O que é felicidade corporativa e como as empresas estão abordando o tema

Ambiente seguro, bons relacionamentos e momentos de recarga são vitais para ter pessoas mais felizes

Por Bárbara Nór, Para o Valor 02/07/2022 

Da operação até a alta liderança, as pessoas ficaram mais tristes com o isolamento provocado pela pandemia. Essa é a avaliação de Vinicius Kitahara, fundador da consultoria de felicidade Vinning. Desde 2015, ele trabalha com o tema da felicidade corporativa, mas foram os últimos dois anos, diz ele, o grande divisor de águas – nunca tantas empresas procuraram saber sobre o assunto e de forma tão urgente.

Segundo ele, questões que estavam latentes nas empresas, como altos níveis de ansiedade, o burnout e a busca por um propósito no trabalho, acabaram emergindo com mais força ainda depois da pandemia. Uma pesquisa encomendada pela Pfizer e feita em parceria com o Ipec, em 2021, com 2 mil brasileiros, mostrou que a tristeza era o sentimento mais relatado, com 42% das respostas, seguida de irritação e insônia empatadas com 38%.

Para Kitahara, a resposta para esse quadro pode estar em uma disciplina: a ciência da felicidade. Ela combina conhecimentos da psicologia positiva e da neurociência, promete fornecer ferramentas e estratégias para tornar as pessoas felizes e satisfeitas – e, por consequência, mais produtivas e engajadas, diminuindo o turnover nas empresas. E ela tem ganhado adeptos de peso. Nos últimos anos, gigantes como Amazon e Google criaram o cargo de Chief Happiness Officer, dedicado a garantir condições para que as pessoas sejam felizes no trabalho, algo que se tornou mais urgente em meio às demissões em massa com o “GreatResignation” ou a “Grande Renúncia”.

Leonardo Grimaldi, da Suzano: permitir que haja confiança em todos os níveis — Foto: Anna Carolina Negri/Valor

“As pessoas começaram a questionar o que é importante para elas, e o que faz mal para elas começa a perder o sentido”, diz Kitahara. “Mas elas ainda associam felicidade a algo que só vem depois do expediente.” O trabalho, longe de causar felicidade, é visto ainda como vilão do bem-estar das pessoas, algo que poderia explicar, em parte, o desencanto das pessoas com o mundo corporativo.

Não há receita de bolo para a felicidade. O segredo estaria justamente em conseguir criar um ambiente psicologicamente seguro, bons relacionamentos e momentos de “recarga” no dia a dia. Mas, para garantir tudo isso, é preciso conhecer as necessidades de cada um na organização, algo que impacta diretamente no perfil esperado da liderança.

“Com a pandemia, os líderes tiveram que conhecer ainda mais as particularidades dos liderados”, diz Ana Paula Tarcia, diretora executiva de pessoas e cultura no banco BV. Desde março de 2021, a empresa passou a oferecer oficinas de felicidade para a liderança e funcionários. Nelas, temas como relacionamentos, autoconhecimento e descobertas das pesquisas sobre felicidade são compartilhados, além de um espaço para dividir dilemas e questões do cotidiano.

Um dos maiores estudos sobre felicidade, liderado pelo psiquiatra americano e professor de Harvard Robert Waldinger, mostrou que o fator que mais contribui para a felicidade no longo prazo são os bons relacionamentos, de qualidade e confiança – algo que, na avaliação de Tarcia, costuma faltar nas empresas.

Falar sobre felicidade foi uma forma de abrir o canal de comunicação para que as pessoas pudessem dividir questões pessoais, como a perda de um familiar, o nascimento de um filho ou um divórcio, que tinham impacto direto sobre o bem-estar e desempenho no trabalho. “Esse tema gera muita conexão com as pessoas”, diz Tarcia. “É através das relações que você tem mais estímulos para gerar essa tal felicidade – sozinho, é muito mais difícil”, diz.

A partir de um grupo multidisciplinar foram criadas algumas ações, como a licença-paternidade estendida para homens – com 30 dias obrigatórios e mais 60 opcionais, extensiva para casais homoafetivos, e a criação do programa “Lugar de mãe é no BV”, que abre vagas específicas para mães que tinham saído do mundo corporativo para se dedicar à maternidade.

Para Kitahara, uma das maiores dificuldades para trazer o tema da felicidade ao mundo corporativo é a pressa de parte da liderança. “Muitos estão viciados em buscar as resoluções de curtíssimo prazo”, diz. Por ser um tema tão amplo, falar de felicidade envolve uma transformação cultural de médio e longo prazo, afirma.

Na Deloitte, vencer o preconceito de parte dos líderes também foi um dos desafios percebidos por Dani Plesnik, diretora de talentos e Chief Happiness Officer da consultoria. “Felicidade causa estranhamento, o pessoal acha que é algo ‘fofo’, mas não é”, ela diz. “Há uma visão ligada à positividade tóxica, como uso da felicidade só para ser mais uma ferramenta de produtividade.”

O resultado disso seria uma rejeição ao tema e a sensação de que não é lugar da empresa falar sobre felicidade. Abrir a discussão sobre felicidade envolve a liberdade de falar quando não se está bem e conseguir ter vulnerabilidade, elementos que ela queria fortalecer também na cultura da Deloitte.

Plesnik conta que, antes de instituir o programa de felicidade para toda a empresa em 2021, os líderes foram convidados a participar de grupos onde pudessem se sentir confortáveis para falar sobre suas dificuldades e conhecerem melhor o tema. Outros assuntos, como comunicação não violenta e inteligência emocional, também fizeram parte do pacote.

Depois de passar pela alta liderança, o programa foi aberto para toda a empresa e organizado em ciclos de três meses. No final, grupos de trabalho foram formados para pensar como multiplicar o tema da felicidade na empresa, com dinâmicas e exercícios. Em um ano de programa, foram 354 horas no tema e mais de 10,9 mil participações. “Vivemos uma crisse de talento, simplesmente pagar salários maiores não é mais suficiente. É preciso entender o que motiva as pessoas para ficarem no trabalho nos menores detalhes”, afirma Plesnik. Para ela, a felicidade é só mais um dos itens em um “cardápio” que as empresas precisam oferecer, sem exigir que todos façam parte do programa. “A felicidade é subjetiva e não cabe a mim dizer o que elas devem fazer”, diz. “Mas a felicidade ajuda as pessoas a identificarem coisas que fazem sentido para elas dentro da empresa.”

Um engano comum em relação à felicidade seria associá-la a grandes conquistas e ao sucesso profissional ou financeiro. “É preciso inverter a equação, a felicidade é a base de tudo e não o resultado final”, afirma Leonardo Grimaldi, diretor comercial de celulose e gente e gestão da Suzano. “É o engajamento que leva ao sucesso. Quando temos um público feliz de estar trabalhando conosco é que conseguimos mais criatividade, inovação, retenção e produtividade.”

