A incrível capacidade do cérebro depois dos 60 anos

“Por volta dos 60 anos de idade, a interação dos hemisférios direito e esquerdo do cérebro torna-se harmoniosa, o que expande as possibilidades criativas”

Cris Arcangeli — Exame –  10/02/2022 às 10:00.

Por Cris Arcangeli

O diretor da George Washington School of Medicine and Health Sciences (Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade de Washington) fez um pronunciamento importantíssimo para nós, jovens com mais de 60 anos: ele anunciou que o cérebro de uma pessoa idosa é muito mais prático do que se acreditava até agora.

Faz tempo que não me animava tanto com uma notícia. Principalmente porque veio de uma universidade que está situada entre as líderes mundiais em educação e pesquisa.

Vamos detalhar a boa nova: por volta dos 60 anos de idade, a interação dos hemisférios direito e esquerdo do cérebro torna-se harmoniosa, o que expande nossas possibilidades criativas. Assim podemos entender por que encontramos muitas personalidades que começam a exercer atividades criativas por volta desta idade. Além disso, ao atingir esta faixa etária, as pessoas conseguem usar os dois hemisférios ao mesmo tempo, o que permite a resolução de problemas muito mais complexos.

Não temos como contestar que, com a idade, nosso cérebro perde a rapidez que tinha na juventude, porém há uma vantagem enorme: ele ganha em flexibilidade e nos oferece maior probabilidade de tomarmos decisões certas e de estarmos menos expostos a emoções negativas.

Você sabia que entramos no pico da atividade intelectual humana mais ou menos aos 70 anos? É quando nosso cérebro começa a funcionar com força total. A explicação científica vem de uma substância chamada mielina, cuja quantidade aumenta em nosso cérebro com o tempo, e facilita a passagem rápida de sinais entre os neurônios, aumentando em 300% as habilidades intelectuais.

A Universidade de Montreal (Canadá) possui um Instituto de Geriatria, que também vem desenvolvendo pesquisas sobre o assunto. Um dos principais pesquisadores, o professor Monchi Oury, acredita que o cérebro das pessoas idosas é bem inteligente: “escolhe” o caminho que consome menos energia, elimina o que considera desnecessário e somente mantém as opções corretas para solucionar problemas que se apresentem. Isso foi provado por um estudo do qual participaram pessoas de diferentes faixas etárias e cujo resultado mostrou que os jovens ficavam confusos ao serem confrontados pelos testes, enquanto os maiores de 60 anos apresentavam as soluções corretas.

Algumas características do cérebro com idade entre 60 e 80 anos comprovam estes dados. Ah… ele é realmente rosado!

  • Os neurônios não morrem, como parece ser um consenso geral. O que acontece é que as conexões entre eles acabam desaparecendo naquelas pessoas que não se envolvem em trabalhos mentais nesta faixa etária.
  • A distração e o esquecimento acontecem por causa do excesso de informações. Mais um motivo para não nos concentrarmos em ninharias desnecessárias e praticarmos o que podemos chamar de desapego mental.
  • A partir dos 60 anos as pessoas conseguem tomar decisões muito mais coerentes, pois não utilizam somente um ou outro hemisfério do cérebro: conseguem utilizar ambos ao mesmo tempo.
  • Podemos concluir que os chamados idosos que levam um estilo de vida saudável, se movem, praticam atividades físicas viáveis e mantêm plena atividade mental, NÂO têm suas habilidades intelectuais diminuídas com a idade. Ao contrário, elas até CRESCEM, podendo até atingir um pico entre os 80 e 90 anos.

Minha decisão pessoal, e que recomendo a todos é: não tenham medo da velhice.  Esforcem-se para se desenvolverem intelectualmente.  Aprendam novos trabalhos manuais, façam música, aprendam a tocar instrumentos musicais, pintem quadros!  Dancem!  Interessem-se pela vida, encontrem-se e se comuniquem com amigos, façam planos para o futuro, viajem da melhor maneira que puderem.  Não deixem de ir a lojas, cafés, shows.  Não se calem sozinhos: isso é destrutivo para qualquer pessoa, independente da idade.

Vivam de acordo com o pensamento: todas as coisas boas ainda estão à minha frente!

FONTE: New England Journal of Medicine.

https://exame.com/colunistas/empreender-liberta/a-incrivel-capacidade-do-cerebro-depois-dos-60-anos/

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Como tornar a Amazônia referência em produção de alimentos com sustentabilidade

Projeto Infloresta pode elevar as exportações da região a US$ 2,3 bilhões sem prejuízos ao meio ambiente


Fábio Cardo – Fast Company Brasil 03-11-2022 | FOODTECH

Cerca de 60% do território brasileiro (o equivalente a cinco milhões de quilômetros quadrados) é a área da Amazônia Legal. Segundo dados do Imazon, se fosse um país, seria o sexto maior do mundo em extensão territorial. Um terço das árvores do mundo estão na região, além de 20% da água doce disponível no planeta.

É grande demais a relevância da região para o país e o mundo quanto a recursos naturais. Já quanto à presença no mercado internacional, a Amazônia tem apenas 0,2% de participação, ao passo que o Brasil tem cerca de 1,3%.

Entre as diversas iniciativas que buscam melhorar o uso e ocupação ordenada da região está o projeto Amazônia 2030. A iniciativa reúne um pool de pesquisadores brasileiros que está traçando um plano de desenvolvimento sustentável para a região.

Os estudos para soluções de negócios, que estão em andamento agora, fazem parte do Infloresta, projeto derivado do Amazônia 2030 (iniciativa conjunta dos três maiores bancos privados do Brasil – Bradesco, Itaú Unibanco e Santander)

Coordenado por Salo Coslosvky, o Infloresta conta com o apoio do Instituto Arapyaú, Instituto Humanize e Kawa Capital Management. Se sair do ponto mínimo em que se encontra, adotando as recomendações apontados pelo Infloresta, a Amazônia chegará a US$ 2,3 bilhões em receita de exportações.

“Por meio de uma abordagem científica, o Infloresta tem potencial para gerar novas oportunidades de investimento e negócios que tenham ESG em sua essência”, afirma Cristina Baldim, vice-presidente da Kawa Capital Management.

CONCORRÊNCIA INTERNACIONAL

Um levantamento conduzido pela equipe de Coslovsky no ano passado sugere que há muitas oportunidades para melhorar o desempenho dos produtos compatíveis com a floresta no comércio internacional. Atualmente, os maiores exportadores de produtos sustentáveis são países que enfrentam condições sociais, políticas e econômicas parecidas ou mais desafiadoras do que as do Brasil.

O Vietnã, por exemplo, detém 42% do comércio global de pimenta do reino – é hoje o principal fornecedor do produto para os Estados Unidos. Exporta de quatro a cinco vezes mais do que o Brasil, mesmo considerando a grande vantagem logística que temos em relação do Oriente.

A Bolívia tem participação de 52% das vendas de castanha-do-brasil descascada no mercado internacional. Já a Amazônia tem, respectivamente, 7% e menos de 5% desses mercados.

 Muitas outras oportunidades de produção e exportação de frutas apareceram na região Amazônica ao longo dos anos, muito bem aproveitadas pelo Chile, Peru e Colômbia, que organizaram suas estruturas de produção e exportação e hoje representam US$ 1 bilhão em receitas.

O Infloresta mapeou as atividades que são compatíveis e têm afinidade com conservação da mata nativa. Entre elas estão extração florestal não-madeireira, sistemas agroflorestais, pesca, piscicultura e hortifruticultura.

Dentro desses grupos, estão inseridas a produção e processamento de açaí, dendê, castanhas, pimenta do reino, frutas como manga, abacaxi, melão, extratos vegetais e outros. Peixes e piscicultura (criados em tanques), e manejada (redes e gaiolas), também compõem o rol de produtos viáveis. Tudo organizado, mas misturado. Um ecossistema simbiótico próprio da Amazônia.

Fonte: Oportunidades para Exportação de

Produtos Compatíveis com a Floresta

na Amazônia Brasileira/ Amazônia 2030

Produtos originados na floresta são entendidos como matéria-prima bruta e não conseguem agregar valor na comercialização. A padronização e a adoção de práticas sanitárias resultam em produtos com consistência na qualidade – requisitos para acesso ao mercado global.

Mudar esse posicionamento na produção exige tecnologia e investimentos empresariais, o que é mais um desafio: há grande receio de entrada empresarial, seja do exterior ou de outras regiões Brasil, porque a região oferece riscos diferenciados.

As exportações são o teste de fogo para os exportadores, devido à necessidade de atender diversos requisitos mínimos para que os produtos sejam aceitos no mercado internacional quanto a qualidade e garantia de sustentabilidade.

Salo destaca que a preocupação com o uso da Amazônia é legitima, com custos para população local e meio ambiente, e que a condição essencial é o bom controle e monitoramento para garantir o zero desmatamento.

“Desta forma, criamos a fundação sólida e expressiva para o desenvolvimento da região. O desmatamento estraga a reputação e inibe o interesse em investimentos”, afirma.

Entre as opções de melhor uso da região, o estudo foca em áreas que foram desmatadas e abandonadas, ou que abrigam pecuária com baixa produtividade. “Não há necessidade de desmatar e usar novas áreas para o cultivo e produção de alimentos”, defende Salo.


SOBRE O AUTOR

Fábio Cardo é economista de formação, atua em comunicação empresarial e empreendedorismo e é co-publisher do canal FoodTech da Fast Co…    saiba mais

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Novas regras destravam exportações de lítio

Com a descarbonização, inserção do Brasil na cadeia de produção de baterias é chance que não pode ser desperdiçada

Por Thiago Maia e Izabella Reis – Valor – 28/10/2022

O governo publicou em julho deste ano o Decreto 11.120, que retirou certas travas e restrições anteriormente existentes com relação à exportação de minério de lítio, bem como produtos químicos fabricados à base de lítio, dispondo de forma expressa que somente subsistiriam restrições à exportação desses produtos impostas por lei ou pelos atos editados pela Câmara de Comércio Exterior (Camex).

