Cientistas acreditam que redes sociais podem ser a ruína da humanidade

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | Canaltech 29 de Junho de 2021 

Embora o título possa parecer bastante apocalíptico, estudiosos da Universidade de Washington realmente creem que as mídias sociais possam ter impacto destrutivo na sociedade mundial. Segundo eles, a humanidade é capaz de sobreviver a guerras, doenças e pragas diversas, mas pode não estar pronta para enfrentar as ameaças provenientes das redes.

Um artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences traz mais detalhes. O material de 10 páginas foi escrito por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores de biologia, psicologia, filosofia, ciências neurais, especialistas em mudanças climáticas e outros. 

Apesar de parecer uma previsão um tanto pessimista sobre o futuro da civilização, o artigo ajuda a compreender melhor como essas plataformas ajudam a espalhar informações falsas. Para os pesquisadores, o poder das redes de impulsionar mentiras levaria o planeta à ruína, com uma falta de confiança generalizada e a incapacidade de discernir a verdade da mentira.

Parte disso seria culpa da robotização das redes sociais, guiada por algoritmos incapazes de diferenciar fato de fakes, e, assim, contribuindo para espalhar as inverdades. Os autores alertam que, se não forem compreendidas e contornadas todas essas questões, as consequências indesejadas das novas tecnologias vão contribuir para fenômenos como “adulteração eleitoral, doenças, extremismo, fome, racismo e guerra”.

Dos insetos para os humanos

Em entrevista concedida ao site Vox, o coautor e pesquisador Joseph Bak-Coleman fala sobre como a equipe responsável pelo estudo chegou a essa conclusão catastrófica. “A pergunta que estávamos tentando responder era: ‘O que podemos inferir sobre o curso da sociedade em escala, dado o que sabemos sobre sistemas complexos?’”, explicou.

Segundo Bak-Coleman, a ideia é traçar um paralelo entre o uso de ratos e moscas para entender a neurociência. Essas pesquisas realizadas com esses grupos ajudam a entender o comportamento coletivo em geral, mas também adentram em sistemas complexos de forma mais ampla.

“Nosso objetivo é ter essa perspectiva e, em seguida, olhar para a sociedade humana da mesma forma. E uma das coisas sobre os sistemas complexos é que eles têm um limite finito de perturbação. Se você os perturba muito, eles mudam. E muitas vezes tendem a falhar catastroficamente, inesperadamente, sem aviso prévio”, explica o coautor do artigo.

Mentira x verdade

Os estudiosos estabeleceram diversos elos entre pesquisas desenvolvidas nas suas áreas e o atual momento da humanidade. Segundo eles, as mídias sociais interromperam o fluxo de informações confiáveis sobre saúde, ciência, clima e política, assuntos cujos impactos são fundamentais em níveis de organização civilizatória.

A grande culpada seria a internet, que funciona como uma faca de dois gumes: ajuda a aproximar pessoas e levar informações de qualidade ao mesmo tempo em que o seu uso negativo pode transformar sociedades em imensos conglomerados de massa impensante e manipulável.

As pessoas estão cada vez mais dependentes das redes sociais, inclusive para se informar (Imagem: Maxim Ilyahov/Unsplash)

“A democratização da informação teve efeitos profundos, especialmente para comunidades marginalizadas e sub-representadas”, disse Bak-Coleman. “Isso dá a eles a capacidade de ter uma plataforma e ter uma voz, e isso é fantástico. Ao mesmo tempo, temos coisas como genocídio de muçulmanos e uma insurreição no Capitólio acontecendo. Espero que seja uma afirmação falsa dizer que devemos ter essas dores para termos os benefícios.”

O fenômeno das redes sociais é algo muito novo e ainda sem respostas concretas de nenhuma área científica. Estudos como este, embora tenham um viés bastante pessimista, ajudam a alertar a sociedade para os efeitos das mídias sociais em larga escala.

Resta saber se os responsáveis pelo “Frankenstein” serão capazes de controlá-lo. O estudo mostra que ainda dá tempo de fazer algo, mas o caminho a ser seguido permanece uma incógnita para todos.

Fonte: PNAS, Vox

https://canaltech.com.br/redes-sociais/cientistas-acreditam-que-redes-sociais-podem-ser-a-ruina-da-humanidade-188531/

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Atrair e reter talentos é fundamental para a estratégia de negócio

Conceito de employer branding é estudado desde 1996 e ganha adesão nos EUA e Europa; Brasil não pode ficar para trás

Por Bia Magalhães e Rachel Mello Exame/Bússola 01/07/2021 

Em janeiro de 2021, um grande grupo global da área de telecomunicações abre vagas qualificadas: bons salários, bom ambiente de trabalho, bons benefícios, plano de carreira. Mas as vagas não são preenchidas. No mesmo período, 14% da força de trabalho no país está desempregada. Há vagas, mas não há mão de obra para preenchê-las.

A disputa no mercado de trabalho por talentos está cada vez mais acirrada. Sobretudo entre os mais jovens, o chamado “bom emprego”, que fazia brilhar os olhos da turma que agora começa a ser vacinada (quarentões e cinquentões), não é atração suficiente. É preciso oferecer mais.

Como encontrar, engajar e reter jovens talentosos, criativos e com as habilidades que as marcas precisam em 2021? Uma das respostas está no conceito de employer branding.

Utilizado por Simon Barrow e Tim Ambler pela primeira vez em 1996, a ideia do employer branding define o conjunto de estratégias de um empregador para trabalhar sua marca e sua reputação junto aos empregados e aos potenciais empregados, gente que a organização precisa e quer atrair.

A disputa por talentos jovens no mercado está cada vez mais acirrada. (99Jobs/Divulgação)

A pesquisa Employer Branding Research 2021, feita pela consultoria Randstad, mostra que 80% dos líderes de organizações concordam que uma marca empregadora forte gera um impacto significativo na capacidade de contratar uma boa força de trabalho. E 96% dos profissionais concordam que o alinhamento dos valores pessoais com a cultura da organização é um fator chave para a satisfação de trabalhar em uma empresa.

“As empresas perceberam que precisavam fazer um maior esforço para atrair talentos e criar o desejo de permanência, porque Employer Branding não é só sobre atração. É o ciclo como um todo. As organizações precisam se diferenciar e trabalhar mais fortemente para isso”, explica Bruna Mascarenhas, especialista no tema e co-autora do livro Employer Branding – conceitos, modelos e prática. Assim como as organizações se posicionam junto a seus consumidores, eles também precisam emprestar um olhar estratégico e estruturado para engajar talentos, um “público cada vez mais experiente e exigente”, lembra Mascarenhas.

Assim como funciona para o público externo, a estratégia de atração e retenção de talentos deve estar conectada aos objetivos de negócio da organização. A realidade vivida dentro da empresa, sua cultura, seus valores e seu propósito devem estar claros em todo o processo de experiência do profissional, desde o primeiro contato – como o anúncio de uma vaga ou uma entrevista de seleção – para que o relacionamento e a cooperação entre empresa e empregado sejam produtivos para os dois lados.

No Brasil, o tema ainda engatinha. Segundo estudo Employer Branding Brasil – Perspectiva 2020, mais de 70% das organizações no país estão em um estágio inicial ou ainda não possuem uma estratégia. Para quem investe, os resultados são claros: a estratégia de marca empregadora é um diferencial competitivo num mercado onde quantidade e qualidade podem apontar em direções distintas.

Para quem quer começar, o primeiro passo, indica Bruna Mascarenhas, é identificar qual o perfil de funcionário poderá contribuir para a transformação do negócio: é mais importante atrair talentos mais qualificados ou fazer um reposicionamento de marca com um determinado grupo de profissionais, por exemplo.

O objetivo, então, define o desenho da estratégia de marca empregadora.

