A próxima pandemia global será tecnológica?

7 de julho Klaus Æ. Mogensen

Os patógenos digitais se comportam de maneira muito semelhante a suas contrapartes biológicas. Então, quão vulneráveis somos a uma epidemia global de vírus de computador?

Pandemias passadas e presentes foram todas de natureza biológica. Elas começaram a partir de um patógeno de doença, geralmente aquele que passou do contágio animal para o humano. A definição de livro didático de uma pandemia é “uma epidemia de doença que se espalha por uma grande região, por exemplo, vários continentes ou em todo o mundo, afetando um número substancial de pessoas”. 

No entanto, poderíamos imaginar uma pandemia que não fosse de natureza biológica? E se as pessoas afetadas não estivessem infectadas, mas sim afetadas por seus dispositivos tecnológicos sendo contaminados por um patógeno digital? Em outras palavras: em nosso mundo tecnologicamente interconectado, faz sentido falar sobre uma pandemia ocorrendo no mundo digital? 

Afinal, os vírus de computador são chamados de vírus porque se comportam de maneira muito semelhante a suas contrapartes biológicas, espalhando-se rapidamente de um hospedeiro para outro e passando de um problema local a regional e global em um período de tempo exponencial. 

Semelhante a como um vírus biológico deve sequestrar uma célula humana para se espalhar, um vírus de computador deve sequestrar uma informação – como um arquivo ou documento infectado. Uma pessoa infectada só pode viajar na velocidade de um avião, mas as informações infectadas podem viajar (quase) na velocidade da luz. Não há fronteiras na Internet, portanto, não há como instituir quarentenas nacionais. Consequentemente, as doenças em nossos sistemas digitais são menos facilmente contidas porque se espalham mais rápido do que podemos nos adaptar. 

Existem vários exemplos de infecções de computador que podem ser consideradas pandemias tecnológicas. Em 1998, cerca de 10% de todos os computadores conectados à Internet foram infectados por um software malicioso chamado ‘worm Morris’, que reduziu a velocidade dos computadores até a paralisação. Na época, havia apenas cerca de 60.000 desses computadores; hoje, uma taxa de infecção semelhante seria desastrosa. Cinco anos depois, em 2003, o ‘Blaster worm’ infectou milhões de computadores em todo o mundo e, em 2007, os hackers usaram o ‘Storm worm’ para assumir o controle de milhões de computadores e usá-los para espalhar spam e roubar identidades. 

Desde então, nossos computadores ficaram mais protegidos, mas também se tornaram muito mais complexos, com mais oportunidades de encontrar falhas exploráveis. Além disso, agora usamos todos os tipos de dispositivos conectados que podem não ser tão protegidos quanto nossos computadores. Em 2016, o botnet Mirai assumiu o controle de um número desconhecido, mas grande, de câmeras de vigilância e outros dispositivos IoT e os usou em ataques de negação de serviço que tornaram sites populares como GitHub, Twitter, Reddit, Netflix e Airbnb inacessíveis. 

Com o crescimento da Internet das Coisas e o surgimento de dispositivos portáteis conectados, espera-se que essas explorações de vulnerabilidades cresçam. Somando-se à vulnerabilidade, quase todos os computadores, tablets, smartphones e smartwatches do mundo funcionam em apenas três sistemas operacionais – Windows, MacOS e Android – o que significa que bilhões de dispositivos são suscetíveis a um ataque efetivo de um único dispositivo de malware. 

Também estamos usando cada vez mais a ‘nuvem’ para executar nosso software e armazenar nossos dados, com alguns provedores importantes dominando o mercado de serviços em nuvem – e se um grande provedor for atacado com sucesso, isso pode afetar seriamente centenas de milhões de usuários em todo o mundo, potencialmente levando à perda permanente de informações vitais e à destruição de projetos de desenvolvimento em andamento. 

Em um futuro próximo, a inteligência artificial pode ser treinada para direcionar e explorar vulnerabilidades em softwares e sistemas operacionais, encontrando falhas nas atualizações segundos após seu lançamento, mas esperando para explorá-las até que as atualizações tenham sido amplamente instaladas – tudo sem supervisão humana que poderia intervir e interromper ataques que podem causar danos muito mais graves do que o pretendido. 

Dados todos esses fatores, o evento futuro de uma grave pandemia tecnológica pode não ser uma questão de “se”, mas sim de “quando” e “quão grave”. No pior caso, todos os computadores do mundo podem ser bloqueados e todos os dados em dispositivos conectados à Internet destruídos, resultando em um colapso econômico massivo. Dispositivos médicos de relógios esportivos pessoais até tecnologia hospitalar avançada se tornariam inoperantes, resultando na perda de vidas para potencialmente milhões de pessoas. 

Carros automatizados, trens, aviões e drones ficariam fora de controle, matando inúmeras pessoas no processo. Tal evento também poderia disparar sistemas de defesa automatizados, lançando arsenais de mísseis nucleares que não podem ser interrompidos – sem possibilidade de alertar alvos em potencial ou lançar contra-medidas. 

Uma pandemia tecnológica dessa magnitude é possível, mas improvável. Assim como existem contingências globais no caso de uma pandemia mundial como a COVID-19, também existem medidas em vigor para prevenir a propagação de uma pandemia de computador. Mesmo assim, poderemos um dia ver um vírus de tecnologia que essas medidas não conseguem deter e para o qual, como o vírus é desenvolvido por uma máquina, é impossível encontrar um antídoto. 

Nesse caso, devemos estar preparados para viver em um mundo de baixa tecnologia por algum tempo.Uma defesa eficaz contra tal evento é usar dispositivos que não estão conectados à web para todos os fins vitais. Isso, no entanto, tornaria muitas tarefas de trabalho e lazer muito mais complicadas, tornando-se um preço pela proteção que a maioria de nós provavelmente não está disposta a pagar.

ESCRITO POR

Klaus Æ. Mogensen

Este artigo é um trecho do relatório recentemente publicado do Copenhagen Institute for Futures Studies “Pandemics: Existential risk and enablers of change”. Você pode ler o relatório completo aqui 

https://cifs.dk/news/pandemics-existential-risks-and-enablers-of-change/

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Recrutamento remoto é tendência no pós-pandemia

Mudanças nos processos requer adaptação de candidatos e entrevistadores à seleção por vídeo

Por Danylo Martins — Para o Valor Econômico

20/08/2020 

Nos últimos meses, a contratação de novos profissionais passou a ocorrer no ambiente virtual. Separados por telas, candidatos e recrutadores tentam se aproximar do jeito que dá. Não é uma tarefa fácil. Exige boa dose de preparação para dinâmicas de grupo e entrevistas por videoconferência. Os desafios incluem mudanças de processos no RH e adaptação a uma nova rotina. Apesar disso, a modalidade de seleção remota deve ser adotada por muitas empresas, mesmo após o retorno aos escritórios, segundo executivos de RH, consultorias de headhunting e plataformas digitais de recrutamento ouvidos pelo Valor.

Enquanto nos dois primeiros meses do distanciamento social as empresas precisaram correr contra o tempo para adequar as atividades para o trabalho remoto, o momento agora é de entender o que tem funcionado e o que precisa melhorar nos métodos de contratação a distância. “Na prática, a gente vê processos em amadurecimento, com as companhias redefinindo as políticas de recrutamento para adotar o modelo 100% a partir de agora”, avalia Luana Castro, gerente da área de TI da Michael Page e Page Personnel.

A principal vantagem do processo seletivo virtual é clara: redução do tempo e das etapas de seleção. Segundo pesquisa recente da startup de recrutamento on-line Jobecam com 104 clientes, 70% das empresas levavam em média 30 dias para fechar uma posição. Com entrevistas por vídeo, esse tempo caiu para em torno de 7 a 14 dias. “No início, houve mais resistência. Agora as empresas já estão mais acostumadas”, conta Cammila Yochabell, fundadora e CEO da startup, hoje com 70 clientes recorrentes, incluindo grandes empresas como Oracle, GFT e Accenture.

O recrutamento virtual traz agilidade, redução de custos e permite que pessoas de qualquer região do país possam participar do processo de seleção, defende Mariana Dias, CEO e cofundadora da Gupy, sistema de recrutamento e seleção com uso de inteligência artificial (IA), que diz conseguir analisar mais de 1 milhão de pessoas em menos de 1 segundo, observando 200 características para filtrar os melhores candidatos a cada vaga. “Em duas semanas, um cliente nosso do setor de supermercados, por exemplo, contratou mais de 5 mil funcionários”, diz.

Para Denise Asnis, fundadora da startup Taqe, que foi executiva de RH da Natura por mais de dez anos, perde-se o tato no recrutamento virtual, mas não o foco e a vontade . “Estamos fazendo dinâmicas de grupo com 20 candidatos para as empresas, e conseguindo que as pessoas se exponham e contem histórias”, conta. Antes, os candidatos se preparavam para uma entrevista presencial dentro de um “padrão”, inclusive de vestimenta. Agora, cada um está em sua casa, o que torna as conversas mais naturais. “Dá para perceber características e pontos de atenção das pessoas ao longo da conversa.”

“Estamos entrando na casa das pessoas. A vida como ela é. Antes não tinha isso”, diz Carolina Piombo, head de RH da empresa de tecnologia BRQ Digital Solutions. Psicóloga de formação e líder uma equipe de 16 analistas, quase todos psicólogos, Carolina acredita que a empatia das entrevistas presenciais, com o “olho no olho”, será suprida de outra forma. Novas habilidades tendem a ser avaliadas pelos recrutadores nas videoconferências. “Estamos aprendendo a fazer de uma forma diferente.”

