Novo pré-sal é a grande aposta da Petrobras para o mercado brasileiro: Região da Margem Equatorial deve receber cerca 49% dos investimentos em exploração da companhia até 2027

Escrito por Ruth Rodrigues em Petróleo e Gás 28 de fevereiro de 2023 

Apelidada de novo pré-sal, a Margem Equatorial é uma das grandes apostas do mercado de óleo e gás brasileiro. A Petrobras planeja aplicar grande parte dos seus investimentos na exploração da região ao longo dos próximos anos. Foto: MS Post

Apelidada de novo pré-sal, a Margem Equatorial é uma das grandes apostas do mercado de óleo e gás brasileiro. A Petrobras planeja aplicar grande parte dos seus investimentos na exploração da região ao longo dos próximos anos.

O mercado brasileiro de petróleo e gás natural se volta cada vez mais para a grande aposta do futuro: o novo pré-sal. Localizada do Amapá ao Rio Grande do Norte, a região da Margem Equatorial é o grande foco da Petrobras para os próximos anos. A companhia voltará quase metade dos seus investimentos em exploração para a área até o ano de 2027. As descobertas recentes de petroleiras como a ExxonMobil reforçam o alto potencial das reservas da região.

Petrobras está de olho na Margem Equatorial para investimentos pesados em campanhas de exploração no novo pré-sal brasileiro nos próximos anos 

Se movimentando para iniciar em breve sua campanha de exploração na Margem Equatorial, a companhia estatal Petrobras está de olho no potencial da área.

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Conhecida como o novo pré-sal, a região está localizada na faixa costeira que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte.

No entanto, apesar de receber esse nome, a sua exploração não acontece sob uma camada de sal. O apelido foi dado em razão do alto potencial de produção de petróleo e gás natural, comparável ao pré-sal nacional.

Além disso, as descobertas recentes de reservas por parte de empresas petrolíferas tornam essa área tão atrativa atualmente.

A Petrobras cogita destinar cerca de 49% dos seus investimentos em exploração na Margem Equatorial até o ano de 2027.

A título de exemplo, a companhia ExxonMobil já realizou mais de 25 descobertas de hidrocarbonetos no mar territorial da Guiana. Além disso, a TotalEnergies e a Apache anunciaram a descoberta de reservas próximas ao Suriname.

Os dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em relação às descobertas nas bacias da chamada Margem Conjugada Africana, que se assemelha ao novo pré-sal brasileiro, também apontam para um alto potencial de exploração.

“A Margem Equatorial é considerada uma área estratégica para a Petrobras e uma fronteira exploratória promissora em águas ultraprofundas. As descobertas recentes feitas por outras empresas em regiões vizinhas a essa fronteira (offshore das Guianas e do Suriname) corroboram esse potencial”, afirmou a Petrobras.

Novo presidente da estatal, Jean Paul Prates defende os investimentos na exploração da Margem Equatorial, o novo pré-sal do país

Em seu primeiro pronunciamento como novo presidente da Petrobras, Jean Paul Prates destacou seu compromisso com a expansão da fronteira de exploração de óleo e gás no Brasil.

Ele defendeu futuros investimentos em campanhas no novo pré-sal brasileiro, confirmando o alto interesse da estatal nos campos da Margem Equatorial.

Para iniciar as suas atividades na região costeira, a empresa está apenas aguardando uma licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Recentemente, a empresa já recebeu um sinal positivo para iniciar as simulações na Foz do Amazonas, no estado do Pará.

Dessa forma, ela vem avançando de forma significativa nas suas atividades para a exploração da Margem Equatorial em 2023.

Quando obtiver a licença do Ibama, a Petrobras já realizará a sua primeira perfuração na região da Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultra profundas.

Agora, a petroleira estatal aguarda as autorizações para dar continuidade aos seus investimentos na exploração do novo pré-sal brasileiro, a Margem Equatorial.

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Pequenas empresas usam ‘marketplaces’ de Amazon e Walmart para vender no exterior

Empreendedores aproveitam capilaridade das plataformas e exportam de grãos de café para torrar em casa a adubos orgânicos. Frete pode ser gratuito

Por Cleide Carvalho — O Globo – 06/03/2023 

Bolsas e mochilas confeccionadas na Zona Leste de São Paulo, grãos de café direto de fazendas brasileiras para torrar em casa e até adubos orgânicos para “pais” de plantas. Praticamente tudo o que pequenos empreendedores produzem no Brasil está ao alcance de consumidores em Nova York, Paris ou Madri por meio da internet.

Plataformas globais de comércio eletrônico — os chamados marketplaces —, como Amazon, eBay e Walmart dão aos brasileiros uma chance de exportar, aproveitando a capilaridade de distribuição dessas operadoras pelo mundo, muitas vezes com frete local grátis para o consumidor, o que viabiliza preços finais mais competitivos.

O “mercado da saudade”, de brasileiros que vivem no exterior, é um dos principais nichos, mas as plataformas também permitem alcançar nativos em diferentes mercados. Nas grandes vitrines virtuais, o segredo é aprender a diferenciar seu produto e marca nas buscas ao lado de dezenas de similares de várias origens, principalmente chinesa.

Letícia Ramos, de 28 anos, criou a Lenna’s, marca de pastas, mochilas e bolsas para laptop, há sete anos em São Paulo. Ela aproveitou a estrutura ociosa da fábrica dos pais, voltada para o mercado escolar, em parte do ano para produzir suas peças para venda on-line. O primeiro teste foi feito no marketplace brasileiro Enjoei. A resposta dos consumidores apontou uma demanda por esse tipo de produto para o dia a dia de diferentes profissionais e universitários, independentemente do gênero.

Em 2019, ela migrou para a plataforma da Amazon no Brasil em busca de um frete competitivo para todo o país. O faturamento multiplicou-se por dez, e o desempenho da Lenna’s chamou a atenção do marketplace, que a convidou para levar sua marca ao mercado americano. Em agosto do ano passado, Letícia fez a primeira remessa de produtos para os EUA.

— É uma realização ver um produto feito aqui, na Zona Leste de São Paulo, comprado por alguém em Nova York. Tem sido um aprendizado acompanhar o que o consumidor compra lá — comemora.

Café ‘gourmet’

Exportadora há 28 anos, a Valorização Empresa de Café, sediada no Rio, negocia mais de 200 mil sacas por ano, mas escolheu a Amazon para entrar no mercado gourmet. Vende pacotes de grãos a serem torrados e moídos em casa para consumidores nos EUA com a marca Direct From The Farm há nove meses. A estratégia para se diferenciar dos concorrentes é ressaltar a origem brasileira e dar detalhes sobre as propriedades dos grãos de café e de onde foram colhidos.

— Esse mercado cresce muito nos EUA. É a quarta onda do café, que chega muito fresco à mesa — diz Luiz Otávio Arararipe, diretor da empresa.

O principal portal nessa modalidade é a Amazon, que tem investido na busca de vendedores no Brasil que queiram chegar aos EUA. Além de gerentes que dão mentoria para a internacionalização, o programa Amazon Prime oferece frete grátis ao consumidor americano para produtos de qualquer origem. Entre 2020 e 2021, as vendas de terceiros na Amazon dobraram, atingindo US$ 390 bilhões.

Eduardo Buechem, sócio da Vitamina Terrestre, encontrou na venda de adubo orgânico em pequenas embalagens, de um quilo ou apenas 150 gramas, um negócio capaz de atrair consumidores tanto no Brasil quanto no exterior — Foto: Divulgação

Eduardo Buechem, sócio da Vitamina Terrestre, encontrou na venda de adubo orgânico em pequenas embalagens, de um quilo ou apenas 150 gramas, um negócio capaz de atrair consumidores tanto no Brasil quanto no exterior — Foto: Divulgação

Segundo Miriam Ferraz, coordenadora de Negócios Internacionais do Sebrae-RJ, a Amazon responde por nada menos que metade das vendas pela internet na maior economia do mundo, e 60% dos americanos começam a procurar um produto no site da gigante do bilionário Jeff Bezos.

