Maria Rita e Elis Regina aparecem juntas em campanha feita com inteligência artificial; entenda tecnologia usada

Peça publicitária fez uso de recurso de tecnologia de inteligência artificial, que recriou imagem do rosto de Elis Regina

Por O GLOBO — 04/07/2023 

Cena do comercial que 'juntou' Maria Rita e Elis Regina por meio de inteligência artificial

Cena do comercial que ‘juntou’ Maria Rita e Elis Regina por meio de inteligência artificial Reprodução/YouTube

Um dueto novíssimo (e inédito) entre Elis Regina, morta há 41 anos, e a filha dela, a cantora Maria Rita, se tornou o assunto mais comentado na internet nesta terça-feira (4). A produção — que impressiona pelo elevado nível de realismo — só foi possível graças a uma tecnologia de inteligência artificial conhecida como “deepfake”, um dos temas abordados pela última novela das 21h “Travessia”, de autoria de Glória Perez.

Entenda a tecnologia por trás

Produzida para comemorar os 70 anos da Volkswagen no Brasil, a peça publicitária utilizou o recurso que permite criar adulterações realistas com o rosto de pessoas. Explica-se: para que a mãe de Maria Rita aparecesse num vídeo lançado em 2023, uma atriz foi usada para se passar pela cantora. O rosto de Elis Regina foi então inserido, em seguida, por cima da face da dublê. E, pronto, está lá Elis Regina, numa imagem nítida e realista, cantarolando enquanto dirige uma kombi.

Segundo a Volkswagen, o processo de edição contou com a ajuda de uma tecnologia de redes neurais artificiais, que fez uma mistura entre o rosto da dublê e da imagem recriada de Elis Regina. A voz da música inserida no vídeo é original da cantora.

O que é deepfake?

Deepfake é uma técnica com uso de inteligência artificial que possibilita alterar o rosto ou a voz de uma pessoa em fotos ou vídeos. Em português claro, tratam-se de fotos ou vídeos em que o rosto de uma pessoa aparece no corpo de outra.

Recentemente, por exemplo, a cantora Anitta foi vítima de deepfake, e o caso foi parar na Justiça. A funkeira teve seu rosto e voz inseridos no corpo de uma atriz num vídeo pornográfico que passou a ser compartilhado em grupos de WhatsApp. “Trata-se de ação criminosa que utiliza de recursos digitais para enganar o público”, afirmou a assessoria da artista, à época.

Diretor já foi premiado em Cannes

A produção para a marca de veículos automotores foi dirigida por Dulcídio Caldeira, nome por trás de outra campanha publicitária que também viralizou recentemente nas redes sociais. É dele a assinatura do filme que juntou a atriz Fernanda Montenegro e a pequena notável bebê Alice para uma campanha de fim de ano do Itaú Unibanco.

Curitibano que iniciou a carreira de redator publicitário há mais de duas décadas, Dulcídio Caldeira coleciona prêmios importantes no setor e já foi laureado em Cannes — pela criação do comercial “Balões” (relembre abaixo), para a MTV Brasil, em 2011.

Com a agência Boiler, que ele fundou em 2016, Dulcídio criou campanhas emotivas (e de sucesso) com a pequena bebê Alice, criança de 3 anos que virou fenômeno na internet ao aparecer em vídeos falando palavras difíceis. Num comerciais para a mesma instituição bancária, ela divide a cena com Fernanda Montenegro.

https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2023/07/deepfake-e-redes-neurais-entenda-como-foi-feito-o-dueto-entre-maria-rita-e-elis-regina.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BrKMDzP2KP52ExU8rOIB3s(14) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Por que o Brasil é a bola da vez para a maior gestora do mundo

BlackRock diz estar mais otimista com mercados emergentes que desenvolvidos: “eles provaram ser resilientes”

Karina Saade, CEO da BlackRock no Brasil (BlackRock/Divulgação)

Karina Saade, CEO da BlackRock no Brasil (BlackRock/Divulgação)

Guilherme Guilherme – Exame –  29 de junho de 2023

Enquanto mercados desenvolvidos seguem como ponto de preocupação, os emergentes têm ganhado a preferência da BlackRock. Com US$ 9 trilhões sob gestão, a gestora avalia que as principais economias do mundo passarão por um período bem diferente dos últimos anos, com inflação e taxas de juros insistentemente mais altas. Para os Estados Unidos, inclusive, a previsão é de que a recessão virá em breve.

“No passado, as altas de juros nos Estados Unidos tinham um efeito dramático sobre a América Latina. Dizíamos que quando os Estados Unidos pegavam um resfriado, a América Latina pegava uma pneumonia”, disse Axel Christensen, estrategista-chefe da BlackRock para a América Latina.

O Brasil já não é mais o de antigamente, relembrou. “Eles provaram ser mais resilientes. Basta ver os números de atividade do Brasil. Esse é um dos motivos de nossa preferência por economias emergentes.”

Outro ponto que explica o favoritismo do Brasil na BlackRock é o momento do ciclo monetário em relação ao de países desenvolvidos, que seguem elevando suas taxas de juros. Um dos sinais de que os juros deverão começar a cair no Brasil veio da ata do Copom divulgada nesta semana. Após o documento, a gestora antecipou sua projeção para o início do ciclo de cortes para a próxima reunião, em agosto.

A perspectiva anterior era de que a queda de juros viesse apenas em setembro. “A ata do Copom certamente veio mais dovish (pró-queda dos juros). Deverá ser um ciclo bem gradual”, disse Karina Karina Saade, CEO da BlackRock no Brasil.

BCs x inflação

Essa maior probabilidade de o Brasil começar a cortar juros mais cedo é reflexo do maior controle sobre a inflação. A inflação ao consumidor brasileiro (IPCA) saiu abaixo de 4% em maio pela primeira vez desde 2020, se aproximando da meta do Banco Central para este ano, que é de 3,25%.

Nos Estados Unidos, o Índice de Preço sobre Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), que é a principal referência para o Federal Reserve, está em 4,4% ante a meta de 2%. Na Zona do Euro, a inflação ao consumidor está em 6,1%, bem acima da média histórica da região, onde até o ano passado o indicador nunca havia passado de 5%.

“O Brasil começou a subir juro quase um ano antes de o Federal Reserve reconhecer o problema da inflação. Isso permite visualizar um cenário de corte de juros. Os mercados emergentes estão seguindo um caminho diferente”, afirmou Christensen.

Quem deve se beneficiar mais?

Christensen acredita que as ações de pequenas  empresas, as small caps, estejam entre as mais favorecidas pelo ciclo de corte de juros. “”Em lugares onde se espera que as taxas de juro caiam, como o Brasil, devemos esperar que as empresas ou setores se beneficiem da redução de seus custos financeiros daqui para frente”, disse.

