Como rápida ascensão do Brasil pode desbancar EUA como maior exportador de milho do mundo

Economistas dizem, porém, que a ascensão do Brasil não deve ter grande impacto no dia a dia dos americanos – a agricultura não tem o mesmo peso econômico de décadas atrás

Folha/BBC – 8.jul.2023 

Nas planícies dos Estados Unidos conhecidas como Cinturão do Milho, os agricultores passam seus dias e noites nutrindo, cuidando e rezando pelo bem-estar desse alimento comum, mas globalmente significativo. Scott Haerr, que colhe mais de 1,6 mil hectares todos os anos (uma área que corresponde mais de 1,5 mil campos de futebol), é um deles. Dentro de um enorme silo em sua fazenda no oeste de Ohio, o agricultor de terceira geração examina os grãos de milho da colheita do ano passado. “É um milho muito bom”, diz ele, peneirando um punhado. Pessoa segura punhado de grãos de milho com as duas mãos Brasil pode despontar na exportação de milho em meio a desafios dos EUA no setor – BBC 

Mas, embora a qualidade da colheita do ano passado possa ter sido boa, a quantidade produzida pelos agricultores americanos não foi. PUBLICIDADE O aumento dos preços de fertilizantes e combustíveis fez com que o número de hectares plantados caísse significativamente em relação a 2021. Além disso, uma seca nas planícies ocidentais alimentou um aumento no preço do milho americano no mercado internacional. “Tivemos uma safra reduzida por causa do clima e o rio Mississippi secando no outono passado e no início do inverno, o que retardou muito nossas exportações”, diz Haerr. “Por causa disso, o preço do milho subiu, o que nos tornou menos competitivos.” 

O trabalho árduo e a experiência tecnológica dos agricultores americanos cimentaram seu lugar no topo das exportações de milho. Todos os anos, dezenas de milhões de toneladas são enviadas dos EUA para mais de 60 países em todo o mundo. Mas seu status de superpotência do milho pode estar chegando ao fim. Os compradores na China —que é o maior importador mundial de milho— estão cancelando pedidos dos Estados Unidos, em grande parte porque existem alternativas mais baratas em outros lugares. 

 Em janeiro, as vendas de milho dos Estados Unidos para a China ficaram 70% abaixo dos níveis dos anos anteriores. E em maio, a China começou a comprar milho sul-africano pela primeira vez. É uma tendência preocupante para os agricultores dos EUA. De fato, depois de décadas no topo, está prestes a ser ultrapassado como o maior exportador mundial da safra —e o Brasil está na briga para tomar sua posição. A ascensão do Brasil Em análise divulgada no site do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), o professor Lucílio Alves aponta que o Brasil deve embarcar volume de milho equivalente ao dos Estados Unidos na safra de 2022/23. Serão 51 milhões de toneladas entre outubro de 2022 e setembro de 2023, segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgadas em fevereiro. “Esse cenário pode ser verificado pela primeira vez para os exportadores brasileiros”, apontou Alves. 

Nos Estados Unidos, não é apenas a China que está se distanciando do milho produzido no país. As exportações para todos os países, exceto a China, estavam em seu segundo menor nível em duas décadas, conforme noticiou a agência Reuters. O México, que compra cerca de US$ 5 bilhões (R$ 24,6 bilhões) em milho dos Estados Unidos todos os anos, está se preparando para limitar as importações da variedade geneticamente modificada, uma grande quantidade da qual vem de seu vizinho do norte. Enquanto isso, no Brasil, agricultores têm convertido faixas de terra agrícola de pastagens para campos de milho nos últimos anos, dizem especialistas. 

A vantagem adicional do Brasil é que seus agricultores podem colher não só uma, mas duas safras de milho por ano. “No ano passado, em particular, eles tinham muito mais estoques exportáveis do que nós aqui nos Estados Unidos”, diz Frayne Olson, economista agrícola da North Dakota State University. “A tendência de longo prazo é que o Brasil está aumentando sua produção de milho, está se tornando um ator muito mais dominante.” A análise de Lucílio Alves, do Cepea/USP, aponta que o Brasil pode superar os Estados Unidos como maior exportador de milho do mundo. No Brasil, o aumento das exportações resultam de um superávit interno da produção estimado em cerca de 55 milhões de toneladas tanto para as safras 2021/22 quanto para 2022/23, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

A China vem aumentando significativamente suas encomendas de milho brasileiro. Os dois países também firmaram uma série de acordos que permitirão que mais milho seja embarcado do Brasil para a China. O movimento da China para diversificar as importações de alimentos provavelmente é estimulado por uma combinação de fatores, de acordo com Harry Murphy Cruise, economista da Moody’s Analytics focado no país asiático. China x EUA Além da questão do preço, o aumento das tensões entre os Estados Unidos e a China está levando Pequim a diversificar rapidamente caso a situação se deteriore ainda mais. 

“O comércio é uma ferramenta fundamental no arsenal de todos os formuladores de políticas”, disse ele. “Existe a possibilidade de que a China esteja usando o comércio como uma forma de coerção econômica.” Cruise disse que batalhas sobre produtos como semicondutores, eletrônicos e baterias não são os únicos exemplos de como a China mudou sua relação comercial com os Estados Unidos. “É mais amplo do que isso”, diz Cruise, observando que a China está procurando mitigar riscos e fortalecer as cadeias de suprimentos de bens essenciais. “Alimentos e rações para o gado são críticos.” 

Nos Estados Unidos, os preços do milho estão altos por muitos dos mesmos motivos pelos quais a maioria dos outros produtos e serviços são caros hoje: inflação. Para os agricultores, os custos crescentes de maquinário, sementes e terras agrícolas prejudicaram seus resultados. “Quando você olha para o maior diferencial no custo de produção de milho nos EUA em relação ao Brasil, África do Sul ou Argentina, provavelmente é a terra”, diz Frayne Olson. O preço por acre de terra em Iowa, o maior estado produtor de milho dos EUA, aumentou 29% em 2021 e mais 17% em 2022, o maior já registrado. Em Illinois, o segundo maior produtor de milho, o aluguel da terra atingiu preços recordes no ano passado. 

Economistas dizem, porém, que a ascensão do Brasil não deve ter grande impacto no dia a dia dos americanos —a agricultura não tem o mesmo peso econômico de décadas atrás. “A agricultura é importante —o abastecimento de alimentos é crítico— mas não é uma grande parte de toda a economia”, diz Olson. O agricultor Scott Haerr, por sua vez, diz que não planeja reduzir o número de hectares de milho que planta, já que o custo de fertilizantes e combustível diminuiu em relação às altas do ano passado. Os custos crescentes de máquinas, sementes e terras agrícolas tiveram um grande impacto em agricultores como Scott Haerr – BBC “Mas estamos prontos para pivotar, se precisarmos”, diz ele. Ele acredita que há pouco a ser feito para impedir a rápida ascensão do Brasil, mas isso não significa que os agricultores americanos estejam fora do jogo de exportação. 

