Dia dos Solteiros: Alibaba fatura “dois Magalu” em poucos dias

No Dia do Solteiro, a “Black Friday” chinesa, a gigante Alibaba vendeu 56 bilhões de dólares em poucos dias

Por Carolina Riveira, Tamires Vitorio Revista Exame Publicado em: 11/11/2020

Ant Financial, divisão financeira do grupo Alibaba, entra com pedido para IPO

Alibaba: Dia dos Solteiros está sendo um sucesso para a companhia chinesa (Aly Song/File Photo/Reuters)

A semana traz mais um “Dia dos Solteiros” de sucesso para a companhia chinesa Alibaba. De acordo com a companhia, os pedidos feitos pelo e-commerce da empresa excederam 56 bilhões de dólares na manhã desta quarta-feira, 11, mesmo em meio à pandemia do coronavírus. Cerca de 16 milhões de produtos estavam com descontos — uma receita que indica um sucesso certo.

Os 56 bilhões de dólares faturados em poucos dias (ou 372,3 bilhões de iuanes) representam um aumento de cerca de 20% em relação aos 268,4 bilhões de iuanes da data no ano passado.

São números astronômicos. O Dia do Solteiro só nas contas da Alibaba rendeu 10 vezes mais que as vendas brutas do Magalu em 2020 (até setembro), 15 vezes as da B2W e 5 vezes as do Mercado Livre.

O total levado em conta pela empresa chinesa inclui os primeiros 30 minutos do evento na China na madrugada desta quarta-feira, bem como os dias anteriores à data oficial. Neste ano, a Alibaba e as varejistas chinesas ampliaram o evento para entre 1º de novembro e 11 de novembro.

“O Dia dos Solteiros cresce anualmente e é há anos a data de maior venda no mundo todo”, diz In Hsieh, fundador da consultoria Chinnovation. “Todo ano acontecem vários lançamentos de tecnologias e produtos, diferentemente do que ocorre no Brasil onde não se lança nada no Black Friday. Além obviamente da pandemia, o impacto nos negócios nos últimos meses torna a data ainda mais importante.”

Em nove meses deste ano, o Magalu vendeu 29 bilhões de reais (ou pouco mais de 5 bilhões de dólares), um recorde para o período em meio ao coronavírus e mais do que o vendido em todo o ano de 2019.

A B2W vendeu 18,54 bilhões de reais (ou mais de 3,4 bilhões de dólares). O Mercado Livre também vendeu em todos os países em que opera na América Latina o total de 14,4 bilhões de dólares no mesmo período, de janeiro a setembro.

Mesmo na comparação com a gigante americana Amazon, o Dia dos Solteiros tem números impressionantes. A Amazon não revela seu volume bruto de vendas (o chamado GMV), mas estimativas apontam para mais de 160 bilhões de dólares, sem contar este ano de 2020 em meio ao coronavírus, que deve fechar com volume ainda maior.

Assim, a Alibaba vende no Dia do Solteiro pouco mais de um quarto de tudo que a Amazon vende em um ano.

No valor das empresas na bolsa, o Dia do Solteiro equivale a quase “dois Magazine Luiza”, que é uma das maiores empresas brasileiras na bolsa e que tem um valor de mercado de 163,5 bilhões de reais (ou cerca de 30 bilhões de dólares).

O Dia dos Solteiros da Alibaba poderia ser ainda “sete B2W”, com a varejista brasileira (que também participa do Dia dos Solteiros hoje) valendo 41,6 bilhões de reais ou quase 8 bilhões de dólares.

Também é quase um Mercado Livre inteiro, que vale 60,95 bilhões de dólares e é a maior varejista da América Latina.

As comparações, é claro, não são totalmente precisas. Fatores como a transição do dólar e do iuane para o real (seguindo a cotação desta terça-feira, 10), o tamanho dos mercados e o diferente perfil das empresas tornam quase impossível comparar a Alibaba às varejistas brasileiras ou no resto do mundo.

Ainda assim, os números dão parte da dimensão da data de vendas chinesa, que bate recorde ano após ano — com ou sem crise do coronavírus.

No ano passado, a data teve um saldo de vendas equivalente a “duas Black Fridays” dos Estados Unidos, mais de 38 bilhões de dólares.

A data é celebrada hoje em razão de uma brincadeira com os quatro números 1 do dia 11 de novembro (11º mês do ano) e é mais voltada a presentes para si próprio do que para amigos e parentes, como acontece com o Natal. O Dia dos Solteiros era inicialmente comemorado em universidades e funcionava como uma resposta dos solteiros ao Dia dos Namorados. Desde 2009, ele é promovido como uma data de comemorativa de compras.

Por aqui, a empresa adaptou seu e-commerce para a realidade do brasileiro neste ano e, desde março, passou a aceitar pagamentos com cartões de crédito nacionais, bem como parcelamento em até seis vezes sem juros para compras com valor superior a 10 dólares. De lá para cá, o método de pagamento tornou-se o mais popular no Aliexpress entre “A China é o futuro do Brasil no e-commerce”, diz presidente do Aliexpress

Yan Di, ex-Baidu e atual diretor geral do AliExpress no Brasil, afirmou, em outubro, que o Brasil está entre os cinco maiores mercados da companhia no mundo e que as adaptações para fortalecer a presença no país causaram alta de 40% nas vendas de diversas categorias de produtos ligados ao dia a dia.

Para atender aos brasileiros e cumprir a promessa, feita no ano passado, de tornar o Dia do Solteiro maior do que a Black Friday, o Aliexpress passou a fretar três voos semanais que trazem encomendas para o Brasil. Com isso, os produtos comprados na China chegam às mãos dos compradores brasileiros em até 30 dias.

https://exame.com/tecnologia/dia-dos-solteiros-alibaba-fatura-dois-magalu-em-poucos-dias/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Entenda como o monopólio do Google afeta as suas buscas

Bem debaixo dos nossos narizes, o site mais usado da Internet fica cada vez pior – e agora é acusado de abusar de seu poder de dominância no mercado

 Por Geoffrey A. Fowler – The Washington Post(Estadão) 22/10/2020

Para o Departamento de Justiça dos EUA, o Google abusa de seu poder no mercado

Para o Departamento de Justiça dos EUA, o Google abusa de seu poder no mercado

Hoje, vamos usar o Google juntos. Abra uma janela do navegador da Internet e faça uma pesquisa por camisetas. Eu espero. Por acaso a primeira coisa que aparece é um resultado de busca? Não estou falando das seções chamadas Anúncios ou Mapas. Na minha tela, o resultado não está na primeira linha, nem na segunda, terceira, quarta, quinta, sexta, sétima nem na oitava linha da página. Fica enterrado na nona linha.

Antes, uma pesquisa não exigia tantas rolagens ou cliques em telas diferente. No caso de algumas buscas, parece que estamos brincando de “Onde Está Wally?” com a informação. Sem que tenhamos nos dado conta, o site mais usado da Internet tem ficado cada vez pior. Em um grande número de consultas, o Google está mais interessado em tornar as buscas lucrativas do que em oferecer a nós um produto melhor.

Há um motivo pelo qual a empresa faz isso impunemente, de acordo com recente investigação do Congresso dos EUA: o Google é grande demais. Para o Departamento de Justiça dos EUA, que abriu nesta terça-feira, 20, um processo de concorrência desleal contra a empresa, ela abusa de seu poder no mercado. Parece algo complicado de entender quando o buscador do Google é um serviço gratuito, não é mesmo? 

Mas como o suposto monopólio do Google afeta você? Hoje, 88% de todas as buscas são feitas no Google, em parte porque contratos fazem dele o provedor padrão em computadores e celulares. Mas pode ser difícil verificar a qualidade da informação do Google. Em primeiro lugar, o uso desse provedor de busca é simples, o que acaba nos cegando para seus defeitos. Em segundo lugar, não temos uma excelente alternativa para buscas amplas na web – o sistema rival da Microsoft, Bing, não tem dados suficientes para concorrer bem e esse é o problema dos monopólios na era da informação. 

Nas duas décadas mais recentes, o Google fez mudanças a conta-gotas, sem grandes reformas. Para ver como os resultados de busca mudaram, precisamos de uma máquina do tempo. A boa notícia é que nós temos uma máquina dessas.

A Wayback Machine do Internet Archive armazenou alguns resultados de buscas do Google ao longo dos anos. Olhando para o passado, surge um quadro de como o Google cada vez mais falha conosco. Há mais espaço dedicado a anúncios que parecem resultados de busca. Mais resultados começam com respostas “abreviadas” – às vezes incorretas – roubadas de outros sites. E, cada vez mais, os resultados nos direcionam para outras propriedades do Google, como o Mapas e o YouTube, onde a empresa pode nos mostrar mais anúncios e coletar mais dos nossos dados.

São muitas as situações em que o Google continua sendo extremamente útil. Acredito na empresa quando ela diz fazer mais de 3 mil melhorias por ano, como buscas com a câmera ou simplesmente cantarolar para encontrar uma canção. Mas também é verdade que o Google é capaz de rebaixar resultados melhores quando isso ajuda a gigante de buscas a ganhar dinheiro ou dar prioridade a outro de seus serviços. Ela pode agir como uma pessoa fazendo compras em seu nome e escolhendo os produtos com base naqueles que rendem a melhor comissão.

O Google discorda da minha análise. “Comparar a experiência oferecida atualmente pelo Google à qualidade do Google em 1999 é como comparar um sinal de Wi-Fi de alta velocidade à Internet discada”, respondeu por e-mail a porta-voz Lara Levin. Ela disse que é incorreto definir os resultados como links gratuitos para outros sites. “O que mudou foi nossa forma de organizar a informação, que passou a ser mais moderna, e centenas de milhares de testes realizados todos os anos nos dizem que as pessoas consideram isso útil.”

Nas próximas semanas, congressistas, autoridades reguladoras e especialistas jurídicos devem travar uma batalha em torno das nuances da lei de combate à formação de trustes. Felizmente, para ver por conta própria como o Google pensa mais no lucro do que no usuário, basta me acompanhar em três buscas esclarecedoras.

Em comparação a 2000, as pesquisas do Google por “camisetas” em 2020 exigem rolar seis vezes mais para baixo na página para encontrar um resultado não pago com link para outro site

Busca noº1: “camisetas”

O Google simplesmente não sabe escolher as melhores compras para nós. Comparei lado a lado os resultados de duas pesquisas por camisetas no Google feitas via Wayback Machine como se fossem nos anos de 2000 e 2013 com os resultados que vemos hoje em 2020. Usei sempre buscas feitas no navegador do desktop, uma vez que os resultados podem variar conforme o local, horário e plataforma. 

Sabemos que o Google tem anúncios. Mas, quando o Google nos conquistou, eram exibidos menos anúncios, geralmente destacados com um fundo colorido. Hoje, o resultado da minha busca por camisetas está enterrado embaixo de quatro anúncios e nove resultados de compras à direita. Há também um mapa gigante com links – já vamos falar da proliferação desse tipo de conteúdo.

Em relação ao observado em 2000, hoje temos que rolar a página seis vezes mais do que antes para chegar ao primeiro resultado real de um link para um site externo que não tenha pago para ser exibido.

