Freelancers em alta: o que está levando a essa nova onda de profissionais por trabalho sob demanda?

Muitos profissionais qualificados estão deixando de carregar o nome de uma empresa para abraçar o trabalho autônomo – nem sempre é por dinheiro, mas sempre é por flexibilidade

Stephanie Haidar, jornalista e nômade digital: “Já conheci 23 países e tenho 10 viagens marcadas para esse ano. Até agora já rodei mais de 159 mil km pelo mundo” (Stephanie Haidar /Divulgação)

Layane Serrano – Exame –  17 de agosto de 2024 

Com o mercado de trabalho em transformação, passando por três regimes de trabalho e cinco gerações, empresas e profissionais já apresentam as tendências do futuro do trabalho. Se por um lado companhias buscam pessoas cada vez mais qualificadas, do outro funcionários buscam por empresas com culturas mais flexíveis – e há muitos estudos que mostram o quanto a flexibilidade será o benefício chave nos próximos anos no mercado de trabalho.

A satisfação do funcionário, por exemplo, agora está voltada para a flexibilidade. Segundo a pesquisa “Tendências e Perspectivas do Trabalho – Report WeWork LatAm 2023”, realizada pela WeWork com 10 mil profissionais de cinco países da América Latina (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México), 81% das pessoas gostariam de ter ou já possuem um benefício destinado à liberdade de gestão do tempo – que inclusive está sendo mais lembrada que o plano de saúde para o trabalhador do mundo contemporâneo.

“Na hora de avaliar uma proposta de emprego, o salário continua sendo o fator de maior relevância na tomada de decisão (94%), mas muito próximo da flexibilidade de horários (88%) e do regime de trabalho (87%),” afirma Bruna Neves, diretora-geral da WeWork no Brasil.

Nos EUA, o trabalho freelancer ganha ainda mais atenção dos profissionais. Ao menos 36% da força de trabalho americana tem escolhido trabalhos sob contratos, freelances e temporários, segundo estudo realizado pela McKinsey em 2022. Esse dado foi divulgado em uma matéria da Harvard Business Review que mostrou que profissionais altamente qualificados querem o trabalho de muitas pessoas contratadas, mas não o seu emprego – ou seja, as regras que muitas empresas impõem, como horário de entrada e saída, regime presencial e exclusividade de serviço não parece ter o mesmo peso que antes para muitos profissionais americanos.

Para Milene Brentan, coach executiva que tem mais de 20 anos de experiência em RH, uma empresa vê valores diferentes entre o funcionário e um freelancer.

“Funcionários são valorizados pelo comprometimento e alinhamento cultural, além das entregas específicas, já o profissional sob demanda ou temporários são valorizados pelas suas habilidades e performam de acordo com as entregas determinadas em contratos”.

O perfil de quem busca ser freela

Um estudo realizado pela Upwork em 2023 mostra que muitos freelancer americanos que ganharam mais de 150 mil dólares por ano ofereciam serviços como programação de computadores, marketing, TI e consultoria de negócios, sendo a maioria da Geração Z (52%) e da Geração Millennials (43%).

Além de analistas, o trabalho sob demanda está chegando em executivos C-Level também. Nos últimos anos, Frederico Torres, sócio-sênior do Grupo Hub, consultoria de RH, percebeu um crescimento de empresas que eram startups, mas que cresceram, sem porte para ter um C-Level.

“O que fazer se uma empresa precisa de um C-Level, mas não pode pagar? Foi aí que pensamos no cargo de C-Level as a Service (CaaS), que é algo que já existe nos EUA em muitas empresas, mas no Brasil poucas consultorias trabalham com isso”, afirma  Torres.

A oportunidade de trabalhar como C-Level sob demanda surgiu para Marcio Pio, engenheiro e especialista em gestão empresarial. Após experiência como executivo empresarial por 12 anos, decidiu aos 49 anos ser CFO de empresas de pequeno e médio porte, sejam elas tradicionais ou startups.

“Neste modelo de trabalho sob demanda sinto que estou envolvido em atividades importantes, fazendo a diferença em vários lugares e com menor dependência econômica”, afirma Pio começou o primeiro trabalho sob demanda em 2019.

O freelancer na versão nômade digital

A instabilidade pode ser uma motivação ou um grande desafio para quem busca a vida de freelancer. A jornalista Stephanie Haidar já vivenciou os valores de CLT como funcionária de uma rádio por oito anos. Após a pandemia e a perda de uma tia, Haidar passou a reavaliar sua carreira, especialmente após experimentar o trabalho remoto. Foi então que no começo de 2022 ela decidiu deixar o jornalismo tradicional para trabalhar em uma agência de assessoria 100% home office.

Após seis meses neste trabalho, Haidar decidiu largar a oportunidade CLT e entrar de cabeça no mundo dos nômades digitais em 2023. Com um computador, uma mochila e muita programação, ela começou a viajar para diferentes países e a trabalhar com comunicação corporativa para diferentes empresas e CEOs.

“Já conheci 23 países e tenho 10 viagens marcadas para esse ano. Até agora já rodei mais de 159 mil quilômetros quadrado”.

Mas não é só de paisagens bonitas que se vive um nômade digital. Entre os maiores desafios dessa carreira, Haidar destaca a instabilidade financeira, aceitar viver um estilo de vida mais simples e saber improvisar com a tecnologia no meio do caminho.

“Sei que sou beneficiada por ter a casa dos meus pais para voltar, mas todos os meus custos hoje são pagos com meu trabalho home office”, diz. “Para quem deseja ser freelancer, é preciso ser muito organizado com as finanças, afinal, cada país tem um custo de vida e não são em todos os lugares que a internet pega. O prazo dos trabalhos e o vencimento das contas sempre chegam, é preciso muita programação.”

As vantagens e desafios 

Enquanto o funcionário de uma empresa possui benefícios trabalhistas que de alguma forma traz uma estabilidade mensal, por outro lado o freelancer pode ter múltiplos clientes, afirma a coach Brentan, que reforça os prós e contras para uma empresa contratar talentos sob demanda:

“Enquanto a empresa pode iniciar projetos rápidos sem precisar contratar um funcionário, ela também tem o desafio de garantir que os freelancers contribuam para as metas de longo prazo, além de lidar com a falta de continuidade”, diz Bretan.

No caso do profissional contratado sob demanda, o financeiro pode entrar como perda ou ganho.

“O freelancer tem como vantagem a autonomia e flexibilidade para escolher projetos e clientes, além de trabalhar em diferentes setores, mas também enfrenta incertezas financeiras devido à renda variável e à falta de benefícios, e pode sofrer com o isolamento por trabalhar sozinho. É preciso muita organização e parcerias estratégicas para evitar sobrecarga”, afirma a coach

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Revolução na mineração: China choca o mundo e quer extrair do fundo do oceano trilhões de nódulos de cobre, níquel, cobalto e manganês para dominar cadeia global de suprimento de minerais críticos

Flavia Marinho – clickpetroleoegas – 12/08/2024 

China, a maior fabricante de painéis solares, carros elétricos e baterias, quer o mundo refém da sua supremacia em minerais críticos e mira fundo do oceano para extrair trilhões de nódulos de cobre, níquel, cobalto e manganês.

