Obsessão pela própria imagem na tela é efeito colateral do Zoom

Teté Ribeiro – Folha – MAY 21, 2021

Jornalista, é autora de “Minhas Duas Meninas”, “Divas Abandonadas” e dois guias de Nova York baseados na série “Sex and the City”. Morou em Nova York, Califórnia e Washington entre 2000 e 2010

[RESUMO] Mais de um ano de pandemia e ainda não aprendemos a conviver bem com nossa imagem no quadradinho da tela. Estamos todos exaustos de nossos rostos e desse modelo de interação, que não dá sinais de ir embora tão cedo. Entre desligar a câmera e sumir dos encontros ou deixá-la ativada e olhar obsessivamente para si mesmo, qual a melhor opção?

A nova era das constantes reuniões por Zoom, Teams, Google Meet, Skype ou qualquer que seja o aplicativo usado fez com que todo o mundo passasse muito mais tempo em frente às câmeras do que em qualquer outro período da história. Essa mudança trouxe inúmeras consequências, boas e ruins. E uma sequela inesperada —a obsessão pela própria imagem.

Sim, ganha-se em produtividade ao se ficar mais em casa e menos no trânsito ou nos transportes coletivos. Estudo deste ano conduzido por pesquisadores das universidades Stanford, Instituto Tecnológico Autônomo do México e Hoover Institution com 30 mil trabalhadores norte-americanos concluiu que este ganho foi de 5% durante a pandemia, uma cifra economicamente relevante.

De quebra, o planeta sofre menos. Produzido pela BBC, narrado por David Attenborough e disponível na Apple TV, o documentário “O Ano em que a Terra Mudou” mostra que as águas do rio Ganges, na Índia, ficaram 80% mais limpas, a qualidade do ar em Los Angeles no primeiro ano de pandemia foi a maior em 40 anos e, na China, a emissão de gases tóxicos no ar caiu 50%.

Ilustração de homem abaixado olhando para a tela do seu celular, nela seu rosto refletido com proporções exageradasIlustração de Carolina Daffara

Atire a primeira pedra, porém, quem não passou mais tempo no último ano olhando mais para o próprio rosto do que para qualquer outra figura na tela. Até quem não presta muita atenção em fotografias de si mesmo —caso raro, mas há gente assim— relata uma quase impossibilidade de desviar do reflexo de sua face flutuando no monitor em reuniões de trabalho, de pais e professores, de aulas online.

Happy hours, aniversários e outras datas que passaram a ser festejadas em encontros por Zoom caíram totalmente em desuso, em grande parte porque é mais trabalhoso do que o mundo previa relaxar na companhia de outras pessoas quando a própria imagem está ali, exibida, em tempo real.

“A gente sempre se expôs muito, mas não sabia disso até começar a se ver diariamente nesses encontros online”, diz o psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do ambulatório de identidade de gênero e orientação sexual do Instituto de Psiquiatria do HC. “E as pessoas reagem muito mais com expressões faciais numa reunião digital do que num encontro presencial, em que estão acostumadas a se controlar e não vão arregalar os olhos, coçar a cabeça, fazer uma careta.”

O Zoom não é um espelho normal, nem um espelho digital normal. A réplica que nos confronta nessas plataformas não é a mesma que vemos no banheiro toda manhã ou nas selfies que aprendemos a tirar, em que é possível projetar fantasias e autoilusões.

Não, no quadradinho do Zoom está uma pessoa diferente da que a gente achava que era. Que ri meio estranho, às vezes tem um olho mais aberto que o outro, mexe a cabeça como que concordando com coisas que no fundo não acha legal e deixa transparecer emoções que ficariam bem melhor guardadas.

Impossível deixar de prestar atenção, ou alguma coisa importante pode escapar —e aí está lá, no meio de todo o mundo.

Eric Yuan, o bilionário criador do Zoom que viu fortuna se multiplicar durante pandemia

“Esse é um fenômeno neuropsicológico. Nossa autopercepção visual é limitada, ninguém anda com um espelho na frente o tempo todo. A mesma coisa acontece quando a gente escuta a própria voz gravada, nunca é como a gente acha que é, mas é o que as pessoas escutam”, diz Saadeh.

“A gente não é tão bonito quanto gostaria, tão sensual quanto se imaginava e hoje a gente está lidando com o que o mundo já via. Hoje a gente tem noção da imagem que a gente passa”, completa o psiquiatra.

E como é cansativo ter a si mesmo ao alcance dos olhos o dia inteiro. Nem o mais narcisista dos seres humanos aguenta tanta exposição. Essa estranha exaustão se instalou nas nossas vidas como se fosse apenas mais uma consequência terrível da pandemia, mas pode ter mais a ver com nossos ombros, pescoços e rostos, a parte que normalmente aparece nas telas, do que poderíamos imaginar.

A exaustão 2020/2021 já tem até nome: “Zoom fatigue”, fadiga do Zoom. O termo surgiu logo no início da pandemia, foi tema de um TED Talk e ganhou definição psiquiátrica: “O cansaço, a preocupação ou o burnout associado com o uso excessivo de plataformas de comunicação”.

E, como que para ficar mais atual ainda, é, óbvio, pior para as mulheres. Uma pesquisa da Universidade Stanford, na Califórnia, mostrou que 13,8% das mulheres se sentem “extremamente” cansadas depois de uma videoconferência, contra apenas 5,5% dos homens. A culpa? A ansiedade do espelho.

Mas as mulheres não nascem aflitas com sua estampa. Muitas vieram a desenvolver essa agonia depois de entrar no mercado de trabalho. “A cultura empresarial vê a falta de cuidados de uma mulher com a aparência como um problema, mesmo que ela esteja rendendo o mesmo ou até mais do que rendia quando se arrumava para ir ao escritório”, me disse Fabro Steibel, diretor-executivo do ITS (Instituto de Tecnologia e Sociedade) e professor de inovação.

E, como as tarefas domésticas também são culturalmente uma atribuição mais imposta às mulheres, não basta uma blusinha bem passada, uma base e um batom para exibir uma boa imagem. O ambiente na tela, que mostra um pedaço da casa, também conta.

“Se o fundo da tela revelar que tem um monte de roupas jogadas em cima do sofá que está atrás, isso é lido como sinal de descuido”, diz Steibel.

O executivo também alerta para um possível exagero na quantidade de encontros digitais. “É um pouco por causa da lógica de controle dos chefes, ‘se eu te vejo trabalhando, você está trabalhando’.”

No instituto que dirige, no Rio de Janeiro, Steibel tentou dar exemplo para deixar sua equipe à vontade na frente da câmera. “Comecei a não me arrumar de propósito, deixava a barba sem fazer, usava qualquer roupa”, contou. Mas também distribuiu luminárias adequadas para toda a equipe, assim como mesa e cadeira para os funcionários que não tinham escritório montado em casa.

Além disso, adotou regras de etiqueta que, acredita, deviam ser aceitas por todas as pessoas e em todos os lugares em que o digital substituiu o presencial de uma hora para outra.

“Tem que ser totalmente aceitável a pessoa desligar a câmera quando quiser, ninguém precisa se arrumar para fazer uma reunião por Zoom, precisamos da voz, do ouvido e das ideias das pessoas, não das caras. Está todo o mundo em casa, se tem filhos, a criança tem que poder aparecer atrás, fazer barulho, dar um tchau. O cachorro tem que poder latir. Não faz mais sentido seguir a etiqueta de um escritório, essa não é mais a realidade.”

O trabalho e a vida das mulheres na pandemia: o que mudou?

E um dia voltará a ser? Quando acabar a pandemia, ou quando as coisas melhorarem um pouco e houver mais gente vacinada, vamos nos livrar do fardo de ter nossas próprias imagens na nossa frente o dia inteiro? O psiquiatra e o executivo têm opiniões divergentes.

Diz Fabro Steibel: “Vai ficar tudo exatamente como é hoje. Como era antes não vai ser nunca mais, chance zero. Trabalhar remotamente veio para ficar”, ele prevê. Isso, contudo, não significa que teremos de aceitar nossa cara pixelizada para sempre. “Pode ser que a gente passe a usar mais áudio. O Clubhouse (rede social só de áudios), por exemplo, é muito interessante.”

Na visão do doutor Alexandre Saadeh, basta ver o que acontece no mundo inteiro para contrariar, em parte, a tese de Steibel. “Talvez algumas reuniões de trabalho, mais curtas, possam continuar acontecendo digitalmente. Mas o presencial vai voltar. A gente é animal, a gente precisa da interação.”

