Um problemão do tamanho de um contêiner esmaga a indústria (e os consumidores)

Fretes marítimos em preços recordes e falta de navios para transportar cargas. O NeoFeed ouviu relatos dos problemas logísticos que afetam diversos setores da economia brasileira e global e pressionam os bolsos dos consumidores

Ralphe Manzoni Jr. Neofeed • 29/10/2021 •

Com mais de duas décadas atuando em comércio exterior, um executivo de uma grande indústria do setor de eletroeletrônicos está vivendo uma situação que nunca passou na vida. “E espero não passar de novo”, disse ele ao NeoFeed.

Ele se refere ao colapso da cadeia de suprimentos das mais diferentes indústrias no Brasil e no mundo, que está elevando o preço do frete a níveis recordes, tem causado falta de contêineres no mercado e levado a cancelamentos ou suspensão de escalas. É o que esse executivo resume como a tempestade perfeita. “Onde tem contêiner, não tem navio. E onde tem navio, não têm contêiner”, diz essa fonte.

Da Apple, que teve um lucro recorde de quase US$ 100 bilhões, mas alertou que as interrupções na cadeia de suprimentos estão atrapalhando a fabricação do iPhone, a fabricantes de eletroeletrônicos e produtores rurais brasileiros que estão literalmente a ver navios, o caos logístico está levando a dificuldades de abastecimento e ao aumento de preços de produtos manufaturados.

Os preços das tevês, por exemplo, subiram mais de 40% nos últimos 12 meses, segundo estimativas da consultoria IT Data. Dos smartphones, 35%. “A demanda por esses dois produtos estava muito alta”, diz Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da IT Data, que esclarece que a alta do dólar e o preço de componentes eletrônicos também ajudaram a fazer o preço desses dois itens avançar.

Outro dado ilustra esse caos. O nível de navios parados, sem conseguir atracar, é de 12,5% no mundo, segundo estimativa citada por Leandro Carelli Barreto, sócio da Solve Shipping Intelligence, uma das principais consultorias dessa área. A taxa normal é próximo de zero. “É como se você tirasse o terceiro maior armador do mundo do mercado”, diz Barreto.

O resultado dessa escassez fez os preços dos fretes marítimos crescerem em uma velocidade assustadora. Um contêiner de 20 pés, vindo da Ásia, saiu de um preço médio de US$ 1.950, em janeiro de 2020, antes da pandemia, para US$ 9.550, em setembro deste ano, alta de 390%, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), elaborados com dados da consultoria Solve.

Mais: um contêiner de 40 pés teve uma alta ainda maior, passando de US$ 2.050, em janeiro de 2020, para US$ 11.200, em setembro deste ano, um avanço de 446%.

O preço de um contêiner de 40 pés passou de US$ 2.050, em janeiro de 2020, para US$ 11.200, em setembro deste ano, um avanço de 446%

Esses dados são preços médios. Mas o colapso da cadeia de suprimentos explodiu os contratos de longo prazo com os armadores, como são chamados os proprietários dos navios, fazendo a maioria das empresas que depende de importação e exportação a negociar no mercado spot, em que os preços são definidos diariamente.

“Antes da pandemia, eu pagava US$ 3 mil por um contêiner de 40 pés saindo de Xangai. Agora, está na casa de US$ 20 mil”, diz o presidente de uma grande empresa de tecnologia, que não quer se identificar.

A percepção é a mesma na Multilaser, empresa com um modelo intimamente ligado à China. “Os contêineres estão muito caros, quase 12 vezes o piso histórico, o que encarece muito os produtos importados”, afirma Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser, dona de um portfólio de mais de 5 mil produtos eletroeletrônicos que mescla a produção local com componentes e produtos prontos importados da China.

A crise logística, por enquanto, não está causando desabastecimento de produtos no mercado brasileiro, como acontece com a indústria automobilística que vem sofrendo com a falta de componentes para a fabricação de carros no Brasil e no mundo.

De uma forma geral, a maioria das empresas está conseguindo se abastecer com produtos importados. Mas não há mais previsibilidade de quando os itens chegam para a fabricação.

“O atraso de matéria-prima virou uma constante”, diz um executivo de uma indústria eletroeletrônica. “O estoque de segurança virou nossa válvula de escape e temos feito mudanças repentinas na produção para manter a fábrica rodando constantemente.”

Uma das alternativas é aumentar a produção com itens nacionais. “Esse contexto favorece a produção local, especialmente das partes mais volumosas, como injetáveis plásticos”, afirma Ostrowiecki, da Multilaser. “E estamos em plano de aceleração para tentar, o mais rápido possível, produzir em casa e fazer economia desse frete, que é tão pesado.”

Como parte desse plano, a Multilaser está investindo R$ 154 milhões na ampliação de sua produção, atualmente distribuída em Extrema (MG) e Manaus (AM). Nas duas unidades, a companhia fabrica placas de circuitos integrados e monta produtos como computadores, tablets e celulares.

“O atraso de matéria-prima virou uma constante”, diz um executivo de uma indústria eletroeletrônica

A injeção de recursos envolve iniciativas como o aumento da estrutura da fábrica de Extrema e a instalação de linhas de injeção plástica, telas de computadores e produtos como liquidificadores, ventiladores e batedeiras. Em Manaus, a novidade é a fabricação de televisores.

Com essas medidas, a Multilaser projeta sair de um índice atual de 70% do portfólio produzido no País para 80% até meados de 2022. Mas, não custa lembrar, boa parte dos produtos da empresa precisa de componentes que vêm, em sua maioria, da China.

O que explica o caos

Como um acidente aéreo, não há uma causa única para esse momento da logística mundial. Segundo especialistas com os quais o NeoFeed conversou, a crise é anterior a Covid-19, mas foi agravada pela pandemia do novo coronavírus.

Os armadores vêm passando, desde 2008, por problemas financeiros, o que levou a uma consolidação do setor. Atualmente, as quatro maiores empresas da área detêm uma fatia de quase 60% do mercado. A líder Maersk, por exemplo, tem uma participação de 17%.

“O ano de 2020 começou com uma tendência de melhorar, com a oferta e a demanda se encontrando novamente, depois de uma década de prejuízos bilionários”, diz Barreto, da Solve Shipping Intelligence. “Aí, veio a pandemia.”

Em um primeiro momento, o mundo parou – inclusive os navios, que ficaram “estacionados” sem carga para transportar ao redor do mundo. Mas, a partir do terceiro trimestre do ano passado, com a injeção de liquidez mundial patrocinada por bancos centrais de todos os cantos do planeta, o consumo voltou com toda força.

“Para surpresa de empresas dos Estados Unidos e da América Latina, incluindo o Brasil, o consumidor não parou de gastar, mas produtos de escritório, tintas, material escolar e até equipamentos de ginástica tiveram um excesso de demanda de até 400%”, afirma Alfonso de los Rios, CEO da Nowports, startup mexicana que monitora em tempo real contêineres ao redor do mundo.

Esse crescimento da demanda não parou de crescer. E, pouco a pouco, foi levando a um colapso da estrutura logística. O encalhe do navio Ever Given, da empresa Evergreen, que fechou o canal de Suez em março deste ano, foi a cereja no bolo de uma situação que já beirava o caos.

Mas não há nada que não esteja ruim que não possa piorar. Em setembro deste ano, o porto de Los Angeles contou com um número recorde de mais de 70 navios esperando para atracar. O motivo? As malhas rodoviárias e ferroviárias americanas não estavam dando conta de transportar a carga que chegava para ser desembarcada, provocando um estrangulamento que atingiu os portos.

Imagem aérea do porto de Los Angeles e os navios a espera de atracar

O colapso do porto americano fez com que o termo “cadeia de suprimentos” fosse citado mais de 3 mil vez em calls de resultados de empresas do índice S&P 500, que reúne as maiores companhias dos Estados Unidos, segundo levantamento da Bloomberg – um recorde em comparação ao ano passado.

Até o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se meteu no problema, ao se reunir com representantes da indústria portuária americana no começo de outubro. Entre as decisões tomadas, o porto de Los Angeles passou a funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana.

