Pirelli: com o carro elétrico, o pneu continuará preto e redondo, de resto, muda completamente

Fabricante italiana prevê que 60% de seus pneus homologados até 2025 equiparão carros a bateria, que exigem desempenho diferente. Pauta ambiental também promove a busca por material não fóssil, como casca de arroz e celulose

Rodrigo Caetano – Exame – 20/07/2022 

Quem dirige um carro elétrico logo percebe que ele é igualzinho a um carro a combustão, exceto pelo fato de ser completamente diferente. A contradição se explica: para o consumidor, a experiência é a mesma, com algumas melhoras. Para a indústria, e toda a cadeia automotiva, é como comparar um elevador com uma escada rolante — com o agravante de que até os componentes que parecem iguais, são diferentes.

É o caso, por exemplo, dos pneus. “Continuarão a ser pretos e redondos, mas é só”, afirma Cesar Alarcon, CEO da fabricante italiana de pneus Pirelli no Brasil. “O veículo elétrico é mais pesado e mais rápido na aceleração, o que demanda um desempenho bem distinto”. Para Alarcon, a mudança da matriz energética do setor de transporte e mobilidade é apenas a ponta do iceberg de uma transformação mais profunda. “Há muito desenvolvimento que não se vê da superfície”, afirma.

A cadeia de valor da indústria automotiva sofre a influência, obviamente, das montadoras. Se o caminho estratégico definido pelas fabricantes de automóveis é o da eletrificação, é nessa direção que a Pirelli andará. Pelas projeções da companhia, até 2025, 60% dos pneus vendidos e homologados estarão equipando carros elétricos.

Pneus com menor atrito e mais silenciosos

Por isso, grande parte do esforço de desenvolvimento está concentrada em melhorar dois aspectos do produto: a menor resistência ao rolamento, um aspecto fundamental para economizar energia e aumentar a autonomia do veículo, o calcanhar de aquiles dos elétricos; e o silêncio. “Ninguém quer, num carro que não tem barulho de motor, ficar escutando um pneu barulhento”, diz Alarcon.

A nova rota das montadoras, porém, não é o único motivo que leva a Pirelli a reformular por completo seus produtos, exceto pela cor e forma. “A eletrificação tem um grande objetivo, que é reduzir as emissões. Apesar da mudança da matriz energética não ser uma pauta exclusivamente ambiental, não podemos perder esse Norte”, diz o CEO. Essa compreensão leva a empresa a buscar novas matérias-primas e a reduzir o uso de componentes de origem fóssil, notadamente o petróleo.

No Brasil, onde está o segundo maior centro de inovação da companhia, menor apenas que o de Milão, estão sendo conduzidas experiências com casca de arroz e celulose, por exemplo. Um pneu é feito, principalmente, de borracha natural e sintética, fios de aço e componentes químicos. Nesses últimos componentes e na borracha sintética é onde ocorre o maior uso de material fóssil. Além, é claro, da energia utilizada na fabricação, que também vem sendo substituída por fontes renováveis.

A velocidade da eletrificação no Brasil

Manter a conexão com o objetivo central da eletrificação ajuda, também, a compreender a velocidade desse processo em diferentes partes do mundo. Segundo Alarcon, a tendência é que a mudança da matriz demore mais a acontecer no Brasil do que na Europa ou na China. Isso se deve à disponibilidade de energia limpa. “A Europa e a China têm uma urgência muito maior de eletrificação, pois não contam com alternativas. No Brasil, há o etanol. Acredito que o carro elétrico irá chegar por aqui, mas deve levar alguns anos a mais”, define o executivo.

https://exame.com/esg/pirelli-com-o-carro-eletrico-o-pneu-continuara-preto-e-redondo-de-resto-muda-completamente/

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“É possível trabalhar sem chefe”, diz diretora de RH da Sandoz

Em live da série RH 4.0, Priscilla Cotti, diretora de RH e comunicação da Sandoz fala sobre o conceito “unboss” que vem transformando as relações de trabalho na farmacêutica

Por Jacilio Saraiva, Para o Valor 26/07/2022

É possível trabalhar “sem chefe”. Quem garante é Priscilla Cotti, diretora de RH e comunicação do Brasil e na América do Sul da Sandoz, divisão da multinacional Novartis, com 422 funcionários no país. Desde 2018, a multinacional suíça aposta no conceito de “unboss” (sem chefe), com a intenção de remover barreiras de hierarquia, dar mais autonomia aos funcionários e abrir espaço para a criatividade no ambiente de trabalho. “Queremos que os funcionários tenham autonomia, com responsabilidade, e que os gestores não se tornem uma espécie de super-heróis, que sabem tudo e não podem errar”, explicou Cotti durante live da série RH 4.0 do “Carreira em Destaque”, mediada pela editora de Carreira do Valor, Stela Campos.

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O conceito usado na Sandoz é baseado nas ideias do livro “Unboss”, que os empreendedores dinamarqueses Lars Kolind e Jacob Bøtter escreveram em 2012. “Buscamos dar um novo papel à liderança, com gestores mais humanizados, que trabalham com os times não apenas direcionando pessoas, mas engajando a todos num propósito.”

Priscilla Cotti, diretora de RH e comunicação na Sandoz Brasil e América do Sul — Foto: Reprodução / Youtube Valor

Apesar da força da expressão “sem chefe”, os gestores estão no centro dessa transformação. A Sandoz investiu no treinamento das chefias e em rodas de conversas, em que os funcionários tiram dúvidas sobre a nova dinâmica e se sentem mais seguros para colaborar. Do total de empregados, 78 ou 18% do quadro são considerados líderes. Um dos pontos trabalhados foi a cultura do feedback, destacou. “Os times ajudam os líderes a dar essa ‘virada de chave”’, disse. “As avaliações são feitas por todos, de chefes para liderados e de liderados para gestores.”

Cotti afirmou que as lideranças recebem os “inputs” das equipes de três a quatro vezes ao ano. Com os relatórios em mãos, avaliam como podem aperfeiçoar aspectos de gestão. Mas, para que isso desse certo, contou, com os funcionários “falando” dos chefes, foi preciso criar um ambiente psicologicamente seguro, com modelos de comunicação para transmitir as sugestões.

Uma das noviidades é um sistema que recebe perguntas dos funcionários de forma anônima. As questões podem ser respondidas pelo CEO, pela diretoria ou o RH. “Assim, [todo o processo] vai se tornando normal, pois a empresa também não se transforma em um dia. Os treinamentos sobre o tema são contínuos.”

Outra ferramenta, conhecida como “check-in”, permite que qualquer funcionário solicite impressões do seu trabalho a pares e clientes e também dê as suas. As situações relatadas usam exemplos de ações que aconteceram e a liderança tem acesso às informações. “Não há somente feedbacks bons, há alguns duros também”, ressaltou. “O intuito não é ser negativo, mas auxiliar as pessoas a melhorarem.”

A executiva explicou que uma das formas de tirar o máximo proveito dos feedbacks é considerá-los como “feedforwards”. “Precisamos focar no que pode ser corrigido à frente”, disse. “É importante atuar com uma abordagem positiva da situação avaliada para apoiar o funcionário na construção do seu futuro.” A Sandoz, afirmou, incentiva não só o crescimento hierárquico dos empregados, mas o “lateral” (entre áreas).

