Contratos inteligentes podem otimizar os negócios

A autoexecução de transações comerciais via blockchain não necessita de intermediações e traz transparência aos negócios. Para compreender melhor o uso dos contratos inteligentes, descrevo neste artigo algumas aplicabilidades dessa ferramenta, analisando ainda seus benefícios, desafios e riscos

Tatiana Revoredo MIT Sloan Review  14 de Julho 2021

Nos anos 1990, os cientistas da computação previram que a revolução digital mudaria a maneira como as pessoas interagiriam entre si. E o mais importante, mudaria a maneira como as pessoas chegariam a acordos.

No nosso mundo, sempre que duas partes querem entrar em um acordo, normalmente um advogado é solicitado para analisar e validar um contrato legal, um pedaço de papel, estipulações, termos e condições. E esse processo é muito demorado e, em muitos casos, muito caro.

No entanto, e se pudéssemos alavancar o poder dos computadores e softwares para criar contratos de execução automática ou parcial para nós? E se esse processo pudesse ser parcial ou totalmente automatizado? Foi a partir destes questionamentos que surgiu a ideia dos contratos inteligentes.

Artigo Contratos inteligentes podem otimizar os negócios

Definições de contrato inteligente

Contratos inteligentes são códigos de software com regras autoexecutáveis. Eles funcionam como um acordo autoexecutável embutido em código de computador, gerenciado por um blockchain, por exemplo. Se e quando as regras predefinidas forem atendidas, o contrato será aplicado automaticamente.

Outra definição que podemos usar para contratos inteligentes é: contratos inteligentes são uma maneira pública e verificável de incorporar regras de governança e lógica de negócios em linhas de código. Imagine uma caixa criptografada que desbloqueia um valor ou um direito de acesso se, e quando, determinadas condições preestabelecidas forem cumpridas. Isso é um contrato inteligente.

Contratos inteligentes versus contratos legais

O termo “contrato inteligente” foi cunhado pela primeira vez, no início dos anos 1990, por Nick Szabo, um cientista da computação, criptógrafo, advogado e desenvolvedor de blockchain.

Importante destacar, contudo, que um contrato inteligente não necessariamente representa um contrato legal. De fato, os contratos inteligentes podem ser usados para emular, ou pelo menos simular, a função dos contratos legais por meio da tecnologia, transformando efetivamente a lei em código.

No entanto, a grande maioria dos contratos inteligentes não está diretamente associada a um contrato legal, e dependendo de como eles são firmados, eles podem ou não dar origem a uma relação contratual real no significado tradicional da palavra.

Compreendido isso, vejamos quais princípios se deseja aderir com um contrato inteligente.

Princípios básicos de um contrato inteligente

Em um contrato inteligente, existem três princípios básicos que queremos aderir. Primeiro, desejamos que o contrato inteligente seja observável. Isso é, qualquer parte envolvida no contrato deve ser capaz de visualizar os termos e cláusulas do código de software, a qualquer momento. Além disso, se um terceiro estiver envolvido na intermediação do smart contract ou na emissão de um pagamento no momento da anuência do contrato, é importante que as partes envolvidas também possam visualizar esses termos, condições e cláusulas relacionadas a este terceiro.

Em segundo lugar, o contrato inteligente precisa ser aplicável. Ou seja, quando alguma condição definida no contrato é atendida, esse contrato pode ser executado conforme acordado. Isso normalmente requer dependência de um protocolo, geralmente um protocolo blockchain, e algum tipo de mecanismo de pagamento que pode ser uma criptomoeda, um token, uma stablecoin, ou outros mecanismos de pagamento.

Por fim, o contrato precisa ser verificável. Então, o que normalmente acontece quando há um conflito sobre determinada questão, é que as partes vão a um tribunal para solucionar a discórdia. Em um tribunal, vale lembrar, um terceiro determina quem está certo, quem está errado e como a disputa deve ser resolvida.

Em um mundo com contratos inteligentes, que são programas de computador ou software executando código, a questão é: como podemos verificar a validade desses códigos de computador e reivindicações? Portanto, é muito importante que contratos inteligentes tenham cláusulas verificáveis que possam comprovar ou refutar positivamente os direitos em um caso de disputa.

Seus benefícios

A vantagem de incorporar contratos inteligentes em um aplicativo ou soluções de negócios é que as interações, ou transações podem ser independentemente verificadas e auditadas por todos os participantes da rede.

Em seu artigo seminal, Nick Szabo previa contratos inteligentes não apenas fornecendo transparência de transações e sem a intermediação de terceiros confiáveis, mas também sendo automaticamente executáveis.

Em outras palavras, os contratos inteligentes podem não só penalizar as partes que violem o contrato ou as regras de contratação, como também pode aplicar automaticamente sua execução – sem que seja necessário recorrer a um terceiro como um juiz ou tribunal para executar a sanção pelo seu descumprimento.

Esses códigos de software com regras autoexecutáveis são capazes de executar automaticamente os termos de um determinado acordo, fornecendo transações sem a necessidade de um terceiro validador de confiança, por meio de mecanismos integrados de execução.

Como tal, os smart contracts podem apoiar o desempenho de atividades comerciais e negócios, reduzindo custos de negociação, verificação e execução, transformando negócios em transações autoexecutáveis a um custo mínimo.

Como empresas podem tirar vantagens de contratos inteligentes?

Imagine uma empresa de locação de veículos totalmente automatizada em que carros podem ser alugados pagando diretamente uma taxa (criptomoeda ou token) ao contrato inteligente do carro. O contrato inteligente, ao receber o pagamento, libera o bloqueio digital e permite o acesso ao locatário do veículo.

Quando o período de locação terminar ou expirar, o usuário deverá pagar pelo uso adicional ou devolver o carro (talvez, estacionando-o em um local especificado). Se o locatário, contudo, não cumprir sua obrigação contratual, o smart contract pode imobilizar o veículo quando for seguro fazê-lo e, assim, aplicar automaticamente o contrato.

Eis os principais benefícios dos contratos inteligentes: a transparência, a desintermediação e automatização da execução do acordo em caso de descumprimento. Nesse exemplo, não há nenhum terceiro de confiança envolvido, pois a transação ocorre diretamente entre duas partes. É exatamente nesse ponto que os contratos inteligentes baseados em blockchain podem reduzir custos e melhorar radicalmente as eficiências das empresas.

Um segundo caso de uso de contratos inteligentes pode ser na compra e venda de um imóvel. O comprador terá de encontrar a casa, negociar o acordo com a contraparte para sua aquisição, fazer uma pesquisa no cartório de registro de imóveis para ter certeza de que o vendedor realmente possue a casa que está sendo alienada.

Se o comprador estiver nos Estados Unidos, por exemplo, ele precisará adquirir ainda um seguro de propriedade. Feito isso, o comprador e o vendedor precisam assinar o contrato, registrá-lo num tabelião (uma autoridade central) e, só então, o título de propriedade é liberado para que o comprador possa tomar posse da casa.

Portanto, há uma série de etapas a serem cumpridas na aquisição de um imóvel que levam tempo.

Se a compra e venda do imóvel fosse feita via contrato inteligente, bastaria o comprador transferir o valor do imóvel para um escrow para, em seguida, o título ser automaticamente transferido, com a consequente liberação do valor para o vendedor. Tudo isso poderia ser feito em um contrato inteligente, em segundos.

Observe que como o contrato inteligente é gerenciado por um blockchain, o registro da transação ficará registrado na rede para sempre, já que um registro em um blockchain, principalmente num blockchain público como o bitcoin, são imutáveis e não podem ser apagados ou adulterados.

Então, esses vários passos adicionais à transação comercial que hoje são manuais, burocráticos, lentos e trabalhosos, e dependem de vários intermediários (despachantes, seguradora) e validadores tradicionais de confiança (notários, certificadores) não precisariam mais existir, pois um contrato inteligente baseado em blockchain possibilita que pessoas que não se conhecem, ou não confiam entre si, transacionem comercialmente de maneira automatizada e quase em tempo real. Assim, esses exemplos não são hipotéticos.

Contratos inteligentes na prática

O Share&Charge Smart Contracts é uma solução de contratos inteligentes baseada no blockchain com que está mudando a maneira como a economia de compartilhamento funciona. Empresas têm usado o projeto slock.it para automatizar compartilhamento, pagamentos e aluguéis de veículos.

