Governança, inovação e imagem, motores para a inserção do agro do Brasil no mundo


São alguns pontos levantados em trabalho apresentado ontem pelo CEBRI e pelo Insper

Por Fernando Lopes — Valor 24/06/2022 

Exportação brasileira de soja: pauta ainda concentrada em poucos produtos — Foto: Divulgação APPA

Adoção de uma estratégia internacional de longo prazo; aprimoramento da governança público-privada; ampliação do acesso a mercados, com diversificação e diferenciação da pauta exportadora; estímulo à competitividade; e construção de uma imagem ambiental positiva.

Simples no papel, mas dependentes de uma sintonia muito mais fina entre governos e iniciativa privada para que sejam capazes de direcionar esforços e gerar investimentos, essas proposições foram apresentadas ontem no evento “Políticas Públicas para a Inserção do Agro Brasileiro no Mundo”, que contou com a participação de Marcos Jank, coordenador do Insper Agro Global e do Núcleo Agro do CEBRI, Feliciano de Sá Guimarães, diretor acadêmico do CEBRI, José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, Fernando Queiroz, CEO da Minerva Foods, Paulo Hartung, presidente da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), e Tereza Vendramini, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB).

Com algumas variações, esse cardápio está sobre a mesa das lideranças do setor há décadas. Mas acelerar os avanços nessas frentes tornou-se mais importante com a guerra na Ucrânia e seus reflexos sobre comércio, segurança alimentar, subsídios, preços das commodities e movimentos geopolíticos como a aproximação entre Rússia e China. É consenso no agro brasileiro que a crise gerou uma oportunidade única para o país se firmar como o grande fornecedor mundial confiável – e sustentável – de alimentos, mas também mostrou que há muita lição de casa a ser feita para isso.

“Apesar de o agro ser o principal setor exportador do país, falta visão estratégica para sua efetiva participação na resolução de problemas e desafios globais como a segurança alimentar. Não vemos um esforço coordenado nessa direção, não há visão global e até agora não sabemos onde queremos chegar”, afirmou Jank ao Valor.

“Neste momento, por exemplo, estamos vivendo com a guerra um problema mundial conjuntural que poderá até terminar no curto prazo, mas que está exigindo reações imediatas que poucos países além do Brasil conseguem oferecer. Quem pode ampliar a oferta de alimentos com a nossa velocidade?”.

Para que realmente o país apure sua visão internacional de longo prazo, CEBRI e Insper propõem, em trabalho assinado por Jank e pelas pesquisadoras Camila Dias de Sá, Cláudia Cheron König e Amanda Araújo Pinto, do Insper – e que fará parte de um documento maior a ser entregue pelo CEBRI aos candidatos à Presidência -, que o agro seja de fato um ativo estratégico nas relações com parceiros comerciais e nas discussões sobre segurança alimentar, inclusive em organizações multilaterais. Também defendem maior presença física do setor na China e em países do Sudeste Asiático, do Sul da Ásia, do Mundo Islâmico e da África Subsaariana e o estabelecimento de novos acordos regionais e bilaterais.

Governança público-privada

No que se refere à governança público-privada, entre as sugestões apresentadas estão a criação de mecanismos que permitam maior coordenação governamental e com o setor não-governamental, a reforma do arcabouço sanitário (aprimoramento da fiscalização) e a geração de dados sólidos e inteligência estratégica para a definição de políticas. “Também temos que evitar as narrativas conflitantes que vemos sobre diversas questões, como a ambiental. Temos hoje posições muito divergentes dentro do governo e mesmo dentro de cadeias produtivas privadas, e isso é ruim”, disse Jank.

Acesso a mercados

Nas discussões sobre acesso a mercados e diversificação das exportações, concentradas em poucos produtos e com espaço para avançar nas centenas de países para os quais o Brasil vende, CEBRI e Insper também pregam a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) e ações com outros países para que sejam combatidas barreiras não-tarifárias e ampliadas a previsibilidade e a transparência das relações.

Para ampliar inovação e competitividade, a expansão da implantação do sistema de integração lavoura-pecuária, de irrigação, de ferramentas de agricultura de precisão, do uso de bioinsumos e da rastreabilidade são alguns caminhos. Mas não só. Na infraestrutura, a ampliação do uso de modais como o ferroviário e o hidroviário para o escoamento da produção pode reduzir custos, enquanto é urgente um olhar mais profundo para permitir a inclusão de parte dos produtores rurais marginalizados, sobretudo no Nordeste.

Se todas essas proposições já têm potencial para melhorar a imagem do Brasil como “potência agroambiental”, também é verdade que será preciso mais. Nesse sentido, a implementação do Código Florestal, a regularização fundiária, o combate à ilegalidade, a consolidação de um mercado de créditos de carbono e a introdução de instrumentos legais de apoio legal ao engajamento do país na agenda climática também são considerados fundamentais.

https://valor.globo.com/agronegocios/noticia/2022/06/24/governanca-inovacao-e-imagem-motores-para-a-insercao-do-agro-do-brasil-no-mundo.ghtml

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