Blockbuster podia comprar Netflix por US$50 mi, mas CEO considerou ‘piada’

Livro de um dos fundadores da Netflix conta como a arrogância de John Antioco em setembro de 2000 custou à Blockbuster seu futuro

Por Bibiana Guaraldi – Exame 08/11/2021 

Há momentos em que você olha para trás em sua carreira e tudo que você pode pensar é: “Ops. Estraguei tudo”. Provavelmente é o que o ex-CEO da Blockbuster, John Antioco, diz a si mesmo toda vez que se lembra de uma reunião que teve em setembro de 2000 – ou sempre que ele assiste um filme ou série no streaming.

Em seu livro That Will Never Work, o cofundador da Netflix, Marc Randolph, descreve uma reunião da qual participou com Antioco, juntamente com o cofundador da Netflix Reed Hastings e seu então CFO Barry McCarthy na sede da Blockbuster em Dallas. Todos da Blockbuster que estavam naquela reunião devem se encolher quando pensam no que aconteceu. A empresa poderia ter comprado a Netflix naquele dia por US$ 50 milhões, mas seu CEO nem se deu ao trabalho de considerar a possibilidade. Ele parecia ver isso como uma grande piada.

Na noite anterior à reunião, Randolph, Hastings e McCarthy estavam no interior da Califórnia, no primeiro retiro corporativo da Netflix, quando McCarthy soube que a Blockbuster queria se encontrar com eles. Na época, a Netflix estava com problemas. O ‘crash das pontocom’ fez com que seu futuro antes luminoso parecesse sombrio.

Netflix confirma que vai entrar no mercado de jogos

Netflix (Jakub Porzycki/NurPhoto/Getty Images)

A ideia de um serviço de aluguel de DVD pelo correio, que era tudo o que era possível naquela era de downloads mais lentos, estava pegando, mas não rápido o suficiente para que a empresa fosse lucrativa. Dois anos antes e em tempos econômicos mais agitados, Hastings e Randolph recusaram a oportunidade de serem adquiridos pela Amazon. Agora, a aquisição pela Blockbuster parecia a solução perfeita para manter a Netflix viva.

Com isso em mente, os executivos da Netflix vinham solicitando uma reunião com a liderança da Blockbuster há meses. Chegou a notícia de que a Blockbuster queria conhecê-los, mas às 11h30 da manhã seguinte em Dallas – que ficava quase 12 horas de distância. Quase impossível.

Hastings disse que eles conseguiriam se fretassem um avião para as 5h do dia seguinte. McCarthy argumentou que isso custaria pelo menos US$ 20.000 quando a empresa estava prestes a ficar sem dinheiro a ponto de ter que fechar as portas. “Esperamos meses para conseguir esta reunião”, respondeu Hastings. “Estamos a caminho de perder pelo menos US$ 50 milhões este ano. Quer façamos isso ou não, outros 20 mil não farão diferença.” O raciocínio fazia sentido, e os três fretaram um avião e partiram.

Na sede da Blockbuster em Dallas, tudo parecia projetado para impressionar os visitantes pela riqueza e poder da empresa, do edifício aos mocassins usados pelo CEO John Antioco. “Seus mocassins provavelmente custam mais do que meu carro”, escreveu Randolph.

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Antioco havia chegado à Blockbuster dois anos antes, quando a outrora bem-sucedida empresa estava em declínio devido a algumas decisões de negócios ruins, como tentar vender roupas. Ele não apenas mudou a sorte da Blockbuster, como a fez crescer por meio de um IPO de sucesso que arrecadou US$ 465 milhões no ano anterior.

Na reunião, Hastings rapidamente falou dos pontos fortes da Blockbuster e então observou que havia áreas em que ela poderia se beneficiar da posição de mercado e experiência da Netflix. “Devemos unir forças”, disse ele. “Vamos administrar a parte online do negócio combinado. Você vai focar nas lojas. Encontraremos as sinergias que vêm da combinação e será realmente um caso de o todo ser maior do que a soma das partes.”

A resposta de Antioco provavelmente está no topo de sua lista de coisas que gostaria de nunca ter dito: “A histeria das pontocom é completamente exagerada.” O conselheiro geral da Blockbuster, Ed Stead, explicou então como os modelos de negócios da Netflix e de quase todos os outros negócios online não eram sustentáveis e nunca dariam lucro. Os executivos da Netflix debateram com ele por um tempo, então Stead foi direto ao assunto: “Se fôssemos comprar vocês, no que estão pensando? Quero dizer, um número.”

“Cinquenta milhões”, disse Hastings. Randolph escreveu que estava observando Antioco de perto durante a conversa. Por todo o processo, o CEO da Blockbuster pareceu um profissional polido, inclinando-se e acenando com a cabeça, dando todas as indicações de alguém que estava ouvindo com atenção.

Mas no momento em que foi dito o número, Randolph viu uma expressão estranha no rosto de Antioco. Durou apenas um momento, ele escreve, “Mas assim que vi, soube o que estava acontecendo: John Antioco lutava para não rir.”

Desnecessário dizer que a Blockbuster não aceitou a oferta da Netflix ou fez uma contra-oferta séria. “A reunião foi piorando muito rapidamente depois disso, e foi uma viagem longa e silenciosa de volta ao aeroporto”, escreve Randolph.

Depois desta reunião, deve ter sido muito satisfatório para os líderes da Netflix quando a Blockbuster pediu concordata em 2010. A última loja corporativa da Blockbuster fechou em 2014 . Uma última loja da franquia Blockbuster permanece aberta em Bend, Oregon, e se apresenta como um lugar para aqueles que desejam revisitar os dias passados, quando você tinha que se lembrar de rebobinar aquela fita VHS e devolvê-la a tempo de evitar uma multa.

A história de Randolph traz uma lição de negócios importante: nunca, jamais seja arrogante. Mesmo que a pessoa sentada à sua frente tenha dito algo que pareça absurdo, mesmo que te dê vontade de rir, pare por um momento e pense seriamente nisso.

Se Antioco tivesse feito isso, a reunião poderia ter terminado de forma diferente. A Blockbuster poderia ter feito uma oferta menor pela Netflix, o que os fundadores poderiam ter aceitado, devido às suas finanças instáveis.

Ou, as duas empresas poderiam ter trabalhado em algum tipo de parceria que poderia ter dado à Blockbuster o benefício da experiência online da Netflix sem que realmente comprasse a Netflix. Se Antioco e Stead tivessem considerado algo assim, a história poderia ter sido muito diferente para a Blockbuster e seus 25.000 funcionários.

Do jeito que está, a empresa é lembrada apenas como uma lição prática do que acontece quando você não se adapta a um mundo em mudança. E um lugar para ir se você estiver se sentindo nostálgico em Bend, Oregon.

https://exame.com/pop/blockbuster-podia-comprar-netflix-por-us50-mi-mas-ceo-considerou-piada/

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A “visão em túnel” da tecnologia

Pessoal da tecnologia não está qualificado para organizar nossas vidas

Por Gillian Tett – Financial Times/Valor Econômico – 05/11/2021

Em 2020, a poderosa empresa americana de dados Palantir entrou com a documentação de solicitação de uma oferta inicial de ações. Incluída, havia uma carta excepcional, do executivo-chefe Alex Carp aos investidores, que vale a pena relembrar agora.

“Nossa sociedade, efetivamente, terceirizou a construção dos softwares que tornam nosso mundo possível a um pequeno grupo de engenheiros num canto isolado do país”, escreveu. “A questão é se também queremos terceirizar a adjudicação de algumas das mais importantes questões filosóficas e morais de nosso tempo”.

No Vale do Silício, as gigantes tecnológicas vem contratando cientistas sociais. Essas iniciativas têm como objetivo misturar a IA com o que eu chamo de “inteligência antropológica”, um segundo tipo de “IA”, que fornece um senso do contexto social

“A elite da engenharia no Vale do Silício pode saber mais sobre a construção de softwares. Mas eles não sabem mais sobre como nossa sociedade deveria ser organizada ou [sobre] o que justiça requer”, acrescentou Karp. Em termos mais diretos, o pessoal da tecnologia pode ser brilhante e inteligente no que faz, mas isso não os torna qualificados para organizar nossas vidas. Tratou-se de uma declaração fantástica vinda de alguém como ele, uma figura ultratecnológica, cujos amplos elos de sua empresa com as Forças Armadas e as agências de inteligência têm despertado controvérsias.

