Com novo surto de coronavírus e lockdown, China trava cadeia global de produtos

Lockdown em Xangai, cidade onde está instalado o maior porto do mundo, retarda a normalização na cadeia de suprimentos e pode agravar a inflação no Brasil

Luciana Dyniewicz e Renée Pereira, O Estado de S.Paulo 03 de maio de 2022 

A previsão de que a cadeia logística global estaria de novo regularizada ainda neste ano já foi descartada por especialistas da área. Com o novo surto de covid na China e o lockdown adotado em Xangai – cidade onde está instalado o maior porto do mundo –, a cadeia de suprimentos vive mais um momento de estresse que começa a causar atraso na entrega de mercadorias, deve impactar o Brasil sobretudo nas próximas semanas e pressionar a inflação ainda mais.

Desde o começo da pandemia, quando países adotaram medidas de distanciamento social que inviabilizaram a produção e o deslocamento de produtos, a rede global de logística enfrenta rupturas que causaram desabastecimento de alguns itens. Por outro lado, os estímulos fiscais implantados por diversos governos para amenizar a crise impulsionaram o consumo e a encomenda de mercadorias, aumentando a demanda por frete. Houve, assim, um descasamento entre oferta e demanda. 

LEIA TAMBÉM

Xi Jinping não admite dúvidas sobre política de zero-covid na China

Xi Jinping não admite dúvidas sobre política de zero-covid na China

O preço do frete explodiu nesse período, com a média paga pelo transporte de um contêiner passando de US$ 1,4 mil, em fevereiro de 2020, para US$ 11,1 mil em setembro do ano passado. Hoje, o valor está em US$ 8,9 mil. Esse preço vinha em uma tendência de queda, e grande parte dos especialistas apostava em uma regularização do setor ainda neste ano. A diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou, no fim de fevereiro, ao Estadão, que acreditava que a situação seria normalizada no início de 2023, o mais tardar. Esse prazo, porém, agora é visto com descrédito.

O lockdown em Xangai deve causar um efeito cascata na rede de abastecimento mundial. O porto da cidade movimenta por ano 43 milhões de TEUs (medida equivalente a um contêiner de 20 pés, ou cerca de seis metros), é quase dez vezes o total que circula no porto de Santos – o maior do Brasil. 

O distanciamento social, inicialmente, limita a quantidade de trabalhadores no porto, reduzindo a eficiência no local. Em seguida, contêineres começam a se acumular, navios ficam congestionados e as empresas de navegação cancelam embarques, explica o especialista em políticas e indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Matheus de Castro. “Quando as medidas de lockdown forem suspensas, será preciso atender a demanda acumulada e a normal. É daí que vem o desequilíbrio de oferta e demanda (de frete). Até hoje, estão tentando corrigir esse desequilíbrio, causado no começo da pandemia, com preços (mais elevados)”, afirma Castro. 

Para o advogado especialista em transporte marítimo Larry Carvalho, a retomada e a volta à normalidade no porto de Xangai devem levar de três a quatro meses. “Um congestionamento desse tamanho não é fácil de ser regularizado.”

A regularização global, porém, levará meses, na avaliação de Castro. “O retorno à normalidade foi retardado. Se as condições permanecerem difíceis também na Ucrânia e nos Estados Unidos, o processo de equilíbrio vai ser jogado para 2023 e 2024.”

Guerra

Além da situação na China, os EUA continuam a registrar congestionamento de navios em suas costas, ainda devido à pandemia, e a guerra na Ucrânia também dificulta o escoamento no Mar Negro. O conflito no Leste Europeu tem ainda sido um entrave para o setor de transporte marítimo ao encarecê-lo devido à alta do preço do combustível. Por outro lado, lembra o especialista da CNI, se o desaquecimento da economia global se concretizar, a demanda por mercadorias deve arrefecer, reduzindo também a necessidade por transporte, o que pode ajudar na regularização da logística.

Até a última quinta-feira, apenas na costa chinesa, havia 412 navios aguardando para atracar. Em fevereiro, eram 260 – ou seja, um aumento de 58% –, de acordo com a plataforma Windward.

Outro reflexo desse problema é a falta de contêineres. Dados da Windward mostram que um em cada cinco navios porta-contêineres em todo o mundo está parado do lado de um porto congestionado, sendo que 24,3% deles estão na China. Isso também significa aumento de custos para importadores e exportadores que sofrem com a escassez de contêineres para embarcar seus produtos. Antes dessa crise, diz Carvalho, um contêiner de 40 pés fazia quatro viagens por ano. Hoje esse número é de 2,3 a 2,5 vezes.

porto xangai Xangai, onde fica o maior porto do mundo, está sob lockdown.  Foto: Aly Song/Reuters

De acordo com o diretor executivo do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), Claudio Loureiro de Souza, o congestionamento de navios na China reflete um problema que acontece em terra. O transporte terrestre no país também está travado devido ao lockdown, o que dificulta o deslocamento das mercadorias até os portos.

Brasil

Apesar de o maior impacto dessa nova onda de problemas no transporte marítimo ainda ser esperado para as próximas semanas no Brasil – dado que um navio leva cerca de 35 dias para viajar da China até aqui –, os primeiros sinais já começaram a aparecer. O preço do frete para exportar um contêiner aumentou 6% entre março e abril, quando o valor médio para envio de um contêiner ficou em US$ 2,5 mil. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o incremento chega a 70%.

Na importação, os preços seguem em queda e a média ficou em US$ 5,5 mil em abril. Castro, da CNI, no entanto, alerta que, a partir de meados de abril, começaram a ocorrer cancelamentos de embarques, suspensões de escalas e redução na quantidade de navios na rota Xangai-Brasil. A diminuição da capacidade é estimada em 10% e deve pressionar os preços a partir de maio. “Possivelmente, com o eventual retorno das operações em Xangai, os fretes devem voltar a subir”, diz Castro.

O represamento de navios na China também aumenta o risco de desabastecimento. Na indústria automobilística, neste momento, o problema logístico já é maior do que a falta de semicondutores – que também vem travando o setor nos últimos dois anos –, diz o presidente da Bright Consulting, Paulo Cardamone.

Um dos maiores centros populares de compras no Brasil, a Rua 25 de Março, em São Paulo, já tem falta de produtos. O diretor da Univinco, associação dos lojistas da região, Marcelo Mouawad, afirma que nas últimas semanas tem tido dificuldade para agendar a saída de produtos da China para o Brasil. “Não se consegue datas para o embarque e o resultado é a falta de produtos, como os populares carrinhos Hot Wheels, chupetas e mamadeiras.”

Segundo importadores, se o lockdown persistir, vários segmentos poderão ter problemas. O setor de energia solar é um deles. Hoje os fornecedores têm três meses de estoque em território nacional. “Mas, se perdurar essa situação, teremos problemas de falta de produto e aumento dos preços pelo desequilíbrio entre oferta e demanda. Esse impacto ocorreria no terceiro trimestre”, diz o presidente do Portal Solar Franquia, Rodolfo Meyer.

Situação semelhante vive a indústria elétrica e eletrônica. Depois das dificuldades enfrentadas durante a pandemia, algumas empresas elevaram seus estoques, mas ainda não em volume suficiente para aguentar muito tempo sem a chegada de novos componentes. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, afirma que as empresas estão preocupadas e discutindo alternativas para não parar a produção.

“Abril já foi um mês comprometido em termos de recebimento de insumos. Seguramente teremos problema no terceiro trimestre”, afirma. O executivo destaca que há um aumento de custo significativo em tudo que é movimentado em Xangai. Isso porque falta mão de obra para qualquer serviço de transporte, como motorista e operador de máquina.

De acordo com a Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol), seus associados já relatam atrasos na importação de produtos chineses, principalmente no setor automobilístico. “Outros clientes tiveram cancelamento direto de pedidos por parte de fornecedores chineses, o que vem trazendo descompassos nos processos produtivos das empresas no Brasil”, diz a diretora executiva da associação, Marcella Cunha.

Ela cita como exemplo o porto de Suape, onde operadores registraram omissão de 40% dos navios programados para abril – isso ocorre quando o armador decide não escalar o porto com o navio programado. “No que se refere às importações chinesas do Brasil, há operadores que relatam suspensão total das operações para Xangai, Jiangsu e Zhejang.”

