Como despertar criatividade: as 5 melhores maneiras

 Por Melanie Pinola | Publicado em 22 de Março de 2016 

Já pensou em por que algumas ideias chegam a nós sem razão, do nada? E outras vezes, temos dificuldade em encontrar a palavra perfeita ou encontrar uma solução mais original para um problema? Afinal, como despertar criatividade? Existe uma receita?

Mesmo que não haja uma fórmula secreta para gerar ideias incríveis, cientistas e artistas têm compartilhado algumas maneiras de turbinar a criatividade, para que possamos ter mais desses momentos eureca.

A genialidade pode atacar nos lugares mais inesperados

R. Keith Sawyer, psicólogo da Universidade de Washington, conta a história de uma equipe da NASA nos anos 1990 que estavam tentando consertar o telescópio Hubble. Ninguém conseguia descobrir como encaixar os minúsculos espelhos necessários para corrigir as lentes distorcidas dentro daquele espaço de difícil acesso.

A solução do engenheiro Jim Crocker foi literalmente inspirada pelo seu chuveiro: notando a ducha de estilo europeu no hotel alemão onde estava hospedado, Crocker se deu conta de que a equipe poderia estender os espelhos dentro do telescópio utilizando um tipo de braço articulado parecido.

As ideias que temos no chuveiro são geralmente diferentes das que temos no trabalho. Isso se dá, dizem pesquisadores, porque estamos menos preocupados em gerar ideias. Paradoxal, não? Uma maneira de como despertar criatividade é não se preocupar em despertá-la!

Quanto mais distraídos estivermos, mais criativos podemos ser. Mark Fenske, um professor de neurociência e coautor de The Winner’s Brain, diz que às vezes podemos estar concentrados demais.

Como despertar criatividade

Atividades onde somente executamos uma tarefa, como tomar banho “não requerem muito foco cognitivo,” diz Fenske, então “outras partes do cérebro podem começar a contribuir.” Quando sua mente vaga, ela tem mais chances de criar associações livres e criar ideias e conexões novas.

O chuveiro é igualmente o ambiente perfeito porque é quentinho, e fatores relaxante podem fazer com que seu cérebro libere dopamina, que acelera a criatividade e as sensações boas.

Então, se você quer saber como ter criatividade, tome mais banhos, que durem mais tempo, e invista talvez em Aqua Notes, blocos de nota à prova d’água que você pode colocar no chuveiro para que suas ideias não vão por água abaixo.

Como despertar criatividade com um passeio no parque

Em 2014, pesquisadores da Stanford deram a voluntários testes padronizados de criatividade, e em seguida pediram que caminhassem (em uma esteira, e do lado de fora) e depois pediram para realizarem o teste novamente.

Após caminhar na esteira, 81% dos voluntários tiveram um resultado melhor nos testes de pensamento divergente. Porém, os efeitos mais significativos, foram vistos uma vez que os participantes caminharam do lado de fora, e os pesquisadores concluíram:

Talvez seja uma consequência do aumento no fluxo sanguíneo para o cérebro que ajuda a aumentar a criatividade, ou pode ser simplesmente uma mudança de ambiente que deixa que sua mente vague. Bem, qualquer que seja a razão para explicar como despertar criatividade, parece que Nietzsche estava à frente de seu tempo quando escreveu, “todos os pensamentos realmente grandes foram concebidos durante uma caminhada”.

Às vezes, boas ideias são um pedido difícil

Várias pesquisas mostraram que beber um pouquinho pode liberar nossa criatividade. Como escreve Mikael Cho no blog da Crew:

  • A melhor hora de tomar uma cerveja (ou duas) seria quando você está procurando uma ideia inicial. Porque o álcool ajuda a diminuir sua memória operacional (fazendo que você se sinta relaxado e menos preocupado com o que está acontecendo ao seu redor), você terá mais poder cerebral dedicado a realizar conexões mais profundas.
  • […]Pesquisadores descobriram que 5 segundos antes de ter um ‘momento eureca’ há um aumento considerável nas ondas alfa [do cérebro] que ativam o giro temporal anterior superior [responsável por pensamentos criativos].
  • Essas ondas alfa estão associadas ao relaxamento, o que explica por que você muitas vezes tem ideias enquanto caminha, toma banho ou vai ao banheiro.
  • O álcool é uma substância que relaxa seu corpo, então ele produz um efeito similar nas ondas alfa, o que nos ajuda a ter ideias criativas.

Tudo com moderação, claro; e você provavelmente não deveria beber durante o expediente se não for permitido. Porém, isso pode explicar por que tantos artistas famosos gostam de beber. Pode ser também uma desculpa para tomar uma cervejinha ou uma taça de vinho antes de trabalhar no seu projeto criativo. Saúde!

Dê um tempo

Como você pode ter adivinhado, uma maneira de despertar criatividade é baixar sua guarda – permitindo que você se distraia e relaxe. Este é um componente chave para um fluxo de ideias melhor. Aquelas horas justo antes de dormir, quando você está começando a apagar, ou quando você está acordando e ainda está sonhando, são momentos ideais para acessar sua criatividade.

O sono ajuda a fomentar conexões inabituais, nota a BBC. Em uma das experiências, pesquisadores descobriram que voluntários que fizeram testes de criatividade durante a manhã após dormir tiveram resultados melhores que os que fizeram o teste à noite:

“A experiência ilustra que combinar o que sabemos para gerar novas visões requer tempo, algo que muitos podem ter adivinhado. Talvez mais revelador ainda, também mostra o poder do sono em construir associações remotas. Realizar vínculos entre pedaços de informação que nossas mentes racionais diurnas vêm como separados parece ser mais fácil enquanto estamos desligados, flutuando no mundo dos sonhos.”

Dormir nos dá o tempo de incubação necessário para que ideias maturem, e, como mostra outra pesquisa, seu cérebro subconsciente tem maior probabilidade de criar conexões entre coisas que sua mente acordada rejeitaria ou filtraria.

O filme O Exterminador do Futuro, ‘Yesterday’ dos Beatles, Frankenstein de Mary Shelley, e até a tabela periódica estão entre as inovações marcantes atribuídas ao sono de seus criadores.

Volte ao trabalho… com ou sem os outros

Mesmo que possa parecer que a criatividade se trata somente de momentos eureca, as pessoas mais prolíficas e bem-sucedidas têm uma coisa em comum: eles tinham rotinas sólidas e dedicavam tempo todos os dias para trabalhar em sua arte.

Como dizia Pablo Picasso, “a inspiração existe, mas ela tem que te encontrar trabalhando”. Não se preocupe em produzir ideias ruins, porque para ter boas ideias você precisa ter ideias ruins.

“Você não pode ficar esperando pela inspiração. Você tem que caçá-la com um bastão.”

– Jack London

Alguns dizem que é um ótimo método de como despertar criatividade é trabalhar sozinho. Leo Babauta, do Zen Habit, argumenta:

“A criatividade floresce na solidão. No silêncio, você pode ouvir seus pensamentos, você pode procurar em suas profundezas, você pode se concentrar.”

Contudo, haverá momentos em que colaborar com outros e obter inspiração deles será igualmente importante. Boas ideias e criatividade, essencialmente, podem vir também de criar conexões: A questão é que se você não estiver sentindo a faísca, então mude de ambiente. Se você estiver sozinho, organize um brainstorm com outros. Se você estiver se sentindo distraído, vá encontrar seu lugar quieto, zen.

Se aquela faísca de criatividade não estiver aparecendo, vá caminhar, tomar banho, cochilar ou beber e deixe que sua mente vague, mas depois volte àquela folha de papel branca e mão à obra.

https://blog.trello.com/br/como-despertar-criatividade

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A importância das Soft Skills, e porquê nunca foram prioridade

O conhecimento técnico continua valorizado, mas o grande salto acontece quando as habilidades humanas são verdadeiramente desenvolvidas. Mas como medir, avaliar e potencializar essas habilidades?

by Andrea Iorio Março 18, 2021

Pense na seguinte situação, que tenho certeza já aconteceu com você no trabalho: a sua gestora chega até você, durante uma sessão de feedback de fim de ano, e te coloca alguns objetivos para o ano que está por vir. Após colocar uma meta de crescimento de vendas da sua unidade de negócios de 15% no primeiro trimestre, ela encerra com metas comportamentais. Essas, normalmente, ficam para o final, mesmo.  Em particular, ela te diz: “sua meta esse ano é ser mais colaborativo”. Você não diz nada, agradece, e ela vai embora para a próxima sessão de feedbacks. Você, porém, fica em dúvida sobre o que significa “ser mais colaborativo”.

Algo parecido aconteceu comigo alguns anos atrás, quando meu gestor me pediu para ser mais “proativo”. Ele, VP de Operações Internacionais, ficava em Los Angeles e eu no Brasil, e obviamente esperava que eu tomasse mais a iniciativa e reportasse para ele com frequência as novidades. Mas, a mim, parecia que nunca era suficiente, pois esse feedback se repetia a cada trimestre.

Em situações assim a gente sai da sala atordoado, com muitas dúvidas. Na cabeça ressoam perguntas como, por exemplo, “como vou conseguir demonstrar ser mais colaborativo? Como consigo medir o quão colaborativo sou agora? E de quanto preciso aumentar esse nível?”. São todas perguntas muito apropriadas, e a verdade é que é muito difícil medir nossa evolução neste sentido — bem diferente de um pedido de gestor como “até o fim do ano você tem que alcançar um faturamento de 7 milhões na sua região”. Bem mais objetivo e mensurável, não é?

Mesmo que desafiadoras, paradoxalmente preferimos essas metas objetivas porque assim fica tudo claro e não sofremos com a dúvida, como no caso dessas metas comportamentais. Imagine: após um tempo desse feedback abstrato, você está otimista por demonstrar ser mais colaborativo na empresa, já que depois dessa conversa você ajudou um colega em um projeto, certo dia ficou até mais tarde participando de um encontro de jovens aprendizes, compartilhando sua experiência com eles e se prontificou a estar disponível em muitos outros aspectos. Mas, ao falar novamente com sua gestora, você descobre que ela não concorda: segundo ela, você precisa melhorar ainda mais. “Mais, mas como? Em qual nível? Quando ela ficará satisfeita?”, você se pergunta.

E não sem razão.

A Esther Perel, uma das maiores experts em relacionamentos do mundo, nos aponta justamente essa desvantagem que as habilidades comportamentais desde sempre carregam: por serem tão difíceis de medir, essas  soft skills,  como são definidas no termo em inglês, não são priorizadas no ambiente de trabalho desde sempre, enquanto focamos e medimos principalmente eficiência, produtividade e resultado.

O que são soft skills?

Segundo o livro “Fundamentals of Human Resources Management” (Noe, Hollenbeck & Gerhart, 2015), as habilidades se referem ao nível de desempenho de um indivíduo em uma tarefa específica, ou à capacidade de realizar bem um trabalho que pode ser dividido em elementos técnicos e elementos comportamentais.

Aqui já notamos duas grandes categorias de habilidades como reflexo de elementos técnicos e comportamentais na realização de tarefas: por um lado, temos as habilidades técnicas, ou Hard Skills, e por outro as habilidades comportamentais, ou Soft Skills, que não dependem de conhecimentos adquiridos e incluem bom senso, capacidade de lidar com as pessoas e uma atitude positiva e flexível.