A China, sempre ambiciosa, está de olho em um novo território para expandir seu domínio: o fundo do oceano. Com trilhões de nódulos de níquel, cobre, cobalto e manganês espalhados nas profundezas marítimas, a mineração submarina parece ser o próximo passo lógico. Esses “minerais críticos” são fundamentais para a economia verde que o mundo busca, mas o caminho para extraí-los ainda é cheio de incertezas regulatórias.

A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), um órgão da ONU, ainda delibera sobre as regras para essa prática. De um lado, grupos ambientais clamam por uma proibição total, temendo danos irreparáveis ao ecossistema marinho. Do outro, empresas e governos, especialmente a China, pressionam por regulamentações que permitam a exploração controlada. Recentemente, em uma reunião da ISA na Jamaica, entre 29 de julho e 2 de agosto, esses debates ficaram ainda mais intensos.

China é líder mundial na fabricação de painéis solares, carros elétricos e baterias, itens que dependem desses minerais

A demanda por minerais críticos deve mais que dobrar até 2040, impulsionada principalmente pela China. O gigante asiático é líder mundial na fabricação de painéis solares, carros elétricos e baterias, itens que dependem desses minerais. No último ano, as indústrias de energia limpa responderam por 40% do crescimento do PIB chinês, segundo o Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo, um think-tank finlandês.

Porém, a dependência da China em importar esses minerais de outras nações, como África do Sul, Gabão, Austrália e República Democrática do Congo, preocupa seus líderes. Eles temem que a instabilidade política ou a pressão de rivais, como os Estados Unidos, possa interromper o fornecimento desses materiais essenciais. Assim, a corrida por minerais críticos se tornou uma nova frente na competição estratégica global.

A importância desses minerais para o futuro da China é comparada ao petróleo e ao gás

A importância desses minerais para o futuro da China é comparada ao petróleo e ao gás. A mineração em águas profundas surge como uma solução para garantir um suprimento seguro, longe das fronteiras soberanas de outros países. Em 2016, Xi Jinping, líder da China, destacou a necessidade de explorar os “tesouros escondidos” do oceano, dando início a um esforço nacional para conquistar o fundo do mar.

Para alcançar esse objetivo, a China passou anos construindo influência dentro da ISA. Este órgão, responsável pela regulamentação dos fundos marinhos em águas internacionais, recebe financiamento de seus membros, com a China sendo o maior doador. Além disso, em 2020, o país ofereceu uma instalação de treinamento na cidade portuária de Qingdao, fortalecendo ainda mais seus laços com a ISA.

Em reuniões recentes da ISA, alguns países tentaram impor uma moratória à mineração submarina, mas foram bloqueados pela pressão chinesa. A meta da China é estabelecer um regime de mineração permissivo, sem interferências externas, conforme apontou Isaac Kardon, da Carnegie Endowment for International Peace. Até o momento, a ISA emitiu 31 licenças para exploração de minerais, sendo que a China detém cinco delas, mais do que qualquer outro país.

Entre as mineradoras chinesas estão a China Ocean Mineral R&D Association, a China Minmetals e a Beijing Pioneer Hi-Tech Development. Três das licenças chinesas cobrem áreas na Zona Clarion-Clipperton, no leste do Oceano Pacífico, onde há depósitos minerais comparáveis a todas as reservas terrestres. As outras duas estão localizadas no oeste do Pacífico e no Oceano Índico.

No entanto, as empresas chinesas não estão apenas em busca de lucro. Elas têm objetivos mais amplos, como garantir o suprimento de minerais para fortalecer a nação. Em março, o presidente da China Minmetals, uma gigante estatal, prometeu expandir as operações de forma a garantir que a China não possa ser desalojada das cadeias de suprimento globais. Ele destacou que a mineração submarina é crucial para “rejuvenescer a nação chinesa”.

A capacidade da China de construir navios e robôs rapidamente

A mineração em águas profundas envolve tecnologia avançada, com grandes robôs enviados ao fundo do mar para coletar nódulos polimetálicos. Embora a tecnologia chinesa ainda não seja a mais avançada, está evoluindo rapidamente. Em julho, uma equipe da Universidade Jiao Tong de Xangai testou um robô a mais de 4.000 metros de profundidade, coletando 200 kg de material. A mídia estatal chinesa destacou o uso de componentes nacionais, rompendo o monopólio internacional.

Se a mineração comercial for iniciada, as empresas chinesas provavelmente liderarão o setor. A capacidade da China de construir navios e robôs rapidamente, aliada ao apoio governamental generoso, posiciona o país à frente de qualquer concorrente. Além disso, a vasta demanda interna por esses minerais garante um mercado certo para as riquezas extraídas do fundo do mar.

Mundo em alerta: extração de minérios em águas profundas possa servir de fachada para operações militares

Contudo, essa perspectiva preocupa os ambientalistas. O fundo do oceano é lar de milhares de espécies únicas, de micróbios a esponjas, que podem ser severamente impactadas pela mineração. Mesmo com regulamentação rigorosa, os robôs podem causar danos irreversíveis, destruindo habitats e criando plumas de sedimentos que ameaçam a vida marinha. Além disso, o histórico das mineradoras chinesas em termos de responsabilidade ambiental é preocupante, mesmo em terra firme, onde a fiscalização é mais fácil.

Os rivais da China também têm suas preocupações, e não apenas com o meio ambiente. Existe o temor de que a mineração em águas profundas possa servir de fachada para operações militares, como pesquisa submarina que beneficiaria a navegação de submarinos chineses. Em 2021, por exemplo, um navio de pesquisa da China Minmetals fez um desvio inexplicável para perto do Havaí, onde os EUA mantêm grandes bases militares.

A maior preocupação ocidental, no entanto, é sobre quem controlará as cadeias de suprimento das indústrias de energia limpa. A China já possui uma vantagem significativa nesse campo, e a mineração submarina poderia consolidar ainda mais essa posição. Enquanto isso, os Estados Unidos, que não ratificaram a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (Unclos), estão excluídos das discussões da ISA. Em março, um grupo de ex-funcionários americanos instou o Senado a ratificar o tratado, destacando que a ausência dos EUA beneficiou a China.

Essas preocupações são aproveitadas por empresas ocidentais que defendem a mineração submarina, como a The Metals Company, do Canadá, que espera solicitar uma licença comercial da ISA ainda este ano. Em Washington, a empresa tem recebido apoio, com muitos temendo que a China possa dominar essa indústria emergente. “A possibilidade da China controlar essa indústria é um motivador muito forte”, afirmou Gerard Barron, fundador da The Metals Company.

China deixa o mundo em alerta: gigante asiático mira fundo do oceano para extrair trilhões de nódulos de cobre, níquel, cobalto e manganês para tornar o mundo refém da sua supremacia em minerais críticos e operações militares (clickpetroleoegas.com.br)

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Cavalos, bicicletas e tecnologias com vontade própria

À medida que as ferramentas se superam, precisamos aprender ou reaprender a nos comunicar com cada uma

Crédito: Freepik


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PJ PEREIRA – Fast Company Brasil – 15-08-2024

Trocar programas tradicionais por novas ferramentas de IA é como substituir uma bicicleta por um cavalo. Se os programas antigos, como bicicletas, fazem exatamente o que queremos, também exigem que nossas “pernas” façam todo o esforço. Já a nova geração de aplicações inteligentes é como cavalos: têm seu próprio poder e tomam decisões inesperadas.

