Xangai lança Bolsa de Dados, com o objetivo de promover transformação digital

No primeiro dia de negociação, o Shanghai Data Exchange alcançou listagem de 20 ativos, com transações de dados de empresas como a China Eastern Airlines, Cosco Shipping e China Mobile Insight

Por Olívia Bulla, Com Agências Internacionais, Valor — 06/12/2021 

Entrou em operação no fim de novembro, a Bolsa de Dados de Xangai, que tem como objetivo promover de forma abrangente a circulação de dados, fomentando o papel da tecnologia e do uso e compartilhamento de dados como fator de produção em prol do desenvolvimento econômico. O anúncio foi feito pela Bolsa de Valores de Xangai no último dia 25.

No primeiro dia de negociação, o Shanghai Data Exchange alcançou listagem de 20 ativos, realizando transações de dados da China Eastern Airlines, Cosco Shipping, China Mobile Insight, entre outras empresas chinesas das áreas de finanças, transporte e comunicações.

Entre as primeiras transações, está o produto de dados “Enterprise Electricity Smart Drawing” após acordo entre as empresas chinesas ICBC e Shanghai Electric Power, que oferece informações com precisão em tempo real sobre energia elétrica, ajudando os bancos comerciais a inovar em produtos e serviços financeiros para empresas do setor.

O estabelecimento da Bolsa de Dados de Xangai visa acelerar o cultivo do mercado de dados, com foco em dificuldades comuns, como determinar direitos, precificação e supervisão. Com isso, a China pretende desenvolver a economia digital, criando um modelo de mercado de dados capaz de reunir entidades de transação de dados, consultoria de compliance de dados, avaliação de qualidade, avaliação de ativos, cultivo e regulamentação de novas entidades, entre outros campos de transações.

Trata-se, portanto, de um primeiro sistema de suporte de transações de dados do país, que irá fornecer uma série de especificações para todo o processo de transações de dados, cobrindo vários métodos e temas de trocas de dados, permitindo que a circulação de dados e transações tenham regras e regulamentos a serem seguidos.

Segundo o Asia Times, ao tornar a coleta e a venda de dados um processo transparente, a Bolsa de Xangai permite que as empresas que coletam dados maximizem os valores de seus produtos, ao mesmo tempo em que permite que os compradores usem os dados para aumentar a produtividade de seus negócios.

“O objetivo é colocar os dados nas mãos de empreendedores que possam usá-los de maneira mais eficiente, assim como os mercados ocidentais de ações e títulos alocam economias para as empresas, de modo a obter os maiores retornos ajustados ao risco”, afirma o economista e colunista do Asia Times, David P. Goldman.

Para ele, a implementação de tal estratégia nacional tende a auxiliar na transformação digital das cidades, combinado a logística das “cidades inteligentes” com a Inteligência Artificial (AI) através do uso de dados e a circulação das comunicações entre pessoas e coisas – Internet das Coisas (IoT) – pelas redes móveis 5G. “As possibilidades são infinitas e algumas delas já estão em estágio avançado de implementação na China”.

https://valor.globo.com/financas/noticia/2021/12/06/xangai-lana-bolsa-de-dados-com-o-objetivo-de-promover-transformao-digital.ghtml

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A importância da inteligência artificial no xadrez global

A inteligência artificial vai reorganizar o mundo e mudar o curso da história humana. Quem vencerá essa disputa tecnológica?

Por Eric Schmidt – Infomoney 06 dez 2021

O mundo está só começando a ter ideia de quão profunda será a revolução da inteligência artificial. Tecnologias de IA criarão ondas de progresso em infraestrutura crítica, comércio, transporte, saúde, educação, finanças, produção alimentícia e sustentabilidade ambiental.

A IA vai impulsionar economias, remodelar sociedades e determinar quais países vão ditar as regras do próximo século. Essa oportunidade criada pela IA coincide com um momento de vulnerabilidade estratégica. O presidente Joe Biden vem afirmando que os Estados Unidos estão numa “competição estratégica de longo prazo com a China”. Ele está certo. Mas não são só os Estados Unidos que estão vulneráveis — todo o mundo democrático também está, porque a revolução da IA sustenta a atual disputa de valores entre a democracia e o autoritarismo.

Temos de provar que as democracias podem triunfar numa era de revolução tecnológica. Hoje a China é uma concorrente tecnológica de igual nível. Ela é organizada, repleta de recursos e está decidida a vencer a competição tecnológica e a reformular a ordem global para servir a seus interesses.

A IA e outras tecnologias emergentes são centrais nos esforços chineses de ampliar sua influência global, superar o poder econômico e militar dos Estados Unidos e manter sua estabilidade doméstica. A China vem executando um plano sistemático para extrair conhecimento da IA de outros países por meio de espionagem, atração de talentos,

transferência de tecnologia e investimentos.

Evento na China que aposta no uso de reconhecimento facial

Evento na China: Uso da tecnologia de reconhecimento facial (Imagem: Hello ABC/Shutterstock)

O uso que a China faz da inteligência artificial é perturbador para as sociedades que valorizam a liberdade individual

– Eric Schmidt

O uso que a China faz da IA em seu território é perturbador para sociedades que valorizam a liberdade individual e os direitos humanos. O emprego da IA como ferramenta de repressão e vigilância de seus cidadãos está sendo exportado para outros países. A China financia imensos projetos de infraestrutura digital pelo mundo, ao mesmo tempo que busca estabelecer parâmetros globais que reflitam valores autoritários.

médicos utilizando um robô para ajudar em uma cirurgia Simulação de cirurgia com ajuda de robô: grande potencial de uso de IA na área de saúde (Foto: Jane Barlow-Pool/Getty Images)

Sua tecnologia está servindo para facilitar o controle social e reprimir dissidências. Para que fique bem claro: competição estratégica com a China não significa que não devamos trabalhar com a China nas áreas em que fizer sentido. Os Estados Unidos e o mundo democrático devem continuar a se envolver com a China em setores como saúde e mudanças climáticas.

Parar de negociar e de trabalhar com a China não seria um caminho viável para o futuro. O crescimento acelerado e o foco em controle social da China estão tornando o modelo tecnoautoritário do país atraente para os governos autocráticos e tentador para democracias frágeis e países em desenvolvimento. Há muito trabalho a ser feito para

garantir que os Estados Unidos e o mundo democrático possam combinar tecnologia economicamente viável com diplomacia, ajuda externa e cooperação na área de segurança com o objetivo de competir com o autoritarismo digital que está sendo exportado pela China.

Pega-pega tecnológica

Cão-robô junto de um profissional da segurança trabalhando juntos na AlemanhaCão-robô na Alemanha: a serviço da segurança pública(Foto: CIBORIUS, Philipp Arnold)

Os Estados Unidos e outras democracias estão hoje brincando de pega-pega na preparação para essa disputa tecnológica global. Em julho de 2021, a Comissão Nacional de Segurança em Inteligência Artificial (NSCAI, na sigla em inglês) realizou uma Cúpula de Tecnologia Emergente Global que destacou uma importante vantagem comparativa dos Estados Unidos e seus parceiros: a ampla rede de alianças entre países democráticos, baseada em valores comuns, respeito ao estado de direito e reconhecimento dos direitos humanos fundamentais.

Em última análise, a competição tecnológica global é uma competição por valores. Ao lado de aliados e parceiros, podemos fortalecer as estruturas existentes e explorar outras novas para formular as plataformas, os parâmetros e as normas de amanhã, além de garantir que reflitam nossos princípios. Ampliar nossa liderança global em pesquisa, desenvolvimento, governança e plataformas de tecnologia vai colocar as democracias do mundo em melhor posição para cultivar novas oportunidades e se defender contra vulnerabilidades.

Somente por meio da contínua liderança em avanços com IA é que podemos estabelecer critérios para o desenvolvimento e o uso responsável dessa tecnologia crucial. O relatório final da NSCAI oferece um mapa para a comunidade internacional vencer essa disputa.

Em primeiro lugar, o mundo democrático deve utilizar as estruturas internacionais existentes — incluindo Otan, OCDE, G7 e União Europeia — para aprofundar os esforços de abordar todos os desafios associados à IA e às tecnologias emergentes. A decisão do G7 de envolver a Austrália, a Índia, a Coreia do Sul e a África do Sul reflete o reconhecimento importante de que temos de reunir países democráticos do mundo todo em torno desses esforços.

Em segundo lugar, precisamos que novas estruturas, como o Quad [Diálogo Quadrilateral de Segurança, iniciativa que reúne os Estados Unidos, a Índia, o Japão e a Austrália], ampliem o diálogo sobre IA e tecnologias emergentes e suas consequências, além de melhorar a cooperação para o desenvolvimento de parâmetros, infraestrutura de telecomunicações, biotecnologia e cadeias de fornecimento.