No Brasil, não há congestionamentos de navios nos portos. O problema é o custo do frete e a dificuldade de conseguir contêineres para importar e exportar os produtos. “Espaço em navio hoje é um item escasso” diz Carlos Souza, fundador e COO da LogComex, empresa que coleta dados de comércio exterior.

O problema ainda deve persistir por um longo tempo, mas já há boas notícias no horizonte – ou pelo menos, não tão ruins. “O custo do contêiner parou de subir e estacionou na faixa de US$ 12 mil a US$ 13 mil”, diz Ostrowiecki, da Multilaser.

Como os armadores estão ganhando dinheiro, eles devem começar a comprar novos navios. Mas embarcações desse porte demoram muito anos para ficar prontas. A expectativa é que, de forma estrutural, o problema se resolva entre 2023 e 2024. “No curto prazo, acreditamos, torcemos e rezamos que a situação comece a melhorar no primeiro semestre de 2022”, afirma Barreto, da Solve.

O executivo do setor eletroeletrônico do início desta reportagem diz que o custo do frete já caiu 15% em outubro. E acredita que o caos logístico deve se normalizar até o fim do ano. “O preço do contêiner vai cair para US$ 8 mil, mas não voltará aos US$ 2 mil, US$ 3 mil que pagava antes da pandemia.” Bem-vindos ao novo normal.

(Colaboraram Moacir Drksa e André Italo Rocha

Microsoft destrona a Apple do posto de empresa mais valiosa do mundo

Os problemas da companhia de maçã com cadeias de abastecimento a empurram para o segundo lugar em capitalização de mercado

ÁLVARO SÁNCHEZ El Pais  – 29 OCT 2021 

O nome Microsoft está mais uma vez no topo do mundo corporativo. A empresa fundada em 1975 pelos jovens Bill Gates e Paul Allen, amigos desde a adolescência e fãs de programação, ultrapassou a Apple em capitalização de mercado nesta sexta-feira, tornando-se a empresa mais valiosa do mundo, com 2,47 trilhões de dólares (14 trilhões de reais). A última vez que o criador do sistema operacional Windows esteve à frente da fabricante do iPhone foi em julho de 2020, há 15 meses.

A ultrapassagem ocorreu após duas notícias conflitantes ocorridas esta semana. Na terça-feira, a Microsoft surpreendeu Wall Street com resultados recordes impulsionados pela demanda por serviços em nuvem. E, na quinta-feira, a Apple desencadeou alguma preocupação entre os investidores ao anunciar durante sua apresentação de resultados que os problemas nas cadeias de abastecimento globais, ainda não resolvidos, custaram-lhe 6 bilhões de dólares em receitas no último trimestre.

Muito do sucesso da Microsoft se deve à gestão de seu CEO, o indiano Satya Nadella, que foi batizado como o homem da nuvem em um momento em que a empresa buscava recuperar sua audácia perdida e devolveu a Microsoft ao mais alto do Olimpo dos negócios. Seu compromisso com o gerenciamento de dados foi fundamental para essa decolagem. Os títulos da empresa valorizaram-se mais de 700% desde sua chegada e valem até três vezes e meia todas as empresas juntas do índice Ibex 35 espanhol.

No centro, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, ao lado do fundador da empresa, Bill Gates, e do ex-CEO Steve Ballmer, no campus da empresa em Redmond, Washington, em fevereiro de 2014.

No centro, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, ao lado do fundador da empresa, Bill Gates, e do ex-CEO Steve Ballmer, no campus da empresa em Redmond, Washington, em fevereiro de 2014.

GTRES

O grande erro de Bill Gates: o CTRL+ALT+DEL

A competição é acirrada. Durante grande parte do tempo em que Nadella esteve à frente da Microsoft, foi a Apple que emergiu como a tecnológica mais valiosa do planeta. A empresa fundada por Steve Jobs foi a primeira a ultrapassar um trilhão de dólares em valor no mercado de ações. Isso aconteceu em agosto de 2018, oito meses antes da Microsoft. Em agosto de 2020, a Apple seria a primeira norte-americana a quebrar a barreira dos dois trilhões —a petrolífera saudita Aramco já havia feito isso— e no caminho, um pouco mais para trás, mas sem perder o rumo, estava a Microsoft, que também deixou para trás essa barreira em junho deste ano, dez meses depois.

Agora as forças parecem ter se estabilizado. A melhora das ações da Microsoft em 2021 (com um ganho de 51% desde janeiro), é mais encorajadora do que a da Apple (15%), que os colocou em pé de igualdade, não apenas nos mercados. Seus últimos resultados trimestrais refletem ganhos idênticos de 20,5 bilhões de dólares, embora a receita da Apple exceda em muito a de sua rival. Google e Amazon ficam atrás em uma classificação, a de empresas de mais de um trilhão de dólares, onde a tecnologia tem uma predominância clara e na qual a fabricante de veículos elétricos Tesla recentemente se infiltrou.

 

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A nova economia da cultura

O PIB Criativo já é grande, mas vai ser muito maior, só não vê quem não está atento, só não participa quem não quer

Pedro Tourinho –  Neofeed • 29/09/2021 • 

Não sou excepcionalmente criativo, mas sempre trabalhei de alguma forma com criação e cultura, seja no âmbito da publicidade, da mídia, do entretenimento ou gerando meu próprio conteúdo enquanto mera presença em redes sociais.

Sou, também, autor de um livro sobre um assunto muito contemporâneo: imagem pessoal e redes sociais. Então, desde sempre estive envolvido com o tema e ganho minha vida com isso.

Nos últimos 2 ou 3 anos, há nesse país uma dicotomia histriônica: ao mesmo tempo que nunca um governo foi tão contra a criatividade e cultura, nunca antes na história o mercado financeiro olhou com tanta atenção para isso.

Sim, amigos, creators economy é uma corruptela de economia criativa, que é uma perspectiva mercadológica da cultura. É o nosso PIB Criativo.

Esse segmento, apontado por muitos como um dos grandes vetores de crescimento da economia mundial pós-pandemia, representa hoje quase 3% do PIB brasileiro, gera 6.6 milhões de empregos e possui mais de 140 milhões de empresas.

Esse segmento movimenta, em média, R$ 171,5 bilhões por ano na economia, o que fica evidente o tamanho se for comparado com o setor imobiliário, por exemplo, que movimenta cerca de R$170 bilhões ao ano no Brasil. Esses dados são de um levantamento feito pela Firjan, em 2019.

Por conta do desinteresse público, muito valor que está sendo gerado em tecnologia nesse segmento não deve nem estar nessa conta. Por exemplo: o valor de mercado de propriedade intelectual, nunca antes calculado até alguém se interessar em comprar, a projeção de demanda das grandes plataformas de conteúdo para novas histórias em forma de filmes, séries, a revolução que está em curso com a chegada dos NFTs ou a força da entrada de grandes celebridades no mundo das startups.

Esse segmento movimenta, em média, R$ 171,5 bilhões por ano na economia

E é aí que entramos no ponto: o mercado não está só de olho nessas oportunidades a serem exploradas, como também entendendo cada vez mais que impacto e relevância são fundamentais para virar qualquer negócio, e que isso se faz através da mídia e da cultura.

O engajamento de consumidores, mais do que nunca, tornou-se central na criação de empreendimentos bem-sucedidos em qualquer área, mais ainda na área de tecnologia e mídia.

A conexão entre empreendedores e líderes culturais, no sentido de potencializar investimentos e trazer resultados não só financeiros, está se mostrando cada vez mais potente porque provoca um impacto real na vida das pessoas.

Impacto > Influência

Não adianta apenas ser influente e provocar um turbilhão no algoritmo, é também necessário impactar de verdade a realidade das pessoas, mudar comportamentos, gerar tendências, transformar a forma com que as pessoas fazem as coisas e vivem.

Os modelos de trabalho estão evoluindo em todo mundo. A tecnologia faz uma grande revolução no sentido de que as pessoas não precisam mais trabalhar para uma grande indústria, pois elas podem fazer parte de um grande ecossistema de valor em que o que elas produzem enquanto indivíduos, seu trabalho e sua criação fazem parte de um ecossistema maior em que o indivíduo é valorizado.

