É assim que queremos viver?

Temos o direito, e até a obrigação, de questionar saltos tecnológicos

Por Vilma Gryzinski – Veja 19 nov 2021, 

O que é a vida no metaverso? Quando Mark Zuckerberg apareceu com o novo nome do Facebook, Meta, houve algumas reações parecidas. Um golpe de marketing foi uma delas. Outra, mais genérica: alguma coisa muito avançada que vai acontecer no futuro. Matrix, Matrix, Matrix, pensaram os com idade suficiente para lembrar do tempo que nem havia o Face, se é que isso é possível. 

Falar algo assim pode soar como coisa dos que têm necessidades tecnológicas especiais — em suma, atrasados e assustadiços diante de qualquer mudança. Mas algumas das cabeças mais avançadas do momento se preocupam com as possibilidades abertas pela inteligência artificial e, sua criação, o universo paralelo à vida real que, inevitavelmente, deixa o primeiro em posição de preponderância em relação à segunda. 

Existe até um nome para esse fenômeno: risco existencial decorrente da inteligência artificial avançada. A comparação mais evocada é a de que os humanos podem se tornar os novos gorilas-das-montanhas. Assim como os prodigiosos animais, hoje reduzidos a pequenas populações no coração da África, dependem da proteção dos humanos conservacionistas para sobreviver aos humanos que querem caçá-los todos, nós poderíamos nos tornar dependentes da magnanimidade de uma futura superinteligência. 

Mark Zuckerberg e o logo da Meta

Mark Zuckerberg apresenta o novo nome da holding Facebook, Meta, e o logo, que se assemelha ao sinal de infinto – Facebook/Reprodução

Como em todos os grandes mitos criacionistas da humanidade, as criaturas superariam o criador, arrancando-lhe o fruto ou o fogo do conhecimento. “O mundo é estranho e nós temos de aprender a viver com isso”, resume o físico sueco Max Tegmark, autor de Vida 3.0, em que especula sobre a possibilidade de que os robôs sapiens nos substituam completamente.

Obviamente, aprender a “viver com isso” exige recursos quase impossíveis para nossos frágeis intelectos diante de máquinas que não precisam mais ser programadas, produzem seu próprio software. “Filosoficamente, intelectualmente — de todas as maneiras — a sociedade humana está despreparada para o surgimento da inteligência artificial”, escreveu Henry Kissinger, um inesperado participante do debate sobre o que pode ser a maior mudança da história da humanidade. 

O arquiteto da política externa americana na década de 70 do século passado, hoje com 98 anos, começou a se interessar pelo assunto quando soube que um computador havia dominado os mecanismos do jogo Go. Quanto mais se cercou de outras mentes brilhantes, mais preocupado ficou.

No universo paralelo, ou meta, cujos fundamentos já estão dados, podemos ser mais belos, inteligentes, interessantes, aventureiros, heroicos, audazes (e também comprar produtos meta, claro). Ou agressivos, violentos, impiedosos, sem freios nem limites. Exatamente como nos games, só que “de verdade”. Nossas limitadas vidas humanas se tornarão ilimitadas. Ou acreditaremos sê-lo. 

Na peça do século XVII de Calderón de la Barca, na qual o personagem principal é trancado numa torre desde o nascimento, o poeta espanhol deu uma definição que atravessa os tempos e continua a nos assombrar: “Que é a vida? Um frenesi. Que é a vida? Uma ilusão, uma sombra, uma ficção; o maior bem é tristonho, porque toda vida é sonho, e os sonhos, sonhos são”.

Sonhamos todos ou estamos sendo sonhados?

Publicado em VEJA de 24 de novembro de 2021, edição nº 2765

https://veja.abril.com.br/blog/mundialista/e-assim-que-queremos-viver/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BU4P3HeFmWo8QCkIb4CEdv (07) para WhatsApp

ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram.

Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

O que aprendi ao visitar a sociedade digital mais avançada do mundo

Sérgio Chaia Neofeed DECEMBER 04, 2021

Em novembro deste ano, visitei a sociedade digital mais avançada do mundo, segundo a revista Wired, com o time de lideranças da idtech unico.

Esse título não é por acaso. Ali se demora três horas para abrir uma empresa, 44% dos votos na eleição de 2019 foram feitos online, 85% das escolas são totalmente digitalizadas e a população tem acesso a mais de 2.500 serviços digitais. Só casamento, divórcio e vendas de propriedades ainda não são online. Ainda!

Estou falando da Estônia, um lugar muito especial que faz fronteira com Finlândia, Letônia e Rússia, da qual se tornou independente em 1991. A Estônia é uma país pequeno, com apenas 1,4 milhão de habitantes, mas com um PIB per capita mais de três vezes maior do que o brasileiro.

Visitamos muitas empresas, conversamos com representantes do governo estoniano e até com o embaixador brasileiro. Todos foram unânimes em apontar a sociedade digital como a grande responsável pelo avanço econômico e social do país.

Apesar de não ser especialista em tecnologia, foram reuniões muito interessantes e que me trouxeram vários insights, dos quais destaco três a seguir:

1 – Mudanças fortes ocorrem mais por necessidade do que por desejo

A maioria das pessoas ou lideranças quer mudar algo, seja na vida ou na empresa. A história da virada da Estônia reforçou o que eu já acreditava. Se você quer mudar, gere uma grande necessidade. No caso estoniano, o país, após a independência da União Soviética, estava em uma situação econômica bastante desafiadora.

A burocracia de um estado pesado, por exemplo, devorava a economia. A necessidade de mudança era crucial. A saída foi potencializar o maior ativo que a Estônia herdou do período de dominação russa: seu expertise de TI e de cibersegurança.

Foi assim que o país embarcou nessa transformação digital, esperando estimular investimentos tão necessários para gerar empregos e aquecer a economia.

2 – Inova-se mais com poucos recursos do que com muitos

Parece estranho, afinal bilhões de dólares são investidos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) anualmente pelas empresas de todos os setores. Ouvimos a história do início da sociedade digital na Estônia.

Com a missão de avançar digitalmente, a liderança política estoniana procurou a IBM. Depois de vários encontros, chegou a hora de negociar o preço. Segundo nos contaram, o preço mínimo da IBM era de 350 mil euros para o pacote digital. Mas o budget do governo era de 8 mil euros.

Essa diferença fez com que o governo decidisse construir sua própria plataforma, o X-Road, que “é considerado o coração da transformação digital” do país.

O X-Road é a espinha dorsal do e-Estonia, infraestrutura crucial para que os vários sistemas de informação de serviço eletrônico dos setores público e privado da nação se conectem e funcionem em harmonia. Se a IBM não tivesse abandonado o negócio, ele não existiria.

A sugestão aqui é não depenar o seu budget de P&D pela metade, mas sim gerar um princípio de escassez como estímulo à inovação para cada squad que se forma.

3 – Transparência gera confiança

Muitos líderes me perguntam como podem engajar mais colaboradores. Sempre sugiro começar pela transparência. Não significa ser sempre bonzinho ou o chefe legal. Ao contrário: procure sempre dar a real de uma forma construtiva e não ter uma agenda B.

Fazendo isso, seus colaboradores irão sentir que podem confiar em você. E confiança traz um boost no engajamento. O interessante é que observei essa tese na forma como o governo estoniano construiu seus serviços digitais.

O desafio era motivar a população a utilizá-los. Só assim, eles seriam úteis. A premissa de total transparência foi usada desde o início. Não se prometeu que os dados seriam incorruptíveis, mas garantiram que, em qualquer tentativa, o cidadão seria notificado.

Além disso, todos os acessos aos dados dos cidadãos estonianos de qualquer instituição são totalmente transparentes. Todos podem ver, em tempo real, como o portal está operando. O índice de engajamento da população é brutal: 98% têm uma identidade digital e 99,8% das transações bancárias são online.

É incrível o quanto uma viagem para um lugar diferente pode ser rico em insights. Mas não é todo dia que podemos visitar lugares tão distantes como a Estônia. Porém, mantendo nossa curiosidade em alta, conhecendo gente, lugares e experiências diferentes e quebrando a rotina em nossa própria cidade podemos, sim, fabricar insights, trazendo o efeito Estônia para o nosso dia a dia tropical.

*Sergio Chaia atua como coach de CEOs, empreendedores e atletas de alto rendimento. Foi chairman da Óticas Carol e CEO da Nextel. Atua como conselheiro da Daus e da Ri Happy. É também conselheiro e educador do Instituto Ser + , uma ONG voltada à recuperação de jovens em situação social de risco preparando sua inserção no mercado de trabalho. Autor do livro “Será que é possível?”

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BU4P3HeFmWo8QCkIb4CEdv (07) para WhatsApp

ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram.

Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Como os algoritmos influenciam a produção de filmes e séries

Quando se trata do mercado de serviços de streaming, ganha aquele que cativa o espectador por mais tempo

Por Laura Pancini – Exame 18/11/2021 

Ainda está prestando atenção? Quando se trata do mercado de serviços de streaming, ganha aquele que cativa o espectador por mais tempo. E não só durante um filme ou aquela maratona de série: quantos minutos o usuário fica com o mouse em cima de um banner ou em quais imagens ele tende a clicar mostram muito mais sobre seus padrões de consumo. É como se na primeira camada tivéssemos as informações que o usuário está mais ciente de que está compartilhando — ele tem uma preferência por filmes de comédia romântica, por exemplo.

Já na segunda camada estão os metadados, mais obscuros e capazes de identificar padrões que não estamos vendo por meio do machine learning, tecnologia capaz de categorizar um volume gigantesco de dados. Com os metadados, a plataforma sabe então que o usuário se interessa também por década de 1990, mulheres fortes como protagonistas e o ator Hugh Grant. Também entende que a escolha depende de seu humor, e que um filme desse tipo se encaixa mais nas recomendações de sexta à noite do que nas de segunda na hora do almoço.

