Análise com 8 mil pessoas mostra aumento da jornada de trabalho, mais tempo de atividade digital e reuniões ocupando tempo maior, uma combinação que pode levar ao esgotamento
Por Adriana Fonseca, Para o Valor 03/08/2022
A jornada média de trabalho do brasileiro aumentou, bem como o tempo de atividade digital e a quantidade de reuniões – uma combinação preocupante e que pode levar a mais casos de esgotamento profissional, o chamado burnout. A conclusão é de uma análise feita pela Fhinck, a partir de uma base que reúne 8 mil profissionais de grandes empresas que atuam no Brasil. A startup, que usa dados para estruturar novas estratégias de gestão de pessoas, relacionou métricas da amostra de profissionais a estudos acadêmicos, como um de Harvard.
A análise, obtida pelo Valor, quis entender, por meio da geração de dados, os fatores de risco que podem levar ao estresse mental nos empregados e, assim, munir com informações a liderança da organização para melhorar as relações e o ambiente de trabalho nas empresas. “Os gestores ou o RH não precisam esperar chegar a avaliação de um profissional da saúde sobre a estafa do colaborador [para depois agir]. Isso é autópsia. Tem que tentar prevenir”, afirma Paulo Castello, CEO e fundador da Fhinck, reforçando que os dados jamais dão um diagnóstico de burnout, o que sempre deve ser feito por profissional especializado.
Segundo o levantamento, que analisou informações entre junho de 2020 e maio de 2022, a atividade digital (tempo que a pessoa passa em frente às telas trabalhando) aumentou 85% no período. A jornada de trabalho, por sua vez, passou de 60 horas semanais, um acréscimo de 6,7%, e a quantidade de reuniões aumentou 20%, mesma porcentagem de aumento detectado em comunicação escrita (envio de e-mails e chats corporativos).
No período considerado pós-pandemia (2022), a jornada já registrou uma redução, mas ainda se mantém 3,9% maior do que a média registrada em 2019 (período pré-pandemia).
Quando se analisa o fator reuniões on-line de trabalho, houve um aumento significativo de 95,5%, devido ao fato de as reuniões, antes comumente presenciais, passarem a ser realizadas de forma virtual, além de se mostraram mais intensas no período pandêmico. No atual momento, já se observa a retomada das reuniões presenciais, mas ainda há um aumento expressivo de encontros virtuais em relação ao período pré-pandemia: 78,4% .
Todo esse tempo em frente às telas é de se esperar que gere um estresse, afirma Castello, “porque o corpo não estava acostumado a isso”. “O pós-pandemia está mostrando que essa exposição às telas caiu só 20% e isso é uma preocupação. Antes tinha a questão do isolamento. Agora se tem a flexibilidade de distribuir melhor a jornada e não ficar o tempo todo no computador.”
A análise, segundo Castello, começou a mostrar que mesmo com as pessoas voltando ao escritório, ainda há um volume alto de reuniões digitais, “porque nem todo mundo está no escritório”. “Há um grande desafio de gestão neste momento, como reconstruir a forma de fazer gestão, de distribuir o tempo, que vai ser bastante dinâmico.”
Antes da pandemia, de acordo com os dados da Fhinck, 25% dos profissionais faziam home office. Agora são 75%. “Existe um movimento das empresas tentando levar os funcionários para o escritório, elas ainda têm o custo do imóvel, ainda existe o modelo de gestão com mentalidade de estar mais seguro vendo as pessoas trabalhando perto [fisicamente], e há ainda os desafios do trabalho do futuro, pessoas que não querem ser obrigadas a ir ao escritório”, afirma.
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Apple está dando pequenos passos em direção à Índia, mas a produção de seu celular mais recente mostra que será difícil fazer grandes mudanças.
Tripp Mickle Nova York | The New York Times 7.set.2022
Nos próximos meses, a Apple fará alguns de seus principais modelos de iPhone fora da China pela primeira vez. É uma mudança pequena, mas significativa, para uma empresa que construiu uma das cadeias de suprimentos mais sofisticadas do mundo com a ajuda das autoridades chinesas. Mas o desenvolvimento do iPhone 14, que deve ser revelado nesta quarta-feira (7), mostra como será complicado para a Apple realmente se desvencilhar da China.
Mais do que nunca, os funcionários e fornecedores chineses da Apple contribuíram com trabalho complexo e componentes sofisticados para o 15º ano de seu principal dispositivo, incluindo aspectos de design de fabricação, alto-falantes e baterias, de acordo com quatro pessoas informadas sobre as novas operações e analistas. Em consequência, o iPhone deixou de ser um produto projetado na Califórnia e fabricado na China para ser uma criação dos dois países.
O trabalho crítico fornecido pela China reflete os avanços do país na última década e representa um novo nível de participação de engenheiros chineses no desenvolvimento de iPhones. Depois de atrair empresas para suas fábricas com legiões de trabalhadores de baixo custo e capacidade de produção incomparável, os engenheiros e fornecedores do país subiram na cadeia de suprimentos para reivindicar uma fatia maior do dinheiro que as empresas americanas gastam para criar aparelhos de alta tecnologia.
As crescentes responsabilidades que a China assumiu pelo iPhone podem ameaçar os esforços da Apple para diminuir sua dependência do país, objetivo que ganhou maior urgência em meio às crescentes tensões geopolíticas sobre Taiwan e as preocupações latentes em Washington sobre a ascensão da China como concorrente em tecnologia.
As empresas chinesas com operações na Índia ainda terão um papel fundamental no plano da Apple de fabricar alguns iPhones no país. Em Chennai, na Índia, o fornecedor taiwanês Foxconn, que já produz iPhones em fábricas por toda a China, comandará a montagem do dispositivo pelos trabalhadores indianos com o apoio de fornecedores chineses próximos, incluindo a Lingyi iTech, que possui subsidiárias para fornecer carregadores e outros componentes para iPhone, de acordo com duas pessoas familiarizadas com os planos. A chinesa BYD também está estabelecendo operações para cortar vidro para telas, disseram essas pessoas.
“Eles querem diversificar, mas é um caminho difícil”, disse Gene Munster, sócio-gerente da empresa de pesquisa tecnológica Loup Ventures. “Eles dependem muito da China.”
A Apple se recusou a comentar. Foxconn, BYD e Lingyi iTech não responderam imediatamente a pedidos de declarações.
As interrupções relacionadas à Covid exacerbaram a situação da Apple. Quando a China fechou suas fronteiras em 2020, a Apple foi forçada a revisar suas operações e abandonar a prática de transportar hordas de engenheiros da Califórnia para a China para projetar o processo de montagem dos principais iPhones.
Em vez de submeter a equipe a longas quarentenas, a Apple começou a capacitar e contratar mais engenheiros chineses em Shenzhen e Xangai para liderar elementos críticos de design de seu produto mais vendido, segundo as quatro pessoas informadas sobre as operações.
As equipes de fabricação e design de produtos da empresa começaram a fazer videochamadas tarde da noite com os colegas na Ásia. Após a retomada das viagens, a Apple tentou incentivar sua equipe a retornar à China oferecendo uma bolsa de US$ 1.000 por dia durante suas duas semanas de quarentena e quatro semanas de trabalho, disseram essas pessoas. Embora o pagamento pudesse chegar a US$ 50 mil, muitos engenheiros relutavam em ir devido à incerteza sobre quanto tempo teriam de quarentena.
Na ausência de viagens, a empresa incentivou os funcionários na Ásia a conduzir reuniões antes lideradas por seus colegas na Califórnia, disseram essas pessoas. Eles também assumiram a responsabilidade pela seleção de alguns fornecedores asiáticos de futuras peças do iPhone.
