Ironicamente, as máquinas tornarão a medicina mais humana

Médicos trabalharão cada vez mais com máquinas inteligentes

Guilherme Hummel, Coordenador Científico – HIMSS@Hospitalar | 22 Out, 2020

“Em uma década, mais de 90% dos procedimentos cirúrgicos serão feitos por robôs, e 70% das visitas ao hospital serão realizadas na própria casa do paciente usando Telemedicina”. Não é uma afirmação aleatória, mas uma sentença inequívoca do Dr. Eyal Zimlichman, vice-diretor do Sheba Medical Center, o maior hospital de Israel, onde também é chief medical officer e chief innovation. Em setembro último, no webinar “AI to the Rescue: How Startup Tech Is Reinventing the Hospital”, Zimlichman deixou a audiência atônita com essa afirmação. Ele faz coro com inúmeros outros especialistas que apostam na inteligência artificial (IA) e na robótica para transformar completamente a medicina moderna. Ao contrário do que se pensava há uma década, nos dias de hoje boa parte dos médicos envolvidos com IA já considera que seu uso pode tornar a medicina mais humana, dando aos médicos wingspan’ (envergadura) para interagir mais intensamente com os pacientes. Ela pode produzir cuidados mais eficazes e rápidos, eliminando muitas das funções ‘mundanas’ que consomem o tempo dos médicos.

Eric Topol, médico, pesquisador, fundador e diretor da organização sem fins lucrativos Scripps Research Translational Institute, explica: “O aprendizado de máquina pode liberar os médicos da necessidade de escrever ou digitar as informações clínicas dos pacientes. Podemos estar há décadas perdendo o significado real e verdadeiro de cuidar-do-paciente”. Em seu livro “Deep Medicine: How Artificial Intelligence Can Make Healthcare Human Again”, Topol mostra seu otimismo e aderência ao uso intensivo de IA na saúde. “Além de humanizar os cuidados com a saúde, o ‘aprendizado profundo de máquina’ também vai reduzir o erro humano clínico e ajudar os médicos a tomarem melhores decisões”, explica ele. “Os radiologistas eliminam falsamente a doença dos pacientes em 32% das vezes, enquanto gastroenterologistas regularmente deixam de perceber pequenos pólipos que são tão pré-cancerosos quanto os maiores”, continua Topol. Em meio a uma pandemia frenética, muitos médicos estão percebendo que as máquinas inteligentes permitirão a eles fornecer cuidados mais individualizados e com maior probabilidade de sucesso. Por outro lado, persiste a corrente que acredita que as mesmas máquinas são uma ameaça aos profissionais de saúde, que seriam substituídos por robôs, equipamentos e sistemas. Há até fervor em contestar o chamado ‘falso avanço da medicina’, sempre defendendo que a autonomia do médico não deve ser questionada por qualquer ‘máquina digital’.

Technology-and-healthcare-e1525109124553.jpg

A Covid-19 está acelerando o processo de transformação na academia médica e na cadeia de serviços clínicos. Essa jornada tem na inteligência artificial algo como um “Virgílio segurando a mão de Dante para levá-lo ao próximo nível”. Uma pesquisa conduzida pelo MIT Technology Review e GE Healthcare, publicada em 2019, mostrou que 80% dos profissionais de saúde consideram que as ferramentas de inteligência artificial os ajudam a mitigar o esgotamento profissional, possibilitando um melhor atendimento clinico. “Ao contrário do medo comum, mas não comprovado, de que as máquinas substituam os trabalhadores humanos, as tecnologias de IA na área de saúde podem na verdade estar ‘reumanizando’ o atendimento”, explica o relatório. A pesquisa foi realizada com mais de 900 profissionais de saúde (antes da pandemia), descobrindo que boa parte deles já estão usando IA para melhorar suas análises, permitir melhor assertividade de tratamento, refinar o diagnóstico e reduzir claramente a carga clínico-administrativa, liberando-os para dar mais atenção aos pacientes. O estudo descobriu também que as equipes médicas com projetos-piloto de IA gastam 1/3 a menos de tempo em relatórios e outras tarefas sistemáticas, enquanto aqueles com programas extensos de IA gastam 2/3 a menos de tempo com essa artilharia burocrático-assistencial. Além disso, 45% dos participantes disseram que IA os ajuda a aumentar o tempo da consulta médica, bem como o tempo para realizar cirurgias e outros procedimentos. Aquelas equipes médicas que iniciaram mais cedo, e hoje utilizam IA em projetos mais extensos, conseguem obter ‘70% a mais de tempo para os procedimentos assistenciais diretos com os pacientes’, explica o estudo. Isso deverá significar também redução do burnout médico, ampliação do tempo de estudo do profissional e aprimoramento de suas práticas clínicas. Os céticos, por outro lado, sempre têm uma carta na manga: “as máquinas digitais trucidam a humanização da medicina”.

Humanização é um conceito intrincado de entender por apresentar características subjetivas e complexas. O que é cuidado humanizado para uma pessoa pode não ser para outra. O que está claro é que dentro da expressão ‘atenção humanizada’ está o contexto de respeito (aos costumes, desejos, crenças e valores dos pacientes). Ou seja, independente do atendimento clínico, é mister considerar as particularidades de cada paciente, e incluir no atendimento carinho, dedicação e atenção às suas angústias. Todas essas ações coordenadas exigem do profissional de saúde algo que hoje ele tem cada vez menos: tempo. Com um déficit de profissionais em quase todos os países, incluindo no Brasil, é pouco provável que neste século exista uma ‘solução’ para melhorar a efetividade do tempo médico que não passe pela adoção das ‘máquinas de inteligência artificial’. Exemplo: uma enfermeira entra em seu turno do Duke University Hospital quando ouve um ‘alarme-máquina’. Era o aplicativo Sepsis Watch sinalizando que um paciente estava sob risco de desenvolver sepse. O software transmite alertas de um algoritmo que é alimentado por 32 milhões de data-points de pacientes já tratados no hospital. O sistema (um deep-learning) foi desenvolvido pelo hospital para sua equipe de enfermagem, permitindo uma resposta de proteção rápida e dando mais segurança, tranquilidade e tempo de atendimento aos pacientes. Assegurar proteção em tempo hábil sempre será um sublime gesto de humanidade.

O uso de IA no setor de saúde deve crescer rapidamente a uma taxa anual de 40% até 2022 (US$ 6,6 bilhões, contra US$ 600 milhões em 2014). Alguns dos motivos dessa expansão são claros: as máquinas inteligentes despressurizam os sistemas, aliviam a carga na tomada de decisão e poupam o ‘leadtime’ dos profissionais de saúde. Como explica Michael Brady, professor de imagens oncológicas na University of Oxford: “Descobrimos que quando combinamos tecnologias de imagem baseadas em IA com o trabalho dos radiologistas, os resultados superam em muito quando esses dois eixos operam sozinhos, um sem ajudar o outro”. Ainda de acordo com Brady, médicos oncologistas, por exemplo, podem examinar 200 casos por vez, sendo que a maioria das informações que eles examinam não é clinicamente significativa. Bijoy Khandheria, cardiologista no Aurora Health Center (rede norte-americana com 15 hospitais e mais de 150 clínicas), define melhor a meta: “Afinal, na saúde, a prioridade é o paciente. Com IA, os humanos não estão indo embora; estão apenas tomando decisões mais inteligentes e com menos erros”.

As ‘máquinas inteligentes’ diferem dos avanços médicos anteriores. As tecnologias passadas eram usadas para aumentar a capacidade física dos profissionais de saúde (o estetoscópio melhorou a audição, o raio-X a sua visão, etc.). A inteligência artificial está entrando na arena como um ator ‘moralmente’ diferente. As plataformas de IA vão liberar tempo dos médicos para aprimorarem a sua empatia com os pacientes. A combinação de empatia e criatividade-técnica é o que justifica o paciente assumir uma posição de confiança no médico. A empatia, portanto, desempenha um papel central na interpessoalidade do cuidado. Ela rejeita o paternalismo e une o médico ao paciente para encontrar as soluções adequadas. Um fotógrafo neste século, por exemplo, gasta infinitamente menos tempo com a tarefa mecânica de processar o filme, tendo muito mais tempo para a expressão criativa e para sua relação com o entorno, sendo, portanto, cada vez mais humano. Atendimento médico humanizado não pode ser só um clichê, ou um programa de conscientização sem o ferramental para torná-lo factível. Essa fase de introdução de máquinas inteligentes, sistemas em deep learning, robótica, telehealth, health-analytics, etc. será também um movimento de aprendizado para o paciente, que em breve estará também reavaliando seus valores, suas premências e aquilo que espera dos serviços médicos. Ou seja, a percepção da humanização médica também vai mudar. Com descreveu o psiquiatra, antropólogo e professor na Universidade Harvard, Arthur Kleinman, em seu último livro (“The Soul of care: the moral education of marido and doctor”): “O cuidado é um processo de compartilhamento, no qual damos e recebemos atenção, afirmação, assistência prática e apoio emocional. Cuidar envolve momentos de terror e pânico, de dúvida e desesperança, mas também momentos de profunda conexão humana, de honestidade e revelação, de propósito e gratificação. Assim, o domínio do cuidado médico se estende muito além dos limites da medicina”.