Essa mudança altera a relação entre humanos e máquinas, especialmente em tarefas criativas. Saber montar não significa conhecer uma forma de controlar todos os cavalos. Cada animal é diferente e, se nós estamos constantemente aprendendo a lidar com eles, eles também estão.

À medida que as ferramentas se superam, precisamos aprender ou reaprender a nos comunicar com cada uma. O comando que funciona para uma plataforma pode ser inútil em outra. Saber lidar com essas diferenças nos permite transitar melhor no nosso estábulo tecnológico.

Como nos preparar para esse mundo de cavalos digitais? Clareza. Essas “criaturas” contam com comandos precisos. Que se alguma coisa não foi explicada, é porque você não pensou a respeito, e é função dele tomar essa decisão. Se descreveu requerimentos demais, é função deles escolher o que ignorar.

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E se os cavalos contam que você foi tão claro quanto consegue ser, você também pode contar com algumas coisas do lado de lá:

– Evolução: essas “criaturas” aprendem rápido, se atualizam constantemente, muitas vezes sem aviso. Além das novas versões, há ajustes acontecendo nos bastidores, baseados no seu comportamento e em habilidades aprendidas por outros cavalos. (Surpresa: cavalos digitais se comunicam por telepatia!)

– Personalidades únicas: o mesmo comando em duas ferramentas pode gerar resultados diferentes. Compreenda essas diferenças e escolha o cavalo certo para cada tarefa.

– “Opinião”: bicicletas respondem como queremos. Se a pilotarmos para um despenhadeiro, ela vai. Cavalos, não. Isso pode ser incômodo, mas se você contar com esse atributo, ele pode ajudar. Talvez sua instrução esteja complexa demais, talvez não funcione. Entenda o porquê. Às vezes isso ajuda a refinar uma ideia.

Estamos entrando em um novo tipo de computação. Evoluímos de um mundo baseado em código, em que os computadores executam tarefas conforme programado, para um modelo baseado em aprendizado, no qual os programas evoluem conosco e com o mundo. Isso não os torna “vivos”, mas traz aspectos de como lidamos com seres vivos, nos preparando para a nova era digital.

Essas mudanças exigem reeducação. Não só para usar essa nova geração de ferramentas, mas para aprendermos, homens a máquinas, a poder contar um com o outro.


SOBRE O AUTOR

PJ Pereira é escritor, publicitário e co-fundador da Pereira O’Dell e da Silverside.AI

PJ Pereira, Autor em Fast Company Brasil

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Complacência com IA ameaça defesa

Nenhum desses drones ofensivos é fabricado nos EUA ou na Europa ocidental, uma grande fraqueza na base industrial e na postura militar do Ocidente

Por Charles Ferguson – Valor – 08/08/2024

Com o Ocidente forçado a confrontar a Rússia e a China, os conflitos militares revelaram grandes fraquezas sistêmicas nas forças armadas dos Estados Unidos e da Europa e em suas bases industriais de defesa.

Esses problemas decorrem de tendências tecnológicas fundamentais. Na Ucrânia, sistemas tripulados caros como tanques, aeronaves de combate e navios de guerra têm se mostrado extremamente vulneráveis a drones não tripulados baratos, mísseis de cruzeiro e mísseis guiados. A Rússia já perdeu mais de 8 mil veículos blindados, um terço de sua frota no Mar Negro e muitos aviões de combate, levando-a a deslocar seus sistemas tripulados caros para mais longe das zonas de combate.

Drones baratos produzidos em massa pela China, Rússia, Irã, Turquia e agora pela Ucrânia, se tornaram armas ofensivas fundamentais e ferramentas valiosas para vigilância, direcionamento e orientação. Frequentemente baseados em produtos comerciais amplamente disponíveis, os drones estão sendo produzidos aos milhões a um custo de apenas US$ 1 mil-50 mil cada. No entanto, nenhum desses drones é fabricado nos EUA ou na Europa ocidental – uma grande fraqueza na base industrial e na postura militar do Ocidente.

Embora seja fácil destruir os drones russos, chineses e iranianos com os sistemas ocidentais existentes, os custos são proibitivos – de US$ 100 mil a US$ 3 milhões por alvo. Essa relação insustentável é o resultado de décadas de complacência e ineficiência burocrática. Nenhum contratante ocidental tradicional produz um sistema anti-drone competitivo em termos de custo – embora várias startups dos EUA e Ucrânia os estejam desenvolvendo agora.

Pior ainda, essa situação é só um prelúdio para um futuro de armas autônomas não tripu tripuladas. A maioria dos drones atuais é controlada remotamente por um humano ou guiada de forma simplista por GPS ou mapas digitais. Mas novas tecnologias de Inteligência Artificial (IA) – baseadas em grande parte em produtos comerciais e pesquisas acadêmicas disponíveis publicamente – em breve transformarão a guerra, e possivelmente o terrorismo também.

Os drones habilitados por IA já podem operar em enxames altamente coordenados, permitindo, por exemplo, que um atacante cerque um alvo, impedindo sua fuga. O direcionamento em si está se tornando extremamente preciso – chegando ao nível de identificar o rosto de um indivíduo, uma peça de vestuário religiosa ou uma placa de veículo específica – e os enxames de drones são cada vez mais capazes de navegar por cidades, florestas e edifícios.

Produtos orientados por IA, tanto militares como comerciais, dependem de uma pilha tecnológica complexa e em camadas, na base da qual está o equipamento fundamental, os equipamentos para semicondutores (as máquinas de alta precisão que fabricam os chips), seguido pelos semicondutores (como os processadores de IA da Nvidia), centros de dados, modelos de IA e seus dados de treinamento, serviços de IA em nuvem, design de produtos de hardware, fabricação e engenharia de aplicação e sistemas.

EUA, Europa Ocidental, Taiwan e Coreia do Sul coletivamente ainda estão à frente da China (e da Rússia) na maioria dessas áreas, mas sua liderança está diminuindo e a China já domina os mercados mundiais de hardware de uso duplo produzido em massa, como drones e robôs.

A resposta ocidental a esse desafio tem sido lamentavelmente inadequada até agora. Os controles à exportação de tecnologias de habilitação de IA estão limitados aos equipamentos essenciais para a fabricação de semicondutores e processadores, e mesmo esses controles vem enfrentando resistência, ou sendo afrouxados e evitados. Embora a exportação de processadores de IA de ponta para a China tenha sido proibida, o acesso a serviços de nuvem dos EUA com o uso desses mesmos processadores continua aberto, e a Nvidia agora fornece à China processadores de IA quase tão poderosos, mas especialmente adaptados para se enquadrar nos controles às exportações dos EUA. Não há qualquer controle de exportação ou licenciamento em pesquisas, modelos ou dados de treinamento de IA.

Empresas individuais estão tentando vender o máximo possível para a China. Ao tentar obter a liderança diante de seus competidores imediatos, cada empresa enfraquece a posição de longo prazo de todas as outras, e, no final, a sua própria

Embora algumas empresas americanas, como Google, tenham mantido seus modelos de IA restritos e limitado o acesso chinês a sua tecnologia, outras fizeram o oposto. A OpenAI proíbe o acesso direto chinês a suas interfaces de programação de aplicativos (APIs), mas essas mesmas APIs permanecem disponíveis através da Microsoft. Enquanto isso, a Meta adotou uma estratégia de código aberto total para seus esforços em IA, e a firma de venture capital Adreessen Horowitz está fazendo lobby para evitar os controles de exportação (ou qualquer restriçãoo regulatória) sobre os modelos de IA de fonte aberta.