As camisetas não são o único tipo de busca que exige uma rolagem desproporcional. O psicólogo cognitivo Pete Meyers, que analisa os resultados do Google para a empresa de marketing Moz, estudou 10 mil buscas diferentes para descobrir o quanto os links externos são empurrados para o meio da página. Em 2013, em média, o primeiro resultado real com um link externo aparecia na página na altura do pixel 375. Em 2020, esse resultado caiu para a altura do pixel 616, por causa dos anúncios e de todas as outras informações que o Google coloca na frente dos links “orgânicos” para outros sites.

A realidade é que o resultado que aparecer por cima provavelmente será o negócio mais bem-sucedido – e esse negócio terá de repassar a nós, seus clientes, o custo dos anúncios do Google que fazem com que determinada loja ou estabelecimento apareça primeiro.

É verdade que, em 2000, os resultados do Google para uma busca por camisetas nem eram muito bons – entre os cinco principais resultados estavam o site CDNow e até a página da Apple (a empresa de computadores). Mas temos que lembrar que as buscas ligadas a compras eram menos comuns em 2000. E isso não serve como desculpa para o fato de o Google dificultar tanto o acesso aos verdadeiros resultados hoje em dia.

Com uma máquina do tempo, também vemos como o Google dificulta cada vez mais a identificação dos anúncios. Ginny Marvin, editora da publicação Search Engine Land, dedicada ao segmento de buscas, acompanha há anos o que ela descreve como “mistura entre anúncios e links orgânicos”. De acordo com o arquivo dela, os primeiros anúncios tinham fundo colorido e etiquetas, sendo depois mudados para fundo branco com etiquetas coloridas. 

O Google de fato removeu em 2016 os anúncios de texto antes exibidos na lateral direita dos resultados de busca. Mas, hoje, o Google mostra até quatro anúncios no começo dos resultados de buscas feitas na plataforma desktop, usando uma pequena etiqueta preta de “anúncio” que desaparece em meio ao contexto de uma página movimentada.

Nos últimos 20 anos, o Google mudou significativamente a forma como rotula os anúncios no topo dos resultados de pesquisa

“É preciso estar muito alerta para não clicar no anúncio por engano”, foi como o site TechCrunch, do Vale do Silício, descreveu a mais nova mudança na identificação dos conteúdos por parte do Google, ocorrida no início do ano, removendo uma caixa verde em torno da palavra Anúncio e trazendo-a mais para cima. Porta-voz da empresa, Lara disse que o Google mudou o design dos resultados para “deixá-los mais claros” e apontou que, nos estudos da companhia, o novo design facilitou para as pessoas a distinção entre anúncios e resultados.

Acredite se puder, o Google também acredita que os anúncios não nos incomodam – na verdade, acha que são úteis. Lara disse: “Só temos incentivos para exibir anúncios quando esses são úteis para as pessoas”. Ela não respondeu quando perguntei qual era a proporção de consultas que agora são acompanhadas por anúncios, e nem qual o tamanho da fatia desses resultados ocupada pelos anúncios.

Se tudo que você queria era pesquisar quais são as camisetas mais populares, boa sorte. O Google está mais interessado em garantir que receba sua parte por qualquer camiseta que você acabe comprando.

Até ser mudado em setembro, é assim que o Google respondia a uma pergunta sobre “question one nevada”, uma proposta do eleitor na cédula de 2020

Busca nº 2: “question one nevada”

Esse resultado tinha um problema grave que foi corrigido pelo Google em setembro. Question One é uma iniciativa a ser votada na eleição de novembro que, se aprovada, mudaria a forma de administrar o ensino superior do estado de Nevada. Algumas semanas atrás, Elliot Anderson, ex-deputado estadual que ajudou a levar a Question One a pleito, reparou que ao buscar “question one Nevada” no Google era gerada uma caixa de texto no topo dos resultados dizendo: “Vote ‘não’ para a Question 1”.

Como diabos chegamos a um ponto em que os resultados de busca do Google dizem às pessoas como devem votar? O Google vem se afastando da descrição que seu cofundador, Larry Page, fez da missão da empresa no momento da abertura do seu capital em 2004: “tirar o usuário do Google e levá-lo ao lugar certo o mais rápido possível”. Agora, em vez de mostrar dez links externos para fontes de informação, o Google procura nos dar o que chama de respostas diretas, dizendo que são mais convenientes.

Com frequência, essa informação chega sob a forma de “trechos em destaque”, escolhidos pelo seu software e emprestados de fontes que este considera respeitáveis. Às vezes, ao fazer uma busca, queremos apenas uma resposta – principalmente quando usamos um assistente de voz

Mas quem elegeu o Google como curador definitivo do conhecimento? Nem sempre os trechos selecionados pelo Google estão corretos, como ocorreu no caso da Question One. “A informação estava correta e tinha de um site oficial, mas o trecho destacado da página representava apenas um dos lados de um tópico civil e, assim, adotamos medidas condizentes com nossas políticas relevantes para remover o trecho”, disse Lara.

(Já Anderson disse ter indicado o erro repetidas vezes com o link “enviar feedback”, mas nada aconteceu. O Google corrigiu o erro depois que este foi indicado a um funcionário do Google via Twitter.) Não é difícil encontrar exemplos de trechos estranhos escolhidos pelo Google, que às vezes recorre a fontes menos respeitáveis. Se pesquisarmos “Como verificar o saldo do vale-presente Krispy Kreme”, recebemos informações de um site que vende vales-presente, e não do site da própria rede de fast food Krispy Kreme, que contém a verdadeira resposta e um link útil.

Outras respostas diretas que simplesmente nos remetem de volta ao Google também estão empurrando os links externos cada vez mais para baixo na página. Hoje, esses resultados também podem começar com vídeos do YouTube, outras buscas sugeridas – ou, como no caso da busca por camisetas, um grande mapa do Google.

Um estudo recente realizado pela Markup, investigadora sem fins lucrativos, revelou que em 15 mil buscas populares recentes, o Google dedicou 41% da primeira página de resultados no celular ao próprio Google, incluindo seus próprios sites e respostas (Lara disse à Markup que esse estudo foi realizado com base em uma “amostragem de buscas pouco representativa”.)

Há momentos em que o mapa do Google ou um vídeo do YouTube no alto de uma pesquisa podem ser úteis. O problema é que o Google também tem um incentivo econômico para evitar que cliquemos em outras fontes externas. Como destacou a Markup, o Google obtém cinco vezes mais receita com anúncios em suas propriedades do que com os anúncios que distribui em outras plataformas.

O resultado de pesquisa do Google para pediatras começa com seu próprio mapa e três avaliações para consultórios médicos que não são necessariamente os mais bem avaliados

Busca nº 3: “pediatras arlington virgínia”

O conflito de interesses do Google pode nos levar a tomar decisões ruins. Quando pesquisamos por pediatras, a primeira coisa que o Google exibe como resultado é um grande mapa do seu Google Maps. No meu mapa, o Google identifica três consultórios. São os melhores da região, ou talvez os mais populares? Olhando atentamente, vemos que dois deles têm classificação abaixo de quatro estrelas, com menos de 20 avaliações.

Se eu rolar a página de resultados do Google e clicar no site de avaliações Zocdoc, encontro resultados de um número bem maior de pediatras, dos quais alguns têm mais de 200 avaliações – e uma classificação bem mais alta. É verdade que resenhas em sites às vezes são falsas, mas por que o Google sempre coloca seus próprios resultados em primeiro lugar?

A pesquisa por um médico é uma versão mais importante de um problema que afeta as buscas do Google por voos, traduções, restaurantes e outras informações locais. Até nossa busca por camisetas teve como resultado principal um mapa do Google mostrando lojas da região, nas quais eu não conseguiria comprar camisetas pela Internet, antes dos links para outros sites.

O termo técnico para esse fenômeno é “favorecimento” de busca. Como seria o desempenho das medíocres avaliações de médicos do Google em meio a resultados que não sejam produzidos pelo próprio Google?

O Google diz que, diariamente, as pessoas contribuem com mais de 20 milhões de avaliações para o Mapas. Ano passado eu fiz uma recomendação desse tipo depois dos apelos do meu dentista, na esperança que seu nome finalmente aparecesse nas buscas do Google.

Lara disse que os resultados do Google são “pensados para oferecer as respostas mais relevantes e significativas para uma determinada consulta em diferentes dimensões. Supor que um site com mais avaliações ou contatos seria automaticamente melhor é uma falsa premissa”.

O congresso disse que a prática do Google é perigosa, escrevendo na página 188 do seu relatório que “como resultado, são privilegiados os serviços inferiores do próprio Google em detrimento das ofertas da concorrência”.

A capacidade do Google de promover seus próprios produtos transformou silenciosamente segmentos inteiros da economia. Como escreveu recentemente minha colega Rachel Lerman, desde o lançamento de Google Flights e Google Hotels há quase dez anos, o Google passou a dominar o segmento de venda de passagens aéreas online. Não importa que a busca de passagens do Google não seja considerada a melhor, assim como ocorre com os pediatras: o serviço da empresa nem mesmo figura entre os indicados da Frommers de melhores sites para preços de passagens em 2020.

É assim que os monopólios cobram seu preço. O Google está brincando como quer com a ideia de um mecanismo de busca, garantindo que os resultados mais simples e fáceis de acessar sejam anúncios pagos ou informações que mantêm o usuário no Google. De todo modo, o Google sai vencendo – e nós somos os perdedores, mais do que nos damos conta. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

https://link.estadao.com.br/noticias/empresas,entenda-como-o-monopolio-do-google-afeta-as-suas-buscas,70003483395

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Seis especialistas em como vamos viver, trabalhar e nos divertir nas cidades após o COVID-19

Arquitetos e planejadores urbanos de Gensler, Harvard e Bloomberg Associates explicam as mudanças que ocorrerão em nossos espaços compartilhados.

POR LARA SOROKANICH Fast Company 16/06/2020

Para a série Shape of Tomorrow da Fast Company, pedimos aos líderes de negócios que compartilhem sua perspectiva interna sobre como a era COVID-19 está transformando seus setores. Aqui está o que foi perdido – e o que poderia ser ganho – na nova ordem mundial.

Janette Sadik-Khan, diretora da Bloomberg Associates e ex-comissária do NYC DOT

Esta pandemia está nos desafiando, mas também oferece uma chance única em um século de mudar o curso e desfazer alguns dos danos do tráfego, congestionamento e poluição. Trabalho com prefeitos de todo o mundo para melhorar a qualidade de vida em suas cidades, e o transporte está no centro do que estamos fazendo em resposta à crise do COVID. Há apenas 10 anos, quando eu era comissário de transporte de Nova York, fechar o tráfego de carros na Times Square para pedestres esteve na primeira página dos jornais por semanas. Agora, cidades em todo o mundo estão se voltando para ruas sem carros como parte da recuperação. Não porque seja divertido ou devido a qualquer agenda política, mas porque as ruas acessíveis são melhores para os negócios e melhores para se morar. E as mesmas coisas que tornam o ciclismo e a caminhada atraentes em uma pandemia – que são resistentes e confiáveis ​​e acessíveis e você pode estar socialmente distanciado – era verdade antes da pandemia. A pandemia pode dar às cidades uma vantagem inicial em um novo ordenamento de vias.