Guilherme S. Hummel

Coordenador Científico – HIMSS@Hospitalar Forum

eHealth Mentor Institute (EMI) – Head Mentor

https://www.saudebusiness.com/eventos/ironicamente-mquinas-tornaro-medicina-mais-humana

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s   para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Pix vira rede social, local de flerte e vale até para ‘nudes’

Sistema de pagamentos instantâneos criado pelo BC no fim de 2020 ganha usos inesperados nas mãos dos brasileiros, entusiastas dos relacionamentos digitais

Carolina Nalin, Sérgio Matsuura e Pollyanna Bretas O Globo 29/01/2021 

Chrystian Santanna, de 25 anos, e Amanda Costa, de 24, reataram um namoro de oito anos depois que ele conseguiu quebrar o gelo da amada com um Pix de R$ 2 e uma mensagem na identificação da transferência Foto: Domingos Peixoto / Agência O GloboChrystian Santanna, de 25 anos, e Amanda Costa, de 24, reataram um namoro de oito anos depois que ele conseguiu quebrar o gelo da amada com um Pix de R$ 2 e uma mensagem na identificação da transferência Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

RIO E BRASÍLIA – Dar um match e flertar com o crush correm risco de virar coisa do passado. “Anota o meu Pix” passou a ser a senha para indicar que há espaço para um relacionamento.

Dois meses depois da entrada em vigor do sistema de pagamento instantâneo e transferência sem custos, o brasileiro conseguiu agregar funcionalidades ao Pix que vão muito além do imaginado pelo Banco Central (BC).

Tire suas dúvidas:  Saiba o que é o Pix e como ele funciona

Ele se converteu numa mistura de rede social, caminho para conquistar a cara-metade — por meio da transferência de valores modestos, até na casa dos centavos— , e balcão de negócios.

Quem já conquistou espaço em redes sociais, convida seus seguidores a ir muito além dos likes e partir para a demonstração de apreço por meio de transferências. E há até quem troque “mimos”, que vão desde um lanche até nudes no celular, por meio da ferramenta.

A equipe do presidente do BC, Roberto Campos Neto — que já veio a público reconhecer que o Pix não foi criado como rede social —, não poderia imaginar que ele viraria até mesmo ferramenta de solução de conflito.

BC: Pix poderá ser utilizado para movimentar conta salário em 2021

Chrystian Santanna, de 25 anos, e a namorada, Amanda Costa, de 24 anos, estão juntos há oito anos, mas se desentenderam. Seguindo o roteiro tradicional do ensaio do fim nos tempos atuais, Amanda cortou laços: bloqueou o namorado no WhatsApp, no Instagram e até nas ligações.

Chrystian Santanna, de 25 anos, e Amanda Costa, de 24, reataram um namoro de oito anos depois que ele conseguiu quebrar o gelo da amada com um Pix de R$ 2 e uma mensagem na identificação da transferência Foto: Domingos Peixoto / Agência O GloboChrystian Santanna, de 25 anos, e Amanda Costa, de 24, reataram um namoro de oito anos depois que ele conseguiu quebrar o gelo da amada com um Pix de R$ 2 e uma mensagem na identificação da transferência Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

O caminho para reconquistar o afeto contou com a bênção inadvertida do BC, por meio de uma mensagem enviada no espaço de identificação da transação por meio do Pix.

— Apareceu no celular uma notificação do aplicativo do banco e me surpreendi. Quando vi, era um Pix dele no valor de R$ 2. Achei engraçada a forma como ele tentou entrar em contato comigo. Na hora até passou a raiva. Mas respondi no WhatsApp: “podia ter sido um valor maior, né?” — brincou Amanda.

Plano de saúde:  Preço dispara com cobrança retroativa do reajuste adiado em 2020. Calcule o seu

Chrystian diz que a transferência foi uma forma de entrar na brincadeira das redes e promete escalar o valor repassado:

— Era o que eu tinha na conta, tinha acabado de fazer compras. Mas ela merece muito mais. Em outra oportunidade será transferido um valor maior.

Mais do que juros e boletos

Criada há menos de uma semana em uma rede social, a página de humor PixLovers, foi concebida pelo gerente de banco Vagner Castro para se dedicar a compilar os relatos de quem usa o sistema para se relacionar.

As histórias vão desde modestos R$ 2 enviados com o convite de um encontro até a transferência de R$ 200 em troca da foto dos pés de uma moça.

— Estamos acostumados com a seriedade dos bancos. Quando acessamos uma conta corrente pelo aplicativo só vemos juros, contas a pagar, boletos… E aí quando você se depara com uma mensagem carinhosa, de afeto, isso muda um pouco a forma como as pessoas se relacionam com o dinheiro — resumiu Vagner, que avalia que a prática ganhou espaço por surpreender quem recebe a transferência.

‘Me manda um Pix aí’

Nas redes sociais já circulam exemplos de uma tabela do “PixTinder”, em alusão ao aplicativo de relacionamentos, com uma configuração de preços de correlação duvidosa com as boas práticas de orçamento.

O envio de R$ 10 significa “quero um date”, módicos R$ 2 são sinônimo de elogio, na linha “te acho lindo”, mas só a força do ódio misturada com o humor pode levar o cidadão ao ponto máximo da tabela: R$ 20 para dizer “te odeio, kkk”.

Nem sempre, porém, o meio de transferência é capaz de reatar laços. O produtor multimídia Edu Moraes, de 22 anos, recebeu um pedido de desculpas de um amigo através de mensagem no Pix. Os dois se desentenderam e um bloqueou o outro nas redes de contato:

— Um amigo, do qual me afastei, estava me devendo R$ 10. Ele transferiu o valor e escreveu ‘Desculpa qualquer coisa, e aqui está o dinheiro’. Eu não respondi.

‘PixTinder’ é um sinal da cultura digital brasileira

Para especialistas, o Pix para o relacionamento social reflete uma combinação de fatores. Entre eles, está a possibilidade de flertar ou se expressar sem ser visto ou julgado, o que abre a porta para extravasar opiniões.

Além disso, o espaço restrito do campo de mensagem ajuda a tornar o galanteio objetivo e direto. Ou seja, além da surpresa com a transferência acompanhada de texto, não há muito espaço para poesia ou para sustentar longas conversas.

Para abordar alguém, basta ter sua chave do Pix, coisa que muitos brasileiros resolveram compartilhar em aplicativos ou redes.

Pix:  Veja os principais golpes e saiba como se proteger

— Esse fenômeno já se manifestou anteriormente no Instagram e também no Linkedin, que é uma rede social de negócios e de busca de oportunidades de trabalho. A gente já percebe que é uma característica muito forte no país: os brasileiros utilizam bastante os aplicativos para a busca de relacionamento — afirmou Fábio Mariano Borges, professor de Sociologia do Consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP).

Ele avalia que o fato de as mensagens passarem por uma instituição financeira pode gerar uma sensação de segurança ao usuário, quando na verdade todas as recomendações indicam que compartilhar indiscriminadamente a chave do Pix pode ser um caminho para dor de cabeça com risco de fraude.

Piada, ajuda e lanche

Entre os novos usos do sistema, já existem grupos para “troca de mimos” em redes sociais. No Facebook, o “Grupo onde homens enviam Pix para mulheres”, criado em novembro, reúne mais de 13 mil pessoas interessadas em receber ou dispostas a dar recursos financeiros por meio da plataforma.

Lolla Ferreira, uma das moderadoras, explica que a ideia é criar um espaço para participantes se conhecerem e se divertirem. E, de quebra, ajudar alguém que precise.

— Se você tem alguns centavos sobrando na sua conta, o que não dá nem para sacar, por que não transferir para alguém que está juntando para comprar um lanche ou um doce e fazer alguém feliz? — perguntou Lolla, contando já ter recebido vários “mimos”, com valores entre R$ 0,10 e R$ 10.

O grupo inclui “mimos” para as histórias mais engraçadas ou fotos mais criativas, além de pedidos de ajuda e muita paquera.

A moderação revisa todas as postagens públicas, proibindo fotos de cunho sexual, mas nas conversas privadas acontece a troca de nudes por transferências financeiras.

— No grupo rola muita venda de packs (fotos e vídeos de pessoas nuas), o que tentamos barrar. Mas o que acontece no privado não temos como controlar — disse Lolla. — Mas tem muita gente que manda um Pix sem segundas intenções.

BC não encampa novos usos do Pix

O BC já refutou o uso do Pix como rede social e desta vez não parece disposto a entrar no espírito de brincadeira como ocorreu no lançamento da nota de R$ 200.

Na ocasião, o vira-lata Caramelo, que estrelava os memes sobre a cobiçada nova cédula, foi incorporado à campanha de divulgação da nota.

Mesmo de forma reservada, técnicos da autoridade monetária evitam comentar os novos usos da plataforma e se resumem a repetir a mensagem de que o sistema deveria ser usado apenas para pagamentos e transferências.

Para especialistas, há risco de vazamento de dados pessoais que compartilham informações sensíveis em redes, ao divulgar uma chave Pix com número de CPF, celular ou e-mail.

