‘Hidrogênio como produto de exportação ficou mais concreto’, diz especialista

Para Luiz Augusto Barroso, conflito no leste europeu deve acelerar o desenvolvimento de tecnologias para substituir o uso do gás natural

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo 26 de março de 2022

O diretor-presidente da consultoria especializada em energia PSR, Luiz Augusto Barroso, acredita que a guerra entre Rússia e Ucrânia vai acelerar o desenvolvimento de tecnologias para substituir o uso do gás natural. E uma de suas principais apostas é o hidrogênio verde. Mas ele também acredita que uma das mudanças para a transição energética resultante da guerra será a maior aceitação da energia nuclear.

A seguir, trechos da entrevista. 

Luiz Augusto Barroso; ‘um preço do petróleo alto deixa algumas tecnologias verdes mais competitivas’, afirma Barroso.  Foto: PSR – 4/6/2019

Qual o efeito da guerra no processo de transição energética?

A Europa já era um dos continentes mais avançados na transição energética antes de a guerra começar. Esse processo pode se acelerar ainda mais, já que o imperativo geopolítico está alinhado e o ambiente atual pressiona ainda mais a redução da dependência dos combustíveis fósseis. Isso pode dar um impulso ao desenvolvimento de novas tecnologias necessárias para substituir alguns usos do gás natural na Europa, como o hidrogênio. Há poucos dias a Comissão Europeia apresentou uma meta de importar 10 milhões de toneladas de hidrogênio em 2030. Antes da guerra, a Rússia se apresentava como um dos principais exportadores do produto para a Europa, aproveitando a proximidade geográfica e a infraestrutura física existente de gás. Agora, a Rússia fica fora do que deve se tornar o principal mercado importador de hidrogênio. 

Mas alguns países já falam em reativar usinas a carvão e nucleares. Isso significa um retrocesso?

Na Europa, a reativação das usinas a carvão é uma decisão pragmática, mirando o curto prazo, num contexto de crise de energia elétrica. Por enquanto, isso não afetou os planos de redução do uso de carvão a médio e longo prazo, o que seria, sim, um retrocesso justificado apenas pela necessidade de independência energética. O caso da nuclear é diferente: é uma tecnologia praticamente sem emissões de gases de efeito estufa, que é social e politicamente aceita em alguns países, mas não em outros. Seu problema é basicamente econômico. A curto prazo, postergar o descomissionamento (retirada) das nucleares em alguns países, como a Alemanha, seria também uma decisão pragmática para reduzir a dependência do gás russo. Mas, até agora, apenas a Bélgica tomou uma decisão neste sentido. Talvez uma das grandes mudanças para a transição energética resultantes dessa guerra será a maior aceitação da energia nuclear.

Qual a sua aposta em termos de novas tecnologias? 

Um preço do petróleo alto deixa algumas tecnologias verdes mais competitivas. Por exemplo, quem dirige carro elétrico está menos exposto ao preço do petróleo, o que pode acelerar a entrada da mobilidade elétrica e a implantação da infraestrutura necessária. Em outros casos, onde as tecnologias não estão maduras ainda, um preço do petróleo mais alto pode acelerar o desenvolvimento e a demonstração de novas tecnologias, como o uso de combustíveis sintéticos para a aviação ou transporte marítimo. O negócio do hidrogênio como commodity de exportação ficou mais concreto. E, nesse contexto, o hidrogênio verde pode ganhar espaço. É também razoável apostar em um renascimento das nucleares e uma aceleração em tecnologias de captura e sequestro de carbono. O cenário atual também traz a importância das ações pelo lado da demanda, abrindo uma oportunidade para organizar a agenda da eficiência energética, onde há espaço para muito ganho no comércio e indústria. Devemos ter ações de transformação da forma como se consome a energia, desde a adoção da eletrificação até o estímulo pelo uso de outros energéticos. De nada adianta termos oferta de hidrogênio e eletricidade abundante, se a maior parte da demanda não funcionar a hidrogênio e eletricidade.

Como fica o Brasil nesse processo?

O Brasil tem uma posição privilegiada nesse processo. Apesar de importar GNL (Gás Natural Liquefeito), que deve ficar mais caro, o País exporta petróleo e pode se beneficiar da alta conjuntural dos preços. O Brasil tem a matriz de geração elétrica com mais renováveis entre as grandes economias mundiais, e o segundo maior uso de renováveis no transporte, vantagens estratégicas que o País pode aproveitar. As fontes limpas de produção de eletricidade já são as mais econômicas. O aumento da ambição nessa área faz sentido, trazendo novamente as hidrelétricas com reservatórios para o planejamento. A aceleração da transição europeia, que vai requerer combustíveis limpos importados, abre oportunidades para o Brasil exportar produtos energéticos e industriais verdes. A meta de importação de hidrogênio da Europa cria grandes oportunidades para o Brasil com o hidrogênio verde, quando o combustível entrar na equação. O valor do hidrogênio para o País pode ser alavancado pela produção de fertilizantes a partir da amônia.

Como a alta de preços de energia vem afetando os ambientes de mercado?

Na Europa o aumento dos preços de eletricidade e gás já vinha ocorrendo antes da guerra. Todos os governos buscaram maneiras de proteger, pelo menos em partes, os consumidores do repasse dos aumentos. Foram criadas operações de financiamento de aumentos tarifários muito parecidas com as que o Brasil fez na pandemia e na crise hídrica. A guerra na Ucrânia trouxe uma nova e maior escalada de preços e que pode se estender por mais de um ano. A Comissão Europeia discute interferir, em caráter emergencial, nos mercados de energia elétrica e gás. Várias são as medidas discutidas como subsídios para alívio nas contas de energia/gás e parcelamentos/postergação de prazos para pagar as faturas. Para financiar esses auxílios, estão na mesa propostas de uma taxa sobre lucros excessivos (“windfall profits”) de empresas do setor de energia, especialmente grupos com geração de energia, além do uso de fundos governamentais, como os obtidos com a taxação do carbono. Outra medida vislumbrada pela Comissão, e que tem ganhado apoio, é a adoção de preços-teto para o gás e para a geração de energia elétrica neste contexto de guerra. 

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,guerra-ucrania-gas-natural-energia-hidrogenio-verde,70004020052

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Guerra pôs fim na globalização, diz CEO da BlackRock, Larry Fink

Executivo disse enxergar, como consequência do conflito, um movimento em que “companhias e governos estarão reavaliando suas dependências [de outros países] e reanalisando a manufatura e as plantas de fabricação”

Por Sérgio Tauhata, Valor – 24/03/2022 

“A invasão da Ucrânia pela Rússia colocou um fim na globalização que experimentamos nas últimas três décadas”, afirmou o CEO da BlackRock, Larry Fink em sua tradicional carta anual aos acionistas. No documento divulgado hoje, o executivo da maior gestora do mundo em ativos, com US$ 10 trilhões sob o guarda-chuva, disse enxergar, como consequência do conflito, um movimento em que “companhias e governos estarão reavaliando suas dependências [de outros países] e reanalisando a manufatura e as plantas de fabricação — algo que a covid já estava levando muitos a começar a fazer”.

Fink apontou ainda que esse cenário pode levar as companhias a trazer a maior parte de suas operações para os próprios países ou muito perto, “resultando em uma rápida reversão para alguns países”. No entanto, o CEO da BlackRock indica que algumas regiões podem até se beneficiar desse movimento e cita o Brasil dentro desse grupo. “Outros, como México, Brasil e Estados Unidos ou os ‘hubs’ manufatureiros no sudeste da Ásia, podem se beneficiar”.