Um jornalista não precisa de um jornal para escrever; um artista plástico não precisa de uma galeria para acontecer; um cantor vive e faz sucesso sem gravadora; um economista não precisa trabalhar num grande banco para orientar seus clientes, e por aí vai.

Não existe mais funil em monopólios ou oligopólios. Existem plataformas que potencializam o indivíduo em rede, em um ecossistema que gera valor para todos. A tecnologia hoje possibilita isso, e a oportunidade está exatamente na estruturação desse ecossistema. Quem são os empreendedores brasileiros que estão nos preparando para esse mundo? É para eles que estamos olhando.

Não existe mais funil em monopólios ou oligopólios. Existem plataformas que potencializam o indivíduo em rede, em um ecossistema que gera valor para todos

Por exemplo: quanto o fundo a16Z tornou-se mais relevante no mercado depois do lançamento do seu cultural leadership fund, que possibilitou a entrada de mais pessoas negras na indústria da tecnologia, conectando empresas com artistas, líderes e empreendedores afro-descendentes?

Há umas duas semanas vi um dado que eles foram o segundo fundo liderando mais séries A no mundo. Aqui, como em todo lugar, estamos falando de impacto. ESG não é marketing, é estratégia de negócio, ou melhor, é estratégia de sobrevivência.

É este universo que me interessa, e é para esses líderes e empreendedores da economia criativa e cultura que estou olhando. Para eles que esse espaço será dedicado. O PIB Criativo já é grande, mas vai ser muito maior, só não vê quem não está atento, só não participa quem não quer.

Pedro Tourinho nasceu em Salvador, formou-se em comunicação social e é especialista em entretenimento e mídia. Fundador da MAP Brasil, agência responsável pela gestão da carreira, contratos publicitários, e pelos cuidados com a imagem de algumas das personalidades mais importantes do País, e também da Soko, agência de comunicação e de Midia de engajamento. Mais recentemente, entrou como investidor e publisher da plataforma de economia criativa, Orelo. É também autor do livro “Eu, eu mesmo e minha selfie – como cuidar da sua imagem no século XXI”, lançado em 2019.

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Você ainda não sabe o que é METAVERSO? É bom aprender…

Autor: Paulo Milet* revista NeTebrasil 29/10/2021

Nos últimos tempos, a expressão METAVERSO tem começado a aparecer com mais frequência nas notícias do dia-a-dia.

Inicialmente entre aqueles mais interessados em Games. Logo depois naquelas notícias envolvendo Mark Zuckerberg e o FACEBOOK.

Zuckerberg diz que o futuro da Internet é o METAVERSO, resolveu investir 50 milhões de dólares para começar e até definiu que o novo nome da holding que controla o FB, Instagram e Whatsapp será META!

Mas afinal, o que é Metaverso?

A expressão parece ter surgido em um conto de 1992, do escritor Neal Stephenson que criou o conceito de um Universo paralelo, só existente e visível para os óculos especiais do herói da história.

Mas a ideia atual é bem maior do que essa. Alguns games já com 20 anos, como o “Second Life”, tentaram implementar um mundo similar a esse na internet, onde as pessoas poderiam ter um clone seu e viver em um ambiente paralelo (daí o nome second life).

Várias empresas estão pensando( e agindo) na direção do Metaverso. Google, Apple, Amazon, Microsoft, Roblox, Epic Games, e muitas outras já estão com projetos envolvendo as tecnologias que se cruzarão no Metaverso. Realidade Virtual e aumentada, Internet das coisas,  Sensores e simuladores, vestíveis de todos os tipos, Inteligência artificial, robótica, blockchain, clones e muito mais. Com o 5G e logo depois o 6G muita coisa que está no papel, vai virar realidade (ou Meta realidade).

Mas vamos parar de falar em tecnologias incompreensíveis e vamos ver na prática como isso poderia funcionar?

Começamos vestindo nossas roupas coladas no corpo como a de um mergulhador, só que bem leves e confortáveis, com óculos e capacete especiais e com sensores em cada centímetro do corpo. Entramos na sala ou quarto da nossa casa, especialmente recauchutados e preparados e subimos em algo como uma esteira de caminhada 360 graus.

E aí a vida (ou meta vida) explode!

Começamos entrando no METAVERSO num domingo e nos dirigindo ao Maracanã, onde está sendo realizado um jogo do Flamengo. Assistimos ao jogo (vitória do Mengão!)e na saída resolvemos que a partida do Lakers pela NBA em Los Angeles, que começa em 5min merece ser vista e seguimos pra lá com a velocidade do pensamento.

E depois do Lakers? Que tal um jantar em Paris? Aí você se encontra com sua esposa que estava no teatro em Times Square (na verdade ela está em Brasília) e com um casal de amigos (ele mora em São Paulo e ela em Buenos Aires) e se reúnem em um restaurante bem simpático ali bem perto do Arco do Triunfo. Pedem o cardápio e escolhem os melhores pratos.

Mas como saborear no Metaverso? Não tem problema. Em 30min, um drone na sua janela (e nas janelas dos outros 3) faz a entrega dos pratos pedidos. As redes internacionais de distribuição fazem o casamento do mundo real com o Metaverso.

Mas, vamos em frente!

No dia seguinte (a noite anterior foi ótima! Afinal os sensores estão em cada centímetro do corpo), uma segunda-feira, vamos trabalhar.

Reunião na Paulista em Sampa com toda a Diretoria no vigésimo andar. (cada um dos diretores está na verdade em uma cidade diferente em países diferentes, mas todos estão se vendo e conversando como se estivessem no mesmo recinto).

Depois da reunião, não posso perder aquela aula sensacional no MIT, junto com mais 320.000 alunos interessados naquele tema.

Entre a reunião em Sampa e a aula em Boston, aproveitei pra fazer uma consulta geral com meu médico que estava naquele momento nas Bahamas. Ou seria em Cingapura?

Continuei  as atividades encontrando com minha filha e netas dando beijos e abraços apertados e descendo em uma montanha russa na Disney.  A “turkey leg” especial, voces já sabem, veio por drone. Mais cedo as meninas tiveram aulas de “machine learning” no vale do silício e visitaram as pirâmides no Egito.

A semana foi bem cheia. Ainda teve um show de Paul McCartney em Milão, aliás, em dupla com John Lennon. Porque não? Foi um sucesso! Platéia com 60.000.000 de beatlemaníacos!

E então? Deu pra pensar e sonhar com o Metaverso?

Quase ia esquecendo: Tudo foi sendo pago com meta moedas aceitas em todo o Metaverso e fora dele também.

Ficou mais claro? Tudo que você faz hoje na Internet (buscas, pesquisas, compras, estudo, trabalho, conversas, jogos…) vai continuar fazendo dentro do Metaverso, só que “presencialmente”!

E os problemas do mundo real? Foram resolvidos?

Só não serão se não quisermos. Não poderão mais existir problemas de educação e saúde. Os custos de comunicação e acesso ao Metaverso serão irrisórios. Produtividade total na agricultura e alimentação. Renda mínima garantida. Trabalho pesado só com as máquinas.

Certamente o Zuckerberg não pensou em tudo isso, mas nós temos que pensar.

E os limites? E as leis? E as fronteiras? E os impostos? E as empresas? E os governos? E os países? E o ar e a água?

E o mais importante: E as pessoas? Vão estar mais felizes? Ou seria Metafelizes?

*Paulo Milet –  Formado em Matemática pela UnB e pós graduado em adm. pública pela FGV RJ – Pres. Conselho de Educação da ACRJ. Consultor e empresário nas áreas de Tecnologia, Gestão e EaD. Sócio Fundador da ESCHOLA.COM.