Durante a pandemia, o Santander Brasil precisou usar novas plataformas digitais para conduzir os processos seletivos. Era algo já planejado, mas teve de ser acelerado no distanciamento social. No banco, além das entrevistas individuais por vídeo, o RH e os gestores de cada área fazem dinâmicas de grupo e bancas virtuais. “Hoje estamos conduzindo todos os processos de maneira virtual, com entrevistas, ‘assessment’, desde o início até o fechamento da contratação”, conta Marcele Correia, head de recrutamento do Santander, com 44 mil funcionários no Brasil.

Segundo Fernanda dos Santos Rodrigues, diretora de RH da multinacional alemã GFT, o principal ganho com processo seletivo remoto é a assertividade no fechamento das vagas. Sem as adversidades naturais do dia a dia, como trânsito, candidatos e recrutadores conseguem fazer entrevistas mais focadas. Mas é importante reservar um tempo e um ambiente adequado, diz. “Se a gente percebe que algo está acontecendo no meio do caminho, a gente tenta remarcar. É importante que o candidato sinta essa abertura da empresa para que volte a conversar.”

Outro desafio é a cultura das companhias e o engajamento dos funcionários neste novo cenário. Há casos de profissionais que, no escritório, eram ótimos em marketing pessoal e, de repente, ficaram “apagados” no trabalho remoto, diz Carolina, da BRQ. Para ela, transformação só está começando e a tendência é de que seja construída uma cultura digital nas empresas, o que exigirá (e já está exigindo) profunda adaptação por parte do RH e dos empregados.

“Como fazer com que os profissionais se aproximem na cultura do ‘anywhere office’?”, reflete. A empresa, que adotou o home office permanente, tem contratado pessoas de todos os cantos do país. Neste mês, deu as boas-vindas para 20 funcionários de Salvador, Manaus, Belo Horizonte, entre outras cidades. “De todas as contratações mensais, temos meta de 25% das posições vindas de outras regiões do país, além de São Paulo”, diz a executiva da empresa, com 3 mil profissionais e com 350 vagas abertas atualmente.

Outro cuidado é a preparação para a entrevista, regra que já valia nos processos presenciais e continua fundamental no ambiente virtual. “Não é porque está na frente do computador que o recrutador não precisa se preparar, lendo com antecedência o currículo do candidato”, afirma Fernanda, da GFT. Além de separar um local fechado, de preferência em silêncio e sem interrupções, é importante combinar o tempo da entrevista desde o começo, indica a executiva.

Durante o processo seletivo, as pessoas passaram também a questionar mais detalhes da vaga. Isso exige, então, mudanças no “employer branding” da companhia, diz Fernanda. A GFT, por exemplo, lançou uma campanha chamada “match” no LinkedIn, com o objetivo de atrair profissionais de todo o Brasil nas áreas de análise e mensuração de dados, programação, análise de sistemas e desenvolvimento de software. Basicamente, a iniciativa conta histórias de funcionários que construíram carreira internacional e tiveram a chance de trabalhar com equipes multidisciplinares em outros países.

Assim que são contratadas, as pessoas têm encontros virtuais com os gestores e com um “padrinho”, colega de trabalho que fica responsável por mostrar o caminho das pedras para os novatos. “Quando tem contato com alguém da empresa, a cultura vai sendo transmitida naturalmente”, observa Fernanda.

Além de habilidades técnicas, boa comunicação, raciocínio analítico, capacidade de resolver problemas e pensar fora da caixa, a GFT passou a analisar a avaliar a maturidade dos candidatos em trabalhar remotamente. Desde janeiro, a companhia de mais de 1.200 funcionários contratou cerca de 400 pessoas e está com 150 posições abertas, nas áreas de arquitetura e desenvolvimento de software, e gestão de projetos.

O Hospital Israelita Albert Einstein, com 15 mil funcionários, adaptou a contratação de jovens aprendizes para o modelo virtual. No último processo seletivo, por exemplo, o tempo para a realização de todas as etapas foi de oito dias – antes, a instituição levava algo como 21 dias, conta Miriam Branco, diretora-executiva de RH do hospital. Além da redução no tempo, outros ganhos foram a qualidade e a experiência dos candidatos, com o uso de ferramentas digitais e games no processo seletivo, segundo ela. “Quando pedimos para gravar vídeo com uma apresentação, fica mais fácil de passá-lo para os gestores das áreas.”

Para o hospital de campanha do Pacaembu, em São Paulo, o Einstein precisou selecionar 1.500 profissionais temporários em um prazo curto, algo como duas semanas. O jeito foi usar ferramentas e plataformas de IA para dar celeridade às etapas iniciais. “Se tivesse que fazer no modelo presencial, significaria convocar um número grande de pessoas num espaço físico”, explica Miriam. O principal aprendizado, segundo ela, é que nem sempre será necessário estar presente fisicamente para conhecer novos profissionais. “Para algumas atividades, como área de inovação e pesquisa, já estamos vislumbrando trazer pessoas de outras regiões do país, quiçá, do mundo.”

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2020/08/20/recrutamento-remoto-e-tendencia-no-pos-pandemia.ghtml

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É muito difícil prever o futuro

Por Evandro Milet

Em meados da década de 1990, quando a internet começou a se popularizar, havia a ideia de que ela não deveria ser comercial, suportando anúncios, por exemplo. Deveria ser mantida com a vocação original de uma rede de pesquisas. Aconteceu aí a primeira surpresa dos caminhos imprevisíveis para onde a evolução da rede nos leva. Nessa época, o avanço da tecnologia gerava previsões de que poderíamos ter centenas de canais de TV, cada uma especializada em um nicho de interesse. A dúvida era se haveria empresas para desenvolver tanto conteúdo. 

Não se imaginava que isso aconteceria não na TV, mas na internet, e que o conteúdo seria desenvolvido não por empresas produtoras, mas pelo público. O público que diante de uma TV era passivo passou a interagir com esse novo meio de maneiras surpreendentes. 

Quando a Wikipedia começou, muitos entenderam ser inviável uma enciclopédia atualizada pelo público. Isso fugia ao senso comum. Hoje a Wikipedia tem muito mais verbetes e com muito mais precisão do que qualquer das enciclopédias antes existentes e que sucumbiram.

Há alguns poucos anos conseguia-se até imaginar mapas no celular, mas não o Street View da Google, com imagens animadas de todas as ruas e nem o Waze, com avisos de engarrafamentos e tempos precisos para os trajetos a qualquer instante, atualizados pelos usuários. Serviços ainda por cima gratuitos.

Não dava também para prever que as pessoas se disporiam a colocar gratuitamente opinião sobre roteiros turísticos, hotéis e pousadas, a ponto de reduzir fortemente o mercado de guias turísticos e agências de viagem. Eram inimagináveis as plataformas que fizeram a revolução do comércio eletrônico, da busca de informações, do transporte individual, do acesso aos livros, às músicas e aos filmes, facilitando tremendamente a nossa vida.

Voluntários postam mais de 65.000 vídeos por dia no YouTube, criam tutoriais para tirar dúvidas na utilização de equipamentos, criam blogs de todos os assuntos, mas também interagem, muitas vezes furiosamente, nas redes sociais..

Os impulsionadores fundamentais do crescimento econômico ao longo da história foram as inovações tecnológicas. Principalmente as tecnologias de propósito geral – a máquina a vapor, a eletricidade, o motor de combustão interna e os computadores. Cada tecnologia proporcionou ondas de inovações, novos negócios e também transformações sociais significativas. 

A máquina a vapor deu origem às ferrovias, substituiu as velas limitadas na navegação e permitiu a revolução industrial, a exploração de territórios distantes e também a urbanização acelerada com seus conflitos, leis trabalhistas e ideologias que transformaram o mundo. 

O motor de combustão interna  deu origem aos automóveis, caminhões, aviões, navios e tratores, além de grandes negócios e indústrias, como automobilística, petróleo, turismo, agronegócio, shopping centers, além de logística, interiorização e globalização. 

A eletricidade trouxe a luz elétrica, a refrigeração com a conservação de alimentos, as facilidades domésticas de máquinas de lavar e geladeiras, as comunicações com rádio e TV, os elevadores que verticalizaram e adensaram as cidades e incorporou a noite às atividades de lazer. 

Os computadores trouxeram o acesso quase ilimitado à informação e aos serviços na palma da mão, o comércio eletrônico, a automação industrial, a internet, as redes sociais, mas também desestruturou negócios tradicionais e criou os selfies, os hackers, as fake news, novas armas e uma confusão geral na política tradicional no mundo todo.

As novas tecnologias não provocam apenas consequências óbvias, mas também criam novos serviços e novos hábitos sociais. É inimaginável qual será esse futuro com a disseminação da inteligência artificial, do blockchain, da computação quântica, do custo zero de memória, da conexão de todas as pessoas e todas as coisas e da inventividade dos criadores de startups. 

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O DNA do inovador

por Jeffrey H. DyerHal GregersenClayton M. Christensen(tradução e resumo Evandro Milet)

Como encontrar pessoas inovadoras na minha empresa? Como eu posso ser mais inovador? Essas perguntas desafiam os executivos que entendem que a habilidade para inovar é o segredo do sucesso dos negócios.

Em artigo na Harvard Business Review, Jeffrey Dyer, Hal Gregersen e Clayton Christensen, professores de estratégia em Harvard e MIT, identificaram cinco tipos de capacidades ou habilidades que distinguem os executivos mais criativos: associação, questionamento, observação, experimentação e networking.

Eles descobriram que os empreendedores ou CEOs mais inovadores passam 50% mais tempo nessas atividades que os não inovadores. Isso caracteriza o que eles chamaram de DNA do inovador. E a boa notícia é que, se você não nasceu com isso, você pode aprender e cultivar.