Cerca de 70% das marcas dos EUA estão presentes na Amazon, cuja experiência de consumo está ligada a poderosos algoritmos. Para Miriam, não há dúvida de que é uma boa oportunidade para empreendedores brasileiros interessados em ampliar os horizontes:

— A certeza é que cada vez mais as empresas optam por marketplaces para entrar no mercado internacional. É um caminho inevitável.

A coordenadora do Sebrae-RJ afirma que o primeiro passo para os interessados é navegar nos sites de venda no exterior para pesquisar a concorrência. Ela alerta ainda que, antes de anunciar, é preciso planejar e estruturar a operação no Brasil para fazer as remessas, pois atrasos nas entregas e problemas nos produtos são punidos pelas plataformas.

Ricardo Garrido, diretor da Loja de Vendedores Parceiros da Amazon Brasil, conta que a empresa lançou o programa de vendas internacionais no Brasil em 2021 e já leva produtos daqui a 21 países, embora o foco principal dos empresários brasileiros seja os EUA:

— A proposta é que seja tão fácil vender lá como aqui.

Segundo ele, o primeiro produto brasileiro vendido pela Amazon nos EUA foi uma escrivaninha. Apesar de serem produtos grandes e pesados, a qualidade da madeira e o preço fizeram os móveis brasileiros competitivos por lá.

— A cereja do bolo para ser descoberto na vitrine da Amazon é o serviço de publicidade dentro da plataforma — diz.

Demanda identificada

Marcele Rocha Martins, head de internacionalização fabricante de cosméticos em barra B.O.B, apostou na conscientização do consumidor americano em relação ao meio ambiente para deslanchar as vendas por lá, também via Amazon. O diferencial dos produtos é eliminar embalagens plásticas, tirando a água que corresponde a grande parte do volume de xampus e sabonetes líquidos tradicionais.

A empresa, que já nasceu digital e tem fábricas em Juiz de Fora (MG) e São Roque (SP), identificou que faltam marcas nessa categoria nos EUA e viu uma grande oportunidade após dois anos vendendo apenas no seu site próprio no Brasil.

No ano passado, entrou nos marketplaces internacionais e passou também a vender para pontos de venda físicos. Segundo Marcele, as vendas nos EUA alcançaram US$ 1 milhão (R$ 5,2 milhões no câmbio atual) em 2022, e a previsão é duplicar este ano.

— A ideia sempre foi a internacionalização. Estávamos otimistas com os resultados do ano passado, mas superou o que imaginávamos — diz.

O consultor Marcos Gouvêa de Souza, conselheiro do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), vê grande espaço nos marketplaces para levar produtos brasileiros ao exterior com preços competitivos, graças à capilaridade e eficiência da logística de entrega:

— É uma oportunidade real e que deve ser explorada imediatamente. As empresas precisam olhar o mundo de forma mais abrangente.

Para vender lá fora, as empresas têm de seguir as regras de exportação de cada país, um dever de casa inevitável. A burocracia da exportação é a mesma e as taxas variam em cada país. A facilidade está no fato de que o destino é um só: o armazém do marketplace, que se encarrega de levar o produto ao consumidor.

No caso da Amazon, depois que o produto chega, a empresa se responsabiliza pelo pós-venda, inclusive eventuais trocas. No Brasil, qualquer exportação é isenta de imposto. Nos EUA são isentos de taxas de importação produtos de até US$ 800.

Os canais de comércio transfronteiriços, conhecidos como crossborder, têm sido amplamente usados por fabricantes chineses ao redor do mundo para ingressar em mercados atraentes, incluindo o Brasil. Não é pouca a grita do comércio brasileiro, que reclama de falhas na fiscalização sobre produtos que entram no país a preços muito baixos sem pagar o imposto devido, desafiando produtores e varejistas nacionais. Gouvêa de Souza assinala, porém, que o futuro dessas plataformas está mesmo nas transações legais entre países para comércio de mão dupla.

Eduardo Buechem, sócio da Vitamina Terrestre, encontrou na venda de adubo orgânico em pequenas embalagens, de um quilo ou apenas 150 gramas, um negócio capaz de atrair consumidores tanto no Brasil quanto no exterior. Ideais para uso doméstico — no cultivo de orquídeas a suculentas ou mesmo de hortaliças em pequenas hortas —, os produtos são vendidos lá fora na plataforma do Walmart e em sites segmentados, como os de cooperativas de jardinagem e gardens. Ele também já exporta para lojas físicas.

— O marketplace é uma grande vitrine, mas não abro mão de estar também na loja física. Quando a dona de casa vai lá na loja do Walmart, ela também vê e compra — conta o empresário.

Organização importa

Miriam, do Sebrae, diz que o mercado americano é o mais maduro, mas lembra que há muitas opções de marketplaces segmentados de outros países, tanto na venda ao consumidor final quanto entre empresas (B2B). Na avaliação dela, estar lado a lado com concorrentes internacionais, inclusive os chineses, também ajuda a empresa a se aprimorar e manter seu espaço no mercado interno

— É preciso alertar que quem não se sai bem neste mundo sem fronteiras pode não sobreviver em seu próprio país. É uma chance para criar os diferenciais competitivos para sobreviver diante dessa nova dinâmica de mercado.

https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2023/03/pequenas-empresas-usam-marketplaces-de-amazon-e-walmart-para-vender-no-exterior.ghtml

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Brasil é uma das novas frentes na guerra dos chips entre EUA e China

Washington tenta trazer vizinhos para perto e, por óbvio, provoca Pequim; a Brasília interessa a competição


Patrícia Campos Mello – Folha – 4.mar.2023 

O Brasil é uma das novas frentes da guerra entre Estados Unidos e China para dominar a produção mundial de chips. Nos últimos dois meses, Washington sinalizou várias vezes a integrantes do governo Lula o interesse de promover investimentos na cadeia de semicondutores no Brasil.

Na visita do presidente brasileiro a Joe Biden, no início de fevereiro, a secretária de Comércio americana, Gina Raimondo, levantou o assunto na reunião na Casa Branca. Ela se referiu às oportunidades de investimento nas várias etapas da cadeia de semicondutores que vão surgir com a chamada Lei dos Chips, um pacote de US$ 52 bilhões aprovado pelo Congresso americano para estimular a indústria, reduzir a dependência de países asiáticos e manter o país à frente da China na guerra tecnológica.

No dia 15 de fevereiro, Raimondo telefonou para o vice-presidente Geraldo Alckmin e voltou a falar sobre investimentos na cadeia de semicondutores no Brasil. E na próxima quarta-feira (8) a Representante de Comércio dos EUA, Katherine Tai, vem ao Brasil com uma delegação de empresários que querem investir no país, inclusive na área de semicondutores.

Os semicondutores são minúsculos processadores no centro da tecnologia de celulares, carros autônomos, computação avançada, drones e equipamentos militares. São também o núcleo do conflito tecnológico entre EUA e China. Durante a pandemia, devido às interrupções na cadeia de fornecimento, houve escassez mundial de supercondutores, e diversos países buscam agora reduzir sua dependência de importações e passar a ter fornecedores mais próximos geograficamente (nearshoring).