O modelo que utiliza dados dos usuários para ofertas de produtos e experiências personalizadas é padrão para os serviços de streaming como Net­flix, Prime Video, HBO Max e ­Disney+. “Eles estão competindo por atenção, então os algoritmos entram como uma forma de otimizar e personalizar os serviços”, avalia Victor Barcellos, especialista de comunicação digital do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio).

 (Yulia Reznikov/Exame)

A diferença, portanto, está em como cada um lida com os dados que têm, e nenhum se compara ao gigante Netflix, que possui por volta de 210 milhões de assinantes pagos mundialmente. Apesar de a Netflix estar no mesmo servidor da Amazon e ter muitas semelhanças com o Prime Video, seu diferencial em número de usuários traz mais dados e, portanto, mais informações para o machine learning processar e otimizar o conteúdo. “Quanto mais potentes são esses algoritmos, mais precisos eles vão ser na oferta de algo que vai interessar ao usuário.”

A imensa quantidade de dados acaba influenciando também nas produções. Na visão de Gustavo Fonseca, presidente da DirecTV Go, plataforma de streaming que chegou ao Brasil no final de 2020, os conteúdos originais são prioridade para as empresas do setor porque tendem a ir melhor. Só a Netflix investiu 11,6 bilhões de dólares nessa modalidade em 2020, ante 9,8 bilhões em 2019. Quase dez anos atrás, ela foi a primeira a apostar nos conteúdos exclusivos com House of Cards, série estrelada por Kevin Spacey e que mostrava os bastidores da política nos Estados Unidos, e investiu 100 milhões de dólares em duas temporadas do programa antes de ver um único episódio. O motivo? Os dados garantiram que o conteúdo tinha potencial.

A versão britânica do seriado havia rendido uma boa audiência na plataforma, e a empresa conseguiu ver que fãs do House of Cards original também assistiam a filmes estrelados por Spacey ou dirigidos por David Fincher, produtor executivo do programa. Hoje, toda plataforma de streaming conta com conteúdos próprios. De acordo com informações da FX Networks Research e Motion Picture Association, entre 2019 e 2020 houve um aumento de 41% no lançamento de séries originais, roteirizadas ou não, chegando a 1.665 no total.

Para empresas que ainda estão crescendo no setor, a aposta se mostrou lucrativa. Somente com Ted Lasso, a Apple TV+ recebeu cerca de 20 indicações na última edição do Emmy Awards,­ maior premiação televisiva dos Estados Unidos, e o lançamento da segunda temporada entregou “o maior dia de estreia e o maior fim de semana de abertura” da plataforma. No comparativo semanal, a Apple TV+ aumentou o volume de assinantes em 50%.

“Existe uma tendência ao monopólio nesse mercado, mas o que diferencia são os dados que cada um tem e os insights que tira deles”, avalia Barcellos. “Ao mesmo tempo, do outro lado você tem um usuário cada vez mais crítico sobre quais dados estão sendo coletados.” Para Fonseca, cujo streaming é oferecido no Brasil pela Vrio, empresa com mais de 10 milhões de usuá­rios em dez países, o desafio também está em discernir quais dados são realmente válidos. “Já tive respostas de usuá­rios que foram diferentes do que foi visto pelos dados. Nem sempre o que o cliente responde é estatisticamente válido”, conta. “É preciso entender o que é uma visualização por impulso, por vergonha, consciente… As pessoas têm segredos, e nas audiên­cias eles se revelam.”  

https://exame.com/revista-exame/segredos-revelados/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BU4P3HeFmWo8QCkIb4CEdv (07) para WhatsApp

ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram.

Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Seis formas como minissatélites do tamanho de caixas de sapato podem mudar o mundo

Tecnologia é usada em projetos para impedir o desmatamento, rastrear animais em risco de extinção e exploração do espaço sideral, entre outros

Claire Bates BBC NEWS/Folha DECEMBER 02, 2021

O CubeSat é uma peça de tecnologia pequena, mas inteligente.

Com o tamanho de uma caixa de sapatos, os minúsculos satélites CubeSat foram inventados pelo professor Bob Twiggs em 1999 como ferramenta educativa para seus alunos.

“Eles não conseguiam colocar muita coisa nele —e esse era o desafio, na verdade. O CubeSat os forçava a parar de acrescentar itens aos seus projetos”, relembra Twiggs, rindo.

Com construção e lançamento mais rápido e barato que os satélites convencionais, existem agora centenas de CubeSats em órbita da Terra, construídos por universidades, start-ups e governos.

O programa de rádio People Fixing the World (“Pessoas que consertam o mundo”, em tradução livre), do Serviço Mundial da BBC, apresentou seis projetos fascinantes envolvendo os CubeSats que estão tentando mudar o planeta.

CubeSat começou como ferramenta educacional, mas agora está ajudando a humanidade

CubeSat começou como ferramenta educacional, mas agora está ajudando a humanidade – Nasa

1. Impedir desmatamento

O governo da Noruega formou uma parceria com a companhia de satélites Planet, para combater o desmatamento em todo o mundo.

A Planet tem uma constelação de 180 CubeSats fotografando a Terra continuamente. As suas câmeras possuem resolução de 3m por pixel e podem obter do espaço evidências de extração de madeira.

“O governo norueguês nos paga em troca de dados de rastreamento do corte de árvores em 64 países tropicais”, segundo Will Marshall, diretor executivo da Planet. “Nós informamos aos ministérios responsáveis pelas florestas nesses países onde está ocorrendo desmatamento e a Noruega decide pelo fornecimento ou não de fundos para eles, dependendo do cumprimento de um acordo de suspensão do corte de árvores.”

No início do ano, uma equipe de estudantes da Itália e do Quênia lançou o satélite WildtrackCube-Simba. Esse CubeSat monitorará as aves e os mamíferos do Parque Nacional do Quênia.

“Tivemos conflitos entre seres humanos e animais selvagens, por exemplo, quando os elefantes invadiram as plantações, prejudicando as fazendas e, às vezes, até matando as pessoas”, afirma Daniel Kiarie, estudante de engenharia de Nairóbi, no Quênia.

“Por isso, queremos ajudar a evitar isso, fornecendo informações sobre o movimento dos animais com antecedência, para que os agricultores possam afastá-los antes que eles cheguem às aldeias”, segundo ele.

No ano que vem, o plano dos estudantes é implantar etiquetas de rádio frequência nos animais. Eles esperam poder rastrear mais do que apenas a sua localização.

“A extração ilegal de presas de elefantes e chifres de rinocerontes é um problema comum no Quênia”, segundo Kiarie. “Acreditamos que essas etiquetas poderão também monitorar os batimentos cardíacos e detectar quando o animal morre.”

A missão do WildtrackCube-Simba é de três anos. Os CubeSats normalmente duram de dois a cinco anos antes de serem queimados na atmosfera, dependendo da altura de sua órbita.

Satélite WildtrackCube-Simba monitorará aves e mamíferos do Parque Nacional do QuêniaSatélite WildtrackCube-Simba monitorará aves e mamíferos do Parque Nacional do Quênia – Getty Images

3. Denunciar escravidão moderna

O Laboratório de Direitos Humanos da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, usa imagens de satélite para mergulhar no mundo clandestino do trabalho forçado.

Mais recentemente, foram utilizadas imagens geradas por minissatélites CubeSat para mapear os acampamentos improvisados na Grécia dos colhedores de frutas oriundos de Bangladesh.

“Podemos observar como esses acampamentos informais estão se mudando ao longo do tempo”, segundo a Professora Doreen Boyd, que está liderando o projeto. “Quando vemos limpeza de terreno, sabemos que haverá novos acampamentos quando olharmos de novo.”

A equipe trabalhou em conjunto com uma ONG local, que visitou os acampamentos encontrados.

“Eles conseguiram falar com os migrantes e obtiveram muito mais informações sobre o que está acontecendo, em termos de condições de vida… Eles chegaram ao ponto de dizer: ‘Muito bem, temos 50 acampamentos informais nesta região, quais são as prioridades do nosso trabalho?'”, segundo Boyd.

4. Recolher lixo espacial

Recentemente, a Rússia foi motivo de indignação internacional ao disparar um míssil sobre um dos seus antigos satélites espiões, fazendo com que milhares de fragmentos se espalhassem na órbita baixa da Terra.

Redes globais rastreiam cerca de 30 mil pedaços de lixo espacial enquanto viajam em volta da Terra, desde satélites inoperantes até estágios de foguetes. Mas existem muitos outros fragmentos que são pequenos demais para que sejam rastreados, mas grandes o suficiente para ameaçar satélites ou astronautas a bordo de aeronaves.

Existem muitas questões envolvidas na limpeza do lixo espacial, sem falar nas tentativas de descobrir qual pedaço de equipamento pertence a qual país. Mas os cientistas estão mais próximos de solucionar a questão prática de capturar os objetos em órbita graças aos CubeSats. Eles estão usando os pequenos satélites para reproduzir o lançamento de lixo em experimentos no espaço.

Este ano, a companhia japonesa Astroscale lançou a aeronave ELSA-d, que liberou e capturou com sucesso um CubeSat, utilizando um sistema magnético. Nos próximos testes, o CubeSat será forçado a tombar como faz o lixo espacial normal, antes de se tentar sua recaptura.

5. Consertar turbinas eólicas

Existem diversas frotas de CubeSats trabalhando em conjunto acima das nossas cabeças para fornecer uma ‘internet das coisas’ de baixo custo. Essa rede conecta as pessoas a objetos marcados com sensores em locais remotos em todo o mundo.

Alguns agricultores usam sensores para monitorar os níveis de água de caixas d’água ou bebedouros de animais em locais distantes, para que eles não precisem ir até lá verificar pessoalmente.

