A indústria do futuro e o futuro da indústria

O Brasil tem imenso potencial de transformar-se no grande supridor mundial de produtos com baixa pegada de carbono

Por Horacio Piva, Pedro Passos e Pedro Wongtschowski – Valor – 26/01/2022 

A indústria é muito importante para o Brasil e dela não se pode abrir mão se o país almeja recuperar uma sólida e longa trajetória de desenvolvimento. Mesmo hoje respondendo por apenas 11% do PIB, ela é responsável por 24% da receita tributária federal e por 67% da atividade privada de pesquisa e desenvolvimento. 

O emprego com carteira assinada chega a 63% de todas as ocupações no setor ante 40% nos serviços e 16% na agropecuária. Além disso, paga salários médios cerca de 10% maiores do que o restante da economia.

A indústria é essencial para um agronegócio moderno e competitivo. Não há agricultura rentável sem equipamentos de todo o tipo – de tratores a colheitadeiras, de material para irrigação a sensores, drones, computadores, silos, máquinas de beneficiamento e transformação, de caminhões a vagões. Não há agricultura competitiva sem defensivos agrícolas e sem fertilizantes, produtos da indústria química.

— Foto: Julio Bittencourt/Valor

Futuro depende de duas transições para um novo cenário: a economia digital e a economia de baixo carbono

Também não há setor de serviços dinâmico sem equipamentos, cada vez mais sofisticados, com o avanço da informática e dos meios de comunicação. Novos meios de pagamento estão transformando o sistema financeiro; o comércio online já é uma realidade incontornável; no transporte, sensores e satélites asseguram rastreabilidade e apontam para maior automação; na educação e na saúde dispositivos eletrônicos ampliam acesso remoto e abrem novas possibilidades de ensino e tratamento.

Apesar disso tudo, há quem ponha em dúvida a capacidade de recuperação da indústria no Brasil. De fato, seu futuro não está garantido, já que depende de uma série de mudanças urgentes de três naturezas.

Primeiro, em tudo o que a cerca, incluindo o sistema tributário, a logística, a regulação, a educação e o esforço público e privado em ciência e tecnologia.

Segundo, na capacidade de se posicionar diante de duas transições que determinam o novo cenário – a economia digital e a economia de baixo carbono. O que vem pela frente quebra paradigmas e impõe escolher novas avenidas para o desenvolvimento que priorizem a especialidade competitiva em detrimento da diversificação protegida.

Terceiro, a indústria brasileira tem que se integrar ao mundo, importando e exportando insumos e produtos sem limitações ou barreiras tarifárias e não tarifárias, enfrentando de forma extrovertida a competição, fator determinante para o aumento da produtividade.

Por serem mudanças transversais e com a ênfase das novas tecnologias nas formas de produzir, estes três vetores de revitalização industrial não apenas permitiriam o surgimento de novos segmentos e atividades industriais como também viabilizariam a atualização do parque existente de acordo com as melhores referências globais.

Fala-se muito na desindustrialização brasileira. O termo pode não ser adequado, mas o que as estatísticas deixam claro é que nos últimos 15 anos o PIB industrial brasileiro estagnou. Estava em 2019 nos mesmos níveis de 2004. 

Ou seja, o Brasil cresceu, mas a sua indústria ficou parada, perdendo espaço tanto no mercado interno e, de forma mais significativa, no mercado internacional. O aumento do consumo interno advindo do crescimento e da sofisticação da demanda brasileira foi atendido por importações.

O Brasil tem imenso potencial de transformar-se no grande supridor mundial de produtos com baixa pegada de carbono. Nossa matriz energética, cada vez mais renovável, nossas matérias primas de origem agrícola e a exploração econômica e responsável de nossa biodiversidade são oportunidades que nenhum outro país do mundo tem. O que falta para seguirmos este caminho?

A discussão sobre as perspectivas da indústria brasileira, tem, portanto, que mudar radicalmente. Temos que sair da fase de lamúrias e virar a página das antigas políticas industriais que adotamos no passado para perseguirmos mudanças em temas que irão viabilizar a indústria do futuro. 

Questões conjunturais são sim importantes, mas precisamos atentar que a sua solução — desde logo, muito desejada – tão somente nos permitirão migrar de uma situação industrial atualmente muito precária para uma condição menos ruim, mas de qualquer forma insustentável no longo prazo.

As três questões essenciais são, portanto:

  1. a solução dos problemas que afetam a competitividade da indústria brasileira;
  2. a modernização da indústria pela adoção das técnicas de gestão e de tratamento de dados que exigem novos conhecimentos e outros tipos de máquinas e equipamentos, e
  3. a busca de alternativas de processos e produtos que respondam efetivamente a uma demanda por produtos com menor pegada de carbono.

Essas são as discussões substantivas nas quais devemos nos concentrar, se há mesmo desejo que a indústria cumpra o seu papel no crescimento econômico, na criação de empregos, na arrecadação de impostos e na geração de divisas. 

Uma indústria integrada internacionalmente, orientada para produzir o que o mundo deseja e atendendo ao que cada vez mais é exigido em termos da proteção ambiental. Aí sim, haverá futuro para a indústria brasileira.

Ao perseguir estas questões não estaríamos fazendo nada muito diferente do restante do mundo, a exemplo dos Estados Unidos, da União Europeia e da China, entre tantos outros, que, por meio de estratégias industriais e tecnológicas e de planos de infraestrutura, estão buscando ganhar mais competitividade e expandir, em bases modernas e sustentáveis, sua capacidade manufatureira.

Este necessário debate nos afastará das questões conjunturais e nos aproximará das grandes questões do futuro, tais como:

  1. a formação dos profissionais brasileiros e o investimento público e privado em pesquisa, desenvolvimento e inovação;

2. a rápida digitalização e modernização do parque industrial brasileiro;

3. a internacionalização da indústria brasileira, com uma acelerada e incondicional liberalização das importações e rápida integração da indústria local às cadeias internacionais de valor e

4. a mudança da forma de operar da indústria visando atender às crescentes demandas ambientais e de sustentabilidade em consonância com a agenda global.

Este é o nosso sonho: ver o Brasil liderar a construção de uma nova fronteira, a que o mundo deseja e precisa. Uma indústria moderna, limpa, inovadora e referência na transição para a economia de baixo carbono. É a única forma de chegarmos – vivos e competitivos – ao futuro.

Horacio Lafer Piva, Pedro Passos e Pedro Wongtschowski são empresários

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/a-industria-do-futuro-e-o-futuro-da-industria.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/ICFvu2V5bCu67L6KwXc6ZD  (09) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Brasil entra na disputa por nômades digitais, profissionais que podem trabalhar de qualquer lugar

Levantamento aponta que há 35 milhões de trabalhadores com esse perfil no mundo, com renda superior a R$ 34 mil por mês. País já tem visto especial para atrair essa mão de obra

João Sorima Neto e Raphaela Ribas – O Globo – 30/01/2022 

SÃO PAULO E RIO – O Brasil entrou na disputa para atrair trabalhadores qualificados de alta renda que podem trabalhar de qualquer lugar, um estilo de vida que ganhou força com a digitalização acelerada pela pandemia.

O Conselho Nacional de Imigração, do Ministério da Justiça, regulamentou na semana passada a criação de um visto para os chamados nômades digitais, executivos, especialistas, gestores de investimentos, criadores de conteúdo e outros profissionais que só precisam de um laptop e uma boa conexão para produzir.

Imigração:  Quer viver, trabalhar e empreender em Portugal? Confira os incentivos para você fazer isso no interior

A ideia é permitir que estrangeiros possam ficar por um ano (com possibilidade de prorrogação) aqui, mesmo vinculados a empresas do exterior. A mudança abre oportunidades para setores como os de hospedagem e escritórios compartilhados.

O Relatório Global de Tendências Migratórias 2022 da Fragomen, empresa especializada em serviços de imigração mundial, estima que 35 milhões  de profissionais tenham esse perfil no mundo e prevê que o número pode chegar a um bilhão em 2035.

Cerca de 40% deles têm renda superior a R$ 34 mil por mês e chegam a gastar em torno de R$ 4,2 milhões por ano.

O contador Vincenzo Villamena em suas duas versões no Brasil: o americano que experimenta a vida carioca e o executivo de finanças que dá expediente em um coworking Foto: Leo Martins / Agência O Globo

O contador Vincenzo Villamena em suas duas versões no Brasil: o americano que experimenta a vida carioca e o executivo de finanças que dá expediente em um coworking Foto: Leo Martins / Agência O Globo

24 países já têm visto

De olho nesse potencial de consumo em meio à crise do turismo, 24 países já criaram vistos sob medida para nômades na pandemia. A Estônia foi a primeira, seguida de outros países como Grécia, Costa Rica, Croácia e Islândia.

Muito antes dos nômades digitais virarem tendência, o contador nova-iorquino Vincenzo Villamena, de 39 anos, decidiu tentar a vida fora do estresse da Big Apple.

Em 2010, passou uma temporada em Buenos Aires para aprender espanhol e viu que poderia trabalhar à distância sem abandonar a carreira nos EUA.

Já viveu na Colômbia e agora divide a rotina entre a vida típica de carioca e um espaço da Hub Coworking, no Leblon, na Zona Sul do Rio. Dali ele comanda a Online Taxman, que é baseada nos EUA e tem outros 40 funcionários remotos.

Quer morar no exterior?A Alemanha planeja atrair 400 mil trabalhadores estrangeiros qualificados por ano

— Queria muito este visto de nômade digital, mas não tinha. Vai ser muito bom. Muitas pessoas querem vir para cá e ficar mais de seis meses — diz Villamena, referindo-se ao prazo do visto de turismo.

Empresa 100% virtual

Embora registrada nos EUA, a empresa do engenheiro de software espanhol Momo Gonzalo, de 39 anos, é 100% virtual. Ele chegou ao Rio neste mês depois de temporadas em Portugal e Dinamarca sem se desligar do negócio. O próximo destino é Florianópolis.

