Pessoas na rua: pandemia acelerou trabalho à distância, mas popularidade depende do setor (Rodrigo Paiva/Getty Images)
Entre as tendências apontadas para a economia e os negócios no pós-pandemia, o modelo de trabalho à distância figura entre os mais citados.
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Em 2020, os profissionais descobriram as dores e as delícias do home office e diversas empresas, como as gigantes de tecnologia, anunciaram que boa parte das suas equipes trabalharão de casa, mesmo com a volta à normalidade.
Se confirmada, essa mudança cultural deve afetar as dinâmicas do mercado de trabalho, a gestão das empresas e a força da migração de talentos para cidades grandes, como mostrou a última reportagem de capa da revista EXAME. A dúvida que fica, porém, é o tamanho que o trabalho remoto vai ter após a pandemia.
Pesquisas apontam dados diferentes, e especialistas destacam que esse tipo de trabalho deve se concentrar em profissões de maior escolaridade, com forte utilização de tecnologia.
Alguns estudos questionam se parte das equipes terão alguma flexibilidade para trabalhar de casa, outras perguntam se a empresa adotará o home office definitivamente para certos funcionários e outras se será só para uma parte das equipes. No fim das contas, tudo depende do recorte e do setor.
De acordo com uma pesquisa da empresa de softwares Salesforce com 20.000 profissionais do mundo inteiro, inclusive do Brasil, 42% dos entrevistados gostariam de seguir em casa mesmo com o fim da pandemia. No Brasil, o interesse é ainda maior: 57% dos entrevistados sonham com essa possibilidade.
Uma pesquisa da plataforma de freelancers Workana mostra, pela perspectiva dos gestores de empresas, que 16,1% dos líderes vão olhar mais para as habilidades dos funcionários, independentemente de onde ele mora.
A pesquisa também mostra que 84,2% dos gestores pretendem promover algum formato de trabalho remoto no pós-pandemia.
Na visão do coordenador do MBA em marketing, inteligência de negócios digitais da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Miceli, o home office no Brasil deve ter um crescimento de 30% a partir do fim da pandemia. Na prática, ele deve envolver 80% das empresas do país, que terão algum tipo de home office.
“Entre as mudanças que a pandemia acelerou no mercado, o home office é mais notável porque ele foi onipresente. Esse experimento forçado acabou com as barreiras culturais que as empresas tinham. Acredito que o que deve acabar prevalecendo é o modelo híbrido. Minha aposta é que o home office fique entre dois e três dias por semana”
Miceli também afirma que o modelo de trabalho integral não deve funcionar integralmente para a maioria dos setores, principalmente porque os seres humanos precisam de interação e é desafiador para as empresas estimularem o senso de pertencimento à distância.
Uma pesquisa da consultoria Mercer, feita com 819 gestores, mostra um interesse de mais ou menos o mesmo nível. 83% dos empregados afirmam que vão oferecer algum tipo de flexibilidade quanto ao local de trabalho no pós pandemia.
Um em cada três empregadores afirmou que pelo menos 50% de sua força de trabalho vai trabalhar de forma remota no pós-pandemia. Antes da pandemia, essa proporção era de um para 30.
A intenção em alta de oferecer serviços de home office também ocorre nas multinacionais que atuam no Brasil.
Neste recorte do mercado, 74% dos executivos afirmam que a intenção é manter o home office no pós-pandemia, de acordo com uma pesquisa da Cushman & Wakefield.
Já uma pesquisa feita pela consultoria McKinsey & Company, feita com 800 executivos no mundo, mostra que a tendência não será tão forte.
No relatório What 800 executives envision for the post pandemic workforce, a consultoria destaca que a quantidade de pessoas em trabalho remoto deve ser menor do que o que foi visto no auge da pandemia, e que a tendência é um modelo híbrido.
Em todos os setores, 15% dos executivos pesquisados em meio à pandemia disseram que pelo menos um décimo de seus funcionários poderiam trabalhar remotamente dois ou mais dias por semana daqui para frente.
A pesquisa também mostra que apenas 7% dizem que um décimo de seus funcionários poderia trabalhar três ou mais dias por semana remotamente.
O potencial para trabalho remoto é altamente concentrado em um punhado de setores, como tecnologia da informação, finanças, seguros e gestão.
Com uma expectativa de home office mais popular no pós-pandemia, uma pesquisa realizada pela empresa de cibersegurança Fortinet e divulgada mostra que 29% das empresas pesquisadas devem seguir com o home office completo como regime de trabalho para pelo menos metade das equipes. A pesquisa foi feita em junho com executivos de 17 países.
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Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/
Por Evandro Milet Blog Os Divergentes dezembro 26, 2020(Publicado também em A Gazeta)
Steve Jobs vivia e respirava música. Era um fã incondicional de Bob Dylan e dos Beatles e já tinha namorado Joan Baez, cantora famosa na época. Seu interesse pessoal guiou as estratégias da Apple em música, basta lembrar do iPod e iTunes. O interesse pessoal de Jeff Bezos também teve forte influência na Amazon. Bezos não apenas amava livros; ele mergulhava neles, processando cada detalhe metodicamente. No apêndice do livro A loja de tudo”, que conta a história da Amazon, há a lista de leitura de Jeff incluindo, entre outros, “O dilema da inovação” de Clayton Christensen, “A lógica do cisne negro” de Nassim Taleb, “Empresas feitas para vencer” e “Empresas feitas para durar”, ambos de Jim Collins, que se tornou grande consultor da empresa. Aliás também consultor fundamental da equipe de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles em seus sonhos grandes na Ambev.
Bill Gates e os livros que recomendou
Bill Gates, criador da Microsoft, é outro leitor compulsivo. A imprensa costuma publicar sua lista de recomendação de livros, mais ampla inclusive que apenas obras de gestão e tecnologia. O livro de Daniel Bergamasco “Da ideia ao bilhão”, conta a história dos unicórnios(startups que atingem valor de mercado de um bilhão de dólares) brasileiros. Em duas das histórias os livros também desempenham papel fundamental nos processos de gestão, incentivados pelos fundadores.
Na fintech Stone a seleção de empregos é feita com uma lista de livros com sete títulos à escolha dos candidatos. Em um dos processos constavam o já citado “Feitas para vencer” e “Por que fazemos o que fazemos” de Mário Sérgio Cortella. Até alguns anos atrás só havia uma obra, “Paixão por vencer” , do icônico Jack Welch, ex-CEO da GE. O objetivo é ler, entender, interpretar e estabelecer conexões entre os conceitos apresentados e as próprias crenças. “Estudar é uma forma de esticar as pessoas” dizem na Stone.
Num livro os autores reúnem o aprendizado de uma vida em algumas páginas, diz André Street, fundador da Stone, que até hoje separa duas horas diárias para estudar. Como ele diz, começou lá pelos 12 anos de idade a encarar livros de auto-ajuda, como “Mais esperto que o diabo” de Napoleon Hill e “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, de Dale Carnegie.
Na unicórnio Arco Educação, o CEO Oto de Sá Cavalcante, um devorador de livros de diferentes estilos, premia as melhores resenhas sobre títulos indicados a cada ano, que vão de “Foco” de Daniel Goleman, a “O Príncipe” de Maquiavel. Os cinco melhores textos recebem cada um mil dólares. “Líderes também precisam ler”, dizia um folheto que anunciava o livro de 2020: “A marca da vitória”, autobiografia de Phil Knight, criador da Nike.
O escritor Italo Calvino
Além disso, as equipes da Arco participam semanalmente do “método da cumbuca”, disseminado por Vicente Falconi. Um livro é proposto a um grupo de 4 a 6 pessoas. e a cada semana eles se encontram para falar sobre um capítulo que todos devem ter lido. Os nomes vão para a cumbuca e a pessoa sorteada deve resumir o capítulo. Se ele não tiver lido a reunião é cancelada, para constrangimento do sorteado. Aliás, a inspiração para o nome da empresa veio de uma passagem de um clássico: “As cidades invisíveis”, de Ítalo Calvino.
Atualmente há uma proliferação de clubes de leitura para empresários, como o que é organizado pela empresa de consultoria KPMG, por onde passaram o sempre presente “A lógica do cisne negro” e mais “Miopia Corporativa” de Richard S. Tedlow e “A Regra é Não ter Regras”, de Reed Hastings e Erin Meyer, com o modelo de gestão da Netflix.
Aqui também em Vitória, as organizações de jovens empreendedores Líderes do Amanhã e Ibef Academy usam a ideia de discutir livros entre os associados como forma de aprendizado em empreendedorismo, economia e gestão.
Que 2021 seja um ano sem pandemia, com muitos livros, ficção e não-ficção, clássicos ou atuais, best sellers ou não, técnicos e não-técnicos (menos o do torturador). As experiências mostram que os livros são importantes para o empreendedorismo, mas também representam o tratamento precoce amplo contra obscurantismos ou uma vacina contra a ignorância.