A empresa agora recorre cada vez mais à China para fornecer trabalhadores com altos salários para esses trabalhos, disseram essas pessoas. Este ano, a Apple divulgou 50% mais empregos na China do que em 2020, segundo a GlobalData, que acompanha as tendências de contratação no setor tecnológico. Muitos desses novos contratados são cidadãos chineses que estudaram no Ocidente, segundo essas fontes.
A mudança na forma como a Apple trabalha coincidiu com um aumento do número de fornecedores chineses que ela usa. Há pouco mais de uma década, a China contribuía com pouco valor para a produção de um iPhone. Fornecia principalmente os trabalhadores de baixo custo que montavam os aparelhos com componentes enviados dos EUA, Japão e Coreia do Sul. O trabalho representava cerca de US$ 6 –ou 3,6%– do valor do iPhone, conforme um estudo de Yuqing Xing, professor de economia no Instituto Nacional de Estudos de Políticas, em Tóquio.
Gradualmente, a China treinou fornecedores locais que começaram a substituir os fornecedores da Apple do mundo todo. Empresas chinesas passaram a fabricar alto-falantes, cortar vidro, fornecer baterias e fabricar módulos de câmera. Seus fornecedores respondem hoje por mais de 25% do valor de um iPhone, de acordo com Xing.
Os ganhos ilustram como a China expandiu seu domínio na cadeia de suprimentos de smartphones, disse Dan Wang, analista da Gavekal Dragonomics, empresa independente de pesquisa econômica. “Essa tendência não está diminuindo”, disse ele.
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Solução é testada para dar maior sobrevida a órgão doado para transplante e para socorrer acidentados
Por Beth Koike — Valor 01/09/2022
Fundada pelo investidor brasileiro Luis Claudio Garcia de Souza (ex-Pactual e Rio Bravo), a startup de biotecnologia Virtech desenvolveu uma solução à base de hemoglobina com oxigênio semelhante ao sangue que chamou a atenção do Pentágono, o departamento de defesa dos Estados Unidos. A divisão do governo americano fez um aporte de US$ 13 milhões que impulsiona agora a fase de pesquisa clínica do projeto. O objetivo é usar o produto para evitar choque hemorrágico em pacientes vítimas de traumas e para dar maior sobrevida aos órgãos doados para transplante.
O Pentágono se interessou pela possibilidade da solução evitar o choque hemorrágico, um problema que afeta militares em combate ou civis que sofrem traumas, como acidentes de automóvel. Nesses casos, a hemorragia costuma ser a principal causa de morte, uma vez que é comum não haver tempo hábil para uma transfusão. As pesquisas realizadas até agora mostram que a solução, injetada no organismo como um substituto temporário do sangue, aumenta consideravelmente o tempo para a vítima chegar num hospital para transfusão.
A captação dos recursos com o Pentágono, que já alocou US$ 4 milhões nos últimos dois anos e aplicará o restante no decorrer do projeto, foi feita com a ajuda de Dallas Hack, um médico militar americano que esteve nas guerras do Afeganistão e Iraque e após se aposentar do serviço militar, em 2015, decidiu se dedicar às pesquisas em biotecnologia.
Hack conta que presenciou, durante os combates, “traumas incríveis que nunca tinha visto na faculdade de medicina ou nos treinamentos – perdermos muita gente por falta de tecnologia. Não fizemos muito para melhorar o atendimento ao trauma desde a Guerra do Vietnã. Isso é uma coisa triste no sistema de informação de pesquisa médica dos EUA, que usa dinheiro para pesquisa com doenças crônicas, mas não para traumas”, disse Hack. “Para o Pentágono esse projeto é prioridade número 1”, complementou o médico militar, que esteve em São Paulo, na semana passada, visitando a PUC-Campinas e Unifesp para possíveis parcerias nos estudos clínicos. Ele também esteve na Argentina.
As pesquisas mostraram ainda que a solução – batizada de Oxybridge – também permite que órgãos humanos doados para transplante tenham uma sobrevida maior. Acredita-se que esse tempo pode dobrar. Hoje, utiliza-se gelo para manter o órgão em boas condições para a cirurgia, mas apenas por nove horas, em média, e muitos transplantes são perdidos. Essa é uma realidade mundial.
A idealização desse projeto partiu de uma experiência pessoal de Souza. Sua esposa faleceu em 2012, após dificuldades num transplante de fígado. “Minha esposa tinha hepatite C. Fizemos um transplante nos EUA bem sucedido, mas o vírus da hepatite não negativou e depois de um tempo foi preciso outra cirurgia. Estávamos em São Paulo, num período de Natal, e não conseguimos um órgão compatível”, contou Souza. O investidor passou a estudar o tema e fez doações à University of Pittsburgh, referência em transplantes no mundo. Lá, conheceu o médico brasileiro Paulo Fontes, que pesquisava uma solução carregada de oxigênio que se assemelha ao sangue. Assim, surgiu a Virtech, com sede em Boston.
Depois, Souza investiu em outros projetos de biotecnologia e criou uma holding, a Securitas, que hoje tem sete “healthtechs”, sendo três com sede nos EUA e quatro na Argentina. “Apesar da crise, a Argentina é um centro de excelência médica. De lá saíram, três Prêmios Nobel. É também uma forma de incentivar a pesquisa na América Latina”, disse Souza, que prefere ser identificado como um “company builders” (construtor de empresas), e não investidor, porque começa seus negócios do zero. Na área financeira, ele participou da criação de diversas instituições como Pactual, Rio Bravo, RB Capital, Capitalys e Credihome.
Nesses primeiros dez anos, o investimento na startup veio de recursos próprios de Souza. No total, a holding Securitas já recebeu US$ 21 milhões, sendo US$ 13 milhões do Pentágono para a Virtech. Na área de biociência é comum investidores individuais colocarem dinheiro por longos períodos em projetos de determinados cientistas, como ocorreu com o brasileiro Paulo Fontes. Quando a pesquisa entra em fase de testes clínicos é que os fundos fazem seus aportes. Uma das “ventures builders” mais conhecidas é a Flagship Pioneering, que há muitos anos investiu no desenvolvimento do RNA mensageiro da farmacêutica Moderna, molécula hoje usada na vacina contra a covid-19.
A expectativa é que a solução usada para transplantes esteja no mercado entre 2023 e 2024, segundo Matias Vidal, presidente da Securitas. Já a aplicação nos casos de choque hemorrágico requer mais alguns anos de pesquisa clínica em humanos. Esse trabalho deve ser realizado na Argentina, em hospitais pré-credenciados pelo Food and Drugs Administration (FDA).
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Fundada em 2019, a Cidadania4u desenvolveu uma plataforma que automatiza todo o processo de pedidos de cidadania europeia
Rodrigo e Rafael Gianesini, fundadores da Cidadania4u: startup quer simplificar pedidos de cidadania europeia para brasileiros (Cidadania4u/Divulgação)
Maria Clara Dias – Exame – 30/08/2022
Os empreendedores brasilienses Rafael e Rodrigo Gianesini têm aversão a rotina exaustiva dos cartórios, e um processo moroso de pedido de cidadania italiana agravou isso ainda mais. Foi o descontentamento com o processo pessoal que levou a dupla a fundar a Cidadania4u, uma startup especializada em pedidos de cidadania europeia feitos por brasileiros que em 2021 faturou R$ 21 milhões.
A ideia, que veio de uma dor pessoal, nasceu com o objetivo de simplificar a vida daqueles que encaram meses — ou até mesmo anos — em busca de cidadania italiana. Não raro, cidadãos levam longos períodos de tempo para reunir todos os documentos necessários — e ainda assim não há garantia de que conseguirá a cidadania.