Sensores podem também ser usados para aumentar a eficiência da energia renovável. As turbinas eólicas geralmente recebem visitas de manutenção apenas duas vezes por ano, de forma que pode levar meses para alguém descobrir e consertar uma pá danificada.

Uma empresa chamada Ping Services criou um sensor que monitora o som produzido pelas turbinas eólicas à medida que elas giram. Ele pode detectar alterações desses sons que indiquem uma pá quebrada e avisar o operador da turbina por meio de uma rede CubeSat. Com isso, a pá pode ser consertada com muito mais rapidez e eficiência.

CubeStats são instalados no adaptador de estágios Orion, que será lançado pelo foguete Artemis 1CubeStats são instalados no adaptador de estágios Orion, que será lançado pelo foguete Artemis 1 – Nasa

A maioria dos minissatélites CubeSat olha em direção à Terra, mas alguns deles estão apontados para as estrelas.

Em 2018, A Nasa lançou os primeiros CubeSats no espaço sideral. MarCO-A e B retransmitiram informações vitais da sonda Insight Lander enquanto ela descia sobre a superfície de Marte.

No ano que vem, a Nasa lançará outros 10 CubeSats no seu foguete Artemis 1. As missões incluem testes dos efeitos da radiação no espaço sideral sobre um organismo vivo e estudos sobre depósitos de água no polo sul lunar.

Eles são parte de um programa que espera, um dia, permitir que seres humanos voltem a pousar na Lua.

https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2021/12/seis-formas-como-minissatelites-do-tamanho-de-caixas-de-sapato-podem-mudar-o-mundo.shtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BU4P3HeFmWo8QCkIb4CEdv (07) para WhatsApp

ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram.

Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

The Economist: Investimentos em startups têm crescimento inédito e se espalham pelo mundo

Há 50 anos, capital de risco financia ideias que transformam a economia global

The Economist/Estadão 01 de dezembro de 2021 

Vladimir Lenin acreditava que uma minúscula vanguarda poderia, por meio da força de vontade, aproveitar as forças históricas para transformar o funcionamento do capitalismo global. Ele estava certo. No entanto, os revolucionários não foram os barbudos bolcheviques, mas alguns milhares de investidores, a maioria sediada no Vale do Silício, administrando menos de 2% dos ativos institucionais do mundo.

Nas últimas cinco décadas, a indústria de venture capital (ou capital de risco) financiou ideias empreendedoras que transformaram os negócios globais e a economia mundial. Sete das dez maiores empresas do mundo foram apoiadas por fundos de venture capital. Esse dinheiro financiou empresas por trás de mecanismos de pesquisa, iPhones, carros elétricos e vacinas de RNAm. 

Agora, a máquina dos sonhos do capitalismo está sendo ampliada e transformada, como um inédito fluxo de US$ 450 bilhões em dinheiro novo para o setor de capital de risco. Este turbocompressor do mundo dos empreendimentos traz riscos significativos – desde os egomaníacos fundadores que torram dinheiro até fundos de pensão sendo desperdiçados em startups supervalorizadas. Mas, no longo prazo, essa máquina também promete tornar a indústria mais global, afunilando o capital de risco em uma ampla gama de negócios e tornando-o mais acessível a investidores comuns. Um maior pool de capital correndo atrás de um universo maior de ideias aumentará a competição e, provavelmente, impulsionará a inovação, levando a uma forma de capitalismo mais dinâmica.

O venture capital tem suas raízes na década de 1960 e tem sido visto como um elemento desajustado dentro do mundo financeiro. Em contraste com os investidores de Wall Street, em seus impecáveis ternos, sofisticação e mansões nos Hamptons, o venture capital prefere roupas confortáveis, “nerdismo” e vilas na Califórnia. Essa particularidade também é uma questão de ênfase intelectual. À medida que as finanças convencionais se tornaram maiores, mais quantitativas e mais preocupadas em fatiar e cortar os fluxos de caixa de empresas e ativos maduros, o venture capital permanece como uma indústria caseira, nadando contra a corrente, buscando encontrar e financiar empreendedores que ou são muito inexperientes ou muito estranhos para participar de uma reunião com sisudos banqueiros e cujas ideias ainda são muito novas para serem traduzidas em modelos financeiros.

Os resultados têm sido surpreendentes. Apesar de investir quantias relativamente modestas ao longo das décadas, os fundos de venture capital dos Estados Unidos têm empresas que valem hoje, no total, pelo menos US$ 18 trilhões. Este número reflete a vertiginosa ascensão das grandes plataformas de tecnologia, como o Google. Mais recentemente, os unicórnios (startups que valem mais de US$ 1 bilhão) apoiados por investidores de risco amadureceram em uma abundância de aberturas de capital. 

Na última década de ouro, um índice de fundos americanos de capital de risco obteve retornos anuais conjuntos de 17%. Alguns se saíram muito melhor que isso.

Esse sucesso agora está se espalhando para o setor financeiro em geral. Os lucros das empresas financiadas por fundos de venture capital estão sendo redistribuídos em novos fundos. Enquanto isso, com as taxas de juros ainda baixas, os fundos de pensão outras empresas com dinheiro em caixa têm demonstrado uma boa dose de inveja e lutam para alocar mais dinheiro em fundos dedicados ou para criar suas próprias filiais de venture capital. Até o momento, neste ano, quase US$ 600 bilhões foram aplicados em negócios – dez vezes o nível de uma década atrás. 

À medida que o dinheiro entra, o capital de risco está permeando a economia de forma mais profunda e ampla. O que antes era um assunto americano hoje é global, com 51% dos negócios (por valor) em 2021 ocorrendo fora dos EUA.

O cenário do capital de risco da China diminuiu recentemente por causa de uma repressão ao setor de tecnologia pelo presidente do país, Xi Jinping. No entanto, a indústria está crescendo no restante da Ásia e, após décadas de inatividade, a inovação está despertando na Europa, com 65 cidades recebendo unicórnios.

O boom do capital de risco tem se concentrado em um pequeno grupo de empresas de tecnologia, tais como Airbnb e Deliveroo. Agora, mais dinheiro pode financiar áreas onde a disrupção está menos avançada. Neste ano, os investimentos em energia limpa, espaço e biotecnologia foram o dobro de 2019. E o setor está se tornando mais aberto. Enquanto antes uma confortável elite de fundos detinha um raro poder, agora as principais empresas financeiras estão envolvidas e há meios que permitem aos investidores comuns obterem exposição a baixo custo. 

Riscos

 Obviamente, há perigos. Uma é que o dinheiro corrompe. Avaliações elevadas e capital abundante podem tornar empresas e seus patrocinadores autoindulgentes. Das 100 maiores empresas listadas em 2021, 54 estão no vermelho, com US$ 71 bilhões de perdas acumuladas. A governança consegue ser péssima. O Vision Fund de US$ 100 bilhões do SoftBank, que foi pioneiro na emissão de grandes cheques para startups, incitando-as a crescer mais rápido, está mergulhado em conflitos de interesse. Os fundadores saem dos trilhos. Adam Neumann, da WeWork, construiu um culto à personalidade movido a cerveja.

BolsasOperador na Bolsa de NY; fundos de venture capital dos EUA têm empresas que valem US$ 18 trilhões Foto: Spencer Platt/ AFP

Retornos

Outro perigo é que, como em qualquer classe de ativos, os retornos são diluídos à medida que o dinheiro entra. Os fundos convencionais podem descobrir que, além de ter de lidar com os famosos booms e quedas do capital de risco, os retornos de longo prazo são menores do que esperavam.

O que é monótono para os investidores ainda pode ser bom para a economia. É melhor que um dólar marginal vá para empresas iniciantes do que para um inchado mercado imobiliário ou um inundado mercado de títulos. Um crash de capital de risco desencadeado pelo aumento das taxas de juros não desestabilizaria o sistema financeiro. 

Mesmo que as empresas apoiadas pelo capital de risco queimem dinheiro de forma imprudente, grande parte dele irá para os consumidores: por exemplo, em todas aquelas viagens de carro subsidiadas e refeições entregues em casa. No mínimo, o boom aumentará a competição. O investimento de capital de risco este ano excederá o gasto total de capital e os gastos com pesquisa e desenvolvimento das cinco maiores empresas de tecnologia, que também estão sendo desencorajadas a comprar concorrentes em potencial pela ameaça de regras antitruste mais rígidas.

Recompensa

A maior recompensa seria mais inovação. É verdade que nenhuma quantia em dinheiro pode criar brilho puro. E os governos costumam financiar descobertas científicas básicas. No entanto, a oferta global de empreendedores dificilmente é fixada e muitas ideias permanecem subexploradas. O boom anterior de capital de risco mostrou investidores ampliando o horizonte de tomada de risco para áreas mais difíceis e aventureiras. À medida que o investimento de risco se espalha pelo mundo, os empreendedores fora dos EUA terão uma chance melhor de se juntar a eles. E as barreiras para a criação de novos negócios estão caindo, graças à barata computação em nuvem e ao trabalho remoto. O capital de risco visa pegar boas ideias e torná-las maiores e melhores: é justo aplicar essa lógica ao próprio setor. / TRADUÇÃO DE ANNA MARIA DALLE LUCHE

https://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,the-economist-venture-capital-capital-risco-investimentos-startups,70003913366?utm_source=estadao:app

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BU4P3HeFmWo8QCkIb4CEdv (07) para WhatsApp

ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram.

Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

A nova ‘febre de Miami’, que atrai pessoas e negócios de outras regiões dos EUA e do mundo

  • Guillermo D. Olmo BBC News Mundo, Miami 18 julho 2021

Algo está acontecendo em Miami — e cada vez mais rápido.