— Conheci vários países e pessoas morando em locais onde talvez eu não iria nem de férias. No escritório, eu me reunia com colegas para comer ou discutir um problema. No remoto, isso não acontece. Todo mundo trabalha de forma muito independente.

O designer Pedro Segreto vive em Portugal, mas mantém o trabalho do Brasil graças à tecnologia Foto: Arquivo pessoalO designer Pedro Segreto vive em Portugal, mas mantém o trabalho do Brasil graças à tecnologia Foto: Arquivo pessoal

O polonês Kamil Tyliszczak, desenvolvedor de software, mora há 12 anos no Brasil e trabalha desde outubro para uma empresa australiana. Ele é casado uma brasileira, com quem tem um filho de 2 anos, o que lhe garante visto permanente, mas atua como um nômade digital.

Sem precisar bater ponto num escritório, ele conseguiu trocar Marília, no interior de São Paulo, por São Bernardo do Campo, no ABC. A melhora de vida estava nos planos quando decidiu buscar emprego somente em agências internacionais.

— Não queria mais receber em reais — resume.

O interesse dos países nos nômades digitais é a alta renda. Ainda que ele siga produzindo para a economia de outro país, seus gastos pessoais podem fazer diferença aqui. Muitos homens ou mulheres nessa situação trazem a família e ampliam o consumo, movimentando vários negócios, observa Diana Quintas, sócia da Fragomen no Brasil:

— Além de fazer turismo, ele vai alugar um imóvel, pode comprar um carro, matricular o filho numa escola, ir à academia, utilizar serviço de salão de beleza, por exemplo. E não são vistos como ameaça concorrente à mão de obra local.

A Riotur, empresa de turismo da prefeitura carioca, criou uma comunidade para os nômades na internet, que reúne parceiros como hostels e espaços de coworking e até descontos para estimular a vinda deles para o Rio.

— Estamos agora à altura de países como Alemanha, Noruega, Bahamas — comemora a presidente da Riotur, Daniela Maia, sobre o novo visto.

Aposta em novo nicho

A Hub Coworking, que tem dez escritórios compartilhados no Rio, atribui parte do aumento de 15% no faturamento em 2021 à chegada de estrangeiros. O perfil que mais busca salas privativas por ali, que são as mais caras, é o de europeus com permanência média de um a três meses no país, diz Bruno Beloch, um dos sócios:

— É uma tendência, sem dúvidas.

Outro setor que investe nesse nicho é o de hospedagem. Para marcar sua aposta no novo estilo de vida, o CEO global do Airbnb, Brian Chesky, anunciou recentemente que vai trabalhar nos próximos meses saltando entre diferentes imóveis da plataforma de aluguéis temporários.

No Brasil, a start-up do ramo Tabas redirecionou seu negócio  enxergar este potencial. Com 400 imóveis mobiliados em São Paulo e no Rio, quer chegar a 1.200 até o fim do ano, incluindo Brasília e Cidade do México.

Capital:Onde moram os nômades digitais? A Tabas levantou R$ 80 milhões para responder a essa pergunta

Para a expansão, levantou cerca de R$ 76 milhões numa rodada de investimentos e firmou parcerias na Europa e nos EUA para oferecer uma espécie de plano sob medida para nômades.

— Com a visão de tornar a experiência do nômade global, a ideia é ter produtos globais. A pessoa aluga com a gente e consegue ficar em qualquer lugar do mundo — diz o CEO Leonardo Morgatto.

Chance de retenção

Para as empresas, o home office virou uma ferramenta para atrair talentos de qualquer lugar do mundo, principalmente na área de tecnologia. Das empresas consultadas pela Fragomen no mundo, 87% têm lacunas de habilidades na sua força de trabalho.

Atualmente, 43% das empresas já contratam globalmente com teletrabalho. Nos próximos dois anos, outros 22% passarão a contratar

Nessa disputa, o Brasil tem perdido profissionais para empresas estrangeiras sem necessidade de imigração. Mas o novo estilo de vida pode ajudar na retenção de talentos. Profissionais interessados em experiências no exterior podem viajar sem cortar laços com o empregador brasileiro.

Depois de viver a experiência de nômade digital, Patrícia Corrêa agora quer investir neste nicho Foto: Acervo pessoalDepois de viver a experiência de nômade digital, Patrícia Corrêa agora quer investir neste nicho Foto: Acervo pessoal

Depois de se adaptar ao home office imposto abruptamente na pandemia, o designer carioca Pedro Segreto, de 46 anos, viu que poderia aplicá-lo em qualquer lugar. Uns dias na Serra fluminense, outros em Angra e então, com visto europeu, foi parar em Lisboa. Mas não abandonou a empresa brasileira.

O maior desafio foi o dia a dia porque o seu trabalho consiste em processos de cocriação e design thinking com grandes equipes.

— Antes, montava uma sala criativa com um time. A gente passava o dia inteiro nas atividades. Na pandemia, tive que ajustar e testei ferramentas para fazer isso remotamente — diz o especialista, que continua atendendo seus clientes, grandes empresas brasileiras, à distância e pensa em explorar outros países europeus em home office.

Da experiência ao empreendedorismo

Esse estilo de vida também conquistou brasileiros que resolveram rodar o país sem deixar de lado o trabalho. Na pandemia, a gerente bancária Patrícia Corrêa, de 35 anos, passou a trabalhar numa espécie de home office itinerante.

Passava cada duas semanas por um lugar diferente, como Caraíva e a ilha de Boipeba, ambas na Bahia, combinando turismo com trabalho. Nesses destinos ela começou a encontrar outras pessoas na mesma situação.

Observando as delícias e agruras de uma vida sem endereço fixo, veio a ideia para concretizar o velho sonho de empreender. Ela pensa em criar um hostel especializado na recepção de nômades digitais. Tirou uma licença não remunerada do trabalho para continuar a viajar fazendo pesquisa de campo, dessa vez no exterior, para se preparar antes de investir.

— Eu já tinha vontade de abrir um hostel e nestas andanças, pela quantidade de pessoas fazendo isso, vi que a tendência é aumentar. Fui pesquisando e observando o que é importante para criar um ambiente para quem trabalha e viaja, como conforto, boa conexão e uma sala para reuniões, que alguns não tem, por exemplo — relata Patrícia, que também começou a trabalhar com fotografia.

Disputa por talentos em dólar

A área de inteligência global da Fragomen identifica que novas modalidades de vistos de trabalho serão a grande tendência migratória para 2022, devido à alta demanda por profissionais especializados, principalmente na área de tecnologia, e que foi agravada pela pandemia. Com isso, flexibilidade é uma arma para tentar reter os melhores funcionários.

— As empresas têm que cobrir as ofertas de empresas de fora, em dólar, e o mercado fica inflacionado. No setor de TI é muito mais, mas também vemos isso em áreas comerciais na América Latina e setores mais analíticos de finanças — explica Paulo Dias, diretor da consultoria de recrutamento Page Group, que atua em 50 países e compartilha entre eles vagas remotas.

Kamil Tyliszczak, desenvolvedor de software, mora há 12 anos no Brasil e trabalha para uma empresa australiana Foto: Acervo pessoalKamil Tyliszczak, desenvolvedor de software, mora há 12 anos no Brasil e trabalha para uma empresa australiana Foto: Acervo pessoal

Segundo Dias, o fluxo de brasileiros saindo é maior do que o de estrangeiros vindo trabalhar aqui. Para reter os brasileiros, o jeito é oferecer benefícios. E em 2022, o que vale mais que salário é tempo, diz ele: 

— A empresa pode entender a real demanda do profissional e oferecer benefícios, não necessariamente monetizáveis, como horários adaptáveis, participação nos lucros ou sociedade. As empresas estão cedendo, senão acabam ficando para trás. Os melhores profissionais querem flexibilidade. Este é o principal atrativo.

O pagamento de impostos é um ponto importante. A sócia de Tributário do Tauil & Chequer Advogados, Carolina Bottino, explica que as regras tributárias dependem de cada visto e país.

Em geral, nos vistos de trabalho, o profissional paga impostos onde mora e trabalha. Brasileiros que vão trabalhar fora têm que declarar a saída para não pagar impostos duplamente. No caso do nômade digital, diz a advogada, ela entende que, na dúvida, o imposto deve ser pago aqui, mas isso vai depender de regulamentação da Receita para o novo visto.

— A Receita Federal vai precisar regulamentar este novo visto para que, depois de seis meses, que é o prazo de turista, o estrangeiro não seja tributado aqui. Se ele foi criado para incentivar a vinda ao Brasil, deve haver cooperação, senão fica numa zona cinzenta e traz riscos ao profissional.

Site para visto só está disponível em português

O anúncio do novo visto para nômades digitais agradou a estrangeiros interessados em usá-lo e setores que consideram o estímulo à vinda deles importante para a economia. No entanto, o sistema Migranteweb, que recebe os pedidos de visto, virou alvo de críticas nas redes sociais.

A principal delas foi a falta de uma versão em inglês. Alguns internautas questionaram o fato de o site do Portal de Imigração ser todo em português, quando há interesse em atrair profissionais de fora. Além disso, alguns relataram dificuldades para acessar o sistema.

O Ministério da Justiça, ao qual o Conselho Nacional de Imigração (CNIG) está vinculado, reconhece a restrição ao português, mas informa que este “tema contará com folders em idiomas estrangeiros, que serão disponibilizados no site.”

Quanto às queixas sobre o acesso ao Migranteweb, a pasta diz não ter registrado nenhum erro. Quem tiver problemas para acessar a plataforma deve escrever para migranteweb@mj.gov.br.

https://oglobo.globo.com/economia/emprego/brasil-entra-na-disputa-por-nomades-digitais-profissionais-que-podem-trabalhar-de-qualquer-lugar-25372827

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/ICFvu2V5bCu67L6KwXc6ZD  (09) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

O lado manual da inteligência artificial

Cezar Taurion – Neofeed – 26/01/2022

É preciso treinar os dados para que eles se tornem “inteligentes”. E isso é feito ainda de forma “manual”. Novas técnicas tentam driblar essa limitação. O problema? O custo econômico é enorme

A evolução do machine learning (ML) tem sido rápida. Estamos saindo da fase do hype, em que de forma entusiasmada imaginávamos que as coisas seriam meio mágicas e estamos entrando no mundo real, descobrindo o que pode e o que não pode (ou não deve) ser feito.