Empreendedores inovadores têm algo chamado inteligência criativa que difere de outros tipos de inteligência (como sugerido pela teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner). É mais do que a habilidade cognitiva de usar o lado direito do cérebro. Os inovadores envolvem os dois lados do cérebro à medida que potencializam as cinco habilidades para criar novas ideias.

Estudos de gêmeos idênticos separados no nascimento indicam que nossa capacidade de pensar criativamente vem um terço da genética; mas dois terços das habilidades de inovação vem por meio do aprendizado – primeiro entendendo uma determinada habilidade, depois praticando, experimentando e, finalmente, ganhando confiança na capacidade de criar. Os empreendedores inovadores no estudo adquiriram e aprimoraram suas habilidades de inovação exatamente dessa forma.

Habilidade  1: Associação

Associar, ou a capacidade de conectar com sucesso questões, problemas ou ideias aparentemente não relacionadas de diferentes campos, é fundamental para o DNA do inovador. O empresário Frans Johansson descreveu esse fenômeno como o “efeito Medici”, referindo-se à explosão criativa em Florença quando a família Medici reuniu pessoas de uma ampla gama de disciplinas – escultores, cientistas, poetas, filósofos, pintores e arquitetos. À medida que esses indivíduos se conectavam, novas ideias floresciam nas interseções de seus respectivos campos, gerando assim o Renascimento, uma das eras mais inventivas da história. Para entender como funciona a associação, é importante entender como o cérebro funciona. O cérebro não armazena informações como um dicionário, onde você pode encontrar a palavra “teatro” abaixo da letra “T”. Em vez disso, associa a palavra “teatro” a qualquer número de experiências de nossas vidas. Alguns deles são lógicos (alguma peça que assistimos ou um artista), enquanto outros podem ser menos óbvios (talvez “ansiedade”, devido a uma experiência desastrosa na escola). Quanto mais diversificada for nossa experiência e conhecimento, mais conexões o cérebro pode fazer. Novas entradas desencadeiam novas associações; para alguns, isso leva a novas idéias. Como Steve Jobs frequentemente observou, “Criatividade é conectar coisas”.

Habilidade 2: Questionamento

Mais de 50 anos atrás, Peter Drucker descreveu o poder das perguntas provocativas. “A tarefa importante e difícil nunca é encontrar as respostas certas, é encontrar a pergunta certa”, escreveu ele. Os inovadores constantemente fazem perguntas que desafiam a sabedoria comum ou, como afirma o presidente do Grupo Tata, Ratan Tata, “questionam o inquestionável”. 

Pergunte Por que?” e Porque não?” e “E se?”

A maioria dos gerentes se concentra em entender como fazer com que os processos existentes funcionem um pouco melhor . Os empreendedores inovadores, por outro lado, são muito mais propensos a desafiar as suposições. Pensadores inovadores têm “a capacidade de manter em suas cabeças duas ideias diametralmente opostas”. Empreendedores inovadores gostam de bancar o advogado do diabo. Pedir a si mesmo ou a outras pessoas que imaginem uma alternativa completamente diferente pode levar a percepções verdadeiramente originais. Questione as restrições: Um dos nove princípios de inovação do Google é “A criatividade adora restrições”.

Habilidade 3: Observação

Os executivos inovadores produzem ideias de negócios incomuns examinando fenômenos comuns, especialmente o comportamento de clientes em potencial. Ao observar os outros, eles agem como antropólogos e cientistas sociais.Os inovadores procuram cuidadosa, intencional e consistentemente pequenos detalhes comportamentais – nas atividades de clientes, fornecedores e outras empresas – a fim de obter insights sobre novas maneiras de fazer as coisas. Os observadores tentam todos os tipos de técnicas para ver o mundo sob uma luz diferente. Akio Toyoda pratica regularmente a filosofia Toyota de genchi genbutsu – “ir até o local e ver por si mesmo”. A observação direta frequente está embutida na cultura Toyota.

Habilidade 4: Experimentação

Quando pensamos em experimentos, pensamos em cientistas de jaleco branco ou em grandes inventores como Thomas Edison. Assim como os cientistas, os empreendedores inovadores testam ativamente novas ideias, criando protótipos e lançando pilotos. (Como disse Edison: “Não falhei. Simplesmente encontrei 10.000 maneiras que não funcionam.”) O mundo é seu laboratório. Ao contrário dos observadores, que observam intensamente o mundo, os experimentadores constroem experiências interativas e tentam provocar respostas não ortodoxas para ver quais insights emergem.  Bezos vê a experimentação como tão crítica para a inovação que a institucionalizou na Amazon. “Eu incentivo nossos funcionários a irem por becos sem saída e experimentar”, diz Bezos. “Se conseguirmos descentralizar os processos de modo que possamos fazer muitos experimentos sem ser muito caro, teremos muito mais inovação.”

Habilidade 5: Networking

Dedicar tempo e energia para encontrar e testar ideias por meio de uma rede de indivíduos diversos oferece aos inovadores uma perspectiva radicalmente diferente. Ao contrário da maioria dos executivos – que fazem networking para acessar recursos, vender a si próprios ou a suas empresas ou para impulsionar suas carreiras – os empreendedores inovadores se esforçam para encontrar pessoas com diferentes tipos de ideias e perspectivas para ampliar seus próprios domínios de conhecimento. Para isso, eles fazem um esforço consciente para visitar outros países e conhecer pessoas de outras esferas da vida.Eles também participam de conferências de idéias, como Tecnologia, Entretenimento e Design (TED), Davos e o Festival de Idéias de Aspen. Essas conferências reúnem artistas, empresários, acadêmicos, políticos, aventureiros, cientistas e pensadores de todo o mundo, que vêm apresentar suas mais novas idéias, paixões e projetos.

Para melhorar suas habilidades de networking, entre em contato com as cinco pessoas mais criativas que você conhece e peça que compartilhem o que fazem para estimular o pensamento criativo. Você também pode perguntar se eles estariam dispostos a atuar como seus mentores criativos. A sugestão é realizar almoços de ideias regulares, nos quais você conhece algumas novas pessoas de diversas funções, empresas, setores ou países. Faça com que eles falem sobre suas ideias inovadoras e peça feedback sobre as suas. 

O empreendedorismo inovador não é uma predisposição genética, é um esforço ativo. O slogan da Apple “Pense diferente” é inspirador, mas incompleto. Descobrimos que os inovadores devem agir de forma diferente para pensar diferente. Ao compreender, reforçar e modelar o DNA do inovador, as empresas podem encontrar maneiras de desenvolver com mais sucesso a centelha criativa em todos.

https://hbr.org/2009/12/the-innovators-dna

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A China não quer conquistar, apenas fazer negócios

9 de agosto de 2020 

Os alertas de Pompeo sobre um ‘império marítimo’ não acertam o alvo

Por Robert D. Kaplan

O secretário de Estado Mike Pompeo disse no dia 23 de julho que o objetivo do Exército de Libertação Popular da China não é proteger sua pátria, mas “expandir um império chinês”. No início do mês passado, ele alertou a China para não tratar o Mar da China Meridional “como seu império marítimo”.

Pompeo está realmente muito atrasado. A China, de uma forma ou de outra, é um império há milhares de anos. E sua atual encarnação imperial não é especificamente por causa de suas ações no Mar do Sul da China.

A competição entre as grandes potências sempre foi uma atividade imperial. Não é preciso ficar obcecado, como Pompeo parece estar fazendo, sobre a China ser um império. A verdadeira questão é: que tipo de império é a China?

É um império terrestre ou marítimo? É um império missionário como os EUA, que busca impor seus valores universais, ou outra coisa? Todas essas categorias pressagiam resultados diferentes na luta das grandes potências com a China. E as distinções são tão relevantes hoje quanto eram há séculos e milênios.

Impérios terrestres, como os dos mongóis e os da Rússia sob os czares, tendem a ser inseguros e agressivos, enfatizando o “hard power”. Isso porque as fronteiras terrestres são facilmente violadas, de modo que o poder imperial se sente perenemente inseguro. Impérios marítimos como os de Veneza, Grã-Bretanha e Estados Unidos desde que invadiram as Filipinas em 1898, em geral, tendem a enfatizar o comércio e, portanto, têm sido mais benignos, uma vez que os mares e oceanos oferecem melhor proteção natural, mesmo que os portos sejam abertos a influências cosmopolitas.

A China do século XXI apresenta um desafio único principalmente porque é um império terrestre e marítimo, devido a uma costa de 9.000 milhas ao longo de uma das rotas marítimas mais importantes do mundo e uma posição continental na Eurásia que faz fronteira com adversários históricos como a Índia e a Rússia.

A Iniciativa Belt and Road da China é melhor entendida como um projeto imperial. Por terra, estradas, ferrovias e oleodutos, a China se conectará através da Ásia Central pós-soviética ao Irã, onde ramais se estenderão à Europa e ao Oriente Médio.

Investimentos planejados nos países participantes da iniciativa One Belt, One Road da China

Investimentos planejados nos países participantes da iniciativa One Belt, One Road da ChinaPor via marítima, a China vem construindo e ajudando a financiar portos de última geração com aplicações comerciais e militares do Mar da China Meridional através do Oceano Índico e do Mar Vermelho até o Mediterrâneo oriental. Salientar que vários desses portos e projetos relacionados fazem pouco sentido econômico é ignorar seu significado geopolítico — e, portanto, imperial e mercantil. Onde os navios porta-contêineres forem, os navios de guerra os seguem.