Milão anunciou um plano de 42 quilômetros (26 milhas) para pegar duas faixas da rua e transformá-las em calçadas estendidas e ciclovias. [Paris] A prefeita Anne Hidalgo montou uma rede de ciclovias de 450 quilômetros (cerca de 280 milhas), fechou a Rue de Rivoli e a transformou em uma zona livre de carros. Londres está avançando sob o comando do prefeito Sadiq Khan para alargar as calçadas rapidamente. Bogotá está dobrando seu programa [ciclovia]. Cerca de 50 cidades americanas criaram centenas de quilômetros de ruas flexíveis que são abertas para caminhadas e ciclismo. Acho que estamos vendo que nossas ruas são realmente uma tábua de salvação, e não apenas uma maneira de levar os carros do ponto A ao ponto B.

TEMOS TIDO UMA ORIENTAÇÃO CENTRADA NO CARRO POR GERAÇÕES E REALMENTE NÃO FUNCIONA ”

JANETTE SADIK-KHAN da BLOOMBERG ASSOCIATES

Com todo o tráfego que desapareceu, você pode ver todas as possibilidades escondidas à vista de todos: calçadas estendidas, ciclovias, faixas exclusivas para ônibus e espaços públicos. Há gerações que temos uma orientação centrada no carro e na verdade não funciona. Nunca haverá dinheiro suficiente, estacionamento suficiente, concreto, asfalto e aço suficientes. Simplesmente não há cidade suficiente para que todos possam dirigir. Muito do pecado original nas cidades é que não usamos o espaço que temos de forma eficiente. Em muitas ruas da cidade de Nova York, 90% do tráfego é de pedestres, mas eles ocupam apenas 10% do espaço da rua. Podemos redesenhar nossas ruas para que haja mais espaço para as pessoas andarem, a pé ou de bicicleta e faixas exclusivas para ônibus. Podemos fazer isso e dar nova vida às ruas da cidade, ao mesmo tempo em que mantemos o trânsito, os empregos e a economia em movimento.

As cidades mais sustentáveis ​​não serão aquelas que têm a tecnologia mais inteligente, ou estradas feitas de plástico em vez de asfalto. Elas vão ser aqueles em que você não precisa de um carro em primeiro lugar. Quando você soluciona o problema para o transporte ativo, como bicicleta e caminhada, você resolve para outras coisas, como economias locais e comunidades mais próximas e segurança pública.

Kimberly Dowdell, diretora da HOK, presidente da Organização Nacional de Arquitetos Minoritários

Parte da razão pela qual o coronavírus teve um impacto tão tremendo em alguns dos lugares mais densos, como a cidade de Nova York, não é apenas a densidade. A questão é mais sobre superlotação, e isso tem mais a ver com economia do que design. Você poderia ter um apartamento que fosse realmente destinado a uma ou duas pessoas, mas por causa das condições econômicas, três ou quatro pessoas moram lá, e isso cria um ambiente que facilita a doença em uma taxa maior. Essas são algumas das coisas que precisamos estar atentos quando pensamos sobre o planejamento de políticas daqui para frente: Como podemos criar mais oportunidades para as pessoas viverem em condições de menos superlotação? Lugares como Hong Kong são muito densos, mas não estão tendo os mesmos tipos de consequências que vemos nos EUA.

COMO CRIAMOS MAIORES OPORTUNIDADES PARA AS PESSOAS VIVEREM EM MENOS CONDIÇÕES DE SUPERLOTAÇÃO? ”

HOK’S KIMBERLY DOWDELL

Até certo ponto, precisamos examinar as políticas relativas ao zoneamento e as políticas que afetam o retorno financeiro. Quando temos um ambiente de política que permite aos construtores lucrar em locais mais espaçosos e justos, então podemos ter uma conversa mais robusta sobre soluções específicas de design.

Eu também encorajaria meus irmãos e irmãs da arquitetura a pensar além disso, a olhar para participar na comissão de planejamento, talvez até mesmo concorrendo a um cargo, sendo um diretor de planejamento, [sendo] parte da solução para aumentar a equidade em nossas comunidades, o que realmente acontece nas reuniões onde a política é feita. Em última análise, os construtores têm que fazer o que as políticas exigem que eles façam para que tenham direito à propriedade, para obter subsídio público, para realmente fazer um empreendimento. É aí que os arquitetos podem ter mais influência.

De alguma forma, em um período de 90 dias, vivenciamos como nação uma recapitulação da gripe espanhola, da Grande Depressão e do Movimento dos Direitos Civis em um período muito pequeno de tempo. Há uma lacuna de riqueza na América, onde os brancos têm 10 vezes o patrimônio líquido dos negros americanos. No momento, temos cerca de 300 milhões de pessoas morando em cidades dos EUA, mas em 2050 esse número deve chegar a 400 milhões. Então, veremos uma tonelada a mais de densidade, e os arquitetos têm um papel importante a desempenhar na forma como tudo isso é elaborado e projetado. Em 2045, prevê-se que a maioria das pessoas nos Estados Unidos seja negra. Esses 51% serão em sua maioria latino-americanos, ficando depois afro-americanos, asiáticos e outros. Estaremos em um espaço com muito mais pessoas, nas mesmas cidades, e seremos muito mais diversificados do que estamos vendo agora. Nós, como sociedade, temos a responsabilidade de resolver algumas das tensões raciais que fazem parte de nossa composição há mais de 400 anos, para que possamos ter uma situação realmente mais pacífica e harmoniosa.

Não há como projetar sua saída do COVID-19. Você pode ter todas as melhores práticas em um prédio, todas as melhores políticas em sua organização, e no momento em que alguém infectado entra e tosse ou espirra, muitas dessas coisas realmente não ajudam, se você estiver estando dentro do alcance. Temos que reconhecer que grande parte de onde precisamos focar nossa atenção agora é fazer nossas melhores determinações sobre quando é seguro convidar as pessoas a voltarem para nossos espaços.

Vejo [especialistas] fazendo projeções sobre essas mudanças massivas nos ambientes de trabalho e em outros lugares que considero exagerados. Quando a ameaça do COVID for eliminada, devemos ter muito cuidado ao promover a desdensificação [das cidades]. Seria catastrófico socialmente, financeiramente e de uma perspectiva climática – que a COVID-19 nos ensina que é inextricável de nossa saúde.

Usando desinfetante para as mãos e coisas assim, eles são absolutamente adequados agora, mas não são estratégias que recomendamos para sempre. Também vejo um risco quando empresas de administração de imóveis, designers e arquitetos dizem às pessoas: “O escritório de mais de um metro está aqui para ficar, nunca mais teremos planos de escritórios abertos”. Discordo veementemente. A China já nos mostra que, quando a ameaça for reduzida, a vida em grande parte vai voltar ao normal, o que provavelmente não é uma coisa ruim. Estratégias de longo prazo são protocolo de limpeza aprimorado, experiências sem toque, especialmente em banheiros. Devíamos absolutamente ter melhorado a ventilação na maioria de nossos edifícios, mas, se ventilássemos com a expectativa de eliminar todas as ocorrências de COVID-19, a pegada energética de nossos edifícios seria astronômica. Portanto, temos que equilibrar as considerações de saúde com as considerações de longo prazo para o planeta.

A coisa mais importante que qualquer empregador pode fazer é ter uma política que incentive as pessoas a ficarem em casa quando estiverem doentes e uma cultura para apoiá-la.

Joseph Allen, professor assistente da Escola de Saúde Pública T. H. Chan em Harvard, co-autor de Edifícios Saudáveis: Como Espaços Internos Impulsionam o Desempenho e a Produtividade

Pela primeira vez na história, todos ao redor do mundo estão reconhecendo como o ambiente interno influencia nossa saúde. No momento, o foco será nas doenças infecciosas, como deveria ser. Mas acho que vai se transformar em uma conversa sobre “o que mais está acontecendo neste prédio?” E “como este prédio promove minha saúde, a acústica, a iluminação, os produtos químicos nos móveis em que estou sentado?”

ESTAMOS EM UMA ERA DE ‘EDIFÍCIO DOENTE’ DESDE NOSSAS DECISÕES EM TORNO DA VENTILAÇÃO NA DÉCADA DE 1970 EM RESPOSTA À CRISE DE ENERGIA. ”

JOSEPH ALLEN DE HARVARD

Estivemos em uma era de “prédio doente” desde nossas decisões em torno da ventilação nos anos 70 em resposta à crise de energia, quando começamos a fechar o invólucro de nossos edifícios e bloquear o fornecimento de ar. Precisamos aumentar a quantidade de ar que entra para diluir os contaminantes transportados pelo ar. As escolas são cronicamente sub-ventiladas. A maioria dos edifícios está atendendo a esse padrão mínimo de ventilação. Isso precisa mudar.

Sabemos que maiores taxas de ventilação estão associadas a menor transmissão de doenças infecciosas, melhor desempenho cognitivo e menor absenteísmo do trabalhador. Portanto, a proposta de valor já está lá. No momento, as decisões de construção são em grande parte do lado das instalações, e seu mandato gira em torno de energia, não necessariamente saúde e desempenho dos trabalhadores. Um CEO pode ter uma visão muito diferente disso, porque em toda a empresa, ele vê esses benefícios.

Uma em cada três mortes [relacionadas ao COVID-19] nos EUA está associada a pessoas em lares de idosos. Nove dos dez maiores aglomerados estão em frigoríficos ou prisões. Pessoas em comunidades de baixa renda têm 10 vezes mais probabilidade de ter COVID. Precisamos começar a usar esses novos dados para ser mais direcionados e apoiar os lugares e as pessoas mais afetadas. Temos que começar a fornecer esse suporte de precisão. Temos a responsabilidade de ajudar os mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, ajuda toda a população, porque você começa a conter esses eventos ou locais que podem levar a mais surtos.

Andy Cohen, co-CEO da Gensler

Estamos trabalhando em vários escritórios agora. Temos 10.000 clientes em todo o mundo, e todos eles vêm até nós dizendo: “Como é o primeiro dia no escritório?” Temos diretrizes que falam sobre o que você pode fazer para transformar seu espaço.

Uma grande mudança é usar a tecnologia para criar um ambiente sem contato e atrito. [Além de] decalques no chão e separação de assentos, divisórias entre mesas, estamos falando de digitalização biométrica, reconhecimento facial, para que você não precise tocar em nada para entrar ou sair. Ele reconhece quem você é e [então] você pode utilizar um espaço. Estamos falando sobre reconhecimento de voz em espaços, de modo que, quando você entrar em um elevador, você apenas diga: “Estou indo para o 412” e não precisa pressionar um botão. Estamos falando sobre tecnologia de gestos, como o que você vê em banheiros com saboneteiras, para que você possa mover as mãos e não ter que tocar nas portas para abrir as coisas.