Para Fink, “essa dissociação vai, inevitavelmente, criar desafios para as companhias, incluindo custo mais elevado e pressões sobre as margens”. Uma reorientação em larga escala das cadeias de suprimentos, continuou o executivo, “será inerentemente inflacionária”.

De acordo com o executivo, após o fim da guerra fria no início dos anos 1990, “o mundo se beneficiou dos dividendos de uma paz global e da expansão da globalização”. Conforme Fink, “foram tendências poderosas que aceleraram o comércio internacional, expandiram o mercado de capitais global, elevaram o crescimento econômico e ajudaram a reduzir a pobreza em nações ao redor do globo”.

O CEO da BackRock reafirmou permanecer “um apoiador de longo prazo dos benefícios da globalização e do poder do mercado de capitais global”. Para o gestor, “o acesso ao capital global permite às companhias financiar o crescimento, aos países se desenvolver economicamente e a mais pessoas experimentarem um bem-estar financeiro”. A guerra, no entanto, pôs em cheque os avanços desse sistema, na medida em que, vai impulsionar uma reorientação das cadeias de suprimentos e fazer governos reavaliarem suas relações de dependência com outras nações.

O CEO da BlackRock também chamou a atenção para o dilema dos bancos centrais, exacerbado pela tensão geopolítica. “Os BCs estão ponderando difíceis decisões sobre o quão rápido elevar as taxas. Eles enfrentam um dilema que não tinham há décadas, que piorou pelo conflito geopolítico e como resultado dos choques de energia. Os bancos centrais devem escolher se vamos viver com uma inflação mais alta ou se vão desacelerar a atividade econômica e emprego para derrubar a inflação mais rapidamente.”

Um trecho da carta de Fink traz ainda uma análise sobre os impactos do conflito sobre os ativos digitais e sinaliza um potencial impacto de aceleração das moedas virtuais. “A guerra vai levar os países a reavaliar sua dependência cambial. Mesmo antes da guerra, vários governos estavam buscando ter um papel mais ativo nas moedas digitais e definir matrizes regulatórias sob a qual essas moedas vão operar. 

O BC americano, por exemplo, lançou recentemente um estudo para examinar as potenciais implicações do dólar digital. Um sistema digital global de pagamentos pode consolidar uma melhora nas transações internacionais, enquanto reduz o risco de lavagem de dinheiro e corrupção. As moedas digitais também podem ajudar a baixar os custos de pagamentos transfronteiriços, por exemplo, quando profissionais expatriados enviam recursos para suas famílias”.

Larry Fink — Foto: Justin Chin/Bloomberg

https://valor.globo.com/financas/noticia/2022/03/24/guerra-pos-fim-na-globalizacao-diz-ceo-da-blackrock-larry-fink.ghtml

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Mercado mira na agilidade do recrutamento para enfrentar déficit de TI

Executivo explica que a morosidade de alguns processos seletivos faz com que o Brasil perca bons profissionais para o exterior

Por Bússola/Exame  23/03/2022 

O assunto é antigo, mas o problema ainda persiste. A grande dificuldade de empresas brasileiras em recrutar profissionais de tecnologia de alto nível só piora. De acordo com um levantamento da Robert Ralph, 63% dos CIOs (Chief Information Officer) têm dificuldade em encontrar profissionais de TI de alto nível, e 49% estão muito preocupados com a capacidade da empresa em reter profissionais de TI.

E os números não mentem: o Brasil é o 10º maior mercado do mundo no setor, e a transformação digital acelerou o déficit de profissionais de tecnologia. Atualmente, o país tem o maior déficit de profissionais de TI do mundo, com 408 mil vagas que precisam ser ocupadas imediatamente.

Tantas discussões atribuem o problema ao assédio de empresas internacionais que recrutam profissionais com salários atraentes atrelados à possibilidade de trabalhar remotamente. No entanto, o problema não é tão simples assim.

“Não dá para descartar a possibilidade de que receber cinco vezes o que o mercado brasileiro paga é tentador. Estamos em uma fase de ascensão de muitas empresas de tecnologia. Se o salário fosse o único problema, já teria sido resolvido”, afirma Pedro Luiz Pezoa, CEO da Pointer, HR Tech especializada em contratação de profissionais de tecnologia de alto nível.

Atualmente, o país tem o maior déficit de profissionais de TI do mundo (Getty Images/Maskot)

O executivo alerta que o problema tem diversas camadas além do salário — o trabalho remoto, por exemplo é um grande fator decisório para o profissional migrar para o mercado gringo. A pandemia intensificou o modelo já muito usado por empresas de tecnologia, e quem adota o anywhere office já sai na frente para reter os melhores talentos do mercado.

Ainda de acordo com a Robert Half, 76% dos profissionais vêem o trabalho à distância como um modelo de operação e não como um benefício. Além disso, 38% afirmam estar dispostos a procurar um novo emprego caso a empresa na qual trabalham não esteja disposta a permitir, ao menos de forma parcial, o trabalho remoto.

Outro gargalo encontrado no setor são os modelos de recrutamento, que são longos e contraproducentes. “O profissional de tecnologia, que está em um mercado borbulhando, não vai querer participar de um processo seletivo demorado, com provas densas, complexas e entrevistas com diversos gestores”, diz Pezoa.

Dessa forma, a Pointer vem tentando mudar este cenário de recrutamento de profissionais de tecnologia, tornando o processo mais rápido e com qualidade.

Para o executivo, para resolver o problema, a primeira fase do processo seletivo não deve passar de sete dias. “É dentro deste prazo que encontramos quatro profissionais de alto nível para que os decisores concluam o processo. Além disso, alinhados com o desejo dos profissionais fora da curva, trabalhamos apenas com vagas remotas, pois percebemos que não há negociação quando o assunto é voltar para o escritório”, afirma.

A Pointer começou a operar no ano passado e já coleciona grandes players do mercado de inovação em seu portfólio: iFood, Tok&Stok, Cora, Jusbrasil, Rede ampm, bxblue, Pipefy, Gama Academy, Eureka, Pier Seguros e Promobit buscaram ajuda na RH Tech para recrutar pessoal de alta performance e agilizar o crescimento das empresas.

A startup já possui clientes internacionais que apostam no modelo de recrutamento assertivo, sinal de que o mercado norte-americano continua de olho nos profissionais brasileiros – a plataforma de ensino novaiorquina Branching Minds e a startup de aluguel de trailers Rvezy contaram com apoio da Pointer para recrutar profissionais de tecnologia.

Déficit

O mercado de startups, especialmente, sente o déficit com mais intensidade: após rodadas de investimento — principalmente aquelas que entram após a aprovação do pitch —, o crescimento precisa ser acelerado. Para isso, é preciso reter um time que faça isso acontecer.

É nesse momento que a agilidade no processo faz toda a diferença: além de não ser uma “perda de tempo” para o candidato e para a empresa, entregar um colaborador de excelência em pouco tempo é fundamental para o desenvolvimento da startup, que precisa ser exponencial aos olhos dos investidores.

De acordo com Amure Pinho, fundador do Investidores.vc, no momento de receber um aporte, uma startup apresentar um time comprometido, ágil e fora da curva é um fator importante na avaliação dos investidores.

“Ter um bom time, com habilidades e a expertise necessária para o negócio é fundamental aos olhos de investidores, e isso inclui ter profissionais de tecnologia no time”, declara Pinho.