Dada essa dupla natureza, a China será agressiva e cosmopolita. Assim, reprime povos subjugados, como os muçulmanos uigures, que ficam no caminho do Belt and Road em terra, enquanto envia aparelhos de consumo para a África e além com sua frota mercante e comercializa produtos vitais para a economia mundial, como a rede 5G da Huawei Technology Co.

Considerando que os EUA têm sido historicamente uma potência missionária em todo o mundo, fazendo proselitismo dos ideais de democracia e direitos humanos, a China não tem tais impulsos. Funcionará com regimes independentemente de seus valores, autoritários ou não — com o presidente russo Vladimir Putin ou a chanceler alemã, Angela Merkel, não importa. Assim, enquanto a China busca derrubar a hierarquia de poderes existente ao ultrapassar os EUA, por outro lado é um status quo imperium. Ao contrário dos EUA, que sempre buscou mudar as estruturas internas e os sistemas de valores dos países que classifica como autoritários, a China não busca mudanças nos arranjos domésticos de estados individuais.

A China se envolveu em projetos de desenvolvimento de portos com os repressores Mianmar e Paquistão, mas também com a Grécia e a Itália democráticas. A aliança da China com a Rússia pode ter mais a ver com a geopolítica do gás natural do que com o fato de que ambos os países são agora ditaduras.

A recém-revelada parceria estratégica e econômica de 25 anos entre a China e o Irã, potencialmente valendo centenas de bilhões de dólares, foi vista como uma aliança entre duas potências autoritárias. Mas o principal interesse da China é a localização vantajosa do Irã entre o Oriente Médio e a Ásia Central, sua abundância de petróleo e gás natural e sua população instruída de 83 milhões de consumidores em potencial. Se o Irã tivesse uma contra-revolução e se tornasse mais liberal, a China estaria igualmente interessada nessa relação estratégica.

A China é imoral internamente, mas amoral externamente. Repressão aos uigures e tibetanos, a repressão em Hong Kong, potencial agressão contra Taiwan — tudo isso está embutido na geografia imperial chinesa de povos não-han em torno do núcleo étnico han da China. Mas além das fronteiras reais e imaginárias da China, ela busca harmonia em vez de conflitos de valores. Isso não é tão egoísta quanto parece. Os chineses sabem que seu sistema de tributos imperiais entre meados do século 14 e meados do século 19 no Leste Asiático provou que a hegemonia pode ser mais estável e menos sangrenta do que o sistema de equilíbrio de poder da Europa.

Esse sistema de tributos “continha compromissos confiáveis ​​da China de não explorar estados secundários que aceitassem sua autoridade”, explica o cientista político da Universidade do Sul da Califórnia, David C. Kang. A China liderava, mas os estados secundários desfrutavam de “latitude substancial” em seus assuntos.

O povo chinês está bastante confortável com sua história e tradições imperiais, ao contrário do povo do Ocidente que hoje tanto nega quanto pede desculpas por eles. A China tem tudo a ver com status. Respeite a China e muito pode ser feito em termos de cooperação internacional.

Enquanto os americanos se preparam para a chamada Guerra Fria com a China, é importante não exagerar as intenções de Pequim. A China é implacável, mas não busca a conquista no sentido tradicional, além de seus próprios territórios e mares adjacentes. Procurará dominar e influenciar as economias estrangeiras, mas não as sociedades estrangeiras e a forma como se governam. A China não é uma potência revolucionária, apesar de seu apelido comunista.

No entanto, como a China se comporta em termos imperiais e mercantis, suas relações carecem da transparência e das normas jurídicas das democracias representativas. É por isso que o Belt and Road está evoluindo para um sistema sutilmente coercitivo de negociações opacas com o qual os muitos países ao longo de seu caminho, devido aos seus altos níveis de corrupção, acham bastante compatível.

A resposta a esse desafio não é meramente emular a China com a própria realpolitik sem sangue da América, como Pompeo e o presidente Donald Trump parecem querer, mas retornar ao realismo esclarecido da Guerra Fria e das décadas pós-Guerra Fria, nas quais os direitos humanos tiveram seu lugar entre outros interesses nacionais.

Lembre-se de que os americanos perderam seu zelo missionário em parte por causa das falhas em tentar impor a democracia ao Iraque e ao Afeganistão e, conseqüentemente, têm vivido com a reação. O pêndulo da política externa dos EUA oscilou de um extremo ao outro. Competir com os chineses em termos imperiais significa recuperar um idealismo temperado que permite ao mundo distinguir entre um Ocidente esclarecido e os senhores de Pequim.

Mais importante ainda, uma vez que a China tem uma visão para seu sistema imperial — Belt and Road — os EUA exigem sua própria visão de ordem internacional. Isso ocorre de maneira mais eficaz por meio de alianças econômicas, militares e de tendência democrática entre as nações. Um excelente exemplo é a Parceria Transpacífico (TPP), que Trump rasgou ao chegar à presidência em 2017. Competir com a China e nos diferenciar dos valores da China exige ressuscitar o TPP e construir sobre ele. Isso é algo que Joe Biden deve fazer se for eleito presidente.

A China tem seus limites. As ações de Pequim na ex-colônia britânica de Hong Kong foram provavelmente um fator para o Reino Unido fechar seu mercado para a rede 5G da Huawei. Com o passar do tempo, é provável que os europeus fiquem cada vez mais desiludidos com o histórico de direitos humanos da China. O soft power pode ser superestimado, mas é importante. Lição: o novo império da China é irresistível apenas se os EUA não oferecerem uma alternativa.

FONTE: Bloomberg

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Se não tem Parque, então é Rede Tecnológica

Por Evandro Milet

O sonho do Parque Tecnológico em Goiabeiras morreu, pelo menos até onde se consegue enxergar. Não foi possível contornar os problemas do local reservado pelo PDU, ao lado da Universidade Federal. Vamos então pensar em outra coisa para Vitória. 

Há iniciativas inovadoras acontecendo, com repercussões imobiliárias em várias partes da cidade. A criação do MCI – Mobilização Capixaba pela Inovação e do Vale da Moqueca, para englobar as iniciativas inovadoras do Estado, oferecem a oportunidade de se pensar de outras maneiras para um projeto que coloque a capital em destaque no mundo da inovação. 

Em vez de um parque tecnológico único, vamos pensar em uma rede, em locais com vocações distintas. Afinal, Vitória é uma cidade pequena com 93km²( sem querer comparar, o Vale do Silício tem 121 km²)  e poderia se transformar toda em um grande parque tecnológico em rede, onde cada nó atrairia negócios com vocações distintas em inovação.

Podemos ter até um circuito físico, começando pela ponta de Tubarão como primeiro nó da rede, abrigando o Centro de Inteligência Artificial da Vale e o iNO.VC da Arcelor Mittal. Seguindo para Goiabeiras teremos, pelo menos, o Centro de Inovação(CI) da Prefeitura com vocação a ser definida. Se abrigar a Tecvitória, para uma solução definitiva, como já foi pensado, seria ótimo. A região toda, dos dois lados da Fernando Ferrari, com CI, Ufes, Multivix, Fucape, Secti, Fapes e o prédio da antiga Xerox com aceleradora, compõe um segundo e poderoso nó da rede. 

Descendo pela Reta da Penha, o terceiro nó acontece no prédio da Findes, excelente iniciativa com o FindesLab, um hub de inovação unindo grandes empresas e startups, além do comando do Senai no prédio. Logo adiante está a aceleradora Azys e, em seguida, a sede da Petrobras que tem tudo para compor também esse nó, como centro de comando da inovação em petróleo e gás.

Desviando para a Leitão da Silva, no complexo do saudoso Itamaraty Hall, se instala a sede da Picpay, nascida na Tecvitória(faz com a Wine a dupla de startups capixabas de maior sucesso). Sozinha já seria o quarto nó, mas é natural que seja um chamariz para outras empresas se instalarem por perto. 

Descendo para a Enseada do Suá, vamos encontrar o Sebrae, ator indispensável na rede de inovação, em uma área nobre do quinto nó, onde estão a Wine, a EDP, a ISH e o novo hub Base27, a vertical de inovação da construção civil. Do outro lado da avenida o Lab digital da Águia Branca e a nova sede da UVV reforçam o nó. A região tem alto padrão para atrair empresas de ponta, afinal parque tecnológico não é só para startups.

Seguindo para o Centro, na Avenida Beira Mar, passamos pelo sexto nó, o novo Instituto Senai de Tecnologia para eficiência operacional, o laboratório de inovação da indústria, equipado com tudo da indústria 4.0. 

Adiante, o Centro, com a vocação para sétimo nó, com seus imóveis baratos para startups iniciantes, o incipiente centro de economia criativa do Sebrae, o Labges, para inovação no serviço público, o Bandes com seus fundos para inovação e, na volta, a fábrica de Jucutuquara com a nova incubadora do Ifes e o próprio Campus Vitória. Uma perna da rede nesse ponto conectaria a aceleradora Brooder e a Faesa na Avenida Vitória.

Entrando por Jucutuquara chegamos ao oitavo nó da rede em Maruípe, no centro de biotecnologia da Ufes com o Laboratório para o Agronegócio com o Incaper e uma forte atuação nacional em biossegurança. 

Algum urbanista criativo poderia sugerir uma Ciclovia da Inovação ou Circuito da Inovação, conectando esses pontos e dando um traçado físico para essa rede. E a Prefeitura poderia colocar placas indicativas dos nós da rede, fortalecendo e dando um destaque para o setor. Seria a primeira cidade do país toda envolvida em uma rede de inovação. Sem dúvida matéria de pauta para a imprensa nacional do setor e fator para subir o reconhecimento  da cidade como centro inovador. Melhor ainda se a rede se estendesse para toda a região metropolitana. 