Mas nem todo mundo gosta de receber análises ruins de desempenho, lembrou. Quando isso acontece, o RH orienta o funcionário a entender o cenário e buscar alternativas. O acolhimento pode vir também dos colegas de trabalho. Abrir os resultados da avaliação com o time e mostrar as vulnerabilidades como líder podem contribuir para uma mudança de perfil, diz Cotti. A executiva admite que ela, por exemplo, é avaliada como “muito pragmática e objetiva”.

Nessa linha, todos os funcionários que entram na empresa recebem uma espécie de “livro das fortalezas”, em que listam suas principais qualidades. O objetivo é criar um “grid” (conjunto) de competências da força de trabalho. Quando o executivo ingressa na companhia, já sabemos no que ele é bom, disse.

Para avaliar o efeito das ações na produtividade ou atualizar as iniciativas em curso, a Sandoz realiza uma pesquisa com 13 perguntas, que se repete a cada quatro meses, com as mesmas questões. “O Brasil tem um dos maiores índices de engajamento do mundo”, garantiu. “Em uma escala de até 100 pontos, em que a média global é 75, a operação local marca 91 e já atingiu 96 no auge da pandemia.”

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/07/26/e-possivel-trabalhar-sem-chefe-diz-diretora-de-rh-da-sandoz.ghtml

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‘Não investir na educação é dar um tiro no futuro’

Glauco Arbix, sociólogo, professor e especialista em inovação, diz que o estrago feito na educação básica no Brasil vai ser sentido em 10 a 15 anos

Por Marli Olmos — Valor 28/07/2022

Glauco Arbix, professor titular do departamento de Sociologia da USP: “Inovação não é computador; é gente” — Foto: Carol Carquejeiro/Valor

Vivemos um novo ciclo, científico e tecnológico, “que está sacudindo o planeta”, segundo o sociólogo e professor Glauco Arbix, especialista em inovação. O lado perverso, diz, é que esse movimento não é reproduzido de maneira igual em todo o planeta. No Brasil, existe, segundo ele, um retrocesso que começa na educação básica e envolve outras variáveis, como desigualdade social e descuido com a proteção ao meio ambiente, o que reduz a capacidade de o país acompanhar o ritmo mundial da evolução do conhecimento.

Para ele, se nas nações desenvolvidas a inteligência artificial é a bola da vez, as emergentes não conseguem sequer requalificar a mão de obra, ainda presa a ferramentas do passado, para aprender a lidar com o mundo digital, manusear um computador, e que falha até em noções básicas de matemática.

Durante a Live do Valor, ontem, Arbix disse que o país inovador é o que tem pessoas qualificadas, que pensam e transformam ideias. “Inovação não é computador; é gente”, destacou. Mas, no Brasil, nos últimos anos, as políticas públicas voltadas ao financiamento do conhecimento “regrediram a patamares do início dos anos 2000”. Para ele, o estrago feito nos últimos cinco anos, incluindo a educação básica, será sentido daqui a dez ou 15.

Professor titular do departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Arbix diz que, no Brasil, o governo não tem atuado como indicador de caminhos para que universidades, instituições e empresas trabalhem em parceria, como se vê em países desenvolvidos.

Para piorar o quadro, ele percebe efeitos nocivos ao futuro da inovação no país como consequência de medidas que o governo toma hoje. É o caso da recente “PEC das Bondades”, que fará cortes no orçamento em saúde e educação para garantir os recursos necessários para as despesas excepcionais, com o aumento do Auxílio Brasil e o voucher caminhoneiro, entre outros.

“Não investir na educação é dar um tiro no futuro do país”, diz. “E o governo, que deveria ser o estimulador acaba sendo uma barreira”, completa.

Outro problema que o país precisa resolver antes de dar saltos rumo à inovação, segundo Arbix, diz respeito à baixa produtividade. “As empresas precisam ganhar dinamismo nesse aspecto para que o país tenha uma economia mais pujante”, afirma. Para o sociólogo, que também é fundador do Observatório de inovação e competitividade, da USP, uma economia baseada em commodities é importante. “Mas somente quando combinada com a indústria é capaz de gerar uma economia moderna”.

A preservação de empregos num mundo que se volta cada vez mais à automação também o preocupa. A substituição do trabalho humano por máquinas não é de hoje. “A tecnologia que surgiu no século XX trouxe muitas mudanças”, destaca. “Quantos que acendiam lamparinas usando óleo não perderam o emprego quando surgiu a eletricidade? A tecnologia mata empregos, mas abre novas oportunidades; é preciso entender como estamos nesse processo”, afirma Arbix, que já foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Para ele, robôs não servem para substituir pessoas e a ideia de usar a tecnologia no lugar de gente “é nociva à sociedade”, apesar de, afirma, muitas empresas agirem dessa forma. “O fazem pensando que vão ganhar uns tostões, mas isso tem fôlego curto”. Para Arbix, o futuro tende a ser híbrido, com as máquinas trabalhando com as pessoas e não no lugar delas, com o intuito de aperfeiçoar precisão e qualidade. “Isso aparece no robô cuidador, no robô industrial”, afirma. “Essa interação tende a definir o futuro da tecnologia.”

Se a atual imagem do Brasil no exterior é motivo de preocupação na área empresarial e financeira, na acadêmica e de pesquisa a situação não é diferente. “Ninguém quer chegar perto de um país que não protege suas florestas, não respeita tratados ou sequer os acordos que assinou”, diz. A situação faz com que pesquisadores tenham mais dificuldade para participar das redes globais que geram conhecimento, diz Arbix, cujos estudos de pós-doutorado incluem passagens por universidades dos Estados Unidos e Inglaterra.

Para o Brasil, o ideal, recomenda, seria absorver o conhecimento já desenvolvido nas regiões mais ricas e promover o intercâmbio intelectual, levando em conta que o país também é rico em conhecimento. Basta ver, aponta, o envolvimento dos pesquisadores de saúde nas descobertas das vacinas para combater a covid-19.

“Não há nenhuma explicação biológica para o Brasil ficar para trás. Isso diz respeito apenas às escolhas que fazemos. Escolhas políticas, científicas, educacionais, tecnológicas e econômicas”, afirma. “Na situação em que estamos com a auto-estima baixa vamos continuar a achar que o Brasil não tem jeito, que o país será sempre motivo de chacota e continuaremos fazendo piada de nós mesmos.”

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/07/28/nao-investir-na-educacao-e-dar-um-tiro-no-futuro.ghtml

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Procura por C-levels as-a-service cresce em startups e pequenas empresas

Tendência se beneficiou de contratos mais flexíveis e pela necessidade de contar com a experiência de executivos de alto escalão


REDAÇÃO FAST COMPANY BRASIL 11-07-2022 |

O panteão do C-level conta com várias siglas que representam executivos com diferentes formações e experiências para gerir com eficiência as principais áreas de uma empresa. Nem sempre, porém, o negócio tem capital suficiente para investir em uma contratação nesse nível. Isso gerou uma nova tendência: a dos C-levelas-a-service, ou on demand – traduzindo, lideranças de aluguel.

