Novas habilidades: o aprendizado de soft skills e tech skills é vital para empresas e profissionais

Na coluna desta semana, a CEO da Falconi, Viviane Martins, fala sobre literacia digital e o papel das organizações na requalificação da força de trabalho

Viviane Martins – Exame – Publicado em 7 de fevereiro de 2023

Literacia, até pouquíssimo tempo atrás, era uma palavra pouco usual no vocabulário corporativo, mesmo que acompanhada do adjetivo digital. A expressão ‘literacia digital’ diz respeito à capacidade de uma pessoa encontrar, avaliar e comunicar informações por meio de plataformas digitais. Porém, cada vez com frequência maior ela aparece na pauta dos gestores e no contexto de habilidades tecnológicas: tornou-se um dos maiores pontos nevrálgicos das companhias.

Quando até crianças pequenas estão familiarizadas com smartphones, parece estranho falarmos sobre o tema. Até lembrarmos que 1,1 bilhão de empregos provavelmente serão radicalmente transformados pela Quarta Revolução Industrial, mudanças na cadeia de suprimentos e transição energética, como recentemente sublinhou a diretora executiva do Fórum Econômico Mundial, Saadia Zahidi. Ou seja: o tema da requalificação/requalificação é dos mais urgentes em todo o mundo – tanto nos países desenvolvidos, quanto nas economias emergentes.

Como ressaltou o estudo “O impacto da Inteligência artificial no futuro da força de trabalho na União Europeia e nos EUA”, publicado no fim do ano pela Casa Branca, a Inteligência Artificial tem o potencial de aumentar a produtividade, criar novos empregos e elevar os padrões de vida. Contudo, o fato de poder realizar tarefas antes consideradas estritamente do domínio dos humanos, trará disrupção em inúmeras áreas e tarefas, o que exigirá “ajustes difíceis para os trabalhadores, pois os empregos são redesenhados ou as habilidades necessárias mudam”.

Trocando em miúdos: se a velocidade dos avanços tecnológicos é grande aliada dos trabalhadores qualificados, que ainda assim terão que abraçar a educação contínua, por conta da produção de novos conhecimentos que cada vez mais rapidamente substituirão muitas das habilidades adquiridas previamente, no caso da mão-de-obra não-qualificada o assunto ganha contornos mais dramáticos. E é o que está fazendo com que governos mundo afora corram para fechar um ‘gap’ que, se deixado para depois, pode ficar cada vez maior e mais difícil de transpor.

A iliteracia tecnológica também tira o sono das lideranças empresariais por ser um dos maiores obstáculos à inovação e à cultura que permite que a inovação aflore. E ambas são fundamentais para que as companhias prosperem – ou mesmo, sobrevivam – face à pressão cada vez maior por transformação digital efetiva, permeando toda a empresa. Como publicou o site americano Silicon Republic, é imperativo que haja uma mentalidade digital nas organizações, pois a demanda por habilidades tecnológicas, a exemplo do que ocorre com as chamadas ‘soft skills’ (habilidades sociais, emocionais e cognitivas), só fará aumentar.

Vale lembrar, por exemplo, o uso cada vez maior, em uma gama variada de empresas nos mais diferentes segmentos, de plataformas de análise e inteligência de negócios (BI). Elas permitem aos profissionais de áreas vistas como menos técnicas modelar, analisar e gerenciar dados. Mas o critério “menos técnico” também está se transformando: caminhamos rapidamente para ter o BI como parte da cultura da empresa.

Isso faz com que os profissionais estejam sendo desafiados a aprender novas habilidades em um ritmo sem precedentes. Nos Estados Unidos, um estudo realizado pelo Burning Glass Institute, o Business Higher Education Forum e a editora Wiley, considerando anúncios publicados com vagas de trabalho, mostrou que em 10 anos aumentou em quatro vezes a procura de pessoas com habilidades de análise de dados. O campo de atuação também cresceu 4,7 vezes: em 2011, a habilidade era requisito em 17 tipos de ocupação; em 2021, segundo os últimos dados disponíveis, passou a 81.

O estudo americano mostrou que muitas dessas habilidades estão se espalhando para os empregos existentes, exigindo aprendizado dos trabalhadores para aplicá-las.  a mas que tal disseminação também está ocorrendo em novas ocupações criadas por essas habilidades em evolução. Eu iria além: não se trata apenas de “o quê”, mas também do “como”, da própria maneira como se organiza a força de trabalho, como, por exemplo, emsquads. Cada vez mais, os recrutadores vão avaliar a capacidade de um candidato trabalhar usando métodos ágeis, por exemplo, na hora de preencher uma vaga.

A despeito de todos os indícios e alertas, o fato é que muitos líderes se apegam ao conceito – equivocado – de que tecnologia é assunto só para quem trabalha no setor de TI. Fecham os olhos para o fato inegável de que a tecnologia evolui em tal ritmo e abrangência que quem não acompanhar seu passo, poderá depois ter imensa dificuldade para alcançar as mudanças no trabalho.

Para evitar que tal ocorra, as empresas também terão de assumir seu papel em campo que muitos acreditavam ser exclusivo de escolas técnicas ou universidades. Seja através de universidades corporativas, seja através de parceiros especializados, estes novos skills têm de ser trazidos para dentro da organização. 

São vitais para o crescimento sustentável das empresas habilidades como ‘problem solving’ (coloco em inglês pois a expressão se consagrou nesta língua, por ser talvez uma das mais buscadas mundo afora) – ou seja, a capacidade de identificar problemas, debater e analisar respostas e implementar as melhores soluções. São skills a serem aprendidos, permanentemente burilados e aplicados diariamente no trabalho.

Aos líderes que procrastinam a implantação de programas de requalificação e literacia digital, vale lembrar que não se trata apenas de garantir o fluxo de inovação para suas companhias se manterem competitivas. Ao tornar nosso dia a dia profissional mais eficiente, a automação lastreada em inteligência artificial libera tempo precioso e hoje raro, inclusive para o upskilling de suas equipes. 

Em tempos em que se discute a implantação de uma semana de trabalho mais curta, esse tempo poderá ser utilizado não apenas para melhor qualidade de vida – e consequentemente, maior produtividade – de todos, mas também para o aprendizado de novos conhecimentos.

Como qualquer um que já interagiu com o ChatGPT sabe do imenso potencial da IA nos negócios, mas também sabe que algoritmos de IA frequentemente são rígidos, incapazes de responder a algo fora de seus parâmetros pré-programados. Traduzindo: não se trata de substituir pessoas por algoritmos, mas de colocar os algoritmos a seu trabalho. 

A exemplo da história do copo meio cheio, meio vazio, há duas maneiras de se encarar a revolução tecnológica. Fico com o olhar positivo da força-tarefa do Massachussets Institute of Technology (MIT) em um estudo sobre o futuro do trabalho: nestes tempos disruptivos, a tecnologia abre inúmeras possibilidades para nós, trabalhadores humanos. Basta estarmos abertos para elas.

É preciso seguir fazendo o que sempre fizemos desde que o Homo Sapiens surgiu: adaptação e aprendizagem, aprendizagem e adaptação. Foram estas duas capacidades que nos trouxeram até aqui. E serão elas que nos levarão adiante.

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O superpoder humano no mundo das máquinas

O pensamento crítico é a força motriz que está por detrás das melhores perguntas e o filtro que seleciona as melhores respostas

Martha Gabriel – MIT Sloan Review – 07 de Fevereiro 2023

Se 2021 foi o ano que alavancou os NFTs e 2022 foi a vez do metaverso, 2023 deve entrar para a história com a inteligência artificial (IA) – o seu início foi marcado especialmente pela ascensão de uma nova ferramenta inteligente que ganhou popularidade fulminante, o chatGPT, tornando-o a tecnologia que alcançou 1 milhão de usuários mais rapidamente no mundo em apenas 5 dias.