A jornada tem sido bem mais longa e tortuosa que pensávamos no início. Questões como ética, vieses e a amplitude de uso aplicações de reconhecimento facial começaram a ser discutidos com intensidade. Sinal claro de maturidade.

Mas, na verdade, estamos engatinhando no uso dos algoritmos de ML. Provavelmente, daqui a cinco ou dez anos, o cenário ​​será muito diferente do que é hoje. Métodos que atualmente consideramos no estado-da-arte ficarão desatualizados e outros, que são incipientes ou simples protótipos, poderão ser o novo mainstream.

Difícil fazer previsões, mas analisando as publicações e pesquisas, alguns sinais começam a aparecer aqui e ali, nos permitindo fazer algumas observações.

O modelo atual de aprendizado supervisionado, com demanda de massivos volumes de dados, acaba gerando uma concentração excessiva e indesejável em poucas empresas, as Big Techs, que dispõem capital financeiro para “treinar” algoritmos cada vez mais sofisticados e complexos.

No aprendizado supervisionado, os modelos de ML aprendem a partir de conjuntos de dados que os humanos organizam e rotulam de acordo com categorias predefinidas. O termo “aprendizagem supervisionada” vem do fato de que “supervisores” humanos preparam os dados com antecedência.

É assim que treinamos sistemas de reconhecimento facial ou de análise de imagens médicas. Indiscutivelmente que o processo de rotular manualmente milhões de imagens é extremamente caro, demorado e complicado. A necessidade de que os humanos devem rotular os dados manualmente antes que os modelos de ML possam analisá-los tornou-se um grande gargalo para os projetos.

Além disso, esses modelos orientam-se apenas pelos conceitos e categorias que os pesquisadores identificaram com antecedência, não conseguindo explorar e absorver as informações latentes, relacionamentos e implicações existentes nos conjuntos de dados, que não tenham sido previamente rotulados ou classificados.

Observamos também que existem diversas aplicações em setores de negócio que não dispõem de grandes volumes de dados. O aprendizado supervisionado tem seu espaço, mas precisamos de alternativas.

Assim, vemos o crescimento dos modelos de aprendizado não supervisionado. O aprendizado não supervisionado é uma técnica de ML ​​em que, de forma simplificada, os algoritmos aprendem a partir dos dados sem rótulos ou orientação prévias fornecidos por humanos.

O próprio Yann LeCun, um dos “pais” do ML. já disse que “a próxima revolução da inteligência artificial não será supervisionada”. Na verdade, ele usa o termo “aprendizagem auto-supervisionada”.

Como funciona o modelo de aprendizagem não supervisionada? Em tese é simples: o sistema aprende sobre algumas partes do mundo com base em outras partes do mundo.

Ao observar o comportamento, os padrões e os relacionamentos entre entidades, por exemplo, palavras em um texto ou pessoas em um vídeo, o sistema inicia um processo de compreensão geral de seu ambiente.

Esse modelo reflete mais de perto a maneira como nós, humanos, aprendemos sobre o mundo: por meio de exploração e inferências abertas, sem a necessidade dos volumes imensos de dados necessários na aprendizagem supervisionada.

Uma criança reconhece um cachorro, mesmo de cor e raça diferentes, sem necessidade de ver previamente milhares de cachorros. Uns poucos que ele vê já é suficiente para reconhecer os demais. Uma das vantagens desse modelo é que sempre haverá muito mais dados não rotulados do que dados rotulados no mundo.

Já vemos casos concretos de uso desse modelo. O AlphaZero, da DeepMind, é um exemplo. O paper “AlphaZero: Shedding new light on chess, shogi, and Go” nos dá uma boa ideia do como ele faz.

Mais recentemente vimos essa abordagem causando grande impacto no processamento de linguagem natural. A NLP tem mostrado grandes progressos graças a uma nova arquitetura de aprendizagem não supervisionada conhecida como Transformer, que se originou no BERT do Google há poucos anos. O artigo “Transformers from Scratch” dá uma boa explicação sobre o conceito desses modelos.

O lançamento do GPT-3 pela OpenAI estabeleceu um novo padrão no NLP: pode escrever poesia, gerar código de computação, redigir memorandos de negócios, escrever artigos sobre si mesmo e por aí.

O questionamento que faço é que construir uma plataforma dessas é muito cara e quem vai ser provedor delas serão também as Big Techs.

Recentemente, a Microsoft e a Nvidia anunciaram que treinaram um dos maiores e mais sofisticados modelos de linguagem de IA até hoje: o Megatron-Turing Natural Language Generation (MT-NLP). O MT-NLP contém 530 bilhões de parâmetros e consegue uma alta precisão em um amplo conjunto de tarefas, incluindo compreensão de leitura e inferências de linguagem natural.

Construir um modelo desse não sai barato. O treinamento ocorreu em 560 servidores Nvidia DGX A100, cada um contendo 8 GPUs Nvidia A100 80GB. Estima-se seu custo em vários milhões de dólares.

No início de outubro do ano passado, os pesquisadores da Alibaba colocaram no ar o M6-10T, um modelo de linguagem contendo 10 trilhões de parâmetros (cerca de 57 vezes o tamanho da GPT-3 da OpenAI) treinado em 512 GPUs Nvidia V100 por 10 dias.

O custo do uso do V100 mais barato disponível por meio do Google Cloud Platform era de US $ 2,28 por hora, o que equivaleria a mais de US$ 300 mil (US$ 2,28 por hora multiplicado por 24 horas em 10 dias) – mais do que a maioria das equipes de pesquisas e principalmente startups podem dispor.

Estima-se que a DeepMind, subsidiária do Google, gastou US$ 35 milhões treinando seu sistema para aprender o jogo de tabuleiro Go. Devido aos altos custos de treinamento, a OpenAI decidiu não corrigir um bug que foi detectado ao implementar o seu GPT-3, porque o custo do retreinamento simplesmente era inviável. O custo inicial já tinha sido de mais de US$ 4 milhões.

Claramente estamos diante de um desafio. Com o crescente do aumento dos custos econômicos e ambientais, a evolução do ML precisará encontrar novas maneiras de aumentar o desempenho, sem continuar no ritmo atual de mais e mais demandas crescentes de computação e custos.

No rumo atual vai se tornar sua evolução vai praticamente ficar limitado as Big Techs, as únicas que têm capacidade financeira e computacional para criar e treinar esses modelos.

Cezar Taurion é VP de Inovação da CiaTécnica Consulting, e Partner/Head de Digital Transformation da Kick Corporate Ventures. Membro do conselho de inovação de diversas empresas e mentor e investidor em startups de IA. É autor de nove livros que abordam assuntos como Transformação Digital, Inovação, Big Data e Tecnologias Emergentes. Professor convidado da Fundação Dom Cabral, PUC-RJ e PUC-RS

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/ICFvu2V5bCu67L6KwXc6ZD (09) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Petrobras desenvolve tecnologia para monitoramento remoto de plataformas

  • Agência Petrobras, 26 Janeiro 2022 

Ferramenta permite navegação imersiva, integração de funcionalidades e pode ser estendida a outros ativos

Especialistas do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), e da PUC-Rio, desenvolveram uma ferramenta que permite ao usuário visualizar e “transitar” por toda a extensão das plataformas da Petrobras, fazer inspeções remotas e planejar intervenções preventivas, mesmo nas unidades mais distantes, como as localizadas no pré-sal, a cerca de 300 km da costa. 

A ferramenta, que otimiza o planejamento de manutenções, está disponível em 14 plataformas das bacias de Santos, Campos e Espírito Santo, e deve ser estendida a todas as plataformas em atividade até o fim de 2022. Há estudos em andamento também para a implementação em refinarias.

“Essa ferramenta, desenvolvida no âmbito do Programa estratégico EF100 – que prevê tornar os sistemas de produção ainda mais eficientes – permite a redução do tempo de planejamento das atividades de manutenção, que são muito importantes no calendário da operação. 

Obtivemos também um aumento de eficiência na execução das paradas de produção, assim como uma redução do tempo de manutenção”, relata o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Fernando Borges.

Para mapear cada unidade offshore são necessárias de 3,5 mil a 5 mil fotos, que são aplicadas sobre a planta de engenharia, permitindo a navegação imersiva, semelhante à tecnologia do Google Street View, por meio do qual se pode visualizar qualquer lugar do mundo, seja uma rua ou um museu, desde que a área tenha sido previamente fotografada por câmeras 360º. 

Em breve serão incorporadas novas funcionalidades à ferramenta, como busca e análise de imagens, por meio de inteligência artificial; busca inteligente de informações de manutenção em bases de dados da empresa; e ainda captura de realidade (nuvens de pontos) e gamificação para treinamento de SMS, através da integração com outros componentes da solução de digital twins de integridade de ativos.

“O objetivo vai além do desenvolvimento de uma ferramenta de navegação imersiva e passa pela aplicação de novas soluções para integrar a ferramenta aos nossos processos de trabalho e bases de dados da companhia, além de incluir outros métodos de imageamento dos ativos e tecnologias de inteligência artificial (IA), como deep learning, para análise de imagens e busca de informações. 

Grupos de Algoritmos de IA poderão nos dizer, por exemplo, onde há pontos de alta taxa de corrosão que requerem reparo e, no futuro, usaremos robôs para captura de imagens, acelerando a frequência dos registros com monitoramento em tempo real, conectado com a priorização e planejamento dos reparos”, explica o diretor de Transformação Digital e Inovação da Petrobras, Juliano de Carvalho Dantas.