Já a Propy – Real Estate Automated Transactions, líder inovador no setor imobiliário, foi uma das primeiras empresas a usar contratos inteligentes baseados em blockchain na compra e venda de imóveis, realizando a primeira transação de compra a venda de um apartamento via contratos inteligentes, na Ucrânia em setembro de 2017.

Recentemente, a Propy por seu foco na automação de transações via contratos inteligentes e transferência segura de propriedade, foi reconhecido como um pioneiro na tecnologia blockchain pelo WEF. No Brasil, o uso de contratos inteligentes na compra e venda de um imóvel ocorreu em julho 2020.

Desafios e riscos

Existem vários desafios e riscos associados ao desenvolvimento de contratos inteligentes. Isso inclui o furto ou a perda de chaves privadas e as vulnerabilidades de segurança que são difíceis de detectar e que podem causar prejuízos financeiros e danos à reputação de empresas e consumidores.

Como os contratos inteligentes são uma tecnologia em estágio inicial, as ferramentas e estruturas de software ainda precisam amadurecer, o que significa que os contratos inteligentes precisam de uma grande quantidade de testes e garantia de qualidade antes de serem implantados.

Um problema comum está relacionado a usuários que esquecem suas chaves privadas, uma espécie de senha para acesso à rede blockchain. Como não há nenhuma opção no blockchain para redefinir ou recriar chaves privadas, os usuários podem ser bloqueados de seus contratos inteligentes, o que resulta em perdas financeiras.

Uma maneira de resolver esse problema é projetar contratos inteligentes que usem assinatura multi-sigs ou múltipla. Por exemplo, um determinado contrato inteligente pode exigir duas de cinco assinaturas para uma transação.

Contratos inteligentes construídos usando uma linguagem Turing-complete são poderosos, mas também sofrem vulnerabilidades de segurança semelhantes aos programas de computador tradicionais.

O que torna os contratos inteligentes ainda mais arriscados é o fato de que eles podem viver permanentemente no blockchain com a vulnerabilidade, porque uma vez que contratos inteligentes são implantados, eles não podem ser alterados ou modificados. No entanto, há uma cláusula para emitir um comando “kill” para encerrar um contrato inteligente, mas isso geralmente leva a uma perda de histórico de dados e pode não ser uma opção desejada. Assim, o desenvolvimento de contratos inteligentes ainda está propenso a riscos de segurança cibernética.

Possibilidades

Contratos inteligentes apresentam muitas oportunidades interessantes para as empresas, e líderes empresariais globais estão confiantes sobre a utilidade dos contratos inteligentes. Em recente pesquisa da Deloitte, com mais de 1.300 executivos seniores globais, 95% dos entrevistados afirmaram acreditar que contratos inteligentes são um benefício importante aos negócios.

Ainda que a pouca maturação, os desafios tecnológicos e certos riscos implícitos exijam cautela no planejamento e implementação, para que realmente contratos inteligentes se tornem uma ferramenta estratégica nos negócios, a cada dia fica mais claro como contratos inteligentes otimizam ganhos, lucro e eficiência, além de ampliar o acesso a bens, serviços e a novos mercados.

Gostou do artigo? Já imaginou como contratos inteligentes podem otimizar seu setor ou empresa? Quais atividades na sua área de expertise poderiam ser automatizadas com contratos inteligentes? Quais custos poderiam ser reduzidos? Pense nisso até nosso próximo encontro. Nos vemos em breve.

Além do artigo da Tatiana Revoredo, você pode conferir outros conteúdos relacionados às tecnologias e aos processos da indústria 4.0 através das nossas newsletters. Aproveite e ouça nossos podcasts em sua plataforma de streaming favorita.

Colunista Tatiana Revoredo

Tatiana Revoredo

Especialista em Blockchain Business Applications pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e estrategista blockchain pela Saïd Business School – University of Oxford. CSO na The Global Strategy, pesquisadora da Plataforma Internacional Atopos (USP), e autora do livro “Blockchain: Tudo o que você precisa saber”.

https://mitsloanreview.com.br/post/como-contratos-inteligentes-podem-otimizar-os-negocios

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Veja também o meucanalinovacao no YouTube e Instagram

Funcionários do Google que trabalham em casa podem ter redução salarial

É um experimento ocorrendo em todo o Vale do Silício, que geralmente define tendências para outros grandes empregadores

Por Reuters/Exame  10/08/2021 

Os funcionários do Google baseados no mesmo escritório antes da pandemia podem ver diferentes mudanças nos salários se decidirem trabalhar de casa permanentemente, com aqueles que enfrentam trajetos mais longos sendo afetados com mais força, de acordo com uma calculadora de pagamento da empresa vista pela Reuters.

É um experimento ocorrendo em todo o Vale do Silício, que geralmente define tendências para outros grandes empregadores.

O Facebook e o Twitter também reduziram o pagamento de funcionários remotos que se mudaram para áreas menos caras, enquanto empresas menores, incluindo Reddit e Zillow, mudaram para modelos de pagamento independentes de localização, citando vantagens quando se trata de contratação, retenção e diversidade.

O Google, da Alphabet, oferece aos funcionários uma calculadora que permite que eles vejam os efeitos de um movimento. Mas, na prática, alguns funcionários remotos, especialmente aqueles que se deslocam de longas distâncias, podem sofrer corte no pagamento sem mudar endereço.

“Nossos pacotes de remuneração sempre foram determinados por localização e sempre pagamos no topo do mercado local com base no local de onde o funcionário trabalha”, disse um porta-voz do Google, acrescentando que o pagamento varia de cidade para cidade e de Estado para Estado.

Imagens da calculadora interna de salários do Google vistas pela Reuters mostram que uma funcionária que mora em Stamford, Connecticut – a uma hora de trem da cidade de Nova York – receberia 15% a menos se trabalhasse em casa, enquanto uma colega do mesmo escritório morando em Nova York não veria cortes no trabalho de casa. As capturas de tela mostraram diferenças de 5% e 10% nas áreas de Seattle, Boston e San Francisco.

General view of Google EMEA offices, in the western part of the Grand Canal Docks, in Dublin. On Thursday, December 17, 2020, in Dublin, Ireland. (Photo by Artur Widak/NurPhoto via Getty Images) (NurPhoto/Getty Images)

A calculadora afirma que usa as áreas estatísticas metropolitanas do US Census Bureau, ou CBSAs. Stamford, Connecticut, por exemplo, não está na CBSA de Nova York, embora muitas pessoas que moram lá trabalhem em Nova York.

Um porta-voz do Google disse que a empresa não mudará o salário de um funcionário com base no fato de ele deixar o escritório e ficar totalmente remoto na cidade onde o escritório está localizado. Os funcionários que trabalham no escritório da cidade de Nova York receberão o mesmo que aqueles que trabalham remotamente de outra localidade da cidade de Nova York, por exemplo, de acordo com o porta-voz.

O Google não abordou especificamente o problema para os funcionários de áreas como Stamford, Connecticut.

https://exame.com/negocios/funcionarios-do-google-que-trabalham-em-casa-podem-ter-reducao-salarial/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Veja também o meucanalinovacao no YouTube e Instagram

Como a Spotify organiza seus times de produto

Francisco Homem de Mello qulture.rocks 14 março, 2018

No passado, publicamos um artigo traduzido do Blog Tryplebyte  sobre como entrevistar Engenheiros de Software. Além disso, entrevistamos Camille Fournier, e ela nos contou um pouco da sua história e mostrou uma visão interessante sobre liderar times de tecnologia. Hoje voltamos a falar sobre times de produto, mas dessa vez abordando as particularidades de uma das empresas mais inovadoras de 2018, segundo a Fast Company.

A Spotify é uma empresa Sueca, responsável por aplicações web e mobile homônimas de streaming de música, que conta com mais de 110 milhões de usuários. A empresa é conhecida por outras organizações de tecnologia como referência na organização de seus times orientados para produto, e por isso resolvemos escrever esse breve estudo de caso introdutório sobre como funciona esse desenho organizacional.

A estrutura interna das equipes da Spotify sofreu enorme influência de práticas ágeis (Agile, Scrum, Extreme Programming, etc), de autores como Tom e Mary Poppoendieck e Tom DeMarco, além de conceitos de auto-gestão, ligados às metodologias ágeis, como Jurgen Appelo.