Não é uma tarefa simples em uma empresa com 16 mil funcionários – sem contar os cerca de 30 mil profissionais terceiros ou em funções indiretas. Ainda mais com as diferenças entre regiões e áreas de atuação. No início da pandemia, essas disparidades ficaram ainda mais marcadas, relata Grimaldi. Se da noite para o dia cerca de 5 mil pessoas começaram a trabalhar de casa, outras milhares tiveram que continuar nas plantas da empresa, mas em uma rotina completamente isolada do resto.

“Começamos a entender que os desafios das pessoas em casa e as pessoas em unidades industriais, portos, centros de distribuição eram muito diferentes”, diz Grimaldi. Mas, em comum, o tema do equilíbrio virava prioridade em todos os grupos, assim como a preocupação de como fazer gestão de pessoas remotamente ou isoladas nas fábricas. “Começamos a estudar o que podia ser feito para que as pessoas se sentissem melhor e mais engajadas.” Foi aí que a empresa começou a se aprofundar na felicidade corporativa – a ponto de também criar a gerência de felicidade neste ano.

Assim como o BV e a Deloitte, as oficinas de felicidade foram o início para começar a trabalhar o tema. “A gente dividia com as lideranças as técnicas de felicidade e elas compartilhavam depois isso com as equipes”, diz Grimaldi. As pessoas mais engajadas com a causa também foram identificadas para serem multiplicadoras na organização. 

Conquistar o máximo de apoio possível era a meta da área de pessoas. “Se um líder tem uma prática distinta, ele pode colocar por água abaixo tudo que trabalhamos.”

Ao mesmo tempo, a área de bem-estar da empresa foi fortalecida para fazer um trabalho “fábrica a fábrica” e identificar áreas que podem ser transformadas para trazer mais felicidade. Daí vieram iniciativas como as novas áreas de convivência e lazer nas plantas e recuperação de ambientes para que se tornassem mais colaborativos e mais próximos ao que se vê nos escritórios da Faria Lima. Além disso, as famílias dos funcionários têm sido cada vez mais chamadas a participar de eventos e celebrações.

A mudança na forma como líderes e equipes se relacionam também ganhou importância na Suzano – a chamada “permissão para ser humano”, como diz Grimaldi. “A gente tem que permitir para líder e liderado um ambiente de confiança para que possam falar de problemas e dificuldades, porque isso é normal e tem na vida de todo mundo”, diz.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/07/02/o-que-e-felicidade-corporativa-e-como-as-empresas-estao-abordando-o-tema.ghtml

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Ford espera receita de R$ 500 milhões no Brasil com exportação de tecnologia

Após encerrar produção de veículos no país, multinacional foca na produção de conhecimento com Centro de Desenvolvimento e Tecnologia em Camaçari

Rafael Romer – itforum  01 de julho de 2022

Centro de Desenvolvimento e Tecnologia da Ford, em Camaçari (BA), recebeu novos investimentos e expansão de time (Imagem: Divulgação/Ford)

Um ano e meio após anunciar o encerramento da produção de veículos no Brasil, a Ford busca agora alcançar novas receitas no país através da exportação de serviços de engenharia, pesquisa e desenvolvimento de tecnologia automotiva. A estratégia foi detalhada pela multinacional dos Estados Unidos nesta sexta-feira (01) e é ancorada no Centro de Desenvolvimento e Tecnologia da Ford no país, em Camaçari, na Bahia.

O espaço, localizado no Cimatec Park – estrutura de inovação em parceria com o Senai Cimatec –, faz parte de um ecossistema que conta com nove grandes centros de pesquisa e desenvolvimento espalhados pelo mundo. A planta de Camaçari é apoiada por outras estruturas na região da América do Sul, incluindo um campo de testes em Tatuí (SP), um hub de ideação em Salvador (BA), e um centro em Pacheco, na Argentina, focado no modelo Ranger.

Segundo a Ford, a expectativa é gerar R$ 500 milhões em receitas com a exportação de projetos e conhecimento para a Ford mundial neste ano. “Nós, brasileiros, nos sentimos muito distantes do desenvolvimento de tecnologia de ponta”, disse Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford para América do Sul. “Nós temos gente capacitada para fazer isso, nós temos demanda e somos competitivos – existe um custo menor, e isso nos diferencia. Hoje, esse centro é parte do nosso modelo de negócio”, completou.

Daniel Justo, presidente da Ford América do Sul, afirmou que o número representa um aumento “significativo” no faturamento que a empresa registrava anteriormente com o centro. “O time, anteriormente, era dedicado inteiramente ao desenvolvimento local. Quando a gente fez essa mudança, para o desenvolvimento internacional, a gente passou a exportar”, pontuou.

O Centro de Desenvolvimento e Tecnologia da Ford em Camaçari já é operado pela companhia há mais de 20 anos. No entanto, desde o fim das operações de produção de veículos no Brasil, no entanto, a estrutura ganhou nova relevância para o negócio da Ford. Em maio, a organização anunciou a ampliação do centro, incluindo a abertura de 500 novas vagas no local. O número representou um crescimento de 50% no time de engenharia, que já conta com mais de 1,5 mil especialistas trabalhando no local.

De acordo com a liderança da empresa no país, a estrutura de pesquisa e desenvolvimento brasileira seguirá explorando três pilares estratégicos que são parte da visão da Ford para o futuro do segmento automotivo: eletrificação, automação e conectividade. As áreas estudadas incluem pesquisa e desenvolvimento de software, promoção de conectividade veicular, desmonte e análise de veículos e validações e testes para o portfólio local.

O Brasil já soma contribuições de destaque para a Ford global. Hoje, um terço de todas as funcionalidades embarcadas nos veículos da empresa no mundo já estão a cargo do time brasileiro. Exemplos incluem o “One Pedal Drive” do Mustang Mach-E – que permite dirigir usando apenas o acelerador, sem acionar o pedal do freio – e da “Zone Lighting”, que controla as luzes externas da F-150, inclusive da Lightning, sua versão elétrica.

A Ford destaca também a colaboração do centro de Camaçari no trabalho de “teardown” promovido pela montadora. A ação consiste no desmonte de veículos – da própria Ford e de fabricantes concorrentes – para análise de peças e materiais. A estratégia é criar “fábricas de dados” com o teardown, analisando melhorias de performance e experiência através do escaneamento e digitalização dos componentes de veículos desmontados.

“A base de tudo que fazemos e do que está por vir no futuro da mobilidade é a pesquisa, seja de novos produtos, materiais ou mesmo de utilizações. A pesquisa é necessária para qualquer empresa ou país que queira se sobressair. Nesse ambiente de inovação surgem grandes ideias, muitas delas, inclusive, dão origem a patentes dado o seu grau de originalidade”, destacou André Oliveira, diretor de Engenharia da Ford para a América do Sul.

Produtor de tecnologia, mas não consumidor

Apesar da estratégia de produzir conhecimento e tecnologia automotiva no Brasil, a Ford continua reticente sobre os planos de trazer muitas dessas inovações ao país na forma de produtos – incluindo veículos elétricos. O modelo Mustang Mach-E, por exemplo, já foi avistado e registrado rodando em ruas brasileiras, mas continua sem data prevista de lançamento.

