Startup capixaba vence competição com quase mil empresas no Web Summit Rio

Criada no Espírito Santo em 2018, a Jade Autism promove educação inclusiva por meio da tecnologia e já é usada por 160 mil crianças em todo o mundo

Por Carolina Nalin — O Globo – 05/05/2023 

Ronaldo Cohin, CEO e fundador do Jade Autism Reprodução/Web Summit

A startup capixaba Jade Autism foi a grande vencedora do Pitch da primeira edição do Web Summit Rio. O fundador Ronaldo Cohin recebeu o prêmio depois de concorrer com quase mil startups presentes no evento. Com foco na educação inclusiva, o software da empresa oferece suporte a crianças e adolescentes com autismo. A solução permite que escolas e professores ofereçam uma abordagem individualizada para cada aluno.

Termo comum no universo das startups, o pitch é uma apresentação curta e objetiva de uma pequena empresa com o objetivo de convencer um investidor. No Web Summit Rio, o Pitch é a grande competição que reúne startups em estágio inicial de todo o mundo para uma batalha ao vivo no palco ao longo dos quatro dias de evento.

Nesta edição, foram selecionadas 42 das 974 startups expositoras. Oito empresas se enfrentaram na semifinal até que três finalistas fossem escolhidas para a final, ontem.

Esse foi o segundo pitch de Ronaldo Cohin: ele já havia apresentado sua startup na conferência da Web Summit Lisboa, em novembro do ano passado.

— Foi muito legal, a competição foi super acirrada, e o nível das startups estava muito alto. A gente está muito feliz. Não ganhamos prêmio, mas um troféu. E agora viro garoto-propaganda do evento no ano que vem — disse Ronaldo.

Planos de internacionalização

Segundo Ronaldo, o prêmio veio ao encontro dos planos da startup de ampliação no mercado estrangeiro:

— (Esse prêmio) vai validar o nosso negócio para crescer dentro da Europa, que é o próximo passo. Nesse mês já devemos atender escolas públicas dentro da Inglaterra.

Ele desenvolveu o programa ao lado da cofundadora da empresa, Joice Andrade, na Universidade de Vila Velha, no Espírito Santo. Ele foi músico de rock em turnê por longos anos antes de voltar à faculdade para estudar computação. Sua filha foi diagnosticada com autismo enquanto ele estudava, o que ensejou a escrever sua dissertação sobre sua condição.

O aplicativo Jade Autism foi criado em 2018 e já é usado por 160 mil crianças em todo o mundo. Ronaldo avalia que a startup tem grande potencial de expansão, já que 380 milhões de crianças em todo o mundo têm deficiências cognitivas, e US$ 16 bilhões são gastos anualmente em tecnologia de assistência.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/05/startup-capixaba-vence-competicao-com-quase-mil-empresas-no-web-summit-rio.ghtml

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As habilidades que IA nenhuma pode ensinar

O uso desenfreado de chatbots e de outras tecnologias de inteligência artificial e a maior recusa pelo modelo presencial de trabalho afetam o desenvolvimento das soft skills, características indispensáveis para o profissional do futuro

Eduardo Peixoto – MIT Sloan review – 27 de Abril

Há dez anos, em um mundo ainda sem Alexa (ok, a Siri já existia, mas ainda sem tanta popularidade), o filme Her apresentou a história de “amor” entre um humano e uma assistente virtual e as implicações sociais daquela distópica relação: Samantha, uma inteligência artificial cativante e com aparentes sentimentos genuínos por Theodore, um escritor de cartas personalizadas cada vez mais isolado e envolvido com aquela companhia sem carne, nem osso. Em uma cena, o personagem interpretado por Joaquin Phoenix questiona o valor de seu trabalho, refletindo se de fato ajudava as pessoas com suas palavras ou se apenas criava uma ilusão de conexão emocional entre elas.

Corta para o nosso mundo atual.

Vivemos o boom dos chatbots, com simulações e interfaces cada vez mais sofisticadas e acessíveis, em que a máquina, adaptada às preferências do usuário, oferece apoio, informação, lazer e prazer sem a expectativa de reciprocidade. Somos livres para programarmos a companhia virtual ideal. E qual é o impacto nas vivências interpessoais? Como aprimorar as chamadas soft skills se nos distanciamos e nos prendemos cada vez mais às plataformas digitais? Neste texto, você ainda verá muitas outras interrogações.

Nas recentes edições da South by Southwest (SXSW), onde acompanhei uma série de palestras do South Summit Brazil, no qual representei o CESAR em um dos painéis, e de outros eventos, as soft skills estão no centro do debate, seja para falar de educação, inteligência artificial (IA) ou das necessidades para o profissional do futuro. Pensamento analítico e crítico, inteligência emocional, raciocínio lógico, resolução de problemas, criatividade, liderança, persuasão e negociação, resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade estão entre as habilidades listadas pelo Fórum Econômico Mundial que estão mais em alta no mercado. Mas como pensar criticamente se somos constantemente induzidos por algoritmos? Como ser mais criativo quando temos conteúdo pronto à distância de um clique? Como persuadir se lidamos com obedientes robôs? “Como desenvolver human skills se as plataformas digitais nos isolam?”, fiz esta provocação no South Summit.

A dissonância nos dias atuais aumenta devido à enorme barreira para retomar a rotina presencial de trabalho. Para muitos, até o híbrido deixou de ser possibilidade. É 100% remoto: “Entrego o que pedem, tudo certo, mas ficarei aqui no meu cantinho”. De forma consciente ou inconsciente, optamos por mais isolamento, e isso não ajuda no desenvolvimento das capacidades profissionais requeridas.

A rotina de mediação digital transmite de forma precária diversos parâmetros, e vamos preenchendo em nossas cabeças, ao nosso modo, as características de personalidade daqueles com quem estamos lidando só por meio de telas. Pior: assumimos tais aspectos como verdadeiros. Fazemos isso mesmo sabendo ser possível apenas ao longo da convivência, e esta pode ser frustrante. Ninguém quer se frustrar mais.

A tendência é de massificação da interação com as companhias digitais “perfeitas”, como chatbots, assistentes de voz e avatares, livres dos nossos humanos defeitos. A tal “virtual companionship” tem um capítulo dedicado por Rohit Bhargava no ótimo livro The future normal – cujo subtítulo é como vamos viver, trabalhar e prosperar na próxima década, em tradução livre. “E se você pudesse desenvolver um relacionamento significativo com um aplicativo ou um robô?”, questiona. Embora as entidades virtuais possam oferecer benefícios em termos de engajamento do cliente e criação de relacionamentos, também há riscos significativos a serem analisados. Um deles é a dependência emocional.

Bhargava observa que as pessoas podem se tornar tão dependentes que podem negligenciar as conexões humanas reais e, em última análise, prejudicar a saúde mental e emocional. Ele ainda adverte empresas a serem cuidadosas ao criar essas entidades virtuais, para garantir ética, privacidade, segurança e outras responsabilidades, além de evitar prejuízo aos usuários. As companhias precisam estar cientes de que esses relacionamentos virtuais não substituem as conexões humanas reais e devem ser vistos como complementares.

O alerta é ignorado por muitos. Um exemplo é o assustador crescimento do Xiaoice, chatbot desenvolvido pela Microsoft e fenômeno na China, um sucesso graças à programação avançada de inteligência artificial e capacidade de aprendizado de máquina. Parte considerável dos mais de 700 milhões de usuários “namora” com a IA, que age como se fosse uma jovem com seus 20 e poucos anos. Problemático, para dizer o mínimo.

A terapeuta belga Esther Perel compartilhou no SXSW o caso de um paciente que, ao não conseguir uma consulta com ela, criou o BOT Esther, uma IA treinada com os artigos da profissional, para lidar com seus dilemas amorosos. Apesar da inovação, Esther, claro, desincentiva, porque não há respostas certas ou erradas quando se trata de questões complexas. A IA não tem experiência de vida ou memórias emocionais, necessárias para a real interação clínica.

Voltando ao indiano Bhargava, ele diz para não criarmos futuros apocalípticos e sermos otimistas quanto às transformações tecnológicas. Para isso, em minha opinião, não podemos continuar nos limitando a interagir das nossas casas. Além do componente da economia, com vários setores afetados pelo home office, pode haver uma lacuna muito grande nas habilidades de relacionamento entre as pessoas, e esta ficha parece não estar caindo. Não é só presencial, nem tampouco só remoto. Nem tanto, nem tão pouco. Que voltemos a nos arriscar mais, a nos frustrar mais, a nos relacionar mais com as pessoas. Imperfeitas, porém verdadeiras.

Colunista

Eduardo Peixoto

Eduardo Peixoto é CEO do CESAR Centro de Inovação e professor da CESAR School. Mestre em comunicação de dados pela Technical University of Eindhoven-Holanda, com MBA na Kellogg School of Management e na Columbia Business School, atua há 30 anos na área de tecnologias da informação e comunicação (TICs). Trabalhou como executivo no exterior, na Philips da Holanda e na Ascom Business System AG (Suíça).

https://mitsloanreview.com.br/post/as-habilidades-que-ia-nenhuma-pode-ensinar

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China busca ‘recuperação’ da IA criando suas próprias ferramentas semelhantes ao ChatGPT

Yojana Sharma – University World News – 10 de março de 2023

O recente surgimento nos Estados Unidos da ferramenta de escrita ChatGPT assistida por inteligência artificial da OpenAI, e o zumbido mundial que a acompanha sobre sua capacidade de responder quase como um ser humano a perguntas, subverteu a oferta declarada da China de emergir como uma potência global de inovação em IA durante esta década, de acordo com os especialistas.