A medida tem como objetivo dinamizar o mercado brasileiro de lítio para posicionar o Brasil de forma competitiva na cadeia global e atrair investimentos para pesquisa e produção do mineral, além de estimular a capacidade produtiva nas etapas de processamento e produção de componentes e baterias.

    Com a descarbonização, inserção do Brasil na cadeia de produção de baterias é chance que não pode ser desperdiçada

O referido decreto revogou, mais especificamente e de forma expressa, o decreto 2.413/1997, que outorgava à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), criada pela Lei 4.118/1962, a competência para aprovar expressamente qualquer importação ou exportação de minério de lítio, bem como de produtos químicos fabricados à base de lítio.

Dentre as restrições antes impostas pela CNEN, além de cotas anuais, existia o limite imposto às mineradoras de lítio de não exportarem um volume de produto superior a 10% de suas reservas medidas.

Antes de analisar os impactos dessa alteração normativa, convém discorrer brevemente sobre a origem de tal restrição. Hoje largamente associado à produção de baterias elétricas, o lítio, utilizado há mais de 60 anos pela indústria farmacêutica no tratamento de certos transtornos mentais, já teve sua importância estratégica relacionada à energia nuclear. Isso porque diferentes isótopos de lítio podem ser usados tanto na fabricação de dispositivos termonucleares, quanto no sistema de refrigeração de determinados reatores nucleares.

Fato é que tais aplicações, que necessitam de tecnologia complexa para aseparação isotópica, passaram a ser consideradas secundárias tendo em vista a importância estratégica que o mineral tomou em um contexto de conversão energética para as “energias limpas”. O lítio é um item essencial para a fabricação de baterias de veículos elétricos e sistemas de geração solar.

De acordo com estudo publicado neste ano, pelo Departamento de Pesquisa Geológica dos EUA, estima-se que o consumo global de lítio saltou de 70 mil toneladas em 2020 para 93 mil toneladas em 2021 – a produção de baterias elétricas é responsável por 74% do consumo.

Apesar do protagonismo da indústria mineral no Brasil, a participação nacional no mercado de lítio ainda é modesta. Segundo o referido estudo, o Brasil teria cerca de 95 mil toneladas de reserva, ou apenas 0,43% das reservas de lítio desenvolvidas no mundo.

Esse percentual já foi maior, mas foi reduzido ao longo dos últimos anos em razão da velocidade em que novas reservas foram identificadas e desenvolvidas fora do Brasil. Atualmente, Bolívia e Argentina possuem as maiores, seguidos pelo Chile. A região, conhecida como “triângulo do lítio”, detém 68% das reservas mundiais.

Somente são consideradas reservas os recursos minerais cuja viabilidade econômica de exploração tenha sido demonstrada em estudos. Quando olhamos a comparação entre reservas e recursos minerais disponíveis, ainda existe grande potencial de crescimento para o mercado brasileiro.

Estima-se que o Brasil tenha cerca de 470 mil toneladas de lítio em recursos minerais. Ou seja, somente 20% dos recursos foram transformados em reserva. No Chile, o percentual já é de 93%.

Em meio à evolução e à inclusão tecnológica global e dentro de uma geopolítica onde a descarbonização passa a ser pauta relevante, a inserção do Brasil na cadeia de produção de baterias é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. Para tanto, a atração de investimentos é fundamental.

Nesse contexto, o Decreto 11.120 busca atrair investimentos por meio da promoção de uma maior liberdade comercial, para o Brasil ter papel de relevância nessa importante cadeia produtiva.

O novo decreto deve impulsionar o segmento automotivo, uma vez que o lítio é a principal matéria-prima das baterias para carros elétricos – e o Brasil detém também reservas de grafite e outros componentes de células de bateria.

Uma das grandes produtoras mundiais de lítio, fornecedora para fabricantes de baterias para veículos elétricos das principais montadoras, como a Tesla, já informou que deve iniciar sua operação em Minas Gerais no fim deste ano. Além do segmento automotivo, o emprego do lítio deve impulsionar o setor elétrico, especialmente energia solar e eólica.

O Ministério de Minas e Energia estima que o avanço da produção do minério tem potencial para atrair um volume de investimentos superior a R$ 15 bilhões até 2030 principalmente para a região do Vale do Jequitinhonha (MG).

Além de concentrar a maior parte das reservas conhecidas para a produção de lítio, o Vale do Jequitinhonha é uma das regiões economicamente mais pobres do Brasil. Assim, a dinamização do mercado brasileiro de lítio pode contribuir não só para o desenvolvimento sustentável de longo prazo do país, mas para transformar a realidade socioeconômica das comunidades da região.

Na teoria, o decreto deve criar um ambiente mais favorável e atrativo aos investimentos, que vão além da extração do lítio e se ampliem a outros setores da economia. Isso porque, até que o minério seja empregado em uma bateria, são necessários diversos processos altamente complexos que incluem a indústria química.

Na prática, há importantes desafios a serem superados. A exportação é sim importante, mas é igualmente relevante investir em pesquisa, tecnologia e informação para conhecer a capacidade do país e identificar novos depósitos, agregar valor, desenvolver outros setores (como a indústria de transformação e reciclagem), implementar políticas públicas e promover projetos de longo prazo.

Diante da expansão da demanda, crescerá também a pressão para a mineração ser uma atividade mais sustentável, com a minimização de impactos ambientais e mais benefícios em âmbito local e nacional. Experiências de outros países, como o do triângulo do lítio, indicam que um regime político estável e políticas públicas amigáveis são importantes fatores para o sucesso. Apesar dos desafios, o Brasil não nos parece estar disposto a ficar fora dessa corrida.

Thiago Rodrigues Maia é sócio da área de Fusões e Aquisições do Demarest.

Izabella Reis é advogada das áreas de Fusões e Aquisições e Direito Minerário do Demarest

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/novas-regras-destravam-exportacoes-de-litio.ghtml

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UE anuncia acordo histórico para encerrar venda de motores a combustão em 2035

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que se tratava de uma “etapa-chave” para as ambições climáticas do bloco

AFP – Exame – Publicado em 28/10/2022 

A União Europeia (UE) assinou nesta quinta-feira (27) a sentença de morte para novos veículos com motor a combustão em 2035: os eurodeputados e os Estados-membros fecharam “um acordo histórico” sobre essa normativa, crucial para as metas climáticas europeias.

“Decisão histórica da UE para o clima, que confirma definitivamente o objetivo de 100% de veículos zero emissões em 2035, com etapas intermediárias em 2025 e 2030”, tuitou o eurodeputado francês Pascal Canfin, presidente da Comissão de Meio Ambiente do Parlamento Europeu.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que se tratava de uma “etapa-chave” para as ambições climáticas do bloco, que “irá estimular a inovação e a liderança industrial e tecnológica”.

As negociações apoiam a transição da UE para um futuro sem emissões de carbono, uma das promessas-chave da presidência de Ursula. Os automóveis são responsáveis por 12% de todas as emissões de CO2 no território da UE, e o transporte em seu conjunto soma um quarto do total.

A indústria automobilística europeia disse que está “pronta para encarar o desafio”, após essa “decisão sem precedentes”, mas pediu à UE que crie “as condições necessárias” para o cumprimento desses objetivos, principalmente a criação de uma rede de pontos de recarga elétrica.

‘Metas alcançáveis’

“Este acordo abre caminho para uma indústria automobilística moderna e competitiva na UE”, comemorou o ministro da Indústria tcheco, Jozef Sikela, cujo país ocupa a presidência rotativa do Conselho da UE. Ele considerou que “os prazos previstos tornam as metas alcançáveis para as fabricantes”.

Esse foi o primeiro acordo sobre um texto do pacote climático (“Fit for 55”) destinado a reduzir até 2030 pelo menos 55% das emissões de gases do efeito estufa da UE em 1990.

Os deputados conservadores e alemães haviam se mostrado reticentes quanto à aprovação de algumas metas do acordo fechado hoje, temendo a carga que isso representará para as montadoras europeias, que competem com rivais mundiais que têm objetivos mais flexíveis.

Já a China, maior mercado automobilístico do mundo, deseja que pelo menos metade de todos os veículos novos sejam elétricos, híbridos ou movidos a hidrogênio até esse ano.

Para atender às fabricantes preocupadas com a demanda insuficiente dos consumidores de veículos 100% elétricos, a Comissão recomenda estações de recarga “a cada 60 km”.

Também existe a preocupação de que os usuários não consigam assumir o aumento de preço dos veículos elétricos frente aos de motor a combustão. “Não vejo a classe média capaz de comprar carros elétricos de 30 mil euros”, comentou Carlos Tavares, diretor-gerente do grupo Stellantis, nascido da fusão entre PSA e Fiat-Chrysler.

CarbonoCarrosmeio-ambienteUnião Europeia

https://exame.com/esg/ue-anuncia-acordo-historico-para-encerrar-venda-de-motores-a-combustao-em-2035/

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Por que o futuro da web será o conteúdo sob medida

Em vez de apenas recomendar conteúdo, os algoritmos de plataformas como a Netflix podem vir a se tornar criadores


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Alex Cardinel – Fast Company Brasil    29-10-2022 | 

Em 2004, um grupo de acadêmicos publicou um artigo de jornal que tentava prever como a internet evoluiria quando o seu domínio sobre a consciência predominante se tornasse absoluto. O que eles observaram foi uma tendência à centralização. Conteúdos cada vez mais reunidos em torno de “portais” – centros de informações que dominavam certos setores, como viagens, tecnologia e notícias.