“Employer branding é essencialmente sobre trabalhar a gestão intencional da sua marca empregadora voltada para as pessoas que queremos trabalhando na organização”, destaca Mascarenhas. A intenção é fundamental porque mesmo que a empresa não faça nada, sua atuação no mercado junto aos consumidores e junto a seus funcionários e potenciais funcionários fala o tempo todo. “O público de talentos é um público como os outros, que está observando, consumindo informação e escolhendo onde quer estar. Então as marcas precisam olhar e investir”, afirma a especialista.

Esse investimento não se aplica apenas a um trabalho focado em redes sociais corporativas, como o Linkedin, ou plataformas de recrutamento, como a Gupy. Em uma realidade de constante exposição das marcas no ambiente digital, principalmente, o employer branding extrapola os canais de contato direto da organização com o candidato.

“É essencial trabalhar a gestão de marca de forma integrada. A atração de talentos deve caminhar junto com o trabalho de marca feito para os consumidores”, defende Mascarenhas. E junto com o trabalho com todos os outros públicos da organização.

Este é um conteúdo da Bússola, parceria entre a FSB Comunicação e a Exame. O texto não reflete necessariamente a opinião da Exame.

https://exame.com/bussola/atrair-e-reter-talentos-e-fundamental-para-a-estrategia-de-negocio/

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O mito do intraempreendedor

por Andrew Corbett HBR June 26, 2018(Tradução Evandro Milet)

  Resumo. Durante décadas, as empresas buscaram fomentar a inovação por meio da ideia de “intraempreendedorismo” – ou seja, a noção de que novas ideias vêm de alguns rebeldes dentro da empresa que se libertam dos limites corporativos. Mas, na verdade, o autor argumenta, isso é … segue

O post-it. Botão “curtir” do Facebook. O Sony PlayStation. Todos esses produtos são apresentados como exemplos lendários do poder do intraempreendedor – criatividade e inovação empreendedoras em grandes organizações estabelecidas. 

Desde que o termo foi cunhado na década de 1980, intraempreendedorismo foi vendido para empresas como uma solução abrangente para promover a inovação. Foi promovido para os trabalhadores como uma forma de capturar a criatividade e o entusiasmo do empreendedorismo, mas com mais recursos e menos risco.

Supõe-se que os intraempreendedores sejam rebeldes, quebrando as regras e nadando contra a maré corporativa. Embora essa visão do rebelde intraempreendedor seja certamente atraente, na verdade é uma forma ineficaz de impulsionar a inovação. Depois de mais de 20 anos pesquisando inovação em grandes empresas, está claro para mim que o intraempreendedor bem-sucedido costuma ser mais mito do que realidade.

A experiência do intraempreendedor típico se parece menos com Spencer Silver, que desenvolveu o Post-It quando estava na 3M, e mais com Steven Sasson, o engenheiro da Kodak que inventou a câmera digital portátil. Como agora se sabe, em vez de impulsionar a Kodak para o futuro, a câmera digital se tornou uma grande oportunidade perdida.

A experiência de Sasson na Kodak demonstra que nenhum indivíduo, não importa o quão brilhante seja, pode levar uma inovação revolucionária desde a ideia até a realidade. A inovação deve ser um esforço de toda a empresa, apoiado de cima a baixo por sistemas, estruturas e uma cultura empresarial que nutre ideias e produtos transformadores. As empresas precisam institucionalizar a inovação, em vez de esperar que ela simplesmente flua de intraempreendedores que operam dentro das estruturas existentes.

xefstock2/Getty Images

Para começar, a inovação deve ser reconhecida como uma função permanente de uma empresa de sucesso, assim como outras funções de negócios, como contabilidade, operações, vendas e finanças. É difícil imaginar uma grande empresa sem um departamento ou divisão de marketing, mas há menos de 50 anos o marketing como função, profissão e departamento de negócios não existia. 

O mesmo é verdade para a inovação hoje. Se as empresas desejam inovar de forma consistente, elas precisam de profissionais de inovação dedicados para realizar as funções de descoberta, desenvolvimento, incubação, aceleração e escalada.

Mas essa divisão de inovação não pode ser isolada do resto da empresa. Incubadoras de empresas e laboratórios de inovação isolados do resto da organização tendem a ter sucesso limitado, porque estão desconectados de um sistema maior. As inovações revolucionárias exigem uma abordagem holística em toda a organização.

Nas últimas duas décadas, meus colegas e eu pesquisamos inovação por meio de visitas aos locais e mais de 600 entrevistas em empresas Fortune 100, incluindo Corning, DuPont, GE e PepsiCo. Nossa pesquisa mostra que, para desenvolver, incubar e dimensionar a inovação revolucionária, as organizações precisam de um sistema de gestão da inovação em toda a empresa que inclua oito elementos primários.

Ele começa no topo com (1) liderança e uma cultura de inovação disposta a comprometer (2) recursos de todo o sistema e (3) um processo de governança com capacidade de entregar e com um mandato claramente articulado (4) com um escopo de atuação para inovação revolucionária. Uma estrutura organizacional inclusiva (5) com interfaces entre diferentes partes da empresa que incorpora os (6) processos e ferramentas e (7) métricas e recompensas necessárias para um ciclo de inovação que leva mais tempo do que a inovação incremental de produto. Por último, as empresas precisam de (8) habilidades e talentos que sejam diferenciados da P&D tradicional ou das funções de desenvolvimento de novos produtos.

Vimos esses elementos tomarem forma de maneiras diferentes em empresas diferentes. No entanto, o que todos eles tinham em comum era o desejo de criar uma estrutura que institucionalizasse a inovação e desenvolvesse profissionais de inovação além de oferecer-lhes um trabalho de inovação excepcional ou único.

As empresas precisam criar carreiras de inovação, em vez de apenas empregos inovadores. Nossa pesquisa apoia a ideia de que as pessoas são o ativo de inovação mais estimado e importante de uma empresa. O conceito de intraempreendedorismo entende isso, mas concentra suas esperanças em um gênio que pode se lançar para salvar o dia. Em vez disso, devemos começar a pensar na inovação como uma capacidade que precisa de suporte de toda a organização. 

Assim como contadores e gerentes de recursos humanos, os profissionais de inovação precisam de funções de trabalho, responsabilidades, incentivos de desempenho e planos de carreira claramente definidos, bem como oportunidades significativas de treinamento e desenvolvimento.

Contratar alguns indivíduos talentosos e esperar pelo melhor, sem mudar nada na sua organização, não vai resolver. As empresas precisam de um plano estratégico para profissionalizar e institucionalizar a inovação em suas organizações. Essa é a única maneira de alimentar as inovações revolucionárias necessárias para a saúde futura dos negócios.

Andrew Corbett é o  Paul T. Babson Chair de Estudos Empresariais na Babson College e  instrutor na Babson Executive Education. Este artigo é baseado em seu livro mais recente, Beyond the Champion: Institutionalizing Innovation Through People, escrito com Gina C. O’Connor e Lois S. Peters.

https://hbr.org/2018/06/the-myth-of-the-intrapreneur

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Carro voador completa teste com voo entre dois aeroportos

Zoe Kleinman BBC/Folha JUNE 30, 2021

Um protótipo de carro voador completou um voo de 35 minutos entre os aeroportos internacionais de Nitra e Bratislava, na Eslováquia.

O carro-avião híbrido, AirCar, está equipado com um motor BMW e funciona com gasolina comum.

Seu criador, o professor Stefan Klein, disse que o veículo poderia voar cerca de mil km, a uma altura de 2,5 mil metros, e já havia rodado 40 horas no ar até agora.

O carro precisa de dois minutos e 15 segundos para se transformar em uma aeronave.