“A Indonésia não está importando milho no momento, mas seu potencial de crescimento para o etanol (produzido a partir do milho) é enorme”, diz ele. No início deste ano, ele e outros produtores de milho de Ohio visitaram os países do Sudeste Asiático para ouvir em primeira mão o que os compradores querem. “Precisamos ter certeza de que estamos tentando desenvolver novos mercados”, diz ele. *Com reportagem de Stephen Starr em Clark County, Ohio, e Derek Cai, da BBC, em Cingapura. 

*Com reportagem de Stephen Starr em Clark County, Ohio, e Derek Cai, da BBC, em Cingapura.

Este texto foi originalmente publicado aqui

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/07/como-rapida-ascensao-do-brasil-pode-desbancar-eua-como-maior-exportador-de-milho-do-mundo.shtml

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IA generativa chegou em Hollywood e na indústria do entretenimento. E agora?

As opiniões dos especialistas sobre o uso da tecnologia na TV e no cinema divergem, mas eles podem estar corretos em relação aos impactos. Alguns setores da indústria tendem a adotar essas novas ferramentas, o que levará a mudanças dramáticas na produção e pós-produção, distribuição e propriedade intelectual

Thomas Davenport e Randy Bean – MIT Sloan Management Review – 04 de Julho 2023

Artigo IA generativa chegou em Hollywood e na indústria do entretenimento. E agora?

Um dos muitos temas envolvendo a inteligência artificial (IA) generativa que vem sendo muito comentado é o efeito que esta pode ter sobre Hollywood e sobre a indústria do entretenimento em geral. É uma preocupação óbvia porque a IA generativa é capaz de produzir os insumos dessa indústria: texto (na forma de histórias, scripts, anúncios e resenhas), campanhas de marketing e imagens, sejam móveis ou estáticas. Muitos dentro desse segmento estão enfrentando pressões econômicas, o que aumenta a demanda por produtividade e por “produtos” mais baratos. E atualmente uma grande parcela do entretenimento é derivada de conteúdo passado, o que o torna adequado para tecnologias generativas que são treinadas em conteúdo passado.

Ainda é cedo para que o entretenimento seja realmente criado por IA, mas está claro que algo grande está acontecendo. Um artigo recente no Wall Street Journal publicou sobre ferramentas de IA disponíveis que podem sugerir histórias, arcos de personagens e diálogos. O texto ainda traz um módulo interativo que permite que os leitores vejam por si mesmos como o ChatGPT pode escrever um script básico quando damos algumas indicações. O artigo também levanta questões sobre propriedade intelectual de imagem: “Se um usuário pede a uma ferramenta de IA para construir um novo personagem influenciado por, digamos, Bob Esponja, os criadores originais devem conceder permissão? Quem é o dono? A nova obra em si pode ser protegida por direitos autorais?”.

A IA generativa foi usada como parte da produção de Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo, filme vencedor do Oscar de 2023, e isso foi divulgado. Tom escreveu recentemente sobre o uso de IA generativa para geração de imagens de fundo em cinema e TV. Já existem sistemas desse tipo que podem criar vídeos, ainda que curtos e relativamente simples. IA já está sendo usada para dar previsões baseadas em dados sobre como a audiência reagirá a enredos incomuns.

Então, o que isso significa para o setor? Há muitos componentes diferentes nessa questão, como sugere um novo relatório da Variety Intelligence Platform. Em maio, o sindicato dos roteiristas (writers guild of america, ou WGA) entrou em greve contra serviços de streaming pela remuneração dos roteiristas de cinema e TV, mas também exigiu que as produtoras “regulamentem o uso de material produzido a partir de IA ou tecnologias afins”. Como há muitas incertezas sobre o quê, quando e como acontecerá com a tecnologia, conversamos com dois especialistas no tema. Ambos estão baseados em Los Angeles, o que não chega a surpreender, e estão envolvidos com centros da University of Southern California (USC), na Califórnia, Estados Unidos. No entanto, eles não trabalham juntos e têm visões muito diferentes em relação à tecnologia.

Definitivamente contra a IA generativa

Jonathan Taplin é diretor emérito do Annenberg Innovation Lab da USC. Ele teve uma longa carreira na indústria do entretenimento e já geriu turnês de músicos, incluindo Bob Dylan e The Band. Além disso, foi produtor de cinema, banqueiro e escritor. Seu último livro, The end of reality: How four billionaires are selling a fantasy future of the metaverse, Mars and crypto, será lançado em setembro. Como se pode observar sobre o título, ele não é um fã de como as ferramentas de IA generativa das grandes empresas de tecnologia estão sendo desenvolvidas ou apresentadas.

“A maneira como os modelos são treinados é devorando tudo na internet, sem preocupação com direitos autorais”, disse Taplin. “O Google tem uma IA de geração de música treinada em cada arquivo de áudio no YouTube. Você pode pedir algo como ‘faça para mim uma música que soe como Taylor Swift, final triste, compasso como o dela’, e o resultado soa um pouco como ela. Alguém poderia incluí-lo em um videogame ou fazer uma cena de bar como parte de um filme sem gastar nada.” Da mesma forma, a IA generativa poderia reutilizar o conteúdo de vídeo de propriedade dos estúdios, acrescentou.

A principal preocupação de Taplin é que a IA generativa substitua parte do trabalho que hoje é feito por escritores, artistas, fotógrafos e outros profissionais criativos na indústria das artes e do entretenimento. Ele também acredita que isso agravará problemas que já estão prejudicando a indústria de cinema e TV. “O maior problema nos filmes é o excesso de fórmulas. Falta originalidade e é por isso que essa indústria tem tido resultados piores”, disse. A IA generativa, acrescentou, só é capaz de produzir ainda mais conteúdo estereotipado e intensificará a previsibilidade. “O entretenimento depende de novas ideias, e essa tecnologia não pode produzi-las”, acrescentou Taplin.

Ele disse que está preocupado que a IA generativa continue a reduzir o número de artistas que podem ganhar a vida no segmento. A maior parte da receita do entretenimento já vai para um número muito pequeno de artistas. Essa é a realidade dos músicos, em particular nos streamings, e se confirma em Hollywood nas enormes receitas de bilheteria geradas por alguns de atores importantes em filmes de grande sucesso. Quando você tem uma “economia algorítmica”, disse Taplin, “os algoritmos estreitam o funil, com pagamentos descomunais para poucos”. Ele está esperançoso de que um regime de licenciamento coletivo – semelhante ao que está em vigor para amostragem de música – surja para proteger os artistas quando seu conteúdo for usado para treinar IA generativa.

Encarando a IA generativa, mas com algumas preocupações

Yves Bergquist é diretor do AI & Neuroscience in Media Project no Entertainment Technology Center da USC, que é financiado por estúdios de Hollywood. Você pode imaginar que a opinião dele sobre IA generativa é provavelmente muito mais favorável do que a de Taplin. E é, apesar de ele ter dito que tem algumas preocupações sobre os potenciais efeitos da tecnologia sobre a indústria de mídia e entretenimento: “É uma tecnologia completamente revolucionária”, caracterizada por desinformação e “alguma insanidade”.