O Quad pode servir de base para uma cooperação mais ampla entre governo e indústria na região do Indo-Pacífico. E, em terceiro lugar, precisamos construir alianças em torno da IA e das futuras plataformas de tecnologia com nossos aliados e parceiros. A NSCAI tem cobrado a criação de uma coalizão de democracias desenvolvidas para alinhar políticas e ações em torno da IA e de tecnologias emergentes em sete áreas críticas:

  1. Desenvolver e operacionalizar padrões e normas de apoio a valores democráticos e ao desenvolvimento de tecnologias seguras, estáveis e confiáveis;
  2. Promover e facilitar a pesquisa e o desenvolvimento conjunto de IA e infraestrutura digital que façam avançar interesses compartilhados e beneficiem a humanidade;
  3. Promover a democracia, os direitos humanos e o estado de direito por meio de esforços combinados para combater a
    censura, as operações de (des)informação nocivas, o tráfico humano e os usos iliberais de tecnologias de vigilância;
  4. Explorar modos de facilitar o compartilhamento de dados entre aliados e parceiros por meio de acordos, procedimentos de armazenamento de dados em comum, investimentos coletivos em tecnologias que melhorem a privacidade e redução de barreiras legais e regulatórias;
  5. Promover e proteger a inovação, em particular mediante controles de exportação, análise de investimentos, gestão da
    cadeia de logística, investimento em tecnologias emergentes, política comercial, pesquisa e ciberproteção, além do alinhamento no que se refere à propriedade intelectual;
  6. Desenvolver talentos relacionados à IA por meio da análise dos desafios do mercado de trabalho, da harmonização de qualificações e exigências de certificação, e de iniciativas para aumentar o intercâmbio de talentos, o treinamento conjunto e o desenvolvimento da força de trabalho;
  7. Lançar uma Iniciativa pela Democracia Digital Internacional para alinhar esforços de assistência internacional com o objetivo de desenvolver, promover e financiar a adoção da IA e de tecnologias associadas que comportem valores democráticos e normas éticas relacionadas a abertura, privacidade, segurança e confiabilidade.

Novos investimentos vão ditar o rumo estratégico do mundo democrático

Eric schmidt

Esse ritmo só pode ser mantido quando se trabalha em conjunto. Parcerias — entre governos, setor privado e academia — são uma vantagem-chave assimétrica que os Estados Unidos e o mundo democrático têm sobre seus competidores. Como mostraram os acontecimentos no Afeganistão em 2021, a liderança americana continua indispensável em operações aliadas, mas os Estados Unidos têm de fazer mais para mobilizar seus aliados em torno de uma causa comum.

A era de competição estratégica promete transformar o mundo — e nós podemos tanto dar forma à mudança quanto ser varridos por ela. Hoje sabemos que os usos da IA em todos os aspectos da vida crescerão à medida que o ritmo da inovação se acelerar. Também sabemos que nossos adversários estão determinados a empregar os recursos da IA contra nós. Temos de agir agora.

Os princípios que estabelecermos, os investimentos que fizermos, as aplicações de segurança nacional que apoiarmos, as organizações que redesenharmos, as parcerias que fecharmos, as coalizões que construirmos e os talentos que cultivarmos vão definir o rumo estratégico dos Estados Unidos e do mundo democrático.

As democracias precisam investir o que for necessário para manter a liderança na competição global de tecnologia, com o objetivo de usar a IA de modo responsável para defender pessoas e sociedades livres, além de avançar nas fronteiras da ciência em benefício de toda a humanidade. A IA vai reorganizar o mundo e mudar o rumo da história humana. O mundo democrático precisa liderar esse processo.

Eric Schmidt

Ex-CEO da Alphabet/Google, é diretor da Comissão Nacional de Segurança para Inteligência Artificial, nos Estados Unidos.

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Dinheiro é coisa do passado e fintechs vão competir ainda mais com os bancões

Estudo da consultoria PwC mostra que o número de transações com meios de pagamento que não o dinheiro em espécie vai crescer 52% até 2025

Por Naiara Bertão, Valor Investe — 07/12/2021

A pandemia foi um importante acontecimento para as pessoas experimentarem formas de pagamento além do dinheiro em espécie. O advento do Pix no Brasil e a popularização dos cartões de crédito sem contato, por aproximação, ajudaram a reforçar isso. A tendência é clara: cada vez mais brasileiros, latinos e consumidores do mundo todo usarão outros meios que não o dinheiro em espécie para fazer as compras no mercado, pagar a passagem no ônibus, pedir comida em um restaurante ou transferir o dinheiro do churrasco para o amigo.

Estudo feito pela PwC e seu braço de consultoria estratégica, a Strategy&, mostra que o número de transações sem dinheiro em espécie na América Latina deve aumentar em 52% até 2025 e, depois, em 48% até 2030. O ritmo de crescimento é menor do que países da Ásia-Pacífico, cujo aumento esperado de volume é de 109% até 2025 e em 76% até 2030. A China, por exemplo, já é um país cuja cultura do pagamento digital está enraizada há anos. Em seguida, estão a África (com 78% e 64%, respectivamente) e a Europa (64% e 39%). Estados Unidos e o Canadá terão o crescimento mais lento (43% e 35%).

Considerando o mundo todo, a expectativa é que os volumes globais de pagamentos feitos por meios digitais aumentem em mais de 80% até 2025, com as transações passando de cerca de um 1 trilhão para quase 1,9 trilhão por ano. Até 2030, o número de transações per capita sem dinheiro em espécie será aproximadamente o dobro ou o triplo do nível atual em todo o mundo, apontou a análise.

O estudo foi feito com base no número de transações e não com volume financeiro por ser uma base de comparação mais direta e fácil, uma vez que os volumes precisariam envolver cálculos que considerassem as moedas locais.

“A América Latina deve ter crescimento menor porque o Brasil é representativo e já estamos em um mercado maduro com escala e opções de meios de pagamento, além de infraestrutura de pagamento já mais robusta”, explica Lindomar Schmoller, sócio da PwC.

 

Fintechs x Incumbentes

Outro ângulo analisado foi como cada participante da cadeia de valor da indústria de meio de pagamento – banco, adquirente, processador, operador de POS (maquininha), provedores alternativos (contas digitais e fintechs) – geram receita.

A projeção da consultoria é de que em 2030, os bancos terão aumentado em 64% o seu bolo de receita, passando de US$ 342 bilhões em transações, para US$ 561 bilhões. Os chamado prestadores de serviços comerciais, como os POSs, vão crescer 50% neste período, saindo de US$ 141 bilhões em 2020 para US$ 212 bilhões dez anos depois.

A grande surpresa, porém, vem dos métodos de pagamento alternativos, que incluem soluções de pagamento de big techs, empresas de telecomunicações e varejistas fora, ou além, dos tradicionais pagamentos bancários e com cartão. O valor das receitas estimadas para estes competidores é de US$ 313 bilhões em 2030, 301% maior do que em 2020, de US$ 78 bilhões.

Mudanças nos pools de receita de 2020 a 2030 — Foto: PwC e Strategy&

Mudanças nos pools de receita de 2020 a 2030 — Foto: PwC e Strategy&

“Globalmente, a fonte de receitas ainda é muito concentrada nos bancos e eles evoluem até 2030 de forma importante, mas muito abaixo da velocidade de crescimento de provedores alternativos de pagamento, que puxarão parte importante da receita para eles. Quando surge um competidor com essa projeção de crescimento, o cenário para o setor muda”, comenta Willer Marcondes, sócio, PwC Brasil.

No relatório, o depoimento do fundador e presidente da Marqeta, plataforma global de emissão de cartões, Jason Gardner, comenta que esse crescimento dos pagamentos móveis vai impor prêmios cada vez mais elevados à experiência do usuário. Para ele, isso vai forçar as fintechs e as instituições financeiras de todos os portes a implantar tecnologias que possam transformar infraestruturas de “back-end” mais complicadas em aplicativos comerciais e de consumo que sejam fáceis de usar.

 

Brasil

O crescimento dos pagamentos digitais vem na esteira do open banking, com a migração de cartões e contas para carteiras digitais.

Com relação ao Brasil, a pesquisa mostra que o aumento de geração de receita dos bancos será de 20% até 2025, saltando de US$ 17 para US$ 21 bilhões, e terá uma queda de 1% até 2030 (para US$ 20 bilhões). No caso dos meios de pagamento alternativos, os números são bem maiores: 143% de aumento até 2025 (de US$ 7 bilhões para US$ 17 bilhões) e 70% na sequência, entre 2025 e 2030, quando atingirão R$ 29 bilhões e terão passado os bancos.