Com o passar dos anos, essa previsão se mostrou incrivelmente certeira, embora os autores não pudessem prever outras mudanças sísmicas no cenário online – como a explosão de conteúdo gerado pelo usuário, as redes sociais e o entretenimento premium baseado em assinaturas.

À medida que a presença da internet crescia, esses primeiros hubs (como Yahoo e AOL) se tornaram ativos altamente lucrativos, transformando milhões de cliques em receita. Impulsionados por seus primeiros sucessos e por quantias generosas de financiamento de capital de risco, esses portais expandiram suas operações e criaram conteúdo mais diversificado, o que por sua vez atraiu mais leitores.

Pode parecer óbvio, mas é preciso dizer: aqueles portais fizeram sucesso porque deram às pessoas o que elas queriam.  E conforme ficavam mais sofisticados, mais eles podiam refinar suas ofertas, entregando conteúdo sob medida voltado para os interesses individuais do usuário.

DEZESSETE ANOS DEPOIS

Os tempos mudaram. A web de hoje é dominada por algoritmos da Netflix, Alphabet, Meta e Apple. Eles têm uma influência incrível sobre as vidas dos usuários, sugerindo conteúdo e rastreando seus hábitos para fazer recomendações ainda mais importantes com base em decisões que eles não estão tomando de modo consciente. 

A hiper personalização é boa para os consumidores, pois eles querem conteúdo que se alinhe aos seus interesses.

Isso não deve ser interpretado como uma crítica. A hiper personalização é boa para os consumidores. Debates mais profundos sobre “bolhas algorítmicas” à parte, as pessoas querem consumir conteúdo que se alinha aos seus interesses.

A hiper personalização também é melhor para as empresas que, diante dos crescentes desafios macroeconômicos, precisam produzir conteúdo de sucesso com uma consistência cada vez maior.

E, sem dúvida, ela é melhor para quem trabalha com criação. Afinal, as decisões sobre o que é bem recebido e o que é cancelado agora podem ser centradas em análises empíricas de dados. Só há um problema: os dados de consumo fornecem um indicador de interesse relativamente superficial.

Dados mostram aquilo em que um espectador ou leitor já está interessado, mas nem sempre se saem bem no esforço para encontrar outros tópicos ou gêneros que eles possam achar atraentes. Além disso, os dados não mostram a profundidade do interesse ou da ligação emocional que os usuários têm com o conteúdo que estão consumindo.

A ECONOMIA DA ATENÇÃO

Esse dilema é dolorosamente familiar para aqueles que trabalham na esfera das notícias ou na produção de conteúdo escrito. No início de 2010, as portas de entrada para o conteúdo escrito mudaram. Em vez de acessar a página inicial de um jornal ou publicação, os leitores encontrariam artigos em seus feeds de rede social.

os dados não mostram a profundidade do interesse ou da ligação emocional que os usuários têm com o conteúdo que estão consumindo.

O Facebook e o Twitter fornecem aos criadores de conteúdo pouca possibilidade de atrair cliques. Há o título e uma descrição curta da matéria, e só. Assim, as publicações começaram a se basear cada vez mais em manchetes clickbait.

Nos anos seguintes, os hábitos de consumo de conteúdo mudaram de artigos hipervirais entregues em escala algorítmica para conversas menores e mais íntimas, centradas em interesses discretos. TikTok, YouTube e Twitch criaram um grande número de influenciadores digitais, entidades de mídia concentradas em um indivíduo, muitas vezes superando antigos impérios de notícias em alcance e influência.

O que todas essas empresas de tecnologia têm em comum é que elas permitem os tipos de experiências sob medida exigidas pelos consumidores, onde o conteúdo que eles veem se alinha com suas opiniões e interesses.

SOB MEDIDA

Nos últimos anos, as mídias anteriores ao boom das redes também começaram a tentar fornecer conteúdo personalizado e alinhado ao gosto do leitor. Mas os fundamentos econômicos em grande parte delas tornaram esse objetivo impossível de alcançar.

Estamos à beira de uma nova revolução – o conteúdo gerado por robôs, feito sob medida para uma única pessoa.

Contudo, conforme a tecnologia em torno da IA ​​se torna mais sofisticada e o poder de computação mais barato, a indústria está à beira de uma nova revolução de mídia: o conteúdo gerado por robôs, feito sob medida para os desejos exatos de um único consumidor, mas com a mesma qualidade proporcionada por um escritor ou artista humano.

Nos últimos anos, o conceito de jornalismo automatizado começou a ser mais aceito dentro das principais organizações de mídia, onde algoritmos produzem artigos em questão de segundos com base em um punhado de dados e entradas.

Inteligências artificiais com capacidade de gerar conteúdo com base em comandos, como o DALL-E 2, já avançaram na criação de conteúdo exclusivo com base nas solicitações do usuário. Com o tempo, o conteúdo gerado por IA parecerá menos uma novidade e mais uma forma aceita de criar conteúdo.

Os consumidores poderão solicitar peças sob medida com base em seus gostos, desgostos e necessidades distintas. Já estamos testemunhando os primeiros sinais dessa revolução nos mundos da arte e dos videogames.

DA RECOMENDAÇÃO À CRIAÇÃO INSTANTÂNEA

O potencial do conteúdo gerado sob medida por IA é ilimitado. Em vez de plataformas como a Netflix apenas recomendarem conteúdo de um catálogo, por exemplo, seus algoritmos podem se tornar criadores de novos conteúdos.

Com o tempo, o conteúdo gerado por IA parecerá menos uma novidade e mais uma forma aceita de criar conteúdo.

Não é difícil imaginar um futuro próximo em que um assinante da Netflix diga: “quero assistir um drama de ficção científica com um universo futurista lindamente construído e um enredo de viagem no tempo alucinante”. E, alguns momentos depois, ele receberá exatamente o conteúdo que imaginou e pediu.

A web sob medida não será apenas mais divertida. Ela vai proporcionar melhores resultados educacionais e de saúde. A pesquisa ficará mais fácil. Os alunos poderão conseguir professores particulares gerados por máquina, adaptados ao seu estilo de aprendizagem sobre as matérias e assuntos que consideram mais difíceis ou mais interessantes, dando aos professores reais mais tempo com cada aluno. Os pacientes poderão acessar informações de saúde ajustadas às suas necessidades, condições ou objetivos específicos.

Essa concepção de web é empolgante e empoderadora. Utópica até, mas firmemente baseada na realidade. Será tão radicalmente transformadora quanto o lançamento do Google. O Google apenas forneceu um caminho sem atrito para conteúdos que já existiam. A web sob medida, por sua vez, desempenhará um papel ativo na criação desse conteúdo.


SOBRE O AUTOR

Alex Cardinel é CEO da Article Forge, empresa de produção de conteúdo via inteligência artificial.   

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Como empresas estão inseridas na economia da atenção

É importante usar a tecnologia e o tempo que estamos conectados de forma inteligentes

Camila Farani – Estadão – 06/04/2022 

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Você já parou para pensar no quanto a sua atenção é valiosa hoje em dia? Se você estiver em uma reunião, deixará de dedicar esse tempo para a leitura; se estiver em uma conferência, não verá a sua série favorita.

Enquanto prestamos atenção em algo, deixamos outras coisas de lado. Por isso, falamos tanto na economia da atenção, termo cunhado por Herbert A. Simon, vencedor do Nobel. A atenção é escassa, mas a informação não.

Isso explica a competição gigante que existe entre as empresas para que estejamos atentos às mensagens que elas pretendem transmitir. Netflix, Amazon, Facebook, Google, Twitter e outros, usam a estratégia de estabelecer relacionamentos diretos com os clientes por meio de recomendações, compras, alertas e pesquisas. Essa é uma forma de nos manter ali, atentos.

Tudo está ligado entre tecnologia, economia e empresas

Tudo está ligado entre tecnologia, economia e empresas

Nas redes sociais, tudo que fazemos é monitorado e direcionado para que passemos cada vez mais tempo rolando o feed, interagindo com as publicações e, claro, deixando rastros que permitam produtos e serviços personalizados.

É uma corrida para capturar nossa atenção e ganhar dinheiro com isso. Em 2013, a Netflix produzia 73 horas de conteúdo original por ano; em 2019, foram 2.769 horas. O consumo de streaming e conteúdo de jogos aumentou 22% em 2020 em comparação com 2019, aponta a Accenture. Em setembro de 2020, os usuários do TikTok passaram 45 minutos na plataforma por dia.

Na economia da atenção, muitas plataformas são gratuitas, mas vendem a atenção do usuário para marcas, governos e organizações não governamentais, como comenta Sinan Aral, diretor da MIT Initiative on the Digital Economy.

E o que isso tem a ver com o seu negócio? Centenas de empresas estão cortejando a atenção de seu público-alvo de forma cada vez mais competitiva. Você precisa saber ocupar esse espaço de forma alinhada com o que o novo consumidor espera. Vale um alerta: as pessoas estão começando a ficar esgotadas, e muitas não estão mais prestando atenção a muita coisa que está sendo oferecida.

É preciso ser cada vez mais criterioso, conhecer as reais necessidades do seu cliente e construir uma abordagem personalizada e não invasiva.

A pandemia foi propulsora da transformação digital, que desencadeou novas habilidades e novos formatos de usabilidade digital. A união de tempo conectado mais produtividade deve ser um diferencial harmonizado para todos. Por isso, é importante pensar em como utilizar a tecnologia, e o tempo que estamos conectados, de forma inteligente.

https://link.estadao.com.br/noticias/geral,como-empresas-estao-inseridas-na-economia-da-atencao,70004030260

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O Brasil na corrida pelo hidrogênio verde (com US$ 20 bi em projetos)

Começam a se desenhar pelo menos três hubs para produção de H2V, em torno dos portos de Pecém, Suape e Açu

hidrogênio verde recebe investimentos bilionários

Por Sérgio Teixeira Jr. – Capital Reset 10 de setembro de 2021

A promessa do hidrogênio como recurso energético já entrou e saiu de moda algumas vezes, mas os astros parecem finalmente alinhados — e o Brasil tem a oportunidade de tornar-se uma potência na produção de um insumo desejado pelo mundo inteiro e essencial na luta contra a mudança climática.

