Brasil, o paraíso das commodities

Artigo assinado por Paulo Gala* Por Banco Master – Valor 18/04/2022 

Nos dois primeiros meses deste 2022, o valor total de nossas exportações foi 36% maior do que no mesmo bimestre de 2021. O volume de bens exportados cresceu 17%, e os preços do que exportamos subiram 16% na mesma comparação. Os preços de importação também subiram muito, 34%, mas os volumes importados tiveram queda de quase 3% na comparação entre esses mesmos bimestres. Em março a balança comercial teve superávit de US$ 7,4 bilhões e, até a segunda semana de abril, registramos superávit de US$ 15,36 bilhões no acumulado do ano.

A corrente de comércio, soma de exportações e importações, subiu 20,5% em relação a 2021, para US$ 147,1 bilhões, com as exportações chegando a US$ 81,23 bilhões, e as importações a US$ 65,87 bilhões. Os dados que já temos para 2022 apontam para um superávit em nossa balança comercial de mais de US$ 80 bilhões, um feito histórico. Na mente dos investidores estrangeiros, o Brasil se consolida como o paraíso das commodities, o que ajuda a trazer dinheiro ao país. Por tudo isso, o real readquiriu seu status de “commodity-currency”: moedas que se apreciam muito em booms de commodities.

O Brasil já está no time de países com maiores reservas de petróleo do mundo graças à descoberta do pré-sal. Em 2022 estaremos entre as dez maiores produções de petróleo do planeta, com quase 4% da oferta mundial. O custo de exploração se revelou muito menor do que se imaginara, e a qualidade do petróleo do pré-sal é ótima.

Nosso setor de mineração segue também robusto. Os grandes projetos da Vale se concretizaram, com destaque para o S11D em Carajás, com uma das maiores capacidades produtivas do mundo. Nosso volume de exportação é enorme, além do boom de preços do minério de ferro, níquel, litium, cobre etc. Para se ter ideia da força de Vale e Petrobras hoje, basta observar que em 2021 essas duas companhias distribuíram mais dividendos do que todas as empresas da Bolsa brasileira somadas.

No setor agro a situação também é exuberante. O preço da arroba do boi acima de R$ 300, tendo chegado a R$ 350, promoveu grande ganho exportador do mercado da carne.

Só para a China exportaremos quase US$ 2 bilhões em carnes no primeiro trimestre desse ano, um recorde absoluto. Segundo índice da UN/FAO, só em março os preços de alimentos subiram mais de 12%. Recorde histórico da série para um único mês.

O setor agro brasileiro teve um superávit de U$S 105 bilhões em 2021, compensando nosso déficit de bens tecnológicos e industriais. Em 2021 o saldo negativo do setor industrial chegou a US$ 53 bilhões, o pior resultado desde 2015, mesmo num ano em que o superávit total da balança fechou em nível recorde. O boom de preços de commodities decorrente da pandemia e do conflito com a Ucrânia acabou favorecendo o Brasil pela via da alta de preços de bens agrícolas e energéticos, apesar do risco de falta de fertilizantes.

A alta de preços de commodities sempre nos favoreceu no passado, inclusive quando viramos grau de investimento em 2008. Nesse cenário, não teremos falta de dólares, e investidores estrangeiros seguirão comprando no Brasil. Nosso grande desafio continua sendo, entretanto, gerar empregos de qualidade para 90 milhões de pessoas. Sem a recuperação de nossa indústria, não conseguiremos tamanha façanha. O atual boom de commodities resolve nosso problema de divisas e ajuda no controle da inflação pela via da apreciação da moeda brasileira; fica faltando ainda a essencial retomada de nosso desenvolvimento industrial e tecnológico.

IDEIAS-CHAVE

  • Os dados que já temos para 2022 apontam para um superávit em nossa balança comercial de mais de 80 bilhões de dólares, um feito histórico.
  •  Em 2022 estaremos entre as dez maiores produções de petróleo do planeta, com quase 4% do mercado mundial.
  • O boom de preços de commodities decorrente da pandemia e o conflito com a Ucrânia acabou favorecendo o Brasil pela via da alta de preços de bens agrícolas e energéticos, apesar do risco de falta de fertilizantes.
  • A alta de preços de commodities sempre nos favoreceu no passado, inclusive quando viramos grau de investimento em 2008.
  • Nesse cenário não teremos falta de dólares e investidores estrangeiros seguirão comprando Brasil.

*Economista-chefe do Banco Master de Investimento. Graduado em Economia pela FEA-USP, Gala é mestre e doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, instituição em que leciona desde 2002 e na qual foi coordenador do Mestrado Profissional em Economia e Finanças, entre 2008 e 2010. Foi pesquisador visitante nas universidades de Cambridge (RU) e Columbia (NY) e atuou como economista-chefe, gestor de fundos e CEO em instituições do mercado financeiro em São Paulo.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Empresas fazem até shows para estimular retorno ao escritório

Gigantes da tecnologia oferecem regalias para agradar aos funcionários, mas eles não querem voltar à rotina presencial

The New York Times, O Estado de S.Paulo 16 de abril de 2022 | 

Quando os funcionários do Google voltaram aos escritórios vazios da empresa neste mês, escutaram que deviam relaxar. O tempo no local de trabalho precisa ser “não apenas produtivo, mas divertido”. Explore um pouco o espaço. Não agende um compromisso atrás do outro.

Além disso, não se esqueça de comparecer ao show privado da Lizzo, uma das maiores estrelas americanas do pop. Se isso não bastasse, a empresa está planejando “eventos temporários” que vão contar com “a dupla favorita de todo os googlers: comida e brindes”.

LEIA TAMBÉM

O modelo híbrido de trabalho pós-pandemia

O modelo híbrido de trabalho pós-pandemia

Mas os funcionários do Google em Boulder, no Colorado, foram lembrados do que estavam abrindo mão quando a empresa os presenteou com mousepads com a imagem de um gato com olhar triste. Abaixo do animal havia um pedido: “Você não vai RTO, vai?”

RTO é a sigla em inglês para “return to office” (voltar para o escritório) e surgiu durante a pandemia. É um reconhecimento de como a covid-19 obrigou as empresas a deixarem as mesas e os prédios de escritórios vazios. A pandemia provou que estar no escritório não significa necessariamente ter maior produtividade, e algumas continuaram a prosperar sem os encontros presenciais.

GoogleNo escritório do Google, funcionários escutaram que deviam relaxar e que o local de trabalho precisa ser “não apenas produtivo, mas divertido” Foto: Mike Blake/Reuters

Agora, depois de dois anos de reuniões virtuais e trocas de mensagens por aplicativo, muitas empresas estão ansiosas para ter os funcionários de volta em suas mesas. Os funcionários, no entanto, não estão tão animados em voltar a fazer deslocamentos matinais, usar banheiros compartilhados e vestir roupas de trabalho que não são tão confortáveis.

Por isso, as empresas de tecnologia com dinheiro para gastar estão recorrendo ao “bonde da diversão”, mesmo deixando claro que retornar ao escritório – pelo menos alguns dias por semana – é obrigatório.

“Essas regalias são um reconhecimento das empresas do quanto estão cientes de que os funcionários não querem voltar, com certeza não com a mesma frequência de antes”, disse Adam Galinsky, professor da escola de negócios da Universidade Columbia. Segundo ele, pelo menos por enquanto, as empresas optam pela recompensa em vez da punição: recompensando os trabalhadores por voltarem ao escritório no lugar de puni-los por ficarem em casa.

DESVANTAGENS

Antes da pandemia, as maiores empresas de tecnologia investiram bilhões de dólares para construir escritórios que são maravilhas da arquitetura. Esses locais, repletos de conveniências e regalias, são uma prova da crença de que a colaboração presencial estimula a criatividade, inspira inovação e transmite um senso comum de propósito.

Mas para muitos que desfrutaram da liberdade de trabalhar remotamente, o retorno ao escritório – por mais extravagante que seja – lembra a sensação de fim de férias e volta às aulas. Poucos estão interessados em trabalhar presencialmente cinco dias por semana de novo.

Nick Bloom, professor de economia da Universidade Stanford que entrevista 5 mil trabalhadores todos os meses, disse que a maioria queria voltar ao escritório duas ou três vezes por semana. Um terço não quer voltar nunca mais.

Só em acabar com o deslocamento para o escritório, disse Bloom, o trabalhador economiza em média uma hora por dia. “Você consegue entender por que os funcionários não vão voltar ao local de trabalho por causa da comida grátis ou da mesa de pingue-pongue”, diz. A principal razão para ir ao escritório, de acordo com as pesquisas, é que os funcionários querem ver os colegas pessoalmente.

Segundo Bloom, o desafio para as empresas é como equilibrar a flexibilidade com uma estratégia mais rígida para obrigá-los a comparecer em dias específicos ao escritório. Ele disse que as empresas devem se concentrar no desenvolvimento da estratégia para o trabalho híbrido, em vez de desperdiçar tempo e esforço com mimos. “Os funcionários não vão voltar ao escritório apenas por causa dos pequenos grandes luxos”, disse./TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

https://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,empresas-fazem-ate-shows-para-estimular-retorno-ao-escritorio,70004039940

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Como empresas estão inseridas na economia da atenção

É importante usar a tecnologia e o tempo que estamos conectados de formas inteligentes

 Por Camila Farani – O Estado de S.Paulo – 06/04/2022 

Você já parou para pensar no quanto a sua atenção é valiosa hoje em dia? Se você estiver em uma reunião, deixará de dedicar esse tempo para a leitura; se estiver em uma conferência, não verá a sua série favorita.

Enquanto prestamos atenção em algo, deixamos outras coisas de lado. Por isso, falamos tanto na economia da atenção, termo cunhado por Herbert A. Simon, vencedor do Nobel. A atenção é escassa, mas a informação não.