Se você já experimentou o chatGPT, sabe o porquê dessa explosão de interesse. A sensação inicial em usá-lo é uma mistura de euforia e medo, característica típica das experiências de se deparar com algo extraordinário e, ao mesmo tempo, desconhecido: por um lado, parece mágica – como já nos alertava Arthur C. Clark sobre as novas tecnologias em meados do século passado -, nos encantando e, provavelmente iludindo; por outro, parece impossível, como acontece com qualquer poder que não compreendemos minimamente, tendendo, assim, a nos assustar. Assim vem sendo ao longo da nossa evolução: primeiro foram o sol, os trovões e inúmeros outros fenômenos naturais, que por falta de compreensão foram endeusados por nossos antepassados. Agora, o fenômeno é artificial, a tecnologia.

Apesar dos resultados impressionantes, que muitas vezes superam a performance humana em várias dimensões (inclusive, a tão celebrada criatividade e, obviamente, a velocidade), o chatGPT é uma ferramenta em fase inicial, e deveria ser tratada e usada com cautela (como informado claramente na sua tela de abertura). No entanto, mesmo em estágio embrionário, em meio a um turbilhão de discussões éticas e questionamentos sobre o seu impacto na humanidade, a corrida dos laboratórios de IA ao redor do planeta já começou.

Na esteira do lançamento do chatGPT, temos visto uma rápida proliferação de soluções e produtos utilizando esse tipo de sistema (IA generativa) nas mais diversas áreas do conhecimento – marketing, artes, comunicação, educação, etc. -, e consequentemente, nos mais variados tipos de aplicações que vão muito além do texto, como criação de imagens, músicas, slides, vídeos, roteiros, filmes, abrangendo cada vez mais formas de produção criativa de conteúdos.

Em um primeiro momento, essas ferramentas parecem incríveis, mas devemos lembrar que isso é apenas a ponta do iceberg da aceleração da inteligência no planeta. Esse tipo de tecnologia deve evoluir muito e rapidamente nos próximos anos e deveríamos pensar no que ela pode se tornar. Nesse contexto, a questão importante não é apenas o que essas ferramentas podem fazer hoje, e sim o que nós, humanos, podemos e devemos fazer com elas conforme evoluem.

Apesar dos alertas apontando para os riscos éticos do avanço dessas tecnologias visando garantir a sustentabilidade humana, provavelmente estamos vivendo um processo irreversível – o seu desenvolvimento e uso não diminuirão, da mesma forma que aconteceu com a internet, os celulares, ou qualquer outra tecnologia do passado. Ao contrário, elas tendem a fazer cada vez mais parte das nossas vidas.

Explosão da inteligência e revolução cognitiva

Assim, definitivamente, estamos vivendo a aurora de uma nova era, impulsionada pela forma mais poderosa de inteligência possível, a inteligência híbrida, em que a inteligência humana é ampliada de forma espetacular pela inteligência artificial. Nessa jornada para o futuro, as nossas decisões – tanto como indivíduos, quanto como humanidade – determinarão se estamos abrindo a caixa de pandora ou se estamos criando uma nova Renascença, com o potencial de nos conduzir à maior revolução cognitiva da humanidade, devido à explosão da inteligência no planeta.

Ok, a essas alturas, você deve estar pensando: “estamos ouvindo falar de aplicações de inteligência artificial no mercado já há alguns anos… então, porque o que está acontecendo agora é diferente?”. Vejamos.

IA 2.0

Sabemos que a inteligência artificial não é novidade – seu conceito remonta à antiguidade e as suas sementes foram lançadas há décadas, em meados do século passado. No entanto, até recentemente, o poder da IA era restrito, sendo utilizado quase que exclusivamente por empresas que produzem sistemas com fins específicos para os seus negócios – nesse contexto, os indivíduos são “apenas” usuários secundários dessa inteligência. Exemplos disso são os sistemas de busca, como o Google, ou um navegador, como o Waze – eles utilizam sistemas inteligentes para aprender e melhorar especificamente os serviços que oferecem. Podemos chamar esse primeiro momento de IA 1.0, onde os grandes ganhos de inteligência ficam predominantemente para as empresas e seus produtos/serviços, de forma muito parecida com o que acontecia com o poder da internet na era Web 1.0.

A grande diferença agora, com a introdução no mercado de ferramentas como o chatGPT, é que os sistemas inteligentes também passaram a estar disponíveis diretamente aos indivíduos, de forma ampla e acessível, expandindo o alcance e propagação da IA. Nesse contexto, os ganhos de inteligência com a IA passam para o nível do usuário, como acontece na Web 2.0. Portanto, o chatGPT inaugura uma nova fase de ampliação e disseminação de inteligência no planeta, a IA 2.0. Isso é o catalizador da euforia e medo que temos testemunhado por meio da mídia.

Assim, se, por um lado, essa expansão de inteligência pode alavancar ganhos de produtividade dos indivíduos (e, consequentemente, das empresas) e possibilitar a otimização de recursos, por outro, ela também tende a impactar as nossas vidas de forma mais rápida e profunda do que qualquer tecnologia anterior, e essas novas implicações que precisam ser consideradas.

Bênção e maldição

Em menos de dois meses após o lançamento do chatGPT, a mídia já está repleta de discussões sobre os prós e contras na utilização desse tipo de tecnologia inteligente. Por um lado, vemos notícias diárias enaltecendo o poder dessas ferramentas, como por exemplo: como o chatGPT passou em exame de MBA e outros testes que eram páreo apenas para humanos ; como o chatGPT e MidJourney escreveram e ilustraram um livro em 72h apenas; como ferramentas de IA criam artes indistinguíveis das criadas por humanos; como compor músicas e criar vídeos utilizando a combinação dessas ferramentas, e assim por diante, inclusive causando obsessão em Wall Street. Por outro lado, aumenta também a quantidade de notícias que revelam a preocupação com o uso e a disseminação dessas ferramentas em nosso cotidiano, como, por exemplo: como detectar plágio de conteúdo gerado por IA; de quem são os direitos autorais dos materiais produzidos; qual é a confiabilidade das respostas que esses sistemas oferecem; discussões sobre banir o seu uso em escolas; e isso é só o começo, pois quanto mais poderosa a tecnologia, mais tensa é a nossa relação com ela.

Perguntas e respostas

Assim, mais uma vez na nossa história vivemos uma ruptura de certezas. E o primeiro passo para nos adaptarmos quando isso acontece é avaliar como estamos preparados para o novo ambiente que emerge, e como podemos nos preparar rapidamente no que for necessário. Ferramentas poderosas nas mãos de pessoas despreparadas tornam-se mais perigosas do que úteis, da mesma forma quando uma criança brinca com uma faca, ou quando uma pessoa alcoolizada dirige um carro. Quanto mais poderosa a ferramenta, maior o risco, não apenas para quem a usa, como também, e principalmente, para todos ao redor.

Nesse contexto, a questão fundamental agora é: no ambiente emergente de IA criativas, qual é a principal competência que precisamos desenvolver, não apenas para enfrentar, mas principalmente para crescermos? Nesse sentido, se você já testou o chatGPT, provavelmente percebeu que algumas respostas são melhores que outras. Certamente você deve ter percebido também, que ele não faz nada se você não perguntar! Portanto, o primeiro grande impulsionador de resultados (e, assim, inteligência) em sistemas inteligentes é a qualidade das perguntas, ou, em outras palavras, a capacidade de perguntar.