O hidrogênio verde recebe esse nome porque é produzido sem a emissão de CO2, a partir da quebra da molécula da água realizada com eletricidade de fontes limpas, um recurso abundante no país.

Começam a se desenhar pelo menos três hubs para produção de hidrogênio verde no país. Esses centros orbitam em torno dos portos de Pecém, no Ceará, de Suape, em Pernambuco, e do Açu, no Rio de Janeiro, que já firmaram memorandos de entendimento com grandes grupos internacionais. O objetivo inicial é a exportação.

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O que é o hidrogênio verde — e por que ele promete ser o combustível do futuro Na transição energética, Vibra vai de geração distribuída, biometano e até hidrogênio verde A nova aposta de Bill Gates e Amazon: fazer a aviação a hidrogênio decolar Vitreo lança fundo para investir em hidrogênio verde

Em estágio mais avançado está um projeto piloto anunciado pela portuguesa EDP no porto cearense, unindo uma usina de energia solar e um eletrolisador, o equipamento que separa as moléculas de hidrogênio e oxigênio da água. O investimento é de R$ 42 milhões, e a operação deve começar no final do ano que vem.

A White Martins e a australiana Fortescue Futures, subsidiária da mineradora australiana Fortescue Metals Group, também estudam produzir H2V no Ceará. Esta última tem a ambição de ser a primeira produtora de “ferro verde” do mundo, ou seja, produzir o minério sem nenhuma emissão de CO2, e também tem planos para o Porto do Açu.

Em Pernambuco, foi anunciada uma parceria entre a Neoenergia, do grupo espanhol Iberdrola, e o governo do Estado e também um memorando de entendimentos com a francesa Qair.

Por enquanto, há mais estudos e promessas do que iniciativas reais em território brasileiro. Mas, se concretizados, os planos superariam US$ 20 bilhões em investimentos, estima Emílio Matsumara, diretor executivo do E+ Transição Energética, um centro de estudos sobre transição energética. 

A movimentação é intensa porque o Brasil “tem plenas condições de assumir posição de liderança dessa nova commodity energética”, afirma um estudo recém-publicado do Grupo de Estudos do Setor Elétrico, ligado à UFRJ.

“Já vi muitos picos e vales envolvendo hidrogênio, mas agora temos um verdadeiro boom”, diz Paulo Emílio Valadão de Miranda, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e presidente da Associação Brasileira de Hidrogênio (ABH2). “O número de empresas associadas à ABH2 dobrou de junho para cá. Temos grandes projetos sendo prospectados no Brasil.”

Tempestade perfeita

A explicação é uma convergência inédita de fatores: a demanda gerada pela emergência ambiental, o amadurecimento das tecnologias produtivas, a redução dos custos e, é claro, o dinheiro para investimentos.

A produção anual de hidrogênio de baixas emissões (o que inclui, além da verde, a versão azul, feita a partir de combustíveis fósseis, mas com captura do CO2 no processo) foi de 0,36 Mt (milhão de tonelada) em 2019 e pode chegar a 7,9 Mt em 2030, de acordo com uma projeção da Agência Internacional de Energia.

Trata-se de um aumento de 20 vezes na capacidade global de produção, mas esse total ainda seria uma parte pequena do total de H2 consumido pela indústria pesada.

Setores como químico e refinarias demandam hoje cerca de 75 Mt anuais, quase tudo atendido com hidrogênio feito a partir de gás natural e carvão, com emissões que correspondem às do Reino Unido e da Indonésia somadas.

Mas a expectativa é que o hidrogênio, em especial o verde, torne-se uma commodity energética fundamental no mundo pós-combustíveis fósseis.

A Alemanha, por exemplo, anunciou investimentos públicos de US$ 10 bilhões em iniciativas relacionadas ao hidrogênio de baixas emissões até o fim desta década, dos quais uma parte será direcionada à produção em países parceiros. 

As possíveis aplicações vão da indústria pesada ao transporte de cargas, duas atividades que dificilmente podem ser eletrificadas.

Na siderurgia, ele pode ser usado para substituir parte do coque queimado nos alto-fornos e já existem projetos-piloto na Europa que produzem aço de zero emissão .

“Temos usinas na Espanha e na Alemanha usando esse novo método”, diz Guilherme Correa, gerente-geral de sustentabilidade da ArcelorMittal do Brasil.  “O hidrogênio verde será parte do nosso processo de descarbonização, mas a tecnologia ainda está em desenvolvimento”.

Olhando para fora 

Os primeiros projetos em estudo no país estão voltados para atender o mercado externo, por duas razões principais. A primeira é a demanda: metas estritas de redução de emissões de atividades industriais impostas pelos governos.

O complexo do Pecém anunciou em abril um acordo com a White Martins para analisar a viabilidade técnica de um hub exportador.

“A ideia é comercializar a produção para a Europa, que já tem leis e protocolos mais avançados para a descarbonização”, diz Guilherme Ricci, diretor de hidrogênio e gás natural liquefeito da White Martins.

A intenção é reunir todas as etapas do processo — geração da eletricidade, eletrólise da água, armazenamento e transporte — em um polo integrado e de lá embarcá-lo diretamente em navios. No Porto do Açu, a ideia é semelhante.

“Faz sentido reunir tudo num único lugar porque o transporte responde por quase dois terços do preço final do hidrogênio”, diz Massimiliano Cervo, diretor de novos negócios da H2 Helium, uma consultoria especializada em projetos de hidrogênio fundada em abril. 

Mesmo incluídos os custos de atravessar o Atlântico, o Brasil tem as condições para ser competitivo, diz Cervo. “A principal matéria-prima do hidrogênio verde é a energia renovável. O custo da eletricidade é mais baixo aqui do que em países europeus e da Oceania. A América Latina está numa posição de grande vantagem hoje.”

De acordo com estimativas da Empresa de Pesquisa Energética, um órgão do governo federal, o potencial de geração eólica do país é de mais de 1050 GW (em terra e no mar), dos quais somente 16 GW estão instalados. Em energia solar, o potencial é quase cem vezes superior à capacidade instalada.

O desafio é transformar essa energia em hidrogênio verde a um custo viável.

“O hidrogênio verde ainda custa entre US$ 5 a US$ 6 o quilo. Já o produzido a partir de combustíveis fósseis, entre US$ 2 e US$ 3”, diz Matsumura. Como referência, a energia gerada por 1 kg de hidrogênio equivale à de 3,2 kg de gasolina.

Uma parte fundamental dos planos em gestação é fechar a ponta dos compradores. “Do lado do comprador, você vai precisar de gente disposta a pagar esse prêmio inicial.”

Matsumura estima que a produção em alta escala, no Brasil e no mundo, só deva acontecer no final desta década ou no começo da próxima. “Até pouco tempo atrás se falava em 2040. Antecipamos dez anos. Mas temos de lembrar que movimentos no setor de energia são lentos.”

Até lá, ainda há a necessidade de avanços tecnológicos e ganhos de escala e o desenvolvimento do mercado consumidor.

Dos 60 bilhões de euros que a União Europeia pretende investir na economia do hidrogênio até 2030, quase metade diz respeito a sistemas de distribuição e aquecimento doméstico e industrial, transportes e veículos movidos a hidrogênio.

Um mercado interno incerto

Outra razão para o foco no mercado internacional são as incertezas em relação ao mercado interno no Brasil. A demanda potencial existe, mas ainda há zonas cinzentas em termos de regulamentação.

O governo brasileiro, por enquanto, não se comprometeu com nenhuma das cores do hidrogênio. Essa postura agnóstica, na opinião de Matsumura, faz algum sentido.

O país tem reservas abundantes de gás natural para produzir o hidrogênio azul (capturando as emissões de CO2). Além disso, o hidrogênio azul é considerado uma transição até que o H2V possa competir em termos de preço.

Por outro lado, os maiores recursos investidos mundo afora são no hidrogênio verde. Todos os grandes projetos em análise, hoje, envolvem o uso dessa tecnologia.

Por aqui, os grandes impulsionadores dessa nascente economia do hidrogênio têm sido os Estados.

O governo do Rio de Janeiro entende o Porto do Açu como principal vetor de crescimento do estado atualmente”, diz Mauro Andrade, diretor de desenvolvimento de negócios da Prumo Logística, sócia do complexo. 

A área será designada uma ZPE (zona de processamento de exportação, um passo fundamental para a instalação da planta de hidrogênio. “Isso vai impulsionar a industrialização do porto, baseada em projetos de energia renovável.”

Na opinião de Matsumara, o importante agora é que o governo federal não atrapalhe. “Criar um desenho de mercado justo, que permita uma competição justa, já não é pouca coisa.”

Miranda, da UFRJ, oferece outra perspectiva. “Veja bem: exportar hidrogênio é um excelente negócio. Devemos fazer isso. Mas não podemos fazer só isso”, diz. “Não podemos nos esforçar para descarbonizar o resto do mundo e não nos descarbonizarmos.”

Ele opina que têm de ser criadas as condições regulatórias que permitam também o desenvolvimento de tecnologia nacional. O risco, diz Miranda, é repetirmos a exportação de minério de ferro e a importação de aços especiais.

Ele aponta o desenvolvimento do setor do etanol como exemplo. “O primeiro motor a álcool foi desenvolvido no Brasil na década de 1920.” Esse mesmo pioneirismo, diz, pode sustentar uma onda de inovação brasileira relacionada ao hidrogênio.