Isso explica a competição gigante que existe entre as empresas para que estejamos atentos às mensagens que elas pretendem transmitir. Netflix, Amazon, Facebook, Google, Twitter e outros, usam a estratégia de estabelecer relacionamentos diretos com os clientes por meio de recomendações, compras, alertas e pesquisas. Essa é uma forma de nos manter ali, atentos.

Tudo está ligado entre tecnologia, economia e empresas

Tudo está ligado entre tecnologia, economia e empresas

Nas redes sociais, tudo que fazemos é monitorado e direcionado para que passemos cada vez mais tempo rolando o feed, interagindo com as publicações e, claro, deixando rastros que permitam produtos e serviços personalizados.

É uma corrida para capturar nossa atenção e ganhar dinheiro com isso. Em 2013, a Netflix produzia 73 horas de conteúdo original por ano; em 2019, foram 2.769 horas. O consumo de streaming e conteúdo de jogos aumentou 22% em 2020 em comparação com 2019, aponta a Accenture. Em setembro de 2020, os usuários do TikTok passaram 45 minutos na plataforma por dia.

Na economia da atenção, muitas plataformas são gratuitas, mas vendem a atenção do usuário para marcas, governos e organizações não governamentais, como comenta Sinan Aral, diretor da MIT Initiative on the Digital Economy.

E o que isso tem a ver com o seu negócio? Centenas de empresas estão cortejando a atenção de seu público-alvo de forma cada vez mais competitiva. Você precisa saber ocupar esse espaço de forma alinhada com o que o novo consumidor espera. Vale um alerta: as pessoas estão começando a ficar esgotadas, e muitas não estão mais prestando atenção a muita coisa que está sendo oferecida.

É preciso ser cada vez mais criterioso, conhecer as reais necessidades do seu cliente e construir uma abordagem personalizada e não invasiva.

A pandemia foi propulsora da transformação digital, que desencadeou novas habilidades e novos formatos de usabilidade digital. A união de tempo conectado mais produtividade deve ser um diferencial harmonizado para todos. Por isso, é importante pensar em como utilizar a tecnologia, e o tempo que estamos conectados, de forma inteligente.

https://link.estadao.com.br/noticias/geral,como-empresas-estao-inseridas-na-economia-da-atencao,70004030260

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Empresas abrem escritórios em Portugal para atrair profissionais brasileiros de tecnologia

Flexibilização na obtenção de visto, menor custo de vida e ecossistema digital tornam o país convidativo

Por Barbara Bigarelli — Valor 14/04/2022 

Acessar um pool global de talentos, principalmente no setor de tecnologia, e entregar uma experiência internacional a funcionários brasileiros são aspectos que têm levado empresas do Brasil a estabelecer escritórios em Portugal. O movimento foi fortalecido após o impacto da pandemia por algumas razões. A primeira é a flexibilização no processo dos vistos, o que vem atraindo um maior número de trabalhadores remotos e nômades digitais, e a existência de um visto específico para profissionais de empresas de tecnologia, segundo Diana Quintas, CEO da empresa de imigração Fragomen.

A segunda razão envolve o que Portugal já entregava a seus moradores (custo de vida europeu mais baixo, segurança, acesso fácil a toda Europa) e o que virou símbolo nos últimos anos: uma comunidade digital, ativa e cosmopolita, principalmente pelo fortalecimento do evento de tecnologia e marketing WebSummit, avalia o brasileiro Matheus de Souza. Nômade digital há cinco anos, trabalhando remoto com marketing e conteúdo de 30 países diferentes para empresas do Brasil, Souza escolheu Lisboa para viver e trabalhar a partir de setembro.

A terceira razão que vem levando empresas brasileiras a Portugal está relacionada à competição global de talentos em tecnologia. “Recebemos consultas de empresas que estão estruturando a criação de hubs em Portugal para atrair e reter profissionais que querem morar na Europa”, diz Quintas.

A startup de logística brasileira Loggi chegou oficialmente em Lisboa em 2020, e vem ampliando o número de profissionais contratados no país. Atualmente, há 80, de 16 nacionalidades, sendo 45% brasileiros, e a empresa planeja dobrar esse número este ano. “Depois, a meta é chegar a 200 profissionais prestando serviços e entregando tecnologia para oBrasil”, diz Eduardo Thuler, vice-presidente de produtos na Loggi.

A plataforma de moradia QuintoAndar seguiu esse caminho e está inaugurando um escritório em Lisboa. “A pandemia intensificou essa competição por talentos de tech, com empresas contratando no mundo todo, inclusive brasileiros. Por outro lado, abriu a oportunidade para a gente contratar pessoas do mundo todo, e ter uma presença na Europa é ter uma base importante para isso”, diz Gabriel Braga, CEO do QuintoAndar.

O iFood também planeja a abertura de um escritório em Portugal de olho em atração e retenção de talentos, dentro de seu plano de internacionalização, segundo duas fontes ouvidas pelo Valor. 

Em 2020, os brasileiros representavam 27,8% da comunidade estrangeira residente em Portugal, segundo o relatório mais recente do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Nos últimos cinco anos, a Fragomen registrou um aumento de 200% na demanda de brasileiros em busca de vistos para o país. O ano de maior demanda foi 2019. Em 2020, com as restrições da pandemia, isolamento social e fechamento de fronteiras, o número caiu. Voltou a aumentar no ano passado, quase alcançando o patamar de 2019. “Para este ano, de acordo com os números do primeiro trimestre, a expectativa é superar a demanda do ano passado”, diz a consultoria que tem escritório em Portugal.

Os brasileiros chegam no país de formas diversas, se candidatando em maior número para vagas do programa TechVisa, segundo a consultoria. O programa certificou mais de 350 empresas de tecnologia para contratarem, de uma forma menos burocrática e mais rápida, profissionais qualificados no país. Accenture, Nestlé, Cisco, Deloitte e OLX obtiveram a certificação no fim de 2021 ou 2022.

Outro caminho é por meio do visto D2, focado em autônomos ou empreendedores, e do D7, que passou recentemente por uma flexibilização. “É um visto que exige a comprovação de renda passiva e antigamente era muito buscado por aposentado e investidor. Mais recentemente começaram a aceitar profissionais remotos e nômades digitais que comprovem uma renda de trabalho fora.”

É por meio do D7 que Matheus de Souza vai se candidatar para fixar sua base em Lisboa este ano. “Vou continuar trabalhando para empresas brasileiras de modo remoto, ganhando em real, mas como agora quero ter um lugar para chamar de casa, este visto não exige uma comprovação de renda tão alta quanto o de nômades digitais de outros países”. Os interessados no D7 precisam comprovar € 705 mensais por um período de um ano e, uma vez obtido o visto, é possível entrar com o trâmite de residência com validade inicial de dois anos. O tempo estimado de aprovação do D7 é de dois meses.

Morando em Portugal desde 2019 com a família para implementar o escritório da Loggi, o executivo Eduardo Thuler convive hoje com uma comunidade “forte e conectada” de profissionais de tecnologia, brasileiros e de vários países. Ele assumiu a atual posição como VP de produtos após trabalhar como CEO da Catho e viver um período sabático de 10 meses, quando morou em 10 países. Escolheu se fixar em Lisboa em uma decisão familiar, pelo “estilo de vida” que a cidade proporciona. Diz que durante a pandemia, os 80 profissionais do hub trabalharam remotamente de várias partes do país.

A flexibilidade do local de trabalho será mantida mesmo com a reabertura do escritório, que aconteceu há duas semanas. Mas a estratégia de atração de talentos, diz Thuler, envolve mais fatores. Um deles é a possibilidade de desenvolvimento de carreira, algo que empresas que contrataram profissionais de tecnologia por hora geralmente não oferecem, afirma. Outro fator é a configuração de atuação. “Colocamos o escritório de Portugal como ‘dono’ de alguns assuntos da empresa, como a questão da precificação e desenho de carga da entrega dos caminhões. Caso só passássemos tarefas pequenas para os profissionais, com eles reportando para a liderança no Brasil, não conseguiríamos atrair.”

A atração também começou com profissionais mais seniores e de quatro funções: gerente de produto, engenheiro de software, design e engenheiro de dados. “Eles trabalham em squads, respondem a um líder de área local, mas também criamos a conexão com os times comerciais e de vendas do Brasil”. Este ano, a empresa abriu o nível inicial de carreira para gerente de produto, formando esses profissionais.

O QuintoAndar também quer atrair mais cientistas de dados, engenheiros, gerentes de produto e profissionais de design ao estabelecer seu hub na Europa. “Nossa presença em Portugal vai facilitar a atração de talentos dessas áreas que hoje moram, por exemplo, na Alemanha, França e Eslovênia”, diz Larissa Armani, gerente de RH do QuintoAndar em Portugal. A empresa espera se beneficiar e ser parte do ecossistema de tecnologia do país, “importando conhecimento”, para aprimorar sua plataforma e produtos de aluguel, compra e venda de imóveis. “Também queremos oferecer a experiência internacional aos funcionários do Brasil”, diz Armani.

A recente reestruturação da operação brasileira do QuintoAndar, que levou à demissão de 4% das equipes, não impacta a execução dos planos em Portugal, afirmou a empresa em nota. A companhia havia anunciado a meta de contratar 50 funcionários no escritório português, mas ontem disse que não sabe definir como será daqui para frente o ritmo dessas contratações.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2022/04/14/companhias-criam-base-em-portugal-para-atrair-talentos-de-ti.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

SAC robô: Atendimento automatizado irrita clientela com ‘burrice artificial’

Consumidores reclamam de dificuldade em falar com humanos e da ineficiência da inteligência artificial, ao entrar em contato com as empresas para resolver problemas por canais digitais

Letycia Cardoso – O Globo – 18/04/2022 

RIO —Usada quase sempre como sinônimo de agilidade e eficiência, a inteligência artificial aplicada no atendimento ao consumidor tem deixado uma legião de insatisfeitos. São frequentes relatos de imprecisão e baixa resolução no atendimento por robôs.