Para substituir o conceito de parque físico integrado deveria haver uma governança articulada, um projeto comum, fontes de financiamento, locais de eventos e divulgação ampla no Espírito Santo e fora do Estado. No mais, é fortalecer os nós e sonhar, que é barato.

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Google impulsiona e-commerce para competir com Amazon

Companhia anunciou o fim das tarifas para os varejistas que anunciam na plataforma Google Shopping, nos Estados Unidos

24 de julho de 2020 

O Google lançou nesta quinta-feira, 23, uma iniciativa para fazer frente à Amazon na disputa pela atenção dos consumidores de marketplaces. A proposta da companhia é se tornar, nos Estados Unidos, a primeira plataforma a qual as pessoas recorrem quando querem pesquisar um produto ou uma marca na internet.

O Google declarou que irá eliminar as taxas cobradas aos varejistas ao permitir que os usuários comprem produtos online diretamente no Google Shopping. Esse movimento é um dos mais recentes feitos pela empresa para se mostrar mais atrativa (e mais barata) aos varejistas e anunciantes que desejam expor seus produtos e ofertas no buscador.

Embora seja o número 1 em termos de busca em todo o mundo, o Google quer ampliar sua participação na rotina dos consumidores dos Estados Unidos. De acordo com pesquisa feita no ano passado pela Civic Science, metade dos estadunidenses declaram que, que quando começam a buscar algum produto ou serviço na internet, consultam primeiramente à plataforma da Amazon. Nessa pesquisa, apenas 22% das pessoas declarou que o Google é o seu ponto de partida na hora de pesquisar itens de compras.

Embora o Google Shopping já exista há alguns anos, apenas recentemente a companhia começou a tomar medidas para tornar a ferramenta mais atrativa aos anunciantes. Até então, para listar seus produtos na plataforma que permitia a compra direta, os anunciantes tinham que pagar taxas que, algumas vezes, alcançavam até 12% do valor do produto. Agora, a companhia abre mão dessas cobranças e já começa a listar produtos de forma gratuita.

Em termos de volume, no entanto, o Google Shopping ainda está muito longe de alcançar as dimensões da Amazon. A plataforma de compras do buscador tinha 3700 lojas cadastradas no final de 2019 – algo bem distante dos mais de 3 milhões de vendedores ativos cadastrados na Amazon na época, segundo dados da Marketplace Pulse.

Essa iniciativa do Google em impulsionar os negócios no Google Shopping acontece em um momento em que a Amazon começa a ser questionada justamente pelas taxas cobradas dos anunciantes e empresas que negociam em sua plataforma. Até 40% de cada dólar em vendas gerado pelos anunciantes da Amazon pode ficar com a plataforma, seja com a cobrança de taxas de armazenamento ou para impulsionar as empresas no marketplaces.

De acordo com Bill Ready, presidente do Google Commerce, a empresa está empenhada em acelerar a divisão de vendas online por conta do aumento da demanda gerada com a pandeia da Covid-19, que fez com que muitas empresas tivessem apenas a internet como um canal para levar seus produtos e serviços aos consumidores. Os usuários do Google já possuem, inclusive, ferramentas e filtros para selecionar comércios e pontos de venda locais e em suas proximidades ao fazer buscas.

Ready não comentou diretamente a respeito da concorrência com a Amazon, mas declarou que a proposta do Google é tornar os negócios online mais fáceis e mais rentáveis para os vendedores. A empresa também anunciou uma integração com a Shopify Inc. e com a PayPal Holdings Inc para ajudar seus anunciantes a gerenciarem os estoques e comercializá-los diretamente no Google.

Com informações do Advertising Age

https://www.meioemensagem.com.br/home/midia/2020/07/24/google-impulsiona-e-commerce-para-competir-com-amazon.html

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Como sobreviver ao futuro do varejo – os superpredadores

Covid-19 é um evento que ocorre uma vez no século que erradicará muitas espécies do varejo e acelerará o crescimento e a evolução de superpredadores como Amazon, Alibaba, Walmart e JD.com. 

Apenas os mais aptos sobreviverão.

A covid-19 vai alimentar o rápido crescimento e evolução de varejistas superpredadores como Amazon, Alibaba, Walmart e JD.com.

Por Doug Stephens 28 DE JULHO DE 2020(Tradução Evandro Milet)

Filmes sobre o futuro muitas vezes apresentam o mundo que nos espera como uma distopia sombria dominada por um punhado de megacorporações malévolas, controlando grande parte da vida do consumidor na Terra. Omni Consumer Products de Robocop,  Weyland-Yutani de Alien ou a Tyrell Corporation, produtora de replicantes de Blade Runner, são apenas alguns exemplos de tais magacorporações futuristas. Em um cenário de varejo pós-pandêmico, essas empresas não residirão mais apenas em romances ou filmes. Eles se tornarão uma realidade.

Quando finalmente emergirmos da pandemia de coronavírus, o mundo do varejo será um lugar muito diferente. Os ossos dispersos de pequenas e médias empresas, marcas tradicionais problemáticas, esquemas de distribuição em dificuldades e varejistas e proprietários de shopping centers quebrados estarão espalhados pela paisagem.

Covid-19 é o equivalente comercial do impacto de um meteoro: um evento único em um século que mudará a composição química da atmosfera da indústria. O resultado será uma erradicação completa de muitas espécies de varejo, adaptação frenética de outras e o rápido crescimento e evolução de poucas. Uma nova classe de predadores emergirá: uma espécie de varejista geneticamente modificada inteiramente nova que enfrenta poucas ameaças. Na natureza, eles são chamados de superpredadores. No varejo, eles são chamados de Amazon, Alibaba, Walmart e JD.com. 

A ascensão dos varejistas superpredadores

Como grupo, suas receitas anuais chegam a aproximadamente US$ 1 trilhão. Suas contagens de clientes ativos coletivos chegam à casa dos bilhões. Eles não conhecem fronteiras geográficas, temporais ou de categorias. Pequenas flutuações nos preços de suas ações em um determinado dia podem igualar ou exceder o valor total de mercado de empresas como a Ford Motor Company.

Embora fatal para muitos varejistas, Covid-19 foi e continuará a ser um gotejamento de esteróides metabólicos na veia para esses superpredadores. Como espécie, todos eles sairão desta crise maiores, mais fortes e com mais poder do que nunca. Enquanto muitos varejistas perderam os sentidos com quedas de receita de até 80%, esses gigantes divulgaram resultados que merecem uma dupla olhada.

A evolução, entretanto, é uma faca de dois gumes. Como acontece com qualquer predador que atinge o topo da cadeia alimentar, seu tamanho crescente prova uma vantagem e um obstáculo para seu domínio contínuo. Seus metabolismos descomunais requerem presas cada vez maiores e mais ricas em nutrientes. 

Isso não quer dizer que não existam algumas fontes óbvias de receita e lucros reforçados atualmente à sua frente. A penetração em novos mercados em crescimento, como Índia, América Latina e África Subsaariana, oferece novos e ricos campos de caça. Há também um foco maior em programas de filiação e assinatura, prendendo os clientes em sistemas contínuos de reposição automática para compras domésticas regulares de rotina. O aumento da participação da moda e, especialmente, dos mercados de luxo tem potencial, especialmente para a Amazon, que até agora era vista como pária pelas marcas de luxo. 

As plataformas de mídia e música, bem como receitas de publicidade, oferecem oportunidades significativas para crescimento e expansão contínuos. 

Além disso, o aumento da implantação da robótica, como disse o fundador da Amazon, Jeff Bezos, vacina suas cadeias de suprimentos contra crises futuras e elimina ainda mais custos humanos e questões trabalhistas de suas operações de back-end.

Mas nem mesmo essas categorias e tecnologias oferecerão valor nutricional suficiente para sustentar o tipo de ganhos de-cair-o-queixo que os investidores esperam desses gigantes quando o Covid-19 se tornar uma lembrança – o que pode levar anos. Portanto, para alimentar seu crescimento contínuo, esses superpredadores precisarão encontrar fontes de alimento inteiramente novas com conteúdo calórico mais alto – muito mais alto do que pode ser alcançado meramente vendendo mais tênis de corrida, eletrônicos e utensílios domésticos.

Esta notícia deve ser motivo de preocupação para todas as empresas, mas deve ser particularmente preocupante para os titulares de setores que têm sido governados em grande parte por oligopólios fechados, como os setores bancário, de seguros, saúde, educação e transporte. Esses setores têm sido tradicionalmente reticentes em se autodestruir,  mas a Covid-19 lançou uma luz brilhante sobre suas respectivas vulnerabilidades. E com isso os superpredadores estão cercando suas presas.

Seis anos atrás, Ant Financial do Alibaba não existia. Hoje, a afiliada, que no mês passado foi rebatizada como Ant Group em meio ao escrutínio dos reguladores chineses, é avaliada em mais do que a Goldman Sachs com uma avaliação de US$ 150 bilhões, o que significa que se fosse retirada do Alibaba, ficaria como um dos 15 maiores bancos do mundo. A Ant também oferece cartões de crédito, empréstimos e gestão de patrimônio. E se isso não fosse impressionante o suficiente, o Antfund Yu’e Bao é agora o maior fundo do mercado financeiro do mundo, com mais de US$ 250 bilhões.

O Alibaba não é o único predador que se aventura no setor bancário e de pagamentos. Em 2019, a Amazon havia construído, comprado ou tomado emprestado pelo menos 16 produtos e plataformas fintech diferentes, juntando-os para impulsionar o crescimento de seu ecossistema. Ela também tem sido ativo no fornecimento de empréstimos aos seus parceiros comerciais e fornecendo condições de pagamento aos clientes, tudo em um esforço para atender aos seus próprios fins: mais comerciantes e mais clientes com mais dinheiro para gastar com mais comerciantes. 