O governo chinês tem investido bilhões de yuans em pesquisa e desenvolvimento no setor de inteligência artificial (IA) e no desenvolvimento de talentos de IA por meio de novos programas universitários.

Mas o ChatGPT deixou as empresas e universidades chinesas tentando recuperar o atraso e iniciou uma nova “corrida armamentista” com os Estados Unidos, focada na IA generativa. Desde o surgimento do ChatGPT, o governo central e as autoridades municipais anunciaram novos fundos para atrair startups promissoras que possam desenvolver um ChatGPT chinês.

Um professor universitário no sul da China disse que mesmo no curto período desde o lançamento da versão pública do ChatGPT em novembro do ano passado, as universidades chinesas com fortes departamentos de IA estão sob pressão para expandir o recrutamento de estudantes de pós-graduação e pesquisa e implementar esquemas para atrair de volta do exterior, estudantes e pesquisadores chineses especializados em IA generativa.

A China quer seus próprios sistemas inteligentes de linguagem natural por razões que vão desde a linguagem e a necessidade de sistemas de linguagem chinesa para acompanhar o inglês e outras línguas globais, até razões puramente políticas relacionadas a seus objetivos como uma potência global de ciência e tecnologia.

“Estamos sob pressão para mostrar que podemos responder a esse novo desafio da IA e que não estamos atrás dos Estados Unidos nessa área”, disse o professor, falando sob condição de anonimato.

No entanto, a ambivalência chinesa sobre ferramentas do tipo ChatGPT, particularmente no contexto chinês da necessidade de controlar a disseminação e censurar rapidamente tópicos considerados sensíveis, levou algumas universidades e empresas de tecnologia a adotarem uma abordagem conservadora e discreta, ao mesmo tempo em que tentando mostrar que estão competindo para estar entre os primeiros a lançar uma versão chinesa do ChatGPT, observaram especialistas em tecnologia na China.

O ChatGPT é proibido na China, em parte porque treinou com dados que estão fora do firewall da Internet da China, que impede a entrada de influências ocidentais. No entanto, muitos usaram servidores proxy ou VPNs para acessá-lo, criando um burburinho na China. Por um curto período neste mês, o governo até bloqueou o acesso à VPN, para reafirmar o controle em meio à agitação.

“Vimos muitas empresas na China entrarem no frenesi e anunciarem que estão trabalhando ou lançarão ferramentas semelhantes ao ChatGPT ou integrando-as em seus mecanismos de pesquisa. Parte disso é puramente por causa do hype atual, e isso vai esfriar um pouco”, disse Hanna Dohmen, pesquisadora sênior do Centro de Segurança e Tecnologia Emergente da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, ao University World News.

“Mas até que ponto eles serão tão bons ou potencialmente até melhores do que os produtos americanos ou ocidentais é difícil dizer neste momento”, reconheceu Dohmen.

No entanto, ela descreveu o surgimento do ChatGPT como um “ponto de virada” na competição global de pesquisa em IA.

“Embora a competição tecnológica em IA não seja nova, agora estamos vendo avanços em IA generativa sendo comercializados e lançados ao público, e isso terá consequências significativas para a rivalidade tecnológica entre os Estados Unidos e a China”, disse ela. .

A ferramenta da Universidade Fudan falha

Após o choque inicial de ser “deixado para trás”, especialistas em tecnologia na China têm debatido quão grande é a distância entre a China e os Estados Unidos e com que rapidez ela pode ser superada.

Mas a pressa para lançar produtos de linguagem de IA generativa antes de estarem prontos já produziu baixas iniciais – uma indicação de uma lacuna considerável na IA generativa.

A Universidade Fudan de Xangai desenvolveu seu próprio MOSS, um serviço semelhante ao ChatGPT, uma ferramenta de linguagem baseada em IA com um décimo dos recursos do ChatGPT. Mas foi anunciado como “suficiente para pesquisa acadêmica”, de acordo com reportagens da mídia sobre seu lançamento no mês passado.

O objetivo era mostrar as proezas tecnológicas de IA da Universidade de Fudan, inclusive em comparação com empresas de tecnologia chinesas, das quais recrutou vários pesquisadores de alto nível nos últimos anos.

Mas a equipe da Universidade Fudan foi forçada a pedir desculpas publicamente quando o MOSS caiu horas após o lançamento em 20 de fevereiro, devido a um aumento repentino de tráfego na plataforma de mídia social chinesa Weibo. A equipe Fudan disse agora que o MOSS não estará mais disponível abertamente ao público. Esperava-se que o projeto fosse uma ferramenta de código aberto.

O MOSS, capaz de gerar conversas, além de fazer e responder perguntas, foi desenvolvido por uma equipe do Grupo de Processamento de Linguagem Natural da Universidade Fudan, liderado por Qiu Xipeng, professor da Escola de Ciência da Computação de Fudan, e apoiado pelo ShO Laboratório de Inteligência Artificial de anghai foi criado em julho de 2020 como um instituto de pesquisa de nível nacional de classe mundial com colaborações com outras universidades na China, Hong Kong e no exterior.

A equipe da Fudan University, que inicialmente descreveu o MOSS como um modelo de linguagem conversacional como o ChatGPT, minimizou a comparação um dia após seu lançamento, dizendo que eles tinham muito a melhorar.

“MOSS ainda é um modelo muito imaturo; ainda tem um longo caminho a percorrer antes de chegar ao ChatGPT. Um laboratório de pesquisa acadêmica como nós é incapaz de produzir um modelo cuja capacidade se aproxima do ChatGPT”, disse um comunicado publicado no site da universidade, observando que os recursos de computação disponíveis não eram suficientes para suportar um tráfego tão grande.

A declaração da equipe acrescentou que “como um grupo acadêmico, não temos experiência em engenharia suficiente, criando uma experiência muito ruim e uma primeira impressão em todos, e por meio deste expressamos nossas sinceras desculpas a todos”.

Versões comerciais com maior probabilidade de surgir

Diz-se que outras universidades na China estão trabalhando em versões semelhantes ao ChatGPT, mas, não querendo prejudicar sua reputação após o desastre de Fudan, elas não estão com pressa de lançar, disse o professor no sul da China.

A Fudan University pelo menos tinha conexões com a indústria de IA e reuniu mais de uma dúzia de executivos e acadêmicos de empresas de IA para analisar o desenvolvimento do ChatGPT, riscos de segurança e áreas de uso potencial, disse ele.

Embora a Fudan University tenha sido a primeira a lançar, é geralmente aceito entre os especialistas da indústria de tecnologia da China que serão as gigantescas empresas privadas de tecnologia do país que lançarão um concorrente doméstico do ChatGPT.

A Baidu, empresa de Pequim que administra o mecanismo de busca na Internet equivalente ao Google – que é proibido na China – anunciou em 7 de fevereiro que lançaria seu chatbot Ernie ainda este mês, depois de incorporar o bot em seu serviço de busca. Mas ainda não está claro o que Ernie será capaz de fazer.

O ChatGPT é construído em um grande modelo de linguagem treinado em uma grande quantidade de dados de linguagem. Ernie se baseou não apenas em dados chineses de internet e mídia social, mas também em informações em inglês que incluem Wikipedia e Reddit, ambos bloqueados na China.

Em uma enxurrada de anúncios após o burburinho do ChatGPT, o gigante do comércio eletrônico Alibaba e o titã multimídia Tencent também anunciaram rapidamente planos para seus próprios chatbots de IA. O Alibaba disse que está testando um serviço semelhante ao ChatGPT, enquanto seu instituto de pesquisa interno, Damo, está desenvolvendo seu próprio chatbot de IA.

A mídia chinesa informou recentemente que a Damo Academy solicitou uma patente para “diálogo homem-máquina e métodos, sistemas e dispositivos eletrônicos de treinamento de modelos de linguagem pré-treinados”, que podem melhorar a precisão das interações de perguntas e respostas.

Hao Peiqiang, um desenvolvedor independente baseado em Tianjin que dirigia uma empresa de mecanismos de busca na China, disse em seu canal no YouTube que esperava que o bot Ernie do Baidu ficasse muito atrás do ChatGPT.

“A resposta do Baidu ao ChatGPT pode viver bem dentro do Grande Firewall porque não precisa competir com contrapartes internacionais. Desde que consiga satisfazer as necessidades do mercado interno, ainda vai gerar dinheiro”, afirmou.

A Tencent montou uma equipe para desenvolver um chatbot chamado HunyuanAide. A empresa disse anteriormente que tem uma estratégia para pesquisa e tecnologia relacionada, que avançará “de maneira ordenada”.

