A explosão de ferramentas desafia os direitos autorais e abre debate sobre os limites para o uso da inteligência artificial
Por Felipe Branco Cruz – Veja – 2 jun 2023
Em abril, uma música com apenas quatro notas de piano e batida eletrônica repetitiva se tornou um hit viral com mais de 10 milhões de execuções no TikTok e 254 000 no Spotify. Heart on My Sleeve era interpretada em dueto pelas vozes dos pop stars The Weeknd e Drake — e a letra versava sobre o término do namoro do primeiro com a cantora Selena Gomez. Ela poderia ser só mais uma dentre tantas canções de dor de cotovelo que pipocam diariamente no pop. Só que os dois artistas jamais escreveram ou interpretaram a música de fato, que foi criada pelas novas ferramentas de inteligência artificial.
Dessa forma, Heart on My Sleeve logo se converteu num caso emblemático dos desafios da regulamentação da música feita por meio da IA — inovação que já tira o sono de executivos e compositores, ainda que a exploração de seu potencial esteja só engatinhando. O uso causa um misto de euforia e apreensão nas mais diversas áreas — e na música não é diferente. Seu fruto mais vistoso até agora é a recriação das vozes de estrelas vivas ou mortas. Em 2021, o cantor sul-coreano Kim Kwang-seok, falecido há 27 anos, teve seu vocal refeito por um software numa canção inédita. Mas o fenômeno explodiu de fato nos últimos meses, com o progresso das novas tecnologias de clonagem de voz e a proliferação de sites que permitem fazer experiências de forma gratuita, como Aiva, Magenta, Watson, Amper, Covers.AI e Jukebox.
O grau de fidelidade e a facilidade de copiar as vozes de grandes artistas impressionam. O sucesso fake de The Weeknd e Drake foi criado por um usuário do TikTok identificado apenas como ghostwriter977. Ele treinou um software de IA para reproduzir as vozes dos dois cantores e disseminou o resultado no streaming — sem que eles recebessem um tostão por isso. A Universal Music entrou na jogada e pediu que a canção fosse retirada do ar, mas não foi atendida de imediato por ser necessário confirmar a infração aos direitos autorais, já que se tratava de composição inteiramente original — algo inédito e surreal.
Entre os músicos e as gravadoras, a preocupação é com a monetização de canções criadas sem a autorização dos artistas. Para se ter ideia do desafio para as gravadoras, Heart on My Sleeve só foi barrada após a Universal achar uma brecha legal para tanto, alegando que a obra usava indevidamente trecho de uma música de outro produtor de seu cast. A legislação, enfim, não avança na mesma velocidade que a tecnologia: nem nos Estados Unidos há lei que assegure os direitos sobre uma voz criada virtualmente.
A prática esbarra ainda em questões éticas: é correto, afinal, recriar uma voz famosa para cantar algo que o artista talvez jamais cantaria? “Como filho da Elis Regina, acharia curioso ouvir minha mãe cantando Marília Mendonça. Mas isso jamais seria a Elis de verdade. Música é uma tradução de sentimentos, ideais e emoções humanas”, diz o produtor João Marcello Bôscoli.
Um episódio recente ilustra a bola dividida. A voz de Renato Russo foi usada para interpretar uma música sertaneja, Batom de Cereja. O espólio do artista, morto em 1996, ameaçou entrar na Justiça — e o criador da montagem a retirou do ar. No exterior, os exemplos abundam, com as vozes de Rihanna cantando Beyoncé, Frank Sinatra entoando um hit de Britney Spears, e Ariana Grande dando voz a músicas de Anitta e Pabllo Vittar. Há exemplos tocantes, como o de John Lennon cantando New, uma canção da carreira-solo de Paul McCartney.
Para além dos dilemas, a novidade é vista com bons olhos por produtores musicais, e artistas empolgam-se com o admirável mundo novo da IA. Para o engenheiro de som Carlos Freitas, que já trabalhou em gravações de João Gilberto e Tom Jobim, a ferramenta será inevitável na criação de novas músicas. “Todas as tecnologias passam por essa fase de adaptação”, diz ele. A opinião é compartilhada pelo produtor Pablo Bispo, autor de hits de Iza, Anitta e Ludmilla. “Um machado pode cortar madeira ou ferir alguém. Tudo depende do uso — e é assim com a IA”, compara.
Recentemente, o produtor americano Timbaland investiu numa startup para recriar vozes de artistas mortos e lançou uma música com o rapper Notorious B.I.G. (1972-1997). “Não tenho medo do que está acontecendo”, declarou. O DJ David Guetta também entrou na onda, ao emular a voz do rapper Eminem num show. “O futuro da música está na IA”, disse. Mas foi a cantora Grimes quem teve a iniciativa mais arrojada até agora. A ex de Elon Musk lançou seu próprio app, o Elf.Tech, liberando qualquer um para usar seus vocais em novas canções — desde que receba 50% dos lucros. Até o momento, mais de 300 músicas já foram feitas. Os robôs nunca tiveram tantas vozes — e também nunca provocaram tanto barulho.
Publicado em VEJA de 7 de junho de 2023, edição nº 2844
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Descoberta de grupo de cientistas australianos impacta pesquisas e pode levar a uma mudança de paradigma
Por Fernando Reinach – Estadão – 02/06/2023
Santiago Ramon y Cajal foi o cientista espanhol que descobriu a estrutura dos neurônios. E, por isso, ganhou oPrêmio Nobel em 1906. O cérebro de cada um de nós contém 86 bilhões de neurônios. É muito: lembre que hoje só existem 8 bilhões de seres humanos no planeta, menos de um décimo do número de neurônios no cérebro de cada um de nós. Ramon y Cajal descobriu que os neurônios estavam interligados por longos filamentos, os dendritos e axônios. Cada neurônio recebe sinais elétricos de dezenas de outros neurônios através de sinapses presentes nos dendritos e, dependendo de quanto é estimulado ou inibido por esses sinais, envia sinais elétricos para outros neurônios através de seu axônio.
Essa descoberta gerou a analogia que é usada até hoje para explicar o funcionamento do cérebro: uma gigantesca rede de interconexões elétricas entre neurônios, algo parecido com a rede elétrica ou telefônica que interliga países, cidades, casas e pontos de luz ou tomadas dentro de cada prédio. O modelo do cérebro, visto como uma rede de conexões, foi reforçado quando se descobriu que os axônios conectam, por exemplo, os olhos às regiões do cérebro que controlam a visão e também as regiões do cérebro que controlam os movimentos dos músculos.
Essa rede que conecta os 86 bilhões de neurônios entre si é chamada de conectoma e está longe de ser totalmente conhecida. Um dos objetivos dos neurocientistas é construir um mapa dessa rede, como construir um mapa de uma rede elétrica de uma cidade ou um projeto elétrico de uma casa. Por trás desse objetivo está a crença que, conhecendo o conectoma, será possível entender como nosso cérebro funciona, guarda nossas memórias ou produz nossa consciência.
Outra consequência dessa teoria é que a forma, ou geometria do cérebro, não é relevante, o importante é qual parte está ligada a que parte. É como o circuito elétrico de uma casa: o que importa é qual interruptor liga a lâmpada. Se o interruptor está do lado esquerdo ou direito de uma porta isso não é relevante para o funcionamento do sistema.
Essa semana foi publicado um estudo que mostra que esta maneira de imaginar o cérebro pode estar errada ou incompleta. Isso pode revolucionar nossa maneira de entender o cérebro, mudando nosso paradigma, de maneira semelhante à ocorrida quando a teoria da relatividade de Einstein substituiu a visão newtoniana da Física.
Mesmo sem saber os detalhes do conectoma, os cientistas conseguem estudar que partes do cérebro estão ativas ou inativas quando estamos em repouso, executando uma atividade qualquer, como ver um filme, ler um livro, andar ou falar. Isso é feito usando uma máquina de ressonância semelhante às que existem nos hospitais. Essas máquinas conseguem produzir filmes que mostram que parte do cérebro está ativa, ligada ou desligada quando o cérebro executa tarefas como as descritas acima.
Essa variação na atividade de cada região do cérebro corresponde a maior ou menor atividade dos neurônios presentes nessas regiões e se espalham pelo cérebro como se fossem ondas de atividade. A teoria clássica é que este espalhamento da atividade depende unicamente da estrutura do conectoma. Mas será que pode existir outra explicação para esse fenômeno?
Em muitos sistemas, as propriedades observadas dependem da forma do objeto, algo que a teoria do conectoma não leva em conta. Alguns exemplos são a produção do som por um tambor, a transmissão de luz em uma fibra óptica ou o movimento de correntes elétricas em diversos materiais. Em todos esses casos existe um modelo matemático, que só depende da forma (ou da geometria) do objeto, de sua composição e organização, que explica esse comportamento.