Mais importante ainda do que a definição, porém, são as características específicas das Soft Skills a respeito das habilidades técnicas, ou  hard skills. Em particular, separei três características das soft skills:

  • Amplas  (vs. as  hard skills,  que são específicas): enquanto as hard skills são focadas para o cumprimento de tarefas específicas, as soft skills são aplicáveis em qualquer situação de negócios (e de vida!).
  • Difíceis de transferir  (vs. as  hard skills, que são fáceis de transferir e de ensinar): enquanto alguém que tem uma habilidade técnica consegue transmitir esse conhecimento para ajudar outra pessoa no desenvolvimento da mesma hard skill, isso não ocorre na soft skill com tanta facilidade: o desenvolvimento delas é um processo muito mais interno e pessoal, do que externo e ensinado.
  • Difíceis de medir  (vs. as hard skills, que são fáceis de medir): voltando ao ponto que já mencionamos, enquanto é possível medir as competências técnicas de um desenvolvedor de software ou a proficiência de idioma inglês de um candidato, é muito difícil medir soft skills como o grau de colaboração ou pensamento crítico de um colaborador.

Parece óbvio então que, em um mundo analógico, pré-digital, onde a especialização, a educação formal e medição de QI como indicador de inteligência dominavam os ambientes de trabalho, as Soft Skills nunca fossem prioridade — e essa é a herança que carregamos conosco.

Mas algo mudou: nos últimos anos, começou-se a criar um consenso de que Soft Skills são tão fundamentais no trabalho quanto as habilidades técnicas, a partir da popularização do conceito de Inteligência Emocional pelo psicólogo Daniel Goleman nos anos 1990. O que é a Inteligência Emocional? É a capacidade, inata ou desenvolvida, de identificar, compreender, rotular, expressar e regular emoções humanas de maneira saudável e produtiva.

Ele demonstrou que não existia uma correlação clara e proporcional entre QI e sucesso profissional após um certo ponto. Pois, sim, é preciso ter uma inteligência acima da média (QI de cerca de 115, segundo Goleman) para dominar o conhecimento técnico necessário para ser médico, advogado ou executivo de negócios. Mas, depois que as pessoas entram no mercado de trabalho, o QI e as habilidades técnicas de quem está na ativa são mais próximas, e a Inteligência Emocional se torna um diferencial importante. Na verdade, a inteligência emocional é responsável por quase 90% das movimentações de carreira nas situações onde QI e habilidades técnicas são aproximadamente semelhantes entre candidatos, segundo a Harvard Business Review.  A Inteligência Emocional é o terreno fértil das Soft Skills; sem ela, habilidades comportamentais não conseguem prosperar.

A pesquisa Global Trends Report do Linkedin, de 2019, aponta que 92% dos gestores de Recrutamento e Seleção acham que as soft skills são igualmente importantes, senão mais importantes, que as hard skills; 80% deles pensam que as habilidades sociais são cada vez mais essenciais para o sucesso de uma empresa, enquanto 89% das “contratações ruins” são atribuídas a funcionários com habilidades sociais ruins.  Pesquisa da Harris Poll aponta que ter Soft Skills sem ter a experiência necessária parece ser mais desejável do que ter a experiência ou as qualificações certas para um trabalho, mas sem habilidades sociais, e que 75% dos americanos provavelmente contratariam um candidato que tenha habilidades sociais, e não a experiência ou as qualificações certas.

O “Soft Skills gap”

Porém, os relatórios nos mostram, também, o outro lado da moeda: embora cada vez mais importantes, as habilidades pessoais ainda permanecem bastante ambíguas, principalmente porque são difíceis de medir. Dos profissionais de RH entrevistados pelo LinkedIn, apenas 41% afirmaram que sua empresa possui um processo formal de avaliação de Soft Skills; 57% dos entrevistados disseram que lutam para avaliar com precisão as habilidades pessoais e 68% pontuam que os indicadores sociais no processo de entrevista são o principal método de avaliação. Fazer perguntas comportamentais está no topo da lista de como a empresa testa as soft skills durante o processo de entrevista, mas as respostas a essas perguntas podem ser facilmente ensaiadas ou difíceis de interpretar de forma objetiva — o que significa que não são necessariamente preditivas ou indicativas das Soft Skills do candidato.

Essa dificuldade de medição, e essa ambiguidade em identificá-las, cria um ciclo vicioso que explica porque as Soft Skills nunca foram prioridade no trabalho: uma vez que o que importa aos nossos olhos é ao que prestamos atenção, as hard skills — mais fáceis de medir — se tornam nossa realidade. Nosso foco. Elas são os fatores em que nos concentramos, assim como ao medir sucesso nos focamos em lucratividade, crescimento e produtividade, e não necessariamente em impacto social, propósito ou sustentabilidade.

A gente faz a mesma coisa ao medir nosso sucesso pessoal: o medimos através de dinheiro e status, mesmo que eles não estejam atrelados a nossa felicidade. Por quê? Porque são mais fáceis de medir, e nos permitem a comparação com os outros.  É muito mais fácil medir o dinheiro em nossa conta e concluir se somos bem-sucedidos ou não do que medir nossa felicidade: a gente não tem 100% tangibilização disso. É muito mais fácil a gente se apegar a cargos organizacionais e dizer “sou mais poderoso que você, então melhor sucedido” do que “eu sou mais feliz que você, então mais bem sucedido”.

A melhor forma de explicar essa falha é por meio de uma história que vem da tradição budista: certa noite um homem perdeu as chaves de casa, e um amigo o encontra buscando furiosamente por elas na rua, embaixo de um poste iluminado. O amigo lhe pergunta se ele lembra onde pegou nas chaves da última vez, e o homem responde, apontando para longe: “Lá, naquele campo de arroz”. Então o amigo indaga, surpreso: “Por que não está procurando lá?”. O homem responde, como se fosse óbvio: “Porque a luz está melhor aqui”.

Será que estamos medindo o sucesso com dinheiro e poder porque são itens mais “luminosos e fáceis de achar” ou precisamos ir até o campo de arroz achar outras fontes mais “abstratas” de sucesso na vida? Ou, no caso do conflito entre hard skills e soft skills, será que não estamos atrelando o sucesso profissional às habilidades técnicas porque são mais fáceis de medir?

Provavelmente sim. Mas indo a fundo nós achamos as verdadeiras “chaves” para o sucesso.

Até pouco tempo atrás o ambiente de trabalho não tinha espaço para emoções. Por quê?

As razões são provavelmente mais sociológicas e antropológicas do que psicológicas. Volte à Revolução Industrial e à ética de trabalho que surgiu dela e pense em tudo o que implicou criar uma economia de manufatura e linhas de produção eficientes: um dos motores dessa eficiência é que não nos importávamos muito com emoções, ou relações, no local de trabalho. Queríamos ser produtivos. Queríamos ser eficientes. Separamos a esfera pessoal da profissional com duas personalidades diferentes: as emoções ficavam apenas para o horário de volta para casa.

Isso é totalmente contraproducente em muitas frentes: primeiramente, é necessária uma grande quantidade de energia para suprimir suas emoções. Além de desgastar, isso cria relações menos profundas, onde você tem menos confiança e menos conexão emocional com seus pares. Isso não é bom para nenhum tipo de trabalho que envolva relações interpessoais — pré-requisito para praticamente todos os tipos de trabalho. Contudo, isso está começando a mudar porque temos hoje mais economia de serviços, ou de conhecimento, do que jamais tivemos no passado. Nossos trabalhos atuais envolvem muito mais relacionamento e criatividade e cada vez mais pessoas estão reconhecendo que expressar emoções é uma grande parte da realização profissional.

O que podemos fazer?

“Como resolver esse problema e medir melhor as Soft Skills no trabalho?”. Ao mergulhar em leituras, pesquisas e infográficos relacionados, me deparei com o relatório “Meet Your New Leaders: Supportive, Creative and Employee-Focused” da McKinsey, publicado em Novembro 2020, que demonstra claramente que Soft Skills são fundamentais para um mundo digital pós-crise: ao medir a mudança em pontos percentuais no comportamento dos líderes mais bem sucedidos após o começo da pandemia, a pesquisa mostra um aumento de 25% em comportamentos de “apoio e cuidado”, de 15% em demonstrações de “empoderamento e confiança” e 14% em “tomada de decisão rápida e sob um cenário ambíguo”. Ao mesmo tempo, comportamentos de liderança herdados do mundo analógico de comando e controle caíram drasticamente, como “promover competição interna entre times” (-15%) e “exercitar liderança autoritária” (-18%). O estudo deixa claro que os líderes bem mais sucedidos após a crise demonstraram uma forte Inteligência Emocional e um leque robusto de Soft Skills.

A verdade é que o desafio que nós temos para resolver o problema dos Soft Skills é composto por 4 partes sequenciais:

  1. Achar um consenso claro sobre quais são as Soft Skills;
  2. Medir melhor as Soft Skills nos colaboradores;
  3. Desenvolver metodologias para treinar Soft Skills (e medir sua evolução);
  4. Atrelar o impacto das Soft Skills nos resultados de negócio e achar correlações entre comportamentos e resultados.

Tudo isso para já, em um mundo em transformação digital acelerada que precisa de soft skills na mesma rapidez que o mundo está mudando.

https://mittechreview.com.br/a-importancia-das-soft-skills-e-porque-nunca-foram-prioridade/

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O que mais preocupa o brasileiro no trabalho híbrido, segundo a Zoom

Pesquisa feita pela empresa americana de videoconferência sobre o assunto foi realizada com 7.600 pessoas em dez países, incluindo cerca de 1.000 participantes do Brasil

Por Daniela Braun, Valor — 10/05/2021 

Os modelos de trabalho híbrido, que estão nos planos de muitas empresas para o pós-pandemia, preocupam os brasileiros principalmente pela falta de conexão interpessoal bem como de acesso a materiais e recursos do ambiente físico de trabalho. Esta é uma das conclusões de uma pesquisa feita em abril pela empresa americana de videoconferência Zoom.

O levantamento feito com 7.600 pessoas em dez países, incluindo cerca de 1.000 participantes do Brasil, mostra que 53% dos brasileiros se preocupam com a falta de conexões pessoais e 49% com a falta de materiais e recursos de escritório no modelo de trabalho híbrido.

Rotinas de trabalho irregulares e dificuldade de acessar outras equipes e departamentos da empresa também preocupam, respectivamente, 44% e 41% dos respondentes brasileiros sobre o modelo de trabalho dividido entre os ambientes on-line e o presencial.

Quanto à viagens de trabalho, 68% dos pesquisados no país disseram que pretendem retomar as viagens corporativas após a pandemia, sendo que 38% esperam viajar com mais frequência do que antes.

Já no pós-pandemia, somente 7% dos participantes pretendem usar exclusivamente ferramentas de videoconferência para negócios, enquanto 70% disseram que usarão os recursos virtuais e presenciais. Os 23% restantes responderam que pretendem fazer apenas reuniões presenciais com o fim do isolamento social.

Usar ferramentas de videoconferência para acesso a serviços públicos é a prioridade dos brasileiros após a pandemia. Na sequência, os respondentes priorizam as ferramentas colaborativas em serviços financeiros, varejo, negócios e celebrações.

Durante a pandemia, as atividades mais frequentes no uso de softwares de videoconferência são conversas com familiares e amigos, reuniões de trabalho, festas de aniversário, consultas médicas, aulas, encontros religiosos e treinamentos.

Quando perguntados sobre as atividades mais realizadas por videochamadas recentemente, o uso para educação ficou em primeiro lugar para 71% dos brasileiros, seguido por negócios (69%), celebrações (60%), entretenimento, como shows ao vivo (58%), e teleconsultas (29%).

A maior parte dos brasileiros entrevistados planeja retomar as atividades presenciais após a pandemia, especialmente para celebrações, cuidados com a saúde e na busca por imóveis. Quando se trata de serviços do governo, quase um terço dos brasileiros (27%) disseram que preferem o atendimento exclusivamente virtual. Já 15% optaram por continuar acessando conteúdos de entretenimento apenas virtualmente depois da pandemia.