Imagem mostra o protótipo de carro voador voandoO protótipo do carro voador completou voo teste de 35 minutos entre dois aeroportos – Klein Vision

O professor Klein convidou repórteres para assistir ao voo na manhã de segunda-feira (28). Ele disse que a experiência foi “normal” e “muito agradável”.

As asas estreitas se dobram nas laterais do carro. No ar, o veículo atingiu a velocidade de cruzeiro de 170 km/h. O carro voador é capaz de transportar duas pessoas, com um limite de peso combinado de 200 kg.

Mas, ao contrário dos protótipos de drone-táxi existentes, ele não consegue decolar e pousar verticalmente, e requer uma pista de decolagem e aterrissagem.

Há grandes expectativas sobre o novo mercado de carros voadores, que há muito tempo são anunciados na cultura popular como um marco visionário do futuro.

Em 2019, o banco de investimentos Morgan Stanley previu que o setor poderia alcançar um valor de US$ 1,5 trilhão em 2040.

E em um evento da indústria na terça-feira (29/6), o presidente-executivo da Hyundai Motors Europe, Michael Cole, chamou o conceito de “parte do nosso futuro”.

Carro híbrido AirCar é fotografado na ruaO híbrido AirCar visa a atender demanda criada pelos problemas de congestionamento de tráfego em ruas e estradas – Klein Vision

Esse tipo de veículo é considerado uma solução potencial para os problemas atuais de infraestruturas de transporte.

A empresa por trás da AirCar, a Klein Vision, diz que o protótipo levou cerca de dois anos para ser desenvolvido e custou “menos de 2 milhões de euros” (R$ 11 milhões) em investimento.

Anton Rajac, consultor e investidor da Klein Vision, disse que se a empresa pudesse atrair até mesmo uma pequena porcentagem das vendas globais de companhias aéreas ou táxis, ela teria um enorme sucesso.

“Existem cerca de 40 mil pedidos de aeronaves apenas nos EUA”, disse ele.

“E se convertermos 5% desses pedidos para carro voador, temos um mercado enorme.”

Stephen Wright, pesquisador-sênior de aeronaves da Universidade do Oeste da Inglaterra, no Reino Unido, descreve o AirCar como “o filho de um Bugatti Veyron com um Cesna 172”.

“Tenho que admitir que isso parece muito bacana, mas tenho centenas de perguntas sobre o processo de certificação”, disse.

“Qualquer um pode fazer um avião, mas o truque é fazer um que voe e voe e voe por um milhão de horas, com uma pessoa a bordo, sem nenhum incidente. Mal posso esperar para ver o pedaço de papel que diz que é seguro de se voar e vender.”

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/06/carro-voador-completa-teste-com-voo-entre-dois-aeroportos.shtml

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Tecnologia e escalabilidade: a educação chinesa e o modelo não elitista

A educação não pode ser pensada considerando apenas computadores de última geração e impressoras 3D

Por Por Iona Szkurnik* Exame  25/06/2021 

Como mencionei em meu artigo anterior, em 2019 visitei a China com alunos e professores da Universidade de Stanford. Além de conhecer diferentes escolas, também tive a oportunidade de visitar a edtech Liulishuo, com mais de 3.000 funcionários e listada na bolsa de tecnologia Nasdaq, em Nova York. Ela promove o ensino de inglês baseado em gravações e atende mais de 175 países. Na China, está presente em 384 cidades.

Como o ensino de inglês é uma das maiores dores do país no caminho para se tornar uma potência mundial, soluções como essa têm se tornado cada vez mais comuns para aumentar a produtividade do país. Mas não ficam restritas apenas ao ensino de idiomas. A China entendeu a importância da tecnologia educacional para adaptar a educação ao século 21 e se tornou um dos maiores mercados de edtechs do mundo.

Durante essa visita, percebi como não apenas as startups de educação, mas também as escolas e o governo veem a tecnologia como item essencial para o futuro da educação e, consequentemente, do país. Um dos fatores para isso é o quanto a tecnologia permite a escalabilidade, fundamental para uma nação tão grande como a China.

A China se tornou um dos maiores mercados de edtechs do mundo (Costfoto/Barcroft Media/Getty Images)

Essa escalabilidade é expandida, entre outros recursos, por inteligência artificial e machine learning, altamente explorados, por exemplo, pela Liulishuo. A empresa se esforça em trazer os maiores especialistas no assunto para seu conselho, como professores de ciência da computação de universidades como Princeton e até mesmo o reitor da Faculdade de Educação de Stanford para seu conselho executivo.

Outro fator de extrema relevância ao pensar em escalabilidade é considerar o contexto do país. A edtech que visitei explora isso muito bem ao reconhecer que nem todos os chineses têm acesso a internet de alta velocidade ou a computadores e aparelhos de alta tecnologia. Por isso, adota um formato de ensino de inglês por gravação, que pode ser ouvida offline, em aparelhos celulares simples. Ou seja, infraestrutura deixa de ser uma barreira ao passo que o produto se adapta à realidade da sociedade

Essa forma de encarar a tecnologia como uma ferramenta de expansão e escalabilidade precisa ser trazida para o Brasil — e, em alguns casos, já vem sendo. Algumas das maiores edtechs em atuação no país não requerem alta tecnologia da parte do usuário. É o caso da Passei Direto, que permite o download de materiais para acesso posterior de maneira offline. A simplicidade de uso da plataforma também é muito importante, o que a permitiu atingir 24 milhões de usuários até agora.

Dessa forma, é essencial que, ao falarmos de tecnologia, não pensemos em computadores de última geração ou laboratórios com impressoras 3D, que apenas escolas de elite poderiam ter, e sim em recursos que permitam um acesso mais fácil à informação.

Adotando essa visão, a China aumentou de forma significativa seus investimentos no setor. Estima-se que o mercado chinês de educação alcance US$ 715 bilhões em 2025, de acordo com dados da Deloitte. Em 2018, a China superou os Estados Unidos em termos de inovação em educação e investimento em tecnologia, em uma proporção de três para um. Avaliada em mais de US$ 30 bilhões, a chinesa TAL Education Group, maior edtech do mundo, liderou nos últimos anos uma série de aquisições.

Essa aceleração de investimentos se reflete também no aporte em capital de risco no país: a China recebeu US$ 10,1 bilhões em 2020 (Holon IQ), contra aproximadamente US$ 25,4 milhões do Brasil (de acordo com relatório do Distrito). Esses investimentos são combinados com parcerias feitas com governos e com o esforço de edtechs de buscarem se afiliar às melhores instituições de ensino do mundo, o que expande muito o seu potencial de causar impacto real no cenário de tecnologia educacional do país.

Sendo assim, considero essencial para o Brasil que olhemos para a tecnologia não como um recurso caro e inacessível, mas como um caminho para escalar a educação do futuro. Investir em soluções que façam sentido no nosso contexto é impactar de forma direta a formação de nossa força de trabalho, aumentando a produtividade do país como um todo. A tecnologia será uma aliada também na escalabilidade de oportunidades em nossa sociedade.

*Iona Szkurnik é fundadora da Education Journey, plataforma focada em desenvolver o ecossistema de inovação na educação, e presidente do Conselho da Brazil at Silicon Valley.

https://exame.com/bussola/tecnologia-e-escalabilidade-a-educacao-chinesa-e-o-modelo-nao-elitista/

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Gigantes da tecnologia continuam com receita turbinada pela pandemia

Em relação há um ano, crescimento na receita foi de 25%, de US$ 1,2 trilhão, superior ao que o McDonald’s vendeu em um ano

 Por Shira Ovide – The New York Times/Estadão 14/05/2021 

As principais empresas de tecnologia do mundo são Apple, Amazon, Google, Microsoft e Facebook

Na Grande Recessão, há mais de uma década, os gigantes da tecnologia passaram por uma fase difícil como todas as demais empresas. Agora eles se tornaram vencedores incontestáveis da economia durante a pandemia.