Segundo a Ford, sua estratégia atual é a expansão da capacidade de produção global de veículos elétricos, frente a uma demanda que superou as expectativas. Os planos é entregar 600 mil unidades até o final de 2023 e até 2 milhões de unidades até 2026.

“Em paralelo, nossos times estão analisando quais produtos serão trazidos para o mercado brasileiro e da América do Sul. No momento propício, a gente vai anunciar esses produtos”, disse Justo, presidente da Ford América do Sul.

Ford espera receita de R$ 500 milhões no Brasil com exportação de tecnologia

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Apesar do alto desemprego, falta gente habilitada para postos-chave nas empresas

Escolas tradicionais não têm acompanhado o ritmo de mudança nas empresas, afirma o presidente da XP Educação; empresas apostam em ensino que aliam conhecimentos técnicos, comportamentais e experiência prática

Juliana PIo, O Estado de S.Paulo 03 de julho de 2022 | 

Apesar do alto desemprego, falta gente habilitada para postos-chave nas empresas

O Brasil vive um contrassenso. Ao mesmo tempo em que o País soma cerca de 10,6 milhões de desempregados, as empresas reclamam da dificuldade para conseguir preencher vagas essenciais devido à escassez de talentos com as habilidades necessárias. A leitura do mercado é que o ritmo de mudança das empresas tem sido mais acelerado do que as instituições educacionais têm conseguido captar, afirma o CEO da XP Educação, Paulo de Tarso.

O relatório Tendências de Gestão de Pessoas em 2022 do Great Place to Work (GPTW) indica que 59,5% dos 2.654 entrevistados afirmaram que as organizações pretendem aumentar o número de pessoas esse ano. Entretanto, 68,3% sentem dificuldade para contratar profissionais. Ainda segundo a pesquisa, entre as habilidades apontadas pelas empresas como as mais importantes estão a capacidade de resolver problemas complexos, de liderar e influenciar, e a resiliência.

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Empresas dão capacitação com chance de emprego para reduzir déficit em tecnologia

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Instituto de Tecnologia e Liderança (Inteli), em São Paulo, fruto de idealização de sócios do banco BTG Pactual, oferece quatro graduações em tecnologia. Foto: Rafael Von Zuben

“Talvez seja essa a dificuldade ao contratar: encontrar pessoas com o pacote completo, ou seja, com habilidades técnicas exigidas pela rotina de trabalho somadas às comportamentais necessárias para lidar com os novos desafios do mercado”, sugere Tatiane Tiemi, Co-CEO do Great Place to Work Brasil.

É nesse cenário que emerge o conceito ‘employer U’, descrito pelo especialista em educação Brandon Busteed. Ele explica à reportagem que a ideia é combinar um diploma com experiências e habilidades relevantes para a carreira. “O futuro de toda a educação envolve o aprendizado integrado ao trabalho. Quando as universidades e os empregadores colaboram no currículo, é, em geral, pedagogicamente mais sólido e relevante para a carreira do que quando feito individualmente”, diz o diretor de parcerias e líder global de inovação do aprendizado do trabalho da Kaplan, empresa global de serviços educacionais. 

O modelo serviu de inspiração para a criação da Faculdade XP. “Queremos que a empresa seja o grande campo de prática dos alunos”, ressalta Paulo de Tarso. Com foco na formação de talentos tanto para o quadro interno quanto para o mercado de trabalho, a iniciativa, que teve investimento de R$ 100 milhões, prevê cinco graduações em tecnologia de graça, além de cursos de pós-graduação e de curta duração pagos. Ao final, o aluno sai com diploma licenciado pelo Ministério da Educação (MEC). A expansão acontece sete meses depois da compra da faculdade IGTI (Instituto de Gestão e Tecnologia da Informação).

“O conceito de employer U não é tão recente quando olhamos para outros benchmarks, mas tem ficado mais forte por meio do setor de tecnologia devido ao grande desequilíbrio entre oferta e demanda de mão de obra”, destaca Tarso. Em sua visão, hoje, um dos maiores problemas corporativos é a falta de profissionais recém-formados realmente capacitados para a realidade do trabalho.

Paulo de Tarso, CEO da XP EducaçãoPaulo de Tarso, CEO da XP Educação. Foto: Vivian Koblinsky

Aprendizado com desafios reais 

Não por acaso, o Instituto de Tecnologia e Liderança (Inteli), localizado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo, estreou as atividades letivas em fevereiro deste ano com quatro tipos de graduação superior na área de tecnologia, orientadas por projetos e que integram ao currículo acadêmico competências de computação (70%), negócios (20%) e liderança (10%).

A faculdade, sem fins lucrativos, é fruto de idealização de sócios do banco BTG Pactual, incluindo Roberto Sallouti, e de doação de R$ 200 milhões da família de André Esteves. A aprendizagem é focada no desenvolvimento de competências a partir de desafios propostos por parceiros de mercado. Entre os selecionados no primeiro semestre, estão: Ambev, BTG Pactual, Hotel Urbano, Yamaha, Falconi, Faculdade de Medicina da USP, além das ONGs Projeto Constituição na Escola, Projeto Revirar e do próprio Inteli.

“Ao longo de quatro anos, os alunos desenvolvem projetos para solucionar problemas reais de diferentes empresas, por meio de protótipos funcionais de tecnologia, unindo a experiência acadêmica às demandas do mundo corporativo”, conta a CEO do Inteli, Maíra Habimorad. 

Atualmente, a Inteli conta com 170 alunos matriculados de 63 cidades de todas as regiões do País. Desses, 50% recebem bolsas, viabilizadas a partir de doações de empresas, fundações e pessoas físicas. Alguns estudantes ainda contam com auxílios de moradia e alimentação, curso de inglês e equipamentos (notebook), de acordo com a necessidade. 

Os estágios começam a partir do terceiro ano. “Mas já temos estudantes sendo requisitados desde o primeiro período”, comemora Maíra. Ao final, é possível escolher entre três trilhas para definição do plano de carreira: empreendedora, acadêmica ou mercado. “Queremos formar futuros líderes para o Brasil independentemente das suas escolhas”, garante a especialista. 

CentrowegOCentroWEG, em Jaraguá do Dulce, Santa Catarina, é um programa de qualificação para aprendizes desenvolvido pela Weg em convênio com o Senai. Foto: Adriano Ferreira

Empregabilidade e negócio de valor

Precursora de modelos corporativos de desenvolvimento, a Embraer tem 96% de empregabilidade no Programa de Especialização em Engenharia (PEE), que prevê um Mestrado Profissional do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). A formação completou 20 anos em 2021 e já contemplou 1.600 pessoas. Este ano, a empresa iniciou a primeira turma do novo Programa de Especialização em Software, uma parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). 

O índice de contratação também é alto entre programas de formação com foco em jovens em situação de vulnerabilidade, tais como Programa Formare, CentroWEG e Alpha Edtech, os quais garantem, respectivamente ao final da capacitação, certificação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Instituto Alpha Lumen.