Funciona assim: empresas oferecem executivos de alto escalão para trabalhar em startups ou pequenos e médios negócios por um tempo determinado, ou por projeto. São mais comuns a contratação de CFOs (especializados em finanças), CTOs (tecnologia) e CEOs (administração).

“Notamos o movimento no mercado de tecnologia, com o surgimento do CTO-as-a-service. Muitas dessas empresas eram fábricas de software que perceberam que poderiam capturar valor a partir da troca de serviços de desenvolvimento por equity. É um modelo bastante difundido e que nos inspirou”, afirma Walter Cavalcante, um dos fundadores da Sinapse, empresa com foco em CFO-as-a-service.

A tendência também ficou conhecida como CTO fracionário, cuja busca acelerou nos últimos meses. Os modelos de contrato e trabalho mais flexíveis incentivaram os executivos a se abrirem à possibilidade de não se prender a apenas uma empresa – sem falar de cobrar mais por projetos mais curtos.

OS FORMATOS DE TRABALHO OPEN TALENT ESTÃO SENDO MAIS INCORPORADOS PELAS EMPRESAS E ORGANIZAÇÕES.

“A forma como colaboramos está em plena transição, com a pandemia sendo uma grande divisora de águas no sentido das relações de trabalho. As empresas têm que repensar seus processos, que vão desde como e onde seus colaboradores trabalham até formatos de contratação”, afirma Karina Rehavia, fundadora e CEO da Ollo, empresa de contratação de profissionais independentes.

Karina Rehavia, da Ollo (Crédito: Divulgação)

“Nesse contexto, os formatos de trabalho open talent estão sendo mais incorporados pelas empresas. É cada vez mais comum a composição de times que incluem colaboradores fixos e freelancers”, explica Karina.

O movimento já foi detectado por pesquisas: 60% dos profissionais C-level entrevistados no estudo “Building the On Demand Workforce“, realizado pela Harvard Business School, disseram que cada vez mais vão preferir compartilhar talentos com outras empresas.

TEMPO DE ADAPTAÇÃO

Há vários benefícios para quem busca o C-level-as-a-service, como padronização de processos e dados; automação e acesso à inteligência de um time com experiência; contatos e conhecimento técnicos de executivos experientes; além de custo menor do que o de contratar um profissional em tempo integral.

“Profissionais C-level temporários ou fracionais podem trazer pontos de vista diferentes para as empresas, seguindo uma lógica similar à de uma consultoria externa”, complementa a CEO da Ollo.

PROFISSIONAIS C-LEVEL TEMPORÁRIOS PODEM TRAZER PONTOS DE VISTA DIFERENTES.

Para empresas que procuram esse tipo de serviço, ela recomenda que invistam tempo no onboarding e na imersão desses profissionais e em treinamentos relativos a processos e procedimentos, já que eles não vão ter o mesmo nível de entendimento da cultura organizacional e dos valores da empresa na qual vão atuar.

Também é importante, principalmente para aquelas que estão voltando ao trabalho presencial, que a estrutura esteja preparada para trabalhar com esses profissionais de forma remota.

Outro ponto de atenção é fazer uma busca cuidadosa e criteriosa do profissional, para que sua experiência e formação se encaixem com os desafios da empresa. É nessa hora que as consultorias podem ajudar.

“Nosso foco está em resolver as dores de empresas que estão crescendo e buscando estruturar a área financeira. Quase todos os nossos clientes são iniciantes, com faturamento anual de até R$ 300 milhões”, afirma Cavalcante, da Sinapse. “A proposta é aumentar a produtividade dos times por meio do emprego de tecnologia.”

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Recuperação e expansão de florestas e outros biomas pode vir do céu

Drones entram em cena para lançar sementes e monitorar o crescimento da vegetação em áreas afetadas por secas e incêndios

Crédito: Divulgação


FÁBIO CARDO – Fast Company 21-07-2022 | 

Mudanças climáticas são grandes riscos para a previsibilidade da atividade agropecuária. O clima afeta diretamente toda a cadeia produtiva, que depende de chuvas e períodos secos para que os produtores possam programar quando preparar o solo, semear, tratar e colher.

À medida em que florestas e outros biomas são danificados, seja por ação direta do ser humano (poluição, queimadas intencionais, derrubada de matas em áreas de proteção ambiental) ou indireta (fogo, inundações, secas), os parâmetros de clima ficam cada vez mais incertos.

Não importa o motivo, o fato é que as florestas têm que ser repostas, os biomas recriados, o carbono fixado no solo – ações para buscar nova estabilidade e mais previsibilidade climática. Algumas empresas estão acelerando esses processos de recuperação de florestas, com planos que preveem o replantio de bilhões de árvores até 2028. Bilhões.

Como isso é possível? Com o uso de drones e muita tecnologia. Os drones podem ser os aliados para o conhecimento das características de solo e clima dos locais onde serão realizados o replantio. Um único drone é capaz de lançar ao solo milhares de sementes, além de realizar o acompanhamento do processo de evolução das sementes e de crescimento das plantas.

Drones são usados na na recomposição de florestas na Califórnia (Crédito: Divulgação)

Uma das líderes desse processo é a canadense Flash Forest, fundada em 2019. Além dos drones, a empresa tem um software com sistema de mapeamento aéreo, automação de processos e tecnologia de sementes biológicas, que inclui um mix de sementes, fertilizante e mycorrhizae (raiz de fungo, fundamental para a nutrição da planta e saúde do solo).

O uso integrado da tecnologia já permite a reconstrução de áreas extensas de florestas no Canadá que passaram por incêndios de grandes proporções.

A empresa realiza o acompanhamento de todo o processo de mapeamento e preparação do solo, lançamento das sementes de diversas variedades de árvores, acompanhamento da evolução do crescimento e eventuais replantios. Atuando junto com organismos públicos, promove a recuperação, inclusive, em áreas de difícil acesso ou sem segurança.

A atividade Flash Forest está em franco crescimento mas ainda depende de novos investimentos para expandir para outros países. Estão em fase de buscar o investimento de série A, por exemplo, e ainda assim, mantendo o crescimento da operação. A empresa diz que ainda não tem planos de atuar no Brasil.

Outra que trabalha com sistema similar de replantio é a DroneSeed. Ela atua prioritariamente na recomposição de florestas na Califórnia, onde incêndios florestais devastam extensas áreas todos os anos. Um drone tem capacidade para carregar quase 26 quilos de sementes, junto com os compostos para promover a fertilização e ainda pimenta para afastar os roedores.

Empresas atuam junto com as comunidades locais (Crédito: Divulgação)

Ambas as empresas atuam junto com as comunidades locais, que conhecem melhor as particularidades de solo e das áreas a serem plantadas. Um esforço conjunto para a recuperação florestal em áreas que sofreram com as queimadas.

Por que não adotar o mesmo modelo de replantio e recuperação de outros biomas em todo o mundo, incluindo áreas degradadas no Brasil?

O uso de drones no Brasil nas áreas rurais está crescendo, permitindo realizar diversos mapeamentos de áreas de cultivo e das reservas legais, aplicando insumos no campo com bastante precisão, captando imagens em alta definição e coletando detalhes importantes na definição das ações necessárias para garantir melhor produtividade com o menor impacto ambiental.