A organização básica é a matriz com times orientados vertical e horizontalmente. Os grupos orientados verticalmente (squads e tribos) são agrupados por produto, ou seja, por features ou grupos de features correlacionados. Os grupos orientados horizontalmente (chapters e guilds) são agrupados por skill ou interesse, e têm como objetivo a troca de melhores práticas, experiências, e desafios, onde a empresa tenta obter sinergias internas de conhecimento e produtividade.

spotify-screenshot

Cada Squad é responsável por uma das áreas destacadas na imagem acima.

Por serem bastante auto-geridos, nos times não existem figuras tão marcantes de liderança formal, mas sim lideranças mais orgânicas, bastante fundadas nos aspectos técnicos/funcionais do trabalho. Assim, apenas chapters e squads tem lideranças claramente identificadas. PO (product owner)/PM (product manager) [1] direciona o quê é feito (WHAT), e o líder de chapter direciona como isso é feito (HOW).

Squads

Squads são a unidade básica de organização dos times, usualmente em torno de uma feature, ou subsecção de uma funcionalidade. Podem ter de 3 a 10 membros, e devem ser autônomas a ponto de conterem expertise dentro do grupo para desenvolver todos os aspectos do produto: da concepção à prototipação, design, desenvolvimento, e deployment.

squads-spotify

Tribo

A tribo (tribe) é o segundo nível de agrupamento, e pode conter uma série de squads que tenham funcionalidades e objetivos similares. Os squads de uma tribo ficam fisicamente próximos uns dos outros, para que haja comunicação fluida.

O tamanho máximo de uma tribo segue, no Spotify, a limitação do número de Dunbar [2], ou seja, em torno de 100 pessoas: número derivado de pesquisas biológicas e evolutivas que mede a quantidade máxima de espécimes que tendem a conviver juntos em “sociedade” na natureza. Em tese, o ser humano não seria capaz de manter contato social (razoavelmente próximo) com mais de 100 outros humanos, número este que vem sendo constantemente desafiado pelo advento das redes sociais.

Por fim, os squads-membro das tribos se encontram periodicamente para sincronizarem seus esforços, apresentarem seu trabalho, e trocarem experiências.

tribos-spotify

Chapter

O chapter é um grupo horizontal (portanto orientado por função/afinidade) que congrega profissionais com responsabilidades e skills parecidos. Pode haver, por exemplo, um chapter de designers de UI, ou de desenvolvedores web de front-end. Chapters são geralmente contidos dentro de tribos, e se encontram com frequência para troca de idéias, melhores práticas, e desafios que estejam enfrentando. No chapter, há um líder, que serve como “técnico” e guia o aprendizado e o desenvolvimento funcional dos membros.

as-chapters-do-spotify

Guilda

Definição de Guilda (Google):

 guilda

  1. substantivo femininoassociação que agrupava, em certos países da Europa durante a Idade Média, indivíduos com interesses comuns (negociantes, artesãos, artistas) e visava proporcionar assistência e proteção aos seus membros.

Guilds, ou guildas, são talvez os grupos mais difíceis de se definir no Spotify. Uma guilda é um grupo de profissionais, que pode ser de squads e tribos diferentes, e que se une para trocar experiências, aprendizados, e melhores práticas sobre temas de interesse comum. Em muitos casos, a guilda é composta por chapters correlacionados (por exemplo, todos os chapters de designers de todas as tribos da Spotify) somado a alguns “agregados” de outras áreas que se interessem pelo tema. As guildas costumam ter coordenadores, que lideram os temas a serem discutidos e organizam os encontros.

guildas-spotify

Conclusão

A organização dos times de produto na Spotify está ganhando enorme evidência entre empresas product-centric, como empresas de tecnologia e aplicativos. E esse crescimento vem chegando com cada vez mais força no Brasil.

O agrupamento por produto desponta como provável estrutura ideal que maximiza a colaboração de profissionais com áreas de expertise diferentes, e ao mesmo tempo maximizando a qualidade e quantidade do output através da metodologia ágil.

A auto-organização desses times, no entanto, cria alguns desafios com os quais as áreas de gente e gestão, people operations, e afins, ainda se descabelam para resolver. Resumimos aqui os principais deles:

  • Falta de organização: “eu acredito que o desenvolvimento do software Agile negligenciou a importância da gestão (de linha). Se os gestores não sabem o que fazer, nem o que esperar da organização do software Agile, como irão se sentir envolvidos em uma transição para o desenvolvimento do software Agile? Qual é a mensagem que o Agile quer passar aqui? Se é ‘nós não precisamos de gestores’, não é de admirar que as transições Agile sejam obstruídas ao redor do globo” [tradução: Appelo, Management 3.0];
  • Falta de um líder claro: em muitos casos os profissionais sentem falta de um “line manager” que seja ultimamente quem os lidera. O PO muitas vezes tem menos experiência profissional do que os membros do squad (engenheiros, designers, etc), e não é preparado para liderar temas como feedback, coaching, gestão de carreiras, e compensation. Ele é o visionário de produto. Ponto. Por outro lado, o líder de chapter (grupo de profissionais dentro de uma tribo com atribuições e skills parecidos) às vezes está pouco presente no dia-a-dia do profissional, e foca, por interesse pessoal, muito mais nos aspectos técnicos do trabalho. Na Qulture.Rocks, entendemos que o líder de chapter deveria ser o ‘gestor funcional’ do profissional, fazendo One-on-ones e cuidando dos seus assuntos de carreira, feedback, desenvolvimento, etc;
  • Pouca visibilidade de desenvolvimento: outro problema presente nos squads multifuncionais, mas que deriva de uma dificuldade mais ampla de equipes altamente colaborativas, é a dificuldade de achar accountability clara de desenvolvimento individual. Empresas estão acostumadas a sistemas quantitativos, que possam quantificar performance como uma nota. Por isso, tendem a preferir cortar caminho e atribuir metas individuais aos funcionários, sejam eles engenheiros de software, vendedores, ou designers. Mas sabemos que metas boas são metas de resultado de negócio, e fica extremamente difícil conseguir atribuir um resultado de negócio a um indivíduo em um time multifuncional.

Por exemplo, vamos imaginar que um dos squads da Spotify seja responsável pelo motor de recomendação de músicas e bandas presente na home do aplicativo web. Essa equipe é composta por um engenheiro de back-end, que liga essa funcionalidade aos algoritmos da empresa; por um engenheiro de front-end, que programa a interface visual; por um designer, que desenha a UX e a UI dessa funcionalidade; e por um engenheiro de operações, que cuida do deployment do código.

Podemos atribuir um resultado claro a essa equipe? Penso que sim. Se as recomendações forem boas, imaginemos, a taxa de cliques nas músicas e bandas recomendadas será alta. Além disso, ao clicarem e ouvirem/testarem mais de perto as recomendações, os usuários adicionarão mais recomendações às suas playlists à medida em que forem melhores as próprias recomendações. Portanto temos duas taxas de conversão que podem se tornar as metas/KPIs de resultado a serem medidos como proxy da performance do time.

Pois bem. Mas poderíamos quebrar esses resultados de negócio a cada um dos membros da equipe, para que possamos medir exatamente a performance de cada um? Será? Quanto do resultado das taxas de conversão pode ser atribuído ao engenheiro de back-end, vis-a-vis o designer? Impossível. Assim, dada essa grande dificuldade, gestores e líderes pelo mundo passam a atribuir metas de esforço a esses profissionais: se o designer cumprir com todas as necessidades do time nos sprints, ele terá performado. Algumas empresas estabelecem cerimônias de avaliação das entregas, que passam, se aprovadas, a serem ‘contabilizadas’ como resultados entregues.

No entanto, é importante ressaltar que esforço – nesse caso a entrega das telas prontas pelo designer dentro do prazo estipulado pelo time – não é sinônimo de resultado. O resultado é unicamente passível de mensuração pela taxa de conversão de usuários (ou outra medida de negócio estabelecida pelo time). Fazer exercício não é sinônimo de emagrecimento.