Cerca de 45 empresas em todo o Brasil, como 3M, L’oréal, Siemens, Maxion, Suzano e Volkswagen, investem no Formare. A taxa de empregabilidade do programa é de 93% e 65% dos participantes ingressam em uma graduação posteriormente. Já a Weg, fabricante de motores elétricos, absorve 100% dos seus alunos, assim como a Alpha Edtech, por meio das empresas parceiras, como Stone, Hash, Brex, Vitta e Farfetch. 

Embraer, Programa de Especialização em EngenhariaA Embraer alcançou 96% de empregabilidade ao longo dos 20 anos do Programa de Especialização em Engenharia (PEE), uma parceria com o ITA. Foto: Divulgação/Embraer

Entre as companhias que investem em educação, há as que já observam efeitos externos, tais como: melhoria na qualidade dos produtos, serviços e atendimento (90%); melhoria da imagem institucional (84%); atração de talentos (73%); e expansão dos negócios da empresa (51%). Os dados são da 5ª Pesquisa Nacional de Práticas e Resultados da Educação Corporativa, da Fundação Instituto de Administração (FIA), com participação de 63 organizações. 

Ao mesmo tempo em que preparam pessoas para o mercado, as organizações, a exemplo de IBM, Ambev, Microsoft, Amazon, Petrobrás etc., agregam valor ao negócio ao estruturarem universidades, escolas ou cursos a partir das próprias competências estratégicas. 

“O investimento das organizações no ensino não é uma prática nova, mas vem crescendo e ficando cada vez mais abrangente e sofisticado”, explica Marisa Eboli, especialista em educação corporativa e professora da FIA. Parte da preocupação com a empregabilidade, diante da globalização e dos avanços tecnológicos. “Está caindo a ficha de que precisamos de mão de obra qualificada, esteja ela dentro da minha empresa ou não”, finaliza. 

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,apesar-do-alto-desemprego-falta-gente-habilitada-para-postos-chave-nas-empresas,70004107892

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Fifa vai usar tecnologia semiautomática de impedimento na Copa do Mundo 2022

Karol Albuquerque  Olhar Digital 02/07/2022 

Faltando pouco menos de cinco meses para a Copa do Mundo Qatar-2022, mais uma novidade foi revelada. Depois de mascote, sorteio e das últimas repescagens, a Fifa agora anunciou a tecnologia semiautomática que será usada para definir o impedimento nos jogos da maior competição do mundo.

A entidade internacional de futebol já testou a tecnologia em outros torneios e garantiu o sucesso do sistema. De acordo com a Fifa, ele fornece um alerta de impedimento automatizado para a equipe de arbitragem de vídeo e de campo, com uma animação 3D comunicando aos torcedores no estádio e telespectadores em casa.

O sistema usa 12 câmeras de rastreamento dedicadas, montadas sob o teto do estádio, para rastrear a bola Al Rihla e até 29 pontos de dados de cada jogador, 50 vezes por segundo, calculando a posição exata em campo. Os dados dos atletas incluem membros e extremidades relevantes para a definição de um impedimento.

A bola do mundial também vai detectar com um sensor de unidade de medição inercial dentro dela. O sensor, no centro da bola, envia os dados para a sala da arbitragem de vídeos 500 vezes por segundo, possibilitando a identificação específica do ponto de chute.

Combinando os dados e aplicando inteligência artificial, o alerta chega para a arbitragem, que verifica a proposta e define se houve ou não impedimento. A tecnologia semiautomática vai agilizar bastante a marcação da infração, reduzindo o tempo de espera para segundos.

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fifa copa do mundo tecnologia impedimento 2A animação 3D vai mostrar aos espectadores detalhes do impedimento. Imagem: Reprodução

Depois de confirmada a decisão, a animação 3D será exibida nas telas, informando aos torcedores. A nova tecnologia da Fifa foi testada durante a Copa Árabe de 2021 e o Mundial de Clubes do mesmo ano. Nas competições, os dados foram analisados pelo MIT Sports Lab, com o TRACK da Victoria University validando cientificamente a tecnologia de rastreamento de membros.

“Essa tecnologia é o culminar de três anos de pesquisa e testes dedicados para fornecer o melhor para as equipes, jogadores e torcedores que irão para o Qatar no final deste ano, e a Fifa está orgulhosa desse trabalho, pois esperamos que o mundo vendo os benefícios da tecnologia semiautomática de impedimento na Copa do Mundo”, disse Gianni Infantino, presidente da Fifa.

A Copa do Mundo Qatar-2022 começa no dia 21 de novembro. O Brasil está no grupo G, junto com Sérvia, Suíça e Camarões. A seleção brasileira estreia no dia 24 de novembro, diante da Sérvia, às 15h (horário de Brasília), no Lusail Stadium.

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Não basta adotar o ESG na empresa. Tem que cobrar os fornecedores

Aliança com parceiros da cadeia de suprimentos pode ajudar organizações a se tornarem verdadeiramente sustentáveis

DANIEL WEISE FastCompanyBrasil 30-06-2022 | 

A corrida para salvar o planeta deu uma pressionada nos esforços corporativos para assumir e cumprir compromissos de carbono líquido zero. Mas, para que suas empresas sejam verdadeiramente sustentáveis, os CEOs precisam urgentemente se concentrar não apenas no “E” da sigla ESG. Cada uma dessas iniciais vem da expressão Environmental, Social and Governance, que, numa tradução livre, significa conduta Ambiental, Social e de Governança (por essa razão, em português também é utilizada a sigla ASG). Ou seja: já é hora de as estratégias empresariais considerarem não somente sua responsabilidade com o meio ambiente, mas também aquelas com a sociedade e com suas próprias práticas corporativas. 

Direitos humanos, segurança no local de trabalho, remuneração justa por um dia de trabalho justo, práticas comerciais éticas – essas são apenas algumas das questões sociais e de governança que os CEOs precisam abordar em sua empresa e nas empresas com as quais fazem negócios, ou seja, com os seus fornecedores.

Não se trata apenas de cumprir regulamentos. Trata-se de cumprir os princípios éticos de uma licença social que não estão no papel.  Mas fazer a coisa certa é difícil. Para ajudar os CEOs, identificamos uma série de ações que eles devem instruir seu Diretor de produtos (CPO) e a sua equipe de compras a adotarem para abordar questões sociais e de governança.

Para começar, as empresas precisam definir suas expectativas sociais e de governança em seu código de conduta de fornecedores, juntamente com suas expectativas ambientais. Elas devem, então, incorporar essas expectativas em seus contratos de fornecedores, estabelecer um processo de relatório claro, exigir que seus próprios gerentes locais monitorem os comportamentos dos fornecedores e conduzir regularmente auditorias formais.

Se forem encontradas evidências de abusos de direitos humanos, más condições de trabalho ou suborno e corrupção, os diretores devem enviar cartas personalizadas aos CEOs desses fornecedores, exigindo melhorias imediatas e oferecendo suporte e treinamento empresarial.

Em 2020, por exemplo, a Dell Technologies encomendou auditorias de terceiros para 346 fornecedores de alto risco em sua cadeia de suprimentos. Para melhorar a conformidade dos fornecedores com o código de conduta estabelecido pela Responsible Business Alliance (Aliança pela responsabilidade Empresarial), a Dell exigiu que várias fábricas concluíssem cursos como medidas de “ações corretivas” e que inscrevessem 1.439 funcionários de fornecedores em programas de “capacitação”.