Não à toa, o estudo “Customer Experience no Brasil”, realizado entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022 pela MindMiners, aponta que apenas 12% das pessoas preferem uma interação com as empresas totalmente automatizada.

A maioria (51%) quer mesmo contato pessoal. Os outros 37% dizem que uma interação mista é satisfatória.

O temor de atendimentos robotizados aumenta com o novo decreto do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC), publicado no início deste mês, justamente para estimular o uso de diferentes canais, especialmente a internet. O contato telefônico, antes exclusivo, permanece obrigatório, mas passa a ser apenas uma das alternativas de comunicação.

Alguns consumidores temem que, em vez de simplificar, a nova regra possa prejudicar a solução de contratempos. A publicitária Luisa Moura, de 28 anos, que mora em Belém do Pará, por exemplo, diz que todas as vezes que é atendida por inteligência artificial acaba se aborrecendo.

Para ela, o maior problema é a dificuldade em ser direcionada para o atendimento humano quando o bot, como é conhecido esse software de atendimento, não entende o que ela deseja.

Recentemente, depois de solicitar um cartão com tecnologia NFC do banco digital Next e efetuar o desbloqueio pelo aplicativo, não conseguiu fazer uma compra por aproximação. Luisa tentou ajuda pelo chat, apertou vários comandos, mas, sem solução, acabou desistindo.

Também enfrentou problema com a Claro ao requisitar o código de barras de sua fatura pelo WhatsApp da operadora:

— O robô não entendia o meu pedido e retornava ao menu inicial, ou me direcionava para outras opções que eu não tinha selecionado. Era para ser prático, mas demorei 20 minutos em tentativas. Por fim, acessei o site pelo computador.

Estratégia. Para conseguir falar com um atendente, Léia Salazar pede cancelamento do serviço Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo

Estratégia. Para conseguir falar com um atendente, Léia Salazar pede cancelamento do serviço Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo

A psicóloga Léia Salazar, de 31 anos, moradora de Brasília, também enfrentou dificuldade ao ser atendida por robô. Para resolver uma cobrança indevida, ligou para a Oi e tentou falar com um atendente. No entanto, todas as opções selecionadas encerravam a chamada. Foi então que desenvolveu uma estratégia para ser atendida:

— Fiquei mais de duas horas nisso tentando ser atendida. Aí lembrei que as empresas não querem perder clientes, então apertei a opção cancelamento e consegui falar com uma pessoa. Agora, sempre que tenho problema com operadoras ou bancos, aperto a opção cancelar e depois peço para o atendente me transferir para o setor correto.

Segundo o advogado da área de relacionamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), David Guedes, deve-se denunciar atendimentos robotizados que não resolvem os problemas.

Além de reclamar na agência reguladora do serviço específico — Anatel, no caso de telefonia; Anac, em aviação civil; Aneel, para energia elétrica; ANS, se o problema for com planos de saúde; e Banco Central, no caso de serviços financeiros —, quem se sentir lesado também pode registrar queixa na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), pelo site consumidor.gov.br, ou no Procon da sua região.

O que dizem as empresas

Em resposta ao GLOBO, a Claro disse que “investe constantemente na infraestrutura do atendimento personalizado, por meio dos canais digitais, para oferecer a melhor experiência aos seus clientes”. O banco Next não respondeu.

A Oi informou que, desde 2020, registrou um aumento exponencial no uso dos seus canais digitais, que concentram hoje 90% dos contatos. Por isso, ampliou o acesso a serviços digitalizados, que diz garantir mais agilidade e conexão 24 horas, para atendimento virtual ou de atendentes.

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Empresários transformam paixão pelo vinho em negócios milionários

Nomes importantes do PIB, como André Esteves, Benjamin Steinbruch e Rubens Menin, já têm rótulos para chamar de seus e estão em busca de aliar qualidade com rentabilidade  

André Jankavski e Fernanda Guimarães – Estadão -10 de abril de 2022 

Nomes reconhecidos entre o empresariado brasileiro, de diferentes setores da economia, estão descobrindo um gosto em comum e desbravando um mercado bastante diferente de seus negócios de origem.

Aos poucos, a produção de vinhos tem atraído um rol de nomes pesos-pesados do PIB brasileiro, que estão levando a sério o novo empreendimento e profissionalizando a produção. O principal alvo tem sido Portugal, que já recebeu investimentos de Rubens Menin, dono da MRV, e de André Esteves, do BTG Pactual.

Menin passou a investir na famosa região do Douro, conhecida pela qualidade da produção dos vinhos, em 2018. Antes disso, Esteves, do BTG, decidiu apostar nas vinhas portuguesas desde o fim de 2012.

Vinícola da Menin Wine Company, em Portugal, produziu 240 mil garrafas de vinho em 2021Vinícola da Menin Wine Company, em Portugal, produziu 240 mil garrafas de vinho em 2021DIVULGAÇÃO/MWC

“Este interesse de aquisição de vinícolas por parte de empresários brasileiros está muito relacionado com o prestígio que os vinhos portugueses têm no Brasil. Acreditamos que a imagem dos vinhos de Portugal no Brasil começa a ser prestigiada e atrai investidores brasileiros”, afirma o presidente da Vini Portugal, Frederico Falcão.

Hoje, Portugal é o 9º exportador mundial de vinhos e o 11º maior produtor mundial, mas há também quem esteja buscando oportunidades aqui na América do Sul. A família do empresário Benjamin Steinbruch, presidente da siderúrgica CSN, criou um vinhedo em seu haras na região de Solís de Mataojo, no Uruguai. Já o ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, decidiu sair da direção do Asa Bank para tirar um ano sabático e cuidar da sua vinícola na região de Mendoza, na Argentina.

A The Vines of Mendoza atraiu diversos empresários dispostos a ter um vinho próprio, como o economista Carlos KawallA The Vines of Mendoza atraiu diversos empresários dispostos a ter um vinho próprio, como o economista Carlos KawallDIVULGAÇÃO/THE VINES OF MENDOZA

Os investimentos pesados feitos pelos brasileiros refletem uma paixão crescente pela bebida no Brasil, reforçada durante a pandemia Depois de um salto em 2020, o consumo de vinhos finos no Brasil ano passado foi de 27 milhões de litros, aumento de 11,4% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da União Brasileira da Vitinivicultura (Uvibra). Segundo especialistas e os próprios empresários investidores, ainda há um espaço enorme para crescer.


MENIN WINE COMPANY

Rubens Menin

PRESIDENTE DO CONSELHO DA MRV

A CONSTRUÇÃO DE UMA EXPERIÊNCIA

Há tempos, o empresário Rubens Menin decidiu enveredar por outros caminhos além da construção, setor em que criou a MRV, a maior construtora da América Latina. Dono desde banco até emissora de televisão, no entanto, Menin tem dois negócios que acabam também sendo um hobby: o investimento em seu time de coração, o Atlético Mineiro, e a Menin Wine Company (MWC).

E isso não quer dizer que os investimentos foram pequenos. Além de o Atlético ser um dos times mais endinheirados do País atualmente, o empresário, que começou no negócio de vinhos em 2018, já investiu mais de € 30 milhões (cerca de R$ 180 milhões) em 140 hectares de terra na região do Douro, no norte de Portugal. Com vinhos que chegam a custar R$ 2 mil, a produção atual da MWC bateu 240 mil garrafas em 2021.

Rubens Menin, fundador de empresas como MRV e o Banco Inter, entrou para o mercado de vinhos em 2018Rubens Menin, fundador de empresas como MRV e o Banco Inter, entrou para o mercado de vinhos em 2018DIVULGAÇÃO/MWC

Porém, o empresário não está muito animado com o mercado brasileiro: ele quer, de fato, conquistar os europeus. Um dos caminhos para isso é o de criar rótulos desejados e premiados. Um deles, o Douro’s New Legacy Reserva 2018, entrou no ranking dos 30 melhores vinhos tintos em Portugal.

Nos próximos anos, Menin fará mais um aporte de € 30 milhões para construir um resort na região do Douro. Mas não será só isso: para que o local vire um cobiçado ponto turístico, o empresário ainda vai investir em melhorias na região, como transporte fluvial, bondinhos e até um porto. Além disso, também serão compradas novas áreas para vinícolas.

“Temos, talvez, a melhor tecnologia de toda a região do Douro. E vamos continuar investindo”.

Rubens Menin, presidente do conselho da MRV

O presidente do conselho e fundador da MRV diz que está otimista com os lucros futuros na região. Não por acaso, quer ampliar a sua produção para 360 mil litros até 2025. “Portugal, hoje, é um país muito barato e com muito potencial. Se você for para outras regiões, como França e Itália, não há tantas oportunidades.”


HERDADE DOS COELHEIROS

Alberto Weisser

EX-PRESIDENTE DA BUNGE

DEPOIS DA APOSENTADORIA, INVESTIMENTO EM ANTIGA PAIXÃO

Ex-presidente da gigante do setor de alimentos Bunge, Alberto Weisser afirma que sua paixão por vinhos é bastante antiga. No entanto, sua entrada no negócio ocorreu somente em 2015, quando se aposentou, aos 58 anos. Nessa época, bateu o martelo e comprou a Herdade dos Coelheiros, em Alentejo, região próxima à capital portuguesa.

Sobre sua vinícola, o empresário diz que ainda não está no azul, mas que logo chegará lá.