Quando abordados sobre o que sentem a respeito das videochamadas, no futuro, 90% dos brasileiros disseram que o uso das ferramentas terá continuidade, já que “tudo terá um componente virtual”. A segunda resposta mais frequente, para 88% dos participantes, foi que “a videochamada ajudou a combater a solidão”.

A continuidade do uso de ferramentas de videoconferência é vital para os negócios do Zoom, empresa avaliada em US$ 86,7 bilhões. Esse já não é o caso de ferramentas como Meet do Google, Teams da Microsoft, e o WhatsApp do Facebook, que não são as principais fontes de receita destas empresas.

No acumulado do ano fiscal de 2021, que foi de janeiro de 2020 a 31 de janeiro deste ano, a receita do Zoom alcançou R$ 2,6 bilhões, 326% superior ao resultado do ano fiscal anterior. O lucro líquido anual somou US$ 671,5 milhões, ante um lucro de US$ 21,7 milhões no ano anterior.

De acordo com os dados mais recentes divulgados pela empresa, de dezembro de 2019 a abril de 2020, o número de reuniões diárias pelo Zoom saltou de 10 milhões para 300 milhões, refletindo o início da pandemia.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2021/05/10/o-que-mais-preocupa-o-brasileiro-no-trabalho-hibrido-segundo-a-zoom.ghtml

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Quero ser ‘tech’: empresas brasileiras fazem fila para ingressar na Nasdaq

Negócios dos mais variados segmentos, como educação e gestão de recursos, buscam ser listadas na Bolsa americana como companhias de tecnologia, o que lhes garante acesso a um universo de investidores muito maior que o brasileiro

João Sorima Neto O Globo 09/05/2021 

SÃO PAULO — É crescente nos últimos anos o número de empresas brasileiras que abrem seu capital na Bolsa de Valores — foram 28 só no ano passado e 24 este ano —, mas uma parcela dessas companhias está indo além da B3, em São Paulo.

Muitas companhias brasileiras estão ofertando ações na Bolsa americana Nasdaq, a segunda maior do mundo em volume e onde estão ações de gigantes da tecnologia como Apple, Amazon e Google.

Aquisições: Grupos empresariais vão às compras de escolas de educação básica

Negócios de segmentos tão variados como educação e gestão de recursos financeiros têm, em comum, a busca por listagem como empresas de tecnologia, o que lhes garante acesso a um universo de investidores muito maior que o brasileiro. Em nome dessa oportunidade, todos querem ser tech nos EUA.

Americanas é mais nova candidata a um lugar em NY

A Nasdaq movimenta, por dia, US$ 262 bilhões em ações de quase 3 mil companhias. Na Bolsa de São Paulo, a B3, o movimento diário é de cerca de R$ 31 bilhões (ou US$ 6 bilhões), e estão listadas em torno de 400 empresas.

A tendência entre as brasileiras começou em 2017 e vem ganhando força. Pelo menos onze empresas daqui foram para a Nasdaq desde então, entre elas a XP Inc., as fintechs Stone e PagSeguro e a Afya Educacional. Juntas, elas levantaram US$ 8,46 bilhões na Bolsa americana.

— A quantidade de investidores nos EUA é a maior do mundo, e eles já têm a visão de longo prazo. É esse universo que as companhias brasileiras que abrem seu capital nos EUA buscam acessar — diz Guilherme Zanin, estrategista da Avenue Securities, corretora de valores com sede em Miami.

A última empresa a indica que vai buscar o mesmo caminho foi a Lojas Americanas. Há duas semanas, ao anunciar a incorporação da rede pela até então controlada B2W, dona dos sites de vendas Submarino e Shoptime, o grupo apresentou o plano de criar uma empresa controladora que será listada na Nasdaq ou na Bolsa de Nova York (Nyse).

Também estão nessa fila duas empresas de educação, Eleva e Maple Bear, e o PicPay, de meios de pagamento. Essas ofertas inicias de ações (IPO, na sigla em inglês) devem acontecer entre 2021 e 2022.

Investidores dispostos a arriscar (e pagar) mais

Com investidores especializados em tecnologia e dispostos a tomar risco em suas carteiras de investimentos para ter um retorno melhor do que o dos juros dos títulos americanos (que estão entre zero e 0,25% ao ano), o mercado acionário dos EUA tende a avaliar melhor as empresas brasileiras que levam sua tese de negócio para lá, explica Max Bohm, analista da Empiricus Research.

— Os IPOs feitos nos EUA ampliam a possibilidade de a empresa aumentar seu valor de mercado — diz Bohm.

Em média, as companhias tendem a ser avaliadas na Nasdaq por um valor entre 20 e 30 vezes seu Ebitda (que é o lucro antes de impostos, amortizações e depreciações), calculam os especialistas. Isso porque a aposta dos investidores especializados em empresas de tecnologia é no longo prazo.

As mais valiosas:Vale é única empresa da América Latina avaliada em mais de US$ 100 bi. Veja lista

No Brasil, onde predominam as companhias ligadas a commodities e bancos no pregão, e muito poucas empresas de tecnologia, a avaliação costuma ser mais conservadora: fica em torno de dez vezes o Ebitda.

— Nossa captação inicial chegou a US$ 300 milhões, superando a meta inicial, que era de US$ 269 milhões. A precificação inicial atingiu U$ 19 dólares por ação, um dólar acima do valor máximo estimado — conta Luis Blanco, diretor financeiro da Afya Educacional, que abriu seu capital na Nasdaq em 2019.

Mãozinha na estratégia global

A Afya é uma companhia que atua no segmento médico, desde a formação até a oferta de ferramentas digitais para o profissional gerenciar o consultório, ajudar na realização de diagnósticos e na virtualização de imagens de anatomia e radiologia. Foi avaliada em US$ 1,6 bilhão no IPO e atualmente vale US$ 2,03 bilhões na Nasdaq. A ação é negociada atualmente a US$ 21,55.

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— Abrir o capital na Nasdaq é um caminho que facilita o crescimento global para quem aposta nesta estratégia — diz Maurício Pedrosa, gestor independente de fundos, lembrando que haverá ainda mais liquidez na economia americana com a aprovação do pacote de estímulo à economia de US$ 3 trilhões do presidente Joe Biden.

Grupo Educacional SEB, do empresário Chaim Zaher, comprou o controle da rede de escolas Maple Bear, de origem canadense, que fatura US$ 270 milhões em 30 países. Foto: DivulgaçãoGrupo Educacional SEB, do empresário Chaim Zaher, comprou o controle da rede de escolas Maple Bear, de origem canadense, que fatura US$ 270 milhões em 30 países. Foto: Divulgação

Em 2020, o grupo Educacional SEB, do empresário Chaim Zaher, comprou o controle da rede de escolas Maple Bear, de origem canadense, que fatura US$ 270 milhões em 30 países. De olho em ampliar sua atuação global, ele estabeleceu como foco o mercado americano e se prepara para buscar sócios na Nasdaq.

— Vamos abrir o capital da Maple Bear na Nasdaq possivelmente no segundo semestre de 2022. Lá eles pagam múltiplos mais altos e em dólares, nossa marca já é internacional e levamos junto a Conexa, nossa plataforma de tecnologia, que permite ensino à distância — conta Zaher, lembrando que o mercado de educação privada nos EUA também é o maior do mundo, o que acaba atraindo empresas do setor para a Bolsa.

Qualquer deslize pode custar caro

Apesar do interesse dos investidores em novidades, o mercado americano é seletivo, e qualquer deslize durante a oferta pode acabar mal. A Netshoes, de artigos esportivos, levantou US$ 149 milhões em seu IPO na Nasdaq, em 2017.

A empresa foi alvo uma ação coletiva que a acusava de fraude por inflar sua receita na oferta inicial. A varejista on-line pagou US$ 8 milhões aos autores da ação. Em 2019, foi vendida ao Magazine Luiza, que comprou 100% das ações e tirou a Netshoes da Nasdaq.

Efeito pandemia:Ensino básico deve ter onda de fusões e aquisições

A carteira digital PicPay, controlada pelo grupo J&F (dono da JBS), registrou em abril seu pedido de IPO nos EUA. A Eleva Educação, que tem Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do país, como sócio, confirma sua intenção de fazer seu IPO na Nasdaq em 2022.

Oportunidade para as start-ups

Mas há empresas menores se candidatando. A fornecedora brasileira de software de atendimento e comunicação de empresas Zenvia quer levantar US$ 100 milhões na Nasdaq e já fez seu pedido de IPO.

O empresário Janguiê Diniz, fundador do grupo Ser Educacional, quer abrir lá o capital da start-up educacional Edulabzz, comprada recentemente. A empresa cresceu cerca de 445% desde o início da pandemia.

Coluna Capital: Brasil já tem mais de 500 start-ups de educação, salto de 26% em 2 anos

— A Nasdaq é uma Bolsa que aceita empresas menores, até start-ups. Mas isso não significa que o mercado não esteja atento: os investidores são rigorosos — afirma o consultor de investimentos Paulo Bittencourt.

A B3 informou que também tem espaço para empresas de tecnologia abrirem seu capital no Brasil. Nos últimos 6 meses, foram nove IPOs de empresas de tecnologia ou companhias de alto crescimento, em um sinal de interesse dos investidores por negócios inovadores também por aqui.

Investidor brasileiro pode comprar papéis na B3

Quem está no Brasil pode investir em empresas listadas na Nasdaq. Uma forma é comprar os papéis da empresa listada lá diretamente em uma corretora que negocia esses papéis.

No ano passado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado, passou a permitir que empresas americanas e brasileiras listadas nos EUA possam oferecer BDRs (recibos equivalentes a ações de empresas listadas nos EUA) na B3.

Pessoas físicas podem comprar, mas especialistas recomendam cautela, especialmente nos IPOs

— Para o iniciante que quer aplicar no exterior, mas não tem muito acesso a informação das empresas, o melhor caminho pode ser um ETF (Exchange Traded Fund, fundo que tem como referência um índice da Bolsa ou uma cesta de ações) — diz o consultor de investimentos Paulo Bittencourt.

Maurício Pedrosa, gestor de investimentos independente, lembra que há o risco cambial ao investir em papéis listados lá fora. O investidor paga em reais por um BDR.

Marca histórica: Empresas captam mais de R$ 100 bilhões no mercado brasileiro no primeiro trimestre

Já para adquirir uma ação de companhia estrangeira é preciso abrir conta em uma corretora no país em que ela está listada e enviar os recursos, que serão convertidos em dólar.

Segundo a B3, o BDR é uma forma muito mais simples de o investidor brasileiro buscar diversificação de riscos, de ativos e até geográfica.

https://oglobo.globo.com/economia/quero-ser-tech-empresas-brasileiras-fazem-fila-para-ingressar-na-nasdaq-25009530

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Levamos o Agile longe demais?

Colin Bryar e Bill Carr HBR 09 de abril de 2021

Resumo. Agile é uma ferramenta altamente eficaz para o desenvolvimento de produtos, especialmente produtos baseados em software. Mas, à medida que as empresas expandem seu uso para novas áreas (orçamento, gestão de talentos), o Agile é frequentemente usado como desculpa para evitar planejamento e preparação cuidadosos. Em vez de tomar … mais

A ideia de pensamento ou inovação “ágil”, junto com seu primo próximo “lean(enxuto)”, se espalhou muito além de suas raízes no desenvolvimento de produtos e  fabricação. Não é incomum agora ouvir sobre a abordagem ágil de orçamento, gerenciamento de talentos ou até mesmo de uma reunião de família.

