalhadores desapareceram – é uma luta para encontrá-los – disse ele.

Para tornar o hotel e seu restaurante mais atraentes aos trabalhadores, a empresa agora oferece mais promoções internas. O grupo aumentou os salários modestamente, de acordo com uma nova escala salarial acordada pela indústria, e reduziu os longos intervalos na jornada de trabalho em seu restaurante, que acabavam estendendo o fim do turno dos funcionários para horários mais tardios. O restaurante agora interrompe o serviço às 22h45.

A França está apostando que a mão de obra imigrante pode ajudar a preencher as lacunas. Um projeto de lei que o Parlamento deve aprovar no ano que vem criaria autorizações de residência renováveis de um ano considerando as “habilidades sob demanda” para migrantes que vivem no país ilegalmente, que poderiam solicitar status legal mais rapidamente sem passar pelos empregadores.

Para quem solicita asilo, o projeto de lei também acabaria com a proibição de emprego durante os primeiros seis meses no país.

A França não está sozinha: a Alemanha está se preparando para mudar sua política de migração para atrair pessoas para o setor de saúde, tecnológico e para empregos de baixa qualificação, como serviços de bufê. A Holanda anunciou planos semelhantes para atrair mais imigrantes qualificados para esses tipos de funções.

A poderosa indústria agrícola da França também apoiou a medida. Mais de 70 mil postos de colheita sazonais em fazendas não foram preenchidos neste verão, deixando toneladas de produtos sem colher, disse Christiane Lambert, presidente do principal sindicato agrícola da França.

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Bioeconomia para desenvolver a Amazônia

Exploração sustentável da sociobiodiversidade torna-se essencial para evitar o pior cenário para a região amazônica

Por Carlos Nobre, Francisco Costa e Carolina Genin – Valor – 27/09/2022

Desde o Relatório Brundtland, de 1987 – que definiu pela primeira vez o conceito de desenvolvimento sustentável -, um debate crucial ganhou corpo: o reconhecimento de que uma crise ecológica se instalara, inerente aos padrões de crescimento das sociedades industriais, os quais aprofundavam desigualdades sociais. O antídoto estava em um novo modelo de desenvolvimento.

A partir de então, desenvolveu-se um ideário de sustentabilidade, mediante o qual instituições devem primar por crescimento ecologicamente prudente, socialmente equânime e economicamente viável. Com isso, se estabeleceu a esperança de garantir para as gerações futuras as condições naturais que fundamentaram a existência das atuais.

Exploração sustentável da sociobiodiversidade torna-se essencial para evitar o pior cenário para a região amazônica

Para dar concretude a esse objetivo, se estabeleceram espaços de negociações globais, entre eles as Conferências das Partes voltadas às agendas de Clima e de Biodiversidade. Hoje, ambas as agendas convergem quando a pergunta é: como fazer a transição da economia global para uma economia menos dependente em carbono, mais justa e menos destrutiva para o planeta? As ideias e ações em torno da bioeconomia, com grande força no presente momento, são parte desse esforço.

Conceitos e práticas de bioeconomia se desenvolveram carregados do sentido de transição para uma economia de baixo carbono, do insustentável para o sustentável. De trajetórias tecno-produtivas a partir de processos mecânicos e químicos insustentáveis, que geram impacto climático, para inovações em processos produtivos capazes de desenvolver produtos de base biológica e renovável.

Essas duas rotas fundam bioeconomias focadas na redução da “pegada de carbono” das trajetórias do paradigma mecânico-químico, marca registrada do modelo econômico vigente e que não impõe limites ao crescimento. Não obstante, há uma outra rota, que tem atraído menos atenção, pautada na biodiversidade e que conserva as características naturais do ecossistema.

Análise recente lançada pelo WRI Brasil mostrou que esta outra rota se mostra a mais adequada à conservação e restauração da Amazônia – a chamada bioeconomia bioecológica, ou sociobiodiversa. Essa bioeconomia já existe em duas variantes: a que maneja os recursos da floresta em pé com zero desmatamento e a que imita as qualidades do bioma em sistemas agroflorestais cultivados e regenerativos em áreas desmatadas e degradadas, privilegiando a promoção da biodiversidade, a conservação dos ecossistemas, a habilidade de prover serviços ecossistêmicos e a prevenção da degradação do solo. Tudo isso atrelado a processos econômicos capazes de gerar renda, emprego, agregação de valor e lucro.

Essa bioeconomia é feita hoje pelas mãos de comunidades indígenas, tradicionais, quilombolas e de agricultores familiares, que já demonstram a sua viabilidade. O relatório científico de 2021 do Painel Científico para a Amazônia, criado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, mostra que o valor da produção rural deste tipo de prática saltou de US$ 400 milhões para US$ 1,1 bilhão entre 1995 e 2017, com emprego de 400 mil trabalhadores.

Outro estudo, liderado pelos pesquisadores Pedro Brancalion, da Universidade de São Paulo (USP), e Rafael Chaves, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, mostrou que a restauração florestal já gera milhares de empregos no Brasil e que cumprir a meta de restaurar 12 milhões de hectares prevista no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa geraria entre 1 e 2,5 milhões de empregos. A essa particular bioeconomia devem ser direcionados os investimentos, transformando a infraestrutura, as dinâmicas e os mercados atualmente precários e com baixa retenção local dos seus resultados.

A floresta tropical amazônica é um dossel fechado, onde a maior parte da energia solar é absorvida na parte superior e utilizada para a evapotranspiração, mantendo a temperatura máxima em torno de 30°C e permitindo que não mais do que 4% da radiação solar atinja o solo. Isso mantém sempre a serrapilheira muito úmida e não inflamável, não permitindo a propagação de incêndios deflagrados por descargas elétricas.