Perguntamos a Bergquist se os estúdios de cinema adotariam a IA generativa. Parte deles já está fazendo isso, disse ele. “Alguns grupos dentro dos estúdios são muito experientes desse ponto de vista, como os diretores de tecnologia e todos os artistas e técnicos de efeitos visuais. Eles são muito sofisticados e já estão trabalhando com recursos de IA generativa. Os estúdios fazem muito do trabalho de pós-produção em filmes – especialmente em animação – e há muita pressão para reduzir os custos. As empresas de pós-produção têm uma cultura de desenvolvimento de software, então tenderão a adotar a IA generativa.”

Ele também acredita que muitas produtoras adotarão a tecnologia porque já estão fotografando em grandes telas baseadas em LED e precisarão de imagens generativas para elas. Bergquist disse esperar que as ferramentas que oferecem atores virtuais e síntese de voz sejam adotadas de forma mais agressiva por criadores de formato curto que distribuem seu trabalho no TikTok ou YouTube e por produtores de videogames. “Canais de streaming, anúncios digitais, jogos, é isso que as crianças assistem hoje em dia”, observou. “A indústria de mídia não tem mais o monopólio do entretenimento.” Os fabricantes de hardware (como câmeras) também estão experimentando efeitos visuais generativos na câmera.

O lado comercial dos estúdios de cinema tradicionais às vezes é mais relutante em adotar a IA, observou Bergquist, simplesmente porque eles não têm o mesmo tipo de cultura de dados ou software. “A IA está sendo introduzida em organizações e pessoas que não estão prontas”, disse ele. Mesmo os novos estúdios de streaming, como Netflix e Prime Video, vivenciaram muitas dores de crescimento em suas jornadas de IA.

Bergquist disse que, antes da greve do WGA começar em maio, muitos roteiristas lhe disseram que veem o ChatGPT como uma “grande ferramenta de assistente criativo”, mas não algo que substituirá os escritores humanos. “É bom em fazer brainstorming de ideias, mas produzirá apenas conteúdo médio”, afirmou Bergquist. “Não é nem de longe capaz da abstração simbólica necessária para o desenvolvimento do roteiro, e não consegue produzir um roteiro com estrutura narrativa e arcos de personagens.” Pelo menos não agora. Futuros modelos de linguagem com níveis mais altos de inteligência e novos paradigmas para IA podem vir a ser capazes de fazê-lo.

Bergquist acredita que a IA generativa terá enormes efeitos não apenas no entretenimento, mas também na educação. Ele acredita que as escolas, incluindo a School of Cinematic Arts da USC, precisam atualizar rapidamente seus conteúdos para acompanhar o frenesi de novas ferramentas de IA generativa que são lançadas quase todas as semanas. Bergquist está preparando cursos sobre tecnologia para a Society of motion pictures and television engineers, uma organização que representa tecnólogos em mídia.

Estarão ambos certos?

Embora Taplin e Bergquist pareçam ter visões muito diferentes sobre IA generativa, ambos podem estar certos sobre seus impactos. As pressões econômicas podem levar a indústria, ou pelo menos alguns de seus setores, a adotar essas novas ferramentas. A IA generativa levará a mudanças dramáticas na produção e pós-produção, distribuição e propriedade intelectual. A tecnologia pode não ser boa para os artistas tradicionais e as empresas que os empregam, mas é provável que leve a mudanças significativas na indústria nos próximos anos – esperamos que algumas sejam para melhor e outras para pior. Talvez a única notícia exclusivamente boa seja que nenhum especialista tem a expectativa de que os humanos sejam totalmente substituídos tão cedo.

Autoria

Thomas Davenport e Randy Bean

Thomas H. Davenport é professor de tecnologia da informação e gestão do Babson College, professor visitante na Saïd Business School de Oxford e membro da iniciativa MIT sobre economia digital. Randy Bean é CEO da NewVantage Partners e autor do livro Fail fast, learn faster: Lessons in data-driven leadership in an age of disruption, big data, and AI (Wiley, 2021).

https://mitsloanreview.com.br/post/ia-generativa-chegou-em-hollywood-e-na-industria-do-entretenimento-e-agora

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O declínio do terceiro lugar

Em crise, ele é o espaço onde as diferenças são toleradas em nome do convívio

Ronaldo Lemos – Folha – 2.jul.2023 

Uma das tragédias contemporâneas é o chamado “declínio do terceiro lugar”. A ideia é simples e poderosa. A sociedade é constituída de lugares de convívio humano. O primeiro lugar é a nossa casa. O segundo é o trabalho. Já o terceiro lugar é o conjunto de espaços privados ou públicos em que encontramos pessoas com os quais não necessariamente temos vínculos: cafés, clubes, bibliotecas, parques, livrarias, igrejas, praças e assim por diante.

O importante é que seja um lugar aberto em que as pessoas possam se conectar entre si, com situações desconhecidas ou imprevisíveis, ou ainda, unidas por interesses ou atividades compartilhadas.

O terceiro lugar é onde ocorre uma espécie de laboratório cívico acidental, onde as diferenças são toleradas em nome do convívio. A ideia apareceu no livro do sociólogo Ray Oldenburg chamado “The Great Good Place”, publicado em 1989 (Oldenburg morreu no fim de 2022). Na obra, ele enfatiza que os terceiros lugares são essenciais para a criação de um senso de comunidade, para a construção de uma sociedade civil verdadeira e, em última análise, para a democracia.

Pessoas tomam sol e descansam em gramado no parque Augusta, na zona central de São Paulo – Rubens Cavallari – 10.dez.22/Folhapress,

Só que em 1989 Oldenburg não podia prever as complexidades do declínio atual do terceiro lugar, incluindo o papel da tecnologia nas nossas vidas. Apesar de ter potencial de formação de comunidades virtuais (a ponto de ser chamada por alguns de “o quarto lugar”), a maior parte dos produtos tecnológicos acaba gerando mais individualismo. É só pensar nos óculos de realidade virtual da Apple, o Vision Pro. O aparelho tem potencial de isolar as pessoas dentro das próprias casas. Se o celular é uma força de afastamento das pessoas dentro de casa, imagine um computador colocado na cara de cada um.

Mas a tecnologia não é o único fator. Parte da crise do terceiro lugar é também de mudanças estruturais no primeiro e segundo lugares. Especialmente na pandemia a casa passou a se tornar para uma parcela da população também um lugar de trabalho, o que tirou parte das pessoas das ruas da cidade. Além disso, a facilidade de comprar online está esvaziando centros urbanos.

Uma das experiências mais aterrorizantes é assistir aos vídeos do documentarista Dan Bell no YouTube. Sua série “Dead Mall” (Shoppings Mortos) é pior que muitos filmes de horror. Mostra shoppings gigantescos fechados, muitos deles novíssimos ou recém-inaugurados. Bell passeia pelo interior desses espaços, totalmente vazios, funcionando como um mau presságio.

No Brasil, o desafio dos terceiros lugares é ainda maior. Com uma sociedade dividida por múltiplos fatores, econômicos e sociais, vivemos cheios de terceiros lugares falsos. Um terceiro lugar verdadeiro precisa ser neutro (ninguém tem a obrigação de estar lá), nivelador (status não determina a entrada), a conversa é a chave do convívio (e não o comércio), é aberto a todos, tem raízes em comunidades locais, e assim por diante.