A aposentadoria da vida executiva fez o Alberto Weisser investir em uma paixão antigaA aposentadoria da vida executiva fez o Alberto Weisser investir em uma paixão antigaARQUIVO PESSOAL

Hoje, Weisser ainda tem presença no mundo executivo, como membro de três conselhos de administração (Bayer, Linde e PepsiCo) e consultor no fundo de private equity Temasek. No entanto, ao contrário de quando comandava uma das maiores fabricantes de alimentos do mundo, Weisser agora consegue equilibrar a agenda entre as duas funções a partir de Portugal.

“Acho que quem investe em vinho é por paixão. Dois terços (da produção) não dão lucro”.

Alberto Weisser, ex-presidente da Bunge

Além da vida nos conselhos, Weisser agora utiliza os conhecimentos adquiridos ao longo da vida executiva em seu novo negócio. Em sua vinícola, após muitos investimentos, tornou a produção orgânica, deixou a produção de vinhos mais baratos de lado e se focou nas garrafas mais premium.

Nesse processo de reformulação, as 400 mil garrafas produzidas anualmente caíram para 100 mil. No Brasil, as garrafas da Herdade dos Coelheiros podem ser encontradas em restaurantes famosos, em lojas especializadas e na adega do Pão de Açúcar. Na Mistral, as garrafas vão de R$ 250 a R$ 1,1 mil. Além do vinho, ele produz nozes, cortiça e ovelhas. E tudo orgânico.


VINÍCOLA VIVALTI

Vicente Donini

EX-PRESIDENTE E ACIONISTA DA MARISOL

A APOSENTADORIA FICOU PARA DEPOIS

Após passar décadas tocando os negócios da Marisol, uma das maiores indústrias de roupas infantis do Brasil e dona de marcas como a Lilica Ripilica, Tigor T. Tigre e a própria Marisol, o empresário Vicente Donini não queria ficar apenas nos quatro conselhos de administração em que atua. Ao mesmo tempo, sabia que não poderia ficar se metendo nos negócios após o processo de sucessão. Decidiu, então, partir para o mundo dos vinhos.

“Do alto dos meus 79 anos, continuo trabalhando todo o dia e o dia todo, só faço o que gosto e gosto de tudo o que faço. Por isso, decidi por desenvolver um novo e audacioso projeto, o da vitivinicultura, o qual requer muita dedicação e disciplina”, afirma Donini.

Após realizar o processo de sucessão da presidência da Mirassol, Donini decidiu deixar a aposentadoria de lado e comprou a VivaltiApós realizar o processo de sucessão da presidência da Mirassol, Donini decidiu deixar a aposentadoria de lado e comprou a VivaltiJAIR SENNA/ESTADÃO

A entrada no mercado ocorreu em 2015 e o empresário escolheu a serra catarinense, mais precisamente a cidade de São Joaquim, e comprou a Vinícola Vivalti, para a qual planejou investimentos na ordem de R$ 10 milhões. O munícipio, graças à sua altitude (entre 1,2 mil e 1,4 mil acima do nível do mar), clima seco e com grande amplitude térmica, além do solo pedregoso balsático, tem atraído diversos empresários interessados no mundo dos vinhos.

Atualmente, a Vivalti conta com uma área de 16 hectares de vinhedos, sendo 12 com uvas plantadas. A vinícola produziu 32,5 mil garrafas de vinho em 2021 e espera chegar a 36 mil neste ano. Porém, o empresário admite que ainda se trata de um negócio em que o retorno do investimento é incerto. Mesmo assim, afirma que a sua meta é transformar a companhia sustentável nos aspectos econômico, social e ambiental. Prevê chegar às 100 mil garrafas na safra de 2029.

“O vinho é uma bebida viva, evolui até quando está presa na garrafa e quando aberta, ele se liberta. Portanto, tudo que tem vida me move e me comove”.

Vicente Donini, ex-presidente e acionista da Marisol

“Por ora, o empenho está em atingir pelo menos o ponto de equilíbrio entre receitas e despesas, o que se dará neste ano, ou seja, no sétimo ano a contar do início das atividades e o quarto desde o início da comercialização”, afirma Donini.

O empresário decidiu entrar nesse mercado também pela paixão pelos vinhos. Segundo ele, em suas viagens a trabalho por outros países, reservava um espaço em sua agenda para visitar vinícolas espalhadas pela Europa, Estados Unidos e na América do Sul, além de parar para realizar viagens juntando gastronomia e o vinho.


GOMEZ KAWALL

Carlos Kawall

EX-SECRETÁRIO DO TESOURO NACIONAL E EX-DIRETOR DO ASA BANK

UM SABÁTICO REGADO A VINHO

Até o início do mês passado, o economista Carlos Kawall era sempre procurado para dar sua visão sobre os dados da economia brasileira. Porém, Kawall decidiu sair do cargo de diretor da gestora Asa Bank e tirar um período sabático. O economista, no entanto, não vai ficar totalmente parado: boa parte de sua atenção será voltada para o rótulo de vinho Gomez Kawall, criado com a sua esposa Priscila, em 2012.

O economista Carlos Kawall decidiu embarcar no mundo dos vinhos com a sua esposa, Priscila, que também é uma apaixonada pela bebidaO economista Carlos Kawall decidiu embarcar no mundo dos vinhos com a sua esposa, Priscila, que também é uma apaixonada pela bebidaDANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Ao contrário de outros empresários, Kawall não comprou terras muito extensas. Na verdade, ele utiliza a estrutura do The Vines of Mendoza, no sul da Argentina, que é um espaço que reúne um resort de luxo e um vinhedo para apaixonados por vinho que querem um rótulo para chamar de seu. O The Vines auxilia em todo o processo: plantação, colheita, enólogos, engarrafamento e até a exportação. A única missão do economista e de sua esposa é comercializar as garrafas, que têm preço médio de R$ 220.

O negócio começou como hobby, mas o economista enxerga potencial para ganhar escala. Ele se baseia no consumo por litro no Brasil em comparação com outros mercados. Apesar de ter tido uma alta com a pandemia, os brasileiros bebem, em média, 2,8 litros de vinho por ano – os argentinos, por exemplo, consomem 27,6 litros, enquanto os portugueses ultrapassam os 51 litros.

“O potencial do vinho é muito grande e é um horizonte de médio a longo prazo, que depende de muitos passos e investimentos”.

Carlos Kawall, ex-secretário do Tesouro Nacional e ex-diretor do Asa Bank

 Por ora, o economista acredita que a sua produção de 3 mil a 3,5 mil garrafas ao ano atende à demanda atual, apesar de ter a capacidade para chegar a 5 mil em um curto espaço de tempo. “Mas levando em conta que posso comprar uvas de outros proprietários, poderia ampliar ainda mais, mas aí tem o desafio do mercado e estamos buscando uma qualidade diferenciada, tendo como referência o consumidor”, afirma.


MANZ WINE

André Manz

PRESIDENTE DA MANZ WINE

DO MERCADO FITNESS À UVA RARA EM VILA PORTUGUESA

Vivendo há mais de 30 anos em Portugal, o primeiro negócio de André Manz foi no mercado esportivo: no fim da década de 1980, ele levou a aeróbica coreografada para a Europa. O investimento em vinho, já nos anos 2000, ocorreu sem planejamento, no quintal de onde seria sua casa, em Chelheiros, região do município de Mafra.

No começo dos anos 2000, já com seu negócio no mercado fitness e de eventos consolidados no país, Manz comprou um vinhedo próximo à sua casa e investiu em maquinário, inicialmente pensando no consumo próprio. Mas o negócio foi crescendo. Na primeira colheita, foram encontrados dois tipos de uvas: o Castelão tinto e uma uva branca, que enólogos tiveram dificuldade em identificar. Tratava-se da uva Jampal, espécie portuguesa quase extinta e que garantiu fama e prêmios a uma vinícola muito jovem.

André Manz entrou no mercado de vinho quase por acaso em um vinhedo próximo de sua casa em PortugalAndré Manz entrou no mercado de vinho quase por acaso em um vinhedo próximo de sua casa em PortugalARQUIVO PESSOAL

Hoje, a produção anual chega a 500 mil garrafas por ano, que no Brasil são facilmente encontradas em restaurantes “classe A”. Exportando para 28 países, a chegada de Manz no mercado brasileiro não foi das mais simples. Isso porque teve de enfrentar preconceito do público que rejeitava o vinho produzido por um brasileiro em Portugal.

“Foi difícil encontrar importadores para levar nossos vinhos para o Brasil”.

André Manz, presidente da Manz Wine

Além de produzir vinho, Manz decidiu resgatar a história de Cheleiros, com a restauração de edifícios e até mesmo a contratação de uma jornalista para investigar sobre o local, o que rendeu a publicação de um livro. Agora, como empreendedor em série, além de um novo investimento em um restaurante ou bar, vai entrar no mercado de pranchas de surfe, aproveitando-se da proximidade de uma região próxima dedicada à prática do esporte.


EXPEDIENTE

Editor executivo multimídia Fabio Sales / Editora de infografia multimídia Regina Elisabeth Silva / Editores assistentes multimídia Adriano Araujo e William Mariotto / Editor-coordenador de Economia Alexandre Calais / Editor de Negócios Fernando Scheller / Reportagem André Jankavski e Fernanda Guimarães / Designer multimídia Lucas Almeida / Infografista multimídia Diogo Shiraiwa

https://www.estadao.com.br/infograficos/economia,empresarios-brasileiros-transformam-paixao-pelo-vinho-em-investimentos-e-negocios-milionarios,1237192

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Conheça o DALL-E, inteligência artificial que cria qualquer imagem a partir de uma descrição de texto

Novas tecnologias que misturam linguagem e imagens poderiam servir a artistas gráficos. Preocupação é que acelere também campanhas de desinformação

Por Cade Metz, do NYT/O Globo 14/04/2022

SÃO FRANCISCO – No OpenAI, um dos laboratórios de Inteligência Artificial mais ambiciosos do mundo, os pesquisadores estão desenvolvendo tecnologia que permite criar imagens digitais simplesmente descrevendo o que você deseja ver.