Se for assim, nossa autoimagem tem a chance de voltar a ser uma bem-vinda ilusão. Uma mistura daquelas caras que a gente treina na frente do espelho com as melhores fotos que já tirou na vida, aquelas que foram parar em porta-retratos pendurados na parede. E que não causam nenhum cansaço, só, talvez, certa nostalgia. E com ela lidamos melhor.

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2021/05/obsessao-pela-propria-imagem-na-tela-e-efeito-colateral-do-zoom.shtml

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Movimentos futuristas da Hyundai apontam o caminho das montadoras

Empresa sul-coreana se alia a grandes nomes do Vale do Silício, como Apple e Uber, para se reinventar com iniciativas saídas das telas de cinema

 Por Guilherme Guerra – O Estado de S.Paulo – 24/01/2021   

Botar nas estradas bólidos movidos à combustão não é mais suficiente para as gigantes do setor automotivo. Para muitos especialistas, o setor vive a maior transformação da história – e as soluções no horizonte parecem saídas das telas do cinema: veículos elétricos, sistemas de direção autônoma e carros voadores. Para dar esse cavalo de pau tecnológico, muitas montadoras vêm flertando com o Vale do Silício para absorver rapidamente tecnologia e ganhar capital. Com parcerias e compras improváveis, quem parece estar chegando veloz e furiosa nessa disputa é a sul-coreana Hyundai

O grande trovão indicando o mundo futurista da Hyundai ocorreu no começo deste ano. O jornal IT Korea publicou que a empresa está para fechar um acordo com a Apple para a fabricação de carros autônomos, que seriam lançados já em 2024 nos EUA. A gigante da tecnologia americana não se pronunciou a respeito, mas a montadora confirmou que as duas foram à mesa de discussões, sem nada decidido. Pelo que indicam os rumores, está sendo desenvolvida uma bateria de “outro nível” para o carro, que usaria as câmeras LiDAR (que medem profundidade de objetos, utilizadas atualmente nos iPhones 12 Pro) para se movimentar pelas ruas. Mais detalhes, no entanto, são escassos.

Parceria entre Hyundai e Uber prevê o desenvolvimento de um táxi aéreo

Parceria entre Hyundai e Uber prevê o desenvolvimento de um táxi aéreo

Antes disso, porém, a empresa já vinha pavimentando o caminho para o futuro. Na edição do ano passado da CES, principal feira de tecnologia dos EUA, a sul-coreana revelou um protótipo de táxi aéreo que serviria para abastecer a frota do Uber, que desde 2016 tenta tirar da gaveta projetos de veículos voadores para circular já na próxima década. Testes de voo não foram realizados e, por enquanto, a iniciativa ainda não decolou — mas o sonho de voar pelos céus das grandes cidades permanece. A parceria ganhou ainda mais importância depois que a Uber, em dezembro do ano passado, vendeu a Uber Elevate, divisão interna responsável por cuidar do projeto de táxis aéreos, para a startup americana Joby Aviation, especializada em carros de voos verticais com passageiros.

Antes da virada do ano, outro anúncio inusitado: a Hyundai comprou 80% da Boston Dynamics, empresa que faz sucesso na internet com vídeos de seus robôs altamente desenvolvidos, lembrando da série Black Mirror. Mesmo em uma transação que girou US$ 880 milhões (a Boston pertencia ao fundo de investimento Softbank), a empresa nunca conseguiu definir os seu modelo de negócios. Parece ser uma situação diferente da montadora sul-coreana, que imagina ser capaz de usar a tecnologia na automação das fábricas e no desenvolvimento de carros, drones e, claro, robôs.

Robôs da Boston Dynamics agora pertencem à Hyundai 

Robôs da Boston Dynamics agora pertencem à Hyundai 

Parceria

Essas parcerias e compras estratégicas fazem parte de um movimento geral de aquisições, fusões e parcerias da indústria automotiva para ganhar força e investir em pesquisa e inovação, diz Ricardo Bacellar, líder de setor automotivo da KPMG no Brasil.

Outras colaborações do mercado incluem a General Motors e a Microsoft, que planejam lançar veículos autônomos. Além disso, a própria GM é dona de parte das ações da Lyft, maior concorrente do Uber nos Estados Unidos. A montadora chinesa Geely anunciou neste mês parcerias com as conterrâneas Baidu e a Tencent para um carro inteligente e conectado. 

Ao contrário das fabricantes de celulares e de outros gadgets, que apresentam grandes saltos em seus produtos em um ou dois anos, as montadoras têm de lidar com ciclos mais longos de inovação por conta das grandes cadeias de produção que envolvem a fabricação de novos carros.

“Antes, as ondas de inovação no setor tinham frequência mais espaçada, mas que vêm se acentuando nos últimos anos”, conta Bacellar. A pressão para anunciar novidades tem feito com que as empresas do Vale do Silício, especialistas em análise de grandes volumes de dados e na criação de interfaces amigáveis, sejam as associações favoritas do ramo automobilístico. “E essas parcerias reduzem o custo da onda de inovação para as montadoras.”

A simbiose entre Vale do Silício e montadoras vai muito além também da necessidade de unir o software e imensos volumes de dados às fábricas de carros de décadas de experiência no currículo. Para as primeiras, representa o futuro e a expansão dos negócios para um novo nicho. Para as últimas, é a sobrevivência num setor em que chegam cada vez mais concorrentes, como as aéreas Embraer, Airbus e Boeing – todas têm projetos de carros voadores.

Hyundai aposta em novos modelos de veículos, como os carros elétricos autônomos e voadores, para se reinventar

Hyundai aposta em novos modelos de veículos, como os carros elétricos autônomos e voadores, para se reinventar

Hugo Braga, professor e membro do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo na Fundação Dom Cabral, explica as vantagens para a Hyundai nos movimentos que tem feito. A Apple pode compartilhar o conhecimento adquirido nas áreas de realidade virtual e realidade aumentada, tecnologias essenciais para se integrar aos sensores dos carros inteligentes. Já o Uber detém os dados de mobilidade urbana de consumidores de todo o mundo, o que pode servir de base para entender como os veículos podem se tornar mais eficientes em quilômetros rodados, por exemplo. A excelência em robótica da Boston Dynamics, por sua vez, será útil na automação das fábricas, essencial para poupar mão de obra e aumentar a eficiência de produção.

“Nesse cenário, a Hyundai entra no mercado com alta adoção de tecnologias e isso faz dela uma empresa mais tecnológica, e menos de produção industrial, como é hoje”, afirma Braga. Por outro lado, a parceria reafirma o valor da companhia no ramo, sem ter de enfrentar a concorrência com desenvolvimentos próprios feitos pela Apple, Google ou Uber.

Questão de percepção

O movimento das parcerias das empresas da indústria automobilística com as de tecnologia também tem outra função: passar uma mensagem positiva ao mercado financeiro.

“A associação da Hyundai com a Apple é extremamente relevante para o mercado financeiro, que vive de percepções”, diz Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos automotivos da Fundação Getúlio Vargas. “No momento em que se joga com a Apple, a empresa dá um passo monumental em dizer que vai sobreviver no futuro.”

A estratégia parece ter funcionado. No dia em que saiu o primeiro rumor da parceria entre Hyundai e Apple, em 7 de janeiro, as ações da montadora deram um salto de 19% no pós-mercado da Bolsa sul-coreana.

Para Raul Colcher, membro do Instituto dos Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e sócio e presidente da Questera Consulting, é difícil que o movimento de parcerias entre montadoras e Big Techs seja freado. Mas o choque cultural na maneira de fazer negócios e nos ritmos de desenvolvimento pode impedir que as colaborações saiam tão facilmente. “Todas essas empresas querem abocanhar o máximo que der, mas eles vão ter de cooperar, mesmo com choques de estilo e culturas empresariais diferentes.”

