Nubank x Itaú: por que o roxinho vale mais?

Saiba qual a opinião de analistas sobre o valuation do banco digital, hoje o mais valioso da América Latina

JENNE ANDRADE Estadão 15/12/2021

  • Thiago Lobão, fundador e CEO da Catarina Capital, explica que comparar Nubank com o Itaú não é razoável, já que apesar de serem do segmento financeiro, os modelos de negócios são bem diferentes
  • Disruptivo, o Nubank nasceu com a proposta de desburocratizar processos e entregar uma experiência impecável ao cliente. A proposta atraiu 40 milhões de usuários em pouco mais de oito anos
  • Ainda assim, a fintech deu lucro pela primeira vez no 1º semestre de 2021. Poucos meses depois, entrou na Bolsa de Nova York avaliada em US$ 41,5 bilhões, mais que o Itaú Unibanco e todos os demais bancos da América Latina

Em maio de 2013, o Nubank foi fundado com uma proposta ousada. A ideia era tornar processos que até então eram burocratizados nos bancos tradicionais em procedimentos ao alcance de um clique. Sem porta giratória, filas, extratos complexos e tentando entregar uma experiência totalmente digital e satisfatória ao usuário, o que foi o diferencial para a empresa.

A semana do Nubank: o que esperar das ações e BDR

O primeiro produto, um cartão de crédito sem anuidade e 100% controlado pelo aplicativo, já representou um grande salto em praticidade. De lá para cá, a cesta de possibilidades da fintech aumentou substancialmente a medida que participava de novas rodadas de investimentos.

Agora, os clientes Nu têm a conta totalmente gratuita e que rende 100% do CDI, cartão de crédito e débito, pagamento de boletos, avaliação de empréstimos feito automaticamente, além de a possibilidade de realizar investimentos após a compra da corretora Easynvest. É importante ressaltar que o banco digital expandiu suas operações para o México, em 2019, e Colômbia, em 2020.

Fora as facilidades, o marketing do ‘roxinho’ segue conquistando especialmente os mais jovens. A companhia, que tem a cantora Anitta entre os conselheiros, atingiu 40 milhões de usuários em junho de 2021.

A mais valiosa, sem lucro?

Mesmo com os pontos fortes, o Nubank Brasil reportou lucro líquido pela primeira vez no 1º semestre deste ano, quando conseguiu um resultado positivo de R$ 76 milhões (último resultado divulgado). Fintechs que não lucram não são exatamente incomuns, já que várias delas possuem estratégias agressivas de crescimento e reinvestimento de capital.

Ainda assim, a situação levanta certa desconfiança, principalmente quando este lucro vem pouco tempo antes do IPO (oferta inicial de ações). Uma das conhecidas desvantagens de se investir em IPOs é de que muitas empresas se ‘enfeitam’ antes de irem à Bolsa.

 Na semana passada, o banco digital abriu capital na NYSE (Bolsa de Nova York) e estreou no mercado valendo US$ 41,5 bilhões, mais que o centenário Itau Unibanco, que lucrou R$ 6,8 bilhões no 3º trimestre de 2021, e todas as demais instituições financeiras da América Latina.

“A empresa ainda não lucra. Embora eles tenham dito que isso é de forma estratégica, é difícil saber até que ponto a não lucratividade é de fato uma estratégia. E até que ponto é prolongar os resultados, ou seja, jogar para frente, para começar a monetizar essa base gigante de clientes”, explica Danielle Lopes, analista da Nord Research.

Aliás, com esse valuation, a ‘ex-startup’, criada há apenas oito anos se tornou a terceira empresa mais valiosa do Brasil, atrás apenas de Petrobras e Vale, segundo dados da Economatica. Na oferta inicial, as ações do Nubank nos EUA (NU) foram precificadas a US$ 9. Paralelamente, BDRs das ações foram listados na B3 (NUBR33).

Ter uma avaliação de mercado tão alta significa que os investidores esperam um forte crescimento da empresa nos próximos anos. Na visão de Lopes, da Nord, é arriscado pagar tão antecipadamente por uma expansão que ainda é incerta.

“Eles teriam que crescer pelo menos 208 vezes para fazer jus à média de lucros do Ibovespa que temos hoje. Dado o desafio que eles têm à frente, para mim ainda não faz tanto sentido. O valuation deveria ter ido um pouco mais devagar”, explica.

Essa também é a visão de João Daronco, analista da Suno Research (https://www.suno.com.br/). Para o especialista, se faz sentido o Nubank valer mais que o Itaú ou não é a pergunta de ‘um milhão de dólares’. O Nubank, de fato, é uma empresa inovadora e com grande potencial. A dúvida entra no nível de preço em que o banco foi lançado ao mercado e se as altas expectativas em torno deste preço serão cumpridas.

“Eu vou não ter a prepotência de dizer que sim ou que não. Porém, vejo que aos preços atuais o investimento em Itaú é mais “fácil” de se pagar dada a sua execução do que o do Nubank”, afirma Daronco. “Acho que a diretoria do Nubank terá grandes desafios pela frente para esse preço fazer sentido. É possível que consigam? Sim. É provável que consigam? Não tenho tanta certeza.”

A seu favor, os ‘bancões’, como o Itau, possuem uma carteira de crédito robusta (que é o grande business dos bancos tradicionais), solidez e alta lucratividade. Mas perdem quando o assunto é adaptar-se rapidamente a mudanças e novas tecnologias, além de terem processos muito burocratizados.

Entre pontos fortes e fracos, o fato é que as instituições tradicionais continuam entregando fortes resultados e estariam negociando a um PL (preço/lucro) atrativo, de menos de 10 vezes. De acordo com Mario Goulart, analista da O2Research, é ‘surrealista’ aceitar um valuation tão esticado em relação ao Nubank.

“Fora da realidade. O Itaú Unibanco é centenário, com uma carteira consolidada de clientes. O Nubank é um banco barato para quem está fora do sistema bancário, são clientes com tíquetes baixos. Talvez os bancos digitais forcem um pouco as receitas de pessoas físicas dos bancões, que são receitas minoritárias dentro dessas instituições”, afirma Goulart.

De acordo com o analista da O2, o risco está em ocorrer uma grande correção no valor de mercado do Nubank, caso o forte crescimento esperado não se materialize. “Aí acontece essas tragédias, como ocorreu com Magazine Luiza, que estava com preço/lucro de 130 vezes e as ações caíram 77,23% no ano. Dá um ânimo inicial, mas nos últimos pregões as ações do Nubank tiveram queda pesada.”

De fato, até o fechamento da última terça-feira (14), os papéis do Nubank (NU) estavam cotados a US$ 9,92, após caírem 8,23% ao longo do dia. No pregão de segunda-feira (13), a queda foi de 8,78%.  A sequência de desvalorizações vem após uma estreia muito positiva, em que as ações, precificadas em US$ 9 no IPO, chegaram a subir 30% no primeiro pregão de negociação.

Nem tudo é lucro líquido

Por outro lado, nem tudo é lucro líquido ou resultado financeiro. Hoje, considerado o maior banco digital do mundo, o Nubank pode ser um case disruptivo no segmento financeiro. Por isso, a forma de avaliar a empresa deve ser diferente.

“Por mais que não esteja entregando lucro agora, isso não significa que não trarão lucro lá na frente e que não deveriam valer o que valem hoje. Os bancos digitais vem com uma proposta diferente dos tradicionais, então não cobram taxas. Enquanto não têm um market share muito grande, não conseguem entregar um grande lucro”, afirma Leo Monteiro, analista de Research da Ativa Investimentos.

A tese de investimentos dos bancos digitais é diferente e se baseia na capacidade de ganhar clientes, no crescimento. E foi a confiança nesse quesito que fez a Catarina Capital entrar no IPO do ‘roxinho’. A casa espera que a empresa tenha uma rentabilidade agressiva, acima das principais companhias da Nasdaq no longo prazo, de pelo menos 30% a 35% ao ano.

Thiago Lobão, fundador e CEO da Catarina Capital, explica que comparar Nubank com o Itaú não é razoável, já que apesar de serem do segmento financeiro, os modelos de negócios são bem diferentes.

“Nubank está em uma classe de empresas chamada ‘neobank’, os novos bancos nativos digitais. Na prática, você está falando de um banco que tem o mínimo de interface pessoal ao longo de todo o ciclo de consumo de produtos financeiros. Você contrata, acessa, utiliza, rentabiliza, sem nenhum tipo de contato humano. E isso não é só um app que permite, tem todo um desenvolvimento de TI para que isso seja possível”, afirma Lobão.

A arquitetura de dados e tecnologia do Nubank é um grande diferencial, que no futuro pode permitir que o crescimento continue expandindo. Diferente dos ‘bancões’, que ainda possuem gargalos tecnológicos. Além disso, o banco digital visa ter escala global.

“Os neobanks já estão super preparados para lidar com o digital desde o início”, explica Lobão. “O grande investidor estrangeiro de tecnologia não está interessado em comparar Nubank com Itaú, que é um grande banco, mas local. Ele está interessado em comparar o Nubank com os grandes bancos digitais globais que estão crescendo muito. E nessa comparação o banco de Cristina Junqueira é o maior, incontestavelmente.”

Frente aos bancos nativos digitais chineses, americanos e europeus, o banco digital brasileiro estaria bem precificado. “No Brasil, estamos preocupados em fazer comparações com que a gente conhece. Nos bancos tradicionais, a lucratividade pesa demais nas ações, mas os crescimentos (entre bancões e neobanks) são bem diferentes. A ação do Itaú, por exemplo, andou menos de 3% nos últimos cinco anos. Se você pega as rodadas de investimento do Nubank, elas foram cada vez maiores”, explica Lobão.

Essa também é a visão de Bruno Madruga, sócio e head de renda variável da Monte Bravo Investimentos. “O mercado financeiro trabalha em cima das expectativas, e muito mais que gerar lucro, o Nubank conseguiu atingir uma quantidade de CPFs muito grande em pouco tempo. Além disso, o CEO da empresa quer transformar o Nubank em um banco global, o que trouxe atratividade dos investidores na abertura de capital”, afirma. “Aliás, ninguém sai espalhando que tem conta no Itaú ou no Banco do Brasil, mas isso acontece com quem tem conta no Nubank.”

Na data de publicação da reportagem, o Nubank estava em período de silêncio

https://einvestidor.estadao.com.br/mercado/ipo-nubank-vale-mais-itau/

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Os drones para entregas urbanas são os novos patinetes elétricos?

Cezar Taurion – Neofeed DECEMBER 12, 2021

Há muitas boas ideias para o uso dos drones. Mas sua utilização para entregas urbanas de última milha não me parece uma delas. Pense no caso dos patinetes elétricos, que foram uma febre e depois sumiram das cidades

Os drones, não há dúvida, podem melhorar nossas vidas de várias maneiras. Eles podem, por exemplo, entregar suprimentos essenciais para comunidades remotas ou isoladas, monitorar safras e gado e transportar órgãos doados por cima dos trânsitos geralmente congestionados das cidades.

Esses “pequenos aviões” podem ainda dar assistência em operações de busca e resgate, monitorar redes ferroviárias, elétricas e instalações offshore e auxiliar técnicos e engenheiros a inspecionar edifícios sem a necessidade da instalação de andaimes.