O foco desse estudo de caso não é discutir o tema de performance em times multifuncionais (se quiser falar mais sobre isso, entre em contato com a gente), mas é importante que as empresas praticantes do Agile e da organização de times de produto como a da Spotify entendam que não há fórmula simples adaptável à sua realidade, e que metas individuais não serão a resposta. Será absolutamente necessário que a performance de cada membro de um squad seja uma função dos resultados de negócio produzidos pelo próprio squad e por uma avaliação 360-graus, subjetiva, da contribuição desse membro para a performance do time, no formato de idéias, resolução de conflitos, liderança emergente, priorização, etc.

No Brasil, duas empresas que conhecemos e que sabemos que se organizam de maneira similar são a ContaAzul, startup de Joinville que lidera uma revolução na gestão financeira de pequenos e médios empresários por todo o Brasil; e a Nubank, startup de São Paulo que tem o cartão de crédito mais desejado da história dos serviços bancários. Em ambos os casos, o processo vem sendo refinado (e, vale dizer, a experimentação e iteração constante é a regra nas empresas ágeis), e adaptado às necessidades de seus negócios e da cultura brasileira.

A outras indústrias que podem se beneficiar de modelos inspirados nos squads, tribos, chapters, e guildas do Spotify: as empresas de consultoria, que também se organizam em times multi-funcionais e alocados por projeto.

Referências

Scaling agile at Spotify

Lean Software Development: An Agile Toolkit (Amazon)

Peopleware: Productive Projects and Teams (Amazon)

Management 3.0 (Amazon)

Vídeos da série “Spotify engineering culture”

Conway’s Law

[1] A diferença entre um PO e um PM não é muito clara, podendo variar bastante de empresa para empresa, especialista para especialista, e de CTO para CTO. Em algumas empresas, há uma maior distinção entre os conceitos de PO e PM: o PM é mais focado em produto do ponto de vista mercadológico, e o PO mais focado em gerir o roadmap de produto do ponto de vista do desenvolvimento. Ambos podem coexistir, ou um dos dois assumir parte da responsabilidade do outro. Na Spotify, o PO tem a responsabilidade de direcionar o roadmap de produto.

[2] “Early in his career, Robin Dunbar, a British anthropologist, found himself observing the dynamics of gelada baboons in Ethiopia, hoping his work might shed light on the evolution of humans. Over time, Dunbar noticed that different species of monkeys, baboons, and apes tended to live in different-sized troops (or troops). Interestingly, the size of a troop seemed to be related to the size of the species’ brain, or more specifically, the size of the neocortex… Dunbar theorised that primate brains evolved to be quite large so that individuals could keep track of their social relationships with others in the loop [3]… The obvious next step was to project the community size that humans might gravitate toward, based on the relative size of the human neocortex. The answer that popped out of Dunbar’s calculations was… 150.” Tom e Mary Poppendieck, The Lean Mindset

[3] É bastante discutível que Dunbar tenha concluído pela relação de causalidade, e não apenas por uma correlação. Seria praticamente impossível dizer se os humanos cresceram cérebros para lidar com grupos, ou se passaram a se agrupar com mais colegas em função do cérebro maior. Um exemplo da falácia da causalidade.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Veja também o meucanalinovacao no YouTube e Instagram

Elon Musk: um CEO polêmico, inovador e com uma remuneração de US$ 6,7 bilhões

O CEO da fabricante de carros elétricos Tesla é o executivo mais bem pago dos Estados Unidos, segundo o ranking Bloomberg Pay Index, com ganhos quase 12 vezes maiores que o segundo colocado

Moacir Drska – Neofeed – •07/08/21 

Na primeira semana de janeiro de 2021, Elon Musk desbancou Jeff Bezos e tornou-se a pessoa mais rica do mundo. Entretanto, bastaram poucas semanas para que o fundador da Amazon recuperasse seu posto e, desde então, se mantivesse no topo.

Há um ranking, porém, no qual o bilionário à frente da Tesla e da SpaceX tem se mostrado imbatível: a relação dos CEOs mais bem pagos dos Estados Unidos, compilada por meio do Bloomberg Pay Index. Em 2020, pelo terceiro ano consecutivo, Musk liderou essa relação. E com bastante folga.

Dono de uma fortuna de US$ 194 bilhões, Musk acumulou US$ 6,7 bilhões em 2020. A cifra representa quase 12 vezes mais do que os US$ 568,4 milhões que Mike Pykosz, CEO da companhia de saúde Oak Street Health, o segundo colocado da lista, recebeu no período.

A lista dos cinco executivos melhor remunerados no mercado americano inclui ainda Trevor Bezdek e Douglas Hirsch, co-CEOs da GoodRX Holdings, plataforma digital de remédios com prescrição, com US$ 497,8 milhões cada; e Eric Wu, CEO da Opendoor Technologies, plataforma online de negócios imobiliários, com US$ 388,7 milhões.

O CEO da Apple, Tim Cook, caiu da segunda posição, em 2019, para a oitava colocação no ano passado, com ganhos de US$ 265 milhões. Alex Karp, CEO da Palantir Technologies; Geoffrey Price, COO da Oak Street Health; Griffin Myers, CMO da Oak Street Health,; e Chad Richison, CEO da Paycom Software completam as 10 primeiras posições.

O ranking também mostra a relação desigual entre homens e mulheres. CFO da Opendoor Technologies, Carrie Wheeler é a executiva mais bem paga, com US$ 100 milhões. Mas só aparece na 34ª posição. A próxima na lista é Veronique Lecault, no 40º lugar, com US$ 83 milhões. Apenas cinco mulheres integram a relação dos 100 executivos melhor remunerados.

O Bloomberg Pay Index parte de arquivos enviados à Securities Exchange and Commission (SEC), a CVM dos Estados Unidos, para compilar os “vencimentos” dos executivos, um pacote que inclui salários, bônus por desempenho, ações e opções de compra dos papéis, entre diversos outros benefícios.

O fundador da Tesla Elon Musk

No caso de Musk, cujos ganhos em 2019 foram de US$ 595,2 milhões, a cifra bilionária refere-se única e exclusivamente aos prêmios de opções sobre as ações da Tesla.

O plano de compensação desenhado e aprovado em 2018 pelo Conselho de Administração da fabricante para Musk envolve o desbloqueio das opções em 12 etapas, dentro de um pacote total que pode render até US$ 55,8 bilhões para o bilionário que, até o momento, já embolsou US$ 33 bilhões.

Pelos termos do plano em questão, cada vez que a Tesla alcança um determinado marco ou indicador pré-determinado, Musk tem direito a um volume de ações da companhia pelo preço de US$ 70. Hoje, os papéis da empresa estão sendo negociados na casa de US$ 700.

Em 2020, as ações da empresa acumularam uma valorização de nada mais nada menos que 696,4%. No ano passado, o valor de mercado da companhia saiu de US$ 75,7 bilhões para US$ 668,9 bilhões.

Musk, além da Tesla, é o fundador da companhia de foguetes SpaceX e é considerado uma das pessoas mais inovadoras de sua época. Ao mesmo tempo, gosta de usar o Twitter para dar suas opiniões, envolvendo-se, quase sempre, em polêmicas. Atualmente, apesar de ser bilionário, mora numa casa de 36 metros quadrados.

De acordo com a Bloomberg, o plano de remuneração de Musk trouxe reflexos na elaboração dos salários e benefícios de executivos de diversas empresas nos Estados Unidos.

Na prática, ganhou força a ideia de que vale pagar o preço de compensações elevadas, atreladas a metas como o preço das ações ou lucro, em troca de grandes retornos para as companhias.

“O que aprendemos com o pacote de Musk é que se os requisitos de desempenho são altos o suficiente, não importa o quanto pagamos”, diz um consultor ouvido pela agência de notícias.

Em média, um CEO das mil maiores empresas listadas nos EUA recebe 144 vezes o salário de seus funcionários. “É tudo sobre o cara no escritório do canto e todos os outros são apenas ajudantes”, afirma Sara Anderson, que lidera o projeto Global Economy, no Institute for Policy Studies.

Diante desse contexto, em março desse ano, os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren apresentaram um projeto de lei no Congresso americano propondo sanções às empresas que pagam seus executivos muito mais do que a remuneração destinada aos trabalhadores.