O que um grupo de cientistas australianos fez foi tentar usar esses modelos físico/matemáticos (chamados de eigenmodes) para explicar a ativação e o espalhamento da atividade dos neurônios quando o cérebro executa diferentes atividades. O sistema usado é complicado, mas basta entender que os cientistas utilizaram 10 mil desses filmes de atividade cerebral, obtidos em experimentos com pacientes, e tentaram modelar o que acontecia no cérebro usando o modelo de conectoma e o modelo dos eigenmodes. Para surpresa dos cientistas, os modelos usando os métodos de eigenmodes se mostraram capazes de simular o que ocorre no cérebro. E mais, quando comparados com modelos baseados nos conectomas, se mostraram capazes de explicar melhor o que é medido de fato no cérebro dos voluntários.
Esses resultados indicam que talvez a maneira como o cérebro funciona seja diferente do que imaginávamos até agora. Se isso se confirmar é provável que, para compreender seu funcionamento, teremos que construir modelos (talvez mais simples, talvez mais complicados) do que os imaginados pelas teorias tradicionais do conectoma.
Ainda é cedo para entender como essa descoberta vai impactar as pesquisas sobre o cérebro, mas muitas vezes na história da ciência uma mudança de paradigma pode levar os cientistas a progredir rapidamente. Isso ocorre pois o progresso estava bloqueado por um paradigma incorreto ou incompleto. Foi isso que ocorreu na astronomia quando a ideia que a Terra era o centro do universo foi substituída pela ideia que os planetas, a Terra inclusive, giram ao redor do Sol. Vamos ter de esperar, mas seguramente essa descoberta vai gerar muita discussão.
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O Brasil lidera o uso e o desenvolvimento de insumos biológicos — uma tendência que coloca o país na vanguarda da revolução verde no campo
Mariana Grilli – Exame – 25 de maio de 2023
Para praticar a agricultura regenerativa e acompanhar a agenda ESG, o agronegócio precisa equilibrar o uso dos defensivos agrícolas químicos com alternativas biológicas. Nos últimos cinco anos, esses produtos deixaram de ser uma suposta alternativa à proteção de cultivos para se tornarem assunto estratégico entre produtores, indústrias e varejo. Hoje, quase 30% da área produtiva recebe manejo com bioprodutos. Surgiram, especialmente em fazendas com alto rendimento, os mipeiros, em referência ao manejo integrado de pragas (MIP), que após medições cuidadosas da lavoura, por vezes com uso de tecnologia infravermelha, aplicam o produto certo para o ponto exato onde a saúde da plantação precisa de reforço.
Podem ser aplicados produtos biológicos e até insetos modificados geneticamente para aplacar uma praga no local. Ao final, gasta-se menos e se produz mais. O movimento não acontece à toa: companhias tradicionais buscam alternativas para a resistência que as doenças de planta criaram aos agrotóxicos. Também as varejistas de insumos estão ampliando o portfólio de biológicos na prateleira, respondendo a uma demanda crescente por parte dos agricultores. Além do quesito ambiental, os benefícios são financeiros. Trata-se de um mercado que deve triplicar até o final da década. Como em outros segmentos do agro, o Brasil está na vanguarda e tem tudo para ser dominante na fabricação e no uso de biológicos.
Atualmente, 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, mas o governo federal pretende reduzir essa dependência em 50% até 2050. Impulsionada pela eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia e pela volatilidade nos preços dos fertilizantes, a discussão sobre a diminuição da dependência de produtos sintéticos fez nascer o Plano Nacional de Fertilizantes. Vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin aponta que a dependência nas importações custa 25 bilhões de dólares anuais aos cofres brasileiros. Por isso, defende o investimento em pesquisa e tecnologia. Enquanto isso, a pesquisa de novos produtos biológicos vem ganhando peso na iniciativa privada, incluindo empresas até então dedicadas às moléculas sintéticas.
De 2018 a 2022, de acordo com a entidade CropLife Brasil, o mercado brasileiro de biodefensivos cresceu 62%, enquanto no cenário global a alta foi de 16% no período. Ao analisar a evolução da adoção entre as safras 2019/2020 e 2021/2022, o salto é ainda maior: crescimento de 219% no uso dos biológicos, segundo a consultoria S&P Global, movimentando 3,3 bilhões de reais em comercialização na temporada 2021/2022. Pela estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), isso significa que 28% do total da área plantada em 2021/2022 recebeu manejo com algum tipo de bioproduto, isto é, 85,7 milhões de hectares somando todos os tipos de culturas. Todo o restante da área produtiva é oportunidade de mercado.
Um levantamento da consultoria Fortune Business Insights constata que o mercado global de bioprodutos em 2022 foi estimado em 11,67 bilhões de dólares. Em 2029, ele deve representar 29,31 bilhões de dólares. Para chegar lá, Corey Huck, head global de biológicos da Syngenta, multinacional suíça voltada para a proteção de cultivos e biotecnologia, acredita que um dos fatores contribuintes será a sucessão familiar vista nas fazendas ao redor do mundo. “Os estudos estão avançando, estamos descobrindo as potencialidades.
A próxima geração verá outro nível de eficiência nos biológicos, terá outra percepção sobre a adoção e investirá ainda melhor nessa ciência”, afirma. Ele pondera que é preciso consistência em políticas regulatórias para cada tipo de produto, como biopesticidas e biofertilizantes. “Tem de adaptar o regulatório para incentivar o biocontrole, a aprovação, ter revisão de eficácia”, diz Huck, ao considerar que o manejo sustentável é porta de entrada para falar de outras pautas ESG no campo. Um dos avanços já conquistados, ele compara, é o tempo de aprovação dos biológicos por parte de órgãos como o Ministério da Agricultura e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Enquanto os defensivos químicos levam cerca de sete anos, a versão mais sustentável é aprovada, na média, em 36 meses.
– (Arte/Exame)
Os produtores no Brasil, na Índia e nos Estados Unidos estão entendendo mais a eficiência dos biofertilizantes, o que tem feito esse mercado se consolidar também no setor das varejistas. Resultado da fusão entre Potash Corporation of Saskatchewan e a Agrium Inc., em 2018, a Nutrien Soluções Agrícolas é uma das principais fornecedoras de fertilizantes e produtos agrícolas do mundo e há quatro anos tem contribuído para aquecer o varejo brasileiro.
“Para trabalhar significativamente no agronegócio global, é preciso estar no Brasil”, afirma Carlos Brito, CEO da Nutrien. Não por acaso, desde que chegou ao país, em 2019, a Nutrien fez oito aquisições para ampliar a presença física nos interiores. Com ampla atuação em produtos com base em nitrogênio, potássio e fosfato, as vendas dos biológicos ganharam proporção na estratégia da companhia, o que levou ao lançamento da própria linha Loveland Bio, na safra 2022/2023.
A partir disso, a empresa canadense começou a oferecer sete produtos de biocontrole focados na cultura de soja e milho e, em 2022, vendeu mais de 200.000 sacas de sementes de soja, todas tratadas com soluções biológicas exclusivas. O objetivo é multiplicar a receita e alcançar mais de 20% do portfólio de defensivos agrícolas nos próximos anos. “O Brasil tem tudo para ser visto como a agricultura mais sustentável do globo. Com investimentos em infraestrutura corretos, não existe lugar melhor para estar do que no agro”, afirma Brito ao apontar que a agricultura de precisão é uma propulsora dos biológicos.
Essa é a lógica apresentada por Konstantin Kretschun, head global do Xarvio, plataforma digital de soluções da multinacional alemã Basf. Ele diz que a demanda por bioprodutos é crescente na Europa devido à pressão política, a exemplo do Green Deal — Acordo Verde Europeu para evitar o avanço do aquecimento global. E, para não haver novas aberturas de área, a aposta é usar tecnologias e dados para que os biológicos tenham ainda mais efetividade. “Não estou convencido de que, até o começo de 2030, mudaremos para 50% ou 60% de uso dos biológicos, e sim teremos uma simbiose e uma transparência entre o uso de ambos, objetivando descarbonizar a produção”, afirma.
Everson Zin, head comercial da The Climate Corporation, pertencente à Bayer, acredita que o futuro será de uma agricultura de intensificação vertical, incluindo esse combo entre biológicos e tecnologias de manejo. Isso significa que aumentar a produtividade na mesma área exigirá insumos sustentáveis geridos à base da coleta de dados. “Vai haver uma série de tecnologias, como biológicos, biotecnologia e drones. Quando você começa a olhar a área com informações, esse vai ser o salto da produção sustentável”, diz.
A urgência de cuidar do solo já bateu à porta, e o Brasil pode ser o campo de testes de defensivos e fertilizantes biológicos para o futuro. Governo, indústria e produtores terão de trabalhar lado a lado para não deixar a oportunidade escapar.
Repórter de AgroGraduada em Jornalismo com especialização em Agronegócios pela FGV. Trabalhou como repórter na Rádio Jovem Pan e na Revista Globo Rural. É vencedora do 2° Prêmio GTPS de Jornalismo e do Prêmio Rede ILPF de Jornalismo.