Guilherme Guilherme

Repórter de InvestFormado pela Universidedade Metodista de São Paulo. Cobre mercado financeiro na Exame desde 2019. Também trabalhou na revista Investidor Institucional e participou 9º Focas de Jornalismo Econômico do Estadão. 

https://exame.com/invest/mercados/por-que-o-brasil-e-a-bola-da-vez-para-a-maior-gestora-do-mundo/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BrKMDzP2KP52ExU8rOIB3s(14) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Defesa dos EUA planeja fazer de IA principal gasto em inovação; China já prioriza tecnologia

Departamento de Defesa estima gastos de R$ 8,6 bilhões em 2024, mais do que o dobro investido em 2022

Pedro S. Teixeira – Folha – 1º.jul.2023

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos elegeu inteligência artificial como principal investimento em ciência e tecnologia no próximo ano. Desde 2022, chips e semicondutores ocupam o topo da lista de gastos militares na área.

No ano passado, a pasta responsável pela segurança nacional dos EUA investiu US$ 874 milhões (cerca de R$ 4,18 bilhões). A projeção para 2024 fica em US$ 1,8 bilhões, embora esse valor precise ser ratificado pela Casa Branca e aprovado pelo Congresso.

Recursos de inteligência artificial são vistos como ativos estratégicos por potências militares, segundo o conselheiro de políticas públicas do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha), Neil Davison.

Inteligência artificial, modo de usar

A tecnologia não só acelera processamento de dados e identifica alvos e riscos, como também aumenta a escala de produção de propaganda e tradução de documentos de países inimigos.

Empresários do ramo da IA têm afirmado que parlamentares americanos precisam aprovar uma regulação para a tecnologia, mas é necessário cuidado para evitar que as regras atrapalhem a concorrência com a China.

“O perigo é que a regulação desacelere a indústria americana de uma maneira em que a China ou outro país progrida mais rapidamente”, afirmou o chefe-executivo por trás do ChatGPT, Sam Altman, em audiência no Senado dos EUA.

Leia também

O fundador da startup Scale, que vende soluções para o Departamento de Defesa, Alexandr Wang, faz coro. “Os chineses acreditam que conseguiram superar os EUA em IA, assim como fizeram no setor de fintechs, por causa do mercado de serviços financeiros americano ser estabelecido e regulado.”

O ex-chefe-executivo e acionista do Google, Eric Schmidt, que hoje investe em inovações bélicas, afirmou em 2021 que a “China não parou desenvolvimentos por causa de regulação.” Durante a gestão de Barack Obama, Schmidt participou de um conselho consultivo para modernizar o Departamento de Defesa dos EUA.

Todos eles podem ganhar dinheiro com o Estado americano como cliente. O contrato da Scale com a Defesa dos EUA para desenvolver uma IA assistente para militares, por exemplo, saiu por US$ 90 milhões.

Por outro lado, a China, de fato, começou a investir alto em aplicações de IA para conflitos antes dos EUA.

Levantamento do Centro para Segurança e Tecnologias Emergentes, vinculado à Universidade de Georgetown, mostra que o Exército de Libertação Popular investiu em equipamentos com IA entre US$ 1,6 bilhões e US$ 2,7 bilhões por ano de 2018 a 2020.

Embora a disputa entre EUA e China lembre a guerra fria, o conselheiro do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) avalia que existem diferenças fundamentais. No passado, governos americanos e russos puxaram a corrida espacial, e agora, o setor privado lidera o desenvolvimento de IAs.

Essa disputa também não é bilateral. Índia, Rússia, Reino Unido, Israel, Austrália e outros países desenvolvem IAs voltadas a conflito e segurança.

Ainda faltam informações, porém, de como essas tecnologias estão em ação em armamentos autônomos e também em táticas não convencionais, como guerras cibernéticas.

Segundo o New York Times, a China já usa reconhecimento facial para monitorar minorias étnicas, como os muçulmanos uigures, e para reprimir manifestações.

Os Estados Unidos já usam máquinas autônomas, como drones e sistemas antimísseis. O Departamento de Defesa determinou em janeiro deste ano que a decisão humana “em níveis apropriados” ainda é necessária para empregar força.

Os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) pressionam a China para participar de acordo sobre princípios éticos para aplicação de IA em conflitos. “O próximo passo é acertar valores com a China para pavimentar uma via para o uso responsável, mas podemos talvez definir regras”, afirmou o chefe da aliança Jens Stoltenberg em abril. Desde então, não houve avanços no tem

https://www1.folha.uol.com.br/tec/2023/07/defesa-dos-eua-planeja-fazer-de-ia-principal-gasto-em-inovacao-china-ja-prioriza-tecnologia.shtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BrKMDzP2KP52ExU8rOIB3s(14) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

IA e IH: 5 habilidades para desenvolver nossa inteligência humana

Veja Também

Taise Kodama Fast Company Brasil 28-06-2023    

Pensar sobre as IAs (inteligências artificiais) é também pensar sobre as IHs (inteligências humanas). É pensar nosso papel ativo como criadores e entender que essa evolução tecnológica tem um impacto bombástico para além das funções e das atividades corporativas.

Também nos convida a repensar, inclusive, nossa ideia de trabalho, de profissão e do próprio valor e essência do que nos torna seres inteligentes, humanos e de como nossas sociedades, culturas e economias estão estruturadas.

Essa discussão tem se popularizado, já que as ferramentas de IA deixam de ser restritas a profissões tecnológicas e inundam nosso dia a dia nos algoritmos de redes sociais, no reconhecimento facial do app do banco, nos chatbots e com o boom de ferramentas como DALL-E e ChatGPT.

As IAs não estão imaginando sozinhas (ainda não?). Assim como um assistente (humano), precisam ser bem orientadas e alimentadas, com o direcionamento certo para realizar tarefas. Para desenvolver esse potencial, cabe a quem delega e demanda ser cuidadoso e, claro, saber o que deseja.

Boa parte dos problemas no trabalho vem de um direcionamento que já começa confuso ou equivocado, e todos sabemos que um micro erro de demanda vira um desvio grande na entrega final. Isso pede ainda mais responsabilidade no início, durante e na revisão de todo processo.

Nessa lógica de podermos usar as IAs como assistentes – que nos economizam tempo e colaboram em atividades associativas, de organização e de visualização (assim espero) –, em vez de matar a criatividade, elas podem ser ferramentas de estímulo, de desenvolvimento e de atenção muito maior ao o quê precisa ser executado e não ao como fazer.

A partir dessas considerações, colocando a dimensão humana como o alimento deste processo, quais habilidades de IH se tornam cada vez mais necessárias e urgentes?

1. Clareza na expressão do desafio

Parece simples, mas este é o legítimo caso de que a simplicidade é a complexidade resolvida. Discernir as dores e as necessidades, planejando as etapas de execução de um projeto ou tarefa, é tão importante quanto saber o que se quer. É preciso saber como pedir, ter atenção à expressão e à formulação do pedido (prompt) antes de sair delegando.