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“Este final de ano não vai dar para trabalhar, estou me sentido doente.” Mesmo no meio da pandemia do novo coronavírus, os mentirosos não perdoam: 84% dos trabalhadores brasileiros já alegaram estar doentes para faltar ao trabalho.
Essa é uma das revelações da pesquisa organizada pelo Zety, site de carreira e recrutamento, com 1.034 participantes. E apenas 4% dos profissionais disseram que nunca inventaram uma desculpa para faltar ao serviço.
Um momento de apreço pela sinceridade desses poucos antes de mais uma revelação do levantamento: esse tipo de mentira “inofensiva” parece compensar, pois 91% dos mentirosos contaram que nunca foram pegos.
Embora a mentira mais comum seja uma doença, a pesquisa também mostrou que, quando o problema de saúde é para valer, 91% dos respondentes compareceram ao escritório.
E qual o motivo para tantas mentiras? O Zety deixou um espaço na pesquisa para que os profissionais oferecessem justificativas para faltar e as respostas mostram o outro lado da mentira.
Uma razão comum para arranjar um dia de folga foi para encontrar tempo livre para realizar uma entrevista de emprego em outra empresa. Dá para entender por que as pessoas não se sentiram confortáveis em contar ao chefe a verdade.
Fora essa motivação, a maioria das respostas mostrava a necessidade de tirar um dia para se recuperar do estresse, compensar as horas extras em excesso ou para cuidar da saúde mental. Uma pessoa escreveu que sofria pressão demais no escritório e outra confessou: “Eu não estava tendo um dia bom e só queria ficar em casa e chorar com uma garrafa de vinho”.
Claro, também não faltam motivos menos nobres, como “estava de ressaca” ou “não estava com vontade de ir”.
Confira as 10 mentiras mais contadas para faltar ao trabalho:
(Zety/Divulgação)
É verdade, mas parece mentira
A vida também é cheia de absurdos e situações inusitadas. Entre as mentiras mais contadas, todas as situações são corriqueiras e plausíveis. Afinal, é bem possível que você já tenha faltado para ir ao dentista ou tenha precisado ajudar com alguma emergência na família.
E existem situações reais que parecem mentira. Por isso, a pesquisa incluiu a pergunta: “Alguma coisa já aconteceu que te fez faltar no trabalho ou sair mais cedo e as pessoas tiveram dificuldade de acreditar?”
Confira as cincos histórias selecionadas pelo Zety:
Meu coelho tinha de ser castrado.
Meu cavalo morreu.
Eu tive de faltar ao trabalho um dia (anos atrás) porque meu vizinho foi atacado pela namorada e quase morreu e a polícia interditou todo o condomínio (eles estavam tratando como uma investigação de assassinato). Ele sobreviveu, mas passou dias no hospital. Duvido que meu chefe tenha acreditado naquela história, mas era verdade.
Meu cachorro comeu meu aparelho auditivo.
Eu tive cinco mortes consecutivas na família em apenas dois anos e eu acho que as pessoas não estavam mais acreditando. Bem que eu queria que fosse mentira.
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Você já deve ter ouvido falar bastante sobre a inteligência emocional. Afinal, é um termo em evidência.
Por outro lado, talvez não saiba exatamente o que o conceito significa, nem como repercute em seus objetivos profissionais e pessoais.
Para começarmos a entender o tema, vamos recorrer a uma frase clássica, que diz que “as pessoas são contratadas por suas habilidades técnicas, mas são demitidas pelo seu comportamento”.
Essa é uma sentença ainda atual, mas não nova. Ela representa a realidade das organizações ao longo das últimas décadas.
Na atual era digital, cada vez mais os aspectos técnicos vêm sendo supridos pelos avanços tecnológicos, como a partir da inteligência artificial e do machine learning, o aprendizado da máquina.
A exigência, então, se volta para o desenvolvimento de habilidades comportamentais, as chamadas soft skills, em um processo que precisa ser contínuo para lidar com as situações complexas já existentes e as que ainda irão surgir.
Pois uma das soft skills mais importantes (e também mais difíceis de se desenvolver) é justamente a inteligência emocional.
Quando bem trabalhada, essa é uma competência que traz maior equilíbrio na vida pessoal e sucesso profissional para quem almeja evoluir na carreira.
A dúvida que até então pairava nas organizações é se a inteligência emocional não seria uma habilidade inata.
Hoje, sabemos que não: ela não só pode como deve ser desenvolvida por cada um de nós.
O tema é interessante para você? Então, acompanhe abaixo o que preparamos nesse artigo:
O que é inteligência emocional?
O que é ser uma pessoa inteligente?
O que significa ter domínio de sua inteligência emocional?
Principais características de pessoas com inteligência emocional
Por que é importante desenvolver a inteligência emocional?
inteligência emocional no trabalho
7 dicas para você desenvolver a sua inteligência emocional.
Boa leitura!
O que é Inteligência Emocional?
De acordo com a psicologia, inteligência emocional é a capacidade de identificar e lidar com as emoções e sentimentos pessoais e de outros indivíduos.
Um exemplo é a pessoa que consegue terminar suas tarefas e atingir suas metas, mesmo sentindo-se triste e ansiosa ao longo de um dia de trabalho.
Ou seja, é uma habilidade que permite que as pessoas gerenciem melhor seus sentimentos e a forma que agirão com base neles.
A inteligência emocional ajuda em diversos pontos, inclusive a lidar com a rotina
O que é ser uma pessoa inteligente?
Por anos, a medida da inteligência era dada exclusivamente pelo Quociente de Inteligência (QI) de uma pessoa.
No conceito de QI está, em linhas gerais, a habilidade de raciocinar, pensar problemas de forma abstrata, gerar soluções para assuntos complexos e aprender rapidamente.
Tudo isso se relaciona com o desenvolvimento cognitivo dos indivíduos.
Contudo, muitos estudiosos passaram a questionar essa teoria da inteligência única.
Em contraposição a essa corrente, Howard Gardner, elaborou a teoria das múltiplas inteligências na década de 80.
De acordo com o novo estudo, tanto Pelé como Einstein são exemplos de pessoas muito inteligentes.
Pelé se destaca na inteligência corporal-cinestésica, enquanto Einstein leva “nota 10” na inteligência lógica-matemática.
Linguística: comunicação oral e escrita, lidar com palavras. Políticos, poetas e jornalistas costumam ser referência
Musical: produz e diferencia sons, ritmos e timbres
Lógica/Matemática: resolução de cálculos e problemas. Cientistas, acadêmicos e engenheiros são os destaques
Visual/Espacial: visão do todo, 3D, reconhecimento especial. Pintores, fotógrafos e designers são exemplos de profissionais com essa inteligência bem desenvolvida
Corporal/Cinestésica: não só os atletas a utilizam, mas também profissões como cirurgiões e artistas plásticos, pois devem fazer um uso racional de seu corpo ao exercer a profissão
Interpessoal: auxilia na interpretação dos gestos e palavras na esfera social. Permite a empatia
Intrapessoal: possibilita que possamos nos compreender e nos controlar internamente
Naturalista: detecta e relaciona questões da natureza. Está ligada à sobrevivência do ser humano.
A inteligência emocional, da forma abordada por Daniel Goleman, que é considerado o pai desse conceito, está relacionada aos itens 6 e 7 da teoria de Gardner.
Nos próximos tópicos, abordaremos outros aspectos de seu ponto de vista com mais detalhes.
O que significa ter domínio de sua inteligência emocional?
Dominar sua inteligência emocional significa ser capaz de perceber suas emoções, saber nomeá-las, entendendo seus gatilhos, para, então, desenvolver formas de lidar com elas.
E elas são muitas.
Felicidade, raiva, angústia, medo, alívio, tédio… alguns estudos falam em 27 emoções, enquanto outros abrem esse leque para quase 50.
O grande desafio é que temos gerações de pessoas que cresceram sendo ensinadas a nomear tudo como tristeza, alegria, medo e raiva.
Assim, se a angústia decorrente de uma situação de conflito e contradição for tachada como tristeza, será difícil de dominar, pois o sentimento por trás é mais complexo. Pode até envolver a tristeza, mas não se limita a ela.
Ter a consciência das emoções existentes que se pode experimentar permite que você entenda também quais são os gatilhos de cada uma.
E, a partir disso, será possível desenvolver formas de lidar com elas.
Com o tempo, você percebe que está com mais jogo de cintura, que se tornou uma pessoa mais leve, otimista e que resolver problemas não é mais um fardo.
A partir desse momento, você terá domínio de sua inteligência emocional.
Saber lidar com problemas de forma otimista e direta é um sinal de inteligência emocional
Principais características de pessoas com Inteligência Emocional
Daniel Goleman, ao atribuir 80% do sucesso das pessoas aos fatores relacionados à inteligência emocional, identificou cinco características principais entre aquelas que apresentam a habilidade.