Agile é um processo poderoso para o desenvolvimento de produtos, mas muitas organizações estão levando-o longe demais e usando-o para evitar planejamento e preparação cuidadosos. Eles obterão um resultado melhor se o combinarem com uma abordagem diferente que aprendemos trabalhando como executivos na Amazon. “Trabalhar para trás” pode compensar as deficiências do Agile nos estágios iniciais cruciais.

Como as empresas ágeis se antecipam

Agile pode parecer perfeitamente adequado para quando uma empresa está desenvolvendo um produto ou serviço que não existe e está procurando andar rápido. Nesses casos, é difícil simplesmente entrevistar clientes ou observá-los em ação, porque eles não podem responder a um produto hipotético.

A solução é desenvolver um protótipo, ou produto mínimo viável(MVP). Por meio de uma série de sprints, normalmente com duração de duas semanas, uma equipe de produto monta algo que é bom o suficiente para mostrar aos clientes e obter sua reação. Se a ideia fracassar, bem, pelo menos a equipe obteve essa informação rapidamente e com apenas um pequeno investimento – e talvez eles descobrirão uma ideia melhor no processo. Se ganhar força, a equipe pode iterar rapidamente para criar um produto ainda melhor.

Compare isso com a abordagem de trabalho retroativo, que tem tudo a ver com planejamento. O trabalho para trás surgiu em 2004: as estratégias de comércio eletrônico da Amazon provaram ser bem-sucedidas e a empresa estava buscando agressivamente novas oportunidades com um grande mercado potencial. Onde deveria olhar?

Em vez de começar a desenvolver um produto plausível – o que uma mentalidade ágil pode encorajar – a empresa pregou ir devagar para ir mais rápido. O CEO Jeff Bezos costumava se chamar de “chief slowdown officer” e se envolvia quando pensava que as equipes estavam se movendo rapidamente para a codificação sem definir claramente o problema do cliente e uma solução de produto elegante.

A abordagem retroativa exige uma visão totalmente realizada de um produto proposto, incorporado em um comunicado de imprensa por escrito para o lançamento do produto. Isso parecia errado, até não natural, para desenvolvedores de software e gerentes de produto que já queriam começar a programar. As equipes normalmente passavam semanas, senão meses, discutindo este comunicado à imprensa – junto com um FAQ que explicava aos colegas, clientes e gerenciamento sênior como a Amazon poderia criar esta oferta maravilhosa a um preço acessível, mas lucrativo. Somente quando os executivos estivessem satisfeitos com esses documentos, alguém poderia começar a escrever o código e realmente montar o produto.

A prática permaneceu: até hoje, a Amazon trabalha de trás para frente a partir do que acredita que agradará os clientes, mesmo que atualmente não tenha os recursos para fabricar esse produto. O Kindle e-reader, os serviços de computação em nuvem da AWS e o assistente de voz Echo com Alexa vieram de um trabalho reverso, em uma época em que a Amazon tinha pouca experiência em fazer dispositivos ou hospedar atividades de outras empresas em seus servidores. Ainda assim, todas essas três ofertas tornaram-se produtos de sucesso. Com o tempo, cada um atraiu concorrentes, mas eles continuam a deter a maior participação de mercado.

Velocidade não é tudo

O problema fundamental com o Agile, como muitas empresas o usam, é que seu ritmo implacável influencia os desenvolvedores. Eles querem lançar um produto mínimo viável em apenas algumas semanas, então economizam em definir o que o produto deve realizar. Ou pior, em nossa experiência, eles fazem dois tipos de concessões.

Em primeiro lugar, em vez de perder tempo e incertezas para desenvolver uma nova capacidade, eles seguem as habilidades que possuem atualmente. Eles aceitam suas restrições existentes, o que limita automaticamente o potencial para uma oferta de alto crescimento.

Em segundo lugar, eles restringem suas ambições em relação ao produto. Em vez de um grande avanço, eles tendem a apenas melhorias incrementais nas ofertas existentes. Ou se eles forem ousados, seu produto mínimo viável não é realmente viável, então os clientes não podem dar feedback realista. Os desenvolvedores não tiveram tempo de fazer a lição de casa e preparar algo que seja sustentável.

A equipe diz a si mesma que qualquer informação que obtiver ainda é valiosa para algum futuro produto inovador. Mas esse futuro raramente chega. Muitas vezes, o processo de sprints de duas semanas se torna a coisa, e a equipe nunca tem tempo e espaço para recuar e ficar obcecada sobre o que é necessário para realmente encantar os clientes. As equipes pensam em pedaços pequenos com base nos recursos que já possuem – não há tempo para o pensamento cuidadoso que as descobertas exigem.

Os proponentes do Agile temem que uma abordagem retroativa tire a autoridade e a urgência das equipes para lançar um novo código, obter feedback dos clientes e iterar rapidamente. Mas velocidade não é tudo, especialmente quando se trata de produtos inovadores. Não confunda escrever código com fazer progresso per se. Ao trabalhar para trás, você pode realmente colocar um produto de sucesso no mercado mais rapidamente.

Como fazer com que o Agile funcione melhor

Não estamos argumentando que as empresas devem jogar o ágil pela janela. Ainda é uma ferramenta altamente eficaz para o desenvolvimento de produtos, especialmente produtos baseados em software. Muitos de seus princípios e processos foram usados ​​com sucesso pela Amazon e outras empresas. Afinal, a maior parte do desenvolvimento de produtos envolve apenas mudanças incrementais. Você não precisa se preocupar muito com essas melhorias. Basta reunir duas alternativas básicas e experimentá-las no mundo real, onde você obterá feedback vital.

Equipes com produtos inovadores também podem se beneficiar com o Agile, uma vez que tenham feito o tipo de trabalho avançado envolvido com a abordagem de retrocesso. Quando você está na fase de codificação e construção do produto, deseja agir rapidamente e evitar se enrolar. Sprints mantêm você no caminho certo e garantem que você realmente coloque algo no mercado.

A melhor solução, então, é combinar agile com algo como trabalhar para trás. A Amazon, por exemplo, aprendeu a usar o processo reverso de trabalho para o desenvolvimento de ideias, mas depois seguiu o Agile para construir e enviar o produto. Se um gigante como a Amazon pode mudar de curso assim, até mesmo as empresas iniciantes podem seguir o exemplo.

Colin Bryar trabalhou na Amazon de 1998 a 2010, onde se tornou vice-presidente técnico e atuou como consultor técnico de Jeff Bezos. Agora um consultor executivo, ele é coautor de Working Backwards: Insights, Stories and Secrets from Inside Amazon.

Bill Carr esteve na Amazon de 1999 a 2014, onde foi vice-presidente de mídia digital entre outros cargos. Agora um consultor executivo, ele é coautor de Working Backwards: Insights, Stories and Secrets from Inside Amazon.

https://hbr.org/2021/04/have-we-taken-agile-too-far

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Entrevista: “O ensino presencial não vai mais existir”, afirma CEO da Ser Educacional

Renan Dantas – MoneyTimes – 01/04/2021 

O setor de educação foi um dos mais afetados pela crise do coronavírus, mas uma empresa conseguiu arrancar um crescimento em 2020: a Ser Educacional (SEER3) viu o lucro crescer 21% no acumulado. Enquanto isso, suas rivais Cogna (COGN3), Ânima (ANIM3) e Yduqs (YDUQ3) tiveram alta no prejuízo ou queda no lucro.

De maneira geral, analistas gostaram do que viram, mas não há como ignorar os impactos da Covid. A base de alunos presencial caiu 10% no trimestre, para 137 mil alunos. Apesar disso, eles são unânimes em elogiar o forte crescimento do ensino a distância (EAD), que saltou 71%, atingindo 54 mil alunos.

Mesmo assim, a Ágora Investimentos pondera que o desempenho fraco no segmento presencial apaga o brilho do EAD.

Em conversa com o Money Times, o diretor de relações com investidores da Ser, Rodrigo de Macedo Alves, destacou o grande salto que o segmento deu no resultado final da companhia.

“O nosso Ebitda do digital acumulado do ano foi de R$ 38 milhões de um Ebitda total de R$ 317 milhões, ou seja, em torno de 12% do Ebitda total. Há um ano atrás ele era 5% e no trimestre ele passou a ser 20%. Então ele está crescendo mais de 60% ao ano”, afirma.

Para o CEO da Ser, Jânyo Diniz, o ensino como conhecíamos antes da pandemia não será mais o mesmo.

“Para você ter ideia, no nosso caso, a gente esperava atingir a metade da nossa base de alunos em mais de cinco anos de EAD. Esse ano é o primeiro ano que a gente está captando mais alunos de EAD do que presencial. O ensino presencial puro não vai existir. Vai ser o ensino híbrido e o digital”, destaca. 

Agora, a empresa pretende dar continuidade ao seu marketplace da educação, que promete reunir a oferta de diferentes cursos em uma única plataforma.

“A gente gosta de brincar que nós vamos ser o Trivago Expedia da educação. Nós vamos oferecer todos os produtos do nosso ecossistema de educação digital, mais o presencial e o híbrido”, afirma Diniz.

Apesar disso, o executivo vê com preocupação a segunda onda da Covid, mas acredita que a vacinação em massa dará esperança para o retorno à normalidade das salas de aula. 

“A nossa expectativa é de que haja um retorno no pós aumento de vacinação, o que não significa que nós esperamos o retorno formal de todos os alunos no primeiro semestre. Isso eu acho difícil”, observa. 

Veja a seguir os principais trechos da entrevista:

MT: A segunda onda da Covid preocupa? Ela pode ser pior que a primeira?

Jânyo Diniz: Sim, claro. Nós fomos uma das primeiras instituições a começar a parar as unidades. Naquele momento nossa expectativa era de que a gente parasse 15 dias, talvez um mês. Tomamos todas as medidas necessárias para que os alunos continuassem seguindo a mesma rotina em casa, com o mesmo professor, com os mesmos colegas de sala de aula, mesma turma, mesmo conteúdo. 

A nossa expectativa é de que haja um retorno no pós aumento de vacinação, o que não significa que nós esperamos o retorno formal de todos os alunos no primeiro semestre. Isso eu acho difícil, até porque a vacina não está acontecendo. 

Nós fizemos uma pesquisa essa semana em Recife para entender o que a sociedade e o que os alunos pensavam em termos da Covid e qual sua expectativa. E para nossa surpresa, 60% da população apoia o isolamento, assim como os alunos.

Uma outra preocupação é que os trabalhadores da educação, em geral, não foram colocados nos grupos prioritários de vacinação até agora, exceto por São Paulo.

Eu sou presidente do sindicato das Instituições de Ensino Superior de Pernambuco. Nós fizemos um apelo ao governo do estado de Pernambuco para que isso acontecesse, para facilitar o retorno. Mas até agora isso não aconteceu.

A nossa expectativa é manter a rotina do ensino remoto, mais o ensino prático e presencial durante esse semestre, dado que a expectativa e as informações divulgadas aqui é que, teoricamente, até agosto a população acima de 20 anos seria toda vacinada, quando seria seguro o retorno às aulas. Então nós temos uma preocupação similar a que tínhamos no passado. 

No entanto, olhando para o futuro a gente vê uma luz no fim do túnel, com uma massa significativa dos nossos alunos acima dos 90% vacinado, o que reduziria muito risco de que a contaminação acontecesse dentro das dependências das instituições de ensino. Os nossos professores certamente têm mais de 25 anos, então todos eles teriam sido vacinados também. 

Essa situação da Covid me preocupa bastante, principalmente pelos aspectos econômicos e sanitários, pelo que pode acontecer em termos de pessoas afetadas, pessoas doentes.