É claro que o Brasil tem vivido mudanças nas dinâmicas sociais nos últimos anos, como o renascimento do carnaval de rua ou o crescimento das igrejas neopentecostais. Em um contexto em que o individualismo puxado pela tecnologia prevalece, o Brasil poderia assumir um papel de proteção e reinvenção dos 3º lugares contra o desaparecimento ou a cooptação. Essa me parece uma ambição (ou utopia) saudável.



Reader

Já era O mundo sem inteligência artificial

Já é Aprendizado de máquina (machine learning)

Já vem Desaprendizado de máquina (ensinar a máquina a “desaprender” ideias nocivas ou perigosas)

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2023/07/o-declinio-do-terceiro-lugar.shtml

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Brazilcore: Por que europeus estão ‘brincando de se vestir de brasileiros’ nas redes sociais?

Estilo verde e amarelo é tratado como novidade no hemisfério norte. Estrelas gringas como Tina Kunakey e Rosalía são exaltadas pela ‘Vogue França’ com fotos em botecos que glamourizam estética da periferia brasileira

Por Bárbara Correa – Estadão – 06/07/2023 

A moda popular brasileira parece ter sido “descoberta” pelos franceses nas últimas semanas. Em junho, a Vogue francesa publicou a reportagem “Tudo o que você precisa saber sobre a tendência Brazilcore”. A matéria explica no que consiste o estilo, que ganhou destaque no Brasil no ano passado, com a Copa do Mundo e, segundo a publicação, é tendência para o verão do hemisfério norte (que começou em junho).

O termo Brazilcore repercutiu como uma trend (termo usado nas redes sociais para se referir a tendências) no Tiktok. Trata-se de um estilo que adota roupas e acessórios com as cores do Brasil ou símbolos que remetem à bandeira brasileira. O uso dos hashtags #brazilcore, #braziliancore, #brazilcorefashion nas redes ultrapassa 500 milhões de menções.

A publicação foi questionada por internautas daqui, uma vez que não mencionou personalidades e nem marcas brasileiras. As referências citadas são a cantora espanhola Rosalía, as modelos estadunidenses Emily Ratajkowski e Hailey Bieber e a francesa Tina Kunakey.

No post da revista no Instagram, as supermodelos e estrelas estrangeiras não só vestem camisetas e acessórios verdes e amarelos simples, que parecem comprados em um camelô: elas aparecem sentadas em cadeiras de plástico em boteco de rua, comendo pururuca ou tirando selfie com uma latinha de Guaraná.

  • O que é o Brazilcore
  • Como essa tendência começou nas periferias do Brasil
  • O que essa movimentação da tendência brasileira na Europa representa

O que é e como surgiu o Brazilcore?

O termo “core”, principalmente em trends de moda nas redes sociais, é usado para designar uma estética. No Tiktok, por exemplo, algumas tendências já surgiram e, rapidamente, perderam espaço para novas, como Barbiecore (que se assemelha à boneca Barbie, com a predominância da cor rosa), Fairycore (que se inspira no visual de fadas), entre outras.

O Brazilcore já foi questionado por pesquisadores e produtores de conteúdo de moda da periferia no segundo semestre de 2022, quando a mídia brasileira passou a atribuir o surgimento dessa tendência a influenciadoras de moda no Tiktok, como Malu Borges e Livia Nunes, que possuem mais de um milhão de seguidores nas redes sociais.

Na prática, o estilo surgiu nas periferias do Brasil. É o que explica o pesquisador especialista em hábitos de consumos periféricos Wes Xavier, morador do Grajaú, São Paulo:

“O assunto vai para além de apropriação. Existe um processo de desumanização das narrativas periféricas, onde quem as criou conta outras histórias sem levar em consideração o começo e meio, ou o fim delas.”

Wesley explica que, nos primeiros meses do segundo semestre de 2022, muitos influenciadores brasileiros alegaram que usar essa camiseta era uma forma de ressignificar o que, em 2018, foi visto apenas como símbolo de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Porém, a periferia nunca deixou de utilizar essas roupas. Diferentemente de uma visão nacionalista, ela representava a possibilidade de sonhar, de se imaginar e vislumbrar locais de protagonismo diferentes dos pré-determinados aos favelados. Pensar futebol e cultura nas periferias brasileiras é pensar caminhos possíveis para uma vida melhor”, explica.

Ele acrescenta: “Esse movimento sempre esteve ao alcance dos meus olhos. Diante da minha janela, do meu espaço de trabalho, vislumbro a periferia. Nela, diversos corpos carregados dessa essência transitam no cotidiano, e não em passarelas ou veículos de comunicação. Eles estão nas ruas”.

Mayra Souza, modelo, designer e produtora de conteúdo sobre moda periférica concorda. “Muito antes de ter esse nome eu já via no meu bairro, nas ruas da favela, e nunca foi considerado fashion. Mas, desde que pessoas de fora começaram a usar, aí virou trend”, afirma.

Mayra, que mora no Capão Redondo, em São Paulo, sempre quis trabalhar com moda, mas, por não se ver representada na área, acreditava que essa era uma realidade muito distante da sua.

Foi a partir da faculdade de Design Gráfico, onde ela fez um TCC sobre tipografia vernacular (tipos de letras muito populares nas periferias) que ela percebeu a potência de produzir conteúdos sobre cultura periférica. Ela analisa o impacto da trend Brazilcore na moda da seguinte forma:

“Alguns artistas internacionais como a Hailey Bieber e a Dua Lipa, em suas passagens pelo Brasil, utilizaram a camisa verde e amarela (…) Nas últimas semanas de moda, as cores estavam também presentes e isso é algo bom, trazer a visibilidade para o Brasil, enquanto potência que somos. Só que, quando esvaziam o significado real por trás, acaba invisibilizando os verdadeiros percursores, pois os corpos modelos, quando buscamos por essa estética, não são os pretos e periféricos”.

Moda brasileira na Europa

“O protagonismo precisa estar direcionado para a gente, como foi o caso do Je M’appelle Brasil”, reitera a designer, mencionando um projeto desenvolvido pelo estilista Samir Bertoli.

No mesmo mês da publicação da revista francesa, as ruas de Paris receberam o projeto brasileiro de streetwear (termo que se refere a moda urbana, de rua) Je M’appelle Brasil. Samir reuniu seis marcas nacionais, Carnan, Mad Enlatados, Class, Pace, Sufgang e Quadro Creations, para apresentá-las ao mercado europeu entre os dias 22 e 24 de junho.

Samir, que vive em Pirituba, São Paulo, reflete que, apesar do notório interesse dos franceses que frequentaram o showrom, a matéria de revista francesa é, para ele, um reflexo da percepção que os europeus ainda têm do Brasil. Para ele, a trend Brazilcore é, na verdade, uma “caricatura do que os gringos acham que é ser brasileiro”.

O evento contou com a apresentação do trapper paulista Kyan, o que também atraiu a visitação de brasileiros em Paris e repercutiu na imprensa daqui. O estilista teve essa ideia no ano passado, quando percebeu a falta de conhecimento de muitos franceses em torno da cultura brasileira.