Além de aprovar o pacote bilionário para incentivar a produção de chips avançados nos EUA, Washington impôs uma série de restrições à exportação de chips, tecnologia e equipamentos para Pequim, com o objetivo de atrasar o desenvolvimento da potência asiática. O país tenta ainda cercar a China globalmente: em janeiro, Holanda e Japão cederam à pressão americana e proibiram a exportação de maquinários de chips para os chineses.

Um eventual investimento dos EUA na cadeia de semicondutores no Brasil viria com várias restrições para exportação ou negócios com a China. Segundo a Lei dos Chips, as empresas que receberem fundos americanos não poderão, no prazo de 10 anos, participar de nenhum negócio envolvendo fabricação ou aumento de capacidade de produção de certos semicondutores na China —excluídos os negócios já existentes, que não poderão ser ampliados.

Essa não seria a única condicionante do investimento. O governo Biden recorre a uma diretriz —a regra do produto estrangeiro direto— que proíbe qualquer indústria que use software, tecnologia ou maquinário americano, em qualquer lugar do mundo, de exportar determinados chips e componentes para a China sem autorização de Washington. O ex-presidente Donald Trump usou a regra para impedir globalmente o fornecimento de componentes para a Huawei, gigante chinês de telecomunicações.

Hoje, o Brasil tem 11 grandes empresas na cadeia de produção de semicondutores, mas com capacidade apenas no chamado backend da cadeia, a finalização –teste, afinamento, corte e encapsulamento dos componentes. O país não atua no frontend, etapa que compreende a fabricação do componente, cuja tecnologia é restrita a poucas nações.

Com investimento e transferência de tecnologia, plantas já instaladas no país poderiam passar a atuar no frontend de semicondutores menos avançados e começar a fabricar, no médio prazo (de 10 a 15 anos), chips de 14 nanômetros para abastecer a indústria automobilística doméstica, segundo avaliação do Ministério do Desenvolvimento (MDIC), chefiado por Alckmin.

O Brasil sente o impacto do déficit global de semicondutores —no mês passado, a Volkswagen anunciou que vai suspender a produção em fábricas no país por falta de componentes. “O Brasil possui todas as condições para receber investimentos na indústria de semicondutores: parque industrial, demanda interna aquecida, mão de obra altamente qualificada e renovará o programa de incentivo”, diz Marcio Elias Rosa, secretário-executivo do MDIC.

Na disputa tecnológica global, a China ainda está atrás de Taiwan, da Coreia do Sul e dos EUA na produção dos chips mais avançados. Apenas Taipé e Seul conseguem fabricar em grande escala os semicondutores de última geração, com processo mais moderno que 7 nanômetros, essenciais para o desenvolvimento de inteligência artificial, carros autônomos e certos armamentos. Pequim, embora seja grande exportadora de chips mais simples, ainda depende de importações para os mais avançados e, por isso, critica a escalada protecionista americana e investe para suprir o déficit domesticamente.

O Brasil, além de iniciar a médio prazo a produção de chips menos avançados para o mercado interno, poderia se beneficiar da estratégia de nearshoring dos EUA. Mais de 60% das indústrias de semicondutores americanas têm a etapa da fabricação dos chips baseada em outros países, principalmente asiáticos. A etapa da finalização também está, em grande parte, no exterior.

Washington quer transferir a produção desses países asiáticos, que são mais distantes geograficamente e poderiam ser mais vulneráveis a pressões da China, para México, Costa Rica, Brasil e outros países do hemisfério ocidental.

“O Brasil não tem condições de ser um player mundial, mas ele pode ocupar elos da cadeia mundial de suprimentos com parcerias”, diz Uallace Moreira, secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC.

A ofensiva americana no Brasil, por óbvio, incomoda Pequim. O regime chinês tem dito que preparará uma recepção histórica para o presidente Lula, que visita o país no final de março. Como parte do pacote de recepção de honra, chineses devem acenar com possibilidade de investimentos e transferência de tecnologia para fábricas de semicondutores no Brasil, com produção voltada para o mercado brasileiro.

Uma ideia seria investir na Ceitec (Centro de Excelência em Eletrônica Avançada), a estatal de semicondutores que entrou em processo de liquidação sob Jair Bolsonaro e que Lula avalia reabrir. Pequim usa uma linguagem que soa como música aos ouvidos petistas —a importância de o Brasil, assim como outros países, ter uma indústria doméstica de chips para garantir sua segurança nacional.

Para os EUA, o nearshoring é estratégico para se manter na dianteira da disputa tecnológica com a China. Em visita ao México em janeiro, Biden falou sobre a importância de investir e integrar a cadeia de semicondutores na região. “Estamos no processo de fortalecer nossas cadeias de fornecimento, para que nem uma pandemia na Ásia nem ninguém possa nos impedir de ter acesso aos elementos essenciais que precisamos para produzir tudo.”

Questionado sobre o interesse dos EUA em investimentos na cadeia de semicondutores no Brasil, Tobias Bradford, porta-voz da embaixada americana em Brasília, enviou nota. “Os presidentes Biden e Lula aproveitam novas oportunidades para impulsionar o comércio e o investimento, bem como ajudar a garantir e expandir as cadeias de abastecimento no hemisfério. A relação econômica Brasil-EUA oferece uma base ideal para explorar essas oportunidades em todos os setores, incluindo semicondutores, nearshoring, energia limpa e muitos outros.”

Na visão do governo brasileiro, que não se inclina para nenhum dos dois lados nessa Guerra Fria tecnológica, interessa manter as duas superpotências em competição.

*A matéria na Folha tem algumas imagens sobre mercado mundial e produção no Brasil, muito interessantes,  que não estão reproduzidas aqui.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2023/03/brasil-e-uma-das-novas-frentes-na-guerra-dos-chips-entre-eua-e-china.shtml

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China vence o Ocidente na corrida por tecnologias críticas, diz relatório

3 de março de 2023 Redação Forças de Defesa

A China lidera o mundo em 37 das 44 tecnologias críticas, de acordo com um relatório de um think tank australiano

A China lidera o mundo em 37 das 44 tecnologias críticas, com as democracias ocidentais ficando para trás na corrida por avanços científicos e de pesquisa, revelou um relatório de um think tank australiano.

A China está em posição de se tornar a maior superpotência tecnológica do mundo, com seu domínio já abrangendo defesa, espaço, robótica, energia, meio ambiente, biotecnologia, inteligência artificial (IA), materiais avançados e tecnologia quântica chave, de acordo com o relatório do Australian Strategic Policy Institute (ASPI).

As principais áreas dominadas pela China incluem drones, aprendizado de máquina, baterias elétricas, energia nuclear, fotovoltaica, sensores quânticos e extração de minerais críticos, de acordo com o Critical Technology Tracker divulgado na quinta-feira.

O domínio da China em alguns campos é tão arraigado que todas as 10 principais instituições de pesquisa do mundo para certas tecnologias estão localizadas no país, de acordo com o ASPI.

Em comparação, os Estados Unidos lideram em apenas sete tecnologias críticas, incluindo sistemas de lançamento espacial e computação quântica, de acordo com o ASPI, que recebe financiamento dos governos australiano, britânico e americano, bem como de fontes do setor privado, incluindo as indústrias de defesa e tecnologia. .

O Reino Unido e a Índia estão entre os cinco principais países em 29 das 44 tecnologias, com a Coreia do Sul e a Alemanha entre os cinco primeiros em 20 e 17 tecnologias, respectivamente, disse o relatório.

O ASPI disse que a crescente proeza da China em tecnologias críticas, que o think tank credita ao planejamento de políticas de longo prazo, deve ser um “alerta para as nações democráticas”.

“A longo prazo, a posição de liderança da China em pesquisa significa que ela se estabeleceu para se destacar não apenas no desenvolvimento tecnológico atual em quase todos os setores, mas também em tecnologias futuras que ainda não existem”, disse o ASPI em um comentário que acompanha o relatório.