Às vezes, os fornecedores não conseguem melhorar mesmo depois de receber suporte substancial. Nesses casos, os diretores devem suspender o relacionamento com esses fornecedores e revisar a situação. Outras vezes, os fornecedores se recusam a se envolver na mudança. Nesses casos, os diretores não devem hesitar em encerrar o relacionamento.

A Apple já fez isso em várias ocasiões. Em zonas de conflito, como a República Democrática do Congo e países adjacentes, onde a Apple obtém estanho, tântalo, tungstênio e ouro, os fornecedores agora precisam garantir que não financiaram ou beneficiaram direta ou indiretamente grupos armados.

Como parte desse processo de garantia, eles são obrigados a participar de programas de rastreabilidade e permitir a auditoria de terceiros projetadas para abordar e mitigar os riscos identificados. Em 2020, a Apple expulsou sete fundições e refinarias de sua cadeia de suprimentos, porque elas não atendiam aos requisitos para o fornecimento responsável de minerais ou não estavam dispostas a participar ou concluir uma auditoria de terceiros.

A rastreabilidade também pode ser difícil de fazer. A Apple está se comprometendo a “um dia” usar apenas “minerais e materiais reciclados e renováveis ​​em seus produtos e embalagens”. Até lá, está trabalhando com a ITSCI (Associação internacional de estanho) e o RCS Global Group, um auditor especialista em compras responsáveis.

Da mesma forma, na indústria joalheira, que também precisa lidar com fornecedores em zonas de conflito, algumas empresas estão trabalhando para melhorar a confiabilidade de seus processos de rastreamento. A questão dos “diamantes de sangue” – aqueles que foram extraídos em uma zona de conflito e vendidos para financiar as atividades de guerra – tornou-se grave.

Para resolver isso, em 2021 a Pandora, a maior joalheria do mundo, não apenas divulgou sua primeira coleção de diamantes artificiais, cultivados em laboratório, mas também anunciou que não usaria mais diamantes oriundos da extração. Para isso, ela está começando a redesenhar sua cadeia de suprimentos.

Sustentabilidade não é mais apenas fazer a coisa certa. Cada vez mais, trata-se de fazer negócios considerando a ética. Se as empresas ignorarem o princípio de ‘Tornar-se verdadeiramente sustentáveis ​​aliando-se a seus fornecedores para atender aos padrões ambientais, sociais e de governança’, e se elas não tomarem as medidas necessárias, seus clientes — e os cidadãos dos países onde fazem negócios — estarão atentos.

O cancelamento público poderia significar o fim, ou o começo do fim, de seus negócios. Afinal, uma empresa que não é sustentável é, por definição, insustentável. É por isso que é do interesse comercial das empresas e de seus fornecedores que eles possam ajudar uns aos outros a cumprir todos os padrões ambientais, sociais e de governança.

Trecho adaptado do livro “Profit from the Source”, de Christian Schuh, Wolfgang Schnellbächer, Alenka Triplat e Daniel Weise.


SOBRE O AUTOR

Daniel Weise é líder global de procurement do Boston Consulting Group e CEO da Inverto, subsidiária do BCG 

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Semana de 4 dias é discutida há 50 anos, e não avança

O colunista Claudio Garcia* explica diferentes razões pelas quais a jornada mais curta ainda não emplacou

Cláudio Garcia – Valor 09/06/2022 

“A semana com 4 dias de trabalho tem sido um dos tópicos mais discutidos em negócios nos tempos recentes, sendo anunciado como uma inovação social bem relevante”. Apesar de soar atual, essa frase foi utilizada no início de um artigo no “California Management Review” quase cinco décadas atrás, em 1975. Curiosamente, o tema de reduzir em 1 dia a semana de trabalho tem recebido diversas ondas de atenção desde os anos 1950. Naquela época, a lógica por trás era simples: assim como em 1926 a Ford Motor Company rompeu com o padrão de 6 dias e estabeleceu a nossa atual semana de 5 dias, mantendo salários e ampliando produtividade e qualidade de vida, por que 4 dias de trabalho não gerariam o mesmo efeito?

Em 1956, o presidente dos EUA Richard Nixon disse que a semana de 4 dias seria uma realidade “em um futuro não tão distante”. Quase 70 anos depois, com vários momentos de entusiasmo e tentativas, a adoção do modelo é relativamente inexistente.

Aparentemente, uma nova chance está emergindo. A Islândia realizou o maior e mais recente piloto já registrado, entre 2015 e 2019, de uma jornada de 4 dias, com 2.500 trabalhadores. Os resultados em produtividade e satisfação foram tão satisfatórios que organizações e trabalhadores aceitaram mudar o padrão. Estima-se que cerca de 90% da população islandesa já tenha mudado ou deverá mudar em breve para o novo formato.

Impulsionados pela crise de saúde mental revelada pela covid-19, outros países e organizações iniciaram pilotos semelhantes. O Reino Unido pretende superar a Islândia: 3.500 trabalhadores de mais de 70 empresas iniciam esta semana um piloto de seis meses que será avaliado por várias organizações, entre elas a Universidade de Stanford, na Califórnia.

É interessante observar que muitas análises dessas tentativas ao longo do tempo, apesar das limitações metodológicas, sinalizam o benefício do modelo de jornada reduzida. Porém, como qualquer transformação social, não significa que a mudança não tenha efeitos indesejados, o que requer atenção. Em iniciativas piloto com trabalhadores do conhecimento, que há décadas vêm expandindo o número de horas trabalhadas, a mudança para 4 dias piorou a situação, já que precisavam entregar a mesma quantidade de trabalho em menos dias – há relatos de participantes sugerindo que o “dia extra” servia para se recuperarem da exaustão. Em outras tentativas, observou-se que a qualidade das relações em times diminuía, já que havia um excessivo foco na tarefa – para não perder a produtividade desejada -, o que vinha ao custo do tempo dedicado aos colegas.

Ainda, em várias tentativas, muitos dos ganhos observados de satisfação e produtividade se esvaíam depois de um ano – uma possível consequência do efeito novidade que se desvanece à medida que o tempo passa e se torna parte do cotidiano.

Além disso, o modelo pode não ser aplicável a muitos tipos de emprego. E em economias emergentes, como o Brasil, muitos possuem dois ou mais empregos para aumentar a renda, o que pode reduzir eventuais benefícios de bem-estar e produtividade de uma semana mais curta.

Além desses pontos, existem várias suposições do porquê, até hoje, o modelo não funcionou. Uma das mais cogitadas é a associação, no ocidente, do trabalho com progresso e status que, de certa forma, contagiou o resto do mundo depois da Segunda Guerra. Mas o argumento mais contundente diz respeito às recessões econômicas – momentos em que empresas precisam entregar mais com menos, e indivíduos estão mais vulneráveis a dar mais de si para não perder o emprego. Curioso (ou nem tanto) que o renovado interesse pela semana de 4 dias esteja acontecendo às margens de uma potencial recessão. Recessões, no final, são a melhor prova do real interesse de organizações pelas pessoas. Será interessante, em alguns anos, olhar para trás e analisar o que aconteceu desta vez.