“Para minha surpresa, eles não conheciam nada. Conheciam Neymar, futebol, Rio de Janeiro e Carnaval. Meu objetivo foi dar o pontapé inicial, para inserir a moda e subcultura brasileira, de forma humilde. O projeto foi desenvolvido em três meses. Então, apesar de ter sido muito corrido, eu sabia que queria que isso fosse um marco na história da moda, do streetwear brasileiro, como primeiro pontapé global para começar mostrar o que produzimos por aqui”, explicou.

“É preciso entender que esse estilo do ‘core’ é um arquétipo, um estereótipo. O verde e amarelo é bem caricato. Olhei isso no Tiktok e pensei: ‘Estão brincando de se vestir de brasileiro’. A estética, de verdade, surgiu na periferia, com roupas de time. Mas, camisa de time nunca foi artefato de moda para elite, era atrelado a uma falta de entendimento estético, de não saber se vestir”, reitera.

“De modo geral, eles [franceses] enxergam a moda no Brasil nessa mesma superficialidade, do estereótipo das cores, não imaginam que existam culturas profundas em casa estado. Enxergam aqui como moda de praia, chinelo, no arquétipo de um país tropical”, analisa.

https://www.estadao.com.br/cultura/moda/brazilcore-por-que-europeus-estao-brincando-de-se-vestir-de-brasileiros-nas-redes-sociais/

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Conhece a ideia de ‘venture client’? Veja como método pode ser atalho para inovação

Em vez de grandes empresas aportarem investimentos em startups, elas se tornam clientes iniciais

Por Camila Farani – Estadão – 04/07/2023 

Você certamente já ouviu a frase “o cliente tem sempre razão”. Ela é tão conhecida e repetida pois parte do pressuposto de que, quando você tem clientes, você tem um negócio bem sucedido. A partir dessa lógica surgiu o Venture Client:

  • Em vez de grandes empresas aportarem investimentos em startups, elas se tornam clientes iniciais.
  • As corporações não vão adquirir equity, e sim, comprar o produto ou contratar o serviço.
  • O risco está em obter uma solução que pode não estar finalizada, nem ter um modelo de negócios bem estabelecido.
  • No entanto, é uma opção para acelerar o processo de inovação das companhias.

Gregor Gimmy institucionalizou o modelo quando trabalhava na BMW e surgiu a demanda de uma ferramenta específica, para complementar a tecnologia de outra empresa. Ele entendeu que, mesmo com investimento milionário, a startup teria limitações financeiras para desenvolver uma solução complementar e que não valeria a pena investir e ter uma parte do negócio. No entanto, ser pioneira no uso de uma tecnologia do ecossistema automotivo, replicando o serviço aos fornecedores, poderia colocar a montadora alemã em uma posição de liderança.

O Venture Client se destaca por ser uma alternativa win x win.

  • Corporações têm acesso às soluções que precisam antes dos concorrentes;
  • Podem alinhar o produto ou o serviço às suas necessidades;
  • Startups terão o recurso necessário para desenvolver sua tecnologia ao máximo do potencial;
  • Se torna escalável, já que será possível vender para outras organizações do mesmo ramo e para os fornecedores.

Essa forma de investimento existe há muito tempo – em 1985, a Apple contratou serviços de uma pequena startup… a Adobe! Porém, se tornou popular 30 anos depois, quando Gimmy cunhou o termo. Hoje, ele tem uma consultoria e implementa o modelo em grandes companhias, como:

  • Bosch: as unidades de negócios se beneficiam estrategicamente de startups como clientes de risco.
  • Holcim: Implantou a Venture Client Unit para conectar startups às necessidades de toda a cadeia – da pedreira ao cliente final.
  • Siemens Energy AG: Concentra a estratégia em projetos-piloto para transformar sistemas de energia e ajudar a combater as mudanças climáticas.

Venture Client caiu no gosto de 97% dos líderes de inovação, segundo o relatório “Open Innovation Outlook 2023 – Macrotendências para 2023 no engajamento corporativo-startup”. Nesse formato, uma companhia pode aumentar em até 10x o acesso à tecnologia. E assim, cliente e empresa, juntos, têm a razão!

https://www.estadao.com.br/link/camila-farani/conhece-a-ideia-de-venture-client-veja-como-metodo-pode-ser-atalho-para-inovacao/

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Maria Rita e Elis Regina aparecem juntas em campanha feita com inteligência artificial; entenda tecnologia usada

Peça publicitária fez uso de recurso de tecnologia de inteligência artificial, que recriou imagem do rosto de Elis Regina

Por O GLOBO — 04/07/2023 

Cena do comercial que 'juntou' Maria Rita e Elis Regina por meio de inteligência artificial

Cena do comercial que ‘juntou’ Maria Rita e Elis Regina por meio de inteligência artificial Reprodução/YouTube

Um dueto novíssimo (e inédito) entre Elis Regina, morta há 41 anos, e a filha dela, a cantora Maria Rita, se tornou o assunto mais comentado na internet nesta terça-feira (4). A produção — que impressiona pelo elevado nível de realismo — só foi possível graças a uma tecnologia de inteligência artificial conhecida como “deepfake”, um dos temas abordados pela última novela das 21h “Travessia”, de autoria de Glória Perez.

Entenda a tecnologia por trás

Produzida para comemorar os 70 anos da Volkswagen no Brasil, a peça publicitária utilizou o recurso que permite criar adulterações realistas com o rosto de pessoas. Explica-se: para que a mãe de Maria Rita aparecesse num vídeo lançado em 2023, uma atriz foi usada para se passar pela cantora. O rosto de Elis Regina foi então inserido, em seguida, por cima da face da dublê. E, pronto, está lá Elis Regina, numa imagem nítida e realista, cantarolando enquanto dirige uma kombi.

Segundo a Volkswagen, o processo de edição contou com a ajuda de uma tecnologia de redes neurais artificiais, que fez uma mistura entre o rosto da dublê e da imagem recriada de Elis Regina. A voz da música inserida no vídeo é original da cantora.

O que é deepfake?

Deepfake é uma técnica com uso de inteligência artificial que possibilita alterar o rosto ou a voz de uma pessoa em fotos ou vídeos. Em português claro, tratam-se de fotos ou vídeos em que o rosto de uma pessoa aparece no corpo de outra.

Recentemente, por exemplo, a cantora Anitta foi vítima de deepfake, e o caso foi parar na Justiça. A funkeira teve seu rosto e voz inseridos no corpo de uma atriz num vídeo pornográfico que passou a ser compartilhado em grupos de WhatsApp. “Trata-se de ação criminosa que utiliza de recursos digitais para enganar o público”, afirmou a assessoria da artista, à época.

Diretor já foi premiado em Cannes

A produção para a marca de veículos automotores foi dirigida por Dulcídio Caldeira, nome por trás de outra campanha publicitária que também viralizou recentemente nas redes sociais. É dele a assinatura do filme que juntou a atriz Fernanda Montenegro e a pequena notável bebê Alice para uma campanha de fim de ano do Itaú Unibanco.

Curitibano que iniciou a carreira de redator publicitário há mais de duas décadas, Dulcídio Caldeira coleciona prêmios importantes no setor e já foi laureado em Cannes — pela criação do comercial “Balões” (relembre abaixo), para a MTV Brasil, em 2011.

