Uma revolução tecnológica está diante dos investidores

As criptomoedas estão provando que a economia está cada vez mais se tornando digital

MARCO SARAVALLE* Estadão 18/04/2022

  • Ainda não temos uma máquina do tempo, mas as coisas andam mudando tão rapidamente quanto as novas gerações, que já nascem com um aparelho smartphone nas mãos.
  • Hoje, não temos mais aquela gritaria que existia na bolsa de valores, por exemplo, graças à internet que possibilitou aos investidores que conseguissem negociar seus papéis do aconchego de sua casa, por meio do homebroker.
  • Nos Estados Unidos, já circula uma proposta de lei no Congresso que dá autorização ao Tesouro americano a criar um programa-piloto de “dólar digital” em um período de 4 anos.

As coisas parecem estar mudando mais rápido do que imaginamos. É comum, hoje em dia, se deparar com pessoas na praia com um drone acima de suas cabeças ou até mesmo óculos de realidade virtual (VR). A revolução que a internet trouxe para os moldes do século XXI era passível de se ver nos filmes dos anos 90.

Ainda não temos uma máquina do tempo, mas as coisas andam mudando tão rapidamente quanto as novas gerações, que já nascem com um aparelho smartphone nas mãos. De fato, não só as coisas estão mudando, nossos comportamentos estão mudando e, consequentemente, a economia está mudando.

As moedas digitais – ou criptomoedas – estão provando que cada vez mais a economia está se tornando digital. Hoje, não temos mais aquela gritaria que existia na bolsa de valores graças à internet, que possibilitou aos investidores que conseguissem negociar seus papéis do aconchego de sua casa, por meio do homebroker. Pode-se dizer que a tecnologia é responsável por tornar os processos mais acessíveis à população (sem entrar em méritos mais aprofundados sobre a temática de acessibilidade).

Voltando à questão das moedas digitais, marcas como a super rede de supermercados norte-americano, Walmart, e a franquia de fast-food mais famosa do mundo, McDonald’s, já estão aceitando bitcoin como forma de pagamento. Então quer dizer que aquela moeda que tanto falaram que era uma bolha, há 5 anos, hoje já é aceita como forma de pagamento? Exatamente, caro leitor!

Uma revolução tecnológica está diante dos investidores

Há 5 anos, criptomoedas eram vistas como um mercado obscuro, mas isso já mudou – Foto: Envato Elements

Há alguns anos, as cripts eram conhecidas apenas como um ativo digital sem regularização governamental, utilizado para transações no crime organizado ou nas camadas mais profundas da internet. O blockchain é uma tecnologia de registro de transações em rede que permite as negociações dos criptoativos. Na prática, elas não necessitam de uma autoridade central para a liquidação e compensação dos ativos, utilizando “enigmas computacionais” de criptografia para regular e limitar a criação do Bitcoin, por exemplo.

Vamos deixar as questões operacionais para os universitários de ciências da computação e TI, mas, de fato, ao ver todo esse sistema tecnológico, percebe-se que é uma tecnologia realmente muito inovadora, que pode mudar de vez o modo convencional que vemos a economia. Certamente, quem ainda não investe neste universo tecnológico, provavelmente ficará tão arrependido quanto quem não investiu nas ações da Tesla (TSLA), Amazon (AMZO), Apple (AAPL) ou Google (GOOGL) há 5 anos.

Nos Estados Unidos, já circula uma proposta de lei no Congresso que dá autorização ao Tesouro americano a criar um programa-piloto de “dólar digital” em um período de 4 anos. O objetivo da criação da moeda é o dólar  americano permanecer como a moeda predominante globalmente.

Se você tem mais de 30 anos, talvez não saiba, mas as criptomoedas já são muito utilizadas no universo gamer. O setor de E-Sports utiliza cada vez mais a tecnologia do blockchain com criptomoedas, NFTs, DeFi para o mercado de moedas e do metaverso como um todo. Não só no ramo de jogos, mas até mesmo as redes sociais já aderiram, como o Twitter que já permite utilizar token não fungível (NFTs) como foto de perfil. É só questão de tempo até que esse mercado faça parte do nosso dia a dia.

Se você ainda não investe no “universo” que tange às criptomoedas, pode estar perdendo a oportunidade de se beneficiar da chamada “nova revolução tecnológica” que podemos ver diante de nossos olhos…

*Marco Saravalle é analista CNPI-P e sócio-fundador da BM&C e da Sara Invest. Foi estrategista de Investimentos do Banco Safra, estrategista de Investimentos da XP Investimentos, Analista e co-gestor de fundos de investimentos na Fator Administração de Recursos e GrandPrix e analista de ações na Coinvalores e Socopa. Formado em Ciências Econômicas pela PUC-SP, Pós-graduado em Mercado de Capitais pela USP e Mestrando em Economia e Finanças pela FGV/EESP. Iniciou sua carreira no programa de Trainee do Citibank. Atualmente é Diretor Administrativo/Financeiro da Apimec Nacional, membro do comitê de educação da CVM e presidente do Conselho da ONG de educação financeira, Multiplicando Sonhos. 

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Diploma universitário já não é tão exigido na busca por emprego

Especialistas acreditam que retirada da exigência pode ser chave para diminuir a desigualdade

Steve Lohr THE NEW YORK TIMES/Folha  19/04/2022

Quando estudava no ensino médio, em Nova York, Shekinah Griffith viu uma reportagem na TV que mostrava uma visita do presidente Barack Obama a uma escola inovadora em Brooklyn. O programa da instituição incluía ensino de segundo grau, um diploma universitário técnico, um estágio, e a promessa de um bom emprego.

“Eu imediatamente achei que lá era o lugar em que eu deveria estar”, relembra Griffith. “Não há muitas oportunidades como essa para pessoas como eu”.

Shekinah Griffith é uma mulher negra; ela está sentada e sorri

A especialista em segurança na computação Shekinah Griffith – Casey Steffens/NYT

Ela se candidatou a uma vaga, foi aceita e se saiu muito bem nos cursos. Depois da escola, de um estágio e de 18 meses como aprendiz, ela foi contratada em período integral pela IBM, no final de 2020. Hoje, Griffith, 21, é especialista em segurança na computação e ganha mais de US$ 100 mil [R$ 467 mil] por ano.

Nos últimos anos, grandes empresas americanas de todos os setores prometeram mudar seus hábitos de contratação e abrir as portas para empregos de remuneração mais alta e com perspectivas melhores de carreira a pessoas desprovidas de diplomas universitários de quatro anos, como Griffith.

Mais de cem companhias assumiram compromissos desse tipo, entre as quais as afiliadas do programa Multiple Pathways, da Business Roundtable, e as do programa OneTen, cujo foco é promover a contratação para bons empregos e o avanço profissional de trabalhadores negros desprovidos de diplomas universitários.

Como as grandes empresas dos Estados Unidos vêm se saindo quanto a isso, até agora? Houve uma mudança gradual, em termos gerais, de acordo com um relatório recente e dados adicionais fornecidos pelo Burning Glass Institute. Mas a análise caso a caso da organização de pesquisa sublinha tanto o potencial quanto os desafios de promover mudanças em práticas de contratação firmemente estabelecidas.

O Burning Glass Institute é uma organização de pesquisa sem fins lucrativos, e usa dados da Emsi Burning Glass, uma empresa que pesquisa e realiza análises sobre o mercado de trabalho.

Os pesquisadores analisaram milhões de anúncios online de empregos, procurando por exigências de diplomas universitários de quatro anos e determinando tendências. Em 2017, 51% dos anúncios exigiam diplomas universitários desse tipo. Em 2021, essa proporção havia caído a 44%.

Especialistas em questões trabalhistas consideram que remover o filtro do diploma universitário pleno, para alguns empregos, é a chave para promover a diversificação e a redução da desigualdade.

Os trabalhadores, eles dizem, deveriam ser selecionados e promovidos por conta de sua capacitação e experiência, e não de seus diplomas ou currículo educacional. E empresas que alteram suas práticas de contratação, eles acrescentam, se beneficiam de pools de talento até ali ignorados, em um mercado de trabalho apertado, bem como da diversificação de suas forças de trabalho.

Quase dois terços dos trabalhadores americanos não têm diplomas universitários de quatro anos. A filtragem com base em diploma afeta as minorias de modo especialmente pesado, eliminando 76% dos adultos negros e 83% dos adultos latinos.

As empresas que reduziram suas exigências de diploma tipicamente começaram a fazê-lo antes da pandemia, de acordo com a análise da Burning Glass. Organizações sem fins lucrativos como a Opportunity@Work, fundada em 2015, e o programa Skillful, da Markle Foundation, iniciado em 2016, vêm pressionando empresas para que baseiem suas contratações na capacidade profissional dos candidatos.

Mas o aperto na mão de obra causado pela pandemia e os apelos para que as grandes empresas americanas reduzam a discriminação racial, depois do assassinato de George Floyd, dois anos atrás, levaram mais companhias a repensar suas contratações.