A tecnologia também será usada nas 15 novas plataformas que a Petrobras instalará no Brasil, até 2026, a maior carteira de novos projetos de FPSOs de toda a indústria offshore.

https://www.segs.com.br/demais/329858-petrobras-desenvolve-tecnologia-para-monitoramento-remoto-de-plataformas

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/ICFvu2V5bCu67L6KwXc6ZD  (09) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

As promessas da Web 3.0

Ronaldo Lemos Folha 23/01/2021

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro.

Para o bem ou para o mal, um dos temas mais falados de tecnologia atualmente é a chamada Web 3.0. O termo significa a nova geração de serviços da internet que serão construídos em cima de tecnologias descentralizadas, como a diversas blockchains existentes. Só lembrando, as blockchains permitem a existência das moedas virtuais, que não são propriedade de nenhuma empresa específica.

A ideia é que, se é possível criar moedas descentralizadas, é possível também criar outros serviços descentralizados, tais como aplicativos de entrega de comida, transporte e música, games, fintechs, redes sociais, identidades digitais, streaming e assim por diante.

Essas aplicações não pertenceriam a nenhuma empresa especificamente, mas seriam operadas por meio de contratos inteligentes autônomos que se autoexecutariam, distribuindo dinheiro automaticamente na medida em que as tarefas são executadas. Seria uma espécie de “internet dos serviços”, em que serviços estariam programados na própria rede, em vez de serem intermediados por uma empresa.

Representação da criptmoeda Dogecoin; meio de pagamento tornou-se símbolo da Web 3.0 – Reuters

As críticas à Web 3.0 têm sido também violentas. O professor da NYU Scott Galloway escreveu um artigo afirmando que a promessa de descentralização não acontecerá. Na visão dele, novos intermediários vão surgir, gerando de novo um movimento de recentralização. Concentração e desigualdade permaneceriam. Para outros, a Web 3.0 seria só uma jogada de marketing para inflar expectativas sobre os mercados de blockchain.

Seja o que for, para um país como o Brasil, é preciso pensar friamente sobre o que queremos da Web 3.0. Se o modelo for para a frente mesmo, o país pode ter uma oportunidade de participar de um movimento de inovação desde o surgimento da sua infraestrutura básica.

O Brasil tem mais chance de ser competitivo globalmente na Web 3.0 do que no chamado metaverso. Por exemplo, o país possui projetos de blockchain estruturantes como a Hathor (criada no Instituto Militar de Engenharia) e também linguagens de programação poderosas inventadas aqui, como a Lua (desenvolvida na PUC-Rio), que podem criar ecossistemas globais de serviços da Web 3.0.

Já o metaverso é uma inovação que acontece no topo de uma série de camadas que já estão com jogo definido. Para que o metaverso funcione, é preciso, por exemplo, conectividade global de alta velocidade, servidores capazes de rodar e armazenar dados e, também, milhões de linhas de código que na sua grande maioria são “proprietárias”, isto é, precisam de permissão dos donos para serem usadas.

Dificilmente o metaverso será rodado em servidores brasileiros e dificilmente o país terá acesso viável economicamente às linhas de código necessárias para criar aplicações globais competitivas. A Microsoft, por exemplo, acaba de pagar US$ 75 bilhões (R$ 414 bilhões) pela empresa de games Activision, justamente para ter acesso aos códigos e outros bens intelectuais da companhia.

Na Web 3.0, esse jogo não está jogado. Aplicações criadas em plataformas brasileiras podem sim ganhar escala global. Por isso, precisamos de um planejamento como país do que queremos da Web 3.0. A alternativa de não fazer nada tem resultado conhecido: o país continuar como consumidor e não como produtor de inovação.

Digitalização dos serviços públicos dispara na pandemia

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2022/01/as-promessas-da-web-30.shtml?origin=folha

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/ICFvu2V5bCu67L6KwXc6ZD  (09) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Grandes companhias começam a testar o metaverso no varejo on-line

Jogos eletrônicos são a porta de entrada para um novo ambiente virtual de negócios

Por Adriana Mattos — Valor 25/01/2022

O mundo do consumo vive de ondas e há boas chances de o varejo estar assistindo, agora, o início de um novo movimento que tentará deixar para trás o que se conhece hoje por comércio eletrônico.

Está em andamento a construção do “metacommerce”, plataforma proveniente do metaverso, o espaço virtual coletivo e hiperrealista, oriundo dos “games”, e os grandes grupos de consumo e tecnologia desenham ações para tentar ganhar dinheiro com isso.

No comércio, isso ganhou força a partir da metade do ano passado, depois que o Facebook anunciou foco total no metaverso, e a partir da acelerada entrada de novos usuários em ambientes 3D, em salas de jogos e em redes sociais. Há 2,8 bilhões de “gamers” no mundo que gastaram US$ 200 bilhões em jogos em 2021. Na linha de frente desse pelotão com projetos no “metacommerce” estão a Epic Games, com seu Fornite, a Microsoft, dona do Minecraft, o Roblox e a rede social Imvu.

Neles, as pessoas (no caso, os seus avatares) conversam, jogam, assistem shows e fazem compras virtuais – com moeda digital e real, em alguns casos. No formato em discussão, alguém numa plataforma de jogos qualquer poderá assistir a um megaconcerto, e, usando seu avatar, fazer um pedido num fast-food instalado na arena do show – para, então, receber em casa o seu combo com sanduíche. As empresas estão de olho nessa venda de produtos e serviços, ainda muito incipiente. A discussão hoje está em como estruturar esse modelo complexo e fazer isso ganhar velocidade.

Em relatório de setembro, de 12 páginas, o Morgan Stanley diz que se acharem um formato rentável, as vendas digitais pelas plataformas 3D podem adicionar 10% às receitas das marcas de luxo até 2030, atingindo 50 bilhões de euros. E aumentar os lucros em até 25%. Isso inclui as NFTs, espécie de certificado digital que confirma a posse de um bem virtual. Gucci, Channel, Balenciaga, Dolce & Gabanna e Ralph Lauren vêm, entre 2020 e 2021, lançando ações com marcas ou produtos (parte deles pagos) em plataformas de jogos.

Em 2021 foram US$ 2 bilhões gastos em headsets de realidade ampliada e virtual no mundo. Para 2026, a Omdia Research projeta alta de 148%, para US$ 16 bilhões. Segundo o Morgan, 53% desses headsets são usados em “games”, a porta de entrada do metacomércio.

Para consultores, está claro que o formato atual de venda on-line está ficando ultrapassado, especialmente para as gerações Z e Alpha, com menos de 25 anos. É nesse vácuo que o metacomércio quer avançar. “Enquanto vocês se ocupam pensando no seu ‘omnichannel’ [unificação do físico e on-line], a geração com pouco mais de 20 anos é ‘app first’ desde sempre, vive e gasta o equivalente ao PIB da Islândia no TikTok e já abraçou realidade aumentada e realidade virtual faz tempo”, diz Kate Ancketill, CEO da consultoria GDR, em apresentação sobre metacomércio na semana passada, em Nova York.

Para Dedrick Boyd, consultor que estuda tecnologia e consumo há 15 anos, o modelo de venda on-line no mundo hoje é pouco interativo e sem graça – e as novas gerações querem fazer compras se divertindo. “Os clientes clicam em páginas intermináveis de descrição de produtos sem nunca se conectar emocionalmente com eles”, diz Boyd em artigo. “Até 2035, estima-se que 80% da atividade de compra será online, e não será no modelo atual, pouco imersivo”.

Na visão de Luiz Marinho, sócio-diretor da consultoria Gouvêa Malls, “o ‘metacommerce’ não é só outro ambiente de compras, mas um novo estilo de vida, de relações pessoais, que une tudo o que a tecnologia oferece à indústria de consumo, como 5G, blockchain, realidade virtual e aumentada e inteligência artificial”.

Para não se tornar uma venda de nicho, o seu desenvolvimento depende da entrada de mais pessoas nos mundos virtuais e aumento nas opções de equipamentos que possibilitem a experiência virtual. Facebook, Microsoft e Apple vêm estudando isso. Hoje, os “heasets” de realidade ampliada custam até US$ 2 mil (há os de US$ 299 do Facebook, mas de baixa resolução). Ainda é preciso ter banda larga potente, com 5G mais disseminado.

Em outras palavras, é algo caro e leva tempo. O Facebook, que em 2021 mudou seu nome para Meta, anunciou gastos de até US$ 10 bilhões para construir o seu metaverso, que incluirá ações em consumo. Mas para analistas, é difícil acreditar que essas plataformas sobreviverão, no longo prazo, bancando esses mundos 3D de graça por muito tempo, sem entrada de marcas parceiras.

“Além disso, cada rede social ou ‘game’ quer ter o seu próprio ‘meta’. Alibaba e Tencent registraram vários nomes nos últimos meses, por garantia. Serão gastos bilhões, e as pessoas pularão de um metaverso a outro. É confuso, e vai criar uma guerra de ações e de preços. Não é sustentável”, diz Marinho.

No Brasil, além dos custos dos equipamentos em dólar, há outras barreiras de aspectos práticos.

O 5G só estará espalhado pelo território nacional em 2029, segundo o governo. E há limitações logísticas. “Uma coisa é você atrair multidões para seu ambiente digital, fazendo shows ou instalando lojas dentro de jogos. Outra coisa é oferecer a experiência completa, com a venda pelo metaverso e a entrega do produto na casa do cliente, em poucas horas”, diz Eduardo Terra, sócio da BTR Educação e Consultoria, que abordou o tema num seminário dias atrás.

Terra lembra que, o que se vê hoje, tem muita relação com a proposta do “app” Second Life, que nasceu em 1999, mas perdeu popularidade. O fundador Philip Rosedale voltou à empresa neste mês para acelerar seu projeto de metaverso. “O Second Life foi uma primeira tentativa de metaverso, mas faltava tecnologia e maturidade dos consumidores para que evoluísse. E a pandemia também ajudou agora a explodir a discussão do ‘metacommerce’ ”, diz ele.