2. Entender e classificar seu repertório

Estar atento, pois tudo o que experienciamos é repertório.

É fundamental refletir sobre os caminhos por onde o desenvolvimento e os usos da IA podem nos levar.

Mais do que abarrotar gavetas mentais ou sofrer na hora de nomear as pastas dos “salvos”, é importante ter uma boa ideia de taxonomia, ou seja, juntar as referências em categorias que possam ser buscadas futuramente com mais facilidade.

As IAs podem nos auxiliar nesta fast fashion de repertório, mas não se engane: ter repertório, saber quem são os especialistas no que você sabe menos, vai ajudar a fazer aquele check-in correto e não passar adiante informações equivocadas.

3. Capacidade analítica

É a habilidade de, no tsunami de informações e dados em que estamos submersos, conseguir identificar, classificar e utilizar o que é, de fato, relevante para a tomada de decisão. Seja para identificar o ponto fora da curva que nos leva a novas ideias, a territórios diferenciados (o delírio dos criativos), ou para nos apontar caminhos seguros comprovados – casos que contam com um padrão de eficiência e sucesso que podem nos trazer grandes aprendizados.

4. Estar aberto a aprender de forma constante

A ideia de estar sempre aprendendo é música para os ouvidos dos naturalmente curiosos e inquietos. Mas pode ser também extremamente angustiante quando parece que tudo o que aprendemos – e “apreendemos” de forma sistemática – vem sofrendo imensas transformações.

Talvez o melhor caminho seja, justamente, desapegar da ideia de que esse aprendizado tenha alguma conclusão de fato. Olhar para o ato de aprender como forma constante de viver tira o peso do estar formado e desloca o foco lá do fim para nos concentrarmos na beleza do processo, da descoberta que o aprendizado diário traz. É o aprendizado como prática, não como meta.

5. Conduta ética e transparente

Para que as novas tecnologias – e as velhas também, como as relações humanas – sejam usadas de maneira responsável e transparente, as IAs chegam com um poder gigante de facilitar o trabalho do ser humano e a forma como produzimos e consumimos conteúdo, produtos, serviços e informações.

Capacidade analítica é a habilidade de conseguir identificar, classificar e utilizar o que é, de fato, relevante para a tomada de decisão.

A era da pós-verdade não começou agora, mas tem seu ápice na velocidade da geração de conteúdo em que vivemos – na qual ter uma foto, um áudio ou um vídeo já não garante a veracidade de um fato. Ou pior, já nem verificamos ou nos importamos mais se é ou não verdade, desde que seja trend.

Tenso. Pois é. Imagina, então, esse tema na produção do meio acadêmico, no jornalismo, na política, na saúde, no seu grupo da família no “zapzap”.

É fundamental refletir sobre os caminhos por onde o desenvolvimento e os usos da IA podem nos levar. Retomar a discussão sobre ética e transparência além dos ambientes corporativos e científicos pode ser encarado como um efeito colateral positivo para quem acredita que podemos evoluir também nos nossos desafios como humanos, encontrando razão, utilidade e significado para nossa inteligência.

Mais do que nos preocupar somente em acompanhar as inteligências artificiais, o grande tema é desenvolver nossas inteligências humanas. Afinal, tudo que desejamos é construir experiências consistentes, verdadeiras, que reforcem e criem valor para marcas, negócios e, principalmente, para as pessoas e a sociedade.

SOBRE A AUTORA

Taise Kodama é sócia e head de design & digital da consultoria de marca e experiência Gad.   

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BrKMDzP2KP52ExU8rOIB3s(14) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Empresas já procuram profissionais que saibam usar ChatGPT; veja quais

Ferramenta está aumentando a produtividade, já que poupa tempo dos funcionários e melhora os resultados

Por Valor – 26/06/2023

Uma pesquisa realizada entre empresas nos Estados Unidos mostrou que saber usar o ChatGPT e outras ferramentas de inteligência artificial já é um diferencial no currículo e pode ajudar profissionais de diferentes setores a conseguirem um novo emprego.

Por que IA é prioridade para mais de 500 empresas no mundo em até 4 anos

A inteligência artificial vai substituir a criatividade humana?

Hackers comprometem mais de 101 mil contas do ChatGPT; Brasil é 3º mais afetado

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2023/06/22/ia-e-o-passo-mais-importante-que-a-humanidade-ainda-dara-com-apoio-da-tecnologia-diz-ceo-da-openai.ghtml

Segundo o levantamento do ResumeBuilder, um site de empregos do país, 91% das empresas com vagas em aberto buscavam contratar funcionários que soubessem como utilizar a ferramenta lançada pela OpenAI.

As empresas já estão utilizando o ChatGPT para ajudar na criação de materiais de marketing, desenvolver códigos para softwares e redigir peças processuais. A ferramenta está aumentando a produtividade, já que poupa tempo dos funcionários e melhora os resultados.

A pesquisa foi divulgada pelo site “Business Insider”, que ouviu representantes de várias empresas e elencou setores já estão procurando profissionais com experiência no ChatGPT. Veja quais são as carreiras:

Marketing

Companhias procuram trabalhadores com conhecimento do ChatGPT para preencher funções em seus departamentos de marketing. A ideia é que a ferramenta aprimore as estratégias para atrair novos clientes e aumentar as vendas.

A Lasso MD, uma startup de saúde com sede em San Diego, na Califórnia, busca, por exemplo, um gerente de mídias sociais que saiba incluir a inteligência artificial em seu fluxo de trabalho.

Eric Brunnell, presidente da Lasso MD, disse ao Business Insider que a empresa busca candidatos que não só saibam utilizar o ChatGPT, mas também trazer novos conhecimentos para tornar o trabalho mais efetivo em toda a companhia.

Uma ideia similar é defendida pelo presidente da FloWater, Rich Razgaitis. “O marketing tem tudo a ver com a geração de crescimento hiperbólico, e os candidatos com experiência no ChatGPT trazem uma vantagem competitiva ao serem capazes de criar sistemas de marketing em escala”, disse ele ao site.

Engenheiros de Machine Learning e IA

A inteligência artificial também está sendo usada por empresas para criar produtos de maneiras inovadoras. Para isso, algumas delas buscam engenheiros que tenham conhecimento no ChatGPT para suprir essa necessidade.

A Interface.ia, uma ferramenta de IA conversacional para o setor financeiro, está buscando um profissional que seja capaz de implementar os sistemas mais modernos, como a última versão do ChatGPT, em seus produtos.

“Em última análise, isso ajuda nossos clientes – bancos e cooperativas de crédito a se tornarem mais eficientes no relacionamento com seus clientes”, disse Srinivas Njay, presidente da Interface.ai, ao Insider.