Os setores de tecnologia dos EUA e Europa estão assim se comportando como um pelotão de fuzilamento circular, com empresas individuais tentando vender o máximo possível para a China. Ao tentar obter a liderança sobre seus competidores imediatos, cada empresa enfraquece a posição de longo prazo de todas as outras, e, no final, a sua própria. Se isso continuar, o resultado previsível é que os EUA e a Europa Ocidental ficarão atrás da China – e até mesmo atrás da Rússia, Irã ou grupos terroristas descentralizados -, tanto em termos de guerra movida pela IA, como em aplicações comerciais de IA.

Muitos tecnólogos e gestores do Vale do Silício e organizações governamentais estão cientes desse risco, e muito perturbados por ele. Mas apesar de algumas iniciativas significativas (como a Unidade de Inovação em Defesa dentro do Pentágono), houve relativamente pouca mudança no comportamento do setor de defesa ou na política governamental.

Esta situação é particularmente absurda, dada a oportunidade óbvia para uma grande e extremamente vantajosa barganha: a aquiescência da indústria aos controles de exportação impostos pelo governo em troca de negociação coletiva apoiada pelo governo com a China em licenciamento de tecnologia, acesso ao mercado e outros benefícios comerciais. Apesar de algumas áreas de tensão genuína, há um grau surpreendentemente alto de alinhamento entre os interesses de segurança nacional e os interesses coletivos de longo prazo do setor de tecnologia do Ocidente.

A estratégia lógica é que o governo dos EUA e a União Europeia sirvam como agentes de barganha em nome da indústria ocidental ao lidar com a China. Infelizmente, não é para onde as coisas estão rumando no momento. Embora as autoridades e tecnólogos estejam acordando para a ameaça, a infraestrutura tecnológica essencial está agora avançando dramaticamente mais rápido do que os debates políticos e os processos legislativos – sem mencionar os ciclos de produtos do Pentágono e dos contratantes de defesa tradicional. O desenvolvimento da IA está progredindo tão rapidamente que até mesmo o sistema de startups dos EUA está tendo dificuldades para acompanhar. Isso significa que não há tempo a perder. (Tradução de Mário Zamarian)

Charles Ferguson, investidor em tecnologia e analista de políticas, é diretor do documentário vencedor do Oscar “Inside Job” (“Trabalho Interno”, no Brasil). Project Syndicate, 2024.

http://www.project-syndicate.org

https://valor.globo.com/opiniao/coluna/complacencia-com-ia-ameaca-defesa.ghtml

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Redefinindo o valor da experiência: o papel da geração 50+ na inovação

Profissionais 50+ trazem riqueza de conhecimento e resiliência. Eles combinam sabedoria com disposição para aprender e se adaptar


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Mórris Litvak Fast Company Brasil – 29-07-2024 

Em um mundo onde a inovação é frequentemente associada à juventude, é essencial reconhecer o valor inestimável da experiência.

Como CEO e fundador da Maturi, vejo diariamente o impacto positivo que os profissionais 50+ têm na transformação digital e na inovação.

O CENÁRIO ATUAL

Atualmente, a população 50+ representa uma parcela significativa da força de trabalho global. No Brasil, esse grupo é composto por mais de 55 milhões de pessoas, ou 26% da população. E esse número só tende a crescer, pois estamos passando por um rápido processo de envelhecimento populacional, especialmente acelerado aqui.

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Infelizmente, muitos desses profissionais enfrentam desafios no mercado de trabalho devido ao preconceito etário, também chamado de etarismo ou idadismo.

A CONTRIBUIÇÃO ÚNICA DA GERAÇÃO 50+

Profissionais 50+ trazem riqueza de conhecimento e resiliência. Eles combinam sabedoria com disposição para aprender e se adaptar. Casos inspiradores incluem:

  • Satya Nadella assumiu o cargo de CEO da Microsoft aos 46 anos e, atualmente com 56, continua a liderar a empresa em sua transformação digital, focando em inteligência artificial, computação em nuvem e sustentabilidade.
  • Diane von Fürstenberg, que criou o icônico vestido envelope, continua a liderar sua marca global de moda aos 77 anos. Ela se adapta às mudanças do mercado, incluindo a transformação digital no varejo de moda.
  • Luiza Helena Trajano, atualmente com 75 anos, é um dos nomes mais influentes do varejo brasileiro. Sob sua liderança, o Magazine Luiza se transformou em um gigante do comércio eletrônico, inovando constantemente em tecnologia e estratégias de mercado.
  • Vera Wang, que começou sua carreira como editora de moda, lançou sua primeira linha de roupas aos 40 anos. Aos 70, ela continua a liderar sua empresa de moda, inovando com novas linhas e colaborando com outras marcas para alcançar novos públicos.

Os maduros contribuem para qualquer ambiente com ativos importantes, como: experiência prática e visão estratégica e holística, capacidade de liderança e mentoria, alto nível de comprometimento, adaptação, rede de contatos e relacionamentos e diversidade de perspectivas, além de entender e atender melhor o consumidor 50+, o famoso mercado prateado, ou silver economy.

ESTRATÉGIAS PARA POTENCALIZAR A INCLUSÃO GERACIONAL

Empresas devem adotar práticas inclusivas, como programas de mentoria intergeracional e oportunidades de aprendizado contínuo. A Maturi, por exemplo, oferece cursos que ajudam profissionais a se atualizar em ferramentas digitais e inteligência artificial. Aqui estão algumas estratégias eficazes:

  • Letramento sobre diversidade etária: educação de todo o time sobre o tema, sensibilizando e trazendo para a consciência os vieses da idade, sempre com um olhar estratégico e apoio da liderança.
  • Mentoria intergeracional: conectar profissionais 50+ com mentores mais jovens pode ajudar a compartilhar conhecimentos e experiências valiosas em ambas as direções.
  • Capacitação contínua: investir em programas de educação continuada (lifelong learning) que atualizem as habilidades dos trabalhadores mais velhos para as demandas atuais do mercado.
  • Ambientes inclusivos: criar políticas e culturas corporativas que valorizem a diversidade etária e combatam o etarismo, adaptando processos, práticas e políticas, desde o plano de carreira a benefícios, passando pela integração com as demais gerações e demissão humanizada.

O FUTURO É INTERGERACIONAL

Segundo o estudo Rotas Diversidade e Longevidade 2035, realizado em 2020 no Brasil pelo Centro de Inovação Sesi Longevidade e Produtividade do Sistema Fiep do Paraná, a diversidade de gerações torna as equipes mais produtivas e criativas. Outros estudos de fora do Brasil têm mostrado que equipes com diferentes gerações devidamente integradas ajudam a empresa, inclusive, a ser mais lucrativa.

Para construir um futuro sustentável e inovador, é crucial abraçar a diversidade etária. A experiência da geração 50+ é um ativo poderoso, capaz de impulsionar a transformação digital e a inovação. Juntos, podemos criar um ambiente de trabalho mais inclusivo e dinâmico, onde a experiência e a inovação caminham lado a lado.