“Se não for controlado, isso pode mudar não apenas o desenvolvimento e controle tecnológico, mas também o poder global e a influência para um estado autoritário onde o desenvolvimento, teste e aplicação de tecnologias emergentes, críticas e militares não é aberto e transparente e onde não pode ser examinado por sociedade civil independente e mídia”.

O think tank apresentou 23 recomendações para os países ocidentais e seus parceiros e aliados. Eles incluem o estabelecimento de fundos soberanos para financiar pesquisa e desenvolvimento (P&D), facilitar vistos de tecnologia, “friend-shoring” e subsídios de P&D entre nações e buscar novas parcerias público-privadas.

Os EUA e a China estão presos em uma competição acirrada por poder e influência que estimulou movimentos para dissociar suas economias. O governo do presidente dos EUA, Joe Biden, lançou uma série de controles de exportação e incentivos fiscais com o objetivo de prejudicar a indústria de tecnologia da China e restaurar a manufatura doméstica.

Na quinta-feira, o Departamento de Comércio dos EUA adicionou unidades da empresa de genética chinesa BGI e da empresa de computação em nuvem Inspur a uma lista negra comercial por supostamente apoiar os militares chineses e facilitar a vigilância do governo.

FONTE: Al Jazeera

Tags: China, EUA, Ocidente, Tecnologias críticas

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Trem-bala Rio-São Paulo: como a empresa TAV pretende tirar do papel projeto estimado em R$ 50 bi

Por André Borges – Estadão – 03/03/2023 

Construtoras da China e da Espanha procuram a TAV Brasil para discutir parcerias, após ANTT dar sinal verde para o projeto; diretor-presidente da empresa, Bernardo Figueiredo diz que também terá encontro com as nacionais

BRASÍLIA – A TAV Brasil, empresa criada para viabilizar a construção do trem de alta velocidade entre São Paulo e o Rio de Janeiro, já realiza as primeiras conversas com empreiteiras para viabilizar o projeto. Diferentemente do que se via dez anos atrás, quando as transações para viabilizar a obra se concentraram em grandes construtoras nacionais, agora negocia-se, também, com grandes companhias da China e da Espanha, já especializadas em erguer esse tipo de projeto. Os contatos passaram a ser feitos pelas próprias empresas, após vir à tona a confirmação de que o projeto obteve autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Ao Estadão, o diretor-presidente da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo, detalhou os próximos passos da empresa para tirar o projeto do papel e as principais mudanças que o empreendimento passa a ter, agora que se tornou um negócio 100% privado, sem nenhuma participação estatal.

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Figueiredo foi diretor da ANTT e comandou o projeto do 1º trem de alta velocidade ainda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2007. Em 2012, foi indicado pela então presidente Dilma Rousseff à presidência da Etav, estatal que licitaria o projeto do trem de alta velocidade, mas o projeto não vingou. Ele também acabou por não ser reconduzido ao cargo na agência.

Na parte de infraestrutura, uma das principais mudanças que o novo empreendimento prevê diz respeito ao traçado, que retirou estações que estavam desenhadas para os centros das cidades. O projeto original previa, por exemplo, 20 quilômetros de túnel na cidade São Paulo, enquanto o novo não contempla essa obra. A ideia é terminar o trajeto na região de Pirituba. Do lado carioca, a obra acabaria em Santa Cruz, podendo ser acessada, a partir dali, por meio de uma eventual parceria com a rede da Supervia. São 34 estações de Santa Cruz à região central do Rio.

“Essa é uma questão que está resolvida. Não entraremos dentro dos centros urbanos, mas buscaremos parcerias. A partir destes pontos, podemos negociar conexões com outras redes, ou eventuais construções de ramais”, disse Figueiredo.

O número de paradas também foi cortado pela metade. Enquanto o primeiro traçado do trem-bala, desenvolvido durante o primeiro governo Dilma Rousseff, previa a construção de até oito estações em seu trajeto de 400 km, o novo projeto conta com apenas quatro estações – São Paulo, São José dos Campos, Volta Redonda e Rio de Janeiro – prevendo diversos tipo de viagens, como viagens sem parada, por exemplo. O traçado inteiro, de 378 km, poderá ser feito em viagens de 1 hora e 30 minutos, com velocidade aproximada de 350 km por hora, diz Figueiredo.

O detalhamento do trajeto ainda será conhecido durante a elaboração do projeto executivo de engenharia, mas o que já se sabe é que todo percurso será novo, ou seja, não está prevista a exploração paralela de nenhuma outra linha de trem pré-existente.

Diretor-presidente da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo detalhou como empresa vai tirar o projeto do trem-bala do papel.

Diretor-presidente da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo detalhou como empresa vai tirar o projeto do trem-bala do papel.  Foto: Wilton Junior/Estadão

Nesta quarta-feira, 1, a TAV Brasil assinou o contrato de adesão ao projeto com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Com esse contrato, a TAV Brasil passa a ter, na prática, o direito de construir e explorar comercialmente o trem-bala, pelo prazo de 99 anos. Trata-se de um passo fundamental do empreendimento, que recebeu aval do poder público para ir adiante. Resta agora ver como o setor privado vai se comportar.

Bernardo Figueiredo disse que, ao longo deste ano, a TAV Brasil, que é uma sociedade de propósito específico (SPE) criada exclusivamente para viabilizar o projeto, vai firmar acordos com empreiteiras e o futuro operador do trem. Com a autorização obtida junto da ANTT, o próximo passo, agora, é contratar uma empresa que fará o estudo de impacto ambiental (EIA) da obra, processo que deverá ser encaminhado ao Ibama, responsável pelo licenciamento ambiental.

Paralelamente, com o avanço das parcerias e investidores, a TAV Brasil vai atrás de alternativas para o financiamento do projeto. A estimativa é de que o empreendimento de R$ 50 bilhões – cifra que o transforma na obra de infraestrutura mais cara do País – tenha entre 72% e 80% de seu valor financiado, em acordos de longo prazo, de 25 a 30 anos.

Questionado se o BNDES será acionado pela empresa, Figueiredo disse que a TAV Brasil deve falar com todos os bancos possíveis para viabilizar a obra, priorizando as alternativas internacionais, além de bancos privados. Entre as portas que devem ser acionadas estão nomes como o Banco Europeu de Investimento (BEI). Outra opção considerada é o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), conhecido como o “banco dos Brics”, em referência ao bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O governo Luiz Inácio Lula da Silva deve indicar a ex-presidente Dilma Rousseff para a presidência da instituição.

Fechada toda a equação financeira e de engenharia, a TAV Brasil precisa viabilizar o licenciamento da obra. É nesta fase, por exemplo, que se estabelece os processos de desapropriação pública de propriedades. Cabe ao poder público indicar o que deve ser desapropriado e, à empresa, indenizar os proprietários.

Figueiredo disse que, dos R$ 50 bilhões previstos no projeto, cerca de 80% estão ligados a custos com a construção da malha, o trem em si e os sistemas de funcionamento. Nos demais 20% entram gastos com indenizações e o próprio licenciamento, entre outros itens.

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Bernardo Figueiredo diz que empresa já iniciou conversas com parceiros potenciais dentro e fora do Brasil.

Bernardo Figueiredo diz que empresa já iniciou conversas com parceiros potenciais dentro e fora do Brasil.  Foto: Wilton Junior/Estadão

Apesar de toda a movimentação empresarial, o início efetivo da obra está previsto para ocorrer somente daqui a cerca de cinco anos, estima Figueiredo. Para que possa cravar o primeiro trilho no chão, o trem-bala precisa obter duas autorizações do Ibama, as licenças prévia e de instalação. Depois, vem a fase da construção em si, estimada entre quatro e seis anos. Na prática, portanto, caso o calendário caminhe como se espera, o trem estaria em operação daqui a cerca de dez anos.