“Assim como as empresas americanas, empresas chinesas como a Baidu vêm trabalhando no treinamento desses grandes modelos de linguagem há alguns anos”, disse Hanna Dohmen, de Georgetown. “Certamente há muitos dados aos quais a China tem acesso que são diferentes dos que o Ocidente tem acesso e isso é uma preocupação”, disse ela, referindo-se ao viés e à distorção que afeta os modelos de linguagem, incluindo o ChatGPT.

“O aumento da desinformação em escala é muito real com ferramentas generativas de IA se elas não forem regulamentadas adequadamente ou se as políticas corretas não estiverem em vigor”, alertou ela.

Mas na China os dados são vistos como uma vantagem. As empresas chinesas “têm dados massivos, provavelmente mais dados do que os Estados Unidos ou a Europa, e têm menos regulamentações sobre esses dados. Portanto, eles têm uma vantagem de dados ”, disse Caroline Wagner, professora da Ohio State University e especialista em tecnologia da China, ao University World News.

Controle e censura

Mas o controle e a censura são considerações adicionais importantes para os desenvolvedores chineses.

“A China está realmente tentando se antecipar às tecnologias emergentes e aos riscos que elas potencialmente representam para a ruptura política e social, que o governo chinês deseja controlar”, observou Dohmen.

A China já introduziu regulamentos de síntese profundos que entraram em vigor em 10 de janeiro. Os regulamentos incluem qualquer texto e áudio “gerados sinteticamente”, incluindo texto gerado por chatbots.

Uma de suas disposições afirma: “É proibido o conteúdo que vá contra as leis existentes, assim como o conteúdo que coloque em risco a segurança e os interesses nacionais, prejudique a imagem nacional ou perturbe oeconomia” – visto por muitos como um conjunto muito amplo de restrições.

“A China é o primeiro país do mundo a regulamentar de forma abrangente a tecnologia de síntese profunda, com controles tão amplos e abrangentes que ficam a critério do governo chinês”, disse Dohmen.

“Essa é uma preocupação fundamental porque permite que o governo chinês suprima qualquer conteúdo contrário aos interesses econômicos, políticos e de segurança nacional de Pequim.

“As empresas chinesas terão que cumprir esses regulamentos. E isso deixa muito arbítrio para o governo chinês, em termos do que considera aceitável, dentro dos limites de seu desejo de regular o conteúdo e seus esforços de censura”, disse Dohmen.

Mas ela acrescentou: “Restrições excessivas, regulamentação de conteúdo e censura podem impedir a comercialização e a inovação de tais tecnologias”.

Os reguladores já disseram às principais empresas de tecnologia chinesas para não oferecer serviços ChatGPT ao público em meio ao crescente alarme em Pequim sobre suas respostas sem censura às consultas dos usuários.

“As empresas de tecnologia precisam considerar as consequências políticas”, disse um especialista chinês em tecnologia em Pequim, falando sob condição de anonimato. “O problema com as tecnologias do tipo ChatGPT é sua imprevisibilidade”, disse ela.

“O aparato de segurança da China identificou e vigia dissidentes acadêmicos para impedi-los de falar, mas o ChatGPT não pode ser identificado e controlado dessa maneira. Vai precisar de um mecanismo de segurança totalmente novo”, acrescentou.

Os reguladores da China exigem que qualquer coisa postada online seja revisada com antecedência para garantir que não contenha tópicos e termos proibidos.

O Baidu possui um filtro abrangente para termos confidenciais. Mas um bot semelhante ao ChatGPT que gera conteúdo pode ser menos fácil de restringir sem moderação humana substancial, que existe atualmente.

O ChatYuan lançado por Xu Liang, desenvolvedor líder da Yuanyu Intelligence, uma start-up que lançou seu próprio chatbot de pequena escala no final de janeiro, foi suspenso apenas um dia depois, após circular respostas sobre a economia da China e a guerra russa na Ucrânia que eram contrárias à versões oficiais.

O esforço da China para desenvolver serviços semelhantes ao ChatGPT pode ser prejudicado pelos controles de exportação dos EUA que restringem o acesso da China a chips avançados necessários para impulsionar poderosos mecanismos de IA.

Controles de exportação podem atrapalhar o desenvolvimento

“Os EUA e o Ocidente podem ter uma vantagem de chips e tentar tirar vantagem disso por um curto período de tempo, enquanto a China tenta multiplas fontes ou construir seus próprios chips – mas será um longo caminho para eles construírem seus próprios, ” observou Caroline Wagner.

Esta é uma das razões pelas quais alguns especialistas em tecnologia da China – incluindo Zhang Yalin, fundador e diretor de operações de uma empresa iniciante de chips de IA Enflame Technology, com sede em Xangai – acreditam que uma ferramenta chinesa para rivalizar com o ChatGPT pode levar de três a cinco anos. ausente.

Até o ministro da Ciência e Tecnologia da China, Wang Zhigang, reconheceu que não seria fácil recuperar o atraso.

O ChatGPT tem vantagens na entrega de resultados em tempo real, o que é “muito difícil de conseguir”, disse Wang em conferência de imprensa no dia de abertura da sessão anual do Congresso Nacional Popular, a 5 de março.

A China fez muito planejamento e pesquisa nas áreas de processamento de linguagem natural e compreensão de linguagem natural ao longo dos anos e obteve algumas conquistas, de acordo com Wang. Mas para que a China alcance os resultados vistos pela OpenAI, o país precisa “esperar para ver”, disse.

https://www.universityworldnews.com/post.php?story=20230309103200913

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IBM vai suspender contratação para vagas que podem ser executadas por inteligência artificial

Serão afetadas funções administrativas não voltadas ao cliente. CEO prevê que 30% desses postos de trabalho poderão ser substituídos por automação em 5 anos, ou seja, seriam 7.800 empregos fechados

Por Bloomberg/O Globo – 02/05/2023 

O CEO da International Business Machines (IBM), Arvind Krishna, disse que a empresa pensa em interromper a contratação para cargos que acredita que poderiam ser substituídos por inteligência artificial nos próximos anos.

Segundo ele, a contratação em funções administrativas – como recursos humanos –, por exemplo, será suspensa ou retardada. Essas funções não voltadas para o cliente totalizam cerca de 26 mil trabalhadores, acrescentou Krishna:

– Eu poderia ver facilmente 30% disso sendo substituído por IA e automação em um período de cinco anos.

Isso significaria cerca de 7.800 empregos perdidos. Parte de qualquer redução incluiria a não substituição de funções desocupadas, informou um porta-voz da IBM.

Como as ferramentas de inteligência artificial capturaram a imaginação do público por sua capacidade de automatizar o atendimento ao cliente, escrever texto e gerar códigos, muitos observadores se preocuparam com seus impactos no mercado de trabalho.

O plano de Krishna marca uma das maiores estratégias de força de trabalho anunciadas em resposta ao rápido avanço da tecnologia.

Tarefas mais comuns, como fornecer cartas de verificação de emprego ou mover funcionários entre departamentos, provavelmente serão totalmente automatizadas, disse Krishna. Ele acrescentou que algumas funções de RH, como avaliar a composição e produtividade da força de trabalho, provavelmente não serão substituídas na próxima década.

Atualmente, a IBM emprega cerca de 260 mil trabalhadores e continua contratando para funções de desenvolvimento de software e atendimento ao cliente. A empresa anunciou cortes de empregos no início deste ano, que podem chegar a cerca de 5 mil trabalhadores, uma vez concluídos. Ainda assim, Krishna disse que a IBM aumentou sua força de trabalho em geral, contratando cerca de 7 mil pessoas no primeiro trimestre.

– Encontrar talentos é mais fácil hoje do que há um ano – admitiu Krishna.

Krishna, que é CEO da IBM desde 2020, trabalhou para focar a empresa centenária em software e serviços como nuvem híbrida. Ele se desfez de negócios de baixo crescimento, como a unidade de infraestrutura gerenciada Kyndryl e parte do negócio Watson Health. A empresa está atualmente considerando a venda de sua unidade meteorológica.

Sediada em Armonk, Nova York, a IBM superou as estimativas de lucro em seu trimestre mais recente devido ao gerenciamento de despesas, incluindo os cortes de empregos anunciados anteriormente. Espera-se que novas etapas de produtividade e eficiência gerem US$ 2 bilhões por ano em economia até o fim de 2024, disse o diretor financeiro James Kavanaugh no dia da apresentação do balanço da empresa.

Até o fim de 2022, Krishna disse acreditar que os EUA poderiam evitar uma recessão. Agora, ele vê o potencial para uma recessão “rasa e curta” no fim deste ano. Embora o forte portfólio de software da empresa, incluindo a Red Hat, unidade adquirida recentemente, deva ajudá-la a manter um crescimento estável, apesar do agravamento das preocupações macroeconômicas, escreveu Anurag Rana, da Bloomberg Intelligence, na semana passada.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/05/ibm-vai-suspender-contratacao-para-vagas-que-podem-ser-executadas-por-inteligencia-artificial.ghtml

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A formidável participação da cultura no PIB

A cultura, tratada por muitos como secundária, tem peso na economia equivalente ao do setor automotivo; por isso, merece políticas públicas sérias, não ideológicas

Editorial Estadão – 30/04/2023 

A área cultural, uma das grandes expressões da identidade nacional e fonte de imenso orgulho para os brasileiros, foi severamente desprezada pelo governo passado. Mas esse desprezo não significou apenas uma afronta ao sentimento da população por sua arte, sua música e sua literatura. Ele revelou também incompreensão a respeito do papel do setor na economia do País.