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Inteligência artificial facilita criação de imagens fakes usando fotos de pessoas famosas ou anônimas e aumenta risco de fraudes e violência
Por Luciana Garbin -Estadão – 31/05/2023
Se você é daqueles que a cada dia se surpreende com alguma nova função da inteligência artificial, prepare-se para ouvir esta: por alguns poucos dólares é possível comprar na internet apps que tiram a roupa de alguém numa imagem. Gente famosa ou anônima. E aí começa o perigo.
Funciona de maneira simples. A partir da imagem de uma mulher com roupa se cria uma nova imagem da mesma pessoa sem a camiseta, o biquíni ou qualquer outra peça de roupa.
O primeiro aplicativo do tipo ficou famoso em 2019 com justamente o nome de DeepNude e logo viralizou. A tal ponto que o criador veio a público tempos depois dizendo que ia parar de vendê-lo porque “o mundo ainda não estava preparado” para ele. Também advertia que o termo de uso do aplicativo proibia a quem já o tinha adquirido de compartilhá-lo. Hahaha.
No Brasil, o chamado deep nude já tem motivado até ações na Justiça. Como a de uma mulher que começou a se relacionar com um homem que vivia terminando e voltando com a ex. Quando ele realmente resolveu ficar com a nova namorada, a ex não aceitou o fim da conturbada relação. Passou então a criar perfis falsos em redes sociais e a fazer montagens com imagens da vítima e de seu filho menor de idade. Entre elas, um deep nude, enviado a todos os seus contatos.
Outro caso envolveu uma jovem cujo ex não se conformava com o fim de um namoro de adolescência. Irritado, passou a ameaçá-la dizendo que divulgaria fotos suas nuas para a toda a família. Fotos fakes.
“No primeiro caso conseguimos uma liminar para excluir os perfis falsos, retirar os conteúdos do ar e identificar o IP da ofensora. A ação ainda está em curso”, conta a advogada Marina Affonso Silva, especialista em Direito Digital. “No segundo, a vítima ficou com medo da exposição processual e do Efeito Streisand. Então optamos por resolver tudo de forma extrajudicial.”
Efeito Streisand é o nome que se dá ao fenômeno em que se tenta ocultar ou remover algum tipo de informação e se acaba, em vez disso, por divulgá-la ainda mais. O termo vem do sobrenome da atriz e cantora americana Barbra Streisand. Em 2003, ela processou um fotógrafo e um site que disponibilizava fotos aéreas da costa da Califórnia. Alegando preocupação com a privacidade, ela pediu que a imagem de sua casa fosse retirada. Mas o caso ficou tão popular que milhares de pessoas passaram a acessar o site só para ver a propriedade.
Marina explica que a divulgação de deep nudes costuma vir de mãos dadas com o stalking. “Se a pessoa se dá a esse trabalho todo de fazer as montagens é porque quer atingir a vítima pessoalmente por algum motivo específico, seja por rejeição ou vingança.”
Especialistas dizem que os riscos podem aumentar quando a inteligência artificial facilitar a criação e o compartilhamento de vídeos pornôs ultrarrealistas. Tudo sem consentimento. Isso não é exatamente uma novidade. Mas a rapidez com que a IA tem simplificado a tarefa de atormentar a vida de alguém com alguns poucos cliques, sim. Num país onde já pesam sobre as mulheres tantos tipos de violência, o prognóstico é desanimador.
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Cada vez menos “sociais”, as redes têm implicações de uso muito maiores do que se pensa
Marcelo Vidigal M de Barros – Exame – 30 de maio de 2023 .
As redes sociais tornaram-se as principais plataformas de geração e distribuição de conteúdo, ofuscando os antigos e poderosos canais de TV, rádios e jornais. Então, não surpreende que sua influência venha chamando a atenção dos governos e da sociedade, lá fora e aqui.
Contudo, apesar de haver boas razões para essa atenção –como a necessidade de combater mentiras que incitam ódio – também há motivos ruins, como o desejo de censurar conteúdos que não agradam as lideranças do momento ou grupos de interesse organizados.
Ainda temos muito chão pela frente até encontrarmos boas soluções para a moderação de conteúdo nestas redes. E também há muito a aprender ao longo do caminho. Neste sentido, acredito ser relevante trazer neste artigo como os mecanismos de recomendação estão funcionando nas redes.
Ainda que as pessoas, em geral, tenham percebido diferenças em seus feeds, muita gente ainda não entendeu o alcance e as implicações das mudanças recentes, que se aceleraram nos últimos 12 meses. A verdade é que as mídias sociais, como conhecemos nos últimos dez anos, acabaram. E isso tem consequências que ainda estamos começando a compreender.
domínio dos algoritmos
Com o crescimento do TikTok e a mudança dos feeds do Facebook e Instagram para um modelo de recomendação baseado em algoritmos, entramos em uma nova era – na qual o conteúdo gerado por sua rede de “amigos” não está mais entre as principais recomendações do seu feed.
O algoritmo passou a privilegiar o conteúdo que entende ser mais interessante para você, e não mais o que seus amigos estão postando. Se o algoritmo identificar que você gosta de futebol, por exemplo, vai te apresentar mais vídeos com os golaços da última rodada. A novidade, porém, é que logo abaixo de um lance mágico do Messi, o algoritmo, agora, mostra um “frango” em uma pelada da periferia, postado por alguém fora de sua rede.
Neste novo padrão de recomendação, o componente “social”, isto é, o conteúdo distribuído por sua rede, perdeu importância. E esta mudança parece fazer sentido. O simples fato de seus amigos poderem distribuir conteúdo facilmente, não quer dizer que este conteúdo seja interessante para você! E neste novo modelo, temos à disposição todo o conteúdo da plataforma, e não ficamos limitados apenas à nossa rede.
O impacto para os influenciadores
Essa mudança também impacta os influenciadores e todo o modelo de negócios criado em torno deles. Quando a recomendação de conteúdos era definida apenas pela quantidade de seguidores e likes, os grandes influenciadores conquistaram o poder de definir comportamentos, influenciar nosso consumo e ganhar muito com isso.
Mas esse poder está mudando para a mão dos algoritmos, pois estes são capazes de apresentar ao usuário o conteúdo que você gosta, e não o conteúdo que seus “amigos” e influenciadores tentam vender.
Não é à toa que, em 2022, Kim Kardashian e, duas das maiores influenciadoras do mundo, apoiaram a campanha “Make Instagram Instagram again”, uma tentativa de reverter a decisão da empresa de não dar preferência para os conteúdos postados por “amigos”.
Esta é a grande mudança. E uma mudança grande, ao mesmo tempo. Migramos para uma versão das mídias sociais dominada por algoritmos e não por influenciadores. Em contraste com o modelo antigo, quando a competição era por popularidade, no novo modelo, a competição é por relevância de conteúdo. E este modelo, difundido pelo TikTok, é melhor para as plataformas: quanto maior for o match do conteúdo sugerido com o que cada um de nós gosta, maior será o nosso tempo de permanência nestas plataformas.
TikTok: apenas uma modinha dos adolescentes?
O crescimento do TikTok tem sido usualmente atribuído à rejeição da nova geração das redes mais maduras, como o Instagram. Mas esta não é a razão principal, na minha opinião. O TikTok criou um formato que tornou o consumo de vídeos mais conveniente e desenvolveu um algoritmo que entrega conteúdos mais relevante para cada usuário.
A nova geração apenas percebeu isto antes do resto de nós e aderiu rapidamente porque não tinha o mesmo custo de mudança. Não aderiu por ser apenas uma novidade, mas por ser uma novidade interessante. O Instagram percebeu que não se tratava apenas de um novo concorrente, mas de um novo modelo, tanto que reagiu e lançou o Reels para ser uma alternativa ao TikTok.
O uso dos algoritmos vai ampliar ou reduzir a polarização atual?
Com a entrada dos algoritmos na jogada, aumentou muito capacidade das plataformas de sugerir conteúdos que reforçam ainda mais a visão de mundo que as pessoas já têm. Mesmo que os otimistas defendam que algoritmos melhores poderiam identificar e barrar conteúdos impróprios ou mentirosos, acredito que boa parte deste conteúdo não teria como ser claramente enquadrado nesta categoria. Então, pelo menos no curto prazo, haverá uma ampliação dos problemas atuais de polarização e radicalização.
Ainda há muito por vir e é impossível prever todas as consequências desta mudança, mas ao entendermos melhor as primeiras implicações, podemos estar mais preparados para os desafios que, como sociedade, temos pela frente.
Colunista Marcelo é fundador membro do YPO e CEO da Sales Impact, onde lidera projetos de aceleração de vendas B2B. Ele acompanha como a tecnologia e os novos modelos de negócio estão mudando a forma como as empresas geram demanda e vendem.