Temos também boa oferta tecnológica de mapeamento, desde áreas extensas e até o micromapeamento de solo com o apoio de satélites, drones, equipamentos de solo instalados em tratores com sensores que medem umidade, qualidade dos orgânicos, pragas.

Todos os dados são processados em estruturas de banco de dados, com uso de inteligência artificial e big data. São sistemas que podem ser somados no processo de replantio de vegetação usando drones.


SOBRE O AUTOR

Fábio Cardo é economista de formação, atua em comunicação empresarial e empreendedorismo e é co-publisher do canal FoodTech da Fast Company

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Novos estudos mostram que a criatividade está, sim, ao alcance de todos

Qualquer mortal pode desenvolver a capacidade, desde que seja estimulado

Por Ricardo Ferraz – Veja – 22 jul 2022 

Em uma rara manifestação de modéstia, Steve Jobs (1955-2011), o gênio da Apple que idealizou o iPhone, dizia que mentes criativas como a dele “na realidade não inventaram nada, só viram algo que escapou aos outros”. Para ele, criatividade era simplesmente a arte de ligar os pontos e conectar ideias. Dito assim, parece fácil, mas é de elevada complexidade a habilidade envolvida nessa colagem de pensamentos dispersos, uma junção que exige não só manter a mente aberta, mas dedicada à curiosa observação do entorno com o constante ímpeto de transformá-lo. A inventividade humana sempre esteve associada aos grandes visionários de todas as áreas, até que a ciência entrou em cena e começou a dissipar o mito de que apenas alguns integrantes da espécie são premiados com o dom dos criativos. Não é verdade. O que já se sabe, a partir de sólidas descobertas, é que essa capacidade, tão valorizada no século XXI, pode ser estimulada e talhada por toda a vida. E, quanto mais cedo, melhor. 

Estudos recentes, um deles da Universidade Harvard, examinaram minuciosamente o cérebro no momento em que ele é instado a se debruçar sobre um problema e a obter caminhos para sua resolução. Ficou claro que, diante do desafio, múltiplas regiões da mente são acionadas ao mesmo tempo, promovendo uma ebulição capaz de descortinar um leque de possibilidades para sua solução. É justamente dessa diversidade de trilhas que pode emergir o inesperado, a criação com letras maiúsculas. O mergulho dos cientistas de Harvard, com seus aparelhos de ressonância magnética, enfatiza ainda que a criatividade não se dá sobre uma folha de papel em branco: um repertório de experiências e conhecimento acumulado fazem toda a diferença para aquele almejado salto rumo à novidade. Uma constatação que passa por cima de outra máxima cristalizada, a de que as invenções são, basicamente, fruto da inspiração pura.

O apreço de hoje pelo poder inovador foi medido em um levantamento da consultoria McKinsey segundo o qual, até 2030, a demanda por profissionais criativos aumentará em até 40% na Europa e nos Estados Unidos, deixando cada vez menos espaço para os repetidores de tarefas moldados para a era industrial. Que fique claro o que está no radar de recrutadores e CEOs: não se trata apenas de ter aquele estalo original — ele também tem que se provar útil e aplicável. Esse é um princípio, aliás, que norteou o pendor de gênios altamente criativos ao longo da história, como o renascentista Leonardo da Vinci. Ele cravou sua digital na arquitetura, na ciência, na engenharia e nas artes embalado pelo motor da curiosidade, um ingrediente comprovadamente essencial no caminho da descoberta, presente em outras mentes efervescentes, como as do físico Albert Einstein e do próprio Jobs (veja no quadro abaixo).

Graças aos avanços científicos, foi possível mapear os impactos positivos do incessante exercício da inventividade, que pode ser cultivado por qualquer mortal. O permanente incentivo à busca de respostas nunca antes dadas esculpe pontes entre os neurônios, e elas vão se fortalecendo à medida que eles são postos a trabalhar. “A criatividade é uma habilidade superior, que faz surgir novas conexões entre diversas áreas da mente e contribui para a formação de redes neurais e de memória, com efeitos de longo prazo”, explica Mauro Muszkat, neuropediatra e professor da Unifesp. Um estudo seminal que investigou o processo de improvisação no cérebro da pianista venezuelana Gabriela Montero, famosa pelos dedilhados inesperados em obras clássicas, identificou ligações relacionadas a coordenação motora, audição e visão em nada menos que 22 regiões da mente — inclusive em repouso. São indícios de um cérebro inquieto típico de quem vive às voltas com altas doses de criatividade.

DANÇAR PARA INOVAR - Irlanda: ensinar artes e envolver as crianças em oficinas literárias dá gás à engenhosidade – CreativeIrl/.

Não se trata, é natural, de uma capacidade que se ensina diretamente, como português ou matemática. Ela é estimulada e treinada através do chamado “pensamento divergente”, que consiste em abrir várias janelas na mente ao mesmo tempo para encarar um desafio. Em comparação à educação convencional, é como uma revolução. “A escola tal qual a conhecemos fomenta sobretudo o pensamento convergente, em que os alunos são motivados a buscar respostas únicas e incontestáveis, conforme determinam os livros didáticos”,afirma Solange Wechsler, professora de psicologia da PUC-Campinas. Os colégios mundo afora vêm sendo mais vagarosos do que requer o mercado na formação de um contingente criativo, mas vislumbram-se, nos próximos anos, bem-vindas iniciativas em prol de um ensino mais afinado com os ventos da modernidade.

Um bom exemplo vem da Irlanda. Determinado a figurar no topo do ranking das nações mais inovadoras, o país está revendo todo o currículo para incorporar o ângulo da “divergência” no dia a dia da sala de aula. Todos os estudantes têm ali a chance de aplicar o lado criativo em lições de culinária, moda, dança e oficinas literárias, que respondem por uma fração considerável do batente escolar. “Assim, naturalmente, as crianças vão desenvolvendo a capacidade de questionar e adotar abordagens imaginativas”, enfatiza a VEJA Mags Walsh, diretora do programa.

Apesar da complexidade do tema, as soluções que vêm sendo testadas pendem, em sua maioria, para a simplicidade. O método de dar gás à criatividade concebido pelos cientistas do Media Lab, o laboratório do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que há décadas se dedica a refletir sobre inovação e educação, propõe que as escolas absorvam em todos os níveis o ambiente de mais iniciativa e menos cobrança tão presente no jardim da infância. “Nessa fase, as crianças criam à vontade e têm a liberdade de errar e aprender com os erros”, diz Leo Burd, pesquisador do MIT, que trabalha em uma parceria com a Fundação Lemann para levar o método a redes públicas brasileiras. Na escola Camino, em São Paulo, que vai até os anos finais do fundamental, os alunos se envolvem em projetos para resolver problemas concretos, com elo na realidade. “O professor é sobretudo um orientador, que guia crianças e adolescentes no mundo do saber”, diz Artur Slama, que exerce a função.