Dados sobre Brasil da pesquisa da PwC sobre meios de pagamento

Receita da Indústria (US$ bilhões)202020252030Variação 2020-2025Variação 2025-2030
Receita – Bancos Emissores            17            21            2023%-1%
Receita – Métodos alternativos de Pagamentos                7            17            29143%70%
Receita – Credenciadores (Prest. Serv. comerciais)                4              5              518%12%
Receita – Rede de cartões (Arranjo ou bandeira)                2              2              331%25%
Receita – Processadores terceirizados + Terminais                1              1              257%52%

Fonte: PwC e Strategy&

O cenário começou a mudar nos últimos anos, especialmente desde o início da pandemia, com os bancos estatais lançando carteiras digitais para pagar à população subsídios sociais e o auxílio emergencial. Isso está ajudando a ampliar a adoção dos pagamentos digitais, especialmente entre pessoas sem experiência com bancos (os desbancarizados).

Marketplaces como o Mercado Livre, com o serviço Mercado Pago, e contas digitais como o PicPay, estão lançando seus próprios ecossistemas, nos quais comerciantes e pessoas têm diversos serviços financeiros para suprir suas principais necessidades.

Dados sobre Brasil da pesquisa da PwC sobre meios de pagamento

Dados  Brasil202020252030Variação 2020-2025Variação 2025-2030
Número de Transações (Em milhões)      47.720    72.378  107.16352%48%
Volume de transações (Em US$ bilhões)      16.270    22.316    29.63537%33%
Receitas da Indústria (Em US$ bilhões)            31            46            5949%30%

Fonte: PwC e Strategy&

O relatório pontua que o Brasil está na vanguarda da inclusão financeira, graças à liderança do Banco Central em iniciativas que promovem novas tecnologias de pagamento, interoperabilidade, redução de custos e concorrência aberta. Exemplos são o Pix, que explodiu de adesão no Brasil, e também pagamentos com QR Code, que estão alavancando o acesso a esses meios de pagamento, e incluindo no sistema financeiro quem ainda estava de fora.

O que se espera é que esses novos modelos impactem os meios de pagamentos tradicionais como DOC/TED, boleto bancário, cheque e até mesmo com cartões nos próximos anos. “Considerando essas infraestruturas e a existência de novos provedores totalmente baseados em nuvem, os bancos já estão reavaliando seus modelos e soluções financeiras”, diz o documento.

Pagar nunca foi tão fácil – não à toa também temos altas taxas e endividamento.

Tendências

A análise pontua seis tendências para os meios de pagamento: inclusão e confiança, moedas digitais, carteiras digitais, batalha dos trilhos de pagamento, pagamentos transnacionais e crime financeiro. Conheça um pouco mais cada uma das tendências, de acordo com o relatório:

 

Inclusão e confiança

O foco em soluções de código QR nacionais e de carteiras e dinheiro móvel garantirá o amplo acesso e o baixo custo.

Os bancos centrais manterão sua função de assegurar a privacidade, a estabilidade e a confiança em novos provedores e métodos de pagamento, bem como no sistema financeiro.

Operar no modelo anterior de contas bancárias custa caro. As instituições financeiras tradicionais têm altos custos de gestão de estrutura, operação, proteção e conhecimento do cliente. Não consegue rentabilizar o cliente com custo de observância. Os competidores sujeitos a menos exigência regulatória conseguem incluir o consumidor mais facilmente. As próprias moedas digitais e criptomoedas podem reduzir o custo monetário. O desafio é diminuir custos e monetizar esses negócios. Vai ser necessário surgir novos modelos de negócios que não envolvam cobrar tarifas ou uma fatia da transação financeira”, comenta Marcondes.

 

Moedas digitais

O estudo traz que 60% dos bancos centrais estão avaliando o uso das moedas digitais e 14% estão realizando testes-pilotos.

A grande preocupação dos bancos centrais é que surjam iniciativas sem regulamentação. Por isso, muitos estão avaliando iniciativas para criar suas próprias moedas digitais. É diferente do modelo descentralizado de criptomoedas, que não têm controle monetário, relacionado à estabilidade econômica do país”, diz Lindomar Schmoller, sócio da PwC Brasil. “As criptomoedas não avançaram tão rápido porque carecem de maior segurança do lado do investidor e do ecossistema, mas também porque a própria dinâmica das criptos é ainda bastante limitada”, acrescenta.

A conversão e o armazenamento de criptomoedas fiduciárias são oportunidades que estão surgindo, de acordo com o relatório.

 

Carteiras digitais

O uso de pagamentos móveis continuará crescendo de modo constante: a taxa de crescimento anual composta (o CAGR) entre 2019 e 2024 é estimada em 23%.

A proliferação de super aplicativos, serviços de open banking e códigos QR impulsionará a adesão à carteira digital.

Por conveniência, os usuários e o uso serão direcionados para as carteiras digitais como primeiro ponto de contato – deixando de lado as interfaces tradicionais de cartões e bancos.

 

A batalha dos trilhos de pagamento

A iniciação do pagamento está migrando de cartões e contas para carteiras digitais que têm suporte no open banking.

Os reguladores obrigarão a indústria a fortalecer a infraestrutura nacional de pagamentos.

Os consumidores em mercados emergentes estão migrando diretamente para carteiras móveis e pagamentos baseados em contas, sem passar pela “era do cartão”.

Tanto as redes de cartões tradicionais quanto as soluções nacionais de carteiras enfrentarão o desafio de conectar os pagamentos em sistema “open loop” com os pagamentos internacionais para manter sua relevância.

 

Pagamentos transnacionais

Pagamentos instantâneos e de baixo custo estão provocando a reinvenção dos pagamentos transnacionais.

A padronização global dos pagamentos permitirá a conectividade internacional de soluções instantâneas nacionais.

Surgirão soluções regionais (especialmente na Ásia) e soluções não bancárias globais baseadas em criptomoedas e carteiras digitais.

 

Crime financeiro

Com a adoção cada vez maior do open banking e dos pagamentos instantâneos e alternativos por consumidores e empresas, crescem as organizações de “fraude como serviço”.

Em nossa pesquisa, os riscos de segurança, conformidade e privacidade de dados foram as maiores preocupações de bancos e fintechs.

Com a sofisticação do crime financeiro, os provedores terão que proteger todo o seu ecossistema.

 — Foto: Getty Images

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Desglobalização eleva pressão inflacionária no longo prazo

A pandemia de covid-19 está acelerando o recuo da globalização, que já vinha ocorrendo há alguns anos, com as restrições à imigração e mudanças nas cadeias globais de abastecimentos

Por Yuka Hayashi — Dow Jones Newswires/ Valor 06/12/2021 

Embora a alta da inflação no curto prazo seja atribuída às rupturas nas cadeias de abastecimento, à falta de mão de obra e ao estímulo fiscal, outra força de longo prazo também pode estar em ação: a “desglobalização”.

Economistas e governos há muito argumentam que a globalização ajudou a reduzir os preços. Com a queda das barreiras comerciais, empresas locais foram forçadas a competir com importações baratas. A tecnologia e a liberalização do comércio estimularam as empresas a terceirizarem a produção para países de renda baixa. Em geral, as políticas liberais de imigração permitiram muitos trabalhadores com salários mais baixos mudar para países mais ricos, embora a ligação entre a imigração e os salários não seja clara.

Mas esse padrão poderá ser revertido à medida que a pandemia acelera o recuo da globalização, que já vinha ocorrendo há alguns anos. Em algum momento, os gargalos nas cadeias de abastecimento deverão diminuir, mas outras tendências poderão persistir – políticas protecionistas como tarifas, regras do tipo “compre produtos americanos” e empresas transferindo de volta a produção para os EUA, onde estarão menos vulnerável a essas políticas, além de fluxos de imigração menores.

“A reorganização e o encurtamento das cadeias de abastecimento… terão um custo que será repassado às empresas e, em última instância, aos consumidores”, diz Dana Peterson, economista-chefe da Conference Board, grupo de pesquisas independente apoiado por grandes empresas dos EUA.

Estudos têm mostrado que a globalização influenciou os preços nos EUA. Kristin Forbes, economista do Massachusetts Institute of Technology (MIT), constatou que as partes do índice de preços ao consumidor influenciadas por fatores globais, como os preços das commodities, flutuações cambiais e as cadeias de valor globais, responderam por metade das mudanças no índice entre 2015 e 2017, em comparação a 25% no começo dos anos 90. Os economistas Robert Johnson da Universidade de Notre Dame e Diego Comin de Dartmouth, constataram em um estudo de 2020 que o comércio internacional teve o efeito de reduzir os preços ao consumidor nos EUA em um ritmo anual de 0,1 a 0,4 ponto percentual entre 1997 e 2018.