O envelhecimento da força de trabalho, a mudança na demografia, e programas de diversidade, equidade e inclusão estão forçando mudanças, dizem especialistas.

“Estão surgindo coisas que realmente não tínhamos visto antes”, disse Joseph Fuller, professor na escola de administração de empresas da Universidade Harvard e coautor do relatório do Burning Glass, publicado em fevereiro.

A pesquisa da Burning Glass sublinha uma tendência que é “real e sustentada”, disse John Taylor Jr., presidente-executivo da Sociedade de Gestão de Recursos Humanos dos Estados Unidos. “Os empregadores já não têm o luxo de desconsiderar talentos. Precisam ser mais inclusivos por necessidade”.

Embora mencionar “diploma universitário” em um anúncio de emprego não signifique contratação garantida para os diplomados, especialistas em questões trabalhistas dizem que esse é um importante sinal quanto ao comportamento de contratação das grandes empresas.

“Quanto a metas de diversidade, a maior alavanca que pode ser usada é eliminar o filtro do diploma universitário de quatro anos”, disse Elyse Rosenblum, diretora executiva da Grads of Life, que assessora empresas sobre práticas de contratação.

Há casos abertos a decisões pessoais, de acordo com a pesquisa do Burning Glass. Por exemplo, empresas podem mencionar a qualificação requerida para um emprego como “diploma de bacharelado ou experiência prática equivalente”. Mas esse tipo de formulação dá a entender que existe um viés em favor do diploma universitário, concluíram os pesquisadores.

Uma análise detalhada de empresas de um mesmo setor encontrou diferenças consideráveis nas exigências de diploma para empregos de entrada que tendem a ser degraus para promoções a postos mais bem remunerados, e para carreiras ascendentes.

Diversos desses postos são funções técnicas, como especialista em apoio de computação, desenvolvedor de software e engenheiro de controle de qualidade de software.

Programas de treinamento bem sucedidos para pessoas desprivilegiadas, como o Year Up e o Per Scholas, se concentram em empregos na tecnologia porque a demanda é forte e a capacitação pode ser demonstrada por meio de testes de codificação ou por certificados reconhecidos no setor.

Abandonar a exigência de diploma universitário para empregos requer esforço. As capacitações necessárias para um trabalho precisam ser explicadas com mais clareza, e os executivos de pessoal precisam ser treinados.

Hábitos institucionais, apontam os especialistas, costumam ter raízes profundas. As empresas por reflexo procuram não só pessoas formadas em universidades como pessoas egressas de um punhado de escolas favorecidas.

“No nível de empresa, continua a ser um combate corpo a corpo”, disse Matt Sigelman, presidente do Burning Glass Institute e um dos coautores do relatório.

Nos dados sobre empresas, alguns empregadores que promoveram contratações baseadas em capacitação e deram apoio generoso a programas que facilitam a mobilidade social dos trabalhadores continuam ainda assim a requerer diplomas universitários de quatro anos para bom número de suas contratações.

A Microsoft, por exemplo, oferece forte apoio financeiro ao programa Skillful e é membro da Rework America Business Network, um grupo de empresas que prometeram promover o avanço das contratações baseadas em capacitação. A Microsoft e sua subsidiária LinkedIn ofereceram cursos online gratuitos a milhões de pessoas, durante a pandemia.

Mas, de acordo com a análise do Burning Glass, a Microsoft exigia diplomas universitários em 54% dos anúncios de emprego para posições de apoio de computação, ante uma média nacional de 24%. Para os postos de controle de qualidade de software, a Microsoft exigia diplomas universitários em 70% dos anúncios, em 2021, de acordo com o Burning Glass

Lauren Gardner, vice-presidente de aquisição mundial de talentos da Microsoft, não quis comentar sobre a análise do Burning Glass, se limitando a dizer que muitos dos anúncios de sua empresa requerem diploma universitário ou experiência prática equivalente.

“Estamos mudando nosso foco para as capacitações que os candidatos têm, em lugar de como eles as adquiriram”, disse Gardner. “Temos um compromisso firme de adotar práticas de contratação mais abertas. Mas é uma jornada”.

O Google oferece cursos de capacitação gratuitos para organizações sem fins lucrativos e faculdades locais, e em fevereiro anunciou um fundo de US$ 100 milhões [R$ 467 milhões] para expandir programas de treinamento e de procura de empregos cujo foco são trabalhadores de baixa renda, que tipicamente não têm diplomas universitários de quatro anos.

O Google, de acordo com o Burning Glass, fez progressos reais na redução da exigência de diplomas universitários, de 89% de seus anúncios de emprego em 2017 a 72% em 2021 –ainda que a proporção continue alta.

Os anúncios de emprego do Google tipicamente mencionam um diploma universitário primeiro, como qualificação, às vezes seguido por outros requisitos, referentes por exemplo a finanças ou engenharia, mas quase sempre terminam com a frase “ou experiência prática equivalente”.

Em declaração, Brendan Castle, vice-presidente de recrutamento do Google, disse que “nosso foco está nas capacitações demonstradas, e isso pode vir em forma de diplomas ou de experiência profissional relevante”.

No setor de tecnologia, os especialistas em questões trabalhistas apontam para a Accenture e a IBM como empresas cujos esforços para recrutar pessoas desprovidas de diplomas universitários de quatro anos começaram como exercício de responsabilidade empresarial mas terminaram por se tornar canais de contratação importantes.

Essa experiência, eles dizem, influenciou a maneira pela qual as empresas descrevem os requisitos de um posto de trabalho. A análise do Burning Glass constatou que tanto a IBM quanto a Accenture exigem diplomas universitários em menos de metade de seus anúncios de emprego.

Danica Lohja se mudou da Sérvia para os Estados Unidos em 2011, com US$ 400 [R$ 1.869 ]no bolso e a esperança de um futuro melhor. Ela começou trabalhando como garçonete em um clube de campo, mas logo determinou que os bons empregos pareciam estar no setor tecnologia. Por isso, ela fez um curso universitário técnico em uma faculdade local de Chicago, sobre sistemas computacionais de informação.

Danica Lohja é uma mulher branca e loira; ela está sentada no braço de uma poltrona

A gerente associada em uma unidade da Accenture Danica Lohja – Evan Jenkins/The New York Times

Lohja foi informada sobre um programa de aprendizado de um ano de duração oferecido pela Accenture. A empresa a contratou em 2017, e desde lá Lohja foi promovida três vezes. Agora ela é gerente associada em uma unidade da Accenture que negocia contratos e administra os fornecedores de hardware e software da grande companhia de serviços de tecnologia.

Lohja não quis revelar o seu salário. De acordo com uma busca no site de empregos Indeed, os gerentes associados da Accenture ganham mais de US$ 110 mil [R$ 514 mil] por ano.

Lohja, 35, é casada com um engenheiro de software que trabalha em uma seguradora. Eles são donos de uma casa em Chicago, seus dois filhos estudam em uma escola particular e a família viajará de férias a Aruba, em abril.

“Acho que estamos vivendo o sonho americano”, ela disse.

Tradução de Paulo Migliacci

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12 filmes para aprender as habilidades em alta em 2022

Vai ficar em casa no feriado e fazer uma maratona de filmes? Confira alguns títulos recomendados que ensinam sobre as habilidades mais importantes em 2022

Por Luísa Granato – Exame 21/04/2022 

Vai aproveitar o feriado de Tiradentes para maratonar filmes na Netflix, HBO Max ou Disney+? Então não perca as recomendações de obras do cinema que trazem grandes lições para a sua carreira.

Yuri Trafane, CEO da Ynner, e Bruno Goulart, executivo do LinkedIn na Europa que ministra treinamentos pela Ynner, fizeram uma seleção de filmes que podem elevar seu conhecimento sobre habilidades que serão essenciais dentro das empresas.

A consultoria é a única empresa responsável pela avaliação da Gallup no Brasil. O teste avalia o perfil do profissional e seus talentos mais predominantes. Os consultores também ajudam os profissionais a guiar a carreira e ter mais sucesso ao potencializar seus pontos fortes. 

Pipoca e Netflix: boa parte dos filmes na lista estão disponíveis na plataforma de streaming (Getty Images/Maryna Terletska)

Pipoca e Netflix: boa parte dos filmes na lista estão disponíveis na plataforma de streaming (Getty Images/Maryna Terletska)

São 12 filmes para seis habilidades que devem estar no radar de todos os profissionais e cada liderança. Confira e prepare a pipoca:

Capacidade de lidar com a ambiguidade

  • Por que é importante agora: se existe uma marca para esse momento que estamos vivendo é a ambiguidade. Decisões devem ser tomadas sem todas as informações disponíveis em um mundo complexo, cheio de incertezas e onde as coisas tomam rumos inesperados de uma hora para outra.

Contra o Gelo, 2022

Dois homens fazem uma arriscada expedição à Groenlândia em busca de um mapa perdido. O filme está disponível na Netflix.