“Percebi na pele que esse era um mercado dos sonhos. As pessoas buscam maneiras de conseguir a cidadania e muitas delas desistiam pela burocracia”, conta o CEO e cofundador da Cidadania4u, Rafael Gianesini.
Como funciona o negócio
Na prática, a plataforma criada em 2019 é capaz de orquestrar todo o processo de pedidos de cidadania italiana e portuguesa. A lógica está em dedicar um time de especialistas responsável por cada etapa do processo, da análise de documentos e pesquisas genealógicas à tradução de petições e assessoria jurídica. “É um longo caminho para garantir que não existam fricções e que não fique nenhuma dúvida de que aquela pessoa é a mesma do início ao fim”, diz.
Logo de cara, Gianesini percebeu que a dor estava em escalar um negócio que contava com processos tão individuais, já que cada pedido de cidadania tem lá suas particularidades.
A solução encontrada foi atrasar o lançamento da empresa ao mercado, apostando no desenvolvimento de análises preditivas e uma plataforma mais robusta do ponto de vista tecnológico. “Não queríamos começar com planilhas ou papéis, porque isso significaria apenas terceirizar o que uma pessoa já faz por conta nesse processo. Passamos um ano criando uma plataforma inteligente que fizesse tudo isso por si só”, diz.
Hoje, a plataforma da startup avalia, de forma preditiva, a viabilidade do processo e cuida de todos os trâmites. Na ponta, os clientes podem consultar o passo a passo do processo em um aplicativo. “Somos uma empresa de tecnologia que faz processo de cidadania europeia. Essa é a melhor descrição”, diz.
Planos da Cidadania4u
Atualmente com 140 funcionários, a startup está de olho em contratações para crescer ainda mais. De acordo com Gianesini, o objetivo é pelo menos triplicar anualmente. “Testamos sempre coisas novas. Somos uma empresa nova todos os anos”, diz.
Para chegar a isso, a empresa aposta na força do boca a boca, de clientes que recomendam os serviços para outras pessoas e também em melhorias na própria plataforma, com novos recursos à disposição dos clientes.
Em outra frente, a Cidadaniau4 deve inaugurar novas verticais de serviços nos próximos meses, a começar por uma frente imobiliária, de intermediação de compra e venda de imóveis em euro para brasileiros. “Vamos aproveitar que somos bons em resolver burocracias e inovar’”, diz. O produto está em fase de testes, e deve ser lançado em 2023.
Em 2019, primeiro ano da plataforma, o faturamento da empresa foi de R$ 1 milhão. Dois anos depois, foi de R$ 21,5 milhões. Já em 2022, a Cidadania4u deve faturar R$ 54 milhões.
O processo de cidadania italiana segundo Consulado no Brasil
À luz da história levantada pela Cidadania4u sobre os processos de concessão de cidadania italiana no Brasil, o Consulado Geral da Itália em São Paulo esclarece que o procedimento de reconhecimento da cidadania jure sanguinis é de competência exclusiva das Instituições Italianas. Quanto aos descendentes dos italianos imigrados no Brasil atualmente residentes nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Rondônia o Consulado Geral da Itália em São Paulo é a única instituição de referência.
Sobre a metodologia de análise dos processos de solicitação da cidadania italiana jure sanguinis, o Consulado explica que ela é feita em base aos documentos entregues pelos requerentes no momento da apresentação do pedido e às pastas familiares arquivadas neste Consulado. Eventuais integrações são solicitadas somente pelo Consulado Geral, quando necessário.
“O tempo de espera e de seguimento dos processos é proporcional ao alto número de requerimentos e diligência com a qual, por lei, devem ser analisados. De qualquer maneira, o prazo de conclusão é inferior ao máximo estebelecido por lei. O único custo direto solicitado pelo Consulado Geral aos requerentes do reconhecimento da cidadania jure sanguinis é uma taxa de 300 Euros (conforme estabelecido pelo Ministério das Relações Exteriores italiano – Lei n. 89 de 23 de Junho de 2014)”, afirma o Consulado, em nota.
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Por João Lara Mesquita – Estadão – 1 de setembro de 2022
Povos antigos foram capazes de atitudes inimagináveis aos olhos atuais. Navegavam desde épocas longevas. Os fenícios se estabeleceram no Levante por volta de 3.000 a.C. Deixaram marcas para o resto da vida, na cultura e atitudes humanas, como o alfabeto e o comércio, por exemplo. Ou Cartago, quase mil anos antes de Cristo, destruída em batalhas navais pelos romanos. Recordemos, acima de tudo, que um dos barcos mais antigos com cerca de 4.500 anos era egípcio. E que o Pacífico começou a ser ‘colonizado’1.200 anos a.C. E antes destes povos estabelecidos? Digamos, os ‘primitivos’. Navegavam? Sim, navegar é preciso. O mergulho será profundo e surpreendente. As primeiras navegações do ser humano, provavelmente, há nada menos que 800 mil anos. Como assim? Das areias da África, olhando para a água, e imaginando o que havia do outro lado (Além de não ser preconceituoso com a ciência, obviamente).
Escultura de 10 mil anos atrás mostra um barco
Para começar, uma escultura de 10.000 anos é a representação mais antiga conhecida de um barco na Europa segundo o smithsonianmag.com.
Foi provavelmente com jangadas ainda mais primitivas que esta dos aborígenes australianos que o homem começou a navegar.
As primeiras migrações humanas
Antes de mais nada, antropólogos modernos consideram que a primeira das grandes migrações humanas, aquela que levou Homo erectus (espécie de hominídeoque viveu entre 1,8 milhões de anos e 300.000 anos atrás) a sair da África marchando vagarosamente para “o Oriente Médio, de lá para a Europa e Ásia”, não foi feita apenas “por terra caminhando” como nos ensinavam na escola.
Navegar é preciso…
Em outras palavras, eles também usaram barcos. Sim, barcos. Certa feita entrevistei Walter Alves Neves, professor Titular do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da USP. Eu queria saber porque os ‘andarilhos’ desta grande migração haviam se fixado num local tão ermo para a sobrevivência como a região dos Canais da Patagônia.
“Apenas andarilhos, não”, corrigiu. “Hoje é consenso entre especialistas que eles desceram pela América do Norte, depois a Central para atingirem a do Sul, também usando pequenas embarcações costeando parte do trajeto até atingirem a região dos canais.”
Pesquisas para um livro sobre embarcações típicas
Em minhas pesquisas para escrever “Embarcações Típicas da Costa Brasileira” encontrei um livro que me intrigou. Seu autor é Goefrey Blainey, professor nas Universidades de Harvard e Melbourne e autor de “Uma Breve História do Mundo”. Blainey revelou que na ilha de Flores, arquipélago da Indonésia, foram encontrados vestígios de presença humana de mais de 800 mil anos. Os resquícios descobertos no antigo leito de um lago na ilha montanhosa de Flores provaram, sem qualquer sombra de dúvida, que os humanos tinham aprendido a construir embarcações e a conduzi-las mar adentro: as embarcações a vela ainda levariam muito tempo para aparecer (Página 7).
Ilha de Flores Indonésia.
Ao ler 800 mil anos atrás pensei ser erro de tradução ou digitação. Imediatamente liguei para a editora que confirmou o original, ou seja, sim, navegações há nada menos que 800 mil anos atrás.
Polêmicas à parte…
Já publicamos as palavras do professor de Harvard anteriormente. E, neste mundo de fake news disseminadas e acreditadas por beócios, elas provocaram polêmica entre certos leitores. Que fazer?