Mas ainda que figure entre os itens mais ambicionados deste século, a criatividade é muitas vezes relegada a segundo plano justo quando ela deveria ser mais alimentada — na infância. “Se alguém dissesse que alunos de 15 anos estão se saindo pior em matemática do que os de 10, logo se imaginaria que há algo errado na educação, mas raramente vemos essa reação quando o assunto é a criatividade”, alerta o físico Andreas Schleicher, diretor de educação da OCDE, o clube das nações mais desenvolvidas. Sinal dos novos tempos, a organização desenvolveu uma maneira de avaliá-la que, pela primeira vez, será incluída no PISA, a mais renomada medição global da qualidade do ensino. “Acredito que o novo PISA vai nortear mudanças decisivas no currículos escolares”, diz Ricardo Primi, consultor do Instituto Ayrton Senna.

Com base no ranking da criatividade da OCDE, o instituto está preparando um material para mestres interessados em tornar os conteúdos mais instigantes. O método, testado em pequena escala, estará disponível, até 2024, para redes públicas. No ensino particular, 30 000 alunos de oitenta escolas contam com uma plataforma digital para desenvolver as tão ventiladas habilidades socioemocionais, três delas relacionadas à abertura ao novo. “Criatividade é uma capacidade híbrida, que nasce a partir do desenvolvimento da curiosidade, da imaginação e da persistência em adquirir conhecimento ”, lembra o psiquiatra Celso Lopes, do grupo Semente, à frente do projeto. Desenvolver essas competências faz diferença, inclusive, na aprendizagem das matérias regulares: as crianças que passaram pelo programa tiveram, por ora, melhora de até 11% nas notas finais.

No curso da evolução, o Homo sapiens se sobrepôs às outras espécies porque aprendeu a andar em bandos e se mostrou mais resiliente a doenças, lesões e estresse — resultado, segundo um estudo recém-publicado na revista Nature, de uma explosão criativa ocorrida geneticamente nos humanos há 40 000 anos. Essencial para a sobrevivência no passado, a criatividade será cada vez mais determinante na pavimentação do nosso futuro.

Publicado em VEJA de 27 de julho de 2022, edição nº 2799 

https://veja.abril.com.br/comportamento/novos-estudos-mostram-que-a-criatividade-esta-sim-ao-alcance-de-todos/

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Os fenícios grandes navegadores da antiguidade

Por João Lara Mesquita – Estadão – 16 de outubro de 201716

Grandes navegadores da antiguidade, os fenícios eram a força predominante ao seu tempo

Os fenícios nos legaram muito mais que apenas o alfabeto. A civilização surgiu no Levante por volta de 3000 a.C. Acima de tudo, eram famosos por seu domínio da antiga navegação marítima e construção naval e, provavelmente, foram os primeiros a pesquisar o Mar Mediterrâneo e a ultrapassar o Estreito de Gibraltar para se aventurarem no oceano Atlântico. Descendentes, à primeira vista, dos misteriosos “Povos do Mar” que migraram da Península Arábica, chegaram à costa do que hoje é o Líbano. Frequentemente estabeleceram grandes cidades em Beirute, Byblos, Tiro, Sidon e Baalbek. Sua posição como marítimos dominantes foi observada por Homero, a Bíblia e obras de arte egípcias antigas. Assim como outros povos antigos e modernos, foram a maior potência naval ao seu tempo.

Proezas fenícias registradas para a posteridade.

Como os fenícios se tornaram grandes navegadores

Nesse meio tempo, conseguiram desenvolver habilidades de navegação e construção naval mais avançadas que as de todas as culturas que cercam o Mediterrâneo.

Navio fenício-púnico, de uma escultura em relevo descoberta em sarcófago do século II a.C (Crédito:www.ancient.eu)

Assim, perto do fim da era do bronze (cerca 1300-700 a.C) quando os egípcios ainda não eram um povo marítimo, e as civilizações grega e hebraica ainda não tinham se desenvolvido até o ponto em que poderiam fazer extensas viagens marítimas, eram eles que dominavam o mar.

A princípio, navegaram por todo o Mediterrâneo. Além disso, viajaram para fora do Estreito de Gibraltar, no Atlântico, onde estabeleceram colônias na Península Ibérica. Fizeram, igualmente, extensas viagens ao longo da costa da África.

Atualmente, encontros de naufrágios confirmam a excelência dos barcos fenícios.

A navegação fenícia

Entretanto,  não conheciam a bússola ou qualquer outro instrumento de navegação. Baseavam-se, sobretudo, em características naturais do litoral. Além disso, usavam as estrelas, o sol, os marcos da costa, a direção dos ventos enquanto contavam com a experiência do capitão sobre as marés, correntes e ventos da rota.

As colônias fenícias

A mais famosa foi Cartago, localizada no que é agora a Tunísia, norte da África. Estabelecida algum tempo após 800 d.C.  Eventualmente, tornaria-se uma grande cidade, tão poderosa que desafiou o império romano. Por fim, acabou destruída durante as guerras púnicas.

Antes, porém, os fenícios criaram uma rede comercial sem precedentes que foi de Chipre, Rodes, Ilhas do Mar Egeu, Egito, Sicília, Malta, Sardenha, Itália central, França, Norte de África, Ibiza, e além das Colunas de Hércules (hoje Estreito de Gibraltar).

Dessa forma, com o tempo essa rede transformou-se em um império de colônias contribuindo para que atravessassem os mares e ganhassem a confiança até chegarem a lugares tão distantes como a  Grã-Bretanha e, até mesmo, a costa atlântica da África.

Os fenícios realizavam comércio através da galé, um navio movido a velas e remos. Eles foram creditados como os inventores do birreme, tido como o melhor navio da antiguidade. Gregos e romanos copiaram e aprimoraram o modelo.

Fenícios grandes navegadores, ‘inventaram a quilha’

Eram famosos na antiguidade por suas habilidades na construção de navios. Foram creditados, igualmente, pela invenção da quilha, bem como o calafeto (para vedar a entrada d’água) entre as tábuas da embarcação. Das esculturas assírias em Nínive e Khorsabad, e descrições em textos como o livro de Ezequiel, na Bíblia, sabemos que os fenícios tinham três tipos de navios.

Ilustração: http://www.oocities.org

Os navios de guerra

Os navios de guerra tinham uma popa convexa, eram impulsionados por uma grande vela retangular num único mastro, e com dois bancos de remos (birreme). O comprimento era sete vezes maior que  sua largura, para carregar o número necessário de tripulantes, remadores e guerreiros. Herodotus e Tulcídides concordam que a velocidade média de uma antiga embarcação era de cerca de 6 milhas por hora.

Navio de guerra dos fenícios grandes navegadores (Ilustração: monacoreporter.com)

Os navios fenícios tinham um convés e estavam equipados com um aríete na proa. A popa era igual aos navios de carga, mas a proa,  muito diferente, era em si uma arma. Tinha um esporão de bronze de várias formas  usado para investir e furar o casco dos navios inimigos.

Nas proas dos navios foram pintados olhos comuns e, acima deles, aberturas para cabos de ancoragem. Havia na proa um arco usado por guerreiros, ou catapultas; e um pós-castelo no final da popa que abrigava o capitão e os oficiais. Havia, ainda, dois lemes para a direção, um de cada lado da popa.