A cidade do Sul da Flórida está atraindo pessoas e negócios de outras partes dos Estados Unidos e do mundo, se tornando também um dos novos centros de referência para muitos projetos de empreendedorismo na área de tecnologia.

As comparações com o Vale do Silício, o grande centro tecnológico da Califórnia, se tornaram comuns em artigos de jornais e no discurso de alguns políticos locais.

“Nunca vimos nada parecido antes”, diz à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC, Rebecca Danta, da empresa Miami Angels, que se dedica a fazer a ponte entre sócios capitalistas interessados ​​em investir e empreendedores do setor de tecnologia em busca de financiamento para seus projetos.

Para ela, Miami está se beneficiando “da descentralização gerada pela pandemia”, que levou muitos profissionais que trabalham remotamente de estados americanos em que as restrições impostas pela pandemia de covid-19 eram mais severas a buscar um clima mais ameno, mais liberdade e menos impostos.

Em artigo publicado no jornal Miami Herald, Craig Studniky, diretor-executivo da agência imobiliária Related ISG Realty, disse que “durante anos, o sul da Flórida viu um aumento populacional de mais de 900 pessoas por dia”, mas a pandemia “agiu como o catalisador de um dos maiores aumentos na migração já vistos”.

O fenômeno se reflete no mercado imobiliário, com um aumento interanual de 39,8% nas vendas nos primeiros quatro meses de 2021, de acordo com dados da associação de corretores de imóveis da cidade.

Esse boom do mercado imobiliário é justamente o que preocupa muitos políticos e ativistas locais, que veem como isso dificulta o acesso à moradia para famílias de trabalhadores e de classe média, em uma das cidades mais desiguais dos Estados Unidos.

Mulher levanta o chapéu em Miami

CRÉDITO,

GETTY IMAGES

Legenda da foto,

Muitos profissionais americanos que agora podem trabalhar à distância escolheram Miami para isso

 

O que está acontecendo

A cidade de Miami é um centro financeiro de referência para a América Latina e tradicionalmente recebe imigrantes procedentes dessa região — é ainda destino habitual de turistas de outras partes dos Estados Unidos, inclusive estudantes que costumam curtir Miami Beach nas férias de primavera, o chamado “spring break”.

No imaginário popular, Miami foi imortalizada na década de 1980 com a série de televisão Miami Vice, em que a dupla de policiais interpretada por Don Johnson e Philip Michael Thomas perseguia traficantes de drogas inescrupulosos a bordo de uma Ferrari conversível.

A trama da série refletia o papel da cidade como a grande lavanderia do narcotráfico continental, mas o tipo de capital econômico e humano que agora flui até aqui parece ser diferente.

“A demanda por moradia está perto de um nível recorde, à medida que mais compradores do nordeste e da costa oeste, assim como empresas financeiras e de tecnologia, se mudam para cá”, diz o relatório dos corretores de imóveis.

Delian Asparouhov

Legenda da foto,

Delian Asparouhov é um dos empreendedores que se mudou para Miami

O jovem empreendedor Delian Asparouhov é uma das caras da nova migração para Miami.

Sócio da startup espacial Varda Space Industries e da Funders Fund, ele é um dos que trocou a Califórnia pela Flórida nos últimos tempos.

“Eu morava na baía de São Francisco desde 2013, mas em abril minha namorada e eu nos mudamos para cá.”

Eles compraram um apartamento em Wynwood, uma área que por décadas foi um bairro para imigrantes e trabalhadores de baixa renda e agora é o cobiçado distrito de arte e design de Miami.

“Tenho encontros mais produtivos pessoalmente, trabalho mais, sou mais feliz, tomo mais sol, estou mais em forma, como melhor e minha namorada está mais contente. Até agora, só vantagens.”

Uma das coisas que animaram Asparouhov foi a resposta inesperada que obteve antes de se mudar. “E se levássemos o Vale do Silício para Miami?”, se perguntou.

E Francis Suarez, prefeito da cidade de Miami, respondeu: “Como posso ajudar?”

Foi um dos marcos da campanha do prefeito para transformar Miami em um novo centro de empreendedorismo tecnológico, na qual está empenhado há vários anos.

“Queremos estar na próxima onda de inovação”, disse Suarez ao jornal New York Times. O prefeito é visto nas feiras de tecnologia que acontecem com cada vez mais frequência em Miami.

Francis Suarez, prefeito de Miami

CRÉDITO,

GETTY IMAGES

Legenda da foto,

Prefeito de Miami, Francis Suarez, quer transformar a cidade em um grande polo de investimento tecnológico

Recentemente, ele propôs aceitar o bitcoin como pagamento de impostos e usá-lo para pagar funcionários públicos, uma ideia que lhe rendeu ainda mais fãs na comunidade de entusiastas da criptomoeda.

Os esforços do prefeito parecem ter começado a dar frutos nos últimos meses, quando figuras do mundo corporativo como Carl Icahn, um dos investidores mais bem-sucedidos de Wall Street segundo a revista Forbes, e Antonio Gracias, presidente do comitê de investimentos da Tesla, se estabeleceram em Miami.

Mas a iniciativa de Suarez não é o único incentivo oficial para a migração para Miami.

A cidade também se beneficia do fato de a Flórida ser um dos nove estados do país que não cobra imposto de renda estadual, o que é um grande incentivo para pessoas físicas e jurídicas que pensam em se instalar por ali.

Rebecca Danta afirma que “embora a pandemia tenha acelerado (o processo), o que está acontecendo em Miami é algo que se busca há muito tempo”.

 

Consequências

Delian Asparouhov acredita que, no geral, “haverá um aumento no padrão de vida aqui, visto que muitas empresas contratam engenheiros de universidades locais” e “empresas de tecnologia costumam trazer muita prosperidade aonde quer que vão”.

Mas o processo pode ter outros efeitos indesejados, além do desembarque temporário de profissionais que fugiram das restrições em seus locais de origem.

Casal se beija em Miami Beach

CRÉDITO,

GETTY IMAGES

Legenda da foto,

Enquanto restrições continuavam em outras partes dos EUA, os bares e restaurantes permaneceram abertos em Miami

Eileen Higgins, comissária do Distrito 5 do condado de Miami-Dade, que compreende o centro da cidade, diz à BBC News Mundo que “o que está acontecendo é muito preocupante”.

“A chegada das empresas de tecnologia é uma boa notícia, porque gera empregos, mas em Miami temos uma crise histórica de acesso à moradia e isso pode piorar ainda mais as coisas, dificultando muito para que famílias de trabalhadores e de classe média tenham um lugar para morar.”

A comissária propõe o uso de terras públicas para a construção de moradias sociais e destaca uma das peculiaridades do mercado imobiliário de Miami. “Muitas das casas aqui não são casas, mas contas bancárias”, diz ela, se referindo aos imóveis comprados por investidores de países latino-americanos para proteger suas economias da instabilidade em seus países de origem.

Higgins teme que Miami comece a ver o filme cujo final já é conhecido na Califórnia, onde “a revolução tecnológica levou a uma crise de moradia”, e lembra que a cidade da Flórida sofre com “altos níveis de desigualdade”, uma vez que “aqui há muita gente que vive de empregos mal remunerados”.

Afro-americano em uma rua de Miami

CRÉDITO,

GETTY IMAGES

Legenda da foto,

Afro-americanos são um dos grupo mais prejudicados por gentrificação em Miami

A desigualdade também é um problema com conotações raciais. De acordo com um relatório da empresa Clever Real Estate e da ONG Dream Builders for Equality, a área de Miami e as regiões vizinhas de Fort Lauderdale e West Palm Beach ficaram em quarto lugar na lista de 15 concentrações urbanas americanas com a maior disparidade no valor das propriedades entre distritos com população majoritariamente negra e os demais.

Nos de maioria negra, o valor médio dos imóveis era 478% menor.

Segundo um corretor de imóveis que preferiu não se identificar, “o mercado está agora extremamente aquecido”. Há muita demanda para pouca oferta, o que incentiva os proprietários a dispensar seus inquilinos para vender os imóveis.

Foi isso que aconteceu com os moradores do estacionamento de trailers Paradise Park na área de Allapattah, que recentemente receberam um aviso de despejo porque o terreno foi vendido para uma empresa que planeja construir nele.

Davalyn Suárez, advogado que representa a associação de inquilinos, disse à rede NBC que “isso está acontecendo com muita frequência, e as moradias a preços acessíveis estão se tornando mais escassas”

“A tendência é que comprem o terreno onde estão esses trailers e construam prédios de apartamentos, que podem alugar para mais pessoas e por mais dinheiro.”

Prédios em Miami

CRÉDITO,

GETTY IMAGES

Legenda da foto,

Preços subiram tanto que muitos apartamentos estão fora do alcance da maioria da classe média

E muitos desses terrenos onde vivem pessoas com menos recursos estão em áreas que se tornaram mais cobiçadas ​​precisamente porque não estão no litoral e são menos vulneráveis ​​à elevação do nível do mar, um problema sério que Miami enfrentará nas próximas décadas.

Rebecca Danta, da Miami Angels, acredita que o fluxo de novos moradores com maior poder aquisitivo pode ser a solução para alguns dos problemas que esse fenômeno impõe.

“Sabemos que em lugares como Nova York e a Baía de São Francisco, que tiveram um boom na economia tecnológica, isso gerou grandes diferenças de renda, e já em 2013 Miami tinha uma das maiores diferenças entre o custo de vida e a renda média. Uma das maneiras de enfrentar esse problema é gerar empregos mais bem remunerados, e o setor que faz isso é o da tecnologia.”

Seja qual for o resultado, Danta não acredita que a “febre” de viver e investir em Miami vá diminuir no curto prazo: “Veio para ficar, e Miami será um lugar relevante por muitos anos.

https://www.bbc.com/portuguese/geral-57651035

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BU4P3HeFmWo8QCkIb4CEdv (07) para WhatsApp

ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram.

Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Habilidades digitais e em nuvem desafiam qualificação de profissionais

Pesquisa global da Amazon Web Services mostra que 85% das pessoas sentem necessidade de se atualizar digitalmente, mas só 45% treinaram em ferramentas baseadas em nuvem

Jayanne Rodrigues, Estadão 28 de novembro de 2021 

A automação já anuncia há décadas uma mudança da força de trabalho. Mas a transformação digital foi acelerada com a pandemia, e a alta demanda exigiu que grupos de diversas áreas focassem em programas de treinamento para funcionários. Uma pesquisa global da Amazon Web Services (AWS), divulgada com exclusividade pelo Estadão, ouviu 16 mil trabalhadores em 12 países, incluindo o Brasil, e revelou que 85% das pessoas sentem a necessidade de se atualizar com as mudanças de seus empregos.

“Passa a ser um aspecto quase de revolução, de sustentação para o futuro. Mas a gente enxerga que os trabalhadores não estão preparados”, diz o diretor geral para Setor Corporativo da AWS no Brasil, Cleber Morais.

De acordo com a pesquisa, apenas 45% dos entrevistados treinaram ou estão treinando em ferramentas baseadas em nuvem. Essa lacuna também deixa uma brecha para o desemprego. Dois em cada três trabalhadores podem ficar desatualizados pela lentidão em obter qualificação digital, diz o estudo. 

Essas habilidades não são apenas da área da tecnologia. Também representam serviços sob demanda, aplicativos ou outros recursos que são acessados via internet. Como por exemplo, representante de vendas, telemarketing e profissionais da área de saúde.

Cleber Morais - Amazon Web ServicesCleber Morais, diretor geral para Setor Corporativo da Amazon Web Services no Brasil.  Foto: Claudio Gatti

Os treinamentos online são uma alternativa para a qualificação da mão de obra que não necessariamente trabalha com tecnologia. Fernanda Scali, de 44 anos, começou a realizar cursos de programação durante a faculdade de Enfermagem. O trabalho de conclusão do curso foi sobre reprodução humana assistida. Com esse pé na tecnologia, ela decidiu migrar de profissão. Hoje, ela se prepara com treinamentos mais avançados, como o AWS re/Start, curso gratuito voltado para pessoas que querem iniciar uma carreira em computação em nuvem.

“No começo eu fiquei meio perdida. Mas depois eu vi que o desenvolvedor pode fazer softwares, aplicativos, é uma gama na tecnologia”, relata Fernanda. Ela já fez cursos sobre diferentes linguagens da programação, como Python e JavaScript. As novas habilidades possibilitaram à estudante desenvolver um chatbot que simulava um atendente virtual. 

Essas informações só fizeram sentido para Fernanda quando ela compreendeu como o armazenamento de nuvem está presente no dia a dia. Ela faz uma comparação com o antigo formato padrão em que as fotografias e os documentos eram guardados. “Hoje, você não precisa ficar mais andando com HD nem guardar um monte de DVD. Em qualquer lugar que você estiver, você acessa a nuvem.”

Aproximar pessoas comuns das novas tecnologias para perder o medo de entender um sistema é o primeiro passo para garantir uma requalificação maior dos trabalhadores. “Com isso, você aumenta o fluxo de tomada de decisão de adoção ou não de novas tecnologias que vai dar uma melhoria de performance na sua empresa ou instituição”, afirma Paulo Cunha, gerente geral para Setor Público da AWS no País.

O trabalho online

No Brasil, essa realidade ficou ainda mais palpável. Segundo dados do Ipea, cerca de 8 milhões de pessoas trabalharam de forma remota entre maio e novembro de 2020. Teresa Leonel, de 52 anos, foi uma delas. Professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e doutoranda da Federal de Pernambuco, ela precisou cultivar o interesse por tecnologia para se adaptar às aulas online, que começavam pela manhã e só tinham fim no turno da noite.

Fernanda ScaliFernanda Scali (a 4ª da esq. à dir.) com colegas de trabalho: ela fez curso de programação na faculdade de Enfermagem. Foto: Arquivo pessoal

A principal dificuldade foi estrutural: o currículo do curso de jornalismo não foi pensado para aulas a distância. Preparar professores e estudantes para lidar com ferramentas digitais se tornou uma necessidade não só na Uneb, como também em outras faculdades do País. “A gente teve esse ganho, mas precisava estar acessível para quem não é nativo digital”. No caso de Teresa, a universidade ofereceu cursos da Microsoft Teams, plataforma empregada para aulas e armazenamento de materiais. 

O envolvimento trouxe novas propostas. “Você pode marcar horários, envolver o aluno em um seminário de forma mais dinâmica, isso dá um up na produção do conteúdo”, destaca. O Google drive também foi utilizado para compartilhar materiais com as turmas, mas nem todos se adaptaram com a interface. “Ainda existe a resistência de alguns professores. Nós temos que ter cursos de menor duração a distância para pessoas que estão em outros lugares se capacitarem”, defende. 

Futuro próximo

Empresas preocupadas em seguir com cursos online mesmo após o contexto pandêmico já é uma realidade. “Nós tivemos que migrar para uma plataforma de treinamentos digitais, que antes não era tão utilizada”, conta Gisele Pelarim, gerente de talentos na Trimble Brasil. Com 370 colaboradores, a empresa concentrada em tecnologia contratou no último ano funcionários de diferentes regiões do País. 

Ferramentas digitais representam uma chave para otimizar o modelo híbrido, mas as empresas precisam investir nessas habilidades para os trabalhadores estarem alinhados, a exemplo de reuniões online. “O Google Meet representa muito bem essa demanda por conectividade colaborativa. No Brasil, de janeiro a abril deste ano, o uso da plataforma cresceu cerca de 275%”, ressalta Alberto Zafani, gerente de Google Workspace no Brasil.

A força do trabalho móvel qualificado é uma aposta para as próximas décadas. “As empresas estão disputando esse profissional que domina tecnologia e que sabe trabalhar com modelos ágeis”, reforça Leandro Figueira Neto, diretor de Pessoas e Cultura do Grupo Marista. 

Os negócios que conseguirem se ajustar com facilidade não terão automaticamente benefícios garantidos, mas provavelmente vão estar mais preparados para a transformação digital. “Todas as empresas que não nasceram nesse período digital estão tendo que se adaptar e mudar a mentalidade dos seus colaboradores”, afirma  Leandro Figueira Neto.

https://economia.estadao.com.br/noticias/sua-carreira,habilidades-digitais-e-em-nuvem-desafiam-qualificacao-de-profissionais,70003909845

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BU4P3HeFmWo8QCkIb4CEdv (07) para WhatsApp

ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram.

Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

José Bonifácio de Andrada e Silva, o ecologista do Império

Por João Lara Mesquita – O Mar sem fim/Estadão 24 de novembro de 2021

Ele foi um pioneiro. Filho do Iluminismo, acreditava no progresso da ciência. Viveu 36 anos na Europa, falava e escrevia em seis idiomas e lia em 11. Um erudito, ávido leitor de estudos das diferentes áreas do pensamento. Foi membro das principais academias de ciências do planeta, mas acabou mais conhecido na história do Brasil como o “Patriarca da Independência”. Defendeu a reversão das terras não cultivadas à Coroa. Pediu reflorestamento obrigatório e preservação de um sexto das matas originais de toda propriedade. O assunto de hoje é José Bonifácio de Andrada e Silva, o ecologista do Império.

José Bonifácio de Andrada e Silva, dados biográficos

José Bonifácio de Andrada e Silva  nasceu em 1763, em Santos. Era filho de pai rico. Estudou em São Paulo e no Rio de Janeiro. Com 20 anos foi cursar Direito, Filosofia, e Ciências Naturais na Universidade de Coimbra. Poucos anos depois, em 1789, entrou para a Academia de Ciências de Lisboa.

gravura mostra biblioteca da Academia de Ciências de LisboaA biblioteca da Academia de Ciências de Lisboa. Ilustração,https://www.postais-antigos.com/.

No ano seguinte foi mandado para estudar na França e Alemanha, onde se dedicou à Mineralogia e Silvicultura. Foi o primeiro cientista brasileiro a fazer pós-graduação no exterior. Depois de 36 anos na Europa voltou ao Brasil em 1819, aos 56 anos, pensando em se aposentar.

Mas, em vez do ócio, abraçou a política. Foi ministro do reino, e dos negócios Estrangeiros entre 1822 e 1823. Teve papel decisivo na Independência do Brasil. Acabou brigando com o imperador que o demitiu. Banido, exilou-se na França durante seis anos. E deu a volta por cima outra vez.

PUBLICIDADE

pintura mostra Coroação de D. PedroA Coroação de D. Pedro I, 1828. De Jean-Baptiste Debret.

Voltou ao Brasil, reconciliou-se com o imperador e acabou como tutor de seu filho, Pedro II, até 1833 quando foi novamente demitido, desta vez pelo governo da Regência. Em 6 de abril de 1838, morreu em casa, na Ilha de Paquetá, Rio de Janeiro.

O ecologista do Império

Dizem os que estudaram a vida do Patriarca, que uma de suas maiores influências foi um dos professores da Universidade de Coimbra, o naturalista italiano Domingos Vandelli, célebre à época, e grande amigo de Lineu, que havia sido contratado para lecionar história natural e química.

A visão crítica da destruição da natureza

Teria sido com Vandelli que José Bonifácio adquiriu a visão crítica da destruição da natureza, a partir de quando teria desenvolvido grande preocupação com a questão ambiental.

Curso de química na França

Durante o primeiro período europeu, fez curso de química na França com Antoine François de Fourcroy, químico e político, responsável pela criação do Museu Nacional de História Natural, pela reorganização do ensino superior, e dos liceus e colégios da época.