A executiva diz que há uma preocupação crescente em torno da falta de componentes e insumos chineses que abastecem grande parte do mundo. Isso provocaria um novo aumento nos insumos básicos e, por consequência, na inflação global, em particular nos EUA e no Brasil.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit), Fernando Pimentel, também diz estar monitorando a situação, mas destaca que, por enquanto, o quadro não se assemelha ao verificado no início da pandemia. “Não é verdade que está sendo indolor, mas não é uma situação dramática neste momento. Por enquanto, o mais complexo é o custo.” / COLABOROU CLEIDE SILVA

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,novo-surto-covid-china-lockdown-xangai-cadeia-global,70004055475

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Humanidades e artes são condições essenciais para a formação da liderança

As artes mexem com as emoções e alavancam o aprendizado; certamente, não trazem respostas diretas aos problemas de gestão empresarial, mas permitem visão mais abrangente das situações

Marisa Eboli – Estadão – 03 de maio de 2022 

Muito falamos sobre educação a distância, tecnologias exponenciais e transformação digital. E por boas razões, pois tudo isso veio para ficar em nossas vidas. Porém, tais assuntos aumentam a importância de também colocarmos no radar as Humanidades, incluindo-se aí a filosofia, as artes em geral, a literatura, a música, o cinema, a dança etc.

O que chamamos de Humanidades é esse repertório das experiências e das reflexões dos gigantes, de todas as áreas, que nos precederam ou com os quais convivemos. No cotidiano da vida executiva, uma boa parte dos assuntos tratados não estão nos livros-texto de gestão, mas na grande literatura. A vida pulsa na Odisseia de Homero, em Shakespeare, em Cervantes, em Saramago, em Neruda, em García Márquez, em Vargas Llosa, em Eça de Queiroz, em Machado de Assis, em Drummond, em Nelson Rodrigues, em Rachel de Queiroz e em Lygia Fagundes Telles.

Impossível não se emocionar só de mencioná-los. E impossível citar todos os que compõem esse universo extraordinário da literatura. Como bem disse René Descartes: “A leitura de bons livros é como ter uma conversa com os homens mais ilustres dos séculos passados, ou seja, os seus autores.”

Nas decisões do mundo corporativo, tanto conta o conhecimento técnico que as lideranças aprenderam na faculdade como o que dizem os clássicos da literatura. Foto: Susan Q Yin/Unsplash

Certamente eles não trazem diretamente respostas aos nossos problemas de gestão empresarial. Mas permitem-nos um distanciamento do cotidiano, assim obtendo uma visão muito mais abrangente da situação.

Nas grandes e pequenas decisões do mundo corporativo, tanto conta o conhecimento técnico que as lideranças aprenderam na faculdade como o que dizem os clássicos da literatura. Lá estão todos os dramas humanos, toda a nobreza de uns e a canalhice de outros. As fraquezas estão presentes, a inveja, a mentira, a intriga, a pequenez, a arrogância, a ânsia de poder, as dúvidas, os riscos. E as atitudes edificantes e exemplares também. Não há tropeço ético ou ato de coragem que não esteja em algum livro imperecível.

Para fazer um contraponto em relação às questões tecnológicas, tão enfatizadas atualmente na educação corporativa, neste ano, na abertura da 3ª turma do curso de pós-graduação em Gestão da Educação Corporativa, da FIA, realizou-se um painel sobre o tema “Humanidades, Filosofia, Artes e a Educação do Futuro”, trazendo reflexões importantes dos professores e especialistas Alessandro Bigheto, pedagogo, filósofo e professor da FIA Business School; Carlos Netto, ex-diretor de Gestão de Pessoas e Estratégia do Banco do Brasil e autor do livro A Arte nos Sonha; e Sérgio Rizzo, jornalista, professor e diretor associado da Deusdará Filmes. Todos três sob a coordenação de José Luiz Goldfarb, professor de História da Ciência na PUC-SP, consultor de programação no MIS-SP e diretor de Cultura Judaica na Hebraica-SP. Um quarteto que esbanja cultura.

Um dos pontos destacados por Carlos Netto foi o de que a arte é repertório e não existe liderança sem repertório. Devemos usar o repertório como centro de debate na formação de pessoas. Com ricos exemplos de músicos clássicos ele entrelaça música, formação, carreira, autoconhecimento, Netto elenca casos da utilização da arte na construção da consciência e no desenvolvimento do espírito crítico utilizado nas empresas. Por exemplo, o mito do labirinto e a criação, de Michelangelo. Também destaca a necessidade de entender a referência do outro para desenvolver um bom diálogo. Para ele, a arte é uma grande referência de vida, importante na construção do diálogo consigo mesmo, com o outro e com a sociedade na qual vivemos.

Alessandro diz que a arte tem um potencial gigantesco de fomentar a educação, do início ao fim, mas que a maioria das escolas incluem no currículo apenas uma aula de educação artística por semana. “Não vivenciamos a arte, infelizmente. Artes e humanidades devem ser trabalhadas de forma integral, com profundidade, não apenas com ações pontuais”, sentenciou. E continua: “Nós aprendemos a realidade pela razão, mas acima de tudo pela emoção. A sociedade ocidental valorizou demais a razão e esqueceu que a emoção também é essencial, e isso é refletido no nosso sistema educacional”. Em seu trabalho junto aos alunos de graduação em administração da FIA Business School procura tornar o pensamento filosófico acessível aos não especialistas.

Rizzo traz um relato pessoal, no qual diz aplicar seus conhecimentos sobre artes audiovisuais em desafios tipicamente de gestão. De maneira séria e emocionante, filmes são, por exemplo, um recurso didático riquíssimo para desenvolver capacidade crítica, reflexiva, estética e até mesmo filosófica sobre temas atuais. Ressalta a imaginação no processo da inovação, e como as humanidades e as artes têm papel fundamental no “treino” da imaginação. Parafraseando Paulo Freire, conclui: “Arte não transforma o mundo. Arte muda as pessoas, as pessoas transformam o mundo”.

  • Quer debater assuntos de Carreira e Empreendedorismo? Entre para o nosso grupo no Telegram pelo link ou digite @gruposuacarreira na barra de pesquisa do aplicativo.

E com ampla visão e experiência, Goldfarb interliga todos esses aspectos com a ciência e a tecnologia. E ilustra tudo com situações vividas em alguns dos projetos que coordenou: Rio, uma cidade de leitores, Cine Ciência-MIS, São Paulo um Estado de Leitores, Letras de Luz, dentre outros.

A importância do lifelong learning tão exaltado na pandemia da covid-19 não é assunto novo. “Desenvolver em todas as pessoas a capacidade de aprender permanentemente”, já dizia Paulo Renato Souza nos bons tempos em que foi Ministro da Educação, de 1995 a 2002. E a tecnologia? Sempre bem-vinda, claro! Mas ela é meio para transmitir, divulgar, aproximar, interagir e criar. Jamais um fim em si mesma.

É fundamental que Humanidades e Artes deixem de ser recreação e passem a ser o objetivo na formação de líderes de sucesso. E não aprendemos apenas nas escolas. Aprendemos pelos relacionamentos, pelos diálogos e pelas ricas experiências e vivências ao longo de nossas vidas. As artes mexem com as nossas emoções, por isso alavancam nosso aprendizado e ampliam nosso repertório cultural. E a filosofia ajuda no questionamento e na compreensão do pensamento da Humanidade e de tudo que existe no universo.

“Uma pintura que não fala ao coração não é arte, porque só ele a entende” disse Cândido Portinari numa palestra em Buenos Aires, em 1947.

Se aprendemos pelas emoções, com aprendizagem nas organizações seria diferente?

*Marisa Eboli é doutora em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP e Especialista em Educação Corporativa. É Professora de Graduação e do Mestrado Profissional na FIA Business School. Contato: meboli@usp.b

https://economia.estadao.com.br/blogs/radar-do-emprego/humanidades-artes-formacao-lideranca-carreira-empresas/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Roupa do futuro vai ser um filtro do Instagram

Tecnologia 3D é usada para criar vestuários que só podem ser usados em fotos

 Por Matheus Moura, especial para o ‘Estadão’ – O Estado de S.Paulo 01/05/2022 

A sua próxima peça de roupa poderá existir apenas em fotos nas redes sociais. Com o avanço das discussões sobre a sustentabilidade na moda e o conceito de metaverso (que combina ambientes reais e virtuais), as marcas apostam em peças desenhadas em 3D que só podem ser “vestidas” virtualmente.

O conceito é parecido com as “skins” de jogos (roupas feitas para personagens de games) e de influenciadores digitais, como a Lu do Magalu. Mas a ideia vai além: as peças digitais são criações sob medida para serem exibidas em fotos em redes sociais, como se fossem os filtros de maquiagem do Instagram e do TikTok. Porém, elas são comercializadas como roupas do mundo real — podem ser até mais caras.   

A primeira venda de uma peça de roupa digital aconteceu em 2019: um vestido translúcido, batizado de Iridescent, foi arrematado por US$ 9,5 mil em um leilão de um evento de criptomoedas. Para vestir o item, um time de alfaiates digitais ajustou a peça no corpo do comprador. Tudo por uma fotografia, claro.