A participação do conteúdo estrangeiro na produção manufatureira mundial aumentou de 17,3% em 1995 para 26,5% em 2011, segundo dados do Banco Asiático de Desenvolvimento analisados pela Conference Board. Desde então, essa parcela caiu para 23,5% em 2020. Os investimentos estrangeiros diretos globais, uma medida importante da expansão dos negócios internacionais, atingiu o pico de cerca de US$ 2 trilhões em 2015, mas caíram para US$ 1,5 trilhão em 2019, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento.

A desglobalização ganhou força com a crise financeira global de 2008, com a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE) em 2016 e com as tarifas impostas pelos EUA sob o governo Donald Trump. Isso pode estar contribuindo para a inflação alta do momento, embora seja difícil separar esses efeitos da pandemia.

Economistas do Citi observam que os preços dos móveis e dos custos domésticos, que caíram de forma quase constante depois da crise financeira de 2008, começaram a subir em 2017, quando o governo Trump se preparava para punir a China, o que fez impondo uma tarifa de 25% sobre as importações chinesas. Esses preços aumentaram 3% entre outubro de 2017 e março de 2020 e de lá para cá ganharam outros 8,5%.

As tarifas do governo Trump sobre o aço, alumínio e importações da China, combinado com as tarifas retaliatórias de parceiros comerciais, aumentaram os custos anuais dos consumidores americanos em US$ 51 bilhões ao ano, segundo o American Action Forum, um grupo de pesquisas políticas de centro-direita.

O presidente Joe Biden negociou o fim de algumas tarifas de Trump, como as impostas ao aço e alumínio da Europa, mas deixou em vigor a maior parte das tarifas sobre produtos da China.

No mês passado, o Departamento do Comércio dobrou as taxas impostas em 2017 sobre a madeira de fibra longa canadense para 18%. Elas resultam de décadas de reclamações de produtores americanos de que as exportações canadenses são subsidiadas. Chuck Fowke, presidente da Associação Nacional de Construtoras, alertou que o aumento das tarifas “pressionará para cima os preços da madeira e tornará as moradias mais caras”. Ele observando que as empresas já lidam com uma alta dos custos das construção e preços da madeira bem acima dos níveis pré-covid.

Em junho, o governo Biden proibiu as importações de alguns materiais de painéis solares da região chinesa de Xinjiang, uma grande produtora,devido ao suposto uso de trabalho forçado. Como resultado, o preço do polissilício, insumo-chave na fabricação de painéis solares, subiu para mais de US$ 20/kg no segundo trimestre de 2021, de US$ 6,20/kg um ano antes, segundo a companhia de pesquisas Wood Mackenzie.

“As incertezas [políticas] estão tendo um grande impacto sobre a disponibilidade e os preços dos produtos”, diz Abigail Hopper, presidente da associação das empresas de energia solar.

O governo Biden também está tentando trazer de volta as cadeias de abastecimento de alguns produtos críticos, como semicondutores, farmacêuticos e de terras raras, ao mesmo tempo em que acelera uma exigência para que os órgãos e agências federais comprem mais produtos feitos nos EUA.

“Biden não só deu sequência às políticas de Trump como as ampliou com disposições mais rígidas do tipo “compre produtos americanos”, exigências de conteúdo local e propostas pró-sindicatos sobre veículos elétricos e baterias” nos pacotes de estímulo, segundo Gary Clyde Hufbauer, economista do Peterson Institute for International Economics. Ele estima que as medidas adotadas pelos governos Trump e Biden poderão contribuir com 0,5 ponto percentual na inflação americana no período afetado pelas políticas.

Enquanto isso, economistas do JP Morgan Chase estimam que a população imigrante dos EUA neste ano é cerca de três milhões menor do que se as tendências de imigração pré-2017 não tivessem sido interrompidas pela pandemia.

Richard Allison, presidente executivo da Domino’s Pizza, disse em outubro que a queda no fluxo de imigração nos últimos anos contribuiu para a falta de mão-de-obra causada pela pandemia, especialmente de motoristas, o que contribuiu para o aumento dos custos e dos fretes. “Num país cuja população não cresce como antes, nós, em nosso setor e de vários outros, precisaremos de mais imigração… para continuar tendo uma força de trabalho robusta”, disse ele.

Muitas empresas americanas pressionaram o governo a aliviar as tarifas para reduzir seus custos, como as de calçados para crianças e as de alumínio e aço. A Câmara do Comércio dos EUA pediu um aumento no teto de concessão de vistos para imigrantes.

Mas economistas afirmam que a mudança das cadeias de abastecimento de volta para os EUA poderá ter um impacto mais duradouro do que as tarifas, chegando no momento em que as regras restritivas à imigração e a aposentadoria dos “baby boomers” (geração dos nascidos após a Segunda Guerra Mundial) mantêm o mercado de trabalho dos EUA apertado. “Isso poderá significar uma mudança de longo prazo na dinâmica da inflação porque você acabou de transferir mais poder para os trabalhadores americanos”, disse Forbes do MIT.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2021/12/06/desglobalizacao-eleva-pressao-inflacionaria-no-longo-prazo.ghtml

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É assim que queremos viver?

Temos o direito, e até a obrigação, de questionar saltos tecnológicos

Por Vilma Gryzinski – Veja 19 nov 2021, 

O que é a vida no metaverso? Quando Mark Zuckerberg apareceu com o novo nome do Facebook, Meta, houve algumas reações parecidas. Um golpe de marketing foi uma delas. Outra, mais genérica: alguma coisa muito avançada que vai acontecer no futuro. Matrix, Matrix, Matrix, pensaram os com idade suficiente para lembrar do tempo que nem havia o Face, se é que isso é possível. 

Falar algo assim pode soar como coisa dos que têm necessidades tecnológicas especiais — em suma, atrasados e assustadiços diante de qualquer mudança. Mas algumas das cabeças mais avançadas do momento se preocupam com as possibilidades abertas pela inteligência artificial e, sua criação, o universo paralelo à vida real que, inevitavelmente, deixa o primeiro em posição de preponderância em relação à segunda. 

Existe até um nome para esse fenômeno: risco existencial decorrente da inteligência artificial avançada. A comparação mais evocada é a de que os humanos podem se tornar os novos gorilas-das-montanhas. Assim como os prodigiosos animais, hoje reduzidos a pequenas populações no coração da África, dependem da proteção dos humanos conservacionistas para sobreviver aos humanos que querem caçá-los todos, nós poderíamos nos tornar dependentes da magnanimidade de uma futura superinteligência. 

Mark Zuckerberg e o logo da Meta

Mark Zuckerberg apresenta o novo nome da holding Facebook, Meta, e o logo, que se assemelha ao sinal de infinto – Facebook/Reprodução

Como em todos os grandes mitos criacionistas da humanidade, as criaturas superariam o criador, arrancando-lhe o fruto ou o fogo do conhecimento. “O mundo é estranho e nós temos de aprender a viver com isso”, resume o físico sueco Max Tegmark, autor de Vida 3.0, em que especula sobre a possibilidade de que os robôs sapiens nos substituam completamente.

Obviamente, aprender a “viver com isso” exige recursos quase impossíveis para nossos frágeis intelectos diante de máquinas que não precisam mais ser programadas, produzem seu próprio software. “Filosoficamente, intelectualmente — de todas as maneiras — a sociedade humana está despreparada para o surgimento da inteligência artificial”, escreveu Henry Kissinger, um inesperado participante do debate sobre o que pode ser a maior mudança da história da humanidade. 

O arquiteto da política externa americana na década de 70 do século passado, hoje com 98 anos, começou a se interessar pelo assunto quando soube que um computador havia dominado os mecanismos do jogo Go. Quanto mais se cercou de outras mentes brilhantes, mais preocupado ficou.

No universo paralelo, ou meta, cujos fundamentos já estão dados, podemos ser mais belos, inteligentes, interessantes, aventureiros, heroicos, audazes (e também comprar produtos meta, claro). Ou agressivos, violentos, impiedosos, sem freios nem limites. Exatamente como nos games, só que “de verdade”. Nossas limitadas vidas humanas se tornarão ilimitadas. Ou acreditaremos sê-lo. 

Na peça do século XVII de Calderón de la Barca, na qual o personagem principal é trancado numa torre desde o nascimento, o poeta espanhol deu uma definição que atravessa os tempos e continua a nos assombrar: “Que é a vida? Um frenesi. Que é a vida? Uma ilusão, uma sombra, uma ficção; o maior bem é tristonho, porque toda vida é sonho, e os sonhos, sonhos são”.

Sonhamos todos ou estamos sendo sonhados?