Por aqui, no varejo as experiências são basicamente com assistentes virtuais, como a Lu do Magazine Luiza, e o personagem Baianinho da Casas Bahia, além das ações de venda on-line ao vivo, algo bem distante do metaverso.

Maren Lau, vice-presidente de América Latina da Meta diz que “muitas das estratégias que já funcionam em 2D seguirão sendo aplicáveis em 3D”. E acredita que, num prazo de 10 a 15 anos, as marcas poderão criar experiências mesclando vida real e virtual e “abrindo possibilidades de negócios hoje desconhecidas”.

No Brasil, ela diz que a Avon patrocinou uma das provas da edição 2021 do Big Brother Brasil (BBB), com um jogo em realidade aumentada que levava a experiência do programa para o Instagram e Facebook. E a Fiat lançou o Fiat Pulse, com um filtro de realidade ampliada que permite aos clientes “visualizar” o carro em sua garagem.

Para citar outros exemplos mais avançados no mundo, o Carrefour vem promovendo a sua loja ecológica de produtos saudáveis no jogo Fortnite há cinco meses. Nela, jogadores podem se curar com vegetais e frutas, recuperando pontos e continuando na partida (não há venda de itens ainda). O Alibaba criou ações no seu site de compras chinês, o Taobao – onde consumidores testaram roupas 3D em seus avatares, em agosto passado. Havia roupas de marcas como Prada, Hugo Boss e Alexander McQueen. Em outubro, a Hyundai lançou o Hyundai Mobility Adventure, um espaço virtual no Roblox no qual os avatares podiam experimentar carros e interagir entre si.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/01/25/grandes-companhias-comecam-a-testar-o-metaverso-no-varejo-on-line.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/ICFvu2V5bCu67L6KwXc6ZD  (09) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Habilidades do futuro são matemática, escrita, leitura

Pensamento crítico faz a diferença para profissionais, diz Salman Khan, um influente pensador da educação no mundo

Por Stela Campos — Valor 13/01/2022

“Eu acredito muito em pessoas programando e aprendendo cálculo, mas se você tiver a habilidade de ter um pensamento crítico, um pensamento em nível algébrico, puder escrever, você vai ter uma compreensão de leitura sólida e já vai estar à frente de 95% das pessoas do planeta”, disse em entrevista ao Valor Salman Khan, 45 anos, influente pensador da educação no mundo. Ele é fundador da Khan Academy, organização sem fins lucrativos que proporciona ensino on-line em várias áreas do conhecimento para mais de 102 milhões de pessoas, entre alunos e professores, em 109 países. Americano, filho de pai bengalês e mãe indiana, Khan decidiu largar o emprego no mercado financeiro para se dedicar em tempo integral ao seu projeto, de oferecer educação gratuita, de qualidade, para qualquer pessoa do mundo, em 2009.

A ideia surgiu por acaso, quando sua prima de 12 anos pediu ajuda na matemática ao jovem executivo formado em engenharia elétrica, ciência da computação e matemática, com mestrado no MIT e MBA pela Universidade Harvard. As aulas começaram pelo telefone, mas logo migraram para vídeos no YouTube, porque primos e amigos de todos os cantos dos Estados Unidos também queriam aprender com ele. Em pouco tempo, já tinha milhares de usuários.

Os filhos de Bill Gates se engajaram em suas aulas curtas e funcionais e chamaram a atenção do pai, que se tornou um dos primeiros doadores do projeto. Hoje, a Khan Academy conta com um orçamento anual em doações de US$ 60 milhões e atrai doadores ilustres como Elon Musk, mas também pessoas comuns que contribuem com US$ 10 mensais. Outro doador foi Jorge Paulo Lemann, que por meio da sua fundação trouxe a Khan Academy para o Brasil em 2013. Aqui, o número de usuários já ultrapassa 4 milhões e o conteúdo educacional é utilizado em escolas por 36 secretarias de educação.

Salman Khan é um influente pensador da educação no mundo. Sua organização oferece ensino on-line gratuito a 102 milhões de pessoas, entre alunos e professores — Foto: Divulgação

Kahn defende um novo modelo de escola, onde os alunos conversam sobre tudo em diálogos socráticos e passam mais tempo aprendendo sozinhos para depois trocarem experiências. Ele diz estar cansado do excesso de Zoom e que as competências do futuro são as tradicionais como a leitura, a escrita e a matemática. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: Como foi o começo da Khan Academy?

Salman Khan: Tudo começou comigo dando aulas particulares para meus primos e muitas das ferramentas surgiram para que eu pudesse tornar essas aulas mais produtivas. Em 2007, tivemos o primeiro professor usando a Khan Academy em um ambiente formal, em Washington. Depois, em 2010, quando nos tornamos uma organização real, começamos a trabalhar com vários distritos escolares nos EUA. Nos últimos quatro ou cinco anos, temos mais de 50 estudos sobre a eficácia dos programas e temos modelos onde sabemos o que pode funcionar para os alunos. Mas percebemos que mesmo que haja 200 ou 300 mil professores usando, ficou claro que a maneira de ter um impacto grande de verdade é trabalhando mais perto com sistemas escolares e ministérios da educação. Quando começamos, os gestores públicos nos disseram “ah isso é ótimo, mas precisamos de melhores dados, treinamento e integração”. Então temos trabalhado nos EUA e no Brasil em parcerias formais com sistemas escolares para garantir que possamos ser sistemicamente integrados ao que eles estão fazendo.

Valor: Como vocês chegaram ao Brasil?

Khan: Há cerca de 10 anos, quando recebemos a visita de Jorge Paulo Lemann e da fundação, éramos uma organização muito pequena. Hoje, Brasil e Índia são as duas regiões onde temos operações significativas fora dos EUA. Além disso, temos mais de 50 projetos em outras localizações em todo o mundo, que são mais autônomos.

Valor: Na pandemia, muitos alunos jovens desligaram as câmeras e pareciam estar entediados com as aulas on-line. Como criar uma experiência de ensino mais atraente?

Kahn: Não acho que a âncora dessa experiência [aprendizado remoto] seja apenas um estudante na frente do Zoom sete horas por dia. É bom ter um tempo síncrono para ver as pessoas, mas não pode demorar mais que uma hora, uma hora e meia por dia. O ideal é que os alunos sejam capazes de ter uma ótima conversa por dia. E quando o fizerem, que não seja uma palestra, mas uma conversa facilitada sobre um assunto interessante. Podemos discutir por que os cuidados de saúde custam tanto, se há vida alienígena, qual será a população mundial no ano 2300 ou se as empresas de mídia social devem ser responsabilizadas pela polarização. Um debate sobre tópicos interessantes é a experiência central. Para isso, talvez seja preciso uma preparação com pré-leitura de 30 a 60 minutos, que você pode fazer no seu próprio tempo. Depois, entra na Khan Academy e tem uma sequência de exercícios e vídeos para aprender em seu próprio ritmo.

Valor: Como você implementa essa experiência?

Kahn: Na escola virtual que estou ajudando a montar, a World Khan School, a ideia é que as crianças possam usar a Khan Academy para aprender o material e obter certificados e a plataforma Schoolhouse.world [organização sem fins lucrativos criada por Khan em 2014 com tutores on-line para aulas de reforço] para obter aulas particulares de graça se precisarem de ajuda extra. Pensamos também em fazer uma avaliação baseada em pares, porque é bom ter e dar feedback. Teremos uma lista de leitura, porque qualquer pessoa instruída deve ler um subconjunto desses livros. Isso é um pouco tradicional, mas acho que é a base de conhecimento. Vamos fazer uma curadoria, mas uma vez que alguém mostre que sabe fazer isso, se torna parte desse comitê para decidir o que deve estar na lista e o que não deve. Nessa escola de ensino médio virtual, em um dia de oito horas, um estudante vai passar duas ou três horas por dia trabalhando de forma independente, aprendendo em seu próprio tempo e ritmo, mas tendo momentos síncronos. E, toda semana, terá uma verificação de cada domínio com um pequeno grupo de alunos e uma reunião com um orientador. Para mim, é o ideal quando você tem interação humana e as outras coisas podem acontecer de forma assíncrona. O que acabei de descrever parece atraente também se puder fazer pessoalmente.

Valor: Como vê o ensino no futuro? Qual é o papel dos professores?

Kahn: Estamos em um mundo onde o papel do professor não deveria ser o de entregador de informações. Existem tantas fontes que os alunos podem recorrer em seu próprio tempo e ritmo. Eu vejo o professor como um facilitador, em termos de conduzir uma conversa. Sócrates não deu palestras. Sócrates dirigiu diálogos e foi um dos maiores professores de todos os tempos. Em uma escola virtual ideal, o professor terá um seminário diário, uma conversa, com um grupo de 10, 15 alunos, que vão fazer perguntas, e ele vai perguntar: “quem aqui acha que o Facebook deve ser responsabilizado pelos pobres?”. O papel do professor é o de perguntar e desdobrar os assuntos. O professor até pode puxar um, dois ou três alunos de lado, ver como eles estão indo, ter uma conversa pessoal, orientá-los. Pode ser uma pequena explicação acadêmica ou algo como “você pode fazer isso. Você apenas tem que continuar a perseverar”. É um momento de coaching. E um professor também pode ser um designer de sistemas, o que significa, em vez de ir todos os dias se apresentar para a classe, criar um sistema do qual faz parte, onde a classe quase pode ensinar sozinha. Não estou minimizando o seu papel, é exatamente o oposto. Acho que essa é uma função de ordem muito superior. Como você diz a dez crianças que ensinem umas às outras? Como você faz um workshop com elas? Como fazer um seminário socrático? Como faço isso e tenho certeza de que elas estão progredindo? É como se você fosse o regente de uma orquestra. Você é o pensador do sistema, você é um engenheiro e tem tudo a ver com a maximização da conexão entre humanos.