Com uma sucessão de reuniões na agenda desde que recebeu sinal verde da ANTT para tocar o projeto, Bernardo Figueiredo tem a parceria do advogado Marcos Joaquim, sócio-fundador do M.J. Alves e Burle Advogados e Consultores, especializado em estruturar projetos, e da Global Ace, do empresário Daniel Suh, que já apoiou a estruturação de projetos de trem de alta velocidade em parceria com os coreanos.

Os estudos de engenharia apontam que, do ponto de vista de demanda e da distância entre São Paulo e Rio de Janeiro, nenhum outro traçado no mundo reúne hoje condições técnicas e financeiras mais interessantes para viabilizar a obra. Para Bernardo Figueiredo, não há nenhuma sombra de dúvidas de que, dessa vez, o projeto vai sair do papel, e sem depender da injeção de recursos públicos.

Por ser um empreendimento 100% privado, sob risco total do empreendedor, a TAV Brasil ficaria livre para cobrar qualquer tarifa do usuário, diferentemente do que ocorria no modelo original proposto pelo governo, que estabelecia uma tarifa teto para oferta do serviço. No modelo de autorização, cabe à empresa dizer quanto vai cobrar, por qual tipo de viagem, concorrendo com o setor aéreo e o transporte rodoviário. “Passamos a ter, também, essa liberdade a mais, o que atrai a competição”, disse Figueiredo. “Não tenho nenhuma dúvida de que, agora, o projeto vai pra frente. Não trabalho com outra hipótese. Vamos fazer o trem bala virar realidade”, diz.

https://www.estadao.com.br/economia/trem-bala-rio-sao-paulo-empresa-tav-projeto-estimado-50-bilhoes/

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Mulheres viram vítimas de pornografia gerada por inteligência artificial

Por Tatum Hunter Washington Post/Estadão 02/03/2023

Novas ferramentas permitem a qualquer um forjar conteúdo sexual, elevando tensão entre mulheres

THE WASHINGTON POST – QTCinderella ficou conhecida por jogar, cozinhar e falar da própria vida na Twitch, conquistando centenas de milhares de espectadores. Ela criou o “The Streamer Awards” para premiar outros criadores de conteúdo com alto desempenho e recentemente ocupou um lugar cobiçado como convidada especial de um campeonato de eSports.

Nudes não fazem parte do conteúdo compartilhado por ela. Mas alguém forjou conteúdo do tipo usando a imagem de QTCinderella e essas imagens se espalharam pela internet. Isso chamou a atenção para uma ameaça crescente na era da inteligência artificial (IA): a tecnologia deu origem a uma nova ferramenta para atacar as mulheres.

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Até bem pouco tempo, criar pornografia realista com IA exigia conhecimentos em informática. Agora, em parte graças às novas ferramentas de IA fáceis de se usar, qualquer um com acesso a imagens do rosto de uma vítima consegue criar conteúdo adulto de aspecto realista com um corpo gerado por IA. Os casos de assédio e extorsão provavelmente vão aumentar, segundo especialistas em comportamentos abusivos, conforme pessoas mal-intencionadas usam modelos de IA para humilhar alvos que vão desde celebridades a ex-namoradas – e até mesmo crianças.

De acordo com eles, as mulheres têm poucas formas de se proteger e as vítimas não contam com muitos recursos legais aos quais recorrer.

Em 2019, 96% dos deep fakes (imagens geradas por IAs) na internet eram pornografia, segundo uma análise da empresa de IA DeepTrace Technologies, e praticamente todos as deep fakes pornográficas mostravam mulheres. A presença de deep fakes aumentou desde então, enquanto a resposta da polícia e dos educadores está atrasada, disse Danielle Citron, professora de direito e especialista em comportamento abusivo na internet. Apenas três estados dos EUAs têm leis direcionadas à pornografia deepfake.

“Este é um problema generalizado”, disse Danielle. “Apesar disso, lançamos novas e diferentes ferramentas (de IA) sem qualquer consideração às práticas sociais e à forma como elas vão ser utilizadas.”

Facilidade para criar pornografia

A startup OpenAI causou furor em 2022 ao disponibilizar seu principal modelo de geração de imagens, o DALL-E 2, para o público em geral, provocando alegria e preocupações com desinformação, direitos autorais e viés. Os concorrentes Midjourney e Stable Diffusion vieram logo atrás, com este último permitindo a qualquer pessoa baixar e modificar seu código.

Os agressores não precisavam de aprendizado de máquina poderoso para criar deep fakes: apps como o “Face swap”, disponíveis nas lojas de aplicativos da Apple e do Google, já facilitavam a produção delas. Porém, a mais recente onda de IA torna os deepfakes mais acessíveis, e os modelos podem ser hostis às mulheres de formas insólitas.

Como esses modelos aprendem o que fazer sendo alimentados por bilhões de imagens da internet, eles podem, por padrão, refletir preconceitos sociais, sexualizando imagens de mulheres, disse Hany Farid, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, especialista em análise de imagens digitais.

Enquanto isso, as empresas de IA continuam seguindo o lema do Vale do Silício, “mexa-se rápido e quebre as coisas”, escolhendo lidar com os problemas conforme eles surgem.

“As pessoas desenvolvendo essas tecnologias não estão pensando nisso do ponto de vista de uma mulher, que foi vítima de pornografia não consensual ou sofreu assédio online”, disse Farid. “Você tem um monte de caras brancos sentados e dizendo coisas como ‘Ei, dá uma olhada nisso’.”

As pessoas desenvolvendo essas tecnologias não estão pensando nisso do ponto de vista de uma mulher, que foi vítima de pornografia não consensual ou sofreu assédio online

Hany Farid, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley

Violência sexual

Pessoas assistindo conteúdo adulto seu sem a sua permissão – sejam essas imagens verdadeiras ou falsas – é uma forma de violência sexual, diz Kristen Zaleski, diretora de saúde mental forense da Clínica Escola de Direitos Humanos Keck, da Universidade do Sul da Califórnia. As vítimas com frequência vivenciam julgamentos e mal-entendidos por parte de seus empregadores e da comunidade, disse ela. Por exemplo, Kristen disse ter atendido uma professora de uma cidade pequena que perdeu o emprego depois de pais terem descoberto pornografia produzida por IA com a imagem dela sem o seu consentimento.

“Os pais daquela escola não entendiam como isso podia ser possível”, disse Kristen. “Insistiram que não queriam mais que ela desse aula aos filhos deles.”

A crescente oferta de deep fakes é motivada pela demanda. O número de vídeos no site que hospeda deep fakes quase dobrou de 2021 para 2022, conforme as ferramentas de imagem de IA se multiplicavam, diz a pesquisadora Genevieve Oh. Criadores de deep fake, assim como desenvolvedores de aplicativos, ganham dinheiro com o conteúdo cobrando por assinaturas ou solicitando doações e o Reddit já foi lugar de inúmeras discussões focadas na busca por novas ferramentas de deep fake e repositórios delas.

Ao ser questionado por que nem sempre essas conversas eram prontamente removidas, uma porta-voz do Reddit disse que a plataforma está trabalhando para aprimorar seu sistema de detecção. “O Reddit foi um dos primeiros a estabelecer políticas em todo o site que proíbem esse conteúdo, e continuamos expandindo nossas políticas para garantir a segurança da plataforma”, disse ela.