— O risco é ter a conta invadida, o que é um problema grave já que a pessoa teria acesso à conta e poderia fazer operações. Alguns bancos estão implementando bloqueios de certos caracteres no envio de mensagens via Pix, que poderiam facilitar o uso de links usados como meio para clonar a chave e dar acesso à conta — afirmou Henrique Castro, professor de Finanças da FGV-EESP.(

*Colaborou Gabriel Shinohara

https://oglobo.globo.com/economia/pix-vira-rede-social-local-de-flerte-vale-ate-para-nudes-24861088?GLBID=1242ace35c57cd903ef1eea7b20fdeca96c67586e414c4e693057515f38734d375f4f374c66624c737177374e4150314e70644767346d4a7a6c6a4d784c4f397774427839775a37314c522d2d4833356b6f4652415479777a6e78714e41546f6b4944473168513d3d3a303a6576616e64726f2e6d696c65745f323031335f36

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/Cwsx2TAhfII1aU2mU7JOLS para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Pix sexual: como o sistema começou a ser usado como ‘arma’ de paquera

Sistema digital de pagamentos virou rede de relacionamentos, mas especialistas alertam para golpes

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo 29 de janeiro de 2021 | 

Quase ninguém mais sabe o que é um piropo. De origem castelhana, um piropo é uma palavra ou frase de elogio endereçado a outra pessoa. No melhor dos mundos, poetas, compositores e apaixonados escrevem versos (piropos) sobre quem se ama. No pior dos mundos, piropos são grosseiros e, ao cruzarem a linha do assédio moral ou sexual, transformam-se em casos de polícia. 

PixSistema de pagamentos Pix passa a ser usado para paquerar Foto: Marcos Muller/Estadão

Toda essa ‘piropada’ do parágrafo acima é para falar da improvável nova plataforma utilizada para paqueras virtuais. Não, não são as já tradicionais redes sociais ou aplicativos, como Tinder e Inner Circle. Hoje, os piropos invadiram o Pix e criaram o Pix sexual

Pix, para quem ainda não foi apresentado, é um sistema de pagamento instantâneo lançado em meados de novembro pelo Banco Central. Basicamente, o usuário pode usar o seu número de CPF, telefone ou e-mail como chave (senha) do Pix. As transferências podem ser feitas com qualquer valor (inclusive 1 centavo), sem custos adicionais. Além disso, o usuário pode enviar uma mensagem no comprovante de pagamento. Normalmente, essa mensagem serviria para uma breve descrição dos motivos do pagamento, mas…

Mas o brasileiro na internet tem um humor todo peculiar e não demorou para aparecerem coisas como: “Coloquei uma chave pix aleatória na bio do meu Tinder e tem maluco me mandando dindin pelo meu número kkkkkkk” (@Manda_pedrosa). Ou ainda: “Não me mande flores, me mande um PIX. É assim que se paquera agora?”( @lillydearaujo). 

Nas redes sociais, a modalidade já foi apelidada de “pixtinder” e seus adeptos de @pixsexuais (pessoas que se sentem atraídas por quem faz transferências financeiras por Pix). A ideia é que, ao se identificar a pessoa do seu interesse, o indivíduo faça uma transferência bancária acompanhada por um galanteio (um convite para jantar, um elogio).

Ainda nas redes, nasceu uma tabela que relaciona valores financeiros ao nível de interesse da pessoa. Por exemplo, R$ 1 é igual um “adoro você”; R$ 2 vale um “te acho lindo” e um R$ 10 é um legítimo “quero um date”. Já um depósito de R$ 20 pode significar “te odeio, kkk”. 

“Eu vi uma reportagem sobre o assunto e pensei: ‘quero se paquerada assim também’”, brincou a assistente social e fotógrafa Liliane de Araújo, 39 anos. “Aí, mandei um Pix para um contatinho, um rolo eterno. Aí, recebi um Pix com uma mensagem e um depósito de 10 centavos. Postei nas redes sociais e me zoaram demais. Brinquei que essa paquera tirou minha conta do zero”, completou.

O economista Vagner Castro, 27 anos, experimentou o “pixtinder” e disse que funcionou. “Cheguei a mandar para um menina com quem estava saindo. Mandei um ‘oi’ com o meu telefone. Ela me chamou no WhatsApp, acho engraçado…”, contou. Mais do que usar o Pix para um flerte, Castro teve a ideia de abrir um perfil no Instagram para reunir histórias e prints desse tipo de abordagem. Trata-se do @pixloveers. 

Na página, prints com transferência de R$12 seguido da seguinte mensagem: “Tu vai terminar comigo por causa de um sonho, Ana?”. Ou pedidos de desculpas acompanhado por R$ 5: “Amor, na moral, foi só um beijinho, me desbloqueia”. Além de cantadas, as mensagens podem servir para explicar melhor pedidos feitos por delivery. Ao transferir o pagamento para uma pizzaria, a pessoa escreveu no Pix: “não põe cebola na pizza, obrigado”.

No aplicativo de paquera, Inner Circle, o uso da palavra “Pix” subiu 147% em um período de um mês. “Não temos acesso ao teor das conversas, portanto, não sabemos se as pessoas estão fornecendo os seus dados no aplicativo, mas é possível pesquisar por palavras e, realmente, a palavra ‘Pix’ teve um aumento considerável”, disse Ximena Buteler, gerente de marketing do Inner Circle. “Claro, é importante lembrar que o aplicativo não recomenda que as pessoas forneçam esse tipo de dado pessoal, como CPF, em suas conversas”, completou.

A brincadeira fugiu do controle, ganhou escala e levou o próprio Banco Central a se manifestar, dizendo que o “Pix é um meio de pagamento e não uma rede social”. Camila Mickievicz, especialista em direito e tecnologia, adverte para os perigos do chamado pixtinder. “O risco é acentuado. Entregar a chave do Pix para alguém pode significar disponibilizar o CPF. Com o CPF e o nome completo, alguém mal-intencionado pode fazer compras no seu nome. Se a chave é o telefone ou o e-mail, os problemas podem ser muito sérios também”, comentou.

“A gente precisa explicar para as pessoas a importância de proteção dos dados pessoais nesse ambiente digital. Já estão sendo aplicados golpes pelo Pix. O que começa com uma brincadeira, pode terminar com muita dor de cabeça”, finalizou Camila. 

https://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,como-o-pix-comecou-a-ser-usado-como-uma-plataforma-de-paquera,70003597550

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Geekonomy: do nicho ao mainstream

  • Bússola estreia coluna sobre o atraente mercado da cultura nerd, que mobiliza legiões de fãs e movimenta cifras bilionárias em todo o mundo
  • Por Cauê Madeira* Exame 29 jan 2021

Entretenimento geek, nerd, pop. Os termos são variados e muito amplos, mas extremamente rentáveis. Essa é a estreia de uma coluna para conversar sobre a cultura do fã, sempre sob a perspectiva do negócio, do impacto na economia e do comportamento de consumo.

A franquia Harry Potter já arrecadou mais de US$ 21 bilhões no mundo todo, entre livros, lançamentos no cinema e licenciamento de centenas de produtos. Em dez anos, o faturamento da Marvel Studios – só com filmes de super-herói – ultrapassou os US$ 30 bi. Esse valor é semelhante ao faturamento do Mario ao longo dos anos, que é provavelmente o mais conhecido personagem de videogame do mundo.

Em comum, nos três exemplos dessas impressionantes empreitadas de sucesso no entretenimento transmídia, está a origem na subcultura de nicho. Ou seja, a formação de comunidades em torno de um interesse em comum. Esse, por sua vez, costuma ser uma temática ou assunto que não se encontra tão facilmente na estante de qualquer loja. E, por incrível que possa parecer, a literatura fantástica, as histórias em quadrinhos e a própria origem dos videogames remontam a um período em que não era tão simples ter acesso a tudo isso – como é hoje.

A cultura pop cresceu, explodiu e virou mainstream por meio de produções com temas que se desdobram pelo cinema, games, quadrinhos, literatura, música, licenciamento de produtos, entre tantas outras frentes.

Possivelmente o mais notório e perene produto desse tipo de comportamento seja o interesse em torno da franquia de filmes de Star Wars, que no fim da década de 70 angariou uma legião de fãs e que encontrou sobrevida e continuidade – após o fim de sua trilogia cinematográfica original – nos quadrinhos, games, livros e milhares de produtos licenciados. George Lucas, criador da história, produziu uma segunda trilogia no início dos anos 2000 e, em 2012, vendeu sua franquia (de 35 anos de idade à época) para a Disney por 4 bilhões de dólares.

Disso desdobrou-se mais uma trilogia, alguns filmes spin-off e muitas séries derivadas, que hoje são o carro-chefe da plataforma de streaming Disney+ na guerra contra Amazon Prime Video e Netflix.

Fato é que Star Wars sobreviveu e se sustentou ao longo dos anos com base em sua comunidade de fãs. Nerds, geeks e aficionados que por anos consumiram os desdobramentos da história em todos os tipos de mídia, desenvolveram um laço afetivo baseado em nostalgia e envolvimento emocional e, por fim, trouxeram novas gerações de fãs para o grupo. É, afinal, uma grande família.

E essas famílias, como falado, nascem dentro de nichos e subculturas. São interesses e temas tão pulverizados e diversos que é praticamente impossível classificá-los por algo além do próprio interesse profundo.

Imagine microuniversos de colecionadores de action-figures, cosplayers, jogadores de RPG, board games, card games, fanfics. Ou aficionados por universos narrativos, como obras literárias, desenhos animados e títulos de videogame. As possibilidades são infinitas, e o potencial de conversão de negócios também.

O interesse na cultura de fãs não se limita aos produtores de conteúdo. Há espaço de veiculação de mídia, branded content, product placement, licenciamento e toda uma sorte de possibilidades de negócio que geram interesse para marcas de praticamente todas as indústrias.

A relação com esse ecossistema de consumo transcende o produto ou a produção, justamente por conta da relação afetiva de cada comunidade com seu objeto de interesse. Portanto, fazer parte disso é também impactar diretamente estilos de vida, comportamentos, o que se come, o que se veste, o que se usa e se compra. É uma relação de intimidade e, se feito da maneira correta, cumplicidade também.