SOBRE O AUTOR

Mórris Litvak é fundador e CEO da Maturi, plataforma líder no Brasil para profissionais 50+. Engenheiro de Software pela FIAP, com pós-graduação em Gestão da Inovação Social pelo Amani Institute, é um empreendedor social dedicado a promover a diversidade etária nas empresas. Inspirado pela história de sua avó, passou a estudar longevidade, criando a Maturi para conectar profissionais experientes a empresas inovadoras. Mórris também leciona em cursos de pós-graduação em gerontologia nos Hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês, e no curso de Diversidade da Escola de Negócios da Aberje.

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Como a pequena economia da Suécia pode ensinar a Europa a ser competitiva novamente

Com apenas 10 milhões de habitantes, país tem lista de potências tecnológicas, como Spotify, Skype e a dona do jogo Candy Crush

Patricia Cohen Londres –  Folha/ The New York Times – 13.ago.2024 

A economia da Suécia, em muitos aspectos, sofreu as mesmas tribulações que o resto da Europa: recentes surtos de inflação esmagadora e recessão, e agora a perspectiva de um crescimento modesto em um mundo dividido por conflitos geopolíticos e econômicos. No entanto, o país nórdico possui uma lista de empreendedores de alta tecnologia que desperta a inveja de seus vizinhos. Spotify e Skype são marcas reconhecidas globalmente. Klarna, uma empresa de tecnologia financeira, e King Digital Entertainment, criadora do fenômeno dos videogames Candy Crush, são outros exemplos de potências tecnológicas locais.

“Eles têm algo —particularmente no setor de tecnologia— que outros países europeus realmente não têm na mesma medida”, disse Jacob Kirkegaard, pesquisador sênior do German Marshall Fund. Esse histórico empreendedor tem atraído atenção renovada em um momento em que as ansiedades estão aumentando em relação a capacidade da Europa de competir com os avanços tecnológicos americanos e chineses. Os Estados Unidos produziram uma geração de empresas como Google, Meta e Amazon, enquanto a cena tecnológica da China floresceu com empresas como Alibaba, Huawei e ByteDance, dona do TikTok

A Europa, é claro, tem seus próprios gigantes tecnológicos como a ASML da Holanda, líder global no setor de semicondutores. Mas, no geral, o continente é visto mais como um espectador do que como um inovador, conhecido mais por sua regulamentação agressiva de empresas de tecnologia estrangeiras do que por construir seus próprios negócios. O impacto econômico de ficar para trás é substancial, mas também tem importantes implicações sociais. Os formuladores de políticas europeias se preocupam com o efeito a longo prazo de depender de corporações estrangeiras para comunicação, redes sociais, compras e entretenimento, em vez de empresas com o que é amplamente referido como “valores europeus”. 

Esses valores incluem uma maior valorização pela proteção da privacidade, prevenção da disseminação de discursos de ódio e manutenção de fortes proteções trabalhistas e um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Críticos das políticas europeias de tecnologia reclamam do menor acesso ao capital de risco e de uma aversão cultural ao risco. Em muitos casos, trabalhadores de tecnologia europeus se mudaram para os EUA em vez de construir empresas na Europa. Mas a Suécia teve uma experiência diferente. Produziu mais unicórnios tecnológicos —startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão— per capita do que qualquer outro país da Europa depois da pequena Estônia, de acordo com um relatório sobre tecnologia europeia da empresa de investimentos Atomico. 

O país também ficou em quarto lugar no número de unicórnios, depois da Grã-Bretanha, Alemanha e França, países cujas populações são de seis a nove vezes maiores. Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu que está analisando a “crise de competitividade” para a União Europeia, recentemente apontou a Suécia como um exemplo a ser seguido. Seu setor de tecnologia é duas vezes mais produtivo que a média da União Europeia e oferece fortes programas sociais, observou. 

Em entrevistas, empreendedores, investidores e economistas concordaram que um ingrediente do sucesso da Suécia foram as iniciativas na década de 1990 que deram a uma ampla faixa da população acesso a computadores pessoais e banda larga. Na época, a maioria das pessoas estava apenas se acostumando com o ruído estridente dos modems de internet discada. Fredrick Cassel, 50, sócio da Creandum, empresa de capital de risco que investiu no Spotify e Klarna, disse que a capacidade de usar internet em casa o colocou no caminho para ser um investidor em tecnologia. 

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O impulso para colocar um PC em cada casa e construir conectividade deu à Suécia uma vantagem na produção de uma “geração de engenheiros”, disse Cassel. “Tenho dificuldade em ver isso acontecer sem essas duas infraestruturas em vigor.” O empreendedor tecnológico sueco Hjalmar Nilsonne teve uma experiência semelhante. Ele lembra de ter recebido seu próprio computador Pentium II HP em 1998, quando tinha 10 anos: “mudou minha vida ao me introduzir à programação e à internet.” 

Nilsonne fundou e depois vendeu a Watty e, recentemente, co-fundou uma startup chamada Neko Health com Daniel Ek, fundador e CEO do Spotify. “Ele teve exatamente a mesma história que eu”, disse Nilsonne sobre seu parceiro na Neko. “Começamos a mexer com computadores. Aprendemos a construir sites. Começamos a vender sites para amigos e familiares quando éramos adolescentes. Tudo isso foi possível porque tivemos acesso muito cedo à internet.” 

 Analistas também apontam para uma tradição na Suécia de investimento público e privado em pesquisa e desenvolvimento, que atualmente representa 3,4% do produto total, um dos maiores percentuais da Europa. Havia também um grande pool de ativos de fundações familiares como Wallenberg e Ikea, bem como um sistema de pensões controlado pelo governo que serviu como fonte local de capital de risco inicial na pequena nação. As empresas suecas sempre foram pressionadas a buscar clientes fora do país, que tem apenas 10 milhões de habitantes, disse Asa Zetterberg, diretora-geral da organização comercial TechSverige.

 Ela diz que isso forçou startups e indústrias a “serem competitivas na economia global.” Metade do produto interno bruto do país vem das exportações, e o setor de tecnologia representou 11% do total das exportações em 2022. 

Niklas Zennstrom, fundador do Skype e agora CEO da Atomico, disse que as startups podiam obter financiamento inicial, mas tinham muito mais dificuldade em conseguir financiamento para expansão na Europa em comparação com seus equivalentes nos EUA. A pressão por mais financiamento vem em meio a um impulso dos governos ao redor do mundo para direcionar mais fortemente o desenvolvimento econômico. 

Os EUA aumentaram os gastos com semicondutores, energia alternativa e veículos elétricos em centenas de bilhões de dólares para competir mais agressivamente com a China. Fundadores e investidores na Suécia apontaram repetidamente para o papel crucial que a ampla rede de segurança social do país desempenha em encorajar empreendedores a experimentar e correr riscos —apesar dos altos impostos necessários para financiar os programas. 

Um “sistema de bem-estar social” eficaz é a melhor maneira que o governo sueco pode incentivar o empreendedorismo e a inovação, disse Cassel. Educação, saúde e cuidados infantis gratuitos são alguns exemplos. “Você pode se dar ao luxo de correr riscos. Você não estará na rua se falhar”, disse ele. 