Os drones podem até colocar em operação redes Wi-Fi de emergência como auxílio de uma resposta a desastres. Todas essas aplicações da tecnologia são boas ideias que passam em um teste preliminar de bom senso.

Mas, o que vemos nas reportagens e palestras, é o uso dos drones para entregas urbanas da última milha, fazendo entrega direta de produtos como pizzas, sanduíches, frangos assados, compras típicas de supermercados ou medicamentos sem receita.

Há muitas startups e big techs envolvidas, como a Amazon, que propôs o conceito em 2013, e a Alphabet, com a Wing, que está testando o projeto na Austrália. Redes de supermercados como Walmart e empresas de logística como UPS também fazem experimentos.

Alguns investidores apontam que será um mercado bilionário, como na análise da Fortune Business Insights que indica que em 2028 será um mercado de mais de US$ 30 bilhões. Mas será mesmo que isso vai acontecer ou teremos uma reprise do modismo dos scooters ou patinetes, que começaram com grande estardalhaço e depois saíram de cena?

O entusiasmo vai na esteira da esperada facilidade de entrega, uma vez que a pandemia já acostumou a todos com entregas em domicílio. Mas, sou cético a essa ideia, aparentemente fantástica. Para mim, é uma ideia é impraticável.

O primeiro motivo é uma conta simples de aritmética. Vamos exemplificar com o mercado americano. Se pegarmos três das muitas empresas que testam drones, como Amazon Prime, FedEx e UPS, veremos que elas entregam 10 bilhões de pacotes por ano só nos Estados Unidos.

Se, hipoteticamente, apenas 10% deles fossem entregues por drones, haveria um bilhão de voos de drones por ano no espaço aéreo lotado acima das cidades da América. Isso porque a maioria desses drones é projetado para transportar cargas únicas, ponto a ponto. Seriam então 2,7 milhões de voos todos os dias.

Vamos baixar mais ainda o número de entregas. Imaginemos que apenas 1% dos pacotes seriam entregues por drones. Isso ainda significaria 270 mil voos por dia sobre cidades dos EUA, apenas por essas três empresas. Mesmo essa pequena porcentagem de todas as entregas representaria um aumento colossal no tráfego aéreo.

Antes da pandemia, havia menos de 6 mil voos de aviões de passageiros por dia nos Estados Unidos e 100 mil em todo o mundo. Em outras palavras, se apenas 1% dos pacotes entregues por apenas três empresas nos EUA chegassem por drones, haveria quase três vezes mais drones voando diariamente sobre as cidades americanas do que há aviões de passageiros voando em todo o mundo.

Esse 1% implicaria que os outros 99% continuariam sendo entregues como antes. Uma mudança tão pequena que, na prática, nada mudaria na logística, a não ser vermos drones sobrevoando nossas cabeças.

Lembre-se: não estamos falando de pequenos drones amadores, mas de aeronaves pilotadas remotamente ou autônomas, a maioria com cargas úteis de até 2,5 quilos, que constituem até 90% das entregas de e-commerce, segundo dados da Amazon Prime.

Uma VAN elétrica, com motorista ou autônoma, pode transportar dezenas de pacotes de porta em porta em uma única viagem pela cidade. Em comparação, a maioria dos drones movidos a bateria entregaria sua única carga útil em uma viagem antes de retornar à base e recarregar. O consumo de bateria seria grande e o drone precisaria ser recarregado diversas vezes para continuar operacional.

Para que um modelo de entrega de drone para última milha seja viável, seria necessário construir depósitos ou hubs contendo os produtos mais comuns encomendados pelos consumidores.

A entrega aérea autônoma também pode demandar a construção de uma nova infraestrutura de apoio como plataformas de pouso perto de casas e escritórios. A entrega direta na varanda ou no jardim, como vemos nos filmes, limitaria em muito as entregas.

Por outro lado, se o cliente tiver que sair de casa e se deslocar ao ponto de pouso, é menos funcional que esperar na sua porta o delivery tradicional pelo motoboy. Principalmente em dias de chuva.

Existe também o incômodo do barulho de milhares de drones com rotores expostos voando sobre as cabeças das pessoas, janelas e jardins, escolas, escritórios e ruas, de manhã à noite. Isso, com certeza vai provocar uma nova forma de poluição ambiental.

Temos o risco de acidentes, pois uma pane em um drone carregando uns 2 quilos caindo em cima de pessoas ou carros pode provocar danos muito sérios. Vandalismo é outra possibilidade. E tentar derrubar um drone pode ser um novo esporte.

As seguradoras provavelmente cobrarão um prêmio tão elevado que talvez não justifique o custo da entrega. Além disso, o drone pode se chocar com outros drones, pássaros, prédios e fios de eletricidade.

Temos poucos estudos sobre impactos dos drones nos diversos aspectos da vida urbana. Por exemplo, quase não temos estudos que analisem os efeitos ecológicos de drones voando sobre bairros, ou mesmo o efeito na vida animal, embora alguns vídeos já tenham mostrado que os animais não gostam dos drones zumbindo em volta deles.

Um relatório da Agência Europeia do Meio Ambiente sobre drones e sustentabilidade apontou uma crescente tensão entre drones e animais, especialmente pássaros. Os pássaros foram considerados mais sensíveis aos distúrbios relacionados à presença de drones.

Para serem úteis e viáveis economicamente, os drones precisarão voar com segurança em todos os climas, incluindo nevoeiro, vento e chuva. E existe a questão da regulação. Temos as primeiras regulações saindo do forno, mas que provavelmente serão modificadas à medida que o número de voos e acidentes aumentem.

Nem todos os drones serão autônomos. Muitos precisarão de monitoramento. Temos os custos desses controladores ou pilotos. Um piloto por drone para entregar um único pacote de baixo valor é inviável economicamente. Muito mais provável é um único piloto supervisionando uma frota de drones autônomos ou semiautônomos, trabalhando por longos turnos pelo menor salário aceitável.

Não parece com os entregadores de motos de hoje? Mas, para controlar diversos drones, será necessária uma certificação específica. Qual será o custo desta certificação? Quem estará autorizado a emitir e quem fiscalizará se o controlador está habilitado?

A ideia pode ser sensacional até que o primeiro drone cause um acidente fatal. Isso geraria tanto estardalhaço na mídia que mataria o mercado da noite para o dia. Da perspectiva de negócios, e sem falar na ética de se colocar em operação algo desse tipo, é um enorme risco.

Creio que devemos deixar de lado o hype e considerar a realidade do conceito de entrega de drones para última milha. Essa realidade é ignorada nas palestras e pitches de startups de drones. Nem tudo que parece ser uma ideia fantástica e disruptiva resiste ao teste da realidade.

Lembram-se dos patinetes? Chegaram com estardalhaço. A onda começou nos EUA no início de 2017, chegou logo após à Europa e algum tempo depois desembarcou no Brasil. Da noite para o dia, milhares de patinetes elétricos apareceram pelas ruas.

Muita gente, empolgada com a novidade, aderiu por diversão ou como uma alternativa moderna de transporte. Coisa “de primeiro mundo”. Era o futuro. Mas logo apareceram os primeiros problemas. Os patinetes ficavam amontoados nas calçadas. Foram roubados e depredados.

O zigue-zague no meio ao trânsito provocou acidentes. Houve até gente morrendo. O poder público correu atrás para arrumar a bagunça, fez apreensões, apreensões, proibições e criou regras. Parecia que ia melhorar.

Mas, em questão de meses, a Lime e a Grow, as duas principais empresas que ofereciam esse tipo de serviço em cidades brasileiras, anunciaram que estavam indo embora do país ou reduzindo drasticamente suas operações. Assim como surgiram, os patinetes praticamente desapareceram na maioria das cidades. O que houve?

As principais razões para a crise foram a maior regulação, o aumento da concorrência, o custo da eletricidade, a diminuição das margens de lucro e necessidade constante de atualização dos patinetes e bicicletas.

Os patinetes usados eram modelos originalmente projetados para uso individual e que não foram pensados para resistir a dezenas ou mesmo centenas de viagens todos os dias. Por isso, eles precisavam ser consertados ou substituídos em questão de semanas.

Além, disso, não eram baratos para o usuário. Custavam R$ 3 para serem desbloqueados e, depois, mais R$ 0,50 por cada minuto de uso. Seu uso ficou restrito a apenas uma pequena parcela da população. Soma-se a isso os altos custos para manter os patinetes em circulação.

As empresas precisavam ter equipes para recarregar baterias e colocá-los de volta nas ruas. E também para coletá-los e redistribuí-los pela cidade e garantir que estejam disponíveis onde as pessoas mais precisam, o que é fundamental para aderirem ao serviço. Além disso, os impostos aplicados no Brasil sobre os patinetes, importados em sua grande maioria da China, chegam a duplicar seu custo.

Na prática, o modelo de patinetes e bicicletas espalhados pela cidade, apesar da febre dos últimos anos, ainda não se provou financeiramente viável. Vive do dinheiro dos aportes dos investidores. Esse desafio de ser um negócio viável não foi apenas no Brasil.

As startups de patinete no mundo inteiro sofreram com a realidade e tiveram que diminuir drasticamente suas operações. O lado operacional se provou um desafio para todas essas empresas. As regulações, sempre atrasadas, começaram a restringir suas operações. Todas elas ainda estão registrando prejuízo ao redor do mundo e perdendo milhões de dólares por ano. Agora, estão mais focadas em gerar lucratividade do que em crescimento e se mantendo apenas nas cidades mais rentáveis.

Portanto, uma ideia é excelente quando ainda é apenas uma ideia e temos somente protótipos e poucos casos de operação no mundo real. Com os drones para entregas urbanas é exatamente essa a situação. Várias startups fazendo experiências, otimismo desenfreado e aportes bilionários de investidores com alta expectativas na próxima disrupção.

Drones são uma tecnologia empolgante com inúmeras aplicações interessantes, úteis e economicamente viáveis, mas entregas urbanas para última milha não me parece ser uma delas. Pode ser por isso que a DHL e a Amazon estão desistindo do negócio. Podem ter percebido que a ideia é um tanto insana.

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Bill Gates: em três anos, todas as reuniões de negócios serão no metaverso

Cofundador da Microsoft diz que reuniões migrarão para ambiente virtual em 3D até 2024 e confirma lançamento da primeira versão do metaverso da empresa para 2022

Por Gabriel Rubinsteinn – Exame  11/12/2021 

O cofundador da Microsoft, Bill Gates, é mais um especialista em tecnologia que acredita que o futuro será construído no metaverso. Em artigo publicado no fim desta semana, o bilionário afirmou que, em menos de três anos, todas as reuniões de trabalho acontecerão neste tipo de ambiente digital.

“Nos próximos dois ou três anos, prevejo que a maioria das reuniões virtuais se moverá das imagens de câmeras 2D para o metaverso, um espaço 3D com avatares digitais. O Facebook e a Microsoft recentemente revelaram suas visões para isso, o que deu à maioria das pessoas a primeira visão de como será”, escreveu.