O projeto prevê um aumento de impostos de 0,5 ponto percentual para as companhias que pagam os profissionais do alto escalão entre 50 a 100 vezes mais do que os seus funcionários médios. E de cinco pontos percentuais para aquelas que pagam 500 vezes mais.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Veja também o meucanalinovacao no YouTube e Instagram

Chove dinheiro na startuplândia enquanto fluxo para bolsa míngua

Combinação de fatores faz com que universo das startups, aos olhos do investidor, represente o Brasil que dá certo

Por Graziella Valenti – Exame –  07/08/2021 

O capital está cada vez mais aberto a fortes emoções. O que procura? Retorno. Muito retorno. Depois de o fluxo para a bolsa ter sido intenso em 2020, com o saldão de ativos da pandemia, o dinheiro secou com o Índice Bovespa acima dos 120 mil pontos (veja mais sobre isso no fim da matéria). Agora, está abundante — e haja abundância! — apenas para os investimentos privados. As startups de tecnologia são as estrelas do momento, onde os riscos são maiores, mas os retornos possíveis também.

Só nesta semana, e num único dia, o Softbank anunciou três investimentos no Brasil, num total de quase R$ 1 bilhão, nas companhias Único, Omie e Avenue. Todas ligadas ao universo financeiro, de alguma maneira. Porém, foram três de vários outros. O portfólio na América Latina está perto de alcançar 40 companhias, segundo Alex Szapiro, que está à frente dos investimentos no Brasil para o grupo asiático.

“A América Latina tem um PIB per capita que é 4 vezes o da Índia e o dobro do que se vê no sudeste asiático. E a região recebeu muito menos recursos do que essas outras nos últimos anos”, comenta Szapiro, ao explicar a intensidade e a velocidade dos negócios.

Os dados do hub de inovação aberta Distrito apontam que as startups brasileiras receberam US$ 485 milhões só no mês de julho. Em sete meses acumulados de 2021, foram quase US$ 5,7 bilhões. Essa parcial é 63% superior a tudo que foi movimentado em 2020, e já tinha sido recorde.

Alguns fatores, na visão de Szapiro, que também foi o CEO da Amazon no Brasil, antes de mudar o lado do balcão, influenciam nesse momento, como a facilidade do acesso à tecnologia, que está mais disponível aos empreendedores do que nunca. Além disso, há fatores importantes, como os esforços de desregulamentação no mercado financeiro que estão ocorrendo no Brasil e no México. Não por acaso, os três movimentos anunciados nessa semana no Brasil têm relação com esse processo.

Chove dinheiro na startuplândia enquanto mingua na bolsa

Venture Capital: recorde de captação e investimento em empresas não é exclusivo do Brasil (Viaframe/Getty Images)

Mas esse cenário está distante de ser um privilégio brasileiro. Bem o contrário. Na semana passada, Tomasz Tunguz, um dos diretores da Redpoints eVentures na Califórnia, apontou em sua newsletter que a velocidade do venture capital nunca foi tão alta. “Eu nunca vi um dólar se mover tão rapidamente.”

Tunguz aponta que as aberturas de capital nos Estados Unidos já movimentaram mais de US$ 70 bilhões no ano, até julho, valor que é mais do que o triplo do total anual registrado em 2019 e em 2020. O mesmo recorde ocorre, como consequência da capitalização das empresas, com as fusões e aquisições, que já superaram o volume de US$ 100 bilhões no primeiro semestre de 2021.

Na opinião do gestor, a captação de recursos é recorde, mas o mercado de capitais mostrou que soube acomodar os IPOs dos unicórnios que surgiram na última década. No Brasil, que também já bateu recorde de aberturas de capital neste ano (em volume), ofertas públicas iniciais (IPOs) de startups começam a se tornar uma realidade. A lista de novatas é crescente.

João Brandão, da Bridge One, que está em plena captação de recursos para um fundo de venture capital de R$ 200 milhões, faz coro a Tunguz aqui do Brasil: “nunca se viu nada parecido em fluxo para esse mercado”. Ele aponta que houve uma melhora significativa na qualidade dos empreendedores. “Antes, os talentos queriam ir para o mercado financeiro. Agora, querem empreender.”

Além disso, Brandão aponta que o interesse no venture capital aumentou brutalmente, com uma grande quantidade de family offices interessados em alocar parte de seus recursos nesse estágio inicial de empreendimentos. Para completar, grandes casas tradicionais de investimento em ações, como Dynamo, Constellation, Equitas, entre outras, também fizeram o mesmo movimento: começaram a montar suas próprias carteiras e alocações em venture capital.

“Eles viram o que aconteceu conosco, que investimos na região [América Latina] desde 2019. Dos 10 recentes unicórnios, temos seis na carteira”, comenta Szapiro, do Softbank, explicando o que tem trazido novos interessados para esse mercado de maior risco.

O investimento em empresas mais novas não traz apenas a perspectiva de retorno, traz o contato com tudo que há de novo em desenvolvimento e ainda com os riscos para a “velha economia”. Dá pistas sobre quem serão os sobreviventes e como devem se comportar.

Para Alexandre “Alex” Dias, fundador da São Pedro Capital, ex-presidente do Google e ex-sócio da Victoria Capital, explica, em entrevista ao EXAME IN, que hoje a tecnologia e os sistemas de gestão estão muito mais acessíveis aos empreendedores, além das estratégias fundamentadas em dados. “Nada disso mais é rocket science.” Esse ambiente acaba facilitando o desenvolvimento de novas empresas. “É muito diferente de dez anos atrás. Esse fenômeno veio para ficar, na visão do executivo. Então, de um lado, há mais companhias, com uma gestão e uma estrutura de gestão melhor e, de outro, há mais interessados em investir. “Todo mundo está comprando mais tecnologia. Não tem jeito. No fim, todos estão perseguindo os mesmos investimentos. Os vencedores.”

Soma-se, ao interesse de investidores tradicionais do venture capital e de novos players, o apetite da própria indústria. “As companhias sabem que é mais rápido comprar pronto do que tentar fazer dentro de casa algo que elas sequer sabem”, comenta ele. Que o diga a Magazine Luiza.

Todo esse movimento deve transformar e muito o ambiente produtivo. Quando a tecnologia 5G for uma realidade, isso deve se acelerar ainda mais.

Felipe Mansano, que está à frente do fundo de venture capital da Equitas, dedicado a negócios em estágio inicial, lembra de como o próprio cenário atual termina por ampliar o interesse dos investidores pelo venture capital. “Amazon, Facebook, Apple, Netflix e até mesmo a Microsoft e a IBM já foram startups. Eram empresas muito pequenas que nasceram com muito capital.”

O risco está na bolsa?

Enquanto o volume de recursos para startups cresce, o dinheiro para a bolsa míngua. No ano passado, os fundos de ações captaram recursos e as pessoas físicas investiram diretamente no mercado mais do que em qualquer outro ano. Mesmo com a taxa de juros baixa, os fundos de renda fixa estão concentrando a captação de recursos, seguidos pelos multimercados. Os volumes falam por si.

Os fundos de investimento registraram quase R$ 300 bilhões de entrada líquida de recursos em 2021, até o fim de julho. Disso, mais de R$ 140 bilhões foram para as carteiras de renda fixa e R$ 93 bilhões para os multimercados. Os portfólios dedicados a ações acumulam no ano a entrada de apenas R$ 5 bilhões. Para efeito de comparação, no auge do estresse com a pandemia e da incerteza, em março de 2020, os fundos de ações captaram R$ 7 bilhões.

O apetite da pessoa física na bolsa também minguou e na maioria dos meses, os investidores diretos mais venderam do que compraram ações. O estrangeiro, que estava sustentando alguma melhora com o ingresso de dinheiro do fim de 2020, especialmente, tirou mais de R$ 8,2 bilhões em julho, do mercado secundário.

A bolsa está fortemente relacionada às perspectivas para o país, e as incertezas políticas e macroeconômicas, portanto, escalaram nos últimos meses – antecipando a discussão eleitoral de 2022.