Todas as vezes que acontece ficamos ainda mais estimulados em pesquisar e prosseguir contando as histórias dos povos antigos, suas atitudes e, especialmente, navegações. Quando encontramos o artigo abaixo, publicado na renomada revista Science, nos decidimos por mais este post. Ele confirma 100% do que disse o professor de de Harvard.
Descobertas na ilha de Flores, Indonésia, pela revista Science
Em 1994, um grupo holandês e indonésio datou ferramentas de pedra encontradas na ilha de Flores, Indonésia, com cerca de 750.000 anos de idade. Nesta época o H. erectus era o único tipo de humano no Sudeste Asiático. Pesquisadores que trabalham no local, chamado Mata Menge, estão convencidos de que o H. erectus chegou de jangada ou outra embarcação.
A evolução humana pela britanica.com. Note a figura do primeiro a navegar, o Homo Erectus, e acredite se quiser.
Mesmo quando o nível do mar estava mais baixo, esses humanos teriam que atravessar 19 quilômetros de água para chegar à ilha de Flores a partir da ilha mais próxima, Sumbawa. Este é um resumo de artigo publicado na revista Science, em 1998, de autoria coletiva da equipe do Science News.
Mais informações sobre a ilha de Flores
Contudo, em 2004 a descoberta de uma nova espécie humana, Homo floresiensis, foi relatada em Flores. A espécie tinha pouco mais de um metro de altura. A partir de agora as informações são do www.teara.govt.nz, do texto Pacific Migrations.
Este novo humanoide esteve presente na ilha até cerca de 50.000 anos atrás, aproximadamente na mesma época em que os humanos modernos, Homo sapiens, começaram a se espalhar pela área.
À primeira vista, parece que o Homo floresiensis descende de uma dispersão inicial do Homo erectus. Ele teria sobrevivido isolado nessa ilha refúgio. Possivelmente, a pequena estatura resultou do escasso suprimento de alimentos e, igualmente, porque não precisavam enfrentar predadores.
Chegaram por intenção e não acidente
Se apenas uma única travessia fosse necessária para ir da Ásia continental até a Oceania, então certamente durante milhares de gerações alguns grupos teriam conseguido atravessar de alguma forma. De fato, foram necessárias no mínimo 10 travessias marítimas, sendo a mais longa de 100 quilômetros. Fazer tal viagem indica intenção e não acidente.
‘Oceanos nunca foram uma barreira para as viagens do H.Erectus’
O jornal inglês Guardian, em matéria de 2018, pontua: “Os oceanos nunca foram uma barreira para as viagens do H. Erectus Eles viajaram por todo o mundo, e para a ilha de Flores através de uma das maiores correntes oceânicas do mundo”, disse Daniel Everett, professor de estudos globais da Bentley University e autor de How Language Began.
“Eles navegaram para a ilha de Creta e várias outras ilhas. Foi intencional: eles precisavam de artesanato e precisavam levar grupos de vinte ou mais, pelo menos, para chegar a esses lugares.”
Marinheiros da Idade da Pedra
Outra matéria da Science, igualmente de 2018, confirma com o sugestivo título Neandertais, pessoas da Idade da Pedra podem ter viajado pelo Mediterrâneo. Às tantas, diz o texto, ‘Sabe-se que os primeiros membros da família humana, como o Homo erectus , cruzaram vários quilômetros de águas profundas há mais de um milhão de anos na Indonésia, para ilhas como Flores e Sulawesi’.
Contudo, há quem discorde. Chris Stringer, chefe de origens humanas do Museu de História Natural de Londres é uma delas, ouvida pelo Guardian. “Não aceito que, por exemplo, [o Homo] erectus tenha tido barcos para chegar a Flores.Os tsunamis podem ter movido os primeiros humanos em jangadas de vegetação.”
Ainda assim, ela nada acrescenta além da própria crença.
na Austrália, quando e como chegaram?
Do archive.archaeology.org, em artigo de Peter Bellwood, professor do departamento de arqueologia e antropologia da Australian National University. Demonstra que os ‘primitivos’ também navegavam.
Os seres humanos primitivos alcançaram o continente australiano pela primeira vez há pelo menos 30.000 anos. Foram pessoas que cruzaram rotas marítimas consecutivas no leste da Indonésia. Estes fatos são aceitos pela comunidade acadêmica desde o final da década de 1960.
Pesquisas do falecido Joseph Birdsell e de Geoffrey Irwin, da Universidade de Auckland, sugerem que existiam rotas norte e sul separadas, ao longo das quais a maioria das ilhas seria visível de seus vizinhos mais próximos em dias claros, levando das ilhas Sunda Shelf em direção à Austrália e Nova Guiné.
Travessia de 55 milhas para a Austrália
Ao que tudo indica, a rota foi do Timor para a Austrália. Então, uma travessia marítima final de cerca de 55 milhas envolvendo o mar aberto também foi necessária.
Contudo, nos últimos anos, a datação por luminescência óptica de locais no norte da Austrália levantou a possibilidade de que os humanos chegaram lá há 60.000 anos, e muitos arqueólogos agora aceitam essas novas datas.
Travessia marítima há 60 mil anos
Esta última informação, sobre a chegada de seres primitivos via uma travessia marítima há 60 mil anos é corroborada por artigo de Sarah Bunney, publicado na NewScientist.com.
É possível, embora improvável, que as pessoas que ocuparam o local no Território do Norte (Austrália) fossem o que os antropólogos chamam de “pré-modernos” – Homo sapiens primitivo ou talvez representantes tardios da espécie hominídea chamada Homo erectus. Estes são conhecidos por terem vivido em Java e na Ásia continental nos últimos 900.000 anos ou mais.
E, mais adiante, prossegue: A nova data não é uma surpresa total para os paleoantropólogos. Recentemente, alguns têm pensado em 40.000 anos atrás como uma data mínima e não máxima para a primeira colonização humana da Austrália. Isso ocorre porque eles encontraram evidências indiretas de uma presença humana anterior no continente australiano.
E conclui: Viajantes pré-históricos só poderiam ter chegado à Austrália fazendo viagens marítimas de até 400 quilômetros.
‘Humanos podem ter deixado a África pelo mar em jangadas ou barcos primitivos’
A informação acima confirma o que disse o professor da USP, Alves Neves. De quem é? Do professor Nicholas R. Longrich, mestre em Biologia Evolutiva da Universidade de Bath, e editor do site www.nicklongrich.com.
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Segundo Longrich, ‘o Homo sapiens, em outras palavras nossos ancestrais diretos, ‘não foram os primeiro humanos a deixarem a África. O Homo sapiens moderno é uma das muitas ondas de migração para fora da África, ocorrendo ao longo de milhões de anos’.
…’os humanos modernos vão de um período recente (em termos evolutivos) de 200.000 anos atrás para talvez 260.000-350.000 anos atrás.’
Da África Oriental através do Mar Vermelho para a Ásia e Austrália
…’Os humanos migraram da África Oriental através do Mar Vermelho para a Ásia e Austrália, e depois se mudaram para o oeste em Israel, Norte da África e Europa’.
Para Longrich as embarcações usadas eram provavelmente um tipo ainda mais rude que as jangadas utilizadas pelos aborígenes da Austrália isolados e sós durante 70 mil anos (depois de sua chegada). Elas nos dariam uma pista do que teriam sido as primeiras navegações.
‘Para ser justo, as evidências agora mostram que os neandertais descobriram como usar os recursos marinhos…Pelo menos alguns neandertais habitavam ilhas, sugerindo que tinham algum tipo de embarcação.’
Como se vê, os neandertais eram antecessores do Homo sapiens e, possivelmente, já navegavam assim como o Homo erectus que surgiu um milhão de anos atrás e chegou na ilha de Flores por mar!