Bacellar, da KPMG, concorda. “O modelo de inovação de erro e acerto dessas empresas de tecnologia é impossível de ser reproduzido na indústria automotiva. O que acontece se der uma tela azul na rodovia?”.

https://link.estadao.com.br/noticias/empresas,movimentos-futuristas-da-hyundai-apontam-o-caminho-das-montadoras,70003591082

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Formação e contratação de profissionais de tecnologia viram oportunidade para startups

Gargalo de mão de obra no mercado de tecnologia cria mercado promissor para startups desde a educação até a conexão com as empresas

 Por Giovanna Wolf e Bruna Arimathea – O Estado de S.Paulo 07/04/2021

 O setor de tecnologia vive um “boom” histórico, com recorde de aquisições e de aportes em startups. Segundo a empresa de inovação Distrito, no primeiro trimestre de 2021, as startups brasileiras receberam US$ 1,9 bilhão em investimentos, 54% do total aplicado em 2020 – período que já havia surpreendido pelos grandes cheques. Porém, para além da euforia, o ritmo acelerado tem trazido uma dor de cabeça latente: a dificuldade de contratar profissionais na área de tecnologia.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a demanda por profissionais na área será de 420 mil pessoas até 2024, tanto em startups quanto em grandes companhias. Diante disso, algumas empresas têm se esforçado para conter esse gargalo, oferecendo soluções em diferentes pontos da jornada de um especialista em tecnologia, desde a educação até a conexão com as empresas. 

A parte educacional é a solução mais óbvia, e já conta com grandes players globais, como a Udemy e a Digital House – esta última é uma startup argentina que recebeu um aporte de R$ 280 milhões no mês passado. Nomes brasileiros, entretanto, também estão começando a despontar. É o caso da catarinense Rocketseat e da paulista Shawee, que anunciaram uma fusão em outubro de 2020. 

A Rocketseat é uma escola digital de programação, enquanto a Shawee atua diretamente com empresas, oferecendo “hackathons” (eventos de treinamento para desenvolvedores) para aproximar profissionais de companhias – as duas startups foram fundadas em 2017 e já atenderam cerca de 530 mil profissionais no Brasil. 

Rodrigo Terron, diretor de operações da Rocketseat e CEO da Shawee

Rodrigo Terron, diretor de operações da Rocketseat e CEO da Shawee

As empresas atuam em diferentes momentos da carreira do profissional. A Rocketseat é dona de uma plataforma de cursos online que oferece formação gratuita para iniciantes e aulas intermediárias e avançadas pagas. “Damos uma certificação alinhada com o mercado. Se um desenvolvedor quer trabalhar no Mercado Livre, ele tem de aprender uma linguagem de programação. Outra startup pode ter outra linguagem. Temos conexão com profissionais do mercado para trazer conteúdos técnicos mirando objetivos”, explica Rodrigo Terron, que agora tem duplo chapéu como diretor de operações da Rocketseat e CEO da Shawee. 

Nesse sentido, a Shawee virou um braço da Rocketseat. “O hackathon, seja em um modelo presencial ou online, é uma forma de levar o desenvolvedor para dentro de cada empresa e contar para ele quais tecnologias aquela companhia usa – a aproximação pode resultar em uma contratação”, explica Terron. Nomes como Quinto Andar, Loft, Vtex, Stone, Itaú, Uber e IBM já usaram o serviço da Shawee – ao todo, a startup já trabalhou em projetos com cerca de 150 empresas.

As duas startups somam 80 funcionários e esperam chegar ao fim de 2021 com 110. Elas se sustentaram até hoje sem a ajuda de capital externo, mas, para acelerar o crescimento, planejam uma rodada de investimento até julho. O valor pretendido não foi revelado. 

Ainda na parte educacional, a distribuição de cursos online focados em programação também virou um filão para startups. Quem atua nisso é a carioca Classpert, uma plataforma de comparação e busca de cursos online –  é como se fosse um “mini Google” que organiza informações de aproximadamente 230 mil cursos online em 10 idiomas, sendo a maior fatia deles aulas de tecnologia. A startup, criada em 2018, tem entre seus investidores a empresa Quero Educação, e os fundos Iporanga Ventures e Canary

“A oferta de cursos online explodiu e é difícil encontrar exatamente o que aprender e qual é o melhor curso. Mostramos o comparativo de informações como tempo de curso, preço e recomendações de usuários”, diz Felipe Jordão, CEO da startup. A Classpert ganha dinheiro pelos cursos vendidos, realizando uma cobrança do produtor do conteúdo a cada transação. 

Durante os primeiros seis meses de 2020, com o impulso da pandemia, a startup registrou um crescimento de 40% em acesso orgânico e faturamento. 

Ponte

Além da formação, a conexão de profissionais com as empresas é um ponto sensível, explica Raphael Augusto, sócio diretor de inteligência de mercado da aceleradora Liga Ventures. “É uma competição muito grande por esses profissionais”, diz ele. 

A ânsia por agilidade na contratação é tanta que algumas empresas optam por adquirir startups para chegar mais rápido a esses profissionais, prática conhecida no mercado como “acqui-hiring” (aquisição por contratação). Essa ideia já foi executada pelo Nubank, que, em janeiro de 2020, comprou uma consultoria especializada em engenharia de software e metodologias ágeis e integrou um time de 50 profissionais à sua equipe. 

É na dificuldade de conexão que a startup Vulpi se propõe a ajudar. Fundada em 2016, a empresa mineira atua no recrutamento e na indicação de profissionais de tecnologia: sua plataforma usa inteligência artificial para cruzar dados de candidatos com empresas. “Quando trabalhei como desenvolvedor numa fábrica, senti o problema. A empresa pegava um projeto novo e o RH se descabelava”, conta Fellipe Couto, presidente executivo da startup. 

Nos últimos cinco anos, a Vulpi atendeu mais de 500 empresas. “Muitas vezes, o RH segue a orientação do gerente de tecnologia para criar uma vaga de desenvolvedor, mas não entende as linguagens e a vaga vira uma sopa de letrinhas, pouco atrativa”, explica Couto. “Na nossa plataforma, ajudamos inclusive o RH que não sabe se existe aquele profissional que a empresa está buscando. O algoritmo interpreta, cria uma ‘vaga-base’ e estabelece os principais parâmetros para aquela demanda”.

André Abreu, presidente executivo da BossaBox

André Abreu, presidente executivo da BossaBox

Nessa ponte, há também quem aposte na flexibilização das contratações. A startup BossaBox, por exemplo, tem uma plataforma que conecta freelancers com companhias, atendendo demandas de projetos específicos de inovação. Criada em 2017, a empresa já atendeu cerca de 100 clientes, entre eles Omo, Hering e Unidas. “Temos uma base de dados de freelancers e os alocamos de acordo com o perfil. Focamos em grandes empresas porque elas estão com mais problemas”, explica André Abreu, presidente executivo da BossaBox. A startup usa algoritmos e também um trabalho de humanos no direcionamento. 

Na visão de especialistas, mais do que uma oportunidade, esses serviços são necessários para que o setor de tecnologia continue crescendo. “Se não investirmos em talentos, o setor pode enfrentar uma estagnação em breve”, diz Ug Cobra, diretor de operações da aceleradora Darwin Startups. “O risco é virar uma caçada cada vez mais selvagem, com empresas lutando para reter o funcionário a qualquer custo”. 

https://link.estadao.com.br/noticias/inovacao,formacao-e-contratacao-de-profissionais-de-tecnologia-viram-oportunidade-para-startups,70003672715

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Hoje 20/5 19hs Live com Evandro Milet

https://linktr.ee/canalinovacao

Live 5 – Como o mundo das startups impacta a liderança dos negócios

-Definição e gestão de startups

-Ambientes de inovação (coworks, incubadoras, aceleradoras, espaços maker, hubs, labs, parques tecnológicos)

-Ecossistemas de inovação 

-Exemplos e casos de sucesso

-O papel da liderança

Perfumes? Grupo Boticário quer ficar conhecido pelos algoritmos

Com mudanças internas e aproximação de startups e desenvolvedores, gigante dos cosméticos quer colocar tecnologia no centro de sua operação

 Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo 12/05/2021 

“O Boticário não é conhecido ainda como uma empresa de tecnologia, né?”, admite Daniel Knopfholz, vice-presidente de tecnologia do Grupo Boticário (GB). Há dois anos no cargo, o executivo, que é jornalista de formação, tenta colocar tecnologia e inovação no centro dos valores e negócios de uma empresa com um histórico de 44 anos. Com o fechamento dos 4 mil pontos físicos de venda durante a pandemia, olhar para a tecnologia foi fundamental. Depois de crescer 9% em 2019, a empresa teve momentos de dificuldades em 2020 – chegou a ter dias de faturamento zero no período. Foi preciso farejar o que já havia dentro de casa em busca de “cheirinho” de inovação – e olhar para fora também.