Não é que as startups não sofram esse risco. Mas, por enquanto, a sensação unânime entre os investidores desse mercado – de alto risco – é que se trata quase de um outro Brasil, aquele em que o futuro parece mais promissor.

https://exame.com/exame-in/chove-dinheiro-na-startuplandia-enquanto-fluxo-para-bolsa-mingua/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Veja também o meucanalinovacao no YouTube e Instagram

Protótipo de moto voadora faz sua primeira decolagem

Por Felipe Ribeiro | Editado por Jones Oliveira | Canaltech 31 de Julho de 2021 

Os eVTOLs, ou “carros voadores”, já estão em desenvolvimento e devem chegar ao mercado ainda este ano por meio de diversas empresas — entre elas, a Embraer. E, como era de se esperar, o mercado automotivo também vai ganhar variantes voadoras das motos, com uma delas, inclusive, em fase avançada de testes: a “The Speeder”, da startup Jetpack Aviation. 

Diferente dos carros voadores, a The Speeder não será elétrica. A princípio, o protótipo que levantou voo nesta semana é movido à gasolina e terá como finalidade a recreação e uso pessoal e não a operação por meio de empresas, algo bem latente nos eVTOLs. Mas, segundo a Jetpack Aviaton, o projeto ainda vai passar por uma série de alterações até chegar no modelo final, que deve ser bem parecido com a foto abaixo.

Segundo a fabricante, a The Speeder pode chegar a uma velocidade máxima de 240 km/h, bem parecida com a de uma moto esportiva de competição. Além disso, seu teto operacional máximo é de 4.572 metros, fazendo com que ela divida os céus com helicópteros e, futuramente, os próprios carros voadores. Se considerarmos que a ideia da empresa é de fazer um veículo idêntico a uma motocicleta, o piloto ficará descoberto. A autonomia é de 30 minutos.

Ainda segundo a Jetpack Aviation, a The Speeder poderá ser configurada de duas maneiras. A primeira, como citamos, deve mesmo ser a versão de recreação. Já a outra variante será destinada para uso militar, sobretudo em atividades de salvamento, dada a versatilidade e agilidade do veículo.

(Imagem: Divulgação/Jetpack Aviation)

A Jetpack Aviation não informou o preço nem data de lançamento da The Speeder. 

Fonte: IFLS

https://canaltech.com.br/veiculos/prototipo-de-moto-voadora-faz-sua-primeira-decolagem-veja-como-foi-191232/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT  para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram 

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Veja também o meucanalinovacao no YouTube e Instagram

Cinco práticas de gestão de startups aplicáveis em grandes empresas

Indo além das buzzwords e clichês do ecossistema de startups, compartilho um conjunto de cinco práticas de gestão amplamente adotadas por startups que podem acelerar a inovação no ambiente de grandes empresas.

Maximiliano Carlomagno MIT Sloan Management Review 30 de Julho 2021

Unicórnios. Venture capital. Product-market fit. IPO. Lean startup. Marketplace. OKRs. Esse novo glossário, falado em empresas tradicionais em todo Brasil, é uma evidência do impacto do ecossistema de startups no mercado empresarial brasileiro.

Falar é uma coisa; praticar é outra. Infelizmente, nem tudo que reluz é ouro. Startup não é sinônimo de empresa de sucesso. A taxa de mortalidade de startups é alta, seja no Brasil ou no Vale do Silício. Raros são os casos que chegam à abertura de capital.

Tentar copiar as práticas de gestão adequadas para startups e colar em grandes empresas, indiscriminadamente, pode ser bastante desafiador e perigoso, afinal foram desenvolvidas para aplicação em condições vivenciadas por startups.

Nos últimos anos, contudo, um conjunto de práticas de gestão adotado por startups tem se mostrado efetivo para determinadas situações que as grandes empresas enfrentam com maior frequência. Essas práticas podem ser muito úteis para intraempreendedores que vivenciam o seguinte problema: quando preciso desenvolver algo novo, em condições de extrema incerteza, dentro de uma grande empresa quero ferramentas que me ajudem a avançar sem correr riscos excessivos e ainda assim aumentar minhas chances de sucesso.

Infelizmente a taxa de fracasso de projetos de inovação em empresas estabelecidas varia de 70% até 90% segundo pesquisa da professora Beth Altringer, diretora do laboratório de design de Harvard University. Para lidar com esse desafio, um conjunto de cinco práticas de gestão difundidas por startups pode levar profissionais de empresas estabelecidas muito além do domínio do novo glossário.

Artigo Cinco práticas de gestão de startups aplicáveis em grandes empresas

1. Mais pesquisa exploratória e menos achismo

A formação executiva dos anos 1980 e 1990 desenvolveu gestores para ocuparem posições de média gerência de grandes empresas em setores maduros com condições previsíveis. A capacidade de análise e predição se consolidou como a abordagem principal dos profissionais.

As startups, por outro lado, operam num contexto em que a incerteza e ambiguidade são as características dominantes. Um dos mantras do Steve Blank, pai do movimento startup é “get out of the building”. Os insights e oportunidades estão na interação com os clientes e não numa planilha de Excel.

Todo ferramental do design thinking e de customer development disseminado pelas startups coloca o cliente no centro utilizando de técnicas de pesquisa qualitativa como entrevistas em profundidade, etnografia e imersão.

2. Mais foco no problema e menos na ideia

Não basta renovar o arsenal de pesquisa. É necessário saber para onde olhar. No momento em que uma empresa cria um produto de sucesso, o trabalho de alguém será vender, estender, adaptar e renovar o que foi desenvolvido. Beleza, compreensível. O problema é quando ninguém mais tenta entender o que o cliente realmente precisa e, todo mundo, passa o tempo todo tentando empurrar a ele o que a empresa quer.

O produto é um meio para resolver um problema de um grupo relevante de usuários que se predispõe a pagar. O avanço da capacidade de inovação em empresas estabelecidas passa por alterar o foco e tempo do processo de desenvolvimento como fazem as startups. Da ideia para o entendimento do problema dos usuários. As startups deslocaram o foco da ideia para o problema o que transforma todo processo de inovação.

3. Mais experimentação e menos análise

Em cenários de extrema incerteza, mesmo pesquisas bem-elaboradas deixam lacunas sobre aspectos centrais. O que o cliente irá valorizar? Qual deve ser a oferta? Como poderá ser o melhor modelo de negócios? Não há outra alternativa. É preciso concluir a pesquisa e iniciar a experimentação.

O lean startup, técnica difundida pelas startups, é a abordagem de desenvolvimento que prioriza a geração de conhecimento validado a partir de experimentos. Uma técnica humilde de gestão. Que parte da premissa de que em condições de ausência de informação a melhor alternativa é testar e gerar as evidências.

A experimentação não é “sair fazendo”. É o processo disciplinado de validação de hipóteses de criação de valor. Essa abordagem é filha querida do método cientifico, desenvolvido séculos atrás. Viabiliza a prática do “fail fast, learn faster”. Nesse contexto, o erro é a matéria-prima para o aprendizado e a correção de rota necessária em projetos de inovação.

4. Mais retorno ou menos risco

A aversão a perda é uma das principais barreiras da inovação em empresas estabelecidas. Pedir para as pessoas inovarem é fácil. Complicado é convencer a se arriscar um diretor de multinacional, pai de três filhos em escola particular bilíngue, com casa alugada em Alphaville e viagens internacionais programadas. Como diz Bob Dylan, “quando você não tem nada, você não tem nada a perder”.

Já Daniel Kahneman estimou que somos duas vezes mais avessos a perda do que ambiciosos pelo ganho. O que as startups fazem? Alavancam a possibilidade de ganho. Não são raros os profissionais que aceitam trabalhar ganhando muito menos em startups para ter a chance de virarem sócios milionários numa venda ou abertura de capital como ocorreu com profissionais da Stone, XP e Melliuz.

Qual a problemática da inovação na grande empresa? O inovador não tem a perspectiva do ganho exponencial e tem dúvidas sobre como será o fim da história em caso de fracasso. As startups nos ensinaram que ou você reduz o risco de perda ou amplia significativamente o potencial de ganho.

5. Mais gente focada em menos projetos

Ninguém faz nada incrível no tempo que sobra. As empresas estabelecidas consolidaram a abordagem de gestão de projetos com times com alocação part-time. Várias pessoas dedicando um pouco de tempo para uma dezena de projetos. Funciona bem quando as pessoas fazem coisas que conhecem e onde não há a necessidade de explorar e aprender coisas novas.