Lançada recentemente pelo Observatório Itaú Cultural, a plataforma de mensuração do PIB da Economia da Cultura e das Indústrias Criativas (Ecic) no Brasil constatou participação significativa do setor na economia nacional. Respeitando as especificidades da área, o cálculo leva em conta os salários dos profissionais, os lucros das empresas, os rendimentos diversos de empresas e indivíduos, o que inclui trabalhadores sem carteira assinada, e a renda gerada por meio da Lei Rouanet.

Em 2020, ano mais recente com dados disponíveis, os setores de produção artística, patrimônio e economia criativa movimentaram R$ 230,14 bilhões, representando 3,11% do PIB (de R$ 7,4 trilhões). Naquele ano, a participação foi maior, por exemplo, do que a do setor automotivo (2,06%). Em 2020, os setores criativos empregaram cerca de 7,4 milhões de trabalhadores.

No período entre 2012 e 2020, o PIB da Ecic apresentou certa volatilidade, com uma média de participação de 2,63% na economia nacional. Os números indicam que o setor segue uma tendência cíclica, acompanhando, entre outros fatores, o patamar de investimento público e a própria dinâmica do PIB nacional. De toda forma, “o setor parece apresentar certa estabilidade em termos de contribuição para a economia do País”, afirmou o Observatório Itaú Cultural, destacando o crescimento nos últimos anos, com média de aumento de participação no PIB brasileiro de 0,26% por ano. Segundo as evidências disponíveis, o fortalecimento do setor vincula-se à tendência de valorização do conhecimento, à maior demanda por criatividade e a alterações no padrão de consumo das famílias.

O levantamento detectou também diferenças na contribuição da Ecic para o PIB por Estado, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina.

Na comparação internacional, feita a partir de dados da Unesco, a Ecic do Brasil oferece uma contribuição maior para a economia nacional do que a verificada em países de nível similar de desenvolvimento. No México, o setor contribui com 2,9% do PIB. Na África do Sul, com 2,97%.

A medição e o acompanhamento de PIB setoriais são importantes instrumentos para a formulação de políticas públicas, possibilitando, entre outros aspectos, identificar áreas em crescimento que se mostram aptas a gerar dinamismo sobre toda a economia de um país. Como lembra o Observatório Itaú Cultural, políticas públicas bem desenhadas podem estimular a atividade econômica total por meio desses setores, ao prover, por exemplo, condições para mais investimentos em infraestrutura.

Além dos possíveis impactos positivos sobre toda a atividade econômica, o estudo do setor da cultura e criatividade sob a perspectiva econômica é oportunidade para compreender novos padrões de consumo e paradigmas tecnológicos; por exemplo, a tendência observada em muitos países de uma crescente valorização do consumo de bens e serviços intangíveis (de valor subjetivo) em relação ao consumo de produtos.

De forma cada vez mais intensa, a área da cultura e criatividade é alternativa potente e sustentável para a geração de renda, emprego e riqueza. Seria um imenso erro o poder público olhar o setor com lentes político-ideológicas, sejam quais forem suas cores. A cultura tem evidente caráter estratégico para o País, merecendo políticas públicas sérias, baseadas em evidências, e não em preconceitos. Naturalmente, não é questão de promover bandeiras ideológicas nem muito menos guerras culturais – ações que fogem aos limites e às finalidades de um Estado Democrático de Direito. É oportunidade de cuidar, de forma concreta, do interesse público no curto, médio e longo prazos.

https://www.estadao.com.br/opiniao/a-formidavel-participacao-da-cultura-no-pib/

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Finlândia, país mais feliz do mundo: embaixadora ensina a ‘receita’ aos brasileiros

Johanna Karanko diz que seu povo tem motivos para sorrir: serviços de educação e saúde são excelentes, o ar é o mais puro do planeta e as instituições são as menos corruptas

Por Eliane Oliveira — O Globo – 28/04/2023 Johanna Karanko Reprodução

Nos últimos dias, a Finlândia ganhou destaque no noticiário internacional e não apenas por ser o mais novo membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Pelo sexto ano consecutivo, o povo do país foi eleito como o mais feliz do mundo, de acordo com um ranking da Organização das Nações Unidas, enquanto o Brasil perdeu posições e ficou em 49º lugar.

Em entrevista ao GLOBO, a embaixadora da Finlândia em Brasília, Johanna Karanko, afirma que o povo de seu país tem vários motivos para sorrir: os serviços de educação e saúde são excelentes, o ar é o mais puro do planeta, não há assaltos, e as instituições são as menos corruptas do mundo. Ela destaca que os finlandeses querem compartilhar essa felicidade, inclusive com os brasileiros. Leia abaixo a entrevista na íntegra:

Por que o povo finlandês é o mais feliz do mundo?

Ser feliz não significa ser sorridente ou alegre. Há questões mais estruturais, e uma delas é a confiança de que as coisas funcionam, as autoridades, as instituições. Outra questão é a segurança, ou seja, a sociedade se sente segura. E há também a certeza quanto às oportunidades. No primeiro ano, ficamos um pouco surpreendidos, imaginando se era verdade que éramos os mais felizes do mundo. Mas, depois de pensar muito sobre isso, achamos que sim.

Além da crença nas instituições, como é a qualidade de vida na Finlândia?

Temos muitos bosques e lagos: 75% do país são bosques. Temos o ar mais puro do mundo. E pensamos que a natureza também traz felicidade, porque depois de um dia de trabalho você pode andar em um bosque, com segurança, sem perigo de ser assaltado. Há pesquisas que dizem que somos o país mais seguro do mundo.

Quanto às oportunidades iguais, isso vale para estrangeiros que queiram viver na Finlândia?

Exatamente. Todo mundo pode ser o que quiser, com as mesmas oportunidades. No Legislativo, por exemplo, temos muitas mulheres parlamentares. No Parlamento de 1907, tivemos oito mulheres entre as 200 cadeiras. E, depois, a igualdade foi crescendo, como você já sabe. Mulheres e homens podem fazer qualquer coisa. Um dado importante: o voto na Finlândia não é obrigatório, mas na última eleição a participação foi de 44%. Gostamos da democracia.

Casos de corrupção existem?

Somos o país menos corrupto do mundo, segundo a Transparência Internacional. Por isso, há confiança no governo, o que é uma qualidade da democracia.

Qual o PIB per capita?

Cerca de US$ 50 mil. Há 100 anos, a Finlândia era um país pobre, e não tínhamos muitos recursos naturais. Porém, investimos muito em educação e oportunidades iguais para todos, porque achamos que temos de cobrar dos candidatos que foram eleitos. Há, também, a saúde e a expectativa de vida, que têm aumentado o tempo todo. A expectativa de vida para mulheres é 84 anos e para os homens aumentou para 80 anos.

Como são os sistemas de saúde e educação?

Temos sistemas de saúde e educação públicos. Mas o Estado paga para o aluno que frequente uma escola privada, se ela está mais próxima de sua casa. Por isso, estamos entre os dez melhores em educação. Os níveis das escolas são os mesmos em todos os lugares. E isso acontece porque valorizamos muito a educação. Todos os professores de educação básica têm mestrado, no mínimo. E também têm muita independência. O professor pode decidir o que vai fazer em sala de aula, e não o diretor da escola. Há um planejamento de governo, mas o professor pode decidir como implementá-lo.

Qual a taxa de desemprego?

Atualmente, a taxa está em torno de 6% a 7%. Temos desemprego e temos também falta de mão de obra. Precisamos de 50 mil pessoas por ano para trabalhar. Nós temos desemprego, mas é um desemprego estrutural. A Finlândia é um país pequeno se comparado com o Brasil, mas, em comparação com países europeus, é bastante grande. São 358 mil quilômetros quadrados, o que equivale à metade da França, ou à metade do estado de São Paulo. Temos pessoas vivendo em todo o país, mas podemos dizer que muitas pessoas trabalham em lugares diferentes de onde moram. Além disso, esse desemprego estrutural decorre da falta de qualificação adequada para determinados empregos.

Tem salário mínimo em seu país?

Não. Mas temos sindicatos muito fortes, que negociam acordos com o Estado, que normalmente duram alguns anos. Esses acordos passam, além de condições de trabalho, por aumentos salariais. Os salários dependem do tipo de emprego.

Qual o forte da economia na Finlândia?

No início, éramos bosques e homens. Assim, uma das indústrias básicas que se desenvolveram, com a qual temos uma forte parceria com o Brasil, é a de papel e celulose. Por exemplo, no Brasil há fábricas do setor em construção e os equipamentos para essas fábricas vêm da Finlândia. Também fazemos parceria com o Brasil em bioeconomia. Na Finlândia, uma árvore demora 70 anos para crescer, enquanto no Brasil os eucaliptos crescem em sete anos. Em termos de rentabilidade, é muito melhor produzir a celulose aqui. E nós produzimos a maquinária. Temos, ainda, a alta tecnologia. Somos o país que mais investe em pesquisa no mundo. Em telecomunicações, estamos entre os primeiros do mundo. Fala-se em 5G, mas já estamos desenvolvendo 6G em parceria com o Brasil. E, por fim, somos líderes em games.

