Mulheres são punidas no mercado de trabalho ao se tornarem mães


O quadro só muda com mulheres ocupando mais espaços de liderança nas profissões

Laura Karpuska*, O Estado de S.Paulo 25 de março de 2022 

A diferença salarial entre homens e mulheres não ocorre, em geral, porque mulheres recebem menos pelo mesmo trabalho. Existem alguns fatores que explicam a diferença. Um deles é que mulheres costumam ocupar profissões que são socialmente menos valorizadas e, portanto, com remuneração menor. 

Escolhas profissionais também são fruto de nosso ambiente cultural e social. Se as mulheres crescem ouvindo que são ruins em matemática, elas vão se afastar das Ciências Exatas – associadas e profissões mais bem remuneradas. Mulheres também participam menos do mercado de trabalho. Muitas vezes, elas escolhem não seguir uma profissão fora do domicílio.

GravidezFingir que não há custos na maternidade é continuar incapacitando mulheres de exercer seu verdadeiro potencial. Foto: Fernanda Luz/ Estadão

Mulheres também costumam progredir menos nas suas carreiras. São raras as mulheres em posições de liderança. Um dos fatores que mais explicam essa estancada é a maternidade. O mecanismo por meio do qual a maternidade impacta a carreira das mulheres é opaco. 

Mulheres são punidas por se tornarem mães e são levadas a serem menos ambiciosas, se podemos falar assim, para poder lidar com a maternidade na falta de uma rede de apoio. Se a sociedade oferecesse uma melhor rede de apoio a mães, estas mulheres poderiam caminhar em outras direções. Há, portanto, espaço para políticas públicas e privadas que minimizem o custo coletivo da gravidez

Durante minha gravidez, ouvi que as mulheres hoje podem tudo e que a gravidez não é mais um empecilho. Acho um discurso perigoso. Fingir que não há custos na maternidade é continuar incapacitando mulheres de exercer seu verdadeiro potencial. Oferta de creches públicas, licença-maternidade, licença-paternidade são apenas algumas das óbvias políticas públicas que podem ajudar a reduzir o custo individual da maternidade e a desigualdade gerada pelo acesso a esses serviços.

Além desses fatores observáveis, há os não observáveis. O acolhimento dos erros masculinos costuma ser maior entre seus pares. Não existe a mesma tolerância com as colegas. Esse quadro só muda com mulheres ocupando mais espaços de liderança nas profissões. Algo que se torna difícil sem um plano de acolhimento à maternidade. 

Ficarei algumas semanas sem escrever. Saio de licença-maternidade para ter minha primeira filha e poder cuidar dela. Quando descobri que teríamos uma menina, pensei com otimismo que ela encontraria um mundo ainda melhor do que eu ou minha mãe encontramos. 

Dedico esta coluna às leitoras mulheres, sejam mães ou não. O peso da maternidade cai sobre todas nós, de uma forma ou de outra. E dedico especialmente à Yara, que me fez mãe. 

* PROFESSORA DO INSPER, PH.D. EM ECONOMIA PELA UNIVERSIDADE DE NOVA YORK EM STONY BROOK

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,laura-karpuska-maternidade-desigualdade-mercado-trabalho,70004018753

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