Para ele, a ideia é que as pessoas “usem seus avatares para se encontrar em um espaço virtual que replique a sensação de estar em uma sala real”, e reforçou que, para fazer isso, será preciso ter óculos de realidade virtual e luvas de captura de movimentos, para “capturar com precisão suas expressões, linguagem corporal e a qualidade de sua voz”.

Segundo Gates, a adoção de novas tecnologias necessárias para a melhor experiência no metaverso é o principal fator para que o modelo de realidade virtual demore alguns anos para se consolidar: “A maioria das pessoas ainda não possui essas ferramentas, o que retardará um pouco a adoção [do metaverso]. Uma das coisas que possibilitaram a rápida mudança para as videoconferências foi o fato de que muitas pessoas já tinham PCs ou telefones com câmeras”.

Bill Gates, cofundador da Microsoft

Bill Gates afirmou que reuniões de negócios deverão migrar para o metaverso em no máximo dois ou três anos (Chip Somodevilla/Getty Images)

Bill Gates também comentou que a Microsoft, atualmente a segunda maior empresa do mundo por valor de mercado, de US$ 2,57 trilhões, segundo dados do CompaniesMarketCap, planeja lançar uma versão provisória do seu metaverso já em 2022: “[Esta versão] usa sua webcam para animar um avatar usado em a configuração 2D atual”, explicou.

Apesar de não ser mais o líder da Microsoft, Bill Gates ainda permanece muito próximo da companhia, da qual detém cerca de 1,3% das ações – equivalentes, atualmente, a aproximadamente US$ 33,4 bilhões. Recentemente, a própria empresa já havia divulgado os planos de desenvolvimento de um metaverso próprio, focado em um ambiente corporativo.

Além disso, a gigante de tecnologia também tem demonstrado interesse pelo mercado de NFTs, que é parte importante dos metaversos em blockchain, já que é essa tecnologia que permite segurança, propriedade e autenticidade de ítens do universo digital. Nesta semana, a empresa liderou um investimento milionário em um estúdio que desenvolve NFTs para marcas e empresas.

https://exame.com/future-of-money/bill-gates-em-tres-anos-todas-as-reunioes-de-negocios-serao-no-metaverso/

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EUA querem construir estradas em que o piso carregue carros elétricos

Ideia é usar energia por indução para abastecer veículos em movimento; até 2030, americanos vão investir US$ 7,5 bilhões em pontos de carregamento 

Kerry Hannon, The New York Times/Estadão 11 de dezembro de 2021

WASHINGTON – Os Estados Unidos vão destinar US$ 7,5 bilhões para a construção de uma rede nacional de 500 mil estações de carregamento rápido para veículos elétricos até 2030. Atualmente, são 43 mil estações, de acordo com o Departamento de Energia dos EUA. Mas isso resolveria apenas parte do problema, porque o tempo de recarga ainda é longo. A mudança radical na próxima década poderá vir por meio de estradas que recarregam carros em movimento, usando energia por indução.

Em julho, o Departamento de Transportes do Estado de Indiana e a Universidade de Purdue anunciaram planos para desenvolver o primeiro trecho de rodovia de concreto com carregamento sem fio.

O projeto está sendo assumido por um centro de pesquisa de engenharia denominado Aspire, iniciais em inglês de Promoção da Sustentabilidade por meio de Infraestrutura Elétrica para a Eletrificação de Estradas.

Carro elétricoCarros eletrificados no Brasil; postos de recarga ainda são raros Foto: Nilton Fukuda/ Estadão – 21/9/2017

“Uma das principais barreiras para a eletrificação é a ansiedade da duração da bateria (causada pelo medo do usuário de ficar sem energia no meio do caminho). Essa tecnologia tem como objetivo resolver esse problema”, disse Nadia Gkritza, professora da Universidade Lyles de Engenharia Civil e diretora do campus Aspire da Universidade de Purdue. “A ideia é trazer a carga ao veículo em vez de fazer com que o veículo pare nas estações.”

Como funciona

O projeto usará tecnologia de concreto magnetizável, desenvolvida pela empresa alemã Magment. A tecnologia funciona adicionando-se pequenas partículas de ferrita reciclada (cerâmica feita a partir da mistura de óxido de ferro com elementos como níquel e zinco) a uma mistura de concreto que é energizada por meio de corrente elétrica. Isso cria um campo magnético que é transmitida ao veículo.

De acordo com Dionysios Aliprantis, professor da Escola Familiar Elmore de Engenharia Elétrica e de Computação em Purdue, a transmissão é feita por uma placa com cerca de 3,6 metros de comprimento por 1,2 m de largura instalada a alguns centímetros da superfície, com bobinas conectadas à rede elétrica.

A rede seria formada com a instalação de vários desses transmissores, de modo a permitir uma transferência contínua de energia. Já o receptor ficaria na parte inferior do automóvel.

Fase inicial

O projeto ainda está em fase inicial de testes. Primeiramente, é necessário saber se os dispositivos suportam a pressão exercida por caminhões, para ver se o pavimento irá durar.

Outro teste avaliará a capacidade do sistema de transferir altos níveis de energia sem fio. Embora a ideia seja semelhante a telefones celulares que se carregam sem fio, há uma diferença significativa, porque a distância entre a base e o receptor no veículo será de 25 a 40 centímetros.

Nos próximos dois anos, após a validação da tecnologia nos testes de laboratório, o Departamento de Transporte de Indiana construirá uma bancada de teste de 400 metros, onde engenheiros examinarão a capacidade da estrada eletrificada para fornecer alta potência a caminhões.

“Queremos ir devagar, fazer testes e pilotos”, disse Gkritza. “Nossa meta é dentro de quatro a cinco anos ter um teste mais longo em uma rodovia interestadual.”

As estimativas de custo para eletrificar estradas em ambas as direções variam de US$ 1,1 milhão a US $ 2,8 milhões por quilômetro.

Além dessa iniciativa, há experimentos similares também no estado do Michigan, caso de um projeto piloto que prevê um trecho indutivo de 1,6 km. A Universidade do Estado de Utah também desenvolve projeto semelhante.

Tecnologia vai exigir mudanças no veículo

“Eu adoraria ver isso funcionar, mas essa tecnologia está em estágio inicial e exige que os carros sejam reprojetados. Não é algo simples”, disse Chris Nelder, analista e consultor de energia no Instituto Rocky Mountain.

O grande desafio está do lado do veículo, concordou Mauricio Esguerra, presidente-executivo e cofundador da Magment. “A indústria automotiva está tão ocupada em fazer baterias que confrontá-los agora com essa carga indutiva é algo longínquo. O espírito deste projeto é se concentrar primeiro nos desafios técnicos e demonstrar que ele funciona.”

Professor e diretor de engenharia e políticas públicas do grupo de eletrificação de veículos na Universidade Carnegie Mellon, Jeremy J. Michalek sugere que a tecnologia pode ser mais útil para caminhões do que para carros de passeio, comumente utilizados em cidades. “Para caminhões que sempre percorrem longas distâncias, a recarga na estrada visa resolver um problema real.”

A equipe da Escola Familiar Elmore de Engenharia Elétrica e de Computação em Purdue está ciente dos desafios, mas otimista com a iniciativa. “Os obstáculos técnicos que precisamos superar não são intransponíveis”, disse o professor Dionysios Aliprantis.

No entanto, ele alerta que há barreiras regulatórias. “Em Indiana, se o indivíduo não for concessionário de serviços públicos, não poderá revender eletricidade.” 

As redes também precisarão aumentar a capacidade para atender à demanda que será criada. /TRADUÇÃO DE ANNA MARIA DALLE LUCHE

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,eua-querem-construir-estradas-em-que-o-piso-carregue-carros-eletricos,70003923140

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Estes 67 sites têm cursos online, gratuitos e com certificado

Está procurando uma forma de melhorar o seu currículo? Confira sites que oferecem cursos gratuitos e com certificado

Por Na Prática/Exame 07/12/2021 

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Neste curso, você aprenderá a usar sistemas de monitoramento e avaliações para tomar decisões em seu gerenciamento de projetos. O mercado de trabalho valoriza profissionais que façam bons planejamentos e sabem usar seus recursos para gerar progresso dentro da empresa. Em apenas 8 módulos, o programa te ensina a identificar resultados e riscos, além de mostrar como desenvolver indicadores e metas para o seu projeto.

#3 Brasil Mais Digital

Brasil Mais Digital é um projeto da Softex que visa formar futuros profissionais de tecnologia com base nas principais demandas do mercado. Sua plataforma EAD oferece mais de 40 cursos gratuitos e online, todos com certificado, oferecidos por empresas do ramo, como Microsoft e TOTVS. Há formações sobre Inteligência Artificial, Programação, Ferramentas de Trabalho, Gestão Empresarial, entre outros temas do mundo da tecnologia.

#4 FGV

A Fundação Getúlio Vargas oferece 60 cursos online gratuitos com certificado, em áreas como Administração Pública, Economia, Finanças, Educação, Humanidades, Negócios, entre outras.

#5 Udacity

Outra plataforma que conta com cursos gratuitos na área de tecnologia e web é a Udacity. Para isso, ela conta com parcerias com importantes organizações, como Google e Facebook, por exemplo. Os aprendizados são oferecidos tanto em inglês quanto em português com certificação após a conclusão das aulas.

#6 Coursera

Coursera oferece conteúdo para formação em diversas áreas do campo de tecnologia em parceria com mais de 190 empresas e universidades, como Google, IBM, Stanford e UPenn.

#7 SENAI

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) tem 12 cursos online gratuitos com certificação. Os temas são: Consumo Consciente de Energia, Desenho Arquitetônico, Educação Ambiental, Empreendedorismo, Finanças Pessoais, Fundamentos de Logística, Logística de Programação, Propriedade Intelectual, Segurança do Trabalho, Metrologia, Noções Básicas de Mecânica Automotiva e Tecnologia da Informação e Comunicação.

#8 Omie.Academy

Para ajudar empreendedores a se prepararem para um mercado cada vez mais digital em meio aos esforços de isolamento, a Omie, plataforma de gestão para Pequenas e Médias Empresas, liberou o acesso a todo o conteúdo de educação empreendedora de sua plataforma educacional Omie.Academy, que conta com cursos de Programação Neurolinguística, Liderança e Gestão de Pessoas, Finanças Pessoais, Otimização de Redes Sociais e Business Process Outsourcing (BPO), entre outros (e oferece certificado).

#9 Rock University

A Rock University, da Rock Content, disponibiliza cursos gratuitos com certificado sobre marketing de conteúdo, produção de conteúdo para web, inbound marketing, outbound marketing e sobre a plataforma WordPress.

Cursos online

Cursos online (UnitoneVector/Getty Images)

#10 Instituto Federal de Rondônia

É possível encontrar cursos online com certificado grátis em programação no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia. São disponibilizadas formações como Introdução à programação em Linguagem Java, Programação de Games, UX Design e mesmo empreendedorismo. Para obter os certificados, é necessário cumprir a grade de cada curso, que contam com testes.

#11 Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) disponibiliza cinco cursos online gratuitos. Há possibilidade de pegar certificados ao completá-los em todos, mas em algumas das formações o documento custa cerca de 25 dólares. Os temas abertos atualmente são: economia digital, gestão de riscos em projetos, gestão de projetos de desenvolvimento, consultas públicas e impacto ambiental.