Publicado em VEJA de 24 de novembro de 2021, edição nº 2765

https://veja.abril.com.br/blog/mundialista/e-assim-que-queremos-viver/

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O que aprendi ao visitar a sociedade digital mais avançada do mundo

Sérgio Chaia Neofeed DECEMBER 04, 2021

Em novembro deste ano, visitei a sociedade digital mais avançada do mundo, segundo a revista Wired, com o time de lideranças da idtech unico.

Esse título não é por acaso. Ali se demora três horas para abrir uma empresa, 44% dos votos na eleição de 2019 foram feitos online, 85% das escolas são totalmente digitalizadas e a população tem acesso a mais de 2.500 serviços digitais. Só casamento, divórcio e vendas de propriedades ainda não são online. Ainda!

Estou falando da Estônia, um lugar muito especial que faz fronteira com Finlândia, Letônia e Rússia, da qual se tornou independente em 1991. A Estônia é uma país pequeno, com apenas 1,4 milhão de habitantes, mas com um PIB per capita mais de três vezes maior do que o brasileiro.

Visitamos muitas empresas, conversamos com representantes do governo estoniano e até com o embaixador brasileiro. Todos foram unânimes em apontar a sociedade digital como a grande responsável pelo avanço econômico e social do país.

Apesar de não ser especialista em tecnologia, foram reuniões muito interessantes e que me trouxeram vários insights, dos quais destaco três a seguir:

1 – Mudanças fortes ocorrem mais por necessidade do que por desejo

A maioria das pessoas ou lideranças quer mudar algo, seja na vida ou na empresa. A história da virada da Estônia reforçou o que eu já acreditava. Se você quer mudar, gere uma grande necessidade. No caso estoniano, o país, após a independência da União Soviética, estava em uma situação econômica bastante desafiadora.

A burocracia de um estado pesado, por exemplo, devorava a economia. A necessidade de mudança era crucial. A saída foi potencializar o maior ativo que a Estônia herdou do período de dominação russa: seu expertise de TI e de cibersegurança.

Foi assim que o país embarcou nessa transformação digital, esperando estimular investimentos tão necessários para gerar empregos e aquecer a economia.

2 – Inova-se mais com poucos recursos do que com muitos

Parece estranho, afinal bilhões de dólares são investidos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) anualmente pelas empresas de todos os setores. Ouvimos a história do início da sociedade digital na Estônia.

Com a missão de avançar digitalmente, a liderança política estoniana procurou a IBM. Depois de vários encontros, chegou a hora de negociar o preço. Segundo nos contaram, o preço mínimo da IBM era de 350 mil euros para o pacote digital. Mas o budget do governo era de 8 mil euros.

Essa diferença fez com que o governo decidisse construir sua própria plataforma, o X-Road, que “é considerado o coração da transformação digital” do país.

O X-Road é a espinha dorsal do e-Estonia, infraestrutura crucial para que os vários sistemas de informação de serviço eletrônico dos setores público e privado da nação se conectem e funcionem em harmonia. Se a IBM não tivesse abandonado o negócio, ele não existiria.

A sugestão aqui é não depenar o seu budget de P&D pela metade, mas sim gerar um princípio de escassez como estímulo à inovação para cada squad que se forma.

3 – Transparência gera confiança

Muitos líderes me perguntam como podem engajar mais colaboradores. Sempre sugiro começar pela transparência. Não significa ser sempre bonzinho ou o chefe legal. Ao contrário: procure sempre dar a real de uma forma construtiva e não ter uma agenda B.

Fazendo isso, seus colaboradores irão sentir que podem confiar em você. E confiança traz um boost no engajamento. O interessante é que observei essa tese na forma como o governo estoniano construiu seus serviços digitais.

O desafio era motivar a população a utilizá-los. Só assim, eles seriam úteis. A premissa de total transparência foi usada desde o início. Não se prometeu que os dados seriam incorruptíveis, mas garantiram que, em qualquer tentativa, o cidadão seria notificado.

Além disso, todos os acessos aos dados dos cidadãos estonianos de qualquer instituição são totalmente transparentes. Todos podem ver, em tempo real, como o portal está operando. O índice de engajamento da população é brutal: 98% têm uma identidade digital e 99,8% das transações bancárias são online.

É incrível o quanto uma viagem para um lugar diferente pode ser rico em insights. Mas não é todo dia que podemos visitar lugares tão distantes como a Estônia. Porém, mantendo nossa curiosidade em alta, conhecendo gente, lugares e experiências diferentes e quebrando a rotina em nossa própria cidade podemos, sim, fabricar insights, trazendo o efeito Estônia para o nosso dia a dia tropical.

*Sergio Chaia atua como coach de CEOs, empreendedores e atletas de alto rendimento. Foi chairman da Óticas Carol e CEO da Nextel. Atua como conselheiro da Daus e da Ri Happy. É também conselheiro e educador do Instituto Ser + , uma ONG voltada à recuperação de jovens em situação social de risco preparando sua inserção no mercado de trabalho. Autor do livro “Será que é possível?”

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Como os algoritmos influenciam a produção de filmes e séries

Quando se trata do mercado de serviços de streaming, ganha aquele que cativa o espectador por mais tempo

Por Laura Pancini – Exame 18/11/2021 

Ainda está prestando atenção? Quando se trata do mercado de serviços de streaming, ganha aquele que cativa o espectador por mais tempo. E não só durante um filme ou aquela maratona de série: quantos minutos o usuário fica com o mouse em cima de um banner ou em quais imagens ele tende a clicar mostram muito mais sobre seus padrões de consumo. É como se na primeira camada tivéssemos as informações que o usuário está mais ciente de que está compartilhando — ele tem uma preferência por filmes de comédia romântica, por exemplo.

Já na segunda camada estão os metadados, mais obscuros e capazes de identificar padrões que não estamos vendo por meio do machine learning, tecnologia capaz de categorizar um volume gigantesco de dados. Com os metadados, a plataforma sabe então que o usuário se interessa também por década de 1990, mulheres fortes como protagonistas e o ator Hugh Grant. Também entende que a escolha depende de seu humor, e que um filme desse tipo se encaixa mais nas recomendações de sexta à noite do que nas de segunda na hora do almoço.

O modelo que utiliza dados dos usuários para ofertas de produtos e experiências personalizadas é padrão para os serviços de streaming como Net­flix, Prime Video, HBO Max e ­Disney+. “Eles estão competindo por atenção, então os algoritmos entram como uma forma de otimizar e personalizar os serviços”, avalia Victor Barcellos, especialista de comunicação digital do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio).

 (Yulia Reznikov/Exame)

A diferença, portanto, está em como cada um lida com os dados que têm, e nenhum se compara ao gigante Netflix, que possui por volta de 210 milhões de assinantes pagos mundialmente. Apesar de a Netflix estar no mesmo servidor da Amazon e ter muitas semelhanças com o Prime Video, seu diferencial em número de usuários traz mais dados e, portanto, mais informações para o machine learning processar e otimizar o conteúdo. “Quanto mais potentes são esses algoritmos, mais precisos eles vão ser na oferta de algo que vai interessar ao usuário.”

A imensa quantidade de dados acaba influenciando também nas produções. Na visão de Gustavo Fonseca, presidente da DirecTV Go, plataforma de streaming que chegou ao Brasil no final de 2020, os conteúdos originais são prioridade para as empresas do setor porque tendem a ir melhor. Só a Netflix investiu 11,6 bilhões de dólares nessa modalidade em 2020, ante 9,8 bilhões em 2019. Quase dez anos atrás, ela foi a primeira a apostar nos conteúdos exclusivos com House of Cards, série estrelada por Kevin Spacey e que mostrava os bastidores da política nos Estados Unidos, e investiu 100 milhões de dólares em duas temporadas do programa antes de ver um único episódio. O motivo? Os dados garantiram que o conteúdo tinha potencial.

A versão britânica do seriado havia rendido uma boa audiência na plataforma, e a empresa conseguiu ver que fãs do House of Cards original também assistiam a filmes estrelados por Spacey ou dirigidos por David Fincher, produtor executivo do programa. Hoje, toda plataforma de streaming conta com conteúdos próprios. De acordo com informações da FX Networks Research e Motion Picture Association, entre 2019 e 2020 houve um aumento de 41% no lançamento de séries originais, roteirizadas ou não, chegando a 1.665 no total.

Para empresas que ainda estão crescendo no setor, a aposta se mostrou lucrativa. Somente com Ted Lasso, a Apple TV+ recebeu cerca de 20 indicações na última edição do Emmy Awards,­ maior premiação televisiva dos Estados Unidos, e o lançamento da segunda temporada entregou “o maior dia de estreia e o maior fim de semana de abertura” da plataforma. No comparativo semanal, a Apple TV+ aumentou o volume de assinantes em 50%.