É um sentimento salutar por, pelo menos, dois motivos. Primeiro, e mais óbvio, há uma nova onda de polêmicas em torno à empresa antes conhecida como Facebook, depois das denúncias de Frances Haugen, que apresentou documentos sinalizando que a gigante das redes sociais on-line ignorou alertas sobre o dano social criado por seus produtos. O executivo-chefe Mark Zuckerberg desviou a atenção renomeando a empresa como Meta, e planeja investir bilhões para criar um “metaverso”, que, diz ele, será construído de uma maneira ética.

As revelações sobre o Facebook, entretanto, não inspiram confiança em sua capacidade para fazê-lo. Até porque a maioria das pessoas não tem a menor ideia de como um metaverso poderia ser ou, muito menos, como alguém faria as linhas de código que o construíriam. A tentação aqui seria, mais uma vez, que “terceirizemos” as decisões cruciais para a “elite da engenharia”, como Karp a chama.

A segunda questão, potencialmente mais grave, é a inteligência artificial. Neste outono americano, um fabuloso trio de escritores – Eric Schmidt, ex-executivo-chefe do Google, Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, e Daniel Huttenlocher, um professor de inteligência artificial (IA) – lançou o livro “The Age of AI” (a era da IA, em inglês), advertindo que “à medida que cresce o papel da IA em definir e moldar o ‘espaço da informação’, seu papel se torna mais difícil de antecipar [e] as perspectivas da sociedade livre, mesmo do livre arbítrio, podem alterar-se”.

Ainda assim, o desenvolvimento da IA, em grande medida, continua nas mãos desses “engenheiros num canto isolado do país”. E, a maioria de nós parece satisfeita em terceirizar as decisões a eles.

Não me entenda mal; não odeio a ideia da IA. Ao contrário, essa tecnologia pode ser uma força extraordinária para o bem, pode ajudar médicos a detectar doenças, por exemplo, ou investidores a esquadrinhar os balanços corporativos em busca de riscos. Na semana passada, um alto funcionário do Facebook insistiu comigo que a IA também pode ser uma arma poderosa para combater a desinformação, uma vez que pode escanear uma quantidade de dados de grandeza inimaginável, procurando as publicações de conteúdo abusivo e removendo-as.

Também é possível acreditar que, em determinadas ocasiões, os engenheiros estão em melhor posição para tomar decisões sobre o uso da IA do que o público em geral ou os políticos, tendo em vista que estes últimos costumam mostrar um péssimo senso de estatística e probabilidade, como o psicólogo cognitivo Steven Pinker destaca em seu novo livro.

Vejamos o caso dos carros autoguiados. Se eles matarem um pequeno número de passageiros, a reação instintiva da maioria dos políticos – impulsionados pela população – poderia ser a de proibi-los. Um engenheiro, por sua vez, poderia retrucar que os seres humanos, na verdade, provocam muito mais mortes nas estradas, o que tornaria “racional” aderir aos carros guiados pela IA, mesmo diante dos riscos inevitáveis.

Em outros casos, porém, os engenheiros podem não entender da melhor forma; podem ficar cegos ao contexto ou a costumes sociais, precisamente porque veem a vida através das lentes rígidas da tecnologia. Como observou a antropóloga J. A. English-Lueck em um estudo sobre o Vale do Silício, “em uma comunidade de produtores tecnológicos […] a própria tecnologia [se torna] a lente através da qual o mundo é visto e definido”. Nesse ambiente, argumenta, “‘útil’, ‘eficiente’ e ‘bom’ se fundem num único conceito moral”. É por isso, aliás, que o comentário de Karp parece tão importante agora.

A boa notícia é que as pessoas na posição dele, enfim, estão preparadas para falar a respeito. A notícia ainda melhor é que existem experimentos em andamento para combater a “visão em túnel” [a falta de visão periférica] do pessoal da tecnologia. No Vale do Silício, por exemplo, as Gigantes Tecnológicas vêm contratando cientistas sociais. Outros centros de inovação também mostram sinais promissores. Em Canberra, Genevieve Bell, ex-vice-presidente da Intel, lançou um instituto de IA que mistura ciências sociais e ciência da computação. Essas iniciativas têm como objetivo misturar a IA com o que eu chamo de “inteligência antropológica” – um segundo tipo de “IA”, que fornece um senso do contexto social.

A má notícia é que tais iniciativas continuam sendo apenas modestas e que ainda há uma extrema assimetria de informação entre os engenheiros e todos os demais. O que é necessário é um exército de tradutores culturais, que combata nossa tendência a terceirizar mentalmente as questões para as elites da engenharia. Inovadores da tecnologia, como Karp e Schmidt, poderiam, talvez, usar sua enorme riqueza para financiar isso.

Gillian Tett é colunista do Financial Times

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/a-visao-em-tunel-da-tecnologia.ghtml

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O brasileiro que está liderando a revolução do metaverso nos EUA

Marcelo Lacerda, um dos pioneiros da internet brasileira, cofundou a Magnopus, em 2013, que tem clientes como Disney e Facebook. Agora, a companhia vai lançar seu primeiro produto que promete revolucionar o metaverso. Ele conta os planos ao NeoFeed

Ralphe Manzoni Jr. – Neofeed • 05/11/2021 •

Inaugurada no começo de outubro, a Expo Dubai é o maior evento global desde que a pandemia do coronavírus fechou o mundo para eventos presenciais. A exposição universal conta com 150 pavilhões, recebeu US$ 7 bilhões em investimentos e está espalhada em uma cidade que surgiu do zero e conta com 480 hectares.

Os mais de 25 milhões de visitantes esperados ao evento, que vai até 31 de março de 2022, poderão, no entanto, ter uma experiência nunca vista desde a primeira exposição universal em 1851, no Crystal Palace, em Londres. Todos os edifícios, as árvores e praças foram “clonados” digitalmente em seus mínimos detalhes – inclusive, os interiores dos prédios.

As pessoas presentes, com seus celulares ou óculos virtuais, poderão andar nesse “espaço digital” e interagir com avatares de quem está fisicamente no local, bem como com outras experiências que só existem no universo virtual, graças a uma constelação de mais um bilhão de sensores de internet das coisas e de câmeras.

Mas não é só isso. As pessoas que não puderam ir à Dubai poderão também participar do evento. Basta baixar um aplicativo para smartphones iOS ou Android para ter uma experiência semelhante aos que estão de carne e osso no local. Isso inclui “andar” pelos pavilhões, “assistir” a palestras ou “voar” pelo espaços onde estão acontecendo os eventos da exposição universal.

Coisa de maluco? Sem dúvida, não deixa de ser algo que foge à imaginação. E por trás dessa “maluquice” está a Magnopus, uma das empresas mais quentes do momento que você nunca ouvir falar – ao menos, por enquanto. À frente dela está um grupo de brasileiros capitaneados e liderados por Marcelo Lacerda, um dos pioneiros da internet brasileira, que a cofundou em 2013, em Los Angeles.

“É a primeira grande experiência de “meta spatial computing” do mundo”, diz Lacerda, em entrevista ao NeoFeed, em que detalha os próximos passos da Magnopus, uma companhia que tem a pretensão de conectar o mundo físico ao digital e está criando o que muitos estão chamando de metaverso, a nova onda tecnológica que conquistou até Mark Zuckerberg, do Facebook (ou melhor, do Meta). “A computação sai da tela e gruda no mundo.”

Marcelo Lacerda, cofundador da Magnopus

A Expo Dubai é crucial para a Magnopus, que tem também entre seus fundadores, além de Lacerda, o brasileiro Rodrigo Teixeira e dois dos nomes mais relevantes da indústria de efeitos especiais de Hollywood: os americanos Ben Grossman e Alex Henning, vencedores do Oscar de efeitos visuais por “A Invenção de Hugo Cabret”, em 2012.

É lá no meio de deserto que a companhia vai mostrar uma série de algoritmos que foram desenvolvidos ao longo dos últimos oito anos para mais de 80 clientes. São empresas como Disney, Pixar, CNN, Facebook, a agência espacial americana NASA e, nas palavras de Lacerda, “todas as big techs do mundo” – os nomes, no entanto, são mantidos sob sigilo.