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Inovação exige cultura, recursos e visão de longo prazo

Juntas, as 150 empresas mais inovadoras do país investiram R$ 51 bilhões em P&D em 2020

Por Ediane Tiago — Valor 28/10/2021 

Num mundo cada vez mais tecnológico e competitivo, uma empresa não pode se limitar a oferecer produtos inovadores. É preciso que a cultura de inovação permeie todas áreas – gestão, processos produtivos, experiência do cliente – e entre no dia a dia da companhia. Isso inclui se abrir para parcerias externas com quem tem a inovação no DNA – startups, por exemplo – e investir de modo sistemático no processo. Essa é a síntese da visão das empresas vencedoras do Prêmio Valor Inovação Brasil, entregue na noite de quarta-feira.

O prêmio é resultado de uma pesquisa realizada em parceria com a Strategy&, consultoria estratégica da PwC, e que contou com apoio da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei).

A cerimônia de premiação marcou o lançamento da sétima edição do anuário Valor Inovação Brasil, que traz o ranking com as 150 empresas mais inovadoras do país. Entre as 226 companhias analisadas, foram premiadas as dez primeiras classificadas no ranking geral e as vencedoras de cada um dos 23 setores analisados. “É o número recorde de participantes”, diz Gerson Charchat, sócio da Strategy&.

Pela quinta vez, a Embraer foi escolhida a empresa campeã do ranking. “É uma iniciativa que contribui para manter o ecossistema de inovação brasileiro ativo”, afirmou Francisco Gomes Neto, CEO da empresa. Em 2020, 40% da receita da companhia vieram das inovações implementadas nos últimos cinco anos, afirma. Para ele, a empresa inovadora é aquela que “antecipa a demanda” e está “continuamente na fronteira do conhecimento”.

Neste ano, a pesquisa teve como tema “Inovação em segurança de dados: desafios e oportunidades”. “Esse é um assunto de alta prioridade na agenda dos executivos”, destaca Marcelo Gil, sócio da Strategy&, durante a cerimônia. “Sem segurança de dados não há confiança e, portanto, não há como realizar negócios.”

Segundo Charchat, durante a pesquisa foram avaliados 954 casos de inovação. Da amostra, 57 empresas fazem parte do grupo das cem maiores companhias em faturamento do país. A receita líquida somada das participantes é de R$ 3,1 trilhões. Juntas, essas companhias investiram R$ 51 bilhões em inovação em 2020. Das empresas entrevistadas, 50% declararam que a inovação é sua principal estratégia – crescimento de 13 pontos percentuais em comparação ao ano passado.

Rodrigo Fumo Fernandes, diretor de engenharia e inovação da WEG, segunda colocada, ressalta que a inovação é a solução para girar a economia e garantir o crescimento econômico do país. Mas para ser inovadora, uma empresa tem de ser constante em seus investimentos. “É preciso buscar, sistematicamente, novas soluções para seus produtos, serviços e modelos de negócios”, afirmou. Ele defendeu a importância da inovação nos processos de gestão.

Evento de premiação on-line do Prêmio Valor Inovação Brasil: empresas precisam introjetar cultura inovadora — Foto: 

“Para nós, a inovação está relacionada a tudo o que pode gerar impacto positivo na sociedade e no planeta”, comentou Carolina Sevciuc, diretora de transformação digital da Nestlé. Sevciuc defendeu a importância do intraempreendedorismo – iniciativas inovadoras dentro da própria empresa – e da cultura de inovação em experiências, serviços e modelos de negócio.

A aplicação de conhecimento e o avanço digital devem responder aos desafios econômicos e sociais, que não podem estar em segundo plano, avalia Marcelo Gil. “Como efeito colateral da pandemia da covid-19, as empresas herdaram um ambiente de negócios mais complexo e precisam lidar com rupturas tecnológicas, divisões políticas, tensões sociais, mudanças climáticas, conflitos sociais e desigualdade, tendo para isso que se adaptar tanto na forma de trabalhar como na de fazer negócios.”

A pesquisa mostra que a agenda ambiental, social e de governança (ESG, na sigla em inglês) tem aderência à estratégia de inovação e deve moldar as atividades de pesquisa e o desenvolvimento das empresas. Quarta colocada, a Vale é exemplo de companhia que dá importância à interação com startups e já criou cultura inovadora disseminada por toda a organização. “Temos uma visão de longo prazo com base em dois pilares: novo pacto com a sociedade e eficiência operacional”, comenta Luciano Siani, vice-presidente de finanças e relações com investidores.

Bruno Bragazza, gerente de inovação e novos negócios da Bosch América Latina, sétima colocada, confirma a necessidade da visão de longo prazo. “Inovação é uma longa caminhada, que exige a aplicação de novas soluções de forma sistemática e contínua”, explica. Para ele, esse é um dos fatores que mantêm a companhia atualizada, aos 135 anos. “A companhia já passou por muitas adaptações em seu modelo de negócios”, completou. Com o avanço da digitalização, a Bosch pretende deixar de ser uma empresa metalmecânica para ser destaque global em uso de tecnologias como internet das coisas e inteligência artificial.

No ano passado, o setor da saúde sofreu o impacto direto. Mais do que nunca, a capacidade de inovação foi testada. “Quem já estava conectado ao ecossistema conseguiu responder rapidamente às demandas”, afirmou Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, sexto colocado no geral e líder do setor de saúde. Segundo Klajner, apesar de a pandemia ter afetado os resultados financeiros do hospital, a decisão foi manter os investimentos e os programas de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Entre os reforços, Klajner destaca a expansão de parcerias. Na Eretz.bio, incubadora mantida pelo Einstein, por exemplo, a criação de um ambiente digital permitiu ampliar portfólio de startups. O número de empresas saltou de 39 para 90.

Katia Vaskys, gerente geral da IBM Brasil, décima colocada, ressaltou a importância do pensamento científico para solucionar os desafios da humanidade. Para ela, a inovação é uma jornada sem fim, que está relacionada à renovação constante dos negócios e à capacidade de abordar tema relevantes para a sociedade como educação e inclusão. “É uma questão de unir boas ideias a boas causas.”

A ousadia também é traço marcante das empresas inovadoras. Segundo Stelleo Tolda, um dos fundadores do Mercado Livre e atual presidente de commerce para a América Latina, é preciso assumir riscos. Vencedora no segmento de varejo e oitava colocada no ranking geral, a empresa persegue a evolução constante, sob uma estratégia que chama de “beta contínuo”. “Buscamos entender profundamente as necessidades dos usuários para inovar, movimento que impacta toda a cadeia produtiva ligada direta e indiretamente à plataforma.”

Nicolás Simone, diretor de transformação digital e inovação da Petrobras, quinta colocada, destacou que é preciso reconhecer e valorizar as pessoas, colocando-as no centro do processo de inovação. “Temos de dar liberdade para os colaboradores. Eles precisam ter condições para executar suas ideias”, afirma.

Já a Natura, nona colocada, investe em times multidisciplinares. Roseli Mello, diretora global de inovação, explicou que nas equipes prevalece o “espírito de dono”. Apesar de menores, os times são ágeis e conectados às necessidades do consumidor.

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2021/10/28/inovacao-exige-cultura-recursos-e-visao-de-longo-prazo-sembarreira.ghtml

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O que são talentos híbridos (as famosas soft skills) que empresas buscam

Necessidade de inteligência emocional cresceu porque a economia saiu de uma era industrial e as empresas começam a enfrentar novos desafios

Por Victor Sena – Exame  26/11/2020

No dicionário da Universidade de Cambridge, soft skill é o conjunto de habilidades para as pessoas trabalharem e se comunicarem bem juntas.

Apesar de ter ganhado força no mundo corporativo nos últimos anos, elas sempre foram necessárias, mas ficaram de lado no desenvolvimento do profissional nas últimas décadas. Além de soft skill, essas habilidades comportamentais também são chamadas de talentos híbridos.

“Nesta última década, a gente está olhando de uma forma muito mais profunda para elas porque antes a era industrial pedia profissionais voltados para atuação às questões técnicas, da indústria”, explica Mariana Achutti, CEO da Sputnik, empresa que oferece treinamentos de inteligência emocional para empresas.

Na visão de Mariana, a definição de soft skills tem a ver com o desenvolvimento de questões sócio emocionais e comportamentais para o profissional estar atento a mudanças. 