Os navios de comércio

O segundo tipo foi para fins de transporte e comércio. Estes eram semelhantes aos primeiros, mas, com cascos largos, ‘inchados’, eram bem mais pesados. Tinham um grande espaço de carga.

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ilustração de navio de carga dos fenícios grandes navegadoresNavio de carga dos fenícios grandes navegadores (Ilustração: peopleofonefire. com)

O comprimento era quatro vezes maior que  sua largura e sua capacidade de carga, de cerca de 450 toneladas. Uma frota podia consistir em até 50 navios de carga. Algumas foram retratadas em relevos sendo escoltadas por vários navios de guerra.

Pesca e viagens curtas

Um terceiro tipo de embarcação, também para uso comercial, era muito menor. Aparentemente, tinha uma cabeça de cavalo na proa e apenas uma fileira de remos. Contudo, devido ao seu tamanho esta embarcação era utilizada apenas para pesca costeira e viagens curtas.

Menções históricas às negações fenícias

Muito do que se conhece sobre as habilidades náuticas deste povo nos chegou através dos historiadores antigos. Heródoto, por exemplo,  descreve um episódio durante a construção da segunda invasão persa da Grécia em 480 a.C liderada por Xerxes. Por sinal, história comentada no post Batalha de Salamina, parte da História da humanidade.

O rei persa queria colocar sua frota multinacional à prova. Desse modo, organizou uma regata vencida pelos  marinheiros de Sidon. Heródoto menciona igualmente que Xerxes fazia questão de viajar em um navio fenício sempre que tinha que ir a qualquer lugar por mar.

Os historiadores por muito tempo consideraram que os fenícios navegavam apenas durante o dia, porque tinham que se manter perto da costa e à vista de pontos de referência; à noite, portanto, tinham que encalhar ou ancorar seus navios. Isto  explica a proximidade de algumas colônias fenícias, a um dia de distância de navegação umas das outras.

A tradição dos olhos na proa

Frequentemente, dois olhos eram pintados em ambos os lados da proa, destinados ‘a permitir que o navio visse a rota que estava tomando.’ Tornaram-se tradição náutica. Até hoje muitos barcos, de pesca ou recreio, levam olhos pintados na proa.

Pesqueiros do sul da Bahia

Além disso, de acordo com a tradição histórica, os olhos impunham medo entre os inimigos. A tripulação geralmente não era mais do que 20 homens, incluindo o capitão-proprietário e piloto.

Viagens fenícias: Mediterrâneo, Atlântico, Mar Vermelho e Índico

Os fenícios não estavam limitados ao Mediterrâneo e ao Atlântico,  também navegavam pelo Mar Vermelho e possivelmente no Oceano Índico. A Bíblia descreve a expedição fenícia durante o século 10 a.C. a uma nova terra chamada Ophir para adquirir ouro, prata, marfim e gemas.

A localização de Ophir não é conhecida, entretanto, especula-se como sendo no Sudão, na Somália, no Iêmen ou até mesmo em uma ilha no Oceano Índico. 

Navio fenício à época do apogeu. Ilustração, http://viewzone.com/phoenician.boat.jpg.

No Atlântico…

O antigo historiador Diodoro afirmou que os fenícios chegaram às ilhas do Atlântico da Madeira, das Ilhas Canárias e dos Açores. No entanto, não há evidências arqueológicas de contato fenício direto, apenas a descoberta em 1749 de oito moedas cartaginesas que datam do século III a.C.

Chegando à Grã-Bretanha…

Os marinheiros da colônia Cartago, a mais bem sucedida da Fenícia, teriam navegado para o antigo Reino Unido em uma expedição liderada por Himilco em 450 a.C.

Navio fenício. Século 13 a.C. Ilustração, museu de Filadélfia.

Fenícios grandes navegadores: circum-navegação da África

Uma das mais memoráveis viagens foi descrita por Heródoto. O ‘Pai da História‘ conta que  no final do século VII a.C., os fenícios foram instruídos pelo faraó Necho para circum-navegar o continente africano de leste a oeste numa viagem de três anos.

Há quem diga que ‘se qualquer nação pudesse reivindicar ser o mestre dos mares, seriam os fenícios’ (por exemplo, o historiador Mark Cartwright).

Fontes: http://ageofex.marinersmuseum.org; http://www.worldhistory.biz; phoenicia.org; http://www.ancient.eu; monacoreporter.com; http://www.oocities.org; peopleofonefire.com.

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As habilidades que mais importam para o C-level, segundo Harvard

Pesquisadores analisam mais de 5 mil “job descriptions” e indicam que gestão de recursos financeiros e operacionais permanecem altamente relevantes, mas há novas competências fundamentais

Por Adriana Fonseca, Para o Valor 08/07/2022

Por muito tempo, sempre que as empresas queriam contratar um CEO ou outro executivo-chave, elas sabiam o que procurar: alguém com experiência técnica, habilidades administrativas e um histórico de sucesso no gerenciamento de recursos financeiros. A preferência era, quase sempre, por executivos de empresas multinacionais ou grandes consultorias. Mas essa prática pode não servir mais, alerta um artigo publicado na “Harvard Business Review”.

Muita coisa mudou nas últimas duas décadas e as empresas não podem mais presumir que os líderes com “pedigree gerencial tradicional” terão sucesso no C-level, informam os pesquisadores que escreveram o artigo.

C-level precisa ter habilidades sociais, além do conhecimento de gestão financeira e operacional — Foto: Unsplash

Hoje, segundo eles, as empresas precisam contratar executivos capazes de motivar forças de trabalho diversas, tecnologicamente experientes e globais. Esses gestores precisam saber desempenhar o papel de um “estadista corporativo”, lidando de forma efetiva com stakeholders que vão de governos a ONGs influentes. Além disso, precisam conseguir aplicar de forma rápida e eficaz suas habilidades em uma nova empresa, em um setor que pode ser desconhecido e, muitas vezes, com colegas do C-level que eles não conheciam anteriormente.

Essas mudanças representam um desafio para o recrutamento de executivos, porque as capacidades exigidas dos principais líderes incluem habilidades novas e muitas vezes “mais suaves”, que raramente são explicitamente reconhecidas ou promovidas no mundo corporativo. Nesse cenário, o que significa, exatamente, as tão faladas “soft skills”?

Para chegar à resposta para essa pergunta, pesquisadores de Harvard analisaram dados da Russell Reynolds Associates, uma das principais consultorias de recrutamento executivo do mundo. Mais de 5 mil “job descriptions” publicadas entre 2000 e 2017 foram analisadas, dos seguintes cargos: CEO, diretor financeiro, diretor de tecnologia, líder de recursos humanos e diretor de marketing.

Uma das principais conclusões é que nas últimas duas décadas as empresas redefiniram significativamente os papéis dos executivos do C-level. As capacidades tradicionais como gestão de recursos financeiros e operacionais permanecem altamente relevantes, mas quando as empresas hoje procuram seus principais líderes, especialmente novos CEOs, elas atribuem menos importância do que costumavam e, em vez disso, priorizam uma qualificação acima de todas as outras: fortes habilidades sociais.