As startups nos mostraram que para fazer algo novo é preciso foco. Atenção dedicada. Squads ágeis com alocação full-time nos projetos. Vivendo aquilo 24h por dia para capturar os insights, realizar os testes e ter a confiança para correr os riscos necessários. Jeff Bezos difundiu a “regra das duas pizzas”. Segundo o bilionário, dono da Amazon, os times internos devem ser pequenos o suficiente para que possam ser alimentados com apenas duas pizzas.

Conhecer as buzzwords do mercado de empreendedorismo e inovação é apenas o começo da ambientação com a nova economia. O novo vocabulário é extenso. O Dicionário do Startupês, produzido pela nossa colega Ana Leticia Rico, traz centenas de novas expressões.

No entanto, mais importante do que entender o significado de design thinking, lean startup ou agile é conseguir compreender quais práticas de gestão de startups podem ser adaptadas para a realidade de grandes empresas: (1) renovar o método de pesquisa; (2) focar mais no problema dos usuários e menos na ideia; (3) dominar a capacidade de experimentação; (4) priorizar pequenos times com dedicação exclusiva; (5) redefinir a relação risco-retorno. Cinco das mais poderosas lições que o movimento startup trouxe para todos os profissionais de inovação corporativa.

Gostou do artigo do Maximiliano Carlomagno? Saiba mais sobre inovação aberta assinando gratuitamente nossas newsletters e ouvindo nossos podcasts na sua plataforma de streaming favorita.

Maximiliano Carlomagno

É sócio-fundador da Innoscience, consultoria de inovação corporativa que trabalha com empresas como Roche, Coca-Cola, Duratex, Hypera Pharma. SLC Agrícola, Sicredi, M. Dias Branco, Braskem, Nestle, Ipiranga e Avon. É autor do livro “Gestão da Inovação na Prática”.

https://mitsloanreview.com.br/post/cinco-praticas-de-gestao-de-startups-aplicaveis-em-grandes-empresas

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Veja também o meucanalinovacao no YouTube e Instagram

Reconhecimento facial traz dúvidas sobre privacidade

Onipresença de smartphones com câmera é fator decisivo para crescimento do recurso

Por Dauro Veras — Para o Valor 30/07/2021 

Em 2025, cerca de 1,4 bilhão de pessoas, um quinto da população do planeta, vão usar sistemas de reconhecimento facial para autenticar pagamentos, estima a Juniper Research. É mais que o dobro das 671 milhões contabilizadas em 2020. A consultoria também prevê a tendência de crescimento de outros recursos de autenticação complementares, como o reconhecimento de voz, que deve passar de 111 milhões para 704 milhões de usuários. A onipresença dos smartphones com câmera é um fator decisivo para que a identificação por imagem se consolide como reforço contra fraudes em transações financeiras. Contudo, o uso da tecnologia desperta preocupações sobre segurança e privacidade.

Outro estudo, realizado pelo Dentsu Data Labs, indica que 84% dos consumidores globais já experimentaram métodos de autenticação por identificação biométrica, isto é, baseada em características físicas ou de comportamento. Foram entrevistadas 3,4 mil pessoas em 14 países. Sete em cada dez usaram impressões digitais para confirmar a identidade, 43% fizeram reconhecimento facial, 25% usaram a voz e 17%, a íris. A pesquisa, encomendada pela corporação francesa Idemia, fornecedora de produtos de identificação biométrica, mostrou que 74% do público tem uma atitude positiva diante dessas tecnologias, em especial os jovens de países emergentes.

Uma das empresas brasileiras que atuam com autenticação por biometria facial é a FullFace, instalada na comunidade de inovação Cubo Itaú, em São Paulo. A startup criou uma tecnologia proprietária que não armazena imagens. Entre seus clientes estão a companhia aérea Gol, a Seguros Unimed, a varejista Lojas Pernambucanas e a gestora de crédito Quod, pertencente aos cinco maiores bancos do país – Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Santander.

“Conseguimos até distinguir gêmeos idênticos”, diz o diretor-presidente da FullFace, Danny Kabiljo. “Mapeamos 1.024 pontos na face, a maioria deles na estrutura óssea, o que aumenta a precisão e a velocidade de validação”. No início de julho, a FullFace firmou parceria com a companhia californiana DocuSign para ajudar a identificar usuários durante a assinatura eletrônica de documentos, um nicho em expansão durante a pandemia.

A meta da empresa paulistana é triplicar o faturamento em 2021 em relação ao ano passado, ampliando sua atuação para as áreas de educação e saúde em atividades como processos seletivos e telemedicina.

Criada em 2018 em Florianópolis, a PayFace oferece um sistema de autenticação por reconhecimento facial que tem como principal mercado os varejos alimentares. Um de seus clientes é o Grupo Muffato, maior rede de supermercados do Sul do Brasil e a primeira do Paraná. A solução está instalada nos 28 caixas da unidade de Londrina. Para pagar por reconhecimento facial, o usuário precisa baixar no celular o aplicativo da Payface e cadastrar o rosto. No momento da compra, faz sua identificação facial em frente a um dispositivo no caixa e, depois de confirmar o valor, finaliza a operação.

Outro cliente da startup é a rede de supermercados Angeloni, décima maior do Brasil, com 28 unidades em Santa Catarina e uma no Paraná. O sistema de validação está presente em todos os caixas rápidos e self-checkouts de uma loja do centro de Florianópolis. A identificação do cliente e o pagamento levam em média 15 segundos, com precisão de 99,38%, informa o cofundador da Payface, Eládio Isoppo.

Ele ressalta que a ferramenta segue as diretrizes da Lei Geral de Proteção aos Dados Pessoais (LGPD): “O consentimento do usuário é um dos requisitos básicos para fazer o cadastro em nossa plataforma e durante o procedimento de compra”. Até o fim do ano, a empresa pretende atuar no comércio eletrônico. “Vamos atender clientes que querem reforçar estratégias de omnicanalidade.”

A Stoque, empresa especializada em digitalização de processos com sede em Belo Horizonte, tem uma solução de reconhecimento facial por meio de fotografias, aplicada em operações financeiras como solicitação de crédito consignado, abertura de contas digitais e emissão de cartão de crédito. Pelo telefone celular, o consumidor envia uma selfie e uma foto do documento de identidade ao prestador do serviço. A análise comparativa das duas imagens é realizada com o uso de inteligência artificial e, quando necessário, com validação humana.

https://valor.globo.com/publicacoes/suplementos/noticia/2021/07/30/reconhecimento-facial-traz-duvidas-sobre-privacidade.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Veja também o meucanalinovacao no YouTube e Instagram

Quais são as habilidades profissionais mais demandadas no Brasil

Relatório indica ainda áreas que mais estão contratando

Por Adriana Fonseca, Para o Valor 02/08/2021

Serviços financeiros, tecnologia, e-business/e-commerce, saúde e construção são as cinco áreas que mais estão contratando hoje no Brasil e que devem seguir aquecidas até o fim do ano, segundo o relatório “Demanda por talentos no cenário atual”, elaborado pela consultoria global de recrutamento especializado Robert Half.

Além de ouvir executivos dessas cinco áreas, a Robert Half consultou CTOs/CIOs, CFOs e gerentes de contratação em geral para compreender quais são as funções mais demandadas pelo mercado para o segundo semestre.

Em tecnologia, CTOs e CIOs mencionaram as seguintes posições em alta:

Segurança de dados

Business Intelligence

Cloud

Administração de banco de dados

Gerenciamento de redes/sistemas

Desenvolvimento

Em finanças, os CFOs disseram que as funções mais demandadas atualmente são:

Planejamento financeiro

Análise financeira

Gestão contábil

Payroll

Gestão fiscal

Relatórios

Auditoria

Já os gerentes de contratação em geral mencionaram:

Pessoal de vendas (incluindo televendas)

Gestão/Administração

Gestão de Projetos

Recursos Humanos

E-commerce/Marketing Digital

Talent Acquisition

Atualmente, os principais desafios das empresas em relação às equipes são qualificar e treinar os empregados diante das novas necessidades do negócio, encontrar candidatos qualificados e manter processos seletivos e de onboarding remotos.

As soft skills seguem em alta, com destaque para comunicação, liderança, visão do negócio e pensamento criativo, mostra pesquisa — Foto: Pixabay

Principais habilidades exigidas dos profissionais

O relatório também traz as habilidades mais demandadas atualmente no mercado de trabalho brasileiro. Para os recrutadores entrevistados, os maiores impactos da abrupta digitalização foram o aprimoramento de habilidades estratégicas e de planejamento, a necessidade de uma comunicação mais assertiva e colaborativa com a equipe, capacidade de trabalhar de forma mais flexível/remota e o surgimento de novas responsabilidades (mais técnicas e complexas).