Vocês abriram inscrições para brasileiros que querem participar de ‘aulas de felicidade”, com passagens e hospedagem grátis. Tem muita gente se inscrevendo?

As inscrições ainda estão abertas. No ano passado, tivemos um programa para empresários e investidores. A pessoa é colocada numa casa finlandesa e vai entender como é a vida ali. Em geral, estamos abertos para os estrangeiros para turismo, trabalho ou apenas experiência.

Há intercâmbio para estudantes do Brasil, por exemplo?

Queremos aumentar o intercâmbio entre a Finlândia e o Brasil, trazendo benefício para os dois países. Desde outubro do ano passado, contamos em nosso consulado com uma pessoa especializada em aumentar relações entre universidades e centros de pesquisa entre os dois países, justamente para termos mais brasileiros estudando na Finlândia e mais finlandeses estudando no Brasil. Temos vagas de emprego em vários setores, como restauração, turismo e games. Nossa felicidade não é um segredo e estamos querendo compartilhá-la.

Para trabalhar no seu país é preciso aprender finlandês?

O inglês é uma língua que todos falam. Temos 500 programas universitários em inglês, assim como postos de trabalho. Porém, se você for trabalhar em hospital, é preciso falar finlandês. E temos uma segunda língua oficial, que é o sueco. Somos oficialmente bilingues.

De forma geral, a visão que o cidadão brasileiro comum tem da Finlândia é de que é um país frio, sempre com neve.

Não é correto. Temos verão, calor de 35 graus, tudo fica muito bonito. Nadamos em 133 mil lagos. E também temos mar. Por outro lado, o inverno é uma época muito especial para nós. Valorizamos o nosso inverno, que é de janeiro a março. O país fica completamente coberto por neve, a natureza fica completamente branca, nós aproveitamos para passar um tempo fora de casa, nós podemos andar nos lagos congelados, praticar esportes de inverno. E temos aquecimento dentro de casa e dos carros. Você só sente frio se quiser. O finlandês parece frio, mas quando você o conhece, ele é muito acolhedor. Se o finlandês o convidar para sua casa, ele quer realmente que você vá, pode acreditar.

https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2023/04/finlandia-pais-mais-feliz-do-mundo-embaixadora-ensina-a-receita-aos-brasileiros.ghtml

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Yuval Noah Harari argumenta que a IA invadiu o sistema operacional da civilização humana

Computadores contadores de histórias mudarão o rumo da história humana, diz o historiador e filósofo

Yuval Noah Harari – The Economist – 28 de abril de 2023 (Tradução – Evandro Milet)

O medo da inteligência artificial (IA) assombra a humanidade desde o início da era do computador. Até então, esses medos se concentravam em máquinas que usavam meios físicos para matar, escravizar ou substituir pessoas. Mas, nos últimos dois anos, novas ferramentas de IA surgiram que ameaçam a sobrevivência da civilização humana de uma inesperada direção. A IA ganhou algumas habilidades notáveis para manipular e gerar linguagem, seja com palavras, sons ou imagens. AI, portanto, hackeou o sistema operacional da nossa civilização.

A linguagem é o material de que quase toda a cultura humana é feita. Direitos humanos, por exemplo, não estão inscritos em nosso DNA. Em vez disso, são artefatos culturais que criamos contando histórias e escrevendo leis. Deuses não são realidades físicas. Em vez disso, eles são artefatos culturais que criamos inventando mitos e escrevendo escrituras.

O dinheiro também é um artefato cultural. As cédulas são apenas pedaços de papel coloridos, e atualmente, mais de 90% do dinheiro não é nem mesmo notas bancárias – é apenas informação digital em computadores. O que dá valor ao dinheiro são as histórias que os banqueiros, ministros das finanças e gurus de criptomoedas nos falam sobre isso. Sam Bankman-Fried, Elizabeth Holmes e Bernie Madoff não eram particularmente bons em criar valor, mas todos eram contadores de histórias extremamente capazes.

O que aconteceria quando uma inteligência não-humana se tornasse melhor que o humano médio em contar histórias, compor melodias, desenhar imagens e escrever leis e escrituras? Quando as pessoas pensam no ChatGPT e em outras novas ferramentas de IA, eles são frequentemente atraídos por exemplos como crianças em idade escolar usando IA para escrever seus trabalhos. O que acontecerá com o sistema escolar quando as crianças fizerem isso? Mas este tipo de questão perde o quadro geral. Esqueça as redações escolares. Pense na próxima corrida presidencial americana em 2024 e tente imaginar o impacto das ferramentas de IA que podem ser feitas para produzir em massa conteúdo político, notícias falsas e escrituras para novos cultos.

Nos últimos anos, o culto QAnon se uniu em torno de mensagens on-line anônimas, conhecido como “pílulas Q”(Q drops). Os seguidores coletaram, reverenciaram e interpretaram essas pílulas Q como um texto sagrado. Embora, até onde sabemos, todos os Q drops anteriores foram compostos por humanos, e os bots apenas ajudaram a disseminá-los, futuramente poderemos ver os primeiros cultos da história cujos textos reverenciados foram escritos por uma inteligência não- humana. Ao longo da história, as religiões reivindicaram uma fonte não-humana de seus livros sagrados. Em breve isso pode ser uma realidade.

Em um nível mais prosaico, em breve poderemos nos encontrar conduzindo longas discussões on-line sobre aborto, mudança climática ou a invasão russa da Ucrânia com entidades que pensamos serem humanos, mas na verdade são IA. O problema é que é totalmente inútil perdermos tempo tentando mudar as opiniões declaradas de um bot de IA, enquanto a IA pode aprimorar suas mensagens com tanta precisão que tem uma boa chance de nos influenciar.

Por meio de seu domínio da linguagem, a IA pode até formar relacionamentos íntimos com pessoas e usar o poder da intimidade para mudar nossas opiniões e visões de mundo. Embora não haja indicação de que a IA tenha consciência ou sentimentos próprios, para promover falsa intimidade com os humanos, basta que a IA os façam se sentir emocionalmente ligados a ela. Em junho de 2022, Blake Lemoine, um engenheiro do Google, publicamente afirmou que o AI chatbot Lamda, no qual ele estava trabalhando, tornou-se senciente. A alegação controversa custou-lhe o emprego. O mais interessante sobre esse episódio não foi a alegação do Sr. Lemoine, o que provavelmente era falso. Em vez disso, foi a vontade de arriscar seu trabalho lucrativo em favor do chatbot de IA. Se a IA pode influenciar pessoas a arriscar seus empregos por isso, o que mais isso poderia induzi-los a fazer?

Numa batalha política por corações e mentes, a intimidade é a arma mais eficiente, e a IA acaba de ganhar a capacidade de produzir em massa relacionamentos íntimos com milhões de pessoas. Todos nós sabemos que, na última década, as mídias sociais se tornaram um campo de batalha para controlar a atenção humana. Com a nova geração de IA, a frente de batalha está mudando da atenção para a intimidade. O que vai acontecer com o ser humano e a psicologia humana enquanto a IA luta contra a IA em uma batalha para fingir relações íntimas conosco, que podem ser usados para nos convencer a votar em determinados políticos ou comprar produtos específicos?

Mesmo sem criar “falsa intimidade”, as novas ferramentas de IA teriam uma imensa influência em nossas opiniões e visões de mundo. As pessoas podem vir a usar um único consultor de IA como um oráculo onisciente e completo. Não é de admirar que o Google esteja apavorado. Por que se preocupar em procurar, quando posso apenas perguntar ao oráculo? A imprensa e a publicidade também devem estar apavoradas. Por que ler um jornal quando posso apenas perguntar ao oráculo para me contar as últimas notícias? E qual é o propósito dos anúncios, quando posso apenas pedir ao oráculo para me dizer o que comprar?

E mesmo esses cenários não capturam realmente o quadro geral. O que estamos falando é sobre  potencialmente o fim da história humana. Não o fim da história, apenas o fim da sua parte dominada pelos humanos. A história é a interação entre biologia e cultura; entre nossas necessidades biológicas e desejos por coisas como comida e sexo, e nossas criações culturais como religiões e leis. A história é o processo pelo qual leis e religiões moldam a comida e o sexo.

O que acontecerá com o curso da história quando a IA dominar a cultura e começar a produzir histórias, músicas, leis e religiões? Ferramentas anteriores como a impressão a imprensa escrita e o rádio ajudaram a difundir as ideias culturais dos humanos, mas nunca criaram novas ideias culturais próprias. A IA é fundamentalmente diferente. IA pode criar ideias completamente novas, cultura completamente nova.