Por trás desse vestido, além da startup Dapper Labs, que realiza projetos com a liga de basquete dos EUA (NBA), e da artista Johanna Jaskowska, responsável por alguns dos filtros mais populares do Instagram, está o estúdio holandês de moda digital The Fabricant, que tem a brasileira Adriana Hoppenbrouwer entre os cofundadores. “Nossa missão é liderar a indústria da moda em direção a um setor de vestuário digital que seja mais sustentável, criativo e igualitário”, diz ela ao Estadão

Fundado em 2018, o The Fabricant já colaborou com empresas como Puma, Adidas e Under Armour para criar versões digitais dos artigos das marcas, além de vender itens próprios em plataformas especializadas, como o Dress-X. Em 2021, o estúdio também lançou um NFT em parceria com a cantora Pabllo Vittar.

Vendido por US$ 9,5 mil em um leilão em 2019, o vestido Iridescent não existe no mundo real; foi criado como um filtro de foto digital

Vendido por US$ 9,5 mil em um leilão em 2019, o vestido Iridescent não existe no mundo real; foi criado como um filtro de foto digital

Nos meses seguintes ao vestido do The Fabricant, outros experimentos surgiram. A loja de departamento dinamarquesa Carlings lançou uma coleção de camisetas cujas estampas eram adicionadas por meio de um filtro do Instagram, e uma linha de peças digitais vestidas somente em fotos. Mas foi a pandemia que acelerou esse processo, com a adoção da moda digital por grandes marcas. 

Em 2021, a Gucci lançou um tênis virtual que custava US$ 12 e era “calçável” por um filtro. Já a Nike, maior marca esportiva do mundo, adquiriu o estúdio RTFKT, com o objetivo de lançar calçados inteiramente digitais — a primeira coleção dos Cryptokicks foi anunciada em 22 de abril. Outras marcas como Louis Vuitton, Balenciaga e Moschino apostaram nos games e no metaverso como espaço para testar o design digital e atrair as gerações mais novas.

“As grandes marcas estão recriando suas identidades e valores dentro de plataformas que iniciam novas formas de relacionamento com suas comunidades. Nesse movimento de imersão, é fundamental que essas marcas se aproximem de criadores capazes de materializar suas ideias em ambientes 3D”, diz Olivia Merquior, fundadora da BRIFW, semana de moda imersiva que já teve duas edições e foi uma das pioneiras no segmento.

Outro argumento dos criadores a favor de peças que não existem de forma física é simples: em um mundo dominado pelo fast fashion cada vez mais acelerado, a necessidade de novidades poderia ser suprida por itens virtuais, reduzindo o acúmulo de peças nos lixões. 

A Renner utilizou exclusivamente a tecnologia digital no desenvolvimento de sua coleção física, reduzindo custos e tempo

A Renner utilizou exclusivamente a tecnologia digital no desenvolvimento de sua coleção física, reduzindo custos e tempo

Luz na passarela

Com a aceleração do setor “têxtil virtual”, os desfiles também foram digitalizados, com as apresentações sendo levadas para vídeos ou ambientes imersivos – como a BRIFW. Embora as semanas de moda já tenham voltado ao presencial, mais de 100 mil pessoas participaram da primeira edição da Metaverse Fashion Week, no fim de março. 

Realizada na plataforma Decentraland, foi possível descobrir as criações virtuais de Donna Karan, Dolce & Gabbana e Tommy Hilfiger, comercializadas na forma de NFTs exclusivos ou em versões digitais de peças de coleções anteriores. 

“Mais de 100 marcas entraram em contato para participar”, conta a organizadora do evento, a brasileira Giovanna Graziosi Casimiro, ressaltando que algumas delas vão manter sua presença no espaço de forma permanente. A edição de 2023 do evento também está planejada para o primeiro semestre do ano.

Fundado na pandemia, o Studio Acci é um dos pioneiros no Brasil na criação de peças digitais, atuando principalmente com outras marcas de moda

Fundado na pandemia, o Studio Acci é um dos pioneiros no Brasil na criação de peças digitais, atuando principalmente com outras marcas de moda

Peças digitais, impacto real

A moda 3D também impacta diretamente na produção de peças físicas. A tecnologia 3D permite reduzir a necessidade de amostras, tornando o processo mais ágil, sustentável e integrado ao marketing. 

“Além de terem um propósito de se tornarem moldes de corte, mais tarde é um material que vai ser utilizado em comunicação como ativações digitais, imagens para e-commerce, vídeos, fashion filmes, interações em realidade aumentada e virtual”, explica Henrique Assis, do estúdio de moda digital Studio Acci (que já realizou trabalhos com a varejista Riachuelo e com a agência de modelos avatares TheDiigitals). 

Marcas como Tommy Hilfiger e Calvin Klein já digitalizaram quase toda a produção, com o auxílio de estúdios como a The Fabricant. No Brasil, uma das pioneiras no tema é a varejista de moda Renner, que lançou recentemente sua primeira coleção projetada de forma digital.

“Com o digital conseguimos fazer as criações, ajustar as modelagens e gerar alterações em tempo real, o que possibilita reduzir tempo de desenvolvimento, fluxos logísticos e também o uso de amostras, garantindo a otimização dos recursos”, diz Fernanda Feijó, diretora de Estilo da Lojas Renner. “Hoje é possível ver em 3D o que antes só era possível confirmar produzindo amostras físicas das peças”.

Tudo isso abre caminho para novas experiências imersivas. Em 2021, a marca lançou seu espaço no game Fortnite. Em 2022, fez seu primeiro desfile virtual e inaugurou uma loja em 3D para acompanhar a nova coleção. “Com toda a pesquisa, preparação e experimentação que fizemos nos últimos anos, estamos aptos a entregar produtos 100% digitais, como skins para jogos e peças digitais para fotos”, afirma Fernanda.

https://link.estadao.com.br/noticias/cultura-digital,roupa-do-futuro-vai-ser-um-filtro-do-instagram,70004052611

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

‘Fim’ da empresa de bebidas? Ambev quer ser plataforma de marcas

Guinada digital aposta na integração do carro-chefe da companhia com Zé Delivery e Bees

Por Beatriz Quesada – Exame – 13/04/2022 

“Ser apenas uma companhia de bebidas não nos representa mais”. Foi assim que o CEO da Ambev (ABEV3), Jean Jereissati, definiu a transformação em curso dentro da empresa. A declaração foi dada nesta terça-feira, 12, no primeiro dia do Investor Day da companhia, no qual a gestão detalha os rumos do negócio para investidores e analistas.

No caso da Ambev – reconhecida como a maior cervejaria da América Latina – o desafio é se reinventar para continuar crescendo. Jereissati reforçou que a companhia se enxerga como uma “plataforma de marcas”, uma referência em todo o ecossistema em torno da venda de bebidas. Para chegar lá, a aposta principal é a digitalização.

Os primeiros passos nesta direção já foram dados. A Ambev tem, dentro de casa, três iniciativas de inovação voltadas para seus principais clientes. Uma delas é o aplicativo para entrega de bebidas Zé Delivery, focado no consumidor final. Criado em 2015, o app atingiu 4,9 milhões de usuários ativos em dezembro de 2021 e tem sido destaque nos balanços da Ambev desde o início da pandemia. 

A companhia conta ainda com o Bees, marketplace para bares e restaurantes. Lançado no final de 2019, o app atingiu a marca de 370 mil clientes em 2021 e ainda tem potencial para crescer mais  80% em número de clientes segundo cálculos da Ambev. 

Ambev tem desafio de se reinventar para continuar crescendo (Getty Images/Jonne Roriz/Bloomberg via)

Ambev tem desafio de se reinventar para continuar crescendo (Getty Images/Jonne Roriz/Bloomberg via)

Para fechar a marca Bees, a Ambev detém ainda a fintech Bess Bank (ex-Donus), que atende pequenas e médias empresas. Em pouco mais de dois anos, a fintech já conta com 220 mil contas abertas e 1 bilhão de reais em TPV (total de transações de pagamento).

Os números mostram que as novas frentes têm alto potencial de crescimento, que é justamente o novo foco da companhia – superando, até mesmo, a busca por participação de mercado. Prova da mudança de direcionamento é a estratégia de analisar o desempenho da empresa pelo ROIC, o retorno de capital investido, deixando em segundo plano o tradicional Ebitda, indicador de caixa operacional.

“Como desenvolvemos novos negócios com diferentes perfis financeiros, acreditamos que o ROIC será a melhor métrica para capturar completamente o valor de uma empresa que está se transformando”, afirmou o CEO.

A guinada digital da Ambev tem como objetivo oferecer múltiplas soluções e assim alavancar o crescimento da empresa. O exemplo a ser perseguido são os anos de ouro da própria companhia: em seus primeiros 15 anos, o Ebitda da Ambev cresceu mais de 10 vezes com a disparada do negócio. 