Conheceu Humboldt e teve aulas com Kant

Na Alemanha conheceu as melhores cabeças da época, como Humboldt, curiosamente também conhecido como o primeiro ambientalista, e teve aulas com ninguém menos que Kant. Visitou as minas da Boêmia, e fez pesquisas na Dinamarca e Suécia.

Gravura de HumboldtHumboldt cercado por livros em sua casa.

A preocupação com a natureza

Ao falarmos que foi ‘ecologista do Império’ queremos destacar seu conhecimento e preocupação com a natureza, muito mais do que o que representa o termo ‘ecologista’ hoje. Naquela época não passava pela cabeça das pessoas o esgotamento das riquezas naturais tal qual vemos hoje.

quadro mostra matas brasileiras no século 19 A pintura Caçador de Escravos, de Jean-Baptiste Debret mostra como eram as matas no século 19.

Segundo José Augusto Pádua, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e autor de Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista (Zahar), ‘para Bonifácio, o desenvolvimento não poderia basear seu crescimento na destruição anticientífica das florestas, pois essas ações ameaçariam o futuro’.

Palavras de José Bonifácio de Andrada e Silva em 1828:

Nossas preciosas matas desaparecem, vítimas do fogo e do machado, da ignorância e do egoísmo. Sem vegetação, nosso belo Brasil ficará reduzido aos desertos áridos da Líbia. Virá então o dia em que a ultrajada natureza se ache vingada de tantos crimes

Pádua defendeu a tese de doutorado ‘A Decomposição do Berço Esplêndido’, que investiga as raízes da ecologia no Brasil. Para ele, “José Bonifácio foi um pioneiro. Foi o primeiro político a integrar a ecologia em um projeto nacional, um ecologista muito à frente de seu tempo’.

A ecologia e um projeto de nação

O professor José Murilo de Carvalho, do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, citado em matéria da Super Interessante, declarou: “Ele inovou ao passar do naturismo para o ecologismo, superando a admiração passiva da natureza para incorporá-la racionalmente a um projeto de nação.”

Criticando o ensino no Brasil do século 19

 No Brasil, as ciências e as boas letras estão por terra. Tudo o que interessa é vender açúcar, café, algodão e tabaco

Uma viagem pela Mata Atlântica

Um ano depois de voltar ao Brasil, em 1820, fez uma viagem com um de seus irmãos, Martim Francisco, pelo sertão paulista, local de origem da Mata Atlântica. O que era para ser uma viagem mineralógica deixou profunda impressão.

desenho da Mata Atlântica no século 19Mata Reduzida a Carvão, 1830. De Félix-Émile Taunay.

Logo no início JB lamenta o ‘miserável estado em que se acham os rios Tietê (Até hoje problemático. Saiba mais em Núcleo União Pró-Tietê) e Tamanduateí, sem margens nem leitos fixos, sangrados em toda parte por sarjetas que formam lagos que inundam essa bela planície’. E, nos arredores de Itu, observa que ‘todas as antigas matas foram barbaramente destruídas com fogo e machado.’

Potencial perdido pelo atraso e ‘desleixo’

Segundo a historiadora Berenice Cavalcante, professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e autora de José Bonifácio: razão e sensibilidade (FGV), citada em excelente artigo da revista Fapesp, “diante do que encontrou, lamentou o imenso potencial perdido pelo atraso e ‘desleixo’ dos brasileiros no cultivo da terra. Irritou-se com a destruição despropositada da natureza e previu que, após esgotarem os recursos, as populações migrariam constantemente, dificultando ainda mais a chegada da civilização.”

PUBLICIDADE

Escravidão, na visão de Jean-Baptiste Debret.

Miriam Dolhnikoff, da Universidade de São Paulo (USP) e autora da biografia  José Bonifácio (Companhia das Letras), também citada no artigo da revista Fapesp, diz que “a sua defesa da abolição seguia o mesmo princípio. A escravidão criava uma elite ociosa e violenta e, logo, inculta, obstáculo para o desenvolvimento. Também era responsável pela destruição inútil das matas.”

Propôs o confisco de terras improdutivas

Segundo esta autora, José Bonifácio ‘Bateu de frente com os grandes proprietários ao propor que as terras sem cultivo fossem confiscadas pelo governo e vendidas, destinando o dinheiro para os pobres, para que pudessem se incluir socialmente’.

‘Memória sobre a Pesca de Baleias e Extração de seu Azeite’

Este é dos célebres trabalhos de José Bonifácio, que mais uma vez destaca a sua faceta ecologista. Ele o redigiu em 1790, na Academia de Ciência de Lisboa, e se mostrava indignado com as ‘irracionalidades’ que aqui aconteciam.

Gravura de caça a bacia na Bahia, século 19Caça a baleia, século 19.

Em um trecho do trabalho ele registra “as desordens que vi e observei em algumas armações de baleias no Brasil”, promovidas por “feitores estúpidos e inteiramente ignorantes na arte de pescar baleias”.

Inconformado com a morte de baleias bebês

JB não se conformava com o costume de arpoar baleotes de mama, desmontando a cadeia reprodutiva, já que “por uma dessas sábias leis da economia geral da natureza as baleias só parem de dois em dois anos um único filho, morto o qual perecem com ele todos os seus descendentes.”

aquarela mostra baleias na Baía de GuanabaraBaleias na Baía de Guanabara, 1790.

País que desmata e a desertificação

Sobre este problema tão atual, e ainda pouco compreendido por muitas autoridades nacionais, dizia o Patriarca: “Todos os que conhecem por estudo a grande influência dos bosques e arvoredos da Economia geral da Natureza, sabem que os Paizes, que perderão suas matas, estão quasi de todo estereis, e sem gente. Assim succedeo à Syria, Phenicia, Palestina, Chypre, e outras terras, e vai succedendo ao nosso Portugal.”

desenho da Ponte Santa EfigêniaPonte Santa Efigênia, São Paulo em 1827. Jean-Baptiste Debret.

As futuras gerações

Algumas passagens da vida de José Bonifácio são emblemáticas, e demonstram como era avançado para a época. Veja este texto de 1821:

Destruir matas virgens, como até agora se tem praticado no Brasil, é crime horrendo e grande insulto feito à mesma natureza. Que defesa produziremos no tribunal da Razão, quando os nossos netos nos acusarem de fatos tão culposos?

Em matéria da BBC, diz o historiador José Augusto Pádua: “Bonifácio foi um personagem muito importante, apesar de ainda pouco reconhecido, na construção dessa preocupação com o ambiente e o futuro das florestas em escala mundial.

Na mesma matéria, o historiador e jornalista Jorge Caldeira comenta: “Ele explicava com detalhes sobre a importância de preservar os bosques do Reino, isso não era nada comum nos tempos dele.”

Em defesa da preservação das baleias

Segundo Caldeira, ‘Era um ecologista prático, bastante apurado para os dias de hoje. Tanto é que seu primeiro trabalho científico foi em defesa da preservação das baleias.”

PUBLICIDADE

A ótima matéria da revista Fapesp, de autoria de Carlos Haag, define José Bonifácio como ‘cientista reconhecido por seus pares, com carreira de nível mundial, raridade no século 18’.

E também, ‘É o único brasileiro ligado à descoberta de um novo elemento químico, o lítio, e, em sua homenagem, a granada de ferro e cálcio foi batizada de andradita’.

Carlos Haag, na abertura de sua matéria faz uma provocação aos atuais políticos, que usaremos para fechar este breve texto.

pintura mata virgemMata virgem, de Manuel de Araújo Porto-Alegre Segundo Império, 1841-1889.

‘Pesquisa feita em 2011 pelo Congresso Nacional revelou que apenas 8% dos 652 deputados e senadores têm mestrado ou doutorado. No Senado, 9,5% dos parlamentares nem sequer ingressaram num curso superior.’

E conclui Carlos Haag: ‘As estatísticas, talvez, não afetem o desempenho dos congressistas, como querem alguns especialistas, mas a comparação com o currículo de um político do passado, José Bonifácio, dá o que pensar’.

Importância da educação

O Mar Sem Fim não tem dúvida de que, para sair do buraco em que está, o Brasil  deveria fazer o que fizeram os Tigres Asiáticos ( Hong Kong, Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan, assim chamados na década de 70) com os quais o País já foi comparado: investir maciçamente em educação e qualificação profissional.

Mas nunca fizemos isso com seriedade e a obstinação necessárias, não por outro motivo patinamos indefinidamente no fundo do poço.

Enquanto os Tigres aumentaram barbaramente sua renda com a exportação de produtos com alto valor agregado, e muita tecnologia aplicada, o Brasil segue vendendo apenas commodities, ou seja, produtos básicos não industrializados (nada contra elas, mas tudo contra, APENAS, elas), perpetuando assim uma das piores divisões de renda do planeta.

Para finalizar, recomendamos ao leitor que conheça o portal José Bonifácio – Obra Completa.

Imagem de Abertura: Google

Fontes: https://revistapesquisa.fapesp.br/o-patriarca-da-ciencia/; https://super.abril.com.br/historia/patriarca-da-ecologia/; https://www.bbc.com/portuguese/geral-49572818; https://redib.org/Record/oai_articulo2312096-o-pensamento-ambiental-em-jos%C3%A9-bonif%C3%A1cio-de-andrada-e-silva.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BU4P3HeFmWo8QCkIb4CEdv (07) para WhatsApp

ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram.

Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Os dados estão por aí – o segredo é saber captá-los, tratá-los e usá-los

Por Evandro Milet A Gazeta 26/11/2021

Obter dados para negócios sempre foi muito necessário, mas era muito caro. Computadores eram caros, armazenar dados em memórias era caro, processar dados era caro, captar dados de clientes era caro e difícil, cruzar dados e apresentá-los de forma visual simples e gráfica era caro e complicado, transmiti-los pelos meios de comunicação, quando não era impossível, era muito irritante. 