Essas condições ótimas de evolução climático-ecológica permitiram o surgimento da maior diversidade de plantas, animais e microfauna do planeta devido a temperaturas ideais e constante disponibilidade de água. São essas características da floresta úmida que os sistemas agroflorestais usam a seu favor. Em vez de corte raso para implementação de agricultura ou pecuária intensas em carbono, é feita uma combinação de árvores de diferentes espécies e tamanhos para produção de frutas, óleos, essências e outros produtos. Essa é a bioeconomia que precisa ser incentivada com grandes investimentos e ocupar as áreas já degradadas da região.

Hoje, a Amazônia está em outra direção. A combinação sinergística das mudanças climáticas com as alterações regionais causadas pelo desmatamento e degradação, colocam uma boa parte da região sul da Amazônia muito próxima do ponto de não retorno – uma “savanização” que resultará em ecossistemas de dossel aberto e degradados. Naquela região, a estação seca já se encontra de 4 a 5 semanas mais longa do que a registrada em 1979, e a floresta se tornou uma fonte de carbono, ao contrário da parte menos alterada, que remove gás carbônico da atmosfera.

Se o ponto de não retorno for ultrapassado, é muito provável que entre 50% e 70% da floresta será alterada no intervalo de 30 a 50 anos, liberando mais de 300 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, o que tornaria quase impossível atingir as metas do Acordo de Paris, alteraria os padrões de chuva em boa parte do país e fragilizaria a sua capacidade de produzir alimentos.

A urgente implementação e em escala desta nova bioeconomia bioecológica na exploração sustentável da sociobiodiversidade, baseada em ciência, inovações tecnológicas e conhecimentos tradicionais, torna-se essencial para evitar o pior cenário.

Conscientes disso, 81% dos eleitores brasileiros mencionam a Amazônia como prioridade para o próximo presidente – como mostrou pesquisa encomendada pelo Instituto Clima e Sociedade ao PoderData -, e investidores brasileiros e estrangeiros começam a voltar o olhar para uma nova economia para a Amazônia.

Nesta década decisiva, a grande contribuição que o Brasil pode dar para o clima global é também uma enorme oportunidade de trazer crescimento econômico para o país e para a população de uma das regiões mais carentes de desenvolvimento. Um grande e ágil projeto para a economia da Amazônia colocaria o Brasil novamente em uma trajetória de liderança, atraindo o capital necessário para salvar o bioma e tornando possível o nosso futuro ainda nesta década.

Carlos Nobre, cientista do Earth System, pesquisador do IEA/USP e membro da Royal Society

Francisco de Assis Costa, professor titular do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (GPDadesa-NAEA) da Universidade Federal do Pará

Carolina Genin, diretora de Clima do WRI Brasil

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/bioeconomia-para-desenvolver-a-amazonia.ghtml

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Fintechs, edtechs ou agrotechs? Quais setores devem continuar a atrair a atenção dos investidores de venture capital

Além das fintechs que sempre lideraram, startups de cibersegurança, edtech e ESG devem ser destaques no próximo ano

Por Wesley Santana – Infomoney – 26 dez 2022   

“O ano de 2021 foi muito fora da curva”. A frase é repetida por quase todos os integrantes do ecossistema de startups: de gestores de fundos de venture capital a fundadores de empresas. Por isso, 2022 pode passar a impressão de ter sido um ano muito ruim para as companhias de tecnologia.

De acordo com o monitor Sling Hub, até novembro deste ano, foram realizadas 758 rodadas de investimentos em startups, somando US$ 4,9 bilhões. Embora expressivo, esse número é bem menor que o registrado no mesmo período de 2021, quando 850 aportes totalizaram US$ 9,7 bi.

No entanto, quando os dados são comparados com 2020, o resultado é uma alta de 100% nos investimentos em startups, visto que o total captado por elas ficou na casa de US$ 2,7 bilhões há dois anos, ainda segundo o Sling Hub.

Deixando o passado de lado, a dúvida que fica é sobre qual será o cenário do capital de risco no próximo ano e os setores de startups que podem ser favorecidos. Na avaliação de Guilherme Massa, fundador da Liga Ventures, plataforma que conecta empresas, startups e investidores, pelo menos no Brasil, a agenda da inovação deve continuar a todo vapor, especialmente porque o setor busca dar eficiência aos tradicionais.

“A startup traz a inovação na veia, por isso eu acredito que será um ano para usar soluções digitais e conseguir ter margem de crescimento. Além disso, considerando o cenário de recessão, acho que as grandes empresas vão dar suporte ao crescimento de empreendedores”, prevê.

Para ele, o ritmo dos investimentos vai se manter lento nos primeiros meses do ano, com expectativa em relação aos movimentos do governo eleito. Ele pontua que é preciso estímulo econômico para fazer a roda girar, inclusive na geração de emprego e reverter as dezenas de demissões em massa que se viu nos últimos meses.

“A gente precisa esperar para ver os movimentos que o novo governo deve fazer, mas eu avalio que, pelo menos em boa parte do ano, quem vai ser responsável pelo crescimento efetivo dos empreendedores serão os parceiros corporativos. Os fundos de venture capital, iniciativas de inovação aberta ou parcerias de criação conjunta vão fomentar o empreendedorismo tecnológico no próximo ano”.

Startups de quais setores terão destaques em 2023

Na opinião de vários analistas, as fintechs podem continuar brilhando aos olhos dos investidores, reproduzindo o que já acontece há alguns anos. Mas há outros setores que ganharão ainda mais destaque, como cibersegurança, educação, agronegócio e ESG.

No caso da cibersegurança, a área surge como uma espécie de socorro em meio a um movimento mundial de ataques criminosos. Diante disso, surge a necessidade de maior atenção das empresas -dos mais variados setores e tamanhos- em relação ao tema, e se apoiarem em soluções inovadoras que possam ajudá-las a melhorar a segurança digital.

“É uma nova linha de risco que as empresas precisam gerenciar, mas nem sempre tem uma boa estrutura de governança. Em datas comerciais, por exemplo, caso da Black Friday, a organização não quer e nem pode estar sujeita a problemas na operação por causa de um ataque hacker. Então elas tendem a tratar esse assunto com importância, o que deve favorecer startups dessa área”, comenta Massa.