Estamos [também] falando muito sobre filtragem de ar e uso do ar externo, garantindo que nossos edifícios sejam saudáveis. Estamos falando sobre exibições em lobbies. Quando você entrar em um espaço, haverá uma triagem centralizada ou área de monitoramento. Estamos falando sobre protocolos de limpeza significativos em espaços e o uso de materiais que são facilmente limpáveis. Tecnologia, saúde e bem-estar e ventilação são as três áreas principais que estão surgindo continuamente.

Thomas Woltz, proprietário, arquitetos paisagistas Nelson Byrd Woltz

Antes da pandemia eu ficava na estrada por volta da metade do ano, indo para canteiros de obras, reuniões, palestras, todas aquelas viagens. Agora, essas horas são horas produtivas de design: estou desenhando mais do que antes, em um diálogo individual com minha equipe e meus clientes. Qualquer pessoa pode entrar em contato comigo a qualquer hora. É um verdadeiro prazer estar prestando mais e melhores serviços, embora seja remoto.

Os acontecimentos de dois meses abalam você, mas não impede algo que era para ser um projeto de longo prazo e durar 100 ou 200 anos. Estamos respondendo às preocupações de nossos clientes agora, olhando anfiteatros, espaços de reunião, esplanadas como cafés ao ar livre, esse tipo de coisa. Estamos modelando sua capacidade com ou sem distanciamento social, criando espaços que podem acomodar a inserção de bancos, cadeiras, mesas e elementos mais flexíveis para se contrair ou crescer dependendo do que está acontecendo. Queremos criar espaços que tenham durabilidade pelos próximos 100 anos.

HÁ ALGO SAUDÁVEL QUE ACONTECE COM UMA COMUNIDADE QUANDO TRABALHAMOS JUNTOS NO ESPAÇO CÍVICO. PRECISAMOS ESTES ESPAÇOS PÚBLICOS. ”

THOMAS WOLTZ, PROPRIETÁRIO, NELSON BYRD WOLTZ

Eu me preocupo com as organizações sem fins lucrativos menores, administradas por pessoas incrivelmente brilhantes e apaixonadas, fazendas educacionais e paisagens históricas, que dependem de doadores. Eles não têm dólares cívicos ou impostos como parques nas cidades, mas são muito importantes culturalmente. E de forma mais ampla, me preocupo em perder os ganhos que tivemos nas últimas décadas em maior densidade e no senso de comunidade que vi crescer nas cidades em que trabalhamos. Tenho medo de perdermos esses ganhos em sustentabilidade vivendo de uma maneira mais espalhada, evitando o transporte público, evitando a aglomeração. Algo saudável acontece a uma comunidade quando trabalhamos juntos na esfera cívica. Precisamos desses espaços públicos, e precisamos que sejam seguros, bonitos e gratuitos para todas as pessoas.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

A sociedade do cansaço e os impactos (também positivos) da tecnologia

Você já parou para pensar quanto tempo ficou conectado à internet hoje?

por Gustavo Caetano MIT Technology Review Outubro 22, 2020

Uma pesquisa divulgada em 2019, feita pela Hootsuite – sistema norte-americano especializado em gestão de marcas na mídia social – em parceria com a We Are Social – agência de marketing digital especializada em mídias sociais, mostra que os brasileiros passam em média nove horas e 20 minutos conectados diariamente. Esse resultado coloca o Brasil como o segundo país que passa mais tempo na internet, nós ficamos atrás apenas das Filipinas. Se formos mais adiante e levarmos em consideração que os brasileiros dormem em média sete horas e 36 minutos por dia, temos o resultado da equação: mais da metade do tempo em que estamos acordados ficamos conectados.

Essa sociedade de hiperconectados só foi possível graças a popularização da internet. Os benefícios são inúmeros: nos comunicamos com mais facilidade, temos mais acesso à informação, aprendemos novas coisas, dentre outras possibilidades. Por outro lado, os excessos podem trazer consequências. Nesse ponto, vamos recorrer a um conceito explicado por Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano que trouxe importantes conceitos sobre o indivíduo nos tempos atuais, em sua obra “Sociedade do Cansaço”.

O filósofo explica que com o avanço das tecnologias digitais, especialmente nos anos 70, a nossa sociedade começa a passar por algumas mudanças: estamos sempre conectados, fazemos muitas atividades (algumas até simultâneas) e nos tornamos multitarefas. Com a sensação de uma realidade acelerada, surge o que o estudioso chama de Sociedade do Desempenho. Esse nome já diz muita coisa por si só. Na Sociedade do Desempenho fazemos auto cobranças, somos exigentes conosco na vida pessoal e no trabalho e estamos sempre perseguindo metas e boas performances, às vezes, até nos sentimos mal por passar um tempo ocioso. Com tudo isso, podem surgir doenças como síndrome de burnout, ansiedade e depressão.

Assim, a Sociedade do Cansaço surge como consequência da Sociedade do Desempenho. Uma sociedade que se demonstra cansada de tantas tarefas, tanta hiperconectividade e tanta necessidade de performar bem.

Byung-Chul Han ainda alerta que a partir dos anos 2000, pode-se observar uma sociedade com comportamentos mais narcísicos, em que a auto contemplação individual é reafirmada. É fácil perceber isso. Se deslizarmos no feed das redes sociais (em especial o Instagram) podemos notar que as selfies individuais estão em massa nessa mídia. Uma busca frenética por likes, por seguidores e por interação. Quem nos alertava muito sobre esse fenômeno era Zygmunt Bauman.

Zygmunt Bauman foi um filósofo polonês que se dedicou a estudar as relações sociais na pós-modernidade. Ao constatar a dificuldade do sujeito de criar vínculos e manter relações mais duradouras, Bauman cunhou o conceito de liquidez. Sobre isso, o filósofo é um nome importante quando falamos em analisar as relações que ocorrem por meio das tecnologias digitais. Claro, a comunicação muito se beneficiou com a consolidação das tecnologias. Aplicativos de mensagens e redes sociais estão no topo dos mais baixados pela população. Uma pesquisa realizada pela App Annie, mostrou que os mais baixados este ano foram: TikTok, WhatsApp e Facebook. Eles facilitam a vida, promovem a distração, “encurtam” a distância e nos ajudam a manter conexão com pessoas por toda parte do mundo e isso tudo é muito positivo! Mas, como consequência as relações sociais correm o risco de se tornar mais “líquidas” e voláteis.

Ainda recorrendo a Bauman, temos outro interessante ponto de análise: em um mundo em que tudo é filmado, fotografado e compartilhado, onde fica a nossa privacidade? Assim surge o conceito de Vigilância Líquida. Câmeras de segurança, dados compartilhados na internet, drones e mídias sociais são alguns dos meios usados para essa chamada Vigilância abordada por Bauman em diálogo com o sociólogo David Lyon.

Para os estudiosos, estar nas redes sociais, compartilhar os feitos e o dia a dia, acaba tornando-se uma obrigação. Assim vemos que os pesquisadores compactuam com Byung-Chul Han no que diz respeito ao excesso de contemplação individual apontado em sua obra.

Em todo esse processo de vigilância, Zygmunt Bauman e David Lyon são certeiros em pontuar que a tecnologia e a internet não são as culpadas desse fato (se é que podemos falar em algum culpado). Com isso, os autores observam que os computadores e a internet não são responsáveis pelo que é colocado nos meios de comunicação digitais e mídias.

Sobre esse assunto quero ir um pouco mais além, pois foi-se o tempo que os dispositivos de acesso à internet limitavam-se aos smartphones, computadores, TVs e tablets. Hoje, diversos aparatos que normalmente não estariam conectados à internet, já contam com essa possibilidade. Isso é o que chamamos de “Internet das Coisas”: dispositivos conectados à internet que podem ser controlados de diversas partes do mundo. É possível que você veja a sigla IoT (do inglês, Internet of Things) para falar sobre o assunto também. Com processamento de dados, análises e tratamento, é possível entregar mais comodidade e conforto para os consumidores por meio da Internet das Coisas, é aí que entra o Big Data, para otimizar essa experiência e melhorar os resultados.

Big Data é uma definição do início dos anos 2000. Doug Laney, integrando o time da Gartner Group definiu o conceito a partir dos três Vs: Volume, Velocidade e Variedade. O volume refere-se exatamente a quantidade de dados que são processados, já a velocidade está relacionada a rapidez em que esses dados são trocados. A variedade, como o próprio nome já diz, tem a ver com os diversos tipos de dados que existem atualmente: fotos, vídeos, mensagens etc., ou seja, os dados não-estruturados.

Há duas décadas esses eram os tópicos chave do Big Data, mas hoje, já se fala em 10 Vs. Juan Pablo Boeira que é docente universitário, explica que cabe mais de 7 Vs em torno do conceito de Big Data: Variabilidade, Veracidade, Validade, Vulnerabilidade, Volatilidade, Visualização e Valor. Desse modo, essencialmente falando, Big Data refere-se a análise e gerenciamento de um grande volume de dados estruturados ou não. Por esse motivo, o Big Data é essencial para trabalhar a Internet das Coisas. Podemos ver diversos exemplos no nosso dia a dia: aplicativos de mobilidade urbana, sistemas de segurança e iluminação inteligente acontecem graças ao Big Data e a Internet das Coisas.

É importante lembrar que para analisar os dados e entregar a melhor experiência para o usuário, sistemas e plataformas precisam ter acesso às informações dos usuários. Na internet, o exemplo mais frequente que temos hoje é o uso de cookies. A cada visita regular a um site são criados pequenos arquivos com informações sobre o acesso, que são salvos no computador de cada usuário e ajudam a personalizar a experiência de uso e consumo. Isso pode ser benéfico para quem navega, de modo que esse indivíduo poderá acessar informações que se relacionam mais com seus gostos e interesses.

Mas com isso, voltamos ao que Zygmunt Bauman nos alertava sobre o excesso de vigilância, já que repassamos nossos dados nessa troca. Porém, não estamos à deriva nesse mar de informações da internet. Em 2018, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) foi sancionada no Brasil e no mês passado, em setembro ela entrou em vigor. A LGPD tem o objetivo de garantir a privacidade dos dados pessoais dos usuários. Desse modo, a coleta, o armazenamento e a comercialização de dados só será feita com autorização. As empresas que não se adequarem serão penalizadas.

As medidas que resguardam a privacidade dos consumidores são essenciais para navegarmos com segurança e construir uma relação ainda mais transparente. Afinal, isso é assunto muito sério, principalmente quando se trata de tecnologia. A internet das coisas também abre algumas brechas de ataques maliciosos, em dispositivos que apresentam vulnerabilidade. Em 2018, o Brasil foi alvo de uma invasão que aconteceu principalmente por meio de roteadores, 200 mil equipamentos foram invadidos. É importante dizer que a partir desses ataques, diversas empresas estão revendo a segurança dos dispositivos fabricados e realizando testes diversos. Com isso, percebemos que é preciso investir ainda mais em segurança digital, tanto fabricantes quanto usuários precisam ficar atentos a isso.

Apesar disso, não podemos nos privar de utilizar os recursos e benefícios trazidos com a Internet das Coisas e o Big Data. Aliás, você se lembra que lá no passado, o objetivo pelo qual a internet foi criada era exatamente a segurança: proteger de forma mais eficaz as informações e comunicados dos EUA, que temiam um ataque nuclear.