“Existe uma tendência ao monopólio nesse mercado, mas o que diferencia são os dados que cada um tem e os insights que tira deles”, avalia Barcellos. “Ao mesmo tempo, do outro lado você tem um usuário cada vez mais crítico sobre quais dados estão sendo coletados.” Para Fonseca, cujo streaming é oferecido no Brasil pela Vrio, empresa com mais de 10 milhões de usuá­rios em dez países, o desafio também está em discernir quais dados são realmente válidos. “Já tive respostas de usuá­rios que foram diferentes do que foi visto pelos dados. Nem sempre o que o cliente responde é estatisticamente válido”, conta. “É preciso entender o que é uma visualização por impulso, por vergonha, consciente… As pessoas têm segredos, e nas audiên­cias eles se revelam.”  

https://exame.com/revista-exame/segredos-revelados/

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Seis formas como minissatélites do tamanho de caixas de sapato podem mudar o mundo

Tecnologia é usada em projetos para impedir o desmatamento, rastrear animais em risco de extinção e exploração do espaço sideral, entre outros

Claire Bates BBC NEWS/Folha DECEMBER 02, 2021

O CubeSat é uma peça de tecnologia pequena, mas inteligente.

Com o tamanho de uma caixa de sapatos, os minúsculos satélites CubeSat foram inventados pelo professor Bob Twiggs em 1999 como ferramenta educativa para seus alunos.

“Eles não conseguiam colocar muita coisa nele —e esse era o desafio, na verdade. O CubeSat os forçava a parar de acrescentar itens aos seus projetos”, relembra Twiggs, rindo.

Com construção e lançamento mais rápido e barato que os satélites convencionais, existem agora centenas de CubeSats em órbita da Terra, construídos por universidades, start-ups e governos.

O programa de rádio People Fixing the World (“Pessoas que consertam o mundo”, em tradução livre), do Serviço Mundial da BBC, apresentou seis projetos fascinantes envolvendo os CubeSats que estão tentando mudar o planeta.

CubeSat começou como ferramenta educacional, mas agora está ajudando a humanidade

CubeSat começou como ferramenta educacional, mas agora está ajudando a humanidade – Nasa

1. Impedir desmatamento

O governo da Noruega formou uma parceria com a companhia de satélites Planet, para combater o desmatamento em todo o mundo.

A Planet tem uma constelação de 180 CubeSats fotografando a Terra continuamente. As suas câmeras possuem resolução de 3m por pixel e podem obter do espaço evidências de extração de madeira.

“O governo norueguês nos paga em troca de dados de rastreamento do corte de árvores em 64 países tropicais”, segundo Will Marshall, diretor executivo da Planet. “Nós informamos aos ministérios responsáveis pelas florestas nesses países onde está ocorrendo desmatamento e a Noruega decide pelo fornecimento ou não de fundos para eles, dependendo do cumprimento de um acordo de suspensão do corte de árvores.”

No início do ano, uma equipe de estudantes da Itália e do Quênia lançou o satélite WildtrackCube-Simba. Esse CubeSat monitorará as aves e os mamíferos do Parque Nacional do Quênia.

“Tivemos conflitos entre seres humanos e animais selvagens, por exemplo, quando os elefantes invadiram as plantações, prejudicando as fazendas e, às vezes, até matando as pessoas”, afirma Daniel Kiarie, estudante de engenharia de Nairóbi, no Quênia.

“Por isso, queremos ajudar a evitar isso, fornecendo informações sobre o movimento dos animais com antecedência, para que os agricultores possam afastá-los antes que eles cheguem às aldeias”, segundo ele.

No ano que vem, o plano dos estudantes é implantar etiquetas de rádio frequência nos animais. Eles esperam poder rastrear mais do que apenas a sua localização.

“A extração ilegal de presas de elefantes e chifres de rinocerontes é um problema comum no Quênia”, segundo Kiarie. “Acreditamos que essas etiquetas poderão também monitorar os batimentos cardíacos e detectar quando o animal morre.”

A missão do WildtrackCube-Simba é de três anos. Os CubeSats normalmente duram de dois a cinco anos antes de serem queimados na atmosfera, dependendo da altura de sua órbita.

Satélite WildtrackCube-Simba monitorará aves e mamíferos do Parque Nacional do QuêniaSatélite WildtrackCube-Simba monitorará aves e mamíferos do Parque Nacional do Quênia – Getty Images

3. Denunciar escravidão moderna

O Laboratório de Direitos Humanos da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, usa imagens de satélite para mergulhar no mundo clandestino do trabalho forçado.

Mais recentemente, foram utilizadas imagens geradas por minissatélites CubeSat para mapear os acampamentos improvisados na Grécia dos colhedores de frutas oriundos de Bangladesh.

“Podemos observar como esses acampamentos informais estão se mudando ao longo do tempo”, segundo a Professora Doreen Boyd, que está liderando o projeto. “Quando vemos limpeza de terreno, sabemos que haverá novos acampamentos quando olharmos de novo.”

A equipe trabalhou em conjunto com uma ONG local, que visitou os acampamentos encontrados.

“Eles conseguiram falar com os migrantes e obtiveram muito mais informações sobre o que está acontecendo, em termos de condições de vida… Eles chegaram ao ponto de dizer: ‘Muito bem, temos 50 acampamentos informais nesta região, quais são as prioridades do nosso trabalho?'”, segundo Boyd.

4. Recolher lixo espacial

Recentemente, a Rússia foi motivo de indignação internacional ao disparar um míssil sobre um dos seus antigos satélites espiões, fazendo com que milhares de fragmentos se espalhassem na órbita baixa da Terra.

Redes globais rastreiam cerca de 30 mil pedaços de lixo espacial enquanto viajam em volta da Terra, desde satélites inoperantes até estágios de foguetes. Mas existem muitos outros fragmentos que são pequenos demais para que sejam rastreados, mas grandes o suficiente para ameaçar satélites ou astronautas a bordo de aeronaves.

Existem muitas questões envolvidas na limpeza do lixo espacial, sem falar nas tentativas de descobrir qual pedaço de equipamento pertence a qual país. Mas os cientistas estão mais próximos de solucionar a questão prática de capturar os objetos em órbita graças aos CubeSats. Eles estão usando os pequenos satélites para reproduzir o lançamento de lixo em experimentos no espaço.

Este ano, a companhia japonesa Astroscale lançou a aeronave ELSA-d, que liberou e capturou com sucesso um CubeSat, utilizando um sistema magnético. Nos próximos testes, o CubeSat será forçado a tombar como faz o lixo espacial normal, antes de se tentar sua recaptura.

5. Consertar turbinas eólicas

Existem diversas frotas de CubeSats trabalhando em conjunto acima das nossas cabeças para fornecer uma ‘internet das coisas’ de baixo custo. Essa rede conecta as pessoas a objetos marcados com sensores em locais remotos em todo o mundo.

Alguns agricultores usam sensores para monitorar os níveis de água de caixas d’água ou bebedouros de animais em locais distantes, para que eles não precisem ir até lá verificar pessoalmente.

Sensores podem também ser usados para aumentar a eficiência da energia renovável. As turbinas eólicas geralmente recebem visitas de manutenção apenas duas vezes por ano, de forma que pode levar meses para alguém descobrir e consertar uma pá danificada.

Uma empresa chamada Ping Services criou um sensor que monitora o som produzido pelas turbinas eólicas à medida que elas giram. Ele pode detectar alterações desses sons que indiquem uma pá quebrada e avisar o operador da turbina por meio de uma rede CubeSat. Com isso, a pá pode ser consertada com muito mais rapidez e eficiência.

CubeStats são instalados no adaptador de estágios Orion, que será lançado pelo foguete Artemis 1CubeStats são instalados no adaptador de estágios Orion, que será lançado pelo foguete Artemis 1 – Nasa

A maioria dos minissatélites CubeSat olha em direção à Terra, mas alguns deles estão apontados para as estrelas.

Em 2018, A Nasa lançou os primeiros CubeSats no espaço sideral. MarCO-A e B retransmitiram informações vitais da sonda Insight Lander enquanto ela descia sobre a superfície de Marte.

No ano que vem, a Nasa lançará outros 10 CubeSats no seu foguete Artemis 1. As missões incluem testes dos efeitos da radiação no espaço sideral sobre um organismo vivo e estudos sobre depósitos de água no polo sul lunar.