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Avanços na tecnologia permitem que seguidores efetuem compras diretamente em lojas e perfis de blogueiros nas redes sociais
Por João Sorima Neto – O Globo – 28/05/2023
O influenciador Sausampaio tem quase 6 milhões de seguidores, principalmente no TikTok e no YouTube, onde mostra produtos com cupons Edilson Dantas
Um mês depois do nascimento de sua filha, Lua, os ex-BBBs Viih Tube e Eliezer — que se tornaram influenciadores digitais com milhões de seguidores após o reality —, aproveitaram o último Dia das Mães para lançar uma marca de brinquedos e acessórios infantis. O casal apresentou itens como chocalhos, mordedores e “naninhas” em seus perfis nas redes sociais, principalmente o Instagram, que somam mais de 32 milhões de seguidores. Em 24 horas, foram cerca de 30 mil pedidos e um faturamento de ao menos R$ 2 milhões em um só dia.
Acredite, a cifra não surpreende no mundo do marketing digital. Influencers estão evoluindo de meros garotos-propaganda para vendedores diretos de produtos, muitas vezes com suas marcas próprias, e faturando alto com avanços na tecnologia que permitem que seus seguidores efetuem compras diretamente em suas lojas personalizadas e perfis nas redes sociais. É o chamado social commerce.
Trata-se de um filão que cresce rápido na esteira do carisma das celebridades da internet, abrindo uma nova era no comércio eletrônico. Nesse ecossistema, há espaço tanto para os superinfluencers quanto para os nanoinfluenciadores, gente comum que não fala para milhões, mas é capaz de convencer muita gente em nichos de mercado pela internet. Grandes plataformas de e-commerce estão em busca desse tipo de vendedor digital.
Na China, as vendas em transmissões ao vivo de influenciadores nas redes sociais já representam 25% do comércio eletrônico do país. Um relatório do banco Goldman Sachs estima que a chamada economia da influência deverá dobrar de tamanho até 2027. Os recursos movimentados passarão dos atuais US$ 250 bilhões para US$ 480 bilhões, globalmente, em quatro anos.
O Brasil, cuja população é uma das mais aderentes às redes sociais, é uma das principais frentes dessa expansão, mas ainda não há dados precisos sobre quanto o social commerce já movimenta por aqui. Mas uma live feita em abril pela influenciadora Virginia Fonseca mostrou a força dessa tendência no país. Depois de uma transmissão de 13 horas nas redes sociais, ela vendeu nada menos de R$ 22 milhões em produtos de sua marca de beleza e fez questão de exibir um recibo do total de vendas nas redes. O número parece fora da realidade, mas especialistas no ramo dizem que não.
No Brasil, influenciadores encontram grande mercado para produtos recomendados — Foto: Infografia
— O potencial do Brasil é enorme, e o país poderá movimentar algo como R$ 75 bilhões com essas vendas por ano até 2028, especialmente quando os consumidores puderem fechar a compra na própria plataforma, como acontece na China — estima In Hsieh, da Chinnovation, uma aceleradora de negócios digitais entre Brasil e China, lembrando que, no país asiático, há até cursos para formar influencers com foco em vendas, conhecidos pela sigla KOL, do inglês key opinion leader (“líder de opinião-chave”).
No Brasil, as vendas dos influencers ainda não podem ser fechadas diretamente em seus perfis nas principais redes, mas isso já é possível em EUA, Reino Unido, China e alguns países do Sudeste Asiático. Essa evolução poderá aumentar ainda mais os negócios por aqui, onde os influenciadores operam links para lojas virtuais patrocinadas e cupons.
O influenciador Sausampaio — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo
Uma das vantagens do social commerce é a possibilidade de interação entre influenciador e cliente em chats, uma diferença em relação ao modelo de vendas na TV, no qual o apresentador só mostra itens, não conversa. Hsieh diz que, para converter vendas, as lives têm de oferecer entretenimento, conteúdo (instruções de uso e qualidades do produto) e algum benefício, como desconto ou frete grátis:
— Os consumidores confiam nas redes e no influenciador, principalmente se ele se posiciona como um curador e não representante das marcas.
Pequenos importam
Micro e nanoinfluenciadores acabam escalando essa tendência. É o caso de Gisele Fernandes, a Gisa, influenciadora da papelaria on-line Cícero, do Rio. Ela também é vendedora da grife Farm, e faz renda extra no social commerce. Começou a postar fotos e vídeos na pandemia pelo Instagram (onde hoje tem quase 13 mil seguidores), e o interesse pelas cadernetas e agendas surgiu. Quando um consumidor é “influenciado” por seus posts, coloca o código de identificação dela ao fechar uma compra pelo link do e-commerce que ela indica, que dá vantagens como frete grátis ou descontos. Na outra ponta, Gisa recebe comissões.
— Procuro explicar cada produto e faço postagens constantes. Num mês bom, consigo tirar até R$ 3,5 mil — conta.
Gisa vende itens de papelaria nas redes: nichos atraem marcas — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo
Um levantamento da Meta (dona de Facebook e Instagram) mostra que o Brasil tem cerca de 20 milhões de pessoas que produzem algum tipo de conteúdo digital. As redes mais focadas no social commerce são as chinesas, que já oferecem ferramentas de vendas por aqui e buscam dados sobre os hábitos dos brasileiros.
O Kwai diz que oferece o serviço de live commerce no Brasil desde 2021 e que vê a modalidade como a mais nova tendência global. Cerca de 85% dos usuários do TikTok no Brasil dizem confiar no que veem nos vídeos da rede, segundo pesquisa citada por Daniela Okuma, diretora-geral de Negócios da plataforma no país:
— O elemento de autenticidade gera engajamento e acaba desencadeando a compra.
Marca própria
Pesquisa da Accenture com dez mil internautas no mundo aponta que 59% estão mais propensos a comprar de marcas menores nas redes. A consultoria prevê que o social commerce movimentará US$ 1,2 trilhão por ano até 2025.
Nos EUA, a Amazon lançou, no fim de 2022, um aplicativo batizado de “Inspire” com recursos iguais aos do TikTok, como recursos para vídeos curtos e fotos personalizadas que podem ser usadas em lives de vendas, mas ainda não há data para a chegada ao Brasil. O Google lançou, no início do mês, a aba “Perspectives”. Quando um usuário faz uma pesquisa sobre temas como compras, viagens ou dicas de como fazer algo, o buscador oferece entre as respostas links com vídeos de influencers testando produtos no YouTube.
A Mynd, que agencia mais de 400 influencers no Brasil, abriu recentemente uma unidade só para cuidar do licenciamento de marcas de seus contratados. Entre eles está Mari Maria, que começou gravando tutoriais de maquiagem no YouTube e logo chegou a outras plataformas. Com o interesse pelos itens que mostrava, ela decidiu criar um pincel de maquiagem com sua própria marca. Atualmente, tem uma linha inteira de cosméticos, a Mari Maria Makeup, é embaixadora da marca de produtos para cabelo Hair Care OX e ainda apresenta de sabão em pó a biscoito.
Mari Maria, fenômeno entre os perfis voltados para beleza nas redes, vende sua própria marca de cosméticos — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo
— Atualmente, minhas redes sociais somam mais de 30 milhões de seguidores. E temos também o Instagram da marca Mari Maria, com mais de 2 milhões de interessados — diz a influencer, que tem equipe para edição de vídeos e vê a venda nas redes crescendo. — Nossos pedidos mensais triplicaram no último ano.
Saulo Sampaio, ou Sausampaio, como se identifica nas redes, trabalhava com marketing para empresas de tecnologia em 2020, quando começou a postar no TikTok. Ele já recebia muitos vídeos pelo WhatsApp e resolveu se dedicar a conteúdo para redes. Hoje, tem quase 6 milhões de seguidores, principalmente no TikTok e no YouTube, onde faz de 12 a 25 vídeos por mês.
Com faturamento mensal de R$ 75 mil, tem cinco funcionários. Seu foco agora é crescer no Instagram, onde tem “apenas” 200 mil. Ele tem sido tão procurado por marcas para vendas com cupons e lives, de banco a fabricante de biscoito, que já pensa em vender produtos com sua própria marca em áreas como alimentos e bebidas, seus principais focos, mas também roupas e óculos.
— Vejo esse segmento se profissionalizar e muitos criadores buscando produtos próprios, mas que façam sentido para seu público — observa.
Suporte técnico
No suporte tecnológico às parcerias entre marcas e influenciadores, pequenas empresas brasileiras começam a crescer. É o caso da 4Show, que surgiu para ajudar a indústria de calçados do Rio Grande do Sul em meio ao fechamento do comércio no início da pandemia, em 2020. Os fabricantes movimentaram R$ 20 milhões nas primeiras lives, e Rogério Correa, fundador e dono de uma empresa de softwares, viu no ramo uma oportunidade. Investiu R$ 2,5 milhões na 4Show, que dá suporte e consultoria a empresas interessadas em lives com influencers.
— Ainda vejo por aqui muitas empresas querendo superprodução, mas, nesse segmento, as lives são simples e podem ser feitas por pequenos influenciadores, que não têm milhões de seguidores — diz.