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/08/como-a-pequena-economia-da-suecia-pode-ensinar-a-europa-a-ser-competitiva-novamente.shtml

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The Economist: A China é agora o país líder mundial em cafeterias

Mas o chinês médio ainda consome muito menos do que um americano típico

Por Estadão/The Economist – 10/08/2024

A cidade histórica de Suzhou, a cerca de uma hora de carro de Xangai, é atravessada por canais. Antigos edifícios pintados de branco se alinham nas margens. Há um século, alguns deles seriam chaguans, ou casas de chá tradicionais, onde os habitantes locais se reuniam para discutir as notícias ou fazer negócios. Hoje, é mais provável que o visitante encontre lojas que servem um tipo diferente de bebida. Há dezenas de lojas da Starbucks em Suzhou, além de outros vendedores de café. Alguns até se parecem com antigos chaguans – pelo menos do lado de fora.

Entre 2010 e 2022, o consumo de café por pessoa na China quadruplicou, segundo a Organização Internacional do Café, um grupo de países produtores e consumidores – o PIB chinês por pessoa dobrou no mesmo período. O chinês médio ainda bebe uma fração da quantidade de café consumida pelo americano típico: 0,1 kg por ano em comparação com 4,7 kg.

Mas, no ano passado, a China ultrapassou os Estados Unidos, tornando-se o país com o maior número de cafeterias de marca (lugares como a Starbucks) do mundo, conforme informou o World Coffee Portal, uma empresa de pesquisa. A China abriga cerca de 50 mil estabelecimentos desse tipo.

Para você

A história inicial do café na China é imprecisa. Segundo alguns relatos, foram os dinamarqueses que abriram a primeira cafeteria no país na década de 1830. A bebida não pegou, em parte porque a dinastia Qing tinha uma visão negativa dos estrangeiros e procurava restringir sua influência. Um registro daquele período descreveu o café como um “licor negro, que os demônios estrangeiros bebiam após as refeições, dizendo que ele pode ajudar na digestão”.

Um século depois, Lu Xun, um célebre autor, escreveu que não bebia o produto: “Sempre achei que era para as excelências estrangeiras”. Ele e a maioria dos outros chineses preferiam chá.

Porém, depois que a China introduziu reformas no mercado e se abriu para o mundo na década de 1980, empresas estrangeiras como a Maxwell House e a Nestlé trouxeram o café instantâneo para o país. Elas atenderam aos gostos locais, tornando suas misturas mais doces e menos amargas do que as vendidas em outros lugares.

As cafeterias de estilo ocidental chegaram anos depois – a principal delas foi a Starbucks, em 1999. O café fresco da empresa era novidade na China. Ter um laptop em uma mão e uma xícara (relativamente cara) da Starbucks na outra tornou-se uma maneira de os jovens de classe média indicarem seu status.

O maior público consumidor de café ainda é o de “trabalhadores de colarinho branco em cidades de primeiro escalão com idade entre 20 e 40 anos”, segundo a Deloitte, uma empresa de consultoria. A experiência da China reflete a do Japão há cerca de 50 anos, quando o aumento da renda levou a um maior consumo de café. O aumento dos empregos de escritório – e das longas horas de trabalho – na China também alimentou a demanda.

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Hoje, porém, uma gama maior da população está participando graças ao aumento das cadeias de café domésticas que vendem bebidas a preços acessíveis. A líder é a Luckin Coffee, com mais de 20 mil pontos de venda. A Starbucks, em comparação, tem 7,3 mil lojas. Uma xícara de café básico da Luckin custa cerca de um terço do preço de uma oferta equivalente da Starbucks. As vendas da Luckin na China ultrapassaram as da Starbucks pela primeira vez em 2023. Ambas as redes estão se expandindo para cidades menores.

As empresas de café na China ainda estão tentando atender aos gostos locais. Uma inovação tem sido o “chá-café”, uma mistura que combina as duas bebidas. A Luckin serve bebidas como o Oolong Latte e o Jasmine Sea Salt Latte. Os oficiais da dinastia Qing certamente estão rolando em seus túmulos.

https://www.estadao.com.br/economia/the-economist-china-lider-mundial-cafeterias/

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Como a China desenvolveu sua capacidade tecnológica: aulas de química e laboratórios de pesquisa

Ao enfatizar a educação científica, a China está ultrapassando outros países em campos de pesquisa como a química de baterias, crucial para sua liderança em veículos elétricos

Por O Globo/The New York Times – 11/08/2024 

O domínio da China no mercado de carros elétricos, que ameaça iniciar uma guerra comercial, nasceu há décadas em laboratórios universitários no Texas, quando pesquisadores descobriram como fabricar baterias com minerais abundantes e baratos.

Recentemente, empresas chinesas desenvolveram essas descobertas iniciais, descobrindo como fazer com que as baterias mantenham uma carga poderosa e suportem mais de uma década de recargas diárias. Elas estão fabricando de maneira econômica e confiável um grande número dessas baterias, produzindo a maior parte dos carros elétricos do mundo e muitos outros sistemas de energia limpa.

As baterias são apenas um exemplo de como a China está alcançando — ou superando — as democracias industriais avançadas em termos de sofisticação tecnológica e manufatureira. Ela está alcançando muitos avanços em uma longa lista de setores, desde farmacêuticos até drones e painéis solares de alta eficiência.

O desafio de Pequim à liderança tecnológica que os Estados Unidos mantêm desde a Segunda Guerra Mundial é evidenciado nas salas de aula da China e nos orçamentos corporativos, assim como nas diretrizes dos mais altos níveis do Partido Comunista.

Uma parte consideravelmente maior de estudantes chineses se especializa em ciência, matemática e engenharia do que estudantes em outros grandes países. Essa proporção está aumentando ainda mais, mesmo com a matrícula no ensino superior como um todo tendo aumentado mais de dez vezes desde 2000.

Os gastos com pesquisa e desenvolvimento dispararam, triplicando na última década e colocando a China em segundo lugar, atrás dos Estados Unidos. Pesquisadores na China lideram o mundo na publicação de artigos amplamente citados em 52 das 64 tecnologias críticas, revelam cálculos recentes do Australian Strategic Policy Institute.

No mês passado, os líderes da China prometeram intensificar os esforços de pesquisa do país.

Uma reunião do Comitê Central do Partido Comunista da China, que ocorre uma vez a cada década, escolheu o treinamento e a educação científica como uma das principais prioridades econômicas do país. Esse objetivo recebeu mais atenção na resolução final da reunião do que qualquer outra política, exceto o fortalecimento do próprio partido.

A China “fará arranjos extraordinários para disciplinas e áreas de estudo urgentemente necessárias”, disse Huai Jinpeng, o ministro da Educação. “Vamos implementar uma estratégia nacional para cultivar talentos de alto nível.”

A maioria dos alunos de graduação na China se especializa em matemática, ciência, engenharia ou agricultura, de acordo com o Ministério da Educação. E três quartos dos doutorandos na China também fazem o mesmo.

Em comparação, apenas um quinto dos estudantes americanos de graduação e metade dos estudantes de doutorado estão nessas categorias, embora os dados americanos definam essas especializações de forma um pouco mais restrita.

Liderança em baterias

A liderança da China é particularmente ampla em baterias. De acordo com o Australian Strategic Policy Institute, 65,5% dos artigos técnicos amplamente citados sobre tecnologia de baterias vêm de pesquisadores da China, em comparação com 12% dos Estados Unidos.

Os dois maiores fabricantes de baterias para carros elétricos do mundo, CATL e BYD, são chineses.

A China tem cerca de 50 programas de pós-graduação que se concentram em química de baterias ou no assunto intimamente relacionado de metalurgia de baterias. Por outro lado, apenas alguns professores nos Estados Unidos estão trabalhando com baterias.