São elas:
Autoconsciência
Pessoas que se conhecem.
Significa ter consciência de suas fortalezas, fraquezas e limitações.
Essas pessoas aprendem a explorar suas potencialidades e respeitam seus limites.
Automotivação
É algo interno.
Permite colocar os sentimentos a serviço de suas metas pessoais.
Perseverança, resiliência e iniciativa são características de pessoas automotivadas.
Reconhecimento das emoções em outras pessoas
Sentir o outro em um ambiente social, perceber suas dores e necessidades, ter empatia.
Isso requer habilidade e muito treino.
Controle emocional
Capacidade de lidar com situações adversas mantendo o controle e a segurança, de forma positiva e menos estressante.
Pessoas que conseguem barrar seus impulsos têm maiores chances de manter um controle emocional frequente.
Relacionamentos interpessoais
Interagir em ambiente social.
Estar emocionalmente disponível, ser persuasivo, influente e saber administrar conflitos.
Com quais dessas características você se identificou e quais acredita que precisa trabalhar mais a fundo?
Uma coisa é certa: todos podem evoluir e desenvolver a inteligência emocional.
Por que é importante desenvolver a inteligência emocional?
Se você ainda não se convenceu da importância do desenvolvimento da inteligência emocional, preste atenção neste tópico.
Ao pensar em liderança, muitos descrevem diversas características cognitivas (visão estratégica, raciocínio rápido, entre outras) e sempre acrescentam a palavra liderança inspiradora.
Para inspirar, um líder precisa mexer com as emoções. E isso pode ser um problema, tanto para si, como para sua equipe.
A grande questão é: como direcionar a sua emoção e as de outras pessoas habilmente para que todos possam ter uma performance superior?
Vamos mudar o contexto para chegarmos a um entendimento melhor.
Pense na educação de uma criança. Os pais são os líderes inspiradores, certo?
Da mesma forma, se você não souber lidar com suas emoções como pai/mãe, como conseguirá ensinar seus filhos a lidar com as emoções deles, para que se tornem adultos inteligentes emocionalmente?
Essas questões demonstram a importância de desenvolvermos a inteligência emocional diariamente, pois, como seres humanos, experimentamos diferentes emoções o tempo inteiro.
E, pior ainda, nossas emoções podem levar a um efeito em cadeia ao nosso redor.
Basta lembrar quando alguém que chega no escritório esbanjando raiva. Cada palavra e gesto refletem sua emoção, certo?
De repente, o clima no departamento fica ruim. Todos começam a tratar uns aos outros de forma raivosa, mas sem motivo aparente.
Lembre-se: sentimentos são contagiosos, para o bem e para o mal.
Portanto, a forma como reagimos a cada uma dessas emoções nos ajuda a alcançar nossos objetivos pessoais e profissionais.
E isso também permite que sejamos melhores líderes, desenvolvendo relacionamentos saudáveis, com uma vida mais equilibrada e feliz.
Um líder precisa ter alta inteligência emocional
Inteligência Emocional no trabalho
Considere a seguinte situação: você vai apresentar um importante projeto de sua divisão de negócios para o vice-presidente global em uma hora.
Tecnicamente, está tudo impecável. Você revisou cada ponto com o time envolvido e estão todos de acordo e confiantes que o projeto será aprovado.
Você está muito satisfeito com o trabalho.
Então, resolve fazer uma pausa para saborear um cafezinho. Ao chegar lá, encontra um grupo de colegas.
No meio da conversa, alguém faz uma brincadeira com você. Todos riem e seguem a conversa.
Contudo, algo naquela brincadeira mexeu com seu emocional. Você não consegue identificar o que aconteceu, mas isso o desestabiliza.
Sua confiança para a apresentação vai embora e uma ansiedade sem fim toma conta de você.
A apresentação que parecia estar perfeita, agora parece estar cheia de defeitos.
Você se torna o pânico em pessoa. E o cenário continua se deteriorando.
Na hora “H”, perante o VP global, você se enrola, não defende seu ponto de vista, não sustenta seus argumentos, nem sua construção lógica.
Até seu inglês impecável o deixa na mão. Tudo vai por água abaixo e seu projeto não é aprovado.
O que será que aconteceu? Qual gatilho emocional aquela brincadeira disparou? Quais emoções foram despertadas?
Uma pessoa com inteligência emocional saberia identificar a emoção que a brincadeira despertou.
E, ao perceber, usaria alguma técnica para contê-la naquele momento e poder continuar desempenhando seu papel na apresentação.
Existem diversas técnicas de PNL (Programação Neurolinguística), como a âncora, na qual a pessoa recorre a uma imagem positiva, que permite com ela restabeleça o controle emocional rapidamente.
Contudo, esse não foi o caso. E sua carreira pode ser prejudicada por episódios como esse.
Esse é um exemplo do ambiente profissional, mas, na vida pessoal, existem diversas outras situações similares que poderíamos contornar melhor com inteligência emocional.
Saber se auto-observar é uma ferramenta importante
7 dicas para você desenvolver a sua inteligência emocional.
Para lidar melhor com seu lado emocional e evitar ter sua carreira prejudicada por situações como a descrita no tópico anterior, tente praticar algumas das dicas a seguir.
Elas podem representar o ponto de partida para desenvolver a sua inteligência emocional.
1. Crie consciência sobre seu comportamento e suas reações
A melhor forma de criar consciência sobre si é se auto-observar. Esse é um exercício que deve ser diário.
Comece elencando os momentos de seu dia a dia que mais mexem com suas emoções.
A rotina diária para quem tem filhos pode ser desestabilizadora: frustração, raiva, sentimento de impotência, pouca valorização, esgotamento, enfim.
Reuniões semanais de equipe também podem causar impactos em você: sentimento de improdutividade, ciúmes entre membros, competição, entre outros.
Com essa lista pronta, entenda o que cada situação desperta e como você se sente antes e depois de cada evento.
É provável que perceba uma tendência a postergar cada vez mais aquilo que mexe negativamente com suas emoções, mesmo que sejam tarefas importantes para atingimento de suas metas.
E, paralelamente, irá perceber que costuma realizar mais rapidamente tudo o que é mais agradável emocionalmente.
Aos poucos, leve essa consciência para situações que fogem de sua rotina.
Isso é ainda mais desafiador, contudo, fundamental. Pare, observe e entenda como você reage e se comporta com as adversidades não rotineiras.
Esse exercício contínuo permitirá que você saia do automático e compreenda melhor como trabalhar sua inteligência emocional.
2. Domine suas emoções
Existem inúmeras técnicas.
Caberá a você colecioná-las em sua caixa de ferramentas pessoal e recorrer a elas nos momentos em que necessitar.
Uma forma de sair do automático e entender sua emoção naquele momento é dar um tempo para respirar profundamente.
Não é à toa que a respiração faz parte de processos de meditação e yoga.
Use o inspirar e expirar para se acalmar, voltar ao seu estado normal, tirar as emoções excessivas, permitindo que você retome sua capacidade de analisar a situação.
A raiva, por exemplo, é considerada uma emoção que produz reações físicas.
Ter uma bolinha para apertar nesses momentos pode ajudar a dominar esse sentimento.
Se tiver a possibilidade de se levantar e sair para dar uma volta pela empresa, pode ser uma alternativa.
Ao caminhar, você respira, deixa o corpo trabalhar as emoções físicas e pode, aos poucos, tentar entender seus sentimentos e como equilibrá-los.
O mindfulness também é uma forma de lidar com suas emoções.
Essa técnica permite que você perceba, por meio da atenção plena, seu corpo e mente, em situações desafiadoras, permitindo regular suas emoções, criando um espaço mental.
As técnicas de PNL, já citadas anteriormente, entram novamente neste tópico, sendo muito úteis para dominar as emoções no dia a dia.
Comunicação é tudo para saber trabalhar em equipe e aumentar a inteligência emocional
3. Melhore a comunicação ao seu redor
Muitas vezes, as emoções vêm à tona simplesmente por interpretações erradas de uma situação.
Aprender a se expressar significa não só falar e gesticular bem, mas também perceber se seu interlocutor compreendeu o que foi falado.
Diversas equipes vivem em estresse emocional simplesmente porque a comunicação é truncada.
Uma dica valiosa para melhorar essa habilidade é colocar sentimento em sua fala: “Eu me senti desvalorizado quando você optou em apresentar o meu trabalho na reunião ao invés de permitir que eu mesmo apresentasse.”
4. Treine seu cérebro para pensar em respostas ao invés de reagir no automático
Quando você é agredido verbalmente por uma pessoa, seu impulso é rebater na mesma moeda?
Se sim, você está deixando seu inconsciente emocional e impulsivo tomar conta de suas ações.
Daniel Goleman classifica isso como o cérebro emocional, em contraposição ao cérebro pensante.
Com treino constante, você deve tentar controlar o impulso do cérebro emocional para permitir que o pensante entre em cena.
