Governo e grandes grupos japoneses se unem para desenvolver o ‘Concorde do século 21’


Por Nikkei Asia, Valor 17/06/2021 

Tradicionais fornecedores de peças para aeronaves ocidentais, algumas das principais empresas de engenharia japonesas, incluindo IHI e Mitsubishi Heavy Industries, estão unindo forças com a agência espacial do Japão em pesquisa e desenvolvimento de jatos supersônicos de passageiros, vistos como um passo importante na próxima geração de transporte.

A nova iniciativa público-privada, Japan Supersonic Research, foi anunciada na quarta-feira. Os membros também incluem Kawasaki Heavy Industries, Subaru e Japan Aircraft Development Corp. O grupo pretende participar de projetos internacionais com empresas como a Boeing, começando por volta de 2030.

O projeto pode criar novas oportunidades para a indústria aeroespacial do Japão, que hoje se limita principalmente à construção de asas e fuselagens para grandes fabricantes de aeronaves em outros lugares, como Boeing e Airbus. A criação de um único centro de pesquisa pode permitir que as empresas japonesas não apenas definam uma direção para essa nova tecnologia, mas também aumentem suas margens de lucro.

Jatos supersônicos podem reduzir o tempo de viagem entre Tóquio e São Francisco de dez para seis horas, por exemplo. Embora as tarifas provavelmente excedam as dos planos convencionais, as estimativas sugerem uma demanda de 1 mil a 2 mil aeronaves supersônicas na próxima década para atender a executivos corporativos, altos funcionários do governo e viajantes ricos. O voo supersônico também pode acelerar a resposta a desastres.

Imagem estilizada de jato supersônico em projeto da agência espacial japonesa Jaxa em conjunto com empresas — Foto: Divulgação: Jaxa

Entre os principais obstáculos para a comercialização da tecnologia estão os estrondos sônicos, as fortes ondas de choque criadas quando um avião cruza a barreira do som. O Concorde, jato supersônico de passageiros introduzido na década de 1970 e aposentado em 2003, foi impedido de voar mais rápido do que o som quando estava sobrevoando terra.

A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (Jaxa) trabalha há uma década no problema da explosão sônica. Ela desenvolveu um projeto aerodinâmico de aeronave com um nariz longo e pontiagudo para minimizar os booms e agora está refinando os detalhes para desenvolver uma versão do Concorde adequada ao século 21.

Os fabricantes que participam da nova iniciativa trarão seus próprios conhecimentos de aviação para a mesa. A Kawasaki Heavy possui instalações em grande escala que podem medir o impacto do vento no chassi de uma aeronave e o ruído que ele produz, e a empresa planeja alavancar os pontos fortes do Japão em tecnologia ambientalmente amigável, um desafio no desenvolvimento de jatos. O IHI pode melhorar a eficiência de combustível dos motores das aeronaves.

Em 2020, a Jaxa conseguiu reduzir o consumo de combustível em 13% em comparação com a tecnologia usada no Concorde por meio de etapas como a redução do atrito do ar. Ele também deixou a aeronave 21% mais leve no geral e está fazendo testes para determinar o impacto sobre os requisitos de combustível.

Outras empresas também estão avançando nessa área, principalmente nos Estados Unidos. O modelo de abertura da startup Boom Supersonic, com sede no Colorado, acomodará até 88 passageiros e deve custar cerca de US$ 200 milhões. A United Airlines concordou em comprar 15 dos jatos, com o objetivo de iniciar o serviço comercial em 2029, e a Japan Airlines também investiu na empresa.

A indústria de aviação do Japão ficou atrás de suas contrapartes nos Estados Unidos e Europa. A unidade Mitsubishi Heavy da Mitsubishi Aircraft congelou um esforço há muito adiado para construir o primeiro jato de passageiros caseiro do país.

Mas, embora trazer planos supersônicos ao mercado seja um desafio, Masahiro Kanazaki, professor do departamento de aeronáutica e astronáutica da Universidade Metropolitana de Tóquio, acredita que os players japoneses têm uma chance de sair na frente.

“A Jaxa e outros no Japão acumularam algumas das tecnologias e pesquisas de mais alto nível do mundo para aeronaves supersônicas”, disse Kanazaki.

E a pesquisa e desenvolvimento nessa área pode beneficiar outros campos. “A tecnologia para conter o ruído e reduzir a resistência do ar pode ser aplicada a drones e outras aeronaves”, disse Hiroki Nagai, professor do Instituto de Ciência de Fluidos da Universidade de Tohoku.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2021/06/17/governo-e-grandes-grupos-japoneses-se-unem-para-desenvolver-o-concorde-do-sculo-21.ghtml

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