Com segurança, é possível usufruir de forma positiva dos benefícios da tecnologia. No campo da telemedicina, por exemplo, já houve diversos avanços por conta da IoT, as cirurgias a distância já são uma realidade. Além disso, por meio de tecnologias torna-se possível a construção de Cidades Inteligentes, que são aquelas que usam recursos eletrônicos para coletar dados e utilizá-los para melhorar a vida na cidade, diminuindo gastos, promovendo a sustentabilidade e otimizando o tempo.

As tecnologias digitais também são fundamentais para transmitir informações em uma velocidade praticamente instantânea. As notícias chegam rapidamente e podemos fazer previsões e ser mais assertivos em nossas escolhas. Com a internet, não só os grandes portais de notícias são porta-vozes de informações, qualquer sujeito que tenha acesso a um celular e em uma rede social pode ser protagonista e responsável por difundir um acontecimento. Isso tem impactos positivos, já que dessa forma é possível dar voz para diversos grupos da sociedade e tornar os meios de comunicação mais democráticos. No entanto, o outro lado da história é quem nem todos os propagadores da informação tem o cuidado de verificar as fontes do que está sendo compartilhado. É indispensável dizer que há quem se dedique a construir essencialmente informações falsas, as Fake News.

A Sociedade do cansaço de Byung-Chul Han se manifesta também neste ponto, afinal somos atingidos por uma infinidade de informações diariamente e o excesso se evidencia mais uma vez. Sobre as Fake News foi possível observar nos últimos tempos um aumento da propagação dessas informações, por conta da pandemia do Covid-19, uma verdadeira Infodemia. Um estudo divulgado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) mostrou que de todas as mensagens falsas, 71,4% delas foram transmitidas pelo Whatsapp. Mas, foi a própria Fiocruz que também lançou um aplicativo que permite denúncias de notícias falsas nos meios de comunicação. Com o aplicativo “Eu Fiscalizo” é possível também enviar denúncias sobre conteúdos de violação dos direitos humanos ou nudez e violência em horário inapropriado.

Mas então, como nos beneficiar das vantagens da tecnologia sem ficarmos reféns a Sociedade do Cansaço apontada por Byung-Chul Han?

O fato é não podemos deixar de usufruir dos avanços diversos que a tecnologia proporciona, temos ganhos em várias áreas: educação, agronegócio, medicina, mobilidade, dentre outros. Precisamos a cada dia ter uma mentalidade mais voltada para a transformação digital, assim podemos transformar processos de empresas variadas e setores da sociedade, criando assim uma “Sociedade de Oportunidade”. Além disso, é preciso sempre rever os dois lados da história: existem impactos que a priori podem ser considerados pontos desfavoráveis, mas por outro lado, eles estão sendo frequentemente revisados, a fim de otimizar e desenvolver novos mecanismos e soluções, como os exemplos citados anteriormente. O ponto de equilíbrio é não esquecer que a tecnologia foi feita por pessoas e para pessoas. Devemos avançar, mas sem esquecer da nossa humanidade, assim podemos construir pontes sólidas para o futuro por meio da tecnologia.


Gustavo Caetano é CEO da Sambatech

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Você está desenvolvendo habilidades que não serão automatizadas?

por Stephen M. Kosslyn HBR 25/09/2019(tradução Evandro Milet)

O futuro do trabalho parece sombrio para muitas pessoas. Um estudo recente da Forrester estimou que 10% dos empregos nos EUA seriam automatizados este ano, e outro da McKinsey estima que quase metade de todos os empregos nos EUA podem ser automatizados na próxima década.

Os trabalhos que provavelmente serão automatizados são repetitivos e rotineiros. Eles vão desde a leitura de raios-X (radiologistas humanos podem em breve ter funções muito mais limitadas), a dirigir caminhões e estocar um depósito. Embora muito tenha sido escrito sobre os tipos de empregos que provavelmente serão eliminados, outra perspectiva que não foi examinada com tantos detalhes é perguntar não quais empregos serão eliminados, mas sim quais aspectos dos empregos sobreviventes serão substituídos por máquinas.

Por exemplo, considere o trabalho de ser um médico: é claro que o diagnóstico de doenças em breve (se não já) será realizado melhor por máquinas do que por humanos. O aprendizado de máquina é espetacularmente eficaz quando conjuntos de dados estão disponíveis para treinamento e teste, o que é o caso para uma ampla gama de doenças e enfermidades. No entanto, que tal sentar com uma família para discutir opções de tratamento? É muito menos provável que isso seja automatizado em um futuro próximo.

Agora considere uma profissão no outro extremo do espectro de status: barista. Em San Francisco, o Café X substituiu todos os baristas por braços robóticos industriais, que divertem os clientes com suas travessuras enquanto fazem bebidas quentes. No entanto, mesmo o Café X emprega um humano, que mostra aos clientes como usar a tecnologia para pedir suas bebidas e solucionar problemas que surgem com o barista robô.

Compare ser um barista com ser um bartender. As pessoas costumam iniciar uma conversa com o barman. Esse trabalho é claramente mais do que apenas misturar bebidas. Como o médico, podemos facilmente dividir esse trabalho em dois componentes: o repetitivo e rotineiro (na verdade, misturar e servir as bebidas) e o mais interativo e imprevisível que envolve ouvir e conversar com os clientes.

Depois de refletir sobre as características de vários empregos e profissões, dois tipos de trabalho não rotineiros me parecem particularmente comuns e difíceis de automatizar:

Primeiro, emoção. A emoção desempenha um papel importante na comunicação humana (pense naquele médico sentado com a família ou no barman interagindo com os clientes). Ele está criticamente envolvido em praticamente todas as formas de comunicação não verbal e na empatia. Mas, mais do que isso, também desempenha um papel nos ajudando a priorizar o que fazemos, por exemplo, ajudando-nos a decidir o que precisa ser atendido agora, em vez de no final da noite. A emoção não é apenas complexa e cheia de nuances, mas também interage com muitos de nossos processos de decisão. O funcionamento da emoção tem se mostrado desafiador de entender cientificamente (embora tenha havido progresso) e é difícil de construir em um sistema automatizado.

Em segundo lugar, contexto. Os humanos podem facilmente levar em conta o contexto ao tomar decisões ou interagir com outras pessoas. O contexto é particularmente interessante porque é aberto – por exemplo, sempre que há uma notícia, ela muda o contexto (grande ou pequeno) em que operamos. Além disso, mudanças no contexto (por exemplo, a eleição de um presidente independente) podem mudar não apenas a forma como os fatores interagem entre si, mas podem introduzir novos fatores e reconfigurar a organização dos fatores de maneiras fundamentais. Esse é um problema de aprendizado de máquina, que opera em conjuntos de dados que, por definição, foram criados anteriormente, em um contexto diferente. Assim, levar o contexto em consideração (como um bartender simpático pode fazer sem esforço) é um desafio para a automação.

Nossa capacidade de gerenciar e utilizar as emoções e levar em consideração os efeitos do contexto são os principais ingredientes do pensamento crítico, solução criativa de problemas, comunicação eficaz, aprendizado adaptativo e bom senso. Tem se mostrado muito difícil programar máquinas para emular tais conhecimentos e habilidades humanos, e não está claro quando (ou se) os esforços incipientes de hoje para fazer isso darão frutos.

E, de fato, essas são exatamente as habilidades que os empregadores de todos os setores relatam consistentemente buscar em candidatos a empregos. Por exemplo, em uma pesquisa, 93% dos empregadores relataram que “a capacidade demonstrada de um candidato para pensar criticamente, comunicar-se com clareza e resolver problemas complexos é mais importante do que seu curso de graduação”. Além disso, os empregadores procuram candidatos que tenham outros tipos de “competências pessoais”, como a capacidade de aprender de forma adaptativa, de tomar boas decisões e de trabalhar bem com outras pessoas. Essas habilidades tão procuradas, é claro, combinam perfeitamente com o tipo de coisas que as pessoas podem fazer bem, mas são e continuarão sendo difíceis de automatizar.

Tudo isso sugere que nossos sistemas educacionais devem se concentrar não apenas em como as pessoas interagem com a tecnologia (por exemplo, ensinando os alunos a programar), mas também em como eles podem fazer coisas que a tecnologia não fará em breve. Esta é uma nova abordagem para caracterizar a natureza subjacente das “habilidades pessoais”, que provavelmente têm o nome incorreto: essas são as habilidades mais difíceis de entender e sistematizar e as habilidades que dão – e continuarão a dar – aos humanos uma vantagem sobre os robôs .

Stephen M. Kosslyn é presidente e diretor executivo do Foundry College; ex-Diretor Acadêmico das Escolas Minerva na KGI e ex-Professor John Lindsley, Diretor do Departamento e Reitor de Ciências Sociais da Universidade de Harvard. Ele é o autor de Construindo a Universidade Intencional: Minerva e o Futuro do Ensino Superior.

https://hbr.org/2019/09/are-you-developing-skills-that-wont-be-automated

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Universal terá novo parque em Pequim com Transformers e Minions

Previsto para 2021, centro de diversões terá atrações temáticas dos filmes e franquias do estúdio com “herança cultural da China”

Por Gabriel Justo EXAME Publicado em: 22/10/2020

Universal Studios Beijing, o novo parque da Universal em Pequim

Universal Studios Beijing, o novo parque da Universal em Pequim (Reprodução/Divulgação)

A Universal Parks & Resorts anunciou nesta semana novos detalhes do Universal Studios Beijing, seu novo parque temático em Pequim, capital da China. Previsto para ser inaugurado em 2021, o empreendimento pretende reunir as atrações mais populares da Universal — que tem parques na Califórnia, na Flórida e em Osaka, no Japão —, com “experiências criadas especialmente para refletir a herança cultural da China.”

O novo complexo contará com dois hotéis e sete áreas temáticas construídas ao redor de uma grande lagoa central. Uma delas se chamará China Lendária e abrigará atrações inspiradas na franquia de animação Kung Fu Panda — onde “58.000 flores feitas a mão são combinadas com uma projeção de 360 graus e outras tecnologias artísticas para alcançar o efeito de transformação mágica das estações do ano”, como contou a Universal em comunicado.

Na Transformers Metrobase, primeira área do mundo totalmente baseada na franquia de Michael Bae, os visitantes podem se tornar “agentes convidados” e lutar junto com Autobots em atrações como a Decepticoaster, a maior montanha-russa do complexo, que já está em construção.

Os “tão fofinhos” Minions também terão seu espaço no novo parque, a Minion Land, onde os visitantes poderão interagir com as criaturinhas amarelas e até mesmo se transformar em um deles e viajar pelo laboratório do Gru na Despicable Me Minion Mayhem, principal atração da área.

O universo Jurassic Park e o famoso Wizarding World of Harry Potter também farão parte do novo parque em Pequim — que terá, inclusive, sua própria Harry Potter and the Forbidden Journey uma das atrações mais disputadas do “mundo bruxo” nos parques já existentes. Em Pequim, os visitantes ainda poderão conhecer o Escritório de Dumbledore, a Sala de Aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, a Sala Comunal da Grifinória e a Sala Precisa.