Já a definição do dicionário de Cambridge para o psicólogo e professor da The School of Life Saulo Velasco é, de certa forma, incompleta. As soft skills são habilidades principalmente de autorregulação emocional, que permitem à pessoa reconhecer suas emoções diante de situações de conflito e problemas.

Emprego: com funcionários que tenham uma média alta de soft skills, o retorno costuma vir sobre uma baixa taxa de turnover, (Hispanolistic/Getty Images)

Entre as ferramentas desta caixa estão a própria inteligência emocional, a resolução de problemas complexos e a flexibilidade cognitiva.

Esses três comportamentos estão na lista das 10 habilidades necessárias para os profissionais contemporâneos, publicadas no relatório The Future Jobs, de 2016, do Fórum Econômico Mundial. Todas elas são soft skills. Veja quais são abaixo:

  1. Pensamento crítico
  2. Criatividade
  3. Gestão de pessoas
  4. Colaboração
  5. Inteligência emocional
  6. Julgamento e tomada de decisões
  7. Orientação ao serviço
  8. Negociação
  9. Flexibilidade cognitiva
  10. Resolução de problemas complexos

No caso da inteligência emocional, um dos aspectos que a compõe é a capacidade de reconhecer seus próprios padrões de comportamento e interromper uma reação em cadeia. 

Apesar de a School of Life e a Sputnik serem empresas que oferecem essa caixa de ferramentas para as equipes, com treinamento de educação emocional, o professor Saulo Velasco destaca suas diferenças para um processo psicoterapêutico:

“A psicoterapia é sempre mais profunda, mais extensa, para desenvolvimento, inclusive para os soft skills, mas geralmente não é focada nisso. Esses workshops oferecem um conjunto de ferramentas, mas que precisam ser exercitadas. São pílulas. A psicoterapia já é um processo contínuo.”

A necessidade das soft skills cresceu nas últimas décadas porque a economia saiu de uma dinâmica focada em linhas de produção e as empresas começaram a enfrentar novos desafios. 

Comunicação, inovação e relacionamento são alguns deles. Agora, as relações mercadológicas são calcadas em questões comportamentais.

“A gente passa uma média de 17 anos entre escolas e universidade, estudando coisas que não são necessárias para o dia a dia. A discussão da soft skill surge com mais força nesse momento em que a gente precisa trabalhar de forma mais adaptável e flexível, do que vivemos nos últimos 10 anos. E que foi acelerado pela digitalização e pela pandemia”, critica Mariana Achutti.

Na pandemia, a necessidade de usar essas habilidades cresceu. O distanciamento social e o home office exigiram que os funcionários lançassem mão de novas ferramentas. Na School of Life, a procura por workshops de habilidades emocionais para empresas aumentou 40%, se compararmos ao mesmo período de 2019.

Mariana Achutti, da Sputnik, destaca a necessidade de as empresas “se tornarem mais escolas” e oferecerem ambientes psicologicamente saudáveis para os funcionários.

Segundo ela, não dá para cobrar algo de um funcionário, se ele nunca foi ensinado. Para isso, um caminho é focar em palestras, cursos e incentivar o chamado “life long learning”, que é um comportamento de sempre estar aprendendo algo.

Com funcionários que tenham uma média alta de soft skills, o retorno costuma vir sobre uma baixa taxa de turnover, mais produtividade e criatividade. Resta saber se as empresas tem essa caixa de ferramentas para oferecer aos funcionários.

https://exame.com/carreira/o-que-sao-talentos-hibridos-as-famosas-soft-skills-que-empresas-buscam/

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Ruptura nas cadeias globais pode se estender até 2023

Para setor de transporte marítimo o próximo ano ainda será caótico. CEO da Ocean Network Express (ONE), que transporta mais de 6% de todo o frete mundial acondicionado em contêineres, pede ação dos governos para superar a crise

Por Harry Depsey — Financial Times/Valor 26/10/2021 

A crise da cadeia de suprimentos que ameaça a economia mundial corre o risco de durar pelo menos mais um ano, a não ser que os governos interfiram para ajudar a atenuar o desabastecimento, alertou uma das maiores empresas mundiais de transporte marítimo.

Jeremy Nixon, CEO da Ocean Network Express (ONE), que transporta mais de 6% de todo o frete mundial acondicionado em contêineres, conclamou os governos a impulsionar os investimentos na capacidade dos portos, ferrovias, armazéns e sistemas rodoviários.

“É necessário que haja algum respaldo dos governos nessa esfera para talvez transferir pessoas de algumas partes da economia em que a demanda não é tão forte para partes mais decisivas da economia em que a demanda é muito forte e importante para as cadeias de suprimentos globais”, disse ele.

Embora o presidente dos EUA, Joe Biden, venha pressionando as empresas de frete ferroviário, grupos de transporte rodoviário e portos a aumentar sua própria capacidade e produtividade a fim de atender à demanda crescente, Nixon disse que os EUA são uma área de preocupação especial.

Negociações marcadas para maio do ano que vem entre operadoras dos terminais dos portos de navios porta-contêineres da Costa Oeste dos EUA, a porta de entrada para produtos despachados da Ásia, e trabalhadores tende a se revelar fonte de novos transtornos dos serviços, disse Nixon.

“Não vejo qualquer melhoria imediata no momento”, disse Nixon. “Se tivermos um congestionamento grave em julho, agosto e setembro de 2022 na América do Norte, ele poderá, talvez, durar até o fim de 2022 e começo de 2023.”

As drásticas mudanças na demanda do consumidor durante a pandemia, desestabilização do transporte marítimo global e um setor aéreo combalido criaram a crise mais grave de vários anos das cadeias de suprimentos mundiais.

Junto com a volatilidade da demanda do consumidor, o setor de transporte marítimo enfrentou as ausências de portuários devido à covid e a falta de caminhoneiros, que levam os produtos a seus destinos finais no interior dos países e devolvem os contêineres vazios, no Reino Unido, Europa e EUA.

Embora o alerta de Nixon de que os problemas da cadeia de suprimentos poderão extravasar para 2023 seja um dos mais pessimistas, muitos executivos do setor de transporte marítimo preveem que o ano que vem será caótico.

A quebra de cadeias de suprimentos está entre as principais preocupações das empresas, bancos centrais e investidores, por causarem escassez de produtos e aumentos de preços de artigos que vão desde alimentos para animais de estimação até brinquedos.

No que se refere a outros grupos de transporte marítimo, o distúrbio contribuiu para aumentar os lucros da ONE, uma vez que as taxas que a empresa cobra para movimentar bens dispararam. Formada em 2017 para integrar os serviços das japonesas Kawasaki Kisen Kaisha, Mitsui OSK Lines e Nippon Yusen Kaisha, a ONE teve US$ 2,6 bilhões em lucros no segundo trimestre, mais de 15 vezes o resultado em igual período de 2020.

A ONE, que tem uma frota de 220 navios, terá “mais cuidado com os volumes contratados com os clientes”, disse Nixon, uma vez que o grupo encontra dificuldades para transportar o volume de carga que gostaria.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2021/10/26/ruptura-nas-cadeias-globais-pode-se-estender-ate-2023.ghtml

Falta de contêineres agrava logística global, diz OMC

Empresas de transporte marítimo enfrentam dificuldade para acompanhar recuperação no comércio

Por David Pilling — Financial Times/Valor 20/10/2021

Os problemas nas cadeias de suprimentos globais poderão se estender por “vários meses”, uma vez que empresas de transporte marítimo enfrentam dificuldades para contornar “um descompasso entre oferta e demanda” e fazer frente à persistente escassez de contêineres, disse a diretora da Organização Mundial de Comércio (OMC).

Trilhões de dólares de incentivos relacionados à pandemia alimentaram a escalada da demanda de consumo, disse Ngozi Okonjo-Iweala, levando as empresas a acumular estoques agressivamente.

“Quando falo com alguns empresários, há um certo pânico neste ano de que a cadeia de suprimento deles seja impactada”, disse a diretora-geral da OMC em entrevista no Africa Summit do “FT”.

Empresas de transporte marítimo não tinham previsto a força da recuperação, acrescentou ela. “Elas reduzem a disponibilidade de contêineres, que foram deixados nos lugares errados, portanto agora há escassez de contêineres.”