Para situar, neandertais existiram por cerca de 200 mil anos a mais do que a existência total dos seres humanos modernos (Homo sapiens). Já, o Homo erectus, há um milhão de anos, chegou a Austrália por mar e igualmente em Creta, no Mediterrâneo!
Sobre as navegações posteriores, as dos povos antigos como os fenícios, e depois ainda, a era das navegações, diz o professor Nicholas R. Longrich:
O que é surpreendente é que todas essas odisseias começaram com uma única e curta viagem. Esta viagem começou com alguém parado nas areias da África, olhando para a água, imaginando o que havia do outro lado. E todos os outros exploradores são fruto desse primeiro sonho, da primeira odisseia.
Portanto, duas eras antes da nossa o H. erectus assim como os neandertais, já navegavam. Séculos depois os descendentes do H. sapiens deram nos fenícios, os árabes, egípcios, gregos e romanos; além de outros povos antigos navegadores. Esta procura do que havia do outro lado, e a habilidade em superar obstáculos até mesmo navegando em priscas eras para afinal descobrir, é condição inerente e, sobretudo, da cultura humanas.
Um espírito fascinante que nos distingue. Por isso voltaremos ao tema.
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Há algum tempo escrevi aqui na Fast Company Brasil sobre os urban livings labs, que levam o conceito de inovação aberta para o território urbano. Os laboratórios vivos são ambientes de inovação aberta centrados no usuário que têm a cidade como campo de testes.
Para exemplificar, é mais ou menos como usar bairros ou áreas específicas para desenvolver MVPs (do inglês Minimum Viable Product, ou Mínimo Produto Viável) de projetos para resolver problemas concretos, como uso mais eficiente de energia, mobilidade, segurança ou zeladoria.
Agora, gostaria de ampliar o foco e falar sobre a relação entre os ecossistemas de inovação e as cidades. A ideia é discutir como os ecossistemas de inovação podem ser – e já são – utilizados para pensar o desenvolvimento econômico e social, experimentando novos modelos de governança local com o objetivo de melhorar a vida das pessoas nos municípios brasileiros, que, como sabemos, enfrentam problemas complexos.
Ecossistemas de inovação, tal como trato aqui, são ambientes em que poder público, iniciativa privada, academia e sociedade civil colaboram para inovar e desenvolver uma região. Sobre isso, vale uma observação. No mundo das empresas e das startups, a gente se acostumou com a aproximação entre gestão pública, empresas e universidades – a chamada Tríplice Hélice – nos parques tecnológicos, que têm incubadoras e outras ações para estimular a inovação e o empreendedorismo.
VEM GANHANDO ESPAÇO UM OLHAR QUE NÃO PENSA PRIORITARIAMENTE A INOVAÇÃO PARA O MERCADO, MAS SIM PARA A CIDADE.
Mas nesses casos, geralmente, o foco é a inovação direcionada ao mercado. Esse processo, no entanto, vem evoluindo ao longo dos anos até chegarmos a um conceito ampliado, o de ecossistemas de inovação – um tipo de arranjo que extrapola os limites geográficos e as ambições de um parque tecnológico. Nesse contexto, vem ganhando espaço um olhar que não pensa prioritariamente a inovação para o mercado, mas sim para a cidade.
Ancorados na lógica da sociedade em rede, os ecossistemas urbanos de inovação estimulam a troca de conhecimentos, experiências e aprendizados entre os stakeholders locais. Assim, criam-se as condições para que ideias se transformem em realidade por meio de atração de talentos, pesquisa, inovação, investimentos e validação de projetos.
PACTO ALEGRE
Existem exemplos de experiências desse tipo pelo Brasil, de capitais a municípios menores. No primeiro caso está Porto Alegre, que criou um ecossistema de inovação com o propósito de repensar seus caminhos. Lançado em 2019, o Pacto Alegre nasceu pelas mãos de três universidades, a Federal do Rio Grande do Sul, a Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) e a PUC-RS, que se uniram em 2018 para formar a Aliança para a Inovação.
A partir dessa parceria, elas convidaram Prefeitura, Câmara Municipal, mídia e entidades da sociedade civil para a formação de um grande fórum para pensar a cidade. O objetivo é transformar Porto Alegre em referência no ecossistema global de inovação.
OS ECOSSISTEMAS URBANOS DE INOVAÇÃO ESTIMULAM A TROCA DE CONHECIMENTOS, EXPERIÊNCIAS E APRENDIZADOS ENTRE OS STAKEHOLDERS LOCAIS.
Depois de vários encontros, foram definidos, coletivamente, os macrodesafios que deveriam ser trabalhados no âmbito do Pacto Alegre, como modernização da administração pública, qualidade de vida, imagem da cidade e reforma urbana.
Como parte do processo, foram abertas chamadas públicas para startups, empresas, pesquisadores, ONGs e quem mais quisesse inscrever projetos para essas verticais. Numa primeira fornada, 39 projetos foram selecionados, envolvendo iniciativas voltadas à educação e turismo, passando por urbanismo e modernização de serviços públicos. Hoje, mais de 100 entidades participam do Pacto Alegre.
PRO_MOVE_LAJEADO
Outro exemplo que vale observar fica pertinho de Porto Alegre. Em Lajeado, a pouco mais de uma hora da capital gaúcha, foi também a academia que deu o empurrão na história toda. A Universidade do Vale do Taquari (Univates), uma instituição de ensino superior comunitária com mais de 50 anos, chamou os outros players locais para um grande debate sobre os rumos do município, que tem 85 mil habitantes e funciona como centro econômico do vale, região que concentra 37 municípios e mais de 300 mil habitantes.
O pano de fundo era a avaliação de que Lajeado, que se fez a partir da indústria e do setor de alimentos, precisava agora de um modelo de desenvolvimento mais adequado para a economia do conhecimento. Em outras palavras, é aquela história de que o que te trouxe até aqui não é o que vai garantir o seu futuro. A cidade precisaria trabalhar uma nova agenda econômica, com foco na inovação, no conhecimento e na atualização tecnológica da indústria regional.
CASOS COMO O DE LAJEADO E DE PORTO ALEGRE SUGEREM A BUSCA DE NOVOS MODELOS DE GOVERNANÇA LOCAL, MAIS PARTICIPATIVOS E DEMOCRÁTICOS.
Assim nasceu, em 2019, o Pro_Move Lajeado, ecossistema de inovação local que reúne prefeitura, universidade, empresas e sociedade civil. Para nortear os trabalhos, a Fundação Certi, de Santa Catarina, preparou um diagnóstico sobre a cidade e um plano de atividades. Isso resultou em grupos de trabalho, como de alimentos, tecnologia e saúde, que se reúnem mensalmente para propor ações.
Entre os projetos realizados ou em andamento está o Trilhas da Inovação, um programa de formação em tecnologia para alunos do 9º ano da rede municipal aplicado pelo Senai. O objetivo do curso é estimular os adolescentes a continuar seus estudos na área de tecnologia e inovação. O programa teve aulas de eletrônica, robótica, tecnologias da indústria 4.0 e fundamentos para programação de software.
Outros exemplos são a criação da Agência de Desenvolvimento e Inovação Local (AGIL) e a construção do LabiLá, laboratório de inovação liderado pela prefeitura.
Casos como o de Lajeado e de Porto Alegre sugerem a busca de novos modelos de governança local, mais participativos e democráticos, para a solução de problemas reais das cidades.
Transformar isso em realidade, em ações que cheguem lá na ponta, na vida das pessoas, não é tarefa simples. Mas exemplos desse tipo mostram que, na era do ESG, a cooperação entre poder público, academia, iniciativa privada e sociedade civil é o caminho mais curto para inovar, provocar impacto social e exercer a cidadania.