A receita anual combinada de Amazon, Apple, Alphabet, Microsoft e Facebook é de cerca de US$ 1,2 trilhão, de acordo com os ganhos informados no fim de abril, mais de 25% acima do valor no momento em que a pandemia começou a causar impacto em 2020. Em menos de uma semana, esses cinco gigantes faturam mais em vendas do que o McDonald’s em um ano.

A economia dos Estados Unidos está se recuperando em relação a 2020, quando encolheu pela primeira vez desde a última crise financeira. Mas para os gigantes da tecnologia, o impacto da pandemia passou quase despercebido. É um momento fantástico para ser um titã da tecnologia dos EUA – contanto que você ignore os políticos gritando, as manchetes diárias sobre matar a liberdade de expressão ou evitar impostos, as reclamações de concorrentes e trabalhadores e as inúmeras investigações legais e ações judiciais.

As superpotências da tecnologia dos EUA não estão ganhando dólares loucamente apesar do letal novo coronavírus e seus efeitos em cascata na economia global. Elas ficaram ainda mais fortes por causa da pandemia. É lógico e ligeiramente maluco.

O enorme sucesso do ano passado também levanta questões desconfortáveis para os chefes das empresas de tecnologia, o público e as autoridades eleitas já irritadas com a indústria: O que é bom para os gigantes da tecnologia é bom para os EUA? Ou as estrelas da tecnologia estão ganhando enquanto o resto de nós está perdendo?

Os americanos têm mais dinheiro no bolso graças aos cheques de auxílio do governo e ao que economizaram durante a pandemia, e os gigantes da tecnologia estão recebendo uma parcela significativa disso tudo. Sua receita combinada é equivalente a cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA.

Os enormes lucros dos gigantes da tecnologia durante a pandemia têm uma causa compreensível: precisávamos de seus serviços.

As pessoas se voltaram para os aplicativos do Facebook para se manterem em contato e se divertir; e as empresas queriam pagar ao Facebook e ao Google, propriedade da Alphabet, para ajudá-las a encontrar clientes que estavam presos em casa. Parecia uma melhor escolha comprar fraldas e espreguiçadeiras na Amazon do que arriscar a saúde comprando nas lojas físicas. As empresas se abasteceram de softwares da Microsoft à medida que seus negócios e funcionários passaram para o mundo virtual. Os laptops e iPads da Apple se tornaram a salvação para funcionários de escritório e crianças em idade escolar.

Antes da pandemia, as superpotências de tecnologia dos EUA já eram influentes na forma como nos comunicamos, trabalhamos, nos divertimos e compramos. Agora elas são praticamente imprescindíveis. Os investidores adquiriram ações dos gigantes da tecnologia em uma aposta de que essas empresas são quase invencíveis.

“Elas já estavam crescendo e assim estiveram por quase uma década, e a pandemia foi única”, disse Thomas Philippon, professor de finanças da Universidade de Nova York.  “Para elas foi uma tempestade perfeita e positiva.”

Os tempos não eram tão bons para essas empresas na última crise econômica. Na recessão de 2007 a 2009, as vendas da Microsoft caíram ligeiramente e o preço das ações caiu 60% desde a queda de 2008 até março de 2009, um momento infeliz para as ações dos EUA. O Google e a Amazon perderam, cada um, até dois terços de seu valor de mercado.

Um sinal de como desta vez a situação é diferente: a receita da Amazon está crescendo muito mais rápido em 2021 do que em 2009, quando a empresa tinha um quinze avos do tamanho atual. As vendas no primeiro trimestre aumentaram 44% em relação ao ano anterior, e os lucros da Amazon antes dos impostos – que nunca foram exatamente robustos – mais do que dobraram para US$ 8,9 bilhões. As empresas estão viciadas nos serviços de computação em nuvem da Amazon, onde as vendas aumentaram 32%, e os consumidores não podem viver sem a entrega da Amazon. Os investidores também amam a Amazon. O valor no mercado de ações da empresa quase dobrou desde o início de 2020 para US $ 1,8 trilhão.

Para os outros gigantes da tecnologia, é como se a breve queda livre na pandemia nunca tivesse acontecido. As vendas de publicidade normalmente aumentam e diminuem com a economia. Mas, à medida que outros tipos de gastos com publicidade diminuíram quando a economia dos EUA se contraiu no ano passado, as vendas de anúncios do Google e do Facebook aumentaram. O crescimento foi ainda melhor para eles nos primeiros três meses deste ano.

Um ano atrás, analistas temiam que a Apple fosse afetada quando a pandemia tomou conta da China, que é o centro das operações de manufatura da empresa e seu mercado consumidor mais importante.

Os temores não duraram muito. Nos primeiros três meses de 2021, a receita da Apple com a venda de iPhones aumentou no ritmo mais rápido desde 2012. As vendas na China continental, Taiwan e Hong Kong quase dobraram em relação ao ano anterior.

As estrelas da tecnologia também capitalizaram neste momento. A Alphabet e o Facebook têm usado a pandemia para poupar em setores que não estão dando tanto retorno, como custos promocionais e orçamentos de viagens e entretenimento. E os gigantes da tecnologia geralmente têm aumentado os gastos em áreas que ampliam suas vantagens.

A Alphabet agora está gastando mais em projetos de alto valor, como a construção de complexos de computadores, do que a Exxon Mobil gasta para extrair petróleo e gás do solo. O número de funcionários da Amazon aumentou em mais de 470.000 pessoas desde o final de 2019. Isso aprofunda o fosso que separa as estrelas da tecnologia das demais empresas.

Os gigantes da tecnologia estão emergindo da pandemia fortes, determinados e prontos para uma economia dos EUA que deve voltar à vida em 2021. Enquanto isso, ainda há longas filas nos pontos de doação de alimentos. Alguns trabalhadores americanos que perderam seus empregos no ano passado podem nunca mais recuperá-los. Os defensores da habitação estão preocupados que milhões de pessoas sejam despejadas de suas casas. E ser um gigante da tecnologia é um convite para que todos te odeiem – mas você tem enormes pilhas de dinheiro. /TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

https://link.estadao.com.br/noticias/empresas,gigantes-da-tecnologia-continuam-com-receita-turbinada-pela-pandemia,70003714313

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Como a ciência explica pessoas que parecem “prever” o futuro

  • Redação BBC News Mundo 19 junho 2021

Você sabia que aquilo iria acontecer, não sabia?

Às vezes, a vida nos dá a oportunidade de nos orgulhar, proferindo a frase “Eu avisei!”.

E há aqueles que realmente acreditam que são muito bons em prever o futuro.

Mas, se formos honestos, na maioria dos casos, nós “sabíamos” que algo iria acontecer somente depois que aconteceu. Aquela era uma das possibilidades que consideramos.

Os humanos tentam prever o futuro desde os tempos antigos. 

Os chineses tinham o I Ching, enquanto os oráculos gregos preferiam procurar respostas nas entranhas dos animais.

Hoje, as agências de inteligência em todo o mundo confiam principalmente na opinião de especialistas para prever eventos.

Mas existem pessoas comuns entre nós que rotineiramente superam os especialistas quando se trata de fazer previsões precisas sobre o futuro.

São chamados de “superprevisores” e, caso pareça charlatanismo, não há fraude envolvida.

Retrato de George Romney: Emma Hamilton no papel de Cassandra

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O deus grego Apolo concedeu à sacerdotisa Cassandra o dom da profecia, mas depois a amaldiçoou: ninguém jamais acreditaria em suas previsões

“Não estamos falando de algum tipo de vidente psíquico ou algo parecido”, ressalta David Robson, autor de “The Intelligence Trap” (A armadilha da inteligência).