A princípio, a IA provavelmente imitará os protótipos humanos nos quais foi treinada em sua infância. Mas a cada ano que passa, a cultura da IA irá corajosamente onde nenhum ser humano jamais chegou. Por milênios, os seres humanos viveram dentro dos sonhos de outros humanos. Nas próximas décadas, podemos nos encontrar vivendo dentro dos sonhos de uma inteligência alienígena.

O medo da IA tem assombrado a humanidade apenas nas últimas décadas. Mas por milhares de anos os seres humanos têm sido assombrados por um medo muito mais profundo. Nós sempre apreciamos o poder das histórias e imagens para manipular nossas mentes e criar ilusões. Consequentemente, desde os tempos antigos, os humanos temiam ser presos em um mundo de ilusões.

No século XVII, René Descartes temia que talvez um demônio malicioso o estivesse prendendo dentro de um mundo de ilusões, criando tudo o que ele via e ouvia. Na Grécia antiga Platão contou a famosa Alegoria da Caverna, na qual um grupo de  pessoas ficam acorrentadas dentro de uma caverna por toda a vida, de frente para uma parede em branco. Uma tela. Sobre aquela tela eles veem projetadas várias sombras. Os prisioneiros confundem as ilusões que eles veem lá como realidade.

Na antiga Índia, os sábios budistas e hindus apontaram que todos os humanos viviam presos dentro de Maya – o mundo das ilusões. O que normalmente consideramos ser a realidade é muitas vezes apenas ficções em nossas próprias mentes. As pessoas podem travar guerras inteiras, matando outras e dispostos a serem mortos, por causa de sua crença nesta ou naquela ilusão.

A revolução da IA está nos colocando frente a frente com o demônio de Descartes, com a caverna de Platão e com Maya. Se não tomarmos cuidado, podemos ficar presos atrás de uma cortina de ilusões, que não poderíamos arrancar – ou mesmo perceber que está lá.

Claro, o novo poder da IA também pode ser usado para bons propósitos. Eu não vou insistir nisso, porque as pessoas que desenvolvem IA falam bastante sobre isso. O trabalho de historiadores e filósofos como eu é apontar os perigos. Mas, certamente, a IA pode nos ajudar de inúmeras maneiras, desde encontrar novas curas para o câncer até descobrir soluções para a crise ecológica. A questão que enfrentamos é como ter certeza de que as novas ferramentas de IA sejam usadas para o bem e não para o mal. Para fazer isso, primeiro precisamos analisar os verdadeiros recursos dessas ferramentas.

Desde 1945 sabemos que a tecnologia nuclear pode gerar energia barata para o benefício dos humanos – mas também poderia destruir fisicamente a civilização humana. Portanto, reformulamos toda a ordem internacional para proteger a humanidade e garantir que a tecnologia nuclear fosse usada principalmente para o bem. Agora temos que lidar com uma nova arma de destruição em massa que pode aniquilar nosso mundo social e mental.

Ainda podemos regular as novas ferramentas de IA, mas devemos agir rapidamente. Enquanto as armas nucleares não podem inventar armas nucleares mais poderosas, a IA pode criar IA exponencialmente mais poderosa.

O primeiro passo crucial é exigir verificações de segurança rigorosas antes das ferramentas poderosas de IA serem liberadas para o domínio público. Assim como uma empresa farmacêutica não pode liberar novos medicamentos antes de testar seus efeitos colaterais de curto e longo prazo, também as empresas de tecnologia não devem lançar novas ferramentas de IA antes de se tornarem seguras. Nós precisamos de um equivalente da Food and Drug Administration(Anvisa) para novas tecnologias, e precisamos para ontem.

Desacelerar as implantações públicas de IA fará com que as democracias fiquem para trás de regimes autoritários mais cruéis? Exatamente o oposto. Implantações de IA não regulamentadas criariam caos social, o que beneficiaria autocratas e arruinariam as democracias. Democracia é uma conversa, e conversas confiam na linguagem. Quando a IA hackeia a linguagem, ela pode destruir nossa capacidade de ter conversas significativas, destruindo assim a democracia.

Acabamos de encontrar uma inteligência alienígena, aqui na Terra. Nós não sabemos muito sobre isso, exceto que pode destruir nossa civilização. Devemos parar a implantação irresponsável de ferramentas de IA na esfera pública e regular a IA antes que ela nos regule. E a primeira regulamentação que eu sugeriria é tornar obrigatório que a IA divulgue que é uma IA. Se estou conversando com alguém, e não sei dizer se é um humano ou uma IA – esse é o fim da democracia.

Este texto foi gerado por um ser humano.

Foi?

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Yuval Noah Harari é historiador, filósofo e autor de “Sapiens”, “Homo Deus” e a série infantil “Unstoppable Us”. Ele é professor do departamento de história na Universidade Hebraica de Jerusalém e co-fundador da Sapienship, uma empresa de impacto social

https://www.economist.com/by-invitation/2023/04/28/yuval-noah-harari-argues-that-ai-has-hacked-the-operating-system-of-human-civilisation

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Em breve, sua salada será feita com verduras editadas geneticamente

A edição genética é uma vitória tanto para agricultores quanto para consumidores

Juergen Eckhardt – Fast Company Brasil – 26-04-2023 

Se eu pedisse para você citar algumas de suas guloseimas naturais favoritas, é provável que café, chocolate e frutas estariam na lista. Agora pense em algo saudável que você sabe que deveria comer mais, mas cujo sabor não agrada muito. Talvez folhas venham à sua mente.

Tenho boas e más notícias sobre este pequeno experimento, e esses dois cenários díspares não são tão diferentes quanto parecem, graças a uma inovação tecnológica que pode revolucionar a agricultura.

O CRISPR funciona como um conjunto de “tesouras moleculares” capazes de cortar o DNA de uma planta com grande precisão.

Primeiro, as más notícias: alguns de nossos cultivos preferidos estão atualmente sob ameaça. Café, cacau, banana e frutas cítricas se enquadram nessa categoria. O café arábica, por exemplo, depende de uma certa quantidade de chuva e de temperaturas amenas para crescer. Mas a volatilidade do clima está forçando alguns agricultores ao longo do “cinturão dos grãos” em regiões equatoriais a abandonar completamente o cultivo de café.

O cacaueiro, a árvore tropical que produz a matéria-prima do chocolate, tem uma diversidade genética limitada e é suscetível a doenças fúngicas, que destroem de 20% a 30% das vagens de cacau antes de poderem ser colhidas.

A principal variedade comercial de banana, chamada Cavendish (mais conhecida no Brasil como banana nanica ou d’água), corre o risco de entrar em extinção devido a um fungo mortal que invadiu as Américas, onde a maioria é cultivada.

Mas há boas notícias: graças a uma inovação tecnológica revolucionária, podemos proteger – e até melhorar – as colheitas. Trata-se do CRISPR (sigla em inglês para repetições palindrômicas curtas agrupadas e regularmente espaçadas), que funciona como um conjunto de “tesouras moleculares” capazes de cortar o DNA de uma planta com grande precisão para produzir a mudança desejada.

MAIS SABOR E VALOR NUTRICIONAL

As duas cientistas responsáveis pelo seu desenvolvimento, Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna, receberam o Prêmio Nobel em 2020, e a técnica ganhou destaque por sua aplicação em doenças humanas. Os primeiros medicamentos CRISPR, para tratar a doença falciforme, devem receber aprovação da FDA (agência norte-americana que autoriza a venda de alimentos e medicamentos) ainda este ano.

a primeira safra de produtos editados com o CRISPR – uma salada com alto teor nutricional – chegará ao mercado nos EUA no segundo semestre.

Por outro lado, relativamente poucas pessoas estão cientes de sua crescente relevância para o setor agrícola. Diferentemente do cruzamento genético tradicional, que leva de sete a 10 anos para alcançar características desejáveis, a edição de genes pode produzir variedades em apenas uma fração desse tempo.

Universidades e o setor privado já realizaram avanços importantes no melhoramento genético de plantas utilizando o CRISPR. A empresa de biotecnologia Elo Life Systems, por exemplo, está desenvolvendo uma variedade de banana resistente a fungos a partir dessa técnica. Também já foram relatadas melhorias na resistência a doenças em culturas como cacau, arroz, milho, batata e mandioca.

Além disso, é possível utilizá-lo para melhorar o sabor e o valor nutricional de frutas e verduras. Lembra daquelas folhas ricas em nutrientes que deveríamos consumir mais? Pois bem, a primeira safra de produtos editados com o CRISPR chegará ao mercado norte-americano no segundo semestre – uma salada chamada Conscious Greens, com alto teor nutricional e sabor mais agradável.

DNA EDITADO É DIFERENTE DE MODIFICADO

As vantagens da edição genética para a produção agrícola vão além do sabor, valor nutricional e resistência a doenças. Ela também pode contribuir para a redução do impacto ambiental da produção de alimentos ao tornar as culturas mais eficientes e produtivas, além de introduzir diversidade genética para melhorar a resistência às mudanças climáticas.

Para agricultores, ferramentas de reprodução de precisão

O CRISPR permite que o genoma da planta seja editado de forma direta e precisa, portanto, ela não é geneticamente modificada.

como o CRISPR são essenciais para aumentar a produtividade, reduzir o uso de fertilizantes e pesticidas, diminuir a quantidade de terra necessária para plantar e tornar as culturas mais resistentes a condições adversas, como seca ou excesso de água.