Eles são parte de um programa que espera, um dia, permitir que seres humanos voltem a pousar na Lua.

https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2021/12/seis-formas-como-minissatelites-do-tamanho-de-caixas-de-sapato-podem-mudar-o-mundo.shtml

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The Economist: Investimentos em startups têm crescimento inédito e se espalham pelo mundo

Há 50 anos, capital de risco financia ideias que transformam a economia global

The Economist/Estadão 01 de dezembro de 2021 

Vladimir Lenin acreditava que uma minúscula vanguarda poderia, por meio da força de vontade, aproveitar as forças históricas para transformar o funcionamento do capitalismo global. Ele estava certo. No entanto, os revolucionários não foram os barbudos bolcheviques, mas alguns milhares de investidores, a maioria sediada no Vale do Silício, administrando menos de 2% dos ativos institucionais do mundo.

Nas últimas cinco décadas, a indústria de venture capital (ou capital de risco) financiou ideias empreendedoras que transformaram os negócios globais e a economia mundial. Sete das dez maiores empresas do mundo foram apoiadas por fundos de venture capital. Esse dinheiro financiou empresas por trás de mecanismos de pesquisa, iPhones, carros elétricos e vacinas de RNAm. 

Agora, a máquina dos sonhos do capitalismo está sendo ampliada e transformada, como um inédito fluxo de US$ 450 bilhões em dinheiro novo para o setor de capital de risco. Este turbocompressor do mundo dos empreendimentos traz riscos significativos – desde os egomaníacos fundadores que torram dinheiro até fundos de pensão sendo desperdiçados em startups supervalorizadas. Mas, no longo prazo, essa máquina também promete tornar a indústria mais global, afunilando o capital de risco em uma ampla gama de negócios e tornando-o mais acessível a investidores comuns. Um maior pool de capital correndo atrás de um universo maior de ideias aumentará a competição e, provavelmente, impulsionará a inovação, levando a uma forma de capitalismo mais dinâmica.

O venture capital tem suas raízes na década de 1960 e tem sido visto como um elemento desajustado dentro do mundo financeiro. Em contraste com os investidores de Wall Street, em seus impecáveis ternos, sofisticação e mansões nos Hamptons, o venture capital prefere roupas confortáveis, “nerdismo” e vilas na Califórnia. Essa particularidade também é uma questão de ênfase intelectual. À medida que as finanças convencionais se tornaram maiores, mais quantitativas e mais preocupadas em fatiar e cortar os fluxos de caixa de empresas e ativos maduros, o venture capital permanece como uma indústria caseira, nadando contra a corrente, buscando encontrar e financiar empreendedores que ou são muito inexperientes ou muito estranhos para participar de uma reunião com sisudos banqueiros e cujas ideias ainda são muito novas para serem traduzidas em modelos financeiros.

Os resultados têm sido surpreendentes. Apesar de investir quantias relativamente modestas ao longo das décadas, os fundos de venture capital dos Estados Unidos têm empresas que valem hoje, no total, pelo menos US$ 18 trilhões. Este número reflete a vertiginosa ascensão das grandes plataformas de tecnologia, como o Google. Mais recentemente, os unicórnios (startups que valem mais de US$ 1 bilhão) apoiados por investidores de risco amadureceram em uma abundância de aberturas de capital. 

Na última década de ouro, um índice de fundos americanos de capital de risco obteve retornos anuais conjuntos de 17%. Alguns se saíram muito melhor que isso.

Esse sucesso agora está se espalhando para o setor financeiro em geral. Os lucros das empresas financiadas por fundos de venture capital estão sendo redistribuídos em novos fundos. Enquanto isso, com as taxas de juros ainda baixas, os fundos de pensão outras empresas com dinheiro em caixa têm demonstrado uma boa dose de inveja e lutam para alocar mais dinheiro em fundos dedicados ou para criar suas próprias filiais de venture capital. Até o momento, neste ano, quase US$ 600 bilhões foram aplicados em negócios – dez vezes o nível de uma década atrás. 

À medida que o dinheiro entra, o capital de risco está permeando a economia de forma mais profunda e ampla. O que antes era um assunto americano hoje é global, com 51% dos negócios (por valor) em 2021 ocorrendo fora dos EUA.

O cenário do capital de risco da China diminuiu recentemente por causa de uma repressão ao setor de tecnologia pelo presidente do país, Xi Jinping. No entanto, a indústria está crescendo no restante da Ásia e, após décadas de inatividade, a inovação está despertando na Europa, com 65 cidades recebendo unicórnios.

O boom do capital de risco tem se concentrado em um pequeno grupo de empresas de tecnologia, tais como Airbnb e Deliveroo. Agora, mais dinheiro pode financiar áreas onde a disrupção está menos avançada. Neste ano, os investimentos em energia limpa, espaço e biotecnologia foram o dobro de 2019. E o setor está se tornando mais aberto. Enquanto antes uma confortável elite de fundos detinha um raro poder, agora as principais empresas financeiras estão envolvidas e há meios que permitem aos investidores comuns obterem exposição a baixo custo. 

Riscos

 Obviamente, há perigos. Uma é que o dinheiro corrompe. Avaliações elevadas e capital abundante podem tornar empresas e seus patrocinadores autoindulgentes. Das 100 maiores empresas listadas em 2021, 54 estão no vermelho, com US$ 71 bilhões de perdas acumuladas. A governança consegue ser péssima. O Vision Fund de US$ 100 bilhões do SoftBank, que foi pioneiro na emissão de grandes cheques para startups, incitando-as a crescer mais rápido, está mergulhado em conflitos de interesse. Os fundadores saem dos trilhos. Adam Neumann, da WeWork, construiu um culto à personalidade movido a cerveja.

BolsasOperador na Bolsa de NY; fundos de venture capital dos EUA têm empresas que valem US$ 18 trilhões Foto: Spencer Platt/ AFP

Retornos

Outro perigo é que, como em qualquer classe de ativos, os retornos são diluídos à medida que o dinheiro entra. Os fundos convencionais podem descobrir que, além de ter de lidar com os famosos booms e quedas do capital de risco, os retornos de longo prazo são menores do que esperavam.

O que é monótono para os investidores ainda pode ser bom para a economia. É melhor que um dólar marginal vá para empresas iniciantes do que para um inchado mercado imobiliário ou um inundado mercado de títulos. Um crash de capital de risco desencadeado pelo aumento das taxas de juros não desestabilizaria o sistema financeiro. 

Mesmo que as empresas apoiadas pelo capital de risco queimem dinheiro de forma imprudente, grande parte dele irá para os consumidores: por exemplo, em todas aquelas viagens de carro subsidiadas e refeições entregues em casa. No mínimo, o boom aumentará a competição. O investimento de capital de risco este ano excederá o gasto total de capital e os gastos com pesquisa e desenvolvimento das cinco maiores empresas de tecnologia, que também estão sendo desencorajadas a comprar concorrentes em potencial pela ameaça de regras antitruste mais rígidas.

Recompensa

A maior recompensa seria mais inovação. É verdade que nenhuma quantia em dinheiro pode criar brilho puro. E os governos costumam financiar descobertas científicas básicas. No entanto, a oferta global de empreendedores dificilmente é fixada e muitas ideias permanecem subexploradas. O boom anterior de capital de risco mostrou investidores ampliando o horizonte de tomada de risco para áreas mais difíceis e aventureiras. À medida que o investimento de risco se espalha pelo mundo, os empreendedores fora dos EUA terão uma chance melhor de se juntar a eles. E as barreiras para a criação de novos negócios estão caindo, graças à barata computação em nuvem e ao trabalho remoto. O capital de risco visa pegar boas ideias e torná-las maiores e melhores: é justo aplicar essa lógica ao próprio setor. / TRADUÇÃO DE ANNA MARIA DALLE LUCHE

https://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,the-economist-venture-capital-capital-risco-investimentos-startups,70003913366?utm_source=estadao:app

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A nova ‘febre de Miami’, que atrai pessoas e negócios de outras regiões dos EUA e do mundo

  • Guillermo D. Olmo BBC News Mundo, Miami 18 julho 2021

Algo está acontecendo em Miami — e cada vez mais rápido.

A cidade do Sul da Flórida está atraindo pessoas e negócios de outras partes dos Estados Unidos e do mundo, se tornando também um dos novos centros de referência para muitos projetos de empreendedorismo na área de tecnologia.

As comparações com o Vale do Silício, o grande centro tecnológico da Califórnia, se tornaram comuns em artigos de jornais e no discurso de alguns políticos locais.

“Nunca vimos nada parecido antes”, diz à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, Rebecca Danta, da empresa Miami Angels, que se dedica a fazer a ponte entre sócios capitalistas interessados ​​em investir e empreendedores do setor de tecnologia em busca de financiamento para seus projetos.

Para ela, Miami está se beneficiando “da descentralização gerada pela pandemia”, que levou muitos profissionais que trabalham remotamente de estados americanos em que as restrições impostas pela pandemia de covid-19 eram mais severas a buscar um clima mais ameno, mais liberdade e menos impostos.