Os alunos de graduação nos Estados Unidos estão se interessando pela pesquisa de baterias, disse Hillary Smith, professora de física de baterias na Faculdade Swarthmore. Mas, acrescentou ela, “eles vão competir por pouquíssimas vagas se quiserem fazer pesquisa sobre baterias, e a maioria terá de escolher outra coisa”.

A crescente expertise da China em manufatura gerou um debate ativo em outros países, especialmente nos Estados Unidos, sobre se devem convidar empresas chinesas para construir fábricas ou tentar duplicar o que a China conquistou.

“Se os EUA quiserem construir uma cadeia de suprimentos rapidamente, a melhor maneira é convidar empresas chinesas, que irão configurar tudo muito rapidamente e trazer tecnologia”, disse Feng An, fundador do Innovation Center for Energy and Transportation, um grupo de pesquisa sem fins lucrativos em Pequim e Los Angeles.

A manufatura representa 28% da economia chinesa, em comparação com 11% nos Estados Unidos. A esperança da China é que investimentos em educação científica e pesquisa se traduzam em ganhos de eficiência que ajudarão a impulsionar toda a economia, disse Liu Qiao, reitor da Guanghua School of Management da Universidade de Pequim.

“Se você tem um grande setor de manufatura,” disse ele, “é fácil melhorar os níveis de produtividade.”

Questão geopolítica

No entanto, a competência da China em manufatura tornou-se uma questão geopolítica. Os subsídios e políticas do governo que ajudaram a impulsionar o boom das fábricas deixaram muitos outros países receosos em relação em aumentar as importações da China.

A União Europeia impôs tarifas provisórias sobre veículos elétricos da China. Nos Estados Unidos, que também usaram tarifas para bloquear efetivamente as empresas chinesas de veículos elétricos, a pressão política e comercial tem dificultado parcerias com fabricantes chineses de baterias.

Ainda assim, as empresas chinesas de baterias estão procurando maneiras de produzir nos Estados Unidos para o mercado americano. Construir e equipar uma fábrica de baterias para carros elétricos nos Estados Unidos custa seis vezes mais do que na China, disse Robin Zeng, presidente e fundador da CATL.

O trabalho também é lento — “três vezes mais demorado,” ele disse em uma entrevista.

Pesquisa e desenvolvimento

Os Estados Unidos ainda têm liderança sobre a China em gastos gerais com pesquisa, tanto em termos de dólares gastos quanto em relação à parcela da economia de cada país. Pesquisa e desenvolvimento representaram 3,4% da economia americana no ano passado, após vários anos de aumentos.

Mas a China está com 2,6% e está aumentando.

“O que acontecerá quando a China ultrapassar os EUA em P&D e eles tiverem a base de fabricação?”, perguntou Craig Allen, presidente do Conselho Empresarial EUA-China, que representa as empresas americanas que fazem negócios na China.

https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2024/08/11/como-a-china-desenvolveu-sua-capacidade-tecnologica-aulas-de-quimica-e-laboratorios-de-pesquisa.ghtml

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A nova era da educação: o conectivismo ou aprendizado pela experiência

A evolução das teorias educacionais reflete a crescente complexidade e sofisticação do processo de aprendizagem – e mostra que precisamos nos adaptar continuamente

Luís Rasquilha – MIT Sloan Review – 1 de agosto de 2024

A evolução da educação tem sido marcada por mudanças significativas nas teorias e nas práticas pedagógicas, refletindo as transformações sociais, tecnológicas e, principalmente, culturais. Em uma apresentação recente, a especialista em design educacional Rosan Bosch trouxe uma reflexão sobre a evolução das pedagogias. 

Isso reforçou o contexto de mudança que está transformando também a educação. Entramos em uma era conectivista, que se apresenta como o novo passo para a educação em vários níveis hierárquicos.

Quando se fala em evolução, devemos também avaliar as consequentes revoluções ou transformações, que se deram nestas etapas:

Behaviorismo (1890 – 1960)

O behaviorismo, ou comportamentalismo, dominou a educação entre o final do século 19 e meados do século 20. Baseando-se em trabalhos de pesquisadores como John Watson e B.F. Skinner, o behaviorismo focava no comportamento observável e nas respostas a estímulos externos. 

Suas principais características eram:

  • Reforço e punição: usados para moldar o comportamento. Comportamentos desejáveis são reforçados positivamente, enquanto comportamentos indesejáveis são desencorajados por meio de punições.
  • Aprendizagem mecânica: a aprendizagem é vista como um processo mecânico, em que respostas corretas são recompensadas.
  • Ensino programado: materiais educativos são estruturados para oferecer pequenos passos de instrução com feedback imediato.

Cognitivismo (1960 – 1980)

Com a ascensão do cognitivismo nos anos 1960, a ênfase mudou do comportamento observável para os processos mentais internos. Esse movimento foi influenciado por psicólogos como Jean Piaget e Jerome Bruner, que destacaram a importância da mente na aprendizagem. Entre suas principais características estão:

  • Processos mentais: foco em como as pessoas percebem, pensam, lembram e resolvem problemas.
  • Estruturas cognitivas: a aprendizagem é vista como a construção de estruturas cognitivas que ajudam na compreensão e organização do conhecimento.
  • Descoberta guiada: encoraja os alunos a descobrir princípios por si mesmos, com orientação e apoio do professor.

Construtivismo (1980 – 2020)

O construtivismo, que ganhou força a partir dos anos 1980, baseia-se no trabalho de Piaget e Lev Vygotsky. Essa abordagem enfatiza que a aprendizagem é um processo ativo e construtivo e tem atributos como:

  • Aprendizagem ativa: os alunos constroem seu próprio conhecimento através da experiência e reflexão.
  • Contextualização: a aprendizagem é contextualizada e significativa, envolvendo problemas reais e aplicações práticas.
  • Colaboração e interação social: a interação social e a colaboração são fundamentais para a construção do conhecimento.

Conectivismo (2020 – dias atuais)

O conectivismo é uma resposta às mudanças trazidas pela era digital e pelas tecnologias da informação. Promovido por teóricos como George Siemens e Stephen Downes, essa abordagem enfatiza a aprendizagem experiencial e a conexão em redes. Suas principais características incluem:

  • Redes de conhecimento: a aprendizagem ocorre em redes de informação e pessoas, e não apenas no indivíduo.
  • Tecnologia e conectividade: o uso de tecnologias digitais é essencial para acessar e compartilhar informações.
  • Aprendizagem ao longo da vida: a ênfase está na habilidade de aprender continuamente e adaptar-se a novas informações e situações.
  • Experiência prática: aprendizagem baseada em experiências práticas e resolução de problemas reais, muitas vezes em contextos colaborativos e interativos.