No contexto das empresas, uma dica de ouro é a seguinte: nunca responda um e-mail que desperte emoções logo após fazer sua leitura.
Espere alguns minutos, respire profundamente ou vá dar uma volta (olha a caixinha de ferramentas barrando o cérebro emocional) e só depois formule uma resposta.
Ao reagir no automático, nos colocamos em uma posição contrária à inteligência emocional.
5. Conheça suas forças, fraquezas e limites
Ao elencar suas forças, fraquezas e limites pessoais, você avançará em sua jornada de autoconhecimento.
Suas forças irão ajudar a não só equilibrar suas fraquezas, mas também a explorar oportunidades.
Reconhecer suas fraquezas permite que você aprenda a pedir ajuda, valorize o trabalho dos outros e enxergue como cada um complementa o outro em uma equipe.
Por fim, os limites vão sinalizar quais são seus pilares e valores inegociáveis.
Lembre-se: respeitar a si próprio é uma das principais formas de demonstrar inteligência emocional.
A inteligência emocional envolve muito o outro. Ter empatia é fundamental
6. Exerça a empatia
Como a inteligência emocional se refere ao reconhecimento não só das nossas emoções, mas também dos outros, desenvolver empatia é fundamental.
Tentar compreender como o outro se sente e suas emoções desperta em cada pessoa a vontade de agir melhor.
Ser empático significa olhar menos para seus problemas e olhar para fora, enxergar quem está ao seu redor, com intuito de poder ajudar de verdade.
A empatia, quando bem trabalhada, gera conexão entre as pessoas.
Isso torna os ambientes de trabalho mais produtivos e as relações pessoais verdadeiras.
7. Torne-se resiliente
Problemas sempre existirão. Somos humanos e não vivemos em um mundo perfeito.
A boa notícia é que podemos lidar com eles, superar obstáculos e seguir em frente.
A resiliência irá lhe ajudar a lidar melhor com o estresse e as tensões do ambiente de trabalho.
A frase famosa de Bill Gates “é bom comemorar o sucesso, mas é mais importante prestar atenção às lições do fracasso”, ilustra bem a questão da importância da resiliência em nosso desenvolvimento pessoal.
Ao se tornar resiliente, as lições aprendidas em momentos difíceis irão propiciar que você ganhe musculatura emocional.
Ter bom domínio da inteligência emocional é algo que deve ser valorizado por empresas e profissionais
Conclusão
A inteligência emocional é, sem dúvida, determinante para o sucesso profissional e pessoal das pessoas.
No âmbito profissional, essa habilidade permite que você coloque a sua parte cognitiva para funcionar, estabeleça parcerias, crie um ambiente de trabalho positivo e uma mentalidade de crescimento coletivo.
No âmbito pessoal, você terá relacionamentos mais saudáveis, criará uma atmosfera de segurança emocional entre as pessoas queridas e educará seus filhos para serem adultos conscientes de si.
E o primeiro passo para ter acesso a tudo isso é entender que ela pode ser desenvolvida.
É uma jornada intensa, que durará sua vida inteira, mas que, com certeza, será recompensadora.
Ao se autoconhecer, você terá a possibilidade de viver uma vida mais leve, sem estresse e com melhores resultados.
Caso tenha gostado do tema e queira se aprofundar, conheça alguns livros de Daniel Goleman:
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‘Nossos índices de produtividade estão maiores’, afirma Marcandali
O engenheiro de computação Adriano Marcandali, diretor para a América Latina do Workplace, plataforma de digitalização das relações de trabalho do Facebook, diz que a pandemia trouxe conectividade para as empresas e que as reuniões virtuais, as teleconferências e os webinars estarão cada vez mais presentes daqui para a frente. Em sua visão, o futuro do trabalho será “híbrido”’, com algumas pessoas trabalhando de forma remota e outras presencialmente e também com um grupo passando alguns dias no escritório e outros em casa.
Para Marcandali, depois do choque digital provocado pela pandemia, as empresas agora têm de “cuidar das pessoas”. É por isso, segundo ele, que está surgindo uma parceria entre as áreas de RH, para cuidar de gente, de TI, para fornecer a tecnologia, e de comunicação, para dar clareza para onde a empresa tem de ir e engajar os funcionários, já que parte do pessoal está trabalhando de forma remota e parte de forma presencial. “O papel da tecnologia vai ser facilitar a aproximação das pessoas, a criatividade e a colaboração”, afirma.
● Durante a pandemia, com o isolamento social e o home office, as reuniões virtuais, as teleconferências e os webinars se tornaram uma realidade para as empresas e os empregados. Isso deverá se aprofundar daqui para a frente?
Isso vai estar cada vez mais presente nas empresas. Na maioria dos casos, a pandemia trouxe a conectividade para as pessoas. A importância de ter toda a empresa numa plataforma de comunicação vai continuar a existir. Do ponto de vista de reuniões, a gente viu uma presença do vídeo cada vez maior. Vai haver sempre uma reunião presencial, mas com a opção do acesso remoto. Se alguém estiver em outro local vai poder participar daquela reunião também.
● Em sua visão, como será o futuro na área do trabalho?
O futuro do trabalho será híbrido, com algumas pessoas trabalhando nos escritórios e outras trabalhando remotamente. Vai ter também pessoas que utilizam ambos os modelos em diferentes dias da semana, passando alguns dias no escritório e trabalhando outros em casa. Neste modelo, o papel da tecnologia vai ser facilitar a aproximação das pessoas, a criatividade e a colaboração. Então, a gente vê um papel fundamental da tecnologia neste processo, mas também vê uma mudança no desenvolvimento das pessoas na organização. A comunicação tem um papel essencial e tem de ser mais rápida, com as ferramentas de trabalho remoto, engajando inclusive pessoas que nunca tiveram acesso a uma plataforma digital, pessoas que trabalham no chão de fábrica.
● Como deve ser essa combinação de trabalho presencial com trabalho remoto?
As empresas mais digitais, como fintechs, startups, e negócios que prestam serviços online, vão ter um índice muito mais alto de trabalho remoto ou trabalho remoto permanente. Vão poder recrutar pessoas que não necessariamente têm acesso hoje aos empregos que elas oferecem. Por outro lado, existem empresas em que os trabalhadores ficam numa planta industrial, num centro de distribuição ou atendendo clientes, no varejo. Então, haverá setores com mais trabalho remoto e outros com menos. A mesma coisa deve acontecer dentro das empresas, com as diferentes funções. Que tipos de função dentro das organizações poderão ter trabalho remoto mais permanente ou um índice de home office maior? Os trabalhos que estão no mundo administrativo, no mundo financeiro, no mundo jurídico, em TI, no desenvolvimento de sistemas. Vai ser bastante segmentado por indústria e por função. Mas acredito que vamos viver um momento em que teremos de experimentar e aprender com os erros.
● Como a digitalização do trabalho deverá afetar as empresas no pós-pandemia?
As empresas estão pensando numa forma de trazer um pouco dessa mudança tecnológica para o nível cultural. Vários clientes estão conversando sobre isso com a gente. Está surgindo uma parceria entre as áreas de RH para cuidar de gente, de TI, para fornecer a tecnologia, e de comunicação, para dar clareza para onde a empresa tem que ir e engajar os funcionários, já que parte do pessoal está trabalhando de forma remota e parte de forma presencial. Agora, a gente vê que, hoje, o líder está mais humanizado, explorando as lives e as videoconferências para a empresa toda. Houve o crescimento do board (conselho de administração) remoto, a integração digital de novos funcionários, trazendo-os para um mundo em que possam trabalhar de casa. Isso vai exigir grupos de mentoria, maior proximidade. A área de RH está bastante preocupada em criar um espaço para ouvir os funcionários. Hoje, o que acontece? Você tem novos concorrentes, novos modelos de negócios sendo implementados, novos hábitos dos consumidores. Mas, se o vendedor que está na frente do cliente não conseguir passar esse insight para a empresa, não dá para ela reagir rapidamente.
“No mundo virtual, as empresas precisam potencializar a colaboração, a empatia e a humanização”
● Tudo isso representa uma enorme mudança, que ocorreu em poucos meses, para as empresas e para os trabalhadores. Agora, como o sr. disse, será preciso ampliar o treinamento das pessoas, avaliar melhor as ferramentas disponíveis, incorporar a cultura da empresa ao processo. Como será feito isso?
No Brasil, quando a gente pensa na digitalização interna nas empresas, tem de levar em conta que 80% da mão de obra são trabalhadores que não têm uma mesa, que estão na linha de frente, em centros de distribuição, no chão de fábrica. É uma população que até agora não tinha um canal digital dentro da empresa para se comunicar. Eles não têm as mesmas ferramentas que alguém da sede, do administrativo, tem. Durante a pandemia, essas pessoas precisaram se conectar e a partir do momento que se conectaram elas trouxeram novos insights e também as suas necessidades. Essa população não era servida e passou a ser. Agora, a gente vai ter que dar suporte, motivação, direcionamento estratégico para essas pessoas. Apesar de o Brasil já ter as plataformas disponíveis, as empresas estão em níveis de maturidade distintos nessa questão.