A pista mais recente desse movimento aconteceu no último mês de março. Por um valor não divulgado, o GB comprou a GAVB, uma startup gaúcha focada em IA e big data. É uma negociação que reforça o time de desenvolvimento da empresa – e lembra aquisições de startups gigantes, como o Nubank, que comprou a Plataformatec no começo de 2020. Antes da GAVB, em fevereiro de 2020, o GB integrou a equipe de desenvolvedores do time de Beleza na Web, site de comércio eletrônico de produtos de beleza comprado em agosto de 2019. 

Knopfholz: “A tecnologia não é uma área de serviço, e sim de resultados”

Knopfholz: “A tecnologia não é uma área de serviço, e sim de resultados”

Embora as duas startups sejam diferentes, os negócios tinham em comum não apenas a intenção de fortalecer a presença digital da empresa, mas também de ajudar a transformar a sua cultura. “Passamos pelo entendimento de que tecnologia não é uma área de serviço dentro do grupo. É uma área de resultado e passamos a investir”, conta Knopfholz. Em outras palavras, a tecnologia não podia ser mais “help desk”: era preciso transformá-la numa via fundamental para os negócios da empresa. Houve uma reorganização interna – três novos executivos, com carreira na Magalu e Amazon, chegaram.  

Já as equipes que trabalhavam separadamente nos diferentes canais (o que inclui marcas como Eudora, Quem disse, Berenice?, BeautyBox, Vult, Eume, além de Beleza na Web) de olho em segmentos específicos (consumidor final, revendedores e franqueados) passaram a trabalhar juntos. Alguns dos algoritmos criados pelo time de Beleza na Web foram aplicados aos outros canais digitais do GB, como Boticário e Eudora. 

Com tudo isso, o número de desenvolvedores explodiu. Antes da mudança eram só sete profissionais em toda a empresa – agora são 390. O objetivo para 2021 é ter 600 desenvolvedores, enquanto a meta de todo o time de tecnologia é de mil funcionários.

“O modelo de empresas tradicionais era muito engessado, focado em resultado financeiro ou geração de caixa. De dois anos para cá, elas perceberam que a tecnologia precisava estar no cerne da tomada de decisão com foco no cliente”, avalia Hugo Tadeu, professor e pesquisador da Fundação Dom Cabral. “A pandemia colocou ainda mais pressão sobre essa necessidade, porque ela jogou no chão o resultado financeiro”, diz.

Aceleradora

As mudanças internas não abriram apenas as vias para a aquisição de talentos e de startups. O projeto começou a esticar tentáculos em direção a outros pontos do ecossistema. Um deles foi a formação de desenvolvedores. 

Por meio do Desenvolve, um projeto com quatro instituições de ensino tecnológico (Crescere, Kenzie Academy, Labenu e One), o GB passou a oferecer cursos gratuitos para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Na primeira turma, foram selecionados 137 candidatos entre os 8 mil inscritos. Nenhum deles tem obrigação de permanecer com o GB, mas muitos deles deverão ser contratados pela empresa. 

“Existe um problema óbvio de mão de obra, que piorou com o dólar alto. Resolvemos, então, formar desenvolvedores. Unimos isso com a necessidade investir em pessoas, o que pode mudar a vida de famílias inteiras”, diz Knopfholz. 

O outro passo foi a criação do GB Ventures, que, embora o nome indique, não funciona como um fundo dedicado a startups. Esse é um projeto que funciona como uma aceleradora. A ideia é dar formação, ensinando passos de gestão, de desenvolvimento e testagem, além de compartilhar redes de contatos – um dos mentores, por exemplo, é Paulo Veras, fundador da 99.  

Entre as 137 startups inscritas, 13 foram escolhidas – todas em áreas estratégicas para o GB, como retailtech (varejo), beautytech (beleza) e trendsetter (tendências). Além da formação, as escolhidas poderão usar toda a rede de canais do GB para testar suas tecnologias e produtos. Posteriormente, o GB poderá investir ou até adquirir as startups.  

“Quando você internaliza desenvolvimento, vem aquele receio de você tá perdendo o rastreio do que tá acontecendo no longo prazo. Você pode deixar de ver alguma tecnologia nova e perder um pouco da disrupção. Esse programa serve para nos aproximar da comunidade”, explica Knopfholz.

Equilíbrio 

De fato, equilíbrio e paciência parecem ser fundamentais para gigantes tradicionais que resolvem apostar num movimento de inovação. “Empresas gigantes não têm necessidade iminente de mudança, pois têm modelo de negócios provados e bem sucedidos. Então, elas ficam no dilema entre continuar entregando resultados e buscar novos caminhos”, diz Paulo Padula, diretor geral da aceleradora Plug and Play. 

É um desafio que, no caso do GB, ainda parece não ter ficado para trás “A agenda de inovação não é barata. Esse tipo de projeto exige investimento e recorrência de investimento. É uma agenda para cinco anos”, lembra Tadeu. 

Quando a ideia é trabalhar com startups, existe uma outra camada de complexidade. “O gigante precisa entender que startups são um tipo frágil de animal”, diz Padula. “Elas não são fornecedores comuns, que preenchem requisitos rígidos de produtos e de estrutura. É uma relação cara, mas, que, se der certo, pode fazer muita diferença”. 

É um desafio que Knopfholz parece disposto a enfrentar. “Agora, quem desenvolve algoritmos, apps e meios de pagamentos têm tanta importância quanto quem faz maquiagem e perfume”. 

https://link.estadao.com.br/noticias/inovacao,perfumes-grupo-boticario-quer-ficar-conhecido-pelos-algoritmos,70003711645

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Como empreendedores e CEOs bilionários têm suas melhores ideias

O empresário do setor de tecnologia Josh Linkner apresenta as 8 principais habilidades de grandes inovadores

Por Mariana Martucci – Exame – 15/05/2021 

A pressão para gerar grandes ideias pode ser desgastante. Sabemos que inovações ousadas podem ser alvo de críticas, especialmente em tempos turbulentos e competitivos como o que vivemos. Mas quando se trata de pensamentos inovadores, muitas vezes travamos.

Em seu mais recente livro, o autor de best-sellers e empresário de tecnologia do New York Times, Josh Linkner, sugere uma abordagem mais leve e objetiva sobre o tema. Em vez de buscar um IPO de US$ 10 bilhões ou um Prêmio Nobel, Linkner mostra que os inovadores mais produtivos se concentram em “grandes pequenas descobertas” – pequenos atos criativos que desbloqueiam recompensas massivas ao longo do tempo.

Essas microinovações são menos arriscadas, acessíveis a todos em uma empresa e fornecem resultados significativos enquanto ajudam os indivíduos a desenvolver seu conjunto de habilidades criativas.

Em “Grandes descobertas: como pequenas inovações diárias geram grandes resultados“, Linkner  fornece uma metodologia pragmática para cultivar o pensamento inovador e a resolução criativa de problemas, um passo de cada vez.

Argumentando que todos nós podemos ser “inovadores diários”, Linkner compartilha as mentalidades e táticas de pessoas comuns que fazem coisas excepcionais nos negócios, saúde, ONGs, comunidade e educação. Por meio de milhares de horas de pesquisa e entrevistas com CEOs, bilionários, empresários famosos e músicos vencedores do Grammy, ele compartilha as oito principais obsessões dos inovadores do dia-a-dia. Confira a seleção feita por Marcel Schwantes, publicada no site Inc:

1. Entregue-se ao problema

Em vez de firmar o pé em uma solução específica, use o tempo para examinar e compreender o desafio como um todo. Isso significa estar mais comprometido com a solução do problema do que com uma maneira específica de resolvê-lo. Permaneça sempre flexível e de mente aberta para encontrar a abordagem ideal.

2. Comece antes de estar pronto

Grandes inovadores tomam a iniciativa de começar antes mesmo de permissões, instruções detalhadas ou condições ideais. Eles estão dispostos a corrigir o percurso ao longo do caminho, se adaptar às novas circunstâncias em tempo real e operar com agilidade.

3. Testes são (mais que) permitidos

A inovação é fortalecida por meio da experimentação. Ao construir uma estrutura e condições para teste e exploração criativa, as ideias são cultivadas e otimizadas.

4. Quebre para consertar

Esqueça o antigo conselho “se não está quebrado, não conserte”. Inovadores constantemente se desconstroem, examinam e reconstroem para fornecer produtos, sistemas e processos superiores.