Princípios orientadores da educação

Essa nova realidade gera o que tenho definido como uma nova tese de princípios (ou manifesto) que orientam (ou deviam orientar) a educação, aplicáveis a todos os níveis da formação e intervalos etários e que são: 

  1. Experiência prática como fundamento: a educação deve se centrar na aplicação prática do conhecimento, com cursos que integram estudos de caso reais, simulações e projetos práticos para desenvolver habilidades imediatamente aplicáveis no ambiente de trabalho.
  2. Aprendizagem contínua e adaptável: a preparação para o futuro requer uma mentalidade de aprendizado contínuo. Os cursos devem ser flexíveis, adaptáveis e atualizados para acompanhar as mudanças rápidas e constantes nas indústrias e no mercado de trabalho.
  3. Desenvolvimento de competências essenciais: além do conhecimento técnico, é crucial desenvolver nas pessoas competências comportamentais como pensamento crítico, resolução de problemas, inteligência emocional, liderança e colaboração, para serem ágeis e eficazes
  4. Tecnologia como aliada: integrar a tecnologia de forma significativa nos cursos é essencial. A educação deve ensinar como utilizar as ferramentas tecnológicas e como aplicá-las de forma efetiva para impulsionar o desempenho e produtividade.
  5. Globalização e diversidade: a preparação para o futuro requer uma compreensão global e culturalmente diversa. Os cursos devem enfatizar a colaboração internacional, a compreensão intercultural e a capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares.
  6. Sustentabilidade e responsabilidade social: a educação deve abordar questões de sustentabilidade e responsabilidade social, preparando os alunos para tomar decisões éticas que considerem não apenas o lucro, mas também o impacto social e ambiental. 
  7. Networking e colaboração: incentivar a construção de redes de contatos e colaborações é crucial. Os cursos devem oferecer oportunidades para conexões profissionais significativas e colaborações que ampliem as perspectivas e possibilidades de negócios.
  8. Empreendedorismo e inovação: estimular a mentalidade empreendedora e a capacidade de inovação é fundamental. A educação deve encorajar a experimentação, a criatividade e a busca por soluções inovadoras para os desafios do mercado.
  9. Resiliência e adaptação: capacitar os profissionais a lidar com a incerteza e a mudança é essencial. A educação executiva deve promover a resiliência e a capacidade de se adaptar rapidamente a novos cenários e ambientes.
  10. Empoderamento pessoal e profissional: a educação deve visar não apenas o desenvolvimento profissional, mas também o crescimento pessoal, preparando os alunos para se tornarem líderes confiantes, éticos e preparados para os desafios do futuro.

Cada uma dessas etapas pedagógicas trouxe avanços importantes na maneira como compreendemos e praticamos a educação. 

Do foco no comportamento observável ao reconhecimento da importância das redes e da tecnologia, a evolução das teorias educacionais reflete uma crescente complexidade e sofisticação na maneira como abordamos o processo de aprendizagem. 

Hoje, o conectivismo e a aprendizagem pela experiência destacam a necessidade de se adaptar continuamente e se conectar em um mundo cada dia mais interligado.

Luís Rasquilha

CEO da Inova TrendsInnovation Ecosystem e professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Hospital Albert Einstein e Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP).

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Por que o mercado de tecnologia piorou para desenvolvedores e programadores? Entenda em 5 pontos

Estudo compara como salários encolheram e vagas diminuíram desde a onda de demissões

Por Guilherme Guerra – Estadão – 12/07/2024 

O mercado de tecnologia está mais difícil. Após a onda de demissões em massa iniciada em 2022, desenvolvedores e programadores estão vendo encolher seus salários, surgir menos vagas e presenciando mais dificuldades para novatos – é o que aponta o estudo “Guia Salarial Tecnologia 2024″, realizado pela consultoria brasileira Fox Human Capital e divulgado em reportagem na semana passada pelo Estadão.

Essas mudanças contrastam com os salários altos e benefícios diversos tão tradicionais no mercado de tecnologia. Segundo o relatório da Fox Human, essas características ainda são verdadeiras, pois ainda se trata de uma área promissora. Mas as negociações entre empresas e candidatos, nos últimos anos, está mais equilibrada, com as empresas ganhando mais poder na conversa.

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A mudança começou em 2022. Esse foi o ano em que se deu início à alta dos juros globais e em que as companhias de tecnologia começaram a notar menor demanda por seus serviços digitais, altamente utilizados durante a pandemia de covid-19. O cenário desafiador forçou essas empresas a buscar maior eficiência na operação, bem como reduzir custos, realizando demissões e enxugando áreas que não eram tão lucrativas. Consequentemente, equipes ficaram menores, e a demanda por novos profissionais diminuiu.

“O mercado de trabalho corrigiu as distorções nos salários após os layoffs”, explica Filippe Apolo, um dos coordenadores do estudo da Fox Human Capital, da qual o executivo é fundador e sócio. “Antes, estava desequilibrado e irracional. Havia uma discrepância nos salários. E o mercado corrigiu o excesso de profissionais recebendo muito dinheiro.”

Para você

Abaixo, veja cinco pontos para entender o que mudou no novo mercado de tecnologia.

Redução de salários

Com as demissões em massa, as empresas de tecnologia repensaram os salários de novos funcionários contratados. E o ajuste foi negativo para muitas categorias, segundo aponta o estudo da Fox Human Capital.

Salários para desenvolvedores full stack, front end e back end com mais tempo de carreira (sênior) subiram, em média, 12% de 2022 para 2024. Já os novatos (juniores e plenos) viram encolher em 14,5%, em média.

Diminuição de vagas

Companhias de tecnologia também estão contratando menos pessoas da área de programação, buscando mais eficiência e redução de custos. Para desenvolvedores, isso significa que as vagas estão mais disputadas.

O mercado de recrutamento em tecnologia contrasta com o que se via até 2022. Antes dessa época, as empresas estavam em crescimento acelerado, muito por conta do impulso exigido pela digitalização causada pela pandemia de covid-19.

Profissionais que executam funções mais repetitivas estão mais ameaçados

Filippe Apolo, sócio da Fox Human Capital

Novatos com mais dificuldades

Desenvolvedores juniores são os mais afetados pelas mudanças no mercado de tecnologia. Isso porque, para as empresas, em um cenário de menos contratações, é mais eficiente contratar profissionais mais velhos, tidos como mais qualificados para resolver grandes problemas de programação.

Chegada da inteligência artificial (IA)

A inteligência artificial (IA) pode prejudicar também os próprios funcionários de tecnologia. Na área, ferramentas que ajudam a escrever linhas de código começam a se popularizar, como o copiloto do GitHub ou o próprio ChatGPT.

“Os profissionais que executam funções mais repetitivas estão mais ameaçados”, explica Filippe Apolo. “Há três anos, um desenvolvedor demorava três a quatro horas para codar uma linha. Hoje, com IA, ele demora 20 ou 30 minutos para realizar o mesmo trabalho.”

Há um lado bom: vagas para quem trabalha com IA (como cientista de dados e especialistas em aprendizado de máquina) estão em alta.

Salário emocional

Para compensar o cenário de piora para os funcionários, empresas de tecnologia adotaram o que a consultoria Fox Human chama de “salário emocional”.

Salário emocional refere-se ao conjunto de benefícios que vão além do holerite mensal, como assistência médica, vale-transporte, vale-refeição e afins. Outro fator é o ambiente de trabalho, o que inclui o enfoque em saúde mental e em políticas de trabalho remoto.

“No momento em que os salários estão em baixa, olhar para o salário emocional é uma forma de atrair bons profissionais. Nossas empresas precisam ‘sambar’ mais para competir com as empresas que pagam em dólar, trazendo diferenciais como programas de diversidade, por exemplo”, diz Apolo. “Salário emocional é acolhimento, perspectiva, benefício. A companhia que não tiver vai perder competitividade no mercado.”

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