#12 iTEC

A Intelbras, indústria brasileira desenvolvedora de tecnologias, disponibiliza 157 cursos online gratuitos com através do seu Centro de Capacitação em Tecnologia — iTEC. Os treinamentos são totalmente gratuitos, possuem carga horária que variam de 15 minutos até 25 horas e os estudantes recebem certificados após a sua conclusão. No total, são 33 cursos focados em gestão de negócios, vendas, marketing e atendimento ao cliente e 124 cursos técnicos em nível inicial, intermediário e avançado nas áreas de segurança, redes, comunicação, controle de acesso, energia, prevenção a incêndio e iluminação.

#13 GGTE – UNICAMP

O MOOC GGTE – UNICAMP é um portal de cursos online, livres e gratuitos produzidos pela comunidade acadêmica da Unicamp em parceria com o Grupo Gestor de Tecnologias Educacional da universidade. Há formações nas mais variadas áreas do saber, como por exemplo: Biologia Investigativa, Educação para as Africanidades: formação para a Cidadania, 7 Lições para a produção de textos, Desenvolvimento Web com AngularJS, entre outros.

#14 UNASUS

Iniciativa do Sistema Único de Saúde (SUS), a plataforma oferece formações gratuitas e online a estudantes e profissionais da área da saúde. Com foco no aprendizado prático, os cursos estão disponíveis em diferentes níveis, como de extensão, aperfeiçoamento, especialização, mestrado profissional, entre outros.

#15 MIT 

Uma das universidades mais famosas e concorridas do mundo, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) disponibiliza cursos gratuitos abertos para todos. Com aulas majoritariamente em inglês – embora seja possível encontrar em outros idiomas – as formações em arquitetura e artes, ciência e tecnologia, economia, história, entre outros.

#16 RD University

Uma iniciativa da empresa de tecnologia RD Station, a RD University está com oito cursos gratuitos atualmente: introdução ao inside sales, PEACE: metodologia para gestão de vendas de alta performance e produtividade, introdução ao customer success, introdução ao inbound marketing, RD Station Marketing – Basic, marketing inicial para agências e potencialize sua agência de sucesso. Todos oferecem certificado ao estudante.

#18 Harvard Online Courses

Para quem fala inglês, é possível fazer cursos online e gratuitos em uma das universidades mais famosas do mundo: Harvard. Há inúmeras opções, em áreas como Tecnologia, Literatura, Biológicas e Finanças. A duração dos cursos varia, podendo se estender por até 12 semanas, e todos oferecem certificados após a conclusão.

#19 Perestroika

A Perestroika oferece gratuitamente o curso online “Que Droga é Essa?”, que visa informar sobre o mundo das drogas, desmistificando com base na ciência (e sem apologia). A formação também fornece certificação.

#20 Kadenze

Kadenze reúne grandes universidades (como CalArts e Paris College of Arts) e empresas em cursos sobre as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte, Design, Música e Matemática (do campo conhecido como STEAM). O cadastro gratuito dá acesso a diversos cursos, mas os certificados são limitados aos associados, que pagam mensalidade de 20 dólares.

#21 Digital Innovation One

Estudantes e interessados na área de desenvolvimento de softwares podem aprender gratuitamente sobre Javascript, PHP, Python e Angular. Com certificado de participação de curso, as formações são dividas nos níveis iniciante, intermediário e avançado, em aulas de duas a 12 horas de conteúdo.

#22 Stanford online

Outra universidade renomada que também disponibiliza formações gratuitas – porém, novamente, é necessário ter conhecimentos em inglês. Os cursos são divididos em cinco categorias de ensino: saúde e medicina, artes e humanidades, educação, engenharia e tecnologia.

#23 Fundação Bradesco

A Fundação Bradesco tem uma escola virtual com cursos gratuitos, com certificado, nas áreas de Administração, Contabilidade e Finanças, Desenvolvimento, Educação Básica e Pedagogia e Informática.

#24 Escola Virtual de Governo

A Escola Virtual de Governo tem cursos online e gratuitos com certificado em diversas temáticas ligadas ao setor público, como Gestão de Políticas Públicas, Governo Digital e Recursos da União.

#25 Centro Paula Souza

O Centro Paula Souza disponibiliza 11 cursos online e gratuitos com certificados focados em ferramentas de trabalho como Design Thinking, Gestão de Pessoas, Gestão de Tempo, Venda, Canvas, entre outros.

Outra universidade brasileira a dispor de uma plataforma online com cursos gratuitos é a Federal do Recôncavo Baiano (UFRB). Os cursos, em geral, são profissionalizantes, como, por exemplo, Execução de recursos extraorçamentários, Normas ABNT aplicadas a Trabalhos Acadêmicos, Leitura e produção de textos acadêmicos, entre outros. Há certificação aos alunos com aproveitamento de pelo menos 70%.

#27 ELEVE – Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados disponibiliza por meio da Eleve, ambiente de aprendizagem dos cursos à distância, cursos online com certificado grátis. As formações são divididos em três públicos: para servidores da Câmara, servidores público e para cidadãos.

#28 IFES-RS

Aberto tanto para estudantes quanto ao público geral, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul também conta com cursos online com certificação. Há dezenas de formações nas seguintes áreas: ambiente e saúde, ciências exatas e aplicadas, ciências humanas, educação, gestão e negócios, idiomas e línguas, literatura, informática, produção alimentícia e turismo e hospitalidade.

#29 SEBRAE

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) oferece cursos gratuitos com certificado em Empreendorismo, Cooperação, Finanças, Inovação, Leis, Mercado e Vendas, Organização, Pessoas e Planejamento.

#30 Senac EAD

Senac EAD liberou, de forma gratuita, diversos cursos. Segundo o Senac, os participantes dos cursos receberão certificados certificados com validade em todo território nacional. As formações são focas em Meio Ambiente e Saúde, Gestão e Negócios, Tecnologia da Informação e Comunicação, Turismo, Hospitalidade e Lazer.

#31 Kultivi

A Kultivi oferece cursos completamente gratuitos. Entre eles, preparatórios para concursos, focados nas provas ENEM e OAB, de idiomas, negócios e medicina. O aluno consegue um certificado gratuito quando completa a formação.

#32 Eskada UEMA

A Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), desenvolveu uma plataforma de cursos abertos e gratuitos. A Eskada conta com uma curadoria de conteúdo feita pela instituição de ensino. Centrados nas mais variadas áreas do conhecimento, os cursos disponibilizados são: Psicologia da Educação, Libras, Noções de Biossegurança no Trabalho relacionadas à COVID 19, Geografia Urbana, Neuropedagogia, entre outros.

#33 Intel

Destinado a quem se interessa pela tecnologia da informação e pelo universo corporativo, o portal da Intel conta com mais de 30 cursos online e gratuitos. Dentre as formações disponíveis, estão opções como armazenamento de dados em segurança, business intelligence, conectividade sem fio, entre outros.

#34 AVAMEC

A plataforma do Mec (Ministério da Educação) disponibiliza cursos gratuitos com certificado em disciplinas que compõem o ensino brasileiro (em seus mais diversos níveis). Há cursos de aperfeiçoamento, capacitação, especialização, extensão e de formação continuada.

#35 Trevisan Online

A Trevisan Online tem cursos com certificado gratuitos em Compliance e Investigação de Fraudes, Finanças e Mercados de Capitais, Gestão Financeira, Compliance e Riscos, Contabilidade, Auditoria e Controladoria.

#36 Linkedin Learning

O Linkedin tem atualmente uma trilha de aprendizado gratuita com tema Trabalho Remoto: Colaboração, foco e produtividade. Quando faz todos os 10 cursos que compõe a rota de aprendizagem, o aluno recebe um certificado. Além disso, junto com a Microsoft, disponibiliza 9 trilhas (totalizando 96 cursos) focadas em mercado de trabalho – capacitação e recolocação.

#37 Sest Senat

O Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SEST SENAT) conta com cursos de aperfeiçoamento profissional online e gratuitos. As áreas de formação são relacionadas a transporte e logística, como Administração de Frota, Cidadania no Transporte de Passageiros, Administração de Garagens, entre outros.

#38 CIEE

O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) disponibiliza cursos voltados para estudantes. A plataforma oferece quatro trilhas com objetivo de preparar os talentos para o mercado de trabalho: “Preparação para o Mundo do Trabalho”, “Lidando com a informática”, “Orientação e informação profissional” e “A comunicação e a matemática”.

#39 Aliança Empreendedora

IZettle, Aliança Empreendedora e TamoJunto lançaram gratuitamente o curso “Adaptando seu negócio à crise”, que, em 10 videoaulas, visa apresentar soluções em gestão financeira, acesso a crédito, venda online, além de dicas para inovar e criar oportunidades. A formação inclui certificado.

#40 PoCA

Iniciativa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o site Portal de Cursos Abertos (PoCA) tem cursos online com certificado (e gratuitos) em áreas diversas, como Matemática, Gestão e Tecnologias na Educação.

#41 Microsoft Learn

A empresa tem uma plataforma de ensino, a Microsoft Learn, onde disponibiliza diversos cursos com certificado em Tecnologia. A maior parte das formações é em inglês, mas há algumas em português.

#42 Instituto TIM

Nem todo mundo sabe, mas a operadora de celular também oferece formações gratuitas. O Instituto Tim busca levar conhecimentos de ciência, tecnologia e inovação para jovens. Ao todo, os cursos estão divididos em oito categorias de conhecimento: desenvolvimento de software, desenvolvimento web, programação mobile, games, e-books, escrita, professores e empreendedorismo.

#43 Facebook for Business

A rede social disponibiliza cursos focados em marketing, principalmente voltados para negócios digitais aproveitarem melhor o uso de suas ferramentas. Há formações em temas como anúncios e experiência de compra.

#44 Estação Hack from Facebook

Uma iniciativa do Facebook com a Digital House, a Estação Hack disponibiliza gratuitamente cursos e conteúdos (palestras e workshops) para a área de programação e desenvolvimento. Os cursos, porém, não são sob demanda – ou seja, demandam inscrições e realização de aulas de acordo com um cronograma de aulas.

#45 Pocket Live ESPM

A ESPM oferece aulas ao vivo gratuitas com certificado – as Pocket Lives. As anteriores podem ser conferidas por gravações, mas só assistindo ao vivo o participante recebe certificado. São aulas de 2 horas, em temas ligados à vendas, branding e tecnologia.

#46 UAITEC

Desenvolvida pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, a Rede UAITEC visa à promoção da inclusão digital dos cidadãos. São mais de 60 cursos e as formações estão divididas em seis categorias: desenvolvimento de habilidades, formação profissional, novos negócios, tecnologia e comunicação, meio ambiente e saúde.

#47 Engeduca

Plataforma voltada para profissionais de Engenharia, a Engeduca oferece cursos gratuitos com certificado em temas de indústria, construção civil e inovação.

#48 Class Central

O site Class Central possui mais de 400 cursos gratuitos e com certificado de universidades da Ivy League, como Harvard e Yale, e em diversas temáticas.