Desenvolvedores de software

Desenvolvedores de software com conhecimento em ChatGPT também estão na mira das empresas. Executivos dizem que esse tipo de experiência pode ajudar as companhias a desenvolver modelos de segurança e até mesmo a criar chatbots para interagir com os clientes.

Uma das empresas que busca um desenvolvedor do tipo é a Workera AI, uma plataforma que visa treinar outros profissionais na tecnologia de inteligência artificial.

Para o presidente da companhia, Ted van den Berg, o ChatGPT poderá ser usado para melhorar os testes de habilidade da plataforma.

“Ao usar o ChatGPT e tecnologias semelhantes de IA, os desenvolvedores de avaliação podem gastar menos tempo desenvolvendo do zero modelos de avaliação e perguntas e mais tempo aproveitando sua experiência no assunto para refiná-los”, afirmou Berg.

Treinadores de IA

Empresas de tecnologia também estão em busca de profissionais que conheçam o ChatGPT para adaptar seus sistemas e utilizar a inteligência artificial para produzir melhores resultados.

Uma das companhias com vagas abertas nos EUA é a DealDriver, um serviço de compra de carros que utiliza da ajuda da inteligência artificial, que busca um especialista para aprimorar seu chatbot personalizado e atrair novos clientes.

“Nossos especialistas em operações garantem que a IA seja capaz de continuar se adaptando e lidar com novas conversas à medida que as vivenciamos”, disse Alex Chung, chefe de Experiência em Compras da DealDriverAI ao Insider.

Redatores

Saber usar a inteligência artificial para produzir conteúdo com eficiência é outro requisito que está sendo exigido de candidatos a redator, especialmente no marketing.

Na visão de Ted Zhan, líder criativo de marketing de parceiros globais da Slalom, uma consultoria em tecnologia de Portland, nos EUA, uma compreensão do ChatGPT ajuda os candidatos a contribuírem com ideias e soluções que podem ajudar a empresa a explicar melhor os benefícios da IA para os clientes.

Já David Widger, chefe de marketing da Tock, um serviço de reserva em restaurantes, destacou que busca profissionais com experiência no ChatGPT. Segundo ele, o uso da ferramenta gera novas ideias, aumenta a produtividade e é capaz de criar rascunhos iniciais de projetos da empresa.

Professores

Algumas companhias setor da educação estão buscando professores que saibam usar o ChatGPT para auxiliar no aprendizado dos alunos. Uma delas é a Olivers Scholars, de Nova York, que quer um profissional que ensine os estudantes a como utilizar a ferramenta para facilitar os estudos.

“Queremos que nossos alunos entendam as oportunidades e os limites dessa tecnologia”, disse Danielle Cox, presidente da Oliver Scholars, ao Insider, acrescentando que os professores também terão como função ajudar os alunos a discernir que informações geradas pela IA são confiáveis.

Gerentes de produto

O uso do ChatGPT também está sendo apontado como um diferencial para gerentes de produtos, que devem saber utilizar a ferramenta para otimizar os fluxos de trabalho e conseguir melhores resultados.

A Integrated Projects, uma plataforma digital para arquitetos, está procurando um profissional da área para melhorar o conjunto de produtos oferecidos aos seus clientes. Para o presidente da empresa, Jose Cruz Jr., a IA pode ser um diferencial para a produção de conteúdo de sua equipe.

“Um candidato forte sabe como equilibrar as eficiências do ChatGPT com um olhar perspicaz para detalhes e curadoria”, disse Cruz ao Insider.

Recrutadores

Equipes de recursos humanos e recrutamento estão procurando profissionais interessados em usar o ChatGPT para escolher candidatos mais qualificados para as vagas abertas em suas empresas.

Na descrição de uma vaga para contratar um chefe global de aquisição de talentos, a Moderna diz que busca candidatos que se sintam à vontade para usar tecnologias como a IA para melhorar os resultados da empresa.

Questionada pelo Insider, um porta-voz da empresa, responsável por uma das principais vacinas contra a covid-19, disse que a Moderna quer usar tecnologias como o ChatGPT para “melhorar a vida” de seus clientes e impulsionar a organização.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2023/06/26/empresas-ja-procuram-profissionais-que-saibam-usar-chatgpt-veja-quais.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BrKMDzP2KP52ExU8rOIB3s(14) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Eólica e solar se consolidam como tendência do futuro

Expansão das fontes variáveis expõe necessidade de reforçar as linhas de transmissão e aperfeiçoar o sistema de preços

Por Roberto Rockmann — Para o Valor 28/06/2023

Nas últimas duas décadas, houve uma transformação da matriz de energia elétrica no Brasil, com a diversificação de fontes e o avanço das fontes eólicas e solar. Se no início dos anos 2000, com cerca de 70 de gigawatt (GW) de capacidade, o país tinha 90% da eletricidade gerada por hidrelétricas e o sol e o vento não respondiam nem por 1% da geração, o presente e o futuro apontam em outra direção. As eólicas somam 26 GW de potência, que correspondem a 13% da eletricidade do país. Já a solar totaliza 30 GW de capacidade, com 21 GW em Geração Distribuída (GD) solar, 14% da geração nacional. Os dados são da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

O crescimento irá continuar, o que poderá também posicionar o país na liderança do hidrogênio verde (H2V). Até 2029, a capacidade instalada de projetos movidos pela força dos ventos deve somar 50 GW. Em GD solar, a consultoria PSR estima que em 2033 o setor poderá chegar a 41 GW. O avanço dessas fontes variáveis, que dependem de condições climáticas, também expõe a necessidade de reforçar as linhas de transmissão e aperfeiçoar o sistema de preços do setor elétrico, com a análise da precificação dos atributos das fontes.

O avanço das duas fontes está ligado à queda no preço das tecnologias. Em dez anos, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis, o custo de adoção da eólica e solar caiu 80%. No Brasil, com grande irradiação e os ventos fortes, as duas estão entre as mais competitivas. O fator de competitividade das eólicas no Nordeste, por conta dos ventos alísios, é superior a 50%, o dobro da média mundial. No sol, há uma particularidade. “Na energia solar, especificamente, temos uma característica especial dessa tecnologia, sendo possível ter investimentos em sistemas de pequeno, médio e grande porte”, diz o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia.

Algumas empresas começaram a combinar projetos solar com eólico, o que no jargão do setor se chama de empreendimentos híbridos. “O grande benefício das usinas híbridas é a otimização do uso da rede de transmissão. Essa sinergia de fontes diversas com a mesma estrutura para escoamento de energia é uma premissa dos projetos da Voltalia. Dos 7 GW em desenvolvimento, 20% são projetos híbridos”, diz Robert Klein, presidente da Voltalia. O investimento nas duas fontes renováveis também desperta a atenção no H2V, que pode ser produzido no Brasil só com fontes limpas. A Voltalia assinou memorandos de entendimento para estudos sobre projetos de hidrogênio verde no Rio Grande do Norte e no Ceará.