“Porém, depois de 2015 começamos a ter alguma dificuldade. O volume de vendas estacionou, as margens se deterioraram, o Ebitda parou de crescer e nosso valor de mercado começou a refletir isso. O aspecto macroeconômico desempenhou um grande papel [nesse cenário], mas a verdade é que a indústria mudou e não nos adaptamos. Chegou a hora de evoluir o modelo de crescimento, transformar a empresa através da tecnologia”, afirmou o CEO.

A grande questão é como implementar a mudança. Ansiosos pelo plano de ação da Ambev, investidores levaram as ações da companhia a uma alta de mais 3% no dia anterior ao Investor Day. Ainda assim, o desafio em explicar a estratégia é grande, especialmente porque a “transformação ainda está nos estágios iniciais”, segundo explicou Lucas Lira, CFO da Ambev.

“Estamos buscando muitas oportunidades não só no nosso negócio principal, mas também em nossas capacidades tecnológicas – que, se forem bem executadas, podem desbloquear a criação de valor de longo prazo e de forma sustentável”, afirmou. 

Na visão de Lira, o Bees é um exemplo do que a empresa vê em seu futuro. “É algo muito diferente em termos de modelo de negócios, que não teria espaço na Ambev tempos atrás. O Bees nos mostrou que isso é possível: acelerou o crescimento do core business nos ajudando a atender melhor os clientes. O resultado são campanhas mais inteligentes, ofertas de melhores produtos e ferramentas de gestão de receita via tecnologia. Com isso, ampliamos o alcance de distribuição não só para cerveja, mas também para bebidas não alcoólicas, alcançando novas oportunidades de negócio”.

https://exame.com/invest/mercados/fim-da-empresa-de-bebidas-ambev-quer-ser-plataforma-de-marcas/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Web 3.0, a nova fase da internet: o que vai mudar?

Uma nova era está por vir no mundo da internet e promete dar mais liberdade e controle ao usuário. Entenda como vai funcionar e quais as diferenças para a internet que conhecemos

Por Mariana Maria Silva – Exame – 30/04/2022 

Desde seu surgimento nos anos 90, a internet foi uma das tecnologias que mais evoluiu nas últimas décadas, se tornando uma parte crucial do nosso dia a dia. Atualmente, a maioria de nós depende dela para trabalhar e exercer as tarefas mais básicas, e ela nos acompanha não só em computadores, mas celulares, tablets, TVs, fones de ouvido e até mesmo relógios.

Especialmente durante a pandemia, a internet foi um pilar vital para muitos. Foi o que possibilitou que dentro de casa em isolamento social, as pessoas pudessem continuar trabalhando, estudando e socializando.

No Brasil, um país onde nem todos possuem acesso à esta tecnologia, o número de domicílios com ao menos um dispositivo conectado à internet saltou de 39% para 45% de 2019 para 2020, segundo uma pesquisa da Cetic.br, incentivados pelo estouro da pandemia. Além disso, os dados da pesquisa ainda revelam que o número de usuários saiu de 53% para 70% nas áreas rurais, de 34% para 50% entre os idosos de mais de 60 anos e de 57% para 67% entre a população das classes D e E no mesmo período.

Na época, o então Ministro das Comunicações Fábio Faria enfatizou o caráter essencial da internet. “Virou serviço essencial para o Brasil”, disse, acrescentando que “As pessoas estão trabalhando de casa. Muita gente estudando de casa. E quem não tem internet não está podendo visitar os parentes que moram longe. Então a gente tem que fazer com que essas pessoas tenham acessibilidade, que tenham inclusão digital”.

Web 3.0 é baseada no blockchain e descentralizada (Getty Images/ipopba)

Web 3.0 é baseada no blockchain e descentralizada (Getty Images/ipopba)

Com tanta gente dependendo da internet para atividades essenciais, faz sentido que a tecnologia evolua constantemente. Foi o que aconteceu e continua acontecendo desde a criação da World Wide Web por Tim Berners-Lee. Na época, o estudioso se destacou no que ficou conhecido como “Web 1.0”, ou a primeira fase da internet.

Foi ele quem criou o termo que deu origem ao prefixo “www”, quando era cientista da computação na Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (CERN), um dos maiores e mais respeitados centros de pesquisa científica.

– (Mynt/Divulgação)

Web 1.0

A Web 1.0 tinha como base três tecnologias fundamentais:

• HTML: HyperText Markup Language, a linguagem de marcação ou formatação da web

• URL: localizador de recursos, um endereço exclusivo usado para identificar cada recurso na web

• HTTP: HyperText Transfer Protocol, que permite a recuperação de recursos vinculados de toda a web

Nessa época, as páginas da internet tinham seu design baseado em quadros e tabelas, com poucas oportunidades para o desenvolvimento de aplicativos interativos, embora o que havia já era o suficiente para encantar muitos usuários.

Web 2.0

Desde os anos 2000, vivemos na Web 2.0, ou seja, a segunda fase da internet. Foi ela que nos trouxe uma maior interatividade social, capacidade de pesquisa e consumo de conteúdo. Caracterizada por ser o berço das redes sociais, a Web 2.0 foi uma mudança de paradigma no modo como utilizamos a internet.

Por meio de plataformas como Airbnb, Facebook, Instagram, TikTok, Twitter, Uber, Whatsapp, YouTube, LinkedIn, Mercado Livre, iFood, entre outros, a forma como interagimos, consumimos conteúdo, produtos e serviços, se conectou de vez com a web.

Foi assim que toda uma economia foi criada em torno da tecnologia, e empresas como Apple, Amazon, Google e Meta (antigo Facebook) se tornaram algumas das maiores empresas do mundo, gerando um verdadeiro mar de arrependidos por não terem investido em suas ações antes.

Agora, a internet virou fonte de renda de milhares de pessoas. Seja com a produção de conteúdo, dando caronas, alugando casas, fazendo entregas ou comercializando produtos, a Web 2.0 integra boa parte do dia a dia da maioria das pessoas, impulsionada pelo uso de smartphones e dispositivos móveis.

Apesar da grande evolução causada pela Web 2.0, depois de duas décadas, a necessidade por novas formas de usar a internet cresce cada vez mais. Problemas da Web 2.0 viraram o assunto nos últimos anos, como a centralização que facilita a formação de verdadeiros oligopólios que podem extrair dados extremamente detalhados de usuários gratuitamente e os utilizar em práticas predatórias de publicidade e marketing. Casos como o vazamento de dados da Cambridge Analytica, que fizeram com que Mark Zuckerberg passasse horas em julgamento no Senado norte-americano, deram luz à problemas ainda maiores nos bastidores das redes utilizadas por bilhões de pessoas todos os dias.

Web 3.0

A Web 3.0 é considerada a nova fase da internet e uma série de especialistas preveem que ela pode substituir a fase atual no futuro próximo. Oferecendo conceitos similares ao que o próprio Berners-Lee idealizava nos anos 90 como o que chamava de “Web Semântica”, a Web 3.0 já existe e dá os seus primeiros passos utilizando como base a tecnologia blockchain.

A nova fase da internet é descentralizada, e por isso, permite um controle maior por parte do usuário de seus dados pessoais. Ele pode escolher se irá monetizá-los ou não, e até mesmo lucrar em criptomoedas por navegar na internet e visualizar anúncios, utilizando o navegador Brave.

Enquanto a Web 2.0 é focada nas comunidades, a Web 3.0 tem como objetivo alcançar usuários individuais, para entender suas preferências e fornecer experiências adaptadas ao seu comportamento. Tudo isso, mantendo a transparência por meio do blockchain e sua infraestrutura de código aberto.

Todos podem participar da nova fase da internet sem censura e sem precisar confiar uns nos outros. Por meio de algoritmos programados, qualquer acordo é automaticamente efetivado sem a necessidade de um intermediário, e as criptomoedas serão a moeda oficial. Otimizando a forma como lidamos com o dinheiro e funcionando de forma 100% digital, os usuários poderão utilizar criptomoedas como o bitcoin e o ether, ou stablecoins e CBDCs, cujo valor é estável e atrelado a outros ativos.

Além disso, conceitos como Machine Learning e Internet das Coisas podem ser utilizados para melhorar ainda mais a experiência do usuário na Web 3.0, que pode ser tão disruptiva quanto a Web 2.0 foi nos anos 2000.

Como resultado, os aplicativos da Web 3.0 também são descentralizados, e construídos com base na tecnologia blockchain. Assim, nenhuma empresa pode ter o controle sobre eles, como é o que ocorre atualmente com plataformas como o Facebook e Twitter.

Atualmente, milhares de “dApps” já existem e a discussão sobre a existência de uma rede social descentralizada já envolve grandes nomes da indústria, como o criador do Twitter Jack Dorsey e seu novo dono, Elon Musk, e o cofundador do Reddit, Alexis Ohanian.