Já as iniciativas de inovação em educação podem manter a relevância que ganharam nos últimos dois anos, com a virtualização dos estudos. Só no ano passado, segundo dados do governo federal, foram realizadas 3,7 milhões de matrículas em cursos universitários à distância, um número que representa 40% do total de novos estudantes.

A Sambatech, uma startup que oferece recursos tecnológicos para o ensino, aposta em um ano ainda mais animador, dobrando o faturamento de R$ 50 milhões que aferiu em 2022. A edtech tem investido na unidade de negócios que personaliza os conteúdos com base no perfil da empresa parceira e dos estudantes.

“A gente decidiu avançar com a ideia de hiper personalização, e encontramos um diferencial competitivo que era criar soluções que ajudassem as empresas de ensino a aumentarem o engajamento. Por meio de dados, damos condições delas olharem para o comportamento dos estudantes e entregarem o conteúdo para eles na hora certa e na plataforma certa”, destaca Mateus Magno, CEO da startup, que mantém contratos com marcas como Cogna (COGN3), Damásio, Hexag, entre outras.

Há, ainda, o setor de ESG que tem crescido em todo o mundo e deve galgar novos espaços, com vários países intensificando as metas ambientais. No Brasil, com a chegada do novo governo, que tem se comprometido com o assunto, grande parte dos empreendedores em ESG podem ter seus negócios atraentes aos investidores.

“O ESG certamente entrou na agenda das grandes companhias para valer neste ano, mas muita gente ainda está tentando entender o que realmente é. Nós veremos muitas startups e empresas se lançando em iniciativas mais robustas para atacar essa frente porque ela veio para ficar. Há lugares, especialmente na América do Sul, que a regulação vai apertar, como no rastreio da cadeia de produção e na governança interna, então vai haver um movimento de startups de impacto ou de negócios em ESG”, define Guilherme, da Liga Ventures.

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Três desafios para os gestores em 2023

Em sua coluna desta semana, Viviane Martins, CEO da Falconi, aponta questões com as quais as corporações terão de lidar no ano que vem

Viviane Martins – Exame – Publicado em 12/12/2022 

Ao longo de 2022, temas como propósito e modelos de trabalho continuaram a ganhar espaço na pauta dos gestores: o ato de repensar a forma como as corporações lidam com as pessoas – e com o mundo ao seu redor, no geral – seguiu no topo da agenda dos executivos.

Enquanto isso, logo no início do ano, o mercado passou a lidar com desafios macroeconômicos que solaparam as expectativas de rápida retomada econômica pós-pandêmica, a começar pelo nó logístico que afetou as cadeias de produção e distribuição de insumos e bens a nível global. A guerra na Ucrânia agravou o cenário, afetando o mercado de grãos e o custo dos alimentos, bem como o custo do gás e da energia, com imediata pressão inflacionária.

Não fosse o bastante, o ecossistema global de inovação resolveu arrumar a casa em 2022. Como dito antes neste espaço, após dois anos de capital barato e abundante, e investimentos desenfreados em startups mundo afora, o venture capital tirou o pé do acelerador. Isto mandou ondas de choque no mercado global de tecnologia. Além das demissões em unicórnios, a própria busca por essas empresas altamente escaláveis se tornou menos interessante. A mensagem dos investidores foi direta. Crescer a qualquer custo não faz sentido: é hora de boa gestão e resultados sustentáveis.

Com tanto tempero no complexo caldo de 2022, chegamos à porta de 2023 com cenário menos animador do que muitos gostariam. Para a ‘The Economist’, uma recessão global é inevitável, exatamente por conta dos choques geopolíticos, de uma crise energética sem precedentes na Europa e inflação que no hemisfério norte está próxima a patamares de 50 anos atrás. Mas como toda crise também embute oportunidades, outros vêm a possibilidade de as economias emergentes ditarem o ritmo do crescimento econômico.

Mas se o prato do lado de fora está transbordando de desafios, dentro de casa não é diferente para as corporações. Questionam-se sobre o perfil que os seus líderes devem ter e seguem na indefinição quanto ao (presente do) futuro do trabalho. O que impacta a relação entre colaboradores, propósito e empresas.

Trago três temas que serão importantíssimos em um ano que promete complexidade e, como nunca, exigirá excelência de gestão, fortalecimento das lideranças e times engajados.

CEO na gestão (ao invés do palco):

Na sua lista de 20 grandes tendências para 2023, o LinkedIn incluiu, entre os temas que já têm cadeira cativa no mundo dos negócios (segurança cibernética e open finance, por exemplo), o que batizou como “o fim da era do CEO herói”. Este perfil de CEO pop star atrai as atenções e acaba por transformar gestão quase em uma saga individual.

Os casos mais recorrentes mostram o impacto – positivo e negativo – da fala de líderes empresariais sobretudo nas mídias sociais, afetando valor de mercado, clima organizacional e mesmo transações entre empresas. Exemplo típico é Elon Musk, da Tesla e agora do Twitter, mas já se falou tanto dele que nem vale voltar ao personagem.

A tendência é a de que, em 2023, precisaremos de líderes com espírito de servir e capacidade de execução, que tenham a habilidade de enfrentar incertezas, conduzindo seus times e organizações tanto em mares revoltos como em calmarias, não apenas no presente, mas também garantindo a sustentabilidade dos negócios no longo prazo. Vamos, sim, voltar a sermos justamente cobrados por vários resultados para além de crescimento, nas perspectivas humana, financeira, social e ambiental.

Discussão sobre o modelo de trabalho (sim, ainda)

Se 2020 terminou com quase todo o mundo em trabalho remoto, já 2021 acabou no auge da “Great Resignation” (ou o Grande Pedido de Demissão), termo em inglês que se popularizou para representar uma geração de funcionários que preferia abrir mão do trabalho a não a voltar para os escritórios. Agora, 2022 termina com desligamentos em massa nas empresas tecnológicas e interrogações sem resposta sobre modelos de trabalho, que serão herdadas por 2023.