O grande problema nesse sentido é que fomos educados prioritariamente para responder, não perguntar. Para reagir, não para antecipar. Para seguir regras, não para criar. Para obedecer, não questionar. Entretanto, o nosso ambiente vem se transformando há décadas, desde o início da era computacional, com as máquinas evoluindo gradativamente para responder cada vez melhor e mais rápido qualquer coisa – elas começaram com cálculo matemático, depois se tornaram uma infinidade de “respondedores” (como os buscadores, navegadores, tradutores etc.), e agora, são também criadoras. Concomitantemente, humanos deveriam ter evoluído para melhorar suas competências de perguntadores – isso torna-se especialmente importante para líderes, pois eles direcionam caminhos e têm o potencial de influenciar o desenvolvimento de muitas outras pessoas, como um amplificador. Líderes que sabem perguntar em ambientes inteligentes abrem uma infinidade de possibilidades de caminhos melhores, pois a pergunta amplia, cria, ilumina. Saber apenas responder restringe, determina, limita.

Pensamento crítico

No entanto, por mais importante que a pergunta seja, perguntar apenas não resolve, é necessário também saber analisar as respostas para tomar decisões ou refinar o questionamento. Para tanto – perguntar e analisar – é preciso saber pensar criticamente. Sem essa habilidade, torna-se impossível realizar uma interação eficiente com sistemas inteligentes (sejam eles artificiais, humanos ou híbridos).

Assim, o pensamento crítico é o superpoder humano na era das máquinas inteligentes, pois, ao mesmo tempo em que ele é a força motriz que está por detrás das melhores perguntas, ele é também o filtro que seleciona as melhores respostas – é ele que avalia a informação, contexto, objetivos, pontos de vista distintos, moral, ética, valores, entre inúmeros outros fatores, durante o processo pergunta/respostas. É ele que nos faz questionar os resultados obtidos nos sistemas, validando precisão, valores, ética, intenções. É ele que nos fará perceber que uma resposta pode ser melhorada, refinada, com uma nova sequência de perguntas. É ele que pode desbloquear e ampliar a inteligência híbrida no planeta.

Apesar de ser o principal catalisador do aumento da inteligência na fusão humano-IA, a importância do pensamento crítico vai muito além – ele é também o ingrediente fundamental para garantir que esse aumento de inteligência nos conduza também, e principalmente, a uma sociedade mais sustentável, mais humana, mais justa. A inteligência sem o balizamento de valores humanos orquestrados pelo pensamento crítico, resulta exclusivamente em razão, tendendo a criar uma sociedade utilitária e cruel. Sem pensar criticamente, estaremos tão perdidos no poderoso ambiente sócio-tecnológico que emerge quanto um navegante, que apesar de ter disponível as mais poderosas bússolas e naves, não consegue usá-las para dominar o poder da natureza, ficando em risco, à sua mercê. Hoje, a nossa bússola é o pensamento crítico, e a nossa nave a IA híbrida.

Assim, nunca existiu um momento tão urgente para todos e cada um nós avaliarmos e melhorarmos o nosso pensamento crítico, pois em terra de IA, quem tem pensamento crítico é rei.

Martha Gabriel

É referência multidisciplinar na América Latina nas áreas de negócios, tendências e inovação. Futurista pelo IFTF (Institute For The Future), engenheira (UNICAMP), pós-graduada em Marketing (ESPM) e design (Belas Artes), é ainda mestre e PhD em artes (ECA/USP) e formação executiva pelo MIT Sloan. Autora dos best-sellers “Marketing Na Era Digital”, “Educar: A (R)Evolução Digital na Educação” e “Você, Eu e os Robôs”, duas vezes finalista do Prêmio Jabuti. É CEO da Martha Gabriel Consultoria que atende corporações multinacionais, bancos, governo e universidades. Professora de inteligência artificial da PUC-SP, leciona ainda no Insper e Fundação Dom Cabral. Palestrante em seis TEDx, ainda é embaixadora no Brasil da Geek Girls LatAm, ONG de fomento de educação tecnológica para garotas focando na diminuição da inequalidade e no aumento da diversidade nas áreas STEM (science, technology, engineering, mathematics).

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Aumentar oferta de gás nacional é fundamental para a reindustrialização do Brasil; leia artigo

Por Adriano Pires – Estadão – 04/02/2023 

O gás é o grande protagonista do atual cenário energético mundial e seu mercado vai viver mudanças em função do choque de preços ocorrido em 2022

A recente visita do presidente Lula da Silva à Argentina trouxe para a mesa algumas polêmicas. Uma das principais é o possível financiamento por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do trecho Buenos Aires-Santa Fé do gasoduto Nestor Kirchner, trazendo gás natural do campo de Vaca Muerta, na região de Neuquén.

Em primeiro lugar, é bom deixar claro que qualquer aumento na oferta de gás natural no País é bem-vindo. O grande desafio do Brasil e do mundo é aumentar a oferta de gás e diversificar o fornecimento. Isso ficou bem claro com a guerra Rússia/Ucrânia.

Inverno quente na Europa e verão chuvoso no Brasil trouxeram queda nos preços da energia

Portanto, trazer gás da Argentina é muito bom para o Brasil. Se cabe um financiamento desse gasoduto por parte do BNDES, isso é uma outra questão que merece uma análise cuidadosa.

Uma das vantagens do gás da Argentina seria permitir o crescimento do mercado do sul do Brasil, hoje atendido, basicamente, pelo gás da Bolívia. Com a chegada do gás argentino, deveríamos construir o gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre, tendo como âncora térmicas e o fornecimento de gás para o Polo Petroquímico de Triunfo. Além disso, a médio prazo, o gás argentino poderá substituir o gás da Bolívia, que vai sofrer uma redução na sua produção a partir de 2030.

Outro ponto que merece uma reflexão é o fato de o gás de Vaca Muerta ser shale gas. O Brasil não deveria permitir a exploração de shale gas? É bom lembrar que os Estados Unidos resolveram a questão ambiental na produção de shale e se transformaram no maior produtor de gás do mundo.

Mais importante do que o gás da Argentina é estabelecer como prioridade políticas públicas e de financiamento, inclusive do BNDES, que induzam investimentos em infraestrutura, aumentando a oferta de gás nacional. Só trazer gás argentino aumentará mais ainda a nossa dependência de importação e, convenhamos, de um país que historicamente vive com grande instabilidade política e regulatória. Ou seja, a História mostra que a Argentina não é um fornecedor confiável.

O gás é o grande protagonista do atual cenário energético mundial. Da mesma forma que o mercado do petróleo sofreu uma grande transformação com os dois choques do petróleo, agora o mercado de gás natural vai viver mudanças em função do choque de preços do gás ocorrido em 2022. Nesse contexto, aumentar a oferta de gás nacional nos próximos anos é fundamental para promover a reindustrialização do Brasil. E como aumentar no curto prazo? Com o crescimento da produção onshore e a redução da reinjeção de gás na Bacia do Amazonas e no pré-sal.

O aumento da oferta nacional de gás, incluindo o biogás, como prioridade, mais o argentino, o boliviano e o gás natural liquefeito (GNL), permitirá o crescimento do mercado com a construção de térmicas e o atendimento do setor químico, siderúrgico, cerâmico, vidreiro, possibilitando, também, a construção de plantas de fertilizantes.

https://www.estadao.com.br/economia/artigo-adriano-pires-oferta-gas-nacional-reindustrializacao/

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ChatGPT, Bard ou Baidu? Gigantes da internet lutam para impor seu modelo de inteligência artificial

Objetivo da IA é fazer uma pergunta ao buscador e obter uma resposta em linguagem natural, não uma lista exaustiva de documentos

AFP Publicado em 7 de fevereiro de 2023

A batalha para impor seus próprios modelos de inteligência artificial (IA) se lançou entre os gigantes buscadores da Internet, entre eles, a Microsoft, que aposta no programa ChatGPT, o Google, que acaba de lançar o Bard e o site de buscas chinês Baidu, que anuncia seu próprio serviço de chatbot.