Mas no que diz respeito ao modelo educacional, estamos preparados para atender essa nova realidade de mercado, eu estou muito mais tranquilo, dado tudo aquilo que a gente pensou e preparou esse ano para seguir esse caminho.

MT: Quais são os principais planos da Ser para superar os problemas provocados pela Covid no setor? 

Jânyo Diniz:  A gente gosta de brincar que nós vamos ser o Trivago Expedia da educação. Nós vamos oferecer todos os produtos do nosso ecossistema de educação digital, mais o presencial e o híbrido.

Além disso, nós estamos fazendo aquisições de edtechs que complementam o nosso portfólio de produtos e até que complemente a nossa capilaridade em termos de produtos digitais de instituição.

A gente fez a primeira aquisição da edtechs chamado de Veduca, que tinha perto de 800 mil visitantes únicos por mês, uma geração de lides fantástica. Ele basicamente ensina o aluno a escolher a profissão e a escolher a instituição de ensino que ele quer, adequada a região onde ele mora. Nós temos uma série edtechs em avaliação.

Nós fizemos cinco aquisições no ano passado. Continuamos em um processo de avaliação. Temos um pipeline extenso de aquisições de edtechs de educação. Nós operamos com todas as nossas marcas com EaD. Então a gente é uma instituição multimarca por uma razão muito simples: o aluno confia na marca onde ele estuda. A competição pelo ensino superior no Brasil sempre foi local, o Brasil não tem uma marca nacional.

A gente também praticamente duplicou as nossas vagas de medicina no ano passado. Todas as marcas que a gente adquiriu são as marcas mais fortes da região onde ela atua, o que nos ajuda a entrar no mercado, a interiorizar mais a nossa posição com marcas fortes. 

Houve uma mudança significativa na cultura das pessoas.

Nós mudamos o modelo de ensino com foco no aprendizado do aluno. A gente fez um projeto com educação onipresente em que o ensino está focado no aprendizado do aluno. O aluno passa a ter os conteúdos disponíveis onde ele estiver.

“A gente também praticamente duplicou as nossas vagas de medicina no ano passado. 

Todas as marcas que gente adquiriu são as marcas mais fortes da região onde ela atua”, argumenta 

O que a gente entendeu é que o aluno de ensino a distância acaba tendo muito mais conteúdo disponível 24 horas por dia.

O aluno em sala de aula tem o professor que ensina, mais os livros indicados. O aluno do ensino a distância tem tudo isso e mais conteúdo disponível nas plataformas de ensino que são colocados pelas instituições.

Nós estamos nos preparando para que o nosso aluno possa assistir aula onde quiser, quando ele quiser, exceto as aulas práticas. 

Estamos começando um processo de instalar câmeras em todas as salas de aula. Então a aula que o professor estiver dando ela vai ser transmitida em tempo real para os nossos alunos. Significa que aquele aluno que estiver em casa por alguma razão não precisa mais perder aula. Então o ensino passa a ser híbrido completamente.

A gente faz um investimento significativo para isso. Acaba sendo um pouquinho mais caro para a gente, mas eu acredito que o aluno vai ficar muito mais satisfeito. 

Nós mudamos a nossa matriz de produtos. Nosso portfólio de produtos foi alterado. Uma das instituições que nós tivemos, a Joaquim de Nabuco, em Recife, passou a ser uma instituição 100% digital. Nós tínhamos em torno de 4 mil alunos quantos anos essa mudança aconteceu. Hoje a gente tem muito mais alunos do que isso. 

E criamos cursos novos, focado no momento de mercado, no que o mercado demanda. Um curso que é customizado para necessidade do aluno e da empresa. O modelo de ensino a distância permite isso.

Nós também começamos a reduzir o tempo de duração dos cursos. Cursos de 4 anos passaram a ter 36 meses no modelo a distância de 24 meses passaram a ter 18 meses. Com o modelo semipresencial a gente consegue customizar a necessidade do aluno.

“A gente cresceu bastante no EaD e deve continuar crescendo nos próximos anos porque continua nessa tendência de mudança de percepção”, diz o diretor de RI  

Aliado a tudo isso, a gente pensou em criar um ecossistema de educação digital. Esse ecossistema ele vai oferecer cursos regulados, a gente tá falando aí de graduação, pós-graduação, cursos técnicos, outros cursos regulados pelo Governo Estadual e Federal e cursos livres que atendam a necessidade de atualização e aprimoramento profissional imediato. Então a pessoa pode fazer o redirecionamento profissional com um curso de 18 meses e em seguida ele pode fazer outro curso com mais seis meses de duração. 

O ensino evoluiu 5 anos em um ano.

MT: O ensino a distância veio para ficar?

Jânyo Diniz: Olha é irreversível o que está acontecendo. O ensino a distância (EAD) veio para ficar. Havia uma certa restrição ao EAD. Todas as instituições presenciais estão fazendo hoje, inclusive as locais. Houve uma mudança cultural forçada que aconteceu nesses 12 meses de isolamento de pandemia que não tem mais retorno.

Nesse período todas as instituições de ensino evoluíram 5 anos em 1 ano, o que melhorou muito a qualidade da maior parte dos produtos.

É claro que ainda tem muita gente que acha que PDF é ensino a distância ou porque acha que um um vídeo gravado de 2 ou 3 horas também ensino a distância. O ensino a distância evoluiu, ele mudou. O aluno quer ver vídeos curtos, ele quer ler, quer fazer jogo, ele quer fazer um quiz, ele quer discutir com os colegas, quer fazer um trabalho, um teste. 

Essa evolução trouxe um nível de engajamento e de integração do aluno com o modelo de ensino a distância muito forte. 

Para você ter ideia, no nosso caso, a gente esperava atingir a metade da nossa base de alunos em mais de cinco anos de EAD. Esse ano é o primeiro ano que a gente está captando mais alunos de EAD do que presencial. O ensino presencial puro não vai existir. Vai ser o ensino híbrido e o digital.

“Mas a nossa base de alunos do Fies vem caindo bastante e ela deve cair mais um pouco. A gente não está muito preocupado com Fies”, diz 

MT: Como a empresa está lidando com a queda acentuada de alunos do Fies dos últimos anos?

Jânyo Diniz: Vou dizer a mesma coisa que eu digo há 5 anos desde que em 28 dezembro 2014 mataram o Fies. Ele foi muito importante como mudança cultural para o brasileiro entender que podia estudar, mas a performance da economia é mais importante do que o Fies.

No mundo inteiro, o ensino superior cresceu com pleno emprego ou com financiamento estudantil. Se o emprego acontecer, o aluno vai estudar. Agora se ele está desempregado e não tem financiamento aí não tem como bancar a própria educação.

Mas a nossa base de alunos do Fies vem caindo bastante e ela deve cair mais um pouco. A gente não está muito preocupado com Fies, até porque nós arrumamos alternativas para continuar com o crescimento da base aluno ou manutenção da base alunos independente dos alunos do Fies.

Nós sempre pensamos que os Fies teria um limite. Não que seria em 2014, mas que isso aconteceria algum tempo depois.  Viemos nos preparando para aumentar nossa base de alunos. 

A gente cresceu muito a nossa base aluno de saúde, a gente vem reduzindo a dependência de cursos específicos e aumentando a quantidade de custos. Reduzindo a dependência de unidades específicas. Recife, até que foi a nossa origem, já chegou a ser 50% da nossa base de alunos, hoje é muito menor.

A gente está aumentando a nossa capilaridade em termos de unidade para ter dependência menor de cada uma das unidades. As ações que nós temos feito é deixar de ser dependente de um curso específico.

E hoje nós não somos mais nem dependentes de ensino presencial, ou não vamos ser nos próximos dois anos, e também não queremos ser dependentes só do ensino a distância. Por isso é que o sistema de educação digital vai ser o portão de entrada para nós e para outras instituições de ensino. 

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“Há muitos Mercados Livres para nascer na AL”, diz Nicolas Szekasy, do Kaszek

Ele é um dos fundadores do Mercado Livre e do Kaszek, fundo que tem oito unicórnios no portfólio. Nesta entrevista ao NeoFeed, Nicolas Szekasy fala que muitas startups bilionárias ainda vão surgir na América Latina e que as principais empresas de tecnologia da região vão abrir o capital nos Estados Unidos

Ralphe Manzoni Jr. – Neofeed  •05/05/21 • 

Quando os argentinos Nicolas Szekasy e Hernan Kazah deixaram o Mercado Livre, empresa que tinham cofundado, para criar a gestora de venture capital Kaszek, em 2011, eles tinham uma convicção: era evidente que havia muitos Mercados Livres em potencial na América Latina que iam precisar de capital.

Dez anos depois e com cinco fundos que somados captaram mais de US$ 1 bilhão, os criadores da mais importante gestora de venture capital da América Latina têm, mais uma vez, uma certeza. “Há mais Mercados Livres agora na América Latina do que há dez anos”, diz Nicolas Szekasy, em entrevista ao NeoFeed.

O investidor, que assumiu a presidência do conselho de administração da Associação Latino-Americana de Private Equity & Venture Capital (Lavca) no começo deste ano, fala com propriedade de quem tem acompanhado de perto o desenvolvimento das startups latino-americanas nos últimos 20 anos.

Na última década, Szekasy construiu, em conjunto com Kazah, Nicolas Berman (outro ex-Mercado Livre), Santiago Fossatti e Andy Young, sócios do Kaszek, a maior coleção de unicórnios da região. Até agora, são oito startups bilionárias: Nubank, QuintoAndar, Loggi, Creditas, Gympass , MadeiraMadeira, Kavak e Bitso (as duas últimas são do México).

O que esperar, então, dos próximos 10 anos? Szekasy, mais uma vez, não tem dúvida. “Há muitos Mercados Livres para nascer na América Latina”, afirma Szekasy, que foi escolhido como um dos principais investidores do mundo, no ranking The Midas List 2021, da Forbes.

Nesta entrevista, Szekasy fala também sobre as aberturas de capital das empresas de tecnologia. Em sua visão, sem citar nomes, boa parte dos unicórnios da região vai fazer IPO nos Estados Unidos.

“Quando você fala com os fundadores dessas startups, a ambição é fazer um IPO nos Estados Unidos. O timing, caso a caso, não posso falar de maneira específica, mas, nos próximos três a cinco anos, a maioria dessas companhias vai abrir o capital”, afirma Szekasy.

O investidor comentou também o aumento de interesse de fundos internacionais por startups latino-americanas. “Quando você tem um caso de sucesso, você tem um pouco de interesse. Quando tem cinco casos de sucesso, é um pouco mais”, diz ele. “Com 20 casos de sucesso, o investidor que está sentado no Vale do Silício, Nova York e na Ásia, diz: ‘Uau, alguma coisa está acontecendo aqui’. E eles precisam prestar atenção.”

Questionado se está captando um novo fundo de US$ 400 milhões, Szekasy não quis comentar. Mas teceu elogios aos SPACs (special purpose acquisition company), conhecidas também como companhias de cheque em branco. “Não estamos com um plano concreto. Mas estamos muito positivos com o conceito, que tem muito potencial”, afirma.

Do Uruguai, onde está vivendo, Szekasy concedeu a seguinte entrevista ao NeoFeed. Confira os principais trechos:

Como você enxerga a evolução do mercado de venture capital na América Latina, já que o Kaszek está completando dez anos?