Valor: Quais são as competências essenciais para os profissionais no futuro?

Kahn: Eu realmente acho que são as habilidades tradicionais de leitura, escrita e matemática. Escrever é uma habilidade que as pessoas precisam ter não só para comunicar, mas porque é preciso ser um leitor muito mais criterioso, porque você não tem terceiros dizendo isso é bom e isso é ruim. Você tem que decidir, essas notícias são falsas ou não? Isso é ciência real ou é falsa? Eu também acredito muito em pessoas programando e aprendendo cálculo, mas se você tiver a habilidade de pensamento crítico, um pensamento em nível algébrico, se puder escrever, vai ter uma compreensão de leitura sólida e vai estar à frente de 95% das pessoas no planeta. É quase triste dizer isso, mas é verdade. As artes, o lado criativo, o design são cruciais hoje, mais do que nunca, dependendo de como você aborda isso.

Valor: Qual o seu conselho para as pessoas aprenderem remotamente de forma mais produtiva?

Kahn: Para aprender e trabalhar de forma mais produtiva é preciso ser introspectivo: o que está funcionando para você e o que não está? Eu não consigo ficar olhando para uma tela do Zoom oito horas por dia e passei a dizer às pessoas que iria desligar a câmera em muitos casos. Mas vejo muitas pessoas que se sentem pressionadas. “Meu chefe está fazendo isso. É melhor eu fazer isso também.” Mas converse, talvez o seu chefe também não queira usar o Zoom. Talvez ele até prefira um telefonema. Esse é o lado do aprendizado. Muitos professores se sentiram pressionados a replicar completamente o dia escolar tradicional no Zoom e ficaram exaustos. Os alunos foram derrotados fazendo isso. As pessoas podem ter uma conversa honesta sobre qual é o melhor uso produtivo do tempo, como tornar as coisas mais energizantes e envolventes, quais ferramentas e recursos podem ajudar.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/01/13/habilidades-do-futuro-sao-matematica-escrita-leitura.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/ICFvu2V5bCu67L6KwXc6ZD  (09) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Neuralink, de Elon Musk, se prepara para implantar chips em cérebros humanos

Startup anunciou que está contratando um diretor de testes clínicos

 Por Redação Link – O Estado de S. Paulo 23/01/2022 | 19h06

A Neuralink, empresa criada em 2016 pelo bilionário Elon Musk dedicada a chips cerebrais, está se preparando para realizar os primeiros implantes em seres humanos. No ano passado, a startup revelou os primeiros resultados de pesquisas realizadas com macacos – em um vídeo, é possível ver o macaco Pager jogando Pong sem precisar de um joystick, executando os comandos apenas com o poder da mente.  

Recentemente, a empresa postou um anúncio classificado no qual busca um “diretor de testes clínicos”. Na descrição do cargo, a empresa diz que o contratado “trabalhará de perto com alguns dos médicos e engenheiros mais inovadores, além de trabalhar com os primeiros participantes de teste clínico da Neuralink”. Conhecido por exagerar em suas promessas, Musk já afirmou que espera que seus implantes possam voltar a fazer tetraplégicos voltarem a andar. 

“Temos a chance de restaurar a funcionalidade integral do corpo de alguém que teve uma lesão na coluna. A Neuralink está trabalhando bem com macacos e estamos fazendo muitos testes e confirmando de que é muito seguro e confiável. E o dispositivo da Neuralink também pode ser removido com segurança”, disse ele em evento do Wall Street Journal. 

A maior aposta da Neuralink é no uso médico. Segundo a empresa, a tecnologia poderia proporcionar uma “simbiose” entre máquina e mente humana, permitir armazenamento e reprodução memórias, curar paralisia, cegueira, perda de memória e outras doenças nervosas — ou fazer coisas simples, como trazer até você um Tesla por meio de telepatia ou fazer tocar uma playlist direto no seu cérebro.

Antes dos testes em macacos, a companhia havia também revelado uma demonstração que previu as ações de uma porca, chamada Gertrude, que carregava um implante no crânio. Cientistas independentes, porém, já alertaram que os sucessos em animais de laboratório podem não se traduzir em humanos e que testes em humanos seriam necessários para determinar a promessa da tecnologia.

O anúncio da Neuralink não dá datas para que os primeiros testes em humanos tenham início. Além do diretor, a empresa está contratando um coordenador de testes clínicos. Os cargos serão ocupados no laboratório da startup em Fremont, na Califórnia. 

Fundada por Musk, Neuralink está contratando diretor de testes clínicos

Fundada por Musk, Neuralink está contratando diretor de testes clínicos

Técnica diferenciada

Uma das técnicas que diferencia a Neuralink é que ela coloca linhas flexíveis de eletrodos nas proximidades dos neurônios, as minúsculas células que são os pilares básicos do cérebro.

Os fios são colocados com o uso de finas agulhas, e um sistema de visão computacional ajuda a evitar os vasos sanguíneos na superfície do cérebro. A técnica envolve a inserção de um feixe de fios, cada um com cerca de um quarto do diâmetro de um fio de cabelo humano.

Os fios flexíveis são, na verdade, sanduíches finos de um material parecido com celofane que isola fios condutores que ligam uma série de minúsculos eletrodos, ou sensores, muito semelhantes a um fio de pérolas.

Eles podem ser inseridos em diferentes locais e em diferentes profundidades, dependendo do experimento ou aplicação. Pesquisas médicas e terapia podem se concentrar em diferentes partes do cérebro, como centros de fala, visão, audição ou movimento. /COM INFORMAÇÕES DO NEW YORK TIMES 

https://link.estadao.com.br/noticias/empresas,neuralink-de-elon-musk-se-prepara-para-implantar-chips-em-cerebros-humanos,70003958922

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/ICFvu2V5bCu67L6KwXc6ZD  (09) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Em que as maiores empresas de tecnologia da América estão investindo

Seu foco está no metaverso, carros e cuidados de saúde

The Economist 22 de janeiro de 2022(Tradução Evandro Milet)

Quando os chefes corporativos querem impressionar os investidores, eles recorrem cada vez mais à i-word. As menções de “inovação” durante as chamadas de resultados das empresas s&p500 quase dobraram na última década. E nenhum outro setor fala tanto sobre isso quanto as empresas de tecnologia. Para a Hewlett-Packard, um fabricante de impressoras e computadores pessoais, a inovação às vezes se tornou o que a localização é para os corretores de imóveis e a educação para Tony Blair: tão importante que precisa ser dita três vezes em rápida sucessão.

Eles protestam muito? Ao longo daquela década, alguns críticos sustentaram que o setor de tecnologia não estava oferecendo tanta inovação quanto deveria. Quando Tim Cook, o chefe da Apple, disse que 2020 foi o “maior ano de inovação de todos os tempos” da empresa, graças ao lançamento do novo iPhone, Mac e outros dispositivos e serviços, foi possível sentir que ele poderia estar de alguma forma, construindo um caso para os críticos. As coisas que os produtos podiam fazer e a facilidade com que os faziam representavam uma conquista notável. Sim, o poder de computação continuou aumentando e o software continuou fazendo mais. Mas onde estavam os carros voadores, serviçais robóticos e fones para conectar mentes?

Em 2020, um relatório de um subcomitê antitruste no Congresso dos Estados Unidos argumentou que o domínio da grande tecnologia havia “enfraquecido materialmente a inovação”. Os gigantes, disse, acumulam grandes benefícios dos efeitos de rede que fazem com que ter mais usuários seja a melhor maneira de adicionar novos usuários; eles aumentam a proteção que esses fossos fornecem ao adquirir antecipadamente rivais em potencial. Acabar com essas “aquisições assassinas” foi um dos objetivos da ordem executiva do presidente Joe Biden para aumentar a concorrência no ano passado.

Um contra-argumento para isso é que a competição em tecnologia está longe de estar morta. É difícil encontrar uma parte da indústria onde dois ou mais dos “Big Five” – Alphabet, Amazon, Apple, Meta e Microsoft – não estejam se enfrentando. Outra é que, quando se trata de inovação tecnológica, a concorrência não é necessariamente o que mais importa.

Quando as fundações gêmeas da era do computador, o transistor e a teoria da informação de Claude Shannon, saíram da Bell Labs em meados do século 20, não foi porque o dono dos laboratórios, at&t, estava enfrentando muitos concorrentes desorganizados. Foi porque queria fazer e possuir o futuro. Rob Atkinson, chefe da Information Technology and Innovation Foundation, um think-tank, argumenta que algo semelhante é verdade hoje: os Big Five são “oligopolistas que usam seu poder de mercado para ganhar a próxima grande novidade”.

Tendo passado por um crescimento exponencial, todos eles estão bem cientes de que perder a próxima mudança transformadora pode levá-los a serem expulsos do jogo de criar futuro. Para ter uma ideia de suas estratégias, The Economist analisou uma série de dados sobre as atividades das Big Five, incluindo o foco em tecnologia das empresas que adquiriram recentemente e daquelas nas quais têm participações minoritárias, perfis de seus funcionários no LinkedIn e suas publicações e patentes. O trabalho fornece uma noção de onde esse fenomenal surto de investimento está indo.

Não há dúvida de que as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos estão gastando uma quantia realmente vasta em pesquisa e desenvolvimento. Em 2020, os gastos públicos e privados dos Estados Unidos em pesquisa e desenvolvimento somaram US$ 713 bilhões. Em 2021, as Cinco Grandes gastaram US$ 149 bilhões, o equivalente a cerca de um quarto desse total (embora parte desse dinheiro não seja gasto nos Estados Unidos). Isso é significativamente maior do que o maior orçamento de pesquisa e desenvolvimento de um único governo, o do Pentágono.

Muitos desses gastos são em desenvolvimento de produtos, e é verdade que o regime tributário incentiva que os gastos sejam deduzidos para P&D, se possível, o que pode distorcer as coisas. Mas isso dificilmente explica o aumento de 34% desde 2019: o regime tributário permaneceu inalterado ao longo desse tempo.