Esses algoritmos são a base do primeiro produto que a Magnopus vai lançar ao mercado até o fim de 2021. É o Olympus (codinome ainda), uma plataforma que é uma espécie de um sistema operacional do metaverso – em uma analogia, será o Windows desse mundo ainda difícil de entender, que combina realidade virtual e realidade aumentada.

Foi trabalhando para esses clientes que o Olympus foi sendo lapidado em filmes como Mogli, Blade Runner 2049 e a versão em realidade virtual de “Viva, a Vida é uma Festa”, da Pixar. Mas o principal exemplo das inovações da Magnopus é a versão “live action” de O Rei Leão, que foi filmado como um longa-metragem convencional, mas em um set inteiramente gerado por realidade virtual. O diretor e sua equipe usavam dispositivos de realidade virtual para entrar nos cenários.

Com o Olympus, a Magnopus quer deixar de fazer projetos sob encomenda para ter receitas com seu próprio produto. “Hoje em dia, as startups têm de prototipar rápido, lançar produtos rápido e falhar rápido. A minha companhia tem oito anos e só agora vai lançar o primeiro produto”, diz Lacerda. “Mas não é um produto qualquer: ele tem dois milhões de linhas de código e eu estou botando dinheiro há oito anos.”

“Hoje em dia, as startups têm de prototipar rápido, lançar produtos rápido e falhar rápido. A minha companhia tem oito anos e só agora vai lançar o primeiro produto”, diz Lacerda

E não foi pouco dinheiro. Até agora, foram US$ 50 milhões em seis rodadas de investimentos. Lacerda, no entanto, não está sozinho nessa empreitada, apesar de ser o maior acionista individual da Magnopus com uma fatia de 20%.

Os primeiros brasileiros a apostar na Magnopus foram Marcelo Peano, com seu fundo Pier 18 Capital, e Sylvio de Barros, o fundador da Webmotors – hoje uma operação do Santander. Depois, Lacerda foi trazendo outros investidores de grandes famílias brasileiras para a base de acionistas. “É uma deep tech de Los Angeles com capital brasileiro”, diz Lacerda.

O mais recente aporte foi da São Pedro Capital, do ex-presidente do Google Brasil, Alex Dias, que investiu US$ 10 milhões em meados de 2021. “Todas as questões relacionadas ao metaverso e à computação espacial foram desenhadas no mundo de games e de filmes. Essa indústria agora alcançou um patamar de consumo e de desenvolvimento de conteúdo explosivo”, diz Dias.

Em outras palavras: chegou a hora de a tecnologia sair do nicho original e ganhar o mundo em outras áreas, que podem ir do varejo ao real estate. Não há, na verdade, limites para as futuras aplicações do metaverso.

Escritório da Magnopus, em Los Angeles

O metaverso é também um mercado cujas cifras alcançam bilhões de dólares – embora seja difícil de chegar a um consenso sobre os valores envolvidos. Mas muitos acreditam que essa tecnologia vai ser a “próxima grande coisa” que vai mudar o mundo, como os PCs, na década de 1980, a internet, nos anos 1990, as redes sociais no início do século 21 e os smartphones atualmente.

O The Information, site que cobre o universo do Vale do Silício, estima em US$ 85 bilhões o tamanho desse mercado em 2025, incluindo games, ferramentas de comunicação de negócios e publicidade. A consultoria de Emergen Research calcula que o metaverso pode representar um mercado de US$ 829 bilhões em 2028 (isso mesmo, você não leu errado). O dado inclui softwares, hardwares e serviços.

É de olho nessas cifras que muitas empresas começam a se movimentar nessa área. E os nomes que pretendem fincar sua bandeira no metaverso incluem Facebook, Microsoft, Epic Games (que faz o Fortnite), Roblox e as big tech chinesas, como Tencent e ByteDance (dona do TikTok). E, claro, a Magnopus, de Lacerda, que fundou o ZAZ, nos anos 1990, um dos primeiros provedores de internet do Brasil, que deu origem ao portal Terra.

A Magnopus, no entanto, não busca o espaço de Facebook e Microsoft, que pretendem levar experiências virtuais para reuniões do Workspace ou Teams. Ela também não quer desenvolver óculos de realidade virtual. A ambição é muito maior.

O Olympus quer levar o metaverso para outra dimensão – literalmente. “Ela vai permitir que você assista a um jogo de futebol sob a perspectiva da bola ou a um show de rock do palco”, diz Lacerda. “Isso tudo com um celular, um desktop ou um óculos de realidade virtual.”

Como isso seria possível? Para começar, é preciso ter o que Lacerda chama de um ambiente “Olympus enable”, com câmeras e sensores de internet das coisas nos ambientes. A tecnologia cria, então, um ‘layer’ de realidade virtual sobre o mundo físico, que seria digitalizado. E, além disso, componentes só vistos no ambiente digital poderiam ser acrescentados ao local.

“É para onde vai o marketing e as vendas. Um shopping center não vai existir do jeito que é hoje. Ele vai ser um grande centro de entretenimento”, afirma Jader Rossetto, um publicitário premiado que criou a agência Reborn Yourself, é um dos managing partners do fundo Revolut e também investiu na Magnopus. “As lojas serão todas nessa realidade imersiva.”

Parece coisa de ficção científica. Mas isso já é possível, como demonstra a Expo Dubai. O que não significa que não existam desafios de curto prazo para esse cenário descrito por Lacerda. O maior deles é a necessidade estúpida de banda larga, algo só possível com a tecnologia 5G, conexão de altíssima velocidade que ainda dá os primeiros passos no mundo e deve chegar ao Brasil em 2022.

O ambiente imersivo da Expo Dubai, que une mundo físico e digital

Outro desafio é ganhar dinheiro. O próprio Lacerda admite que os modelos de negócios ainda estão em estudo. E as ideias vão desde buscar receitas direto com as empresas até, no futuro, cobrar assinatura anual para que as pessoas possam acessar ambientes “Olympus enable”. “Quantos clientes pagaram para ter um tíquete em um ambiente deste?”, pergunta Lacerda.

A Magnopus ainda é deficitária e deve buscar uma nova rodada de investimento em 2022. Aos investidores, Lacerda diz: “Os que investiram há cinco anos entraram em um negócio com risco altíssimo. Mas, para aqueles que entraram há dois anos, o risco foi ridículo de alto”, afirma ele. E, em tom de brincadeira, conclui: “A situação está piorando.”

E se tudo der errado? A resposta é rápida. “Com o time e com os algoritmos que a Magnopus têm, ela já vale dez vez mais o que os investidores colocaram”, afirma. Mas e ser der certo? “Aí, nós vamos voltar a conversar em uma próxima oportunidade.”

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‘A inovação é a única garantia contra a irrelevância’, afirma Gary Hamel

Professor da London Business School diz que para construir uma organização é essencial as pessoas serem recompensadas por suas contribuições e não por suas credenciais

Por Stela Campos — Valor 30/09/2021 

Organizações burocráticas e hierárquicas falharam ao responder às rápidas mudanças de cenário provocadas pela covid-19 porque concentraram o seu poder estratégico no topo e assim sabotaram a própria capacidade de mudar. Para construir uma organização que olha para o futuro é essencial que as pessoas sejam recompensadas por suas contribuições e não por suas credenciais, que tenham incentivos, habilidades e gratificações financeiras para inovar. “A inovação é a única garantia contra a irrelevância”, diz Gary Hamel.

Professor da London Business School há 30 anos, ele é criador do laboratório de inovação da escola, o Management Innovation eXchange, e fundador da consultoria Strategos. Está na lista dos Thinkers50, como um dos pensadores mais influentes sobre gestão e negócios da atualidade. É autor de livros emblemáticos sobre inovação como “Competindo pelo Futuro” e “Liderando a Revolução”, traduzidos para 25 idiomas. Este ano, lançou “Humanocracia: Criando Organizações tão incríveis quanto as pessoas que as formam”, obra em que mostra como funcionam as companhias mais modernas, em vários lugares do mundo, que romperam com modelos tradicionais empoderando funcionários e combatendo a burocracia.

Hamel foi entrevistado durante a premiação do “ Valor 1000 ” e falou sobre o futuro da gestão. Em sua visão, a adoção do home office ou do trabalho híbrido é uma das pequenas mudanças que ficarão da covid-19, mas a maior lição para os CEOs foi a de que para serem bem-sucedidas as empresas terão que transformar a maneira como se estruturam e funcionam. “Temos que criar organizações mais horizontais, mais empreendedoras e que operem como redes, onde as decisões não venham de cima para baixo”, diz.