Eles chamam o sistema de DALL-E em alusão tanto a “WALL-E”, o filme de animação de 2008 sobre um robô autônomo, quanto a Salvador Dalí, o pintor surrealista.

A OpenAI, apoiada por US$ 1 bilhão em financiamento da Microsoft, ainda não está compartilhando a tecnologia com o público em geral. Mas, recentemente, Alex Nichol, um dos pesquisadores por trás do sistema, demonstrou como ele funciona.

 Nichol pediu ao sistema  “um bule em forma de abacate”, digitando as palavras em uma tela de computador praticamente vazia. Ele criou 10 imagens distintas de um bule de abacate verde-escuro, algumas com caroço e outras sem.

“DALL-E é bom em abacates”, disse Nichol.

A inteligência Artificial DALL-E pode criar qualquer desenho a seu comando Foto: OPENAI / NYTA inteligência Artificial DALL-E pode criar qualquer desenho a seu comando Foto: OPENAI / NYT

Quando ele digitou “gatos jogando xadrez”, o sistema  colocou dois gatinhos fofos de cada lado de um tabuleiro de jogo de xadrez com 32 peças alinhadas entre eles. Quando pediu “um ursinho de pelúcia tocando trompete debaixo d’água”, uma imagem mostrou pequenas bolhas de ar subindo da ponta da trombeta do urso em direção à superfície da água.

DALL-E, inteligência artificial que cria qualquer imagem a seu comando. Foto: OPENAI / NYT

DALL-E, inteligência artificial que cria qualquer imagem a seu comando. Foto: OPENAI / NYT

Não para por aí. DALL-E também pode editar fotos. Quando Nichol apagou a trombeta do ursinho de pelúcia e pediu um violão, um violão apareceu entre os braços peludos.

Uma equipe de sete pesquisadores passou dois anos desenvolvendo a tecnologia, que a OpenAI planeja eventualmente oferecer como uma ferramenta para pessoas como artistas gráficos, fornecendo novos atalhos e novas ideias à medida que criam e editam imagens digitais.

Os programadores de computador já utilizam o Copilot, uma ferramenta baseada em tecnologia similar da OpenAI, para gerar trechos de código de software.

Mas para muitos especialistas, DALL-E é preocupante. À medida que esse tipo de tecnologia continua a melhorar, dizem eles, pode ajudar a espalhar desinformação pela internet, alimentando o tipo de campanha on-line que pode ter ajudado a influenciar a eleição presidencial dos EUA em 2016, por exemplo.

Resultado do DALL-E para comando de imagem de 'cão Shiba Inu vestindo uma boina e gola alta preta' Foto: ReproduçãoResultado do DALL-E para comando de imagem de ‘cão Shiba Inu vestindo uma boina e gola alta preta’ Foto: Reprodução

  “Poderia usá-lo para coisas boas, mas certamente poderia usá-lo para todo o tipo de outras aplicações malucas e preocupantes, e isso inclui falsificações profundas”, como fotos e vídeos enganadores, disse Subbarao Kambhampati, professor de ciência da computação na Universidade do Arizona.

Há 50 anos, os principais laboratórios de IA do mundo construíram sistemas que podiam identificar objetos em imagens digitais e até gerar imagens por conta própria, incluindo flores, cães, carros e rostos.

Alguns anos mais tarde, criaram sistemas que poderiam fazer o mesmo com linguagem escrita, resumindo artigos, respondendo a perguntas, gerando tweets e até escrevendo posts em blogues.

Agora, os pesquisadores estão combinando essas tecnologias para criar novas formas de IA. DALL-E é um avanço notável porque faz malabarismos entre linguagem e imagens e, em alguns casos, capta a relação entre os dois.

“Agora podemos usar vários fluxos de informações que se cruzam para criar tecnologia cada vez melhor”, disse Oren Etzioni, CEO do Allen Institute for Artificial Intelligence, um laboratório de inteligência artificial em Seattle.

Rede neural

Mas a tecnologia não é perfeita. Quando Nichol pediu a DALL-E para “colocar a Torre Eiffel na lua”, ele não entendeu muito bem a ideia. Ele colocou a lua no céu por cima da torre. Quando ele pediu “uma sala cheia de areia”, produziu uma cena que mais parecia um canteiro de obras do que uma sala de estar.

Mas quando Nichol ajustou um pouco seus pedidos, adicionando ou subtraindo algumas palavras aqui ou ali, forneceu o que ele queria. Quando ele pediu “um piano em uma sala cheia de areia”, a imagem parecia mais uma praia em uma sala de estar.

O DALL-E, inteligência artificial, criou uma sala chei ade areia com um piano atendendo a um comando Foto: OPENAI / NYTO DALL-E, inteligência artificial, criou uma sala chei ade areia com um piano atendendo a um comando Foto: OPENAI / NYT

DALL-E é o que os pesquisadores de inteligência artificial chamam de rede neural, um sistema matemático livremente modelado na rede de neurônios no cérebro. Essa é a mesma tecnologia que reconhece os comandos falados em smartphones e identifica a presença de pedestres enquanto carros autônomos percorrem as ruas da cidade.

Uma rede neural aprende competências analisando grandes quantidades de dados. Ao identificar padrões em milhares de fotos de abacate, por exemplo, ele pode aprender a reconhecer um abacate.

O DALL-E procura padrões ao analisar milhões de imagens digitais, bem como legendas de texto que descrevem o que cada imagem representa. Desta forma, aprende a reconhecer as ligações entre as imagens e as palavras.

Quando alguém descreve uma imagem para DALL-E, ele gera um conjunto de recursos-chave que essa imagem pode incluir. Uma característica pode ser a linha na borda de uma trombeta. Outra pode ser a curva na parte superior da orelha de um ursinho de pelúcia.

Em seguida, uma segunda rede neural, chamada de modelo de difusão, cria a imagem e gera os pixels necessários para realizar esses recursos.

A versão mais recente do DALL-E com um novo trabalho de pesquisa descrevendo o sistema, gera imagens de alta resolução que, em muitos casos, parecem fotos.

Embora o DALL-E muitas vezes não consiga compreender o que alguém descreveu e às vezes destrua a imagem que produz, o OpenAI continua aprimorando a tecnologia. Os pesquisadores geralmente podem refinar as habilidades de uma rede neural alimentando-a com quantidades ainda maiores de dados.

Eles também podem construir sistemas mais poderosos aplicando os mesmos conceitos a novos tipos de dados. O Allen Institute criou recentemente um sistema que pode analisar áudio, bem como imagens e texto.

Depois de analisar milhões de vídeos do YouTube, incluindo faixas de áudio e legendas, ele aprendeu a identificar momentos específicos em programas de TV ou filmes, como um cachorro latindo ou uma porta se fechando.

Especialistas acreditam que os pesquisadores continuarão a aprimorar esses sistemas. Em última análise, esses sistemas podem ajudar as empresas a melhorar os mecanismos de busca, assistentes digitais e outras tecnologias comuns, bem como automatizar novas tarefas para artistas gráficos, programadores e outros profissionais.

Mas há ressalvas para esse potencial. Os sistemas de IA podem mostrar preconceito contra mulheres e pessoas de cor, em parte porque aprendem suas habilidades a partir de enormes conjuntos de textos, imagens e outros dados on-line que mostram preconceito.

Eles podem ser usados para gerar pornografia, discurso de ódio e outros materiais ofensivos. E muitos especialistas acreditam que a tecnologia acabará tornando tão fácil criar desinformação que as pessoas terão que ser céticas em relação a quase tudo o que veem on-line.

“Nós podemos forjar texto. Podemos colocar texto na voz de alguém. E podemos forjar imagens e vídeos”, disse Etzioni. “Já existe desinformação on-line, mas a preocupação” é que isso leve a desinformação a novos níveis.

A OpenAI está mantendo uma rédea curta no DALL-E. Não permitiria que pessoas de fora usassem o sistema por conta própria. Ele coloca uma marca d’água no canto de cada imagem que gera.

https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/conheca-dall-inteligencia-artificial-que-cria-qualquer-imagem-partir-de-uma-descricao-de-texto-25466718

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Afinal, o que é bacalhau? Fomos até a Noruega descobrir

O ‘Paladar’ foi até a Noruega desvendar todas as etapas de preparação do peixe da Páscoa, da pesca à salga e secagem   

por Carla Peralva, O Estado de S.Paulo 11 de abril de 2022 |

Da Noruega

O Paladar me enviou às águas frias do Mar do Norte para pescar o verdadeiro bacalhau. Cheguei à Noruega querendo um belo peixe para a Páscoa, mas não deu certo: os noruegueses já estão às voltas com o bacalhau do Natal – entre o peixe ser pescado e virar, de fato, bacalhau, são mais de dois meses, fora o percurso de navio até aqui.

Na viagem, fiz outras descobertas interessantes. Bacalhau não é um único peixe, não é uma técnica de salga e também não é uma receita. É tudo isso. A palavra bacalhau dá nome a três coisas.

1. Qualquer peixe da família Gadidae, entre eles o nobre e valorizado Gadus morhua, pescado no extremo norte do Atlântico, e o Gadus macrocephalus, seu primo menos popular e de carne menos nobre, que vive no Pacífico.

2. Peixes de cinco espécies submetidos a processos de salga e secagem (confira quais no fim do texto).

3. Um prato específico da culinária norueguesa (o bacalao, um cozido delicioso com tomate, cebola e batata, servido com pão preto). 