  • Competência no filme: se lançar numa empreitada como essa sem saber exatamente em busca do que estavam em um ambiente extremamente desafiador onde precisavam criar soluções para os desafios que apareciam é uma ilustração ímpar dessa competência tão importante nos dias de hoje. 

O Jogo da Imitação, 2014

Em 1939, a recém-criada agência de inteligência britânica MI6 recruta Alan Turing, um aluno da Universidade de Cambridge, para entender códigos nazistas, incluindo o “Enigma”, que criptógrafos acreditavam ser inquebrável. A equipe de Turing, incluindo Joan Clarke, analisa as mensagens de “Enigma”, enquanto ele constrói uma máquina para decifrá-las. Após desvendar as codificações, Turing se torna herói. Porém, em 1952, autoridades revelam sua homossexualidade, e a vida dele vira um pesadelo.O filme está disponível na HBO Max.

Resiliência

  • Por que é importante agora: depois de enfrentar um longo período de pandemia com todos os seus desafios, as pessoas estão cansadas, mas precisam continuar firmes em sua jornada de readaptação ao trabalho híbrido ou presencial em um ano com muitas incertezas internas (eleições) e externas (guerra) que demandam profissionais engajados e criativos para enfrentar a instabilidade dos mercados e o contato com colegas que não estão em seu melhor estado emocional.

Antonia, 2018

A vida de Antonia Brico que, na Nova Iorque de 1930, tornou-se a primeira mulher a conduzir, com sucesso, uma orquestra. Ela ousou seguir o sonho de se tornar uma maestrina, embora ninguém acreditasse ser possível. Filme disponível na Netflix.

  • Competência no filme: a capacidade da protagonista se manter firme em seus propósitos, apesar de todas as enormes dificuldades que teve que enfrentar é um exemplo de resiliência, vindo de uma mulher que desafiou as convenções machistas de sua época.

Dark Waters – O preço da verdade, 2019

Um advogado descobre um segredo sombrio que conecta um número crescente de mortes inexplicáveis a uma das maiores empresas do mundo. Enquanto tenta expor a verdade, ele se vê arriscando seu futuro, sua família e sua própria vida. Disponível na Amazon Prime Video.

Aprendizado Rápido

  • Por que é importante agora: num mundo ambíguo e que demanda tanta resiliência, sobrevivem aqueles que aprendem rapidamente a lidar com as novas situações que lhes são impostas.

Mimadinhos, 2021

Um bilionário finge estar falido para ensinar uma lição aos filhos. Assim, eles são obrigados a trabalhar e se esforçar para ganhar a vida. Está disponível na Netflix.

  • Competência no filme: nem só de filmes densos vive o aprendizado. Nessa despretensiosa comédia francesa, podemos ver como os protagonistas evoluem rapidamente quando se veem diante dos desafios que a nova realidade lhes impõe.

Duelo de Titãs, 2000

Em 1971, a diretora de uma escola de ensino médio em Alexandria, no estado da Virgínia, é forçada a integrar adolescentes negros a um colégio só de brancos. Então, ela contrata Herman Boone, um técnico negro, para comandar o time de futebol americano da instituição. O entusiasmo com o famoso e venerado esporte é colocado à prova pela tensão racial, enquanto Boone sofre preconceitos raciais por parte dos demais técnicos e até mesmo de jogadores do seu time. Disponível no Disney+.

Empatia

  • Por que é importante agora: apesar de todos precisarem dessa competência, os líderes precisam de uma dose extra para entender o momento que vive cada um dos seus liderados em suas voltas ao modelo presencial ou híbrido de trabalho.

Imperdoável, 2021

Após cumprir pena por um crime violento, Ruth volta ao convívio na sociedade, que se recusa a perdoar seu passado. Discriminada no lugar que já chamou de lar, sua única esperança é encontrar a irmã, que ela havia sido forçada a deixar para trás. Está disponível na Netflix.

  • Competência no Filme: tente se colocar no lugar da protagonista e experimente a sensação de carregar eternamente um fardo tão pesado.

Doze Anos de Escravidão, 2013

Em 1841, Solomon Northup é um negro livre, que vive em paz ao lado da esposa e filhos. Um dia, após aceitar um trabalho que o leva a outra cidade, ele é sequestrado e acorrentado. Vendido como se fosse um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas e emocionais para sobreviver. Ao longo de 12 anos, ele passa por dois senhores, Ford e Edwin Epps, que exploram seus serviços. Disponível no Star+.

Visão Sistêmica

  • Por que é importante agora: a fragmentação intraorganizacional sempre foi um desafio. Cada área mergulhada em seus próprios objetivos, guiada por indicadores departamentais. A separação física ocasionada pela pandemia amplificou isso ainda mais. A tendência humana de focar quando se sente ameaçado elevou o efeito a níveis sem precedentes. Esse efeito precisa ser revertido. É fundamental poder ver o todo, afinal: “Pessoas inteligentes, agindo inteligentemente de forma individual, podem gerar um resultado não inteligente.”

Não Olhe para Cima, 2022

Dois astrônomos medíocres descobrem que em poucos meses um meteorito destruirá o planeta Terra. A partir desse momento, eles devem alertar a humanidade por meio da imprensa sobre o perigo que se aproxima. Disponível na Netflix.

  • Competência no filme: nesse caso, o que o filme mostra é a incompetência coletiva de ver o óbvio, em função de crenças arraigadas, ideologias e a preocupação com o próprio mundinho particular.

A Grande Aposta, 2015

Em 2008, o guru de Wall Street Michael Burry percebe que uma série de empréstimos feitos para o mercado imobiliário está em risco de inadimplência. Ele decide então apostar contra o mercado investindo mais de um bilhão de dólares dos seus investidores. Suas ações atraem a atenção do corretor Jared Vennet que percebe a oportunidade e passa a oferecê-la a seus clientes. Juntos, esses homens fazem uma fortuna tirando proveito do colapso econômico americano. Disponível na Netflix.

Comunicação

  • Por que é importante agora: essa será uma habilidade essencial para a nova forma de trabalhar. Conseguir melhorar a comunicação de equipes ajuda a evitar ruídos, aumenta a conexão entre as pessoas e ajuda na produtividade de times. Afinal, passar mensagens com clareza facilita o trabalho do dia a dia.

Stan & Ollie, 2018

Esta é a história de uma das melhores duplas de comediantes: Laurel e Hardy ou como conhecemos no Brasil: O Gordo e o Magro. Eles fazem uma longa jornada em sua turnê pela Grã-Bretanha em 1953, buscando se reconectar com os fãs e resgatar a amizade entre eles. Disponível na Netflix.

  • Competência no filme: o enredo mostra o lado humano dos dois personagens, sua amizade, suas fraquezas e até suas divergências e como conseguiram superá-las através da comunicação para se afinarem para um próximo projeto cinematográfico.

O Discurso do Rei, 2010

O Príncipe Albert da Inglaterra deve ascender ao trono como Rei George VI, mas ele tem um problema de fala. Sabendo que o país precisa que seu marido seja capaz de se comunicar perfeitamente, Elizabeth contrata Lionel Logue, um ator australiano e fonoaudiólogo, para ajudar o Príncipe a superar a gagueira. Uma extraordinária amizade desenvolve-se entre os dois homens, e Logue usa meios não convencionais para ensinar o monarca a falar com segurança. Disponível na HBO Max.

https://exame.com/carreira/filmes-aprender-habilidades-alta-2022/

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Brasil, o paraíso das commodities

Artigo assinado por Paulo Gala* Por Banco Master – Valor 18/04/2022 

Nos dois primeiros meses deste 2022, o valor total de nossas exportações foi 36% maior do que no mesmo bimestre de 2021. O volume de bens exportados cresceu 17%, e os preços do que exportamos subiram 16% na mesma comparação. Os preços de importação também subiram muito, 34%, mas os volumes importados tiveram queda de quase 3% na comparação entre esses mesmos bimestres. Em março a balança comercial teve superávit de US$ 7,4 bilhões e, até a segunda semana de abril, registramos superávit de US$ 15,36 bilhões no acumulado do ano.

A corrente de comércio, soma de exportações e importações, subiu 20,5% em relação a 2021, para US$ 147,1 bilhões, com as exportações chegando a US$ 81,23 bilhões, e as importações a US$ 65,87 bilhões. Os dados que já temos para 2022 apontam para um superávit em nossa balança comercial de mais de US$ 80 bilhões, um feito histórico. Na mente dos investidores estrangeiros, o Brasil se consolida como o paraíso das commodities, o que ajuda a trazer dinheiro ao país. Por tudo isso, o real readquiriu seu status de “commodity-currency”: moedas que se apreciam muito em booms de commodities.

O Brasil já está no time de países com maiores reservas de petróleo do mundo graças à descoberta do pré-sal. Em 2022 estaremos entre as dez maiores produções de petróleo do planeta, com quase 4% da oferta mundial. O custo de exploração se revelou muito menor do que se imaginara, e a qualidade do petróleo do pré-sal é ótima.