Uma transformação que passa pela pirâmide organizacional. “A estrutura tradicional não é de imaginação, visão e criatividade e certamente não é uma pirâmide de valor”, afirma. Ele diz que em empresas burocráticas a remuneração está relacionada ao cargo e aos muitos níveis de poder, mas que os títulos são péssimos indicadores de valor agregado. “O valor precisa ser direcionado às pessoas que resolvem novos problemas e criam soluções extraordinárias para o cliente. Você deve ser recompensado pelo seu impacto e não por subir de cargo.”

Hamel afirma que as novas gerações, os millennials e a geração Z, não vão querer estar em empresas onde não sejam ouvidas sobre vários aspectos do negócio, inclusive em relação à direção estratégica da empresa e na qual não sejam avaliados e recompensados por suas contribuições. “Essa é a primeira vez na história que uma geração cresceu em um mundo onde a principal referência não é uma pirâmide”, diz. “Antes, tudo era hierarquia, nos governos, nas empresas e nas igrejas.”

Os jovens também, segundo ele, só vão reconhecer como líderes aqueles que resolverem seguir. “Se o CEO quiser exercer o seu poder burocrático de autoridade estará arruinando seu capital de liderança”, afirma. Cada vez mais, o trabalho do CEO de definir a estratégia e a direção precisa ser “terceirizado” para toda a organização, acrescenta Hamel. “Ele precisa mudar seu papel como tomador de decisões para o de arquiteto social.”

Um exemplo desse novo lugar é Linus Torvalds, que em 2005 criou a GitHub, uma plataforma onde pessoas de qualquer parte do mundo podem desenvolver softwares. “Sua inovação não foi desenvolver um software, mas uma plataforma colaborativa, que já reúne mais de 100 milhões de pessoas”, diz.

Embora 79% dos CEOs no mundo digam que a inovação está entre as três prioridades da sua gestão, de acordo com Hamel, 94% admitem que suas organizações não são boas em criar inovações revolucionárias. “Conheço CEOs que dizem levar a inovação a sério, mas não tenho tanta certeza sobre isso”, observa. Para ele, o trabalho remoto não ajuda ou prejudica a inovação, porque a questão é mais complexa. “Para começar, é preciso olhar para todos os sistemas internos e saber se eles frustram ou facilitam a inovação.”

Quando se pergunta para os funcionários da base como eles são treinados, se têm facilidade para obter recursos e tempo para testar suas ideias e se seus chefes diretos estão comprometidos com a inovação para apoiá-los, é muito comum, segundo Hamel, que a resposta seja “não, não e não”. “O maior obstáculo para a inovação é que muitos líderes ainda presumem que se você não está na linha de frente, não possui as credenciais e foi para a universidade, você não tem a habilidade de criar e pensar de forma inovadora. É um preconceito terrível.”

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2021/09/30/a-inovacao-e-a-unica-garantia-contra-a-irrelevancia-afirma-gary-hamel.ghtml

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China contra as big techs

Por Pedro Doria O Globo 05/11/2021 •

Na última segunda, dia 1º de novembro, o Yahoo! encerrou sua operação na China. O ato veio duas semanas após o LinkedIn, rede profissional da Microsoft, afirmar que também fechará as portas no país ainda neste ano. E está marcado para o próximo dia 15 o fim das operações por lá do Fortnite, o mais popular videogame on-line do mundo. Não é coincidência que, na mesma segunda-feira, tenha começado a valer a lei geral de privacidade digital chinesa, muito semelhante à europeia ou mesmo à brasileira. Com uma pequena diferença: só vale para entidades privadas. Lá, perante o Estado, não há direito à privacidade.

Em meados de novembro, o Steve Jobs chinês, Jack Ma, subiu a bordo de seu iate particular e navegou até a Holanda, onde tinha reuniões marcadas com pesquisadores. As ações da Alibaba, sua companhia, subiram 9% na Bolsa de Valores de Hong Kong quando a notícia saiu. Parece exagero — mas não é quando se trata de China. Ma não se manifestava em público desde dezembro do ano passado. Em outubro de 2020, fez um duro discurso com críticas ao sistema bancário do país. Nas semanas seguintes, os reguladores chineses suspenderam a abertura de capital de uma de suas empresas, e o empresário sempre muito falador desapareceu.

O Grupo Alibaba é popular, no Brasil, pela presença de sua plataforma de e-commerce AliExpress. Na China está por toda parte, é como se fosse Google e Facebook ao mesmo tempo. É por isso que o ataque do governo à indústria da tecnologia local começou por Jack Ma.

Pois não parou nele. Desde então, as regras para comportamento on-line apertaram para influenciadores, que não devem incentivar o consumo ou vender imagens irreais de como seres humanos são. Apertaram, também, para a relação entre crianças e videogames — estão proibidos durante a semana e, nos fins de semana, permitidos só por uma hora. O app da Didi, equivalente ao Uber, foi banido das lojas de apps por “violações de privacidade”. Sim. O principal app de transporte do país foi simplesmente extirpado das lojas por ordem governamental.

As mudanças têm dois grandes motivos.

O primeiro é que a China ainda é um país comunista, se não na economia, ao menos na política. Como o atual presidente, Xi Jinping, só o fundador do regime, Mao Tsé-Tung, e o grande reformista, Deng Xiaoping, tiveram tanto poder. Se Deng disparou a abertura do mercado que permitiu o desenvolvimento econômico da China, Xi agora vê como sua missão lembrar às grandes corporações construídas a partir dali quem manda.

Pessoas podem ficar ricas, empresas podem crescer e se desenvolver, mas tudo é uma concessão do Estado. O mais rico chinês não é livre e não deve se sentir com poder para enfrentar o governo. O governo dá a palavra final até sobre que empresas vivem ou morrem.

E é seguindo esse raciocínio que vem a segunda razão — é hora, afirma Xi, de promover a “prosperidade comum”. Pois é: tampouco é à toa que bilionários de companhias como Alibaba, Tencent e Didi começaram a redistribuir seu dinheiro. Trata-se de política oficial de governo. Empresas devem crescer para que o país cresça junto. Mas acumulação de grandes fortunas não será mais tolerada. O dinheiro tem de voltar para a sociedade na forma de doações de caridade, fundações ou na forma de tributos.

A desigualdade, para o Partido Comunista Chinês, está num nível intolerável. Segundo números oficiais, 30% do PIB está nas mãos do 1% mais rico. (No Brasil, segundo cálculos do banco Credit Suisse, são 50%. Nos EUA, segundo o BC americano, o 1% mais rico detém 32% da riqueza.) Pois é. No caso chinês, é sempre uma boa desculpa para impedir que nas redes as pessoas comecem a discutir o papel do governo nos problemas.

Pedro Doria - Assinatura

Por Pedro Doria

https://blogs.oglobo.globo.com/opiniao/post/china-contra-big-techs.html

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Com o avanço de ‘marketplaces educacionais’, a forma de aprender vai mudar

Pode parecer algo trivial a eliminação das fronteiras geográficas para a educação, mas considerando que essa tendência não abrange só cursos livres ou ensino superior, o cenário fica muito interessante

 Por Camila Farani – O Estado de S. Paulo 28/04/2021 

Não estranhe se o seu próximo professor estiver na Finlândia. Ou na Índia, na Austrália. Que o ensino remoto se popularizou na pandemia, não é novidade, mas uma tendência que vem para ficar é o de “marketplaces educacionais”, com a crescente oferta de cursos e professores especializados em múltiplas localidades. 

Segundo levantamento da TES, plataforma que hoje conecta milhares de professores em 100 países, a tendência de escolas independentes monetizarem seus conteúdos, materiais e metodologias para mercados internacionais foi impulsionada com a pandemia. De um lado estão instituições de ensino dispostas a gerar mais receita e escalar seu modelo com o apoio da tecnologia. De outro, estão alunos de todas as idades tendo à disposição conteúdo educacional com professores nativos ou especializados a um clique de distância.