As pesquisas mais recentes sobre o tema são inconclusivas. Não raro, uma contradiz a outra sobre qual seria o melhor modelo para garantir, no presente, o futuro do trabalho. Continuamos sem garantias de qual seja o melhor caminho para atender tanto os anseios dos profissionais, a produtividade das empresas e a necessidade de engajamento e interação das equipes.

Divulgado na semana passada, um estudo de pesquisadores da Harvard Business School, feito ainda na pandemia, mostrou que o modelo presencial não afetava diretamente a produtividade dos negócios. Já apuração da Reuters, publicada há alguns dias, revelou que muitas companhias querem a retomada dos escritórios, enquanto a mão de obra demanda mais e mais flexibilidade. Uma terceira linha veio da People Management: pesquisa apontou que podem ser infundados os temores de que o trabalho remoto seja menos eficiente, contudo, o melhor caminho talvez seja um modelo híbrido, com mais dias nas empresas do que em casa. Isso pode estimular a colaboração, a proximidade dos times e maior coesão da cultura organizacional.

A discussão promete continuar em 2023, inclusive porque a opção pela manutenção, adoção ou a volta a este ou aquele modelo impacta em pautas como administração de ativos imobiliários, mobilidade urbana e, até mesmo, diversidade e inclusão, sobretudo em negócios que no passado recente buscaram ser geograficamente diversos, o que resolveu também a questão da falta de mão de obra no entorno de suas sedes físicas.

Cenário global (em um mar de incertezas e indicadores negativos)

Por fim, temos nosso mundo globalizado em choque. O conflito entre Rússia e Ucrânia não dá sinal de desfecho próximo. Tampouco é o único a afetar todo o mundo. As tensões, sobretudo no Oriente Médio, aumentam. Um outro tipo de guerra, a comercial, travada entre Estados Unidos e China, também volta a preocupar. Outro motivo de preocupação vem da escalada inflacionária e das instabilidades que pode ocasionar em nações que historicamente estáveis, como a Inglaterra.

O cenário é tão complexo, com ramificações e interligações que afetam desde balança comercial a processos logísticos, passando por preço de commodities e compra de insumos, que muita gente já está juntando várias crises em uma só e usando a expressão “policrise”, que pode aumentar ainda mais as dificuldades no ano que começa. Para enfrentar essa turbulência, nada mais a fazer do que manter firme a mão no leme, corrigir a rota sempre que necessário em direção à estratégia, olho no parabrisas e cuidar de todos os passageiros a bordo.

https://exame.com/colunistas/viviane-martins/tres-desafios-para-os-gestores-em-2023/

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Drone entrega, em 5 minutos, pulmão para transplante e prova que transporte é eficiente e seguro

Pulmão e coração são os órgãos que mais podem se beneficiar com a aeronave não tripulada, pois devem ser transplantados em até seis horas após morte do doador

Por O GLOBO — 24/12/2022 

Pesquisadores registraram voo de drone que levou pulmão em Toronto. Pesquisadores registraram voo de drone que levou pulmão em Toronto. Science Robotics/Divulgação

Um drone modificado carregou um pulmão retirado de um doador no Toronto Western Hospital até o Toronto General Hospital. O transporte levou cinco minutos e o órgão foi transplantado com sucesso em um paciente com fibrose pulmonar. O caso foi descrito em um artigo publicado na revista científica Science Robotics.

Embora órgãos de doadores já tenham sido transportados entre hospitais por drone antes, pulmões e corações são considerados particularmente desafiadores. A operação demonstra que os drones são um método prático para mover órgãos para transplante.

Uma equipe da University Health Network, em Toronto, planejava entregar um pulmão por controle remoto há anos, instalando uma caixa de transporte de pulmão especialmente projetada em um M600 Pro Drone. Eles também removeram o trem de pouso e o rack de carga normal para aumentar o peso disponível — os pulmões podem não ser pesados, mas todo o equipamento necessário para mantê-los funcionando, é. Apesar da adição de um sistema de recuperação de paraquedas, câmeras, luzes e rastreadores GPS, todo o sistema pesa menos de 25kg.

Mais de 400 voos de teste foram realizados entre os telhados dos dois hospitais, nenhum dos quais foi projetado para receber helicópteros tripulados. Embora a disponibilização repentina de um órgão seja sempre resultado de uma tragédia, pelo menos nesta ocasião as condições eram excelentes, sem chuva, vento fraco e boa visibilidade.

Dificuldade no transporte

Centenas de pessoas em todo o mundo estão em listas de espera para doar órgãos, e muitas morrerão antes de receberem o que precisam. A escassez de doadores é apenas parte do problema — muitos órgãos são desperdiçados porque não são entregues a um receptor compatível a tempo.

O trânsito é um dos muitos obstáculos para levar cada órgão saudável a uma pessoa que se beneficiará dele. Mesmo com luzes piscando e sirenes tocando, as ambulâncias podem perder um tempo precioso se deslocando entre hospitais em uma grande cidade. Isso pode em breve ser uma coisa do passado.

O primeiro órgão transportado por um drone para transplante foi um rim, entregue a um paciente de 44 anos que estava há oito fazendo diálise. Qualquer órgão tem mais chances de ser bem aceito pelo paciente receptor se for implantado rapidamente, mas os rins podem durar até 48 horas fora do corpo. Economizar alguns minutos no trânsito é útil, mas raramente essencial. A entrega entre cidades é um desafio maior, mas ainda muitas vezes possível.

No entanto, corações e pulmões precisam ser transplantados dentro de 4 a 6 horas após a morte do doador. Permitindo o tempo para realizar a operação em cada extremidade, resta pouquíssimo tempo para o processo de retirada, transporte e implantação se doador e receptor prioritário não estiverem no mesmo hospital.

https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2022/12/drone-entrega-em-5-minutos-pulmao-para-transplante-e-prova-que-transporte-e-eficiente-e-seguro.ghtml

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Powershoring 2023: a localização pela energia

O ano de 2022 colocou na pauta, de maneira contundente, uma nova visão sobre as relações internacionais de comércio que certamente tomarão forma significativa em 2023.