Depois, há o setor de seguros. Por meio do Amazon Protect, a empresa já oferece seguro para bens de consumo que vão de eletrônicos a eletrodomésticos. Não há razão para acreditar que, à medida que a Amazon expande ainda mais o domínio de suas ofertas em casas, itens de luxo, automóveis e outras compras importantes, ela também não buscará a receita de seguro que vem com eles. E não está sozinho.

Em 2018, a JD.com recebeu a aprovação para um investimento de 30 por cento na Allianz China, tornando-se o segundo maior acionista da Allianz. Apenas um ano antes, o parceiro investidor da JD.com, Tencent, fez uma entrada semelhante no mercado, comprando uma participação majoritária na Weimin Insurance Agency e recebendo a aprovação para vender produtos de seguro pela rede digital da Tencent.

Esses superpredadores também estão chegando para serviços de expedição e entrega. O presidente da FedEx, Frederick Smith, disse durante uma entrevista em março de 2017: “Bem, vamos ver se entendemos as definições; Amazon é um varejista, nós somos uma empresa de transporte. Então, o que isso significa é que dispomos de uma quantidade enorme de hubs, facilidades de classificação, voos, rotas de caminhões e assim por diante. Amazon é sobre você vir à loja deles. ” Ele continuou, “A Amazon não entrega muitos de seus próprios pacotes”. Basta dizer que seus comentários não envelheceram bem. 

Nos anos que se seguiram, quase como se para irritar Smith pessoalmente, a Amazon expandiu sua pegada logística, aumentou sua frota de caminhões próprios, alugou jatos de carga e aumentou seu programa de entrega Amazon Flex, uma espécie de Uber para entrega de encomendas. Pouco mais de dois anos depois, quando ficou claro que a Amazon não era mais um cliente, mas um concorrente, a FedEx anunciou que estava encerrando seu contrato de entrega terrestre com a Amazon. O que poucos perceberam na época é que a Amazon já estava entregando 50% de seus próprios pacotes aos consumidores. A FedEx estava morta. Eles simplesmente não perceberam ainda.

Este ano, a Amazon deu um passo à frente, adquirindo a empresa de transporte autônomo Zoox por US$ 1,2 bilhão e revelando planos para uma empresa de táxi autônoma. Não pode haver dúvida de que tal empreendimento também incluiria o advento de veículos de entrega autônomos que reduziriam drasticamente as despesas de última milha da Amazon. Como acontece com a maioria das coisas da Amazon, espero que eles aperfeiçoem a ciência e a tecnologia de remessa a um ponto que, como a Amazon Web Services, seja oferecida como um serviço a outras empresas, gerando mais um fluxo de receita de vários bilhões de dólares.

A saúde também está na ordem do dia. A Covid-19 impulsionou muitos de nós para o mundo da saúde digital com nova velocidade. Como disse o escritor do The New York Times Benjamin Mueller: “Em questão de dias, uma revolução na telemedicina chegou às portas dos médicos de atenção primária na Europa e nos Estados Unidos. As visitas virtuais, a princípio uma questão de segurança, são agora uma peça central dos planos dos médicos de família para tratar as doenças cotidianas e problemas não detectados que eles alertam que podem acabar custando vidas adicionais se as pessoas não receberem atendimento imediato. 

”O mercado global de saúde é estimado em aproximadamente US$ 10 trilhões e terá uma taxa de crescimento anual de 8,9 por cento para quase US $ 11.908,9 bilhões em 2022, de acordo com um relatório de mercado recente. Só nos Estados Unidos, os gastos com saúde chegam a quase US $ 4 trilhões. Enquanto isso, o mercado global de ePharmacy foi avaliado em US$ 49,7 bilhões em 2018 e deve chegar a US$ 177,8 bilhões em 2026. E tanto a Amazon quanto o Walmart estão salivando com a oportunidade. 

Em um de seus movimentos mais decisivos no espaço, a Amazon fez parceria com o JPMorgan e a Berkshire Hathaway para fornecer um novo programa de saúde para seus 1,2 milhão de funcionários. O empreendimento, apelidado de Haven, visa diretamente a muitas das deficiências há muito reconhecidas no sistema de saúde americano, como custos crescentes, processos administrativos onerosos e uma tendência para o tratamento de doenças, em vez de promover a saúde.

Se isso não bastasse, a aquisição da PillPack por US $ 1 bilhão pela Amazon concedeu-lhe licenças de farmácia em todos os 50 estados dos EUA. O investimento maciço e contínuo da empresa em alimentos fornece uma ligação natural com saúde e bem-estar e suas localizações físicas – como Whole Foods – fornecem destinos no local para futuras clínicas médicas em mercados de alta renda.

O Walmart está ajudando na matança. Em junho de 2020, o Walmart anunciou que estava adquirindo tecnologia e propriedade intelectual da CareZone, uma start-up que se concentra em ajudar as pessoas a administrar vários medicamentos. A abordagem multifacetada da empresa em farmácias e clínicas de saúde a torna, na estimativa do Morgan Stanley, “um gigante adormecido de se observar” no setor de saúde.

O Alibaba também quer uma fatia em seguro saúde. A empresa oferece atualmente serviços de saúde por meio do Ant Financial, que, quase imediatamente após seu lançamento, atraiu 65 milhões de usuários com o objetivo de, eventualmente, obter 300 milhões de usuários – ou apenas a população da América – em um plano de saúde. Isso o tornaria maior do que qualquer outra entidade seguradora.

A educação também está em vista. A Covid-19 forçou centenas de milhões de alunos em todo o mundo a usar plataformas de aprendizagem online, muitas das quais foram montadas de forma rápida e imperfeita por faculdades e universidades. Muitas instituições estabelecidas e os próprios educadores resistiram à atração da educação online, citando preocupações acadêmicas, mas seria ingênuo acreditar que a relutância também não está ligada ao medo de mensalidades perdidas.

O mercado educacional chinês está estimado em 453,8 bilhões de yuans ou US$ 65 bilhões em 2020, de acordo com um relatório da iiMedia. A Tencent, a principal plataforma social da China e proprietária de 18% da JD.com, está se preparando para participar do que chama de “Educação Inteligente”, uma plataforma educacional completa para K-12, escolas vocacionais e alunos de educação continuada que a empresa aclama como “uma educação mais justa, personalizada e inteligente”. Com mais de 1 bilhão de usuários ativos, a penetração de programas como o Smart Education pode ser impressionante.

Da mesma forma, o Alibaba tem sua própria participação no mercado de educação. Atualmente, oferece Banagbangda, que significa “Ajude-me a responder”, um aplicativo de ajuda para o dever de casa. Além disso, Youku da Alibaba, que lançou recentemente uma plataforma de vídeo, lançou também uma plataforma doméstica de ensino. Isso, em combinação com a ferramenta de colaboração online DingTalk da empresa, posiciona-a para ser um player no crescente mercado de educação da China.

Quebrá-los?

No mundo pré-pandêmico, abundam as investigações antitruste. Mas a pandemia tornou esses predadores do ápice uma tábua de salvação verdadeiramente indispensável para seus clientes, seus comerciantes e, em última instância, para suas respectivas economias nacionais. Dado que o fogo político é geralmente um produto do sentimento do eleitor, é razoável supor que essas empresas serão tratadas com luvas de pelica, pelo menos no curto prazo. Eles se tornarão indispensáveis demais. Além disso, os governos, muitos deles no caos, têm peixes maiores para fritar.

O resultado desta janela de oportunidade única permitirá uma penetração quase inextricável dessas empresas na vida dos consumidores globais. Da mesma forma que esquecemos o quanto dependemos da eletricidade até que haja uma queda de energia, esses supervarejistas se tornarão os serviços essenciais que abastecem nossa vida de consumidor. Isso não apenas impulsionará seu crescimento a novos patamares, mas também permitirá que esses mega marketplaces estabeleçam uma base segura nessas categorias novas e exponencialmente mais lucrativas. É essa penetração em categorias altamente lucrativas que colocará essas marcas em posição de usar seus mercados de produtos menos como uma fonte de receita e lucro e mais como um instrumento puramente destinado a adquirir mais clientes – migalhas de pão que trazem um fluxo constante de compradores, que, uma vez convertidos, podem viver grande parte de suas vidas dentro dos ecossistemas que essas marcas oferecem.

Esses varejistas de ponta se tornarão os serviços essenciais que abastecem nossa vida de consumidor.

Torna-se muito fácil imaginar uma situação futura onde você receberá uma cobrança mensal por tudo, desde a comida em sua geladeira e os sapatos em seus pés até o seguro da sua casa e o custo das aulas particulares de seu filho, tudo fornecido por uma empresa. E isso significará um desastre, não apenas para muitos varejistas, mas para qualquer empresa que vende qualquer coisa para seres humanos na Terra. Tendo se incorporado a tantos aspectos da vida do consumidor, eles formarão uma cerca de arame farpado de valor em torno de seus clientes que se torna quase impenetrável. O resultado será um domínio quase total da intermediação em todos os mercados e categorias.

SOBREVIVENDO A GIGANTES PREDADORES

Então, onde isso deixa todo mundo? Como as empresas sobreviverão nas sombras cada vez maiores desses gigantes? Embora possa parecer uma sentença de morte para varejistas concorrentes, não precisa ser. Dito isso, para aqueles que residem entre esses superpredadores, será necessário repensar radicalmente seu posicionamento competitivo e o valor que eles oferecem ao mercado.