*Claudio Garcia é professor adjunto de gestão global na Universidade de Nova York. 

Cláudio Garcia vive em Nova York onde atua como empreendedor, conselheiro de empresas e pesquisador sobre pessoas e organizações.

https://valor.globo.com/carreira/coluna/semana-de-4-dias-e-discutida-ha-50-anos-e-nao-avanca.ghtml

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Tecnologia tem que ter papel importante na educação

Um novo mundo digital só fará sentido se puder ser aproveitado e potencializado por todos

 Por Camila Farani – O Estado de S.Paulo 04/05/2022 | 

Será que estamos nos preparando como deveríamos para os desafios do mundo do presente e do futuro? Essa é uma das questões que sempre me pergunto e as respostas, invariavelmente, apontam para como estamos tratando a educação no Brasil.

Cada vez mais falamos sobre a potência do mundo digitalizado, e do quanto novos conceitos e tecnologias estão mudando a forma como a gente se relaciona, como adquirimos produtos e serviços, como realizamos transações bancárias. É o caso dos NFTs (tokens não fungíveis), DeFi (finanças descentralizadas), Metaverso, Realidade Virtual e Aumentada, Inteligência Artificial. É incrível pensar nas oportunidades que estão chegando.

Isso só fará sentido, porém, se esse novo mundo puder ser aproveitado e potencializado por todos. Pelo menos 28% da população não têm acesso à educação no Brasil. Outro ponto importante é que a média de maturidade digital das pequenas e médias empresas brasileiras é de 40,77 pontos, em uma escala que varia de 0 a 100 pontos. Hoje, 66% destas operações estão nos níveis iniciais de maturidade digital, aponta estudo da FGV, o que nos leva a conclusão de que a digitalização precisa avançar, e muito, nas PMEs.

A importância da tecnologia na educação

A importância da tecnologia na educação

Relatório apresentado recentemente pela Unesco fala sobre a importância de transformarmos a educação no Brasil, e um dos pontos destacados é, justamente, reimaginar as escolas e os modelos de aprendizado. É o que fizeram os países que estão avançando mais rapidamente na nova economia.

Precisamos ampliar o acesso à educação, mas também construir uma nova forma de ensinar, mais alinhada com a maneira com que as pessoas aprendem hoje em dia. Isso pressupõe aposta na conectividade, bem como na lógica de cocriação do aprendizado entre alunos e professores e na colaboração.

A tecnologia torna cada vez mais possível o aprendizado a qualquer momento, e de qualquer lugar, facilitando este processo. Assim com a personalização, já que cada pessoa aprende de forma diferente.

O desafio aqui é olharmos para as oportunidades do mercado e preparar as pessoas para isso. Um exemplo é, justamente, a área de tecnologia. Enquanto falamos em desemprego no Brasil, a procura por profissionais de TI será de 420 mil pessoas até 2024, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

É fundamental ampliarmos a formação de pessoas para atuarem nas áreas ligadas a STEM (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Especialmente, mulheres, já que, das 246 ocupações nestas áreas, 206 têm mais de 50% da força de trabalho composta por homens.

A educação é um direito de todos, quando pensamos no presente e no futuro, deve ser pensada sob os pressupostos do quanto a tecnologia pode ser uma aliada na formação das novas gerações. Não há mais tempo a perder.

https://link.estadao.com.br/noticias/inovacao,tecnologia-tem-que-ter-papel-importante-na-educacao,70004056158

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Quais são as empresas dos sonhos de jovens e profissionais experientes no Brasil

Lista traz as 10 organizações preferidas. Conheça

Por Adriana Fonseca, Para o Valor  22/06/2022

Entre profissionais da alta liderança, 82% têm uma “empresa dos sonhos”, aquela que mais desejam trabalhar, número que cai ligeiramente na média gerência (80%) e entre os jovens (75%), de acordo com a pesquisa “Empresa dos Sonhos”, realizada pelo grupo Cia de Talentos e obtida com exclusividade pelo Valor. Esses números vêm crescendo ano a ano. “É interessante acompanhar o crescimento do total de pessoas que dizem ter uma empresa dos sonhos”, comenta Danilca Galdini, head de pesquisa na Cia de Talentos.

“Em 2017, vimos os índices de confiança em ONGs, mídia, empresas e governo despencarem no mundo, incluindo o Brasil. Essa queda foi causada por grandes escândalos envolvendo corrupção, falta de ética e responsabilidade socioambiental. As fake news também contribuíram fortemente para esse cenário. De lá para cá houve um aumento no índice de confiança em empresas, porque as pessoas entendem que elas podem ser uma fonte confiável de informações sobre problemas sociais e outros assuntos sobre os quais não há consenso e porque elas têm poder suficiente para fazer as mudanças que são necessárias na sociedade.”

Fazer carreira em uma empresa só é um problema?

3 características dos “profissionais do futuro”

O novo local de trabalho: o que jovens em início de carreira precisam saber

Hoje, continua Galdini, existe uma alta expectativa que as organizações se envolvam na resolução dos problemas complexos da sociedade. “Além de lucro e perenidade do negócio, é esperado que as organizações tenham uma consciência social ampla”, afirma. “Assim, as organizações são mais do que um lugar para trabalhar, elas são agentes de transformação capazes de melhorar a vida das pessoas.”

Os mais de 117 mil entrevistados ressaltaram como justificativa para a escolha da “empresa dos sonhos” critérios como “desenvolvimento”, “fazer o que gosta”, “boa imagem”, “inovação”, “remuneração” e “segmento de atuação”.

Empresas dos Sonhos 2022

Ranking Empresa

1             Google

2             Ambev

3             Globo

4             Itaú Unibanco

5             Vale

6             Banco Bradesco

7             Nubank

8             Nestlé

9             Amazon

10             Natura

Fonte: Cia de Talentos

Galdini acredita que essas empresas estão no ranking por fazerem um trabalho consistente e estarem atentas às transformações necessárias para não apenas sobreviverem como também prosperarem no novo cenário mundial. “É importante considerar que não estamos falando de empresas perfeitas, isso não existe. Estamos falando de empresas que têm políticas e práticas contemporâneas e também políticas e práticas que precisam ser repensadas, mas, o ponto que faz com que estejam no ranking é que estão sempre em movimento, em busca de uma melhor versão”, afirma. “Além disso, entendo que são empresas que, de alguma maneira, sabem comunicar melhor para as pessoas quem são, quem pretendem ser e o que estão fazendo para isso.”

Google aparece no topo da lista das empresas dos sonhos — Foto: Michel Euler, File/AP

Também é importante considerar que as empresas da lista são percebidas pelas pessoas como promotoras de desenvolvimento, motivo pelo qual grande parte das organizações é escolhida como sendo uma empresa dos sonhos, pontua Galdini. “As pessoas esperam que as organizações apoiem seu desenvolvimento, que as preparem para passar pelos desafios atuais e do futuro do trabalho”, diz. “Não é sobre horas de treinamento, mas sobre o que as pessoas precisam para se sentirem seguras sobre sua atuação e mais preparadas para enfrentar o presente e o futuro.”