A expectativa é que surjam e amadureçam mais plataformas capazes de conectar professores especialistas a alunos internacionais que buscam qualificações específicas

A expectativa é que surjam e amadureçam mais plataformas capazes de conectar professores especialistas a alunos internacionais que buscam qualificações específicas

Na avaliação de David Woodgate, diretor da associação britânica de escolas independentes, a iniciativa sinaliza um movimento importante. Isso porque significa a abertura de um mercado global de educação, especialmente para estudantes que não necessariamente teriam recursos para garantir uma educação internacional.

Pode parecer algo trivial a eliminação das fronteiras geográficas para a educação, mas considerando que essa tendência não abrange só cursos livres ou ensino superior, o cenário fica muito interessante. Com a popularização da modalidade, encontrar professores internacionais de idiomas ou habilidades específicas complementares ao currículo brasileiro torna-se bem mais possível.

Há dois anos, o britânico Michael Birdsall já via o potencial de conectar professores de habilidades específicas a alunos internacionais. Sua empresa, a TwoSigmas, recrutava professores de inglês da América do Norte e os conectava com alunos chineses. O negócio cresceu e para conseguir escala de recrutar milhares de professores, passou a usar inteligência artificial para ajudar no mapeamento das necessidades do aluno e conectar com o melhor perfil do tutor internacional.

Com apenas cinco funcionários, Birdsall recrutou mais de 180 mil professores online para atuar com alunos chineses e, em 2019, vendeu sua empresa. Estratégia certa, na hora certa.

Voltando aos marketplaces educacionais, vale a pena acompanhar essas tendências de mercado nos próximos tempos. A expectativa é que surjam e amadureçam mais plataformas capazes de conectar professores especialistas a alunos internacionais que buscam qualificações específicas.

Com isso, avançamos mais uma etapa no ensino e provavelmente teremos algumas centenas de milhões de dólares adicionados aos US$ 319 bilhões previstos para educação online até 2025, segundo pesquisa da Research and Markets.

*É INVESTIDORA ANJO E PRESIDENTE DA BOUTIQUE DE INVESTIMENTOS G2 CAPITAL

https://link.estadao.com.br/noticias/inovacao,com-o-avanco-de-marketplaces-educacionais-a-forma-de-aprender-vai-mudar,70003695645

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Um problemão do tamanho de um contêiner esmaga a indústria (e os consumidores)

Fretes marítimos em preços recordes e falta de navios para transportar cargas. O NeoFeed ouviu relatos dos problemas logísticos que afetam diversos setores da economia brasileira e global e pressionam os bolsos dos consumidores

Ralphe Manzoni Jr. Neofeed • 29/10/2021 •

Com mais de duas décadas atuando em comércio exterior, um executivo de uma grande indústria do setor de eletroeletrônicos está vivendo uma situação que nunca passou na vida. “E espero não passar de novo”, disse ele ao NeoFeed.

Ele se refere ao colapso da cadeia de suprimentos das mais diferentes indústrias no Brasil e no mundo, que está elevando o preço do frete a níveis recordes, tem causado falta de contêineres no mercado e levado a cancelamentos ou suspensão de escalas. É o que esse executivo resume como a tempestade perfeita. “Onde tem contêiner, não tem navio. E onde tem navio, não têm contêiner”, diz essa fonte.

Da Apple, que teve um lucro recorde de quase US$ 100 bilhões, mas alertou que as interrupções na cadeia de suprimentos estão atrapalhando a fabricação do iPhone, a fabricantes de eletroeletrônicos e produtores rurais brasileiros que estão literalmente a ver navios, o caos logístico está levando a dificuldades de abastecimento e ao aumento de preços de produtos manufaturados.

Os preços das tevês, por exemplo, subiram mais de 40% nos últimos 12 meses, segundo estimativas da consultoria IT Data. Dos smartphones, 35%. “A demanda por esses dois produtos estava muito alta”, diz Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da IT Data, que esclarece que a alta do dólar e o preço de componentes eletrônicos também ajudaram a fazer o preço desses dois itens avançar.

Outro dado ilustra esse caos. O nível de navios parados, sem conseguir atracar, é de 12,5% no mundo, segundo estimativa citada por Leandro Carelli Barreto, sócio da Solve Shipping Intelligence, uma das principais consultorias dessa área. A taxa normal é próximo de zero. “É como se você tirasse o terceiro maior armador do mundo do mercado”, diz Barreto.

O resultado dessa escassez fez os preços dos fretes marítimos crescerem em uma velocidade assustadora. Um contêiner de 20 pés, vindo da Ásia, saiu de um preço médio de US$ 1.950, em janeiro de 2020, antes da pandemia, para US$ 9.550, em setembro deste ano, alta de 390%, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), elaborados com dados da consultoria Solve.

Mais: um contêiner de 40 pés teve uma alta ainda maior, passando de US$ 2.050, em janeiro de 2020, para US$ 11.200, em setembro deste ano, um avanço de 446%.

O preço de um contêiner de 40 pés passou de US$ 2.050, em janeiro de 2020, para US$ 11.200, em setembro deste ano, um avanço de 446%

Esses dados são preços médios. Mas o colapso da cadeia de suprimentos explodiu os contratos de longo prazo com os armadores, como são chamados os proprietários dos navios, fazendo a maioria das empresas que depende de importação e exportação a negociar no mercado spot, em que os preços são definidos diariamente.

“Antes da pandemia, eu pagava US$ 3 mil por um contêiner de 40 pés saindo de Xangai. Agora, está na casa de US$ 20 mil”, diz o presidente de uma grande empresa de tecnologia, que não quer se identificar.

A percepção é a mesma na Multilaser, empresa com um modelo intimamente ligado à China. “Os contêineres estão muito caros, quase 12 vezes o piso histórico, o que encarece muito os produtos importados”, afirma Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser, dona de um portfólio de mais de 5 mil produtos eletroeletrônicos que mescla a produção local com componentes e produtos prontos importados da China.

A crise logística, por enquanto, não está causando desabastecimento de produtos no mercado brasileiro, como acontece com a indústria automobilística que vem sofrendo com a falta de componentes para a fabricação de carros no Brasil e no mundo.

De uma forma geral, a maioria das empresas está conseguindo se abastecer com produtos importados. Mas não há mais previsibilidade de quando os itens chegam para a fabricação.

“O atraso de matéria-prima virou uma constante”, diz um executivo de uma indústria eletroeletrônica. “O estoque de segurança virou nossa válvula de escape e temos feito mudanças repentinas na produção para manter a fábrica rodando constantemente.”

Uma das alternativas é aumentar a produção com itens nacionais. “Esse contexto favorece a produção local, especialmente das partes mais volumosas, como injetáveis plásticos”, afirma Ostrowiecki, da Multilaser. “E estamos em plano de aceleração para tentar, o mais rápido possível, produzir em casa e fazer economia desse frete, que é tão pesado.”

Como parte desse plano, a Multilaser está investindo R$ 154 milhões na ampliação de sua produção, atualmente distribuída em Extrema (MG) e Manaus (AM). Nas duas unidades, a companhia fabrica placas de circuitos integrados e monta produtos como computadores, tablets e celulares.

“O atraso de matéria-prima virou uma constante”, diz um executivo de uma indústria eletroeletrônica

A injeção de recursos envolve iniciativas como o aumento da estrutura da fábrica de Extrema e a instalação de linhas de injeção plástica, telas de computadores e produtos como liquidificadores, ventiladores e batedeiras. Em Manaus, a novidade é a fabricação de televisores.

Com essas medidas, a Multilaser projeta sair de um índice atual de 70% do portfólio produzido no País para 80% até meados de 2022. Mas, não custa lembrar, boa parte dos produtos da empresa precisa de componentes que vêm, em sua maioria, da China.

O que explica o caos

Como um acidente aéreo, não há uma causa única para esse momento da logística mundial. Segundo especialistas com os quais o NeoFeed conversou, a crise é anterior a Covid-19, mas foi agravada pela pandemia do novo coronavírus.

Os armadores vêm passando, desde 2008, por problemas financeiros, o que levou a uma consolidação do setor. Atualmente, as quatro maiores empresas da área detêm uma fatia de quase 60% do mercado. A líder Maersk, por exemplo, tem uma participação de 17%.

“O ano de 2020 começou com uma tendência de melhorar, com a oferta e a demanda se encontrando novamente, depois de uma década de prejuízos bilionários”, diz Barreto, da Solve Shipping Intelligence. “Aí, veio a pandemia.”