A primeira marmoraria online do Brasil tem sentido isso na pele. A Nanoprice, startup que nasceu com o propósito de conectar arquitetos, decoradores, construtores e clientes finais, com marmorarias, vive a dificuldade em encontrar desenvolvedores e programadores.

“Quem está em fase de crescimento não consegue avançar com rapidez e competir com grandes empresas quando não possui um quadro de colaboradores completo e eficiente. O desafio, então, é reter um bom time de forma rápida para que consigamos avançar com projetos e não sobrecarregar a equipe atual”, diz Gustavo Belizário, CEO da startup.

Como resolver?

Para muitos executivos, a resposta do problema está na qualidade dos profissionais. 70% dos executivos entrevistados na pesquisa afirmaram que neste ano terão mais dificuldade para encontrar talentos no mercado e 49% deles temem perder seus profissionais de destaque.

Em 2020, já notando sinais de que esse apagão tecnológico ainda seria um problema por um bom tempo, a Sambatech, edtech que leva conhecimento a todos os cantos do país, criou a Samba Digital, unidade de negócios focada em transformação digital e que tem como objetivo ajudar outras empresas a transformar seus negócios por meio da inovação.

“Nosso foco principal é proporcionar mais agilidade e gerar resultados qualificados para os nossos clientes. Para isso, disponibilizamos times de desenvolvimento altamente capacitados que podem ser alocados em empresas de qualquer segmento de atuação, para que consigam resolver questões pontuais e que necessitam de rapidez e muito conhecimento tecnológico”, diz Mateus Magno, Co-CEO da companhia.

Nadando contra a corrente de empresas que já querem profissionais prontos, a Group Software, empresa especializada em sistemas de gestão para condomínios, shoppings e imobiliárias, tem solucionado o superaquecimento do mercado de TI com treinamento interno. Com o projeto Dev Academy, a organização contrata profissionais juniores e trabalha a evolução deles dentro de casa.

Segundo Erika Parreiras, analista de Gente e Gestão da empresa, procurar por quem ainda não é sênior reduz drasticamente o tempo de busca. Longos períodos com baixa na equipe prejudicam a produtividade do time e, em decorrência de alta sobrecarga, podem causar cancelamento de contrato com clientes e turnover com os colaboradores.

Além disso, para a analista, é missão da empresa educar o mercado e formar bons profissionais, fato que valoriza a cultura institucional e atrai trabalhadores engajados para as vagas, “pois percebem que na Group Software terão oportunidades de ascensão de cargo e um ambiente com constantes trocas de conhecimento”, diz.

Para Eduardo Menegatti, CEO da Vivalisto, primeira e maior plataforma de gestão transacional para compra e venda de imóveis, que facilita o trabalho das imobiliárias, clientes e corretores, o cenário tende a mudar somente a médio prazo, mas em uma perspectiva diferente do que o mercado tem dito.

“A solução do problema não está no aumento de profissionais treinados, o que já está acontecendo, mas em uma velocidade inferior à demanda. A tendência é a percepção de que os milhões investidos no desenvolvimento de tecnologia proprietária não trouxeram os resultados esperados”, afirma Menegatti.

Segundo ele, isso acontecerá quando surgirem cada vez mais ferramentas de desenvolvimento no code — aqueles que não demandam codificação e desenvolvimento interno. Dessa forma, as empresas poderão reduzir investimentos em tecnologia e terão soluções prontas em um prazo menor, com menos custo e mais eficiência.

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Telecom investe no 6G com o sonho de tocar, ouvir e sentir o cheiro de hologramas

Circe Bonatelli – Estadão – 04 de março de 2022 

Enquanto o sinal do 5G é ativado mundo afora, a indústria de telecomunicações já começa a dar os primeiros passos nas pesquisas que abrirão as portas para a nova geração de internet móvel: o 6G. A expectativa é que essa nova tecnologia seja uma realidade no fim da década.

Cada geração de internet tem proporcionado mudanças na maneira como as pessoas (e as máquinas) se conectam. As eras do 2G e 3G deslancharam a comunicação móvel por voz e texto. Já o 4G será lembrado como a era do consumo massivo de dados, sem os quais não existiriam mapas de trânsito em tempo real, nem bancos digitais, por exemplo.

A chegada do 5G promete uma velocidade de tráfego de dados até 100 vezes maior à do 4G, associado a um tempo de resposta entre os dispositivos praticamente instantâneo. Isso será aplicado principalmente na automação de processos produtivos, o que interessa muito a setores como indústria, mineração, logística e agricultura, entre outros. Logo, logo será comum ver um caminhão sem motorista ou um drone pulverizando lavouras com precisão.

Estande da Nokia no MWC simula holograma gerado por sensores 6G/Foto: Diana Koll/Nokia

E o 6G? Por enquanto, o que existe é um rascunho. Mas as pesquisas apontam para uma integração ainda maior entre o mundo físico e digital, com experiências sensoriais dignas de filmes de ficção científica.

‘Gêmeo digital’

Empresas como Ericsson, Nokia e Huawei estão trabalhando para desenvolver redes com sensores capazes de “escanear” as características dos objetos – como a dimensão, a temperatura, a densidade e até sons e odores emitidos – e a partir daí gerar cópias fiéis em hologramas (o chamado “gêmeo digital”, no jargão dos pesquisadores).

“Eu poderia estar aqui conversando com uma projeção sua, sentada na cadeira bem na minha frente, independentemente de onde você esteja de verdade”, exemplificou o presidente da Ericsson para o Brasil, Rodrigo Dienstmann, em entrevista ao Broadcast. “Vai ser possível ver, tocar, ouvir e sentir o cheiro das pessoas, como se elas estivessem de verdade na minha frente”.

A multinacional sueca Ericsson é uma das líderes em patentes de 6G no mundo e fechou recentemente parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, para pesquisas na área. A telepresença é justamente uma das potenciais aplicações do 6G que fazem parte dos estudos da companhia e que foram exibidos em seu estande na World Mobile Congress (MWC), maior feira de telecomunicações do mundo, na cidade de Barcelona. A previsão é que a telepresença sirva para reuniões de trabalho, tratamentos médicos, construção e manutenção de equipamentos e, claro, para matar a saudade de pessoas queridas que estão distantes.

A finlandesa Nokia também reservou um espaço importante de seu estande no MWC para esboçar casos de uso do 6G. Ali, um visitante pode experimentar um scanner que projeta seu corpo em um telão, simulando o tal do “gêmeo digital”. “Com o 6G, as antenas não vão só transmitir dados, mas também vão funcionar como sensores. A rede poderá ‘sentir’”, disse à reportagem o presidente da multinacional na América Latina, Osvaldo di Campli. “É algo que devemos esperar para em torno de 2030.”

Movimento global

Outras entidades também estão se movimentando ao redor do mundo. As empresas AT&T, Samsung, Qualcomm, Nvidia e InterDigital se uniram à Universidade do Texas para criar um centro de pesquisas em 6G. Há outro grupo nos Estados Unidos denominado “Next G Alliance” (Aliança do Próximo G), que está investigando como ativar essa futura infraestrutura de antenas e sensores dentro de níveis sustentáveis de consumo de energia.

A China, líder em cobertura 5G no mundo, também já colocou entre suas metas desenvolver a tecnologia 6G até 2025 e começar logo em seguida a implementação das novas redes.