Em artigo publicado no jornal Miami Herald, Craig Studniky, diretor-executivo da agência imobiliária Related ISG Realty, disse que “durante anos, o sul da Flórida viu um aumento populacional de mais de 900 pessoas por dia”, mas a pandemia “agiu como o catalisador de um dos maiores aumentos na migração já vistos”.

O fenômeno se reflete no mercado imobiliário, com um aumento interanual de 39,8% nas vendas nos primeiros quatro meses de 2021, de acordo com dados da associação de corretores de imóveis da cidade.

Esse boom do mercado imobiliário é justamente o que preocupa muitos políticos e ativistas locais, que veem como isso dificulta o acesso à moradia para famílias de trabalhadores e de classe média, em uma das cidades mais desiguais dos Estados Unidos.

Mulher levanta o chapéu em Miami

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Muitos profissionais americanos que agora podem trabalhar à distância escolheram Miami para isso

 

O que está acontecendo

A cidade de Miami é um centro financeiro de referência para a América Latina e tradicionalmente recebe imigrantes procedentes dessa região — é ainda destino habitual de turistas de outras partes dos Estados Unidos, inclusive estudantes que costumam curtir Miami Beach nas férias de primavera, o chamado “spring break”.

No imaginário popular, Miami foi imortalizada na década de 1980 com a série de televisão Miami Vice, em que a dupla de policiais interpretada por Don Johnson e Philip Michael Thomas perseguia traficantes de drogas inescrupulosos a bordo de uma Ferrari conversível.

A trama da série refletia o papel da cidade como a grande lavanderia do narcotráfico continental, mas o tipo de capital econômico e humano que agora flui até aqui parece ser diferente.

“A demanda por moradia está perto de um nível recorde, à medida que mais compradores do nordeste e da costa oeste, assim como empresas financeiras e de tecnologia, se mudam para cá”, diz o relatório dos corretores de imóveis.

Delian Asparouhov

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Delian Asparouhov é um dos empreendedores que se mudou para Miami

O jovem empreendedor Delian Asparouhov é uma das caras da nova migração para Miami.

Sócio da startup espacial Varda Space Industries e da Funders Fund, ele é um dos que trocou a Califórnia pela Flórida nos últimos tempos.

“Eu morava na baía de São Francisco desde 2013, mas em abril minha namorada e eu nos mudamos para cá.”

Eles compraram um apartamento em Wynwood, uma área que por décadas foi um bairro para imigrantes e trabalhadores de baixa renda e agora é o cobiçado distrito de arte e design de Miami.

“Tenho encontros mais produtivos pessoalmente, trabalho mais, sou mais feliz, tomo mais sol, estou mais em forma, como melhor e minha namorada está mais contente. Até agora, só vantagens.”

Uma das coisas que animaram Asparouhov foi a resposta inesperada que obteve antes de se mudar. “E se levássemos o Vale do Silício para Miami?”, se perguntou.

E Francis Suarez, prefeito da cidade de Miami, respondeu: “Como posso ajudar?”

Foi um dos marcos da campanha do prefeito para transformar Miami em um novo centro de empreendedorismo tecnológico, na qual está empenhado há vários anos.

“Queremos estar na próxima onda de inovação”, disse Suarez ao jornal New York Times. O prefeito é visto nas feiras de tecnologia que acontecem com cada vez mais frequência em Miami.

Francis Suarez, prefeito de Miami

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Prefeito de Miami, Francis Suarez, quer transformar a cidade em um grande polo de investimento tecnológico

Recentemente, ele propôs aceitar o bitcoin como pagamento de impostos e usá-lo para pagar funcionários públicos, uma ideia que lhe rendeu ainda mais fãs na comunidade de entusiastas da criptomoeda.

Os esforços do prefeito parecem ter começado a dar frutos nos últimos meses, quando figuras do mundo corporativo como Carl Icahn, um dos investidores mais bem-sucedidos de Wall Street segundo a revista Forbes, e Antonio Gracias, presidente do comitê de investimentos da Tesla, se estabeleceram em Miami.

Mas a iniciativa de Suarez não é o único incentivo oficial para a migração para Miami.

A cidade também se beneficia do fato de a Flórida ser um dos nove estados do país que não cobra imposto de renda estadual, o que é um grande incentivo para pessoas físicas e jurídicas que pensam em se instalar por ali.

Rebecca Danta afirma que “embora a pandemia tenha acelerado (o processo), o que está acontecendo em Miami é algo que se busca há muito tempo”.

 

Consequências

Delian Asparouhov acredita que, no geral, “haverá um aumento no padrão de vida aqui, visto que muitas empresas contratam engenheiros de universidades locais” e “empresas de tecnologia costumam trazer muita prosperidade aonde quer que vão”.

Mas o processo pode ter outros efeitos indesejados, além do desembarque temporário de profissionais que fugiram das restrições em seus locais de origem.

Casal se beija em Miami Beach

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Enquanto restrições continuavam em outras partes dos EUA, os bares e restaurantes permaneceram abertos em Miami

Eileen Higgins, comissária do Distrito 5 do condado de Miami-Dade, que compreende o centro da cidade, diz à BBC News Mundo que “o que está acontecendo é muito preocupante”.

“A chegada das empresas de tecnologia é uma boa notícia, porque gera empregos, mas em Miami temos uma crise histórica de acesso à moradia e isso pode piorar ainda mais as coisas, dificultando muito para que famílias de trabalhadores e de classe média tenham um lugar para morar.”

A comissária propõe o uso de terras públicas para a construção de moradias sociais e destaca uma das peculiaridades do mercado imobiliário de Miami. “Muitas das casas aqui não são casas, mas contas bancárias”, diz ela, se referindo aos imóveis comprados por investidores de países latino-americanos para proteger suas economias da instabilidade em seus países de origem.

Higgins teme que Miami comece a ver o filme cujo final já é conhecido na Califórnia, onde “a revolução tecnológica levou a uma crise de moradia”, e lembra que a cidade da Flórida sofre com “altos níveis de desigualdade”, uma vez que “aqui há muita gente que vive de empregos mal remunerados”.

Afro-americano em uma rua de Miami

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Afro-americanos são um dos grupo mais prejudicados por gentrificação em Miami

A desigualdade também é um problema com conotações raciais. De acordo com um relatório da empresa Clever Real Estate e da ONG Dream Builders for Equality, a área de Miami e as regiões vizinhas de Fort Lauderdale e West Palm Beach ficaram em quarto lugar na lista de 15 concentrações urbanas americanas com a maior disparidade no valor das propriedades entre distritos com população majoritariamente negra e os demais.

Nos de maioria negra, o valor médio dos imóveis era 478% menor.

Segundo um corretor de imóveis que preferiu não se identificar, “o mercado está agora extremamente aquecido”. Há muita demanda para pouca oferta, o que incentiva os proprietários a dispensar seus inquilinos para vender os imóveis.

Foi isso que aconteceu com os moradores do estacionamento de trailers Paradise Park na área de Allapattah, que recentemente receberam um aviso de despejo porque o terreno foi vendido para uma empresa que planeja construir nele.

Davalyn Suárez, advogado que representa a associação de inquilinos, disse à rede NBC que “isso está acontecendo com muita frequência, e as moradias a preços acessíveis estão se tornando mais escassas”

“A tendência é que comprem o terreno onde estão esses trailers e construam prédios de apartamentos, que podem alugar para mais pessoas e por mais dinheiro.”

Prédios em Miami

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Preços subiram tanto que muitos apartamentos estão fora do alcance da maioria da classe média

E muitos desses terrenos onde vivem pessoas com menos recursos estão em áreas que se tornaram mais cobiçadas ​​precisamente porque não estão no litoral e são menos vulneráveis ​​à elevação do nível do mar, um problema sério que Miami enfrentará nas próximas décadas.

Rebecca Danta, da Miami Angels, acredita que o fluxo de novos moradores com maior poder aquisitivo pode ser a solução para alguns dos problemas que esse fenômeno impõe.

“Sabemos que em lugares como Nova York e a Baía de São Francisco, que tiveram um boom na economia tecnológica, isso gerou grandes diferenças de renda, e já em 2013 Miami tinha uma das maiores diferenças entre o custo de vida e a renda média. Uma das maneiras de enfrentar esse problema é gerar empregos mais bem remunerados, e o setor que faz isso é o da tecnologia.”

Seja qual for o resultado, Danta não acredita que a “febre” de viver e investir em Miami vá diminuir no curto prazo: “Veio para ficar, e Miami será um lugar relevante por muitos anos.

https://www.bbc.com/portuguese/geral-57651035

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