SOBRE O AUTOR
Clayton Melo
Cofundador da plataforma A Vida no Centro, Clayton tem MBA em marketing, é especialista em comunidades, conteúdo e curadoria de eventos e festivais para temas como futuro das cidades, negócios digitais, inovação social, tecnologia e cenários futuros. Atuou na Istoé Dinheiro, no Meio e Mensagem e na Gazeta Mercantil.
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Livros para adolescentes e jovens adultos se tornam carros-chefes de editoras e assunto no TikTok
Por Célia de Gouvêa Franco — Para o Valor, de São Paulo 28/08/2022
Adolescente não lê livros.
Lê, sim.
Jovem não lê livros.
Lê, sim.
Tanto eles leem que livros dirigidos para o público entre 14 ou 15 anos até os 20 e poucos e no máximo 30 anos dominam as listas de best-sellers de obras de ficção no Brasil e em outros países e se tornaram uma fonte importante de receita, às vezes até a principal, para editoras, inclusive algumas das mais tradicionais. A renovação do público leitor, desta forma, cria esperanças de que eles continuem comprando livros também na maturidade.
Por qualquer ranking que se tome, a venda de obras literárias para essa faixa etária ganhou muita força recentemente, fenômeno causado em parte pela oportunidade de esses leitores se sentirem parte de uma comunidade ao comentarem o que leram nas redes sociais, em parte por funcionar como válvula de escape durante a fase mais aguda da pandemia de covid-19 – um hábito que não diminuiu mesmo com o fim dos longos períodos de quarentena.
O sucesso desse nicho de mercado colocou em evidência autores que têm se mostrado muito produtivos, lançando livros com grande frequência, algumas vezes até como resultado dos pedidos dos leitores que, nas redes sociais – especialmente no TikTok -, os incentivam a escrever mais. E essa é outra peculiaridade do público teen e de jovens adultos: constante comunicação com os autores e as editoras de livros.
As publicações para o público entre 14 e 15 anos tomaram de assalto as listas de best-sellers, como se vê, por exemplo, na compilação feita pelo PublishNews a partir das vendas em livrarias mais Lojas Americanas, Magazine Luiza e Submarino. No primeiro semestre deste ano, entre os 20 títulos de ficção mais populares, 13 eram livros para adolescentes ou jovens adultos – dois deles, os campeões, ultrapassando inclusive “Torto arado” (ed. Todavia), de Itamar Vieira Júnior, que liderou as vendas durante todo o ano passado e o início de 2022.
Com essa tendência, livros para esse segmento de leitores passaram a representar uma fonte de receita financeira importante para as editoras. Na quase centenária Editora Nacional, que começou a investir em obras para adolescentes e jovens adultos há dois anos, 30% dos lançamentos são voltados para esse público desde então. A participação no faturamento total é, porém, desproporcionalmente muito maior – 60%, diz Luiza Del Monaco, gerente editorial da empresa. O cenário é parecido na editora Record, que criou uma área específica para o público jovem, o Galera, que há três anos era o quarto selo que mais vendia livros, segundo Rafaella Machado. Hoje, o Galera é o campeão de vendas.
Mauro Palermo, diretor da Globo Livros, dá um exemplo do interesse dos leitores jovens – 75% das vendas da editora na Bienal do Livro, realizada recentemente em São Paulo, foram do selo Alt, que passou a existir em 2014, voltado para livros de entretenimento dos jovens.
Segundo Mauro Palermo, da Globo Livros, 75% das vendas da editora na Bienal do Livro foram do selo Alt, dedicado ao segmento jovem
Os bons resultados das vendas na Bienal foram de tal ordem que fazem Sônia Machado Jardim, presidente do Grupo Editorial Record, se entusiasmar: “A gente brinca que, quando alguém um dia estiver deprimido, o melhor é ir à Bienal do Livro. A gente vê aquela multidão avassaladora de jovens; está ali o futuro do mercado editorial. É um espetáculo essa paixão, determinados atores tratados como astros de rock. Você se sente no Rock in Rio!”, disse, durante sua participação na Sabatina PublishNews no mês passado.
Como se explica o interesse de adolescentes pelos livros se há tantas outras formas de diversão num mundo tão digitalizado como o nosso? Para Rafaella Machado, da Record, o isolamento imposto pela pandemia fez com que muitas pessoas, inclusive os jovens, descobrissem o prazer de ler, que não diminuiu com a volta à rotina mais “normal” dos últimos tempos. Livros passaram a ser vistos, por esses recém-convertidos em leitores, como uma forma de sentir engajados numa comunidade – nas redes sociais ou fora delas – para tratar de questões que normalmente fazem adolescentes sofrerem, como o papel das mulheres na sociedade, protagonismo negro, temas ligados à sexualidade e aos grupos LGBTQ+. Todos esses assuntos são largamente abordados por livros que procuram falar com o público de mais de 15 e menos de 25 ou 30 anos.
Havia, até recentemente, um certo “abismo” entre o público infantil, consumidor de livros, e o adulto, afirma Samuel Seibel, dono da Livraria da Vila. Nos anos entre essas duas faixas de idades, os adolescentes paravam de ler livros até como uma forma de rebeldia. Essa situação começou a mudar há alguns anos, com o enorme sucesso da série “Harry Potter”, da escritora inglesa J. K. Rowling, que incentivou milhares de crianças e depois adolescentes a ler livros. Com naturalidade, eles continuaram com o hábito da leitura, numa tendência que não é, claro, percebida só no Brasil, mas em dezenas de outros países. Para Seibel, há indícios de que ler livros é mais do que apenas “uma moda” entre os teens, que vai passar.
Luiza Del Monaco, da Nacional, defende que o sucesso de um livro para essa faixa de público está ligado frequentemente à defesa de uma “tese”. Mais do que apenas contar uma história, o adolescente ou jovem adulto quer se sentir engajado numa causa. Paula Drummond, editora da Alt, lembra ainda que muitos pais não gostam de gastar muito com videogames, mas aprovam que seus filhos teens comprem livros. E, curiosamente, apesar de ser um público que vive mergulhado no mundo digital, adolescentes e jovens leem preferencialmente livros em papel.
Mantida essa tendência, o interesse deles pela leitura pode ajudar não apenas o mercado, mas o país, diz Palermo, da Globo Livros. Os livros podem ser uma plataforma de mudança da sociedade, com maior aceitação da diversidade. Hoje, os adolescentes e jovens leem basicamente ficção, mas o hábito da leitura pode levá-los a experimentar outros gêneros.
Para atender a esse público, exigente e que acompanha os lançamentos internacionais e se interessa por detalhes nas capas dos livros, as editoras passaram a publicar com muito maior frequência romances, livros de aventuras e fantasia. Também aumentaram as tiragens. E incrementaram as equipes que cuidam das redes sociais para manter a comunicação constante com os leitores. Fazem mais promoções, com enorme êxito. Rafaella Machado conta que ao anunciar uma edição especial de “Corte de espinhos e rosas”, livro de fantasia de Sarah J. Maas, a Galera Record vendeu 25 mil exemplares em dez minutos. Paula Drummond, da Globo Livros, informa, por sua vez, que neste segmento os leitores têm duas “manias” – ler livros e comprar livros. Se uma editora faz um lançamento de um best-seller com uma capa diferente da versão original, por exemplo, é muito provável que milhares de adolescentes queiram comprá-lo mesmo que já tenham um exemplar, lido e discutido.