#49 Prime Cursos

Prime Cursos é uma plataforma brasileira que abrange diversas áreas do conhecimento. Seus cursos online vão de gastronomia à programação, mas todos oferecem um certificado pago: impresso, custa R$ 54,90 + frete, e a versão digital, R$ 49,90.

#50 codecademy

Destinado a programadores e interessados no assunto, a codeacademy dispõe de cursos online para codificação em linguagens de programação, como jQuery, Javascript, Python, Ruby, PHP, JAVA, bem como linguagens de marcação, como CSS e HTML.

#51 LearnCafe

O site LearnCafe possui uma enorme quantidade de cursos gratuitos, focados em muitas categorias, assim como o Prime Cursos. Possui formações sobre moda, meio ambiente, administração e negócios e direito, por exemplo. A plataforma oferece certificado, que podem ser comprados pelo estudante ao final da formação.

#52 B3

A bolsa de valores do Brasil também disponibiliza cursos gratuitos. O objetivo, de acordo com a empresa, é promover o conhecimento financeiro a quem deseja entender mais o assunto. Dentre as formações disponibilizadas, estão: como funciona a Bolsa de Valores, produtos de renda fixa, iniciante no mercado de ações, como organizar suas finanças e muito mais.

#53 Senar EAD

O portal de Educação a Distância do SENAR visa contribuir com a formação e a profissionalização das pessoas do meio rural. Para isso, oferece diversos cursos de temática rural gratuitos e com certificado (para receber, o aluno precisa concluir todas as atividades obrigatórias e responder a pesquisa de satisfação). Há formações em assuntos como Bioma, Agricultura, Sustentabilidade e Produção Vegetal.

#54 Escola Virtual Portogente

A Portogente oferece diversos cursos gratuitos com certificado para quem se interessa por logística, comércio, saúde & segurança, turismo, transporte.

#55 Alison

Plataforma Alison é um empreendimento social, que oferece cursos gratuitos em diversas categorias, como: TI, saúde, ciência, idioma, marketing, matemática e negócios. Tem até uma formação temática sobre a emergência do coronavírus. Muitos dos cursos oferecem certificado, mas outros não – vale ficar de olho quando se inscrever.

#56 Insper

Em parceria com o Coursera, o Insper oferece cursos gratuitos nas áreas de Marketing analítico; Gestão de operações; Capitalismo consciente e Administração financeira. Todos oferecem opção de certificado de conclusão.

#57 ENAP

ENAP, ou Escola Nacional de Administração Pública, disponibiliza cursos gratuitos com certificado. Há programas para diversos níveis de carreiras em assuntos ligados à administração de empresas e do setor público, como Gestão Estratégica, Transformação Digital, Gestão de Pessoas, Gestão Pública, Logística e Compras e Políticas Públicas, entre outros.

#58 Miríada X

O site oferece cursos das mais diversas universidades e instituições de ensino de fora do Brasil. Como alguns já citados anteriormente, é uma plataforma de cursos online gratuitos que permite que estudantes do mundo todo tenham acesso a conteúdos das mais diversas áreas.

#59 OpenupEd

OpenupEd é um site internacional que oferece formações em inglês e espanhol. Todas suas formações são online e gratuitas e, embora fornecidas por diversas instituições, passam pelo filtro de qualidade da plataforma. A maior parte deles oferece certificados do tipo informal ou outros reconhecimentos. Os certificados formais podem custar, dependendo do curso.

#60 Hospital Albert Einstein

Profissionais da área da saúde também podem contar com cursos gratuitos com certificação no Hospital Albert Einstein. Entre as modalidades existentes online, o hospital disponibiliza cursos nas áreas de: Cardiologia, Neurologia, Enfermagem, Medicina Física e Reabilitação e Nutrologia.

#61 Shaw Academy

A Shaw Academy oferece quatro semanas gratuitas para experimentar seus cursos online – que têm um viés prático e são focados em diversas áreas do conhecimento, como Fotografia, Negócios, Marketing, Música, Beleza, Finanças e Tecnologia. Também oferece certificados.

#62 Aprendeaí

Com frequência, a plataforma que oferece cursos online nas áreas de soft skills, inovação e negócios, disponibiliza algumas de suas formações gratuitamente. Atualmente, oferece sem custo os cursos Inteligência Relacional: o Super Poder Ágil e Decole Sua Carreira. A inscrição em ambos inclui certificado, material de apoio, acesso vitalício e convites para lives com professores.

#63 IFSP

O IFSP – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – oferece diversas modalidades de formação à distância: cursos técnicos, superiores e de extensão. Os cursos a distância possuem aulas esporádicas e provas nos polos presenciais.

#64 Instituto Legislativo Brasileiro 

O Senado Federal também conta com uma plataforma com cursos online. Dentre as formações oferecidas, há cursos de Direito Constitucional, Política Contemporânea, Relações Internacionais, entre outros.

#65 Veduca

A plataforma Veduca possui 15 cursos 100% gratuitos com certificado: Desenvolvimento de Produtos e Serviços, Ecoinovação, Ecologia Industrial, Eletromagnetismo, Engenharia Econômica, Física Básica, Gestão Ambiental, Gestão da Inovação, Gestão de Projetos, Medicina do Sono, Metodologia Científica, Probabilidade e Estatística, Coronavírus, Fundamentos de Administração e Marketing Digital.

#66 Pensar Cursos

Plataforma com cursos profissionalizantes introdutórios gratuitos, passando por Administração, Informática e Língua Portuguesa, mas abarcando também áreas específicas como gastronomia, maquiagem e estatística. Vale para quem quer aprender o básico de uma série de habilidades exigidas pelo mercado de trabalho.

#67 Iped – Instituto Politécnico de Ensino à Distância

Mais de 1200 cursos online disponíveis na plataforma em pelo menos 55 áreas como administração, ambiental, animação e design, biomedicina, educação, contabilidade e outros. Nem todos os cursos são gratuitos mas vale dar uma conferida nas possibilidades.

67 sites que oferecem cursos online e gratuitos com certificado” foi originalmente publicado pelo portal Na Prática da Fundação Estudar.

https://exame.com/carreira/sites-cursos-online-gratuitos/

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The Economist: Investimentos em startups têm crescimento inédito e se espalham pelo mundo

Há 50 anos, capital de risco financia ideias que transformam a economia global 

The Economist/Estadão 01 de dezembro de 2021 

Vladimir Lenin acreditava que uma minúscula vanguarda poderia, por meio da força de vontade, aproveitar as forças históricas para transformar o funcionamento do capitalismo global. Ele estava certo. No entanto, os revolucionários não foram os barbudos bolcheviques, mas alguns milhares de investidores, a maioria sediada no Vale do Silício, administrando menos de 2% dos ativos institucionais do mundo.

Nas últimas cinco décadas, a indústria de venture capital (ou capital de risco) financiou ideias empreendedoras que transformaram os negócios globais e a economia mundial. Sete das dez maiores empresas do mundo foram apoiadas por fundos de venture capital. Esse dinheiro financiou empresas por trás de mecanismos de pesquisa, iPhones, carros elétricos e vacinas de RNAm. 

Agora, a máquina dos sonhos do capitalismo está sendo ampliada e transformada, como um inédito fluxo de US$ 450 bilhões em dinheiro novo para o setor de capital de risco. Este turbocompressor do mundo dos empreendimentos traz riscos significativos – desde os egomaníacos fundadores que torram dinheiro até fundos de pensão sendo desperdiçados em startups supervalorizadas. Mas, no longo prazo, essa máquina também promete tornar a indústria mais global, afunilando o capital de risco em uma ampla gama de negócios e tornando-o mais acessível a investidores comuns. Um maior pool de capital correndo atrás de um universo maior de ideias aumentará a competição e, provavelmente, impulsionará a inovação, levando a uma forma de capitalismo mais dinâmica.

O venture capital tem suas raízes na década de 1960 e tem sido visto como um elemento desajustado dentro do mundo financeiro. Em contraste com os investidores de Wall Street, em seus impecáveis ternos, sofisticação e mansões nos Hamptons, o venture capital prefere roupas confortáveis, “nerdismo” e vilas na Califórnia. Essa particularidade também é uma questão de ênfase intelectual. À medida que as finanças convencionais se tornaram maiores, mais quantitativas e mais preocupadas em fatiar e cortar os fluxos de caixa de empresas e ativos maduros, o venture capital permanece como uma indústria caseira, nadando contra a corrente, buscando encontrar e financiar empreendedores que ou são muito inexperientes ou muito estranhos para participar de uma reunião com sisudos banqueiros e cujas ideias ainda são muito novas para serem traduzidas em modelos financeiros.

Os resultados têm sido surpreendentes. Apesar de investir quantias relativamente modestas ao longo das décadas, os fundos de venture capital dos Estados Unidos têm empresas que valem hoje, no total, pelo menos US$ 18 trilhões. Este número reflete a vertiginosa ascensão das grandes plataformas de tecnologia, como o Google. Mais recentemente, os unicórnios (startups que valem mais de US$ 1 bilhão) apoiados por investidores de risco amadureceram em uma abundância de aberturas de capital. 

Na última década de ouro, um índice de fundos americanos de capital de risco obteve retornos anuais conjuntos de 17%. Alguns se saíram muito melhor que isso.

Esse sucesso agora está se espalhando para o setor financeiro em geral. Os lucros das empresas financiadas por fundos de venture capital estão sendo redistribuídos em novos fundos. Enquanto isso, com as taxas de juros ainda baixas, os fundos de pensão e outras empresas com dinheiro em caixa têm demonstrado uma boa dose de inveja e lutam para alocar mais dinheiro em fundos dedicados ou para criar suas próprias filiais de venture capital. Até o momento, neste ano, quase US$ 600 bilhões foram aplicados em negócios – dez vezes o nível de uma década atrás. 

À medida que o dinheiro entra, o capital de risco está permeando a economia de forma mais profunda e ampla. O que antes era um assunto americano hoje é global, com 51% dos negócios (por valor) em 2021 ocorrendo fora dos EUA.

O cenário do capital de risco da China diminuiu recentemente por causa de uma repressão ao setor de tecnologia pelo presidente do país, Xi Jinping. No entanto, a indústria está crescendo no restante da Ásia e, após décadas de inatividade, a inovação está despertando na Europa, com 65 cidades recebendo unicórnios.

O boom do capital de risco tem se concentrado em um pequeno grupo de empresas de tecnologia, tais como Airbnb e Deliveroo. Agora, mais dinheiro pode financiar áreas onde a disrupção está menos avançada. Neste ano, os investimentos em energia limpa, espaço e biotecnologia foram o dobro de 2019. E o setor está se tornando mais aberto. Enquanto antes uma confortável elite de fundos detinha um raro poder, agora as principais empresas financeiras estão envolvidas e há meios que permitem aos investidores comuns obterem exposição a baixo custo. 

Riscos

 Obviamente, há perigos. Uma é que o dinheiro corrompe. Avaliações elevadas e capital abundante podem tornar empresas e seus patrocinadores autoindulgentes. Das 100 maiores empresas listadas em 2021, 54 estão no vermelho, com US$ 71 bilhões de perdas acumuladas. A governança consegue ser péssima. O Vision Fund de US$ 100 bilhões do SoftBank, que foi pioneiro na emissão de grandes cheques para startups, incitando-as a crescer mais rápido, está mergulhado em conflitos de interesse. Os fundadores saem dos trilhos. Adam Neumann, da WeWork, construiu um culto à personalidade movido a cerveja.