Eric Schimdt, ex-CEO do Google, importante protagonista da revolução causada pela Web 2.0, agora aposta na Web 3.0 como o futuro da internet. “Um novo modelo de internet onde você como indivíduo pode controlar sua identidade e onde você não tem um gerente centralizado, é muito poderoso. É muito sedutor e muito descentralizado. Lembro-me daquele sentimento quando eu tinha 25 anos que a descentralização seria tudo. A economia da Web 3.0 é interessante. As plataformas são interessantes e os padrões de uso são interessantes”, declarou o executivo, em uma entrevista recente à CNBC.

A nova fase da internet ainda está em fase de expansão e precisa melhorar em alguns quesitos para que possa ser adotada em massa pelo público mundial. Os principais problemas apontados por usuários são:

• Escalabilidade: as transações são mais lentas porque são descentralizadas. Pagamentos, por exemplo, precisam ser processados por um minerador e propagados por toda a rede.

• Experiência do usuário (UX): interagir com aplicativos descentralizados pode exigir etapas extras, software potente e experiência no assunto.

• Acessibilidade: a falta de integração em navegadores modernos torna a Web 3.0 menos acessível para a maioria dos usuários.

No fim, a intenção de todas as fases da internet é promover o acesso à informação, apesar de suas diferenças evolutivas. Comparando com as fases do cinema, a Web 1.0 poderia representar a era do cinema em preto e branco, enquanto a Web 2.0 seria a era do 3D colorido, e a Web 3.0 as experiências imersivas no metaverso. Assim como a Web 2.0 mudou a forma como fazemos negócios e consumimos cultura em todo o mundo, agora pode ser a vez da Web 3.0.

https://exame.com/future-of-money/web-3-0-a-nova-fase-da-internet-o-que-vai-mudar/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Mulheres são punidas no mercado de trabalho ao se tornarem mães

O quadro só muda com mulheres ocupando mais espaços de liderança nas profissões

Laura Karpuska*, O Estado de S.Paulo 25 de março de 2022 

A diferença salarial entre homens e mulheres não ocorre, em geral, porque mulheres recebem menos pelo mesmo trabalho. Existem alguns fatores que explicam a diferença. Um deles é que mulheres costumam ocupar profissões que são socialmente menos valorizadas e, portanto, com remuneração menor. 

Escolhas profissionais também são fruto de nosso ambiente cultural e social. Se as mulheres crescem ouvindo que são ruins em matemática, elas vão se afastar das Ciências Exatas – associadas e profissões mais bem remuneradas. Mulheres também participam menos do mercado de trabalho. Muitas vezes, elas escolhem não seguir uma profissão fora do domicílio.

GravidezFingir que não há custos na maternidade é continuar incapacitando mulheres de exercer seu verdadeiro potencial. Foto: Fernanda Luz/ Estadão

Mulheres também costumam progredir menos nas suas carreiras. São raras as mulheres em posições de liderança. Um dos fatores que mais explicam essa estancada é a maternidade. O mecanismo por meio do qual a maternidade impacta a carreira das mulheres é opaco. 

Mulheres são punidas por se tornarem mães e são levadas a serem menos ambiciosas, se podemos falar assim, para poder lidar com a maternidade na falta de uma rede de apoio. Se a sociedade oferecesse uma melhor rede de apoio a mães, estas mulheres poderiam caminhar em outras direções. Há, portanto, espaço para políticas públicas e privadas que minimizem o custo coletivo da gravidez

Durante minha gravidez, ouvi que as mulheres hoje podem tudo e que a gravidez não é mais um empecilho. Acho um discurso perigoso. Fingir que não há custos na maternidade é continuar incapacitando mulheres de exercer seu verdadeiro potencial. Oferta de creches públicas, licença-maternidade, licença-paternidade são apenas algumas das óbvias políticas públicas que podem ajudar a reduzir o custo individual da maternidade e a desigualdade gerada pelo acesso a esses serviços.

Além desses fatores observáveis, há os não observáveis. O acolhimento dos erros masculinos costuma ser maior entre seus pares. Não existe a mesma tolerância com as colegas. Esse quadro só muda com mulheres ocupando mais espaços de liderança nas profissões. Algo que se torna difícil sem um plano de acolhimento à maternidade. 

Ficarei algumas semanas sem escrever. Saio de licença-maternidade para ter minha primeira filha e poder cuidar dela. Quando descobri que teríamos uma menina, pensei com otimismo que ela encontraria um mundo ainda melhor do que eu ou minha mãe encontramos. 

Dedico esta coluna às leitoras mulheres, sejam mães ou não. O peso da maternidade cai sobre todas nós, de uma forma ou de outra. E dedico especialmente à Yara, que me fez mãe. 

* PROFESSORA DO INSPER, PH.D. EM ECONOMIA PELA UNIVERSIDADE DE NOVA YORK EM STONY BROOK

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,laura-karpuska-maternidade-desigualdade-mercado-trabalho,70004018753

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Customização em massa vira a chave para a indústria

Ao aproximar fabricantes de consumidores finais, diretor de desenvolvimento de negócios Pollux, Ricardo Gonçalves, ensina a tirar proveito da personalização em escala para promover a fidelização do cliente

Rodrigo Oliveira MIT Sloan Review 26 de Abril 2022

Em 2019, a Nestlé Brasil fez uma revisão geral de processos e maquinários para sua marca de cápsulas de café Nescafé Dolce Gusto para automatização, que incluiu uma linha de montagem turnkey (virada de chave, em inglês) com software para sequenciamento da produção, linhas, robôs, sistemas de visão e inspeção, além de sistema de monitoramento remoto, cibersegurança, gestão de big data (de suprimentos e outros dados da linha) e armazenamento das informações em nuvem.

O objetivo? Viabilizar uma produção customizada para entregar uma melhor experiência ao cliente. Cada cliente poderia receber a sua caixa com a sua combinação preferida de blends de café. Para isso, contratou a Pollux, empresa brasileira especializada em automação industrial adquirida em 2021 pela Accenture. Porém, mais do que eficiência, o que a automatização viabilizou foi o redesenho do contato com o consumidor. A proposta de valor é que, agora, quem compra Dolce Gusto tenha uma experiência mais fluida e com maior poder de escolha. E a companhia não perde eficiência ou rentabilidade. O caso ficou conhecido por seu pioneirismo e foi premiado pela Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII), como o melhor case de indústria 4.0 do Brasil. Trata-se de um processo de customização em massa, já que a linha tem capacidade para o fluxo de 18 mil cápsulas por hora.

Será que toda planta industrial deve pensar em criar uma linha automatizada desse tipo, que monta as caixas de acordo com os pedidos realizados no e-commerce? Ao menos, a tendência é essa. O que se exige para tanto é a digitalização completa do chão de fábrica e sua integração com as áreas de marketing, produto, TI, logística e e-commerce, a fim de escalar a capacidade de individualização. Essa é a bandeira do executivo Ricardo Gonçalves, diretor de desenvolvimento de negócios da Pollux, Part of Accenture, como a empresa é chamada. Ciente de que o mindset de customização é uma das tendências mais fortes da era digital, este Fórum: Pensamento Digital entrevistou Gonçalves para entender oportunidades e desafios desse uso da indústria 4.0.

MIT SMR Brasil: Na década de 1990, especialistas em experiência do cliente já falavam sobre customização em massa. A promessa está se concretizando globalmente?

Ricardo Gonçalves: A customização em massa é uma resposta à evolução do comportamento de consumo. O consumidor de hoje em dia é bem informado, impaciente, infiel e individualista. Não raras vezes, o cliente tem mais conhecimento do que o próprio vendedor sobre determinado produto. Ele também faz questão de receber o pedido o mais rápido possível, troca de marca ao sentir vontade de experimentar algo novo e quer se destacar no meio da multidão. Então, a customização em massa representa uma estratégia cada vez mais importante para atender às necessidades individuais do cliente de hoje.

E é uma estratégia que está amadurecendo em termos da relação custo-benefício?

Eu diria que sim. Porque o desafio é o mesmo que havia nos anos 1990 – sintonizar o oferecimento de bens e serviços customizados com a necessidade de produção em escala industrial –, mas agora temos muito mais tecnologias e dados para fazer isso.

A empresa pode combinar equipamentos computadorizados e procedimentos flexíveis de montagem e fabricação com informações. Dessa forma, consegue fabricar unidades de produtos específicos a um custo relativamente competitivo. É um bom negócio para a maioria dos setores de atividade. Vai ser cada vez mais.

A linha turnkey vem pronta para funcionar. Mas há mudanças que a empresa precisa fazer para lidar com essa automação que customiza?

O primeiro ponto é que tecnologias precisam operar sempre em função da estratégia de uma empresa. Inteligência artificial, robótica, internet das coisas ou computação em nuvem, não importa o que se use, têm de estar de acordo com a estratégia.