Não bastasse o potencial das eólicas em terra, o Brasil ainda poderá desbravar uma nova fronteira: eólicas em alto mar. O potencial é de 700 GW, sendo que empresas já enviaram mais de 150 GW em projetos para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Nesse momento, discute-se a regulação do setor. “Isso poderá contribuir para a reindustrialização do país, com o avanço do hidrogênio verde no mundo”, diz a presidente Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum.

O Brasil tem grande competitividade. Estudo da BloombergNEF projeta o país como um dos únicos capazes de oferecer hidrogênio verde a um custo inferior a US$ 1 por kg até 2030. Um dos impulsionadores do mercado é a União Europeia (UE), com destaque para a Alemanha, que pretende realizar no segundo semestre um leilão de contratação do energético. A ideia do governo alemão é contratar € 900 milhões em acordos de dez anos de hidrogênio verde a ser importado de países que não sejam do bloco e nem da Associação Europeia de Livre Comércio.

A tecnologia não movimenta apenas o setor elétrico. Ano passado, a ArcelornMittal anunciou a aquisição da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) por US$ 2,2 bilhões. Além de ampliar sua produção no Brasil, a aquisição teve na energia um de seus pilares, com a intenção de “capitalizar o significativo investimento planejado de terceiros para formar um hub de eletricidade limpa e de hidrogênio verde em Pecém, localizado entre os municípios de Caucaia (CE) e São Gonçalo do Amarante (CE), a 60 km de Fortaleza.

A ArcelorMittal está de olho no hub de Hidrogênio Verde de Pecém, parceria entre o Complexo Pecém e a Linde, que almeja produzir até 5 GW de energia renovável e 900 kt/a de hidrogênio verde em diversas fases. A primeira fase, que a parceria espera estar concluída ao longo dos próximos cinco anos, tem como objetivo a construção de 100 MW a 150 MW de capacidade de energia renovável.

https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/energias-renovaveis/noticia/2023/06/28/eolica-e-solar-se-consolidam-como-tendencia-do-futuro.ghtml

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BrKMDzP2KP52ExU8rOIB3s(14) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Eve, da Embraer, foi a grande vencedora do Paris Air Show, diz JPMorgan

Mercado de eVTOLs apresenta potencial de mais de US$1 trilhão apenas em demanda de passageiros e potencialmente ultrapassando US$3 trilhões até 2040, estima o banco

eVTOL da Embraer com GlobalX (Exame/Divulgação)

eVTOL da Embraer com GlobalX (Exame/Divulgação)

Raquel Brandão – Publicado em 27 de junho de 2023 

A Eve, fabricante dos eVTOLs da Embraer, os chamados “carros voadores”, se destacou como a principal vencedora do Paris Air Show. Com uma série de anúncios estratégicos, incluindo parcerias com fornecedores-chave e novos pedidos, a empresa conquistou a atenção dos especialistas e investidores, resultando em um aumento significativo das expectativas de preço para o final de 2023, escrevem os analistas do JPMorgan.

Segundo eles, a Eve demonstrou um notável progresso, levando-os a revisar seu preço-alvo de US$9,00 para US$12,50. A recomendação do papel é de compra. Essa valorização reflete um processo de redução de riscos identificado pela empresa, que agora conta com uma taxa de desconto de 25%, em comparação com os 27,5% anteriores. Eles ressaltam que as estimativas financeiras subjacentes permaneceram inalteradas, destacando a solidez da estratégia da Eve.

Os principais anúncios da Eve durante o evento Paris Air Show foram fundamentais para impulsionar seu sucesso. Em primeiro lugar, a empresa selecionou fornecedores-chave para o desenvolvimento de seus eVTOLs. Entre eles, destacam-se a Nidec Aerospace, responsável pelos sistemas de propulsão elétrica, a renomada BAE Systems, encarregada dos sistemas avançados de armazenamento de energia, e a DUC Helice Propellers, responsável pelos rotores e hélices. Essas parcerias estratégicas garantem que a Eve esteja bem posicionada para avançar na produção em larga escala até 2026.

Outro ponto de destaque foi a conquista de novos pedidos. A Nordic Aviation Capital (NAC) anunciou um pedido firme de 15 unidades, com opções para mais 15, enquanto a Widerøe Zero manifestou sua intenção de adquirir 50 eVTOLs. Além disso, a Eve revelou que a Voar Aviation já havia realizado um pedido anteriormente classificado como confidencial, totalizando 50 eVTOLs. Com isso, a empresa acumula um impressionante backlog de US$8,6 bilhões, representado por 2.850 eVTOLs.

As expectativas do mercado em relação à Eve são bastante promissoras, afirmam os analistas. Os próximos marcos a serem atingidos pela empresa incluem a montagem do primeiro protótipo em escala real no segundo semestre de 2023, seguida por uma campanha de testes em 2024. Além disso, a empresa busca garantir fornecedores para outros sistemas essenciais, como controle de voo, aviônicos, estrutura e sistemas de gerenciamento de energia.

“A Eve se destaca no mercado não apenas por seus avanços tecnológicos, mas também por seu sólido apoio da Embraer, que detém cerca de 89% de participação acionária na empresa e fornece serviços como parte do contrato MSA, o que a diferencia de seus concorrentes e a ajuda a operar com custos operacionais mais baixos em suas fases iniciais”, afirma a equipe do JP. Além disso, a Eve possui uma carteira de pedidos superior, estimada em cerca de 2.850 unidades, ou aproximadamente US$8,6 bilhões, representando uma participação de mercado de cerca de 22%.

O mercado de eVTOLs apresenta um potencial considerável, estimado em mais de US$1 trilhão apenas em demanda de passageiros e potencialmente ultrapassando US$3 trilhões até 2040, ao adicionar o transporte de cargas e uso militar. “Nesse contexto, a Eve se posiciona como uma protagonista em ascensão, pronta para aproveitar as oportunidades desse mercado em rápida expansão.”

Mais sobre:Embraer

Raquel Brandão

Repórter de InvestJornalista há mais de uma década, foi repórter do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas

https://exame.com/invest/mercados/eve-da-embraer-foi-a-grande-vencedora-do-paris-air-show-diz-jpmorgan/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BrKMDzP2KP52ExU8rOIB3s(14) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Como será o dia em que Putin desligar os cabos da internet mundial?

A sensação de invulnerabilidade do Ocidente é ilusória, e seus rivais entendem bem isso

Por Moisés Naím – Estadão – 25/06/2023 

É fácil imaginar a internet como um fenômeno etéreo, imaterial. Nestes tempos é normal, por exemplo, conectar-se à rede sem necessidade de cabos, guardar dados na “nuvem” e supor que a informação flui sem “sujar-se” no mundo tátil.