Com a aproximação da temporada de festas em muitas partes do mundo, essas dificuldades tendem a persistir, segundo ela.

A diferença entre as taxas de vacinação estão agravando os problemas, disse Okonjo-Iweala, criando duas classes de recuperação mundial, uma vez que alguns países voltaram com toda a força à vida, enquanto outros foram deixados em dificuldades.

Os países ricos que “vacinaram mais de 50% da população e implementaram estímulos fiscais muito fortes, de bilhões de dólares, estão em um caminho de recuperação melhor do que os países mais pobres, que não têm espaço fiscal e que também têm muito pouco acesso a vacinas”, disse ela.

“O fato de 60% ou mais das pessoas de países ricos terem sido vacinadas, contra menos de 2% nos países pobres, simplesmente dá ideia do grau de divergência.”

Ela acrescentou que houve uma falha da liderança mundial em garantir que as vacinas fossem distribuídas de maneira mais equitativa no mundo inteiro.

“Temos a tecnologia para salvar vidas, mas não conseguimos fazer com que ela chegue onde se precisa”, disse ela. Os países ricos tinham prometido centenas de milhões de doses aos mais pobres, mas “eles simplesmente não estão traduzindo isso em distribuição” para onde elas são necessárias.

No entanto, Okonjo-Iweala desqualificou preocupações de que uma guerra comercial entre China e os EUA possa levar a um descolamento do comércio mundial que prejudicaria o crescimento. “Quando ouvimos a retórica de ambos os países, podemos ter esse descolamento, mas as evidências que vemos na prática com relação ao comércio internacional não sustentam essa teoria do descolamento”, acrescentou.

O comércio entre a UE e a China é forte, disse ela. “Os dados estatísticos sobre comércio de bens entre as grandes potências são muito robustos.” Mesmo se quisessem, os países não conseguiriam se descolar tanto quanto gostariam. “Não é tão fácil desfazer cadeias de suprimentos, elas são muito complicadas para muitos produtos.”

Okonjo-Iweala disse que a Área de Livre Comércio da África Continental, que abrange 54 países e entrou em funcionamento neste ano, tem o poder de transformar o potencial comercial e industrial do continente. A África responde por apenas cerca de 4% do comércio mundial, e a maioria de suas exportações sai do continente sem passar por processamento.

Embora a área de livre comércio precise de melhorias significativas nos marcos regulatórios, bem como em infraestrutura física, entre países, a criação de um mercado único de 1,3 bilhão de pessoas tem enorme potencial para reverter décadas de desindustrialização.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2021/10/20/falta-de-conteineres-agrava-logistica-global-diz-omc.ghtml

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“Combustão criativa acontece no presencial”, diz CEO do Google

Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil, fala sobre a gestão da colaboração na empresa em novo episódio do podcast

Por Stela Campos —Valor 25/10/2021

“O fato de conviver a distância por muito tempo não significa que este é o modelo ideal. A gente acredita no trabalho remoto, na educação a distância e no comércio eletrônico, mas também sabemos do poder e do valor do nosso escritório como um ambiente de colaboração”, diz Fábio Coelho, vice-presidente do Google Inc. e presidente do Google no Brasil. Para ele, a combustão criativa acontece melhor presencialmente, quando existe uma troca de energia e um melhor entendimento da linguagem corporal. O presencial, no entanto, não elimina o virtual para algumas questões.

Coelho participou do novo episódio do CBN Professional, uma parceria do Valor com a rádio CBN. Nele, falou sobre como funciona a colaboração dentro do Google e como a empresa tem atuado para não perder suas conexões em tempos de pandemia. “O maior desafio é manter todo mundo alinhado e engajado porque a distância gera ansiedade”, conta. O antídoto para isso, segundo ele, é ter um protocolo de comunicação e de geração de confiança.

Coelho escreveu 30 cartas semanais na pandemia para mostrar a todos os 1.200 funcionários no país o que a empresa vinha fazendo. Ele diz que o Google teve uma grande responsabilidade na pandemia, pela própria natureza do negócio diante da busca das empresas por tecnologia. “Ajudamos quem não tinha canal digital e que passou a ter esse como o único canal de negócios por um tempo. Tivemos que ter ideias e isso faz parte da nossa colaboração criativa”, diz.

A colaboração funciona, segundo Coelho, baseada em quatro pontos principais: ter pessoas com perfis colaborativos, plataformas certas, alinhamento de propósito para as pessoas saberem que estão na direção certa e métricas para acompanhar. 

O Google anunciou que só vai voltar para os escritórios, em modelo híbrido, em janeiro de 2022. Coelho acredita que a flexibilização vai ser importante no retorno. “O futuro do trabalho pressupõe mais confiança”, diz. O trabalho híbrido, para ele, será fundamentado em flexibilidade e opções. “No fim das contas será ter pessoas conectadas e as plataformas para isso.”

O trabalho no Google hoje acontece em células pequenas e segue a metodologia ágil, explica. A informação tem que estar distribuída e as decisões também. Como há muita informação, a expectativa é que as pessoas saibam priorizar o que é relevante para elas e para o negócio. Como isso não está podendo ocorrer hoje dentro dos ambientes lúdicos, característicos dos escritórios do Google, ele diz que há o incentivo para a troca de ideias permanente nesses pequenos grupos. “Temos que gerenciar esse caos criativo.”

“Nada substitui você perguntar algo para o colega. Às vezes, a pessoa tem vergonha de perguntar a distância, porque para fazer isso precisa pedir uma videoconferência de 15 minutos”, diz. Respeitar as diferenças, segundo ele, tem sido fundamental, porque nem todos gostam de interagir no modo virtual. Alguns temas como resolução de conflitos e o onboarding funcionam melhor no presencial, segundo ele. “É que nem pedir alguém em casamento, é sempre melhor presencialmente”, brinca.

O momento atual ele diz que é de pouca hierarquia. O seu papel não é tomar todas as decisões que são grandes e importantes. “A maior parte do tempo tenho que mostrar o caminho, ajudar as pessoas na priorização do que é relevante e remover obstáculos para proteger o tempo delas”. Coelho diz que ser líder de pessoas inteligentes e conectadas em pleno século 21 exige a disciplina de ter “menos ego e mais ouvido.” A íntegra do episódio está disponível no site do CBN Professional e em serviços de streaming como Spotify e Apple Podcasts.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2021/10/25/combustao-criativa-acontece-no-presencial-diz-ceo-do-google-sembarreira.ghtml

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Conheça as profissões (e os salários) que devem bombar em 2022

Piloto de drone, engenheiro de georreferenciamento e “analista de pessoas”, ou “People Analytics” são alguns dos exemplos

Por Victor Sena – Exame –  23/10/2021 

O mercado de trabalho do pós-pandemia já mostra a consolidação do home office, a continuidade na alta dos salários do setor de tecnologia e a queda das fronteiras para as contratações de profissionais.

Essas são algumas das conclusões da consultoria Robert Half para o cenário de 2022.

Com a retomada gradual da economia, o Guia Salarial 2022 da consultoria mostra também as profissões e os setores que são tendência para o próximo ano, levando em conta principalmente o fim do isolamento social.

Piloto de drone, engenheiro de georreferenciamento e “analista de pessoas”, ou “People Analytics” são alguns dos exemplos.

Essas novas profissões fazem parte de áreas como Engenharia, Finanças e Contabilidade, Jurídico, Mercado Financeiro, Recursos Humanos, Seguros, Tecnologia e Vendas e Marketing. 

O guia verificou também que haverá uma exigência maior pelas chamadas soft skills, habilidades comportamentais que todo profissional precisa ter.

As cinco soft skills mais valorizadas são: Comunicação, Adaptabilidade, Flexibilidade, Perfil Analítico/Visão Estratégica, Senso de dono/Visão do negócio.

Outros dois pontos que a pesquisa verificou foi: há um desafio de atração de retenção, já que a maior parte dos recrutadores (69%) acredita que encontrar colaboradores qualificados será mais difícil e o chamado anywhere office virou realidade. Agora, a flexibilização é considerada fundamental.