O modelo e a forma de se consumir esses conteúdos mudaram muito ao longo dos anos. O que não muda é o investimento emocional e o profundo interesse desses grupos que se formam a cada dia, seja na lojinha do bairro, no grupo de WhatsApp ou na plataforma digital mais próxima de você.

A vingança dos nerds nunca fez tanto sentido.

*Sócio-diretor de Growth na Loures Consultoria

https://exame.com/bussola/geekonomy-do-nicho-ao-mainstream/?amp

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s   para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Como Jeff Bezos mudou tudo ao comprar o jornal Washington Post

Por João Luiz Rosa, De São Paulo — Valor – 28/05/2019

Paul Farhi tem uma visão privilegiada da imprensa americana. Responsável pela cobertura de mídia do “Washington Post”, no qual ingressou há 31 anos, ele acompanha há muito tempo as tentativas das companhias jornalísticas de reagir à crise provocada pela internet, incluindo um dos movimentos mais contundentes do setor — o do próprio “Post”, vendido ao bilionário Jeff Bezos, fundador da Amazon, em 2013.

“Bezos mudou tudo para nós. Estamos indo muito bem. Caminhávamos para o vermelho e, agora, voltamos ao lucro. Como dono, ele faz as melhores coisas que se pode fazer. Nos dá muito dinheiro. E não nos diz o que fazer”, diz Farhi, que trabalhou como repórter de negócios, política e estilo, antes de assumir a área de mídia no “Post”.

O bilionário não é visto com frequência no jornal, que no fim de 2015, depois de 43 anos, se mudou para uma nova sede, a três quarteirões do antigo escritório. São três ou quatro visitas por ano, diz Farhi. Quando vai à redação, Bezos se encontra com Marty Baron, editor-executivo do “Post”.

Baron foi o jornalista que autorizou a investigação dos primeiros casos de pedofilia na Igreja Católica, quando estava à frente do “Boston Globe”. No cinema, foi interpretado pelo ator Liev Schreiber no filme “Spotlight” (Oscar de melhor filme em 2016). Foi um trabalho de interpretação perfeito, diz Farhi. “Ele [Baron] é muito quieto, atencioso e, você sabe, meio rabugento. Mas é um jornalista muito, muito bom.”

Bezos pagou US$ 250 milhões à família Graham, que comandou o “Post” por mais de 80 anos. Desde então, não se sabe quanto investiu na companhia, porque os números não são públicos. Mas o reforço à redação tem sido recorrente em sua gestão, com a contratação de profissionais. Em meados de 2017, o bilionário disse, em evento, que os jornais precisavam parar de encolher para não reduzir sua relevância, e informou que o “Post” contratara 140 pessoas desde a aquisição.

“A fórmula, creio, é investir muito na área editorial, em repórteres, editores, jornalismo… E, então, o público virá atrás da informação”, afirma Farhi, que veio ao Brasil a convite do Insper.

A aquisição do “Post” não é um caso isolado entre as grandes companhias jornalísticas dos EUA. Com as dificuldades financeiras se agravando, outras empresas têm sido compradas por pessoas ricas, em especial magnatas da indústria de tecnologia. O “Boston Globe” foi adquirido por John Henry, dono do time de beisebol Red Sox; a revista “Atlantic”, por Laurene Powell Jobs, viúva de Steve Jobs, da Apple; e a “Time”, por Marc Benioff, da empresa de software Salesforce.

O “Globe” está ‘ok’, avalia Farhi. “Não se ouve falar de grandes cortes por lá”. A “Atlantic” é um “caso interessante”, diz. A revista é “competitiva” e faz “bom jornalismo”, mas produzi-la é caro. Como não cobra assinatura para acessar seu site, a “Atlantic” depende muito de atrair um volume maciço de acessos para gerar publicidade e sobreviver. “E criar tráfego pode degradar a qualidade, porque você precisa colocar um monte de caça-cliques [textos com apelos chamativos ou exagerados], o que não é bom.” Apesar disso, a revista está em um caminho ascendente. “Parece que estão melhores a cada mês.”

O caso da “Time” é diferente. “Não sei mais quem lê a revista”, diz Farhi. Ele compara a publicação à sua extinta rival “Newsweek”, cuja marca persiste em um site na internet — “uma sombra do que costumava ser”, diz. “Não sei como eles [a Time] continuam no negócio.”

Encontrar um dono rico pode não ser suficiente, adverte Farhi. “Há bilionários e bilionários. Rupert Murdoch [que comprou o “Wall Street Journal”] é um tipo de bilionário e Jeff Bezos é outro. Donald Trump pode ser bilionário, não se sabe, mas ele seria um tipo diferente de proprietário [de jornal]”, diz Farhi, numa referência à recente polêmica que eclodiu sobre o real valor fortuna do presidente dos Estados Unidos.

A aquisição do “Post” por Bezos, seis anos atrás, despertou temores de que o jornal teria sua autonomia comprometida, principalmente em relação aos negócios da Amazon. Mas Farhi diz que a cobertura permanece independente e o jornal vai contratar um repórter em Seattle para cobrir especificamente a Amazon.

Como exemplo da independência, ele cita o episódio rumoroso entre a Amazon e a cidade de Nova York. A gigante de comércio eletrônico pretendia construir na vizinhança do Queens — uma das cinco regiões da cidade — parte de sua segunda sede, com a abertura de 25 mil empregos. Boa parte da população e dos políticos, no entanto, não recebeu bem o projeto, o que levou a companhia a mudar de ideia.

O “Post” foi o primeiro jornal a divulgar que os executivos da Amazon estudavam desistir do projeto, de US$ 3,7 bilhões, devido à oposição crescente. “Fizemos uma cobertura justa”, diz.

Em vez de tentar assumir a orientação editorial do “Post”, Bezos acrescentou uma visão de negócios ao jornal — e isso faz a diferença, afirma o jornalista.

A companhia se apoia, hoje, em um tripé de receita. A publicidade impressa continua a ser uma delas, mas numa proporção incomparavelmente menor que no passado. Os anúncios digitais completam o braço publicitário, mas ainda não são tão significativos.

No que o “Post” tem avançado fortemente são as assinaturas digitais. São quase 2 milhões de assinaturas, que atraem 85 milhões de usuários únicos por mês, diz Farhi. Essa ênfase deu novo fôlego à companhia, permitindo atrair leitores de outros Estados americanos e do exterior, que não leriam o jornal não fosse pela internet.

O terceiro fluxo de receita é o que mais caracteriza a intervenção de Bezos no modelo de negócios do “Post”. Trata-se do Arc Publishing, conjunto de softwares que o jornal criou e passou a vender como serviço. Os programas ficam armazenados na infraestrutura da AWS, braço de serviços de nuvem da Amazon. Mais de 30 companhias adotaram o pacote, segundo divulgou o “Post”.

Concebido para facilitar a publicação de notícias, o Arc passou a incorporar outras funções desde seu lançamento, em 2014. As mais recentes incluem desde a administração de paywall (software que define o que pode ou não ser visto de graça em um site), até a captura de e-mails dos leitores. O Arc pode representar uma receita adicional de US$ 100 milhões para o “Post”, disse recentemente o chefe de tecnologia da empresa, Shailesh Prakash.

As mudanças de comportamento provocadas pela internet têm atingido duramente os jornais americanos. Na maioria deles, de 75% a 80% da receita ainda vem do meio impresso, que perde espaço rapidamente, diz o jornalista. Como não estão conseguindo encontrar maneiras de compensar essa diminuição com novas receitas digitais, muitas publicações estão enfrentando o risco de desaparecer.

“Há três jornais que serão os prováveis sobreviventes [nos EUA] e se fortalecerão no futuro: o ‘Post’, o ‘New York Times’ e o ‘Wall Street Journal”, diz Farhi. A forte base de assinantes é a credencial comum entre o grupo remanescente.

Circulação cadente. A circulação dos diários americanos caiu para menos da metade em trinta anos, do pico de 63,3 milhões em 1984 para estimados 30,9 milhões em 2017, segundo o Pew Research Center, organização de pesquisa sediada em Washington.

A receita publicitária dos jornais, que somou US$ 49,9 bilhões em 2005 — seu mais alto patamar histórico — caiu para US$ 16,6 bilhões dois anos atrás, de acordo com o levantamento. No mesmo período, o número de jornalistas nas redações diminuiu de 72,6 mil para 39,2 mil.

A preocupação maior é com cidades cujos jornais não têm as mesmas possibilidades de buscar novas fontes de renda, como o “Post” e os outros grandes títulos, diz Farhi. A imprensa regional, que já foi exuberante nos EUA, está sob ameaça.

Estudo da Universidade da Carolina do Norte mostra que quase 1,8 mil jornais fecharam as portas nos EUA desde 2004, principalmente em cidades menores. Cerca de 200 condados americanos não têm mais nenhum jornal em circulação. E 1.449 dos 3.143 existentes no país só contam com um jornal, geralmente semanal, de acordo com o estudo, apropriadamente chamado “O deserto de notícias em expansão”.

“Como as pessoas de Cleveland obtêm informação [local]

se o jornal que sempre foi o mais forte da cidade tem, creio, 32 jornalistas para cobrir uma área com 2 milhões de pessoas? Isso é insano”, exemplifica.

Para atrair leitores, diz Fahri, o jornalismo vai exigir uma combinação cada vez mais efetiva de meios diferentes para transmitir notícias, incluindo formatos como “podcasts”, vídeos e canais em rede sociais, muito procurados pelas gerações mais jovens.