Os modelos de aprendizado de máquina também podem produzir imagens que retratam maus-tratos infantis ou estupro e, como ninguém sofreu danos durante a criação do conteúdo, esse material não violaria nenhuma lei, disse Danielle. No entanto, a disponibilização dessas imagens pode causar danos na vida real, disse Zaleski.

Resposta

Alguns modelos generativos de imagem, como o DALL_E 2, apresentam limitações para tornar mais difícil a criação de conteúdo adulto. A OpenAI reduziu as imagens de nudez nos dados de treinamento do Dall-E, o que impede que as pessoas insiram determinados comandos. Ela também verifica o resultado das imagens antes de exibi-las aos usuários, disse Aditya Ramesh, pesquisador-chefe do DALL-E, ao Washington Post.

Outra ferramenta, o Midjourney, usa uma combinação de palavras bloqueadas e moderação humana, diz o fundador David Holz. A empresa planeja lançar um sistema de filtros mais avançado nas próximas semanas, que levará em consideração de forma aperfeiçoada o contexto das palavras, afirmou.

A Stability AI, fabricante do Stable Diffusion, deixou de incluir pornografia nos dados de treinamento de seus lançamentos mais recentes, reduzindo de forma significativa o conteúdo sexual e preconceituoso, disse o fundador e CEO Emad Mostaque.

Mas os usuários têm sido rápidos em encontrar soluções alternativas baixando versões modificadas do código disponível publicamente do Stable Diffusion ou encontrando sites que oferecem recursos semelhantes.

Imagens criadas pela IA DALL-E 2 com comando "Um artista, com uma pintura a óleo impressionista, em um pôr do sol de uma cidade espanhola"

Imagens criadas pela IA DALL-E 2 com comando “Um artista, com uma pintura a óleo impressionista, em um pôr do sol de uma cidade espanhola” Foto: DALL-E 2 / ESTADAO Baixa eficácia nas respostas

Nenhuma medida de proteção será 100% eficaz no controle do que produzido por esses modelos generativos de imagem, disse Farid. Eles retratam mulheres com poses e expressões sexualizadas por causa do preconceito disseminado na internet, a fonte de seus dados de treinamento, independentemente de imagens com nudez ou outro conteúdo adulto terem sido filtrados.

Para a maioria das pessoas, tirar suas imagens da internet para evitar os riscos de ataque por meio de IA não é algo viável. Em vez disso, os especialistas sugerem que se evite o consumo de conteúdo sexual não consensual e ficar a par de como isso afeta a saúde mental, as carreiras e os relacionamentos das vítimas.

Eles também recomendam conversar com seus filhos a respeito de “consentimento digital”. As pessoas têm o direito de controlar quem vê imagens de seus corpos – reais ou não. /TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

https://www.estadao.com.br/link/cultura-digital/mulheres-viram-vitimas-de-pornografia-gerada-por-inteligencia-artificial/

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Suprema Corte dos EUA pode mudar a internet para sempre; entenda

Juízes americanos podem responsabilizar Big Techs pelo conteúdo impulsionado pelos algoritmos de suas plataformas

Por Pedro Doria – Estadão – 24/02/2023 

A Suprema Corte americana começou a analisar um caso que pode mudar a cara da internet. Os pais de Nohemi Gonzalez, uma universitária de 23 anos que morreu num ataque terrorista em Paris, estão processando o YouTube. Seus advogados alegam que os três responsáveis pelo ataque no Teatro Bataclan, em 2015, foram radicalizados após assistirem a uma série de vídeos recomendados pelo site e produzidos pelo Estado Islâmico.

A praxe da Corte americana é de escolher os casos que julgará. Ela não é obrigada a aceitar nenhum, mas, sempre que considera haver uma questão constitucional importante, entra no debate. Os advogados submetem aos nove juízes seus argumentos por escrito e, depois, são convidados a sessões de sustentação oral. É quando os ministros têm a oportunidade de compreender melhor como cada lado vê o tema em debate. A primeira sessão foi na última terça-feira, 21.

O que está sendo testado é a seção 230 do Ato das Telecomunicações, aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Bill Clinton, em 1996. Em essência, a lei definiu que uma empresa com presença na web não poderia ser responsabilizada pelo que dizem usuários que publicam em seus sites. Em 1996, poucos sites ofereciam espaços para comentários. Havia também espaços de discussão, fóruns, começando a se popularizar. Não existiam ainda blogs, muito menos redes e algoritmos.

Ao falar de algoritmos, a partir de que momento as gigantes da tecnologia passam a ser responsáveis pelo que recomendam?

E esse é o argumento da família Gonzalez. A lei pode proteger o YouTube de coisas que o EI tenha publicado. A partir do momento em que o YouTube pinça um vídeo para sugerir a quem assiste, aí o exercício de expressão não é mais dos terroristas. O YouTube, como qualquer outro serviço baseado em algoritmos, se exprime através das escolhas de conteúdo que faz. O responsável pela seleção não é quem produziu o conteúdo. É o YouTube. Ou o Twitter. Ou o Facebook.

Mas alguns dos ministros exprimiram dúvidas. Afinal, mecanismos de seleção de conteúdo baseados em algoritmos tornaram a internet viável. Tornar as empresas responsáveis pelo que seus algoritmos recomendam não poderia abrir uma imensa onda de processos que trariam impactos econômicos inimagináveis?

A pergunta, que os juízes parecem estar fazendo, é onde está a linha divisória. Por óbvio, outras indústrias são responsáveis pelos danos que suas decisões internas causam. Ao falar de algoritmos, a partir de que momento as gigantes da tecnologia passam a ser responsáveis? A Suprema Corte tomará uma decisão este ano – e a decisão pode, inclusive, ser não decidir nada. Por enquanto.

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Um big problema: a inédita crise que afeta a Amazon

Grupo fecha lojas físicas e descobre que é impossível ser bem-sucedido em todas as áreas de negócios. Como ela, outras big techs também não vão bem 

Por Amauri Segalla – Veja –  24 fev 2023

A Amazon ocupa um lugar de destaque na prateleira das empresas mais inovadoras de todos os tempos. Em 1994, o americano Jeff Bezos pediu demissão da gestora de investimentos onde trabalhava, juntou 10 000 dólares e abriu uma livraria on-line que mudou o mundo para sempre. Se fosse preciso sintetizar o que Bezos fez, ele garantiu uma experiência rápida e prazerosa de compras virtuais e abriu caminho para que o comércio eletrônico se tornasse popular em qualquer lugar que houvesse conexão com internet. O resto é história. 

Como se sabe, no entanto, as grandes companhias também são feitas de fracassos — e eles acabam de bater à porta do gigante chamado agora de “big tech”. Há alguns dias, a Amazon anunciou o fechamento de ao menos 68 lojas físicas, entre livrarias, pop-ups (espaços temporários que vendem principalmente eletrônicos) e supermercados. Até alguns estabelecimentos autônomos, aqueles que não exigem atendimento humano e prometiam revolucionar a experiência do consumidor, estão sob risco. Pela primeira vez, a Amazon descobriu que é impossível ser bem-sucedida em todas as categorias de produtos.

A investida do conglomerado nos locais feitos de tijolos começou em 2015, quando inaugurou a primeira unidade da Amazon Books. Depois vieram a Amazon Fresh, um supermercado com boa variedade de itens, a Amazon Go, rede autônoma sem atendentes, e outros projetos menos glamourosos, como pop-ups aqui e ali. Os especialistas não entenderam o movimento da empresa. Embora possuísse vantagem competitiva no comércio eletrônico, a Amazon estava decidida a ir na contramão do varejo. Para ficar mais claro: enquanto muitos diziam que as unidades físicas estavam mortas, ela achou que os dois modelos — o de tijolos e o digital — poderiam conviver de forma harmoniosa. “Mas aí veio a pandemia, que consolidou novos hábitos de consumo, e os planos tiveram de ser revistos”, diz o consultor Eduardo Tancinsky.