Por Evandro Milet

As preocupações com o clima afetam vários setores econômicos: energia, indústria, agricultura, construção e transportes. Energias alternativas dominam a pauta com a aceleração das intenções de substituição dos combustíveis fósseis. Na Europa, o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM, na sigla em inglês) pretende criar barreiras com custos para países com políticas climáticas fracas, para proteger os produtores locais. Há possibilidade de os EUA e a Europa imporem tarifas ao aço e alumínio da China. A palavra de ordem agora é aço verde. O Parlamento Europeu também resolveu proibir a importação de uma série de produtos que sejam oriundos de áreas desmatadas, o que pode prejudicar as exportações do agronegócio brasileiro. A lista inclui soja, carne bovina, cacau, café, óleo de palma e alguns derivados, como couro, chocolate, móveis e papel. A importação será proibida caso esses produtos sejam oriundos de áreas desmatadas após dezembro de 2020.

As preocupações geopolíticas com a crescente capacidade tecnológica da China e as ameaças de invasão de Taiwan, grande centro de produção de chips, faz com que os EUA criem programas bilionários para trazer essa indústria estratégica de volta, bem como várias outras indústrias associadas às tendências com o problema climático.

As oportunidades industriais devido à transição energética disparam a mobilização para os países tomarem posição de liderar o processo. Automóveis elétricos, placas solares, usinas de hidrogênio verde, pás eólicas e baterias formam um novo quadro de necessidades de investimento e já provocam ruídos inclusive entre os aliados EUA e Europa.

A guerra na Ucrânia explicitou a necessidade de alternativas energéticas ao gás russo na Europa. E naturalmente a energia subiu de preço por lá criando uma demanda ao mesmo tempo por energia barata, limpa e disponível. Há espaço para exportação de hidrogênio verde para quem conseguir produzir a partir de energia barata. Por outro lado, indústrias que exigem muita energia como aço e alumínio podem precisar de relocalização e o Brasil passa a ser uma opção interessante pela possível disponibilidade de todo tipo de energia limpa, incluindo os biocombustíveis e a hidroeletricidade, além de estar longe de guerras e invasões. Depois do friendshoring e nearshoring reposicionando a localização de indústrias por causa de geopolítica, vem aí o powershoring, quando a localização depende da energia. O powershoring refere-se à descentralização da produção para países próximos a centros de consumo e que oferecem energia limpa, segura, barata e abundante, além de outras virtudes para a atração de investimentos industriais.

As placas tectônicas da globalização estão se movendo. Podem provocar terremotos para quem não se preparar e tsunamis de oportunidades para quem fizer o dever de casa.

Um Feliz Natal para todos.

https://es360.com.br/powershoring-2023-a-localizacao-pela-energia/

Publicado em 25/12/2022 no Portal ES360

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A estratégia da Amazon para contornar a falta de gente disposta a trabalhar nos galpões da empresa

Num cenário de escassez generalizada de mão de obra nos Estados Unidos, a varejista global aposta em tecnologia para continuar crescendo apesar da falta de braços

Por Matt Day, Exame/Bloomberg Businessweek – 23/12/2022 

No início deste ano, um recrutador da Amazon recebeu uma mensagem de Seattle: colocar panfletos de “procura-se” em busca de ajuda em escolas secundárias, bancos de alimentos e abrigos para moradores de rua — em qualquer lugar em que alguém possa estar disposto a assumir uma posição de nível de entrada num dos armazéns da gigante do e-commerce.

O recrutador achou a ordem desesperada, mas estava dolorosamente ciente de como era difícil achar pessoas dispostas a trabalhar para a Amazon. Uma conversa que essa pessoa teve com um candidato em potencial numa feira de empregos em Nevada deu um bom exemplo do desafio.

Ao saber que a remuneração inicial era de US$ 18,25 por hora, o homem disse que não ia conseguir pagar o aluguel com esse salário. “Ele simplesmente saiu andando”, disse o recrutador, que pediu anonimato para falar livremente sobre um assunto interno da empresa. “Não é exatamente o emprego dos sonhos”.

A Amazon, que devora trabalhadores em questão de horas em um ritmo frenético, há tempos espera que um dia vá ficar sem corpos quentes para seus centros de atendimento nos Estados Unidos — um problema existencial para uma empresa que fez seu nome oferecendo entregas rápidas e confiáveis.

Embora os armazéns sejam parcialmente automatizados, a Amazon ainda conta com centenas de milhares de pessoas trabalhando em sincronia com as máquinas.

Uma resposta para a escassez de mão de obra, é claro, é usar mais robôs. Contudo, durante anos os engenheiros lutaram para duplicar a destreza manual de um ser humano.

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Como é o novo robô da Amazon

Agora, a Amazon parece ter resolvido o problema com um sistema altamente automatizado com um braço robótico amarelo que a empresa diz ser capaz de pegar milhões de tipos de produtos sem esmagá-los ou soltá-los. O nome do novo robô é Sparrow.

A Amazon não disse exatamente como Sparrow e seus parentes-máquinas vão revolucionar as operações da empresa. Mas os registros de patentes, os posts no blog da empresa e os comentários dos executivos dão um mapa das ambições da empresa.

Os robôs vão armazenar e apanhar itens individuais, mover caixas embaladas em carrinhos para embarque e pilotar esses carrinhos até os caminhões à espera — trabalho hoje feito em sua maioria por seres humanos.

A tecnologia ainda tem problemas, e é provável que a implantação completa demore anos. Mas o sistema automatizado promete reformular fundamentalmente a Amazon, que se tornou o segundo maior empregador privado dos Estados Unidos, atrás do Walmart, e em muitas cidades é ao mesmo tempo o maior empregador e a opção padrão para os trabalhadores que têm poucas habilidades comercializáveis ou foram demitidos de outro emprego.