Uma inteligência artificial aplicada à busca no universo infinito da Internet pode revolucionar a rede e o mundo do trabalho.

O objetivo é fazer uma pergunta ao buscador e obter uma resposta em linguagem natural, não uma lista exaustiva de documentos.

Grupo chinês Baidu anuncia desenvolvimento de chatbot de IA

Concorrente do ChatGPT? Google lança Bard, ferramenta de inteligência artificial; conheça

A IA também pode propor uma cartografia, uma reunião de trabalho, contatos relacionados ao tema ou uma análise de imagem.

Bilhões de dólares de investimento

Em novembro de 2022, a start-up californiana OpenAI, com o auxílio da Microsoft, lançou seu robô de conversas ChatGPT, capaz de responder a qualquer pergunta com mais ou menos precisão. Atualmente o serviço é gratuito e o sucesso tem sido estrondoso: 100 milhões de usuários em dois meses.

No final de janeiro, a Microsoft anunciou que está disposta a investir “bilhões de dólares” no OpenAI. Segundo a imprensa americana, o grupo já investiu US$ 3 bilhões e planeja injetar mais US$ 10 bilhões.

ChatGPT

As consequências práticas já estão aparecendo. A Microsoft lançou na última segunda-feira, 6, uma versão mais cara de seu programa de comunicação Teams, equipado com funcionalidades de ChatGPT, por exemplo, para gerar resumos de reuniões.

A multinacional ainda garantiu há duas semanas que planeja “acrescentar um toque” de ChatGPT a todos os seus produtos, entre eles, o buscador Bing, que ainda não consegue competir com o Google.

Em pouco menos de um mês, o principal site de buscas já anunciou sua réplica.

Bard

Seu projeto Bard “procura combinar a amplitude do conhecimento global com o poder, a inteligência e a criatividade de nossos grandes modelos de linguagem”, explicou o diretor-geral da empresa, Sundar Pichai, na segunda-feira.

“Ele se baseia em informações da web para fornecer respostas novas e de alta qualidade”, acrescentou.

O Google controla cerca de 90% do número de buscas na internet, o que significa uma enorme receita de publicidade.

Baidu

E agora é a vez do Baidu. Várias empresas chinesas começaram a desenvolver aplicativos rivais, mas o Baidu é o maior a entrar na briga para recriar o sucesso do ChatGPT, embora a empresa não tenha anunciado uma data de lançamento para o serviço, que será chamado de “Ernie Bot”.

Um porta-voz da empresa chinesa disse à AFP que “os testes internos podem ser concluídos em março, antes que o chatbot seja disponibilizado ao público”.

Contudo, alguns projetos iniciais enfrentaram problemas. É o caso da Meta (Facebook). Pouco antes do surgimento do ChatGPT, no dia 15 de novembro, o grupo anunciou o Galactica, um modelo de linguagem que resume artigos científicos e até ajuda a escrevê-los.

No entanto, a ferramenta de IA também gerou respostas absurdas ou racistas. A Meta retirou do ar esse modelo beta três dias após seu lançamento.

Mais sobre:GoogleInteligência artificialMicrosoft

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Companhias contratam profissionais 50 + para suprir gap de qualificação

Estudo mostra que 4 em cada 10 diretores do Reino Unidos estão mais abertos a empregar funcionários até 64 anos

Por Daphinei Straus, Valor/Financial Times 26/01/2023

Um diretor não executivo poliglota e com bons contatos, que passou a carreira dirigindo algumas das maiores empresas europeias de vendas de roupas por catálogo postal é, aos 93 anos, a pessoa mais velha da folha de pagamento da David Nieper, uma empresa de moda de controle familiar com sede em Alfreton, no distrito de Derbyshire, região central da Inglaterra.

Sua experiência tem um valor inestimável, segundo Christopher Nieper, diretor-executivo de segunda geração da empresa. O mesmo se diz da experiência de incontáveis outros funcionários mais velhos que trabalham nas fábricas, no call-center e nos escritórios da empresa. Sediada em uma área dotada de um longo histórico da indústria têxtil, a empresa historicamente contrata funcionários qualificados de concorrentes que fecharam as portas, ao mesmo tempo em que enfrenta dificuldades em atrair funcionários novatos mais jovens.

Em decorrência disso, a empresa patrocina agora uma escola local e se empenha em reter funcionários mais velhos, oferecendo flexibilidade de horários de trabalho e uma semana adicional de férias anuais para os que trabalham para além da aposentadoria pública. “Tentamos a todo custo segurá-los”, diz Nieper. “Quando alguém se aposenta, olho para aquilo e penso, ‘Ah, não!’. Precisamos de duas pessoas jovens para substituir uma que sai.”

Essa atitude não é rara na indústria de transformação, na qual os empregadores lutam há anos com as dificuldades impostas pelo envelhecimento dos quadros de funcionários. Mas é um modo de pensar exótico para muitos empregadores do Reino Unido – que estão atentos à necessidade de criar melhores trajetórias de carreira para mulheres e para funcionários originários de grupos minoritários, ao mesmo tempo em que desconsideram com frequência as necessidades de funcionários mais velhos e negligenciam candidatos a partir de 50 anos ao recrutar pessoal.

Pesquisa realizada em novembro pela entidade de classe britânica de credenciamento e capacitação Chartered Management Institute (CMI) detectou que apenas 4 em cada 10 diretores estão abertos a empregar funcionários na faixa dos 50 aos 64 anos, em medida “de grande a moderada”.

Outros colocam a questão sem meias-palavras. “No pós-pandemia, uma agência foi sincera o suficiente para dizer que ‘alguém com mais de 60, nem pensar”, diz John, um desenvolvedor “freelancer” de software de sessenta e poucos anos que deixou de trabalhar após esbarrar reiteradamente com atitudes desse tipo.

Esse preconceito dá muito errado. Um êxodo de pessoas mais velhas do local de trabalho – no exato momento em que os empregadores britânicos perderam acesso ao mercado de mão de obra da União Europeia (UE) – é um fator-chave das crises de escassez de mão de obra que têm assolado as empresas de setores que vão desde o de logística até o de hospitalidade (que compreende hospedagem, gastronomia e eventos), assistência (cuidado, atenção) e TI.

Desde o início da pandemia, houve um aumento de mais de meio milhão no número de adultos em idade ativa que não estão nem trabalhando nem procurando emprego. Essa alta da inatividade econômica é quase singularíssima para o Reino Unido e foi impulsionada por pessoas que não querem mais trabalhar e têm condições financeiras para não trabalhar.

O governo está tentando reverter essa tendência, por meio da expansão de sua oferta de requisitos para as pessoas fazerem um levantamento de suas finanças, habilidades e saúde, além de mobilizar uma rede de “mais de 50 paladinos exemplares” da causa a fim de convencer as empresas das vantagens de contratar trabalhadores mais velhos. Mas a capacidade do governo  de contatar trabalhadores que optaram por se aposentar e que não buscam ajuda é limitada.

Isso deixa aos empregadores o ônus não apenas de abrir mais a cabeça sobre quem contratam, como também para tornar os empregos mais atraentes aos trabalhadores mais velhos – seja pela oferta de expedientes mais flexíveis, de mais apoio para os que sofrem de algum problema de saúde, de programas de avanço na carreira ou simplesmente por tornar os locais de trabalho mais inclusivos para os que são motivados a trabalhar tanto pela interação social quanto pelo salário.