Em vez disso, os cientistas descobriram certos traços de personalidade e habilidades específicas ligadas a essas pessoas.

“São pessoas que podem prever, por exemplo, se uma guerra civil vai estourar em uma região conturbada ou quem vai ganhar as Olimpíadas”, disse Robson ao programa da BBC CrowdScience.

Eles têm um talento natural para examinar evidências e ver aonde vão levar no futuro.

 

‘Super’

O termo “superprevisor” surgiu de uma competição cujo objetivo era buscar novas abordagens nas previsões políticas. O torneio foi chamado de Good Judgment Project (Projeto Bom Julgamento) e financiado pela organização Intelligence Advanced Research Projects Activity.

Rodovia com os próximos anos escritos

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Em um teste, 2% das pessoas mostraram ter capacidade inata de acertar previsões

Sob a liderança do cientista político Philip E. Tetlock, desde 2011, a equipe convidou milhares de participantes de todas as origens sociais para testar suas habilidades de previsão.

Quatro anos, 500 perguntas e mais de um milhão de previsões depois, os 2% mais bem-sucedidos foram chamados de superprevisores.

O projeto mais tarde se transformou em uma empresa de previsão comercial dirigida por Tetlock, cujo trabalho anterior havia mostrado que analistas profissionais na verdade não eram muito precisos.

Depois de analisar 82.361 previsões feitas por 284 especialistas em áreas como ciência política, economia e jornalismo, ele concluiu que “chimpanzés jogando dardos em resultados possíveis” provavelmente obteriam resultados semelhantes, como ele deixou claro em seu livro “Expert Political Judgment” (2005).

“Será que esses superprevisores, que não eram considerados especialistas, poderiam desempenhar um papel melhor em previsões?”, perguntou-se o cientista político.

 

Mente realmente aberta

A resposta foi: sim. Alguns deles tinham a capacidade inata de acertar as previsões.

Mas por quê? O que havia de especial neles?

Homem com a gaiola aberta como cabeça

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Não se trata de ser “liberal”, mas de não se apegar a convicções

“Eles eram frequentemente curiosos, tinham a mente aberta, estavam dispostos a buscar evidências e questionar suas suposições. Também eram intelectualmente humildes, então eram capazes de reconhecer seus próprios preconceitos e levá-los em consideração”, diz Robson.

Não se tratava apenas de ouvir ou ler muitas opiniões, mas de ter “a capacidade de atualizar previsões ou opiniões com base nas informações encontradas… e nem todos podemos fazer isso, porque muitas vezes estamos muito ligados às nossas crenças”.

“Os supermeteorologistas são muito bons em simplesmente abandonar o que pensavam ser correto e adotar outra opinião.”

“Eles são psicologicamente distintos”, disse Tetlock à BBC em 2015.

“Se eu tivesse que identificar algo em particular, é que, embora a maioria das pessoas pense em suas crenças como algo muito precioso que as define, algo mesmo sagrado, os superprevisores tendem a ver suas crenças como hipóteses a serem testadas, que devem ser revisadas de acordo com as evidências.”

“Isso significa que eles tendem a ser melhores em fazer estimativas iniciais assim que você lhes faz uma pergunta, mas são ainda melhores em atualizar o que pensam à medida que obtêm mais informações, para que possam recalibrar se a probabilidade for maior ou mais baixa”, explicou o cientista político.

 

Faça um teste

Assim como os cientistas, os superprevisores veem suas previsões como hipóteses e estão sempre em busca de novas informações, avaliando cuidadosamente esses dados e atualizando suas previsões.

Mas, além de ter uma mente genuinamente aberta, eles se destacam no pensamento analítico.

Será que você também?

Tente responder a esta pergunta de David Robson.

"Fumaça do trem". Obra da coleção do Museu Munch em Oslo

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“O vento está soprando do leste e um trem elétrico está indo para o oeste”

“O vento está soprando do leste e um trem elétrico está indo para o oeste. Em que direção cardeal a locomotiva vai soprar fumaça?”

Y?

A resposta é que a fumaça não está indo em nenhuma direção. “Eu disse que era um trem elétrico.”

Outra?

Neste caso, começamos com três pessoas: Jack, Ana e Jorge.

Jack está olhando para Ana, mas Ana está olhando para Jorge. Jack é casado, mas Jorge não. Existe uma pessoa casada olhando para uma pessoa solteira?

As opções são: “Sim”, “Não” ou “Não é possível determinar”. A resposta está no final do artigo.

“Esses tipos de perguntas procuram estabelecer se você está simplesmente se deixando levar por suas intuições ou se está realmente analisando o que está sendo dito e questionando isso”, explica Robson.

E aí está o ponto: pode-se pensar que ler muito e ser analítico é uma característica de gente muito inteligente, mas não basta. Curiosamente, ter muita capacidade intelectual pode levar você a conclusões erradas.

“Muitas vezes, quanto mais inteligente você for, melhor será em encontrar todos os tipos de razões e fundamentos para suas opiniões e detectar as pequenas discrepâncias nos argumentos dos outros, para demolir o que eles estão dizendo.”

“Portanto, o problema é que, na verdade, quanto mais inteligente você for, melhor será em enganar a si mesmo e a outras pessoas.”

 

2%

Talvez seja bom não estarmos limitados pela nossa capacidade intelectual, porque isso significa que seríamos capazes de melhorar como previsores.

Menina pintando um sol em um céu cinza

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Curiosamente, ter muita capacidade intelectual pode levar você a conclusões erradas

Mas há algo mais para manter em mente.

Além de mente aberta e pensamento analítico, fazer boas previsões requer o que é conhecido como pensamento probabilístico.

E alguém que sabe disso é Michael Storey, um dos membros originais daquele seleto grupo de 2% do Good Judgment Project, que fez carreira como superprevisor e continuou a trabalhar para a Good Judgment Inc.

“Sou uma pessoa muito curiosa e essa é provavelmente a minha principal motivação na maioria das coisas que faço.”

Em sua conversa com a BBC CrowdScience, Storey destacou a importância de ter uma perspectiva externa.

“Existe uma teoria que diz que se você está muito próximo das coisas, tende a errar mais. O que acontece é que, sem perceber, você opta por prestar atenção a uma parte da informação e ignorar coisas que não se encaixam no seu ponto de vista; isso é chamado de viés de confirmação.”

Sair mentalmente de uma situação para levar em consideração as opiniões dos outros e olhar para trás em busca de exemplos pode ser muito útil.

“Imagine que você está em um casamento e te perguntam se você acha que o relacionamento vai durar.”

É fácil se deixar levar pelo romance e pela alegria do momento “e, na maioria dos casos, o final é feliz”, mas os superprevisores ajustam essa impressão, indo além das informações imediatas.

“E quando você fizer isso, você pode fazer uma avaliação mais sóbria e ver, por exemplo, se o casal é idoso ou religioso, o que significa que são muito menos propensos a se separarem. Você incorpora outros fatores que você pode obter de fora e formar uma perspectiva externa. “

O que você estaria fazendo é ajustar intuições com a ajuda de informações. Além disso, algo muito importante, Storey aponta: correspondência de padrões.

“Quando testamos as pessoas para ver a probabilidade de serem bons prognosticadores, não testamos seus conhecimentos sobre algum tópico ou algo parecido, mas sim suas habilidades em reconhecimento de padrões de imagem.”

E embora nem todos tenhamos todos esses talentos naturais, a boa notícia é que os pesquisadores acreditam que essas habilidades podem ser aprendidas. Na verdade, existem cursos para adquiri-los.

Por que fazê-lo?