O exemplo da empresa que convocou clientes (e se uniu a eles) para fazer o bem

Automatizar mais da operação logística também exigirá repensar os armazéns simples e em formato de caixa que a Amazon construiu em todo o país.

A Bloomberg informou no início deste ano que a empresa vinha acumulando discretamente milhares de hectares de imóveis industriais perto das principais cidades dos Estados Unidos; parte desses terrenos foi destinada a uma nova geração de centros de atendimento mais amplos e automatizados que a Amazon planeja desenvolver.

Supondo que o plano funcione, é provável que a Amazon passe a ocupar armazéns com equipes menores e mais especializadas, em grande parte compostas por técnicos.

Sensível às críticas de que a automação poderia apagar dezenas de milhares de empregos com o passar do tempo, a empresa insiste que liberará os trabalhadores para tarefas mais estimulantes e ajudará a eliminar as horas de torção e levantamento necessárias hoje — não é pouca coisa para uma empresa sob escrutínio regulatório em função de suas elevadas taxas de lesões.

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“Nos 10 anos desde que introduzimos a robótica em nossas instalações, adicionamos centenas de milhares de novos empregos e criamos mais de 700 novas categorias de empregos que tornam nossa tecnologia possível”, disse o porta-voz da Amazon, Xavier Van Chau, em uma nota por e-mail.

“Os funcionários da Amazon no mundo todo trabalham ao lado de robôs e continuarão a fazê-lo no futuro, apoiando a segurança em nosso local de trabalho e nos ajudando a melhorar o serviço prestado aos nossos clientes”.

No início de novembro, Joe Quinlivan, vice-presidente que lidera as equipes de tecnologia de robótica e logística da Amazon, subiu num palco temporário em uma fábrica nos subúrbios de Boston.

A instalação de 32.500 metros quadrados (ou 350.000 square feets, ou pés quadrados) fabrica a geração atual de robôs para os armazéns da empresa e emprega dezenas de engenheiros que trabalham em novas tecnologias. “Então é essa a grande revelação”, disse Quinlivan, enquanto um vídeo mostrava Sparrow escolhendo itens de uma sacola de plástico e colocando-os em outras caixas.

Ele admitiu que não era o filme mais empolgante da história. “Alguém pode achar que isso é uma mera mudança incremental, mas não é”, disse Quinlivan. Ele garantiu ao público que o robô era de fato “um salto enorme”.

Quinlivan chegou à Amazon em 2012, quando a gigante do e-commerce adquiriu seu empregador, a Kiva Systems, então parte de um grupo de fabricantes de robótica da área de Boston que também incluía a Boston Dynamics, criadora de robôs autônomos semelhantes a cães, mais conhecidos por vídeos virais dos “bichos” subindo escadas ou dando cambalhotas.

O que a Amazon ganhou ao apostar em robôs

É difícil exagerar a importância da Kiva para a Amazon. Antes da aquisição, os armazéns da empresa se pareciam com bibliotecas densamente povoadas. Os funcionários seguiam as ordens impressas em bilhetes, empurrando carrinhos por milhas todos os dias através de corredores estreitos, a caminho dos livros ou CDs que os clientes tinham encomendado.

Os robôs autônomos e atarracados da Kiva reverteram todo o processo, trazendo as mercadorias para os funcionários que agora esperam por elas. Hoje, as mercadorias são armazenadas em prateleiras de malha móveis que os robôs podem buscar e recuperar.

O impacto foi profundo. Acabar com os corredores permitiu à Amazon embalar 40% mais mercadorias em suas áreas de armazenamento.

Não só isso, ao eliminar longas caminhadas até os produtos, a empresa reduziu em cerca de um terço uma métrica interna muito importante chamada custo variável por unidade (essencialmente as horas de trabalho divididas pelo número de unidades embarcadas), de acordo com três pessoas familiarizadas com o número, que pediram anonimato porque a Amazon não divulgou os dados.

“Só aí foram dólares” de economia, disse uma das pessoas, um ex-tecnólogo da Amazon que estava lá quando os robôs da Kiva foram instalados. Em comparação, disse essa pessoa, todas as outras inovações desde então renderam apenas “centavos” em termos de economia.

Agora, graças ao Sparrow e a um novo sistema automatizado de armazenamento, a Amazon pode ter encontrado o próximo dólar metafórico de poupança.

Pouco depois das observações de Quinlivan, Jason Messinger, um dos roboticistas que liderou o desenvolvimento do sistema, conduziu uma demonstração de Sparrow a uma plateia de repórteres.

A ponta do braço do robô tem sete dispositivos de sucção com ponta de borracha, alimentados por vácuo e capazes de se estender ou retrair conforme o tamanho, a forma e a orientação do produto que está sendo agarrado.

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Messinger diz que o segredo é a capacidade do robô de reconhecer objetos em uma cesta, fruto de um extenso esforço interno para desenvolver um software capaz de identificar os milhões de itens oferecidos no marketplace da Amazon.

“Este é o resultado de anos de inovação”, disse Messinger, falando em um microfone para ser ouvido por cima do ruído do barulho, dos zumbidos e do estalo repentino de compressores de ar da máquina enquanto agarrava e soltava um item.

Seguindo pistas programadas, Sparrow pegou itens, um por um, e os colocou em outras bolsas.

  • Um jogo de críquete de brinquedo.
  • Um DVD.
  • Um conjunto de mapas para pescadores.

Ele administrou as tarefas sem contratempos.

O braço em si é fabricado por um fornecedor externo, cujo nome a Amazon se recusou a revelar. Os engenheiros da empresa o integraram com a “ferramenta de ponta de braço” e com o software interno de visão computacional.

A Amazon passou anos testando tecnologias que poderiam se aproximar da destreza humana, a certa altura oferecendo um prêmio anual em dinheiro ao construtor do melhor pegador automatizado.

Quais foram as premissas para o desenvolvimento da tecnologia

Uma versão inicial de um braço robótico está em exibição no saguão do prédio de Seattle, que já abrigou os principais executivos de logística da Amazon — um símbolo proeminente das ambições da empresa.