Pesquisadores da UFRJ já demonstraram três versões do H2+2, um protótipo de ônibus movido a hidrogênio que foi utilizado na Olimpíada do Rio, em 2016. Nos Jogos de Tóquio, realizados em julho, mais de 500 ônibus movidos a hidrogênio transportaram os atletas.

O país também tem startups focadas no desenvolvimento de células de combustível, sistemas de tração e produção de hidrogênio a partir de biomassa.

“Nos últimos 20 anos, o Brasil fez investimentos não-desprezíveis em ciência e tecnologia nessa área. Temos vantagens importantes em relação a outros países da América Latina”, diz Miranda.

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O que os empreendedores estão lendo? Veja 26 indicações imperdíveis

Diretores, empreendedores e CEO ‘s de 26 empresas indicaram livros que abordam questões importantes sobre empreendedorismo e desenvolvimento profissional, confira

Redação StartSe 29 out 2022

Ontem, 29, foi celebrado o Dia Nacional do Livro. A data foi criada em 1810 em comemoração a transferência da Real Biblioteca para o Rio de Janeiro, então capital do Brasil.

Quem gosta de seguir aprendendo, também curte boas recomendações. Por isso, nada melhor do que uma lista do que está na cabeceira dos empreendedores, diretores e CEOs, não é mesmo? Confira 26 títulos inspiradores? 

O Lado Difícil das Situações Difíceis, de Ben Horowitz

Indicado por Amure Pinho, fundador do Investidores.vc, o livro trata de experiências reais baseadas em momentos difíceis, tomada de decisões duras, mas importantes para o negócio. A obra mostra que nenhum problema é igual ao outro, mas as angústias, dúvidas e espinhos são comuns em toda jornada de negócios.

Como Chegar ao Sim: Como Negociar Acordos Sem Fazer Concessões, de Roger Fisher, William Ury e Bruce Patton

Indicação de Tania Gomes, Diretora de Inovação do Ibrawork, o livro dá algumas dicas importantes sobre como concentrar-se mais nos interesses do que nas posições, criando assim opções positivas para as duas partes, além de mostrar a importância de separar pessoas e problemas, facilitando muito a compreensão de quais são os pontos de conflito e como evitá-los.

Sonho grande: Como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira revolucionaram o capitalismo brasileiro e conquistaram o mundo

Indicado por Rodrigo Petroni, CEO e fundador da UPM2, o livro ensina que na jornada empresarial, temos que correr risco o tempo todo e as pessoas que se dispõem a correr risco devem ser valorizadas. Além de mostrar a lição mais importante, que é sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho.

Experiência do cliente: Na teoria e muita prática – Coordenação: Bruno Guimarães e Christiano Bem

Indicado por Tomás Duarte, cofundador e CEO da Track.co, é o primeiro livro de Customer Experience do Brasil. A obra traz uma visão abrangente com diferentes desafios, experiências, soluções e cases de implementação da experiência do cliente nas organizações, a partir do know how de 35 especialistas referências no mercado de CX.

Capital Relacional: A estratégia de resultados da nova economia, de Roberto Tranjan

Indicado por Pamela Paz, CEO do Grupo John Richard, o livro propõe que pessoas, negócios e mercados resgatem a razão de ser da sua existência, para trilhar um caminho sólido e bem-sucedido rumo ao crescimento. 

Da Privacidade À Proteção De Dados Pessoais, de Danilo Doneda

Indicado por Amanda Moura, Analista Jurídico e Encarregada de Dados do Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia, o livro, além do pioneirismo ao inaugurar o debate da matéria da proteção de dados pessoais no Brasil em chave moderna, ao longo dos anos se consolidou como a maior referência sobre a matéria, trazendo tanto seus aspectos formativos como abrangendo os temas e debates que balizaram a criação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil. 

Previsivelmente irracional, de Dan Ariely 

Indicado por Denis Ferrari, CEO da Azys, o livro traz diversos experimentos diários com o objetivo de ajudar a entender e comprovar como diferentes fatores influenciam as escolhas das pessoas, uma vez que muitos erros cometidos são repetidos e previsíveis. Assim, ele explica as irracionalidades diárias de uma forma divertida. 

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Guga, Um Brasileiro, de Gustavo Kuerten

Indicado por Nicolaos Theodorakis, fundador e CEO da Noah, a obra relata todas as passagens mais marcantes da vida do tenista Guga. Embora conectados ao esporte, o livro remete a diversos aspectos que podem se relacionar com o empreendedorismo, destacando que a necessidade de se superar a cada instante faz com que nos dediquemos diariamente, a fim de superar todos os nossos desafios e enfrentar as adversidades constantes da vida.

Empreendedoras de Alta Performance – Coordenação: Andréia Roma, Janine Brito e Katharine Bernardes

Indicado por Jefferson Araújo, CEO da Showkase, o livro vem se tornando referência ao compartilhar as histórias da atuação de mulheres na cidade em que vivem. Ao todo, são 29 líderes, dos mais diversos segmentos, que representam o modo feminino de empreender.

Investimentos: Como Administrar Melhor Seu Dinheiro, de Mauro Halfeld

Indicado por Samir Iásbeck, CEO e Fundador da Qranio, o livro dá dicas de como administrar melhor o dinheiro e como ele pode se multiplicar  com o passar do tempo. Com uma abordagem objetiva e didática, ele fala de questões como os melhores caminhos para o orçamento pessoal, a compra de imóveis e os investimentos financeiros.

O Catador de Sonhos, de Geraldo Rufino

Indicado por Mateus Vicente, CEO e fundador do MaisMei, o livro mostra que trabalhar com o espírito e a mente é a fórmula do sucesso que Rufino conseguiu desenvolver. Ensinou também enxergar oportunidades em cenários diversificados, não se deixar abalar pelas crises e manter a credibilidade em momentos críticos.

A morte é um dia que vale a pena viver, de Ana Claudia Quintana Arantes 

Indicado por Guiarruda, CEO da Vertown, o livro aborda o “fim” sob um ângulo diferente. Para a autora, o que deveria nos assustar não é a morte em si, mas a possibilidade de chegarmos ao fim da vida sem aproveitá-la, de não usarmos nosso tempo da maneira que gostaríamos. 

Do mil ao milhão, de Thiago Nigro

Indicado por Carla B. Schork, Diretora de Novos Negócios Texneo, o livro mostra que a riqueza é possível para todos, basta estar disposto a aprender e se dedicar. 

Pense simples, de Gustavo Caetano

Indicado por Mateus Magno, CEO da Sambatech, o livro mostra que, ao contrário do que se imagina, inovar é simples. A obra ensina como o fracasso pode moldar a mentalidade para o sucesso, a lógica da simplicidade para estimular a inovação e, principalmente, a importância de ser ágil e leve para se manter com alto potencial inovador.

Avalie o que importa, de John Doerr

Indicado por Thiago Campaz, CEO do VExpenses, a obra é ideal para o empreendedor que deseja criar um modelo simples e eficiente de definição e mensuração de Objetivos e Resultados-chaves (OKRs)

Persuasão: Como usar a retórica e a comunicação persuasiva na sua vida pessoal e profissional, de Maytê Carvalho

Indicado por Camila Florentino, CEO da Celebrar, o livro ajuda as pessoas a se comunicarem melhor, ter mais protagonismo, voz ativa e a capacidade de influenciar as tomadas de decisões. 

Vendedor bonzinho não fica rico: Os quatro princípios sobre como ganhar dinheiro com vendas, de Thiago Concer

Indicado por Gustavo Mota, CEO da Sales Clube, o livro aponta os fatores e as razões que influenciam o sucesso na área de vendas. 

Feedback corporativo – como saber se está indo bem, de Simoni Missei 

Indicado por Gustavo Malavota, sócio-diretor da SalesFarm, o livro vai mostrar como um feedback pode ser eficiente e enriquecedor para as empresas e funcionários e como eles devem agir em caso de retornos positivos ou construtivos. 

Os Eleitos, de Tom Wolfe

Indicado por Paulo Castro, CEO do Contbank, o livro é uma biografia que conta a história de pilotos envolvidos em experiências de foguetes americanos no pós-guerra e documenta as histórias dos primeiros astronautas do Projeto Mercury, primeiro projeto tripulado de exploração espacial feito pela NASA. 

Alta Performance em Vendas: Como fazer amigos & Influenciar Clientes Para Aumentar Suas Vendas, de Dale Carnegie, J. Oliver Crom e Michael Crom 

Indicado por Rafael Gianesini, CEO e co-fundador da Cidadania4u, o livro é um clássico na área comercial e desmistifica o processo de vendas com dicas que vão desde a prática até psicológicas, como o motivo por trás do interesse no produto. 

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Psicologia financeira, de Morgan Housel

Indicado por Pedro Santiago, CEO e co-fundador da Idez, o livro apresenta casos de sucessos e fracassos que demonstram a importância do fator psicológico nas finanças, oferecendo aprendizados para administrar e fazer o dinheiro render em busca da felicidade.

Gestão do Amanhã, de Sandro Magaldi e José Salibi Neto

Indicado por Daniel Kroin, CEO e co-fundador da DIWE, o livro apresenta conceitos de alto impacto como a criação dos motores de crescimento que são basicamente como estamos atentos para o futuro e nos transformando para uma nova economia.

Gestão de alta performance: tudo o que um gestor precisa saber para gerenciar equipes e manter o foco em resultados, de Andrew S. Grove 

Indicação de Jota Baptista, CMO e Sócio da Vivalisto, a obra traz ensinamentos sobre como criar e manter uma empresa e insights práticos de como gerenciar negócios e conquistar desempenho e performance. O livro foi escrito por Andrew Grove, que foi CEO da Intel.               

A regra é não ter regras: a Netflix e a cultura da reinvenção, de Reed Hastings e Erin Meyer 

Indicado por André Brandão, CEO da Medictalks, o livro traz detalhes da cultura criada pela Netflix, como o negócio atingiu o sucesso e também os principais ensinamentos a respeito de gestão de pessoas e liderança. 