Um bom lugar para começar é reconhecendo que, além do tributo humano e econômico exigido pela Covid-19, a pandemia também atuou como um túnel do tempo(wormhole) empurrando quase toda a sociedade da era industrial para a digital. Trabalho, educação, entretenimento, comunicação e até as próprias experiências sociais tiveram que evoluir rapidamente e se adaptar a um mundo fisicamente distanciado. Claro, é uma mudança que estava em andamento antes da pandemia, mas o vírus arrancou o esparadrapo. Cruzamos a exclusão digital e queimamos a ponte que nos trouxe até aqui.

A mídia é a loja, a loja é a mídia

Se ainda não estava ficando óbvio, a Covid-19 finalmente induziu o setor de varejo a ver que as lojas físicas não são apenas um meio impraticável e caro de distribuição de produtos, mas também são incrivelmente vulneráveis a interrupções. Interrupções cada vez mais frequentes causadas por distúrbios sociais, mudanças climáticas e, é claro, pandemias representam problemas potenciais para as lojas físicas no futuro. Em um mundo onde nossos iPhones estão abertos 24 horas por dia, 7 dias por semana, a disponibilidade e o acesso inerentemente limitados oferecidos pelas lojas físicas os tornam cada vez mais inconvenientes.

Mas, para ser claro, isso de forma alguma nega o valor das lojas físicas como locais de reunião da comunidade, centros de cultura de marca e playgrounds de experiências. No entanto, é hora de parar de considerá-los um meio eficaz de distribuição de produtos. As lojas devem se concentrar mais na distribuição de experiências e menos na distribuição de mercadorias. Porque os dois estão trocando rapidamente de papéis.

Na mente dos consumidores de hoje, “a loja” na verdade começa com experiências de mídia. TikTok é a loja. Instagram é a loja. YouTube, minha televisão e console de jogos ou um desfile de moda virtual no meu celular – tudo isso está se tornando rapidamente a loja. 

Os superpredadores já aceitaram essa realidade ao incorporar comércio, finanças, entretenimento e logística simplificada em cada experiência de mídia hospedada em suas plataformas. Na verdade, para esses gigantes, a mídia não se tornou apenas a loja, é um ponto de transação mais eficiente, contextual e eficaz. Em 2016, Jack Ma chamou isso de “o novo varejo”. 

Enquanto isso, as marcas inteligentes também despertaram para a ideia de que as lojas físicas podem ser um meio incrivelmente eficaz de conquistar novos clientes e promover as vendas online, especialmente considerando o custo disparado da publicidade digital. As lojas físicas também podem ser um centro extremamente econômico para entrega no última milha, independentemente de como o comprador opte por comprar.

Se você não pode atender seus clientes por meio de todos os pontos de contato de mídia, você está saindo fora do mercado.

A moral da história é que, se você não pode atender seus clientes por meio de todos os pontos de contato da mídia, você está indo para a falência. Se suas lojas físicas não estiverem criando experiências de mídia física e impressões de marca extremamente positivas e memoráveis, você irá fechar as portas. E se você não puder entrelaçar com eficácia esses dois, mídia e loja, juntos de uma forma que remova o atrito de compra e agregue valor de experiência radical para os clientes, você vai quebrar.

https://www.businessoffashion.com/amp/articles/opinion/future-of-retail-doug-stephens-amazon-alibaba-walmart-jd-com?__twitter_impression=true

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Brasil pode ganhar R$ 2,8 trilhões com ‘economia verde’, diz estudo

Segundo relatório, até 2030 País poderia incorporar uma Argentina a suas riquezas, além de criar mais 2 milhões de postos de trabalho

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2020

O movimento de recuperação da economia, após o abalo provocado pela pandemia de covid-19, pode gerar 2 milhões de empregos e adicionar R$ 2,8 trilhões ao PIB brasileiro, além de ajudar o País a se tornar mais resiliente às mudanças climáticas, caso os investimentos forem direcionados para uma economia mais verde. Isso representaria um crescimento de 38% em relação ao PIB de 2019, que foi de R$ 7,3 trilhões – é como incorporar uma Argentina aos recursos do Brasil.

É a realidade que revela o estudo Uma Nova Economia para uma Nova Era, desenvolvido pelo WRI Brasil, com a UFRJ, ex-ministros de finanças do Brasil e executivos do Banco Mundial. O trabalho faz parte da iniciativa global New Climate Economy, que busca apontar caminhos que aliem o desenvolvimento econômico com o combate ao aquecimento global. 

A expectativa é que as mudanças climáticas causem impactos ainda mais severos do que o novo coronavírus. Por isso, vários países estão estudando formas de adotar medidas que tragam ganhos econômicos e climáticos. A construção de uma economia mais eficiente e resiliente teria essa capacidade.

O trabalho focou estratégias que poderiam ser adotadas em três setores estratégicos da economia brasileira: infraestrutura, indústria e agronegócio. Em infraestrutura, a ideia é desenvolver “projetos de qualidade” – como define o estudo – e que não prejudiquem o meio ambiente. Elas podem se valer, por exemplo, dos próprios recursos da natureza e de soluções renováveis, como a energia solar.

“Uma infraestrutura de qualidade reduz os custos e impactos da degradação ambiental e permite maior resiliência a eventos extremos cada vez mais intensos e frequentes”, aponta o relatório.

“Em qualquer crise, investir em infraestrutura é em geral o plano A para a recuperação de emprego. Mas o Brasil está há 30 anos tentando fazer isso. O País vai precisar atrair investimento privado, internacional, mas como vai fazer isso sem um ‘selo’ de desenvolvimento sustentável, sem garantir que uma determinada obra não vai ter conflito socioambiental”, disse ao Estadão Carolina Genin, diretora de Clima do WRI Brasil e coordenadora do estudo. 

Na indústria, a proposta é inovar a partir de tecnologias sustentáveis que reduzam o consumo de combustíveis fósseis, os principais responsáveis, globalmente, pelo aquecimento do planeta.

Na agricultura, a direção é o aumento da eficiência a partir de um uso mais eficiente do solo, reduzindo, por exemplo, a pressão sobre a Amazônia. Uma nova e importante frente de investimento é a recuperação de 12 milhões de hectares de pastagens degradadas. O cálculo é que o setor poderia ganhar R$ 19 bilhões em produtividade agrícola até 2030. 

Todas as ações propostas juntas poderiam promover, de acordo com a pesquisa, uma redução de 42% nas emissões de gases de efeito estufa do Brasil até 2025, em relação a 2005.

Sem ruptura

O trabalho também levou em conta que já existe no País uma série de políticas que, uma vez implementadas, podem abrir o caminho para a economia verde. “Mostramos claramente que, se o Brasil optar pela transição para uma economia de baixo carbono (ou seja, que emite menos gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global), para uma recuperação verde, esse não será um processo disruptivo”, afirma Carolina. “Não vai prejudicar os principais setores da economia. Ao contrário, vai torná-los mais produtivos e eficientes do que hoje”, complementou. 

“Existe uma janela de oportunidade que se fecha em alguns meses. Os planos de recuperação vão obrigar os países a botar muito dinheiro nisso. Se a gente ‘casar’ com a tecnologia errada, isso vai ficar pelos próximos 30 anos. É preciso pensar nos melhores planos para não usar esses recursos de modo equivocado”, afirma. 

Ela cita, como exemplo, investimentos em transporte. “Se vamos pensar em ter mais ônibus, que sejam elétricos. É uma questão ambiental, mas é também uma discussão para tornar a economia mais competitiva”, diz.

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-pode-ganhar-r-2-8-trilhoes-com-economia-verde-diz-estudo,70003397572

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Coronavírus: ‘Estamos diante de ameaça de extinção e as pessoas nem mesmo sabem disso’, afirma sociólogo Jeremy Rifkin

Juan M. Zafra

The Conversation* 14 maio 2020

O sociólogo americano Jeremy Rifkin, que se define como ativista em favor de uma transformação radical do sistema baseado no petróleo e outros combustíveis fósseis, passou décadas exigindo uma mudança da sociedade industrial para mais modelos sustentáveis.

Rifkin é consultor de governos e empresas em todo o mundo.

Ele escreveu mais de 20 livros dedicados a propor fórmulas que garantam nossa sobrevivência no planeta, em equilíbrio com o meio ambiente e também com nossa própria espécie.

The Conversation – Em sua opinião, qual o impacto da pandemia da covid-19 no caminho para a terceira revolução industrial?

Jeremy Rifkin – Não podemos dizer que isso nos pegou de surpresa. Tudo o que está acontecendo conosco decorre das mudanças climáticas, sobre as quais os pesquisadores e eu estamos alertando há muito tempo.

Tivemos outras pandemias nos últimos anos e foram emitidos avisos de que algo muito sério poderia acontecer. A atividade humana gerou essas pandemias porque alteramos o ciclo da água e o ecossistema que fazem o equilíbrio no planeta.

Desastres naturais — pandemias, incêndios, furacões, inundações — continuarão porque a temperatura na Terra continua subindo e porque arruinamos o solo.

Há dois fatores que não podemos deixar de considerar: as mudanças climáticas causam movimentos da população humana e de outras espécies. A segunda é que as vidas animal e a humana estão se aproximando todos os dias como consequência da emergência climática e, portanto, seus vírus viajam juntos.

The Conversation – Esta é uma boa oportunidade para aprender lições e agir, não acha?

Rifkin – Nada voltará ao normal novamente. Este é um sinal de alerta em todo o planeta. O que temos que fazer agora é construir as infraestruturas que nos permitam viver de uma maneira diferente.

Devemos assumir que estamos em uma nova era. Caso contrário, haverá mais pandemias e desastres naturais. Estamos diante de uma ameaça de extinção.