Nosso setor de mineração segue também robusto. Os grandes projetos da Vale se concretizaram, com destaque para o S11D em Carajás, com uma das maiores capacidades produtivas do mundo. Nosso volume de exportação é enorme, além do boom de preços do minério de ferro, níquel, litium, cobre etc. Para se ter ideia da força de Vale e Petrobras hoje, basta observar que em 2021 essas duas companhias distribuíram mais dividendos do que todas as empresas da Bolsa brasileira somadas.

No setor agro a situação também é exuberante. O preço da arroba do boi acima de R$ 300, tendo chegado a R$ 350, promoveu grande ganho exportador do mercado da carne.

Só para a China exportaremos quase US$ 2 bilhões em carnes no primeiro trimestre desse ano, um recorde absoluto. Segundo índice da UN/FAO, só em março os preços de alimentos subiram mais de 12%. Recorde histórico da série para um único mês.

O setor agro brasileiro teve um superávit de U$S 105 bilhões em 2021, compensando nosso déficit de bens tecnológicos e industriais. Em 2021 o saldo negativo do setor industrial chegou a US$ 53 bilhões, o pior resultado desde 2015, mesmo num ano em que o superávit total da balança fechou em nível recorde. O boom de preços de commodities decorrente da pandemia e do conflito com a Ucrânia acabou favorecendo o Brasil pela via da alta de preços de bens agrícolas e energéticos, apesar do risco de falta de fertilizantes.

A alta de preços de commodities sempre nos favoreceu no passado, inclusive quando viramos grau de investimento em 2008. Nesse cenário, não teremos falta de dólares, e investidores estrangeiros seguirão comprando no Brasil. Nosso grande desafio continua sendo, entretanto, gerar empregos de qualidade para 90 milhões de pessoas. Sem a recuperação de nossa indústria, não conseguiremos tamanha façanha. O atual boom de commodities resolve nosso problema de divisas e ajuda no controle da inflação pela via da apreciação da moeda brasileira; fica faltando ainda a essencial retomada de nosso desenvolvimento industrial e tecnológico.

IDEIAS-CHAVE

  • Os dados que já temos para 2022 apontam para um superávit em nossa balança comercial de mais de 80 bilhões de dólares, um feito histórico.
  •  Em 2022 estaremos entre as dez maiores produções de petróleo do planeta, com quase 4% do mercado mundial.
  • O boom de preços de commodities decorrente da pandemia e o conflito com a Ucrânia acabou favorecendo o Brasil pela via da alta de preços de bens agrícolas e energéticos, apesar do risco de falta de fertilizantes.
  • A alta de preços de commodities sempre nos favoreceu no passado, inclusive quando viramos grau de investimento em 2008.
  • Nesse cenário não teremos falta de dólares e investidores estrangeiros seguirão comprando Brasil.

*Economista-chefe do Banco Master de Investimento. Graduado em Economia pela FEA-USP, Gala é mestre e doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, instituição em que leciona desde 2002 e na qual foi coordenador do Mestrado Profissional em Economia e Finanças, entre 2008 e 2010. Foi pesquisador visitante nas universidades de Cambridge (RU) e Columbia (NY) e atuou como economista-chefe, gestor de fundos e CEO em instituições do mercado financeiro em São Paulo.

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Empresas fazem até shows para estimular retorno ao escritório

Gigantes da tecnologia oferecem regalias para agradar aos funcionários, mas eles não querem voltar à rotina presencial

The New York Times, O Estado de S.Paulo 16 de abril de 2022 | 

Quando os funcionários do Google voltaram aos escritórios vazios da empresa neste mês, escutaram que deviam relaxar. O tempo no local de trabalho precisa ser “não apenas produtivo, mas divertido”. Explore um pouco o espaço. Não agende um compromisso atrás do outro.

Além disso, não se esqueça de comparecer ao show privado da Lizzo, uma das maiores estrelas americanas do pop. Se isso não bastasse, a empresa está planejando “eventos temporários” que vão contar com “a dupla favorita de todo os googlers: comida e brindes”.

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O modelo híbrido de trabalho pós-pandemia

O modelo híbrido de trabalho pós-pandemia

Mas os funcionários do Google em Boulder, no Colorado, foram lembrados do que estavam abrindo mão quando a empresa os presenteou com mousepads com a imagem de um gato com olhar triste. Abaixo do animal havia um pedido: “Você não vai RTO, vai?”

RTO é a sigla em inglês para “return to office” (voltar para o escritório) e surgiu durante a pandemia. É um reconhecimento de como a covid-19 obrigou as empresas a deixarem as mesas e os prédios de escritórios vazios. A pandemia provou que estar no escritório não significa necessariamente ter maior produtividade, e algumas continuaram a prosperar sem os encontros presenciais.

GoogleNo escritório do Google, funcionários escutaram que deviam relaxar e que o local de trabalho precisa ser “não apenas produtivo, mas divertido” Foto: Mike Blake/Reuters

Agora, depois de dois anos de reuniões virtuais e trocas de mensagens por aplicativo, muitas empresas estão ansiosas para ter os funcionários de volta em suas mesas. Os funcionários, no entanto, não estão tão animados em voltar a fazer deslocamentos matinais, usar banheiros compartilhados e vestir roupas de trabalho que não são tão confortáveis.

Por isso, as empresas de tecnologia com dinheiro para gastar estão recorrendo ao “bonde da diversão”, mesmo deixando claro que retornar ao escritório – pelo menos alguns dias por semana – é obrigatório.

“Essas regalias são um reconhecimento das empresas do quanto estão cientes de que os funcionários não querem voltar, com certeza não com a mesma frequência de antes”, disse Adam Galinsky, professor da escola de negócios da Universidade Columbia. Segundo ele, pelo menos por enquanto, as empresas optam pela recompensa em vez da punição: recompensando os trabalhadores por voltarem ao escritório no lugar de puni-los por ficarem em casa.

DESVANTAGENS

Antes da pandemia, as maiores empresas de tecnologia investiram bilhões de dólares para construir escritórios que são maravilhas da arquitetura. Esses locais, repletos de conveniências e regalias, são uma prova da crença de que a colaboração presencial estimula a criatividade, inspira inovação e transmite um senso comum de propósito.

Mas para muitos que desfrutaram da liberdade de trabalhar remotamente, o retorno ao escritório – por mais extravagante que seja – lembra a sensação de fim de férias e volta às aulas. Poucos estão interessados em trabalhar presencialmente cinco dias por semana de novo.

Nick Bloom, professor de economia da Universidade Stanford que entrevista 5 mil trabalhadores todos os meses, disse que a maioria queria voltar ao escritório duas ou três vezes por semana. Um terço não quer voltar nunca mais.

Só em acabar com o deslocamento para o escritório, disse Bloom, o trabalhador economiza em média uma hora por dia. “Você consegue entender por que os funcionários não vão voltar ao local de trabalho por causa da comida grátis ou da mesa de pingue-pongue”, diz. A principal razão para ir ao escritório, de acordo com as pesquisas, é que os funcionários querem ver os colegas pessoalmente.

Segundo Bloom, o desafio para as empresas é como equilibrar a flexibilidade com uma estratégia mais rígida para obrigá-los a comparecer em dias específicos ao escritório. Ele disse que as empresas devem se concentrar no desenvolvimento da estratégia para o trabalho híbrido, em vez de desperdiçar tempo e esforço com mimos. “Os funcionários não vão voltar ao escritório apenas por causa dos pequenos grandes luxos”, disse./TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

https://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,empresas-fazem-ate-shows-para-estimular-retorno-ao-escritorio,70004039940

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Como empresas estão inseridas na economia da atenção

É importante usar a tecnologia e o tempo que estamos conectados de formas inteligentes

 Por Camila Farani – O Estado de S.Paulo – 06/04/2022 

Você já parou para pensar no quanto a sua atenção é valiosa hoje em dia? Se você estiver em uma reunião, deixará de dedicar esse tempo para a leitura; se estiver em uma conferência, não verá a sua série favorita.

Enquanto prestamos atenção em algo, deixamos outras coisas de lado. Por isso, falamos tanto na economia da atenção, termo cunhado por Herbert A. Simon, vencedor do Nobel. A atenção é escassa, mas a informação não.

Isso explica a competição gigante que existe entre as empresas para que estejamos atentos às mensagens que elas pretendem transmitir. Netflix, Amazon, Facebook, Google, Twitter e outros, usam a estratégia de estabelecer relacionamentos diretos com os clientes por meio de recomendações, compras, alertas e pesquisas. Essa é uma forma de nos manter ali, atentos.

Tudo está ligado entre tecnologia, economia e empresas

Tudo está ligado entre tecnologia, economia e empresas

Nas redes sociais, tudo que fazemos é monitorado e direcionado para que passemos cada vez mais tempo rolando o feed, interagindo com as publicações e, claro, deixando rastros que permitam produtos e serviços personalizados.

É uma corrida para capturar nossa atenção e ganhar dinheiro com isso. Em 2013, a Netflix produzia 73 horas de conteúdo original por ano; em 2019, foram 2.769 horas. O consumo de streaming e conteúdo de jogos aumentou 22% em 2020 em comparação com 2019, aponta a Accenture. Em setembro de 2020, os usuários do TikTok passaram 45 minutos na plataforma por dia.