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Estônia: 30 anos de transformação digital e novas oportunidades no horizonte

Há anos, o pequeno país báltico é referência em tecnologia. Laços com o Brasil se estreitaram, o que aumenta as chances de parceria e aprendizado

Raphael Fassoni e Julia Ramos – Canaltech 26 de Junho 2022

Artigo Estônia: 30 anos de transformação digital e novas oportunidades no horizonte

Realizar um processo de transformação digital já é difícil em uma empresa, imagine em um país inteiro? Agora, imagine em um país saindo de um período de 50 anos da União Soviética? E o que torna tudo ainda mais fascinante é que o país não só se transformou digitalmente como virou referência em tecnologia, saúde e educação.

Essa revolução na Estônia começou após a independência, em 1991. O país se viu livre, porém pobre e com sérios problemas estruturais.

O (re)início de tudo

Em 1991, os estonianos compararam sua renda per capita com a da Finlândia (país que não foi parte da URSS). Em 1940, era de 1:1. Ou seja, um estoniano podia se considerar tão rico quanto um finlandês. Porém, 50 anos depois, esse mesmo comparativo evidenciou o abismo: a Finlândia era 15 vezes mais rica.

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Em nosso modelo de transformação holística da Estônia, destacamos uma série de elementos como vontade política, legislação, educação, saúde, ambiente de negócios e investimentos, tecnologia e, principalmente, sociedade civil.

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É possível também destacar que todo este esforço estava direcionado a alguns objetivos, entre eles o aumento da renda per capita. Para tanto, seria indispensável dispor de uma nova geração de cidadãos e profissionais altamente educados.

Nessa jornada de reinvenção do país, o caminho natural seria reconstruir a estrutura tradicional de administração pública. Porém, a Estônia, à época, não dispunha de recursos nem tempo para tanto. Nesse momento, uma convergência de fatores resulta em uma ousada (e acertada) decisão: sair do passado, pular o presente e ir direto para o futuro.

A estratégia para a transformação digital (e econômica) foi batizada de “e-Estonia” e tinha os seguintes objetivos:

  • Aproveitar a mão de obra capacitada: o país possuía uma alta concentração de profissionais de TI – seu Institute of Cybernetics, (que se tornou a empresa Cybernetica posteriormente) era o principal hub de P&D da União Soviética e serviu de pool de talentos e know-how de 1991 em diante;
  • Desenvolver soluções de baixo custo: com a recente independência, o país não tinha recursos. Até tentou contratar a IBM, mas optou pela estratégia de parceria público-privada com agentes nacionais;
  • Experimentar com inovações;
  • Aprender com erros e acertos de outros países;
  • Não melhorar o que não deve existir: a Estônia vinha de mais de 50 anos sob regime soviético e, em vez de redesenhar processos dentro dessa estrutura burocrática e centralizada, começou com uma folha em branco. “Digitalizar sem desburocratizar é transformar um computador em uma máquina de escrever”;
  • Desbravar a internet desde o princípio. O país teve a oportunidade de redesenhar sua estrutura junto com o surgimento da internet, que seria uma força motora para sua transformação digital;
  • Crescimento econômico: o objetivo era viabilizar desenvolvimento por meio de oportunidades e produtividade, com a tecnologia como meio e tendo como resultado final o aumento da renda per capita;
  • Ecossistema (e inovação aberta): programa e-residency, 20 mil empresas no país, receita de R$ 500 milhões.

Deu certo?

Ao compararmos os dados da década de 1990 com os de hoje, vemos que a Estônia foi muito bem-sucedida em seu desenvolvimento econômico e na construção de um ecossistema digital, inovador e empreendedor, alcançando o 29º lugar no índice de competitividade global do Fórum Econômico Mundial.

Externo 11-08

As conquistas da Estônia tornaram o país reconhecido mundialmente por seus feitos. “Nação digital mais avançada do mundo”, segundo a revista Wired, a Estônia atraiu personalidades importantes de todo o mundo para seu programa de e-Residency, com o intuito de aproveitar o seu ecossistema. Desde políticos, como Shinzō Abe (ex-primeiro-ministro do Japão), Angela Merkel (ex-chanceler alemã), e Barack Obama (ex-presidente americano) até celebridades e outras figuras importantes, como Trevor Noah (apresentador americano), Edward Lucas (editor da Economist), Bill Gates e o papa Francisco.

A Estônia se destaca em várias frentes tecnológicas. Entre elas podemos citar a interoperabilidade de dados, viabilizada pelo X-Road, o sucesso em user experience, com foco na governança pró-ativa nos portais do governo e na identidade e assinatura digitais, a cibersegurança, sendo inclusive sede do Centro de Cooperação para o tema da Otan, e a inteligência artificial, promovida por meio da estratégia KRATT, que permitiu seu uso em mais de 50 casos no setor público.

Estônia e o Brasil

Diversos players do Brasil já conheceram e se conectaram com o ecossistema estoniano, como Banco Itaú, Grupo Boticário, Oi e a RD Station. Ainda são os primeiros passos de uma relação que pode ser muito mais extensa e proveitosa para o Brasil.

Outro fato que evidencia o estreitamento da relação Brasil-Estônia, é o estabelecimento de escritórios do e-Residency no Brasil, como um ponto de coleta do cartão e-residency. Para as empresas do Brasil, a Estônia representa uma janela de oportunidades. O programa de e-Residency permite aproveitar o ambiente de negócios estoniano e a possibilidade para estabelecer relações comerciais com a UE, de forma mais fácil e simplificada.

A combinação de pessoas altamente capacitadas em TI, com a melhor performance empreendedora e competitiva da Europa e um ambiente pró-negócios com infraestrutura digital ideal para a inovação tornam a Estônia um mercado aberto para ideias, crescimento e investimento globais.

É por essa combinação que o visto de startup já atraiu tantos empreendedores do mundo todo, o que já permitiu que empresas brasileiras, como a OriginalMy, expandissem sua atuação para o Báltico. O país com o maior número de unicórnios per capita do mundo é o destino perfeito para empreendedores que buscam expandir seus negócios.

Tendências e desafios

A Estônia é sede, hoje, de nove unicórnios. Quer ter 25 até 2025. Com a estratégia de inteligência artificial Kratt, o país busca elevar sua transformação digital a outro patamar, com o incentivo ao uso e ao desenvolvimento de IA nos setores público e privado e a criação de um ambiente legal para o uso de I.A.

Em termos de infraestrutura, a Estônia, junto com outros países, está investindo na Baltic Railway, uma linha ferroviária verde que tem como objetivo integrar os Países Bálticos à malha ferroviária europeia.

No entanto, a Estônia vem enfrentando alguns desafios. Um deles é a demanda por talentos. Para driblar esse problema, o país busca a atração de estrangeiros, com iniciativas como o “Study in Estonia”, o “Work in Estonia” e o próprio Startup Visa. Segundo o Statistics Estonia, mais de 19 mil pessoas imigraram para a Estônia, enquanto aproximadamente 12 mil pessoas deixaram o país.