As despesas de capital – que vão principalmente para data centers, mas também para os centros de distribuição da Amazon – também cresceram, para US$ 131 bilhões por ano. Nos últimos 12 meses, a participação das Big Five no fluxo de caixa das operações investidas em P&D e despesas de capital foi de 53%. Isso se compara a uma mediana de 32% para todas as empresas do s&p500.

Uma razão para gastos realmente grandes são as empresas realmente grandes. As receitas das Cinco Grandes, que têm um valor de mercado combinado de mais de US$ 9 trilhões, quase triplicaram entre 2015 e 2020. Mas, embora, quando expresso em proporção do aumento das vendas, o investimento pareça mais modesto, ainda é real (veja o gráfico 1). Os gastos com pesquisa e desenvolvimento aumentaram em um terço no mesmo período, de cerca de 9% das vendas para 12%, e as despesas de capital cresceram mais de um quarto, subindo dois pontos percentuais para cerca de 9% das vendas.

Mas uma parte crucial disso é que existem metas específicas que as empresas desejam alcançar e que exigem muita pesquisa e desenvolvimento. A Apple está à procura do hardware que se tornará o novo iPhone, seja um carro ou um headset de realidade virtual (VR). 

A Amazon está tentando incansavelmente melhorar a eficiência de seus armazéns e sistema de entrega e expandir a gama de indústrias que utilizam o Amazon Web Services. Para a Meta, que viu sua principal oferta, o Facebook, ser evitada por pessoas mais jovens, uma nova grande novidade pode ser a única maneira de garantir a sobrevivência: sua recente mudança de nome será em vão sem a nova tecnologia para apoiá-la.

Pesquisadores do Big Five publicaram mais de 16.000 artigos científicos nos cinco anos até 2019, e seus tópicos fornecem algumas informações sobre o que está acontecendo. Os negócios principais estão sendo aprimorados – um artigo recente da Amazon discute maneiras de “evitar duplicatas nos resultados da pesquisa” – e algumas possibilidades esotéricas exploradas – um artigo de uma equipe com membros do Google Research fornece insights sobre uma “amostra cirúrgica humana do lobo temporal do córtex cerebral”. Mas as diferentes políticas de publicação em diferentes empresas dificultam o uso quantitativo dos dados.

A Alphabet é generosa quando se trata de publicação, buscando atrair pesquisadores que não entrariam em uma empresa que os obrigasse a esconder sua luz em um subterrâneo. Como resultado, a Alphabet fica bem em medidas baseadas em publicações: é a quarta instituição corporativa mais bem classificada na edição atual do Nature Index, que mede o impacto da pesquisa acadêmica nas ciências (Roche, empresa suíça de saúde , encabeça a lista). A Apple é muito mais rigorosa quanto à publicação. Mas isso não significa que seja menos inovadora.

Carros, o metaverso e tudo mais

Os analistas calculam que algo entre 5% e 20% dos gastos maciços em P&D dos gigantes da tecnologia vão para o que, para os propósitos deste artigo, estamos chamando de “tecnologias de fronteira”: o metaverso, veículos autônomos, saúde, espaço, robótica, fintechs, criptografia e computação quântica. (A inteligência artificial, AI, agora é tão onipresente que não a consideramos uma fronteira em si mesma.) Analisamos aquisições, investimentos e dados de emprego para ver qual das empresas parecia mais interessada em quê.

Nos últimos três anos, as Cinco Grandes adquiriram cerca de 110 empresas, de acordo com dados da PitchBook, uma empresa de pesquisa (esses dados não incluem a aquisição de US$ 69 bilhões da Activision Blizzard pela Microsoft anunciada esta semana). Há um limite para o quanto esses dados podem revelar. Na maioria dos casos, o tamanho do negócio não foi divulgado e muitas aquisições menores são tratadas como recrutamento e, portanto, não nos dados. Os que acreditam em “aquisições matadoras” podem ver alguns desses acordos como tentativas de impedir a inovação em vez de acelerá-la. Mas mesmo que seja esse o caso, eles mostram onde as empresas estão focadas.

Dos cerca de 40 negócios que vieram com números, a avaliação total foi de aproximadamente US$ 50 bilhões. Mais de um quarto das empresas adquiridas especializou-se em IA ou em processamento de grandes conjuntos de dados. Talvez um quarto deles estivesse desenvolvendo tecnologias de ponta (veja o gráfico 2 para um detalhamento).

A Microsoft é a grande investidora. Em abril, concordou em comprar a Nuance Communications, fornecedora de software e nuvem com foco em saúde, por US$ 19,7 bilhões, na maior aquisição para a qual temos dados nos últimos três anos. Também comprou startups que facilitam serviços de nuvem, como a Mover.io, que ajuda as empresas a transferir dados para a nuvem, e a CloudKnox, uma empresa de cibersegurança. O Google, que fica atrás da Microsoft e da Amazon em sua oferta de nuvem, comprou três startups baseadas em nuvem, incluindo a Actifio. Também comprou três empresas de vestíveis(wearables), incluindo a Fitbit, nas quais gastou US$ 2,1 bilhões, refletindo seu crescente interesse em assistência médica.

Em termos de obstinação, o sinal mais claro é a busca de Meta por todas as coisas do metaverso. Das 13 empresas que trabalham em realidade aumentada (RA) ou RV que foram compradas a preço divulgado, a Meta comprou oito, incluindo BigBox VR e Downpour Interactive. A Apple comprou outras quatro, incluindo Next VR e IKinema. Mas sua maior prioridade por esta medida foi IA. De suas 22 compras desde 2019, mais da metade foram startups relacionadas à IA.

Outra janela para as prioridades de quatro das cinco empresas é onde elas escolhem ter participações minoritárias. Das 101 empresas nas quais os dados do PitchBook mostram as empresas que investiram muito nos últimos três anos, mais de um terço são ativas em tecnologia de ponta. A exceção aqui é a Apple, que faz muito poucos investimentos desse tipo, nenhum dos quais nas áreas de fronteira.

Aqui, também, as escolhas são reveladoras. Veja as cinco investidas que fabricam carros. A Amazon investiu em duas, Aurora e Rivian. A última, na qual tem 20% de participação, abriu o capital em novembro e está avaliada em US$ 67 bilhões. Além disso, no ano passado a Amazon comprou a Zoox, que como a Aurora, se concentra em veículos autônomos, por US$ 1,3 bilhão.

Analistas suspeitam que o interesse imediato da Amazon no setor esteja na possibilidade de tornar seu serviço de entrega mais barato e eficiente – já encomendou 100.000 vans de entrega da Rivian. 

O investimento pode ser comparável à compra da Kiva Systems, uma empresa de robótica, em 2012. A tecnologia da Kiva agora ajuda os armazéns da Amazon a funcionar eficientemente.

O Google também investiu em duas empresas de carros autônomos: Waymo, uma empresa originalmente desmembrada da X, a unidade “moonshot” interna da gigante de tecnologia; e Nuro, uma empresa de entrega autônoma. A Apple, que em 2019 adquiriu a Drive. ai, uma startup de carros autônomos, está trabalhando principalmente em seus carros autônomos internamente. Seu Projeto Titan visa lançar um veículo em 2025. Esta semana, a Microsoft entrou na corrida, com um investimento na Wayve, uma empresa de carros autônomos com sede em Londres.

No geral, 9% dos investimentos feitos pelas grandes empresas de tecnologia são em carros e mobilidade, em comparação com apenas 2,4% para o setor de capital de risco(VC). De fato, todas as tecnologias de fronteira, exceto as criptomoedas, possuem uma parcela do investimento Big Five maior do que para VCs em geral. No geral, 37% dos grandes investimentos em tecnologia, em número, estavam nas fronteiras, em oposição a cerca de um quarto para investidores de risco em geral.

Alphabet, Amazon e Microsoft também têm subsidiárias de investimento separadas. Desde 2019, os braços de capital de risco da Alphabet (Gradient Ventures e gv) e sua unidade de private equity (CapitalG) fecharam cerca de 400 negócios. Cerca de 100 deles foram para empresas que trabalham em ciências da vida ou assistência médica – uma área que as empresas de tecnologia consideram atraente em parte devido à crescente aplicabilidade da IA ​​à biologia. Agora você pode “escrever a estrutura de RNA em um computador como se fosse um software”, diz Tom Slater, da Baillie Gifford, uma grande gestora de ativos que investe em empresas de tecnologia. Os investimentos de capital de risco do Google incluem a Editas Medicine, uma empresa de edição de genoma, e a Adagio Therapeutics, uma empresa de descoberta de medicamentos.

Outros 45 investimentos dos braços de financiamento do Google foram em empresas de tecnologia financeira como a Botkeeper, um serviço automatizado de contabilidade. Outras empresas de tecnologia estão fazendo movimentos semelhantes. A Apple adquiriu a Mobeewave, uma startup de pagamentos, em 2020 para transformar os iPhones em terminais móveis de pagamento sem contato. No ano passado, a Amazon comprou a Perpule, uma fintech indiana, e está trabalhando com a Goldman Sachs para expandir a oferta de empréstimos da empresa.

A Perpule e várias outras fintechs fazem parte de outra tendência: das 101 empresas nas quais os titãs da tecnologia têm participação desde 2019, 24 são da Índia, mais do que qualquer outro país, exceto os Estados Unidos. A Amazon construiu uma participação no BankBazaar, um mercado financeiro online baseado em Chennai. Em 2020, o Google disse que planejava investir US$ 10 bilhões em empresas de tecnologia indianas nos próximos cinco a sete anos. Em geral, as grandes empresas de tecnologia parecem muito mais dispostas a investir na Índia do que as empresas americanas de VCs.

Outra maneira de avaliar onde as empresas de tecnologia estão apostando é observar as pessoas que empregam e as que desejam empregar. The Economist examinou os perfis do LinkedIn dos funcionários das Cinco Grandes para as palavras-chave mais usadas (veja o gráfico 3). Novamente, os dados do Meta são muito metaversais. Encontramos alguma experiência de trabalho com RA ou RV em 2-4% dos perfis associados aos funcionários da Meta, mais do que em qualquer outra empresa.