O exemplo mais ilustrativo do êxito das obras para o segmento dos 15 aos 25 (ou um pouco mais) é o da escritora americana Colleen Hoover. Na semana passada, a lista dos 15 livros impressos e eletrônicos de ficção mais vendidos nos Estados Unidos compilada pelo “The New York Times” incluía seis obras dela, sendo que o seu mais vendido – “É assim que acaba”, na edição brasileira – está na listagem há mais de um ano: 61 semanas precisamente. No ranking de 150 obras do “USA Today” da primeira semana de agosto, que engloba qualquer gênero e livros voltados para qualquer faixa etária no mercado americano, constam 15 das 22 obras escritas por Hoover – um número muito maior do que de qualquer outra pessoa.
No Brasil, ela é publicada pelo selo Galera, da Record, com sucesso parecido ao registrado nos Estados Unidos. Cerca de 1,2 milhão de exemplares dos seus livros foram vendidos no Brasil, informa a editora-executiva da Galera, Rafaella Machado. No levantamento da Amazon, os livros de Hoover ocupam 6 dos 15 mais vendidos no mercado americano e 3 no Brasil.
Pode se considerar que Colleen Hoover, uma ex-assistente social que bancou a publicação dos seus primeiros títulos por não encontrar editor interessado, radicaliza na criação dos personagens das suas novelas. Em “Reminders of Him” (“Uma segunda chance”, na versão brasileira, lançada em maio), a protagonista não apenas perde o amor da sua vida – ela o mata, por acidente, e dá à luz a uma filha, na prisão.
Como se pode imaginar, com todo esse sucesso de vendas, a vida de Hoover teve reviravoltas semelhantes às que ela retrata nas suas novelas. Ela morava num trailer, numa cidade no Texas, quando publicou o primeiro livro, em 2012 – ela queria compartilhar uma história com sua avó, que tinha acabado de comprar um Kindle, como contou numa entrevista recente ao “The Washington Post”. Um ano depois do primeiro lançamento, ela já tinha dinheiro suficiente para largar o emprego e passou a escrever livros em tempo integral. Ganhou tanto que, por meio da entidade benemérita que fundou, Bookworm Box, Hoover já doou mais de US$ 1 milhão.
Hoover, como outros autores, foi extremamente beneficiada pelo crescimento da audiência do TikTok. Ela já fazia sucesso antes da explosão na audiência da rede social, mas foi muito ajudada pela divulgação dos seus livros e pela formação de grupos de leitores que discutem os enredos das suas obras, as capas, as próximas publicações e comparam as traduções com os textos originais.
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Elon Musk, CEO da Tesla e um dos maiores bilionários do planeta, afirmou recentemente que a fabricante de carros elétricos “corria o risco de falir” se não tomasse algumas providências, como o corte de funcionários, o fim do home office e o congelamento de contratações. O ranking das 10 montadoras de carros mais valiosas do mundo, no entanto, aponta na direção contrária.
De acordo com os números mais recentes da Companies Market Cap, consultoria especializada em quantificar o valor de mercado das principais empresas do mundo, a Tesla lidera, com ampla vantagem, o top 10 específico das principais montadoras de carros do planeta.
A Tesla está avaliada em US$ 720,4 bilhões, um valor quase três vezes maior do que a Toyota, segunda colocada no ranking, e que hoje está cotada no mercado em US$ 209,8 bilhões. A chinesa BYD, que recentemente assumiu o top 3 no lugar da Volkswagen, segue no pódio, com valor estimado de US$ 140,4 bilhões.
Ásia domina top 10 das montadoras de carros
Apesar da enorme distância da Tesla para as demais no top 10 das montadoras mais valiosas do mundo, quem domina o ranking são as empresas de origem asiática. A Toyota, fabricante japonesa, é a melhor colocada, na vice-liderança, seguida pela BYD (China), terceira, Great Wall Motor (China), nona e Honda (Japão), décima da lista.
O top 10 conta, além da Tesla, com outras duas empresas de origem estadunidense, a General Motors (7ª) e a Ford (8ª), e fica completo com as três montadoras alemãs: Volkswagen (4ª), Mercedes-Benz (5ª) e BMW (6ª).
As 10 mais valiosas do mundo
10 – Honda (US$ 40,02 bilhões)
A fabricante japonesa, que em breve trará novos modelos híbridos ao Brasil, abre a lista das 10 montadoras de carros mais valiosas do mundo. Segundo a consultoria especializada, a marca está avaliada em US$ 40,2 bilhões.
9 – Great Wall Motor (US$ 40,24 bilhões)
A Great Wall Motor (GWM) é outra que está disposta a fazer do mercado brasileiro sua nova casa. Para isso, prepara o primeiro lançamento híbrido ainda em 2022 e promete apresentar aos consumidores uma tecnologia revolucionária.
8 – Ford (US$ 43,67 bilhões)
A oitava empresa na lista das 10 mais valiosas montadoras de carros do mundo está tomando a direção contrária, ao menos no que diz respeito ao Brasil. A Ford fechou as portas no País, mas segue com bons modelos à venda por aqui, e espera contar com o nome construído ao longo do tempo para se manter entre as mais bem posicionadas em vendas.
7 – General Motors (US$ 45,59 bilhões)
A General Motors tem agradado ao público brasileiro, e prova disso é o sucesso de vendas do Onix, do Onix Plus e do SUV Tracker por aqui, tanto em 2021 quanto em 2022. Esses números contribuem para a marca ser a sétima mais valiosa do mundo entre as fabricantes de carros.
6 – BMW (US$ 50 bilhões)
A primeira representante da Alemanha no ranking das 10 montadoras de carros mais valiosas do mundo em 2022 é a BMW. A empresa, que recentemente apresentou o iX, primeiro SUV elétrico inteligente do mundo, já testado pelo Canaltech, está avaliada em US$ 50 bilhões, e ocupa a sexta posição na lista.
5 – Mercedes-Benz (US$ 58,51 bilhões)
A Mercedes-Benz abre o top 5 entre as montadoras de carros mais valiosas do mundo e, se a ousada estratégia da marca emplacar, tem tudo para subir ainda mais no ranking em pouco tempo. A segunda marca alemã da lista anunciou que vai privilegiar o lançamento de carros premium, portanto, mais caros e de maior valor. Será que dá certo?
4 – Volkswagen (US$ 92,18 bilhões)
A quarta colocada na classificação é a Volkswagen. A última representante alemã, e a melhor posicionada no ranking, abrirá em breve o leque e também passará a produzir carros elétricos com pegada off-road. Mais uma cartada para voltar a assumir o top 3 entre as mais valiosas montadoras do mundo.
3 – BYD (US$ 140,43 bilhões)
A BYD tomou a terceira posição entre as montadoras de carros mais valiosas do mundo da Volkswagen no início de junho e, desde então, segue intocável no ranking. A marca tem entre os planos futuros passar a fabricar seus próprios carros elétricos no Brasil, e isso deve ajudar a impulsionar ainda mais as vendas por aqui.
2 – Toyota (US$ 209,89 bilhões)
A vice-campeã na lista de 10 montadoras de carros mais valiosas do mundo é a Toyota, avaliada em US$ 209,89 bilhões. A marca é bastante popular no Brasil, e deve ganhar ainda mais mercado com o lançamento de um novo SUV compacto, como revelado há pouco tempo pela marca.
1 – Tesla (US$ 720,49 bilhões)
A montadora de carros mais valiosa do mundo é ela, a Tesla, referência em carros elétricos e em tecnologia semiautônoma para automóveis. Ela ultrapassou a casa dos US$ 700 milhões em sua avaliação mais recente, e segue despertando curiosidade por aqui. Quem não gostaria de saber quanto custa um carro da Tesla no Brasil? O Canaltech foi atrás da resposta, e ela explica um pouco o porquê da montadora de Elon Musk valer tanto.