A Huawei começou a investir em pesquisas sobre o 5G em 2009 para ativação da primeira rede em 2018. “Nos últimos 10 anos, foram mais de US$ 100 bilhões em investimentos em pesquisa”, afirmou o Head de Soluções e Cibersegurança da Huawei América Latina, Marcelo Motta. Cerca de 105 mil profissionais da multinacional chinesa (mais da metade do total) estão ligados à área de pesquisa e desenvolvimento, com boa parte do time já dedicado à nova geração de internet. “O 5G ainda tem muito espaço para se transformar em realidade. Já a chegada do 6G depende do sucesso do 5G, e se vai ser uma transformação completa ou uma continuidade natural.”

*O jornalista viajou ao Mobile World Congress (MWC) em Barcelona a convite da Huawei

Esta reportagem foi publicada no Broadcast no dia 03/03/22, às 11h39.

https://economia.estadao.com.br/blogs/coluna-do-broad/telecom-investe-no-6g-com-o-sonho-de-tocar-ouvir-e-sentir-o-cheiro-de-hologramas/

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Em Taiwan, quando você ouvir Beethoven, é hora de tirar o lixo e socializar com os vizinhos

Por Amy Qin e Amy Chang Chien NYT/Estadão 17/03/2022

Em Taiwan, a melodia clássica “Für Elise” é um apelo pavloviano a jogar seu lixo no caminhão de coleta e ficar por dentro das fofocas do bairro

THE NEW YORK TIMES – LIFE/STYLE -TAIPEI, Taiwan – O caminhão de lixo amarelo-canário roncou pela rua estreita, passando por lojas de chá de bolhas e prédios de apartamentos atarracados, soltando no ar frio da noite uma versão metálica de “Für Elise”, de Beethoven.

Para grande parte do mundo, a melodia clássica é a música (muito) onipresente das lições de piano dos jovens e dos brinquedos das crianças. Mas para os moradores de Taiwan, o jingle é um chamado à ação, o início de um ritual noturno, um sinal para amarrar as sacolas plásticas e descer: é hora da coleta de lixo.”Gosto de tirar o lixo porque é uma chance de conversar com meus amigos”, disse Kusmi, de 52 anos, que é da Indonésia e agora mora em Taipei, capital da ilha, onde trabalha como cuidadora de idosos.

Em Taiwan, a melodia clássica “Für Elise” é um apelo pavloviano a jogar seu lixo no caminhão de coleta e ficar por dentro das fofocas do bairro

Em Taiwan, a melodia clássica “Für Elise” é um apelo pavloviano a jogar seu lixo no caminhão de coleta e ficar por dentro das fofocas do bairro Foto: LAM YIK FEI

O caminhão de lixo amarelo – e um caminhão de reciclagem branco menor atrás dele – parou em frente a uma loja de conveniência bem iluminada em um bairro residencial de classe média no distrito de Xinyi, o centro financeiro de Taipei.

Uma equipe de coletores de lixo desceu e começou a colocar uma série de latas, incluindo recipientes separados para papel, plástico, vidro, metal, comida crua (para adubo) e comida cozida (para ração de porco).

Nos 20 minutos seguintes, o que havia sido uma cena de rua desanimada se transformou em algo semelhante a uma festa de bairro, enquanto moradores, velhos e jovens, convergiam para o caminhão de lixo de todas as direções. Eles vinham a pé, de bicicleta e de scooter, carregando o lixo já separado em carrinhos e sacolas plásticas.

Eles usavam jeans, uniformes de loja e calças de moletom. Alguns traziam seus animais de estimação.E sim, havia Crocs, aqueles sapatos universais para tirar o lixo. ”Às vezes, eu trago o lixo sozinho, às vezes saímos juntos”, disse Xiang Zhong, de 18 anos, um estudante do ensino médio que estava lá com um grupo de amigos. O cheiro vago de lixo inundou o ar. ”Acho que é um bom sistema”, disse Xiang.

“Isso ajuda a manter Taiwan limpa. ”Os sistemas de coleta de lixo variam em todo o mundo, mas nenhum lugar faz isso como Taiwan. Visite qualquer cidade ou vila rural e cinco dias por semana, faça chuva ou faça sol, você encontrará pessoas paradas na beira da estrada com sacolas ao lado, esperando os caminhões de lixo. Alguns passam o tempo olhando para seus telefones. Outros atualizam as fofocas.

Vizinhos conversam enquanto esperam pelo caminhão de lixo em Taipei, Taiwan.

Vizinhos conversam enquanto esperam pelo caminhão de lixo em Taipei, Taiwan. Foto: LAM YIK FEI

Todos estão com os ouvidos abertos para os primeiros compassos de “Für Elise” ou “Oração da virgem”, uma melodia fluente de piano da compositora polonesa do século XIX Tekla Bądarzewska-Baranowska, a outra música escolhida para os caminhões de lixo de Taiwan. Tudo isso faz parte de uma política de gestão de resíduos de décadas em Taiwan, segundo a qual “o lixo não pode tocar o chão”.

As autoridades insistem que forçar as pessoas a entregar o lixo em mãos nos caminhões – em vez de retirar seu lixo para uma coleta posterior ou jogá-lo em uma lixeira – foi essencial para a transformação de um lugar antes apelidado de “ilha do lixo” em uma sociedade limpa, em grande parte livre do lixo.

”Através desse sistema, podemos evitar o acúmulo de lixo e manter nosso meio ambiente limpo”, disse Yang Chou-mou, funcionário do departamento de proteção ambiental encarregado do trabalho de saneamento no distrito de Xinyi. Claro, ainda existem os tipos antissociais que só querem despejar seu lixo e ir embora. E alguns que moram em apartamentos de luxo têm a administração do prédio cuidando de seu lixo. As preocupações com o coronavírus também significam que as pessoas estão mais cautelosas em interagir nos horários de coleta.

Ainda assim, as pessoas disseram que apenas poder ver rostos familiares – mesmo que parcialmente obscurecidos por máscaras – tem sido uma fonte de consolo em um momento em que a pandemia deixou muitos se sentindo isolados. Vislumbres dessa humanidade foram exibidos em uma recente noite de inverno em Taipei.

Kusmi, a cuidadora, foi puxada de lado por uma amiga que lhe deu uma tupperware com espaguete e algumas laranjas. Em outro lugar, Lin Yu-wen, de 78 anos, se inclinou para ajudar sua vizinha e amiga de longa data, Yu Tzu-tsu, de 91 anos, a jogar fora uma pilha de jornais velhos.

”Somos aposentados, não temos nada para fazer o dia todo, então é bom sair e ver os amigos”, disse Lin, uma governanta aposentada. Lin e Yu têm idade suficiente para se lembrar dos dias em que as ruas de Taipei ficavam cheias de lixo e os aterros da ilha transbordavam. A situação tornou-se tão terrível e os moradores ficaram tão irritados que, a partir da década de 1990, o governo iniciou uma reforma na gestão de resíduos.

Em Taipei, os moradores foram obrigados a comprar sacos de lixo azuis emitidos pelo governo como parte de um sistema “Pay as You Throw”, criando efetivamente um imposto sobre a produção de lixo como um incentivo para jogar menos lixo fora.

Ao redor da cidade, mais de quatro mil pontos de coleta de lixo foram instalados e a maioria das lixeiras públicas foi removida para dificultar o despejo ilegal. Multas foram aplicadas aos que eram pegos jogando lixo.

As medidas funcionaram. Em 2017, Taiwan teve uma taxa de reciclagem doméstica de mais de 50%, perdendo apenas para a Alemanha, de acordo com a Eunomia, uma empresa de consultoria ambiental na Grã-Bretanha. Também está entre os líderes mundiais em menos resíduos produzidos por pessoa. O papel que os caminhões de lixo desempenharam no sucesso de Taiwan não deve ser ignorado, disse Nate Maynard, especialista em gestão de resíduos de Taiwan e apresentador do podcast “Waste Not, Why Not”.