BolsasOperador na Bolsa de NY; fundos de venture capital dos EUA têm empresas que valem US$ 18 trilhões Foto: Spencer Platt/ AFP

Retornos

Outro perigo é que, como em qualquer classe de ativos, os retornos são diluídos à medida que o dinheiro entra. Os fundos convencionais podem descobrir que, além de ter de lidar com os famosos booms e quedas do capital de risco, os retornos de longo prazo são menores do que esperavam.

O que é monótono para os investidores ainda pode ser bom para a economia. É melhor que um dólar marginal vá para empresas iniciantes do que para um inchado mercado imobiliário ou um inundado mercado de títulos. Um crash de capital de risco desencadeado pelo aumento das taxas de juros não desestabilizaria o sistema financeiro. 

Mesmo que as empresas apoiadas pelo capital de risco queimem dinheiro de forma imprudente, grande parte dele irá para os consumidores: por exemplo, em todas aquelas viagens de carro subsidiadas e refeições entregues em casa. No mínimo, o boom aumentará a competição. O investimento de capital de risco este ano excederá o gasto total de capital e os gastos com pesquisa e desenvolvimento das cinco maiores empresas de tecnologia, que também estão sendo desencorajadas a comprar concorrentes em potencial pela ameaça de regras antitruste mais rígidas.

Recompensa

A maior recompensa seria mais inovação. É verdade que nenhuma quantia em dinheiro pode criar brilho puro. E os governos costumam financiar descobertas científicas básicas. No entanto, a oferta global de empreendedores dificilmente é fixada e muitas ideias permanecem subexploradas. O boom anterior de capital de risco mostrou investidores ampliando o horizonte de tomada de risco para áreas mais difíceis e aventureiras. À medida que o investimento de risco se espalha pelo mundo, os empreendedores fora dos EUA terão uma chance melhor de se juntar a eles. E as barreiras para a criação de novos negócios estão caindo, graças à barata computação em nuvem e ao trabalho remoto. O capital de risco visa pegar boas ideias e torná-las maiores e melhores: é justo aplicar essa lógica ao próprio setor. / TRADUÇÃO DE ANNA MARIA DALLE LUCHE

https://economia.estadao.com.br/noticias/negocios,the-economist-venture-capital-capital-risco-investimentos-startups,70003913366?utm_source=estadao:app

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Xangai lança Bolsa de Dados, com o objetivo de promover transformação digital

No primeiro dia de negociação, o Shanghai Data Exchange alcançou listagem de 20 ativos, com transações de dados de empresas como a China Eastern Airlines, Cosco Shipping e China Mobile Insight

Por Olívia Bulla, Com Agências Internacionais, Valor — 06/12/2021 

Entrou em operação no fim de novembro, a Bolsa de Dados de Xangai, que tem como objetivo promover de forma abrangente a circulação de dados, fomentando o papel da tecnologia e do uso e compartilhamento de dados como fator de produção em prol do desenvolvimento econômico. O anúncio foi feito pela Bolsa de Valores de Xangai no último dia 25.

No primeiro dia de negociação, o Shanghai Data Exchange alcançou listagem de 20 ativos, realizando transações de dados da China Eastern Airlines, Cosco Shipping, China Mobile Insight, entre outras empresas chinesas das áreas de finanças, transporte e comunicações.

Entre as primeiras transações, está o produto de dados “Enterprise Electricity Smart Drawing” após acordo entre as empresas chinesas ICBC e Shanghai Electric Power, que oferece informações com precisão em tempo real sobre energia elétrica, ajudando os bancos comerciais a inovar em produtos e serviços financeiros para empresas do setor.

O estabelecimento da Bolsa de Dados de Xangai visa acelerar o cultivo do mercado de dados, com foco em dificuldades comuns, como determinar direitos, precificação e supervisão. Com isso, a China pretende desenvolver a economia digital, criando um modelo de mercado de dados capaz de reunir entidades de transação de dados, consultoria de compliance de dados, avaliação de qualidade, avaliação de ativos, cultivo e regulamentação de novas entidades, entre outros campos de transações.

Trata-se, portanto, de um primeiro sistema de suporte de transações de dados do país, que irá fornecer uma série de especificações para todo o processo de transações de dados, cobrindo vários métodos e temas de trocas de dados, permitindo que a circulação de dados e transações tenham regras e regulamentos a serem seguidos.

Segundo o Asia Times, ao tornar a coleta e a venda de dados um processo transparente, a Bolsa de Xangai permite que as empresas que coletam dados maximizem os valores de seus produtos, ao mesmo tempo em que permite que os compradores usem os dados para aumentar a produtividade de seus negócios.

“O objetivo é colocar os dados nas mãos de empreendedores que possam usá-los de maneira mais eficiente, assim como os mercados ocidentais de ações e títulos alocam economias para as empresas, de modo a obter os maiores retornos ajustados ao risco”, afirma o economista e colunista do Asia Times, David P. Goldman.

Para ele, a implementação de tal estratégia nacional tende a auxiliar na transformação digital das cidades, combinado a logística das “cidades inteligentes” com a Inteligência Artificial (AI) através do uso de dados e a circulação das comunicações entre pessoas e coisas – Internet das Coisas (IoT) – pelas redes móveis 5G. “As possibilidades são infinitas e algumas delas já estão em estágio avançado de implementação na China”.

https://valor.globo.com/financas/noticia/2021/12/06/xangai-lana-bolsa-de-dados-com-o-objetivo-de-promover-transformao-digital.ghtml

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A importância da inteligência artificial no xadrez global

A inteligência artificial vai reorganizar o mundo e mudar o curso da história humana. Quem vencerá essa disputa tecnológica?

Por Eric Schmidt – Infomoney 06 dez 2021

O mundo está só começando a ter ideia de quão profunda será a revolução da inteligência artificial. Tecnologias de IA criarão ondas de progresso em infraestrutura crítica, comércio, transporte, saúde, educação, finanças, produção alimentícia e sustentabilidade ambiental.

A IA vai impulsionar economias, remodelar sociedades e determinar quais países vão ditar as regras do próximo século. Essa oportunidade criada pela IA coincide com um momento de vulnerabilidade estratégica. O presidente Joe Biden vem afirmando que os Estados Unidos estão numa “competição estratégica de longo prazo com a China”. Ele está certo. Mas não são só os Estados Unidos que estão vulneráveis — todo o mundo democrático também está, porque a revolução da IA sustenta a atual disputa de valores entre a democracia e o autoritarismo.

Temos de provar que as democracias podem triunfar numa era de revolução tecnológica. Hoje a China é uma concorrente tecnológica de igual nível. Ela é organizada, repleta de recursos e está decidida a vencer a competição tecnológica e a reformular a ordem global para servir a seus interesses.

A IA e outras tecnologias emergentes são centrais nos esforços chineses de ampliar sua influência global, superar o poder econômico e militar dos Estados Unidos e manter sua estabilidade doméstica. A China vem executando um plano sistemático para extrair conhecimento da IA de outros países por meio de espionagem, atração de talentos,

transferência de tecnologia e investimentos.

Evento na China que aposta no uso de reconhecimento facial

Evento na China: Uso da tecnologia de reconhecimento facial (Imagem: Hello ABC/Shutterstock)

O uso que a China faz da inteligência artificial é perturbador para as sociedades que valorizam a liberdade individual

– Eric Schmidt

O uso que a China faz da IA em seu território é perturbador para sociedades que valorizam a liberdade individual e os direitos humanos. O emprego da IA como ferramenta de repressão e vigilância de seus cidadãos está sendo exportado para outros países. A China financia imensos projetos de infraestrutura digital pelo mundo, ao mesmo tempo que busca estabelecer parâmetros globais que reflitam valores autoritários.

médicos utilizando um robô para ajudar em uma cirurgia Simulação de cirurgia com ajuda de robô: grande potencial de uso de IA na área de saúde (Foto: Jane Barlow-Pool/Getty Images)

Sua tecnologia está servindo para facilitar o controle social e reprimir dissidências. Para que fique bem claro: competição estratégica com a China não significa que não devamos trabalhar com a China nas áreas em que fizer sentido. Os Estados Unidos e o mundo democrático devem continuar a se envolver com a China em setores como saúde e mudanças climáticas.

Parar de negociar e de trabalhar com a China não seria um caminho viável para o futuro. O crescimento acelerado e o foco em controle social da China estão tornando o modelo tecnoautoritário do país atraente para os governos autocráticos e tentador para democracias frágeis e países em desenvolvimento. Há muito trabalho a ser feito para

garantir que os Estados Unidos e o mundo democrático possam combinar tecnologia economicamente viável com diplomacia, ajuda externa e cooperação na área de segurança com o objetivo de competir com o autoritarismo digital que está sendo exportado pela China.

Pega-pega tecnológica

Cão-robô junto de um profissional da segurança trabalhando juntos na AlemanhaCão-robô na Alemanha: a serviço da segurança pública(Foto: CIBORIUS, Philipp Arnold)

Os Estados Unidos e outras democracias estão hoje brincando de pega-pega na preparação para essa disputa tecnológica global. Em julho de 2021, a Comissão Nacional de Segurança em Inteligência Artificial (NSCAI, na sigla em inglês) realizou uma Cúpula de Tecnologia Emergente Global que destacou uma importante vantagem comparativa dos Estados Unidos e seus parceiros: a ampla rede de alianças entre países democráticos, baseada em valores comuns, respeito ao estado de direito e reconhecimento dos direitos humanos fundamentais.

Em última análise, a competição tecnológica global é uma competição por valores. Ao lado de aliados e parceiros, podemos fortalecer as estruturas existentes e explorar outras novas para formular as plataformas, os parâmetros e as normas de amanhã, além de garantir que reflitam nossos princípios. Ampliar nossa liderança global em pesquisa, desenvolvimento, governança e plataformas de tecnologia vai colocar as democracias do mundo em melhor posição para cultivar novas oportunidades e se defender contra vulnerabilidades.

Somente por meio da contínua liderança em avanços com IA é que podemos estabelecer critérios para o desenvolvimento e o uso responsável dessa tecnologia crucial. O relatório final da NSCAI oferece um mapa para a comunidade internacional vencer essa disputa.

Em primeiro lugar, o mundo democrático deve utilizar as estruturas internacionais existentes — incluindo Otan, OCDE, G7 e União Europeia — para aprofundar os esforços de abordar todos os desafios associados à IA e às tecnologias emergentes. A decisão do G7 de envolver a Austrália, a Índia, a Coreia do Sul e a África do Sul reflete o reconhecimento importante de que temos de reunir países democráticos do mundo todo em torno desses esforços.

Em segundo lugar, precisamos que novas estruturas, como o Quad [Diálogo Quadrilateral de Segurança, iniciativa que reúne os Estados Unidos, a Índia, o Japão e a Austrália], ampliem o diálogo sobre IA e tecnologias emergentes e suas consequências, além de melhorar a cooperação para o desenvolvimento de parâmetros, infraestrutura de telecomunicações, biotecnologia e cadeias de fornecimento.