Com a agência Boiler, que ele fundou em 2016, Dulcídio criou campanhas emotivas (e de sucesso) com a pequena bebê Alice, criança de 3 anos que virou fenômeno na internet ao aparecer em vídeos falando palavras difíceis. Num comerciais para a mesma instituição bancária, ela divide a cena com Fernanda Montenegro.

https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2023/07/deepfake-e-redes-neurais-entenda-como-foi-feito-o-dueto-entre-maria-rita-e-elis-regina.ghtml

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Por que o Brasil é a bola da vez para a maior gestora do mundo

BlackRock diz estar mais otimista com mercados emergentes que desenvolvidos: “eles provaram ser resilientes”

Karina Saade, CEO da BlackRock no Brasil (BlackRock/Divulgação)

Karina Saade, CEO da BlackRock no Brasil (BlackRock/Divulgação)

Guilherme Guilherme – Exame –  29 de junho de 2023

Enquanto mercados desenvolvidos seguem como ponto de preocupação, os emergentes têm ganhado a preferência da BlackRock. Com US$ 9 trilhões sob gestão, a gestora avalia que as principais economias do mundo passarão por um período bem diferente dos últimos anos, com inflação e taxas de juros insistentemente mais altas. Para os Estados Unidos, inclusive, a previsão é de que a recessão virá em breve.

“No passado, as altas de juros nos Estados Unidos tinham um efeito dramático sobre a América Latina. Dizíamos que quando os Estados Unidos pegavam um resfriado, a América Latina pegava uma pneumonia”, disse Axel Christensen, estrategista-chefe da BlackRock para a América Latina.

O Brasil já não é mais o de antigamente, relembrou. “Eles provaram ser mais resilientes. Basta ver os números de atividade do Brasil. Esse é um dos motivos de nossa preferência por economias emergentes.”

Outro ponto que explica o favoritismo do Brasil na BlackRock é o momento do ciclo monetário em relação ao de países desenvolvidos, que seguem elevando suas taxas de juros. Um dos sinais de que os juros deverão começar a cair no Brasil veio da ata do Copom divulgada nesta semana. Após o documento, a gestora antecipou sua projeção para o início do ciclo de cortes para a próxima reunião, em agosto.

A perspectiva anterior era de que a queda de juros viesse apenas em setembro. “A ata do Copom certamente veio mais dovish (pró-queda dos juros). Deverá ser um ciclo bem gradual”, disse Karina Karina Saade, CEO da BlackRock no Brasil.

BCs x inflação

Essa maior probabilidade de o Brasil começar a cortar juros mais cedo é reflexo do maior controle sobre a inflação. A inflação ao consumidor brasileiro (IPCA) saiu abaixo de 4% em maio pela primeira vez desde 2020, se aproximando da meta do Banco Central para este ano, que é de 3,25%.

Nos Estados Unidos, o Índice de Preço sobre Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), que é a principal referência para o Federal Reserve, está em 4,4% ante a meta de 2%. Na Zona do Euro, a inflação ao consumidor está em 6,1%, bem acima da média histórica da região, onde até o ano passado o indicador nunca havia passado de 5%.

“O Brasil começou a subir juro quase um ano antes de o Federal Reserve reconhecer o problema da inflação. Isso permite visualizar um cenário de corte de juros. Os mercados emergentes estão seguindo um caminho diferente”, afirmou Christensen.

Quem deve se beneficiar mais?

Christensen acredita que as ações de pequenas  empresas, as small caps, estejam entre as mais favorecidas pelo ciclo de corte de juros. “”Em lugares onde se espera que as taxas de juro caiam, como o Brasil, devemos esperar que as empresas ou setores se beneficiem da redução de seus custos financeiros daqui para frente”, disse.

Guilherme Guilherme

Repórter de InvestFormado pela Universidedade Metodista de São Paulo. Cobre mercado financeiro na Exame desde 2019. Também trabalhou na revista Investidor Institucional e participou 9º Focas de Jornalismo Econômico do Estadão. 

https://exame.com/invest/mercados/por-que-o-brasil-e-a-bola-da-vez-para-a-maior-gestora-do-mundo/

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Defesa dos EUA planeja fazer de IA principal gasto em inovação; China já prioriza tecnologia

Departamento de Defesa estima gastos de R$ 8,6 bilhões em 2024, mais do que o dobro investido em 2022

Pedro S. Teixeira – Folha – 1º.jul.2023

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos elegeu inteligência artificial como principal investimento em ciência e tecnologia no próximo ano. Desde 2022, chips e semicondutores ocupam o topo da lista de gastos militares na área.

No ano passado, a pasta responsável pela segurança nacional dos EUA investiu US$ 874 milhões (cerca de R$ 4,18 bilhões). A projeção para 2024 fica em US$ 1,8 bilhões, embora esse valor precise ser ratificado pela Casa Branca e aprovado pelo Congresso.

Recursos de inteligência artificial são vistos como ativos estratégicos por potências militares, segundo o conselheiro de políticas públicas do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha), Neil Davison.

Inteligência artificial, modo de usar

A tecnologia não só acelera processamento de dados e identifica alvos e riscos, como também aumenta a escala de produção de propaganda e tradução de documentos de países inimigos.

Empresários do ramo da IA têm afirmado que parlamentares americanos precisam aprovar uma regulação para a tecnologia, mas é necessário cuidado para evitar que as regras atrapalhem a concorrência com a China.

“O perigo é que a regulação desacelere a indústria americana de uma maneira em que a China ou outro país progrida mais rapidamente”, afirmou o chefe-executivo por trás do ChatGPT, Sam Altman, em audiência no Senado dos EUA.

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O fundador da startup Scale, que vende soluções para o Departamento de Defesa, Alexandr Wang, faz coro. “Os chineses acreditam que conseguiram superar os EUA em IA, assim como fizeram no setor de fintechs, por causa do mercado de serviços financeiros americano ser estabelecido e regulado.”

O ex-chefe-executivo e acionista do Google, Eric Schmidt, que hoje investe em inovações bélicas, afirmou em 2021 que a “China não parou desenvolvimentos por causa de regulação.” Durante a gestão de Barack Obama, Schmidt participou de um conselho consultivo para modernizar o Departamento de Defesa dos EUA.

Todos eles podem ganhar dinheiro com o Estado americano como cliente. O contrato da Scale com a Defesa dos EUA para desenvolver uma IA assistente para militares, por exemplo, saiu por US$ 90 milhões.

Por outro lado, a China, de fato, começou a investir alto em aplicações de IA para conflitos antes dos EUA.

Levantamento do Centro para Segurança e Tecnologias Emergentes, vinculado à Universidade de Georgetown, mostra que o Exército de Libertação Popular investiu em equipamentos com IA entre US$ 1,6 bilhões e US$ 2,7 bilhões por ano de 2018 a 2020.

Embora a disputa entre EUA e China lembre a guerra fria, o conselheiro do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) avalia que existem diferenças fundamentais. No passado, governos americanos e russos puxaram a corrida espacial, e agora, o setor privado lidera o desenvolvimento de IAs.