Em segundo lugar, não adianta construir uma indústria flexível e conectada sem mexer no design organizacional. Isso porque existe um abismo operacional entre atender um pequeno número de itens e com poucas variações deles e possibilitar um número quase infinito de combinações. O tipo de maquinário e tecnologia é diferente. Muda o tipo de gestão, mudam os indicadores, mudam os treinamentos e as habilidades das pessoas. Para atender à individualização, é preciso transformar estratégia, cultura, processos e pessoas. Tudo isso vem na frente da tecnologia.

Então, há um terceiro ponto: a capacidade organizacional de gerenciar mudanças aumenta bastante a probabilidade de sucesso, porque mudança quase nunca é algo confortável, não é?

Na MIT SMR temos falado muito, e apresentado muitas pesquisas, sobre o gap de letramento digital dos gestores e a necessidade de eles investirem em inteligência digital para se familiarizar rápido com as novidades e conseguir decidir sobre elas. Me parece que isso também ajuda na customização em massa, não?

Certamente.

Apesar desse caso na subsidiária brasileira da Nestlé, e de a Pollux ter nascido no Brasil, em Joinville (SC), é correto dizer que a customização em massa ainda engatinha no nosso País?

Sim, embora seja um conceito relativamente antigo, a customização em massa permanece em estágio inicial no Brasil. O modelo padronizado de distribuição de bens e serviços, possibilitado pelas linhas de fabricação e montagem tradicionais, ainda dita o que acontece no nosso chão de fábrica.

Como isso avança em outros países, será uma desvantagem competitiva?

Possivelmente.

As empresas no Brasil dificilmente investem em um processo novo como o da customização em massa se os ganhos não forem significativos e visíveis. Há ganhos assim à vista?

Bem, é bastante sabido que a digitalização da indústria facilita a produção, flexibiliza os processos, reduz os custos e aumenta a agilidade. Mas estamos lidando com algo de que ainda se fala pouco: a capacidade de atender aos anseios específicos de cada cliente individualmente, que é viabilizada pela automatização da produção, o que permite e expande a coleta de dados de rotina. Essa capacidade aproxima a indústria do consumidor final.

Historicamente, entre a indústria e o consumidor, existe a rede de varejo. E, por natureza, o distribuidor sempre centralizou a interação. Com a customização em massa, a indústria também passa a interagir, o que no mínimo lhe dá maior assertividade no desenvolvimento de produtos, retornando em satisfação para o cliente no momento presente e garantindo um portfólio mais elástico e preciso no futuro.

Estamos falando em gestão ambidestra…

Também. Mas estamos falando principalmente de resultados: as empresas aumentam o faturamento, assim como a margem de preço do produto. E, com essa lógica, as indústrias de commodities podem até mudar, transformando até mesmo uma commodity em mercadoria exclusiva. Os ganhos que justificam os investimentos são palpáveis.

A customização em massa tem um impacto ESG? Pode ser negativo, no sentido de aumento de consumo, ou é positivo?

Eu vejo um impacto ESG positivo. Ficou mais fácil simular os produtos por meio de sistemas ciberfísicos e digital twins, o que ajuda o consumidor a tomar a melhor decisão, aprimora a qualidade da própria indústria e reduz desperdícios.

De um lado, a indústria, por exemplo, demandará menos recursos e insumos para a sua produção, reduzindo o desperdício e, consequentemente, o impacto sobre o meio ambiente. Por outro lado, com processos mais econômicos e sustentáveis, o consumidor receberá produtos de qualidade mais elevada a custos reduzidos.

Outra consequência é o impacto na fidelização. Com clientes mais fiéis, as coisas ficam menos descartáveis. Você pode até trocar de produto quando há uma infinidade de similares. Mas é bem mais difícil abrir mão de uma marca que entrega algo que é a sua cara. Esse é o diferencial competitivo. Vemos isso já acontecendo nos setores têxtil, automotivo e alimentício.

Falamos de inteligência digital, e lhe pergunto: o que as lideranças podem fazer para acelerar o processo de mudança em busca da personalização em escala?

A possibilidade de customização em massa deve ser parte da agenda estratégica. Esse é o primeiro ponto. A alocação de recursos deve ser uma outra prioridade. Também é necessário escolher os parceiros certos para dar suporte à transição. Poucas empresas estão realmente preparadas; elas vão precisar de ajuda. Não dá para ignorar a necessidade de transformação de processos. É necessário adaptar o perfil dos profissionais de modo que a tecnologia sirva ao negócio. O executivo americano Jack Welch, considerado o maior CEO do século 20, tem uma ótima frase: ‘Quando o ritmo de mudança dentro da empresa for ultrapassado pelo ritmo da mudança fora dela, o fim está próximo’.

Essa frase de Jack Welch pode ser aterrorizante para alguns gestores. Qual é o ritmo de mudança do lado de fora?

Eu diria que pensar em implementar a customização em massa no fim da década (de 2020), não é um bom caminho. A velocidade do lado de fora, ou seja, ditada pelo mercado de consumo, está particularmente alta. Não importa qual é a relevância da sua empresa no momento. Ela precisa acompanhar o ritmo da mudança lá fora.

Autoria

Rodrigo Oliveira

É colaborador de MIT Sloan Review Brasil.

https://mitsloanreview.com.br/post/customizacao-em-massa-vira-a-chave-para-a-industria

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Aportes em startups desaceleram e unicórnios vivem fase de ajuste

Aportes que subiram 368% em 2021, sobem só 4% neste ano e startups importantes vivem fase de ajuste com demissões

Por Felipe Erlich Veja 22 abr 2022 

Os aportes em startups brasileiras no primeiro trimestre do ano tiveram um saldo significativo: fora 2,04 bilhões de dólares (quase 10 bilhões de reais). Apesar do número robusto, os investimentos representam um crescimento de apenas 4% em relação ao mesmo período do ano passado quando foram registrados aportes de 1,96 bilhão de dólares, segundo dados do hub de startups Distrito e do Bexs Banco. Mas o que mais impressiona é a desaceleração dos investimentos. No primeiro trimestre de 2021, o crescimento havia sido de mais de 368% em comparação com o ano anterior. 

De acordo com Gustavo Gierun, cofundador da Distrito, o mercado gozava de muita liquidez em 2021, enquanto hoje taxas de juros estão sendo elevadas em todo o mundo para conter a pressão inflacionária e há um grande stress no mercado por conta da guerra na Ucrânia. Em sua análise, o mercado está dando sinais de que o acesso ao capital será mais difícil, mas sem, no entanto, que haja uma grande ruptura.

Paralelamente, unicórnios como QuintoAndar, Facily e Loft, que receberam grandes aportes em anos anteriores, estão fazendo ajustes com demissões em massa nas últimas semanas. Gierun caracterizou esse fenômeno como um “ajuste pontual derivado dos desafios vigentes”. Apesar de alguns dados desanimadores, como as demissões, ele realça que o mercado brasileiro de startups cresce proporcionalmente mais que o americano e diz que “potencial existe e [o crescimento] é uma tendência estrutural”. 

https://veja.abril.com.br/coluna/radar-economico/aportes-em-startups-desaceleram-e-unicornios-vivem-fase-de-ajuste/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Como foram construídas as grandes pirâmides do Egito? Spoiler: não foram aliens

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela –  Canaltech -| 27 de Março de 2022

 Com uma história que se estende por milhares de anos, o Egito é um campo fértil para diversas áreas da ciência, principalmente história e arqueologia. Ao longo do tempo, relatos se perdem, línguas são esquecidas e fatos se tornam lendas — os hieróglifos, por exemplo, escrita antiga local que junta símbolos fonéticos e ideográficos, foram decifrados apenas em 1822, pelo francês Jean-François Champollion, um mistério de milênios.

Descobrir como era o modo de vida dos antigos egípcios é uma arte que requer o trabalho conjunto de muitos cientistas, como os linguistas que traduzem os hieróglifos, os arqueólogos que descobrem evidências deixadas pelos nossos antepassados e engenheiros que teorizam os métodos de construção dos povos da época. É assim que, nas últimas décadas, têm se descoberto cada vez mais detalhes sobre a construção das Grandes Pirâmides do Egito: com muito estudo, curiosidade e, porque não, um pouco de imaginação.

A necrópole de Gizé

Quando falamos das pirâmides do Egito, na maioria das vezes estamos nos referindo às construções da necrópole de Gizé, onde estão as três grandes proezas da engenharia antiga. A maior delas, e também a mais antiga, famosa por ser a Grande Pirâmide, foi construída para ser a tumba do faraó Quéops (Quenum Cufu, em egípcio), que reinou a partir do ano 2551 a.C., e hoje tem 138 metros de altura (originalmente, 146). É uma das sete maravilhas do mundo antigo, e a única sobrevivente.