“A maioria das pessoas que não trabalha tem opções. Não está contando com os benefícios. A maior responsabilidade está na empresa”, diz Jon Boyes, economista do Chartered Institute of Personnel and Development, um grupo de membros para profissionais de RH. Ele aponta para a enorme variação no perfil de trabalhadores empregados em setores diferentes – em hospitalidade e TI, não há mais do que 20% com mais de 50 anos, uma proporção que sobe para 33% ou mais em saúde e assistência, logística ou imóveis.

“Cabe aos empregadores reavaliarem suas atitudes”, diz Anthony Painter, diretor de política pública do CMI. Um número crescente está simplesmente fazendo isso – com a idade se tornando um novo foco, em vez de uma esfera negligenciada, da agenda da diversidade e da inclusão.

Alguns – como a varejista Halfords e a cadeia de “fast-food” McDonald ‘s – lançaram campanhas de recrutamento voltadas para as pessoas de mais de 50 anos para cargos como técnicos ou de apoio ao cliente. Mas outros empregadores, em especial os da área administrativa, encaram como ainda mais importante reter os funcionários preexistentes.

“O que os impulsiona é a escassez de qualificações e a configuração demográfica”, diz Kim Chaplain, diretor-associado do instituto de análise e pesquisa do Centre for Ageing Better. A única mudança mais importante que os patrões podem fazer para seduzir as pessoas de mais de 50 anos a voltar ou a permanecer no trabalho é ser mais flexível sobre o expediente de trabalho, diz Chaplain, uma vez que muitos fazem acrobacias para conjugar o trabalho com o cuidado aos pais, aos netos ou administrar os próprios problemas de saúde.

“Trabalho todo dia com um intervalo para almoço de duas horas, para descansar. Não consigo trabalhar por todo esse tempo, por isso trabalho até as 17:30 e começo às 11:00. Duas horas e meia é o máximo que consigo administrar”, diz Susan Keighley, de 65 anos, que agora trabalha no departamento de apoio ao cliente da Juno, uma empresa de transferência de posse de imóveis on-line, administrada por seu genro.

Ela enfrentou, há anos, dificuldades para encontrar emprego após sair de um posto de alta pressão no exterior para cuidar de seu pai, à beira da morte. Depois foi preterida nas contratações em favor de candidatos mais jovens para uma série de cargos, além de aceitar trabalho intermitente de consultoria e de se submeter a um tratamento de câncer que teve efeitos duradouros.

Embora Keighley ganhe muito menos do que no passado, e exerça tarefas inferiores aos de suas capacidades, ela diz que teria medo de deixar um empregador que apoia autenticamente o bem-estar, não apenas em termos de horário flexível e folgas, como também de monitorar as cargas de trabalho e de atribuir uma cesta de tarefas às equipes voltada para papéis fatigantes de atendimento direto ao público. “Sinto este como um lugar seguro”, acrescenta.

Motivados pela pandemia, muitos empregadores estão examinando mais atentamente a possibilidade de apoiar funcionários com problemas de saúde – entre os quais os que apresentam vulnerabilidades na esfera da saúde mental, e mulheres que passam pela menopausa, que poderiam, de outra forma, deixar de trabalhar bem no momento de pico de suas carreiras.

Mas os empregadores podem precisar repensar como organizar o trabalho e distribuir as pessoas para poderem oferecer o tipo de flexibilidade desejada pelos trabalhadores mais velhos.

Antony Perillo, diretor industrial da empresa fabricante de botas de luxo John Lobb, diz que os funcionários mais velhos da fábrica de Northampton da empresa tendem a treinar os demais na arte de costurar à mão, cortar e encaixar o couro ou executam encomendas sob medida, que enfrentam menor pressão de prazos do que a divisão de prêt-à-porter. Essas equipes multigeracionais contribuem para criar um “ambiente estável, calmo”, acrescenta.

Os patrões de empresas do setor administrativo estão tentando também tornar mais tênues os limites entre trabalho em tempo integral e aposentadoria – ao permitir, por exemplo, que os funcionários reduzam suas horas de trabalho e comecem a recorrer às grandes somas da aposentadoria de uma maneira gradual ou ao usar ex-funcionários em papéis de consultoria após terem se aposentado.

Emma Harvey, CEO de RH da seguradora Axa UK, está capitalizando a experiência do grupo na França e na Alemanha, onde os gestores tiveram que gerir o desafio de uma força de trabalho em processo de envelhecimento antes do que no Reino Unido.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2023/01/26/terceira-idade-e-o-foco-agora-nas-contratacoes-do-reino-unido.ghtml

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ChatGPT cria nova carreira, o ‘DJ de inteligência artificial’

Por Bruno Romani – Estadão – 04/02/2023 

A sobrevivência de muitas profissões está em perigo com o crescimento de sistemas de inteligência artificial (IA) como o ChatGPT. E um estudo do Fórum Econômico Mundial prevê que 85 milhões de postos de trabalho no mundo serão afetados por ferramentas de automação até 2025. Por outro lado, a nova era da IA pode também abrir as portas para uma nova ocupação, o engenheiro de prompt.

De certa maneira, a nova carreira lembra aquilo que fazem os DJs: eles não criam as músicas que tocam (na maioria das vezes), mas sabem manipular as canções de terceiros – e, quando são bons, são a diferença entre uma festa animada ou caída. De forma similar, os engenheiros de prompt são os profissionais capazes de operar esses novos sistemas de IA e tirar o melhor resultado de cada modelo.

Até meados de 2022, modelos de IA eram capazes de apontar tendências e fazer correlações de informações, mas a nova geração da tecnologia vai além. Sistemas como o ChatGPT, DALL-E 2, Midjourney, entre outros, também produzem conteúdo inédito, como texto, imagens e vídeos – e por isso representam um novo campo, chamado inteligência artificial gerativa. Saber dar bons comandos (ou prompts) para que as máquinas trabalhem será fundamental para se manter no mercado de trabalho.

Por exemplo: uma agência de publicidade pode adotar sistemas de IA gerativas para criar as imagens e peças de uma campanha. Isso significa que, talvez, o designer tradicional perca importância diante de um engenheiro de prompt. Ou seja, o profissional que antes sabia comandar programas tradicionais de edição e ilustração de imagem pode perder espaço para alguém capaz de dar bons comandos escritos para a máquina – mesmo que esse novo profissional não saiba utilizar as ferramentas atuais de um designer. É uma mudança importante de paradigma na rotina criativa.

“O ChatGPT sobe a barra. Se você trabalha com uma profissão criativa, mas o que você cria é muito básico, há chances de o ChatGPT estar acima do que você é capaz de entregar. No processo de aprendizado, você vai ter que aprender a trabalhar com uma IA gerativa”, diz Edney Souza, professor de inovação, tecnologia e negócios digitais na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “É uma situação parecida com as pessoas que quiseram continuar datilografando, quando já era possível trabalhar no computador”.

Engenheiro de prompt é habilidade ou profissão?

O avanço das IAs gerativas é tão recente, que o mercado de trabalho ainda está tentando entender se estamos mesmo diante de uma nova profissão ou de um novo conjunto de habilidades que todos deverão desenvolver (como saber manusear planilhas não faz de ninguém um contador). “No início, deverá ter um pico de pessoas especializadas nessas IAs nas empresas, mas ‘analfabetos digitais’ não terão espaço. A tendência é que todos tenham que aprender a usar”, explica Lula Rodrigues, diretor de tecnologia Escola 42, que forma programadores e engenheiros de software.

Ele faz um paralelo com as décadas de 1960 e 1970, quando os primeiros computadores chegaram ao mundo corporativo. Na época, os especialistas em computação eram uma categoria altamente especializada – que até vestia jaleco para se distinguir. “Naquela época, a sociedade também se viu diante da mesma pergunta sobre quem iria operar aquela nova ferramenta, mas, com o passar do tempo, todo mundo teve que aprender a mexer no computador. A diferença de agora é a velocidade”, diz ele.