5. Dê espaço para o não-convencional

Preferindo as abordagens inesperadas às óbvias, os inovadores desafiam a sabedoria convencional em busca de ideias não ortodoxas. Eles têm uma tendência para descobrir ideias estranhas, às vezes bizarras, a fim de descobrir resultados melhores.

6. Beba cada gota de suco

Considere esta uma abordagem para fazer mais com menos. Ter recursos limitados pode alimentar avanços criativos. Engenhosidade torna-se uma arma poderosa na luta por inovação.

7. Não se esqueça das borboletas

Adicionar pequenos floreios criativos pode produzir resultados significativamente melhores. Uma dose extra de surpresa e prazer permite novas invenções, vitórias competitivas e conquistas individuais.

8. Caia sete vezes, levante-se oito

Percebendo que os contratempos são inevitáveis, os inovadores usam a resiliência criativa para superar as adversidades. Os erros são uma parte natural e importante do processo de inovação e podem ser transformados em vantagens quando estudados e adotados. Big Little Breakthroughs substitui o mito de que a inovação é apenas para os “marketeiros”, entregando uma dose saudável de criatividade para cada área funcional, problema incômodo e afazeres diários.

https://exame.com/carreira/como-empreendedores-e-ceos-bilionarios-tem-suas-melhores-ideias/

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IA é chave para recuperação dos negócios

Computação em nuvem, análise de dados e segurança são os principais focos de investimentos

Por Ana Luiza Mahlmeister — Para o Valor – 17/05/2021

Em um ano de grandes desafios, a inovação é prioridade para retomar o curso dos negócios. A empresa tradicional se reinventou para competir com os nativos digitais, tendo a tecnologia como base dessa evolução. Após as enormes rupturas causadas pela crise da covid-19, não haverá uma “volta ao normal” na forma de trabalhar, operar cadeias de suprimentos e atender os clientes.

O estudo IDC Predictions, que ouviu 200 empresas entre 2018 e 2021, aponta que a segurança, inteligência (big data, sistemas analíticos, inteligência artificial, aprendizado de máquina) e nuvem pública lideram os investimentos em tecnologia.

Em pesquisa da IBM conduzida pela Morning Consulting em 2021, entre 5,5 mil empresas, 21% dos profissionais de tecnologia da informação entrevistados na América Latina afirmam usar inteligência artificial (IA) em suas empresas. No Brasil, 40% deles relatam ter implantado IA em seus negócios.

A pesquisa anual também descobriu que a falta de habilidades em IA e o aumento da complexidade dos dados são os principais desafios. “IA se tornou mais acessível e será a chave do sucesso no período de recuperação dos negócios, pela capacidade de ajudar as empresas em novas formas de trabalhar e tomar decisões rápidas com base em dados para que possam permanecer relevantes e à frente dos concorrentes”, afirma Silvio Dantas, diretor do applied innovation exchange na Capgemini.

A grande aposta no período pós-pandemia será a convergência de tecnologias com novas realidades de trabalho, experiências, sustentabilidade e responsabilidade social. Nesse período, os administradores aperfeiçoaram a liderança de equipes em trabalho remoto e devem aprofundar esses conhecimentos a partir de agora.

Tecnologias como computação em nuvem, blockchain – que permite rastrear o envio e recebimento de informações em códigos gerados on-line – moedas digitais e segurança cibernética já estavam disponíveis, e tiveram a adoção acelerada pela pandemia de covid-19.

Outras tecnologias que pareciam estar mais distantes – como computação quântica e robótica – começaram a ficar comercialmente viáveis antes do previsto. O estudo Tech Vision 2021 da Accenture mostra que cada vez mais os produtos evoluíram para serviços, e esses para soluções de economia compartilhada. “Essa convergência de complexidades, modelos de negócio e expectativas dos consumidores traz benefícios para a sociedade, enquanto o mercado de trabalho terá que se adaptar constantemente”, aponta Roberto Frossard, diretor-executivo da Accenture Technology.

Além da difusão do trabalho remoto, digitalização e automação, as empresas repensaram a proximidade com as cadeias de produtores e fornecedores. Reconhecem o papel central da IA e buscam conhecimento, capacidades e talentos necessários para utilizar todo o seu potencial. “Estão surgindo novas profissões relacionadas a dados e automação, enquanto as atividades mecânicas deixarão de exi.stir”, prevê Dantas, da Capgemini.

O melhor uso de IA e sistemas analíticos integrados às plataformas de comércio eletrônico, permitem, por exemplo, a análise de sentimentos para personalização das ofertas de produtos e serviços. Outras tendências são soluções sem toque com comando de voz integradas a meios de pagamento virtuais e streaming de vídeo para compras on-line.

As tecnologias que ganharam escala durante a pandemia- como videoconferência, 5G, nuvem e plataformas digitais de comércio eletrônico – tendem a se aprofundar. Marketplaces que viabilizam as vendas on-line e a comunicação das empresas com seu ecossistema se popularizaram.

“A captura de dados aumentou exponencialmente e os sistemas analíticos se tornaram fundamentais para a transformação desses dados em informações relevantes que se traduzem em ganhos de eficiência”, destaca Marcelo Mendes, chief business development officer Latam da consultoria Keyrus. As redes sociais geram ainda mais dados que alimentam as empresas com informações sobre o comportamento do consumidor, aproximando o mundo pessoal do corporativo. “Serão necessários estudos sociológicos para entender as consequências e marcos regulatórios para limitar as possíveis reações adversas para a sociedade”, diz. Mendes.

As redes 5G combinadas com IA terão mais capacidade analítica para respostas em tempo real na oferta de serviços personalizados. “A internet das coisas trará mais oportunidades relacionadas às cidades inteligentes”, afirma David Morrell, sócio da consultoria e auditoria PwC. Na indústria, a realidade aumentada e virtual vai mudar formas de interação em treinamento e manutenção.

Da mesma forma que pode ser usada para melhorar nossas vidas, a tecnologia aprofunda diferenças sociais em uma sociedade já assimétrica como a brasileira. A inteligência artificial pode fazer a diferença em solucionar problemas como erradicar doenças, fome e pobreza – questões que hoje não somos capazes de resolver. “Se considerarmos que mais de 20% dos domicílios brasileiros não têm acesso à internet num contexto em que até as aulas são on-line, as diferenças sociais podem se tornar ainda mais impactantes com a crescente dependência tecnológica da sociedade”, ressalta Morrel, da PwC.

Segundo a pesquisa Workforce of the Future da PwC, 37% das pessoas estão preocupadas em ser substituídas por automação tecnológica e 74% estão prontas para treinar novas habilidades. “Devemos tomar medidas práticas para reduzir a diferença social e aumentar o acesso das pessoas às profissões que são criadas pelas novas tecnologias, além de contar com políticas e iniciativas públicas e privadas para seu desenvolvimento nas mais diversas áreas”, afirma Morrel. Existem lacunas importantes em que o país poderia se tornar referência, tais como serviços digitais na saúde e tecnologia aplicada à sustentabilidade, priorizando temas estratégicos.

https://valor.globo.com/publicacoes/suplementos/noticia/2021/05/17/ia-e-chave-para-recuperacao-dos-negocios.ghtml

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Quem são e o que querem as big techs chinesas

Modelo de negócios na China inspira empresas como a brasileira Magazine Luiza e colombiana Rappi

Amanda Lemos – Folha de São Paulo – 15/05/2021

Para cada empresa de tecnologia do Vale do Silício, nos Estados Unidos, existem dezenas de versões chinesas, mas não são apenas cópias. Com visões de negócio diferentes, a China emergiu no cenário mundial com um conjunto de empresas globais competitivas. Cada vez mais, os modelos de sucesso estão sendo estudados e replicados em outros mercados, como o brasileiro.

Hoje, a China é representada por seis grandes empresas de tecnologia: Tencent, Alibaba, Baidu, ByteDance, Meituan e Didi Xuxing, que controlam dezenas de outras empresas que vão desde serviços de saúde até pagamentos. Por meio de superapps, usando apenas uma plataforma, um cidadão chinês pode fazer compras, realizar pagamentos, agendar consultas e conversar com amigos.

A Alibaba é detentora da taobao.com (ecommerce), KuWo Music (música), Weibo (redes sociais), Alibaba Cloud (nuvem), Alipay (pagamentos), apenas para citar alguns exemplos.