O que são habilidades sociais

Essas “habilidades sociais” são capacidades específicas, incluindo um alto nível de autoconsciência, de ouvir e se comunicar bem, uma facilidade para trabalhar com diferentes tipos de pessoas e grupos e o que os psicólogos chamam de “teoria da mente” – a capacidade de inferir como os outros estão pensando e sentindo.

“Nossa análise revelou que as habilidades sociais são particularmente importantes em ambientes onde a produtividade depende de uma comunicação eficaz, como invariavelmente acontece nas empresas grandes e complexas”, explicaram os pesquisadores. “Nessas organizações, CEOs e outros líderes seniores não podem se limitar a realizar tarefas operacionais rotineiras. Eles também precisam gastar uma quantidade significativa de tempo interagindo com outras pessoas e permitindo a coordenação – comunicando informações, facilitando a troca de ideias, construindo e supervisionando equipes e identificando e resolvendo problemas.”

Participaram do estudo Raffaella Sadun, professora de na Harvard Business School, Joseph Fuller, professor de prática de gestão na mesma instituição, Stephen Hansen, professor na Imperial College Business School, e PJ Neal, head global de operações da Russell Reynolds Associates.

Saiba Mais

As habilidades importantes para os executivos pós-pandemia

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/07/08/as-habilidades-que-mais-importam-para-o-c-level-segundo-harvard.ghtml

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Novas pesquisas revelam como manter o cérebro ativo por mais tempo

A ciência mostra que é possível superar a passagem implacável dos anos — e nem é preciso fazer tanto esforço assim

Por André Sollitto – Veja 15 jul 2022

Em 1998, o neurocientista americano Fred Gage surpreendeu a comunidade médica ao provar que adultos continuavam produzindo novas células cerebrais. Antes, acreditava-se que o ser humano nascia com um número definitivo de neu­rônios que desapareceriam ao longo da vida, o que explicaria a perda de memória e outros danos neurológicos decorrentes da idade avançada. Desde então, as pesquisas em neurociência avançam em ritmo acelerado, e o mais extraordinário dos órgãos humanos acabaria sendo desvendado por uma série de novos conceitos. O resultado é a compreensão muito mais aguçada de como chegar aos 70, 80 e 90 — até acima dos 100 anos — com o cérebro saudável e evitar as temidas doenças degenerativas, como Parkinson e Alzheimer, que turvam a memória. A boa notícia é que manter a mente jovem é mais simples do que se imagina. 

O cérebro saudável não é apenas o que não tem indícios de doenças, incluindo tumores, traumas ou má circulação sanguínea, como se costumava acreditar há alguns anos. “Na verdade, é aquele capaz de tomar boas decisões quando desafiado por situações difíceis”, afirmou a VEJA o celebrado neurocirurgião americano Sanjay Gupta (leia a entrevista), correspondente médico da CNN e autor de Mente Afiada (Editora Sextante), livro que chegou há pouco às prateleiras brasileiras e que oferece um panorama das pesquisas mais recentes sobre o tema. “Algumas pessoas, quando encaram problemas, tendem a ficar paralisadas. No caso de uma mente saudável, é quase como ir à academia. Os desafios favorecem respostas rápidas e conexões entre diferentes áreas do cérebro”, afirma o especialista.

Para chegar à vitalidade cerebral, o primeiro passo é manter um estilo de vida saudável, colocando o cérebro no centro das atenções. Significa fazer exercícios físicos regulares e adotar uma alimentação com baixo teor de gordura e açúcar. E, assim, todas as outras funções corporais também vão se beneficiar. O ideal, diz Gupta, é praticar o máximo de atividades físicas, principalmente se forem diferentes. Se você está acostumado apenas a caminhar ou correr, vale a pena, digamos, praticar natação ou ciclismo, que oferecem novas perspectivas de movimento e coordenação motora. 

Os exercícios também ajudam a circulação sanguínea e a eliminar toxinas que poderiam se alojar no cérebro. A dieta tem papel determinante em como a mente vai se manter jovem. Um estudo publicado no início de julho por pesquisadores da Universidade da Austrália Meridional, o mais recente de uma série de pesquisas semelhantes, constatou que uma dieta rica em gordura aumenta o risco de desenvolver depressão e ansiedade e piora os sintomas de Alz­heimer. A mesma pesquisa revelou que altos níveis de açúcar no sangue são igualmente prejudiciais para a saúde cerebral.

PASSEIO NO PARQUE - Atividades físicas: elas são vitais para o cérebro sadio – Renato S. Cerqueira/Futura Press

A ciência sabe que o cérebro precisa ser permanentemente instigado — assim como o frequentador de academia flexiona os músculos para torná-­los mais robustos, é necessário pôr os neurônios em movimento para que façam melhores conexões entre si e atinjam níveis cada vez mais elevados. Especialistas advertem que o importante é buscar o máximo de novos conhecimentos, o tempo todo e enquanto a vida durar — ou seja, para sempre. 

Não adianta apenas ler ou fazer palavras cruzadas, embora ambas sejam atividades reconhecidamente valiosas. Um estudo realizado pela Universidade do Texas, em Dallas, constatou que adotar novos hobbies, como pintura ou fotografia, aprender idiomas e até jogar videogame são atividades que, sim, fortalecem o cérebro. Até atitudes simples, como usar a mão não dominante para fazer algumas tarefas cotidianas, obrigam a mente a fazer novas conexões. “O cérebro funciona como uma cidade”, pontua Gupta. “Passamos boa parte do tempo em nossa casa e usamos estradas para chegar a alguns lugares. Não passamos tanto tempo nelas, mas elas são necessárias.” Segundo o neurocirurgião, as pessoas chegam aos 65 anos e param de estimular o cérebro quando se aposentam. “Como os músculos, o cérebro se atrofia se não for usado”, afirma.

Um aspecto trazido pelas novas pesquisas que traçam caminhos para manter a mente jovem diz respeito às interações sociais. Hoje já se sabe que elas são vitais para a construção do cérebro ágil. Nem sempre foi assim. Durante muito tempo, a própria ciência celebrou os chamados lobos solitários, os gênios que, enfiados num laboratório ou trancados em casa, faziam descobertas extraordinárias capazes de mudar o mundo. Trata-se de uma visão superficial e equivocada. São raríssimas, especialmente na nova era, as descobertas científicas que não surgiram a partir da troca de ideias e das relações entre pessoas diferentes. Ao conhecer e interagir com o outro, o cérebro assimila conhecimento e expande a sua capacidade de compreensão.

ESTÍMULO - O hábito de ler desde criança: ferramenta para treinar neurônios – Rovena Rosa/Agência Brasil

A pandemia mostrou claramente, com a necessidade de distanciamento físico, como o ser humano precisa de companhia, e sofre sem ela. A Organização Mundial da Saúde identificou um aumento de 25% em casos de depressão causados pelo medo do vírus, mas também pelo isolamento. “A socialização é extremamente importante para manter o cérebro com saúde”, afirma Antônio De Salles, neurocirurgião do Hospital Vila Nova Star, da Rede D’Or. “ Nada faz pensar mais do que ouvir, conversar e discutir problemas com familiares e amigos.” A pandemia teve outro efeito inesperado: sob diversos aspectos, despertou a preocupação com a saúde mental. O cérebro é o bem mais precioso de que dispomos. Cuidar bem dele, mantendo-o jovem e sagaz, é tão vital quanto o próprio ar que respiramos.