Na economia da atenção, muitas plataformas são gratuitas, mas vendem a atenção do usuário para marcas, governos e organizações não governamentais, como comenta Sinan Aral, diretor da MIT Initiative on the Digital Economy.

E o que isso tem a ver com o seu negócio? Centenas de empresas estão cortejando a atenção de seu público-alvo de forma cada vez mais competitiva. Você precisa saber ocupar esse espaço de forma alinhada com o que o novo consumidor espera. Vale um alerta: as pessoas estão começando a ficar esgotadas, e muitas não estão mais prestando atenção a muita coisa que está sendo oferecida.

É preciso ser cada vez mais criterioso, conhecer as reais necessidades do seu cliente e construir uma abordagem personalizada e não invasiva.

A pandemia foi propulsora da transformação digital, que desencadeou novas habilidades e novos formatos de usabilidade digital. A união de tempo conectado mais produtividade deve ser um diferencial harmonizado para todos. Por isso, é importante pensar em como utilizar a tecnologia, e o tempo que estamos conectados, de forma inteligente.

https://link.estadao.com.br/noticias/geral,como-empresas-estao-inseridas-na-economia-da-atencao,70004030260

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Empresas abrem escritórios em Portugal para atrair profissionais brasileiros de tecnologia

Flexibilização na obtenção de visto, menor custo de vida e ecossistema digital tornam o país convidativo

Por Barbara Bigarelli — Valor 14/04/2022 

Acessar um pool global de talentos, principalmente no setor de tecnologia, e entregar uma experiência internacional a funcionários brasileiros são aspectos que têm levado empresas do Brasil a estabelecer escritórios em Portugal. O movimento foi fortalecido após o impacto da pandemia por algumas razões. A primeira é a flexibilização no processo dos vistos, o que vem atraindo um maior número de trabalhadores remotos e nômades digitais, e a existência de um visto específico para profissionais de empresas de tecnologia, segundo Diana Quintas, CEO da empresa de imigração Fragomen.

A segunda razão envolve o que Portugal já entregava a seus moradores (custo de vida europeu mais baixo, segurança, acesso fácil a toda Europa) e o que virou símbolo nos últimos anos: uma comunidade digital, ativa e cosmopolita, principalmente pelo fortalecimento do evento de tecnologia e marketing WebSummit, avalia o brasileiro Matheus de Souza. Nômade digital há cinco anos, trabalhando remoto com marketing e conteúdo de 30 países diferentes para empresas do Brasil, Souza escolheu Lisboa para viver e trabalhar a partir de setembro.

A terceira razão que vem levando empresas brasileiras a Portugal está relacionada à competição global de talentos em tecnologia. “Recebemos consultas de empresas que estão estruturando a criação de hubs em Portugal para atrair e reter profissionais que querem morar na Europa”, diz Quintas.

A startup de logística brasileira Loggi chegou oficialmente em Lisboa em 2020, e vem ampliando o número de profissionais contratados no país. Atualmente, há 80, de 16 nacionalidades, sendo 45% brasileiros, e a empresa planeja dobrar esse número este ano. “Depois, a meta é chegar a 200 profissionais prestando serviços e entregando tecnologia para oBrasil”, diz Eduardo Thuler, vice-presidente de produtos na Loggi.

A plataforma de moradia QuintoAndar seguiu esse caminho e está inaugurando um escritório em Lisboa. “A pandemia intensificou essa competição por talentos de tech, com empresas contratando no mundo todo, inclusive brasileiros. Por outro lado, abriu a oportunidade para a gente contratar pessoas do mundo todo, e ter uma presença na Europa é ter uma base importante para isso”, diz Gabriel Braga, CEO do QuintoAndar.

O iFood também planeja a abertura de um escritório em Portugal de olho em atração e retenção de talentos, dentro de seu plano de internacionalização, segundo duas fontes ouvidas pelo Valor. 

Em 2020, os brasileiros representavam 27,8% da comunidade estrangeira residente em Portugal, segundo o relatório mais recente do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Nos últimos cinco anos, a Fragomen registrou um aumento de 200% na demanda de brasileiros em busca de vistos para o país. O ano de maior demanda foi 2019. Em 2020, com as restrições da pandemia, isolamento social e fechamento de fronteiras, o número caiu. Voltou a aumentar no ano passado, quase alcançando o patamar de 2019. “Para este ano, de acordo com os números do primeiro trimestre, a expectativa é superar a demanda do ano passado”, diz a consultoria que tem escritório em Portugal.

Os brasileiros chegam no país de formas diversas, se candidatando em maior número para vagas do programa TechVisa, segundo a consultoria. O programa certificou mais de 350 empresas de tecnologia para contratarem, de uma forma menos burocrática e mais rápida, profissionais qualificados no país. Accenture, Nestlé, Cisco, Deloitte e OLX obtiveram a certificação no fim de 2021 ou 2022.

Outro caminho é por meio do visto D2, focado em autônomos ou empreendedores, e do D7, que passou recentemente por uma flexibilização. “É um visto que exige a comprovação de renda passiva e antigamente era muito buscado por aposentado e investidor. Mais recentemente começaram a aceitar profissionais remotos e nômades digitais que comprovem uma renda de trabalho fora.”

É por meio do D7 que Matheus de Souza vai se candidatar para fixar sua base em Lisboa este ano. “Vou continuar trabalhando para empresas brasileiras de modo remoto, ganhando em real, mas como agora quero ter um lugar para chamar de casa, este visto não exige uma comprovação de renda tão alta quanto o de nômades digitais de outros países”. Os interessados no D7 precisam comprovar € 705 mensais por um período de um ano e, uma vez obtido o visto, é possível entrar com o trâmite de residência com validade inicial de dois anos. O tempo estimado de aprovação do D7 é de dois meses.

Morando em Portugal desde 2019 com a família para implementar o escritório da Loggi, o executivo Eduardo Thuler convive hoje com uma comunidade “forte e conectada” de profissionais de tecnologia, brasileiros e de vários países. Ele assumiu a atual posição como VP de produtos após trabalhar como CEO da Catho e viver um período sabático de 10 meses, quando morou em 10 países. Escolheu se fixar em Lisboa em uma decisão familiar, pelo “estilo de vida” que a cidade proporciona. Diz que durante a pandemia, os 80 profissionais do hub trabalharam remotamente de várias partes do país.

A flexibilidade do local de trabalho será mantida mesmo com a reabertura do escritório, que aconteceu há duas semanas. Mas a estratégia de atração de talentos, diz Thuler, envolve mais fatores. Um deles é a possibilidade de desenvolvimento de carreira, algo que empresas que contrataram profissionais de tecnologia por hora geralmente não oferecem, afirma. Outro fator é a configuração de atuação. “Colocamos o escritório de Portugal como ‘dono’ de alguns assuntos da empresa, como a questão da precificação e desenho de carga da entrega dos caminhões. Caso só passássemos tarefas pequenas para os profissionais, com eles reportando para a liderança no Brasil, não conseguiríamos atrair.”

A atração também começou com profissionais mais seniores e de quatro funções: gerente de produto, engenheiro de software, design e engenheiro de dados. “Eles trabalham em squads, respondem a um líder de área local, mas também criamos a conexão com os times comerciais e de vendas do Brasil”. Este ano, a empresa abriu o nível inicial de carreira para gerente de produto, formando esses profissionais.

O QuintoAndar também quer atrair mais cientistas de dados, engenheiros, gerentes de produto e profissionais de design ao estabelecer seu hub na Europa. “Nossa presença em Portugal vai facilitar a atração de talentos dessas áreas que hoje moram, por exemplo, na Alemanha, França e Eslovênia”, diz Larissa Armani, gerente de RH do QuintoAndar em Portugal. A empresa espera se beneficiar e ser parte do ecossistema de tecnologia do país, “importando conhecimento”, para aprimorar sua plataforma e produtos de aluguel, compra e venda de imóveis. “Também queremos oferecer a experiência internacional aos funcionários do Brasil”, diz Armani.

A recente reestruturação da operação brasileira do QuintoAndar, que levou à demissão de 4% das equipes, não impacta a execução dos planos em Portugal, afirmou a empresa em nota. A companhia havia anunciado a meta de contratar 50 funcionários no escritório português, mas ontem disse que não sabe definir como será daqui para frente o ritmo dessas contratações.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/04/14/companhias-criam-base-em-portugal-para-atrair-talentos-de-ti.ghtml

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SAC robô: Atendimento automatizado irrita clientela com ‘burrice artificial’

Consumidores reclamam de dificuldade em falar com humanos e da ineficiência da inteligência artificial, ao entrar em contato com as empresas para resolver problemas por canais digitais

Letycia Cardoso – O Globo – 18/04/2022 

RIO —Usada quase sempre como sinônimo de agilidade e eficiência, a inteligência artificial aplicada no atendimento ao consumidor tem deixado uma legião de insatisfeitos. São frequentes relatos de imprecisão e baixa resolução no atendimento por robôs.