Porque mesmo que você não se dedique a prever eventos geopolíticos ou movimentos de ações, aprender a pensar analiticamente e questionar suposições e crenças pode ajudá-lo a decidir se deve mudar de emprego, comprar aquela casa ou investir no negócio de seus amigos.

Silhuetas de dois homens e uma mulher

Legenda da foto,

Jack, Ana e Jorge

 

Jack, Ana e Jorge: a resposta

Como não nos informam sobre o estado civil de Ana, a resposta parece ser “indeterminado”.

Mas a resposta correta é “sim”.

Não é necessário saber se Ana é casada ou não.

Se for, ela é a pessoa casada que olha para uma pessoa solteira: Jorge. Se não, Jack é a pessoa casada olhando para uma pessoa solteira, Ana.

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Inputs da Economia Comportamental para o engajamento sustentável

LIGIA GONÇALVES – Brainsquad – JANUARY 13, 2020

Para os desenvolvedores de app a retenção de usuários no longo prazo é o grande desafio e propor trabalhar esta questão a partir do profundo conhecimento dos usuários – ser “consumer centric” – e do user experience é chover no molhado, mais do mesmo, bater na mesma tecla, dejá vu… 

No entanto, a economia comportamental pode trazer uma perspectiva interessante sobre como nós, humanos, pensamos e fazemos escolhas e ser bastante insightful para a geração de ideias e intervenções que ajudem no engajamento e na experiência dos usuários com os apps. 

       “A economia comportamental é uma área do conhecimento que combina insights dos campos da psicologia, economia, julgamento e tomada de decisão e da neurociência, a fim de entender, prever e, em última análise, mudar o comportamento humano de maneiras mais poderosas do que qualquer um desses campos poderia fazer sozinho” 

Francesca Gino, Harvard Professor 

Através de uma série de experimentos, cientistas e economistas comportamentais demonstraram que nós somos muito menos racionais do que gostamos de acreditar. 

     “Não somos agentes racionais maximizando interesse próprio, somos apenas humanos falíveis impulsionados pela intuição, hábitos, pelas massas… facilmente confundidos e muitas vezes inconsistentes” 

Dan Ariely   

Este comportamento “irracional” ou intuitivo é operado pelo o que Daniel Kahneman chamou de Sistema 1. Segundo Kahneman, no nosso cérebro operam simultaneamente o Sistema 1 (intuitivo) e o Sistema 2 (racional). O Sistema 1 é rápido, está permanentemente ligado, consome pouca energia e não requer esforço; ele é o grande responsável por sermos capazes de realizarmos a quantidade de escolhas que fazemos todos os dias. 

Para isso ele se apoia em atalhos mentais (heurísticas), é influenciado pelo contexto e pelas emoções e por isto está sujeito a falhas induzidas por vieses cognitivos. 

Os vieses cognitivos são desvios sistemáticos de lógica que tem sua origem em fatores diversos como: falhas no processamento de informações, a capacidade limitada de processar informação do nosso cérebro, motivações morais, as emoções e a influência social. 

A boa notícia é que nossos comportamentos “irracionais” não são aleatórios tampouco sem sentido. São sistemáticos, repetitivos e, portanto, previsíveis. 

O que a economia comportamental propõe é, a partir da compreensão dos vieses a que estamos sujeitos, a elaboração de “Nudges” que são pequenas intervenções, geralmente sutis, de baixo custo e fácil implementação que funcionam como gatilhos que facilitam a adoção de comportamentos mais saudáveis e sustentáveis. 

    “Um nudge é qualquer aspecto da arquitetura de escolha que altera o comportamento das   pessoas de maneira previsível sem proibir nenhuma opção nem alterar significativamente os incentivos econômicos delas”

 Richard Thaler & C.Sunstein

A seguir 10 recomendações para driblar os vieses cognitivos, melhorar a experiência dos usuários e gerar maior engajamento  

1. Nem sempre mais é melhor

Nosso cérebro é preguiçoso e fazer escolhas consome energia. Dependendo da escolha em questão, às vezes a quantidade de opções funciona como um inibidor da mesma. Isto é especialmente verdade para categorias de baixo envolvimento emocional (ex. Gôndolas com muitas opções de geleia vendem menos que gôndolas com menos opções de geleia) ou complexas (investimentos, planos de previdência, seguro)   

Por isso reduzir as opções, ter “pacotes” ou “ofertas” pré-formatados e apresentá-las de uma forma que seja mais fácil para o usuário saber qual a mais adequada à sua necessidade, possibilidade ou humor pode ser muito interessante.  

O Duolingo, por exemplo, apresenta suas opções de plano de acordo com o objetivo do usuário e o tempo que ele tem disponível para o estudo. Já o Share eat tem classificações dos estabelecimentos por outros drivers de escolha de restaurante que não o tradicional tipo de comida/cozinha.   

2. Simplificar, simplificar, simplificar

Somos preguiçosos e estamos cada vez mais mimados. Queremos tudo à mão, fácil, rápido, intuitivo… qualquer barreira por menor que seja pode fazer com que posterguemos ou mesmo nos abstenhamos de fazer a escolha…

Aqui a ordem é eliminar as barreiras: onboarding longos e processos de pagamento e check out com várias etapas devem evitados a todo custo. O “one click check out” é um ótimo exemplo de eliminação de barreiras e fricções no processo. O pagamento no app para os carros de aplicativos elimina a experiência ruim de o motorista não ter troco, a maquininha não funcionar, além de amenizar o sentimento negativo associado a pagar (viés conhecido como pain of paying)   

3. Não subestime o poder do efeito manada  

A adoção de ideias, comportamentos e crenças acelera quanto mais pessoas já a tiverem adotado.  

Se você tem grandes números, comunique-os! Downloads, usuários, apoiadores, clientes… quanto mais, maior a sua credibilidade e maior a chance de influenciar uma decisão, afinal sofremos do FOMO(Fear of missing out) e queremos nos sentir parte.  

Não hesite em normalizar o comportamento mais frequente como, por exemplo, indicando quais das opções de plano/pacote é a mais escolhida por outros usuários, quais as músicas mais ouvidas, os vídeos mais vistos, os vinhos mais bem avaliados… A referência do que outras pessoas estão escolhendo nos ajuda a escolher.  

Um app de self improvement pode, por exemplo, criar comunidades de corredores onde todos vêem como os membros estão aderindo a seu plano de treinamento. Ninguém vai querer ficar mal colocado, já que somos competitivos por natureza e o simples fato de saber que outras pessoas como nós estão conseguindo cumprir seus planos nos estimula a esforçar-se para cumprir o nosso.  

4. Ajude o usuário a implementar suas boas intenções 

Geralmente nossas intenções são as melhores possíveis: se alimentar de forma saudável, se exercitar, ler mais… o difícil é implementar estas intenções no dia a dia cheio de tentações, fadiga mental e física e distrações.   

Apenas o fato de montar um plano, por mais simples que seja, como por exemplo incluir algo na agenda, dobra as chances da pessoa se ater a seus objetivos.   

Sabe-se que as pessoas que se pesam diariamente conseguem ter maior controle sobre seu peso, um app de dieta e nutrição deveria fazer com que o usuário planeje em que momento do dia fará isto e enviar um lembrete para ele se pesar. Com isso o usuário será mais bem-sucedido em sua intenção de perda de tempo e a satisfação com o serviço oferecido pelo app maior.  

É também curioso como somos mais racionais e responsáveis em intenções e compromissos que assumimos com outras pessoas do que aqueles que são pessoais. Por isso, se você quer voltar a correr ou frequentar a academia, combine com um amigo de fazerem juntos. Você se sentirá muito mais culpado de furar com ele do que com você mesmo e, portanto, a sua chance de realmente ir é maior!    