Essa não é uma história de 10 anos, mas sim de 20 anos, porque somos parte também do time fundador do Mercado Livre. Depois de mais de 10 anos no Mercado Livre, eu fui o primeiro a sair. O Hernan Kazah saiu um pouco depois. E o Nicolas Berman, que também é sócio do Kaszek, saiu um ano mais tarde. Em 2011, decidimos começar essa nova etapa pois era evidente para nós que havia muitos Mercados Livres em potencial que iam precisar de capital. Mas, mais do que isso, iam precisar de um investidor que poderia dar suporte em muitas dimensões e que podiam aproveitar a nossa experiência de tantos anos em termos de estratégia, operações, crescimento, produto, tecnologia, recrutamento de equipe e fund raising.

E como foi esse começo?

Era uma época muito incipiente do ecossistema, mas estava claro que havia uma série de forças que iria permitir desenvolver muitos negócios disruptivos. Começamos com um primeiro fundo de US$ 100 milhões. E já levantamos cinco fundos que somam mais de US$ 1 bilhão: quatro deles de early stage e um de opportunities para investir em companhias mais avançadas.

Você comentou que quando criou o Kaszek estava claro que existiam outros Mercados Livres na região. Hoje, seu portfólio é composto de sete unicórnios. Ainda existem Mercados Livres para serem encontrados na América Latina?

Há mais Mercados Livres agora na América Latina do que há dez anos. Quando o Kaszek surgiu, em 2011, o Nubank, o QuintoAndar, a Loggi, a Creditas, a Gympass e a Kavak não haviam sido fundadas (nota: dos unicórnios do portfólio do Kaszek só a MadeiraMadeira já exitia). Mas sabíamos que havia um mercado que iria permitir que fundadores ambiciosos, brilhantes, com muita energia e liderança, identificassem oportunidades para construir essas companhias. Mirando para frente, nos próximos dez anos, vai haver muito mais unicórnios. Sem dúvida, há muitos Mercados Livres para nascer na América Latina.

“Quando o Kaszek surgiu, em 2011, o Nubank, o QuintoAndar, a Loggi, a Creditas, a Gympass e a Kavac não haviam sido fundadas”

Você era o CFO do Mercado Livre quando o capital foi aberto na Nasdaq em 2007. Hoje, a bolsa se tornou uma alternativa para empresas de tecnologia. Como você enxerga esse caminho?

Nós, do Mercado Livre, fomos pioneiros. Tiveram alguns exemplos (de empresas da América Latina) que abriram o capital em 1999 e 2000, na época da bolha da internet. Mas, depois de muitos anos, nenhuma companhia fez IPO. Agora, há muitas companhias que estão preparadas, sob o ponto de vista da solidez do negócio e com fundamentos robustos: com crescimento da receita, com margem, com lucro, com geração de caixa e com uma posição do mercado muito forte. Muitas delas estão prontas para o passo seguinte.

Você acredita que cada vez mais startups da América Latina vão se tornar públicas?

Sim, há uma primeira geração, que foi praticamente o Mercado Livre sozinho. Depois veio uma segunda onda com Globant, Stone, PagSeguro, XP e algumas mais. Agora está por chegar a terceira rodada, que são essas companhias mais jovens que estão fazendo um trabalho incrível de desenvolver um negócio com fundamentos sólidos. Nos próximos dois, três, quatro anos, você vai ver muitas dessas empresas irem ao mercado para abrir o capital. Há apetite dos investidores para ter participação nessas histórias de sucesso.

Você vislumbra os unicórnios de seu portfólio, como Nubank, Creditas e outras, seguindo esse caminho?

Não vou falar de companhias individuais. Mas, quando você fala com os fundadores dessas startups, a ambição é fazer um IPO nos Estados Unidos. O timing, caso a caso, não posso falar de maneira específica, mas, nos próximos três a cinco anos, a maioria dessas companhias vai abrir o capital nos mercados internacionais.

“Quando você fala com os fundadores dessas startups, a ambição é fazer um IPO nos Estados Unidos”

Para ficar claro: você está se referindo aos unicórnios da América Latina?

Sim, não tenho autoridade para falar sobre as empresas em específico. Mas, pensando mais como conceito, há um grupo de muitas companhias, que são essas que falamos, que estão absolutamente com essa visão de fazer o IPO, quando for o momento mais oportuno.

A pandemia afetou positivamente os investimentos em startups na região?

Esse é um tema delicado, porque a pandemia teve um impacto muito negativo em todo o mundo do ponto de vista da saúde e da economia, com a queda do PIB e o aumento do desemprego. Foi tudo muito difícil e ainda estamos no meio da tormenta. Agora, há luz no fim do túnel com as vacinas, mas ainda estamos na tempestade. Especificamente, o que a pandemia demonstrou é que experiências, serviços e produtos podem ser desenvolvidos de forma digital. Ela acelerou todas essas tendências. E deixou mais evidente que não tem muito sentido pagar um boleto em uma agência bancária. Havia muitas pessoas que eram early adopters, mas havia outras que seguiam com o comportamento tradicional em produtos financeiros, em compras, em educação e em consulta médica. No mundo digital, essas experiências podem ser muito melhores, mais fáceis e mais eficientes para a nossa vida. O consumidor que teve uma experiência melhor no digital do que no físico vai continuar fazendo no digital.

Poucas gestoras internacionais de venture capital olhavam para a região. A partir de 2019, o Softbank, com seu fundo de US$ 5 bilhões, ajudou a mudar essa percepção sobre a América Latina?

Eu respeitosamente discordo. As companhias do nosso fundo I, de 2011, levantaram bilhões de dólares de capital depois do nosso investimento. Havia muitos fundos que já olhavam a América Latina. O que aconteceu é que, a partir de 2017, toda essa curva se acelerou. Há mais fundos e mais interesse. Muitos fundos de venture capital que não investiam na América Latina começaram a investir. Quando uma companhia ia ao mercado levantar uma série C ou D, em 2015, tinha de três a cinco conversas. Agora, pode ter 15 conversas relevantes com interessados em investir. Quer dizer, aumentou o interesse. Mas o interesse cresceu pelo resultado das companhias. Quando você tem um caso de sucesso, você tem um pouco de interesse. Quando tem cinco casos de sucesso, é um pouco mais. Com 20 casos de sucesso, o investidor que está sentado no Vale do Silício, Nova York e na Ásia, diz: ‘Uau, alguma coisa está acontecendo aqui’. E eles precisam prestar atenção.

“Havia muitos fundos que já olhavam a América Latina. O que aconteceu é que, a partir de 2017, toda essa curva se acelerou”

Há rumores de que vocês estão levantando um novo fundo de US$ 400 milhões. Pode comentar?

Não falamos de notícias que não se conhece a fonte. Quando fazemos um fund raising, só falamos quando ele está fechado. Mas não posso falar se estamos fazendo ou não. Prefiro falar do presente, não de planos futuros.

O SPAC virou uma nova febre nos Estados Unidos. O Kaszek tem interesse?

O SPAC é um instrumento superinteressante de financiamento para as companhias. É uma alternativa a mais e interessante (de investimento). É também um caminho para fazer um IPO. Não estamos com um plano concreto. Mas estamos muito positivos com o conceito, que tem muito potencial.

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Startup de veículos elétricos quer acabar com a linha de montagem. Como?

A Arrival, startup financiada pela UPS e que desenvolve vans e ônibus elétricos, diz que descobriu uma maneira mais barata de construir veículos em pequenas fábricas

Por Neal E. Boudette, c. 2021 The New York Times Company/Exame – 04/05/2021

Uma pequena montadora de veículos elétricos financiada pela empresa de entregas UPS quer substituir as linhas de montagem que as montadoras usam há mais de um século por algo radicalmente diferente: pequenas fábricas que empregam algumas centenas de trabalhadores.

A empresa, Arrival, está criando “microfábricas” altamente automatizadas, nas quais suas vans e seus ônibus de entrega serão montados por robôs multitarefa, rompendo com a abordagem pioneira de Henry Ford, usada pela maioria das montadoras do mundo. As fábricas produziriam dezenas de milhares de veículos por ano. Isso é muito menos que a capacidade das montadoras de automóveis tradicionais, que contam com mais de 2.000 funcionários e normalmente produzem centenas de milhares de veículos por ano.

Funcionários na linha de produção do centro de pesquisa e desenvolvimento da Arrival: startup quer mudar a maneira como veículos são fabricados (Andrew Testa/The New York Times)

De acordo com a Arrival, a vantagem é que suas microfábricas custarão cerca de 50 milhões de dólares, em vez do valor superior a 1 bilhão necessário para construir uma montadora tradicional. A empresa, que tem sede em Londres e está instalando fábricas na Inglaterra e nos Estados Unidos, afirma que esse método deve produzir vans muito mais baratas que outros modelos elétricos e mais até que os veículos comuns, atualmente movidos a diesel. “A abordagem da linha de montagem exige um investimento de capital muito grande e você tem de chegar a níveis de produção muito altos para ter alguma margem. A microfábrica nos permite montar veículos lucrativos em qualquer quantidade”, disse Avinash Rugoobur, presidente da Arrival e ex-executivo da General Motors.

 A empresa espera que seus veículos elétricos representem uma mudança no mercado sonolento das vans de entrega. Esses veículos são adequados para eletrificação porque viajam determinado número de quilômetros por dia e podem ser carregados durante a noite. A Arrival já conquistou a UPS, que tem menos de 1% de participação na empresa e planeja comprar 10.000 vans da Arrival nos próximos anos.

As fábricas da Arrival, uma plataforma motorizada transportará veículos inacabados entre seis grupos de robôs diferentes, com diferentes componentes adicionados em cada parada. A empresa também está substituindo a maioria das peças de aço dos veículos por componentes feitos de compósitos avançados, uma mistura de polipropileno, um polímero usado para fazer plásticos, e fibra de vidro. As partes são unidas por adesivos estruturais e não por soldas de metal.

O uso de materiais compósitos, que podem ser produzidos em qualquer cor, eliminaria três das partes mais caras da linha de montagem de automóveis — a oficina de pintura, as prensas gigantes que fazem paralamas e outras peças, e os robôs que soldam peças de metal para formar os componentes maiores da parte inferior da carroceria. Cada uma dessas partes da montadora geralmente custa várias centenas de milhões de dólares.

A Arrival, cujas ações começaram a ser negociadas na Nasdaq em março, espera começar a produzir ônibus até o fim deste ano, mas suas ideias ainda não foram testadas. A automatização das fábricas de automóveis é notoriamente complicada. A Tesla culpou o uso excessivo de robôs pelo início problemático da linha de produção do Modelo 3, em 2018.

Os robôs das montadoras geralmente são programados para cumprir uma ou duas tarefas. A Arrival conta com os robôs para lidar com diversos trabalhos.

“Para aplicações de alto volume, isso não parece exequível. A automação é ótima para coisas repetitivas e precisas. Mas, se eles estão falando de um volume muito baixo, talvez seja viável”, afirmou Kristin Dziczek, vice-presidente sênior de pesquisa do Centro de Pesquisa Automotiva em Ann Arbor, no Michigan.

A UPS tem trabalhado com a Arrival quase desde a fundação da startup, informou Luke Wake, vice-presidente de manutenção e engenharia do grupo automotivo corporativo da UPS.

O gigante do transporte de encomendas ajudou a projetar uma van de entrega que oferece maior visibilidade para os motoristas do que um caminhão tradicional e que é fácil de carregar e descarregar. Wake disse que monitorou de perto o progresso da Arrival e que visitou a empresa duas ou três vezes por mês, em média. Embora reconheça que a abordagem inovadora da Arrival para a produção de caminhões representa um risco, Wake observou que isso poderia acelerar o uso de veículos elétricos na entrega de pacotes: “As coisas podem mudar rapidamente quando tudo está no lugar certo. Investimos na Arrival e trabalhamos em conjunto para desenvolver o veículo.”