Quantidade de empregos

De acordo com a Thinknum Alternative Data, uma empresa de pesquisa, os gigantes da tecnologia também estão procurando contratar nessas áreas. As menções a RA e RV nas listas de empregos das Cinco Grandes saltaram de cerca de 75 em agosto de 2020 para 567 hoje. A Meta e a Amazon estão publicando cerca de 200 desses empregos cada no momento – um fato impressionante, já que a Amazon emprega 20 vezes mais pessoas do que a Meta. Um aumento semelhante pode ser visto em listagens relacionadas a carros. Algumas contratações são de alto perfil. Em junho, a Apple contratou Ulrich Kranz, ex-executivo sênior da unidade de veículos elétricos da BMW, para reforçar o Projeto Titan. Também abocanhou dois executivos da Tesla.

Há um interesse crescente na computação quântica, mesmo que partindo de uma base baixa. Em média, cerca de 0,5% dos funcionários das grandes empresas de tecnologia se referem a computação quântica em suas páginas do LinkedIn. Amazon e Alphabet estão mencionando mais quando anunciam vagas. Em julho, o Google anunciou um grande passo na supressão de erros quânticos, vital para que a tecnologia seja comercializada. Kevin Scott, diretor de tecnologia da Microsoft, vê o investimento em computação quântica como uma necessidade para a empresa. “Se tal máquina [de computação quântica] existisse no futuro, seria importante que a Microsoft tivesse uma”, diz ele. Esses medos de perder podem impulsionar grandes projetos de pesquisa.

Outras formas de dados sustentam muito do que nossa pesquisa sugere. Tome patentes. Microsoft, Amazon e Google solicitaram recentemente patentes relacionadas à computação quântica. Mais da metade dos pedidos de patentes da Meta desde 2019 mencionam RA ou RV. Nos eventos sobre resultados financeiros, Meta, sem surpresa, bate no metaverso; Microsoft e Google são muito mais propensos a falar sobre a IA que sustentará a maioria das novas fronteiras tecnológicas.

Nada disso quer dizer que os oligopolistas estão investindo de forma a maximizar a inovação em si, muito menos os benefícios econômicos e sociais que ela pode trazer. É difícil não acreditar que o tamanho desses incumbentes constitua algum tipo de bloqueio às tentativas radicais de reinventar o mundo. Mas, embora cada empresa tenha seus interesses particulares, nossa visão de suas prioridades mostra que em muitos setores há realmente uma concorrência significativa.

E apesar de toda essa inovação ser uma palavra fácil de usar, investir enormes quantias de dinheiro e recursos nela é muito mais difícil. É muito melhor que a grande tecnologia faça esse trabalho duro do que apenas ficar de costas para maximizar seus rendimentos. ■

https://www.economist.com/briefing/2022/01/22/what-americas-largest-technology-firms-are-investing-in

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/ICFvu2V5bCu67L6KwXc6ZD  (09) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

10 profissões em alta – e as cidades com mais contratação dos cargos – no Brasil, segundo o LinkedIn

Cargos com demanda crescente no país estão ligados, em sua maioria, ao trabalho com dados, cibersegurança e sistemas

Por Mariana Zonta d’Ávila Infomoney 21 jan 2022 

Com o modelo de trabalho remoto se tornando uma nova realidade para muitos desde o início da pandemia de Covid-19, a procura por profissionais ligados à área de tecnologia — que antes já era grande —, se intensificou nos últimos anos.

Ao mesmo tempo, diversos setores foram afetados pela crise e um grande número de profissionais está hoje em busca de uma oportunidade de trabalho.

Pensando nisso, o LinkedIn organizou uma lista com as carreiras mais promissoras no Brasil, que tiveram alta demanda nos últimos cinco anos.

A pesquisa foi feita na rede social com a base de dados de janeiro de 2017 a julho de 2021 e considera cargos que tiveram crescimento consistente na base de usuários, além de um aumento significativo em 2021.

O levantamento mostra ainda as competências mais comuns da função, as cidades com mais contratações para aquele profissional, tempo médio de experiência antes de a pessoa assumir a posição, entre outros.

Entre as dez mais demandadas, destaque para cargos ligados, em sua maioria, ao trabalho com dados, cibersegurança e sistemas.

Profissional diante de computador (Pixabay)

Confira, a seguir, 10 cargos com demanda crescente no país, segundo o LinkedIn:

1. Recrutador(a) especializado(a) em tecnologia

Competências mais comuns: Recrutamento de TI, Entrevistas, Triagem de currículos

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Recrutamento, Recursos Humanos

Cidades com mais contratações: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 7,3 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Analista de recursos humanos, recrutador(a), assistente administrativo

Divisão por gênero de contratados em 2021: 20,8% homens; 79,2% mulheres

2. Engenheiro(a) de confiabilidade de sites (Site Reliability Engineer – SRE)

O que faz: Avalia e otimiza a confiabilidade de sistemas com ferramentas de probabilidade e estatística. Entre suas atribuições estão o diagnóstico e o prognóstico de falhas e desenvolvimento de soluções de automação para aprimorar a usabilidade de uma plataforma.

Competências mais comuns: DevOps, Amazon Web Services, Docker

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Serviços Financeiros, Internet

Cidades com mais contratações: São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 10,5 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Consultor(a) de DevOps, Engenheiro(a) de software, Engenheiro(a) de servidor

Divisão por gênero de contratados em 2021: 95,1% homens; 4,9% mulheres

3. Engenheiro(a) de dados (Data engineer)

Competências mais comuns: Apache Spark, Hadoop, Hive

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Serviços Financeiros, Internet

Cidades com mais contratações: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 9,8 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Engenheiro(a) de software, Analista de dados, Analista de Business Intelligence

Divisão por gênero de contratados em 2021: 86% homens; 14% mulheres

4. Especialista em cibersegurança

Competências mais comuns: Cibersegurança, Segurança da informação, Segurança de rede

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Serviços Financeiros, Contabilidade

Cidades com mais contratações: São Paulo, Rio de Janeiro, Osasco

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 12,2 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Analista de cibersegurança, Analista de segurança da informação, Especialista em segurança da informação

Divisão por gênero de contratados em 2021: 83,5% homens; 16,5% mulheres

5. Representante de desenvolvimento de negócios (Business Development Representative)

Competências mais comuns: Outbound Marketing, Prospecção de vendas, Vendas internas

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Software de computadores, Serviços Financeiros

Cidades com mais contratações: São Paulo, Curitiba, Florianópolis

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 5,1 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Vendedor(a), Assistente administrativo, Especialista em vendas

Divisão por gênero de contratados em 2021: 44,9% homens; 55,1% mulheres

6. Gestor(a) de tráfego (Traffic manager)

Competências mais comuns: Gestão de tráfego, Google Ads, Marketing digital

Setores mais comuns: Marketing & Publicidade, Tecnologia da informação & Serviços, Serviços de facilities

Cidades com mais contratações: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 5,8 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Assistente administrativo, Analista de marketing, Vendedor(a)

Divisão por gênero de contratados em 2021: 79,8% homens; 20,2% mulheres

7. Engenheiro(a) de machine learning (Engenheiro de aprendizagem de máquina)

Competências mais comuns: Aprendizado de máquina, Aprendizagem profunda, Ciência de dados

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Serviços Financeiros, Software de computadores

Cidades com mais contratações: São Paulo, Porto Alegre, Brasília

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 4,8 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Engenheiro(a) de software, Cientista de dados, Engenheiro(a) de dados

Divisão por gênero de contratados em 2021: 85,9% homens; 14,1% mulheres

8. Pesquisador(a) em experiência do usuário (User Experience Researcher)

Competências mais comuns: Teste de usabilidade, Experiência do usuário (UX), Design thinking

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Serviços Financeiros, Internet

Cidades com mais contratações: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 8,5 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Designer de experiência do usuário, Consultor(a) em design de produto, Estrategista de design

Divisão por gênero de contratados em 2021: 28,6% homens; 71,4% mulheres

9. Cientista de dados (Analista de dados, Data Science Specialist)

Competências mais comuns: Ciência de dados, Aprendizado de máquina, Python

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Serviços bancários, Serviços Financeiros

Cidades com mais contratações: São Paulo, Brasília, Campinas

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 7,5 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Cientista de dados, Analista de dados, Engenheiro(a) de software

Divisão por gênero de contratados em 2021: 77,2% homens; 22,8% mulheres

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

10. Analista de desenvolvimento de sistemas

Competências mais comuns: Scrum, AngularJS, Microsoft SQL Server

Setores mais comuns: Tecnologia da informação & Serviços, Software de computadores, Serviços de utilidade pública

Cidades com mais contratações: São Paulo, Belo Horizonte, Brasília

Tempo médio de experiência antes de assumir o cargo: 7 anos

Principais cargos ocupados antes da contratação: Analista de sistemas, Engenheiro(a) de software, Analista de desenvolvimento

Divisão por gênero de contratados em 2021: 83,7% homens; 16,3% mulheres

Metodologia do levantamento

A pesquisa “LinkedIn Economic Graph” examinou milhões de empregos iniciados por usuários do LinkedIn entre 1º de janeiro de 2017 e 31 de julho de 2021 para calcular uma taxa de crescimento para cada cargo.

Para fazer parte da lista, os cargos precisavam ter um crescimento consistente na base de usuários da rede social, além de terem registrado um aumento significativo em 2021.

Cargos idênticos com diferentes níveis de experiência foram agrupados e classificados em conjunto. Já estágios, cargos de voluntariado, funções temporárias e funções de estudantes foram excluídos. Cargos em que a contratação era dominada por algumas poucas empresas em cada país também foram excluídos, destaca o LinkedIn.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/ICFvu2V5bCu67L6KwXc6ZD  (09) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/