A Moneri, outra plataforma de gestão de social commerce, surgiu operando cashback. A pandemia a levou ao varejo nas redes. Em dois anos, já transacionou R$ 50 milhões em vendas promovidas por mais de 50 mil influenciadores e cem varejistas cadastrados. Para alguns deles, a Moneri representa em torno de 30% de suas vendas digitais.
— É um caminho irreversível, inclusive para os varejistas. Queremos crescer até cinco vezes em 2023, escalando o mercado — diz Paulo Stohler, CEO da Moneri, observando que influência vende de itens de beleza a imóveis na planta.
Para Raphael Avellar, fundador da plataforma BrandLovrs, que já levantou R$ 10 milhões em investimentos, o social commerce está mudando o relacionamento entre marcas e consumidores e como as pessoas podem ganhar dinheiro:
— Todos vão monetizar influência na internet. O que foi para poucos na última década será democratizado.
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O Dia Q terá implicações enormes para todas as empresas de internet, bancos e governos —bem como para a nossa privacidade pessoal.
E sabemos que isso um dia vai acontecer. A única questão é descobrir quando.
Instalação interativa Quantum Garden (2018), de Robin Baumgarten, que simula uma partícula quântica quando você toca em qualquer uma das 228 nascentes da obra – Divulgação
Por enquanto, os computadores quânticos, que exploram a fantasmagórica física das partículas subatômicas, continuam a ser instáveis demais para realizar operações sofisticadas por muito tempo. O computador Osprey da IBM, supostamente o computador quântico mais potente desenvolvido até hoje, tem apenas 433 qubits (ou bits quânticos), quando a maioria dos cientistas da computação considera que 1 milhão de qubits seriam necessários para concretizar o potencial da tecnologia. Talvez ainda estejamos a uma década de distância disso.
Mas em 1994 o matemático americano Peter Shor escreveu um algoritmo que, teoricamente, poderia ser executado em um computador quântico potente para decifrar o protocolo criptográfico RSA, o mais utilizado para proteger transações online. O algoritmo RSA explora o fato de que, embora seja muito fácil multiplicar dois números primos grandes, ninguém descobriu até agora uma forma eficiente de um computador clássico efetuar o cálculo inverso. Shor mostrou de que maneira um computador quântico poderia fazê-lo com relativa facilidade. Um artigo de pesquisa recente publicado na China explorou a possibilidade de uma abordagem híbrida entre a computação clássica e a quântica capaz de adiantar a chegada do Dia Q.
Empolgadas com as possibilidades de construir o primeiro computador quântico robusto e aterrorizadas com a perspectiva de ficarem em segundo lugar, as principais potências mundiais agora estão envolvidas em uma corrida para desenvolver a tecnologia.
Os computadores quânticos não só podem ser utilizados para decifrar os métodos de criptografia existentes, como também poderão ser usados para proteger as comunicações em um mundo quântico —e governos, empresas e o setor de capital para empreendimentos vêm investindo fortemente com o objetivo de comercializar a tecnologia.
Mas como é que a computação quântica funciona, na verdade?
Para compreender a resposta, primeiro é necessário compreender o funcionamento de um computador clássico.
A unidade básica da computação clássica é um bit, que pode estar em um de dois estados binários: desligado ou ligado, frequentemente descritos como 0 ou 1.
Uma sequência de oito bits é conhecida como um “byte”, que pode armazenar muito mais dados do que um bit.
Embora cada bit individual contenha apenas dois valores, um byte completo contém 256 combinações únicas.
São combinações suficientes para codificar todos os caracteres do alfabeto latino, utilizando um sistema chamado ASCII.
Uma codificação mais moderna, chamada “Unicode”, utiliza grupos de até quatro bytes —o suficiente para cobrir tudo, de emojis a caracteres do idioma tâmil e de muitos outros idiomas baseados em caracteres, com apenas uma fracção das suas mais de 1 milhão de combinações utilizáveis.
Mas basta um bit ⬤ não confiável para alterar completamente o valor de uma letra, senha ou cálculo.
Para que os complexos sistemas de computação construídos com base nesses bits funcionem, a confiabilidade tem prioridade sobre todo o resto.
Também podemos utilizar bits para resolver problemas tangíveis.
Por exemplo, imagine um labirinto em que o objetivo é chegar ao centro ⬤ usando o caminho mais curto possível.
Usando um computador clássico, cada interseção ao longo do caminho se torna uma decisão binária correspondente a um bit, com 1 e 0 a representar viradas em direções opostas.
Dessa forma, podemos pensar em cada combinação de bits como um conjunto de direções para cruzar o labirinto.
Inverta um bit para mudar a direção.
Alguns desses caminhos vão se sobrepor e outros podem conduzir a becos sem saída, mas ao trabalharmos em cada combinação de viradas temos a capacidade de por fim encontrar o caminho mais curto até o centro.
No entanto, há uma característica fundamental de um problema como esse: para termos certeza quanto a uma resposta, é preciso analisar cada combinação possível de viradas, e só podemos verificar uma delas de cada vez (lembre-se de que os oito bits têm 256 combinações).
E embora encontrar o caminho por um labirinto simples possa não levar muito tempo nos computadores modernos, imagine se o nosso labirinto fosse muito maior, com cada virada duplicando o número de combinações.
E já que quase sempre será mais simples acrescentar viradas adicionais a um labirinto, ou dígitos a um número, do que construir um computador mais potente, se quisermos conceber um problema para desacelerar ou “travar” um computador, isso normalmente será possível.
Esse é o tipo de quebra-cabeça que as máquinas quânticas poderiam resolver de uma forma radicalmente mais eficaz.
Em relação aos computadores clássicos, são excelentes para problemas em que é difícil encontrar todas as respostas potenciais (todos os 256 percursos e as viradas do labirinto), mas é fácil verificar se estão corretos (comparando os comprimentos de todos esses percursos).
Em um computador quântico, nossos bits são substituídos por bits quânticos, ou qubits. Estes existem naquilo que chamamos de um estado quântico, no qual, até serem medidos, podem ser considerados simultaneamente como “ligados” e “desligados”.
Se os nossos bits fossem moedas, pense nos qubits como aquelas mesmas moedas, mas no ar, depois de lançadas em um cara ou coroa. Em determinado momento, elas cairão com um dos lados para cima, mas enquanto estão no ar têm alguma probabilidade de ser uma ou outra coisa. Na computação quântica, esse estado em que “a moeda está no ar” é conhecido como “sobreposição”.
Enquanto cada qubit se encontra neste estado, o computador quântico pode ser considerado como percorrendo cada percurso do labirinto simultaneamente, em vez de um caminho de cada vez.
Assim que os qubits são medidos, teremos estabelecido um percurso, mas a probabilidade de que seja o correto não é maior do que a de um percurso escolhido ao acaso.
No entanto, enquanto o computador está no estado quântico, os qubits podem ser dispostos de forma a maximizar a possibilidade de encontrar a resposta correta. A matemática que embasa essas disposições é conhecida como “algoritmos quânticos” e é a magia complicada que está no cerne da computação quântica.
A tarefa normalmente demorada de encontrar todos os percursos possíveis deixa de sê-lo, em uma máquina quântica —e, tendo em conta todos os percursos, verificar qual é o mais curto é relativamente fácil, com o algoritmo certo.
Depois de termos empurrado a máquina na direção da resposta correta, podemos agora obter o caminho mais rápido para o centro do labirinto quando por fim medirmos o estado da máquina.
Pelo menos, é assim que deveria funcionar
Na realidade, há uma série de questões que separam os computadores quânticos atuais das futuras versões que poderão resolver de forma confiável os problemas com que os computadores clássicos têm dificuldades.
O maior desafio é manter os qubits em uma posição estável por tempo suficiente para que possam ser utilizados. Os qubits são constituídos por partículas subatômicas notoriamente frágeis em estados quânticos delicados que podem ser facilmente perturbados.
Qualquer interação com o ambiente circundante —pequenas quantidades de calor, sinais eletrônicos, campos magnéticos e até raios cósmicos— pode afetar o estado dos qubits.
Timothy Spiller, diretor do Centro de Comunicações Quânticas no Conselho de Pesquisa de Engenharia e Ciências Físicas, explica que esse “ruído externo” oculta o que se passa na máquina quântica e torna extremamente difícil medir a resposta correta. “Se tivermos um sinal e o ruído se tornar comparável a ele, simplesmente perdemos o sinal. Ele termina por submergir no ruído de fundo. E isso se aplica ao caso quântico… perde-se o refinamento”.
É necessária alguma interação com o ambiente, já que precisamos medir os qubits para obter uma resposta. Mas esse envolvimento externo cria problemas de confiabilidade. É por isso que a maior parte dos protótipos de computadores quânticos funciona em uma câmara criogênica, pouco acima do zero absoluto de temperatura. Resfriada a menos 273 graus Celsius, a câmara é mais fria do que o espaço sideral.
Esta perda de coerência quântica, conhecida como “decoerência”, tem sido comparada à dificuldade de controlar uma longa fila de gatinhos distraídos e impedi-los de se dispersar em todas as direções.