Mesmo com tantas interrogações, especialistas já conseguem traçar algumas características que os operadores de IA devem ter.

“O profissional vai precisar ter conhecimento específico a respeito da IA que está usando para trabalhar”, afirma Geraldo Gomes, pesquisador na startup Zup. Embora grandes modelos sejam treinados com volumes grandiosos de dados, cada um dos sistemas é ajustado para entregar um tipo de resultado. Embora DALL-E 2 e Midjourney façam a mesma coisa (criam imagens a partir de comandos), os resultados são bem diferentes. Saber as nuances de cada sistema ajuda no resultado final.

Computadores antigos, como o Colossus 10, não eram ferramentas para qualquer um  Foto: National Museum of Computing Science, Bletchley Park

“É necessário também ter o conhecimento específico sobre a área de atuação. Por exemplo, uma IA no mundo jurídico vai produzir uma petição, mas, sem os comandos corretos, ela pode não atingir os objetivos”, explica João Duarte, diretor de tecnologia da escola de programação Trybe.

Ou seja, o engenheiro de prompt precisa garantir não apenas que a IA seja eficiente em um determinado contexto, mas também trazer profundidade e personalidade ao material. No caso da IA no mundo jurídico, o profissional trabalha para que a produção da máquina reflita a visão e forma de atuação do seu escritório.

“Fazer conexões entre elementos é mais importante que o elemento. E aquilo que o ChatGPT produz é só elemento”, argumenta Rodrigues. Em outras palavras, são os humanos que dão sentido ao que os sistemas produzem.

Se você trabalha com uma profissão criativa, mas o que você cria é muito básico, há chances de o ChatGPT estar acima do que você é capaz de entregar

Edney Souza, professor de inovação, tecnologia e negócios digitais na ESPM

Ter a sensibilidade para determinar a qualidade do material gerado pela máquina é mais uma característica do profissional do prompt. “Em qualquer projeto de IA, o papel do curador é fundamental”, diz Daniel Lázaro, diretor de análise de dados da Accenture. Isso ajuda a direcionar os sistemas: caso os resultados não sejam satisfatórios, é necessário dar novos comandos à IA.

Como fazer prompts

Ainda que a questão profissão ou habilidade esteja longe de ser resolvida, já há uma busca sobre como criar bons comandos para os sistemas. Souza, da ESPM, compartilha dicas em suas redes sociais. “Primeiro, é preciso definir a persona: como você quer que a máquina escreva”, explica. Por exemplo, se você quer criar um orçamento, coloque “escreva como um contador”. “A persona mexe no estilo e nas palavras dos sistemas”, conta Souza.

“Na sequência, é preciso dar a tarefa. E, aqui, o mais importante é detalhar o máximo possível”, conta o especialista. Alguns detalhes envolvem o contexto, objetivos e restrições sobre aquilo que será produzido. Tradicionalmente, máquinas não são boas com ambiguidade e subjetividade. “Se você quiser algo com um resultado muito específico, é preciso eliminar esses elementos do caminho, embora o ChatGPT consiga lidar com eles”, conta. “Se você estiver buscando ideias, deixe algum grau de subjetividade nos comandos”, diz.

Para quem quer cortar caminhos, um “mercadão de prompts” começa a se formar. Existem sites e plataformas que vendem pacotes de comandos para sistemas específicos. Há também cursos que também ensinam como construir os melhores comandos. É uma movimentação típica do alvorecer de um novo momento do mercado.

Seja encontrando uma nova formação ou desenvolvendo habilidades, só há uma certeza nesse movimento em busca pelo “prompt perfeito”: um dia, todos seremos DJs de inteligência artificial.

https://www.estadao.com.br/link/cultura-digital/o-que-e-chatgpt-engenheiro-prompt-chat-ia-dj-inteligencia-artificial/

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Pela primeira vez, energias eólica e solar superaram o gás na UE em 2022

“A Europa evitou o pior da crise energética”, avaliou Dave Jones, encarregado de análise de dados do Ember, citado em nota

AFP/Exame 31 de janeiro de 2023

Pela primeira vez, as energias eólica e solar geraram mais eletricidade na União Europeia do que a proveniente do gás em 2022, segundo um relatório publicado pelo centro de análises Ember nesta terça-feira, 31.

Quase um quarto (22%) de toda a eletricidade consumida na UE foi gerada por estas duas fontes de energia limpa, muito mais do que a energia gerada por carvão (16%) e “pela primeira vez” pela proveniente do gás (20%), segundo a European Electricity Review, publicação do centro Emberg.

“A Europa evitou o pior da crise energética”, avaliou Dave Jones, encarregado de análise de dados do Ember, citado em nota.

A crise de energia, provocada pela invasão russa da Ucrânia, “só provocou um leve aumento da energia do carvão e, ao contrário, gerou um apoio enorme às energias renováveis”, acrescentou o texto.

“O medo de um repique do carvão está descartado”, afirmou o analista.

Ele destacou o aumento da produção de eletricidade a partir da energia solar de 39 terawatts-hora (TWh, +24%) em relação a 2021 – um recorde. Comparativamente, as usinas nucleares francesas produziram 279 TWh em 2022.

Após a invasão russa da Ucrânia e o progressivo fechamento de gasodutos russos, a Europa teve que importar maciçamente gás natural liquefeito, transportado em navios, e voltar a usar centrais a carvão. As fontes eólica e solar permitiram evitar um uso maior do carvão, segundo os analistas.

A produção de eletricidade a partir do carvão aumentou 7% entre 2021 e 2022 (+28 TWh), mas o uso de centrais a carvão diminuiu de fato nos quatro últimos meses do ano.

A forte queda da demanda de eletricidade na Europa no último trimestre do ano (-7,9%), em comparação com o ano passado, também ajudou a deixar o carvão para trás.

https://exame.com/esg/pela-primeira-vez-energias-eolica-e-solar-superaram-o-gas-na-ue-em-2022/

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“A hora e a vez do lado direito do cérebro – no olhar de Daniel Pink”

Mesmo publicado faz um tempo, é célebre o conteúdo do livro “O Cérebro do Futuro” de Daniel Pink – edição já rara de encontrar no Brasil

 (Owen Gildersleeve/Divulgação)

(Owen Gildersleeve/Divulgação)

O que te motiva

Luah Galvão – Exame – 1 de fevereiro de 2023

Há mais de 10 anos, o autor nos alertava para que nos preparássemos para grandes mudanças que estavam por vir. Mudanças que abririam o leque de possibilidades para pessoas que tivessem as características do hemisfério direito do cérebro mais desenvolvidas. E não é que ele estava certo?!

Mas Luah, antes de seguir, relembra qual a diferença entre os hemisférios direito e esquerdo de nossa massa cinzenta…

Os dois lados de nosso cérebro têm suas peculiaridades, mas muitos realmente as confundem. O lado esquerdo é analítico, ligado ao raciocínio lógico e tem um grande potencial para resolução de problemas, já o direito, mais sensorial, ligado ao lado emocional, é o lado mais artístico e intuitivo.

E já começo abrindo aspas aqui para Daniel Pink pra gente aprofundar no assunto: “O hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo, é sequencial, especializado em texto e é apto em analisar pormenores. Já o hemisfério direito controla o lado esquerdo do corpo, é simultâneo, especializado em contextos e sintetiza a visão de conjunto.” “Os dois hemisférios do nosso cérebro não funcionam como um interruptor do tipo ‘liga-desliga’ em que tudo se desativa no momento em que o outro entra em ação. Ambas as partes exercem alguma função em praticamente tudo que fazemos.” – nos explica o autor no livro.

Colocadas as diferenças entre esses eficientes lados de nossa cachola, vamos para o que interessa nessa matéria: as previsões de Daniel Pink para o futuro que estava raiando.