Liminal Thinking, de David Gray 

Indicado por Daniel Guedes, Co-founder e CEO da Socii Law, o livro busca simplificar a vida das pessoas, trazendo imagens e pensamentos visuais e explicando como o Pensamento Liminal – Liminal Thinking em tradução livre – que pode ajudar os seres humanos a encontrarem oportunidades por trás das suas crenças. A obra é uma ótima indicação para líderes de diferentes departamentos e profissionais da área de design. 


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Estudo de caso Starbucks: como ele se tornou o café mais conhecido do mundo

por: Iara Rodrigues – G4 Educação –  31 de maio de 2022

Starbucks coffee

De um começo humilde em 1971 como uma cafeteria de Seattle, para a maior rede de cafeterias do mundo, com mais de 33.000 pontos de venda em 83 países. Descubra, através do estudo de caso Starbucks, o segredo que fez dessa marca um empreendimento universalmente conhecido.

A Starbucks Corporation é uma cadeia multinacional americana de cafés e reservas de torrefação com sede em Seattle, Washington. Como a maior rede de cafeterias do mundo, é considerada a principal representação da segunda onda da cultura do café nos Estados Unidos.

A marca está classificada em 120º lugar na lista Fortune 500 e tem como alvo pessoas que desejam um espaço tranquilo para tomar café e perder o estresse – uma clientela predominantemente pertencente às classes média-alta e alta.

Por causa de seu ambiente íntimo, ambiente convidativo e serviço incomparável, a experiência de um cliente em uma loja Starbucks é, sem dúvida, diferente de qualquer outra cafeteria. Costuma-se dizer que a Starbucks ensinou a América a beber café e agora está continuamente ensinando o mundo. Vejamos então como a companhia conseguiu conquistar a sua forte posição no mercado.

A jornada de expansão de um império

Fundada em 1971 na cidade de Seattle, nos EUA, a companhia foi criada por 3 amigos: Jerry Baldwin (ex-professor de inglês), Gordon Bowker (escritor) e Zev Siegl (professor de história). Em comum, os três fundadores eram estudantes da Universidade de San Francisco em seus 20 e poucos anos que desejam que a sua cidade tivesse acesso ao delicioso café torrado sem precisar se deslocar até outro município para encontrar.

Inicialmente, além de juntarem as suas economias para investir no novo negócio, também foi necessário pedir dinheiro emprestado para abrirem a sua primeira loja (foram $ 1.350 de cada + $ 5.000 de empréstimo bancário), próxima ao histórico Pike Place Market.

Foto em preto e branco de 1979, com Zev Siegl, Jerry Baldwin and Gordon Bowker de terno, em frente à Starbucks e com uma xícara de café em mãos.(Na imagem: Zev Siegl, Jerry Baldwin and Gordon Bowker em 1979)

(Crédito: Starbucks)

Em seus nove primeiros meses, a companhia importava seu café da Peet’s Coffee e vendia, em uma humilde vitrine, o grão torrado, chá e outros temperos.

O nome do estabelecimento foi definido após uma sessão de brainstorming focada em encontrar o maior número possível de palavras que começassem com as letras “St”. Segundo Bowker, estes eram termos que apareciam com frequência em negócios bem-sucedidos. Assim, Starbucks veio como resultado de uma homenagem ao clássico personagem do romance de Moby Dick.

Em 1983, a Starbucks comprou a Peet’s Coffee e Howard Schultz, contratado em 1982 para gerenciar as vendas e o marketing da companhia, viajou para a Itália, onde se encantou com a cultura e a produção cafeeiras e tentou replicar esse modelo em solo norte-americano.

Infelizmente, os gestores da companhia não apoiaram a sua iniciativa e ele decidiu se desligar da Starbucks. Em 1986, ele abriu o seu próprio café. Pouco tempo depois, cerca de um ano, Schultz estava se tornando um empresário bem-sucedido enquanto a sua ex-empresa não decolava, mesmo já contando com um total de seis estabelecimentos em sua cidade natal.

Como consequência, em 1987, Schultz fez uma proposta para comprar a parte de seus ex-patrões na Starbucks: US$ 4 milhões por todas as unidades. Os três proprietários originais decidiram vender o negócio e a companhia passou por uma reformulação e expansão agressivas.

Inicialmente, suas operações não incluíam serviços de cafeteria, mas apenas um local para a venda de grãos torrados. Foi depois que Schutz assumiu a empresa, que a Starbucks começou a vender bebidas.

Imediatamente, ele possibilitou a abertura do negócio para outros territórios: Vancouver, British Columbia e Chicago. Apenas 2 anos depois, já existiam 46 cafeterias espalhadas pelo oeste dos Estados Unidos e Canadá. 

A expansão global da companhia foi rápida e estratégica. Em 1992, a empresa abriu seu capital com 140 locais e uma receita impressionante de US$ 73,5 milhões. Este foi apenas o começo da ascensão da companhia.  

Nesse sentido, em 1996, a Starbucks abriu a sua primeira loja internacional em Tóquio. Em 1998, adentrou o Reino Unido e, em 2002, penetrou o mercado latino-americano, através do México.

“Acredite em seus sonhos e sonhe grande. Depois que fizer isso, sonhe ainda maior.”

Howard Schutz

Entre 1998 e 2008, a Starbucks cresceu de 1.886 lojas para 16.680. Apesar dessa ascensão meteórica, a recessão global de 2008 comprometeu a história da companhia enquanto as economias do mundo desabavam e parte considerável de suas lojas e colaboradores foram dispensados.

Felizmente, a Starbucks conseguiu ir se recuperando paulatinamente à medida que a crise foi diminuindo. E continuou, sucessivamente, reinaugurando lojas até atingir a marca de 83 países no globo.

Vale salientar que, em 2015, novas lojas foram abertas no Panamá e conquistou-se a marca de 99% de café de origem ética. Além disso, uma solução blockchain da Microsoft permite que os envolvidos na sua cadeia de suprimentos rastreiem tanto o movimento do café quanto sua transformação do grão ao saco final.

Finalmente, em 3 de abril de 2017, seu ex-CEO, Howard Schultz, passou a liderança da empresa para Kevin Johnson. Mesmo com toda essa mudança, a organização continua a executar com sucesso seus planos estratégicos, incluindo inovação em café, opções de alimentos elevados e inovação em chás gelados artesanais premium.

Mapa mundial com os países que possuem o maior numero de lojas Starbucks: EUA, China, Japão, Canadá, Coréia do Sul e Reino Unido.(Na imagem: países com mais lojas Starbucks)

(Crédito: Statista)

Recentemente, a companhia decidiu abandonar o mercado russo, depois de quase 15 anos, como protesto pela invasão da Ucrânia. O seu atual CEO, Kevin Johnson, condenou os “horríveis ataques da Rússia à Ucrânia” e comunicou que tomaria medidas que estivessem em consonância com os seus “valores”.

Mesmo com a sanção, espera-se que a Starbucks mantenha o seu forte ritmo de crescimento e continue desenvolvendo o seu conceito de ser um terceiro lugar entre casa e trabalho, no qual as pessoas podem relaxar, degustar a sua bebida preferida e, de quebra, experimentar uma sensação única. 

Em números, a companhia obteve lucro líquido de US$1,764 bilhão, ou US$1,49 por ação, no quarto trimestre de seu ano fiscal 2021, segundo relatório oficial – um aumento de 349,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Vale lembrar que, ainda em 2021, a companhia atingiu o marco de 50 anos de sua criação.

Quando a experiência é mais importante que o produto em si

A Starbucks alavancou o seu faturamento criando algo que não existia: um espaço sofisticado onde os seus clientes podiam se deliciar com bebidas sofisticadas, além de relaxar e socializar. 

Inicialmente, os pequenos detalhes que a diferenciava de seus concorrentes e que permitiam que fossem cobrados alguns dólares a mais pelos seus produtos foram ridicularizados por muitos. Em especial, a nomenclatura peculiar de seus tamanhos de café: alto, grande e venti para identificar pequeno, médio e grande.

Entretanto, o que a concorrência não percebeu é que a companhia não queria para si uma identidade totalmente americana. Suas nomenclaturas originais eram uma característica de refinamento e elegância.

“A Starbucks era uma maneira acessível de obter luxo”.

Craig Garthwaite, professor associado da Kellogg School of Management da Northwestern

Assim, possuindo uma identidade de marca distinta, cafeterias Starbucks são facilmente reconhecíveis em qualquer lugar do mundo. Para uma marca global, esse é um dos elementos obrigatórios.

Desde o início, o aspecto experiencial da marca foi implementado de forma consistente e eficaz em todas as suas lojas. Além disso, a empresa construiu seu diferencial em coisas que tendem a ser disruptivas, indo além do que é inovação e desafiando consistentemente a sabedoria convencional.

Em parte, isso se deve à sua estratégia de marketing exclusiva, responsável por criar uma base de clientes pronta para fazer fila apenas para tomar café. A abordagem da Starbucks para coletar insights, de igual modo, é bastante peculiar em comparação com outras organizações multimilionárias.

A empresa optou por adotar uma estratégia omnichannel, através de um programa de recompensas que permite a integração e cooperação de vários canais para interagir com os seus consumidores e criar uma experiência de marca consistente e inesquecível.

O aspecto chave a destacar aqui é o fato da organização não ter uma visão rígida e compartimentada de compreensão dos clientes. Pelo contrário, a empresa está sempre “em movimento”, desenvolvendo uma inteligência de reação e velocidade em busca das melhores tendências para saber como reagir adequadamente às oscilações do mercado.