Pena que essas suposições sejam errôneas. A rede da qual dependemos é alarmantemente física e eminentemente vulnerável. Segundo o marechal Edward Stringer, ex-diretor de operações do Ministério de Defesa britânico, 95% do tráfego internacional de dados passa por um pequeno número de cabos submarinos. Estamos falando de meros 200 cabos, cada um da grossura aproximada à de uma mangueira de jardim e capaz de transferir cerca de 200 terabytes por segundo.

Por essa rede física trafegam US$ 10 trilhões em transações financeiras a cada dia. Como explica Stringer, nos últimos 20 anos, a Rússia investiu fortemente em sistemas capazes de atacar essa rede de cabos submarinos. O Kremlin conta hoje com uma frota de sofisticados submergíveis não tripulados projetados especificamente para esses fins. E a China também.

De fato, não se trata de uma ameaça teórica. Em outubro de 2022, o cabo submarino que conecta as Ilhas Shetland com o restante do mundo foi cortado em dois pontos. Poucos dias antes, havia sido detectada presença nessa região de um barco russo de “investigação científica”.

Não é possível vincular a presença do barco com o corte do cabo. De fato, na maioria das vezes os cortes se devem a acidentes com embarcações pesqueiras ou a eventos sísmicos no leito marinho. Mesmo assim, essa coincidência preocupou muito as agências de segurança das potências ocidentais, que perceberam o o incidente como uma advertência enviada pelo Kremlin.

Outro evento relevante nesse sentido foi a decisão tomada em fevereiro de 2023 pelas duas maiores empresas de telecomunicações chinesas, que decidiram se retirar do consórcio internacional encarregado de desenvolver uma rede de 19,2 mil quilômetros de cabos submarinos que conectam o sudoeste da Ásia e a Europa Ocidental.

Os impactos de um ataque coordenado contra os principais cabos submarinos em nível global seriam incalculáveis. Um ataque simultâneo paralisaria o comércio global, os mercados financeiros, o trabalho remoto e as indústrias de tecnologia e comunicação, provocando uma recessão mundial.

Mas o problema não seria meramente financeiro: as cadeias de fornecimento do século 21 dependem da transferência constante de dados para coordenar a entrega de bens e produtos. A interrupção deste fluxo poderia causar um efeito dominó de atrasos e cancelamentos que restringiria a integração econômica, política e até cultural de diferentes zonas geográficas.

Ainda mais, a crise financeira e econômica que um ataque desse tipo precipitaria nem sequer seria o maior dos problemas. “Desconectar” os cabos de potências rivais desembocaria numa crise inadministrável, especialmente se for possível atribuir a responsabilidade a algum ator estatal específico, o que poderia provocar conflitos e reconfigurar alianças. Os países que dependem em grande medida da infraestrutura digital seriam os mais afetados, e aqueles com capacidades autônomas de comunicação e tecnologia poderiam obter vantagens estratégicas.

Desafortunadamente, tais cenários não podem ser ignorados, porque no alto-mar reina a anarquia. Os tratados internacionais existentes sobre direito de navegação não cobrem satisfatoriamente o caso dos cabos submarinos. Trata-se de um exemplo emblemático de uma realidade global que, apesar de ser de grande interesse público, não está adequadamente protegida nem física nem legalmente.

Até agora, as potências marítimas se abstiveram de atacar em grande escala as infraestruturas submarinas. Obviamente, atacar os cabos e conexões submarinas do rival provocaria custosas retaliações. Mas o equilíbrio atual é instável e inerentemente suscetível a perturbações que podem desestabilizar o sistema mundial da noite para o dia.

Quando imaginamos que eventos seriam capazes de suscitar uma escalada entre o Ocidente e seus rivais, nós tendemos a nos esquecer dessa realidade. As sociedades contemporâneas não podem funcionar sem a transmissão de dados facilitada pela internet que, por sua vez, não pode funcionar sem infraestruturas muito difíceis de defender.

A sensação de invulnerabilidade do Ocidente é ilusória, e seus rivais entenderam bem que certas infraestruturas — começando pelos cabos submarinos — são seu calcanhar de Aquiles. Essa realidade sublinha a necessidade de manter relações minimamente funcionais na arena internacional.

A interdependência entre os países não é apenas um conceito usado por diplomatas. É uma realidade que define o mundo de hoje. Este é um mundo no qual os problemas, riscos e ameaças se fazem cada vez mais internacionais, enquanto as respostas dos governos seguem sendo predominantemente nacionais. Há problemas que nenhum país consegue resolver atuando sozinho. A necessidade de coordenar respostas e responder coletivamente com eficácia às ameaças é um objetivo para o qual o mundo não está preparado. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

https://www.estadao.com.br/internacional/como-sera-o-dia-em-que-putin-desligar-os-cabos-da-internet-mundial-leia-a-coluna-de-moises-naim/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BrKMDzP2KP52ExU8rOIB3s(14) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

A desindustrialização do Vale do Silício e o triunfo da China 

Paulo Gala – Twitter – 25 de jun de 2023

Os americanos adoram a ideia de alguns caras numa garagem que inventam algo capaz de mudar o mundo. Startups são maravilhosas, mas não podem, por si, aumentar o emprego no setor de tecnologia. De igual importância é aquilo que vem depois do momento mágico de criatividade de garagem, quando a tecnologia passa da invenção para a produção em massa. É nessa fase em que as empresas aumentam de escala. Tratam de detalhes de projeto, descobrem como produzir de forma acessível, constroem fábricas e contratam milhares de pessoas. Aumentar a escala é difícil, mas necessário para que a inovação tenha relevância. 

Aqui muitas vezes o papel do estado como garantidor de demanda é fundamental. Foi assim no caso dos painéis fotovoltaicos demandados por satélites da NASA, por exemplo, e todas as tecnologias militares e do programa aeroespacial americano. O aumento de escala costumava dar certo no Vale do Silício. Empreendedores inventavam novas coisas. Investidores lhes davam dinheiro para construir seus negócios. Se os fundadores e investidores dessem sorte, a empresa crescia e chegava a uma oferta pública inicial que atraía dinheiro para financiar mais crescimento. 

Esse foi o caso, por exemplo, da Intel. Em 1968, alguns engenheiros e seus amigos investidores injetaram $3 milhões para fundar a Intel (INTC), produzindo chips de memória para a indústria de computadores. Desde o começo, o maior desafio era dar volume à produção dos chips. Construíram fábricas nos EUA, contrataram engenheiros e criaram uma enorme rede de colaboradores até se tornar uma empresa bilionária. Em 1980, 10 anos depois do IPO, a Intel empregava cerca de 13.000 pessoas nos EUA. A Tandem Computers passou por um processo semelhante, seguida pela Sun Microsystems, Cisco (CSCO), Netscape e assim por diante. 