Eis um bacalhau vivo, no aquário de Ålesund, na Noruega. O peixe da espécie 'Gadus morhua' é o bacalhau "real oficial".

Eis um bacalhau vivo, no aquário de Ålesund, na Noruega. O peixe da espécie ‘Gadus morhua’ é o bacalhau “real oficial”. Foto: Peder-Otto Dybvik

Bem, agora vamos à parte prática dessa história: o que é bacalhau? Aqui no Brasil, o que se encontra no mercado é o bacalhau salgado e seco.

Ele pode vir do belo arquipélago de Lofoten, no Círculo Polar Ártico – no ano passado, o Brasil recebeu 18 mil toneladas de bacalhau vindo da Noruega, o que equivale a quase 20% da produção do país. De lá, chegam tanto o Gadus morhua (o bacalhau “real oficial”), quanto as espécies Saithe, Ling e Zarbo. Além disso, por aqui também recebemos o bacalhau do Pacífico, de menor qualidade. Eles têm diferenças de textura e sabor, como você confere abaixo.

Da pesca à salga do bacalhau

O bacalhau (o peixe) é uma criatura do frio, então, já fica a dica: nada de fogo alto ou longos tempos de cozimento. Ele passa seus primeiros anos no Ártico e, adulto (entre 2 e 4 anos), nada durante o inverno até as águas rasas da costa norueguesa para se reproduzir.

A temporada de pesca vai de janeiro a abril e tudo se aproveita do peixe. A famigerada cabeça do bacalhau é seca e exportada para países como a Nigéria, onde é usada em caldos; a língua e os músculos da garganta são tradicionalmente cortados por crianças e consumidos como petisco frito; o fígado serve para se extrair óleo; as ovas são consumidas salgadas (caviar) e curadas (bottarga).

Pesca de bacalhau na Noruega

1 de 7

  • Vilas pesqueiras
    O passeio ainda passa pela pequena vila de pescadores Nusfjord.
  • De sal e sol
    Fui até as águas geladas e cristalinas do Mar da Noruega para pescar bacalhau. Já começo com a prova: ele tem cabeça! E barba! 
  • Porto de Ballstad
    Em uma manhã de sensação térmica de -8°C, saímos do porto de Ballstad, uma das maiores vilas pesqueiras do arquipélago de Lofoten, … Leia mais
  • Dentro do barco
    Os peixes nadam em águas rasas. Barcos profissionais e turísticos usam radares para achar os cardumes.
  • Anzol na água
    Lançamos a linha na água apenas com anzol, sem iscas. É preciso ficar puxando e liberando a linha, para atrair os peixes. Quando um morde, ba… Leia mais
  • Pescaria
    A pesca do Gadus morhua vai de janeiro a abril. Há empresas que levam turistas para pescar.
  • Limpando o peixe
    Alguns dos peixes já são limpos no barco mesmo. As ovas e o fígado são valiosos. Cabeça e língua também são aproveitados.
  • Vilas pesqueiras
    O passeio ainda passa pela pequena vila de pescadores Nusfjord.
  • De sal e sol
    Fui até as águas geladas e cristalinas do Mar da Noruega para pescar bacalhau. Já começo com a prova: ele tem cabeça! E barba! 

De Lofoten, os peixes viajam já limpos (sem cabeça e tripas, mas ainda inteiros) e congelados para a “capital do bacalhau”, Ålesund, cidade de estilo art nouveau cravada em meio aos fiordes da costa central.

Nas fábricas familiares, são abertos um a um e dispostos em camadas, intercaladas com grandes quantidades de sal marinho. Ficam assim de três a quatro semanas. Depois, são dispostos em paletes de madeira e vão para câmaras ventiladas, onde secam por mais uma semana. E só aqui que nasce o bacalhau. 

Depois de salgados, os peixes são secos em paletes de madeira dentro de câmaras ventiladas. Agora já podem ser chamados de bacalhau. 

Depois de salgados, os peixes são secos em paletes de madeira dentro de câmaras ventiladas. Agora já podem ser chamados de bacalhau.  Foto: Carla Peralva/Estadão

A cultura colaborativa do bacalhau

Ele é prova viva de como a cultura gastronômica é colaborativa. Os pioneiros na pesca foram os vikings, que secavam peixes para conservá-los nos barcos. A salga veio no século 11 com os povos bascos. Mas são os portugueses os donos do maior receituário de bacalhau salgado e seco do mundo. 

A Noruega salga e seca seus peixes pois há demanda externa para isso – mais de 95% da produção é exportada, sendo Portugal e Brasil os maiores consumidores. Por lá, o peixe é consumido fresco ou apenas seco.

A carismática chef Siv Hilde Lillehaug serve bacalhau fresco e seco em seu Lofotmat, no norte da Noruega. 

A carismática chef Siv Hilde Lillehaug serve bacalhau fresco e seco em seu Lofotmat, no norte da Noruega.  Foto: Carla Peralva/Estadão

Para provar o bacalhau de todas as maneiras como ele é consumido no país, a dica é visitar Henningsvær, uma ilhota de Lofoten com apenas 450 moradores que gira em torno da pesca, onde a chef Siv Hilde Lillehaug recebe os visitantes de sorriso aberto em seu Lofotmat, um dos cinco restaurantes da vila. Em sua cozinha aberta para o salão, ela faz o caviar do jeito que aprendeu com a avó e serve sobre flatbrød (pão chato norueguês) com creme azedo e beterraba. A língua é empanada e frita, petisco servido com picles e molho tártaro. O skrei, o bacalhau fresco, tem sabor delicado e desmancha na boca. Já o stockfish, bacalhau seco, tem textura mais seca e sabor pungente (é o stoccafisso consumido pelos italianos). 

É ele que domina as paisagens da ilha. As montanhas nevadas são cercadas por pequenos barcos e tomadas por hjells (fala-se i-éls), varais de madeira onde peixes são pendurados para secar ao vento. Sem sal, sem tela, sem nada, uma técnica eficiente de conservação criada pelos vikings, que se valeram da geografia das ilhas norueguesas: muito vento, baixas temperaturas, ar seco. Ele fica três meses nas varas externas e, depois, quase um ano em galpões bem ventilados. 

Como escolher o tipo de bacalhau

O nome da espécie do peixe deve obrigatoriamente constar na embalagem, de acordo com uma nova portaria do Mapa, de 23 de janeiro de 2019. Isso ajuda na hora da compra: as variedades têm muitas diferenças, especialmente na textura e no sabor.

Os tipos de bacalhau: Zarbo, Saithe, Gadus morhua e Ling.

Os tipos de bacalhau: Zarbo, Saithe, Gadus morhua e Ling. Foto: Carka Peralva/Estadão

● Gadus morhua – O mais nobre, de posta alta que se desmancha em lascas. É untuoso e suculento. Também pode ser chamado de bacalhau do Porto. Pescado no Atlântico Norte, é o bacalhau “real oficial”. 

● Ling – Carne macia, que se desfaz em lascas. Vai bem cozido ou apenas selado na chapa. 

● Saithe – O de “sabor de peixe” mais intenso. Bom para saladas, brandade e outros preparos desfiados, como o bolinho de bacalhau. Também rende um bom ceviche, basta dessalgar e marinar. É o mais vendido no Brasil. 

● Zarbo – Tem textura mais rija e “esfarelenta”. Menos valorizado, é melhor desfiado.

● Gadus macrocephalus – Bacalhau do Pacífico, menor e e de coloração mais clara que o do Atlântico. Também rende bons lombos, mas sua carne só pode ser desfiada. 

 

Como comprar bacalhau e outras dicas

Quando for escolher uma peça de bacalhau, certifique-se que ela está seca e sem qualquer parte visivelmente úmida. A cor da carne pode variar de branco até amarelo-palha (cor mais clara não significa qualidade), mas descolarações, manchas prateadas ou vermelhas podem indicar má conservação. 

É possível comprar o bacalhau seco e salgado ou já dessalgado e congelado. A escolha é sua, mas saiba que não é difícil dessalgar bacalhau em casa – aprenda como aqui. 

Ao comprar bacalhau já em lascas ou pedaços (e não o lombo), possivelmente você estará comprando partes das ‘asas’ e da barriga do peixe (olhe na foto acima: são as áreas mais externas “do triângulo”, mais finas que o lombo). Isso não é um problema, mas faz diferença na textura: são pedaços normalmente mais fibrosos e menos untuosos. Vale lembrar que o bacalhau já é um peixe com pouquíssima gordura.  

Pronto, agora você está pronto para ir para a cozinha. Confira aqui as melhores receitas com bacalhau do Paladar. 

*A repórter viajou a convite do Conselho Norueguês da Pesca

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

3 dicas para “desaprender” a liderar na base do medo e da intimidação

POR AMY BROWN  WORK LIFE Fast Company 12.04.2022|

Em ambientes corporativos convencionais, muitos líderes têm dificuldade em preservar sua autenticidade em meio a um clima de trabalho competitivo, que aumenta a pressão por resultados. Não por acaso, muitos costumam adotar táticas baseadas no medo, para que os funcionários realizem as tarefas e para atingir os objetivos da empresa.

Mas, no fim das contas, essa abordagem baseada no medo e na intimidação atua como uma barreira entre os funcionários e seus superiores, corroendo a satisfação no trabalho. Uma pesquisa da McKinsey descobriu que 86% dos funcionários levam em consideração o relacionamento com a chefia ao determinar seu nível de satisfação com o trabalho. Desses, 45% dos entrevistados que relataram ter relacionamentos “muito ruins” com seus gerentes estavam bastante ou completamente insatisfeitos com seus empregos.