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Para Daniel Kahneman, a inteligência artificial poderá desenvolver um julgamento melhor que os altos executivos
Por Sergio Tahuata – Valor – 30/08/2022
A inteligência artificial poderá tomar decisões melhor do que qualquer líder empresarial humano, quando as bases de informações forem suficientemente grandes, afirmou o vencedor do prêmio Nobel de Economia, Daniel Kahneman, em evento da Neoway e B3. “O que vai acontecer quando a ‘IA’ desenvolver um julgamento empresarial melhor do que as pessoas que têm experiência?”, questionou. “Os altos executivos perderão a autoridade”, acrescentou o especialista em economia comportamental.
Conforme o pesquisador, “as fórmulas se saem melhor que as pessoas na maioria dos julgamentos porque não sofrem com os ruídos”. Segundo Kahneman, “a maneira como as pessoas aplicam as regras não é consistente, mas os algoritmos sempre chegam na mesma resposta ao aplicar uma regra, o que é uma grande vantagem”.
Na visão do especialista, o problema nas decisões humanas é o que ele chama de ruído e viés. “Essas são palavras com muitos significados”, disse, mas na questão de como as pessoas tomam decisões, estudos mostram que os resultados para um mesmo problema variam conforme quem julga a situação. “Isso é o ruído.”
Kahneman citou um estudo realizado em uma companhia de seguros sobre avaliação para subscrição de risco, ou seja, colocar um valor para um determinado risco. De acordo com o especialista, quando os profissionais eram questionados sobre qual seria uma diferença razoável para uma discrepância de respostas, o consenso era de algo em torno de 10%.
Mas, ao se chamar aleatoriamente diferentes subscritores, os valores atribuídos aos riscos variaram na média em 50%. “Ou seja, cinco vezes mais do que as pessoas esperavam que seriam os resultados. E isso é o ruído.”
Conforme Kahneman, a questão do ruído pode atrapalhar as organizações, porque decisões erradas podem se acumular e levar a resultados negativos. Por outro lado, algoritmos não são influenciados pelos vieses ou intuição, como os seres humanos.
O prêmio Nobel de Economia apontou ainda que os vieses encontrados em algoritmo são, na verdade, tendências que vêm das pessoas que criaram os critérios inseridos nos programas. “Nunca há um viés em um algoritmo que não venha de um ser humano. Como não há ruído [no algoritmo] o viés ocorre porque a escolha errada foi feita na hora de decidir sobre as variáveis”, ponderou.
Na avaliação de Kahneman, “o viés sempre existe nos dados”. O pesquisador citou um estudo realizado pela Amazon sobre o que faz um funcionário ser um bom funcionário. “O algoritmo chegou à conclusão que as mulheres têm uma situação pior que a dos homens. Mas isso ocorreu porque fizeram um algoritmo retrospectivo, levando em consideração quem teve sucesso no passado. Então, se tem um viés no passado, isso é reproduzido no algoritmo, ou seja, foi um viés do criador do algoritmo.”
Essa questão é apontada pelo especialista em economia comportamental como muito importante no momento atual. “Nós estamos cercados pelos algoritmos, que exercem influência sobre nós”, afirmou. “Quando esses mecanismos tentam adivinhar o que você gosta, adivinham o que você gosta de usar. Um dos efeitos disso nos EUA é a polarização política. De várias maneiras a polarização é facilitada pelos algoritmos. As pessoas, em geral, não estão interessadas no outro lado, na outra opinião, as pessoas querem ver visões mais extremas da sua própria opinião e isso é o que aumenta a polarização.”
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Comprometimento, inteligência emocional e experiência estão na lista de qualidades mais procuradas; profissional 50+ tem menor rotatividade e engajamento maior, dizem empresas
Ter um time diverso, que consegue pensar em várias possibilidades e mercados, virou um grande trunfo para as empresas alcançarem um público cada vez maior. Nesse cenário, algumas habilidades dos profissionais acima de 50 anos passaram a ser vistas como estratégicas para os negócios. Na lista de competências estão comprometimento, inteligência emocional e experiência.
“Os funcionários mais maduros têm entre suas características poder de persuasão, passam mais confiança e desenvolvem uma comunicação mais assertiva com os clientes devido à bagagem de vida”, afirma o presidente da CotaFácil, Ismael Dias. Segundo ele, a empresa está em processo de contratação de dez trabalhadores acima de 50 anos para atuar na área de televendas de consignados, cujos clientes são dessa faixa etária.
Com diversidade etária, acaba-se formando uma mentoria entre os mais velhos e os mais novos no Grupo Águia Foto:
Hoje com 120 colaboradores, a maioria entre 18 e 35 anos, a companhia quer equilibrar o quadro com mais diversidade etária e inclusão. “Profissionais com mais de 50 anos já conhecem seus pontos fortes e fracos, suas habilidades de comunicação estão mais apuradas e podem ser bons líderes por causa do tempo no mercado de trabalho.” Além disso, diz o executivo, esses profissionais são mais comprometidos com a empresa, trazem uma cultura corporativa e diminuem a rotatividade.
Essas também são as características que movem a fundadora e diretora financeira da rede de academias Red Fitness, Ellen Fernandes, em busca de profissionais mais velhos. A empresa já tem uma participação relevante em algumas áreas, como nos cargos de gestão, em que 90% dos funcionários estão nessa faixa etária. Entre os treinadores físicos, no entanto, a representatividade cai para 10%.
“O mercado de trabalho, principalmente o fitness, busca inovação ao mesmo tempo que quer experiência e profissionais com inteligência emocional, que é fundamental para conviver com o estresse do cotidiano e atuar com trabalhos em equipe.” No geral, afirma Ellen, profissionais mais velhos são mais responsáveis nas entregas, sem a necessidade de o líder ficar monitorando de perto o dia a dia.
Cultura
Com uma agenda sólida de iniciativas voltadas ao tema de diversidade e inclusão, a PepsiCo criou o programa Golden Years. O objetivo é combater o etarismo, abrindo espaço para profissionais com mais de 50 anos. Hoje, mais de mil pessoas (cerca de 8,3% do time) na empresa são dessa faixa etária e estão alocados em todos os níveis e áreas. Segundo a empresa, a rotatividade desse público é 49% menor; o absenteísmo, 27% mais baixo; e o engajamento, 3% superior.
“Para todas as nossas oportunidades, buscamos e valorizamos talentos que tenham habilidades e soft skills que vão além da técnica e possam agregar conhecimento com experiências profissionais e pessoais”, afirma Fábio Barbagli, vice-presidente de RH da PepsiCo Brasil. “Profissionais 50+, especificamente, trazem uma bagagem de experiências que para nós é muito valiosa.”
Troca produtiva
Outra empresa que apostou nos profissionais acima de 50 anos foi o Grupo Águia. Para o projeto de Copa do Mundo, que reúne Stella Barros, Top Service, Gray Line, Lynx Aviação e 4BTS, a diretora de cultura, Agatha Abrahão, conta que foram contratados seis coordenadores, todos com mais de 50 anos. “Eles têm skills fortes de operações de grandes eventos, com um currículo imenso de experiência em Copas do Mundo e no Panamericano”, destaca a executiva. “Precisa de uma visão muito abrangente de cenários e riscos. Tem de ter uma escola muito forte.”
Ela conta que, a exemplo do que ocorre no projeto, a diversidade etária sempre foi orgânica no grupo. A heterogeneidade do time acaba criando uma mentoria informal entre os mais velhos e os profissionais mais jovens. “Os 50+ também veem a oportunidade de aprendizagem com os mais jovens. É uma troca produtiva.”
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