Como é o ecossistema das big techs chinesas

            Ocidente                                                                         China

A fórmula para o sucesso das big techs chinesas tem uma combinação de ingredientes um pouco diferente da adotada em boa parte do Ocidente, explica Otávio Miranda, cientista político formado pela Renmin University, na China.

Primeiro, a competitividade do mercado doméstico é brutal e sem paralelo. Uma boa representação da disputa local são aquelas fotos com milhares de bicicletas enfileiradas —de um número incontável de diferentes marcas.

As empresas cresceram aproveitando investimentos públicos em infraestrutura, e investindo e comprando outras empresas privadas.

“As empresas cresceram sem participação do estado chinês. São fruto de décadas de investimento público na construção da infraestrutura urbana e de redes, fundamental ao crescimento e desenvolvimento de uma nova indústria de serviços pronta para alcançar centenas de milhões de habitantes.”, diz. “Ao mesmo tempo em que tinham liberdade e incentivo para fazer negócios fora da China”.

Também há incentivo a fusões e aquisições. Baidu, Alibaba e Tencent controlam ou investem em pelo menos 50% das startups unicórnios chinesas. “As empresas de tecnologia chinesas funcionam da seguinte forma: ‘sua margem é minha oportunidade’. Uma forma de crescer é via aquisição de novas empresas”, diz Miranda.

Bicicletas de vários serviços de compartilhamento de bicicletas são vistas em um vilarejo urbano em Hangzhou, província de Zhejiang, na China – Reuters

“Tanto Alibaba quanto Tencent e as outras empresas saíram fazendo aquisições assim que uma nova empresa surgia —e esse é o espírito chinês”, explica.

A indústria de venture capital, segmento em que fundos investem em novos negócios, também foi responsável por potencializar a inovação na China. Segundo o South Morning China, que oferece o dado público mais recente sobre o setor, esse tipo de investimento alcançou em 2018 a marca de US$ 70,5 bilhões (R$ 405,7 bilhões), então, 37% do total mundial.

Para efeito de comparação, naquele ano, o Brasil contou com US$ 700 milhões (R$ 3,6 bilhões) em investimentos de venture capital, segundo dados da Abvcap, entidade que representa o setor.

“Tecnologia era um setor dominado por americanos, que tinham antes apenas a concorrência europeia”, diz Leonardo Azevedo, professor do departamento de direção geral do ISE Business School. “Agora, a Alibaba já se expandiu para fora da China e é uma nova competidora global”.

Para Azevedo, existe um certo preconceito infundado no Ocidente com empresas da China por causa de sua relação com o Estado.

“Devemos analisar um mercado chinês como vetores de bons negócios, desapegando da ideia de controle estatal”, diz. “Eles investiram para serem um player capaz de falar de igual para igual com os EUA, principalmente no setor de tecnologia”.

Otávio Miranda avalia que o mercado brasileiro tem mais semelhanças com o chinês do que o americano.

“China, Índia, Brasil, Indonésia e Nigéria apresentam as maiores oportunidades para crescimento e transformação digital. Apostar em negócios que integram uma só plataforma é uma tendência bem absorvida no país”, diz.

Para se tornar um superapp, de olho no modelo de negócio do Alibaba, a Magazine Luiza fez mais de 20 aquisições desde 2017, envolvendo ecommerce (Netshoes, Shoestock, Estante Virtual, Época Cosméticos, tonolucro, aiqfome), logística (logbee, GLF, sinclog), serviços financeiros (Hub Fintech), marketing (inlocomedia) e entretenimento (Jovem Nerd, Canaltech, Steal the Look).

“Nem Jack Ma [Alibaba], nem Jeff Bezos [Amazon]; preferimos Luiza Trajano”, diz Eduardo Galanternick, vice-presidente de negócios da Magazine Luiza.

“Assim como o modelo chinês, o brasileiro está conectado através do celular. Acreditamos que a forma mais eficiente para crescer é via aplicativo”, afirma.

Para o executivo, fazer aquisições é uma forma de cortar caminhos e acelerar o crescimento da empresa. “Uma coisa que demoraríamos dois anos para fazer, solucionamos em dois meses”, diz.

Segundo ele, a área de tecnologia é uma das que mais recebem investimentos, e tem uma equipe de 1.500 engenheiros de software.

As aquisições dos últimos anos integram-se às plataformas de serviços Magalupay, Magalu Pagamentos, Magalu Entregas, Magalu Ads, Luizacred, Luizaseg, Parceiro Magalu, Consórcio Magalu, Maga+ e ao Luizalabs.

“O conceito de superapp é o seguinte: as pessoas usam poucos aplicativos por dia, e foi assim que o WeChat começou”, diz Sérgio Saraiva, presidente do Rappi no Brasil. “Como engajar o usuário? Ter um app só garante que o usuário vá entrar milhares de vezes no aplicativo, e é isso que fazemos aqui”, explica.

WeChat é um app chinês que concentra diversos serviços, de mensagens a pagamento.

“Fizemos esse plano de investir em um superapp há cinco anos, e nossa proposta acabou encaixando no momento de crise”, diz Saraiva. O início da plataforma focada em restaurantes foi uma das estratégias para crescer no país, seguido de mercado, farmácia, passagens aéreas e pagamentos.

“Descobrimos que o usuário gosta de cash back [modalidade de venda em que parte do dinheiro gasto é devolvido]. O cliente quer imediatismo, vamos dar imediatismo”, diz “O usuário resolve seus problemas dentro de uma só plataforma.”

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/05/quem-sao-e-o-que-querem-as-big-techs-chinesas.shtml?origin=folha

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Pandemia e o novo escritório, ou ‘o seu microfone está desligado’

Evandro Milet – Gazeta online – 15/05/2021

Ainda não está claro como será o novo escritório depois da pandemia, até porque há sérias dúvidas sobre se e quando poderemos agir como antigamente nos contatos, aglomerações, reuniões ou palestras em auditórios.

Enquanto isso, empresas vão tentando adivinhar o futuro e a tendência mais aceita é o escritório híbrido, com algumas pessoas trabalhando presencialmente e outras remotamente ou todas trabalhando alguns dias no local e outros dias de forma remota.

Essa nova forma de trabalhar exige mudanças em praticamente todos os processos.

O home-office, praticado por aqueles cujo tipo de trabalho permite, é bem aceito pelos que dispõem do ambiente adequado em casa, que administram bem a relação com a família ou por aqueles que economizam muito tempo em deslocamentos para o trabalho.

Mesmo assim há situações novas a serem resolvidas. As empresas devem fornecer as condições materiais para trabalho em casa? Um kit home-office com computador, cadeira ergonômica e pacote de dados, além de subsídio à conta de energia? A economia que ela fará com vale transporte, alimentação e custos de aluguel e manutenção do escritório compensa? Começam a surgir problemas mais complicados. Acidentes domésticos são acidentes de trabalho? Algumas empresas pretendem controlar o ponto remotamente até com reconhecimento facial. Isso funciona? Como criar uma cultura empresarial com pessoas dispersas? Como fazer treinamentos híbridos? Como muda o papel do RH?

Algumas coisas parecem se tornar permanentes. As empresas e as pessoas já se acostumaram com as reuniões virtuais( embora a frase símbolo da pandemia seja: “o seu microfone está desligado”) e fica claro que muitas reuniões deixarão de ser presenciais, principalmente as que envolverem grandes deslocamentos para outras cidades, estados ou países. Mas mesmo assim, algumas coisas terão que ser administradas. Em reuniões presenciais você consegue se distrair eventualmente e recuperar informação com o colega do lado ou levantar para um café. Na plataforma, se você sai de cena fica esquisito e tem que manter cara de atenção, principalmente se a reunião for com o chefe, até porque não tem como recuperar o que perder com um cochicho ao lado.

Reuniões virtuais têm um ritual próprio que começa com a maior exigência de pontualidade. Na presencial, as pessoas se distraem com café ou papo informal até a chegada dos retardatários. Na virtual ficam todos com cara de tacho olhando para a tela e esperando. Há o problema reclamado de forma geral sobre o excesso de reuniões coladas em horários sem intervalo provocando o que se denominou “fadiga do zoom”, além da possível visão inconveniente de algum familiar ou do próprio participante em situações embaraçosas (dress code já era).