Algumas empresas morreram ou foram absorvidas por outras, mas cada sobrevivente aumentava o complexo ecossistema tecnológico que ficou conhecido como Vale do Silício. Com o passar do tempo, os salários aumentaram. A China surgiu. Empresas americanas descobriram que podiam realizar sua produção e até mesmo sua engenharia de maneira mais barata no exterior. Quando faziam isso, suas margens aumentavam. A administração ficava satisfeita e os acionistas também. O crescimento continuava e com lucratividade ainda maior. A máquina de empregos do Vale do Silício começava a engasgar. 

Em 2012, o emprego industrial no setor de computadores dos EUA já tinha caído para cerca de 166.000 vagas a menos do que antes da montagem do primeiro PC, o MITS Altair 2800 em 1975. Nesse meio tempo, emergiu na Ásia um setor de fabricação de computadores altamente eficaz, empregando milhares de operários, engenheiros e gestores. A maior dessas empresas é a Hon Hai Precision Industry em Shenzen, também conhecida como Foxconn. A empresa cresceu a uma velocidade estarrecedora, primeiro em Taiwan e depois na China. Seu faturamento se aproximando de Apple, Microsoft, Dell e Intel. 

A Foxconn emprega mais de 800.000 pessoas, mais do que o total mundial consolidado da Apple, Dell, Microsoft, Hewlett-Packard, Intel e Sony. A Foxconn produz computadores para a Dell e HP, produzia celulares para a Nokia (NOK), consoles Microsoft Xbox 360, placas-mãe da Intel e incontáveis outros dispositivos. Cerca de 300.000 colaboradores da Foxconn produziam produtos da Apple no sul da China em 2015. A Apple, por seu lado, tinha cerca de 30.000 colaboradores nos EUA. Isso quer dizer que, para cada trabalhador da Apple nos EUA, havia 10 pessoas na China produzindo iMacs, iPods e iPhones. 

A mesma proporção aproximada de 10-para-1 se mantinha para a Dell, para a fabricante de discos rígidos Seagate Technology (STX) e outras empresas de tecnologia dos EUA. O trabalho de alto valor agregado e grande parte dos lucros ficam nos EUA, mas o grande volume de empregos foi para a Ásia. Desde os primórdios do Vale do Silício, o dinheiro investido nas empresas aumentou dramaticamente, mas produziu cada vez menos empregos. Os EUA se tornaram enormemente ineficientes na geração de empregos de tecnologia para os americanos. Há mais em jogo nessa história do que a mera exportação de empregos. 

Em relação a algumas tecnologias, tanto o ganho de escala quanto a inovação se dão no exterior. É o caso das baterias elétricas avançadas, as baterias de íons de lítio. As baterias estão para os veículos elétricos como os microprocessadores estão para os computadores. Mas, ao contrário do que se dá com estes, a participação americana na produção de baterias de íons de lítio é ínfima. Um novo setor precisa de um ecossistema eficaz em que o knowhow tecnológico se acumule, experiência gere experiência, e desenvolvam-se relacionamentos estreitos entre fornecedor e cliente. 

Os EUA perderam sua liderança em baterias há 30 anos, quando pararam de produzir dispositivos eletrônicos de consumo. Então, quem produzia baterias ganhou a exposição e os relacionamentos necessários para aprender a fornecer baterias para o mercado mais exigente de laptops e, depois, para o ainda mais exigente mercado automotivo. As empresas americanas não participaram da primeira fase e, por isso, não estavam presentes para o que veio a seguir. A China tomou esse mercado dos EUA. Os EUA passaram a desprezar o setor industrial. 

A ideia de que, desde que o “trabalho de conhecimento” permaneça nos EUA, não importa o que irá acontecer com os empregos industriais. Esse tipo de mentalidade rompeu a cadeia de experiência produtiva das empresas americanas, tão importante para a evolução tecnológica. Os EUA entregaram o vale do sílicio para o livre mercado; que levou toda a produção para a Ásia do leste com a ajuda de seus governos! 

O desenvolvimento acelerado das economias asiáticas proporciona diversos exemplos disso. Os “Projetos Dourados”, uma série de iniciativas digitais encabeçadas pelo governo chinês no final da década de 1980 e nos anos 1990 são grandes exemplos disso. Pequim estava convencida da importância das redes de comunicação e eletroeletrônica – usadas para transações, comunicação e coordenação – para a potencialização da geração de empregos, especialmente nas partes menos desenvolvidas do país. Por isso esses projetos gozaram de financiamento público prioritário. Com o tempo, contribuíram para o desenvolvimento acelerado da infraestrutura informacional chinesa e para o crescimento econômico do país. A China triunfou. 

Referencias: https://amp.economist.com/technology-quarterly/2021/01/07/how-governments-spurred-the-rise-of-solar-power?__twitter_impression=true

https://bloomberg.com/news/features/2021-01-13/china-loves-elon-musk-and-tesla-tsla-how-long-will-that-last https://bloomberg.com/news/articles/2010-07-01/andy-grove-how-america-can-create-jobs https://hbs.edu/faculty/Publication%20Files/12-105.pdf https://ecodebate.com.br/2020/06/18/energia-solar-cresce-225-no-mundo-com-mais-de-115-gigawatts-instalados-no-ultimo-ano/?fbclid=IwAR13J9aY-ihuRLZ8EqtFLvz9cajjy-G2GVFeZAmN3wajehSq06UqlOrUh70

Imagem

·

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BrKMDzP2KP52ExU8rOIB3s(14) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/

Falta de um plano nacional pode deixar Brasil fora da corrida pelo hidrogênio verde

Estudo aponta que dos 359 projetos já anunciados no mundo, apenas um é no Brasil, em Suape, Pernambuco

Por Denise Luna – Estadão – 25/06/2023 

O hidrogênio verde vai se tornar uma commodity nos próximos 10 anos e o Brasil, apesar de ter tudo para liderar a comercialização do novo combustível no mundo, ainda não tem um planejamento nacional para incentivar a produção e exportação do produto. O País está no centro das atenções globais devido à sua matriz elétrica 85% limpa, condição fundamental para a produção do novo combustível. Mas dos 359 projetos já anunciados no mundo, apenas um é no Brasil, em Suape, Pernambuco, segundo levantamento da consultoria A&M Infra.

“O Brasil está deixando uma oportunidade enorme na mesa e não vai surfar como deveria”, avalia Filipe Bonaldo, diretor da A&M Infra. “Nós temos pouquíssimo incentivo do governo e nossa regulação está uma bagunça, nosso plano de hidrogênio verde no Brasil não existe”, afirma.

LEIA TAMBÉM

UE vai investir R$ 10 bilhões em hidrogênio verde no Brasil e doar R$ 105 milhões ao Fundo Amazônia
Anúncio foi feito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após encontro com Lula em Brasília; Bloco vai investir 430 milhões de euros no combate ao desmatamento

Apesar das críticas, o Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou que a política nacional para o hidrogênio verde no Brasil foi lançada em 2021, como Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2), que tem como objetivo desenvolver o mercado e a indústria de hidrogênio no País, considerando seu potencial enquanto vetor de transição energética.

