Se não tem Parque, então é Rede Tecnológica


Por Evandro Milet

O sonho do Parque Tecnológico em Goiabeiras morreu, pelo menos até onde se consegue enxergar. Não foi possível contornar os problemas do local reservado pelo PDU, ao lado da Universidade Federal. Vamos então pensar em outra coisa para Vitória. 

Há iniciativas inovadoras acontecendo, com repercussões imobiliárias em várias partes da cidade. A criação do MCI – Mobilização Capixaba pela Inovação e do Vale da Moqueca, para englobar as iniciativas inovadoras do Estado, oferecem a oportunidade de se pensar de outras maneiras para um projeto que coloque a capital em destaque no mundo da inovação. 

Em vez de um parque tecnológico único, vamos pensar em uma rede, em locais com vocações distintas. Afinal, Vitória é uma cidade pequena com 93km²( sem querer comparar, o Vale do Silício tem 121 km²)  e poderia se transformar toda em um grande parque tecnológico em rede, onde cada nó atrairia negócios com vocações distintas em inovação.

Podemos ter até um circuito físico, começando pela ponta de Tubarão como primeiro nó da rede, abrigando o Centro de Inteligência Artificial da Vale e o iNO.VC da Arcelor Mittal. Seguindo para Goiabeiras teremos, pelo menos, o Centro de Inovação(CI) da Prefeitura com vocação a ser definida. Se abrigar a Tecvitória, para uma solução definitiva, como já foi pensado, seria ótimo. A região toda, dos dois lados da Fernando Ferrari, com CI, Ufes, Multivix, Fucape, Secti, Fapes e o prédio da antiga Xerox com aceleradora, compõe um segundo e poderoso nó da rede. 

Descendo pela Reta da Penha, o terceiro nó acontece no prédio da Findes, excelente iniciativa com o FindesLab, um hub de inovação unindo grandes empresas e startups, além do comando do Senai no prédio. Logo adiante está a aceleradora Azys e, em seguida, a sede da Petrobras que tem tudo para compor também esse nó, como centro de comando da inovação em petróleo e gás.

Desviando para a Leitão da Silva, no complexo do saudoso Itamaraty Hall, se instala a sede da Picpay, nascida na Tecvitória(faz com a Wine a dupla de startups capixabas de maior sucesso). Sozinha já seria o quarto nó, mas é natural que seja um chamariz para outras empresas se instalarem por perto. 

Descendo para a Enseada do Suá, vamos encontrar o Sebrae, ator indispensável na rede de inovação, em uma área nobre do quinto nó, onde estão a Wine, a EDP, a ISH e o novo hub Base27, a vertical de inovação da construção civil. Do outro lado da avenida o Lab digital da Águia Branca e a nova sede da UVV reforçam o nó. A região tem alto padrão para atrair empresas de ponta, afinal parque tecnológico não é só para startups.

Seguindo para o Centro, na Avenida Beira Mar, passamos pelo sexto nó, o novo Instituto Senai de Tecnologia para eficiência operacional, o laboratório de inovação da indústria, equipado com tudo da indústria 4.0. 

Adiante, o Centro, com a vocação para sétimo nó, com seus imóveis baratos para startups iniciantes, o incipiente centro de economia criativa do Sebrae, o Labges, para inovação no serviço público, o Bandes com seus fundos para inovação e, na volta, a fábrica de Jucutuquara com a nova incubadora do Ifes e o próprio Campus Vitória. Uma perna da rede nesse ponto conectaria a aceleradora Brooder e a Faesa na Avenida Vitória.

Entrando por Jucutuquara chegamos ao oitavo nó da rede em Maruípe, no centro de biotecnologia da Ufes com o Laboratório para o Agronegócio com o Incaper e uma forte atuação nacional em biossegurança. 

Algum urbanista criativo poderia sugerir uma Ciclovia da Inovação ou Circuito da Inovação, conectando esses pontos e dando um traçado físico para essa rede. E a Prefeitura poderia colocar placas indicativas dos nós da rede, fortalecendo e dando um destaque para o setor. Seria a primeira cidade do país toda envolvida em uma rede de inovação. Sem dúvida matéria de pauta para a imprensa nacional do setor e fator para subir o reconhecimento  da cidade como centro inovador. Melhor ainda se a rede se estendesse para toda a região metropolitana. 

Para substituir o conceito de parque físico integrado deveria haver uma governança articulada, um projeto comum, fontes de financiamento, locais de eventos e divulgação ampla no Espírito Santo e fora do Estado. No mais, é fortalecer os nós e sonhar, que é barato.

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