Com a chegada de tantos novos imigrantes, a adaptabilidade social se torna outro desafio. Segundo o Ministério do Interior da Estônia, o maior desafio é a falta de comunicação entre os imigrantes e os locais. Dessa forma, o governo busca soluções para promover o contato significativo e a integração, a fim de promover o senso de pertencimento a uma fatia que já representa mais de 15% da população.

Outro desafio é a diversificação dos parceiros. A Estônia tem como principais parceiros de comércio exterior a Finlândia e a Rússia, que representam um terço das transações. Com a recente guerra na Ucrânia, esse movimento ficou mais urgente, o que gera oportunidades para outros países em potencial, como é o caso do Brasil.

Takeaways

O ambiente inovador estoniano se tornou conhecido, primeiramente, por sua transformação e pelo governo digital. O “Vale do Silício da Europa” é pioneiro em novas tecnologias e temáticas, como blockchain, cibersegurança e web3. Nunca foi tão fácil para brasileiros estabelecerem negócios no país e aprenderem com o modelo de transformação digital. As portas estão abertas para eles se encantarem com a Estônia, um país pequeno em território mas gigante em tecnologia.

Autoria

Raphael Fassoni e Julia Ramos

Raphael Fassoni é empreendedor e consultor de negócios internacionais. Formado em relações internacionais pela UNESP e Universidade de Dresden (Alemanha), tem especializações em consultoria estratégica na Harvard University e liderança pela Stanford University. No Brasil, foi diretor comercial da TOTVS e atualmente como cofundador do Estônia Hub, empresa focada em acelerar a transformação digital e gerar novos negócios e parcerias entre Brasil e Estônia nos setores público e privado. Julia Ramos é graduanda em relações internacionais na ESPM, com especialização em relações governamentais. No Estônia Hub atua na área de novas iniciativas, apoiando novas frentes de atuação da empresa.

https://mitsloanreview.com.br/post/estonia-30-anos-de-transformacao-digital-e-novas-oportunidades-no-horizonte

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Governança, inovação e imagem, motores para a inserção do agro do Brasil no mundo

São alguns pontos levantados em trabalho apresentado ontem pelo CEBRI e pelo Insper

Por Fernando Lopes — Valor 24/06/2022 

Exportação brasileira de soja: pauta ainda concentrada em poucos produtos — Foto: Divulgação APPA

Adoção de uma estratégia internacional de longo prazo; aprimoramento da governança público-privada; ampliação do acesso a mercados, com diversificação e diferenciação da pauta exportadora; estímulo à competitividade; e construção de uma imagem ambiental positiva.

Simples no papel, mas dependentes de uma sintonia muito mais fina entre governos e iniciativa privada para que sejam capazes de direcionar esforços e gerar investimentos, essas proposições foram apresentadas ontem no evento “Políticas Públicas para a Inserção do Agro Brasileiro no Mundo”, que contou com a participação de Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global e do Núcleo Agro do CEBRI, Feliciano de Sá Guimarães, diretor acadêmico do CEBRI, José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, Fernando Queiroz, CEO da Minerva Foods, Paulo Hartung, presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), e Tereza Vendramini, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB).

Com algumas variações, esse cardápio está sobre a mesa das lideranças do setor há décadas. Mas acelerar os avanços nessas frentes tornou-se mais importante com a guerra na Ucrânia e seus reflexos sobre comércio, segurança alimentar, subsídios, preços das commodities e movimentos geopolíticos como a aproximação entre Rússia e China. É consenso no agro brasileiro que a crise gerou uma oportunidade única para o país se firmar como o grande fornecedor mundial confiável – e sustentável – de alimentos, mas também mostrou que há muita lição de casa a ser feita para isso.

“Apesar de o agro ser o principal setor exportador do país, falta visão estratégica para sua efetiva participação na resolução de problemas e desafios globais como a segurança alimentar. Não vemos um esforço coordenado nessa direção, não há visão global e até agora não sabemos onde queremos chegar”, afirmou Jank ao Valor.

“Neste momento, por exemplo, estamos vivendo com a guerra um problema mundial conjuntural que poderá até terminar no curto prazo, mas que está exigindo reações imediatas que poucos países além do Brasil conseguem oferecer. Quem pode ampliar a oferta de alimentos com a nossa velocidade?”.

Para que realmente o país apure sua visão internacional de longo prazo, CEBRI e Insper propõem, em trabalho assinado por Jank e pelas pesquisadoras Camila Dias de Sá, Cláudia Cheron König e Amanda Araújo Pinto, do Insper – e que fará parte de um documento maior a ser entregue pelo CEBRI aos candidatos à Presidência -, que o agro seja de fato um ativo estratégico nas relações com parceiros comerciais e nas discussões sobre segurança alimentar, inclusive em organizações multilaterais. Também defendem maior presença física do setor na China e em países do Sudeste Asiático, do Sul da Ásia, do Mundo Islâmico e da África Subsaariana e o estabelecimento de novos acordos regionais e bilaterais.

Governança público-privada

No que se refere à governança público-privada, entre as sugestões apresentadas estão a criação de mecanismos que permitam maior coordenação governamental e com o setor não-governamental, a reforma do arcabouço sanitário (aprimoramento da fiscalização) e a geração de dados sólidos e inteligência estratégica para a definição de políticas. “Também temos que evitar as narrativas conflitantes que vemos sobre diversas questões, como a ambiental. Temos hoje posições muito divergentes dentro do governo e mesmo dentro de cadeias produtivas privadas, e isso é ruim”, disse Jank.

Acesso a mercados

Nas discussões sobre acesso a mercados e diversificação das exportações, concentradas em poucos produtos e com espaço para avançar nas centenas de países para os quais o Brasil vende, CEBRI e Insper também pregam a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e ações com outros países para que sejam combatidas barreiras não-tarifárias e ampliadas a previsibilidade e a transparência das relações.

Para ampliar inovação e competitividade, a expansão da implantação do sistema de integração lavoura-pecuária, de irrigação, de ferramentas de agricultura de precisão, do uso de bioinsumos e da rastreabilidade são alguns caminhos. Mas não só. Na infraestrutura, a ampliação do uso de modais como o ferroviário e o hidroviário para o escoamento da produção pode reduzir custos, enquanto é urgente um olhar mais profundo para permitir a inclusão de parte dos produtores rurais marginalizados, sobretudo no Nordeste.

Se todas essas proposições já têm potencial para melhorar a imagem do Brasil como “potência agroambiental”, também é verdade que será preciso mais. Nesse sentido, a implementação do Código Florestal, a regularização fundiária, o combate à ilegalidade, a consolidação de um mercado de créditos de carbono e a introdução de instrumentos legais de apoio legal ao engajamento do país na agenda climática também são considerados fundamentais.

https://valor.globo.com/agronegocios/noticia/2022/06/24/governanca-inovacao-e-imagem-motores-para-a-insercao-do-agro-do-brasil-no-mundo.ghtml

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