“O que era benefício agora é ferramenta de trabalho e isso significa retenção de profissionais. Cerca de 38% dos profissionais não continuariam na empresa se não tivessem o modelo híbrido. O trabalho híbrido veio para ficar”, explica Lucas Nogueira, diretor de recrutamento da Robert Half.

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Equipe de Marketing: Executivo de Contas, Coordenador de Marketing Digital e Gerente de e-commerce são alguns dos cargos em alta (iStock / Getty Images Plus/Divulgação)

Assim, quase metade dos executivos (49%) tem receio de perder algum profissional-chave no próximo ano e entre os principais motivos estão: abordagem mais agressiva da concorrência, aumento da pressão por resultados e insatisfação com o salário.

Para Nogueira, as profissões listadas abaixo são áreas que não devem ter o ciclo interrompido nos próximos 3 ou 4 anos. Ou seja, vale a pena apostar nessas enquanto estudantes.

Veja abaixo as áreas e as profissões em alta para 2022.

Engenharia

  • Indústrias que lideram as contratações: Saúde, Bens de consumo, Tecnologia / Logística, Infraestrutura, Mineração
  • Profissionais procurados: Gerente de Supply Chain, Comprador, Engenheiro de Aplicação/Vendas, Gerente de projetos/PMO, Gerente de vendas técnicas, Coordenador de planejamento, Coordenador de Customer Service, Engenheiro de QSMS, Engenheiro de Produção/Processos
  • Carreiras do futuro: Piloto de drone, Engenheiro de georreferenciamento, Engenheiro de dados, Engenheiro de inovação
  • Salários em 2022:
    • Gerente de Supply Chain: P/M – 17.100 | 22.000 | 27.500; G – 21.700 | 28.000 | 34.900
    • Coordenador de Customer Service: P/M – 6.200 | 8.000 | 10.000; G – 7.800 | 10.000 | 12.500
    • Engenheiro de Aplicação/Vendas: P/M – 5.400 | 7.000 | 8.800; G – 7.800 | 10.000 | 12.500
    • Engenheiro de Produção/Processos: P/M – 4.700 | 6.000 | 7.500; G – 7.000 | 9.000 | 11.300

Finanças e contabilidade

  • Indústrias que lideram as contratações: Tecnologia, E-commerce, Agronegócio, Logística, Infraestrutura, Farmacêutica/Healthcare, Bens de consumo
  • Áreas mais demandadas: M&A/RI/Tesouraria Estruturada, Controller, Contábil/Fiscal, Planejamento Financeiro/Controladoria, Tesouraria/Financeiro
  • Salários para 2022
    • Analista de M&A/RI/Tesouraria Estruturada Pleno: P/M – 6.000 | 7.000 | 7.900; G – 6.950 | 8.000 | 9.450
    • Controller: P/M – 15.150 | 18.700 | 22.700; G – 22.850 | 28.500 | 35.150
    • Coordenador de Planejamento/Controladoria: P/M – 9.350 | 12.000 | 14.250; G – 12.650 | 15.000 | 18.450
    • Analista Contábil/Fiscal Sênior: P/M – 5.350 | 7.000 | 8.050; G – 7.400 | 9.000 | 10.050

Jurídico

  • Indústrias que lideram as contratações: Tecnologia, Varejo/E-commerce, Serviços, Bens de Consumo, Agronegócios
  • Posições mais demandadas: Para escritórios – Advogados especialistas em operações de M&A (pleno e sênior), Advogados de Societário e Contratos (pleno e sênior), Advogados de Consultivo Tributário (pleno e sênior), Advogados de Contencioso Cível (pleno e sênior) / Para empresas – Advogados generalistas (pleno a diretor), Advogados especializados em contratos (pleno), Advogados de compliance
  • Salários para 2022:
    • Advogado Empresarial/M&A Sênior: P – 10.700 13.000 15.700; M – 14.800 | 18.000 | 21.750; G – 16.450 | 20.000 | 24.150
    • Advogado Consultivo Tributário Pleno: P – 7.400 | 9.000 | 10.850; M – 9.450 | 11.500 | 13.850 G – 9.850 | 12.000 | 14.450
    • Advogado Contencioso Cível Sênior: P – 9.850 12.000 14.500 | M – 11.550 | 14.000 | 16.900; G – 12.300 | 15.000 | 18.050
    • Advogado de compliance Pleno: M – 8.235 | 10.000 | 12.059; G – 9.050 | 11.000 | 13.300

Mercado Financeiro

  • Indústrias que lideram as contratações: Fundos de Private Equity, Assets, Bancos de Investimentos, Meios de Pagamentos, Fintechs
  • Posições mais demandadas: RM Private, M&A (analistas/associados/vp), Crédito corporate (analistas/especialistas), Finanças (diretores/gerentes), Profissionais de áreas regulatórias (analistas/especialistas/gerentes/diretores), Equity Research (analistas)
  • Salários para 2022:
    • Analista de Equity Research: 14.550 | 18.000 | 22.200
    • Analista de Fusões e Aquisições: 12.250 | 15.200 | 18.750
    • Analista de Compliance/Auditoria/Controles Internos: 11.300 | 14.000 | 17.300
    • Gerente de Relacionamento Private: 21.000 | 26.000 | 32.100

Recursos Humanos

  • Indústrias que lideram as contratações: Tecnologia e Telecom, Startups, Varejo, Bens de consumo, Serviços, Indústria
  • Posições mais demandadas: Business Partner, Remuneração e Benefícios (analistas sênior/especialistas/coordenadores), Treinamento e Desenvolvimento (analistas sênior/especialistas/ coordenadores), Gerente generalista, Gerente com foco em desenvolvimento organizacional
  • Profissões do futuro: People Analytics, Change Management, Especialistas em DEI
  •  Salários para 2022
    • Gerente Business Partner: G – 19.600 | 23.000 | 25.950;
    • Coordenador/Especialista de Remuneração e Benefícios: P/M – 9.800 | 11.500 | 12.950; G – 10.600 | 12.500 | 14.100;
    • Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento: P/M – 6.400 | 7.500 | 8.400; G – 7.250 | 8.500 | 9.500;
    • Gerente de Recursos Humanos (P/M): P/M – 14.450 | 17.000 | 19.150; G – 19.600 | 23.000 | 25.950;

Seguros

  • Segmentos que lideram as contratações: Operadoras de saúde, Seguradoras – grandes riscos, Corretoras, Insurtechs
  • Posições mais demandadas: Finanças (analistas e gerentes), Atuarial (analistas e especialistas), Comercial (gerentes), Produtos (analistas e gerentes)
  • Salários para 2022
    • Analista de Inovação Digital: 8.300 | 11.200 | 12.500
    • Coordenador Atuarial: 10.400 | 13.000 | 14.600
    • Gerente de Produtos: 13.800 | 18.500 | 20.750
    • Analista de Finanças: 6.700 | 9.000 | 10.050

Tecnologia

  • Indústrias que lideram as contratações: Tecnologia, Mercado financeiro, Varejo, Startups, Logística
  • Posições mais demandadas: Desenvolvedor Front-End (sênior), Desenvolvedor Full Stack (pleno e sênior), Arquiteto de soluções, Tech Lead, Profissional de infraestrutura (analistas e coordenadores), Profissional de segurança da informação (especialistas a gerentes), Desenvolvedor Back-End (pleno e sênior), DeVops, Product Owner, Profissional de dados
  • Profissões do futuro: Desenvolvedor Front-End, Desenvolvedor Full Stack, Pentester, Arquiteto de Soluções, Machine Learning
  • Salários para 2022
    • Desenvolvedor Front-End Sênior: 11.550 | 15.000 | 19.350
    • Desenvolvedor Full-Stack Pleno: 8.100 | 10.500 | 13.550
    • Desenvolvedor Back-End Pleno: 6.900 | 9.000 | 11.600
    • Especialista/Cientista de dados: 13.100 | 17.000 | 21.950
    • Gerente de Segurança da Informação: 20.050 | 26.000 | 33.550