Globalmente, a UPS opera uma frota de cerca de 120.000 veículos. Cerca de 13.000 deles já utilizam alternativas aos motores a diesel, como baterias. Além da UPS, a BlackRock e as montadoras sul-coreanas Hyundai e Kia têm investido na Arrival.

As empresas de veículos elétricos têm atraído o interesse frenético dos investidores, que esperam encontrar a próxima Tesla, avaliada em mais de 650 bilhões de dólares, mais do que a GM, a Ford Motor, a Toyota Motor e a Volkswagen juntas. O interesse de Wall Street tem estimulado uma série de montadoras a listar suas ações na bolsa de valores, embora muitas delas, incluindo a Arrival, ainda não estejam vendendo veículos, muito menos obtendo lucro.

Muitas startups de veículos elétricos puderam vender suas ações por meio de fusão com sociedades de aquisição de propósito específico, ou Spacs — negócios criados com um monte de dinheiro e uma listagem de ações. Essas fusões permitem que as startups ingressem no mercado de ações sem o escrutínio de uma oferta pública inicial de ações.

A Arrival concluiu a fusão com a Spac em março. Mas ainda está muito longe de transformar sua visão em um negócio viável. A empresa montou alguns protótipos de vans, mas ainda não começou a testá-los nas vias públicas. As ações da empresa começaram a ser negociadas em 25 de março a 22,40 dólares, mas desde então caíram para cerca de 14 dólares.

A Arrival foi fundada em 2015 por Denis Sverdlov, magnata das telecomunicações russo que, por um breve período, foi vice-ministro da imprensa russa e tinha pouca experiência na indústria automotiva. Sverdlov está listado como o executivo-chefe da empresa e controla 76% das ações da Arrival por meio de um fundo de investimento com sede em Luxemburgo. O sucesso da empresa depende em grande parte da viabilidade de suas microfábricas — em Rock Hill, na Carolina do Sul; Charlotte, na Carolina do Norte; e Bicester, na Inglaterra.

Pelo Zoom, Mike Abelson, executivo-chefe da divisão automotiva da Arrival na América do Norte e outro ex-executivo da GM, mostrou recentemente alguns protótipos de robôs de produção na fábrica de vans da Arrival na Inglaterra. “Ficamos muito satisfeitos ao colocar o equipamento para funcionar em nossas simulações. Agora, estamos no processo de comissionamento. Precisamos instalar o equipamento e acertar os ponteiros”, concluiu ele.

https://exame.com/pme/startup-de-veiculos-eletricos-quer-acabar-com-a-linha-de-montagem-como/

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Túnel para navios? A Noruega terá em breve

Por João Lara Mesquita  – Estadão – 21 de abril de 2021 

Nós conhecemos túneis para carros. Mas um túnel para navios é a primeira vez que ouvimos falar. Pois esta estranha construção acaba de ser aprovada no país nórdico, por moderados 300 milhões de euros. Segundo a revista Forbes, ‘a construção do primeiro túnel de navegação do mundo começará em breve no oeste da Noruega, depois de aprovação do governo para os fundos iniciais. A administração costeira norueguesa (Kystverket) propôs um plano para concluir um processo de licitação em 2021 e iniciar a construção em 2022.

Ilustração mostra túnel para naviosIlustração, Forbes.

Túnel para navios? A Noruega terá em breve

O túnel de 1,7 quilômetros  será grande o suficiente para permitir a passagem de navios de carga e a maioria dos navios de cruzeiro. Mas, por que um túnel para navios? Bem, a costa da Noruega é repleta de fiordes, espécies de longas reentrâncias, alguns com vários quilômetros de extensão.

Imagem da região onde haverá um túnel para naviosA linha branca mostra o local a ser evitado’, o mar de Stadhavet, depois da construção do túnel. Imagem, https://www.archdaily.com.br/.

Para piorar, o país se localiza nas altas latitudes, onde os ventos e correntes são mais fortes que nos trópicos, por exemplo. E o mar fica muito grosso em algumas ocasiões. O túnel permitirá que os navios contornem as águas perigosas, evitando assim os fortes ventos e águas do mar de Stadhavet, uma área exposta do oceano ao longo da costa norueguesa com notória má reputação para a navegação.

Segundo o site imnovation-hub.com, ‘parece que nem mesmo os vikings ousaram navegar nessas águas devido aos seus perigos, mas agora a tecnologia e a inovação encontraram a solução para os navios de carga e de cruzeiro navegarem com segurança’.

Ideia tem mais de 100 anos

Faz tempo que os noruegueses sentem a necessidade desta obra. De acordo com a Forbes, ‘por mais de 100 anos um túnel foi proposto para ajudar os navios a contornar Stad, onde a combinação de vento, correnteza do oceano e ondas torna o trecho exigente para navios de todos os tamanhos’.

‘A equipe por trás do projeto – conhecido como Stad Ship Tunnel – disse que ele é um “pré-requisito” para aumentar a segurança dos marítimos no oeste da Noruega’.

A organização explicou que as correntes oceânicas e a topografia do fundo do mar criam condições de ondas difíceis e muitas vezes inesperadas: “Ondas muito altas vêm de direções diferentes ao mesmo tempo e criam situações críticas para os navios. O mar agitado também pode durar vários dias após o vento ter diminuído, o que por sua vez leva a condições de navegação difíceis, mesmo em dias calmos.”

Segundo o imnovation-hub.com, ‘só em 2023 esta ambiciosa passagem subterrânea estará pronta para uso, mas a Administração Costeira Norueguesa (NCA) afirma que a partir daquele momento cerca de 100 navios de carga e passageiros poderão navegar por esta nova via marítima todos os dias’.

A costa Oeste da Noruega

Embora mais conhecida por seus fiordes pitorescos, a costa oeste da Noruega é uma potência econômica na pesca e na aquicultura, o país é o primeiro exportador de salmão criado em fazendas. A Noruega já exporta peixes cultivados e selvagens para mais de 150 países e prevê-se que a indústria terá um rápido crescimento nos próximos anos.

No entanto, grande parte do transporte costeiro de mercadorias ocorre em terra, em grande parte devido aos riscos potenciais de navegar ao redor de Stad.

O ser humano domando o mar?

O Mar Sem Fim já comentou sobre algumas obras, antigas e modernas, feitas pelo homem numa tentativa de domar o mar, e melhorar a vida de marinheiros e do comércio mundial.

A mais notável é o Canal de Suez, monumental obra encurtando a distância entre a Ásia e a Europa, feita em apenas dez anos e entregue  em 1869.

Outro canal famoso começou a ser discutido ainda no século 16, quando o istmo foi descoberto pelo navegador Vasco Núñez de Balboa, em 1513. É o Canal do Panamá, cuja obra começou em 1881, mas só terminou em 1914.

Trata-se de uma passagem que liga o Atlântico ao Pacífico, mais uma vez encurtando a rota de navios da América, ou da Europa, para a Ásia.

Já mais recentemente, em 2018, comentamos outras destas tentativas de ‘domar’ o mar, a ponte Hong Kong- Zuhai-Macau. Com 55 quilômetros, sua construção consumiu 400 mil toneladas de aço, quantidade suficiente para erguer mais de  60 torres Eiffel.

A obra gigantesca encurta o caminho no Delta do Rio das Pérolas, China, que tem numa extremidade Hong Kong; na outra, Macau e Zuhai, as três mais importantes cidades do sul da China.

A ponte colossal chinesa

A construção  não é cem por cento chinesa. Trabalharam nela especialistas do Reino Unido, Japão e pelo menos 11 outros países. Custo total de US$ 20 bilhões de dólares. Para permitir a passagem de navios no delta do rio das Pérolas, uma seção de 6,7 Km foi feita através de um túnel que exigiu a construção de duas ilhas artificiais.

Ponte de Öresund

Esta ponte é outro colosso da engenharia que liga a Dinamarca à Suécia, mais especificamente as cidades de Copenhague a Malmö.

A ponte surgiu graças aos esforços de ambos os governos, que iniciaram o projeto em 1991. Ao longo dos 16 km de extensão, turistas e moradores são transportados para dois países  por um caminho com partes subterrâneas e ao ar livre.

Dentro de poucos anos o túnel para navios estará encabeçando esta lista de obras. Ainda de acordo com o site imnovation-hub.com. ‘existem algumas outras escavações subterrâneas para permitir a navegação de navios, como o Canal du Midi na França. Mas a obra da Noruega será a primeira a permitir a passagem para grandes navios de até 16 mil toneladas’.

Imagem de abertura: Forbes

Fontes: https://www.forbes.com/sites/davidnikel/2021/03/05/norways-325-million-ship-tunnel-gets-go-ahead/?sh=2fa4480256fe; https://www.imnovation-hub.com/construction/norway-is-building-the-largest-ship-tunnel-in-the-world/.

Repórteres do Mar

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Elon Musk e o Fenômeno das Hardtechs

Ainda seremos altamente impactados por empresas do mundo digital nas próximas décadas. Mas as revoluções que vão moldar nosso futuro serão promovidas por empresas que têm como foco o hardware e não somente o software. A era das hardtechs já começou e Elon Musk saiu na frente.

by Hudson Mendonça MIT Technology Review Fevereiro 15, 2021

Sempre que falamos sobre startups, pensamos em nomes como Google, Facebook, Amazon, Airbnb, Uber, etc. Por dois motivos, isso faz bastante sentido. O primeiro é por que foram essas empresas do mundo digital que produziram as inovações que mudaram completamente as nossas vidas nos últimos 20 anos. O segundo é porque a maior parte das pessoas considera a palavra “tecnologia” como sinônimo de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) como as que estão por trás da Internet, softwares, Inteligência Artificial, etc. Mas o mundo das tecnologias vai muito além disso. Aliás, o conceito de tecnologia existe no mundo “duro” muito antes do mundo digital existir. O “Technology” desta revista, inclusive, existe muito antes da indústria de software ou da Internet existir.

Embora esteja trabalhando com o tema há alguns anos e saiba do potencial das startups que vão além do mundo digital em virtude de minha atuação no Comitê de Cleantech da ABStartups, na Finep, no LabrInTOS da COPPE/UFRJ e até mesmo na liderança do programa MIT REAP no Brasil, no último mês tivemos uma notícia que deve ter surpreendido a maior parte do público: o homem mais rico do mundo em 2021 é alguém que construiu a maior parte da sua fortuna fora do mundo digital. Elon Musk é executivo/sócio/fundador/investidor de uma série de hardtechs que estão reinventando os setores em que atuam.

Nos últimos 10 anos Jeff Bezos (Amazon), Bill Gates (Microsoft) e Carlos Slim (América Movil, Telmex) se revezaram no topo da lista dos homens mais ricos do mundo. Enquanto isso, Elon Musk corria por fora e construía seu “império de hardtech” que o levou a se tornar o homem mais rico do mundo. Sem dúvida um grande feito, mas que, para os mais atentos e/ou visionários, é apenas a ponta do iceberg. Mas o que está por baixo da parte exposta deste iceberg?

Afinal, o que é uma hardtech?

De maneira geral, uma hardtech (as vezes chamadas de tough techs) é uma startup que lida com o desafio das tecnologias complexas e ligadas ao mundo físico. Essas startups também podem estar ligadas ou integradas ao mundo digital, mas essas tecnologias não necessariamente são seus diferenciais. São, por exemplo, startups que lidam com biotecnologia, novos materiais, dispositivos eletrônicos e mecânicos.