As lojas físicas enfrentaram nos tempos recentes o que o mundo corporativo chama de “tempestade perfeita”. A explosão do comércio eletrônico e o avanço dos recursos tecnológicos tornaram a vida digital onipresente. No Brasil, grandes redes de livrarias como Cultura e Saraiva foram golpeadas pela nova realidade, e o fantasma da falência está aí para comprovar a teoria. E há ainda outro complicador: o varejo físico é um território sangrento, com competidores lastreados por décadas de experiência e conhecedores das armadilhas que ferem os novatos. A Amazon deu as costas a tudo isso, acreditando que as inovações digitais como as lojas autônomas seriam suficientes para seduzir o público. Não foram.

Em defesa da Amazon, é preciso dizer que as outras big techs também não vão bem. Desde o ano passado, elas começaram a demitir em massa depois de contratar loucamente, no embalo da nova era digital. Juntas, Alpha­bet (controladora do Google), Meta (ex-Facebook), Disney e Yahoo!, além da própria Amazon, mandaram embora ou estão prestes a eliminar 60 000 profissionais. A crise acertou em cheio o bolso dos donos dessas empresas. Apenas Jeff Bezos viu sumir 80 bilhões de dólares de seu patrimônio em 2022. A exceção é a Apple, que tem passado incólume pela crise. Sob a liderança de Tim Cook, a empresa da maçã adotou um modelo de gestão comedido, sem planos mirabolantes que a colocassem sob risco.

Para a Amazon, a saída foi acelerar novas frentes de negócios. Na semana passada, sua divisão de carros autônomos, a Zoox, pôs nas ruas uma frota de táxis sem motoristas. Os veículos, que nem sequer têm volantes, começaram a circular em vias públicas da Califórnia, mas apenas em roteiros delimitados. Dona dos direitos de jogos da NFL (a liga do futebol americano) e da Premier League (campeonato inglês de futebol), a empresa também ampliará as transmissões esportivas ao vivo em seu canal de streaming. São iniciativas que pretendem aliviar os estragos causados pelas lojas físicas. Ainda assim, está mais claro do que nunca: para a Amazon, negócio bom mesmo é o comércio eletrônico.

Publicado em VEJA de 1º de março de 2023, edição nº 2830

https://veja.abril.com.br/tecnologia/um-big-problema-a-inedita-crise-que-afeta-a-amazon/

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Agronegócio no Brasil dá salto em 20 anos e hoje equivale ao PIB da Argentina

Por José Maria Tomazela – Estadão – 19/02/2023 

Entre 2002 e 2022, o PIB agrícola do País foi de US$ 122 bilhões para US$ 500 bilhões na esteira de investimentos maciços em pesquisa e de políticas públicas para o setor

SOROCABA – A safra recorde de mais de 300 milhões de toneladas esperada para o Brasil neste ano evidencia a proporção que o agronegócio tomou dentro da economia brasileira. Entre 2002 e 2022, o PIB agrícola do País saltou (em números deflacionados) de US$ 122 bilhões para US$ 500 bilhões – o equivalente a uma Argentina.

De acordo com o economista José Roberto Mendonça de Barros, o agronegócio brasileiro apresentou um crescimento extraordinário nos últimos 40 anos, com destaque para os últimos 20 anos. “Diferentemente do que aconteceu no setor urbano, seja na indústria ou em serviços, o crescimento do agronegócio é persistente e essa é a primeira lição que o agro dá. Crescer sempre é mais importante do que crescer muito em alguns anos e cair nos anos seguintes. É um crescimento sustentável, o que torna o agronegócio bastante competitivo.”

Esse crescimento, segundo especialistas, está calcado no investimento em pesquisa e nas políticas públicas para o campo, que têm propiciado sucessivos recordes na produção agrícola. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve romper este ano a barreira das 300 milhões de toneladas de grãos, firmando-se como o terceiro maior produtor mundial de cereais, atrás da China e dos Estados Unidos.

Walter Kashima colhe a soja e, na mesma área, planta milho para a safra do meio do ano

Walter Kashima colhe a soja e, na mesma área, planta milho para a safra do meio do ano  Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Em 20 anos, a safra de grãos subiu de 120,2 milhões de toneladas para 310,6 milhões, uma alta de 258%. Já a área plantada passou de 43,7 milhões para 76,7 milhões de hectares, um aumento de 76,5%. Os números mostram que a produção cresceu três vezes mais do que a área ocupada pelas lavouras, o que se deve ao ganho de produtividade, graças a investimentos em pesquisa e tecnologia.

O destaque nos campos brasileiros é a soja, oleaginosa que se adaptou aos diversos microclimas do País, sendo cultivada tanto em regiões mais frias do extremo Sul quanto no clima tropical do Norte e do Nordeste. O Brasil ultrapassou os EUA e se tornou o maior produtor do grão, sendo também hoje o principal exportador.

Enquanto a safra 2002/03 rendeu 47,4 milhões de toneladas de soja, a atual terá produção de 152,9 milhões, um aumento de 322%, segundo a Conab. O milho, usado na rotação de culturas com a soja, cresceu 260%, de 47,4 milhões para 123 milhões de toneladas.

O PIB do agronegócio, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo, só será divulgado no próximo mês, mas deve ficar próximo de US$ 500 bilhões, segundo a pesquisadora Nicole Rennó, da área de macroeconomia do Cepea. A queda no valor ocasionada pelos elevados custos do setor foi, em parte, compensada pelas boas safras.

Dobrando a média

A engenheira agrônoma Tamires Tangerino, de 33 anos, consultora técnica da Stoller, empresa especializada em fisiologia vegetal e nutrição, tem aplicado seus conhecimentos para ajudar produtores do sudoeste paulista a atingir altos níveis de produtividade.

No último dia 14, em um plantio comercial de soja da Cooperativa Agrícola de Capão Bonito, ela obteve produtividade de 6.672 kg por hectare, o dobro da média nacional e acima da excelente média regional, de 4.800 kg/ha – uma mostra do impacto da pesquisa como motor do crescimento.

Soja e milho na mesma área

Na área da Cooperativa Agrícola de Capão Bonito, é possível ter uma ideia da expansão da soja no sudoeste paulista. Em 2005, a cooperativa tinha 55 agricultores associados e nenhum tinha a soja como cultura principal – o feijão era o carro-chefe, e o milho só era plantado no verão.

Hoje, com 102 associados, a cooperativa planta 24 mil hectares com soja, com produção média de 80 sacas por hectare e, no caso do milho, mais de 70% do total é cultivado na safrinha.

Fazenda de Capão Bonito tem safra acima dos níveis nacionais

Fazenda de Capão Bonito tem safra acima dos níveis nacionais Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Um dos cooperados, o produtor Walter Kashima, de 48 anos, que cultiva cerca de 2,5 mil hectares de soja próximo à área urbana de Capão Bonito, colhia na última quinta-feira, 16, uma média 80 sacas (4.800 quilos) de soja por hectare.

Na mesma área, ele estava semeando o milho que será colhido entre junho e julho. “Estamos aproveitando a trégua dada pelas chuvas que têm sido insistentes. Esse solzinho está sendo uma bênção”, disse Kashima.

Tropicalização

A virada na agricultura brasileira começou com o advento da soja no Sul do País, segundo o coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura.

“Foi o grande pontapé inicial, pois a soja, de ciclo mais curto, permitiu fazer uma cultura de inverno depois dela, como o trigo, aveia ou sorgo. A soja possibilitou a segunda safra. Com o tempo, esse processo evoluiu para outras regiões do País, com outras características”, explicou.