● De qualquer forma, essas mudanças representam uma enorme redução de custos. Primeiro para os funcionários, com corte de despesa de combustível, de tempo no trânsito, de viagens de trabalho, de transporte público. Para as empresas, também, com corte de gastos de energia, telefone, segurança e até do espaço destinado aos escritórios. Que impacto isso está tendo na produtividade?
De repente, você pode até economizar com o trabalho remoto, mas a criatividade pode estar se reduzindo. Quando colocamos as pessoas para trabalhar em casa, a gente tem de dar um ambiente que propicie a elas continuar tendo criatividade, colaboração, aquela experiência de troca que tinham no escritório. Acredito que tem de haver um equilíbrio aí. Qual será depois o papel do escritório? O papel do escritório pode passar a ser aquele em que você vai ter experiências corporativas, espaços de criação, para reuniões mais colaborativas, dentro desse sistema híbrido. Como é que a gente faz para ter dentro do mundo virtual a mesma sinergia que tinha anteriormente? No mundo virtual, as empresas precisam de plataformas que potencializem a colaboração, a empatia e a humanização que nós tínhamos no escritório, para não ter uma perda do outro lado.
● Pelo que o sr. está dizendo, a digitalização do trabalho representa uma solução, mas traz também novas questões que terão de ser endereçadas para manter a roda girando. É isso?
Exatamente. Por isso, a parceria entre a TI, o RH e a comunicação, que mencionei há pouco, é super importante, porque temos de cuidar das pessoas. Temos de nos preocupar com o que vamos conceder às pessoas quando elas estiverem no trabalho remoto nesse modelo híbrido, com o que precisamos fazer para continuar a escutá-las, para realizar enquetes, para saber os desafios que elas estão tendo regionalmente, para elas poderem nos passar insights que permitam a realização de mudanças na organização.
“Há uma tendência de os millenials e os Zs resolverem tudo pelo WhatsApp ou por chamada de vídeo”
● Mesmo levando isso em conta, não dá para ignorar que os trabalhadores vão despender menos horas improdutivas em deslocamentos e coisas do gênero e se concentrar mais no business. O sr. não concorda com isso?
Sim, se você pensar na conta do homem-hora, em quanto você gastava com deslocamento, fazendo uma série de atividades que não precisa fazer mais, realmente agora nossos índices de produtividade estão maiores. Agora, o que estou dizendo é que a tecnologia vai ajudar bastante a democratizar o mundo corporativo. Os executivos vão poder interagir com os consumidores. Os eventos, que eram puramente presenciais, também vão mudar bastante, para um misto de evento presencial e virtual. Qualquer pessoa que se interesse por aquilo poderá participar. É possível amplificar muito mais um evento, um road show, para diferentes audiências. O que pandemia trouxe é que as pessoas hoje estão extremamente familiarizadas com o consumo de vídeo, ferramentas virtuais e lives. Agora, para o mundo corporativo se conectar com essas audiências é muito mais simples. Com tudo isso, a gente consegue fazer com que as empresas continuem ampliando o uso desse formato para aumentar a produtividade.
● Agora, imagino que o networking continuará a depender do contato presencial. O que o sr. pensa sobre essa questão?
Hoje, no ambiente de trabalho existem cinco gerações distintas, os baby boomers, a geração X, os millennials, os Zs. Os hábitos de consumo e as experiências delas são bem distintos. Tem pessoas extremamente orientadas ao tête-à-tête, a querer estar presente, querer tomar um café para fazer networking. Agora, a gente observa uma tendência de os millenials e os Zs quererem resolver tudo online, pelo WhatsApp ou por uma chamada de áudio e vídeo. Isso ainda vai depender muito das particularidades dessas multigerações. Então, os eventos, webinars, ainda deverão ter formato presencial e vão ter transmissão por streaming e on demand.
● O sr. acha possível fazer networking digital, sem aquela conversa olho no olho num café da manhã, num almoço de negócios ou num seminário presencial?
Isso faz muito parte da nossa geração, porque nós tivemos essa experiência no decorrer da carreira. Nós conhecemos pessoas incríveis e tivemos acesso a uma rede muito ampla fazendo isso. Nós vamos continuar a demandar por isso. Agora, se você pensar nos nossos filhos, nas novas gerações, eles não têm nem e-mail. Têm uma conta no WhatsApp, no Facebook, no Instagram. São os nativos digitais. Eles vão procurar fazer seu networking de forma 100% digital. Vão ter os grupos, os fóruns, as suas comunidades digitais, nas quais vão criar esses relacionamentos, esses vínculos. Eles vão suprir essa nossa necessidade de forma diferente, porque a experiência deles foi digital desde que nasceram. Vão chegar no mesmo objetivo, só que com outra plataforma e com outra ferramenta.
● Para concluir, gostaria que o sr. um breve balanço de como essas mudanças ocorridas na pandemia vão moldar o nosso futuro na área do trabalho.
Nós sofremos um processo de digitalização intensa. A gente acredita que esse futuro será uma combinação de uma nova cultura, mais humanizada, com muitas novas tecnologias digitais. Do ponto de vista de tecnologia, a gente verá uma imersão cada vez maior no vídeo e o uso cada vez maior da inteligência artificial, porque está todo mundo conectado, e depois uma onda de realidade virtual que vai transformar a forma como a gente trabalha, deixando-a um pouco mais aberta, flexível. Do ponto de vista do ser humano, a gente vai ter uma demanda para que os profissionais tenham mais criatividade, mais empatia, e mais habilidades interpessoais, porque de nada adianta a gente ter essas ferramentas incríveis se a gente não souber lidar com o ser humano. Então, nós vamos passar por um processo intenso de digitalização, mas a gente vai ter de começar a trabalhar essa parte cultural e esses valores.
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Muito antes de seu filme favorito chegar a um cinema perto de você, ele foi apresentado em uma reunião de apresentação. Os roteiristas de Hollywood normalmente têm de três a cinco minutos para propor uma ideia, mas leva apenas cerca de 45 segundos para os produtores saberem se desejam investir. Especificamente, os produtores estão atentos a uma logline: uma ou duas frases que explicam do que trata o filme. Se não houver logline, na maioria das vezes, não há venda.
Um pitch vencedor começa com uma logline vencedora – uma lição valiosa para inovadores em qualquer campo. As inovações mais valiosas oferecem novas soluções para problemas desafiadores. Mas sem o apoio dos investidores, mesmo as melhores ideias podem nunca decolar. Para influenciar as pessoas que podem transformar sua ideia em realidade, você precisa apresentar seu pitch de maneira empolgante e direta. Tudo isso começa com a logline – uma arte que os roteiristas dominam.
Quando questionados sobre o assunto de seu filme, os roteiristas de sucesso têm uma resposta pronta que é clara, concisa e envolvente. Os líderes empresariais recebem uma versão dessa mesma pergunta ao longo de suas carreiras:
Sobre o que é a sua apresentação? O que sua startup ou produto faz? Qual é a sua ideia?
Se você pode responder em uma frase convincente, você pode prender seu público. De acordo com o biólogo molecular John Medina, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, o cérebro humano anseia por significado antes dos detalhes. Quando um ouvinte não entende a ideia geral que está sendo apresentada em um pitch, ele tem dificuldade em digerir as informações. Uma logline ajudará você a pintar o quadro geral para seu público.
No cinema de Hollywood, uma das melhores loglines de todos os tempos pertence ao icônico thriller que manteve as crianças fora do mar durante o verão de 1975:
Um chefe de polícia, com fobia de mar aberto, enfrenta um tubarão gigantesco com apetite por nadadores e capitães de barco, apesar de um conselho municipal ganancioso que exige que a praia fique aberta.
O que o faz funcionar? A logline para Tubarão identifica os elementos-chave da história: o herói, sua fraqueza, seu conflito e os obstáculos que ele deve superar – tudo em uma frase. Ela descreve o enredo geral de uma maneira interessante e direta, em vez de focar em detalhes que podem parecer sem sentido sem o contexto do quadro geral.
Os líderes empresariais podem usar loglines de maneira semelhante para explicar claramente uma ideia complexa. Se dominada, pode ser uma ferramenta poderosa e influente. Mas comunicar seu ponto de vista de uma forma simples e digerível é difícil. Na verdade, é mais fácil adicionar desordem às apresentações de negócios do que eliminar detalhes desnecessários e condensar. Embora dominar a logline seja um desafio, existem etapas que você pode seguir para fazer isso.
Mantenha curta.