A própria família oferece exemplos do poder de atração desses novos formatos, diz. Seu filho mais velho, de 34 anos, e que também é jornalista, adora ouvir “podcasts”, algo que não existia quando Farhi começou. A mais nova, de 26 anos, já empregou suas habilidades dramáticas em um deles. Atriz de teatro musical, ela foi recentemente contratada para participar de um “podcast”, como se fosse em uma antiga radionovela. “É o futuro voltando ao passado. Trata-se de algo novo, mas também muito velho.” (do Valor Econômico)

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

A pandemia está reescrevendo as regras do varejo

Denise Lee Yohn HBR 8 de dezembro de 2020

Os varejistas precisam parar de achar que os negócios voltarão ao “normal”. Tão cedo, nada voltará a ser como antes. Mesmo antes do início da pandemia da Covid-19 e da crise econômica, as lojas físicas já vinham travando uma batalha contra a Amazon e outras empresas de e-commerce. Esses desafios cresceram a uma velocidade impressionante.

Dados recentes da consultoria McKinsey mostram que os consumidores tendem a manter o comportamento adotado durante as medidas de isolamento social, como mais compras online e menos idas aos shopping centers. Os varejistas não podem ficar esperando para ver. Em primeiro lugar, precisam repensar as exigências mínimas e, então, voltar o foco para sua experiência com clientes, elevando seu nível.

Um novo patamar

De início, os varejistas precisam adaptar as operações das lojas físicas em cumprimento às exigências de saúde e segurança, além de atender às expectativas dos consumidores. Isso inclui o uso de máscara, garantia de distanciamento físico, controle do número de funcionários e clientes nas lojas, adoção de meios de pagamentos sem contato físico, maior velocidade do atendimento, com inclusão de mais opções de autoatendimento.

Os lojistas também precisam oferecer uma experiência integrada no e-commerce — incluindo a busca, pesquisa, seleção, compra e devolução/troca. Os consumidores não mais irão suportar experiências de compras digitais abaixo da média, como as que talvez tivessem aceitado antes da crise. Os varejistas precisarão oferecer sites responsivos para dispositivos móveis, serviços integrados do tipo “compre online e retire na loja”, além de garantir uma experiência digital consistente e confiável nos múltiplos dispositivos e canais.

Para um seleto número de empresas de varejo, como lojas influenciadoras de tendências e restaurantes temporários, operar nesse patamar já é suficiente. Se a demanda por um produto for tão alta e/ou urgente – como aconteceu, por exemplo, com hambúrgueres do Shake Shack, liquidação de tênis da Nike, ou lançamentos da Apple – os consumidores até podem aceitar arriscar uma ida a uma loja física. Passar horas esperando em longas filas ou até acampar a noite toda para adquirir um produto talvez volte a acontecer, como forma de passatempo de fãs mais fervorosos. Mas não se deve mais apostar nisso como principal estratégia – operações mais sofisticadas em loja e uma presença digital bem estruturada são o mínimo que as empresas precisam oferecer.

Repensar a experiência presencial

Há alguns anos, varejistas passaram a dar à experiência do consumidor na loja um valor quase igual, ou até maior, do que aos próprios produtos vendidos. Redes varejistas como Restoration Hardware, Bass Pro Shops e até a Walmart já perceberam que, ao promover eventos e oferecer experiências e serviços especiais dentro das lojas não apenas atraem mais clientes, como também os incentivam a passar mais tempo ali, comprar mais produtos e pagar mais caro por eles. 

Em consequência da Covid-19, todo comerciante precisará transformar a experiência em loja em algo ainda mais extraordinário para os clientes que se dispõem a estar lá presencialmente. Os lojistas terão de oferecer aos consumidores um motivo que justifique sua exposição aos riscos à sua saúde, para que eles superem o comportamento de inércia adotado a partir das medidas de isolamento.

Para começar, podem pensar em como as redes de salas de cinema reagiram à ameaça colocada pelo surgimento dos serviços de streaming, como a Netflix e outras empresas. Estas novas experiências não apenas aprimoraram o que já era oferecido antes aos clientes, mas também atenderam à demanda por mais opções. As idas ao cinema passaram a ser algo melhor do que assistir ao filme em casa, com a oferta de confortáveis poltronas reclináveis, opções diferenciadas de comida e bebida entregues aos clientes em seus assentos, além de áreas com bares para o encontro com os amigos antes e depois da sessão. Os lojistas que oferecerem uma experiência exclusiva e diferenciada, assim como as redes de cinemas fizeram um dia, serão capazes de tirar os consumidores de casa.

Atendimento ao consumidor presencial de alto nível é uma outra maneira de competir e ganhar do comércio online, mas os lojistas precisam pensar no serviço de uma nova forma. O atendimento não poderá ser visto apenas como apoio às vendas e restrito ao ato de cumprimentar os clientes, cuidar de reclamações e gerenciar devoluções e pedidos especiais. Serviços como personal shoppers, especialistas técnicos e instaladores certificados é o que já se espera de grande parte dos lojistas de vendas de maior valor e com categorias de produtos mais complexos.

Anos atrás, a Best Buy utilizou essa tática para reagir à batalha que estava sendo perdida para a Amazon, introduzindo um programa de consultoria que oferecia aos clientes atendimento domiciliar para orientá-los sobre quais produtos comprar e como os instalar. O serviço tem o objetivo de estimular o relacionamento de longo prazo, e não necessariamente fechar uma venda. Como resultado, a rede conseguiu atrair os clientes, desviando-os das opções de compras online, e posicionou a Best Buy como uma marca confiável e mais pessoal.

Experiência nativa digital do cliente

Essa nova ênfase em inovação e serviço precisa ser estendida também à experiência digital do cliente. A maior parte dos varejistas com origem em loja física simplesmente tenta reproduzir no canal online sua experiência na venda presencial, mas tais esforços costumam ser infrutíferos e equivocados. Além dos fundamentos das transações já mencionados anteriormente, os consumidores não esperam que uma experiência virtual seja igual à presencial – e nem querem que seja.

Investir em recursos exclusivos do canal digital – como gestão de estoques em tempo real, análise preditiva, busca movida por Inteligência Artificial, além de funções de personalização e cocriação – podem gerar experiências de compra totalmente novas e diferentes. Vejamos o exemplo do social commerce, que não apenas permite a venda de produtos por meio das redes sociais, como também possibilita interações sociais, apoio mútuo, avaliações e recomendações, conteúdo multimídia, personalização, gamificação, entre outras. Um comerciante pode usar esses novos recursos para criar uma experiência social, interativa e imersiva, não importando onde os clientes estejam, algo que nenhuma loja física consegue fazer.

Para obter inspiração e insights para criar uma experiência de compra online do zero, os varejistas podem estar dispostos a avaliar a evolução de outros segmentos ou exemplos de outras instituições atuando no canal tradicional. Quando a Covid-19 obrigou igrejas a cancelarem os cultos semanais, grande parte delas passou a adotar encontros virtuais utilizando plataformas online, como o Zoom, por exemplo. Mas a Crossroads Church, igreja batista de Cincinnati (EUA) aproveitou a oportunidade para repensar os sermões semanais de seus pastores. Agora, os pastores são filmados proferindo mensagens em diferentes localidades para ajudar a reforçar a mensagem da semana – por exemplo, ressaltando a importância de uma fundação sólida no local de uma igreja histórica. Da mesma forma, os comerciantes podem tirar proveito da flexibilidade maior e dos novos contextos que a realidade digital hoje possibilita para, por exemplo apresentar uma única peça de roupa vestindo vários modelos, mostrando como ela pode ser usada em diferentes tipos físicos, ou usar vídeos para demonstrar como clientes reais utilizam uma determinada ferramenta.

Podem, ainda, inspirar-se em como o digital possibilita atender a urgência e a interatividade necessárias às plataformas educacionais online, como edX e Coursera. Alunos de programação de software podem publicar seus projetos e receber avaliações automáticas e feedback instantâneo; estudantes de Psicologia podem usar um aplicativo exclusivo da sua turma para rastrear hábitos e identificar padrões do seu próprio comportamento. Como isso funcionaria no contexto do varejo? As possibilidades incluem respostas geradas por IA em tempo real às perguntas dos clientes, chat de vídeo instantâneo com um estilista pessoal e aplicativos para rastreamento do uso atual de produtos, gerando recomendações para novos itens. Ideias como essas surgem quando as empresas pensam além de adaptar a experiência presencial para o ambiente online.

O momento não é para o varejo tentar simplesmente ignorar a tempestade. Com uma abordagem mais proativa e progressiva para não só a transformação digital, como também para a nova era do serviço e experiência do cliente, o futuro poderá se mostrar menos nebuloso.

Denise Lee Yohn é autoridade quando o assunto é o posicionamento de grandes marcas e construção de organizações de destaque, com 25 anos de experiência no trabalho com marcas de renome global, como Sony e Frito-Lay. Lee Yohn é consultora, palestrante e autora dos livros “What great brands do: the seven brand-building principles that separate the best from the rest” e “FUSION: how integrating brand and culture powers the world’s greatest companies”. 