”Isso força você a ficar cara a cara com sua própria produção de lixo”, disse Maynard. “Você tem que lidar com isso, carregá-lo, enquanto nos EUA e, em muitas outras partes do mundo, o lixo é algo que simplesmente desaparece.

”Permanece um mistério como “Für Elise” e “Oração da virgem” foram escolhidas. Alguns dizem que um oficial de saúde escolheu a música de Beethoven depois de ouvir sua filha tocando no piano. Outros dizem que os caminhões vieram pré-programados com as melodias.

Uma coisa é clara: os dois jingles tornaram-se parte integrante da trilha sonora de Taiwan, atraindo uma multidão de forma confiável da mesma forma que o jingle do Mister Softee faz em outros lugares. Quando a cidade de Tainan, no sul, se atreveu mudar tocando aulas de inglês nos alto-falantes, ninguém apareceu.

Huang Yan-wen, um coletor de lixo no distrito de Xinyi, ouviu “Für Elise” tocada em loop cinco dias por semana, quase todas as semanas do ano, nos últimos 25 anos. Ele insiste que não está cansado da música.

”Estou tão acostumado com ela”, Huang, de 55 anos, deu de ombros, enquanto se preparava para sair para suas rondas noturnas.Para outros, as músicas podem desencadear uma resposta quase pavloviana. Maynard, o especialista em resíduos, lembrou-se de caminhar em um parque em Londres há vários anos, quando ouviu “Oração da virgem” tocando em um carrossel. ”Fiquei ansioso”, disse Maynard, “e queria pegar meu saco de lixo”. /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

https://www.estadao.com.br/internacional/nytiw/em-taiwan-quando-voce-ouvir-beethoven-e-hora-de-tirar-o-lixo-e-socializar-com-os-vizinhos/

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Robôs podem substituir cerca de 500 mil motoristas de caminhão nos EUA, aponta estudo

Maior desafio para as empresas está na automação da condução entre fábricas e depósitos até as estradas interestaduais, que são bem menos complexas e exigem menos dos engenheiros

Por Bloomberg/Valor 19/03/2022 

Os robôs farão os trabalhos mais tediosos e perigosos primeiro, na maioria das coisas. O transporte rodoviário não é exceção. Os engenheiros de direção autônoma estão focados no frete de longa distância. As estradas interestaduais dos Estados Unidos são quase sem complexidade, exceto por uma curva lenta ou um pedágio. Desta maneira, essas rotas são alguns dos desafios mais simples no espectro de direção autônoma.

O maior obstáculo pode ser a infraestrutura. A curta viagem de uma fábrica ou centro de distribuição para uma estrada interestadual é geralmente muito mais complicada do que as próximas centenas de quilômetros.

Uma das solução possíveis é que as empresas de caminhões instalem estações de transferência em cada extremidade, onde motoristas humanos lidam com a complicada primeira etapa da viagem e, em seguida, engatam sua carga em plataformas robóticas para a cansativa parte do meio. Outra estação na saída levaria a carga de volta para um caminhão, com um motorista, para entrega.

Tal sistema, de acordo com um novo estudo da Universidade de Michigan, poderia substituir cerca de 90% da condução humana em caminhões de longa distância nos EUA, o equivalente a cerca de 500.000 empregos.

“Quando conversamos com motoristas de caminhão, literalmente todos disseram: Sim, essa parte do trabalho pode ser automatizada”, explicou Aniruddh Mohan, doutorando em engenharia e políticas públicas na Carnegie Mellon University e coautor do livro estude. “Pensamos que eles seriam um pouco mais duvidosos.”

Há, no entanto, muitas dúvidas. Por um lado, os sistemas autônomos teriam que descobrir como navegar em clima ruim muito melhor do que podem agora. Em segundo lugar, os reguladores em muitos Estados ainda não abriram caminho para as plataformas robóticas. Finalmente, há a infraestrutura a ser considerada – todas as estações de transferência onde a carga passaria do análogo movido a cafeína para os algoritmos.

Ainda assim, se as empresas de caminhões se concentrassem apenas no Cinturão do Sol da América (Estados das regiões sudoeste, sul e sudeste dos EUA), elas poderiam facilmente compensar 10% da condução humana, mostra o estudo. Se eles implantassem os robôs em todo o país, mas apenas nos meses mais quentes, metade das horas de transporte rodoviário do país poderiam se tornar autônomas.

“Isso já está acontecendo, mas de uma maneira bastante limitada”, disse Parth Vaishnav, professor assistente de clima e energia em Michigan e coautor do estudo.

Existem cerca de 3,3 milhões de caminhoneiros nos Estados Unidos, embora muitos não permaneçam no mercado por muito tempo.

Os empregos de motoristas de longa distância, em particular, são alguns dos piores. Eles não são apenas demorados e tediosos, mas estão entre os mais mal pagos. Esses trabalhadores estão na estrada cerca de 300 dias por ano e ganham cerca de US$ 47.000. Já as rotas de curta distância podem ser mais complicadas e, como tal, pagam melhor e atraem motoristas mais experientes.

Não surpreendentemente, a força de trabalho de longa distância tende a mudar inteiramente a cada 12 meses ou mais. No momento, o setor está com falta de cerca de 61.000 motoristas, segundo a American Trucking Associations. “Em nossa imaginação, vemos isso como empregos de classe média”, disse Vaishnav, “mas esse não tem sido o caso há algum tempo”.

A escassez de motoristas é tão grande que as empresas de caminhões americanas estão tentando importar motoristas para aliviar o que se tornou um dos gargalos mais agudos da crise da cadeia de suprimentos. Os lobistas de caminhões também estão tentando reduzir a idade mínima para motoristas interestaduais de 21 para 18 anos.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2022/03/19/robos-podem-substituir-cerca-de-500-mil-motoristas-de-caminhao-nos-eua-aponta-estudo.ghtml

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Vida em reconstrução: a ciência avança no implante de órgãos artificiais

Técnicas em laboratório ou próteses produzidas em impressoras 3D mostram que é possível repor com segurança as peças que o organismo perdeu

Por Paula Felix – Veja – 18 mar 2022 

Recriar o corpo faz parte do imaginário humano. Do coração recebido pelo Homem de Lata, em O Mágico de Oz, à mão decepada de Luke Skywalker, da saga Star Wars, substituída por um modelo biônico, há vários exemplos na ficção que refletem o anseio da civilização de repor, ao menos parcialmente, partes perdidas. O capítulo mais recente dessa aventura foi protagonizado pelo americano David Bennett, de 57 anos, e seus cirurgiões no Centro Médico da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Portador de cardiopatia grave e terminal, Bennett aceitou receber um coração de porco, geneticamente modificado, tornando-se o primeiro ser humano vivo a ser submetido a um xenotransplante (transplante, infusão ou implantação de órgãos de diferentes espécies). 

No ano passado, um time da Universidade de Nova York havia feito o transplante de um rim suíno com material genético alterado em um paciente com funções mantidas por aparelhos enquanto se desenrolou a cirurgia. Bennett, o homem com um coração de porco, viveu mais dois meses depois do procedimento. Ele morreu na terça-feira 8, mas deixou à ciência a certeza de que está mais próximo o dia em que os humanos viverão por muito tempo com órgãos extraídos de outros animais. “Isso não é mais um sonho de um futuro distante, mas algo cada vez mais viável pela medicina moderna”, comemorou David Kaczorowski, professor associado de cirurgia cardiotorácica da Universidade de Pittsburgh, integrante da equipe que conduziu o experimento. 