Os consumidores também têm muito a ganhar, embora muitos ainda não saibam como a técnica difere dos organismos geneticamente modificados (OGMs), que têm sido objeto de debate desde a década de 1990. Os OGMs são criados a partir da inserção de um gene desejável de outra espécie em uma cultura – como um gene de uma bactéria do solo que produz um inseticida natural, por exemplo.

A edição de genes, por outro lado, não requer a inserção do DNA de uma espécie estranha. As “tesouras moleculares” do CRISPR permitem que o genoma da planta seja editado de forma direta e precisa. Portanto, estes alimentos não são geneticamente modificados.

As vantagens ambientais, econômicas e para a saúde da edição genética na agricultura são históricas. No futuro, talvez vejamos culturas editadas que podem crescer em água salgada, sobreviver a inundações e secas extremas e armazenar mais carbono em suas raízes.


SOBRE O AUTOR

Juergen Eckhardt é vice-presidente sênior e diretor da Leaps by Bayer, a unidade de investimento de impacto da Bayer. saiba mais


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Se não cultivarmos essas 4 características, a IA vai nos deixar para trás

Os recentes avanços da IA são um alerta para a humanidade sobre a importância de valorizarmos quatro virtudes humanas únicas e preciosas


Sunny Lee e Tomas Chamorro Premuzic – Fast Company Brasil – 27-04-2023 

O ChatGPT, um chatbot de inteligência artificial capaz de gerar respostas semelhantes às humanas, acumulou 100 milhões de usuários em apenas dois meses, superando as taxas de crescimento de plataformas de mídia social, como TikTok e Instagram.

Seu incrível desempenho provocou diferentes reações em críticos e fãs, de espanto e admiração até preocupação e temores de que mesmo trabalhos criativos e qualificados possam estar destinados a desaparecer graças à automação.

A evolução da IA deve ser encarada como um catalisador para uma mudança mais profunda na forma de pensarmos e de nos relacionarmos com o mundo.

Entre muitos feitos notáveis, o ChatGPT foi capaz de passar em exames universitários avançados em direito, medicina e negócios; traduzir imagens em receitas; produzir textos, poemas e artigos (embora não este, juro); e transformar o esboço de um site feito à mão no código necessário para criá-lo. Tudo isso e muito mais em questão de segundos.

Como psicólogos, nosso principal interesse nele, na IA ou em qualquer tecnologia diz respeito a seu impacto humano, incluindo o potencial para mudar e reformular a maneira como pensamos, trabalhamos e vivemos. Como observou Pamela Pavliscak, “projetamos a tecnologia e a tecnologia, por sua vez, nos projeta”.

Com o surgimento de uma tecnologia incrivelmente versátil, viral e onipresente como o ChatGPT, precisamos entender as repercussões no comportamento humano. As mudanças induzidas pela IA podem revelar, amplificar ou intensificar crenças e hábitos existentes.

Por isso, acreditamos que sua evolução deve ser encarada como um catalisador para uma mudança mais profunda na forma de pensarmos e de nos relacionarmos com o mundo. Devemos enxergar o ChatGPT como um alerta para valorizarmos quatro virtudes humanas únicas e preciosas.

HUMILDADE

O fato de a inteligência artificial ser capaz de lidar até com tarefas criativas e intelectualmente complexas é uma experiência humilhante para nós. O pensamento abstrato e outras atividades cognitivas já não são mais exclusividade nossa. Isso fere nosso ego porque desafia a crença de que os humanos são superiores em tudo.

O que importa hoje não é que os especialistas saibam as respostas, mas que façam as perguntas certas.

Essa mudança de percepção também ocorreu quando a ciência provou que o mundo não é o centro do universo, que compartilhamos ancestrais com os primatas e que, muitas vezes, não temos o controle sobre o nosso próprio comportamento.

Depois de séculos usando o mantra “penso, logo existo” para definir a essência da humanidade, devemos, pela primeira vez, nos perguntar o que significa ser humano em um momento em que grande parte do nosso pensamento pode ser terceirizado para máquinas.

CURIOSIDADE

Viver em mundo com livre acesso a informações e conhecimento pode não ter sentido, a menos que usemos nossa curiosidade, nosso desejo de aprender e entender. A era da IA ampliou o valor (já alto) desse traço no campo das virtudes humanas, redefinindo o significado de expertise.

O que importa hoje não é que os especialistas saibam as respostas, mas que façam as perguntas certas, avaliando e analisando criticamente as informações e tomando decisões inteligentes com base nelas.

Paradoxalmente, o ChatGPT e outras ferramentas podem realmente diminuir a nossa curiosidade. É muito mais simples recorrer à IA para soluções rápidas, como alguns fazem com fast food para matar a fome.

No entanto, ela também pode ser usada para expandir nossas perspectivas e promover mais inovação para a humanidade. A capacidade de se envolver em “aprendizagem profunda” (um termo infelizmente associado à inteligência artificial em vez da humana, atualmente) é fundamental para o sucesso individual e coletivo.

AUTOCONHECIMENTO

Entender a nós mesmos na era da IA significa prestar atenção em como nossas interações com a tecnologia estão remodelando nossos comportamentos e o que isso diz sobre a gente, incluindo nossos traços negativos: impulsividade, distração, egocentrismo e preconceito.

o que significa ser humano em um momento em que grande parte do nosso pensamento pode ser terceirizado para máquinas?

Alimentar o ChatGPT com nossos próprios textos, gravações e conteúdo pode nos dar uma reflexão da IA sobre nós mesmos. Um futuro em que examinamos nossa pegada digital para entender melhor nossa reputação e identidade não é improvável, principalmente porque as pressões regulatórias em torno do uso ético e legal da IA incentivam as grandes plataformas de tecnologia a fornecer alguns dos dados que cedemos na forma de insights e que podem potencializar o nosso autoconhecimento.

EMPATIA

A empatia, capacidade humana única de compreender e compartilhar os sentimentos dos outros, traz diversos benefícios para o bem-estar das pessoas e para a coesão social. Interagir com tecnologias de IA pode facilitar o desenvolvimento desse traço.

Ao reconhecer nossas limitações intelectuais e epistêmicas e apreciar os pontos fortes dos outros, mesmo que sejam máquinas, podemos nos tornar menos egocêntricos e prestar a devida atenção e reconhecimento às pessoas ao redor, levando a sentimentos de empatia e gratidão.

O surgimento de tecnologias avançadas de inteligência artificial representa tanto riscos quanto oportunidades. Se as aproveitarmos para nos tornar um pouco mais humildes e buscar preservar, desenvolver e recuperar as características que nos tornam únicos, talvez o futuro da humanidade seja mais brilhante do que parece hoje.


SOBRE O AUTOR

Sunny Lee é professora de comportamento organizacional e chefe de diversidade na Escola de Gestão da University College London. Tomas… saiba mais

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Como a China se tornou mais rica, digitalizada e silenciosa em apenas cinco anos

Por Cláudia Trevisan – Estadão – 26/04/2023 

Crescimento econômico do país nas últimas décadas promove rápida transformação nas cidades chinesas

ESPECIAL PARA O ESTADÃO – Instalada na antiga concessão britânica de Xangai, a escultura A Arte dos Sonhos reflete muito da ambição material da China contemporânea. Pintado de amarelo, um gigantesco piloto emerge do solo e coloca sua mão esquerda sobre um Porsche Carrera S, cujo preço é próximo de R$ 1 milhão. Ao fundo, está o skyline de Pudong, o bairro futurista que simboliza a vertiginosa transformação do antigo Império do Meio.

Pouco mais de cinco anos e uma pandemia separam minhas duas últimas viagens à China, a mais recente concluída no dia 15, depois da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país. Em 2017, o PIB per capita dos 210 milhões de brasileiros ainda era maior que o do 1,4 bilhão de chineses. No ano seguinte, a nação mais populosa do mundo ultrapassou o Brasil nesse quesito e hoje tem um PIB per capita 40% superior ao nosso.

A China está mais próspera, mais cara, mais digitalizada, mais chinesa e mais silenciosa. Identificados por placas verdes, ônibus elétricos são onipresentes em Pequim e Xangai e os carros do mesmo tipo, cada vez mais numerosos. Além de não produzirem emissões, eles quase não geram ruídos. A BYD, empresa que negocia a compra da ex-fábrica da Ford na Bahia, é líder de mercado, com uma fatia de 30%. Na sequência aparecem as americanas GM e Tesla, com participações de 8,9% e 8,8%, respectivamente.

Turistas chinesas passeiam no calçadão do The Bund, em Xangai. Cidade representa transformação tecnológica da China Foto: Felipe Frazão

Veículos elétricos

No ano passado, 1 em cada 4 veículos vendidos na China eram elétricos, o que deu ao país asiático participação de quase 60% no mercado global do setor. O apelo do mercado chinês desafia a escalada das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e China. Em 2019, a Tesla inaugurou uma gigafactory em Xangai, que se transformou na maior unidade produtiva da empresa no mundo em 2022, com capacidade instalada de 750 mil unidades por ano – no Brasil, todas as montadoras juntas venderam 1,9 milhão de veículos no mesmo período.