O trabalho passou a ter nova urgência em 2016, depois que uma análise interna projetou que a força de trabalho da Amazon — a maioria composta pelos funcionários de armazéns — ultrapassaria 1 milhão de funcionários até 2021.

A conclusão foi que a Amazon esgotaria o conjunto de pessoas dispostas a trabalhar para a empresa e arriscaria irritar os sindicatos.

A previsão, que se mostrou estranhamente precisa, deu início a um turbilhão de ideias na área das equipes de robótica e automação da Amazon, transformando seu trabalho em um imperativo para o ex-executivo Dave Clark, que à época dirigia a unidade de logística, segundo uma fonte a par da situação.

A equipe foi encarregada de desenvolver uma tecnologia que permitisse dois tipos de edifícios:

  • um centro de atendimento altamente automatizado
  • e um totalmente automatizado. Este último — conhecido na indústria como um “armazém escuro” — acabou sendo mais um experimento mental do que uma meta de verdade, segundo várias pessoas que trabalharam no projeto.

Em geral, a Amazon estabelece metas excessivamente ambiciosas ou fora da realidade para inspirar os funcionários a pensar em soluções criativas.

Os avanços na visão computacional e nos braços robóticos colocaram a instalação altamente automatizada ao alcance, mas havia uma pedra persistente no caminho: as prateleiras de malha bem embaladas que contêm os milhões de itens nos principais centros de atendimento da Amazon.

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Os seres humanos podem detectar com facilidade uma lacuna nesses cubículos e colocar uma garrafa de Advil entre um pacote de fones de ouvido e um coala empalhado — uma tarefa desafiadora para um robô de ponta.

“Não dá para simplesmente socar uma dessas coisas na lateral de uma prateleira”, disse Rob Hahn, ex-gerente de Armazém da Amazon que viu os primeiros protótipos.

Em junho, a Amazon anunciou que tinha chegado a uma solução, enterrando a inovação no meio de um post no blog que falava de outra invenção robótica. O sistema de armazenamento conteinerizado mantém os produtos em sacolas de plástico profundas, deixando espaço suficiente para que as câmeras vejam claramente os itens e os braços robóticos consigam pegá-los.

O sistema estava instalado e funcionando no mês passado nas instalações da Amazon nos arredores de Boston, realizando simulações com um inventário fictício, para que os engenheiros pudessem resolver os problemas.

Os robôs Hercules, sucessores parrudos das máquinas Kiva originais, transportaram uma imponente prateleira de bolsas cinzentas para um braço robótico com dois recipientes em forma de sacola.

De que maneira a automação já mudou os centros de distribuição

O braço balançou para cima para posicionar sua cesta na frente da estante correta, estendeu um dispositivo de sucção e agarrou uma caixa fora da prateleira. Uma fração de segundo depois, o braço abaixou e colocou a caixa em cima de um robô que aguardava, chamado Xanthus, um primo peso-pena do Hércules.

O que acontece a seguir não foi demonstrado, mas um vídeo do processo feito pela Amazon mostra Xanthus entregando a caixa a um trabalhador humano que estava à espera.

Esse é um processo mais ergonomicamente amigável do que o sistema atual, que exige que os funcionários se contorçam e se estiquem repetidas vezes para alcançar as prateleiras certas, correndo risco de se machucar para conseguir dar conta das metas de produtividade da Amazon.

Em última análise, dizem os roboticistas de fora que assistiram à demonstração, o sistema poderia acabar com esses trabalhadores completamente, com Sparrow colocando e retirando produtos das prateleiras.

A geração dos centros de atendimento que estão sendo construídos agora é projetada para acomodar o novo sistema, afirmou Quinlivan em uma entrevista.

A Amazon também pode reformar armazéns mais antigos, um processo que a empresa vai avaliar local por local, pois pode não fazer sentido reequipar instalações modernas que já conseguem despachar até um milhão de unidades por dia. “Haverá outros locais onde, se não der pra conseguir a mão de obra, isso vai ajudar”, disse ele.

Guardar e retirar produtos — “estiva e colheita”, no jargão da empresa — estão entre os trabalhos mais comuns nos armazéns da Amazon.

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“Se eles conseguirem descobrir — quando eles descobrirem — a capacidade de as entranhas do edifício serem armazenadas em contêineres, definitivamente será mais barato” de operar, disse Hahn, o ex-gerente de armazém, que hoje trabalha para a Pattern, empresa de e-commerce.

“Porque eles vão precisar de menos gente.” Alguém familiarizado com os planos da Amazon simplesmente descreveu o armazenamento em contêineres como uma “preocupação grande”.

A Amazon agora tem as peças necessárias para um armazém altamente automatizado se for levado em consideração outros anúncios no ano passado e que incluíram:

  • braços robóticos que classificam de modo autônomo produtos embalados
  • e Proteus, um robô capaz de transportar com segurança carrinhos preenchidos por humanos

A empresa diz que é cedo para Sparrow e que não finalizou os planos de como a máquina servirá para os armazéns. O braço atualmente está em fase de testes em uma única instalação na área de Dallas, ajudando a embalar com mais firmeza o estoque nas prateleiras da Amazon, tarefa relativamente marginal.

O robô só consegue lidar com 65% dos itens da Amazon, e às vezes se esforça para pegar produtos soltos ou mal embalados, além de ser suscetível a puxar uma lâmpada para fora de sua embalagem, disse Messinger, chefe de design do sistema.

Ash Sharma, que rastreia a automação do armazém na Interact Analysis, diz que o robô parece ter capacidades semelhantes às dos dispositivos de última geração feitos por outras empresas e suspeita que a implantação esteja “alguns pares de anos à frente”.

Como ficará a relação entre seres humanos e máquinas?

Os roboticistas da Amazon insistiram repetidas vezes que o objetivo é ajudar os trabalhadores, não substituí-los.