O feito dos médicos americanos abre mais uma avenida rumo à construção da vida por meios artificiais. O desafio é urgente. A escassez de órgãos para doação, agravada pela pandemia de Covid-19, e a longevidade da população, que amplifica as doenças ligadas ao envelhecimento, apertam a demanda por soluções que reparem pedaços do organismo, sejam eles vitais ou não. Felizmente, há novidades espetaculares, como resultado do progresso fantástico nos campos tecnológico e científico, especialmente na genética. Para que o xenotransplante em David Bennett se concretizasse, por exemplo, foi preciso avançar no conhecimento do DNA de homens e de animais de forma que os procedimentos sejam eficazes e seguros. Ou seja: devem salvar ou prolongar vidas ao mesmo tempo que apresentem riscos reduzidos de provocar episódios de rejeição aguda.

Na Universidade de São Paulo (USP), há um experimento exemplar nesse caminho. Coordenado pela professora Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco da instituição e referência nacional no tema, o projeto pretende criar rins de porco geneticamente viáveis para implantação em humanos. A fase mais difícil, de edição de genes, foi finalizada. Agora, o grupo aguarda a implantação de um biotério de máxima segurança, um ambiente dotado de filtros de ar, estéril e com água e alimentos livres de qualquer tipo de patógenos. A previsão é de que ele fique pronto até o fim do próximo ano. O passo seguinte será a criação das fêmeas que receberão embriões geneticamente modificados e gerarão os filhotes dos quais os órgãos serão tirados. 

NOVIDADE - O transplante de coração de porco geneticamente alterado: a inovação deu sobrevida de dois meses ao paciente – UNIVERSITY OF MARYLAND SCHOOL OF MEDICINE/AFP 

Uma das ideias, de modo a evitar a rejeição, é implantá-los sob a pele dos doentes. A proposta foi do professor emérito da Faculdade de Medicina da USP Silvano Raia, pioneiro dos transplantes de fígado no país, responsável, em 1988, pelo primeiro transplante intervivos no mundo. Aos 91 anos, o cirurgião está entusiasmado com o que a medicina alcançou até agora. “Em cinco anos, o xenotransplante será uma alternativa”, diz Raia. “O progresso previsto é geométrico. Posso prever milagres.” O olhar otimista é compartilhado com Anthony Atala, diretor do Wake Forest Institute for Regenerative Medicine, instituição americana que, em 1999, inaugurou a era dos órgãos cultivados em laboratório fazendo o implante em um paciente de um tecido de bexiga. “Estamos progredindo demais em direção ao objetivo de melhorar a vida dos pacientes”, disse a VEJA. A instituição está na vanguarda da área. Há experiências voltadas para a criação de tecidos e órgãos para mais de quarenta partes diferentes do corpo. A impulsionar o trabalho frenético estão as bioimpressoras 3D, máquinas que sintetizam à perfeição o salto tecnológico dos últimos anos.

Elas revolucionaram o campo da regeneração de tecidos ao permitir a produção das peças mais precisas de que se tem notícia. No Wake Forest Institute, por exemplo, são utilizadas na fabricação de quinze estruturas, entre elas músculos, cartilagens e pele. São de dois tipos a matéria-prima usada. O primeiro é composto de células progenitoras do órgão a ser reparado. Elas são assim chamadas porque dão origem àquele tipo específico de tecido. “A vantagem de extrair células do próprio paciente é que não haverá rejeição”, explica Anthony Atala. Quando isso não é possível, recorre-se às células-tronco, capazes de se transformar em diversos tipos de estrutura e encontradas em compostos como a gordura corporal, placenta ou líquido amniótico.

CRIATIVIDADE - Tilápia: a pele do peixe é usada para reparar deformações vaginais – Viktor Braga/UFC/. 

Os avanços da área empolgam pelo que oferecem e fascinam pela criatividade. A pele de tilápia, em uso desde 2015 por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará no tratamento de queimaduras e feridas graves, agora serve também para a construção do canal vaginal de mulheres transgênero ou reconstrução no caso de pacientes que apresentam distúrbios genitais raros ou que ficaram com deformações causadas por câncer ginecológico. Além disso, em setembro do ano passado, o enxerto entrou como alternativa na recuperação da pele de crianças submetidas à cirurgia para separação dos dedos, malformação causada por uma síndrome rara. 

ENCAIXA TOTAL - Vértebras artificiais: precisão garantida por impressoras 3D – Adam E. Jakus/. 

Um observador menos atento poderia vislumbrar nesse novo campo da medicina um atalho para a transformação do corpo humano em quimeras ou ciborgues. Nada disso. Basta ver a mais recente versão do Aeson, o coração artificial mais sofisticado do mundo. Seu formato lembra bastante o do órgão ao qual ele imita as funções. O Aeson foi implantado no ano passado em um paciente com insuficiência cardíaca terminal por cirurgiões do hospital da Universidade Duke, nos Estados Unidos, dentro de um protocolo de estudo aprovado pela Food and Drug Administration, agência reguladora do país. O objetivo é verificar se a bioprótese mantém a vida de pacientes graves até que recebam um coração por meio de transplante. O estudo transcorre, assim como centenas de outros em condução neste momento, apontando para uma nova era. Nela, parte vital do organismo será reconstruída sem que os seres humanos percam a identidade corporal que a evolução talhou.

Publicado em VEJA de 23 de março de 2022, edição nº 2781 

https://veja.abril.com.br/saude/a-vida-em-reconstrucao-os-avancos-da-ciencia-para-implante-de-orgaos/
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Redes sem fio inspiradas em sementes

Um exemplo de como se pode utilizar sistemas surgidos no processo de seleção natural para criar soluções tecnológicas

 Fernando Reinach*, O Estado de S.Paulo 19 de março de 2022 

Flores de dente-de-leão se tornam pequenas bolas de sementes, cada semente com um mini paraquedas branco. Eu adorava assoprar essas bolas e ver as sementes caindo devagar ou sendo levadas pela brisa. 

Já as redes sem fio, que carregam sinais de internet ou telefone, são um grande conjunto de equipamentos, distantes uns dos outros. Cada um desses repetidores capta sinais de rádio e os passa adiante. Esses aparelhos precisam estar ligados à rede elétrica. Por isso criar uma extensa rede em locais sem eletricidade é difícil. E, para solucionar esse problema, os cientistas decidiram criar repetidores minúsculos, que dispensassem eletricidade e se espalhassem sozinhos pelo ambiente. Foram então criados repetidores de cerca de 1 mm e extremamente leves, pesando 30 mg, que dispensam a rede elétrica, pois têm uma minúscula célula fotoelétrica que transforma a luz solar em eletricidade.

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Até aí, essa nova tecnologia era apenas um fantástico feito de miniaturização. Sobrava um problema: como espalhar milhares ou milhões desses repetidores em uma floresta, em uma fazenda ou uma geleira, criando uma rede funcional? Foi então que os cientistas buscaram inspiração nas sementes de dente-de-leão. Cada um desses microaparelhos foi pendurado a um paraquedas artificial copiado da estrutura do usado pela semente de dente-de-leão. Após testarem vários desenhos, os cientistas obtiveram um modelo que permite que os equipamentos se espalhem com o vento, caindo no solo suficientemente distantes para permitir a cobertura de uma grande área, mas suficientemente próximos para que cada um capte os sinais de seus vizinhos. O paraquedas também foi otimizado para garantir o pouso com a célula fotovoltaica voltada para o céu, garantindo eletricidade.