Não à toa, o estudo “Customer Experience no Brasil”, realizado entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022 pela MindMiners, aponta que apenas 12% das pessoas preferem uma interação com as empresas totalmente automatizada.

A maioria (51%) quer mesmo contato pessoal. Os outros 37% dizem que uma interação mista é satisfatória.

O temor de atendimentos robotizados aumenta com o novo decreto do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), publicado no início deste mês, justamente para estimular o uso de diferentes canais, especialmente a internet. O contato telefônico, antes exclusivo, permanece obrigatório, mas passa a ser apenas uma das alternativas de comunicação.

Alguns consumidores temem que, em vez de simplificar, a nova regra possa prejudicar a solução de contratempos. A publicitária Luisa Moura, de 28 anos, que mora em Belém do Pará, por exemplo, diz que todas as vezes que é atendida por inteligência artificial acaba se aborrecendo.

Para ela, o maior problema é a dificuldade em ser direcionada para o atendimento humano quando o bot, como é conhecido esse software de atendimento, não entende o que ela deseja.

Recentemente, depois de solicitar um cartão com tecnologia NFC do banco digital Next e efetuar o desbloqueio pelo aplicativo, não conseguiu fazer uma compra por aproximação. Luisa tentou ajuda pelo chat, apertou vários comandos, mas, sem solução, acabou desistindo.

Também enfrentou problema com a Claro ao requisitar o código de barras de sua fatura pelo WhatsApp da operadora:

— O robô não entendia o meu pedido e retornava ao menu inicial, ou me direcionava para outras opções que eu não tinha selecionado. Era para ser prático, mas demorei 20 minutos em tentativas. Por fim, acessei o site pelo computador.

Estratégia. Para conseguir falar com um atendente, Léia Salazar pede cancelamento do serviço Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo

Estratégia. Para conseguir falar com um atendente, Léia Salazar pede cancelamento do serviço Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo

A psicóloga Léia Salazar, de 31 anos, moradora de Brasília, também enfrentou dificuldade ao ser atendida por robô. Para resolver uma cobrança indevida, ligou para a Oi e tentou falar com um atendente. No entanto, todas as opções selecionadas encerravam a chamada. Foi então que desenvolveu uma estratégia para ser atendida:

— Fiquei mais de duas horas nisso tentando ser atendida. Aí lembrei que as empresas não querem perder clientes, então apertei a opção cancelamento e consegui falar com uma pessoa. Agora, sempre que tenho problema com operadoras ou bancos, aperto a opção cancelar e depois peço para o atendente me transferir para o setor correto.

Segundo o advogado da área de relacionamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), David Guedes, deve-se denunciar atendimentos robotizados que não resolvem os problemas.

Além de reclamar na agência reguladora do serviço específico — Anatel, no caso de telefonia; Anac, em aviação civil; Aneel, para energia elétrica; ANS, se o problema for com planos de saúde; e Banco Central, no caso de serviços financeiros —, quem se sentir lesado também pode registrar queixa na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), pelo site consumidor.gov.br, ou no Procon da sua região.

O que dizem as empresas

Em resposta ao GLOBO, a Claro disse que “investe constantemente na infraestrutura do atendimento personalizado, por meio dos canais digitais, para oferecer a melhor experiência aos seus clientes”. O banco Next não respondeu.

A Oi informou que, desde 2020, registrou um aumento exponencial no uso dos seus canais digitais, que concentram hoje 90% dos contatos. Por isso, ampliou o acesso a serviços digitalizados, que diz garantir mais agilidade e conexão 24 horas, para atendimento virtual ou de atendentes.

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Empresários transformam paixão pelo vinho em negócios milionários

Nomes importantes do PIB, como André Esteves, Benjamin Steinbruch e Rubens Menin, já têm rótulos para chamar de seus e estão em busca de aliar qualidade com rentabilidade  

André Jankavski e Fernanda Guimarães – Estadão -10 de abril de 2022 

Nomes reconhecidos entre o empresariado brasileiro, de diferentes setores da economia, estão descobrindo um gosto em comum e desbravando um mercado bastante diferente de seus negócios de origem.

Aos poucos, a produção de vinhos tem atraído um rol de nomes pesos-pesados do PIB brasileiro, que estão levando a sério o novo empreendimento e profissionalizando a produção. O principal alvo tem sido Portugal, que já recebeu investimentos de Rubens Menin, dono da MRV, e de André Esteves, do BTG Pactual.

Menin passou a investir na famosa região do Douro, conhecida pela qualidade da produção dos vinhos, em 2018. Antes disso, Esteves, do BTG, decidiu apostar nas vinhas portuguesas desde o fim de 2012.

Vinícola da Menin Wine Company, em Portugal, produziu 240 mil garrafas de vinho em 2021Vinícola da Menin Wine Company, em Portugal, produziu 240 mil garrafas de vinho em 2021DIVULGAÇÃO/MWC

“Este interesse de aquisição de vinícolas por parte de empresários brasileiros está muito relacionado com o prestígio que os vinhos portugueses têm no Brasil. Acreditamos que a imagem dos vinhos de Portugal no Brasil começa a ser prestigiada e atrai investidores brasileiros”, afirma o presidente da Vini Portugal, Frederico Falcão.

Hoje, Portugal é o 9º exportador mundial de vinhos e o 11º maior produtor mundial, mas há também quem esteja buscando oportunidades aqui na América do Sul. A família do empresário Benjamin Steinbruch, presidente da siderúrgica CSN, criou um vinhedo em seu haras na região de Solís de Mataojo, no Uruguai. Já o ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, decidiu sair da direção do Asa Bank para tirar um ano sabático e cuidar da sua vinícola na região de Mendoza, na Argentina.

A The Vines of Mendoza atraiu diversos empresários dispostos a ter um vinho próprio, como o economista Carlos KawallA The Vines of Mendoza atraiu diversos empresários dispostos a ter um vinho próprio, como o economista Carlos KawallDIVULGAÇÃO/THE VINES OF MENDOZA

Os investimentos pesados feitos pelos brasileiros refletem uma paixão crescente pela bebida no Brasil, reforçada durante a pandemia Depois de um salto em 2020, o consumo de vinhos finos no Brasil ano passado foi de 27 milhões de litros, aumento de 11,4% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da União Brasileira da Vitinivicultura (Uvibra). Segundo especialistas e os próprios empresários investidores, ainda há um espaço enorme para crescer.


MENIN WINE COMPANY

Rubens Menin

PRESIDENTE DO CONSELHO DA MRV

A CONSTRUÇÃO DE UMA EXPERIÊNCIA

Há tempos, o empresário Rubens Menin decidiu enveredar por outros caminhos além da construção, setor em que criou a MRV, a maior construtora da América Latina. Dono desde banco até emissora de televisão, no entanto, Menin tem dois negócios que acabam também sendo um hobby: o investimento em seu time de coração, o Atlético Mineiro, e a Menin Wine Company (MWC).

E isso não quer dizer que os investimentos foram pequenos. Além de o Atlético ser um dos times mais endinheirados do País atualmente, o empresário, que começou no negócio de vinhos em 2018, já investiu mais de € 30 milhões (cerca de R$ 180 milhões) em 140 hectares de terra na região do Douro, no norte de Portugal. Com vinhos que chegam a custar R$ 2 mil, a produção atual da MWC bateu 240 mil garrafas em 2021.

Rubens Menin, fundador de empresas como MRV e o Banco Inter, entrou para o mercado de vinhos em 2018Rubens Menin, fundador de empresas como MRV e o Banco Inter, entrou para o mercado de vinhos em 2018DIVULGAÇÃO/MWC

Porém, o empresário não está muito animado com o mercado brasileiro: ele quer, de fato, conquistar os europeus. Um dos caminhos para isso é o de criar rótulos desejados e premiados. Um deles, o Douro’s New Legacy Reserva 2018, entrou no ranking dos 30 melhores vinhos tintos em Portugal.

Nos próximos anos, Menin fará mais um aporte de € 30 milhões para construir um resort na região do Douro. Mas não será só isso: para que o local vire um cobiçado ponto turístico, o empresário ainda vai investir em melhorias na região, como transporte fluvial, bondinhos e até um porto. Além disso, também serão compradas novas áreas para vinícolas.

“Temos, talvez, a melhor tecnologia de toda a região do Douro. E vamos continuar investindo”.

Rubens Menin, presidente do conselho da MRV

O presidente do conselho e fundador da MRV diz que está otimista com os lucros futuros na região. Não por acaso, quer ampliar a sua produção para 360 mil litros até 2025. “Portugal, hoje, é um país muito barato e com muito potencial. Se você for para outras regiões, como França e Itália, não há tantas oportunidades.”