5. Use o “gostinho da posse” como anzol para fisgar seu usuário / entregue valor antecipadamente para capturar depois

Temos a tendência a nos apegar às coisas que percebemos como nossa e consequentemente sobrevalorizamos as mesmas.    

Os free trials exploram exatamente isso: oferecem a chance do usuário não apenas experimentar, mas se acostumar com o uso do serviço para depois cobrar. Uma vez cientes e acostumados a ter o benefício maior a chance do usuário comprar o mesmo e maior o valor percebido no mesmo (maior disposição a pagar mais).  

Além disso, nós tendemos a dar maior valor a nosso tempo do que ao das outras pessoas: ficamos irritados quando alguém atrasa para um compromisso conosco, afinal temos uma agenda cheia de compromissos e possibilidades mas quando somos nós que atrasamos não nos sentimos tão culpados assim. Faça com que o usuário dedique parte do seu tempo ou esforço antecipadamente.   

O Cíngulo faz as duas coisas bem: ao fazer com que seu usuário preencha um questionário simples para o diagnóstico de seu mental fitness e entregar este diagnóstico gratuitamente ele dispara uma série de gatilhos: entrega valor antecipadamente, cria a necessidade de melhora (principalmente quando o diagnóstico não é dos melhores) e ainda cria a sensação de envolvimento com a plataforma, “Já preenchi o questionário e li o report… vou investir também em seguir as recomendações ou programa sugerido de melhoria” 

6. Use métricas para mudar comportamentos

Com certeza todos já ouvimos sobre o poder das métricas. Qualquer coisa que você medir e der visibilidade impelirá uma pessoa a otimizar sua pontuação nesta métrica. Isso ocorre porque os seres humanos ajustam seu comportamento com base nas métricas contra as quais são avaliados, julgados ou simplesmente referenciados. Pense nos likes das redes sociais, nos contadores de passos do seu iphone… 

Como já disse Peter Drucker: “Você não pode melhorar o que não consegue medir”. Por isso utilize-se de métricas para mudar comportamento. O Smoke free app evidencia para as pessoas o progresso delas em relação à meta de parar de fumar e o faz de maneira muito inteligente, não apenas mostrando quanto tempo ela está sem fumar, mas também o quanto ela economizou e as melhoras de saúde obtidas.   

7. Quebre o objetivo final em objetivos alcançáveis 

É comum nas maratonas vermos atletas e esportistas de final de semana desgastados tirarem forças do nada para os metros finais, técnica? Talvez em parte, mas as pessoas se esforçam mais para alcançar uma meta à medida que ela se aproxima.    

Quer ler mais? O que parece mais factível: 12 livros por ano ou 1 livro por mês? 1 livro por mês ou 25 páginas por dia?   

Este viés tem implicações bastante prática nas estruturas de incentivo: 

 recompensas distantes são muito menos motivadoras do que as de curto prazo, portanto proponha recompensas menores e mais frequentes para engajar; 

metas móveis e evolutivas nos fazem avançar mais do que uma grande metas no futuro pois além de atuar sobre nossa motivação (“4 km eu até consigo correr mas 21km nem pensar !” ) além de permitir provar repetidamente para nós mesmos que somos capazes de alcança-las (Plano de treino semana 1: 4km, semana 2: 6 km, semana 3: 8km, semana 4: 12 km…)  

Estas dicas são especialmente relevantes para apps em categorias onde os benefícios estão no longo prazo como aprendizado de línguas, dietas, fitness  

8. A lógica dos jogos a serviço da mudança de comportamento 

A estrutura dos jogos que se apoia em competições, recompensa e diversão explora instintos humanos básicos e torna certas atividades cotidianas mais atrativas. 

Use o design e a mecânica de jogos para enriquecer contextos diversos e não relacionados ao jogo com o objetivo de instruir e influenciar o comportamento.    

De aplicativos de relacionamento como o Happn com o Crush Time ao Waze que coleta informações preciosas de usuários como acidentes, obstruções nas vias e preço de combustíveis em troca de pontos, features e status para seus usuários esta talvez seja das mecânicas mais exploradas no mundo dos apps. Não a subestime.   

9. Use a aversão à perda para evitar churn 

De maneira geral as pessoas são mais propensas a tomar uma atitude para evitar uma possível perda do que para incorrer em um possível ganho. Isto porque perder R$100 reais tem um sentimento negativo associado muito maior (dor) do que o sentimento positivo (alegria) de ganhar R$100.              

Os vieses do “Loss Aversion” e “Sunk cost fallacy” estão intimamente relacionados e podem ajudar na retenção dos usuários quando evidenciamos o quanto os mesmos já investiram em termos de tempo, $$ ou mesmo energia em uma determinada atividade.   

Apps de ensino de língua, por exemplo, podem mostrar aos usuários a quantidade de palavras (vocabulário) adquiridos, o tempo já investido, o progresso feito até o momento e com isso motivar o usuário a não abandonar o programa.   

O Gympact é um app que usa o princípio de aversão à perda para fazer com que os usuários cumpram seu próprio plano de treinamento físico. Os usuários entram com seu cartão de crédito e seu plano de treinamento físico semanal. Além disso, autorizam o débito de XX USD por sessão de treinamento perdida. O dinheiro arrecadado daqueles que furam o plano de treinamento é então usado para premiar os que têm maior assiduidade.     

10. Teste sempre e não subestime o Sistema 1, ele aprende

O que todos os economistas comportamentais propõem é que qualquer intervenção deve ser testada antes de ser implementada em grande escala. Conhecer os vieses nos ajuda a formular hipóteses e gerar ideias de intervenções mas não é uma ciência exata e às vezes pode surtir o efeito oposto ao desejado.   

É importante, também, lembrar que tanto nosso Sistema 1 evolui, quanto as heurísticas e o contexto no qual nossas escolhas são feitas são dinâmicos e não estáticos. A exposição repetitiva a alguma tática ao longo do tempo pode educar nosso Sistema 1  e passar a não mais surtir efeito.  

Se sempre que entrarmos em um site de reserva de passagem ou hospedagem restam apenas 3-4 da opção que nos interessou com o tempo perceberemos que isso não passa de uma tática para gerar senso de urgência e acelerar nossa decisão e este “nudge” passará não apenas a deixar de ter efeito mas também pode contribuir para uma percepção negativa da marca em questão. 

https://brainsquad.com.br/artigos/2020/01/13/inputs-da-economia-comportamental

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Empresas de tecnologia podem revolucionar a educação

Caminho tecnológico pode levar ao cumprimento do quarto objetivo de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas para 2030 de assegurar educação inclusiva, equitativa e de qualidade

 Por Alexandre Nascimento Estadão 21/06/2021 

Uma revolução na área de educação causada pela adoção de uma tecnologia  não deveria ser uma surpresa, haja vista o impacto que uma tecnologia bem conhecida, o livro, trouxe ao ensino, principalmente após sua massificação com a invenção da prensa móvel por Gutenberg. Apesar de se tratar de uma tecnologia com uma curva de aprendizado bastante longa, visto o tempo e esforço necessários para se aprender a ler e compreender textos, os livros, nas palavras de Carl Sagan, “são talvez  a maior invenção de todos os tempos, unindo pessoas que nunca se conheceram, cidadãos de épocas distantes. Os livros quebram as algemas do tempo”. 

O setor de educação enfrenta alguns desafios. Se até 1900, o conhecimento humano dobrava a cada século, hoje ele dobra em alguns dias, segundo estimativas. Na área médica, por exemplo, o conhecimento atualmente dobra a cada 73 dias. Essa velocidade afeta os requisitos de conhecimento dos profissionais e a natureza de suas atividades, tornando várias funções obsoletas enquanto gera demanda por outras antes inexistentes. 