Vendas e Marketing

  • Indústrias que lideram as contratações: Bens de consumo, Varejo, Tecnologia, Startups, Educação, Healthcare, Mídia e Publicidade, Agronegócio
  • Posições mais demandadas: Executivo de Contas, Coordenador de Marketing Digital, Gerente de e-commerce, Gerente de Marketing Digital, Analista de Marketing Digital, CRM-CX, Vendas internas, Gerente de Produtos Digitais, Analista de Marketing – Marketplace, Analista (CRO)/Martech
  • Profissões do futuro: Analista Martech, Líder Live streamer, Estrutura ligada a Produtos digitais
  • Salários para 2022
    • Analista de Marketing Digital: P/M – 4.100 | 6.000 | 7.400; G – 6.200 | 9.000 | 11.000
    • CRM/CX: P/M – 3.100 | 4.500 | 5.600; G – 4.800 | 7.000 | 8.600
    • Gerente de e-commerce: P/M – 9.700 | 14.000 | 17.200; G – 13.800 | 20.000 | 24.600
    • Analista de CRO/Martech: P/M – 4.800 7.000 8.600; G – 7.600 | 11.000 | 13.500

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Amazon aumenta capacidade de transporte para evitar gargalo no fim do ano

A companhia dobrou a capacidade de processamento de contêineres e garantiu mais espaço para armazenamento para transporte marítimo

Por Reuters – Exame – : 25/10/2021 

A Amazon disse nesta segunda-feira, 25, que dobrou sua capacidade de processamento de contêineres e garantiu mais espaço para armazenamento para transporte marítimo para tentar superar os gargalos da cadeia de suprimentos a tempo para a temporada de compras natalinas.

A natureza intermitente da pandemia afetou as cadeias de abastecimento globais que são otimizadas para o movimento just-in-time de mercadorias, enquanto a escassez de mão de obra e equipamento e a falta de espaço para armazenar produtos agravaram a situação.

A Amazon, que planeja contratar 150.000 trabalhadores temporários nos Estados Unidos durante o período de férias, disse que também aumentou as portas de entrada em sua rede em 50%.

Amazon

Amazon (Ronny Hartmann/picture alliance/Getty Images)

O gigante do comércio eletrônico não é a única empresa que está tentando usar sua escala e recursos para abrir caminho através das dores de cabeça da cadeia de suprimentos.

Varejistas como Walmart Inc., Target Corp. e Home Depot disseram que estão fretando navios para lidar com a desaceleração das redes marítimas por causa da pandemia, que administram 90% do comércio mundial.

O presidente Joe Biden no início deste mês insistiu para que o setor privado ajude a aliviar os gargalos da cadeia de abastecimento, expandindo as operações noturnas nos portos.

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O que nos faz querer acelerar até a velocidade do podcast?

A colunista Stela Campos diz que a pressa para parecer rápido, eficiente e bem-informado não é produtiva nem saudável

Por Stela Campos* – Valor – 23/08/2021

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Outro dia um executivo me disse que acompanhava quase 50 podcasts por semana. Me senti como um carro a 20 km por hora sendo ultrapassado por uma Lamborghini a 300 km por hora. Comentei que era difícil separar tanto tempo para ter uma dedicação igual à dele e que para dar conta dos podcasts que mais me interessavam já era difícil. Ele me olhou surpreso e perguntou: “Você não acelera?”. “Não?”, respondi meio sem graça. Confesso que me interessei por podcasts há relativamente pouco tempo quando me instigaram a encarar o desafio de criar um, e nunca tinha reparado no botãozinho do “speed”.

Depois que ele falou sobre isso, resolvi fazer alguns testes. Na hora me lembrei das propagandas eleitorais no rádio em que a fala do locutor é acelerada bem no final, no momento de citar o nome da coligação partidária, ou daqueles anúncios de remédio que aceleram a frase: “O Ministério da Saúde adverte, se os sintomas persistirem, o médico deverá ser consultado”. Palavras que só conseguimos entender porque já tínhamos escutado mil vezes antes.

Descobrir essa façanha dos podcasts, no entanto, me levou a pensar na aceleração propriamente dita. Por que estamos tão preocupados em fazer tudo tão rápido? Rapidez para muitos pode ser um sinal de eficiência, para outros, de esperteza, e há quem veja nisso um atributo para se destacar na competição pelo melhor desempenho corporativo.

Ao querer abraçar o mundo de uma só vez, corremos o risco de perder aquilo que fomos buscar em primeiro lugar: a informação, o divertimento e a emoção — Foto: Pexels

No caso do podcast, imagino que a voracidade explícita no consumo acelerado pode ter vários significados, como o medo de estar perdendo novidades, a vontade de aumentar o repertório de curiosidades para se exibir em uma roda de conversa ou até um desejo genuíno de acompanhar especialistas e aprender coisas novas. Mas com tanta oferta hoje, acho difícil conseguirmos aproveitar tudo o que ouvimos.

Ao querer abraçar o mundo de uma só vez, corremos o risco de perder aquilo que fomos buscar em primeiro lugar: a informação, o divertimento e a emoção. Ouvir um guru de bem-estar acelerado não acalma ninguém. Um conselho, uma dica ou um número podem entrar por um ouvido e sair pelo outro, se você não prestar atenção de verdade. Na tentativa de sermos ultra produtivos com nosso valioso tempo, podemos gastar minutos preciosos da nossa vida ouvindo muito e absorvendo pouco. Raymond Pastore, professor assistente de tecnologia instrutiva da Universidade da Carolina do Norte Willmington, conduziu cinco estudos que mostram uma queda enorme na compreensão em uma fala 50% comprimida ou na velocidade 2x.

De acordo com suas pesquisas, o tipo de assunto também faz diferença e afeta o nível de retenção da informação em uma audição acelerada. Tópicos mais densos, por exemplo, não são bem assimilados no “speed”. A familiaridade com o tema sempre ajuda a ter um entendimento mais rápido, segundo Pastore. Se a pessoa quiser mesmo acelerar e compreender o que está ouvindo, ele recomenda aumentar a velocidade em 1.25x e nunca, jamais, ultrapassar 1.50x. Mas, se estamos ouvindo podcasts feito loucos para termos aquela sensação de que estamos otimizando nosso tempo e nos alimentando de informação, me parece meio inútil gastar seu poder de concentração em 50 podcasts diferentes. Melhor degustar sem pressa aqueles que realmente importam.

O fato é que hoje estamos apressados para quase tudo. O confinamento na pandemia nos fez perseguir a sensação de que era preciso usar nosso tempo em casa – quando não estamos nos matando de trabalhar – para aprender coisas úteis. Mesmo depois do expediente, relaxando, pulamos a apresentação da série para ir logo para o que interessa. Para encher mais rápido a lista de livros do ano, há quem busque apps para devorar o maior número possível de resumos ou quem tenha decidido treinar o cérebro para ler mais rápido. O que, segundo especialistas, não ajuda muito, porque mesmo com muito treino somos capazes de ler apenas 200 a 300 palavras por minuto. Qualquer aceleração acima disso pode tornar a retenção da informação praticamente impossível, segundo Elizabeth Schotter, cientista cognitiva da Universidade do Sul da Flórida.

Não dá para vencer os robôs no quesito velocidade, assim como não é possível acompanhar os quase 900 mil podcasts que foram lançados apenas em 2020, de acordo com dados da empresa americana Chartable. E você pode enlouquecer só de pensar que um quarto deles este ano já postou mais de 10 episódios que você não ouviu. Então, é preciso relaxar, você sempre vai estar atrasado. A escolha deve ser seletiva e não paranoica. Lembre que a maneira como usamos e aplicamos a informação é individual e depende do repertório de cada um. As conexões e os insights são seus e de mais ninguém. Não é preciso correr para saber tudo antes.

*Stela Campos é editora de Carreira, coeditora dos anuários Executivo de Valor e Valor Carreira. Autora do Guia Valor Econômico de Desenvolvimento Profissional e apresentadora do podcast CBN Professional

e-mail: stela.campos@valor.com.br

https://valor.globo.com/carreira/coluna/o-que-nos-faz-querer-acelerar-ate-a-velocidade-do-podcast.ghtml

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