Em seu livro Leading, o investidor de capital de risco Michael Moritz conta a história de dois alunos de pós-graduação de Stanford que entraram em seu escritório na Sequoia Capital e apresentaram o plano de negócios mais conciso que já ouvira. Sergey Brin e Larry Page disseram a Moritz: “O Google organiza as informações do mundo e as torna universalmente acessíveis.” Em 10 palavras, essa logline levou à primeira grande rodada de financiamento do Google. Moritz disse que o pitch estava claro e tinha um propósito.
Um logline deve ser fácil de dizer e fácil de lembrar.
Como exercício, desafie-se a mantê-lo abaixo de 140 caracteres, curto o suficiente para postar na versão antiga do Twitter (antes que a plataforma permitisse 280 caracteres por tweet). Com 77 caracteres, o argumento de venda do Google faz a diferença.
Identifique uma coisa que você deseja que seu público se lembre.
Steve Jobs era um gênio em identificar a única coisa que ele queria que lembrássemos sobre um novo produto. Em 2001, o iPod original permitia que você carregasse “1.000 músicas no bolso”. Em 2008, o MacBook Air era “o notebook mais fino do mundo”. A Apple ainda usa essa estratégia hoje. Os executivos repetem uma descrição de uma frase ao apresentar novos produtos. Essa mesma logline passa a aparecer no site da Apple e nos comunicados de imprensa da empresa.
A “única coisa” deve atender às necessidades de seu público.
Um profissional de vendas de uma grande empresa de tecnologia recentemente me disse uma logline que ele usa para atender às necessidades de seu público – compradores de TI: “Nosso produto reduzirá a conta de telefone celular da sua empresa em 80%”. Com uma frase, seus clientes querem saber mais porque sua logline resolve um problema específico e os fará parecer heróis para seus chefes. Acima de tudo, a logline é fácil de lembrar e dá às pessoas uma história que elas podem levar para outros tomadores de decisão em suas organizações.
Certifique-se de que sua equipe esteja na mesma página.
Cada pessoa que fala em nome de sua empresa ou vende seu produto deve entregar a mesma logline. Por exemplo, trabalhei com os principais líderes da SanDisk, a empresa de memória flash, para prepará-los para uma grande conferência de analistas financeiros. Sete executivos fizeram cinco horas de apresentações. Eu sugeri que – antes de entrar em detalhes financeiros essenciais – cada pessoa deveria entregar a mesma logline no início de suas apresentações e, em seguida, terminar suas apresentações repetindo-a mais uma vez. Como grupo, decidimos pela logline: “Na próxima década, o flash será maior do que você pensa.”
O objetivo da logline era provocar excitação para todos os produtos que a memória flash permitiria, como iPads, laptops, smartphones e serviços em nuvem. Quando a conferência terminou, o primeiro post do blog financeiro que apareceu trazia o título: “O Flash será maior do que você pensa”. Loglines atraem atenção; loglines consistentes são inesquecíveis e repetíveis.
Se você não consegue comunicar seu argumento de venda em uma frase curta, não desista. Às vezes, a linguagem chegará até você imediatamente, outras vezes pode exigir mais prática. Seja paciente. Depois de dominar a logline, você poderá esclarecer facilmente suas ideias e ajudar o público a retê-las, lembrá-las e agir de acordo com elas.
Carmine Gallo é o autor de Five Stars: The Communication Secrets to Get from Good to Great (St. Martin’s Press). Ele é um instrutor da Harvard University no departamento de Educação Executiva da Graduate School of Design. Inscreva-se no boletim informativo de Carmine em carminegallo.com e siga-o no Twitter @carminegallo.
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Após quase 40 anos de aproximação comercial e financeira entre os países, a década de 2020 deve trazer um mundo menos globalizado. Economistas e analistas têm visto diferentes sinais nesse sentido, que vão dos EUA evitando assumir a liderança na busca por um mundo com menos fronteiras e barreiras à tentativa de garantir maior soberania de cada nação, após a pandemia do coronavírus. Mas há muito mais no cardápio a reforçar o pêndulo rumo a um mundo mais fechado.
“Um dos principais movimentos que indicam a menor globalização nos próximos anos é o fato de os norte-americanos estarem menos interessados em serem os arquitetos multilaterais para o livre comércio”, diz Ian Bremmer, presidente e fundador do Grupo Eurasia, uma das maiores consultorias globais de política e economia. “É uma posição que ocuparam historicamente e cuja saída deixará grandes reflexos na economia global.”
Eleição apertada de Biden foi recado das urnas
A tendência já havia ficado clara na eleição de Donald Trump, levado à presidência dos EUA graças ao discurso voltado ao americano de classe baixa, pouco qualificado, que perdeu emprego e renda durante décadas de crescimento do país com acordos comerciais diversos. Com a vitória apertada de Joe Biden, a mensagem das urnas foi reforçada – e deve haver a busca por uma alternativa que atenda a esse eleitor, segundo o Wall Street Journal.
“Muitos americanos olham o livre comércio e pensam: ‘talvez o país tenha ficado mais rico, talvez as pessoas mais ricas tenham ficado mais ricas, mas nós não estamos ficando mais ricos. Não vamos apoiar o livre comércio’”, diz Bremmer. O coronavírus, que aumentou a desigualdade social, expondo mais os trabalhadores incapazes de desempenhar suas funções remotamente, só agravou essa tendência.
Democratas tendem a buscar nova via de globalização, com treinamento maior dos trabalhadores
“O sentimento anti-establishment nos EUA, tanto de esquerda quanto de direita, está crescendo. Foi dessa maneira que tivemos Trump e (o candidato à presidência) Bernie Sanders”, diz ele. “Os EUA são hoje o país mais desigual e mais politicamente dividido entre todas as economias industriais e é parte da razão pela qual não querem mais liderar o mundo do jeito que fizeram.”
Entre as alternativas buscadas pelos norte-americanos, há na agenda democrata o treinamento massivo dos trabalhadores, para que enfrentem em condição de igualdade a disputa pelas melhores vagas. “Os norte-americanos estão assustados como o gap entre seus trabalhadores e os de outros países diminuiu e a alternativa agora é investir na qualificação”, afirma Rodrigo Zeidan, professor de finanças e economia da NYU em Xangai.
A missão não será fácil, mesmo para os EUA. Passa pela necessidade de maior orçamento – em um Senado que pode ser majoritariamente Republicano e impedir o plano do presidente eleito. Também há a dificuldade de a mão de obra sem treinamento ser gigantesca. “A última vez que isso ocorreu foi durante a Revolução Industrial no Reino Unido e duas gerações inteiras foram perdidas, até que as pessoas fossem habilitadas a fazerem novos trabalhos”, diz Bremmer.
Briga em torno do 5G e trabalho mais caro na China impulsionam mundo menos aberto
Outro movimento que também indica a tendência à menor globalização é a guerra fria tecnológica entre EUA e China, por conta do 5G. Na área que responderá pela próxima revolução industrial, na qual a internet de altíssima velocidade dará a base para o salto de produção e inteligência das máquinas, os norte-americanos não querem compartilhar dados sensíveis de seu governo e empresas com seu maior concorrente comercial. “É um país comunista e totalitário e os EUA não querem que o governo chinês tenha acesso a dados que envolvam segurança nacional”, diz Bremmer.
Um terceiro ponto no sentido de um menor intercâmbio na próxima década diz respeito à redução da vantagem de se produzir na China e à maior automação. “Os trabalhadores chineses estão se tornando mais caros do que costumavam ser”, afirma ele. “Também não é preciso mais tantos trabalhadores quanto antigamente, o que vai levar à menor globalização na cadeia de suprimento em fábricas e serviços.”
Globalização não vai acabar
A mudança de trajetória, porém, não significa que a globalização vá acabar. “O movimento do fluxo financeiro irá continuar”, afirma Zeidan. “Não há qualquer movimento no sentido de controlá-lo.” Para ele, as principais mudanças acontecerão com pessoas e empresas – que perceberam ser desnecessárias muitas viagens e deslocamentos feitos até pouco antes da pandemia e descobriram a efetividade do trabalho remoto.
Os especialistas também não veem a China ocupando o lugar dos EUA nessa liderança pela globalização. “O projeto chinês é nacional e todo seu poderio é voltado ao consumo interno”, diz Zeidan. Além disso, ele afirma que os Estados Unidos continuarão sendo o centro de pesquisa e desenvolvimento do mundo, atraindo os principais cérebros, onde está a verdadeira criação de riqueza – ao contrário da China.
Para Bremmer, como a economia chinesa ainda é muito interligada à norte-americana, no momento em que os EUA se voltarem mais para seu mercado interno, o país asiático será bastante afetado. Todas as outras economias que negociam com a China, por sua vez, também sofrerão.
Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 22/12/2020, às 14:29:05 .
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Pessoas com alta inteligência emocional tendem a se sair melhor no trabalho. Então, que hábitos eles têm que os diferenciam?