Complexo de Gizé, que comporta as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos (Imagem: Jeremy Bezanger/Unsplash)

A segunda, apenas um pouco menor, mas construída em terreno mais alto, é a de Quéfren, filho de Quéops, que reinou a parir de 2520 a.C. Ela tem 136 metros de altura (143, originalmente) e, ao seu lado, está o monumento da Esfinge, cujo rosto se acredita ser modelado com base nas feições do faraó. A última das três grandes é a de Miquerinos (Menkauré), filho de Quéfren que começou a reinar em 2490 a.C., e que decidiu fazer uma pirâmide menor: ela tem 61 metros de altura atualmente, 65 à época da construção.

Evolução da técnica

Mastaba empilhada de Djoser, um dos projetos que inspiraram a construção das pirâmides (Imagem: antonpetrus/Envato)

Apesar do empilhamento de materiais em forma de pirâmide ser o método mais fácil de se construir algo alto, é claro que os egípcios não fizeram seus monumentos da noite para o dia — a técnica para se fazer pirâmides lisas da magnitude das de Gizé foi sendo aperfeiçoada ao longo de muitos séculos, e temos evidências disso. No Egito de 5.000 anos atrás, se construíam mastabas, túmulos em forma de trapézio que eram uma espécie de “avós” das pirâmides, descobertos pelo arqueólogo Sir Flinders Petrie.

O faraó Djoser (ou Neterket), que começou a reinar em 2630 a.C., juntamente com o arquiteto e polímata Imhotep, construiu sua tumba em Sacara (ou Saqqara) de um modo peculiar: ele empilhou uma mastaba em cima da outra, fazendo uma espécie de pirâmide retangular com degraus com seis camadas, cheia de túneis subterrâneos e câmaras. Essas técnicas foram melhoradas no reinado de Seneferu (ou Sóris), faraó desde 2575 a.C., que fez três pirâmides, já com faces lisas, inovação de seus arquitetos.

A pirâmide torta de Seneferu, um dos primeiros projetos que precederam as Grandes Pirâmides de Gizé (Imagem: Dmitrii Zhodzishskii/Unsplash)

Com a prática, vem a perfeição: uma das pirâmides de Seneferu mostrou falhas no design, e hoje é conhecida como a “pirâmide curva”, já que o ângulo muda a partir do meio da construção. Em Dahshur, uma segunda pirâmide já corrigia essa falha, conhecida como a “pirâmide vermelha”, a partir da cor das pedras utilizadas. Foi a primeira pirâmide verdadeira feita pelos egípcios, tendo um ângulo constante. O filho de Seneferu foi ninguém menos do que Quéops, que carregou o legado do pai ao fazer a primeira das três grandes.

Orçando o projeto

Vindas de grandes figuras da antiguidade como os faraós, as pirâmides foram projetos longos e extremamente caros — estima-se que a maior delas levou 30 anos para ficar pronta, e custaria cerca de R$ 2,7 bilhões, sendo que 2,4 bi seriam só em material, algo provavelmente inviável para os dias de hoje. Como eram considerados descendentes dos deuses e chefes supremos de seu povo, os faraós podiam se dar ao luxo de fazer tumbas dessa escala — e apontavam seus maiores oficiais para inspecionar os projetos.

Normalmente, a construção das pirâmides era chefiada pelo vizir, o cargo mais alto na corte do faraó. Segundo um papiro descoberto em 2010 em Wadi al-Jarf, o porto mais antigo do mundo, no Mar Vermelho, o vizir de Quéops era seu irmão, Ankhaf, no vigésimo sétimo ano de seu reinado. Antes disso, no entanto, especialistas acreditam que o vizir e arquiteto responsável teria sido Hemiunu.

A construção dos complexos funerários não envolveu apenas o levantamento das pirâmides, mas também de templos, poços para barcas funerárias e cemitérios, além de pequenas cidades que abrigavam trabalhadores e oficiais envolvidos no projeto. Os egípcios tinham, inclusive, técnicas para alinhar as construções de acordo com o norte verdadeiro com grande precisão. A pirâmide de Quéops, por exemplo, aponta para o norte com margem de erro de apenas um décimo de grau — e não sabemos como, apesar de se acreditar que o método tenha a ver com observação de estrelas circumpolares, como Polaris, e fios de linha.

Material e transporte

Os blocos de pedra das construções foram trazidos de diferentes partes do Egito. Para a pirâmide de Quéops, a maior parte do material foi trazido de uma pedreira em forma de ferradura ao sul de Gizé, segundo a Ancient Egypt Research Associates (AERA, Pesquisadores Associados do Egito Antigo). Para a pirâmide de Miquerinos, pedras foram trazidas de uma pedreira a sul-sudeste do local; para Quéfren, no entanto, não se sabe a origem do material utilizado. Todas elas receberam uma cobertura de calcário, que, ao longo dos anos, foi sendo retirada para outros projetos de construção — hoje, resta pouco dela, e é o motivo das tumbas terem ficado “menores” ao longo das eras.

Segundo papiros encontrados em Wadi al-Jarf, o calcário do revestimento foi retirado de uma pedreira em Tura, perto de onde hoje é o Cairo, capital do Egito, e levado através de barcos ao longo de uma série de canais do rio Nilo. Cada viagem levava quatro dias para ser feita, de acordo com a fonte. Uma vez em terra, as pedras eram carregadas pelos trabalhadores utilizando trenós de madeira. A areia à frente dos trenós era umedecida com água — o que reduzia a fricção e facilitava o transporte, já que diminuía a quantidade de pessoas necessárias à tração pela metade. Essa técnica pode ser vista em pinturas egípcias da época.

A maioria dos egiptólogos concorda que as pedras eram levadas ao topo das pirâmides através de um sistema de rampas, mas há pouco consenso acerca do método: ninguém sabe como as rampas eram feitas, e não há quase nenhuma evidência disponível. Alguns desenhos hipotéticos vêm sendo feitos nas últimas décadas, mas nenhum definitivo foi aceito até agora.

A Esfinge de Quéfren com a Grande Pirâmide de Gizé ao fundo (Imagem: Nada Habashy/Unsplash)

Suprimentos aos trabalhadores

Uma questão importante à construção dos complexos funerários é a mão de obra. Com tantos trabalhadores, arquitetos e oficiais envolvidos, havia de se construir alojamentos e trazer alimentos, além do material necessário. Em 2014, arqueólogos da AERA encontraram um porto numa cidade da época de Miquerinos, próximo de sua pirâmide, repleto de residências para os altos oficiais e um complexo de quartéis para os soldados. Os trabalhadores braçais provavelmente dormiam em alojamentos na lateral das pirâmides.

Para todas as três tumbas, acredita-se que a mão-de-obra tenham ficado em torno de 10.000 pessoas. Um estudo da AERA de 2013 mostrou que mais de 1.800 quilos de carne de gado, ovelha e cabra eram produzidos todos os dias para a alimentação dos trabalhadores. Os ossos de animais encontrados aos pés das construções são evidências disso, e corroboram as necessidades nutricionais do trabalho duro realizado no local. Essa dieta rica em carne era melhor do que a das vilas onde os egípcios moravam — um dos bons motivos para alguém, à época, querer participar da construção dos monumentos. Eles também eram pagos em produtos têxteis, que funcionava como uma espécie de moeda na época.

O que não sabemos

Apesar de muito ter sido descoberto nas últimas décadas, complementando achados arqueológicos coletados por séculos, há muito a ser descoberto sobre as pirâmides. As três grandes de Gizé têm uma centena de irmãs espalhadas pelo que foi o antigo Egito, cuja construção também tem uma dose de mistério.

Não se sabe, por exemplo, a natureza exata dos trabalhadores que participaram das construções: é sabido que eles não eram escravos, mas estudos vêm sendo feitos para descobrir se eles eram agricultores sazonais — que saíam dos campos quando não havia plantio para cuidar — ou profissionais mais especializados.

Vãos na pirâmide de Quéops que estão sendo estudados pela Scan Pyramids Mission (Imagem: ScanPyramids/Reprodução)

Também não sabemos tudo o que há por dentro das grandes pirâmides de Gizé: algumas áreas são fisicamente inacessíveis nos tempos atuais, relegando seus estudos a técnicas mais avançadas que ainda estão sendo desenvolvidas. Uma delas constitui o projeto Scan Pyramids Mission, que tenta descobrir o que está dentro de dois vãos na pirâmide de Quéops — um grande, acima da câmara do faraó, e outro, menor, na face norte — através de grandes scanners de raios cósmicos. São necessários, no entanto, financiamento e vários anos de estudos.

E os alienígenas?

Nas próximas décadas, provavelmente descobriremos muito mais sobre essas grandes maravilhas do mundo antigo — e ficará claro de uma vez por todas, talvez, que não foram os alienígenas que as construíram, mas sim nós mesmos, humanos.