HERDADE DOS COELHEIROS

Alberto Weisser

EX-PRESIDENTE DA BUNGE

DEPOIS DA APOSENTADORIA, INVESTIMENTO EM ANTIGA PAIXÃO

Ex-presidente da gigante do setor de alimentos Bunge, Alberto Weisser afirma que sua paixão por vinhos é bastante antiga. No entanto, sua entrada no negócio ocorreu somente em 2015, quando se aposentou, aos 58 anos. Nessa época, bateu o martelo e comprou a Herdade dos Coelheiros, em Alentejo, região próxima à capital portuguesa.

Sobre sua vinícola, o empresário diz que ainda não está no azul, mas que logo chegará lá.

A aposentadoria da vida executiva fez o Alberto Weisser investir em uma paixão antigaA aposentadoria da vida executiva fez o Alberto Weisser investir em uma paixão antigaARQUIVO PESSOAL

Hoje, Weisser ainda tem presença no mundo executivo, como membro de três conselhos de administração (Bayer, Linde e PepsiCo) e consultor no fundo de private equity Temasek. No entanto, ao contrário de quando comandava uma das maiores fabricantes de alimentos do mundo, Weisser agora consegue equilibrar a agenda entre as duas funções a partir de Portugal.

“Acho que quem investe em vinho é por paixão. Dois terços (da produção) não dão lucro”.

Alberto Weisser, ex-presidente da Bunge

Além da vida nos conselhos, Weisser agora utiliza os conhecimentos adquiridos ao longo da vida executiva em seu novo negócio. Em sua vinícola, após muitos investimentos, tornou a produção orgânica, deixou a produção de vinhos mais baratos de lado e se focou nas garrafas mais premium.

Nesse processo de reformulação, as 400 mil garrafas produzidas anualmente caíram para 100 mil. No Brasil, as garrafas da Herdade dos Coelheiros podem ser encontradas em restaurantes famosos, em lojas especializadas e na adega do Pão de Açúcar. Na Mistral, as garrafas vão de R$ 250 a R$ 1,1 mil. Além do vinho, ele produz nozes, cortiça e ovelhas. E tudo orgânico.


VINÍCOLA VIVALTI

Vicente Donini

EX-PRESIDENTE E ACIONISTA DA MARISOL

A APOSENTADORIA FICOU PARA DEPOIS

Após passar décadas tocando os negócios da Marisol, uma das maiores indústrias de roupas infantis do Brasil e dona de marcas como a Lilica Ripilica, Tigor T. Tigre e a própria Marisol, o empresário Vicente Donini não queria ficar apenas nos quatro conselhos de administração em que atua. Ao mesmo tempo, sabia que não poderia ficar se metendo nos negócios após o processo de sucessão. Decidiu, então, partir para o mundo dos vinhos.

“Do alto dos meus 79 anos, continuo trabalhando todo o dia e o dia todo, só faço o que gosto e gosto de tudo o que faço. Por isso, decidi por desenvolver um novo e audacioso projeto, o da vitivinicultura, o qual requer muita dedicação e disciplina”, afirma Donini.

Após realizar o processo de sucessão da presidência da Mirassol, Donini decidiu deixar a aposentadoria de lado e comprou a VivaltiApós realizar o processo de sucessão da presidência da Mirassol, Donini decidiu deixar a aposentadoria de lado e comprou a VivaltiJAIR SENNA/ESTADÃO

A entrada no mercado ocorreu em 2015 e o empresário escolheu a serra catarinense, mais precisamente a cidade de São Joaquim, e comprou a Vinícola Vivalti, para a qual planejou investimentos na ordem de R$ 10 milhões. O munícipio, graças à sua altitude (entre 1,2 mil e 1,4 mil acima do nível do mar), clima seco e com grande amplitude térmica, além do solo pedregoso balsático, tem atraído diversos empresários interessados no mundo dos vinhos.

Atualmente, a Vivalti conta com uma área de 16 hectares de vinhedos, sendo 12 com uvas plantadas. A vinícola produziu 32,5 mil garrafas de vinho em 2021 e espera chegar a 36 mil neste ano. Porém, o empresário admite que ainda se trata de um negócio em que o retorno do investimento é incerto. Mesmo assim, afirma que a sua meta é transformar a companhia sustentável nos aspectos econômico, social e ambiental. Prevê chegar às 100 mil garrafas na safra de 2029.

“O vinho é uma bebida viva, evolui até quando está presa na garrafa e quando aberta, ele se liberta. Portanto, tudo que tem vida me move e me comove”.

Vicente Donini, ex-presidente e acionista da Marisol

“Por ora, o empenho está em atingir pelo menos o ponto de equilíbrio entre receitas e despesas, o que se dará neste ano, ou seja, no sétimo ano a contar do início das atividades e o quarto desde o início da comercialização”, afirma Donini.

O empresário decidiu entrar nesse mercado também pela paixão pelos vinhos. Segundo ele, em suas viagens a trabalho por outros países, reservava um espaço em sua agenda para visitar vinícolas espalhadas pela Europa, Estados Unidos e na América do Sul, além de parar para realizar viagens juntando gastronomia e o vinho.


GOMEZ KAWALL

Carlos Kawall

EX-SECRETÁRIO DO TESOURO NACIONAL E EX-DIRETOR DO ASA BANK

UM SABÁTICO REGADO A VINHO

Até o início do mês passado, o economista Carlos Kawall era sempre procurado para dar sua visão sobre os dados da economia brasileira. Porém, Kawall decidiu sair do cargo de diretor da gestora Asa Bank e tirar um período sabático. O economista, no entanto, não vai ficar totalmente parado: boa parte de sua atenção será voltada para o rótulo de vinho Gomez Kawall, criado com a sua esposa Priscila, em 2012.

O economista Carlos Kawall decidiu embarcar no mundo dos vinhos com a sua esposa, Priscila, que também é uma apaixonada pela bebidaO economista Carlos Kawall decidiu embarcar no mundo dos vinhos com a sua esposa, Priscila, que também é uma apaixonada pela bebidaDANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Ao contrário de outros empresários, Kawall não comprou terras muito extensas. Na verdade, ele utiliza a estrutura do The Vines of Mendoza, no sul da Argentina, que é um espaço que reúne um resort de luxo e um vinhedo para apaixonados por vinho que querem um rótulo para chamar de seu. O The Vines auxilia em todo o processo: plantação, colheita, enólogos, engarrafamento e até a exportação. A única missão do economista e de sua esposa é comercializar as garrafas, que têm preço médio de R$ 220.

O negócio começou como hobby, mas o economista enxerga potencial para ganhar escala. Ele se baseia no consumo por litro no Brasil em comparação com outros mercados. Apesar de ter tido uma alta com a pandemia, os brasileiros bebem, em média, 2,8 litros de vinho por ano – os argentinos, por exemplo, consomem 27,6 litros, enquanto os portugueses ultrapassam os 51 litros.

“O potencial do vinho é muito grande e é um horizonte de médio a longo prazo, que depende de muitos passos e investimentos”.

Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro Nacional e ex-diretor do Asa Bank

 Por ora, o economista acredita que a sua produção de 3 mil a 3,5 mil garrafas ao ano atende à demanda atual, apesar de ter a capacidade para chegar a 5 mil em um curto espaço de tempo. “Mas levando em conta que posso comprar uvas de outros proprietários, poderia ampliar ainda mais, mas aí tem o desafio do mercado e estamos buscando uma qualidade diferenciada, tendo como referência o consumidor”, afirma.


MANZ WINE

André Manz

PRESIDENTE DA MANZ WINE

DO MERCADO FITNESS À UVA RARA EM VILA PORTUGUESA

Vivendo há mais de 30 anos em Portugal, o primeiro negócio de André Manz foi no mercado esportivo: no fim da década de 1980, ele levou a aeróbica coreografada para a Europa. O investimento em vinho, já nos anos 2000, ocorreu sem planejamento, no quintal de onde seria sua casa, em Chelheiros, região do município de Mafra.

No começo dos anos 2000, já com seu negócio no mercado fitness e de eventos consolidados no país, Manz comprou um vinhedo próximo à sua casa e investiu em maquinário, inicialmente pensando no consumo próprio. Mas o negócio foi crescendo. Na primeira colheita, foram encontrados dois tipos de uvas: o Castelão tinto e uma uva branca, que enólogos tiveram dificuldade em identificar. Tratava-se da uva Jampal, espécie portuguesa quase extinta e que garantiu fama e prêmios a uma vinícola muito jovem.

André Manz entrou no mercado de vinho quase por acaso em um vinhedo próximo de sua casa em PortugalAndré Manz entrou no mercado de vinho quase por acaso em um vinhedo próximo de sua casa em PortugalARQUIVO PESSOAL

Hoje, a produção anual chega a 500 mil garrafas por ano, que no Brasil são facilmente encontradas em restaurantes “classe A”. Exportando para 28 países, a chegada de Manz no mercado brasileiro não foi das mais simples. Isso porque teve de enfrentar preconceito do público que rejeitava o vinho produzido por um brasileiro em Portugal.

“Foi difícil encontrar importadores para levar nossos vinhos para o Brasil”.