“Estamos nos estágios iniciais”

GUPTA - Preconceito: “Há estigmas quando falamos de saúde mental” – @SanjayGuptaMD/Facebook

Em seu novo livro Mente Afiada: Desenvolva um Cérebro Ativo e Saudável em Qualquer Idade (Editora Sextante), o neurocirurgião americano Sanjay Gupta reuniu as evidências mais recentes sobre a saúde cerebral. Em entrevista a VEJA, ele diz que os estudos nesse campo evoluíram muito nos últimos anos, mas avisa que existem instigantes fronteiras que ainda não foram reveladas. A seguir, os principais trechos da conversa.

Como o avanço da ciência tem proporcionado novos conhecimentos sobre o cérebro? Ao escrever esse livro, tentei encontrar o que havia de mais novo e sólido. Quando falamos de colesterol ou pressão alta, temos décadas e décadas de evidências. Quando o assunto é o cérebro, ainda estamos nos estágios iniciais. E isso é muito empolgante. Apenas recentemente conseguimos escanear o cérebro de forma satisfatória, e estamos entendendo como produzir mais neurônios, por exemplo.

Quais são as principais recomendações atuais para manter o cérebro jovem e afiado? A maior parte das evidências aponta para a importância do movimento. Existe uma proteína chamada BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), produzida apenas pelo nosso corpo. Buscamos entender como podemos estimular sua produção, e percebemos a necessidade de exercícios de intensidade moderada. A dieta é outro fator. Se ingerirmos muito açúcar, nosso corpo vai  estocar essas calorias na forma de gordura, mas nossos neurônios, mais sensíveis, vão simplesmente parar.

Como equilibrar as preocupações com problemas maiores do cotidiano, como a pandemia, ou eleições presidenciais, com uma rotina saudável para o cérebro? Não quero diminuir esses problemas, porque eles têm importância, mas não existe uma resposta simples. O que pude perceber tratando pacientes que voltaram do Afeganistão ou passaram por traumas é que eles ficam muito isolados. E o isolamento retira diversos ingredientes para um cérebro saudável. Passar tempo de qualidade com outras pessoas libera ocitocina, hormônio responsável pelo afeto.

O que o senhor chama de relacionamentos saudáveis? São aqueles em que você pode ser vulnerável, pode pedir ajuda. Se você tiver algumas pessoas em seu círculo de amigos e familiares com quem contar nos momentos difíceis, são esses relacionamentos mais associados à produção de ocitocina, que é fundamental para a neurogênese, o processo de formação de novos neurônios.

Com a pandemia, a saúde mental ganhou maior destaque? Sim, mas como neurologista é triste ter de admitir que ainda há muito estigma quando falamos de saúde mental. Além do que as pessoas falam ou deixam de falar sobre o tema, do ponto de vista de políticas públicas não há o mesmo nível de investimento para a saúde mental, nem a mesma quantidade de leitos disponíveis nos hospitais para quem sofre algum distúrbio. Mas a situação está mudando, e acredito que vá mudar ainda mais com a geração atual de jovens. Estou otimista. Converso com minhas filhas sobre isso e vejo a importância do assunto para elas.

Publicado em VEJA de 20 de julho de 2022, edição nº 2798 

https://veja.abril.com.br/ciencia/novas-pesquisas-revelam-como-manter-o-cerebro-ativo-por-mais-tempo/

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Como os perfis de viagens dos brasileiros mudaram nos últimos anos?

Em 2020, 98% das viagens foram nacionais e, no ano passado, esse percentual foi de 99,3%

O índice de viagens internacionais caiu de 3,8% em 2019 para 0,7% em 2021. (Leandro Fonseca/Exame)

O índice de viagens internacionais caiu de 3,8% em 2019 para 0,7% em 2021. (Leandro Fonseca/Exame)

Por Agência Brasil/Exame  06/07/2022  |

Em 2019, os brasileiros fizeram 20,9 milhões de viagens; em 2020, 13,6 milhões, e em 2021, 12,3 milhões. O número de viagens caiu 41% entre 2019 e 2021. Em 2020, 98% das viagens foram nacionais e, no ano passado, esse percentual foi de 99,3%. O índice de viagens internacionais caiu de 3,8% em 2019 para 0,7% em 2021.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Turismo 2020-2021, divulgada hoje (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, a proporção de domicílios em que algum morador viajou caiu de 21,8% em 2019, para 13,9% em 2020, e para 12,7% em 2021.

Na análise do IBGE, apesar de o turismo ter sido fortemente afetado pela pandemia de covid-19 com a necessidade de isolamento social e pelo fechamento de vários estabelecimentos turísticos, o motivo de não ter dinheiro para viajar permaneceu sendo o principal para a queda das viagens.

A analista da pesquisa, Flávia Vinhaes, também destaca que a crise sanitária, com as medidas de afastamento social, a impossibilidade de pegar voos, o medo de contrair a doença ou mesmo por ter sido infectado pelo novo coronavírus, foi importante fator para a diminuição das viagens nacionais e internacionais nos dois últimos anos.

A PNAD levantou, pela primeira vez, os gastos com turismo. Em 2021, as despesas totais em viagens nacionais com pernoite somaram R$ 9,8 bilhões, contra R$ 11 bilhões em 2020. Em 2021, os maiores gastos foram em viagens para São Paulo (R$ 1,8 bilhão), Bahia (R$1,1 bilhão) e Rio de Janeiro (R$1 bilhão).

Uma em cada cinco viagens (ou 20,6% delas) foi para o estado de São Paulo, o destino mais procurado. Minas Gerais (11,4%) e Bahia (9,5%) vieram em seguida.

Em cerca de um terço (33,1%) dos domicílios com renda per capita de quatro ou mais salários mínimos, algum morador viajou em 2021. Por outro lado, em apenas 7,7% dos domicílios com renda per capita abaixo de meio salário mínimo, algum morador viajou no ano passado.

Nos domicílios com renda per capita abaixo de meio salário mínimo, 35,1% das viagens pessoais foram para tratamento de saúde e apenas 14,3% para lazer. Já nos domicílios com renda per capita de quatro ou mais salários mínimos, 57,5% das viagens foram para lazer e apenas 4,4% para tratamento de saúde.

Entre os motivos de lazer, em 2020, 55,6% das viagens foram em busca de turismo de sol e praia. Em 2021, esse percentual foi de 48,7%. Viagens de natureza, ecoturismo ou aventura responderam por 20,5% em 2020 e 25,6% em 2021.

Cerca de 57,2% das viagens de 2021 foram em carro particular ou de empresas, 12,5% em ônibus de linha e 10,2% de avião. Do total de viagens em 2021, cerca de 14,6% foram profissionais e 85,4%, pessoais.

Como principal local de hospedagem, a casa de amigos ou parentes superou as demais modalidades, representando, em 2021, 42,9% entre as alternativas. Em segundo lugar, ficou a opção hotel, resort ou flat, com 14,7%, diz o IBGE.

https://exame.com/casual/como-os-perfis-de-viagens-dos-brasileiros-mudaram-nos-ultimos-anos/

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