Fonte: Live Science, Physical Review Letters, Academia

https://canaltech.com.br/ciencia/como-foram-construidas-as-grandes-piramides-do-egito-spoiler-nao-foram-aliens-212495/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Por que toda empresa precisa de um Chief Entrepreneur, por Ricardo Bellino

Em artigo, o empreendedor serial Ricardo Bellino argumenta que a inovação corporativa (e disruptiva) requer um empreendedor no comando

Por Ricardo Bellino, Chief Entrepreneur e Deal Maker da Bellino’s Unltd 20/04/2022

Se não quiser correr o risco de se tornar obsoleta no século XXI, toda grande empresa deve enfrentar a realidade de inovação e disrupção contínuas. Mas, vale o alerta, é improvável que as estruturas organizacionais que caracterizam as corporações estabelecidas hoje construam esse novo caminho para o crescimento sustentado pela transformação.

Isso, claro, não invalida o sucesso que conquistaram até aqui ao desenhar um plano de negócios bem-sucedido e melhorá-lo ao longo do tempo. Elas estão onde estão, sem dúvida, porque escalaram com sucesso e aprimoraram continuamente um modelo comprovado.

É um grande risco ignorar que o jogo agora é diferente. Para alcançar um crescimento substancial e contínuo, tornou-se indispensável ir além de melhorar o modelo de negócios existente ou simplesmente lançar novos produtos. Por quê? Simplesmente porque essas ações não irão mais gerar um crescimento sustentável.

O desenvolvimento virá de organizações que se destacarem em melhorar seu modelo de negócios estabelecido e, ao mesmo tempo, inventarem os motores de crescimento de amanhã, principalmente propostas de valor e modelos de negócios inteiramente novos.

A excelência na exploração incremental e na exploração inovadora simultaneamente é extremamente difícil devido às diferentes culturas, habilidades, ferramentas e mentalidades necessárias. No entanto, apenas as empresas que conseguirem nutrir essas duas culturas sob o mesmo teto prosperarão na economia da inovação.

É uma mudança radical, mas importante. Um estudo da KPMG revelou que 74% dos CEOs estão preocupados com novos entrantes interrompendo seus modelos de negócios. No mesmo estudo, 53% assumiram que não estavam revolucionando suficientemente seus modelos de negócios.

O desenvolvimento virá de organizações que se destacarem em melhorar seu modelo de negócios estabelecido e, ao mesmo tempo, inventarem os motores de crescimento de amanhã, principalmente propostas de valor e modelos de negócios inteiramente novos (Thinkstock/Thinkstock)

Outro levantamento da McKinsey indicou que 80% dos CEOs acreditam que seus modelos de negócios estão em risco e apenas 6% disseram estar satisfeitos com o desempenho de inovação de sua empresa.

A conclusão é evidente: as estruturas organizacionais em muitas dessas empresas simplesmente não estão configuradas para criar um crescimento revolucionário.

Então, o que precisamos fazer para preparar as organizações para a inovação?

Em primeiro lugar, as empresas precisam ir além da tradicional P&D, tecnologia e inovação de produtos para passar a se concentrar em novas propostas de valor e modelos de negócios. Também significa criar uma estrutura organizacional inteiramente nova na qual a exploração incremental e a exploração inovadora possam coexistir e o crescimento possa prosperar.

E é para enfrentar este desafio que trago a recomendação de toda empresa criar uma nova posição em seus quadros que chamo de Chief Entrepeneur (CE), ou Empreendedor Chefe, o guardião da cultura de inovação da empresa, o líder da jornada de exploração.

Qual será sua função? Ele, ou Ela, terá o mesmo poder do CEO para se concentrar exclusivamente em inventar o futuro da empresa gerenciando uma equipe de empreendedores responsáveis por um portfólio de experimentos de inovação.

Mas por que você precisa de um empresário-chefe com poder?

Simples: é cada vez mais difícil crescer substancialmente apenas por meio da inovação de produtos e tecnologia. Para ganhar market share, as organizações precisam fazer a distinção entre a inovação incremental e de eficiência, que sustenta o negócio atual, e a inovação transformadora, que explora novos horizontes e modelos de negócios potencialmente disruptivos.

Um bom exemplo: um novo modelo de produto ou recurso pode adicionar alguma receita de curto prazo a um setor estagnado. Corte de custos e reengenharia de processos de negócios podem estabilizar o navio ou tornar a empresa eficiente, mas o foco nesses tipos de inovação, por si só, não será suficiente para garantir sua sobrevivência.

O crescimento transformador vem de grandes propostas de valor e modelos de negócios. As novas tecnologias podem ainda desempenhar um papel preponderante, mas precisam ser embaladas em uma proposta de grande valor e associadas a um poderoso modelo de negócios.

Os melhores CEOs são excelentes em crescer e administrar uma empresa dentro de um modelo de negócios conhecido. O que eles não fazem bem o suficiente é reinventar e inovar. Não é porque eles são incompetentes; eles apenas falham na tarefa por várias razões.

Os CEOs geralmente se tornam bem-sucedidos por meio do modelo de negócios estabelecido e são pressionados a fornecer resultados de curto prazo.

Nem todos têm a capacidade de ser o principal motor da inovação e também não têm a compreensão do que é necessário para o crescimento da inovação; e isso faz com que os negócios estabelecidos vejam qualquer coisa diferente como anticorpos prejudiciais ao modelo de negócios existente.

Há também pouquíssimos CEOs que podem gerenciar a tarefa de duas funções completamente diferentes que exigem habilidades e estruturas organizacionais totalmente distintas.

A função central do novo Chief Entrepreneur é inventar o futuro da empresa, enquanto o CEO administra os negócios existentes e financia a busca do futuro pelo CE. Esta não é uma função de Chief Technology Officer (CTO), nem do chefe de P&D, ou meramente uma função de Chief Innovation Officer (CIO) que se reporta ao CEO.

O Empreendedor Chefe é um executivo tão poderoso quanto o CEO, com liderança e proteção claras sobre a inovação transformadora dentro da empresa. Juntamente com o CEO, eles se reportam ao presidente do conselho como iguais. Um focado na exploração incremental, o outro focado na exploração inovadora.

Mas o que o CE realmente faz?

O Empreendedor Chefe será responsável por gerenciar um portfólio de empreendedores que experimentam novos modelos de negócios e propostas de valor. E deve ser alguém com uma paixão por assumir riscos calculados para assumir as seguintes atribuições:

Construir o futuro para a empresa. O CE é responsável pelo desenvolvimento de novos modelos de negócios e propostas de valor para assegurar a longevidade da empresa.

Orientar e apoiar uma equipe específica de empreendedores. A equipe do CE busca e valida modelos de negócios e propostas de valor em torno de oportunidades de crescimento. Isso significa gerenciar empreendedores que podem navegar pelas tendências e comportamentos do mercado.

Projetar/construir um espaço de invenção. O CE é responsável por criar o habitat para sua equipe experimentar, falhar e aprender. Esta é uma cultura adicional em que as ideias podem ser exaustivamente testadas. O CE deve defender a cultura, os processos, os incentivos e as métricas que nascem neste espaço.

Introduzir a contabilidade da inovação. O CE deve desenvolver um novo processo que meça se o progresso está sendo feito na construção de novos negócios. Como esses experimentos estão ajudando a equipe a aprender, reduzir incertezas e riscos e seguir em frente?

Estabelecer e nutrir uma parceria com o CEO. O CE trabalha com o CEO para garantir que recursos e ativos estejam disponíveis para validar ou invalidar ideias. Ele é responsável por construir uma parceria para discutir o progresso e compartilhar novas ideias.

A comunicação é fundamental para essa parceria porque o CEO é quem pode ajudar a financiar experimentos futuros. O CE deve reconhecer a importância de entregar um modelo de negócios validado que demonstre oportunidades de escala.

Relatar seu progresso diretamente ao presidente executivo do conselho de administração. O Empreendedor Chefe não trabalha para o CEO, nem ao lado do CTO, CIO e CFO. Essas funções são obrigatórias para manter os negócios existentes em boa forma. Se o CE reportasse ao CEO, então o CEO poderia vetar ideias em potencial para reservar recursos e proteger a empresa contra falhas.

Eu sei o que você está pensando: o papel do CE é mesmo realista, factível? Que CEO estaria disposto a dividir o poder nos níveis mais altos de qualquer empresa?

Admito que é uma tarefa realmente difícil, mas não impossível. É importante que a diretoria e o CEO percebam a necessidade de ter alguém do mesmo nível para inventar o futuro. Ou pode ser tarde demais e a organização ser atropelada pelo bonde da inovação.

(*) Chief Entrepreneur e Deal Maker da Bellino’s Unl

https://exame.com/pme/por-que-toda-empresa-precisa-de-um-chief-entrepreneur-por-ricardo-bellino/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/