Em um primeiro momento, o mundo parou – inclusive os navios, que ficaram “estacionados” sem carga para transportar ao redor do mundo. Mas, a partir do terceiro trimestre do ano passado, com a injeção de liquidez mundial patrocinada por bancos centrais de todos os cantos do planeta, o consumo voltou com toda força.

“Para surpresa de empresas dos Estados Unidos e da América Latina, incluindo o Brasil, o consumidor não parou de gastar, mas produtos de escritório, tintas, material escolar e até equipamentos de ginástica tiveram um excesso de demanda de até 400%”, afirma Alfonso de los Rios, CEO da Nowports, startup mexicana que monitora em tempo real contêineres ao redor do mundo.

Esse crescimento da demanda não parou de crescer. E, pouco a pouco, foi levando a um colapso da estrutura logística. O encalhe do navio Ever Given, da empresa Evergreen, que fechou o canal de Suez em março deste ano, foi a cereja no bolo de uma situação que já beirava o caos.

Mas não há nada que não esteja ruim que não possa piorar. Em setembro deste ano, o porto de Los Angeles contou com um número recorde de mais de 70 navios esperando para atracar. O motivo? As malhas rodoviárias e ferroviárias americanas não estavam dando conta de transportar a carga que chegava para ser desembarcada, provocando um estrangulamento que atingiu os portos.

Imagem aérea do porto de Los Angeles e os navios a espera de atracar

O colapso do porto americano fez com que o termo “cadeia de suprimentos” fosse citado mais de 3 mil vez em calls de resultados de empresas do índice S&P 500, que reúne as maiores companhias dos Estados Unidos, segundo levantamento da Bloomberg – um recorde em comparação ao ano passado.

Até o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se meteu no problema, ao se reunir com representantes da indústria portuária americana no começo de outubro. Entre as decisões tomadas, o porto de Los Angeles passou a funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana.

No Brasil, não há congestionamentos de navios nos portos. O problema é o custo do frete e a dificuldade de conseguir contêineres para importar e exportar os produtos. “Espaço em navio hoje é um item escasso” diz Carlos Souza, fundador e COO da LogComex, empresa que coleta dados de comércio exterior.

O problema ainda deve persistir por um longo tempo, mas já há boas notícias no horizonte – ou pelo menos, não tão ruins. “O custo do contêiner parou de subir e estacionou na faixa de US$ 12 mil a US$ 13 mil”, diz Ostrowiecki, da Multilaser.

Como os armadores estão ganhando dinheiro, eles devem começar a comprar novos navios. Mas embarcações desse porte demoram muito anos para ficar prontas. A expectativa é que, de forma estrutural, o problema se resolva entre 2023 e 2024. “No curto prazo, acreditamos, torcemos e rezamos que a situação comece a melhorar no primeiro semestre de 2022”, afirma Barreto, da Solve.

O executivo do setor eletroeletrônico do início desta reportagem diz que o custo do frete já caiu 15% em outubro. E acredita que o caos logístico deve se normalizar até o fim do ano. “O preço do contêiner vai cair para US$ 8 mil, mas não voltará aos US$ 2 mil, US$ 3 mil que pagava antes da pandemia.” Bem-vindos ao novo normal.

(Colaboraram Moacir Drksa e André Italo Rocha

Microsoft destrona a Apple do posto de empresa mais valiosa do mundo

Os problemas da companhia de maçã com cadeias de abastecimento a empurram para o segundo lugar em capitalização de mercado

ÁLVARO SÁNCHEZ El Pais  – 29 OCT 2021 

O nome Microsoft está mais uma vez no topo do mundo corporativo. A empresa fundada em 1975 pelos jovens Bill Gates e Paul Allen, amigos desde a adolescência e fãs de programação, ultrapassou a Apple em capitalização de mercado nesta sexta-feira, tornando-se a empresa mais valiosa do mundo, com 2,47 trilhões de dólares (14 trilhões de reais). A última vez que o criador do sistema operacional Windows esteve à frente da fabricante do iPhone foi em julho de 2020, há 15 meses.

A ultrapassagem ocorreu após duas notícias conflitantes ocorridas esta semana. Na terça-feira, a Microsoft surpreendeu Wall Street com resultados recordes impulsionados pela demanda por serviços em nuvem. E, na quinta-feira, a Apple desencadeou alguma preocupação entre os investidores ao anunciar durante sua apresentação de resultados que os problemas nas cadeias de abastecimento globais, ainda não resolvidos, custaram-lhe 6 bilhões de dólares em receitas no último trimestre.

Muito do sucesso da Microsoft se deve à gestão de seu CEO, o indiano Satya Nadella, que foi batizado como o homem da nuvem em um momento em que a empresa buscava recuperar sua audácia perdida e devolveu a Microsoft ao mais alto do Olimpo dos negócios. Seu compromisso com o gerenciamento de dados foi fundamental para essa decolagem. Os títulos da empresa valorizaram-se mais de 700% desde sua chegada e valem até três vezes e meia todas as empresas juntas do índice Ibex 35 espanhol.

No centro, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, ao lado do fundador da empresa, Bill Gates, e do ex-CEO Steve Ballmer, no campus da empresa em Redmond, Washington, em fevereiro de 2014.

No centro, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, ao lado do fundador da empresa, Bill Gates, e do ex-CEO Steve Ballmer, no campus da empresa em Redmond, Washington, em fevereiro de 2014.

GTRES

O grande erro de Bill Gates: o CTRL+ALT+DEL

A competição é acirrada. Durante grande parte do tempo em que Nadella esteve à frente da Microsoft, foi a Apple que emergiu como a tecnológica mais valiosa do planeta. A empresa fundada por Steve Jobs foi a primeira a ultrapassar um trilhão de dólares em valor no mercado de ações. Isso aconteceu em agosto de 2018, oito meses antes da Microsoft. Em agosto de 2020, a Apple seria a primeira norte-americana a quebrar a barreira dos dois trilhões —a petrolífera saudita Aramco já havia feito isso— e no caminho, um pouco mais para trás, mas sem perder o rumo, estava a Microsoft, que também deixou para trás essa barreira em junho deste ano, dez meses depois.

Agora as forças parecem ter se estabilizado. A melhora das ações da Microsoft em 2021 (com um ganho de 51% desde janeiro), é mais encorajadora do que a da Apple (15%), que os colocou em pé de igualdade, não apenas nos mercados. Seus últimos resultados trimestrais refletem ganhos idênticos de 20,5 bilhões de dólares, embora a receita da Apple exceda em muito a de sua rival. Google e Amazon ficam atrás em uma classificação, a de empresas de mais de um trilhão de dólares, onde a tecnologia tem uma predominância clara e na qual a fabricante de veículos elétricos Tesla recentemente se infiltrou.

 

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A nova economia da cultura

O PIB Criativo já é grande, mas vai ser muito maior, só não vê quem não está atento, só não participa quem não quer

Pedro Tourinho –  Neofeed • 29/09/2021 • 

Não sou excepcionalmente criativo, mas sempre trabalhei de alguma forma com criação e cultura, seja no âmbito da publicidade, da mídia, do entretenimento ou gerando meu próprio conteúdo enquanto mera presença em redes sociais.

Sou, também, autor de um livro sobre um assunto muito contemporâneo: imagem pessoal e redes sociais. Então, desde sempre estive envolvido com o tema e ganho minha vida com isso.

Nos últimos 2 ou 3 anos, há nesse país uma dicotomia histriônica: ao mesmo tempo que nunca um governo foi tão contra a criatividade e cultura, nunca antes na história o mercado financeiro olhou com tanta atenção para isso.

Sim, amigos, creators economy é uma corruptela de economia criativa, que é uma perspectiva mercadológica da cultura. É o nosso PIB Criativo.

Esse segmento, apontado por muitos como um dos grandes vetores de crescimento da economia mundial pós-pandemia, representa hoje quase 3% do PIB brasileiro, gera 6.6 milhões de empregos e possui mais de 140 milhões de empresas.

Esse segmento movimenta, em média, R$ 171,5 bilhões por ano na economia, o que fica evidente o tamanho se for comparado com o setor imobiliário, por exemplo, que movimenta cerca de R$170 bilhões ao ano no Brasil. Esses dados são de um levantamento feito pela Firjan, em 2019.