Os europeus também querem ampliar sua fatia no crescente mercado de mobilidade elétrica na China. No dia 18, a Volkswagen anunciou investimento de € 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões) em um centro de pesquisa e desenvolvimento no país asiático voltado a carros elétricos e automação.

A digitalização da economia chinesa ganhou velocidade com a pandemia e hoje é difícil navegar no país fora dos aplicativos instalados em celulares. O uso do dinheiro é cada vez mais raro e pagamentos são feitos pelas grandes plataformas digitais, como Alipay e WeChat. O QRCode faz parte de todas as operações comerciais cotidianas e uma pergunta frequente na hora do pagamento é “você me escaneia ou eu te escaneio?”.

Pegar um táxi na rua se tornou tarefa desafiadora, já que todos usam aplicativos para chamar carros. Para estrangeiros não familiarizados com a língua chinesa isso pode ser uma barreira, já que muitos motoristas ligam para o passageiro com o objetivo de confirmar sua localização.

Os que não têm conta bancária na China também enfrentam restrições nos meios de pagamento. O WeChat não aceita cartões de outros países. O Alipay, que foi o aplicativo que eu usei, sim. Mas não consegui realizar pagamentos em alguns estabelecimentos menores, por estar usando um cartão de crédito internacional. Nessas situações, o uso do dinheiro é possível, ainda que nem sempre haja troco disponível.

Para os chineses e os estrangeiros que vivem no país, a digitalização tornou a vida cotidiana super conveniente. Tudo pode ser resolvido nos mega aplicativos instalados no celular, do pedido de comida à compra de passagens de trem ou avião, passando pelo pagamento de compras e serviços. Se a bateria acabar, há totens espalhados por Pequim e Xangai com carregadores portáteis, que podem ser retirados com o escaneamento do QRCode da plataforma de pagamento e devolvidos em outros locais, em um modelo de compartilhamento semelhante ao de bicicletas.

Em meu último dia na China, jantei na casa de uma amiga brasileira que vive em um condomínio de apartamentos mobiliados e com serviços em Pequim. Menos de 20 minutos depois de ela pedir nosso jantar pelo aplicativo, ele foi entregue na porta do apartamento por um robô.

A China também ficou mais cara, principalmente para os brasileiros que experimentaram o processo de desvalorização do real nos últimos anos. Jantares em restaurantes ocidentais que costumavam ser mais baratos do que no Brasil, agora vêm com uma conta bem mais salgada. Muitos serviços também subiram de preço. A manicure com esmalte de gel na rede Lily Nails, uma das mais populares de Pequim, custa hoje o equivalente a quase R$ 200.

Trem rápido

A exceção são transportes, que continuam relativamente acessíveis, incluindo táxi, metrô, ônibus e trens. Eu paguei cerca de R$ 450 por uma passagem de trem rápido de Pequim para Xangai, que percorre em 4h10 os 1.200 km que separam as duas cidades. Desde 2008, quando a primeira linha do tipo foi inaugurada, a China construiu 42.000 km de trilhos de alta velocidade. No Brasil, não há nenhum metro e a extensão das linhas de trem tradicionais é próxima de 30.000 km. Se forem incluídos os serviços de baixa velocidade, o tamanho da rede ferroviária da China chega a 155.000 km.

A infraestrutura é o setor em que a prosperidade do país asiático se traduz de forma mais concreta. Mas o enriquecimento também fica evidente nas lojas de luxo de shopping centers. No dia em que visitei o SKP, no Central Business District de Pequim, havia fila para entrar na Chanel e na Louis Vuitton.

Imagem mostra estação de trem Hongqiao, em Xangai. Infraestrutura interliga país a um custo barato Foto: Cláudia Trevisan/Estadão

Com o segundo maior número de bilionários do mundo, atrás apenas dos EUA, a China também é um dos principais destinos globais para as marcas de luxo. A consultoria Bain & Company, que publica relatórios anuais sobre esse segmento, prevê que em 2030 o país asiático assumirá a liderança desse ranking e responderá por 25% a 27% das vendas globais.

Mas isso não significa que os chineses serão tão ricos quanto os americanos. Com 1,4 bilhão de pessoas, a China terá um PIB per capita em 2028 de US$ 19,6 mil, que corresponderá a pouco mais de 20% do PIB per capita dos EUA, projetado em US$ 93,26 mil pelo Fundo Monetário Internacional.

Mesmo que o governo de Xi Jinping tenha declarado vitória no combate à pobreza extrema em 2020, a grande maioria do país vive distante da opulência das grifes de luxo. Em Pequim e em Xangai, as bicicletas estão cada vez mais ausentes da paisagem urbana, mas um exército de pequenas motos elétricas cruza as cidades para realizar entregas rápidas.

Disparidade

Dados do Escritório Nacional de Estatísticas da China mostram que os 20% mais ricos da população recebem 46% da renda, enquanto os 20% mais pobres ficam com 4,5%. Também há disparidades acentuadas de renda e qualidade da educação entre os moradores das cidades e do campo, onde estão 35% dos habitantes do país.

Outra mudança visível em relação a 2017 é a redução do número de estrangeiros vivendo em Pequim e Xangai, em parte como consequência das políticas de combate à covid-19 adotadas no país. Cidade mais cosmopolita da China, Xangai viu um êxodo de quase 70% dos estrangeiros em 2022, estima Henry Oswald, Presidente da BraCham, grupo que reúne empresas brasileiras que atuam no país. A dúvida agora é se essa é uma mudança episódica ou mais estrutural.

Fila para entrar na loja da Chanel localizada em Pequim. Crescimento do PIB modifica hábitos na sociedade chinesa Foto: Cláudia Trevisan/Estadão

Duas décadas

Se o horizonte de tempo de comparação for ampliado até 2004, data da primeira visita de Lula à China, o contraste é ainda maior. Naquele ano, o PIB da China era 3 vezes o PIB brasileiro, enquanto seu PIB per capita representava menos da metade do nosso. Hoje, o PIB chinês é 10 vezes o brasileiro. Em 2004, a China era a sexta maior economia do mundo. Desde então, ultrapassou França, Inglaterra, Alemanha e Japão. As projeções indicam que a segunda maior economia do planeta assumirá o lugar dos EUA em algum momento ao redor de 2030.

O ar que os chineses respiram também está menos poluído. Nos anos 2000, quando o ritmo de crescimento anual superava os dois dígitos, o país estava entre os cinco mais poluídos do mundo. Hoje, a vizinha Índia tem o maior número de cidades com ar contaminado em todo o planeta. Em 2022, apenas 2 municípios da China apareciam na lista dos 50 mais poluídos do mundo elaborada pela empresa suíça IQAir.

Estudo publicado em 2021 na revista Environment Science & Technology mostrou que a concentração média de partículas prejudiciais à saúde no ar atingiu o pico em 2006, quando chegou a 68,0 μg/m3 (microgramas por metro cúbico). Medidas de controle adotadas a partir daquele ano levaram o índice a 62,5 μg/m3 em 2013. Desde então, padrões mais rigorosos de controle de emissões reduziram o indicador para 44,4 μg/m3, em 2017, e 33,1 μg/m3 em 2020. Ainda assim, o patamar é mais de três vezes o máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Redução

O carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis, continua a responder por 55% da matriz energética chinesa, segundo dados relativos a 2021 compilados pela plataforma Our World in Data. O porcentual era de 70% em 2010 e 61% em 2017. Maior emissor de gases que provocam efeito estufa em termos absolutos (a liderança das emissões per capita é dos EUA), a China se transformou em um dos líderes globais em energias renováveis. A participação de usinas eólicas na matriz passou de 0,5% em 2010 para 4% em 2021, enquanto a de fontes solares foi de 0,01% a 2,0% no mesmo período.

A Agência Internacional de Energia estima que a China instalará quase metade da nova capacidade de geração de renováveis no mundo entre 2022 e 2027, estimada em um total de 2.400 GW. O Brasil todo tem uma capacidade de geração de 190 GW, considerando-se todas as fontes.

A principal novidade da visita do presidente Lula à China foi a divulgação de uma Declaração Conjunta de Combate à Mudança Climática, na qual os dois países se comprometem a combater o desmatamento ilegal e a cooperar em áreas como mobilidade elétrica, finanças verdes, energias renováveis, cidades inteligentes e desenvolvimento de tecnologias verdes. Dos 30 acordos assinados por empresas brasileiras e chinesas no âmbito da visita, quase um terço é relacionado a energias renováveis.

Diante do avanço da China em vários setores que unem tecnologia e sustentabilidade, o desafio do Brasil será transformar as declarações de intenções em negócios e investimentos que ajudem a promover a integração do país a cadeias globais ligadas à descarbonização. /EX-CORRESPONDENTE DO ESTADÃO NA CHINA E DIRETORA EXECUTIVA DO CONSELHO EMPRESARIAL BRASIL-CHIN

https://www.estadao.com.br/internacional/china-esta-mais-rica-digitalizada-e-silenciosa/

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