Durante a pandemia, por exemplo, a Starbucks foi ágil e resiliente, conseguindo aplicar e escalar, rapidamente, os conceitos de isolamento social, com o Starbucks Pickup (pedir pelo aplicativo e ir para um local apenas para retirada), drive-thrus (de 60% de suas lojas para 80%), janelas walk-up e pickups ao lado do meio-fio.

Nesse sentido, reinventar-se é a única certeza para aquisição e retenção de clientes. Vejamos como até o seu próprio logotipo foi evoluindo para transmitir cada vez mais uma ideia de flexibilidade:

(Na imagem: timeline de transformação da logo Starbucks)

(Crédito: OpenLab)

No geral, a marca provou ser muito inovadora e significativa com suas escolhas de design. É por causa de seus traços que somos capazes de reconhecer e identificar a cadeia a quilômetros de distância. 

No geral, a marca provou ser muito inovadora e significativa com suas escolhas de design. É por causa de seus traços que somos capazes de reconhecer e identificar a cadeia a quilômetros de distância. 

Indo além, entre as várias prioridades da Starbucks para acompanhar os seus consumidores está a expansão do alcance digital da marca. Para isso, por exemplo, suas lojas estão sempre oferecendo Wi-Fi gratuitamente, serviços de pedidos móveis e criando consciência de suas bebidas através de campanhas de marketing baseadas em seus produtos. As campanha #ExtraShotOfPride, que promove a comunidade LGBTQIA+, e a #RedCupArt, com foco no senso de comunidade, são alguns exemplos.

Os desafios e jogos para envolver os clientes e aumentar sua base de fãs são frequentes. E, como se pode ver abaixo, o seu conteúdo e o engajamento tendem a ser consistentes em todas as plataformas sociais:

  • Instagram – mais de 17.7 milhões de seguidores;
  • Facebook – mais de 36 milhões de curtidas;
  • Twitter – mais de 11 milhões de seguidores;
  • Tik Tok – mais de 9.6 milhões de likes;
  • E outras.

Importante ressaltar que o foco na experiência não termina no cliente. Howard Schultz – CEO da companhia de 1986 a 2000 e de 2008 a 2017 – acreditava fortemente no fato de que funcionários felizes levariam a uma maior satisfação do cliente. Por isso, criou-se a cultura de chamar seus colaboradores de parceiros, propositalmente mais bem remunerados do que a média do setor e com um extenso rol de benefícios, bem como o incentivo da diversidade em seus processos de seleção.

A lógica é simples: quando se está no setor de prestação de serviços, a satisfação e o tratamento do cliente são, muitas vezes, mais importantes do que a qualidade do produto em si. Esse ótimo atendimento é evidente na forma como eles se certificam de escrever o nome do consumidor na xícara de café. Nesse sentido, a prioridade é garantir que todos os seus clientes sejam tratados pelo nome e com respeito – são funcionários felizes que fazem clientes felizes.

“Inspirar e nutrir o espírito humano – uma pessoa, uma xícara e um bairro de cada vez”.

A missão da Starbucks

5 lições da Starbucks para a criação de uma marca bem-sucedida

Assim como estudos de caso de outras grandes empresas, a citar: Heineken, Patagonia, Spotify, Red Bull, BlackBerry, Lego, Morning Crew, Blockbuster, Slack, Whatsapp, Amazon etc. é possível identificar inúmeras técnicas de growth hacking incorporadas na sua cultura organizacional para focar nos resultados e acelerar o crescimento. Vejamos como isso se estabeleceu na Starbucks.

Lição 1: mudar é bom

Segundo o Statista, o café continua sendo o maior segmento no mercado de bebidas quentes do mundo e espera-se que atinja uma receita global de US$585 bilhões até 2025.

Desde o início, a estratégia utilizada pela Starbucks foi de trazer um produto já estabelecido em diferentes espaços culturais e geográficos para um novo mercado. Não só a marca precisava fornecer valores claros, mas também educar seu uso.

Pouco a pouco, as suas lojas entenderam a importância de serem flexíveis para mudarem e fornecerem novidades estratégicas para aprimorar a experiência do seu usuário. Hoje, além de café, os seus estabelecimentos servem bebidas quentes e frias, chás, sucos frescos, lances e, também, ofertas sazonais e específicas.

Embora o produto seja um dos principais componentes de um negócio de sucesso, pense em suas possíveis atualizações. Mantendo a essência, você pode diversificar a oferta e adquirir novas fontes de receita.

Lição 2: faça pesquisas de mercado

Com planejamento e estratégia adequados, foi possível naturalizar com sucesso nos EUA o conceito que Schultz viu na Itália. Ao se realizarem diversas pesquisas de mercado, constatou-se que o público-alvo da companhia seriam clientes do sexo masculino e feminino, especialmente urbanos, na faixa etária de 25 a 45 anos, preocupados com a saúde, com consciência de classe e em busca de um local tranquilo para relaxar. 

A partir dessa premissa, o novo mercado se desenvolveu, coletando-se o máximo possível de informações sobre seus consumidores e os locais onde o seu produto seria mais usado e estabelecido para criar intimidade com eles. 

Essa metodologia trouxe muitos insights que ajudaram a construir os principais benefícios e particularidades que elevaram à popularidade da Starbucks não apenas nos EUA, mas em todo o mundo.

Lição 3: mime seus clientes

É fundamental pensar além do produto e identificar o que mais pode ser feito para que o cliente sinta a sua falta. A excelência no atendimento é obrigatória, especialmente pela essência do café e da frequência das visitas – um vínculo que se estabelece muito mais rápido do que em outros estabelecimentos, especialmente porque, nos primeiros anos, a Starbucks não havia concorrência.

Nesse sentido, a organização não costuma oferecer nenhum tipo de desconto ou promoção, para não diminuir a sensação premium da marca. Todas as suas ações estão voltadas para produzir uma conexão positiva com o seu público. Assim, entre os seus ativos mais valiosos, podem citar: a qualidade do produto, a disponibilização de wi-fi confiável e gratuito, assentos confortáveis ​​e mesas comunitárias, baristas amigáveis, cores e materiais para dar a sensação de aconchego e música e cheiros especiais para criar um ambiente agradável.

Como se não fosse o bastante, a companhia dominou a tecnologia móvel na hora certa. Na pesquisa Manifest em 2018, a Starbucks teve o aplicativo mais popular de recompensas de fidelidade – usado diariamente por 48% dos usuários entrevistados.

(Na imagem: maior fidelidade entre aplicativos de restaurantes)

(Crédito: The Manifest)

O sucesso de seu aplicativo veio por agregar valor ao seu usuário, com facilidade de uso e um conteúdo dinâmico e divertido. O CFO da Starbucks, Scott Maw, confirmou que quase todo o crescimento de vendas nas mesmas lojas da empresa veio de clientes que têm relacionamentos digitais com a empresa e aqueles que estão no programa Starbucks Rewards.

Dito isso, retenção é o nome do jogo. Se um cliente confia em você o suficiente para baixar o seu aplicativo, essa é uma oportunidade única de mimá-lo e convertê-lo em um consumidor regular.

Lição 4: o sistema LATTE

Empresas bem-sucedidas adotaram o conceito Flywheel, do clássico livro “Good to Great” de Jim Collins. Simplificando, a ideia central é que seus clientes são seus melhores vendedores. Se você tiver disciplina para os fazer felizes, eles contarão aos amigos e assim por diante, atingindo um crescimento sustentável contínuo.

Pessoas são sempre o elemento nº 1 em qualquer empresa. Some-se a isso a tecnologia como grande catalisador de growth, porém, precisa estar vinculado a um conceito simples e ser disciplinada o suficiente para dizer não a novas oportunidades quando for preciso.

Na prática, quando Schultz sentiu que a qualidade da companhia estava caindo, decidiu fechar centenas de lojas para um dia de treinamento. Foi uma decisão ousada, mas necessária para reorientar, reestruturar e impulsionar os funcionários da Starbucks para trabalhar e entregar a experiência certa.

Pensando nisso, foi desenvolvido o sistema LATTE, para solidificar a cultura da empresa e dar diretrizes para que os colaboradores soubessem como superar um problema (ou um cliente difícil).  Em linhas gerais, o significado da sigla é:

  • Listen to the customer (ouça o cliente);
  • Acknowledge the problem/situation (reconhecer o problema/situação);
  • Take actions and solve the problem (agir e resolver o problema);
  • Thank the customer (agradeça ao cliente);
  • Explain what you did (explique o que você fez).

Apesar de parecer simples, esse é um poderoso método para fornecer diretrizes claras e aumentar a motivação e a força de vontade entre os envolvidos.

Lição 5: delegue seus recursos

Como mencionado anteriormente, a marca investe e acredita fortemente no mobile marketing, com uma presença considerável nas redes sociais e no universo digital. Uma das razões para tal é a necessidade de se envolver melhor com os clientes e, também, estar visível nas plataformas em que seu público gasta a maior parte do seu tempo.

Essa estratégia evolui constantemente para aproveitar os novos e emergentes canais de engajamento, com foco em melhorar o envolvimento com a comunidade e aumentar a responsabilidade social. Isso é semelhante à metodologia emergente de crowd-sourcing no campo da inovação.

Deste modo, ao utilizar as mídias sociais, a Starbucks está sempre identificando qual plataforma traz os melhores resultados e, assim, delega seus melhores recursos ao canal com melhor desempenho.

Desafios futuros para a Starbucks

Sem dúvidas, a Starbucks é uma comerciante global de sucesso com experiência significativa em entrar e se estabelecer em novos mercados. Marcas líderes criam suas estratégias corporativas com um elemento estratégico inerente que engloba a inovação. 

Mas, à medida que a companhia se expande e cresce, precisa reavaliar constantemente e manter os ouvidos atentos ao chão para entender as preferências do consumidor. Inovação e eficiência operacional são a sua base para continuar a obter sucesso internacionalmente e também nos mercados já existentes.