Essa disputa também não é bilateral. Índia, Rússia, Reino Unido, Israel, Austrália e outros países desenvolvem IAs voltadas a conflito e segurança.

Ainda faltam informações, porém, de como essas tecnologias estão em ação em armamentos autônomos e também em táticas não convencionais, como guerras cibernéticas.

Segundo o New York Times, a China já usa reconhecimento facial para monitorar minorias étnicas, como os muçulmanos uigures, e para reprimir manifestações.

Os Estados Unidos já usam máquinas autônomas, como drones e sistemas antimísseis. O Departamento de Defesa determinou em janeiro deste ano que a decisão humana “em níveis apropriados” ainda é necessária para empregar força.

Os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) pressionam a China para participar de acordo sobre princípios éticos para aplicação de IA em conflitos. “O próximo passo é acertar valores com a China para pavimentar uma via para o uso responsável, mas podemos talvez definir regras”, afirmou o chefe da aliança Jens Stoltenberg em abril. Desde então, não houve avanços no tem

https://www1.folha.uol.com.br/tec/2023/07/defesa-dos-eua-planeja-fazer-de-ia-principal-gasto-em-inovacao-china-ja-prioriza-tecnologia.shtml

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IA e IH: 5 habilidades para desenvolver nossa inteligência humana

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Taise Kodama Fast Company Brasil 28-06-2023    

Pensar sobre as IAs (inteligências artificiais) é também pensar sobre as IHs (inteligências humanas). É pensar nosso papel ativo como criadores e entender que essa evolução tecnológica tem um impacto bombástico para além das funções e das atividades corporativas.

Também nos convida a repensar, inclusive, nossa ideia de trabalho, de profissão e do próprio valor e essência do que nos torna seres inteligentes, humanos e de como nossas sociedades, culturas e economias estão estruturadas.

Essa discussão tem se popularizado, já que as ferramentas de IA deixam de ser restritas a profissões tecnológicas e inundam nosso dia a dia nos algoritmos de redes sociais, no reconhecimento facial do app do banco, nos chatbots e com o boom de ferramentas como DALL-E e ChatGPT.

As IAs não estão imaginando sozinhas (ainda não?). Assim como um assistente (humano), precisam ser bem orientadas e alimentadas, com o direcionamento certo para realizar tarefas. Para desenvolver esse potencial, cabe a quem delega e demanda ser cuidadoso e, claro, saber o que deseja.

Boa parte dos problemas no trabalho vem de um direcionamento que já começa confuso ou equivocado, e todos sabemos que um micro erro de demanda vira um desvio grande na entrega final. Isso pede ainda mais responsabilidade no início, durante e na revisão de todo processo.

Nessa lógica de podermos usar as IAs como assistentes – que nos economizam tempo e colaboram em atividades associativas, de organização e de visualização (assim espero) –, em vez de matar a criatividade, elas podem ser ferramentas de estímulo, de desenvolvimento e de atenção muito maior ao o quê precisa ser executado e não ao como fazer.

A partir dessas considerações, colocando a dimensão humana como o alimento deste processo, quais habilidades de IH se tornam cada vez mais necessárias e urgentes?

1. Clareza na expressão do desafio

Parece simples, mas este é o legítimo caso de que a simplicidade é a complexidade resolvida. Discernir as dores e as necessidades, planejando as etapas de execução de um projeto ou tarefa, é tão importante quanto saber o que se quer. É preciso saber como pedir, ter atenção à expressão e à formulação do pedido (prompt) antes de sair delegando.

2. Entender e classificar seu repertório

Estar atento, pois tudo o que experienciamos é repertório.

É fundamental refletir sobre os caminhos por onde o desenvolvimento e os usos da IA podem nos levar.

Mais do que abarrotar gavetas mentais ou sofrer na hora de nomear as pastas dos “salvos”, é importante ter uma boa ideia de taxonomia, ou seja, juntar as referências em categorias que possam ser buscadas futuramente com mais facilidade.

As IAs podem nos auxiliar nesta fast fashion de repertório, mas não se engane: ter repertório, saber quem são os especialistas no que você sabe menos, vai ajudar a fazer aquele check-in correto e não passar adiante informações equivocadas.

3. Capacidade analítica

É a habilidade de, no tsunami de informações e dados em que estamos submersos, conseguir identificar, classificar e utilizar o que é, de fato, relevante para a tomada de decisão. Seja para identificar o ponto fora da curva que nos leva a novas ideias, a territórios diferenciados (o delírio dos criativos), ou para nos apontar caminhos seguros comprovados – casos que contam com um padrão de eficiência e sucesso que podem nos trazer grandes aprendizados.

4. Estar aberto a aprender de forma constante

A ideia de estar sempre aprendendo é música para os ouvidos dos naturalmente curiosos e inquietos. Mas pode ser também extremamente angustiante quando parece que tudo o que aprendemos – e “apreendemos” de forma sistemática – vem sofrendo imensas transformações.

Talvez o melhor caminho seja, justamente, desapegar da ideia de que esse aprendizado tenha alguma conclusão de fato. Olhar para o ato de aprender como forma constante de viver tira o peso do estar formado e desloca o foco lá do fim para nos concentrarmos na beleza do processo, da descoberta que o aprendizado diário traz. É o aprendizado como prática, não como meta.

5. Conduta ética e transparente

Para que as novas tecnologias – e as velhas também, como as relações humanas – sejam usadas de maneira responsável e transparente, as IAs chegam com um poder gigante de facilitar o trabalho do ser humano e a forma como produzimos e consumimos conteúdo, produtos, serviços e informações.

Capacidade analítica é a habilidade de conseguir identificar, classificar e utilizar o que é, de fato, relevante para a tomada de decisão.

A era da pós-verdade não começou agora, mas tem seu ápice na velocidade da geração de conteúdo em que vivemos – na qual ter uma foto, um áudio ou um vídeo já não garante a veracidade de um fato. Ou pior, já nem verificamos ou nos importamos mais se é ou não verdade, desde que seja trend.

Tenso. Pois é. Imagina, então, esse tema na produção do meio acadêmico, no jornalismo, na política, na saúde, no seu grupo da família no “zapzap”.

É fundamental refletir sobre os caminhos por onde o desenvolvimento e os usos da IA podem nos levar. Retomar a discussão sobre ética e transparência além dos ambientes corporativos e científicos pode ser encarado como um efeito colateral positivo para quem acredita que podemos evoluir também nos nossos desafios como humanos, encontrando razão, utilidade e significado para nossa inteligência.

Mais do que nos preocupar somente em acompanhar as inteligências artificiais, o grande tema é desenvolver nossas inteligências humanas. Afinal, tudo que desejamos é construir experiências consistentes, verdadeiras, que reforcem e criem valor para marcas, negócios e, principalmente, para as pessoas e a sociedade.

SOBRE A AUTORA

Taise Kodama é sócia e head de design & digital da consultoria de marca e experiência Gad.   