Sementes

Cientistas decidiram criar repetidores minúsculos, que dispensassem eletricidade e se espalhassem sozinhos pelo ambiente, como as sementes do dente-de-leão Foto: Makunin/Pixabay

Um drone sobrevoa a área desejada levando até 3 kg de equipamentos (100 mil repetidores). Nos testes, eles foram lançados de diversas altitudes e se espalharam com o vento. Mais de 95% pousaram com a célula fotovoltaica para cima, estabelecendo redes sem fio em áreas de dezenas de quilômetros quadrados, locais sem eletricidade, rodovias ou mesmo trilhas. Tudo a custo baixo.

Esses receptores podem carregar sensores de vários tipos, sendo capazes de monitorar o que ocorre em toda a superfície coberta pela rede e transmitir esses dados. Outro exemplo de como se pode utilizar sistemas surgidos no processo de seleção natural para criar soluções tecnológicas.

MAIS EM: WIND DISPERSAL OF BATTERY-FREE WIRELESS DEVICES. NATURE

*É BIÓLOGO

https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,redes-sem-fio-inspiradas-em-sementes,70004013151

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Por que o fim do home office está levando a demissões?

CEO da Adecco diz que saída de profissionais intensifica a escassez de talentos em algumas áreas

Por Barbara Bigarelli – Valor – 14/03/2022 

A exigência de um retorno ao modelo presencial de trabalho pós impacto da pandemia está impulsionando “a grande debandada”, o número recorde de profissionais pedindo demissão voluntária ou saindo do mercado de trabalho nos Estados Unidos. Essa é a opinião de Alain Dehaze, CEO global do grupo Adecco, consultoria suíça de recrutamento com atuação em 60 países e para 100.000 empresas. Mas Dehaze prefere descrever o movimento, que já soma quase 10 milhões de americanos, como “a grande reavaliação”. “Com o isolamento, muita gente saiu dos grandes centros, entendeu que o deslocamento de três horas por dia ao trabalho não valia, viu que há outro tipo de vida mais próxima da família e para cuidar de si mesmo. E, à medida que as empresas começaram a exigir o retorno ao escritório, muitas começaram a pedir demissão, trocar de emprego e até sair do mercado”, analisou em entrevista ao Valor durante visita ao Brasil, em fevereiro.

No comando de uma empresa responsável por intermediar 3,5 milhões de vagas diariamente, o executivo diz que 60% das posições que a consultoria abre para seus clientes são para trabalhos que podem ser realizados de forma remota. Antes da pandemia, esse número mal alcançava 15%. “Com certeza isso tem um grande impacto no mercado de trabalho, porque agora uma empresa de Nova York pode recrutar em todos os estados. Inclusive no Brasil. E os funcionários podem estar em qualquer local.”

Mesmo que boa parte dos que vêm pedindo demissão voltem ao mercado – algo que Dehaze acredita que irá acontecer -, “a grande reavaliação” deverá intensificar a escassez de talentos que muitas áreas vivenciam hoje, defende. A maior demanda atual, em sua visão, encontra-se em ocupações relacionadas às áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática, na sigla em inglês), mas o desafio maior, diz o executivo, está em encontrar candidatos que aliem essas capacidades técnicas às habilidades analítica, de criatividade e colaboração.

Outro grande problema de demanda no mercado de trabalho atual que Dehaze onserva na Europa envolve ocupações consideradas mais manuais ou que requerem esforço físico. “Faltam 400 mil caminhoneiros na Europa, e o Reino Unido, por exemplo, foi recentemente obrigado a pedir aos militares para entregar gasolina nos postos. Em restaurantes, considerando chefs e garçons, 20% das pessoas do setor mudaram de emprego ou simplesmente saíram da área.” Para frear, ao menos em parte, o movimento de saída em massa, Dehaze defende que as companhias invistam mais em propósito – conectando seu negócio ou produto a uma ideia de “futuro para todos”, onde as pessoas se sintam de fato interessadas em trabalhar.

Flexibilidade é outro ponto central, afirma, assim como preocupar-se com bem-estar e criar “regras” para engajar mais a força de trabalho. Mais do que políticas de bem-estar, porém, Dehaze diz que o melhor estímulo é o exemplo dentro da cultura da empresa. “Na Adecco eu digo publicamente que quero dormir sete horas por noite, então se alguém me manda um convite às 23 horas para uma reunião às 8 horas, eu não vou ver nem ir, porque estarei no meu período de descanso.”

O executivo também diz que a empresa, com 3 mil funcionários na América Latina, incentiva que os funcionários não enviem e-mails nos fins de semana. “É claro que terá gente que precisará trabalhar nesses dias por conta de alguma demanda de cliente e não é que proibimos os e-mails. Apenas orientamos que as pessoas posterguem mensagens a seus colegas de domingo para segunda de manhã, para preservar o tempo de descanso dos outros.” É o tipo de regra que pode servir para alguns, mas não vai solucionar, por exemplo, o caso dos caminhoneiros. 

Dentro de sua reflexão, Dehaze acredita que grande parte da discussão sobre o futuro do trabalho precisa se centrar na aceleração da requalificação e retreinamento dos funcionários. “A agenda de futuro não mudou substancialmente com a covid-19. Tudo o que estava previsto [em termos de novos modelos e flexibilidade] foi acelerado. Mas a maior aceleração da pandemia foi na automação e digitalização e isso nos leva à necessidade, mais rápida e veloz, de requalificar funcionários para novas posições, demandas e tipos de empregos”, diz o executivo, que também é membro do ILO Global Commission on the Future of Work, comissão que reúne 26 especialistas da Organização Internacional do Trabalho.

“Alguns estudos que eu acho plausíveis defendem que os profissionais perdem 40% de suas habilidades e competências a cada três anos. Então, basicamente, se não fizermos nada pela requalificação, depois de dez anos você estará obsoleto no mercado de trabalho.” Em sua visão, contudo, colocar essa responsabilidade somente no indivíduo é errado. O desafio envolve esforços de cada profissional, mas em conjunto com empresas e governos. “É até ok as empresas não protegerem empregos que precisam eliminar por uma tecnologia ou porque ficaram defasados. Faz parte. Porém, é papel delas proteger a empregabilidade de sua força de trabalho.” O que envolve, afirma, requalificá-las com as habilidades que estão sendo demandadas para que a empresa se aprimore, continue competitiva e mantenha os talentos dos quais precisa.

Como exemplo, ele cita um caso que viu de perto na Alemanha, onde uma empresa, com operação global e 150 mil funcionários, decidiu alocar 30 mil novos na área de mobilidade e divisão de carros elétricos. “O setor automotivo está indo do fóssil para o carro elétrico e isso muda todas as habilidades exigidas no desenvolvimento, fabricação e montagem.” Essa mesma empresa, continua sem revelar o nome da companhia, afirma que montou uma grade de treinamento para capacitar outros 700 funcionários em “engenharia de sistemas”. “É preciso, contudo, que as empresas tenham mais incentivos para requalificar as pessoas, tornando-as mais atraentes em temos de empregabilidade, ao invés de simplesmente demiti-las e recontratar novas no mercado, com outras habilidades.”

Esse incentivo, ele diz, poderia vir com o auxílio dos governos. “As empresas podem ser incentivadas com subsídios ou crédito fiscal, por exemplo.” Fora isso, governos poderiam seguir o exemplo de Cingapura, afirma o CEO, país que criou “uma conta para treinamento individual”. “Os cingapurianos podem receber um crédito para usarem em cursos ou programas de requalificação, financiando o aprendizado em novas competências e se mantendo empregáveis.”