“Não poderíamos ter feito o que fizemos durante a pandemia sem a mistura de pessoas e máquinas”, disse Tye Brady, tecnólogo-chefe da Amazon Robotics, um otimista incorrigível no poder da tecnologia que garante que a empresa sempre terá trabalhadores humanos em suas instalações.

O objetivo de Brady é eliminar o trabalho pesado e as lesões por esforço, automatizando essa parte do processo. “Se eu conseguir acabar com os movimentos repetitivos”, acrescentou, “eu consigo eliminar o mundano”.

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Perguntado se a Amazon estava perto do ponto em que começaria a empregar menos trabalhadores em armazéns, o chefe de robótica Quinlivan desconversou, afirmando que estava mais preocupado em achar pessoas suficientes para ajudar a manter e gerenciar a crescente frota de máquinas.

A Amazon está treinando funcionários para preencher algumas dessas vagas. Entre as iniciativas, estão:

  • O Career Choice, programa da empresa que paga por hora de formação e capacitação profissional de funcionários, e que teve cerca de 50.000 participantes na sua primeira década
  • Depois que a Amazon expandiu o programa para incluir a emissão de diplomas universitários, foram quase 40.000 participantes só neste ano
  • Um programa mais focado da Amazon visa treinar futuros operadores de robôs e produziu cerca de 1.400 graduados em seus dois primeiros anos

No evento de imprensa para a apresentação do Sparrow, alguns desses funcionários estavam presentes, enviados para servir como prova viva de que o futuro robótico da Amazon incluiria seres humanos. Um deles era Kory Sellers, gerente de 22 anos de um armazém em Charlotte (Carolina do Norte).

Sua tripulação aposentou recentemente seu primeiro robô Hercules, e escreveu “obrigado” no robô por ter ajudado a manter a operação do armazém funcionando. Situado num canto da fábrica de robótica da Amazon, Sellers não tinha muito a dizer sobre o processo que estava acontecendo na frente dele, mas agradeceu ao empregador pela oportunidade.

“A Amazon Robotics me ajudou na minha vida e na minha carreira”, disse ele.

Tradução por Fabrício Calado Moreira

https://exame.com/negocios/a-estrategia-da-amazon-para-contornar-a-falta-de-gente-disposta-a-trabalhar-nos-galpoes-da-empresa/

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2023 será o ano da inteligência artificial generativa

Produzir um pequeno texto jornalístico a partir de um boletim de ocorrência será tarefa para as máquinas

Pedro Dória – O Globo – 23/12/2022 

Uma das primeiras reações ao lançamento do ChatGPT, aberto ao uso público no início deste mês, foi de professores universitários americanos. O sistema atua como uma janela de chat. Pergunte sobre o conceito de liberdade segundo o filósofo fulano ou peça um resumo de Hamlet, e o sistema não dá apenas uma resposta coerente. A resposta é incrivelmente profunda, às vezes até sensível. Os professores começam a temer que não serão mais capazes de distinguir os trabalhos que alunos de graduação escreveram daqueles produzidos por inteligência artificial. Mas o cenário está posto. Este ano que entra, 2023, será o ano da inteligência artificial generativa — Gen-AI, na sigla habitualmente usada em inglês.

Gen-AI não é novidade. Já estamos faz dois anos brincando com a possibilidade de produzir ilustrações, algumas muito bonitas, a partir de descrições em texto. A popularização dos aplicativos que produzem retratos ao estilo de artistas conhecidos a partir de nossas fotografias está crescendo. Programadores já usam bots para escrever código — descrevem o que querem que a rotina faça, o bot escreve um programinha. ChatGPT é a primeira demonstração pública de que texto com bastante sofisticação, que parece ter sido redigido por alguém que pensa, pode nascer de uma inteligência artificial. Sistemas similares aparecerão com resultados cada vez mais impressionantes.

As consequências vão muito além dos cursos de graduação. Uma versão especializada em Direito poderá produzir sumários da jurisprudência de um caso para um escritório de advogados. A ata de uma reunião, de qualquer reunião, poderá ser redigida a partir da gravação em áudio da conversa. Chats de atendimento ao consumidor se tornarão indistinguíveis de pessoas que tudo sabem e tudo podem resolver. Produzir um pequeno texto jornalístico a partir de um boletim de ocorrência será tarefa para as máquinas fazerem. Um grupo de publicitários poderá convocar o programa a sugerir slogans partindo das características de um produto ou dos valores de uma empresa — se não para usar como resultado final, talvez para se inspirar.

Não há motivo para que a Gen-AI, a inteligência artificial capaz de produzir conteúdo, se limite a texto ou imagens. Pode construir moléculas para a indústria química, circuitos para a área de tecnologia. A imaginação é realmente o limite. A Gen-AI não é criativa, tudo o que ela produz surge a partir do que já foi criado antes. Não é capaz de escrever um parágrafo de Guimarães Rosa ou um verso de Fernando Pessoa, não pinta um Van Gogh, mas boa parte da criação humana não exige esse nível de requinte.

O surgimento da Gen-AI, portanto, começará nesta década a acelerar duas tendências fortes. A primeira é que precisaremos de menos ilustradores, menos advogados, menos jornalistas, menos analistas de RH, menos assistentes de todo tipo. O trabalho mais braçal da criação não dura até 2030. Empresas, cada vez mais, poderão produzir mais com menos gente. E isso tudo graças aos algoritmos de inteligência artificial construídos por algo como dez empresas que dominarão por completo o ambiente, venderão os serviços de seus programas e ganharão dinheiro como nunca antes.

A tecnologia não deixará de ser criada, o mundo não voltará para trás, mas não dá para ignorar que essa é uma máquina aceleradora da concentração de riqueza. As nações precisarão se unir para entender como regular esse espaço e, muito provavelmente, sobretaxar a indústria digital para garantir melhor distribuição do bem-estar que a tecnologia constrói. Se o trabalho será menos necessário, que não seja à custa da miséria.

https://oglobo.globo.com/opiniao/pedro-doria/coluna/2022/12/2023-sera-o-ano-da-inteligencia-artificial-generativa.ghtml

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