Os chefes que adotam uma liderança prestativa e que se dirigem com compaixão a todos podem atuar como agentes críticos de mudança. Quando os líderes abandonam práticas baseadas no medo e se tornam mais autênticos, eles reforçam a conexão emocional que os funcionários têm com o local de trabalho. Como consequência, a criatividade individual e o desempenho no trabalho melhoram.

Mas, enquanto os empregadores fazem esforços conjuntos para incutir culturas empresariais mais saudáveis, é um desafio e tanto desaprender a estrutura corporativa tradicional. Pensando nisso, elencamos quatro maneiras de melhorar a personalidade corporativa e de se tornar um líder autêntico.

RECONHEÇA OS PONTOS FORTES E AS FRAQUEZAS DE CADA UM

A cultura corporativa tradicional, que prioriza resultados e lucro em vez do bem-estar dos funcionários, cria pressão para que os trabalhadores atendam a expectativas irreais. Como resultado, não são reconhecidos pelas características individuais que trazem para a equipe e, com o tempo, podem se desvincular da missão da empresa.

QUANDO OS LÍDERES ABANDONAM PRÁTICAS BASEADAS NO MEDO, REFORÇAM A CONEXÃO EMOCIONAL DOS FUNCIONÁRIOS COM O LOCAL DE TRABALHO.

Os líderes devem se concentrar em quem são seus funcionários e em como seus pontos fortes podem se alinhar melhor aos objetivos da empresa. Isso os ajuda a entender melhor como cada um pode impactar positivamente as iniciativas de crescimento estratégico. Reconhecer as próprias fraquezas pode ajudar as pessoas a serem mais autoconscientes e a alavancar os pontos fortes dos outros. Além disso, liderar pelo exemplo é uma oportunidade de mostrar autenticamente seus próprios pontos fortes e fracos.

Alguns exemplos podem incluir reuniões mensais ou trimestrais que destacam realizações individuais ou de equipe, programas de reconhecimento de funcionários, definição intencional de metas ou oportunidades de desenvolvimento profissional, como conferências ou educação continuada.

RECONHEÇA OS VAZAMENTOS REAIS E PERCEBIDOS

Julgamentos preconceituosos e parciais ocorrem quando um funcionário – influenciado por sua formação, cultura ou experiência pessoal – faz um rápido julgamento ou avaliação de um colega ou situação. O preconceito pode surgir por conta de idade, sexo e raça, entre outros fatores.

O preconceito apresenta uma barreira para as empresas que trabalham para promover um ambiente verdadeiramente diverso, equitativo e inclusivo. A liderança eficaz requer consciência ativa e uma abordagem adequada do preconceito.

LIDERAR PELO EXEMPLO É UMA OPORTUNIDADE DE MOSTRAR AUTENTICAMENTE SEUS PRÓPRIOS PONTOS FORTES E FRACOS.

A pesquisa de inclusão inaugural da Deloitte descobriu que 60% dos funcionários relatam preconceito no local de trabalho. E 84% acreditam que isso afeta negativamente sua felicidade, confiança e bem-estar.

O processo de desafiar os próprios preconceitos exige trabalho e esforço; isso não acontece da noite para o dia. Quando os líderes dedicam tempo para ouvir e refletir, dão o exemplo para a equipe de como ser alguém que busca compreender o mundo, como ser alguém que defende a cultura de aprendizado, para garantir que seus preconceitos não influenciem negativamente as decisões de negócios.

CELEBRE O FUNCIONÁRIO “POR INTEIRO”

No passado, a identidade no local de trabalho era muitas vezes independente da identidade pessoal. Os funcionários criavam personas para atender às expectativas estabelecidas pela cultura corporativa tradicional. Essas personas, no entanto, impediam que as pessoas adotassem comportamentos honestos consigo mesmas. Isso leva ao desengajamento e, em última análise, a produtividade e os objetivos ficam prejudicados. 

Em vez de criar um local de trabalho que exija uma identidade fechada e estéril, os líderes podem cultivar uma cultura que permita que os funcionários sejam pessoas completas e reais – consigo mesmos e uns com os outros.

PESQUISA REALIZADA PELA DELOITTE DESCOBRIU QUE 60% DOS FUNCIONÁRIOS RELATAM PRECONCEITO NO LOCAL DE TRABALHO.

Quando os líderes estão atentos à identidade dos funcionários e criam espaço para que reflitam sobre as metas da empresa, eles ajudam a identificar os valores compartilhados entre a vida profissional e pessoal. Ao fazer isso, é mais provável que os colaboradores se desafiem, criem um ambiente de trabalho mais agradável e busquem o equilíbrio em suas vidas.

ELIMINE CONVERSAS PESSIMISTAS E NEGATIVAS

O ambiente corporativo tradicional pode demandar muito tempo e esforço dos funcionários para alcançar resultados, Muitas vezes, isso acontece sem que eles recebam os devidos elogios pelo trabalho bem executado. O que pode levá-los a questionar sua capacidade de atender às expectativas da organização.

As expectativas não atendidas incentivam o desenvolvimento de conversas pessimistas e de queixas, que desacreditam as realizações e impedem o sucesso. Isso ocorre quando os funcionários duvidam de suas próprias habilidades. Falta de feedback construtivo, comunicação pouco clara, falta de objetivos, estresse extremo e condições de saúde mental existentes agravam o problema. A repetição dessas falhas pode prejudicar a carreira do funcionário.

OS FUNCIONÁRIOS CRIAM PERSONAS PARA ATENDER ÀS EXPECTATIVAS DA CULTURA CORPORATIVA TRADICIONAL, O QUE LEVA AO DESENGAJAMENTO.

Líderes que adotam para si mesmos pensamentos esperançosos e estratégias de motivação são mais aptos a demonstrar confiança em sua equipe e a perdoar, quando necessário. Os funcionários, por sua vez, começam a eliminar seu próprio pessimismo e baixa autoestima. Em vez disso, se concentram em contribuir para a produtividade da empresa.

Seja pessoal ou virtualmente, criar um ambiente de trabalho autêntico e do qual todos gostem exige que o líder dê total atenção e apoio. Para apresentar um eu autêntico, que esteja confortável em seu local de trabalho, muitos precisarão criar seu próprio estilo de liderança e romper com os moldes corporativo

https://fastcompanybrasil.com/worklife/3-dicas-para-desaprender-a-liderar-na-base-do-medo-e-da-intimidacao/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

As mentalidades e habilidades para ser um líder ambidestro

Um olho no presente e outro no futuro. A ambidestria nos negócios é algo muito falado, mas pouco praticado. Mas estes nove passos podem ajudar você

Luís Rasquilha – MIT Sloan Management Review 13 de Abril 2022

O tema é recorrente: o desafio da ambidestria, ou seja, olhar o negócio atual e pensar o negócio futuro, requer um líder diferente do padrão. É preciso que ele, ou ela, esteja preparado(a) para a realidade atual, mas focado(a) no futuro. Todo mundo aprendeu, todo mundo sabe. O difícil é colocar em prática, certo?

Na Inova Business School, que tem advogado ativamente essa ambidestria alinhada ao conceito de “trends innovation” (inovar com base em tendências), temos um conjunto de recomendações que sugerimos aos líderes que querem ser ambidestros. Essas recomendações foram adaptadas do livro The Future Leader, de Jacob Morgan.

É preciso que os líderes cultivem quatro mentalidades e cinco habilidades que ajudem a pensar a longo prazo, a adotar mudanças tecnológicas e a questionar a maneira habitual de fazer as coisas para enfrentar os desafios futuros. Elas são uma capacitação para a mudança rápida e para lidar com a incerteza.

Antes de entrar nos detalhes de mentalidades e habilidades, faço uma observação: uma vez que as empresas são pessoas (todo CNPJ é um somatório de CPFs), não tem como elas fazerem uma jornada de transformação, ambidestra ou não, sem considerar suas pessoas. Por isso, a humanização é um passo obrigatório para a mudança e para a ambidestria.

São pessoas que olham para o hoje e para o amanhã. São pessoas que decidem e definem as lentes da ambidestria na gestão, cada uma em sua função, mas todas contribuindo para o grupo.

A quarta revolução industrial tem fortalecido a importância da tecnologia, sem dúvida, mas ao mesmo tempo das pessoas. Para cada recomendação fica uma pergunta: como incorporar isso na minha realidade pessoal e profissional?

As quatro mentalidades

Procura-se uma cabeça que pensa no longo prazo, tem agilidade para adotar mudanças tecnológicas e sabe questionar a maneira de se fazer as coisas para enfrentar desafios futuros. Ao mesmo tempo, ela cuida do presente, do resultado e da forma como a empresa entrega qualidade. As quatro mentalidades giram em torno desse eixo: cuidar do hoje e preparar o amanhã simultaneamente.

1. Mentalidade de explorador – seja um líder curioso e flexível

Os exploradores são curiosos e têm mente aberta. Eles aprendem continuamente e se adaptam às circunstâncias. São inovadores e aceitam o desconforto de caminhos inabituais e incertos. A curiosidade é a base da atitude que gera as ideias capazes de mudar as empresas e o mundo.

Sabemos, no entanto, que o foco em resultados de curto prazo e a necessidade de estabilidade travam muitas vezes a curiosidade. As empresas cultivam a mentalidade de explorador ao incentivar os seus funcionários a experimentarem e a lutarem por seus interesses de forma colaborativa e co-criada.

O papel do líder explorador é questionar permanentemente, desafiar os procedimentos habituais e o status quo e apoiar os que fazem isso. Essa é a base das empresas e negócios que se adaptam e crescem no momento atual de volatilidade, gerada pela pandemia e, mais recentemente, pelos momentos delicados de guerra na Ucrânia.