André Manz, presidente da Manz Wine

Além de produzir vinho, Manz decidiu resgatar a história de Cheleiros, com a restauração de edifícios e até mesmo a contratação de uma jornalista para investigar sobre o local, o que rendeu a publicação de um livro. Agora, como empreendedor em série, além de um novo investimento em um restaurante ou bar, vai entrar no mercado de pranchas de surfe, aproveitando-se da proximidade de uma região próxima dedicada à prática do esporte.


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Conheça o DALL-E, inteligência artificial que cria qualquer imagem a partir de uma descrição de texto

Novas tecnologias que misturam linguagem e imagens poderiam servir a artistas gráficos. Preocupação é que acelere também campanhas de desinformação

Por Cade Metz, do NYT/O Globo 14/04/2022

SÃO FRANCISCO – No OpenAI, um dos laboratórios de Inteligência Artificial mais ambiciosos do mundo, os pesquisadores estão desenvolvendo tecnologia que permite criar imagens digitais simplesmente descrevendo o que você deseja ver.

Eles chamam o sistema de DALL-E em alusão tanto a “WALL-E”, o filme de animação de 2008 sobre um robô autônomo, quanto a Salvador Dalí, o pintor surrealista.

A OpenAI, apoiada por US$ 1 bilhão em financiamento da Microsoft, ainda não está compartilhando a tecnologia com o público em geral. Mas, recentemente, Alex Nichol, um dos pesquisadores por trás do sistema, demonstrou como ele funciona.

 Nichol pediu ao sistema  “um bule em forma de abacate”, digitando as palavras em uma tela de computador praticamente vazia. Ele criou 10 imagens distintas de um bule de abacate verde-escuro, algumas com caroço e outras sem.

“DALL-E é bom em abacates”, disse Nichol.

A inteligência Artificial DALL-E pode criar qualquer desenho a seu comando Foto: OPENAI / NYTA inteligência Artificial DALL-E pode criar qualquer desenho a seu comando Foto: OPENAI / NYT

Quando ele digitou “gatos jogando xadrez”, o sistema  colocou dois gatinhos fofos de cada lado de um tabuleiro de jogo de xadrez com 32 peças alinhadas entre eles. Quando pediu “um ursinho de pelúcia tocando trompete debaixo d’água”, uma imagem mostrou pequenas bolhas de ar subindo da ponta da trombeta do urso em direção à superfície da água.

DALL-E, inteligência artificial que cria qualquer imagem a seu comando. Foto: OPENAI / NYT

DALL-E, inteligência artificial que cria qualquer imagem a seu comando. Foto: OPENAI / NYT

Não para por aí. DALL-E também pode editar fotos. Quando Nichol apagou a trombeta do ursinho de pelúcia e pediu um violão, um violão apareceu entre os braços peludos.

Uma equipe de sete pesquisadores passou dois anos desenvolvendo a tecnologia, que a OpenAI planeja eventualmente oferecer como uma ferramenta para pessoas como artistas gráficos, fornecendo novos atalhos e novas ideias à medida que criam e editam imagens digitais.

Os programadores de computador já utilizam o Copilot, uma ferramenta baseada em tecnologia similar da OpenAI, para gerar trechos de código de software.

Mas para muitos especialistas, DALL-E é preocupante. À medida que esse tipo de tecnologia continua a melhorar, dizem eles, pode ajudar a espalhar desinformação pela internet, alimentando o tipo de campanha on-line que pode ter ajudado a influenciar a eleição presidencial dos EUA em 2016, por exemplo.

Resultado do DALL-E para comando de imagem de 'cão Shiba Inu vestindo uma boina e gola alta preta' Foto: ReproduçãoResultado do DALL-E para comando de imagem de ‘cão Shiba Inu vestindo uma boina e gola alta preta’ Foto: Reprodução

  “Poderia usá-lo para coisas boas, mas certamente poderia usá-lo para todo o tipo de outras aplicações malucas e preocupantes, e isso inclui falsificações profundas”, como fotos e vídeos enganadores, disse Subbarao Kambhampati, professor de ciência da computação na Universidade do Arizona.

Há 50 anos, os principais laboratórios de IA do mundo construíram sistemas que podiam identificar objetos em imagens digitais e até gerar imagens por conta própria, incluindo flores, cães, carros e rostos.

Alguns anos mais tarde, criaram sistemas que poderiam fazer o mesmo com linguagem escrita, resumindo artigos, respondendo a perguntas, gerando tweets e até escrevendo posts em blogues.

Agora, os pesquisadores estão combinando essas tecnologias para criar novas formas de IA. DALL-E é um avanço notável porque faz malabarismos entre linguagem e imagens e, em alguns casos, capta a relação entre os dois.

“Agora podemos usar vários fluxos de informações que se cruzam para criar tecnologia cada vez melhor”, disse Oren Etzioni, CEO do Allen Institute for Artificial Intelligence, um laboratório de inteligência artificial em Seattle.

Rede neural

Mas a tecnologia não é perfeita. Quando Nichol pediu a DALL-E para “colocar a Torre Eiffel na lua”, ele não entendeu muito bem a ideia. Ele colocou a lua no céu por cima da torre. Quando ele pediu “uma sala cheia de areia”, produziu uma cena que mais parecia um canteiro de obras do que uma sala de estar.

Mas quando Nichol ajustou um pouco seus pedidos, adicionando ou subtraindo algumas palavras aqui ou ali, forneceu o que ele queria. Quando ele pediu “um piano em uma sala cheia de areia”, a imagem parecia mais uma praia em uma sala de estar.

O DALL-E, inteligência artificial, criou uma sala chei ade areia com um piano atendendo a um comando Foto: OPENAI / NYTO DALL-E, inteligência artificial, criou uma sala chei ade areia com um piano atendendo a um comando Foto: OPENAI / NYT

DALL-E é o que os pesquisadores de inteligência artificial chamam de rede neural, um sistema matemático livremente modelado na rede de neurônios no cérebro. Essa é a mesma tecnologia que reconhece os comandos falados em smartphones e identifica a presença de pedestres enquanto carros autônomos percorrem as ruas da cidade.

Uma rede neural aprende competências analisando grandes quantidades de dados. Ao identificar padrões em milhares de fotos de abacate, por exemplo, ele pode aprender a reconhecer um abacate.

O DALL-E procura padrões ao analisar milhões de imagens digitais, bem como legendas de texto que descrevem o que cada imagem representa. Desta forma, aprende a reconhecer as ligações entre as imagens e as palavras.

Quando alguém descreve uma imagem para DALL-E, ele gera um conjunto de recursos-chave que essa imagem pode incluir. Uma característica pode ser a linha na borda de uma trombeta. Outra pode ser a curva na parte superior da orelha de um ursinho de pelúcia.

Em seguida, uma segunda rede neural, chamada de modelo de difusão, cria a imagem e gera os pixels necessários para realizar esses recursos.

A versão mais recente do DALL-E com um novo trabalho de pesquisa descrevendo o sistema, gera imagens de alta resolução que, em muitos casos, parecem fotos.

Embora o DALL-E muitas vezes não consiga compreender o que alguém descreveu e às vezes destrua a imagem que produz, o OpenAI continua aprimorando a tecnologia. Os pesquisadores geralmente podem refinar as habilidades de uma rede neural alimentando-a com quantidades ainda maiores de dados.

Eles também podem construir sistemas mais poderosos aplicando os mesmos conceitos a novos tipos de dados. O Allen Institute criou recentemente um sistema que pode analisar áudio, bem como imagens e texto.

Depois de analisar milhões de vídeos do YouTube, incluindo faixas de áudio e legendas, ele aprendeu a identificar momentos específicos em programas de TV ou filmes, como um cachorro latindo ou uma porta se fechando.

Especialistas acreditam que os pesquisadores continuarão a aprimorar esses sistemas. Em última análise, esses sistemas podem ajudar as empresas a melhorar os mecanismos de busca, assistentes digitais e outras tecnologias comuns, bem como automatizar novas tarefas para artistas gráficos, programadores e outros profissionais.

Mas há ressalvas para esse potencial. Os sistemas de IA podem mostrar preconceito contra mulheres e pessoas de cor, em parte porque aprendem suas habilidades a partir de enormes conjuntos de textos, imagens e outros dados on-line que mostram preconceito.

Eles podem ser usados para gerar pornografia, discurso de ódio e outros materiais ofensivos. E muitos especialistas acreditam que a tecnologia acabará tornando tão fácil criar desinformação que as pessoas terão que ser céticas em relação a quase tudo o que veem on-line.

“Nós podemos forjar texto. Podemos colocar texto na voz de alguém. E podemos forjar imagens e vídeos”, disse Etzioni. “Já existe desinformação on-line, mas a preocupação” é que isso leve a desinformação a novos níveis.

A OpenAI está mantendo uma rédea curta no DALL-E. Não permitiria que pessoas de fora usassem o sistema por conta própria. Ele coloca uma marca d’água no canto de cada imagem que gera.

https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/conheca-dall-inteligencia-artificial-que-cria-qualquer-imagem-partir-de-uma-descricao-de-texto-25466718

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