Sem atualização profissional constante, tal situação provoca um desequilíbrio entre o que é demandado e o que é ofertado, resultando em vagas de emprego que não conseguem ser preenchidas e, ao mesmo tempo, um número considerável de desempregados.

Nesse cenário, o desafio fica visível ao considerarmos o tempo necessário para a realização de atualizações curriculares nos cursos de ensino superior e a frequência com a qual elas são realizadas. Assim, quando um profissional se gradua, ele realmente está atualizado? Aliás, talvez em algum momento no futuro, os marcos educacionais considerados, como a conclusão do ensino superior, venham a perder o sentido num mundo em que os indivíduos necessitarão atualizar-se diariamente durante toda a vida profissional. 

Tecnologia pode tornar educação mais acessível

Outro desafio é a democratização de um ensino de qualidade, em que todos possam ter suas necessidades pessoais atendidas por meio de modelo personalizado que possa ser praticado em escala. Infelizmente, qualidade no ensino ainda está associada com custo elevado e menor escala, restringindo o acesso a poucos e, consequentemente, agravando as desigualdades sociais.

Nesse contexto, empresas já estabelecidas e startups do setor de tecnologia estão ganhando espaço no setor de educação. No dia 18 de maio deste ano, Sundar Pichai, CEO do Google, sugeriu, na conferência anual do Google, que a empresa é hoje a organização mais poderosa do mundo em educação. Tendo conquistado território durante a pandemia, o Google está trazendo a Inteligência Artificial para as salas de aula. Esse é apenas um exemplo de uma empresa de tecnologia executando planos para a educação. Sem dúvida o tema traz preocupações e requer cuidados que devem ser debatidos pelos educadores e pela sociedade.

De fato, utilizando o paradigma de organizações exponenciais, é possível utilizar tecnologias digitais para oferecer um acompanhamento individualizado aos alunos. Mediante o uso de Tutor baseado em Inteligência Artificial, por exemplo, é possível obter um modelo de como cada aluno aprende e utilizá-lo para personalizar a abordagem de ensino de acordo com cada indivíduo. 

Tal solução funciona como um professor particular digital que pode acompanhar o usuário durante toda a sua vida profissional, já que, quanto maior o tempo de interação, maior o conhecimento do tutor sobre a melhor forma de conduzir o estudante para o seu objetivo de aprendizagem. 

Inclusive, a atuação desse tutor digital não precisa limitar-se ao contexto educacional, podendo acompanhar o usuário durante a sua vida profissional para coletar informações visando obter insights personalizados sobre necessidades de atualização profissional que serão utilizados para planejar trilhas de aprendizagem. E, por se tratar de uma tecnologia digital, trata-se de algo escalável e com custo marginal baixo, podendo, portanto, democratizar o acesso à educação personalizada dentro de um paradigma de desmonetização (mais pessoas acessam, todos pagam menos). 

Vale ressaltar que o uso de tais tecnologias poderá provocar uma disrupção do modelo de negócios do ensino superior. Cursos de graduação on-line poderão ser oferecidos por valores baixíssimos, ou até gratuitamente, para coletar dados de interação com o estudante que permitirá a construção de um modelo de aprendizado personalizado. 

Isso criará uma fidelização natural, pois a plataforma poderá acompanhar o aluno durante a sua vida profissional para mantê-lo atualizado, momento este mais oportuno para a monetização. Imagine uma graduação personalizada e gratuita para todos! Qual seria o resultado para a sociedade no longo prazo? 

Talvez esse seja o caminho para o cumprimento do quarto objetivo de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas para 2030 – “Educação de qualidade: assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”.

https://link.estadao.com.br/blogs/alexandre-nascimento/empresas-de-tecnologia-podem-revolucionar-a-educacao/

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Diversidade faz saltar de 2 para 200 número de vagas para especialistas

Dados são da startup Gupy, que comparou intervalo de janeiro a maio de 2020 e 2021; empresas passaram a destacar mais o compromisso com diversidade na divulgação das vagas

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo 22 de junho de 2021 | 

Empresas de todos os portes e segmentos têm se dedicado a iniciar ou aprimorar as políticas internas que estejam alinhadas com diversidade e inclusão (D&I). Essa temática integra a pauta ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), cada vez mais em alta, e estimula a busca por especialistas em D&I que conduzam essas mudanças. A demanda é expressiva e rápida: passou de 2 para 200 o número de vagas ofertadas para a área de janeiro a maio de 2020 comparado ao mesmo período deste ano.

O dado faz parte de um levantamento da Gupy, startup de tecnologia voltada para processos de recrutamento e seleção. A empresa conta com mais de mil companhias cadastradas e são abertas mais de 60 mil posições por mês. Esse aumento cem vezes superior ao volume do ano passado reforça como a diversidade e a inclusão têm aquecido o mercado de vagas para líderes. Em março, o Estadão Carreira e Empreendedorismo mostrou que, somente nos três primeiros meses de 2021, mais de 40 vagas já tinham sido publicadas para profissionais de D&I.

“Essa diferença entre 2020 e 2021 se dá porque as empresas começaram o movimento de contratar profissionais especialistas em diversidade e inclusão a partir de maio de 2020, após a onda de protestos gerada pela morte de George Floyd. Neste momento, muitas empresas passaram a compreender o seu papel como agente de mudanças na sociedade”, avalia Guilherme Dias, cofundador da Gupy.

HashDos funcionários da Hash, 20 fazem parte do comitê de diversidade, que trata de forma conjunta sobre todos os grupos subrepresentados. Foto: Paulo Vitale

Há uma semana, a fintech Hash contratou uma líder de diversidade e inclusão que vai passar a gerenciar todas as atividades e projetos que já vinham sendo realizados. Marcela Zaidem, head de pessoas da empresa, conta que o movimento de olhar mais profundamente para D&I ocorreu um ano atrás e percebeu-se que, sozinha, não era possível dar conta de toda a necessidade e demanda que o tema exige. Até chegar na contratação da especialista, houve um caminho de aprendizados e ações afirmativas.

A primeira foi uma parceria com a PrograMaria a fim de aumentar o número de mulheres em tecnologia dentro da companhia, que passou de quatro para 12. Depois, buscaram a consultoria da Transcendemos para orientar estratégias no dia a dia. “Com esse trabalho, criamos um plano de ação e um comitê de diversidade que apoia, discute e pensa como garantir um ambiente seguro e inclusivo”, diz Marcela.

Outro passo que a Hash deu foi criar um programa de amadrinhamento para acolher mulheres que se candidatam às vagas, que permite a elas ter contato com profissionais da empresa.

Com as ações mais solidificadas e em expansão, a fintech percebeu a demanda por uma liderança em diversidade e inclusão. “Como é muita ação, muito programa, muita estratégia, a gente precisava que alguém concentrasse tudo isso. Do ponto de vista do dia a dia, é muito importante (ter essa liderança). É muito diferente ter uma figura que está ali no dia a dia, com foco no tema, ouvindo, trabalhando, entendendo processos.”

Busca por mais diversidade

Além de buscarem um especialista para lidar com os temas de diversidade e inclusão, as empresas também têm destacado esse compromisso na oferta de vagas. Segundo a Gupy, das 60 mil posições publicadas mensalmente na plataforma, 10% destacam D&I como um diferencial da companhia.

Dessas, 56,13% mencionam a palavra “diversidade”, 28,76% afirmam ter um ambiente inclusivo, 10,42% dizem ter um ambiente diverso e inclusivo, enquanto 4,69% colocam que valorizam a diversidade no ambiente de trabalho.

Ao mesmo tempo, há uma busca por profissionais mais diversos. Entre janeiro e começo de junho, 10% do total das vagas foram destinadas a grupos minorizados, das quais 39% destinavam-se exclusivamente a pessoas negras e 37,5%, a integrantes da comunidade LGBTQIA+.

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