O Quad pode servir de base para uma cooperação mais ampla entre governo e indústria na região do Indo-Pacífico. E, em terceiro lugar, precisamos construir alianças em torno da IA e das futuras plataformas de tecnologia com nossos aliados e parceiros. A NSCAI tem cobrado a criação de uma coalizão de democracias desenvolvidas para alinhar políticas e ações em torno da IA e de tecnologias emergentes em sete áreas críticas:

  1. Desenvolver e operacionalizar padrões e normas de apoio a valores democráticos e ao desenvolvimento de tecnologias seguras, estáveis e confiáveis;
  2. Promover e facilitar a pesquisa e o desenvolvimento conjunto de IA e infraestrutura digital que façam avançar interesses compartilhados e beneficiem a humanidade;
  3. Promover a democracia, os direitos humanos e o estado de direito por meio de esforços combinados para combater a
    censura, as operações de (des)informação nocivas, o tráfico humano e os usos iliberais de tecnologias de vigilância;
  4. Explorar modos de facilitar o compartilhamento de dados entre aliados e parceiros por meio de acordos, procedimentos de armazenamento de dados em comum, investimentos coletivos em tecnologias que melhorem a privacidade e redução de barreiras legais e regulatórias;
  5. Promover e proteger a inovação, em particular mediante controles de exportação, análise de investimentos, gestão da
    cadeia de logística, investimento em tecnologias emergentes, política comercial, pesquisa e ciberproteção, além do alinhamento no que se refere à propriedade intelectual;
  6. Desenvolver talentos relacionados à IA por meio da análise dos desafios do mercado de trabalho, da harmonização de qualificações e exigências de certificação, e de iniciativas para aumentar o intercâmbio de talentos, o treinamento conjunto e o desenvolvimento da força de trabalho;
  7. Lançar uma Iniciativa pela Democracia Digital Internacional para alinhar esforços de assistência internacional com o objetivo de desenvolver, promover e financiar a adoção da IA e de tecnologias associadas que comportem valores democráticos e normas éticas relacionadas a abertura, privacidade, segurança e confiabilidade.

Novos investimentos vão ditar o rumo estratégico do mundo democrático

Eric schmidt

Esse ritmo só pode ser mantido quando se trabalha em conjunto. Parcerias — entre governos, setor privado e academia — são uma vantagem-chave assimétrica que os Estados Unidos e o mundo democrático têm sobre seus competidores. Como mostraram os acontecimentos no Afeganistão em 2021, a liderança americana continua indispensável em operações aliadas, mas os Estados Unidos têm de fazer mais para mobilizar seus aliados em torno de uma causa comum.

A era de competição estratégica promete transformar o mundo — e nós podemos tanto dar forma à mudança quanto ser varridos por ela. Hoje sabemos que os usos da IA em todos os aspectos da vida crescerão à medida que o ritmo da inovação se acelerar. Também sabemos que nossos adversários estão determinados a empregar os recursos da IA contra nós. Temos de agir agora.

Os princípios que estabelecermos, os investimentos que fizermos, as aplicações de segurança nacional que apoiarmos, as organizações que redesenharmos, as parcerias que fecharmos, as coalizões que construirmos e os talentos que cultivarmos vão definir o rumo estratégico dos Estados Unidos e do mundo democrático.

As democracias precisam investir o que for necessário para manter a liderança na competição global de tecnologia, com o objetivo de usar a IA de modo responsável para defender pessoas e sociedades livres, além de avançar nas fronteiras da ciência em benefício de toda a humanidade. A IA vai reorganizar o mundo e mudar o rumo da história humana. O mundo democrático precisa liderar esse processo.

Eric Schmidt

Ex-CEO da Alphabet/Google, é diretor da Comissão Nacional de Segurança para Inteligência Artificial, nos Estados Unidos.

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Dinheiro é coisa do passado e fintechs vão competir ainda mais com os bancões

Estudo da consultoria PwC mostra que o número de transações com meios de pagamento que não o dinheiro em espécie vai crescer 52% até 2025

Por Naiara Bertão, Valor Investe — 07/12/2021

A pandemia foi um importante acontecimento para as pessoas experimentarem formas de pagamento além do dinheiro em espécie. O advento do Pix no Brasil e a popularização dos cartões de crédito sem contato, por aproximação, ajudaram a reforçar isso. A tendência é clara: cada vez mais brasileiros, latinos e consumidores do mundo todo usarão outros meios que não o dinheiro em espécie para fazer as compras no mercado, pagar a passagem no ônibus, pedir comida em um restaurante ou transferir o dinheiro do churrasco para o amigo.

Estudo feito pela PwC e seu braço de consultoria estratégica, a Strategy&, mostra que o número de transações sem dinheiro em espécie na América Latina deve aumentar em 52% até 2025 e, depois, em 48% até 2030. O ritmo de crescimento é menor do que países da Ásia-Pacífico, cujo aumento esperado de volume é de 109% até 2025 e em 76% até 2030. A China, por exemplo, já é um país cuja cultura do pagamento digital está enraizada há anos. Em seguida, estão a África (com 78% e 64%, respectivamente) e a Europa (64% e 39%). Estados Unidos e o Canadá terão o crescimento mais lento (43% e 35%).

Considerando o mundo todo, a expectativa é que os volumes globais de pagamentos feitos por meios digitais aumentem em mais de 80% até 2025, com as transações passando de cerca de um 1 trilhão para quase 1,9 trilhão por ano. Até 2030, o número de transações per capita sem dinheiro em espécie será aproximadamente o dobro ou o triplo do nível atual em todo o mundo, apontou a análise.

O estudo foi feito com base no número de transações e não com volume financeiro por ser uma base de comparação mais direta e fácil, uma vez que os volumes precisariam envolver cálculos que considerassem as moedas locais.

“A América Latina deve ter crescimento menor porque o Brasil é representativo e já estamos em um mercado maduro com escala e opções de meios de pagamento, além de infraestrutura de pagamento já mais robusta”, explica Lindomar Schmoller, sócio da PwC.

 

Fintechs x Incumbentes

Outro ângulo analisado foi como cada participante da cadeia de valor da indústria de meio de pagamento – banco, adquirente, processador, operador de POS (maquininha), provedores alternativos (contas digitais e fintechs) – geram receita.

A projeção da consultoria é de que em 2030, os bancos terão aumentado em 64% o seu bolo de receita, passando de US$ 342 bilhões em transações, para US$ 561 bilhões. Os chamado prestadores de serviços comerciais, como os POSs, vão crescer 50% neste período, saindo de US$ 141 bilhões em 2020 para US$ 212 bilhões dez anos depois.

A grande surpresa, porém, vem dos métodos de pagamento alternativos, que incluem soluções de pagamento de big techs, empresas de telecomunicações e varejistas fora, ou além, dos tradicionais pagamentos bancários e com cartão. O valor das receitas estimadas para estes competidores é de US$ 313 bilhões em 2030, 301% maior do que em 2020, de US$ 78 bilhões.

Mudanças nos pools de receita de 2020 a 2030 — Foto: PwC e Strategy&

Mudanças nos pools de receita de 2020 a 2030 — Foto: PwC e Strategy&

“Globalmente, a fonte de receitas ainda é muito concentrada nos bancos e eles evoluem até 2030 de forma importante, mas muito abaixo da velocidade de crescimento de provedores alternativos de pagamento, que puxarão parte importante da receita para eles. Quando surge um competidor com essa projeção de crescimento, o cenário para o setor muda”, comenta Willer Marcondes, sócio, PwC Brasil.

No relatório, o depoimento do fundador e presidente da Marqeta, plataforma global de emissão de cartões, Jason Gardner, comenta que esse crescimento dos pagamentos móveis vai impor prêmios cada vez mais elevados à experiência do usuário. Para ele, isso vai forçar as fintechs e as instituições financeiras de todos os portes a implantar tecnologias que possam transformar infraestruturas de “back-end” mais complicadas em aplicativos comerciais e de consumo que sejam fáceis de usar.

 

Brasil

O crescimento dos pagamentos digitais vem na esteira do open banking, com a migração de cartões e contas para carteiras digitais.

Com relação ao Brasil, a pesquisa mostra que o aumento de geração de receita dos bancos será de 20% até 2025, saltando de US$ 17 para US$ 21 bilhões, e terá uma queda de 1% até 2030 (para US$ 20 bilhões). No caso dos meios de pagamento alternativos, os números são bem maiores: 143% de aumento até 2025 (de US$ 7 bilhões para US$ 17 bilhões) e 70% na sequência, entre 2025 e 2030, quando atingirão R$ 29 bilhões e terão passado os bancos.

Dados sobre Brasil da pesquisa da PwC sobre meios de pagamento

Receita da Indústria (US$ bilhões)202020252030Variação 2020-2025Variação 2025-2030
Receita – Bancos Emissores            17            21            2023%-1%
Receita – Métodos alternativos de Pagamentos                7            17            29143%70%
Receita – Credenciadores (Prest. Serv. comerciais)                4              5              518%12%
Receita – Rede de cartões (Arranjo ou bandeira)                2              2              331%25%
Receita – Processadores terceirizados + Terminais                1              1              257%52%

Fonte: PwC e Strategy&

O cenário começou a mudar nos últimos anos, especialmente desde o início da pandemia, com os bancos estatais lançando carteiras digitais para pagar à população subsídios sociais e o auxílio emergencial. Isso está ajudando a ampliar a adoção dos pagamentos digitais, especialmente entre pessoas sem experiência com bancos (os desbancarizados).

Marketplaces como o Mercado Livre, com o serviço Mercado Pago, e contas digitais como o PicPay, estão lançando seus próprios ecossistemas, nos quais comerciantes e pessoas têm diversos serviços financeiros para suprir suas principais necessidades.

Dados sobre Brasil da pesquisa da PwC sobre meios de pagamento

Dados  Brasil202020252030Variação 2020-2025Variação 2025-2030
Número de Transações (Em milhões)      47.720    72.378  107.16352%48%
Volume de transações (Em US$ bilhões)      16.270    22.316    29.63537%33%
Receitas da Indústria (Em US$ bilhões)            31            46            5949%30%

Fonte: PwC e Strategy&

O relatório pontua que o Brasil está na vanguarda da inclusão financeira, graças à liderança do Banco Central em iniciativas que promovem novas tecnologias de pagamento, interoperabilidade, redução de custos e concorrência aberta. Exemplos são o Pix, que explodiu de adesão no Brasil, e também pagamentos com QR Code, que estão alavancando o acesso a esses meios de pagamento, e incluindo no sistema financeiro quem ainda estava de fora.

O que se espera é que esses novos modelos impactem os meios de pagamentos tradicionais como DOC/TED, boleto bancário, cheque e até mesmo com cartões nos próximos anos. “Considerando essas infraestruturas e a existência de novos provedores totalmente baseados em nuvem, os bancos já estão reavaliando seus modelos e soluções financeiras”, diz o documento.

Pagar nunca foi tão fácil – não à toa também temos altas taxas e endividamento.