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/03/14/por-que-o-fim-do-home-office-esta-levando-a-demissoes.ghtml

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A genialidade de Uri Levine, fundador do Waze e empreendedor

StartSe 16 Mar 2022 

Em conversa com a StartSe, o empreendedor compartilhou sua visão sobre negócios, realizações, planos e até sobre o Brasil. Confira:

Uri Levine foi um dos 3 fundadores da Waze, que foi vendida para Google por US$ 1,1 bilhão. Os outros 2 fundadores tornaram-se empregados da Google. Uri, com orgulho, diz que no dia seguinte da venda ele já foi fazer a próxima empresa. Uri recebeu a missão da StartSe na casa do brasileiro Leo Chanea, que lidera a parte de comunidade da Moovit, empresa da qual Uri está no conselho.

Segue algumas das frases de efeito de um dos mais emblemáticos empreendedores de Israel:

“Eu construo 1 ou 2 startups por ano. Eu procuro problemas. Depois eu procuro o time certo para resolver estes problemas. E depois eu os ajudo a resolver estes problemas reais e causamos um grande impacto. Usualmente no primeiro ano demanda muito do meu tempo, depois cada empresa demanda menos do meu tempo. Então eu vou e crio outras.”

“Aprendi essa daqui com o Anderseen Horwitz (famoso bilionário investidor do Vale do Silício). Me perguntaram se eu dormia bem quando eu era um empreendedor. Como CEO de uma startup, você dorme como um bebê.  Acordando a cada 2 horas para chorar.”

“Os consumidores vão mudar o jeito como eles consomem mobilidade. Eles vão pagar por tempo usado ou distância viajada. A indústria automotiva, do jeito que conhecemos, vai morrer. No futuro, em apenas 2 gerações, não vão acreditar que nós dirigíamos. Olhe o número de pessoas que morrem em acidentes em carros. A tecnologia vai diminuir essas fatalidades dramaticamente.”

“Waze começou em 2007. Mas, só lançou em 2009. Mas naquela época já sabia qual seria a minha próxima startup depois da Waze. Como? Porque eu mantenho uma lista de problemas que eu quero resolver. Não vou conseguir resolver todos. Mas vou criar startups para resolver alguns.”

“Criar uma startup é como se apaixonar. Muda a sua vida para sempre.”

“Em 20 anos não haverá mais concessionárias de carros.”

“A jornada do empreendedor deveria ser chamada de jornada do fracasso.

Einstein disse: Se você não fracassou, é porque não tentou nada de novo.

Thomas Edison disse: Eu não fracassei mil vezes, eu descobri mil vezes que não funciona. A característica mais importante do empreendedor é a perseverança. Para aguentar todos os fracassos e seguir em frente.”

“COMEMORE! A jornada é tão árdua que você precisa achar momentos para celebrar. O primeiro funcionário, o primeiro escritório, o primeiro processo que você resolver! Sério, quando você for processado, comemore! E depois corra para resolver o problema! A melhor coisa para celebrar é a carta de agradecimento do cliente.”

“O primeiro ano da startup é essencial. Você pode definir o DNA da empresa antes mesmo de começar a empresa. Que tipo de pessoa você quer que trabalhe contigo? É essencial o empreendedor responder algumas perguntas, se não com o tempo estas respostas serão respondidas e você pode não gostar da startup que criou.”

“Como construir um unicórnio? Seja um líder de Mercado em um Mercado que seja grande o suficiente. Ou seja, pense bem no seu mercado e lembre de querer ser o líder.”

+ Unicórnios brasileiros: o que sua empresa pode aprender sobre crescimento acelerado com eles?

“Dicas para startups: o segundo que você esquecer quem são seus usuários e quais os problemas deles, a sua startup começa a morrer.”

“Foco é decidir o que você não está fazendo. Isto é extremamente desafiador. Muitas pessoas vão te dizer coisas como “você pode construir Waze para pedestres.” Manter-se focado é crítico para ter uma chance de ter sucesso.”

“Apaixone-se pelo problema. Não pela solução. No Waze, éramos apaixonados em ajudar no trânsito, não pela Waze.”

“Metade dos empreendedores com quem converso me dizem que a razão pela qual a startup deles fracassou, foi porque não tinham o time correto. E eu pergunto, quando você sabia que este time não era o certo? Todos dizem, no primeiro mês eu já sabia. Então estas startups falharam porque o CEO não fez as decisões difíceis. Decida!”

“Levantar capital de investidores é muito importante. Perguntei para um investidor extremamente importante em Israel, quando você sabe se esse empreendedor é o certo? A resposta: antes mesmo dele sentar. Portanto, quando estiver falando com investidores, comece com a parte mais poderosa da sua história. Ele decidirá rapidamente, logo no começo da sua conversa.”

“Early stage startups recebem investimentos por apenas 2 motivos. 1) se o investidor gosta do empreendedor ou 2) se a história que o empreendedor conta é boa. Portanto, se você não sabe contar uma história, vai aprender. Eu te garanto que você pode aprender a contar historia. “

“[Essa é do fundador do LinkedIn, mas ele citou e vale a pena repetir]: Se você estiver feliz com a primeira versão do projeto que você lançou, significa que você demorou demais para lançar o projeto.”

“As pessoas não param de sonhar quando elas ficam velhas, elas ficam velhas quando param de sonhar.”

“Disrupt não é sobre a tecnologia. Disrupt é sobre mudar comportamento. “

“Alguns mercados serão disrupted. Alguns mercados estão implorando para ser disrupted. Veja se há intermediários. Se o preço é muito diferente do valor. Estes não irão durar.”

“Um nome não é importante. A única coisa é o nome ser pronunciável. Queríamos chamar nossa empresa de WAYS. Mas o site WAYS.com custava US$500 mil e não tínhamos esta grana. WAZE custava muito menos. Então chamamos assim.  Outro exemplo: a palavra Google não significa nada. Eles receberam um cheque do primeiro investidor para a empresa com o nome errado. No cheque estava escrito Google. Eles não retornaram o cheque e começaram a chamar a empresa com aquela grafia.”

Um pouco sobre 3 empresas que Uri está envolvido:

Feex. Nos EUA, há tantas taxas em transações financeiras com custos que os consumidores pagam, mas não sabem. Nossa startup traz transparência para essas transações.

Roomer. Marketplace para vender os quartos que você alugou, pagou, mas não conseguiu usar. Então você gostaria de revender e recuperar ao menos parte do seu capital. Hotéis querem que você consiga vender os seus quartos, pois faturam com comidas e bebidas.

Refundit. 95% das pessoas que podem receber reembolsos após fazer compras na Europa NÃO acessam esse dinheiro ao qual tem direito. Estamos construindo um app onde você vai bater foto do seu passaporte, do recibo, do item e vai receber seu reembolso e eu ganho um pedacinho desse reembolso.

Outras empresas com as quais Uri está envolvido: Moovit, Zeek, Engie, Seetree, Fairfly, Livecare.

+ Série Transformações Reais: cultura e propósito nas empresas

O Uri Levine adora o Brasil e diz que recomenda para quase todas as suas startups para explorarem o país com a quinta maior população do mundo e sétima maior economia do planeta. Ele disse que uma das coisas que mais o excita sobre o Brasil é que “word of mouth (boca-a-boca) realmente funciona no Brasil, então é mais fácil escalar para quem realmente resolve um problema do usuário.”

https://app.startse.com/artigos/a-genialidade-de-uri-levine-fundador-do-waze-e-empreendedor

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