Como falamos anteriormente, Elon Musk é um exemplo notório de empreendedor serial de hardtechs. Embora sua carreira tenha começado no mundo digital com empresas como Zip2 e PayPal, do início dos anos 2000 para cá seus maiores investimentos e projetos são na área das hardtechs. Inclui-se nesse rol a SpaceX (empresa de exploração espacial de lançamento de satélites, mas que possui como principal objetivo a colonização de Marte), a Tesla (veículos elétricos), Solar City (telhados para geração de energia solar), Gigafactory (produção de baterias e painéis solares de alta performance), Hyperloop (sistema de transporte de alta velocidade que gera energia), Neuralink (que busca integrar humanos e máquinas através de implantes cerebrais), entre outras empresas.

Alguns especialistas acreditam que, nas próximas décadas, alguns dos avanços mais significativos em termos tecnologias serão promovidos exatamente por estes tipos de startups. As grandes mudanças das últimas três décadas foram em grande parte puxadas pela transformação digital de empresas, governos e outras instituições. As próximas deverão ir além do mundo dos softwares a abarcar os hardwares.

São mudanças nos sistemas de transporte como os veículos elétricos autônomos e voadores como os da chinesa E-Hang e da joint venture entre Uber e Embraer. São trens de altíssima velocidade capazes de gerar energia como o Hyperloop Transportation em testes em Abu Dhabi. São de mudanças tecnológicas com possibilidades de geração de energia barata ainda em fase de pesquisa como a fusão nuclear, o silício negro e os biocombustíveis avançados. São de revoluções na área médica como as terapias e edição genômica da Editas Medicine, investida pelo GV, o fundo de Corporate Venture do Google, e das iniciativas de integração de homens e máquinas da Neuralink, na qual Elon Musk é fundador e CEO. e outros eletrodomésticos conectados que já começam a fazer parte do nosso dia a dia dentro do conceito de Internet das Coisas (IoT, do inglês Internet of Things), que mudará completamente a nossa forma de interagir com objetos.

Essas e outras hardtechs prometem mudar a forma como viveremos nos próximos anos da mesma forma que Internet e as Tecnologias da Informação mudaram os últimos.

O que difere uma hardtech de uma startup digital?

O número e a importância das startups digitais no mundo de hoje são tão grandes que o conhecimento de empreender nessa área já virou uma metodologia/tecnologia em si. Muitos conhecem diversas ferramentas utilizadas para se iniciar e desenvolver uma startup do zero ao IPO. Business Model Canvas, MVP, Lean Startup, CAC, Proposta de Valor, LTV, Pivotar, etc. São inúmeros termos, conceitos e práticas que somadas pavimentam o caminho para quem quer empreender. Um postulante a empreendedor do mundo digital certamente encontrará grandes desafios até ser bem-sucedido, mas a quantidade e a variedade de conhecimento disponível certamente não será um dos maiores.

No mundo das hardtechs, ao contrário, ainda não há uma estrada pavimentada mostrando uma direção predominante a ser seguida. Embora Elon Musk tenha se tornado o homem mais rico do mundo por este caminho, ele ainda está praticamente sozinho como representante das grandes fortunas construídas via hardtechs. A fórmula dele é muito associada à sua própria característica pessoal, e não a um método específico. Este caminho metodológico ainda precisa ser entendido e construído, assim como aconteceu com as startups do mundo digital a partir do início dos anos 2000. A fórmula dos empreendedores digitais não funciona da mesma forma para as hardtechs e veremos algumas das razões para isso:

Alto volume de investimentos iniciais: É comum uma startup digital começar com as poucas economias dos sócios fundadores, avançar captação com investidores-anjo com valores a partir de R$ 100 mil, e fazer rodadas adicionais buscando investimentos a cada dois ou três anos para sustentar seu crescimento até ser viável economicamente. Para as hardtechs, muitas vezes, esta opção é inviável, demandando saltos muito grandes de investimentos antes mesmo delas chegarem ao mercado. Um exemplo interessante é a startup KD que desenvolveu o produto Vikaflex, um material inovador para construção civil feito a partir de resíduos de xisto que é leve, impermeável, incombustível e resistente, sendo capaz de consolidar as características de solidez da alvenaria com a rapidez e praticidade dos sistemas drywall. A tecnologia já foi validada tecnicamente, mas ainda não está disponível no mercado.  O valor estimado para o início da produção em escala comercial é em torno de R$ 30 milhões, um valor consideravelmente maior que o necessário para os MVPs digitais.

Time-to-market: A implementação da maior parte das hardtechs também é mais lenta e muitas vezes envolve questões que não fazem parte do rol de problemas das startups digitais como a construção de fábricas, a logística de entrega de produtos, a gestão de múltiplos fornecedores de matéria-prima, a proteção via propriedade intelectual, etc. Um bom exemplo da diferença de timing entre as startups digitais e as hardtechs é a Gigafactory, unidade de baterias avançadas da Tesla, em Nevada. Sua construção começou em 2014 e só ficou completamente pronta em 2018, demandando centenas de milhões de dólares de investimentos antes de ter qualquer produto no mercado. É um processo muito diferente dos MVPs e “fail fast, learn faster” utilizados recorrentemente nos empreendimentos do mundo digital. Outro caso interessante, ainda em início dessa trajetória, é a startup Tupan, criada por um conjunto de estudantes de engenharia do Rio de Janeiro e que ganhou recentemente o prêmio “Invent for the Planet”. Seu dispositivo para auxiliar a locomoção de deficientes visuais já foi testado e premiado, mas a produção e distribuição em larga escala ainda é um grande desafio a ser superado.

Desafios da difusão e escala: Além de levar mais tempo para chegar no mercado, difundir e escalar as hardtechs também é um desafio de outras proporções. Nos primórdios do mundo digital esse problema, de certa forma, também existia. Ao montar um negócio digital, os primeiros empreendedores da internet tiveram que montar servidores e infraestruturas de rede próprias, ferramentas de gestão individuais, etc. Hoje, serviços de infraestrutura “plug-and-play” como AWS e Azure, e ferramentas de gestão como Pipedrive, Trello, Mailchimp, Resultados Digitais, entre outros, facilitam muito o empreendedor digital no início da jornada. No universo das hardtechs podemos ver a diferença citando como exemplo a startup Pólen, que possui uma solução de destinação de resíduos que integra o digital com o mundo físico. Embora ela apresente uma plataforma digital com tecnologia blockchain para transação de resíduos de diversas naturezas, a logística de toneladas desses rejeitos do seu ponto de geração até o local para correta destinação é um desafio de gestão e de escala que vai muito além do usualmente visto nas startups 100% digitais. Outro caso interessante dessa diferença foi o desafio enfrentado pelos fundadores da 99 depois que venderam a companhia e montaram a plataforma de patinetes elétricas Yellow. No segundo negócio puderam viver na pele as agruras das startups que vão além do digital, já que tinham que gerenciar a produção e a manutenção das patinetes, logística de recarga, depreciação e descarte entre outras questões com as quais não tinham que lidar anteriormente, na plataforma 100% digital.

Empreendedorismo de base científica: Outra característica particular das hardtechs é a usual base técnica e científica. Se no mundo digital é comum ver a fusão da figura dos empreendedores com a da própria startup, no mundo das hardtechs isso é ainda mais contundente. Em estudo feito conjuntamente pela COPPE/UFRJ, FGV, ABStartups e EDP com recursos da ANEEL, foi mapeado que o perfil predominante dos empreendedores (especificamente do setor de cleantech) eram pessoas bastante experientes e com perfil muito técnico, que dificilmente seriam substituíveis com facilidade. Na área de biotecnologia, por exemplo, é comum fundos de investimento fazerem seguros e cláusulas contratuais de lock-in bastante rígidas em relação os fundadores técnicos. Um exemplo interessante nesse sentido é a Biomass Trust, startup fundada por um brasileiro que está fazendo pós-doutorado em Harvard. Neste momento, sua tecnologia exclusiva de retirada de cloro em pellets para exportação produzidos em zonas tropicais só consegue ser implementada com a participação ativa do empreendedor-pesquisador liderando o processo.

Ambiente regulado: Muitas soluções providas por startups hardtechs são endereçadas para setores bastante regulados como saúde, energia e transporte. Dificilmente um produto de uma hardtech de fármacos ou equipamentos médicos poderia ser lançado no Brasil sem atender as normas da Anvisa (ou órgão equivalente em outros países). Isso também vale para energia e as agências ANEEL e ANP. Ou transporte e as agências ANTT, ANAC ou ANTAQ. Esse ambiente regulado, que é fundamental para o funcionamento desses setores, muitas vezes pode ser um entrave para inovação, pois, em geral, a regulação é desenvolvida para mercados maduros. No setor de energia, as agências ANEEL e ANP, percebendo que seus papeis institucionais vão além da fiscalização, estão promovendo uma série de consultas públicas e alterações em seus regulamentos de P&D obrigatório com o objetivo de serem também agentes importantes para o desenvolvimento econômico via inovação. Esse movimento tem engajado um ecossistema ampliado de atores e pode colocar o Brasil na vanguarda das revoluções que virão nesse setor nas próximas décadas.

O que o futuro das hardtechs nos reserva?

Como falamos anteriormente, os últimos 30 anos mudaram completamente nosso modo de viver por meio de empresas do mundo digital. É difícil imaginar nossas vidas hoje sem o Google, Whatsapp, Facebook, YouTube, Uber, iFood, etc. E o mundo digital certamente ainda nos trará muitas inovações, principalmente oriundas de tecnologias de Data Analytics, Inteligência Artificial, Blockchain, entre outras.

Entretanto, existe um mar de novidades sendo incubadas (e já testadas) em muitas outras áreas não-digitais presentes em nossas vidas. Estamos falando, por exemplo, de terapias genéticas, medicamentos, transplantes e integração de homens e máquinas que prometem reinventar a medicina e a saúde humana como conhecemos hoje, algumas prometendo elevar o ser humano à condição de “amortal”.

Nos transportes, novos modais como veículos aéreos autônomos e trens de alta velocidade que geram energia enquanto se movem poderão reinventar o próprio conceito de cidades e centros urbanos como conhecemos hoje. A exploração espacial privada poderá abrir espaço para mineração no espaço ou mesmo bases humanas em outros planetas.

Em energia, além da transformação energética puxada pelos 3 “Ds” (descarbonização, descentralização e digitalização), temos grandes avanços possíveis na em eficiência energética e geração de energia como o silício negro, o grafeno, a fusão nuclear controlada, energia do lixo entre outras que poderão disponibilizar energia abundante e barata para todo o planeta.

Essas tecnologias e startups hardtech já existem e já mostram seu potencial, mas muitas ainda não encontraram o caminho adequado para escalar no mercado por diversos motivos. Algumas iniciativas como o The Engine do MIT, o GreenTown Labs e o Activate no mundo, assim como o LabrInTOS do PEP/COPPE/UFRJ e a Emerge da USP no Brasil, tentam encontrar soluções para acelerar esse processo de chegada ao mercado dessas hardtechs que poderão mudar o mundo nas próximas décadas.

O equivalente ao modelo de venture capital e de gestão lean que ajudaram a viabilizar o digital como conhecemos hoje, definitivamente não funcionará da mesma forma para as hardtechs. As tecnologias ligadas à indústria 4.0 ajudam nessa trajetória, mas ainda há um grande desafio para tornar as hardtechs tão abundantes e escaláveis quanto as startups digitais se tornaram. O homem mais rico do mundo, Elon Musk, achou o seu próprio caminho, mas seu método ainda não é replicável. Para investidores e estudiosos do tema, dado o tamanho da oportunidade, ficam as perguntas: existe um padrão identificável/analisável para o sucesso das hardtechs? Se sim, quais são? Certamente a resposta correta para essas perguntas poderá gerar muitos bilionários nas próximas décadas.

Autor

Hudson Mendonça

https://mittechreview.com.br/elon-musk-e-o-fenomeno-das-hardtechs/

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