As soft skills seguem em alta, com destaque para comunicação, liderança, visão do negócio e pensamento criativo.

Entre os profissionais entrevistados, 69% acreditam que a transformação digital vai exigir mais qualificação dos candidatos na busca por um emprego. A habilidade para usar dispositivos e softwares específicos, a capacidade de processar e analisar dados, bem como o conhecimento de ferramentas de colaboração e comunicação estão em alta demanda por conta dos avanços das práticas de trabalho remoto/híbrido.

Em contrapartida, quase metade dos profissionais (49%) entrevistados revelaram que seus gestores não forneceram treinamento adequado para ajudá-los a lidar com as novas tecnologias no trabalho, o que resulta em uma sensação de despreparo.

A qualificação, inclusive, é um dos focos dos funcionários para o semestre: 37% afirmaram querer aperfeiçoar habilidades tecnológicas até o final do ano, 32% disseram que priorizarão o aperfeiçoamento das competências de comunicação e 28% apontaram esforços para evoluir em planejamento e organização. Os profissionais também indicaram as formas de assistência de treinamento que mais gostariam de receber até o final de 2021: treinamentos práticos (38%), mentoria (36%) e consultorias especializadas (24%).

Os dados sobre empregadores do Brasil presentes no relatório são provenientes de uma pesquisa on-line encomendada pela Robert Half a 1.500 executivos e realizada em março de 2021. Foram 300 entrevistas por país, incluindo Alemanha, Bélgica, Brasil, França e Reino Unido. Entre os entrevistados estavam gerentes gerais, diretores financeiros e diretores de tecnologia com responsabilidades de contratação pertencentes a empresas de pequeno (50-249 funcionários), médio (250-499) e grande (mais de 500 funcionários) portes dos setores privado, público e empresas listadas publicamente.

Os dados dos funcionários/profissionais brasileiros citados são um conjunto de resultados de pesquisas on-line realizadas pela Robert Half na Austrália, Alemanha, Bélgica, Brasil, França, Holanda e Reino Unido durante o período de março de 2021 a abril de 2021.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2021/08/02/quais-sao-as-habilidades-profissionais-mais-demandadas-no-brasil.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/Cwsx2TAhfII1aU2mU7JOLS  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Veja também o meucanalinovacao no YouTube e Instagram

Por que a Geração Z cai na desinformação online

Todos nós podemos tirar algum ensinamento de como os jovens de hoje avaliam a verdade online.

by Jennifer Neda John MIT Technology Review Julho 26, 2021

Uma adolescente olha seriamente para a câmera, o enquadramento se movendo à medida que ela aponta o telefone para o rosto. Uma legenda sobreposta em seu moletom dá um aviso sinistro: se Joe Biden for eleito presidente dos Estados Unidos, “trumpistas” cometerão assassinatos em massa a indivíduos LGBT e pessoas de cor. Uma segunda legenda anuncia: “esta é realmente a 3ª Guerra Mundial”. Esse vídeo foi postado no TikTok em 2 de novembro de 2020 e foi curtido mais de 20.000 vezes. Naquela época, dezenas de outros jovens compartilharam avisos semelhantes nas redes sociais, e suas postagens conquistaram centenas de milhares de visualizações, curtidas e comentários.

Claramente, as alegações eram falsas. Por que, então, tantos membros da Geração Z — um rótulo aplicado a pessoas com idade entre 9 e 24 anos, que são presumivelmente mais entendidos digitalmente do que seus antecessores — caíram nessa evidente informação falsa?

Trabalho como assistente de pesquisa no Stanford Internet Observatory desde o verão passado, analisando a disseminação de desinformação online. Estudei campanhas de influência estrangeira nas redes sociais e examinei como a desinformação sobre a eleição de 2020 e as vacinas contra a Covid-19 se tornaram virais. E descobri que os jovens são mais propensos a acreditar e transmitir informações incorretas se sentirem uma identificação em comum com a pessoa que a compartilhou em primeiro lugar.

No mundo off-line, ao decidir quais reivindicações devem ser confiáveis ​​e quais devem ser ignoradas ou duvidadas, os adolescentes tendem a se basear no contexto que suas comunidades oferecem. Conexões sociais e reputações individuais desenvolvidas ao longo de anos de experiências compartilhadas informam quais familiares, amigos e colegas de classe os adolescentes confiam para formar suas opiniões e receber atualizações sobre os eventos. Nesse cenário, o conhecimento coletivo de uma comunidade sobre em quem confiar quando se trata de tópicos determinados contribui mais para a credibilidade do que a identidade da pessoa que faz uma reivindicação, mesmo que ela seja compartilhada pelo jovem.

As redes sociais, no entanto, promovem a credibilidade com base na identificação e não na comunidade. E quando a confiança é construída sobre a identificação, o senso de autoridade muda para os influenciadores. Graças ao fato de se parecerem e soarem como seus seguidores, os influenciadores tornam-se mensageiros confiáveis ​​em tópicos nos quais não têm experiência. De acordo com uma pesquisa da Common Sense Media, 60% dos adolescentes que usam o YouTube para acompanhar eventos atuais recorrem a influenciadores em vez de organizações de notícias. Os criadores que construíram credibilidade nesses valores de identificação veem suas afirmações elevadas ao status de fatos, enquanto os especialistas no assunto lutam para ganhar força.

Os jovens são mais propensos a acreditar e transmitir informações incorretas se sentirem uma identificação em comum com a pessoa que a compartilhou em primeiro lugar.

Foi assim, em grande parte, que o boato de planos de violência pós-eleitoral se tornou viral. Os porta-vozes do aviso eram profundamente relacionáveis ao seu público. Muitos eram negros e abertamente LGBT, e suas postagens anteriores discutiam tópicos familiares como conflito familiar e dificuldades nas aulas de matemática. Esse senso de experiência compartilhada os tornava fáceis de acreditar, embora não oferecessem evidências para suas afirmações.

Para piorar as coisas, está a sobrecarga de informações que muitas pessoas vivenciam nas redes sociais, o que pode nos levar a confiar e compartilhar informações de baixa qualidade. O boato da eleição apareceu entre dezenas de outras postagens nos feeds do TikTok para adolescentes, deixando-os com pouco tempo para pensar criticamente sobre cada reivindicação. Quaisquer esforços para desafiar o boato foram relegados aos comentários.

À medida que os jovens participam de mais discussões políticas online, podemos esperar que aqueles que cultivaram com sucesso essa credibilidade baseada na identificação se tornem líderes comunitários de fato, atraindo pessoas com ideias semelhantes e conduzindo um diálogo. Embora isso tenha o potencial de empoderar grupos marginalizados, também agrava a ameaça de desinformação. Pessoas unidas pela identidade se tornarão vulneráveis ​​a narrativas enganosas que visam exatamente o que as aproxima.

Quem, então, tem um papel a desempenhar na promoção da responsabilidade? As plataformas de rede social podem implementar algoritmos de recomendação que priorizam uma diversidade de vozes e valorizam o discurso em detrimento do clickbait (ou caça-cliques). Os jornalistas devem reconhecer que muitos leitores obtêm suas informações por meio de postagens de rede social consumidas de pessoas parecidas com eles — e devem começar a apresentá-las de acordo. Os legisladores devem regulamentar as plataformas de mídia social e aprovar leis para lidar com a desinformação online. E os educadores podem ensinar os alunos a avaliar a credibilidade das fontes e suas afirmações.

Mudar a dinâmica do diálogo online não será fácil, mas os perigos que a desinformação pode aumentar — e a promessa de melhores conversas — nos obrigam a tentar.

Jennifer Neda John está no segundo ano da Universidade de Stanford com especialização em biologia humana. Ela pesquisa desinformação online no Stanford Internet Observatory. 

https://mittechreview.com.br/por-que-a-geracao-z-cai-na-desinformacao-online/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/ClAdy1GuMchCtm12T5xPcp  para WhatsApp ou

https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram

Este é um grupo de WhatsApp restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Veja também o meucanalinovacao no YouTube e Instagram