POR HARVEY DEUTSCHENDORF 08/04/2014(TRADUÇÃO EVANDRO MILET)
Nota do Editor: Este é um dos artigos sobre liderança mais lidos de 2014 na Fast Company
É cada vez mais aceito que a inteligência emocional é um fator importante para nosso sucesso e felicidade, não apenas no trabalho, mas em nossos relacionamentos e em todas as áreas de nossas vidas.
Então, o que diferencia as pessoas emocionalmente inteligentes? Aqui estão sete hábitos que as pessoas com alta IE têm:
1. ELES FOCAM NO POSITIVO
Apesar de não ignorar as más notícias, as pessoas emocionalmente inteligentes tomaram a decisão consciente de não gastar muito tempo e energia concentrando-se nos problemas. Em vez disso, eles olham para o que é positivo em uma situação e procuram soluções para um problema. Essas pessoas se concentram no que são capazes de fazer e no que está sob seu controle.
2. ELES SE CERCAM COM PESSOAS POSITIVAS
Pessoas com muita inteligência emocional não passam muito tempo ouvindo reclamantes e tendem a evitar pessoas negativas. Eles estão cientes de que as pessoas negativas são um dreno de energia e não estão dispostos a deixar que os outros esgotem sua vitalidade. Por sempre buscarem soluções e o lado positivo das situações, pessoas negativas rapidamente aprendem a evitar pessoas positivas, pois a miséria adora companhia.
Pessoas emocionalmente inteligentes passam tempo com outras que são positivas e veem o lado bom da vida. Você pode identificar essas pessoas porque elas tendem a sorrir e rir muito e atrair outras pessoas positivas. Seu calor, franqueza e atitude atenciosa levam os outros a considerá-los mais confiáveis.
3. ELES SABEM DEFINIR LIMITES E SER ASSERTIVOS QUANDO NECESSÁRIO
Embora sua natureza amigável e aberta possa fazer com que pareçam ingênuos para alguns, pessoas com alta IE são capazes de estabelecer limites e se afirmar quando necessário. Eles demonstram polidez e consideração, mas permanecem firmes ao mesmo tempo.
Eles não fazem inimigos desnecessários. Sua resposta a situações em que pode haver conflito é medida, não inflada e administrada de forma adequada à situação. Eles pensam antes de falar e têm tempo para se acalmar, caso suas emoções pareçam estar se tornando insuportáveis. Pessoas com alta IE guardam seu tempo e compromissos e sabem quando precisam dizer não.
4. ELES PENSAM PARA A FRENTE E DESEJAM DEIXAR O PASSADO PARA TRÁS
Pessoas com alta IE estão muito ocupadas pensando em possibilidades no futuro para gastar muito tempo pensando em coisas que não funcionaram no passado. Eles pegam o aprendizado de suas falhas passadas e aplicam em suas ações no futuro. Eles nunca vêem o fracasso como algo permanente ou um reflexo pessoal de si mesmos.
5. ELES PROCURAM MANEIRAS DE TORNAR A VIDA MAIS DIVERTIDA, FELIZ E INTERESSANTE
Seja no local de trabalho, em casa ou com amigos, as pessoas com alta EI sabem o que os faz felizes e procuram oportunidades para expandir a diversão. Eles recebem prazer e satisfação ao ver os outros felizes e realizados, e fazem tudo que podem para iluminar o dia de outra pessoa.
6. ELES ESCOLHEM COMO GASTAR SUA ENERGIA DE FORMA INTELIGENTE
Embora essas pessoas iluminadas sejam boas em superar o passado quando as coisas não funcionaram como o esperado, eles também são capazes de superar conflitos envolvendo outras pessoas. Pessoas com alta IE não ficam com raiva sobre como os outros os trataram, em vez disso, usam o incidente para criar consciência de como não deixar que aconteça novamente. “Me engane uma vez , a culpa é sua, me engane duas vezes, a culpa é minha”, é o seu lema. Embora eles sigam em frente e perdoem, eles não esquecem e dificilmente ficarão em desvantagem novamente nas mesmas circunstâncias.
7. APRENDENDO E CRESCENDO CONTINUAMENTE PARA A INDEPENDÊNCIA
Pessoas com grande inteligência emocional são aprendizes ao longo da vida, em constante crescimento, evolução, abertas a novas ideias e sempre dispostas a aprender com os outros. Sendo pensadores críticos, eles estão abertos a mudar de ideia se alguém apresentar uma ideia que se encaixa melhor. Embora estejam abertos a ideias de outros e continuamente coletando novas informações, eles, em última análise, confiam em si mesmos e em seu próprio julgamento para tomar a melhor decisão para si mesmos.
SOBRE O AUTOR
Harvey Deutschendorf é um especialista em inteligência emocional, autor e palestrante. Para fazer o teste IE, acesse theotherkindofsmart.com
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O hábito de deixar para depois as tarefas desconfortáveis encontrou terreno fértil durante o isolamento social
Ana Lourenço, O Estado de S.Paulo 23 de setembro de 2020
Esta reportagem começou a ser produzida há algumas semanas, mas outras prioridades surgiram, então ela ficou para depois. Sabe como é, né? Cuidar da casa, da cachorra, lavar os legumes, outras matérias para serem entregues, mídias sociais… Enfim, não deu para fazer antes. Pelo menos são essas justificativas que procrastinadores, assim como eu, dão quando não realizam uma tarefa. Se a procrastinação antes da pandemiaera algo pontual, a alteração da rotina durante a quarentena surgiu como terreno fértil para adiar tudo o que é desconfortável para depois.
“Temos a falsa sensação de que estamos sempre no controle, mas o que os estudos mostram é que fatores externos e internos influenciam de forma inconsciente nossa tomada de decisão. A procrastinação é resultado de uma desconexão entre nossas intenções e aquilo que efetivamente realizamos”, explica a neurocientista Thaís Gameiro.
Ela esclarece que, em geral, procrastinamos porque o cérebro tem dificuldade de avaliar as consequências a longo prazo e é mais sensível aos ganhos ou desfechos que ocorrem de forma imediata. “Quando precisamos enxergar benefícios que só ocorrem no futuro, ficamos vulneráveis a perder o foco do objetivo principal por conta de distrações que muitas vezes nos afastam da meta desejada.”
A falta de interesse, motivação ou perfeccionismo estão entre os gatilhos que mais afetam aqueles que têm o costume de deixar tudo para depois. Bom, quase tudo. “Geralmente a procrastinação tem a ver com aquelas tarefas mais negligenciadas, a ponto de prejudicar o seu futuro, de prejudicar a forma como você vê você mesma”, conta a psicóloga Denise Figueiredo. Adiar tarefas de maneira racional ou ainda abraçar os cinco minutinhos a mais de preguiça pós almoço é muito diferente da procrastinação.
“Se você olha suas atividades e percebe que precisa de três horas para terminá-las, mas só tem 30 minutos disponíveis e decide deixar para o dia seguinte, isso não é procrastinação é planejamento. Agora, se no dia programado para fazer a tarefa você começar a dar desculpas para não fazê-las, aí sim você começou a procrastinar”, informa Thaís. As “desculpas” até são verdadeiras, mas elas só aparecem depois que já decidimos não fazer a tarefa.
Segundo as especialistas, postergar atividades é um hábito, que pode ser treinado – e incentivado – por cada um. “É muito difícil sair dessa zona de conforto”, diz a psicóloga. De maneira generalizada, aqui encaixam-se dois perfis: os relaxados e os ansiosos. Os primeiros seguem o modelo por não saberem fazer as tarefas de outra forma, enquanto o segundo se pressiona a ponto de não conseguir fazê-las até o último minuto. “A procrastinação em si não tem um julgamento moral. O quanto isso te impacta positiva ou negativamente é que vai ser um problema”, diz Thaís.
Essas tarefas podem ser tanto laborais e responsáveis quanto de lazer. Aquelas mensagens no WhatsApp que deixamos para responder depois? Pois é. Segundo a psicóloga, a cobrança precisa acontecer para ser parada. “Tudo o que fazemos pensando ‘amanhã eu começo’, passa uma imagem de que não estamos prontos, e isso vai gerando um lugar de não felicidade em relação a essa questão”, ensina.
Claro que esse lugar da não felicidade, somado ao isolamento social, só piora a situação. O próprio trabalho, realizado essencialmente no escritório antes da pandemia, hoje pode ser feito após o horário de serviço ou mesmo nos fins de semanas. “Não vou ter nada para fazer mesmo” é um pensamento que ignora imprevistos e favorece a insegurança e a ansiedade.
Aliás, ansiedadeé quase sinônimo de quarentena. Cansamos nossa mente com o excesso de informações e horas na frente das telas, mas não o nosso corpo. E o cérebro lê essas pistas de cansaço. Quantas vezes, nos últimos meses, não falamos a frase “quando a pandemia acabar….” postergando atividades e sonhos? Em momentos assim, o cansaço e a procrastinação andam juntos. A única coisa que se pode fazer é quebrar o padrão.