A ausência do escritório para alguns pode gerar a criação de panelinhas entre os presentes ou desnível na avaliação de mérito. Os virtuais ficam sem acesso à rádio corredor ou rádio peão, às fundamentais fofocas do escritório e com dificuldade de interagir sobre assuntos mais confidenciais ou tirar dúvidas com colegas, até por medo de registrar opiniões sensíveis ou perguntar bobagens em mídias que não se apagam.

Outras consequências do novo escritório apontam para a devolução de salas ou andares inteiros por empresas, reformulação de espaços para permitir maiores distanciamentos, reformas domésticas para adaptar os ambientes e pessoas se mudando para cidades ou bairros mais tranquilos e mais distantes, praticando o anywhere office.

Há também uma proliferação dos expatriados virtuais, pessoas prestando serviços para empregadores de outros países, recebendo em dólar ou em bitcoins, uma característica marcante na área de TI, que sofre um apagão mundial de desenvolvedores.

Afinal, parece que o escritório híbrido, com todas essas consequências, é realmente a tendência irreversível – enquanto dure.

https://www.agazeta.com.br/colunas/evandro-milet/pandemia-e-o-novo-escritorio-ou-o-seu-microfone-esta-desligado-0521

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A síndrome do apressadinho só atrapalha a comunicação digital

A colunista Stela Campos fala sobre o efeito da ansiedade e do medo de parecer ausente na eficácia das nossas interações a distância no home office

Stela Campos – Valor – 10/05/2021

Se você ainda não encontrou a melhor forma de se expressar nos meios digitais, seja por e-mail, WhatsApp ou nas reuniões de Zoom, corra porque esta talvez seja a habilidade que realmente vai importar daqui para frente. Nesse novo mundo híbrido do trabalho, saber se comunicar com eficiência a distância é o que vai garantir seu emprego, sua promoção, seu futuro. Tudo bem, já usamos tudo isso há muitos anos, mas as gafes continuam acontecendo e parece que só estão piorando.

Na ânsia de nos mostrarmos eficientes e sempre de prontidão, até porque sentimos uma certa culpa por estarmos distantes uns dos outros no home office, a pressa tem vindo antes da razão. Existe uma grande expectativa hoje sobre o tempo de resposta em qualquer meio de comunicação digital. Em poucos minutos, alguém já começa a sofrer porque supõe que foi ignorado. São milhares de suposições que levam a pessoa a mandar uma nova mensagem para se certificar de que o outro recebeu a primeira. Assim nossas caixas postais e aplicativos ficam entupidos e perdemos um tempo precioso fazendo faxina digital.

Poderíamos ser mais práticos estabelecendo regras apenas para não enlouquecer. Alguns assuntos precisam ser tratados em minutos, outros podem esperar horas ou até dias. E tem aqueles que não merecem atenção. Não há demérito em postergar o que não é urgente. Correr para responder para o chefe sem refletir, por exemplo, quase sempre dá errado. Você pode sabotar a própria criatividade e ser pouco estratégico somente porque quis parecer presente e rápido. E as letras trocadas? Uma vergonha. Mas você só se dá conta do que fez, depois.

Como diz Erica Dhawan em seu novo livro “Digital body language”, lançado semana passada: “hold your horses”, em uma tradução livre seria algo como “se segura”. Assisti a uma palestra dela anos atrás e fiquei impressionada com sua habilidade em se comunicar. Há anos ela investiga o poder das conexões nas empresas e a comunicação digital. Em seu último estudo, com mais de 2 mil profissionais, ela estima que as pessoas percam pelo menos quatro horas por semana tentando entender mensagens digitais confusas no trabalho. Ela estima que isso custe, aos EUA, US$ 889 bilhões ao ano. Confesso que ao trocar e-mails com ela esses dias fiquei um pouco tensa de cometer algum deslize, afinal todo mundo tropeça alguma vez.

É muito desperdício de energia e dinheiro com mensagens truncadas. Portanto, pense antes de escrever, use a pontuação correta, perca seu tempo buscando obstinadamente ser claro e objetivo no que quer dizer. Erros na interpretação de mensagens, em qualquer meio de comunicação digital, podem gerar infinitos conflitos e angústias no trabalho, especialmente quando estamos distantes. Um OK, por exemplo, pode ser visto como uma resposta funcional ou extremamente impessoal e antipática, depende de como a pessoa o interpreta. Alguém poderia apenas estar com pressa e preferiu digitar só duas letras, sem pensar nas consequências.

Emojis são sempre um risco e muito já se falou sobre isso. Eles podem ser úteis, simpáticos ou denegrir a sua imagem. Se um jovem usa um emoji na mensagem para um chefe sênior corre o risco de parecer pouco maduro. Se o contrário acontece, o chefe pode ser taxado de tiozinho pelo subordinado. É sabido, no entanto, que uma carinha feliz nesse distanciamento do home office ajuda a expressar sentimentos que não conseguimos demonstrar pessoalmente. Em todas essas situações, a dica é conhecer a sua audiência, a relação de poder, o grau de intimidade. Preste atenção nos detalhes antes de mandar um emoji beijoqueiro:)

Nas mensagens instantâneas, as regras são parecidas. O bom senso deveria prevalecer, mas a afobação dos nossos dias faz muita gente perder o controle. O fato de ficar explícito que você leu ou ouviu e não respondeu imediatamente pode matar alguém de ansiedade. Entender a prioridade do outro faz parte do jogo. Espere e roa as unhas se for preciso. Talvez a pessoa nem saiba o que te responder naquele momento.

As reuniões virtuais são um capítulo à parte. Entenda de uma vez por todas que nem tudo precisa ser resolvido pelo Zoom. Alguns assuntos podem ser tratados por e-mail e outros pelo telefone, como já falei nesta coluna. E quando o encontro virtual for de fato necessário, evite marcar no fim do dia quando todo mundo já está cansado. Ninguém gosta de aparecer destruído na tela.

Se não quiser aparecer, desligue a câmera, mas lembre que se alguém preferiu uma reunião por Zoom é porque provavelmente quer te ver. Não seja antipático, siga a maioria. O mais importante, no entanto, é ter claro o motivo da reunião. Isso vai tornar mais eficaz a sua comunicação digital. E tudo começa na escolha de quem deve participar. Os mais tímidos, no geral, não gostam. O segredo é pensar em quem de fato deveria estar envolvido naquele tema, naquela etapa do projeto ou discussão. Enviar as perguntas com dias de antecedência para os participantes se prepararem e pensarem sobre o assunto ajuda na dinâmica do encontro.

Deixar o chat aberto para as pessoas enviarem respostas é uma regra que Erica Dhawan recomenda. Ela diz que assim o organizador pode selecionar as respostas mais diversas para compartilhar na reunião. Isso ajuda os tímidos e evita que aquele grupo de três ou quatro falantes dominem a tela. Em qualquer meio de comunicação digital, respeitar o silêncio e a pausa para organizar o pensamento e a reflexão pode ser o primeiro e talvez o passo mais importante para qualquer profissional hoje. “Hold your horses”.

https://valor.globo.com/carreira/coluna/a-sindrome-do-apressadinho-so-atrapalha-a-comunicacao-digital.ghtml

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O CEO da Gerdau resolveu encarar o seu maior medo. E isso está mudando a companhia

A empresa, avaliada em quase R$ 60 bilhões, pretende fazer com que 20% de seu faturamento venha de outros negócios que não sejam a produção de aço. Mas, para isso, tem se reinventado. O CEO, Gustavo Werneck, conta ao NeoFeed sobre esse processo e os próximos passos

Carlos Sambrana – Neofeed •13/05/21 • 

O executivo Gustavo Werneck, 47 anos, comanda uma gigante com presença em 10 países, 30 mil funcionários e uma receita líquida que atingiu R$ 43,8 bilhões no ano passado. Mas o CEO da Gerdau, o primeiro a gerir a empresa centenária e a não ser da família que dá nome à companhia, diz que o grupo tem um grande medo. E ele não esconde de ninguém.

“Temos muito medo de desaparecer, tem muita empresa como a nossa, com 120 anos, que fica para trás. E isso gera na gente um sentimento de alerta máximo para estarmos o tempo todo nos reinventando”, diz Werneck em entrevista exclusiva ao NeoFeed.

Não à toa, nos últimos três anos, a companhia passou a avançar em novas áreas que vão além da boa-e-velha produção de vergalhões de aço. Mas isso se intensificou com a criação da Gerdau Next, uma vice-presidência voltada a novos negócios, em julho do ano passado.