“O Universal Beijing é fruto de uma cocriação, unindo as décadas de experiência global em parques temáticos da Universal, com as profundas percepções de nossos parceiros sobre a China”, disse Tom Mehrmann, presidente e gerente-geral do Universal Beijing Resort, que é desenvolvido, construído e operado pela Beijing International Resort Co., Ltd., uma joint venture que é 70% propriedade da Beijing Shouhuan Cultural Tourism Investment Co., Ltd. e 30% propriedade da Universal Parks & Resorts, uma unidade de negócios da Comcast NBCUniversal.

https://exame.com/casual/universal-tera-novo-parque-em-pequim-com-transformers-e-minions/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

As grandes empresas de tecnologia ficaram poderosas demais?

  • Ação contra o Google nos Estados Unidos chama a atenção para o domínio dos gigantes da tecnologia em vários segmentos. A forma como eles atuam vai mudar?

Por Thiago Lavado Revista Exame Publicado em 5 nov 2020

Quando Sundar Pichai, presidente do Google, e Tim Cook, presidente da Apple, foram fotografados em uma mesa à janela de um restaurante vietnamita em Palo Alto em 2017, a internet foi tomada por um furor. As duas empresas, que são competidoras em vários campos — fabricam software de mapas, smartphones, laptops, sistemas operacionais móveis, assistentes de voz, entre outras tecnologias —, reforçavam ali uma aliança comercial de suma importância para ambos os negócios. Um acordo que prevê que o Google seja o buscador-padrão nos iPhones. A parceria é antiga e importante para ambas as empresas: estima-se que o Google pague de 8 bilhões a 12 bilhões de dólares ao ano para a Apple apenas para que as buscas feitas no iPhone e no navegador Safari sejam processadas no serviço.

O acordo representa de 14% a 21% do lucro anual da Apple e ganhou ainda mais importância nos últimos anos. Uma reportagem da Bloomberg calcula que o valor pago pelo Google era de apenas 1 bilhão de dólares em 2014. Agora, além de um jantar regado a vinho e pratos vietnamitas, há mais sobre a mesa. O acordo entre as empresas é um dos principais alvos de uma ação judicial movida pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o Google por monopólio no mercado de buscas. O processo é a maior ação antitruste contra uma companhia de tecnologia em uma geração, desde que a Microsoft esteve sob os holofotes nos anos 1990 por uma acusação parecida: incluir o navegador Internet Explorer no Windows e usar isso para manter seu poderio. De acordo com a ação apresentada no final de outubro, o acordo entre o Google e a Apple é tão importante e tão lucrativo para o Google que se estima que quase 50% do tráfego de buscas da empresa tenha origem nos iPhones.

A ribalta do palco regulatório não é nova para o Google. A empresa já tem um histórico de enroscos na Europa, com casos de antitruste que renderam três multas bilionárias. O mais conhecido deles resultou em uma pena de 5 bilhões de dólares em 2018 por causa de acordos com fabricantes de smartphones Android para que os aplicativos do Google (buscador, YouTube, o navegador Chrome) viessem pré-instalados. Mas o novo processo, até por ser movido pelo governo dos Estados Unidos, pode trazer complicações.

Sundar Pichai (Google), Tim Cook (Apple), Jeff Bezos (Amazon) e Mark Zuckerberg (Facebook): o poder de mercado dos gigantes da tecnologia tem sido cada vez mais questionado (Kyodo News/Getty Images)

– (Arte/Exame)

De acordo com Carlos Affonso, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio) e professor na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, até mesmo a escolha da busca como ponto central da ação é particular. “Quando o Departamento de Justiça se debruça sobre a busca, ele olha para um mercado em que a predominância do Google é indiscutível. O argumento é que, ao fechar acordos de exclusividade com fabricantes de carros, celulares, alto-falantes inteligentes, o Google protege sua predominância no mercado de buscas e impede a entrada de novos concorrentes”, diz Affonso. Ele espera que a ação se arraste por anos e termine em um eventual acordo e pagamento de multa, que pode ser pesada pelo tamanho da empresa. A consequência mais importante, no entanto, é o efeito para a indústria de tecnologia. “Deve haver um menor impulso das empresas de fechar acordos de exclusividade assim. Não é uma mudança radical, mas é um efeito importante”, diz o professor.

O Google se defende das acusações afirmando que a concorrência está a um clique de distância. A empresa diz que é possível trocar o buscador e o navegador-padrão no Android e no iOS (sistema operacional da Apple) e que os usuários usam os serviços porque gostam e porque são eficientes e gratuitos. Para o gigante da tecnologia, o processo do Departamento de Justiça é “profundamente falho” e pode criar custos adicionais aos usuários e piorar os serviços. “A ação não ajudaria os consumidores em nada. Ao contrário, promoveria artificialmente alternativas de pesquisa de qualidade inferior, aumentaria os preços dos smartphones e tornaria mais difícil o acesso das pessoas aos serviços de pesquisa que desejam usar”, diz o Google em nota. A EXAME apurou que o Google acredita que a discussão levará anos em trâmites judiciais. O principal problema é colocar a questão do monopólio no debate público de maneira prolongada, com o risco de acentuar as animosidades contra a empresa. Para o gigante, as leis antitruste são capazes de lidar com problemas de concentração de mercado, mas, no caso específico das buscas, elas são falhas. O Google diz fazer o que empresas de bens de consumo fazem há anos: pagar para que seu produto fique visível aos olhos do consumidor, e não no fundo da prateleira.

ALÉM DO GOOGLE

O processo atrai visibilidade e movimenta a opinião pública contra o Google, mas o debate também recai sobre os demais gigantes da tecnologia. A ação é o epítome de uma discussão cada vez mais quente e que extrapola os limites econômicos e tecnológicos e toma até contornos políticos. Por um lado, as empresas de tecnologia têm trazido ganhos para acionistas, comprado concorrentes menores e agido em parceria umas com as outras. De acordo com a investigação, funcionários do Google e da Apple chegaram até a trocar e-mails afirmando que “na nossa visão é como se fôssemos uma só companhia”. Por outro lado, há claro interesse dos reguladores em um processo que tem tudo para ser histórico, atraindo os olhares de políticos. Republicanos reivindicam a liberdade de expressão e acusam as empresas de suprimir conteúdo conservador na internet. Já os democratas se preocupam com o papel dos gigantes da tecnologia na disseminação de desinformação.

– (Arte/Exame)

Um relatório publicado no início de outubro, como parte de uma investigação conduzida pelo Congresso americano, já trazia a discussão. De acordo com o texto, essas companhias, que um dia foram novatas desafiando o statu quo, “se tornaram o tipo de monopólio que vimos na era dos barões do petróleo e magnatas das estradas de ferro”. O texto não inclui só o Google e a Apple, mas também a varejista online Amazon e a rede social Facebook.

O processo contra o Google pode respingar em cada uma das empresas de maneira diferente. O Facebook é dono das maiores redes sociais e serviços de mensagens do mundo — porque detém o Instagram e o WhatsApp —, com uma dominância de mais de 70% do mercado de redes sociais. A Apple tem a exclusividade da loja de aplicativos em seus aparelhos, cobrando uma taxa draconiana de 30% na venda de aplicativos. Essa polêmica rendeu à empresa um processo da fabricante de jogos Epic Games, que questiona o poderio da Apple em cobrar a taxa dos desenvolvedores. Já a Amazon, que detém 49% das vendas pela internet nos Estados Unidos, é acusada de manobrar o marketplace, escolhendo quais vendedores têm visibilidade na loja online — e consequentemente mais vendas. A possibilidade de uma regulação está no radar: de 2015 para cá, as quatro investiram mais de 260 milhões de dólares em lobby para acompanhar as discussões no Congresso. As empresas estão entre as que mais desembolsam recursos nos Estados Unidos, segundo a organização sem fins lucrativos Center for Responsive Politics, baseada em Washington.

As aquisições dos gigantes também são usadas para questionar seu poderio econômico. Dados da empresa de análise de mercado PitchBook apontam que Facebook, Google, Amazon e Apple adquiriram 385 outras empresas americanas desde 2005. A Alphabet, holding que controla o Google, lidera o ranking com 185 negócios. Essas aquisições movimentaram 86 bilhões de dólares. Algumas, como a compra do WhatsApp pelo Facebook por 22 bilhões de dólares, estão no panteão dos maiores negócios do mercado de tecnologia. A compra da empresa de publicidade digital DoubleClick pelo Google em 2007, por 3,1 bilhões de dólares, ajudou a consolidar o buscador no mercado de anúncios online. Questiona-se se as aquisições não são uma prática de controle econômico, que reforça a posição das empresas e tira do mercado startups que poderiam trazer inovações.

– (Arte/Exame)

A Apple se defende afirmando que mantém uma loja única para fins de segurança. Ao controlar o que entra na plataforma, a empresa mantém os iPhones com um índice baixo de fraudes e softwares malignos. O Facebook afirma que tem concorrentes fortes em todos os ramos — o TikTok nas redes sociais; o Google e a Amazon no mercado de publicidade digital; o YouTube nos vídeos; o Telegram e o Signal nos aplicativos de mensagens. Segundo a ­EXAME apurou, a visão interna é de que existe uma dinâmica na internet que faz surgir competidores a todo instante. Empresas que um dia foram grandes hoje perderam espaço, como é o caso do Yahoo. Para a rede social, esse é um sinal de que há ampla concorrência. “Com o sucesso, vêm o escrutínio e o cerco de autoridades nos Estados Unidos e em outros países. Mas não faz muito sentido dividir uma empresa como o Facebook”, disse o britânico Nick Clegg, vice-presidente de relações públicas e comunicação do Facebook, num encontro recente com jornalistas, com a participação da EXAME. Clegg, que já foi deputado e vice-primeiro-ministro do Reino Unido, defende que os governos precisam definir de quem é a responsabilidade sobre o discurso de ódio na internet e também o que pode ser publicado online numa campanha eleitoral e como pode ser feita a portabilidade dos dados dos usuários. “Nenhum desses temas vai ser resolvido nos tribunais, mas com uma regulação apropriada”, afirma.

O Facebook enxerga uma separação forçada dos negócios como algo prejudicial aos consumidores. A medida, segundo o raciocínio, não resolveria os principais problemas de interesse público, como privacidade, mau uso de dados, controle de publicações nocivas e manipulação eleitoral. Em áudios vazados de uma reunião no ano passado, o presidente e cofundador Mark Zuckerberg disse que, se mandatários quisessem dividir a empresa em várias, o que ele faria é “entrar no ringue e lutar”. Ele se referia à então pré-candidata à Presidência americana Elizabeth Warren, que defende a divisão dos gigantes da tecnologia.

A ideia de regular empresas tem extrapolado cada vez mais o debate sobre o poderio econômico. De acordo com Priscila Brolio Gonçalves, doutora pela Universidade de São Paulo e advogada com mais de 20 anos de experiência em direito da concorrência, uma das discussões é se o foco deve ser somente a relação entre empresas e consumidores ou se é necessário considerar o efeito sobre os pequenos negócios e também sobre a própria democracia. “O relatório do Congresso americano foi redigido com essa visão de que o antitruste tem de atender a mais interesses”, diz.