E lembre-se, basta um pequeno problema de confiabilidade para alterar totalmente o valor de um byte completo ou introduzir erros em um sistema.
O ruído do ambiente circundante limita severamente o tempo que os computadores quânticos podem permanecer em estado quântico. E esse período —frequentemente medido em microssegundos— pode não ser suficientemente longo para executar um algoritmo quântico.
É por isso que essas máquinas barulhentas e extremamente sofisticadas —do tamanho de um barril de petróleo— são necessárias para alojar apenas algumas centenas de qubits.
Apesar de o processador em si ser apenas uma pequena parte da máquina.
A grande maioria da máquina é dedicada a manter os qubits tão isolados quanto possível, para manter um estado quântico durante o maior tempo possível e minimizar os erros.
Mesmo as tecnologias quânticas rudimentares de que dispomos atualmente podem ajudar as empresas a otimizar suas operações logísticas ou permitir que médicos monitorem a atividade cerebral de crianças doentes, como acontece no porto de Los Angeles e em um hospital de Toronto, respectivamente.
Mas um mundo totalmente novo de possibilidades vai se abrir se os pesquisadores conseguirem desenvolver computadores quânticos robustos e livres de erros.
A corrida ao desenvolvimento desta tecnologia é motivada tanto pela perspectiva de ganhos comerciais quanto pela rivalidade geopolítica entre as grandes potências. Diversas das maiores empresas de tecnologia do planeta, entre as quais Google, IBM, Microsoft e Honeywell, vêm investindo fortemente na computação quântica, e o mesmo vale para um pequeno exército de startups.
Apesar da recessão geral do setor tecnológico, os investidores despejaram um montante recorde de US$ 2,35 bilhões em empresas iniciantes de computação quântica, no ano passado, de acordo com dados compilados pela consultoria de gestão McKinsey. Grande parte da atenção dos investidores se concentrou na computação, comunicações e sensoriamento quântico.
Muitos governos consideram a tecnologia quântica um imperativo estratégico e estão aumentando seus gastos com pesquisa e desenvolvimento. No ano passado, os Estados Unidos destinaram US$ 1,8 bilhão adicional a isso e a União Europeia prometeu novas verbas em valor de US$ 1,2 bilhão. Em março, o Reino Unido lançou um programa de dez anos para investir 2,5 bilhões de libras. Mas esses esforços são ofuscados pela China, que anunciou investimentos totais de US$ 15,3 bilhões até o momento.
A primeira empresa que conseguir desenvolver um computador quântico confiável poderá gerar bilhões de receitas. A McKinsey estima que as quatro indústrias mais afetadas pelo desenvolvimento da computação quântica —automobilística, química, serviços financeiros e ciências biológicas— poderão ganhar US$ 1,3 trilhão em valor até 2035.
A tecnologia quântica poderá nos ajudar a inventar novos materiais e medicamentos, a desenvolver estratégias de negociação financeira mais inteligentes e a criar novos métodos de comunicação seguros. “A perspectiva da computação quântica abre áreas tecnológicas totalmente novas”, afirma David Cowan, sócio da Bessemer Venture Partners, uma empresa de capital para empreendimentos sediada em São Francisco. “Podemos desbloquear soluções que, no passado, nem sequer poderíamos sonhar em conseguir”.
Além de serem atraídos pelas possibilidades econômicas, os governos estão preocupados com as implicações de segurança do desenvolvimento dos computadores quânticos. Hoje, o método mais comum utilizado para proteger todos os nossos dados digitais se baseia no algoritmo RSA, que é vulnerável a ser decifrado por uma máquina quântica.
O método de criptografia RSA se baseia na imensa dificuldade de fatorizar o produto de dois números primos grandes.
Imagine que lhe sejam dados dois baldes de tinta, um com um tom de ⬤ vermelho e o outro com um tom de ⬤ azul.
Se alguém perguntasse qual a tonalidade exata de ⬤ púrpura que as tintas produziriam quando misturadas uniformemente, talvez não fosse muito difícil descobrir a resposta.
Mas e se começássemos pelo púrpura e nos pedissem para descobrir os tons exatos de vermelho e azul que foram utilizados para criá-lo? Muito mais difícil.
Esse tipo de problema é conhecido como uma “função alçapão” —fácil de calcular em uma direção, mas muito difícil de calcular no sentido inverso.
Agora imagine que, em vez de cores de tinta, estivéssemos trabalhando com números primos muito grandes —muito maiores, e causadores de dores de cabeça muito mais fortes, do que os usados aqui. É fácil multiplicar dois números…
….mas descobrir os números originais com base apenas no resultado da multiplicação é muito difícil de fazer, mesmo para computadores poderosos. Essa complicada operação reversa é conhecida como fatorização de números primos e embasa um sistema de criptografia, chamado RSA, usado amplamente na internet.
Em 1991, a RSA Laboratories, uma empresa de segurança cujos fundadores criaram esse método criptográfico amplamente utilizado, ofereceu recompensas em dinheiro a quem conseguisse fatorizar eficientemente números semiprimos muito grandes, o que significa números que têm exatamente dois fatores primos.
O menor deles era mais ou menos assim.
Este número ⬤, chamado RSA-100 pelos seus cem dígitos decimais, foi fatorado em poucos dias em 1991.
Outros, com até 250 dígitos, foram calculados nos anos seguintes, mas mais de metade dos números propostos para o desafio nunca foram resolvidos.
Tal como o nosso labirinto, esse é um problema que se torna mais difícil para os ⬤ computadores tradicionais à medida que o número de viradas (ou dígitos, neste caso) aumenta.
Mas, também como acontece em nosso labirinto, com o algoritmo quântico correto pouco importa se adicionarmos mais viradas ou mais dígitos. E quanto ao problema da fatorização de números primos, é aí que entra o algoritmo de ⬤ Shor.
Shor afirma que os computadores quânticos “de brinquedo” que temos hoje não são suficientemente confiáveis para executar o seu algoritmo. Serão necessários vários avanços conceituais e um enorme esforço de engenharia antes de podermos ampliar a escala dos computadores quânticos até o milhão de qubits necessários.
Qual é o melhor palpite dele sobre quando isso poderia acontecer? “Eu calcularia que dentro de 20 e 40 anos”, diz. Mas o matemático não exclui a possibilidade de os desafios de física se revelarem difíceis demais e de nunca conseguirmos construir computadores quânticos viáveis. Shor, que trabalhou como professor de matemática no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) durante 20 anos, também publicou poesia sobre computação quântica.
“Os melhores computadores quânticos atuais, produzidos em países como a China e pelo Google, são capazes de realizar cerca de cem operações antes de falharem”, explica Steve Brierley, fundador e presidente-executivo da Riverlane —uma empresa que desenvolve sistemas operacionais para computadores quânticos. “Para implementar o algoritmo de Shor, seria necessário algo como 1 trilhão de operações quânticas antes de falhar.”
Os processadores quânticos vêm crescendo em ritmo exponencial, mas ainda estão longe da escala necessária para executar o algoritmo de Shor.
Mas os pesquisadores estão empregando todo tipo de técnicas engenhosas para superar esses desafios. “As descobertas científicas nem sempre acontecem em um tempo previsível. Mas estamos pensando em anos, e não décadas, para esse nível de inovação”, diz Julie Love, líder de produto para a computação quântica na Microsoft.
Há diversos anos o governo dos EUA está preparando planos para um mundo quântico e vem organizando concursos para encontrar os protocolos de comunicação mais seguros para o futuro e evitar a ameaça do Dia Q. O Instituto Nacional de Normas e Tecnologia dos Estados Unidos está aprovando novos sistemas de criptografia —baseados em outros problemas que não a fatorização— seguros tanto para os computadores quânticos quanto para os clássicos. “É realmente uma corrida entre os computadores quânticos e a solução —que envolve deixar de usar o RSA”, diz Brierley.
Mas sejam quais forem os novos protocolos de segurança enfim aprovados, serão necessários anos para que os governos, os bancos e as empresas de internet os implementem. É por isso que muitos especialistas em segurança defendem que todas as empresas que tenham dados sensíveis precisam se preparar já para o Dia Q.
No entanto, os obstáculos ao desenvolvimento de computadores quânticos de 1 milhão de qubits continuam a ser assustadores, e alguns investidores do setor privado preveem um “inverno quântico”, à medida que perdem a fé na rapidez com que uma vantagem quântica possa ser obtida.
Mesmo que o investimento do setor privado caia, a escalada da rivalidade geopolítica entre os Estados Unidos e a China dará um impulso adicional ao desenvolvimento do primeiro computador quântico robusto do planeta. Nem Washington nem Pequim querem ficar em segundo lugar nessa corrida.
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A tentativa do governo de trazer de volta o ‘carro popular’ reacende um velho debate: Por que o carro custa tão caro no Brasil? Afinal, quem é o vilão?
Por Daniel Cristóvão, Valor 27/05/2023
A tentativa do governo de trazer de volta o “carro popular” com osincentivos fiscais prometidos na última quinta-feira (25) para carros de até R$ 120 mil reacende um velho debate: Por que o carro custa tão caro no Brasil? Afinal, quem é o vilão?