Em 2011, ao redesenhar seu logotipo, a empresa deixou pistas de sua futura estratégia de diversificação. Em 2014, anunciou formalmente o lançamento de um programa intitulado Starbucks Evenings, em que milhares de lojas passarão a vender bebidas alcoólicas ao longo do próximos anos. 

Dessa forma, a diversificação da marca está entre alguns dos desafios futuros da organização para identificar e desbloquear oportunidades de crescimento.

Além de ampliar o portfólio de bebidas, a Starbucks planeja comercializar, cada vez mais, produtos alimentícios em suas lojas, posicionando-se não apenas como lojas de café, mas como um café propriamente dito, ultrapassando os limites do que significa ser uma cadeia de café convencional, com a própria companhia visando 55.000 locais em todo o mundo na próxima década. 

Uma coisa é certa, a indústria do café enfrenta novos desafios todos os dias. Das mudanças climáticas que afetam as condições de cultivo às práticas agrícolas insustentáveis. Seja como for,  algo parece estar cristalino: para onde quer que os rumos desse setor vá nas próximas décadas, a Starbucks certamente estará lá, inovando e reconstruindo a maneira de se consumir esse simples grão que, atualmente, é a 2ª bebida mais consumida no Brasil.

Por último, se assim como a Starbucks você quer construir uma curva exponencial clara, indicativa de um alto crescimento para o seu negócio,  é crucial dominar as técnicas e estratégias certas para obter resultados na prática. Pensando nisso, conheça o curso online de Growth do G4 Educação e se estabeleça como referência no seu mercado de atuação.

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A aposta da Weg nos caminhões e ônibus elétricos

Multinacional conhecida pelos motores industriais está se concentrando nos veículos pesados, mas quer estar em todas as etapas da eletrificação

Foto do caminhão eDelivery, equipado com motor Weg

    Por Sérgio Teixeira Jr. – CapitalReset  – 27 de outubro de 2022                   

Fundada há 61 anos por um eletricista, um administrador e um mecânico, a multinacional brasileira Weg aposta nesses três “genes” para entrar num mercado que promete ser um dos mais movimentados das próximas décadas: a mobilidade elétrica.

A empresa de Jaraguá do Sul (SC), uma das maiores fabricantes do mundo de motores elétricos para a indústria, agora está de olho em um negócio maior, com mais visibilidade – e mais concorrência –: o da eletrificação do transporte pesado.

A Weg desenvolveu e fabrica os motores do primeiro caminhão elétrico e 100% brasileiro, o e-Delivery, da Volkswagen. Os primeiros 350 veículos já são usados por empresas como Ambev, Femsa e Heineken para a última milha das entregas em grandes centros urbanos. 

Um investimento de R$ 660 milhões anunciado há um mês vai ser dedicado “em boa parte” para aumentar a produção de motores para esses veículos, diz Valter Luiz Knihs, diretor de sistemas industriais e e-mobility da empresa.

O foco inicial são ônibus e caminhões, pois “a experiência e o know-how” da empresa se aplicam melhor a esse segmento, segundo Knihs.

Mas o mapa desenhado pela Weg vai muito além dos sistemas de tração.

A empresa enxerga um futuro em que caminhões e talvez até mesmo carros de passeio sejam equipados também com  baterias WEG – carregadas em eletropostos também produzidos pela companhia.

“Desde o dia em que foi concebida, o objetivo da WEG é eletrificar”, diz o executivo. Agora, esse também é um objetivo do mundo todo – e uma oportunidade única que se abre para a companhia.

Tesla (o inventor)

A Weg é uma das multinacionais mais bem-sucedidas do país. A empresa emprega 37 mil funcionários em 13 países, faturou R$ 23,5 bilhões no ano passado e tem um valor de mercado de R$ 160 bilhões – uma das dez maiores empresas da bolsa brasileira.

Ontem, as ações da companhia fecharam em alta de quase 8% depois da divulgação dos resultados trimestrais, que apontaram uma receita de R$ 7,2 bilhões, um crescimento de 25% em relação ao mesmo período em 2021. 

Seus produtos ficam longe dos olhos da maioria. Em suas 49 plantas, a empresa fabrica mais de 18 milhões de motores, usados principalmente na indústria, que vão de petroleiras a produtoras de celulose.

Além desses equipamentos industriais, que respondem por quase metade da receita e estão em alta demanda especialmente na Europa, a companhia também produz componentes usados em geração, transmissão e distribuição de energia.

O negócio da mobilidade é tão incipiente em termos de receitas que nem é discriminado nos resultados divulgados pela companhia.

Mas a transição para um mundo sem queima de combustíveis fósseis está provocando uma corrida sem precedentes na centenária indústria automobilística.

O conhecimento acumulado nas últimas décadas é um dos pilares da estratégia da Weg no negócio da mobilidade elétrica. A tecnologia básica, diz Knihs, mudou muito pouco em mais de cem anos.

“É o que o Tesla inventou, lá em 1890”, diz Knihs, se empolgando ao descrever uma das inovações que definem a vida moderna.

O motor de um ventilador e de um carro elétrico podem não ser muito diferentes na essência, mas existem algumas considerações práticas importantes – e são elas que ditam o foco da Weg no transporte pesado.

Como seria muito mais complicado passar dos grandes e pesados motores industriais para um pequeno e leve que sirva para um carro, o caminho lógico para a Weg é apostar nos ônibus e caminhões.

Outro fator importante é a demanda. Com a dominância do transporte rodoviário, o Brasil é um dos maiores mercados de caminhões do mundo.

O foco inicial, com o e-Delivery, é a etapa final da logística. Com as vantagens de custo – além de a eletricidade ser mais barata, veículos elétricos são mecanicamente mais simples e exigem menos manutenção –, a virada deve ser rápida, aposta Knihs.

Ele acredita que o apelo ambiental também deve acelerar a transição. “As grandes cidades precisam limpar seu ar. O diesel é o combustível mais nocivo de todos, e a legislação está cada vez mais apertada no mundo inteiro.”

“Depois do Brasil, estendemos a plataforma para os países vizinhos. Já vemos uma grande expansão de ônibus elétricos no Chile e na Colômbia.”

Weg inside?

O e-Delivery tem uma diferença importante em relação a outros caminhões e carros da Volkswagen: o motor foi desenhado e é produzido por terceiros.

Mesmo antes de a Tesla mostrar que a tendência das fabricantes de elétricos é a verticalização, motores sempre foram um diferencial – e um orgulho – das montadoras.

Todas as gigantes da indústria automobilística estão desenvolvendo novos motores elétricos, inclusive a Volkswagen. Haverá espaço para uma fabricante independente?

Knihs acredita que sim. Em primeiro lugar, porque a transição será gradual, e “não custa nada barato montar uma fábrica”.

Além disso, existe uma nova realidade geopolítica sendo desenhada. Os subsídios para veículos elétricos do pacote climático de Joe Biden são condicionados a um mínimo de componentes made in USA.

Knihs acredita que esses tipos de incentivos para a geração de empregos, além de desafios duradouros na logística internacional, favoreçam quem é capaz de produzir perto de onde está o consumo.

Baterias

Além dos motores, a companhia começou a fabricar baterias no Brasil. A logística desse componente, ainda mais importante que o motor nos veículos elétricos, é especialmente complicada e cara por causa de volume, peso e segurança.

Em fevereiro, um cargueiro com milhares de elétricos de luxo pegou fogo no Atlântico. O incêndio começou na bateria de um deles.

A Weg produz os chamados packs de baterias, um sistema integrado que vai fornecer a energia para o veículo. Ele é composto pelas células de íons de lítio (que armazenam a energia e são parecidas com as pilhas de uso doméstico) e sensores e softwares que controlam a tensão, carga e descarga e temperatura, entre outras variáveis.

Além do uso em veículos, Knihs enxerga um mercado de armazenamento de energia, com contêineres que servirão como backup de emergência, por exemplo.

O primeiro desses sistemas foi implementado no Centro de Lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão, para guardar a energia gerada por uma instalação de painéis solares.

Eletropostos

Mas as baterias que devem ser usadas inicialmente estarão em movimento, dentro de veículos, e precisarão de carregadores – um negócio em que a Weg também quer entrar.

Batizada de Wemob, a linha de estações de recarga tem três modelos com diferentes potências. Quanto mais potente, mais rápida a recarga.

Knihs afirma que o negócio ainda é incipiente, mas potencialmente muito grande. Diferentemente dos postos de combustível, essas “tomadas especiais” estarão em toda parte.

“Muita gente vai carregar o carro em casa, mas também teremos estações em condomínios ou estacionamentos.” A ideia é que a Weg venda o equipamento e eventualmente serviços associados (como sistemas de cobrança), e terceiros operem os terminais.

O mesmo vale para os postos de combustível. “Alguns já criaram consciência e estão instalando essas estações”, diz Knihs. “A margem de lucro é maior do que na gasolina” e, como há uma espera envolvida, o cliente tende a consumir também no restaurante.

Muita calma

Nenhuma companhia consegue estabelecer uma presença global sem inovação.

Mas, no novo mundo da mobilidade elétrica, em vez de competidores atuais como as centenárias Siemens e ABB, a concorrência virá de empresas jovens, ágeis e digitais – algumas que talvez nem tenham sido fundadas.

Knihs afirma que uma das palavras de ordem da companhia é foco: “Em alguns segmentos vamos chegar depois, e outros estamos lá na fronteira, em cima da onda. É o caso dos veículos pesados. Conheço muito bem os projetos em andamento na Europa e na América do Norte.”

“Somos muito bons na capacidade de produzir de forma vertical. Aprendemos o método de melhoria constante da Toyota antes de ela ser essa gigante”, diz Knihs.

“Podemos não ser competitivos hoje em um determinado mercado, mas amanhã seremos. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo.”

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