Nos Estados onde não chove no inverno, como boa parte do Sudeste, do Centro-Oeste e do Nordeste, não era possível plantar uma segunda cultura, mas isso não deteve os produtores, segundo Rodrigues.

“Quando era ministro da Agricultura (de 2003 a 2006, no primeiro governo Lula), eu lancei com a Embrapa a integração lavoura-pecuária, mais tarde lavoura-pecuária-floresta, permitindo fazer duas culturas também em regiões onde não chove no inverno, basicamente por causa do pasto. Você planta milho, soja ou algodão, que são culturas de verão, e depois da colheita você tem o pasto formado para o gado.”

Nosso setor agropecuário é aberto ao mundo, não tendo problemas de limitações de mercado, por isso pode aumentar significativamente a produção”

José Roberto Mendonça de Barros, Economista

A evolução prosseguiu com a irrigação, que possibilitou ao produtor fazer três culturas efetivamente agrícolas, como soja, milho e feijão, irrigando quando é preciso. “É uma soma de processos de evolução ao longo do tempo que começou com a soja, uma cultura praticamente nova no País”, afirma Rodrigues.

Ele afirma se lembrar que, em 1965, quando se formou em Economia, havia no Brasil só 400 mil hectares de soja, produzindo 1.200 quilos (por hectare). Hoje tem 44 milhões de hectares, produzindo 3.600 quilos. “A evolução tecnológica, a tropicalização da soja e de outras culturas permitiram esse progresso espetacular na produtividade. Vamos evoluir muito mais, pois temos o principal, o empreendedorismo do agricultor brasileiro. O céu é o limite”.

Para Mendonça de Barros, além dos recursos naturais, o Brasil evoluiu em tecnologia no campo. “Temos pesquisa, difusão de informação e competência das pessoas. Nosso setor agropecuário é aberto ao mundo, não tendo problema de limitações de mercado, por isso pode aumentar significativamente a produção. Organismos internacionais projetam que, diante do crescimento da demanda global de alimentos nos próximos 10 ou 15 anos, o Brasil será provedor de pelo menos 30% a 35%.”

https://www.estadao.com.br/economia/agronegocios/safra-graos-recorde-crescimento-tecnologia-soja-milho/

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Há vagas: de olho no TikTok, empresas contratam jovens para produzir conteúdo

Anúncios de estágio para universitários se multiplicam. Requisitos para os candidatos incluem humor e habilidade com memes

Por The New York Times/O Globo 19/02/2023 

Quando Mary Clare Lacke, uma estudante da Universidade do Missouri, de 20 anos, fez estágio de verão na Claire, uma de suas tarefas era ajudar a empresa de acessórios para adolescentes com sua conta recém-criada no TikTok. Não demorou muito para que ela produzisse um hit — embora não fosse algo que a varejista tivesse previsto.

Com um vídeo de 11 segundos, Mary aproveitou uma tendência de pegadinhas inspiradas em Kris Jenner, a matriarca das irmãs Kardashian, para promover um estilo de brincos da varejista.

“Minha equipe falou ‘não estamos 100% seguros disso, mas vai nessa’”, disse Mary. “E então se tornou o vídeo de maior sucesso já registrado na conta da empresa”, contou. Ele gerou 1,5 milhão de reproduções e 20 mil novos seguidores para a conta da Claire no TiktoK.

Agora, Mary é um dos quatro novos “criadores universitários” de TikTok, trabalhando como estagiária para a marca durante o ano letivo, produzindo novos vídeos toda semana nos quais eles volta e meia são os protagonistas. A empresa está disposta a contratar ainda mais criadores de conteúdo entre estudantes.

Criar conteúdo para marcas no TikTok é o emprego da vez. Enquanto a plataforma continua cada vez mais popular, as marcas estão contratando universitários e jovens — algumas vezes com pagamento e em outras com crédito universitário — para ajudá-las a navegar no aplicativo, que pode confundir recém-chegados com seus clipes de músicas, vocabulário único e vídeos sem fim.

Sites de emprego foram inundados com vagas de estagiário para criação de conteúdo no TikTok.

‘Geração Zalpha’

A esperança é se conectar com o público jovem e até com o que alguns profissionais de marketing chamam de “Geração Zalpha” — que combina os que nasceram depois de meados dos anos 1990 com as gerações nascidas em meados dos anos 1990 com as que nasceram em 2010 e adiante — e impulsionar vendas.

A rede de supermercados Whole Foods e a companhia de bagagem Travel Pro recentemente publicaram anúncios de vagas para estagiários para construir sua presença no TikTok.

Uma agência de publicidade em Dallas tem buscado estudantes para o cargo de “diretor de TikTok” durante o verão, para ajudar os clientes com o app. E o Rosendale Center, um shopping em Roseville, Minnesota, acabou de contratar dois estagiários para criação de conteúdo no TikTok depois de criar o posto no ano passado.

Kristin Patrick, diretora de Publicidade da Claire, que popularizou o termo “Geração Zalpha” para descrever o público alvo da varejista, disse que o sucesso do vídeo de Mary desencadeou o programa de criação de conteúdo.

“Isso realmente nos ajudou a perceber a importância de ter universitários engajados com a marca Clair e que são a cara da marca, especialmente no TiktoK”, ela disse. “São eles que usam o app todos os dias e realmente entendem o que repercute”.

Profissionais de marketing se voltaram para os mais jovens em busca de ajuda para navegar nas redes sociais. Mas seus esforços em torno do TikTok são especiais porque estes estagiários estão se tornando o rosto dessas marcas.

As empresas estão dispostas a entender um app que derrotou Instagram e Snapchat e se tornou o mais usado por jovens de 12 a 17 anos, de acordo com pesquisa da Forrester Research do ano passado. E nos últimos dois anos, marcas como Duolingo contrataram pessoas da Geração Z como funcionários em tempo integral para assumirem suas contas do TikTok, mas não são a norma.

“Se você pensa no número de marcas com uma presença forte no TikTok, vê que são poucas, comparadas com as marcas disponíveis no Instagram, praticamente todo mundo”, afirmou Mae Karwowski, CEO da firma de influenciadores Obviously. “Vídeos são tão mais difíceis para as marcas e a natureza direta do TikTok não encaixa nos modelos atuais das empresas. Então faz sentido contratar gente jovem que entende disso”, explicou.

E os mais jovens parecem interessados na vaga. A Frutero, marca de sorvete de frutas tropicais fundada em maio de 2020, disse ter recebido mais de 250 inscrições para vaga de estágio de criação de conteúdo no TikTok. As características desejáveis incluíam humor e habilidade com memes. Ainda assim, a empresa tem apenas três funcionários em tempo integral e estava considerando contratar três ou quatro estagiários para fazer vídeos no TikTok, informou Vedant Saboo, cofundador.

Consumidores de sorvete, explicou Saboo, são principalmente crianças, pessoas da Geração Z ou com mais de 50 anos. E embora os anúncios no Facebook e no Instagram tenham alcançado millennials e consumidores mais velhos, Saboo, de 31 anos, disse que a marca bateu numa parede ao tentar se conectar com os mais jovens. A marca levantou recursos para contratar uma agência de publicidade, mas ele disse que não estava entusiasmado com a criação de conteúdo profissional.

“Não sei o motivo, mas não tem aquela sensação crua que se tem no TikTok”, ponderou. “A melhor forma de fazer isso é contratar universitários em vagas de estágio”.

https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/02/ha-vagas-de-olho-no-tiktok-empresas-contratam-jovens-para-produzir-conteudo.ghtml

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