Um levantamento realizado pela consultoria automotiva Jato Dynamics mostra que o preço médio dos carros médios vendidos no Brasil em abril de 2023 foi de R$ 140,3 mil, mais que o dobro de 2017, seis anos atrás, quando o tíquete médio dos automóveis comercializados foi de R$ 70,8 mil.
No mesmo estudo, a Jato Dynamics revela que o brasileiro que ganha um salário mínimo – que hoje é de R$ 1.320 – precisa trabalhar 4 anos e 5 meses (53 meses sem gastar um centavo do salário) para comprar o carro mais barato vendido por aqui, o Renault Kiwd ou o Fiat Mobi – que custam a partir de R$ 68.990.
Em 2017, por exemplo, o carro mais barato no Brasil era o Chery QQ, que custava R$ 26.690 ou 28 salários mínimos da época (R$ 954) contra os 53 necessários de hoje. E aqui temos a primeira razão: a perda do poder de compra.
Impostos e ‘custo Brasil’
Se perguntar para qualquer brasileiro que sonha em comprar um carro zero qual a principal razão de um carro ser tão caro ele deverá responder: a carga tributária!
E não está errado. Osimpostos representam de 30% a 50% do valor de um carro novo. Se o veículo for importado, pior. Neste caso, o valor dos tributos pode ultrapassar os 60% do valor final. Tanto que o governo anunciou que pretende fazer uma desoneração (que ainda não é oficial) para baixar o preço dos carros produzidos no país que custam até R$ 120 mil.
Ainda não é oficial pois carece da avaliação do Ministério da Economia – falta calcular quanto o governo vai perder de arrecadação com as medidas e definir o prazo para a renúncia fiscal valer – e da edição de uma Medida Provisória que regulamente estes descontos nos tributos e que deve ser publicada até o começo de junho.
Milad Kalume Neto, diretor de desenvolvimento de negócios da Jato Dynamics do Brasil bota na conta do carro caro por aqui também o chamado “custo Brasil”, que vai além dos impostos. Além dos tributos, a infraestrutura e a logística, por exemplo. “O custo para produzir um carro aqui é maior em relação a outros mercados“.
“O Brasil é um país de dimensões continentais e o transporte de mercadorias é feito majoritariamente por estradas e o custo deste transporte (frete) ajuda a encarecer o produto. Combustíveis caros, estradas ruins… e tem ainda os encargos trabalhistas que não existem em outros países, por exemplo.”
Como base de comparação vamos usar três carros vendidos no México e no Brasil, o Renault Kwid, o Volkswagen Nivus e o Toyota Corola Cross. Nos três casos, a diferença de preços do carro no Brasil e no México é grande. No Brasil, os três modelos custam entre 27% e 59% a mais do que no México. Veja o quadro abaixo.
Comparação de preços entre carros vendidos no Brasil e no México
Veículo
Preço no Brasil
Preço no México (pesos mexicanos)
Preço no México (em reais*)
Diferença (em reais)
% mais caro no Brasil
Renault Kwid
68.990,00
230.100,00
46.130,71
22.859,29
50%
Volkswagen Nivus
127.390,00
499.990,00
100.238,57
27.151,43
27%
Toyota Corolla Cross
159.890,00
500.900,00
100.421,01
59.468,99
59%
*câmbio de: 4,988
Fonte: Jato Dynamics
No México é cobrado um imposto único, o IVA, cuja alíquota é de 16%. No Brasil, os impostos que estão na conta de um carro zero são: IPI, ICMS e PIS/Cofins.
E depois que compra o veículo, o dono ainda precisa arcar com o IPVA, que é anual e pode variar de 2% a 4% do valor do veículo dependendo do Estado.
Inflação oficial + crise de semicondutores = Inflação do automóvel
A segunda é a velha conhecida inflação. De 2017 para cá, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – inflação oficial do País medida pelo IBGE – acumula alta de 39,25% (de janeiro de 2017 a abril de 2023). Mas essa é a inflação geral, que procura medir uma cesta de compras do brasileiro. A “inflação dos carros” foi muito maior.
Como a base de comparação é o ano de 2017, vamos usar o preço do Renault Kwid que naquele ano custava R$ 29.990. Hoje, o carro mais barato do país ao lado do Fiat Mobi, o Kwid custa R$ 68.990 na sua versão Zen. Um aumento de 137% no valor, contra os 39,25% de inflação no mesmo período.
Se fosse corrigido somente pela inflação oficial, o preço do carro de entrada da Renault deveria ser de R$ 41.579 e não os quase R$ 70 mil que custa atualmente. Ou seja, há uma diferença considerável entre o valor corrigido pela inflação e o valor cobrado atualmente: R$ 27.410.
O estudo da Jato comprova que o preço de venda dos veículos no Brasil cresceu muito acima da inflação oficial. O valor médio de um carro zero era de R$ 70,8 mil em 2017 e pulou para R$ 140,3 mil em abril de 2023 – 98% a mais contra uma inflação de 39%. Por quê?
Pós-pandemia
Para explicar esta diferença de inflação oficial e do automóvel, Kalume Neto, da Jato Dynamics, lembra que o maior aumento aconteceu nopós-pandemia, quando os fabricantes tiveram de lidar com paralisações devido ao lockdown provocado pela covid-19 e pela falta de peças, principalmente de semicondutores.
“A pandemia causou uma crise na cadeia de suprimentos da indústria automotiva e o aumento nos preços dos carros foi global. Com a crise dos semicondutores, em especial, os fabricantes se viram obrigados a escolher onde colocar os poucos chips que tinham disponíveis. Com 20 carros para montar e só 10 chips disponíveis, por exemplo, colocaram nos carros mais caros. Com isso, os carros de entrada saíram de cena e a indústria apostou em veículos com maior margem de lucro, como os SUVs.”
Kalume Neto soma ainda a desvalorização do real no período – que impacta no preço final do veículo (suprimentos e logística) – para explicar o aumento de preços no Brasil nos últimos anos. Outro fator apontado por ele é cultural. “No Brasil, carro é sinônimo de status, independentemente da classe social. Se tem demanda no valor que está sendo praticado, o preço não vai baixar.”
O salário mínimo, por sua vez, segue acompanhando a inflação, pelo menos de 2017 pra cá. Hoje é de 1.320 e, se acompanhasse o mesmo acumulado do IPCA desde janeiro de 2017 – que usamos para corrigir o valor do carro – ele deveria ser de R$ 1.328,41.
Carros zero mais baratos do Brasil em 2017
Chery QQ Smile – R$ 26.690
Renault Kwid Life – R$ 29.990
Fiat Mobi Easy – R$ 34.210
Carros zero mais baratos do Brasil em 2023
Renault Kwid Zen e Fiat Mobi Like – R$ 68.990
Citroën C3 Live – R$ 72.990
Fiat Argo – R$ 78.590
Carros com mais itens e consumidor mais exigente
Mesmo sendo os mais baratos do Brasil, Fiat Mobi e Renault Kwid não são os mais vendidos.
Em abril de 2023, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), os dois estão em 8º e 11º lugares, respectivamente nalista dos mais emplacados no mês.
No top 3 estão: o Onix (R$ 84,390*), da GM, com 7.376 unidades emplacadas no mês passado; o Hyundai HB20 (R$ 82.890*), com 7.143 unidades, e o Polo (R$ 81.490*), da Volkswagen, com 6.063 veículos vendidos. (*preços sugeridos e divulgados nos sites dos fabricantes).
Esta exigência maior por mais conforto e itens de série também pode explicar o valor cada vez maior dos carros mais vendidos no País.
“O produto (carro) foi reposicionado, aumentando o valor e diminuindo custo. A legislação brasileira obrigou mais itens de segurança obrigatórios, com todos os carros saindo de fábrica com airbag e freios ABS de série, e isso impactou no preço“, diz Kalume.
O diretor da Jato acrescentou ainda outras exigências, como motores melhores, mais econômicos e mais ecológicos. “A indústria teve de mudar com as exigências de eficiência energética, tecnologia e conforto. E tudo isso gera custo”, explicou Kalume, lembrando que outras exigências, como o controle de estabilidade ainda estão por vir e devem encarecer os carros ainda mais.
10 carros mais vendidos no Brasil em abril de 2023* e o preço de partida deles
Onix (GM) – R$ 84,390
HB20 (Hyundai) – R$ 82.890
Polo (VW) – R$ 81.490
Argo (Fiat) – R$ 78.590
Onix Plus (GM) – R$ 96.390
Compass (Jeep) – R$ 171.754
HRV (Honda) – R$ 148.900
Mobi (Fiat) – R$ 68.990
Creta (Hyundai) – R$ 110.990
T Cross (VW) – R$ 116.550 Fonte: Fenabrave
*Não incluímos nesta tabela os veículos comerciais leves. Incluindo esta categoria, o carro mais vendido no Brasil em abril de 2023 é o Fiat Strada, que supera o Onix em mais de 675 unidades emplacadas
Brasileiros compram menos carros
Os brasileiros estão comprando menos carros, revela este estudo da Jato. Segundo a empresa, em 2022 foram vendidos mais carros para pessoas jurídicas do que para pessoas físicas. Este foi o primeiro ano em que os CNPJs superaram os CPFs na compra de carros no país. No ano passado 52,9% das vendas foram para pessoas jurídicas.