Tendências

A análise pontua seis tendências para os meios de pagamento: inclusão e confiança, moedas digitais, carteiras digitais, batalha dos trilhos de pagamento, pagamentos transnacionais e crime financeiro. Conheça um pouco mais cada uma das tendências, de acordo com o relatório:

 

Inclusão e confiança

O foco em soluções de código QR nacionais e de carteiras e dinheiro móvel garantirá o amplo acesso e o baixo custo.

Os bancos centrais manterão sua função de assegurar a privacidade, a estabilidade e a confiança em novos provedores e métodos de pagamento, bem como no sistema financeiro.

Operar no modelo anterior de contas bancárias custa caro. As instituições financeiras tradicionais têm altos custos de gestão de estrutura, operação, proteção e conhecimento do cliente. Não consegue rentabilizar o cliente com custo de observância. Os competidores sujeitos a menos exigência regulatória conseguem incluir o consumidor mais facilmente. As próprias moedas digitais e criptomoedas podem reduzir o custo monetário. O desafio é diminuir custos e monetizar esses negócios. Vai ser necessário surgir novos modelos de negócios que não envolvam cobrar tarifas ou uma fatia da transação financeira”, comenta Marcondes.

 

Moedas digitais

O estudo traz que 60% dos bancos centrais estão avaliando o uso das moedas digitais e 14% estão realizando testes-pilotos.

A grande preocupação dos bancos centrais é que surjam iniciativas sem regulamentação. Por isso, muitos estão avaliando iniciativas para criar suas próprias moedas digitais. É diferente do modelo descentralizado de criptomoedas, que não têm controle monetário, relacionado à estabilidade econômica do país”, diz Lindomar Schmoller, sócio da PwC Brasil. “As criptomoedas não avançaram tão rápido porque carecem de maior segurança do lado do investidor e do ecossistema, mas também porque a própria dinâmica das criptos é ainda bastante limitada”, acrescenta.

A conversão e o armazenamento de criptomoedas fiduciárias são oportunidades que estão surgindo, de acordo com o relatório.

 

Carteiras digitais

O uso de pagamentos móveis continuará crescendo de modo constante: a taxa de crescimento anual composta (o CAGR) entre 2019 e 2024 é estimada em 23%.

A proliferação de super aplicativos, serviços de open banking e códigos QR impulsionará a adesão à carteira digital.

Por conveniência, os usuários e o uso serão direcionados para as carteiras digitais como primeiro ponto de contato – deixando de lado as interfaces tradicionais de cartões e bancos.

 

A batalha dos trilhos de pagamento

A iniciação do pagamento está migrando de cartões e contas para carteiras digitais que têm suporte no open banking.

Os reguladores obrigarão a indústria a fortalecer a infraestrutura nacional de pagamentos.

Os consumidores em mercados emergentes estão migrando diretamente para carteiras móveis e pagamentos baseados em contas, sem passar pela “era do cartão”.

Tanto as redes de cartões tradicionais quanto as soluções nacionais de carteiras enfrentarão o desafio de conectar os pagamentos em sistema “open loop” com os pagamentos internacionais para manter sua relevância.

 

Pagamentos transnacionais

Pagamentos instantâneos e de baixo custo estão provocando a reinvenção dos pagamentos transnacionais.

A padronização global dos pagamentos permitirá a conectividade internacional de soluções instantâneas nacionais.

Surgirão soluções regionais (especialmente na Ásia) e soluções não bancárias globais baseadas em criptomoedas e carteiras digitais.

 

Crime financeiro

Com a adoção cada vez maior do open banking e dos pagamentos instantâneos e alternativos por consumidores e empresas, crescem as organizações de “fraude como serviço”.

Em nossa pesquisa, os riscos de segurança, conformidade e privacidade de dados foram as maiores preocupações de bancos e fintechs.

Com a sofisticação do crime financeiro, os provedores terão que proteger todo o seu ecossistema.

 — Foto: Getty Images

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Desglobalização eleva pressão inflacionária no longo prazo

A pandemia de covid-19 está acelerando o recuo da globalização, que já vinha ocorrendo há alguns anos, com as restrições à imigração e mudanças nas cadeias globais de abastecimentos

Por Yuka Hayashi — Dow Jones Newswires/ Valor 06/12/2021 

Embora a alta da inflação no curto prazo seja atribuída às rupturas nas cadeias de abastecimento, à falta de mão de obra e ao estímulo fiscal, outra força de longo prazo também pode estar em ação: a “desglobalização”.

Economistas e governos há muito argumentam que a globalização ajudou a reduzir os preços. Com a queda das barreiras comerciais, empresas locais foram forçadas a competir com importações baratas. A tecnologia e a liberalização do comércio estimularam as empresas a terceirizarem a produção para países de renda baixa. Em geral, as políticas liberais de imigração permitiram muitos trabalhadores com salários mais baixos mudar para países mais ricos, embora a ligação entre a imigração e os salários não seja clara.

Mas esse padrão poderá ser revertido à medida que a pandemia acelera o recuo da globalização, que já vinha ocorrendo há alguns anos. Em algum momento, os gargalos nas cadeias de abastecimento deverão diminuir, mas outras tendências poderão persistir – políticas protecionistas como tarifas, regras do tipo “compre produtos americanos” e empresas transferindo de volta a produção para os EUA, onde estarão menos vulnerável a essas políticas, além de fluxos de imigração menores.

“A reorganização e o encurtamento das cadeias de abastecimento… terão um custo que será repassado às empresas e, em última instância, aos consumidores”, diz Dana Peterson, economista-chefe da Conference Board, grupo de pesquisas independente apoiado por grandes empresas dos EUA.

Estudos têm mostrado que a globalização influenciou os preços nos EUA. Kristin Forbes, economista do Massachusetts Institute of Technology (MIT), constatou que as partes do índice de preços ao consumidor influenciadas por fatores globais, como os preços das commodities, flutuações cambiais e as cadeias de valor globais, responderam por metade das mudanças no índice entre 2015 e 2017, em comparação a 25% no começo dos anos 90. Os economistas Robert Johnson da Universidade de Notre Dame e Diego Comin de Dartmouth, constataram em um estudo de 2020 que o comércio internacional teve o efeito de reduzir os preços ao consumidor nos EUA em um ritmo anual de 0,1 a 0,4 ponto percentual entre 1997 e 2018.

A participação do conteúdo estrangeiro na produção manufatureira mundial aumentou de 17,3% em 1995 para 26,5% em 2011, segundo dados do Banco Asiático de Desenvolvimento analisados pela Conference Board. Desde então, essa parcela caiu para 23,5% em 2020. Os investimentos estrangeiros diretos globais, uma medida importante da expansão dos negócios internacionais, atingiu o pico de cerca de US$ 2 trilhões em 2015, mas caíram para US$ 1,5 trilhão em 2019, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento.

A desglobalização ganhou força com a crise financeira global de 2008, com a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE) em 2016 e com as tarifas impostas pelos EUA sob o governo Donald Trump. Isso pode estar contribuindo para a inflação alta do momento, embora seja difícil separar esses efeitos da pandemia.

Economistas do Citi observam que os preços dos móveis e dos custos domésticos, que caíram de forma quase constante depois da crise financeira de 2008, começaram a subir em 2017, quando o governo Trump se preparava para punir a China, o que fez impondo uma tarifa de 25% sobre as importações chinesas. Esses preços aumentaram 3% entre outubro de 2017 e março de 2020 e de lá para cá ganharam outros 8,5%.

As tarifas do governo Trump sobre o aço, alumínio e importações da China, combinado com as tarifas retaliatórias de parceiros comerciais, aumentaram os custos anuais dos consumidores americanos em US$ 51 bilhões ao ano, segundo o American Action Forum, um grupo de pesquisas políticas de centro-direita.

O presidente Joe Biden negociou o fim de algumas tarifas de Trump, como as impostas ao aço e alumínio da Europa, mas deixou em vigor a maior parte das tarifas sobre produtos da China.

No mês passado, o Departamento do Comércio dobrou as taxas impostas em 2017 sobre a madeira de fibra longa canadense para 18%. Elas resultam de décadas de reclamações de produtores americanos de que as exportações canadenses são subsidiadas. Chuck Fowke, presidente da Associação Nacional de Construtoras, alertou que o aumento das tarifas “pressionará para cima os preços da madeira e tornará as moradias mais caras”. Ele observando que as empresas já lidam com uma alta dos custos das construção e preços da madeira bem acima dos níveis pré-covid.

Em junho, o governo Biden proibiu as importações de alguns materiais de painéis solares da região chinesa de Xinjiang, uma grande produtora,devido ao suposto uso de trabalho forçado. Como resultado, o preço do polissilício, insumo-chave na fabricação de painéis solares, subiu para mais de US$ 20/kg no segundo trimestre de 2021, de US$ 6,20/kg um ano antes, segundo a companhia de pesquisas Wood Mackenzie.

“As incertezas [políticas] estão tendo um grande impacto sobre a disponibilidade e os preços dos produtos”, diz Abigail Hopper, presidente da associação das empresas de energia solar.

O governo Biden também está tentando trazer de volta as cadeias de abastecimento de alguns produtos críticos, como semicondutores, farmacêuticos e de terras raras, ao mesmo tempo em que acelera uma exigência para que os órgãos e agências federais comprem mais produtos feitos nos EUA.

“Biden não só deu sequência às políticas de Trump como as ampliou com disposições mais rígidas do tipo “compre produtos americanos”, exigências de conteúdo local e propostas pró-sindicatos sobre veículos elétricos e baterias” nos pacotes de estímulo, segundo Gary Clyde Hufbauer, economista do Peterson Institute for International Economics. Ele estima que as medidas adotadas pelos governos Trump e Biden poderão contribuir com 0,5 ponto percentual na inflação americana no período afetado pelas políticas.

Enquanto isso, economistas do JP Morgan Chase estimam que a população imigrante dos EUA neste ano é cerca de três milhões menor do que se as tendências de imigração pré-2017 não tivessem sido interrompidas pela pandemia.

Richard Allison, presidente executivo da Domino’s Pizza, disse em outubro que a queda no fluxo de imigração nos últimos anos contribuiu para a falta de mão-de-obra causada pela pandemia, especialmente de motoristas, o que contribuiu para o aumento dos custos e dos fretes. “Num país cuja população não cresce como antes, nós, em nosso setor e de vários outros, precisaremos de mais imigração… para continuar tendo uma força de trabalho robusta”, disse ele.

Muitas empresas americanas pressionaram o governo a aliviar as tarifas para reduzir seus custos, como as de calçados para crianças e as de alumínio e aço. A Câmara do Comércio dos EUA pediu um aumento no teto de concessão de vistos para imigrantes.

Mas economistas afirmam que a mudança das cadeias de abastecimento de volta para os EUA poderá ter um impacto mais duradouro do que as tarifas, chegando no momento em que as regras restritivas à imigração e a aposentadoria dos “baby boomers” (geração dos nascidos após a Segunda Guerra Mundial) mantêm o mercado de trabalho dos EUA apertado. “Isso poderá significar uma mudança de longo prazo na dinâmica da inflação porque você acabou de transferir mais poder para os trabalhadores americanos”, disse Forbes do MIT.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2021/12/06/desglobalizacao-eleva-pressao-inflacionaria-no-longo-prazo.ghtml

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