The Conversation – Você trabalha, estará trabalhando nesses dias, com governos e instituições ao redor do mundo. Não parece haver consenso sobre o futuro imediato.

Rifkin – A primeira coisa que devemos fazer é ter um relacionamento diferente com o planeta. Cada comunidade deve assumir a responsabilidade de como estabelecer esse relacionamento em sua esfera mais próxima.

E sim, temos que começar a revolução em direção ao Green New Deal global [proposta que estimula os Estados Unidos a alcançarem o nível zero de emissões líquidas dos gases do efeito estufa, além de outras metas], um modelo digital de emissão zero; temos que desenvolver novas atividades, criar novos empregos, para reduzir o risco de novos desastres.

A globalização acabou, devemos pensar em termos de glocalização. Esta é a crise de nossa civilização, mas não podemos continuar pensando na globalização como hoje, pois são necessárias soluções glocais para desenvolver infraestruturas de energia, comunicação, transporte e logística…

The Conversation – Você acha que durante esta crise, ou mesmo quando a tensão diminuir, governos e empresas tomarão medidas nessa direção?

Rifkin – Não. A Coreia do Sul está combatendo a pandemia com tecnologia. Outros países estão fazendo o mesmo. Mas não estamos mudando nosso modo de vida.

Precisamos de uma nova visão, uma visão diferente do futuro, e os líderes nos principais países não têm essa visão. São as novas gerações que podem realmente agir.

The Conversation – Você propõe uma mudança radical na maneira de ser e ser no mundo. Por onde começamos?

Rifkin – Temos que começar com a maneira como organizamos nossa economia, nossa sociedade, nossos governos; por mudar a maneira de estar neste planeta.

A nossa é a civilização dos combustíveis fósseis. Nos últimos 200 anos, foi baseada na exploração da Terra.

O solo permaneceu intacto até começarmos a cavar as fundações da terra para transformá-la em gás, petróleo e carvão. E nós pensamos que a Terra permaneceria lá sempre, intacta.

Criamos uma civilização inteira baseada no uso de fósseis. Usamos tantos recursos que agora estamos recorrendo ao capital fundiário, em vez de obter benefícios dele.

Estamos usando uma terra e meia quando só temos uma. Perdemos 60% da superfície do solo do planeta. Isso desapareceu e levará milhares de anos para recuperá-lo.

The Conversation – O que você diria para aqueles que acreditam que é melhor viver o momento, o aqui e agora, e esperam que no futuro outros venham para consertá-lo?

Rifkin – Estamos realmente diante das mudanças climáticas, mas também há tempo de mudá-las.

As mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global e pelas emissões de CO₂ alteram o ciclo da água na Terra.

Nós somos o planeta da água, nosso ecossistema emergiu e evoluiu ao longo de milhões de anos graças à água. O ciclo dela nos permite viver e se desenvolver.

E aqui está o problema: para cada grau de temperatura que aumenta como consequência das emissões de gases de efeito estufa, a atmosfera absorve 7% a mais de precipitação do solo e esse aquecimento os força a cair mais rápido, mais concentrado e causando mais desastres naturais relacionados à água.

Por exemplo, grandes nevascas no inverno, inundações na primavera em todo o mundo, secas e incêndios durante o verão e furacões e tufões no outono varrendo nossas costas.

As consequências vão piorando com o tempo.

Estamos diante da sexta extinção e as pessoas nem sabem disso. Os cientistas dizem que metade dos habitats e animais da Terra desaparecerão em oito décadas.

Essa é a posição em que estamos. Estamos de frente com uma potencial extinção da natureza para a qual não estamos preparados.

The Conversation – Qual é a gravidade dessa emergência global? Quanto tempo resta?

Rifkin – Não sei. Faço parte desse movimento de mudança desde a década de 1970 e acho que o tempo de que precisávamos passou.

Nunca voltaremos onde estávamos, à boa temperatura, a um clima adequado…

A mudança climática estará conosco por milhares e milhares de anos; a questão é: podemos, como espécie, ser resilientes e nos adaptar a ambientes totalmente diferentes e que nossos companheiros na Terra também possam ter a oportunidade de se adaptar?

Se você me perguntar quanto tempo levará para mudarmos para uma economia limpa, nossos cientistas na cúpula europeia sobre mudança climática em 2018 disseram que ainda temos 12 anos. Já é menos que nos resta para transformar completamente a civilização e começar essa mudança.

A Segunda Revolução Industrial, que causou mudanças climáticas, está morrendo. E isso se deve ao baixo custo da energia solar, que é mais lucrativa que o carvão, o petróleo, o gás e a energia nuclear.

Estamos caminhando para uma Terceira Revolução Industrial.

The Conversation – É possível uma mudança de tendência global sem os Estados Unidos do nosso lado?

Rifkin – A União Europeia e a China se uniram para trabalhar juntas e os Estados Unidos estão avançando porque os Estados estão desenvolvendo a infraestrutura necessária para alcançá-los.

Não se esqueça que somos uma república federal. O governo federal apenas cria as leis, os regulamentos, os padrões, os incentivos; na Europa, acontece o mesmo: seus Estados-membros criaram as infraestruturas.

O que acontece nos Estados Unidos é que prestamos muita atenção no Trump, mas dos 50 Estados, 29 desenvolveram planos para o desenvolvimento de energia renovável e estão integrando a energia solar.

No ano passado, na Conferência Europeia de Emergência Climática, as cidades americanas declararam uma emergência climática e agora estão lançando seu Green New Deal.

Muitas mudanças estão acontecendo nos Estados Unidos. Se tivéssemos uma Casa Branca diferente seria ótimo, mas, ainda assim, esta Terceira Revolução Industrial está surgindo na UE e na China e já começou na Califórnia, no Estado de Nova York e em parte do Texas.

The Conversation – Quais são os componentes básicos dessas mudanças que são tão relevantes em diferentes regiões do mundo?

Rifkin – A nova Revolução Industrial traz consigo novos meios de comunicação, energia, transporte e logística.

A revolução comunicativa é a internet, assim como foram a imprensa e o telégrafo na Primeira Revolução Industrial no século 19 no Reino Unido ou o telefone, rádio e televisão na segunda revolução no século 20 nos Estados Unidos.

Hoje, temos mais de 4 bilhões de pessoas conectadas e em breve teremos todos os seres humanos conectados à internet; todo mundo está conectado agora.

Em um período como o que estamos vivendo, as tecnologias nos permitem integrar um grande número de pessoas em uma nova estrutura de relações econômicas.

A internet do conhecimento é combinada com a internet da energia e a internet da mobilidade.

Essas três internets criam a infraestrutura da Terceira Revolução Industrial. Essas três Internet convergirão e se desenvolverão em uma infraestrutura de internet das coisas que reconfigurará a maneira como todas as atividades são gerenciadas no século 21.

The Conversation – Qual o papel dos novos agentes econômicos na formação desse novo modelo econômico e social?

Rifkin – Estamos criando uma nova era chamada glocalização.

A tecnologia de emissão zero desta terceira revolução será tão barata que nos permitirá criar nossas próprias cooperativas e nossos próprios negócios, tanto física quanto virtualmente.

Grandes empresas desaparecerão. Algumas delas continuarão, mas terão que trabalhar com pequenas e médias empresas com as quais estarão conectadas em todo o mundo. Essas grandes empresas serão provedores de rede e trabalharão juntas em vez de competir entre si.

Na primeira e na segunda revolução, as infraestruturas foram feitas para serem centralizadas, privadas. No entanto, a terceira revolução possui infraestruturas inteligentes para unir o mundo de maneira distribuída e glocal, com redes abertas.

The Conversation – Como a superpopulação afeta a sustentabilidade do planeta no modelo industrial?

Rifkin – Somos 7 bilhões de pessoas e chegaremos a 9 bilhões em breve. Essa progressão, no entanto, vai acabar.

As razões para isso têm a ver com o papel das mulheres e sua relação com a energia.

Na antiguidade, as mulheres eram escravas, eram as fornecedoras de energia, tinham que manter a água e o fogo.

A chegada de eletricidade está intimamente relacionada aos movimentos sufragistas nos Estados Unidos; libertou as jovens, que puderam ir para a escola e puderam continuar seus estudos até a universidade.

Quando as mulheres se tornaram mais autônomas, livres, mais independentes, houve menos nascimentos.

The Conversation – Você não parece otimista, e ainda assim seus livros são um guia para um futuro sustentável. Temos ou não temos um futuro melhor à vista?

Rifkin – Todas as minhas esperanças estão depositadas na geração millenial. A geração dos millenials saiu das salas de aula para expressar sua inquietude.

Milhões e milhões deles exigem a declaração de uma emergência climática e pedem um Green New Deal.

O interessante é que isso não é como nenhum outro protesto na história, e houve muitos, mas este é diferente: move a esperança, é a primeira revolta planetária do ser humano em toda a história em que duas gerações foram vistas como espécies em perigo.

Essa geração se propõe a eliminar todos os limites e fronteiras, preconceitos, tudo o que nos separa. Ela começa a se ver como uma espécie em extinção e tenta preservar as demais criaturas do planeta.

Esta é provavelmente a transformação mais importante da consciência humana na história.

Juan M. Zafra é professor associado do Departamento de Jornalismo e Comunicação 

* A versão original desta entrevista foi publicada na edição 113 da Revista Telos, pela Fundação Telefônica, e pode ser lida aqui. (https://telos.fundaciontelefonica.com/portada-telos-113-jeremy-rifkin-todas-mis-esperanzas-estan-depositadas-en-la-generacion-milenial/)

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52657148?SThisFB

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