Para Affonso, do ITS-Rio, o foco das ações precisa ser não o tamanho das empresas ou como elas alcançaram a posição dominante, mas como elas mantêm seu status. “Ter predominância num mercado não é necessariamente ilícito. É importante entender quais as condutas que a empresa adota para manter a posição e impedir a entrada de novos competidores”, diz. Nesse sentido, a investigação antitruste contra o Google deve olhar para os contratos com parceiros e determinar se isso impediu os concorrentes de competir. Adversários no mercado de buscas, como a americana DuckDuckGo, a alemã Ecosia e as francesas Lilo e Qwant, assinaram uma carta aberta à vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Margrethe Vestager, para que ela dê atenção à dominância da empresa no mercado de buscas.

E A INOVAÇÃO?

Uma das preocupações dos reguladores é com a redução da inovação. Em um artigo publicado na revista MIT Technology Review, Alec Stapp, diretor de política e tecnologia do think tank Instituto de Política Progressiva — organização que recebe doações de Amazon, Facebook e Google —, argumenta que a inovação não está morta por causa do tamanho das empresas, tampouco houve prejuí­zo para o consumidor. Ele cita o caso do Zoom, aplicativo de videoconferências que cresceu mesmo enfrentando concorrência acirrada de empresas como Google e Microsoft. O Zoom tinha 10 milhões de participantes em reuniões diárias em dezembro e passou para 300 milhões em abril de 2020, impulsionado pela pandemia. Stapp também critica o relatório do Congresso americano que defende a divisão dos gigantes da tecnologia. Para ele, isso dissolveria as plataformas e tornaria inviáveis os negócios.

Para Gene Munster, sócio executivo na firma de capital de risco Loup Ventures, não existe uma barreira à inovação com a dominância dessas empresas. “As plataformas ajudam a acelerar a inovação, permitindo que pequenas empresas fiquem maiores”, diz. “O desafio da inovação em setores como transporte e energia é difícil de ser solucionado por startups, pois requer muito dinheiro.” Munster acredita que os gigantes vão sobreviver ao risco regulatório. A razão para isso é que os consumidores não apenas querem os serviços das empresas mas precisam deles e, por isso, as autoridades não podem puni-las de maneira muito dura. Os gigantes da tecnologia não vão deixar de existir de uma hora para a outra. Mas será um caminho com muitos obstáculos.

https://exame.com/revista-exame/big-techs-poderosas-demais/?amp

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Networking virtual fica mais pragmático depois da pandemia

Profissionais buscam outras formas de se conectar com a ajuda de escolas e empresas

Por Barbara Bigarelli — Valor Econômico  05/11/2020

“Você gostaria de se conectar com alguém?”. A pergunta foi feita a 25 executivos e alunos de um curso de governança e compliance da Risk University, da KPMG Brasil. Em setembro, a consultoria colocou em cena a figura do “consultor de networking”, responsável por intermediar novas conexões e agendar reuniões “one-on-one” em um ambiente de ensino que foi do presencial para 100% on-line na pandemia. Só o chat e as ferramentas da plataforma não estavam sendo suficientes para estimular o networking e substituir as interações espontâneas, que antes ocorriam nos intervalos das aulas, no café e nos almoços, diz Rafael Picccolo, sócio-diretor da KPMG. Dos 25 que receberam o convite, 15 realizaram encontros virtuais de networking.

Uma segunda turma ganhou esse serviço e, até agora, 50 alunos da Risk University aproveitaram – um público em geral formado por diretores, VPs e executivos seniores, matriculados em cursos com tíquete médio de R$ 10 mil (Risk University Senior level) a R$ 16 mil (Risk University Executive). “A pandemia dificultou o networking justamente pelo distanciamento social. Até então, o networking estava condicionado justamente a estar num ambiente físico em comum, onde se podia trocar experiências de trabalho de forma espontânea”, diz Mareska Tiveron, VP de Compliance, Risco e Regulatório na Zoop.

Aluna da Risk University, ela diz que aproveitou o “consultor de networking” e agendou cinco reuniões on-line, de 30 minutos a uma hora de duração, com colegas de turma. Foi a primeira vez que fez networking ativo na pandemia. “Trocamos experiências úteis para minha área, inputs e foi bom ouvir como eles estavam tocando desafios em comuns à todas as empresas. Ver que, de certa forma, estamos fazendo parecido na nossa empresa”, disse Mareska.

A KPMG acredita que essa intermediação para gerar conexões no on-line pode ser um diferencial competitivo na educação executiva. Também analisa que, no ambiente digital, as reuniões de networking ficaram “mais objetivas e até mais formais”. “Todos foram muito preparados para a reunião, alguns fizeram até apresentação. Havia um objetivo claro no networking, diferente por exemplo, daquela conversa espontânea em um café que, um dia, pode virar um contato maior”, diz Piccolo.

Repensar formatos para manter o networking ativo, diante do isolamento social, foi um desafio para empresas e executivos nos últimos meses. A empresa holandesa de TI TOpDesk viu que só promover lives e encontros não bastava. Para estimular conexões no ambiente virtual, investiu em eventos com salas virtuais para grupos específicos de profissionais, em uma experiência mais lúdica na plataforma e, em alguns casos, na entrega de algum brinde na casa do participante.

“Era preciso criar uma experiência que fosse além da possibilidade do chat ou do comentário no vídeo do YouTube para, de fato, promover networking”, disse Guilherme Morais, líder de marketing da TOPdesk. Com custo até 50% menor, atraíram 2000 mil em seu principal evento, versus 500 que esperavam no presencial. Em setembro, a empresa também participou de uma feira do setor, que simulou pavilhões on-line. “Como diretor comercial, sentia falta nos últimos meses de um networking mais ativo como canal de prospecção de clientes e negócios”, disse Caio Vicente, líder comercial da TOPdesk. Ele aprovou a experiência. “Trocou cartão” com 91 profissionais, sendo “cerca de 30 contatos bem qualificados”. Como ponto negativo, porém, Vicente diz que no virtual as conexões criadas tendem a ser menos profundas e mais rápidas.

Nilson Pereira, CEO do ManpowerGroup, concorda com essa percepção. É por essa razão que defende que, para ser efetivo, o networking on-line precisa ir além da “conexão em si”. “É importante dar sequência à interação. Eu, por exemplo, continuo a conversa trocando links de notícias e de temas que têm a ver com a interação inicial que tive com o outro profissional”. Pereira diz gastar 20% de seu tempo com networking que, nos últimos meses, ocorreu prioritariamente via palestras, eventos virtuais e grupos de WhatsApp.

Para Graciema Bertoletti, diretora de novos negócios e parcerias da UnitedHealth Group, a pandemia “ampliou o significado de networking”. “Depois de alguns meses me adequando ao novo formato de trabalho, comecei a agendar reuniões on-line de 20 minutos com minha equipe, com colegas do MBA, com um grupo de mulheres conselheiras e contatei pessoas com as quais trabalhei. Foi uma forma de diminuirmos a sensação de isolamento, mas também de manter essa troca contínua de experiências”. Networking, em sua visão, é fundamental para crescer na carreira e “aprender com a trajetória de vida de outras pessoas”. Na pandemia, passou a equilibrar essas reuniões com as de trabalho, para evitar a sobrecarga de exposição à tela e encontros on-line. “Eu acho que a disciplina de fazer sempre, para arejar ideias, é mais fundamental do que a quantidade”, diz Graciema.

Com o modelo de trabalho híbrido que se desenha nas organizações e os rumos incertos da pandemia, executivos concordam que o networking digital continuará sendo relevante nos próximos meses. Entre os cuidados a serem tomados, eles destacam evitar usar um tom coloquial na troca de mensagens, ter em mente o propósito de se apresentar a alguém e ser objetivo. “Eu brinco que networking precisa ser interessante, e não interesseiro. O segredo de construir uma boa rede de contatos, e isso vale pro virtual, é estabelecer credibilidade e confiança. Não adianta procurar alguém só quando você precisa de um emprego. É uma relação que precisa deixar claro os benefícios da troca aos dois lados”, diz Adriano Lima, fundador da AL+ People & Performace Solutions.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2020/11/05/networking-virtual-fica-mais-pragmatico-depois-da-pandemia.ghtml?GLBID=1256dc33286925b29649353146bf12fe46f6f6b5533794d653774475535645a337a736e626e5969614e2d5966787151534e76496e5a526b384a47325133524b5341615268593151627246515979584b69744b613463786a345a58756932376758306c53676b773d3d3a303a6576616e64726f2e6d696c65745f323031335f36

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Contratar sem diploma? A faculdade virou um fetiche

  • O modelo de educação superior do Brasil, caro, moroso e ineficiente, está com os dias contados

Por Rapha Avellar publicado em 5 nov 2020

No Brasil, fazer faculdade parece mais compulsório para os jovens do que o serviço militar é para os homens quando fazem 18 anos. Se a pessoa chega aos 17 anos sem saber qual graduação ela vai fazer, logo é tachada de perdida. Eu faço questão de ir na contramão: faculdade não deveria ser mandatório. Nem todo mundo precisa de graduação, muitas profissões podem ser construídas de outras maneiras. E a faculdade há muito tempo já não entrega o que promete. Quando penso na área que conheço melhor porque é a área em que atuo, publicidade, minha certeza se intensifica. Ninguém deveria passar quatro anos em uma faculdade de modelo tradicional e engessado para poder trabalhar com publicidade e marketing. Sei disso na prática porque, como dono de agência, contrato gente recém-graduada a todo momento.

Toda vez que eu contratava um estudante ou um recém-formado em publicidade, propaganda, marketing e relações públicas, eu percebia que o candidato chegava cru e desatualizado. O que essas pessoas ficaram fazendo quatro anos na faculdade? E, pior, quanto elas gastaram para ter essa formação deficitária? Cansado de ter de treinar cada novo funcionário que chegava, decidi eu mesmo criar uma escola de formação em publicidade e marketing de curta duração, com grandes nomes do mercado e muita mão na massa. A Cria já tem milhares de alunos — e eu já tenho um lugar de onde tirar os futuros talentos da minha agência.

Eu não entendo por que esse modelo de educação do ensino superior continua sendo replicado por anos, e menos ainda em áreas de conhecimento que poderiam ser atendidas por cursos curtos, práticos, híbridos de aulas presenciais e virtuais, e de preferência bem mais baratos. Por que, em um mundo onde as pessoas vivem hiperconectadas, a educação não se reformulou?

Fazer faculdade se tornou um fetiche social, em especial em uma sociedade desigual como a nossa. O diploma virou sinônimo de acesso a uma profissão melhor e, logo, de ascensão social e uma vida mais confortável. Ao longo das décadas de 1990 e 2000, com a proliferação das faculdades particulares e com um maior aumento na renda das classes C e D, mais gente passou a realizar o sonho do diploma. Essa democratização do ensino foi importante. O problema é que não foi tão democrática assim. As universidades públicas continuaram redutos da elite, mais preparada para os vestibulares concorridos, e coube às classes mais baixas as particulares.