Os sistemas internos das empresas eram estanques, não compartilhavam dados. Negócios eram tocados no escuro, na adivinhação, na intuição, baseados em dados que apareciam só no final do mês ou no balanço anual, mesmo assim sem detalhes.

A infraestrutura digital mudou tudo. O processamento e o armazenamento de dados foram para a nuvem e o que era produto – computadores – virou serviço, não é mais necessário comprá-los e nem tomar conta deles. O custo para armazenar, processar e transmitir dados caiu exponencialmente. 

Alguém poderia dizer “mas agora eu gasto muito com isso tudo”. Claro, a queda de preços permitiu o surgimento das facilidades de sistemas e aplicativos sofisticadíssimos, como Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial, que entregam dados detalhados e consolidados, até sobre o futuro, para as empresas trabalharem. Vale o preço. 

Os ERP integram os dados dos sistemas internos, e os dados de clientes e mercado estão disponíveis em sistemas desenvolvidos para isso ou nas redes sociais.

Agora, uma empresa comercial pode monitorar o padrão de compras de todos os clientes em todas as suas lojas ao redor do mundo e reagir quase imediatamente com descontos, alterações no estoque, mudanças no layout das lojas e fazer isso 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 dias por ano. Robôs vasculham o preço dos concorrentes e modulam o preço dinâmico em vários segmentos. 

Com os mecanismos práticos do marketing digital, se consegue acessar e se comunicar individualmente com cada cliente, atraindo-o para uma verdadeira máquina de vendas, que faz com que ele seja alimentado com informações do seu interesse até uma conversão de compra efetiva. 

E os clientes entregam suas informações inocentemente nas suas redes sociais todos os dias, acreditando que usufruem de um mundo grátis e prazeroso, sem perceberem – ou sem se importarem -, que eles são o produto e suas informações sustentam o negócio das grandes empresas digitais altamente lucrativas. 

O Google pode ver o que as pessoas pesquisam, o Facebook o que elas compartilham, o Instagram o ambiente em que vivem, a Amazon o que elas compram e falam dentro de casa, o Tik Tok traz para o jogo a geração mais nova e a Apple registra por onde elas andam e com quem se comunicam.

As empresas têm que ir onde os clientes estão, para se comunicar com eles e conseguir dados. Antigamente, estavam lendo jornais impressos no café da manhã, desligados dentro de um escritório durante o dia ou sentados no sofá da sala, à noite, vendo TV unidirecional passivamente. Hoje, estão nas redes o dia inteiro, em qualquer lugar, nos smartphones, não mais passivamente. Estão reagindo, reclamando, dando opinião, consultando, postando, compartilhando, engajando e produzindo conteúdo.

Para os negócios, que assim seja: que se aproveite para conhecer profundamente os clientes e captar dados. Para esses, que as empresas coloquem no mercado exatamente aquilo que querem, fora a manipulação e a indução para comprar o que não precisam.

https://www.agazeta.com.br/colunas/evandro-milet/os-dados-estao-por-ai-o-segredo-e-saber-trabalhar-com-eles-1121

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BU4P3HeFmWo8QCkIb4CEdv (07) para WhatsApp

ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram.

Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

O que são NFTs? Entenda como funcionam os tokens não fungíveis

Os NFTs se tornaram verdadeiras tendências no mercado de cripto. Traduzidos como tokens não fungíveis, entenda as vantagens e desvantagens

Infomoney

O Bitcoin (BTC) e o Ethereum (ETH) abriram caminho para o surgimento de novos formatos de ativos digitais que atraíram milhares de investidores e movimentaram bilhões de dólares. Os NFTs, sigla em inglês para token não fungível, é um deles.

Entre janeiro e setembro de 2021, segundo dados do site de análises DappRadar, o volume de vendas desses tokens chegou a US$ 13,2 bilhões, valor maior que o Produto Interno Bruto (PIB) do Acre, Amapá e Roraima somado.

Neste guia, o InfoMoney explica o que são os NFTs, como comprar e que vantagens e desvantagens existem nesse jovem e aquecido mercado. Também revela quais são os exemplares mais valiosos do mundo.

• O que são NFTs?

• Como comprar NFTs

• Como um NFT é criado

• Diferenças entre NFTs e Criptomoedas

• Quais são os NFTs mais valiosos

• Riscos e vantagens

O que são NFTs?

NFT é a sigla em inglês para non-fungible token (token não fungível, na tradução para o português). Para entender bem o que é essa tecnologia, primeiro é importante saber o que significam os termos “token” e “fungível”.

Um token, no universo das criptomoedas, é a representação digital de um ativo – como dinheiro, propriedade ou obra de arte – registrada em uma blockchain, tecnologia que nasceu com o BTC no final de 2008. Exemplo: se uma pessoa tem o token de uma propriedade, significa que tem direito aquele imóvel – ou parte dele.

Já bens fungíveis, de acordo com o Código Civil Brasileiro, são aqueles “que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade”.

Exemplo: Uma nota de R$ 100 é fungível, já que é possível trocá-la por duas de R$ 50. A pintura “A Casa Amarela”, do pintor holandês Vincent van Gogh, por outro lado, não é fungível, pois é única e não pode ser trocada por outra igual.

Um NFT, portanto, é a representação de um item exclusivo, que pode ser digital – como uma arte gráfica feita no computador – ou física, a exemplo de um quadro. Além de obras de artes, músicas, itens de jogos, momentos únicos no esporte e memes podem ser transformados em um.      

O que significa ser um “token não fungível”?

Na prática, ser um token não fungível significa ser um certificado digital de propriedade que qualquer um pode ver e confirmar a autenticidade, mas ninguém pode alterar. Para entender, imagine a situação abaixo.

Uma pessoa pode acessar a Internet e baixar a obra digital “Crossroad”, do artista norte-americano Mike Winkelmann (conhecido como Beeple), que foi transformada em NFT. O item retrata o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nu e com palavrões rabiscados em seu corpo. Essa reprodução baixada, no entanto, é apenas uma cópia, sem valor comercial algum.

A posse real da obra, vendida no início de 2021 por US$ 6,6 milhões, é apenas daquele indivíduo que tem o token não fungível dela, que funciona como um certificado digital de propriedade. Indo um pouco mais a fundo, esse comprovante de autenticidade é basicamente um código de computador. OK, mas não é possível copiar esse código? 

Não, pois ele fica registrado em uma blockchain – grande banco de dados público e imutável – via smart contract. Esses contratos inteligentes (na tradução para o português) são programas guardados em rede descentralizada que se executam conforme regras pré-estabelecidas, sem o envolvimento de um intermediário para controlar.

Em síntese, tudo o que é guardado na blockchain por meio deles pode ser checado por todos os usuários. Isso ocorre por causa de algoritmos que estabelecem o que pode e o que não pode ser feito no sistema.

A rede do Ethereum é a mais usada para o desenvolvimento dos tokens não fungíveis. Para rodar nela, os NFTs devem seguir um padrão (conjunto de regras de programação) chamado de ERC-721. Outras blockchains, no entanto, também permitem a criação de NFTs, como a Tezos, a Solana, a EOS e a Binance Smart Chain. 

Como comprar NFTs?

O processo de compra é simples: basta se cadastrar em uma plataforma, ter fundos suficientes em criptomoedas e adquirir o NFT desejado. Cada marketplace, no entanto, tem suas próprias características, e aceita ativos digitais diferentes. Veja dois exemplos:

OpenSea:  É um marketplace baseado na rede do Ethereum. Para comprar NFT por lá, é preciso usar Ether ou os tokens Wrapped Ether ([ativo=WETH]), USD Coin (USDC) e Dai (DAI). O processo, de forma resumida, funciona da seguinte forma:

Ao entrar na plataforma, basta clicar em “Explore” (Explorar) e selecionar o ativo digital desejado. Há artes, coleções, músicas etc. Depois de escolher um, é só pressionar o botão “Buy now” (Compre agora). Nesse momento, a plataforma vai pedir que você conecte uma carteira digital que suporta a rede do Ethereum já com os fundos necessários para adquirir o NFT.

Se você ainda não tem uma wallet (carteira em português), a OpenSea sugere algumas opções compatíveis: MetaMask, Coinbase Wallet, Fortmatic e as compatíveis com o WalletConnect, por exemplo. O processo de instalação é muito simples. No caso da MetaMask, a mais famosa delas, basta clicar no link sugerido pela plataforma, fazer o download e adicioná-la como extensão do navegador (tem que ser o Chrome). Também é possível baixar em smartphones com iOS e Android.

Depois da instalação da carteira, é preciso transferir para ela o valor suficiente em cripto para pagar pelo NFT. Se o token que deseja custa 0,012 ETH (cerca de US$ 50), você precisa acessar uma exchange na qual tem conta e enviar essas frações de Ether de lá para a sua wallet.

Mas tem mais um ponto importante aqui: É necessário, também, enviar uns “trocadinhos” a mais para pagar pela taxa de transferência da blockchain do Ethereum, chamada de gas. Essa “tarifa”, paga aos mineradores que mantêm a rede, varia conforme o volume de transações. Quanto mais congestionada, mais cara ela fica. Portanto, reserve pelo menos o dobro do montante que iria gastar no NFT para arcar com isso.

Por fim, depois do processo de instalação da wallet e da transferência de ativos digitais, aí você consegue finalizar a compra de seu NFT.

Binance: A maior corretora do mundo em valor de mercado tem um marketplace chamado Binance NFT. O processo de compra de tokens não fungíveis lá é mais simples. Basta fazer o cadastro (se ainda não tiver) e transferir moeda fiduciária, como real, dólar ou euro. Depois disso, é só trocar o dinheiro por alguma criptomoeda aceita por lá. Além de ETH, é possível usar Binance Coin (BNB) e Binance USD (BUSD). Cabe lembrar que a exchange também permite a compra de criptos com cartões de crédito ou débito.