O autor vislumbrou que o mercado de trabalho passaria por diversas transformações, entre elas, teria um anseio cada vez maior por profissionais que tivessem as habilidades do lado direito do cérebro mais desenvolvidas. Chegou até a profetizar que os profissionais mais racionais e analíticos – altamente requisitados em tempos anteriores, seriam provavelmente “atropelados” por essa “nova” avalanche de demandas.

No livro Daniel Pink nos convida a voltarmos um pouco no tempo, lá pelos idos dos anos 70 – quando ele próprio era pequeno, para entender as promessas de sucesso dos profissionais com o lado esquerdo do cérebro mais acentuado. Naquela época a premissa era: “Tire boas notas, vá para a faculdade e siga uma profissão capaz de lhe garantir um bom padrão de vida.” – se você tem mais de 40 anos, certamente essa frase vai te soar como algo familiar. “Os trabalhadores cuja característica dominante era a atividade mental realmente definiram as linhas gerais, assumiram a liderança e determinaram o perfil social da era moderna.” – recorda Pink.

É fato que durante muito tempo, profissionais desse calibre foram extremamente cobiçados para a liderança dos negócios em lato sensu. Muitos de nós, inclusive, nascemos e crescemos sob essa égide. Pessoas como eu, com o lado direito mais acentuado, éramos consideradas “artistas” ou “ovelhas negras”, sem muito espaço ou compreensão diante de estruturas mais racionais ou analíticas do mercado de trabalho. Mas, o tempo passou, o mundo girou, o contexto se alterou e cá estamos para comprovar as tendências previstas por Pink. Os ventos também passaram a soprar em nosso favor.

Mas quais foram os motivos para essa migração de necessidades que abriu um grande escopo profissional para pessoas dotadas de características mais artísticas, criativas, multifacetadas e com uma ampla visão de conjunto? Na visão do autor, são 3 os principais pontos:

  • AUTOMAÇÃO – diante do desenvolvimento exponencial da tecnologia, diversas áreas de trabalho passaram a ser facilmente substituíveis por computadores, robôs e inteligência artificial. Basicamente, as máquinas foram tomando lugar de diversos profissionais que tinham no core de suas atividades algo mais mecânico, repetitivo e cartesiano.

“Os seres humanos são a melhor opção para muitas coisas, mas em se tratando de um número cada vez maior de atividades que dependem basicamente de uma lógica que se baseia em regras, cálculos e raciocínio sequencial – os computadores são simplesmente melhores, mais rápidos e mais competentes. Além disso, não se cansam, não se distraem. Não têm dor de cabeça. Não desabam sob pressão, nem se aborrecem com as derrotas.” – cita Pink.

Pois é, vamos realmente ter que engolir essa. Ao mesmo tempo em que isso possa parecer um “fracasso” para nós humaninhos, a automação nos abre espaço para que possamos buscar atividades menos repetitivas, mais criativas, interessantes e que possam estar alinhadas a um sentido de propósito.

São as máquinas abrindo espaço para atividades mais humanizadas. E isso é bom!

  • ÁSIA – a terceirização de grandes grupos profissionais para os mercados asiáticos, pagadores de salários muito mais competitivos, também teve impacto nessa migração de necessidades. Ao longo dos últimos tempos assistimos empresas internacionais de grande porte transferindo suas áreas de TI e Telemarketing, por exemplo, para Ásia. Muitas dessas empresas fomentaram a geração inúmeras vagas de emprego em economias mais fracas, alavancando o aumento de salários em países como Índia, Indonésia, Filipinas, etc… E mesmo assim, gerando grandes economias para suas matrizes.

“Conforme o CEO da GE Índia (na época da publicação do livro) declarou na Financial Times: ‘Qualquer trabalho feito em inglês em mercados como o americano, o britânico e o australiano pode ser feito na Índia. O único limite é a imaginação’

E quais as razões?! Daniel Pink nos explica:

“O principal motivo é o dinheiro. Nos Estados Unidos, o projetista de chip típico ganha cerca de US$7 mil por mês, já na Índia, ganha cerca de US$1 mil. O típico engenheiro aeroespacial americano ganha cerca de USS6 mil por mês; na Rússia, seu salário mensal fica mais próximo de US$650. E enquanto um contador nos Estados Unidos pode ganhar US$5 mil por mês, um contador nas Filipinas tem renda mensal de US$300, quantia que não é desprezível num país onde a renda per capita anual é de US$500. (*dados da época da publicação)

Para essas legiões de trabalhadores internacionais, essa mudança é um sonho. Mas para os trabalhadores do lado esquerdo do cérebro, cuja atividade é eminentemente racional – na Europa e nos Estados Unidos, as implicações estão mais para um pesadelo.”

Trazendo para a realidade brasileira, muitos dos centros de atendimento online ou telemarketing migraram dos grandes centros ou capitais mais pujantes, para locais onde os salários e custos operacionais são bem mais competitivos. É uma fórmula que também gerou impacto por aqui. Mas, novamente, assim como na automação, aqui também encontramos premissas parecidas. Assim como alguns mercados retraem possibilitando o desenvolvimento de áreas que possam demandar as capacidades mais à direita de nossos cérebros, essa migração favorece o desenvolvimento de regiões cujas oportunidades de trabalho ainda eram menos escassas. No final das contas, o mercado se autorregula.

E seguimos agora para o último ponto levantado por Daniel Pink como alavanca das mudanças no mercado…

  • ABUNDÂNCIA – a busca incessante pela competitividade no desenvolvimento de produtos versus preço e o crescimento das lojas de departamento com suas inúmeras ofertas, também impactaria o mercado. Como? Simples, o diferencial dos produtos passou a não ser mais apenas o preço, e sim design, beleza e experiência de compra. E tudo que é sensorial tem a ver com o lado direito do cérebro. Preço e promoção têm a ver com o esquerdo. Portanto, com essa mudança de paradigma, foram demandados profissionais com características mais artísticas e criativas para criarem produtos e serviços com uma pegada mais experiencial e envolvente. “Para o mercado, já não basta criar um produto que tenha preço razoável e seja útil. Ele também precisa ser bonito, ter personalidade e incorporar um significado.” – nos conta Pink em seu livro.

“Durante a maior parte da história, a vida se caracterizava pela escassez. Hoje, o traço marcante da vida social, econômica e cultural em grande parte do mundo é a abundância. O lado esquerdo do nosso cérebro nos deixou ricos. A economia da informação produziu um padrão de vida na maior parte do mundo desenvolvido que seria impensável para nossos tataravós”“Mas a abundância também produziu um resultado irônico: o próprio triunfo da atividade cerebral do tipo esquerdo fez decair sua importância. A prosperidade que ela desencadeou fez sobressair os valores que têm maior apelo junto às sensibilidades menos racionais, mais próximas do tipo direito – beleza, espiritualidade, emoção.”

“Numa época de abundância, limitar-se ao apelo das necessidades racionais, lógicas e funcionais é insuficiente. Os engenheiros devem encontrar soluções para fazer as coisas funcionarem. Mas se essas coisas não forem também agradáveis aos olhos ou à alma, pouca gente irá comprá-las. Existem alternativas demais. Saber mexer com design, com a empatia, com o lúdico e com outras aptidões aparentemente ‘subjetivas’ é hoje a principal maneira que as pessoas, as empresas e os próprios consumidores encontraram de sobressair em um mercado saturado.”