Por conta do desinteresse público, muito valor que está sendo gerado em tecnologia nesse segmento não deve nem estar nessa conta. Por exemplo: o valor de mercado de propriedade intelectual, nunca antes calculado até alguém se interessar em comprar, a projeção de demanda das grandes plataformas de conteúdo para novas histórias em forma de filmes, séries, a revolução que está em curso com a chegada dos NFTs ou a força da entrada de grandes celebridades no mundo das startups.

Esse segmento movimenta, em média, R$ 171,5 bilhões por ano na economia

E é aí que entramos no ponto: o mercado não está só de olho nessas oportunidades a serem exploradas, como também entendendo cada vez mais que impacto e relevância são fundamentais para virar qualquer negócio, e que isso se faz através da mídia e da cultura.

O engajamento de consumidores, mais do que nunca, tornou-se central na criação de empreendimentos bem-sucedidos em qualquer área, mais ainda na área de tecnologia e mídia.

A conexão entre empreendedores e líderes culturais, no sentido de potencializar investimentos e trazer resultados não só financeiros, está se mostrando cada vez mais potente porque provoca um impacto real na vida das pessoas.

Impacto > Influência

Não adianta apenas ser influente e provocar um turbilhão no algoritmo, é também necessário impactar de verdade a realidade das pessoas, mudar comportamentos, gerar tendências, transformar a forma com que as pessoas fazem as coisas e vivem.

Os modelos de trabalho estão evoluindo em todo mundo. A tecnologia faz uma grande revolução no sentido de que as pessoas não precisam mais trabalhar para uma grande indústria, pois elas podem fazer parte de um grande ecossistema de valor em que o que elas produzem enquanto indivíduos, seu trabalho e sua criação fazem parte de um ecossistema maior em que o indivíduo é valorizado.

Um jornalista não precisa de um jornal para escrever; um artista plástico não precisa de uma galeria para acontecer; um cantor vive e faz sucesso sem gravadora; um economista não precisa trabalhar num grande banco para orientar seus clientes, e por aí vai.

Não existe mais funil em monopólios ou oligopólios. Existem plataformas que potencializam o indivíduo em rede, em um ecossistema que gera valor para todos. A tecnologia hoje possibilita isso, e a oportunidade está exatamente na estruturação desse ecossistema. Quem são os empreendedores brasileiros que estão nos preparando para esse mundo? É para eles que estamos olhando.

Não existe mais funil em monopólios ou oligopólios. Existem plataformas que potencializam o indivíduo em rede, em um ecossistema que gera valor para todos

Por exemplo: quanto o fundo a16Z tornou-se mais relevante no mercado depois do lançamento do seu cultural leadership fund, que possibilitou a entrada de mais pessoas negras na indústria da tecnologia, conectando empresas com artistas, líderes e empreendedores afro-descendentes?

Há umas duas semanas vi um dado que eles foram o segundo fundo liderando mais séries A no mundo. Aqui, como em todo lugar, estamos falando de impacto. ESG não é marketing, é estratégia de negócio, ou melhor, é estratégia de sobrevivência.

É este universo que me interessa, e é para esses líderes e empreendedores da economia criativa e cultura que estou olhando. Para eles que esse espaço será dedicado. O PIB Criativo já é grande, mas vai ser muito maior, só não vê quem não está atento, só não participa quem não quer.

Pedro Tourinho nasceu em Salvador, formou-se em comunicação social e é especialista em entretenimento e mídia. Fundador da MAP Brasil, agência responsável pela gestão da carreira, contratos publicitários, e pelos cuidados com a imagem de algumas das personalidades mais importantes do País, e também da Soko, agência de comunicação e de Midia de engajamento. Mais recentemente, entrou como investidor e publisher da plataforma de economia criativa, Orelo. É também autor do livro “Eu, eu mesmo e minha selfie – como cuidar da sua imagem no século XXI”, lançado em 2019.

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Você ainda não sabe o que é METAVERSO? É bom aprender…

Autor: Paulo Milet* revista NeTebrasil 29/10/2021

Nos últimos tempos, a expressão METAVERSO tem começado a aparecer com mais frequência nas notícias do dia-a-dia.

Inicialmente entre aqueles mais interessados em Games. Logo depois naquelas notícias envolvendo Mark Zuckerberg e o FACEBOOK.

Zuckerberg diz que o futuro da Internet é o METAVERSO, resolveu investir 50 milhões de dólares para começar e até definiu que o novo nome da holding que controla o FB, Instagram e Whatsapp será META!

Mas afinal, o que é Metaverso?

A expressão parece ter surgido em um conto de 1992, do escritor Neal Stephenson que criou o conceito de um Universo paralelo, só existente e visível para os óculos especiais do herói da história.

Mas a ideia atual é bem maior do que essa. Alguns games já com 20 anos, como o “Second Life”, tentaram implementar um mundo similar a esse na internet, onde as pessoas poderiam ter um clone seu e viver em um ambiente paralelo (daí o nome second life).

Várias empresas estão pensando( e agindo) na direção do Metaverso. Google, Apple, Amazon, Microsoft, Roblox, Epic Games, e muitas outras já estão com projetos envolvendo as tecnologias que se cruzarão no Metaverso. Realidade Virtual e aumentada, Internet das coisas,  Sensores e simuladores, vestíveis de todos os tipos, Inteligência artificial, robótica, blockchain, clones e muito mais. Com o 5G e logo depois o 6G muita coisa que está no papel, vai virar realidade (ou Meta realidade).

Mas vamos parar de falar em tecnologias incompreensíveis e vamos ver na prática como isso poderia funcionar?

Começamos vestindo nossas roupas coladas no corpo como a de um mergulhador, só que bem leves e confortáveis, com óculos e capacete especiais e com sensores em cada centímetro do corpo. Entramos na sala ou quarto da nossa casa, especialmente recauchutados e preparados e subimos em algo como uma esteira de caminhada 360 graus.

E aí a vida (ou meta vida) explode!

Começamos entrando no METAVERSO num domingo e nos dirigindo ao Maracanã, onde está sendo realizado um jogo do Flamengo. Assistimos ao jogo (vitória do Mengão!)e na saída resolvemos que a partida do Lakers pela NBA em Los Angeles, que começa em 5min merece ser vista e seguimos pra lá com a velocidade do pensamento.

E depois do Lakers? Que tal um jantar em Paris? Aí você se encontra com sua esposa que estava no teatro em Times Square (na verdade ela está em Brasília) e com um casal de amigos (ele mora em São Paulo e ela em Buenos Aires) e se reúnem em um restaurante bem simpático ali bem perto do Arco do Triunfo. Pedem o cardápio e escolhem os melhores pratos.

Mas como saborear no Metaverso? Não tem problema. Em 30min, um drone na sua janela (e nas janelas dos outros 3) faz a entrega dos pratos pedidos. As redes internacionais de distribuição fazem o casamento do mundo real com o Metaverso.

Mas, vamos em frente!

No dia seguinte (a noite anterior foi ótima! Afinal os sensores estão em cada centímetro do corpo), uma segunda-feira, vamos trabalhar.

Reunião na Paulista em Sampa com toda a Diretoria no vigésimo andar. (cada um dos diretores está na verdade em uma cidade diferente em países diferentes, mas todos estão se vendo e conversando como se estivessem no mesmo recinto).

Depois da reunião, não posso perder aquela aula sensacional no MIT, junto com mais 320.000 alunos interessados naquele tema.

Entre a reunião em Sampa e a aula em Boston, aproveitei pra fazer uma consulta geral com meu médico que estava naquele momento nas Bahamas. Ou seria em Cingapura?

Continuei  as atividades encontrando com minha filha e netas dando beijos e abraços apertados e descendo em uma montanha russa na Disney.  A “turkey leg” especial, voces já sabem, veio por drone. Mais cedo as meninas tiveram aulas de “machine learning” no vale do silício e visitaram as pirâmides no Egito.

A semana foi bem cheia. Ainda teve um show de Paul McCartney em Milão, aliás, em dupla com John Lennon. Porque não? Foi um sucesso! Platéia com 60.000.000 de beatlemaníacos!

E então? Deu pra pensar e sonhar com o Metaverso?

Quase ia esquecendo: Tudo foi sendo pago com meta moedas aceitas em todo o Metaverso e fora dele também.