Além de investir em 20 startups, ter criado uma companhia de serviços para fundação de construção chamada G2Base e se associado à Tigre e Votorantim na startup Juntos Somos Mais, a Gerdau comprou recentemente uma participação na empresa de construção modular Brasil ao Cubo e passou a atuar fortemente na logística para terceiros com a G2L.

Gustavo Werneck, CEO da Gerdau

O objetivo é muito claro. “Até 2030, queremos que 20% das receitas da Gerdau venham desses novos negócios”, afirma Werneck. Atualmente, já representam 2% do total do grupo.

Esse caminho começou a ser trilhado pela siderúrgica depois de que a empresa tirou um grande peso das costas. Nos últimos cinco anos, a companhia vendeu operações que não eram tão rentáveis em países como Chile, Índia, Espanha e Estados Unidos. No total, levantou R$ 7,4 bilhões com as vendas e usou boa parte desse dinheiro para pagar dívidas.

Isso ajudou a Gerdau a reduzir a sua alavancagem de 4,2 vezes o Ebitda, há cinco anos, para 0,96 vezes o Ebitda neste primeiro trimestre. “Ficamos com operações com as quais temos margens mais elevadas e onde somos mais relevantes”, diz Werneck. São elas, principalmente, o Brasil, que responde por 40% do faturamento, e os Estados Unidos, com 37%.

Prédio construído pela Brasil ao Cubo, uma das investidas da Gerdau

Werneck afirma que a empresa não vai mais operar em países da Europa e da Ásia. O foco está 100% nas Américas. “Vamos olhar oportunidades de aquisição de empresas que acrescentem ao nosso portfólio. Vamos continuar olhando M&As. Vamos criar negócios de nicho, com margens elevadas”, diz ele.

Um exemplo de negócio de nicho é a Gerdau Summit, joint-venture criada em 2017 com a japonesa Sumitomo, que produz peças de aço para a indústria eólica. Nesse caso, o processo envolve produção clássica. Mas a companhia está avançando em outros segmentos, entrando na área de serviços – algo inimaginável para uma empresa forjada na arte de forjar aço.

Há dois anos, a companhia criou uma construtech chamada G2Base, que atua na área de fundações de obras. Se antes a Gerdau vendia o aço para ser concretado, agora ela vende o serviço completo, com a fundação já pronta. “O cliente não precisa buscar vários fornecedores para fazer esse serviço, entregamos tudo de uma vez”, diz Werneck.

Outra que saiu do forno foi a G2L, empresa logística do grupo criada há quatro anos, mas que deixou de trabalhar exclusivamente para a companhia e, no ano passado, intensificou o serviço para terceiros. “Atendemos 33 clientes de setores como construção civil, papel e celulose, alimentação e varejo”, diz Werneck.

A explosão do e-commerce fez com que a G2L ganhasse ainda mais relevância na estrutura e, até o fim de 2021, a frota própria da empresa deve atingir 245 caminhões. Mas essa companhia da Gerdau, considerada uma logitech, não trabalha apenas com veículos próprios.

Com uma abrangência de 2,5 mil cidades brasileiras e 23 unidades espalhadas pelo País, ela tem 375 funcionários e quase 40 mil motoristas cadastrados. A Gerdau não revela o faturamento da operação, mas afirma que saltou 398% de 2018 até 2020.

Nem todos os novos negócios, entretanto, são originados internamente. “Entendemos que existem avenidas de crescimento que não precisam vir da gente mesmo”, diz Werneck. A Brasil ao Cubo, empresa especializada em construções modulares, é um exemplo disso. Em outubro do ano passado, a Gerdau comprou 30% da construtora por R$ 60 milhões.

“Ela é uma companhia revolucionária na construção metálica modular offsite”, diz Werneck. Na prática, a construtora pré-monta um edifício na sua planta industrial e depois monta no lugar. “Há dez dias, eles construíram um prédio de oito pavimentos em tempo recorde, foi o primeiro desse modelo na América Latina”, diz o executivo.

Antonio Salvador, ex-Chief Digital Officer do GPA e autor do livro “Transformação Digital”, analisa a virada da Gerdau sob uma ótica que vai além da tecnologia. “Setores como o financeiro, o varejo e a educação estão no olho do furacão, as empresas que atuam nessas áreas têm de mudar rapidamente”, diz Salvador.

No caso da Gerdau, por mais que as transformações no setor sejam mais lentas, a mudança é necessária até para que ela possa competir por talentos. “Nessa área, ela disputa com todo mundo, o Rappi, o Nubank”, afirma Salvador. “E o mais difícil é transformar a cultura. Não dá para ter líderes que não entendam o espírito do tempo.”

Esse foi o grande desafio de Werneck em todo esse processo. Nenhum desses recentes movimentos da companhia teria sido possível se a Gerdau não tivesse feito uma transformação cultural que deixou a empresa mais leve, com menos hierarquia e mais ágil.

“Tinha muita gente para tomar decisão, uma pirâmide grande. Nessa transformação, demos autonomia. Antes, algumas decisões demoravam 15 dias, hoje resolvemos em 15 minutos.” E prossegue. “Sou mais um Chief Enabling Officer do que um Chief Executive Officer.” Isso foi um desafio enorme e nem todos conseguiram.

Nos últimos cinco anos, 40% dos líderes foram trocados. Nenhum executivo, por exemplo, tem carro. “É meritocracia, aquele que entrega mais, ganha mais e compra o carro que ele quiser. A gente acabou com isso de ter frota e dar carro”, diz Werneck. As despesas de vendas gerais e administrativas foram reduzidas em US$ 300 milhões por ano. Nos últimos três anos, a economia foi de US$ 900 milhões.

Essa transformação cultural foi o gatilho para a transformação digital da empresa. Além de focar na indústria 4.0, a companhia estreitou o relacionamento com as startups. Hoje, a empresa atua por meio da aceleradora Ventures Gerdau e tem um escritório no Vale do Silício. Investe em startups envolvidas em melhoria de habitação, produtividade em construção e componentes como o grafeno – uma área que a empresa entrou recentemente.

Não há um valor definido para os cheques que são assinados para as startups investidas. Os investimentos fazem parte do budget anual estipulado pela empresa para todas as áreas. Neste ano, por exemplo, o total é de R$ 3,5 bilhões. Boa parte desse montante será usada nas operações atuais. E, por mais que a Gerdau esteja se reinventando, é no passado que está o seu presente e seu futuro.

“O aço é um produto que não tem substituto no mundo”, diz Werneck. E o executivo aposta num ciclo positivo para a commodity para 2021 e 2022. Os resultados do primeiro trimestre desse ano já mostram isso.

A Gerdau apresentou um lucro líquido recorde de R$ 2,47 bilhões, 1.006% maior do que no mesmo período do ano passado. A receita líquida da companhia chegou a R$ 16,3 bilhões, 77% a mais do que no primeiro trimestre de 2020.

Os resultados acima da curva vêm a reboque de um mercado animado pela recuperação econômica no exterior. E as projeções apontam para tempos de mais rentabilidade na indústria, principalmente por conta de mudanças no mercado chinês.

Enquanto no Brasil a produção de aço atinge 30 milhões de toneladas por ano, a China produz 1 bilhão de toneladas. “É assustador”, diz Werneck. Nos últimos dez anos, isso causou um problema no mercado, sobrou aço no mundo e o preço e a rentabilidade caíram.

Unidade de produção da Gerdau, nos Estados Unidos

Agora, por conta das questões ambientais, a China deverá reduzir sua produção. “A China não quer ser vista como um país que polui. Então está fechando capacidade e mantendo as usinas mais novas que emitem menos gases estufa”, diz Werneck. E isso vai ajustar os preços.

Além disso, o novo pacote de infraestrutura anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, vai adicionar um consumo de 5 milhões de toneladas de aço no mercado americano. Isso vai ajudar a manter a rentabilidade em alta.

“Com a expectativa de recuperação da economia americana/pacotes de estímulos e recuperação da economia interna, esperamos aumento de demanda e de resultados para os próximos trimestres”, dizem em relatório os analistas Fernando Bresciani e Pedro Galdi, da Mirae Asset.

“Continuamos otimistas com o setor de commodities. Mantemos a recomendação de compra para a GGBR4, com preço alvo de R$ 38,00”, afirmaram. Na quarta-feira, 12 de maio, seus papéis fecharam cotados a R$ 36,65 e seu valor de mercado era de R$ 58,7 bilhões.

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