Corning, que criou tela do iPhone, expande fábrica no Brasil de olho no mercado de saúde pós-pandemia


Americana vai produzir em planta no Rio utensílios de alta precisão para laboratórios

Por Rennan Setti – O Globo – 01/12/2022 

Produtos da linha Ciências da Vida da Corning Produtos da linha Ciências da Vida da Corning Divulgação

A Corning, companhia fundada há 171 anos e cujos vidros estiveram em inovações que vão das lâmpadas de Thomas Edison à tela do iPhone, está expandindo sua fábrica no Brasil. A empresa nova-iorquina, que já fazia componentes de fibra óptica em sua unidade no Rio, passará também a fabricar produtos para o mercado de saúde.

A estratégia é explorar a expansão de demanda desencadeada pela crise da Covid e o espaço aberto pela bagunça logística das cadeias globais, que tornou mais atraente a produção local. O investimento na expansão foi de R$ 10 milhões.

A planta em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio — sua única no país — vai produzir plásticos conhecidos como microtubos e ponteiras para micropipetadores. São ferramentas de alta precisão para manipulação de líquidos usadas por laboratórios em pesquisas que incluem a fabricação de vacinas e a análise genômica. Os produtos da Corning desse segmento já eram usados no Brasil por laboratórios como a Fiocruz — inclusive na elaboração da vacina contra a Covid-19 —, mas eram produzidos em fábricas localizadas em China e México.

A expectativa é que a nova linha produza até 254 milhões de peças por ano. Toda a matéria-prima será local, e, por ora, a unidade fornecerá apenas para clientes nacionais.

— Durante a pandemia, o consumo desses itens disparou e houve uma “disrupção” no fornecimento. Isso abre uma oportunidade. Hoje, 95% desses produtos usados no Brasil são importados. Estamos tentando ser mais competitivos que os importados, cujo custo também é impactado por tributação elevada — explicou Flávio Guimarães, presidente da Corning para América Latina e Caribe. — Mas, acima de tudo, enxergamos tendência de crescimento continuado nesse mercado. Em cinco anos, a gente quer crescer cinco vezes nossa participação no segmento.

Fábrica no Brasil após aquisição

Os produtos fabricados no Rio serão da Axygen, uma das marcas da divisão batizada de Ciências da Vida da Corning e que foi comprada por US$ 400 milhões em 2009. Para abrigar sua fabricação, a unidade ganhou uma “sala limpa”, ambiente controlado para evitar contaminação da produção — o que não era necessário na linha de fibra óptica. Cerca de 40 funcionários vão trabalhar diretamente na divisão de saúde. Até então, a fábrica tinha 700 empregados.

A Corning começou a produzir no Brasil há nove anos, quando adquiriu a fabricante de componentes de telecomunicações Bargoa das mãos da espanhola Abengoa.

Em termos de faturamento, a divisão de Ciências da Vida é a menor da Corning, respondendo por 9% dos US$ 3,5 bilhões em vendas registrados no terceiro trimestre. O carro-chefe é o segmento de comunicações ópticas, que responde por 38% do faturamento.

Um telefonema de Steve Jobs

A Corning faturou US$ 14 bilhões no ano passado e vale hoje quase US$ 30 bilhões na Bolsa de Nova York. Fundada em 1851, a companhia teve papel importante em alguns marcos da evolução econômica americana a partir da Segunda Revolução Industrial, da eletrificação ao smartphone.

Foi a Corning que criou os vidros utilizados nas primeiras lâmpadas de Thomas Edison. Mais de um século depois, seu CEO, Wendell Weeks, recebeu uma ligação de Steve Jobs pedindo ajuda em sua nova invenção: um celular sem teclas. O fundador da Apple temia que a tela do novo aparelho ficasse rapidamente arranhada se fosse produzida em plástico e encomendou à Corning uma alternativa em vidro. A fabricante desenvolveu então o Gorilla Glass, que combinava espessura fina com resistência elevada. O vidro acabou na tela do iPhone e, nos anos seguintes, nos displays dos smartphones e tablets “top de linha” das principais fabricantes de eletrônicos do mundo.

https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2022/12/corning-que-criou-tela-do-iphone-expande-producao-no-brasil-de-olho-no-mercado-de-saude-pos-pandemia.ghtml

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