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Empresas já procuram profissionais que saibam usar ChatGPT; veja quais

Ferramenta está aumentando a produtividade, já que poupa tempo dos funcionários e melhora os resultados

Por Valor – 26/06/2023

Uma pesquisa realizada entre empresas nos Estados Unidos mostrou que saber usar o ChatGPT e outras ferramentas de inteligência artificial já é um diferencial no currículo e pode ajudar profissionais de diferentes setores a conseguirem um novo emprego.

Por que IA é prioridade para mais de 500 empresas no mundo em até 4 anos

A inteligência artificial vai substituir a criatividade humana?

Hackers comprometem mais de 101 mil contas do ChatGPT; Brasil é 3º mais afetado

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2023/06/22/ia-e-o-passo-mais-importante-que-a-humanidade-ainda-dara-com-apoio-da-tecnologia-diz-ceo-da-openai.ghtml

Segundo o levantamento do ResumeBuilder, um site de empregos do país, 91% das empresas com vagas em aberto buscavam contratar funcionários que soubessem como utilizar a ferramenta lançada pela OpenAI.

As empresas já estão utilizando o ChatGPT para ajudar na criação de materiais de marketing, desenvolver códigos para softwares e redigir peças processuais. A ferramenta está aumentando a produtividade, já que poupa tempo dos funcionários e melhora os resultados.

A pesquisa foi divulgada pelo site “Business Insider”, que ouviu representantes de várias empresas e elencou setores já estão procurando profissionais com experiência no ChatGPT. Veja quais são as carreiras:

Marketing

Companhias procuram trabalhadores com conhecimento do ChatGPT para preencher funções em seus departamentos de marketing. A ideia é que a ferramenta aprimore as estratégias para atrair novos clientes e aumentar as vendas.

A Lasso MD, uma startup de saúde com sede em San Diego, na Califórnia, busca, por exemplo, um gerente de mídias sociais que saiba incluir a inteligência artificial em seu fluxo de trabalho.

Eric Brunnell, presidente da Lasso MD, disse ao Business Insider que a empresa busca candidatos que não só saibam utilizar o ChatGPT, mas também trazer novos conhecimentos para tornar o trabalho mais efetivo em toda a companhia.

Uma ideia similar é defendida pelo presidente da FloWater, Rich Razgaitis. “O marketing tem tudo a ver com a geração de crescimento hiperbólico, e os candidatos com experiência no ChatGPT trazem uma vantagem competitiva ao serem capazes de criar sistemas de marketing em escala”, disse ele ao site.

Engenheiros de Machine Learning e IA

A inteligência artificial também está sendo usada por empresas para criar produtos de maneiras inovadoras. Para isso, algumas delas buscam engenheiros que tenham conhecimento no ChatGPT para suprir essa necessidade.

A Interface.ia, uma ferramenta de IA conversacional para o setor financeiro, está buscando um profissional que seja capaz de implementar os sistemas mais modernos, como a última versão do ChatGPT, em seus produtos.

“Em última análise, isso ajuda nossos clientes – bancos e cooperativas de crédito a se tornarem mais eficientes no relacionamento com seus clientes”, disse Srinivas Njay, presidente da Interface.ai, ao Insider.

Desenvolvedores de software

Desenvolvedores de software com conhecimento em ChatGPT também estão na mira das empresas. Executivos dizem que esse tipo de experiência pode ajudar as companhias a desenvolver modelos de segurança e até mesmo a criar chatbots para interagir com os clientes.

Uma das empresas que busca um desenvolvedor do tipo é a Workera AI, uma plataforma que visa treinar outros profissionais na tecnologia de inteligência artificial.

Para o presidente da companhia, Ted van den Berg, o ChatGPT poderá ser usado para melhorar os testes de habilidade da plataforma.

“Ao usar o ChatGPT e tecnologias semelhantes de IA, os desenvolvedores de avaliação podem gastar menos tempo desenvolvendo do zero modelos de avaliação e perguntas e mais tempo aproveitando sua experiência no assunto para refiná-los”, afirmou Berg.

Treinadores de IA

Empresas de tecnologia também estão em busca de profissionais que conheçam o ChatGPT para adaptar seus sistemas e utilizar a inteligência artificial para produzir melhores resultados.

Uma das companhias com vagas abertas nos EUA é a DealDriver, um serviço de compra de carros que utiliza da ajuda da inteligência artificial, que busca um especialista para aprimorar seu chatbot personalizado e atrair novos clientes.

“Nossos especialistas em operações garantem que a IA seja capaz de continuar se adaptando e lidar com novas conversas à medida que as vivenciamos”, disse Alex Chung, chefe de Experiência em Compras da DealDriverAI ao Insider.

Redatores

Saber usar a inteligência artificial para produzir conteúdo com eficiência é outro requisito que está sendo exigido de candidatos a redator, especialmente no marketing.

Na visão de Ted Zhan, líder criativo de marketing de parceiros globais da Slalom, uma consultoria em tecnologia de Portland, nos EUA, uma compreensão do ChatGPT ajuda os candidatos a contribuírem com ideias e soluções que podem ajudar a empresa a explicar melhor os benefícios da IA para os clientes.

Já David Widger, chefe de marketing da Tock, um serviço de reserva em restaurantes, destacou que busca profissionais com experiência no ChatGPT. Segundo ele, o uso da ferramenta gera novas ideias, aumenta a produtividade e é capaz de criar rascunhos iniciais de projetos da empresa.

Professores

Algumas companhias setor da educação estão buscando professores que saibam usar o ChatGPT para auxiliar no aprendizado dos alunos. Uma delas é a Olivers Scholars, de Nova York, que quer um profissional que ensine os estudantes a como utilizar a ferramenta para facilitar os estudos.

“Queremos que nossos alunos entendam as oportunidades e os limites dessa tecnologia”, disse Danielle Cox, presidente da Oliver Scholars, ao Insider, acrescentando que os professores também terão como função ajudar os alunos a discernir que informações geradas pela IA são confiáveis.

Gerentes de produto

O uso do ChatGPT também está sendo apontado como um diferencial para gerentes de produtos, que devem saber utilizar a ferramenta para otimizar os fluxos de trabalho e conseguir melhores resultados.

A Integrated Projects, uma plataforma digital para arquitetos, está procurando um profissional da área para melhorar o conjunto de produtos oferecidos aos seus clientes. Para o presidente da empresa, Jose Cruz Jr., a IA pode ser um diferencial para a produção de conteúdo de sua equipe.

“Um candidato forte sabe como equilibrar as eficiências do ChatGPT com um olhar perspicaz para detalhes e curadoria”, disse Cruz ao Insider.

Recrutadores

Equipes de recursos humanos e recrutamento estão procurando profissionais interessados em usar o ChatGPT para escolher candidatos mais qualificados para as vagas abertas em suas empresas.

Na descrição de uma vaga para contratar um chefe global de aquisição de talentos, a Moderna diz que busca candidatos que se sintam à vontade para usar tecnologias como a IA para melhorar os resultados da empresa.

Questionada pelo Insider, um porta-voz da empresa, responsável por uma das principais vacinas contra a covid-19, disse que a Moderna quer usar tecnologias como o ChatGPT para “melhorar a vida” de seus clientes e impulsionar a organização.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2023/06/26/empresas-ja-procuram-profissionais-que-saibam-usar-chatgpt-veja-quais.ghtml

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