Já na década da crise, em especial de 2014 para cá, o brasileiro se viu diante da grande cilada que é esse sonho do diploma. As faculdades, mesmo as mais baratas, ficaram caras. Enquanto o salário mínimo em 2020 equivale a 1.045 reais, o preço médio de uma faculdade de marketing é de 1.000 reais. Quem pode se dar ao luxo de passar quatro anos pagando uma mensalidade alta como essa? Ainda mais por uma educação que não acompanhou a evolução da sociedade nem do mercado de trabalho.

Nos Estados Unidos, onde as universidades públicas são pagas, o sonho do jovem americano de fazer uma faculdade de ponta faz alguns pais pouparem dinheiro por toda uma vida e outros se endividarem para o resto dela. Em 2020, os Estados Unidos já somam 1,56 trilhão de dólares (mais de 8 trilhões de reais) em dívidas estudantis para 45 milhões de estudantes.

LONGA, CARA E INEFICIENTE

O ensino superior sempre foi composto pelo combo educação (o que de fato se aprende em sala de aula), credencial (o sonhado diploma na parede) e experiência (ah, a vida universitária!). No contexto da covid-19, todas essas variáveis foram afetadas. A educação se tornou remota, mas não se tornou e-learning. Na maioria dos casos foi apenas transposta para o virtual e está capenga. A credencial perde a força no momento em que o foco é o pensamento inovador — e isso, definitivamente, não é algo que se aprende em uma formação tradicional. E a experiência, bom, essa é a maior perda, uma vez que é tão atrelada ao convívio físico e não existe preparo para oferecer algo similar no ambiente digital.

Os desafios do ensino à distância durante a pandemia estão deixando grandes instituições se perguntando como não se prepararam antes para uma revolução tão óbvia. E, passados longos sete meses de quarentena, já sabemos que nada de muito revolucionário aconteceu. Seguir oferecendo a mesma fórmula apenas transposta para a versão online, e cobrar o mesmo preço de aula presencial, me soa enganação. O que isso significa na prática? Que os alunos não estão vendo valor em suas formações e estão exigindo a diminuição das parcelas das mensalidades.

Por tudo isso, faço o convite: esquece o diploma. Vamos, juntos, buscar novos caminhos e outras soluções para a educação superior. Não sou contra estudar, buscar conhecimento, se aprimorar. Pelo contrário, acredito que as experiências devam ser ensinadas e compartilhadas. Sou contra a faculdade como ela é hoje: longa, cara e ineficiente. E se você ainda acha que não vai ter nenhuma chance no mercado sem a gradua­ção formal, repito o que disse no título deste artigo: eu contrato sem diploma. Dou mais valor ao profissional ativo, antenado, cheio de garra e vontade de aprender do que a um pedaço de papel com o nome de uma faculdade.


https://exame.com/revista-exame/eucontratosemdiploma/?amp

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Como aproveitar a transformação digital da era Covid

por Federica Saliola e Asif M. Islam HBR 24/09/2020(Tradução Evandro Milet)

A tecnologia digital está no centro do debate atual sobre o desenvolvimento econômico devido ao seu amplo uso durante o surto de Covid-19. Embora não haja dúvidas de que a pandemia está ampliando a adoção de novas tecnologias, os avanços tecnológicos já estão mudando o mundo nas últimas duas décadas, desde os padrões de vida até a própria natureza do nosso trabalho.

O medo do desemprego induzido por robôs está aumentando à medida que as tarefas tradicionalmente realizadas por humanos são cada vez mais realizadas com o uso de robôs e inteligência artificial. O  custo declinante das máquinas ameaça os trabalhos de baixa qualificação e as tarefas de rotina – aquelas mais suscetíveis à automação e deslocalização industrial(offshoring). De fato, o número de robôs operando em todo o mundo está aumentando rapidamente: até o final de 2020, haverá 3 milhões de novos robôs industriais em operação, mais que o dobro do estoque operacional durante os sete anos que vão de 2014-2020.

Examinando os desafios e oportunidades que temos pela frente.

Mas a tecnologia também pode criar empregos. Os aumentos de eficiência proporcionados pela tecnologia digital podem ajudar a expandir as empresas. As plataformas digitais podem criar ocupações e empregos totalmente novos. As empresas podem alcançar mercados remotos sem infraestrutura. Para remodelar a tecnologia como criadora de empregos, é importante entender o que, exatamente, a onda atual de tecnologia está mudando e como os legisladores e as empresas podem se adaptar a ela.

Os fundamentos da mudança.

Mesmo antes de a pandemia começar, algumas características do estado do progresso tecnológico eram especialmente visíveis.

Primeiro, a tecnologia já estava provocando disrupção nos processos de produção, especialmente por meio do rápido aumento de escala das plataformas digitais. A tecnologia digital tem desafiado os limites tradicionais das empresas, mudando as cadeias de valor globais e a geografia dos empregos. Afinal, a tecnologia diminui os custos de fazer negócios, complementando os investimentos em infraestrutura, acordos de livre comércio e outros esforços de liberalização para reduzir as barreiras comerciais, o que, por sua vez, expande as cadeias de valor globais e muda a geografia dos empregos. Novos modelos de negócios – empresas de plataforma digital – foram capazes de evoluir rapidamente de start-ups locais para gigantes globais, geralmente com poucos funcionários ou ativos tangíveis. As plataformas digitais permitiram que grupos de negócios se formassem em áreas rurais subdesenvolvidas.

Em segundo lugar, a tecnologia criou mudanças sísmicas na combinação de habilidades necessárias para ter sucesso no mercado de trabalho. Enquanto o valor das habilidades de rotina específicas do trabalho estão diminuindo, o prêmio por habilidades que não podem ser substituídas por robôs tem aumentado; isso inclui habilidades cognitivas, como pensamento crítico, bem como habilidades sócio-comportamentais, como gerenciar e reconhecer emoções que melhoram o trabalho em equipe. Os ganhos são maiores para aqueles que possuem uma combinação dessas habilidades. O mundo do trabalho em evolução exige habilidades adaptáveis que permitem aos trabalhadores transferir-se mais facilmente de uma tarefa para outra. Desde 2001, a parcela do emprego em ocupações intensivas em habilidades cognitivas e sociocomportamentais não rotineiras aumentou de 19% para 23% nas economias emergentes e de 33% para 41% nas economias avançadas.

Terceiro, a tecnologia digital mudou os termos do trabalho. Em vez de contratos “padrão” de longo prazo, as tecnologias digitais deram origem a mais trabalho de curto prazo, muitas vezes por meio de plataformas de trabalho online. Esses bicos tornam certos tipos de trabalho mais acessíveis e flexíveis. Dito isso, apesar do exagero, a economia de bico(gig) a partir de agora tem demorado a assumir as ocupações tradicionais. As três maiores plataformas de bicos globais – Freelancer da Austrália, Upwork nos Estados Unidos e Zhubajia na China – têm 60 milhões de usuários no total; apenas 0,3-0,5% da força de trabalho ativa participa da economia de bico globalmente.

Como essas mudanças acontecerão no mundo pós-Covid-19? É provável que a pandemia reforce essas tendências pré-existentes e aumente a urgência de respostas políticas correspondentes. Alguns pontos já parecem claros. As “firmas de plataforma” estão dominando ainda mais os mercados. Já estamos vendo a Amazon e o Alibaba ficando ainda maiores e mais fortes, à medida que as lojas físicas não conseguem competir. As empresas investirão mais em sua capacidade de conduzir negócios na Internet para serem mais resilientes a potenciais lockdowns. Alguns empregos de bico também continuarão a crescer. 

As empresas também podem ter mais incentivos para investir em automação e trazer de volta a produção para se proteger contra a interrupção da cadeia de valor. Muitas empresas que dependem de insumos importados estão enfrentando a falta de bens intermediários, pois as cadeias de valor são interrompidas. Eles podem precisar garantir que os suprimentos sejam menos vulneráveis às restrições de viagem.

A tecnologia digital também está melhorando a capacidade das pessoas de trabalhar em casa, embora a possibilidade de trabalho remoto – que depende do tipo de trabalho e tarefas a serem realizados, bem como a capacidade digital – varie significativamente entre os países. Os empregos que conduzem ao trabalho remoto são mais prevalentes nos países ricos, entre trabalhadores com níveis de educação mais elevados e em empregos assalariados de tempo integral. Mulheres e jovens trabalhadores têm menos probabilidade de trabalhar remotamente. A infraestrutura digital é escassa ou de baixa qualidade em muitos países em desenvolvimento.

Políticas de preparação para o futuro do trabalho.

A rápida disseminação da tecnologia, acelerada pela pandemia, gerou uma necessidade urgente de adaptação das empresas e governos. Muitas empresas, especialmente nas economias em desenvolvimento, estão desconectadas digitalmente. Eles podem não ter acesso a trabalhadores com as habilidades certas e enfrentar ambientes de negócios desafiadores. Os trabalhadores, por outro lado, têm pouca proteção e não têm as habilidades ou flexibilidade nos mercados de trabalho para se adaptarem. Para enfrentar esses desafios, as empresas precisam adotar a tecnologia e atualizar os programas de treinamento para equipar seus funcionários com as melhores habilidades. As empresas também podem considerar estágios para equipar futuros trabalhadores com o conjunto certo de habilidades.

Os governos têm um arsenal de opções de políticas à sua disposição, desde incentivos e regulamentos a projetos de infraestrutura e tributação. As principais prioridades devem ser: 

1) aumentar o investimento em capital humano (conhecimento, habilidades e saúde) e aprendizagem ao longo da vida, se os trabalhadores quiserem se adaptar aos mercados de trabalho futuros; 

2) fortalecer as proteções sociais, expandir a cobertura da rede de segurança e reformar os arranjos de financiamento e as normas do mercado de trabalho para facilitar as transições de trabalho e reduzir os desincentivos à criação de empregos formais; 

3) garantir o acesso à Internet a preços acessíveis e, ao mesmo tempo, adaptar os regulamentos para enfrentar os desafios colocados pelas plataformas digitais (como privacidade e proteção de dados e regras de concorrência); e 

4) aprimorar os sistemas de tributação para enfrentar a elisão fiscal e criar espaço fiscal para a proteção social universal e o desenvolvimento do capital humano.

A tecnologia pode ser um benefício para a sociedade se as empresas e os governos se prepararem e se adaptarem. A pandemia levou as sociedades a um ponto de inflexão em que abraçar a tecnologia não é mais uma opção, mas uma necessidade. Também tornou os trabalhadores mais vulneráveis. Com os passos e ações corretos, empresas e governos podem aproveitar a crise como uma oportunidade de construir para o futuro.

Federica Saliola é Economista Principal do Grupo de Empregos do Banco Mundial e codiretora do Relatório de Desenvolvimento Mundial 2019, A Natureza Mutante do Trabalho, que investiga o impacto da tecnologia nos mercados de trabalho.

Asif M. Islam é Economista Sênior para a Região do Oriente Médio e Norte da África do Grupo do Banco Mundial. Sua pesquisa se concentra no desenvolvimento do setor privado.

https://hbr.org/2020/09/how-to-harness-the-digital-transformation-of-the-covid-era?ab=hero-subleft-2

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BJnVYTeAIS5EDxI3py98KK  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/