Foram criadas cinco câmaras temáticas e realizada uma única reunião, em agosto de 2022, para oficializar as nomeações e iniciar os trabalhos. “Os próximos passos do PNH2 incluem a publicação do Plano de Trabalho Trienal após Consulta Pública e a implementação das ações previstas para 2023″, disse o ministério, sem detalhar as ações.

O MME destacou ainda, que de acordo com estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 2021, além de diversos projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em escala piloto, foram anunciados três projetos em escala industrial de hidrogênio verde: o Hub de Hidrogênio Verde do Estado do Ceará, no Porto de Pecém; o projeto no Porto de Suape, em Pernambuco; e no Porto do Açu, no Estado do Rio de Janeiro. Tais projetos estão em fase de estudos de viabilidade técnica e econômica.

Filipe Bonaldo afirma, entretanto, que hoje as iniciativas para projetos no País estão sendo tomadas individualmente pelos Estados, em parceria com empresas privadas.

Isso pode deixar o Brasil de fora da corrida para abastecer países que não conseguem se descarbonizar, principalmente na Europa, em contraponto a outros países que saíram na frente, com planos bem estruturados pelos governos para desenvolver não apenas a produção, mas também a comercialização e transporte, além de linhas de financiamento e subsídios.

Investimentos

A demanda pelo combustível vai ser gigante. Segundo o estudo da A&M Infra, serão 90 milhões de toneladas por ano no mundo em 2030. Para atender esse consumo, será necessário investir US$ 500 bilhões. E mesmo que todos os projetos que foram oficialmente anunciados saiam do papel, o total da produção soma 60 milhões de toneladas, o que ainda deixa um déficit de 30 milhões de toneladas de oportunidades.

“Dos mais de 300 projetos, apenas 5% saíram do papel, e são plantas piloto, que vêm de investimentos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e que não estão preocupados com o retorno do investimento. É mais para estudar a tese e tirar benefícios dessa tese, de como funciona todo o processo, que é o que deveria estar sendo feito aqui no Brasil”, alerta.

Estudo feito pelo banco de investimento Goldman Sachs mostra que até 2050 o mercado de hidrogênio no mundo ultrapassará US$ 11 trilhões. Tamanha euforia se deve ao potencial do produto. O hidrogênio tem três vezes mais energia do que a gasolina com a vantagem de ser uma fonte limpa. Com amplo potencial para geração eólica e solar, o Brasil teria capacidade de produzir hidrogênio verde para consumo próprio e para exportação.

LEIA TAMBÉM

O caminho da descarbonização do setor automotivo no Brasil até a produção de carros elétricos
País deve cumprir meta de redução das emissões com etanol, que pode ser usado em híbridos flex, e biocombustíveis em caminhões; modelos elétricos estão previstos só a partir da próxima década

O Brasil tem sido centro do interesse de países que tem dificuldade de cumprir as suas metas de descarbonização por possuir uma robusta geração de energia renovável, base fundamental para a produção de hidrogênio verde, que é obtido a partir da eletrólise (processo que tira o hidrogênio da água).

Para isso, é necessário um grande volume de energia, o que não falta no Brasil, principalmente levando em conta projetos de eólicas offshore, que podem dobrar a geração de energia elétrica no País. Exemplo disso foi o recente anúncio do Comitê Europeu de investir R$ 10 bilhões em projetos brasileiros de hidrogênio verde.

“Os países veem necessidade do Brasil fazer parte disso, mas o Brasil não se estrutura. A Europa tem o senso de urgência que ela precisa para se descarbonizar, e ela quer fazer esse plano de negociação no Brasil, mas vai fazer por meio de empresas privadas”, prevê, ressaltando que a União Europeia está colocando “os ovos em várias cestas”, se aproximando do Brasil e do Chile, mas deve começar com investimentos na África, que fica mais perto, e depois o sudeste asiático.

LEIA TAMBÉM

Para ele, o Brasil precisa correr para não ficar de fora do novo negócio, enquanto países como Chile e Austrália vêm se destacado por já terem um planejamento para desenvolver esse mercado, explica Bonaldo. “Os países tem criado seus próprios planos de hidrogênio nacional, como o Chile, que criou um bom plano nacional, a Austrália também. São países que estão se posicionando para de fato trabalhar nessa exportação. Porém o Brasil não. O Brasil está vendo esse movimento acontecer e fazendo poucos movimentos para incentivar”, avalia.

Os Estados Unidos deram um grande passo recentemente, com o anúncio de financiamento de US$ 9,5 bilhões pelo Departamento de Energia para criar hubs de hidrogênio verde no País. “Lá eles colocaram uma vertente de incentivo a hidrogênio verde e já começa a se desenvolver uma indústria. Não estão pensando apenas na commodity, mas no desenvolvimento de tudo que envolve a indústria do hidrogênio verde”, explica.

Esta semana, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, anunciou em suas redes sociais que o Piauí terá R$ 50 bilhões em investimentos na produção de hidrogênio verde. Um dos acordos firmados foi com o grupo espanhol a Solatio Energia, que investirá R$ 30 bilhões em plantas industriais de produção de hidrogênio verde no estado, segundo Fonteles. Outros estados também têm anunciado interesse de iniciar a produção, mas sem detalhar projetos. Em Suape, as parcerias envolvem empresas como a francesa Qair, White Martins, Casa dos Ventos e Neoenergia.

Mesmo estando entre os 20 maiores projetos de grande escala, pelo projeto de Suape, o Brasil ainda tem tempo de se estruturar, se houver incentivo governamental, mas, de acordo com Bonaldo, um projeto de hidrogênio verde leva entre 4 a 5 anos. “Se demorar mais dois, três anos para se estruturar, quando a demanda mundial estiver em 90 milhões, daqui a sete anos, a gente vai ter apenas as cinco mil toneladas de Suape, nada representativo”, calcula.

https://www.estadao.com.br/economia/negocios/falta-de-um-plano-nacional-pode-deixar-brasil-fora-da-corrida-pelo-hidrogenio-verde/

Se você tiver interesse e ainda não estiver inscrito para receber diariamente as postagens de O Novo Normal, basta clicar no link: https://chat.whatsapp.com/BrKMDzP2KP52ExU8rOIB3s(14) para WhatsApp ou https://t.me/joinchat/SS-ZohzFUUv10nopMVTs-w  para Telegram. Este é um grupo restrito para postagens diárias de Evandro Milet. Além dos artigos neste blog, outros artigos de Evandro Milet com outras temáticas, publicados nos fins de semana no Portal ES360, encontram-se em http://evandromilet.com.br/