Ficou mais claro? Tudo que você faz hoje na Internet (buscas, pesquisas, compras, estudo, trabalho, conversas, jogos…) vai continuar fazendo dentro do Metaverso, só que “presencialmente”!

E os problemas do mundo real? Foram resolvidos?

Só não serão se não quisermos. Não poderão mais existir problemas de educação e saúde. Os custos de comunicação e acesso ao Metaverso serão irrisórios. Produtividade total na agricultura e alimentação. Renda mínima garantida. Trabalho pesado só com as máquinas.

Certamente o Zuckerberg não pensou em tudo isso, mas nós temos que pensar.

E os limites? E as leis? E as fronteiras? E os impostos? E as empresas? E os governos? E os países? E o ar e a água?

E o mais importante: E as pessoas? Vão estar mais felizes? Ou seria Metafelizes?

*Paulo Milet –  Formado em Matemática pela UnB e pós graduado em adm. pública pela FGV RJ – Pres. Conselho de Educação da ACRJ. Consultor e empresário nas áreas de Tecnologia, Gestão e EaD. Sócio Fundador da ESCHOLA.COM.

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Inovação exige cultura, recursos e visão de longo prazo

Juntas, as 150 empresas mais inovadoras do país investiram R$ 51 bilhões em P&D em 2020

Por Ediane Tiago — Valor 28/10/2021 

Num mundo cada vez mais tecnológico e competitivo, uma empresa não pode se limitar a oferecer produtos inovadores. É preciso que a cultura de inovação permeie todas áreas – gestão, processos produtivos, experiência do cliente – e entre no dia a dia da companhia. Isso inclui se abrir para parcerias externas com quem tem a inovação no DNA – startups, por exemplo – e investir de modo sistemático no processo. Essa é a síntese da visão das empresas vencedoras do Prêmio Valor Inovação Brasil, entregue na noite de quarta-feira.

O prêmio é resultado de uma pesquisa realizada em parceria com a Strategy&, consultoria estratégica da PwC, e que contou com apoio da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei).

A cerimônia de premiação marcou o lançamento da sétima edição do anuário Valor Inovação Brasil, que traz o ranking com as 150 empresas mais inovadoras do país. Entre as 226 companhias analisadas, foram premiadas as dez primeiras classificadas no ranking geral e as vencedoras de cada um dos 23 setores analisados. “É o número recorde de participantes”, diz Gerson Charchat, sócio da Strategy&.

Pela quinta vez, a Embraer foi escolhida a empresa campeã do ranking. “É uma iniciativa que contribui para manter o ecossistema de inovação brasileiro ativo”, afirmou Francisco Gomes Neto, CEO da empresa. Em 2020, 40% da receita da companhia vieram das inovações implementadas nos últimos cinco anos, afirma. Para ele, a empresa inovadora é aquela que “antecipa a demanda” e está “continuamente na fronteira do conhecimento”.

Neste ano, a pesquisa teve como tema “Inovação em segurança de dados: desafios e oportunidades”. “Esse é um assunto de alta prioridade na agenda dos executivos”, destaca Marcelo Gil, sócio da Strategy&, durante a cerimônia. “Sem segurança de dados não há confiança e, portanto, não há como realizar negócios.”

Segundo Charchat, durante a pesquisa foram avaliados 954 casos de inovação. Da amostra, 57 empresas fazem parte do grupo das cem maiores companhias em faturamento do país. A receita líquida somada das participantes é de R$ 3,1 trilhões. Juntas, essas companhias investiram R$ 51 bilhões em inovação em 2020. Das empresas entrevistadas, 50% declararam que a inovação é sua principal estratégia – crescimento de 13 pontos percentuais em comparação ao ano passado.

Rodrigo Fumo Fernandes, diretor de engenharia e inovação da WEG, segunda colocada, ressalta que a inovação é a solução para girar a economia e garantir o crescimento econômico do país. Mas para ser inovadora, uma empresa tem de ser constante em seus investimentos. “É preciso buscar, sistematicamente, novas soluções para seus produtos, serviços e modelos de negócios”, afirmou. Ele defendeu a importância da inovação nos processos de gestão.

Evento de premiação on-line do Prêmio Valor Inovação Brasil: empresas precisam introjetar cultura inovadora — Foto: 

“Para nós, a inovação está relacionada a tudo o que pode gerar impacto positivo na sociedade e no planeta”, comentou Carolina Sevciuc, diretora de transformação digital da Nestlé. Sevciuc defendeu a importância do intraempreendedorismo – iniciativas inovadoras dentro da própria empresa – e da cultura de inovação em experiências, serviços e modelos de negócio.

A aplicação de conhecimento e o avanço digital devem responder aos desafios econômicos e sociais, que não podem estar em segundo plano, avalia Marcelo Gil. “Como efeito colateral da pandemia da covid-19, as empresas herdaram um ambiente de negócios mais complexo e precisam lidar com rupturas tecnológicas, divisões políticas, tensões sociais, mudanças climáticas, conflitos sociais e desigualdade, tendo para isso que se adaptar tanto na forma de trabalhar como na de fazer negócios.”

A pesquisa mostra que a agenda ambiental, social e de governança (ESG, na sigla em inglês) tem aderência à estratégia de inovação e deve moldar as atividades de pesquisa e o desenvolvimento das empresas. Quarta colocada, a Vale é exemplo de companhia que dá importância à interação com startups e já criou cultura inovadora disseminada por toda a organização. “Temos uma visão de longo prazo com base em dois pilares: novo pacto com a sociedade e eficiência operacional”, comenta Luciano Siani, vice-presidente de finanças e relações com investidores.

Bruno Bragazza, gerente de inovação e novos negócios da Bosch América Latina, sétima colocada, confirma a necessidade da visão de longo prazo. “Inovação é uma longa caminhada, que exige a aplicação de novas soluções de forma sistemática e contínua”, explica. Para ele, esse é um dos fatores que mantêm a companhia atualizada, aos 135 anos. “A companhia já passou por muitas adaptações em seu modelo de negócios”, completou. Com o avanço da digitalização, a Bosch pretende deixar de ser uma empresa metalmecânica para ser destaque global em uso de tecnologias como internet das coisas e inteligência artificial.

No ano passado, o setor da saúde sofreu o impacto direto. Mais do que nunca, a capacidade de inovação foi testada. “Quem já estava conectado ao ecossistema conseguiu responder rapidamente às demandas”, afirmou Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, sexto colocado no geral e líder do setor de saúde. Segundo Klajner, apesar de a pandemia ter afetado os resultados financeiros do hospital, a decisão foi manter os investimentos e os programas de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Entre os reforços, Klajner destaca a expansão de parcerias. Na Eretz.bio, incubadora mantida pelo Einstein, por exemplo, a criação de um ambiente digital permitiu ampliar portfólio de startups. O número de empresas saltou de 39 para 90.

Katia Vaskys, gerente geral da IBM Brasil, décima colocada, ressaltou a importância do pensamento científico para solucionar os desafios da humanidade. Para ela, a inovação é uma jornada sem fim, que está relacionada à renovação constante dos negócios e à capacidade de abordar tema relevantes para a sociedade como educação e inclusão. “É uma questão de unir boas ideias a boas causas.”

A ousadia também é traço marcante das empresas inovadoras. Segundo Stelleo Tolda, um dos fundadores do Mercado Livre e atual presidente de commerce para a América Latina, é preciso assumir riscos. Vencedora no segmento de varejo e oitava colocada no ranking geral, a empresa persegue a evolução constante, sob uma estratégia que chama de “beta contínuo”. “Buscamos entender profundamente as necessidades dos usuários para inovar, movimento que impacta toda a cadeia produtiva ligada direta e indiretamente à plataforma.”

Nicolás Simone, diretor de transformação digital e inovação da Petrobras, quinta colocada, destacou que é preciso reconhecer e valorizar as pessoas, colocando-as no centro do processo de inovação. “Temos de dar liberdade para os colaboradores. Eles precisam ter condições para executar suas ideias”, afirma.

Já a Natura, nona colocada, investe em times multidisciplinares. Roseli Mello, diretora global de inovação, explicou que nas equipes prevalece o “espírito de dono”. Apesar de menores, os times são ágeis e conectados às necessidades do consumidor.

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2021/10/28/inovacao-exige-cultura-recursos-e-visao-de-longo-prazo-sembarreira.ghtml

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