Essa ansiedade afetou a estudante Mariana Prado, de 17 anos. Antes da pandemia, ela ficava das 6h às 21h fora de casa, entre estudos, deslocamentos e outras atividades. “No começo do ano, eu planejava entrar na faculdade no ano que vem, mas com a pandemia, não me sinto preparada – tanto com a questão de estudo quanto psicologicamente”, diz. “Me acostumei a ter a produtividade baseada em estar fora de casa e trabalhar isso dentro de mim é algo muito novo, com o que estou aprendendo ainda a lidar.”
Tempo. O trabalho afeta a relação do homem com o tempo, uma vez que ele é regulado pela produção e produtividade dentro de uma sociedade capitalista industrial. Mas, para pensar em tempo, é preciso entender que ele é uma criação humana de representação com horas, dias, meses. O tempo antigo, por exemplo, era ligado à ciclicidade de eventos e estações climáticas, diferentemente dos dias atuais.
Uma pesquisa feita em abril pelo Banco Original e a empresa de consultoria 4CO apontou que 59% dos brasileiros que migraram para o home office durante a pandemia consideram que passaram a trabalhar mais horas diárias. Outros 57% avaliam a experiência como muito cansativa. O historiador e professor Gustavo Gaiofato explica que isso acontece pelo estranhamento gerado com o home office. “Não temos uma rotina delimitada, o que pode causar um volume de trabalho extra, afinal não sabemos muito bem a hora de parar”, diz.
Para entender melhor as emoções, percepções e comportamentos das pessoas em quarentena, o professor de psicologia Philip Gable, da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, desenvolveu um aplicativo, financiado pela National Science Foundation, para explorar o que vinha acontecendo com o relógio interno dos norte-americanos. “Nosso objetivo era acessar as emoções e motivações inconscientes dos participantes. Para isso, imagens apareciam na tela e elas deviam distanciar ou aproximar o telefone, a depender do sentimento causado por elas (aproximar se fosse feliz, afastar se fosse triste)”, detalha.
Em março, no primeiro mês de quarentena, foi possível perceber que, graças ao nervosismo e ao estresse generalizado, as pessoas tinham a percepção de que o tempo passava mais lentamente. Já em abril, as opiniões estavam divididas – 50% considerava que o tempo estava passando muito rápido. “Emoções têm um profundo impacto na maneira como sentimos o tempo. Quando você tem um objetivo, uma meta, os minutos podem passar rápido, diferentemente de quando você fica se questionando ‘qual o sentido de fazer isso?’”, exemplifica Gable. Ele conta que, segundo o estudo, o tempo passou a ser percebido cada vez mais rápido pelas pessoas a cada mês.
Se por um lado esses resultados mostram que estamos nos acostumando com a nova rotina, por outro, indica que o ser humano é imediatista. “A covid interrompeu muitas das coisas que nos davam prazer na vida. Então passamos a ver pessoas buscando outros modos de prazer: compras online, aumento do consumo de bebidas ou maior uso do celular”, explica Gable.
A luta entre ansiedadee produtividade, no entanto, já existia antes da pandemia – apenas se intensificou com ela. “A sociedade de consumo baseada na produção capitalista acaba criando a sensação de que temos de ser produtivos o tempo todo – justamente porque estamos regulados, temporalmente, nessa lógica. Trabalhar mais e mais porque o ócio é visto de maneira negativa”, pontua o historiador Gustavo. Todo mundo procrastina em alguma coisa – lavar a louça, fazer um mestrado ou assistir à série do momento. Então convido você a analisar o que te impede de fazer suas atividades. Bom, talvez não hoje. Parece ser um trabalhão, então… amanhã?
Limite
Previna-se de possíveis distrações que possam surgir durante a realização de uma tarefa (como notificações de mensagens nas redes sociais) e, acima de tudo, respeite-se. Se o combinado com você mesmo é cumprir aquilo que você prometeu em uma hora, siga esse limite.
Categorização
Saiba priorizar suas tarefas. O que precisa ser feito hoje? O que pode ser deixado para amanhã? “Não comece outra coisa enquanto não finalizar a primeira”, sugere a psicóloga Denise. Se possível, divida as atividades. Por exemplo: em vez de limpar toda a casa, você pode ir fazendo isso durante a semana e limpar um cômodo por dia.
Divisão
Fazer uma redação de dez páginas é algo perfeito para ser procrastinado – afinal, parece cansativo e vai demandar muito tempo. Por isso, é interessante quebrar as tarefas em etapas. Selecione o tema em um dia, no outro faça possíveis entrevistas ou pesquisas, uma outra tarde invista somente na introdução… E assim por diante. Dessa maneira, é muito mais propenso que você finalize a tarefa – sem ser nos últimos minutos antes da entrega.
Pausas estratégicas
Cada um tem seus motivos para procrastinar. Descubra a causa e os gatilhos que fazem com que isso aconteça. Uma técnica conhecida que pode ajudar é a pomodoro. A ideia é você focar na atividade por 25 minutos e pausar por cinco. Após seguir o procedimento quatro vezes seguidas, o intervalo será maior, de 30 minutos. O importante é respeitar o tempo estabelecido – tanto para as atividades quanto para o descanso.
Tecnologia
Aplicativos como Be Focused (grátis, iOS) e Brain Focus (grátis, Android) têm como base a técnica pomodoro e colocam alarmes para ajudar o cumprimento das tarefas. Com o OffTime (grátis, iOS e Android), é possível estabelecer períodos sem mexer no celular. Caso não o cumpra, você é proibido de mexer no aplicativo por quatro horas. Já o Priority Matrix (grátis, iOS e Android) ajuda a organizar a lista de tarefas separando o que pode ser feito no momento do que pode ser adiado.
Ajuda externa
Nossos sentimentos podem ser afetados pelo ambiente em que estamos. De acordo com a arquiteta Vanessa Pasqual, cores como o laranja puxam para a criatividade; já o azul e verde-claro são ideais para ler documentos e se manter mais focado nas atividades. “As cores carregadas, como azul marinho ou o preto, além de diminuírem o ambiente, podem influenciar o foco e a imaginação. Por isso, tons escuros não são indicados para área de trabalho”, conta. Para uma ajudinha extra, chás de poejo (planta aromática) e cravo-da-índia auxiliam na concentração e no foco.
Sem estresse
O descanso é mais do que necessário, mas atente-se se ele realmente acontece. Muitas vezes, pausamos para um café com o celular do lado e ao abrir as redes sociais: bum. Mais insegurança, comparação e sentimento de que todos estão sendo mais produtivos do que você. Na nossa sociedade, o ócio é visto como algo negativo, mas isso só gera mais ansiedade e estresse. Confie no seu processo.
Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet.
Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/
Há cem anos, no dia 25 de dezembro de 1914, algo totalmente inesperado aconteceu durante a Primeira Guerra Mundial. E o esporte, mais uma vez, teve papel importante.
Uma confraternização entre inimigos terminou em uma “pelada” de futebol em pleno campo de batalha, numa trégua que ficou famosa e virou até música de Paul McCartney. Ingleses e alemães passaram a noite do dia 24 em combate na Bélgica, na região de Comines-Warneton, próxima à fronteira com a França. Segundo relatos da época, fazia muito frio e os soldados estavam em suas trincheiras, com água até a altura dos tornozelos.
Depois de uma madrugada barulhenta, às 6h do dia 25 tudo ficou em silêncio. E cinco horas mais tarde, de acordo com reportagem do The Times, a torre de comando inglesa recebeu um estranho recado: todas suas trincheiras estavam vazias e os ingleses confraternizavam com os alemães.
A história diz que tudo começou quando um alemão disse ao inimigo: “Inglês, por que você não vem aqui”. Um soldado britânico deixou a arma para trás e começou a caminhada no campo de batalha. Aos poucos, mais integrantes dos dois lados fizeram o mesmo e logo estavam se cumprimentando.
Trocaram cigarros e a comida que tinham, além de rum e água quente, e beberam vinho. Foi quando um inglês teve a ideia de organizar um jogo ali mesmo. A vitória foi da Inglaterra, por 3 a 2. Os dois lados cantaram músicas de Natal, mesclando canções em inglês e alemão. Até oficiais se juntaram aos soldados, ainda incrédulos diante do que viam.
Ao fim do dia, as tropas voltaram para suas respectivas trincheiras e fizeram um acordo: nenhum tiro seria disparado até a meia-noite. A batalha só recomeçaria no primeiro minuto do dia 26.
A história inspirou a música e o videoclipe de Pipes of Peace, de Paul McCartney. No vídeo, o ex-Beatle interpreta dois personagens: um soldado inglês e um alemão. A história também foi lembrada pela Uefa, que no início do mês inaugurou um monumento na região onde aconteceu a famosa trégua, em um dos jogos mais inusitados do futebol.
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