A pandemia está reescrevendo as regras do varejo

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s   para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Promoção da cerveja Corona pagará uma semana de “home office no paraíso”

Os escritórios adaptados ficarão em Ilhabela (SP), Praia do Rosa (SC) e Trancoso (BA). A marca bancará transporte, hospedagem e alimentação: saiba como participar

Por Matheus Doliveira Exame 26/01/2021 

Corona: 6 pessoas serão contempladas com o prêmio.  (Corona/Reprodução)

O conceito de “nômade digital” nunca foi tão falado. O termo designa pessoas que usam a tecnologia para trabalhar à distância em qualquer lugar do mundo. As escolhas são quase sempre praias paradisíacas ou montanhas isoladas. Mas, se como a maior parte das pessoas você não tem recursos para bancar essa aventura, nem tudo está perdido. A cervejaria Corona está lançando nesta terça-feira, 26, um concurso que premiará seis pessoas com uma semana de trabalho remoto em alguns dos destinos mais procurados do Brasil.

Os felizardos que forem contemplados pela promoção Anywhere Office passarão sete dias em escritórios adaptados em Ilhabela (SP), Praia do Rosa (SC) e Trancoso (BA), com tudo pago. “Sabemos que a adaptação ao formato remoto não foi fácil, mas também mudou o conceito de espaço de trabalho. Para algumas profissões, isso significava estar em um escritório; hoje pode significar trabalhar em um espaço confortável, com sinal de internet e energia elétrica”, explica João Pedro Zattar, gerente de marketing da Corona.

O prêmio inclui hospedagem (dentro das regras de distanciamento social), transporte, alimentação, e, claro, cervejas Corona à vontade. “A nossa proposta com Anywhere Office é compartilhar informação de qualidade e relevância para que as pessoas que trabalham remotamente possam trazer mais equilíbrio e saúde mental para sua rotina simplesmente mudando de ares, estando mais próximas da natureza e ganhando até mais produtividade por conta disso”, complementa Zattar.

Para acessar o regulamento e participar, o público pode entrar no site da ação.

Segundo a marca, a ideia do projeto é, principalmente, mostrar que trabalho e bem-estar devem caminhar juntos. “A rotina ficou mais flexível — no sentido de você poder estar em ‘casa’, em contato com a natureza, respirando um ar puro e tendo a chance de, numa pausa no expediente, dar um pulo no mar e voltar para participar de uma sequência de reuniões. Num momento de reclusão como o que vivemos, isso tudo faz muita diferença”, conta o head de vendas Fernando Flumian, que escolheu a cidade litorânea de Barra do Una (SP) para passar pelo período da quarentena.

Além da promoção, a cervejaria acaba de lançar um relatório de tendências do home office com base em dados compilados pela agência Box1824 com a The Summer Hunter.

Os dados mostram, por exemplo, que 52% dos profissionais brasileiros desejam manter o trabalho remoto mesmo após o isolamento, com idas ocasionais ao escritório (IBM, 2020).  Já na ótica das empresas brasileiras, 94% delas afirmam que atingiram ou superaram suas expectativas com o trabalho remoto (Fundação Instituto de Administração, 2020).

https://exame.com/casual/promocao-da-cerveja-corona-pagara-uma-semana-de-home-office-no-paraiso/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

A desindustrialização do Vale do Silício e o triunfo da China

Paulo Gala* Brasil247 22/01/2021

“Os EUA passaram a desprezar o setor industrial. A ideia de que, desde que o “trabalho de conhecimento” permaneça nos EUA, não importa o que irá acontecer com os empregos industriais. Esse tipo de mentalidade rompeu a cadeia de experiência produtiva das empresas americanas, tão importante para a evolução tecnológica” 

Os americanos adoram a ideia de alguns caras numa garagem que inventam algo capaz de mudar o mundo. Startups são maravilhosas, mas não podem, por si, aumentar o emprego no setor de tecnologia. De igual importância é aquilo que vem depois do momento mágico de criatividade de garagem, quando a tecnologia passa da invenção para a produção em massa. É nessa a fase em que as empresas aumentam de escala. Tratam de detalhes de projeto, descobrem como produzir de forma acessível, constroem fábricas e contratam milhares de pessoas. Aumentar a escala é difícil, mas necessário para que a inovação tenha relevância. Aqui muitas vezes o papel do estado como garantidor de demanda é fundamental. Foi assim no caso dos painéis fotovoltaicos demandados por satélites da NASA, por exemplo. E todas tecnologias militares e do programa aeroespacial americano. O aumento de escala costumava dar certo no Vale do Silício. Empreendedores inventavam novas coisas. Investidores lhes davam dinheiro para construir seus negócios. Se os fundadores e investidores dessem sorte, a empresa crescia e chegava a uma oferta pública inicial que atraía dinheiro para financiar mais crescimento. Esse foi o caso por exemplo da Intel. Em 1968 alguns engenheiros e seus amigos investidores injetaram $3 milhões para fundar a Intel (INTC), produzindo chips de memória para a indústria de computadores. Desde o começo o maior desafio era dar volume à produção dos chips. Construíram fábricas nos EUA, contrataram engenheiros e criaram uma enorme rede de colaboradores até se tornar uma empresa bilionária. Em 1980, 10 anos depois do IPO, a Intel empregava cerca de 13.000 pessoas nos EUA.

A Tandem Computers passou por um processo semelhante, seguida pela Sun Microsystems, Cisco (CSCO), Netscape e assim por diante. Algumas empresas morreram ou foram absorvidas por outras, mas cada sobrevivente aumentava o complexo ecossistema tecnológico que ficou conhecido como Vale do Silício. Com o passar do tempo os salários aumentaram. A China surgiu. Empresas americanas descobriram que podiam realizar sua produção e até mesmo sua engenharia de maneira mais barata no exterior. Quando faziam isso, suas margens aumentavam. A administração ficava satisfeita e os acionistas também. O crescimento continuava e com lucratividade ainda maior. A máquina de empregos do Vale do Silício começava a engasgar. Em 2012 o emprego industrial no setor de computadores dos EUA já tinha caído para cerca de 166.000 vagas a menos do que antes da montagem do primeiro PC, o MITS Altair 2800 em 1975. Nesse meio tempo emergiu na Ásia um setor de fabricação de computadores altamente eficaz, empregando milhares de operários, engenheiros e gestores. A maior dessas empresas é a Hon Hai Precision Industry em Shenzen, também conhecida como Foxconn. A empresa cresceu a uma velocidade estarrecedora, primeiro em Taiwan e depois na China. Seu faturamento se aproximando de Apple, a Microsoft, a Dell e a Intel. A Foxconn emprega mais de 800.000 pessoas, mais do que o total mundial consolidado de da Apple, Dell, Microsoft, Hewlett-Packard, Intel e Sony. A Foxconn produz computadores para a Dell e HP, produzia celulares para a Nokia (NOK), consoles Microsoft Xbox 360, placas-mãe da Intel e incontáveis outros dispositivos. Cerca de 300.000 colaboradores da Foxconn produziam produtos da Apple no sul da China em 2015. A Apple, por seu lado, tinha cerca de 30.000 colaboradores nos EUA. Isso quer dizer que para cada trabalhador da Apple nos EUA havia 10 pessoas na China produzindo iMacs, iPods e iPhones. A mesma proporção aproximada de 10-para-1 se mantinha para a Dell, para a fabricante de discos rígidos Seagate Technology (STX) e outras empresas de tecnologia dos EUA.

O trabalho de alto valor agregado e grande parte dos lucros ficam nos EUA. Mas o grande volume de empregos foi para a Asia. Desde os primórdios do Vale do Silício, o dinheiro investido nas empresas aumentou dramaticamente, mas produziu cada vez menos empregos. Os EUA se tornaram enormemente ineficientes na geração de empregos de tecnologia para os americanos.

Há mais em jogo nessa história do que a mera exportação de empregos. Em relação a algumas tecnologias, tanto o ganho de escala quanto a inovação se dão no exterior. É o caso das baterias elétricas avançadas, as baterias de íons de lítio. As baterias estão para os veículos elétricos como os microprocessadores estão para os computadores. Mas, ao contrário do que se dá com estes, a participação americana na produção de baterias de íons de lítio é ínfima. Um novo setor precisa de um ecossistema eficaz em que o knowhow tecnológico se acumule, experiência gere experiência, e desenvolvam-se relacionamentos estreitos entre fornecedor e cliente. Os EUA perderam sua liderança em baterias há 30 anos, quando pararam de produzir dispositivos eletrônicos de consumo. Então, quem produzia baterias ganhou a exposição e os relacionamentos necessários para aprender a fornecer baterias para o mercado mais exigente de laptops e, depois, para o ainda mais exigente mercado automotivo. As empresas americanas não participaram da primeira fase e, por isso, não estavam presentes para o que veio a seguir. A China tomou esse mercado dos EUA.

Os EUA passaram a desprezar o setor industrial. A ideia de que, desde que o “trabalho de conhecimento” permaneça nos EUA, não importa o que irá acontecer com os empregos industriais. Esse tipo de mentalidade rompeu a cadeia de experiência produtiva das empresas americanas, tão importante para a evolução tecnológica. Os EUA entregaram o vale do silício para o livre mercado; que levou toda a produção para a Ásia do leste com a ajuda de seus governos! O desenvolvimento acelerado das economias asiáticas proporciona diversos exemplos disso. Os “Projetos Dourados”, uma série de iniciativas digitais encabeçadas pelo governo chinês no final da década de 1980 e nos anos 1990 são grandes exemplos disso. Pequim estava convencida da importância das redes de comunicação e eletroeletrônica – usadas para transações, comunicação e coordenação – para a potencialização da geração de empregos, especialmente nas partes menos desenvolvidas do país. Por isso esses projetos gozaram de financiamento público prioritário. Com o tempo, contribuíram para o desenvolvimento acelerado da infraestrutura informacional chinesa e para o crescimento econômico do país. A China triunfou.