Em 2018, as vendas para pessoas físicas representavam 64,4% do total, e hoje respondem por 47,1% do total de carros vendidos. Bom, dizer que estão computadas como pessoas jurídicas no estudo da Jato os CNPJs, as vendas diretas para locadoras, as vendas para pessoas com deficiência e os frotistas, entre outras.
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O setor reinventa a forma de produzir por meio da agricultura de baixo carbono e tecnologias de ponta. Quais serão os líderes do futuro rumo à agenda ESG?
Futuro do agronegócio: da consolidação de terras às agtechs, os métodos de cultivo devem ir além da monocultura (SLC/Divulgação)
Mariana Grilli – Exame – 25 de maio de 2023
A roça do passado avançou com as gerações. Assim como o escritor aposentou a máquina de escrever, o produtor rural guardou a enxada. Os saltos de produtividade do agronegócio brasileiro nos últimos 50 anos colocaram americanos e europeus para trás. O país é hoje player relevante nos movimentos geopolíticos, seja pelas exportações, seja pela transparência sobre a origem da matéria-prima. O Hemisfério Norte nunca dependeu tanto do clima tropical para fazer chegar alimento, fibras e energia numa época de guerra e insegurança alimentar. A soja segue sendo o carro-chefe brasileiro, inegável. Mas há uma cesta cheia de produtos à disposição: algodão, café, proteína animal, suco de laranja, melão e até atemoia. Graças à ciência da agricultura tropical, desenvolvida nacionalmente, surgiram tecnologias como plantio direto, agricultura de precisão, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) — no Brasil e em países da África onde a Embrapa atua.
Fomentar a pesquisa, portanto, é investir no futuro do agronegócio. Fundações, cooperativas, multinacionais e cientistas se unem na missão de desenvolver uma agricultura de baixo carbono com alta produtividade. É preciso — ainda — mais. Universidades públicas precisam atualizar as grades curriculares para abarcar práticas como sensoriamento remoto, drones e gestão de dados em nuvem. Enquanto isso, surge um movimento de instituições de ensino privadas mirando o novo mercado de trabalho, efervescido com a digitalização do agro. Engenheiros de dados, especialistas em big data, analytics, blockchain e até pilotos de drone. Estima-se que, até 2025, haverá mais de 178.000 vagas de emprego ligadas ao agronegócio. Um mercado em ebulição, mas que exige um profissional que não fará mais do mesmo e conseguirá performar em uma agricultura da “era ESG”.
A boa notícia é que o Brasil já tem mecanismos como o PPCDAm, plano oficial para combater o desmatamento na Amazônia, e os dados gerados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No âmbito da conectividade — um gargalo crucial —, o Ministério da Agricultura e Pecuária garante que recursos para a internet rural serão liberados ainda no primeiro semestre. Conectar os rincões significa educação nas escolas rurais. Outro mecanismo já amplamente discutido é a aplicação integral da Lei do Código Florestal — lei entre as mais robustas e mundialmente reconhecidas do ponto de vista ambiental.
Recuperação de pastagens e sequestro de carbono
O agronegócio tem a faca e o queijo na mão, mas antes é preciso focar algumas questões. O próximo capítulo será construído com recuperação de pastagens degradadas, sequestro de carbono e protagonismo na agenda de redução dos gases de efeito estufa. Nesse processo, é possível profissionalizar a cadeia do cacau e outras culturas da Amazônia, como castanha e cumaru, investindo em bioeconomia da floresta. Projetos de agrofloresta e agricultura regenerativa atraem multinacionais e já garantem renda a comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas. Há muito a ser desenvolvido.
A revolução passará pela presença de jovens e mulheres no campo. Sucessores familiares iniciam uma jornada de retorno ao campo, depois de ver abrir uma leva de oportunidades ao alcance de um toque. As mulheres, que sempre estiveram nos bastidores de sítios e fazendas, passam a integrar as discussões, de igual para igual. O faturamento bruto do agronegócio brasileiro deve crescer 5% em 2023, segundo as últimas estimativas, para 1,25 trilhão de reais. Manter o ritmo demandará novas revoluções. O mundo acompanha de perto o que acontece por aqui. Nas próximas páginas, exemplos de inovações para o Brasil se manter protagonista.
Mariana Grilli
Repórter de AgroGraduada em Jornalismo com especialização em Agronegócios pela FGV. Trabalhou como repórter na Rádio Jovem Pan e na Revista Globo Rural. É vencedora do 2° Prêmio GTPS de Jornalismo e do Prêmio Rede ILPF de Jornalismo.
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O colunista Claudio Garcia escreve sobre a diferença entre intraempreendedores e empreendedores, e indica que os primeiros são responsáveis por mais de 70% das inovações
Por Claudio Garcia – Valor – 25/05/2023
Existem pequenas invenções que têm um efeito desproporcional para o mundo apesar de sua simplicidade.
O cinto de segurança de três pontos, por exemplo, reduziu em 45% o risco de mortes em acidentes de trânsito, ou seja, centenas de milhares de vidas salvas desde sua adoção apenas no Brasil. Interessante é que poucos sabem quem foi o criador dessa simples ideia, assim como não sabem quem foi o inventor do GPS, do stent (usado na medicina principalmente para desbloquear artérias), ou ainda do teste de DNA e da fibra-ótica. E mais interessantes ainda é que essas inovações, que mudaram de forma significativa uma parte da nossa realidade, aconteceram dentro de organizações. Não por meio de empreendedores.
Aliás, mais de 70% das mais relevantes inovações que mudaram nossas vidas vêm de organizações, criadas por heróis ocultos, pessoas que não pertencem ao nosso imaginário como empreendedores como Bill Gates, Elon Musk, Steve Jobs e Jeff Bezos, entre muitos outros similares a quem creditamos todas as mais interessantes invenções e negócios.
Nada contra empreendedores. Ao contrário, eles são uma parte essencial de uma nação próspera.Mas, 10 anos de excesso de liquidez de capital privilegiaram uma explosão de startups – e muita manipulação -, e ampliaram o mito da garagem, que diz que inovação acontece somente por meio de empreendedores-heróis, que sacrificaram escola, batalharam, foram contra tudo e todos para colocar inovações e negócios revolucionários de pé.
Organizações,, influenciadas por essas imagens, se estruturaram para isso. Misturaram a figura do empreendedor com a de quem inova, e de que organizações não são o espaço adequado para que essas pessoas prosperem. Visão curta e baseada em estereótipos sobre talentos que não se sustenta. Ignoram que mesmo o iPhone, que representa mais de 50% de toda a receita da mais valiosa organização do mundo, foi várias vezes bloqueado por um cético Steve Jobs. Receoso de que as grandes empresas de telecomunicações limitassem seu avanço, não acreditava que smartphones teriam um mercado grande.
Mas um grupo de intraempreendedores, engenheiros, programadores e outros profissionais talentosos, trabalhando para a Apple, iniciou o projeto do iPhone sem o conhecimento de Jobs, e sutilmente insistiram até que a ideia virasse um projeto oficial.
O perfil do intraempreendedor é bem diferente do empreendedor. Ele se situa bem em corporações. Gosta de ser parte de um time diverso e não se intimida em ter que passar por reuniões e mais reuniões para convencer pessoas, acordar compromissos, buscar e coordenar esforços de múltiplas áreas. O que para muitos é interpretado como política, para ele significa muito mais.
Intraempreendedores são motivados por levar organizações para um novo patamar – dinheiro é algo importante, mas desafios técnicos ou mercadológicos, ou ainda deixar um legado, são ainda muito mais.
Esse perfil de profissional compreende e sabe explorar o fato de que organizações são usualmente repletas de talentos, recursos, clientes e acesso a mercados, e que custam caro para empresas pequenas e empreendedores, como muitas pesquisas recentes mostram. São também beneficiados por modelos de gestão e estruturas organizacionais que os ampliam, em vez de estereotipá-los.
Para honrar muitos desses heróis ocultos: o inventor o cinto de segurança de três pontos foi um engenheiro da Volvo chamado Nils Bohlin. Apesar de patenteada, a organização decidiu tornar a invenção disponível para qualquer fabricante de veículos – aliás estava claro que esse não poderia ser um benefício só para clientes da Volvo. Exemplo de como, sem nunca sabermos, intraempreendedores afetam milhões de vidas.
Claudio Garcia é professor adjunto de gestão global na Universidade de Nova York.
Cláudio Garcia vive em Nova York onde atua como empreendedor, conselheiro de empresas e pesquisador sobre pessoas e organizações
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