E Pink conclui o tópico sobre a abundância com uma informação que traz números impressionantes: “A luz elétrica era rara há um século, mas hoje é lugar comum. As lâmpadas são baratas. Todo lugar tem eletricidade. Velas? Quem precisa de velas? Pelo jeito, muita gente. Nos Estados Unidos, as velas movimentam US$2,4 bilhões – por motivos que vão além da necessidade racional de luz quando um país desenvolvido manifesta um anseio mais recente por beleza e transcendência.” – (*dados da época)

Esses 3 fatores já apontavam para uma nova realidade, e Daniel Pink captou a tendência que realmente iríamos ver nascer. As economias mais fortes passaram a dar atenção para características profissionais que estavam fora do radar. O design, a criatividade, a sensibilidade, a sutileza, o pensamento múltiplo e sistêmico e até a alegria e entusiasmo passaram a estar na mira de muitas das companhias ao redor do mundo como dons que potencializariam currículos.

Esses dias em um grande evento que apresentei, escutei de um palestrante internacional que muitas das grandes empresas já não mais contratavam com base apenas nos currículos de seus candidatos, e sim numa combinação gloriosa de expertise + personalidade + visão de mundo. Comentou também que já estamos observando líderes chegando ao topo mais por suas trajetórias e feitos do que necessariamente pelo “papel”. E as big techs saem na frente com essa tendência.

Por isso é sempre muito bom darmos a importância devida aos futuristas e estudiosos do mercado e do comportamento humano. Eles têm mais do que palpites, entendem através de suas mentes cognitivas e associativas, aquilo que vai ser tendência em nosso porvir. O amanhã para eles não é um chute, e sim a resultante de muita observação, conhecimento, pesquisa, dados e talvez até uma boa dose de intuição. E assim revelam para nós os traços de um futuro mais palpável e factível.

Pois é… passado, presente e futuro se misturam sempre em um constante direcionar de nossas vidas. E que possamos dar cada vez mais atenção e vazão aos potenciais de ambos os lados de nosso cérebro, equalizando suas proezas e fortalezas em benefício ao nosso próprio crescimento, enquanto profissionais e indivíduos.

Por Luah Galvão

https://exame.com/colunistas/o-que-te-motiva/o-cerebro-do-futuro-no-olhar-de-daniel-pink/

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Airlander 10 | Conheça o “iate voador” que terá voos de primeira classe

Por Felipe Ribeiro | Editado por Jones Oliveira | Canaltech – 02 de Fevereiro de 2023 

Divulgação/ Hybrid Air Vehicles

A Hybrid Air Vehicles trabalha forte para o lançamento do Airlander 10, um dirigível que promete oferecer uma experiência semelhante a de um iate luxuoso nos céus. Esse nicho de mercado, muito explorado em décadas passadas, pode estar retornando, só que mais eficiente e mais amigável ao meio ambiente.

Segundo a fabricante britânica, o Airlander 10, em sua versão híbrida, emite 90% menos CO² em comparação com uma aeronave de mesmo tamanho e performance. Isso é possível graças aos seus quatro novos motores que, apesar de abastecidos com querosene de aviação, são muito mais econômicos graças à ajuda de sistemas eletrificados.

O Airlander pode pousar até em uma praia, em caso de necessidade (Imagem: Divulgação/Air Hybrid Vehicles)

Além disso, para alçar voo, o Airlander 10 conta com a utilização de gás hélio não-inflamável. Com esse misto de tecnologias, o iate voador consegue ficar nos ares por até cinco dias seguidos, com peso máximo de decolagem de 10 toneladas, 7.400km de alcance, velocidade de até 130 km/h e teto operacional de 6 mil metros.

Os custos operacionais são sensivelmente menores do que aviões executivos, e é possível pousar e decolar de diferentes terrenos, graças justamente ao gás hélio. Segundo a Hybrid Air Vehicles, o Airlander 10 pode operar até na água.

Interior luxuoso, se quiser

Muito embora os dirigíveis também sejam úteis para viagens convencionais e transporte de carga, há um nicho de mercado que deve ser explorado pelas empresas que estão revivendo esse mercado: o de viagens de luxo. E o Airlander 10 terá configurações para isso.

Em sua versão de luxo, o Airlander 10 terá lounges, bares, sofás e até uma minibalada. O serviço de bordo terá refeições e bebidas comparáveis a de hotéis em, a depender da configuração do dirigível, será possível até dormir na aeronave. Segundo a Hybrid Air Vehicles, o iate voador poderá abrigar até 130 pessoas.

Airlander 10: quando poderemos voar?

O Airlander 10 ainda está em processo de certificação e deve ser autorizado para realizar serviços comerciais em 2026 na versão híbrida. A fabricante britânica, aliás, já adiantou que trabalha em uma variante 100% elétrica, prevista para operar em 2030.

Os preços das viagens e modelos de passeio ainda serão revelados e dependem mais das empresas que comprarem a aeronave do que propriamente da fabricante. O Airlander 10, aliás, já tem um comprador: a transportadora espanhola Air Nostrum, que encomendou 10 unidades. Os valores não foram revelados.

https://canaltech.com.br/avioes/airlander-10-conheca-o-iate-voador-que-tera-voos-de-primeira-classe-237982/

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Brasil foi o sexto maior mercado de carros em 2022, veja o ranking global

Com liderança isolada da China nas vendas globais de carros, ranking mostra avanço da Índia e do Brasil, que subiu duas posições em 2022

Vagner Aquino, especial para o Jornal do Carro/Estadão 31 de jan, 2023 ·            

No ano passado, o Brasil vendeu pouco mais de 1,9 milhão de carros e comerciais leves, volume quase 1% menor que em 2021. O número está longe de uma década atrás, quando o País viveu seu auge nas vendas, mas foram suficientes para fazer o mercado nacional subir duas posições no ranking mundial e, dessa forma, ocupar a sexta posição.

Apesar da queda de 2% na comparação com 2021, o mercado global de automóveis e comerciais leves novos fechou o ano anterior com 78,49 milhões de unidades. Mas o número vem de dados preliminares de 78 países. Além das vendas, o ranking revela surpresas.

A China continua líder isolada do mercado global de carros e vendeu 26,86 milhões de unidades, um aumento de 2% ante 2021. O segundo lugar do pódio também continua com os Estados Unidos, que registraram 13,83 milhões – um recuo expressivo de 8%.

Por fim, na base do pódio aparece a Índia, com 4,37 milhões de unidades. Isso ocorreu graças à alta de 24% nos emplacamentos, afinal, o país se tornou o berço de importantes lançamentos, especialmente SUVs compactos. Desse modo, não apenas superou o Japão (4,17 milhões), como também a Alemanha (2,87 milhões).

Veja abaixo o top 10 e suas variações frente a 2021:

  • 1º) China: 26,86 milhões (+2%)
  • 2º) EUA: 13,83 milhões (-8%)
  • 3º) Índia: 4,37 milhões (+24%)
  • 4º) Japão: 4,17 milhões (-5%)
  • 5º) Alemanha: 2,87 milhões (0%)
  • 6º) Brasil: 1,95 milhão (-1%)
  • 7º) Reino Unido: 1,90 milhão (-5%)
  • 8º) França: 1,87 milhão (-10%)
  • 9º) Coreia do Sul: 1,65 milhão (-2%)
  • 10º) Canadá: 1,55 milhão (-7%)

Vale mencionar que não foi o bom desempenho do mercado brasileiro que fez o País ultrapassar Reino Unido e França – o Brasil ocupou o oitavo lugar em 2021. A dança das cadeiras ocorreu por causa da drástica queda nos dois mercados. Dentre os motivos, há, por exemplo, os reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia, que respingaram em toda a Europa.

Por falar em Rússia, este foi o país com a maior queda de vendas de carros dentre todas as nações. Após entraves como a saída de algumas fabricantes locais e a falta de interesse na compra de veículos novos por parte dos russos, o mercado caiu 59% na comparação com 2021. Desse modo, vendeu 677 mil unidades.

Brasil foi o sexto maior mercado de carros em 2022, veja o ranking global

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