*Graduado em Economia pela FEA-USP. Mestre e Doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo. Foi pesquisador visitante nas Universidades de Cambridge UK e Columbia NY. É professor de economia na FGV-SP desde 2002

Referências:

https://amp.economist.com/technology-quarterly/2021/01/07/how-governments-spurred-the-rise-of-solar-power?__twitter_impression=true

https://www.bloomberg.com/news/features/2021-01-13/china-loves-elon-musk-and-tesla-tsla-how-long-will-that-last

https://www.bloomberg.com/news/articles/2010-07-01/andy-grove-how-america-can-create-jobs

https://www.ecodebate.com.br/2020/06/18/energia-solar-cresce-225-no-mundo-com-mais-de-115-gigawatts-instalados-no-ultimo-ano/?fbclid=IwAR13J9aY-ihuRLZ8EqtFLvz9cajjy-G2GVFeZAmN3wajehSq06UqlOrUh70

https://www.brasil247.com/blog/a-desindustrializacao-do-vale-do-silicio-e-o-triunfo-da-china

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s   para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Estilos de liderança de Harvard: seis estratégias de liderança

POR ANNE SEXTON – HBR 14 de junho de 2017(Tradução Evandro Milet)

Componentes culturais corporativos

O estudo usou uma amostra aleatória de quase 4.000 executivos. Ele descobriu que os líderes mais eficazes escolhem entre seis estilos de liderança distintos. A pesquisa investigou como cada um dos seis estilos de liderança se correlacionava com os principais componentes da cultura da organização.

O HBR identificou esses componentes culturais como:

Flexibilidade – capacidade dos funcionários de inovar sem regras e regulamentos excessivos

Responsabilidade – como os funcionários responsáveis ​​se sentem em relação à organização

Padrões – o nível de padrões esperados na organização

Recompensas – a precisão do feedback de desempenho e seu link para recompensas

Clareza – quão claros os funcionários estão sobre a missão, visão e valor fundamental

Compromisso – compromisso dos funcionários com um propósito comum

 Seis estilos de liderança

Os seis estilos de liderança, em ordem de impacto na cultura organizacional, são brevemente discutidos a seguir.

1. Coercitivo

Este é um líder que exige conformidade imediata. A frase mais descritiva desse líder é: “Faça o que eu digo!”

Este estilo pode destruir a cultura de uma organização. Isso ocorre porque o lado negativo é muito maior do que o lado positivo. Portanto, um estilo coercitivo só deve ser usado com extrema cautela. É útil em uma emergência e pode funcionar em uma crise. Além disso, pode ajudar em uma situação de recuperação ou como último recurso com um funcionário problemático.

O estilo de liderança coercitiva tem o impacto mais negativo na cultura organizacional geral.

2. Pacesetting

Este é um líder que estabelece padrões extremamente elevados de desempenho. A frase mais descritiva desse líder é: “Faça o que eu faço agora!”

Um estilo marcante pode destruir uma boa cultura. Ele só funciona com uma equipe altamente motivada e competente, capaz de, essencialmente, ler a mente do líder. Outros se sentirão oprimidos e desistirão. Isso ocorre porque eles não conseguem se ver atendendo aos padrões do líder.

O precursor tem praticamente o mesmo impacto negativo na cultura organizacional geral que um líder coercitivo. Esse estilo afeta particularmente as recompensas e o comprometimento.

3. Coaching

O coach é um líder que se concentra no desenvolvimento de pessoas para o futuro. A frase mais descritiva desse líder é: “Experimente isso”.

Os líderes de coaching são ótimos delegadores. Eles também estão dispostos a tolerar falhas de curto prazo, desde que levem a um desenvolvimento de longo prazo. Esse estilo funciona melhor quando você deseja ajudar os funcionários a melhorar seu desempenho ou desenvolver seus pontos fortes de longo prazo.

O coach tem um impacto positivo na cultura organizacional geral.

4. Democrata

O líder democrático obtém consenso por meio da participação. A frase mais descritiva desse líder é: “O que você acha?”

Esse estilo gera confiança, respeito e comprometimento. Além disso, funciona melhor quando você deseja receber sugestões ou fazer com que os funcionários “comprem” ou cheguem a um consenso. Não funciona sob severas restrições de tempo ou se os funcionários estiverem confusos ou desinformados.

Se manuseado corretamente, esse estilo tem um impacto positivo na cultura organizacional geral.

5. Associativo

Um líder associativo deseja criar harmonia e construir laços emocionais com os funcionários. A frase mais descritiva desse líder é: “As pessoas vêm primeiro.”

Esse estilo funciona melhor quando você deseja motivar os funcionários. Isso é especialmente verdadeiro quando eles enfrentam situações estressantes. Além disso, esse estilo funciona bem quando você deseja construir a harmonia da equipe, melhorar a comunicação, aumentar o moral ou reparar a quebra de confiança.

Um líder associativo tem um impacto positivo na cultura organizacional geral. Esse estilo não tem virtualmente nenhuma desvantagem e, portanto, é frequentemente visto como a melhor abordagem geral.

6. Respeitável

O líder respeitável mobiliza as pessoas com entusiasmo e uma visão clara. Este é um líder visionário. Este líder dá às pessoas liberdade para inovar e assumir riscos calculados, desde que se movam na direção da visão declarada. A frase mais descritiva desse líder é: “Venha comigo”.

Esse estilo funciona melhor quando a mudança exige uma nova visão ou quando os funcionários estão procurando uma nova direção. No entanto, esse estilo falha quando os funcionários têm mais conhecimento ou experiência do que o líder, ou se o estilo respeitável torna-se autoritário.

Desde que seja usado com elegância, esse estilo tem o impacto mais positivo na cultura organizacional geral.

A pesquisa descobriu que os melhores líderes dominam quatro ou mais estilos, especialmente os estilos respeitável, associativo, democrático e de coaching. Líderes que podem se mover facilmente de um para o outro, dependendo da situação, produzem as culturas organizacionais mais positivas e desfrutam dos maiores sucessos comerciais.

https://www.corporatetraining.ie/harvard-leadership-styles/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s   para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Máscaras descartáveis: 1,56 bilhão nos mares em 2020

Por João Lara Mesquita Estadão – Coluna Mar sem fim – 17 de dezembro de 2020 

Máscaras descartáveis; estima-se em 1,56 bilhão nos mares em 2020

Prezado leitor: tenha certeza que odeio ter que escrever sobre temas pesados, tristes, num momento de infelicidade geral da humanidade. Estamos todos cheios desta situação criada pela pandemia. E tristes pela morte de milhões de pessoas, notadamente as mais pobres. É muita injustiça duma só vez. Mas nosso compromisso é com os mares. Não por acaso este site tem o nome que tem. Eu tinha certeza que chegaria o momento de informar mais um problema gerado pela pandemia. Fazer o quê? Passar batido, não posso. Você ainda tem o livre arbítrio para decidir se o texto deve ou não ser lido. A mim só resta informar. Máscaras descartáveis, estima-se em 1,56 bilhão nos mares.

Imagem, OceansÁsia.

Máscaras descartáveis: 1,56 bilhão nos mares em 2020

Uma das funções diárias é pesquisar o que NÃO SAI na mídia nacional sobre os oceanos. E cobri-la. O consumidor escolhe o que lê. O site, como ativista, tem o dever de expor a realidade não alcançada pela imprensa tradicional publicada em português. Mas não apenas.

O esforço do site

Basta navegar pelo site para descobrir. Pesquisar no extenso ‘menu’ (canto superior esquerdo). Para não ficar apenas nos assuntos ‘pesados’ e divulgar a importância do mar em nossa vida, criamos no menu inúmeras categorias, como história marítima, tecnologia, sustentabilidade, entre outras.

Menu do site Mar Sem Fim

Destacamos espécies curiosas, mundo submarino, energia; contamos histórias de navegadores notáveis como Ernest Shackleton, ou outros  que naufragam na Antártica  ‘capazes’ de repetirem o acidente que aconteceu  com o britânico quase cem anos antes; e ainda destacamos a obra de titãs como Paulo Nogueira Neto, além de disponibilizar cerca de 70 horas em documentários da costa brasileira quando aprendemos sobre o desastre que nela se passa.

Mas não podemos e não queremos ignorar os problemas, fingir que não existem. Porque existem, sim, e são muitos.

Desde o princípio da pandemia  eu imaginava um número assustador. Mas fiquei perplexo com a novidade que nos informa o site da OceansÁsia. Esta é uma das muitas ONGs sérias que sigo.

É das poucas que como este site privilegia o bioma marinho. Não são sensacionalistas, muito menos arrivistas. Têm lá suas baldas, como todo mundo, mas nada que a desabone do ponto de vista deste escriba.

E nós rezamos pela cartilha do ícone da ciência marinha Sylvia Earle para quem o maior problema dos oceanos é a ignorância. Arrisco a sugerir mais um: os oceanos têm a desvantagem de não comoverem o público. Simples assim. E este problema é um fenômeno também mundial.

Já conversei com dezenas de especialistas norte-americanos que concordam com ambas as informações. No mar, apenas os cetáceos ou as tartarugas comovem. Porque o público os vê. Pessoas veem cetáceos ao vivo ou através de vídeos e adoram, se encantam, torcem por eles. Quem não faria?

O mesmo acontece com tartarugas, mas não com tanta intensidade. O resto é o resto, aquilo que não se pode ver com frequência. Sobra então, disponibilizar a informação.