Quer ser explorador? Dê a si mesmo, e aos outros, tempo para refletir. Pense no longo prazo. Comprometa-se com a aprendizagem contínua e com o crescimento pessoal, seu e de seus liderados. Aprenda com pessoas diferentes de você, aceite riscos e aprenda com erros. O aprendizado contínuo, ao longo da vida, é hoje uma das tendências mais fortes e relevantes na gestão.

2. Mentalidade de chef – Propicie um equilíbrio estimulante entre as necessidades humanas e tecnológicas de sua empresa

A mentalidade de chef combina elementos humanos e de tecnologia da informação (TI) para otimizar o resultado. Os “chefs” usam a tecnologia para melhorar a vida das pessoas e humanizar as empresas. Num mundo em que assistimos à substituição de trabalhos feitos por pessoas por máquinas, a discussão gira em torno do equilíbrio.

Tecnologia é um meio, não o fim. Propiciando às pessoas as tecnologias que as ajudam a ter melhores resultados, podemos equilibrar focos e esforços nas duas variáveis que compõem o humanismo digital.

Você pretende ser um “chef”? Fomente um local de trabalho significativo e orientado por propósitos. Cuide da sua empresa e do seu papel na comunidade interna e externa como forma de fortalecer o posicionamento. Solicite o feedback das partes interessadas.

O “chef” interage com os funcionários e se responsabiliza pelo resultado garantindo o perfeito equilíbrio entre os dois. São pessoas que fazem a empresa girar. São elas que trazem resultados.

3. Mentalidade de servidor – apoie os outros líderes, equipes, clientes e a si mesmo

Nas empresas saudáveis, todos servem uns aos outros. Os conceitos de empresas inspiradas no modelo taylorista (departamentalizadas, orientadas por processos repetitivos e na lógica das 44 horas semanais de trabalho) estão caindo.

A colaboração é, hoje, fundamental para a capacidade de enfrentar os cenários, resolver os problemas e aproveitar as imensas oportunidades que o mundo nos reserva no futuro próximo. Para servir aos seus líderes, colabore na solução dos problemas de forma construtiva e inovadora. Para servir a sua equipe, contribua para o sucesso dos seus colegas e a criação de outros líderes de forma a garantir a longevidade da empresa. Lembre-se, “sozinho vou mais rápido, mas juntos vamos mais longe”. Estamos numa maratona, não em uma corrida de velocidade.

Auxilie seus colegas também fora do expediente. Com os novos modelos de trabalho, em que o híbrido desponta, é preciso garantir um ambiente saudável em todos os momentos.

Propicie a seus clientes experiências, não apenas produtos. Joe Pine defende a economia da experiência como eixo diferenciador da gestão. Isso significa que precisamos passar de uma visão orientada no produto para uma focada no cliente. Coloque-o no centro de sua cultura.

Quer estar na turma dos líderes servidores? Conheça seus pontos fortes e fracos e valorize as habilidades e contribuições dos outros. Adote a humildade e a vulnerabilidade. Apoie diariamente os seus líderes, equipe, clientes e a si mesmo criando um grande movimento de colaboração e contribuição.

4. Mentalidade de cidadão do mundo – aceite experiências, culturas e perspectivas variadas

Esse tipo de líder respeita de verdade a diversidade humana, seja em cultura, religião, etnia, ideias ou orientação sexual. Ele promove equipes diversas. Essa postura gera compreensão, atrai e influencia funcionários em todo o mundo.

E por quê? Porque empresas com diversidade são mais inovadoras, criativas e competentes. Com funcionários de diferentes origens e experiências, surgem novas perspectivas e novas soluções para problemas antigos e atuais.

Quer ser cidadão do mundo? Para cultivar essa mentalidade, antes de tudo, viaje muito. Conheça culturas e ambientes incomuns para aprender a liderar em contextos variados. Abra a sua mente e o seu coração à diversidade porque ela fortalece laços e competências necessárias a navegar neste mundo globalizado onde, todos os dias, novas abordagens, ideias e iniciativas são pensadas e testadas.

Cinco habilidades

Preparar-se para a mudança rápida e para a incerteza requer, entre outras coisas, privilegiar a diversidade, desenvolver os funcionários, contribuir para o bem social. Cinco habilidades ajudam muito um líder a fazer isso:

1. Habilidade de planejar o futuro – prepare a sua empresa para vários cenários

Considere múltiplos cenários – incluindo os desejáveis, os prováveis e também os possíveis, mas improváveis – e analise o que pode influenciar o resultado no curto, médio e longo prazos. Construa o futuro mediante uma liderança sábia que permite a exploração e a experimentação de temas sobre o futuro. A visão do futuro reduz a ambiguidade e a incerteza e direciona melhor os recursos e as convicções das apostas e das renúncias.

Nessa análise, pergunte-se: por que isso pode ocorrer? Por que não? O que mais pode acontecer? Que resultado eu quero e como atingi-lo? Que outros fatores poderão intervir?

Em seguida, mãos à massa. Utilize ferramentas de prospectiva e de foresight para mapear os cenários e de coolhunting para identificar as tendências que podem apoiar ou alterar o curso da empresa.

2. Habilidade de controlar as próprias emoções – use a inteligência emocional

O tanto que se fala em inteligência artificial tem ofuscado a inteligência emocional. Usá-la permite criar um ambiente de colaboração e segurança psicológica que será fundamental para conseguir ter uma equipe preparada.

A motivação e as habilidades sociais são componentes da inteligência emocional, fundamentais para lidar com o contexto volátil pelo qual estamos passando. Ao lado delas estão a empatia, que ajuda você a interagir construtivamente, e a autoconsciência, que o leva a controlar as suas emoções e a entender como os outros o veem.

Envolva os membros das equipes nas decisões e reconheça as suas contribuições, por menores que sejam. Use perguntas com “como?” e “por quê?” em vez de ordens ou direcionadores engessados. Modere os conflitos com abertura e calma e fomente o entusiasmo e o compromisso de todos. Cultive a empatia ao se imaginar no papel dos outros e ao ouvir sem julgar.

Reconheça que as emoções dos outros são semelhantes às suas. Reflita antes de agir ou responder. Peça feedbacks sinceros e crie um ambiente propício à troca de opiniões. Esse ambiente vai fortalecer a cultura empresarial e a forma de lidar com a realidade.

3. Habilidade de se comunicar – escute e se comunique com eficácia para alinhar e unir todos na empresa

“É essencial que, todos os dias, a comunicação seja coerente, confiável, eficaz, atenta, previsível, afetuosa e gentil” – Melissa Reiff, CEO da The Container Store.

Liderar é acima de tudo comunicar. Compreenda os funcionários, clientes, concorrentes e o mundo. Quanto mais alto você estiver na hierarquia, maior será a distância para a maioria dos funcionários e colaboradores. Escutar encurta essa distância. Incentive que todos falem francamente com você.

A comunicação possibilita a união em torno de um plano. Canais de comunicação diferentes requerem técnicas e, muitas vezes, mensagens diferentes, que se adequam a públicos diferentes.

Ouça e se comunique eficazmente. Mantenha o contato visual e não interrompa, use a linguagem corporal e verbal para revelar que você está atento. Mostre que compreende os sentimentos dos outros. Faça perguntas construtivas para estimular a percepção e a descoberta, mas não monopolize a conversa.

Compartilhe gentilmente sugestões e alternativas. Verifique como o seu interlocutor recebe a sua mensagem. A maioria das situações se resolvem com boa comunicação.

4. Habilidade de coach – motive, engaje, inspire e ensine

O coach, como agente da mudança, propicia às pessoas o que elas mais valorizam. Inspire e as envolva de maneiras variadas, incluindo na colaboração estreita, no pensamento criativo e na conexão emocional.

Fomente as experiências positivas no local de trabalho, pois pessoas motivadas e felizes entregam mais e inovam de forma natural. Ser motivador e inspirador diferencia o líder do chefe.

O futuro da sua empresa depende do que ela faz hoje para ter os líderes certos mais tarde. Como coach, sua maior responsabilidade e privilégio é ajudar os outros a ter mais sucesso do que você.

Construa relações com seus colegas para além das de trabalho. Conheça o que os preocupa e aflige, conheça suas vidas familiares. Identifique os seus pontos fortes e fracos, suas aspirações e preferências. A capacidade de estar plenamente presente e atento é a característica crucial do líder inspirador.

5. Habilidade de desfrutar a tecnologia – adote a tecnologia com entusiasmo

A tecnologia é crítica para o sucesso empresarial. No entanto, os líderes não precisam conhecer os seus detalhes – o importante é entender o impacto que ela tem no seu negócio. Mas precisam saber o que ela pode proporcionar.

Identifique as ferramentas mais promissoras para a sua empresa de forma que elas sejam alinhadas com o negócio e com a jornada de transformação digital. Recorra a especialistas que aconselhem e treinem no melhor caminho. Seja um aprendiz incessante para se manter atualizado e conectado.

Cultivar as mentalidades e praticar as habilidades aqui descritas é o que torna qualquer líder mais preparado. O equilíbrio humano e tecnológico é a base da ambidestria, é o que define a forma como nos adaptamos ao presente e preparamos o futuro.

Mas existe uma reflexão importante aqui. Em que medida o ego e a cultura das empresas permitem que se pratique, de forma efetiva, essas mentalidades e habilidades? Será que você está predisposto à mudança? E sua empresa? Pense nisso.

Compartilhar:

Colunista

Colunista Luís Rasquilha

Luís Rasquilha

CEO da Inova TrendsInnovation Ecosystem e professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Hospital Albert Einstein e Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP).

https://mitsloanreview.com.br/post/as-mentalidades-e-habilidades-para-ser-um-lider-ambidestro

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/K1U45yDfYImHFuptNvpBhT (06) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana em A Gazeta, encontram-se em http://evandromilet.com.br/