Depois do cadastro e da compra dos ativos, é só escolher o NFT desejado. Como no OpenSea, o marketplace de tokens não fungíveis da Binance tem obras de artes, músicas, NFTs de games e outros. Lembrando que esses ativos rodam na própria blockchain da corretora, a Binance Smart Chain. E para fazer transações nela, da mesma maneira que ocorre na blockchain do Ethereum, é necessário pagar taxas de gás – no caso, em BNB. Os valores também variam a todo momento, mas costumam ser mais em conta.

Onde comprar NFTs?

É possível comprar NFTs em marketplaces especializados na venda desses ativos digitais. Algumas das principais plataformas são as seguintes:

  • OpenSea
  • Binance NFT
  • Rarible
  • Solanart
  • Foundation
  • SuperRare
  • Nifty Gateway
  • 9Block (brasileira)

Leia também: Guia completo sobre ETF de Criptomoedas

Como criar NFTs?

Assim como comprar, criar NFTs também é um processo muito simples. No caso da OpenSea, por exemplo, basta entrar na plataforma, conectar a carteira de criptomoedas e subir seu projeto. Pode ser imagem, vídeo, música ou um modelo 3D. A plataforma permite arquivos de no máximo 100 MB. Após subir o projeto, é possível também incluir nome e descrição, bem como fazer personalizações.

Como criar NFTs também envolve o uso da blockchain do Ethereum, é necessário pagar a taxa de gas (por isso a necessidade de conectar a carteira). Além disso, a OpenSea cobra 2,5% de comissão quando seu NFT for vendido. As outras plataformas, como Rarible, SuperRare, Nifty Gateway e Binance NFT, têm valores semelhantes.  

O que pode virar um NFT?

Quadros físicos e digitais, músicas, itens de jogos, memes, fotos de momentos do esporte, domínios de sites, vídeos e até posts em redes sociais podem virar tokens não fungíveis.

No início de 2021, o presidente do Twitter, Jack Dorsey, vendeu seu primeiro tuíte por pouco mais de US$ 2,9 milhões como NFT. A mensagem, publicada em 21 de março de 2006, diz “just setting up my twttr” (apenas configurando meu twttr, na tradução para o português).

A NBA, liga de basquete americana, movimentou cerca de US$ 200 milhões em um fim de semana de fevereiro com negociações de NFTs na Top Shot, sua plataforma de comercialização de tokens. Nela, fãs podem comprar cards digitais de jogadas marcantes.

Diferenças entre NFTs e Criptomoedas

As criptomoedas, como o BTC e o ETH, são fungíveis. Se você enviar um Bitcoin para alguém, a pessoa poderá lhe devolver uma unidade da criptomoeda, e você continuará tendo o mesmo valor. As criptos também são divisíveis: ou seja, é possível enviar frações de BTC (chamados de satoshis) para alguém.

No caso de um NFT, no entanto, ele é único e indivisível. Não seria possível trocar o token não fungível de uma obra do pintor espanhol Pablo Picasso por outra igual, porque só existe uma. Além disso, não dá para transferir metade do quadro ou um terço dele para outra pessoa.

Os NFTs mais valiosos

De acordo com o DappRadar, site que rastreia informações sobre o mercado cripto, o volume de venda de NFTs entre janeiro e setembro de 2021 chegou a US$ 13,2 bilhões. O valor é maior que os PIBs dos estados do Acre, Amapá e Roraima somados. Veja abaixo alguns dos NFTs mais valiosos do mercado:

Everydays: The First 5000 Days: É um compilado com 5 mil imagens virtuais criadas pelo artista americano Mike Winkelmann, conhecido como Beeple. Ele desenhou uma por dia, ao longo de mais de treze anos. A obra foi vendida por US$ 69,3 milhões em março de 2021. Beeple foi pioneiro nesse mercado, e é um dos principais artistas da “criptoarte”.

CryptoPunk #7523: CryptoPunks é o nome de uma coleção de pixel art (tipo de arte digital) com 10 mil retratos de personagens, divididos nas categorias humanos (masculino e feminino), macacos, zombies e aliens. Foi lançada em junho de 2017 pelo estúdio Lava Labs, e é o projeto em NFT mais popular do mercado. A imagem número 7523, um alien usando brinco, boné e máscara, foi vendida por US$ 11,8 milhões em junho de 2021.

CryptoPunk #3100: É um CryptoPunk da categoria alien com uma bandana na cabeça. Ele foi vendido por US$ 7,58 milhões em março de 2021. O ativo digital, conforme a Larva Labs, está à venda por US$ 146 milhões. Se algum milionário resolver comprar o ativo digital, será a maior venda de um NFT já realizada.

CryptoPunk #7804: É um CryptoPunk alien com cachimbo na boca e boné na cabeça. Em março de 2021, ele foi vendido por Dylan Field, CEO do Figma, startup de design, por US$ 7,57 milhões. Detalhe: Field, um dos primeiros entusiastas a apostar nesse novo mercado, havia comprado o ativo por cerca de US$ 15 mil em janeiro 2018. Portanto, ele teve um ganho impressionante de 50.000% no período. Na época da compra do ativo digital, ele disse que o NFT tinha “potencial para ser a Mona Lisa digital”. Acertou!  

Crossroad: Criada por Beeple, essa NFT retrata o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caído no chão com palavrões escritas em seu corpo nu. A arte digital foi projetada, no entanto, para mudar conforme o resultado das eleições. Se Trump tivesse vencido, ele apareceria andando entre chamas, usando uma coroa na cabeça. O NFT foi vendido por US$ 6,6 milhões em fevereiro de 2021.

CryptoPunk #8857: Em setembro de 2021, um CryptoPunk da categoria zombie, com cabelos “selvagens” e usando óculos 3D, também foi vendido por US$ 6,6 milhões. O detalhe é que em maio do mesmo ano o mesmo NFT era avaliado em US$ 1,7 milhão – ou seja, valorizou quase 300% em sete meses. 

Ocean Front: No final de março de 2021, o NFT Ocean Front, também do Beeple, foi vendido por US$ 6 milhões. O dinheiro, no entanto, foi para a organização não governamental Open Earth Foundation, e não para o bolso dele. “Seis milhões de dólares para as mudanças climáticas. Isto é o que precisamos para promover mudanças realmente significativas … para trabalharmos juntos em vez de lutarmos uns contra os outros”, escreveu em seu Twitter.

Ringers #879: Criado pelo artista canadense Dmitri Cherniak, o NFT foi vendido por US$ 5,8 milhões, em agosto de 2021, para a Three Arrows Capital, empresa de criptomoedas baseada em Singapura. O ativo foi negociado na Art Blocks, plataforma que reúne obras de “cripto artistas”. 

CryptoPunk #5217: Outro CryptoPunk que entrou para a lista dos NFTs mais valiosos do mercado foi o avatar número 5217. Ele é um macaco com uma corrente de ouro no pescoço e uma touca na cabeça. Foi arrematado em julho de 2021 por US$ 5,4 milhões. O personagem, assim como todos os outros da coleção, é basicamente uma arte pop de 24 X 24 pixels.

NFT do código da web: O NFT do código-fonte original da World Wide Web (WWW), escrito pelo físico e cientista da computação Tim Berners-Lee no início da década de 90, também merece um espaço na lista. O token foi vendido por US$ 5,4 milhões em junho de 2021, em um leilão online da Sotheby’s, casa de leilões sediada na Inglaterra.

Riscos

Todo mercado tem riscos, e o de NFTs não é diferente. Veja abaixo alguns dos pontos a serem levados em consideração antes de entrar nesse universo de tokens não fungíveis.

Shitcoins – Como qualquer um pode criar um NFT, há muitas shitcoins (termo para se referir a ativos digitais sem fundamento) por aí, bem como tokens não fungíveis fake. Por isso, para não investir em furada, é preciso estudar bem o projeto, bem como as pessoas por trás dele.

Liquidez – A liquidez dos NFTs é baixa. Se você compra um token não fungível, e depois de um tempo resolve vendê-lo, não é de uma outra para outra que se consegue achar um comprador. Nesse ponto, portanto, o segmento de NFTs é mais parecido com o mercado de arte do que com o de criptomoedas.

Volatilidade – Assim como no caso do BTC, ETH, Cardano (ADA) e demais altcoins, os NFTs também são muito voláteis. Isso acontece porque o segmento é novo, e os ativos digitais ainda estão passando por um período de formação de preços.

Fraudes – Golpistas podem se apropriar de trabalhos feitos por outros indivíduos, transformá-los em NFT e vendê-los como se fossem seus. Portanto, é importante pesquisar se o token realmente é de determinado autor.

Vantagens

Investir em NFTs também tem algumas vantagens, conforme as relatadas aqui embaixo:

Valorização – Assim como obras de arte se valorizam com o tempo, NFTs também podem seguir o mesmo caminho. O próprio CryptoPunk #7804, que viu seu preço subir 50.000% em pouco mais de três anos, é um exemplo. Vale ressaltar, no entanto, que isso não acontece com todos.

Escassez – Os NFTs, assim como as obras de pintores famosos, também são escassos. Apesar de todo mundo conseguir copiar o material digital, só o proprietário realmente tem a posse dele, e pode vendê-lo no futuro.

Facilidade – Um token não fungível pode ser transferido de um canto do mundo para o outro em minutos, assim como ocorre com as criptomoedas. No caso de uma obra de arte física, o processo seria mais complexo, e envolveria custos elevados de transporte. 

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: 

https://chat.whatsapp.com/BU4P3HeFmWo8QCkIb4CEdv (07) para WhatsApp

ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram.

Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. 

Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/