A inundação das máscaras descartáveis

Nossos oceanos serão inundados com cerca de 1,56 bilhão de máscaras faciais em 2020, diz um relatório divulgado em dezembro pela organização de conservação marinha com sede em Hong Kong, OceansAsia.

Isso resultará em um adicional de 4.680 a 6.240 toneladas métricas de poluição marinha de plástico, diz o relatório intitulado “Máscaras na praia: O impacto do COVID-19 na poluição de plástico marinho”.

450 anos para se decompor

Essas máscaras levarão até 450 anos para se decompor, lentamente se transformando em microplásticos, enquanto impactam negativamente a vida selvagem marinha e os ecossistemas.

O relatório usou uma estimativa de produção global de 52 bilhões de máscaras sendo fabricadas em 2020, uma taxa de perda conservadora de 3% e o peso médio de 3 a 4 gramas para uma máscara cirúrgica de polipropileno descartável para chegar à estimativa.

Apenas a ponta do iceberg

“Os 1,56 bilhão de máscaras faciais que provavelmente entrarão em nossos oceanos em 2020 são apenas a ponta do iceberg”, diz o Dr. Teale Phelps Bondaroff, Diretor de Pesquisa da OceansAsia e principal autor do relatório. “As 4.680 a 6.240 toneladas métricas de máscaras faciais são apenas uma pequena fração das estimadas 8 a 12 milhões de toneladas métricas de plástico que entram em nossos oceanos a cada ano.”

O consumo de plástico, que tem aumentado constantemente há anos, aumentou significativamente como resultado da pandemia de COVID-19.

“As preocupações com a higiene e a maior dependência de alimentos para viagem levaram ao aumento do uso de plásticos, principalmente embalagens”, disse Gary Stokes, Diretor de Operações da OceansAsia. “Enquanto isso, uma série de medidas destinadas a reduzir o consumo de plástico, como proibições de sacolas descartáveis, foram adiadas, pausadas ou revertidas.”

Dificuldade em reciclar

As máscaras de uso único são feitas de uma variedade de plásticos derretidos e são difíceis de reciclar devido à composição e ao risco de contaminação e infecção. Eles entram nos oceanos quando são despejados, quando os sistemas de gerenciamento de resíduos são inadequados ou inexistentes ou quando esses sistemas ficam sobrecarregados devido ao aumento do volume de resíduos.

Devastação marinha por plásticos

“A poluição marinha por plástico está devastando nossos oceanos”, disse Gary Stokes, Diretor de Operações da OceansAsia. “A poluição por plástico mata cerca de 100.000 mamíferos marinhos e tartarugas, mais de um milhão de aves marinhas e um número ainda maior de peixes, invertebrados e outros animais a cada ano. Também impacta negativamente a pesca e a indústria do turismo, e custa à economia global cerca de US$ 13 bilhões por ano.”

imagem de máscaras descartáveis na praiaImagem, OceansAsia.

O relatório pede que as pessoas usem máscaras reutilizáveis ​​sempre que possível, descartem as máscaras de maneira responsável e reduzam o consumo geral de plástico descartável. Ele também conclama os governos a implementar políticas destinadas a encorajar o uso de máscaras reutilizáveis, como diretrizes de liberação sobre a fabricação adequada e o uso de máscaras reutilizáveis.

Falta fomentar a inovação e o desenvolvimento de alternativas sustentáveis ​​às máscaras plásticas descartáveis.

E paramos por aqui, não sem antes lembrar que em 2021 a poluição plástica anabolizada pela covid-19 será ainda pior. Haverá, finalmente, a vacina. Somos quase oito bilhões na Terra. Vacinas usam seringas. E elas são feitas de plástico…

Assista ao vídeo Masks On The Beach de Gary Stokes e saiba mais

Imagem de abertura: OceansAsia

Fonte: https://oceansasia.org/covid-19-facemasks/?fbclid=IwAR0DX_mvH_jL2yZy4-pZf2L5lqlQ0IL7gJV3eY9lsuL1D5dpwD3ODOd4x68.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s   para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Você precisa de um diploma tradicional ou um curso online é suficiente?

Dorie Clark HBR 19 de dezembro de 2017

Na economia moderna, todos sabemos que simplesmente não podemos parar de aprender. No entanto, saber como dar continuidade à nossa formação é uma questão complicada. Vale a pena investir para obter um diploma acadêmico, como um MBA ou doutorado? Deve você optar por uma abordagem mais direcionada: um programa de formação executiva de curta duração? Ou talvez estudar por conta própria, inscrevendo-se em um curso online, como um MOOC (em português, Cursos Online Abertos e Massivos)?

Como professora adjunta da Fuqua School of Business na Duke University, lecionei para muitas turmas em programas acadêmicos, bem como em cursos de formação executiva. Também criei, de forma independente, diversos cursos online. Portanto, tenho refletido muito sobre que tipo de programa é mais apropriado às necessidades dos profissionais.

Quando estiver considerando o próximo passo em sua formação, faça a si mesmo estas três perguntas.

Qual é o padrão aceito em sua empresa ou setor? Para áreas em que um diploma de pós-graduação é obrigatório, a resposta é clara. Porém, em muitos casos, os profissionais enfrentam uma situação ambígua: ter um MBA pode ser considerado uma vantagem, mas raramente constitui uma exigência para um emprego específico. É importante, no entanto, compreender as normas de sua empresa ou setor. Mesmo que não haja nenhuma exigência formal, ela pode estar implícita.

Por meio de entrevistas e pesquisas para levantar informações e qualificações, tais como pesquisar perfis de líderes no LinkedIn, tente obter uma ideia sobre a formação desses profissionais. Se todos na equipe de líderes tiverem um diploma de pós-graduação e você não, convencê-los de seus méritos pode ser uma luta árdua. Mas se esse título for incomum, gastar centenas de milhares de dólares em um diploma talvez seja um exagero: uma formação mais direcionada pode bastar.

Que habilidades específicas você quer desenvolver? Programas que oferecem diplomas acadêmicos sobressaem em termos de formação global: um MBA, por exemplo, oferece um pouco de tudo o que você pode precisar como líder, seja no departamento financeiro, de marketing ou de operações. Mas se você está procurando aprimorar habilidades específicas, em vez de desenvolver uma visão geral, talvez prefira um programa de formação executiva direcionado ou um curso online.

Comece analisando o emprego que almeja. Que habilidades os líderes nesse cargo têm — e quais delas você ainda não possui? Quanto mais precisamente conseguir identificá-las, melhor. Por exemplo, um dos meus programas de formação executiva na Duke Fuqua ajuda líderes a aperfeiçoar suas habilidades de falar em público e fazer apresentações. E um curso online criado por mim contribui com profissionais interessados em blogs a criar conteúdo com mais rapidez. Você realmente precisa aprender tudo sobre finanças corporativas ou necessita apenas do básico sobre contabilidade para ajudá-lo a compreender melhor uma demonstração de resultados? Caso seja uma habilidade suficientemente restrita, você pode conseguir desenvolvê-la lendo um livro ou assistindo a vídeos no YouTube em vez de fazer um curso completo.

Como você aprende melhor? É também importante saber como você aprende melhor, o que varia de pessoa para pessoa. Você pode ter motivação pessoal, por exemplo, caso em que um curso online com pouca ou nenhuma interação com o professor e outros alunos pode ser perfeito. Por outro lado, se você aprende melhor na companhia de outros alunos, pode preferir uma experiência tradicional em sala de aula, ou pelo menos um curso online que tenha uma comunidade ativa. Determinar o ambiente de aprendizagem ideal para você lhe permitirá tomar decisões melhores, de modo a evitar o desperdício de seu dinheiro em um programa presencial de alto custo (quando você poderia ter dado conta do material sozinho sem muito esforço) ou em um curso online (que você nunca frequentou porque não havia um clima de camaradagem).

É também importante lembrar que — até mesmo em uma época de cursos e treinamentos online quase infinitos — a melhor opção de aprendizado é, por vezes, aquela criada por você mesmo. Em meu primeiro livro, retratei a história de Joanne Chang, que iniciou sua carreira como consultora em gestão e acabou se tornando uma famosa restaurateur.

O segredo para a transição dela? Antes da era da internet, ela datilografou cartas e as enviou pelo correio a alguns dos melhores chefs de Boston, descrevendo sua formação (ela não tinha educação formal em culinária), seu interesse no emprego e sua disposição para realizar literalmente qualquer trabalho que pudessem oferecer a ela. No dia seguinte, Chang recebeu uma oferta para trabalhar como aprendiz da renomada chef Lydia Shire, criando assim as condições para seu futuro sucesso. Muitas vezes, as melhores oportunidades não são anunciadas; você as cria por conta própria, pedindo uma chance.

Em um mercado competitivo, fica claro que temos de exigir cada vez mais de nós mesmos. Fazendo essas perguntas a si mesmo, você pode definir que oportunidades de aprendizado produzirão o melhor ROI para a sua carreira.

___________________________________________________________________________________

Dorie Clark é uma estrategista de marketing e palestrante profissional que leciona na Fuqua School of Business na Duke University. É autora de Entrepreneurial You, Reinventing You e Stand Out. Você pode receber sua autoavaliação gratuita: Entrepreneurial You.

___________________________________________________________________________________

Tradução: Thiago G. Lelis

Você precisa de um diploma tradicional ou um curso online é suficiente?

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BpgpihnE3RELB1U8pSS04s   para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/